Artigo da ‘Bispos’ Categoria

* Igreja é vítima, protetora e intermediária no conflito colombiano.

quarta-feira, junho 12th, 2013

Destruída e empoeirada, a estátua da Virgem Maria da igreja de Bojayá, cidade no noroeste colombiano, é uma visão estranha.(veja foto acima) Faltam-lhe os braços, e o manto azul de gesso está se esmigalhando. Há 11 anos, em 2 de maio de 2002, a imagem foi derrubada violentamente do pedestal. Um cilindro de gás cheio de estilhaços caiu sobre ela, pondo a igreja em ruínas e provocando a morte de 78 pessoas.

O massacre de Bojayá se tornou símbolo da escalada de violência do conflito colombiano, que assola o país há cinco décadas. Em 2002, cerca de 300 moradores do vilarejo procuraram abrigo na igreja para se proteger dos combates entre as Forças Revolucionárias da Colômbia (Farc) e grupos contrarrevolucionários paramilitares. O projétil disparado pelas Farc caiu sobre o teto da igreja, que virou um cenário de guerra.

A Igreja desempenha um importante papel na guerra civil colombiana. Ela é, ao mesmo tempo, protetora e vítima; ela intermedeia entre as partes em conflito, realiza trabalhos de paz e direitos humanos e mantém relações discretas com as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN). Bispos, padres e freiras não são vistos somente como negociadores neutros. Eles próprios são vítimas de sequestro, morte e roubo. Nos últimos 20 anos, 60 religiosos foram assassinados devido ao seu compromisso com a paz.

Apesar do balanço amargo, a Igreja é a força motriz por trás das negociações de paz entre o governo colombiano e as Farc, que foram retomadas nesta terça-feira (11/06) em Havana.

“A Igreja é a única instituição neste país que, com seu trabalho pastoral, alcança todo o território nacional”, disse à DW Brasil o cientista político colombiano Jaime Zuluaga Nieto, que assessora o instituto de pesquisas da paz Indepaz em Bogotá. “No interior do país, ela está em contato direto com os rebeldes.”

Atrás dos bastidores

Segundo relatos da imprensa colombiana, a linha direta com os combatentes fez com que os representantes eclesiásticos tenham prestado uma contribuição decisiva para as negociações preparatórias, que levaram finalmente à retomada das negociações de paz, em outubro do ano passado.

“O fato de a Igreja não estar sentada à mesa de negociação não significa que ela não esteja participando delas”, declarou o bispo de Tunja, Luis Augusto Castro Quiroga, à agência de notícias Agenzia Fides.

O secretário da Comissão de Conciliação Nacional da Conferência Episcopal da Colômbia, padre Dario Echeverri, confirmou a observação. As aproximações antes do diálogo real em Cuba já teriam começado muito mais cedo do que o relatado pela mídia, afirmou Echeverri em entrevista à Fundação Konrad Adenauer em Bogotá.

“O presidente Santos apelou à Igreja Católica para executar com cuidado o diálogo pastoral As ligações discretas entre religiosos e a guerrilha têm uma longa tradição. Já em 2003, as Farc pediram ao bispo Luis Augusto Castro Quiroga que participasse das negociações secretas com vista à prestação de cuidados médicos a reféns.

Audiência no Vaticano

Em 2001, o então bispo da diocese de Chiquinquira, Hector Cutierrez Pobon, chegou até mesmo a propor um pacto de paz com o ELN. Ele disse que estaria disposto a submeter-se ao jugo do Exército de Libertação Nacional, caso isso viesse a servir à paz. Quinze comunidades apoiaram a incomum oferta de paz do bispo, hoje à frente da diocese de Engativá

Um ano antes, os combatentes das Farc haviam pedido pessoalmente a bênção ao Vaticano. Para apoiar o processo de paz colombiano, a Secretaria de Estado da Santa Sé aceitou, sob o sigilo em fevereiro de 2000, uma audiência com representantes das Farc e o governo colombiano.

Para o então número dois da guerrilha, Raúl Reyes, o tão esperado sonho de reconhecimento político se tornou realidade com a viagem a Roma. “Nós queremos que o Santo Padre nos abençoe e nos ilumine, para que possamos alcançar uma verdadeira reconciliação”, explicou na época Reyes, morto oito anos depois numa incursão do Exército colombiano no Equador.

Depois de muitas tentativas frustradas, o destino político das Farc será discutido mais uma vez nesta semana em Havana. Para muitos observadores, este é o ponto mais sensível de todas as negociações de paz.

“É preciso encontrar uma solução de compromisso sobre quando e como os agressores serão responsabilizados criminalmente?”, declarou Hubert Gehring, diretor do escritório da Fundação Konrad Adenauer em Bogotá. “Até onde deve ir a anistia para os comandantes das Farc?”

De acordo com estimativas das organizações humanitárias eclesiásticas Adveniat e Misereor, o papel da Igreja se tornará decisivo caso se chegue a uma resolução de paz.

“A Igreja é requisitada quando se trata de reconciliação”, afirma Susanne Breuer, responsável pela Colômbia da organização Misereor. Para ele, na ponderação entre a verdade e a justiça, vítimas e agressores têm de se aproximar um dos outros.

Enquanto em Cuba tem início a segunda rodada de negociações de paz, prossegue na Colômbia a luta entre rebeldes, tropas do governo, paramilitares e narcotraficantes. Em Bojayá, a irmã Maria del Carmen Garzón, sobrevivente do massacre há 11 anos, ainda luta por uma compensação para as vítimas. A cruzada colombiana parece não ter fim.

Fonte: http://www.dw.de/igreja-%C3%A9-v%C3%ADtima-protetora-e-intermedi%C3%A1ria-no-conflito-colombiano/a-16874489

* Filipinas. Bispos dizem NÃO a possibilidade legal de sacerdotes andarem armados.

quinta-feira, junho 6th, 2013

Vatican Insider

Sacerdotes com pistolas? Não, obrigado.

Nas Filipinas, os bispos católicos se mostram ferreamente contrários à lei que acaba de ser aprovada no Parlamento, que permite que os sacerdotes (incluídos numa lista de categorias como caixas de bancos, homens de negócios e ministros), em vista da natureza de sua profissão ou porque poderiam estar em “perigo iminente”, possam obter licença para portar armas mais rápido que outras pessoas

“Os sacerdotes – declararam alguns bispos – são homens de paz, imitadores de Cristo e como tais não devem usar armas para se defenderem. Nossa proteção deriva do que fazemos, de nossa forma de estar entre as pessoas. E, depois, os anjos velam por nós”. Declarações que refletem as posturas que a Conferência Episcopal expressou, segundo a qual, apenas as forças da ordem deveriam portar armas em lugares públicos.

