Artigo da ‘Ecologia’ Categoria

* Aquecimento global: pai da “hipótese Gaia” se retrata de seu alarmismo.

domingo, abril 29th, 2012

Luis Dufaur

James Lovelock, criador da hipótese ambientalista segundo a qual a Terra formaria um só organismo “vivo” apelidado “Gaia”, admitiu em entrevista à MSNBC que foi “alarmista” a respeito de “mudança climática”.

À guisa de desencargo de consciência, comentou que também outros ambientalistas famosos, como Al Gore, caíram no mesmo erro.

Um dos pais fundadores do ambientalismo hodierno, Lovelock tem esperança de que a suspirada “mudança climática” ainda aconteça, mas lamentou que não virá tão rápido quanto ele anunciava.

Em 2006, em artigo no jornal inglês “The Independent”, Lovelock escreveu que “antes do fim deste século bilhões de homens terão morrido e os poucos casais que sobrevivam ficarão no Ártico, onde o clima ainda será tolerável”.

Agora, em entrevista telefônica com a MSNBC, reconheceu que estava “extrapolando demais”.

Parafraseando os argumentos dos cientistas objetivos, explicou:

– “O problema é que não sabemos o que é que o clima vai fazer. Há 20 anos nós achávamos que sabíamos. Isso nos levou a escrever alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia evidente, porém não aconteceu”.

– “O clima está fazendo suas trapaças habituais. Em verdade, não há muita coisa acontecendo ainda, quando nós deveríamos estar num mundo a meio caminho da fritura”.

– “O mundo não se aqueceu muito desde o milênio. Doze anos é um tempo razoável … ela [a temperatura] manteve-se praticamente constante, quando deveria ter ido aumentando”.

Em 2007, a revista “Time” incluiu Lovelock na lista dos 13 líderes e visionários “Heróis do Meio Ambiente”, onde também figuravam Al Gore, Mikhail Gorbachev e Robert Redford.

Interrogado se agora tinha virado um “cético” do aquecimento global, Lovelock respondeu à MSNBC: “Depende do que o Sr. entende por “cético”. Eu não sou um negacionista”.

Ele explicou que ainda acredita que a mudança climática esteja acontecendo, mas que seus efeitos serão sentidos num futuro mais longínquo do que se acreditava. “Teremos o aquecimento global, mas ficou adiado um pouco”, explicou.

“Eu cometi um erro”

Lovelock esclareceu que não se importava em dizer: “Tudo bem, eu cometi um erro”.

Na entrevista, ele insistiu que não tirava uma só palavra de seu livro base “Gaia: um novo olhar dobre a vida na Terra”, publicado em 1979. Mas reconheceu que no livro “A vingança de Gaia”, de 2006, ele tinha ido longe demais falando da Terra superaquecida no fim do século.

– “Eu deveria ter sido um pouco mais cauteloso, porém, teria estragado o livro”, brincou cinicamente.

Militantes ambientalistas só puderam concordar, embora desanimados, com o mea culpa de Lovelock.

Peter Stott, chefe do monitoramento do clima no Met Office Hadley Centre, da Inglaterra, disse que o guru foi alarmista demais prevendo que os homens seriam obrigados a viver no Ártico por causa do “aquecimento global”. Também concordou que o aquecimento dos últimos anos foi menor do que o previsto pelos modelos climáticos.

Keya Chatterjee, diretor internacional de política climática do grupo ambientalistaWWF-EUA, disse em comunicado que estava “difícil não se sentir esmagado e ficar derrotista”, e sublinhou que a conversa alarmista não ajuda a convencer as pessoas.

* Belezas criadas remetem para a Beleza suprema.

domingo, maio 1st, 2011

Gregório Vivanco Lopes

Quando os ecologistas criticam os males da revolução industrial — fumaça, ruídos de motores, odores pestilenciais, sujeira de graxa, etc — pode-se até concordar com eles. Não é possível acompanhá-los, porém, na doutrina miserabilista e anticivilizatória que elaboraram, e para cujos fins trabalham. Seus iniciados mais recônditos chegam mesmo a divinizar a natureza e a revoltar-se contra o Criador.

O tema fica apenas enunciado, não é aqui o lugar de explaná-lo. Queremos somente atrair a atenção do leitor para o fato de que essa doutrina anticatólica leva a uma péssima conseqüência prática, aceita pela generalidade dos ecologistas: ao referirem-se à natureza, omitem o fator beleza, portam-se como cegos em relação às maravilhas que Deus criou.

Não estamos falando sequer das artes, frutos da criatividade do homem. A pura natureza é considerada por eles tão-somente como algo em si mesmo existente, independente do que ela pode simbolizar. Tanto faz ser um delicado beija-flor como um rato repugnante, uma esplêndida rosa perfumada ou a chamada flor-cadáver, que exala um cheiro insuportável. Tudo é natureza, para eles.

O absurdo de tal tendência pode ser avaliado contemplando-se a beleza nas cinco fotos que aqui reproduzimos:

1 – Um caminho florido, protegido por árvores centenárias, mais parece uma imagem do paraíso

2 – O sol poente, como um foco de luzes e cores, visto por detrás do tênue véu da galharia de uma árvore comum;

3 – Um nobre e belo exemplar da famosa raça de cavalos lipizzaner

4 – Um céu de tempestade no deserto

5 – Colônia de corais no Havaí

Belezas como estas remetem o espírito humano para a existência de uma Beleza suprema, fonte e inspiração de todas as belezas criadas — o próprio Deus Nosso Senhor. Isto os ecologistas radicais rejeitam.

