Artigo da ‘Protestantismo’ Categoria

* Na França, histórica fusão da Igreja Reformada e da Igreja Luterana.

sexta-feira, maio 17th, 2013

Jornal Le Monde

Discursando diante dos representantes da nova Igreja Protestante Unida da França (EPUDF), durante o seu sínodo inaugural em Lyon no sábado, 11 de maio, o ministro do Interior, Manuel Valls, encarregado pelas relações com os cultos, não hesitou em definir esse encontro como “um momento importante na história do nosso país”.

Depois de um processo de aproximação de vários anos, as Igrejas nascidas da Reforma do século XVI, a Igreja Reformada e a Igreja Evangélica Luterana da França, separadas por razões teológicas, durante o fim de semana da Ascensão, celebraram a sua fusão.

Além da mudança de estrutura, essa aproximação indica uma vontade de manifestar mais claramente na sociedade a identidade das Igrejas protestantes “históricas”, levando em conta as fortes evoluções do protestantismo francês nos últimos 30 anos.

O ministro elogiou com insistência os valores dessa confissão, à qual aderem cerca de 3% da população francesa. “A mensagem histórica do protestantismo é a da tolerância, da abertura, da libertação do indivíduo, do seu acesso ao conhecimento de maneira pessoal. Como não ver tantos pontos em comum com os valores da República?”, perguntou Manuel Valls.

Dirigindo-se aos fiéis protestantes, eles os tranquilizou sobre o fato de “poder viver plenamente, intensamente a sua fé (…), fé que a República reconhece como profundamente legítima”. O ministro também elogiou a decisão de reconhecer, através dessa união, “que o que lhes une é mais importante do que o que lhes distingue”.

A reunificação das duas correntes da Reforma, que fracassou várias vezes no passado, se impôs nos últimos anos por causa do dinamismo das Igrejas evangélicas. Agora, os protestantes históricos, que tendiam a ser pouco visíveis, também querem “testemunhar” a sua fé na sociedade, mas “recusando toda atitude identitária”, como destaca o novo presidente da EPUDF, pastor Laurent Schlumberger.

“Por cinco séculos, defendemos um protestantismo de minoria frente à poderosa Igreja Católica, os protestantes estavam em uma abordagem identitária, fundada em redes, nas relações internas. Hoje, os nossos contemporâneos esperam por pessoas que ousem dizer o que pensam”, assegura o pastor, cuja nova Igreja agrupa cerca de 400 mil pessoas. “Para nós, é uma revolução compartilhar as nossas convicções além dos nossos próprios círculos”.

Para o pesquisador Jean-Paul Willaime, especialista em protestantismo, “o desenvolvimento do protestantismo evangélico representa um desafio que talvez incite o protestantismo lutero-reformado a ousar mais, sem negar a sua sobriedade, a sair da sua lendária discrição para se manifestar mais explicitamente na sociedade e com relação a outros grupos religiosos”.

Diante dessa aspiração, Manuel Valls, proferindo um discurso sobre a laicidade globalmente apreciado pelos fiéis, recordou, por sua vez, que esse conceito não era “a negação do fato religioso, mas simplesmente uma separação clara entre o que tem a ver com o espiritual e com o temporal”.

Mas, acrescentou, “o temporal e o espiritual são necessariamente chamados a coabitar, a viver na concórdia e a dialogar”. “A laicidade é a nossa defesa contra todos aqueles que querem pôr na cena pública a intolerância, a exclusão, a recusa ao debate, o obscurantismo”, respondeu diante de uma assembleia bastante aberta ao diálogo.

Caracterizados pelo pluralismo e por uma diversidade de pontos de vista, os protestantes – exceto os evangélicos – até hoje evitaram tomar posição sobre o casamento para todos, ao contrário dos católicos. Ao invés, é provável que tornem pública a sua reflexão sobre o tema do fim da vida. E que expressem reservas sobre qualquer nova legislação sobre o assunto.

* Testemunho de ex protestante da Congregação Cristã no Brasil hoje católico!

sábado, abril 13th, 2013

Fonte

www.padrepauloricardo.org


Salve Rainha!

A Paz de Nosso Senhor Jesus Cristo a todos!


Olá pessoal do suporte do blog [do Pe. Paulo Ricardo],


Chamo-me Dênis, tenho 26 anos e sou da cidade de São José de Rio Preto/SP. Estou enviando este e-mail para contar sobre a minha conversão. Ainda não sei bem ao certo os motivos que me levaram a querer escrever o testemunho, mas, em parte, sinto muita vontade de agradecer ao Padre Paulo e a toda a equipe por esse belíssimo trabalho de evangelização e esclarecimento dos cristãos.


Nasci sob uma educação cristã, meus pais eram da Congregação Cristã no Brasil, mas, com o passar dos anos, a rotina aos cultos da igreja foram diminuindo e mais precisamente quando tinha 12 anos, quando meu pai foi assassinado, sofremos a maior queda de nossas vidas. Desse momento em diante, eu, minha mãe e meu irmão só fomos nos afastando, cada vez mais, da graça e da convivência perto de Deus. Com o passar dos anos, o coração só foi sendo contaminado cada vez mais, com raiva e ódio por ter perdido meu pai de tal maneira. As brigas aumentavam em casa, a desunião tomou conta da família por muitos anos, até que o mínimo de respeito e compreensão começassem a ser restabelecidos novamente.


Então, com 18 para 19 anos, fui para São Paulo estudar. Profissionalizei-me, comecei a trabalhar e eis que tudo parecia começar a tomar rumo na minha vida. Bom, ao menos era o rumo que eu queria.


Minha vida começou a ser o trabalho, horas exaustivas de trabalho, pois achava que seria isso o que traria um bom fundamento em todas as outras áreas, se fosse alguém bem sucedido e com uma vida financeira estabilizada conseguiria ajeitar todo o resto facilmente. Tinha uma namorada que pensava da mesma forma, e caminhávamos juntos sobre esses preceitos. Mas por todos esses anos, o meu coração sempre estava inquieto, nunca batia na mesma direção que meu raciocínio e minhas condutas estavam me levando.

Por mais que minha vida material avançasse e fosse agregando bens a ela, nunca me sentia completo, ainda sim me permanecia um aspecto de morte interior. Quando completei 24 anos, foi aí que caí do cavalo bonito. Descobri que tinha um tumor no intestino e precisei me afastar do trabalho. Morava em São Paulo, mas só tinha condições de me tratar em Rio Preto e nessas condições minhas economias foram se acabando, meu antigo relacionamento foi se dificultando ao ponto de tudo na minha vida zerar. Meu dinheiro tinha se acabado em virtude dos tratamentos e tantas outras despesas, minha vida profissional ficou paralisada, meu antigo relacionamento se acabou.


Bom, em vista de todas essas dificuldades, não me vinha outra coisa na cabeça senão buscar a Deus para encontrar forças para suportar essa fase. Então comecei a frequentar novamente a Congregação Cristã no Brasil, pois era a única igreja a qual eu era familiarizado, nunca tinha frequentado nenhuma outra. E foi então que comecei a viver esta experiência através da oração e sentir a consolação Divina, foi então que meu coração já não mais batia em outra direção, mas adorava repousar nas mãos do Pai, foram momentos maravilhosos e breves esses que duraram por alguns dias, aconteceram outros episódios também, mas de maneira tão pessoal que nem sei como poderia explicá-los, mas tenho certeza que vocês me entendem, vocês devem ser todos santos aí, devem trabalhar recitando o rosário…em LATIM! Mas, enfim, a história não acaba aí: comecei então a querer me batizar, pois como vocês sabem os evangélicos não batizam crianças e quando eu tinha idade para o fazer, já me encontrava bem afastado.


Comecei então a rezar pedindo a Deus que me desse a graça de me levar às águas do batismo quando fosse do agrado d’Ele, pois interiormente me sentia confuso com certos preceitos da Congregação Cristã no Brasil e, sinceramente, nunca consegui ver sentido nas pessoas que saem pulando de uma religião para outra, de um batismo para outro, como se o Deus que ela tivesse encontrado fosse falso, mesmo a maioria das igrejas protestantes sendo o batismo pela Santíssima Trindade, isso nunca entrou na minha cabeça!


E sempre pedi a Deus que queria conhecê-lo verdadeiramente, para que não me deixasse ser enganado por falsas doutrinas ou doutrinas incompletas. Então grandes dúvidas começaram a assaltar meu coração, dúvidas de toda alma, do pecado original. Porque eu ouvia testemunhos de evangélicos que se tornavam católicos em vista de milagres e vice-versa, então eu pensava: “oras, isso tudo é uma maçaroca só, Deus age em todos, basta buscar sinceramente!”


Foram dúvidas que me traziam a dificuldade para crer em Deus, porque pensava: “ora, se Deus é perfeição e não erra em seus julgamentos, nunca teria deixado mais de uma igreja verdadeira e se os milagres são de certa forma, Deus falando mais grosso para dar uma direção pra gente aqui na terra, bom, então, haveria de se dar créditos visto que se tem testemunhos de milagres extraordinários em igrejas protestantes. Ao menos eu os escutava na Congregação Cristã no Brasil”.


Bom, em vista disso ao menos eu não deixava de perseverar nas orações e na busca do entendimento das Sagradas Escrituras. E no meu coração eu começa a me sentir sugestionado a estudar…e foi o que fiz.

Comecei a estudar primeiramente a história da Congregação Cristã no Brasil, pois eu frequentava a igreja e nem ao menos sabia da história dela. Tamanha ignorância! Logo em seguida comecei a estudar a Santa Igreja Católica e a Reforma Protestante e comecei a entender a desfragmentação da coisa e a distorção que foram acarretando o surgimento de tantas denominações.


Nessa época já acompanhava seu blog, e obtinha muitas respostas através de seus programas, mesmo frequentando igreja evangélica na época, não ia atrás nem tinha o desejo de ofender outros credos, acusando-os de idólatras e outras coisas, mas simplesmente queria respostas e entender a fundo o porquê das coisas!


E devo dizer, Padre Paulo, que todo programa quando ouvia o senhor dizendo: “Pois bem, meu amiguinho protestante”… Eu, então, fazia de tudo para que os protestantes entendessem o pensamento da Santa Igreja, devo dizer que sempre caía na risada, porque eu era um amiguinho protestante na época.


Em certo tempo recebi um convite de um amigo que era católico e que hoje é meu padrinho. Um convite para irmos a um retiro espiritual num Carmelo em Minas Gerais, no qual Deus veio me dar a graça de conhecer os frades, e lá poder esclarecer minhas dúvidas, poder entender as riquezas da Santa Igreja também. Foi quando comecei a ter um contato mais próximo com o Santíssimo Sacramento enquanto fazíamos a Liturgia das Horas. Quando voltei já estava bem saturado de tudo, tinha estudo a história, tinha lido vários livros de Santos, alguns me marcaram bastante como Santa Edith Stein, “Ciência da Cruz”, Santa Faustina, Padre Pio, Santa Teresa de Jesus, Madre Teresa Calcutá etc…


E já se havia passado um ano dessa busca lendo refletindo e principalmente pedindo a Deus em oração a graça do Batismo, então eu cessei, tinha me cansado de buscar e ler tantas coisas e não chegar num parecer sobre qual religião eu seguiria e me batizaria.