O uso das armas é um problema particularmente difícil num país como as Filipinas, que ocupa o quinto lugar (imediatamente depois dos Estados Unidos) entre as nações que têm uma maior porcentagem de homicídios por arma de fogo.

Segundo os dados oficiais da polícia, em um ano, as armas registradas por civis são 1,2 milhão. Por outro lado, as que não são registradas seriam ao redor de 600 mil. No entanto, as investigações realizadas por alguns jornais filipinos apontam números alarmantes: no país haveria ao menos 1,9 milhão de armas de fogo ilegais. Isto sem considerar o fenômeno do contrabando, sobretudo, com a Malásia. O outro fenômeno, o dos sacerdotes “pistoleiros”, também deve ser combatido.

* Bispos apoiam recontagem votos na Venezuela e oferecem-se para mediação.

quinta-feira, abril 18th, 2013

A Conferência Episcopal Venezuelana apelou na quarta-feira ao diálogo entre o Governo e os opositores e ofereceu-se para mediar as partes, mas apoiou o pedido da oposição para uma recontagem dos votos da eleição presidencial.

foto GERALDO CASO/AFP
Bispos apoiam recontagem votos na Venezuela e oferecem-se para mediação

Esta recontagem daria tranquilidade ao país, justificou a estrutura da Igreja Católica.

“A oposição solicitou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) uma auditoria de 100% dos votos. Esta pretensão (…) não ignora o trabalho do CNE. Pelo contrário, reforçaria a sua autoridade moral e daria tranquilidade à população”, sustentou a Conferência Episcopal, em comunicado.

Na opinião dos bispos venezuelanos, a estreita diferença de votos dos resultados eleitorais, que deram a vitória a Nicolás Maduro, deixaram à vista “a aguda polarização política que a sociedade está a viver”.

O candidato da oposição nas eleições presidenciais apresentou na quarta-feira um recurso ao CNE para impugnar os resultados que deram a vitória a Nicolás Maduro.

Numa mensagem divulgada através do Twitter, Henrique Capriles anunciou a reunião da sua equipa de campanha com o CNE para reclamar formalmente a recontagem dos votos do escrutínio de domingo.

Fonte: Jornal de Notícias

* Seria o “Papado” uma invenção humana da Igreja primitiva?

sexta-feira, abril 12th, 2013

Por Edson Sampel

O papado é uma instituição de direito divino (Mt 16, 18). Quando nosso Senhor Jesus Cristo fundou a Igreja católica, atribuiu a são Pedro o encargo de apascentar o rebanho universal (os fiéis do mundo inteiro). Para tanto, Cristo outorgou ao primeiro papa o chamado “poder das chaves”: “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18 ).

Na concepção hebraica, os verbos “ligar” e “desligar” possuem valor jurídico, significando o poder de governo. Assim, observamos que na mente de Jesus encontravam-se presentes as estruturas jurídicas fundamentais da Igreja católica. A evolução do papado ao largo dos séculos manteve intacta essa estruturação.

Se quisermos compreender bem o relacionamento do papa, bispo de Roma, com seus colegas, bispos das outras dioceses ao redor do planeta, precisamos estar atentos à interação que havia entre São Pedro e os demais apóstolos. Nada mudou substancialmente! Demos uma espiada no cânon 330. Eis sua tradução (o código canônico está escrito em latim): “Assim como, por disposição do Senhor, são Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio, de modo semelhante, o romano pontífice, sucessor de são Pedro e os bispos, sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si.” De fato, são Pedro e os outros onze apóstolos perfaziam um “colégio”, quer dizer, um “corpo coletivo”, chefiado pelo primeiro.

O cânon 331 esclarece este ponto. Vamos ler sua tradução: “O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a são Pedro, o primeiro dos apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a cabeça dos colégio dos bispos, vigário de Cristo e aqui na terra pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na Igreja o poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente.”

Os bispos não são “secretários do papa”, como teria afirmado no século XIX o chanceler alemão Bismarck. Cada bispo é autônomo na sua diocese. Com efeito, reza o cânon 375, §1.º: “Os bispos que, por divina instituição, sucedem aos apóstolos, são constituídos pelo Espírito que lhes foi conferido, pastores na Igreja, a fim de serem também eles mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo.” É claro que se dissociado do papa, bispo de Roma, qualquer outro bispo perde moral e juridicamente sua identidade católica. Aliás, um simples fiel também deixa de ser católico se passar a não aceitar o magistério do sumo pontífice. Esta é a disposição do direito canônico, que denomina de “cisma” a “recusa de sujeição ao sumo pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.” (cânon 751).

Estudando atentamente o papado, principalmente nas suas nuanças jurídico-canônicas, reparamos quão bíblica é a conformação hierárquica da Igreja. As instituições legais que se nos deparam hoje em dia arrimam-se na tradição sagrada, mas sobremaneira nas escrituras sagradas. Se não, vejamos. O cânon 336 traça o perfil do colégio dos bispos exatamente nos moldes como a bíblia apresenta o colégio ou grupo dos apóstolos: “O colégio dos bispos, cuja cabeça é o sumo pontífice e cujos membros são os bispos, em virtude da consagração sacramental e da comunhão hierárquica com a cabeça e com os membros do colégio, no qual o corpo apostólico persevera continuamente, junto com sua cabeça, e nunca sem essa cabeça, é também sujeito de poder supremo e pleno sobre a Igreja toda.” Enquanto Jesus vivia entre os apóstolos, ele era decerto o líder do grupo. Sem embargo, no momento em que Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu, são Pedro assumiu  a função de vigário de Cristo na terra. Desde os primórdios da Igreja, os sucessores dos apóstolos, que se espalharam por todo o mundo, jamais cessaram de agir em sintonia com os sucessores de são Pedro.

Constatamos esse fato teológico ao compulsarmos os documentos mais antigos da história do cristianismo. É óbvio que o Espírito Santo assiste a Igreja diuturnamente, fornecendo-lhe uma seiva vital, máxime por intermédio da eucaristia e dos outros sacramentos.

