Posts Tagged ‘educação’

* O ambiente ajuda na aprendizagem? Onde você estuda?

segunda-feira, fevereiro 8th, 2010

Quem puder corrigir..

Quem puder corrigir..

Recentemente, fui convidado pelo Magdalen College, uma Faculdade católica de Artes Liberais da cidade de Warner, New Hampshire, para falar sobre o tema: “Qual é a verdadeira crise moral?” Ao voar de volta e pensar sobre a minha estadia ali, reparei que tinha recebido dos estudantes pelo menos tanto quanto procurara dar-lhes – e talvez mais.

Magdalen fez-me lembrar de uma verdade perene central que, tal como o pássaro de São Beda, costuma fugir da mente se não se reflete sobre ela: a de que os estudantes não conseguem crescer em solo infértil.

Ao chegar em casa, um amigo perguntou-me se tudo tinha corrido bem. Respondi-lhe que sim: “Em Magdalen, o solo era fértil, a semente tinha vida, os agricultores eram fortes, entusiastas e competentes, os estudantes eram dóceis e a colheita foi copiosa”. Inspirado nesse solo rico, escrevi uma carta ao Presidente do College, Jeffrey J. Karls, em que resumia a minha experiência:

“Os seus alunos, criados em boas famílias católicas, foram-lhe confiados pelos pais para se tornarem membros da ampla família de Magdalen – in loco parentis. Como filhas e filhos adotivos, tomaram contacto com a beleza do campus, com a capela de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, com a liturgia e música sacras, com os trajes civilizados, com as boas maneiras e com o ensino excelente – todo o fértil solo de Magdalen. E isso produziu bons frutos. Demonstram-no a caridade e o zelo de sua faculdade em dar o que tem – a sabedoria –, e a docilidade e alegria que os seus estudantes põem na busca dessa sabedoria, como pude observar nas duas aulas que vi serem ministradas, bem como nas conversas que tive com os alunos fora da sala de aula. E tudo acompanhado de muita educação, sinal de verdadeira caridade posta em prática”.

Creio que foi G.K. Chesterton quem disse certa vez, naquele seu estilo inimitável, que na educação o ambiente – o solo – é quase tudo. Nisso posso perdoar a Chesterton a sua costumeira tendência ao exagero retórico, pois frisava um ponto importante: de fato, o solo, se não é quase tudo, é pelo menos a coisa mais importante. E o Magdalen College sabe disso: coisa que muitos educadores de hoje esquecem ou, pelo menos, negligenciam.

Contrariamente à opinião de Chesterton, muitos educadores modernos parecem pensar que o ambiente em que se dá a educação aos nossos estudantes conta muito pouco ou nada. A tradição educativa do Ocidente está certamente do lado de Chesterton, ou melhor, ele é que está do lado dela.

Começando por Platão, o primeiro grande comentarista da educação, a tradição nos ensina que os estudantes não conseguem desenvolver-se em solo estéril; que o ambiente do campus onde são educados é de primordial importância para que a educação liberal produza o seu fruto.

E qual é o fruto próprio da educação liberal? A nossa tradição clássica e cristã nos diz que a educação liberal é a arte de tornar o homem melhor enquanto homem, para que assim possa viver uma vida melhor. É também a arte que possibilita ao homem adquirir as virtudes ou hábitos morais e intelectuais. Essas virtudes são os princípios absolutos e universais que regem a educação enquanto arte: são o significado da sua pretensão de tornar o homem melhor. Pois a educação liberal – do latim líber, livre – prepara a pessoa em função do seu próprio bem, e não apenas para algum trabalho.

É a educação de um homem livre, e não de um escravo. Por isso, ao contrário de um escravo, o homem que recebeu essa educação vive por si próprio, no sentido exposto por Marcus Berquist: “compreende interiormente a finalidade da sua vida e a assume na sua própria pessoa”.

A educação liberal forma o intelecto e as virtudes intelectuais. Robert Maynard Hutchins, explicando o enfoque tradicional da educação liberal, aponta: “Ao falar de virtudes intelectuais, refiro-me aos bons hábitos intelectuais.

Das cinco virtudes intelectuais que os antigos distinguiam, três eram virtudes especulativas: o conhecimento intuitivo, que é o hábito da indução; o conhecimento científico, que é o hábito da demonstração; e a sabedoria filosófica, que é o conhecimento – ao mesmo tempo científico e intuitivo – das coisas de natureza mais alta: os primeiros princípios e as causas. As outras duas virtudes correspondem ao intelecto prático: a arte, que é a capacidade de agir conforme o verdadeiro curso do raciocínio, e a prudência, que é a reta razão quanto ao que se deve fazer”.

No entanto, a educação liberal não menospreza a força da vontade – fonte primária da moralidade –, nem, muito especialmente, o cultivo prático das três virtudes morais cardeais – a temperança, a justiça e a fortaleza – que resumem todos os outros valores morais.

Embora ao longo da história da educação liberal tenha havido muita discussão quanto ao ensino dessas virtudes morais – como devem ser ensinadas e se, a rigor, podem mesmo ser ensinadas –, há um consenso geral de que o intelecto tem de estar envolvido no cultivo da vontade. Como diz o antigo ditado, “o intelecto propõe e a vontade dispõe”.

Mark Van Doren comenta a propósito da vontade e do intelecto: “Sem capacidade de abstração, ficaríamos ofuscados ao ver as coisas, tal como o homem de Platão quando sai da caverna. O que não vemos é a natureza daquilo que vemos. «Virtude é conhecimento», disse Sócrates, ao explicar que o ignorante não pode ser corajoso, pois a coragem consiste em saber o que se deve e o que não se deve temer.

A educação moral nada mais é do que reflexão. O método mais seguro de educação moral consiste em ensinar a pensar. Como dizia Pascal, «trabalhemos, pois, para bem pensar: eis o princípio da moral»”.

Consta da declaração de princípios educacionais do Magdalen College que o seu Programa de Estudos “se baseia na visão clássica e cristã da educação liberal”, em coerência com o dito socrático: “uma vida irrefletida não é uma vida digna”. Por isso, anuncia que a sua missão é capacitar os estudantes a “viverem bem a vida”, o que é justamente a finalidade última da educação liberal.

O Programa foi montado para realizar essa tarefa ajudando os estudantes na aquisição das virtudes intelectuais: “como questionar e como participar no discurso racional; como pensar e como aprender; como defender opiniões e como chegar à verdade; como analisar e como sintetizar”. Isso, por sua vez, irá prepará-los para as virtudes morais, pois, como acabamos de ver, “pensar bem é o princípio da moral”.

A tradição classificou a Educação como uma arte cooperativa, juntamente com a Medicina e a Agricultura. Essas artes são cooperativas no sentido de que o professor, o médico e o agricultor cooperam com a Natureza para a consecução de seus fins respectivos: o aprendizado, a saúde e a obtenção dos frutos da terra. A Natureza por si própria é capaz de chegar a essas metas, mas alcança-as melhor através desses artistas, que atuam como instrumentos secundários ao exercerem as suas capacidades.

Por causa da semelhança entre ensinar e plantar, o próprio Cristo fez uma analogia entre essas atividades na Parábola do Semeador, a fim de instruir os Seus discípulos na arte que em breve passariam a praticar pregando o Evangelho. A Parábola do Semeador ensina a importante verdade de que, assim como o solo deve ser rico para que a semente lançada pelo semeador crie raízes e produza fruto abundante, da mesma forma o estudante deve ser dócil ao ouvir as palavras de quem ensina para que elas criem raízes e produzam o seu fruto nele: o fruto do entendimento. Cristo diz: e a semente que cai em terra boa são aqueles que ouvem a palavra e a põem em prática, e dão fruto: uns trinta, uns sessenta e outros cem por um.

A tradição ensina que a docilidade é uma virtude moral, um cume entre dois vícios opostos: a subserviência e a indocilidade. O estudante dócil é aquele que tem o nível adequado de respeito pela autoridade do professor, que é quem semeia a palavra. Se o estudante exagerar na sua dependência dessa autoridade corre o risco de simplesmente ouvir a verdade tal e como o mestre a enuncia, e depois confiá-la à memória sem fazer nenhum esforço por compreendê-la por si mesmo. Isto não é ensino: é doutrinação. Por outro lado, se o estudante não respeita a autoridade do professor, não irá sequer escutá-lo e, em conseqüência, permanecerá na ignorância ou no erro. Estes dois vícios conduzem a efeitos negativos bem conhecidos, ao passo que a docilidade – o nível adequado de respeito pela autoridade do professor – conduz à verdadeira educação.

O Magdalen compreende a docilidade e a valoriza nos seus estudantes. Parte da sua pedagogia consiste em que os alunos leiam os “Grandes Livros” em pequenas sessões com os professores, nas quais estes procuram fazê-los descobrir a verdade em conversas de estilo socrático. A respeito disso, o programa comenta: “Uma vez que viver melhor pressupõe uma busca pessoal dos princípios que integram a nossa existência, os estudantes devem aprender a descobrir e avaliar esses princípios. E o conseguirão na medida em que se fizerem dóceis como as crianças“.

Mas como tornar o aluno dócil às palavras do professor? Deve-se deixar isso inteiramente ao acaso, ou os educadores – tal como os agricultores – devem cultivar cuidadosamente o solo educacional em que se encontram imersos os estudantes, com a intenção de os expor à verdade, ao bem e à beleza, para que assim possam mais facilmente tornar-se receptivos à palavra do professor?

Platão, na República, responde: “Não permitamos que os nossos guardados cresçam no meio de imagens de deformação moral, como ocorre em certos pastos ruins, e ali mordisquem e comam, dia após dia e pouco a pouco, ervas e flores prejudiciais e venenosas, até acumularem silenciosamente uma massa de podridão que fermenta nas suas almas”.

Platão afirma além disso que os educadores, tal como os artistas, devem produzir por meio da razão o rico solo em que os seus educandos podem absorver “a graça e a beleza verdadeiras” e “o bem em todas as coisas”. Então “a beleza moldará a sua alma desde os primeiros anos, em conformidade e harmonia com a beleza da razão”.

E o que pressagia esse rico solo para o estudante cuja alma foi moldada “em conformidade e harmonia com a beleza da razão”, e que por isso mesmo está apto para uma verdadeira educação? Quem for educado num ambiente onde se cultive corretamente a verdade, o bem e a beleza, argumenta Platão, “adquirirá bom gosto” nas artes, “tornar-se-á nobre e bom”, e “saudará a sua amiga , com quem convive desde há muito tempo graças à educação”.

Em poucas palavras: pela influência desse rico solo, o estudante tornar-se-á dócil, ou seja, capaz de ser ensinado. Conseqüentemente, não somente respeitará a sua “amiga razão”, mas também o representante dela – o professor –, que deposita a semente na sua alma para que aí lance raízes e produza frutos de sabedoria. Vê-se portanto que Platão e a tradição confirmam aquilo que Chesterton diz e que o Magdalen sabe: que na educação o solo é realmente o mais importante. Descrevendo o seu ambiente educativo, o College articula essa verdade perene: “Na sala de aula, espera-se que haja respeito para com todas as pessoas e uma vigorosa busca da verdade. Nas atividades em comum, todos são convidados a participar e os estudantes podem crescer nas virtudes enquanto se divertem e convivem com os colegas. No refeitório praticam-se as boas maneiras e o serviço ao próximo. As residências conservam-se limpas e em ordem, e dá-se incentivo aos bons hábitos de estudo. Por toda parte, vão-se formando verdadeiras e duradouras amizades e consegue-se obter um sólido rendimento acadêmico”.

