* Grávida adia tratamento contra câncer para salvar filha e comove o mundo!

maio 22nd, 2012


Sarah Brook estava grávida de 25 semanas, quando descobriu um câncer no intestino. E os hormônios da gestação estavam acelerando o crescimento do tumor. Mesmo assim, a designer gráfica de Londres, na Inglaterra, decidiu adiar o tratamento por duas semanas, até que pudesse dar à luz a pequena Polly Jean . A intenção era não colocar em risco a saúde da filha.


O bebê nasceu saudável com 27 semanas (um pouco mais de 6 meses) de gestação, por cesárea, pesando 900 gramas. Mas Sarah foi informada de que não tinha muito tempo de vida. O câncer já havia se espalhado para o pâncreas, pulmões, pescoço e tomado conta dos intestinos.


- Eu só quero ser uma mãe para minha bebê e continuar sendo uma mulher e a melhor amiga do meu marido pelo maior tempo possível. Eu não posso pensar em um futuro além disso – disse Sarah.


Polly já está com quatro semanas de vida. E fez valer a pena o sacrifício da mãe. O bebê teve algumas complicações de saúde, mas está mais forte a cada dia, segundo o jornal Daily Mail.


- O sentimento quando a vi pela primeira vez foi de completo amor e espanto – contou a inglesa.


Sarah já começou as sessões de quimioterapia, mas disse que o tratamento era um paliativo para aliviar o desconforto e mantê-la viva o maior tempo possível. Os médicos que cuidam dela disseram que há apenas 25 casos registrados em todo o mundo, de pessoas com o mesmo nível de tumores secundários que Sarah.


A designer cresceu em Londres, mas se mudou para a Austrália em 2006, logo depois do casamento com Ben. Agora, passa a maior parte do tempo em um hospital em Sydney, fazendo o tratamento contra a doença e cuidando da filha, que ainda está na unidade de tratamento intensivo neonatal. A família de Sarah está na Austrália, apoiando Ben e cuidando de Polly também.

Os dois paparicam o bebê

- Tem sido muito difícil para o meu marido, já que ele precisa lidar com a ideia de como será a vida sem mim, e como ele irá criar Polly como pai solteiro – desabafou Sarah – Eu irei conviver com o câncer pelo resto da minha vida e não se sabe o quanto ela vai durar – conformou-se ela.

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* Capitalismo, Comunismo, e a enganação dos bobos.

maio 22nd, 2012

Coréia do Norte: Estética estatal e fome de mãos dadas.

Coréia do Norte: Estética estatal e fome de mãos dadas.

Sempre enganando os bobos

Acho curioso o modo como por vezes são levados os debates. Se eu criticar os Estados Unidos pela guerra no Iraque ou pelo que acontece na prisão de Guantánamo, ninguém na face da terra vai me cobrar uma crítica ao regime cubano. Ninguém. Todos aceitarão que exerço um direito natural de opinião. Mas se disser qualquer coisa sobre a miséria, o totalitarismo e a opressão que pesa sobre a sociedade cubana imediatamente se forma fila para cobrar posição sobre abusos praticados pelos EUA. Entenderam? Junto à intelectualidade brasileira, para falar mal do comunismo tem que pagar pedágio.

Será o comunismo, como proclamam, uma utopia, uma ideia generosa? Seus 100 milhões de cadáveres devem ficar se revirando na cova. Foi um ideal alheio que lhes custou bem caro! Infelizmente mal conduzido, amenizam alguns cocmpanheiros. Que tremendo azar! Uma ideia tão generosa e não produziu um caso medíocre que possa ser exibido sem passar vergonha.

Durante um século varreu com totalitarismos boa parte da Ásia e da África, criou revoluções na América Ibérica, instalou-se em Cuba e não consegue apresentar à História um único, solitário e singular estadista. Que falta de sorte! Tão generoso, tão ideal, tão utópico, e nenhuma coisa parecida como democracia para botar no currículo. E há quem creia que ainda pode dar certo.

Quanto ao sistema econômico que ficou conhecido como capitalismo (que não é sistema político nem ideologia), eu afirmo que seu maior erro foi aceitar conviver com uma designação deplorável. Contudo, chamem-no assim, se quiserem, embora, a exemplo de João Paulo II, eu prefira denominá-lo “economia de empresa”. Suas vantagens sobre um modelo de economia centralizada, estatizada, são irrefutáveis na teoria e certificadas pela prática dos povos. É um sistema que não foi concebido por qualquer intelectual. É um sistema em construção na história, muito compatível, também por isso, com a democracia. Promove a liberdade dos indivíduos e a criatividade humana. Reconhece a importância do mercado.

A maior parte dos países que adotam esse sistema atribui ao Estado, em sua política e em seu ordenamento jurídico, a tarefa de zelar pelo respeito às regras do jogo em proteção ao bem comum. Aliás, quem quiser organizar as coisas desconhecendo a autonomia do econômico, submetendo-o a determinações que contrariem o que é da natureza dessa atividade (lembram dos tabelamentos de preços?) vai se dar mal. Vai gerar escassez, câmbio negro, fome. Digam o que disserem os arautos do fracasso do sistema de economia de empresa em vista da crise que afeta alguns países, os embaraços deste momento só se resolverão com atividade empresarial, comércio, pessoas comprando, indústrias produzindo, pesquisa e investimento gerando, expandindo e multiplicando a atividade produtiva.

Outro dia, nas redes sociais, alguém acusou o capitalismo de haver matado milhões. E não deixava por menos. Dezenas de milhões! O sistema? Onde? O capitalismo pode não resolver muitos casos de pobreza. Mas essa pobreza sempre terá sido endêmica, cultural, estrutural, de causa política. Não se conhecem sociedades abastadas que tenham empobrecido com as liberdades econômicas. Tampouco confundamos economia livre, de empresa, com colonialismo ou mercantilismo. Qualquer economia que queira prosperar e realizar desenvolvimento social sustentável vai precisar do empreendedorismo dos empreendedores, da geração de riqueza e de renda, e de coisas tão desejáveis quanto produção e consumo, compra e venda, lucro, salário e poupança interna.

Quem quiser atraso vá visitar os países que ainda convivem com economias centralizadas: Coreia do Norte e Cuba, onde só o armamento da polícia e das forças armadas não é sucata. Ali se planta com a mão e se mata lagarta com o pé. E o povo vive da mão para a boca, prisioneiro do “ideal” generoso que alguns insistem em impingir aos demais.

O Brasil vem sendo governado por socialistas e comunistas há mais de uma década. Embora não ocultem, no plano da política, as intenções totalitárias que caracterizam sua trajetória, num sentido geral vêm respeitando os fundamentos do sistema econômico no qual ainda engatinhamos. E, algo que muito os agrada, vão extraindo dividendo político de seus resultados. Mas procedem com indisfarçável esquizofrenia. Agem de um modo, falam de outro e vão enganando os bobos.

Percival Puggina

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* Picolé blasfemo, feito com crucifixo e vinho pretensamente consagrado gera perplexidade.

maio 22nd, 2012

100 picolés em formato de crucifixo, produzidos com vinho pretensamente consagrado, serão entregues aos participantes da Semana do Design, em Nova Iorque.

O artista blasfemo, Sebastian Errazuriz, afirma que seus “picolés cristãos” foram feitos de “vinho sagrado que foi transformado no sangue de Cristo”. Ele levou para uma igreja uma caixa térmica com o vinho, e supôs que o material foi “inadvertidamente consagrado” durante a Missa.

Embora saibamos que o vinho nessas condições não foi consagrado, fica clara a malícia e o objetivo sacrílego de Errazuriz. Ele se proclama ateu… mas acredita na transubstanciação, isto é, que o vinho, durante a Consagração, torna-se Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estranha contradição!

O objetivo que alega para sua “obra de arte” é combater o fanatismo religioso. Como se sua exposição não revelasse um verdadeiro fanatismo anticatólico! De fato, a obra não poderia ser mais ofensiva aos católicos, pois constitui uma blasfêmia contra o Sacramento por excelência, a Sagrada Eucaristia, e contra o crucifixo, o símbolo católico por excelência!

Se o artista tivesse feito um palito, não em forma de cruz, mas de lua crescente, com a figura de Maomé, certamente teria sido expulso do evento, sem mais delongas! Se fosse uma sátira contra o movimento homossexual, certamente o artista já estaria enfrentando processo.

Contra Nosso Senhor e seus seguidores, tudo vale. É a escalada da cristianofobia, cada vez mais patente.

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* Lady Gaga participa de ‘Os Simpsons’ e beija Marge (esposa de Homer) na boca.

maio 22nd, 2012

Lady Gaga esteve em Springfield com toda a sua excentricidade no último episódio de “Os Simpsons”, que foi ao ar na televisão americana, na noite do último domingo (20).

Na cidade, a cantora abriu o seu coração para Marge e até deu um beijo na boca da esposa de Homer. A cantora também não deixou de exibir o seu famoso vestido de carne usado na premiação de 2010 do MTV Video Music Awards.

Mas o objetivo da visita de Gaga a cidade seria para ajudar a pequena Lisa a renovar suas crenças. Ela também ensinou a menina que ser única e diferente é algo bom.

Esta foi a segunda vez que Springfield recebe a popstar. Em 2011, ela fez a sua participação especial no episódio em que Bart Simpson foi indicado ao Oscar. As informações são do site “Ego” e do canal de entretenimento do “MSN Brasil”

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* Qual a corrente filosófica mais presente na educação brasileira? O marxismo,ora..

maio 22nd, 2012

SÓ PODE DAR NISSO AÍ

Percival Puggina

Retorno ao fato porque é de riqueza extraordinária. Quem assistiu “Diários de Motocicleta” há de lembrar da passagem de Che Guevara pelo leprosário de San Pablo, atendido por uma congregação de religiosas no meio da selva, às margens do Amazonas. E há de lembrar que para os sinistros efeitos do filme, Che é apresentado como um santo abrasado de amor aos enfermos, e as irmãs como um perverso corpo de autoridades locais. Pura mistificação! Após duas semanas fazendo travessuras por ali enquanto superava uma crise de asma, Che bateu asas e foi fazer seu turismo revolucionário noutra freguesia. Quanto às irmãs, tão maltratadas pelo filme, continuaram, vida afora, enfiadas no mato, cuidando dos leprosos. Eis um bem torneado exemplo da diferença entre o verdadeiro amor ao próximo e a fantasia que empresta ao marxismo e ao comunismo o brilho vulgar das lantejoulas. Para o cineasta Walter Salles as religiosas eram megeras e Guevara um anjo de bondade.

