Artigo da ‘Secularismo’ Categoria

* Padre italiano faz campanha para encher velórios.

segunda-feira, agosto 30th, 2010
ReproduçãoPadre italiano lança “Campanha dos que partiram” para encher velórios

Parece que os funerais estão em crise na Itália. Um padre está pedindo para os fiéis de sua paróquia irem a velórios em sua cidade, Arezzo, que tem estado vazios. O reverendo Marcello Colcelli mandou uma carta para os membros da comunidade, clamando para que entrem para sua “Companhia dos que Partiram”.

A ideia é que eles ocupem assentos nos velórios dos falecidos, que muitas vezes ficam completamente vazios. “Frequentemente, faço tudo sozinho: as leituras, os ritos, até mesmo a lamentação”, disse Colcelli na carta, segundo a agência ANSA. Ele contou que não é raro ficar sozinho com o morto durante todo o funeral. Ele quer que os fiéis se obriguem a ir às cerimônias para que os serviços básicos de um velório sejam garantidos.

Fonte: Pop.

* Cresce número de imigrantes africanos e asiáticos entre os futuros sacerdotes da França.

segunda-feira, agosto 16th, 2010

Cerca de 15% dos sacerdotes em formação na França são estrangeiros, em sua maioria imigrantes da Ásia e da África, em consequência da queda do interesse dos cidadãos franceses para consagrar a sua vida à Igreja, o jornal francês Le Monde.

A secularização da sociedade francesa, a diminuição do número de famílias católicas e a recusa de um modo de vida radical são alguns dos motivos que o jornal identifica para explicar a diminuição nas vocações.

Desta forma, as 400 comunidades religiosas existentes na França viram como ano após ano foi se reduzindo o número de religiosos locais, ao mesmo tempo que aumentaram os estrangeiros, assinalou o jornal, que precisa que as 83 ordenações que aconteceram em 2010 testemunham um nível “historicamente baixo”.

A expansão do papel do missionário contribuiu para a diminuição de religiosos, pois “já não se precisa ser religioso para viver este tipo de experiências”, indicou a vice-presidenta da Conferência de Religiosos e Religiosas da França, Florence de la Villéon.

Entretanto, “em uma sociedade que não é muito cristã, a entrada de um monastério se constitui como uma forma heróica da vocação cristã”, afirmou um representante de uma congregação apostólica, Benoît Grière.

Nos dez últimos anos se perderam 3.000 sacerdotes na França, onde o plantel de sacerdotes e religiosas – formados ou em formação – chega a cerca de 40.000 pessoas, segundo o Le Monde.

* Europa e o crucifixo: Uma aliança contra o secularismo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010
Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice (Centro Europeu para Lei e Justiça)

O artigo é simplesmente fenomenal e confronta de forma incontestável o secularismo e o laicismo.
Embora, em principio essa discussão não tenha nada a ver conosco aqui no Brasil, ela é emblemática e possui um simbolismo profundo que poderá mudar a forma de se entender os símbolos religiosos católicos e sua matriz que é a fé no filho de Deus que passou pela cruz, base dos estados europeus.

O governo Brasileiro recuou sobre a retirada dos símbolos religiosos aqui no Brasil, fruto da pressão que um ano eleitoral produz.
Sabemos no entanto que a ideologia socialista e laicista pensa e  que foi apenas um recuo  estratégico.
Fiquemos atentos!
***

L’Osservatore Romano – Edizione Quotidiana em italiano – Quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias

*por Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice* (Centro Europeu para Lei e Justiça) (Estrasburgo)

O caso Lautsi suscitou acalorados debates na Europa, após a condenação da Itália pela Corte europeia para os direitos do homem, devido à presença dos crucifixos nas escolas públicas, presença que violaria os direitos humanos. Para dar uma base legal para a sua decisão, a Corte criou uma nova obrigação, através da qual o Estado deveria “garantir a neutralidade confessional no campo da educação pública”. A Corte adicionou que não conseguia entender “como a exposição, nas salas de aula das escolas públicas, de um símbolo que é razoavelmente associado ao catolicismo (religião majoritária na Itália), poderia servir para o pluralismo educativo, que é essencial para preservar uma ‘sociedade democrática’ assim como a concebe a Convenção
“.
Assim, segundo a Corte, os Estados europeus deveriam ser religiosos (neutralidade confessional) para servir ao pluralismo, que seria o mote constitutivo de uma sociedade democrática.
Em outras palavras, a Corte afirma que uma sociedade, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa. A Itália recorreu contra essa decisão junto ao Grand Chambre da Corte de Estrasburgo. O recurso foi apresentado em 30 de junho passado e o parecer da Corte é esperado para o Outono.Esse caso é extremamente importante. É emblemático, porque põe em jogo a própria legitimidade da presença visível de Cristo nas escolas italianas e, por extensão, em toda a Europa. Tornou-se um símbolo no conflito atual sobre o futuro da identidade cultural e religiosa da Europa. Um conflito que opõe os apoiadores da completa secularização da sociedade e os defensores de uma Europa aberta e fiel à sua identidade profunda. Os primeiros veem o secularismo como a solução que permite gerenciar o pluralismo religioso e o pluralismo como um argumento que permite impor o secularismo. A secularização não é um fenômeno completamente espontâneo ou inevitável. Acontece através de escolhas políticas, como a política anticlerical da França no início do século XX.

A Europa é diversa. O pluralismo religioso, o cosmopolitismo, que serve como paradigma para a reflexão da Corte, é, na verdade, uma ficção estranha à maior parte do território europeu. É, no entanto, real o fato de que estamos em uma época em que as identidades nacionais são postas em causa, mas, ao mesmo tempo, a necessidade de uma identidade é muito forte.

A Europa Ocidental, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, viveu juridicamente em um regime conclamado de liberdade religiosa; mas, de fato, o que temos conhecido é mais do que um regime de simples tolerância religiosa. Isso se explica pelo fato de que as minorias religiosas eram, naquele tempo, pouco visíveis e não pretendiam alterar a identidade religiosa das Nações onde eram imigrantes.Hoje a situação é diferente. A presença do Islã obriga agora a Europa a tomar realmente uma posição sobre a liberdade religiosa. Tal escolha não é somente uma tomada de posição filosófica, mas tem também importantes consequências práticas sobre a realidade da identidade religiosa ocidental. Torna-se cada vez mais evidente que as instituições públicas da Europa Ocidental – e a sentença Lautsi é apenas uma demonstração – têm feito a escolha de limitar a liberdade religiosa e impor uma secularização da sociedade, para promover um modelo cultural específico em que a ausência de valores (neutralidade) e o relativismo (pluralismo) são valores em si mesmos para sustentar um projeto político que se desejaria pós-religioso e pós-identitário. Esse projeto político, enquanto sistema filosófico, pretende ter o monopólio.

Neste contexto de radicalização da secularização está inserido o caso Lautsi. É o último e principal obstáculo contra o qual colidiu o processo de secularização após o debate relativo às “raízes cristãs” no preâmbulo do Tratado Constitucional Europeu. O fato de que uma jurisdição possa, em nome da liberdade religiosa, concluir que uma sociedade democrática, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa, exige uma reflexão sobre a evolução do conceito. O caso Lautsi mostra como esse conceito, concebido para proteger a sociedade do ateísmo do Estado, tornou-se ao fim um instrumento de deslegitimação social e privatização da religião. Este caso, em suma, mostra como esse entendimento da liberdade religiosa pode se revoltar contra a religião e ser o principal instrumento conceitual da secularização da sociedade.

