* Pesquisa revela que 73,5% da população brasileira é contrária à legalização do aborto.

fevereiro 8th, 2010

Apesar do lobby abortista no Brasil, o país com a maior quantidade de católicos no mundo, e da recente tentativa do governo Lula através do 3º PNDH, a 100ª Pesquisa CNT/Sensus confirma que a maioria do povo brasileiro segue sendo contrária à legalização do aborot no país.

A pesquisa de opinião pública, foi realizada pela SENSUS a pedido da Confederação Nacional do Transporte no período de 25 a 29 de Janeiro de 2010, foi publicada na segunda-feira, 1 de fevereiro, e afirma que 73,5% dos pesquisados são contra a legalização do aborto e 22,7%, a favor.

Em nota enviada pelo grupo pró- vida brasileiro MDV (Movimento em defesa da vida), informou-se que em 2003 o Ibope divulgou pesquisa específica sobre a questão aborto. Do total de 2.000 entrevistados, 34% afirmou ser favorável a total proibição do aborto no Brasil, em qualquer circunstância. Apenas 10% do total afirmou ser desejável ampliações permissivas na prática do aborto, entre essas permissões estaria a não-punição da mulher e do médico no caso de aborto por má formação fetal.

A mesma pesquisa informa também que o porcentual de brasileiros favoráveis tanto à legalização do aborto quanto à pena de morte cresceu na última década. Segundo a pesquisa da CNT/Sensus, divulgada esta semana, entre janeiro de 2001 e janeiro de 2010, subiu de 39,4% para 41,2% a taxa dos brasileiros à favor da pena de morte. Em relação à legalização do aborto os números da investigação apontam que 17,7% eram favoráveis em janeiro de 2001, enquanto no 2010 o porcentual subiu para 22,7%.

Essa pesquisa, mais detalhada, foi encomendada pela Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), uma ONG pró-aborto e também está disponível na internet no link: http://www.ipas.org.br/arquivos/CCR_Resumo_Ibope.doc

O relatório síntese da pesquisa – que compara os dados de 2010 com 2001 – pode ser lido em formato PDF no site da CNT/Sensus: http://www.cnt.org.br/portal/img/arquivos/Relatorio Sntese.pdf
Mesmo considerando a margem de erro da pesquisa (3%), observa-se que os índices se mantém estáveis pela rejeição à legalização do aborto no Brasil.

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* Papa: A Igreja “não deixa e não deixará de deplorar e condenar” o comportamento de alguns sacerdotes que violaram os direitos da criança.

fevereiro 8th, 2010


Na abertura da Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, o Pontífice lembrou que a Igreja, “ao longo dos séculos”, trabalhou para preservar “a dignidade dos direitos dos menores e, de muitas maneiras, tomou conta deles”.

“Infelizmente, alguns dos seus membros, agindo em contraste com este empenho, violaram tais direitos”, lamentou o líder católico, que anunciou também a divulgação nas próximas semanas de uma carta pastoral a respeito do escândalo sexual em que a Igreja Católica se envolveu na Irlanda.

O caso veio à tona com a publicação de um relatório elaborado pela juíza Yvonne Murphy. O documento contém provas da existência de um esquema por meio do qual sacerdotes e autoridades policiais teriam encoberto casos de pedofilia por mais de 40 anos. Ao todo, 46 padres estão sendo investigados.

No discurso de hoje, o Papa também ressaltou que “sustentar a família e promover o seu verdadeiro bem” é “a melhor maneira de proteger os direitos e as autênticas exigências dos menores”.

“Um ambiente familiar não sereno, a divisão dos pais e, em particular, a separação com o divórcio não deixam de trazer consequências para as crianças”, alertou Bento XVI em seu discurso. Por esse motivo, segundo ele, é preciso preservar a família “fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher”.

O Pontífice enfatizou a necessidade de as crianças “morarem, crescerem e viverem” junto com os pais, uma vez que “as figuras materna e paterna são complementares na educação dos filhos e na construção da sua personalidade e da sua identidade”.

Bento XVI lembrou ainda a Convenção sobre os Direitos da Criança elaborada pela ONU e “acolhida com favor pela Santa Sé”. O texto “contém enunciados positivos sobre a adoção, os cuidados sanitários, a educação, a violência, o abandono e abusos sexual e do trabalho”, observou.

(ANSA)

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* O ambiente ajuda na aprendizagem? Onde você estuda?

fevereiro 8th, 2010

Quem puder corrigir..

Quem puder corrigir..

Recentemente, fui convidado pelo Magdalen College, uma Faculdade católica de Artes Liberais da cidade de Warner, New Hampshire, para falar sobre o tema: “Qual é a verdadeira crise moral?” Ao voar de volta e pensar sobre a minha estadia ali, reparei que tinha recebido dos estudantes pelo menos tanto quanto procurara dar-lhes – e talvez mais.

Magdalen fez-me lembrar de uma verdade perene central que, tal como o pássaro de São Beda, costuma fugir da mente se não se reflete sobre ela: a de que os estudantes não conseguem crescer em solo infértil.

Ao chegar em casa, um amigo perguntou-me se tudo tinha corrido bem. Respondi-lhe que sim: “Em Magdalen, o solo era fértil, a semente tinha vida, os agricultores eram fortes, entusiastas e competentes, os estudantes eram dóceis e a colheita foi copiosa”. Inspirado nesse solo rico, escrevi uma carta ao Presidente do College, Jeffrey J. Karls, em que resumia a minha experiência:

“Os seus alunos, criados em boas famílias católicas, foram-lhe confiados pelos pais para se tornarem membros da ampla família de Magdalen – in loco parentis. Como filhas e filhos adotivos, tomaram contacto com a beleza do campus, com a capela de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, com a liturgia e música sacras, com os trajes civilizados, com as boas maneiras e com o ensino excelente – todo o fértil solo de Magdalen. E isso produziu bons frutos. Demonstram-no a caridade e o zelo de sua faculdade em dar o que tem – a sabedoria –, e a docilidade e alegria que os seus estudantes põem na busca dessa sabedoria, como pude observar nas duas aulas que vi serem ministradas, bem como nas conversas que tive com os alunos fora da sala de aula. E tudo acompanhado de muita educação, sinal de verdadeira caridade posta em prática”.

Creio que foi G.K. Chesterton quem disse certa vez, naquele seu estilo inimitável, que na educação o ambiente – o solo – é quase tudo. Nisso posso perdoar a Chesterton a sua costumeira tendência ao exagero retórico, pois frisava um ponto importante: de fato, o solo, se não é quase tudo, é pelo menos a coisa mais importante. E o Magdalen College sabe disso: coisa que muitos educadores de hoje esquecem ou, pelo menos, negligenciam.

Contrariamente à opinião de Chesterton, muitos educadores modernos parecem pensar que o ambiente em que se dá a educação aos nossos estudantes conta muito pouco ou nada. A tradição educativa do Ocidente está certamente do lado de Chesterton, ou melhor, ele é que está do lado dela.

Começando por Platão, o primeiro grande comentarista da educação, a tradição nos ensina que os estudantes não conseguem desenvolver-se em solo estéril; que o ambiente do campus onde são educados é de primordial importância para que a educação liberal produza o seu fruto.

E qual é o fruto próprio da educação liberal? A nossa tradição clássica e cristã nos diz que a educação liberal é a arte de tornar o homem melhor enquanto homem, para que assim possa viver uma vida melhor. É também a arte que possibilita ao homem adquirir as virtudes ou hábitos morais e intelectuais. Essas virtudes são os princípios absolutos e universais que regem a educação enquanto arte: são o significado da sua pretensão de tornar o homem melhor. Pois a educação liberal – do latim líber, livre – prepara a pessoa em função do seu próprio bem, e não apenas para algum trabalho.

É a educação de um homem livre, e não de um escravo. Por isso, ao contrário de um escravo, o homem que recebeu essa educação vive por si próprio, no sentido exposto por Marcus Berquist: “compreende interiormente a finalidade da sua vida e a assume na sua própria pessoa”.

A educação liberal forma o intelecto e as virtudes intelectuais. Robert Maynard Hutchins, explicando o enfoque tradicional da educação liberal, aponta: “Ao falar de virtudes intelectuais, refiro-me aos bons hábitos intelectuais.

Das cinco virtudes intelectuais que os antigos distinguiam, três eram virtudes especulativas: o conhecimento intuitivo, que é o hábito da indução; o conhecimento científico, que é o hábito da demonstração; e a sabedoria filosófica, que é o conhecimento – ao mesmo tempo científico e intuitivo – das coisas de natureza mais alta: os primeiros princípios e as causas. As outras duas virtudes correspondem ao intelecto prático: a arte, que é a capacidade de agir conforme o verdadeiro curso do raciocínio, e a prudência, que é a reta razão quanto ao que se deve fazer”.

No entanto, a educação liberal não menospreza a força da vontade – fonte primária da moralidade –, nem, muito especialmente, o cultivo prático das três virtudes morais cardeais – a temperança, a justiça e a fortaleza – que resumem todos os outros valores morais.

