Artigo da ‘educação’ Categoria

* Escola católica dos EUA não aceita matricula de filhas de casal lésbico.

domingo, março 14th, 2010

A Arquidiocese de Denver, no Estado americano do Colorado, decidiu não aceitar a inscrição de duas crianças em uma escola católica de Boulder, no ano que vem, pelo fato de que elas são filhas de um casal de lésbicas. A informação foi divulgada nesta quarta-feira pela CNN.

“A Igreja não afirma que as pessoas com orientação sexual homossexual são “más”, ou que seus filhos são menos amados por Deus”, escreveu o arcebispo Charles J. Chaput em um artigo no Registro Católico de Denver.

Ele afirmou que pessoas com diferentes entendimentos de casamento e vida em família “têm outras excelentes opções de educação”.

A decisão vale para a escola Sagrado Coração de Jesus, onde as crianças estavam matriculadas. A mais velha iria para o primeiro ano do ensino fundamental, enquanto a mais nova iria para o jardim de infância.

* Suíça: Diante do aumento de DST´s entre crianças, estado responde- não com educação- mas com preservativos “para crianças”.

segunda-feira, março 8th, 2010

- Um estudo que demonstra o alarmante incremento entre crianças de entre 10 e 14 anos levou o governo suíço a responder… com o lançamento de preservativos “extra small”.

Um estudo levado a cabo pela Comissão Federal para a Infância e a Juventude do governo suíço tem descoberto um crescimento significativo na percentagem de menores de entre a um total de 1 480 pessoas de 10 a 20 anos e comprovou que uma maior porcentagem de menores de entre 10 e 14 anos mantém relações sexuais “com freqüência”, em comparação com as estatísticas dos anos noventa.

Como “resposta”, o governo decidiu não só lançar os preservativos de menor longitude e diâmetro, mas sim decidiu dar-lhes o nome apelante de Hotshot.

Frente aos críticos que assinalam que deveria empreender uma campanha para acautelar a iniciação sexual precoce, o governo suíço se defendeu citando um estudo da Universidade de Basiléia (Basel) que assinala que os menores estão mais expostos às enfermidades de transmissão sexual porque utilizam mal o preservativo

Os críticos, entretanto, insistem que a reportagem da Universidade também diagnostica que “os menores não têm uma informação sexual adequada e não compreendem as conseqüências do que estão fazendo”; e que este problema não se solucionará com preservativos de menor tamanho e sim com uma mudança de conduta.

ACI

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Cadê os pais ?

* Para encontrar a liberdade é necessário subordinar o desejo imediato ao julgamento da razão.

sexta-feira, março 5th, 2010
Rocco Buttiglione

Rocco Buttiglione é um prestigioso intelectual católico que no ano 2004 foi discriminado por sua fé para um cargo na União Européia. Agora escreve um artigo no L’Osservatore Romano no qual explica que a educação de crianças e jovens exige uma série de restrições, assim como a formação na liberdade para procurar a verdade, e uma correta ascese que vai de mãos dadas com a experiência da autoridade.

No texto titulado “Sem proibições não há liberdade”, o também membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais assinala que no centro do debate sobre a “emergência educativa” deve-se ter em conta uma entrevista do Papa Bento XVI na que assinala que “a educação bem conseguida é a formação no reto uso da liberdade”.

Para explicar isto, Buttiglione adverte primeiro que uma primeira etapa nesta educação é extirpar da mente um preconceito corrente: “que para educar na liberdade basta eliminar todo vínculo e abandonar os jovens ao simples desenvolvimento natural de suas paixões”. Isto, explica, é o “pròton psèudos (o ‘engano originário’) da pedagogia moderna.

Depois de explicar que esta maneira de ver as coisas ignora a tendência ao mal, à concupiscência introduzida no homem pelo pecado original que também fere sua vontade, o intelectual assinala que “a pedagogia emancipadora e permissiva de nosso tempo ignorou voluntariamente esta estrutura antropológica do ser humano. A intenção era realizar um homem liberado e os resultados estão muito longe das promessas iniciais”.

Depois de ressaltar que “a liberdade do homem não é a liberdade do instinto” e que só a partir do “verdadeiro bem da pessoa é possível selecionar, ordenar e organizar as estruturas interiores de um ser humano inteligente e livre”, Buttiglione assegura que para encontrar a liberdade é necessário “subordinar o desejo imediato ao julgamento da razão. Devemos selecionar entre os muitos desejos alguns que queremos realizar verdadeiramente e concentrar neles a energia da vida que se chama trabalho”.

O intelectual adverte logo sobre uma tendência atual que busca colocar à espontaneidade como um ídolo e explica a necessidade de aderir-se “verdadeiramente ao bem para procurar a verdade”.

Para obter isto, prossegue, são necessários dois fatores fundamentais no processo educativo “que hoje são sistematicamente ignorados”: a ascese e a experiência da autoridade.

A ascese, explica Buttiglione, “é a capacidade de dizer que não, de resistir à violência com a que o impulso exige ser satisfeito imediatamente sem uma reflexão que se pergunte sobre o fato de que se isso corresponder à verdade ou ao verdadeiro bem da pessoa. O permissivismo contemporâneo difamou a ascese identificando-a com a ‘repressão’. A ascese implica certamente a força de reprimir mas implica também a capacidade de dar à energia proveniente do instinto uma nova forma, correspondente à verdade da pessoa. Sem ascese não há educação da pessoa”.

Ao falar logo depois da experiência da autoridade, o perito católico indica que esta é “a presença do valor em uma pessoa que dá testemunho dele, o faz direta e facilmente perceptível para os outros. A autoridade é a guia no caminho para a experiência do valor. Sem ascese e sem autoridade não há experiência educativa. A autoridade transmite a experiência dos valores para que esta possa provar-se na vida do discípulo. O discípulo não repetirá servilmente esta experiência assim como se realiza na vida do mestre mas a confrontará com sua experiência própria e a filtrará através dela revivendo-a e fazendo-a própria”.

Buttiglione denuncia logo que “a sociedade permissiva oferece ao jovem muitas modalidades de satisfação imediata do próprio instinto, mas deste modo torna mais difícil a formação de uma personalidade livre, capaz de estabelecer uma relação adequada com a verdade e de fazer tal relação a guia da própria construção social. A educação ‘tradicional’ convidava a lutar por controlar as próprias paixões, a procurar a verdade, a orientar as paixões segundo a verdade e para a verdade”.

Com a promoção social da “obediência” às próprias paixões, explica o perito católico, impede-se “que se forme uma personalidade responsável e livre, para criar uma massa livremente manipulável por parte de quem detém o poder. Este é o problema da educação de nosso tempo”.

“O ponto de chegada de boa parte das modernas tendências ‘desconstrucionistas’ é a desconstrução do eu e a abolição da personalidade consciente. Pare reconstruir a educação é necessário voltar a começar a partir de testemunhos autorizados –não deveriam ser os primeiros nisto os pais e os educadores?– que sejam capazes de indicar sem ambigüidade o percurso de uma ascese que permita ser capazes da verdade, que permita avançar no caminho de sua busca”, conclui.

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Sábias palavras !

* Estudo mostra que crianças e jovens querem receber educação sexual dos seus pais.

quinta-feira, março 4th, 2010

Um recente estudo realizado no Canadá revelou que as crianças e adolescentes escutam e querem aprender de seus pais a tão necessária educação sexual para viver uma reta sexualidade.

Uma das conclusões do estudo realizado pelo Institute of Marriage and Family Canada (Instituto de Matrimônio e Família do Canadá-IMFC) assinala que “embora pareça desalentador ver algumas correlações entre as condutas da família há alguns anos e a atividade sexual de seus filhos, atualmente as notícias são positivas: os adolescentes escutam e querem escutar os seus pais, como indicam as pesquisas”.

Esta investigação, conduzida pelo Dr. Frank Jones, realizou-se em base às estatísticas do National Longitudinal Survey of Children and Youth (Pesquisa nacional entre crianças e jovens) explica que os dados da investigação se extraíram de um estudo realizado entre crianças de seis a onze anos, entrevistadas novamente oito anos depois, já como adolescentes, aonde se mostra que o estilo de vida dos pais influi diretamente na vida sexual de seus filhos.

Os dados mostram, entre outras coisas, que as filhas de pais alcoólatras tinham 38 por cento mais de probabilidades de ser sexualmente ativas, enquanto que 22 por cento mais dos filhos de fumantes se encontravam na mesma situação.

O estudo ressalta além que “um estilo de vida dos pais que é cálido, comunicativo, próximo e que se envolve com seus filhos estabelecendo limites, protege os adolescentes de situações de risco e os ajuda a desenvolver-se como adultos saudáveis e autônomos”, adiando sua iniciação sexual.