Se se negam as identidades coletivas

A primeira e principal carência que o caso Lautsi revela é a incapacidade da concepção moderna acerca da liberdade religiosa de pensar e respeitar a dimensão religiosa da vida social e a dimensão social da religião. A teoria, que levou à decisão Lautsi, é baseada sobre o reconhecimento exclusivo dos direitos individuais, que se supõem dotados de uma consciência de natureza infalível e destinados a evoluir em uma sociedade imaginada como axiologicamente (moralmente) neutra. Essa liberdade é considerada universal enquanto fundada sobre a natureza do homem e é imperativa, posto que é a expressão de um dos aspectos da dignidade humana. Em contrapartida, a sociedade pública, enquanto considerada uma entidade artificial ao serviço do indivíduo, deve desaparecer frente à única autoridade legítima: a liberdade que deriva da dignidade individual.

A identidade religiosa da sociedade já não tem, em si, valor e legitimidade. É considerada um simples fato herdado da história. Em muitas áreas, é reconhecido no direito internacional que as Nações podem ser titulares de direitos subjetivos, como o direito de proteger e transmitir às gerações futuras a sua identidade cultural, linguística, ecológica; isso, no entanto, não vale para a sua identidade religiosa, embora se trate de um dos componentes identitários mais profundos. Em matéria religiosa, as Nações não são titulares de quaisquer direitos. De acordo com a concepção moderna de liberdade religiosa, somente os indivíduos isolados possuiriam direitos religiosos, que se exercitam nos limites estabelecidos pelas legislações nacionais. A religião e as várias sociedades intermediárias não gozam de uma proteção particular: somente cada crente, individualmente, é titular de direito, e esse direito exercita-se, em primeiro lugar, e sobretudo, diante de terceiros e da sociedade.

Essa liberdade religiosa implicaria, portanto, a neutralização da identidade religiosa da sociedade, mas tal neutralidade é profundamente ilusória. De fato, se o poder civil pode ser indiferente às convicções íntimas das pessoas, não pode sê-lo inteiramente com relação á religião, uma vez que essa é, por sua natureza, um fenômeno intrinsecamente social. Assim, fingir ser indiferente em relação à religião significa, ao final, negar a dimensão fundamentalmente social da religião e restringi-la à esfera privada das convicções íntimas.

É expressão de uma opção filosófica afirmar, no caso Lautsi, que o Estado deveria agir como se a sociedade e a cultura italiana não tivessem nada de religioso. No entanto, um Estado, um povo, tem necessariamente uma identidade, e essa identidade tem necessariamente uma dimensão religiosa. Um Estado não é um conceito, não é uma estrutura neutra, não tem a frieza de uma instituição supranacional; um Estado é a emanação de um povo, com a sua história e a sua identidade. Nessa óptica, os símbolos servem para representar, encarnar os componentes da identidade social. A identidade coletiva é construída em torno de símbolos. A dimensão religiosa da identidade social de um povo é constituído e expressa por toda uma série de práticas e hábitos sociais, tais como as festas, os nomes, um certo tipo de relações humanas, roupas ou até mesmo alimentos. É manifestada também através de símbolos visíveis, como os crucifixos nas escolas, hospitais ou nas praças e monumentos públicos.

Para ser coerente consigo mesma, a Corte europeia deveria renunciar a celebrar o Natal e a Páscoa, e adotar, como fizeram os revolucionários franceses, um novo calendário, sem referências à vida de Cristo. De fato, a identidade religiosa de uma sociedade não pode ser neutralizada: pode ser negada, combatida e substituída, mas não neutralizada. Por conseguinte, o problema real ao centro do caso Lautsi é aquele da legitimidade de uma autoridade supranacional que pretende modificar as competências da dimensão religiosa da identidade de um País.

A teoria jurídica da liberdade religiosa não está em condições de levar em conta a identidade cristã da Europa; é exatamente isso que o caso Lautsi revelou. A reação política sem precedentes suscitada pela sentença de novembro de 2009 reveste-se, portanto, de grande importância, pois é uma verdadeira reafirmação da legitimidade própria e particular do cristianismo na identidade da Europa, frente à dinâmica da secularização.Indivíduo e Sociedade O caso Lautsi também revela como o modo de afrontar a liberdade religiosa por parte da Corte de Estrasburgo é baseado em um conceito conflituoso das relações entre o indivíduo e a sociedade. A sociedade e a pessoa não são consideradas em uma relação de complementaridade, mas de oposição: a sociedade é o principal obstáculo à liberdade individual; é a sociedade que limita a liberdade; a sociedade deveria, então, se anular, tornar-se o quanto mais possível neutral, a fim de liberar espaço para o livre exercício da consciência individual.

Tal conceito conflituoso carrega uma lógica de reivindicação exclusiva do “meu direito particular” contra o conjunto da sociedade . O direito dos filhos da senhora Lautsi de não serem forçados a ver o símbolo de Cristo deveria prevalecer, sem qualquer comprometimento possível, sobre o desejo majoritário de todo um povo, e até mesmo de todos os povos membros do Conselho da Europa.

A absolutização da dignidade e da autonomia individual leva à absolutização do direito que a garante, e à anulação dos interesses da comunidade.A liberdade contra a religião O caso Lautsi também deve levar a se questionar sobre o perigo representado pela lógica da liberdade religiosa quando ela é extremada, pois leva a negar a religião em nome da liberdade de religião, a defender a liberdade de religião suprimindo socialmente a religião. Trata-se do que fez a Corte: alegou defender a liberdade religiosa suprimindo o símbolo religioso. Trata-se de uma verdadeira e autêntica viragem histórica e conceitual, uma vez que a liberdade religiosa foi concebida, no pós-guerra, como instrumento de defesa da transcendência do homem diante do niilismo de Estado. A liberdade de religião é provavelmente o direito mais violado na Europa durante o século XX; os seus inimigos recusam-se a aceitar que a religião e a liberdade não são necessariamente contraditórias – esses utilizam a liberdade contra a religião – e até acreditam que a liberdade religiosa é violada por simples manifestações das religiões dos outros.

Finalmente, como resultado da jurisprudência da Corte europeia, a liberdade religiosa não é mais direito primário, fundamental, diretamente derivante da natureza transcendente da pessoa humana, mas é um direito secundário, concedido pela autoridade civil e resultante do ideal do pluralismo democrático. Trata-se de uma inversão conceitual. São, assim, sempre mais frequentes na jurisprudência fórmulas como: a liberdade de religião garanta o pluralismo e, por isso, merece uma proteção especial. A manifestação das convicções religiosas encontra-se emoldurada pelas exigências de ordem pública assimiladas à neutralidade.

Não somente isso, mas, na realidade, a liberdade de religião está cada vez mais restrita somente à liberdade de fé, nomeadamente a liberdade interior de acreditar ou não. Seria um erro pensar que a fé seja independente da religião enquanto uma é interior e a outra exterior. Limitar a liberdade de religião (devido a não legitimidade social da religião) para proteger somente a liberdade de fé (como pura expressão da transcendência humana) corresponderia, em uma família, a proibir as orações e o catecismo em nome da liberdade do ato de fé dos filhos. De fato, se teria, assim, pouquíssimas chances de transmitir a fé aos filhos. O mesmo vale para a sociedade. Tolher a religião da sociedade equivale a tolher a fé dos corações das gerações futuras.

Reações sem precedentes

A sentença Lautsi provocou uma reação social e política sem precedentes na história do Conselho da Europa. Nunca uma decisão da Corte de Estrasburgo foi tão contestada, com tanto vigor, não somente pelos crentes, mas também pela sociedade civil e muitos Governos.
Três semanas após a audiência diante do Grande Chambre, é cada vez mais evidente que foi relatada uma grande vitória contra a dinâmica da secularização. Se juridicamente a Itália não venceu ainda, politicamente, de fato, já alcançou uma vitória magistral. Com efeito, até agora, nada menos que vinte Países europeus manifestaram o seu apoio oficial à Itália, defendendo publicamente a legitimidade da presença de símbolos cristãos na sociedade e em particular nas escolas.