* Feminista diz em livro que “movimento ecologista oprime as mães”.

terça-feira, julho 6th, 2010

Um livro escrito pela filósofa e feminista francesa Elisabeth Badinter, que será lançado este ano no Brasil, está causando grande polêmica na França por acusar os movimentos ecologistas de contribuir para a regressão do papel da mulher na sociedade ao “impor” a amamentação, o uso de fraldas de pano e a necessidade de alimentar os bebês somente com produtos naturais, preparados em casa.

O livro “Le Conflit – La Femme et la mère” (O Conflito – A Mulher e a mãe, em tradução literal – o título da edição brasileira, que deve ser lançada pela Editora Record até o final do ano, ainda não foi definido) já vendeu mais de 150 mil exemplares e está na lista de best-sellers na França desde seu lançamento, em fevereiro.

Atualmente na 11ª posição global, segundo o ranking da revista Livres Hebdo, o livro chegou a ser número um de vendas e ocupou durante várias semanas consecutivas o segundo ou terceiro lugares.

Segundo a autora, o discurso ecologista está limitando as mulheres ao papel único de mãe ao exigir uma série de comportamentos e deveres que tornam a maternidade um “trabalho em tempo integral”.

“Tirania da mãe perfeita”

Na prática, para Badinter, o movimento naturalista incitaria as mulheres a ficar em casa para cuidar dos filhos.

“Estamos assistindo a uma verdadeira mudança radical, que está ocorrendo de forma subterrânea. Há um aumento incrível dos deveres maternos. A natureza se tornou um novo Deus, com critérios morais que culpam quem não seguir o discurso”, disse Badinter em entrevista à BBC Brasil.

A filósofa afirma que “há uma tirania da mãe perfeita” e que “uma boa mãe”, nos dias de hoje, segundo as teorias ecologistas, é “aquela que amamenta durante pelo menos seis meses, não coloca o filho em creches tão cedo porque deve existir uma relação de fusão com a criança, não usa fraldas descartáveis nem alimentos industrializados”.

“Os potinhos para bebê se tornaram um sinal de egoísmo da mãe, então voltamos para os purês preparados em casa”, afirma.

“Em nome desta ideologia naturalista, nos países escandinavos quase não há mais anestesia peridural nos partos, ela até mesmo é fortemente desaconselhada”, diz Badinter.

Revolta

Na França, o livro suscitou inúmeras críticas de pediatras, políticos e até mesmo feministas, além de pessoas ligadas a movimentos ecologistas, que se autodenominaram “verdes de raiva” em relação ao livro em discussões na internet.

“Tornar a ecologia responsável pelas carências herdadas do mundo patriarcal europeu é algo errado e estéril”, diz Cécile Duflot, secretária-geral do Partido Verde francês.

“Elisabeth Badinter deveria questionar as diferenças salariais entre homens e mulheres e o problema da divisão das tarefas domésticas.”

Duflot acrescenta, em resposta ao livro, que apesar de ela ser ecologista, em sua casa é seu marido quem toma conta dos filhos.

Crise econômica

Badinter também afirma que a primeira causa da regressão da condição feminina são as crises econômicas, “que mudaram profundamente as mentalidades”.

Ela diz que desde os anos 80 a situação no emprego vem se tornando mais difícil, principalmente para as mulheres, mal pagas e “demitidas como um lenço de papel usado”.

“As mulheres passaram a questionar se valeria a pena trabalhar duro, sem satisfação pessoal, para ganhar um salário baixo ou se seria melhor cuidar dos filhos em casa e se realizar plenamente como mãe”, afirma a feminista.

Na França e em outros países europeus isso é possível porque existem auxílios financeiros concedidos às famílias de baixa renda que praticamente podem compensar o fato de um membro do casal não trabalhar.

Segundo uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França, o número de francesas que cessaram ou diminuíram sua atividade profissional após o nascimento do primeiro filho passou de 10% para 25% entre 2005 e 2008.

O número aumenta para 32% no caso do nascimento de outros filhos depois. Além disso, o estudo revela que as francesas realizam quase 80% das tarefas domésticas e que esse desequilíbrio no casal é ainda maior quando eles têm filhos.

“Sem as crises econômicas, esse discurso naturalista, de uma vida com menos ambições inúteis, mais voltada para a natureza e com menos consumismo, não teria ganhado força”, diz.

Amamentação

Para Badinter, esse modelo de maternidade, com teorias “ecológicas moralizadoras, que fazem a natureza passar na frente das mulheres, torna impossível a igualdade entre os sexos”.

A escritora diz que a necessidade da amamentação se tornou o centro dos deveres maternos e também demonstra o fortalecimento do discurso naturalista que começou nos Estados Unidos, com a Liga do Leite, e no norte da Europa.

Badinter afirma no livro que o “direito de amamentar” está se tornando uma obrigação, reforçada pela Organização Mundial da Saúde, para todas as mulheres, o que também provocou críticas na França de pessoas que apontam os benefícios do leito materno.

“Não critico a amamentação. Só não quero que seja um modelo imposto. Nos hospitais, há pressão para que as mulheres façam isso. Mas a mamadeira também é boa para a criança. Não somos todas iguais, como chimpanzés. Há mulheres que não gostam de amamentar”, afirma.