Depois de recordar que “as condutas dos pais e suas atitudes durante a infância de seus filhos moldam as opções sexuais em sua etapa de adolescentes”, o estudo revela que as crianças criadas em um ambiente de fé têm 40 por cento menos probabilidades, que a média nacional do Canadá, de serem sexualmente ativos

Por estas e outras razões, o estudo destaca que “a educação sexual deve envolver os pais reconhecendo seu papel como primeiros educadores neste campo” e que estes devem dedicar-se a “criar um lar saudável e estável caracterizado pela comunicação aberta e cálida”.

* Atenção pais: novos argumentos a favor das escolas católicas.

quarta-feira, março 3rd, 2010

Gilbert K. Chesterton

Ser moderno?

Um homem que seriamente descreve seu credo como modernismo poderia, da mesma forma, inventar um credo chamado “segunda-feirismo”, querendo dizer que ele tem uma fé especial a tudo que lhe acontece nas segundas-feiras; ou um credo chamado “manhanismo”, querendo dizer que ele acredita nas idéias que lhe ocorrem nas manhãs, mas não nas tardes.

A modernidade é apenas o momento em que por acaso nos encontramos, e ninguém que pensa considerará isso superior tanto em relação ao tempo posterior quanto ao antecedente. Mas, num sentindo relativo e racional, podemos nos congratular por sabermos das novidades do momento, por termos percebido os fatos e descobertas recentes que algumas pessoas ainda ignoram.

E é neste sentido que podemos verdadeiramente chamar de um fato científico, e especialmente psicológico, o conceito fundamental da educação católica.

Nossa demanda por uma cultura completa, baseada em sua própria filosofia e religião, é uma demanda que não encontra resposta à luz da mais vital, e mais moderna, psicologia. Quanto a isso, para aqueles que se preocupam com tais coisas, dificilmente haverá uma palavra mais moderna que atmosfera.

Ora, contanto que estejam engajados em algo diferente de uma discussão conosco, nossos amigos modernos e científicos nunca se cansam de nos dizer que a educação deve ser tratada como um todo; que todas as partes da mente se afetam mutuamente; que nada é trivial demais para não ser significante ou mesmo simbólico; que todos os pensamentos podem ser “coloridos” por emoções conscientes ou inconscientes; que o conhecimento nunca pode ser colocado em compartimentos estanques; que o que parece um detalhe desprezível pode ser o símbolo de um desejo profundo; que nada é negativo, nada está a descoberto, que nada permanece separado, isolado.

Eles usam esses argumentos para todo o tipo de propósitos, alguns deles lógicos, alguns quase insanamente tolos; mas é assim, em geral, como eles agem. E uma coisa que eles não sabem é que estão argumentando a favor da educação católica, e especialmente a favor da atmosfera católica nas escolas católicas. Se soubessem, talvez desistissem de seus argumentos.

De fato, aqueles que recusam a entender que uma criança católica deve ter uma escola completamente católica vivem naqueles velhos tempos, velhos e maus tempos, em que ninguém queria educação, mas somente instrução.

Eles são relíquias de um tempo morto quando se pensava que era suficiente treinar, de forma supostamente mecânica, os alunos em duas ou três lições maçantes e inúteis.

Eles descendem do filisteu original que primeiro falou sobre “Os Três R’s”e a piada sobre ele é muito simbólica de seu tipo e de seu tempo. Pois ele era um tipo de homem que insistia muito literariamente sobre o letramento, e, ainda assim, se mostrava iletrado.

Eles eram homens ricos muito iletrados que exigiam ruidosamente educação. E dentre as marcas de sua ignorância e estupidez estava uma marca particular que consistia em considerar letras e figuras como coisas mortas, muito separadas entre si e da visão geral da vida. Eles pensavam que um menino que aprendia suas primeiras letras estava muito separado de um homem de letras. Eles pensavam que um menino envolvido em seus cálculos poderia se tornar uma máquina calculadora.

Quando alguém lhes disse, portanto, “Essas coisas devem ser ensinadas numa atmosfera espiritual”, eles consideraram isso um contra-senso; tiveram uma vaga idéia de que uma criança só pudesse fazer uma simples adição se tivesse envolvida pelo aroma do incenso. Mas eles consideravam uma simples adição muito mais simples do que realmente era. Quando um polemista católico lhes disse, “Mesmo o alfabeto pode ser aprendido de uma maneira católica”, eles o consideraram um fanático delirante, pensaram que ele afirmava que ninguém nunca poderia ler algo que não fosse um missal em latim.

Mas ele acreditava no que dizia, e o que ele dizia era razoável psicologia. Há uma perspectiva católica do aprendizado do alfabeto; por exemplo, ela evita que você pense que a única coisa que importa é aprender o alfabeto; ou que você despreze pessoas melhores que você, se elas acaso não aprenderam o alfabeto.

A antiga e não-psicológica escola de instrutores costumava dizer: “Que sentido pode ter em misturar aritmética com religião?” Mas aritmética está misturada com religião ou, na pior das hipóteses, com filosofia.

Faz uma enorme diferença se o professor afirma que a verdade é real, ou relativa, ou mutável, ou uma ilusão. O homem que dizia, “Dois e dois é cinco nas estrelas fixas”, estava ensinando aritmética de uma maneira anti-racional e, portanto, de uma maneira anti-católica. O católico é muito mais assertivo a respeito de verdades fixas do que de estrelas fixas.

Mas não estou agora discutindo qual filosofia é melhor; estou apenas alertando sobre o fato de que toda educação ensina uma filosofia; se não por meio de dogmas, então será por meio de sugestão, de implicação, de atmosfera. Cada parte da educação tem uma conexão como todas as outras partes. Se todas não combinam para transmitir uma visão geral da vida, não é educação em absoluto. E os modernos educadores, os modernos psicólogos, os modernos homens de ciência, todos concordam em assegurar e reassegurar isto, até que começam a discutir com os católicos sobre as escolas católicas.

Em resumo, se há uma verdade psicológica possível de ser descoberta pela razão humana, ela é esta: que, a menos que os católicos possuam e gerenciem escolas católicas, eles não terão ensino católico. Pois há um argumento contrário a que famílias católicas cresçam sendo católicas, por meio de qualquer sistema que possa ser chamado de educacional no sentido atual do termo. Há um argumento contrário a qualquer concessão aos católicos, ignorando suas idiossincrasias como se elas fossem uma insanidade. Há um argumento para isso, porque há e sempre houve um argumento a favor da perseguição; pois o estado age segundo o princípio de que certas filosofias são falsas e perigosas e devem ser esmagadas mesmo se são sinceramente seguidas; de fato, devem ser esmagadas especialmente porque são sinceramente seguidas.

Mas se os católicos forem ensinar o catolicismo todo o tempo, eles não podem meramente ensinar teologia católica parte do tempo. São nossos oponentes, não nós, que têm um ponto de vista supersticioso e escandaloso sobre a teologia dogmática. São eles que supõe que um “assunto” especial chamado teologia pode ser colocado na cabeça das pessoas por um experimento que dure meia hora; e que essa inoculação mágica durará uma semana num mundo que está inundado de uma concepção de vida contrária.

A teologia é apenas religião articulada; mas, por estranho que pareça aos verdadeiros cristãos que nos criticam, é necessário tanto ter uma religião quanto uma teologia. E religião, como estão sempre muito gentilmente a nos lembrar quando este problema particular não está em foco, é uma coisa para todos os dias da semana e não meramente para o domingo ou para as missas.

A verdade é que o mundo moderno está comprometido com duas concepções totalmente diferentes e inconsistentes de educação. Ele está sempre tentando expandir o escopo da educação; e sempre tentando excluir dela toda a religião e filosofia. Mas isso é absoluto contra-senso. Você pode ter uma educação que ensine ateísmo porque o ateísmo é verdadeiro, e esta pode ser, de seu próprio ponto de vista, uma educação completa. Mas você não pode ter uma educação alegando ensinar toda a verdade, e então recusando discutir se o ateísmo é verdadeiro.

Desde o advento de uma psicologia da educação mais ambiciosa, nossas escolas têm alegado desenvolver todos os aspectos da natureza humana; isto é, produzir um ser humano completo. Você não pode fazer isso e ignorar totalmente uma grande tradição viva, que ensina que o ser humano completo deve ser um ser humano católico ou cristão. Ou você persegue essa tradição até a sua extinção ou permite a ela construir sua própria e completa educação.

Quando o ensino consistia de soletrar, contar e construir porta-panelas e cabides, você poderia até ter razão em dizer que este ensino podia ser conduzido por um batista ou um budista. Mas que sentido tem uma educação que inclui lições de “cidadania”, por exemplo; e então fingir não incluir algo como uma teoria moral, e ignorar todos os que afirmam que uma teoria moral depende de uma teologia moral.