Em um primeiro momento, dez Países comprometeram-se no caso Lautsi como “terceiros interventores” (amicus curiae). Cada um destes – Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, Romênia, Rússia, San Marino – emitiu à Corte uma declaração escrita, convidando-a a reconsiderar sua decisão anterior. Essas declarações não têm valor somente jurídico, mas são também, e antes de tudo, importantes testemunhos de defesa do patrimônio e da identidade destes Países diante da imposição de um modelo cultural único. A Lituânia, por exemplo, não hesitou em colocar em paralelo a sentença Lautsi e a perseguição religiosa que sofreu e que se manifestava, sobretudo, na proibição dos símbolos religiosos.

A esses dez países uniram-se ainda outros dez. Com efeito, os Governos da Albânia, Áustria, Croácia, Hungria, ex-República Iugoslava da Macedônia, Moldávia, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Ucrânia colocaram publicamente em questão o parecer da Corte e pediram que a identidade e as tradições religiosas nacionais sejam respeitadas. Muitos governos têm insistido em dizer que tal identidade religiosa é a fonte de valores e de unidade europeia.

Assim, com a Itália já está quase metade dos Estados-Membros do Conselho da Europa (21 dos 47) a fazer publicamente oposição a essa tentativa de secularização forçada e a afirmar a legitimidade social do cristianismo na sociedade europeia. Além dos argumentos reais de defesa da identidade, da cultura e das tradições cristãs nacionais, esses vinte estados têm, de fato, afirmado e defendido publicamente a sua união ao próprio Cristo; recordaram que está em conformidade com o bem comum que Cristo esteja presente e seja honrado na sociedade.

Essa coalizão, que reagrupa quase toda a Europa Central e Oriental, revela o persistir de uma divisão cultural interna na Europa; revela também que tal divisão pode ser superada, como testemunha a importância do apoio à Itália por parte dos Países de tradição ortodoxa.

Igrejas Ortodoxas e secularismo A importância do apoio oferecido por Países de tradição ortodoxa é resultado, em grande parte, da determinação do Patriarcado de Moscou em se defender contra o avanço do secularismo. Colocando em ação o pedido do Patriarca Kirill de “unir as igrejas cristãs contra o avanço do secularismo”, o Metropolita Hilarion propôs a criação de uma aliança estratégica entre católicos e ortodoxos para defender conjuntamente a tradição cristã contra o secularismo, o liberalismo e o relativismo que imperam na Europa moderna: “O secularismo que prospera hoje na Europa – escreveu presidente do Departamento de Relações Externas do Patriarcado – é também uma pseudo-religião com seus dogmas, as suas regras, seu culto e sua simbologia. A partir do exemplo do comunismo russo do século XX, busca o monopólio e não suportar qualquer concorrência. Por essa razão, os líderes do secularismo reagem de modo excessivo diante de qualquer manifestação religiosa e à menção do nome de Deus (…). O secularismo atual, tanto quanto o ateísmo russo, considera-se a substituição do cristianismo. Por isso, não é possível permanecer neutro e indiferente em relação a esse último. É-lhe abertamente hostil”. Essa análise está em sintonia com aquele feita pelo Papa, em 24 de janeiro de 2008, quando disse aos bispos da Conferência Episcopal da Eslovênia que o secularismo é “distinto, mas não menos perigoso que o marxismo”.Esse importante fenômeno denota que a transição democrática nos países do Leste Europeu não foi acompanhada pela transição cultural vivamente defendida pelo Oeste.

Hoje, assiste-se, mais que tudo, a um movimento inverso de reafirmação identitária que passa por uma forma de restauração do modelo ortodoxo de relações entre a Igreja e o poder civil. De fato, o muro da separação entre o poder civil e o religioso é diminuído, em favor de uma parceria para servir o bem comum. O poder civil e aquele religioso consideram essa colaboração legítima boa por si mesma; há muita dificuldade em se compreender a sua regular condenação por parte da Corte de Estrasburgo, que vigia a garantia de uma rígida separação entre esfera religiosa e civil.O maciço apoio que veio do Leste poderia também anunciar uma grande mudança na dinâmica da construção da unidade europeia. Com efeito, sempre se pensou que a unidade europeia, inevitavelmente, seria realizado do Oeste para o Leste, através de uma conquista desse último pelo liberalismo econômico e cultural ocidental. Agora, episódio raro, o caso Lautsi provocou um movimento contrário, do Leste para o Oeste. O Leste da Europa, apoiando-se no catolicismo, se opõe ao Ocidente na defesa da cultura cristã e de uma adequada concepção de liberdade religiosa. Claramente, os defensores da liberdade mais que do materialismo não são mais os mesmos que uma vez foram.

Pode-se perceber, durante o processo perante a Corte de Estrasburgo, um certo desconforto nos confrontos daquelas Nações orientais que ousaram contestar a correção das operações da Corte. Esse desconforto foi percebido, por exemplo, quando os estados “terceiros interventores”, tentaram obter a palavra durante a audiência. Normalmente, um pedido similar não cria dificuldades, e trinta minutos são concedidos a cada estado para que ele possa apresentar os seus argumentos. No caso Lautsi, ao contrário, esses Estados se confrontaram contra uma recusa categórica. Somente após muitas insistências obtiveram, todos juntos, quinze minutos. Isso tem sido experimentado por alguns desses países como uma afronta e um reflexo de autodefesa da Corte. Essa intervenção comum diante da Corte é também um acontecimento histórico. Entre as questões que se colocam para o futuro próximo, encontra-se aquela de saber se a Corte será capaz de colocar em discussão o seu paradigma ideológico em matéria religiosa. Vinte e um países do Conselho da Europa entre os quarenta e sete foram expressamente convidados a fazê-lo; refutar de modo peremptório esse convite minaria diretamente a legitimidade da Corte.

O Conselho da Europa, do qual depende a Corte de Estrasburgo, na sua Carta de fundação, afirma “o apego inabalável” dos povos da Europa aos “valores espirituais e morais que constituem o seu patrimônio comum”. Esses valores espirituais e morais não são de natureza privada; são constitutivos da identidade religiosa da Europa e reconhecidos como fundantes do projeto político europeu. Como o Papa recordou recentemente, o cristianismo é a fonte desses valores espirituais e morais. A aliança desses vinte países indica que é possível construir o futuro da sociedade europeia sobre esse fundamento, preço de uma reflexão lúcida sobre o modelo cultural ocidental contemporâneo e na fidelidade cristã. A Europa não pode enfrentar o futuro renunciando a Cristo.

* organização não governamental internacional fundada em 1998, com sede em Estrasburgo. Tem como objetivo a proteção dos direitos humanos e da liberdade religiosa na Europa. Os integrantes do ECLJ já intervieram em diversos casos levados diante da Corte Europeia dos Direitos Humanos e possui um Estatuto Consultivo Especial nas Nações Unidas (ONU), além de estar acreditado no Parlamento Europeu.

* França: Fé resiste! Livros sobre espiritualidade entre os mais vendidos no País.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Continua atualíssima a palavra de sabedoria de Santo Agostinho de que fomos criados para Deus e inquietos estaremos enquanto não repousarmos n’ELE.

O secularismo não consegue sufocar a sede de Deus que o ser humano tem. Nem mesmo na terra da Revolução Francesa!

Nossa missão como evangelizadores é crer nisso e continuar a anunciar a verdade de Cristo.

