Artigo da ‘Secularismo’ Categoria

* Empresa cria “primeiro robô do sexo do mundo”.

segunda-feira, janeiro 11th, 2010

Empresa lança robô do sexo
Douglas Hines, fundador da Lincoln Park, e Roxxxy, o robô.


A Lincoln Park, empresa baseada em Nova Jersey, EUA, afirma que desenvolveu o “primeiro robô do sexo do mundo”. Trata-se de um robô em tamanho de pessoas desenhado mais para conversar com o usuário do que para imitar movimentos humanos.

* Os dez livros mais pirateados em 2009 na Net revela alguma coisa?

sábado, janeiro 9th, 2010

Entre os dez livros mais descarregados ilegalmente no BitTorrent, três são sobre sexo e erotismo.

“  O “clássico” sobre o comportamento sexual, “Kamasutra”, foi o livro electrónico mais pirateado em 2009 através do sistema de partilha de ficheiros BitTorrent, avança o site Freakbits .

Três dos seis ebooks mais descarregados pelos internautas – qualquer um deles entre 100.000 e 250.000 vezes ao longo do ano passado – são sobre sexo e erotismo. Com efeito, na terceira posição surge “The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex” e na sexta “Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England”.

Depois de comparar o seu ranking (ver caixa) com o dos livros mais vendidos divulgado pelo ” The New York Times “, é com alguma ironia que os responsáveis pelo site Freakbits concluem que “os downloads ilegais não ameaçam os autores mais vendidos”.

DEZ MAIS PIRATEADOS EM 2009

1. Kamasutra, por Vatsyayana

2. .Adobe Photoshop Secrets
Manual sobre o popular programa de edição de fotografia

3. The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex, de Sari Locker
Guia prático para uma vida sexual bem sucedida

4. The Lost Notebooks of Leonardo da Vinci

5. Solar House – A Guide for the Solar Designer
Tudo, ou quase, sobre como instalar energia solar lá em casa

6. Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England, de Ian Frederick Moulton
Estudo sobre literatura erótica em Inglaterra

7. Twilight – Complete Series, de Stephenie Meyer
Contos sobre vampiros

8. How To Get Anyone To Say YES – The Science Of Influence, de Kevin Hogan
Manual sobre técnicas de persuasão

9. Nude Photography – The Art And The Craft, de Pascal Baetens
Manual sobre este tipo específico de fotografia

10. Fix It – How To Do All Those Little Repair Jobs Around The Home
Manual sobre bricolage

* Frio na Inglaterra eleva acesso a sites de encontros “extraconjugais.”

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Neve leva britânicos a sites de adultério
Presos em casa, britânicos vão para sites de adultério 

Presos dentro de casa pelo mau tempo, os britânicos têm corrido para os sites de encontros extraconjugais nas últimas 24 horas.

* Colégio Católico fecha suas portas, após 70 Anos de serviço evangelizador.

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Pátio interno da escola

Mais um colégio católico encerra as suas atividades letivas no Ceará.

Depois de 70 anos de história e tradição, o Colégio São José, em Iguatu, que pertence à Congregação das Filhas de Santa Tereza de Jesus, não vai mais funcionar no ano letivo de 2010. A direção da escola divulgou nota à comunidade da região Centro-Sul esclarecendo os motivos da decisão que foi recebida com surpresa e lamentações.

Nos últimos cinco anos, o Colégio São José apresentava reduzido número de matrículas e dava sinais de dificuldades para manter as despesas. A cada ano, o número de estudantes era reduzido. A direção fez esforços para reverter o quadro, mas não conseguiu êxito. Havia 240 alunos inscritos da Educação Infantil ao 3º ano do Ensino Médio.

Financeiro

A diretora do Colégio São José, irmã Vera Lúcia Alves de Andrade, explicou que a situação tornou-se insustentável financeiramente. “A receita não iria cobrir as despesas e tivemos medo de enfrentar mais dificuldades ao longo de 2010″, explicou ela. “Por esse motivo, fomos obrigados a tomar essa medida, depois de muita reflexão, mas que foi necessária”.

Na carta aberta à comunidade, a direção do colégio agradece a confiabilidade da comunidade da região Centro-Sul e anuncia um novo projeto. “Vamos procurar parceria para implantar cursos de nível superior para formação de uma juventude universitária”, disse a irmã Vera Lúcia Andrade. “Estamos confiantes nessa nova ideia e nos preparando com fé e coragem”, adiantou.

Fundação

O Colégio São José começou a funcionar em fevereiro de 1939, com a denominação de Escola Rural Senhora Sant´Ana. Oferecia curso externo e internato. Só estudavam mulheres, mas em 1977, passou a ser misto. A escola é integrante da rede educacional católica Irmãs Filhas de Santa Tereza de Jesus, com unidades nas cidades de Crato, Icó, Tauá, Souza, na Paraíba e duas conveniadas no Estado Piauí.

Ao longo deste ano, foi realizada uma programação ampla, alusiva aos 70 anos de fundação, com mostra histórica, homenagem a ex-alunos, apresentações artísticas e festa dançante no Clube Recreativo Iguatuense. “Comemoramos essa data histórica com muito orgulho porque temos consciência de que o nosso compromisso foi com uma educação de valores”, disse a irmã Vera Lúcia.

Ainda de acordo com ela, “enfrentamos dificuldades para competirmos com escolas modernas que têm uma estratégia de conquista de alunos arrojada, baseada em aprovação em vestibulares”.

O Colégio São José dispõe de quadra coberta e de dezenas de salas de aula.

Parceria

Há cinco anos, abriga os campus da Universidade Regional do Cariri (Urca). Essa parceria também tem tempo marcado, em torno de dois anos, porque em breve devem começar as obras da sede própria da Urca, na antiga usina Cidao.

A decisão de encerrar as atividades educacionais a partir deste ano, foi considerada difícil por parte dos administradores locais. Dezenas de professores e funcionários foram demitidos e os estudantes receberam transferência para outros estabelecimentos. Muitos pais mostraram-se surpresos e indignados.

Fonte : Diário do Nordeste

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Se nossas Escolas Católicas não se modernizarem, acabarão fechando.

Modernização sem perder de vista sua identidade nem sua missão, sem perder o carisma original de seus fundadores.

Muitas delas morreram por terem perdido a capacidade de atualizar o carisma de seus fundadores para os dias de hoje ou até mesmo por terem “traido” o carisma fundante, com escolhas erradas e politicas pedagogicas “modernas” e, o pior, carentes de uma evangelização explicita, optando muitas por uma educação apenas humanizante – como se fosse contraditório ter uma escola católica e ao mesmo tempo humanizante- com professores católicos de nome, com posições dentro de sala incompatíveis com a identidade católica da Escola.

Também não existe contradição nenhuma em formar nos valores e “preparar para o vestibular “. Educar e formar! educação que é  MUITO MAIS do que apenas passar conhecimento.

A maior riqueza da escola Católica é ser Católia e não ser uma escola “envergonhada” de sua identidade. Ser apenas uma escola secularizada, com o nome  de Católica, é já começar perdendo pois elas são fortes nesta identidade secular.

Querendo ser igual a elas onde deveríamos ser diferentes nos tornamos apenas “mais uma” , e aí, com o tempo, fechamos.

Ter vergonha de ser Católica, é o começo do fim!

É a mesma realidade de muitas Universidades e Faculdades “católicas” espalhadas por este Brasil.

Temos asas e não sabemos voar..uma pena!

* Meu Deus, Será verdade? “dispensadores da Sagrada Comunhão”

quarta-feira, janeiro 6th, 2010

A GloriaTV está divulgando imagens de mais um verdadeiro sacrilégio contra o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. São os “Dispensadores da Sagrada Comunhão”.

O respeitado Secretum Meum Mihi informa que este “dispensador” da Comunhão é comercializado pela Purity Solutions.

O Sacram Liturgiam também noticia.

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O vídeo acima da “Glória TV” é da empresa que comercializa o produto.

Torço para que a imagem do padre distribuindo ( ou melhor, “soltando” ) a sagrada eucaristia nas mãos dos fiéis seja apenas para “apresentar o produto”, o que já seria profundamente desrespeitoso e escandaloso.

Sinceramente como me custa acreditar..

* Jornal Dinamarquês: ” Obama é mais do que Cristo”.

terça-feira, janeiro 5th, 2010

Bob Unruh

O editorial de um jornal dinamarquês, citando tanto as políticas externas quanto internas adotadas pelo presidente Barack Obama, está deificando o líder político americano.

“Obama é, com certeza, maior do que Jesus — se tivermos de jogar esse absurdo jogo do Natal”, opinou o editorial não assinado ontem em Politiken, que se gaba de ser o maior jornal da Dinamarca, publicado desde 1884.

O editorial continuou: “Mas, provavelmente, é mais importante insistir em que com o triunfo dele hoje nos EUA, ele já garantiu para si um lugar nos livros de história — um espaço que ele tem boas chances de expandir de modo considerável nos próximos anos”.

O jornal diz que Obama “é provocativo ao insistir em estender a mão, onde outros só vêem animosidade”.

E embora “seus resultados tangíveis em curto prazo sejam escassos”, suas palavras “permanecem na consciência de sua audiência e têm efeitos de longo prazo”.

“Ele vem de origem humilde e defende os fracos e vulneráveis, pois ele pode se identificar com a condição deles”, disse o jornal. “E não estamos pensando em Jesus Cristo, cuja data de nascimento acabamos de celebrar. Estamos falando do presidente dos Estados Unidos Barack Hussein Obama”.

O editorial comentou que “seria natural chegar-se à idéia de uma comparação entre Jesus e Obama. Se se fizesse tal comparação, é certeza que Obama levaria vantagem”.

O editorial, escrito na ocasião de um voto legislativo em favor do plano de saúde de Obama que institui controle governamental total, citou “o direito de todos os cidadãos de não se arruinarem financeiramente quando sua saúde não está bem”, assim como “o maior pacote de ajuda financeira da história dos EUA, um importante acordo de desarmamento e o mais rápido restabelecimento da reputação americana da História”.

