Artigo da ‘Deus’ Categoria

* Religião é componente genético, afirma autor.

domingo, agosto 29th, 2010

Fonte: Revista Galileu

Nicholas Wade, repórter especializado em ciência do New York Times, juntou religião e as ideias evolutivas de Darwin – duas coisas aparentemente opostas. Em seu livro: The Faith Instinct (O Instinto de Fé, sem edição no Brasil), defende que a religiosidade é um comportamento universal humano, presente em todas as sociedades, e provavelmente moldada pela seleção natural em milhares de anos. Para ele, todos nós temos um instinto religioso, que nos faz querer ter fé.

A relação do repórter com a religiosidade começou no Eton College, no condado inglês de Buckingham. Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VI, a escola manteve seu currículo quase intacto ao longo dos mais de 500 anos que separam sua fundação, em 1440, do ingresso de Nicholas Wade, durante o colegial. Devido à grade secular, ele aprendeu latim e grego, estudou diversas religiões e frequentava a igreja duas vezes ao dia, exceto aos domingos. “Eu acho que essa familiaridade com os hinos e com a liturgia da Igreja da Inglaterra me fez apreciar a religião e me ajudou a entender porque ela tem sido uma força tão poderosa ao longo da história”, diz Wade.

Em seu livro, ele reúne citações de antropólogos, sociólogos, economistas, historiadores, psicólogos, teólogos para mostrar ao mundo com quanto de fé se constrói um homem.

Nicholas Wade conversou conosco sobre seu livro – que é de ciência, segundo ele. “Enquanto a base genética para o comportamento religioso existir, as pessoas estarão inclinadas em relação à religião”, ele destaca.

Confira a entrevista

Seu livro é um livro religioso ou um livro de ciência?

Olho para a religião a partir da perspectiva da ciência e, mais especificamente, da teoria da evolução,Portanto, é um livro de ciência – um livro de ciência sobre a religião.

Há quanto tempo o homem é religioso?

Toda sociedade humana conhecida tem alguma forma de religião. Desde que a religião é como um comportamento distintivo, é altamente improvável que cada sociedade tenha desenvolvido sua religião de forma independente. Religião deve ter sido um dos comportamentos que as sociedades humanas herdaram da população ancestral antes que estas se dispersassem por todo o globo. Como a dispersão da população humana moderna ocorreu há cerca de 50 mil anos, a religião deve existir há pelo menos esse tempo.

E quando ela teve início?

Ninguém sabe. Os rituais religiosos, com base em danças e cantos sem palavras, poderiam ter existido antes mesmo da linguagem. Mas a data em que a linguagem evoluiu também é desconhecida.

As religiões podem estar conectadas em um ponto de origem comum?

A população ancestral humana era muito pequena, houve um ponto em que não éramos mais de 5.000 pessoas. Pode ser que, nesta época, existisse uma religião única, a partir da qual todas as religiões de hoje são descendentes.

E por que isso é importante?

Novas religiões são formadas quando uma seita se separa de uma religião-mãe, e isso significa que, em um princípio, todas as religiões do mundo podem estar postas em uma única árvore de descendência. Isto é importante porque mostra a unidade da religião. Também nos ensina a olhar para as ligações históricas entre as religiões, que os autores religiosos podem ter tido o cuidado de ocultar. O Islã, por exemplo, pode ter raízes profundas no cristianismo, mas não é evidente.

A religiosidade trouxe benefícios à evolução dos seres humanos?

A religião resolveu, de forma muito eficiente, um problema difícil: como o nosso cérebro cresceu, cada indivíduo pode calcular melhor o seu próprio interesse e colocá-lo à frente do interesse do grupo. Mas uma sociedade em que todos colocam seu próprio interesse em primeiro plano se fragmentará brevemente.

A religião era uma maneira de dar coesão ao grupo. Com cânticos e rituais, fez com que todos se comprometessem com as regras, que foram criadas para promover comportamentos que ajudariam o grupo. Este compromisso não foi uma promessa ou uma intenção consciente. O compromisso criado pela religião é profundo, emocional, e muito mais difícil de ser ignorado. Grupos ligados à religião tiveram um forte tecido social, e seus membros estavam mais dispostos a defendê-los, mesmo a sacrificar suas próprias vidas na batalha por aquela religião.

E como a seleção natural está ligada a isso?

Os primeiros humanos eram bastante territoriais e agressivos. Nesta circunstância, a seleção natural teria favorecido os grupos mais religiosos, uma vez que tinham um grupo mais coeso, mais unido, e conseguiram prevalecer mais vezes contra os seus inimigos. Por fim, os genes para os comportamentos religiosos se tornaram universais na população humana inicial.

Essa teoria da seleção natural vem sido criticada por muitos cientistas
Os seres humanos são animais altamente sociais, e sua sociabilidade deve ter evoluído de alguma forma. Mas a sociabilidade – o que significa colocar os interesses da sociedade à frente do próprio interesse – constitui um sério desafio para a teoria evolutiva, uma vez que qualquer esforço para ajudar outras pessoas prejudica os esforços para resolver as próprias necessidades.

* O presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus?

quinta-feira, agosto 26th, 2010

Roldão Arruda- Estado de São Paulo

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estatava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

* Milagres!

segunda-feira, agosto 23rd, 2010

Diogo Linhares

Devemos distinguir três graus de fenômenos, o que é necessário para entendermos o que é um milagre.

Existem os fenômenos naturais, que acontecem meramente devido às leis estabelecidas por Deus para a natureza;

Existem os fenômenos preternaturais, que são feitos através da ampliação de algumas leis da natureza;

E existem os fenômenos sobrenaturais, que estão acima da capacidade de qualquer ser criado.

A título de comparação, podemos dizer que, por exemplo, um animal que ataca quando ameaçado é um fenômeno natural.

Já quando um animal faz algo contra seus instintos (como a manada de porcos possuídos pela legião de demônios em Mc V: 1-13 e em Lc VIII: 27-33;trata-se de um fenômeno preternatural.

Porém se um animal fala (como a mula de Balaão em Num XXII: 21-35), isto é um fenômeno sobrenatural.

Do mesmo modo, a cura de uma doença (como resfriado, catapora, etc.) é algo natural. A cura acelerada de uma doença que seria curada naturalmente, ou o alívio dos sintomas sem a cura são fenômenos preternaturais. Já a cura instantânea de uma doença ou a cura de uma doença incurável são fenômenos sobrenaturais. E ainda: quando um homem faz pão, com farinha fermento e um forno, isto é algo natural, pois a natureza intelectual do homem permitiu a criação desta técnica. Agora, transmutar pedras em pães é algo preternatural. Já criar pães do nada, como na multiplicação dos pães dos Evangelhos, é algo sobrenatural.

Os anjos são capazes de realizar coisas preternaturais, pois têm controle sobre as coisas naturais. Da mesma forma, os demônios também podemsó Deus é capaz de atos sobrenaturais. com a permissão de Deus, pois conservaram esta capacidade mesmo com a queda. Mas nem os anjos, nem os demônios são capazes de coisas sobrenaturais:

Com esta distinção bem clara, vamos aos milagres. Os milagres são fenômenos sobrenaturais, que Deus realiza para confirmar alguma intervenção Sua na história. Eu acredito neles primeiro porque a Igreja ensina que eles existem. E segundo porque existem muitas evidências de grandes milagres pelo mundo.

De cara podemos lembrar do Milagre Eucarístico de Laciano, cuja explicação se pode achar aqui e em vários outros lugares na internet. De acordo com esta notícia, um pedaço da carne resultante deste milagre foi analisado em laboratório pelo especialista Dr. Linoli, tendo os resultados sido publicados na revista Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório. Anos depois estes resultados foram confirmados por uma comissão da OMS.

