Artigo da ‘Cultura de Morte’ Categoria

* Bispos dos EUA aprovam declaração contra “suicídio assistido” para combater cultura de morte no País.

quarta-feira, junho 22nd, 2011

Catholic News Service

Assumindo a questão do suicídio medicamente assistido no Estado norte-americano onde os eleitores o aprovaram mais recentemente, os bispos dos EUA declararam o suicídio “uma tragédia terrível, que uma sociedade compassiva deveria trabalhar para evitar”.

Aprovada por 191 a 1, no dia 16 de junho, na assembleia semestral geral dos bispos em Bellevue, cidade perto de Seattle, a declaração chamada To Live Each Day With Dignity [Viver cada dia com dignidade] é o primeiro documento sobre o suicídio assistido por partes dos bispos como um só corpo.

Ao apresentar a declaração no dia 15 de junho, o cardeal Daniel N. DiNardo, deGalveston-Houston, presidente da Comissão para Atividades Pró-Vida daConferência dos Bispos dos EUA – USCCB, disse esperar que ela combata o recente “forte ressurgimento” em atividade do movimento pelo suicídio assistido.

“Com o financiamento ampliado de ricos doadores, os defensores do suicídio assistido renovaram sua agressiva campanha em todo o país através da legislação, de processos judiciais e de propaganda pública, tendo como alvo os Estados que eles veem como mais suscetíveis à sua mensagem”, diz o documento. “Se tiverem sucesso, a sociedade vai sofrer uma mudança radical”.

O documento critica especialmente a antiga Sociedade Hemlock, “cujo próprio nome lembrava as pessoas da dura realidade da morte por envenenamento”, por ter mudado seu nome para Compassion & Choices [Compaixão e escolhas].

“É necessário falar claramente para remover esse verniz e revelar o que está em jogo, pois essa agenda não promove nem a livre escolha nem a compaixão”, diz a declaração.

O suicídio medicamente assistido foi aprovado pelos eleitores do Estado de Washingtonem novembro de 2008. Ele também é legal no Oregon, onde os eleitores o aprovaram em 1994, e em Montana, onde um tribunal estadual decidiu que ele não é contrário à política pública.

Enquanto o cardeal DiNardo estava fazendo sua apresentação preliminar do documento, representantes da Compassion & Choices realizaram uma coletiva de imprensa no mesmo hotel onde os bispos estavam reunidos.

Barbara Coombs Lee, presidente da organização, disse que o documento dos bispos representava uma tentativa de impor as crenças católicas sobre toda a população dos EUA.

“Embora respeitemos a instrução religiosa para as pessoas de fé católica, achamos inaceitável impor os ensinamentos de uma religião a todas as pessoas em uma sociedade pluralista”, disse. “Acreditamos que os cuidados do fim da vida deveriam seguir os valores e crenças do paciente, e as boas práticas médicas, mas não serem restringidos contra a vontade do paciente pela a doutrina da Igreja Católica”.

Ao responder a essa acusação durante uma coletiva realizada posteriormente, o cardeal DiNardo disse que os bispos estavam fazendo uma contribuição para um “debate público fundamental”, baseado em “nossa tradição moral e nosso senso de solidariedade para com as pessoas”.

“O caminho compassivo é o de dar assistência às pessoas”, não de incentivar a sua morte, disse. Faz parte da tradição norte-americana que, “quando alguém está em necessidade, vamos ao seu socorro”, como quando os norte-americanos responderam recentemente com uma grande ajuda aos afetados pelo tornado de Joplin, Missouri, acrescentou.

“A compaixão não é dizer ‘aqui está uma pílula’”, acrescentou o cardeal. “É mostrar às pessoas as formas pelas quais podemos ajudá-las, até o momento em que o Senhor as chama”.

No documento, os bispos dizem que o movimento pelo suicídio assistido “corre o risco, na verdade, de aumentar o sofrimento das pessoas gravemente enfermas”.

“Seu pior sofrimento, muitas vezes, não é a dor física, que pode ser aliviada com cuidados médicos competentes, mas sim os sentimentos de isolamento e de desesperança”, diz a declaração. “A percepção de que os outros – ou a sociedade como um todo – veem sua morte como uma solução aceitável ou até mesmo desejável aos seus problemas só pode ampliar esse tipo de sofrimento”.

Além disso, diz o documento, “não se pode defender a liberdade e a dignidade humanas desvalorizando a vida humana”.

“A escolha de tirar a vida de alguém é uma contradição suprema da liberdade, uma escolha para eliminar todas as escolhas”, diz o texto. “E uma sociedade que desvaloriza as vidas de algumas pessoas, acelerando e facilitando as suas mortes, acabará finalmente por perder o respeito por seus outros direitos e liberdades”.

O documento também critica a ideia de envolver médicos na ajuda a seus pacientes a cometerem suicídio, chamando isso de “uma corrupção das artes da cura”.

“Os católicos deveriam ser líderes no esforço de defender e de preservar o princípio de que cada um de nós tem o direito de viver com dignidade todos os dias das nossas vidas”, diz o documento. “A afirmação de que a ’solução rápida’ de uma overdose de drogas pode substituir esses esforços é uma afronta aos pacientes, aos cuidadores e aos ideais da medicina”.

A declaração está disponível em um site especial da USCCB (www.usccb.org/toliveeachday), com uma grande variedade de informações sobre questões como o papel da depressão, as opiniões de peritos médicos, o suicídio assistido como uma ameaça ao bom cuidado paliativo, as lições dos Estados do Oregon e deWashington, as lições da Holanda e outros tópicos.

O documento recebeu elogios imediatos de representantes dos grupos de deficientes e de bioética católicos.

“O suicídio medicamente assistido é uma clara ameaça às vidas das pessoas com deficiência, assim como daquelas que possuem doenças terminais”, disse Janice L. Benton, diretora-executiva da National Catholic Partnership on Disabilities. “Aplaudimos os bispos católicos dos EUA pela sua declaração que defende a dignidade de toda a vida humana e oferece uma verdadeira compreensão da compaixão e da escolha”.

O National Catholic Bioethics Center emitiu um comunicado chamando o documento dos bispos de “verdadeiramente compassivo” e elogiando-o por enfrentar “o mito de que vidas perdem valor quando confrontadas com significativos desafios à saúde”.

O centro “dá as boas-vindas a esse documento profético e oportuno, que expõe as inverdades perpetradas contra os mais vulneráveis entre os que sofrem, aqueles que acreditam que sua vida não vale a pena ser vivida”, acrescentou o comunicado.

