Artigo da ‘Ciência e fé’ Categoria

* Exorcismo: Doença psíquica ou ação do maligno?

domingo, fevereiro 28th, 2010

Jesus Cristo veio para anunciar e inaugurar o Reino de Deus no mundo e nos homens. Os homens têm uma capacidade de acolher a Deus em seus corações (Rm 5,5). Esta capacidade de acolher a Deus está, entretanto, ofuscada pelo pecado; e às vezes no homem o mal ocupa o lugar onde Deus quer viver.

Por isto Jesus Cristo veio libertar o ser humano do domínio do mal e do pecado, e assim também de todas as formas de domínio do maligno, isto é, do diabo e de seus espíritos malignos chamados demônios, que querem desviar o sentido da vida do homem.

Por esta razão, Jesus Cristo expulsava os demônios e livrava os homens da possessão dos espíritos malignos, para abrir espaço no homem, de maneira que, este último, tenha a liberdade para Deus. Ele quer dar seu Espírito Santo ao homem que é chamado a converter-0se em templo (cf. 1Cor 6,19; 1Pe 2,5) para dirigir seus passos (cf. Rm 8,1-17; 1Cor 12,1-11; Gl 5,16-26) para a paz e a salvação.

O ministério da Igreja

- É aqui que entra a Igreja e seu ministério.

A Igreja está chamada a seguir a Jesus Cristo e recebeu o poder, da parte de Cristo, de continuar sua missão em seu nome. Assim a ação de Cristo para libertar o homem do mal será exercida através do serviço da Igreja e de seus ministros ordenados, delegados do Bispo para cumprir os sagrados ritos dirigidos a libertar os homens da possessão do maligno.

O exorcismo é, pois, uma antiga e particular forma de oração que a Igreja utiliza contra o poder do diabo.

Eis aqui como o Catecismo da Igreja Católica explica o que é o exorcismo e como se exerce:

“Quando a Igreja pede publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou um objeto seja protegido contra as armadilhas do maligno e subtraída de seu domínio, fala-se de exorcismo.

Jesus o praticou (Mc 1,25s), dEle tem a Igreja o poder e o ofício de exorcizar (cf. Mc 3,15; 6,7.13; 16,17). De forma simples, o exorcismo tem lugar na celebração do Batismo.

O exorcismo solene só pode ser praticado por um sacerdote e com permissão do bispo. Nesses casos é preciso proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja.

O exorcismo tenta expulsar os demônios ou libertar do domínio demoníaco graças à autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Muito diferente é o caso das doenças, principalmente psíquicas, cujo cuidado pertence à ciência médica. Portanto, é importante assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, de que se trata de uma presença do Maligno e não de uma doença (cf. Código de Direito Canônico, cân. 1172)”. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1673).

A obsessão e suas características

A Sagrada Escritura nos ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do homem, desenvolvem sua ação de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica chamada também possessão diabólica. Entretanto, a obsessão diabólica não é o modo mais freqüente como o espírito das trevas exerce sua influência.

A obsessão tem características de espetacularidade e nela o demônio se apodera, de um certo modo, das forças e das atividades físicas da pessoa que padece a possessão. Não pode, entretanto, apoderar-se da livre vontade do sujeito, e por isso o demônio não pode comprometer a vontade livre da pessoa possuída até o ponto de faze-la pecar.Esta violência física que o diabo exerce no obsesso é uma incitação ao pecado, que é o que o diabo busca lograr.

O ritual do exorcismo indica diversos critério e indícios que permitem chegar, com prudente certeza, à convicção de quando se tem diante de si uma possessão diabólica. Então o exorcista autorizado poderá realizar o solene rito do exorcismo.

Entre estes critérios encontram-se: falar ou entender muitas palavras em línguas desconhecidas, evidenciar coisas distantes ou inclusive escondidas, demonstrar forças além da própria condição, e isto junto com a aversão veemente a Deus, à Virgem, aos Santos, à Cruz e às imagens santas.

Vale a pena destacar que para poder realizar o exorcismo é necessária autorização do Bispo diocesano, autorização que pode ser concedida para um caso específico ou também de modo geral e permanente ao Sacerdote que exerce na diocese o ministério de exorcista.

O Ritual do Exorcismo

O Ritual Romano continha, em um capítulo específico, as indicações e o texto litúrgico dos exorcismos. Este capítulo era o último e ficou sem ser revisado depois do Concílio Vaticano II. a redação final deste Rito dos Exorcismos exigiu muitos estudos, revisões, atualizações e modificações com várias consultas das Conferências Episcopais, depois de uma análise de parte de uma Assembléia Ordinária da Congregação para o Culto Divino. O trabalho exigiu 10 anos e deu como resultado o texto atual, aprovado pelo Sumo Pontífice, que está publicado e à disposição dos Pastores e dos fieis da Igreja.

Ficará ainda pendente um trabalho que compete às respectivas Conferências Episcopais: e é o da tradução deste Ritual às línguas faladas nos respectivos territórios; estas traduções deverão ser exatas e fiéis ao original em latim e deverão ser postas, segundo a norma canônica, à “recognitio” (ao reconhecimento) da Congregação para o Culto Divino.

O exorcismo

No ritual que hoje apresentamos encontra-se, antes de tudo, o rito do exorcismo propriamente dito, a ser exercitado sobre uma pessoa possessa. Seguem as orações a recitar-se publicamente por um sacerdote, com a permissão do Bispo, quando se julga prudentemente que existe uma influência de Satanás sobre lugares, objetos ou pessoas, sem chegar ao estado de uma possessão própria e verdadeira.

Há, além disso, uma coleção de orações para recitar de forma privada por parte dos fiéis, quando estes suspeitam com fundamento de estarem sujeitos ou sob influência diabólica.

O exorcismo tem como ponto de partida a fé da Igreja, segundo a qual existem Satanás e os outros espíritos malignos, e que sua atividade consiste em afastar os homens do caminho da salvação. A doutrina católica nos ensina que os demônios são anjos caídos por causa do pecado, que são espíritos de grande inteligência e poder: “Entretanto, o poder de Satanás não é infinito. Não é mais do que uma criatura, poderosa pelo fato de ser puramente espírito, mas sempre criatura: não pode impedir a edificação do Reino de Deus.

Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora sua ação cause graves danos -de natureza espiritual e indiretamente inclusive de natureza física – em cada homem e na sociedade, esta ação é permitida pela divina providência que com força e doçura dirige a história do homem e do mundo. Porque Deus permite a atividade diabólica é um grande mistério, mas “nós sabemos que em todas as coisas Deus intervém para bem dos que o amam” (Rm 8, 28)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 395).

Luta, graça e vitória

A presença do diabo e de sua ação, explica a advertência do Catecismo da Igreja Católica : “Esta situação dramática do mundo que “jaz inteiramente sob o poder do maligno” (1 Jo 5, 19), faz da vida do homem um combate: “Através de toda a história do homem estende-se na dura batalha contra os poderes das trevas que, iniciada já na origem do mundo, durará até o último dia segundo diz o Senhor.

Nesta luta, o homem deve combater continuamente para aderir-se ao bem, e não sem grandes trabalhos, com a ajuda da graça de Deus, é capaz de alcançar a unidade em si mesmo” (Concilio Ecumênico Vaticano II, Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Atual, Gaudium et spes, n. 37,2)” (Catecismo da Igreja Católica, n. 409).

A Igreja está segura da vitória final de Cristo e portanto, não se deixa levar pelo medo ou pelo pessimismo, mas ao mesmo tempo é consciente da ação do maligno que busca nos desanimar e semear a confusão.

“Tenham fé -diz o Senhor- Eu venci o mundo!” (Jo. 16,33). Nesse marco encontram seu lugar os exorcismos, expressão importante, embora não única, da luta contra o maligno.

* Imperdível! Discurso do Papa à Pontifícia Academia para a Vida.

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010
Queridos Irmãos Bispos e sacerdotes,
Ilustres m
embros Da Pontifícia Academia Para a Vida,
Gentis Senhoras e Senhores!

Tenho o prazer de acolhê-los e saudá-los cordialmente por ocasião da Assembleia Geral da Pontifícia Academia para a Vida, chamada a refletir sobre as questões atinentes à relação entre a bioética e a lei moral natural, que se tornam cada vez mais relevantes no contexto atual, devido à evolução constante em tal âmbito científico. Dirijo uma saudação especial ao presidente desta Academia, Dom Rino Fisichella, agradecendo-lhe as amáveis palavras que me dirigiu em nome dos presentes. Desejo, também, estender o meu agradecimento pessoal a cada um de vós, pelo precioso e insubstituível compromisso que desempenham em favor da vida, nos mais diferentes contextos.

As problemáticas que giram em torno do tema da bioética permitem verificar que as questões subjacentes colocam em primeiro plano a questão antropológica. Como afirmo em minha última Carta Encíclica Caritas in veritate: “Um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética, onde se joga radicalmente a própria possibilidade de um desenvolvimento humano integral. Trata-se de um âmbito delicadíssimo e decisivo, onde irrompe, com dramática intensidade, a questão fundamental de saber se o homem se produziu por si mesmo ou depende de Deus. As descobertas científicas neste campo e as possibilidades de intervenção técnica parecem tão avançadas que impõem a escolha entre estas duas concepções: a da razão aberta à transcendência ou a da razão fechada na imanência” (n. 74).

Mediante questões similares, que afetam de modo tão crucial a vida humana na sua perene tensão entre imanência e transcendência, e que têm grande relevância para a cultura das futuras gerações, é necessário dar forma a um projeto pedagógico integral, que permita lidar com estas questões a partir de uma visão positiva, equilibrada e construtiva, sobretudo na relação entre a fé e a razão.

As próprias questões de bioética, muitas vezes, colocam em primeiro plano um chamado à dignidade da pessoa, um princípio fundamental que a fé em Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado sempre defendeu, sobretudo quando não é considerada em relação aos sujeitos mais simples e indefesos: Deus ama cada ser humano de modo único e profundo. Também a bioética, como qualquer outra disciplina, necessita de um direcionamento capaz de garantir uma leitura coerente das questões éticas que, inevitavelmente, surgem diante dos eventuais conflitos de interpretação. Neste espaço é que se abre o chamado à lei moral natural. O reconhecimento da dignidade humana, de fato, enquanto direito inalienável, encontra seu primeiro fundamento naquela lei que não é escrita por mãos humanas, mas escrita por Deus Criador no coração humano, a que todo sistema jurídico é chamado a reconhecer como inviolável e a que toda a pessoa humana é obrigada a respeitar e promover (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1954-1960). Sem esse princípio fundador da dignidade humana, seria difícil encontrar uma fonte para os direitos da pessoa e impossível alcançar um juízo ético diante das conquistas da ciência, que intervêm diretamente na vida humana.