Outro milagre bem documentado foi o da Dança do Sol em uma das aparições de Nossa Senhora de Fátima, diante de 70 000 pessoas (setenta mil!) e que foi inclusive documentado em jornal da época. O texto da notícia, assim como o scan das páginas do jornal, podem ser vistos aqui.

Outro Milagre notório e que acontece todo ano, desde o século VIII, é a liquefação do Sangue de São Genaro, bispo de Benevento que foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano. A pedra de sangue está na Catedral de Nápoles e se torna líquida todos os anos no dia 19 de Setembro, festa do santo mártir. Aqui pode ser lida uma notícia sobre isso.

Outro milagre relativamente fácil de ser comprovado é o de alguns corpos de santos que, apesar de terem morrido há muito tempo, não entraram em decomposição. O exemplo mais notável é o do Papa São Pio V, cujo corpo está incorrupto há 438 anos (quatro séculos!) e está exposto em um altar na Basílica Santa Maria Maggiori, em Roma.

Outros santos cujos corpos não se decompuseram: Papa São Pio X (exposto num altar na Basílica de São Pedro, no Vaticano), São João Maria Vianney (o Santo Cura D’Ars, exposto em Ars na França) e Santa Bernadeth (exposto no Convento de Gildard, em Nevers na França). Fotos dos corpos destes santos podem ser vistas aqui. E estes são só alguns.

Embora haja todas essas evidências, temos que ter em mente que a discussão sobre a existência dos milagres pode ser muito influenciada pelo modo de pensar das pessoas. Se uma pessoa presume que milagres são impossíveis, se armará de teorias para explicá-los à luz de acontecimentos naturais. O modo como isto acontece é muito bem explicado no livro que eu estou lendo de C. S. Lewis – que a maioria das pessoas conhece como o autor da série infanto-juvenil As Crônicas de Nárnia; poucos sabem que C. S. Lewis foi um grande pensador de inspiração cristã – chamado Milagres: Um estudo preliminar. Além disso, a Igreja ensina que devemos ter cuidado com todos os acontecimentos extraordinários e que milagres só podem acompanhar pessoas verdadeiramente unidas a Deus, conforme está exposto no Compêndio de Teologia Espiritual do Padre Tanquerey.

O Papa São Gregório Magno, um dos Pais da Igreja, nos alerta numa Homilia sobre o Evangelho de São Marcos que mais valem os prodígios feitos espiritualmente do que aqueles que são feitos fisicamente, pois os primeiros só podem ser feitos pelas pessoas virtuosas, enquanto os segundos podem ser realizados até prlos maus com a ajuda do demônio.

O que posso dizer da minha experiência pessoal é que eu já estive no Convento da Penha, em Vitória-ES e na Basílica de Aparecida, em São Paulo; e uma coisa em comum entre estes dois lugares que me chamou a atenção é a sala reservada às evidências de pessoas que receberam graças extraordinárias, entre as quais certamente encontram-se alguns milagres.

Conheço também um homem que levou um tiro no rosto e sobreviveu de modo admirável. Antes de ser atendido pelos bombeiros ele foi consolado por uma mulher, que ele não conseguiu ver devido ao seu ferimento e que ninguém soube depois quem era. Acreditamos que foi Nossa Senhora que cuidou dele e algo que reforça esta crença é o fato de ele ter se convertido e se tornado um bom católico, juntamente com sua esposa e filhos. Ele foi meu padrinho de casamento, inclusive. Houve também uma vez em que tive que preparar as meditações e os cantos de uma hora santa diante do santíssimo na Igreja. Durante a cerimônia eu não comunguei, porém quando eu cheguei em casa, ao sentar na cama reparei que eu estava com um pedaço da Comunhão na boca.

Quero deixar claro que não tenho interesse em fazer ninguém acreditar que estes dois últimos relatos foram milagres, principalmente porque só quem pode afirmar o que é milagre ou não é a Igreja, e porque eu não merecia presenciar um milagre com a Santíssima Eucaristia naquela época como não mereço hoje. Quero apenas chamar a atenção para o fato de que coisas extraordinárias – entre elas os milagres – realmente acontecem. Mas seu real valor está em nos levar para Deus: o atentado sofrido por meu padrinho foi uma ponte para sua conversão, e o acontecimento com a Eucaristia fez com que eu prestasse especial atenção ao estudar o Catecismo de São Pio X, na parte em que ele fala das disposições para receber a Comunhão, e constatar tristemente que hoje muitas pessoas não atendem estas disposições.

* “Pensar em Deus” diminui a ansiedade quando se comete erros, afirma estudo.

sábado, agosto 7th, 2010

Estudo publicado na revista ”Psychological Science” mostra que pensar em Deus reduz o estresse que as pessoas vivenciam ao cometer erros. As informações são do ”EurekAlert!”.

Os pesquisadores mediram as ondas cerebrais em uma situação específica – a reação das pessoas ao saber que cometeram erros em um teste. Aqueles que foram preparados com pensamentos religiosos tiveram uma resposta menos proeminente do que aqueles que os que não receberam.

“Cerca de 85% da humanidade têm algum tipo de crença religiosa”, afirma Michael Inzlicht, que conduziu o estudo ao lado de Alexa Tullett. Ambos são da Universidade de Toronto Scarborough.

Os pesquisadores mostraram que, quando as pessoas pensam em religião e em Deus, o cérebro delas responde de uma forma diferente – elas reagem com menos sofrimento e ansiedade após cometerem erros.

Antes de passar por um teste de computador com alto índice de erros, parte dos participantes tinha escrito sobre religião, ou completado um jogo de palavras-cruzadas com termos relacionados a Deus. Os exames mostraram que a atividade cerebral desses voluntários era reduzida no córtex cingulado anterior, área associada à excitação e que gera um alerta quando as coisas dão errado.

Ateus

O curioso é que ateus reagiram de forma diferente: quando eram estimulados a pensar em assuntos relacionados a Deus, a atividade do córtex cingulado anterior deles aumentava. Os pesquisadores sugerem que, para pessoas religiosas, pensar em Deus pode fornecer uma maneira de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios, o que reduz a angústia. Em contrapartida, para os ateus, os pensamentos sobre Deus podem contradizer o sistema de significados abraçado por eles e, assim, causar-lhes ainda mais sofrimento.

“Pensar em religião traz calma quando se está em um incêndio e torna as pessoas menos angustiadas ao cometerem um erro”, diz Inzlicht. Segundo ele, há evidência de que pessoas religiosas vivem mais tempo e tendem a ser mais felize e saudáveis, mas ainda faltam conclusões mais precisas.

Os ateus, no entanto, não devem se desesperar. Os pesquisadores acreditam que a redução do sofrimento pode ocorrer não apenas quando se pensa na religão, mas quando se fornece qualquer tipo de estrutura para compreender o mundo. Portanto, os ateus poderiam ter se saído melhor no estudo se tivessem sido estimulados a pensar em suas próprias crenças antes de fazer o teste

Fonte: UOL

* Doutrina da Igreja sobre o homem, “luz para o mundo moderno”.

quarta-feira, agosto 4th, 2010

Entrevista com o professor de antropologia Juan Luis Lorda

Por Patricia Navas

Mostrar o que realmente é a pessoa humana é “luz para o mundo moderno”, um dos principais desafios da Igreja hoje, o fundamento de seu diálogo como mundo e um aspecto básico da nova evangelização.

É o que explica o professor de antropologia teológica e antropologia cristã na Universidade de Navarra, Juan Luis Lorda, nesta entrevista.

Que é a antropologia teológica e quais são seus grandes temas?

Juan Luis Lorda: A antropologia teológica é o estudo teológico do homem. Quer dizer, o que sabemos do homem partindo da revelação de Deus, tal como o que contemplou a rica tradição de pensamento cristão, que também possui uma enorme experiência humana.