Embora ao longo da história da educação liberal tenha havido muita discussão quanto ao ensino dessas virtudes morais – como devem ser ensinadas e se, a rigor, podem mesmo ser ensinadas –, há um consenso geral de que o intelecto tem de estar envolvido no cultivo da vontade. Como diz o antigo ditado, “o intelecto propõe e a vontade dispõe”.

Mark Van Doren comenta a propósito da vontade e do intelecto: “Sem capacidade de abstração, ficaríamos ofuscados ao ver as coisas, tal como o homem de Platão quando sai da caverna. O que não vemos é a natureza daquilo que vemos. «Virtude é conhecimento», disse Sócrates, ao explicar que o ignorante não pode ser corajoso, pois a coragem consiste em saber o que se deve e o que não se deve temer.

A educação moral nada mais é do que reflexão. O método mais seguro de educação moral consiste em ensinar a pensar. Como dizia Pascal, «trabalhemos, pois, para bem pensar: eis o princípio da moral»”.

Consta da declaração de princípios educacionais do Magdalen College que o seu Programa de Estudos “se baseia na visão clássica e cristã da educação liberal”, em coerência com o dito socrático: “uma vida irrefletida não é uma vida digna”. Por isso, anuncia que a sua missão é capacitar os estudantes a “viverem bem a vida”, o que é justamente a finalidade última da educação liberal.

O Programa foi montado para realizar essa tarefa ajudando os estudantes na aquisição das virtudes intelectuais: “como questionar e como participar no discurso racional; como pensar e como aprender; como defender opiniões e como chegar à verdade; como analisar e como sintetizar”. Isso, por sua vez, irá prepará-los para as virtudes morais, pois, como acabamos de ver, “pensar bem é o princípio da moral”.

A tradição classificou a Educação como uma arte cooperativa, juntamente com a Medicina e a Agricultura. Essas artes são cooperativas no sentido de que o professor, o médico e o agricultor cooperam com a Natureza para a consecução de seus fins respectivos: o aprendizado, a saúde e a obtenção dos frutos da terra. A Natureza por si própria é capaz de chegar a essas metas, mas alcança-as melhor através desses artistas, que atuam como instrumentos secundários ao exercerem as suas capacidades.

Por causa da semelhança entre ensinar e plantar, o próprio Cristo fez uma analogia entre essas atividades na Parábola do Semeador, a fim de instruir os Seus discípulos na arte que em breve passariam a praticar pregando o Evangelho. A Parábola do Semeador ensina a importante verdade de que, assim como o solo deve ser rico para que a semente lançada pelo semeador crie raízes e produza fruto abundante, da mesma forma o estudante deve ser dócil ao ouvir as palavras de quem ensina para que elas criem raízes e produzam o seu fruto nele: o fruto do entendimento. Cristo diz: e a semente que cai em terra boa são aqueles que ouvem a palavra e a põem em prática, e dão fruto: uns trinta, uns sessenta e outros cem por um.

A tradição ensina que a docilidade é uma virtude moral, um cume entre dois vícios opostos: a subserviência e a indocilidade. O estudante dócil é aquele que tem o nível adequado de respeito pela autoridade do professor, que é quem semeia a palavra. Se o estudante exagerar na sua dependência dessa autoridade corre o risco de simplesmente ouvir a verdade tal e como o mestre a enuncia, e depois confiá-la à memória sem fazer nenhum esforço por compreendê-la por si mesmo. Isto não é ensino: é doutrinação. Por outro lado, se o estudante não respeita a autoridade do professor, não irá sequer escutá-lo e, em conseqüência, permanecerá na ignorância ou no erro. Estes dois vícios conduzem a efeitos negativos bem conhecidos, ao passo que a docilidade – o nível adequado de respeito pela autoridade do professor – conduz à verdadeira educação.

O Magdalen compreende a docilidade e a valoriza nos seus estudantes. Parte da sua pedagogia consiste em que os alunos leiam os “Grandes Livros” em pequenas sessões com os professores, nas quais estes procuram fazê-los descobrir a verdade em conversas de estilo socrático. A respeito disso, o programa comenta: “Uma vez que viver melhor pressupõe uma busca pessoal dos princípios que integram a nossa existência, os estudantes devem aprender a descobrir e avaliar esses princípios. E o conseguirão na medida em que se fizerem dóceis como as crianças“.

Mas como tornar o aluno dócil às palavras do professor? Deve-se deixar isso inteiramente ao acaso, ou os educadores – tal como os agricultores – devem cultivar cuidadosamente o solo educacional em que se encontram imersos os estudantes, com a intenção de os expor à verdade, ao bem e à beleza, para que assim possam mais facilmente tornar-se receptivos à palavra do professor?

Platão, na República, responde: “Não permitamos que os nossos guardados cresçam no meio de imagens de deformação moral, como ocorre em certos pastos ruins, e ali mordisquem e comam, dia após dia e pouco a pouco, ervas e flores prejudiciais e venenosas, até acumularem silenciosamente uma massa de podridão que fermenta nas suas almas”.

Platão afirma além disso que os educadores, tal como os artistas, devem produzir por meio da razão o rico solo em que os seus educandos podem absorver “a graça e a beleza verdadeiras” e “o bem em todas as coisas”. Então “a beleza moldará a sua alma desde os primeiros anos, em conformidade e harmonia com a beleza da razão”.

E o que pressagia esse rico solo para o estudante cuja alma foi moldada “em conformidade e harmonia com a beleza da razão”, e que por isso mesmo está apto para uma verdadeira educação? Quem for educado num ambiente onde se cultive corretamente a verdade, o bem e a beleza, argumenta Platão, “adquirirá bom gosto” nas artes, “tornar-se-á nobre e bom”, e “saudará a sua amiga , com quem convive desde há muito tempo graças à educação”.

Em poucas palavras: pela influência desse rico solo, o estudante tornar-se-á dócil, ou seja, capaz de ser ensinado. Conseqüentemente, não somente respeitará a sua “amiga razão”, mas também o representante dela – o professor –, que deposita a semente na sua alma para que aí lance raízes e produza frutos de sabedoria. Vê-se portanto que Platão e a tradição confirmam aquilo que Chesterton diz e que o Magdalen sabe: que na educação o solo é realmente o mais importante. Descrevendo o seu ambiente educativo, o College articula essa verdade perene: “Na sala de aula, espera-se que haja respeito para com todas as pessoas e uma vigorosa busca da verdade. Nas atividades em comum, todos são convidados a participar e os estudantes podem crescer nas virtudes enquanto se divertem e convivem com os colegas. No refeitório praticam-se as boas maneiras e o serviço ao próximo. As residências conservam-se limpas e em ordem, e dá-se incentivo aos bons hábitos de estudo. Por toda parte, vão-se formando verdadeiras e duradouras amizades e consegue-se obter um sólido rendimento acadêmico”.

Nos tempos que correm, e em que esses conceitos são freqüentemente esquecidos, é animador saber que há um pequeno College de Artes Liberais que responde ao apelo “do Coração da Igreja” (Ex Corde Ecclesiae) e o põe em prática.

Magdalen é um diamante aos pés do monte Kearsarge, em Warner, cidade de New Hampshire.

Anônimo

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* Santo Agostinho: O Cristianismo como verdadeira religião.

fevereiro 8th, 2010

Há uma interessante discussão entre Santo Agostinho e o filósofo pagão Marcos Terêncio Varrão (116-27 a.C.), no livro “A Cidade de Deus”, do santo doutor de Hipona. Primeiro Agostinho expõe o pensamento de Varrão e depois irá argumentar a favor do cristianismo como vera religio.

Aquele filósofo tinha a visão estóica de Deus e do mundo. Deus era para ele entendido como “animam motu ac ratione mundum gubernantem” (”alma que governa o mundo por meio do movimento e da razão”). Essa alma do mundo não era objeto de culto para eles, quer dizer, verdade e religião, inteligência racional e ordenamento do culto estavam em âmbitos diferentes. Dessa forma, a religião não pertence ao âmbito da realidade (res), mas ao âmbito dos costumes (mores).

Sendo assim, não foram os deuses que criaram o Estado, mas foi este que estabeleceu os deuses que deveriam ser adorados, para assim manter a ordem do Estado. A religião é pois um fenômeno político.

Segundo Varrão há três tipos de “teologia”: a theologia mythica, a theologia civilis (politikéé) e a theologia naturalis (φυσιkή). Os teólogos da primeira são os poetas, são os cantores de Deus; os teólogos da segunda são os filósofos, isto é, os sábios que, indo além do costume indagam a realidade, a verdade; os teólogos da teologia civil são os “povos”, que, na sua escolha, não aderiram aos filósofos (e à verdade), mas aos poetas, às suas formas e imagens.  A teologia mítica corresponde ao teatro, que possuía uma característica inteiramente religiosa e cultual; a teologia política corresponde à urbe, porém o espaço da teologia natural seria o cosmos. A teologia mítica teria como conteúdo as fábulas criadas pelos poetas; a teologia estatal, o culto; a teologia natural responderá à pergunta: quem são os deuses?