É necessário, portanto, repetir com firmeza que não existe uma compreensão da dignidade humana ligada apenas aos elementos exteriores, como o progresso da ciência, a gradualidade na formação da vida humana ou o sentimento de piedade fácil diante de situações extremas. Quando se invoca o respeito pela dignidade da pessoa, é essencial que ele seja pleno,  total e irrestrito, baseado no reconhecimento de que sempre se está diante de uma vida humana. É claro, a vida humana conhece um desenvolvimento próprio e o horizonte de investigações da ciência e da bioética está aberto, mas devemos reiterar que, quando se trata de questões relativas ao ser humano, os cientistas não podem mais pensar ter em suas mãos apenas uma matéria inanimada e manipulável. De fato, desde o primeiro momento, a vida do homem é caracterizada por ser vida humana e, por isso, sempre traz consigo, em toda parte e apesar de tudo, sua dignidade própria (cf. Congregação para a Doutrina fé, Instrução Dignitas personae, sobre algumas questões de bioética, n. 5). Ao contrário, estamos sempre na presença do perigo de um uso instrumental da ciência, com a consequência inevitável de cair facilmente na arbitrariedade, na discriminação e no interesse econômico do mais forte.

Conjugar a bioética e a lei moral natural nos permite verificar melhor o necessário e inevitável chamamento à dignidade que a vida humana possui, desde a concepção até o seu fim natural. Ao invés disso, no contexto moderno, ao mesmo tempo que emerge sempre com mais insistência o justo reconhecimento dos direitos que garantem a dignidade da pessoa, se percebe que nem sempre tais direitos são reconhecidos para a vida humana em seu desenvolvimento natural e nos estágios de maior debilidade. Tal contradição torna claro o compromisso em assumir, nas diferentes esferas da sociedade e da cultura, a defesa de que a vida humana seja sempre reconhecida como direito inalienável e nunca como objeto sujeito à arbitrariedade do mais forte.

A história mostrou o quanto pode ser perigoso e danoso um Estato que legisle sobre questões que afetem o indivíduo e a sociedade, pretendendo ser ele mesmo fonte e princípio da ética. Sem o princípio universal que permite verificar um denominador comum para toda a humanidade, o risco de que daí derive um relativismo em nível legislativo não deve ser subestimado (cf. Catecismo Igreja Católica, n. 1959). A lei moral natural, forte em seu próprio caráter universal, permite evitar tal perigo e , sobretudo, oferece ao legislador a garantia para um autêntico respeito, seja da pessoa, seja de toda a ordem de coisas criadas. Tal lei se apresenta como fonte catalisadora de um consenso entre pessoas de diferentes culturas e religiões, permite ir além das diferenças, porque afirma a existência de uma ordem impressa pelo Criador na natureza e é reconhecida como uma instância de verdadeiro juízo ético racional para se perseguir o bem e evitar o mal. A lei moral natural “pertence ao grande patrimônio da sabedoria humana, que a Revelação, com sua luz, ajudou a purificar e desenvolver ulteriormente” (cf. João Paulo II, Discurso à Plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, 6 de fevereiro de 2004).

Ilustres Membros da Pontifícia Academia para a Vida, no contexto atual o vosso empenho se torna cada vez mais delicado e difícil, mas a crescente sensibilidade no que diz respeito à vida humana encoraja a continuar com sempre maior ímpeto e coragem neste importante serviço à vida e à educação nos valores evangélicos das gerações futuras. Desejo que todos vós continueis o estudo e a pesquisa, para que a obra de promoção e defesa da vida seja sempre mais eficaz e fecunda. Acompanho-vos com a Bênção Apostólica, que, com prazer, estendo a todos quanto dividem convosco esta tarefa cotidiana.

* Criogenia: Dar vida a cadáveres congelados? Será?

sábado, fevereiro 13th, 2010

O saudoso Dom Estevão Bettencourt escreveu dois artigos sobre esse assunto,publicados em sua revista “Pergunte e Responderemos”: PR n. 411, 1996, pg372; e PR n. 150,1972, pg 244.

Veja sua conclusão:

Tratando-se de crioconservação, duas hipóteses podem ser levantadas: ou os pacientes estão realmente mortos ou não estão realmente mortos, mas em coma profundo.

No primeiro caso, deve-se levar em conta que a vida humana não resulta apenas de hábeis combinações químicas, pois é vida que transcende a matéria ou é animada por um princípio vital imaterial ou espiritual.

Ora, nenhum cientista é capaz de produzir um ser espiritual, pois este é incorpóreo,dotado de intelecto e vontade.
Somente um ato criador de Deus pode produzir uma alma humana ou pode fazer a alma de um defunto voltar ao seu corpo. Daí a interrogação: O Criador colaboraria com os cientistas, dando alma humano ao corpo hipolítico reconstruído pela ciência ou conservado?
A esta pergunta ninguém pode responder, mas ela parece versar sobre algo de muito pouco provável sob todos os aspectos.

No caso de não estarem realmente mortos os pacientes , pode-se dizer que, se o organismo dos pacientes voltar a ter condições de exercer suas funções, a alma nele existente voltará a fazer tal organismo funcionar. Não haverá um retorno à vida, mas a passagem da dormência para a atividade. Todavia também esta hipótese parece estar longe do verossímil e provável.

Em suma, o ato de proceder ao congelamento de cadáveres estende o raio de ação da medicina, ciência que tenta salvar a vida e combater a morte.

Assim considerado, o congelamento pode ser lícito do ponto de vista ético. Todavia pode-se perguntar se, assim procedendo, o homem não está esquecendo os seus limites de criatura e pretendendo assumir utopicamente o lugar de Deus…?” (D. Estevão Bettencourt)

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Alexandre Versignassi

Hoje, isso já dá certo com embriões: óvulos fecundados podem ficarcongelados com chances boas de sobreviver a um descongelamento – estima-se que perto de 60% deles conseguem vingar, dando origem a um bebê.( sabe-se que a Igreja não aceita o congelamento de embriões..)

A idéia é : você morre e os médicos o colocam num tanque de nitrogênio líquido, guardado a -196 ºC, temperatura em que o cadáver não apodrece. Aí, daqui a uns 500 anos, os cientistas descobrem um jeito de combater a doença que causou sua morte e o degelam.

Mas o processo não é tão simples. “Os próprios métodos usados para congelar uma pessoa causam danos às células que só poderiam ser reparados por tecnologias que ainda não existem”, afirma o físico americano Robert Ettinger, considerado o grande divulgador da criogenia.

Por enquanto, o congelamento  não funciona com pessoas porque o líquido que compõe as células vira gelo, aumentando de tamanho e fazendo-as trincar.

Com os embriões congelados, esse efeito é evitado com a aplicação de substâncias químicas que driblam a formação de cristais de gelo, impedindo que as paredes celulares se danifiquem. “Mas com os seres humanos desenvolvidos o problema é que cada tipo de célula exige uma substância protetora diferente, e muitas delas ainda não foram inventadas”, diz o ginecologista Ricardo Baruffi, da Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto (SP), um especialista em congelamento de embriões.

A um passo da eternidade?

Congelar um corpo é fácil. O que os cientistas não sabem ainda é como ressuscitá-lo

1. Assim que uma pessoa morre, um funcionário da empresa de criogenia resfria o cadáver com gelo. Nessa fase, a temperatura do corpo fica pouco acima de 0 ºC. Não é muito frio, mas é o suficiente para evitar, por algum tempo, a proliferação das bactérias que iriam apodrecer o cadáver.

2. Nessa fase, o corpo também recebe uma injeção de substâncias anticoagulantes, para manter os vasos sanguíneos desobstruídos. Depois, todo o sangue é bombeado para fora e no lugar entram substâncias químicas que protegerão as células na hora do congelamento evitando a formação de parte dos cristais de gelo, que rompem a estrutura celular

3. No local em que o corpo vai ser congelado, o cadáver passa por um resfriamento gradual, em uma câmara de gelo seco. Para evitar danos às células, a intenção é que todos os tecidos se congelem no mesmo ritmo. Todo o processo ocorre de maneira lenta e pode durar dois dias, quando a temperatura do corpo chega a -79 ºC

4. Depois do resfriamento o corpo é submergido lentamente em um tanque de nitrogênio líquido, até ser totalmente coberto. Quando essa fase termina, após uma semana, o cadáver está a -196 ºC, impedido de apodrecer. Ele fica no tanque por toda a eternidade – ou até que alguém invente uma tecnologia para ressuscitá-lo

Walt Disney congelado?

Os rumores foram fortes nos anos 60, mas não passam de lenda urbana

O corpo do criador do Mickey não está congelado. Tudo indica que os boatos de que o cadáver de Walt Disney não passam de lenda urbana.

A versão oficial é que o desenhista e empresário foi cremado logo após sua morte em 1966. Mas, na época, o funeral reservado e o fato de a criogenia estar na ordem do dia, com o sucesso do livro A Prospect of Immortality (”Uma Perspectiva de Imortalidade”, inédito no Brasil), de Robert Ettinger, alimentaram a especulação.

Outro fato impulsionou a lenda: a primeira experiência criogênica humana ocorreu apenas um mês após a morte de Disney, quando o cadáver do norte-americano James Bedford foi congelado.

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Como se vê, congelar é fácil.. A questão é trazer a vida de volta!

O melhor é a gente pensar em uma outra vida eterna,essa sim, PARA SEMPRE, e o mais importante ( O inferno também é vida eterna..) na presença de Deus!

Aleluia!!

* Evidência arqueológica pode ser a mais antiga citação de Jesus Cristo.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

Uma equipe de arqueólogos e egiptólogos descobriram nas ruínas da mítica cidade afundada de Alexandria, um vaso de cerâmica com uma inscrição enigmática em grego que poderia ser a mais antiga referência existente para Jesus Cristo.

Figura 1 – O Arqueólogo Franck Goddio segurando o achado descoberto em Alexandria.

De acordo com Franck Goddio, um dos arqueólogos subaquáticos mais prestigiados no mundo e responsável pela descoberta, o objeto apresenta uma inscrição em grego, ”Dia Chrstou o Goistais”, que se traduz como “Cristo, o mago”.

O investigador francês disse que, dentre as teorias a serem consideradas, uma delas poderia ser uma referência a Jesus Cristo, que naquela época era o principal expoente na prática de “magia branca”.

O valor da descoberta é realçada pela sua antiguidade, como os egiptólogos que estudaram a peça dizem que a vasilha, da Ásia Menor, é do século I a.C., e que o registo foi feito antes do ano 50 d.C. Isso tornaria a conclusão da primeira referência conhecida ao Messias, uma honra que até agora mantém uma carta de São Paulo do ano 51 d.C.

No entanto, esta é apenas uma das teorias que os especialistas tem procurado relacionar sobre a origem e o significado desta obra valiosa.

A descoberta foi feita em junho de 2008, quando sua equipe estava trabalhando dentro de um templo localizado perto da ilha de Antirhodos, perto da costa.

Vasilha com a inscrição, CRISTO, O MAGO - Antirhodos
Figura 2 – Mapa mostrando a localização da Ilha de Antirhodos, onde a peça foi descoberta.