Os instrutores professam revelar todas as dimensões do aluno; a dimensão estética, a atlética, a política etc.; e mesmo assim eles ainda vêm com o rançoso jargão do século XIX sobre o ensino público não ter nada a ver com a dimensão religiosa.

A verdade é que, nessa questão, são nossos inimigos que são antiquados e ainda permanecem na asfixiante atmosfera de uma educação não-científica e subdesenvolvida; enquanto nós estamos ao lado de todos os modernos e sérios psicólogos e educadores no reconhecimento da idéia de atmosfera.

* Educar é formar capacidade de julgar e optar retamente.

quinta-feira, fevereiro 25th, 2010

O Secretário Geral da Conferência Episcopal Italiana, Dom Mariano Crociata, explicou que “educar significa habilitar na capacidade de julgar e optar” na homilia da missa que presidiu no marco do congresso “A pastoral da escola e a instância educativa”.

Na Eucaristia, o Prelado explicou que nisto se recorda “uma grande lição que com muita freqüência é esquecida, se não extirpada ou deixada de lado, porque não raramente se considera que a pessoa se forma seguindo um paradigma de autonomia e incontrolada espontaneidade privada de julgamentos e de pontos de referência”.

O também Bispo Emérito de Noto ressaltou que “educar significa habilitar na capacidade de julgar e optar” e que “não há crescimento nem amadurecimento humano, nem realização social ou profissional, sem o preço da fidelidade, da fatiga e do trabalho assíduo e oneroso, sem a capacidade de sacrificar-se ou de renunciar a algo de si ou, simplesmente, a nós mesmos”.

Finalmente o Prelado disse que os católicos “estamos chamados a reconhecer e viver inteiramente nossa esperança cristã, que sabe escolher entre o bem e o mal e não teme seguir a Cristo pela via da Cruz, como realização plena de nossa humanidade, orgulhosos de podê-la indicar e mostrar como modelo de maturação humana a que deve ter uma autêntica obra educativa”.

* O ambiente ajuda na aprendizagem? Onde você estuda?

segunda-feira, fevereiro 8th, 2010

Quem puder corrigir..

Quem puder corrigir..

Recentemente, fui convidado pelo Magdalen College, uma Faculdade católica de Artes Liberais da cidade de Warner, New Hampshire, para falar sobre o tema: “Qual é a verdadeira crise moral?” Ao voar de volta e pensar sobre a minha estadia ali, reparei que tinha recebido dos estudantes pelo menos tanto quanto procurara dar-lhes – e talvez mais.

Magdalen fez-me lembrar de uma verdade perene central que, tal como o pássaro de São Beda, costuma fugir da mente se não se reflete sobre ela: a de que os estudantes não conseguem crescer em solo infértil.

Ao chegar em casa, um amigo perguntou-me se tudo tinha corrido bem. Respondi-lhe que sim: “Em Magdalen, o solo era fértil, a semente tinha vida, os agricultores eram fortes, entusiastas e competentes, os estudantes eram dóceis e a colheita foi copiosa”. Inspirado nesse solo rico, escrevi uma carta ao Presidente do College, Jeffrey J. Karls, em que resumia a minha experiência:

“Os seus alunos, criados em boas famílias católicas, foram-lhe confiados pelos pais para se tornarem membros da ampla família de Magdalen – in loco parentis. Como filhas e filhos adotivos, tomaram contacto com a beleza do campus, com a capela de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, com a liturgia e música sacras, com os trajes civilizados, com as boas maneiras e com o ensino excelente – todo o fértil solo de Magdalen. E isso produziu bons frutos. Demonstram-no a caridade e o zelo de sua faculdade em dar o que tem – a sabedoria –, e a docilidade e alegria que os seus estudantes põem na busca dessa sabedoria, como pude observar nas duas aulas que vi serem ministradas, bem como nas conversas que tive com os alunos fora da sala de aula. E tudo acompanhado de muita educação, sinal de verdadeira caridade posta em prática”.

Creio que foi G.K. Chesterton quem disse certa vez, naquele seu estilo inimitável, que na educação o ambiente – o solo – é quase tudo. Nisso posso perdoar a Chesterton a sua costumeira tendência ao exagero retórico, pois frisava um ponto importante: de fato, o solo, se não é quase tudo, é pelo menos a coisa mais importante. E o Magdalen College sabe disso: coisa que muitos educadores de hoje esquecem ou, pelo menos, negligenciam.

Contrariamente à opinião de Chesterton, muitos educadores modernos parecem pensar que o ambiente em que se dá a educação aos nossos estudantes conta muito pouco ou nada. A tradição educativa do Ocidente está certamente do lado de Chesterton, ou melhor, ele é que está do lado dela.

Começando por Platão, o primeiro grande comentarista da educação, a tradição nos ensina que os estudantes não conseguem desenvolver-se em solo estéril; que o ambiente do campus onde são educados é de primordial importância para que a educação liberal produza o seu fruto.

E qual é o fruto próprio da educação liberal? A nossa tradição clássica e cristã nos diz que a educação liberal é a arte de tornar o homem melhor enquanto homem, para que assim possa viver uma vida melhor. É também a arte que possibilita ao homem adquirir as virtudes ou hábitos morais e intelectuais. Essas virtudes são os princípios absolutos e universais que regem a educação enquanto arte: são o significado da sua pretensão de tornar o homem melhor. Pois a educação liberal – do latim líber, livre – prepara a pessoa em função do seu próprio bem, e não apenas para algum trabalho.

É a educação de um homem livre, e não de um escravo. Por isso, ao contrário de um escravo, o homem que recebeu essa educação vive por si próprio, no sentido exposto por Marcus Berquist: “compreende interiormente a finalidade da sua vida e a assume na sua própria pessoa”.

A educação liberal forma o intelecto e as virtudes intelectuais. Robert Maynard Hutchins, explicando o enfoque tradicional da educação liberal, aponta: “Ao falar de virtudes intelectuais, refiro-me aos bons hábitos intelectuais.

Das cinco virtudes intelectuais que os antigos distinguiam, três eram virtudes especulativas: o conhecimento intuitivo, que é o hábito da indução; o conhecimento científico, que é o hábito da demonstração; e a sabedoria filosófica, que é o conhecimento – ao mesmo tempo científico e intuitivo – das coisas de natureza mais alta: os primeiros princípios e as causas. As outras duas virtudes correspondem ao intelecto prático: a arte, que é a capacidade de agir conforme o verdadeiro curso do raciocínio, e a prudência, que é a reta razão quanto ao que se deve fazer”.

No entanto, a educação liberal não menospreza a força da vontade – fonte primária da moralidade –, nem, muito especialmente, o cultivo prático das três virtudes morais cardeais – a temperança, a justiça e a fortaleza – que resumem todos os outros valores morais.

Embora ao longo da história da educação liberal tenha havido muita discussão quanto ao ensino dessas virtudes morais – como devem ser ensinadas e se, a rigor, podem mesmo ser ensinadas –, há um consenso geral de que o intelecto tem de estar envolvido no cultivo da vontade. Como diz o antigo ditado, “o intelecto propõe e a vontade dispõe”.

Mark Van Doren comenta a propósito da vontade e do intelecto: “Sem capacidade de abstração, ficaríamos ofuscados ao ver as coisas, tal como o homem de Platão quando sai da caverna. O que não vemos é a natureza daquilo que vemos. «Virtude é conhecimento», disse Sócrates, ao explicar que o ignorante não pode ser corajoso, pois a coragem consiste em saber o que se deve e o que não se deve temer.

A educação moral nada mais é do que reflexão. O método mais seguro de educação moral consiste em ensinar a pensar. Como dizia Pascal, «trabalhemos, pois, para bem pensar: eis o princípio da moral»”.

Consta da declaração de princípios educacionais do Magdalen College que o seu Programa de Estudos “se baseia na visão clássica e cristã da educação liberal”, em coerência com o dito socrático: “uma vida irrefletida não é uma vida digna”. Por isso, anuncia que a sua missão é capacitar os estudantes a “viverem bem a vida”, o que é justamente a finalidade última da educação liberal.

O Programa foi montado para realizar essa tarefa ajudando os estudantes na aquisição das virtudes intelectuais: “como questionar e como participar no discurso racional; como pensar e como aprender; como defender opiniões e como chegar à verdade; como analisar e como sintetizar”. Isso, por sua vez, irá prepará-los para as virtudes morais, pois, como acabamos de ver, “pensar bem é o princípio da moral”.

