Artigo da ‘Cultura’ Categoria

* Tatuagens. O que acontece quando você muda e elas permanecem?

sábado, agosto 21st, 2010

Uma sábia reflexão sobre a atual moda das tatuagens.

O autor não analisa a questão sob o ponto de vista religioso, mas estético e sociológico.

Suas percepções são sábias e nos ajudam a perceber esse fenômeno sob uma outra ótica.

Frequentemente me chegam perguntas se é “correto” ou “pecado” se tatuar..

O que você pensa sobre isso?

***

Ivan Martins  Revista ÉPOCA

Conheço uma moça que gastou um bom dinheiro, e um bocado de tempo, tentando, sem sucesso, tirar da orelha uma tatuagem que havia feito na Índia, no tempo em que era devota de um guru famoso. Não sei por que ela queria tirar a marca, mas o que me ficou marcado, para mim, é que ela não estava conseguindo.

Eu não tenho tatuagens. Na minha geração não era moda. Quando se tornou moda, nos anos 90, eu não consegui embarcar. Tenho dificuldade em responder às duas perguntas básicas que antecedem a tatuagem: onde tatuar e o quê tatuar. Imagino que essas dúvidas expressem uma resistência mais profunda. Tatuagens são para sempre e eu tenho dificuldade com o que é irremovível. Vou morrer com a tela do corpo intacta – ou, pelo menos, livre de marcas voluntárias.

Mas, ao meu redor, as tatuagens se multiplicam. São como itens de série num grupo de mulheres urbanas entre 20 e 30 anos. Em geral, vêm em dupla: uma na nuca, outra no ombro; uma no pé, outra na virilha; uma no cóccix, outra na panturrilha. Os temas das tatuagens também são parecidos, o que faz com que as pessoas fiquem mais ou menos iguais. Homens e mulheres.

Houve um tempo em que fui tocado pela novidade e achei que esses adereços expressavam alguma forma de rebeldia. Ou de erotismo. Hoje eles não me dizem muita coisa, num terreno ou no outro. A revolta embutida nas tatuagens-padrão ficou para trás há muito tempo. Para chocar, hoje em dia, é preciso cobrir uma vasta porção do corpo – ou inventar um desenho totalmente inusitado. E bem agressivo.

Para escrever este texto, eu tentei conversar com uma amiga que tem 13 tatuagens. Queria que ela me falasse do barato em desenhar e escrever no corpo com tinta que não apaga, mas a conversa não aconteceu. Minha curiosidade, portanto, permanece.

Mas eu já tenho algumas opiniões. Acho que estão superestimando o ganho estético – e erótico – da decoração corporal. Se as atrizes dos pornôs baratos fazem as mesmas tatuagens das garotas de classe média, alguém está usando a coisa errada. Por isso que eu aposto que dentro de poucos anos nós veremos uma revalorização do corpo intacto. Chique vai ser não ter marcas.

Outra coisa que me parece óbvia é que as pessoas tentam usar as tatuagens como uma forma de diferenciação. É um statement, como se diz em inglês, uma declaração sobre si mesmo. Os desenhos dão uma pista do que a pessoa pensa ou é. Ou pensa que é. Mas, quando todo mundo faz a mesma coisa, onde fica a individualidade? Não fica. Desaparece num mar de clichês visuais. Luas, estrelas, fadas, lírios, beija-flores, tribais… Parece uma feira hippie.

Eu acho a onda das tatuagens mais uma expressão da nossa dificuldade cada vez maior em tratar com o abstrato, com aquilo que vai além das aparências. O corpo deixa de ser o complexo portador dos sentidos, dos sentimentos e das ideias para se transformar num outdoor. Frases curtas, imagens marcantes, cores. A complicada troca de ideias (eu falo, você ouve, depois a gente inverte), dá lugar a uma espécie de comunicação instantânea. Carrego todos os meus símbolos comigo e os revelo de uma só vez, exibindo o braço em que uma imagem me define: Cristo, Che Guevara ou Gaviões da Fiel. Eu sou isso, sacou?

Como virou moda e todo mundo usa, alguém pode dizer que a tatuagem tornou-se simbolicamente inofensiva. Ela passa, como outras rebeldias visuais da adolescência ou modismos de décadas passadas. Os piercings que a garotada usava na sobrancelha e no umbigo sumiram, embora tenham ficado os buraquinhos. Cabelos esverdeados, tranças rastafári, cavanhaques – isso tudo vai embora quando o dono cansa. A tatuagem não. Ela fica. O corpo muda, as ideias se transformam, mas a aquele desenho permanece, na contramão da natureza.

Imagine a sua mãe até hoje com o cabelo que ela usava nos anos 80. A tatuagem pode ser isso, um anacronismo existencial colado na pele, a lembrança de algo que você já foi, deixou de ser, mas continua sinalizando, como uma placa de trânsito que esqueceram de arrancar – e que agora indica a direção errada.

Talvez eu esteja exagerando, mas sempre penso nas pessoas que escrevem na pele o nome daqueles que amam. O que acontece com elas? O sujeito vai embora, viver com outra, mas a ex tem o nome dele escrito na nuca.

A marca do humano é ser transitório. Tentar fixar na pele uma paixão, um momento, uma filiação, é inútil. As coisas passam, elas nos escapam. E aquelas que realmente permanecem estão tão fundas dentro de nós, tão entranhadas, que dispensam adereços e representações. Eu diria que as coisas essenciais não precisam ser tatuadas – e que as coisas que precisam ser tatuadas não são essenciais. Mas dêem um desconto no meu ponto de vista: eu sempre fui apaixonado por cadernos em branco.

* Cinema e Aborto.

segunda-feira, julho 26th, 2010

Por Franco Baccarini*

Nos últimos anos assiste-se a uma multiplicação de filmes sobre o tema do aborto; um fenômeno paralelo à também crescente atenção dada ao assunto nos âmbitos político e social, de forma que não se trata de uma mera coincidência. Dado o pouco espaço à disposição, tratarei de apenas dois filmes.

O primeiro título que submeto à atenção do leitor é “L’amore imperfetto” (“O amor imperfeito”), Itália-Espanha, 2000, dirigido por Giovanni Davide Maderna, com Enrico Lo Verso e Marta Belaustegui.

A palavra “imperfeito” do título remete à questão que está na base do ótimo filme de Maderna, que passou quase despercebido pelo público. A questão é a seguinte: seria imperfeito o amor que estabelece por uma criança destinada à morte antes mesmo de nascer?

A questão suscita imediatamente outra: seria imperfeito o amor por uma vida que nasce, apenas pelo fato desta ser imperfeita? E podemos encontrar uma terceira questão, chave para o filme de Maderna: quão longe podem ir a fé e a esperança se o filho que Angela – a protagonista – porta em seu ventre está destinado a não viver?

Também neste caso, é oportuno apresentar uma breve sinopse para melhor compreender o assunto de que tratamos. Sergio e Angela são dois jovens recém-casados que esperam pelo primeiro filho, tão desejado; já sabem que a criança nascerá com uma gravíssima má formação cerebral que deve condená-lo à morte, mas esperam por um milagre. Quando a gravidez chega ao fim, o menino nasce com a doença diagnosticada; os dois jovens ficam de tal forma abalados pelo drama que qualquer diálogo se torna impossível, e a vida do casal é destruída.

Na verdade, e este detalhe é de fundamental importância, a posição da mulher é claramente distinta daquela do homem: ela tem fé, enquanto ele em nada crê. Angela, a esposa espanhola de Sergio, sofre profundamente, como é compreensível, e após o nascimento da criança, apóia-se em uma profunda fé em Deus, que irá ampará-la também na quase imediata separação da criança, à diferença de seu marido, que, desprovido de fé, se entregará ao mais absoluto desespero. A jovem mãe, tão corajosa e tão duramente provada pela dor, deverá então enfrentar também o distanciamento afetivo e espiritual do próprio marido.

O filme, segundo admite o próprio diretor, é inspirado numa história real, e se move entre fé, esperança e incomunicabilidade, despertando intensas e profundas reflexões, também à luz de experiências verídicas vividas por associações como “La Quercia Millenaria ONLUS”, dedicada precisamente ao acompanhamento de casais que enfrentam o drama de uma gravidez problemática.

Gostaria de tratar ainda de outro filme: “Bella” (México, 2006), dirigido por Alejandro Monteverde e interpretado por Eduardo Verástegui, Tammy Blanchard, Ali Landry e Manual Pérez.

Cabe ressaltar que o filme, transcorridos cinco anos desde sua estréia, ainda luta para encontrar distribuidores dispostos a exibi-lo nas telas dos cinco continentes, muito embora seu valor tenha sido confirmado com a vitória do People’s Choice Award 2006 no Festival de Cinema de Toronto.

O arcebispo da Filadélfia, cardeal Justin Rigali, pediu a todos os que tiverem a oportunidade que assistam ao filme – o protagonista é um modelo de católico.

“Este filme está destinado a exercer um impacto extraordinário na vida das pessoas”, disse o presidente do comitê da Conferência Episcopal norte-americana.

“Bella” conta a história de uma jovem grávida que perde o emprego, e de um homem que não consegue superar o trauma causado por um incidente no passado. A amizade muda a vida dos dois e abre caminho para novas esperanças.

O protagonista, Verástegui, é considerado um católico exemplar, após ter vivido uma vida bem diferente. A conversão o transformou num decidido defensor do direito à vida. O produtor executivo do filme é Steve McEveety, o mesmo de “A Paixão de Cristo”.

“Romântico, por vezes dramático, introspectivo, para muitos é o filme cristão do ano e um hino à vida de rara eficácia (…) Nina é uma garçonete que acaba de descobrir que está grávida, e por essa razão é demitida. Pensa em abortar (…). Nina, com a ajuda de um rapaz, José, compreende o valor da criança que está em seu ventre (…).

O ator principal, Eduardo Verástegui, nas fases iniciais de preparação do filme, visitou um clínica de aborto a fim de melhor entender os sentimentos das pessoas que estão para realizar um gesto tão fatal. Lá, fez amizade com um jovem casal mexicano; meses mais tarde, recebeu um telefonema do casal pedindo-lhe a permissão de chamar seu filho de Eduardo [1]”.

Já em 2002, escrevi num artigo para a revista “Silarus” [2] em que digo que, além de serem expectadores conscientes, é necessário que os católicos estejam empenhados em promover autores, produtores e artistas, a fim fazer frente às produções com temáticas contrárias à vida, que banalizam questões como o aborto, a eutanásia, a sexualidade e promovem modos de vida egoístas e consumistas.

A esta necessidade respondeu perfeitamente a Metanoia Films, a partir de uma intuição de Verástegui, com a ajuda do produtor Steve McEveety e a direção competente de Monteverde.

Se os longas costumam ser trabalhosos e custosos (“Bella” foi rodado em três semanas e com poucos recursos), exigindo uma máquina de produção e distribuição de grande escala, seria desejável que ao menos se apoiasse o desenvolvimento de grupos dedicados à produção de curtas-metragens, com o duplo objetivo de formar novos autores, atores e técnicos e de responder ao monopólio niilista que domina as grandes telas.

* Franco Baccarini é especialista em bioética e crítico de cinema.

[1] Bricchi Lee L., Bella. Dagli Usa il film cristiano del 2007, in “Avvenire”, 11 novembre 2007, p. 7.

[2] Baccarini F., L’evangelizzazione e i media, in “Silarus”, n. 220/2002; e “Cinema e spiritualità (Il sacro nella civiltà delle immagini)”, su “Silarus”, n. 223/2002.

* Papa Bento XVI: religião e cultura sempre são incentivo para o diálogo.

sexta-feira, maio 21st, 2010

Localize a  Mongólia na Ásia.

Localize a Mongólia na Ásia.

O novo embaixador da Mongólia junto à Santa Sé, Luvsantseren Orgil, apresentou suas cartas credenciais a Bento XVI na manhã desta quinta-feira, 20.

“Religião e cultura, como expressões inter-relacionadas das aspirações espirituais mais profundas da nossa comum humanidade, naturalmente servem como incentivo para o diálogo e a cooperação entre os povos, a serviço da paz e do verdadeiro desenvolvimento. O autêntico desenvolvimento humano, de fato, precisa levar em consideração todas as dimensões da pessoa e, portanto, aspirar àqueles bens elevados que dizem respeito à natureza espiritual e destino final do homem”, assinalou o Papa.

O país asiático é de maioria budista e há pouco mais de 400 católicos na região, que são atendidos por três igrejas e uma Catedral na capital, Ulán Bator.

