Artigo da ‘Bioética’ Categoria

* Células-tronco. Suas dúvidas, incertezas e riscos.

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

O Globo

A geneticista Mayana Zatz, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), é uma das maiores especialistas do país em célulastronco. Nesta entrevista, ela fala sobre o futuro da tecnologia e os riscos do uso disseminado.

EXPERIÊNCIAS EM CURSO: “Estamos trabalhando em modelos animais com células-tronco adultas.

Comparamos diferentes célulastronco, diferentes vias de acesso, diversas coisas. Há muitas perguntas ainda a serem respondidas: por exemplo, se a injeção sistêmica é melhor que a local, se damos uma injeção ou várias, qual o melhor horário, onde as células vão parar, se elas se diferenciam somente no tecido que se quer ou em outros. Os resultados finais são demorados, mas os preliminares estão nos ensinando muito. O importante é que não estamos parados, olhando, estamos caminhando.”

PROBLEMAS: “Se quero que a célula-tronco vire músculo e ela vira osso, não adianta nada. Essa questão da diferenciação é algo que estamos estudando. Por que não é só a questão de virar tumor. Se não se desenvolver no tecido que queremos também é um problema.”

USO COSMÉTICO: “Acho uma loucura as pessoas injetarem célulastronco no rosto para preenchimento de rugas. Quem garante que a célula vai parar por ali? Como ela vai saber que é só pra preencher a ruga? E se ela continuar se proliferando e virar uma bola? Um uso desse pode causar mais estrago do que ajudar. Acho que tem futuro, mas ainda é muito prematuro. Com tudo o que eu sei sobre célula-tronco, hoje eu não injetaria em mim de jeito nenhum.”

PANACEIA: “Há ainda muita coisa não regulamentada. Acho importante que o uso de célula-tronco seja regulamentado e controlado. Hoje, célula-tronco virou uma palavra mágica, as pessoas querem para qualquer coisa: de calvície a doenças gravíssimas. Célulatronco não é panaceia para tudo. É importante para a medicina regenerativa, mas alguns problemas não vão ser curados.”

GRUPOS CHINESES: “Outro aspecto importante (da autorização para o primeiro teste com células embrionárias em humanos) é que enquanto os grupos sérios não começarem a fazer testes, os chineses vão continuar atraindo muita gente.

Recebo dezenas de emails e telefonemas de pessoas diariamente dizendo que estão indo para lá e, por mais que eu diga que não, não há alternativa, as pessoas querem se agarrar a qualquer esperança. Os chineses não publicam nada em revistas internacionais, só em chinesas, ninguém sabe dizer o que estão injetando nas pessoas, e só mostram resultados de pacientes que dizem que melhoraram. Tampouco se sabe dizer se melhoraram pelo efeito placebo, por qualquer outra coisa ou, simplesmente, se o sujeito é pago para falar aquilo.”

CÉLULAS REPROGRAMADAS: “Acho que as células reprogramadas são boas para pesquisa, mas não tão boas para tratamento. Costumo comparar com tecido. É diferente você usar um tecido virgem para fazer uma saia, ou desmanchar uma calça para usar o pano. O tecido guarda as marcas. É a mesma coisa com as células, elas guardam a memória de onde foram tiradas. E outra coisa: quando pega uma célula embrionária e a direciona para um determinado tipo de tecido, você está indo a favor da natureza, fazendo o que ela faz. Na reprogramada, é o contrário, você faz uma diferenciada voltar atrás.”

OTIMISMO: “Mas acho que é uma notícia otimista (do teste com seres humanos), que as coisas estão começando, que a nossa batalha toda aqui para aprovar as pesquisas com células embrionárias humanas não foi em vão. Se der certo lá fora, rapidamente conseguiremos implantar isso aqui no Brasil também. Para isso, é importante que tenhamos conseguido fazer as pesquisas com células embrionárias, que tenhamos obtido a permissão.”

* Bispos europeus criticam lei que “protegeria animais mas não os embriões humanos”.

quarta-feira, setembro 1st, 2010

A Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE) criticou duramente um projeto da diretiva da União Européia que busca proteger os animais em investigações científicas, mas que deixaria desprotegidos e totalmente disponíveis para experimentar com eles aos embriões humanos.

Em um comunicado dado a conhecer pelo L’Osservatore Romano, os prelados da Europa assinalam que “as experiências realizadas a partir de células estaminais embrionárias humanas não devem ser considerados uma alternativa às experiências com animais. Existe o perigo de cancelar a diferença entre animal e ser humano”.

Os bispos, que elogiaram o projeto para defender aos animais, expressam entretanto sua total oposição a que os embriões humanos fiquem desprotegidos e sejam usados para experiências científicas: “para defender aos animais, o texto atual estabelece que, quando for possível, será necessário usar um método ou uma estratégia de experimentação cientificamente satisfatória que não implique o uso de animais vivos. Esta fórmula muito geral permitiria, por exemplo, introduzir experimentos que utilizem células estaminais embrionárias humanas”.

“Como conseqüência –advertem os bispos– alguns estados membros europeus, que não têm uma legislação explícita sobre as células estaminais embrionárias humanas, poderiam ver-se constrangidos, em base a esta legislação, a aplicar métodos que utilizem tais células mesmo se este uso for muito controvertido desde o ponto de vista ético”.

Pelas razões expostas, os bispos da COMECE solicitam à UE “excluir explicitamente métodos alternativos de experimentação nos quais se implique o uso de células embrionárias e fetais humanas, respeitando assim a competência dos estados membros no que diz respeito às próprias decisões éticas”.

Finalmente os prelados pedem um debate honesto e aberto sobre as alternativas científicas “assim como sobre o assunto ético fundamental, que é a de saber se nossa sociedade prefere destruir e instrumentalizar embriões humanos para reduzir o número de experiências científicas com animais”.

* Espanha: 25.000 casais armazenam células-tronco de seus filhos no exterior .

sexta-feira, agosto 27th, 2010

Jaime Prat  – El País (Espanha)

O número de cordões umbilicais de recém-nascidos espanhois que se armazenam em bancos privados do exterior disparou de forma vertiginosa em pouco mais de um ano. Se, em outubro de 2007, havia 10 mil casais que haviam decidido extrair o sangue do cordão de seus filhos, rica emcéluas tronco, para conservá-lo fora da Espanha, atualmente a cifra total é de 25 mil.

“Inclusive, pode ser que esteja perto dos 30 mil”, indica Guillermo Muñoz, diretor-geral da Crio-Cord, uma das principais empresas que se dedica a esse negócio na Espanha. “No ano passado, recolhemos 60% a mais de amostras do que no ano anterior e, no banco de Bruxelas, já guardamos 16 mil unidades”. “Há um claro incremente de demanda”, comenta Ángel Alvarez, presidente e fundador da Vida-Cord, companhia que trabalha em Nottingham e em Varsóvia, onde abriga seis mil amostras.