Tem sido cada vez mais recorrente a publicação de artigos sobre Educação. Junto-me, então, a administradores, economistas, empresários, filósofos que enveredaram por essa pauta. Vou enfocá-la sob um aspecto que – não se surpreenda, leitor – tem muito a ver com o filme abordado acima. Aliás, são tão recorrentes as reflexões sobre o tema da Educação por profissionais das mais variadas especialidades que o fato já despertou reações adversas, contestando a concessão de espaço para quem não é do ramo. Os não educadores seriam meros palpiteiros. Mas convenhamos, é muito difícil ficar calado diante do que se vê.

Imagine um brasileiro que percorra do primeiro ao último degrau o sistema de ensino do país. Qual a corrente filosófica a que mais esteve submetido durante todo esse período, ainda que haja trocado de escola, de cidade e de Estado, em cada trecho do percurso escolar? Pois é. Marxismo. É análise marxista, crítica marxista, economia marxista, visão marxista da história, teologia da libertação, pedagogia do excluído e, como lastro para o materialismo histórico, camadas maciças de maledicência sobre o cristianismo.

Esse marxismo de polígrafo escolar tem a profundidade de um pires. Os que o lambem como tema de casa são incapazes de escrever uma lauda a respeito, mas saem do colégio prontinhos para ler a vida com os olhos que lhes deram. Assistem “Diários de Motocicleta” e concluem: no peito de Che batia um coração de mártir; já o coração daquelas beatas do leprosário não se abria nem com formão e martelo.

Só escapam dessa linha de montagem, que inclui a maioria dos estabelecimentos de ensino confessionais, os poucos estudantes que recebem em casa, ou de algum professor achado por pura sorte no meio do caminho, dose suficiente de antídoto para enfrentar o que lhes é ministrado ao longo dos cursos. Se mesmo nos bons educandários, deixa-se de lado a sã filosofia e se depreciam os grandes valores que inspiraram e inspiram a imensa maioria dos melhores vultos da humanidade, pergunto: como esperar das elites brasileiras que junto a esses estabelecimentos buscam formação, coisa melhor do que isso que vemos por aí? Quando parece muito normal que o governo contrate um grupo para escrever o passado (Walter Salles faria excelente documentário sobre a comissão), a temática educacional há de ser, sim, motivo de grave preocupação para quem reflita sobre o futuro do país.

Zero Hora, 20/05/2012

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* Deus o chama ao matrimônio? então LEIA isso ANTES de casar!

maio 22nd, 2012

Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos, Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter!

O artigo é daqueles “imperdíveis”.

***
Cormac Burke

” Infelizmente, dedico boa parte do meu tempo a processos de anulação de casamentos. Um dos motivos mais freqüentes de nulidade é o de que o consentimento estava viciado pela exclusão de um dos três tradicionais bens do casamento:bonum fidei (fidelidade a um só cônjuge, a exclusividade da união matrimonial), bonum sacramenti (a permanência do vínculo matrimonial, a indissolubilidade da união) ou bonum prolis (a prole, a fecundidade da união).

Cada um destes valores traz consigo um aspecto de obrigação. É lógico e conveniente, portanto, que nós, os juízes eclesiásticos, concentremos a atenção nesta alternativa: a pessoa que se casou aderiu realmente a essa obrigação ou não? Por outro lado, porém, não acho tão saudável que as pessoas em geral considerem estes apenas como obrigações… Pensando assim, facilmente acabariam por concluir que, na medida em que se trata de obrigações – com todo o peso que qualquer obrigação implica, e dada a nossa tendência para evitar qualquer peso -, a exclusão da fidelidade, da indissolubilidade ou da prole não deve ser algo estranho ou inusitado. Pelo contrário, pensarão até que há boas razões para considerar esse fenômeno como algo normal e previsível…

É evidente que não me refiro a meras considerações teóricas. Receio que inúmeros cristãos – sem falar dos que têm uma especial missão de formar e guiar os outros, professores e conselheiros – deixem de surpreender-se com a idéia de que as pessoas excluam um ou outro destes bens no momento em que se casam. Pode parecer-lhes até bastante natural.

A EXCLUSÃO NÃO É NATURAL…

Contudo, a exclusão desses valores é surpreendente, justamente porque não é natural. E não é natural porque ninguém rejeita obrigações ou responsabilidades que acompanham necessariamente a aquisição de uma coisa boa. Se uma coisa é muito boa, a bondade que proporciona supera de longe todo o peso das responsabilidades. A compra de um automóvel também supõe uma série de obrigações e responsabilidades; mesmo assim, quase todas as pessoas consideram o automóvel uma coisa boa e pensam que, apesar das desagradáveis obrigações que contraem, vale a pena comprarem um carro, ou até dois ou três, se puderem pagá-los 1.

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(1) Conheço uma família africana com dezoito filhos e sem automóvel, e uma “família” americana (entre aspas, porque não sei se merece esse nome) com dezoito automóveis e sem nenhum filho. Honestamente, penso que a família africana é muito mais feliz: pelo menos dezoito vezes mais.

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Foi Santo Agostinho quem teve a feliz idéia de nos descrever os elementos essenciais do casamento como bona: como coisas boas. E é o Papa João Paulo II quem, na Familiaris consortio, nos fala da indissolubilidade como de uma alegre realidade que os cristãos devem anunciar a todo o mundo. “É necessário – diz – reafirmar a boa nova da natureza definitiva do amor conjugal” 2.

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(2) Familiaris consortio, n. 20.

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A fidelidade e os filhos são coisas boas. A indissolubilidade é uma boa notícia! Tanto o Bispo de Hipona como o Romano Pontífice fazem afirmações que nos estimulam a pensar, a seguir uma linha de raciocínio que nos conduza a descobertas e redescobertas. No meu modo de ver, é vital para o futuro do casamento e da família que redescubramos algo de elementar que está escondido nessa doutrina, algo que deveria ser bastante óbvio para todos, mas que vem sendo demasiado obscurecido: o simples fato de que cada um dos bens matrimoniais é exatamente uma coisa boa. Cada um desses bens é bom porque contribui poderosamente não só para o bem da sociedade, mas também para o  bem dos cônjuges, para o seu desenvolvimento e amadurecimento como pessoas que devem crescer em dignidade, em caráter e em generosidade: que devem aprender a amar. (Afinal de contas, este é o bem definitivo que todos temos de adquirir e desenvolver neste mundo: a capacidade de amar).

É NATURAL DESEJAR UM VÍNCULO PERMANENTE E EXCLUSIVO

Só na medida em que as pessoas recuperarem este modo de pensar compreenderão corretamente que coisas boas, são também desejáveis. E, por isso, é natural desejá-los. É natural, porque corresponde à natureza do amor humano.

Todo o homem encontra qualquer coisa de profundamente bom na idéia de um amor:

a) do qual ele é o objeto único e privilegiado;

b) que será seu enquanto durar a sua vida;

c) através do qual, tornando-se um co-criador, poderá perpetuar-se a si próprio (e até mais do que a si próprio, como veremos mais adiante). A bondade que o homem vê nos bens do casamento faz que lhe seja natural não só não temê-los nem excluí-los, mas até procurá-los e acolhê-los.

É natural, portanto, desejar uma união matrimonial fecunda, permanente e exclusiva. É antinatural excluir qualquer desses três elementos. Temos de recuperar a perspectiva correta para que essas realidades nos atinjam com todo o seu peso – e, através de nós, possam tornar-se evidentes para os outros.

Em primeiro lugar, é óbvio que a fidelidade e a exclusividade são algo bom: “Você é insubstituível para mim”. Temos aí a primeira afirmação verdadeiramente personalizada do amor conjugal, que aliás constitui um eco das palavras de Deus dirigidas a cada um de nós, no livro de Isaías: Meu es tu, tu és meu (Is 43, 1).

A indissolubilidade também é algo evidentemente bom, como é bom ter uma casa, um abrigo estável; conforta saber que se pertence a alguém, e que esse alguém nos pertence, e que se trata de algo definitivo. As pessoas desejam esta situação, foram feitas para ela, compreendem que deverão sacrificar-se para obtê-la, e sentem que esse sacrifício vale a pena. “É natural para o coração humano aceitar exigências, mesmo que sejam árduas, por amor a um ideal, e, acima de tudo, por amor a uma pessoa” 3. Algo de muito estranho se passa no coração e na cabeça de alguém que rejeita a permanência da relação conjugal.

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(3) João Paulo II, Audiência Geral, 28 de abril de 1982.

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De qualquer modo, não me estenderei mais a respeito destes dois aspectos, pois quero concentrar a atenção no bem que supõe ter filhos.

QUANDO ALGUÉM SE PRIVA DE UM BEM

A mentalidade contraceptiva – dolorosamente diagnosticada pela Encíclica Humanae vitae, em cujas páginas se encontram os remédios apropriados – é uma doença que pode vir a ser fatal para a sociedade ocidental. O ponto essencial da questão não são os debates ou discórdias sobre a moralidade de determinadas técnicas de planejamento familiar; na verdade, isso não passa de um aspecto do quadro patológico global. A verdadeira doença é que quase toda a sociedade ocidental passou a encarar a limitação do número de filhos como uma coisa boa e não é capaz de entender que é a privação de uma coisa boa.

