Consciência iluminada pela Verdade, que é Jesus Cristo.

março 6th, 2010

DSC01864Quando grande parte das pessoas reclama da ausência de referências e indicadores do caminho para a verdadeira felicidade, quando o nosso país se vê em meio a tantos escândalos com os nossos representantes políticos, quando somos surpreendidos por atitudes de pessoas que deveriam defender os direitos humanos, a dignidade da pessoa, somos obrigados a nos perguntar sobre até quando esta barbárie na consciência das pessoas durará? Até quando “os planos de morte”, e não da defesa dos direitos humanos, não terão mais espaço nas consciências de pessoas tão inteligentes? Não nos é difícil encontrar uma resposta: Trata-se de colaborar para que a consciência do homem seja iluminada com a Verdade. Não a verdade individualista, fruto de uma “ditadura da autonomia” pessoal ou coletiva, pois não podemos negar que exista uma consciência coletiva que maquina o mal e quer destruir o homem em nome dos interesses de uma minoria, mas, a verdade que provém do amor, Deus é amor (I Jo 4,8).

Mais do que nunca nos perguntamos: onde estão os profetas do nosso tempo? Será que simplesmente falamos dos mártires cavaleiros? Dos heróis desbravadores da história? Dos que deram a vida nas arenas e coliseus? Simplesmente não! Perguntamo-nos pelos mártires batizados, chamados a dar testemunho da fé que receberam da Igreja! Perguntamo-nos pelos que vão à Santa Missa cada Domingo, pelos que fazem o sinal da cruz diariamente, pelos que se debruçam no presépio, pelos que celebram a noite da páscoa, os que se dizem devotos de Maria, dos Santos, dos Anjos, dos homens e mulheres de fé que a história nos legou! Perguntamo-nos pelos católicos, mesmo os que sempre reclamam da vida, do mundo, da Igreja, da violência e dos que não querem mais saber de Deus ou que pretendem “viver a vida sem estarem presos a uma moral religiosa”, às obrigações de fé, mas, no entanto, sempre assumem que são católicos! 

Temos necessidade de amigos de Deus, de pessoas que compreendem que a fé e suas implicações não podem estar dissociadas da existência concreta, das vicissitudes da vida humana. Não queremos somente falar de Santa Teresinha, de Madre Teresa de Calcutá, de João Paulo II, de Dom Hélder Câmara ou mesmo de Dom Oscar Romero, eles continuam referenciais e luzeiros seguros para a nossa geração, mas queremos também falar dos homens e mulheres do anonimato, dos que estão em nossa casa, na sala de aula, no ônibus, no cursinho, na faculdade, no trabalho, na festa, no bate-papo da web. A ação da graça de Deus e a evangelização devem passar por esses homens e mulheres, não distantes, mas próximos a nós. Outro dia uma pessoa me dizia: “Amigo, em Jesus Cristo e mediante a Sua graça, quero dar a minha vida para que outros vivam melhor e, sobretudo, vivam em Deus, sejam felizes! Quero dar a minha vida para que a mentira não prevaleça, ainda que nas pequenas coisas, entre meus amigos, na minha casa, na minha vida” E pensei comigo: É isto, Senhor! Esta é a motivação profética de que precisamos nas consciências cristãs de hoje. Destas “pessoas anônimas” é que o mundo precisa. Um anonimato que faz diferença, porque quem é batizado, na verdade, não é anônimo, mas está ligado à família das testemunhas da esperança, testemunhas da verdade, que é uma Pessoa, Jesus Cristo. Jesus é a Verdade que deve iluminar toda consciência humana.

“Senhor, deixa a figueira ainda este ano. Vou cavar em volta dela e colocar adubo. Pode ser que venha a dar frutos. Se não der, então tu a cortarás” (Lc 13, 9). A justiça humana não é redentora, mas a justiça de Deus o é. No entanto, que a nossa fé e convicções não nos faça omissos. Foi o apóstolo quem disse: Vou cavar em torno dela e adubá-la, Senhor, para que dê frutos. Caso contrário, deves arrancá-la. Há uma parte indispensável que Deus não quer fazer por nós porque “somos livres em meio a homens livres”, mas nossa liberdade tem um distintivo: a Verdade, Jesus Cristo!  

Imagem: Lila (Consagrada na Comunidade de Vida Shalom) rezando por uma pessoa, enquanto participava do Renascer 2010, Brasília.

Antonio Marcos
Missionário na Comunidade de Vida Shalom

A caridade é a alma da castidade

março 6th, 2010

DSC06857Diz uma canção: “Pois só preso a Ti eu serei livre para amar…”

O caminho da castidade não é prisão, evidentemente, mas liberdade em Jesus Cristo, o referencial para o amor a Deus e aos irmãos. “A castidade é entendida como transparência do amor, olhos límpidos e coração puro que permitem ver Deus na vida humana, feita de conflitos e desamor, às vezes de ódio e violência”, diz Frei Sciadini, O.C.D.