Nos tempos que correm, e em que esses conceitos são freqüentemente esquecidos, é animador saber que há um pequeno College de Artes Liberais que responde ao apelo “do Coração da Igreja” (Ex Corde Ecclesiae) e o põe em prática.

Magdalen é um diamante aos pés do monte Kearsarge, em Warner, cidade de New Hampshire.

Anônimo

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* Educação sexual de nossos jovens e o ateísmo.

sexta-feira, janeiro 29th, 2010

Padre Ricardo

Gostaria de falar a respeito de um tema bastante polêmico: “Como educar os filhos para a vivência da sexualidade”. É um tema que gera bastante discussão porque a sexualidade que nos católicos pensamos está diferente do mundo.

Quando nós queremos educar os filhos a respeito da sexualidade, eles vêm com a mentalidade da escola; e infelizmente nós pagamos os professores para perverterem a educação de nossos filhos, então o caminho é não confiar na escola, porque a escola irá ensinar algo errado, até que se prove o contrário. Infelizmente é isso, e eu vou explicar.

Por que a escola e os meios de comunicação vão ensinar mal os nossos filhos a respeito da sexualidade? Porque a sociedade está vivendo no ateísmo, a educação está montada no ateísmo, é preciso que nossos filhos saibam disso.

Não é possível educar nossos filhos de forma cristã na sexualidade, sem romper com o pensamento da sociedade atual.A maior parte dos jovens é contra liberação das drogas, mas essa não é a opinião da classe falante, e o nosso país é conduzido pela classe falante, políticos que transmitem opinião, professores, jornalistas, advogados, psicólogos, e o que eles falam não é o que o povo brasileiro pensa. Infelizmente esse é o pensamento da classe falante: jornalistas, advogados, psicólogos, políticos, terapeutas, professores. Há uma lacuna muito grande entre a classe pensante e o povo brasileiro. O povo brasileiro tem uma moral sexual conservadora, isso é uma estatística do Datafolha, IBGE, a maior parte dos jovens brasileiros são conservadores. Quando ele se casa, casa com mentalidade de que quer que dê certo, o comportamento dele é uma coisa, mas o pensamento é outro, é conservador.

A classe falante é muito liberal, e eles querem incutir na cabeça de nossos jovens essa opinião deles. Se nós, maioria cristã, continuarmos calados, eles vão conseguir cada vez mais incutir esse pensamento na cabeça dos jovens, nós precisamos falar e ter coragem de romper com esse silêncio, pronunciar que nós somos cidadãos cristãos.

Agora querem tirar os símbolos cristãos de todos os lugares, querem tornar o cristianismo uma realidade das catacumbas. Dizem que não querem ofender os que não são católicos, não podem ofender a minoria. Por que isso vai ofender os ateus? Não ter uma religião é também uma atitude religiosa. Ao invés de ter uma cruz na parede eu ter uma parede vazia é ter uma atitude religiosa.

Escute meu irmão ateu, você acha que ser cristão em público é feio, eu acho que ser ateu em público é muito pior, é mais feio. Uma cidade vazia de símbolos religiosos é também uma atitude religiosa que mostra que esta cidade não tem Deus.

O filósofo francês Jean-Paul Sartre Jean via o existencialismo como uma filosofia, para ele é um fato levar até as últimas consequências que Deus não existe. “Se Deus não existe, ninguém pensou o homem, então não existe certo ou errado”. Como Raul Seixas: “eu prefiro ser essa metaformose ambulante”. Vê o homem como fruto de uma mudança contínua, isso se chama ateísmo.

A respeito do sexo, como está pensando essa classe falante? Eles dizem assim: o importante é a pessoa se sentir bem, não tem certo ou errado. Isso é dizer que não existe um projeto, você que é o deus da história. Deus tem um projeto para nós, veja seu corpo, você sabe para que serve cada parte de seu corpo, que mostram a inteligência de Deus. Deus pensou o homem para a mulher e a mulher para o homem, mas muitos pensam: eu não quero viver o sexo dessa forma, quero viver da forma que me agrada, quero ter sexo com animais. Isso é uma desobediência ao Criador. E é isso que estão incutindo nas cabeças de nossos filhos, pois sempre dizem que o importante é a pessoa se sentir bem. Pode ser que o jornalista, o professor, o advogado que fale isso não seja ateu, mas o pensamento é ateu. O ateísmo está tomando conta da nossa sociedade sem se mostrar. O ateísmo se apresenta como humanismo, algo favorável ao homem, tolerante.

Os nossos jovens, infelizmente, já fizeram sexo para entender que estão se destruindo, basta que alguém fale isso para eles, mas essa multidão da classe falante fala o oposto, psicólogos, pedagogos, políticos, professores, às vezes, até padres, que trabalham para o pensamento ateu – Que horror! Quando um jovem chega ao confessionário e fala do pecado da masturbação e o padre fala para o jovem que não tem problema, que ele está conhecendo o corpo, pode ser que o padre não saiba, mas está trabalhando para o pensamento ateu -. Se nós aceitarmos isso, haverá a intolerância religiosa disfarçada de tolerância, fazendo carinha de bom moço. O diabo não se apresenta com chifre, ele se apresenta de forma atraente, ele é especialista, sabe fazer a cabeça, se apresenta como tolerância.

A Igreja Católica ama de paixão os homossexuais, não existe uma instituição que os ame mais, pois quer os tirar de uma cultura de morte que está os matando, essa vida de sexo livre, está matando esses jovens, por isso ela diz: “meus filhos parem com isso”. Ela ama os heterossexuais que também estão se matando com o sexo livre, por isso ela fala: “meu filho pare de se maltratar porque você foi feito para amar”.

O sexo é uma criação de Deus e não do diabo. O sexo é uma participação do ser humano na obra da criação. O interior da mulher é algo sagrado, cada mulher que carrega dentro dela aquela pequena vida, ali Deus já realizou seu projeto maravilhoso. O homem é chamado pela sua sexualidade a entrar neste santuário da vida que é a mulher, para obra da criação. Precisamos arrancar o sexo das mãos do diabo, é obra de Deus o sexo. Nós precisamos fazer com que o sexo seja o que é no projeto de Deus, Deus tem um sonho para a sexualidade, e está ligado a nossa capacidade de amar. Mas que terrível! Quando usamos para nosso egoísmo, fazendo das mulheres objetos, usando algo que é para o amor para o egoísmo solitário.

Uma vez que você apresenta a sexualidade como projeto bonito de Deus, o jovem entende isso. Mas quando apresenta só como coisa proibida é claro que o jovem não vai aceitar. Eduque seus filhos, desmascare o lobo, é o pensamento ateu que conduz a morte, a destruição. E os jovens são capazes de enxergar isso, quanto mais você faz sexo sem compromisso, mais fica um vazio na alma. Mostre para ele o lobo, ele será capaz de enxergar. É importante que você os ajude a enxergar.

Os jovens dizem que devem ter um pensamento crítico, seja crítico com você, critique o pensamento que você adotou, um pensamento ateu, desonesto.

Você sabe por que o pensamento ateu está na moda? Veja o que falava o filósofo Friedrich Nietzsche: “Se deuses existissem, eu não suportaria não ser um deles. Portanto, deuses não existem”. Ele mostra que ele é ateu por sua soberba.

Os jovens dizem por que a Igreja proíbe sexo antes do casamento? Não é a Igreja que proíbe, mas a própria natureza. Pense, pelos menos lá em Cuiabá (MT) é assim, eu acho que esse negócio de sexo tem haver com uma criança que nasce, tem haver com bebê, assim como quando você se alimenta tem haver com nutrição, são as finalidades das coisas que Deus pensou. Se um casal de jovem mantém relações sexuais a natureza daquele ato é voltado para ter um filho, eu não estou dizendo que vai ter, mas está voltada para isso, e muitas meninas tomavam pílulas e engravidaram. Veio a criança, ela precisa ser respeita, tem direito a vida e de ter pai e mãe. O pensamento ateu diz, não existe Deus, você que é deus, se a criança não te agrada jogue-a no lixo. Você que é senhora do seu corpo.

E nós dizemos não, respeite o Criador. A pessoa se coloca no lugar de Deus, senhora da vida e da morte. Você acha que sexo é lazer? Não, ele é sagrado. A Igreja proíbe sexo antes do matrimônio não porque ele é pecado, mas porque ele é sagrado. No projeto de Deus a criança foi pensada tendo um pai e uma mãe.

Por que a classe falante não aceita isso? Porque se eles aceitarem, eles terão que aceitar a Deus. O que significa ter um Deus? Significa que eu não sou Deus, e o mundo moderno não aceita, ele quer ser deus. Eles não aceitam sermos adoradores, e o Papa João Paulo II fala sobre o ódio dos apóstatas. O apóstata é um cara que abandonou a fé, seguia a Deus e começou a achar que a moral é opressora, não precisa ser tão radical, fanático, católico sim, mas fanático não. Começa ler a Bíblica de um jeito ideológico, na passagem onde Jesus diz: “se você olhar para uma mulher e no seu coração ir desejando-a, já cometeu adultério”. Eles dizem assim: Jesus não disse isso, isso foi acrescentado pela Igreja, isso é radicalismo. Eles pecam na fé que tinham, e arranjam um jeito “light” de entenderem a fé. Talvez seja até um padre que o tenha ensinado ler a Bíblia assim, e ainda dizem: padre fulano que é bom, é um padre aberto para realidade. Aberto para a realidade e fechado para Deus.

O apóstata pisou na própria consciência arranjando um jeitinho de interpretar o cristianismo, e quando você interpreta de forma reta, ele passa odiar você, porque mostra o que ele fez. Um jovem chega para o catequista e diz que não faz sexo com namorada e nem se masturba; o catequista começa a perseguir o jovem porque ele, o catequista, arrumou um jeito “maneiro” de viver o cristianismo, então persegue o jovem porque recorda o que ele fez consigo. Ele vai odiar quem propõe o Evangelho do jeito que ele acreditava antes.

Por que esse pessoal tem horror de ver a manifestação de nossa fé? Porque essa minoria de ateus quer amordaçar a maioria dos cristãos, temos que lembrar a eles que somos cidadãos como eles. Por que vamos ficar calados se somos a maioria? É necessário que essa maioria de cristão que são conservadores reaja. Eu tenho que reagir quando uma pessoa chega na minha igreja e acaba com o que é a razão da minha vida. Só existe um caminho eficaz, você não pode dar uma de bom mocinho, o sexo é sagrado, isso é visão positiva, mas você tem que mostrar o lobo que tenta passar como tolerância cristã aquilo que é intolerância ateia. Não somos ateus, Deus nos criou e tem um plano para nossas famílias, para nossa sexualidade. Temos que deixar Deus ser Deus e não ser Deus no lugar de Deus.