Parei totalmente, já não lia nem via mais nada ligado à religião, pois já se tinha passado um ano pedindo o Batismo a Deus e nada acontecia, ao invés disso, as minhocas só pareciam crescer na minha cabeça.


Então, dias depois, quando estava em oração, quando eu insistia em pedir o Batismo a Deus, comecei a sentir uma alegria no coração, eu simplesmente sabia que era em relação ao Batismo, mas não sabia a maneira que se daria. Então eu dizia a Deus: “Mas Senhor, eu não vejo luz, estou confuso mais do que nunca e não vejo como poderia se dar o Batismo em certa altura!


E em sua doçura e amor, Deus me dava esse sentimento de alegria acerca do Batismo que estava chegando, era tudo que sentia, nem sei explicar, eu sabia que se daria, mas não sabia quando, nem como, nem onde!

Dias depois de estar mergulhado nessa sensação, era por volta de 15h, senti um desejo incontrolável de ir à Capela do Santíssimo, um desejo tão forte de me ajoelhar em frente ao Santíssimo e apenas ficar ali, adorando o Senhor! Bem, o desejo foi tanto, que larguei o trabalho e corri para a paróquia, isso era uma tarde de quinta-feira.


Depois de uma breve adoração, me dirigi à secretaria e disse que gostaria de fazer as aulas de Catecismo para me Batizar, e então, pela Divina Providência, talvez para não me restarem dúvidas a secretária me disse: “Olha você buscou na hora certa, porque vamos começar uma turma na segunda-feira, essa será a última turma do ano”.


Então, irmãos, no dia 10/11/2012 recebi com grande alegria o sacramento do batismo e logo no dia seguinte Crisma e 1a. Comunhão! Bom, Padre Paulo e todos os que lerem isto, não consigo nem descrever a alegria que tenho em meu coração de ser Católico, a certeza que tive no coração com tudo isso é de que só existe plenitude da vida cristã dentro da Igreja Santa Católica e praticando seus sacramentos.


Eu acredito que não seja o único que já tenha lhe escrito pra te contar isso e muito menos que serei o último. Mas escrevo para agradecer, pois me lembro bem que disse certa vez que orava todas as noites pela conversão dos evangélicos, bem estou te agradecendo pois uma dessas orações me atingiu rsss…. e também para dar testemunho na esperança que lhe sirva como combustível para continuar na luta!


Um grande abraço, que Deus o abençoe e guarde todos vocês! E, Padre, se algum dia for vir pra Rio Preto, espero que Deus me dê a graça de conhecê-lo.

Paz e Bem!

* Revista TIME: Ascensão dos imigrantes pentecostais de origem latina pode mudar cenário religioso dos EUA.

sexta-feira, abril 5th, 2013

Mesmo em tempos de internet, a revista Time ainda é considerada uma das mais influentes do mundo. Na semana passada, sua matéria de capa foi sobre o julgamento de legitimidade do casamento gay na Suprema Corte. Esta semana, abordou a grande influência das igrejas evangélicas latinas no cenário atual.

“The Latino Reformation”, diz a manchete em letras amarelas, o subtítulo anuncia: “por dentro das igrejas hispânicas que estão transformando a religião na América”. De maneira direta, a publicação reconhece que existe uma mudança no cenário religioso dos Estados Unidos, que poderá influenciar todo o mundo no futuro.

A ascensão da influência latina já foi reconhecida politicamente nas últimas eleições presidenciais. Os estudiosos já apontavam anos atrás que, enquanto a maioria dos brancos estão cada vez menos religiosos, a “Reforma Latina” faz com que igrejas frequentadas pelos latino-americanos ou seus descendentes dobrem de tamanho em poucos anos.

Assim como em seus países de origem, muitos desses fiéis eram católicos, mas acabaram sendo atraídos pelos cultos pentecostais, sua música alegre e promessa de milagres e prosperidade. Em especial para os imigrantes de primeira geração, as igrejas tornaram-se uma espécie de refúgio, quase uma nova família longe de casa.

Com os recentes debates no Congresso americano sobre leis de imigração, milhares desses evangélicos latinos poderão ficar de vez nos Estados Unidos, o que certamente influenciará as próximas gerações. Afinal, os evangélicos latinos são o segmento que mais cresce na igreja da América. Segundo o Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, mais de dois terços dos 52 milhões de latinos que vivem nos EUA são católicos.

Um dos sinais claros desta crescente influência é a consolidação de megaigrejas hispânicas, com cultos em espanhol. Não mais como um ministério dentro das igrejas cuja maioria dos membros é nascido nos EUA e só fala inglês.

O Pastor Wilfredo De Jesús, por exemplo, lidera a Igreja Assembleia de Deus Nova Aliança, em Chicago, com 17.000 mil membros. Em 2000, eram apenas 100 pessoas por culto. Essa é, hoje, a maior igreja das Assembleias de Deus de todos os Estados Unidos. E o processo se inverteu, são as igrejas latinas que hoje tem um ministério em inglês para alcançar as gerações mais jovens, que não domina ou não quer falar espanhol.  Além disso, tornou-se mais fácil enviar e sustentar missionários para países latinos onde os evangélicos ainda são minoria, mas o dólar continua forte.

A ascensão dos evangélicos latinos cada vez mais se torna um desafio, tanto para a Igreja Católica quanto para a Convenção Batista do Sul (SBC), a maior denominação evangélica dos EUA. Richard Land, ex-presidente da Comissão de Ética da SBC e da Comissão da Liberdade Religiosa, desafiou os pastores batistas há quatro anos a investir na evangelização dos latinos. Ele estima que 40% dos Batistas do Sul são imigrantes em situação irregular no país. Rick Warren, pastor da Igreja Saddleback, na Califórnia, admite ”O maior crescimento de todos ocorre nas igrejas pentecostais”, disse. ”É uma história que não pode ser mais ignorada”.

* Mais uma! “Igreja dos games”

domingo, março 31st, 2013

Folha de São Paulo

Imagine um local apinhado de telões, consoles de videogame e algumas dezenas de computadores potentes, prontos para rodar no máximo qualquer jogo de última geração.

Poderia ser uma sala de uma feira de games ou um espaço dentro de uma grande produtor, mas você acabou de ler a descrição de uma igreja.

“Nada de leituras extensas da Bíblia ou confissões e penitências. Apenas queremos reunir fãs de games sob a palavra de Jesus” diz a descrição da Game Church, a “Igreja dos Games”, que tem um estande montado na PAX East, feira de jogos eletrônicos que acontece em Boston (EUA)

Nossas salas parecem saídas dos filmes ‘Blade Runner: o Caçador de Androides’ ou ‘O Vingador do Futuro’”, diz o panfleto da igreja.

“Espere, mas eu posso ser cristão e matar zumbis, ou atirar em alguém? Isso não é hipócrita? Nós somos hipócritas. Todo ser humano é. Mas os videogames não são o problema” diz Mike e Bridges, fundador da Game Church. Este e outros temas, como sexo, amor e vício são abordados nos encontros.

A única sede da Game Church está na cidade praiana de Ventura, no estado da Califórnia, a cerca de 1h de Los Angeles. Mas Bridges quer levar a palavra de Jesus para jogadores de todo o país e, quem sabe, de todo o mundo.

“Ele ama os gamers! Eu acredito que Jesus jogaria comigo no “World of Warcraft” se vivesse hoje”, completa Bridges.

* Igreja cristã divide templo com muçulmanos.

quarta-feira, março 20th, 2013

A Igreja Episcopal de São João, na cidade de Aberdeen, Escócia, recebe centenas de muçulmanos que entram por suas portas para fazer suas orações cinco vezes ao dia.  O responsável pela igreja, pastor Isaac Poobalan, entregou parte da nave do templo ao imã Ahmed Megharbi.

Como a mesquita usada por eles ficou pequena, muitos eram forçados a ficar do lado de fora, muitas vezes fazendo suas cinco rezas diárias expostos ao vento, chuva e até neve.

Poobalan disse “Eu sabia que não podia permitir isso, pois estaria ignorando o que a Bíblia nos ensina sobre como devemos amar ao próximo. Quando falei com as pessoas da igreja sobre a situação, a maioria não achou que isso seria um problema”.

Ele conta que certa vez passou pela mesquita, que fica próxima à sua igreja e “Eles estavam do lado de fora orando e caiu a primeira neve deste inverno, foi muito difícil apenas assistir. Eu me senti mal, principalmente porque nossa Igreja está bem ao lado, é um edifício grande e permanece vazia durante as sextas-feiras, o dia que eles precisam de mais lugares”.

Como a sexta é o dia sagrado para os muçulmanos, é difícil não estranhar dezenas deles entrando numa igreja evangélica para orar várias vezes durante o dia.

Poobalan acredita que sua atitude servirá para ajudar a construir pontes entre os cristãos e os muçulmanos, mesmo que algumas pessoas de sua congregação tenham se oposto.  ”A divisão religiosa não deveria nos dividir como pessoas. No início foi estranho e novo. Havia alguma ansiedade natural. Mas depois os membros perceberam que há muito em comum entre nós [cristãos e muçulmanos]. Quando falei com o imã houve alguma hesitação por parte deles também, pois isso nunca fora feito antes. Contudo, eles aceitaram nosso convite e tem sido uma relação positiva.”

Essa é a primeira vez que cristãos e muçulmanos dividem oficialmente um templo no Reino Unido. Iniciativas parecidas já ocorreram nos Estados Unidos.

O xeque Ahmed Megharbi, líder espiritual da mesquita disse: “O que acontece aqui é algo especial e não vejo nenhum problema se isso se repetir em todo o país. Nossa relação é amigável e respeitosa.”

O bispo de Aberdeen e Orkney, Robert Gillies, disse que essa relação pode marcar o início de uma mudança na dinâmica entre as duas religiões. “Seria bom pensar que podemos mudar o mundo. Mas, às vezes, alguém percebe que podemos fazer algo de importância global em uma escala local”.

Para Gillies, os ‘olhos do mundo’ foram voltados para a maneira pacifica que as duas religiões convivem naquela comunidade. Embora lembre que a igreja cristã considera Jesus como filho de Deus, ressalta que a fé muçulmana o vê apenas com um profeta.

Com informações Daily Mail.

* A Igreja de Cristo é a Igreja católica e a Igreja católica é a Igreja de Cristo!

sexta-feira, março 8th, 2013

Dom Henrique Soares

O Concílio Vaticano II afirmou na Lumen Gentium 8 que “a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica”. O recente documento da Congregação para a Doutrina da Fé explicou de modo claro o significado de tal expressão. Apresento agora o comentário da própria Congregação a esta frase e às questões do Documento referentes a ela:

“Como se deve entender que a Igreja de Cristo subsiste na Igreja católica.

Quando G. Philips escreveu que a expressão “subsistit in” faria “correr rios de tinta”, provavelmente não previa que a discussão haveria de continuar por tanto tempo e com tal intensidade, a ponto de levar a Congregação para a Doutrina da Fé a publicar o presente documento.

