Artigo da ‘Bioética’ Categoria

* Fecundação assistida aumenta risco de morte dos fetos, revela pesquisa na Dinamarca.

quinta-feira, março 4th, 2010

Um estudo realizado no Hospital da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, revelou que os fetos que são fruto de reprodução assistida têm um risco quatro vezes maior de nascerem mortos que os que são concebidos de forma natural.

Os resultados do estudo foram publicados recentemente na revista da Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia Humana Human Reproduction.

A pesquisa analisou mais de 20.000 gravidezes e obteve como resultado que de cada mil mulheres que concebem de maneira assistida, com métodos como IVF (fecundação in vitro) e ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides) 16,2 dão à luz um bebê morto, enquanto que no mesmo número de mulheres que não utilizam esses métodos, o risco se reduz a 3,7.

Diante dos resultados, a diretora desta pesquisa, Kirsten Wisborg, disse que quem se submete a tais tratamentos “não tem de se preocupar”, devido a que “isso não necessariamente indica que o aumento do risco de morte fetal seja explicado pela infertilidade e pode ser mais devido a outros fatores como a tecnologia com a qual se aplicam o IVF e o ICSI, ou algumas diferenças fisiológicas nos casais que se submetem a esses tratamentos”.

ZENIT consultou o ginecologista espanhol Esteban Rodríguez Martín, membro da plataforma Ginecologistas pelo Direito a Viver (DAV), que assegurou que sempre a fecundação assistida “supõe um alto custo de vidas humanas”.

“Este novo trabalho de pesquisa demonstra que a ineficiência (dos métodos de reprodução assistida) não só aumenta a morte de embriões nos tubos de ensaio e nos congeladores, mas também aumenta a morte de crianças em fase final”, diz o médico.

Rodríguez assinalou a importância de que “os casais estejam informados dos riscos que as técnicas de transferência e produção artificial de embriões implicam para seus filhos”.

Amostra

A pesquisa levou em conta 20.166 mulheres grávidas, das quais 82% tinham concebido de maneira natural e 10% conceberam um ano depois da primeira tentativa. Entre o restante, 4% havia concebido com tratamento de IVF e ICSI e 4% com outras formas de tratamento.

Nessa amostra, todas as mulheres estavam grávidas pela primeira vez e esperavam apenas um filho. De cada uma se tomou um registro de sua história obstétrica, em que se analisaram fatores como o tempo que levou engravidar-se, os tratamentos utilizados e a idade.

Também se tiveram em conta alguns hábitos como tabagismo, consumo de álcool e café durante a gravidez, o estado civil, nível de educação e seu estado psicológico.

O estudo concluiu que as mulheres que mostraram menos risco de ter um bebê morto ao nascer foram as que tinham concebido de maneira natural, sem nenhum tipo de tratamento. Entre as que conceberam de forma espontânea em um lapso de 12 meses, o risco foi de 3,7 para cada 1.000, e nas que tardaram mais de um ano para conceber de forma espontânea, o risco foi de 5,4 por 1.000.

Para o doutor Esteban Rodríguez, a fecundação assistida está “derivando para a mercantilização da vida humana”.

“A indústria da produção embrionária, valendo-se de um sentimentalismo superficial e do sofrimento por não ter descendência de milhares de casais em todo o mundo desenvolvido, obstinado em atrasar e planejar artificialmente ao máximo a maternidade, coisifica os embriões, dando-lhes um trato indigno do ser humano”, denunciou.

“Congelamentos, experimentos, seleções eugenésicas, inclusive transferências a casais de mulheres unidas por vínculos afetivos homossexuais são alguns exemplos desta mercantilização e coisificação deste lucrativo negócio em que se converteu o tratamento da infertilidade”, concluiu o ginecologista.

Zenit

* O absurdo destino dos embriões congelados.

terça-feira, março 2nd, 2010
Entrevista com o professor de direito Brian Scarnecchia - Por Andrea Kirk Assaf

João Paulo II pediu aos técnicos da fertilidade que deixassem de criá-los. Donum Vitae, publicada em 1997 pela Congregação para a Doutrina da Fé, falou do “absurdo destino” ao qual haviam sido condenados. O programa Baby Snowflake, lançado em 1997, facilitou sua adoção ou “resgate”.