Não ter dúvida de que a obra é de Deus e ser ousado e pregar, de todas as formas possíveis o santo evangelho e anunciar esse amor divino que todos precisam e não sabem , por isso o procuram em tantos lugares errados.

***

A busca pela espiritualidade inspira autores e leitores na França. De acordo com uma pesquisa realizada por uma importante revista semanal dedicada aos profissionais do ramo literário, a “Livres Hebdo”, os livros que falam sobre Deus estão entre os mais vendidos no país.


Dos dez mais vendidos, três abordam o tema, apesar de não estarem todos classificados como teologia. Os títulos desses três livros são “Comment Jésus est devenu Dieu”, “L’Ouvrage D’Alix de Saint André” e “Le Visage de Dieu”.

Os contextos e os assuntos secundários das histórias são variados, mas todos tratam da existência de Deus. A pesquisa ainda mostra que as maiores vendas não são as das livrarias especializadas em religião, mas das livrarias que oferecem um panorama mais amplo de obras literárias.

* Papa anuncia criação de novo Conselho Pontifício para responder a processo de secularização nos países cristãos.

terça-feira, junho 29th, 2010
Bento XVI anunciou nesta segunda-feira a criação do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, novo dicastério da Santa Sé cujo escopo será o de responder ao processo de secularização nos países cristãos.O anúncio foi feito pelo Santo Padre na Basílica de São Paulo de fora dos muros durante a celebração das vésperas da Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, padroeiros da diocese de Roma.Durante a homilia, o Papa afirmou que há regiões do mundo “em que o Evangelho fincou raízes há longo tempo, dando origem a uma verdadeira tradição cristã, mas onde nos últimos séculos – com dinâmicas complexas – o processo de secularização produziu uma grave crise de sentido na fé cristã”.

Neste contexto, anunciou sua decisão de “criar um novo organismo, na forma de ‘Conselho Pontifício’, com a missão de promover uma renovada evangelização nos países onde já ressoou o primeiro anúncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que assistem a uma progressiva secularização da sociedade e algo como um ‘eclipse do senso de Deus’, que constituem desafios na busca por meios adequados de reapresentar a perene verdade do Evangelho de Cristo”.

Dentro em breve deve ser comunicado pela Santa Sé o nome do presidente designado para o novo dicastério, além de detalhes acerca de sua organização específica.

O Santo Padre concluiu explicando que a nova evangelização interpela a Igreja universal “e nos pede também que prossigamos com empenho na busca pela plena unidade entre os cristãos”, saudando a delegação do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, enviada por Bartolomeu I e presidida por Sua Eminência Gennadios (Limouris), metropolitano de Sássima.

Sonoros aplausos preencheram a basílica no momento em que o Papa saudou seu convidado.

* Bispos franceses apostam no fortalecimento das vocações de leigos.

quarta-feira, março 31st, 2010

Os bispos da Conferência Episcopal Francesa encerraram na última sexta-feira sua mais recente – e importante – reunião plenária. Isso porque a Igreja no país passa por uma sensível diminuição no número total de sacerdotes, e o tema dominou as conversas da plenária realizada em Lourdes.

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Dom Lucien Fruchaud, de Saint-Brieuc e Tréguier, foi um dos que defenderam mais espaço aos leigos

“A Igreja francesa é vital, dinâmica, enfrenta dificuldades e não as esconde: os sinais da presença cristã na sociedade de hoje estão se atenuando; a transmissão da fé às novas gerações está fragilizada, e o futuro das comunidades é incerto. Além disso, a redução do número de sacerdotes torna mais aleatória a possibilidade de manter a atual organização de paróquias e dioceses”, declarou na conclusão dos trabalhos o arcebispo de Paris e presidente da Conferência Episcopal, cardeal André Vingt-Trois.

Em dez anos (1998-2008), o número de sacerdotes passou de 26.598 a 19.640. Os seminaristas eram 1.043 em 1998, e em 2008, 741. Nesse mesmo período, o único dado em aumento foi o número de diáconos, que passou de 1.273 para 2.250. Os dados são da Conferência Episcopal Francesa e foram divulgados pela Radio Vaticana.

Apesar disso, é quase consenso entre os prelados franceses que esse cenário irá de certa forma fortalecer ainda mais a instituição do sacerdócio e a Igreja como um todo no país. Dom André descartou um plano nacional de reforma e defendeu o objetivo de “sustentar-nos uns nos outros, levando a cabo o trabalho de nossas dioceses, cada uma com sua particularidade e diversidade”.

“As estatísticas impõem a escolha de dar mais espaço aos leigos, para assegurar a perenidade da comunidade”, declarou o bispo de Saint-Brieuc e Tréguier, Dom Lucien Fruchaud, comentando justamente o aumento no número de diáconos.

Para o bispo de Autun, Chalon-sur-Saône e Mâcon, Dom Benoît Rivière, também presidente do Conselho para a Pastoral das Crianças e Jovens, “será obrigatório” continuar estudando esses dados, uma análise que já vem sendo feita há dois anos pela Conferência.

Por causa da proximidade com a Páscoa, a Assembleia Plenária leu uma mensagem fraterna “aos irmãos orientais”, de modo especial aos católicos recentemente mortos em países onde são minoria e “às testemunhas do Ressuscitado que vivem perseguidas”.

“Vocês vivem muito frequentemente o medo, os insultos e inclusive a violência. Rezamos para que em todas as nações sejam respeitadas a liberdade de consciência e a liberdade religiosa”.

Fonte: Gaudium Press

* Empresa cria “primeiro robô do sexo do mundo”.

segunda-feira, janeiro 11th, 2010

Empresa lança robô do sexo
Douglas Hines, fundador da Lincoln Park, e Roxxxy, o robô.


A Lincoln Park, empresa baseada em Nova Jersey, EUA, afirma que desenvolveu o “primeiro robô do sexo do mundo”. Trata-se de um robô em tamanho de pessoas desenhado mais para conversar com o usuário do que para imitar movimentos humanos.

* Os dez livros mais pirateados em 2009 na Net revela alguma coisa?

sábado, janeiro 9th, 2010

Entre os dez livros mais descarregados ilegalmente no BitTorrent, três são sobre sexo e erotismo.

“  O “clássico” sobre o comportamento sexual, “Kamasutra”, foi o livro electrónico mais pirateado em 2009 através do sistema de partilha de ficheiros BitTorrent, avança o site Freakbits .

Três dos seis ebooks mais descarregados pelos internautas – qualquer um deles entre 100.000 e 250.000 vezes ao longo do ano passado – são sobre sexo e erotismo. Com efeito, na terceira posição surge “The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex” e na sexta “Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England”.

Depois de comparar o seu ranking (ver caixa) com o dos livros mais vendidos divulgado pelo ” The New York Times “, é com alguma ironia que os responsáveis pelo site Freakbits concluem que “os downloads ilegais não ameaçam os autores mais vendidos”.

DEZ MAIS PIRATEADOS EM 2009

1. Kamasutra, por Vatsyayana

2. .Adobe Photoshop Secrets
Manual sobre o popular programa de edição de fotografia

3. The Complete Idiot’s Guide to Amazing Sex, de Sari Locker
Guia prático para uma vida sexual bem sucedida

4. The Lost Notebooks of Leonardo da Vinci

5. Solar House – A Guide for the Solar Designer
Tudo, ou quase, sobre como instalar energia solar lá em casa

6. Before Pornography – Erotic Writing In Early Modern England, de Ian Frederick Moulton
Estudo sobre literatura erótica em Inglaterra

7. Twilight – Complete Series, de Stephenie Meyer
Contos sobre vampiros

8. How To Get Anyone To Say YES – The Science Of Influence, de Kevin Hogan
Manual sobre técnicas de persuasão

9. Nude Photography – The Art And The Craft, de Pascal Baetens
Manual sobre este tipo específico de fotografia

10. Fix It – How To Do All Those Little Repair Jobs Around The Home
Manual sobre bricolage

* Frio na Inglaterra eleva acesso a sites de encontros “extraconjugais.”