A tradição classificou a Educação como uma arte cooperativa, juntamente com a Medicina e a Agricultura. Essas artes são cooperativas no sentido de que o professor, o médico e o agricultor cooperam com a Natureza para a consecução de seus fins respectivos: o aprendizado, a saúde e a obtenção dos frutos da terra. A Natureza por si própria é capaz de chegar a essas metas, mas alcança-as melhor através desses artistas, que atuam como instrumentos secundários ao exercerem as suas capacidades.

Por causa da semelhança entre ensinar e plantar, o próprio Cristo fez uma analogia entre essas atividades na Parábola do Semeador, a fim de instruir os Seus discípulos na arte que em breve passariam a praticar pregando o Evangelho. A Parábola do Semeador ensina a importante verdade de que, assim como o solo deve ser rico para que a semente lançada pelo semeador crie raízes e produza fruto abundante, da mesma forma o estudante deve ser dócil ao ouvir as palavras de quem ensina para que elas criem raízes e produzam o seu fruto nele: o fruto do entendimento. Cristo diz: e a semente que cai em terra boa são aqueles que ouvem a palavra e a põem em prática, e dão fruto: uns trinta, uns sessenta e outros cem por um.

A tradição ensina que a docilidade é uma virtude moral, um cume entre dois vícios opostos: a subserviência e a indocilidade. O estudante dócil é aquele que tem o nível adequado de respeito pela autoridade do professor, que é quem semeia a palavra. Se o estudante exagerar na sua dependência dessa autoridade corre o risco de simplesmente ouvir a verdade tal e como o mestre a enuncia, e depois confiá-la à memória sem fazer nenhum esforço por compreendê-la por si mesmo. Isto não é ensino: é doutrinação. Por outro lado, se o estudante não respeita a autoridade do professor, não irá sequer escutá-lo e, em conseqüência, permanecerá na ignorância ou no erro. Estes dois vícios conduzem a efeitos negativos bem conhecidos, ao passo que a docilidade – o nível adequado de respeito pela autoridade do professor – conduz à verdadeira educação.

O Magdalen compreende a docilidade e a valoriza nos seus estudantes. Parte da sua pedagogia consiste em que os alunos leiam os “Grandes Livros” em pequenas sessões com os professores, nas quais estes procuram fazê-los descobrir a verdade em conversas de estilo socrático. A respeito disso, o programa comenta: “Uma vez que viver melhor pressupõe uma busca pessoal dos princípios que integram a nossa existência, os estudantes devem aprender a descobrir e avaliar esses princípios. E o conseguirão na medida em que se fizerem dóceis como as crianças“.

Mas como tornar o aluno dócil às palavras do professor? Deve-se deixar isso inteiramente ao acaso, ou os educadores – tal como os agricultores – devem cultivar cuidadosamente o solo educacional em que se encontram imersos os estudantes, com a intenção de os expor à verdade, ao bem e à beleza, para que assim possam mais facilmente tornar-se receptivos à palavra do professor?

Platão, na República, responde: “Não permitamos que os nossos guardados cresçam no meio de imagens de deformação moral, como ocorre em certos pastos ruins, e ali mordisquem e comam, dia após dia e pouco a pouco, ervas e flores prejudiciais e venenosas, até acumularem silenciosamente uma massa de podridão que fermenta nas suas almas”.

Platão afirma além disso que os educadores, tal como os artistas, devem produzir por meio da razão o rico solo em que os seus educandos podem absorver “a graça e a beleza verdadeiras” e “o bem em todas as coisas”. Então “a beleza moldará a sua alma desde os primeiros anos, em conformidade e harmonia com a beleza da razão”.

E o que pressagia esse rico solo para o estudante cuja alma foi moldada “em conformidade e harmonia com a beleza da razão”, e que por isso mesmo está apto para uma verdadeira educação? Quem for educado num ambiente onde se cultive corretamente a verdade, o bem e a beleza, argumenta Platão, “adquirirá bom gosto” nas artes, “tornar-se-á nobre e bom”, e “saudará a sua amiga , com quem convive desde há muito tempo graças à educação”.

Em poucas palavras: pela influência desse rico solo, o estudante tornar-se-á dócil, ou seja, capaz de ser ensinado. Conseqüentemente, não somente respeitará a sua “amiga razão”, mas também o representante dela – o professor –, que deposita a semente na sua alma para que aí lance raízes e produza frutos de sabedoria. Vê-se portanto que Platão e a tradição confirmam aquilo que Chesterton diz e que o Magdalen sabe: que na educação o solo é realmente o mais importante. Descrevendo o seu ambiente educativo, o College articula essa verdade perene: “Na sala de aula, espera-se que haja respeito para com todas as pessoas e uma vigorosa busca da verdade. Nas atividades em comum, todos são convidados a participar e os estudantes podem crescer nas virtudes enquanto se divertem e convivem com os colegas. No refeitório praticam-se as boas maneiras e o serviço ao próximo. As residências conservam-se limpas e em ordem, e dá-se incentivo aos bons hábitos de estudo. Por toda parte, vão-se formando verdadeiras e duradouras amizades e consegue-se obter um sólido rendimento acadêmico”.

Nos tempos que correm, e em que esses conceitos são freqüentemente esquecidos, é animador saber que há um pequeno College de Artes Liberais que responde ao apelo “do Coração da Igreja” (Ex Corde Ecclesiae) e o põe em prática.

Magdalen é um diamante aos pés do monte Kearsarge, em Warner, cidade de New Hampshire.

Anônimo

* Dar “selinhos” nos filhos é correto ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Especialistas ressaltam importância de limites para não confundir crianças.

Um hábito comum em muitas famílias brasileiras, o selinho entre pais e mães e seus filhos pode ser uma armadilha na educação das crianças, mais do que uma demonstração de carinho. Para entender a importância de alguns limites, sem deixar de lado o contato próximo com as crianças, o G1 conversou com psicólogas que comentaram a influência dessa relação no comportamento dos filhos.

“É fundamental não transformar o selinho em um hábito, uma forma frequente de carinho, mas uma bitoquinha em um momento de brincadeira não tem nenhum problema”, diz a psicóloga Ana Cássia Maturano. A especialista ressalta ainda a importância de deixar claro o limite e a diferença entre um carinho entre namorados e o carinho com os pais.

Para a psicóloga Patrícia Gugliotta, mestre em saúde mental pela Universidade de Campinas (Unicamp), o afeto entre pais e filhos pode ser demonstrado de outras formas. “Eu não sou a favor desse contato. Não que haja sexualidade, mas a criança nem sempre consegue entender até onde ela pode ir. Além disso, não acho saudável o beijo na boca entre pais e filhos porque os pais são referência, e como explicar então que com os colegas esse comportamento não é aceito”, diz.

Carinho ou dependência

De acordo com a doutora em psicologia Elisa Marina Bourroul Villela, professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie, é preciso analisar o papel do selinho na relação entre pais e filhos. “É claro que existe um aspecto cultural e de costumes entre cada família, mas é importante que o selinho seja dado simplesmente como forma de carinho, e não para representar, mesmo que inconscientemente, a necessidade dos pais de manter o filho em uma fase de dependência”, diz.

Elisa explica que outros carinhos, como o colo ou o toque no seio da mãe, por exemplo, são adequados durante um período da vida da criança, mas merecem cuidado e uma atenção especial quando a criança começa a crescer. “Em famílias em que o contato próximo é um costume, não há nenhum problema ou limite de idade para esse carinho, mas o espaço da criança deve ser respeitado, não pode ser invasivo.”

Já Patrícia defende que o contato físico nem sempre é sinônimo de cuidado. “Não é necessário dar selinho para mostrar ao filho cuidado e o quanto ele é amado, existem outros meios de mostrar o mesmo carinho”, diz.

Reflexos fora de casa

O selinho frequente pode levar a criança a considerar natural esse tipo de manifestação entre amigos na escola, por exemplo, o que pode trazer problemas. Para evitar essa situação, Ana Cássia sugere a constante conversa com a criança. “Os pais devem explicar que há algumas formas de carinho que fazemos apenas com quem temos intimidade, em família. Ainda assim ressalto que estou falando de um selinho simples, e de vez em quando.”

Segundo Elisa, a criança é capaz de distinguir os tipos de contato que são familiares e o que é uma cultura compartilhada. “A criança deve estar ciente de que nem tudo que ela faz em casa, com os pais e irmãos, pode ser feito entre outras pessoas. As culturas de outras famílias também precisam ser respeitadas. E a melhor forma de fazer a criança compreender isso é com uma boa conversa”, afirma a especialista.

Outro cuidado importante, segundo as psicólogas, é deixar claro que a relação de namoro se dá entre a mãe e o pai. “É comum que a menina se enamore pelo pai e o menino pela mãe, e muitas vezes esse tipo de comportamento estimula essa ‘paixão’, por isso os pais devem deixar claros os limites entre as brincadeiras e carinhos”, afirma.