Hoje, existem ao redor de 400.000 embriões humanos criados através da fertilização in vitro, com suas vidas suspensas em recipientes de nitrogênio líquido, aos que o falecido presidente da Pontifícia Academia para a Vida, doutor Jerôme Lejeune, chamava de “latas de concentração”.

Dado que o pedido da Igreja Católica de não criar este dilema bioética foi desatendido por muitas companhias biofarmacêuticas, o Vaticano se vê agora obrigado a fazer um juízo moral sobre centenas de milhares de vidas congeladas.

Brian Scarnecchia, presidente do International Solidarity and Human Rights Institute e professor de Direito da Ave Maria Law School, proferiu recentemente uma conferência sobre este cada vez mais complexo assunto, no Conselho Pontifício “Justiça e Paz”.

Nesta entrevista, o professor explicou as complexas questões morais implicadas no debate sobre o destino dos embriões congelados.

–Como chegou a ser convidado a falar sobre embriões congelados no Vaticano?

–Scarnecchia: Estive aqui no Fórum de Roma, num congresso de organizações não governamentais católicas, patrocinado pela Secretaria de Estado do Vaticano e vários dicastérios. Eles tinham previsto um plano de estudos que incluía conferências sobre economia, desenvolvimento, direitos humanos e bioética. Eu ia apresentar duas conferências para o Fórum de Roma sobre os direitos humanos fundamentais.

A secretária do Fórum de Roma, a doutora Fermina Alvarez, pediu-me que apresentasse uma conferência no Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, no Palácio São Calixto, e também convidou a participar diferentes pessoas que trabalham com Congregações e Pontifícios Conselhos do Vaticano reunidas nesse palácio. Assim, quando me dei conta que estaria falando principalmente a pessoas que já trabalham com a Santa Sé, quis investigar e obter informação sobre um tema no qual há questões doutrinais ainda em consideração.

–Está tudo ainda sujeito a debate, dado que a questão ainda não foi fechada pela Congregação para a Doutrina da Fé?

–Scarnecchia: Não, certamente não – desde o momento em que a Donum Vitae foi apresentada em 1987, condenou-se o congelamento de embriões humanos, condenou-se a fertilização in vitro, e a maternidade sub-rogada foi declarada ilícita e condenada. Pode-se pensar que aquilo teria resolvido o problema, mas, naturalmente, não se abordavam todas as questões.

Por exemplo, a Donum Vitae dirigia-se principalmente à chegada de um ser humano através de uma concepção que não foi o fruto de um ato de amor conjugal entre um esposo e uma esposa, mas que se produziu in vitro, isto é, em uma placa de Petri de vidro. Esse procedimento foi claramente condenado, como também o congelamento de embriões “extra” ou “sobrantes”.

No entanto, criaram-se milhares de embriões congelados, e a pergunta que parte de muitas pessoas bem intencionadas é se uma mulher, diferente da mãe, pode levar um embrião congelado transplantado em seu seio sem se converter em uma mãe sub-rogada.

Alguns especialistas em bioética fiéis ao Magistério, e que não são dissidentes em absoluto, que estavam preocupados com o destino destes embriões congelados, argumentaram que o resgate ou a adoção de um embrião congelado não é maternidade sub-rogada. Uma sub-rogação, segundo este argumento, seria o caso de alguém que, por amor ou por dinheiro, toma um embrião em seu ventre com a intenção de dá-lo a outro – “estou fazendo por minha irmã, estou fazendo por minha filha, eu faço por 20.000 dólares”. Uma mulher não se converte em mãe substituta, argumentaram, se ela não tinha a intenção de dar o filho depois do nascimento, mas de adotá-lo.

Este enfoque foi criticado porque implicaria o colapso dos motivos no ato moral. Bioéticos críticos com a adoção de embriões se opuseram e disseram que mais importante que a motivação pessoal é o ato moral, que eles entendem que é o ato de ficar grávida de uma criança de outra pessoa.

Estes especialistas em bioética argumentaram que se a transferência de um embrião congelado no ventre de uma mulher era sub-rogação em si, seria intrinsecamente mau e não poderia fazer-se sob nenhum bom motivo, nem sequer para salvar a vida do embrião congelado.

–Houve alguma resolução sobre esse debate na Igreja?

–Scarnecchia: Bem, esse debate continuou durante 20 anos, entre 1987-2008. Então, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a Dignitas Personae. Em seu parágrafo 19, oferecia uma resolução deste debate. Minha fala voltava-se onde Dignitas Personae o havia deixado e sobre o que não completava ainda.