Nos últimos meses, os melhores egiptólogos do mundo têm trabalhado nesta parte e têm diversas teorias sobre o assunto. Eles acreditam que o a vasilha era utilizada em rituais de adivinhação. Elas se davam quando eram derramada uma fina camada de azeite e, de acordo com sua distribuição e vestígios, seriam interpretadas por um mago na forma de previsões futuras.

O achado foi levado à Madrid, onde permaneceu em exibição pública dentro da amostra Resgate de Tesouros do Egito, até 26 de novembro.

Na inscrição em grego “Dia Chrstou o Goistais”, a palavra “goistais” significa “mago”, enquanto “Chrstou” designa o nome do celebrante, que pode ser o Messias. Neste caso, a vasilha teria sido usado por um mago, que para legitimar seus poderes “sobrenaturais”, teria invocado o nome de Cristo.

Vasilha com a inscrição, CRISTO, O MAGO
Figura 3 – Vasilha encontrada em Alexandria, em evidência a inscrição “Cristo, o mago”.

“No século I d.C., a comunicação do Porto de Alexandria com a região da Palestina era muito intensa, com navios que chegavam até lá diariamente. É muito provável que em Alexandria se tinha conhecimento da existência de Jesus e os milagres que ele estava realizando não muito longe dali e que os magos de Alexandria estariam realizando ritos mágicos em seu nome”, explicou Goddio.

A vasilha foi exibido em Madrid, mas uma grande equipe de pesquisadores continua a investigação sobre a peça e sua origem.


Veja o vídeo sobre este assunto, cliquando no link abaixo:
Fonte : Hugo Hoffmann

* Adão e Eva existiram? Lendo Gênesis com o Cardeal Ratzinger.

segunda-feira, janeiro 11th, 2010


Espetacular artigo sobre a criação.

O autor, fundamentado na doutrina católica e na tradição, revela a visão católica sobre Adão e Eva e o relato biblico da criação.

Excelente!

***

Por Nicanor Pier Giorgio Austriaco

Traduzido por Alexandre Zabot
Baixar pdf.

O autor responde aos criacionistas católicos argumentando que exegetas
modernos têm razões suficientes para ir além da leitura literal do Gênesis.

Como um católico deveria ler o primeiro capítulo do Gênesis, que detalha os seis dias da criação?

Em uma palestra intitulada “Restauração da Teologia Tradicional Católica sobre as origens”, proferida no Primeiro Simpósio Católico Internacional sobre Criação, realizado em Roma em 24-25 de outubro de 2002, Padre Victor Warkulwiz, MSS, um padre com doutorado em física, argumentou que a Igreja Católica precisa retornar a uma teologia católica tradicional sobre as origens, uma teologia que é baseada no sentido literal e óbvio de Gênesis 1-11. Ele não está sozinho ao dizer isto. Nos últimos anos, os católicos de tendência mais tradicionalista começaram a abraçar um criacionismo especial – a crença de que Deus criou os diferentes tipos de seres vivos por decreto divino menos de 10.000 anos atrás – que, nos anos passados, estava associada mais com os protestantes fundamentalistas.

Católicos criacionistas frequentemente afirmam que os católicos que procuram ser fiéis à tradição católica precisam interpretar o relato da criação de seis dias de Gênesis, no seu sentido “literal e óbvio”, como a maioria dos Padres e Doutores da Igreja tinham feito. Assim, eles argumentam que o primeiro capítulo do Gênesis é uma narrativa histórica exata, uma descrição precisa, de um evento que teve lugar durante um período de seis dias, milhares de anos atrás. Para justificar esta abordagem, os criacionistas católicos citam o papa Leão XIII, que em Providentissimus Deus, sua encíclica de 1893 sobre o estudo da Sagrada Escritura, ensinou o seguinte:

A opinião dos Padres também tem peso muito grande quando se trata desses assuntos [a interpretação da Sagrada Escritura], na sua qualidade de doutores, de forma não oficial; não só porque distinguem-se em seu conhecimento da doutrina revelada e em sua familiaridade com muitas coisas que são úteis na compreensão dos Livros Apostólicos, mas porque são homens de eminente santidade e de zelo fervoroso pela verdade, a quem Deus concedeu uma medida mais ampla de Sua luz. Por isso, o expositor deve fazer seu dever seguir seus passos com toda a reverência, e usar seus trabalhos com a apreciação inteligente. Mas ele não deve, por esse motivo, considerar que é proibido, quando existe justa causa, fazer investigação e exposição para além do que os Padres têm feito; desde que ele observe com cuidado a regra tão sabiamente estabelecida por Santo Agostinho – não afastar-se do sentido literal e óbvio, salvo apenas quando a razão torna insustentável ou a necessidade requer; uma regra à qual é mais necessário aderir rigorosamente nestes tempos, quando a sede de novidade e irrestrita liberdade de pensamento faz o perigo de erro mais real e próximo.

Embora os católicos criacionistas admitam que Leão XIII permitiu os católicos a irem além do sentido literal e óbvio da Sagrada Escritura – o que os estudiosos bíblicos modernos chamariam de uma leitura literal do texto– eles respondem afirmando que os exegetas católicos contemporâneos não conseguiram demonstrar que a sua leitura não literal do Gênesis é justificada, quer pela razão ou por necessidade, conforme especificado por Leão XIII.

Neste ensaio eu respondo ao movimento criacionista católico argumentando que os exegetas contemporâneos têm motivos suficientes para ir além de uma leitura literal do texto de Gênesis.

Vou começar por resumir os três princípios hermenêuticos utilizados pelo então Cardeal Joseph Ratzinger, agora o Santo Padre Bento XVI, em sua interpretação não literal do relato de seis dias de Gênesis, tradicionalmente chamado de Hexaemeron.

Vou então mostrar que seu método é fiel tanto ao ensinamento da Igreja Católica, mais recentemente articulado na Dei Verbum, a Constituição dogmática sobre a Revelação Divina do Concílio Vaticano II, quanto ao ensino de seu predecessor, Leão XIII, em Providentissimus Deus.

Assim, proponho a abordagem do Cardeal Ratzinger para leitura de Gênesis como um exemplo particularmente notável do método hermenêutico aprovado pelo Concílio Vaticano II, e que deve ser paradigmático para os exegetas católicos contemporâneos que procuram ser fieis à tradição católica.

Primeiro princípio: A distinção entre forma e conteúdo

Durante a Quaresma de 1981, o então Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Santo Padre, papa Bento XVI, proferiu quatro homilias sobre a criação no Liebfrauenkirche, a catedral de Munique, na Alemanha.

Na sua primeira homilia, intitulada “Deus, o Criador”, Ele aborda os princípios que regem a sua leitura do Gênesis. Ele começa por recordar as palavras de abertura das Sagradas Escrituras que destacam a ação criadora de Deus “no começo”. No entanto, ele vai além e faz a pergunta que está no cerne do debate criacionista: São estas palavras verdadeiras? Será que elas têm algum valor? Para responder a estas questões, ele sugere três critérios para a interpretação do texto de Gênesis: a distinção entre forma e conteúdo, na narrativa da criação, a unidade da Bíblia, bem como a importância hermenêutica da Cristologia.

Primeiro, ele propõe que o exegeta “deve distinguir entre a forma de descrever e ao conteúdo que é descrito.”Ele deve ter em mente que a Bíblia é, em primeiro lugar e acima de tudo, um livro religioso e não um livro de ciências naturais. Assim, o Cardeal Ratzinger conclui que Gênesis não é e não pode fornecer uma explicação científica de como o mundo surgiu. Pelo contrário, é um livro que procura descrever as coisas de tal forma que o leitor é capaz de compreender profundamente as realidades religiosas. Ele usa imagens para comunicar a verdade religiosa, imagens que foram escolhidas a partir do que era compreensível no tempo em que o texto foi escrito, “as imagens que cercavam o povo que vivia na época, que eles usavam na fala e no pensamento, e graças às quais puderam compreender a realidade maior” .

Em outras palavras, o exegeta católico é chamado a respeitar o texto como está. Ele é chamado a ler Gênesis como o seu autor humano queria que fosse lido, não como um tratado científico, mas como uma narrativa religiosa que comunica verdades profundas sobre o Criador.

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger para exegese ecoa o ensinamento do Concílio Vaticano II. Na Dei Verbum, a Constituição Dogmática sobre a Revelação, os Padres do Concílio ensinaram que, “para descobrir a intenção dos hagiógrafos, devem ser tidos também em conta, entre outras coisas, os ‘gêneros literários’. Com efeito, a verdade é proposta e expressa de modos diversos, segundo se trata de géneros histéricos, proféticos, poéticos ou outros. Importa, além disso, que o intérprete busque o sentido que o hagiógrafo em determinadas circunstâncias, segundo as condições do seu tempo e da sua cultura, pretendeu exprimir e de facto exprimiu servindo se os géneros literários então usados”

Além disso, embora o cardeal Ratzinger não forneça uma justificação teológica para este critério, o Concílio Vaticano II o fez. Segundo o Concílio, temos de respeitar a forma do texto porque “Deus na Sagrada Escritura falou por meio dos homens e à maneira humana”. Assim, o exegeta “para saber o que Ele quis comunicar-nos, deve investigar com atenção o que os hagiógrafos realmente quiseram significar e que aprouve a Deus manifestar por meio das suas palavras.” Em outras palavras, o exegeta católico deve respeitar a forma das Sagradas Escrituras porque, ao fazê-lo, ele respeita a ação de Deus que foi o autor do texto sagrado sem violar a liberdade, identidade e idiossincrasias dos autores humanos que escreveram em diferentes formas.

Segundo princípio: A unidade da Bíblia Sagrada

O primeiro critério do Cardeal Ratzinger levanta uma importante questão: Mas como é que se compreende a forma particular do texto sagrado? Por exemplo, como nós sabemos que o autor humano do relato da criação de seis dias não quis escrever uma narrativa histórica ou um tratado científico bona fide? Ele certamente poderia ter desejado isto. Na homilia da Quaresma de 1981, o Cardeal Ratzinger traz a mesma questão, perguntando: “é a distinção entre a imagem e o que se destina a ser expressado apenas uma fraude, porque não podemos mais contar com o texto, apesar de ainda querermos fazer alguma coisa dele, ou existem critérios a partir da própria Bíblia que atestam a esta distinção?”Em resposta, ele propõe um segundo critério de boa exegese católica – o exegeta deve interpretar um texto de dentro do contexto da unidade da Bíblia. Aplicando este critério para a interpretação do relato de seis dias da criação, descobrimos que os relatos da criação no Antigo Testamento – o Hexaemeron é apenas um dos vários encontrados em Gênesis e Salmos – são claramente “movimento[s] para esclarecer a fé” e não são narrativas históricas ou científicas.