Uma tamanha insistência, aliás fundada em textos conciliares e do Magistério sucessivo citados, reflete a preocupação de salvaguardar a unidade e unicidade da Igreja, que viriam a faltar, se se admitisse que possam existir mais subsistências da Igreja fundada por Cristo. De fato, como se diz na Declaração Mysterium Ecclesiae, se assim fosse, chegar-se-ia a imaginar “a Igreja de Cristo como a soma – diferenciada e, de algum modo, unitária ao mesmo tempo – das Igrejas e Comunidades eclesiais” ou a “pensar que a Igreja de Cristo hoje já não existe em parte alguma e que, portanto, deva ser só objeto de procura da parte de todas as Igrejas e comunidades”. A única Igreja de Cristo já não existiria como una na história ou existiria apenas de forma ideal, ou seja in fieri, numa futura convergência ou reunificação das diversas Igrejas irmãs, desejada e promovida pelo diálogo.

Mais explícita ainda é a Notificação da Congregação para a Doutrina da Fé sobre os escritos de Leonardo Boff, segundo o qual, a única Igreja de Cristo “pode também subsistir noutras Igrejas cristãs”. Invés – observa a Notificação –, “o Concílio adotou a palavra ‘subsistit’, precisamente para esclarecer que existe uma só ‘subsistência’ da verdadeira Igreja, ao passo que, fora da sua composição visível, existem apenas “elementa Ecclesiae” (elementos da Igreja), que – por serem elementos da própria Igreja – tendem e conduzem para Igreja católica”.

Porque se empregou a expressão “subsistit in” e não o verbo “est”.

Foi precisamente esta mudança de terminologia, na descrição da relação entre a Igreja de Cristo e a Igreja católica, que deu ocasião às mais diversas ilações, sobretudo no campo ecumênico. Na realidade, os Padres conciliares simplesmente entenderam reconhecer a presença, nas Comunidades cristãs não católicas enquanto tais, de elementos eclesiais próprios da Igreja de Cristo. Daí resulta que a identificação da Igreja de Cristo com a Igreja católica não se deve entender come se, fora da Igreja católica, exista um “vazio eclesial”. Ao mesmo tempo, significa que, se se considera o contexto em que se situa a expressão subsistit in, ou seja, a referência à única Igreja de Cristo “neste mundo constituída e organizada como uma sociedade… governada pelo sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele”, a passagem do est ao subsistit in não assume especial significado teológico de descontinuidade com a doutrina católica precedente.

Ora, porque a Igreja assim querida por Cristo continua de fato a existir (subsistit in) na Igreja Católica, a continuidade de subsistência comporta uma substancial identidade de essência entre Igreja de Cristo e Igreja católica. O Concílio quis ensinar que a Igreja de Jesus Cristo, como sujeito concreto neste mundo, pode ser encontrada na Igreja católica. Isso só se pode realizar uma vez, pelo que a concepção, segundo a qual o “subsistit” deveria multiplicar-se, não traduz propriamente o que se entendia dizer. Com a palavra “subsistit”, o Concílio queria exprimir a singularidade e a não multiplicabilidade da Igreja de Cristo: a Igreja existe como único sujeito na realidade histórica.

Portanto, a substituição de “est” com “subsistit in”, contrariamente a tantas interpretações sem fundamento, não significa que a Igreja católica abandone a convicção de ser a única verdadeira Igreja de Cristo, mas simplesmente significa uma sua maior abertura à particular exigência do ecumenismo de reconhecer o caráter e dimensão realmente eclesiais das Comunidades cristãs não em plena comunhão com a Igreja católica, graças aos “plura elementa sanctificationis et veritatis” (vários elementos de santificação e de verdade) nelas presentes. Por conseguinte, embora a Igreja seja só uma e “subsista” num único sujeito histórico, também fora deste sujeito visível existem verdadeiras realidades eclesiais”.

* Se a Bíblia é uma só, porque os cristãos divergem?

sábado, março 2nd, 2013

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

1. A raiz do mal

1.1. Para explicar a atual divergência de crenças cristãs, levar-se-ão em conta dois fatores capitais:

1) uma observação geral impõe-se imediatamente: tudo que é humano, é sempre marcado pelo cunho do individual; o homem tende sempre a imprimir sua índole pessoal às suas palavras e às suas obras. Até mesmo a Religião (diríamos mesmo: de modo particular, a Religião) é afetada por essa tendência, pois é professada e vivida por homens. Com efeito, a Religião, em virtude da sua finalidade de unir o homem com Deus (o Valor Máximo), solicita a personalidade toda da criatura, fazendo-a vibrar com tudo que ela tem de mais íntimo ; os temperamentos mais diversos (exaltados ou melancólicos, místicos ou racionalistas) se exprimem espontaneamente através das fórmulas religiosas, chegando por vezes a tomar atitudes apaixonadas, pois a Religião toca os mais profundos anelos do homem.

Ainda por outro motivo a Religião é setor em que muito facilmente prorrompem os subjetivismos humanos: toda profissão de fé religiosa tem de per si consequências na vida prática do respectivo sujeito; ora, se este se acha preso a certos hábitos dos quais não tenha a coragem de se desvencilhar, tal indivíduo, consciente ou inconscientemente, tende a conceber a sua Religião ou a sua «fé» de modo tal que não interfira na sua conduta de vida. A experiência o comprova bem: é comum encontrarem-se pessoas que, embora sejam inteligentes e cultas, rejeitam verdades óbvias ou comumente aceitas, fazendo a sua religião própria, ou simplesmente abandonando toda crença religiosa, a fim de não desdizerem ao gênero de vida que levam.

2) Conhecedor dessa índole natural do homem, o Senhor Deus, querendo entregar às criaturas a sua Palavra de Verdade e Vida, houve por bem muni-la de um meio que a preservasse dos mal-entendidos. Com efeito; instituiu um magistério visível, órgão de interpretação autêntica, que, por assistência do próprio Deus, seria capaz de guardar e transmitir a todas as gerações o genuíno sentido da Palavra Revelada. Tal magistério é o da Santa Igreja de Cristo, a qual desde os tempos de Jesus até hoje ininterruptamente se faz ouvir.

Uma parte da Verdade divina revelada por via meramente oral foi no decorrer dos tempos consignada por escrito, a fim de atender a necessidades ocasionais dos fiéis desta ou daquela região, desta ou daquela época; assim é que surgiram paulatinamente, desde os tempos de Moisés (séc. XIII a.C.) até os de São João Evangelista (fim do séc. I d. C.), os escritos (narrativas, cartas, pequenos livros didáticos) do Antigo e do Novo Testamento ou da Escritura Sagrada (Bíblia); os respectivos autores nunca tiveram a intenção de resumir nesses escritos toda a Revelação Divina, mas apenas quiseram focalizar aspectos da mesma, em vista de circunstâncias esporádicas do povo de Deus; em torno desses livros, permanecia o conjunto da Revelação Divina, a ser transmitida oralmente de geração em geração; deve-se mesmo dizer que essa tradição oral (guardada fielmente por assistência do Espírito Santo) ficava sendo o critério para se interpretar a Escritura Sagrada.

Anterior à Bíblia, a tradição oral é como que a mãe da Bíblia, mãe sem a qual a Escritura não pode ser devidamente entendida. Ora — seja lícito repetir — essa tradição ainda hoje vive e é afirmada pelo ensinamento oficial da Santa Igreja.

Eis, porém, que no séc. XVI, após outros pretensos reformadores menos importantes, Lutero tomou como base de uma nova forma de Cristianismo o princípio de que a Bíblia é fonte de doutrina, fonte capaz de se explicar a si mesma sem as luzes do magistério da Igreja. Com isto, o «Reformador» esperava conseguir um Cristianismo preservado de qualquer possível corrupção humana: Lutero julgava que a Igreja e as gerações de cristãos anteriores haviam errado decisivamente e que lhe cabia o privilégio de «redescobrir» o Evangelho.

Como se podia prever, porém, este parecer comprovou-se ilusório.
E como ?

Entende-se que, se Lutero atribuía a si o direito de se emancipar do magistério da Igreja para se tornar novo «mestre», muitos discípulos seus, nos séculos subsequentes, se julgaram habilitados a fazer outro tanto em relação ao «Reformador», de sorte que novos «Luteros» ou novos «Reformadores»— Reformadores da própria Religião reformada — foram surgindo (Wesley, Smith, Helen White…); assim o processo de reformar o Cristianismo se foi ramificando e ampliando em ritmo crescente até nossos dias, quando chega a haver mais de oitocentas seitas, sem que se possa prever o termo final do afã de «redescobrir» o Evangelho. A causa dessa multiplicação de reformas e seitas é, antes do mais, a renegação de um magistério visível, instituído por Deus e independente do senso subjetivo dos «videntes» (que não podem deixar de surgir na história dos séculos).
Em consequência, percebe-se claramente o dilema:

a) ou o cristão aceita a Escritura Sagrada com a Revelação oral que a antecedeu e a acompanha e sem a qual a Escritura não pode ser mantida acima dos subjetivismos humanos,

b) ou o cristão, consciente ou inconscientemente, chega a renegar o Cristianismo inteiro, guardando apenas palavras e rótulos que só encobrem as concepções individualistas e mais ou menos contraditórias de tais ou tais «videntes».

Basta lembrar que foi justamente das escolas protestantes que procederam os exegetas liberais modernos, os quais mutilaram a Escritura Sagrada e chegaram a negar a Divindade de Cristo.

1.2. A esta altura, porém, talvez diga alguém: «Então requer-se fé, e fé na face humana da Igreja, para abraçar o Cristianismo !»

– Não há dúvida alguma responde o fiel católico. «O justo vive da fé», afirma o Apóstolo três vezes (cf. Gál 3,11; Rom 1,17; Hebr 10,38), repetindo palavras do profeta Habacuque (cf. Hab 2,4). A fé é a artéria central da vida cristã.
— Mas… fé não somente em Deus? Fé também na Igreja visível ?

— Sim. Note-se que o mistério donde o Cristianismo deriva seu nome, é o mistério de Cristo ou o mistério de Deus feito homem; Deus se dignou falar aos homens na plenitude dos tempos — assim como já antes, no Antigo Testamento — por meio de sinais humanos, ou seja, de maneira objetiva, perceptível a todos; é bem lógico, por conseguinte, que também após a vinda de Cristo o Todo-Poderoso não queira ser atingido senão através dessa realidade divino-humana que é o Cristo prolongado em seu Corpo Místico ou a Igreja Esta enquanto Cristo nela vive, é uma sociedade sobrenatural infalível; enquanto, porém, é representada por homens e tem uma face humana (o mistério da Encarnação consistiu justamente em colocar o Divino dentro do humano), é marcada pelas deficiências inerentes aos homens; essas deficiências porem, não contaminam em absoluto sua pureza intrínseca nem impedem que a Igreja, por seus ministros, comunique aos homens a multiforme graça de Deus (como a carne de Cristo padecente e mortal não foi empecilho, mas, ao contrário fator positivo, para que Deus se entregasse ao gênero humano).

De resto, o Senhor não exige que a fé prestada à Igreja seja uma fé cega. A todo homem toca o direito de examinar as credenciais da Santa Igreja Católica, antes de professar adesão a esta ; fazendo isto, o estudioso verifica que o próprio Cristo nos Evangelhos dotou a Igreja de um magistério infalível (cf. Mt 16,17-19 ; 28,19s ; Lc 22,31s) ; verifica outrossim que a existência deste magistério é comprovada pela história dos fatos, pois, sempre que os homens quiseram denegar fé à face humana e visível da Igreja, para tributá-la apenas a Cristo e aos Evangelhos, nem sequer guardaram fé no Cristo e nos Evangelhos, mas retorceram de diversos modos a mensagem cristã.