O parágrafo 19 diz que quem é geneticamente estranha ao embrião, quem através da transferência heteróloga de embriões fica grávida de uma criança que geneticamente não é sua, participa de ato similar à fecundação in vitro heteróloga e/ou aluguel de ventre, e portanto não era um ato lícito. Assim, não é lícito adotar um embrião para aumentar o tamanho de sua família.

Nos Estados Unidos, existe o Programa Baby Snowflake, promovido pelo National Right to Life, como uma alternativa à pesquisa destrutiva destes embriões. Certamente, este era um movimento bem intencionado. Nesse momento, entre a Donum Vitae e a Dignitas Personae, os católicos podiam, em boa consciência, depois de pesar ambos lados do debate, adotar um embrião congelado. Após a publicação de Dignitas Personae, esta não parece ser uma opção que um católico possa realizar de boa fé.

Alguns especialistas em bioética que se opuseram à transferência heteróloga de embriões disseram que seria equivalente a um adultério tecnológico, que o fato de uma mulher ficar grávida com o filho de outro casal violaria o bem unitivo do matrimônio.

–Que questões ficaram sem resolver nesses dois documentos?

–Scarnecchia: Certos casos de “resgate” altruísta de embriões congelados. No paráfrago 19, afirma-se que, apesar da nobre intenção de salvar sua vida, resgatar os embriões congelados não seria muito diferente da fecundação in vitro heteróloga (que combina os gametas dos cônjuges) e a sub-rogação.

Minha fala foi sobre a situação de uma mãe que se arrepende do pecado da fertilização in vitro e quer recuperar seus próprios embriões congelados. Quando me foi pedido que assessorasse sobre esta questão no caso legal Evans v. UK, pendente do Tribunal Europeu de Direitos Humanos desde 2006, minha resposta foi que a mãe genética poderia resgatar seus próprios embriões congelados, sem se converter em uma sub-rogação e, assim, os membros católicos do Parlamento Europeu poderiam advogar por este resultado, em boa fé. Não esqueçamos que já nos anos 90 o doutor Jerôme Lejeune testificou ante tribunal que a mãe genética tem o dever de adotar medidas razoáveis para salvar ser “filhos pequenos” congelados nas “latas de concentração”.

Creio que o princípio que sublinha a objeção da Donum Vitae contra a fertilização in vitro é o caráter relacional da pessoa humana e, em particular, o dom de si que os esposos se prometem e que têm o dever de cumprir. Esta entrega mútua dos pais tem três fases. Em primeiro lugar, a mútua entrega está concedida e garantida na fase genética, quando os cônjuges, com alegria e livremente, entregam-se um ao outro em um ato de intimidade conjugal, que continua através da concepção natural: toda criança tem direito de ser concebida junto ao coração de sua mãe, à raiz de um ato livre de mútua entrega dos cônjuges. A segunda fase da entrega dos pais produz-se entre a concepção e o nascimento. Pode ser denominada fase de gestação: toda criança tem direito de ser criada no seio de sua mãe. E a fase final é a da formação: cada criança, depois do nascimento, tem direito de ser criada por seus pais até seu amadurecimento.

Em meu livro de próxima publicação, Bioética, Direito e Pensamento Social Católico (Scarecrow Press, 2010), argumento que quando a mãe genética toma seu embrião congelado de novo em seu seio, através da transferência homóloga do embrião, esse ato afirma o direito da criança à paternidade gestacional junto ao coração de sua mãe. Por outro lado, se um estranho genético faz isso, a criança sofre uma segunda violação de seus direitos através da transferência heteróloga de embriões, que a Dignitas Personae deixa claro que é análoga à fecundação in vitro heteróloga e a sub-rogação.

Outros especialistas em bioética sustentam pelo contrário que se cada concepção deve ser o resultado de um ato conjugal entre marido e mulher, como a Donum Vitae afirma,

então cada gravidez também deve surgir de um ato de união conjugal entre os esposos. Portanto, se a mãe genética fica grávida através de atos técnicos, eles argumentam que esta transferência do embrião homóloga suporia uma segunda violação dos direitos do embrião, e que a mãe, paradoxalmente, converter-se-ia em uma mãe sub-rogada de seu próprio filho. Parece-me que se, por analogia, uma gravidez ectópica tubárica se poderia resolver com êxito transferindo o embrião de seu lugar de implantação nas trompas de Falópio de sua mãe ao útero de sua mãe, poucos objetariam que a criança sofreria violação de seus direitos se sua vida se salvasse através de uma gravidez uterina iniciada por terceiros através de um ato de transferência embrionária homóloga.