Esses grandes temas são: que o homem é um ser feito para Deus, que está destinado a se identificar com Cristo, que tem uma dignidade particular que é o fundamento da moral, que há uma realidade do pecado na história humana e em cada pessoa, que há uma salvação e renovação em Cristo: isso é a graça.

Que lugar ocupa a antropologia no diálogo da Igreja com a modernidade?

Juan Luis Lorda: A antropologia é a base do diálogo da Igreja com a modernidade. João Paulo II disse, já em seu primeiro discurso ao iniciar seu pontificado, que a apresentação atual do cristianismo tem a ver com a ideia do homem.

A antiga apologética cristã, a defesa, converte-se em uma apresentação do cristianismo, que responde aos desejos mais profundos da pessoa. Deve mostrar que Cristo revela o homem ao homem.

Os cristãos têm uma ideia muito elevada do que é o homem, de sua dignidade, de sua realização, de seu chamado a ser filho de Deus e viver fraternalmente na dignidade do mistério da vida e da família.

Tudo isso é luz no mundo. A modernidade tem uma ideia do homem como indivíduo livre depositário de direitos. Isto é verdade e também uma conquista histórica.

Ao mesmo tempo, se pararmos aí, é pobre. Porque a liberdade tem a ver com a verdade e está destinada à realização do homem. Uma liberdade egoísta como um fim em si mesma é uma espécie de curto-circuito vital.

Além disso, a ênfase moderna nos próprios direitos dá lugar a uma mentalidade egoísta e põe em segundo plano as obrigações e deveres em que a pessoa realiza sua vocação social e, em particular, sua vocação ao amor.

O verdadeiro amor, paradoxalmente, é entrega, doação, uma perda voluntária de liberdade. Mas nele a pessoa a pessoa e tira o melhor de si.

A entrega no matrimônio em família, na amizade sem interesse na vida social, na vida da Igreja são grandes horizontes da realização da pessoa.

Todas estas são grandes contribuições cristãs, luzes para o mundo moderno. E não devemos nos esquecer da doutrina cristã sobre o mal e o pecado.

A modernidade nasceu com uma espécie de otimismo ingênuo: acredita que pode vencer o mal dentro de nós mesmos, e fora só com a razão e a educação. Mas os cristãos sabem que é necessária a graça de Deus e o amor.

O senhor publicou durante o curso o manual Antropologia Teológica, que já esgotou na primeira edição. Por que escreveu este livro?

Juan Luis Lorda: É um manual que forma parte de uma coleção da Faculdade Teológica da Universidade de Navarra. Esta coleção pretende abordar todas as matérias que são estudadas na teologia.

Há 20 anos, ensinei esta matéria na faculdade; por isso me encarregaram. Custou-me muito tempo fazê-lo porque, de certa forma, esta matéria é nova na teologia. Desde meados do século XX se quis reunir o que a teologia diz sobre o homem em uma única matéria.

Já existem alguns anuais de antropologia teológica, mas a maioria ensaística. Levei 13 anos elaborando, durante esse tempo escrevi vários livros preparatórios: uma antropologia bíblica, um ensaio que se chama Para uma ideia cristã do homem e um tratado sobre a Graça.

Qual é a contribuição mais original?

Juan Luis Lorda: Parece-me que é novidade a síntese geral e a ordenação da matéria. O tema central do livro é o mistério pascal, que é a máxima revelação de Deus em Cristo e serve para centrar muito bem todo o discurso cristão sobre a graça.

Temos de levar em conta que, no século XX, houve duas grandes contribuições para a antropologia teológica: a Constituição Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, e o pontificado de João Paulo II, que foi muito fecundo.

João Paulo II aprofundou o fundamento da moral na antropologia; tanto nos aspectos de moral fundamental, como na dignidade do homem e o sentido da vida, como nos de moral sexual e os da moral social.

Além disso, pensava que a ideia cristã sobre o homem era um caminho de evangelização.

O livro possui duas partes: a apresentação da ideia cristã do homem e a transformação em Cristo pela graça.

Ele presta muita atenção à teologia patrística e aos exponentes principais do pensamento cristão antigo, o que é importante para o ecumenismo. Faz um esforço de compreender bem as posições para superar mal-entendidos.

Também inclui aspectos pontuais da doutrina da graça que formam parte da experiência cristã, a sabedoria cristã adquirida por meio da história.

Um dos temas que o manual explora é a dignidade da sexualidade humana. O senhor destaca no livro que “com sua fecundidade, o homem transmite a imagem de Deus” e que “esta é a razão pela qual a sexualidade humana está regida por leis morais tão graves”. Como se pode transmitir esta mensagem na sociedade ocidental atual?

Juan Luis Lorda: É um bonito desafio e um dever. Os cristãos tem uma ideia muito elevada do que é o homem, do que é a vida e, por isso mesmo, da sexualidade, da fecundidade humana, do matrimônio e da família. Também do celibato.

Sabemos que tudo isto responde ao desejo de Deus e isso nos dá muita segurança. A moral sexual cristã se apoia também na própria evidência natural da sexualidade, na realidade do amor conjugal e da família como comunidade natural humana. É o livro da natureza, que Deus também escreveu. É a verdadeira ecologia humana.

Em contrapartida, a revolução sexual que o Ocidente viveu baseia-se em uma grande quimera antiecológica: que o homem pode mudar a si próprio como quiser; e especialmente, a sexualidade.

Não deixa de ser curioso que a cultura ocidental seja tão ecológica e tão naturalista quando se trata da alimentação, e, pelo contrário, quer ensinar as crianças que o sexo é algo que depende totalmente da liberdade pessoal.

Nós sabemos que não é assim: que é uma fundação biológica com uma ordem natural, que tem uma relação profunda com o amor conjugal, que tem a dignidade de transmitir a vida humana, que funda a família.

Por isso, é uma realidade que merece o máximo respeito. Dizia um sensato autor, Sheed, que a vida é sagrada, por isso o matrimônio é sagrado e o exercício da sexualidade humana também tem algo de sagrado.

Em tudo se exerce a dignidade da pessoa. Isso explica a moral sexual cristã que não é repressiva do sexo, mas que, realmente, o considera algo maravilhoso.

Nesse ponto de seu livro, afirma que estamos experimentando um “retrocesso cultural”. Ao que isso se refere?

Juan Luis Lorda: À perda do valor da família nas sociedades ocidentais. É um espaço de suicídio e talvez não seja a primeira vez que é produzido na história.

Na cultura política está se impondo um liberalismo libertário. Inclusive a esquerda acolhe este discurso, depois de que, com a queda dos regimes comunistas, desapareceu a teoria econômica e social socialista.

O liberalismo clássico tinha duas vertentes: um liberalismo econômico, que pretendia eliminar as barreiras e fronteiras com a produção industrial e o comércio; e um liberalismo político, que protege e aumenta as liberdades políticas das pessoas.

A partir de 1968 chegou um novo liberalismo sexual. Esse é o liberalismo libertário. A defesa do sexo usado de qualquer forma. Isso afetou profundamente a família, que é a base da civilização.

Em que medida a antropologia cristã está envolvida atualmente na nossa cultura?

Juan Luis Lorda: O cristianismo forma parte, e muito importante, de nossa cultura. Não gosto quando se fala do atrito entre Igreja e mundo moderno, porque a Igreja ou os cristãos formam parte do mundo moderno.

Não só porque vivemos nele, mas também porque muitas das grandes ideias do mundo moderno estão enraizadas no cristianismo.

O famoso lema da Revolução francesa, “liberdade, igualdade, fraternidade”, expressa ideiais cristãos.

Nós, cristãos, cremos na existência real da liberdade, na qual todos os homens são iguais e em que somos irmãos porque somos filhos de Deus. Mas uma grande parte da cultura moderna atual não acredita nisso. O materialismo científico não acredita, por exemplo, na liberdade. E a biologia não acredita na igualdade ou na fraternidade. A evolução das espécies funciona porque não há igualdade e porque o mais forte se impõe.