Dessa forma, a teologia natural seria a desmitologização, o esclarecimento (Ilustração) que vê criticamente para além da aparência mítica e supera pelas ciências da natureza. Culto e conhecimento aqui se separam: o culto permanece necessário como conveniência política; o conhecimento atua como destruidor da religião, e por isso, não pode ser anunciado em público. Varrão ainda diz que a teologia natural ocupa-se da “natureza dos deuses” (que no existem) e as outras duas tratam da divina instituta hominum (as instituições divinas dos homens).  Com isso “a teologia não possui, nenhum deus, apenas ‘religião’; a ‘teologia natural’ não tem religião, apenas uma divindade”.

Santo Agostinho situa o cristianismo, segundo a tríade de Varrão, sem nenhuma dúvida no âmbito da “teologia física”, isto é, no âmbito do esclarecimento filosófico. Com isso continua a tradição antiga, de Paulo (Rom 1) aos apologistas do século II, que, por sua vez, seguem a teologia sapiencial do Antigo Testamento (e os Salmos). Sendo assim, o cristianismo encontra sua preparação interior no conhecimento filosófico e não nas religiões. Para Agostinho, pois, o monoteísmo bíblico se identifica com os conhecimentos filosóficos sobre a razão de ser do mundo.

Dessa forma, a religião cristão não se baseia em poesia ou em política, mas o seu fundamento é o verdadeiro conhecimento. No cristianismo, o conhecimento racional tornou-se religião, e não seu adversário. O cristianismo entendeu-se, desde o início, como a vitória sobre o mito, como vitória do conhecimento, como vitória da verdade e por isso, deve-se considerar a si mesmo como universal, como aquilo que todos os povos buscam. O cristianismo deve ser levado a outros povos, não pela força, mas como a verdade que torna supérflua a aparência. Por isso, o cristianismo é visto como intolerante com os deuses, como inimigo das religiões, até mesmo foi considerado “ateísmo”, pelos pagãos. O cristianismo assim perturbava o aproveitamento político das religiões. O cristianismo colocava em perigo as bases do Estado, não querendo ser uma religião entre as religiões, mas a vitória do conhecimento sobre as religiões.

Quando o Deus alcançado pelo pensamento vem ao nosso encontro no interior de uma religião, como o Deus que age e fala, então pensamento e fé se reconciliam. A partir de Cristo, o monoteísmo judaico torna-se universal, e a unidade do pensamento e a fé, a religio vera, é acessível a todos. Os primeiros cristãos (até a Idade Média) estavam convencidos que o cristianismo era filosofia, a perfeita filosofia, isto é, a filosofia que atingiu a verdade. A filosofia era entendida, então, como arte de viver e morrer corretamente, o que é alcançado só pela luz da verdade.

Da união entre o conhecimento e a fé a teologia cristã trouxe as seguintes correções na idéia filosófica de Deus antiga: 1) o Deus adorado pelos cristãos é realmente natura Deus (Deus por natureza) diferente dos deuses míticos e políticos. Ao mesmo tempo os cristãos sabiam que non tamen omnis natura est Deus (nem tudo o que é natureza é Deus). Deus é Deus por natureza, mas a natureza, enquanto tal, não é Deus. Dá-se então uma separação entre a natureza que engloba tudo e o ser que a fundamenta e lhe dá seu origem. Só assim se separam física e metafísica, natureza criada e Deus criador. Só ao Deus que é reconhecido na natureza (por meio do nosso pensamento) é adorado; 2) o Deus que antecede à natureza, como nos diz a Bíblia, se volta para o homem, não é mera natureza, mas entrou na história, veio ao encontro do homens, que por isso, podem encontrá-lo. Dessa forma o conhecimento racional pode tornar-se religião, porque o próprio Deus do conhecimento entrou na religião.

A conclusão é que no cristianismo o vínculo da religião com a metafísica e o vínculo da religião com a história se harmonizam. A partir de então a metafísica e história passam a constituir a apologia do cristianismo como vera religio. Com o Cristianismo razão e fé se encontram em harmonia, esse encontro “construiu o Ocidente”, renovou a cultura, transformou os povos, unindo-os em uma grande família, apesar de todas as resistências. Segundo Ratzinger, as Universidades, surgidas na Idade Média cristã tiveram a sua origem na pergunta socrática: que é o homem? Só no seio do cristianismo, quando fé e razão se encontraram, se pôde buscar com seriedade uma resposta a essa pergunta.

Bibliografia:

RATZINGER, J. Fé, Verdade Tolerância: o Cristianismo e as grandes religiões do mundo. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lulio, 2007.

Discurso do Santo Padre Bento XVI para o Encontro na Universidade de Roma “La Sapienza”. 17 de janeiro de 2008.

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* Onde estão as Crianças? População mundial: do auge ao fracasso

fevereiro 8th, 2010

Por Pe. John Flynn, L.C.

As Nações Unidas acabaram de publicar um relatório chamando atenção sobre o rápido envelhecimento da população mundial. Pouco depois do começo do ano, o Departamento de Assuntos Econômicos publicava seu relatório “Envelhecimento da População Mundial 2009”.

Entre os principais resultados do relatório estavam os seguintes pontos:

-   O envelhecimento atual não tem comparativos com a história. É esperado que, para o ano de 2045, o número de pessoas com mais de 60 anos supere o número de menores de 15. Nas regiões mais desenvolvidas, onde se tem avançado o envelhecimento, essa situação já aconteceu em 1998.

-   A idade média atual do mundo é de 28 anos, com a metade da população mundial acima dessa idade e outra metade abaixo. Na metade do século a idade média chegará provavelmente aos 38 anos.

-   O envelhecimento está afetando quase todos os países do mundo, devido à diminuição de fertilidade que tem se tornado quase universal.

-   O envelhecimento terá uma forte impacto no desenvolvimento econômico, investimentos, mercados trabalhistas e fiscais.

-   Dado que a taxa de fertilidade é pouco provável que suba novamente para os níveis elevados do passado, o envelhecimento é irreversível e as populações jovens, algo até recentemente comum, serão mais raras no século XXI.

- No âmbito mundial, existe atualmente cerca de 9 pessoas na idade de trabalho que sustentam cada pessoa idosa. Em 2050, cairá para 4, com consequências graves para o sistema de pensões. Além disso, a atual crise econômica trará um grave declínio do valor dos fundos de pensão.

Mais relatórios

Outros relatórios recentes da ONU examinam em maior profundidade os problemas demográficos de cada país. Um estudo do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP), nomeado “Rússia frente aos Desafios Demográficos”, previu que a população vai continuar a diminuir, informou em 4 de outubro Associated Press.

Segundo a UNDP, a população da Rússia baixou 6,6 milhões desde 1993, apesar do afluxo de milhões de imigrantes. O relatório advertiu que em 2025 o país poderia perder outros 11 milhões de pessoas.

As consequências de tal redução serão, segundo a UNDP, o corte de mão de obra, o envelhecimento da população e o menor crescimento econômico. Em 2007 a Russía era o nono país do mundo em população. Em 2050, as Nações Unidas estimam que a Rússia irá ocupar o posto de décimo quinto na lista, com uma população menor do que o Vietnã.

A Rússia necessita reduzir seu alto índice de abortos para contrapor a tendência de diminuição da população, advertia a ministra da Saúde do país, Tatyana Golikova, informou em 18 de janeiro France Presse.

Golikova declarou que em 2008 houve 1.714.000 nascimentos na Rússia e 1.234.000 abortos.

Em sua análise de 20 de janeiro às declarações de Golikova, o centro de geopolítica Strarfor observava que, ainda que a ministra anuncie que em 2009 houve um ligeiro aumento da população da Rússia entre 15 a 25 mil habitantes, isso se deve a causas extraordinárias.

O aumento se deve, em parte, aos incentivos do governo para que os russos voltem a seu país desde as antigas repúblicas soviéticas. Depois de vários anos desse fluxo migratório, o número de russos que querem voltar diminuiu com rapidez.

Outra causa do ligeiro aumento da população é que o grupo de idade entre 20 e 29 anos soma cerca de 17% da população e se demonstra bastante fértil. A geração nascida antes dessa, no entanto, foi muito menos.

Falta de meninas

Ainda que o Vietnã esteja a ponto de superar a Rússia, o excesso de abortos naquele país está causando graves problemas, segundo o relatório de agosto de 2009 publicado pelo Fundo de População das Nações Unidas.

O estudo “Mudanças recentes na proporção entre os sexos nos nascimentos no Vietnã. Uma Revisão de Evidências”, examinava o problema dos abortos seletivos por sexo.

Normalmente a proporção dos sexos ao nascer (definida como o número de meninos nascidos por cada cem meninas), está entre 104-106/100.