Isso, a licitude da transferência homóloga do embrião, segue aberto e constitui uma lacuna importante que a Congregação para a Doutrina da Fé tem de abordar e resolver de uma maneira ou outra.

Zenit

* Imperdível! Discurso do Papa à Pontifícia Academia para a Vida.

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010
Queridos Irmãos Bispos e sacerdotes,
Ilustres m
embros Da Pontifícia Academia Para a Vida,
Gentis Senhoras e Senhores!

Tenho o prazer de acolhê-los e saudá-los cordialmente por ocasião da Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, chamada a refletir sobre as questões atinentes à relação entre a bioética e a lei moral natural, que se tornam cada vez mais relevantes no contexto atual, devido à evolução constante em tal âmbito científico. Dirijo uma saudação especial ao presidente desta Academia, Dom Rino Fisichella, agradecendo-lhe as amáveis palavras que me dirigiu em nome dos presentes. Desejo, também, estender o meu agradecimento pessoal a cada um de vós, pelo precioso e insubstituível compromisso que desempenham em favor da vida, nos mais diferentes contextos.

As problemáticas que giram em torno do tema da bioética permitem verificar que as questões subjacentes colocam em primeiro plano a questão antropológica. Como afirmo em minha última Carta Encíclica Caritas in veritate: “Um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas que impõem a escolha entre estas duas concepções: a da razão aberta à transcendência ou a da razão fechada na imanência” (n. 74).

Mediante questões similares, que afetam de modo tão crucial a vida humana na sua perene tensão entre imanência e transcendência, e que têm grande relevância para a cultura das futuras gerações, é necessário dar forma a um projeto pedagógico integral, que permita lidar com estas questões a partir de uma visão positiva, equilibrada e construtiva, sobretudo na relação entre a fé e a razão.

As próprias questões de bioética, muitas vezes, colocam em primeiro plano um chamado à dignidade da pessoa, um princípio fundamental que a fé em Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado sempre defendeu, sobretudo quando não é considerada em relação aos sujeitos mais simples e indefesos: Deus ama cada ser humano de modo único e profundo. Também a bioética, como qualquer outra disciplina, necessita de um direcionamento capaz de garantir uma leitura coerente das questões éticas que, inevitavelmente, surgem diante dos eventuais conflitos de interpretação. Neste espaço é que se abre o chamado à lei moral natural. O reconhecimento da dignidade humana, de fato, enquanto direito inalienável, encontra seu primeiro fundamento naquela lei que não é escrita por mãos humanas, mas escrita por Deus Criador no coração humano, a que todo sistema jurídico é chamado a reconhecer como inviolável e a que toda a pessoa humana é obrigada a respeitar e promover (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1954-1960). Sem esse princípio fundador da dignidade humana, seria difícil encontrar uma fonte para os direitos da pessoa e impossível alcançar um juízo ético diante das conquistas da ciência, que intervêm diretamente na vida humana.

É necessário, portanto, repetir com firmeza que não existe uma compreensão da dignidade humana ligada apenas aos elementos exteriores, como o progresso da ciência, a gradualidade na formação da vida humana ou o sentimento de piedade fácil diante de situações extremas. Quando se invoca o respeito pela dignidade da pessoa, é essencial que ele seja pleno,  total e irrestrito, baseado no reconhecimento de que sempre se está diante de uma vida humana. É claro, a vida humana conhece um desenvolvimento próprio e o horizonte de investigações da ciência e da bioética está aberto, mas devemos reiterar que, quando se trata de questões relativas ao ser humano, os cientistas não podem mais pensar ter em suas mãos apenas uma matéria inanimada e manipulável. De fato, desde o primeiro momento, a vida do homem é caracterizada por ser vida humana e, por isso, sempre traz consigo, em toda parte e apesar de tudo, sua dignidade própria (cf. Congregação para a Doutrina fé, Instrução Dignitas personae, sobre algumas questões de bioética, n. 5). Ao contrário, estamos sempre na presença do perigo de um uso instrumental da ciência, com a consequência inevitável de cair facilmente na arbitrariedade, na discriminação e no interesse econômico do mais forte.