Uma grande parte da cultura moderna já não é capaz de sustentar seus fundamentos, porque não acredita neles. Menos ainda acredita no valor ou dignidade da vida humana.

A extensão do aborto é uma prova que se impõe na utilidade sobre o valor: faço o que quero ou o que me convém, acima do que é valioso, do que devo, do que é bom.

No fundo, muitos defendem que o homem, cada homem, é somente um pouco de matéria casualmente organizada. Nós acreditamos que é um grande valor.

Os cristãos são os grandes humanistas da cultura moderna, ainda que não sejamos os únicos, porque muita gente com sentido comum e com sentido da beleza ou da justiça compartilha estas convicções.

Como aborda as questões da bioética como a clonagem ou o transhumanismo na compreensão tradicional do que é o homem?

Juan Luis Lorda: Parece-me que não tratam de entender melhor o homem, mas que querem usá-lo. Não focam no tema da dignidade humana, mas da utilidade. Por isso, não lhes importa gerar milhares de embriões humanos e deixá-los em refrigeradores com alguma finalidade posterior ou até mesmo para testes cosméticos.

É missão de todos, mas especialmente das pessoas mais comprometidas, defender diante disto a dignidade humana. Não é só coisa de cristãos. Como dissemos, compartilhamos estes valores com muitos que acreditam na existência da justiça, beleza, do amor humano e da dignidade humana.

Como a Igreja enfrenta o desafio de manter e aprofundar o conceito de “pessoa humana” no futuro?

Juan Luis Lorda: Pode-se dizer que a Igreja é a grande defensora da dignidade humana. Graças a Deus, compartilhamos esta preocupação com muitos homens de boa vontade.

Nós acreditamos que a dignidade humana se baseia em que o homem é imagem de Deus. Nem todos sabem, mas percebem de alguma forma ao ver as manifestações da bondade humana: inteligência, moral, sentido estético… com isso alcançam compreender algo da dignidade humana.

Diante disso, nós encontramos pessoas que têm uma mentalidade materialista, que acreditam que o homem é uma acumulação de matéria e, portanto, é a mesma coisa destruir um monte de areia ou uma pessoa, praticamente.

Também há pessoas que sacrificam tudo para sua utilidade, a sua conveniência. Isso é a essência da imoralidade. Por isso, não respeitam a dignidade, nem de sua pessoa nem de nada

* Ansiedade pode estar na raiz do extremismo religioso, afirma estudo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Rádio Vaticano

A ansiedade e a incerteza podem tornar as pessoas idealistas demais ou levá-las a serem mais radicais em suas crenças religiosas: a conclusão é de pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, que publicaram os resultados de seu trabalho na edição deste mês do Journal of Personality and Social Psychology.

Numa série de estudos, mais de 600 participantes foram colocados em situações neutras ou que provocavam ansiedade. A seguir, eles descreviam seus objetivos pessoais e avaliavam o grau de convicção que tinham em relação a seus ideais religiosos. Isso incluiu perguntar aos participantes se eles dariam suas vidas por sua fé ou se apoiariam uma guerra em defesa da sua religião.

Em todos os estudos, as situações de ansiedade fizeram com que os participantes se tornassem mais avidamente envolvidos em seus ideais e adotassem posições mais extremistas em suas convicções religiosas.

Num teste, ponderar sobre um dilema pessoal provocou um aumento geral em direção a objetivos pessoais mais idealistas. Em outro, esforçar-se para resolver uma questão matemática confusa causou um pico de posições religiosas extremistas. Num terceiro experimento, refletir sobre as incertezas de um relacionamento causou a mesma reação de “zelo religioso”.

Os pesquisadores descobriram que as reações religiosas mais extremistas são mais pronunciadas entre os participantes com personalidade forte (definida como uma pessoa como autoestima elevada, orientada para a ação, mais ansiosa e mais tenaz) – normalmente mais vulneráveis à ansiedade – e entre aqueles menos seguros sobre seus objetivos na vida diária.

A explicação, segundo os pesquisadores, está em um processo motivacional básico, chamado Motivação Reativa (RAM: Reactive Approach Motivation). “A motivação reativa é um estado persistente no qual as pessoas tornam-se “prontas para atirar” em qualquer objetivo ou ideal em que estejam engajadas. Elas se sentem poderosas e os pensamentos e sentimentos relacionados a outras questões perdem espaço” – diz Ian McGregor, coautor do estudo.

“A motivação reativa normalmente é um processo de regulação adaptada dos objetivos, que pode reorientar as pessoas rumo a formas alternativas de busca de seus objetivos, quando se deparam com um problema.”

“Contudo, nossa pesquisa mostra que os seres humanos podem, algumas vezes, “cooptar” a motivação reativa para aliviar a ansiedade a curto prazo. Simplesmente promovendo os ideais e as convicções em suas próprias mentes, as pessoas podem ativar a motivação reativa, estreitando seu foco motivacional para longe dos problemas que as deixam ansiosas, sentindo-se assim mais serenas” – explicou McGregor.

Os pesquisadores também mediram as crenças supersticiosas dos participantes e sua concordância com o conceito de um Deus controlador, a fim de distinguir as formas de fundamentalismo religioso das formas mais abertas de devoção.

“Avaliados em conjunto, nossos resultados sugerem que pessoas ousadas, mas vulneráveis, são atraídas para os extremismos “idealista” e “religioso”, a fim de aliviar a própria ansiedade” – concluiu McGregor. (AF)

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quarta-feira, julho 21st, 2010

Deus existe?

Deus existe?

Por Inmaculada Álvarez

O Instituto «John Henry Newman», da Universidade Francisco de Vitoria (Madri, Espanha), lançou um site (www.elsentidobuscaalhombre.com) no qual se pretende oferecer um espaço de diálogo entre a fé e a razão, abordando, segundo seus criadores, «as perguntas sobre o sentido da existência humana que os homens sempre se fizeram, e que hoje parecem esquecidas».

Segundo explica a editora da página e membro do Instituto, Rocío Solís Cobo, o Instituto «John Henry Newman» foi criado na universidade como um departamento próprio para propiciar o diálogo entre a razão e a fé. «Nosso objetivo é provocar, tanto alunos como professores, para que pensem nas perguntas existenciais que todos temos dentro».

«Os temas que tocamos no Instituto são ‘temas fronteira’, aos que se busca dar respostas desde a fé, a razão, a ciência e a filosofia, nessa ‘fronteira’ na qual a razão humana se encontra frente ao mistério», explica.

O site foi criado, segundo Rocío Solís, para dar visibilidade às atividades do Instituto, assim como para criar uma «comunidade pensante» na web. Entre estas atividades, destaca-se o seminário «O sentido busca o homem», que se celebra no recinto universitário e do qual o site tomou o nome.

«No seminário, partindo de uma pergunta sobre a existência do homem, chegamos à questão de se o cristianismo tem credibilidade desde a razão ou se trata de uma mera superstição». De fato, a idéia, segundo a editora, é que este curso possa ser feito on-line através do site.

Outra das atividades são as «Horas Newman»: trata-se de uma sessão de uma hora ao mês na qual se propõe uma pergunta existencial (a morte, o amor, a liberdade, o sofrimento, a existência de Deus…) para introduzir o tema, provocar as perguntas e não tanto dar respostas».

«As ‘Horas Newman’ têm bastante êxito, temos uma média de 100 participantes, entre professores e alunos. Um dado muito positivo, levando em conta que não há nenhuma obrigação nem reconhecimento acadêmico por assistir, e que muitas vezes inclusive coincide com horários de aula», explica Rocío Solís.