Essa proporção, explicava o informe, é, em circunstâncias normais, bastante estável ao longo do tempo, em regiões geográficas, continentes, países e raças.

Os estudos sobre a porcentagem de sexos revelaram uma mudança inesperada, que começou nos anos oitenta em alguns países asiáticos, comentava a agência das Nações Unidas. “Junto ao declínio de fertilidade, essa tendência está se estendendo por países com grandes populações da Ásia, ameaçando assim a estabilidade demográfica mundial”, continuava o relatório.

No Vietnã, a proporção entre os sexos ao nascer para o ano de 2006 foi de 110/100 crianças do sexo masculino. Segundo o relatório, a mudança na proporção começou faz cerca de uma década e atualmente está aumentando em quase um ponto por ano. Nesse ritmo atual de mudança, a proporção pode superar a marca de 115 em alguns anos, estabelecia o relatório.

Se essa tendência não se inverter, o Fundo de População adverte que em 2025 o Vietnã terá um excesso significativo de população masculina. Isso terá muitas consequências negativas para o país e afetará especialmente a população adulta jovem no momento de se casar.

O fenômeno de “falta de meninas” é bem conhecido na China. Um relatório recente confirmava a prática de abortos seletivos por sexo. A Academia Chinesa de Ciências Sociais afirmou que haverá mais de 24 milhões de homens que não poderão encontrar uma esposa no final dessa década, informou em 12 de janeiro o jornal Times.

A reportagem culpava por esse desequilíbrio a política da chinesa de ter somente um filho.

“O problema é mais grave nas zonas rurais, devido à falta de um sistema de segurança social”, indicava a reportagem. “Os camponeses idosos têm de se confiar na sua descendência”, observava.

Segundo o artigo do Times, um especialista chinês afirma que em 2006 a proporção de sexo havia aumentado para 120/100.

Declínio

No país vizinho, Japão, a população segue diminuindo. Um editorial publicado em 15 de janeiro no jornal Japan Times indicava que as estimativas do ministério de Saúde, Trabalho e Bem Estar da nação calculam que em 2009 a população diminuirá em 75 mil pessoas, que é 1,46 vezes o declínio de 2008.

Segundo o editorial, o Instituto Nacional de Investigação de População e Segurança Social estima que a população do Japão cairá dos 100 milhões em 2046 para 90 milhões em 2055. A população atual se estima em cerca de 128 milhões.

Enquanto surgem cada vez mais elementos de preocupação por envelhecimento de população do mundo e a diminuição dos índices de fertilidade, o governo dos Estados Unidos está no meio de uma dramático aumento de seu apoio à anticoncepção e ao aborto por todo o mundo.

A 8 de janeiro, a secretária de Estado, Hillary Clinton, discursou com ocasião do décimo quinto aniversário da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento que teve lugar em 1994 no Cairo, Egito.

Em sua intervenção, celebrava uma das primeiras atuações do presidente Barack Obama em seu cargo, que foi suspender as restrições de financiamento do governo federal às organizações que financiam o aborto nos países em desenvolvimento.

Também observava que os Estados Unidos renovaram seu financiamento ao Fundo de População das Nações Unidas e que o Congresso destinou 648 milhões de dólares em ajuda ao exterior para programas de planejamento familiar e saúde reprodutiva.

Prometeu ainda mais ajudas no futuro para levar ofertas de anticoncepcionais a todas as mulheres de cada nação. E também destacou o trabalho que o governo dos Estados Unidos está conduzindo junto à International Planned Parenthood Federation, conhecida por realizar milhões de abortos por ano.

O entusiasmo atual por fazer todo o possível para baixar a fertilidade está movido claramente por motivos ideológicos que não param para considerar as consequências econômicas de políticas que conduzem a um rápido declínio de fertilidade em um curto período de tempo.

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* Tribunal europeu julga contra religião nas carteiras de identidade na Turquia.

fevereiro 8th, 2010

Um tribunal europeu ordenou à Turquia a eliminar a seção de filiação religiosa das carteiras de identidade dos cidadãos, afirmando que a prática é uma violação dos direitos humanos.

As minorias religiosas e, em especial, cristãos convertidos na Turquia têm enfrentado discriminação por causa da declaração obrigatória de religião em suas carteiras de identidade, que foi aplicada até 2006. Desde então, os cidadãos estão autorizados a deixar o campo “religião” da sua carteira de identidade em branco.

O acórdão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (ECHR) “é uma coisa boa”, disse Zekai Tanyar, presidente da Aliança Protestante Turca, citando preconceitos contra cristãos convertidos.

“[A religião na carteira de identidade] pode custar o emprego das pessoas”, disse ele. “Tem sido usada para decidir se uma pessoa consegue um emprego ou não, como as pessoas olham para eles, se elas são aceitas para um posto de trabalho ou um processo seletivo de algum tipo. Portanto, eu acho que [a decisão] é uma coisa boa e adequada”.

Tanyar disse que os mesmos princípios se aplicam no caso dos muçulmanos que vivem em um país que tinha preconceitos contra os mesmos. Para os convertidos na Turquia, ter de declarar a sua religião nas suas carteiras de identidade, “na prática, e na experiência das pessoas, tem sido negativo.”

A decisão do ECHR veio depois de um turco muçulmano apresentar uma petição impugnando a sua carteira de identidade, que declarou a sua religião como “Alevi” e não muçulmano. Os alevis praticam uma forma de islamismo xiita, que é diferente do da maioria muçulmana sunita.

O tribunal decidiu em uma votação de 6 contra 1 que qualquer menção de religião em uma carteira de identidade violava os direitos humanos. O país foi considerado estar em violação da Convenção Europeia dos Direitos Humanos – da qual a Turquia é uma das signatárias – especificamente o artigo 9º, que trata da liberdade de religião e de crença; artigo 6º, que está relacionado ao devido processo legal, e artigo 12, que proíbe a discriminação.

A presença da “religião” na carteira de identidade turca, obriga as pessoas a divulgar, contra sua vontade, informação sobre um aspecto de suas convicções pessoais, o tribunal decidiu.

Embora o governo tivesse argumentado que a indicação da religião nas carteiras de identidade não obrigava os turcos a divulgar suas convicções religiosas, o ECHR considerou que o Estado estava fazendo avaliações da fé de pretendentes a cargos públicos, violando assim o seu dever de neutralidade e imparcialidade.

Em um comunicado sobre a decisão desta semana, primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan disse que a decisão estava em consonância com as intenções do governo.

“Eu não vejo a decisão da ECHR como anormal”, disse ele, segundo o jornal turco Taraf. “Não será muito importante se ele for removido”.

O ECHR é independente da União Europeia, que a Turquia pretende aderir. As sentenças do ECHR são vinculativas para os membros do Conselho da Europa, da qual a Turquia é membro, e devem ser implementadas.

Um Passo na Direção Certa

Advogados de direitos humanos elogiaram a decisão da ECHR, dizendo que é um pequeno passo na direção da democracia e do secularismo na Turquia.

“Isso está relacionado com a liberdade religiosa geral em nosso país”, disse o advogado de direitos humanos Orhan Kemal Cengiz. “Eles assumem que todos são muçulmanos e escrevem isso automaticamente em sua carteira de identidade, de modo que este é um bom lembrete de que, em primeiro lugar, nem todo mundo é muçulmano neste país e, segundo, que ser um muçulmano não é uma parte indispensável de ser turco “.

O advogado disse que o acórdão teria implicações positivas para as minorias religiosas na Turquia, que estão sujeitas à intolerância da população de maioria muçulmana.

Em 2000, a vizinha da Turquia, Grécia, um país de maioria cristã ortodoxa, tirou a seção de religião das identificações nacionais a fim de cumprir as normas europeias de direitos humanos e das convenções, causando tumulto entre os nacionais.

“Na Turquia, Grécia ou qualquer outro país europeu, racismo ou a intolerância e a xenofobia não são ocorrências raras se a [religião] é escrita em seu cartão e, se você é um grupo minoritário, faz de você mais suscetível a comportamentos racistas, xenófobos ou outros comportamentos intolerantes”, Cengiz disse. “Há momentos em que a declaração [religiosa] pode ser muito perigosa”.

Implicações internacionais
Ainda não se sabe qual, eventualmente, seria o efeito da decisão do ECHR sobre o resto do Oriente Médio.

Devido à sua história, poder econômico e localização estratégica, a Turquia é vista como líder na região. Como a Turquia, muitos países do Oriente Médio têm um lugar para filiação religiosa em seus cartões de identificação. Ao contrário da Turquia, declarar a filiação religiosa é obrigatório na maioria desses países e é quase impossível mudar, mesmo sob ordem judicial.

Segundo a Human Rights Watch (HRW), a identificação religiosa é usada como uma ferramenta para negar emprego e até direitos básicos ou serviços para as minorias religiosas em muitos países do Oriente Médio.

