* Se o bebê anencéfalo morre “assim que nasce”, é porque está vivo!!

Everth Queiroz Oliveira
Sim, dia de lutonesta Terra de Santa Cruz. O aborto de anencéfalos foi liberado pelo Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 2. Além do ministro relator, Marco Aurélio Mello, votaram a favor da legalização Rosa Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ayres Britto, Gilmar Mendes e Celso de Mello. A resistência partiu dos ministros Ricardo Lewandowski e Cezar Peluso.
Depois de dois dias de votação, com argumentos estúpidos sendo jogados a todo momento, a decisão favoreceu os promotores da “cultura de morte”. E uso este termo aqui, novamente, porque é da consciência de todos os brasileiros, católicos ou não, que a prática do aborto tem sempre como consequência a morte de um ser humano indefeso. Em todo o aborto, é isto o que acontece. E é justamente este motivo que torna o aborto uma prática desumana, ou, como qualificou o Concílio Vaticano II, “um crime abominável”. Nas palavras do bem-aventurado João Paulo II,
“Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja.”
- Evangelium Vitae, n. 62
O destaque que gostaria de dar, neste artigo, faz referência ao voto de um ministro corajoso. Cezar Peluso – o da foto – foi o último a votar. Mas o seu voto foi, de todos, o melhor. Ao lado de Lewandowski, que, com ousadia, também defendeu o direito à vida dos fetos anencéfalos, Peluso simplesmente – se é que me permitem o uso desta expressão – “detonou” todos os seus colegas de trabalho; usou argumentos fortíssimos para desqualificar o discurso pró-aborto, fechando um trabalho realmente sensacional.
“O anencéfalo morre, e ele só pode morrer porque está vivo”, afirmou Peluso. Mas é claro! E aqui está a grande questão: como este indivíduo vai morrer? O argumento que tem sido usado até aqui para a defesa do aborto de fetos anencéfalos defende que “o bebê vai morrer”… Mas, bem, isto é regra da natureza humana desde que o homem é homem: todo ser humano morrerá um dia, mais cedo ou mais tarde.
O que se pergunta é: deixaremos a pessoa morrer naturalmente ou daremos a outrem o direito de interferir em sua existência? Se esta última opção é a escolhida – e no caso do STF, foi -, então caminhamos para a eugenia, pois permitimos que pessoas decidam sobre a vida das outras, em que situações devem estas viver ou morrer.
“A única diferença entre o aborto e o homicídio é o momento da execução”, apontou o mesmo Peluso. Justamente! Ali, no ventre materno, reside um ser humano, que difere dos outros apenas em idade e desenvolvimento físico. Assassiná-lo, portanto, configura crime. Isto deveria ficar claro para todos os indivíduos que lidam com a Justiça neste país… Mas, aparentemente, não é assim, já que oito dos dez ministros que participaram do julgamento destes últimos dois dias liberaram a realização da prática em casos de anencefalia.
Nem tudo está perdido: é o que este voto magnífico de Cezar Peluso vem mostrar aos brasileiros. Ainda há pessoas em Brasília verdadeiramente preocupadas com valores como a dignidade humana e o direito à vida.
Mais do que lamentar a decisão final da Suprema Corte, gostaria de fechar a cobertura deste julgamento com mais algumas sábias palavras pronunciadas justamente por Sua Excelência, o ministro Cezar Peluso.
“Ao feto, reduzido no fim das contas à condição de lixo ou de outra coisa imprestável e incômoda, não é dispensada de nenhum ângulo a menor consideração ética ou jurídica nem reconhecido grau algum da dignidade jurídica que lhe vem da incontestável ascendência e natureza humana. Essa forma de discriminação em nada difere, a meu ver, do racismo e do sexismo e do chamado especismo. Todos esses casos retratam a absurda defesa em absolvição da superioridade de alguns, em regra brancos de estirpe ariana, homens e ser humanos, sobre outros, negros, judeus, mulheres, e animais. No caso de extermínio do anencéfalo encena-se a atuação avassaladora do ser poderoso superior que, detentor de toda força, infringe a pena de morte a um incapaz de prescindir à agressão e de esboçar-lhe qualquer defesa.”
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Tags: Aborto, Anencefalia, STF

















E assim o governo petista consegue levar adiante a cultura de morte como queria sem levar a culpa por isso. Já que os “intocáveis” é que estão fazendo isso apoiados na morosidade do congresso nacional
Graças a Deus temos uma pessoa no STF: sensata e ética, mas sobretudo sábia e humana.
desligar os aparelhos de uma pessoa com morte cerebral tambem é homicídio?
Sra. Camila
Resposta a seu questionamento: não.
Aprofundando: mas em se tratando do tema do artigo não se pode fazer comparação entre casos. A maioria das pessoas tende a uma errada associação proporcionada pelo termo “anencéfalo”, interpretada de maneira superficial e errônea.
Entendem como alguém sem cérebro logo poderia ser associado à alguém com morte cerebral ou sem vida cerebral. ISSO TUDO É FALSO.
Primeiramente o termo correto é Morte Encefálica, isso por si só distingue sobremaneira alguém com tal diagnóstico de um anencéfalo, pois ao mesmo não há ausência de encéfalo, e sim uma má formação FUNCIONAL, do mesmo.
Morte encefálica segundo o CFM trata-se da parada total e irreversível das funções encefálicas a ser diagnosticada por uma série de exames clínicos e complementares.
Ora, na maioria desses exames um anencéfalo se distingue totalmente de alguém com morte encefálica como por exemplo:
ausência de atividade elétrica cerebral ou, ausência de atividade metabólica cerebral ou, ausência de perfusão sangüínea cerebral, para os três diagnósticos um anencéfalo apresenta os sinais característicos ao indivíduo vivo, mesmo com uma má formação cerebral(e não ausência como erradamente se divulga).
Me desculpe a franqueza mas, muitos se valem da ignorância da opinião pública para reforçar argumentos falsos como a comparação entre anencefalia e morte cerebral, neste não há homicídio pois já está morto clinicamente, no outro não há condições clínicas para tal definição, ESTÁ PLENAMENTE VIVO!
Não posso deixar de ressaltar a brilhante argumentação do Ministro Peluso, onde aborda de maneira extensiva todos estes assuntos.
Vinde Senhor Jesus!
O que me custa a entender é como alguém pode considerar aborto
uma causa progressista . E mais, ainda defendida por quem se diz de
esquerda. Não vejo nada mais conveniente ao capitalismo do que a eliminação daqueles considerados inserviveis ao sistema que só visa lucros e ganhos. Ãqueles que só iam gerar custos , nada mais que o não direito de viver.