* O relativismo religioso: o “açucaramento” da religião e a negação da verdade.
Por Pedro Ravazzano
Novamente venho escrever sobre o relativismo, não porque seja prolixo, mas porque tal heresia sempre me assusta.
Qualquer pessoa sensata que entra em contato com as posturas adotadas pelos heterodoxos de plantão fica perplexa com a total falta de honestidade, um déficit nas mais básicas noções de lógica e coesão. Obviamente, esse comportamento é parte integral da essência do relativismo; o relativismo é a negação de si próprio, já que a sua construção se fundamenta sobre a contradição. Por isso o combate pede um trabalho hercúleo, afinal somos obrigados a ensinar as mais preliminares noções, do contrário, seria iniciar a discussão com uma porta.
Antes de qualquer coisa, vale a pena explicar brevemente o que é o relativismo. Essa doutrina – sim, é uma doutrina – acredita que tudo é relativo, que não existe idéia absoluta nem uma Verdade una. A moral, a política, a ética, a religião, não passam de construções humanas que devem se adaptar ao mundo e suas transformações.
Assim, o relativismo é o precursor social do niilismo com a negação do sentido existencial do ser humano já que, o pensamento relativista, com suas constantes e essenciais vicissitudes, se coloca na antípoda da defesa de Deus, do Princípio. A Divindade parte da imutabilidade e infalibilidade, já o relativismo parte da mutabilidade e falibilidade.
O relativismo, por sua vez, é a arma usada pelo exército do modernismo; “a síntese de todas as heresias”, como disse São Pio X. A teologia modernista parte de um pressuposto fundamentalmente paradoxal; a transformação do dogma, a adaptação dos ensinamentos doutrinais, a flexibilidade eclesiológica e o relaxamento moral.
O modernismo foi desenvolvido sob a influência do espírito protestante alemão, reflexo mais do que natural da Sola Fide e Sola Scriptura adotadas por Lutero. Entretanto, o que era cabível dentro do pensamento luterano era essencialmente incompatível com o Catolicismo.
O pensamento modernista, ao pregar a reforma de todo o arcabouço da Igreja e seus ensinamentos, acabava que desconstruía a própria idéia de Igreja, dogma, doutrina, papado e cristianismo, já que a relativização da crença desaguava na relativização da assistência Divina, o que atingia em cheio toda a Revelação. Vale frisar, antes de qualquer coisa, que o relativismo e o modernismo são contraditórios por natureza; se tudo é relativo “tudo é relativo” é relativo, se tudo é relativo é relativo logo nem tudo é relativo. Ou seja, é uma contradição em concreto considerar o relativismo uma verdade, já que o relativismo nega a existência da verdade.
Debater eclesiologia com os relativistas é digno de um jesuíta em plena América Latina no séc. XVII. Não duvide se transformar indígenas pagãos em exímios católicos seja a mesma proeza, ou até mais fácil, que converter um defensor do relativismo num ultramontano.
Dois pontos que quero frisar; primeiro, chega a ser ridículo a posição de certos cristãos relativistas. Vale lembrar, antes de qualquer coisa, que a triste situação de muitos fiéis, com defesas cegas do erro, reflete a deformação recebida por pessoas alimentados pela heresia. Tais pessaos quase sempre adotam – ou pretendem adotar – uma postura que eles consideram “moderna”. Para isso, não apenas compactuam com o mais radical modernismo, como se transformam em infantis e retardados promotores da prostituição da fé.
Os Sacerdotes, tomados pela heterodoxia, se recusam a combater o erro e a heresia – “heresia” é uma palavra que não existe no seu vocabulário – mas, em compensação, são os primeiros a negociar a crença. Vejam que se trata de uma dupla ação intimamente ligada; o açucaramento da religião, onde a defesa da Verdade e da fé são vistas como posturas ultrapassadas, e a flexibilidade e permissividade na defesa e convivência do erro. Ora, não precisa ser um grande gênio para imaginar os frutos dessa promiscuidade doutrinal!
O politicamente correto religioso é tão forte que defender de maneira inconteste a nossa crença passou a ser visto como retrógrado. Interessante que essa ditadura do relativismo favorece o triunfo da mentira em todos os cantos. O fato de considerar os protestantes fora da verdade católica, não impede que haja diálogo, ao contrário, o verdeiro ecumenismo nasce da premissa básica de que há diferenças e oposições, mas, acima de tudo, parte de um entendimento acerca da Verdade. Ora, se eu sei que a doutrina Católica é diferente dos ensinamentos protestantes como pensar numa unidade dentro da contradição? A Verdade não é dúbia, relativa e contraditória! Apenas aqueles que não estimam a fidelidade à Verdade – tanto dentro do Catolicismo como no protestantismo – concebem a possibilidade de falar em união quando existem diferenças tão acentuadas e essenciais.