Fonte:  G1

* Colégio Católico fecha suas portas, após 70 Anos de serviço evangelizador.

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Pátio interno da escola

Mais um colégio católico encerra as suas atividades letivas no Ceará.

Depois de 70 anos de história e tradição, o Colégio São José, em Iguatu, que pertence à Congregação das Filhas de Santa Tereza de Jesus, não vai mais funcionar no ano letivo de 2010. A direção da escola divulgou nota à comunidade da região Centro-Sul esclarecendo os motivos da decisão que foi recebida com surpresa e lamentações.

Nos últimos cinco anos, o Colégio São José apresentava reduzido número de matrículas e dava sinais de dificuldades para manter as despesas. A cada ano, o número de estudantes era reduzido. A direção fez esforços para reverter o quadro, mas não conseguiu êxito. Havia 240 alunos inscritos da Educação Infantil ao 3º ano do Ensino Médio.

Financeiro

A diretora do Colégio São José, irmã Vera Lúcia Alves de Andrade, explicou que a situação tornou-se insustentável financeiramente. “A receita não iria cobrir as despesas e tivemos medo de enfrentar mais dificuldades ao longo de 2010″, explicou ela. “Por esse motivo, fomos obrigados a tomar essa medida, depois de muita reflexão, mas que foi necessária”.

Na carta aberta à comunidade, a direção do colégio agradece a confiabilidade da comunidade da região Centro-Sul e anuncia um novo projeto. “Vamos procurar parceria para implantar cursos de nível superior para formação de uma juventude universitária”, disse a irmã Vera Lúcia Andrade. “Estamos confiantes nessa nova ideia e nos preparando com fé e coragem”, adiantou.

Fundação

O Colégio São José começou a funcionar em fevereiro de 1939, com a denominação de Escola Rural Senhora Sant´Ana. Oferecia curso externo e internato. Só estudavam mulheres, mas em 1977, passou a ser misto. A escola é integrante da rede educacional católica Irmãs Filhas de Santa Tereza de Jesus, com unidades nas cidades de Crato, Icó, Tauá, Souza, na Paraíba e duas conveniadas no Estado Piauí.

Ao longo deste ano, foi realizada uma programação ampla, alusiva aos 70 anos de fundação, com mostra histórica, homenagem a ex-alunos, apresentações artísticas e festa dançante no Clube Recreativo Iguatuense. “Comemoramos essa data histórica com muito orgulho porque temos consciência de que o nosso compromisso foi com uma educação de valores”, disse a irmã Vera Lúcia.

Ainda de acordo com ela, “enfrentamos dificuldades para competirmos com escolas modernas que têm uma estratégia de conquista de alunos arrojada, baseada em aprovação em vestibulares”.

O Colégio São José dispõe de quadra coberta e de dezenas de salas de aula.

Parceria

Há cinco anos, abriga os campus da Universidade Regional do Cariri (Urca). Essa parceria também tem tempo marcado, em torno de dois anos, porque em breve devem começar as obras da sede própria da Urca, na antiga usina Cidao.

A decisão de encerrar as atividades educacionais a partir deste ano, foi considerada difícil por parte dos administradores locais. Dezenas de professores e funcionários foram demitidos e os estudantes receberam transferência para outros estabelecimentos. Muitos pais mostraram-se surpresos e indignados.

Fonte : Diário do Nordeste

***

Se nossas Escolas Católicas não se modernizarem, acabarão fechando.

Modernização sem perder de vista sua identidade nem sua missão, sem perder o carisma original de seus fundadores.

Muitas delas morreram por terem perdido a capacidade de atualizar o carisma de seus fundadores para os dias de hoje ou até mesmo por terem “traido” o carisma fundante, com escolhas erradas e politicas pedagogicas “modernas” e, o pior, carentes de uma evangelização explicita, optando muitas por uma educação apenas humanizante – como se fosse contraditório ter uma escola católica e ao mesmo tempo humanizante- com professores católicos de nome, com posições dentro de sala incompatíveis com a identidade católica da Escola.

Também não existe contradição nenhuma em formar nos valores e “preparar para o vestibular “. Educar e formar! educação que é  MUITO MAIS do que apenas passar conhecimento.

A maior riqueza da escola Católica é ser Católia e não ser uma escola “envergonhada” de sua identidade. Ser apenas uma escola secularizada, com o nome  de Católica, é já começar perdendo pois elas são fortes nesta identidade secular.

Querendo ser igual a elas onde deveríamos ser diferentes nos tornamos apenas “mais uma” , e aí, com o tempo, fechamos.

Ter vergonha de ser Católica, é o começo do fim!

É a mesma realidade de muitas Universidades e Faculdades “católicas” espalhadas por este Brasil.

Temos asas e não sabemos voar..uma pena!

* Apenas informar educa de verdade a pessoa ?

sábado, janeiro 2nd, 2010

Por Julio De la Vega Hazas

Dizer que vivemos na Sociedade da Informação converteu se num lugar comum.

Ninguém duvida que a informação é um bem valioso, e que possuí -la ajuda a atingir muitos objetivos, entre eles o de comportar se corretamente. Quem tem todos os dados à mão está em ótimas condições para fazer boas escolhas, inclusive no campo moral. A questão problemática é outra: mais do que saber se a informação é útil ou não para uma boa conduta, trata se de saber se só a informação basta.

***

O assunto já foi levantado há muitos séculos. Na Grécia antiga, Platão foi o primeiro filósofo que elaborou uma teoria ética com uma idéia central: a verdadeira sabedoria, uma vez adquirida, propicia uma boa atuação.

Segundo essa maneira de ver as coisas, a má conduta seria, em última análise, conseqüência do engano da razão quando escolhe bens aparentes. Sendo assim, o conhecimento dos verdadeiros bens poderia corrigir quaisquer condutas más. A Filosofia – termo que literalmente significa amor à sabedoria – converter se ia em guardiã da moral. A educação moral reduzir se ia a mostrar o Bem verdadeiro.

Platão logo foi contestado. A oposição partiu do seu próprio discípulo Aristóteles, que esgrimia uma arma fácil de encontrar: a evidência. Embora reconhecesse que a ignorância é de fato um obstáculo de primeira ordem para a boa conduta, Aristóteles observou que no entanto também se constatam más ações praticadas por pessoas conscientes de estarem agindo mal, e também por pessoas com boa formação, inclusive em assuntos que dizem respeito à moral. Assim, a razão sozinha não era suficiente; seria preciso apelar para um segundo fator: a vontade. Agir bem é algo que se consegue com esforço; requer um hábito que se adquire percorrendo o árduo caminho da repetição de atos, até que a vontade se fortaleça e acostume as paixões e os sentimentos a lhe obedecerem: tal hábito é a virtude moral. A conclusão é que – ao contrário do que dizia Platão – para educar moralmente não basta ensinar o que é o Bem: é preciso também formar a vontade, o que é mais custoso.

Não se pode duvidar da sinceridade das intenções de Platão, mas também tinha razão o renascentista Rafael quando pintou, no centro da sua célebre Escola de Atenas, Platão apontando para cima ao lado de Aristóteles apontando para baixo. Era um modo de dizer que o primeiro vivia nas nuvens enquanto o outro tinha os pés no chão. O mérito da obra de Platão é inegável, mas a sua própria vida demonstrou que ele era um pouco ingênuo. De qualquer modo, a sua visão ética a respeito do que vínhamos dizendo acabou tornando se apenas um item na vitrina das antiguidades valiosas mas inúteis. Pelo menos até agora.

“EDUCADORES” ou “INSTRUTORES”

Podemos notar na sociedade uma tendência cada vez maior a igualar “educar” e “ensinar”. Há alguns anos, tentou se – felizmente sem êxito – até mesmo substituir na legislação por exemplo, o termo “educador” por “instrutor”. Seja qual for a palavra usada, o fato é que o fenômeno está consolidando-se. E isso chama mais a atenção, dada a importância do tema, no campo da educação sexual. A ânsia de fazer da informação o único objetivo das aulas pode facilmente degenerar em exibição pornográfica. Ainda que não seja a intenção de ninguém chegar a tais extremos, basta ter olhos para ver que, neste tema, os resultados desse informar sem querer educar são desastrosos. Se a vontade está debilitada, o que domina a pessoa não é a razão mas os impulsos irracionais – especialmente se a pessoa em questão é o adolescente ainda em fase de consolidação, de modo que a informação, ao invés de servir como elemento de critério, serve apenas para alimentar o instinto.