Quando a sé romana está vacante ou vaga (são palavras sinônimas), os católicos, de certo modo, navegam num barco à deriva, porquanto o timoneiro não está a postos. O vocábulo “sé” constitui forma sincopada de “sede” que, literalmente, quer dizer “cadeira”. Trata-se da cadeira ou cátedra na qual o bispo de Roma se senta para pregar o evangelho. É uma maneira simbólica de representar o ofício papal. Experimentamos essa sensação há pouco. Fazia 600 anos que um bispo de Roma não renunciava. O código canônico prevê a possibilidade de renúncia do pontífice romano, com a prescrição do cânon 332, § 2.º: “Se ocorrer que o pontífice romano renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por ninguém.” Conseguintemente, o papa emérito, ao renunciar em 11 de fevereiro deste ano, fê-lo sem pedir consentimento a ninguém, nem mesmo ao colégio dos bispos ou dos cardeais, uma vez que ele agiu investido da soberania que Cristo conferiu não só a são Pedro, mas a todos os sucessores do primeiro papa.

O papado ou primado de são Pedro garante a unidade na Igreja: mesma fé, mesma interpretação da bíblia, mesmos sacramentos etc. Portanto, amando o papa e seguindo seu magistério, caminharemos constantemente por veredas seguras, rumo à vida bem-aventurada com Deus no paraíso.

Edson Luiz Sampel

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.

Professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT) de São Paulo.

* Cardeais se reúnem pela 1ª vez depois da renúncia de Bento XVI.

segunda-feira, março 4th, 2013

Terra

A primeira congregação de cardeais preparatória do conclave que elegerá o sucessor de Bento XVI foi iniciada nesta segunda-feira na Ala Nova do Sínodo, no Vaticano, poucos minutos depois das 5h (de Brasília).

Aproximadamente 150 cardeais, dos 207 que compõem o Colégio Cardinalício, estão presentes nesta primeira congregação, mas o esperado é que o restante chegue entre hoje e a próxima quarta-feira.

Esta primeira reunião ocorre quatro dias depois que a Igreja entrasse em período de Sé Vacante. Segundo o cardeal decano, Angelo Sodano, de 85 anos, a data do início do conclave só será definida no momento em que todos os purpurados eleitores estiverem presentes, mas tudo indica que o procedimento começará no dia 11 de março.

Dos 207 cardeais que conformam o Colégio Cardinalício, 117 possuem menos de 80 anos. A norma vaticana contempla que só podem entrar na capela Sistina, lugar do conclave, os purpurados com menos de 80 anos. Os outros, embora não possam votar, podem ser escolhidos pontífice e participar das reuniões preparatórias.

* Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer é hostilizado na PUC-SP em “ato de dignificação” da Cruz. Veja!

domingo, fevereiro 24th, 2013

Fonte: Fratres in unum

O Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, celebrou ontem, na PUC-SP Perdizes, uma Missa pela festa da Cátedra de São Pedro e um “ato de dignificação” da Cruz que se encontra no pátio do campus, vilipendiada mais de uma vez [ver aquiaqui] por estudantes.

Um leitor, cuja gentileza agradecemos, relata o ocorrido:

Eu fui, ontem, ao ato na PUC-SP.

A capela, que não é lá muito grande, estava completamente lotada. Não consegui entrar e fiquei do lado de fora. Percebia-se que havia um público que não era, em sua maioria, alunos da PUC. Certamente, havia vários, mas, também, funcionários e professores. Porém, minha impressão é que uma parcela razoável do público era composta por seminaristas de SP, pessoas ligadas a comunidades tipo Shalom, etc.

A minha filha havia me alertado que os alunos estavam preparando uma “surpresa” para o Cardeal. De fato, um amigo que havia chegado mais cedo me ligou e falou que havia meia-dúzia de gatos pingados com esparadrapos na boca na entrada e mais nada. Quando cheguei, já havia uns 20 deles. Porém, isso me pareceu ser uma estratégia deles para aprontar com o Cardeal.

Quando a Missa terminou, o Cardeal, um ou dois bispos-auxiliares, uns 15 padres e o povo foi em procissão cantando “Vitória da Cruz” até o pátio da Cruz no interior da PUC. Chegando lá, havia uns 80 alunos com esparadrapos na boca, portando cartazes “Fora Anna Cintra” e com papeletes ao ar que diziam alguma coisa que não identifiquei. Infelizmente, quando adentrei ao páteo o Cardeal já estava ao pé da cruz e eu não sei se passou pela barreira de alunos “pacificamente” ou foi preciso pedir “permissão”.

O restante do povo, por orientação dos padres, em vez de ir em direção da cruz, no ‘chão’ do pátio, ficou ao redor, entre os arcos do átrio. O cardeal e os padres ficaram literalmente cercados pelos guevarinhas e cobertos pelos cartazes. O cardeal não se intimidou. Tocou a cerimônia (em um momento pediu para que abaixassem os cartazes e só serviu para subirem mais). Leu-se uns 3 ou 4 trechos do NT, rezou o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo Niceno-Constantinopolitano. Cantaram-se algumas músicas piedosas e aspergiu com água benta e incensou a Cruz.

Penso que a ideia dos organizadores era que o protesto fosse silencioso. Mas, alguns deles (mais meninas) não se aguentaram e, de vez em quando, ouvia-se um grito de “por uma universidade laica” ou “fora a Igreja”, etc. Percebia-se que os organizadores tentavam calar essas vozes, pois a estratégia era que os gritos de ordem fossem soltos no final, para parecer uma manifestação “democrática”.

No começo havia mais gente da Missa do que alunos protestando. Porém, à medida que a galera dos cursos noturnos foi “se achegando” o público se equilibrou. No final, após a benção final, o cardeal puxou uma música sacra, mas aí os guevarinhas soltaram o verbo e começaram a gritar coisas do tipo “fora Anna Cintra” e “adeus, adeus Bento XVI, Anna Cintra agora é sua vez” com força suficiente para calar o Cardeal, que se retirou.

Confesso, por fim, que em certos momentos temi pela segurança de D. Odilo e dos padres que o seguiam. Os alunos que protestavam, por mais que tentassem fazer um ato com “roupagem” democrática, estavam em postura acintosamente agressiva, tentando impedir com seus cartazes que as pessoas pudessem ver o Cardeal ou se aproximassem dele, pois chegaram 3 horas antes e se posicionaram com essa intenção. Estavam muitíssimo próximos dele (provavelmente o tocavam) e eram uns 200 ao final. E, quando urravam palavras de ordem, pareciam uma turba difícil de controlar e sem muita noção de auto-controle. Talvez torcessem por uma reação violenta dos católicos ou imaginassem um público bem menor (lembro de ter ouvido, de uma garota com “esparadrapos na boca” ao meu lado durante a Missa, que ela estava surpresa que haviam mais pessoas ‘comuns’ na Missa do que gente da turma deles).