Pouco importa que as aplicações médicas atuais sejam muito remotas para o uso próprio ou que, em 2006, se permitisse a criação de bancos privados na Espanha, isso sim, com a condição de que o sangue armazenado fique à disposição de qualquer pessoa que o necessite. Nenhum desses dois aspectos impediu que cada vez mais pais pusessem as esperanças de cura de eventuais doenças de seus filhos – mediante técnicas ainda a ser desenvolvidas – nessas células tronco congeladas. Assim, essa opção se converteu em uma suposição que cada vez tem mais adeptos e custa de 1,3 mil a dois mil euros – entre a extração, o translado, o processado e a conservação durante 20 anos. Toda a legislação atual surgiu após se conhecer que o cordão de Infanta Leonor havia sido guardado no exterior.

Não existem registros oficiais sobre os envios a outros países, e, por isso, a informação de referência é a oferecida pelos bancos privados. No entanto, o diretor da Organização Nacional de Transplante (ONT) da Espanha,Rafael Matesanz,  não põe em dúvida sua veracidade: “Não parece exagerado esse número”.

As quase 30 mil unidades assumem mais peso comparadas com as 34.048 que os bancos públicos autônomos conservam, um número ao qual quase alcança. E ainda se destacam mais frente às escassas 600 que existem no único banco privado que funciona na Espanha, que a Vida-CordAlcalá de Henares, desde abril de 2007.

Qual a razão da pouca expressividade que o banco privado nacional tem frente aos estrangeiros? Para Ángel Alvarez, responsável por essas instalações, a resposta é simples. A lei obriga que, nessas instalações, as células-tronco estejam à disposição de qualquer paciente que delas necessite por meio do Registro Espanhol de Doadores de Medula Óssea (Redmo). “Deve-se doá-las, se for o caso, e frente a essa possibilidade, as pessoas preferem mandá-las para fora, para garantir um uso privado, de forma que, indiretamente, beneficia-se quem menos contribui, que são os bancos estrangeiros”. administra, em

Alvarez está convencido de que, se não se forçasse os bancos privados espanhóis a compartilhar as amostras, mas que isso fosse voluntário, o número de clientes seria três vezes maior. Outras empresas, como a Crio-Cord, contam com autorização para colocar em marcha um centro privado nacional, mas não o fez. “Para quê? Os pais não querem deixá-las aqui, preferem mandá-las para fora e assegurar-se de que só eles poderão usá-las”, indica Guillermo Muñoz.

Rafael Matesanz não se preocupa com essa fuga de cordões, já que “não existe evidência científica de que, quanto mais amostras se recolham, melhor”. O objetivo da ONT é ter um número suficiente nos bancos públicos para cobrir ao máximo as necessidades da população espanhola, e essa cifra ideal está nas 60 mil unidades. No ritmo atual de doação (seis mil anuais), em 2013 já se terá alcançado.

O responsável da ONT lembra que, hoje, as células-tronco são usadas para tratar de duas dezenas de doenças, quase todas leucemias. E frente aos “quatro casos” demonstrados em todo o mundo nos quais o autotransplante (sangue próprio de banco privado) foi eficaz, fizeram-se outro oito mil transplantes de bancos alogênicos (sangue doado por outros). Apesar de que haja pesquisadores diferentes, “nenhuma sociedade científica recomenda guardar os cordões para uso próprio”, indica Matesanz. “Outra coisa é respeitar a liberdade de quem queira fazer isso. A lei permite”.

Um negócio de meias verdades

“A publicidade está sendo muito agressiva. Vendem-se falsas expectativas e remédios que não existem”. Essa contundente crítica à forma de atuar de alguns bancos privados que operam na Espanha não vem da administração da saúde, como se poderia pensar, mas das próprias empresas. Nesse caso, é Smart-Cells – mesmo que essa opinião seja compartilhada por outras como Vida-Cord ou Crio-Cord –, que censura as práticas comerciais pouco ortodoxas de algumas das empresas da concorrência.

No calor da forte demanda existente, cada vez mais são aqueles que se sentem atraídos por se introduzir em um mercado em pleno crescimento. “Nós fomos os primeiros em 2005, e agora já existe mais de uma dúzia de empresas que se dedicam a isso na Espanha. É uma loucura”, afirma Sara Vayrada, da Smart-Cells. É por isso que a disputa por clientes leva algumas companhias a se exceder.

Para enfrentar essa situação, a ONT desenvolveu medidas dirigidas para depurar a informação recolhida nas propagandas e nas páginas da Internet dos bancos privados. Cada vez são menos os que vendem o remédio para o Alzheimer ou o câncer. Mas seguem existindo muitas imprecisões, como mostram as atas da última reunião de controle dessa matéria da ONT, realizada em dezembro. Nelas, se recolhe que existem empresas que “não mencionam que, na Espanha, existam bancos públicos”, ou “não dizem em que país está o banco”. Também não faltam folhetos em que “a tabela de aplicações terapêuticas não está de acordo com a realidade” ou que oferecem “informação de valor científico nulo”. “Da informação oferecida, pode-se chegar a acreditar que se está comprando um seguro de vida”, assinala Matesanz, “e não é assim”.

* EUA: Juiz restringe verba para células-tronco de embrião nos EUA.

terça-feira, agosto 24th, 2010

Folha de São Paulo

Um tribunal distrital dos EUA emitiu, ontem (23), uma liminar que impede financiamento federal para pesquisas com células-tronco embrionárias.

A decisão representa um revés para o governo do presidente Barack Obama, que flexibilizou as regras sobre esses estudos como uma de suas primeiras medidas.

A liminar é resultado de um processo de junho deste ano, patrocinado por pesquisadores e alguns grupos cristãos que se opõem à pesquisa com embriões.

Eles argumentam que a política dos Institutos Nacionais de Saúde viola as leis americanas e reduz os financiamentos para pesquisadores que queiram trabalhar com células-tronco adultas.

O juiz do caso, Royce Lamberth, afirma que concedeu a liminar porque o processo tinha grandes chances de sucesso. Ele entendeu que a pesquisa desrespeita a lei que proíbe o uso de financiamento federal para destruir embriões humanos.

“A pesquisa [com células-tronco embrionárias] é claramente um estudo onde o embrião é destruído”, escreveu Lamberth em seu parecer.

A lei em questão é a chamada emenda Dickey-Wicker, que o Congresso acrescenta à legislação do orçamento todo ano. Ela bane o uso de qualquer financiamento federal para destruir embriões humanos.

Vários pesquisadores da área protestaram contra a decisão do juiz, alegando que não conseguirão tornar real a promessa terapêutica das células embrionárias, que podem dar origem a todos os tecidos do corpo.

