Artigo da ‘Ciência e fé’ Categoria

* A ciência não pode ser dogmática, ela inova por romper os paradigmas dominantes.

domingo, agosto 8th, 2010

Tem uma propaganda do canal FUTURA, que passa na Globo, que lança ao ar várias perguntas, dentre elas uma que questiona até quando a ciência e a fé irão  “discutir” em busca da verdade definitiva..( Apresentam a imagem de Einsten, nesta ocasião)

Parece-me que a questão foi muito mal colocada, já que NÃO  EXISTE CONTRADIÇÃO DENTRO DA  VERDADE.

A fé e a ciência tem como busca essencial a Verdade e se complementam dentro de suas respectivas competências.

Não se precisa ter medo do conhecimento HUMILDE.

Precisa-se temer é a ignorância e a perca da noção de Deus como fonte de toda a verdade, deve-se temer é o intelectualismo orgulhoso, não orante, presunçoso e endeusado.O racionalismo estéril.

Fé e razão são duas asas do conhecimento humano, já nos afirmava o Papa João Paulo II.

Esse artigo apresenta exatamente este convite para que a ciência não se perca em seus dogmatismos , assumindo áreas que pertencem a religião e desfocando sua missão tão importante para a humanidade.

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“Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento?

Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade?”, pergunta Umberto Eco, professor de semiótica, crítico literário e romancista, em artigo publicado no jornal The New York Times e traduzido pelo portal UOL

Um artigo recente no jornal italiano “Corriere della Sera” discutia a natureza da investigação científica. O escritor Angelo PanebiancoPanebianco, no contexto de certas simplificações jornalísticas que transformam o que era meramente uma hipótese prudente em “verdades” estabelecidas. argumentou que a ciência é por definição antidogmática porque ela atua por tentativa e erro e está baseada no princípio da falibilidade, que sustenta que o conhecimento humano nunca é absoluto e está num fluxo constante.

Mas a ciência também se arrisca a ser dogmática quando não consegue questionar o paradigma aceito por uma determinada cultura ou época. Quer as ideias estejam baseadas nas de Darwin, de Einstein ou Copérnico, todos os cientistas seguem um paradigma para eliminar teorias que saem de sua órbita – como a crença de que o Sol gira em torno da Terra.

Como podemos conciliar a necessidade de paradigmas da comunidade científica com o fato de que a verdadeira inovação só acontece quando alguém consegue lançar dúvidas sobre as ideias dominantes do momento?

Será que a ciência não se comporta de forma dogmática quando se entrincheira atrás dos muros de um determinado paradigma para defender seu poder e rotula como heréticos todos aqueles que desafiam sua autoridade?

A questão é importante. Será que os paradigmas sempre devem ser defendidos ou desafiados?

Uma cultura (entendida como sistema de costumes e crenças herdados e compartilhados por um determinado grupo) não é meramente uma acumulação de dados; é também o resultado da filtragem desses dados. Qualquer cultura é capaz de descartar o que não considera útil ou necessário – a história da civilização é construída sobre informações que foram enterradas e esquecidas.

Em seu conto “Funes el Memorioso” de 1942, Jorge Luis Borges conta a história de um homem que se lembra de tudo: cada folha de uma árvore, cada rajada de vento, cada sabor, cada sentença, cada palavra. Mas por esse mesmo motivo Funes é um completo idiota, um homem imobilizado por sua incapacidade de selecionar e descartar. Nós dependemos de nosso subconsciente para esquecer. Se temos um problema, sempre podemos ir a um psicanalista para recuperar quais memórias nós descartamos por engano. Felizmente, todo o resto foi eliminado. Nossa alma é o produto da continuidade dessa memória seletiva. Se todos nós tivéssemos almas como a de Funes, seríamos desalmados.

Uma cultura opera de forma semelhante. Seus paradigmas, que são constituídos pelas coisas que nós preservamos e por nossos tabus em relação ao que descartamos, resultam de compartilhar essas enciclopédias pessoais. É sobre o pano de fundo dessa enciclopédia coletiva que travamos nossos debates. Para que uma discussão seja compreendida por todos, precisamos começar a partir dos paradigmas existentes, mesmo que apenas para mostrar que eles não são mais válidos. Sem a rejeição do paradigma ptolomaico então dominante, o argumento de Copérnico de que a Terra girava em torno do Sol teria sido incompreensível.

Hoje a internet é como Funes. Como uma totalidade de conteúdo, não filtrado nem organizado, ela oferece a qualquer um a capacidade de criar sua própria enciclopédia ou sistema de crenças. Num contexto como este, uma pessoa pode simultaneamente acreditar que a água é composta de hidrogênio e oxigênio e que o Sol gira em torno da Terra. Teoricamente, é concebível que um dia possamos viver num mundo no qual existam 7 bilhões de paradigmas diferentes, e a sociedade seria então reduzida ao diálogo fraturado de 7 bilhões de pessoas todas falando uma língua diferente.

Felizmente, essa noção é meramente hipotética, mas o argumento em si só é possível precisamente porque a comunidade científica se baseia nas ideias comuns compartilhadas, sabendo que para derrubar um paradigma é preciso primeiro que exista um paradigma a ser derrubado. A defesa desses paradigmas pode levar ao dogmatismo, mas o desenvolvimento do novo conhecimento é baseado exatamente nessa contradição. Para evitar conclusões apressadas, eu concordo com o cientista citado no artigo de Panebianco: “Eu não sei. É um fenômeno complexo; terei que estudá-lo.”

* Novo site para perguntas existenciais do homem. Imperdível!

quarta-feira, julho 21st, 2010

Deus existe?

Deus existe?

Por Inmaculada Álvarez

O Instituto «John Henry Newman», da Universidade Francisco de Vitoria (Madri, Espanha), lançou um site (www.elsentidobuscaalhombre.com) no qual se pretende oferecer um espaço de diálogo entre a fé e a razão, abordando, segundo seus criadores, «as perguntas sobre o sentido da existência humana que os homens sempre se fizeram, e que hoje parecem esquecidas».

Segundo explica a editora da página e membro do Instituto, Rocío Solís Cobo, o Instituto «John Henry Newman» foi criado na universidade como um departamento próprio para propiciar o diálogo entre a razão e a fé. «Nosso objetivo é provocar, tanto alunos como professores, para que pensem nas perguntas existenciais que todos temos dentro».

«Os temas que tocamos no Instituto são ‘temas fronteira’, aos que se busca dar respostas desde a fé, a razão, a ciência e a filosofia, nessa ‘fronteira’ na qual a razão humana se encontra frente ao mistério», explica.

O site foi criado, segundo Rocío Solís, para dar visibilidade às atividades do Instituto, assim como para criar uma «comunidade pensante» na web. Entre estas atividades, destaca-se o seminário «O sentido busca o homem», que se celebra no recinto universitário e do qual o site tomou o nome.

«No seminário, partindo de uma pergunta sobre a existência do homem, chegamos à questão de se o cristianismo tem credibilidade desde a razão ou se trata de uma mera superstição». De fato, a idéia, segundo a editora, é que este curso possa ser feito on-line através do site.

Outra das atividades são as «Horas Newman»: trata-se de uma sessão de uma hora ao mês na qual se propõe uma pergunta existencial (a morte, o amor, a liberdade, o sofrimento, a existência de Deus…) para introduzir o tema, provocar as perguntas e não tanto dar respostas».

«As ‘Horas Newman’ têm bastante êxito, temos uma média de 100 participantes, entre professores e alunos. Um dado muito positivo, levando em conta que não há nenhuma obrigação nem reconhecimento acadêmico por assistir, e que muitas vezes inclusive coincide com horários de aula», explica Rocío Solís.

 Ví as belezas da terra e minha alma sonhou com o céu!Sta Teresinha.

" Ví as belezas da terra e minha alma sonhou com o céu!"Sta Teresinha.

O site também oferece três conteúdos temáticos: «em busca de Deus», «em busca do homem» e «em busca do mundo», nos quais se oferecem textos e documentos sobre as questões mais variadas que tenham relação com estes temas.

O Instituto foi criado há muito tempo na Universidade Francisco de Vitoria como um organismo independente que servisse de apoio a todas as Faculdades. É dirigido pelo sacerdote Florencio Sánchez L.C., e é coordenado pela médica e antropóloga Sara de Jesús, professora da universidade.

«O nome de Newman foi eleito porque esse cardeal inglês converso é uma referência por sua busca da verdade, que através da razão o levou ao catolicismo, apesar de que seu meio não o ajudava muito a dar este passo. Para nós, o objetivo é o mesmo, queremos mostrar que o cristianismo é racional, que Cristo é racional. Que para ser católico, como dizia Chesterton, não se deve cortar a cabeça, porque a busca da verdade científica não é incompatível com a fé», acrescenta Solís.

* Eutanásia. Existem vidas e “vidas”?

sexta-feira, junho 25th, 2010
André Gonçalves Fernandes

Etimologicamente, eutanásia procede do grego (“eu” – bem, “thanatos” – morte) e significa morte sem sofrimento. Atualmente, é definida como uma operação voluntária para se propiciar uma morte por motivos de piedade: quer para se evitar sofrimentos fortes aos doentes, quer para se impedir um futuro doloroso a uma vida humana sem valor.

Numa visão panorâmica da história da humanidade, vários povos praticaram diversas formas de eutanásia. Platão, em “A República”, escreveu que “estabelecerás no Estado um disciplina e uma jurisprudência que se limite a cuidar dos cidadãos sãos de corpo e de alma, deixar-se-ão morrer aqueles que não sejam sãos de corpo”. Com exceções, como o juramento de Hipócrates (460 a.C.), base da deontologia médica, na Antiguidade, o respeito pela vida humana ainda engatinhava.

Com o advento do Cristianismo, renovou-se a mentalidade também neste aspecto, contudo, atualmente, vive-se um processo inverso. No segundo quarto do século XX, fundaram-se as primeiras organizações a favor da eutanásia. Por volta da década de 70, propagou-se a prática do “living will” (testamento biológico), uma declaração de última vontade, na qual o interessado manifestava que, no caso de padecimento de uma doença incurável e dolorosa, ele renunciaria a todos os meios terapêuticos extraordinários para o prolongamento de sua vida, em favor de uma “morte suave”.

Dentro de um processo de evolução das argumentações, muitas vezes defendidas por laureados pela Academia de Estocolmo, em prol do “homicídio por piedade”, não existe um marco objetivo e seguro que distancie a defesa deste tipo de morte da necessidade de eliminação de vidas “inúteis”, pois a premissa é igual: a negação do caráter sagrado de qualquer vida humana.