“É um problema sério do ponto de vista dos direitos humanos”, disse Joe Stork, diretor adjunto para o Médio Oriente e o Norte da África para a HRW, uma organização internacional de direitos humanos. “É especialmente problemático quando essa exigência torna-se uma base para a discriminação”.

Stork disse que carteiras de identidade não devem ter declaração de religião de jeito nenhum. Ele disse que a decisão europeia pode eventualmente ser utilizada em argumentos jurídicos nos tribunais do Oriente Médio, mas haverá um longo tempo antes da mudança ser realizada.

“O governo egípcio não vai acordar amanhã e dizer: – Poxa, vamos fazer isso’”, disse Stork.
Egipto, em particular, é notório por usar a religião em carteiras de identidade com o fim de sistematicamente discriminar os cristãos coptas e convertidos ao cristianismo. Apesar de tomar um dia para mudar a religião do cristianismo ao islamismo em sua carteira de identidade, o inverso é praticamente impossível.

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* Igreja Anglicana mantém plano de ordenar bispas.

fevereiro 8th, 2010

A Igreja Anglicana continua com seu plano de promover mulheres ao bispado, apesar das fortes objeções dos tradicionalistas, informa hoje o jornal britânico “The Times”.

Os opositores da proposta advertiram que uma medida dessa, esperada para hoje mesmo na assembleia geral da Igreja, vai provocar um êxodo em massa de fieis em direção ao Vaticano.

Segundo ressalta “The Times”, o bispo de Manchester, Nigel McCulloch, anunciará aos participantes da assembleia anglicana, realizada em Londres, que fracassaram os esforços de impedir a ordenação de mulheres.

No entanto, será pedido às futuras bispas que deleguem sua autoridade a outros bispos para atender àquelas paróquias que se neguem a aceitá-las, mas não se criará uma estrutura paralela de bispos e arcebispos tradicionalistas.

Os tradicionalistas argumentam que Jesus Cristo não teve discípulas e que a sucessão apostólica deve ficar em mãos masculinas.

A decisão que será anunciada hoje pelo bispo de Manchester e que ratificará a assembleia em julho abre caminho para a consagração de mulheres como bispas dentro de apenas dois anos.

Entre as primeiras mulheres que poderiam obter tal distinção estão a cônega Jane Hedges, da Abadia de Westminster, e sua colega Lucy Winkett, da Catedral de São Paulo, em Londres.

Um possível efeito dessa decisão será aumentar o número de anglicanos que aceitarão a oferta do papa Bento XVI de se converterem ao catolicismo.

Os católicos romanos do Reino Unido criticaram o arcebispo anglicano de York, John Sentamu, por ter dito na semana passada que os anglicanos que aceitarem o convite do papa não seriam “católicos como Deus manda”.

EFE

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* Desabafo de um protestante quase arrependido …

fevereiro 7th, 2010


Nilton de Freitas

A cada dia me envergonho mais de ser um evangélico, e creio que grande parte seja causada pelo sentimento de vergonha alheia. Que fique bem claro que eu não me envergonho de ser um Cristão, de seguir o estilo de vida proposto pelo maior revolucionário de todos os tempos.

Que se saiba também que eu não estou apostatando da fé, mas estou é desistindo, aos poucos de ser um evangélico, de seguir modelos ultrapassados, de receber continuamente um convite à alienação, e ver que a última coisa que se faz na maioria das igrejas evangélicas é cultuar o nome de Deus por intermédio do exemplo do Cristo.

Cito abaixo algumas rasões pelas quais, caso eu já não fosse um destes, eu não me tornaria um evangélico.

1. Porque não nos cansamos de pregar o mesmo evangelho da bênção, o mesmo evangelho da prosperidade, nos esquecemos do evangelho da compaixão, da caridade, nos esquecemos que a maior mensagem é a do amor. Aliás, até nos lembramos do amor, do insano amor ao dinheiro, e vamos enchendo nossos templos, inflando nossos egos e comprando mais e mais horários na tv e no rádio para anunciar ao mundo o nosso deturpado evangelho.

2. Porque os santos evangélicos abdicamos do exercício de nossa suposta santidade quando a coisa diz respeito a conviver com o diferente. Por que nós pregamos sobre a passagem do bom samaritano mas sempre nos comportamos como levita e o sacerdote omisso. Achamos linda a maneira com a qual Jesus realizava milagres entre prostitutas e leprosos, mas não conseguimos fazer o mesmo com os excluídos desse tempo.

3. Porque os evangélicos sabemos que para Deus não importa o lugar da adoração, se é em Samaria ou em Jerusalém, mas continuamos a ensinar que para adorar de verdade tem que ser na igreja, com fundo musical com bastante glória e aleluia e ainda chamamos isso de verdadeira adoração.

4. Porque fazemos de nossos cultos verdadeiros shows, um espetáculorecheado de histerias, com direito a saltos, gritos,  e ainda olhamos para quem não o faz como se ele fosse um estranho.

5. Porque sempre pregamos dizendo “Essa é uma verdade que a bíblia nos revela” quando queremos que deem atenção ao que estamos falando, mas no fim das contas quase nunca damos a devida atenção a Cristo que é a verdade revelada.

6. Porque usamos para símbolos de nossas igrejas sempre uma pomba, um foguinho, uma espada, uma sarça e coisas parecidas e esquecemos que o símbolo maior é a cruz, onde foi consumada uma história de dedicação pelo outro em amor, protagonizada por Jesus.

7. Porque somos sectaristas, não aceitamos o cristianismo dos católicos, não aceitamos o cristianismo das outras denominações e muitas vezes não aceitamos o cristianismo do irmão sentado ao lado de nós no templo.

8. Porque criticamos a idolatria aos santos, não conseguimos muitas vezes enxergar a arte nas esculturas e pinturas da ICAR. Mas além disso, nós mesmos somos muitas vezes os maiores idólatras, pois quando não exaltamos a Paipóstolos e bispos a torto e a direito, criamos modelos infalíveis de contato com Deus e a esses modelos adoramos.

9. Porque teimamos, em nossa ilusão religiosa, em achar que há duas classes de pessoas, os bons e os maus, e que os bons são os que são parecidos conosco, e os maus todo o restante.

10. Porque cremos numa conversão que é expressa em abandonar memórias, acontecimentos prazerosos do passado, e mais ainda, transformamos toda e qualquer forma de prazer em pecado, e a cada dia vamos inventando pecados novos, vivendo na graça mas se deleitando na lei por detrás da moita. E nesse modelo de conversão nem mesmo nós sabemos ao certo do que estamos nos libertando.

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* O Homem precisa de Deus para ser ele mesmo!

fevereiro 7th, 2010

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“Qual é portanto a justiça de Cristo? É antes de mais a justiça que vem da graça, onde não é o homem que repara, que cura si mesmo e os outros. O fato de que a “expiação” se verifique no “sangue” de Jesus significa que não são os sacrifícios do homem a libertá-lo do peso das suas culpas, mas o gesto do amor de Deus que se abre até ao extremo, até fazer passar em si “a maldição” que toca ao homem, para lhe transmitir em troca a “bênção” que toca a Deus (cf. Gl 3, 13-14). Mas isto levanta imediatamente uma objeção: que justiça existe lá onde o justo morre pelo culpado e o culpado recebe em troca a bênção que toca ao justo? Desta maneira cada um não recebe o contrário do que é “seu”? Na realidade, aqui se manifesta a justiça divina, profundamente diferente da justiça humana. Deus pagou por nós no seu Filho o preço do resgate, um preço verdadeiramente exorbitante. Perante a justiça da Cruz o homem pode revoltar-se, porque ele põe em evidencia que o homem não é um ser autárquico, mas precisa de um Outro para ser plenamente si mesmo. Converter-se a Cristo, acreditar no Evangelho, no fundo significa precisamente isto: sair da ilusão da auto-suficiência para descobrir e aceitar a própria indigência – indigência dos outros e de Deus, exigência do seu perdão e da sua amizade.”

(Papa Bento XVI, Mensagem para a Quaresma de 2010, § 6-7; 30 de outubro de 2009)

A proposição do Papa para a quaresma desse ano explica a justiça cristã. O homem, que herda de Adão o pecado original (cf. Sl 51, 7) não pode salvar a si mesmo. Ele, por si mesmo, não pode ir para o Céu. Então, Deus se compadece do homem e manda à humanidade Seu Filho único para que possa redimi-la e purificá-la. Eis a justiça de Deus: Ele não se compraz em ver o sofrimento dos fracos; não se compraz na condenação daqueles que se esforçam para amar a Deus. Por isso, envia seu Filho, Jesus Cristo. Ele devolve aos homens a graça que o gênero humano havia perdido pela renúncia do bem.