Por exemplo, o cardeal Ratzinger observa que um estudo das origens dos textos descriação na literatura sapiensal revelam especialmente que eles foram escritos para responder à civilização helenística confrontada pelo israelitas.Hexaemeron, o relato da criação em seis dias, encontrado no primeiro capítulo de Gênesis revela que ele foi escrito para responder à civilização babilônica aparentemente vitoriosa confrontada pelos israelitas vários séculos antes de seu encontro com os gregos. Aqui, o autor humano do texto sagrado usou imagens familiares aos seus contemporâneos pagãos para refutar o Enuma Elish, o relato babilônico da criação que alegou que o mundo foi criado quando Marduk, o deus da luz, matou o dragão primordial.4 Assim, como o Cardeal Ratzinger sublinha, não é surpreendente que quase todas as palavras do primeiro relato da criação abordem uma confusão particular da época da Babilônia. Por exemplo, quando as Sagradas Escrituras afirmam que, no início, a terra era sem forma e vazia (cf. Gn 1:2), o texto sagrado refuta a existência de um dragão primordial. Quando elas se referem ao Sol e a Lua como lâmpadas que Deus pendurou no céu para a medição do tempo (cf. Gn 1:14), o texto refuta a divindade desses dois grandes corpos celestes, acreditados como deuses da Babilônia. Estes versos, e eles são apenas dois dos muitos exemplos, ilustram a intenção do autor humano do Hexaemeron.

Ele queria desmontar um mito pagão que era comum na Babilônia e afirmar a supremacia de um Deus Criador. O cardeal Ratzinger conclui: Assim, não é surpreendente que os autores humanos destes relatos não utilizam a imagem dos seis dias para fazer valer a sua fé em um Deus Criador. Esta imagem não teria sido adequada para o seu tempo e não teria sido entendida por seus contemporâneos gregos.

Assim, podemos ver como a própria Bíblia constantemente readapta suas imagens para um modo de constante desenvolvimento do pensamento, como muda sempre, e outra vez, a fim de dar testemunho, a única coisa que veio a ele, na verdade, da Palavra de Deus, que é a mensagem de seu ato de criar. Na própria Bíblia as imagens são livres e corrigem-se continuamente. Desta forma, elas mostram, por meio de um processo gradual e interativo, que elas são apenas imagens, que revelam algo mais profundo e maior.

Em suma, um estudo comparativo de diferentes relados da criação espalhados por toda a Sagrada Escritura revela que eles não eram e não são narrativas históricas ou científicas. Eram argumentos teológicos que usaram imagens diferentes para comunicar a mesma verdade – a verdade sobre o Criador e sua criação.

Novamente, o segundo critério do cardeal Ratzinger não é uma invenção nova. Ele ecoa os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que ensinou: “a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com o mesmo espírito com que foi escrita, não menos atenção se deve dar, na investigação do reto sentido dos textos sagrados, ao contexto e à unidade de toda a Escritura”.

Terceiro princípio: Cristo como a chave interpretativa da Bíblia Sagrada

Finalmente, o segundo critério levanta outra questão importante: Por que as Sagradas Escrituras ser tratadas como uma unidade? Qual é a fonte desta unidade? Em resposta, o Cardeal Ratzinger fornece seu terceiro e último critério para a interpretação do texto sagrado: devemos ler as Sagradas Escrituras “com Ele em quem todas as coisas foram cumpridas e em quem toda a sua validade e verdade são reveladas.” É Cristo que unifica a Bíblia. A Bíblia inteira é sobre ele. Assim, o Gênesis tem de ser lido no contexto de sua realização em Cristo. Portanto, o Santo Padre afirma que o primeiro relato da criação não pode ser lido sem referência ao relato conclusivo e normativo bíblica da criação que começa assim: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.”(João 1:1,3 – Bíblia de Jerusalém).

Para o cardeal Ratzinger, é Cristo que sanciona as leituras do texto sagrado que se movem para além de uma leitura literal estrito, pois é Cristo que deseja comunicar profundas verdades teológicas que penetram no coração e na alma humana: “Cristo nos liberta da escravidão da letra, e precisamente assim é que ele dá de volta para nós, a renovação, a veracidade das imagens”.

Mais uma vez, o terceiro critério do Santo Padre pode ser encontrado nos documentos do Concílio Vaticano II: “Deus, inspirador e autor dos livros dos dois Testamentos, dispôs tão sabiamente as coisas, que o Novo Testamento está latente no Antigo, e o Antigo está patente no Novo. Pois, apesar de Cristo ter alicerçado à nova Aliança no seu sangue, os livros do Antigo Testamento, ao serem integralmente assumidos na pregação evangélica adquirem e manifestam a sua plena significação no Novo Testamento, que por sua vez iluminam e explicam.”

O Catecismo da Igreja Católica explica: “Por mais diferentes que sejam os livros que a compõem, a Escritura é uma em razão da unidade do projeto de Deus, do qual Cristo Jesus é o centro e o coração, aberto depois da sua Páscoa” (n. 112). Toda a Sagrada Escritura deve ser interpretada à luz de Cristo.

Em suma, o Hexaemeron é verdade. No entanto, é verdade não porque comunica a verdade histórica ou científica, mas porque ele comunica verdade teológica, a verdade de que o mundo foi criado por um Deus que é amor. Ler Gênesis com os três princípios hermenêuticos do cardeal Ratzinger justifica esta afirmação e apresenta os motivos para ir além de uma leitura literal do texto sagrado. É uma leitura da Sagrada Escritura, que é fiel tanto à fé e à razão.

Finalmente, como reconciliamos a interpretação do Cardeal Ratzinger do relato de seis dias de criação com o ensinamento de Leão XIII discutido acima? Lembre-se que em Providentissimus Deus, Leão XIII ensinou que os exegetas católicos “não devem a afastar-se do sentido literal e óbvio, com exceção apenas onde a razão torna insustentável ou a necessidade exige.” Criacionistas católicos têm argumentado que este critério não foi satisfeito – as ciências naturais não apresentaram razões para ir além do sentido literal e óbvio do Hexaemeron.

Eles argumentam que uma leitura literal do relato da criação de seis dias só deve ser abandonada quando a ciência refutar definitivamente a narrativa explicitamente descrita no Hexaemeron. Seu argumento, no entanto, deixa de reconhecer que o papa Leão XIII não limitou a sua declaração de fundamentação científica. Um exegeta católico tem de interpretar o texto sagrado de forma a coincidirem, não só com verdades descobertas pelas ciências naturais, mas também com as verdades descobertas por outros campos da investigação humana genuína.

Em outras palavras, a interpretação do texto sagrado é uma obra de tanto da fé e da razão. Como o cardeal Ratzinger convincentemente argumentou, no caso do Hexaemeron, temos que abandonar uma leitura que se limita ao sentido literal, porque os estudos de textos antigos e culturas antigas – e não a ciência natural – deram-nos boas razões e necessidade para fazê-lo.

Prender-se a uma leitura literal do Gênesis seria fazer violência ao sentido original do autor humano e, assim, a verdade que Deus quis manifestar através de suas palavras. Como enfatizou o Concílio Vaticano II, como Deus, também nós somos chamados a respeitar o autor humano. Desde que ele não escreveu um tratado científico ou histórico, na Hexaemeron, não devemos lê-lo como um.




Frei Nicanor Pier Giorgio Austriaco, OP, recebeu seu Ph.D. em Biologia no MIT em 1996 e sua Licenciatura em Teologia Sacra da Dominican House of Studies em 2005. Ele atualmente trabalha como professor assistente de biologia e professor adjunto de teologia no Providence College, em Providence, Rhode Island.


1 – Victor P. Warkulwiz, M.S.S., “Restoration of Traditional Catholic Theology on Origins,” in Proceedings of the International Catholic Symposium on Creation, October 24-25, 2002. (Woodstock, VA: Kolbe Center for the Study of Creation, 2003), 17-35, p. 17
2 – Dermott J. Mullen, “Fundamentalists Inside the Catholic Church: A Growing Phenomenon,” New Oxford Review 70 (2003): 31-41. Para uma resposta ao artigo de Mullen de católicos que se consideram criacionistas, veja Hugh Owen e Robert Bennett, “Are Catholic Defenders of Special Creation ‘Fundamentalists’?” at
www.kolbecenter.org/nor.response.htm. Último acesso em 04/01/2010.
3 – Pope Leo XIII, Encyclical letter, Providentissimus Deus, November 18, 1893, nos. 14-15. Traduções do website http://www.vatican.va/holy_father/leo_xiii/encyclicals/documents/hf_l-xiii_enc_18111893_providentissimus-deus_en.html . Último acesso em 04/01/2010.
4 – Pontifical Biblical Commission, The Interpretation of the Bible in the Church, March 14, 1994, Section F: Fundamentalist Interpretation.
5 – Joseph Ratzinger, ‘In the Beginning…’: A Catholic Understanding of the Story of Creation and the Fall, Trans. Boniface Ramsey, O.P. (Grand Rapids: William. B. Eerdmans Publishing Co., 1995).
6 – Ibid., pp. 4-5.
7 – Ibid., p. 5.
8 – Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina., nº12.
Nota do Tradutor. Usei a versão online da Constituição Dogmática Dei Verbum, sobre a Revelação Divina. http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_const_19651118_dei-verbum_po.html
Último acesso em 04/01/2010.
9 – Ibid.
10 – Ibid.
11 – Ratzinger, In the Beginning, p. 8.

12 – Ibid., p. 14.

13 – Ibid., pp. 14-15.

14 – Para um ensaio interessante sobre a relação entre o HexaemaronEnuma Elish, e a escrito para uma audiência popular, veja Victor Hurowitz, “The Genesis of Genesis: Is the Creation Story Babylonian?” Bible Review 21 (2005): 37-48; 52-53.

15 – Ratzinger, In the Beginning, p. 15.

16 – Dei verbum, no. 12.

17 – Ratzinger, In the Beginning, p. 16.

18 – Ibid., p. 16.

19 – Dei verbum, no. 16.

* A visão da Igreja sobre a questão ambiental é diferente da visão dos movimentos ambientalistas ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”. Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro.

Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita de maneira muito clara as bases que devem fundamentar a ecologia humana.

“Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.

O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma bento XVI – na medida em que porta em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida, caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.

Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.

Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.

O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.

Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”.

Zenit

*A melhor forma de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população ? Será ?

sábado, dezembro 26th, 2009

O melhor jeito de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população por meio da contracepção e do aborto, de acordo com um relatório da prestigiosa Escola Londrina de Economia e Ciência Política (ELECP),da Inglaterra.

De acordo com o relatório, comissionado pelo grupo ambientalista radical pró-aborto e anti-seres humanos Optimum Population Trust, cada 4 libras gasta em “planejamento familiar” durante os próximos quarenta anos reduziria as emissões globais de CO2 em mais que uma tonelada. Isso ultrapassaria os ganhos de se gastar em “tecnologias de baixa emissão de carbono” em 15 libras.

“Considerado puramente como um método de reduzir futuras emissões de CO2” tais métodos de “planejamento familiar” como aborto, esterilização e distribuição em massa de anticoncepcionais “deveriam ser vistos como os principais métodos de redução de emissões”. Com base em seus dados em relatórios do UNICEF e do FNUAP sobre a “necessidade não atendida” de “planejamento familiar” no mundo em desenvolvimento, o relatório concluiu que se essa necessidade for atendida, haverá uma economia de 34 bilhões de toneladas de CO2”.

