Artigo da ‘Fé e História’ Categoria

* A suposta “riqueza” do Vaticano e sua avaliação à luz da História e da missão universal da Igreja.

sexta-feira, maio 10th, 2013

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

A respeito da «riqueza do Vaticano» propagam-se ditos notoriamente exagerados. Procuremos perceber qual o seu fundamento e qual a razão de ser do poder temporal do Papa, representante de Jesus Cristo sobre a terra.

Quem considera a história, verifica que a soberania territorial dos Papas não se deve a uma pretensa ambição dos Pontífices, nem é o resultado de plano premeditado, mas constitui a afirmação espontânea da fé do povo cristão.

1. A origem da ascendência temporal dos Papas se acha nos primórdios da história da Igreja.

Em 330 o Imperador Constantino transferiu a capital do Império Romano para Bizâncio no Oriente, o que representa um verdadeiro desvio no curso da história: Roma no Ocidente ficou entregue à “administração de um conselho municipal, que tinha o nome de Senado, e de funcionários encarregados de julgar as causas judiciárias e cobrar os impostos. Bizâncio mais e mais se esquecia de Roma, descuidando-se do seu reabastecimento e da conservação de seus monumentos; as incursões dos bárbaros na península itálica tornavam as condições de vida da população cada vez mais precárias e dolorosas. Eis, porém, que, em meio à anarquia, uma figura ia ganhando espontânea veneração: a do bispo de Roma, considerado pela população cristã como o pai comum, no qual todos depositavam confiança. Correspondendo a este afeto filial, os Pontífices Romanos foram-se tornando os tutores do bem público não somente no plano espiritual, mas também no temporal e social: em 452, por exemplo, o Papa São Leão Magno dirigiu-se ao encontro de Átila e do exército huno, que se aprestavam para devastar Roma e a Itália meridional, conseguindo detê-los em Mântua.

Nos séc. VI-VII acontecia não raro que príncipes e nobres, ao entrar no mosteiro ou ao morrer, doavam seus bens ao Papa, em testemunho de piedade filial; foi-se assim formando o chamado «Patrimônio de São Pedro» na península itálica e nas ilhas adjacentes. Esses latifúndios, de extensão cada vez maior, permitiam ao Pontífice Romano uma posição de certa independência frente ao Imperador bizantino e colocavam sob a sua jurisdição, religiosa e civil, grande número de cidadãos, que trabalhavam nos territórios papais ou destes se beneficiavam. Enquanto o Papa se tornava cada vez mais o amparo das populações infelizes do Ocidente, os Imperadores bizantinos e seus exarcas (representantes estabelecidos em Ravena) se mostravam impotentes ou indiferentes diante das calamidades que as afetavam

No séc. VIII os acontecimentos se precipitaram.

O Papado se viu premido entre duas potências hostis: no Oriente, os bizantinos favoreciam as heresias (a respeito de Cristo e do culto das imagens), os Imperadores subtraiam terras à jurisdição eclesiástica dos Papas; no norte da Itália, os lombardos, pagãos ou arianos (heréticos), ameaçavam constantemente saquear Roma e os territórios meridionais, constituindo um perigo não somente civil, mas também religioso. Nessas circunstâncias, os Pontífices Romanos se lembraram de recorrer ao auxílio de um dos novos povos do cenário europeu: os francos, que, desde o batismo de seu rei Clóvis em 496, constituíam uma nação cristã de crescente valor cultural; em 732, seu mordomo, Carlos Martelo, tinha conjurado o perigo muçulmano, vencendo os árabes em Poitiers. Os francos conservavam fidelidade à reta fé e possuíam energias novas, enquanto Bizâncio já significava um mundo velho, vítima tanto das sutilezas de seu gênio («bizantinismo» na arte, na filosofia, na teologia…) como dos exércitos estrangeiros (principalmente dos persas); o verdadeiro esteio da cristandade já não estava no Oriente (onde as sutis discussões teológicas debilitavam a fé), mas no.Ocidente, em particular no reino dos francos, onde a fé era empreendedora. Porque então não apelariam os Papas para estes filhos da Santa Igreja, a fim de impor uma ordem de coisas cristã aos povos cristãos?

Foi o que Estêvão II resolveu fazer, dirigindo ao mordomo franco um pedido de auxílio diante das ameaças dos lombardos. Pepino o Breve atendeu-o em 756, movido por amor à fé e aos interesses da Igreja: em duas expedições venceu os lombardos e confirmou o Papa na posse do Patrimônio de São Pedro. Estava assim fundado, por magnificência da piedade cristã (dos nobres da Itália e dos francos), o Estado Pontifício independente de Bizâncio. Em compensação, Pepino foi sagrado rei dos francos pelo Papa Estêvão II, e seu filho Carlos Magno recebeu do Pontífice Leão III, em 800, a coroa de Imperador do Império Romano, restaurado no Ocidente com o título de Império sacro ou cristão.

Esses fatos têm sido calorosamente comentados pelos historiadores. Pergunta-se se não houve nisso tudo usurpação de direitos, jogo de interesses políticos dos Papas e dos francos.

Após uma reflexão serena, responder-se-á que não. Os acontecimentos mencionados não foram senão a «oficialização» de uma situação que de fato já existia: o Papa já exercia as funções de soberano do Patrimônio de São Pedro, sem possuir o título respectivo; os mordomos francos, do seu lado, já governavam o reino (sob a dinastia dos reis merovíngios ditos «fainéants», indolentes), embora não trouxessem as insígnias de monarcas; Pepino o Breve e Estêvão II, Carlos Magno e Leão III só fizeram tornar a situação definida e patente aos olhos do mundo. A restauração do Império Romano no Ocidente não pode ser tida como violência cometida contra Bizâncio, nem foi um gesto surpreendente e brusco, mas o remate orgânico de um processo histórico iniciado em 330 e lentamente amadurecido no decorrer de mais de quatrocentos anos (até 756, ou melhor, até 800).

2. O Estado Pontifício, fundado em 756, perdurou ininterruptamente até 1870, quando cedeu ao movimento de unificação da península itálica. Registraram-se, no decorrer desses muitos séculos, obras grandiosas, que a soberania temporal dos Papas possibilitou; mas verificaram-se outrossim certos abusos, gestos de prepotência política e de luxo mundano, principalmente no período da Renascença. A Santa Igreja, guiada pelo Espírito Santo, é a primeira a reconhecer e condenar tais desvios; ela não se identifica irrestritamente com nenhum de seus membros, mas, na qualidade de Esposa de Cristo, transcende a todos, até mesmo aos mais altamente colocados (pois cada um traz até certo ponto o lastro do pecado); também não se surpreende ao verificar os abusos de seus filhos; estão bem na linha da parábola evangélica do joio e do trigo…

Em 1870, tendo caído o poder temporal dos Papas, foram amplamente debatidas as vantagens e os inconvenientes da conservação do Estado Pontifício (tratava-se da «Questão Romana»). Apesar de toda a pressão adversária, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV e Pio XI julgaram não poder abrir mão dos seus antigos direitos; conscientemente, pois, tomaram essa posição. E qual o motivo que levava os Pontífices a proceder desse modo?

Pio XI o explicou com a máxima clareza por ocasião do tratado do Latrão ou da restauração do Estado Pontifício, aos 11 de fevereiro de 1929:

«Podemos dizer que não há uma linha, uma expressão do tratado (do Latrão) que não tenham sido, ao menos durante uns trinta meses, objeto particular de nossos estudos, de nossas meditações e, mais ainda, de nossas orações, orações que pedimos outrossim a grande número de almas santas e mais amadas por Deus.

Quanto a Nós, sabíamos de antemão que não conseguiríamos contentar a todos, coisa que geralmente nem o próprio Deus consegue…

… Alguns talvez achem exíguo demais o território temporal. Podemos responder, sem entrar em pormenores e precisões pouco oportunas, que é realmente pouco, muito pouco; foi deliberadamente que pedimos o menos possível nessa matéria, depois de ter refletido, meditado e orado bastante. E isso, por vários motivos, que nos parecem válidos e sérios.

Antes do mais, quisemos mostrar que somos sempre o Pai que trata com seus filhos; em outros termos: quisemos manifestar nossa intenção de não tornar as coisas mais complicadas e, sim, mais simples e mais fáceis.

Além disto, queríamos acalmar e dissipar toda espécie de inquietação; queríamos tornar totalmente injusta, absolutamente infundada, qualquer recriminação levantada ou a ser levantada em nome de… iríamos dizer: uma superstição de integridade territorial do país (Itália).

Em terceiro lugar, quisemos demonstrar de modo peremptório que espécie nenhuma de ambição terrestre inspira o- Vigário de Jesus Cristo, mas unicamente a consciência de que não é possível não pedir, pois uma certa, soberania territorial é a condição universalmente reconhecida como Indispensável a todo autêntico poder de jurisdição.

Por conseguinte, um mínimo de território que baste para o exercício da jurisdição, o território sem o qual esta não poderia subsistir… Parece-nos, em suma, ver as coisas tais como elas se realizavam na pessoa de São Francisco: este tinha apenas o corpo estritamente necessário para poder deter a alma unida a si. O mesmo se deu com outros santos: seu corpo estava reduzido ao estrito necessário para servir à alma, para continuar a vida humana e, com a vida, sua atividade benfazeja. Tornar-se-á claro a todos, esperamo-lo, que o Sumo Pontífice não possui como território material senão o que lhe é indispensável para o exercício de um poder espiritual confiado a homens em proveito de homens. Não hesitamos em dizer que Nos comprazemos neste estado de coisas; comprazemo-Nos por ver o domínio material reduzido a limites tão restritos que… os homens o devem considerar como que espiritualizado pela missão espiritual imensa, sublime e realmente divina que ele é destinado a sustentar e favorecer» (trecho da alocução publicada pelo «Osservatore Romano» de 13 de fevereiro de 1929).

3. As palavras acima definem bem a mente da Igreja a respeito do poder temporal, de que não quis abrir mão durante os sessenta anos em que dele esteve despejada. Em última análise, vê-se que o Papa considera a sua soberania territorial como o corpo imprescindível ao exercício das atividades de uma alma ou como condição indispensável para o cumprimento de sua missão religiosa; assim como a alma neste mundo não age normalmente sem corpo, assim a tarefa espiritual da Igreja seria impedida, caso lhe faltasse tal suporte temporal.

A comparação ilustra fielmente a verdade. Tenha-se em vista que a Igreja, por definição, exerce autoridade não apenas sobre os corpos e o comportamento exterior dos homens, mas também sobre o setor mais íntimo e importante dos indivíduos: sobre as almas; e exerce-a independentemente de fronteiras nacionais, abrangendo centenas de milhões de fiéis do mundo inteiro: onde quer que esteja comprometido o espírito do homem, mesmo nos planos aparentemente mais indiferentes à religião, como o esporte, o cinema, a medicina, o comércio, a Igreja tem que estar aí presente, a fim de orientar a conduta das almas que assim entram em contato com o mundo material.

Tal autoridade é realmente colossal. Em consequência, os filhos da Igreja e os homens que compreendem o que essa autoridade significa, não podem deixar de desejar que tanto poder não sofra influência de alguma força estranha, não se torne joguete nas mãos de soberanos políticos, mais ou menos arbitrários. Por isto, cedo ou tarde havia de aflorar à consciência dos cristãos a ideia de que o governo e o Chefe Supremo da Igreja devem ser independentes de qualquer soberano político nacional, devem enfim ser tão livres quanto qualquer governo deste mundo. Em caso contrário, estaria frustrada a sua missão.

Esta última conclusão, a história se encarregou de a comprovar. Com efeito, não faltaram no decurso dos séculos tentativas das autoridades civis que visavam submeter o soberano Pontífice à jurisdição do monarca de tal ou tal país (que ótimo jogo não seria utilizar a autoridade moral dos Papas em favor de interesses nacionais!). Quando o conseguiram, a tarefa religiosa da Igreja se viu enormemente prejudicada. Foi o que se deu, por exemplo, durante o chamado «Exílio de Avinhão»: de 1309 e 1376, os monarcas franceses obtiveram que os Papas residissem em Avinhão (França), onde, carecendo de soberania temporal, ficaram sujeitos à influência do governo civil. Nesse período, os Pontífices foram perdendo parte da sua autoridade perante a opinião pública internacional; os cristãos de fé (o rei Carlos IV da Alemanha, o poeta Petrarca, Sta. Brígida, nobre viúva sueca, Sta. Catarina de Sena) se alarmavam, percebendo que, se a situação se prolongasse por muito tempo, o Papado deixaria de ter o prestígio sobrenatural e católico (universal) que deve ter. Basta recordar que o Pontífice João XXII (1316-1334) entrou em conflito com o rei Luís IV da Baviera, animado de pretensões cesaropapistas; excomungado pelo Papa, o monarca respondeu que João XXII servia aos interesses dos Valois de França; por isto não hesitou em criar um antipapa (Nicolau V), alegando que a França tinha «seu» Papa.

Tais ideias e fatos evidenciam quão necessária à missão religiosa da Igreja é a soberania política (por muito limitada que seja) de que os Pontífices têm tradicionalmente usufruído e que ainda recentemente reivindicaram (diga-se mesmo sem temor de exagero: o interesse comum dos fiéis jamais permitiria abrissem mão de tal direito).

4. Mas que dizer do cerimonial de que o Papa se cerca?

Note-se logo que o fato de ser o Pontífice soberano de um pequeno território acarreta certo aparato em torno de sua pessoa. Tal cerimonial, porém, é concebido como homenagem deferida não à pessoa do Pontífice como tal, mas à autoridade que a pessoa representa. Aos olhos da fé, não há dúvida, o Chefe visível da Igreja significa algo de muito grande (é o Vigário de Jesus Cristo); quem o compreende, não pode deixar de querer exprimir essa consciência por gestos de apreço. Muitas das demonstrações de reverência em uso na corte pontifícia devem ter surgido do espontâneo afeto dos cristãos; os católicos as entendem como profissão de fé no Cristo e na Igreja. Por este motivo mesmo, pode-se dizer que os Papas, nem a título de humildade, têm o direito de se lhes furtar de todo. O próprio Jesus, que habitualmente não tinha onde repousar a cabeça (cf. Lc 9,58), não recusou as homenagens dos que O aclamavam quando entrou em Jerusalém, poucos dias antes de morrer: permitiu que tecessem de vestes e ramos a via pela qual passava, montado em um jumentinho; permitiu que, com cantos nos lábios, os hebreus O aclamassem Rei e Filho de Davi, professando seu entusiasmo pelo Messias (cf. Mt 21,1-11).

O cerimonial de que foi alvo Jesus, como o cerimonial pontifício, não impede simplicidade interior e desapego de espírito. Se houve Papas que deram importância pessoal e excessiva a esse aparato, constituem casos contingentes, que não derrogam à legitimidade do princípio geral.

5. Quanto às propaladas «riquezas» do Vaticano, é preciso dizer que os rumores a seu respeito ultrapassam de muito a realidade.

A Cidade do Vaticano é, do ponto de vista territorial, a mínima do mundo. Quando após 1870 se discutia a «Questão Romana», diziam muitos que, em caso de restauração da soberania temporal, um Estado do tamanho da República de São Marinho (60,57 km2) seria suficiente para os Pontífices; ora o Estado Pontifício ressurgiu com 0,44 km- apenas — o que no século passado parecia incrível! Esso Estado constitui a simples carcaça de uma alma e tem por exclusiva função possibilitar o exercício das atividades da respectiva alma ou da Igreja.

As obras de arte que se encontram no Vaticano são, em grande parte, a expressão da fé de pintores e arquitetos cristãos, que quiseram glorificar a Deus mediante o seu talento. Os Papas — alguns com prodigalidade talvez excessiva — os incentivaram, porque a Igreja só pode favorecer as artes que contribuam para a exaltação do Criador

Os objetos contidos nos Museus do Vaticano foram, em grande parte, doados aos Pontífices por cristãos sinceros (reis, cruzados, viajantes, exploradores, etc.), em testemunho de fé. Pertencem ao patrimônio do gênero humano; os Papas não veem motivo para não os conservar para o bem da cultura universal.

Não há razão, pois, para que o mundo se detenha cobiçosamente sobre as apregoadas riquezas materiais do Vaticano. Volte, antes, a sua atenção para os imensos tesouros espirituais que daquele recanto territorial emanam para o gênero humano. Queiram-no ou não os homens, é ainda do Vaticano que se faz ouvir a palavra da Verdade e da Vida em meios às teorias mórbidas e à confusão ideológica de nossos tempos.