O nazismo foi um caso paradigmático das consequências da mentalidade eutanásica. Os programas de eutanásia não foram simples resultante da doutrina nazista, mas o ápice de um movimento intelectual iniciado nos anos vinte, com a publicação das obras do psiquiatra do Holocausto, Alfred Hoche, e do jurista do Holocausto, Karl Binding.

Ambos sustentavam a tese de que há seres humanos sem qualquer valor vital e preconizavam a eliminação pura e simples dos incuráveis, ressaltando os benefícios financeiros daí decorrentes, diante da carga econômica que tais pessoas representavam. Não admira que as atrocidades nazistas, maquinadas pelos pensadores do regime, tiveram seu pedestal teórico nas obras daqueles que especularam sobre a vida sem qualquer valor vital.

A primeira aplicação da aludida tese veio com a lei para a prevenção de doenças hereditárias (1933), a justificar a esterilização obrigatória para a prevenção da imbecilidade, da loucura, da surdez, da cegueira e do alcoolismo. Foi o começo do assassinato em massa dos pacientes psiquiátricos, já que era mais barato matá-los a manter as casas de recuperação e hospitais de tratamento.

Muitos médicos alemães daquela época foram influenciados por argumentos utilitaristas, que rejeitavam qualquer vetor ético que impusesse valores absolutos como o da vida humana. Aceitavam a doutrina sociológica de que o controle da vida é função indelegável da sociedade, a qual deve julgar e atuar com base em critérios estritamente materialistas, como a explosão demográfica e as necessidades sócio-econômicas de um povo.

Assim, tudo começou com o endosso da premissa da teoria eutanásica: existem vidas dignas de serem vividas e outras não. O que se referia, no início, aos doentes crônicos, ampliou-se para os socialmente improdutivos, os ideologicamente não alinhados, os indesejados racialmente e, ao cabo, atingiu todos os não alemães. Eis a lógica macabra da eutanásia.

* Idosos fogem da Holanda com medo da eutanásia.

quinta-feira, junho 24th, 2010

Asilo na Alemanha converte-se em abrigo para idosos que fogem da Holanda com medo de serem vítimas de eutanásia a pedido da família. São quatro mil casos de eutanásia por ano, sendo um quarto sem aprovação do paciente.

O novo asilo na cidade alemã de Bocholt, perto da fronteira com a Holanda, foi ao encontro do desejo de muitos holandeses temerosos de que a própria família autorize a antecipação de sua morte. Eles se sentem seguros na Alemanha, onde a eutanásia tornou-se tabu depois que os nazistas a praticaram em larga escala, na Segunda Guerra Mundial, contra deficientes físicos e mentais e outras pessoas que consideravam indignas de viver.

A Holanda, que foi ocupada pelas tropas nazistas, ao contrário, é pioneira em medidas liberais inimagináveis na maior parte do mundo, como a legalização de drogas, prostituição, aborto e eutanásia. O povo holandês foi o primeiro a ter o direito a morte abreviada e assistida por médicos. Mas o medo da eutanásia é grande entre muitos holandeses idosos.

Estudo justifica temoresUma análise feita pela Universidade de Göttingen de sete mil casos de eutanásia praticados na Holanda justifica o medo de idosos de terem a sua vida abreviada a pedido de familiares. Em 41% destes casos, o desejo de antecipar a morte do paciente foi da sua família. 14% das vítimas eram totalmente conscientes e capacitados até para responder por eventuais crimes na Justiça.

Os médicos justificaram como motivo principal de 60% dos casos de morte antecipada a falta de perspectiva de melhora dos pacientes, vindo em segundo lugar a incapacidade dos familiares de lidar com a situação (32%). A eutanásia ativa é a causa da morte de quatro mil pessoas por ano na Holanda.

Margem para interpretação fatal – A liberalidade da lei holandesa deixa os médicos de mãos livres para praticar a eutanásia de acordo com a sua própria interpretação do texto legal, na opinião de Eugen Brysch, presidente do Movimento Alemão Hospice, que é voltado para assistência a pacientes em fase terminal, sem possibilidades terapêuticas. Para Brysch soa clara a regra pela qual um paciente só pode ser morto com ajuda médica se o seu sofrimento for insuportável e não existir tratamento para o seu caso. Mas na realidade, segundo ele, esta cláusula dá margem a uma interpretação mais liberal da lei.

Uma conseqüência imediata das interpretações permitidas foi uma grande perda de confiança de idosos da Holanda na medicina nacional. Por isso, eles procuram com maior freqüência médicos alemães, segundo Inge Kunz, da associação alemã Omega, que também é voltada para assistência a pacientes terminais e suas respectivas famílias.

A lei determina que a eutanásia só pode ser permitida por uma comissão constituída por um jurista, um especialista em ética e um médico. Na falta de um tratamento para melhorar a situação do paciente, o médico é obrigado a pedir a opinião de um colega. Mas na prática a realidade é outra, segundo os críticos da eutanásia e o resultado da análise que a Universidade de Göttingen fez de sete mil casos de morte assistida na Holanda.

* O lado obscuro da fecundação “in vitro”. O fim não justifica os meios.

terça-feira, junho 15th, 2010

Os fins justificam os meios?

Os fins justificam os meios?

Observadores não católicos denunciam um novo mercado com violações éticas

Por Pe. John Flynn, L.C.

É muito conhecida a oposição da Igreja Católica à fecundação in vitro (IVF), mas, recentemente, algumas destas práticas estão sendo questionadas até mesmo por observadores que não são identificados no ensino católico.

Um artigo publicado dia 10 de maio no New York Times considerava o tema de pagar mulheres para produzir óvulos para outros casais. Mencionava uma recente publicação de uma revista de bioética, The Hastings Center Report, que descobriu que o pagamento para mulheres jovens normalmente é feito de acordo com critérios industriais.

O estudo, de Aaron Levine, professor adjunto de políticas públicas no Georgia Institute of Technology, descobriu que um quarto dos 100 anúncios de óvulos publicados em jornais ofereciam mais de 10.000 dólares, limite estabelecido como quantidade máxima pela American Society for Reproductive Medicine.

Oferece-se mais dinheiro às mulheres de universidades prestigiadas e às que estão acima da média nos exames acadêmicos.

De acordo com o New York Times, quase 10.000 crianças nasceram em 2006 graças à doação de óvulos, cerca do dobro do ano 2000.

O artigo também fazia referência à preocupação com os riscos para a saúde das doadoras, principalmente porque as mulheres jovens podem não ser conscientes da seriedade de alguns destes efeitos secundários.

Os riscos à saúde foram explicados em um artigo publicado dia 3 de março na LifeNews.com. No mesmo, Jennifer Lahl, presidente do Center for Bioethics and Culture Network, encorajou as mulheres a repensar quaisquer planos que tivessem de doar seus óvulos.

Riscos

Os possíveis riscos incluem infarto, infecções, câncer e perda da fertilidade futura, Lahl advertiu.

Também sustentava que a doação de um óvulo não é semelhante à doação de um órgão. Neste segundo caso o doador assume riscos para salvar um enfermo ou um moribundo. Em contraste, a receptora de um óvulo não está doente, mas está comprando um produto.

“A sociedade condena legitimamente a venda ou pagamento por órgãos, para prevenir abusos e salvar vidas, enquanto isso grandes somas são dadas em pagamento às mulheres doadoras de óvulos, explorando suas necessidades por dinheiro”, afirmou Lahl.

Não só se incentiva às mulheres universitárias a venderem seus óvulos.

Ano passado, em uma conferência sobre fertilidade, a professora Naomí Pfeffer advertia que as mulheres de países pobres estão sendo exploradas em uma espécie de prostituição pelos ocidentais que estão desesperados para ter filhos, informava o jornal Times em 19 de setembro.

“A relação negocial é análoga à de um cliente e uma prostituta”, afirmava. “É uma situação sem igual porque é o único exemplo no qual uma mulher explora o corpo de outra mulher”, comentava Pfeffer.

Mães de aluguel

Outra prática que está sendo criticada é a das mães de aluguel. A Índia é um destino popular para os casais que buscam mulheres que carreguem seus filhos. Uma razão que favorece isto é a falta de leis que regulem o procedimento, algo sublinhado em um artigo publicado no jornal Times of India dia 11 de maio.

O artigo contava como, pela terceira vez no último ano e meio, crianças nascidas de mães de aluguel indianas sofreram dificuldades na hora de serem legalmente reconhecidos nos países dos seus pais genéticos.

Primeiro foi o de um bebê de um casal japonês, que levou seis meses pra ser resolvido, e, então, o de um casal alemão que teve que esperar meses pela cidadania do bebê nascido de uma mulher indiana. O último caso foi de um casal homossexual israelita que pediu a cidadania para seu filho de dois meses.

O artigo mencionava peritos que afirmavam que tais problemas não ocorreriam se a lei que tem sido debatida durante os últimos cinco anos fosse aprovada.

Um artigo publicado em 9 de maio no Sunday Times analisava a situação das mães de aluguel na Índia. Falava de Akanksha Infertility Clinic na cidade de Anand, dirigida pelo doutor Navana Patel e sua esposa, Hitesh. Desde 2003, 167 mulheres deram à luz 216 bebês nesta clínica, com outras 50 mães de aluguel atualmente grávidas.

Os casais pagam mais que 14.000 libras (20.682 dólares), dos quais um terço vai para a mãe de aluguel. As mulheres normalmente pertencem à casta inferior e vêm de aldeias pobres. De acordo com Sunday Times, a quantia que recém equivale a 10 anos de salário.

O artigo também explicava que na clínica de Anand, uma vez que as mães de aluguel ficam grávidas, passam a viver em “confinamento” e só podem sair para as consultas médicas. A seus maridos e filhos é permitida a visita aos domingos. Sunday Times relatava a angústia que sente as mulheres ao serem separadas de suas próprias crianças e o impacto emocional quando têm que entregar seu filho gerado.

Um artigo de 26 de abril publicado pelo jornal Toronto Star esboçava algumas perguntas sobre a situação na Índia. Em um caso, um casal canadense pagou a uma mulher da Índia como mãe de aluguel, mas quando os funcionários canadenses ordenaram testes de DNA nos gêmeos recém-nascidos, resultou que, ao invés dos óvulos fertilizados do casal, as crianças haviam nascido de outro casal desconhecido. É provável que agora os gêmeos sejam enviados a um orfanato.

Problemas legais

A parte da preocupação com a exploração das mulheres, o fenômeno das mães de aluguel está causando problemas legais complicados. Wall Street Journal considerava alguns dos extremos relacionados em uma reportagem 15 de janeiro.