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* Dar “selinhos” nos filhos é correto ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Especialistas ressaltam importância de limites para não confundir crianças.

Um hábito comum em muitas famílias brasileiras, o selinho entre pais e mães e seus filhos pode ser uma armadilha na educação das crianças, mais do que uma demonstração de carinho. Para entender a importância de alguns limites, sem deixar de lado o contato próximo com as crianças, o G1 conversou com psicólogas que comentaram a influência dessa relação no comportamento dos filhos.

“É fundamental não transformar o selinho em um hábito, uma forma frequente de carinho, mas uma bitoquinha em um momento de brincadeira não tem nenhum problema”, diz a psicóloga Ana Cássia Maturano. A especialista ressalta ainda a importância de deixar claro o limite e a diferença entre um carinho entre namorados e o carinho com os pais.

Para a psicóloga Patrícia Gugliotta, mestre em saúde mental pela Universidade de Campinas (Unicamp), o afeto entre pais e filhos pode ser demonstrado de outras formas. “Eu não sou a favor desse contato. Não que haja sexualidade, mas a criança nem sempre consegue entender até onde ela pode ir. Além disso, não acho saudável o beijo na boca entre pais e filhos porque os pais são referência, e como explicar então que com os colegas esse comportamento não é aceito”, diz.

Carinho ou dependência

De acordo com a doutora em psicologia Elisa Marina Bourroul Villela, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é preciso analisar o papel do selinho na relação entre pais e filhos. “É claro que existe um aspecto cultural e de costumes entre cada família, mas é importante que o selinho seja dado simplesmente como forma de carinho, e não para representar, mesmo que inconscientemente, a necessidade dos pais de manter o filho em uma fase de dependência”, diz.

Elisa explica que outros carinhos, como o colo ou o toque no seio da mãe, por exemplo, são adequados durante um período da vida da criança, mas merecem cuidado e uma atenção especial quando a criança começa a crescer. “Em famílias em que o contato próximo é um costume, não há nenhum problema ou limite de idade para esse carinho, mas o espaço da criança deve ser respeitado, não pode ser invasivo.”

Já Patrícia defende que o contato físico nem sempre é sinônimo de cuidado. “Não é necessário dar selinho para mostrar ao filho cuidado e o quanto ele é amado, existem outros meios de mostrar o mesmo carinho”, diz.

Reflexos fora de casa

O selinho frequente pode levar a criança a considerar natural esse tipo de manifestação entre amigos na escola, por exemplo, o que pode trazer problemas. Para evitar essa situação, Ana Cássia sugere a constante conversa com a criança. “Os pais devem explicar que há algumas formas de carinho que fazemos apenas com quem temos intimidade, em família. Ainda assim ressalto que estou falando de um selinho simples, e de vez em quando.”

Segundo Elisa, a criança é capaz de distinguir os tipos de contato que são familiares e o que é uma cultura compartilhada. “A criança deve estar ciente de que nem tudo que ela faz em casa, com os pais e irmãos, pode ser feito entre outras pessoas. As culturas de outras famílias também precisam ser respeitadas. E a melhor forma de fazer a criança compreender isso é com uma boa conversa”, afirma a especialista.

Outro cuidado importante, segundo as psicólogas, é deixar claro que a relação de namoro se dá entre a mãe e o pai. “É comum que a menina se enamore pelo pai e o menino pela mãe, e muitas vezes esse tipo de comportamento estimula essa ‘paixão’, por isso os pais devem deixar claros os limites entre as brincadeiras e carinhos”, afirma.

Fonte:  G1

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* Colégio Católico fecha suas portas, após 70 Anos de serviço evangelizador.

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Pátio interno da escola

Mais um colégio católico encerra as suas atividades letivas no Ceará.

Depois de 70 anos de história e tradição, o Colégio São José, em Iguatu, que pertence à Congregação das Filhas de Santa Tereza de Jesus, não vai mais funcionar no ano letivo de 2010. A direção da escola divulgou nota à comunidade da região Centro-Sul esclarecendo os motivos da decisão que foi recebida com surpresa e lamentações.

Nos últimos cinco anos, o Colégio São José apresentava reduzido número de matrículas e dava sinais de dificuldades para manter as despesas. A cada ano, o número de estudantes era reduzido. A direção fez esforços para reverter o quadro, mas não conseguiu êxito. Havia 240 alunos inscritos da Educação Infantil ao 3º ano do Ensino Médio.

Financeiro

A diretora do Colégio São José, irmã Vera Lúcia Alves de Andrade, explicou que a situação tornou-se insustentável financeiramente. “A receita não iria cobrir as despesas e tivemos medo de enfrentar mais dificuldades ao longo de 2010″, explicou ela. “Por esse motivo, fomos obrigados a tomar essa medida, depois de muita reflexão, mas que foi necessária”.

Na carta aberta à comunidade, a direção do colégio agradece a confiabilidade da comunidade da região Centro-Sul e anuncia um novo projeto. “Vamos procurar parceria para implantar cursos de nível superior para formação de uma juventude universitária”, disse a irmã Vera Lúcia Andrade. “Estamos confiantes nessa nova ideia e nos preparando com fé e coragem”, adiantou.

Fundação

O Colégio São José começou a funcionar em fevereiro de 1939, com a denominação de Escola Rural Senhora Sant´Ana. Oferecia curso externo e internato. Só estudavam mulheres, mas em 1977, passou a ser misto. A escola é integrante da rede educacional católica Irmãs Filhas de Santa Tereza de Jesus, com unidades nas cidades de Crato, Icó, Tauá, Souza, na Paraíba e duas conveniadas no Estado Piauí.

Ao longo deste ano, foi realizada uma programação ampla, alusiva aos 70 anos de fundação, com mostra histórica, homenagem a ex-alunos, apresentações artísticas e festa dançante no Clube Recreativo Iguatuense. “Comemoramos essa data histórica com muito orgulho porque temos consciência de que o nosso compromisso foi com uma educação de valores”, disse a irmã Vera Lúcia.

Ainda de acordo com ela, “enfrentamos dificuldades para competirmos com escolas modernas que têm uma estratégia de conquista de alunos arrojada, baseada em aprovação em vestibulares”.

O Colégio São José dispõe de quadra coberta e de dezenas de salas de aula.

Parceria

Há cinco anos, abriga os campus da Universidade Regional do Cariri (Urca). Essa parceria também tem tempo marcado, em torno de dois anos, porque em breve devem começar as obras da sede própria da Urca, na antiga usina Cidao.

A decisão de encerrar as atividades educacionais a partir deste ano, foi considerada difícil por parte dos administradores locais. Dezenas de professores e funcionários foram demitidos e os estudantes receberam transferência para outros estabelecimentos. Muitos pais mostraram-se surpresos e indignados.

Fonte : Diário do Nordeste

***

Se nossas Escolas Católicas não se modernizarem, acabarão fechando.

Modernização sem perder de vista sua identidade nem sua missão, sem perder o carisma original de seus fundadores.

Muitas delas morreram por terem perdido a capacidade de atualizar o carisma de seus fundadores para os dias de hoje ou até mesmo por terem “traido” o carisma fundante, com escolhas erradas e politicas pedagogicas “modernas” e, o pior, carentes de uma evangelização explicita, optando muitas por uma educação apenas humanizante – como se fosse contraditório ter uma escola católica e ao mesmo tempo humanizante- com professores católicos de nome, com posições dentro de sala incompatíveis com a identidade católica da Escola.

Também não existe contradição nenhuma em formar nos valores e “preparar para o vestibular “. Educar e formar! educação que é  MUITO MAIS do que apenas passar conhecimento.

A maior riqueza da escola Católica é ser Católia e não ser uma escola “envergonhada” de sua identidade. Ser apenas uma escola secularizada, com o nome  de Católica, é já começar perdendo pois elas são fortes nesta identidade secular.

Querendo ser igual a elas onde deveríamos ser diferentes nos tornamos apenas “mais uma” , e aí, com o tempo, fechamos.

Ter vergonha de ser Católica, é o começo do fim!

É a mesma realidade de muitas Universidades e Faculdades “católicas” espalhadas por este Brasil.

Temos asas e não sabemos voar..uma pena!

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* Apenas informar educa de verdade a pessoa ?

sábado, janeiro 2nd, 2010

Por Julio De la Vega Hazas

Dizer que vivemos na Sociedade da Informação converteu se num lugar comum.

Ninguém duvida que a informação é um bem valioso, e que possuí -la ajuda a atingir muitos objetivos, entre eles o de comportar se corretamente. Quem tem todos os dados à mão está em ótimas condições para fazer boas escolhas, inclusive no campo moral. A questão problemática é outra: mais do que saber se a informação é útil ou não para uma boa conduta, trata se de saber se só a informação basta.

***

O assunto já foi levantado há muitos séculos. Na Grécia antiga, Platão foi o primeiro filósofo que elaborou uma teoria ética com uma idéia central: a verdadeira sabedoria, uma vez adquirida, propicia uma boa atuação.

Segundo essa maneira de ver as coisas, a má conduta seria, em última análise, conseqüência do engano da razão quando escolhe bens aparentes. Sendo assim, o conhecimento dos verdadeiros bens poderia corrigir quaisquer condutas más. A Filosofia – termo que literalmente significa amor à sabedoria – converter se ia em guardiã da moral. A educação moral reduzir se ia a mostrar o Bem verdadeiro.

Platão logo foi contestado. A oposição partiu do seu próprio discípulo Aristóteles, que esgrimia uma arma fácil de encontrar: a evidência. Embora reconhecesse que a ignorância é de fato um obstáculo de primeira ordem para a boa conduta, Aristóteles observou que no entanto também se constatam más ações praticadas por pessoas conscientes de estarem agindo mal, e também por pessoas com boa formação, inclusive em assuntos que dizem respeito à moral. Assim, a razão sozinha não era suficiente; seria preciso apelar para um segundo fator: a vontade. Agir bem é algo que se consegue com esforço; requer um hábito que se adquire percorrendo o árduo caminho da repetição de atos, até que a vontade se fortaleça e acostume as paixões e os sentimentos a lhe obedecerem: tal hábito é a virtude moral. A conclusão é que – ao contrário do que dizia Platão – para educar moralmente não basta ensinar o que é o Bem: é preciso também formar a vontade, o que é mais custoso.

Não se pode duvidar da sinceridade das intenções de Platão, mas também tinha razão o renascentista Rafael quando pintou, no centro da sua célebre Escola de Atenas, Platão apontando para cima ao lado de Aristóteles apontando para baixo. Era um modo de dizer que o primeiro vivia nas nuvens enquanto o outro tinha os pés no chão. O mérito da obra de Platão é inegável, mas a sua própria vida demonstrou que ele era um pouco ingênuo. De qualquer modo, a sua visão ética a respeito do que vínhamos dizendo acabou tornando se apenas um item na vitrina das antiguidades valiosas mas inúteis. Pelo menos até agora.