Embora os cientistas financiados com verbas privadas possam pesquisar livremente, a decisão deve ter um grande impacto, pois o financiamento federal é muito significativo em estágios tão básicos de pesquisa.

A Casa Branca, o Departamento de Estado e os institutos de saúde ainda não comentaram a decisão.

A administração Obama pode recorrer da liminar ou mesmo tentar alterar a lei.

* A Igreja é contra o progresso da bioética?

segunda-feira, agosto 23rd, 2010
Por Pe. Gonzalo Miranda L.C.*

Dignitas personae vinte anos após Donum vitae.

A ciência e a técnica prosseguem em seu avanço, que nem sempre e necessariamente comporta um avanço em termos humanos. O Magistério da Igreja analisa sempre com interesse as novas descobertas, invenções e aplicações tecnológicas; analisa-as de um ponto de vista ético, no horizonte do respeito e da promoção da dignidade da pessoa humana, cada ser humano em si.

Em 1987, a Congregação para a Doutrina da Fé publicou a instrução intitulada “O respeito pela vida humana nascente e a dignidade da procriação”. Nesta, apresentava a posição do Magistério católico universal sobre as problemáticas éticas ligadas à aplicação das técnicas de reprodução assistida, então aplicadas em grande escala e com recurso de métodos de fecundação extra-corpórea há apenas dez anos.

Em dezembro de 2008, a mesma Congregação apresentou uma nova instrução, desta vez de título “Instruções sobre algumas questões de bioética”. Apesar da amplitude sugerida por este título, a temática é essencialmente a mesma da Donum vitae.

O novo texto se apresenta com um caráter de atualização, aprofundamento e esclarecimento. Atualização porque, no curso destes vinte anos, muitas novidades surgiram no âmbito da reprodução artificial e assuntos correlatos.

Algumas destas inovações já eram anunciadas nos anos oitenta, outras apenas mais tarde. Pense na crioconservação de embriões humanos, com todos os problemas éticos, psicológicos e sociais implicados. Pense nas tecnologias de diagnóstico pré-natal e na possível eliminação de embriões indesejados. Pense nas propostas de clonagem “terapêutica” ou ainda de congelar os ovócitos ou fazer diagnósticos nos próprios embriões. Um longo etcétera.

No que se refere aos valores em jogo, aos bens a serem protegidos e aos princípios éticos que podem iluminar o uso das novas tecnologias, não era preciso abrir novos caminhos.

Convinha, porém, afrontar explicitamente estas novas fronteiras. O Magistério da Igreja pretende ser dinâmico, propor a luz da razão e da fé para amparar os católicos e todos aqueles que se dispõem a ouvi-lo nos meandros antigos e novos, e frequentemente tortuosos, que se apresentam a nós.

O trabalho de aprofundamento é sempre incompleto. É sempre possível – e com frequência conveniente – ir além. Também neste sentido, o Magistério nos ampara e ilumina. A nova Instrução nos propõe uma avaliação mais articulada do status ontológico do embrião humano, com base nos ensinamentos anteriores, de cunho predominantemente ético. Trata-se, como sabemos, do ponto central e também do punctum dolens, de todas as disputas e posições referentes ao que a técnica é capaz de fazer com os embriões: desde sua produção até sua destruição, passando por sua seleção e manipulação. A iluminação teológica do problema, proposta na primeira parte, enriquece toda nossa compreensão da dignidade inviolável do ser humano que se encontra – como todos nós já nos encontramos um dia – nos primeiros momentos de sua existência e desenvolvimento.

Muitos esperavam por um serviço de esclarecimento sobre esta série de problemas éticos, sobre os quais ainda não se dispunha de um ensinamento magisterial claramente definido e sobre os quais as opiniões de diversos autores divergiam, mesmo entre aqueles que alegavam defender com sinceridade os valores promovidos pela doutrina católica.

Seria eticamente admissível a adoção pré-natal, única via disponível para dar oportunidade aos embriões humanos congelados ou abandonados a prosseguirem em sua existência? Quais intervenções artificiais podem ser consideradas “complementares” e não “substituitivas” ao ato conjugal em vista da assistência à procriação, à luz do ensinamento ofertado pelo Papa XII e sintetizado pela Donum vitae? Podem-se aceitar pesquisas que tenham como objetivo a obtenção de células-tronco do tipo embrionárias, mas que não envolvam a formação ou destruição de embriões humanos? É moralmente aceitável a utilização de medicamentos e tratamentos, tais como vacinas, obtidos a partir de estudos que lançam mão de material biológico de origem ilícita?

Sobre alguns destes dilemas, a Instrução oferece um discernimento claro e articulado – por exemplo, no que se refere ao uso de material biológico humano de origem ilícita.

Com relação às técnicas para obtenção de células-tronco pluripotenciais sem a produção de embriões, o texto convida à prudência, uma vez que ainda não está claro qual seria o status ontológico do resultado obtido. Sobre o tema das técnicas “complementares”, simplesmente se reitera a doutrina de Pio XII e da Donum vitae, sem aplicá-la à análise das técnicas em questão: a incorretamente denominada “inseminação artificial” e a GIFT (Transferência de Gametas para as Trompas). A propósito do debate relativo à adoção pré-natal, abriu-se nova discussão sobre a correta interpretação do texto da Instrução.

Após quase vinte anos de debates sobre o tema da adoção, a Santa Sé se manifestou expressamente a respeito. Se o fez da forma como fez, é por que há um motivo.

A instrução é parte integrante do assim chamado “Magistério ordinário”, ao qual devemos (e desejamos) dar aquele religiosum voluntatis et intellectus obsequium que nossa fé exige e que nos é lembrado no Concílio Vaticano II (GS, 25), conforme enfatizou oportunamente Dom Francisco Ladaria, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, na ocasião da apresentação pública da Instrução. Este obsequium, no entanto, não implica em que não se deva esforçar para compreender melhor aquilo que o texto nos ensina, e eventualmente distinguir daquilo que o texto não nos ensina. E que não se deva também aprofundar, aplicar e defender a doutrina por ele oferecida.

* P. Gonzalo Miranda foi secretário operativo do Centro de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma, de 1993 a 2001. Em 2001, fundou a Faculdade de Bioética do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (APRA). De 2001 a 2006, foi decano da Faculdade de Bioética da mesma universidade. Professor titular de bioética e de teologia moral na APRA, é membro do Conselho Diretivo do Centro de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, membro da Federação Internacional dos Centros de Bioética de Inspiração Personalista (FIBIP) e membro da Federação Internacional de Faculdades de Medicina Católicas (AIFMC).

* Decisão encerra luta jurídica sobre célula embrionária no país.

quarta-feira, agosto 18th, 2010

O Diário Oficial da União publicou anteontem a decisão definitiva do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a legalidade do uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas.