Mais amplas considerações sobre o magistério da Igreja se encontram em «P. R.» 13/1959, qu. 2; 14/1959, qu. 2 e 3.

2. Breve reflexão sobre a divisão entre cristãos

2.1. A história dá a ver que na origem das divisões entre os discípulos de Cristo estão geralmente alguns fatores clássicos, que se poderiam assim discriminar: em determinada época, um cristão julga que seus irmãos na fé, até mesmo os que mais autoridade possuem, estão errando por seu gênero de vida e pelo seu modo de entenderem a mensagem de Cristo. Tal cristão então, inspirado por grande fervor, concebe um Cristianismo reformado, puro, que ele pretende justificar mediante proposições do Evangelho. Esse homem bem intencionado, porém, deixa-se empolgar ou obcecar por seu ideal; aos poucos coloca a sua intuição acima de qualquer exigência da caridade; deixa que o espírito de crítica nele prepondere sobre o amor ao próximo; com isto corrói mais do que conserta ; por fim sequestra-se da massa dos «pecadores cristãos», levando consigo um grupo de discípulos, com os quais passa a constituir uma «igrejinha» ou uma seita própria… É isto, sim, o que acontece quando o homem se guia pela razão sem atender ao coração ou quando a inteligência gera uma espécie de intelectualismo frio, unilateral; desencadeia-se então a ruptura e forma-se um novo credo entre os cristãos. Jacques Maritain diz muito acertadamente : «Se, em vez de ficar no coração, a pureza sobe à cabeça, ela produz sectários e hereges» (Humanisme intégral 265).

Não há dúvida, na origem dos cismas sucessivamente verificados entre os cristãos no decorrer dos séculos, encontra-se um núcleo de verdade ou uma intuição sadia. O mal, porém, consistiu em que esta absorveu a atenção dos respectivos «iluminados», a ponto de fazer fermentar os ânimos e violar as exigências da caridade, a qual é prudente e paciente.
São palavras do Sto. Padre o Papa Pio XI:

«Todas as vezes que o zelo reformador… se tornou expressão e explosão da paixão, turvou em lugar de esclarecer, destruiu em vez de construir, e mais de uma vez veio a ser o ponto de partida para aberrações mais fatais do que os males que se pretendiam sanear» (ene. «Mit brennender Sorge», 14 de março de 1937. Acta Apostolicae Sedis 1937, pág. 154).

Para o cristão, não pode haver autêntica renovação senão em comunhão com o todo ou com o grande Corpo da Igreja ; os verdadeiros místicos ou iluminados (como S. Francisco de Assis, S. Domingos, S. João da Cruz, Sta. Teresa de Jesus…) conseguiram sempre resultados estupendos de reavivamento cristão, mostrando-se humildes e guardando reverência para com as autoridades da Igreja (estas, em última análise, são instituídas por Deus e, ainda que não sejam sempre pessoalmente santas, não deixam de ser instrumentos manejados pelo Senhor e portadores da respectiva graça de estado).

Em poucas palavras, a mentalidade que o reformador cismático nutre em seu íntimo se poderia assim traduzir: «A Igreja errou; eu, porém, não estou errando ; prevaleça, por conseguinte, meu ponto de vista, ainda que eu tenha que romper com a comunidade». Ora tal mentalidade já é afoita e perigosa no plano das instituições humanas ; em se tratando, porém, das coisas de Deus, é mortal, pois nada há de tão alheio às obras de Deus quanto a divisão e a ruptura entre os homens.

Ainda se poderia lembrar que, além de divergências propriamente religiosas, certas diferenças de índole nacional ou política têm motivado, às vezes sorrateira e inconscientemente, a separação entre os cristãos. Mais de uma tentativa de refazer, no decurso da história, a unidade entre os dissidentes e a Santa Igreja foi entravada pela intervenção de fatores não teológicos, mas nacionalistas e mesquinhos.

2.2. É sobre este fundo de idéias que, mais oportuna do que nunca, ressoa a norma recentemente formulada por S. S. o Papa João XXIII ao tratar da planejada união entre os cristãos:

«Haja unidade nas coisas essenciais, liberdade nas coisas acidentais, e caridade em todas as coisas» (ene. «Ad Petri Cathedram», 29 de junho de 1959).

Este principio, entre outras coisas, quer dizer o seguinte: o discípulo de Cristo não pode pactuar com o erro nem aceitar a mínima corrupção da verdade entregue pelo Senhor aos Apóstolos e ininterruptamente transmitida, sob a assistência do Espírito Santo, de geração a geração até hoje. Antes morrer do que desvirtuar de algum modo a mensagem da autêntica Tradição cristã. Contudo, embora não possa legitimar o erro, o católico tem que amar o homem que erra; Cristo morreu por todos os indivíduos humanos, mesmo pelos que hoje consciente ou inconscientemente não são fiéis à mensagem do Evangelho ; o verdadeiro seguidor de Cristo, prolongando o amor do Divino Mestre, deverá consequentemente querer bem a todos os homens, ainda que causem graves danos à Verdade e ao Bem. «Ódio ao pecado, mas amor à pessoa do pecador», diria S. Agostinho; destruamos, portanto, o erro, mas procuremos a todo transe salvar o homem que erra.

Donde se vê quão injustificadas são as querelas religiosas, principalmente quando acarretam incriminações pessoais, com detrimento geralmente grave para a caridade; não se pode dizer que tais litígios sejam sustentados em nome do Evangelho ou por amor genuíno ao Senhor Jesus; em verdade, não são mais do que expansões da paixão, que, em hipótese nenhuma, poderiam agradar a Cristo e construir o Reino de Deus. O sincero amigo do Divino Mestre, ao defender a Verdade, mostrar-se-á também amigo do seu contendente…

* “Cansado de buscar igreja sem pecadores”, peregrinou por grupos protestantes e decidiu voltar à Igreja Católica. Um testemunho.

terça-feira, fevereiro 19th, 2013

Fonte: Fernando de Navascues /  religionenlibertad.com

José Luis Vela era um grande conhecedor da Bíblia. Disse que o zelo religioso ofuscou seu amor, buscou igrejas mais puras, caiu no fanatismo… até que aprendeu a perdoar.

José Luis Vela é um mexicano formado na fé católica. Não era um homem que tivesse descuidado de suas crenças por outros deuses; não era uma pessoa “de um montão”, de fé rotineira e aborrecida; de fé sonolenta e complacente. Não.

Era um homem comprometido com a Igreja Católica.
Era um apóstolo, uma pessoa convencida e, também, convincente.

Um apaixonado por Cristo, com vastos conhecimentos sobre a Bíblia. No entanto, algo cruzou por seu caminho e derrubou todos estes princípios: a soberba.

Vanglória e zelo sem amor

Durante muito tempo tinha se dedicado ao estudo da doutrina católica e aprofundar no conhecimento da Bíblia.

De fato pertencia a um movimento dedicado a trabalhar nesta pastoral. Com o tempo, longe de afundar no verdadeiro amor a Jesus, sucedeu justamente o contrário: “Este conhecimento havia provocado em mim sentimentos de jactância, arrogância, vaidade, etc. Sabia -explica Vela- ‘tudo’ o necessário para defender a Igreja”.

“Então o véu da vanglória cobriu minha face e me esqueci do perdão e da misericórdia. O zelo religioso ofuscou o amor. A misericórdia fugiu de mim. E surgiu o juiz”.

E claro, não só já afloravam os erros nas demais pessoas, em seus grupos, nos hereges, mas descobriu uma Igreja Católica cheia de erros e equívocos.

Por uma igreja “perfeita”

“O rancor se apoderou de mim, tinha deixado de crer na boa vontade da Igreja Católica fundada por Jesus. Acreditava que a Igreja tinha me enganado porque eu queria uma Igreja perfeita, sem mancha, nem ruga, quase celestial.

Não tinha podido assimilar a paciência da Igreja Católica para com os fracos e os que não têm conhecimentos bíblicos. Tinha me convertido em um fariseu letrado e sem misericórdia”.

Logicamente, abandonou a Igreja.

Depois de três anos de se alimentar unicamente da Bíblia e sem pisar em nenhum templo católico ou protestante, e após sofrer uma depressão, José Luis optou por buscar um lugar onde pudesse compartilhar seus conhecimentos.

Rechaçou as clássicas seitas como as Testemunhas de Jehová, Mórmons, Sabatistas, Cientologia, Luz do Mundo, etc., e começou a buscar seu lugar nas igrejas protestantes.

Estas eram legiões… cada uma com seu estilo, com sua forma, com seus costumes, com suas liberdades e diferentes entendimentos da Palavra de Deus.

Na primeira igreja em que caiu chegou a ser o ajudante principal do Pastor. No entanto, o idílio durou pouco. Durou até que por discrepâncias doutrinais e de costumes teve que abandonar o grupo.

Proibido celebrar Natal

O perambular posterior entre umas e outras igrejas evangélicas lhe demostrou como, quando entras em seu mundo, no princípio é tudo maravilhoso: a acolhida, a valorização das pessoas, a aprovação comunitária…

Mas com o tempo as coisas mudam: aumenta a obrigação de ir a mais e mais reuniões, e se inicia um processo de pressão psicológica encaminhada para fixar de forma estrita a maneira de vestir, a categoria de donativos, a proibição de celebrar algumas festas cristãs como o Natal (a “Saturnália”, como a denominam), a proibição de fazer a árvore de Natal…

O certo é que no caso de José Luis e sua família, o amor primeiro ia desaparecendo à medida que se implicavam mais e mais nas diversas igrejas nas quais buscavam Cristo.

José Luis recorda o fanatismo que lhes encaminhavam alguns pastores quando já estavam dentro: “Atirei ao lixo os brinquedos de meu filho pequeno, pois tinhía ouvido uma pregação contra os brinquedos das crianças. Meu filho de 9 anos inocentemente aceitou aquilo. O mesmo com os personagens de Walt Disney: Tudo era pecado”.

Que nos dêem seus donativos e que sejam felizes

Talvez uma das rupturas com estas igrejas que mais mal fez em José Luis foi aquela que sucedeu certo dia quando acompanhou o pastor para pregar em uma igreja irmã.

Após a pregação, “se aproximou uma velhinha com 80 anos, magra e pálida, com seu vestido desgastado pelo tempo e calçando uns sapatinhos velhos e rasgados. Ofereceu-me um pouquinho de dinheiro, umas moedas como ‘ajuda’ pois vínhamos de longe e ela tinha ouvido que eu era quase um pastor. Ela me entregou seu ‘dízimo”.

No entanto preferi não aceitá-lo, pois ela o necessitava infinitamente mais: ‘Não, irmãzinha -lhe disse-, não faça isto. Tome estas moedinhas e compre leite para você, e vá descansar, Jesus lhe ama”. Ainda recorda como lhe sorriu agradecida a senhora. Depois se aproximou do pastor que estava em outra parte daquele templo e este, em troca, ele aceitou o dinheiro.

De volta para casa, comentou com o pastor:

– Irmão, eu pus meu carro à serviço da igreja para sair para pregar, também pago a gasolina e os pedágios na estrada. Não necessitamos que nos deem para gastos. Por que você aceitou o dinheiro dessa velhinha que necessita mais que nós?

