* Visita do Papa a Grã Bretanha. Implicações e desafios.

“Quero encontrar todos e não só os católicos”. Bento XVI voa a Londres nas asas do ecumenismo, da purificação antipedofília, da “coragem das mulheres” e da paz entre fé e razão. Será “uma festa jubilosa: estou muito impaciente com minha visita ao Reino Unido dentro de uma semana”. No dia do ataque “liberal” do Independent à viagem papal por “discriminação dos gays, abusos do clero e moral sexual obscurantista”, Bento XVI dirige-se diretamente “a todo o povo da Grã-Bretanha”.
A reportagem é de Giacomo Galeazzi, publicada no jornal La Stampa.
Na audiência geral, o Pontífice lança uma mensagem de conciliação e um agradecimento coletivo: “Estou consciente da grande quantidade de trabalho desenvolvido em preparação da visita, não só pela comunidade católica, mas da parte do governo, das autoridades locais na Escócia, em Londres e Birmingham, dos meios de comunicação e dos serviços de segurança”. Joseph Ratzinger “aprecia muito os esforços que são feitos para assegurar que os vários eventos programados sejam realmente uma festa jubilosa”. E na Secretaria de Estado comentam: “Quanto mais a mídia alçar o tiro, mais a viagem terá sucesso.
Também na Terra Santa as críticas da TV e dos jornais tiveram, na véspera, o efeito contrário”. Agora o pensamento de Joseph Ratzinger vai principalmente às “inumeráveis pessoas que oraram pelo sucesso da visita e por uma grande efusão da graça de Deus sobre a Igreja e o povo de toda a nação”. Às acusações pelos padres pedófilos o Papa replica que “a Igreja não se renova mudando simplesmente as estruturas, mas com um sincero espírito de penitência e um operoso caminho de conversão”. Caso contrário, torna-se como os hereges cátaros que no século XIII propugnavam “uma reforma radical da Igreja, sobretudo para combater os abusos do clero”.
Bento XVI comemora a importância do “gênio feminino” a serviço do Evangelho: “A teologia pode receber uma contribuição peculiar das mulheres, capazes de falar de Deus e dos mistérios da fé com sua peculiar inteligência e sensibilidade”. Por conseguinte, “o Espírito Santo suscite na Igreja mulheres santas e corajosas segundo o modelo da vivacidade cultural dos mosteiros femininos da Idade Média, contrariamente a preconceitos que ainda há sobre aquela época”. Não por acaso há também um encontro com uma mulher padre no programa da visita à Grã Bretanha. O Pontífice verá a reverenda Jane Hedges, anglicana e canônica da Abadia de Westminster, empenhada na campanha pelas mulheres-bispo na Igreja da Inglaterra.
Será a primeira vez que o Papa apertará a mão a uma mulher padre desde quando ordenar mulheres foi definido pela Santa Sé “um crime contra a fé”.
O encontro servirá para direcionar os refletores sobre as diferenças e dificuldades entre a Igreja Anglicana e a Igreja de Roma. “Acolheremos o Papa como nosso hóspede. Não haverá nenhuma batalha”, assegura o decano de Westminster, o reverendo John Hall. Com referência a um dos grandes momentos da visita (a beatificação do cardeal NewmanemBirmingham, aos 19 de setembro), o Pontífice sublinha que “este grande inglês viveu uma vida sacerdotal exemplar e através de seus acurados escritos ofereceu uma contribuição duradoura à Igreja e à sociedade, tanto em sua terra natal como em muitas outras partes do mundo”. Por isso, “espero e rezo para que sempre mais pessoas possam beneficiar-se de sua doce sabedoria e ser inspiradas por seu exemplo de integridade e de santidade de vida”.
A fé cristã, evidencia o Papa, “favorece o compartilhamento dos direitos humanos universais”.
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