Emocionei-me quando, já bem no final, quando a turba já estava perdendo a compostura com gritos e apupos, o Cardeal pediu a proteção dos mártires que morreram em defesa da fé de Cristo e pela liberdade religiosa. E fez isso encarando os guevarinhas…

Oremos por D. Odilo e podemos ter orgulho de ter um Cardeal corajoso como ele! Foi, realmente, algo digno de constar nos anais da história da Igreja brasileira ver um Cardeal pregar o Evangelho, o amor a Cristo, de cabeça erguida e, ao sair, caminhar com a dignidade dos homens justos diante de uma turba agressiva e anti-democrática. Segundo me disseram, foi o primeiro ato religioso realizado no interior da PUC-SP em mais de 40 anos.

* Bispos dos Estados Unidos buscam melhorar as homilias dominicais.

segunda-feira, novembro 19th, 2012

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) aprovou com votação favorável de 227 prelados em sua Assembleia Plenária de Outono, finalizada no dia 14 de novembro, um novo documento com recomendações sobre os sermões dominicais. “Pregando o Mistério da Fé: A homilia de Domingo” é o título do texto, que será publicado também em língua espanhola.

“O objetivo último da proclamação do Evangelho é levar as pessoas a uma relação amorosa e íntima com o Senhor”, declararam os bispos, “uma relação que forme o caráter das pessoas e as guie a viver sua fé”. Este sentido essencialmente espiritual do ministério busca recordar a profundidade que se espera das pregações.

O documento está dirigido especialmente aos sacerdotes e diáconos e as pessoas que participam da formação de seminaristas. O texto foi apresentado pelo Comitê para o Clero, a Vida Consagrada e as Vocações da USCCB e contêm numerosas diretrizes sobre este ministério. “A homilia é parte integral do ato litúrgico da Eucaristia, e a linguagem e espírito da pregação deveriam encaixar no contexto”, recorda o documento.

Entre as recomendações dos bispos, destaca-se o compromisso de busca pela santidade por parte do pregador e a promoção da conversão pessoal. “Cada homilia efetiva invoca a conversão”, afirmaram os prelados, que solicitam aos pregadores recordar a “oferta da graça”, com “sensibilidade pastoral” para motivar a mudança de vida dos fiéis. Este contexto é importante ao tocar temas sensíveis da moral ou dirigir-se aos menos praticantes, já que um completo chamado à conversão é diferente a “simplesmente brigar com as pessoas por suas falhas”.

O documento recorda também a relação estreita da homilia com a Sagrada Escritura, de forma que os fiéis possam “ver o mundo através dos olhos bíblicos”, e que possam “notar as analogias entre a Bíblia e a experiência ordinária”. Os prelados aconselharam identificar os elementos da cultura e a vida cotidiana que possam ser relacionados com a mensagem religiosa para aproximá-los dos fiéis e convidá-los à vivência cotidiana da Fé.

O documento também adverte sobre alguns riscos de erro que devem ser evitados pelos pregadores. Um deles é a “especulação teológica”, pela qual deve ficar a doutrina e temáticas próprias da Igreja para evitar tratar ideias e pontos de vista pessoais ante a assembleia reunida para o sacramento, que espera receber uma pregação “mais poderosa e inspiradora”.

“Se um pregador transmite meramente alguns exemplos de sabedoria proverbial ou boas maneiras, ou alguma perspectiva conquistada em sua própria experiência”, descrevem os Bispos, “pode ter falado bem ou inclusive utilmente, mas não pregado o Evangelho”.

O texto também refere a necessidade dos fiéis de uma melhor catequese para um mais profundo conhecimento da doutrina da Igreja. “O domingo continua sendo o cenário básico no qual a maioria dos católicos adultos se encontram com Cristo e sua fé católica”, expressa o documento. Por este motivo, aconselho aos sacerdotes aproveitar esta oportunidade para presentear eficazmente a doutrina da Igreja.

O documento aprovado também destaca o chamamento da missão como parte de uma boa pregação, a incorporação da posição da Igreja em assuntos críticos como o respeito da vida humana, a liberdade religiosa, a busca do bem comum e o compromisso cristão com os mais necessitados. Os Bispos propuseram também aos sacerdotes e diáconos a figura da Santíssima Virgem Maria, como modelo perfeito de escuta e proclamação da Palavra de Deus sem vacilação. (EPC/GPE)

Com informações da National Catholic Register e USCCB.

* Divulgada mensagem final do Sínodo dos Bispos.

sábado, outubro 27th, 2012

Zenit

Uma mensagem de comunhão que reflete uma Igreja viva, pronta para enfrentar os desafios e problemas do nosso tempo. Assim, o Cardeal Giuseppe Betori, arcebispo de Florença, apresentou  na Santa Sé, a mensagem final do Sínodo sobre a Nova Evangelização, com o arcebispo de Manila, Mons. Luis Antonio Tagle, rescentemente nomeado cardeal pelo Papa e o arcebispo de Montpellier, secretário-geral do Sínodo, o arcebispo Pierre Marie Carré.

O documento disse Betori, é o resultado de um processo de comunhão entre todos os 262 bispos presentes da assembléia sinodal, que não prevê, portanto, qualquer dialética, ou divisão. “Os procedimentos democráticos se dividem criando uma maioria e uma minoria – disse – a Igreja segue procedimentos de comunhão que não causam rupturas, mas dão voz a todos”.

O texto foi elaborado nos últimos dias por uma comissão presidida pelo cardeal, assessorado pelo vice-presidente Dom Tagle e Dom Carré, que estavam juntos na conferência de imprensa de hoje respondendo a perguntas de jornalistas que abordaram a eficácia e o comprimento da mensagem.

Um jornalista, de fato, comentou durante a conferência que o Nuntius (nome em latim para o texto da reunião) é muito longo para realmente ser lido pelo “povo de Deus” a que se dirige. Betori respondeu revelando que inicialmente tinha proposto um documento de 3 ou 4 páginas. No entanto, o número e a preciosidade das intervenções, bem como o argumento “que fala sobre a missão da Igreja como tal”, obrigou a comissão a estender a sua redação.

Em relação à linguagem utilizada, o arcebispo destacou que é mais uma “linguagem bíblica do que teológica”. Algumas questões, como a “salvação da alma” ou a “piedade popular”, que parecem não mencionadas no texto, estão sendo abordadas através de expressões equivalentes, e, portanto, estão presentes.