 Ví as belezas da terra e minha alma sonhou com o céu!Sta Teresinha.

" Ví as belezas da terra e minha alma sonhou com o céu!"Sta Teresinha.

O site também oferece três conteúdos temáticos: «em busca de Deus», «em busca do homem» e «em busca do mundo», nos quais se oferecem textos e documentos sobre as questões mais variadas que tenham relação com estes temas.

O Instituto foi criado há muito tempo na Universidade Francisco de Vitoria como um organismo independente que servisse de apoio a todas as Faculdades. É dirigido pelo sacerdote Florencio Sánchez L.C., e é coordenado pela médica e antropóloga Sara de Jesús, professora da universidade.

«O nome de Newman foi eleito porque esse cardeal inglês converso é uma referência por sua busca da verdade, que através da razão o levou ao catolicismo, apesar de que seu meio não o ajudava muito a dar este passo. Para nós, o objetivo é o mesmo, queremos mostrar que o cristianismo é racional, que Cristo é racional. Que para ser católico, como dizia Chesterton, não se deve cortar a cabeça, porque a busca da verdade científica não é incompatível com a fé», acrescenta Solís.

* França: Fé resiste! Livros sobre espiritualidade entre os mais vendidos no País.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Continua atualíssima a palavra de sabedoria de Santo Agostinho de que fomos criados para Deus e inquietos estaremos enquanto não repousarmos n’ELE.

O secularismo não consegue sufocar a sede de Deus que o ser humano tem. Nem mesmo na terra da Revolução Francesa!

Nossa missão como evangelizadores é crer nisso e continuar a anunciar a verdade de Cristo.

Não ter dúvida de que a obra é de Deus e ser ousado e pregar, de todas as formas possíveis o santo evangelho e anunciar esse amor divino que todos precisam e não sabem , por isso o procuram em tantos lugares errados.

***

A busca pela espiritualidade inspira autores e leitores na França. De acordo com uma pesquisa realizada por uma importante revista semanal dedicada aos profissionais do ramo literário, a “Livres Hebdo”, os livros que falam sobre Deus estão entre os mais vendidos no país.


Dos dez mais vendidos, três abordam o tema, apesar de não estarem todos classificados como teologia. Os títulos desses três livros são “Comment Jésus est devenu Dieu”, “L’Ouvrage D’Alix de Saint André” e “Le Visage de Dieu”.

Os contextos e os assuntos secundários das histórias são variados, mas todos tratam da existência de Deus. A pesquisa ainda mostra que as maiores vendas não são as das livrarias especializadas em religião, mas das livrarias que oferecem um panorama mais amplo de obras literárias.

* Newton, Einstein e Deus. Alguma relação?

domingo, junho 20th, 2010

“Os dois gigantes da física tinham uma relação íntima com certa versão do que se costuma chamar de Deus”, escreve Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro ” Criação imperfeita” em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo,

Eis o artigo.

Talvez isso surpreenda muita gente, mas tanto Newton quanto Einstein, sem dúvida dois dos grandes gigantes da física, tinham uma relação bastante íntima com Deus.

É bem verdade que o que ambos chamavam de “Deus” não era compatível com a versão mais popular do Deus judaico-cristão.

Numa época em que existe tanta disputa sobre a compatibilidade da ciência com a religião, talvez seja uma boa ideia revisitar o pensamento desses dois grandes sábios.

No epílogo da edição de 1713 de sua obra prima “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” (1686), Newton escreve que o seu Deus (cristão, claro) era o senhor do Cosmo e que deveria ser adorado por estar em toda a parte, por ser o “Governante Universal”. Essa visão de Deus pode ser considerada panteísta, se entendermos por panteísmo a doutrina que identifica Deus com o Universo ou que identifica o Universo como sendo uma manifestação de Deus.

A visão que Einstein tinha de Deus, devidamente destituída da conotação cristã, ecoava de certa forma a de Newton.

Para ele, um Deus que se preocupava com o destino individual dos homens não fazia sentido. Sua visão era bem mais abstrata, baseada nos ensinamentos do filósofo Baruch Spinoza, que viveu no século XVII.

Numa carta dirigida a Eduard Büsching, de 25 de outubro de 1929, Einstein diz: “Nós, que seguimos Spinoza, vemos a manifestação de Deus na maravilhosa ordem de tudo o que existe e na sua alma, que se revela nos homens e animais”.

Em 1947, numa outra carta, Einstein escreveu: “Minha visão se aproxima da deSpinoza: admiração pela beleza do mundo e pela simplicidade lógica de sua ordem e harmonia, que podemos compreender”.

Como essas posições podem ser usadas no debate sobre a compatibilidade da ciência com a religião?

De um lado, ateus radicais como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris argumentam que não pode haver uma compatibilidade, que a religião é uma ilusão que precisa ser erradicada, que o sobrenatural é uma falácia.

De outro, existem vários cientistas que são pessoas religiosas e até mesmo ortodoxas, e que não veem qualquer problema em compatibilizar seu trabalho com a sua fé. O fato de existirem posições tão antagônicas reflete, antes de mais nada, a riqueza do pensamento humano. Nisso, vejo um ponto de partida para uma possível conciliação.

É verdade que o ateísmo radical está respondendo a grupos fundamentalistas que tentam evangelizar instituições públicas. “Guerra é guerra e devemos usar as mesmas armas”, ouvi de amigos. Mas o pior que um fundamentalista pode fazer é transformar você nele.

Einstein e Newton encontraram Deus na Natureza e viam a ciência como uma ponte entre a mente humana e a mente divina.

Para eles, adorar a Natureza, estudá-la cientificamente, era uma atitude religiosa.

***

Embora a visão panteísta não seja aceita pela doutrina católica, é interessante se perceber que- ao contrário dos que dizem os ateus- a busca pela verdade, mesma a cientifica, lava-nos à grande verdade que é DEUS.

Para nós, essa verdade se encarnou em Jesus Cristo, o filho amado do pai.


* Deus morreu? A velha e superada pergunta de Nietzsche.

quinta-feira, junho 17th, 2010

Nietzsche

Nietzsche

DEUS MORREU?

Há pouco mais de cem anos, Nietzsche proclamou a morte de Deus.

Desde então o mundo não é o mesmo. (…) No entanto à morte de Deus não se seguiria a morte do homem e do sentido último de toda a realidade?

Segundo Gilles Lipovetsky, “Deus morreu, as grandes finalidades extinguem-se, mas toda a gente se está a lixar para isso(…). O vazio do sentido, a derrocada dos ideais não levaram, como seria de esperar, a mais angústia, a mais absurdo, a mais pessimismo” ( A era do Vazio)…
Kolakowski, filósofo polaco agnóstico refere que, desde a proclamação da morte de Deus, nunca mais houve ateus serenos:”Com a segurança da fé desfez -se também a segurança da incredulidade.(…) De há cem anos a esta parte, (…) praticamente nunca mais vimos ateus serenos” (…)

A pergunta essencial consiste em saber se é possível ser homem sem colocar honestamentea questão de Deus. É que ser homem é a abertura ao Infinitop, e, assim, a questão do homem é a questão de Deus precisamente enquanto questão.

In, Janela do (In)visível de A. Borges.

* Presidenciáveis tentam se aproximar de segmento religioso para ganhar votos. Veja!

terça-feira, maio 25th, 2010

Correio Braziliense.

Em um país onde apenas 7% da população declara não ter religião, o caminho para a vitória nas urnas tem na fé um atalho.

De olho em um contingente que passa da centena de milhões de votos, candidatos a cargos proporcionais e majoritários flertam com o voto religioso, em um movimento que oferece inúmeros riscos.

Entre os presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) se debruçam de forma ainda tímida sobre a tarefa de conquistar o segmento dos brasileiros que atrela a escolha nas urnas às convicções de fé. Tentam calcular o comportamento desse eleitor para, mais do que agregar novos simpatizantes, não serem tragados ao expor posições ofensivas às crenças mais tradicionais.