O pastor respondeu:
- Não te preocupes, eles se sentem felizes quando fazem isto, então faça-mo-los felizes!
Sua consciência não aguentou mais. Era o fim e se despediu: “Irmão, ore por mim, eu não posso mais seguir aqui. Talvez esteja equivocado, mas para mim é melhor seguir minha consciência que viver assim. Não quero que ninguém me siga e saia daqui. Eu não promovo seitas, brigas, nem divisão, então é melhor que eu me vá”.

Quando a religião se converte em negócio

Em pouco tempo se encontrou com um antigo irmão que lhe levou para sua igreja. Uma em que a alegria e a espontaneidade reinavam em toda parte. Onde se compartilhava a visão da palavra de Deus com total liberdade.

Por esta razão começaram a chegar pregadores errantes que iam de igreja em igreja, apregoando suas doutrinas. Logo anunciava a chegada de um “pregador muito ungido” que faz muita “oração e jejum”, com o qual despertava a confiança em todos os fiéis.

Na realidade é que se apresentavam todo tipo de iluminados, desde pregadores que enfatizam o fim del mundo ou a aparição do 666, até os que pregam contra os personagens da TV. Cada sucesso local, nacional ou mundial era usado para profetizar calamidades…

Então aparecia gente como Yiye, um homem de muita oração e jejum, em cuja revista se pedia dinheiro para sustentar sua obra evangélica e “poder mandar o Evangelho via satélite”; ou Morris Cerullo que vinha diretamente dos Estados Unidos e que “aceitava cartões de crédito”…; ou J. Miranda que tem grande “poder de Deus” pois “atira a pessoas ao solo”…

Evangelistas “internacionais” que rapidamente surgiam do nada e desapareciam da mesma forma mas com uma boa soma de dinheiro em seus bolsos.

E em qualquer caso, sempre, se procedia a coleta das “oferendas” de amor: “Necessitamos de umas pessoas que queiram oferecer tanto dinheiro e, agora as que podem outro tanto…”.

É um negócio porque não há amor

A religião se converteu em puro negócio (1 Tm 6, 10) e a fé em um “culto dos sentidos” onde o sentimentalismo e o messianismo profético eram os pilares de sua doutrina.

Ensinava-se que o pecado estava nos objetos: nas imagens, na música, na comida, etc.
Finalmente José Luis Vela decidiu ficar só com sua família e não mais participar de nenhuma outra igreja ou denominação.

“Recordo o medo, e a incerteza pela chegada do 666, a expectativa pelo “rapto” que até meu filhinho foi afetado pelo temor de ficar e não ser dos “escolhidos”. Apesar de meus estudos profissionais, do conhecimento da Bíblia adquirido por muitos anos e ainda de minha sólida formação cristã, estava ‘afetado’.

Fui arrastado pelos ventos das doutrinas de homens”.

Ao sair e buscar novas fontes de formação, José Luis havia caído em leituras chamemo-las de ‘impróprias’. Seu primeiro livro tinha o sugestivo título de ‘Sai d’Ela. Depois vieram “As balanças”, “Estamos de acordo Sr. Presidente” e mais e mais.

Os clássicos protestantes antigos

No entanto também caíram em suas mãos alguns livros antigos que datam da época da Reforma e alguns escritos de João Calvino: “Esta antiga obra me instruiu sobre o que pensavam os primeiros reformadores do século XVI. Depois vieram outras e, inclusive, conheci as 95 teses de Lutero. Era um protestantismo centrado, ilustrado e de certa forma justo em suas reclamações à Igreja Antiga, que expunha suas razões sem cair no fanatismo”.

“Era um protestantismo ilustrado, devoto de Deus e que amava as coisas santas, que só buscava reformar as coisas da Antiga Igreja. Estes protestantes do passado, do século XVI, não tinham nada que ver com os ‘profetas de hoje’ que fundam ‘igrejas’ em toda parte. Pela soberba de não resolver suas diferenças seguem dividindo o corpo de Cristo”.

A volta à Igreja Católica

José Luis se meteu na internet e ali estabeleceu encontros com crentes e não crentes, católicos e protestantes.

Nesse mundo aberto e anônimo onde cada um expressa o que quer no anonimato e o desprezo mais impune possível, o próprio José Luis se viu refletindo a si mesmo: “Diante das acusações e ofensas, a intransigência de muitos, os prejuízos de outros e as ofensas à Virgem Maria, Mãe de Deus feito homem, diante das caçoadas e gargalhadas de alguns que negam o Espírito Santo, me vi como em um espelho. E compreendi que ‘todos temos pecado’ (Rm 3, 23)”.

Saiu da Igreja porque estava cheia de pecadores e não encontrou a pureza que esperava, mas suas vivências lhe fizeram refletir e arquivar a busca de Cristo fora do catolicismo.

Decidiu retornar à Igreja Católica “porque se tens algo contra teu irmão vai se acertar com teu irmão. Deus não escuta a oração se não te reconciliar; porque Deus perdoa nossas ofensas assim como nós perdoamos os que nos ofendem…”

“Na Igreja Antiga, Católica, Universal, na Igreja de Deus, de todos os tempos, ali vou estar. Não para condenar, mas para colaborar e dar ânimo aos meus irmãos os pobres de espírito, os fracos na Fé, os de Fé simples que não ‘sabem’ da Bíblia mas que creem com o coração”.

* Igreja evangélica do Rio brinca com nome de bloco para atrair e questionar fiéis.

quarta-feira, fevereiro 6th, 2013

A Igreja Metodista, localizada na Rua Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, brincou com o nome do bloco “Suvaco de Cristo” para atrair mais fiéis. No último fim de semana, os foliões do bloco desfilaram pelas ruas do bairro.

Fonte: G1

* Seria só “a bíblia e sua interpretação” a regra absoluta de fé para o cristão?

terça-feira, fevereiro 5th, 2013

Alessandro Lima

Hoje em dia ainda é muito comum vermos protestantes acusando católicos de idólatras, adoradores de imagens e acusando a Igreja Católica a ensinar tais práticas. Quem conhece o Catolicismo sabe quão absurdas são estas acusações.

É bem verdade que certas religiosidades cometem alguns abusos  .. É certo, porem, acusar uma mãe de ladra, aliciadora de crianças se por acaso seu filho pequeno for pego com um brinquedo de seu amiguinho? Neste caso, pensaríamos que é a Mãe uma ladra e aliciadora de crianças ou pensaríamos que foi a criança que não correspondeu à educação dada pela mãe? O mesmo caso aplica-se à Igreja Católica. Da mesma forma que nem sempre vemos pessoas que se dizem cristãs possuindo atitudes cristãs, isso leva a crer que é o Cristianismo o incentivador dos erros de seus filhos?

O mesmo engano cometeu o monge agostiniano Martinho Lutero. Em seu tempo alguns distorceram a disciplina das Indulgências. Isto levou Lutero a crer que era a doutrina da Igreja que estava errada. Para ele, era a tradição que havia errado, por isso ele supôs que se a Igreja utilizasse somente a Bíblia (”Sola Scriptura”) como norma de fé e prática, Ela jamais cairia no erro.

Uma suposição é algo que concebemos no início, normalmente sem consciência. Quando a suposição é válida, tudo acaba bem, mas uma suposição errada conduz inevitavelmente às falsas conclusões. A pessoa que tem esperança de chegar a uma conclusão utilizando uma suposição falsa, deve perguntar a si mesmo onde está o erro. Os protestantes que estão dispostos a avaliar o estado do atual mundo protestante de maneira honesta, devem perguntar se a Sola Scriptura, ensinamento fundamental do Protestantismo vem de Deus, pois esta suposição resultou em mais de vinte mil grupos discrepantes que não concordam em assuntos básicos da Bíblia, ou o que significa ser um Cristão?

Por que (se somente a Bíblia é suficiente, sem a Santa Tradição) batistas, testemunhas de Jeová e metodistas reivindicam que acreditam no que a Bíblia diz, mas nenhum deles concorda em o que a Bíblia diz? Obviamente, aqui está uma situação na qual os protestantes devem achar que estão errados.

Infelizmente, a maioria dos protestantes estão dispostos a colocar a culpa deste problema em qualquer coisa — qualquer coisa menos no problema que é a raiz. A ideia da Sola Scriptura é fundamental para o Protestantismo tanto que para eles nega-la é questionar Deus. Como disse Nosso Senhor: “Toda árvore boa dá bons frutos; toda árvore má dá maus frutos” (Mateus 7:17). Se julgarmos a Sola Scriptura pelos seus frutos, chegaremos a conclusão de que esta árvore deve ser cortada, e lançada ao fogo (Mateus 7:19).

Vejamos agora as falsas suposições sobre as quais está fundamentada a Sola Scriptura:

1º Falsa Suposição: A Bíblia deve ser entendida como última palavra sobre a fé, piedade e louvação.

a) É o ensinamento da Escritura “totalmente suficiente”?

A suposição mais óbvia pôr de trás da doutrina da Sola Scriptura é a de que a bíblia possui tudo o que é preciso para a vida do Cristão — tudo o que é necessário para a verdadeira fé, prática, devoção e louvação. O trecho mais citado para apoiar esta suposição é:

… e desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra” (II Timóteo 3:15-17).

Os que usam esta passagem para defender a Sola Scriptura, afirmam toda a “autossuficiência” da Bíblia, porque “Somente a Bíblia Sagrada pode fazer o homem piedoso e perfeito… a perfeição pode ser atingida sem a necessidade da tradição.”

Mas o que pode ser realmente dito baseando-se nesta passagem? Para os iniciantes, devemos perguntar sobre o que o apóstolo Paulo está falando quando ele fala a Timóteo sobre ele conhecer a Bíblia desde criança. Devemos estar seguros de que Paulo não está falando sobre o Novo Testamento, pois o Novo Testamento ainda não havia sido escrito quando Timóteo ainda era uma criança — na realidade, ele ainda não estava pronto quando Paulo escreveu esta Epístola a Timóteo, e muitos menos o Cânon do Novo Testamento como o que conhecemos hoje. Obviamente, na maioria das referências da Bíblia encontrada no Novo Testamento, vemos que Paulo está falando do Velho Testamento e assim, se esta passagem for usada para fixar os limites da autoridade inspirada, não só a Tradição fica excluída, mas também todo o Novo Testamento.

Em segundo lugar, se Paulo pretendesse excluir a tradição por ser algo não benéfico, deveríamos saber por qual motivo Paulo utilizou no mesmo capítulo tradições orais que não estavam na Bíblia. Os nomes de Janes e Jambres não aparecem no Velho Testamento, contudo, em II Timóteo 3:8 Paulo os chama de adversários de Moisés. Paulo utiliza a tradição oral para falar o nome dos dois mágicos mais proeminentes do Egito, que aparecem durante o Êxodo (7:8). [2] E este não é a única fonte não-bíblica utilizada no Novo Testamento — outro exemplo mais conhecido aparece na Epístola de São Judas que cita o Livro de Enoque (Judas 14:15 c.f. Enoque 1:9).