Em particular, o cardeal Betori apontou que o aspecto que emerge da mensagem é que “a Igreja está viva”. Amplamente demonstrado pelas intervenções dos bispos e, de forma mais concreta pelos auditores, por isso a frase “não por acaso foi adicionada entre a primeira e segunda versão da mensagem final do Sínodo”.

“Não devemos aceitar uma visão catastrófica da Igreja”, insistiu o arcebispo de Florença. Na verdade, com “esta consciência de uma Igreja viva, que tem grandes experiências que devem ser mais comunicadas, mais partilhadas”, reiteramos o seu otimismo para o futuro.

“Existem desafios, problemas diante de nós – afirmou-, mas estes são oportunidades para a Igreja, para evangelizar. Este foi um refrão constante nas intervenções dos bispos, eu diria que quanto mais difíceis as situações apresentadas pelos bispos, mais encorajador era o olhar com que se colocavam diante do futuro da Igreja”.

Para aqueles que perguntaram se a mensagem não excedeu em otimismo, especialmente depois de escândalos como o abuso sexual, o cardeal respondeu que na passagem dedicada à “fraqueza dos discípulos de Jesus” e à necessidade de conversão, estes problemas são “claramente indicados”.

Nesta linha, um jornalista perguntou por que o documento não foi um apelo aos cristãos que deixaram a Igreja por causa dos escândalos. Betori respondeu que o problema do abandono estava bem presente para os Padres sinodais, mas este pode ter várias motivações, “inércia”, “comodismo” ou “contestação”. “Não fizemos uma distinção – disse o cardeal – embora talvez pudesse ser útil”.

Dom Tagle afirmou que a mensagem de “otimismo não é despropositada”. “Não houve cegueira no Sínodo, ninguém fingiu não existir problemas”, disse o futuro cardeal, “nós cremos, o otimismo nunca nos abandonou, nos dá uma sensação de serenidade, nos encoraja a encontrar a maneira de enfrentar até mesmo os escândalos que atingiram a Igreja”.

Outra questão mencionada foi a progressiva diminuição do número de católicos. Um problema que fez “sorrir”, o arcebispo de Manila, que alegou ter “recebido com espanto as observações sobre o medo do declínio, sobre o número de praticantes, a influência real”. “Eu venho da Ásia – disse – e nós nunca fomos a maioria, é normal ser uma minoria. Mas nesta fé expressamos alegria: para nós a Igreja está viva, mesmo que sendo uma minoria”.

Cardeal Betori explicou aos jornalistas que: “O Sínodo não termina aqui, mas ainda haverá as propositiones finais e a Exortação Apostólica do Papa”, por isso a mensagem apresentada hoje é mais um incentivo” para as Igrejas do mundo, enquanto as propostas concretas incidirão na lista de proposições apresentadas ao Papa, e será anunciada amanhã.

Os dois últimos temas levantados durante a conferência de imprensa foram o “acompanhamento” da Igreja aos divorciados e o papel das mulheres após a publicação da mensagem. Quanto ao primeiro ponto, o cardeal Betori explicou que “a definição do problema” na mensagem final “é a mesma que tivemos a alegria de ouvir no Encontro das Famílias, em Milão, por parte do Papa”. O documento fala da necessidade de acompanhar esta realidade, e “a forma de acompanhamento – disse – concretamente deve ser encontrado, mas reafirmando a disciplina do acesso aos sacramentos”.

Para as mulheres, o cardeal ressaltou que o texto reafirma o seu papel fundamental na família e na evangelização e que “na edição final ressuscitam também os pais!”; no esboço decidiu-se lembrar o papel da mãe e do pai.

Concluída a conferência, à pergunta de ZENIT sobre a humildade da Igreja, e como esse aspecto pode torná-la mais “atraente” para os jovens e para a sociedade, Dom Tagle respondeu: “Para a Igreja, a humildade não é uma estratégia: é a maneira de ser de Jesus, o modo em que Deus se revelou a nós em Jesus”. Então, ele advertiu: “Não acho que temos outra escolha a não ser a humildade”.

(Trad.MEM)

* Bispos dos EUA: A Nova Evangelização começa com a conversão pessoal.

domingo, outubro 21st, 2012

ACI

- O Secretariado de Evangelização e Catequese da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), publicou um documento de sete pontos de reflexão sobre a Nova Evangelização, como parte das celebrações em torno do início do Ano da Fé e o 50º aniversário do Concílio Vaticano II.

Os Prelados americanos assinalam que a Nova Evangelização não pode ser distinta em conteúdo àquela que a Igreja sempre realizou. A guia de reflexão enumera sete características da iniciativa:

1.- “Não é nova em conteúdo, mas nova na sua energia e enfoque”. Diante de um mundo que procura respostas para as inquietudes mais profundas, “é um chamado a compartilhar Cristo e trazer o Evangelho, com renovada energia e através de métodos em constante mudança, a novos e diferentes públicos”.

2.- “Esta começa com a conversão pessoal”. A guia recorda que o Papa Bento XVI falou do processo de alimentar a própria fé para assim poder irradiá-la como ilustra a parábola do pequeno grão de mostarda do qual pode sair uma grande árvore.

“A Nova Evangelização começa internamente e se estende para fora. Estamos chamados a aprofundar nossa própria fé para melhor compartilhá-la com os demais”, explica o texto. “A conversão a Cristo é o primeiro passo”.

3.- “É para crentes e não crentes”. A Igreja faz o chamado a reanimar a prática da fé àqueles que comparecem à Eucaristia dominical, aos católicos inativos ou àqueles que não consideram que a religião seja parte de sua vida.

Os crentes são um alvo concreto também porque, como assinalou o Arcebispo da Filadelfia, Dom Charles Chaput, às vezes “as pessoas mais difíceis de serem evangelizadas são as que pensam que já estão convertidas”.

4.- “Trata-se de um encontro pessoal com Jesus Cristo”. A condição necessária para compartilhar a fé é ter experientado anteriormente a presença de Cristo na própria vida. Este encontro é o que promove a Nova Evangelização. “Os esforços mais autênticos e eficazes são os mais próximos a Cristo”, recorda a guia.

5. “Não é um momento isolado, mas uma prática contínua”. O texto recorda que o processo de conversão e de encontro com Cristo deve ser constante e dura toda a vida. Para isso, a Igreja conta com um grande tesouro.

“Os católicos têm a bênção de encontrar o seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, nos sacramentos”. Desta fonte se alimenta o espírito para poder viver de uma forma que reflita o amor de Deus a outros.