* Provas IRREFUTÁVEIS do Episcopado e Martírio de Pedro, o primeiro Papa, em Roma

sexta-feira, maio 3rd, 2013

Túmulo de São Pedro, no Vaticano

Provas Irrefutáveis do Episcopado e Martírio de Pedro em Roma

Fonte: Apologistas Católicos

Ao longo dos anos, vários grupos protestantes têm formulado grandes estórias para tentar provar que o apóstolo Pedro nunca foi bispo de Roma. Passando bem longe face da evidência histórica, tradicional e arqueológica, eles mesmos têm ido tão longe a ponto dizer que ele nunca pôs os pés na Itália, nem muito menos na Cidade Imperial!

Isso é verdade? Pedro ignorou a capital do Império Romano, uma cidade de grande importância naquela época, e que tinha, aliás, uma grande população judaica? E por que esses grupos protestantes são tão inflexíveis em sua recusa a acreditar que Pedro esteve em Roma?

A resposta a esta última questão é bastante fácil de entender. Os protestantes, em sua rejeição de muitas Tradições e doutrinas católicas, também rejeitam o primado de Pedro e a sucessão apostólica. Em seu clamor ardente para derrubar a teoria de sucessão apostólica, eles tentam colocar Pedro tão longe de Roma e da Itália quanto possível!

Um honesto teólogo e historiador protestante, Adolph Harnack, escreveu que “negar a estadia em Roma de Pedro é um erro que hoje é claro para qualquer estudioso que não é cego. A morte por martírio de Pedro em Roma já foi impugnado em razão de prejuízo protestante.” [1]

TOTAL UNANIMIDADE

Pedro teve que morrer e ser enterrado em algum lugar, e a TRADIÇÃO CRISTÃ esmagadora está em total acordo, desde os primeiros tempos, que foi realmente em Roma que Pedro morreu. F.J. Foakes-Jackson, em seu livro Pedro: O Príncipe dos Apóstolos, afirma “Daí por diante não há dúvida alguma de que, não só em Roma, mas em toda a igreja cristã, a visita de Pedro à cidade foi um fato concreto, como foi seu martírio juntamente com o de Paulo” (New York, 1927. p. 155.).

O Historiador Arthur Stapylton Barnes concorda:

“O ponto forte na prova dos [igreja] pais é a sua unanimidade. É bastante claro que nenhum outro lugar era conhecido por eles como alegando ter sido palco da morte de São Pedro, e o repositório de suas relíquias.” – (São Pedro, em Roma, Londres, 1900. P. 7.)

A Nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso de Schaff-Herzog confirma isso dizendo:

“Tradição parece manter que Pedro foi a Roma [....] e ali sofreu o martírio sob Nero. Nenhuma outra FONTE descreve o lugar do martírio de Pedro em um lugar diferente de Roma. Parece mais provável, no todo, que Pedro morreu como um mártir em Roma no final do reinado de Nero, em algum momento após a cessação da perseguição geral.” (Artigo: “Pedro”)

João Inácio Dollinger afirma esta mesma evidência:

“São Pedro trabalhou em Roma é um fato tão abundantemente comprovado e tão arraigado na história cristã primitiva, que quem trata como uma lenda devia, em coerência tratar de toda a história da Igreja primitiva como lenda também, ou, pelo menos, bastante incerta“(A primeira era do cristianismo e da Igreja, em Londres. 1867. p. 296).

Palavras fortes.

Como autor James, afirma Hardy Ropes:

“A tradição, entretanto, que Pedro veio a Roma, e sofreu o martírio sob Nero (54-68 d.C), ainda na grande perseguição que se seguiu ao incêndio da cidade ou um pouco mais tarde, repousa sobre uma base diferente e mais firme …. É inquestionável que 150 anos após a morte de Pedro essa era a crença comum em Roma que ele havia morrido lá, como tinha Paulo. Os “troféus” dos dois grandes apóstolos podiam ser vistos na Colina do Vaticano e pela Via Ostiense … uma forte tradição local da morte em Roma, de ambos os apóstolos é atestada em um tempo não muito distante do evento.”(A Era Apostólica à Luz da Crítica Moderna. New York. 1908. Pp. 215-216.)

A crença de que Pedro foi martirizado e viveu em Roma não foi devido à vaidade ou ambição dos cristãos locais, mas foi sempre atestado, por toda a Igreja. Nenhum depoimento até o meio do século 3 realmente precisa ser considerado; por que até este tempo, a Igreja presente em Roma alegou ter o corpo do apóstolo e NINGUÉM contestou o fato.

É mais do que interessante perceber que não há uma única passagem ou declaração em contrário, em qualquer das obras literárias que se tratam com os fundamentos do cristianismo até mesmo depois da Reforma. Você não acha que é estranho? Você não acha que alguém não teria aproveitado esta reivindicação de Roma, para usá-la como um ponto de discórdia se houvesse alguma dúvida quanto à sua validade? Você não acha que as Igrejas orientais teriam chegado a rechaçar esta pretensão, se não fosse verdade? Durante séculos, as igrejas orientais estavam em conflito quase constante com Roma durante a Páscoa, o sábado, e muitas outras questões doutrinárias. Se eles pudessem aproveitar esta reivindicação de Roma que Pedro tinha trabalhado e morrido lá, eles certamente teriam usado isso contra a Igreja de Roma! Mas eles não usaram. POR QUE? Porque não havia absolutamente nenhuma dúvida sobre Roma ter sido o local de episcopado e morte de Pedro!

Completa, William McBirnie:

“Nós certamente não temos sequer a menor referência que aponta para qualquer outro local além de Roma, que poderia ser considerado como a cena de sua morte. E em favor de Roma, existem tradições importantes que ele realmente morreu em Roma. No segundo e terceiro séculos, quando certas Igrejas estavam em rivalidade com os de Roma nunca ocorreu que um único deles contestasse a alegação de Roma que era lá o local do martírio de Pedro.” (A Procura aos Doze Apóstolos. Tyndale House Publishers, Inc. Wheaton, Illinois. 1973. P. 64.)

O Dicionário bíblico de Unger afirma inequivocamente que “a evidência para de seu martírio [de Pedro] lá [em Roma] está completa, enquanto há uma ausência total de qualquer declaração contrária nos escritos dos pais da Igreja” (Terceira Edição, Chicago. 1960. P . 850).

George Edmundson, em seu livro A Igreja em Roma no século I, dogmaticamente repete a mesma conclusão:

“Nós não temos sequer o menor vestígio que aponte para qualquer outro lugar que poderia ser considerado como a cena da morte dele [de Pedro] …. É um ponto ainda mais importante que no segundo e terceiro séculos, quando certas igrejas estavam em rivalidade com a de Roma, nunca ocorreu a uma única delas contestar a alegação de que Roma era a cena do martírio de Pedro. Na verdade, até mais pode ser dito; precisamente no leste, como fica claro a partir dos escritos pseudo-Clementinos e as histórias Petrinas, sobretudo aqueles que lidam com o conflito de Pedro com Simão, o mago. A TRADIÇÃO DA RESIDÊNCIA ROMANA DE PEDRO tinha domínio particularmente forte. (Londres. 1913. Pp. 114-115.)[Capslock nossos]

EVIDÊNCIAS PRIMITIVAS

Como a verdade é única e imutável, assim como ninguém pode apagar a história, afim de desmentir aqueles que negam a vida do Santo Apóstolo Pedro em Roma, seu episcopado e martírio nesta cidade, vale a pena sempre recordar a memória cristã afim de combater o erro.

A partir do século I uma obra apócrifa chamada Ascensão de Isaías chegou até nós, e este é provavelmente o primeiro documento mais antigo e que atesta o martírio de Pedro em Roma. Em uma passagem (cap. 4, 2s), lemos a seguinte previsão:

“… então surgirá Belial, o grande príncipe, o rei deste mundo, que governa desde sua origem, e ele descerá do seu firmamento em forma humana, rei da maldade, assassino de sua mãe, ele mesmo é o rei deste mundo, e ele vai perseguir a planta que os 12 apóstolos do Amado plantaram, um dos 12 será entregue em suas mãos.”

Esta é uma clara referência ao imperador Nero, que assassinou sua mãe Agripina em 59 d.C, e colocou Pedro a morte em fevereiro de 68 d.C. Ele não pode ter se referido a Paulo, pois este foi decapitado em janeiro de 67 d.C, por Hélio, um dos prefeitos que foram deixados no comando de Roma enquanto Nero estava longe na Grécia entretendo os bajuladores cidadãos desta província.

A próxima referência, cronológica, é a Epístola de Clemente para Tiago. Embora muitos historiadores tenham colocado esta carta nos últimos dez anos do século primeiro, há algumas objeções a isso. A maior objeção, é claro, é que Tiago não poderia estar vivo nessa data tardia. Todas as indicações são de que Tiago foi assassinado durante a guerra interfaccional que ocorreu em Jerusalém pouco antes da destruição romana da cidade em 70 d.C. Além disso, há uma abundância de material para mostrar que Pedro ordenou Clemente PARA SUBSTITUIR LINO, como superintendente da Igreja Romana, após o martírio deste último em 67 d.C. A lista dos bispos de Roma, nos Padres pré Nicenos mostram que Clemente foi bispo de 68-71 d.C.

Evidentemente, o seu primeiro ato como bispo foi informar Tiago a respeito da morte de Pedro:

“Clemente para Tiago, que governa Jerusalém, a santa Igreja dos hebreus, e as igrejas em toda parte excelentemente fundadas pela providência de Deus, com os anciãos e diáconos, e o resto dos irmãos, a paz esteja sempre …. ele próprio [Pedro], em razão de seu imenso amor para com os homens, tendo chegado até Roma, clara e publicamente testemunhando, em oposição ao maligno que resistiu a ele, que há de ser um bom rei sobre todo o mundo, ao salvar os homens por sua doutrina inspirada por Deus, Ele mesmo, pela violência, trocou a presente existência pela vida eterna.” (Epístola de Clemente de Tiago)

A referência enigmática à morte de Pedro ocorre no livro de João na Bíblia que, a maioria dos estudiosos acreditam que foi escrito na última década do primeiro século. Aqui, nos versículos 18 e 19 do capítulo 21, lemos:

“‘Eu digo a verdade, quando você era mais jovem que você vestiu a si mesmo e andavas por onde querias; Mas quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir’ Jesus disse isto para indicar o tipo de morte com que Pedro iria glorificar a Deus.”

O estiramento das mãos refere-se a crucificação de Pedro em sua velhice, no entanto, a passagem não indica onde esta a crucificação aconteceria.

Nos primeiros anos do século II um documento siríaco, chamado A Pregação de Pedro, foi escrito. Sua data é indicada pelo fato de que o gnóstico Heracleon, o utilizou em seus escritos durante o tempo do imperador Adriano (117-138 dC). De acordo com João Inácio Dollinger, A Pregação de Pedro traz “São Pedro e São Paulo juntos em Roma, e divide os discursos e declarações que tiveram lugar lá entre os dois … é notoriamente fundado sob fato universalmente admitido de São Pedro ter trabalhado em Roma.”

É inconcebível pensar que tal documento (alegando aceitação como um produto genuíno da era apostólica) teria apresentado uma fábula sem fundamento sobre a presença de Pedro em Roma, numa altura em que muitos que tinham visto o apóstolo ainda estavam vivos!

O documento na sua introdução:

“No terceiro ano de Cláudio César, Simon Cefas partiu de Antioquia para ir a Roma. E nos lugares em que ele passou, pregou em vários países a palavra de nosso Senhor. E, quando ele quase chegando em Roma, muitos já tinham ouvido falar dele e saíram para encontrá-lo…” (A Pregação de Pedro – Introdução)

Cláudio começou a reinar no ano 41 d.C, e Pedro, segundo o documento, foi a Roma no terceiro ano do seu reinado, segundo o documento, logo em 44 d.C, exatamente na mesma data prevista por muitos historiadores.

Por volta do ano 107 d.C. Inácio, um dos pais da igreja primitiva, diz em sua epístola à Igreja romana: “Eu não vos dou ordens como Pedro e Paulo” (Carta aos Romanos 4,3 – 107 d.C

Uma referência oblíqua à residência de Pedro em Roma.

Thomas Lewin, em A Vida e Epístola de São Paulo, menciona que uma obra intitulada Praedicatio Pauli, atribuída ao segundo século, fala sobre uma reunião de Pedro e Paulo em Roma (Vol. 2 London 1874..).

Os eventos que levaram à morte de Pedro são descritas em pormenores num trabalho chamado de Atos de Pedro, que estava em circulação em Roma, cerca de 85 anos após a morte do apóstolo. Mais uma vez, aqueles que leram este trabalho teriam sido da segunda geração de cristãos, cujos pais se lembrariam dos lugares e personalidades descritas.

Não há nenhum registro histórico que esta narrativa a respeito da morte e episcopado de Pedro em Roma tivesse sido contestada. Portanto, um fio de verdade deve ser consagrado neste, Atos de Pedro, que ligam os eventos descritos.

O Dicionário bíblico de Unger atesta a antiga crença universal de que Pedro morreu e foi bispo em Roma:

“No século II Dionísio de Corinto, na epístola ao Bispo de Roma, relata, como um fato universalmente conhecido e levado em conta para as relações íntimas entre Corinto e Roma, que Pedro e Paulo, ambos, ensinado na Itália, e sofrendo o martírio na mesma época. Em suma, a maioria das igrejas quase conectados a Roma e aquelas mais fora de sua influência, que era forte, mas, irrelevante no oriente, concordam com a afirmação de que Pedro foi um dos fundadores conjuntos da igreja [de Roma], e morreu nesta cidade.”

O escritor e filósofo Orígenes (185-254) (conhecido como o pai da ciência da Igreja Oriental da crítica bíblica e exegese no início do século III) escreve que, depois de pregar em Pontus e outros lugares para os judeus da Dispersão , Pedro “finalmente veio a Roma, e foi crucificado com a cabeça para baixo.”

Da mesma forma Irineu, que foi bispo de Lyon, na Gália (por volta de 202) afirma na sua obra, Contra as Heresias, III,1 que “Pedro e Paulo estavam pregando em Roma, e lá que estabeleceram as bases da igreja.” Mais adiante, em Contra as Heresias, III, 2, ele acrescenta: “Indicando que a tradição derivada dos apóstolos, da igreja muito grande, muito antiga e universalmente conhecida, fundada e estabelecida em Roma pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo.”

Tertuliano, o eminente pai da igreja menciona, por volta do ano 218, “aqueles a quem Pedro batizou no Tibre” (Sobre Batismo, 4). Em seu trabalho Prescrição contra os hereges (36), ele diz que a igreja de Roma “afirma que Clemente foi ordenado por Pedro.”

A Igreja também dos romanos pública – isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas – que Clemente foi ordenado por Pedro.

Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” - e falando da Igreja Romana,“onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.

Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.”(Scorp. c. 15)

Clemente de Alexandria (+ 220), como citado por Eusébio, acrescenta outro detalhe quando ele menciona a visita de Pedro a Roma para lidar com Simão, o Mago.

Arnóbio de Sica (307 d.C) Um pouco mais tarde, no século IV, diz: “Na própria Roma … eles se apressaram em abandonar os costumes de seus ancestrais, para juntar-se a verdade cristã, porque eles tinham visto o orgulho de Simão, o Mago , e sua impetuosa carruagem despedaçados pela boca de Pedro” (Adv. Gentes, II. 12).

Lactâncio da África – que viveu por volta de 310 d.C – conta como os apóstolos, incluindo Paulo “durante 25 anos, e até o início do reinado do imperador Nero … ocuparam-se em lançar as bases da Igreja em todas as Província e Cidades. E enquanto Nero reinava, o apóstolo Pedro chegou a Roma, e … construiu um templo fiel e firme para o Senhor. Quando Nero ouviu essas coisas … ele crucificou Pedro, e matou Paulo” (Handbook of Cronologia bíblica, por Jack Finegan. Princeton, NJ, 1964).

Hegesipo, que também escreveu no século 4, descreve a luta entre Pedro e Simão Mago – EM ROMA – respeito de um parente do imperador Nero, que foi ressuscitado dentre os mortos, e então como o sedutor (Simão Mago) chegou a um trágico fim. Por causa da morte de Mago (67 d.C) Nero (que o tratou como um favorito) ficou tão enfurecido que ele lançou Pedro na prisão até o seu retorno a Roma.

O Eusébio (+ 324) observa que Pedro “parece ter pregado através de Pontus, Galácia, Bitínia, Capadócia e Ásia, e finalmente chegando a Roma, foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido.” Em outros lugares em seus escritos, Eusébio afirma que “Paulo foi sido decapitado em Roma e Pedro ter sido crucificado ….”

“Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21].”(Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,III,2 – 317 d.C).

“[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima.”(Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,8 – 317 d.C).