O Santo Padre agradeceu o apoio constante do governo em garantir a liberdade religiosa, especialmente através da criação de uma comissão que busca garantir e proteger o direito de exercício religioso.”[A criação da comissão] aparece como um reconhecimento da importância dos grupos religiosos dentro do tecido social e seu potencial para promover um futuro de harmonia e prosperidade”, sublinhou.Democracia e missãoO Pontífice também fez referência à comemoração dos 20 anos de ingresso do país no regime democrático, expressando sua “confiança de que os grandes progressos obtidos nestes anos continuarão a dar frutos na consolidação de uma ordem social que promova o bem comum de seus cidadãos, sem deixar de promover as suas legítimos aspirações para o futuro”.

Com relação à contribuição dos católicos para o desenvolvimento do bem comum na Mongólia, Bento XVI explicou que a missão primária da Igreja é anunciar o Evangelho e, na fidelidade a essa missão, contribuir também com o avanço de toda a comunidade.”É isso que inspira os esforços da comunidade Católica, de cooperar com o Governo e com as pessoas de boa vontade, trabalhando para superar todos os tipos de problemas sociais. A Igreja também está preocupada em desempenhar o seu papel adequado no trabalho de formação intelectual e humana, sobretudo através da educação dos jovens nos valores do respeito, solidariedade e preocupação com os menos afortunados. Desta forma, ela se esforça para servir a seu Senhor, mostrando preocupação caritativa junto aos necessitados e com vistas ao bem de toda a família humana”, encerrou.

* Atriz francesa que considerava Igreja “poeirenta” diz tê-la descoberto “viva” após documentário.

quarta-feira, abril 28th, 2010

Gaudium Press

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Cena do documentário “Em nome do Pai”

“Para mim, a Igreja evocava algo poeirento e sinistro. Descobri que ela era viva, encarnada por pessoas inteligentes e boas”. Essa foi a conclusão a que chegou a atriz Virginie Ledoyen, após acompanhar três seminaristas da diocese de Paris para o documentário “Em nome do Pai”, que estreou semana passada na tv francesa e do qual é co-diretora.

A entrevista de Ledoyen à luz do premiére do documentário foi repercutida por vários jornais franceses, como Le Parisien, Le Figaro, La Croix.

Durante um mês e meio a atriz e “neo-diretora” acompanhou três jovens candidatos ao sacerdócio, em suas mais variadas atividades, para entender “os mistérios da vocação”.

O documentário foi realizado como uma verdadeira investigação. Na entrevista, a jovem diretora confessou não ter nenhuma formação religiosa e sequer ter começado a questionar seu ateísmo. Ainda assim, no entanto, não sendo nem mesmo batizada, disse sempre ter tido fascinação pelo fervor religioso demonstrado por algumas pessoas.

Ela revelou que antes de realizar o documentário tinha a ideia de que a “Igreja evocava algo poeirento e sinistro”. “Descobri que ela era viva, encarnada por pessoas inteligentes e boas”. Interessante conclusão que demonstra, assim como o testemunho pessoal, sem temor, o argumento de primeira qualidade para a catequese.

* Filmes religiosos para assistir na Semana Santa.

sexta-feira, abril 2nd, 2010


Cena de "Ben-Hur"Não é privilégio de pintores e dramaturgos relembrar a crucificação de Jesus. No cinema, a Paixão de Cristo também já foi tema de grandes cineastas e não há data mais adequada para rever esses trabalhos do que em uma Semana Santa.

Independente de convicções religiosas, muitos desses títulos são grandes clássicos e mostram diferentes interpretações daquela que é uma das história mais antigas e comoventes da humanidade.

“Ben-Hur”

O rosto de Jesus nunca aparece neste clássico de 1959. A vida de Cristo é, até as últimas cenas, um pano de fundo para a história de Judah Ben-Hur, um judeu traído e aprisionado por seu amigo romano Messala e sedento por vingança. Sua oportunidade surge em uma corrida de bigas em que enfrentará seu antigo companheiro. Mesmo com sangue em suas mãos, Ben-Hur não consegue encontrar tranquilidade até conhecer, pouco antes da crucificação, o profeta de que tanto lhe falavam.

“A Missão”

Cena de "A Missão"De 1986, “A Missão” acompanha o padre jesuíta Gabriel (Jeremy Irons) e o caçador de escravos Mendoza (Robert DeNiro). Gabriel trabalha na evangelização de índios brasileiros e acaba também por salvar Mendoza, um homem violento, que em um surto de raiva matou o próprio irmão. Quando a colônia é vendida para Portugal, ambos terão de juntar esforços para manter o que construíram. A trilha é uma das mais famosas do compositor Ennio Morricone.

“Os Dez Mandamentos”

O longa, de 1956, como o nome já deixa claro, fala de Moisés, revivendo sua liderança na libertação de escravos hebreus das mãos dos egípcios. O longa também narra o momento em que Moisés recebe os dez mandamentos, no deserto, das mãos de Deus.

“A Festa de Babette”

Cena de "A Festa de Babette"Uma bela história de 1987 sobre duas irmãs que renunciaram à vida para servir à Deus. Um dos únicos momentos de prazer para ambas é um banquete preparado pela empregada Babette, antiga cozinheira de um famoso restaurante francês. A sequencia de pratos misturada a pequenos diálogos e confissões resulta em um dos momentos mais sensíveis do cinema.

“Paixão de Cristo”

A visão controversa, violenta e fiel do julgamento e crucificação de Cristo de Mel Gibson.

“Marcelino Pão e Vinho”

Um filme sobre milagre. Marcelino é um garoto órfão que vive em um monastério. Certo dia, ele oferece, durante sua refeição, um pedaço de pão e um pouco de vinho a uma imagem de madeira de Jesus, que aceita a oferta e passa a conversar com o menino. É o início de uma grande amizade.

Fonte: EPTV

* Diálogo com cultura deve ser respeitoso mas sem renunciar aos princípios.

quinta-feira, abril 1st, 2010

O Arcebispo de Córdoba na Argentina, Dom Carlos Ñáñez, assinalou que os sacerdotes devem viver o momento histórico que lhes corresponde viver, tendo presente que o diálogo com a cultura deve ser respeitoso sem renunciar ou rebaixar os próprios princípios.

Em todo este processo de diálogo com a cultura é decisivo ser respeitosos e caridosos com as buscas que se dão no seio da comunidade eclesiástica e presbiteral, evitando simplificações, caricaturizações, desqualificações, rigidezes e intransigências em nossas afirmações e atitudes”, indicou o Prelado.

Entretanto, esclareceu que “tudo isso não significa renegar nem rebaixar -liquidificar- as próprias convicções mas em realidade aprofundar e elaborar adequadamente os argumentos que nos permitem assumi-las e sustentá-las, expondo-os com respeito e mansidão, como recomenda o apóstolo são Pedro, e dessa maneira contribuir à busca da verdade”.

Dom Ñáñez dirigiu uma mensagem aos sacerdotes exortando-os a assumir o desafio de viver sua identidade “em um mundo cada vez mais pluralista”. “Isso supõe ter um olhar sereno ante a cultura emergente; um olhar, ao mesmo tempo, lúcido e crítico para saber valorar as oportunidades que oferece o evangelho e para estar atentos às dificuldades que expõe”, indicou.

“Como sacerdotes não podemos subtrairmo-nos ao momento histórico que nos corresponde viver”, afirmou.

O Arcebispo de Córdoba disse que a diminuição do número de sacerdotes e a toma de consciência da co-responsabilidade de todos os batizados na evangelização, “expõem novos desafios e impulsionam diversas transformações nas estruturas e no modo de viver o ministério nas comunidades”.

Com respeito ao celibato, o Prelado reafirmou que “é um dom do Espírito para amar mais e é um sinal e um estímulo da caridade pastoral que deve impregnar e animar constantemente nosso ministério”.

“Neste ano sacerdotal estamos também convidados a renovar uma vez mais a sincera e cordial aceitação desse dom e a nos comprometermos generosa e abnegadamente com sua plena realização em nossas vidas”, afirmou.

ACI

* Avatar. Qual a “teologia” do filme que bateu o mega sucesso Titanic?

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Quantcast


O sucesso de “Avatar” foi bilionário. Os efeitos visuais do filme de J. Cameron são mesmo incríveis — assisti em 3D. A mensagem central é alinhada ao que tem sido considerado politicamente correto pelo paradigma socialoide, tanto antropológica como ecologicamente. Milhares de povos têm sido de fato destruídos ao longo da história por causa da ganância império-colonialista, que passa como um rolo compressor por cima de terras, casas, referências culturais, corpos e o que mais for preciso em nome do lucro.

Tangencialmente somos informados que a Terra já teria seu habitat destruído — e agora vemos os homens (machos brancos) exportando para os limites da galáxia a cultura de exploração destrutiva, garantida por tropas militares (mercenários sem bandeira, mas que se comunicam no idioma do mercado…), enquanto os frágeis (mulher e deficiente físico) salvam o mundo imaginado no espaço. Uma projeção na telona das angústias e anseios da humanidade.

Então, a mensagem de preservação de povos, culturas e o meio ambiente é bacana e necessária.

Porém chamo a atenção para a teologia (o discurso sobre o deus, o divino, a deidade) que é sedimentada na mente dos expectadores “almiabertos” (boquiabertos). Não é questão de demonizar a produção e não assistir ao filme, mas de saber os corantes e conservantes que o compõem e aos quais somos expostos (e que não são informados na embalagem) e que, em alguns casos, colateralmente, poderão redundar nalgum câncer espiritual.

Cito a Wikipédia, por ser uma referência popular: “Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal, segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito ‘Avatāra’, que significa ‘descida’, normalmente denotando uma (religião), encarnações de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade… Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra…”

Quando essa forma impersonalizada de Deus transcende daquela dimensão elevada para o plano material do mundo, ele — ou ela — é conhecido então como a encarnação ou Avatara… Em uma concepção mais abrangente, a encarnação poderia ser descrita como o corpo de carne. Mas essa concepção seria talvez errada, conquanto tais formas divinas não se tornam reais seres de carne e osso, ou assumem corpos materiais. Uma alma comum assume corpos materiais de carne e osso, mas no caso dessa manifestação divina, seu corpo e sua alma transcendem a matéria e, embora apareçam como impersonalizações, aquele corpo também pertence a sua essência espiritual…

Essa palavra “Avatar” se tornou popular entre os meios de comunicação e informática devido às figuras que são criadas à imagem e semelhança do usuário, permitindo sua “impersonalização” no interior das máquinas e telas de computador… Tal criação assemelha-se a um avatar por ser uma transcendência da imagem da pessoa, que ganha um corpo virtual, desde os anos 80, quando o nome foi usado pela primeira vez em um jogo de computador… Mas a primeira concepção de avatar vem primariamente dos textos hindus, que citam Krishna como o oitavo avatar — ou encarnação — de Vishnu, a quem muitos hindus adoravam como um Deus”.

Não há como ignorar o componente teológico envolvido no filme.

Primeiro, pelo nome do filme em si (a orientalização do Ocidente é uma tendência que vem crescendo desde meados do século 20), assim como por um linguajar que faz referência e remete ao hinduísmo.

Segundo, pela ideia de espírito / mente de um ser “transmigrar” para outro corpo (em “Avatar”, paralelamente, num mesmo tempo e espaço; no hinduísmo, sucessivamente, noutro tempo e forma de vida).

Terceiro, e principalmente, pela noção panteísta de divindade, ou seja, um poder divino embutido na natureza, visualizado e adorado em forma de árvore especial, com a qual é possível estabelecer contato e comunicação (é pessoal), que elege seres para tarefas salvíficas, que mantém aquele mundo em equilíbrio, que move os elementos (animais, por exemplo) que compõem aquele cosmos, que toma a vida (decide quem continua a viver), que realiza o milagre de transferir efetivamente uma alma de um corpo para outro.

Quarto, pela semelhança sonora entre o nome da divindade (Eiwa) com Jeová. Seria a tentativa de alguma redefinição do Deus revelado por Jesus, segundo a Escritura? (A tendência atual não é ateísmo, mas uma forma religiosa natural, mais palatável que o Deus bíblico.) Ainda há outros aspectos, mas esses bastam para mostrar o ponto: “Avatar” está cheio de elementos teológicos, no caso, panteístas.

O contraste com o Deus da Bíblia é enorme, pois ele é o Deus Eterno, Criador, o Deus Soberano no universo (não limitado a uma lua do cosmos), o Deus que é espírito puro, o Deus Pai de Jesus Cristo (chamado por alguns hindus modernos de um avatar…), o Deus que ama e salva a sua criação entrando na história e assumindo a cruz para resgatá-la.

Sem paranoia, mas vigiando (levando em conta que J. Cameron patrocinou um documentário que questiona a ressurreição de Jesus), o que a cultura contemporânea vem sedimentando em nossa alma? Quais serão os efeitos espirituais reais que tal cosmovisão terá sobre a mente de milhões de consumidores desse tipo de cultura?

Pessoalmente, não gostaria de viver em sociedades como as que a teologia hindu pariu (idealizada pela novela “Caminho das Índias”). É claro, portanto, que há uma relação direta entre a teologia e o modo de vida, entre uma teologia idólatra e um modo de vida igualmente reduzido, entre uma concepção panteísta da divindade e uma espiritualidade esvaziada da cruz.