* Cultura de morte: órgãos removidos de pacientes “mortos” por eutanásia dão transplantes melhores.

sexta-feira, junho 17th, 2011

Thaddeus Baklinski - Notícias pro Família

Um estudo preocupante conduzido por médicos belgas e registrado na revista médica “Patologia Cardiopulmonar Aplicada” envolveu o assassinato de pacientes por meio da eutanásia num quarto próximo à sala de operações do hospital, e então transportando os pacientes para essa sala e removendo-lhes os órgãos imediatamente depois de serem pronunciados como mortos.

O estudo revelou que os pulmões daqueles que morrem por eutanásia são mais adequados para cirurgias de transplantes do que pulmões tomados de vítimas de acidentes.

Dirk Van Raemdonck do Departamento de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Gasthuisberg, e o líder do estudo intitulado “Experiência Inicial com Transplante de Pulmões Aproveitados de Doadores após uma Eutanásia”, compararam os resultados de transplantes de pulmões de doadores que morreram de trauma, ferimentos de cabeça tipicamente graves, ao uso de pulmões de doadores após eutanásia entre os anos de 2007 e 2009.

De acordo com o relatório, de cada quatro pacientes, três que receberam pulmões de pacientes eutanasiados foram liberados do hospital depois de 33 dias “com excelente função do órgão transplantado e bom resultado para o paciente que recebeu”, embora “um paciente que recebeu tivesse morrido na UTI devido a um problema sem relação com o órgão transplantado”.

O relatório comenta: “Todos os doadores expressaram seu desejo de doar órgãos logo que seu pedido de eutanásia fosse concedido conforme as leis da Bélgica. Todos os doadores sofriam de uma moléstia não maligna insuportável”.O relatório diz que os doadores eutanasiados incluíam uma pessoa com uma “moléstia mental insuportável”, enquanto os outros três sofriam de “uma doença benigna debilitante tal como desordem neurológica ou muscular”.O procedimento envolvia internar os doadores no hospital durante algumas horas antes do planejado procedimento de eutanásia. Eles eram mortos num quarto ao lado da sala de operações. Seus pulmões eram removidos imediatamente depois que eram pronunciados como mortos.“Um cateter venoso central era colocado num quarto adjacente à sala de operação”, disse Dr. Van Raemdonck no relatório.“Os doadores eram heparinizados (recebiam injeções com a heparina anticoagulante) imediatamente antes que um coquetel de drogas fosse dado pelo médico atendente que concordava com a realização da eutanásia.

Anunciava-se que o paciente havia morrido pelo critério cardiorrespiratório por três médicos independentes conforme a lei belga exige para todos os que doam órgãos. O morto era então rapidamente transferido, colocado na mesa de operação e ligado a tubos”.

O relatório declarou que doadores eutanasiados perfaziam 23,5% de todos os doadores de pulmão que haviam tido morte cardíaca na Bélgica.O Dr. Peter Saunders de Care Not Killing (Dê Assistência Sem Matar), uma aliança com sede na Inglaterra de organizações de direitos humanos e direitos de deficientes físicos, grupos de assistência médica e paliativa e organizações religiosas opostas à eutanásia, disse que ficou chocado com a indiferença casual do relatório.

“Fiquei estupefato com o sangue frio com que a questão estava sendo tratada, como se matar pacientes e então remover seus órgãos fosse a coisa mais natural do mundo”,

conforme declaração dele citada no jornal The Telegraph.

Aliás, a descrição no relatório acerca do processo usado para retirar órgãos é particularmente de dar arrepio e mostra o grau de colaboração que é necessário entre a equipe de eutanásia e os cirurgiões de transplante — preparando os pacientes no quarto ao lado da sala de operações, matando-os e então transportando-os para a sala de operações para lhes retirar os órgãos.

Esse é um trabalho diário na moderna Bélgica sem ética.“Considerando que metade de todos os casos de eutanásia na Bélgica são involuntários, é só uma questão de tempo para que os órgãos sejam tirados dos pacientes que forem submetidos à eutanásia sem seu consentimento. Os médicos ali agora fazem coisas que a maioria dos médicos em outros países acharia absolutamente horríveis”, indicou o Dr. Saunders.Ana Iltis, diretora do Centro para Sociedade e Saúde Bioética da Universidade de Wake Forest na Carolina do Norte, comentou para Fox News: “Quando aceitamos que os médicos vão matar pacientes, parece lógico que eles removam esses órgãos para transplante. As pessoas tendem a responder com um ‘Que nojo’, mas essa resposta deveria ser dada na questão da eutanásia”.Iltis se referiu a um relatório de 2010 da Associação Médica do Canadá (AMC) que revelou a extensão da eutanásia sem um pedido explícito do paciente que ocorre na Bélgica.

A AMC revelou que 20 por cento das enfermeiras belgas entrevistadas pelos pesquisadores haviam estado envolvidas na eutanásia de um paciente, mas também relatou que aproximadamente metade delas — 120 de 248 — confessou que haviam participado em “procedimentos de eutanásia sem pedido ou consentimento”.“Tente imaginar os casos. Talvez a família do paciente tenha pedido, mas a lei, conforme a entendo, exige que o paciente faça um pedido explícito”, disse Iltis.

Alex Schadenberg, diretor da Coalizão de Prevenção à Eutanásia do Canadá, disse para LifeSiteNews que a eutanásia e o suicídio assistido estão sendo apresentados para a sociedade como uma solução médica mágica que acaba com todo o sofrimento, e agora estão sendo promovidos como um modo altruísta de beneficiar outros com nossas mortes.“As pessoas serão consideradas egoístas e ficarão isoladas — por não morrerem de eutanásia ou suicídio assistido porque estarão custando à sociedade muito dinheiro ao prosseguirem suas vida em doença até uma morte natural — ou porque estarão negando órgãos frescos e saudáveis para outros em necessidade”, observou Schadenberg.

“Os órgãos são saudáveis porque a pessoa que os doa muitas vezes não tem nenhuma enfermidade terminal, mas em vez disso tem medo de viver uma enfermidade terminal.

Continuaremos a escutar a propaganda de que tudo isso é sobre a liberdade de escolher. Mas isso é escolha de quem? Escolha é a ilusão; isso tudo tem a ver com a imposição da morte”,

declarou Schadenberg.

Um resumo do estudo em inglês “Experiência Inicial com Transplante de Pulmões Aproveitados de Doadores após uma Eutanásia” está disponível aqui.

* Russia: A cultura da morte, cedo ou tarde,”cobra” seu preço.

quarta-feira, março 9th, 2011

A população da Rússia sofre alarmante declínio demográfico, após o reinado absoluto da “cultura da morte” no período soviético. Documento da prestigiada agência de qualificação financeira S&P prevê ruinosos problemas econômicos para a Rússia em virtude do envelhecimento da população, noticiou a AFP.