A França registra a segunda maior taxa de natalidade da União Europeia, após a Irlanda, segundo a Eurostat (agência europeia de estatísticas).

Badinter também já havia criado grande polêmica na França com outro livro, lançado há 30 anos, no qual afirma, baseada em fatos históricos, que o instinto materno não existe.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/bbc/742187-feminista-diz-em-livro-que-movimento-ecologista-oprime-as-maes.shtml

* Triste imagem do que o Homem é capaz de fazer.

domingo, junho 13th, 2010

Prisioneiro da capa de petróleo, este pelicano está para se tornar o novo – e bem triste – símbolo da Louisiania, EUA.

Quase dois meses depois da catástrofe ecológica, os animais vítimas da maré negra, não são mais contabilizados. O pássaro cativo das águas da Grande Ilha tem pouca chance de sobreviver.

Reintroduzido na região em 1968, o pelicano escuro (”Pelecanus occidentalis”) era a esperança da perenidade da espécie. Agora, em menos de dois meses, a catástrofe da plataforma Deepwater Horizon ameaça o seu desaparecimento.

A mancha de petróleo que se espraia no golfo do México apos a explosão do poço offshore explorado pela BP ameaça mais de 600 espécies animais.

Veja!

Folha de S. Paulo

Com novas estimativas apontando que a quantidade de petróleo que continua vazando no golfo do México pode ser duas vezes maior do que o estimado originalmente, o risco a que estão expostos aves, peixes e outros animais da região pode até quadruplicar, dizem cientistas.

O cálculo é de Paul Montagna, biólogo da Universidade A&M no Texas. O efeito do óleo na biodiversidade não é linear, diz ele.

As estimativas anteriores indicavam que 378 milhões de litros já tinham vazado no golfo. Acredita-se agora que esse número seja 150 milhões de litros maior.

Pelos novos dados, divulgados pelo Serviço Geológico dos EUA, órgão vinculado ao governo americano, o acidente do golfo do México cria o equivalente de um desastre como o do Exxon Valdez, de 1989, a cada dez dias, aproximadamente. Esse era, até agora, o pior desastre ambiental da história dos EUA.

Especialmente em risco estão “peixes bicudos” como o marlim, o peixe-vela e o peixe-espada, além do atum. Entra também na lista uma ave, o pelicano-marrom.

O governo americano anunciou já ter gasto US$ 140 milhões para conter o vazamento, ainda que a BP seja “financeiramente responsável por todos os prejuízos causados pelo derramamento”, nas palavras de Thad Allen, da Guarda Costeira.

* Os mandamentos do meio ambiente. Fala-nos o Papa Bento XVI.

sexta-feira, abril 30th, 2010

Por pe. John Flynn, L.C.

Nos cinco anos desde que foi eleito Papa, Bento XVI tem falado repetidas vezes sobre temas relacionados com a ecologia. Como consequência, alguns começaram a chamá-lo de “Papa Verde”, mas esse rótulo não faz justiça às suas declarações.

Um guia útil para o que o atual pontífice disse sobre a criação e nossa responsabilidade para com ela é recolhido em um livro publicado no ano passado pelo jornalista Woodeene Koenig-Bricker. Em Ten Commandments for the Environment: Pope Benedict XVI Speaks Out for Creation and Justice (Dez Mandamentos para o Meio Ambiente: O Papa Bento XVI fala sobre a Criação e Justiça) (Ave Maria Press), recolhe os comentários do Papa intercalados com suas opiniões pessoais sobre o meio ambiente.

A frase “Dez Mandamentos para o Meio Ambiente” não é de Bento XVI, mas foi o nome de um discurso proferido em 2005 por Dom Giampaolo Crepaldi, secretário do Conselho Pontifício Justiça e Paz (atualmente Dom Giampolo Crepaldi é bispo de Triesta, Itália).

A mensagem principal desses mandamentos é que devemos ser administradores responsáveis da criação de Deus, e isso corresponde com o que o pontífice afirmou posteriormente, comentava Koenig-Bricker.

“Hoje todos vemos que o homem poderia destruir o fundamento de sua existência, sua terra”, dizia o Papa em 24 de julho, respondendo às perguntas dos sacerdotes das dioceses italianas de Belluno-Feltre e Treviso.

Esse cuidado com a criação baseia-se em uma convicção que vai muito além de uma simples preocupação pela ecologia. Bento XVI desejava isso claramente ao responder uma pergunta durante suas férias de verão do ano seguinte. Em seu encontro com o clero da diocese de Bolzano-Bressanone, no dia 6 de agosto de 2008, indicava que há um “vínculo inseparável” entre criação e redenção.

Subjugar a terra

“O Redentor é o Criador, e se nós não anunciamos Deus em toda sua grandeza, como Criador e Redentor, tiramos também o valor da Redenção”, afirmava o Santo Padre após mencionar que, infelizmente, nas últimas décadas a doutrina de criação quase desapareceu da teologia.

Bento XVI observava que acusaram os cristãos de ser responsáveis da destruição da criação pelas palavras do Gênesis, “subjugar a terra”.

Essa acusação é falsa, afirmava, posto que vemos a terra como criação de Deus: “a terefa de ‘subjugá-la’ nunca foi entendida como uma ordem de fazê-la escrava, mas sim como a terefa de custódia da criação e de desenvolver seus dons, de colaborarmos ativamente na obra de Deus, na evolução que ele pôs no mundo, de forma que os dons da criação sejam valorizados e não pisoteados e destruídos”.