Conjugar a bioética e a lei moral natural nos permite verificar melhor o necessário e inevitável chamamento à dignidade que a vida humana possui, desde a concepção até o seu fim natural. Ao invés disso, no contexto moderno, ao mesmo tempo que emerge sempre com mais insistência o justo reconhecimento dos direitos que garantem a dignidade da pessoa, se percebe que nem sempre tais direitos são reconhecidos para a vida humana em seu desenvolvimento natural e nos estágios de maior debilidade. Tal contradição torna claro o compromisso em assumir, nas diferentes esferas da sociedade e da cultura, a defesa de que a vida humana seja sempre reconhecida como direito inalienável e nunca como objeto sujeito à arbitrariedade do mais forte.

A história mostrou o quanto pode ser perigoso e danoso um Estato que legisle sobre questões que afetem o indivíduo e a sociedade, pretendendo ser ele mesmo fonte e princípio da ética. Sem o princípio universal que permite verificar um denominador comum para toda a humanidade, o risco de que daí derive um relativismo em nível legislativo não deve ser subestimado (cf. Catecismo Igreja Católica, n. 1959). A lei moral natural, forte em seu próprio caráter universal, permite evitar tal perigo e , sobretudo, oferece ao legislador a garantia para um autêntico respeito, seja da pessoa, seja de toda a ordem de coisas criadas. Tal lei se apresenta como fonte catalisadora de um consenso entre pessoas de diferentes culturas e religiões, permite ir além das diferenças, porque afirma a existência de uma ordem impressa pelo Criador na natureza e é reconhecida como uma instância de verdadeiro juízo ético racional para se perseguir o bem e evitar o mal. A lei moral natural “pertence ao grande patrimônio da sabedoria humana, que a Revelação, com sua luz, ajudou a purificar e desenvolver ulteriormente” (cf. João Paulo II, Discurso à Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de fevereiro de 2004).

Ilustres Membros da Pontifícia Academia para a Vida, no contexto atual o vosso empenho se torna cada vez mais delicado e difícil, mas a crescente sensibilidade no que diz respeito à vida humana encoraja a continuar com sempre maior ímpeto e coragem neste importante serviço à vida e à educação nos valores evangélicos das gerações futuras. Desejo que todos vós continueis o estudo e a pesquisa, para que a obra de promoção e defesa da vida seja sempre mais eficaz e fecunda. Acompanho-vos com a Bênção Apostólica, que, com prazer, estendo a todos quanto dividem convosco esta tarefa cotidiana.

* Avanço de cientistas norte-americanos poderá tornar obsoleta a pesquisa em células estaminais embrionárias.

terça-feira, fevereiro 9th, 2010

Recentemente alguns cientistas fizeram uma grande descoberta usando o processo conhecido como reprogramação direta que torna ainda mais obsoletas as pesquisas com células-tronco embrionárias. Pesquisadores da Universidade Stanford School of Medicine em Palo Alto, no estado da Califórnia nos EUA, conseguiram transformar células da pele de um rato diretamente em células nervosas funcionais.

Com a aplicação de apenas três genes, as novas células fazem a mudança sem primeiro se tornar um tipo de células-tronco pluripotentes – como uma célula-tronco embrionária. Esse é um passo que há muito se considerava necessário para que as células adquiriram novas identidades.

“Nós induzimos ativa e diretamente um tipo de célula para torná-la um tipo de célula completamente diferente”, afirmou o Dr. Marius Wernig, MD, professor adjunto de patologia e um membro do instituto de Stanford para Biologia de Células estaminais e Medicina Regenerativa. “Esses neurônios são totalmente funcionais. Podem fazer todas as principais coisas que os neurônios no cérebro fazem.”, afirmou.

O Dr. David Prentice, um ex-professor de biologia da Universidade Estadual de Indiana agora associado com o Family Research Council, conversou com a agência dedicada à causa pró-vida“LifeNews.com” sobre a descoberta. Na entrevista ele afirma que “este é um avanço impressionante na capacidade de transformar as células em tecidos funcionais desejados”.