6.- “Está feita para rebater a cultura secular”. A guia recorda que os cristãos devem ir contra a corrente que se afasta de Deus e da religião. Ao contrário, devem compartilhar a Cristo com entusiasmo, de palavra, pensamento e com o testemunho de suas vidas.

“Por isso o Papa Bento XVI motiva os católicos a estudarem a vida dos Santos neste Ano da Fé e a aprender do seu exemplo”, explica o documento, que também cita uma célebre frase de G.K. Chesterton, um dos mais notórios autores conversos do século XX: “Cada geração é convertida pelo santo que mais a contradiz”.

7.- A  Nova Evangelização “é uma prioridade da Igreja”. Esta foi uma das prioridades dos 26 anos de pontificado do beato João Paulo II. De igual forma, Bento XVI criou o Pontifício Conselho para a Nova Evangelização e fixou este tema para o presente Sínodo dos Bispos. Os bispos dos Estados Unidos elaboraram um importante documento que fomenta o retorno dos católicos inativos à vida de fé.

“A Nova Evangelização tem um sentido de urgência”, conclui a guia de reflexão, “uma urgência de que todos os católicos abracem a graça de seu chamado batismal e compartilhem a Boa Nova de Jesus Cristo com sua família, seus amigos e seus vizinhos”.

* Você sabe o que é o “Sínodo” e por que foi convocado pelo Papa Bento XVI?

domingo, outubro 7th, 2012

Antonio Gaspari

Na cidade de Loreto, o Papa Bento XVI confiou à intercessão de Maria, o Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização (7 a 28 de outubro de 2012) e o Ano Fé (11 de outubro de 2012 – 24 de Novembro de 2013).

Os trabalhos do Sínodo dos Bispos, XIII Assembléia Geral Ordinária sobre o tema da “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã” começarão segunda-feira, 8 de outubro.

Mas, o que é um Sínodo? Por que foi convocado? Quem participa? O que é discutido? Qual é a importância dos documentos produzidos pelo Sínodo?

Para encontrar respostas a estas e a outras perguntas ZENIT realizou uma breve pesquisa.

Como indicado pelo site oficial da Santa Sé, o Sínodo dos Bispos é uma instituição permanente decidida pelo Papa Paulo VI em 15 de setembro de 1965, em resposta ao desejo dos Padres do Concílio Vaticano II de manter vivo o espírito de colegialidade episcopal formada pela experiência conciliar.

A assembléia dos Bispos se refere à antiga tradição sinodal da Igreja, mas é uma novidade do Concílio Vaticano II.

Sínodo é uma palavra grega “syn-hodos”, que significa “reunião”, “assembléia”. O Sínodo é, de fato, um lugar de encontro para os bispos, ao redor do Papa que o convoca como um instrumento para “consulta e colaboração”.

É, portanto, um lugar para a troca de informações e experiências, para a busca comum de soluções pastorais válidas universalmente.

Para resumir, o Sínodo dos Bispos pode ser definido como uma assembléia do episcopado católico, que tem a tarefa de ajudar seguindo os conselhos do Papa, no governo da Igreja universal.

Diante da possibilidade levantada por alguns prelados, de estruturas sinodais que poderiam ter um poder legislativo e executivo, o Papa Paulo VI, em seu discurso à Cúria Romana (21 de Setembro de 1963), na abertura da segunda sessão do Concílio (29 de setembro 1963) e no seu encerramento (04 de dezembro de 1963) retornou ao conceito de colaboração do episcopado com o Sucessor de Pedro na responsabilidade de governar a Igreja universal.

Em 15 de setembro de 1965, no início da Assembléia Geral da 128° Congregação geral do Concílio Vaticano II, mons. Pericle Felici, Secretário-Geral do Concílio, anunciou a promulgação do Motu Proprio Apostolica sollicitudo , com o qual o Sínodo foi oficialmente instituído.

Um novo regulamento do Sínodo foi aprovado em 2006 pelo Papa Bento XVI.

Inúmeras vezes foi enfatizado pelas autoridades competentes que o Sínodo foi concebido e continua a ser, um importante órgão consultivo, com a tarefa de discutir o assunto em questão e formular “propostas” que são levadas à atenção do Papa.

O Papa juntamente com os seus colaboradores e os diversos Dicastérios da Cúria, obtém idéias, avalia, aprofunda o conteúdo das propostas, e em seguida, escreve e publica uma “Exortação Apostólica pós-sinodal”, ou seja, um documento que recolhe, reelabora, apresenta quais propostas foram acolhidas e em que direção deve continuar.

Sobre a escolha dos participantes do Sínodo, se procede por representatividade. Participam do Sínodo bispos eleitos e pessoas indicadas pelas diversas Conferências Episcopais, ou seja, pelos prelados de uma nação ou continente.

O Papa, por sua vez, nomeia cardeais, bispos, religiosos, reitores, líderes de movimentos e associações que participarão do Sínodo como padres sinodais e especialistas.

Para o Sínodo,o Papa Bento XVI nomeou 13 cardeais, 23 bispos e arcebispos, 44 especialistas e 49 auditores.

A transparência e a leitura do que será discutido são garantidas. Uma ou duas vezes por dia será publicado na versão impressa e on-line o “Boletim do Sínodo dos Bispos” (Synodus Episcoporum Bollettino), onde será possível ler os resumos de todos os discursos.

A primeira fase de preparação para o Sínodo, como de costume, analisa a elaboração do Lineamenta, um texto base cuja intenção é refletir sobre o tema proposto.

Com o Lineamenta e o relativo questionário são reunidas as respostas da Igreja, das Conferências Episcopais, dos Dicastérios da Cúria Romana e da União dos Superiores Gerais, e os comentários de bispos, sacerdotes, pessoas consagradas, teólogos e fiéis leigos.

Os diversos pareceres são recolhidos e resumidos em um Instrumentum Laboris. Depois de ser submetido à aprovação do Santo Padre, o documento é traduzido nas principais línguas e enviado a todos os bispos.

Apesar de ser público o Instrumentum laboris não é uma versão do que será a conclusão, mas sim um documento indicativo que será objeto de discussão durante o Sínodo.

* Dom Jacinto Brito esclarece matéria publicada no site Folha de São Paulo.

terça-feira, setembro 25th, 2012

O arcebispo de Teresina (PI), dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, repudiou a publicação de uma matéria no site da Folha de São Paulo em que foram utilizadas, sem o seu conhecimento e sem a sua autorização, palavras “pinçadas” de uma longa entrevista concedida exclusivamente à Revista Cidade Verde.  De um contexto de 22 perguntas com longas e aprofundadas respostas, o jornalista, levianamente, extraiu de maneira sensacionalista expressões que repercutiriam de forma pejorativa e negativamente com relação à postura do arcebispo para com a Igreja Católica.