A esse contexto entre o natural e o sobrenatural, entre fé em Deus e respeito pela criação, foi algo sobre o que Bento XVI se voltou na entrevista concedida aos jornalistas na viagem de avião para Sydney, Austrália, em 12 de julho de 2008.

“Necessitamos do dom da Terra, da água; necessitamos do Criador. O Criador se faz presente em sua criação. Dessa forma compreendemos que não podemos ser realmente felizes, não podemos promover a verdadeira justiça em todo mundo sem um critério em nossas ideias, sem um Deus que seja justo e nos dê a luz da vida”, dizia.

O Papa mencionava o papel do Redentor em sua homilia da Missa do Galo de 2007. Cristo, afirmava, “veio para devolver à criação, ao cosmos, sua beleza e sua dignidade: é isto que tem início no Natal e faz os anjos saltarem de alegria”.

O Natal é a festa de criação restaurada, a Terra se renova e celebra que céu e terra, homem e Deus se unem, comentava.

Dom de Deus

Pouco depois da publicação do livro Koenig-Bricker, veio a encíclica do Papa “Caridade na Verdade”. Na encíclica foram dedicados ao meio ambiente alguns parágrafos. Entre outros pontos, o pontífice advertia contra uma visão de uma natureza puramente materialista. A salvação humana não pode vir da natureza por si só, afirmou.

Temos uma legítima administração sobre a natureza, afirmava Bento XVI, que implica o dever de entregar às futuras gerações uma terra em boas condições.

Isso não é só uma questão de ciência ou economia, explica, mas sim uma questão que precisa integrar uma ecologia humana que inclui tudo o que forma nossa existência.

“O livro da natureza é uno e indivisível, tanto no que diz respeito à vida, sexualidade, matrimônio, família, relações sociais, em suma, o desenvolvimento humano integral”, disse o Papa.

Há uma antinomia fundamental em nossa mentalidade se, por um lado, insistimos no respeito pelo meio ambiente natural enquanto, por outro lado, não respeitamos o direito à vida e à morte natural, insistia Bento XVI.

A relação entre o respeito pelo meio ambiente e o respeito pela vida foi um tema recorrente nas declarações do Papa sobre ecologia.

“Os grandes temas morais, vitais, da paz, a não-violência, a justiça e o respeito da criação não conferem por si só a dignidade ao homem”, dizia ao novo embaixador da Irlanda junto à Santa Sé em 15 de setembro de 2007.

A vida humana tem uma dignidade natural, explicava. “É preocupante o fato de que frequentemente os mesmos grupos sociais e políticos que, admiravelmente, estão mais em harmonia com a maravilha da criação de Deus dão pouca atenção para a maravilha da vida no útero”, comentava o Papa.

Ecologia e Paz

No início desse ano, em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2007, Bento XVI também uniu o respeito pela ecologia e paz.

“Assim, pois, além da ecologia e natureza há uma ecologia que podemos chamar ‘humana’, e que por sua vez requer uma ‘ecologia’ social’”, observava. A experiência demonstra que toda atitude irresponsável com o meio ambiente resulta em danos da convivência humana, e vice-versa”, acrescenta.

“Cada vez mais é possível ver claramente um nexo inseparável entre paz com a criação e a paz entre os homens. Ambas pressupõem a paz com Deus”, concluía o Papa.

Essa relação entre ecologia e paz voltou como tema central da Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2010.

O meio ambiente é um dom de Deus a todos os povos, dizia. Nem a natureza e nem os seres humanos podem ser vistos como meros produtos, afirmava o pontífice. Ele encorajava a uma maior solidariedade entre as nações ao tratar os problemas ecológicos e examinar nosso estilo de vida, modelos de consumo e produção.

Mais uma vez ele advertiu contra o panteísmo ou o paganismo em que se considera que nossa salvação só pode ser alcançada no mundo natural. Bento XVI estabelecia que a Igreja tem fortes reservas sobre uma visão ecocêntrica ou biocêntrica do meio ambiente.

O perigo dessas posturas é que não veem diferença alguma entre a pessoa humana e as demais criaturas vivas.

“Dessa forma, é anulada na prática a identidade e o papel superior do homem, favorecendo uma visão igualitária da dignidade de todos os seres vivos”, advertia.

Ao concluir a mensagem, Bento XVI observou que os cristãos contemplam o cosmos e as maravilhas da obra criadora do Pai e da obra redentora de Cristo. O cuidado do meio ambiente, o respeito pelos valores humanos e a vida, a solidariedade entre todos estão assim ligados à nossa fé em Deus, criador e redentor. Uma visão complexa do natural e do sobrenatural que vai além da ideia de ser simplesmente verde.

Fonte: Zenit

* A Ecologia e a fé Católica.

terça-feira, fevereiro 23rd, 2010

Hoje em dia é cada vez mais comum na mídia o tema “ecologia”. Já é praticamente impossível assistir televisão por uma hora sem ouvir a palavra sequer uma vez. Chavões como “vamos salvar o planeta” já viraram irritantes clichês de programas de auditório.

É justamente em meio a essa enxurrada de informações, que são divulgadas muitas vezes de forma discreta, ideias que contrariam completamente a fé católica e os ensinamentos de Cristo. A preservação ambiental é colocada como pretexto para a prática de superstições e falsas doutrinas como o panteísmo.