Ademais o Dr. Prentice assinalou que “células pluripotentes como as células-tronco embrionárias são difíceis de controlar, e há problemas de tumores para obter o tipo de célula final desejado, bem como os problemas éticos da destruição dos embriões humanos para obter as células pluripotentes”. “Com esta técnica de reprogramação direta indo diretamente de uma célula da pele à uma célula especializada do funcionamento do nervo, o processo evita a problemática intermédia e vai direto ao tipo de célula necessária. Eventualmente determinando as misturas corretas, qualquer célula disponível poderia ser transformada em outra célula”, disse ele à agência LifeNews.com. “Estes resultados são emocionantes.”, concluiu.

O Bioeticista Wesley J. Smith também teve coisas boas a dizer sobre o progresso ético. “Observe – este não é um sucesso de células-tronco adultas. É a programação direta de um tipo de célula diretamente em outro”, adverte. “Ainda há muito trabalho a ser feito antes que seja demonstrado que a técnica pode ser usada no trabalho clínico humano, alguns cientistas manifestam dúvidas, mas é um grande passo adiante. Boa ética produz boa ciência”, escreveu em seu blog Secondhand Smoke.

O Artigo original em inglês está em: http://www.lifenews.com/bio3043.html

* Estudo de cientistas norte-americanos poderia tornar obsoleta a pesquisa em células estaminais embrionárias.

domingo, fevereiro 7th, 2010

Recentemente alguns cientistas fizeram uma grande descoberta usando o processo conhecido como reprogramação directa que torna ainda mais obsoletas as pesquisas com células-tronco embrionárias. Pesquisadores da Universidade Stanford School of Medicine em Palo Alto, no estado da Califórnia nos EUA, conseguiram transformar células da pele de um rato directamente em células nervosas funcionais.

Com a aplicação de apenas três genes, as novas células fazem a mudança sem primeiro se tornar um tipo de células-tronco pluripotentes – como uma célula-tronco embrionária. Esse é um passo que há muito se considerava necessário para que as células adquirissem novas identidades.

“Induzimos ativa e diretamente um tipo de célula para torná-la um tipo de célula completamente diferente”, afirmou o Dr. Marius Wernig, MD, professor adjunto de patologia e um membro do instituto de Stanford para Biologia de Células Estaminais e Medicina Regenerativa. “Esses neurónios são totalmente funcionais. Podem fazer todas as principais coisas que os neurónios no cérebro fazem.”, afirmou.

O Dr. David Prentice, um ex-professor de biologia da Universidade Estadual de Indiana agora associado com o Family Research Council, conversou com a agência dedicada à causa pró-vida “LifeNews.com” sobre a descoberta. Na entrevista ele afirma que “este é um avanço impressionante na capacidade de transformar as células em tecidos funcionais desejados”.

O Dr. Prentice assinalou ainda que “células pluripotentes como as células-tronco embrionárias são difíceis de controlar, e há problemas de tumores para obter o tipo de célula final desejado, bem como os problemas éticos da destruição dos embriões humanos para obter as células pluripotentes”. LifeNews.com. “Estes resultados são emocionantes.”, concluiu. “Com esta técnica de reprogramação direta indo diretamente de uma célula da pele à uma célula especializada do funcionamento do nervo, o processo evita a problemática intermédia e vai directo ao tipo de célula necessária. Eventualmente determinando as misturas correctas, qualquer célula disponível poderia ser transformada em outra célula”, disse ele à agência

O Bioético, Wesley J. Smith, também teve coisas positivas a dizer sobre o progresso ético. “Observe – este não é um sucesso de células-tronco adultas. É a programação direta de um tipo de célula diretamente em outro”, adverte. “Ainda há muito trabalho a ser feito antes que seja demonstrado que a técnica pode ser usada no trabalho clínico humano, alguns cientistas manifestam dúvidas, mas é um grande passo em frente. Boa ética produz boa ciência”, escreveu no seu blog Secondhand Smoke.

O Artigo original em inglês está em: http://www.lifenews.com/bio3043.html

* Congregação para a Doutrina da Fé apresenta documento sobre questões de bioética.

domingo, janeiro 24th, 2010

Com o objetivo de atualizar a Donum vitae (1987), a Congregação Pontifícia para a Doutrina da Fé apresentou a instrução Dignitas personae sobre algumas questões de bioética.

Com 33 páginas e publicada em inglês, francês, alemão, italiano, espanhol, português e polonês, a instrução é fruto de um estudo que teve início em 2002 pela Congregação para a Doutrina da Fé.“

O documento, aprovado pelo papa, faz parte do Magistério ordinário do sucessor de Pedro e é de natureza doutrinal”, explica o secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo Luis Francisco Ladaria.