“Segundo nossas previsões a população vai cair a 116 milhões em 2050, contra 140 milhões em 2010”, escreveu relatório da S&P. A queda será mais sensível na população ativa, que vai descer de 72,1% da população total a 60,4%.

O relatório que só considera os aspetos econômicos prevê um endividamento monstruoso do Estado russo pela explosão do número dos aposentados e anciãos sem família.

Nesse horizonte o Estado russo enfrentará o pior dos cenários econômicos com dividas gigantescas e um crescimento econômico que equivale a uma involução, empobrecimento e miserabilização da população.

Somente em 2010, a Rússia perdeu 241.000 habitantes.

É para horizontes inimaginados desse gênero que nos leva a “cultura da morte” drapeada com enganosos “Direitos Humanos”.

* Papa a Bispos Brasileiros: “Quando os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas”.

quinta-feira, outubro 28th, 2010

Fonte: Jornal Gazeta do povo

O Papa Bento XVI disse hoje, a bispos brasileiros, no Vaticano, que é papel da Igreja emitir juízo moral em questões políticas quando isso for importante para defender os direitos fundamentais da pessoa.

No discurso, ao qual a reportagem da Gazeta do Povo teve acesso com exclusividade, o Pontífice afirmou que os padres devem se posicionar quando estiverem em discussão temas como aborto e a eutanásia (a abreviação da vida de doentes terminais).

Embora não fale diretamente sobre o processo eleitoral brasileiro, o pronunciamento, feito a três dias do segundo turno presidencial, pode ser visto como um aval à postura de religiosos que criticaram candidatos e programas de governo pró-aborto – caso, por exemplo, do bispo de Guarulhos, dom Luiz Gonzaga Bergonzini, que teve um artigo sobre o tema retirado do site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O pronunciamento do Papa foi feito nesta manhã aos integrantes da regional do Maranhão (Regional Nordeste 5) da CNBB, que fazem visita oficial ao Vaticano nesta semana. De acordo com a regra da Igreja Católica, todos os bispos precisam se reunir com o Papa a cada cinco anos.

O discurso do Papa afirma que, em princípio, o dever de construir uma sociedade mais justa por meio da política não cabe aos sacerdotes. No entanto, diz que há temas em que os bispos e os padres podem e devem se posicionar politicamente. É o caso da defesa da vida, por exemplo.

Para ilustrar seu ponto de vista, Bento XVI usou um trecho de um dos principais documentos do Concílio Vaticano II, de 1963 – a constituição apostólica Gaudium et Spes, que fala sobre a Igreja no mundo atual. De acordo com o texto, a Igreja, “em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado”. Porém, deve ter direito a sempre “pronunciar o seu juízo moral mesmo acerca das realidades políticas, sempre que os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem”.

O texto do Papa afirma, sem citar nomes ou partidos, que projetos políticos que pregam a descriminalização do aborto ou da eutanásia traem o ideal democrático. E diz que seria ilusório afirmar que essas práticas seriam validadas em função de qualquer defesa de direitos humanos – em contraposição à tese de que o aborto é um direito da mulher decidir sobre seu próprio corpo.

Bento XVI também reforçou a defesa da educação religiosa e do ensino confessional e plural da religião na escola pública brasileira – algo que é combatido por uma linha política que diz que o Estado deve ser laico (sem religião). Novamente, o texto cita um documento da Igreja: neste caso, a encíclica Caritas in Veritate, do próprio Bento XVI. “A religião cristã e as outras religiões só podem dar o seu contributo para o desenvolvimento, se Deus encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões cultural, social, econômica e particularmente política”, diz um trecho da encíclica.

Finalmente, o Papa defendeu ainda a existência de símbolos religiosos em prédios públicos, afirmando que eles são uma lembrança da transcendência do homem. Bento XVI dirá ainda que isso faz sentido especialmente no Brasil, país de tradição católica que tem como um de seus principais símbolos a estátua do Cristo Redentor.

Embora o discurso do Papa não faça referência a partidos ou candidatos, o texto condena práticas que chegaram a ser defendidas pelo governo federal brasileiro e por setores do PT. No ano passado, o governo Lula lançou o 3.º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) – que, em sua primeira versão, previa a descriminalização do aborto e a proibição da ostentação de símbolos religiosos em espaços públicos da União. Depois de uma forte polêmica, esses trechos do PNDH foram retirados do plano.

Confira a íntegra do discurso do Papa Bento XVI:

“Amados Irmãos no Episcopado,

«Para vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (2 Cor 1, 2). Desejo antes de mais nada agradecer a Deus pelo vosso zelo e dedicação a Cristo e à sua Igreja que cresce no Regional Nordeste 5 [cinco]. Nos nossos encontros, pude ouvir, de viva voz, alguns dos problemas de caráter religioso e pastoral, além de humano e social, com que deveis medir-vos diariamente. O quadro geral tem as suas sombras, mas tem também sinais de esperança, como Dom Xavier Gilles acaba de referir na saudação que me dirigiu, dando livre curso aos sentimentos de todos vós e do vosso povo.

Como sabeis, nos sucessivos encontros com os diversos Regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tenho sublinhado diferentes âmbitos e respectivos agentes do multiforme serviço evangelizador e pastoral da Igreja na vossa grande Nação; hoje, gostaria de falar-vos de como a Igreja, na sua missão de fecundar e fermentar a sociedade humana com o Evangelho, ensina ao homem a sua dignidade de filho de Deus e a sua vocação à união com todos os homens, das quais decorrem as exigências da justiça e da paz social, conforme à sabedoria divina.

Entretanto, o dever imediato de trabalhar por uma ordem social justa é próprio dos fiéis leigos, que, como cidadãos livres e responsáveis, se empenham em contribuir para a reta configuração da vida social, no respeito da sua legítima autonomia e da ordem moral natural (cf. Deus caritas est, 29). O vosso dever como Bispos junto com o vosso clero é mediato, enquanto vos compete contribuir para a purificação da razão e o despertar das forças morais necessárias para a construção de uma sociedade justa e fraterna. Quando, porém, os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas o exigirem, os pastores têm o grave dever de emitir um juízo moral, mesmo em matérias políticas (cf. GS, 76).