Assim, para tirar qualquer dúvida, dom Jacinto reafirma a doutrina comum da Igreja: “O Papa é infalível, quando: ex cathedra – fala de fé e moral. O Magistério Ordinário do Romano Pontífice é para ser sempre acolhido e seus ensinamentos postos em prática”.

Quanto ao Celibato, declara e afirma: “O celibato é um dom do Espírito à Igreja de Cristo, que sempre será recebido por muitos homens e mulheres. A respeito da disciplina do celibato relacionada à admissão ao sacerdócio, repeti a prática da Igreja: ela nem sempre existiu como norma. O Oriente Cristão mantém a prática de padres casados e celibatários. Recentemente, o papa Bento XVI permitiu que padres anglicanos, ordenados padres católicos, continuassem com suas famílias. Em suma, o Papa pode mudar essa disciplina, quando achar conveniente, mas o dom do celibato será sempre uma riqueza para a Igreja de Cristo e sinal do Reino futuro”.

É fundamental ressaltar que em ambos os casos, dom Jacinto apenas ilustrou as suas respostas com exemplos que não são afirmativas suas, mas relatos de situações vivenciadas hoje na Igreja.

Ainda na matéria, o jornalista faz afirmações falsas, declarando que o arcebispo de Teresina era ligado à Teologia da Libertação nos anos 80. “Não sou teólogo e jamais me filiei a qualquer movimento ligado à Teologia da Libertação. Meu ministério teve sempre a marca da catequese, do zelo pelas vocações sacerdotais e da ênfase na centralidade da Eucaristia”.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/site/regionais/nordeste-4/10379-dom-jacinto-brito-esclarece-materia-publicada-no-site-folha-de-sao-paulo

* Maioria dos católicos americanos estão satisfeitos com seus bispos.

segunda-feira, setembro 17th, 2012


A maioria dos católicos dos Estados Unidos consideram-se satisfeitos com o trabalho dos bispos de seu país. Segundo a AICA, esse é um dos dados que revela uma informação da “Catholics Share Bishops’ Concerns about Religious Liberty”, que foi realizado pela The Pew Forum on Religion & Public Life.

Trata-se de um dado relevante e esperançoso se for considerado que em junho de 2002, apenas 51% dos católicos americanos declarava-se satisfeito com os prelados estadunidenses. Em dez anos a aprovação subiu 19%. Hoje 70% dos católicos estão satisfeitos com seus pastores. Quando perguntado sobre o bispo de sua diocese particular, a aprovação chega a 74%. Em 2002 esse índice de aprovação não ultrapassava 65%.

A que se deve essa subida de aprovação? Segundo a “Catholics Share Bishops”, essa elevação no índice está diretamente relacionado com a postura assumida pelos bispos cjom relação às leis anti vida e anti familia nos diferentes Estados e a nível Federal

* Eleições 2012: Dom Orani Tempesta conclama sociedade para a defesa da vida!

domingo, setembro 16th, 2012

* Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani Tempesta, é o novo presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional.

sábado, agosto 25th, 2012

O Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, é o novo presidente do Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. Escolhido por unanimidade pelos membros do colegiado, a posse aconteceu no último dia 8 de agosto, para um mandato de dois anos. Composto por 13 titulares e 13 suplentes, o Conselho atua como órgão auxiliar do Congresso Nacional, tendo como atribuição a elaboração de estudos, pareceres e recomendações sobre temas relacionados à comunicação e à liberdade de expressão.

Responsabilidade

De acordo com Dom Orani, cada segmento da sociedade brasileira é formado por cidadãos que têm o desejo e o direito de se comunicar, de se expressar e de fazer conhecer as próprias ideias. A presença de um bispo da Igreja Católica no Conselho expressa a postura favorável da sociedade ao direito que assiste a todos os cidadãos: o direito de expor o seu pensamento.

“A eleição como presidente para este mandato é um compromisso muito sério. Como escolhido, devo cuidar e zelar para que se respeite o direito de todos os conselheiros de fazer ouvir suas vozes, de se comunicar. Para mim é uma grande responsabilidade assumir este serviço ao Congresso Nacional”, disse.

Respeito à liberdade de todos

Quanto à questão do proselitismo religioso nas rádios e TVs brasileiras, Dom Orani recorda que todas as potencialidades humanas devem ser exercidas em favor do bem comum e para a promoção coletiva e de cada indivíduo.

Neste sentido, lembra o presidente, que a Constituição deve orientar qualquer questão, onde cada segmento da sociedade, sejam religiosos ou não, são chamados a exercer seu direito de comunicar seu pensamento, sempre respeitando aos demais segmentos e a liberdade de todos.

“Não podemos ter cidadãos de segunda classe sem algum direito apenas por ter ideias de algum segmento. As leis farão sua parte para que sejam respeitados os valores humanos e da liberdade”, pontua Dom Orani.

Programação de qualidade

Uma das preocupações do novo presidente e, consequentemente dos telespectadores, é a questão da qualidade dos programas veiculados pelas rádios e TVs.

Dom Orani assinala sobre os riscos das limitações, como exemplo é o caso da TV aberta, pelo fato que dependem de patrocínios e da classificação de audiência. Mas que o caminho, acrescentou, deve ser o aprimoramento, para oferecer ao povo brasileiro um serviço cada vez melhor.

“Como nada é perfeito, temos produções de qualidade duvidosa, mas também um número significativo de bons programas. Certamente, quanto mais programas promovendo valores como a família, a educação e pela promoção da saúde e dos valores éticos, melhor”, pontuou.

Marco Regulatório

A primeira reunião do Conselho está agendada para o dia 3 de setembro, em Brasília. Um dos assuntos da pauta, que está sendo cuidadosamente planejada, é referente ao Marco Regulatório, dada a sua importância e a carência da legislação brasileira nessa área.

“O Marco Regulatório deve ser um tema constante em nossos encontros, mas acredito que a pluralidade de ideias e experiências dos membros do Conselho poderá somar valiosas contribuições para a definição desse tão esperado instrumento de conduta para a nossa mídia”, lembrou Dom Orani.