De qualquer forma, independentemente do valor que os promotores desse tipo de “educação” concedam à sexualidade, o fenômeno já está generalizado. Quando se percebe alguma realidade alarmante entre a juventude – sejam as drogas, o alcoolismo ou até mesmo o chamado “fracasso escolar” –, a reação das autoridades não costuma ser a de atacar o problema pela raiz: o que fazem é desencadear uma campanha de informação.

Vejamos o exemplo da droga. Informação ajuda, sem dúvida, mas é bastante ineficaz contra certos ambientes e amizades: todos os que “caíram” nas drogas confessam que foram levados a isso pelo comportamento do grupo a que pertenciam. As medidas lógicas para combater esse mal consistem em cuidar das amizades e dos lugares que os jovens freqüentam. Na prática, isso significa ter uma vida mais ordenada, recortar a vida noturna e fazer amizade com pessoas mais responsáveis: isso supõe um esforço para eles, pois costuma contrariar os seus gostos. Por isso, é necessário dar aos jovens um apoio: ajudá los a dominarem se a si mesmos, incutindo neles os valores que lhes permitam ver que o esforço continuado que isso exige vale a pena.

Em resumo, é necessária uma educação. Mas quem a levará a cabo? Várias instâncias podem ser mobilizadas para essa finalidade, mas uma delas é central: a família. Sem ela o trabalho das outras raramente dá frutos. Acontece, porém, que a família não está nos seus melhores dias: padece uma instabilidade crescente, e além disso as condições de vida atuais – agravadas pela ausência de uma política familiar adequada – tornam difícil para os pais atenderem convenientemente os filhos. Isso tudo logo nos leva a algo que um pouco de bom senso também ajuda a concluir: que qualquer remédio deve necessariamente basear se no reforço dos vínculos familiares e num estímulo às famílias para que eduquem corretamente os filhos.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, DROGAS E PROPAGANDA

Mas justamente essa é a solução que nunca aparece. Nem mesmo perante um problema como o da violência doméstica, tão diretamente ligado à saúde e à estabilidade da instituição familiar. Bastariam dois números para que se abrissem os olhos: um deles seria a comparação do número percentual de casos em matrimônios normais com o mesmo percentual em “uniões de fato”; o outro seria – entre matrimônios normais – a porcentagem do total de casos cuja origem foi a ruptura do matrimônio, isto é: o anúncio de abandono do lar por um dos cônjuges. Mas ninguém parece interessado em publicar pesquisas desse tipo, que, no entanto, mostrariam o caminho a seguir para uma solução preventiva, mais eficaz do que simplesmente concentrar se em castigar os fatos consumados. Também nesse assunto, insiste-se em buscar uma solução mediante campanhas informativas para mostrar o mal da violência e intimidar os possíveis infratores lembrando lhes as penas previstas na lei.

Mesmo assim, pode parecer à primeira vista que essas campanhas informativas vão acabar produzindo algum efeito significativo, pois afinal de contas são um tipo de publicidade, e a publicidade consegue os seus objetivos, pelo menos quando é feita inteligentemente. Se um bom anúncio de carros consegue aumentar significativamente as vendas, por que um bom anúncio contra as drogas não poderia reduzir significativamente o seu consumo? Antes de mais nada é preciso reconhecer um fato: não reduz. Não deixa de ser significativo que a última campanha de propaganda antitabagista, com anúncios chamativos impressos nos maços de cigarro, tenha resultado numa insignificante redução nas vendas de tabaco e numa disparada das vendas de porta maços.

Explicar é um pouco mais difícil do que simplesmente constatar os fatos. Mas podem ser apontadas algumas diferenças entre esse tipo de publicidade e a publicidade comercial comum.

Em primeiro lugar, uma campanha a favor de algo não é a mesma coisa que uma campanha contra algo. Adquirir coisas pode ter o seu atrativo, mas privar se delas costuma não ter nenhum. Está bastante comprovado, por exemplo, que uma campanha eleitoral centrada em desqualificar o adversário em vez de promover o próprio candidato ou partido, fracassa sempre – mesmo inicialmente pareça que vai vencer – salvo quando já haja antes uma forte indignação popular contra o rival. Os publicitários profissionais já sabem disso, e tentam “vender” uma campanha dirigida contra algo convertendo a em campanha a favor de algo atraente. Acontece no entanto que tais mensagens costumam ser até certo ponto indeterminadas ou mesmo ambíguas.

Continuando com o exemplo das drogas, a frase “diga sim à vida” pode até ser um bom slogan, mas cada um irá interpretá lo à sua maneira: até poderia figurar na porta de uma danceteria, como um convite para entrar. Pior ainda se tal frase vier acompanhada de imagens de jovens felizes e sorrindo, que os destinatários facilmente irão associar à “animação” que experimentam quanto tomam uns copos a mais ou tragam um comprimido estimulante. Tudo isso significa que a única mensagem positiva que funciona – se queremos que funcione de verdade – é a que consiste em valores morais: mas isso só é veiculado de uma forma muito parcial.

A segunda diferença tem algo a ver com a primeira. Consiste em que os anúncios geralmente apelam para um desejo que já se tem de algo e procuram mostrar esse algo num produto concreto. Quando esse caminho não é tão simples, a publicidade procura encobrir a parte árdua. Assim, por exemplo, anunciam se cursos de idiomas onde se aprende “sem esforço” ou “sem estudar” (o que por outro lado, dito dessa forma, é um conto do vigário).

Com os anúncios que convidam a não fazer alguma coisa, isso não acontece: neste caso o desejo preexistente conduz ao oposto do que se está propondo. É claro que é possível anunciar coisas pouco atraentes apelando para sentimentos ou valores, mas estes devem já existir na pessoa: por si mesmo o anúncio é incapaz de suscitá los. Pensar que a publicidade e a propaganda são todo poderosas quando são bem manejadas é um dos muitos tópicos falsos que estão em circulação.

POR QUE TANTA CONFIANÇA NAS CAMPANHAS INFORMATIVAS?

Se os resultados são tão limitados, então por que toda essa confiança nas campanhas informativas? Basicamente porque quando a educação reduz se à informação, o que é árduo desaparece. Mais do que a simples fé no Progresso, foi o desejo de evitar o que é árduo que nos levou a forjar a ilusão de que para qualquer problema sempre há uma solução técnica, uma engenharia que permita evitar o esforço. Consciente ou inconscientemente, tudo o que não se encaixa nesse quadro ilusório é tirado de cena, por mais que a realidade teime em mostrar, uma e outra vez, que as coisas não são como sonhamos que sejam, ou, mais concretamente, que tudo aquilo que é humanamente valioso só se consegue por meio de um esforço sustentado, ou seja: através das virtudes.

Existe portanto uma resistência a aceitar a própria natureza da pessoa e a da família. A família é uma teimosa realidade que não se presta a reengenharias. A família sempre funciona melhor que qualquer um dos seus sucedâneos. Para cumprir a sua missão, a família deve entregar se à dura tarefa de educar os filhos: uma tarefa na qual a formação da vontade tem um papel preponderante. Quer se goste disso ou não, essa é a única coisa que dá resultados positivos.

Mesmo quando não trata diretamente das campanhas informativas, a Antropologia cristã confirma esse diagnóstico. Ao falar do pecado, o Catecismo da Igreja Católica (n. 387) contra a tentação de “explicá lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro, a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada, etc.”. Para o tema que nos ocupa, convém destacar o termo “unicamente”. É evidente que existem erros e ignorâncias, mas os vícios sociais não podem ser explicados unicamente por essas categorias. Paralelamente, é claro que uma campanha informativa pode ajudar, mas se só contamos com ela o resultado continuará sendo insatisfatório. Responde se com informação quando o que falta é educação.

* Na Holanda,Pressão para escolas incluirem “homossexualidade” como matéria obrigatória.

sábado, dezembro 26th, 2009

De acordo com o parlamentar holandês Boris van der Ham, do esquerdista Partido Democratas 66, o governo tem de obrigar todas as escolas, inclusive as escolas religiosas, a incluir a homossexualidade como tópico de suas aulas de educação sexual.

“Um número muito grande de crianças está sendo criada com uma moralidade homofóbica”, disse van der Ham. “Embora isso seja mais comum em famílias imigrantes urbanas, as famílias rurais holandesas também têm tais preconceitos. As escolas têm de corrigir essa imagem”.

A declaração do parlamentar foi marcada para coincidir com um debate na quinta-feira sobre esse assunto. Seis organizações homossexuais enviaram uma carta conjunta ao parlamentar holandês pedindo a inclusão da homossexualidade como tema obrigatório.