“Por outro lado, há os milagres de Jesus, dos quais todos ainda se lembram, mas que só beneficiaram poucas pessoas. Ao mesmo tempo, há as maravilhosas parábolas sobre sua vida e obras que conhecemos a partir do Novo Testamento, mas que têm sido interpretadas de formas tão diferentes durante os 2000 anos passados que é impossível dar um resultado claro de suas obras”, disse o jornal.

WND fez várias reportagens sobre múltiplas referências e sugestões da deidade de Obama, inclusive quando o cantor britânico Sting disse que o presidente Obama poderá ser a resposta para os problemas do mundo — a resposta divina.
“De muitas maneiras, ele foi enviado por Deus, pois o mundo está uma bagunça”, ele disse em entrevista à Associated Press na época.

Antes, foi uma das redatoras de um jornal universitário que escreveu: “Obama é meu Jesus”.
Maggie Mertens, uma das redatoras do jornal da Faculdade Massachusetts’ Smith, disse: “Obama é meu amigo. E não estou dizendo isso porque ele é negro — estou dizendo isso em referência a uma camiseta estampada de uns dois anos atrás que dizia ‘Jesus é meu amigo’. Sim, foi o que eu quis dizer. Obama é meu Jesus”.

A confissão dela apareceu recentemente na seção de comentários do jornal universitário Smithsophian sob o título: “Eu O Seguirei: Obama como Meu Jesus Pessoal”.

“Embora os religiosos vejam isso como idolatria ou embora outros pensem que tudo nessa sentença ofende, temo que seja verdade”, escreveu ela.
Além disso, um artista que planejou apresentar um retrato de Obama numa pose como de Cristo com uma coroa de espinhos na cabeça cancelou o evento devido à “esmagadora revolta do público”.

E foi Louis Farrakhan, o líder do grupo muçulmano Nação do Islã, que declarou no ano passado que quando Obama fala, “é o Messias que está realmente falando”.

Houve também outro acontecimento durante a campanha de Obama quando um site perguntou: “Será que Barack Obama é o Messias?” Essa manchete sintetizou a onda de euforia que seguiu o crescimento espetacular do senador do Partido Democrata.

O site ficou famoso com uma declaração de Obama estrategicamente extraída de um discurso dele na Faculdade Dartmouth, em 7 de janeiro de 2008, logo antes da eleição do Partido Democrata para escolher um candidato à presidência. Foi nessa ocasião que Obama declarou aos estudantes: “Uma luz brilhará por essa janela, um raio de luz descerá sobre vocês. Vocês experimentarão uma presença divina, e de repente compreenderão que precisam ir votar” em Obama.

O site inclui isto:
SEJA O TEU NOME OBAMA
TUA MUDANÇA VIRÁ
TUA VONTADE SERÁ FEITA…

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Veja aqui o jornal em sua versão original… é risível.. WND


* As revistas femininas publicam cada vez mais reportagens sobre sexo. Informação que forma ou deforma?

segunda-feira, janeiro 4th, 2010


Nos dias de hoje, cada vez mais, as pessoas são bombardeadas com informações recheadas de conteúdos insistentes e manchetes espetaculares que tentam, a qualquer preço, chamar a atenção dos leitores para consumir determinados produtos. Quem nunca parou numa banca de jornal atraído por uma notícia arrebatadora ?

Acontece que, atualmente, as revistas femininas são as campeãs em um tipo de manchete: segredos sexuais, como obter a atenção masculina, o que ele pensa sobre você…..

Recentemente, foi publicado um artigo na revista da Universidade de Jornalismo de Columbia (EUA), a Columbia Journalism Review, que aborda exatamente esse assunto. No texto, a jornalista Liza Featherstone comenta que muitos editores, colaboradores e jornalistas de revistas femininas famosas – como Elle, Cosmo, Marie Clair, Mademoiselle,entre outras – discutem que, apesar dos conteúdos de tais publicações que apresentarem matérias fracas, modelos magras e muita publicidade, o maior e, talvez, mais grave problema dessa discussão é o quanto tais revistas mentem sobre sexo.

De acordo com o artigo, as histórias sobre sexo são apresentadas como jornalismo investigativo, chocando muitos analistas e fazendo com que os leitores realmente acreditem que as histórias são verdadeiras. Liza comenta que antigos editores – que preferem não ter seus nomes revelados – garantem que a maioria das cartas que chegam às redações não é sequer verificada para saber se a informação é verdadeira. Na maioria das vezes, Liza afirma, as frases são reescritas para ficarem mais chamativas, as idades são mudadas para atingirem a faixa etária do público-alvo da revista e os redatores entrevistam seus amigos para dar opiniões.

Segundo um ex-editor da revista americana Mademoiselle, muitas histórias não existem, ou simplesmente, são inventadas. Ele diz que sempre que um artigo ou depoimento traz o lembrete “nomes trocados” visando preservar a identidade do leitor, significa que os personagens que compõe o assunto são fabricados. Para ele, os leitores nem percebem esse detalhe, pois, as anedotas criadas são coisas que poderiam de fato acontecer na vida de qualquer pessoa.

A questão é : por que, afinal, tais revistas fariam isso? Qual o objetivo dessas publicações? A resposta, como explica Liza, é atribuída à pressão do fechamento das revistas, sempre atrelada a uma necessidade de se produzir algo chamativo e bater recordes de vendas.

Porém, temos que levar em consideração que isso está sendo tratado como jornalismo. Apesar de tais revistas estarem mais preocupadas em entreter do que apresentar os mesmos temas abordados pelas revistas semanais, essas publicações também fazem parte do mundo jornalístico e informativo.

As revistas femininas têm um público amplo e diversificado, possuem alta credibilidade e podem publicar matérias com um conteúdo mais interessante.

Afinal de contas, será que as mulheres só querem ler sobre sexo? Será que isso é a única coisa relevante no universo feminino? Ou será que assuntos como cuidados com a saúde, política e cultura não interessam para as leitoras?

Muitos jornalistas afirmam que inventar histórias é algo extremamente antiético e os deixariam profundamente frustrados como profissionais, enquanto os editores garantem que não publicariam uma reportagem inautêntica.

Mas a pergunta que fica é: o sexo nas revistas femininas é verdade ou mentira?

Tarcila Campanella, estudante de jornalismo

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A questão não é só de abordagem do tema, mas como se aborda o tema.

Se vc ler algum destes artigos ou reportagem perceberá a visão absolutamente distorcida da sexualidade feminina, reduzida a uma visão genitalista, dissociada do amor e de uma expressão verdadeiramente humana.

Fronteiriça a pornografia e apresenta uma visão da mulher “moderna” que, “sem culpas nem amarras morais” a reduz e a empobrece apenas às paixões e desejos.

Lamentável.

* Sua fé é adulta ou infantil ?

sábado, janeiro 2nd, 2010

Homilia histórica ministrada pelo Cardeal Ratzinger por ocasião da eleição do papa que iria suceder ao inesquecível João Paulo II.

Suas palavras revelaram-se proféticas!

Para 2010, peçamos a Deus esta fé madura e nosso absoluto comprometimento com Jesus, sua proposta e sua Igreja.

Ler essas palavras aquecem nosso coração e renova nossa vontade inquebrantável de continuar servindo ao Senhor com todas as nossas forças.

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Nesta hora de grande responsabilidade, escutemos com atenção especial o que o Senhor nos disse com suas próprias palavras. Das três leituras, escolhi apenas os trechos que nos dizem respeito diretamente num momento como este.

A primeira leitura oferece um retrato profético da figura do Messias – um retrato que adquire todo o seu significado a partir do momento em que Jesus lê este texto na sinagoga de Nazaré, quando diz: “Hoje realizou-se esta escritura”. No cerne do texto profético encontramos uma palavra que – ao menos à primeira vista – parece contraditória. O Messias, falando de si, diz que foi mandado “para promulgar o ano da misericórdia do Senhor, um dia de vingança para o nosso Deus”. Escutemos, com alegria, o anúncio do ano de misericórdia: a misericórdia divina impõe um limite ao mal – disse-nos o Santo Padre. Jesus Cristo é a misericórdia divina personificada: encontrar Cristo significa encontrar a misericórdia de Deus.

A misericórdia de Cristo não é uma graça barata, não supõe uma banalização do mal. Cristo carrega no seu corpo e na sua alma todo o peso do mal, toda a sua força destrutiva. Ele queima e transforma o mal no sofrimento, no fogo do seu amor sofredor. O dia da vingança e o ano da misericórdia coincidem no mistério pascal, no Cristo morto e ressuscitado. É esta a vingança de Deus: Ele mesmo, na pessoa do Filho, sofre por nós.

Passemos à segunda leitura, à epístola aos Efésios. Aqui se trata, substancialmente, de três coisas: em primeiro lugar, dos ministérios e dos carismas da Igreja, como presentes do Senhor ressuscitado e ascendido ao céu; depois, do amadurecimento da fé e do conhecimento do Filho de Deus, como condição e conteúdo da unidade no corpo de Cristo; e, por fim, da participação comum no crescimento do corpo de Cristo, ou seja, da transformação do mundo na comunhão com o Senhor.

Detenhamo-nos apenas em dois pontos. O primeiro é o caminho em direção à “maturidade de Cristo”; assim diz, simplificando um pouco, o texto italiano. Mais precisamente deveríamos, de acordo com o texto grego, falar da “medida da plenitude de Cristo”, à qual somos chamados a atingir para sermos realmente adultos na fé. Não deveríamos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. E em que consiste sermos crianças na fé? Responde São Paulo: “Significa sermos arrastados pelas ondas e levados para lá e para cá por qualquer vento doutrinário”. Uma descrição muito atual!

Quantos ventos doutrinários conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento… O pequeno barco do pensamento de muitos cristãos foi, não raro, agitado por essas ondas – jogado de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até a libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, e assim por diante. A cada dia nascem novas seitas e se realiza aquilo que diz São Paulo sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro. Ter uma fé clara, segundo o credo da Igreja, muitas vezes é rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, ou seja, o deixar-se levar “para lá e para cá e para lá por qualquer vento doutrinário”, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o eu e as suas vontades.