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Neve leva britânicos a sites de adultério
Presos em casa, britânicos vão para sites de adultério 

Presos dentro de casa pelo mau tempo, os britânicos têm corrido para os sites de encontros extraconjugais nas últimas 24 horas.

* Colégio Católico fecha suas portas, após 70 Anos de serviço evangelizador.

quinta-feira, janeiro 7th, 2010


Pátio interno da escola

Mais um colégio católico encerra as suas atividades letivas no Ceará.

Depois de 70 anos de história e tradição, o Colégio São José, em Iguatu, que pertence à Congregação das Filhas de Santa Tereza de Jesus, não vai mais funcionar no ano letivo de 2010. A direção da escola divulgou nota à comunidade da região Centro-Sul esclarecendo os motivos da decisão que foi recebida com surpresa e lamentações.

Nos últimos cinco anos, o Colégio São José apresentava reduzido número de matrículas e dava sinais de dificuldades para manter as despesas. A cada ano, o número de estudantes era reduzido. A direção fez esforços para reverter o quadro, mas não conseguiu êxito. Havia 240 alunos inscritos da Educação Infantil ao 3º ano do Ensino Médio.

Financeiro

A diretora do Colégio São José, irmã Vera Lúcia Alves de Andrade, explicou que a situação tornou-se insustentável financeiramente. “A receita não iria cobrir as despesas e tivemos medo de enfrentar mais dificuldades ao longo de 2010″, explicou ela. “Por esse motivo, fomos obrigados a tomar essa medida, depois de muita reflexão, mas que foi necessária”.

Na carta aberta à comunidade, a direção do colégio agradece a confiabilidade da comunidade da região Centro-Sul e anuncia um novo projeto. “Vamos procurar parceria para implantar cursos de nível superior para formação de uma juventude universitária”, disse a irmã Vera Lúcia Andrade. “Estamos confiantes nessa nova ideia e nos preparando com fé e coragem”, adiantou.

Fundação

O Colégio São José começou a funcionar em fevereiro de 1939, com a denominação de Escola Rural Senhora Sant´Ana. Oferecia curso externo e internato. Só estudavam mulheres, mas em 1977, passou a ser misto. A escola é integrante da rede educacional católica Irmãs Filhas de Santa Tereza de Jesus, com unidades nas cidades de Crato, Icó, Tauá, Souza, na Paraíba e duas conveniadas no Estado Piauí.

Ao longo deste ano, foi realizada uma programação ampla, alusiva aos 70 anos de fundação, com mostra histórica, homenagem a ex-alunos, apresentações artísticas e festa dançante no Clube Recreativo Iguatuense. “Comemoramos essa data histórica com muito orgulho porque temos consciência de que o nosso compromisso foi com uma educação de valores”, disse a irmã Vera Lúcia.

Ainda de acordo com ela, “enfrentamos dificuldades para competirmos com escolas modernas que têm uma estratégia de conquista de alunos arrojada, baseada em aprovação em vestibulares”.

O Colégio São José dispõe de quadra coberta e de dezenas de salas de aula.

Parceria

Há cinco anos, abriga os campus da Universidade Regional do Cariri (Urca). Essa parceria também tem tempo marcado, em torno de dois anos, porque em breve devem começar as obras da sede própria da Urca, na antiga usina Cidao.

A decisão de encerrar as atividades educacionais a partir deste ano, foi considerada difícil por parte dos administradores locais. Dezenas de professores e funcionários foram demitidos e os estudantes receberam transferência para outros estabelecimentos. Muitos pais mostraram-se surpresos e indignados.

Fonte : Diário do Nordeste

***

Se nossas Escolas Católicas não se modernizarem, acabarão fechando.

Modernização sem perder de vista sua identidade nem sua missão, sem perder o carisma original de seus fundadores.

Muitas delas morreram por terem perdido a capacidade de atualizar o carisma de seus fundadores para os dias de hoje ou até mesmo por terem “traido” o carisma fundante, com escolhas erradas e politicas pedagogicas “modernas” e, o pior, carentes de uma evangelização explicita, optando muitas por uma educação apenas humanizante – como se fosse contraditório ter uma escola católica e ao mesmo tempo humanizante- com professores católicos de nome, com posições dentro de sala incompatíveis com a identidade católica da Escola.

Também não existe contradição nenhuma em formar nos valores e “preparar para o vestibular “. Educar e formar! educação que é  MUITO MAIS do que apenas passar conhecimento.

A maior riqueza da escola Católica é ser Católia e não ser uma escola “envergonhada” de sua identidade. Ser apenas uma escola secularizada, com o nome  de Católica, é já começar perdendo pois elas são fortes nesta identidade secular.

Querendo ser igual a elas onde deveríamos ser diferentes nos tornamos apenas “mais uma” , e aí, com o tempo, fechamos.

Ter vergonha de ser Católica, é o começo do fim!

É a mesma realidade de muitas Universidades e Faculdades “católicas” espalhadas por este Brasil.

Temos asas e não sabemos voar..uma pena!

* Meu Deus, Será verdade? “dispensadores da Sagrada Comunhão”

quarta-feira, janeiro 6th, 2010

A GloriaTV está divulgando imagens de mais um verdadeiro sacrilégio contra o Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. São os “Dispensadores da Sagrada Comunhão”.

O respeitado Secretum Meum Mihi informa que este “dispensador” da Comunhão é comercializado pela Purity Solutions.

O Sacram Liturgiam também noticia.

***

O vídeo acima da “Glória TV” é da empresa que comercializa o produto.

Torço para que a imagem do padre distribuindo ( ou melhor, “soltando” ) a sagrada eucaristia nas mãos dos fiéis seja apenas para “apresentar o produto”, o que já seria profundamente desrespeitoso e escandaloso.

Sinceramente como me custa acreditar..

* Jornal Dinamarquês: ” Obama é mais do que Cristo”.

terça-feira, janeiro 5th, 2010

Bob Unruh

O editorial de um jornal dinamarquês, citando tanto as políticas externas quanto internas adotadas pelo presidente Barack Obama, está deificando o líder político americano.

“Obama é, com certeza, maior do que Jesus — se tivermos de jogar esse absurdo jogo do Natal”, opinou o editorial não assinado ontem em Politiken, que se gaba de ser o maior jornal da Dinamarca, publicado desde 1884.

O editorial continuou: “Mas, provavelmente, é mais importante insistir em que com o triunfo dele hoje nos EUA, ele já garantiu para si um lugar nos livros de história — um espaço que ele tem boas chances de expandir de modo considerável nos próximos anos”.

O jornal diz que Obama “é provocativo ao insistir em estender a mão, onde outros só vêem animosidade”.

E embora “seus resultados tangíveis em curto prazo sejam escassos”, suas palavras “permanecem na consciência de sua audiência e têm efeitos de longo prazo”.

“Ele vem de origem humilde e defende os fracos e vulneráveis, pois ele pode se identificar com a condição deles”, disse o jornal. “E não estamos pensando em Jesus Cristo, cuja data de nascimento acabamos de celebrar. Estamos falando do presidente dos Estados Unidos Barack Hussein Obama”.

O editorial comentou que “seria natural chegar-se à idéia de uma comparação entre Jesus e Obama. Se se fizesse tal comparação, é certeza que Obama levaria vantagem”.