Embora atuem mais nos bastidores, as religiões com praticantes no país estendem o braço de forma diferente à atuação política. Especialistas apontam que várias delas contam com representantes diretos nos Três Poderes da República.

Entre os partidos, há legendas como o PR e o PRB, com vínculo religioso claro.

O PR reúne evangélicos de diversas correntes, como Assembleia de Deus e Igreja Batista.

Já o PRB tem raízes na Igreja Universal do Reino de Deus.

Por terem maior representatividade na população, os católicos e os evangélicos neopentecostais formam os setores mais disputados pelos políticos.

No DF, as duas correntes têm quase o mesmo número de fiéis. “O que é mais importante em termos da disputa dos políticos em relação à agregação dos religiosos não é a garantia de votos em si, mas ser identificado como palanque mais adequado a cada crença, para não perder esse votos”, explica a professora da Universidade Federal Fluminense Christina Vital. A cientista aponta que dificilmente se ganha um voto somente pela religião, mas é fácil perder eleitores por causa dela.

Entre os presidenciáveis, a candidata que mais tem avançado sobre o segmento religioso, segundo avaliação de especialistas, é Dilma Rousseff. A petista já participou de eventos em rádios religiosas, missas e cultos evangélicos. Ao passo em que flerta com o chamado voto da fé, porém, Dilma tem tropeçado em contradições.

Primeiro, esquivou-se de responder se Deus existe. Depois, disse não ter religião, mas respeitar quem é religioso. Até que decidiu assumir-se seguidora do Vaticano. “A questão religiosa influencia o voto, mas isso tem de estar em evidência. Tem de ter um valor e o eleitor tem de identificar isso”, explica o cientista político da Universidade de Brasília Ricardo Caldas.

Para fazer frente ao movimento de Dilma, o tucano José Serra vem reservando espaço cativo na agenda para eventos religiosos. Em Balneário Camboriú, rezou junto a evangélicos em abril. Na semana passada, iniciou o roteiro de cunho religioso “obrigatório”, por Juazeiro do Norte (CE) — o outro endereço é Aparecida do Norte (SP).

Ontem foi a vez de participar, em Cachoeira Paulista (SP), da inauguração de um centro de apoio comunitário do grupo Canção Nova, um movimento da Igreja Católica.

Embora não tenha cometido contradição, analistas entendem que o pré-candidato ainda titubeia ao abraçar questões cruciais para a fé, como a questão do aborto e da união homoafetiva. “O Serra tem mais condições de reunir o voto religioso, que é tradicionalmente conservador, mas ele resiste a se enquadrar às teses desse grupo, como um político de centro-direita. Ele prefere a imagem de técnico, cientista e até centro-esquerda”, analisa Ricardo Caldas.

Agenda religiosa

Ainda que seja a única entre os presidenciáveis com currículo religioso, Marina Silva tem sido a pré-candidata com menor agenda ligada à religião.

Depois de cogitar se tornar freira e se converter evangélica da Assembleia de Deus, Marina tem evitado os temas sensíveis às crenças. Na questão do aborto, diz que é pessoalmente contra, mas sugere um plebiscito para definir a legalização da prática. Em via oposta à própria crença, declarou que não iria se opor à união homoafetiva. A aposta no tom ambientalista, em detrimento do religioso, evitaria a perda dos votos dos jovens, hoje mais simpáticos à pré-candidata verde.

Para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, a questão religiosa não deveria ser tratada como um divisor de águas nas campanhas, mas é fato que o eleitor entende esse tema como caro. “Não se pode fazer campanha pensando em agradar um ou outro grupo porque, naturalmente, se agradarmos muito um grupo , desagradamos o outro”, resume o petista.

Um exemplo de passo em falso ao entrar na seara religiosa foi a derrota do então candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Henrique Cardoso, em 1985. Durante um debate, o jornalista Boris Casoy perguntou ao ex-presidente se ele acreditava em Deus. Fernando Henrique preferiu tergiversar. Acabou derrotado na reta final.

* Cresce a compreensão de uma ciência aberta à crença em Deus, dentro de suas respectivas competências.

quinta-feira, maio 6th, 2010

Um dos artigos que a revista IstoÉ publica esta semana (edição 2112, de 5/5/2010), intitulado “Deus chega às aulas de biologia”, assinado por Hélio Gomes, pretende ativar uma polêmica educacional, opondo ciência e religião. Talvez o título mais adequado fosse “Deus retorna à biologia”. De fato, o que se vê por parte de alguns movimentos religiosos estigmatizados como “fundamentalistas” (nem sempre o são…) é a reivindicação de uma concepção de ciência aberta à crença em Deus.

Esta reivindicação não é nova. Pertence à mentalidade religiosa mais esclarecida e, em particular, ao pensamento católico no que tem de melhor, procurar congruências entre conhecimento racional e fé. A doutrina do evolucionismo encarada como busca de uma explicação para “a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”, segundo palavras do papa Pio 12 na encíclica Humani generis (1950), não cancela, em princípio, a convicção de que matéria e almas são criadas por Deus (heresia insuportável do ponto de vista ateu).

Assim como a educação se desvirtua em mãos religiosas quando se torna instrumento de manipulação para fins escusos , a ciência também perde credibilidade quando se especializa em discurso combativo (e assustado) contra a religião.

Irresponsabilidade da mídia

No mesmo artigo da IstoÉ cita-se o biólogo inglês Richard Dawkins, militante ateu, que faz das suas convicções antirreligiosas a única conclusão possível de toda e qualquer pesquisa científica. Mas aí reside o perigo contrário ao da religião fechada às descobertas da ciência. Devemos estar atentos para não cair no fundamentalismo oposto, igualmente desumano e nocivo. Educação saudável repele fanatismos de todos os gêneros. Marcelo Gleiser, em artigo da Folha de S.Paulo (26/11/2006), fez o alerta oportuno:

“Para ele [Dawkins], a ciência é um clube fechado, onde só entram aqueles que seguem os preceitos do seu ateísmo, tão radical e intolerante quanto qualquer extremismo religioso. Dawkins prega a intolerância completa no que diz respeito à fé, exatamente a mesma intolerância a que se opõe.”

Pedagogicamente falando, deve-se garantir que, no contexto da educação laica, saibamos refletir (não para destruir, mas para valorar e valorizar) sobre as ideias e práticas religiosas presentes na sociedade e, por consequência, em nossas salas de aula. Seria irresponsabilidade da mídia extremar desavenças entre religião e ciência.

Fonte: Observatório da Imprensa

* China, outrora materialista, abre-se a Religião.

terça-feira, fevereiro 2nd, 2010


Por Antonio Caeiro, Agência Lusa

Menos de 40 anos depois de ter sido considerado um pensador “reacionário”, um dos maiores sábios da China Antiga, Confúcio (551-478 A.C.), está a ser de novo valorizado na China e reconhecido como “um mestre”.

A “sociedade harmoniosa” preconizada pela atual liderança – muito diferente da “sociedade sem classes” defendida durante a Revolução Cultural (1966.76) – é vista mesmo como uma espécie de reabilitação oficial do confucionismo.

O culto da educação e do serviço público, o amor filial e o respeito pelos mais velhos, a cortesia e a moderação são algumas das “virtudes” associadas a Confúcio.

“O partido comunista precisa, realmente, do confucionismo. As pessoas não podem viver sem crenças nem religião”, disse à agência Lusa Kong Weizhong, representante da 78ª geração de descendentes de Kong Zi (Confúcio em chinês), nascido em 1963.

Mas nem sempre foi assim: a infância de Kong Weizhong foi “um pesadelo”.