Experiência em comunicação

Ainda como padre, na diocese paulista de São João da Boa Vista, Dom Orani já atuava na área de comunicação. Depois de ordenado ao episcopado, exerceu várias funções de relevância em âmbito nacional. Desde 1998, atua como membro do conselho superior do Instituto Brasileiro de Comunicação Cristã (Inbrac), mantenedor da RedeVida de Televisão e, por dois mandatos, como presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Enquanto arcebispo de Belém, no Pará, foi presidente da Fundação Nazaré de Comunicação, composta de rádio, jornal, portal e TV.

Dom Orani lembra que o seu trabalho junto à Pastoral da Comunicação certamente agregou conhecimento e experiência, seja do ponto de vista do avanço tecnológico, como das expectativas da sociedade plural.
“Mais do que conhecimento, os cargos exercidos deu-me consciência da grande importância do tema e suas potencialidades, tendo em vista a promoção do bem comum. Eles me ajudaram a ter uma visão global do assunto e das dificuldades que existem nessa disputa, que supõe disputa de poder e de influência na sociedade”, concluiu. (SP)

* Sobre imagens e símbolos, no funeral de D. Eugenio Sales.

quinta-feira, julho 12th, 2012

Jorge Ferraz

A foto abaixo foi compartilhada à exaustão ontem tanto no Facebook quanto na blogosfera católica. Pesquisando um pouco, cheguei à sua [mais provável] fonte original que é esta galeria de imagens da UOL, na qual podem inclusive ser vistas outras imagens da alva guardiã do féretro do Eminentíssimo cardeal brasileiro recém-falecido.

Como sempre, houve entre os críticos da religião quem se incomodasse com o fato de uma pomba branca ter passado tanto tempo ao lado do ataúde cardinalício. Depois das primeiras levianas acusações de montagem terem sido desmentidas pela profusão das fontes testemunhas primárias, passou-se rapidamente às buscas de causas naturais para o fenômeno, não raro chegando a acusações (igualmente levianas) de fraude deliberada. Isto como se nós, os religiosos, tivéssemos em algum momento insinuado que a pomba branca era uma demonstração cabal da existência de Deus ou coisa parecida, ou como se os inimigos de Deus tivessem perdido as aulas básicas de lógica elementar e acreditassem sinceramente, por algum irracional e nonsense ato de fé, que refutar uma demonstração é equivalente a demonstrar a falsidade da tese em análise.

E não é a primeira vez que isso acontece. Coisa idêntica foi feita diante, p.ex., da cruz em pé no meio dos escombros aos quais foi reduzida uma igreja no Haiti quando houve um terremoto, ou diante da pequena imagem de Nossa Senhora das Graças deixada em pé após as enchentes de Petrópolis no início do ano passado. Ou quando foi divulgada uma imagem de um batismo na Espanha na qual a água derramada pelo padre formava uma cruz. Eu aproveito a oportunidade da – belíssima! – imagem dos funerais de D. Eugenio Sales para repetir o que eu já falei algures sobre o assunto.

Em uma palavra, os (auto-intitulados) livres-pensadores têm uma absurda dificuldade em entender um símbolo (ou uma extraordinária má-vontade em aplicar este conceito a assuntos religiosos). É como se a única forma de uma imagem ser verdadeira seria se ela correspondesse perfeitamente à realidade empírica, e – pior! – contendo em si mesma todas as informações necessárias para explicitar sem margem de dúvida razoável a cadeia completa de causas materiais que a produziram. Pior ainda é quando atribuem uma falsa intenção a quem divulga a imagem e, não encontrando nela elementos suficientes para demonstrar aquela alegada intenção, classificam a imagem como falsa e quem a divulga como um enganador.

Por exemplo, a presente imagem da pomba acompanhando o esquife do cardeal. Foi dito – de maneira até inexplicavelmente agressiva – que é perfeitamente possível fazer uma pomba ficar num caixão sem que isto prove a existência de Deus. Oras, mas é claro que é possível, e de incontáveis maneiras: a pomba podia ser treinada, podia ser uma pomba de estimação do cardeal, podia haver algum vestígio de substância (p.ex., farelo de pão) sobre o caixão que a tivesse atraído, ou simplesmente a pomba pode ter ficado lá porque ela precisava ficar em algum lugar e calhou de ser em cima do caixão, etc. Na verdade, isto importa bem pouco, porque o ponto aqui é outro: é a força da imagem de uma pomba branca velando o corpo de um cardeal da Santa Igreja, e a mensagem aqui transmitida não perde o seu vigor dependendo da forma como a cena foi produzida.

Não existem somente as (na falta de expressão melhor) “verdades factuais”. Por exemplo – e este os ateus hão de entender -, quando alguém vê um conjunto de bolinhas e de linhas curvas em certa disposição, sabe que aquilo é um átomo. Pouco importa se o átomo “de verdade” não é exatamente assim (e as “bolinhas”, longe de serem indivisíveis, são formadas por diversas outras partículas sub-atômicas, e os elétrons não descrevem bem movimentos elípticos e são melhor representados por funções de probabilidade, etc.), aquilo é um átomo. Ainda por exemplo (os ateus façam uma forcinha para entenderem esta), aquele quadro que tem na igreja do Senhor do Bonfim em Salvador e que retrata a morte do ímpionão significa que os demoniozinhos são bípedes com caras de monstros e que ficam fisicamente puxando o moribundo para impedi-lo de [até mesmo involuntariamente] estender os braços em direção à cruz que lhe é oferecida. Um sujeito que dissesse que este quadro é “falso” ou “mentiroso” por conta disso não entendeu, absolutamente, qual é o propósito do quadro, e está preso em uma visão tosca de um emaranhado de elementos sensíveis com relação aos quais não tem, absolutamente, a menor visão de conjunto.

A majestosa ave ebúrnea posta como atalaia do corpo do eminentíssimo cardeal Eugenio Sales ao longo de todo o cortejo fúnebre não tem verdades metafísicas a comunicar com a autoridade de um emissário dos Céus. Aliás, até mesmo para os católicos, a sua presença não deve ser tomada como um sinal inequívoco de que o egrégio purpurado encontra-se já na Glória de Deus. Mas ela serve, sim, como um sinal de esperança na misericórdia divina; como uma homenagem – justíssima, por certo, independente de quem a tenha preparado – ao general que parte (sobre homenagens, aliás, vale ler o frei Rojão), convidando-nos a continuar aqui na terra o seu trabalho e a oferecer-lhe, como gratidão pelo bem realizado, o sufrágio de nossas orações. Que o Senhor lhe dê o descanso eterno, e a luz perpétua brilhe sobre ele. Descanse em paz, Dom Eugenio Sales.

Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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Comentários
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