Ao formular esses juízos, os pastores devem levar em conta o valor absoluto daqueles preceitos morais negativos que declaram moralmente inaceitável a escolha de uma determinada ação intrinsecamente incompatível com a dignidade da pessoa; tal escolha não pode ser resgatada pela bondade de qualquer fim, intenção, conseqüência ou circunstância. Portanto, seria totalmente falsa e ilusória qualquer defesa dos direitos humanos políticos, econômicos e sociais que não compreendesse a enérgica defesa do direito à vida desde a concepção até à morte natural (cf. Christifideles laici, 38). Além disso no quadro do empenho pelos mais fracos e os mais indefesos, quem é mais inerme que um nascituro ou um doente em estado vegetativo ou terminal? Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático – que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade de toda a pessoa humana – é atraiçoado nas suas bases (cf. Evangelium vita, 74). Portanto, caros Irmãos no episcopado, ao defender a vida não devemos temer a oposição e a impopularidade, recusando qualquer compromisso e ambigüidade que nos conformem com a mentalidade deste mundo» (ibidem, 82).

Além disso, para melhor ajudar os leigos a viverem o seu empenho cristão e sócio-político de um modo unitário e coerente, é «necessária — como vos disse em Aparecida — uma catequese social e uma adequada formação na doutrina social da Igreja, sendo muito útil para isso o “Compêndio da Doutrina Social da Igreja”» (Discurso inaugural da V conferência Geral do Episcopado Latino Americano e do Caribe, 3). Isto significa também que em determinadas ocasiões, os pastores devem mesmo lembrar a todos os cidadãos o direito, que é também um dever, de usar livremente o próprio voto para a promoção do bem comum (cf. GS, 75).

Neste ponto, política e fé se tocam. A fé tem, sem dúvida, a sua natureza específica de encontro com o Deus vivo que abre novos horizontes muito para além do âmbito próprio da razão. «Com efeito, sem a correção oferecida pela religião até a razão pode tornar-se vítima de ambigüidades, como acontece quando ela é manipulada pela ideologia, ou então aplicada de uma maneira parcial, sem ter em consideração plenamente a dignidade da pessoa humana» (Viagem Apostólica ao Reino Unido, Encontro com as autoridades civis, 17-IX-2010).

Só respeitando, promovendo e ensinando incansavelmente a natureza transcendente da pessoa humana é que uma sociedade pode ser construída. Assim, Deus deve «encontrar lugar também na esfera pública, nomeadamente nas dimensões 
cultural, social, econômica e particularmente política» (Caritas in veritate, 56). Por isso, amados Irmãos, uno a minha voz à vossa num vivo apelo a favor da educação religiosa, e mais concretamente do ensino confessional e plural da religião, na escola pública do Estado.

Queria ainda recordar que a presença de símbolos religiosos na vida pública é ao mesmo tempo lembrança da transcendência do homem e garantia do seu respeito. Eles têm um valor particular, no caso do Brasil, em que a religião católica é parte integral da sua história. Como não pensar neste momento na imagem de Jesus Cristo com os braços estendidos sobre a baia da Guanabara que representa a hospitalidade e o amor com que o Brasil sempre soube abrir seus braços a homens e mulheres perseguidos e necessitados provenientes de todo o mundo? Foi nessa presença de Jesus na vida brasileira, que eles se integraram harmonicamente na sociedade, contribuindo ao enriquecimento da cultura, ao crescimento econômico e ao espírito de solidariedade e liberdade.

Amados Irmãos, confio à Mãe de Deus e nossa, invocada no Brasil sob o título de Nossa Senhora Aparecida, estes anseios da Igreja Católica na Terra de Santa Cruz e de todos os homens de boa vontade em defesa dos valores da vida humana e da sua transcendência, junto com as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens e mulheres da província eclesiástica do Maranhão. A todos coloco sob a Sua materna proteção, e a vós e ao vosso povo concedo a minha Benção Apostólica.

* Políticos que votam a favor do aborto podem comungar?

sábado, outubro 23rd, 2010

Carta ao Bispos dos EUA, da Congregação para a Doutrina da Fé, Vaticano:

Fazer campanha e votar sistematicamente por leis permissivas de aborto e eutanásia impede um político de receber a sagrada comunhão

“Nem todos os assuntos morais têm o mesmo peso moral que o aborto e a eutanásia. Por exemplo, se um católico discordasse com o Santo Padre sobre a aplicação da pena de morte ou na decisão de fazer a guerra, este não seria considerado por esta razão indigno de apresentar-se a receber a Sagrada Comunhão.

“Embora a Igreja exorte as autoridades civis a procurar a paz, e não a guerra, e a exercer discrição e misericórdia ao castigar criminosos, ainda seria lícito tomar as armas para repelir a um agressor ou recorrer à pena capital.

Pode haver uma legítima diversidade de opinião entre católicos a respeito de ir à guerra e aplicar a pena de morte, mas não, entretanto, em relação ao aborto e a eutanásia”.

“Em relação ao grave pecado do aborto ou a eutanásia, quando a cooperação formal de uma pessoa é manifesta (entendida, no caso de um político católico, como fazer campanha e votar sistematicamente por leis permissivas de aborto e eutanásia), seu pároco deveria reunir-se com ele, instrui-lo em relação os ensinamentos da Igreja, informando-lhe que não deve apresentar-se à Sagrada Comunhão até que termine com a situação objetiva de pecado, e lhe advertindo que de outra maneira lhe será negada a Eucaristia”.

Carta aos Bispos dos EUA. Julho de 2004.
Fonte: http://www.acidigital.com/bentoxvi/pensamentos.htm

* Ozzy Osbourne encontra “fonte de inspiração” em caso de eutanásia no Canadá.

segunda-feira, junho 28th, 2010

Peter J. Smith

A música do roqueiro heavy-metal britânico Ozzy Osbourne encontrou nova inspiração em Robert Latimer, um canadense condenado pelo assassinato de sua filha deficiente. A música será apresentada de forma proeminente num novo álbum intitulado “Scream” (Grito).A música, “Latimer’s Mercy” (A misericórdia de Latimer), será apresentada junto com tais trilhas sonoras de prazer na morte como “Let it Die” (Deixe morrer) e “Let Me Hear You Scream and Crucify” (Deixe-me ouvir você gritar e crucificar).

De acordo com o Serviço Noticioso CanWest, Osbourne queria descrever o que ele pensou que deve ter passado pela mente de Latimer em 1993 quando Latimer matou por envenenamento sua filha Tracy, que tinha 13 anos e sofria de paralisia cerebral, numa garagem cheia de monóxido de carbono vindo de um motor de caminhão.

Latimer foi condenado por assassinato em 1994 e de novo em 1997, mas só cumpriu sete anos de uma sentença de dez anos.“Matar o próprio filho é uma grande decisão. Não vai ser eu quem vai dizer, ‘Você está errado, você não deveria fazer isso’, ou ‘Você fez a coisa certa’”. Osbourne disse para um jornalista da CanWest durante uma entrevista coletiva.“Sou moderado”, acrescentou ele. “Questiono a mim mesmo, pensando ‘Como eu lidaria com isso?’ É uma grande decisão para se fazer”.

