Anjos e Demônios,o filme


Entrevista com o Pe. John Wauck

O filme “Anjos e demônios”, apesar de seus incríveis erros baseados na novela de Dan Brown, mostra o enorme interesse que a Igreja Católica suscita, considera um sacerdote que possui um dos blogs mais populares sobre “O Código Da Vinci”.

O Pe. John Wauck, da prelazia pessoal do Opus Dei, nascido em Chicago, professor de literatura e comunicação da fé na Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma, estudou história da literatura na Universidade de Harvard.

Nesta entrevista ele constata um dado irrefutável sobre este interesse pela Igreja: nunca houve tantos peregrinos em Roma como nos últimos anos.

- Você acha que Dan Brown tem alguma espécie de fixação com a Igreja?

- Pe. Wauck: Às vezes eu me pergunto o que faria Dan Brown sem a Igreja Católica. Quase tudo o que existe de interesse em suas novelas tem relação com o catolicismo. Certamente, não são os seus personagens fictícios nem os diálogos ortopédicos que atraem as pessoas. Isso explica que o principal efeito do “Código Da Vinci” não tenha sido uma diminuição da prática ou das crenças religiosas, e sim um claro aumento do turismo a Roma… e ao Louvre.

A fórmula de Dan Brown para vender livros é oferecer um coquetel de história, arte, religião e mistério; e parece que há um único lugar no mundo atual onde é capaz de encontrar todas essas coisas juntas: em Roma, na Igreja Católica.

Se a história, a beleza e os mistérios sagrados o atraem, também deve atraí-lo a Igreja. Se você se coloca na Praça de São Pedro, em Roma, a poucos metros verá uma necrópole romana, um obelisco egípcio trazido a Roma por Calígula, o túmulo de São Pedro, o lugar do atentado ao seu sucessor João Paulo II, a abóbada da Capela Sistina e a Pietà de Miguelangelo, as Estâncias de Rafael, o baldaquino de Bernini, a maior basílica do mundo e peregrinos procedentes do mundo inteiro. E não se trata de um museu; é uma realidade viva que nos coloca em contato direto com 20séculos de história, desde a antiguidade até nossos dias. Que mais pode pedir um novelista como Dan Brown? Certamente, é difícil encontrar algo semelhante na América suburbana, onde a maioria dos seus leitores mora.

Isto é, se Dan Brown parece fascinado pela Igreja, é preciso reconhecer que não é o único: em Roma existe agora mais peregrinos que nunca. Eles vêm para ver a cidade e para ouvir Bento XVI. E seu interesse não é mera coincidência. Este ano, na Páscoa, 150 mil adultos foram recebidos na Igreja Católica no meu país, Estados Unidos.

- Você acha que a decisão do Vaticano de não permitir filmagens nas igrejas de Roma representa um trato desfavorável com relação aos produtores?

- Pe. Wauck: Moro em Roma desde os 14 anos e nunca vi uma equipe de filmagens de Hollywood em uma igreja. Como regra geral, não se fazem filmes comerciais, sejam ou não piedosos, nas igrejas de Roma. Não se poderia filmar nem sequer “Os 10 mandamentos”. Naturalmente, não haveria por que fazer uma exceção com “Anjos e Demônios”. O trato que este filme recebeu foi o mesmo que se dá a qualquer outro. O resto são historietas do departamento de marketing do filme.

- “Anjos e demônios” pressupõe uma hostilidade natural entre a fé cristã e a ciência moderna. O que você opina sobre isso?

- Pe. Wauck: É relativamente fácil advertir que grande parte da melhor arte do mundo ocidental – música, pintura, literatura, arquitetura -é produto de uma cultura cristã: foi inspirada frequentemente pela fé, quando não diretamente solicitada pela Igreja. Isso parece óbvio. Pois bem, algo similar acontece com a ciência, só que é mais difícil perceber isso.

Pense, por exemplo, nas universidades, que são uma invenção da Igreja. Pense em Copérnico, que era um clérigo católico e que dedicou seu livro sobre o heliocentrismo ao Papa. O calendário que usamos é chamado de calendário gregoriano, pois foi promulgado por um Papa, Gregório XIII, que fez os astrônomos e matemáticos mais destacados da sua época trabalharem nisso. O próprio Galileu sempre foi um católico devoto e suas duas filhas foram freiras. Um dos maiores astrônomos italianos do século XIX foi um sacerdote jesuíta, Ângelo Secchi. O pai da genética moderna, Gregor Mendel, era um monge católico. O autor da teoria do “Big Bang” foi um sacerdote belga, Georges Lemaitre.

Em definitivo, a ideia de que há certa tensão natural entre a ciência e a Igreja,entre a razão e a fé, não tem sentido. Hoje, as pessoas, quando ouvem falar de “ciência” e “Igreja”, pensam imediatamente no processo de Galileu no século XVII. Mas uma percepção mais ampla das coisas obriga a ver este caso tão complicado – frequentemente distorcido por certa propaganda anticatólica – como uma manifesta exceção. Se os críticos da Igreja sempre o trazem à tona, é por um motivo: porque é a única coisa à qual podem se referir. Ou seja, quando ouvimos falar de “ciência” e “Igreja”, deveríamos pensar em Copérnico, Secchi, Mendel e Lemaitre: são estes os casos representativos. Não o é, no entanto, o processo de Galileu.