Não vivemos sem cultura. Alimentamo-nos constantemente dela.

Esse artigo tem por objetivo despertar a atenção para as expressões culturais que ingerimos. A ideia é provocar reflexão e reação ,ainda mais que o diretor já anunciou a continuação de “Avatar” em mais um ou dois filmes.

Autor : Christian Gillis

* Deus como auto ajuda. Qual deus?

segunda-feira, janeiro 25th, 2010

Carlos André Moreira

De uns tempos pra cá, o mercado editorial brasileiro descobriu que Deus é o caminho… das vendas.

Em um filão editorial como a autoajuda, conhecida pela capacidade de se subdividir com facilidade em outros nichos, Deus já pode ser apontado como o mais recente. Dezenas de livros de autoajuda apostam na figura religiosa de Deus como a chave da felicidade, como já o foram o pensamento positivo, as técnicas de programação da neurolinguística e o próprio estudo da filosofia, moda ainda em voga.

Ainda que o cristão argumente que para ele Deus sempre foi a salvação, agora ele também parece ser a chave para o sucesso nos negócios, na vida, nos relacionamentos. Como uma grife ou um símbolo de status.

Deus não foi parar nas prateleiras só agora. A editora Sextante, a mesma de O Código da Vinci e com uma linha editorial dedicada às obras de autoajuda, lançou nos últimos anos uma leva de publicações tais como Deus Cura a Dor e Jesus, o Maior Psicólogo que já Existiu, de Mark Baker; A Semente de Deus, de César Romão e Jesus, o Maior Líder que já Existiu, de Laurie Beth Jones. O filão gera até disputas de passe. A série Conversando com Deus, de Neale Donald Walsch, que era destaque do catálogo da Sextante, passou no ano passado para a Agir Equilíbrio/Agir Negócios, selo exclusivamente voltado para a literatura da autoajuda espiritual e financeira lançados pela Agir, do Grupo Ediouro, que aposta no crescimento do mercado para esse gênero.

Obras lançadas por outras editoras apresentam Deus como a chave e o caminho para qualquer coisa, em títulos que provocam de estranheza a riso, como E Deus Criou a Empresa Familiar (Integrare), Como os Pinguins Me Ajudaram a Encontrar Deus (Thomas Nelson Brasil) e A Lista de Tarefas de Deus (Via Lettera). Deus é o tema da moda até mesmo em obras de ficção best-seller que pegam carona na fórmula de O Código Da Vinci, como os recentes A Fórmula de Deus, do português José Rodrigues Santos (Record), O Mapa do Criador, do espanhol Emílio Calderón (Companhia das Letras), e o mais bem-sucedido comercialmente dos três: A Cabana, de William P. Young (Sextante), todos tornando o mistério da existência ou não de Deus elemento fundamental de uma trama de suspense.

Não que livros sobre Deus não tenham sido a constante na história humana: boa parte do melhores esforços do pensamento humano foi dedicada à interrogação sobre ele. O que é novo é essa tentativa de mesclar à sua figura os elementos característicos da literatura de autoajuda. Embora Deus e Cristo sejam as variantes mais presentes – o que até seria de se esperar em um país declaradamente cristão como o Brasil -, não faltam obras que, em vez do pensamento positivo, apresentam como o grande segredo da vida palavras e ensinamentos de uma figura que representa sabedoria e/ou poderes superiores – Confúcio ou Buda também entram na mistura, cujos antecedentes podem ser encontrados já nas obras do guru indiano Deepak Chopra, nos anos 1990. É como se marcassem um encontro nas gôndolas de livrarias e supermercados duas gerações de confortos para tempos de crise e insegurança: a fé, antiga como o homem, e a autoajuda, produto acabado da sociedade capitalista moderna. Ambos com a mesma função: suprir a natural necessidade do ser humano de ter algo em que acreditar.

A autoajuda é um produto do capitalismo – e, em sua origem, traz em si as forças fundamentais do sistema, conforme preconizado por Max Weber: a ética protestante do trabalho e o impulso humano de melhorar de vida. Não é à toa, portanto, que esse tipo de literatura tenha surgido e ganhado força no maior país capitalista do mundo, os Estados Unidos. Os principais percursores já apontados para o gênero, como Autoconfiança, de Ralph Waldo Emerson, no século 19, ou a biografia de Benjamin Franklin, no século 18, surgiram nos Estados Unidos, bem como as duas obras que definiram o gênero, nos anos 1930: Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, e Pense e Enriqueça, de Napoleon Hill, ambas surgidas, não por acaso, na década de pobreza e dificuldades que se seguiu ao desastre financeiro da bolsa de Nova York, em 1929.

A autoajuda, portanto, sempre se apresentou como resposta aos desafios de seu tempo, usando as ferramentas à disposição. Numa época em que o capitalismo estava em dificuldades, após 1929, com desemprego recorde e filas de miseráveis, a ideia era ensinar a chave de se “vender” melhor do que qualquer outro. Nos anos 50, começam a pulular cursos e livros voltados para o sucesso profissional, o que influenciaria positivamente a vida pessoal. É nessa época que surge um dos precursores da atual literatura de autoajuda religiosa que hoje é presença desde a livraria até o supermercado, do aeroporto à revistaria da rodoviárias. Escrito por um pastor metodista em 1952, O Poder do Pensamento Positivo, de Norman Vincent Peale, usava as escrituras sagradas como mote para a apresentação de uma receita de recompensa à fé de quem trabalhava em busca da prosperidade – algo arraigado até hoje na cultura americana.

Nos anos 1980, 1990, a autoajuda se apropriou das descobertas recentes da neurolinguística para vender a ideia de que era possível programar a mente e a vida em busca do sucesso – como nas obras do brasileiro Lair Ribeiro e do (acredite) norte-americano, apesar do nome, Jose Silva. A moda atual é a física quântica, tema da salada delirante de O Segredo.

A literatura de autoajuda é escrita dentro de um padrão bem definido, apesar das subdivisões temáticas que comporta (livros sobre sucesso no emprego, relacionamento interpessoal e por aí vai). O texto é simples, sem dubiedades, os conselhos são edificantes, a postura é sempre positiva, alto-astral e de alguma forma oferece consolo ao leitor, a esperança bastante ingênua de que há um roteiro de passos, atitudes, disposições mentais que, se executados, trarão o sucesso, a felicidade, a ausência de dor e a sabedoria como resultado quase matemático. Com essa estrutura, é óbvio que, apesar de dialogar com a ciência e a mentalidade de seu tempo, toda literatura de autoajuda oferece uma visão simplificadora de seu tema – mesmo se esse tema for Deus.

O Deus apresentado nesses livros, amparado em trechos criteriosamente selecionados, seria irreconhecível se comparado com o Deus bíblico, que, principalmente no Velho Testamento, é também uma divindade irascível e destruidora: “O grande motivo de orgulho do monoteísmo é que a realidade definitiva vive em sua casa e em nenhum outro lugar. A tristeza do monoteísmo é que tudo tenha de ser acomodado nessa casa única (…).Na antiga Mesopotâmia havia dois deuses, um deus criador e um deus destruidor, que lutavam um contra o outro. No antigo  Israel, ao contrário, só havia um deus, que tanto criava como destruía“, escreve o crítico Jack Miles no estudo Deus: uma Biografia.

A autoajuda religiosa recente, por comodidade, varre um desses aspectos , o destruidor, para centrar foco no ensino de como se conectar com a outra faceta da divindade, a de amor e bondade a que se pode ter acesso a qualquer hora.

A crença nesse Deus de sentido prático, que responde imediatamente às necessidades de quem tem objetivos claros — defendida em muitos desses livros — é eco de uma necessidade humana de acreditar no poder do pensamento — algo que Freud já havia analisado em um ensaio clássico de 1922, Totem e Tabu, considerado por ele próprio um de seus melhores trabalhos. O fenômeno do “pensamento mágico”, dissecado por ele como característica da mentalidade da infância e dos povos primitivos, nasce de uma necessidade de afastar ideias que amedrontam, como a da finitude, e cria a noção de que o pensamento teria o poder para obter aquilo que se deseja. É a tentativa de enfrentar o que há de assustador no humano, algo para o que a própria ideia de Deus sempre foi por si só um consolo.

* Vivemos como se as verdades e os valores universais não existissem, afirma psicanalista Francês em livro.

domingo, janeiro 17th, 2010

“Vivemos em uma sociedade depressiva”,é  a tese que defende o psicanalista Tony Anatrella no seu livro “Non à la societé dépresive” (“Não à sociedade depressiva”), publicado pelas edições Flammarion.

Para ele, uma sociedade em que o aborto, o divórcio, a homossexualidade, a promiscuidade sexual, a toxicomania, o suicídio dos jovens, são aceitáveis como fenômenos inquestionáveis é uma sociedade doente, à beira da implosão.

E se a ausência de Deus fosse a principal causa desse desastre? Tony Anatrella discute este tema com a revista Francesa Paris Match.

A Revista não é um revista religiosa e as perguntas,bem formuladas,nos trazem respostas preciosas que expressam a realidade Francesa e também Brasileira.

Não se assuste com o tamanho. Leia devagar e veja que  percepção lúcida da sociedade!

Imperdível!

***

Tony Anatrella
Psicanalista, sacerdote de uma diocese de Paris, especialista em psiquiatria social, professor de psicologia clínica, consultor do Conselho Pontifício para a Família .

No seu livro “Não à sociedade depressiva”, o senhor faz uma exposição muito pessimista da sociedade francesa de hoje. Você diz que os homens e as mulheres estão fazendo a greve dos ideais; um desastre, em resumo.

Sim, um desastre. Assistimos nos últimos anos a uma grave degradação do sentido de ideal comum a todos. Só buscamos a nós próprios e acabamos metendo-nos numa rua sem saída. Recusando-nos a buscar qualquer outro ideal que não seja nós mesmos, fechamo-nos num impasse. O uso da fórmula própria dos adolescentes: “Mudar a vida”, prefigura muito bem a recusa da realidade, que leva à impotência.

Querendo libertar-se de Deus, nossas sociedades têm produzido ideologias alienantes e desesperadoras para o homem; ideologias que depois acabam sendo implodidas umas após outras.

É por isso que a depressão é uma doença do sentido de ideal, em que não se sabe mais como encontrar as realidades da vida.

O problema existencial vai evoluindo. As pessoas estão atualmente num estado de tristeza pela perda do ideal a partir do qual a vida é possível.

Os depressivos têm a impressão de estarem despojados da sua vida e incapazes de antecipar o seu futuro.

O senhor afirmaria que nós estamos em vias de suicidar-nos coletivamente e que se trata de um problema de saúde pública?

Nós corremos o risco de destruir-nos progressivamente se vivermos dessa herança. É o “destroy” de Duras. O instinto de morte toma lugar vez por outra nas nossas sociedades. O individuo encontra-se só em face de si mesmo e sem o suporte de uma sociedade que se vê sem futuro.

Vivemos no império do efêmero, numa sociedade que só vê o presente, incapaz de arriscar-se na construção do futuro. O presente acaba sendo apenas como um intervalo até a morte. Mas, como viver o presente se o futuro não tem mais sentido?

Não se diz, num impulso depressivo, que “é preciso matar o tempo”?

Sim. Além disso, certos cantores e comediantes são um reflexo da sociedade. É isso que explica em primeiro lugar o seu sucesso: Gainsbourg (1), brincando de forma suicida com a morte, Coluche (2), destemido diante dela, e Jim Morrison (3), que praticamente suicidou-se. As suas existências estavam voltadas para a procura fascinante da morte e não para a procura do amor pela vida.


(1) Serge GAINSBOURG, (1928-1991), muito popular na França, de pais judeus emigrados da Rússia foi pintor, pianista de bar, diretor de filmes, compositor, cantor. Viciado em às drogas, teve uma vida cheia de escândalos.

(2) Michel Gerard Joseph COLUCCI (COLUCHE, 1944-1985), Ator, humorista debochado e grosseiro, que ridicularizava os valores morais, familiares e religiosos. Realizador de espetáculos para TVs, Rádios e music-halls, morre pouco depois aos 41 anos ao entrar na traseira de um caminhão com a moto que usava em suas exibições. A desorientação da sua vida se pode resumir nesta declaração dele “Rendre l´âme, d´accord, mais à qui? (“Entregar a alma, de acordo, mas a quem?”).

(3) Jim MORRISON (1943-1971), compositor americano, vocalista do conjunto The Doors. Viciado em drogas, suas letras refletem as tensões do seu tempo – a cultura da droga, o movimento contra a guerra, a arte de vanguarda. Com a sua morte prematura Morrison foi uma vitima voluntária das forças destrutivas da cultura pop. Sua angústia perante a vida se vislumbra numa das suas declarações : We´re more interested in the dark side of life, the evil thing, the night time (“Estamos mais interessados no lado negro da vida, no mal, na noite”). Morreu afogado numa banheira de um hotel em Paris após ter desmaiado sob efeito do álcool e da heroína.