“[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo”(Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

“Sob Cláudio, Fílon em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes.”(Eusébio de Cesaréia – HE II,17,1 – 317 d.C)

“[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo”(Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

O filósofo Macário Magnes, que provavelmente foi bispo de Magnésia em Caria ou Lídia por volta do ano 400 d.C, diz em um de seus diálogos, como Pedro escapou da prisão sob Herodes, e, em seguida, diz, em referência à missão de Pedro dada por Cristo para “alimentar as minhas ovelhas”, que “está registrado que Pedro alimentou as ovelhas durante vários meses apenas de ser crucificado.” Isso provavelmente significa “vários meses” de atividade em Roma antes de ser preso e condenado à morte. Magnes, em seguida, refere-se a Paulo, juntamente com Pedro: “Este vom companheiro foi dominado em Roma e decapitado … assim como Pedro … foi preso à cruz e crucificado.”

A história clássica dos papas antigos conhecidos como o Liber Pontificalis (que pode ser datado, na sua forma mais antiga, do século VI) contém uma biografia de Pedro. Nesta biografia afirma-se que o apóstolo foi enterrado perto do lugar onde ele tinha sido crucificado, ou seja, “perto do palácio de Nero, no Vaticano, próximo à região do Triunfo”.

O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo: “Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.”(Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.)

Gaio, presbítero romano, em 199: “Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro.

Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: “Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.”(Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.)

Ireneu (130 – 202), o Bispo de Lião referiu novamente:

Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo.”

E ainda:

Os bem-aventurados Apóstolos, portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; pois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.

Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).

Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância: “A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc…”(ii. 27 – Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282.)

Doroteu de Tiro (+362) “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.“ (In: Syn.)

Optato de Milevo: “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.” (De Sch. Don)

Cipriano (+ 258) Bispo de Cartago (norte da África): “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.”(Epístola 55, 14.)

Santo Agostinho (354 – 430): “A Pedro sucedeu Lino.”(Ep. 53, ad. Gen.)

o venerável Beda (historiador britânico do século VII) menciona esse entendimento UNIVERSAL no seu livro intitulado Um História da Igreja e do povo Inglês:

“Quando Wilfred tinha recebido ordem do rei para falar, ele disse: “Os nossos costumes de Páscoa são aqueles que temos visto universalmente observados em Roma, onde os Santos Apóstolos Pedro e Paulo viveram, ensinaram, sofreram, e estão enterrados.”

Também Simeão Metafrastes, que viveu em 900 d.C, é disse, “que Pedro ficou algum tempo na Bitínia; onde tendo pregado a palavra, estabeleceu igrejas, bispos ordenados, padres e diáconos, no ano 12 de Nero [66 d.C] e retornou a Roma.”

William Cave, em seu livro acadêmico sobre a vida dos doze apóstolos, faz eco ao historiador Onófrio:

“Onófrio, um homem de grande erudição e eloquência em todos os assuntos da antiguidade … vai por si mesmo … e … afirma, que ele [Pedro] … tendo passado quase todo o reinado de Nero em várias partes Europa, retornou, no fim do reinado de Nero, a Roma, e morreu ali ….” ( a Vida dos Apóstolos, Oxford 1840).

OS TEXTOS DO ORIENTE

Mesmos os antigos textos etíopes traduzidos pelo falecido egiptólogo E.A. Wallis Budge mencionaram a ligação de Pedro com Roma.

“E aconteceu que, quando o apóstolo divide os países do mundo, entre eles, a cidade de Roma tornou-se a porção de Pedro …. Agora, quando o bem-aventurado Pedro morreu na cidade de Roma, nos dias de Nero o imperador, os apóstolos foram dispersos…”(As Contendas dos Apóstolos, Londres 1901. p. 137)

Mais adiante, no mesmo volume, encontramos mais confirmações: “E depois que todos os apóstolos terminaram seus trabalhos, e partiram deste mundo. Pedro foi crucificado na cidade de Roma, cortaram a cabeça de Paulo, na mesma cidade, e Marcos foi esfolado vivo na cidade de Alexandria ….” (Página 254).

Outro documento siríaco, que é um extrato de um livro sobre o rei Abgar e o apóstolo Tadeu, descreve as áreas de responsabilidade atribuídas a cada apóstolo: “Para Simão[Pedro] foi atribuído ROMA, a João, Éfeso, para Tomé a Índia, e a Tadeu o país dos assírios. E, quando eles foram enviados cada um deles para o distrito que lhe tinha sido atribuído, dedicaram-se a trazer vários países ao discipulado “(os Padres Pré-Nicenos, p. 656).

E, finalmente, da mesma parte do mundo, um outro antigo documento intitulado O Ensino dos Apóstolos, diz: “E César Nero se despediu crucificando numa cruz Simão Cefas na cidade de Roma”.

O que eu citei aqui é apenas uma pequena amostra da quantidade volumosa de materiais existentes que mostram claramente que Pedro esteve em Roma e terminou sua longa vida lá. E, como mencionei anteriormente, não há um “i” de informação histórica que refute a alegação de Roma ser o lugar de episcopado e descanso final de Pedro. Que, em si, é notável!

EVIDENCIAS MODERNAS

Vamos agora cruzar as fronteiras do tempo e ver o que estudiosos modernos tem a dizer sobre a residência e morte de Pedro em Roma. Têm diminuído ao longo dos séculos a validade da afirmação de Roma? Tem a unanimidade dos primeiros séculos desaparecido e foi pisada pela crítica moderna?

Engelbert Kirschbaum – um dos quatro arqueólogos que escavaram a área sob o altar de São Pedro em Roma – escreveu, em 1959: “O que sabemos é que Pedro sofreu uma morte por martírio no reinado de Nero e que desde cedo seu túmulo era conhecido por ser sobre o Vaticano perto dos jardins de Nero.” (The Tombs of St. Peter e St. Paul, New York).

De acordo com George Armstrong (“Opinião” Seção do Los Angeles Times):

“Após grande incêndio de Nero em 64 d.C, ele construiu uma área suburbana conhecida como Circus Vaticano para carros e corridas de cavalos. A atração adicionada do fim de semana seriam execuções públicas de criminosos ou subversivos. Pedro, um incômodo e estrangeiro, fanático religioso, era um bom candidato para uma crucificação no Circus. Segundo uma antiga tradição foi sepultado perto, logo após tal evento.”(Artigo, Mistério Romano: O caso do Santo de duas cabeças. Mid-1980)

“Quando o homem chamado Simão Pedro foi brutalmente executado, a 1915 anos atrás, em Roma, faleceu um daquele pequeno grupo de personalidades históricas que merecem ser figurados como monumentais” (The Bones of St. Peter, pelo evangelista John Walsh. Nova york, 1982. p. 1).

Em 1953, os autores Fulton Oursler e April Oursler Armstrong afirmara que “antes de deixar Puteoli, Paulo tinha ouvido a história completa da silenciosa conquista de Roma por Pedro, começando com os pobres, em seguida, estendendo o batismo de Cristo até mesmo para os homens do tribunal de Nero. Com Marcos ao seu lado, Pedro tinha andado com os olhos arregalados em Roma, até o Trastevere, o centro da vida judaica” (A maior fé Fé já conhecida. New York. p. 31).

Bo Reicke, uma autoridade na era do Novo Testamento, observa que a cidade de Roma foi um importante centro durante o crescimento do evangelho: “Após o martírio de Tiago em Jerusalém em 62, Roma, o mais importante lugar de parada dos Apóstolos Pedro e Paulo, veio à tona, e mesmo após seu martírio lá … a capital do Império permaneceu no centro das atenções da igreja.” (A Era do Novo Testamento. Fortress Press, Philadelphia 1981 p. 211…)

Desde a Reforma e o estabelecimento subsequente de várias igrejas protestantes, tem havido um coro persistente de vozes proclamando como falácia a afirmação de Roma ser o local de residência e morte de Pedro. Um exame sério dessas alegações, no entanto, quase sempre mostra alguma falta de erudição e um viés teológico que geralmente é vingativo por natureza.

Um exemplo recente de uma voz que se levantou para dizer que Pedro nunca esteve em Roma, é encontrado no livro “Babilônia Religião de Mistério”, de Ralph Woodrow:

“Não há nenhuma prova, biblicamente falando, que Pedro chegou perto de Roma! O Novo Testamento nos diz que ele foi para Antioquia, Samaria, Jope, Cesaréia, e em outros lugares, mas não a Roma! Esta é uma estranha omissão, especialmente por que Roma era considerada a cidade mais importante do mundo!”

Realmente estranho! Sr. Woodrow faz uma declaração enfática aqui que Pedro nunca chegou perto de Roma, mas não oferece nenhuma evidência para apoiar isso. Não há nenhuma prova, biblicamente falando, que Pedro não foi a Roma! Por que não pode a frase “outros lugares” incluir Roma? Isso é típico dos argumentos apresentados por uma minoria que simplesmente não conseguem aceitar a presença de Pedro em Roma para tentar desfazê-lo como Papa!

Estudos sérios e o verdadeiro discernimento, mostram que a passagem do tempo não tem negado a esmagadora evidência de que Pedro realmente foi pra Roma viveu e morrer ali.

PEDRO VISITOU ROMA MAIS DE UMA VEZ?

Você notou algo incomum em várias das citações anteriores sobre Pedro? Você percebeu o que Simeão Metafrates e Dean Stanley disseram? Perceba! “… Pedro ficou algum tempo na Bitínia, onde pregou a palavra, fundou igrejas, ordenou bispos, padres e diáconos, no ano 12 de Nero, ele retornou a Roma.” Isso pode possivelmente significar que Pedro estava em Roma, em mais de uma ocasião? Observe o que Dean Stanley diz: “… a visão que São Pedro … (2 Pedro 1:14), teve nesta última visita à Bitínia… Pouco tempo depois Pedro retornou ao Roma, onde mais tarde foi executado.”

Será isso uma coincidência? A palavra “retornou” certamente implica em uma visita anterior!

Na História Eclesiástica de Eusébio, lemos: “Sob o reinado de Claudio [41-54 dC] pela providência benigna e graciosa de Deus, Pedro, esse grande e poderoso apóstolo, que por sua coragem assumiu a liderança do resto, e foi conduzido a Roma.” Agora, tanto o latino (Hieronymian) e as traduções siríacas da crônica de Eusébio dizem que Pedro foi para Roma no ano segundo de Cláudio e a Antioquia dois anos depois. Aqui temos uma prova positiva de que Pedro realmente visitou Roma em mais de uma ocasião. Os dois anos mencionados aqui realmente representam o tempo gasto em Roma neste momento, segundo a tradição e a consciência acadêmica.

De acordo com George Edmundson, em sua obra A Igreja em Roma no século I:

“Jerônimo escreve o seguinte: “Simão Pedro, príncipe dos apóstolos, depois de o episcopado da igreja de Antioquia e pregando para a dispersão dos da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no 2º ano de Cláudio foi para Roma para se opor Simão, o Mago e sentou por 25 anos na cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, que é o 14º. “Agora, aqui no meio de uma certa confusão … uma data definida é dada para primeira chegada de Pedro em Roma, e, note-se, é a data de sua fuga da perseguição de Herodes Agripa, e seu desaparecimento da narrativa de Atos.” (Londres. 1913. Pp. 50-51.)

Jerônimo afirma que no ano 14 do reinado de Nero foi o último de seu reinado, e a história registra que Nero morreu em junho de 68, em seguida, usando o cálculo de Jerome, o 2 º ano de Cláudio deve ter sido 43 d.C. Isto concorda, como o Sr. Edmundson observou, com a data da prisão de Pedro e fuga de Herodes, e concorda com as datas históricas para o reinado de Cláudio.

Cronologistas concordam que Herodes morreu em 44 d.C, e o livro de Atos mostra que depois da fuga de Pedro, Herodes foi para Cesárea, onde passou algum tempo em negociações com enviados de Tiro e de outras cidades fenícias antes de sua morte. Isso, juntamente com a tradição universal grega que os apóstolos não deixaram a região sírio-palestina até ao fim dos 12 anos de ministério, se encaixa bem com a datação de Eusébio e Jerônimo.

O historiador Jean Daniélou corrobora com a data da partida de Pedro de Jerusalém:

“Os Atos nos diz que em 43, após a morte de Tiago, Pedro saiu de Jerusalém “para outro lugar” (Atos 12:17). Ele está perdido de vista, até 49, quando encontramos ele no concílio de Jerusalém. Nenhum texto canônico tem nada a dizer sobre a sua atividade missionária durante este tempo. Mas Eusébio escreve que ele chegou a Roma, cerca de 44, no início do reinado de Cláudio.” (The Christian Centuries, p. 28.)

No livro, O Drama dos Discípulos Perdidos, autor George F. Jowett afirma que “A primeiro ida de Pedro a Roma foi 12 anos depois da morte de Jesus …” (Página 113).

Autor John Walsh também corrobora com este período: “Depois de escapar da prisão no ano 43, ele [Pedro] faz uma visita apressada à casa de Marcos, deixa certas instruções e, como Atos breves acaba, ‘Então ele saiu e foi para outro lugar.’”(The Bones of St. Peter, p. 34).

Os acontecimentos imediatos após a partida de Pedro de Jerusalém são revelados em um antigo texto etíope chamado As Contendas dos Apóstolos:

“… meu mestre Pedro abraçou os irmãos que viviam na cidade de Jerusalém … então partimos para a fronteira da cidade de Jope, e embarcamos em um navio e navegamos sobre o mar até [que chegamos] no ilha de Chipre, onde ficamos durante um período de 3 a 20 dias, pois assim me [Pedro] disse o Senhor para fazer …. Enquanto eu ainda estava na ilha de Chipre, o anjo de Deus apareceu para mim e disse. .. “Levanta-te, e vá para a cidade de Roma”, por isso parti para lá… cheguei à cidade de Roma e entrei nela.” (E. A. Wallis Budge. Londres 1901. P. 505).

Hipólito, bispo do Ponto, também confirma primeira visita a Roma por Pedro:

“Este Simão [Mago] enganando a muitos por suas feitiçarias em Samaria foi repreendido pelos apóstolos e foi colocado sob uma maldição, como foi escrito nos Atos. Mas ele depois de ter abjurado a fé e tentado [estas práticas], e caminhando até Roma caiu com o apóstolo [Pedro], e a ele, enganou a muitos por suas feitiçarias, Pedro o enfrentou várias vezes. (Philos. vi. 15.)

O historiador Onófrio, como registrado por William Cave, afirma que Pedro “foi primeiro a Roma, de onde volta para o concílio de Jerusalém, ele de lá foi para Antioquia … e de passou quase todo o reinado de Nero, em diversas partes da Europa, retornou, no fim do reinado de Nero, a Roma, e lá morreu …”

Aqui vemos, mais uma vez, as evidências plenas mostrando que Pedro esteve em Roma duas vezes durante sua vida. William Caverna afirma (algumas páginas antes, em seu livro A Vida dos Apóstolos (p. 200)): “O que aconteceu com Pedro após sua libertação da prisão não é certamente conhecido …. Depois disso [escapar da prisão], ele resolveu seguir viagem para Roma, onde a maioria concorda que ele chegou SOBRE O segundo ano do imperador Cláudio”.

Outra pista que mostra Pedro foi a Roma, em mais de uma ocasião é feita por George Edmundson: “da primeira visita e pregação de São Pedro em Roma a tradição primitiva proferiu alguns detalhes, uma série, no entanto, de testemunhas afirmam que Marcos acompanhou o Apóstolo ROMA e lá escreveu seu Evangelho “.

O EVANGELHO DE MARCOS

Os primeiros escritores como Clemente, Eusébio e Jerônimo afirmam que o evangelho de Marcos foi publicado pela primeira vez em Roma – em uma data muito antiga! No segundo livro de Eusébio da história da Igreja somos informados de como Simão, o Mago escapou de Pedro em Roma, e como Pedro logo depois seguiu “levando com ele a proclamação do evangelho da glória. Para estando em Roma, Pedro aprovou o trabalho do Evangelho de Marcos .” Clemente de Alexandria afirma que Pedro pregou em Roma, e que Marcos escreveu seu Evangelho a pedido de ouvintes de Pedro. (Hipol. Lib. VI. Apud Eusébio H. E. II. 14).

Papias (70-155 dC), como registrado por Eusébio, diz-nos que Marcos escreveu seu evangelho (baseado em sermões de Pedro), na cidade de Roma.

William Steuart McBirnie, em seu livro A procura pelos os 12 Apóstolos, registra:

Enquanto em Roma Marcos deve ter escrito seu evangelho, a pedido de S. Pedro. Os ” Pais Pós-Nicenos” registram a tradição: “Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro escreveu um evangelho curto, a pedido dos irmãos em Roma, incorporando o que ouvira Pedro dizer . Quando Pedro soube disso, ele aprovou e publicou-o para as igrejas para serem lidos por sua autoridade, como Clemente, no livro 6 de seu “Hypotyposes” e Papias, bispo de Hierápolis, registra. (New York 1973 Pp 253-254)

Um estudo cuidadoso do Livro de S. Marcos mostra que foi realmente escrito para um público gentio. Aspas nas palavras em aramaico (seguido de uma tradução delas) e sua explicação de muitos dos costumes judaicos provam isso.