No EUA oito estados aprovaram leis que proíbem em parte ou totalmente os contratos de mães de aluguel. Os tribunais de alguns estados rejeitaram dar validade a estes contratos, enquanto dez estados aprovaram leis que autorizam a maternidade de aluguél.

Alguns dos conflitos têm haver com discordâncias nos direitos das mães de aluguel, explicava o Wall Street Journal. Em dezembro, o juiz do estado de Nova Jersey, Francis Schulz, dizia em uma sentença que, apesar de ter sido firmado um contrato transferindo seus direitos maternais, Angelica Robinson teria tais direitos relativos ao bebê entregue a um casal homosexual, Donald Robinson-Hollingsworth e Sean Hollingsworth. Robinson é a irmã de Donald Hollingsworth.

Em seguida, veio uma outra torção para complicar o assunto, em um artigo de 26 de janeiro do New York Times que esboçava a questão: se um bebê pode ter três progenitores biológicos.

As recentes experiências de cientistas produziram macacos com um pai e duas mães, porque foi combinado material genético de óvulos das duas fêmeas. Se isto fosse feito com humanos, complicaria ainda mais as disputas pela maternidade de aluguel, afirmava o artigo.

Vida e amor

O uso de mães de aluguel e de terceiras partes na fecundação in vitro foi um dos temas tratados em um documento publicado em novembro passado pela Conferência Episcopal do Estados Unidos.

Em “Amor que dá Vida em uma Idade de Tecnologia”, os bispos mostravam sua proximidade aos casais que sofriam devido a problemas de fertilidade, mas indicavam que nem todas as soluções respeitam a dignidade da relação matrimonial do casal. O fim não justifica os meios e algumas tecnologias reprodutivas não são moralmente legítimas, eles afirmavam.

O documento encorajava a resistir à tentação de ter filhos produzidos ou feitos, como produtos da tecnologia. “As próprias crianças podem chegar se verem como produtos de nossa tecnologia, tal como bens de consumo, pelos quais os pagaram e têm ‘direito’ de esperar – e não como pessoas íntimas, iguais em dignidade aos seus pais e destinadas à felicidade eterna com Deus”, apontava.

Além do mais, introduzir terceiros, usando óvulos ou o esperma de doadores, ou pela maternidade de aluguel, viola a integridade da relação matrimonial, da mesma forma que seria violada com as relações sexuais com uma pessoa fora do matrimônio.

“As clínicas de fertilidade demonstram falta de respeito aos homens e mulheres jovens quando os tratam como bens, ao lhes oferecer somas grandes de dinheiro para doarem esperma ou óvulos com traços intelectuais, físicos ou pessoais específicos” acrescentava o documento.

Os bispos também observavam que estes incentivos monetários podem levar as mulheres a pôr em perigo a saúde durante o processo da extração de óvulos. Na realidade, há muitas boas razões para esboçar objeções sérias à fecundação in vitro.

* Sexo para engravidar “será coisa do passado”, afirmam cientistas.

sábado, maio 22nd, 2010

Cientistas dizem que método “natural” de concepção vai ser substituído pela fertilização in vitro em dez anos

Na linha do tempo dos relacionamentos o sexo passou de tabu para uma atividade de lazer.

Agora cientistas australianos dizem que a prática do sexo deve perder até a relevância reprodutiva nos próximos dez anos – uma teoria, no mínimo, polêmica.

O posicionamento, apresentado no jornal Reproductive BioMedicine, aponta que casais que desejam ter filhos vão deixar de fazer sexo para engravidar e confiar mais na fertilização in vitro desde a primeira tentativa. Um dos autores, o veterinário John Yovich, disse ao jornal britânico Daily Mail, que o sexo, em breve, será puramente “recreativo”.

Essa mudança de estratégica é justificada pelo aumento da eficácia da fertilização ao longo do tempo e idade mais avançada dos casais, que esperam mais tempo para engravidar.

Já para parte dos especialistas brasileiros, a reprodução assistida é a última opção e pode apresentar riscos. A confiança cega na fertilização in vitro também pode ser vista como fria e objetiva demais para o casal. “Acho um absurdo, é obrigatório que a espécie humana se reproduza por via sexual”, defende o ginecologista Eliano Arnaldo Pelinni. Ele diz que a técnica deve ser focada em casais com reais dificuldades reprodutivas e que as chances de engravidar são semelhantes à de um casal sadio.

O ginecologista também explica que tentar engravidar altera a vida sexual de qualquer casal, mas pode vir a causar problemas, tanto pelas vias normais como de forma assistida. “Alguns transformam tudo em interesse reprodutivo e não voltam para a atividade normal”, relata.

Pelinni aponta que os casais farão mais sexo por prazer no futuro, independente do desejo de engravidar. “Sexo é da espécie e vai se sofisticar. Mas quem decidir engravidar vai ter uma bela experiência transformando isso em situação reprodutiva”, diz. “Ainda existe uma magia que nunca será substituída”.

IG

* Exorcismo: Doença psíquica ou ação do maligno?

domingo, fevereiro 28th, 2010

Jesus Cristo veio para anunciar e inaugurar o Reino de Deus no mundo e nos homens. Os homens têm uma capacidade de acolher a Deus em seus corações (Rm 5,5). Esta capacidade de acolher a Deus está, entretanto, ofuscada pelo pecado; e às vezes no homem o mal ocupa o lugar onde Deus quer viver.

Por isto Jesus Cristo veio libertar o ser humano do domínio do mal e do pecado, e assim também de todas as formas de domínio do maligno, isto é, do diabo e de seus espíritos malignos chamados demônios, que querem desviar o sentido da vida do homem.

Por esta razão, Jesus Cristo expulsava os demônios e livrava os homens da possessão dos espíritos malignos, para abrir espaço no homem, de maneira que, este último, tenha a liberdade para Deus. Ele quer dar seu Espírito Santo ao homem que é chamado a converter-0se em templo (cf. 1Cor 6,19; 1Pe 2,5) para dirigir seus passos (cf. Rm 8,1-17; 1Cor 12,1-11; Gl 5,16-26) para a paz e a salvação.

O ministério da Igreja

- É aqui que entra a Igreja e seu ministério.

A Igreja está chamada a seguir a Jesus Cristo e recebeu o poder, da parte de Cristo, de continuar sua missão em seu nome. Assim a ação de Cristo para libertar o homem do mal será exercida através do serviço da Igreja e de seus ministros ordenados, delegados do Bispo para cumprir os sagrados ritos dirigidos a libertar os homens da possessão do maligno.

O exorcismo é, pois, uma antiga e particular forma de oração que a Igreja utiliza contra o poder do diabo.

Eis aqui como o Catecismo da Igreja Católica explica o que é o exorcismo e como se exerce:

“Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra as armadilhas do maligno e subtraída de seu domínio, fala-se de exorcismo.

Jesus o praticou (Mc 1,25s), dEle tem a Igreja o poder e o ofício de exorcizar (cf. Mc 3,15; 6,7.13; 16,17). De forma simples, o exorcismo tem lugar na celebração do Batismo.

O exorcismo solene só pode ser praticado por um sacerdote e com permissão do bispo. Nesses casos é preciso proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja.

O exorcismo tenta expulsar os demônios ou libertar do domínio demoníaco graças à autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, principalmente psíquicas, cujo cuidado pertence à ciência médica. Portanto, é importante assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, de que se trata de uma presença do Maligno e não de uma doença (cf. Código de Direito Canônico, cân. 1172)”. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1673).

A obsessão e suas características

A Sagrada Escritura nos ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do homem, desenvolvem sua ação de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica chamada também possessão diabólica. Entretanto, a obsessão diabólica não é o modo mais freqüente como o espírito das trevas exerce sua influência.

A obsessão tem características de espetacularidade e nela o demônio se apodera, de um certo modo, das forças e das atividades físicas da pessoa que padece a possessão. Não pode, entretanto, apoderar-se da livre vontade do sujeito, e por isso o demônio não pode comprometer a vontade livre da pessoa possuída até o ponto de faze-la pecar.Esta violência física que o diabo exerce no obsesso é uma incitação ao pecado, que é o que o diabo busca lograr.

O ritual do exorcismo indica diversos critério e indícios que permitem chegar, com prudente certeza, à convicção de quando se tem diante de si uma possessão diabólica. Então o exorcista autorizado poderá realizar o solene rito do exorcismo.

Entre estes critérios encontram-se: falar ou entender muitas palavras em línguas desconhecidas, evidenciar coisas distantes ou inclusive escondidas, demonstrar forças além da própria condição, e isto junto com a aversão veemente a Deus, à Virgem, aos Santos, à Cruz e às imagens santas.

Vale a pena destacar que para poder realizar o exorcismo é necessária autorização do Bispo diocesano, autorização que pode ser concedida para um caso específico ou também de modo geral e permanente ao Sacerdote que exerce na diocese o ministério de exorcista.

O Ritual do Exorcismo

O Ritual Romano continha, em um capítulo específico, as indicações e o texto litúrgico dos exorcismos. Este capítulo era o último e ficou sem ser revisado depois do Concílio Vaticano II. a redação final deste Rito dos Exorcismos exigiu muitos estudos, revisões, atualizações e modificações com várias consultas das Conferências Episcopais, depois de uma análise de parte de uma Assembléia Ordinária da Congregação para o Culto Divino. O trabalho exigiu 10 anos e deu como resultado o texto atual, aprovado pelo Sumo Pontífice, que está publicado e à disposição dos Pastores e dos fieis da Igreja.

Ficará ainda pendente um trabalho que compete às respectivas Conferências Episcopais: e é o da tradução deste Ritual às línguas faladas nos respectivos territórios; estas traduções deverão ser exatas e fiéis ao original em latim e deverão ser postas, segundo a norma canônica, à “recognitio” (ao reconhecimento) da Congregação para o Culto Divino.

O exorcismo

No ritual que hoje apresentamos encontra-se, antes de tudo, o rito do exorcismo propriamente dito, a ser exercitado sobre uma pessoa possessa. Seguem as orações a recitar-se publicamente por um sacerdote, com a permissão do Bispo, quando se julga prudentemente que existe uma influência de Satanás sobre lugares, objetos ou pessoas, sem chegar ao estado de uma possessão própria e verdadeira.

Há, além disso, uma coleção de orações para recitar de forma privada por parte dos fiéis, quando estes suspeitam com fundamento de estarem sujeitos ou sob influência diabólica.

O exorcismo tem como ponto de partida a fé da Igreja, segundo a qual existem Satanás e os outros espíritos malignos, e que sua atividade consiste em afastar os homens do caminho da salvação. A doutrina católica nos ensina que os demônios são anjos caídos por causa do pecado, que são espíritos de grande inteligência e poder: “Entretanto, o poder de Satanás não é infinito. Não é mais do que uma criatura, poderosa pelo fato de ser puramente espírito, mas sempre criatura: não pode impedir a edificação do Reino de Deus.

Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora sua ação cause graves danos -de natureza espiritual e indiretamente inclusive de natureza física – em cada homem e na sociedade, esta ação é permitida pela divina providência que com força e doçura dirige a história do homem e do mundo. Porque Deus permite a atividade diabólica é um grande mistério, mas “nós sabemos que em todas as coisas Deus intervém para bem dos que o amam” (Rm 8, 28)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 395).

Luta, graça e vitória

A presença do diabo e de sua ação, explica a advertência do Catecismo da Igreja Católica : “Esta situação dramática do mundo que “jaz inteiramente sob o poder do maligno” (1 Jo 5, 19), faz da vida do homem um combate: “Através de toda a história do homem estende-se na dura batalha contra os poderes das trevas que, iniciada já na origem do mundo, durará até o último dia segundo diz o Senhor.

Nesta luta, o homem deve combater continuamente para aderir-se ao bem, e não sem grandes trabalhos, com a ajuda da graça de Deus, é capaz de alcançar a unidade em si mesmo” (Concilio Ecumênico Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual, Gaudium et spes, n. 37,2)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 409).

A Igreja está segura da vitória final de Cristo e portanto, não se deixa levar pelo medo ou pelo pessimismo, mas ao mesmo tempo é consciente da ação do maligno que busca nos desanimar e semear a confusão.

“Tenham fé -diz o Senhor- Eu venci o mundo!” (Jo. 16,33). Nesse marco encontram seu lugar os exorcismos, expressão importante, embora não única, da luta contra o maligno.

* Imperdível! Discurso do Papa à Pontifícia Academia para a Vida.

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010
Queridos Irmãos Bispos e sacerdotes,
Ilustres m
embros Da Pontifícia Academia Para a Vida,
Gentis Senhoras e Senhores!

Tenho o prazer de acolhê-los e saudá-los cordialmente por ocasião da Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, chamada a refletir sobre as questões atinentes à relação entre a bioética e a lei moral natural, que se tornam cada vez mais relevantes no contexto atual, devido à evolução constante em tal âmbito científico. Dirijo uma saudação especial ao presidente desta Academia, Dom Rino Fisichella, agradecendo-lhe as amáveis palavras que me dirigiu em nome dos presentes. Desejo, também, estender o meu agradecimento pessoal a cada um de vós, pelo precioso e insubstituível compromisso que desempenham em favor da vida, nos mais diferentes contextos.

As problemáticas que giram em torno do tema da bioética permitem verificar que as questões subjacentes colocam em primeiro plano a questão antropológica. Como afirmo em minha última Carta Encíclica Caritas in veritate: “Um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas que impõem a escolha entre estas duas concepções: a da razão aberta à transcendência ou a da razão fechada na imanência” (n. 74).

Mediante questões similares, que afetam de modo tão crucial a vida humana na sua perene tensão entre imanência e transcendência, e que têm grande relevância para a cultura das futuras gerações, é necessário dar forma a um projeto pedagógico integral, que permita lidar com estas questões a partir de uma visão positiva, equilibrada e construtiva, sobretudo na relação entre a fé e a razão.

As próprias questões de bioética, muitas vezes, colocam em primeiro plano um chamado à dignidade da pessoa, um princípio fundamental que a fé em Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado sempre defendeu, sobretudo quando não é considerada em relação aos sujeitos mais simples e indefesos: Deus ama cada ser humano de modo único e profundo. Também a bioética, como qualquer outra disciplina, necessita de um direcionamento capaz de garantir uma leitura coerente das questões éticas que, inevitavelmente, surgem diante dos eventuais conflitos de interpretação. Neste espaço é que se abre o chamado à lei moral natural. O reconhecimento da dignidade humana, de fato, enquanto direito inalienável, encontra seu primeiro fundamento naquela lei que não é escrita por mãos humanas, mas escrita por Deus Criador no coração humano, a que todo sistema jurídico é chamado a reconhecer como inviolável e a que toda a pessoa humana é obrigada a respeitar e promover (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1954-1960). Sem esse princípio fundador da dignidade humana, seria difícil encontrar uma fonte para os direitos da pessoa e impossível alcançar um juízo ético diante das conquistas da ciência, que intervêm diretamente na vida humana.

É necessário, portanto, repetir com firmeza que não existe uma compreensão da dignidade humana ligada apenas aos elementos exteriores, como o progresso da ciência, a gradualidade na formação da vida humana ou o sentimento de piedade fácil diante de situações extremas. Quando se invoca o respeito pela dignidade da pessoa, é essencial que ele seja pleno,  total e irrestrito, baseado no reconhecimento de que sempre se está diante de uma vida humana. É claro, a vida humana conhece um desenvolvimento próprio e o horizonte de investigações da ciência e da bioética está aberto, mas devemos reiterar que, quando se trata de questões relativas ao ser humano, os cientistas não podem mais pensar ter em suas mãos apenas uma matéria inanimada e manipulável. De fato, desde o primeiro momento, a vida do homem é caracterizada por ser vida humana e, por isso, sempre traz consigo, em toda parte e apesar de tudo, sua dignidade própria (cf. Congregação para a Doutrina fé, Instrução Dignitas personae, sobre algumas questões de bioética, n. 5). Ao contrário, estamos sempre na presença do perigo de um uso instrumental da ciência, com a consequência inevitável de cair facilmente na arbitrariedade, na discriminação e no interesse econômico do mais forte.

Conjugar a bioética e a lei moral natural nos permite verificar melhor o necessário e inevitável chamamento à dignidade que a vida humana possui, desde a concepção até o seu fim natural. Ao invés disso, no contexto moderno, ao mesmo tempo que emerge sempre com mais insistência o justo reconhecimento dos direitos que garantem a dignidade da pessoa, se percebe que nem sempre tais direitos são reconhecidos para a vida humana em seu desenvolvimento natural e nos estágios de maior debilidade. Tal contradição torna claro o compromisso em assumir, nas diferentes esferas da sociedade e da cultura, a defesa de que a vida humana seja sempre reconhecida como direito inalienável e nunca como objeto sujeito à arbitrariedade do mais forte.

A história mostrou o quanto pode ser perigoso e danoso um Estato que legisle sobre questões que afetem o indivíduo e a sociedade, pretendendo ser ele mesmo fonte e princípio da ética. Sem o princípio universal que permite verificar um denominador comum para toda a humanidade, o risco de que daí derive um relativismo em nível legislativo não deve ser subestimado (cf. Catecismo Igreja Católica, n. 1959). A lei moral natural, forte em seu próprio caráter universal, permite evitar tal perigo e , sobretudo, oferece ao legislador a garantia para um autêntico respeito, seja da pessoa, seja de toda a ordem de coisas criadas. Tal lei se apresenta como fonte catalisadora de um consenso entre pessoas de diferentes culturas e religiões, permite ir além das diferenças, porque afirma a existência de uma ordem impressa pelo Criador na natureza e é reconhecida como uma instância de verdadeiro juízo ético racional para se perseguir o bem e evitar o mal. A lei moral natural “pertence ao grande patrimônio da sabedoria humana, que a Revelação, com sua luz, ajudou a purificar e desenvolver ulteriormente” (cf. João Paulo II, Discurso à Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de fevereiro de 2004).

Ilustres Membros da Pontifícia Academia para a Vida, no contexto atual o vosso empenho se torna cada vez mais delicado e difícil, mas a crescente sensibilidade no que diz respeito à vida humana encoraja a continuar com sempre maior ímpeto e coragem neste importante serviço à vida e à educação nos valores evangélicos das gerações futuras. Desejo que todos vós continueis o estudo e a pesquisa, para que a obra de promoção e defesa da vida seja sempre mais eficaz e fecunda. Acompanho-vos com a Bênção Apostólica, que, com prazer, estendo a todos quanto dividem convosco esta tarefa cotidiana.

* Criogenia: Dar vida a cadáveres congelados? Será?

sábado, fevereiro 13th, 2010

O saudoso Dom Estevão Bettencourt escreveu dois artigos sobre esse assunto,publicados em sua revista “Pergunte e Responderemos”: PR n. 411, 1996, pg372; e PR n. 150,1972, pg 244.

Veja sua conclusão:

Tratando-se de crioconservação, duas hipóteses podem ser levantadas: ou os pacientes estão realmente mortos ou não estão realmente mortos, mas em coma profundo.

No primeiro caso, deve-se levar em conta que a vida humana não resulta apenas de hábeis combinações químicas, pois é vida que transcende a matéria ou é animada por um princípio vital imaterial ou espiritual.

Ora, nenhum cientista é capaz de produzir um ser espiritual, pois este é incorpóreo,dotado de intelecto e vontade.
Somente um ato criador de Deus pode produzir uma alma humana ou pode fazer a alma de um defunto voltar ao seu corpo. Daí a interrogação: O Criador colaboraria com os cientistas, dando alma humano ao corpo hipolítico reconstruído pela ciência ou conservado?
A esta pergunta ninguém pode responder, mas ela parece versar sobre algo de muito pouco provável sob todos os aspectos.

No caso de não estarem realmente mortos os pacientes , pode-se dizer que, se o organismo dos pacientes voltar a ter condições de exercer suas funções, a alma nele existente voltará a fazer tal organismo funcionar. Não haverá um retorno à vida, mas a passagem da dormência para a atividade. Todavia também esta hipótese parece estar longe do verossímil e provável.

Em suma, o ato de proceder ao congelamento de cadáveres estende o raio de ação da medicina, ciência que tenta salvar a vida e combater a morte.

Assim considerado, o congelamento pode ser lícito do ponto de vista ético. Todavia pode-se perguntar se, assim procedendo, o homem não está esquecendo os seus limites de criatura e pretendendo assumir utopicamente o lugar de Deus…?” (D. Estevão Bettencourt)

***

Alexandre Versignassi

Hoje, isso já dá certo com embriões: óvulos fecundados podem ficarcongelados com chances boas de sobreviver a um descongelamento – estima-se que perto de 60% deles conseguem vingar, dando origem a um bebê.( sabe-se que a Igreja não aceita o congelamento de embriões..)

A idéia é : você morre e os médicos o colocam num tanque de nitrogênio líquido, guardado a -196 ºC, temperatura em que o cadáver não apodrece. Aí, daqui a uns 500 anos, os cientistas descobrem um jeito de combater a doença que causou sua morte e o degelam.

Mas o processo não é tão simples. “Os próprios métodos usados para congelar uma pessoa causam danos às células que só poderiam ser reparados por tecnologias que ainda não existem”, afirma o físico americano Robert Ettinger, considerado o grande divulgador da criogenia.