Nós, ao contrário, temos uma outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo aquilo que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé adulta, a esta fé devemos conduzir o rebanho de Cristo. E é esta fé – só a fé – que cria unidade e se realiza na caridade.

Vamos agora ao Evangelho, de cuja riqueza gostaria de extrair apenas duas pequenas observações. O Senhor nos dirige estas maravilhosas palavras: “Não os chamo mais de servos… mas os chamei de amigos”. Muitas vezes sentimos ser – e com razão – apenas servos inúteis. E, apesar disso, o Senhor nos chama de amigos, nos torna seus amigos, nos dá sua amizade. O Senhor define a amizade de uma dupla forma. Não há segredos entre amigos: Cristo nos diz tudo aquilo que ouve do Pai; nos dá sua plena confiança e, com a confiança, também o conhecimento. Revela-nos o seu rosto, o seu coração. Mostra a sua ternura por nós, o seu amor apaixonado, que vai até a loucura da cruz. Confia-se a nós, nos dá o poder de falar com o seu eu: “este é meu corpo…”; “eu te absolvo”. Confia seu corpo, a Igreja, a nós. Confia às nossas frágeis mentes, às nossas frágeis mãos, a sua verdade – o mistério do Deus Pai, Filho e Espírito Santo; o mistério do Deus que “amou tanto o mundo a ponto de dar-lhe o seu Filho unigênito”. Fez de nós seus amigos – e nós, como respondemos?

O segundo elemento com o qual Jesus define a amizade é a comunhão das vontades. “Idem velle – idem nolle” era também para os romanos a definição de amizade. “Sois meus amigos, se fazeis aquilo que vos ordeno.” A amizade com Cristo coincide com o que expressa o terceiro pedido do pai-nosso: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu”.

O outro elemento do Evangelho – ao qual eu gostaria de acenar – é o discurso de Jesus sobre levar o fruto: “Eu vos constituí para que andeis e frutifiqueis e o vosso fruto permaneça”. Aparece aqui o dinamismo da existência do cristão, do apóstolo: vos constituí para que andeis… Devemos ser animados por uma santa inquietação: a inquietação de levar a todos o dom da fé, da amizade com Cristo. Na verdade, a amizade, o amor de Deus nos foi dado para que chegue também aos outros. Recebemos a fé para doá-la aos outros somos sacerdotes para servir aos outros. E devemos levar um fruto que permaneça. Todos os homens querem deixar um traço que permaneça. Mas o que permanece? O dinheiro, não. Também os edifícios não permanecem; nem mesmo os livros. Depois de um certo tempo, mais ou menos longo, todas essas coisas desaparecem. A única coisa que permanece eternamente é a alma humana, o homem criado por Deus para a eternidade.

O fruto que permanece é, assim, aquilo que semeamos nas almas humanas – o amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração; a palavra que abre a alma à alegria do Senhor.

Voltemos enfim, mais uma vez, à epístola aos Efésios. A epístola diz – com as palavras do Salmo 68 – que Cristo, ao subir ao céu, “distribuiu presentes aos homens”.

O vencedor distribui presentes. E estes presentes são apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. O nosso ministério é um presente de Cristo aos homens, para construir o seu corpo – o mundo novo. Vivamos assim o nosso ministério, como presente de Cristo aos homens! Mas nesta hora, sobretudo, peçamos com insistência ao Senhor que, depois do grande presente do papa João Paulo II, nos dê novamente um pastor que esteja em seu coração, um pastor que nos guie ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria. Amém.

* Divórcio “express”. E os filhos ??

quarta-feira, dezembro 30th, 2009

Pe. Leonel Franca S. J.

Ao lado do aspecto jurídico e social, o divórcio apresenta inquestionavelmente um aspecto religioso. Jurídica e socialmente, a possibilidade de ruptura do matrimônio é um mal, um grande mal. É o princípio de instabilidade e dissolução progressiva da família, que, de dia para dia, se vai tornando menos idônea ao exercício de sua elevada missão criadora e educadora da sociedade. A lei que sanciona a fixidez definitiva da vida conjugal não faz senão declarar um dos artigos da constituição natural da família e proteger contra a força corrosiva das paixões, a integridade perfeita da célula social.

É o que parecem esquecer os divorcistas que reclamam a reforma do nosso direito de família como corolário da separação entre a Igreja e o Estado. Como se a indissolubilidade fosse uma simples prescrição de direito positivo eclesiástico, sem nenhuma relação com as finalidades imanentes, naturais da sociedade conjugal e com as exigências superiores do bem comum! Cristo, proscrevendo o divórcio, não deu um preceito novo; reintegrou a família na sua dignidade primitiva.

É, portanto, a própria natureza das instituições conjugais, são os interesses superiores da sociedade, a verdadeira e comum base jurídica das leis que impõem a monogamia indissolúvel, indiscriminadamente, a todos os cidadãos.

Para os católicos, respeitá-las é um duplo dever: de consciência religiosa e de consciência civil. Os católicos não terão nas próprias idéias religiosas um estímulo e uma força para os ajudar no desempenho deste dever social. Mas, nem por isso, deixa o dever de subsistir. Também o furto, o homicídio, o adultério, são, para a consciência cristã, proibições de ordem religiosa.

Seguir-se-á, porventura, que um Estado leigo não os possa e deva interdizer, em nome do bem coletivo, a todos os cidadãos, ainda aos que já não vêem no Decálogo a expressão dos mandamentos divinos? Se ainda uma vez, aqui como lá, a doutrina e a moral católica coincidem com os verdadeiros e mais elevados interesses da sociedade, saudemos nesta coincidência mais um penhor de sua verdade inexaurivelmente fecunda.

Foi sob este aspecto puramente jurídico e social que até aqui viemos considerando o divórcio. Ao combatê-lo, não nos socorremos senão de provas racionais, tiradas à moral, à psicologia, à sociologia e ao direito. Para admiti-las não é mister crer, basta raciocinar; elas não se dirigem ao cristão, falam a todo homem. Não lançamos mão, uma só vez, de argumentos teológicos e exegéticos. A Escritura, a voz dos Padres da Igreja, a autoridade dos concílios, muito de caso pensado, não os invocamos no debate. Discutimos, sempre, em nome da razão e dos fatos, a fim de que as nossas conclusões se impusessem à universalidade dos leitores. Mas o divorcio apresenta outrossim um aspecto religioso. Para toda a humanidade a constituição de um novo lar foi sempre um ato sagrado. Para a grande maioria da cristandade constitui um sacramento. É tão nobre a missão da família, são tão íntimos os deveres domésticos que só na religião se podem atingir as energias profundas, indispensáveis à fidelidade do seu desempenho.

A santidade da família, só a inteligências superficiais, poderá soar como uma frase feita e vazia. As famílias na medida que se vão laicizando vão cessando de ser famílias. Lar sem Deus é frágil construção de que a primeira rajada de paixões violentas fará um montão de ruínas.

Nos países católicos, mais ainda que nos outros, é funesta a legalização do divórcio. Entre protestantes e cismáticos a deformação da moral foi precedida por uma alteração da doutrina. A cisão do vínculo não contrasta com a consciência religiosa do povo. Os divorciados poderão ainda beneficiar dos auxílios espirituais que lhes pode subministrar um cristianismo diluído pela heresia ou pela cisma. A família não será uma vítima infeliz da irreligião.

O catolicismo conserva, em toda a sua integridade, o tesouro divino dos ensinamentos morais do Evangelho. Com a sua consciência é incompatível o divórcio.

Sancioná-lo por lei num país de maioria católica é introduzir um antagonismo, denso de males incalculáveis, entre a consciência religiosa e a consciência jurídica e civil da nação. Para os cidadãos fiéis ao seu credo, a lei, que permite um ato imoral, é uma lei sem prestígio e a desconsideração da lei é princípio de desorganização social. Para os outros, de convicções religiosas menos esclarecidas ou de vida espiritual remissa, a lei civil transforma-se num fermente ativo de irreligião. O divórcio pedido e aceito por um filho da Igreja segrega-o da participação aos sacramentos que nutrem a sua atividade religiosa e moral. Casal de divorciados católicos é casal para o qual estancaram as fontes de energias espirituais, indispensáveis à paz de consciência e à prática do bem (Se um católico num momento de paixão (os católicos não são impecáveis) dissolve a família para constituir outra, a lei sancionaria a segunda união como legítima e lhe imporia todos os deveres respectivos. Amanhã, serenados os estos apaixonados, a voz de Deus no fundo d’alma entra a falar-lhe mais alto que os gritos do amor humano; a consciência cristã acaba por triunfar no desejo sincero de voltar à paz interior. Os deveres que, nesta emergência, se lhe impõem em nome da religião estão em antagonismo com as obrigações civis. Ele não poderá ser católico sem menosprezar as leis do seu país; não poderá ser fiel aos empenhos civis sem sacrificar as exigências superiores de sua consciência religiosa. Situação infinitamente angustiosa, fonte de amarguras internas indescritíveis, que, num país católico, multiplicaria uma lei insensata em contraste com a liberdade de consciência da maioria dos cidadãos).

Destarte a lei do divórcio, num país tradicionalmente católico, tende a difundir a indiferença religiosa e a subtrair à família estes fundamentos espirituais que, em todos os tempos e entre todos os povos, condicionaram a sua estabilidade e conservação. Com o mecanismo frio dos códigos, o Estado é incapaz de gerar as grandes energias da vida moral, mas ai dele, se pela imprudência de leis corruptoras, vai secar os mananciais misteriosos onde se alimenta o espírito de sacrifício, dedicação, fidelidade e desinteresse, que conservam a vitalidade do organismo social!

Eis porque, na realidade, o divórcio é um instrumento de propaganda irreligiosa nas mãos da impiedade. A lei que dissolve os lares é um dos pontos do programa do sectarismo anti-católico. Para combater a Igreja e popularizar a irreligião, o anti-clericalismo atira-se à família.