Lamentamos que muitas pessoas, especialmente os jovens e mesmo pessoas que vivem uma consagração específica na Igreja, se autoacusem por não conseguirem, algumas vezes, fazerem dos seus atos, manifestações de uma vida pura. Acaba-se tendo mais confiança nas nossas possibilidades do que na graça e na misericórdia de Deus. Os sacerdotes são testemunhas silenciosas das lágrimas dos jovens e do coração partido por não conseguirem viver a castidade, embora desejem tanto, se esforcem tanto, aspirem tanto. É doloroso perceber e conviver com uma fragilidade que nos machuca o coração e a alma, mas é mais doloroso viver na desesperança, no desânimo quanto à mudança que tanto queremos.

E então, devemos desanimar do nosso processo de conversão? Jamais! Não podemos negligenciar o nosso processo de formação e conversão na castidade. O que quero dizer é que não podemos julgar uma pessoa por alguns dos seus atos, pois não são poucos os que se esforçam para se apresentarem puros por causa dos seus atos e palavras, simplesmente, mas que trazem um coração não casto, uma mente suja, preconceitos diversos, amizades egoístas, olhares que condenam, sentimentos que os deixam aprisionados, vida paralisada, sem doação, sem o dinamismo do amor e da oferta de vida. Você poderia me perguntar: mas isto não é contraditório? Nós damos o que temos! Como posso ser casto no coração se minha vida na prática não corresponde? Eu também já me fiz essa pergunta muitas vezes!

Na verdade, não se trata de contradição quando falamos ser possível existir um coração casto, ainda que os seus atos, algumas vezes, não correspondam. Claro, estou falando de quem está em processo, não de quem está se deleitando com suas mazelas e de quem desistiu de lutar para fazer das relações, das opções e do modo de ser aquilo que dita as concupiscências. Estou falando do amor casto, que é diferente de uma vida simplesmente de atitudes, de gestos e palavras. Não é simplesmente a exterioridade que nos leva a dar a vida, mas é o “amor casto que nos leva a oferecer a nossa vida numa atitude de martírio, agindo como Jesus: Não há maior amor do que dar a vida por aquele que se ama”. Portanto, a castidade por ela mesma não salva, apenas nos dá uma fachada de santos, puros. O que salva é o amor, pois a caridade é a alma da castidade!

Agora entendemos melhor quando diz a canção: “Pois só preso a Ti eu serei livre para amar…”. Agora entendemos “os límpidos e o coração puro”. Ser livre para amar é estar preso a Jesus Cristo, ao Seu amor e à Sua misericórdia, que não nos trata como exigem nossas faltas. Ser livre para amar é nos libertarmos de uma concepção de santidade simplesmente de gestos e palavras, pois é do coração do homem que sai o que o mancha de verdade, disse Jesus. Deus nos quer santos, castos no corpo e na alma, nos gestos e palavras também, mas para isso quer nos dar os mesmos sentimentos de Jesus Cristo, que amou além das aparências, repudiou os corações soberbos, prepotentes, e se maravilhou com os corações simples, humildes, sinceramente arrependidos e desejosos de mudar de vida, ainda que suas atitudes os tenham deixados longe da salvação segundo o que outros pensavam ser castidade, amor e santidade. A caridade é a alma da castidade!   

Imagem: Jovens do Projeto Juventude para Jesus, Missão Shalom Brasília, Renascer 2010. 

Antonio Marcos
Missionário na Comunidade de Vida Shalom

Tudo deixar e outra vez partir! Eis-me aqui, Senhor!

março 5th, 2010

P1010513“Pai santo, não peço que os tires do mundo, mas que os livres do maligno. Não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Consagra-os com a verdade: tua palavra é verdade. Como tu me enviaste ao mundo, eu os envio ao mundo” (Jo 17, 15-18).

Para nós, irmãos e irmãs da Comunidade Católica Shalom, vivendo nosso chamado específico como “Comunidade de Aliança” ou “Comunidade de Vida”, renovamos cada início de ano, de forma particular, o mandato missionário, o estar disponível outra vez para sermos enviados pelo Senhor, para onde quer que a Igreja necessite de nós. Cada um de nós tem motivos abundantes para dá testemunho das maravilhas de Deus. A missão não se trata de um peso, de uma morte ou mesmo de “uma prova de Deus” ou da nossa família, que é a Comunidade, mas se trata de uma experiência de sermos outra vez acolhidos no amor de Deus, chamados por Ele, capacitados pela Sua graça para irmos ao mundo anunciar o Seu amor. Amor este que é doação, serviço, esquecimento de Si para a salvação do homem. A missão é também, e especialmente, uma questão de gratidão e dever: “Não posso guardar para mim o imenso tesouro que encontrei, Jesus. Tenho de anunciá-Lo!”.  