As agências da ONU citadas no relatório da ELECP afirmam que 40 por cento de todas as gravidezes mundiais não são planejadas e portanto indesejadas. Isso, dizem eles, significa que há uma necessidade não atendida de aborto, esterilização e contraceptivos artificiais que, se atendidos, reduziriam o número de gravidezes não planejadas em 72 por cento.

Os termos “emissores” no relatório intitulado “Menos Emissores, Menos Emissões, Menos Custos” se refere aos seres humanos. Roger Martin, presidente de Optimum Population Trust na ELECP, disse: “Sempre foi óbvio que as emissões totais dependem do número de emissores bem como suas emissões individuais — não dá para abaixar a tonelagem de carbono como queremos, enquanto a população não parar de aumentar”.

Gerald Warner, colunista do jornal Telegraph, comentou que a proposta para reduzir as emissões de carbono reduzindo-se as pessoas não é suficiente para os extremistas ambientalistas anti-seres humanos. “Por que não economizar 80 bilhões de toneladas acabando completamente com a gravidez? Há só um jeito garantido de impedir o aquecimento global provocado pelos homens e esse é abolindo o homem”.

Warner continuou: “Tendo gerado histeria em massa muito lucrativa e tendo excluído cientistas honestos que mostram que a calota polar ártica está crescendo, não diminuindo; que a população de ursos polares está aumentando, não diminuindo; e que a contribuição humana total para o CO2 atmosférico é minúscula, tornando irrelevantes quaisquer ajustes em seu tamanho, os fanáticos do aquecimento estão aprendendo as alegrias da coerção”.

A classe científica discute muito a equação da “explosão populacional” com o aumento de “emissões de carbono” e portanto “mudanças climáticas” provocadas pelo homem, e muitos deles estão denunciando-a como ciência falsa de inspiração ideológica. Contudo, é o alicerce de boa parte da teoria ambientalista moderna, inclusive de uma organização chamada Movimento em prol da Extinção Voluntária dos Seres Humanos, cujo lema é “Que vivamos muito e que a morte extermine a todos nós”.

As críticas da classe científica não impediram os governos de aceitar essa doutrina sem questionar. Nesta semana, a Comissão sobre Mudança Climática do Parlamento, criada pela Lei de Mudança Climática de 2008, orientou o governo trabalhista a descartar planos para construir uma terceira pista de decolagem no aeroporto de Heathrow, um dos mais ativos do mundo, dizendo que tem de haver um “limite global nas emissões da aviação”.

A menção do relatório da ELECP ao carbono sendo “economizado” é em referência à crescente prática administrativa dos governos chamada de “comércio de emissões”, às vezes denominada de “limite e comércio”. Um governo que colocou um limite nas emissões permitidas de CO2 dá “licenças de emissões” ou “créditos de emissões” que permitem que empresas emitam uma quantidade específica de CO2. As empresas que querem aumentar sua concessão de emissões poderão comprar esses créditos de empresas que poluem menos, o que significa em efeito que a empresa compradora poderá continuar a emitir poluentes na mesma taxa, e que as empresas que não poluem poderão vender seus créditos para a empresa que oferecer o melhor preço.

Os que criticam essa prática dizem que embora tenha criado um novo comércio lucrativo e esteja aumentando os ganhos do governo, muito pouco faz para reduzir as emissões de carbono. O maior sistema de comércio de “mercado de carbono” no mundo é o administrado pela União Européia. O comércio de emissões de carbono vem aumentando sem parar em anos recentes, com o Banco Mundial calculando que cresceu de 11 bilhões de dólares em 2005 para 30 bilhões em 2006 e 64 bilhões em 2007.

* A tumba de Jesus ? Documentário apresentado no Discovery Channel é cientificamente inconsistente e falso.

domingo, dezembro 20th, 2009

Um documento exibido no Brasil no canal da TV cabo Discovery Channel , afirma ter identificado o túmulo onde foram enterrados Jesus Cristo, seus pais, Maria e José, e Maria Madalena.

Esse documentário apresentado no inicio deste ano na época da quaresma, voltou a ser apresentado nestes dias,claro, por causa do natal..

Intitulado The Lost Tomb of Jesus (O Túmulo Perdido de Jesus), o documentário foi produzido por James Cameron, director do filme Titanic, e pelo arqueólogo Simcha Jacobovici para o canal, com três anos de preparação. No entanto, a comunidade científica ironizou o seu conteúdo, classificando-o como “falso” e “apenas um chamariz publicitário para um futuro livro a ser lançado pelo cineasta”.

O suposto túmulo, do qual originou o documentário, foi encontrado em 1980 no subúrbio de Talpiot, em Jerusalém. Na ocasião, os arqueólogos encontraram dez caixões (repositórios de ossos) e três crânios. Em alguns dos esquifes havia inscrições que foram traduzidas como “Jesus, filho de José”; “Judá, filho de Jesus”; “Mariamne”; “Maria”; “José” e “Mateus”. Testes de DNA nos resíduos dos ossos verificaram que não havia parentesco entre os ossos de Jesus e de Mariamne. Com isso, Cameron concluiu que ambos só poderiam ocupar a mesma tumba se fossem casados. Além disso, passou a defender que Mariamne seria o nome verdadeiro de Maria Madalena. Em outras palavras, o documentário de Cameron e Jacobovici tenta relacionar os nomes encontrados aos da família da Jesus e argumenta que Jesus e Maria Madalena foram casados e tiveram um filho (Judá).

Após o lançamento do documentário a comunidade científica no Brasil e no exterior manifestou-se contrária aos argumentos de Cameron e Jacobovici. Em opinião unânime, especialistas afirmam serem absurdas as teorias apresentadas. Sem considerar a tentativa de colocar em dúvida a ressurreição de Cristo, os arqueólogos afirmam que, histórica e arqueologicamente, é impossível Cameron e Jacobovici provarem tais fatos.

Comunidade científica ironiza

Historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e um dos principais especialistas brasileiros sobre a vida de Jesus, André Chevitarese afirma que é preciso encarar com muito ceticismo o anúncio da descoberta da suposta tumba de Cristo. Segundo ele, Jesus seria virtualmente invisível para um arqueólogo de hoje. Em entrevista ao site G1, Chevitarese explica que “não só ele (Jesus), como quase toda a primeira e segunda geração de cristãos eram pessoas periféricas, gente muito simples, de origem rural, que seriam incapazes de deixar restos materiais claros de si mesmos” por não terem condições financeiras de terem uma tumba como a de Cameron mostrou.

Sendo assim, os ossários apresentados por Cameron,como o local do último descanso de Jesus, sua mãe Maria e sua suposta esposa Maria madalena, estaria muito acima das possibilidades financeiras de alguém como Ele. A decoração em alguns dos ossários aponta para uma família da classe média alta, e não para camponeses da Galileia.

Para o professor Chevitarese, é preciso ficar sempre com um pé atrás diante de um anúncio como esse. “A impressão é que se está diante de um fenómeno: uma emissora de TV simplesmente querendo criar polémica em torno do tema. Qualquer trabalho científico sério precisa trabalhar com hipóteses, que podem ser testadas ou refutadas. O problema é que, nessas belíssimas teorias que são criadas, a resposta já vem pronta e os factos simplesmente são forçados a se encaixar na conclusão desejada”, critica o historiador. Na entrevista, Chevitarese comparou esse tipo de esforço à trama do romancista Dan Brown no livro O Código Da Vinci.

Segundo André Chevitarese, o túmulo de onde vieram os ossários, achado em 1980 num subúrbio de Jerusalém, não é o primeiro a conter a inscrição “Jesus, filho de José”. Outro ossário com esses dizeres veio à tona em 1926, e causou os mesmos rumores, até que se percebeu que era extremamente comum entre os judeus do primeiro século dC pessoas com o nome de Jesus e filhos de algum José.

Amos Kloner, arqueólogo israelita que descobriu a tumba em 1980 e a documentou como a sepultura de uma família judaica, está convicto de que não há provas para sustentar a tese de que o túmulo é de Jesus.

Em entrevista à agência de notícias France Press, Kloner, que é professor do Departamento de Arqueologia e estudos da Terra de Israel na Universidade de Bar-llan, em Tel Aviv, enfatiza que não há possibilidade de se apropriar de uma história religiosa e transformá-la em algo científico. “Insisto no facto de que é uma tumba comum no século I antes de Cristo”, disse Kloner, acrescentando que “os nomes eram uma coincidência e o filme é uma bobagem”.

Em relação à tese em que Jesus e Maria Madalena podem ter tido um filho chamado Judá, Kloner ridiculariza, afirmando que não há registos históricos disso e, portanto, é impossível de ser provada. Kloner enfatiza que não há possibilidade de o túmulo pertencer à família de Jesus. Segundo ele, Maria e José não poderiam ter uma tumba familiar em Jerusalém. “Eles eram uma família paupérrima. Posso dizer positivamente que não aceito a identificação como pertencendo à família de Jesus em Jerusalém. Não aceito, nem historicamente, nem arqueologicamente”, afirmou o arqueólogo durante a entrevista.

De acordo com o especialista, existem muitos nomes populares e comuns no primeiro século antes de Cristo, inclusive Jesus e José. Kloner afirmou que, das 900 tumbas encontradas num espaço de 4Km na cidade velha de Jerusalém na mesma época, o nome de Jesus foi encontrado 71 vezes, e que “Jesus, filho de José” também foi encontrado muitas vezes.

Outro conhecido arqueólogo israelita, Dov Ben Meir, que escavou durante anos as ruínas da velha Jerusalém, também rejeitou os argumentos utilizados por Cameron e Jacobovici e disse que eles “não passam de tolice”. O professor L. Michael White, da Universidade do Texas, também diz ter dúvidas sobre a veracidade da descoberta. Segundo ele, é uma forma de tentar vender documentários. “Uma série de testes rígidos deveriam ser conduzidos antes que um ossário ou uma inscrição possa ser apresentado como antiga. Não é arqueologicamente sensato. Isso é uma fanfarra”, conclui.

***

Veja posição Católica sobre esse assunto.

Declaração do presidente da Conferência Episcopal do Peru

Publicamos a declaração emitida  por Dom Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, O.F.M., arcebispo metropolitano de Trujillo e presidente da Conferência Episcopal Peruana, sobre a suposta tumba de Jesus, com o título «Uma fantasia arqueológica».

1. Nos últimos dias o canal Discovery Channel,realizou um documentário apresentando como novidade o descobrimento, realizado há 27 anos (1980), de uma câmara mortuária em Talpiot – Jerusalém, a mesma que continha 10 urnas de pedra com restos ósseos e inscrições dos nomes dos possivelmente enterrados ali e que pertencem ao segundo Templo.