Mas como podemos ter certeza de Marcos escreveu seu evangelho durante uma visita anterior sw Pedro a Roma? Não é concebível que ele escreveu pouco antes ou depois da morte de Pedro, em 68 d.C? Há um número de maneiras que nós podemos resolver isso!

Durante 1947, quando os Pergaminhos do Mar Morto foram sendo recuperados das cavernas da encosta adjacente à comunidade de Quram, 19 pedacinhos de papiros (identificados como fragmentos do evangelho de Marcos) foram encontrados. A datação subsequente pelo professor José O’Callaghan do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, mostrou que esses fragmentos faziam parte de um pergaminho mantido em uma biblioteca de palestinos em 50 d.C. Isto indica que o evangelho de Marcos pode ter estado em circulação dentro de um década e meia depois da morte de cristo. Isso se encaixa perfeitamente com tempo datado da primeira visita a Roma por Pedro e Marcos.

O historiador protestante Harnack concorda, dizendo “… não pode haver … nenhuma objeção em aceitar a voz da tradição que faz com que o evangelho [de Marcos] tenha sido escrito para o uso de Romanos convertidos por Pedro por volta do ano 45 d.C” (A Igreja em Roma no século I, pp 67-68).

Nas Crônicas antigas de Mateus de Paris (um monge Inglês e Cronista – sobre os 13 primeiros séculos), encontramos Pedro listado, como tendo chegado a Roma em 41 d.C e da escrita do evangelho de Marcos em 42 d.C. Se corrigirmos as datas aqui, temos 44 d.C para a chegada de Pedro a Roma e 45 para a escrita do evangelho de Marcos. (The Coming of the Saints, por John W. Taylor. London 1969. P. 138).

Os apêndices de A Igreja de Roma no século I (página 239), mostram uma tabela cronológica dos eventos que revela evangelho de Marcos tendo sido escrito em Roma, em 44-45 d.C. Eles continuam dizendo que Pedro e Marcos deixaram Roma em 45 d.C e chegaram em Jerusalém, na primavera de 46.

OS OUTROS TRÊS EVANGELHOS

Outra maneira de determinar se Marcos escreveu seu evangelho durante uma estadia em Roma mais cedo com Pedro, ou na época da morte de Pedro, é verificar quando o evangelho foi escrito em relação aos outros três evangelhos.

Nos primeiros comentários de Orígenes (185-254 dC) sobre o evangelho segundo Mateus, ele atesta que ele conhece apenas quatro evangelhos – escrito na seguinte ordem:

“…como tendo aprendido pela tradição sobre os quatro evangelhos, o que por si só são inquestionáveis​​, na Igreja de Deus debaixo do céu, o primeiro que foi escrito foi o segundo Mateus … que o publicou para aqueles que do judaísmo passaram a acreditar, composto na língua hebraica. Em segundo lugar, o de segundo Marcos, que escreveu em conformidade com as instruções de Pedro … e em terceiro lugar e segundo Lucas, que escreveu, para aqueles que dentre os gentios [passaram a acreditar], o evangelho que foi elogiado por Paulo. Depois de todos, o segundo João.”

Parece que o presente Novo Testamento preserva a ordem em que os quatro evangelhos foram escritos originalmente.

Assinaturas que aparecem no final do Evangelho de Mateus em numerosos manuscritos (todos sendo mais tarde do que o século X ), dizem que a conta foi escrita sobre o 8º ano após a morte de Cristo. (Ajuda ao Entendimento da bíblia, p. 1971). Isso o colocaria no 38 d.C. Outras fontes afirmam que foi escrito em 41 d.C. Vários especialistas consideram que o evangelho de Mateus apresenta um texto mais primitivo do que Marcos.

A introdução aos Evangelhos Sinóticos, no Novo Testamento da Bíblia de Jerusalém diz: “Segundo uma tradição datada do século II, São Mateus foi o primeiro a escrever um evangelho e escreveu na língua hebraica. Nosso grego “Evangelho segundo São Mateus” não se identifica com este livro primeiramente em aramaico, que está perdido, embora haja momentos em que parece representar um texto mais primitivo do que Marcos.”

O Evangelho de Lucas, de acordo com o Ajuda ao Entendimento da Bíblia “pode ter sido escrito em Cesaréia em algum momento durante o confinamento de Paulo lá por cerca de dois anos (c. 56-58 dC).” O Novo Testamento da Bíblia de Jerusalém observa que “evangelho de São Lucas e os Atos dos Apóstolos são os dois volumes de um único trabalho que hoje poderíamos chamar ‘a história da ascensão do cristianismo.” Os dois livros estão inseparavelmente ligados por seus Prólogos e por seu estilo.”

O livro de Atos termina com a primeira prisão de Paulo em Roma, os dois volumes pode ser datados de cerca de 59-61 d.C

Com essa evidência, podemos concluir que o Livro de Marcos deve ter sido escrito entre 38 e 61 d.C, confirmando assim a data de compilação 45 d.C e a presença de Pedro em Roma neste período.

FÍLON O JUDEU

Existe ainda uma outra prova intrigante para uma primeira visita de Pedro a Roma.

No verão de 38 d.C Agripa I visitou Alexandria, no Egito, onde ele aproveitou a oportunidade para desfilar sua “magnificência” ante os judeus da cidade. Este incitou os gregos de Alexandria a um motim e perseguirem os judeus. O conflito inter-racial que se seguiu tornou-se tão ruim que se espalhou para outras partes do Império Romano.

Gaio Caligula – o imperador louco – exacerbou o problema, exigindo que os judeus alexandrinos adorassem-no como um deus. Bo Reicke, emA Era do Novo Testamento, diz: “Agripa queixou-se a Gaio Caligula, assim como uma delegação de judeus de Alexandria liderado pelo filósofo Fílon, cujos livros In Flaccum e De Legatione ad Gaium discutem essa importante luta” (Press Fortress Pensilvânia. , 1981). A delegação, liderada por Fílon, viajou para Roma, em 39 ou 40 d.C, mas não teve sucesso em obter a ajuda de Calígula, que estava praticamente insano por esta altura.

Quando Claudio subiu ao trono em 41, ele tentou resolver este conflito – ordenando representantes de ambos os grupos étnicos comparecerem perante ele em Roma. A segunda delegação, mais uma vez dirigida por Fílon, fez a viagem a Roma. Quando eles chegaram, Eusébio afirma que Fílon “Disse ter lido diante do Senado inteiro dos romanos sua descrição da impiedade do [Imperador] Caio, que ele intitulou, com certas ironias, refere a suas Virtudes, e suas palavras eram tão admiradas como se pudessem ter um lugar nas bibliotecas.”

Enquanto Fílon estava em Roma ele se encontrou com Pedro!

Note o que Willian Cave disse:

“Aqui [em Roma], dizem-nos, ele [Pedro] se reuniu com Filon o judeu, que recentemente veio em sua segunda embaixada até Roma, em nome de seus compatriotas em Alexandria, e contraiu uma íntima amizade e familiaridade com ele.” (A vida dos Apóstolos. Oxford 1840. Pp. 200-201.)

Eusébio comenta que “a tradição diz que ele [Filon] chegou a Roma no tempo de Cláudio para falar com Pedro que estava naquele tempo a pregação os de Roma. Isso, de fato, não pode ser improvável uma vez que o tratado a que nos referimos, composto por ele [Filon] muitos anos depois, obviamente, contém as regras da igreja que ainda são observados em nosso próprio tempo” (História Eclesiástica de Eusébio. Harvard University Press, Londres. 1975. p. 145).

Parece altamente provável que Marcos foi enviado, por Pedro, para evangelizar Alexandria e áreas vizinhas COMO RESULTADO DO contato de Pedro, com Filon! A tradição oriental afirma Marcos foi para Alexandria de Roma, numa data próxima – e, eventualmente, foi martirizado lá.

Como resultado da segunda viagem de Filo a Roma e dos conselhos de Agripa, Claudio ordenou que o prefeito do Egito observar que os direitos dos judeus não fossem invadidos. Ao mesmo tempo, ele advertiu os judeus de Alexandria a permanecer pacificamente e proibiu-os para atrair mais compatriotas para a cidade para obter vantagem política. Estas diretivas pavimentou o caminho para o trabalho de Marcos na área e, como esta tradição coptas no Egito relatam”, “Mark levou seu evangelho com ele para Alexandria.”

E quando foi que Marcos saiu para Alexandria? A História dos Patriarcas menciona explicitamente que a revelação a Pedro e a Marcos (que Marcos deveria ir para Alexandria) veio no ano 15 DEPOIS DA MORTE DE CRISTO – 45 d.C! (The Search For the 12 Apostles, por William Steuart McBirnie. NY 1973. P. 255).

EVIDÊNCIA ARQUEOLÓGICA

Uma quantidade considerável de evidências foi descoberto pelas pás dos arqueólogos provando uma antiga crença da residência e morte de Pedro em Roma. Um grande número de sarcófagos cristãos foram descobertos (agora no Museu de Latrão) mostrando cenas de prisão de Pedro por Herodes com sua posterior liberação por um anjo. O historiador francês Das perseguições dos primeiros dois séculos, Paul Allard, aponta que a freqüência com que este assunto foi escolhido tende a provar uma relação estreita entre este evento e a primeira visita de Pedro a Roma.

“Várias vezes, as figuras de Pedro e Paulo são encontradas em pinturas, ilustrações, copos e tigelas datados do século IV” (Pedro: O Príncipe dos Apóstolos, p. 615).

Cerca de duas milhas de Roma, na Via Appia, ergue-se a antiga Igreja de São Sebastião. Esta igreja foi originalmente chamada de Basílica dos Apóstolos por causa da tradição que os corpos de Pedro e Paulo estavam escondidos ali (em um cofre) durante a perseguição de Valeriano (253-260 dC). As primeiras tentativas para escavar sob esta Igreja foram feitas em 1892. Os escavadores descobriram uma antiga casa romana, com uma fileira de túmulos em frente – que data do primeiro e segundo séculos. Uma inscrição mostrou este edifício como sendo a casa de Hermes (Romanos 16:14), e cerca de 80 REFERÊNCIAS A Pedro foram descobertas neste local – que remonta a pelo menos o século 3. Isso é prova clara de que, numa data muito antiga o nome de Pedro foi associados a este local.

Por perto, dois fragmentos de sarcófagos foram descobertos mostrando a figura de Pedro

Nas catacumbas de Roma a memória de Pedro está totalmente espalhada. Perdendo apenas em importância para Cristo como um objeto de arte catacumbal, Pedro é retratado nas paredes mofadas de três passagens subterrâneas misteriosas mais de trezentas vezes! Há quase 30 cenas diferentes e incidentes da vida de Pedro – tudo a partir dos evangelhos – representado por baixo da Cidade Imperial (Veja Catacumbas, por Pp Hertling & Kirschbaum 242-244..).

In an abbreviated form, the apostle’s name was found present, at least 20 times, on the “Graffiti Wall” next to Peter’s grave beneath the high altar of St. Peters in the Vatican. Most often, his initials were arranged as a monogram, which has been found all ALL OVER ROME “scratched in ancient monuments, inked onto old manuscripts, worked subtly into wall mosaics, incised on the margins of public signs, roughly stamped on medals, coins, rings, statuettes, pots and similar household wares, even painted on gaming boards” (The Bones of St. Peter, p. 97).

Em uma forma abreviada, o nome do apóstolo foi encontrado presente, pelo menos 20 vezes, no “Graffiti Wall” ao lado do túmulo de Pedro embaixo do altar-mor de São Pedro, no Vaticano. Na maioria das vezes, suas iniciais foram arranjadas como um monograma, que foi encontrado por toda a Roma “riscado em monumentos antigos, pintado em manuscritos antigos, trabalhado sutilmente em mosaicos de parede, inciso nas margens de sinais públicos, estampado em medalhas, moedas , anéis, estatuetas, vasos e produtos domésticos similares, até mesmo pintado em placas de jogos” (The Bones of St. Peter, p. 97).

Nada ocorre no vácuo – evidencias da permanência de Pedro e do martírio em Roma são encontradas em muitos lugares diferentes, se alguém estiver disposto a olhar honestamente.

A DEMORA DE PAULO

Você já notou por que o apóstolo Paulo continuou resistindo em ir visitar o povo de Deus em Roma? POR QUE? Porque ele não gostava de construir sobre fundamento alheio!

Observe o que Romanos diz:

“Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada;Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo. De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus.Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, e os que não ouviram o entenderão. Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos.” (Romanos 15, 15-25 – Tradução João Almeida)[Grifos nossos]

Vejam o que ele fala no verso 20 em negrito: “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio”

Isso torna tudo bem simples. Roma já havia sido evangelizada antes da escrita do livro de Romanos (57-58 d.C)!

Veja o que Paulo fala em Efésios 2, 20 :

“Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;”

Os apóstolos eram os fundamentos.

Vemos então que o fundamento sobre o qual Paulo não queria construir era o fundamento de outro apóstolo, e quem foi esse outro apóstolos que evangelizou ROMA? Diante de todas as evidências apresentadas no texto, qual os leitores apontam como sendo o apóstolo fundador da Igreja de Roma?

Obviamente, vemos, que a Fundação sobre a qual Paulo não queria construir era a de Pedro!

Assim entendemos que as tentativas de deturpar a verdade sobre a qual o protestantismo dá foros de verdade, não passa, isto sim, de lendas escandalosas e pérfidas, havendo VÁRIAS provas do martírio, episcopado e estadia de Pedro em Roma, conforme nos relata a bíblia, a história, a geografia, a arqueologia e a tradição!

BIBLIOGRAFIA:

Dr. Adolph Harnack: “Dogmengeschichte”, 4th ed., p. 486 (c. 1904) cited in B.C. Butler’s The Church and Infallibility pg. 140 (c. 1954)

KIRBY, Peter. Ascensão de Isaias. Traduzido Por Rafael Rodrigues; Disponível em:
http://www.earlychristianwritings.com/text/ascension.html> Acesso em 13/12/2011

Irineu de Lion. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 1. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em <http://www.newadvent.org/fathers/0103.htm >.

Eusébio de Cesárea. From Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 1. Edited by Philip Schaff and Henry Wace. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1890.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. < http://www.newadvent.org/fathers/2501.htm >.

Clemente Romano. Epistola a Tiago. Traduzido Por Rafael Rodrigues; Disponível em: <http://www.compassionatespirit.com/Homilies/Epistle-Clement-to-James.htm>. Acesso em 13/12/2011

Pregação de Pedro. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 8. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1886.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em <http://www.newadvent.org/fathers/0855.htm >.

Tertuliano. Sobre o Batismo. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 3. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em <http://www.newadvent.org/fathers/0321.htm >.

Clemente de Alexandria. Fragmentos. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 2. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em
http://www.newadvent.org/fathers/0211.htm >.

Arnóbio de Sica. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 6. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1886.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. . Disponível em <http://www.newadvent.org/fathers/06312.htm >.

Todas as Outras obras dos Cristãos Primitivos citadas na matéria podem ser encontradas em

http://www.newadvent.org/fathers/ >

* Vaticano descobre primeira imagem europeia de indígenas americanos (feita na época de Cristóvão Colombo)

sexta-feira, maio 3rd, 2013

O Vaticano afirma que as figuras encontradas durante a restauração de um afresco com mais de quinhentos anos, propriedade da Cidade-Estado, podem ser a primeira representação ocidental dos nativos americanos. O afresco encontra-se nos apartamentos dos Bórgia e só agora foi restaurado pela primeira vez.

Segundo o jornal britânico The Telegraph, as figuras masculinas, que se encontram nuas e com a cabeça adornada de penas, foram encontradas durante a restauração do afresco pintado por Antonio Paulucci.

A restauradora Maria Pustka, encontrou-as enquanto retirava toda a sujidade acumulada ao longo dos séculos.

A pintura foi concluída dois anos depois da primeira viagem de Cristóvão Colombo ao Continente Americano e as figuras encontradas podem ser a representação dos povos indígenas relatados nas cartas de Colombo.

A descoberta foi anunciada pelo diretor do Museu do Vaticano, Antonio Paolucci, ao jornal L’Observatore Romano.

* Dissecando as entranhas mentirosas do filme ateu “Zeitgeist”.

sexta-feira, maio 3rd, 2013
Imagem mentirosa divulgada nas Redes Sociais

Imagem mentirosa divulgada nas Redes Sociais

A imagem é mais um triste produto da indústria da desinformação tupiniquim. Passa longe, bem longe, da face histórica e arqueológica, e demonstra que foi feita por alguém ou mal intencionado ou muito ignorante mesmo, e é propagada por um site pseudo-ateu que não entende nada de ciência, o que dizer de religião?  Todas essas acusações são retiradas do filme Zeitgeist.
O filme começa com lista de deuses pagãos como Horus, Attis, Krishna, Dionísio e Mithra. E depois mostra a lista de detalhes de Cristo e em seguida, cruza com falsas histórias sobre esses deuses pagãos, a fim de criar a impressão de que o cristianismo é uma religião copiada.