Em Amsterdã, 82 por cento das escolas nada falam sobre o assunto da homossexualidade na educação sexual, de acordo com a Rádio Holanda Mundial. Van der Ham nega que seu projeto de lei violaria a liberdade de educação religiosa conforme estipula o Artigo 23 da Constituição holandesa.

“As escolas são livres na forma de suas lições”, disse ele, “mas os objetivos principais têm de ser cumpridos”.

Boris van der Ham havia anteriormente protestado contra a atitude do governo polonês para com os homossexuais salientando o dever da Polônia de seguir os regulamentos da União Européia. Ele também apoiou uma emenda à Constituição holandesa para incluir os homossexuais entre os grupos contra os quais a discriminação é explicitamente proibida.

A Holanda já tem algumas das políticas mais pró-homossexualismo e anti-vida de todos os países do mundo. A Holanda foi o primeiro país a legalizar o “casamento” homossexual e a permitir que parceiros homossexuais adotassem crianças e tem gasto milhões de euros para promover a homossexualidade como normal.

O governo holandês também subsidia o aborto e permite que os médicos holandeses matem os doentes, os idosos e os bebês deficientes.

Veja notícia relacionada de LifeSiteNews.com

Netherlands Government Pledges 2.5 m. Euros to Crack Down on Religious Dissent from “Gay Rights”
http://www.lifesitenews.com/ldn/2007/dec/07120704.html

European Human Rights Court Rules State May Deny Parents Right to Home School Their Children

* A dificil arte de dizer NÃO aos filhos.

domingo, dezembro 20th, 2009

Você costuma dizer “não” aos seus filhos?

Considera fácil negar alguma coisa a essas criaturinhas encantadoras e
de rostos angelicais que pedem com tanta doçura?

Uma conhecida educadora do nosso País alerta que não é fácil dizer não
aos filhos, principalmente quando temos os recursos para atendê-los.

Afinal, nos perguntamos, o que representa um carrinho a mais, um
brinquedo novo se temos dinheiro necessário para comprar o que querem?
Por que não satisfaze-los?

Se podemos sair de casa escondidos para evitar que chorem, por que
provocar lágrimas?

Se lhe dá tanto prazer comer todos os bombons da caixa, por que
faze-lo pensar nos outros?

E, além do mais, é tão fácil e mais agradável sermos “bonzinhos”…

O problema é que ser pai é muito mais que apenas ser “bonzinho” com os
filhos. Ser pai é ter uma função e responsabilidade sociais perante os
filhos e perante a sociedade em que vivemos.

Portanto, quando decidimos negar um carrinho a um filho, mesmo podendo
comprar, ou sofrendo por lhe dizer “não”, porque ele já tem outros dez
ou vinte, estamos ensinando-o que existe um limite para o ter.
Estamos, indiretamente, valorizando o ser.

Mas quando atendemos a todos os pedidos, estamos dando lições de
dominação, colaborando para que a criança aprenda, com nosso próprio
exemplo, o que queremos que ela seja na vida: uma pessoa que não
aceita limites e que não respeita o outro enquanto indivíduo.

Temos que convir que, para ter tudo na vida, quando adulto, ele
fatalmente terá que ser extremamente competitivo e provavelmente com
muita “flexibilidade” ética, para não dizer desonesto.

Caso contrário, como conseguir tudo? Como aceitar qualquer derrota,
qualquer “não” se nunca lhe fizeram crer que isso é possível e até
normal?

Não se defende a idéia de que se crie um ser acomodado sem ambições e
derrotista. De forma alguma. É o equilíbrio que precisa existir: o
reconhecimento realista de que, na vida às vezes se ganha, e, em
outras, se perde.

Para fazer com que um indivíduo seja um lutador, um ganhador, é
preciso que desde logo ele aprenda a lutar pelo que deseja sim, mas
com suas próprias armas e recursos, e não fazendo-o acreditar que
alguém lhe dará tudo, sempre, e de “mão beijada”

Satisfazer as necessidades dos filhos é uma obrigação dos pais, mas é
preciso distinguir claramente o que são necessidades do que é apenas
consumismo caprichoso.

Estabelecer limites para os filhos, é necessário e saudável.

Nunca se ouviu falar que crianças tenham adoecido porque lhes foi
negado um brinquedo novo ou outra coisa qualquer.
Mas já se teve notícias de pequenos delinqüentes que se tornaram
agressivos quando ouviram o primeiro não, fora de casa.

Por essa razão, se você ama seu filho, vale a pena pensar na
importância de aprender a difícil arte de dizer não.
Vale a pena pensar na importância de educar e preparar os filhos para
enfrentar tempos difíceis, mesmo que eles nunca cheguem.

Do livro “Repositório de Sabedoria” vol I.

* Crianças medrosas.Como superar?

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

Há medos instintivos: como a galinha foge ao ver pela primeira vez a raposa, o homem recua diante do que lhe representa perigo. Quando o perigo é determinado e conhecido, o medo revigora o homem para a luta ou para a fuga. Quando, porém, a pessoa teme sem saber ao certo o que nem porque, não tendo para onde fugir, toma o tormentoso caminho da angústia.

É instintivamente que as crianças de dois meses estremecem com ruídos súbitos ou com uma luz mais viva que de repente se acende. E mais tarde choram em face de um desconhecido, correm de animais, recuam ante o fogo, gritam quando as suspendem bruscamente ou as giram, etc.

Medo ao desconhecido

Tudo o que é súbito, intenso ou desconhecido produz medo à criança. É por isso que seus terrores são tanto mais numerosos quanto maior é sua ignorância das coisas. Vejam como se apavora facilmente um pequenino de dois a quatro anos. À medida que ele for tomando conhecimento da vida, vai perdendo muitos medos, a menos que uma errada educação os agrave e multiplique.

Ensina-se o medo

A criança é extremamente sugestionável: aprende com facilidade o que vê e escuta.

Se vê a mãe subir à cadeira por causa de uma barata, o pai espavorido com o número 13, as irmãs apavoradas com o trovão, etc., é natural que tome as mesmas ridículas atitudes. Assim se explicam os idiotas pavores de escuro, máscaras, cor preta, soldado, velho mendigo, sangue, etc.

Do ambiente doméstico lhe vêm outros medos: lobisomem, fantasmas, almas de outro mundo, cadáveres, doenças, micróbios, tabus alimentares, supertições mil, personagens imaginários e até reais, mas que antes devem infundir simpatia – soldado, padre, médico, dentista, mendigo…

Há medos cultivados pelos adultos. Pais, incapazes de se fazerem obedecer, apelam para intimidações; empregadas, para acalmarem as crianças, ou as fazerem comer, dormir, etc., ameaçam-nas com a guarda ou bicho-papão! Mães os sugerem a ponto de deformar a criança.

As sugestões provêm também de histórias macabras, filmes impressionantes (entre estes citamos os “infantis” “Branca de Neve” e “Chapeuzinho Vermelho”), certas revistas de quadrinhos, que vão povoando a imaginação das crianças de cenas de violências e sangue, de personagens agressivos e medonhos, e de perigos que ameaçaram outras crianças.

Recomendações excessivas


- “Não subam nas árvores, para não caírem

- “Não joguem bola, para não se feriem”

- “Não corram na bicicleta, para não quebrarem a espinha”

- “Não se debrucem na janela, que é muito perigoso”

- “Não tomem chuviscos, para não ficarem tuberculosos”

São lições de poltroneria, de falta de iniciativa, de caráter varonil! O que vale é que, em sua maioria, as crianças as desprezam… E se as não desprezam prejudicam-se!

Vida doméstica

Calma e tranqüila, a vida da família espalha nas crianças confiança e bem-estar. Agitada e procelosa, infunde-lhes desassossego e insegurança, levando-as ao medo difuso, gerador de angústias. Se a família é agitada por brigas do casal, por cenas de alcoolismo ou perturbação mental, não admira sejam os filhos agitados por sobressaltos ao menor ruído ou alteração de vozes…

Evitemos o medo

Não pretendemos extirpar da criança todos os medos. Não creio que seja isto possível aos adultos normais. Por mais fortes que sejamos, temos sempre algum medo, embora não o confessemos com facilidade, pois não é lá muito honroso… Procuremos, contudo, evitá-lo nas crianças.

Dar segurança

Um ambiente de segurança, em que os adultos não falem de medos e não os tenham desnecessariamente, é condição essencial. Medo gera medo; segurança estabelece segurança. Amadas, felizes, sentir-se-ão em garantia as crianças. Mesmo em face de perigos, portem-se os pais com moderação e tranqüilidade, sem espantos, porque espanto produz medo.

Ambiente normal

Dê-se aos pequeninos um ambiente normal, habituando-os aos rumores comuns da casa (sem exagerados silêncios para dormirem), à meia luz do quarto para repouso diurno, à escuridão para a noite (e assim se elimina o medo à escuridão).