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Veja abaixo exemplo da Espanha que aprovou nefasta lei.

O Instituto de Política Familiar (IPF) denunciou que a lei do divórcio Express incrementou grandemente as separações na Espanha; e que seus nefastos efeitos vão alcançando mais de 500 mil divórcios nos quatro anos de vigor, que se cumprem hoje 8 de julho.

O presidente do IPF, Eduardo Hertfelder, assinalou que “nunca uma lei demonstrou em tão pouco tempo seu fracasso como a lei do divórcio Express”; e precisou que a lei foi “totalmente desacertada de uma perspectiva jurídica, psicológica, psiquiátrica, sociológica e familiar, que provocou efeitos muito negativos tanto para os cônjuges, como para os filhos, e a sociedade em geral”.

A lei do divórcio Express incrementou os divórcios em 121.900 anuais e representam o 93% das rupturas; eliminou o período de reflexão; incrementou a conflitividade das rupturas familiares (as rupturas conflitivas representam já mais de 40% das rupturas), provocou o aumento da população divorciada/separada; e o incremento de filhos com famílias desestruturadas (mais de 2 milhões de filhos de pais divorciados/separados)”, indicou.

Por tal razão, assinalou que o governo “não pode seguir potencializando uma lei que demonstrado seu fracasso. É urgente e necessária uma retificação da atual legislação”.

“Do IPF o anúncio da derrogação desta lei fracassada e regressiva assim como o anúncio da criação imediatamente de uma mesa de peritos que analise a problemática da ruptura e proponha soluções e alternativas”, adicionou.

Finalmente assinalou que “a cultura de um país se mede pela capacidade de estratégias de prevenção em diferentes áreas, mas especialmente naquelas que fazem referência à projeção do bem-estar das famílias. E a ruptura familiar é a disciplina pendente da sociedade e administrações espanholas”.

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Meu Deus, porque nossos politicos não conseguem perceber?

Sinceramente..É muita cegueira.

* É o controle populacional a resposta para os problemas do mundo, inclusive o aquecimento global ?

quarta-feira, dezembro 23rd, 2009

Por Pe. John Flynn, L.C.

A cúpula do clima de Copenhague trouxe uma enxurrada de opiniões sobre questões ambientais. Entre elas está um retorno inquietante da posição malthusiana de ver o controle da população humana como uma das soluções para os problemas do mundo.

De acordo com um artigo de opinião de Diane Francis, publicado no dia 8 de dezembro no jornal canadense National Post, é necessário que se instale mundialmente a política chinesa de um filho por casal.

Francis afirma que isso iria reduzir a população mundial atual de 6,5 bilhões para 3,43 bilhões, em 2075. Embora a ação seja mais extrema do que a maioria, ela não está sozinha na defesa do controle populacional.

Pouco antes da reunião de Copenhague, Optimum Population Trust, da Grã-Bretanha, lançou um esquema de compensação de carbono, de acordo com o jornal The Guardian, em notícia publicada no dia 3 de dezembro.

Segundo explicava John Vidal, redator de meio ambiente do jornal, isso permite aos consumidores ricos compensar seu estilo de vida de viagens em jatos privados financiando a anticoncepção nos países mais pobres.

Segundo Vidal, os cálculos de Trust mostram que as 10 toneladas de carbono emitidas por um voo de Londres a Sydney poderiam ser compensadas evitando o nascimento de uma criança em um país como o Quênia.

Parece que o neocolonialismo ainda está vivo nas atitudes de alguns ambientalistas que não veem qualquer problema em fazer que as nações em desenvolvimento contenham sua população para que as emissões de carbono dos países mais ricos sejam compensadas.

Ao lançamento do programa seguiu um relatório publicado em agosto por Trust: “Menos Emissores, Menos Emissões, Menos Custo: Reduzir as emissões futuras de carbono investindo em Planejamento Familiar”.

As conclusões do estudo afirmavam: “a análise de custo/benefício revelou que o planejamento familiar é consideravelmente mais barato do que muitas tecnologias que visam a diminuir a emissão de carbono”.

“Com base nos resultados do estudo, propõe-se que os métodos de planejamento familiar sejam considerados uma ferramenta básica na estratégia de contenção das emissões de carbono”, defende o relatório.

Previsão de desastres

O Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) juntou-se ao coro malthusiano com a publicação de seu Informe de Estado da População Mundial 2009.

O informe impulsionava um maior acesso à “saúde reprodutiva”. Este termo das Nações Unidas há de se entender incluindo o acesso a preservativos, contraceptivos e ao aborto.

“Alcançado um ponto onde a humanidade está beirando o desastre”, afirmou Thoraya Ahmed Obaid, diretora executiva do UNFPA, no lançamento do relatório, em Londres, no dia 18 de novembro.

O relatório foi apresentado pela imprensa com títulos como: “ONU: Lutar contra as mudanças climáticas com preservativos livres” (Associated Press, Nov. 18).

“Controle de Natalidade: A maneira mais eficaz de reduzir as emissões de gases de efeito estufa”, alardeou no dia 19 de novembro a manchete do jornal Times de Londres, em uma matéria sobre o relatório.

Junto a este chamado à saúde reprodutiva nas nações em desenvolvimento, e para confundir mais, havia outras declarações que contradiziam a tese de que menos gente nos países mais pobres distanciaria o mundo do precipício do desastre ambiental.

“A responsabilidade principal para o atual acúmulo de gases de efeito estufa é dos países desenvolvidos”, o relatório admitiu.

“A relação entre a população e a mudança climática é, na maioria dos casos, complexa e indireta”, de acordo com a análise feita pelo relatório.

O melhor guia para a questão da população e do meio ambiente veio em um relatório especial publicado através da revista The Economist na edição do dia 31, em outubro.

No editorial que acompanha o relatório, a revista apontou que a tendência da baixa fertilidade nos países em desenvolvimento já é avançada. “A queda atualmente da fertilidade é muito grande e muito rápida”, publicou.

Imoral

De acordo com o edital, nós podemos limitar o impacto humano sobre o meio ambiente de três formas: política demográfica, tecnologia e governança. Com respeito à população, não há muito mais a ser feito, argumentou a revista. Apenas uma “coação ao estilo chinês” poderia trazer uma mais rápida redução na fertilidade.

Notadamente, para uma publicação que não defende nenhuma forma de religião, o editorial também acrescentou que: “forçar os pobres a ter menos filhos do que eles desejam porque os ricos consomem demasiados recursos do mundo seria uma atitude imoral”.

O próprio relatório propõe que a forma de lidar com as emissões de carbono e as preocupações ambientais não é tentar reduzir a fertilidade e sim alterar o crescimento econômico de modo que seja menos poluente e com menos recursos.

O sociólogo britânico Fran Furedi explorou o retorno do malthusianismo em uma artigo escrito para o site Spiked. Seu comentário, no dia 7 de dezembro, atacou duramente as propostas da Optimum Population Trust por ser “um organização malthusiana quase zumbi dedicada à causa da redução humana”.

“Durante a maior parte da história, a vida humana tem sido valorizada e vista como possuidora de uma qualidade especial que não poderia ser reduzida”, observou Furedi.

Furedi baseava seus comentários em uma perspectiva humanista e não em uma perspectiva religiosa. “Não há uma única qualidade na perda da vida humana”, argumentou.

Ele também perguntou por que os outros humanistas não se demonstravam interessados em defender a vida humana e defender os ideais desenvolvidos no Renascimento e no Iluminismo.

Perdendo a fé

“Um mundo que pode colocar um sinal de igualdade entre um bebê e o carbono é um mundo que perdeu a fé na humanidade”, lamentou Furedi.

Outro comentário interessante foi publicado no dia 9 de dezembro pelo site australiano On Line Opinion, escrito por Farida Akhter, de Bangladesh. Segundo o artigo, ela é a diretora-executiva de uma organização que trabalha com comunidades em Bangladesh e também dirige uma editora feminista.

Akhter refletia sobre o Informe de Estado do UNFPA e dizia que é uma abordagem simplista considerar que as mulheres podem resolver os problemas ambientais simplesmente reduzindo sua fertilidade.

Lançar como objetivo as nações em desenvolvimento simplesmente não tem sentido, afirmou. Citando dados do relatório da UNFPA, indica que os 500 milhões de pessoas mais ricas do mundo são os responsáveis por 50% das emissões mundiais de dióxido de carbono.

Então, continuou, mesmo que o crescimento populacional seja reduzido nos países mais pobres, a sua contribuição para a redução das emissões de carbono ou para o consumo de recursos não será significativa.

“Não vamos tornar as mulheres alvo de contraceptivos com o intuito de resolver a mudança climática”, concluiu.

Um sentimento partilhado por Jennie Bristow, editora da publicação britânica Abortion Review.

Ela também escreveu um artigo para Spiked sobre o tema  “população e ecologia”, no dia 6 de outubro.

Bristow defendia o aborto e a contracepção, mas também enfatizava que a história está cheia de exemplos onde estas práticas têm sido imposta às mulheres por parte de autoridades que queriam decidir quantos filhos deveriam nascer.

Respeito

Seu ensaio era crítico à posição pró-vida, mas também argumentava que “devem-se responder sérias questões sobre até que ponto é genuíno o compromisso pela livre eleição entre aqueles que gostariam que as mulheres elegessem em última instância não ter filhos, ou não mais que um certo número de filhos”.

É certo que temos uma responsabilidade com o meio, assinala Bento XVI em sua encíclica “Caritas in Veritate”.

O que está em jogo, porém, é algo mais do que apenas as questões ecológicas, diz o Papa. O respeito pela natureza também inclui o respeito pela vida humana. “Os deveres que temos para com o ambiente estão ligados com os deveres que temos para com a pessoa considerada em si mesma e em relação com os outros”, afirma (n º 51).

Se os dois se opõem, há “uma grave antinomia da mentalidade e do costume atual, que avilta a pessoa, transtorna o ambiente e prejudica a sociedade”, prossegue o pontífice. Uma contradição proposta por poucas vozes no debate sobre como enfrentar os atuais temas de meio ambiente.