Começaremos nossa refutação por algo que está na maioria dos “deuses” citados: A data do nascimento deles, que parece combinar com a data do nascimento do nosso Salvador. Depois partiremos para cada um dos deuses especificamente.

Ele cita que Hórus, Mitra, Dionísio também nasceram no dia 25 de dezembro. Ora de onde ele tirou isso?

O único desses deuses que supostamente nasceu em dezembro foi Mitra, porém não há nenhum registro histórico antigo sobre isso, algum ateu pode nos mostrar algum documento histórico que comprove isto? Hórus e Dionísio também não nasceram no dia 25 de dezembro não há nada que registre a data de nascimento desses deuses, isso demonstra total ignorância ou falta de honestidade mesmo dessa gente. Não há nenhum indício histórico ou arqueológico que qualquer um desses “deuses” tenha “nascido” no dia 25 de Dezembro.

È fato histórico claro que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro:

Façamos aqui uma reflexão do por que sabemos que Jesus nasceu em dezembro. Se ele nasceu mesmo nesta data então a sua concepção virginal ocorreu, obviamente 9 meses antes. E, com efeito, os calendários cristãos colocam no dia 25 de Março a Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria. Mas sabemos pelo próprio Evangelho de S. Lucas que, precisamente seis meses antes, tinha sido concebido por Isabel, João, o precursor, que será chamado o Batista. A Igreja Católica não tem uma festa litúrgica para esta concepção, mas a Igreja do Oriente celebra-a solenemente entre os dias 23 e 25 de Setembro; ou seja, seis meses antes da Anunciação a Maria. Uma lógica sucessão de datas, mas baseada em tradições não verificáveis, não em acontecimentos localizáveis no tempo. Assim acreditávamos todos nós, até há pouquíssimo tempo. Mas, na realidade, parece mesmo que não é assim. De fato, é precisamente da concepção do Batista que devemos partir. O Evangelho de S. Lucas abre-se com a história do velho casal, Zacarias e Isabel, já resignado à esterilidade – considerada uma das piores desgraças em Israel. Zacarias pertencia à casta sacerdotal e, um dia, em que estava de serviço no Templo de Jerusalém, teve a visão de Gabriel (o mesmo anjo que aparecerá seis meses mais tarde a Maria, em Nazaré), o qual lhe anunciou que, não obstante a idade avançada, ele e a mulher iriam ter um filho. Deviam dar-lhe o nome de João e ele seria grande «diante do Senhor».Lucas teve o cuidado de precisar que Zacarias pertencia à classe sacerdotal deAbias e que quando teve a aparição «desempenhava as funções sacerdotais no turno da sua classe». Com efeito, no antigo Israel, os que pertenciam à casta sacerdotal estavam divididos em 24 classes, as quais, alternando-se segundo uma ordem fixa e imutável, deviam prestar o serviço litúrgico no Templo, por uma semana, duas vezes por ano. Já se sabia que a classe de Zacarias – a classe de Abias – era a oitava no elenco oficial.

Mas quando é que ocorriam os seus turnos de serviço? Ninguém sabia. Porém, o professor Shemarjahu Talmon, docente na Universidade Hebraica de Jerusalém, judeu portanto fonte imparcial, utilizando investigações desenvolvidas também por outros especialistas e trabalhando, sobretudo, com textos encontrados na Biblioteca essênia de Qumran. O estudioso conseguiu precisar em que ordem cronológica se sucediam as 24 classes sacerdotais. A de Abias prestava serviço litúrgico no Templo duas vezes por ano, tal como as outras, e uma das vezes era na última semana de Setembro. Portanto, era verosímil a tradição dos cristãos orientais que coloca entre os dias 23 e 25 de Setembro o anúncio a Zacarias. Mas esta verosimilhança aproximou-se da certeza porque os estudiosos, estimulados pela descoberta do Professor Talmon, reconstruíram a “fileira” daquela tradição, chegando à conclusão que esta provinha diretamente da Igreja primitiva, judaico-cristã, de Jerusalém. Esta memória das Igrejas do Oriente é tão firme quanto antiga, tal como se confirma em muitos outros casos. Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, improvisamente, uma nova verosimilhança – Uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses: em Setembro o anúncio a Zacarias e no dia seguinte a concepção de João; seis meses depois, em Março, o anúncio a Maria; três meses depois, em Junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de Dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso ou adotado do paganismo.

Vamos então a refutação de “deus” por “deus”:

Hórus

“Nasceu no dia 25 de dezembro de uma mãe virgem, com uma estrela no oriente, foi apresentado por 3 reis, professor aos 12 anos, batizados aos 30, possuía 12 discípulos”.

Primeiro erro de todos, Hórus não nasceu de uma virgem, ele era filho de Osíris com Ísis.  A afirmação de que a mãe de Hórus, Isis, era uma virgem é facilmente refutada com uma pesquisa rápida. – A Enciclopédia Mythica mostra que seu nascimento foi definitivamente sexual. Depois que seu pai Osíris foi assassinado por Seth, seu corpo foi cortado em pedaços, deixando Isis para recuperá-los e remontar o corpo de seu marido. Ela, então, “fecundando-se com corpo de Osíris e deu à luz a Horus nos pântanos de Khemnis no Delta do Nilo.”[1]

Segundo erro, Hórus nunca foi batizado! Não há nenhuma referência disso e Hórus não teve um “ministério”, ele “se tornou rei” após a Assembléia dos “deuses” decidir apoiá-lo contra Seth.

Terceiro erro, Hórus nunca ensinou nada a ninguém, nem muito menos aos seus 12 anos, ele permaneceu escondido durante toda sua infância, somente quando se tornou adulto ele se revelou e lutou contra Seth para vingar seu pai, Osíris.

Quarto erro, em nenhum lugar é relatado que Hórus foi apresentado por 3 reis.

Logo, como vemos, Hórus está bastante longe de Jesus.

Mitra

“Nasceu no dia 25 de dezembro, fazia milagres, possuía 12 discípulos morreu e ressuscitou após 3 dias.”

Primeiro, Mitra é uma divindade que tem origem da Pérsia. Nasceu do cruzamento do deus masculino Aúra-Masda com uma rocha, e não de uma virgem, como também o Filme insinua. Foi sincretizado pelos soldados romanos vindos do oriente com o deus “Solis Invictus”, surgindo a religião chamada “Mistérios de Mitra”.

Os mitras não deixaram textos, só imagens. Mitra jamais ressuscitou ao terceiro dia, mas sim sacrificou uma espécie de “touro sagrado” dentro de uma caverna. Franz Cumont, autor de um estudo clássico sobre a religião de Mitra, nos conta que deste sacrifício nasceriam todos os seres viventes. [2]

Dionísio.

“Nasceu no dia 25 de dezembro, fazia milagres, era rei dos reis, o alpha e o Omega e ressuscitou”.

Esse foi o pior de TODOS. O fabricante dessa mentira NÃO SABE NEM QUEM FOI DIONÍSIO. Acho que ele procurou no Google pelo nome Dionísio e achou aquela imagem e colou. Ali não é Dionísio o “deus” e sim Dionísio O Areopagita, um cristão discípulo de Paulo ou seja um pai da Igreja, que ele colocou como um “deus”, veja até onde chega a ignorância ateia a respeito de assuntos que eles querem “ensinar”.

Dionísio a divindade Greco-romana, que também era conhecido como Baco o “deus” do vinho, era representado por um jovem semi-nú ou totalmente nú, o que difere totalmente da foto postada pelo ateu, que é de um ancião de barba e vestido até na cabeça.  Veja a foto da divindade pagã como era:


Segundo erro, ele nunca fez milagres. Muito pelo contrário, ele era conhecido por punir aqueles que não queriam adorá-lo, quando ele passava pelas cidades.

Terceiro erro, como é que ele poderia ser rei dos reis se na mitologia grega ele era filho de Zeus o maior de todos os deuses? Era perseguiu ele, como é que ele poderia ter sido rei dos reis, tendo várias pessoas acima dele?

Quarto erro, onde é que diz que ele era o alpha e o ômega se ele foi criado por Zeus? Como é que ele poderia ser o primeiro e o último se existiam vários na frente dele inclusive Zeus, que era o maior de todos?[3]

Quinto erro, na mitologia grego-romana os deuses são imortais como ele ressucitou se ele era imortal e nunca poderia morrer? Além do que nunca foi dito que algum deus grego tenha se tornado humano propriamente alguma vez.

Attis.

“Nasceu de uma mãe virgem, crucificado e ressuscitou ao terceiro dia.”

Primeiro erro, Attis não era um homem, era uma mulher.

Segundo erro, não há notícia de que a mãe de Attis era virgem. A fecundação da mãe dela se deu depois que o “deus” Agdistis, que tinha nascido com os 2 órgãos sexuais,  cortou o órgão masculino jogou na terra e caiu em uma amendoeira e depois que os frutos dessa amendoeira ficaram maduros ,  Nana , que era filha do deus-rio Sangarius pegou uma amêndoa e deitou no seu seio. Então ficou grávida de Attis. Logo ela nasceu de uma reprodução sexuada, nada haver com a concepção virginal de Maria.

Terceiro erro, Attis nunca foi crucificada ela era também um deus frígio de vegetação, e em sua auto-mutilação, morte e ressurreição, ela representa os frutos da terra, que morre no Inverno só para subir novamente na primavera. Ou seja ela se mutilava, suicidava e resurgia. [4]

Krishna.

“Nasceu de uma mãe virgem com uma estrela no oriente. Fazia milagres e ressuscitou.”

Primeiro erro, essa divindade não nasceu de mãe virgem, ela era filha de um homem e mulher. Krishna era da família real de Mathura e o oitavo filho da princesa Devaki e do marido Vasudeva, um nobre da corte.

Segundo erro, não a nenhum relato de tal estrela.

Terceiro erro, não há nenhum relato de nenhuma ressurreição dela.

Como podemos constatar, nenhum desses “deuses” Pagãos tem nada haver com O NOSSO SALVADOR. O fato de uma semelhança ou outra como a data do nascimento, nada tem a dizer contra o cristianismo. Além do que NENHUM deus pagão se compara ao nosso Cristo se partimos para comparar as características. NENHUM “deus” pagão entregou sua vida pelos seus, NENHUM “deus” pagão prometeu vida eterna, NENHUM “deus” pagão se desfez de sua suposta “divindade” para habitar na terra como homem e morrer por eles pregado no madeiro. NENHUM “deus” pagão revolucionou o mundo como o NOSSO VERDADEIRO E ÚNICO DEUS. JESUS É ÙNICO, não se pode compará-lo.

Mais uma vez chegou ao fim a validade do produto da indústria da desinformação.

Porque virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas”. (2Tim 4,3-4).

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” (Jo 8:44)

In cord Iesu, Semper,
Rafael Rodrigues.
Bibliografia


[1]  ENCICLOPÉDIA Mítica, Dionísio. Disponível em: <http://www.pantheon.org/articles/i/isis.html>. Acesso em: Acesso em: 07/01/2012.

[2] ARENDZEN, J. (1911). Mithraism. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. New
Advent,
Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/10402a.htm>. Acesso em: 07/01/2012.

[3]  ALGO, Sobre. Dionísio. Disponível em : <http://www.algosobre.com.br/mitologia/dionisio.html>. Acesso em: 07/01/2012

[4] ENCICLOPÉDIA, Britanica Attis, Disponível em:  <http://www.britannica.com/EBchecked/topic/42255/Attis&usg=ALkJrhjKjMdHIHA-47Z-kk6TSns_aajh8g>. Acesso em: 07/01/2012.

Fonte: http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/espacodoleitor/refutacaos/498-refutando-mentirosa-imagem-de-site-ateu

* “Cristãos culturais” somos todos nós! MESMO os que dizem não ter fé em Cristo!

segunda-feira, abril 22nd, 2013

Henrique Raposo

A modernidade  acha que é completamente independente do cristianismo. Essa modernidade está errada. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais “direitos inalienáveis” (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica .

Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos.

Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.

Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus . Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos – na verdade – a dar um salto de fé em direção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).

Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo otimismo científico e individualista do século XIX.

Esta ideia já fazia parte do patrimônio bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.

* Seria o “Papado” uma invenção humana da Igreja primitiva?

sexta-feira, abril 12th, 2013

Por Edson Sampel

O papado é uma instituição de direito divino (Mt 16, 18). Quando nosso Senhor Jesus Cristo fundou a Igreja católica, atribuiu a são Pedro o encargo de apascentar o rebanho universal (os fiéis do mundo inteiro). Para tanto, Cristo outorgou ao primeiro papa o chamado “poder das chaves”: “Tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo que desligares na terra será desligado no céu” (Mt 18, 18 ).

Na concepção hebraica, os verbos “ligar” e “desligar” possuem valor jurídico, significando o poder de governo. Assim, observamos que na mente de Jesus encontravam-se presentes as estruturas jurídicas fundamentais da Igreja católica. A evolução do papado ao largo dos séculos manteve intacta essa estruturação.

Se quisermos compreender bem o relacionamento do papa, bispo de Roma, com seus colegas, bispos das outras dioceses ao redor do planeta, precisamos estar atentos à interação que havia entre São Pedro e os demais apóstolos. Nada mudou substancialmente! Demos uma espiada no cânon 330. Eis sua tradução (o código canônico está escrito em latim): “Assim como, por disposição do Senhor, são Pedro e os outros apóstolos constituem um único colégio, de modo semelhante, o romano pontífice, sucessor de são Pedro e os bispos, sucessores dos apóstolos, estão unidos entre si.” De fato, são Pedro e os outros onze apóstolos perfaziam um “colégio”, quer dizer, um “corpo coletivo”, chefiado pelo primeiro.

O cânon 331 esclarece este ponto. Vamos ler sua tradução: “O bispo da Igreja de Roma, no qual perdura o múnus concedido pelo Senhor singularmente a são Pedro, o primeiro dos apóstolos, para ser transmitido a seus sucessores, é a cabeça dos colégio dos bispos, vigário de Cristo e aqui na terra pastor da Igreja universal; ele, pois, em virtude de seu múnus, tem na Igreja o poder ordinário, supremo, pleno, imediato e universal, que pode sempre exercer livremente.”

Os bispos não são “secretários do papa”, como teria afirmado no século XIX o chanceler alemão Bismarck. Cada bispo é autônomo na sua diocese. Com efeito, reza o cânon 375, §1.º: “Os bispos que, por divina instituição, sucedem aos apóstolos, são constituídos pelo Espírito que lhes foi conferido, pastores na Igreja, a fim de serem também eles mestres da doutrina, sacerdotes do culto sagrado e ministros do governo.” É claro que se dissociado do papa, bispo de Roma, qualquer outro bispo perde moral e juridicamente sua identidade católica. Aliás, um simples fiel também deixa de ser católico se passar a não aceitar o magistério do sumo pontífice. Esta é a disposição do direito canônico, que denomina de “cisma” a “recusa de sujeição ao sumo pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos.” (cânon 751).

Estudando atentamente o papado, principalmente nas suas nuanças jurídico-canônicas, reparamos quão bíblica é a conformação hierárquica da Igreja. As instituições legais que se nos deparam hoje em dia arrimam-se na tradição sagrada, mas sobremaneira nas escrituras sagradas. Se não, vejamos. O cânon 336 traça o perfil do colégio dos bispos exatamente nos moldes como a bíblia apresenta o colégio ou grupo dos apóstolos: “O colégio dos bispos, cuja cabeça é o sumo pontífice e cujos membros são os bispos, em virtude da consagração sacramental e da comunhão hierárquica com a cabeça e com os membros do colégio, no qual o corpo apostólico persevera continuamente, junto com sua cabeça, e nunca sem essa cabeça, é também sujeito de poder supremo e pleno sobre a Igreja toda.” Enquanto Jesus vivia entre os apóstolos, ele era decerto o líder do grupo. Sem embargo, no momento em que Jesus ressuscitou e ascendeu ao céu, são Pedro assumiu  a função de vigário de Cristo na terra. Desde os primórdios da Igreja, os sucessores dos apóstolos, que se espalharam por todo o mundo, jamais cessaram de agir em sintonia com os sucessores de são Pedro.

Constatamos esse fato teológico ao compulsarmos os documentos mais antigos da história do cristianismo. É óbvio que o Espírito Santo assiste a Igreja diuturnamente, fornecendo-lhe uma seiva vital, máxime por intermédio da eucaristia e dos outros sacramentos.