“EDUCADORES” ou “INSTRUTORES”

Podemos notar na sociedade uma tendência cada vez maior a igualar “educar” e “ensinar”. Há alguns anos, tentou se – felizmente sem êxito – até mesmo substituir na legislação por exemplo, o termo “educador” por “instrutor”. Seja qual for a palavra usada, o fato é que o fenômeno está consolidando-se. E isso chama mais a atenção, dada a importância do tema, no campo da educação sexual. A ânsia de fazer da informação o único objetivo das aulas pode facilmente degenerar em exibição pornográfica. Ainda que não seja a intenção de ninguém chegar a tais extremos, basta ter olhos para ver que, neste tema, os resultados desse informar sem querer educar são desastrosos. Se a vontade está debilitada, o que domina a pessoa não é a razão mas os impulsos irracionais – especialmente se a pessoa em questão é o adolescente ainda em fase de consolidação, de modo que a informação, ao invés de servir como elemento de critério, serve apenas para alimentar o instinto.

De qualquer forma, independentemente do valor que os promotores desse tipo de “educação” concedam à sexualidade, o fenômeno já está generalizado. Quando se percebe alguma realidade alarmante entre a juventude – sejam as drogas, o alcoolismo ou até mesmo o chamado “fracasso escolar” –, a reação das autoridades não costuma ser a de atacar o problema pela raiz: o que fazem é desencadear uma campanha de informação.

Vejamos o exemplo da droga. Informação ajuda, sem dúvida, mas é bastante ineficaz contra certos ambientes e amizades: todos os que “caíram” nas drogas confessam que foram levados a isso pelo comportamento do grupo a que pertenciam. As medidas lógicas para combater esse mal consistem em cuidar das amizades e dos lugares que os jovens freqüentam. Na prática, isso significa ter uma vida mais ordenada, recortar a vida noturna e fazer amizade com pessoas mais responsáveis: isso supõe um esforço para eles, pois costuma contrariar os seus gostos. Por isso, é necessário dar aos jovens um apoio: ajudá los a dominarem se a si mesmos, incutindo neles os valores que lhes permitam ver que o esforço continuado que isso exige vale a pena.

Em resumo, é necessária uma educação. Mas quem a levará a cabo? Várias instâncias podem ser mobilizadas para essa finalidade, mas uma delas é central: a família. Sem ela o trabalho das outras raramente dá frutos. Acontece, porém, que a família não está nos seus melhores dias: padece uma instabilidade crescente, e além disso as condições de vida atuais – agravadas pela ausência de uma política familiar adequada – tornam difícil para os pais atenderem convenientemente os filhos. Isso tudo logo nos leva a algo que um pouco de bom senso também ajuda a concluir: que qualquer remédio deve necessariamente basear se no reforço dos vínculos familiares e num estímulo às famílias para que eduquem corretamente os filhos.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, DROGAS E PROPAGANDA

Mas justamente essa é a solução que nunca aparece. Nem mesmo perante um problema como o da violência doméstica, tão diretamente ligado à saúde e à estabilidade da instituição familiar. Bastariam dois números para que se abrissem os olhos: um deles seria a comparação do número percentual de casos em matrimônios normais com o mesmo percentual em “uniões de fato”; o outro seria – entre matrimônios normais – a porcentagem do total de casos cuja origem foi a ruptura do matrimônio, isto é: o anúncio de abandono do lar por um dos cônjuges. Mas ninguém parece interessado em publicar pesquisas desse tipo, que, no entanto, mostrariam o caminho a seguir para uma solução preventiva, mais eficaz do que simplesmente concentrar se em castigar os fatos consumados. Também nesse assunto, insiste-se em buscar uma solução mediante campanhas informativas para mostrar o mal da violência e intimidar os possíveis infratores lembrando lhes as penas previstas na lei.

Mesmo assim, pode parecer à primeira vista que essas campanhas informativas vão acabar produzindo algum efeito significativo, pois afinal de contas são um tipo de publicidade, e a publicidade consegue os seus objetivos, pelo menos quando é feita inteligentemente. Se um bom anúncio de carros consegue aumentar significativamente as vendas, por que um bom anúncio contra as drogas não poderia reduzir significativamente o seu consumo? Antes de mais nada é preciso reconhecer um fato: não reduz. Não deixa de ser significativo que a última campanha de propaganda antitabagista, com anúncios chamativos impressos nos maços de cigarro, tenha resultado numa insignificante redução nas vendas de tabaco e numa disparada das vendas de porta maços.

Explicar é um pouco mais difícil do que simplesmente constatar os fatos. Mas podem ser apontadas algumas diferenças entre esse tipo de publicidade e a publicidade comercial comum.

Em primeiro lugar, uma campanha a favor de algo não é a mesma coisa que uma campanha contra algo. Adquirir coisas pode ter o seu atrativo, mas privar se delas costuma não ter nenhum. Está bastante comprovado, por exemplo, que uma campanha eleitoral centrada em desqualificar o adversário em vez de promover o próprio candidato ou partido, fracassa sempre – mesmo inicialmente pareça que vai vencer – salvo quando já haja antes uma forte indignação popular contra o rival. Os publicitários profissionais já sabem disso, e tentam “vender” uma campanha dirigida contra algo convertendo a em campanha a favor de algo atraente. Acontece no entanto que tais mensagens costumam ser até certo ponto indeterminadas ou mesmo ambíguas.

Continuando com o exemplo das drogas, a frase “diga sim à vida” pode até ser um bom slogan, mas cada um irá interpretá lo à sua maneira: até poderia figurar na porta de uma danceteria, como um convite para entrar. Pior ainda se tal frase vier acompanhada de imagens de jovens felizes e sorrindo, que os destinatários facilmente irão associar à “animação” que experimentam quanto tomam uns copos a mais ou tragam um comprimido estimulante. Tudo isso significa que a única mensagem positiva que funciona – se queremos que funcione de verdade – é a que consiste em valores morais: mas isso só é veiculado de uma forma muito parcial.

A segunda diferença tem algo a ver com a primeira. Consiste em que os anúncios geralmente apelam para um desejo que já se tem de algo e procuram mostrar esse algo num produto concreto. Quando esse caminho não é tão simples, a publicidade procura encobrir a parte árdua. Assim, por exemplo, anunciam se cursos de idiomas onde se aprende “sem esforço” ou “sem estudar” (o que por outro lado, dito dessa forma, é um conto do vigário).

Com os anúncios que convidam a não fazer alguma coisa, isso não acontece: neste caso o desejo preexistente conduz ao oposto do que se está propondo. É claro que é possível anunciar coisas pouco atraentes apelando para sentimentos ou valores, mas estes devem já existir na pessoa: por si mesmo o anúncio é incapaz de suscitá los. Pensar que a publicidade e a propaganda são todo poderosas quando são bem manejadas é um dos muitos tópicos falsos que estão em circulação.

POR QUE TANTA CONFIANÇA NAS CAMPANHAS INFORMATIVAS?

Se os resultados são tão limitados, então por que toda essa confiança nas campanhas informativas? Basicamente porque quando a educação reduz se à informação, o que é árduo desaparece. Mais do que a simples fé no Progresso, foi o desejo de evitar o que é árduo que nos levou a forjar a ilusão de que para qualquer problema sempre há uma solução técnica, uma engenharia que permita evitar o esforço. Consciente ou inconscientemente, tudo o que não se encaixa nesse quadro ilusório é tirado de cena, por mais que a realidade teime em mostrar, uma e outra vez, que as coisas não são como sonhamos que sejam, ou, mais concretamente, que tudo aquilo que é humanamente valioso só se consegue por meio de um esforço sustentado, ou seja: através das virtudes.

Existe portanto uma resistência a aceitar a própria natureza da pessoa e a da família. A família é uma teimosa realidade que não se presta a reengenharias. A família sempre funciona melhor que qualquer um dos seus sucedâneos. Para cumprir a sua missão, a família deve entregar se à dura tarefa de educar os filhos: uma tarefa na qual a formação da vontade tem um papel preponderante. Quer se goste disso ou não, essa é a única coisa que dá resultados positivos.

Mesmo quando não trata diretamente das campanhas informativas, a Antropologia cristã confirma esse diagnóstico. Ao falar do pecado, o Catecismo da Igreja Católica (n. 387) contra a tentação de “explicá lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada, etc.”. Para o tema que nos ocupa, convém destacar o termo “unicamente”. É evidente que existem erros e ignorâncias, mas os vícios sociais não podem ser explicados unicamente por essas categorias. Paralelamente, é claro que uma campanha informativa pode ajudar, mas se só contamos com ela o resultado continuará sendo insatisfatório. Responde se com informação quando o que falta é educação.

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* A dificil arte de dizer NÃO aos filhos.

domingo, dezembro 20th, 2009

Você costuma dizer “não” aos seus filhos?

Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e
de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?

Uma conhecida educadora do nosso País alerta que não é fácil dizer não
aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.

Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um
brinquedo novo se temos dinheiro necessário para comprar o que querem?
Por que não satisfaze-los?

Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que
provocar lágrimas?

Se lhe dá tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que
faze-lo pensar nos outros?

E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos “bonzinhos”…

O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser “bonzinho” com os
filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os
filhos e perante a sociedade em que vivemos.

Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo
comprar, ou sofrendo por lhe dizer “não”, porque ele já tem outros dez
ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter.
Estamos, indiretamente, valorizando o ser.

Mas quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de
dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio
exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não
aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.

Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele
fatalmente terá que ser extremamente competitivo e provavelmente com
muita “flexibilidade” ética, para não dizer desonesto.

Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota,
qualquer “não” se nunca lhe fizeram crer que isso é possível e até
normal?

Não se defende a idéia de que se crie um ser acomodado sem ambições e
derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o
reconhecimento realista de que, na vida às vezes se ganha, e, em
outras, se perde.

Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é
preciso que desde logo ele aprenda a lutar pelo que deseja sim, mas
com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que
alguém lhe dará tudo, sempre, e de “mão beijada”

Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é
preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas
consumismo caprichoso.

Estabelecer limites para os filhos, é necessário e saudável.

Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi
negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.
Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram
agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.

Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na
importância de aprender a difícil arte de dizer não.
Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para
enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.

Do livro “Repositório de Sabedoria” vol I.

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* O mundo ainda não estará perdido enquanto alguém, em algum lugar, lutar pelo que é certo.

segunda-feira, novembro 30th, 2009

Ontem saí de casa mais cedo do que o normal, a temperatura era amena de primavera, o dia estava amarelo e azul, do som do meu carro se evolava o rock suave da Rádio Itapema e eu me sentia realmente bem. Estacionei numa rua quase bucólica do Menino Deus e vi que ali perto um catador de papel puxava sua carrocinha sem pressa.

Era magro e alto, devia andar nas franjas dos 50 anos e tinha a pele luzidia de tão negra. Ao seu lado saltitava um menino de, calculei, uns quatro anos de idade, talvez menos. Devia ser o filho dele, porque o observava com um olhar quente de admiração, como se aquele homem fosse o seu herói… Bem. Ao menos foi o que julguei, certeza não podia ter.