* Extra! Extra! Um menino nasceu!

quarta-feira, dezembro 23rd, 2009

Wagner Moura

E se houvesse um jornal na época do nascimento do Menino Jesus, o que ele noticiaria na primeira página?

O português, Pedro Gil, editor da newsletter O Carteiro, enviou um exemplar de um periódico imaginário sobre o assunto que conta, inclusive, com depoimento do Chefe da Liga Império e Laicidade da época – vê-se que os laicos e loucos não são invenção moderna… Clique na imagem duas vezes, para ampliar:

* Entre patologia psiquiátrica e satanismo cultural.

segunda-feira, dezembro 21st, 2009

Entrevista com o presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos

Ele faz uma abordagem bem interessante sobre as enfermidades de natureza psiquiatrica e a questão do Satanismo, fenômeno presente também no Brasil.

Desnecessário se faz dizer que NÃO SE DEVE  AUTO-AVALIAR-SE PSIQUIATRICAMENTE A PARTIR DAS DEFINIÇÕES QUE ELE FAZ  nessa rápida entrevista, nem muito menos enquadrar pessoas conhecidas nas definições conceituais expressas rapidamente aqui

Somente profissionais da área podem nos avaliar e avaliar os outros,claro!

O que me chamou atenção nessa entrevista é sua capacidade de exercer a psiquiatria de forma séria e profissional, sem que isso interfira em sua vivência de fé, com fronteiras bem delimitadas entre uma coisa e outra e onde eventualmente possa existir uma intercessão entre as áreas da fé ( Exorcismo) e a ciência psiquiátrica.

Vale a pena ir até o fim..

Não é todo dia que lemos abordagens equilibradas sobre exorcismo, satanismo e a ciência moderna, sem uma negar a outra, pelo contrário.

Por Mirko Testa

Nos dias de hoje, entre as diversas formas de desvio juvenil, assistimos à expansão do fenômeno do satanismo cultural, cada vez mais preocupante, com a cumplicidade da fácil disponibilidade de conteúdos esotéricos na internet e a falta de valores fortes na família.

Quem está convencido disso é o Dr. Tonino Cantelmi, psiquiatra e presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos (www.aippc.net), coautor, com a psicoterapeuta Cristina Cacace, de «O livro negro do satanismo» («Il libro nero del satanismo», editora San Paolo), que fala de uma verdadeira invasão dos convites à cultura satânica através de livros, revistas, mas sobretudo blogs e cinema.

Cantelmi alerta em concreto sobre os novos dramáticos cenários que esperam o homem na próxima década.

Nesta entrevista,  Cantelmi explora o limiar entre possessões demoníacas e psicopatologias.

***

Nossa sociedade hipertecnológica está de verdade tão fascinada pelo satanismo?

Cantelmi: A verdadeira questão é: nós nos encontramos diante de cruéis aduladores de Satanás ou frágeis filhos dos tempos atuais? Segundo nossos cálculos, na Itália há cerca de 5 mil pessoas que são afetadas diretamente por um tema satânico, mas estamos assistindo a um satanismo cultural e ao desenvolvimento de um satanismo ateu, no qual Satanás é a ocasião para um ulterior encobrimento, é uma evolução.

Se até pouco tempo atrás o satanismo se escondia por trás das sombras das cidades ou nos povoados, hoje, em rede, o satanismo adquiriu pleno direito de cidadania: converteu-se em um produto de consumo.

Nossos jovens são atraídos por uma série de crenças, seitas, religiões diferentes. Na amostragem examinada, 76% dos casos se interessam por magia, cartomancia, ritualismo, iniciação, esoterismo, enquanto o contato com material satânico é facílimo em 78% dos casos, sobretudo através da música, cinema, livros e internet.

Respondendo a perguntas mais específicas, mais da metade dos jovens confessa que tem curiosidade pelo satanismo; 1 de cada 3 jovens declara sentir-se atraído; 10% diz que se Satanás lhe assegurasse a felicidade, não teria dificuldade em segui-lo, sinal este de infelicidade e do sofrimento que há no mundo atual. Uma frase muito difundida na rede, em todas as páginas introdutórias de sites satânicos, é de John Milton, extraída de «Paraíso Perdido»: «Melhor ser soberanos no inferno do que servos no paraíso».

Pode-se falar por um lado de fenômenos sobrenaturais e por outro de patologias psiquiátricas? Existe uma área nebulosa na qual estes elementos se confundem?

Cantelmi: Em um estudo levado a cabo entre 10 pessoas, entre as quais segundo exorcistas havia certamente fenômenos sobrenaturais, emergiram também problemas psiquiátricos. A tarefa se complica muitíssimo se o problema é distinguir entre pessoas que sofrem doenças psiquiátricas e as que vivem experiências sobrenaturais. Lamentavelmente, a fragilidade psíquica é um forma de entrada extraordinária de sofrimento de todo tipo.

Isso indica que psiquiatras e exorcistas devem colaborar uns com os outros. Muitos psiquiatras são indiferentes, relegam o mundo do exorcismo ao da superstição; a psiquiatria e a psicologia são ciências relativamente jovens que tiveram de lutar para definir seus próprios estatutos epistemológicos e que têm muitas áreas fronteiriças. Só estabelecer o que é normal e o que é patológico já exige contribuições da antropologia e da filosofia. Freud, que para nós é como pré-histórico, categoriza o fenômeno religioso dentro dos problemas neuróticos: tende a não ver consistência neles, realidade; tende a ver seu aspecto de vivência neurótica. Precisamente neste momento estou denunciando a discriminação que os pacientes crentes sofrem nas psicoterapias, porque seus valores são com frequência ridicularizados por muitos terapeutas ou, na maioria das vezes, ignorados.

Em 1999, fundamos a Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos com o objetivo de ajudar a psicologia e a psiquiatria a dialogarem com outras ciências, com a antropologia e com a teologia, convencidos de que uma psicologia honesta pode enriquecer-se com contribuições diferentes.

Uma coisa que é preciso combater são os sincretismos, ou seja, os «psicossantos», os psiquiatras, os psicólogos que abençoam, que rezam com seus pacientes. O psiquiatra deve ser psiquiatra!

Penso também que nós, os psiquiatras, não podemos explicar toda a realidade humana. Descobri que os exorcistas são pessoas muito avançadas. Conseguem detectar o sofrimento psíquico e encaminhar com confiança seus pacientes ao tratamento do psiquiatra. Os exorcistas estão absolutamente abertos à contribuição dos psiquiatras.

Que tipo de problemas psíquicos a possessão demoníaca pode simular?

Cantelmi: Entrando no específico da psiquiatria, abrem-se diante de nós dois grandes âmbitos: o delírio e as alucinações. Chamamos de delírio o transtorno do pensamento, enquanto as alucinações são um transtorno das percepções: são dois elementos patológicos do ponto de vista psíquico; o pensamento é um processo mental que comporta a manipulação de símbolos; e isso se dá através da formação de conceitos, de mecanismos de abstração, de generalização, do raciocínio, processos elaborados que usam regras para chegar a resultados concretos.

Os psiquiatras distinguem duas grandes áreas de sintomas no que se refere aos transtornos do pensamento: os de conteúdo, que se referem às ideias e empenham toda a área do delírio, e os formais, que se referem ao modo no qual estas ideias se unem.

Como se identifica o delírio? Antes de tudo, deve-se dizer que o delírio não muda, não pode se sobrepor à crítica, caracteriza-se por um conteúdo não coerente com a realidade. Há delírios facilmente detectáveis e outros, ao contrário, muito mais consistentes e dificilmente detectáveis.

O delírio pode ser excêntrico, privado de lógica, ou sistemático e, portanto, com uma lógica interna. O delírio pode ser de vários tipos: de influência, de referência, de perseguição, de grandeza, de ciúmes o cônjuge é um traidor , erotomaníaco uma pessoa importante está apaixonada por mim , hipocondríaco, somático sinto que meu fígado é de cristal , místico, de culpa, de ruína, niilismo o paciente está convencido de que está morto.

O delírio é um sintoma de várias patologias, por exemplo, a excitação maníaca, e aqui as coisas se complicam, porque o paciente neste estado é um paciente inteligente, ativo, que talvez tenha um delírio de grandeza e que talvez tenha inclusive alucinações, vê coisas, ouve vozes, constrói uma realidade, articula-a e a explica bem. Pode ser convincente e pode ser muito difícil captar estes aspectos. Em um delírio de influência, o sujeito sente que em sua cabeça entram pensamentos, está convencido de ser tele-dirigido.

Grande parte dos delírios são de perseguição: o sujeito interpreta que alguns fatos estão contra ele. Outra característica é que este conteúdo é sempre interpretado como autorreferencial: passa um carro e toca a buzina: para mim, se estou delirando, é um sinal, confirma o que estou pensando, ou seja, refiro a mim mesmo uma série de experiências casuais.

Alguns delírios se escondem; há pessoas que deliram e guardam para si. Hoje, a sociedade competitiva desenvolve mais delírios de perseguição, de ameaça, de agressão, mas o ponto importante é que o delírio não está sozinho, e sim acompanhado de transtornos das percepções, que em geral confirmam o delírio. Por exemplo, no delírio de envenenamento (há alguém que está me envenenando), quando provo certo alimento, noto o sabor do veneno, tenho uma alucinação gustativa, percebo seu odor. Tive um paciente que derrubou uma parede porque tinha uma alucinação olfativa, cheirava a enxofre e estava convencido de que naquela parede estava o demônio.

As alucinações visíveis podem ser de dois tipos: vejo que Nossa Senhora aparece para mim, ou não a vejo, mas meu cérebro constrói uma imagem, tem alucinações olfativas, gustativas, visuais, táteis…

Os mais frequentes são os delírios auditivos, ou seja, quando ouço vozes que comentam minha atuação, que me ofendem, que me agridem, que não me deixam em paz, que me mandam fazer algo, vozes teológicas que me dão o sentido do que estou fazendo, vozes que interpretam os demais, vozes que indicam um comportamento. Então, posso sentir-me perseguido por uma pessoa, sinto que seu olhar está me dizendo muitas coisas, ouço que é uma voz de homem, é a voz de Deus.