2. A novidade deste documentário está em que afirma que este lugar seria a tumba de Jesus de Nazaré e sua família, identificando as seis inscrições que contêm estas urnas com os nomes de Jesus de Nazaré, sua mãe Maria, Maria Madalena, e alguns parentes chamados Mateus, Josá e Judá, atrevendo-se a afirmar que este último seria «o filho de Jesus».

3. Mas o pretender que este lugar contenha os restos mortais da família de Jesus não é um fato novo. Isso tem sido desmentido por falta de sustentação inclusive científica, tal como expressa um dos mais destacados arqueólogos israelenses, Amos Kloner, membro da Universidade Bar-Ilan e arqueólogo oficial do Distrito de Jerusalém, que supervisionou as escavações deste descobrimento em 1980, descobertas pelo arqueólogo Yosef Gat. Kloner tem dito que isso é «somente uma farsa publicitária, um excelente material para um filme de televisão, mas totalmente sem sentido, algo absolutamente impossível». Esclarece, além disso, que «a afirmação de que a tumba (de Jesus) foi encontrada não está baseada em nenhuma prova e é só uma manobra para vender» e assinalou ademais que a nova produção da Discovery era meramente uma renovada tentativa de criar controvérsia no mundo cristão com o fim de obter maiores lucros.

4. Ao lado da inconsistência da prova arqueológica sobre esse tema, totalmente contestada por arqueólogos israelenses, aparece novamente, como no caso do Código Da Vinci, o desejo de negar a divindade de Jesus Cristo e o fato de sua ressurreição através de um argumento de ficção apresentado como científico; pelo que este documentário se converte em uma nova edição do infrutífero e permanente ataque aos fundamentos da fé católica e cristã ao longo da história.

5. Ante este documentário nós, católicos, devemos reafirmar nossa fé em Jesus Cristo , Único Salvador do Mundo, que morreu na cruz e ressuscitou por nossa Salvação, fato histórico que fundamenta nossa fé e a vida da Igreja, e também convido os homens de boa vontade a buscar sempre a verdade histórica, diferenciando-a das novas manifestações de ficção arqueológica ou científica a que nos estão acostumando alguns meios de comunicação.

6. São Paulo diz: «Se Cristo não ressuscitou, vossa fé é vã… mas não! Cristo ressuscitou dentre os mortos…» (1Cor. 15, 17.20).

7. Por outro lado, todos os estudos críticos sobre a primitiva comunidade cristã têm demonstrado que na verdade profunda das narrações da Ressurreição de Jesus Cristo se dá uma historicidade incontestável.

8. Devemos perguntar-nos Por que os meios de comunicação têm tanto interesse em pôr em sua mira Jesus?, evidentemente porque Jesus, no profundo da cultura do Ocidente e não somente do Ocidente, constitui um ponto de referência tão decisivo e importante que tudo o que o afeta nos afeta.

* Hospital Católico lança alternativa “Ética e cristã” para substituir fecundação “in vitro”.

quinta-feira, dezembro 10th, 2009

Um centro de saúde católico para mulheres abriu suas portas nesta terça-feira, dia da Imaculada Conceição, com uma lista de espera de pacientes ávidos do seu particular enfoque da saúde reprodutiva e planificação familiar.

A diretora do Gianna-The Catholic Health Care Center for Women, Dra. Anne Mielnik, explicou que sua clínica pertence ao Hospital de São Vicente de Manhattan, o último de uma cidade que contava com 15 hospitais católicos.

Dirigido pelas Irmãs da Caridade, o centro procura responder à necessidade de ajudar os casais estéreis a “conceberem de uma maneira conforme o plano de Deus”, afirma Mielnik.

Cerca de “15% dos casais lutam contra a esterilidade”, disse Mielnik, e “acho que nunca vi nada que cause mais ansiedade e estresse”. Além disso, “muitos casais católicos não são conscientes do que a Igreja ensina no referente ao que é um tratamento de esterilidade aceitável”.

Angustiados com o seu pesar

Os casais “não são conscientes das alternativas disponíveis que estão completamente de acordo com sua fé e que são muito efetivas”, constatou. Além disso, há poucas clínicas católicas no país.

De fato, Mielnik destacou que o centro Gianna, que está situado próximo da Grande Estação Central, enfrenta uma clínica de fecundação in vitro na mesma rua.

Segundo a médica, os casais, em estado de intensa ansiedade, geralmente estão “sem uma orientação clara sobre o que é licito”. Entram nessas clínicas e são “pressionados a fazer algo que sabem que viola sua consciência”, indicou.

“Muitos deles entram em um procedimento como a fecundação in vitro, reconhecendo a possibilidade de criar embriões que depois serão congelados ou destruídos, ou a possibilidade de acabar com a gravidez se houver uma implantação múltipla de embriões.”

“No entanto, continuam adiante porque se sentem como se não houvesse outras opções, e então ficam angustiados com o seu pesar.”

O centro Gianna oferece uma alternativa, disse, que apoia o casal e o ajuda a realizar seu sonho de ter um filho.

Intensificando

As mulheres querem ser “fiéis aos seus valores católicos na saúde reprodutiva”, mas frequentemente “se sentem como se não tivessem nenhum lugar aonde ir” sem que as pressionassem a “fazer coisas nas quais não acreditam”.

De fato, apesar de ainda não começarem a divulgar o centro, “já temos uma lista de espera de mais de 120 pessoas”.

Mielnik contou sobre uma nova alternativa para tratar a infertilidade, chamada “Tecnologia NaPro”, que “é tão efetiva – se não for mais – que a fecundação in vitro”.

E continuou: “O enfoque que utilizamos funciona em cooperação com o sistema de fertilidade das mulheres e estamos em condições de ajudar os casais a conceberem através de um ato sexual natural que, falando com eles, é o que costumam preferir”.

Mais econômico

Além disso, o custo é menor, já que um único ciclo de fecundação in vitro pode custar 10 mil dólares. O centro Gianna, ao contrário, trabalha para manter custos baixos, selecionando opções de tratamento que são cobertas pela maioria dos convênios médicos.

O centro oferece também a formação no método natural Creighton Model Fertility Care System, para casais que não desejam utilizar hormônios.

A atenção sanitária pró-vida é uma das características pela qual o Hospital de São Vicente é reconhecido. De fato, segundo Mielnik, “São Vicente é como a última tentativa de uma medicina ética pró-vida nesta cidade, e o centro Gianna é agora uma parte do seu alcance em Manhattan”.

Mais informações no site http://www.svcmc.org/body.cfm?id=1831

Por Genevieve Pollock,Zenit

* Células-tronco: Igreja defende pesquisas apenas com células-tronco adultas

sábado, dezembro 5th, 2009

A pesquisa coordenada pelo neurocientista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen, e pelo biomédico Martin Bonamino, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que produziu no Brasil pela primeira vez células pluripotentes, ou seja, capazes de se transformarem em vários tipo de tecido, reforça o argumento da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, assim como parte dos evangélicos, é contrária ao uso de células-tronco de embriões.

Os religiosos acreditam que a a vida tem origem a partir da fecundação e destruir um embrião é praticamente cometer um homicídio, além de abrir um precedente para uma futura legalização do aborto.

Parte da comunidade científica acredita que apenas as células-tronco embrionárias podem se transformar em células pluripotentes. Mas com a pesquisa da UFRJ o Brasil torna-se o quinto país do mundo a produzir células pluripotentes.

– Estudos como este reforçam a nossa tese de que não precisamos usar embriões para evoluir cientificamente – argumenta o padre Luis Antônio Bento, da Comissão para a Vida e a Família da CNBB. – O nosso incentivo é que as pesquisas sejam feitas com células-tronco adultas. Elas são usadas para o tratamento de mais de 70 doenças degenerativas. Quanto as pesquisas com as embrionárias, é preciso lembrar que nem tudo que tenha sucesso técnico deve ser moralmente aceito.

Permitidas desde 2005 pela Lei de Biossegurança, as pesquisas com embriões estavam estagnadas no Brasil até o ano passado pela insegurança jurídica que trazia para os pesquisadores. A lei era alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade, impetrada pelo ex-procurador geral da República, Cláudio Fonteles. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, decidiu em maio de 2008 pela constitucionalidade da lei. A decisão foi lamentada pela CNBB, que no entanto não pretende entrar com nenhuma ação na Justiça contra as pesquisas. A entidade aposta na mudança das atuais regras pelo Poder Legislativo.

– Nosso desejo é que os bancos de embriões acabem – revela o padre Bento. – Mas já que isso não é possível, a fecundação assistida deveria ao menos ser regulamentada porque hoje no Brasil ela é regida apenas por um resolução do Conselho Federal de Medicina.

A CNBB espera que a lei que regulamenta a fecundação assistida seja aprovada em breve pelo Congresso. Na prática, ela acabaria com os bancos de embriões, pois os médicos só poderiam fecundar a quantidade de óvulos que forem introduzidos no útero materno. Pela Lei de Biossegurança, só podem ser usadas nas pesquisas em embriões que estejam congelados há mais de três anos e com a autorização dos pais.

A igreja argumenta, contudo, que há casos no mundo de crianças que nasceram de embriões congelados há mais de dez anos. No Brasil, também já existe um caso registrado. Depois de 20 tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), nasceu Vinícius de um embrião congelado há oito anos.

Fonte: Jornal do Brasil

* Com técnicas medievais, cientistas criam réplica do sudário.Será?

domingo, novembro 29th, 2009

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

Cientistas “reproduziram” o Sudário de Turim, o chamado “Santo Sudário”, que teria recoberto Jesus de Nazaré na tumba, e afirmam que o experimento reforça as evidências de que a relíquia é uma obra de arte medieval, não produto de um milagre.

O sudário traz a imagem de um homem crucificado, com rastros do que seria sangue escorrendo de feridas nas mãos e nos pés, e crentes afirmam que se trata da imagem de Jesus gravada nas fibras por algum meio sobrenatural, durante a ressurreição.

Os cientistas reproduziram o sudário usando materiais e métodos que estavam disponíveis no século 14, diz o Comitê Italiano para Verificação de Alegações Paranormais.

O grupo afirma, em nota, que se trata de mais uma evidência de que o sudário é uma falsificação produzida na Idade Média. Em 1988, pesquisadores usaram datação por radiocarbono para determinar que a relíquia havia sido produzida no século 13 ou 14.

Mas muitas pessoas continuaram a acreditar que o sudário possui “características inexplicáveis que não podem ser reproduzidas por mãos humanas”, disse o cientista Luigi Garlaschelli, em nota. “O resultado obtido indica claramente que isso poderia ser feito com o uso de materiais baratos e um procedimento simples”.

A pesquisa foi financiada pelo comitê e por uma organização italiana de agnósticos e ateus, afirmou.

Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, disse ao jornal La Repubblica que sua equipe usou linho tecido com as mesmas técnicas que as usadas no sudário, e envelhecido artificialmente por aquecimento em um forno e lavagem.