Não me refiro, é claro, àqueles casais que, por razões de saúde, econômicas, etc., realmente precisam recorrer a uma planejamento familiar natural (e o fazem com tristeza). Penso em outros, em muitos outros, que teriam condições de manter uma família mais numerosa, e voluntariamente se recusam a fazê-lo, aparentemente sem perceber que se estão privando de um bem. Preferem ter menos bona matrimonialia e mais bens materiais. E a qualidade da sua vida – cada vez mais materializada e menos humana – decorre inevitavelmente dessa escolha. Os bens materiais não podem manter um casal unido. Os bens matrimoniais, e em especial o bem de ter filhos, podem.

Com efeito, há algo de profundamente bom nesse aspecto específico da união sexual entre marido e mulher, no qual reside a sua autêntica exclusividade: esse compartilhar não tanto o que pode ser um prazer sem igual, mas é com certeza um poder sem igual, um poder que nasce da complementaridade sexual e traz ao mundo uma nova vida. O homem e a mulher anseiam profundamente por esta verdadeira união sexual e conjugal, e o seu anseio está fortemente arraigado na natureza humana.

AUTO-AFIRMAÇÃO? AUTOPERPETUAÇÃO?

As relações sexuais entre os cônjuges que lançam mão de anticoncepcionais podem tornar-se um mero exercício de auto-afirmação em que cada um dos dois só se busca a si mesmo e não consegue voltar-se para o outro, conhecê-lo e entregar-se a ele. Pelo contrário, uma autêntica intimidade sexual entre os cônjuges, aberta à vida, é por natureza afirmativa: afirma o amor conjugal e a doação recíproca na mesma medida em que afirma a singularidade e a grandeza do poder sexual que marido e mulher compartilham.

O desejo de perpetuar-se é algo natural. Em si mesmo, já contém um valor personalista profundo. E se o homem moderno tem dificuldade em compreendê-lo ou senti-lo, isso é um sinal claro do nível de desvitalização, desnaturalização e despersonalização em que se encontra. De qualquer forma, na união conjugal, o anseio sexual procriador ultrapassa o desejo natural de a pessoa se perpetuar a si mesma. No contexto do amor conjugal, este anseio natural de autoperpetuação adquire um novo alcance e significado. Não se trata de dois “eus” desconexos, cada um deles preocupado apenas com a sua própria perpetuação, talvez de um modo egoísta. Mais do que isso, trata-se de duas pessoas que se amam e que naturalmente querem perpetuar o amor que os atrai um para o outro, a fim de que possam ter a alegria de vê-lo tomar carne num novo ser humano, fruto do mútuo conhecimento carnal e espiritual pelo qual os dois expressam o seu amor (cf. Gên 4, 1).

Duas pessoas apaixonadas querem realizar juntas uma série de coisas: querem projetar, construir ou montar algo que seja indiscutivelmente deles, como fruto da decisão e da ação dos dois. Nada, repetimos, pertence mais a um casal do que o filho que geram.

A sociedade, através dos monumentos que constrói, evoca os grandes eventos do seu passado a fim de manter vivos, no presente e no futuro, os valores que a sustentam. O amor conjugal também precisa de tais monumentos. Quando o clima romântico começa a desfazer-se, e os cônjuges sentem a tentação de pensar que o amor entre eles se extinguiu, então cada filho se ergue como um testemunho vivo da profundidade, da singularidade e da totalidade da entrega conjugal mútua que fizeram um ao outro no passado – quando tudo era fácil -, e como um apelo urgente para que continuem a entregar-se agora, por mais duro que possa parecer.

AUSÊNCIAS PROGRAMADAS

No meu trabalho na Rota Romana, deparo freqüentemente com pedidos de anulação de casamentos – perfeitamente válidos – de casais jovens que se uniram legitimamente e por amor, mas cuja união desabou porque os dois, deliberadamente, adiaram a vinda dos filhos, privando o seu amor conjugal da sustentação que lhe é natural.

Se duas pessoas se limitam a olhar extaticamente uma para a outra, os defeitos que pouco a pouco irão descobrindo podem acabar por parecer-lhes insuportáveis.

Se marido e mulher aprendem a estar atentos aos seus filhos, continuarão a descobrir os defeitos um do outro, mas já não terão tempo nem motivos para os considerarem insuportáveis. E para que coisas olharão juntos, se não tiverem nada para olhar? Uma série de ausências programadas vem transformando a vida conjugal de inúmeros casais de hoje numa realidade oca, num vácuo que cedo ou tarde acabará por desabar. O amor entre os cônjuges encolhe-se e desaparece se os dois permanecem demasiado tempo com os olhos fixos um no outro; para que cresça, tem de contemplar outros olhos – muitos outros olhos, nascidos desse mesmo amor -, e ser por eles contemplado 4.

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(4) O amor de casais naturalmente infecundos, aos quais Deus não deu filhos, também deve crescer numa necessária dedicação aos outros.

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O amor conjugal necessita, portanto, do apoio que os filhos representam 5. Os filhos reforçam a bondade do vínculo matrimonial, permitindo-lhe resistir às tensões que inevitavelmente se seguem ao enfraquecimento ou à desaparição do amor romântico, espontâneo. O vínculo matrimonial – que não se pode romper sem desobedecer a Deus – não é constituído somente pelo amor e sentimentos – normalmente instáveis – que existem entre marido e mulher; deve ser constituído, mais e mais, pelos filhos. E cada filho é um dos elos com que se forja essa corrente, é um dos fios com que se entretece essa corda.

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(5) Quer seja um só filho, quer sejam dois, ou talvez cinco ou seis. Somente Deus sabe quantos filhos constituirão o apoio que cada casal requer. Por esta razão, se os cônjuges querem tomar decisões acertadas num assunto tão vital para a sua felicidade, devem fazê-lo com profundo espírito de oração.

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Na sua homilia em Washington, D.C., em outubro de 1979, o Papa João Paulo II lembrava aos pais que “é sem dúvida menos grave negar aos filhos determinadas vantagens materiais e comodidades do que privá-los da presença de irmãos, que poderiam ajudá-los a crescer em humanidade e a compreender a beleza da vida em todas as suas idades e em toda a sua variedade” 6.

Eu sugeriria aos pais demasiado propensos a limitar o número de filhos que lessem esta advertência do Papa à luz do ensinamento do Vaticano II: “Os filhos são o dom supremo do matrimônio e constituem um benefício máximo para o bem dos próprios pais” 7. Ou seja, esses pais não estão privando somente os filhos que já têm, mas a si próprios, de um bem único, de uma experiência insubstituível na vida humana.

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(6) Homilia de 7 de outubro de 1979.

(7) On the scope and nature of University education, Discourse IV.

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APRENDER A OPTAR

É freqüente encontrar afirmações como esta: “As pessoas aceitam mais facilmente a idéia da limitação ou do planejamento familiar quando possuem um nível de cultura e educação mais elevado”. Concordemos ou não, admitir uma afirmação destas sem questioná-la é aceitar uma determinada filosofia de vida. Com efeito, só as pessoas que tenham recebido um tipo de educação muito peculiar,

completamente impregnada de valores – ou antivalores – muito estranhos, é que conseguirão aceitar com facilidade a idéia da limitação familiar. Semelhante educação pode ser considerada educação cristã, ou mesmo simples educação? Vale a pena lembrar o juízo que o cardeal Newman fez da educação do seu tempo, em meados do século XIX. “O homem moderno”, dizia, “é instruído, mas não educado. Aprendeu a fazer coisas, e a pensar o suficiente para fazê-las, mas não aprende a pensar para além disso”

Toda a questão, nesta matéria, gira em torno de valores e opções, de alternativas e bens.

Poucas pessoas podem ter todos os bens deste mundo. Mas há muitas que têm uma certa liberdade de escolha: posso escolher entre um bem A e um bem B, mas talvez não os dois simultaneamente. Terei de optar entre um e outro. A opção inteligente e autenticamente humana escolherá o bem melhor, sabendo que assim se enriquece: é a escolha educada. A opção pouco inteligente e pouco humana escolherá o bem inferior, e é provável que ignore quanto se engana e se empobrece ao fazê-lo.

Há algum tempo, no Quênia, um africano fez-me o seguinte comentário ao saber que o índice médio de fecundidade no Ocidente gira em torno de 1,2 filhos por casal: “Os casais do Ocidente devem ser muito pobres se não têm condições econômicas para criar mais de dois filhos…” Não era propriamente um especialista qualificado no assunto, mas as suas palavras podem fazer-nos pensar. Acrescentemos mais uma pitada desta sabedoria “não-tecnocrática”, desta vez colhida no próprio Ocidente.

Conheci um jovem casal inglês, há alguns anos. Um casal normal que queria ter filhos. Nasceu o primeiro, e depois, sem que o quisessem, passaram-se três ou quatro anos sem que viessem outros. Por fim, a mãe engravidou pela segunda vez. O primeiro filho entusiasmou-se tanto quanto os pais. Infelizmente, ocorreu um aborto espontâneo. O pai teve que contar à criança que não ganharia o irmãozinho ou irmãzinha que esperava. “Olha, a mamãe não vai ter esse bebê”. Depois, aceitando os imperscrutáveis caminhos de Deus, acrescentou: “Foi melhor assim…” O menino, porém, não se rendeu tão facilmente: “Mas, papai, o que pode ser melhor do que um bebê?”…

A ESCALA DE VALORES

O menino do nosso episódio possuía uma verdadeira escala de valores, o que, segundo a Humanae vitae, é exatamente a primeira coisa de que um casal precisa para encarar honestamente a regulação da natalidade 8. Um casal que não considere a vinda de um filho como a maior e mais enriquecedora aquisição que pode fazer manifesta não possuir uma escala de valores verdadeira.

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(8) Cf. Humanae vitae, n. 21.

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Muitos casais do Ocidente parecem não compreender a verdade tão simples de que os filhos são o fruto mais personalizado do seu amor conjugal, e que são, por conseguinte, não só o maior dom que podem oferecer um ao outro, como também um presente de Deus para os dois.

“Mas… se tivermos mais um filho, os que já temos e nós mesmos ficaremos numa situação financeira mais difícil…” Não me venham dizer que pensam realmente que o novo filho passará mal, a não ser que queiram pertencer ao grupo daqueles que se perguntam constantemente se a própria vida vale a pena, ou se a não-existência não será afinal de contas preferível à existência.