Já ia me afastar quando, por entre as grades da cerca de uma creche próxima, voou um brinquedo de plástico. Um desses robôs cheios de luzes e vozes, que se transformam em nave espacial e prédio de apartamentos, adorado pelas crianças de hoje em dia. Algum garoto devia ter atirado o brinquedo para cima por engano, ou fora uma gracinha sem graça de um amigo.

O menino que era dono do brinquedo colou o rosto na grade como se fosse um presidiário, angustiado. O filho do catador de papel correu até a calçada, colheu o robô do chão e não vacilou um segundo: retornou faceiro para junto do pai, o brinquedo na mão, feito um troféu.. Olhei para o menino atrás da cerca. Estranhamente, ele não falou nada, não gritou, nem reclamou. Ficou apenas olhando seu brinquedo se afastar na mão do outro, os olhos muito arregalados, a boca aberta de aflição.
Muito orgulhoso, o filhinho do catador de papéis mostrou o brinquedo ao pai. O pai olhou. E fez parar a carrocinha. Largou-a encostada ao meio-fio. Levou a mão calosa à cabeça do filho. E se agachou até que os olhos de ambos ficassem no mesmo nível.

A essa altura, eu, estacado no canteiro da rua, não conseguia me mover. Queria ver o desfecho da cena. O pai começou a falar com o menino. Falava devagar, com o olhar grave, mas não parecia nervoso. Explicava algo com paciência e seriedade. O menino abaixou a cabeça, envergonhado, e o pai ergueu-lhe o queixo com os nós do dedo indicador. Falou mais uma ou duas frases, até que o filho balançou a cabeça em concordância.

A seguir, o menino saiu correndo em direção à creche. Parou na grade, em frente ao outro garoto. Esticou o braço. E, em silêncio, devolveu-lhe o brinquedo. Voltou correndo para o pai, que lhe enviou um sorriso e levantou a carrocinha outra vez. Seguiram em frente, o pai forcejando, o filho ao lado, agora não saltitante, mas pensativo, concentrado.

Então, tive certeza: aquele olhar com que o menino observara o pai era mesmo de admiração, ele era de fato o seu herói.

Texto publicado no jornal Zero Hora.

David Coimbra, jornalista

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* Internet, educação e ética.

sexta-feira, novembro 27th, 2009

A internet “sozinha” – ao contrário do que alguns apregoam – não faz com que as pessoas tenham um salto intelectual qualitativo:

Quando o email se popularizou vários acadêmicos deram entrevistas dizendo que era uma Era de Ouro da Palavra Escrita, as crianças escreveriam como nunca, teríamos milhares de novos autores, o ensino do idioma no colégio seria facilitado, etc.

Aí veio o miguxês.

As ferramentas são somente ferramentas, e dar poder às pessoas não necessariamente vai fazer com que elas adquiram responsabilidades. Às vezes, funciona. Outras vezes, no entanto – e, infelizmente, na maior parte das vezes -, as pessoas não mudam (talvez piorem), e utilizam mal o poder que lhes foi concedido.

Na verdade, nada substitui a educação, e “educação” não deve ser confundida meramente com “informação”. Hoje em dia temos muita informação. Qualquer criança “sabe” (= ter informação) muito mais coisa do que um adulto médio de algumas décadas atrás. Mas não sabe o que fazer com isso. Informação em demasia, sem desenvolver os processos intelectuais necessários para processá-la, e sem um senso moral apurado para saber o que fazer com ela, é um desastre.

A internet cria o “miguxês”, mas este não é o único problema dos nossos dias. O excesso de informação, dissociado de uma formação moral decente, cria as aberrações morais hodiernas. Pode-se clonar? Clone-se. Pode-se fertilizar artificialmente? Fertilize-se. Pode-se curar doenças destruindo embriões humanos? Destrua-se e cure-se. Pode-se abortar com segurança? Aborte-se. Et cetera, que esta lista é bem grande.

Na verdade, confunde-se o “pode-se” técnico com o “pode-se” moral. Não lembro quem diz uma frase parecida, mas já a escutei mais de uma vez: [p.s.: Fides et Ratio, 88] ter capacidade técnica de fazer algo não significa que este algo pode ser feito.

As crianças de hoje sabem, do ponto de vista informativo, muito mais do que os adultos de antigamente; mas até mesmo as crianças de antigamente sabiam “certo” e “errado” muito melhor do que alguns adultos dos nossos dias…

O progresso técnico desvinculado da moral é em grande parte responsável pela crise dos nossos dias. Isto obviamente não significa que somos contra o progresso técnico, da mesma forma que não somos contra a internet por causa da nova gramática “miguxa”. Mas somos, sim, contra a desvirtuação das ferramentas, e pregamos, sim, que haja ordem nas coisas. Afinal de contas, há usos mais nobres para a internet que o miguxês. E há usos mais nobres para a ciência que a degradação do ser humano. Os irresponsáveis defensores de uma ciência sem ética correspondem perfeitamente aos “miguxos” da internet, só que num plano mais elevado, mais sério, e mais desastroso.

Jorge Ferraz

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* Ateus lançam campanha para deixar filhos sem religião.

sábado, novembro 21st, 2009

Veja a notícia abaixo,quanta sabedoria!

Estou esperando que  lancem também a campanha de também deixar para seu filho,quando crescer,escolher seu colégio,sua comida e se deve ou não escovar os dentes diariamente,além de decidir se deve tomar banho.

Talvez antes disso os filhos criados com tanta precoce autonomia decidam colocar os pais para fora de casa.

***

Em janeiro de 2009 a British Humanist Association lançou uma campanha ateista em ônibus públicos de Londres. A idéia deu tão certo que várias organizações atéias fizeram o mesmo em outras partes do mundo.

Pois bem, agora a British Humanist Association lançou uma campanha.Trata-se de uma campanha para divulgar a idéia que não se deve converter crianças a nenhum culto religioso.

Os pais não devem obrigar suas crianças a seguir sua fé religiosa, essa seria uma escolha pessoal e só deveria ser feita pela criança quando ela fosse mais crescida e pudesse fazer a escolha por seguir alguma religião ou não por si mesma.

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* A ameaça da pornografia para as crianças

quarta-feira, outubro 28th, 2009

Proteger as crianças da exploração sexual é hoje prioridade para muitos governos e organizações privadas. Apesar disso, um recente informe denuncia que não se está fazendo o suficiente para tratar a ameaça que a pornografia dos adultos representa para as crianças.

“Morality in Media”, uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York, publicou em setembro um estudo intitulado: “How Adult Pornography Contributes To Sexual Exploitation of Children” (Como a pornografia adulta contribui para a exploração sexual das crianças).

Ali se sustenta que os organismos dos governos e as organizações privadas estão ignorando as consequências do que qualificam de “exploração” da pornografia adulta na internet e em outros lugares.

A pornografia adulta é uma ameaça para as crianças de diferentes formas, afirma o informe:

–Os delinquentes utilizam pornografia adulta para preparar suas vítimas.

–Para muitos delinquentes, há uma progressão desde ver pornografia adulta até ver pornografia infantil.

–Os homens atuam com as crianças prostituídas como como veem na pornografia adulta, e os aliciadores usam pornografia adulta para instruir as crianças prostituídas.

–As crianças imitam com outras crianças o comportamento que veem na pornografia adulta.

–O vício à pornografia de adultos destrói casamentos, e os filhos nos lares com um só progenitor correm mais risco de sofrer exploração sexual.

Preparação

O autor do informe, Robert Peters, presidente de “Morality in Media”, explica que há duas décadas, em sua pesquisa sobre casos judiciais, esbarrou com múltiplos exemplos de situações que implicam exploração sexual de crianças em que o acusado adulto havia mostrado ou dado pornografia de adultos à vítima menor como parte do processo de preparação.

Muitos debates têm-se centrado no tema de se a pornografia de adultos causa crimes sexuais, observa. Ainda que este assunto da causa direta ainda esteja em debate, Peters comenta que, segundo sua experiência, a utilização de pornografia de adultos por parte de depravadores para despertar e desensibilizar suas vítimas menores é de verdade uma forma como a pornografia de adultos contribui para causar dano.

Isso é mais que uma simples opinião pessoal. Um dos apêndices do informe contém mais de 100 páginas de recortes de notícias e casos judiciais que fazem referência a como os delinquentes mostraram ou deram pornografia a uma criança ou a forçaram a olhá-la.

O informe continua explicando que as pessoas que são viciadas em pornografia requerem classes mais explícitas e anômalas de material sexual conforme avança o tempo, de forma parecida a quem sofre de vício de drogas. Assim, com o tempo, há uma necessidade crescente de mais estímulo para alcançar o mesmo efeito inicial.

Peters também observa que há uma tendência cada vez maior a reproduzir sexualmente os comportamentos vistos na pornografia. Desta forma, os consumidores de pornografia não são meros consumidores passivos, mas tendem a levar à prática os comportamentos que veem.

Ameaça da mídia

Quanto às crianças, o informe explica que se uma criança entrasse em uma livraria adulta, ser-lhe-ia solicitado que saísse, posto que vai contra a lei de vender pornografia às crianças no mundo real.

Pelo contrário, se essa mesma criança está a ponto de entrar na maioria das páginas web comerciais que distribuem pornografia adulta, é possível que veja pornografia adulta gratuitamente e sem restrições. Supostamente, quando se trata de internet, os tribunais pensam que a utilização por parte dos pais de filtros é uma solução adequada para o problema, comenta o informe.

Os pais têm um papel primordial na hora de proteger as crianças do conteúdo danoso da internet, admite Peters. No entanto, a maioria das crianças pode ter acesso à internet fora de casa ou por meio de dispositivos móveis. Tudo que se necessita é que uma criança em um grupo de amigos tenha acesso sem restrições à internet para que todos tenham acesso, destaca o informe.

Peters também afirmava que em seus muitos anos de experiência um número significativo de aliciadores utiliza a pornografia não apenas para despertar e instruir suas vítimas, mas também para exercitar a si mesmos.

Uma das conclusões do informe é o pedido de que as Igrejas e outras instituições religiosas façam mais frente ao problema da pornografia de adultos.

Também os meios de comunicação e de entretenimento poderiam ajudar a apresentar a produção e o consumo de pornografia adulta como um problema real, em vez de uma questão sem nenhuma significação moral ou social.

Vida familiar

A observação do informe de que a pornografia fere a vida familiar e as crianças não é uma opinião ilhada. Da Austrália, o Sydney Morning Herald, em um artigo de 5 de março, falava do cenário de um marido viciado no pornô. O “catastrófico desajuste emocional que sofre” por este vício é um fato comum.

No ano passado, o telefone da assessoria Mensline Australia teve crescimento de 34% no volume de chamadas de homens que sentiam que a pornografia era um problema em sua relação, comentava o artigo.

A possibilidade de aceder à pornografia através de computadores e telefones tirou, por assim dizer, a barreira de entrada, quer dizer, a vergonha de visitar um sex shop para comprar uma revista ou um vídeo.

O artigo observava que também é um problema grave para as mulheres. “Há uma boa proporção de mulheres que vê o uso do pornô por seu parceiro como uma infidelidade”, afirmava o sociólogo Michael Flood. “Inclusive quando ele é honesto sobre isso, algumas mulheres consideram o uso do pornô como uma espécie de adultério”.