Quando a Igreja canonizou os livros da Bíblia oficialmente, o principal propósito era estabelecer uma lista de livros autorizados, para proteger a Igreja dos livros espúrios que reivindicavam autoria apostólica, mas que eram na verdade, trabalhos de hereges (v.g. o Evangelho de Tomé). Os grupos heréticos não conseguiam basear seus ensinamentos na Santa Tradição, pois seus ensinamentos eram criados fora da Igreja, então a única maneira que possuíam para autorizar suas heresias era distorcendo o significado da Bíblia, além de forjar novos livros, apóstolos, ou santos do Velho Testamento. A Igreja sempre se defendeu contra os ensinamentos heréticos reivindicando as origens apostólicas da Santa Tradição (provando-as pela Sucessão Apostólica, c.f. o fato de que seus bispos e professores possuem uma descendência histórica e direta dos Apóstolos), e também reivindicando a universalidade da Fé Católica (c.f. o fato de que a Fé Católica é a mesma fé que os Cristãos católicos sempre aceitaram ao longo da história e do mundo). A Igreja se defendeu contra os livros espúrios e heréticos estabelecendo uma lista autorizada de Livros Sagrados, que foram recebidos pela Igreja como Divinamente inspirados, tanto os do Velho Testamento como os de origem apostólica.

Estabelecendo a lista canônica da Bíblia Sagrada, a Igreja não pretende insinuar que toda a Fé Cristã e toda a informação necessária para a louvação e regra da Igreja está contida apenas na Bíblia. [3] Uma coisa que está além dos debates sérios é sobre a questão de quando a Igreja concluiu os Cânones dos Livros Sagrados em fé e louvação, assim como a discussão se a fé e a louvação atuais são as mesmas das do período primitivo — isto é uma verdade histórica. Como na estrutura da autoridade da Igreja, os bispos católicos em vários Concílios resolveram a questão do Cânon — e na Igreja Católica é assim até hoje quando qualquer pergunta sobre a doutrina ou a disciplina deve ser resolvida.

b) Qual o propósito dos escritos do Novo Testamento?

É ensinado nos estudos bíblicos protestantes (e penso que neste caso eles ensinam corretamente) que quando você estuda a Bíblia, entre muitas outras considerações, você deve primeiro considerar o gênero (ou tipo literário) de literatura que você está lendo em uma passagem particular, pois livros diferentes possuem gêneros diferentes. Outra consideração a ser tomada é sobre qual o assunto ou o propósito do livro que está sendo estudado. No Novo Testamento temos quatro tipos de gêneros literários: evangelho, narração histórica (Atos), epístola e apocalíptica ou profética (Revelação). Os Evangelhos foram escritos para testemunhar a vida de Cristo, sua morte e ressurreição. As narrativas contam a história de pessoas e figuras significativas e mostra a magnífica providência Divina agindo em tudo. Diversas epístolas foram escritas para responder perguntas específicas que surgiram em várias Igrejas, assim, muitos problemas não foram relatados com detalhes. Assuntos doutrinais eram discutidos para resolver problemas doutrinais e assuntos sobre louvação só eram discutidos quando aparecia algum problema relacionado (c.f. Coríntios 11:14). Os escritos apocalípticos (Revelação) foram escritos para mostrar o triunfo de Deus na história.

Notamos que não há referências literárias à louvação no Novo Testamento, e nem detalhes de como era a louvação na Igreja. No Velho Testamento há detalhes (e até exaustivos) sobre a louvação do povo de Israel (v.g. Levítico e Salmos) — no Novo Testamento há apenas sugestões escassas sobre a louvação dos cristãos primitivos. Mas qual o motivo? Certamente que não foi por não existir ordem em seus serviços religiosos — os historiadores litúrgicos afirmam que os cristãos primitivos continuavam firmemente na mesma louvação judaica herdada dos Apóstolos. Porém, até mesmo as parcas referências do Novo Testamento em relação à louvação da Igreja primitiva, nos mostra que eles estavam bem longe dos selvagens grupos “Carismáticos,” os cristãos do Novo Testamento possuíam as mesmas louvações litúrgicas de seus pais: observavam as horas de oração (Atos 3:1), louvavam no Templo (Atos 2:46; 3:1; 21:26), além da louvação nas Sinagogas (Atos 18:4).

Nós também precisamos notar que nenhum dos tipos presentes da literatura do Novo Testamento tem o propósito de dar uma instrução doutrinal inclusiva — não há um catecismo ou uma teologia sistemática. Se a Bíblia é tudo que precisamos como cristãos, por que não há nenhuma declaração doutrinária inclusiva nela? Imagine como todas as controvérsias pudessem ter sido resolvidas se a Bíblia respondesse a todas as perguntas doutrinais claramente. Isso seria muito conveniente, mas tais coisas não são encontradas nos livros da Bíblia.

Que ninguém entenda mal a observação feita aqui. Nada disso deprecia a importância da Bíblia Sagrada — Deus proíbe tal coisa! Na Igreja Católica, a Bíblia é tida como totalmente inspirada por Deus, inerrante e autoritária, mas o fato é que a Bíblia não contém o ensinamento para todo assunto importante da Igreja. Como já declaramos, o Novo Testamento dá apenas um breve detalhe sobre como louvar — e isto não é de pequena importância. Além de que, a mesma Igreja que nos passou a Bíblia Sagrada, é a mesma que preservou os padrões de louvação que recebemos. Se nós desconfiamos da fidelidade desta Igreja em preservar a adoração Apostólica, também temos que desconfiar de sua fidelidade em preservar a Bíblia.

c) É a Bíblia, na prática, “totalmente suficiente” para os protestantes?

Os protestantes frequentemente reivindicam que “acreditam apenas na Bíblia,” mas várias perguntas aparecem quando a pessoa tenta examinar o atual uso que eles fazem da Bíblia. Por exemplo, por que os protestantes escrevem tantos livros sobre doutrina e a vida Cristã, se eles necessitam apenas da Bíblia? Se a Bíblia fosse o suficiente para entendê-la, por que eles simplesmente não utilizam apenas a Bíblia? E se ela é “totalmente suficiente,” por que isto não produz resultados suficientes, por exemplo: por que os protestantes não acreditam na mesma coisa? Por que há tantos estudos bíblicos protestantes, se eles precisam apenas da Bíblia? Por que eles buscam outras áreas e materiais? Por que eles ensinam a bíblia ao povo — ao invés de apenas ler as Escrituras para as pessoas? A resposta eles nunca admitirão, mas os protestantes sabem que a Bíblia não pode ser entendida por si só. E na verdade, toda seita protestante possui seu corpo de tradições, mas nunca admitem ou a chamam disso. Não é por acaso que as Testemunhas de Jeová acreditam nas mesmas coisas que os Batistas do Sul, mas não é por acaso que eles não acreditam nas mesmas coisas enfaticamente. Os Testemunhas de Jeová e os Batistas do Sul não propõem individualmente cada uma de suas idéias sobre a Bíblia, mas ensinam a crença de um certo modo — com uma tradição. Então a questão não é em acreditar ou não na tradição — a pergunta correta é qual a tradição que devermos usar para interpretar a Bíblia? Em qual tradição podemos confiar, na Tradição Apostólica da Igreja, ou na confusa e moderna tradição do Protestantismo, que não possui nenhuma raiz além do advento da Reforma Protestante?

2º Falsa Suposição: A Bíblia era a base da Igreja primitiva, e que a Tradição é apenas uma “corrupção” humana muito posterior.

É especialmente entre Evangélicos e Carismáticos que a palavra “tradição” é considerada um termo depreciativo, a tradição é rotulada como algo “carnal,” “espiritualmente morta,” “destrutiva,” “legalista.” Para o protestante que lê o Novo Testamento, a Bíblia condena a tradição como algo oposto à Bíblia. A imagem que eles têm dos cristãos primitivos é de que eles eram como os Evangélicos ou Carismáticos do século XX! Para eles é inconcebível que os cristãos primitivos possuíssem uma louvação litúrgica, ou que eles tinham adquirido qualquer tradição — acreditam que isso ocorreu somente após a Igreja ter sido “corrompida,” é assim que imaginam que tais coisas entraram na Igreja. É um sopro de vida para estes protestantes (assim como para mim) quando eles estudam a Igreja primitiva e os escritos dos primeiros Padres, e começam a sentir algo diferente do que sempre imaginaram ou foram conduzidos a pensar. Por exemplo, os cristãos primitivos não levavam suas Bíblias para a Igreja em cada domingo de estudo da Bíblia, devido ao longo tempo para se fazer uma cópia, e poucos possuíam suas próprias cópias da Bíblia. Ao invés disso, as cópias da Bíblia eram mantidas por pessoas designadas pela Igreja, que ficavam num local da Igreja destinado à louvação. Além de que, os cristãos não possuíam cópias do Velho Testamento, e muito menos do Novo Testamento (que não foi terminado antes do final do Primeiro Século, e não em sua forma canônica até o Quarto Século). Isto não é o mesmo que dizer que os cristãos primitivos não estudavam a Bíblia — eles estudavam, mas como um grupo, e não individualmente. E em grande parte do Primeiro Século, os cristãos estavam limitados em estudar apenas o Velho Testamento. Assim, como eles sabiam dos Evangelhos, dos ensinamentos de Cristo, de como louvar, em que acreditar sobre a natureza de Cristo, etc.? Eles possuíam apenas a Tradição Oral dos Apóstolos, os ensinamentos dos Apóstolos, especialmente durante a virada do primeiro século. Depois as gerações futuras tiveram acesso às Escrituras dos Apóstolos pelo Novo Testamento, mas a Igreja primitiva foi totalmente dependente da Tradição Oral para ter conhecimento da Fé Cristã.

Esta dependência da Tradição é descrita em vários lugares do Novo Testamento. Por exemplo, quando São Paulo exorta os Tessalonicenses: “Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que de nós aprendestes, seja por palavras, seja por carta nossa” (II Tessalonicenses 2:15).

A palavra traduzida como “tradição” é a palavra grega “paradosis” — que é traduzida de maneira diferente em algumas Bíblias protestantes, mas é a mesma palavra que os Ortodoxos Gregos usam para falar da Tradição, e poucos estudantes competentes da Bíblia discutiram seu significado. A própria palavra significa literalmente “meio por qual algo é transmitido,” sendo a mesma palavra utilizada negativamente para os falsos ensinamentos dos Fariseus (Marcos 7:3-8) e referida também para a autoridade de um Cristão para ensinar (I Coríntios 11:2. II Tessalonicenses 2:15). Qual a diferença entre a tradição dos Fariseus e a Tradição aprovada pela Igreja? A Fonte! Cristo deixou bem claro qual era a fonte das tradições dos Fariseus, quando a chamou de “tradição dos homens” (Marcos 7:8). São Paulo faz outras referências às tradições: “Eu vos felicito, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas tradições (paradoseis), tais como eu vo-las transmiti” (I Coríntios 11:2), mas onde ele adquiriu estas tradições anteriores? “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti (paredoka): que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão” (I Coríntios 11:23). Assim a Igreja Católica recorre ao falar da Tradição Apostólica: “entregue (paradotheise) de uma vez para sempre aos santos” (Judas 3). Sua fonte é o Cristo, que a entregou diretamente aos Apóstolos, com tudo aquilo que Ele disse e fez, como o que está escrito: “nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever” (João 21:25). Os Apóstolos entregaram este conhecimento para toda a Igreja, e a Igreja, tornou-se a “coluna e sustentáculo da verdade” (I Timóteo 3:15).

O testemunho do Novo Testamento é claro neste ponto: os cristãos primitivos receberam as Tradições escritas e orais pelos Apóstolos de Cristo. Da Tradição escrita eles possuíam apenas fragmentos — uma igreja local possuía uma Epístola, outra um Evangelho. Os escritos foram reunidos gradualmente, e colocados no livro que se tornou o Novo Testamento. E como os cristãos primitivos sabiam quais eram os livros autênticos e quais não eram — já que havia numerosas epístolas e evangelhos espúrios reivindicados por hereges como escritos dos Apóstolos? Foi a Tradição Apostólica oral que ajudou a Igreja nesta tarefa.