Por enquanto, o congelamento  não funciona com pessoas porque o líquido que compõe as células vira gelo, aumentando de tamanho e fazendo-as trincar.

Com os embriões congelados, esse efeito é evitado com a aplicação de substâncias químicas que driblam a formação de cristais de gelo, impedindo que as paredes celulares se danifiquem. “Mas com os seres humanos desenvolvidos o problema é que cada tipo de célula exige uma substância protetora diferente, e muitas delas ainda não foram inventadas”, diz o ginecologista Ricardo Baruffi, da Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto (SP), um especialista em congelamento de embriões.

A um passo da eternidade?

Congelar um corpo é fácil. O que os cientistas não sabem ainda é como ressuscitá-lo

1. Assim que uma pessoa morre, um funcionário da empresa de criogenia resfria o cadáver com gelo. Nessa fase, a temperatura do corpo fica pouco acima de 0 ºC. Não é muito frio, mas é o suficiente para evitar, por algum tempo, a proliferação das bactérias que iriam apodrecer o cadáver.

2. Nessa fase, o corpo também recebe uma injeção de substâncias anticoagulantes, para manter os vasos sanguíneos desobstruídos. Depois, todo o sangue é bombeado para fora e no lugar entram substâncias químicas que protegerão as células na hora do congelamento evitando a formação de parte dos cristais de gelo, que rompem a estrutura celular

3. No local em que o corpo vai ser congelado, o cadáver passa por um resfriamento gradual, em uma câmara de gelo seco. Para evitar danos às células, a intenção é que todos os tecidos se congelem no mesmo ritmo. Todo o processo ocorre de maneira lenta e pode durar dois dias, quando a temperatura do corpo chega a -79 ºC

4. Depois do resfriamento o corpo é submergido lentamente em um tanque de nitrogênio líquido, até ser totalmente coberto. Quando essa fase termina, após uma semana, o cadáver está a -196 ºC, impedido de apodrecer. Ele fica no tanque por toda a eternidade – ou até que alguém invente uma tecnologia para ressuscitá-lo

Walt Disney congelado?

Os rumores foram fortes nos anos 60, mas não passam de lenda urbana

O corpo do criador do Mickey não está congelado. Tudo indica que os boatos de que o cadáver de Walt Disney não passam de lenda urbana.

A versão oficial é que o desenhista e empresário foi cremado logo após sua morte em 1966. Mas, na época, o funeral reservado e o fato de a criogenia estar na ordem do dia, com o sucesso do livro A Prospect of Immortality (”Uma Perspectiva de Imortalidade”, inédito no Brasil), de Robert Ettinger, alimentaram a especulação.

Outro fato impulsionou a lenda: a primeira experiência criogênica humana ocorreu apenas um mês após a morte de Disney, quando o cadáver do norte-americano James Bedford foi congelado.

***

Como se vê, congelar é fácil.. A questão é trazer a vida de volta!

O melhor é a gente pensar em uma outra vida eterna,essa sim, PARA SEMPRE, e o mais importante ( O inferno também é vida eterna..) na presença de Deus!

Aleluia!!

* Evidência arqueológica pode ser a mais antiga citação de Jesus Cristo.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

Uma equipe de arqueólogos e egiptólogos descobriram nas ruínas da mítica cidade afundada de Alexandria, um vaso de cerâmica com uma inscrição enigmática em grego que poderia ser a mais antiga referência existente para Jesus Cristo.

Figura 1 – O Arqueólogo Franck Goddio segurando o achado descoberto em Alexandria.

De acordo com Franck Goddio, um dos arqueólogos subaquáticos mais prestigiados no mundo e responsável pela descoberta, o objeto apresenta uma inscrição em grego, ”Dia Chrstou o Goistais”, que se traduz como “Cristo, o mago”.

O investigador francês disse que, dentre as teorias a serem consideradas, uma delas poderia ser uma referência a Jesus Cristo, que naquela época era o principal expoente na prática de “magia branca”.

O valor da descoberta é realçada pela sua antiguidade, como os egiptólogos que estudaram a peça dizem que a vasilha, da Ásia Menor, é do século I a.C., e que o registo foi feito antes do ano 50 d.C. Isso tornaria a conclusão da primeira referência conhecida ao Messias, uma honra que até agora mantém uma carta de São Paulo do ano 51 d.C.

No entanto, esta é apenas uma das teorias que os especialistas tem procurado relacionar sobre a origem e o significado desta obra valiosa.

A descoberta foi feita em junho de 2008, quando sua equipe estava trabalhando dentro de um templo localizado perto da ilha de Antirhodos, perto da costa.

Vasilha com a inscrição, CRISTO, O MAGO - Antirhodos
Figura 2 – Mapa mostrando a localização da Ilha de Antirhodos, onde a peça foi descoberta.

Nos últimos meses, os melhores egiptólogos do mundo têm trabalhado nesta parte e têm diversas teorias sobre o assunto. Eles acreditam que o a vasilha era utilizada em rituais de adivinhação. Elas se davam quando eram derramada uma fina camada de azeite e, de acordo com sua distribuição e vestígios, seriam interpretadas por um mago na forma de previsões futuras.

O achado foi levado à Madrid, onde permaneceu em exibição pública dentro da amostra Resgate de Tesouros do Egito, até 26 de novembro.

Na inscrição em grego “Dia Chrstou o Goistais”, a palavra “goistais” significa “mago”, enquanto “Chrstou” designa o nome do celebrante, que pode ser o Messias. Neste caso, a vasilha teria sido usado por um mago, que para legitimar seus poderes “sobrenaturais”, teria invocado o nome de Cristo.

Vasilha com a inscrição, CRISTO, O MAGO
Figura 3 – Vasilha encontrada em Alexandria, em evidência a inscrição “Cristo, o mago”.

“No século I d.C., a comunicação do Porto de Alexandria com a região da Palestina era muito intensa, com navios que chegavam até lá diariamente. É muito provável que em Alexandria se tinha conhecimento da existência de Jesus e os milagres que ele estava realizando não muito longe dali e que os magos de Alexandria estariam realizando ritos mágicos em seu nome”, explicou Goddio.

A vasilha foi exibido em Madrid, mas uma grande equipe de pesquisadores continua a investigação sobre a peça e sua origem.


Veja o vídeo sobre este assunto, cliquando no link abaixo:
Fonte : Hugo Hoffmann

* Adão e Eva existiram? Lendo Gênesis com o Cardeal Ratzinger.

segunda-feira, janeiro 11th, 2010


Espetacular artigo sobre a criação.

O autor, fundamentado na doutrina católica e na tradição, revela a visão católica sobre Adão e Eva e o relato biblico da criação.

Excelente!

***

Por Nicanor Pier Giorgio Austriaco

Traduzido por Alexandre Zabot
Baixar pdf.

O autor responde aos criacionistas católicos argumentando que exegetas
modernos têm razões suficientes para ir além da leitura literal do Gênesis.

Como um católico deveria ler o primeiro capítulo do Gênesis, que detalha os seis dias da criação?

Em uma palestra intitulada “Restauração da Teologia Tradicional Católica sobre as origens”, proferida no Primeiro Simpósio Católico Internacional sobre Criação, realizado em Roma em 24-25 de outubro de 2002, Padre Victor Warkulwiz, MSS, um padre com doutorado em física, argumentou que a Igreja Católica precisa retornar a uma teologia católica tradicional sobre as origens, uma teologia que é baseada no sentido literal e óbvio de Gênesis 1-11. Ele não está sozinho ao dizer isto. Nos últimos anos, os católicos de tendência mais tradicionalista começaram a abraçar um criacionismo especial – a crença de que Deus criou os diferentes tipos de seres vivos por decreto divino menos de 10.000 anos atrás – que, nos anos passados, estava associada mais com os protestantes fundamentalistas.

Católicos criacionistas frequentemente afirmam que os católicos que procuram ser fiéis à tradição católica precisam interpretar o relato da criação de seis dias de Gênesis, no seu sentido “literal e óbvio”, como a maioria dos Padres e Doutores da Igreja tinham feito. Assim, eles argumentam que o primeiro capítulo do Gênesis é uma narrativa histórica exata, uma descrição precisa, de um evento que teve lugar durante um período de seis dias, milhares de anos atrás. Para justificar esta abordagem, os criacionistas católicos citam o papa Leão XIII, que em Providentissimus Deus, sua encíclica de 1893 sobre o estudo da Sagrada Escritura, ensinou o seguinte:

A opinião dos Padres também tem peso muito grande quando se trata desses assuntos [a interpretação da Sagrada Escritura], na sua qualidade de doutores, de forma não oficial; não só porque distinguem-se em seu conhecimento da doutrina revelada e em sua familiaridade com muitas coisas que são úteis na compreensão dos Livros Apostólicos, mas porque são homens de eminente santidade e de zelo fervoroso pela verdade, a quem Deus concedeu uma medida mais ampla de Sua luz. Por isso, o expositor deve fazer seu dever seguir seus passos com toda a reverência, e usar seus trabalhos com a apreciação inteligente. Mas ele não deve, por esse motivo, considerar que é proibido, quando existe justa causa, fazer investigação e exposição para além do que os Padres têm feito; desde que ele observe com cuidado a regra tão sabiamente estabelecida por Santo Agostinho – não afastar-se do sentido literal e óbvio, salvo apenas quando a razão torna insustentável ou a necessidade requer; uma regra à qual é mais necessário aderir rigorosamente nestes tempos, quando a sede de novidade e irrestrita liberdade de pensamento faz o perigo de erro mais real e próximo.

Embora os católicos criacionistas admitam que Leão XIII permitiu os católicos a irem além do sentido literal e óbvio da Sagrada Escritura – o que os estudiosos bíblicos modernos chamariam de uma leitura literal do texto– eles respondem afirmando que os exegetas católicos contemporâneos não conseguiram demonstrar que a sua leitura não literal do Gênesis é justificada, quer pela razão ou por necessidade, conforme especificado por Leão XIII.

Neste ensaio eu respondo ao movimento criacionista católico argumentando que os exegetas contemporâneos têm motivos suficientes para ir além de uma leitura literal do texto de Gênesis.

Vou começar por resumir os três princípios hermenêuticos utilizados pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, agora o Santo Padre Bento XVI, em sua interpretação não literal do relato de seis dias de Gênesis, tradicionalmente chamado de Hexaemeron.

Vou então mostrar que seu método é fiel tanto ao ensinamento da Igreja Católica, mais recentemente articulado na Dei Verbum, a Constituição dogmática sobre a Revelação Divina do Concílio Vaticano II, quanto ao ensino de seu predecessor, Leão XIII, em Providentissimus Deus.