A notícia é de Sabine Righetti e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 18-08-2010.

A publicação indica o chamado “trânsito em julgado” do processo, ou seja, quando não é mais possível entrar com recursos para questionar a decisão do Supremo, anunciada em maio de 2008.

Na ocasião, o STF concluiu, mediante votação, que o uso científico de células-tronco embrionárias, originadas de embriões congelados, não é inconstitucional, pois não caracteriza aborto.

“Alegava-se que o uso desses embriões estava destruindo vidas. No entanto, 95% dos embriões congelados, se usados, não gerariam vida”, afirma a geneticista da USP, Mayana Zatz.

O assessor jurídico da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), Paulo Leão, ressalta, no entanto, que o STF não se posicionou a favor ou contra essas pesquisas.

“O Supremo apenas diz que não é inconstitucional. O ministro Gilmar Mendes mostrou que nossa legislação sobre o tema é insuficiente”, analisa. Para ele, “o debate ético sobre as pesquisas continua em aberto”. A Igreja Católica condena os estudos.

A ação questionando a constitucionalidade das pesquisas partiu da Procuradoria Geral da União, com a participação de instituições que questionam as pesquisas, como a CNBB. O processo começou a tramitar em 2005. Agora, será arquivado.

* Usar embriões humanos para “tratamentos” médicos é um crime, alerta Dom Sgreccia.

domingo, agosto 8th, 2010

Dom Elio Sgreccia, Presidente Emérito da Pontifícia Academia para a Vida

Depois do anúncio da empresa americana à qual a Food and Drugs Administration (FDA) nos EUA permitiu usar Cèlulas Tronco recordou que este uso é moralmente um crime porque exige a destruição de vida humana em sua primeira fase.

A empresa bio-farmacêutica Geron foi autorizada  pela FDA para começar a ensaiar injeções de células estaminais embrionárias para tratar lesões sérias na coluna vertebral.

Sobre este fato o Prelado disse à Rádio Vaticano que o uso de embriões humanos deve ser rechaçado, “não só por parte do Código moral católico, mas também por qualquer um que respeite o indivíduo humano”.

Logo depois de denunciar que os investigadores que realizam este tipo de procedimentos consideram que a vida humana “é um ser humano em processo”, o Bispo recordou que com eles se está sacrificando seres humanos “e desde o ponto de vista ético isto só pode receber um juízo negativo”.

* “Adoção pré-natal” para embriões congelados, o “mal menor”.

segunda-feira, julho 26th, 2010
Fonte: Zenit
Entrevista com membro do novo conselho diretivo da Academia para a Vida
No dia 22 de junho, o Papa renovou o conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida, nomeando quatro membros: o bispo auxiliar de Santiago do Chile, Dom Fernando Natalio Comalí Garib, e os professores Mounir Abdel Messih Shehata Farag (Egito), John Hass (Estados Unidos) e Mónica López Barahona (Espanha).O conselho diretivo da Academia Pontifícia para a Vida é renovado a cada cinco anos, e o Papa e o presidente da Academia delegam a ele determinadas questões.

ZENIT entrevistou um dos novos membros, a espanhola Mónica López Barahona, professora de Oncologia molecular e Bioética na Universidade Francisco de Victoria e diretora geral da acadêmica do Centro de Estudos Biosanitários e da Cátedra de Bioética Jérôme Lejeune.

Na entrevista, a doutora, membro da Academia Pontifícia para a Vida desde 2006, oferece as razões pelas quais a ciência explica que a vida humana começa a partir da fecundação e destaca os principais avanços e ameaças atuais a respeito da vida humana.

Em sua opinião, quais são os principais avanços alcançados na defesa da vida humana?

Mónica López Barahona: A verdade é que são muitos. Eu talvez destacaria que hoje em dia a ciência fornece, a partir de diferentes áreas de conhecimento (Biologia Celular, Genética Molecular, Embrionária), dados inequívocos sobre a existência da vida humana a partir do momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo.

Sabemos também que desde a primeira divisão celular há um compromisso de diferenciação em cada um dos blastômeros que permite diferenciar um do outro.

Foram definidos com parâmetros biomédicos a morte e foi constatado que as células-tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica.

São somente alguns dos grandes marcos dos quais a última década foi testemunho.

Pode ser demonstrado cientificamente que a vida humana começa com a fecundação?

Mónica López Barahona: Sim. A biologia celular define a célula como unidade de vida, e pela genética molecular sabemos que existem no genoma humano ao menos 7 mil sequências ALU específicas da espécie humana.

Portanto, diante de um zigoto humano ou embrião unicelular, pelo fato de ser uma célula, nós nos encontramos frente a uma unidade de vida e por possuir em seu genoma estas sequências ALU, trata-se de vida humana.

Esta afirmação correta para o zigoto, seria também certa para outro tipo celular. Agora, o zigoto é a única célula que contém em si (de modo em que possa conter um organismo unicelular) todas e cada uma das estruturas que configuram o indivíduo da espécie humana.

De fato, se permitir seu desenvolvimento, durante as 42 semanas que dura a gestão na espécie humana, estas estruturas irão se manifestar em tempo e forma.

Isso só ocorre com o zigoto, já que somente ele é um indivíduo da espécie humana em estado unicelular.

Se for transferido ao útero de uma mulher, uma célula epitelial ou renal, as estruturas não iriam se manifestar em tempo e forma que configuram o indivíduo da espécie humana, apesar de que tal célula epitelial ou renal contém o mesmo genoma que contém o zigoto do qual surgiu.

Em que momento ou com quais critérios se considera hoje que a vida humana chega ao seu fim?

Mónica López Barhona: O critério aceito cientificamente para considerar que a vida chegou ao fim é critério da morte cerebral.

Quais esperanças podemos ter nas células-tronco adultas e nas células-tronco embrionárias?

Mónica López Barahona: Na data de hoje, julho de 2010, existem mais de 2.900 ensaios clínicos com células-tronco adultas e nenhuma com células-tronco embrionárias.

Estes dados contidos no site www.clinicaltrials.gov manifesta que as células tronco embrionárias não são uma alternativa terapêutica para as patologia; as adultas são.

Além disso, deve-se sempre ser levado em consideração que a obtenção das células-tronco embrionárias leva à morte do embrião, enquanto a obtenção de células-tronco adultas não causa morte direta de forma alguma.

Deveriam pedir às mães para guardar seu cordão umbilical?

Mónica López Barahona: O cordão umbilical é um material biológico que tem um verdadeiro presente terapêutico e um futuro cheio de possibilidades, um material biológico que não deveria ser descartado.

Quais são as principais ameaças e atentados contra a vida humana na atualidade?