Se a Igreja perder a pura Tradição Apostólica, a Verdade deixa de ser a Verdade — pois a Igreja é a coluna e o sustentáculo da Verdade (I Timóteo 3:15). A crença protestante sobre a história da Igreja, de que a Igreja caiu em apostasia durante o período de Constantino até a Reforma, deixou estes e muitos outros trechos da Bíblia sem sentido. Se a Igreja deixa de existir, mesmo que por um dia, os portões do inferno a venceram naquele dia. Se o caso fosse este, Cristo teria descrito de maneira diferente a Igreja na parábola da semente de mostarda (Mateus 13:31-32), Ele deveria ter falado que no lugar da semente uma nova semente teria brotado mais tarde — mas ao invés disso, Ele usou a figura de uma semente de mostarda que começa pequena, mas cresce continuamente e se torna a maior planta do jardim.

Sobre esta posição, deveria ter existido algum grupo verdadeiro de fiéis protestantes, que sobreviveram durante mil anos nas cavernas, mas onde está a evidência deles? Os Waldensianos, que são apontados como seus precursores por todas as seitas, dos Pentecostais às Testemunhas de Jeová, não existiam antes do século XII. Eles dizem que estes verdadeiros fiéis sofreram valentemente as ferozes perseguições dos romanos e que se esconderam nas colinas até quando o Cristianismo tornou-se uma religião legal. E isso pode até parecer possível, se comparado com a noção de que um grupo tenha sobrevivido por mil anos sem deixar nenhum rastro de evidência histórica sobre sua existência!

A Sola Scriptura é uma grande avalanche iniciada pela Reforma Protestante e que ao longo do tempo por onde passa (onde é aceita) vai destruindo os principais fundamentos do Cristianismo Apostólico. Ela caminha para a destruição total da Fé. Para atestar isso basta compararmos a grande diferença entre a fé Reformada e a fé Pentecostal, por exemplo. Os Reformadores tinham catecismos, criam na necessidade dos sacramentos, batizavam as crianças, reconheciam Santa Maria como Mãe de Deus. E hoje será que é possível encontrar tal credo entre os Pentecostais? O protestantismo ao abandonar a Eclesiologia Apostólica (conceito que crê que a Igreja de Cristo é Visível, possui Governo, que é Mãe e Mestra dos Cristãos, que surge de Deus e vem até os fiéis, etc.) colocou em seu lugar o relativismo. Não é sem motivo que muitos protestantes estão a caminho do fenômeno então chamado  ”A Fé sem Religião” ou “Deus sem Religião”.

Você pode imaginar que o sistema de crenças Protestante tem como sua principal doutrina a teoria de que somente a Bíblia possui autoridade em assuntos de Fé, buscando provar que esta doutrina tem seus próprios critérios. A pessoa provavelmente espera que os protestantes mostrem diversos textos da Bíblia que prove esta doutrina — que é a base de toda a doutrina protestante. A pessoa espera dois ou três textos sólidos, que apresentam claramente esta doutrina — dizem eles da Bíblia: “Pelo depoimento de duas ou três testemunhas se resolve toda a questão” (II Coríntios 13:1). Contudo, como o menino da fábula que teve que mostrar que o Imperador estava nu, tenho que mostrar que não há um único verso na Bíblia em sua totalidade que comprove a doutrina da Sola Scriptura. Não há nada que comprove isso. Ah sim, há inúmeros lugares da Bíblia que falam de sua inspiração, autoridade e utilidade — mas não há um lugar da Bíblia que ensine que somente a Bíblia é autorizada a seus fiéis. Se tal ensinamento estivesse pelo menos implícito, os Pais da Igreja teriam seguramente ensinado esta doutrina, mas qual Santo Padre ensinou tal coisa? Por isso que o ensinamento fundamental do Protestantismo é autodestrutivo, contradiz a si mesmo.

A doutrina da Sola Scriptura não é apenas não ensinada pela Bíblia — ela contradiz a Bíblia especificamente (já discutimos isso), que ensina que a Santa Tradição também está ligada ao Cristianismo (II Tessalonicenses 2:15; I Coríntios 11:2).

Talvez a Bíblia Sagrada seja o ápice da Santa Tradição da Igreja, mas a grandiosidade da elevada altura em que a Bíblia subiu depende da grande montanha em que ela está firmada. Retirada de seu contexto, da Santa Tradição, a pedra sólida da Bíblia torna-se uma mera bola de barro, que pode ser moldada facilmente por qualquer modelador que assim desejar. Não é nada honroso distorcer e abusar da Bíblia, mesmo que isso seja feito em nome de sua autoridade.

Alessandro Lima
Fonte: Veritatis Splendor

* Testemunho de um pastor da Assembleia de Deus convertido ao catolicismo. Imperdível.

sexta-feira, janeiro 4th, 2013

* Pregador funda “Igreja Cowboy” e promove cultos em bares: “Idéia é levar a igreja para o povo”.

quinta-feira, janeiro 3rd, 2013

Um púlpito improvisado numa área de deserto, entre uma praça e um bar que serve biscoitos e cerveja a US$ 3, é o palco pregador Steve Gilbertson, que mantém sua pequena plateia atenta e concentrada na mensagem do Evangelho.

Por trinta anos, Gilbertson foi um pregador formal e tradicional, de terno e gravata, em igrejas dos Estados Unidos. Agora, é fundador da igreja oficialmente chamada “Ecclesia”, mas popularmoente conhecida como “Igreja Cowboy”.

A iniciativa surgiu quando seu amigo Larry Wendt, proprietário do salão onde são feitas as reuniões, pediu que Gilbertson fizesse orações às sextas-feiras, antes das reuniões e disputas dos cowboys da região. Wendt havia sido assíduo frequentador da igreja onde Gilbertson ministrava.

-Eu passo toda a semana fazendo os nossos bons vaqueiros e vaqueiras, vendendo-lhes bebidas e muita comida, transformando-os em pecadores. O mínimo que posso fazer é tentar endireitá-los um pouco aos domingos – disse Wendt, preocupado em transmitir a mensagem do Evangelho.

A matéria colheu depoimentos de pessoas que frequentam as reuniões de Gilbertson: “Não é pretensioso, não é uma grande produção, mas amam ao Senhor apenas por si mesmos, que é o mais importante”, declarou uma das presentes.

-É muito legal ter acesso à mensagem bíblica em um ambiente diferente, fora de um edifício regular da igreja – disse outro frequentador. Ao jornal, Gilbertson disse que desde cedo imaginou seu empreendimento como uma oportunidade para “levar a Igreja para o povo”.

Durante o sermão que a reportagem do NY Times acompanhou, Gilbertson falou sobre a história da mulher acusada de adultério e condenada a ser apedrejada até a morte, relatada pela Bíblia: “Se nós formos muito honestos, nós todos seremos condenados por nossos próprios ideais – o amor torna-se ódio, o generoso se torna ganancioso – Porém, assim como a mulher adúltera, cuja vida foi salva por Jesus, todos nós somos culpados, mas não estamos condenados”.

Por Tiago Chagas, Gospel +

* Número de igrejas evangélicas fechadas na Inglaterra bate recorde.

sexta-feira, dezembro 28th, 2012

A acentuada queda na freqüência dos cultos tem levado muitas comunidades na Grã-Bretanha a verem os prédios usados como igrejas se tornando disponíveis para outros usos.

Em média, 30 igrejas são fechadas na Inglaterra a cada ano, geralmente como consequência da diminuição do número de fieis. No Reino Unido, a igreja oficial é a Episcopal Anglicana, que tem ligações históricas com os reis daquela nação.

Estima-se que durante os últimos 30 anos do século passado, um período de acentuado declínio do cristianismo na Europa, a taxa de fechamento foi particularmente elevada. Mais de 1.500 templos cristãos ficaram obsoletos. Para muitos ingleses, o culto da véspera de Natal é a única visita à igreja durante o ano.

Encontrar um uso para essas belas e antigas construções tem sido uma dor de cabeça para a Divisão de Igrejas Fechadas do país. Muitas foram simplesmente demolidas porque o custo de manutenção se tornou demasiadamente alto. Algumas foram vendidas e posteriormente demolidas para que surgissem outros prédios em seu lugar. Um número não revelado foram convertidas em mesquitas islâmicas.

Edifícios que antes eram o ponto focal da vida nas aldeias foram simplesmente abandonadas e ostentam uma placa de “vende-se”.

Não por acaso este declínio na adoração coletiva coincidiu com as mudanças profundas no perfil dos moradores das cidades menores.

Barney White-Spunner, um ex-soldado que hoje preside a Aliança Pelo Campo, acredita os templos deveriam ser preservados, mas dando-se a eles um novo sentido.

Ele está fazendo um estudo para viabilizar que os antigos lugares de culto religioso possam se tornar pontos focais da comunidade, tornando-se auditórios, feiras, creches, postos policiais ou algo parecido.

Uma de suas sugestões é que as igrejas que possuem um número reduzido de membros e enfrente dificuldades financeiras, deveriam compartilhar o espaço com fiéis de outras religiões. Muitos pastores já estão caminhando nessa direção, mas têm enfrentado oposição dos membros restantes e por isso estuda-se uma maneira de incentivar essa mudança num país cada vez menos cristão.

Sir Barney acredita que em breve a maioria das antigas igrejas terá uma nova utilidade para suas comunidades.

Traduzido de Telegraph via G Prime

* Testemunho: Filho de Pastores protestantes converte-se ao Catolicismo.

domingo, novembro 25th, 2012

Apostolado SCR

Chamo me, Manuel da Costa, tenho 31 anos e sou  filho de Pais Pastores, desde infância  os meus Pais colocaram nos na Igreja e nos ensinaram a temer  á Deus. Durante 22 anos vivi na Província de Cabinda (Angola) depois fui para a Capital Luanda (Angola) para fazer a faculdade de Engenharia Informática. A minha irmã que me recebeu na Capital era da Igreja Pentecostal, ela tinha um carinho aos Pastores Adventistas ela comprava Pregações e estudos de profecias sobre o apocalipse.

Mesmo não sendo Adventista achei interessante destas aulas, comecei a estudar grandemente estas matérias, até que  no ano 2008 tomei decisão de receber o Batismo por imersão na Igreja onde o meu Pai era Pastor. Comecei a participar ativamente na Igreja e a ocupar alguns cargos como secretário  da Paróquia, comecei  a ter um fanatismo aos pastores Adventista e repetia como um Papagaio  de que o Santo Padre é a besta do Apocalipse 13 e a Igreja Católica  era a babilônia descrito no apocalipse 17. Cheguei  a pensar que a Igreja Adventista é que prega a verdade, eu sinceramente comecei a desprezar todas Igrejas protestantes inclusive onde eu era membro, isto porque os estudos adventistas me convenceram do Sábado e da Mortalidade da Alma. Muitas coisas sobre o Catolicismo que eu não sabia muito bem eu repetia sem que primeiro  ter estudado o problema.