E muitos jovens querem identificar-se com esses “modelos”, adotando o seu tipo de pensamento. Eles têm-se deixado entusiasmar pela tentativa de morrer, própria da psicologia depressiva observada em numerosas canções e “sketches” que exprimem o sofrimento pela perda dos sonhos aos que o indivíduo não quer renunciar e luta para conseguir.

A necessidade de viver o instante presente e não pensar no futuro é uma atitude corrente da adolescência, mas que se encontra ainda em muitos adultos que vivem sem ter consciência da História. O drama da sociedade de hoje é querer privar-se de referências e não admitir que elas existem.

Olhemos para os apresentadores do tempo da TV francesa. Eles anunciam diariamente o nome de quem será a festa religiosa do dia seguinte sem fazer referência ao seu titulo de santo, abolindo desse modo a referência inicial e o sentido da festa. Ou ainda o caso de um jovem animador de rádio que conta uma história mirabolante envolvendo homens das cavernas para explicar a origem da terça-feira de Carnaval, que é simplesmente um dia de grande festividade que precede a abertura da Quaresma. Estamos em vias de fabricar todo tipo de colagens culturais.

Também se diz que nós vivemos atualmente como se não tivéssemos raízes e, sem referências, a sociedade está condenada a morrer.

Sem ideal, uma sociedade não tem futuro. Na nossa sociedade depressiva, vivemos sob uma mentira social, como se não tivéssemos raízes. Assim, acreditemos ou não, chegamos a ter vergonha de reconhecer que os nossos valores procedem do cristianismo, vergonha dos nossos pais, em resumo das nossas origens.

Uma sociedade incapaz de assumir o seu passado dentro do seu presente é uma sociedade condenada a morrer. Não há futuro para quem não tem em conta o seu passado. Mesmo os pensadores iluministas do século XVIII não sonharam jamais em negar as suas raízes, ou seja, o cristianismo.

Se muitas crianças não freqüentam mais a catequese hoje, não é somente por razões religiosas, mas porque os adultos não sabem mais que esperança devem transmitir, eles próprios não acreditam mais no seu papel educativo e abdicaram da formação da inteligência e da vida interior dos filhos.

O senhor disse em algum lugar que antigamente se batizava em vistas ao futuro...

Hoje, plantamos, cultivamos e construímos para o instante presente. Não fazemos nada para as gerações que virão. Construímos edifícios com materiais que envelhecem rapidamente e que não preservam a intimidade, como é o caso do o vidro.

Como é que chegamos a esta situação?

A sociedade depressiva não é uma fatalidade. Foi gerada por nós mesmos que nos tornamos cada dia mais e mais individualistas, desvalorizando as ligações simbólicas em que se refletem o sentido da existência, como a moral e a religião, acreditando que cada um pode ser auto-suficiente, fabricando a sua própria lei e seus valores. Numa palavra, regredimos.

Vivemos como se as verdades e os valores universais não existissem. Desse modo, não há mais comunicação possível na sociedade. Estamos pulverizando-nos e perdendo progressivamente o domínio da realidade.

O senhor emprega a palavra “moral”; eis um termo muito desprezado hoje em dia.

Tem-se acreditado ingenuamente que se poderia viver sem apelar para uma dimensão moral. Se falamos mais desse tema ultimamente, é porque buscamos restabelecer uma ligação quebrada que traz o risco de desumanizar-nos. A moral é a arte de escolher atitudes ou comportamentos aceitando sermos esclarecidos por referências que nos ultrapassam e que não dependem de nós.

Confrontar a nossa experiência com as realidades morais favorece o aprofundamento na nossa vida interior e desenvolve em nós a arte de escolher o comportamento que melhor nos convém.

A moral é o que faz a vida possível. Somente aqueles que não resolveram os seus complexos enxergam-na como um impedimento, um limite.

Eis porque alguns consideram ruim aceitar as instituições quando essas representam uma dimensão moral da existência. Durante muito tempo, as idéias do século XVIII e XIX regulam a vida dos indivíduos, às vezes com efeitos negativos. O século XX, libertou-nos de muitas imposições, mas também nos levou a rejeitar as instituições e todas as demais referências, como adolescentes invadidos por um sentimento de poder fazer de tudo.

Como explicar a debilidade interior, a astenia e a fadiga de que todos têm se queixado, tanto as crianças como os adultos?

Se as nossas sociedades são depressivas, é porque perderam a confiança em si mesmas: já não sabem mais nada para além do cotidiano do individuo, o porquê se deve viver, amar, trabalhar, procriar e morrer.

Estamos no impasse de não ter mais o sentido de um destino comum a não ser o de cada um cuidar do seu bem-estar pessoal.

As pessoas instalam-se na tristeza de não mais encontrar objetivos de interesse nem sentido em saírem de si mesmas. O problema do deprimido resume-se no sentimento de não poder existir nem pelos outros nem através de um ideal.

Falta-nos espiritualidade para enfrentar a vida e o resultado é que sempre estaremos diante de situações de tensão permanente.

Atualmente, as crianças não são mais convidadas a refletir sobre o sentido da existência. É o reino de uma falsa espontaneidade, onde os instintos se exprimem num estado primitivo.

É também o reino da mediocridade. Vejamos os rabiscos nas paredes, os grafites, que exprimem um defeito de comunicação, de interioridade. Estamos vivendo bem no meio de uma crise de ideais.

O senhor fala de dificuldades, de melancolia; o senhor disse também que jamais foi dada tanta importância à sexualidade como hoje, que o único lugar onde as pessoas têm a impressão de atuar e existir é precisamente no campo da sexualidade, na afetividade.

Passamos de um excesso a outro. No século XIX, sob a influencia de Rousseau, a sexualidade era vista com desconfiança, e era então supercontrolada. A proibição tomava o lugar do desejo, favorecendo este último. No teatro de bulevar, as pecas de Feydeau (4) são o exemplo disso. O século XX liberou-se desses hábitos hipócritas, mas acabamos caindo no extremo oposto.


(4) Georges Feydeau (1862-1921), procedente duma velha família nobre francesa, autor e ator de teatro popular, atinge pleno êxito em 1892, aos 30 anos. De caráter taciturno, dedica-se a uma intensa vida noturna, vicia-se no jogo, perde fortunas e o seu casamento começa a ruir. Divorcia-se em 1916, pela pressão da esposa, que quer evitar a perda de seu patrimônio e a educação adequada dos filhos. Suas peças são indiferentes a qualquer moralidade e profundidade psicológica do se humano. Morre de sífilis com 58 anos.


O que o senhor diz do espantoso desenvolvimento de condutas perversas, notadamente das incestuosas, ou dos abusos com crianças, que não cessam de aumentar?

Atualmente, também tem sido estimulada a sexualidade das crianças e dos adolescentes, erotizando-os. A revolução sexual, se é que aconteceu, contribuiu principalmente para liberar a sexualidade infantil e, conseqüentemente, para infantilizar a vida sexual em busca de uma comunicação melhor entre os homens e as mulheres. Dentro de tal confusão, que desvia a criança para o mundo adulto, encaminhamo-nos para uma sociedade infantil que nega a maturidade e fica deprimida por acreditar que o impulso sexual é um fim em si mesmo. Ficar prisioneiro da sexualidade pueril, em vez de entusiasmar-se para construir algo mais elaborado, conduz à miséria sexual e ao proletariado afetivo.

O senhor é muito crítico com relação a educação sexual, quando a acusa de erotizar.

A educação sexual é necessária. Mas ela deve informar, educar os filhos, dando-lhes as respostas para as suas perguntas sem as ultrapassar; deve começar em casa, pelo exemplo de amor conjugal oferecido pelos pais. Entretanto, quando assistimos à série de TV “Le bonheur de la vie” (“A felicidade da vida”), exibida pela rede France 3, ficamos preocupados por ver reunidas todas as banalidades e aberrações psicológicas que têm sido cometidas nesta matéria. A educação sexual que tem sido imposta nas escolas está manipulando a sexualidade juvenil, pois através da desinformação, os adultos acabam exibindo a sua própria sexualidade e buscando desfrutá-la com as crianças, numa conduta totalmente pederástica. Expor tudo indiscriminadamente é tão nefasto como silenciar. Como ficar insensível, por exemplo, diante da profusão de obras com caráter pornográfico oferecida às crianças? Trata-se mais de uma provocação que de uma educação real. Tal atitude não ajuda nem a tarefa de pensar a sexualidade com responsabilidade nem o desenvolvimento de um imaginário erótico.

Deveremos sofrer em breve as conseqüências dessa prática, que sequer está fundamentada teoricamente.

Segundo a sua opinião, a liberação do aborto contribui a deprimir a sociedade por trazer como conseqüência graves problemas psicológicos.

Jamais vi uma mulher abortar com prazer. O aborto é na maior parte das vezes visto como um gesto extremo. Ele insere a morte no ato de dar a vida, e não é porque tecnicamente seja algo perfeitamente realizável que não apresenta problemas psicológicos e morais. As pessoas recusam-se a refletir sobre as conseqüências do aborto, e suas repercussões sobre a moral na sociedade.

Daqui a alguns séculos, certamente as gerações futuras nos verão como uns bárbaros, à semelhança dos antigos, que abandonavam os recém-nascidos nas praças públicas ou nos bosques, sem que isso fosse considerado um comportamento inumano. Foi sob a influência da Igreja que começamos a pensar o recém nascido como uma pessoa, basta lembrar-se da atuação de São Vicente de Paulo.

Quanto mais uma sociedade respeita a vida da criança, mais respeita a vida humana.

Nossa sociedade vive com um sentimento de culpa frente à procriação, do qual procede a subvalorização afetiva da criança, como se, agindo assim, se pudesse fazer perdoar.

Temos, efetivamente, uma relação deprimente com respeito à fecundidade. Ter filhos não é meramente um direito, como se quer fazer crer, mas um dever a assumir, e em face do qual muitos os pais e a sociedade devem estar engajados.

A maior parte das religiões, especialmente a judaica, a cristã e a muçulmana, recusa o aborto em nome do respeito à vida. Mesmo ainda que nem todas reconheçam o embrião como um ser humano, todas reconhecem que ele é um ser humano em potência.

Somente a Federação Protestante da França tem uma posição ambivalente quando se pergunta: “Não se pode ser ao mesmo tempo contra o aborto e militar a favor de uma lei do mal menor?”.

A lei Viel de 1975 esclarece no seu preâmbulo sobre o caráter excepcional do aborto, que não pode ser nem banalizado nem utilizado como meio contraceptivo. Percebemos que restam somente uns fiapos da lei quando olhamos para o que se pratica por aí: cerca de 200.000 abortos anuais.

Quais são os problemas psicológicos causados pelo aborto?

O filho é verdadeiramente o sinal do sentido do outro, mas ao mesmo tempo está hoje carregado de um sentimento de desconfiança nas nossas representações coletivas. A insegurança que existe na nossa sociedade origina-se em parte da incerteza que preside o nascimento dos filhos, mas também de um sentimento de culpabilidade do qual as pessoas não conseguem libertar-se.

De maneira geral, três problemas podem surgir: O eugenismo, que consiste, dentro de um movimento narcisista, em selecionar as características e os atributos do filho à imagem do próprio ideal, ou seja, de si mesmo; a seguir o infanticídio, ou o fato de impedir que as gerações se sucedam umas às outras; e finalmente o poder de Demiurgo (5) do pai, o poder decidir a vida ou a morte da sua progenitura.


(5) Segundo Platão, o Deus que cria o Universo, organizando a matéria preexistente


Cada um à sua maneira exprime uma incapacidade de acolher um filho que seja diferente de si mesmo. Pode ser útil lembrarmos do filme “E. T.” (1982), o grande sucesso de Steven Spielberg. Não seria o ”E. T.” o símbolo da criança do futuro, esse estrangeiro que provem da nossa sexualidade, que as nossas sociedades não podem mais acolher sem que seja programado ou selecionado?

Uma sociedade que inscreve a morte no imaginário dos nascimentos futuros é uma sociedade com incertezas e sem esperança.

E a AIDS, esse drama da nossa sociedade moderna? Há hoje um debate em torno dos preservativos e muitos criticaram a Igreja e o Papa  por suas posições com relação a eles.

A AIDS é efetivamente um drama e devemos arregaçar as mangas e meter mãos à obra para sermos solidários com os doentes.

Resta o problema da prevenção. A Igreja não estigmatiza os preservativos na África, mas fala do sentido do amor humano; ela está exercendo a sua função e abordando o tema a partir do plano moral. É ridículo condenar o Papa e Igreja por nos convidarem ao amor verdadeiro.