Mónica Lopez Barahona: O aborto, a fecundação in vitro, a utilização de embriões para pesquisa, o diagnóstico pré-natal e pré-implante e a eutanásia.

Quais soluções poderiam ser oferecidas ao problema dos milhares de embriões congelados?

Mónica López Barahona: Só há duas alternativas que respeitam a vida do embrião; ambas entram em âmbito de mal menor, pois houve uma desordem moral prévia que levou a congelar uma vida humana.

As únicas alternativas compatíveis a respeito da vida do embrião são: mantendo-os congelados por tempo indefinido até que eventualmente morram de “morte natural”; ou descongelá-los para transferi-los aos úteros de mulheres que desejam engravidar, alternativa que pode ser chamada de “adoção pré-natal”.

Esta segunda opção entende a vida como bem primário e busca seu desenvolvimento; para colocá-la em prática é necessário abordar muitas questões relacionadas e garantir que se ofereça como solução ao problema já apresentado, com a garantia de que no futuro não sejam gerados mais embriões para congelar.

Existem números concretos de quantos embriões congelados pode haver neste momento no mundo?

Mónica López Barahona: Os números não são rigorosos, nem em nível mundial, nem em cada país. Por exemplo, na Espanha não sabemos quantos embriões congelados existem.

Cada vez mais é facilitado o acesso à pílula abortiva. Que consequências têm sua utilização no organismo da mulher?

Mónica López Barahona: Pode ter consequências muito graves, pois está sendo oferecida como um método anticoncepcional a mais, e a pílula abortiva não é só anticoncepcional, já que se a concepção já foi produzida; provoca o aborto do embrião.

Trata-se de expor a mulher a uma administração não-fisiológica de hormônios e a potenciais hemorragias incontroláveis e nem sempre no contexto de um hospital ou centro de saúde. Ambas as coisas supõem um risco para a mulher e causam morte do embrião.

É possível fazer clonagem humana hoje? Que problemas existem?

Mónica López Barahona: A clonagem humana levanta vários problemas éticos: a geração de uma vida humana in vitro, geração da mesma sem contribuição do espermatozóide, seleção do genoma de um indivíduo humano no caso da denominada “clonagem terapêutica” para que este seja compatível com outro doente e o impedimento da recombinação genética natural em um processo de fecundação com intervenção dos gametas no caso da denominada “clonagem reprodutiva”.

Enfim, é uma prática utilitarista e antinatural.

Até hoje não há dados publicados sobre a clonagem humana reprodutiva e sim tentativas de clonagem humana “terapêutica”, nas quais o embrião gerado não foi desenvolvido ou não foi permitido seu desenvolvimento até fases avançadas do desenvolvimento embrionário.

Como se dá, na prática, a assessoria dos especialistas à Santa Sé?

Mónica López Barahona: Na Academia Pontifícia para a Vida, normalmente se constituem grupos multidisciplinares de trabalho para estudar temas concretos vinculados a diferentes áreas da Bioética. O presidente convoca os que considera adequados para participar nos mesmos.

Como recebeu a nomeação?

Mónica López Barahona: Surpreendeu-me muito, muitíssimo mesmo. Após a recepção da nomeação, surgiu em mim uma profunda gratidão ao Santo Padre e ao presidente da Academia pela confiança que colocaram em mim. Pensei na certeza da disponibilidade que nós leigos devemos ter ao serviço da Igreja e… rezei, rezei e continuo rezando. Peço ao Senhor que me ajude a ser um instrumento fiel a sua vontade neste conselho diretivo.

* Tribunal da Coréia do Sul DECIDE que embriões humanos congelados não são humanos.

terça-feira, julho 20th, 2010

Apesar das súplicas dos pais, um tribunal da Coreia do Sul decidiu que embriões congelados não são criaturas vivas e podem assim ser usados em experimentos e destruídos à vontade.

A decisão foi dada contra uma ação iniciada pelos pais dos embriões, bem como onze outros indivíduos, inclusive filósofos, especialistas em ética e médicos. Além disso, os próprios dois embriões foram enumerados entre os demandantes.Os embriões foram criados para um casal com sobrenome Nam. Um total de três foi produzido por fertilização in vitro e um foi implantado. Os outros dois deveriam permanecer disponíveis para implante ou serem usados para pesquisas científicas.Contudo, os Nams mudaram de opinião e, auxiliados por uma equipe de especialistas, buscaram fazer valer os direitos de seus filhos que ainda não nasceram.

“As leis de bioética que definem embriões artificialmente inseminados como amontoados de células não humanas os tratam como recursos para pesquisas e ordenam sua eliminação no fim de um período de preservação, violando assim o direito fundamental à vida”, escreveram os demandantes.

Entretanto, o tribunal discordou, afirmando que antes dos catorze dias de desenvolvimento, um embrião não é um ser humano. “Embora reconheçamos os direitos básicos de fetos antes do nascimento, os pré-embriões, que foram fertilizados, mas dentro dos quais não se formou ainda o primeiro traço embrionário, não podem ser considerados como humanos”, escreveu o tribunal.“Os embriões que têm menos de 14 dias desde a inseminação têm o potencial de se tornarem seres humanos, mas não têm humanidade independente.

Não se deve conceder a eles os mesmo direitos constitucionais como seres humanos”, disse Kang-kook, presidente do Tribunal Constitucional.“Não podemos esperar que as pessoas fiquem buscando para propósitos de inseminação artificial embriões que têm mais de cinco anos de idade. Mas o custo de sua preservação é imenso.

Os doadores dos embriões podem se sentir desconfortáveis, mas isso não deveria proibir seu uso para propósitos de pesquisas”, acrescentou ele.A Comissão da Vida da Arquidiocese Católica de Seul denunciou a decisão, observando suas premissas desumanizadoras.“Todo ser humano passa pela fase embrionária”, disse o Pe. Park Jung-woo, diretor da Comissão.

“Os católicos lamentam essa decisão do Tribunal Constitucional porque somos opostos tanto à criação artificial de embriões quanto seu uso, quando são criados, como recursos para experiências, pois eles têm direito à dignidade como seres vivos”.

* Pesquisas com células-tronco embrionárias: uma paralítica se opõe.

sexta-feira, julho 16th, 2010

Fonte:  “Contra o Aborto

Chelsea Zimmerman é o nome desta jovem da foto ao lado. Paralítica do tórax para baixo desde a adolescência após um acidente de carro, ela leva, como ela mesma diz, uma vida relativamente normal.

Chelsea estuda, faz trabalhos voluntários, dirige e é uma ativista pró-vida, entre outras coisas. Ela tem um blog, “Reflections of a Paralytic” no qual aborda assuntos variados: catolicismo, Teologia, Ética, etc. Além, é claro, de informações pró-vida.