Entre as perturbações do pensamento está também a mistura de palavras, o falar associando ideias e conceitos por assonância, sem nem sequer conhecer seu sentido. Na esquizofrenia, o sujeito inventa palavras, neologismos, fala com ritmo e parece que verdadeiramente fala outra língua, ainda não tendo nenhum conexão com outra língua.

Os transtornos formais do pensamento também podem ser positivos: o sujeito fala muito, de maneira detalhada; dá-se também o fenômeno da fuga das ideias, ou seja, a pessoa se bloqueia porque as palavras não conseguem já seguir seu pensamento, que é muito veloz. Ou a incapacidade de fazer associações mentais (o sujeito parte de um ponto e não chega nunca a dizer o que tem que dizer). Existe também a glossolalia, ou seja, a expressão de mensagens reveladoras, com palavras incompreensíveis, típico dos esquizofrênicos, quando o sujeito está convencido de ter um anúncio para a humanidade. Ou a ecolalia, ou seja, a impossibilidade de falar se não for repetindo o que outros dizem. Dá-se também um eco dos gestos, quando as pessoas não fazem outra coisa senão repetir os gestos que veem outros fazerem.

Há também os transtornos negativos, como o bloqueio das ideias: o sujeito responde sempre do mesmo modo, tem pobreza de expressão. O ponto álgido dos transtornos formais do pensamento é o transtorno obsessivo, que se caracteriza por pensamentos, impulsos, imagens que eu sinto como estranhas e tento afastar, mas sem conseguir, e para fazê-lo tenho de recorrer a ritos, compulsões. Tenho um paciente obsessivo que enquanto recita as Laudes pela manhã, começa a pensar em uma pessoa. O pensamento obsessivo, que é um pensamento inclusive mágico, se lhe insinua e lhe diz: «Aquela pessoa hoje morrerá», «sou responsável pela morte dessa pessoa», «se isso me acontece neste salmo, eu o repetirei nove vezes», pensa meu paciente.

Muitas pessoas obsessivas sentem com frequência o impulso de rir em um funeral e blasfemar em uma igreja. Na realidade, o paciente obsessivo nunca o faz, não cede, mas sofre por isso e o combate. Porque sua vida está feita de impulsos que são a cara comportamental das obsessões. A vida de um obsessivo se transformará com o tempo em uma vida terrível e dolorosa de compulsões. Desde sempre, este tipo de psique que Freud já definia como «parasita» penetrou na humanidade e desde sempre a obsessão foi considerada uma loucura lúcida, mas de grande sofrimento.

Há outro fenômeno que geralmente se mistura com o delírio, o transtorno da percepção…

– Cantelmi: Sim, e as percepções podem ser de diversos tipos: temos ilusões, alucinações, as pareidolias e as pseudoalucinações. As ilusões, que são erros compatíveis com o estado emocional do sujeito, pertencem à humanidade de nosso ser, não dão lugar a patologias. São as alucinações que dão lugar a patologias. Quando se trata de pareidolias, vejo uma mancha na parede e parece-me um animal, são pseudoalucinações. Muitos não falam de ouvir vozes, mas nós compreendemos porque, enquanto eu falo, parece que estão escutando outra coisa. Talvez a voz está lhe dizendo: «Pode confiar» ou «não confie».

Aqui nos encontramos diante de uma falsa percepção sensorial não associada a estímulos externos. Pode inclusive dar-se uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Algumas alucinações que acompanham o sono se chamam hipnagógicas e se dão também em contextos normais. Podemos ter formas de alucinação quando dormimos ou nos despertamos, mas não são patológicas. As alucinações podem também ser de ordens: as mais frequentes são as auditivas; as visuais se dão sobretudo nos estados de excitação maníaca, na qual o sujeito vê e interage com divindades; as olfativas, as mais frequentes, estão ligadas à alucinações relativas ao odor de enxofre, e as táteis são muito interessantes e muito extensas: tem-se a sensação de que alguém ou algo, algum inseto, alguma realidade ou entidade tem a ver comigo. Especialmente se há uma estrutura de personalidade histérica, o mais frequente é a percepção de relações sexuais.

A esquizofrenia é uma patologia imensa. É o grande enigma da psiquiatria. Sobre a esquizofrenia temos muitíssimo conhecimento, mas não temos nem conhecimentos definitivos nem intervenções farmacológicas ou terapêuticas resolutivas. Há um grande número de pacientes esquizofrênicos com as formas mais estranhas, mais extravagantes, mais clamorosas, mais escondidas. A velha histeria se descompôs, pela atual nosografia, em vários grupos sintomáticos: Os transtornos somatoformes, o transtorno histriônico de personalidade, e a fuga psicógena.

Atualmente, assistimos a uma transformação dos transtornos da ansiedade para transtornos somatoformes, ou seja, sintomas físicos de todo tipo que não se incluem em patologias médicas de origem psicológica. Um exemplo é a cegueira histérica, quando alguém que não vê (e recupera a vista na noite de Páscoa), como aconteceu com uma paciente minha histérica. É um caso específico que acompanhei pessoalmente. A outro tipo de histeria chamamos transtorno de personalidade histriônica, em pessoas especialmente sugestivas, necessitadas de atenções e muito dependentes. Outros transtornos histéricos converteram-se na fuga psicógena: o sujeito de repente foge de casa e já não lembra nada, tem amnésia sobre o que fizeram; ou o sujeito esquece tudo o que lhe aconteceu sem um evento traumático.

Depois estão os transtornos de personalidade. Grande parte deles contaminam muitas das pessoas que vêm pedir ajuda. Todas as formas dissociativas, os transtornos de controle dos impulsos. Nossa sociedade, que é extremamente eficiente, hipercontrolada, vê o aumento do transtorno do controle dos impulsos. O sujeito perde o próprio controle de repente, em contextos impróprios. Torna-se agressivo, desarruma tudo, não consegue suportar a tensão e grita. Em geral, tem a ver com a área de agressividade, as formas de transdissociação. São sujeitos que enfrentam formas de suspensão da consciência segundo um fundamento dissociativo. Dá-se, por exemplo, em quem usa muito o computador.

Um quadro sobre o qual frequentemente os pais pedem iluminação é o da criança incontida, que nunca está quieta, que não escuta, que não controla os impulsos, é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, um quadro de uma criança vivaz que pareceria ser presa de um espírito que a leva a fazer mil coisas. Os progenitores não conseguem contê-la. A criança na verdade tem um déficit de atenção, é tão veloz que não consegue manter a atenção um segundo no que lhe estou dizendo. Se entra em um supermercado, vira tudo de pernas para o ar porque se sente atraído por tudo com uma velocidade extraordinária.

Alguns que têm hiperatividade – que não se associa ao retardo mental – se converteram em verdadeiros gênios, como o caso de Mozart. A sociedade atual assiste a um aumento do número de crianças hiperativas, incontroláveis, como se tivessem uma mola que salta de repente. Também, enquanto antes nos impressionava o abuso de um adulto sobre uma criança, hoje estamos impressionados pelos abusos das crianças para com as crianças, um fenômeno muito significativo.

– Em que se baseia a fragilidade do homem atual?

– Cantelmi: Há raízes que um psiquiatra nota e que estão na base desta nova fragilidade de nosso tempo, ligada sobretudo à crise das relações interpessoais. O terceiro milênio se caracteriza por uma relação «tecno-mediatizada». Hoje não há nada mais difícil, mais complexo, mais incompreensível que uma relação interpessoal estável e duradoura. Teoriza-se, por exemplo, sobre a «polifidelidade», ou seja, a impossibilidade de ser fiéis a uma só pessoa.

«Be happy», um site de psiquiatria cosmética, dirige-se às mulheres e afirma que a ideia romântica de um homem durante a vida toda é uma ideia hoje impossível; se são românticas, podem ser então «polifiéis», fiéis a vários homens. Portanto, fiel a seu marido enquanto mãe, fiel a seu chefe enquanto mulher de carreira, fiel a seu amante mais jovem que você, enquanto mulher transgressora.

Não só é impossível que você, na plenitude de si mesmo, possa dar-se a outra pessoa, mas também é impossível que possa dar-se a outra pessoa por longo tempo. Teoriza-se assim a monogamia intermitente: fiel sim, mas por pouco tempo. A «polifidelidade» e a monogamia intermitente são só dois exemplos de como hoje se considera a dimensão afetiva frágil.

As raízes desta crise podem ser encontradas na busca exasperada de emoções: estou bem com você porque experimento emoções intensas; não sinto nada por você e por isso busco novas emoções. A relação interpessoal se converte, portanto, em algo imediato, não tem passado nem futuro. Isso explica a busca de comportamentos compulsivos, de dependências comportamentais, o uso da cocaína, etc.

Há na internet um vídeo que reúne tudo isso: a busca exasperada de emoções mediante a cocaína, através da transgressão, da impossibilidade de entrar em relação com outro, a solidão, a ambiguidade e o narcisismo. Este vídeo não comercial diz exatamente, ainda que em modo extremo, para onde vamos. Quem o pôs na rede foi Marylin Manson com uma série de pequenos sinais satânicos, transgressores a seu modo. Vê-se um homem sozinho, desesperado, que busca contatos, este homem cortou o coração (o «cutting» é um sinal satânico), é um homem ambíguo, nem homem nem mulher, andrógeno; profanou a Bíblia, colocando cocaína sobre ela. Graças a este pouco de cocaína, entra em uma relação sexual de tipo impessoal, na qual não há já pessoas, mas só pedaços de carne. O que aparece é  um mundo feito de tudo, onde o outro é uma ocasião para masturbar-se; é o homem que se está fechando ainda mais em si mesmo e acaba morrendo em uma espécie de suicídio.

A outra raiz da fragilidade é a ambiguidade, a renúncia ao próprio papel. O tema da ambiguidade faz saltar pelos ares a responsabilidade, o papel do casal. Hoje tudo é fluido, não há masculino e feminino.