Os relativistas dentro e fora da Igreja, além disso, vivem numa situação intrinsecamente paradoxal; rechaçam, condenam e não aceitam ensinamentos basilares da doutrina católica, mas mesmo com tal postura se consideram legítimos representantes da…Igreja? Ora, qual a lógica? Não há! Vejamos: os relativistas negam a Igreja sempre que não acatam seus ensinamentos ou se mostram opositores ao que é ensinado pelo Magistério. Como católicos, deveriam acreditar que a Igreja foi edificada e instituída por Cristo! Ademais, incoerentemente, precisam da mesma Igreja para autenticar aquilo em que ainda acreditam, como no próprio sacerdócio que ostentam, afinal quem garante que o Sacerdote é, de fato, Sacerdote?
Agora vamos pensar um pouco, com honestidade: Se a Igreja mudou então Deus mudou, já que a Igreja ensina com o múnus dado por Deus. Assim, concluímos: ou Deus não ensinou através da Igreja, logo a Igreja é mentirosa e meramente humana, ou Deus mudou e, consequentemente, a Igreja também, mas se Deus mudou Deus não é Deus, já que Deus não muda, não é falível e contraditório. Então vejam bem, os relativistas ou acreditam numa Igreja de homens, promotora de doutrinas de homens – portanto falível, errante – ou acreditam num Deus que não é Deus, crêem num deus (com “d” minusculo) nem-todo-poderoso e mutável! Claro que a maioria dos defensores do relativismo não acredita diretamente nestes absurdos, mas estes são os resultados lógicos da falta de lógica dos relativistas.
Além da consequência teológica inevitável, ainda há o choque com a Tradição da Igreja e sua história; se o demônio não existe o que era aquilo que tentava Santo Antão? Se a Missa não é Sacrifício o que era aquilo que os Sacerdotes celebravam e compreendiam? Se a Igreja não é a Barca de Pedro o que era aquilo que os Santos Padres defendiam? Se o Papa não é Vigário de Cristo e Sumo Pontífice o que eram aqueles documentos Conciliares? Se a Igreja não é Una o que era aquilo que todo o povo de Deus acreditava? Etc. O relativismo se choca com 2000 anos de caminhada, 2000 de Cristianismo e Cristandade.
A desonestidade do relativismo é essencial, tanto é assim que mesmo defendendo absurdos descomunais os seguidores desta visão relativista, ainda se consideram católicos enquanto adotam posturas e posições que menosprezam o Magistério, o papa, o Catolicismo.
De fato, é muito triste perceber que algumas congregações e ordens foram tomadas de assalto por soldados do relativismo e, assim, pilhadas pelos promotores da discórdia. Reflitam e vejam como é comum encontrar alguns religiosos que diminuem a vida do Fundador, tentando podar o seu legado e carisma com uma caricata adaptação dos seus ensinamentos; “nada cabe mais hoje, tudo era reflexo de um tempo”. A própria espiritualidade não passa ilesa, é deformada e corrompida, transformam numa sombra do que era.
Agora vejamos, se o Fundador foi inspirado pelo Espírito Santo na descoberta de um novo carisma e na fundação de uma Congregação, então estamos falando de uma obra de caráter eterno, já que os ensinamentos de Deus refletem a Sua imutabilidade. Ora, essa tentativa de “modernizar” as espiritualidades, passando por cima dos legados primitivos e verdadeiros, é válida? Não só não é como destrói e corrompe o real carisma entregue pelo Senhor. Assim, já não estamos falando de Ordens mas sim dos rabiscos feitos pelos homens. Do mesmo modo que o Cristianismo se encontra centrado na figura de Jesus Cristo, as Congregações devem se sustentar sobre a figura do fundador, buscando nele o constante exemplo e o grande espelho a ser seguido. Entretanto, quando os religiosos se negam a seguir o pai espiritual apelam para contextualização, alegando que a sua mensagem apenas refletia um momento e uma era. Com esse discurso, os heterodoxos justificam a própria inércia e desmotivação ao não procurar trilhar o mesmo caminho do fundador, uma estrada de piedade, ortodoxia e fidelidade, justamente o que os relativistas mais repudiam.