O homem se vê indigente. Todos os cristãos clamam junto com o salmista: “Eis que eu nasci na culpa, e a minha mãe concebeu-se no pecado” (Sl 51, 7). Mas ao mesmo tempo louvam a Misericórdia de Deus, bem traduzida nos versos que entoamos no dia de Páscoa: “Ó pecado de Adão, indispensável, pois o Cristo o dissolve em seu amor. Ó culpa tão feliz que há merecido a Graça de um tão Grande Redentor!” O homem se apegou aos bens finitos e mutáveis, se apegou à realidade material, obstinando-se na prática do pecado e violando a Aliança que Deus havia firmado com seu povo. Mas, eis que surge o Filho do Homem. Ele realiza uma Nova Aliança, na qual o homem descobre a inutilidade do seu egoísmo e a insensatez daquela idéia de auto-suficiência.

Não. Nós, por nós mesmos, nada podemos fazer de bom. É preciso que o homem se apegue ao Bem eterno e imutável. Mas, como poderá ele, com seu coração ferido pela arrogância e pela prepotência, se achegar a Deus? Graças sejam dadas a Jesus Cristo, que inaugura a justiça cristã! O homem pode finalmente gozar da alegria de estar junto de Deus. Com Cristo, ao mesmo tempo, acontece o processo de libertação. Ele é a genuína Verdade e é conhecendo a Ela que poderemos nos libertar (cf. Jo 8, 32) do nosso egoísmo. Com efeito, o cristão põe no centro de sua vida Jesus, e não ele; porque sabe bem que não é seus méritos que alcança a salvação, mas unicamente pela graça de Deus. O cristão confessa dia após dia aquilo que São Paulo há muito dizia: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20). Não sou eu que me salvo; minha natureza é caída. Eu, por mim mesmo, não posso me levantar. É Cristo quem ergue o homem, devolvendo-lhe a graça, aquele bem precioso que tinha perdido no dia que havia desobedecido a Deus.

Eis a verdadeira justiça!, clama o Papa. Possamos ouvi-lo, possamos descobrir na Redenção uma fonte insondável de amor e misericórdia. Não lamentemos aquilo que já foi. Louvemos Aquele que é. “Onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5, 20).

Everth Queiroz Oliveira

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* Onde é mais difícil viver a fé no mundo?

fevereiro 7th, 2010

Athar Hussain/Reuters / Muçulmanos no Paquistão: pena de morte para quem difamar o Islã Muçulmanos no Paquistão: pena de morte para quem difamar o Islã

Pesquisa mostra quais são os países em que as minorias religiosas sofrem mais intervenção do Estado e da sociedade

Aproximadamente 70% da po­­pulação mundial vive em países onde a religião é altamente restringida pela ação do governo e da sociedade.

O Brasil, porém, é considerado um dos mais liberais do mundo para o exercício da fé. Ín­­dia e China mantêm controles rígidos sobre cultos religiosos e a Europa iluminista avança sobre o credo islâmico.

Estas são algumas conclusões retiradas do estudo “Global Res­­trictions on Religion” (Restrições Globais à Religião), realizado pelo think tank americano Pew Forum on Religion & Public Life Divul­­gada no mês passado, a pesquisa realizada em 198 países traça um amplo panorama das limitações impostas à prática religiosa.

Países europeus fecham cerco ao Islamismo

Na média, os países europeus alcançam índices moderados de Restrições Governamentais (RG) e Hostilidades Sociais (HS). Al­­guns microestados, como Mol­­dávia (4,6 em RG e 3,5 em HS) e Bielo-Rússia (6,1 em RG e 1,9 em HS), têm índices um pouco acima da média no continente.

A Europa, porém, entrou re­­centemente no radar da intolerância religiosa, após a França (3,4 em RG e 3,0 em HS) e a Suíça (1,0 em RG e 1,9 em HS) proporem legislação impedindo a exibição de símbolos muçulmanos.

Na França, um projeto de lei prevê a proibição do uso de ni­­qab (vestimenta que cobre todo o corpo) por mulheres muçulmanas no país. Em novembro do ano passado, a Suíça proibiu a construção de novos minaretes – torres de templos muçulmanos usados para convocar às orações.

Para Silas Guerriero, da USP, a escalada contra o islamismo na Europa ultrapassa a guerra ao extremismo, e pode ser entendida como uma reação ao crescimento da religião fundada por Maomé. “O ataque de 11 de se­­tem­­bro é apenas um ponto dentro de um processo pelo qual passam muitos países europeus. O Islamismo cresce mais rapidamente, enquanto que o catolicismo decresce”, diz.

Em 32% dos países pesquisados ocorrem interferências no li­­vre exercício da fé em grau “muito alto”. Dentre estes, estão algumas das nações mais populosas do mundo, como a China, a Índia e a In­­donésia, o que contribui pa­­ra elevar a soma final da população em territórios onde a fé é su­­per­­vi­­sio­­nada. O resultado numérico, no en­­tanto, não significa que 70% do mundo sofra perseguições por cau­­sa da religião. Ge­­ralmente, os ca­­sos estão relacionados às minorias religiosas presentes nesses países.

Pontos comuns

A maior dificuldade em traçar um paralelo religioso entre as na­­ções é equilibrar as características de cada cultura e o rigor metodológico de uma pesquisa ampla. Para Silas Guerriero, coordenador da Pós-Graduação em Ciên­­cias da Religião da Universidade de São Paulo (USP), “os diversos países possuem as mais diferentes relações entre o Estado e a religião. Há desde aqueles em que a liberdade de expressão religiosa é garantida pelo Estado até aqueles países que estão próximos de uma teocracia, em que a religião única se confunde com o próprio Estado. A re­­ligião faz parte da es­­fera social. Seria impossível separar essas esferas de maneira definitiva”.

A análise do Pew Forum, realizada entre 2006 e 2008, desdobrou-se em duas vertentes: Restri­­ções Governamentais (RG), que abrangem as ações do Estado para controlar manifestações religiosas; e Hostilidades Sociais (HS), que comportam os atos de violência ou intimidação praticado por indivíduos ou grupos sociais.

Em cada uma dessas vertentes, os pesquisadores formularam quesitos para a formação dos respectivos índices. Um dos pontos que formam o índice de Restrições Governamentais, por exemplo, é a obrigatoriedade de algum tipo de educação religiosa em escolas públicas. No índice de Hostili­­da­­des Sociais, um dos fatores relevantes é se existem, no país pesquisado, conflitos armados motivados por diferenças religiosas.

Fonte: Gazeta do Povo

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* França: A liberdade religiosa e os Muçulmanos.

fevereiro 7th, 2010

A liberdade religiosa que se quer laica
Desejável o compromisso entre valores fundados na História da comunidade que acolhe e as idiossincrasias dos que são acolhidos

A França recusou, esta semana, a cidadania a um marroquino por este obrigar a mulher a usar véu integral. Foi a primeira vez que a naturalização pelo casamento foi negada e foi-o com o argumento do desrespeito demonstrado pelos valores da República.

A decisão, tomada poucos dias após a divulgação das conclusões da comissão parlamentar que defendeu a proibição do uso do véu islâmico integral nos serviços públicos, relançou o debate há muito presente na sociedade francesa.

Seis anos após a proibição do uso de sinais religiosos considerados ostensivos nas escolas públicas, a medida agora proposta pela Missão de Informação sobre o Uso Integral no Território Nacional conta com a aprovação de 57% da população. Um sinal da ameaça diariamente sentida no país europeu que alberga a maior comunidade islâmica da Europa Ocidental? Ou um produto da História e um sinal dos tempos? Ou será apenas mais uma conquista do Estado em prol da laicidade da República?

Em nome das menos de duas mil as mulheres que usam véu integral em França têm sido esgrimidos argumentos pró e contra a decisão. Pela liberdade das mulheres que actualmente são obrigadas pelos maridos ou pelas famílias a tapar a cara e os cabelos, uns, pelo direito das que usam o véu de livre vontade o continuem a fazer, mesmo em serviços públicos, hospitais e transportes.

Por estes dias, a França e o Mundo falam da violação do direito à liberdade religiosa que a medida encerra, quando há também quem lembre que o país sempre procurou que fossem os imigrantes a adaptar-se e a integrar-se nos usos, costumes e valores franceses e que a proibição do uso de véus em serviços públicos é apenas mais uma medida balizada nesse mesmo espírito. André Gerin, deputado que preside à Missão de Informação, fala da necessidade de um “Islão republicamente compatível”, lembrando que “não há razão para não resolver com os muçulmanos o que foi resolvido com os católicos, os protestantes e os judeus”.

Menosprezar as condicionantes que conduziram a França a assumir o pioneirismo na proibição do uso do véu integral nos serviços públicos é optar por uma leitura linear e simplista da realidade. “À luz do Direito Constitucional, seria fácil verificar que houve violação da liberdade religiosa”, constata Jonatas Machado, professor na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Estudioso de questões relacionadas com a liberdade religiosa, Jonatas Machado lembra que não podemos ignorar a presença da História. “A interpretação das normas constitucionais depende muito da História de um povo”, adverte. E, no caso, “os franceses tiveram um trajecto de luta pela laicidade” que não deve ser esquecido quando se trata de perceber uma recomendação como a da comissão parlamentar pela proibição do uso do véu em serviços públicos, da burqa, que tapa a totalidade do rosto e do corpo, e do niqab, que deixa os olhos a descoberto.