O editorial, escrito na ocasião de um voto legislativo em favor do plano de saúde de Obama que institui controle governamental total, citou “o direito de todos os cidadãos de não se arruinarem financeiramente quando sua saúde não está bem”, assim como “o maior pacote de ajuda financeira da história dos EUA, um importante acordo de desarmamento e o mais rápido restabelecimento da reputação americana da História”.

“Por outro lado, há os milagres de Jesus, dos quais todos ainda se lembram, mas que só beneficiaram poucas pessoas. Ao mesmo tempo, há as maravilhosas parábolas sobre sua vida e obras que conhecemos a partir do Novo Testamento, mas que têm sido interpretadas de formas tão diferentes durante os 2000 anos passados que é impossível dar um resultado claro de suas obras”, disse o jornal.

WND fez várias reportagens sobre múltiplas referências e sugestões da deidade de Obama, inclusive quando o cantor britânico Sting disse que o presidente Obama poderá ser a resposta para os problemas do mundo — a resposta divina.
“De muitas maneiras, ele foi enviado por Deus, pois o mundo está uma bagunça”, ele disse em entrevista à Associated Press na época.

Antes, foi uma das redatoras de um jornal universitário que escreveu: “Obama é meu Jesus”.
Maggie Mertens, uma das redatoras do jornal da Faculdade Massachusetts’ Smith, disse: “Obama é meu amigo. E não estou dizendo isso porque ele é negro — estou dizendo isso em referência a uma camiseta estampada de uns dois anos atrás que dizia ‘Jesus é meu amigo’. Sim, foi o que eu quis dizer. Obama é meu Jesus”.

A confissão dela apareceu recentemente na seção de comentários do jornal universitário Smithsophian sob o título: “Eu O Seguirei: Obama como Meu Jesus Pessoal”.

“Embora os religiosos vejam isso como idolatria ou embora outros pensem que tudo nessa sentença ofende, temo que seja verdade”, escreveu ela.
Além disso, um artista que planejou apresentar um retrato de Obama numa pose como de Cristo com uma coroa de espinhos na cabeça cancelou o evento devido à “esmagadora revolta do público”.

E foi Louis Farrakhan, o líder do grupo muçulmano Nação do Islã, que declarou no ano passado que quando Obama fala, “é o Messias que está realmente falando”.

Houve também outro acontecimento durante a campanha de Obama quando um site perguntou: “Será que Barack Obama é o Messias?” Essa manchete sintetizou a onda de euforia que seguiu o crescimento espetacular do senador do Partido Democrata.

O site ficou famoso com uma declaração de Obama estrategicamente extraída de um discurso dele na Faculdade Dartmouth, em 7 de janeiro de 2008, logo antes da eleição do Partido Democrata para escolher um candidato à presidência. Foi nessa ocasião que Obama declarou aos estudantes: “Uma luz brilhará por essa janela, um raio de luz descerá sobre vocês. Vocês experimentarão uma presença divina, e de repente compreenderão que precisam ir votar” em Obama.

O site inclui isto:
SEJA O TEU NOME OBAMA
TUA MUDANÇA VIRÁ
TUA VONTADE SERÁ FEITA…

***

Veja aqui o jornal em sua versão original… é risível.. WND


* As revistas femininas publicam cada vez mais reportagens sobre sexo. Informação que forma ou deforma?

segunda-feira, janeiro 4th, 2010


Nos dias de hoje, cada vez mais, as pessoas são bombardeadas com informações recheadas de conteúdos insistentes e manchetes espetaculares que tentam, a qualquer preço, chamar a atenção dos leitores para consumir determinados produtos. Quem nunca parou numa banca de jornal atraído por uma notícia arrebatadora ?

Acontece que, atualmente, as revistas femininas são as campeãs em um tipo de manchete: segredos sexuais, como obter a atenção masculina, o que ele pensa sobre você…..

Recentemente, foi publicado um artigo na revista da Universidade de Jornalismo de Columbia (EUA), a Columbia Journalism Review, que aborda exatamente esse assunto. No texto, a jornalista Liza Featherstone comenta que muitos editores, colaboradores e jornalistas de revistas femininas famosas – como Elle, Cosmo, Marie Clair, Mademoiselle,entre outras – discutem que, apesar dos conteúdos de tais publicações que apresentarem matérias fracas, modelos magras e muita publicidade, o maior e, talvez, mais grave problema dessa discussão é o quanto tais revistas mentem sobre sexo.

De acordo com o artigo, as histórias sobre sexo são apresentadas como jornalismo investigativo, chocando muitos analistas e fazendo com que os leitores realmente acreditem que as histórias são verdadeiras. Liza comenta que antigos editores – que preferem não ter seus nomes revelados – garantem que a maioria das cartas que chegam às redações não é sequer verificada para saber se a informação é verdadeira. Na maioria das vezes, Liza afirma, as frases são reescritas para ficarem mais chamativas, as idades são mudadas para atingirem a faixa etária do público-alvo da revista e os redatores entrevistam seus amigos para dar opiniões.

Segundo um ex-editor da revista americana Mademoiselle, muitas histórias não existem, ou simplesmente, são inventadas. Ele diz que sempre que um artigo ou depoimento traz o lembrete “nomes trocados” visando preservar a identidade do leitor, significa que os personagens que compõe o assunto são fabricados. Para ele, os leitores nem percebem esse detalhe, pois, as anedotas criadas são coisas que poderiam de fato acontecer na vida de qualquer pessoa.

A questão é : por que, afinal, tais revistas fariam isso? Qual o objetivo dessas publicações? A resposta, como explica Liza, é atribuída à pressão do fechamento das revistas, sempre atrelada a uma necessidade de se produzir algo chamativo e bater recordes de vendas.

Porém, temos que levar em consideração que isso está sendo tratado como jornalismo. Apesar de tais revistas estarem mais preocupadas em entreter do que apresentar os mesmos temas abordados pelas revistas semanais, essas publicações também fazem parte do mundo jornalístico e informativo.

As revistas femininas têm um público amplo e diversificado, possuem alta credibilidade e podem publicar matérias com um conteúdo mais interessante.

Afinal de contas, será que as mulheres só querem ler sobre sexo? Será que isso é a única coisa relevante no universo feminino? Ou será que assuntos como cuidados com a saúde, política e cultura não interessam para as leitoras?

Muitos jornalistas afirmam que inventar histórias é algo extremamente antiético e os deixariam profundamente frustrados como profissionais, enquanto os editores garantem que não publicariam uma reportagem inautêntica.

Mas a pergunta que fica é: o sexo nas revistas femininas é verdade ou mentira?

Tarcila Campanella, estudante de jornalismo

***

A questão não é só de abordagem do tema, mas como se aborda o tema.

Se vc ler algum destes artigos ou reportagem perceberá a visão absolutamente distorcida da sexualidade feminina, reduzida a uma visão genitalista, dissociada do amor e de uma expressão verdadeiramente humana.

Fronteiriça a pornografia e apresenta uma visão da mulher “moderna” que, “sem culpas nem amarras morais” a reduz e a empobrece apenas às paixões e desejos.

Lamentável.

* Sua fé é adulta ou infantil ?

sábado, janeiro 2nd, 2010

Homilia histórica ministrada pelo Cardeal Ratzinger por ocasião da eleição do papa que iria suceder ao inesquecível João Paulo II.

Suas palavras revelaram-se proféticas!

Para 2010, peçamos a Deus esta fé madura e nosso absoluto comprometimento com Jesus, sua proposta e sua Igreja.

Ler essas palavras aquecem nosso coração e renova nossa vontade inquebrantável de continuar servindo ao Senhor com todas as nossas forças.

***

Nesta hora de grande responsabilidade, escutemos com atenção especial o que o Senhor nos disse com suas próprias palavras. Das três leituras, escolhi apenas os trechos que nos dizem respeito diretamente num momento como este.