Por último, a outra grande raiz é o desenvolvimento do narcisismo. O homem de hoje sofre, está em crise por sua incapacidade de relação com o outro e se dirige a um mundo feito de tristezas, depressão, compulsões e transtornos da personalidade. A tecnologia promete a salvação fazendo compreender que todos estes problemas podem ser resolvidos, renunciando à relação face a face, e propondo-lhe um mundo virtual, cheio de emoções, narcisismo, ambiguidade e máscaras.

* Escola de Madri, Espanha, ensina alunos de 13 anos a usarem preservativos.

segunda-feira, dezembro 14th, 2009

A organização Profissionais pela Ética (PPE) denunciou que apesar das promessas da Presidenta da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, nas escolas desta capital se repartem oficinas práticas sobre o uso de preservativos  a menores de 13 anos.

PPE informou que “na revista Siringa do Instituto de Ensino médio (IS) da Cidade dos Anjos da Comunidade de Madrid se explica como se explicou aos alunos de 13-14 anos como utilizar um preservativo masculino. Para isso proporcionou-lhes preservativos e bonecos que imitam aparelhos reprodutores masculinos”.

Segundo Fabián Fernández del Alarcón, secretário geral da plataforma Profissionais pela Ética, esta atividade choca totalmente com o discurso de Esperanza Aguirre contrário à Educação para a Cidadania (EpC) e à doutrinação escolar.

“O que fica explícito é que na Comunidade de Madrid as palavras vão em uma direção e as obras por outra. Estamos fartos de que nos centros educativos de Madrid se pressione os pais objetores ao EpC e estamos fartos de que se imponha aos meninos um determinado modelo de educação afetivo-sexual”, indicou o delegado.

PPE recordou que “o Governo madrilenho tem um convênio assinado de formação de professores do EpC com a Fundação socialista CIVES. Como isso não bastasse, o Conselho de Educação não deu nenhuma indicação aos inspetores e professores madrilenhos sobre como aplicar as sentenças do Tribunal Supremo de fevereiro de 2009 que proibiam expressamente a imposição de critérios sobre questões morais controvertidas”.

Fonte: ACI

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Toca-se nesta notícia, e em outras já publicadas aqui relacionadas a Espanha, do mal de uma politica atéia, sem valores morais, que disvirtua expressão humana tão bela e sagrada como a sexualidade humana, dissociando-a do amor conjugal entre um homem e uma mulher e a colocando de forma reduzida e redutiva, dando ao estado a responsabilidade que pertence aos pais e a familia.

Fruto de uma escolha politica mal feita, embora legitima e democratica, que deve iluminar-nos aqui no Brasil,das consequências de uma escolha politica feita de forma errada ou feita de forma superficial.

O que torna essa noticia particularmente grave é o fato de ser promovida pelo estado. Não se trata de um caso isolado de um “educador” mal preparado mas de uma política educacional financiada com o dinheiro dos impostos das familias espanholas.

Lamentável. tristemente lamentável

* Catástrofe Demográfica na Europa por causa da Cultura da morte.

segunda-feira, dezembro 7th, 2009


As notícias sobre o índice de aborto, casamento, divórcio e nascimentos na Europa estão ruins e ficando apenas pior, declarou um relatório recentemente apresentado para a União Européia.

De acordo com o relatório do Instituto Norueguês para Políticas Públicas os índices de aborto na Grã Bretanha pularam um terço entre adolescentes solteiras e o aborto está ajudando a envelhecer a população da Europa. Sem uma mudança imensa que traga políticas públicas favoráveis às famílias, o modelo de crescimento do aborto e população cada vez mais idosa inevitavelmente levará ao colapso dos benefícios da previdência social e, no final, à falência do Estado socialista europeu que é assistencialista do nascimento até a morte do cidadão europeu.

Apresentado ao Parlamento Europeu na quarta-feira, o relatório disse que a situação da família na Europa é “um panorama de desolação”.

“A Europa foi atirada num inverno demográfico sem precedente e se tornou um continente de idosos, com um grande déficit de nascimentos, menos casamentos e mais lares despedaçados e vazios”.

“A população envelhecendo, a grave taxa de natalidade, os abortos em ascensão, o colapso do casamento, a explosão de separações conjugais e o esvaziamento dos lares são os principais problemas dos europeus”, disse o Relatório sobre a Evolução da Família na Europa de 2009.

O estudo revelou que o número anual de abortos na UE se iguala à população combinada inteira de seus dez menores países membros,com os três principais países abortadores sendo a Grã Bretanha, a França e a Romênia. Na Europa há um aborto a cada 25 segundos, para um total de mais de 1.200.000 abortos por ano. 19 por cento de todas as gravidezes européias terminam em aborto e 28 milhões de crianças foram mortas por meio do aborto desde 1990, tornando o aborto a principal causa de morte na Europa.

A população acima de 65 anos em todos os Estados europeus já excede a população de menos de 14 anos. A população de menos de 14 da UE caiu de 89 milhões em 1993 para 78.4 milhões em 2008. A população de mais de 65 anos aumentou de 68.3 milhões em 1993 para 84.9 milhões em 2008 — um aumento de 16.5 milhões de idosos. A idade média dos cidadãos europeus é 40.3 anos, com a Itália e a Alemanha tendo as mais elevadas populações de idosos.

O índice de nascimentos em queda na Europa, diz o relatório, com seu concomitante aumento de custos de saúde e pensão, levará a aumentos em gastos de assistência pública à população idosa e ao colapso eventual das receitas governamentais oriundas de impostos, levando finalmente à falência do Estado de previdência social. O índice de nascimentos médio dos países da UE é agora 1.38 por mulher, bem abaixo do índice de substituição de 2.1 de nascimentos por mulher, mesmo em países relativamente férteis como a França.

Sem uma mudança significativa em políticas públicas em todos os países da UE, o relatório prediz que o resultado será “catastrófico”. Começando em 2010, a população da Europa em geral começará a cair de 499 milhões para 472 milhões em 2050 e de cada três habitantes, um terá mais de 65.

De acordo com o estudo, a Grã Bretanha é a “capital do aborto na Europa” com índices que no ano passado passaram na frente da França. Seu índice de aborto é o quinto no mundo, atrás da Rússia, EUA, Índia e Japão. Entre esses países, a Grã Bretanha é a nação que menos pode se dar ao luxo de ter tal índice elevado, com uma população menos da metade da Rússia e do Japão, um quinto da população dos EUA, e 1/19 da Índia. A idade média das mulheres na Grã Bretanha também esta se levantando, para 41.3, tornando uma recuperação ainda mais difícil.

A população de 27 nações da UE chegou a 500 milhões no ano passado com a maioria dos aumentos em população (78 por cento) atribuível à imigração, não a nascimentos. O aumento natural da população da Europa é 12 vezes mais baixo do que dos EUA. A Espanha tem uma imigração 9 vezes maior do que seu aumento nacional de nascimentos e a população original da Itália caiu (-0.14 milhões) e teve 23 vezes mais imigrantes do que nascimentos (+3.28 milhões). A Polônia, a Romênia e a Bulgária estão perdendo cidadãos pela imigração e a Lituânia, a Letônia, a Romênia e a Bulgária estão sofrendo a diminuição de suas populações devido aos baixos índices de imigração.

Só a França, a Holanda, a Finlândia e a Eslováquia têm índices internos de aumento populacional maiores do que suas estatísticas de imigração.

Outros indicadores mostram que o número de casamentos, principalmente primeiros casamentos, está diminuindo e o índice de divórcios está crescendo. Há um quarto menos casamentos do que em 1980 e o índice de casamento caiu em 9 entre dez países. Uma de cada 3 crianças (36.5 por cento) nasce fora do casamento. Em alguns países a queda do índice de casamento está por volta de 50 por cento desde 1983 e há mais de um milhão de divórcios por ano, o equivalente a uma separação conjugal a cada 30 segundos.

Mais pessoas (55 milhões) estão vivendo sozinhas do que nunca. Uma de cada quatro residências na Europa tem apenas um morador e duas de cada quatro residências não têm filhos. Das residências com crianças, 50 por cento têm apenas um filho.

O relatório recomenda a criação de um ministério da UE para a família, leis para aumentar a flexibilidade das horas de trabalho para favorecer as famílias, aumentos nas taxas de benefícios para as famílias e uma ênfase em programas assistencialistas para as famílias em vez de para indivíduos.

O relatório pede que os governos reconheçam os direitos das famílias, inclusive o direito de os pais reconciliarem trabalho e vida familiar; tenham o número de filhos que quiserem; escolham o tipo de educação que seus filhos recebem e o direito de as crianças viverem num lar estável.

Hilary White



* Igreja cristã Norte Americana firma posição contra “cultura de morte”. Impressiona a firmeza e clareza da declaração.

segunda-feira, dezembro 7th, 2009

Aqui no Brasil a notícia passou despercebida: a mídia não deu ênfase à declaração de Manhattan, que é um forte chamado público aos cristãos dos Estados Unidos para aderirem à mesma e defender a vida, o matrimônio, a liberdade religiosa e a objeção de consciência. Escrita conjuntamente por expoentes de primeiríssimo plano da Igreja Católica, Ortodoxa, da Comunhão Anglicana, das Comunidades Evangélicas dos Estados Unidos e por diversos Acadêmicos, para informar às Autoridades Públicas Civis que os assinantes dessa declaração, “sob nenhuma circunstância”, abandonarão sua consciência cristã.

Esta declaração, assinala o vaticanista italiano Sandro Magister, “não cai no ar em um momento crítico para a Sociedade e a política dos Estados Unidos: precisamente quando a administração de Barack Obama está altamente empenhada em fazer acontecer um plano de reforma da saúde nos Estados Unidos”.

“Defendendo a vida humana desde a concepção e o direto à objeção de consciência, o chamado responde a dois pontos postos em perigo pelo projeto de reforma atualmente em discussão no Senado”, acrescenta.