Os irmãos e irmãs da Comunidade de Aliança renovam cada ano a missão de serem batizados dentro de uma vocação na Igreja, luz no mundo através do dom shalom. São assim sinais do amor de Deus em suas famílias, lares, trabalhos e ambientes sociais. Isto também se dá por meio do partir em missão, segundo o chamado de Deus e a disposição em respondê-Lo com alegria, quer individualmente, quer em família.  Já os irmãos da comunidade de Vida, deixando tudo, estão agora inteiramente disponíveis para a missão. É muito gratificante renovar a missionariedade. É muito gratificante poder dizer como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, Senhor, envia-me!”. “Não é fácil, mas eu desejo, eu quero, eu vou”, porque a Tua vontade é a minha felicidade, e a minha felicidade é estar a serviço do teu amor.

A nós, missionários do Reino e trabalhadores da vinha do Senhor, não esqueçamos: os laços construídos, os trabalhos começados ou concluídos, as sementes plantadas…, nada foi por acaso, nada é acidente, tudo é providência. Deus cuida de concluir a Sua Obra Nova nas nossas vidas. Temos a certeza confiante de que, partir ou ficar, tudo só tem sentido se for por amor a Jesus e ao coração do homem que, por sua vez, muito necessita conhecer a Deus. A bondade de Deus, Seu cuidado e desígnio para com as nossas vidas não caem no esquecimento, mas permanecem dentro do  mistério da Sua eleição. Não tenhamos medo, pois somos os mais necessitados em tudo deixar e outra vez partir. E tudo deixar e outra vez partir, só vale a pena se for por amor a Deus! Eis-me aqui, Senhor, envia-me!

Imagem: Jovens da Comunidade de Vida e Aliança Shalom, Reciclagem Quixadá 2009.

Antonio Marcos
Missionário na Comunidade de Vida Shalom

Árvore enrijecida, voltai para o alto!

março 3rd, 2010

Muitas vezes é assim que nos encontramos: uma árvore enrijecida, curvada para baixo! Temos consciência do mistério da nossa vida e até nos maravilhamos pelos feitos de Deus, pelas suas vitórias em nós. No entanto, quando nos deparamos com nossas fraquezas e limites, somos tentados a olharmos para nós com desdém, ignorando assim que é a misericórdia de Deus e sua graça que nos sustentam. Onde nós estaríamos se não tivéssemos sido resgatados pelo amor gratuito de Deus e pela sua misericórdia que “não nos trata como exigem nossas faltas?”. Quem é capaz de dizer que já está pronto, acabado, amadurecido em todas as dimensões? Quem não precisa voltar cada dia para a lei da gravidade chamada: misericórdia de Deus? Creio que ninguém!

Não podemos idolatrar nossas fraquezas e nem fazer vista grossa. Estamos aqui para crescermos, para amarmos, para sermos santos. As purificações, humilhações e correções são mesmo dolorosas, tantas vezes, mas não estão fora de uma pedagogia amorosa de Deus. As lágrimas também podem esconder um coração, uma alma e um corpo sendo trabalhados no escondimento. Nunca se torna fácil percebermos nossas incoerências, nossas omissões e paralisias, mas Deus nos ama e não quer nos destruir, mas que sejamos felizes na Sua vontade e não na vontade que simplesmente achamos ser a melhor para nós. Mas Deus respeita sempre nossa liberdade, porque é amor! Ele nos criou para grandes ideais e deseja que eles comecem na simplicidade de cada dia, no esforço para sermos melhor, mais humildes e santos, verdadeiros amigos Seus. Mas não esqueçamos: a obra é de Deus e não puramente das nossas mãos!

Por mais que sejamos fracos, queiramos amar, acolher e perdoar os que nos são difíceis, ou que tenham nos machucado. Nem sempre conseguimos dar passos, é verdade, pois em vez de crescermos para o alto, vamos nos encurvando sobre nós mesmos, no nosso mundinho de dores, ressentimentos, queixas ou insatisfações, sonhos e planos míopes. O tronco parece amadurecido, mas os galhos não dão sombra favorável ao descanso dos outros porque estão secos ou encurvados sobre o tronco, portanto, atrofiados. Esta árvore enrijecida deve endireitar-se e crescer para o seu devido lugar: o céu! Deve ser exposta ao sol da misericórdia de Deus. Não se trata de um fenômeno biológico, mas de uma exposição à graça de Deus. Trata-se de um sair de si em direção ao Outro (Deus) e ao outro (meu irmão), por mais que este outro se apresente desconexo dos nossos interesses e simpatias. Árvore enrijecida, voltai para o alto! Coração encurvado, voltai o vosso olhar e vossas forças para a luz do amor de Deus.    

Antonio Marcos
Missionário na Comunidade de Vida Shalom

Neste Blog abordaremos questões sobre valores humanos e religião à luz do pensamento e da fé católica, na perspectiva dos desafios hodiernos.
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