“Mas os nossos outros filhos, os que já temos, vão ficar numa situação pior…” Ficarão mesmo? O Papa afirma que, em termos verdadeiramente humanos, ficarão em situação melhor.

“Mas nós mesmos enfrentaremos uma situação pior. Passaremos por maiores dificuldades…” É bem verdade que vocês terão de trabalhar mais; aliás, hoje em dia muita gente trabalha mais do que as horas devidas para ter “bens” materiais. Por acaso isso os torna menos felizes?

No mais íntimo do seu coração, muitos casais devem sentir sem dúvida a verdade de que um filho é uma boa e grande dádiva. O problema é que vêm sendo condicionados para não confiar nessa verdade. E é por isso que precisam de que alguém os ajude a conquistar essa confiança. No meu modo de ver, somente os casais que optaram pelo bem de ter filhos, em toda a plenitude com que Deus desejava abençoar-lhes o casamento, estão habilitados a ensinar e transmitir essa confiança. O Papa Paulo VI, na Humanae vitae, quis destacar em primeiro lugar, entre os pais que compreendem e vivem a paternidade responsável de acordo com a vontade de Deus, aqueles que tomam “a deliberação ponderada e generosa de ter uma família numerosa” 10.

—————————————————————

(10) Humanae vitae, n. 10.

—————————————————————

Muitos casais de hoje vêm sofrendo de uma auto-privação, de um empobrecimento voluntário, causado pelo fato de recusarem o dom da vida e a fecundidade do amor. Não me surpreenderia se a história viesse a registrar a nossa sociedade moderna, tão preocupada com o bem-estar, como “a sociedade empobrecida“, na qual povos inteiros se foram depauperando até à morte porque o sentido verdadeiramente humano dos valores foi pouco a pouco sugado das suas vidas.

A PERDA DA SEXUALIDADE

Uma última palavra sobre a idéia de auto-privação. Às vezes, privar-se de alguma coisa pode ser necessário e sensato, por exemplo quando motivos de saúde exigem que alguém se prive de alimentos sólidos. Esse jejum, no entanto, não deixa de ser uma privação, e se não se quiser que termine na morte, deve ser temporário, para que o paciente possa voltar a alimentar-se de maneira saudável e normal. O apetite sexual da sociedade ocidental moderna não é normal nem saudável, nem realmente sexual.

Os defensores da contracepção rejeitam o ensinamento da Igreja segundo o qual os aspectos unitivo e procriador no sexo conjugal são inseparáveis, e afirmam que é perfeitamente legítimo separá-los, já que a anticoncepção anula o aspecto procriador, mas respeita o unitivo. Ora bem, na realidade, não é isso o que acontece quando se recorre a esses meios. O verdadeiro efeito das práticas anticoncepcionais não é separar esses dois aspectos, mas anulá-los. Que o sexo submetido a anticoncepcionais não é procriador, é evidente para qualquer pessoa, mas o que não é tão claro é que não seja unitivo, pelo menos em sentido conjugal. Ora bem, o que uma análise mais profunda dos fatos nos diz é que nem mesmo é sexo, num sentido propriamente humano.

Na contracepção, não se separa o sexo de algum elemento estranho a ele, ou de um elemento a ele vinculado por um lamentável acidente no projeto biológico do sexo. O que se separa é a ação do sexo – a ação aparente – do seu significado. A realidade do sexo é inteiramente deixada de lado, e o que as pessoas realizam é uma simples pantomima.

Ou seja, o que na verdade se separa é o “corpo” do sexo da “alma” do sexo, e o que fica para trás é o cadáver do sexo. A anticoncepção oferece às pessoas um sexo aparentemente corporal, ou seja, essencialmente privado de alma. Ora, isso não passa de sexualidade mumificada, de sexo morto. O nosso mundo moderno, com efeito, está empenhado em matar o sexo e a sexualidade humanos.

Muitos casais modernos perderam o verdadeiro apetite sexual. A sexualidade que os caracteriza não é uma sexualidade humana. Uma masculinidade e uma feminilidade aleijadas convergem num simulacro de união que não é autenticamente conjugal. Esses casais correm o perigo de morrer de inanição conjugal-sexual, na medida em que estão privados das qualidades humanizadoras e personalizantes do verdadeiro sexo conjugal, desse verdadeiro bem que é a sexualidade. Uma esterilidade voluntária nega ao seu amor o fruto que o próprio amor – de acordo com a sua natureza – deveria produzir, e do qual necessita para se alimentar e sobreviver.

Cormac Burke

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* A Inteligência, será que podemos medi-la com absoluta segurança?

maio 22nd, 2012

MAS AFINAL, O QUE É INTELIGÊNCIA?

Isaac Asimov

Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos.

A média era 100.

Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal.

(Não significou nada – no dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP – Kitchen Police)

Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.

Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?

Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses, acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.

Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos.
No fim, ele sempre consertava meu carro.

Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico.

Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.

Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.

Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal.

A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.

Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez.

Ele adorava contar piadas.

Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:

“Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?”

Eu levantei minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.

“Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir”

Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou:

“Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje.”
“E muitos caíram?” perguntei esperançoso.
“Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar”.
“Ah é? Por quê?”
“Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto”

E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.

(tradução livre do original “What is inteligence, anyway?” )

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* Igreja Católica nos Estados Unidos REAGE e processa administração Obama em massa.

maio 21st, 2012

A Arquidiocese de Nova York, liderada pelo Cardeal Timothy Dolan, a Arquidiocese de Washington, D.C., liderada pelo Cardeal Donald Wuerl, a Universidade de Notre Dame, e 40 outras dioceses católicas e organizações espalhadas pelo país anunciaram que estão processando a administração de Obama por violar sua liberdade religiosa, que é garantida pela Primeira Emenda Constitucional.

As dioceses e organizações, sob diferentes combinações, registraram 12 diferentes ações judiciais nas cortes federais ao redor do país.

A Arquidiocese de Washington, D.C. criou um website especial — preservereligiousfreedom.org — para explicar estas ações judiciais e apresentar novidades e a tramitação relacionadas a elas.

“Estas ações judiciais tratam de um ataque sem precedentes do governo federal contra uma das liberdades mais caras da América: a liberdade de praticar sua religião sem a interferência do governo,” diz a arquidiocese em seu website. “Não se trata de as pessoas terem acesso a determinados serviços; se trata de o governo poder forçar instituições religiosas e indivíduos a facilitar e custear serviços que violam suas crenças religiosas.”

As ações registradas pelas organizações católicas se concentram na regulamentação que a Secretária de Saúde e Serviços Humanos Kathleen Sebelius anunciou em Agosto passado e concluiu em Janeiro que solicitava a virtualmente todos os planos de saúde dos Estados Unidos a cobrirem esterilização e anticoncepcionais aprovados pela “Food and Drug Administration”, incluindo aqueles que podem provocar abortos.

A Igreja Católica ensina que esterilização, contracepção artificial e aborto são moralmente errados e que os católicos não devem se envolver com isso. Portanto, a regulamentação exigiria dos fiéis católicos e organizações católicas que agissem contra suas consciências e violassem os ensinamentos de sua fé.

Anteriormente, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estadus Unidos chamou a regulamentação de “um ataque à liberdade religiosa sem precedentes” e solicitou à administração de Obama para rescindí-la.

“Nós tentamos negociar com a Administração e legislação com o Congresso – e prosseguiremos com isso – mas ainda não há reparação,” Cardeal Dolan, que também é o presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, disse em um comunicado divulgado pela conferência.

O tempo está se esgotando, e nossos preciosos ministérios e direitos fundamentais estão na balança, então temos que recorrer aos tribunais agora,” disse o cardeal. “Embora a Conferência não faça parte das ações judiciais, nós aplaudimos este ato corajoso de tantas dioceses individuais, instituições de caridade, hospitais e escolas ao redor da nação, em coordenação com o escritório de advocacia Jones Day. É também um claro sinal da unidade da Igreja na defesa da liberdade religiosa. Além de ser uma grande demonstração da diversidade de ministérios da Igreja que servem o bem comum e que estão comprometidos com seus preceitos – ministérios dos pobres, dos doentes, e dos não educados, para pessoas de qualquer fé ou mesmo sem fé alguma.”

A Arquidiocese de Nova York do Cardeal Dolan registrou uma ação hoje na Corte Distrital dos EUA regional (Eastern District of New York). Unindo-se à arquidiocese como demandantes na ação estão a Catholic Health Care System, a Diocese Católica Romana de Rockville Centre, Cáritas de Rockville Centre, e a Catholic Health Services de Long Island.

Em sua ação, estes grupos elencaram a secretária Sibelius (HHS), a secretária do Trabalho Hilda Solis, o secretário do Tesouro Tim Geithner e seus departamentos como réus.

A arquidiocese de Wasington, D.C., conta em sua ação judicial com a Cáritas da Arquidiocese de Washington, o Consórcio das Academias Católicas da Arquidiocese de Washington (que inclui quatro escolas católicas/paroquiais), Colégio (Escola Secundária) Arcebispo Carroll, e a Universidade Católica da América.

“Esta manhã, a Arquidiocese de Washington registrou uma ação judicial para confrontar o mandato, recentemente expedido pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que fundamentalmente redefine a definição nacional de longa data do ministério religioso e requisitou que nossas organizações religiosas ofereçam aos seus funcionários cobertura para drogas que induzem ao aborto, contraceptivos, e esterilização, mesmo que fazer isso viole suas crenças religiosas,” disse o Cardeal Donald Wuerl de Washington em uma carta aberta publicada online esta manhã. “Assim como nossa fé nos obriga a defender a liberdade e dignidade dos outros, assim também, devemos defender a nossa própria.”

“A ação judicial de forma alguma desafia nem o direito legal já estabelecido de as mulheres obterem e usarem contraceptivos nem o direito dos empregados de terem cobertura particular para tal, se optarem por isso,” disse o Cardeal Wuel. “Esta ação judicial é sobre liberdade religiosa.”