Assim, proponho a abordagem do Cardeal Ratzinger para leitura de Gênesis como um exemplo particularmente notável do método hermenêutico aprovado pelo Concílio Vaticano II, e que deve ser paradigmático para os exegetas católicos contemporâneos que procuram ser fieis à tradição católica.

Primeiro princípio: A distinção entre forma e conteúdo

Durante a Quaresma de 1981, o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Santo Padre, papa Bento XVI, proferiu quatro homilias sobre a criação no Liebfrauenkirche, a catedral de Munique, na Alemanha.

Na sua primeira homilia, intitulada “Deus, o Criador”, Ele aborda os princípios que regem a sua leitura do Gênesis. Ele começa por recordar as palavras de abertura das Sagradas Escrituras que destacam a ação criadora de Deus “no começo”. No entanto, ele vai além e faz a pergunta que está no cerne do debate criacionista: São estas palavras verdadeiras? Será que elas têm algum valor? Para responder a estas questões, ele sugere três critérios para a interpretação do texto de Gênesis: a distinção entre forma e conteúdo, na narrativa da criação, a unidade da Bíblia, bem como a importância hermenêutica da Cristologia.

Primeiro, ele propõe que o exegeta “deve distinguir entre a forma de descrever e ao conteúdo que é descrito.”Ele deve ter em mente que a Bíblia é, em primeiro lugar e acima de tudo, um livro religioso e não um livro de ciências naturais. Assim, o Cardeal Ratzinger conclui que Gênesis não é e não pode fornecer uma explicação científica de como o mundo surgiu. Pelo contrário, é um livro que procura descrever as coisas de tal forma que o leitor é capaz de compreender profundamente as realidades religiosas. Ele usa imagens para comunicar a verdade religiosa, imagens que foram escolhidas a partir do que era compreensível no tempo em que o texto foi escrito, “as imagens que cercavam o povo que vivia na época, que eles usavam na fala e no pensamento, e graças às quais puderam compreender a realidade maior” .

Em outras palavras, o exegeta católico é chamado a respeitar o texto como está. Ele é chamado a ler Gênesis como o seu autor humano queria que fosse lido, não como um tratado científico, mas como uma narrativa religiosa que comunica verdades profundas sobre o Criador.

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger para exegese ecoa o ensinamento do Concílio Vaticano II. Na Dei Verbum, a Constituição Dogmática sobre a Revelação, os Padres do Concílio ensinaram que, “para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os ‘gêneros literários’. Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo se os géneros literários então usados”

Além disso, embora o cardeal Ratzinger não forneça uma justificação teológica para este critério, o Concílio Vaticano II o fez. Segundo o Concílio, temos de respeitar a forma do texto porque “Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana”. Assim, o exegeta “para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.” Em outras palavras, o exegeta católico deve respeitar a forma das Sagradas Escrituras porque, ao fazê-lo, ele respeita a ação de Deus que foi o autor do texto sagrado sem violar a liberdade, identidade e idiossincrasias dos autores humanos que escreveram em diferentes formas.

Segundo princípio: A unidade da Bíblia Sagrada

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger levanta uma importante questão: Mas como é que se compreende a forma particular do texto sagrado? Por exemplo, como nós sabemos que o autor humano do relato da criação de seis dias não quis escrever uma narrativa histórica ou um tratado científico bona fide? Ele certamente poderia ter desejado isto. Na homilia da Quaresma de 1981, o Cardeal Ratzinger traz a mesma questão, perguntando: “é a distinção entre a imagem e o que se destina a ser expressado apenas uma fraude, porque não podemos mais contar com o texto, apesar de ainda querermos fazer alguma coisa dele, ou existem critérios a partir da própria Bíblia que atestam a esta distinção?”Em resposta, ele propõe um segundo critério de boa exegese católica – o exegeta deve interpretar um texto de dentro do contexto da unidade da Bíblia. Aplicando este critério para a interpretação do relato de seis dias da criação, descobrimos que os relatos da criação no Antigo Testamento – o Hexaemeron é apenas um dos vários encontrados em Gênesis e Salmos – são claramente “movimento[s] para esclarecer a fé” e não são narrativas históricas ou científicas.

Por exemplo, o cardeal Ratzinger observa que um estudo das origens dos textos descriação na literatura sapiensal revelam especialmente que eles foram escritos para responder à civilização helenística confrontada pelo israelitas.Hexaemeron, o relato da criação em seis dias, encontrado no primeiro capítulo de Gênesis revela que ele foi escrito para responder à civilização babilônica aparentemente vitoriosa confrontada pelos israelitas vários séculos antes de seu encontro com os gregos. Aqui, o autor humano do texto sagrado usou imagens familiares aos seus contemporâneos pagãos para refutar o Enuma Elish, o relato babilônico da criação que alegou que o mundo foi criado quando Marduk, o deus da luz, matou o dragão primordial.4 Assim, como o Cardeal Ratzinger sublinha, não é surpreendente que quase todas as palavras do primeiro relato da criação abordem uma confusão particular da época da Babilônia. Por exemplo, quando as Sagradas Escrituras afirmam que, no início, a terra era sem forma e vazia (cf. Gn 1:2), o texto sagrado refuta a existência de um dragão primordial. Quando elas se referem ao Sol e a Lua como lâmpadas que Deus pendurou no céu para a medição do tempo (cf. Gn 1:14), o texto refuta a divindade desses dois grandes corpos celestes, acreditados como deuses da Babilônia. Estes versos, e eles são apenas dois dos muitos exemplos, ilustram a intenção do autor humano do Hexaemeron.

Ele queria desmontar um mito pagão que era comum na Babilônia e afirmar a supremacia de um Deus Criador. O cardeal Ratzinger conclui: Assim, não é surpreendente que os autores humanos destes relatos não utilizam a imagem dos seis dias para fazer valer a sua fé em um Deus Criador. Esta imagem não teria sido adequada para o seu tempo e não teria sido entendida por seus contemporâneos gregos.

Assim, podemos ver como a própria Bíblia constantemente readapta suas imagens para um modo de constante desenvolvimento do pensamento, como muda sempre, e outra vez, a fim de dar testemunho, a única coisa que veio a ele, na verdade, da Palavra de Deus, que é a mensagem de seu ato de criar. Na própria Bíblia as imagens são livres e corrigem-se continuamente. Desta forma, elas mostram, por meio de um processo gradual e interativo, que elas são apenas imagens, que revelam algo mais profundo e maior.

Em suma, um estudo comparativo de diferentes relados da criação espalhados por toda a Sagrada Escritura revela que eles não eram e não são narrativas históricas ou científicas. Eram argumentos teológicos que usaram imagens diferentes para comunicar a mesma verdade – a verdade sobre o Criador e sua criação.

Novamente, o segundo critério do cardeal Ratzinger não é uma invenção nova. Ele ecoa os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que ensinou: “a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita, não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura”.

Terceiro princípio: Cristo como a chave interpretativa da Bíblia Sagrada

Finalmente, o segundo critério levanta outra questão importante: Por que as Sagradas Escrituras ser tratadas como uma unidade? Qual é a fonte desta unidade? Em resposta, o Cardeal Ratzinger fornece seu terceiro e último critério para a interpretação do texto sagrado: devemos ler as Sagradas Escrituras “com Ele em quem todas as coisas foram cumpridas e em quem toda a sua validade e verdade são reveladas.” É Cristo que unifica a Bíblia. A Bíblia inteira é sobre ele. Assim, o Gênesis tem de ser lido no contexto de sua realização em Cristo. Portanto, o Santo Padre afirma que o primeiro relato da criação não pode ser lido sem referência ao relato conclusivo e normativo bíblica da criação que começa assim: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.”(João 1:1,3 – Bíblia de Jerusalém).

Para o cardeal Ratzinger, é Cristo que sanciona as leituras do texto sagrado que se movem para além de uma leitura literal estrito, pois é Cristo que deseja comunicar profundas verdades teológicas que penetram no coração e na alma humana: “Cristo nos liberta da escravidão da letra, e precisamente assim é que ele dá de volta para nós, a renovação, a veracidade das imagens”.

Mais uma vez, o terceiro critério do Santo Padre pode ser encontrado nos documentos do Concílio Vaticano II: “Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue, os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento, que por sua vez iluminam e explicam.”

O Catecismo da Igreja Católica explica: “Por mais diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é uma em razão da unidade do projeto de Deus, do qual Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois da sua Páscoa” (n. 112). Toda a Sagrada Escritura deve ser interpretada à luz de Cristo.

Em suma, o Hexaemeron é verdade. No entanto, é verdade não porque comunica a verdade histórica ou científica, mas porque ele comunica verdade teológica, a verdade de que o mundo foi criado por um Deus que é amor. Ler Gênesis com os três princípios hermenêuticos do cardeal Ratzinger justifica esta afirmação e apresenta os motivos para ir além de uma leitura literal do texto sagrado. É uma leitura da Sagrada Escritura, que é fiel tanto à fé e à razão.

Finalmente, como reconciliamos a interpretação do Cardeal Ratzinger do relato de seis dias de criação com o ensinamento de Leão XIII discutido acima? Lembre-se que em Providentissimus Deus, Leão XIII ensinou que os exegetas católicos “não devem a afastar-se do sentido literal e óbvio, com exceção apenas onde a razão torna insustentável ou a necessidade exige.” Criacionistas católicos têm argumentado que este critério não foi satisfeito – as ciências naturais não apresentaram razões para ir além do sentido literal e óbvio do Hexaemeron.

Eles argumentam que uma leitura literal do relato da criação de seis dias só deve ser abandonada quando a ciência refutar definitivamente a narrativa explicitamente descrita no Hexaemeron. Seu argumento, no entanto, deixa de reconhecer que o papa Leão XIII não limitou a sua declaração de fundamentação científica. Um exegeta católico tem de interpretar o texto sagrado de forma a coincidirem, não só com verdades descobertas pelas ciências naturais, mas também com as verdades descobertas por outros campos da investigação humana genuína.

Em outras palavras, a interpretação do texto sagrado é uma obra de tanto da fé e da razão. Como o cardeal Ratzinger convincentemente argumentou, no caso do Hexaemeron, temos que abandonar uma leitura que se limita ao sentido literal, porque os estudos de textos antigos e culturas antigas – e não a ciência natural – deram-nos boas razões e necessidade para fazê-lo.

Prender-se a uma leitura literal do Gênesis seria fazer violência ao sentido original do autor humano e, assim, a verdade que Deus quis manifestar através de suas palavras. Como enfatizou o Concílio Vaticano II, como Deus, também nós somos chamados a respeitar o autor humano. Desde que ele não escreveu um tratado científico ou histórico, na Hexaemeron, não devemos lê-lo como um.