Pior ainda é quando ganham espaço nos meios de comunicação, ideias do chamado “movimento anti-humano” (sim, isso existe!). Este movimento prega que para que a natureza volte ao seu estado de equilíbrio, é preciso reduzir drasticamente a população mundial através de métodos como o aborto e a eutanásia.

Sendo assim, qual é o papel dos cristãos de frente esta realidade? Poderíamos nós rejeitar completamente o ambientalismo classificando-o como demoníaco? Não!

A nossa fé prega o Amor, o direito de todos poderem desfrutar da criação Divina, da qual também nós fazemos parte. O catecismo da igreja católica (cap.I p.5 II) nos ensina que tudo que existe é regido pelo Amor de Deus e a Palavra revela que ao final da criação ”Deus viu que tudo era bom”.

O catecismo também ensina que todas as criaturas são desejadas em si mesmas por Deus e por isso não podemos menosprezá-las. A natureza deve ser encarada pelos cristãos não como algo a mercê de nossos prazeres e egoísmo, mas como reflexo do Amor Divino, presente de Deus e direito de todas as gerações (inclusive as que estão por vir).

Mas então, como viver estes preceitos sem ceder às falsas doutrinas? Através dos valores evangélicos!

Os anti-humanos alegam que não há recursos naturais disponíveis para todos os humanos da Terra. Provemos a eles que através da partilha, renunciando ao consumismo, podemos garantir vida em abundância para todos neste planeta.

Atitudes simples como tomar um banho mais curto ou separar o lixo podem ser encaradas como sacrifícios em prol do próximo. “Seria muito mais prático apenas juntar todo o lixo em qualquer canto, mas renuncio a esta praticidade em nome dos que precisam de solo e água limpos para sobreviver no futuro”. É com raciocínios como este que os cristãos devem encarar a questão.

Afinal, nossa fé deve ser aplicada a todos os aspectos da nossa vida, inclusive à nossa relação com o meio. A natureza não é para nós uma deusa a quem devemos adorar, nem mesmo nossa “mãe”. Ela é nossa irmã, é de certa forma parte de nós, devemos nos unir a ela para juntos exaltarmos Jesus, criador de tudo e Verdadeiro Senhor.

Que possamos a cada dia converter-nos também em nossa relação com aquilo que nos cerca, e praticar “atitudes ecologicamente corretas” com verdadeira intenção de sermos melhores!

Iago Freitas Dantas

* A visão da Igreja sobre a questão ambiental é diferente da visão dos movimentos ambientalistas ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”. Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro.

Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita de maneira muito clara as bases que devem fundamentar a ecologia humana.

“Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.

O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma bento XVI – na medida em que porta em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida, caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.

Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.

Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.

O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.

Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”.

Zenit

*A melhor forma de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população ? Será ?

sábado, dezembro 26th, 2009

O melhor jeito de combater o aquecimento global é reduzindo o excesso de população por meio da contracepção e do aborto, de acordo com um relatório da prestigiosa Escola Londrina de Economia e Ciência Política (ELECP),da Inglaterra.

De acordo com o relatório, comissionado pelo grupo ambientalista radical pró-aborto e anti-seres humanos Optimum Population Trust, cada 4 libras gasta em “planejamento familiar” durante os próximos quarenta anos reduziria as emissões globais de CO2 em mais que uma tonelada. Isso ultrapassaria os ganhos de se gastar em “tecnologias de baixa emissão de carbono” em 15 libras.

“Considerado puramente como um método de reduzir futuras emissões de CO2” tais métodos de “planejamento familiar” como aborto, esterilização e distribuição em massa de anticoncepcionais “deveriam ser vistos como os principais métodos de redução de emissões”. Com base em seus dados em relatórios do UNICEF e do FNUAP sobre a “necessidade não atendida” de “planejamento familiar” no mundo em desenvolvimento, o relatório concluiu que se essa necessidade for atendida, haverá uma economia de 34 bilhões de toneladas de CO2”.

As agências da ONU citadas no relatório da ELECP afirmam que 40 por cento de todas as gravidezes mundiais não são planejadas e portanto indesejadas. Isso, dizem eles, significa que há uma necessidade não atendida de aborto, esterilização e contraceptivos artificiais que, se atendidos, reduziriam o número de gravidezes não planejadas em 72 por cento.

Os termos “emissores” no relatório intitulado “Menos Emissores, Menos Emissões, Menos Custos” se refere aos seres humanos. Roger Martin, presidente de Optimum Population Trust na ELECP, disse: “Sempre foi óbvio que as emissões totais dependem do número de emissores bem como suas emissões individuais — não dá para abaixar a tonelagem de carbono como queremos, enquanto a população não parar de aumentar”.

Gerald Warner, colunista do jornal Telegraph, comentou que a proposta para reduzir as emissões de carbono reduzindo-se as pessoas não é suficiente para os extremistas ambientalistas anti-seres humanos. “Por que não economizar 80 bilhões de toneladas acabando completamente com a gravidez? Há só um jeito garantido de impedir o aquecimento global provocado pelos homens e esse é abolindo o homem”.

Warner continuou: “Tendo gerado histeria em massa muito lucrativa e tendo excluído cientistas honestos que mostram que a calota polar ártica está crescendo, não diminuindo; que a população de ursos polares está aumentando, não diminuindo; e que a contribuição humana total para o CO2 atmosférico é minúscula, tornando irrelevantes quaisquer ajustes em seu tamanho, os fanáticos do aquecimento estão aprendendo as alegrias da coerção”.