Um dos assuntos sobre os quais Chelsea se debruça são as pesquisas envolvendo células-tronco, adultas ou embrionárias, assunto sobre o qual ela mantém até mesmo um outro blog.

Recentemente ela foi convidada a falar a um programa da EWTN, uma conhecida rede de TV católica dos EUA.

No dia de sua entrevista, Chelsea fez uma postagem em seu blog cujo título era “Porque me oponho a pesquisas com células-tronco embrionárias”. Abaixo, uma tradução livre de um pequeno e importante trecho.

“Por causa de minha deficiência, sou muito questionada sobre o que penso de pesquisas envolvendo células-tronco. Muitos cientistas acreditam que clonagem e pesquisas com células-tronco embrionárias possam levar a uma cura para vários tipos de doenças e deficiências. Já estudei muito sobre isto e sobre a parte ética das pesquisas de células-tronco e sei que, antes de tudo, há pouca ou nenhuma evidência que fundamente a idéia de que células-tronco embrionárias levarão a algum tipo de terapia ou cura que vários cientistas nos querem fazer crer. Após mais de 20 anos de experiências com células-tronco embrionárias em ratos e outros animais nenhum avanço levou cientistas a iniciarem testes em seres humanos. Na verdade, células-tronco embrionárias não obtiveram aprovação pelo órgão responsável (FDA) por não serem seguras para uso em testes clínicos com seres humanos, devido a serem propensas a tornarem-se cancerosas ou formarem cistos e tumores malignos.

Independente de que estes tratamentos sejam ou não efetivos, o fato é que, sejam criados através de fertilização in vitro ou através de algum processo de clonagem, embriões humanos são seres humanos em estágio inicial de desenvolvimento e destruí-los para obter células-tronco para pesquisa ou para tratamentos médicos é, na essência, matar um ser humano em benefício de outro. Toda vida humana é sagrada do momento da concepção até sua morte natural e intencionalmente destruir uma vida humana em qualquer estágio de desenvolvimento, independente de quão nobre esta intenção possa ser, diminui o valor de toda vida humana e é errado.”

Chelsea, envolvida diretamente na discussão sobre os limites éticos de pesquisas com células-tronco embrionárias, mostra-se muito mais honesta e ética que muitos cientistas que imaginam que a suposta autoridade de seus títulos acadêmicos e a busca desenfreada por dinheiro e fama podem atropelar a retidão moral.

Não, não podem.

* Bispos europeus criticam a lei que protegeria animais mas não os embriões humanos.

domingo, junho 20th, 2010

A Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE) criticou duramente um projeto da diretiva da União Européia que busca proteger os animais em investigações científicas, mas que deixaria desprotegidos e totalmente disponíveis para experimentar com eles aos embriões humanos.

Em um comunicado dado a conhecer pelo L’Osservatore Romano, os prelados da Europa assinalam que “as experiências realizadas a partir de células embrionárias humanas não devem ser considerados uma alternativa às experiências com animais. Existe o perigo de cancelar a diferença entre animal e ser humano”.

Os bispos, que elogiaram o projeto para defender aos animais, expressam entretanto sua total oposição a que os embriões humanos fiquem desprotegidos e sejam usados para experiências científicas: “para defender aos animais, o texto atual estabelece que, quando for possível, será necessário usar um método ou uma estratégia de experimentação cientificamente satisfatória que não implique o uso de animais vivos. Esta fórmula muito geral permitiria, por exemplo, introduzir experimentos que utilizem células estaminais embrionárias humanas”.

“Como conseqüência –advertem os bispos– alguns estados membros europeus, que não têm uma legislação explícita sobre as células estaminais embrionárias humanas, poderiam ver-se constrangidos, em base a esta legislação, a aplicar métodos que utilizem tais células mesmo se este uso for muito controvertido desde o ponto de vista ético”.

Pelas razões expostas, os bispos da COMECE solicitam à UE “excluir explicitamente métodos alternativos de experimentação nos quais se implique o uso de células embrionárias e fetais humanas, respeitando assim a competência dos estados membros no que diz respeito às próprias decisões éticas”.

Finalmente os prelados pedem um debate honesto e aberto sobre as alternativas científicas “assim como sobre o assunto ético fundamental, que é a de saber se nossa sociedade prefere destruir e instrumentalizar embriões humanos para reduzir o número de experiências científicas com animais”.

* O lado obscuro da fecundação “in vitro”. O fim não justifica os meios.

terça-feira, junho 15th, 2010

Os fins justificam os meios?

Os fins justificam os meios?

Observadores não católicos denunciam um novo mercado com violações éticas

Por Pe. John Flynn, L.C.

É muito conhecida a oposição da Igreja Católica à fecundação in vitro (IVF), mas, recentemente, algumas destas práticas estão sendo questionadas até mesmo por observadores que não são identificados no ensino católico.

Um artigo publicado dia 10 de maio no New York Times considerava o tema de pagar mulheres para produzir óvulos para outros casais. Mencionava uma recente publicação de uma revista de bioética, The Hastings Center Report, que descobriu que o pagamento para mulheres jovens normalmente é feito de acordo com critérios industriais.

O estudo, de Aaron Levine, professor adjunto de políticas públicas no Georgia Institute of Technology, descobriu que um quarto dos 100 anúncios de óvulos publicados em jornais ofereciam mais de 10.000 dólares, limite estabelecido como quantidade máxima pela American Society for Reproductive Medicine.

Oferece-se mais dinheiro às mulheres de universidades prestigiadas e às que estão acima da média nos exames acadêmicos.

De acordo com o New York Times, quase 10.000 crianças nasceram em 2006 graças à doação de óvulos, cerca do dobro do ano 2000.

O artigo também fazia referência à preocupação com os riscos para a saúde das doadoras, principalmente porque as mulheres jovens podem não ser conscientes da seriedade de alguns destes efeitos secundários.

Os riscos à saúde foram explicados em um artigo publicado dia 3 de março na LifeNews.com. No mesmo, Jennifer Lahl, presidente do Center for Bioethics and Culture Network, encorajou as mulheres a repensar quaisquer planos que tivessem de doar seus óvulos.

Riscos

Os possíveis riscos incluem infarto, infecções, câncer e perda da fertilidade futura, Lahl advertiu.

Também sustentava que a doação de um óvulo não é semelhante à doação de um órgão. Neste segundo caso o doador assume riscos para salvar um enfermo ou um moribundo. Em contraste, a receptora de um óvulo não está doente, mas está comprando um produto.

“A sociedade condena legitimamente a venda ou pagamento por órgãos, para prevenir abusos e salvar vidas, enquanto isso grandes somas são dadas em pagamento às mulheres doadoras de óvulos, explorando suas necessidades por dinheiro”, afirmou Lahl.

Não só se incentiva às mulheres universitárias a venderem seus óvulos.