A primeira leitura oferece um retrato profético da figura do Messias – um retrato que adquire todo o seu significado a partir do momento em que Jesus lê este texto na sinagoga de Nazaré, quando diz: “Hoje realizou-se esta escritura”. No cerne do texto profético encontramos uma palavra que – ao menos à primeira vista – parece contraditória. O Messias, falando de si, diz que foi mandado “para promulgar o ano da misericórdia do Senhor, um dia de vingança para o nosso Deus”. Escutemos, com alegria, o anúncio do ano de misericórdia: a misericórdia divina impõe um limite ao mal – disse-nos o Santo Padre. Jesus Cristo é a misericórdia divina personificada: encontrar Cristo significa encontrar a misericórdia de Deus.

A misericórdia de Cristo não é uma graça barata, não supõe uma banalização do mal. Cristo carrega no seu corpo e na sua alma todo o peso do mal, toda a sua força destrutiva. Ele queima e transforma o mal no sofrimento, no fogo do seu amor sofredor. O dia da vingança e o ano da misericórdia coincidem no mistério pascal, no Cristo morto e ressuscitado. É esta a vingança de Deus: Ele mesmo, na pessoa do Filho, sofre por nós.

Passemos à segunda leitura, à epístola aos Efésios. Aqui se trata, substancialmente, de três coisas: em primeiro lugar, dos ministérios e dos carismas da Igreja, como presentes do Senhor ressuscitado e ascendido ao céu; depois, do amadurecimento da fé e do conhecimento do Filho de Deus, como condição e conteúdo da unidade no corpo de Cristo; e, por fim, da participação comum no crescimento do corpo de Cristo, ou seja, da transformação do mundo na comunhão com o Senhor.

Detenhamo-nos apenas em dois pontos. O primeiro é o caminho em direção à “maturidade de Cristo”; assim diz, simplificando um pouco, o texto italiano. Mais precisamente deveríamos, de acordo com o texto grego, falar da “medida da plenitude de Cristo”, à qual somos chamados a atingir para sermos realmente adultos na fé. Não deveríamos permanecer crianças na fé, em estado de menoridade. E em que consiste sermos crianças na fé? Responde São Paulo: “Significa sermos arrastados pelas ondas e levados para lá e para cá por qualquer vento doutrinário”. Uma descrição muito atual!

Quantos ventos doutrinários conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantos modos de pensamento… O pequeno barco do pensamento de muitos cristãos foi, não raro, agitado por essas ondas – jogado de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até a libertinagem; do coletivismo ao individualismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo, e assim por diante. A cada dia nascem novas seitas e se realiza aquilo que diz São Paulo sobre o engano dos homens, sobre a astúcia que tende a induzir ao erro. Ter uma fé clara, segundo o credo da Igreja, muitas vezes é rotulado como fundamentalismo. Enquanto o relativismo, ou seja, o deixar-se levar “para lá e para cá e para lá por qualquer vento doutrinário”, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo, que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o eu e as suas vontades.

Nós, ao contrário, temos uma outra medida: o Filho de Deus, o verdadeiro homem. É ele a medida do verdadeiro humanismo. “Adulta” não é uma fé que segue as ondas da moda e a última novidade; adulta e madura é uma fé profundamente enraizada na amizade com Cristo. É esta amizade que nos abre a tudo aquilo que é bom e nos dá o critério para discernir entre verdadeiro e falso, entre engano e verdade. Devemos amadurecer esta fé adulta, a esta fé devemos conduzir o rebanho de Cristo. E é esta fé – só a fé – que cria unidade e se realiza na caridade.

Vamos agora ao Evangelho, de cuja riqueza gostaria de extrair apenas duas pequenas observações. O Senhor nos dirige estas maravilhosas palavras: “Não os chamo mais de servos… mas os chamei de amigos”. Muitas vezes sentimos ser – e com razão – apenas servos inúteis. E, apesar disso, o Senhor nos chama de amigos, nos torna seus amigos, nos dá sua amizade. O Senhor define a amizade de uma dupla forma. Não há segredos entre amigos: Cristo nos diz tudo aquilo que ouve do Pai; nos dá sua plena confiança e, com a confiança, também o conhecimento. Revela-nos o seu rosto, o seu coração. Mostra a sua ternura por nós, o seu amor apaixonado, que vai até a loucura da cruz. Confia-se a nós, nos dá o poder de falar com o seu eu: “este é meu corpo…”; “eu te absolvo”. Confia seu corpo, a Igreja, a nós. Confia às nossas frágeis mentes, às nossas frágeis mãos, a sua verdade – o mistério do Deus Pai, Filho e Espírito Santo; o mistério do Deus que “amou tanto o mundo a ponto de dar-lhe o seu Filho unigênito”. Fez de nós seus amigos – e nós, como respondemos?

O segundo elemento com o qual Jesus define a amizade é a comunhão das vontades. “Idem velle – idem nolle” era também para os romanos a definição de amizade. “Sois meus amigos, se fazeis aquilo que vos ordeno.” A amizade com Cristo coincide com o que expressa o terceiro pedido do pai-nosso: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no céu”.

O outro elemento do Evangelho – ao qual eu gostaria de acenar – é o discurso de Jesus sobre levar o fruto: “Eu vos constituí para que andeis e frutifiqueis e o vosso fruto permaneça”. Aparece aqui o dinamismo da existência do cristão, do apóstolo: vos constituí para que andeis… Devemos ser animados por uma santa inquietação: a inquietação de levar a todos o dom da fé, da amizade com Cristo. Na verdade, a amizade, o amor de Deus nos foi dado para que chegue também aos outros. Recebemos a fé para doá-la aos outros somos sacerdotes para servir aos outros. E devemos levar um fruto que permaneça. Todos os homens querem deixar um traço que permaneça. Mas o que permanece? O dinheiro, não. Também os edifícios não permanecem; nem mesmo os livros. Depois de um certo tempo, mais ou menos longo, todas essas coisas desaparecem. A única coisa que permanece eternamente é a alma humana, o homem criado por Deus para a eternidade.

O fruto que permanece é, assim, aquilo que semeamos nas almas humanas – o amor, o conhecimento; o gesto capaz de tocar o coração; a palavra que abre a alma à alegria do Senhor.

Voltemos enfim, mais uma vez, à epístola aos Efésios. A epístola diz – com as palavras do Salmo 68 – que Cristo, ao subir ao céu, “distribuiu presentes aos homens”.

O vencedor distribui presentes. E estes presentes são apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. O nosso ministério é um presente de Cristo aos homens, para construir o seu corpo – o mundo novo. Vivamos assim o nosso ministério, como presente de Cristo aos homens! Mas nesta hora, sobretudo, peçamos com insistência ao Senhor que, depois do grande presente do papa João Paulo II, nos dê novamente um pastor que esteja em seu coração, um pastor que nos guie ao conhecimento de Cristo, ao seu amor, à verdadeira alegria. Amém.

* Divórcio “express”. E os filhos ??

quarta-feira, dezembro 30th, 2009

Pe. Leonel Franca S. J.

Ao lado do aspecto jurídico e social, o divórcio apresenta inquestionavelmente um aspecto religioso. Jurídica e socialmente, a possibilidade de ruptura do matrimônio é um mal, um grande mal. É o princípio de instabilidade e dissolução progressiva da família, que, de dia para dia, se vai tornando menos idônea ao exercício de sua elevada missão criadora e educadora da sociedade. A lei que sanciona a fixidez definitiva da vida conjugal não faz senão declarar um dos artigos da constituição natural da família e proteger contra a força corrosiva das paixões, a integridade perfeita da célula social.