O pano então foi colocado sobre um estudante que usava uma máscara para reproduzir o rosto, e esfregado com um pigmento vermelho muito usado na Idade Média. O processo consumiu uma semana, disse o jornal.

O sudário aparece pela primeira vez na história nas mãos de um cavaleiro francês, em 1360.

De propriedade do Vaticano, o sudário é mantido numa câmara especial da catedral de Turim, e raramente é exibido em público. A última apresentação foi no ano 2000, quando atraiu mais de 1 milhão de visitantes. A próxima está prevista para 2010.

Oficialmente, a Igreja Católica não afirma ou nega a autenticidade da relíquia, mas diz que se trata de um potente símbolo do sofrimento de Jesus.

Fonte: Estado de São Paulo

***

Como resposta a essa tentativa,mais uma,vejam o que dizem os estudiosos do sudário:

Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico.

Membros de um inidôneo Comitê Italiano para Verificação de Alegações ParanormaisUnião de Ateus Agnósticos Racionalistas, da Itália. garantiram ter provado que o Santo Sudário de Turim é um falso medieval. Eles foram financiados pela

Luigi Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, descreveu ao jornal “La Repubblica” como conseguiu fazer um sudário “idêntico” ao de Turim com materiais baratos e métodos disponíveis no século XIV.

Luigi Garlaschelli numa de suas demonstrações

David Rolfe, produtor de longos documentários sobre a relíquia, apontou que a simples descrição do método usado depõe contra Garlaschelli e mostra que ele nem conhece o Sudário.

Diversos cientistas altamente qualificados desmontaram com um peteleco a burlesca obra.

Por exemplo, o presidente do Centro Mexicano de Sindonologia, Adolfo Orozco, especializado no Santo Sudário, qualificou a ação de “truque para atacar o Sudário” e mostrou furos técnicos que desqualificam o experimento, informou a Agencia Católica Internacional.

O Dr. Orozco explicou que no Sudário “o sangue ficou impresso no pano em primeiro lugar, e só depois ficou gravada a imagem e não o contrario como fez o suposto ‘reprodutor’”.

Outra demonstração de Garlaschelli

Além do mais, acrescentou o Dr. Orozco, como foi largamente comprovado pela comunidade científica, “a imagem do Sudário não se formou por contacto. Há partes do tecido que tem imagem e nunca estiveram em contato com o corpo”. Entretanto, a primitiva tentativa trabalhou esfregando um pano sobre um corpo.

Acresce que as análises médicas, segundo o Dr. Orozco, “demonstraram que os coágulos não foram semeados, mas são clinica e patologicamente corretos com detalhes desconhecidos no século XIII”. O especialista sublinhou o lado ridículo dos imitadores pretendendo reproduzir as queimaduras do incêndio de 1532 e as marcas deixadas pela água que nada têm a ver com a imagem original.

Ainda constata-se que as “imagens” agora fabricadas “não têm as propriedades tridimensionais” típicas do Sudário”. Esta ausência desqualifica a tentativa de reprodução.

Por sua vez, o especialista peruano Rafael de la Piedra, sublinhou que as manobras frustras dos italianos reforçam ainda mais a idéia de que a relíquia “continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável”, noticiou ACIPrensa.

Para o Dr. de la Piedra, a recente imitação “visualmente é muito parecida com o original. Digamos que é melhor que a cópia que fez McCrone ou que a horrorosa tentativa de Joe Nickell; ou a de Picknett-Prince e sua suposta fotografia medieval de Leonardo Da Vinci; ou que a fantasiosa foto-experimental do sul-africano Nicholas Allen”.

Para o especialista, “uma amostra parecida com a de Garlaschelli não resiste às conclusões multidisciplinares tiradas ao longo de mais de 100 anos por cientistas de todos os credos e especialidades”.

À luz desta tentativa falha, de la Piedra conclui que “podemos afirmar com alto grau de certeza, que o Santo Sudário de Turim continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável. Esta é a verdade interna do Santo Sudário”.

O especialista estadunidense John Jackson do Turin Shroud Center de Colorado observou: “as propriedades tridimensionais da imagem (…) a presença de sangue humano com índices altíssimos de bilirrubina, o pólen de mais de 77 plantas que marcam o percurso histórico do Sudário até quase o século I de nossa era e, entre outros, o mecanismo de transferência da imagem de um crucificado com todas as feridas descritas nos Evangelhos a um pano”.

O Dr. Jackson criticou a falta de técnica de Garlaschelli e explicou que o sangue do Sudário não é sangue inteiro, mas já separado do soro, proveniente de verdadeiras feridas. Além do mais, o sangue que há neles é próprio “de um fluxo post mortem”.

Jackson observou que do ponto de vista da tridimensionalidade a imagem agora feita “aparece bastante grotesca. As mãos estão incrustadas no corpo e as pernas estão em posição pouco natural”.

Jackson também observou que segundo a prática científica séria os resultados de Garlaschelli deveriam ter sido compulsados por outros cientistas antes da publicação. É o que se chama “peer-review” ou “revisão do trabalho por pares”.

Porém, Garlaschelli parece ter temido a crítica e fugiu dela. O autor recebeu 2.500 euros da União de Ateus Agnósticos Racionalistas para semelhante serviço. A cifra fala contra a hipótese de um trabalho científico de vulto e mais parece uma gorjeta em pago de uma zombaria anticatólica.

Entretanto, alguns jornais eivados de decadente anticlericalismo espalharam a grosseira manobra.

No episódio não houve conflito entre a ciência e a religião. Antes bem, uma resposta digna da ciência.

* Darwin e a religião.O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade.

sábado, novembro 28th, 2009

Reflexão interessante sobre o tema,antigo e sempre novo,de Darwin,evolução e fé.

***

Ainda no contexto da dupla celebração neste ano de 2009 – 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies -, fica mais uma reflexão sobre o tema em epígrafe.

Aquela história repetida – o bispo de Oxford, S. Wilberforce, perante enorme assistência a uma conferência, perguntou a Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó; face à resposta, desconfortável para o bispo, uma senhora desmaiou e a mulher do bispo terá murmurado: “Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba” – não será completamente verdadeira, mas revela bem o abalo e a perplexidade causados pela tomada de consciência de que descendemos por evolução de outros animais.

Concretamente quanto à religião, é significativo que a obra de Darwin não tenha figurado no Índex (lista dos livros proibidos aos católicos). Por outro lado, Darwin foi sepultado com pompa na Abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de outro gigante da ciência, Newton.

Em 1996, o Papa João Paulo II declarou, perante a Academia Pontifícia das Ciências, que “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”. E, para marcar os 150 anos de A Origem das Espécies, realizou- -se recentemente na Universidade Gregoriana de Roma um Congresso sobre “Evolução biológica, factos e teorias”, patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura. Os organizadores fizeram questão de excluir os partidários do “criacionismo” e mesmo do “desígnio inteligente”.

Há evolucionistas materialistas, ateus, mas também os há crentes. As relações só azedam, quando, de um lado e do outro, se ergue o fundamentalismo: cientista ou religioso. Ora, contra esse duplo fundamentalismo, é preciso saber que Deus não é objecto de ciência: cientificamente, não se demonstra nem que há Deus nem que Deus não existe. Deus é objecto de fé e há razões para acreditar como há razões para não acreditar.

Assim, é tão ridículo invocar o livro do Génesis, lido literalmente, para negar a evolução, como invocar a ciência para provar que não há Deus. O Génesis é um livro religioso e não científico e a ciência nega-se a si mesma, quando pretende pronunciar-se sobre questões da esfera metafísica e religiosa.

A evolução e a fé não são incompatíveis. A ciência responde ao “como” e não ao “porquê” da realidade. Porque há algo e não nada? Qual o sentido último da realidade? A própria afirmação do acaso cego confronta-se com o que se pode chamar o seu paradoxo: como é que por puro acaso surge um ser – o Homem – cuja questão fundamental é a do sentido.

Aliás, há o famoso “princípio antrópico”, que não demonstra Deus, mas que dá que pensar. O físico R. Dicke apresentou-o, em 1961, na sua forma “fraca”: “Uma vez que há nele observadores, o universo deve possuir propriedades que permitam a existência desses observadores”. Depois, Brandon Carter apresentou-o na sua forma “forte”: “O universo deve ser constituído de tal modo nas suas leis e na sua organização que não deixa de um dia produzir um observador”. Mesmo se é menos justificável nesta forma “forte”, há sempre esta pergunta: porque é que o mundo é como é, de tal modo que aparecemos nele, perguntando por ele e pelo seu sentido? De facto, a mínima variação nas suas condições iniciais faria com que não estivéssemos cá a colocar todas estas questões.

O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade. Na sua Autobiografia, escreve que é extremamente difícil, ou melhor, impossível “conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta”. Mas, depois, “surge a dúvida” e confessa: “Não posso pretender lançar qualquer luz sobre problemas tão abstrusos. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por mim contento-me em permanecer Agnóstico.”

Autor: Anselmo Borges

Veja o que  papa fala sobre essa questão na reportagem abaixo:

O Papa Bento XVI reiterou que a fé e a razão devem conviver harmoniosamente, ao referir-se ao 400º aniversário dos primeiros descobrimentos astronômicos de  Galileu Galilei.

Ao receber aos participantes no diálogo auspiciado pelo Observatório astronômico do Vaticano com motivo do Ano Internacional da Astronomia, o Santo Padre assinalou que “como sabem a história do Observatório está muito ligada à figura de Galileu, às controvérsias que desatou sua investigação e à tentativa da Igreja de alcançar uma compreensão correta e frutuosa da relação entre ciência e religião”.

“Aproveito a ocasião para manifestar minha gratidão, não somente pelos minuciosos estudos que esclareceram o contexto histórico preciso da condenação do Galileu, mas também pelos esforços de todos os que se dedicam ao diálogo e à reflexão da complementaridade entre fé e razão ao serviço de uma compreensão integral do ser humano e de seu lugar no universo”.

“O Ano Internacional da Astronomia se propõe recapturar em todo mundo a atenção das pessoas pelas maravilhas e a espera que caracterizaram a grande época dos descobrimentos no século XVI”, disse o Santo Padre, ao indicar que “nossa época, ante a qual possivelmente se abrem descobrimentos de maior alcance ainda, se beneficiaria desse sentido de maravilha e do desejo de conseguir uma verdadeira síntese humanista do conhecimento, como a que inspirou os pais da ciência moderna”.

O Pontífice explicou logo que “se queremos responder à provocação deste Ano -levantar o olhar ao céu para redescobrir nosso lugar no universo- como não recordar a maravilha expressa pelo Salmista há tanto tempo, que contemplando o firmamento estrelado dizia ao Senhor: ‘Ao ver o céu, obra de teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste, o que é o homem para que dele te lembres, o filho do Adão para que dele cuides?’”.

“Tenho a esperança de que a admiração e a exaltação”, frutos deste Ano Internacional da Astronomia, “levem para além da contemplação das maravilhas da Criação alcançando a contemplação do Criador”. Daquele Amor que “move o sol e as outras estrelas” – concluiu o Santo Padre.

