* Luxuria: Quem ama o perigo, nele perece.

Padre Eliano
Deus quis dar um prazer sensível ao alimento, para que o homem, se alimentando daquilo que lhe parecia saboroso, mantivesse a vida. Da mesma maneira, o Senhor concedeu à humanidade a realização do prazer sexual, por meio do qual também a espécie humana se multiplica. É o prazer íntimo, permitido ao casal, unido pelo matrimônio, o qual se abre também à graça da procriação.
O pecado da luxúria vem desvirtuar aquilo que é belo, estabelecendo uma desordem, provocando a degradação de algo bom no que toca a dimensão sexual, fragilizando o indíviduo e levando-o ao vício.
A luxúria impossibilita o homem de viver a castidade no corpo, nos pensamentos e nas atitudes. É uma desordem que toma conta da pessoa na sua totalidade. Mas isso acontece de maneira lenta. A pessoa se mantém consumindo demoradamente produtos como vídeos, revistas, entre outros, os quais a levarão à realização de desejos perniciosos, provocados pelas fantasias.
Tal como a gestação, essas desordens acabam levando ao nascimento do pecado. A pessoa se concentra apenas no prazer impuro e se fecha inteiramente em função de realizar o prazer desmedido.
Esse mal também afeta muitos casados que, em consequência de um desvio provocado por esse prazer desmedido, faz do cônjuge um objeto. Dessa forma, conduzida pelo desejo, a pessoa presa aos prazeres grosseiros pouco se interessa por aquilo que a faz crescer.
Toda vez que se procura esse tipo de prazer maléfico se pratica o pecado mortal da lúxuria, que levará a pessoa cada vez mais por caminhos mais e mais promíscuos, destruindo aquilo que lhe foi reservado de belo, saudável e bom.
Um jovem que tem como hábito ficar com várias meninas ao mesmo tempo, certamente terá dificuldade em manter a fidelidade a apenas uma mulher.
Os vícios impuros paralisam os gostos para tudo aquilo que é nobre. A amizade pura quase desaparece, pois quem vive o desequilíbrio se torna escravo das paixões.
Deus nos fez para o equilíbrio e para o bem, de modo que as desordens provocadas pelo pecado nos afastam do Senhor.
Jamais será possível conquistar a vitória sobre tais paixões se não nos empenharmos na fuga das ocasiões de pecado e buscarmos a convicção profunda para uma mudança de atitude. Se aspiramos alcançar o céu precisamos ter convicção para a superação de nossos pecados.
O prazer impuro nos leva aos níveis mais animalescos e irracionais. Se a justificativa de alguém para o pecado é dizer que “a carne é fraca”, então, não se pode colocar à prova a fraqueza da carne.
Nada é impossível para o coração orante, por isso, apoiados na graça, precisamos reconhecer que o prazer maléfico nos atrai; mas precisamos nos abrir também àquilo que Deus quer para nós.
Quem é consciente da própria fraqueza não se expõe ao perigo, pois quem ama o perigo nele perece.
Para vencer o pecado é preciso romper com as paixões provocadas pela ilusão, pela fantasia.
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Este post parece vir ao encontro da provocação que fiz noutro comentário (sobre pornografia), com o que chamei de “sexo perfeito”. Sei que devo ter perturbado os espíritos mais recatados quando propus que os casais em Cristo ensinassem claramente aos jovens o verdadeiro significado do sexo como antídoto para a pornografia. Ninguém se manifestou.
Num outro comentário (aquele sobre a profissionalização das prostitutas), lembrei O Cântico dos Cânticos para chamar a atenção sobre como o sexo pode e deve ser encarado. O mesmo silêncio.
Essa timidez é típica do mundo católico. Como se o sexo fosse “intrinsicamente desordenado”. Sexo é ainda talvez o maior tabu do mundo católico. E quanto dano esse tabu tem causado…
Fala-se da luxúria. A luxúria é pecado. É. E do pecado fala-se com facilidade, sem pejo.
Mas não se fala do sexo santo que se opõe à luxuria.
A propaganda da luxúria espalha-se livre e solta, sem restrições, por toda a parte. Até quando é condenada. Mas não se propaga o sexo perfeito, o sexo santo, o sexo celebração do Encontro. Ficando sempre a impressão de que sexo é sempre pecado.
Ora, onde as novas gerações vão procurar o significado do sexo quando este não tem por fim a procriação? Aquele no qual a “tabelinha” é convocada. Onde estão as referências se estas não são mencionadas?
Tal omissão não deveria ser também um pecado porque induz ao erro?
Caro Bee,
Você não deixa de ter razão em seu comentário.É verdade.
O Cristianismo não é uma religião negativa, mas afirmativa! Nossa fé sempre se pautou por principios e valores que dão sentido à Vida.Nossa relação com Deus não pode ser baseada em proibições mas em adesões a verdade revelada e assumidas, com alegria, na vida.
Infelizmente a verdade tem sido tão vilependiada que acabamos assumindo uma posição de defesa- tantas vezes necessária- e esquecemos de resplandecer a verdade, também neste assunto tão humano e tão esvaziado em seu sentido.
Desde que me converti ao catolicismo em janeiro de 2006 eu vi este assunto ser muito bem esplainado. E ao contrário, só depois que conheci a igreja que entendi que o ato conjugal é santificado por Deus. Até fiquei impressionado como é coerente a obra de Deus, e como é coerente os ensinamentos da igreja.