Quando Osbourne revelou seus pensamentos sobre Latimer para os jornalistas durante uma entrevista coletiva em Toronto, ele disse que deve ser difícil para qualquer um agüentar “uma filha que está toda arrebentada, ela não tem nenhuma qualidade de vida… vendo-a passar por sofrimento e agonia”.

Quaisquer que sejam as intenções de Latimer conforme foram fantasiadas pelo roqueiro, o sistema de justiça canadense condenou o fazendeiro de Saskatchewan por assassinato de segundo grau, quando ele privou Tracy Latimer de sua vida. Latimer, que nunca expressou remorso pelo assassinato, sustentou que agiu “por amor” que não lhe deixou nenhuma escolha, a não ser matar sua filha.

Ele ficou famoso entre os ativistas de eutanásia que se envolveram numa campanha nos meios de comunicação para pintá-lo como uma vítima de um injusto sistema legal.

A letra forte de Osbourne também parece avançar a imagem do “amor” de Latimer como o motivo louvável para o assassinato de sua filha: “O sol brilha neste novo luto mortal/Os sinos da igreja tocam um aviso de manhã/Seus olhos brilham quando ligo o motor/As lágrimas caem quando a misericórdia chega mais perto”.A música continua: “Outro dia e outro ataque total/Outra pílula, você decai cada vez mais/Outro corte feito pelo cirurgião açougueiro/É só um jeito de prolongar a tortura”. E de novo: “Não direi que sei o que estou fazendo/Não direi que lamento/Não posso trazer você de volta, mas não posso deixar você sem ajuda/Farei o sofrimento descansar em paz”.

Líderes pró-vida argumentam que o interesse de Latimer era obter alívio de suas próprias dificuldades com a deficiência de sua filha.

Quando a morte de Tracy foi descoberta, Robert Latimer primeiramente contou para a polícia que ela tinha morrido dormindo. Mas ele confessou mais tarde, depois que a polícia havia realizado uma autópsia, que ele havia assassinado sua filha colocando-a na cabine de seu caminhão e conectando uma mangueira no cano de escapamento do caminhão. Ele também confessou ter considerado outros métodos de assassinar sua filha, inclusive dar-lhe uma overdose de tranqüilizantes e “atirar na cabeça dela”.“Latimer’s Mercy” é a décima faixa do álbum “Scream”, que estará disponível em 22 de junho.

A famosa promoção que Osbourne faz do suicídio como uma ação moralmente digna de elogio na música “Suicide Solution” (Solução Suicídio) foi acusada de incitar a morte, em 1985, do adolescente John McCollum da Califórnia.McCollum sofria de depressão clínica e seus pais alegaram que ele se matou depois de ouvir as palavras “Onde se esconder, o suicídio é a única saída. Você não sabe o que isso significa?”Outro jovem, Michael Waller, filho de um pastor da Geórgia, também se matou com um tiro cinco anos depois, e seus pais disseram que ele havia ouvido “Suicide Solution” também. As ações contra Osbourne em tribunais civis foram decididas em favor do roqueiro.

Original em inglês: http://www.lifesite.net/ldn/viewonsite.html?articleid=10052806

* Espanha em baixa: menos casamentos, menos crianças.

domingo, junho 27th, 2010
Associações familiares insistem na necessidade de medidas urgentes
No ano de 2009 houve uma queda de 10% no número de casamentos e 5% no número de nascimentos de crianças na Espanha, segundo dados publicados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). As associações pela família pedem ao atual Governo uma virada nesse quadro, antes que seja tarde.Após dez anos de ligeiro aumento nas taxas de natalidade (ainda sem superar de forma alguma a taxa de reposição de gerações), no ano de 2009 os nascimentos voltaram a cair, segundo os dados publicados pelo INE na terça-feira.

Segundo o INE, esse declínio “foi resultado do efeito combinado de uma redução progressiva do número de mulheres em idade fértil e de uma menor fecundidade”, mesmo entre os imigrantes (6% menos de nascimentos).

A taxa de nascimentos de 2009 se situa em 1,4 crianças nascidas por mulher fértil, com um total de 10,72 nascimentos por cada mil habitantes, dos quais um de cada cinco são filhos de imigrantes.

Contudo, o Instituto de Política Familiar, entidade privada de pesquisa presidida por Eduardo Hertfelder, adverte que estes dados são mais preocupantes que os publicados pelo Governo: o número de abortos cirúrgicos realizados no ano passado (sem contar os químicos, ou seja, os provocados pela pílula) não diminuiu.

Ainda que o Ministério da Saúde mostre os números oficiais de abortos com meses de atraso, o IPF afirma que, segundo suas próprias estatísticas, o número de abortos na Espanha, no melhor dos casos, se manteve em 2009.

Segundo os dados do IPF, “2009 fechou com um número de abortos muito similar aos que foram realizados em 2008”, ou seja, “em torno de 116 mil, que, somados aos 492.931 nascimentos, significa que o ano passado houve na Espanha 508.743 mulheres grávidas”.

“Isto implica que 19% das gestações, aproximadamente uma de cada cinco, acabaram em um aborto cirúrgico. Um sangramento inaceitável em uma sociedade com claro déficit de natalidade que seria completamente insustentável sem os nascimentos de mães estrangeiras”.

Irresponsabilidade

O mais grave desses dados, destaca o IPF, “é que tudo isso acontece sem a ‘reforma Aído’ (a nova lei do aborto, que passa de considerá-lo um delito descriminalizado a um direito reprodutivo) que entrará em vigor no próximo 5 de julho”.

Quando a nova lei entrar em vigor, o “número de abortos disparará”. Previsões do IPF calculam que em 2015 será alcançado os 150 mil abortos anuais, acima da França ou do Reino Unido”.

Para o IPF, é “surpreendente” o “empenho do Governo em incentivar o aborto até convertê-lo com a nova lei em um direito da mulher que se situa acima e contra a doutrina do Tribunal Constitucional e acima do direito à vida da criança não nascida”.

De fato, mais de 60 associações espanholas pró-vida convocaram uma manifestação diante do Tribunal Constitucional, para exigir que se resolva o quanto antes o recurso de inconstitucionalidade apresentado pela oposição (Partido Popular) contra a lei.

Este protesto está convocado pelo Fórum Espanhol da Família, cujo presidente, Benigno Blanco, pede ao Governo que “reaja a tempo e reverta a nova lei do aborto”. Para o Fórum, “o razoável na Espanha seria implantar políticas ativas de apoio à família e à natalidade, e não mais de aborto”.