Sobre a reforma debatida no Congresso, Magister assinala que “o perigo foi evidenciado graças a uma premente ação de lobby conduzida em plena luz do dia pelo Episcopado Católico. Depois que o voto final tinha garantido tanto o direto à objeção de consciência como o bloqueio de qualquer financiamento público ao aborto, a Conferência Episcopal reivindicou esse resultado como um triunfo”.

“Mas, agora no Senado, a batalha voltou ao inicio, sobre um texto base que de novo a Igreja julga inaceitável. A Conferência Episcopal Americana (que poderia se tornar um exemplo para a nossa Conferência Brasileira) já dirigiu aos Senadores uma carta indicando as modificações que quer que sejam contribuições a todos os pontos controvertidos”. E agora a Conferência dos Bispos americanos está unida ecumenicamente a todas as Igrejas dos Estados Unidos que também assinaram essa declaração, que assumiu o nome da península de Nova Iorque onde foi discutida e decidida a publicação – MANHATTAN.

Conjuntamente as várias religiões se uniram (outro exemplo que deveria ser seguido no Brasil) e declararam queNão nos deixaremos reduzir ao silêncio ou à aceitação ou à violação das nossas consciências por nenhum poder da terra, seja este cultural ou político, não nos importando as conseqüências que poderão advir contra nós”.

E continuam dizendo os líderes das várias religiões: “Nós daremos a Cesar o que é de Cesar, em tudo e com generosidade. Mas em nenhuma circunstância nós daremos a Cesar o que é de Deus”.

No início da declaração se lê também: “Enquanto a opinião pública caminha em direção ‘pro life’, forças poderosas e decididas trabalham para promover o aborto, a investigação que destrói os embriões, o suicídio assistido e a eutanásia”. E é verdade! Hoje nos Estados Unidos todas as pesquisas recentes mostram que a opinião publica dos Estados Unidos está caminhando para uma defesa da vida do concebido.

Os líderes religiosos que perseguem Obama no terreno minado do aborto, do matrimônio entre homossexuais, da eutanásia, sabem que tem a seu favor uma ampla e crescente parte da opinião americana.

O lançamento da “Declaração de Manhattan” teve um forte eco na mídia dos Estados Unidos, sem que alguém protestasse por essa tomada de posição das Igrejas cristãs.

Talvez seja por isso que Bento XVI olha com simpatia a cultura dos Estados Unidos, porque ali existe uma separação entre religião e Estado, sem necessidade de Concordada. Cada um é livre para falar e agir em público sem ser criticado por ninguém. Aqui no Brasil, pelo contrário, o conceito de “laicidade” é sempre pensado em conflito com a Igreja e com as religiões.

Mas as coisas estão mudando e para melhor no mundo inteiro. Aqui no Brasil, quando um Bispo, aplicando o Código de Direito Canônico, decretou a excomunhão, pelo aborto de uma menina, dos médicos e todos os que colaboraram, e claro, não da menina que foi vítima, e o aborto foi feito sem o consentimento do pai, muitos ficaram aborrecidos, enquanto na Europa e precisamente na “laica” Espanha, o secretário geral da Conferência Episcopal, Dom João Antonio Martinez Camino, avisou publicamente os políticos católicos que, se votassem a favor da lei que liberaliza o aborto, mais do que é hoje liberado não poderiam ser admitidos à Comunhão Eucarística, porque se colocariam em uma situação objetiva de pecado. Não só isso, mas acrescentou que quem sustenta que é moralmente legítimo matar um nascituro, arrisca-se a cair na heresia e na excomunhão “Latae sententiae”, isto é, automaticamente. (O caso dos políticos suspensos do PT, porque são contrários às leis do aborto; para melhor entendimento: a comissão que foi a favor do aborto, segundo Dom Martinez Camino, seria excomungada). Mas é claro que no Brasil se dá sempre um jeitinho, não é verdade?

Em seguida publicamos o texto abreviado traduzido do inglês pelo vaticanista italiano Magister.

****

Os cristãos, quando deram vida aos mais altos ideais da sua fé, defenderam o fraco e o vulnerável e trabalharam incansavelmente para proteger e reforçar as instituições vitais da sociedade, começando pela família.

Nós somos cristãos ortodoxos, católicos e evangélicos que se uniram na hora presente para reafirmar as verdades da justiça e do bem comum, e para lançar um apelo aos nossos concidadãos, crentes e não crentes, para que se unam a nós em defendê-los.

Estas verdades são:

1.    A sacralidade da vida humana,

2.    A dignidade do matrimônio como união conjugal entre marido e mulher,

3.    Os direitos de consciência e liberdade religiosa.

Enquanto verdades fundamentais à dignidade humana e ao bem-estar da sociedade, elas são invioláveis e não negociáveis. Sendo que tais verdades estão sendo atacadas por poderosas forças da nossa cultura, nós nos sentimos, hoje, no dever de levantarmos a nossa voz em defesa destas verdades e de nos comprometermos a honrá-las, sem nos importarmos com quais pressões serão exercidas contra nós e contra as nossas instituições para que nós as abandonemos e cedamos a respeito destas verdades. Nós tomamos este empenho, não como partidários de um grupo político, mas como seguidores de Jesus Cristo, o Senhor Crucificado e ressuscitado, que é o Caminho a Verdade e a Vida.

VIDA HUMANA

As vidas dos concebidos (nascituros), dos deficientes físicos ou mentais e dos anciãos estão sempre mais ameaçados. Enquanto a opinião pública caminha em direção ‘pro-life’, forças poderosas e determinadas trabalham para promover o aborto, a investigação que destrói os embriões, o suicídio assistido e a eutanásia. Apesar de que a proteção do fraco e do vulnerável deveria ser dever primeiro, hoje em dia o poder do governo está freqüentemente do lado daquela que João Paulo II chamou de “a cultura da morte”. Nós nos empenhamos em trabalhar incessantemente para a igual proteção de todo ser humano inocente em qualquer etapa do seu desenvolvimento e em qualquer condição. Nós rejeitaremos a permissão a nós mesmos e às nossas instituições de sermos implicados na eliminação de uma vida humana e daremos o nosso apoio, de todas as formas possíveis, àqueles que, em consciência, farão a mesma coisa.

MATRIMÔNIO

A instituição do matrimônio, já ferida pela promiscuidade, infidelidade e divórcio, está correndo o risco de ser redefinida e, portanto destruída. O matrimonio é o instituto originário e mais importante para assegurar a saúde, a educação e o bem-estar de todos. Onde o matrimonio está corroído, as patologias sociais aumentam. O impulso de redefinir o matrimônio é um sintoma, mais que a causa, de uma erosão da cultura do matrimônio. Ela reflete uma perda de compreensão do significado do matrimônio assim como está incorporado nas nossas leis civis e nas nossas tradições religiosas. É decisivo que este impulso encontre resistência. Porque ceder a ela seria abandonar a possibilidade de restaurar uma justa concepção do matrimônio e, com ela, a esperança de reconstruir uma correta cultura do matrimônio. Isto bloquearia a estrada à falsa e destruidora crença de que o matrimônio é o mesmo que uma aventura sentimental e outras satisfações para pessoas adultas, e não por sua natureza intrínseca, com aquele único caráter e valor de atos e relações cujo significado é dado pela sua capacidade de gerar, promover e proteger a vida. O matrimônio não é uma “construção social”, mas uma realidade objetiva: a união pactuada entre esposo e esposa, que é dever da lei reconhecer, honrar e proteger.

LIBERDADE RELIGIOSA

A liberdade religiosa e os direitos da consciência estão gravemente em perigo. A ameaça destes princípios fundamentais de justiça é evidente nos esforços para enfraquecer ou eliminar a objeção de consciência para os profissionais e as instituições da saúde e as disposições antidiscriminatórias que são usadas como armas para forçar as instituições religiosas, as entidades de caridade, os provedores de serviços a aceitar (e também facilitar) atividades e relacionamentos que julgam imorais, ao contrário são jogados fora. Os ataques à liberdade religiosa são sérias ameaças, não só para os indivíduos, mas também para as instituições da sociedade civil que compreendem famílias, entidades assistenciais e comunidades religiosas. A salvaguarda destas instituições providencia uma indispensável defesa contra os prepotentes poderes do governo e é essencial para que floresça qualquer outra instituição, inclusive o mesmo governo, do qual a sociedade depende.

LEIS INJUSTAS

Como cristãos, cremos na lei e respeitamos autoridade dos governantes terrenos. Consideramos um privilegio especial viver em uma sociedade democrática onde as exigências morais da lei sobre nós são ainda mais fortes em virtudes dos direitos de todos os cidadãos de participar do processo político. Mas também em um regime democrático as leis podem ser injustas. E desde as origens nossa fé nos ensinou que a desobediência civil é necessária à frente de leis moralmente injustas, ou leis que nos obrigam a fazer o que é injusto ou imoral. Tais leis carecem do poder vinculante em consciência, porque elas não podem reivindicar nenhuma autoridade além da mera autoridade humana.

Portanto, saibam que não daremos nosso consentimento a nenhum edito que obrigue a nós e as instituições que dirigimos, a participar em facilitação de abortos, investigações que destruam embriões, suicídio assistido, eutanásia e qualquer ato que viole os princípios da profunda, intrínseca e igual dignidade para todos e cada um dos membros da família humana.

Ademais, saibam que não nos inclinaremos à frente de nenhuma regra que nos obrigue a abençoar associações sexualmente imorais e considerá-las como se fossem matrimônio e seu equivalente, o que nos impele é proclamar a verdade, como a conhecemos, a respeito da moralidade, do matrimônio e da família.

Ademais, saibam também que não nos deixaremos reduzir ao silêncio ou à violação das nossas consciências por nenhum poder da terra, seja este cultural ou político, sem nos importarmos pelas conseqüências que isso poderá ter contra nós.

Nós daremos a Cesar o que é de Cesar, em tudo e com generosidade, Porém em nenhuma circunstância nós daremos a Cesar o que é de Deus.

Resumo feito por Pe. Eugenio Maria, FMDJ

Formando personalidades cristãs maduras à luz da Verdade,a serviço da Igreja e dos homens de boa vontade.
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