Fonte: ACI

* Vida Extraterrestre.O que a Igreja pensa sobre isso?

domingo, novembro 22nd, 2009
Pe. José Gabriel Funes, Diretor do Observatório Vaticano

Ao apresentar-se esta no Escritório de Imprensa da Santa Sé, as conclusões da “astrobiologia”, a Semana de Estudo organizada pela Pontifícia Academia das Ciências e o Observatório Astronômico Vaticano, o diretor deste organismo, Pe. José Funes, assinalou que a investigação da possibilidade de vida fora da Terra é um tema muito interessante que merece atenção.

O sacerdote jesuíta se perguntou ao iniciar a conferência: “por que o Vaticano se interessa na Astrobiología?”, e respondeu que embora esta ciência abranja “um âmbito novo e ainda em estudo, as questões sobre a origem da vida e de sua existência em outros lugares do universo são muito interessantes e merecem grande atenção, além de apresentar implicâncias filosóficas e teológicas”.

De outro lado, o professor Jonathan Lunine, do Departamento de Física da Universidade romana de Tor Vergata (Itália); assinalou que “a astrobiologia é o estudo das relações da vida com o resto do cosmos: seus temas principais abrangem a origem da vida, seus antecedentes, a evolução da vida na terra, suas perspectivas futuras fora e dentro deste planeta”.

Por isso, continuou, “a Semana de Estudo brinda aos cientistas de diferentes disciplinas básicas a oportunidade de compreender como o trabalho em suas especialidades particulares pode repercutir em outros âmbitos. Isto é evidente, mais que em nenhum outro setor, no estudo de como se formou a vida na Terra e evoluiu com as diversas mudanças de ambiente”.

Ao seu turno Chris Impey, do Departamento de Astronomia e Observatório de Steward, da Universidade de Tucson (Arizona, EUA) observou que “se a biologia não for uma exclusividade da Terra, ou se a vida em outros lugares é distinta da nossa, ou se inclusive chegamos a entrar em contato com espécies inteligentes na imensidão do espaço, as implicâncias para a imagem que temos de nós mesmos serão profundas”.

“É muito oportuno –continuou– que a Pontifícia Academia das Ciências dê capacidade a um encontro sobre este tema fronteiriço. A metodologia e os argumentos podem diferir, mas a ciência e a religião consideram a vida como um ganho especial em um vasto e em sua maior parte inóspito universo. Há um terreno fértil para o diálogo entre os peritos de astrobiologia e os que querem entender o significado de nossa existência em um universo biológico”.

As intervenções concluíram com a da Dra. Athena Coustenis, do Observatório de Paris-Meudon, LESIA/CNRS (França), quem explicou brevemente o avanço das investigações em outros planetas e satélites.

Fonte: Zenit

***

A percepção da Igreja sobre o assunto não tem absolutamnte nada a ver com a visão esotérica nem espiritualista,mas diz respeito a uma possibilidade cientifica real que em nada esvazia nossa fé nem nossas crenças.


* Parapsicologia.Ciência ou negação de verdades da fé?

sábado, novembro 21st, 2009

Parapsicologia estuda o comportamento paranormal (ao lado do normal) da alma humana. Procura explicar os fenômenos raros que no passado eram somente atribuídos a espíritos do além.

Têm sido ministrados Cursos de Parapsicologia no Brasil, os quais têm deixado muitos fiéis perplexos, já que alguns parapsicólogos entram em assuntos de fé católica e, com explicações parapsicológicas, acabam, às vezes, negando verdades de fé: anjos, demônios, milagres, ressurreição, etc.

A parapsicologia é uma ciência muito nova ainda e avança muito lentamente através de investigações e experiências, para ir formulando as suas leis, por meio de estatísticas. A formulação dessas leis não é fácil e estão sujeitas a enganos, já que lida com um campo de hipóteses com difícil comprovação.

Sabemos que a alma humana tem o Consciente e o Inconsciente. Acredita-se que usamos apenas um oitavo da potencialidade do Inconsciente. Pode ser que, por um motivo não muito claro, a pessoa possa usar desse poder do inconsciente, de maneira para´normal; por exemplo: comporta-se como se fosse outra pessoa, vê à distância, emite energias, realiza telepatia, percepção extra-sensorial, etc. É o que dizem os parapsicólogos. O que se torna difícil aqui é se saber quais os motivos que desencadeiam esses processos.

É muito difícil conhecer os mecanismos do psiquismo, e a parapsicologia ainda é muito limitada nesse campo, e portanto, não pode excluir a ação de Deus ou do demônio nesses fenômenos. Corre-se o risco de se reduzir os fenômenos espirituais a fenômenos meramente parapsicológicos.

Não se aceitando o influxo do demônio, em certos casos, acaba´se não aceitando também a ação maravilhosa de Deus. Infelizmente, alguns parapsicólogos acabam negando, direta ou indiretamente, algumas verdades da fé, que a Revelação, a Tradição da Igreja e o Magistério, afirmam sem exitação. Nega-se às vezes a existência ou a ação dos demônios, atestada nos Evangelhos (Mt 1,20´24; 2,13´19; 28, 2´5; Lc 1,26; 2,9´15). Nega-se a possessão diabólica, também atestada na Bíblia (Mt 17, 14´20; Mc 1,23´27. 32´34; 3,11s …). Jesus praticou o exorcismo e a Igreja também o realiza, mediante autorização do Bispo. Alguns parapsicólogos negam também as aparições de Nossa Senhora e dos santos.

No entanto, com o devido exame e cautela, a Igreja já se manifestou favorável a muitas aparições (La Sallete, Fátima, Lourdes, Guadalupe, etc). Querer reduzir todas as aparições a processos meramente subjetivos é um grave engano. É arbitrário e preconceituoso. A própria ressurreição de Cristo, e alguns dos seus milagres, são algumas vezes colocados em dúvida. Diante do “Sepulcro vazio”, das aparições aos Apóstolos (Jo 20,24´29), aos discípulos de Emaús (Lc 24,13s), do testemunho de São Paulo (1 Cor 15,13´17), e tantas outras evidências, a Igreja nunca duvidou dessa verdade. Alguns parapsicólogos, negando a existência do demônio e dos anjos, afirmam também que “a Bíblia está cheia de erros científicos e que não foi Deus quem escreveu a Bíblia, mas os homens”. É outro grave engano que a Igreja não aceita.

Toda a Bíblia foi escrita por homens (hagiógrafos), mas sob inspiração divina (Hb 4,12; 1 Ts 2,13; 2 Tm 3,16; 2 Pe 1,20; Rm 15,4). Embora ela não seja um livro de ciência, no entanto traz a verdade religiosa transmitida por Deus para a nossa salvação.

Vê-se portanto, que é preciso muita cautela com esses Cursos de Parapsicologia que têm sido ministrados no país.

Cabe lembrar aqui que o Pe.Oscar Quevedo, muito conhecido, e talvez o mais destacado parapsicólogo do Brasil, escreveu um livro entitulado “Antes que os demônios voltem“, que contém erros de doutrina; foi severamente constestado pela Santa Sé. O seu autor chegou a ser suspenso por um ano de suas atividades por defender pontos de vista em contradição com o ensino da Igreja ( Revista Veja, 22 de outubro de 1986, pg 85) Nota-se que algumas pessoas que frequentam os tais cursos de parapsicologia, às vezes acabam ´esfriando´ na sua fé, achando que todos os fenômenos, mesmo os espirituais, podem ser explicados totalmente pela parapsicologia. Isto não é verdade.

Deus pode agir como quer, e muitas vezes realiza curas e milagres que a ciência não pode explicar. Para proclamar alguém Beato, a Igreja exige um milagre desta pessoa, comprovado pela ciência; e dois, para declará-lo Santo.

Felipe de Aquino

* Ser humano nunca deve se reduzir a simples corpo.

sexta-feira, novembro 20th, 2009

“O corpo de um ser humano, desde os primeiros estágios de sua existência, nunca pode ser reduzido ao conjunto das suas células”: assim afirmou ontem Dom Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício da Saúde, no Instituto Internacional de Teologia Pastoral Sanitária Camillianum, na abertura do novo ano acadêmico.

Segundo o presidente do conselho, o “sim” à vida “deve ser colocado no centro da reflexão ética sobre a pesquisa biomédica, que reveste uma importância cada vez maior no mundo de hoje”.

Dom Zimowski explicou que as ciências médicas desenvolveram de modo considerável seus conhecimentos sobre a vida humana nos estágios iniciais da sua existência, até conhecer melhor as estruturas biológicas do homem e o processo da sua geração.

“Este desenvolvimento – afirmou – é certamente positivo e merece ser apoiado, quando serve para superar ou corrigir patologias e contribui para restabelecer o desenvolvimento normal dos processos generativos.”

“Mas – acrescentou –, e é preciso dizer isso com clareza, é negativo e, portanto, não pode ser compartilhado, quando implica a supressão de seres humanos ou usa meios que causam dano à liberdade da pessoa ou que são adotados para fins contrários ao bem integral do homem.”

O prelado explicou que “o grande desafio da vida humana tem a ver antes de mais nada e sobretudo com o seu início” e existe uma tentativa de transladar ao início da vida da concepção à nidação, o que suporia um “pleno nulla osta ético para o aborto, porque passam 15 dias do momento da fecundação do óvulo até o momento da nidação no útero materno”.

Retomando as palavras de João Paulo II na Novo millennio ineunte, Dom Zimowski precisou que a Igreja deve realizar uma tarefa de radicalidade evangélica, sem temor às críticas, porque a defesa da vida “está na agenda eclesial da caridade” e responde ao “dever de comprometer-se no respeito de cada ser humano desde a concepção até seu ocaso natural”.

“Da mesma forma – comentou –, o serviço ao homem nos obriga a gritar, oportuna e inoportunamente, que os que se valem das novas potencialidades da ciência, especialmente no campo da biotecnologia, não podem desatender às exigências fundamentais da ética, apelando talvez a uma discutível solidariedade que acaba por discriminar entre vida e vida, desprezando a realidade própria de cada ser humano.”

Neste contexto, o prelado afirmou que a vida do homem está no coração da mensagem de Cristo, porque “o homem, grande e maravilhosa figura vivente, é mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação: é o homem, e para ele existem o céu e a terra, o mar e a totalidade da criação, e é à sua salvação que Deus deu tanta importância, a ponto de não poupar sequer seu próprio Filho”.

“No plano de Deus Criador – acrescentou – tudo foi criado para o homem, mas o homem foi criado para servir Deus e para oferecer-lhe toda a criação” e por isso a defesa da vida entendida como caridade “está necessariamente ao serviço da cultura, da política, da economia, da família, para que em todas as partes se respeitem os princípios fundamentais dos quais depende o destino do ser humano e o futuro da civilização.”

Por Antonio Gaspari
Formando personalidades cristãs maduras à luz da Verdade,a serviço da Igreja e dos homens de boa vontade.
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