“A instrução motiva a investigação biomédica que respeita a dignidade de todos os seres humanos e da procriação. Ao mesmo tempo, exclui como eticamente ilícitas diversas tecnologias biomédicas”, acrescenta.

Já o presidente da Pontifícia Academia para a vida, dom Rino Fisichella, disse que o documento expressa a “própria contribuição autorizada na formação da consciência não somente dos que crêem, mas dos que tratam de escutar as argumentações que se apresentam e debatê-las”.

A professora associada de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, Maria Luisa Di Pietro, disse que antes de examinar as questões que o documento apresenta como as técnicas de ajuda à fertilidade, a fecundação in vitro, o congelamento de embriões, “é necessário recordar os três bens fundamentais sobre o que rege cada uma dessas decisões: o reconhecimento da dignidade da pessoa humana desde a concepção até a morte natural; a unidade do matrimônio; os valores especificamente humanos da sexualidade”.

Já o presidente emérito da Pontifícia Academia para a Vida, dom Elio Sgreccia, acrescentou que o documento apresenta as novas propostas terapêuticas que compreendem a manipulação do embrião ou do patrimônio genético humano.

CNBB

* Humane Vitae..O mundo rejeitou, mas se confirma profecia do Papa Paulo VI.

terça-feira, janeiro 19th, 2010
As profecias do Papa Paulo VI  na Encíclica Humanae Vitae, sobre os métodos contraceptivos e a regulação da natalidade, foram ignoradas por católicos e governantes; hoje pagamos por esta negligência.

Quem o ressalta é o Pe. Thomas Euteneuer, Presidente do Human Life International.

O primeiro ponto que nota Pe. Euteneuer é que a contracepção leva à infidelidade conjugal.

“Não é difícil de perceber, certo? Quando você separa os filhos do ato conjugal não há nada naquele ato que o caracterize, realmente, como conjugal. Fornicação (pré-matrimonial) e adultério (extra-matrimonial) tiveram sua explosão com a massiva prática da contracepção”. E, com efeito, foi justamente isso que Paulo VI, em sua Encíclica, no número 9, traçou: o amor dos esposos é fiel e exclusivo na medida em que é também fecundo, ensina o Papa; isso ocorre pelo fato notório de que o filho é o dom mais excelente do matrimônio e também aquilo que mais une os esposos, dado que o filho os faz realmente uma só carne: é no filho, carne una originidade da união dos esposos, que se cumpre o que é dito em Gênesis 2,24, sobre homem e mulher formarem uma só carne.

A profecia de Paulo VI sobre a infidelidade que decorreria da contracepção é clara:

Considerem, antes de mais, o caminho amplo e fácil que tais métodos abririam à infïdelidade conjugal e à degradação da moralidade. Não é preciso ter muita experiência para conhecer a fraqueza humana e para compreender que os homens – os jovens especialmente, tão vulneráveis neste ponto – precisam de estímulo para serem féis à lei moral e não se lhes deve proporcionar qualquer meio fácil para eles eludirem a sua observância” (n.17).

Ora, e não é justamente isso que acontece hoje? Quantos divórcios, quantos adultérios! Quanta traição entre esposos (e namorados que fornicam diariamente também)! Retirar o filho do ato conjugal é retirar seu sentido mais profundo e, com isso, destruir a fidelidade que uniria os esposos.

Mas, prossegue o Pe. Euteneuer, Paulo VI previu ainda, como visto acima, a “degradação da moralidade”. Profetizou o sábio Pontífice:

É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada” (idem).

Alguém duvida que isto aconteça? Não é exatamente o que vemos hoje: a mulher transformada num mero instrumento de prazer egoísta por um cafajeste? A mulher desrespeitada, mal-amada e não mais vista como companheira? E eu diria mais: a recíproca é verdadeira! As mulheres também vão transformando os homens nisso. A degradação moral hodierna é dos dois lados. E que grande responsabilidade tem sobre isso o uso de contracpetivos: retirando do ato sexual seu sentido mais profundo, o filho, os corpos dos esposos perdem sua união e se tornam, um para o outro, objetos de prazer para uso egoístico. E o Papa Paulo VI previu isso! Alguém duvida que aconteça? Alguém não vê que é exatamente o que acontece? Nós não demos atenção ao Papa, e hoje pagamos justamente o preço que ele previu que pagaríamos: uma degradação moral generalizada, semelhante (ou pior) àquela que toda civilização experimentou antes de sua queda completa.