Esta atitude revela a recusa por parte da sociedade em refletir verdadeiramente sobre a sexualidade, mantendo-se somente nas propostas técnicas ou sanitárias, tomando o meio pelo fim.

A sexualidade responde a diversas motivações da personalidade: silenciar uma angústia, compensar uma atitude depressiva, exprimir uma tendência parcial ou a sua ligação com a pessoa amada.

Não se fala nunca da profilaxia. Certamente a AIDS não é uma fatalidade; pode ser evitada se são tomadas todas as medidas realmente eficazes para evitar a contaminação.

Mas distribuição de preservativos nas escolas é um sinal de que os adultos desistiram, de que não tem nada a dizer aos adolescentes sobre o amor humano.

Sem excluir outros aspectos, é importante refletir com os jovens sobre o que cada um procura através da sexualidade.

Contudo, os jovens terão relações sexuais cada vez mais precoces…

A adolescência tem sido sempre o período do despertar dos sentimentos e das inquietações sexuais. O fato de o ambiente incitar os adolescentes a viver suas experiências sentimentais não quer dizer que os jovens de 15 a 19 anos sejam sexualmente ativos na sua grande maioria. É importante saber o que se passa na psicologia juvenil, que nem sempre reúne todas as condições psicológicas do amor humano.

O adolescente tem a tendência a buscar a si próprio, a ressentir-se e a valorizar-se através do outro, mas sem poder reconhecê-lo por ele mesmo. O apegamento a qualquer um é uma etapa, mas ainda não é o amor; é por isso que essas relações não se sustentam, e os adultos em vez de guardar distâncias, valorizam essas uniões efêmeras. O ambiente atual não favorece de nenhuma maneira a maturidade afetiva.

O divórcio tem aumentado de forma impressionante. Ele participa também da sociedade depressiva?

Em primeiro lugar, é preciso dizer que não há divórcio bem sucedido. O divórcio é um fracasso afetivo a partir do qual cada um experimenta a dor por uma confiança atraiçoada, por um projeto inacabado ou por um erro de escolha. Não é um negócio privado, mas um problema da sociedade com custos humanos, sociais, econômicos, morais e espirituais, sem falar do sofrimento psíquico que provoca.

Motivos confusos, problemas de identidade, desenvolvimentos pessoais divergentes, dificuldade de franquear certas etapas, carência de uma concepção moral e filosófica que permitam orientar os projetos de vida e de resolver os conflitos: são estas algumas das razões do divórcio. Depois de vários anos, o divórcio está em aumento sem que por outro lado à instituição do matrimônio tenha sido questionada.

Para o filho, o divórcio é uma rachadura que corre o risco de colocar em perigo a unidade e a construção da sua personalidade, mesmo se alguns cheguem a recuperar-se. É então que começam a nascer todas as angústias e as incertezas futuras da vida.

A homossexualidade não seria um reflexo de uma sociedade permissiva?

É uma das traduções da nossa sociedade depressiva. Quando o imperativo da reprodução da espécie curva-se ao ideal social, a homossexualidade fortifica-se. Mas é uma minoria.

Cada vez que a sociedade entra em crise, homossexualidade é valorizada. Tenta-se fazer dela um direito e inscrevê-la dentro da lei, ou então a homossexualidade não teria o mesmo valor que a heterossexualidade.

Seria um contra-senso que um contrato unindo dois homossexuais tenha o mesmo direito que o matrimônio. A sociedade depressiva põe tudo no mesmo saco.

A homossexualidade é uma anomalia ? Está ganhando terreno…

As causas da homossexualidade devem ser procuradas sobretudo no desenvolvimento psíquico do indivíduo. São numerosas e podem ser resumidas ao relativo fracasso de colocar a bissexualidade psíquica em seu devido lugar. A bissexualidade psíquica não significa que tenhamos dois sexos ao mesmo tempo (o andrógino), mas que adquirimos a possibilidade de comunicar-nos com o outro sexo na nossa vida psicológica.

Nos anos 70, a homossexualidade era utilizada para liberar-se de um compromisso social, desenvolver uma sensibilidade, exprimir a própria liberdade. A homossexualidade desempenhava um papel sintomático, a homossexualidade, tal como a religião, era um espaço disponível para exprimir a própria liberdade no plano privado (sexo) e social (convivência).

Parece-me que hoje as relações homossexuais são mais temidas do que procuradas, porque elas evocam a castração, ou seja, a incapacidade de aceder ao outro sexo. O declínio que notamos nas novas gerações é o declínio que se manifesta numa homossexualidade que certamente não aparecerá como uma forma original de afirmação.

E a toxicomania? O senhor a coloca também na conta da sociedade depressiva?

Sim, é uma doença que nasce do estado depressivo ou da curiosidade, e traz consigo a inibição e a neutralização progressiva das funções essenciais à vida psíquica.

O toxicômano duvida de si mesmo e dos outros, e , nessa ausência de confiança, desconfia até daqueles que o aconselham a tratar-se.

É preciso tratar a toxicomania tendo em conta a profunda angústia que revela. É o toxicômano que cria a toxicomania, e não a sociedade, senão todos seriamos drogados.

Isso não quer dizer que a sociedade não tenha a responsabilidade de combater esse flagelo. O toxicômano é também conseqüência da deficiência em que vivem os adolescentes que estão nessa situação por se recusarem a enfrentar os esforços psíquicos próprios da sua idade.

O silêncio, a permissividade e a passividade dos pais favorecem a prática da toxicomania, assim como o absenteísmo escolar, o roubo do dinheiro familiar e a exclusão social progressiva.

Uma desmoralização patogênica é o terreno predileto para o desenvolvimento da toxicomania. Os jovens comportam-se desde muito cedo como se não pudessem contar mais com os seus pais.

Vive-se cada vez menos na família a prática de estar juntos. Cada um exerce as atividades que quer, sendo raros os momentos de compartilhar o convívio.

Em resumo, a toxicomania é uma modalidade de fuga do interior de si mesmo, como era , há alguns anos atrás o engajamento na política.

É essa a doença do adolescente intimista que não acha bom esclarecer o que se passa verdadeiramente dentro dele.

O uso da droga não perdeu já um pouco da sua motivação “mística” dos anos 60, quando se erigia como a religião do “além” e como uma viagem de iniciação em direção aos “longínquos interiores”?

Hoje o uso da droga apóia-se mais sobre a curiosidade e a transgressão. Quando se proíbe proibir e quando se nega o espírito das leis, o adolescente fica entregue à sua solidão sem os meios de encontrar a realidade.

Fumar um “baseado” entre amigos não é jamais a escolha da liberdade, mas a da satisfação das paixões. Não esqueçamos que adolescência é um período de maturação das novas competências do indivíduo, da procura das suas possibilidades e dos seus limites.


O senhor disse certa vez que a prevenção é um falso problema…

As verdadeiras causas da toxicomania são a desordem do adolescente em face às suas mutações psíquicas, os fracassos escolares, etc…

O objeto do debate não deveria ser a droga, mas o aprendizado da vida, da qualidade da existência conjugal dos pais, a real preocupação por adquirir uma formação, a transmissão de uma moral e de uma fé.

Perdemos o nosso tempo para dar prazer – e que prazer!… – a um toxicômano, tolerando que use heroína e conduza-se progressivamente à morte. A droga estigmatiza uma sociedade depressiva que aceita deixar os indivíduos se entrincheirarem em si e esconderem-se para morrer no prazer do sofrimento.

Como o senhor explica o crescimento do suicídio?

A taxa de suicídios revela a saúde mental de uma sociedade. É a primeira causa de mortalidade na Europa.

O suicídio tornou-se nestes últimos anos um problema de saúde publica. O ambiente atual favorece o desenvolvimento de personalidades de caráter psicótico, sádico, irracional, depressivo e narcisista que chocam com a realidade, não podendo fazer outra coisa senão implodir em movimentos depressivos ou suicidas.

Tem-se insistido muito sobre a forte elevação dos suicídios entre jovens, esquecendo que 55% dos que se suicidam tem mais de 55 anos. A Hungria e a França são os paises que registram o maior número de suicídios em pessoas idosas.

Entre 1950 e 1976, na França, o suicídio tinha uma taxa de 15 pessoas por cada 100.000 habitantes ano.

A taxa de suicídio entre os 15 e 24 anos triplicou depois de 1960. Outras condutas suicidas preenchem o relatório: é o caso da anorexia, das depressões, das vítimas de certos acidentes. Em matéria de tentativas de suicídio, estima-se em 40.000 por ano entre os 15 e 24 anos, sendo o total de 135.000 de todas as idades.

Como explicar esse fenômeno?

Não é raro que um suicida tenha se preparado por um longo tempo e o tente por ocasião de um acontecimento “favorável”.

Um complexo de decepção, de frustração, de angústia podem ser o gatilho do suicídio. Suicidando-se o individuo não tem forçosamente o desejo de matar-se, mas sim de quebrar um ambiente insuportável, de dormir e poder acordar sendo diferente.

O suicídio pode ser resumido a partir de várias tendências:

– A fuga para escapar de uma situação de mágoa que é intolerável, uma maneira de romper com o mundo que o rodeia;

– A tristeza profunda: a melancolia do sujeito que se culpa de tudo e mostra pela sua atitude que o sentimento de auto-estima está gravemente atingido.

– A nostalgia: a pessoa sente o mundo como vazio, identifica-se com a sua infância, e tendo a perdido, parece que perdeu a vida.

– O castigo: para expiar uma culpa real ou imaginária.

– A auto-desvalorização: o indivíduo acha que não vale mais nada e sente-se desprezível aos seus próprios olhos e aos dos outros.

– O crime: atentar contra a própria vida arrastando o outro para a morte.

– A vingança: o sujeito quer simplesmente infligir uma ferida, o mais profundamente possível, naqueles que se encontram implicados em acontecimentos do passado, com a finalidade de criar neles remorsos.

– A chantagem: uma forma de fazer pressão no próximo para obter um bem, ameaçando-o, por exemplo, de privá-lo de amor.

– O suicídio-sacrifício: fuga disfarçada para evitar uma situação intolerável “glorificando esta fuga, fazendo-a passar por um sacrifício com a finalidade de valorizar a própria imagem que se anela deixar”.

– Finalmente existe também a condenação divina e o jogo. Por exemplo, a roleta russa, ou entrar numa auto-estrada na contramão, à noite, com as luzes do carro apagadas, ou queimar uma placa de “Pare”. É a morte-desafio, como uma prova dada a si mesmo e aos outros de que se tem o poder de triunfar sobre ela.

É por esta razão que esse tipo de herói está condenado à morte prematura, tal como o já mencionado Coluche, e Balavoine e Sabine (6) no rali Paris-Dakar. O seu ideal não se acomoda de jeito nenhum com o fato de envelhecer, de amadurecer, de suportar a fadiga; querem ser imortais, o seu combate não tem outro sentido a não ser o de sentirem-se vencedores, e eles serão vencedores graças à morte que lhes dará a imortalidade, enquanto que, se continuam vivendo, correrão o risco de serem esquecidos; pensam que serão mais presentes mortos do que vivos.


(6) Daniel BALAVOINE (1952-1986), cantor, ativista das manifestações estudantis de 1968 na França e mais tarde em causas sociais e políticas. Amante do perigo e da velocidade, participa do rali Paris-Dakar em 1983, 1985 e em 1986. Thierry SABINE (1969-1986), esportista de motocross, aventureiro, idealizador, organizador e diretor durante 10 anos do rali Paris-Dakar. Balavoine e Sabine morreram juntos quando o helicóptero que pilotavam foi atingido por uma tempestade de areia no deserto.



Como o senhor vê o futuro? Estamos condenados? Não há nenhuma solução para sair desta sociedade depressiva?

Não estamos vivendo algo inédito na História. O drama da sociedade depressiva aparece ao longo dos séculos, e consiste em querer desligar-se do passado, imaginando “mudar a vida” nos pontos que temos dificuldade de assumir.

A concepção moderna do sentido da vida está marcada pela sedução do desespero, mas a atitude depressiva remonta ao século XVIII. Será de espantar que estas idéias tenham tido eco nas nossas mentalidades modernas?

A crise atual é moral. Liberar-se do masoquismo moral é a aposta da sociedade depressiva. Para sair dessa situação temos somente uma solução: redescobrir o sentido de um ideal. Alguns querem fazer crer que hoje estamos desligados de uma moral do dever, enquanto celebramos o triunfo dos direitos individuais, estamos entrando numa sociedade pós-moralista.

Alguns prevêem o fim da religião, mais precisamente o fim do cristianismo, como se os valores que nasceram graças a ele e estão na fonte da nossa civilização pudessem ser arrancados.

A nossa laicidade repousa sobre uma contradição: a religião cristã desenvolveu sua reflexão sobre o homem a partir da imagem de Deus.

É olhando para essa transcendência que o homem pôde tomar consciência de si mesmo. Hoje, tudo dá a entender que queremos esquecer essa dimensão.