Menos casamentos

Outro dos dados preocupantes apresentados pelo INE na última terça-feira foi o forte declínio do número de casamentos, um dado que seria muito pior se não fosse a presença dos imigrantes.

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, dos quase 37 mil casamentos celebrados em 2009, em 21,3% do total, um dos cônjuges era estrangeiro, enquanto que em 21,1% dos casos ambos cônjuges eram estrangeiros.

A única taxa de “casamento” que aumentou foram das pessoas do mesmo sexo, quase 3.500.

Para as associações, a única solução é: implementar “políticas ativas de apoio à família e à natalidade”.

A FEF adverte que os efeitos da falência da família já são evidentes na Espanha: “o desemprego feminino, com 18,4%, é o mais alto da Europa, que situa sua média em 9,6% segundo Eurostat”.

Mais ajudas

O Fórum da Família propõe ajudas reais e eficazes para as famílias e mulheres grávidas para alivar a queda de nascimentos, precisamente quando o Governo, em seu plano de cortes de orçamento, acaba de eliminar as poucas ajudas diretas que eram concedidas até agora às famílias: o chamado “cheque bebê” e a ajuda por filho às famílias com baixa renda.

Esta é também a reivindicação de outra importante associação, a Federação Espanhola de Famílias Numerosas (FEFN), que representa um milhão de famílias com três ou mais filhos.

Para a FEFN, a queda da natalidade é “a mostra evidente de que na Espanha a família não é atendida como merece, não está sendo dada a devida importância à natalidade e vamos começar a pagar, apesar de anos advertindo das consequências de ter uma população envelhecida”.

“Um declínio de natalidade é uma circunstância negativa em qualquer momento, mas muito mais em meio de uma crise econômica como a que está se vivendo, já que a economia, o emprego, vão demorar a se recuperar” afirmou a presidenta da FEFN, Eva Holgado, ao publicar os dados do INE.

* Eutanásia. Existem vidas e “vidas”?

sexta-feira, junho 25th, 2010
André Gonçalves Fernandes

Etimologicamente, eutanásia procede do grego (“eu” – bem, “thanatos” – morte) e significa morte sem sofrimento. Atualmente, é definida como uma operação voluntária para se propiciar uma morte por motivos de piedade: quer para se evitar sofrimentos fortes aos doentes, quer para se impedir um futuro doloroso a uma vida humana sem valor.

Numa visão panorâmica da história da humanidade, vários povos praticaram diversas formas de eutanásia. Platão, em “A República”, escreveu que “estabelecerás no Estado um disciplina e uma jurisprudência que se limite a cuidar dos cidadãos sãos de corpo e de alma, deixar-se-ão morrer aqueles que não sejam sãos de corpo”. Com exceções, como o juramento de Hipócrates (460 a.C.), base da deontologia médica, na Antiguidade, o respeito pela vida humana ainda engatinhava.

Com o advento do Cristianismo, renovou-se a mentalidade também neste aspecto, contudo, atualmente, vive-se um processo inverso. No segundo quarto do século XX, fundaram-se as primeiras organizações a favor da eutanásia. Por volta da década de 70, propagou-se a prática do “living will” (testamento biológico), uma declaração de última vontade, na qual o interessado manifestava que, no caso de padecimento de uma doença incurável e dolorosa, ele renunciaria a todos os meios terapêuticos extraordinários para o prolongamento de sua vida, em favor de uma “morte suave”.

Dentro de um processo de evolução das argumentações, muitas vezes defendidas por laureados pela Academia de Estocolmo, em prol do “homicídio por piedade”, não existe um marco objetivo e seguro que distancie a defesa deste tipo de morte da necessidade de eliminação de vidas “inúteis”, pois a premissa é igual: a negação do caráter sagrado de qualquer vida humana.

O nazismo foi um caso paradigmático das consequências da mentalidade eutanásica. Os programas de eutanásia não foram simples resultante da doutrina nazista, mas o ápice de um movimento intelectual iniciado nos anos vinte, com a publicação das obras do psiquiatra do Holocausto, Alfred Hoche, e do jurista do Holocausto, Karl Binding.

Ambos sustentavam a tese de que há seres humanos sem qualquer valor vital e preconizavam a eliminação pura e simples dos incuráveis, ressaltando os benefícios financeiros daí decorrentes, diante da carga econômica que tais pessoas representavam. Não admira que as atrocidades nazistas, maquinadas pelos pensadores do regime, tiveram seu pedestal teórico nas obras daqueles que especularam sobre a vida sem qualquer valor vital.

A primeira aplicação da aludida tese veio com a lei para a prevenção de doenças hereditárias (1933), a justificar a esterilização obrigatória para a prevenção da imbecilidade, da loucura, da surdez, da cegueira e do alcoolismo. Foi o começo do assassinato em massa dos pacientes psiquiátricos, já que era mais barato matá-los a manter as casas de recuperação e hospitais de tratamento.

Muitos médicos alemães daquela época foram influenciados por argumentos utilitaristas, que rejeitavam qualquer vetor ético que impusesse valores absolutos como o da vida humana. Aceitavam a doutrina sociológica de que o controle da vida é função indelegável da sociedade, a qual deve julgar e atuar com base em critérios estritamente materialistas, como a explosão demográfica e as necessidades sócio-econômicas de um povo.

Assim, tudo começou com o endosso da premissa da teoria eutanásica: existem vidas dignas de serem vividas e outras não. O que se referia, no início, aos doentes crônicos, ampliou-se para os socialmente improdutivos, os ideologicamente não alinhados, os indesejados racialmente e, ao cabo, atingiu todos os não alemães. Eis a lógica macabra da eutanásia.

* Andrea Bocelli: Minha mensagem não é apenas contra o aborto… mas a favor da vida.

sábado, junho 19th, 2010

Depois do êxito do vídeo no qual relata a história de como sua mãe desobedeceu aos conselhos médicos para acabar com sua vida porque detectaram uma deficiência física no ventre, o tenor Andrea Bocelli assinala que não quer que este seu testemunho seja considerado como “uma intervenção contra o aborto: com minhas convicções pessoais, de católico, não somente combato contra algo, combato por algo e estou a favor da vida”.

Em uma entrevista concedida ao jornalista Paolo Rodari do jornal Il Foglio da Itália, o tenor assinala que com o vídeo “quis ajudar, confortar as pessoas que se encontram em dificuldades e que em ocasiões só necessitam sentir que não estão abandonadas: a força da vida é perturbadora, mas é necessário ficar à escuta, abrir bem as orelhas” para acolhê-la.