“A Primeira Emenda consagra em nossa Constituição nacional o princípio de que organizações religiosas devem poder praticar sua fé livre de interferência do governo,” diz o Cardeal Wuerl.


Tradução: Bruno Linhares

(Fonte: http://cnsnews.com/news/article/breaking-cardinal-dolan-ny-cardinal-wuerl-dc-notre-dame-and-40-other-catholic-dioceses)

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* A Misericórdia divina.

maio 21st, 2012

A misericórdia

Igor Carneiro

http://www.linhadeconsciencia.com/2012/05/misericordia.html

O jovem filósofo estava em prantos, ajoelhado ao pé da cama. Seus erros não cabiam em seu coração. Não suportava sua imperfeição. Por mais que tentasse, sempre caía no mesmo erro. Por mais que não quisesse, excedia-se e cedia à menor das tentações. Eram mil coisas acerca disso que mutilavam seu ânimo em pensamentos, e ele chorava. Chorava aquele choro de angústia, sem lágrimas, pois não suportava mais a si mesmo.

Da pobreza, por a simples oferta de um livro bom, esquecia, a obediência era sobrepujada quase sempre pela sua inquietude e impulsividade e, como se não bastasse, por pouco ou nada perdia aquilo que chamam castidade.

Comparava-se sempre com os outros, com os santos, com Cristo, e se via demasiadamente distante. Não conseguia se aceitar. Até que, repentinamente, dentro de si, ouviu algo como que uma voz a dizer: “Meu filho, por que você está triste?” – Logo uma paz imensa invadiu o rapaz, mas não adiantou de muita coisa aquelas palavras, pois para ele, o dono daquela voz sabia muito bem o que estava acontecendo. A voz, entretanto, insistia: “Meu filho, se eu sou infinito, minha misericórdia é infinita, se eu sou eterno, também é eterna a minha misericórdia”. – O garoto, atrevido como era, questionava, dentro de si, o que significava aquela misericórdia infinita, mas, ao mesmo tempo em que isto fazia, em seu coração vinha a resposta: “A misericórdia de Deus é infinita porque não tem limites. Por maior que seja o pecado, sobrepõe-no a sua misericórdia”. – Não bastasse a surpresa de estar compreendendo coisa tão grandiosa, aquele entendimento insistia: “Essa misericórdia também é infinita porque nunca se acaba, não tem início nem fim, e não tem nada que a supere ou destrua.” Outra pessoa se daria por satisfeito, por tão grande honra recebida, mas aquele garoto era arrojado demais para isso. Acontece que indagou, interiormente: “E porque é eterna?” Simultaneamente, a resposta veio: “É eterna porque existe em si mesma, porque está para além do tempo e de qualquer coisa terrena e material. A misericórdia de Deus é. Deus tem misericórdia antes, durante e depois da desobediência; Deus tem misericórdia além da desobediência. Deus é misericordioso, e o objeto dessa misericórdia não é o pecado, mas o pecador, independente de quem seja e de qual seja o pecado. Por isso é eterna, porque ela é”.

Aquela paz, já invadida, plenificou-se. Aquele rapaz sabia, por tudo que já tinha vivido, que essa didática do amor, da paciência, do perdão, da misericórdia, era coisa que funcionava perfeitamente. Quando agia por amor, não por obrigação, nem por imposição, tudo funcionava sem maiores obstáculos, e era por isso mesmo que ele sentia tanta dificuldade em viver, porque ninguém era assim consigo. Mas, o que acabara mesmo de descobrir, é que existia alguém que era, que é e que sempre será, e aquilo o confortava de modo indizível. Na verdade, inefável mesmo era aquela experiência. Só uma coisa inquietava aquele jovem coração. Era que aquela paz que ele sentia, a tantos outros faltavam, aquela misericórdia recebida, tantos a desconheciam e, aquela voz que ele ouviu, tantos nunca ouviram.

Seja por culpa de si ou de outrem, havia no mundo outro jovem que não sabia nem que Deus era misericordioso, e muito menos no que consistia essa misericórdia. É a dor de saber, porque ele sabia, que a misericórdia de Deus pode ser infinita e eterna, mas o homem pode não acolhê-la em seu coração. Ela é sem limites, em si, mas o homem pode limitá-la à sua vida, se assim quiser. É que aquelas palavras transmitidas por aquela voz, entraram em seu coração como uma sublime música, mas tantos nunca tiveram a oportunidade nem de conhecer o que elas diziam.

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* Cardeal de Viena (Áustria) esclarece decisões e polêmicas ocorridas em sua diocese.

maio 20th, 2012


Andrea Tornielli- jornal La Stampa.

Há um mês e meio, contra o parecer do pároco, ele havia deixado em seu posto no conselho pastoral de uma paróquia o jovem Florian Stangl (foto), gay assumido. (O jovem de vinte e sete anos foi votado entre os paroquianos, durante as eleições do novo conselho pastoral de Stützenhofen, ao norte de Viena. O pároco, porém, não quis admitir sua designação. E, aí, interveio o arcebispo, que assumindo a responsabilidade, decidiu convalidar a eleição)

O cardeal Christoph Schönborn, dominicano, 67 anos, aluno de Ratzinger, arcebispo de Viena, está em Roma nestes dias, onde discutiu com as autoridades vaticanas a situação da Igreja austríaca.

Nesta entrevista ao jornal La Stampa, depois de semanas de silêncio, ele volta a falar da sua escolha. Ele a defende, mas, ao mesmo tempo, explica que o ensino católico não muda. E se pronuncia também sobre a dissidência que atravessa a Igreja na Áustria, antecipando as iniciativas que irá tomar com relação aos padres signatários do Apelo à desobediência.

Eis a entrevista.

Cardeal Schönborn, pode explicar por que o senhor ratificou a eleição de Stangl ao conselho pastoral?


A minha decisão havia sido uma “não decisão”, eu apenas decidi não interferir na eleição ocorrida. É a paróquia que deve escolher bem os candidatos para o conselho pastoral, em conformidade com os requisitos previstos. No caso sobre o qual falamos, isso infelizmente não aconteceu.

O senhor se encontrou com Stangl. O que lhe chamou a atenção?


Não pretendo entrar em detalhes, porque as pessoas têm direito à sua esfera privada.

O caso suscitou esperanças em quem espera uma mudança de posição da Igreja com relação aos gays…

Diante de casos de irregularidades, de pessoas que coabitam, de divorciados que se casam novamente ou de casais formados por pessoas do mesmo sexo, nós, pastores, devemos manter firmes os ensinamentos da Escritura e da Igreja, não por fideísmo, mas sim porque estamos convictos de que eles representam o caminho rumo à felicidade. E devemos tentar ajudar todos a levar uma vida conforme a esses ensinamentos.

Por que, então, o senhor decidiu não intervir?


Porque devemos reconhecer que não só aqueles que vivem em uma situação objetiva de desordem moral, mas também nós todos precisamos de perdão e de misericórdia. Estamos caminhando rumo a uma meta que nós reconhecemos com o coração e a mente, mas também estamos conscientes de que são necessários passos de conversão e de paciência. Não devemos justificar certas situações, mas sim pedir uma mudança. Como pastor, eu julguei que, nessa situação particular, no caso de que falamos, havia um caminho em andamento.

O senhor irá admitir que se trata de um precedente…


A posição da Igreja sobre esses temas não mudou, e não se trata de um precedente. É só um caso especial, assim como há outros…

A Igreja deveria demonstrar uma atitude mais misericordiosa com relação aos homossexuais?

A Igreja sempre demonstrou misericórdia para com os pecadores, e todos somos pecadores. Mesmo que nos fixemos apenas em certos pecados e em certas situações de desordem moral, todos nós, como cristãos, devemos nos confessar. Mas não há misericórdia sem verdade. É preciso um caminho de conversão: isso vale para os divorciado em segunda união, mas também para quem vive relações homossexuais. É preciso ajudá-los a reconhecer que o projeto de Deus não é esse, e, se eles se sentem incapazes de seguir o ensinamento da Igreja, que o admitam com humildade, pedindo a ajuda de Deus, confessando-se e tentando não pecar mais. Não podemos mudar o seu projeto, mas devemos lembrar que Deus é infinitamente misericordioso para com os nossos pecados.

As associações gays acusam a Igreja de ter uma atitude discriminatória. Como o senhor responde?

A Igreja deve seguir o que foi revelado nas Escrituras, mas condena o pecado, não o pecador. Depois, há lobbies, o “politicamente correto”, as atitudes exibidas com as quais, no entanto, nem todos aqueles que têm inclinações homossexuais concordam. Um certo rumor, uma certa propaganda gay, o fato de querer estender nas escolas um tipo de educação sexual que acabe promovendo também a homossexualidade… Eu me pergunto: se essa é a normalidade, por que se precisa de tanto barulho? Se essa é a felicidade que Deus quis para o ser humano, por que se precisa de tanta propaganda?

Há quem diga que a Igreja hoje fala muito de moral sexual. O que o senhor acha?

O importante é a relação de amizade com Jesus, o encontro pessoal com ele. Bento XVI não se detém muito nas questões relacionadas à sexualidade, mas insiste na amizade com Jesus, ou seja, na fé. Chamou-me a atenção que, durante o primeiro encontro com os jovens em Colônia, em 2005, o papa nunca citou os temas relacionados à sexualidade. E lembro também que João Paulo II, em 2001, disse que todos os ensinamentos morais permanecem como leis exteriores e incompreensíveis sem a experiência da fé, da relação com Jesus.

Há muita dissidência na Igreja austríaca, centenas de padres assinaram um Apelo à desobediência. O que vai acontecer?

Eu gostaria de esclarecer que uma coisa é a Pfarrer-Initiative, de 2006, assinada por 350 sacerdotes. Outra é o Apelo à desobediência, lançado com grande evidência midiática há um ano: este último, promovido pelo Mons. Helmut Schüller, foi feito sem aviso prévio aos signatários, que não sabiam de nada. Eu logo declarei que não se pode brincar com as palavras e que o Apelo à desobediência é inadmissível. Como bispos, fomos pacientes – segundo alguns, até demais – e agora estamos preparando uma carta pastoral para será lançada durante o Ano da Fé, em que responderemos a todas as questões feitas pelos dissidentes.