O Cardeal Ratzinger no livro “Dogma e Anúncio” afirmou com muita sabedoria: “uma Igreja que só olhasse para fora, que só tentasse bitolar-se pela capacidade de compreender dos contemporâneos do momento, não ousando mais viver alegre e despreocupada no interior da fé mesma, morreria internamente e terminaria finalmente não tendo mais nada a dizer nem seque para fora”. Essa brilhante explanação do atual Papa nos obriga a refletir sobre a crueldade do relativismo. De fato, uma Igreja que negociasse a Verdade visando a Sua adaptação e aceitação junto aos homens, chegaria ao ponto de, renegando Ela própria, não mais poder levar às almas a mensagem cristã. Nosso Senhor estaria tão descaracterizado, Seus ensinos tão corrompidos, que o reconhecimento da Boa Nova estaria impossibilitado. Todas as vezes que o relativismo modifica ou transforma as verdades de fé, humaniza a Verdade, a rebaixa às contradições e erros inerentes do homem, ou seja, exclui o caráter eterno e imutável intrínseco de Deus. Assim, é facilmente perceptível que o relativismo encaminha a humanidade a um ateísmo prático”.












Creio que foi Deus que me levou a buscar esse site da comunidade Shalom,pois ganhei o livro A Cabana e depois que li esse artigo naõ quero mais, sou ministra da comunhão em minha capela e sempre gostei de procurar informações sobre minha fé.
No Novo Ano que se inícia uma frase de Bento XVI tem me feito refletir: ” Mais do que uma crise econômica o mundo moderno passa por uma verdadeira crise moral” ( Bento XVI – 02/01/2010). E toda está crise é consequência do Relativismo de tudo e de todos…Clamemos aos céus!!!
Artigo muito interessante, porém, temos que fazer a ressalva que assim como estamos cheios de relativistas, também estamos cheios de “Tradicionalistas” e até “Radicais Tradicionalistas” que se consideram mais católicos e fiéis à Igreja.
O rapaz que escreveu este artigo é moderador de uma comunidade Católicos no Orkut, onde participo. Lá todos os moderadores são tradicionalistas que criticam, zombam, escarnecem da RCC, da CNBB, de alguns Bispos e padre ou de qualquer pessoa que pensa diferente deles.
Paz e Bem !
Precisamos filtrar tudo o que lemos,tendo como referência as Sagradas escrituras em sua interpretação advinda do magistério de nossa Igreja.
Dentro da Igreja existem visões diferentes que vão do extremo relativista ao tradicionalismo- incapaz de perceber a ação do Espirito Santo que atualiza sua ação no mundo,fixado na defesa da verdade, o que é certo,claro,mas sem perceber os desdobramentos de uma Igreja conduzida pelo Espirito Santo que faz novas todas as coisas!!
Nossa posição é de ficar com o que é bom, sempre em consonância com a revelação e a Igreja,a quem servimos. Atentos a igreja!
O texto é muito bom, isso não significa concordar com a visão de Igreja que a pessoa tenha nem concordar com suas criticas feitas à Rcc,que amamos tanto!
Graças a Deus temos a oportunidade de acesso ao conteúdo da Comunidade que é o da própria Igreja.
Essa coisa toda desse mundo paganizado causa muita confusão! Algumas pessoas sentem-se perdidas, sem saber o que é “Verdade” e o que é mentira travestida de verdade.Deus continue os abençoando para ajudarem os filhos de Deus a escolherem o “Verdadeiro Caminho”
“…se tudo é relativo “tudo é relativo” é relativo, se tudo é relativo é relativo logo nem tudo é relativo.”
Sem querer polemizar, e sem nos expormos a sofismas:
…se tudo é absoluto “tudo é absoluto” é absoluto, se tudo é absoluto é absoluto então, nada é relativo. Se nada é relativo o relativismo não existe. =8O
Existem valores absolutos e valores relativos. Quem define? a verdade de Deus revelada-nos através de seu amado filho Jesus Cristo, nosso salvador e cabeça da Igreja, a quem assiste com sua sabedoria e com seu Santo Espirito.
Essa é nossa Fé!
Perfeito. Você é uma boa companhia. Sensível, generoso e inteligente. Discordamos em um ou dois pontos, mas no geral é bom estar com você. Obrigado pela presença.