A classe científica discute muito a equação da “explosão populacional” com o aumento de “emissões de carbono” e portanto “mudanças climáticas” provocadas pelo homem, e muitos deles estão denunciando-a como ciência falsa de inspiração ideológica. Contudo, é o alicerce de boa parte da teoria ambientalista moderna, inclusive de uma organização chamada Movimento em prol da Extinção Voluntária dos Seres Humanos, cujo lema é “Que vivamos muito e que a morte extermine a todos nós”.

As críticas da classe científica não impediram os governos de aceitar essa doutrina sem questionar. Nesta semana, a Comissão sobre Mudança Climática do Parlamento, criada pela Lei de Mudança Climática de 2008, orientou o governo trabalhista a descartar planos para construir uma terceira pista de decolagem no aeroporto de Heathrow, um dos mais ativos do mundo, dizendo que tem de haver um “limite global nas emissões da aviação”.

A menção do relatório da ELECP ao carbono sendo “economizado” é em referência à crescente prática administrativa dos governos chamada de “comércio de emissões”, às vezes denominada de “limite e comércio”. Um governo que colocou um limite nas emissões permitidas de CO2 dá “licenças de emissões” ou “créditos de emissões” que permitem que empresas emitam uma quantidade específica de CO2. As empresas que querem aumentar sua concessão de emissões poderão comprar esses créditos de empresas que poluem menos, o que significa em efeito que a empresa compradora poderá continuar a emitir poluentes na mesma taxa, e que as empresas que não poluem poderão vender seus créditos para a empresa que oferecer o melhor preço.

Os que criticam essa prática dizem que embora tenha criado um novo comércio lucrativo e esteja aumentando os ganhos do governo, muito pouco faz para reduzir as emissões de carbono. O maior sistema de comércio de “mercado de carbono” no mundo é o administrado pela União Européia. O comércio de emissões de carbono vem aumentando sem parar em anos recentes, com o Banco Mundial calculando que cresceu de 11 bilhões de dólares em 2005 para 30 bilhões em 2006 e 64 bilhões em 2007.

* É o controle populacional a resposta para os problemas do mundo, inclusive o aquecimento global ?

quarta-feira, dezembro 23rd, 2009

Por Pe. John Flynn, L.C.

A cúpula do clima de Copenhague trouxe uma enxurrada de opiniões sobre questões ambientais. Entre elas está um retorno inquietante da posição malthusiana de ver o controle da população humana como uma das soluções para os problemas do mundo.

De acordo com um artigo de opinião de Diane Francis, publicado no dia 8 de dezembro no jornal canadense National Post, é necessário que se instale mundialmente a política chinesa de um filho por casal.

Francis afirma que isso iria reduzir a população mundial atual de 6,5 bilhões para 3,43 bilhões, em 2075. Embora a ação seja mais extrema do que a maioria, ela não está sozinha na defesa do controle populacional.

Pouco antes da reunião de Copenhague, Optimum Population Trust, da Grã-Bretanha, lançou um esquema de compensação de carbono, de acordo com o jornal The Guardian, em notícia publicada no dia 3 de dezembro.

Segundo explicava John Vidal, redator de meio ambiente do jornal, isso permite aos consumidores ricos compensar seu estilo de vida de viagens em jatos privados financiando a anticoncepção nos países mais pobres.

Segundo Vidal, os cálculos de Trust mostram que as 10 toneladas de carbono emitidas por um voo de Londres a Sydney poderiam ser compensadas evitando o nascimento de uma criança em um país como o Quênia.

Parece que o neocolonialismo ainda está vivo nas atitudes de alguns ambientalistas que não veem qualquer problema em fazer que as nações em desenvolvimento contenham sua população para que as emissões de carbono dos países mais ricos sejam compensadas.

Ao lançamento do programa seguiu um relatório publicado em agosto por Trust: “Menos Emissores, Menos Emissões, Menos Custo: Reduzir as emissões futuras de carbono investindo em Planejamento Familiar”.

As conclusões do estudo afirmavam: “a análise de custo/benefício revelou que o planejamento familiar é consideravelmente mais barato do que muitas tecnologias que visam a diminuir a emissão de carbono”.

“Com base nos resultados do estudo, propõe-se que os métodos de planejamento familiar sejam considerados uma ferramenta básica na estratégia de contenção das emissões de carbono”, defende o relatório.

Previsão de desastres

O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) juntou-se ao coro malthusiano com a publicação de seu Informe de Estado da População Mundial 2009.

O informe impulsionava um maior acesso à “saúde reprodutiva”. Este termo das Nações Unidas há de se entender incluindo o acesso a preservativos, contraceptivos e ao aborto.

“Alcançado um ponto onde a humanidade está beirando o desastre”, afirmou Thoraya Ahmed Obaid, diretora executiva do UNFPA, no lançamento do relatório, em Londres, no dia 18 de novembro.

O relatório foi apresentado pela imprensa com títulos como: “ONU: Lutar contra as mudanças climáticas com preservativos livres” (Associated Press, Nov. 18).

“Controle de Natalidade: A maneira mais eficaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, alardeou no dia 19 de novembro a manchete do jornal Times de Londres, em uma matéria sobre o relatório.

Junto a este chamado à saúde reprodutiva nas nações em desenvolvimento, e para confundir mais, havia outras declarações que contradiziam a tese de que menos gente nos países mais pobres distanciaria o mundo do precipício do desastre ambiental.