O pai era um parente próximo de Kong Decheng, o decano da 77ª geração de descendentes de Confúcio, radicado em Taiwan depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949. A mãe era uma chinesa ultramarina, o que para as autoridades da época significava espia.

Com apenas cinco anos, Kong Weizhong e a mãe foram “enviados para o campo, sem sapatos, nem comida”.

Regressaram a Pequim em 1971, mas pouco depois foi lançada uma nova “campanha política de massas” e, desta vez, contra o próprio Confúcio.

“Foi uma tragédia”, diz Kong Weizhong, um empresário do sector farmacêutico que emigrou para Hong Kong em 1980, e que se formou depois no Reino Unido. “Felizmente, a China está muito mais forte e a mentalidade das pessoas mudou muito”,

“Quando um partido está na oposição, é contra Confúcio: Quando está no poder, precisa de Confúcio”, acrescenta. “A harmonia é o contrário da revolução”.

Para Kong Weizhong, “Confúcio não é conservador”: “A essência do pensamento de Confúcio é o amor e a tolerância (…) Confúcio ensina-nos a ser pessoas decentes”.

Aquele descendente de Confúcio contesta também que o confucionismo seja uma religião: “Na religião há Deus e Confúcio nunca falava em Deus. Respeitava o taoismo e o budismo, mas não era religioso”.

Ele próprio não se considera religioso – “não sou a 100 por cento”, diz – mas congratula-se com o reaparecimento da religião na China: “A religião é como uma canja de galinha. Adapta-nos ao mundo que nos rodeia e melhora-nos a disposição”.

O taoismo, doutrina associada a Lao Zi, outro pensador do século VI A.C., “também é mais uma filosofia do que uma religião” e o budismo, que é talvez a religião mais popular na China, “vem da Índia”.

“Se o governo quer mesmo que as pessoas tenham crenças e valores, tem de promover o confucionismo e a cultura tradicional chinesa”, afirma Kong Weizhong.

É esse também o objectivo da sua fundação, a Nishan Education Fund”, sedeada em Qufu – a terra natal de Confúcio – na província de Shandong, costa norte da China.

* Deus como auto ajuda. Qual deus?

segunda-feira, janeiro 25th, 2010

Carlos André Moreira

De uns tempos pra cá, o mercado editorial brasileiro descobriu que Deus é o caminho… das vendas.

Em um filão editorial como a autoajuda, conhecida pela capacidade de se subdividir com facilidade em outros nichos, Deus já pode ser apontado como o mais recente. Dezenas de livros de autoajuda apostam na figura religiosa de Deus como a chave da felicidade, como já o foram o pensamento positivo, as técnicas de programação da neurolinguística e o próprio estudo da filosofia, moda ainda em voga.

Ainda que o cristão argumente que para ele Deus sempre foi a salvação, agora ele também parece ser a chave para o sucesso nos negócios, na vida, nos relacionamentos. Como uma grife ou um símbolo de status.

Deus não foi parar nas prateleiras só agora. A editora Sextante, a mesma de O Código da Vinci e com uma linha editorial dedicada às obras de autoajuda, lançou nos últimos anos uma leva de publicações tais como Deus Cura a Dor e Jesus, o Maior Psicólogo que já Existiu, de Mark Baker; A Semente de Deus, de César Romão e Jesus, o Maior Líder que já Existiu, de Laurie Beth Jones. O filão gera até disputas de passe. A série Conversando com Deus, de Neale Donald Walsch, que era destaque do catálogo da Sextante, passou no ano passado para a Agir Equilíbrio/Agir Negócios, selo exclusivamente voltado para a literatura da autoajuda espiritual e financeira lançados pela Agir, do Grupo Ediouro, que aposta no crescimento do mercado para esse gênero.

Obras lançadas por outras editoras apresentam Deus como a chave e o caminho para qualquer coisa, em títulos que provocam de estranheza a riso, como E Deus Criou a Empresa Familiar (Integrare), Como os Pinguins Me Ajudaram a Encontrar Deus (Thomas Nelson Brasil) e A Lista de Tarefas de Deus (Via Lettera). Deus é o tema da moda até mesmo em obras de ficção best-seller que pegam carona na fórmula de O Código Da Vinci, como os recentes A Fórmula de Deus, do português José Rodrigues Santos (Record), O Mapa do Criador, do espanhol Emílio Calderón (Companhia das Letras), e o mais bem-sucedido comercialmente dos três: A Cabana, de William P. Young (Sextante), todos tornando o mistério da existência ou não de Deus elemento fundamental de uma trama de suspense.

Não que livros sobre Deus não tenham sido a constante na história humana: boa parte do melhores esforços do pensamento humano foi dedicada à interrogação sobre ele. O que é novo é essa tentativa de mesclar à sua figura os elementos característicos da literatura de autoajuda. Embora Deus e Cristo sejam as variantes mais presentes – o que até seria de se esperar em um país declaradamente cristão como o Brasil -, não faltam obras que, em vez do pensamento positivo, apresentam como o grande segredo da vida palavras e ensinamentos de uma figura que representa sabedoria e/ou poderes superiores – Confúcio ou Buda também entram na mistura, cujos antecedentes podem ser encontrados já nas obras do guru indiano Deepak Chopra, nos anos 1990. É como se marcassem um encontro nas gôndolas de livrarias e supermercados duas gerações de confortos para tempos de crise e insegurança: a fé, antiga como o homem, e a autoajuda, produto acabado da sociedade capitalista moderna. Ambos com a mesma função: suprir a natural necessidade do ser humano de ter algo em que acreditar.

A autoajuda é um produto do capitalismo – e, em sua origem, traz em si as forças fundamentais do sistema, conforme preconizado por Max Weber: a ética protestante do trabalho e o impulso humano de melhorar de vida. Não é à toa, portanto, que esse tipo de literatura tenha surgido e ganhado força no maior país capitalista do mundo, os Estados Unidos. Os principais percursores já apontados para o gênero, como Autoconfiança, de Ralph Waldo Emerson, no século 19, ou a biografia de Benjamin Franklin, no século 18, surgiram nos Estados Unidos, bem como as duas obras que definiram o gênero, nos anos 1930: Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, de Dale Carnegie, e Pense e Enriqueça, de Napoleon Hill, ambas surgidas, não por acaso, na década de pobreza e dificuldades que se seguiu ao desastre financeiro da bolsa de Nova York, em 1929.

A autoajuda, portanto, sempre se apresentou como resposta aos desafios de seu tempo, usando as ferramentas à disposição. Numa época em que o capitalismo estava em dificuldades, após 1929, com desemprego recorde e filas de miseráveis, a ideia era ensinar a chave de se “vender” melhor do que qualquer outro. Nos anos 50, começam a pulular cursos e livros voltados para o sucesso profissional, o que influenciaria positivamente a vida pessoal. É nessa época que surge um dos precursores da atual literatura de autoajuda religiosa que hoje é presença desde a livraria até o supermercado, do aeroporto à revistaria da rodoviárias. Escrito por um pastor metodista em 1952, O Poder do Pensamento Positivo, de Norman Vincent Peale, usava as escrituras sagradas como mote para a apresentação de uma receita de recompensa à fé de quem trabalhava em busca da prosperidade – algo arraigado até hoje na cultura americana.

Nos anos 1980, 1990, a autoajuda se apropriou das descobertas recentes da neurolinguística para vender a ideia de que era possível programar a mente e a vida em busca do sucesso – como nas obras do brasileiro Lair Ribeiro e do (acredite) norte-americano, apesar do nome, Jose Silva. A moda atual é a física quântica, tema da salada delirante de O Segredo.