“Corremos o risco de cair numa atitude maniqueísta se apenas classificarmos a questão da proibição do uso do véu em locais públicos como questão de direitos humanos”, concorda Helena Vilaça, socióloga das religiões docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que lembra o curioso percurso da laicidade em França, desde a lei que a aprovou, no início do século XX. “Em França, o catolicismo cedeu ao Islão o lugar que tinha na História em relação à laicidade”, explica a investigadora. “De forma inesperada, o contexto laico francês acabou por estar mais próximo do catolicismo”, acrescenta, alertando para o facto de, apesar da aparência,”a França ter, hoje, a questão da laicidade muito menos radicalizada do que há duas ou três décadas”.

E apesar do número de pessoas sem religião estar a aumentar – segundo dados do Inquérito Europeu de Valores, em 2008, 42% dos franceses eram católicos, quando em 1999 eram 53 % – actualmente,” não há um preconceito e um obstáculo tão grande ao diálogo com o religioso” como no passado. “O final do século XX e o início do século XXI tem sido uma aprendizagem para a laicidade francesa”, considera Helena Vilaça.

Como se justifica, então, a opção pela proibição do uso do véu islâmico integral nos serviços públicos, hospitais e transportes? Em parte, com a presença e com o crescimento da comunidade islâmica em França – calcula-se que seja constituída por cerca de cinco milhões de pessoas e representa já 10% da população do país. “Boa parte dos franceses sente-se ameaçada por esta questão, além de que há uma referência cultural que é católica”, refere Helena Vilaça. “A burqa e os elementos do islamismo não têm uma matriz judaico-cristã”, refere também Jonatas Machado, lembrando que os árabes foram, ao longo dos séculos, sempre entendidos como “o outro”. “Não podemos deitar fora 2000 anos de história e fazer de conta que não existiram”, insiste o professor de Direito de Coimbra.

Concepção distinta tem o constitucionalista Bacelar Gouveia, catedrático na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, ao considerar a proibição do uso do véu islâmico como “uma limitação inadmissível da liberdade religiosa”, de tal maneira que é uma lei que “não tem sido replicada noutros países”. O professor de Direito relativiza, ainda, a ostentação dos símbolos na base da proibição. “Há outros símbolos ostensivos que não são objecto de proibição, como por exemplo os dos punks”, referiu.

Para o sociólogo das religiões Moisés Espírito Santo é normal que a França exija a observância de comportamentos conformes aos valores e costumes do país, tal qual é exigido pelas próprias nações árabes aos estrangeiros que as visitam. O investigador lembra, ainda, que o uso do véu não é um costume “genuinamente corânico”, mas antes um uso da Arábia Saudita e do Afeganistão, que a maiorias das mulheres muçulmanas não adopta, além de que há já normas literalmente expressas no Corão e cuja prática é proibida há muito nos países ocidentais.

Risco de guetização

Teresa Toldy, teóloga docente na Universidade Fernando Pessoa, explica o paradoxo que a proibição poderá criar. “O que vai acontecer às mulheres que usam véu?”, questiona. “Algumas deixarão de poder sair à rua e se a ideia é proteger os direitos das mulheres, o resultado será o contrário: haverá uma restrição dos direitos”, alerta. “Já a pressão exercida junto das que são emigrantes pode vir a ser tão grande que leve as famílias a voltar ao país de origem”, considera. “Não sabemos até que ponto é que a proibição afectará as mulheres e até que ponto não irá contribuir para a sua guetização”, acrescenta a socióloga Helena Vilaça.

“Há o risco de se cair no radicalismo e de ver mulheres que nunca usaram o véu passarem a fazê-lo como reforço de identidade”, alerta a docente da Universidade Fernando Pessoa.

“A tolerância e o convívio devem ser a solução”, considera Teresa Toldy, realçando “que quando as restrições são colocadas sempre ao mesmo grupo, podem levar ao radicalismo”. “Quanto mais aberto for o espaço público às minorias, melhor serão os progressos de integração”, esclareceu Helena Vilaça, que não deixa, no entanto, de estar optimista quanto ao futuro. “Apesar desta medida, estou optimista”, confessou. “Haverá cada vez mais franceses muçulmanos a participar na vida pública e acredito que a França caminhe para ser um país pluralista”, explicou. “As Igrejas enquanto instituições presentes na esfera pública é uma característica da Modernidade”, notou.

Fonte: Jornal de Noticias- Portugal

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* Atriz “deixa” fé católica em apoio ao irmão gay.

fevereiro 7th, 2010
Reuters

Atriz diz que ainda não se achou em nenhuma religião

***
A Atriz é uma das apresentadoras do maior prêmio do cinema, o Oscar

Assim que seu irmão se revelou gay, a atriz Anne Hathaway e toda sua família abandonaram a igreja católica para apoiá-lo em sua decisão.

A estrela de O Diabo Veste Prada admitiu em entrevista a revista britânica GQ que ainda está tentando descobrir suas crenças e alfineta as leis estipuladas pelo catolicismo.

- Por que eu deveria apoiar uma organização que tem uma visão limitada do meu amado irmão?

Hathaway está no elenco de Alice no País das Maravilhas ao lado de Johnny Depp.

Fonte R7

***

Noticias como essas referendam a percepção de que muitos “católicos”,de fato não conhecem sua fé.

Não é imcompatível o amor ao irmão – gay ou não – com a  desaprovação de eventual conduta moralmente questionável.

Pode-se amar, mesmo discordando.

A Igreja tem seus principios e seus fiéis não são obrigados a permanecerem caso não concordem. Neste caso o mais sensato é rever a visão pessoal de fé em seus fundamentos básicos,e, se for o caso, sair.

Não se pode é esperar que a Igreja vá se adaptando às demandas da modernidade, muitas delas absurdas, para não perder fiéis.

Uma fé bem alicerçada e fundamentada entende e CONCORDA com os principios da doutrina católica, a defende porque é condizente com a verdade objetiva e fidelidade a seu fundador, que é DEUS e não apenas um mestre de moral antigo e superável com o tempo.

Respeita-se decisões como essas, mas fica sempre a pergunta:  A  fé é algo adaptável às circunstâncias e ao momento? é descartável , onde escolho o deus ou a igreja que mais gosto ou que” me faz mais feliz” e não discordo de sua doutrina?

Existe algo de consistente em uma fé personalizada, onde cada um pega o que concorda e, como em um  supermercado, escolhe o que gosta e rejeita o que não concorda?

Afinal, que fé é essa?

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* Aborto adolescente com apoio da família, diz pesquisa.

fevereiro 7th, 2010

Flávia Salme , Jornal do Brasil

Hoje em dia, a maioria das adolescentes que engravida sem querer recorre ao aborto com o apoio das próprias mães, elas também já marcadas pelo procedimento em alguma fase da vida. Esta é uma das conclusões da tese defendida recentemente na Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), pela enfermeira Simone Mendes Carvalho.

Ela investigou um grupo de 16 mulheres que engravidaram 44 vezes e fizeram 22 abortos clandestinos. No trabalho, ela mostra que a prática geralmente ocorre na adolescência, e é incentivada por familiares.

A pesquisadora relata que o procedimento, comum a todas as classes sociais, é mais nocivo às mulheres pobres. Sem recursos, elas recorrem a ervas e preparados caseiros, remédios proibidos e até mesmo a clínicas “de fundo de quintal”, onde os processos são conduzidos sem condições adequadas de higiene e até mesmo sem acompanhamento profissional. As entrevistadas estão no programa Saúde da Família em Cabro Frio.

O aborto é a quarta maior causa de morte materna no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Como esse problema se manifesta na rede pública?

O problema maior, que é a morte de mulheres, os números revelam por si – embora a subnotificação dos casos faça com que se conheça menos a realidade. Mas há as consequências do aborto clandestino na saúde dessas mulheres, principalmente as mais pobres. Sem dinheiro e, normalmente, companheiro fixo, elas recorrem às mais diferentes e arriscadas técnicas. Essa questão é agravada por um outro drama: o preconceito dos profissionais de saúde. Claro que todos fazem o juramento para salvar vidas, mas, como o aborto é proibido no Brasil, elas acabam enfrentando julgamento subjetivos. Encontrei casos em que algumas relataram ter passado por horas de espera e dor depois de admitirem a prática.

Quantitativamente, o que mostrou a pesquisa?

Foram entrevistadas 16 mulheres que engravidaram 44 vezes, mas metade das gestações foi interrompida, geralmente a primeira. Também levantamos casos em que as mulheres já tinham filhos e decidiram interromper a gestação por falta de dinheiro.

Elas tomaram a decisão sozinhas?