Mas sem esse Deus que é o fundamento do sentido do outro, é ainda possível pensar o ser e a moral? A resposta está longe de ser evidente.

Precisamente essa dimensão de Deus da qual o senhor está falando, está cada vez mais e mais ausente. Faz anos que se anuncia à morte de Deus. Além do mais, suprimiu-se do ensino toda referência religiosa e os jovens não conhecem mais nada sobre o tema, nem sequer num plano cultural. Isso não é grave?

Constata-se de um ponto de vista antropológico que a dimensão religiosa faz parte da estrutura do homem. Contudo, uma corrente de pensamento anunciou, durante os anos 60, a morte de Deus.

Os homens e as sociedades, sobretudo na Europa Ocidental, habituaram-se a viver sem Deus, mas celebrando todas as festas religiosas e apoiando-se sobre um sistema de valores originados no cristianismo. Diante dessa negação, assistimos ao ressurgimento do esoterismo, dos médiuns e clarividentes, da bruxaria, da feitiçaria e a aparição de curandeiros e chefes de seitas que criam o seu poder sobre os outros a partir de uma empresa financeira, sexual e mágica, como uma noticia recente dos Estados Unidos nos mostra com respeito a um dissidente de uma igreja adventista que se acha o próprio Cristo!

As ciências parapsicológicas (transmissão de pensamento, predições, horóscopos) e as crenças mais irracionais tomaram o lugar de uma vida religiosa abandonada e sem cultivo. Os pais igualmente abriram mão deste tipo de educação para seus filhos e não os inscrevem mais nas aulas de catecismo.

Atualmente, assistimos a um movimento inverso, em que os filhos reprocham seus pais por não os terem batizado nem os ter iniciado no conhecimento de Deus. Esses jovens sem formação religiosa e sem firmeza na sua crença estão prontos para acreditar em não importa o quê.

Quanto mais a realidade for bizarra, estranha e insólita, mais será digna de crédito. É o retorno do paganismo.

Por não terem uma concepção coerente do mundo, os jovens, e também os adultos, serão permeáveis à primeira crendice que apareça, sobretudo quando favorece o imaginário. É por isso que a formação religiosa é indispensável para os filhos, para lhes permitir exercer a sua razão sobre os objetos da crença, e em particular sobre a forma como os homens descobriram o Deus do qual nos fala a Bíblia e de que maneira, a partir desta experiência, concretizaram-se as verdades para construir um patrimônio espiritual.

O senhor não teme que alguns o acusem de clericalismo?

A religião, o cristianismo em particular, tem uma dimensão social, e não unicamente privada, que não pode ser substituída pela cultura ou pela política.

O judeu-cristianismo não faz mais parte do patrimônio cultural da nossa sociedade: não se pode ir visitá-lo como se faz com as ruínas de certos lugares dos nossos antepassados gauleses, para compreender melhor a nossa história, a arte e os simbolismos que nos rodeiam. Mas o judeu-cristianismo é o fundamento da nossa sociedade. Todos os nossos valores são herança do passado, mesmo que alguns deles tenham conquistado autonomia.

Esquecer essas raízes é correr o risco de desvitalizá-los e de os tornar uma loucura. Como continuar a justificá-los e valorizá-los sem saber donde procedem?

Na maior parte das sociedades, e em particular na nossa, a religião foi sempre um fator de integração social. É totalmente absurdo fazer disso uma questão privada.

Se a Igreja reivindica, e com razão, o caráter intrinsecamente social da sua missão, ela não tem a pretensão de contrariar as liberdades. É preciso pelo menos admitir essa evidência sem fazer um amálgama com as seitas e as tendências integristas, que têm uma tradição mais de alienação mórbida que de humanismo e de progresso. Esse não é o caso das tradições judaica e cristã.

É uma redução falar da “revanche de Deus” ou dos “políticos do Céu”, que se abaterão sobre o mundo. É preciso reconhecer o lugar da religião na nossa sociedade e salvaguardar o “espírito”, e não regredir fiando-nos de uma elucubração sociológica que não tem em conta a dimensão religiosa.

No fundo o laicismo, pela sua rejeição do religioso, tem a sua parte de responsabilidade na depressão atual.

O laicismo desenvolve-se em grande parte pela negação do cristianismo: age como se a Igreja não devesse existir, como se não se devesse ser ouvida nunca. Há uma agressividade doentia em relação à Igreja, que é – será necessário dizer? – constituída por vários milhões pessoas na França.

Fazem a Igreja falar de todos os temas possíveis para, ao mesmo tempo, ridicularizar o seu discurso.

Ela foi a primeira a denunciar os riscos do eugenismo com a utilização das técnicas relacionadas com a fecundidade, mas os meios de comunicação deformam ou ignoram as suas propostas.

Essa injustiça flagrante não anima os bispos e padres a falarem através desses meios, porque sabem que seu discurso será pinçado pelos conformistas intelectuais da moda.

A maior parte das festas religiosas são também silenciadas. Considera-se positivo informar o publico quando inicia do Ramadã e explicar o seu significado para os muçulmanos. Mas por que o silencio quase total na Quarta-feira de Cinzas, que abre o período da Quaresma para os cristãos?

Resumindo, ainda que estas festas existam, os meios de comunicação acreditam na idéia de que a sua existência não deve ser salientada.

Estará havendo por tanto não somente a rejeição do religioso, mas também escárnio das convicções religiosas?

Escárnio, que expressa decepção, medo e agressividade.

Os cristãos vêem não somente as suas convicções serem transformadas com escárnio, mas também negadas, sobretudo no momento das festas religiosas, que são a maioria dos dias de descanso.

O dia de Todos os Santos não é nem de longe a festa dos crisântemos; o Natal não é a festa dos brinquedos; a Terça-feira de Carnaval não é a festa dos crepes e das lantejoulas; também o feriado de Páscoa, não é o das auto-estradas, dos ovos e coelhos de chocolate. Esse desvio de sentido é uma mentira cultural. Como você quer que os mestres não se queixem dos seus alunos porque não saberem se localizar cultural e religiosamente?

Ao desprezar Deus, a Igreja, seus valores e seus ritos, é de si mesmo que o homem contemporâneo fala, sem respeito, sem nenhuma valoração positiva, e dessa maneira ele mesmo se desvaloriza.

Negar as referências cristãs e a dimensão social do religioso que presidiu a fundação da nossa cultura é o suicídio.

A sociedade acelera a sua destruição quando esquece os três lugares em que se reflete sobre a vida: a política, a moral e a religião.

* Rádios e Televisões Católicas, graça divina para a Igreja.

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

Além de nossa Rádio Shalom, que você acessa em nosso Portal,veja estas outras emissoras Católicas.

Clique sobre o nome para acessar
(eventualmente alguma TV ou rádio pode estar fora do ar)

***

TELEVISÕES

TV 3º Milênio
A emissora está sob a direção da Arquidiocese de Maringá-PR desde maio de 2003. Transmite pelos canais 31 UHF e 23 NET na cidade de Maringá.

TV Aparecida
Televisão do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, criada em setembro de 2005 e dirigida pelos missionários redentoristas. (Aparecida-SP). Vídeos: TV Aparecida no Youtube.

TV Canção Nova
Televisão da Comunidade Canção Nova, ligada à Renovação Carismática Católica, com sede em Cachoeira Paulista-SP. Transmite desde dezembro de 1989. Vídeos: WebTVCN, TVCN no Youtube.

TV Imaculada Conceição (Central de Vídeos)
Televisão do movimento mariano Milícia da Imaculada, inaugurada em dezembro de 2004, com sede em Campo Grande-MS, onde ocupa o canal 15 UHF. TV Imaculada Conceição no Justin.tv (vídeos).

TV Nazaré
Televisão da Fundação Nazaré de Comunicação, de Belém-PA, inaugurada em maio de 2002.

TV Século 21
TV Século 21 (em alta resolução)
Televisão da Associação do Senhor Jesus (ASJ), inaugurada em julho de 1999, com sede em Valinhos-SP. Vídeos: TV Século 21.

Rede Vida de Televisão
“O Canal da Família” foi fundado pelo jornalista João Monteiro de Barros Filho. A emissora tem sede em São José do Rio Preto-SP e a primeira transmissão ocorreu em 1º de maio de 1995.

UCG TV
Emissora vinculada à Universidade Católica de Goiás (UCG), transmitida pelos canais 20 da NET e 24 UHF em TV Aberta na cidade de Goiânia. A UCG TV é afiliada da Rede Aparecida. Alguns programas possuem transmissão online, geralmente as produções locais.

WEBTVs

TV Arautos
(Arautos do Evangelho)

TV Web Encontro com Cristo
(Padre Alberto Gambarini)

Webcatólica.tv
(Sociedade Exército de Santo Expedito)

WebTV Ajuda à Igreja que Sofre
(AIS / Organização Pública de Direito Pontifício)

WebTV Católica
(Arquidiocese de Cuiabá – MT)

WebTVCN
(Canção Nova)

WebTV Divino Oleiro
(Com. Divino Oleiro – Florianopólis)

WebTV Misericórdia Online
(Comunidade Aliança de Misericórdia)

WebTV Padre Marcelo Rossi
(Pe. Marcelo Rossi e Dom Fernando Figueiredo)

WebTV RCC Brasil

(Renovação Carismática Católica)

WebTV São Judas Tadeu
(Grupo de Oração São Judas Tadeu – Joinville – SC)

WebTV Toca de Assis
(Fraternidade Toca de Assis)

Canais no YouTube

Comunidade Católica Shalom

RÁDIOS

AM

Rádio Alvorada AM 970 Khz (Londrina-PR)
A emissora foi inaugurada solenemente em 18 de abril de 1964, mas assumiu o dia 1º de maio como “a jornada comemorativa de seu nascimento”. A rádio foi idealizada e construída pelo primeiro bispo de Londrina, Dom Geraldo Fernandes. Conforme informações do site da emissora, “A Rádio Alvorada de Londrina vem sendo dirigida dentro de uma filosofia cristã, buscando comunicar e evangelizar, entreter e servir”.

Rádio América AM 750 Khz (Belo Horizonte-MG)
Fundada em 31 de maio de 1955, possui 50 KW de potência. Pertence à Rede Catedral de Comunicação Católica, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Tem como slogan “A Voz da Comunidade”. Parte da programação é destinada à evangelização.

Rádio Aparecida AM 820 Khz (Aparecida-SP)
Emissora do Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Rádio Canção Nova AM 1020 Khz (Cachoeira Paulista-SP)
Emissora da Comunidade Canção Nova.

Rádio Colméia AM 1170 Khz
(Mandaguaçu-PR)
No dia 1º de março de 1999, a Fundação Cultural N. Sra. da Glória de Maringá assumiu a Direção da Rádio Colméia de Mandaguaçu. Já no dia 17 de maio do mesmo ano a emissora se filiou à Rede Católica de Rádio. A maior atuação da rádio é na cidade de Maringá.

Rádio Coração Fiel AM 1250 (Rialma-GO)
Emissora pertencente à Comunidade Coração Fiel, cujo fundador é Pe. Delton Alves de Oliveira Filho. Atinge atualmente 15 cidades do vale do São Patrício pelo sinal físico, abrangendo as seguintes dioceses: Uruaçu, Anápolis, Goiás e Rubiataba, e através da Internet ouvintes em diversos países. A rádio tem três anos.

Rádio Cultura AM 670 Khz Aracaju – SE
A emissora foi fundada em 1959 por Dom José Vicente Távora, então Bispo de Aracaju. A partir de agosto de 1991 a Cultura passou a ser administrada pela Comunidade Católica Shalom.

Rádio Cultura AM 1110 Khz (Florianópolis-SC)
Emissora da Associação Fraterna Divino Oleiro.

Rádio Difusora AM 1480 Khz (Joinville-SC)
A emissora atua há 65 anos e atualmente é administrada pela Comunidade Católica Arca da Aliança.

Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá AM 630 Khz (Cuiabá-MT)
Emissora pertencente à Fundação Bom Jesus de Cuiabá. Foi ao ar oficialmente pela primeira vez em 23 de agosto de 1959. Desde 1992, é administrada pela Comunidade Canção Nova.

Rádio Evangelizar AM 1060 Khz (Curitiba-PR)
Emissora do movimento católico Projeto Evangelizar é Preciso, criado e dirigido pelo padre Reginaldo Manzotti.

Rádio Imaculada Conceição AM 1490 Khz (Grande São Paulo-SP)
Rádio da Milícia da Imaculada e cabeça de rede da Rede Milícia SAT.

Rádio Nova Aliança AM 710 Khz – FM 103,3 Mhz (Brasília – DF)
Emissora da Fundação Rainha da Paz. A Rádio AM entrou no ar oficialmente em 25 de março de 1992.