Bocelli assinala logo, antes de contar como filmou o vídeo, que chamou muito a sua atenção o fato de que começaram a chegar ligações de todo o mundo, mais que o usual: “disse essas coisas há um ano e meio em uma vídeo-mensagem para o Padre Richard Frechette (padre Rick), um missionário que trabalha para os meninos do Haiti e mereceria, ele só, um livro inteiro: fiz um concerto, para ajudá-lo a construir a Casa dos Anjos e me pediu dizer umas palavras de esperança para as mães em dificuldades e escolhi contar a história do meu nascimento”.

“Eu o fiz contando a experiência pessoal da minha mãe sem sequer pedir permissão a ela, mas ela não me censurou, e eu tampouco estava preparado para todo este clamor que foi gerado com efeito retardado”, acrescenta no telefone enquanto esperava com sua familia o início do primeiro jogo da seleção italiana de futebol que empatou com o Paraguai em 1 a 1.

Na entrevista, Bocelli também relata como desde pequeno e quando jovem “era muito inquieto, bastante inconsciente: amava a velocidade” e que sentiu a música desde muito pequeno: “minha mãe me conta que eu chorava assim que escutava uma melodia, inclusive através da parede do quarto do hospital, girava em direção ao som e escutava encantado”.

* Você é cristão e curte Lady Gaga? Consegue?

sexta-feira, junho 11th, 2010
Pedro Ravazzano
No seu novo clipe “Alejandro” a nova estrela da cultura pop encarna toda a bestialidade da bandeira que representa com tanta maestria; cenários horripilantes, cenas eróticas, profanação da cruz e de símbolos religiosos em doses dignas de um ritual satânico.

Não obstante, gostaria de frisar que, diferentemente do que muitos pensam, a tal Lady não segue a linha de Madonna, me parece muito mais próxima ao estilo do grotesco Marylin Manson, conhecido pela sua androgenia, posições abertamente imorais, culto ao bizarro.

A atmosfera sombria do clipe é extremamente assustadora. Contando com alusões à morte, sadomasoquismo e dominação, a música, como disse a cantora, foi feita em homenagem aos gays e às mulheres que se apaixonam por eles (sic!!). Os soldados efeminados oprimidos são as vítimas da cultura machista e repressiva. Tudo pensado por aquela que é considerada o “novo fenômeno do pop”, a “nova cara da década”.

O que mais me impressiona na sua estética é o grotesco, o ambiente sombrio, bestial, decante, exalando erotismo sexual e putrefação moral. Lady Gaga aparecer engolindo um terço ou usando uma cruz invertida de forma sacrílega é consequência de algo muito maior, algo este que pode ser percebido em toda a contextualização musical e estética usada. A cantora sintetiza o espírito do mundo atual, a sua pequenez, irracionalidade, incapacidade de refletir e de discernir, a cultura de morte no seu sentido mais fidedigno e profundo.

A música de Lady Gaga, com toda a sua pobreza poética e excesso de compassos e ritmos, é sinal da mediocridade do homem moderno; um homem norteado pelas paixões, subjugado pela ignorância invencível, uma carcaça morta incapaz de raciocinar verdadeiramente.

Não me espanta que em pleno séc. XXI  faça sucesso – estranho seria que o Santo Padre fosse aplaudido ao condenar o aborto, por exemplo. O espanto é saber que católicos e homens de reta intenção se deixam levar por toda essa experiência sensual que carrega no seu âmago um claro projeto revolucionário.

Lady Gaga não esconde que defende a cultura gay. Faço questão de frisar o termo “cultura” já que, infelizmente, os militantes homossexuais forjaram um estilo de vida próprio que, através de ferramentas variadas – em especial a música, filmes e novelas – foi divulgado e imposto como o estilo ordinário de qualquer ser humano na face da terra.

Destarte, a globalização transporta em sua essência a crise da Civilização Ocidental a todos os cantos, assim, tanto um jovem americano, quanto um brasileiro da favela, como um rico japonês cibernético ou então um marroquino de Casablanca se vestem, se comportam, ouvem e apreciam quase as mesmas coisas, seguindo o mesmo padrão.

Se não tomarmos uma atitude concreta, eficaz e profunda veremos os nossos filhos e netos crescendo numa sociedade onde a excessão será ser homem e mulher!

* Promotores do aborto e da anticoncepção se reúnem para impulsionar agenda anti-vida.

quarta-feira, junho 2nd, 2010

Representantes de organismos internacionais e ONGs se reuniram em Lima, capital do Peru com os Ministros de Saúde e da Mulher deste país durante a chamada “Conferência de Mulheres Líderes: Pela vida das Mulheres”, uma entrevista organizada pelo Grupo de Trabalho Regional para a Redução da Mortalidade Materna (GTR) que insiste em promover o aborto e a anticoncepção da região.

Enquanto os organizadores anunciaram que o objetivo principal da entrevista é “posicionar a saúde materna como prioridade política regional” e combater a mortalidade materna, o diretor para a América Latina do Population Research Institute, Carlos Pólo, explicou que o GTR só repete fórmulas fracassadas.

“O GTR não é outra coisa que uma cara mais do mesmo grupo de organizações internacionais que levam 40 anos promovendo os anticoncepcionais na América Latina. O UNFPA, Population Council, a OPS e demais sócios nos disseram que o acesso massivo aos métodos anticoncepcionais ia eliminar as gravidezes adolescentes, os filhos fora do matrimônio e os abortos clandestinos. Eles vêm repetindo desde a década de 70 que seu modelo nos levaria à estabilidade matrimonial e familiar, a eliminar os lares pobres e em geral ao desenvolvimento da América Latina. E nada disso aconteceu senão justamente o contrário”, sustenta Pólo.

Segundo o analista, o GTR “postula que esta mesma receita fracassada de anticoncepção e aborto diminuirá a morte materna” e isso implica “ignorar completamente as causas atuais de mortalidade materna na América Latina, onde quase 80% das mortes maternas ocorrem pelas condições deficientes de atenção do parto que provocam hemorragias e infecções”.

Do mesmo modo, assinalou que estas entrevistas ignoram “como os países desenvolvidos diminuíram a mortalidade materna. Por exemplo os Estados Unidos levou as taxas de mortalidade materna a níveis mínimos na década de 60´s simplesmente por melhorar as condições do parto. Nem existiam as pílulas anticoncepcionais nem se legalizou o aborto”.

“A receita que funcionou historicamente é o treinamento ao pessoal de saúde e equipamento de instalações para atender as mulheres antes e depois do parto, antibióticos, transfusões de sangue, etc. O GTR pretende hoje falar de saúde materna mas despacha as mulheres com sua caixa de pílulas ou preservativos“, concluiu.