O nexo entre a multimilionária indústria do pornô e o apetite sexual converteu-se em algo como a relação entre as refeições extragrandes e a obesidade, sustentava a feminista Naomi Wolf em um artigo publicado a 4 de abril no Times.

“A onipresença das imagens sexuais não libera o poder de Eros, mas o diluem”, afirmava.

Um artigo publicado no jornal canadense Ottawa Citizen a 29 de maio dava mais evidências sobre as implicações disso para as crianças. Richard Poulin, professor de sociologia na Universidade de Ottawa, participou de uma conferência em Montreal intitulada: “Jovens, mídia e sexualidade”.

Ele observava que as agressões sexuais são cometidas agora por jovens. Ademais, uma pesquisa realizada entre estudantes da Universidade de Ottawa manifestou que a média de idade em que viram pela primeira vez pornografia era de 13 anos. Entre aqueles cujos pais tinham a pornografia em casa, a idade era menor, entre 10 e 11 anos.

Poulin também citava uma pesquisa que mostrava que um em cada cinco homens entre 22 e 23 anos admitia sentir-se atraído por meninas de 13 anos. “Esta não é uma tendência trivial”, indicava.

Ambiente sadio

Bento XVI abordava o tema da pornografia em seu discurso de 16 de abril de 2008 aos bispos norte-americanos, durante a visita aos EUA.

“As crianças têm direito a crescer com uma sadia compreensão da sexualidade e de seu justo papel nas relações humanas”, recomendava. “A elas se deveriam evitar as manifestações degradantes e a vulgar manipulação da sexualidade hoje tão preponderantes”.

As crianças têm o direito de ser educadas nos autênticos valores morais baseados na dignidade da pessoa humana, continuava o pontífice.

“Que significa falar da proteção das crianças quando em tantas casas se pode ver hoje pornografia e violência através dos meios de comunicação amplamente disponíveis?”, perguntava.

Ao tratar este problema, o Papa falava da necessidade urgente de determinar os valores que guiam a sociedade de hoje. Se de verdade quisermos cuidar dos jovens, todos temos de reconhecer nossa responsabilidade de promover e viver os valores morais autênticos, que permitam prosperar a todos, concluía.

Uma recordação oportuna do perigo de fechar os olhos ante um problema que se ignora com muita frequência.

Por padre John Flynn, L.C.

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- ‘Não existem fórmulas mágicas para educar”

domingo, setembro 20th, 2009

Para o estudioso, os pais precisam buscar equilíbrio entre o fazer demais para as crianças e o não fazer o suficiente

O historiador escocês Carl Honoré é defensor de uma vida na qual crianças sejam crianças, brincadeiras sejam brincadeiras e pais consigam, em vez de dar tantos acessos e atividades aos filhos, fornecer atenção e tempo a eles.

Em viagens a vários centros urbanos e na leitura das recentes pesquisas sobre desenvolvimento infantil, ele aponta os excessos e acertos das famílias. O resultado está no livro Sob Pressão, que será lançado no Brasil pela Editora Record.

A pesquisa para o livro mudou sua concepção sobre a educação?

Aprendi que não tem problema relaxar, dar um passo atrás e deixar as coisas acontecerem em vez de simplesmente pular etapas e forçar as crianças a um excesso de obrigações. É crucial que pais encontrem um equilíbrio porque crianças educadas sob pressão são menos criativas, mais entediadas e não aprendem com riscos e erros. Não sabem pensar por elas mesmas e não aprendem a olhar dentro delas e entender quem elas são, de tão ocupadas que estão. Elas nunca vão crescer.

O que dizer aos pais que acreditam que só assim estarão preparando seus filhos para o futuro?

Que o problema é ir longe demais. Estamos impondo a competição e a pressão do mundo adulto ao mundo infantil, o que é ruim para todo mundo. Não defendo uma vida livre de compromissos. Crianças precisam de estrutura, disciplina e rigor. E crianças precisam, mais do que tudo, de amor e atenção. Mas os pais precisam confiar nos seus instintos, escutar e observar as crianças. Filho não é projeto ou produto, é uma pessoa que será protagonista de sua própria vida.

Como promover essa mudança?

É preciso respirar fundo e desacelerar. Perder o medo de errar e tentar tirar do caminho nosso próprio ego, fobias, inseguranças, fantasias e ansiedades e colocar as crianças em primeiro lugar. A ironia é que crianças que crescem com menos pressão têm mais chance de se tornarem adultos saudáveis, felizes, mais criativos e bem sucedidos. É importante mostrar as evidências científicas para pais e professores tomarem decisões mais embasadas. Já existe um forte movimento que está buscando um equilíbrio para seus filhos.

Qual a reflexão que o senhor gostaria de deixar para os pais?

Acredito que em todo o mundo, pais e mães terminarão o livro com um suspiro de alívio. Minha intenção é inspirar pais e professores a relaxar e procurar um equilíbrio natural entre fazer demais para as crianças e não fazer o suficiente, a reconquistar a confiança neles mesmos para resistir às pressões da sociedade e encontrarem sua própria maneira de educar. Não existem fórmulas mágicas para educar filhos. Cada criança e cada família são únicas. O segredo é encontrar o que funciona melhor para cada um, sem seguir o que os outros estão fazendo.

Fonte: Estado de São Paulo

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- Reação:Pais venezuelanos se mobilizam para que não se elimine religião nas escolas

sábado, setembro 19th, 2009

A Coordenação Nacional de Educação Religiosa Escolar lançou uma campanha entre os pais de familia  venezuelanos para que exijam nas escolas às que assistem seus filhos, o ensino do curso de religião.

Ante o risco de que ao aplicar a nova Lei Orgânica de Educação se elimine esta disciplina, a Coordenação recorda que o ensino de religião é um direito contemplado na Constituição da República Bolivariana da Venezuela e a Lei Orgânica de Amparo ao Menino, Menina e Adolescente.

“Recordamos às autoridades educativas seu dever de garantir este direito para todos os estudantes cujas famílias o solicitem, evitando interpretações pessoais que entorpeçam esta atividade”, solicita a entidade.

Do mesmo modo, recorda que “como parte da sociedade civil, co-responsáveis também da tarefa educativa, colocamos à disposição dos docentes comprometidos com esta formosa provocação os conteúdos de classe, os métodos apropriados, o material didático e cursos bíblicos para que com sua iniciativa, criatividade, competência e entusiasmo possam responder a este direito de nossos estudantes e obter um melhor trabalho docente com o amor, a justiça e a paz de Deus em nossas salas de aula”.

Neste sentido, convida “às famílias venezuelanas a solicitarem nas escolas, com o apoio dos conselhos comunais, os coletivos internos da escola e outros atores comunitários, a educação religiosa para seus filhos e filhas de acordo às suas convicções e durante os 200 dias de aula, com a segurança de que o resgate e fortalecimento dos valores humanos e cristãos ajudarão de maneira decisiva na formação de melhores cidadãos e cidadãs para nosso país”.

“Assim o proclamou nosso Libertador Simón Bolívar muitíssimas vezes insistindo aos professores e até trocando o currículo para que os estudantes recebessem classes de religião como meio para superar as crises de valores, como quando proclamou que ‘sem a consciência da religião a moral carece de base’ (outubro de 1828) ou indicou aos professores de seu sobrinho Fernando que ‘a moral em máximas religiosas é um ensino que nenhum professor deve descuidar’”, conclui o comunicado.

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É possível acreditar em Darwin e em Deus?

sábado, setembro 12th, 2009

É possível acreditar em Darwin e em Deus, diz pesquisador

Em entrevista a  revista ÉPOCA, o professor de Oxford Alister McGrath afirma que a fé ajuda a explicar o que a ciência não consegue.


Alister McGrath e Richard Dawkins, autor do livro Deus, um delírio, têm trajetórias bastante parecidas. Ambos são cientistas de Oxford, estudiosos das ciências naturais e mostram-se abertos a novas formas de pensar, desde que as evidências o levem a isso. A diferença é que o raciocínio lógico levou Dawkins a pregar o ateísmo e McGrath a acolher a fé. Leia, nesta entrevista, como ele considera que a existência de Deus pode ajudar o conhecimento científico.

Quando você passou a acreditar em Deus?

Alister McGrath – Na juventude estive apaixonadamente persuadido pela veracidade e relevância do ateísmo. Quando fui para Oxford estudar química, comecei a refletir sobre se aquilo faria sentido. Mais tarde conheci Joanna (sua atual esposa) e percebi que a força dos argumentos que levam a Deus é mais satisfatória do que a que leva ao ateísmo.

Vocês e Richard Dawkins são amigos?

Não, somos apenas professores da mesma universidade. Nós estamos presentes em alguns congressos e nos encontramos. Somos cordiais. Mas não posso dizer que somos amigos. Nós nos conhecemos mais pelas publicações que um e outro produziu. E nossas divergências também aparecem no que escrevemos.

Você diz que Dawkins se tornou um fanático. Qual a sua suspeita?

A agressividade de Dawkins é reflexo de sua frustração. Ele passou a ser mais agressivo porque sabe que a religião está cada vez mais presente na vida das pessoas. Ele convoca seus leitores para militar contra a religião e rompe com sua própria argumentação. Seu único argumento é de que a religião não descobriu nenhum indício sobre a existência de qualquer realidade que não seja a natural. É por frustração que ele afirma que toda a religião é perniciosa e deve ser banida da sociedade.

Quais seus argumentos para acreditar que Deus existe?

Neste meu livro, eu realmente não dou argumentos para acreditar em Deus, mas rebato os de Dawkins. A forma como você acredita em Deus dá sentido ao mundo. Acreditar em Deus traz esperança e motivação para se manter vivo e se relacionar com as pessoas.

Você acredita na evolução?

Eu discordo de Dawkins em sua insistência de que a evolução biológica exclui Deus do processo. Não entendo como ele chegou a essa conclusão. Na minha opinião, as duas coisas são compatíveis.

As pessoas religiosas têm a moral mais desenvolvida que os ateus?

Não quero dizer que ateus são pessoas ruins. O que quero dizer é que acreditar em Deus dá habilidade e ferramentas para tratar melhor deste assunto.

Dawkins diz que é importante submeter a fé a um exame crítico. Você acredita nisso?

Sim, acho que isso é uma importante coisa a se fazer. Acredito que todo mundo deveria submeter suas crenças a um exame crítico. Sempre. A razão pela qual sou cristão é porque submeti minhas crenças e descobri que elas não ficavam em pé. Para mim, acreditar em Deus tem razões muito mais robustas.

Quando a ciência não pode explicar Deus?

Penso que a ciência é extremamente efetiva para explicar o mundo natural. Mas quando tenta explicar questões como valores ou significados, não acredito que ela consiga com êxito. Dawkins diz que a ciência pode explicar todas as coisas. Eu digo que acreditar em Deus ilumina partes da vida que a ciência não pode explicar. As duas podem trabalhar muito bem juntas.

Você votaria em um candidato ateu?