A literatura de autoajuda é escrita dentro de um padrão bem definido, apesar das subdivisões temáticas que comporta (livros sobre sucesso no emprego, relacionamento interpessoal e por aí vai). O texto é simples, sem dubiedades, os conselhos são edificantes, a postura é sempre positiva, alto-astral e de alguma forma oferece consolo ao leitor, a esperança bastante ingênua de que há um roteiro de passos, atitudes, disposições mentais que, se executados, trarão o sucesso, a felicidade, a ausência de dor e a sabedoria como resultado quase matemático. Com essa estrutura, é óbvio que, apesar de dialogar com a ciência e a mentalidade de seu tempo, toda literatura de autoajuda oferece uma visão simplificadora de seu tema – mesmo se esse tema for Deus.

O Deus apresentado nesses livros, amparado em trechos criteriosamente selecionados, seria irreconhecível se comparado com o Deus bíblico, que, principalmente no Velho Testamento, é também uma divindade irascível e destruidora: “O grande motivo de orgulho do monoteísmo é que a realidade definitiva vive em sua casa e em nenhum outro lugar. A tristeza do monoteísmo é que tudo tenha de ser acomodado nessa casa única (…).Na antiga Mesopotâmia havia dois deuses, um deus criador e um deus destruidor, que lutavam um contra o outro. No antigo  Israel, ao contrário, só havia um deus, que tanto criava como destruía“, escreve o crítico Jack Miles no estudo Deus: uma Biografia.

A autoajuda religiosa recente, por comodidade, varre um desses aspectos , o destruidor, para centrar foco no ensino de como se conectar com a outra faceta da divindade, a de amor e bondade a que se pode ter acesso a qualquer hora.

A crença nesse Deus de sentido prático, que responde imediatamente às necessidades de quem tem objetivos claros — defendida em muitos desses livros — é eco de uma necessidade humana de acreditar no poder do pensamento — algo que Freud já havia analisado em um ensaio clássico de 1922, Totem e Tabu, considerado por ele próprio um de seus melhores trabalhos. O fenômeno do “pensamento mágico”, dissecado por ele como característica da mentalidade da infância e dos povos primitivos, nasce de uma necessidade de afastar ideias que amedrontam, como a da finitude, e cria a noção de que o pensamento teria o poder para obter aquilo que se deseja. É a tentativa de enfrentar o que há de assustador no humano, algo para o que a própria ideia de Deus sempre foi por si só um consolo.

* Terremoto no Haiti, castigo de Deus?

terça-feira, janeiro 19th, 2010

Jorge Ferraz

Discute-se se o terremoto do Haiti foi um castigo de Deus. Dividem-se os opinantes: não, Deus não castiga; sim, é por causa do vodoo praticado pelo povo. Obviamente, há outras opiniões mais sensatas; estas duas, no entanto, são simplórias demais e, na minha opinião, devem ser desconsideradas.

Quanto à primeira, é óbvio que Deus castiga. As Escrituras estão repletas de exemplos: do Dilúvio passando pela destruição de Sodoma e Gomorra, até os egípcios morrendo afogados no Mar Vermelho e outros episódios menos conhecidos. Não é possível ao católico simplesmente dizer “Deus não castiga”, porque isso é contrário ao que se sabe ter ocorrido ao longo da história da Salvação.

Obviamente, o castigo de Deus não é um mal absoluto, porque Deus não pode querer o mal em si. Santo Tomás de Aquino explica isso na Summa, II-IIae, q. 19, a.1 (tradução livre):

Em verdade, de Deus pode-nos sobrevir o mal da pena [castigo], que não é mal absoluto, mas sim mal relativo e bem absoluto. Efetivamente, dado que o bem estabelece ordem para um fim e o mal consiste na privação desta ordem, é mal absoluto aquilo que exclui totalmente a ordem ao fim último, que é  o mal da culpa. O mal da pena, ao contrário, é certamente um mal, enquanto nos priva de um bem particular; mas em absoluto é bem, porque está ordenado ao fim último.

Deus, portanto, castiga sim, e o castigo de Deus é sempre um bem absoluto, porque está ordenado ao fim último do homem, que é Ele próprio. Como, por exemplo, um pai que castiga o filho para o educar.

Pode-se objetar que não pertence ao pátrio poder espancar um filho até a morte, e que bem pouco aprendizado alguém pode obter de uma experiência se não sobreviver a ela. Esta visão, no entanto, é puramente materialista e não serve para impugnar a visão católica segundo a qual os castigos divinos – quaisquer que sejam eles – estão ordenados ao fim último do ser humano. Ela – a visão materialista – parte de dois pressupostos que não são aceitos pelos católicos: o primeiro, que a vida é um bem absoluto e, o segundo, que o castigo deve servir sempre e somente para os indivíduos castigados. Nós, católicos, sabemos que o fim último ao qual deve almejar o ser humano não é a preservação da própria vida física, e sim a salvação da sua alma. Ninguém pode dizer o que se passa no íntimo de uma pessoa vitimada por uma tragédia nos seus instantes derradeiros e, portanto, não se pode afirmar que o mal relativo não tenha redundado em um bem absoluto – ao contrário, é exatamente por isso que rezamos. Igualmente, o mal sofrido pela parte pode, ainda que não redunde em bem para ela, servir ao todo: como a amputação de um membro gangrenado que, embora não cause bem ao membro amputado, provoca bem ao corpo, ou como aquela história do rei que perdeu um dedo numa caçada. Portanto, uma catástrofe qualquer não pode, a priori, ser excluída como castigo divino por conta de objeções naturalistas como as que são ordinariamente apresentadas.

Quanto à segunda opinião – a de que o terremoto foi, sim, castigo de Deus por conta do vodoo praticado pelo povo -, ela também não pode ser pressuposta assim, sem mais nem menos. Vale salientar que 80% da população do Haiti é católica, e o catolicismo é inclusive a religião oficial do Estado. Obviamente, Deus pode ter castigado a infidelidade de um povo que, honrando-o com os lábios – com a Constituição… -, não Lhe presta louvor verdadeiro com a própria vida. Sim, Deus pode ter feito isso, mas Deus pode igualmente não ter feito isso – ou não pode? Há incontáveis exemplos de ímpios que parecem ser imunes a tragédias, bem como de pessoas inocentes que são vitimadas por desgraças sem que mereçam. Não dá, também, para dizer a priori que Deus resolveu castigar o Haiti por conta da feitiçaria praticada pelo povo católico. Deus não “funciona” com o determinismo de causa-efeito de uma lei física.

Então, afinal, o que dá para dizer? Na verdade, não dá para dizer rigorosamente nada, porque ninguém conhece os desígnios do Altíssimo. Que os terremotos são causados pelos movimentos das placas tectônicas é simplesmente um detalhe técnico – aliás, evidente e incontestável – que não vem ao caso nesta discussão. Os fenômenos naturais, afinal de contas, estão sujeitos ao Autor das leis da natureza.

O que dá para saber com certeza é que Deus não permitiria o mal se, dele, não pudesse tirar um bem ainda maior – como diz Santo Agostinho. E, se um terremoto que deixou milhares e milhares de mortos, feridos e desabrigados é obviamente um mal, importa dar sentido ao sofrimento. Não faz diferença (e, aliás, nem é humanamente possível) saber com certeza se foi castigo divino ou fatalidade permitida pelo Onipotente. O que importa é unir as próprias dores àquelas sofridas pelo Homem das Dores. Como falou o Papa João Paulo II na Salvifici Doloris:

Todo o homem tem uma sua participação na Redenção. E cada um dos homens é também chamado a participar naquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção; é chamado a participar naquele sofrimento, por meio do qual foi redimido também todo o sofrimento humano. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível de Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de Cristo.

[SD, 19]

Que os sofrimentos humanos – em particular estes de memória tão recente – não sejam inúteis, é o que pedimos à Virgem Santíssima, Mater Dolorosa, Nossa Senhora das Dores, Aquela que tão perfeitamente soube unir os próprios sofrimentos aos de Seu Divino Filho.

Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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