O papa os citou na Missa da Quinta-Feira Santa…


Nessa homilia, Bento XVI nos deu um modelo de diálogo, tentando entrar nas suas motivações, responder às suas objeções e, por fim, convidá-los a seguir a Cristo na obediência, que é um caminho de redenção e de liberdade.

E se os defensores da Pfarrer-Initiative não cederem?

Nós lhes diremos: agora é o momento de esclarecer. Depois, tomaremos as nossas decisões, incluindo eventualmente também passos que preveem sanções disciplinares. Espero que não seja necessário.

No caso das sanções, a intervenção será sua ou da Santa Sé?


Nós, bispos, é que interviremos, e não Roma. É um dever que compete a nós, pastores.

Como o senhor julga a propagação dessa dissidência, que pede a abolição do celibato, o sacerdócio às mulheres, os leigos no lugar dos padres nas celebrações?

O movimento se espalhou. Há até uma espécie de “Guia Michelin” da dissidência, com os nomes das associações nos vários países. Trata-se, em grande parte, de sacerdotes da geração de 1968: eu digo isso sem nenhum desprezo, como dado documental. Muitos deles sofrem, devem ser respeitados e muitas vezes levantam problemas reais. Concordamos com o diagnóstico: há uma crise. Mas não compartilhamos a terapia. Parece-me que eles têm em mente a situação da Igreja nos anos 1950 e 1960, quando ela era muito mais forte, vigorosa e enraizada.

Qual é a terapia certa, segundo o senhor?

Uma nova descoberta da fé, que aceite ser a luz do mundo. O verdadeiro programa de contraste à Pfarrer-Initiative
são as muitas realidades vivas da Igreja austríaca, das quais ninguém fala: o número crescente de famílias jovens que vivem a sua fé no mundo, com o conhecimento de serem uma minoria criativa; os jovens fascinados com a espiritualidade e com a liturgia dos mosteiros. Estamos acostumados a ser maioria e a dizer tudo sobre todos: agora é o momento de nos reconhecermos minoria e de testemunhar, cada um em seu próprio lugar, a nossa fé.

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* “Coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de que algo é mais importante que o medo. O corajoso pode não viver para sempre, mas o cauteloso nunca vive plenamente.”

maio 20th, 2012

Luciana Hilário

Uma vez ouvi uma definição de coragem que gostei muito. Foi no filme “O Diário da Princesa”, da Disney. No aniversário de 16 anos da filha, o pai, já falecido, havia deixado uma carta que dizia assim:“Coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de que algo é mais importante que o medo. O corajoso pode não viver para sempre, mas o cauteloso nunca vive plenamente.” Essa frase mexeu muito comigo, pois sou uma pessoa um “mocadinho” medrosa.

O medo é um sentimento necessário para a sobrevivência do ser humano. Numa situação de perigo de morte, por exemplo, é o medo de perder a vida que nos faz correr de um animal descontrolado, nadar em meio a fortes ondas, enfim, se esconder ou enfrentar o perigo. Isso é bom, muito bom! Mas, e quando fugimos da possibilidade de acontecer algo ruim, mesmo que não seja um perigo iminente? Isso acontece quando temos medo de um perigo, medo de sentir as dores de uma perda. Ao contrário do medo que nos move, esse medo nos paralisa, nos faz ficar estagnados, escondidos. Nesses casos, para nos mover, temos que enfrentar os medos, e não necessariamente os perigos. Nesse texto, quero refletir sobre como lidamos com nossos medos e como isso influencia a educação que damos a nossos filhos.

Para ajudar nessa reflexão, convido vocês a ver o filme“Procurando Nemo”.

Reprodução: Marlyn e Nemo

Esse filme, também da Disney, começa apresentando Marlyn e sua esposa, dois peixes palhaço que estão “adquirindo” sua nova moradia. Tudo é só felicidade: “casa” nova em um lugar privilegiado e muitos filhotinhos a espera em seus ovinhos. Em meio a essa alegria, um desastre acontece: o ninho de amor é atacado por um peixe feroz e Marlyn perde de uma só vez o amor de sua vida e seus filhotes. Só o que encontra é o vazio. Mas, em meio a esse desespero, uma ponta de esperança brilha para ele: um ovo se salvou, um filho amado que ele dá o nome de Nemo! Após uma passagem de tempo, a vida de pai e filho é só harmonia, pois os dois não se desgrudam. O cuidado de Marlyn para com Nemo é tanto, que ele protelou ao máximo a ida do filho à escola, com o intuito de protegê-lo. No entanto, todo esse zelo não adiantou. Em um descuido, Nemo é capturado por mergulhadores, e Marlyn, desesperado por mais essa perda, segue a procura de seu filho único, numa busca que irá trazer muito mais do que seu filho de volta: trará também muito amadurecimento e coragem.

Por muitas vezes, os pais protegem tanto seus filhos que acabam por sufocá-los, por não deixar que eles mesmos vivam suas experiências. Ao mesmo tempo, o dever dos pais é zelar pela segurança, proteção e cuidado de sua prole, principalmente ensinando-os o que é certo e errado, bom e ruim, enfim, ensinando os limites da vida.

Essa linha que separa a proteção saudável da super-proteção é tênue e precisa ser constantemente vigiada. Por isso é necessário estar atento às limitações de entendimento e de atividades para cada idade de seus filhos. Por mais preocupada que uma mãe possa ficar com um tombo de uma criança, por exemplo, mesmo com toda atenção prestada, isso pode acontecer, e esse  “raladinho” pode servir de aprendizado.

É possível observar no filme que o sofrimento que Marlyn passou com a perda de sua esposa e de seus outros filhos criou nele um medo enorme de perder o próprio Nemo. No fundo, ele tem um grande medo de sofrer. Quem de nós não têm medo de sofrer? Medo de perder a felicidade vivida? No entanto, temos que aprender a lidar com esses medos para que eles não nos paralisem. Precisamos aprender a ser corajosos, a perceber o que é mais importante do que o medo que sentimos.

Reprodução: Dori e Marlyn na barriga da baleia

Um dos trechos que mais me chamou atenção do filme foi a sequência em que Marlyn e Dori, uma pexinha amiga, estão presos dentro de uma baleia e Marlyn começa a ficar desanimado com os problemas e adversidades no caminho, à procura de seu filho. Dori, sempre otimista, tenta animá-lo, dizendo que vai ficar tudo bem. Marlyn então diz que prometeu que nunca deixaria nada acontecer com seu filho Nemo, e Dori responde: “Coisa engraçada de se prometer. Se você deixar nada acontecer com ele, nada vai acontecer com ele.” E é verdade!

Quando os pais, no intuito de proteger seus filhos, controlam para que nada aconteça, eles não terão a chance a aprender com as adversidades da vida, tão comuns e tão ricas para nosso amadurecimento. Talvez essas crianças acreditem que o mundo é “perfeito”, que não existem problemas, e, na vida adulta, não saberão lidar com as diferenças, com as contrariedades que encontramos no dia-a-dia.

Na continuação desta sequência, ao perceber que a baleia parou e a água está baixando, Dori diz que a baleia está pedindo para eles se soltarem e irem para o fundo da garganta. Marlyn fica desconfiado e diz que a baleia quer na verdade engoli-los. Quando Dori se solta confiante no que a baleia está dizendo, Marlyn fica desesperado e a agarra. Dori então explica para Marlyn o que a baleia quer, e no diálogo que segue, temos uma das grandes demonstrações de medo do ser humano:

Dori – Ela disse para a gente se soltar logo! Vai dar tudo certo!
Marlyn – Como sabe disso? Como sabe que não vai aparecer nenhum problema?
Dori – Não sei não!

E então, Marlyn vence seu medo e se solta junto com Dori para o fundo da garganta da baleia, para o desconhecido, que tantas vezes nos assusta, nos amedronta!

“Coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de que algo é mais importante que o medo.” É interessante perceber que muitas vezes, nos momentos de decisões de nossas vidas fazemos essa pergunta a nós mesmos ou aos que estão junto conosco: será que vai dar certo? Não vai ter nenhum problema pelo caminho? A resposta será sempre a mesma: não sabemos! Mas isso não significa que não vai ficar tudo bem, que não “vai dar tudo certo”! Temos que acreditar nisso, ser otimistas, sem deixar de ser realistas. O ser humano tem o desejo de ter o “controle” de tudo, para que tudo saia conforme esperamos, desejamos. Mas esse controle não existe, é uma sensação falsa. No filme, Marlyn percebeu que a busca pelo seu filho amado é mais importante do que o medo que ele tem do desconhecido, das suas perdas.

Outra lição que tirei deste mesmo trecho é a de confiar naqueles que estão junto conosco na caminhada da vida, nas nossas buscas. Marlyn insiste várias vezes com a peixinha Dori de que ela não sabe falar “baleiês”, de que ela não entende o que a baleia está dizendo. Muitas vezes, nossa família, nosso cônjuge ou até amigos estão do nosso lado nos apontando para caminhos que nós não queremos enxergar, e preferimos dizer que eles não sabem o que estão falando, não entendem “baleiês”. Não confiamos porque o caminho que eles nos apontam é desconhecido, nos amedronta, pode nos trazer um sofrimento ou um resultado não “controlado” por nós. Para quem acredita em Deus, esse acreditar na “voz da baleia” e se jogar no fundo da garganta deve ser um aprendizado constante. Ele nos pede para que acreditemos nos caminhos desconhecidos, no qual não temos controle, pois com Ele ao nosso lado, “Vai dar tudo certo!”.

Compartilho com vocês esses meus pequenos aprendizados. Ainda são para mim aprendizados, pois ainda não estão enraizados no meu viver, não viraram uma prática fácil. Tenho momentos de coragem e momentos de medo. Momentos em que o medo da perda da felicidade fala mais alto. Ainda tenho que pensar muitas vezes o que é mais importante do que o medo. Sei que assim conseguirei viver mais plenamente, mesmo que tenha que ser menos ou com mais sofrimento.