Quando a sé romana está vacante ou vaga (são palavras sinônimas), os católicos, de certo modo, navegam num barco à deriva, porquanto o timoneiro não está a postos. O vocábulo “sé” constitui forma sincopada de “sede” que, literalmente, quer dizer “cadeira”. Trata-se da cadeira ou cátedra na qual o bispo de Roma se senta para pregar o evangelho. É uma maneira simbólica de representar o ofício papal. Experimentamos essa sensação há pouco. Fazia 600 anos que um bispo de Roma não renunciava. O código canônico prevê a possibilidade de renúncia do pontífice romano, com a prescrição do cânon 332, § 2.º: “Se ocorrer que o pontífice romano renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por ninguém.” Conseguintemente, o papa emérito, ao renunciar em 11 de fevereiro deste ano, fê-lo sem pedir consentimento a ninguém, nem mesmo ao colégio dos bispos ou dos cardeais, uma vez que ele agiu investido da soberania que Cristo conferiu não só a são Pedro, mas a todos os sucessores do primeiro papa.

O papado ou primado de são Pedro garante a unidade na Igreja: mesma fé, mesma interpretação da bíblia, mesmos sacramentos etc. Portanto, amando o papa e seguindo seu magistério, caminharemos constantemente por veredas seguras, rumo à vida bem-aventurada com Deus no paraíso.

Edson Luiz Sampel

Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Lateranense, do Vaticano.

Professor da Escola Dominicana de Teologia (EDT) de São Paulo.

* Teria sido a Igreja um “atraso” no desenvolvimento da ciência? Que diz a História?

quinta-feira, abril 4th, 2013

Um Universo incrivelmente ordenado e matemático

Todo mundo aprende na escola que a Igreja Católica foi a grande inimiga da ciência. Mas vocês sabem quem não acredita nisso? Os historiadores de ciências profissionais.

[...] Chega como um prêmio aprender que a Igreja Católica pode ter tido um papel positivo no desenvolvimento das ciências, não é mesmo? Porque todos nós somos ensinados desde o berço no exato contrário… Na escola, na mídia, nos filmes, os cientistas são os bravos mártires contra a Igreja ignorante que quer suprimir as descobertas deles.

Bem, você poderia ser desculpado por esta visão se tivesse vivido cem anos atrás, pois naquela época o livro dominante no assunto era escrito por um sujeito chamado Andrew Dickson White – eu o mencionei no primeiro [artigo] – que escreveu um livro chamado “A História da Guerra da Ciência contra a Teologia na Cristandade”. Este livro se tornou o trabalho definitivo no assunto, embora ele esteja cheio de absurdos!

Na verdade, no livro de White, você lê que a Igreja Católica ensinava que a Terra era plana! Mas vimos no [artigo] anterior que não há o menor pingo de evidência disso. Porém, White, ansioso por retratar a Igreja como tola, atrasada e ridícula, simplesmente repetiu o que outros historiadores haviam dito, sem se importar em investigar. Esta era a qualidade do seu livro. Desde então, o livro de White tem sido desmentido tão dramaticamente que vocês imaginariam que já deveríamos estar ouvindo algo como: “Ei! A Igreja Católica, afinal das contas, teve um papel importante nas ciências!”; mas, ao invés disto, só ouvimos os grilos… Não há ansiedade para obter a verdade nessa questão. Eu pergunto: por quê?

Há muitos historiadores modernos que, à diferença do professor White, estão vivos e trabalhando agora mesmo! E eles estão concluindo que, na verdade, a Igreja teve papel positivo e alguns acadêmicos chegam até a dizer que a Igreja tinha certas ideias que foram indispensáveis ao desenvolvimento das ciências. Isto é o oposto do que ouvimos, não é? Mas temos acadêmicos dizendo isso o tempo todo: Thomas Goldstein, Toby Huff, A. C. Crombie, Edward Grant, David Lindberg, prof. Heilbron de Berkeley e muitos outros.

Então, o que dizem eles? E como ousam dizer isso?!! “Será que eles não sabem que a Igreja não passa de uma opressora dos gênios do mundo?” Vamos então ver algumas das afirmações que esses novos historiadores estão fazendo e, aliás, nem todos eles são católicos; alguns são católicos, outros não. Eu fiz questão de consultar historiadores da ciência que não são católicos – alguns são até anticatólicos – para mostrar que isso é de verdade, que isso não é um bando de católicos escrevendo livros para dar uma boa aparência à Igreja. Isso é o consenso entre os profissionais hoje.

Um dos princípios mais importantes que a Igreja Católica legou ao desenvolvimento das ciências vem de um versículo bíblico! Um versículo bíblico que foi um dos mais citados durante toda a Idade Média. Esse versículo é Sabedoria 11,21. Esse versículo nos diz que Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso. Tudo bem, então isso não parece ser tão explosivo assim, mas juro que é! “Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso”. Como as pessoas interpretaram isso?

Elas interpretaram que o Universo criado por Deus é ordenado, faz sentido, é compreensível para a nossa mente, é matemático, é ordenado de acordo com padrões: medida, quantidade e peso. Há um aspecto matemático no universo! Santo Agostinho, por exemplo, disse: “Deus é como um grande geômetra. Ele é um grande praticante de geometria”. Então, para qualquer [leitor] aí que odeia geometria, odeia matemática: Santo Agostinho está implicitamente reprovando você, pois de fato a matemática é uma linguagem que Deus usa para ordenar e moldar este universo que Ele nos deu.

Assim, a Tradição cristã, através desse versículo do livro da Sabedoria, que foi citado durante toda a Idade Média, amplia dramaticamente uma tradição existente no Ocidente, que data do século VI a.C., do grande matemático e filósofo pré-socrático Pitágoras.

No século VI a.C., Pitágoras disse: “Sabe do que é feito o universo? Não é feito de ar, água ou terra” – como alguns de seus contemporâneos diziam – “mas de números! Este é o constituinte fundamental do nosso universo! Não são coisas físicas, mas números, matemática. A matemática está em toda parte”. E essa Tradição cristã, elaborada sobre Sabedoria 11,21, tirou da penumbra a ideia de Pitágoras e realmente desenvolveu toda uma civilização em torno dela. Isso é muito importante!

De fato, mesmo velhos cientistas que não tenham refletido sobre a questão viveram em uma civilização onde o ordenamento do mundo era dado como certo. Então, por exemplo, vamos considerar o cavalheiro que nos desenhou a primeira tabela periódica dos elementos químicos, Dmitri Mendeleev: ele acreditava tanto que o universo era ordenado que, quando começou a dispor os elementos, na tabela periódica dos elementos, em que consta todas as partes constituintes do nosso mundo listadas em linhas, e uma série de linhas formando colunas, descobriu que os elementos estavam próximos na tabela, possuíam características semelhantes… Então ele chegou ao elemento nº 21 e havia uma lacuna ali! Ele não conseguiu encontrar um elemento que ocupasse aquele espaço, mas ele disse: “As relações continuam funcionando se eu pular o nº 21 e seguir adiante”. Ele estava tão convencido de que algo deveria entrar ali, tão convencido de que Deus não poderia nos ter dado um universo desordenado, que ele não podia acreditar que vivia em um universo onde havia uma grande lacuna na tabela periódica. Tinha que haver alguma coisa que coubesse ali; então ele previu: “Algum dia descobriremos o elemento que se encaixa ali”. Puxa! Que audácia ele teve ao dizer: “É óbvio que acharemos algo para preencher a lacuna na minha tabela!” E depois o que encontraram? Dez anos depois, o elemento “escândio” foi descoberto. Onde ele entra? Exatamente no número atômico 21!

Então essa é uma característica central na nossa civilização. E, na verdade, o método científico não pode ser seguido a menos que vocês acreditem que o universo é ordenado, pois o que vocês fazem no método científico? Do que se trata? O método científico consiste em juntar dados sobre o mundo ao seu redor e depois estudar esses dados, buscando padrões, tentando entendê-los, e depois desenvolver hipóteses sobre os dados – por que acredito que assim e assado está ocorrendo? - e, depois, projetar experimentos para confirmar ou impugnar várias das minhas hipóteses. Vocês não podem seguir esses passos se não acreditam que o universo é ordenado, pois precisamos ter certezas, ter confiança de que se fizermos o mesmo experimento múltiplas vezes, sob as mesmas condições, iremos obter sempre os mesmos resultados.

Se vivêssemos em um universo desordenado, não teríamos o direito de esperar por isso. Talvez se soltarmos algo seis vezes, irá apenas cair no chão; mas talvez na sétima vez ele vá para o beleléu! Como saberemos? Se não vivemos em um universo ordenado, não podemos esperar aquilo e se não vivemos em um universo ordenado, não podemos sequer começar a fazer ciência; não podemos nem começar a encontrar padrões no universo se não esperamos que eles existam. Isso é essencial para a ciência!

E, de fato, Albert Einstein até disse: “É um milagre que o universo seja ordenado! Nós não temos direito algum de presumir o contrário” Mas, realmente, muitas civilizações não presumiram isso; elas não o presumiram. Por exemplo, a antiga Babilônia: os babilônios não consideravam o universo ordenado, mas completamente caótico. A ciência poderia ter começado entre os antigos babilônios? A pergunta já se responde por si só, não?

Então esses são os pontos essenciais: que o universo é ordenado e matemático. Porém, isso não significa que o universo é tão ordenado que Deus não pode fazer milagres que vão violar de algum modo a ordem universal. É claro que, como católicos, acreditamos em milagres, que Deus pode fazer milagres. É claro que acreditamos! Mas entendam o que isso significa: vocês só podem reconhecer um milagre se ele ocorrer sobre um fundo de ordem! Se vivêssemos em um universo completamente caótico, como poderíamos reconhecer um milagre? Tudo seria milagre! Tudo seria louco e caótico, não seguiria lei alguma. Então nós reconhecemos os milagres de Deus porque Ele os faz a partir de um universo de ordem.

Santo Anselmo, muito utilmente, esclareceu esse ponto. Ele disse que Deus tem o seu “poder absoluto” – ou “potentia absoluta” para vocês, latinistas – e o seu “poder ordenado” – ou “potentia ordinata” -, ou seja, é claro que Deus tem o poder bruto de levar aquele objeto para o beleléu, mas Ele também tem o seu poder ordenado, pelo qual Ele se comporta de acordo com as leis que construiu no universo. Não seria próprio da dignidade do nosso Deus comportar-se de um modo tão arbitrário; Ele [coerentemente] não pode fazer isso; Ele [coerentemente] tem que se comportar de um mesmo modo, ser consistente com as suas promessas feitas a nós. E, com efeito, o funcionamento do universo é uma dessas promessas. Assim, esperamos encontrar ordem no universo e é por ordem que os cientistas vão procurar.

Mas, como eu disse, nem todas as civilizações foram capazes de fazer isso, de ter esse “insight”. Nós temos esse “insight” como certo: o universo faz sentido; nós podemos encontrar relações matemáticas nele. Mas nem toda civilização teve esse “insight”. E uma dessas civilizações que não teve [esse "insight"] foi a civilização islâmica.

Vejam! Há muito o que podemos dizer sobre a contribuição islâmica à civilização e até às ciências. Por exemplo, em algumas das chamadas ciências aplicadas, como medicina e ótica, o Islão deu grandes contribuições para essas áreas. Porém, nas ciências mais teóricas, a ciência islâmica nasceu – nos dizeres do Pe. Stanley Jaki – natimorta. Parecia que ela estava indo para algum lugar e, de repente, BOOOM!!! Acabou! E, hoje, é claro, a civilização islâmica é muito atrasada cientificamente. Mas por que isso? Por que é que a civilização islâmica sofreu tal devastação em termos de ciências? Por uma razão que envolve essa questão da habilidade de ver o universo como sendo ordenado. A civilização islâmica não pôde fazer isso, pois se vocês fossem dizer que o universo é ordenado de acordo com certas leis que precisam que ser observadas, isso seria um insulto a Allah, que pode se comportar de maneira tão arbitrária quanto queira. O que lhes parece uma lei pode apenas ser um de Seus hábitos, que Ele pode descontinuar a qualquer tempo. [...]

Se vocês recordarem do meu primeiro [artigo] lembrarão que mencionei que o emprego mais deprimente do mundo seria o de professor de estudos medievais tentando dizer às pessoas que a Idade Média não foi tão ruim. Bom, acho que um bom concorrente ao emprego mais deprimente seria o de historiador das ciências tentando argumentar que, na verdade, a Igreja teve, e muito, uma influência positiva nas ciências. Nem os seus colegas cientistas irão acreditar! Muito menos o público em geral…

Mas, novamente, vocês têm um monte de evidências para juntar e livros e mais livros estão sendo escritos hoje; mas, mesmo assim, vocês não conseguem atingir o público em geral. Uma das razões porque escrevi um livro chamado “Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental” foi que eu temia que todos esses estudos maravilhosos que os professores estão fazendo, que acabam defendendo a Igreja, não estivessem chegando ao público em geral. As pessoas ainda aprendem o absurdo de que a Igreja se opõe à ciência. Então temos que ir e estudar esse negócio, para que possamos nos defender melhor.

Mas deixem-me falar-lhes uma coisa: hoje, se vocês estivessem fazendo um curso de História da Ciência – e algumas universidades o têm como disciplina autônoma – se vocês estivessem em um curso desses e dissessem: “A religião e a ciência têm sido inimigas ao longo dos tempos”, vocês seriam considerados como se tivessem escrito um trabalho da 4ª Série Primária e ninguém levaria isso a sério.

Voltemos então à discussão que estávamos tratando, quando eu dizia que o “insight” central que permite uma penetração na ciência, no Ocidente, é a visão católica de Deus como sendo ordenado; uma visão que é derivada principalmente, mas não exclusivamente, daquele versículo de Sabedoria 11,21, de que Deus dispôs tudo com medida, quantidade e peso. E vimos que Santo Agostinho interpretou que Deus era um grande geômetra. Outros pensadores cristãos também desenvolveram sobre isso. Na Escola Catedrática de Chartres, por exemplo, na França, houve muitas elaborações sobre esse crítico versículo de Sabedoria.

Mas, para começar, vejam bem: o que é “Escola Catedrática”? Carlos Magno, que foi o Imperador do Ocidente entre 768 e 814, estabeleceu que as várias catedrais deveriam ter escolas anexadas a elas. E essas escolas catedráticas, em alguns casos, evoluíram para as nossas primeiras universidades. Mas iremos discutir isso em um [artigo] futuro…

Pois bem. Na Escola Catedrática de Chartres, aqueles estudiosos se detiveram em Sabedoria 11,21 e interpretaram que, se quisermos entender o universo, devemos entendê-lo “quantitativamente”. É uma maneira disfarçada de dizer que, se quisermos entender o universo, devemos entendê-lo através da matemática. Essa é uma ideia extraordinariamente moderna! A Escola Catedrática de Chartres estava realmente em seu auge, talvez no século XII, e aí teve essa fantástica ideia moderna: que, ao menos em algum nível, o universo pode e deve ser entendido matematicamente; se quisermos entender seu funcionamento e prever como se comportará no futuro, temos de entendê-lo através da matemática. E eles interpretaram Sabedoria 11,21 como significando isso: que o universo é matemático e nós o entendemos dessa forma.

Como a Escola Catedrática de Chartres difundiu essa ideia amplamente, de que o universo é matemático e deve ser entendido através da matemática, ela foi ganhando cada vez mais crédito de ter ajudado a lançar a revolução científica séculos antes desta última ter-se iniciado no século XVII.

Além disso, os acadêmicos de Chartres davam como certo que Deus era ordenado e que havia inscrito leis naturais no mundo, e que se quisermos entender como o mundo funciona, devemos primeiro usar a nossa razão natural. E só quando a nossa razão natural entra em colapso é que dizemos que estamos diante de um milagre, de algo sobrenatural; e então referimos isso a Deus.

Mas os acadêmicos de Chartres estavam convencidos de que Deus nos deu a nossa razão por uma… razão! Não somos vacas, nem tamanduás, nem formigas… Temos a habilidade de pensar e de construir conclusões e relações de causa e efeito. Por que Deus nos deu a razão se não foi para usá-la? E nos tornamos verdadeiros seres humanos somente quando usamos o dom distinto que só os seres humanos possuem: a razão.

Assim, por exemplo, um acadêmico de Chartres disse: “É através da razão que somos homens, pois se virássemos nossas costas à fantástica beleza racional do universo em que vivemos, deveríamos merecer ser retirados dele, como um hóspede desdenhoso da casa em que foi acolhido”.

Outro acadêmico de Chartres disse: “Eu nada tiro de Deus. Ele é o Autor de todas as coisas, exceto do mal. Mas a natureza com que Ele dotou Suas criaturas (=a razão) executa todo um esquema de operações e estas também se voltam à Sua glória, uma vez que foi Ele quem criou esta mesma natureza”. Em outras palavras: Deus nos criou com uma natureza racional, então Lhe damos glória quando apelamos àquela natureza racional.

Mas isso é bem o contrário do que as pessoas ouvem falar da Igreja Católica, não é? Acho que a maioria das pessoas está sob a crença de que a Igreja ensina que não se deve usar a razão humana, de que a razão humana é de algum modo enganosa ou algo a ser desprezado, inclusive. Mas, ao contrário, aqui temos uma das escolas mais bem sucedidas e importantes de toda a Idade Média, nos dizendo que devemos usar a nossa razão se quisermos entender o modo como o universo funciona.