Frei Nicanor Pier Giorgio Austriaco, OP, recebeu seu Ph.D. em Biologia no MIT em 1996 e sua Licenciatura em Teologia Sacra da Dominican House of Studies em 2005. Ele atualmente trabalha como professor assistente de biologia e professor adjunto de teologia no Providence College, em Providence, Rhode Island.


1 – Victor P. Warkulwiz, M.S.S., “Restoration of Traditional Catholic Theology on Origins,” in Proceedings of the International Catholic Symposium on Creation, October 24-25, 2002. (Woodstock, VA: Kolbe Center for the Study of Creation, 2003), 17-35, p. 17
2 – Dermott J. Mullen, “Fundamentalists Inside the Catholic Church: A Growing Phenomenon,” New Oxford Review 70 (2003): 31-41. Para uma resposta ao artigo de Mullen de católicos que se consideram criacionistas, veja Hugh Owen e Robert Bennett, “Are Catholic Defenders of Special Creation ‘Fundamentalists’?” at
www.kolbecenter.org/nor.response.htm. Último acesso em 04/01/2010.
3 – Pope Leo XIII, Encyclical letter, Providentissimus Deus, November 18, 1893, nos. 14-15. Traduções do website http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18111893_providentissimus-deus_en.html . Último acesso em 04/01/2010.
4 – Pontifical Biblical Commission, The Interpretation of the Bible in the Church, March 14, 1994, Section F: Fundamentalist Interpretation.
5 – Joseph Ratzinger, ‘In the Beginning…’: A Catholic Understanding of the Story of Creation and the Fall, Trans. Boniface Ramsey, O.P. (Grand Rapids: William. B. Eerdmans Publishing Co., 1995).
6 – Ibid., pp. 4-5.
7 – Ibid., p. 5.
8 – Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina., nº12.
Nota do Tradutor. Usei a versão online da Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina. http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html
Último acesso em 04/01/2010.
9 – Ibid.
10 – Ibid.
11 – Ratzinger, In the Beginning, p. 8.

12 – Ibid., p. 14.

13 – Ibid., pp. 14-15.

14 – Para um ensaio interessante sobre a relação entre o HexaemaronEnuma Elish, e a escrito para uma audiência popular, veja Victor Hurowitz, “The Genesis of Genesis: Is the Creation Story Babylonian?” Bible Review 21 (2005): 37-48; 52-53.

15 – Ratzinger, In the Beginning, p. 15.

16 – Dei verbum, no. 12.

17 – Ratzinger, In the Beginning, p. 16.

18 – Ibid., p. 16.

19 – Dei verbum, no. 16.

* A visão da Igreja sobre a questão ambiental é diferente da visão dos movimentos ambientalistas ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”. Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro.

Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita de maneira muito clara as bases que devem fundamentar a ecologia humana.

“Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.

O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma bento XVI – na medida em que porta em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida, caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.

Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.

Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.

O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.

Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”.

Zenit

*A melhor forma de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população ? Será ?

sábado, dezembro 26th, 2009

O melhor jeito de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população por meio da contracepção e do aborto, de acordo com um relatório da prestigiosa Escola Londrina de Economia e Ciência Política (ELECP),da Inglaterra.

De acordo com o relatório, comissionado pelo grupo ambientalista radical pró-aborto e anti-seres humanos Optimum Population Trust, cada 4 libras gasta em “planejamento familiar” durante os próximos quarenta anos reduziria as emissões globais de CO2 em mais que uma tonelada. Isso ultrapassaria os ganhos de se gastar em “tecnologias de baixa emissão de carbono” em 15 libras.

“Considerado puramente como um método de reduzir futuras emissões de CO2” tais métodos de “planejamento familiar” como aborto, esterilização e distribuição em massa de anticoncepcionais “deveriam ser vistos como os principais métodos de redução de emissões”. Com base em seus dados em relatórios do UNICEF e do FNUAP sobre a “necessidade não atendida” de “planejamento familiar” no mundo em desenvolvimento, o relatório concluiu que se essa necessidade for atendida, haverá uma economia de 34 bilhões de toneladas de CO2”.

As agências da ONU citadas no relatório da ELECP afirmam que 40 por cento de todas as gravidezes mundiais não são planejadas e portanto indesejadas. Isso, dizem eles, significa que há uma necessidade não atendida de aborto, esterilização e contraceptivos artificiais que, se atendidos, reduziriam o número de gravidezes não planejadas em 72 por cento.

Os termos “emissores” no relatório intitulado “Menos Emissores, Menos Emissões, Menos Custos” se refere aos seres humanos. Roger Martin, presidente de Optimum Population Trust na ELECP, disse: “Sempre foi óbvio que as emissões totais dependem do número de emissores bem como suas emissões individuais — não dá para abaixar a tonelagem de carbono como queremos, enquanto a população não parar de aumentar”.

Gerald Warner, colunista do jornal Telegraph, comentou que a proposta para reduzir as emissões de carbono reduzindo-se as pessoas não é suficiente para os extremistas ambientalistas anti-seres humanos. “Por que não economizar 80 bilhões de toneladas acabando completamente com a gravidez? Há só um jeito garantido de impedir o aquecimento global provocado pelos homens e esse é abolindo o homem”.

Warner continuou: “Tendo gerado histeria em massa muito lucrativa e tendo excluído cientistas honestos que mostram que a calota polar ártica está crescendo, não diminuindo; que a população de ursos polares está aumentando, não diminuindo; e que a contribuição humana total para o CO2 atmosférico é minúscula, tornando irrelevantes quaisquer ajustes em seu tamanho, os fanáticos do aquecimento estão aprendendo as alegrias da coerção”.

A classe científica discute muito a equação da “explosão populacional” com o aumento de “emissões de carbono” e portanto “mudanças climáticas” provocadas pelo homem, e muitos deles estão denunciando-a como ciência falsa de inspiração ideológica. Contudo, é o alicerce de boa parte da teoria ambientalista moderna, inclusive de uma organização chamada Movimento em prol da Extinção Voluntária dos Seres Humanos, cujo lema é “Que vivamos muito e que a morte extermine a todos nós”.

As críticas da classe científica não impediram os governos de aceitar essa doutrina sem questionar. Nesta semana, a Comissão sobre Mudança Climática do Parlamento, criada pela Lei de Mudança Climática de 2008, orientou o governo trabalhista a descartar planos para construir uma terceira pista de decolagem no aeroporto de Heathrow, um dos mais ativos do mundo, dizendo que tem de haver um “limite global nas emissões da aviação”.

A menção do relatório da ELECP ao carbono sendo “economizado” é em referência à crescente prática administrativa dos governos chamada de “comércio de emissões”, às vezes denominada de “limite e comércio”. Um governo que colocou um limite nas emissões permitidas de CO2 dá “licenças de emissões” ou “créditos de emissões” que permitem que empresas emitam uma quantidade específica de CO2. As empresas que querem aumentar sua concessão de emissões poderão comprar esses créditos de empresas que poluem menos, o que significa em efeito que a empresa compradora poderá continuar a emitir poluentes na mesma taxa, e que as empresas que não poluem poderão vender seus créditos para a empresa que oferecer o melhor preço.

Os que criticam essa prática dizem que embora tenha criado um novo comércio lucrativo e esteja aumentando os ganhos do governo, muito pouco faz para reduzir as emissões de carbono. O maior sistema de comércio de “mercado de carbono” no mundo é o administrado pela União Européia. O comércio de emissões de carbono vem aumentando sem parar em anos recentes, com o Banco Mundial calculando que cresceu de 11 bilhões de dólares em 2005 para 30 bilhões em 2006 e 64 bilhões em 2007.

* A tumba de Jesus ? Documentário apresentado no Discovery Channel é cientificamente inconsistente e falso.

domingo, dezembro 20th, 2009

Um documento exibido no Brasil no canal da TV cabo Discovery Channel , afirma ter identificado o túmulo onde foram enterrados Jesus Cristo, seus pais, Maria e José, e Maria Madalena.

Esse documentário apresentado no inicio deste ano na época da quaresma, voltou a ser apresentado nestes dias,claro, por causa do natal..

Intitulado The Lost Tomb of Jesus (O Túmulo Perdido de Jesus), o documentário foi produzido por James Cameron, director do filme Titanic, e pelo arqueólogo Simcha Jacobovici para o canal, com três anos de preparação. No entanto, a comunidade científica ironizou o seu conteúdo, classificando-o como “falso” e “apenas um chamariz publicitário para um futuro livro a ser lançado pelo cineasta”.

O suposto túmulo, do qual originou o documentário, foi encontrado em 1980 no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém. Na ocasião, os arqueólogos encontraram dez caixões (repositórios de ossos) e três crânios. Em alguns dos esquifes havia inscrições que foram traduzidas como “Jesus, filho de José”; “Judá, filho de Jesus”; “Mariamne”; “Maria”; “José” e “Mateus”. Testes de DNA nos resíduos dos ossos verificaram que não havia parentesco entre os ossos de Jesus e de Mariamne. Com isso, Cameron concluiu que ambos só poderiam ocupar a mesma tumba se fossem casados. Além disso, passou a defender que Mariamne seria o nome verdadeiro de Maria Madalena. Em outras palavras, o documentário de Cameron e Jacobovici tenta relacionar os nomes encontrados aos da família da Jesus e argumenta que Jesus e Maria Madalena foram casados e tiveram um filho (Judá).

Após o lançamento do documentário a comunidade científica no Brasil e no exterior manifestou-se contrária aos argumentos de Cameron e Jacobovici. Em opinião unânime, especialistas afirmam serem absurdas as teorias apresentadas. Sem considerar a tentativa de colocar em dúvida a ressurreição de Cristo, os arqueólogos afirmam que, histórica e arqueologicamente, é impossível Cameron e Jacobovici provarem tais fatos.

Comunidade científica ironiza

Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos principais especialistas brasileiros sobre a vida de Jesus, André Chevitarese afirma que é preciso encarar com muito ceticismo o anúncio da descoberta da suposta tumba de Cristo. Segundo ele, Jesus seria virtualmente invisível para um arqueólogo de hoje. Em entrevista ao site G1, Chevitarese explica que “não só ele (Jesus), como quase toda a primeira e segunda geração de cristãos eram pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural, que seriam incapazes de deixar restos materiais claros de si mesmos” por não terem condições financeiras de terem uma tumba como a de Cameron mostrou.