Não. Apenas uma entrevistada não compartilhou o problema. Um grande fator que contribui para a mulher decidir pelo aborto clandestino é a instabilidade da relação. Ou o parceiro não é fixo, ou a gravidez resultou de uma única noite, o chamado “ficar”. Nesses casos, todas contaram com o apoio de familiares, principalmente as mães – boa parte delas também já tinha feito o procedimento. Esse fator, aliado à pouca idade da gestante e às condições sociais da família, leva à opção pelo aborto. Mas há mulheres casadas e com filhos que interromperam a gravidez por causa da situação financeira. Nesses casos, os maridos e demais familiares também apoiaram.

O estudo sustenta que os problemas de saúde decorrentes do aborto têm maior incidência nas mulheres pobres. Por quê?

O aborto não é seguro para todas, apenas para quem pode pagar. Isso custa entre R$ 2 e R$ 3 mil. As mulheres pobres não têm esse dinheiro, principalmente as adolescentes. Na maioria das vezes, não têm nem o parceiro para dividir a conta. Um dos métodos mais comuns aos quais elas recorrem é o consumo de um chá conhecido como buchinha-do-norte (uma erva natural geralmente usada para para inalação em casos de sinusite). Até provoca aborto, mas causa intoxicação e cólicas fortíssimas. Outro método é o que chamam de pílula do aborto. No Brasil, a mais conhecida é o Cytotec – o mais utilizado pelas mulheres que entrevistei. São vários os riscos .

Em casos de anemia severa, pode causar complicações devido à forte hemorragia após o aborto.

E as chamadas clínicas “de fundo de quintal”?

São relativamente caras. Em média, um aborto nesses lugares custa entre R$ 300 e R$ 600. Um Cytotec, por exemplo, pode ser comprado por R$ 250. Essas “clínicas” não são seguras, não contam nem com profissionais, apenas curiosos com alguma noção de anatomia que recorrem à práticas variadas e absurdas.

Por exemplo…

Colocam sondas intrauterinas, talo de mamona ou até uma gaze, pode provocar uma perigosa infecção.

Essas mulheres se sentem culpadas após os procedimentos?

Algumas sim, outras, não. Não percebi uma regra no estudo. As mais velhas, que fizeram aborto quando eram jovens, não se arrependeram. As mais novas, também não. O sentimento descrito foi o de alívio. Mas houve quem declarasse não querer passar pelo problema novamente e sentir culpa também.

A experiência serviu para que elas passassem a adotar métodos contraceptivos?

Não. Geralmente, quando o aborto resulta em complicações e elas precisam de atendimento na rede pública, o próprio sistema de saúde as encaminha para consultas onde poderão iniciar um programa de planejamento familiar. Acontece que o atendimento é deficiente. Por exemplo, a mulher começa a fazer uso de uma pílula anticoncepcional, mas o organismo dela reage negativamente ao hormônio. Ela precisa trocar o contraceptivo, mas não há vaga para uma consulta no momento do problema. Aí, ela para de tomar a pílula.

É grande a resistência ao uso de preservativo?

Sim, bastante. Muitas dizem não gostar da sensação que o preservativo provoca. Embora admitam conhecer os riscos das doenças sexualmente transmissíveis (DST), elas não usam. Pode até ser na primeira ou segunda relação, mas, se o relacionamento ficar firme, o casal desiste.

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* Estudo de cientistas norte-americanos poderia tornar obsoleta a pesquisa em células estaminais embrionárias.

fevereiro 7th, 2010

Recentemente alguns cientistas fizeram uma grande descoberta usando o processo conhecido como reprogramação directa que torna ainda mais obsoletas as pesquisas com células-tronco embrionárias. Pesquisadores da Universidade Stanford School of Medicine em Palo Alto, no estado da Califórnia nos EUA, conseguiram transformar células da pele de um rato directamente em células nervosas funcionais.

Com a aplicação de apenas três genes, as novas células fazem a mudança sem primeiro se tornar um tipo de células-tronco pluripotentes – como uma célula-tronco embrionária. Esse é um passo que há muito se considerava necessário para que as células adquirissem novas identidades.

“Induzimos ativa e diretamente um tipo de célula para torná-la um tipo de célula completamente diferente”, afirmou o Dr. Marius Wernig, MD, professor adjunto de patologia e um membro do instituto de Stanford para Biologia de Células Estaminais e Medicina Regenerativa. “Esses neurónios são totalmente funcionais. Podem fazer todas as principais coisas que os neurónios no cérebro fazem.”, afirmou.

O Dr. David Prentice, um ex-professor de biologia da Universidade Estadual de Indiana agora associado com o Family Research Council, conversou com a agência dedicada à causa pró-vida “LifeNews.com” sobre a descoberta. Na entrevista ele afirma que “este é um avanço impressionante na capacidade de transformar as células em tecidos funcionais desejados”.

O Dr. Prentice assinalou ainda que “células pluripotentes como as células-tronco embrionárias são difíceis de controlar, e há problemas de tumores para obter o tipo de célula final desejado, bem como os problemas éticos da destruição dos embriões humanos para obter as células pluripotentes”. LifeNews.com. “Estes resultados são emocionantes.”, concluiu. “Com esta técnica de reprogramação direta indo diretamente de uma célula da pele à uma célula especializada do funcionamento do nervo, o processo evita a problemática intermédia e vai directo ao tipo de célula necessária. Eventualmente determinando as misturas correctas, qualquer célula disponível poderia ser transformada em outra célula”, disse ele à agência

O Bioético, Wesley J. Smith, também teve coisas positivas a dizer sobre o progresso ético. “Observe – este não é um sucesso de células-tronco adultas. É a programação direta de um tipo de célula diretamente em outro”, adverte. “Ainda há muito trabalho a ser feito antes que seja demonstrado que a técnica pode ser usada no trabalho clínico humano, alguns cientistas manifestam dúvidas, mas é um grande passo em frente. Boa ética produz boa ciência”, escreveu no seu blog Secondhand Smoke.

O Artigo original em inglês está em: http://www.lifenews.com/bio3043.html

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* Redes sociais, um “oásis” para os pedófilos.

fevereiro 6th, 2010

Denuncia a associação ” Onlus”  em seu relatório de 2009

Os pedófilos estão se especializando na exploração do ambiente web para conduzir suas atividades criminosas, encontrando nas redes sociais virtuais um “amplo e tranquilo” espaço difícil de fiscalizar. É o que revela o Relatório anual de 2009 da associação Onlus, fundada pelo padre Fortunato Di Noto para combater a pedofilia e a pornografia infantil e prestar auxílio às vítimas.

O documento, apresentado em 2 de fevereiro, indica uma situação de “verdadeira emergência”: 51.290 sites identificados nos últimos seis anos, e 824 casos de exploração de menores apenas em 2009.

Um fenômeno de dimensões globais exige uma resposta global. Por isso, a organização realiza, em colaboração com a polícia postal italiana (Polpost) e diversas polícias do mundo, uma monitoração contínua 24 horas por dia do ambiente web, mediante um convênio, assinado em 2008, pelo qual está autorizada a rastrear a rede em busca de material pedo-pornográfico – cerca de 30% dos casos registrados pela polícia foram levantados pela associação.

Em 2009, a associação Onlus registrou um boom nas identificações: foram enviadas 1.560 notificações à Polpost e polícias estrangeiras, contemplando um total de 7.240 endereços na internet.

De acordo com o relatório, trata-se de uma “verdadeira explosão”, visto que em 2008 foram identificados um total de 2.850 sites.

A maior parte das ocorrências provém dos EUA (23% do total), seguido da Rússia (22%). A Europa é responsável por 15 % dos casos. Os dados desmentem o mito propagado de que alguns países, geralmente do sudeste asiático, seriam alvo preferencial do “turismo pedófilo on-line” – também na Europa “civilizada” é possível produzir e distribuir filmes que exibem o estupro de crianças, desde recém-nascidos a pré-adolescentes.

Por hora, os pedófilos parecem ter encontrado um espaço privilegiado para agir: as redes sociais virtuais. Ao longo de 2009, a associação denunciou 851 comunidades de pedófilos, em ambientes como Youtube, Facebook, Ning, Orkut e Netlog.

São frequentes também as ocorrências entre os ambientes de file sharing, que atendem por 60% das detenções realizadas pela polícia.

Infelizmente, diz o relatório, 2009 foi o ano da pedofilia – uma tendência também acompanhada pela contínua diminuição da faixa etária das crianças abusadas em fotos e vídeos. Esta praga emergente também se transforma num negócio muito lucrativo: estima-se que o mercado de pornografia infantil movimente até 13 milhões de euros ao ano, explorando um total de 200.000 crianças.

“Os números são por demais assépticos para expressar todo o sofrimento que está por trás dos fatos”, diz o padre Fortunato Di Noto. “Foi um ano terrível, mas a esperança nunca morre. Porque, quando se salva uma criança, se salva um mundo inteiro – e nós já salvamos muitas”, diz.

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