Mas, daqui, retorno ao ponto em que Chartres enfatiza a natureza matemática do universo e, ao fazê-lo, deu à luz uma ideia central moderna: a de que se vocês quiserem entender as relações físicas e como o universo físico funciona, vocês têm que explicá-lo matematicamente. Vocês só dominam o universo quando desvendam os seus mistérios através da linguagem matemática. E é por isso que Isaac Newton era tão impressionante para as pessoas do século XVIII, quando com uma única equação matemática ele pôde dar conta de todo o movimento no universo. Aquela foi uma explicação extraordinariamente elegante de um problema aparentemente complicado. Todos os diferentes tipos de movimento puderam ser reduzidos a uma equação. E, assim, no sentido em que estamos falando, ele entendeu o universo! Porque ele pôde pegar fenômenos díspares, vários tipos de movimento e dar conta deles com uma equação matemática simples e elegante. Então ele está simplesmente fazendo frutificar a missão que a Escola Catedrática de Chartres deu aos acadêmicos e cientistas do Ocidente.

Agora, um outro problema que foi resolvido em grande parte pela Escola Catedrática de Chartres vem lá do mundo antigo, da antiguidade grega e romana, pois em um tempo tão recuado assim, as pessoas acreditavam que os corpos celestes que vocês veem lá fora eram, realmente, de algum modo, “divinos”. Eles deveriam ter algum tipo de atributos divinos ou, talvez, terem almas de algum modo; ou eles seriam compostos de matéria imperecível que operava de acordo com leis diferentes daquelas do nosso mundo terrestre.

Isso era dado como certo por muitas razões, por exemplo: no mundo antigo era dado como certo que um corpo em repouso tende a permanecer em repouso, mas um corpo em movimento só pode estar em movimento se algo o estiver forçando ao movimento. Então, em outras palavras, o mundo antigo admitiu como certo que o estado natural das coisas é estar em repouso. O movimento precisa ser explicado. Mas aí eles olham para o céu e veem os planetas se movendo, mas não há nenhuma grande mão os empurrando! Então, o que os faz se mover? Eles deveriam estar em repouso! O que os faz se mover? Então, eles tiveram de postular todo tipo de teorias: talvez eles tenham almas e as almas lhes dão movimento; ou são divinos e isso explica seu movimento; ou, mais tarde, propôs-se que anjos podiam estar os empurrando…

Havia todo tipo de teorias para explicar isso, mas era pressuposto certo que deveriam haver leis diferentes governando o movimento no espaço exterior e governando o movimento na Terra. Pois o que acontece? Por que eles ficam se movendo? “Eu não consigo adivinhar! Essas coisas devem ser fundamentalmente diferentes das coisas da nossa Terra”. Isaac Newton mais tarde mostrou que, na verdade, as mesmas leis de movimento estavam em ação no céu e na Terra. Isso foi uma ruptura! Mas não foi algo que simplesmente veio de uma impressão.

Quem realmente começou a pensar nisso pela primeira vez? Foi Terry de Chartres, outro acadêmico da Escola Catedrática de Chartres, no século XII. O que Terry disse? Ele disse que na realidade, o que se tem no universo e no espaço exterior são coisas que são compostas do mesmo tipo de matéria que nós temos aqui na Terra. Porém, ele não pôde explicar por que elas orbitavam ou por que elas pareciam se mover sozinhas. Ele não havia antecipado as leis de movimento de Newton. Mas, por dizer que as coisas lá de cima não são fundamentalmente diferentes das coisas daqui de baixo, ele pavimentou o caminho para uma conclusão central da ciência moderna.

Thomas Goldstein é um historiador recente da história da ciência. O que ele tem a dizer sobre a Escola Catedrática de Chartres? Ele diz: “Em um período de 15 a 20 anos, em meados do século XII, um punhado de homens estava conscientemente empenhando-se para lançar a evolução da ciência ocidental e empreendeu todo passo significativo que era necessário para alcançar aquele fim”.

Goldstein até chegou a dizer que, algum dia, Terry de Chartres será visto como um dos grandes fundadores da ciência moderna. Vocês conseguem acreditar nisso? Este é um historiador escrevendo já na nossa geração! E não só ele dá crédito à Igreja por ela ter dado um importante ímpeto ao desenvolvimento da ciência, como ainda volta até o século XII para identificar alguém de quem ninguém nunca ouvira falar, para dizer: “Ele pode ser um dos maiores arquitetos da ciência moderna”!

Isso está se tornando absolutamente comum entre os historiadores da ciência. Sim, Richard Dawkins está escrevendo seus livros; Daniel Dennet continua escrevendo seus livros, assim como outros cientistas ateus… Mas são historiadores das ciências que consistentemente ficam cada vez mais favoráveis à Igreja.

Agora, o segredo, a questão é: como eu posso levar essas informações ao público em geral? E, como eu digo: essas informações não vão se espalhar a menos que os católicos comecem a espalhá-las eles mesmos. Mas essa é apenas a ponta do iceberg, porque o que discutimos aqui [neste artigo] é muito teórico: a ideia de que o universo é ordenado, construído por leis físicas fixas e assim por diante. Tudo isso é muito teórico! Mas, no próximo [artigo] vamos descer aos detalhes, já que da próxima vez iremos ver quantos padres foram “pioneiros científicos”. Não é suficiente dizer: “Vejam! Todos estes cientistas por acaso são católicos!” Ora, poderia ser apenas uma coincidência eles serem católicos. Mas quando vocês estão falando de padres que ocuparam um papel tão elevado na vida da Igreja, recebendo as ordens sagradas e tendo aquela vocação sagrada, e eles serem grandes praticantes das ciências, sendo parabenizados pelos Papas por fazerem isso, então com certeza a Igreja Católica não pode ser inimiga da Ciência.

Então vamos ver esses grandes heróis cientistas da Igreja Católica no próximo [artigo].

VOCÊ SABIA?

  • Que estudiosos islâmicos ortodoxos rejeitaram totalmente qualquer concepção de universo que envolvesse leis físicas constantes pois, para eles, a autonomia absoluta de Allah não poderia ser restrita por leis naturais? (Stanley L. Jaki, “The Saviour of Science” [O Salvador da Ciência]).
  • Que o bem-aventurado Nicolaus Steno iniciou um estudo detalhado sobre os dentes de tubarão após dissecar a cabeça de um tubarão de 1,27 tonelada capturado por um barco de pesca francês em 1666?

Fonte: EWTN/YoutTube

Tradução: Kandungus

Fonte: EWTN/YoutTube.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Kandungus.

* Rosto de Jesus é “recriado” a partir do Santo Sudário. Veja!

terça-feira, abril 2nd, 2013

Uma nova pesquisa indica que o Sudário de Turim (ou Santo Sudário), de fato remonta à época da morte de Jesus.

Novos testes da Universidade Italiana de Pádua indicam que a mortalha data entre 280 aC e 220 dC, ou seja, pode mesmo ter sido confeccionada na época da morte de Jesus. A nova pesquisa não é definitiva para estabelecer a autenticidade do sudário, mas chama atenção pela nova tentativa de mostrar como realmente era o rosto de Jesus. O processo usou computador para recriar a partir das medições nas marcas do tecido.

Giulio Fanti, professor de medição mecânica e térmica, responsável pela nova investigação, contraria os resultados da última investigação científica, realizada em 1988. Nessa altura, cientistas das universidades do Arizona (EUA) e de Oxford (Reino Unido) e da Escola Politécnica de Zurique (Suíça) usaram testes de carbono 14 e concluíram que o sudário de Turim não existia antes de 1260.

Depois de muitos anos, o Vaticano voltou a exibir o pano no último sábado, como parte da comemoração da Páscoa. “A exibição do Santo Sudário em um dia tão especial como o Sábado de Aleluia significa que ele representa um testemunho muito importante para a paixão e ressurreição do Senhor”, defendeu Cesare Nosiglia, Arcebispo de Turim.

A Igreja  sempre se manteve distante desta discussão. Em 1973, quando da primeira exposição televisiva do sudário, Jose Cottino, porta-voz do arcebispo de Turim, declarou: “Não é tarefa da Igreja dizer ‘Sim’ ou ‘Não’ sobre a autenticidade histórica do sudário. É uma tarefa do cientista e do historiador. Mas qualquer afirmação continuaria a permitir que as pessoas sejam livres de aceitar ou rejeitar o sudário.”

Contudo, as palavras do Papa Francisco na transmissão televisiva referiram-se ao sudário como o “ícone de um homem flagelado e crucificado”, salientando a importância deste “rosto desfigurado”, dizendo que “o Homem do Sudário nos convida a contemplar Jesus de Nazaré”.

Com informações CBN e Ilvaticanese.it.

* História: Transformar a ação dos cristãos ao longo dos séculos num lacônico “apoio à escravidão” é uma inverdade histórica e uma injustiça.

quarta-feira, fevereiro 6th, 2013

Jorge Ferraz

Ao contrário do que possa parecer à nossa experiência de mundo mais imediata, a escravidão não é uma questão racial. Na verdade, ela não tem nada a ver com raça, e é apenas o nosso provincialismo histórico que nos faz pensar diferente disso. Se é verdade que aqui na América os negros foram escravizados, não é menos verdade que soubemos nos utilizar, também e sem nenhum preconceito, de mão-de-obra escrava indígena. Ao mesmo tempo, os índios do Novo Mundo escravizavam outros índios e as tribos negras africanas escravizavam outros negros (e os vendiam aos brancos traficantes de escravos – isso quando não escravizavam brancos também).

Antes disso, na Europa medieval, os mouros escravizavam os cristãos e, estes últimos, os mouros. Ainda antes, os judeus foram escravizados no Egito dos Faraós. E para não parecer que os caucasianos formam a única odiosa raça que neste jogo de forças sempre esteve em confortáveis posições senhoriais, lembro que nem mesmo os povos da Escandinávia, com seus cabelos loiros e belos olhos azuis, foram poupados dos trabalhos escravos que os Vikings lhes impuseram.

No meu texto de ontem eu abri um parêntese para dizer que o próprio instituto da escravidão, analisado sem anacronismos, significou um importante avanço no reconhecimento da dignidade humana. Isto porque, durante muito tempo, a (única) opção à escravidão era a morte pura e simples. Para que se entenda isso é preciso abrir mão da mentalidade escravocrata que nos foi legada pelos versos de Castro Alves; no geral, reduzia-se alguém à condição de escravo não como o caçador que vai à selva capturar um animal para, domesticando-o, colocá-lo a seu serviço, mas sim como uma punição imposta a um outro ser humano – justa ou injustamente – por conta de algo que ele havia feito.

Assim, por exemplo, na Roma Antiga havia a escravidão por dívidas: se alguém não fosse capaz de saldá-las, deveria tornar-se escravo dos seus credores como pagamento pelos débitos contraídos.

No Antigo Testamento, todas as vezes em que o Senhor autoriza Israel a escravizar alguém, tratam-se sempre de prisioneiros de guerra ou povos conquistados. Esta última modalidade de escravidão, aliás, foi praticamente uma constante na história da humanidade, sendo praticada pela virtual totalidade dos povos e culturas. Se hoje a prática nos parece – graças a Deus! – bárbara e incompreensível, é geralmente porque nos falta horizonte histórico para contemplá-la como se exige a quem pretenda colocar a compreensão do comportamento humano acima do julgamento sumário dele.

Parece-me que está bem definida a escravidão se, pelo termo, entendemos a coação da liberdade de um homem ao serviço de um terceiro. Se esta coação se dá por meio de força física ou de ameaça, se ela é temporária ou permanente, se ela decorre de punição legal ou de capricho, tudo isso me parece fugir ao essencial. Grosso modo, um escravo é isto: é um ser humano que eu constranjo a meu serviço. Cabe perguntar por qual motivo alguém poderia, em consciência, impôr semelhante fardo a um seu semelhante. Ou ainda, se existe – mesmo em abstrato – uma razão que possa, ainda que remotamente, justificar tão cruel e repugnante imposição.

Resistamos à tentação de abordar o problema unicamente sob a ótica do Condoreirismo! Porque aqui, de fato, não cabe discussão alguma. Se à pergunta sobre “quem são estes desgraçados / que não encontram em vós / mais que o rir calmo da turba / que excita a fúria do algoz” a gente responde com a grandiloqüência da Musa que Castro Alves chama a depôr n’O Navio Negreiro, então realmente não há nada que se possa fazer aqui a não ser condenar, em absoluto e com a mais apaixonada veemência, este tratamento vil e desprezível ao qual foram desgraçada e incompreensivelmente constrangidas multidões de seres humanos ao longo da história humana. Se os fatos são aqueles colocados no Canto V da obra-prima do poeta, então não há desculpas possíveis. Se os escravos viviam “ontem, plena liberdade, / a vontade por poder” e “hoje, cum’lo de maldade, / nem são livres pra morrer”, então é impossível perdoar os crimes dos que escravizaram e dos que permitiram a escravidão.

Mas as coisas não eram rigorosamente assim na época do Brasil Império e nem muito menos ao longo da história da humanidade. Ir à caça de seres humanos inocentes, livres e soberanos para reduzi-los à escravidão é sem dúvidas uma coisa abominável. Acontece que quando os israelitas venciam Amalec no deserto e só o que podiam fazer era largar os derrotados ao frio, à fome e às feras, passá-los a fio de espada afigurava-se como uma obra de misericórdia. Acontece que quando os ibéricos retomavam as terras dos seus antepassados e se viam diante daqueles que por séculos os haviam saqueado, matado seus filhos e estuprado as suas mulheres, resistir à tentação de massacrá-los era magnânima benevolência e conservar-lhes a vida enquanto escravos era o supra-sumo da caridade.

Historicamente, a escravidão não se define por caçar seres humanos inocentes para transformá-los em alimária particular. No geral, como foi dito, tratava-se de uma punição de guerra ou por supostos crimes cometidos, sobre a qual devemos ser um pouco reticentes em emitir julgamentos peremptórios. É degradante? Sem dúvidas; mas não existe nenhuma pena humana que não degrade em alguma medida o ser humano. Tenho certeza de que, daqui a alguns séculos, leremos “Estação Carandiru” e nos perguntaremos como foi possível que a sociedade tivesse permanecido inerte diante da infâmia do sistema prisional brasileiro do século XX. E tomara que não sejamos então vítimas da mesma incompreensão que, hoje, temos o mau hábito de devotar aos nossos antepassados.

E quanto ao Cristianismo? Ele foi fundamental para que chegássemos ao elevado patamar moral contemporâneo de cuja altura, hoje, os anti-clericais sentem-se no direito de escarnecer da Igreja. A doutrina da igualdade essencial entre os homens – com São Paulo afirmando taxativamente que «[j]á não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus» (Gl 3, 28) – é a verdadeira revolução na história do pensamento humano e na obrigação moral que os homens agora passam a ter para com os seus semelhantes. É somente a partir daqui que podemos falar propriamente em dignidade humana – naquela que não conhece sexo, raça ou condição social, mas que compete a todos os homens e a cada um deles em particular.

Autorizou-se ainda assim a escravidão? É porque, em si, esta punição privativa de liberdade, nos moldes em que passou a ser entendida, não é intrinsecamente má. Após o surgimento da Igreja, ela não mais significava uma diminuição ontológica do ser humano tornado escravo, uma sua coisificação; mas, ao contrário, era uma forma (ainda) socialmente aceita de fazer um indivíduo pagar pelas próprias dívidas ou pelas de outrem (v.g. dos seus pais ou do seu povo).

Com o Cristianismo, mesmo os escravos são seres humanos que como tais devem ser tratados, e esta é a novidade radical do Evangelho em relação à escravidão pagã. Se o Paterfamilias romano tinha vitae necisque potestas - poder de vida e de morte – sobre seus escravos, seus filhos e até sua esposa, o mesmo não se pode jamais dizer do cristão sobre sua esposa, seus filhos ou mesmo seus escravos. Se isso nos parece pouco, tal é um tributo que pagamos ao nosso tempo – pelo qual devemos ser gratos e para cuja existência ser possível foi necessário que os influxos benéficos do Cristianismo o engendrassem (por vezes silenciosamente…) nas almas por séculos a fio.

É claro que se pode dizer que a escravidão é um castigo desproporcional, que não está em conformidade com a dignidade humana, que é indigno de povos civilizados, e eu serei o primeiro a concordar: tudo isso deve ser dito! A questão não é contudo sobre idealismos abstratos, e sim sobre o drama da história da humanidade. Transformar a ação dos cristãos ao longo dos séculos num lacônico “apoio à escravidão” é uma inverdade histórica e uma injustiça. A mensagem cristã ressignificou a forma como os homens viam seus escravos, impôs-lhes exigências até então inconcebíveis para com eles, reduziu drasticamente a abrangência da escravidão e, por fim, aboliu-a por completo!