“A responsabilidade principal para o atual acúmulo de gases de efeito estufa é dos países desenvolvidos”, o relatório admitiu.

“A relação entre a população e a mudança climática é, na maioria dos casos, complexa e indireta”, de acordo com a análise feita pelo relatório.

O melhor guia para a questão da população e do meio ambiente veio em um relatório especial publicado através da revista The Economist na edição do dia 31, em outubro.

No editorial que acompanha o relatório, a revista apontou que a tendência da baixa fertilidade nos países em desenvolvimento já é avançada. “A queda atualmente da fertilidade é muito grande e muito rápida”, publicou.

Imoral

De acordo com o edital, nós podemos limitar o impacto humano sobre o meio ambiente de três formas: política demográfica, tecnologia e governança. Com respeito à população, não há muito mais a ser feito, argumentou a revista. Apenas uma “coação ao estilo chinês” poderia trazer uma mais rápida redução na fertilidade.

Notadamente, para uma publicação que não defende nenhuma forma de religião, o editorial também acrescentou que: “forçar os pobres a ter menos filhos do que eles desejam porque os ricos consomem demasiados recursos do mundo seria uma atitude imoral”.

O próprio relatório propõe que a forma de lidar com as emissões de carbono e as preocupações ambientais não é tentar reduzir a fertilidade e sim alterar o crescimento econômico de modo que seja menos poluente e com menos recursos.

O sociólogo britânico Fran Furedi explorou o retorno do malthusianismo em uma artigo escrito para o site Spiked. Seu comentário, no dia 7 de dezembro, atacou duramente as propostas da Optimum Population Trust por ser “um organização malthusiana quase zumbi dedicada à causa da redução humana”.

“Durante a maior parte da história, a vida humana tem sido valorizada e vista como possuidora de uma qualidade especial que não poderia ser reduzida”, observou Furedi.

Furedi baseava seus comentários em uma perspectiva humanista e não em uma perspectiva religiosa. “Não há uma única qualidade na perda da vida humana”, argumentou.

Ele também perguntou por que os outros humanistas não se demonstravam interessados em defender a vida humana e defender os ideais desenvolvidos no Renascimento e no Iluminismo.

Perdendo a fé

“Um mundo que pode colocar um sinal de igualdade entre um bebê e o carbono é um mundo que perdeu a fé na humanidade”, lamentou Furedi.

Outro comentário interessante foi publicado no dia 9 de dezembro pelo site australiano On Line Opinion, escrito por Farida Akhter, de Bangladesh. Segundo o artigo, ela é a diretora-executiva de uma organização que trabalha com comunidades em Bangladesh e também dirige uma editora feminista.

Akhter refletia sobre o Informe de Estado do UNFPA e dizia que é uma abordagem simplista considerar que as mulheres podem resolver os problemas ambientais simplesmente reduzindo sua fertilidade.

Lançar como objetivo as nações em desenvolvimento simplesmente não tem sentido, afirmou. Citando dados do relatório da UNFPA, indica que os 500 milhões de pessoas mais ricas do mundo são os responsáveis por 50% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

Então, continuou, mesmo que o crescimento populacional seja reduzido nos países mais pobres, a sua contribuição para a redução das emissões de carbono ou para o consumo de recursos não será significativa.

“Não vamos tornar as mulheres alvo de contraceptivos com o intuito de resolver a mudança climática”, concluiu.

Um sentimento partilhado por Jennie Bristow, editora da publicação britânica Abortion Review.

Ela também escreveu um artigo para Spiked sobre o tema  “população e ecologia”, no dia 6 de outubro.

Bristow defendia o aborto e a contracepção, mas também enfatizava que a história está cheia de exemplos onde estas práticas têm sido imposta às mulheres por parte de autoridades que queriam decidir quantos filhos deveriam nascer.

Respeito

Seu ensaio era crítico à posição pró-vida, mas também argumentava que “devem-se responder sérias questões sobre até que ponto é genuíno o compromisso pela livre eleição entre aqueles que gostariam que as mulheres elegessem em última instância não ter filhos, ou não mais que um certo número de filhos”.

É certo que temos uma responsabilidade com o meio, assinala Bento XVI em sua encíclica “Caritas in Veritate”.

O que está em jogo, porém, é algo mais do que apenas as questões ecológicas, diz o Papa. O respeito pela natureza também inclui o respeito pela vida humana. “Os deveres que temos para com o ambiente estão ligados com os deveres que temos para com a pessoa considerada em si mesma e em relação com os outros”, afirma (n º 51).

Se os dois se opõem, há “uma grave antinomia da mentalidade e do costume atual, que avilta a pessoa, transtorna o ambiente e prejudica a sociedade”, prossegue o pontífice. Uma contradição proposta por poucas vozes no debate sobre como enfrentar os atuais temas de meio ambiente.

* Jornal italiano: “Ecologismo” do Papa é superior ao de Al Gore.

quinta-feira, dezembro 17th, 2009

O editorial de ontem do jornal italiano Il Foglio, dirigido pelo agnóstico Giuliano Ferrara, destaca o “ecologismo” do Papa expresso em sua mensagem para a Jornada Mundial da Paz dado a conhecer ontem, que tem Deus como ponto central de referência e o homem como senhor da criação; e explica também que esta posição é distinta e superior à exposta pelo Ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.