Eu não escolheria meu candidato considerando a religiosidade dele. Dawkins exagerou no preconceito. Eu não cultivo o preconceito que ele próprio tem. Há um grande preconceito dentro da universidade, especialmente contra cristãos.

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Bispos Uruguaios “reagem” e definem melhorias para a educação Católica

quinta-feira, setembro 10th, 2009
Bispos uruguaios definem critérios para escolher professores em colégios católicos

Os Bispos uruguaios estão difundindo nas distintas dioceses o documento “Critérios orientadores para a pastoral educativa no Uruguai”, um texto no que os prelados definem, entre outras coisas, os esboços para escolher os professores nos colégios católicos.

O documento, aprovado na Assembléia Plenária da Conferência Episcopal do Uruguai (CEU) de abril passado, causou tumulto na imprensa porque precisa que os homossexuais e os divorciados em nova união não deveriam trabalhar como professores em escolas da Igreja Católica

Na apresentação do texto, os bispos asseguram que “a escola católica está chamada a uma profunda renovação. Devemos resgatar a identidade católica de nossos centros educativos por meio de um impulso missionário valente e audaz, de modo de que chegue a ser uma opção profética plasmada em uma pastoral de educação participativa”.

“Tais projetos devem promover a formação integral da pessoa tendo seu fundamento em Cristo, com identidade eclesiástica e cultural, e com excelência acadêmica. Além disso, devem gerar solidariedade e caridade com os mais pobres. O acompanhamento dos processos educativos, a participação neles dos pais de familiae a formação de docentes, são tarefas prioritárias da pastoral educativa”, recordam.

Do mesmo modo, explicam que o documento “foi fruto do trabalho constante de nossa Conferência nos últimos anos, através do Departamento de Educação e deve ser compreendido no contexto do serviço pastoral que como Conferência desejamos oferecer neste campo de evangelização, e está dirigido aos centros formais de primeiro e segundo grau, quer dizer os colégios e liceus católicos de nosso país”.

Trata-se do primeiro documento que a Igreja Uruguaia realiza para as educações educativas.

***

No Brasil precisa acontecer a mesma reação.

Não sei como está em outros locais, mas aqui em Fortaleza muitos colégios Católicos fecharam suas portas e outros passam por graves dificuldades.

Penso que as Escolas Católicas começaram a morrer quando deixaram de atualizar a mensagem de Cristo para os alunos das novas gerações,paralelo ao esvaziamento de nossa cultura outrora permeada pelos valores do Catolicismo.

O assunto merece uma análise profunda,já que o fenômeno não não é restrito ao Brasil mas parece acontecer no mundo todo.

Tenho a graça de ter meus filhos em uma Escola Católica, o Colégio Shalom, um colégio confessional,católico, administrado pela Comunidade Shalom.

O tema é seríssimo pois atinge o futuro de nossa fé e a evangelização da cultura,chamada a refletir os valores do evangelho.

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Você é pai e/ou educador? leia esta carta !

quarta-feira, setembro 9th, 2009

Da Congregação para a Educação Católica aos presidentes de conferências episcopais

Publicamos a carta circular que a Congregação vaticana para a Educação Católica enviou aos presidentes das conferências episcopais sobre o ensino da religião católica na escola.

* * *


Eminência/Excelência Reverendíssima,

A natureza e o papel do ensino da religião na escola tornou-se objecto de debate e, nalguns casos, de novas legislações civis, que tendem a substituí-lo por um ensino do facto religioso de natureza multiconfessional ou de ética e cultura religiosa, mesmo contra as escolhas e direcção educativa que os pais e a Igreja procuram dar à formação das novas gerações.

Por isso, com a presente Carta Circular, destinada aos Presidentes das Conferências Episcopais, esta Congregação para a Educação Católica retém necessário recordar alguns princípios, que são aprofundados no ensinamento da Igreja, a clarificação e a norma acerca do papel da escola na formação católica das novas gerações; a natureza e a identidade da escola católica; o ensino da religião na escola; a liberdade de escolha da escola e do ensino religiosa confessional.

I. O papel da escola na formação católica das novas gerações

1. A educação apresenta-se hoje como uma tarefa complexa, desafiada pelas rápidas mudanças sociais, económicas e culturais. A sua missão específica permanece a formação integral da pessoa humana. Às crianças e aos jovem deve ser garantida a possibilidade de desenvolver harmoniosamente as próprias qualidades físicas, morais, intelectuais e espirituais. Os mesmos devem ser ajudados a adquirir um sentido mais perfeito da responsabilidade, a apreender o recto uso da liberdade e a participar activamente na vida social (cfr c. 795 Código de Direito Canónico [CIC]; c. 629 Código dos Cânones das Igrejas Orientais [CCEO]). Um ensino que desconhecesse ou marginalizasse a dimensão moral e religiosa da pessoa constituiria um obstáculo para uma educação completa, porque as “crianças e os adolescentes têm direito de serem estimulados a estimar rectamente os valores morais e a abraçá-los pessoalmente, bem como a conhecer e a amar Deus mais perfeitamente”. Por isso, o Concílio Vaticano II pediu e recomendou “a todos os que governam os povos ou orientam a educação, para que providenciem que a juventude nunca seja privada deste sagrado direito” (Declaração Gravissimum educationis [GE ],1).

2. Uma tal educação requer o contributo de vários sujeitos educativos. Os pais, porque transmitiram a vida aos filhos, são os primeiros e principais educadores (cfr GE 3;  João Paulo II, Exortação apostólica Familiaris consortio [FC], 22 de Novembro de 1981, 36; c. 793 CIC; c. 627 CCEO). Com a mesma razão, compete aos pais católicos cuidar da educação cristã dos seus filhos (c. 226 CIC; c. 627 CCEO). Nesta primordial tarefa os pais têm necessidade da ajuda subsidiária da sociedade civil e de outras instituições. Na verdade, “a família é a primeira, mas não a única e exclusiva comunidade educativa” (FC 40; cfr GE 3).

3. “Entre todos os meios de educação, tem especial importância a escola” (GEFC 40). Os pais católicos “confiem os filhos às escolas em que se ministre educação católica; se não o puderem fazer, têm obrigação de procurar que fora das escolas se proveja à devida educação católica dos mesmos” (c. 798 CIC). 5), que constitui o “principal auxílio aos pais para o desempenho do seu múnus de educar” (c. 796 §1 CIC), particularmente para favorecer a transmissão da cultura e a educação à vida com os outros. Nestes âmbitos, em concordância também com a legislação internacional e dos direitos do homem, “deve ser absolutamente assegurado o direito dos pais à escolha de uma educação conforme à sua fé religiosa” (

4. O Concílio Vaticano II recorda aos pais “o grave dever que lhes incumbe de tudo disporem, ou até exigirem”, para que os seus filhos possam receber uma educação moral e religiosa e “progredir harmonicamente na formação cristã e profana. Por isso, a Igreja louva aquelas autoridades e sociedades civis que, tendo em conta o pluralismo da sociedade actual e atendendo à justa liberdade religiosa, ajudam as famílias para que a educação dos filhos possa ser dada em todas as escolas segundo os princípios morais e religiosos das mesmas famílias” (GE 7).

Em síntese:

- A educação apresenta-se hoje como uma tarefa complexa, vasta e urgente. A complexidade actual arrisca-se a perder o essencial: a formação da pessoa humana na sua integralidade, em particular relativamente à dimensão religiosa e espiritual.

- A acção educativa, mesmo sendo realizada por vários sujeitos, tem nos pais os primeiros responsáveis da educação.

- Tal responsabilidade exerce-se também no direito de escolher a escola que garanta uma educação segundo os próprios princípios religiosos e morais.

II. Natureza e identidade da escola católica: direito a uma educação católica para as famílias e para os alunos. Subsidiariedade e colaboração educativa.

5. A escola tem um papel particular na educação e na formação. No serviço educativo escolar distinguiram-se e continuam a dedicar-se louvavelmente muitas comunidades e congregações religiosas. Todavia é toda a comunidade cristã e, em particular, o Ordinário diocesano que têm a responsabilidade de “tudo dispor para que todos os fiéis desfrutem da educação católica” (c. 794 §2 CIC) e, mais concretamente, “se não houver escolas onde se ministre educação imbuída de espírito cristão, compete ao Bispo diocesano procurar que se fundem” (c. 802 CIC; cfr c. 635 CCEO).

6. Uma escola católica caracteriza-se pelo vínculo institucional que mantém com a hierarquia da Igreja, a qual garante que o ensino e a educação sejam fundados sobre princípios da fé católica e ensinados por professores que se distinguem pela recta doutrina e pela probidade de vida (cfr c. 803 CIC; cc. 632 e 639 CCEO). Nestes centros educativos, abertos a todos aqueles que partilhem e respeitem o projecto educativo, deve-se viver um ambiente escolar imbuído do espírito evangélico de liberdade e caridade, que favoreça um desenvolvimento harmónico da personalidade de cada um. Neste ambiente é ordenada toda da cultura humana à mensagem da salvação, de modo que o conhecimento do mundo, da vida e do homem, que os alunos gradualmente adquirem, seja iluminado pelo Evangelho (cfr GE 8; c. 634 §1 CCEO).

7. Deste modo, está assegurado o direito das famílias e dos alunos a uma educação autenticamente católica e, ao mesmo tempo, se atinja os outros fins culturais e de formação humana e académica dos jovens, que são próprios de qualquer escola (cfr c. 634 §3 CCEO; c. 806 §2 CIC).

8. Mesmo sabendo o quanto seja hoje problemático, é desejável que, para a formação da pessoa, exista uma grande sintonia educativa entre a escola e a família, a fim de evitar tensões ou fracturas no projecto educativo. É então necessário que exista uma estreita e activa colaboração entre os pais, professores e directores das escolas, e é oportuno favorecer os instrumentos de participação dos pais na vida escolar através de associações, reuniões, etc. (cfr. c. 796 §2 CIC; c. 639 CCEO).

9. A liberdade dos pais, das associações e instituições intermédias e da própria hierarquia da Igreja em promover escolas com identidade católica constituem um exercício do princípio de subsidiariedade. Este princípio exclui “o monopólio do ensino, que vai contra os direitos inatos da pessoa humana, contra o progresso e divulgação da própria cultura, contra o convívio pacífico dos cidadãos e contra o pluralismo que vigora em muitíssimas sociedades de hoje” (GE 6).

Em síntese:

- A escola católica é verdadeiro e próprio sujeito eclesial em razão da sua acção escolar em que se baseiam harmonicamente a fé, a cultura e a vida.

- Essa está aberta a todos aqueles que desejam partilhar o projecto educativo inspirado dos princípios cristãos.

- A escola católica é expressão da comunidade eclesial e a sua catolicidade é garantida pelas competentes autoridades (o Ordinário do lugar).

- Assegura a liberdade de escolha dos pais e é expressão do pluralismo escolar.

- O princípio de subsidiariedade regula a colaboração entre a família e as várias instituições dedicadas à educação.