Conheci uma jovem  Católica que atualmente é a minha esposa, eu a atacava sempre ,e ela  humildemente não conseguia se defender mesmo tendo os sacramentos. Me lembro uma vez fui a uma feira de livros da Religião ISLÂMICA onde encontrei um livro que mostrava a diferença entre o Cristianismo e o Islão, tentei debater com um Islâmico ele me derrubou com seus argumentos e fiquei sem respostas para defender o Cristianismo, ele me perguntou porque é que os cristãos tem bíblias diferentes? Será que foi  inspiração de Deus?” me falou dos concílios  eu nem sabia o que era.

Esta vergonha que eu passei de não defender o cristianismo,me levou a estudar para saber como defender a religião cristã,surgiram muitas dúvidas na minha cabeça.

Comecei a procurar na Internet sites para estudo do cristianismo e comecei a ler a história do cristianismo,a historia do Cânon bíblico.

O que me surpreendeu mais é o nível de argumentos dos ex-protestantes, comecei a encarar que  os testemunhos de ex-protestantes eram mais sábios e  com argumentos bíblicos e histórico, eu nem sabia o que era  a Patrística… O testemunho do Ex-Pastor Casanova me deixou perplexo com tamanha argumentação bíblica e da história do Cristianismo.

O vídeo que roda na Internet onde o Pe. Paulo Ricardo responde a um protestante que diz sobre a Babilônia descrito no Apocalipse, me lavou  de toda ignorância que eu tinha aprendido dos Adventistas sobre o Apocalipse 17.

Naquele  momento comecei a encarar o Protestantismo como uma religião caluniadora, que confunde a Igreja com os membros da Igreja.

Graças a Deus no dia 19 Agosto de 2011, casei na Igreja Católica  com a minha esposa durante a celebração do matrimônio fiz a profissão de fé e pela primeira vez recebi a sagrada hóstia.

Meus queridos irmãos Protestantes  e Católicos,  só existe uma verdade que vêem de Deus,pra saber esta verdade só é possível no Magistério da Igreja que são Paulo chama de Coluna da Verdade(I Timotéo 3:15-17).

  • Dizer que não existiu Igreja depois dos Apostólos, e negar a história Cristã  e negar todos os Pais da Igreja dos primeiros séculos.

“Papias, Policarpo, Inácio, Tertuliano, Justino, Irineu, Cipriano, Dionísio, Clemente, Euzébio de Cesaréia, Agostinho, Jerônimo entre outros”

  • Dizer que o Constantino fundou a Igreja Católica como eu pensava é ignorar a História do Cristianismo e jogar a bíblia  no lixo.

“Antes do Edito de Milão de 313 já havia passado 32 Papas na História da Igreja, e o Papa do ano 313 era o PAPA Melcíades”

  • Dizer que a bíblia é palavra de Deus, só é possível pela Igreja,porque ela não veio do céu por fax, foi discutido e confirmado nos concílios da Igreja Católica pelos Bispos (Concilio de Hipona 393, Cartago III 397)
  • Dizer que a Igreja apostatou é negar a Palavra do Nosso Senhor Jesus Cristo (Mateus 16:18“As portas do inferno não prevalecer contra a Igreja”.
  • Dizer que todos podem interpretar a bíblia é falta de respeito  a bíblia (2Pedro 1:20-21) “Nenhuma profecia é particular Interpretação ”.
  • Dizer que  Lutero foi contra a Igreja é ser ignorante com a  realidade da história, nas 95 teses Lutero não condena a Igreja nem tão pouco o Santo Padre,mas ele condenou os abusos que eram feito pelo alguns sacerdotes

Vejamos  os seguintes pontos das 95 teses  de Lutero

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

71.  Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

  • Se Lutero era inspirado por Deus, porque os protestantes reprovam as indulgências, que ele mesmo afirma que é um verdade apostólica?
  • A premissa de que Lutero estava certo, isto abre margem de  colocar Arius, Nestório, Pelagius, Montanu, Marcião como também homens inspirados. Felizmente são tido como hereges pelo cristãos  Protestantes e quem os condenou foram os Papas.
  • Dizer que as 33 mil Igrejas existente  são verdadeiras é falta de respeito a própria palavra de Deus (Efesios 4:1-6, I corintios 12-13, João 10:16, João 17:21-23).
  • Dizer que o concilio é uma obra dos homens e falta de respeito a palavra de Deus porque os apóstolos resolveram contradições doutrinárias  nos concílios (Atos 15).
  • Dizer que todos são inspirado pelo espirito Santo é falta de respeito a palavra de Deus. (Joao 16:13).
  • Dizer que não existe a primazia Petrina e Apostólica e falta de respeito a bíblia.

Mateus 16:16-18.(Decidir sobre a fé e a moral)

Mateus 18:18(decisão apostólica)

Lucas 22:31-32(Confirmar na fé os irmão=os irmão da Igreja).

Joao 21:15-17(Apascentar o rebanho =dirigir a Igreja).

  • Dizer que Deus Pai, Deus Filho e Deus Espirito Santo são a favor a divisão é falta de respeito a Bíblia. (Romanos 16:17-18,Efesios 4:14).

Hoje sou Católico graças á Deus, com muita convicção, não duvido daquilo que o Magistério  da Igreja. Para não cair em heresias só dou ouvido ao que o Magistério ensina no Catecismo, documentos oficias da Igreja ,nas enciclias dos Papas,no missal ,porque Jesus disse “ Quem ouve o Magistério  a Jesus ouve,e quem rejeitar o Magistério rejeita Jesus Cristo e consequentemente rejeita ao Deus Pai”(Lucas 10:16).

Agradeços a todos os Cristãos que me levaram  a amar a Palavra de Deus e de conhecer a Santa Igreja Católica,os meus agradecimentos especias ao Professor Felipe Aquino, Cris Macabeus do site (asmentirasdoapocalipse), Helen do site (igrejamilitante), Rafael do Site (sadoutrina)

“Quem houve a Igreja jamais caíra no erro”,porque a Igreja é a coluna da Verdade (I Timotéo 3:15-17).

Feito em Luanda-Angola , aos 30-07-2012

* A Reforma protestante, embora religiosa, causou a secularização do mundo ocidental, afirma historiador.

quinta-feira, novembro 15th, 2012

Jornal Europa. A tradução é de Moisés Sbardelotto

Ocidente secularizado? Culpa de Lutero

A Reforma protestante, embora fosse uma reforma religiosa, causou a secularização do mundo ocidental: isso com base na decisão dos reformadores religiosos do século XVI de se livrarem de uma cultura filosófica e teológica (a aristotélica e tomista), em nome de um sistema teológico baseado na Bíblia, que abriu as portas a um extremo pluralismo teológico e confessional que, ao longo do tempo, obrigou o Ocidente a se tornar indiferente com relação à questão da verdade.

A opinião é de Massimo Faggioli, doutor em história da religião e professor de história do cristianismo da University of St. Thomas, em Minneapolis-St. Paul, nos EUA.

O catolicismo contemporâneo se debate, especialmente no ano do 50º aniversário do Concílio Vaticano II, com a questão da relação com a modernidade: para alguns era a hora de que ocorresse o encontro entre cristianismo e mundo moderno; para outros, a decisão do cristianismo e da Igreja Católica em particular de se abrirem à modernidade foi a decisão mais grave e desastrosa dos últimos cinco séculos.

Uma forma simplista de abordar a questão é dividir os primeiros dos segundos de acordo com as categorias políticas clássicas de “progressistas” e “conservadores”. Essa divisão explica algo daquela divisão entre culturas religiosas, mas não é exaustiva, especialmente para a cultura religiosa (cristã e católica) não europeia e anglo-saxônica, e norte-americana em particular.

Um livro essencial para compreender essa questão – que é a questão do cristianismo contemporâneo – é o de Brad Gregory, The Unintended Reformation: How a Religious Revolution Secularized Society (Harvard University Press, 2012, 592 páginas). O livro de Gregory, professor de história da University of Notre Dame, nos Estados Unidos, aborda a questão em livro de peso e referências bibliográficas que não é um exagero definir como intimidatórios.

Segundo a tese do livro, a Reforma protestante, embora fosse uma reforma religiosa, causou a secularização do mundo ocidental: isso com base na decisão dos reformadores religiosos do século XVI de se livrarem de uma cultura filosófica e teológica (a aristotélica e tomista), em nome de um sistema teológico baseado na Bíblia, que abriu as portas a um extremo pluralismo teológico e confessional que, ao longo do tempo, obrigou o Ocidente a se tornar indiferente com relação à questão da verdade.

Na Europa, especialmente, essa situação forçou o Estado moderno a se tornar garantia da liberdade religiosa, mas por parte de um poder declarada e crescentemente “secular” não no sentido de ateu ou agnóstico, mas sim no sentido de um poder “secular” que se encarregou de proteger e canalizar as expressões institucionais de busca da verdade religiosa.

O primeiro capítulo se intitula “Excluir Deus”, partindo daquela cultura europeia que, no início do século XX (Kafka, Sartre, Beckett), excluiu Deus do horizonte de sentido do ser humano moderno com base no que, no segundo capítulo, Gregory chama de o processo de “relativização das doutrinas”, causada pela rejeição da autoridade da Igreja e dos seus ensinamentos, desde o início da Reforma protestante.

Essa relativização da verdade levou, segundo Gregory, ao direito à liberdade religiosa e, em seguida, conduziu o Estado moderno ao “controle das Igrejas” (capítulo três): isso levou a um processo de “subjetivização da moralidade”, em um mundo em que se tornou difícil, senão impossível, fazer afirmações sobre a moral que não sejam percebidas como puramente individuais e, portanto, relativas e atacáveis.

Nesse tipo de mundo, segundo Gregory, ideias como “virtude”, “significado”, “amor ao próximo”, “cuidado dos pobres” tornaram-se ideias impraticáveis – senão na prática, certamente na teoria. Daí à criação de um mundo concentrado nas práticas do capitalismo e do consumismo, dominado pelas forças do mercado, a distância é curta e leva a uma “secularização do conhecimento”, que excluiu a teologia e as ciências do divino não só das universidades, mas também do cânone das disciplinas úteis, sérias e intelectualmente respeitáveis no Ocidente industrializado.

O livro de Gregory, que leciona na universidade católica mais importante da América do Norte, enumera substancialmente uma série de fracassos: o fracasso histórico da Reforma protestante, o fracasso da Europa moderna dos Estados confessionais e a crise da ideia de liberdade religiosa e de direitos humanos como utopia difícil de substanciar sem uma ideia de verdade enunciada sobre bases metafísicas.

O livro aponta o dedo contra as fragilidades sociais e políticas da modernidade ocidental, evidenciando as suas raízes teológicas.

O livro de Brad Gregory é um livro que filosoficamente se baseia em Agostinho de Hipona e Tomás de Aquino, os dois pilares da teologia católica nos Estados Unidos. The Unintended Reformation também se propõe como um útil contraponto à visão da modernidade oferecida há apenas alguns anos por Charles Taylor no seu monumental Uma era secular (Editora Unisinos, 2010), e como solução definitiva para aquela subespécie de cultura neoateia (Hitchens, Dawkins, Harris, com o seguidor italiano Odifreddi) que, nos últimos anos, lucrou vendendo a ideia de que a ciência é para os inteligentes, e a fé, para os crédulos.

A Igreja não é autora da verdade humana, sujeita às revisões de cada tempo, mas depositária da VERDADE revelada por Deus, em Cristo Jesus.
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