No editorial titulado “O Papa denuncia a crise ecológica mas não se inscreve na igreja de Al Gore” (quem ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2007 por seu ativismo sobre a mudança climática) se ressalta que Bento XVI denuncia uma série de desafios relacionados à natureza, e precisa que “afirmar a crise ecológica não significa compartilhar a religião ambientalista ou o ambientalismo como religião”.

“A fé do Papa –prossegue o editorial do Il Foglio– é distinta, impregnada pela transcendência de um Deus que cria o homem à sua imagem e semelhança para confiar a ele a natureza, e evidentemente não necessita crenças substitutas, nem ideologias encobertas pela ciência”.

Ao contrário, diz o texto, “o Papa adverte sobre o perigo de absolutizar a natureza e conferir uma primazia sobre a pessoa, coisa fácil de fazer se a pessoa não for mais que uma partícula da natureza ou se for considerada a ideologia reducionista e determinista que exclui, além da certeza científica, a liberdade autoconsciente da humanidade”.

A editorial ressalta logo que “egocentrismo e biocentrismo são as palavras escolhidas (por Bento XVI) para explicar que o meio ambiente e a vida vegetal e animal são parte de um desenho no qual o homem e a mulher estão à frente de seu governo e custódia, em quanto criaturas humanas diferenciadas no plano do ser, de sua constituição física e metafísica, em relação à criação confiada às suas mãos”.

“Bento XVI –prossegue Il Foglio– fala de um ‘panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, no sentido puramente naturalista, a salvação do homem’. Esta não pode não ser a gramática de fé de um pastor, do bom pastor dos católicos. É também um indício de civilidade e de cultura, uma sintaxe interessante para nós os leigos e modernos (e pós-modernos)”.

Finalmente, o editorial do jornal dirigido pelo agnóstico Ferrara assinala que “de fato também nós há um tempo nos surpreendemos e censuramos intelectualmente, apoiados em critérios racionais ligados ao relato bíblico, o ambientalismo mágico dos gurus e das associações militantes para a redenção globalista, especialmente quando se intercambiam duvidosos e-mails manipuladores, em uma dança idolátrica como tantas outras, movidos por potentes interesses privados, como se fosse algum tipo de magia”.

Fonte : ACI

* Ecopanteísmo. Você sabe o que a Igreja pensa sobre isso?

quarta-feira, dezembro 16th, 2009

O respeito à natureza está estreitamente relacionado ao respeito à pessoa humana, pois “o livro da natureza é único”.

Portanto, o respeito pelo meio ambiente não pode estar contra o respeito à pessoa humana, à sua vida e à sua dignidade. Ao contrário, o homem é superior ao resto da criação e por isso tem o dever de cuidar dela e protegê-la.

Assim afirma o Papa Bento XVI em sua mensagem por ocasião do próximo Dia Mundial da Paz, que será celebrado em 1º de janeiro de 2010, e que dedicou este ano à questão do respeito ao meio ambiente, necessário para promover a paz do mundo.

Na mensagem, o Papa adverte contra as atuais tendências filosóficas que levam a considerar o ser humano como um perigo para o meio ambiente e que inclusive propugnam o controle da população como uma medida de proteção da natureza.

Bento XVI explica que “uma visão correta da relação do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa”.

“Se o magistério da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concepção do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, fá-lo porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os outros seres vivos.”

Deste modo, adverte o Papa, “chega-se realmente a eliminar a identidade e a função superior do homem, favorecendo uma visão igualitarista da ‘dignidade’ de todos os seres vivos”.

Este “igualistarismo” falso faz parte, explica, de um “novo panteísmo com acentos neopagãos que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salvação para o homem”.

“Ao contrário, a Igreja convida a colocar a questão de modo equilibrado, no respeito da ‘gramática’ que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardião e administrador responsável da criação, papel de que certamente não deve abusar, mas também não pode abdicar”, esclarece.

O Papa explica que “há uma espécie de reciprocidade: quando cuidamos da criação, constatamos que Deus, através da criação, cuida de nós”.

“Com efeito, a posição contrária, que considera a técnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado não só à natureza, mas também à própria dignidade humana”, acrescenta.

Ecologia humana

Neste sentido, o Papa sublinhou que uma verdadeira proteção da natureza está intimamente relacionada com o respeito à dignidade da pessoa, o que se chama de “ecologia humana”.

“Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros”, afirma o pontífice.

Neste sentido, sublinha a importância de uma educação na responsabilidade ecológica que “salvaguarde uma autêntica ecologia humana”.

É necessário afirmar, “com renovada convicção, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condições, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família, onde se educa para o amor ao próximo e o respeito da natureza”.

“É preciso preservar o patrimônio humano da sociedade. Este patrimônio de valores tem a sua origem e está inscrito na lei moral natural, que é fundamento do respeito da pessoa humana e da criação”, acrescenta o Papa.

“Não se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se não são ajudados, em família e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza é único, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da ética pessoal, familiar e social.”

Bento XVI sublinha que a Igreja “tem a sua parte de responsabilidade pela criação e sente que a deve exercer também em âmbito público, para defender a terra, a água e o ar, dádivas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destruição de si mesmo”.

“Com efeito, a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana, pelo que, quando a ‘ecologia humana’ é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental.”

A Igreja não é autora da verdade humana, sujeita às revisões de cada tempo, mas depositária da VERDADE revelada por Deus, em Cristo Jesus.
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