Paulo VI disse que a contracepção levaria os homens a cessarem seu respeito pelas mulheres em sua totalidade e os provocaria a tratá-las mais como ‘meros instrumentos de prazer egoísta’ do que como esposas amadas. Esta profecia vingou de forma mais clara tempos depois na pornografia, o mais lucrativo negócio no mundo moderno. Toda a indústria pornográfica é especialmente dedicada ao ‘divertimento egoísta’ do homem“, comenta o Pe. Euteneuer.

Profetizou, ainda, o Papa Paulo VI que os contraceptivos seriam poderosos instrumentos nas mãos de governos totalitários:

Pense-se ainda seriamente na arma perigosa que se viria a pôr nas mãos de autoridades públicas, pouco preocupadas com exigências morais. Quem poderia reprovar a um governo o fato de ele aplicar à solução dos problemas da coletividade aquilo que viesse a ser reconhecido como lícito aos cônjuges para a solução de um problema familiar? Quem impediria os governantes de favorecerem e até mesmo de imporem às suas populações, se o julgassem necessário, o método de contracepção que eles reputassem mais eficaz? Deste modo, os homens, querendo evitar dificuldades individuais, familiares, ou sociais, que se verificam na observância da lei divina, acabariam por deixar à mercê da intervenção das autoridades públicas o setor mais pessoal e mais reservado da intimidade conjugal“.

Que visão teve Paulo VI! Alguém pensou na China e sua política do filho único – e morte aos outros – durante a leitura desse trecho? Alguém pensou nas constantes ingerências dos Governos deste mundo em prol da legalização do aborto – esse crime hediondo – como meio de regulação da natalidade? Ou o “aborto como questão de saúde pública”, segundo o Governo Lula?

O Santo Padre afirmou que a aceitação massiva da contracepção pelos casais levaria a sua imposição por governos inescrupulosos. Ele predisse, em outras palavras, que a contracpeção passaria de ‘uma escolha pessoal’ para arma de destruição em massa, e como tragicamente esta profecia se cumpriu nos controles populacionais e nos programas de esterilização forçada, nas cotas de redução da fertilidade e na promoção do aborto literalmente em todo o mundo!“, comenta o Pe. Euteneuer.
Paulo VI previu tudo! E nós o ignoramos.

Que penas caem sobre o mundo hoje? Degradação moral total, infidelidade conjugal, totalitarismo e ingerência de governos maldosos sobre as famílias, aborto. E a crise econômica, que, como Bento XVI muito bem salientou em sua Encíclica Caritas in Veritate, tem parcela de sua origem na redução da natalidade.

E aí? Continuaremos do mesmo jeito?
Sinceramente, lendo a Humanae Vitae e observando a situação atual, eu acho que precisamos mudar. E já.

Fonte: http://stjohnsvaldosta.blogspot.com/2008/06/prophecies-we-ignored.html

* Papa: Lei natural se aplica a todos, crentes ou não crentes.

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

PAPA DIZ QUE LEI MORAL SOBRE BIOÉTICA VALE TAMBÉM PARA OS NÃO CATÓLICOS.

O papa Bento XVI afirmou hoje que a lei moral natural, em que a Igreja Católica se baseia para fundar suas convicções em matéria de bioética, não vale exclusivamente aos católicos, mas a todos, inclusive àqueles que não professam uma fé.

Em discurso feito para a Assembleia Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, o Pontífice ressaltou que esta lei moral “está inscrita no coração de todos os homens” e é “acessível a qualquer criatura racional”.
Isto vale, segundo o líder católico, para temas “delicados e atuais” referentes à reprodução humana e às novas propostas terapêuticas, que “incluem a manipulação do embrião e do patrimônio genético humano”.

“A lei moral natural constitui assim a base para entrar em diálogo com todos os homens que buscam a verdade e, de forma geral, com a sociedade civil e secular”, enfatizou o Papa no discurso proferido hoje.

O Vaticano se opõe a tratamentos artificiais de gravidez e às pesquisas sobre tratamentos médicos que incluem o uso de células-tronco retiradas de embriões.

Fonte: ANSA

Formando personalidades cristãs maduras à luz da Verdade,a serviço da Igreja e dos homens de boa vontade.
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