- Há algum aspecto do livro que tenha lhe parecido interessante?

- Pe. Wauck: Sim. Há uma passagem da novela na qual o heroi, o professor Langdon, da Universidade de Harvard, encontra-se na frente da basílica de São Pedro e os pensamentos que povoam sua mente neste momento – na novela, ele é a voz da autoridade científica – parecem realmente o comercial do catolicismo.

Dá a impressão de que estamos lendo o Catecismo da Igreja Católica, ao invés da novela de Dan Brown. A passagem é esta: “Pedro é a pedra. A fé de Pedro em Deus foi tão firme, que Jesus o chamou de ‘a pedra’, o discípulo incomovível sobre cujos ombros Jesus construiria sua Igreja. Neste lugar, pensou Langdon, na colina do Vaticano, Pedro havia sido crucificado e enterrado. Os primeiros cristãos construíram um pequeno santuário sobre o seu túmulo. À medida que o cristianismo se estendeu, o santuário cresceu, passo a passo, até converter-se nesta basílica colossal. Toda a fé católica havia sido levantada, literalmente, sobre São Pedro. A pedra” (”Anjos e demônios”, cap. 118).

Não daria para fazer um anúncio publicitário gigante no Times Square, mas não está mal.

- Você não acha que com esta entrevista estamos promovendo gratuitamente o filme?

- Pe. Wauck: Quem está promovendo quem? Esta é a questão. Possivelmente, há publicidade nas duas direções, mas se consideramos o tempo, as energias e os milhões de dólares empregados na produção e promoção deste filme, eu diria que nós estamos levando a melhor parte. Isto é, que talvez Deus esteja se servindo de Hollywood para atrair a atenção de alguns sobre as riquezas da fé e da cultura católicas.

Dito isso, devo acrescentar que não tenho a intenção de gastar meu tempo e meu dinheiro vendo este filme, As resenhas do filme “O Código Da Vinci”, feito pela mesma equipe, foram suficientemente sarcásticas como para podermos economizar a visão deste.

Fonte:Zenit

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2 comentários para “Anjos e Demônios,o filme”

  1. francisco alberto sobreiraa disse:

    oi , bom dia e o shalom do Pai esteja contigo e os teus.
    é de suma importância estes esclarecimentos acerca do filme de Dan brown- anjos e demônios comentada nesta entrevista por este sacerdote.
    que Deus possa te iluminar cada vez mais e abençoar o teu ministério de evangelização.
    mas voltando ao assunto do filme anjos e demônios, não há duvida que quanto mais a igreja é criticada e caluniada, mais ainda se torna frondosa e bela para abrigar os filhos de Deus e dar-lhes o alimento necessário: a fé , a palavra, os sacramentos e toda riqueza que existe nela.
    o interessante nisso tudo é que o filme revela estas belezas da igreja e o resultado é a conversão e a volta para Deus, como um fruto positivo
    de que realmente durante estes vinte seculos a palavra do Senhor é fidelíssima , quando cita nas escrituras: Tu es pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
    Até mesmo com as heresias e ofensas Deus tira um bem maior. valeu , shalom.
    Alberto- Iguatu-ceara

  2. Igor Fernandes disse:

    Muitas pessoas confundem a ferocidade literária de Dan Brown,o seu modelo voraz e dinâmico de escrever,com uma possível(ou provável)intenção de ridicularizar ou poleminar a entidade da igreja católica.Para seus leitores,o que atrai é a magia deixada nas
    entrelinhas pelo escritor,que inquieta e cativa.O alto grau de adrenalina impulsiona a ler uma página a mais antes de pegar no sono.É necessário que se entenda que a relevânica não está na crítica ao modelo ou aos erros passados da igreja católica,ou até nas “fantasias” criadas com a mesma religião em questão,mas sim no desenvolvimento de um livro bem arquitetado e trabalhado.Absortos em seus pensamentos,esses leitores se vêem envolvidos pela teia de ação,suspense,dramaticidade e sincronia lançada pelo literário norte-americano,hoje,reverenciado em todo o mundo.
    Não importa se tal escritor tem motivos pessoais ou acadêmicos para se
    opor aos moldes do Vaticano,ou se ele simplesmente usa o mistério e o
    passado dessa igreja para construir uma história fictícia,mas sim que ele consegue extrair,com brilhantismo,uma sequência de fatos que se tornam posteriormente um best-seller.A fé em um Deus(ou em vários Deuses) é uma realidade inerente ao ser humano há milênios,e isso é,se visto de certo modo,inteiramente nobre e compreensível,mas miscigenar literatura(ou cinema)a esta mesma fé,atrelando a ela modos individuais de pensamento e posteriormente traduzí-los para folhas de papel ou para uma tela não é um atentado a essa ou aquela religião,significa sim a elaboração artística de um pensamento através da criatividade,que no caso de Dan Brown,lhe sobra.Afinal,é a propria igreja católica que prega o livre arbítrio como um dos primordiais conceitos de seu Deus,ou não?
    Em “Anjos e Demônios”,Dan Brown não ataca a religião(na verdade,nem mesmo em “O Código da Vince” ele atacou),apenas a usa como fonte inspiradora para realizar um belo trabalho,assim como outrora tantos outros fizeram.
    Muitos escritores têm determinado tema favorito para trabalhar seu histórico literário,o de Dan Brown é a igreja católica,só isso.

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