Rádio Rural AM 1090 Khz (Natal-RN)
A emissora pertence à Arquidiocese de Natal, possui 51 anos e opera em Ondas Médias Regional com a potência de 10KW. Desde 1º de junho de 2000 é administrada pela Comunidade Canção Nova.

FM

Rádio Canção Nova 96.3 FM (Cachoeira Paulista-SP)
Emissora da Comunidade Canção Nova.

Rádio Catedral 106.7 FM (Rio de Janeiro-RJ)
A rádio foi criada em 8 de dezembro de 1992, pelo então, Cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, hoje, Bispo Emérito.

Rádio Conceição FM 105.9 (Itajaí-SC)
Rádio comunitária, existente há nove anos, fundada pelo padre Alvino Broering (in memoriam). A emissora possui uma programação diversificada, com informação, entretenimento e religiosidade.

Rádio Dom Bosco 96.1 FM (Fortaleza-CE)
A emissora surgiu em 24 de agosto de 1997. A rádio pertence à Fundação Educacional Salesiana Dom Bosco.

Rádio Gospa Mira FM 105,7 FM (Belo Horizonte-MG)
Emissora da Associação Gospa Mira. A Comunidade Gospa Mira, fundada pelo Padre Oscar Pilloni, é um grupo de leigos inseridos na Paróquia Imaculada Conceição, do bairro Santa Maria, de Belo Horizonte-MG, onde o fundador é Pároco.

Rádio Maria FM 94,5 Mhz (Brasília-DF)
Emissora da Fundação Calmerinda Lanzillotti. A Rádio Maria do Brasil faz parte da “World Family of Radio Maria”, que é uma organização não-governamental criada em 1998 composta por quarenta associações nacionais. Existem rádios Marias em todos os continentes.

Rádio Nazaré (Belém-PA)
Emissora da Fundação Nazaré de Comunicação, de Belém-PA.

WEBRÁDIOS

Rádio Web Lírio do Vale
Webrádio de Vitória da Conquista-BA. Tem como slogan “A sua Rádio 100% Católica”.

Webrádio Beatitudes
A webrádio Beatitudes é um instrumento de evangelização da comunidade Beatitudes do Coração de Jesus. A emissora tem três anos no ar.

Webrádio Estação da Graça
A Webrádio Estação da Graça é um projeto de evangelização da Comunidade Vida Missão. A emissora foi criada em 2005 pelo jovem Washington Lima, em Ituiutaba-MG. Depois de algum tempo, o jovem entregou este projeto para a Comunidade Católica Vida Missão, cujo fundador é Alex Soares.

Webrádio Hosana FM
Emissora idealizada por Roberto Martins da Silva, educador e pregador da RCC, Comarca de Itajaí-SC, Arquidiocese de Florianópolis.

Webrádio Padre Marcelo Rossi
Neste espaço, você vai poder ouvir online o programa Momento de Fé, apresentado pelo Padre Marcelo Rossi e equipe, de segunda a sabádo, das 09h05 às 10h, pela Rádio Globo e retransmissoras.

Webrádio Trindade Santa
A emissora foi criada por alguns jovens do estado do Rio Grande do Sul, especificamente, da Diocese de Rio Grande. Posteriormente, mais pessoas, de outros estados, passaram a integrar a equipe da rádio.

Fonte:Mídia Católica

* Veja lista de alguns jornais católicos, com link de acesso.

quarta-feira, janeiro 13th, 2010
Clique no link.

A Mensagem Católica (Olinda e Recife-PE)

A Ordem (Natal-RN)

Arquidiocese em Notícias (Manaus-AM)

Brasil Central (Goiânia-GO)

Diocese Informa (Joinville-SC)

Jornal da Arquidiocese (Florianópolis-SC)

Jornal de Opinião (Belo Horizonte-MG)

Jornal São Salvador (Salvador-BA)

L’osservatore Romano (Vaticano)

Missão Jovem (Florianópolis-SC)

Mundo Jovem (Porto Alegre-RS)

O Diocesano (Volta Redonda e Barra do Piraí-RJ)

O São Paulo (São Paulo-SP)

Santuário de Aparecida (Aparecida-SP)

Voz de Nazaré (Belém-PA)

* Você conhece nossa cultura Católica?

quarta-feira, janeiro 13th, 2010

Hilton Valeriano

É difícil recomendar obras quando se trata do Cristianismo Católico.Digo difícil, porque para mim o Cristianismo é sinônimo de cultura, e quando digo Cristianismo, quero dizer Catolicismo.

Quando consegui superar minha fase agnóstica e cética, converti-me ao Catolicismo por perceber que o mesmo era sinônimo de fé, mas também razão e cultura.

A evidência de um fato: quando São Paulo prega na Ágora para os gregos, inicia-se a grande síntese entre as duas maiores revoluções culturais da humanidade: a cultura grega e a cristã. Essa síntese denomina-se catolicismo. A Igreja Católica (para o horror de seus detratores) nunca destruiu culturas, mas as assimilou elevando-as à perfeição.

Uma instituição inimiga da cultura e da razão não seria responsável por salvar o saber clássico da catástrofe das invasões bárbaras na queda do Império Romano.

Sim, se podemos ler Platão, Homero, Hesíodo, os grandes trágicos Ésquilo, Eurípides, Sófocles, Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca, Virgílio, Horácio, Ovídio… devemos ser gratos aos mosteiros, aos bizantinos, ou seja, a Igreja Católica!

Se não fosse essa instituição “inimiga” da razão não teríamos as Universidades: Oxford, Cambridge, Salamanca, Lisboa, Coimbra, Pádua, Bolonha, Sorbonne…

Pensemos na grandiosidade da arquitetura gótica: somente a razão iluminada pela fé poderia ter criado esse esplendor. Vide Reims, Notre Dame e Chartres. Sim, a verdadeira França não é a aberração nascida do iluminismo e da revolução francesa, mas sim a França cristã Católica. O espírito da França não está em Descartes, e sim em Pascal!

Pensemos na beleza dos mosaicos bizantinos, nos afrescos de Giotto, Fra. Angélico. Em Caravaggio, El greco. Na capela Sistina. No barroco. Em tantos monumentos da arte criados pelo espírito Católico. O canto gregoriano… A estética Católica é o reflexo da eternidade! Ser Católico é amar a cultura. A lista de citações seria interminável.

O que seria da Europa sem a regra de São Bento? Da mística de São João da Cruz, de Santa Teresa d’Ávila? Se dedicar ao estudo do Catolicismo é se dedicar ao estudo dos mestres da patrística, da escolástica, da teologia monástica. Mas cito alguns livros que tenho de cabeceira: A prática do amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso de Ligório. Um belo livro de moral Católica. As epístolas de Santa Catarina de Sena. História de uma alma, de Santa Teresa do menino Jesus. Essa obra maravilhosa mostra a importância de uma família repleta do espírito do evangelho, da doutrina da Santa Igreja Católica: seu fruto só pode ser a santidade.

Tudo em Santo Agostinho é essencial. Mas Santo Agostinho é um universo. Recomendo Confissões e A verdadeira religião. Um clássico: A imitação de Cristo, de Tomás Kempis. Ortodoxia de Chesterton. Revolução e contra-revolução de Plínio Corrêa de Oliveira.

O espírito do Catolicismo sempre inspirou grandes manifestações em termos de cultura. Pensemos em sua Santidade o Papa Bento XVI: como a mídia mostra-se hipócrita e odiosa em relação à sua pessoa. Sua cegueira é evidente: não enxergar o grande homem de cultura que está à frente da Igreja Católica. Eu desafio: leiam suas audiências. Leiam o discurso que seria proferido na Universidade La “Sapienza”! A mesma que fechou suas portas em nome da “razão”. Leiam Memória e identidade, do Papa João Paulo II: mostra de verdadeira consciência histórica de acontecimentos que marcaram o século XX.

No Brasil, enquanto o flagelo do marxismo e progressismo não tornaram a inteligência católica bestial, houve grandes romancistas e poetas como Cornélio Penna, Lúcio Cardoso, Octávio de Faria, Gustavo Corção, Murilo Mendes, Jorge de Lima… Muitos esquecidos, mas graças a Deus sendo redescobertos.

Pensemos em nomes como George Bernanos, François Mauriac, Paul Claudel, Julien Green.. Como a França anda mal… (…)

Por isso recomendo o estudo da verdadeira cultura, a cultura presente na Tradição Católica!

* Os dez livros mais pirateados em 2009 na Net revela alguma coisa?

sábado, janeiro 9th, 2010

Entre os dez livros mais descarregados ilegalmente no BitTorrent, três são sobre sexo e erotismo.

“  O “clássico” sobre o comportamento sexual, “Kamasutra”, foi o livro electrónico mais pirateado em 2009 através do sistema de partilha de ficheiros BitTorrent, avança o site Freakbits .

Três dos seis ebooks mais descarregados pelos internautas – qualquer um deles entre 100.000 e 250.000 vezes ao longo do ano passado – são sobre sexo e erotismo. Com efeito, na terceira posição surge “The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex” e na sexta “Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England”.

Depois de comparar o seu ranking (ver caixa) com o dos livros mais vendidos divulgado pelo ” The New York Times “, é com alguma ironia que os responsáveis pelo site Freakbits concluem que “os downloads ilegais não ameaçam os autores mais vendidos”.

DEZ MAIS PIRATEADOS EM 2009

1. Kamasutra, por Vatsyayana

2. .Adobe Photoshop Secrets
Manual sobre o popular programa de edição de fotografia

3. The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex, de Sari Locker
Guia prático para uma vida sexual bem sucedida

4. The Lost Notebooks of Leonardo da Vinci

5. Solar House – A Guide for the Solar Designer
Tudo, ou quase, sobre como instalar energia solar lá em casa

6. Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England, de Ian Frederick Moulton
Estudo sobre literatura erótica em Inglaterra

7. Twilight – Complete Series, de Stephenie Meyer
Contos sobre vampiros

8. How To Get Anyone To Say YES – The Science Of Influence, de Kevin Hogan
Manual sobre técnicas de persuasão

9. Nude Photography – The Art And The Craft, de Pascal Baetens
Manual sobre este tipo específico de fotografia

10. Fix It – How To Do All Those Little Repair Jobs Around The Home
Manual sobre bricolage

* “A internet nos suga como uma esponja”.

sexta-feira, janeiro 8th, 2010
O tema não é de natureza religiosa, mas toca em um aspecto importantíssimo :a perca da capacidade de pensar e refletir, fundamental para nossa vivência de fé em um mundo em permanente transformação, mundo esse que somos chamados a evangelizar com redobrado fervor, unção e parresia.

Como ele bem disse: “estamos perdendo a capacidade de nos concentrarmos, lermos atentamente e pensarmos com profundidade”.
A fonte é a Revista ” Época”.

***
Um dos maiores palestrantes do mundo empresarial diz que viver conectado é prejudicial a nosso cérebro

Para Nicholas Carr, um dos palestrantes mais valorizados do mundo dos negócios, a dependência da troca de informações pela internet está empobrecendo nossa cultura.

Mais ainda: nosso intelecto, ao se acostumar aos múltiplos estímulos das redes sociais, aos e-mails e aos comunicadores instantâneos, perde a capacidade de raciocínios elaborados.

Autor de um famoso artigo cujo título resume o conteúdo – “O Google está nos tornando mais estúpidos?” – , Carr está preparando um livro de nome igualmente provocativo – numa tradução literal, O raso: o que a internet está fazendo com nosso cérebro.

Ele falou a ÉPOCA durante uma visita ao Brasil para uma palestra a 4.500 líderes empresariais, num dos maiores eventos para executivos do país.

Sascha Pflaeging

ÉPOCA – A internet afeta a inteligência?

Nicholas Carr – Você fica pulando de um site para o outro. Recebe várias mensagens ao mesmo tempo. É chamado pelo Twitter, pelo Facebook ou pelo Messenger. Isso desenvolve um novo tipo de intelecto, mais adaptado a lidar com as múltiplas funções simultâneas, mas que está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade. Isso é um resultado da dependência crescente em relação à internet. Essa forma de pensar vai reduzir nossa habilidade para pensar contemplativamente. Ela prejudica nossa cabeça.

ÉPOCA
– Quais seriam as consequências?

Carr – A riqueza de nossa cultura não é apenas quanta informação você consegue juntar. Ela tem a ver com os indivíduos pensando profundamente sobre a informação, refletindo sobre ela, avaliando pessoalmente os dados que recebe e não se deixando passivamente bombardear por vários estímulos. Estamos perdendo isso agora. Toda a cultura fica mais rasa. Temos acesso democrático à informação, mas o resultado é mais pobre. Temos menos condições de compreender as grandes obras da arte, da ciência ou da literatura, que exigem uma concentração mais profunda.

ÉPOCA – As pessoas deveriam ficar desconectadas de vez em quando?