Sendo assim, os ossários apresentados por Cameron,como o local do último descanso de Jesus, sua mãe Maria e sua suposta esposa Maria madalena, estaria muito acima das possibilidades financeiras de alguém como Ele. A decoração em alguns dos ossários aponta para uma família da classe média alta, e não para camponeses da Galileia.

Para o professor Chevitarese, é preciso ficar sempre com um pé atrás diante de um anúncio como esse. “A impressão é que se está diante de um fenómeno: uma emissora de TV simplesmente querendo criar polémica em torno do tema. Qualquer trabalho científico sério precisa trabalhar com hipóteses, que podem ser testadas ou refutadas. O problema é que, nessas belíssimas teorias que são criadas, a resposta já vem pronta e os factos simplesmente são forçados a se encaixar na conclusão desejada”, critica o historiador. Na entrevista, Chevitarese comparou esse tipo de esforço à trama do romancista Dan Brown no livro O Código Da Vinci.

Segundo André Chevitarese, o túmulo de onde vieram os ossários, achado em 1980 num subúrbio de Jerusalém, não é o primeiro a conter a inscrição “Jesus, filho de José”. Outro ossário com esses dizeres veio à tona em 1926, e causou os mesmos rumores, até que se percebeu que era extremamente comum entre os judeus do primeiro século dC pessoas com o nome de Jesus e filhos de algum José.

Amos Kloner, arqueólogo israelita que descobriu a tumba em 1980 e a documentou como a sepultura de uma família judaica, está convicto de que não há provas para sustentar a tese de que o túmulo é de Jesus.

Em entrevista à agência de notícias France Press, Kloner, que é professor do Departamento de Arqueologia e estudos da Terra de Israel na Universidade de Bar-llan, em Tel Aviv, enfatiza que não há possibilidade de se apropriar de uma história religiosa e transformá-la em algo científico. “Insisto no facto de que é uma tumba comum no século I antes de Cristo”, disse Kloner, acrescentando que “os nomes eram uma coincidência e o filme é uma bobagem”.

Em relação à tese em que Jesus e Maria Madalena podem ter tido um filho chamado Judá, Kloner ridiculariza, afirmando que não há registos históricos disso e, portanto, é impossível de ser provada. Kloner enfatiza que não há possibilidade de o túmulo pertencer à família de Jesus. Segundo ele, Maria e José não poderiam ter uma tumba familiar em Jerusalém. “Eles eram uma família paupérrima. Posso dizer positivamente que não aceito a identificação como pertencendo à família de Jesus em Jerusalém. Não aceito, nem historicamente, nem arqueologicamente”, afirmou o arqueólogo durante a entrevista.

De acordo com o especialista, existem muitos nomes populares e comuns no primeiro século antes de Cristo, inclusive Jesus e José. Kloner afirmou que, das 900 tumbas encontradas num espaço de 4Km na cidade velha de Jerusalém na mesma época, o nome de Jesus foi encontrado 71 vezes, e que “Jesus, filho de José” também foi encontrado muitas vezes.

Outro conhecido arqueólogo israelita, Dov Ben Meir, que escavou durante anos as ruínas da velha Jerusalém, também rejeitou os argumentos utilizados por Cameron e Jacobovici e disse que eles “não passam de tolice”. O professor L. Michael White, da Universidade do Texas, também diz ter dúvidas sobre a veracidade da descoberta. Segundo ele, é uma forma de tentar vender documentários. “Uma série de testes rígidos deveriam ser conduzidos antes que um ossário ou uma inscrição possa ser apresentado como antiga. Não é arqueologicamente sensato. Isso é uma fanfarra”, conclui.

***

Veja posição Católica sobre esse assunto.

Declaração do presidente da Conferência Episcopal do Peru

Publicamos a declaração emitida  por Dom Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, O.F.M., arcebispo metropolitano de Trujillo e presidente da Conferência Episcopal Peruana, sobre a suposta tumba de Jesus, com o título «Uma fantasia arqueológica».

1. Nos últimos dias o canal Discovery Channel,realizou um documentário apresentando como novidade o descobrimento, realizado há 27 anos (1980), de uma câmara mortuária em Talpiot – Jerusalém, a mesma que continha 10 urnas de pedra com restos ósseos e inscrições dos nomes dos possivelmente enterrados ali e que pertencem ao segundo Templo.

2. A novidade deste documentário está em que afirma que este lugar seria a tumba de Jesus de Nazaré e sua família, identificando as seis inscrições que contêm estas urnas com os nomes de Jesus de Nazaré, sua mãe Maria, Maria Madalena, e alguns parentes chamados Mateus, Josá e Judá, atrevendo-se a afirmar que este último seria «o filho de Jesus».

3. Mas o pretender que este lugar contenha os restos mortais da família de Jesus não é um fato novo. Isso tem sido desmentido por falta de sustentação inclusive científica, tal como expressa um dos mais destacados arqueólogos israelenses, Amos Kloner, membro da Universidade Bar-Ilan e arqueólogo oficial do Distrito de Jerusalém, que supervisionou as escavações deste descobrimento em 1980, descobertas pelo arqueólogo Yosef Gat. Kloner tem dito que isso é «somente uma farsa publicitária, um excelente material para um filme de televisão, mas totalmente sem sentido, algo absolutamente impossível». Esclarece, além disso, que «a afirmação de que a tumba (de Jesus) foi encontrada não está baseada em nenhuma prova e é só uma manobra para vender» e assinalou ademais que a nova produção da Discovery era meramente uma renovada tentativa de criar controvérsia no mundo cristão com o fim de obter maiores lucros.

4. Ao lado da inconsistência da prova arqueológica sobre esse tema, totalmente contestada por arqueólogos israelenses, aparece novamente, como no caso do Código Da Vinci, o desejo de negar a divindade de Jesus Cristo e o fato de sua ressurreição através de um argumento de ficção apresentado como científico; pelo que este documentário se converte em uma nova edição do infrutífero e permanente ataque aos fundamentos da fé católica e cristã ao longo da história.

5. Ante este documentário nós, católicos, devemos reafirmar nossa fé em Jesus Cristo , Único Salvador do Mundo, que morreu na cruz e ressuscitou por nossa Salvação, fato histórico que fundamenta nossa fé e a vida da Igreja, e também convido os homens de boa vontade a buscar sempre a verdade histórica, diferenciando-a das novas manifestações de ficção arqueológica ou científica a que nos estão acostumando alguns meios de comunicação.

6. São Paulo diz: «Se Cristo não ressuscitou, vossa fé é vã… mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos…» (1Cor. 15, 17.20).

7. Por outro lado, todos os estudos críticos sobre a primitiva comunidade cristã têm demonstrado que na verdade profunda das narrações da Ressurreição de Jesus Cristo se dá uma historicidade incontestável.

8. Devemos perguntar-nos Por que os meios de comunicação têm tanto interesse em pôr em sua mira Jesus?, evidentemente porque Jesus, no profundo da cultura do Ocidente e não somente do Ocidente, constitui um ponto de referência tão decisivo e importante que tudo o que o afeta nos afeta.

* Hospital Católico lança alternativa “Ética e cristã” para substituir fecundação “in vitro”.

quinta-feira, dezembro 10th, 2009

Um centro de saúde católico para mulheres abriu suas portas nesta terça-feira, dia da Imaculada Conceição, com uma lista de espera de pacientes ávidos do seu particular enfoque da saúde reprodutiva e planificação familiar.

A diretora do Gianna-The Catholic Health Care Center for Women, Dra. Anne Mielnik, explicou que sua clínica pertence ao Hospital de São Vicente de Manhattan, o último de uma cidade que contava com 15 hospitais católicos.

Dirigido pelas Irmãs da Caridade, o centro procura responder à necessidade de ajudar os casais estéreis a “conceberem de uma maneira conforme o plano de Deus”, afirma Mielnik.

Cerca de “15% dos casais lutam contra a esterilidade”, disse Mielnik, e “acho que nunca vi nada que cause mais ansiedade e estresse”. Além disso, “muitos casais católicos não são conscientes do que a Igreja ensina no referente ao que é um tratamento de esterilidade aceitável”.

Angustiados com o seu pesar

Os casais “não são conscientes das alternativas disponíveis que estão completamente de acordo com sua fé e que são muito efetivas”, constatou. Além disso, há poucas clínicas católicas no país.

De fato, Mielnik destacou que o centro Gianna, que está situado próximo da Grande Estação Central, enfrenta uma clínica de fecundação in vitro na mesma rua.

Segundo a médica, os casais, em estado de intensa ansiedade, geralmente estão “sem uma orientação clara sobre o que é licito”. Entram nessas clínicas e são “pressionados a fazer algo que sabem que viola sua consciência”, indicou.

“Muitos deles entram em um procedimento como a fecundação in vitro, reconhecendo a possibilidade de criar embriões que depois serão congelados ou destruídos, ou a possibilidade de acabar com a gravidez se houver uma implantação múltipla de embriões.”

“No entanto, continuam adiante porque se sentem como se não houvesse outras opções, e então ficam angustiados com o seu pesar.”

O centro Gianna oferece uma alternativa, disse, que apoia o casal e o ajuda a realizar seu sonho de ter um filho.

Intensificando

As mulheres querem ser “fiéis aos seus valores católicos na saúde reprodutiva”, mas frequentemente “se sentem como se não tivessem nenhum lugar aonde ir” sem que as pressionassem a “fazer coisas nas quais não acreditam”.

De fato, apesar de ainda não começarem a divulgar o centro, “já temos uma lista de espera de mais de 120 pessoas”.

Mielnik contou sobre uma nova alternativa para tratar a infertilidade, chamada “Tecnologia NaPro”, que “é tão efetiva – se não for mais – que a fecundação in vitro”.

E continuou: “O enfoque que utilizamos funciona em cooperação com o sistema de fertilidade das mulheres e estamos em condições de ajudar os casais a conceberem através de um ato sexual natural que, falando com eles, é o que costumam preferir”.

Mais econômico

Além disso, o custo é menor, já que um único ciclo de fecundação in vitro pode custar 10 mil dólares. O centro Gianna, ao contrário, trabalha para manter custos baixos, selecionando opções de tratamento que são cobertas pela maioria dos convênios médicos.

O centro oferece também a formação no método natural Creighton Model Fertility Care System, para casais que não desejam utilizar hormônios.

A atenção sanitária pró-vida é uma das características pela qual o Hospital de São Vicente é reconhecido. De fato, segundo Mielnik, “São Vicente é como a última tentativa de uma medicina ética pró-vida nesta cidade, e o centro Gianna é agora uma parte do seu alcance em Manhattan”.

Mais informações no site http://www.svcmc.org/body.cfm?id=1831

Por Genevieve Pollock,Zenit

Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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