É o que parecem esquecer os divorcistas que reclamam a reforma do nosso direito de família como corolário da separação entre a Igreja e o Estado. Como se a indissolubilidade fosse uma simples prescrição de direito positivo eclesiástico, sem nenhuma relação com as finalidades imanentes, naturais da sociedade conjugal e com as exigências superiores do bem comum! Cristo, proscrevendo o divórcio, não deu um preceito novo; reintegrou a família na sua dignidade primitiva.

É, portanto, a própria natureza das instituições conjugais, são os interesses superiores da sociedade, a verdadeira e comum base jurídica das leis que impõem a monogamia indissolúvel, indiscriminadamente, a todos os cidadãos.

Para os católicos, respeitá-las é um duplo dever: de consciência religiosa e de consciência civil. Os católicos não terão nas próprias idéias religiosas um estímulo e uma força para os ajudar no desempenho deste dever social. Mas, nem por isso, deixa o dever de subsistir. Também o furto, o homicídio, o adultério, são, para a consciência cristã, proibições de ordem religiosa.

Seguir-se-á, porventura, que um Estado leigo não os possa e deva interdizer, em nome do bem coletivo, a todos os cidadãos, ainda aos que já não vêem no Decálogo a expressão dos mandamentos divinos? Se ainda uma vez, aqui como lá, a doutrina e a moral católica coincidem com os verdadeiros e mais elevados interesses da sociedade, saudemos nesta coincidência mais um penhor de sua verdade inexaurivelmente fecunda.

Foi sob este aspecto puramente jurídico e social que até aqui viemos considerando o divórcio. Ao combatê-lo, não nos socorremos senão de provas racionais, tiradas à moral, à psicologia, à sociologia e ao direito. Para admiti-las não é mister crer, basta raciocinar; elas não se dirigem ao cristão, falam a todo homem. Não lançamos mão, uma só vez, de argumentos teológicos e exegéticos. A Escritura, a voz dos Padres da Igreja, a autoridade dos concílios, muito de caso pensado, não os invocamos no debate. Discutimos, sempre, em nome da razão e dos fatos, a fim de que as nossas conclusões se impusessem à universalidade dos leitores. Mas o divorcio apresenta outrossim um aspecto religioso. Para toda a humanidade a constituição de um novo lar foi sempre um ato sagrado. Para a grande maioria da cristandade constitui um sacramento. É tão nobre a missão da família, são tão íntimos os deveres domésticos que só na religião se podem atingir as energias profundas, indispensáveis à fidelidade do seu desempenho.

A santidade da família, só a inteligências superficiais, poderá soar como uma frase feita e vazia. As famílias na medida que se vão laicizando vão cessando de ser famílias. Lar sem Deus é frágil construção de que a primeira rajada de paixões violentas fará um montão de ruínas.

Nos países católicos, mais ainda que nos outros, é funesta a legalização do divórcio. Entre protestantes e cismáticos a deformação da moral foi precedida por uma alteração da doutrina. A cisão do vínculo não contrasta com a consciência religiosa do povo. Os divorciados poderão ainda beneficiar dos auxílios espirituais que lhes pode subministrar um cristianismo diluído pela heresia ou pela cisma. A família não será uma vítima infeliz da irreligião.

O catolicismo conserva, em toda a sua integridade, o tesouro divino dos ensinamentos morais do Evangelho. Com a sua consciência é incompatível o divórcio.

Sancioná-lo por lei num país de maioria católica é introduzir um antagonismo, denso de males incalculáveis, entre a consciência religiosa e a consciência jurídica e civil da nação. Para os cidadãos fiéis ao seu credo, a lei, que permite um ato imoral, é uma lei sem prestígio e a desconsideração da lei é princípio de desorganização social. Para os outros, de convicções religiosas menos esclarecidas ou de vida espiritual remissa, a lei civil transforma-se num fermente ativo de irreligião. O divórcio pedido e aceito por um filho da Igreja segrega-o da participação aos sacramentos que nutrem a sua atividade religiosa e moral. Casal de divorciados católicos é casal para o qual estancaram as fontes de energias espirituais, indispensáveis à paz de consciência e à prática do bem (Se um católico num momento de paixão (os católicos não são impecáveis) dissolve a família para constituir outra, a lei sancionaria a segunda união como legítima e lhe imporia todos os deveres respectivos. Amanhã, serenados os estos apaixonados, a voz de Deus no fundo d’alma entra a falar-lhe mais alto que os gritos do amor humano; a consciência cristã acaba por triunfar no desejo sincero de voltar à paz interior. Os deveres que, nesta emergência, se lhe impõem em nome da religião estão em antagonismo com as obrigações civis. Ele não poderá ser católico sem menosprezar as leis do seu país; não poderá ser fiel aos empenhos civis sem sacrificar as exigências superiores de sua consciência religiosa. Situação infinitamente angustiosa, fonte de amarguras internas indescritíveis, que, num país católico, multiplicaria uma lei insensata em contraste com a liberdade de consciência da maioria dos cidadãos).

Destarte a lei do divórcio, num país tradicionalmente católico, tende a difundir a indiferença religiosa e a subtrair à família estes fundamentos espirituais que, em todos os tempos e entre todos os povos, condicionaram a sua estabilidade e conservação. Com o mecanismo frio dos códigos, o Estado é incapaz de gerar as grandes energias da vida moral, mas ai dele, se pela imprudência de leis corruptoras, vai secar os mananciais misteriosos onde se alimenta o espírito de sacrifício, dedicação, fidelidade e desinteresse, que conservam a vitalidade do organismo social!

Eis porque, na realidade, o divórcio é um instrumento de propaganda irreligiosa nas mãos da impiedade. A lei que dissolve os lares é um dos pontos do programa do sectarismo anti-católico. Para combater a Igreja e popularizar a irreligião, o anti-clericalismo atira-se à família.

***

Veja abaixo exemplo da Espanha que aprovou nefasta lei.

O Instituto de Política Familiar (IPF) denunciou que a lei do divórcio Express incrementou grandemente as separações na Espanha; e que seus nefastos efeitos vão alcançando mais de 500 mil divórcios nos quatro anos de vigor, que se cumprem hoje 8 de julho.

O presidente do IPF, Eduardo Hertfelder, assinalou que “nunca uma lei demonstrou em tão pouco tempo seu fracasso como a lei do divórcio Express”; e precisou que a lei foi “totalmente desacertada de uma perspectiva jurídica, psicológica, psiquiátrica, sociológica e familiar, que provocou efeitos muito negativos tanto para os cônjuges, como para os filhos, e a sociedade em geral”.

A lei do divórcio Express incrementou os divórcios em 121.900 anuais e representam o 93% das rupturas; eliminou o período de reflexão; incrementou a conflitividade das rupturas familiares (as rupturas conflitivas representam já mais de 40% das rupturas), provocou o aumento da população divorciada/separada; e o incremento de filhos com famílias desestruturadas (mais de 2 milhões de filhos de pais divorciados/separados)”, indicou.

Por tal razão, assinalou que o governo “não pode seguir potencializando uma lei que demonstrado seu fracasso. É urgente e necessária uma retificação da atual legislação”.

“Do IPF o anúncio da derrogação desta lei fracassada e regressiva assim como o anúncio da criação imediatamente de uma mesa de peritos que analise a problemática da ruptura e proponha soluções e alternativas”, adicionou.

Finalmente assinalou que “a cultura de um país se mede pela capacidade de estratégias de prevenção em diferentes áreas, mas especialmente naquelas que fazem referência à projeção do bem-estar das famílias. E a ruptura familiar é a disciplina pendente da sociedade e administrações espanholas”.

***

Meu Deus, porque nossos politicos não conseguem perceber?

Sinceramente..É muita cegueira.

Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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