Carr – Sim. Deveríamos desconfiar da internet. É claro que conseguir bastante informação útil é parte de nossa vida moderna. Mas precisamos encorajar continuamente o outro lado, que é a aquisição calma e contemplativa do conhecimento. Isso exige ficar fora do fluxo contínuo de informação. Só não sei se isso será possível porque nossa vida social está cada vez mais dependente de quão conectados estamos. Seu grupo de amigos está embrulhado em redes sociais na internet. Você precisa da internet para executar seu trabalho. Não para de olhar para seu BlackBerry. Não é mole se desligar disso tudo.

ÉPOCA – A filosofia grega foi construída em cima de debates. O pensamento de Platão são conversas com seus discípulos. Por que não daria para erigir conhecimento a partir da interação com os outros?

Carr – Nos Diálogos de Platão, temos duas pessoas dedicadas a uma conversa atenta sobre determinado tema. Se você entra on-line, encontra dezenas de pessoas trocando mensagens de texto, vendo e-mails, escrevendo no Twitter e pulando de uma página para outra. A troca de informação ocorre com interrupções o tempo todo. Sócrates sentava-se embaixo de uma árvore e pensava longamente enquanto conversava com seus discípulos. É muito diferente do que fazemos agora.

ÉPOCA – Uma das maiores lojas on-line, a Amazon, vende livros. As pessoas baixam livros no Kindle. Até o senhor vende livros. Isso não significa que as pessoas ainda leem textos extensos?

Carr –
É verdade que as pessoas ainda lerão livros por muito
tempo. Mas o porcentual de tempo dedicado à mídia impressa vem caindo. A média americana é de um livro por dia, o que ainda é muito bom. Só que o ato de ler uma página após a outra fica cada vez mais difícil à medida que você se adapta à comunicação da internet. Eu mesmo sinto isso. Antes eu me sentava e lia por horas. Agora, fico pensando se devia conferir meu e-mail ou acho ruim não encontrar hiperlinks no texto.

ÉPOCA – Essa habilidade para múltiplas tarefas e para administrar várias informações simultâneas não nos dá, em compensação, maior capacidade para criar novas ideias?

Carr – Certamente temos maior capacidade para encontrar informação ou relacionar uma com a outra. Mas dependemos cada vez mais de conexões externas. Você estabelece uma relação porque clicou em um hiperlink que alguém deixou lá. Já construir as próprias relações entre um fato e outro exige um tempo de reflexão própria, que não estamos tendo.

ÉPOCA – Essa visão negativa da internet não é apenas o medo da mudança?

Carr
– Não há dúvida que, toda vez que uma tecnologia nova aparece, algumas pessoas imaginam que tudo vai desmoronar. Sim. É preciso ter essa visão cética. Por outro lado, também devemos desconfiar quando ouvimos alguém glorificando as novas tecnologias e prometendo uma nova utopia. Recomendo que as pessoas não sigam o que eu digo cegamente. Mas que examinem o próprio comportamento. Testem em si mesmos o que estou dizendo.

ÉPOCA Os cursos on-line vão revolucionar a educação?

Carr
– Existe empolgação em torno dos cursos on-line porque parecem cortar os custos. Um professor poderia dar aula para milhares de alunos, em vez de apenas uma turma de algumas dezenas. Mas não acho que a educação on-line vá substituir a tradicional. Ela pode funcionar como complemento para o professor ter um material de apoio na sala de aula ou para o aluno reforçar em casa o que aprendeu na escola. Outra utilidade dos cursos on- -line é a formação técnica profissional em casos específicos. Existe um aspecto importante na educação, que é juntar os alunos fisicamente para conviver e trocar experiências. Isso vai além de apenas assistir a uma aula. Tem a ver com o lado comunitário da educação, que se perderia se passarmos tudo para o computador.

ÉPOCA – Como a tecnologia pode beneficiar a educação?

Carr
– Por um lado, o que estamos vendo é que muitas escolas, especialmente universidades, começam a oferecer material on-line de seus cursos, inclusive algumas aulas. Isso é bom. Permite que gente de fora da universidade tenha acesso à informação de ponta e aulas de grandes pensadores. O perigo para as grandes universidades é que os alunos possam ter a ilusão de que terão acesso ao conhecimento apenas sentados diante de um computador. Aí o que acontece é que a eficiência de fornecer material on-line começa a capturar os investimentos financeiros, que deveriam ir para as universidades e escolas. Se um professor dá aula para milhões de alunos, quem vai pagar o salário dos outros?

ÉPOCA – Como atrair a atenção dos jovens que estão ligados nas redes de relacionamento e nos jogos da internet para a educação “formal”?
Carr – Naturalmente, não há como fazer isso. Nossa dependência dos serviços de internet não está mudando apenas nossos relacionamentos e nosso acesso ao conhecimento, mas também a forma como nossa mente funciona. Não é só entre os jovens, mas gente de todas as idades usa cada vez mais a internet. Nas escolas e em casa, os pais e os educadores têm sido excessivamente entusiastas do poder dos computadores. Temo que, como o cérebro constrói a maior parte das ligações entre os neurônios na juventude, o modo de pensar promovido pelo convívio com a internet predomine sobre a capacidade de análise. Os pais devem manter seus filhos o máximo longe das telas. Na verdade, acredito que as crianças não devem mexer em computadores de jeito nenhum. Mais tarde, quando entrarem na adolescência, terão de aprender a lidar com a internet para sua vida adulta, social e profissional. Mas antes disso não.

ÉPOCA Como o senhor fez com seus filhos?

Carr
– Minha filha tem 24 anos, meu filho 19. Então, quando eram crianças não havia tanto acesso à internet e a computadores. Nem as redes sociais existiam. Mas mesmo naquela época eu já sabia que as mídias usadas pelas crianças teriam influência em sua capacidade cognitiva futura. Não quero dizer que a internet seja ruim. Ela é essencial para encontrarmos pessoas e informações úteis. Mas ela é como uma esponja. Vai sugando todos os aspectos da vida. E nos obriga a se adaptar a ela. É o futuro da humanidade. Só que perderemos alguma coisa no meio do caminho.

* Os 10 melhores filmes atuais do ponto de vista espiritual

quarta-feira, janeiro 6th, 2010

Segundo o diretor do Departamento de Cinema do arcebispado de Barcelona

Como todos os anos, o Prof. Peio Sánchez, diretor do Departamento de Cinema do arcebispado de Barcelona (Espanha), oferece sua avaliação sobre os 10 melhores filmes do ponto de vista espiritual.

Sánchez afirma que, ao fazer este elenco, ele o apresenta “como um material válido para a recuperação educativa e pastoral através do DVD. (…) Parece-nos hoje imprescindível escolher bem o que vemos para sermos pessoas melhores. E acreditamos que esse tipo de cinema convida a aprofundar nos grandes interrogantes, propõe um olhar aberto ao mistério de Deus”.

1. Gran Torino (2008), Clint Eastwood

“Em Gran Torino, Clint Eastwood  soube contar uma história simples com uma enorme força dramática, apresentando temas espirituais de fundo, como o sentido do perdão, a redenção como sacrifício e o caminho da conversão. E do ponto de vista cristão, não somente apresenta uma imagem positiva da Igreja, representada no Pe. Janovich, mas também oferece uma poderosa imagem crítica nas decisões finais do protagonista.”

2. Jornada pela liberdade (2006), Michael Apted

“Esta homenagem a William Wiberforce – um parlamentar da Câmara dos Comuns, que dedicou, desde a sua juventude, sua atividade política à luta contra a escravidão e as injustiças sociais – apresenta-se com uma magnífica produção e uma série de atuações excepcionais. Marcada profundamente pela perspectiva social cristã, é um filme imprescindível para conhecer a força ética do Evangelho e sua herança em nossa cultura.”

3. Katyn (2007), Andrzej Wajda

“Surpreendente filme do mestre polonês Andrezej Wajda. Este testamento fílmico do genocídio de Katyn, perpetrado pelo comunismo soviético em 1940, afetou pessoalmente o diretor, já que seu pai era um dos 20 mil oficiais e cidadãos poloneses assassinados. Narrada a partir da perspectiva dos sobreviventes, especialmente mulheres, é um hino à reconciliação, da memória que busca a verdade. A fé católica é mostrada com intensidade em diversos momentos, mas de forma mais contundente nos últimos minutos.”

4. Quem quer ser um milionário? (2008), Danny Boyle

“O diretor Danny Boyle, de formação e convicções cristãs, soube contar uma dura história sobre a superação da miséria à vitória. Narrado como um conto de fadas, acompanha a história de três garotos que nascem nas barracas de Calcutá e como, a partir do protagonista Jamal, verão o triunfo da bondade e do amor, muito além da injustiça e da violência. A história nos apresenta uma intriga que move o espectador à esperança e que convida a reconhecer a presença da Providência, que acompanha os acontecimentos respeitando a liberdade, mas estimulando a bondade.”

5. O visitante (2007), Thomas McCarthy

“É a história de uma visita gratuita na qual se vê envolvido um obscuro professor universitário, genialmente interpretado por Richard Jenkins, que, após ficar viúvo, vive sem sentido e cuja vida se transformará em seu encontro com Tarek. Este sírio, que carrega a perseguição em seu coração, representa a alegria e a vontade de viver que faltam ao protagonista. Neste itinerário de transformação, veremos como cresce nele a sensibilidade e o compromisso, a capacidade de amar e o exercício responsável da liberdade. Um filme que, além do mais, é um grito contra a injustiça das leis migratórias.”

6. A caixa de Pandora (2008), Yesim Ustaoglu.

“O mal de Alzheimer da avó abrirá a caixa de Pandora da uma família que vive às margens da infelicidade, como se uma maldição caísse sobre eles quando a anciã, uma genial Tsilla Chelton de 89 anos, desaparece de casa. Com esta fuga, começa uma viagem rumo à verdade que envolverá todos eles, quando vão a uma aldeia de montanha na costa do Mar Negro. A lucidez da demência não conseguirá dobrar o desvario dos instalados na comodidade ou no fracasso; mas conseguirá mover os que sentem que a vida vai muito além e que sempre estão dispostos a subir uma montanha, ainda que as forças já sejam escassas. Uma aliança na qual os mais velhos transmitem a esperança aos mais jovens.”

7. A partida (2008), Yojiro Takita

“Daigo, um violoncelista desempregado, descobre sua vocação quando abandona Tóquio com Mika, sua mulher, e vai à cidade e à casa em que viveu sua infância. Um processo lento e surpreendente o converterá em um especialista em nôkan, ritual mortuário japonês que supõe uma recordação do defunto desde o ato de embalsamento. Em sua aprendizagem, vão se cruzando várias histórias de reconciliação dos vivos com os mortos e ele irá, pouco a pouco, abrindo sua própria história a um caminho de pacificação. O filme nos permite contemplar a morte com uma perspectiva diferente.”

8. O curioso caso de Benjamin Button (2008), de David Fincher

“Baseada em uma novela de F. Scott Fitzgerald, conta a vida singular de Benjamin: um estranho bebê que nasce sendo idoso e que, com o passar do tempo, acabará transformando-se em um bebê. Este estranho personagem, que terá um corpo que cresce ao contrário do seu espírito, oferece-nos um personagem que amadurece de uma forma diferente e que também terá que amar Daisy – seu fiel e verdadeiro único amor – de uma forma diferente, ainda que não por isso impossível.”

9. Le Hérisson (2009), Mona Achache

“Adaptação do famoso livro de Muriel Barbery, ‘A elegância do ouriço’, e que supõe o primeiro longa-metragem da diretora francesa Mona Achache. Baseia-se no contraste de dois personagens: por um lado, uma menina com um rico a inteligente mundo interior; por outro, a porteira do número 7 da rua Grenelle, uma mulher descuidada e um pouco antipática. Mas ambas terão um segredo que virá à tona com a chegada de Kakuro Ozu, um elegante viúvo japonês. Esta revelação servirá de desculpa para compreender o segredo profundo das pessoas e como às vezes o essencial não está nas aparências.”

10. Rio congelado (2008), de Courtney Hunt

“História sobre a resistência e a amizade de duas mulheres que começam em conflito, mas que criarão um profundo laço de solidariedade que tem como origem comum uma maternidade transcendida e o desejo de amar inclusive acima de suas forças. Dirigido por Courtney Hunt, apresenta os personagens com grande veracidade. A dureza e a desolação nas imagens nos permitem encontrar na alma das protagonistas uma generosidade desmedida, que devolve a confiança no ser humano, inclusive nas situações de solidão e limite que enfrentam.”

Zenit

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Aproveitando a deixa..o filme “O caçador de pipas” é imperdível.

Se alguém tiver mais sugestões  de filmes bons, em uma perspectiva cristã,com valores e com conteúdo capaz de nos fazer melhores e mais cristãos,podem indicar..

Talvez devessemos divulgar mais filmes bons,para reforçar a cultura verdadeiramente humana,embasada nos valores cristãos.


Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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