III. O ensino da religião nas escolas

a) Natureza e finalidade

10. O ensino da religião na escola constitui uma exigência da concepção antropológica aberta à dimensão transcendental do ser humano: é um aspecto do direito à educação (cfr c. 799 CIC). Sem esta disciplina, os alunos estariam privados de um elemento essencial para a sua formação e desenvolvimento pessoal, que os ajuda a atingir uma harmonia vital entre a fé e a cultura. A formação moral e a educação religiosa favorecem também o desenvolvimento da responsabilidade pessoal e social e demais virtudes cívicas, e constituem então um relevante contributo para o bem comum da sociedade.

11. Neste sector, numa sociedade pluralista, o direito à liberdade religiosa exige a garantia da presença do ensino da religião na escola e a garantia que tal ensino seja conforme às convicções dos pais. O Concílio Vaticano II recorda: “[Aos pais] cabe o direito de determinar o método de formação religiosa a dar aos filhos, segundo as próprias convicções religiosas. (…) Violam-se os direitos dos pais quando os filhos são obrigados a frequentar aulas que não correspondem às convicções religiosas dos pais, ou quando se impõe um tipo único de educação, do qual se exclui totalmente a formação religiosa” (Declaração Dignitatis humanae [DH] 5; cfr c. 799 CIC; Santa Sé, Carta dos direitos da família, 24 de Novembro de 1983, art. 5, c-d). Esta afirmação encontra correspondência na Declaração universal dos direitos do homem (art. 26) e em tantas outras declarações e convenções da comunidade internacional.

12. A marginalização do ensino da religião na escola equivale, pelo menos em prática, a assumir uma posição ideológica que pode induzir ao erro ou produzir um prejuízo para os alunos. Além disso, poder-se-ia também criar confusão ou gerar um relativismo ou indiferentismo religioso se o ensino da religião estivesse limitado a uma exposição das várias religiões de modo comparativo e “neutro”. A propósito, João Paulo II explicava: “A questão da educação católica compreende (…) o ensino religioso no âmbito mais alargado da escola, seja ela católica ou do estado. A tal ensino têm direito as famílias dos crentes, que devem ter a garantia que a escola pública – exactamente porque aberta a todos – não só não ponha em perigo a fé dos seus filhos, mas antes complete, com adequado ensino religioso, a sua formação integral. Este princípio está enquadrado no conceito de liberdade religiosa e do Estado verdadeiramente democrático que, enquanto tal, isto é no respeito da sua profunda e verdadeira natureza, se coloca ao serviço dos cidadãos, de todos os cidadãos, no respeito dos seus direitos e da suas convicções religiosas” (Discurso aos Cardeais e aos colaboradores da Cúria Romana, 28 de Junho de 1984).

13. Com estes pressupostos, compreende-se que o ensino da religião católica tem a sua especificidade na relação com as outras matérias escolares. Na verdade, como explica o Concílio Vaticano II: “ a autoridade civil, que tem como fim próprio olhar pelo bem comum temporal, deve, sim, reconhecer e favorecer a vida religiosa dos cidadãos, mas excede os seus limites quando presume dirigir ou impedir os actos religiosos” (DH 3). Por estes motivos compete à Igreja estabelecer os conteúdos autênticos do ensino da religião católica na escola, que garanta diante dos pais e dos próprios alunos a autenticidade do ensino que se transmite como católico.

14. A Igreja reconhece esta tarefa como o seu ratione materiae e reivindica-o como sua própria competência, independentemente da natureza da escola (estatal ou não estatal, católica ou não católica) em que é ensinada. Por isso, “está sujeita à autoridade da Igreja (…) a instrução e a educação religiosa católica que se ministra em quaisquer escolas (…); compete à Conferência episcopal estabelecer normas gerais de acção nesta matéria, e ao Bispo diocesano regulamentá-la e vigiar sobre ela” (c. 804 §1 CIC; cfr também, c. 636 CCEO).

b) O ensino da religião na escola católica

15. O ensino da religião na escola católica identifica o seu projecto educativo: De facto, “o carácter próprio e a profunda razão de ser das escolas católicas, aquilo por que os pais católicos as devem preferir é precisamente a qualidade de o ensino religioso ser integrado na educação dos alunos” ( João Paulo II, Exortação apostólica Catechesi tradendae, 16 de Outubro de 1979, 69).

16. Nas escolas católicas também deve ser respeitada, como noutros lugares, a liberdade religiosa dos alunos não católicos e dos seus pais. Evidentemente, isso não impede o direito-dever da Igreja “de ensinar e testemunhar publicamente, por palavra e por escrito a sua fé”, tendo em conta que “na difusão da fé religiosa e na introdução de novas práticas, deve sempre evitar-se todo o modo de agir que tenha visos de coacção, persuasão desonesta ou simplesmente menos leal” (DH 4).

c) Ensino da religião católica sob o perfil cultural e relação com a catequese

17. O ensino escolar da religião enquadra-se na missão evangelizadora da Igreja. É diferente e complementar da catequese na paróquia e de outras actividades, tais como a educação cristã familiar ou as iniciativas de formação permanente dos fiéis. Além do âmbito em que cada uma é ensinada, são diferentes as finalidades que se estabelecem: a catequese propõe-se promover a adesão pessoal a Cristo e o amadurecimento da vida cristã nos seus vários aspectos (Cfr Congregação para o Clero, Directório geral para a catequese [DGC], 15 de Agosto 1997, nn 80-87); o ensino escolar da religião transmite aos alunos os conhecimentos sobre a identidade do cristianismo e da vida cristã. Além disso, o Papa Bento XVI, falando aos professores de religião, indicou a exigência de “ampliar os espaços da nossa racionalidade, reabri-la às grandes questões da verdade e do bem, unir entre si a teologia, a filosofia e as ciências, no pleno respeito pelos seus próprios métodos e pela sua autonomia recíproca, mas também na consciência da unidade intrínseca que as conserva unidas. A dimensão religiosa, com efeito, é intrínseca ao facto cultural, contribui para a formação global da pessoa e permite transformar o conhecimento em sabedoria de vida”. Para tal fim contribui o ensinamento da religião católica, com o qual “a escola e a sociedade se enriquecem de verdadeiros laboratórios de cultura e de humanidade, nos quais, decifrando a contribuição do cristianismo, habilita-se a pessoa a descobrir o bem e a crescer na responsabilidade, a procurar o confronto e a apurar o sentido crítico, a inspirar-se nos dons do passado para compreender melhor o presente e projectar-se conscientemente para o futuro” (Discurso aos professores de religião, 25 de Abril de 2009).

18. A especificidade deste ensinamento não diminui a sua própria natureza de disciplina escolar; antes pelo contrário, a manutenção daquele status é uma condição de eficácia: “É necessário, portanto, que o ensino religioso escolar se mostre como uma disciplina escolar, com a mesma exigência de sistema e rigor que requerem as demais disciplinas. Deve apresentar a mensagem e o evento cristão com a mesma seriedade e profundidade com a qual as demais disciplinas apresentam seus ensinamentos. Junto a estas, todavia, o ensino religioso escolar não se situa como algo acessório, mas sim no âmbito de um necessário diálogo interdisciplinar” (DGC 73).

Em síntese:

- A liberdade religiosa é o fundamento e a garantia da presença do ensino da religião no espaço público escolar.

- Uma concepção antropológica aberta à dimensão transcendental é a sua condição cultural.

- Na escola católica o ensino da religião é característica irrenunciável do projecto educativo.

- O ensino da religião é diferente e complementar da catequese; por ser ensino escolar não requer a adesão de fé, mas transmite os conhecimentos sobre a identidade do cristianismo e da vida cristã. Além disso, ele enriquece a Igreja e a humanidade com laboratórios de cultura e humanidade.

IV. A liberdade educativa, liberdade religiosa e educação católica

19. Concluindo, o direito à educação e a liberdade religiosa dos pais e dos alunos exercem-se concretamente através de:

a) a liberdade de escolha da escola.“Os pais, cujo primeiro e inalienável dever e direito é educar os filhos, devem gozar de verdadeira liberdade na escolha da escola. Por isso, o poder público, a quem pertence proteger e defender as liberdades dos cidadãos, deve cuidar, segundo a justiça distributiva, que sejam concedidos subsídios públicos de tal modo que os pais possam escolher, segundo a própria consciência, com toda a liberdade, as escolas para os seus filhos” (GE 6; cfr DH 5; c. 797 CIC; c. 627 §3 CCEO).

b) A liberdade de receber, nos centros escolares, um ensino religioso confessional que integre a própria tradição religiosa na formação cultural e académica própria da escola. “Os fiéis esforcem-se por que na sociedade civil as leis orientadoras da formação da juventude provejam também à educação religiosa e moral nas próprias escolas, de acordo com a consciência dos pais” (c. 799 CIC; cfr GE 7, DH 5). De facto, está sujeita à autoridade da Igreja a instrução e educação religiosa católica que vem ensinada em qualquer escola (cfr c. 804 §1 CIC; c. 636 CCEO).

20. A Igreja está consciente que em muitos lugares, agora como em tempos passados, a liberdade religiosa não é totalmente realizada, nas leis e na prática (cfr DH13). Nestas condições, a Igreja faz o possível para oferecer aos fiéis a formação de que precisam (cfr GE 7; c. 798 CIC; c. 637 CCEO). Ao mesmo tempo, de acordo com a própria missão (cfr Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, 76), não deixa de denunciar a injustiça que acontece quando os alunos católicos e as suas famílias são privados dos próprios direitos educativos e é ferida a sua liberdade religiosa, e exorta todos os fiéis a empenhar-se para que tais direitos sejam realizados (cfr c. 799 CIC).

Esta Congregação para a Educação Católica está convencida que os princípios acima recordados podem contribuir para encontrar uma cada vez maior consonância entre a tarefa educativa, que é parte integrante da missão da Igreja, e a aspiração das Nações no desenvolvimento de uma sociedade justa e respeitosa da dignidade de cada homem.

Da sua parte a Igreja, exercendo a diakonia da verdade no meio da humanidade, oferece a cada geração a revelação de Deus da qual se pode apreender a verdade última sobre a vida e sobre o fim da história. Esta tarefa que não é fácil num mundo secularizado, habitado pela fragmentação do conhecimento e pela confusão moral, compromete toda a comunidade cristã e constitui um desafio para os educadores. Sustenta-nos, no entanto, a certeza – como afirma Bento XVI– que “as nobres finalidades […] da educação, fundadas sobre a unidade da verdade e sobre o serviço à pessoa e à comunidade, tornam-se um instrumento de esperança poderoso e especial” (Discurso aos educadores católicos, 17 de Abril de 2008).

Pedimos a Vossa Eminência /Excelência de dar a conhecer a quantos estão interessados no serviço e missão educativa da Igreja os conteúdos da presenteCarta Circular.

Agradecendo-Lhe pela cordial atenção e na comunhão de oração a Maria, Mãe e Mestra dos educadores, aproveitamos a ocasião para apresentar os nossos sinceros e cordiais cumprimentos e despedirmo-nos com sentimentos de particular veneração

de Vossa Eminência/Excelência Reverendíssima
devotamente no Senhor

Zenon Card. GROCHOLEWSKI,
Prefeito

Jean-Louis BRUGUÈS, O.P.,

Secretário

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