Ano passado, em uma conferência sobre fertilidade, a professora Naomí Pfeffer advertia que as mulheres de países pobres estão sendo exploradas em uma espécie de prostituição pelos ocidentais que estão desesperados para ter filhos, informava o jornal Times em 19 de setembro.

“A relação negocial é análoga à de um cliente e uma prostituta”, afirmava. “É uma situação sem igual porque é o único exemplo no qual uma mulher explora o corpo de outra mulher”, comentava Pfeffer.

Mães de aluguel

Outra prática que está sendo criticada é a das mães de aluguel. A Índia é um destino popular para os casais que buscam mulheres que carreguem seus filhos. Uma razão que favorece isto é a falta de leis que regulem o procedimento, algo sublinhado em um artigo publicado no jornal Times of India dia 11 de maio.

O artigo contava como, pela terceira vez no último ano e meio, crianças nascidas de mães de aluguel indianas sofreram dificuldades na hora de serem legalmente reconhecidos nos países dos seus pais genéticos.

Primeiro foi o de um bebê de um casal japonês, que levou seis meses pra ser resolvido, e, então, o de um casal alemão que teve que esperar meses pela cidadania do bebê nascido de uma mulher indiana. O último caso foi de um casal homossexual israelita que pediu a cidadania para seu filho de dois meses.

O artigo mencionava peritos que afirmavam que tais problemas não ocorreriam se a lei que tem sido debatida durante os últimos cinco anos fosse aprovada.

Um artigo publicado em 9 de maio no Sunday Times analisava a situação das mães de aluguel na Índia. Falava de Akanksha Infertility Clinic na cidade de Anand, dirigida pelo doutor Navana Patel e sua esposa, Hitesh. Desde 2003, 167 mulheres deram à luz 216 bebês nesta clínica, com outras 50 mães de aluguel atualmente grávidas.

Os casais pagam mais que 14.000 libras (20.682 dólares), dos quais um terço vai para a mãe de aluguel. As mulheres normalmente pertencem à casta inferior e vêm de aldeias pobres. De acordo com Sunday Times, a quantia que recém equivale a 10 anos de salário.

O artigo também explicava que na clínica de Anand, uma vez que as mães de aluguel ficam grávidas, passam a viver em “confinamento” e só podem sair para as consultas médicas. A seus maridos e filhos é permitida a visita aos domingos. Sunday Times relatava a angústia que sente as mulheres ao serem separadas de suas próprias crianças e o impacto emocional quando têm que entregar seu filho gerado.

Um artigo de 26 de abril publicado pelo jornal Toronto Star esboçava algumas perguntas sobre a situação na Índia. Em um caso, um casal canadense pagou a uma mulher da Índia como mãe de aluguel, mas quando os funcionários canadenses ordenaram testes de DNA nos gêmeos recém-nascidos, resultou que, ao invés dos óvulos fertilizados do casal, as crianças haviam nascido de outro casal desconhecido. É provável que agora os gêmeos sejam enviados a um orfanato.

Problemas legais

A parte da preocupação com a exploração das mulheres, o fenômeno das mães de aluguel está causando problemas legais complicados. Wall Street Journal considerava alguns dos extremos relacionados em uma reportagem 15 de janeiro.

No EUA oito estados aprovaram leis que proíbem em parte ou totalmente os contratos de mães de aluguel. Os tribunais de alguns estados rejeitaram dar validade a estes contratos, enquanto dez estados aprovaram leis que autorizam a maternidade de aluguél.

Alguns dos conflitos têm haver com discordâncias nos direitos das mães de aluguel, explicava o Wall Street Journal. Em dezembro, o juiz do estado de Nova Jersey, Francis Schulz, dizia em uma sentença que, apesar de ter sido firmado um contrato transferindo seus direitos maternais, Angelica Robinson teria tais direitos relativos ao bebê entregue a um casal homosexual, Donald Robinson-Hollingsworth e Sean Hollingsworth. Robinson é a irmã de Donald Hollingsworth.

Em seguida, veio uma outra torção para complicar o assunto, em um artigo de 26 de janeiro do New York Times que esboçava a questão: se um bebê pode ter três progenitores biológicos.

As recentes experiências de cientistas produziram macacos com um pai e duas mães, porque foi combinado material genético de óvulos das duas fêmeas. Se isto fosse feito com humanos, complicaria ainda mais as disputas pela maternidade de aluguel, afirmava o artigo.

Vida e amor

O uso de mães de aluguel e de terceiras partes na fecundação in vitro foi um dos temas tratados em um documento publicado em novembro passado pela Conferência Episcopal do Estados Unidos.

Em “Amor que dá Vida em uma Idade de Tecnologia”, os bispos mostravam sua proximidade aos casais que sofriam devido a problemas de fertilidade, mas indicavam que nem todas as soluções respeitam a dignidade da relação matrimonial do casal. O fim não justifica os meios e algumas tecnologias reprodutivas não são moralmente legítimas, eles afirmavam.

O documento encorajava a resistir à tentação de ter filhos produzidos ou feitos, como produtos da tecnologia. “As próprias crianças podem chegar se verem como produtos de nossa tecnologia, tal como bens de consumo, pelos quais os pagaram e têm ‘direito’ de esperar – e não como pessoas íntimas, iguais em dignidade aos seus pais e destinadas à felicidade eterna com Deus”, apontava.

Além do mais, introduzir terceiros, usando óvulos ou o esperma de doadores, ou pela maternidade de aluguel, viola a integridade da relação matrimonial, da mesma forma que seria violada com as relações sexuais com uma pessoa fora do matrimônio.

“As clínicas de fertilidade demonstram falta de respeito aos homens e mulheres jovens quando os tratam como bens, ao lhes oferecer somas grandes de dinheiro para doarem esperma ou óvulos com traços intelectuais, físicos ou pessoais específicos” acrescentava o documento.

Os bispos também observavam que estes incentivos monetários podem levar as mulheres a pôr em perigo a saúde durante o processo da extração de óvulos. Na realidade, há muitas boas razões para esboçar objeções sérias à fecundação in vitro.

* Uso de células mãe embrionárias em humanos não tem futuro, afirma cientista.

sexta-feira, junho 11th, 2010
O catedrático de microbiologia da Universidade Complutense de Madrid (Espanha) e ex-presidente do Centro Superior de Investigações Científicas, César Nombela, considerou que a aplicação clínica em tratamentos para humanos das células mãe embrionárias “não tem futuro”.

Conforme assinala a organização espanhola HazteOir.org (HO), para o Dr. Nombela, assinante do Manifesto de Madrid e membro de Cívica (Associação de Investigadores e Profissionais pela vida) o crescimento das células mãe embrionárias é “muito difícil de controlar e apresenta ainda muitos problemas de compatibilidade com os pacientes”.