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* É possível estudar Religião de forma “neutra”?

maio 20th, 2012

“Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa”, escreve Luiz Felipe Pondé, professor de Filosofia, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Segundo Pondé, “acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”

Eis o artigo.

Você estuda religião? Aposto que, se sua resposta for “sim”, a causa é uma das hipóteses abaixo. Somos previsíveis como ratos de laboratórios.

Estudar religião cientificamente seria estudá-la sem fins religiosos, ou seja, “de modo objetivo”: via neurologia, sociologia, antropologia, psicologia, história, filosofia.

Trocando em miúdos, estudar religião cientificamente é estudá-la sem fins “lucrativos” para a própria fé do estudioso. Neste sentido, o melhor seria um ateu estudar Deus ou um cristão estudar budismo, porque assim não “lucrariam” com seus objetos de estudo.

Duvido profundamente deste pressuposto.
Não porque seja impossível em si nem porque neutralidade em ciência seja algo absurdo. Trabalhar com ciência não é fruto de amor ao conhecimento, mas sim um modo de ganhar a vida muitas vezes menos competitivo do que o mercado de profissionais autônomos ou das grandes corporações.

Julgo esse problema da neutralidade do conhecimento científico tão improdutivo quanto se perguntar como faziam os últimos medievais, se Deus poderia criar uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar – já que Ele seria onipotente e, portanto, poderia criar qualquer coisa. Mas, sendo Ele onipotente, como poderia existir uma pedra que Ele mesmo não poderia carregar?

Como você vê, trata-se de uma pergunta “podre” no sentido de ser simples perda de tempo. Um beco sem saída.

Acho que a chamada “neutralidade” em estudos da religião não passa de um preconceito contra a fé religiosa, porque em ciências humanas a neutralidade não é um pressuposto universalmente cobrado em todos os campos de pesquisa.

Por exemplo, quando mulheres estudam “opressão feminina”, não estariam elas sob suspeita, uma vez que são mulheres e, portanto, suspeitas em “lucrar” com os ganhos do próprio estudo? Ou, quando gays estudam “opressão contra os gays”, não estariam eles também sob suspeita, na medida em que eles, gays, também “lucrariam” com o estudo de seu próprio caso?

Ou mesmo ateus estudando Deus não estariam sob suspeita de quererem desconstruir a fé a fim de desvalorizá-la?

Por isso acho mais interessante ir logo a questões mais pragmáticas e perguntar: “Por que as pessoas querem estudar religião em vez de simplesmente viver suas religiões em seus templos e fé cotidiana?”.

Proponho as seguintes hipóteses.

1. Pessoas buscam a universidade ou instituições afins para estudar religião porque têm inquietações “espirituais”, mas se acham “cultas e bem (in)formadas” e estão um tanto de saco cheio das “igrejas” (no sentido de religiões institucionais) que existem no mercado. Ou mesmo porque sentem vergonha de serem religiosas “oficialmente” e, por isso, preferem estudar religião a praticar religião.


2. Porque odeiam religião por conta de traumas infantis familiares ou escolares ou por algum grande sofrimento que gerou algum tipo de “revolta contra Deus”. Normalmente essas pessoas querem acabar com a religião.

3. Razões ideológicas: religião aliena (marxistas), oprime mulheres e gays, condena o sexo. Ou seja: querem um mundo sem religião ou com religiões simpáticas a suas ideologias.

4. Para abrir uma igreja, ganhar dinheiro ou poder político.

5. Para tornar sua vivência religiosa mais “culta e bem informada” e “modernizar” sua vida religiosa cotidiana, como em questões relacionadas à ciência ou à ética.

6. Por diletantismo sofisticado movido por inquietações existenciais e/ou filosóficas.

7. Porque pertenceram ao clero de alguma religião e só sabem ganhar a vida com temas relacionados à religião.

8. Para usar o conhecimento em recursos humanos nas empresas.

9. Geopolítica internacional: fundamentalismos, multiculturalismos, comércio exterior.

10. Porque é professor e o ensino religioso é um mercado em expansão, além de que, se for egresso de classes sociais inferiores (o que é muito comum), títulos acadêmicos costumam ser uma ferramenta razoável de status e aumento na renda.

Resumo da ópera: dinheiro, status, angústia existencial, fé, política, opção profissional à mão ou simplesmente falta de opção.

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* O que pensa a Igreja sobre as “Greves” e a participação de Católicos nessas manifestações?

maio 19th, 2012

Blogueiro Jorge Ferraz

Sobre as greves diz Leão XIII na Rerum Novarum

22. O trabalho muito prolongado e pesado e uma retribuição mesquinha dão, não poucas vezes, aos operários ocasião de greves. E preciso que o Estado ponha cobro a esta desordem grave e frequente, porque estas greves causam dano não só aos patrões e aos mesmos operários, mas também ao comércio e aos interesses comuns; e em razão das violências e tumultos, a que de ordinário dão ocasião, põem muitas vezes em risco a tranquilidade pública. O remédio, portanto, nesta parte, mais eficaz e salutar é prevenir o mal com a autoridade das leis, e impedir a explosão, removendo a tempo as causas de que se prevê que hão–de nascer os conflitos entre os operários e os patrões.

A leitura superficial pode se revelar enganosa e, a um leitor menos atento, pode parecer que a Igreja é “contrária às greves” assim, sem mais ressalvas. Ou ainda, caso as pessoas tenham o cuidado de abrir o Catecismo da Igreja Católica, podem se deparar com a seguinte passagem e julgar que, afinal, a Igreja dizia ontem uma coisa e hoje diz o contrário:

§2435 A greve é moralmente legítima quando se apresenta como um recurso inevitável, e mesmo necessário, em vista de um benefício proporcionado. Torna-se moralmente inaceitável quando é acompanhada de violências ou ainda quando se lhe atribuem objetivos não diretamente ligados às condições de trabalho ou contrários ao bem comum.

E então? A greve é “moralmente legítima” ou é uma “desordem grave”? Vale o que foi dito no século XIX ou vale o que é dito hoje? Na verdade (e aliás como sempre), valem as duas coisas. De que maneira? Muito simples: mudou-se o que se entende por “greve”.

A Igreja sob Leão XIII nunca condenou a greve entendida como o direito de se recusar a trabalhar em condições degradantes. O que a Igreja condenou foi o evento sociológico “greve” da época, que tinha pouco ou nada a ver com as greves atuais: naquela época, era “greve” quando os trabalhadores ocupavam as fábricas, quebravam as máquinas e, se calhasse, matavam o patrão ou os que lhe eram próximos. A greve era um atentado concreto (pelo menos) ao direito à propriedade e (não raro) ao direito à vida. Óbvio, portanto, que tal coisa fosse condenada. Aliás ainda o é.

Igualmente, hoje não é “qualquer greve” que é legítima: ao contrário, são legítimas as greves que «se apresenta[m] como um recurso inevitável, e mesmo necessário, em vista de um benefício proporcionado», como está no Catecismo. E só é legítima a greve que (ao contrário daquelas historicamente condenadas pela Igreja) não seja “acompanhada de violências”. Mudaram, portanto, as contingências históricas: permanece imutável o ensino moral da Igreja, que (por definição) não se pode mudar.

Confundir realidades distintas por conta do emprego comum de um mesmo termo para designar ambas é sempre um risco. Mas outro risco é o de achar que, com a mudança das realidades contingentes, mudam-se (ou abrandam-se) as condenações da Igreja. Julgar desta maneira é não entender o que aconteceu neste caso da greve (e em outros casos análogos, como o dos juros): as condenações da Igreja não “se abrandaram”, elas permanecem integralmente válidasO que deixou de existir foi o objeto da condenação: antes havia uma coisa caracterizada por proletários destruindo fábricas e, hoje, existe uma outra coisa que se caracteriza por empregados se recusando a trabalhar. Ambas foram contingentemente chamadas de “greve”, mas é bastante evidente que se tratam de realidades bem distintas.

Se alguém resolver quebrar máquinas hoje como se fazia no século XIX, não pode aduzir em sua defesa um alegado “direito de greve” reconhecido tanto pela Igreja quanto pelo direito brasileiro. Igualmente, se algum proletário da época da Revolução Industrial resolvesse então dizer que não ia mais trabalhar enquanto não fosse melhor remunerado, tal situação não seria de modo algum condenável pelas autoridades eclesiásticas da época.

É desse modo, portanto, que deve ser entendida a autoridade moral da Igreja Católica: separando-se as questões de princípio das questões de fato, recaindo a infalibilidade magisterial (e a sua conseqüente irreformabilidade, etc.) sobre as primeiras.

Quanto às questões de fato, é preciso ter em mente que as contingências históricas podem mudar e, portanto, pode ser que as condenações de outrora deixem de valer por mera vacuidade contingente do objeto condenável (sem que contudo o objeto deixe de ser condenável). Mas mesmo quanto às questões de fato compete às autoridades da Igreja dar a orientação definitiva.

Ninguém pode levianamente afirmar que certas condenações do passado não são mais válidas: na verdade, as condenações do passado são sempre e para sempre válidas. O que pode acontecer, repita-se, é que não exista mais o objeto anteriormente condenado; mas até para a emissão desse juízo de fato é mister estar em delicada consonância com o Magistério da Igreja.


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* Parlamentares apresentam três recursos DIFERENTES para sustar decisão do STF em relação ao aborto dos anencéfalos.

maio 19th, 2012

Façamos nossa parte!

Escreva ao Deputado Relator Marco Maia, solicitando que aceite o Projeto do Deputado Feliciano de sustar a sentença do STF favorável ao aborto, SEGUE SUGESTÃO DE MENSAGEM:
dep.marcomaia@camara.gov.br

Os telefones para contatar o parlamentar são:
(61) 3215-5014,
Fax (61) 3215-2014

SUGESTÃO DE MENSAGEM:

EXMO. SR. DEPUTADO
Como cidadão brasileiro e ciente da urgência de que se garanta no Brasil a independência dos Poderes e o direito à vida dos nascituros, para a correta representação da vontade do povo, solicito a V. Exa. que acolha o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 565/2012 do Deputado Marco Feliciano, apondo seu voto favorável no seu digno relatório.