ACI

* Protestantes dos EUA: da contracepção à conversão.

sexta-feira, maio 21st, 2010

Depois de alguns anos de uma guinada “liberal”, os protestantes dos EUA relêem os fatos à luz do Evangelho e dão razão à Humanae Vitae: Paulo VI tinha razão!

Uma Encíclica Profética

É normal que as profecias provoquem divisões, pois levam a uma tomada de posições diante da vontade de Deus. Mais ainda, quando o assunto é tão concreto como a pílula e a contracepção.

Já em 1930, as Igrejas cristãs dos EUA tinham sido postas diante de uma grave questão: Se os filhos, segundo a Bíblia, são sempre uma bênção, seria moralmente aceitável impedir a sua concepção de modo artificial? E veio a resposta, em coro uníssono: Não!

O tempo passou, Vieram os “anos 60″. Em 1965, a Suprema Corte norte-americana autorizava a venda de contraceptivos. A mesma corte que legalizaria o aborto em 1975.

Kimberly Hahn, ao se casar, teve de tomar decisões a respeito do “método a utilizar”: “O meu pai, um pastor presbiteriano, aprovou a nossa escolha da pílula”. Juntamente com o seu jovem esposo, Kimberly seguiu cursos de teologia protestante e, para sua surpresa, descobriu que, em 1930, todas as Igrejas eram unânimes em condenar a contracepção. Foi questão de tempo abandonar a pílula e…ser recebida na Igreja Católica. Hoje ela é mãe feliz de quatro filhos.

Quem trata do assunto é a jornalista Armelle Signargout, do jornal “L’Homme Nouveau” . Mostra-se admirada diante da cruzada empreendida por Michael McManus (nome irlandês, mas de religião protestante) que deixou o catolicismo em 1963, exactamente “por causa da posição da Igreja quanto à contracepção”. Ele acreditava que a pílula teria a solução para a pobreza generalizada das famílias do 3º mundo. Hoje, McManus dirige o “Mariage Savers”, movimento por ele fundado, ajudando casais a “aguentar firmes” diante da pressão contra a vida matrimonial.

Paulo VI Tinha Razão

As predições de Paulo VI, ainda em 1968, quando não se tinha uma “história médica” da pílula nem uma visão dos seus efeitos sobre o casamento, a natalidade e a sociedade como um todo, vieram a concretizar-se. Nos EUA, após os anos sessenta, os divórcios triplicaram, os nascimentos ilegítimos quintuplicaram, a coabitação decuplicou!

E a Igreja Católica não é a única a estabelecer as relações de causa e efeito. Alan Carlson, historiador luterano, afirma: “O mais importante evento religioso do século XX terá sido a Humanae Vitae”. Vale a pena lembrar o calvário sofrido por Paulo VI, incluindo rebeldia, críticas e oposições e queda de popularidade dentro do próprio episcopado católico, ao publicar a encíclica que reafirmava como inaceitáveis para os católicos os métodos contraceptivos artificiais.

Comenta Armelle Signargout: “Para a maior parte dos protestantes, uma observação como a de McManus cheira a obsessão papista. Do ponto de vista deles, o ensinamento da Igreja Católica sobre o tema permaneceu invariável por dois motivos:

(1) Não sendo casado, o Papa não sabe de que está a falar;

(2) Os católicos têm interesse em tornar-se os mais numerosos que puderem”.

Mas Michael McManus quer ser sincero, como o foi na época em que deixou a Igreja Católica. Hoje, convencido do seu erro, esse ex-episcopaliano tornado presbiteriano, elogia as vantagens da regulação natural dos nascimentos.

Quando se Aprofunda a História…

Segundo Signargout, “os protestantes americanos não param de descobrir outros fatos históricos significativos: uma lei apresentada pelo protestante Anthony Comstock foi votada em 1873, em Washington, para interditar a fabricação, a venda e a posse de meios contraceptivos. A Igreja Anglicana só cederia nesse assunto em 14 de Agosto de 1930, por ocasião da Assembleia de Lambert. Em Março de 1931, o Conselho Federal das Igrejas (protestantes) confirmava o “sinal verde” anglicano, embora admitisse que “um grande mal (o adultério – ênfase nossa) corria o risco de proliferar”.

No dia seguinte, no “The Washington Post”, podia-se ler: “Se as Igrejas devem tornar-se instrumentos da propaganda política e científica, seria mais honesto que elas rejeitassem a Bíblia e tratassem a Cristo como um mestre obsoleto”.

Em pleno ano 2000, um jornal “progressista” como o “The New York Times” detona a manchete: “O Papa tinha razão a respeito da regularização dos nascimentos: a contracepção provocou uma queda na moralidade”.

Fonte: Veritatis

* Governo Lula retrocede no aborto e na retirada dos símbolos religiosos. Ano eleitoral faz maravilhas!

quarta-feira, março 17th, 2010

O governo do Brasil retrocedeu e decidiu não promover a legalização do aborto, um dos pontos mais polêmicos de um programa sobre direitos humanos aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informou nessa terça-feira o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

O Plano de Direitos Humanos, autorizado em dezembro passado, orientava o Legislativo a elaborar leis para descriminalizar o aborto, regularizar as uniões civis entre homossexuais e as questões relacionadas à investigação das torturas cometidas durante a ditadura militar (1964-1985).

Vannuchi explicou à Agência Brasil que o governo desistiu do aborto e da tentativa de proibir a exibição de símbolos religiosos em prédios públicos, dois pontos polêmicos que foram duramente criticados pelo Episcopado. Além disso, será eliminada uma proposta que sugeria a realização de audiências prévias aos julgamentos de conflitos agrários entre fazendeiros e movimentos sociais, o que gerou protestos dos sindicatos dos produtores agrícolas.

O governo já havia modificado anteriormente a questão das torturas durante a ditadura e ordenou ampliar as investigações a todos os abusos aos direitos humanos cometidos na época, o que inclui os crimes cometidos pelos grupos extremistas de esquerda.

Fonte: Terra

***

O Voto e a mobilização do povo fazem milagres na vida e nas idéias dos politicos que precisam de votos para continuar existindo.

No entanto, não nos iludamos. Ano eleitoral gera “recuos estratégicos“. Perder agora, para “ganhar depois”.

Isso não muda nada. A semente está “reservada” para ser usada no futuro, caso as condições politicas estejam favoráveis e se a mentalidade de morte continuar a conduzir os processos politicos. Não tenho nem dúvida.

Cidadãos Cristãos Católicos: Olhos abertos!!

Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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Comentários
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    em * Cardeal de São Paulo, Dom Odilio
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