Sentar-se diante de um computador no século XXI e reclamar que isso demorou demasiado para ser feito é padecer de graves preconceitos anacrônicos, que em nada nos tornam melhores do que os que nos precederam.

* A Igreja católica e a escravidão. Para que lado se inclina a VERDADE histórica?

terça-feira, fevereiro 5th, 2013

Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada levianamente ganha auréola de verdade.

O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ), por exemplo, se valeu de um trecho de uma mensagem do Papa Bento XVI para uma série de afirmações bombásticas. O Papa defendera a “estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – e disse que sua equiparação a outras formas radicalmente diversas de união constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”.

Parafraseando o Papa, o deputado escreveu no Twitter que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”. Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações costumeiras que costumam ser feitas à Igreja. Ela teria, segundo seus detratores, apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África entre os séculos 16 e 19. Mas a verdade é exatamente o contrário disso.

O Cristianismo herdou do Antigo Testamento prescrições atenuantes no que dizia respeito à escravidão. Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do século 6.º (sob influência da Igreja) afirmava que nenhum escravo poderia ser preso caso estivesse em um altar católico. Na Alta Idade Média (séculos 5.º ao 10.º), o catolicismo pressionou as sociedades cristãs a considerarem a escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus Cristo, todos são filhos de Deus.

Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar, pouco a pouco, à servidão, na qual a dignidade humana estava muito acima da escravidão. O escravo era uma coisa que falava; já o servo tinha muitos deveres, mas também direitos (como, por exemplo, a inalienabilidade da terra). Mas, mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão continuou tão comum que teve de ser reiteradamente negada pela Igreja, como nos concílios de Koblenz (922) e Londres (1022), e no Conselho de Armagh (na Irlanda, em 1171).

O antigo código civil romano, reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I, regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no entanto, substituir a lei natural e escravizar pessoas. Mas, com a ascensão do Cristianismo, o Direito também se cristianizou. Os advogados medievais, a partir do século 11, chegaram à conclusão de que a escravidão era contrária ao espírito cristão.

Em contrapartida, por exemplo, foi o Islã que difundiu largamente a escravidão, como atesta Fernand Braudel. Muitos séculos antes da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente o escravismo. Os escravos negros eram trazidos aos europeus no século 16 pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente.

Entrementes, a Igreja Católica, reiteradamente, condenava a escravidão.

Há inúmeras bulas papais a respeito: na Sicut Dudum (1435), Eugênio IV mandou libertar os escravos das Ilhas Canárias; em 1462, Pio II instruiu os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condenou a escravidão como um tremendo crime; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537), recordou aos cristãos que os índios são livres por natureza (ao contrário dos negros, que praticavam a escravidão); em 1571, o dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (na Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (na Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão. Devemos estudar o passado, não inventá-lo.

Ricardo da Costa, medievalista, é professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

* Jornal Inglês «The Guardian» maltrata a História ao afirmar que “Vaticano construiu império imobiliário” graças a dinheiro do ditador Benito Mussolini.

quinta-feira, janeiro 31st, 2013


Vaticano, finanças e fascismo, tudo naturalmente temperado com o segredo: eis os ingredientes saborosos de um presumível scoop no «The Guardian», o influente diário de Londres que publicou um artigo retomado sob várias formas pelos meios de comunicação, mas que não merecia realmente a mínima atenção.

Com efeito, trata-se de um conjunto de notícias imprecisas ou infundadas, reunidas de forma tendenciosa e pouco rigorosa para afirmar que o Vaticano teria construído um império imobiliário internacional graças ao «dinheiro de Mussolini» uma fortuna que teria sido obtida em troca do reconhecimento do regime por parte da Santa Sé em 1929 e sobre a qual pesaria um manto de segredo.


Para completar o quadro delineado pelo artigo, documentos britânicos dos  tempos da guerra não especificados certificariam atividades contrárias aos interesses dos Aliados por parte de uma sociedade controlada pelo Vaticano. É suficiente uma leitura até superficial do artigo para liquidá-lo como inconsistente, mas infelizmente a sua ressonância danificou, além de muitíssimos leitores, a verdade histórica mais elementar.


Com efeito, teria sido suficiente recordar que os pactos  Lateranenses, os quais precisamente em 1929 fecharam a «questão romana», incluiam um acordo financeiro. E que segundo este acordo a Itália indenizava definitivamente a Santa Sé com 750 milhões de liras em dinheiro e com um bilhão em títulos (equivalentes no total a cerca de um bilhão e  200 milhões de euros): a quantia «muito inferior – especificava o texto assinada pelas duas Partes – àquela que ainda hoje o Estado teria que desembolsar à Santa Sé» em execução da lei italiana das «Guarantigie», que foi aprovada unilateralmente em 1871, mas que foi sempre rejeitada pela outra Parte.


Por conseguinte, os acordos  lateranenses não foram um pacto vergonhoso entre a Igreja católica e o fascismo,  mas ao contrário uma solução necessária e equilibrada. Com efeito, foi fechada, depois de mais de sessenta anos, uma laceração dolorosa no país. A ponto que em grande maioria os Pactos foram inseridos na Constituição da República italiana em 1947. Com avaliações globalmente positivas  por parte de historiadores de várias tendências e, em momentos diferentes, por muitíssimas vozes, entre as quais membros políticos como Alcide De Gasperi e Palmiro Togliatti.


Enfim, no que diz respeito às presumíveis atividades contrárias aos Aliados por parte da santa Sé, precisamente no número de Dezembro da revista trimestral «The Historical Journal» publicada pela universidade de Cambridge, a historiadora Patricia M. McGoldrick da Middlesex University de Londres publicou um estudo longo e pormenorizado das atividades financeiras vaticanas durante a segunda guerra mundial sobre o qual escreve nesta página Luca M. Possati. Baseado sobre alguns documentos do National Archives britânicos que recentemente se tornaram acessíveis, o artigo – que confirma quanto vai sobressaindo da pesquisa histórica – demonstra exatamente o contrário de quanto é afirmado com superficialidade no artigo publicado no «The Guardian». Ou seja, que inclusive com investimentos legítimos em tempos de guerra realizados sobretudo nos Estados Unidos, a Santa Sé apoiou os Aliados contra o nacional-socialismo.

* Vaticano: Não existe “império” imobiliário “pago com dinheiro de Musssolini”. Estudem a História!

sábado, janeiro 26th, 2013

ACI

Fontes do Vaticano desmentiram a acusação do jornal britânico The Guardian, que assegurou que o Vaticano “construiu um império de propriedades secretas” financiado com dinheiro do regime fascista do Benito Mussolini, e qualificaram a publicação de “enganosa e historicamente incorreta”.

The Guardian afirmou que o Vaticano adquiriu propriedades no Reino Unido, França e Suíça “usando dinheiro originalmente entregue por Mussolini, em devolução pelo reconhecimento papal do regime fascista italiano, em 1929″.

Em declarações ao jornal britânico The Daily Telegraph, o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, esclareceu que o dinheiro provém da compensação do estado italiano “por bens expropriados” à Igreja.

O Pe. Lombardi sublinhou também que “a existência de investimentos em propriedades feitas pela Santa Sé” com esse dinheiro é algo conhecido “por mais de 80 anos”.

“Estou surpreso pela publicação desta história, não revela nada novo”, criticou.

Tal como explicou The Telegraph, o dinheiro recebido pela Santa Sé do Estado italiano não foi por uma aprovação pontifícia ao regime fascista, mas sim “como indenização pelas extensas propriedades perdidas quando os Estados Pontifícios foram invadidos e ocupados pelo Reino da Itália, na década de 1860″.

“O dinheiro foi pago de acordo ao Tratado de Latrão de 1929, no qual o governo de Mussolini reconheceu a Cidade do Vaticano como uma nação soberana, e a Igreja renunciou a sua reclamação dos antigos estados pontifícios”, assinalou o jornal.

The Telegraph indicou também que a compensação do estado italiano ao Vaticano se deu por causa dos milhões de dólares que a Igreja perdeu em propriedades, tais como o Palácio do Quirinal, atual residência do presidente da Itália.

O Pe. Thomas Reese, a quem The Telegraph cita como um “perito no trabalho interno da Santa Sé”, escreveu em seu livro “Dentro do Vaticano” que em 1929 a Itália aceitou subsidiar à Igreja Católica nesse país, assim como outorgar ao Papa o equivalente a 92 milhões de dólares, como indenização pela perda dos estados pontifícios.

De acordo ao Pe. Reese, “algo desta indenização foi usado imediatamente para a construção dentro da Cidade do Vaticano, como a estação do trem e um edifício de escritórios para a Cidade do Vaticano”.

“O resto foi investido como patrimônio ou doação da Santa Sé”, escreveu o sacerdote.

* Dente pré histórico encontrado em Israel põe em xeque supostas certezas da origem do homem.

quarta-feira, janeiro 23rd, 2013

Segundo o pesquisador, “se estes dentes forem do homo sapiens, isso significa que toda a história da evolução humana como nos tem sido contada nos últimos anos, inclusive todos os dados e descobertas feitas para fundamentar esta visão, não passam de engodo”.

Uma equipe de cientistas da Universidade de Telavive descobriu, numa gruta em Israel, fósseis que parecem ser do Homem moderno, mas que estão em camadas de terra com idade entre os 400 e 200 mil anos – mais antigas do que o suposto nascimento dos antepassados diretos do Homem. A descoberta deixou a comunidade científica em alvoroço.

A história da evolução humana é resumida assim: pensa-se que o Homem Moderno evoluiu há 200 mil anos, na África, tendo depois migrado para o resto do mundo, substituindo os humanos que existiam em cada local.

O autor do artigo diz que os dentes possuem tanto características de neandertais como de homo sapiens. Mas se estes dentes forem do homo sapiens, isso significa que toda a história da evolução humana como nos tem sido contada nos últimos anos, inclusive todos os dados e descobertas feitas para fundamentar esta visão, não passam de engodo.

O líder do grupo, Avi Gopher, parece o mais apreensivo com a sua descoberta: “É preciso sermos cuidadosos, não podemos atirar no lixo um paradigma só por causa de alguns dentes“. (Esta afirmação não deixa de ser curiosa, já que outros “elos perdidos”, para confirmar a teoria da evolução, foram inventados a partir de dentes, como por exemplo o caso mais insólito da fraude do famoso Homem de Nebraska).
Os dados foram publicados no The American Journal of Physical Anthropology.
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A Nature perguntou ao investigador se estes dentes realmente ofereciam evidência de que o Homo sapiens não evoluiu da África. Ele respondeu: “O que eu posso dizer é que eles deixam todas as hipóteses em aberto.

Fonte http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-1341973/Did-humans-come-Middle-East-Africa-Scientists-forced-write-evolution-modern-man.html

* Encontrados no Afeganistão manuscritos judaicos que possuem mais de 1000 anos de idade.

quinta-feira, janeiro 10th, 2013

Fragmentos de manuscritos hebraicos com mais de mil anos de idade foram encontrados em cavernas do Afeganistão. Eles foram comprados pela Biblioteca Nacional de Israel e possuem grande valor histórico. Mostram a presença da comunidade hebraica no norte da região do Afeganistão, perto da fronteira com Irã e Uzbequistão, ainda dominada pelo grupo Talibã.

O diretor acadêmico da Biblioteca, professor Haggai Ben-Shammai, disse ao jornal Haaretz. “A área remota onde esses documentos foram encontrados foi um importante centro econômico, cultural e político na Idade Média”.

“Nós tivemos muitas fontes históricas de assentamentos judaicos naquela área”, ressaltou Ben-Samai. “Esta é a primeira vez que temos uma grande coleção de manuscritos que representa a cultura dos judeus que viviam ali. Até hoje não tínhamos nada sobre isso”.

São 29 rolos, os quais se acredita que façam parte de um grupo de várias centenas. Eles seriam de uma “genizah”, local de uma sinagoga onde são guardados documentos. O clima seco das cavernas possibilitou sua excelente conservação. Tratam-se de manuscritos de diversos tipos.

Alguns são de teor religioso, outros são contratos e correspondência jurídica e familiares. Estão escritos em hebraico, aramaico, árabe e persa. Parte deles usam um alfabeto com um sistema de vocalização bastante particular, chamado de “babilônico”, que foi muito comum entre os judeus de Bagdá.

Entre as descobertas, a mais importante é um comentário do Livro de Isaías, que seriam de autoria do famoso rabino egípcio Saadia Gaon, que viveu no século X, entre Egito e Bagdá. A biblioteca se recusou a dizer quanto pagou pela coleção, acrescentando que esperava para comprar mais no futuro e não quer aumentar os preços.

Para especialistas israelenses, essa pode ser a descoberta mais importante dos últimos 100 anos. A maior ainda é de 1896, quando foram descobertos mais de 100.000 manuscritos bíblicos antigos em uma sinagoga egípcia.

Traduzido de RT.com.

* Você “detesta” História? Sociedade desinteressada da história é propensa a manipulação ideológica, adverte-nos o Papa.

sexta-feira, janeiro 4th, 2013

Ao receber no Vaticano aos membros do Comitê Pontifício de Ciências Históricas, o Papa Bento XVI advertiu que o “desinteresse pela história” produz uma sociedade “particularmente propensa à manipulação ideológica”.

Segundo o Papa, hoje não só se confronta “uma historiografia hostil ao cristianismo e à Igreja”, mas também “a historiografia de por si atravessa uma crise muito séria e deve lutar por sua existência em uma sociedade plasmada pelo positivismo e o materialismo; duas ideologias que levaram a um entusiasmo desenfreado pelo progresso (…) que determina a concepção da vida de amplos setores da sociedade. O passado se apresenta somente como uma escura cortina de fundo sobre o que resplandecem o presente e o futuro com enganosas promessas”.

“É típico desta mentalidade o desinteresse pela história que se traduz na marginalização das ciências históricas. Tudo isso produz uma sociedade que, esquecida de seu passado e desprovido portanto dos critérios adquiridos com a experiência, não é capaz de projetar uma convivência harmoniosa e um compromisso comum para realizar objetivos futuros. Uma sociedade como essa é particularmente propenso à manipulação ideológica”, indicou.

Do mesmo modo, advertiu que este perigo aumenta cada vez mais a causa “da excessiva ênfase dada à história contemporânea, sobre tudo quando as investigações estão condicionadas por uma metodologia inspirada no positivismo e a sociologia, ignorando outros âmbitos importantes da realidade histórica e inclusive inteiras épocas”.

“Embora não corresponde à história propriamente eclesiástica, a análise histórica forma parte da descrição do espaço vital onde a Igreja levou e leva a cabo sua missão através dos séculos”. “Sem dúvida, a vida e a ação eclesiástica foram sempre determinadas, facilitadas ou dificultadas pelos diversos contextos históricos. A Igreja não é deste mundo mas vive nele e com ele”, recordou.

Depois de assinalar que as ciências históricas são “um campo de grande interesse para a vida da Igreja”, o Papa recordou que foi Leão XIII quem, “perante uma historiografia orientada pelo espírito de seu tempo e hostil à Igreja abriu à investigação o arquivo da Santa Sé convencido de que o estudo e a descrição da autêntica história da Igreja não podiam pelo menos que ser favoráveis”.

A Igreja não é autora da verdade humana, sujeita às revisões de cada tempo, mas depositária da VERDADE revelada por Deus, em Cristo Jesus.
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Comentários
  • •Blasfemia, aborto. Ô serpente perseguidora,derrotada, desesperada. Somente Tu Senhor, tens palavra de vida eterna....
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Como posso falar do meu direito enquanto mulher se não respeito o primeiro direito do outro que é o direito a vida, todos temos direito de nascer mesmo se não fomos concebido em...
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •Que essa "ministra" diga isso para a sua descendência porque o coração duro ainda continua nas pessoas, como disse na carta de divórcio admitida por Moisés.Que ela leia o...
    em * Ministra da igualdade da Espanha
  • •esse livro so fala de heresias, e quem e catolico de verdade nao leria este livro horrivel...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •eu ja tinha percebido que o livro nao prestava, pois antes de participar do shalom, eu participava de outra comunidade que apoiva totalmente o livro, mas depois do shalom mudei...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •Triste como essa 'ditadura do relativismo' tem acorrentado e cegado tantos. Se declarando livres e tolerantes não percebem que estão sendo enganados. Um dia, também já me achei...
    em * Por que o ateísmo é tão comum
  • •CARÍSSIMA ELOÁ http://www.washingtontimes.com/news/2012/jun/10/study-suggests-risks-from-same-sex-parenting/ Pesquisa revela os perigos de famílias com...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Olá, Vocês citam o comentário de um líder homossexual que diz:-"Os estudos demonstram que os que são educados por pais do mesmo sexo acabam tendo problemas...
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