Cidade Estado Data e Nome completo

***

Em um lapso de poucos dias, deputados brasileiros apresentaram ao Congresso Nacional em Brasília três recursos diferentes visando sustar a decisão do Supremo Tribunal Federal em relação à ADPF 54, que despenalizou o aborto dos bebês diagnosticados com anencefalia ou severa deformação cerebral durante a gravidez, baseando-se no direito à vida garantido pela Carta Magna da nação e pelo fato da Corte brasileira ter atuado fora da área de sua competência, legislando em matérias de defesa da vida.

O primeiro recurso foi entregue dia 9 de maio de 2012, pelo deputado evangélico Marco Feliciano (PSC/SP) que apresentou à Câmara o Projeto de Lei PDC 565/2012, que visa sustar atos normativos do Poder Executivo. Com efeito, se aprovado o projeto sustaria “a aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 54, que declara não ser crime a “antecipação terapêutica de parto” de anencéfalos”. O projeto foi aplaudido por pró-vidas em todo o território nacional.

Já na quinta-feira, 10 de maio, os deputados Roberto de Lucena-PV/SP, Salvador Zimbaldi-PDT/SP e João Campos-PSDB/GO, protocolaram na Câmara dos Deputados um Projeto de Decreto Legislativo (PDL), através do qual, propunham “sustar a aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal
proferida na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental- ADPF 54″, alegando que o STF não tem competência de legislar contra ou a favor do aborto em nenhuma das hipóteses tipificadas na Constituição ou no Código penal, como também foi reconhecido pelo então presidente do Supremo, o ex-ministro Cezar Peluso, no seu voto em relação à ADPF 54.

Finalmente, no dia 14 de maio, o deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI) apresentou à Presidência do Congresso Nacional um requerimento pedindo igualmente a nulidade da decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou o aborto de fetos anencéfalos aprovando a ADPF54. Segundo o parlamentar o Supremo “vem desrespeitando reiteradamente” o artigo 49 da constituição brasileira que assegura que a função de legislar compete apenas aos membros do Congresso Nacional.

O Requerimento do deputado Fonteles afirma textualmente:

“Senhor Presidente do Congresso Nacional: Requeiro a V. Exa. seja declarada nula, mediante ato conjunto das Mesas do Congresso Nacional, a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 54/DF, que autorizou o aborto de fetos anencefálicos, visando a preservação da competência normativa do Poder Legislativo, nos termos do art. 49, XI, da Constituição Federal de 1988″.

É difícil de crer, mas o Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, vem desrespeitando reiteradamente essa regra constitucional”, assevera também o texto do requerimento.

“Têm sido cada vez mais frequentes as decisões do Supremo Tribunal Federal sobre matérias que são claramente objeto de decisão do Poder Legislativo. Também tem sido usual se qualificar como omissão inconstitucional do Congresso Nacional quando os legisladores, legitimamente, optam por manter inalterado o ordenamento jurídico vigente”, afirma também o texto do deputado Nazareno Fonteles.
O texto do parlamentar cita um escrito do Dr. Ives Gandra Martins, jurista católico brasileiro, no qual o perito recorda um “dispositivo constitucional que parece esquecido, mas que não lá está por acaso” e que segundo Nazareno Fonteles “chegou o momento de ser aplicado com a necessária eficácia”.

“Referimo-nos ao art. 49, que trata das competências exclusivas do Congresso Nacional, inciso XI, que diz: “zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes”", afirma ainda o texto do requerimento do deputado pelo estado do Piauí.

“Segundo Ives Gandra, no mesmo texto: “se o Congresso Nacional tivesse coragem, poderia anular tal decisão, baseado no artigo 49, inciso XI, da Constituição Federal, que lhe permite sustar qualquer invasão de seus poderes por outro Poder, contando, inclusive com a garantia das Forças Armadas (artigo 142, caput) para garantir-se nas funções usurpadas, se solicitar esse auxílio”.

Em alguns momentos da vida é preciso ter coragem. O Poder Legislativo deve se mostrar corajoso e deve se respeitar, e só assim será respeitado pela população brasileira e pelos demais Poderes da República”, conclui o requerimento.

Líderes pró-vidas destacaram que é fundamental agora parabenizar os parlamentares autores das propostas enviando mensagens de felicitações a estes deputados que defendem a Constituição brasileira e a vida nascente usando o Disque Câmara: 0800 619 619 (ligação gratuita).
Por outro lado, pedem que todos os defensores da vida, de qualquer religião ou estado brasileiro, escrevam ao deputado Marco Maia pedindo que ele aceite o projeto do Deputado Feliciano de sustar a sentença do STF favorável ao aborto, para o qual antecipam uma forte oposição dentro do Congresso.
O email do deputado Maia é:
dep.marcomaia@camara.gov.br


Os telefones para contatar o parlamentar são:
(61) 3215-5014,
Fax (61) 3215-2014

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* Filhos sem irmãos! O Suicídio Demográfico pelo mundo.

maio 19th, 2012

Num artigo anterior (Suicídio demográfico – JB 09/02/2011) publicado em diversos jornais nacionais – fazendo coro com outros demógrafos – alertávamos sobre o declínio da fecundidade feminina das populações da Europa, e que agora está ocorrendo em praticamente em todos os países do mundo, também absurdamente aqui no Brasil. À exceção apenas da África e países muçulmanos e pobres da Ásia, que mantém taxas seguras de manutenção da população. Como já foi referido, o fenômeno se manifesta pela desistência consciente (90%) de gerar menos de 2,1 filho por mulher em idade reprodutiva. Abaixo disto, segundo os demógrafos assistiremos a lenta morte de um país ou nação no seu contingente.

A contradição que nos intriga é o fato dos países mais ricos – que por força de uma lógica de sustentabilidade econômica – são os que mais estão resvalando nesta ladeira abaixo da demografia. Enquanto os países mais pobres são justamente aqueles com maior coeficiente de filhos por mulher. A Europa vem sofrendo este desgaste dramaticamente nos últimos 50 anos, e já começa sentir a redução de suas populações. A redução só não tem sido mais melancólica graças a cidadania oferecida aos imigrantes africanos, árabes e de outras regiões pobres que para lá se mudaram. Também é oferecida em tom de desespero, aos descendentes até quarta geração de cidadãos europeus em outras partes do mundo para facilitar seus retornos. Chamado de “truque da cidadania”.

Os economistas, demógrafos e sociólogos, traduzem este comportamento, como receio de emprego futuro. Infelizmente essa preocupação tem sido mais pragmática do que moral por aqueles especialistas. Eles se têm centrado quase unicamente sob o aspecto previdenciário, onde a carga social será insuportável pelo número de idosos. Para complicar temos ainda o aumento da expectativa de vida. Se não forem tomadas decisões políticas urgentes, no futuro teremos a eutanásia final pela quebra do sistema previdenciário. Se não pior, a prática real da eutanásia a moda holandesa como “solução final”, para os velhinhos doentes e/ou improdutivos.

Poucos se têm debruçado que a causa maior da crise européia está na dificuldade de gerar produção suficiente por um grupo etário reduzido (População Econômica Ativa) para sustentar uma imensa massa de “abonados”.

A falta de esperança, apatia pela vida, ou mesmo medo que filhos tirem seus espaços de liberdade levam a esta redução frustrante. Fecha num ciclo de vida vazia, sem sentido e daí para o desmoronamento da família é um passo, quando ainda exista. Sem contar a disseminação de certos grupos sociais de gênero que tornam impossível a reprodução. Para estes não haverá mais uma próxima geração.

A prática de um único filho consciente é, em nosso entender, uma falsa busca da autoestima para provar a si mesmo sua capacidade de gerar, levando a uma letargia e acomodação da vida. Nestas circunstâncias descarregam neste único rebento todas as atenções e recursos para se transformarem verdadeiros “reizinhos” e egoístas estremados e quando não, despreparados para a vida.

Por outro lado, teremos uma sociedade – como ocorre hoje na China – sem irmãos, para na outra geração não haver tios ou tias. Neste contexto, no futuro segundo alguns demógrafos 60% serão filhos únicos de filhos únicos. Tristemente serão pessoas que nunca terão a experiência de ter um irmão ou irmã, e, sem tios ou tias não conhecerão primos.

Por contradição há uma discussão mundial particularmente na Europa sobre o aborto consentido, ou eufemisticamente dito terapêutico, onde o Brasil lamentavelmente participa desta onda. Ora isto é uma janela para todas as demais práticas de infanticídio. Em nosso entender na atual condição demográfica, deveria ser exatamente o contrário. Segundo pesquisas européias, 830.000 abortos são praticados anualmente na região. Este contingente está fazendo falta. Logo, é a crise moral que esta afetando toda a estrutura econômica, social e política no atual contexto histórico.

Segundo a história, os Romanos, além do aborto e do infanticídio, no período de sua decadência moral, praticavam uma forma primitiva de eutanásia (longe das camisolas brancas dos Países Baixos) que consistia em abandonar os anciãos doentes simplesmente sem tratá-los ou alimentá-los. Neste momento não foi difícil aos “bárbaros” dominarem os romanos. Por obra e graça Divina surge a civilização dos cristãos pregando e fazendo exatamente o contrário: não ao aborto, não ao abandono dos velhos e doentes, não a eutanásia. Com isto Roma como toda Europa voltaram a crescer virtuosamente. Segundo o sociólogo Rodney Stark, - quem vai levantar a Europa agora da sua ruína moral?

Para nós brasileiros, estamos no mesmo comportamento amoral da sua sociedade. O último senso 2010 revelou uma fecundidade de nossas “evas” em pífios 1,86, quando em 2000 era de 2,38 filhos. Começamos a derrapada do nosso “suicídio demográfico”. Ainda há tempo para reverter em número e em consciência esta tendência, antes de passarmos para a história como péssimos seguidores da Roma antiga.

Sergio Sebold – Economista Independente e Professor – sebold@terra.com.br

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