A criança forte

É necessário dar à criança confiança em si : sono suficiente, alimento, exercício físico, jogos de bola, corrida, exercícios de bicicleta… Isso lhe dá segurança. Arranhou? Mercúrio-cromo… Quebrou? Engessa… Se os companheiros fazem isto tudo, e ela não o faz, por medo, sentir-se-á inferiorizada. O essencial é educar uma criança sadia de corpo e espírito.

Não meter medo

Vigiar para não se falar do que mete medo às crianças; nem a família, nem as empregadas. E quando elas o ouvirem de estranhos, reduzir as coisas a suas verdadeiras dimensões, apontando o ridículo dos que temem o inofensivo.

Não ridicularizar

Quando a criança tem medo (é impossível não o ter), evite-se ridicularizá-la. Mesmo que não haja motivo real, há o subjetivo: ela vê o perigo, porque crê nele! Ridicularizar outros medrosos está certo; a própria criança não, porque isso a inibe e a inferioriza.

Confiança em Deus

Nós, que não compreendemos a educação sem o fator religioso, devemos valorizar, com a criança, a confiança em Deus: Ele nos protege. Pense a criança em Deus, invoque-O, e fique tranqüila.

Temores benéficos

Sempre que haja um perigo real, a criança deve saber temê-lo, a fim de evitá-lo. O melhor será saber com evitá-lo… A boa educação requer que não apenas se conheçam os perigos, mas se saiba evitá-los – preparando a criança para isto.

O temor de Deus

O grande temor de que o educador deve impregnar seus pupilos é aquele a que o Espírito Santo chama “o princípio da sabedoria” (Prov. 1,7). Quem tem na alma, firme e profundo, o temor de Deus, está em condições de resistir a todos os perigos e vencer todos os temores.

Teme-se o pecado, porque é ofensa ao Pai, muito mais do que pela conseqüência de levar ao inferno. Teme-se o perigo de pecar, porque as fragilidades da natureza não precisam mais de experiências para prová-las. Teme-se as más companhias, porque são elementos de perdição mais perniciosos que o próprio demônio.

Educar para o temor de Deus é educar para a sabedoria, porque o “temor do Senhor é a própria sabedoria” (Jo 28,28). É educar para o horror ao mal e o amor ao bem. É educar para a coragem, a fortaleza, a energia, a coerência – virtudes que estão faltando assustadoramente a nossos contemporâneos. É preparar homens que, em face do dever, saberão cumpri-lo sem olhar conveniências subalternas, porque desconhecem o medo da opinião alheia e não se apavoram dos instáveis julgamentos humanos.

É para esta educação que nos devemos orientar.

(Corrija o seu filho – Mons. Álvaro Negromonte)

* O mundo ainda não estará perdido enquanto alguém, em algum lugar, lutar pelo que é certo.

segunda-feira, novembro 30th, 2009

Ontem saí de casa mais cedo do que o normal, a temperatura era amena de primavera, o dia estava amarelo e azul, do som do meu carro se evolava o rock suave da Rádio Itapema e eu me sentia realmente bem. Estacionei numa rua quase bucólica do Menino Deus e vi que ali perto um catador de papel puxava sua carrocinha sem pressa.

Era magro e alto, devia andar nas franjas dos 50 anos e tinha a pele luzidia de tão negra. Ao seu lado saltitava um menino de, calculei, uns quatro anos de idade, talvez menos. Devia ser o filho dele, porque o observava com um olhar quente de admiração, como se aquele homem fosse o seu herói… Bem. Ao menos foi o que julguei, certeza não podia ter.

Já ia me afastar quando, por entre as grades da cerca de uma creche próxima, voou um brinquedo de plástico. Um desses robôs cheios de luzes e vozes, que se transformam em nave espacial e prédio de apartamentos, adorado pelas crianças de hoje em dia. Algum garoto devia ter atirado o brinquedo para cima por engano, ou fora uma gracinha sem graça de um amigo.

O menino que era dono do brinquedo colou o rosto na grade como se fosse um presidiário, angustiado. O filho do catador de papel correu até a calçada, colheu o robô do chão e não vacilou um segundo: retornou faceiro para junto do pai, o brinquedo na mão, feito um troféu.. Olhei para o menino atrás da cerca. Estranhamente, ele não falou nada, não gritou, nem reclamou. Ficou apenas olhando seu brinquedo se afastar na mão do outro, os olhos muito arregalados, a boca aberta de aflição.
Muito orgulhoso, o filhinho do catador de papéis mostrou o brinquedo ao pai. O pai olhou. E fez parar a carrocinha. Largou-a encostada ao meio-fio. Levou a mão calosa à cabeça do filho. E se agachou até que os olhos de ambos ficassem no mesmo nível.

A essa altura, eu, estacado no canteiro da rua, não conseguia me mover. Queria ver o desfecho da cena. O pai começou a falar com o menino. Falava devagar, com o olhar grave, mas não parecia nervoso. Explicava algo com paciência e seriedade. O menino abaixou a cabeça, envergonhado, e o pai ergueu-lhe o queixo com os nós do dedo indicador. Falou mais uma ou duas frases, até que o filho balançou a cabeça em concordância.

A seguir, o menino saiu correndo em direção à creche. Parou na grade, em frente ao outro garoto. Esticou o braço. E, em silêncio, devolveu-lhe o brinquedo. Voltou correndo para o pai, que lhe enviou um sorriso e levantou a carrocinha outra vez. Seguiram em frente, o pai forcejando, o filho ao lado, agora não saltitante, mas pensativo, concentrado.

Então, tive certeza: aquele olhar com que o menino observara o pai era mesmo de admiração, ele era de fato o seu herói.

Texto publicado no jornal Zero Hora.

David Coimbra, jornalista

* Internet, educação e ética.

sexta-feira, novembro 27th, 2009

A internet “sozinha” – ao contrário do que alguns apregoam – não faz com que as pessoas tenham um salto intelectual qualitativo:

Quando o email se popularizou vários acadêmicos deram entrevistas dizendo que era uma Era de Ouro da Palavra Escrita, as crianças escreveriam como nunca, teríamos milhares de novos autores, o ensino do idioma no colégio seria facilitado, etc.

Aí veio o miguxês.

As ferramentas são somente ferramentas, e dar poder às pessoas não necessariamente vai fazer com que elas adquiram responsabilidades. Às vezes, funciona. Outras vezes, no entanto – e, infelizmente, na maior parte das vezes -, as pessoas não mudam (talvez piorem), e utilizam mal o poder que lhes foi concedido.

Na verdade, nada substitui a educação, e “educação” não deve ser confundida meramente com “informação”. Hoje em dia temos muita informação. Qualquer criança “sabe” (= ter informação) muito mais coisa do que um adulto médio de algumas décadas atrás. Mas não sabe o que fazer com isso. Informação em demasia, sem desenvolver os processos intelectuais necessários para processá-la, e sem um senso moral apurado para saber o que fazer com ela, é um desastre.

A internet cria o “miguxês”, mas este não é o único problema dos nossos dias. O excesso de informação, dissociado de uma formação moral decente, cria as aberrações morais hodiernas. Pode-se clonar? Clone-se. Pode-se fertilizar artificialmente? Fertilize-se. Pode-se curar doenças destruindo embriões humanos? Destrua-se e cure-se. Pode-se abortar com segurança? Aborte-se. Et cetera, que esta lista é bem grande.

Na verdade, confunde-se o “pode-se” técnico com o “pode-se” moral. Não lembro quem diz uma frase parecida, mas já a escutei mais de uma vez: [p.s.: Fides et Ratio, 88] ter capacidade técnica de fazer algo não significa que este algo pode ser feito.

As crianças de hoje sabem, do ponto de vista informativo, muito mais do que os adultos de antigamente; mas até mesmo as crianças de antigamente sabiam “certo” e “errado” muito melhor do que alguns adultos dos nossos dias…

O progresso técnico desvinculado da moral é em grande parte responsável pela crise dos nossos dias. Isto obviamente não significa que somos contra o progresso técnico, da mesma forma que não somos contra a internet por causa da nova gramática “miguxa”. Mas somos, sim, contra a desvirtuação das ferramentas, e pregamos, sim, que haja ordem nas coisas. Afinal de contas, há usos mais nobres para a internet que o miguxês. E há usos mais nobres para a ciência que a degradação do ser humano. Os irresponsáveis defensores de uma ciência sem ética correspondem perfeitamente aos “miguxos” da internet, só que num plano mais elevado, mais sério, e mais desastroso.

Jorge Ferraz

Formando personalidades cristãs maduras à luz da Verdade,a serviço da Igreja e dos homens de boa vontade.
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