“Dos mais de três mil estudos registrados no mundo com células mãe, nenhum só está sendo realizado com células embrionárias. Todos são com células mãe adultas”, precisou.

“Com as embrionárias –continuou– só há alguma iniciativa para recolher linhas celulares das já existentes. A informação que se obteve delas é fascinante, mas há um problema ético de fundo, já que a investigação deve respeitar a vida humana do início embrionário. Em troca a investigação com células mãe da adulta avança a um ritmo vertiginoso e já há numerosas experiências com células mãe hematopoiéticas obtidas da medula óssea ou do cordão umbilical e, inclusive, com células mãe obtidas da gordura”.

O catedrático indicou ademais que “estes procedimentos são muito menos traumáticos,” e já começam a “expor alguns tratamentos para o sistema nervoso central”, por isso alentou a continuar as investigações “sempre com células mãe adultas, já que é a via mais imediata e segura de aplicar e a qual deve constituir uma grande prioridade para os investigadores de todo o mundo”.

Finalmente, Nombela destacou o tratamento com células iPS que “supõem uma tecnologia que permite, por modificação genética, reverter células diferenciadas do adulto a estados pluripotenciais, quer dizer, estados nas que as células se comportem de um modo parecido às células de origem embrionária ou às células adultas com mais troncalidade”.

“Esta tecnologia está avançando a um grande ritmo e está sendo aperfeiçoada com uma velocidade enorme; não obstante, ainda é necessário ser prudente, já que estas células ainda não foram provadas em fase clínica e ainda requerem de uns anos para sua potencial aplicação em tratamentos”, concluiu.

* Santa Sé: Investigação com células tronco adultas.

quarta-feira, maio 26th, 2010

ACI

O Pontifício Conselho para a Cultura e a sociedade bio-farmacêutica NeoStem Inc. anunciaram hoje uma iniciativa conjunta para ampliar a investigação e sensibilizar a opinião pública sobre as terapias com células estaminais  adultas, que são moralmente corretas pois não geram a destruição de embriões humanos como no caso das células estaminais células tronco embrionárias.

Conforme informa um comunicado publicado hoje, a Stem for Life Foundation, da NeoStem Inc., foi criada para sensibilizar sobre a possibilidade do uso de células estaminais adultas no tratamento de enfermidades, enquanto que STOQ International (Science, Theology and the Ontological Quest), dependente do Pontifício Conselho da Cultura, trabalhará para fomentar a investigação desse tipo de células, explorar sua aplicação clínica no âmbito da medicina regenerativa e analisar a importância cultural dessa investigação, sobre tudo de suas repercussões em matérias teológicas e éticas.

A colaboração do laboratório NeoStem Inc. e do Pontifício Conselho da Cultura, assinala o texto, “centrar-se-á no desenvolvimento de programas educativos, publicações e cursos acadêmicos com um enfoque interdisciplinar nas faculdades de teologia e filosofia, além daquelas dedicadas à bioética, em todo mundo”.

Uma das iniciativas será uma conferência internacional no Vaticano sobre a investigação de células estaminais adultas –incluída a tecnologia VSELTm (caracterizada pelo emprego de diminutas células estaminais, parecidas com as dos embriões)–, centrada na apresentação de investigações médicas e nas implicações teológicas e filosóficas dos progressos científicos.

* ‘Células sintéticas’: O que é cientificamente possível também é justo sob o ponto de vista da ética?

segunda-feira, maio 24th, 2010

O jornal vaticano L’Osservatore Romano publicou um artigo no qual explica que com as chamadas “células sintéticas” que foram criadas em um laboratório dos Estados Unidos não se gerou vida. Diante destas investigações, o Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Pe. Federico Lombardi, afirmou que é preciso atuar com cautela e “esperar a ter maior informação”.

No artigo titulado “um motor ótimo mas não é vida”, o médico italiano Carlo Bellieni assinala que o trabalho de Craig Venter que gerou um genoma “sintético” é “um trabalho de engenharia genética de alto nível, um passo à substituição de parte do DNA. Mas em realidade não se criou vida, mas suplantaram um de seus motores”.

O médico cita logo o geneticista David Baltimore do Califórnia Institute of Technology quem escreve no New York Times: “eles não criaram vida, apenas a copiaram” e acrescenta logo o bio-engenheiro Jim Collins: “isto não representa a criação da vida de zero”.

Seguidamente assinala que esta descoberta é algo que deve ser considerada por suas possíveis aplicações, mas adverte que é necessário “unir à coragem a cautela: as ações sobre o genoma podem –se espera– curar, mas vão tocar um terreno fragilíssimo no qual o ambiente e a manipulação têm um papel que não deve ser menosprezado”.

“O DNA –explicou Bellieni– não é o motor do qual se substitui o pistão, e sim uma parte de um ser vivente sobre o qual estímulos inoportunos, inclusive feitos com boa intenção, podem ‘apagar’ os genes de maneira inesperada, segundo as regras da epigenética (estudo das interações entre genes e ambiente que se produzem nos organismos). Muitos estão de fato preocupados com os possíveis desenvolvimentos futuros de organismos geneticamente modificados”.

Depois de recordar que “é possível reconstruir o DNA e isso não assombra, é necessário recordar que este não é mais que um dos ‘motores’ da vida”, o Dr. Bellieni conclui precisando que o peso do DNA”é grande e grandes são as expectativas da ciência genética. Entretanto, o DNA sendo um ‘ótimo motor’, não é a vida”.

Cautela

Por outro lado, diversas vozes se levantaram para expressar a necessidade de cautela diante destas investigações. Em declarações ao jornal La Stampa, o Presidente da Comissão para os Assuntos Jurídicos da Conferência Episcopal Italiana, Dom Domenico Mogavero assinalou que “em mãos equivocadas, a novidade de hoje pode supor amanhã um devastador salto ao desconhecido”. “O homem vem de Deus mas não é Deus: é humano e tem a possibilidade de dar a vida procriando e não construindo-a artificialmente”,acrescentou.

“É a natureza humana que dá sua dignidade ao genoma humano, não o contrário. O pesadelo contra o qual deverá lutar-se é a manipulação da vida, a eugenia”, advertiu Dom Mogavero.

Por sua parte, o Arcebispo de Chieti-Vasto, Dom Bruno Forte, comentou que “a preocupação pode ser resumida em uma pergunta: o que é cientificamente possível também é justo desde um ponto de vista ético?“. A resposta, disse, está “em um parâmetro que une a todos, não só os cristãos: a dignidade da pessoa humana”, em declarações ao jornal Corriere della Sera.

Por sua aprte, o Pe. Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé chamou à cautela e afirmou que é necessário “esperar a ter mais informação” sobre o descobrimento.

Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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