Artigo da ‘Secularismo’ Categoria

* SE NASCER, por favor não faça barulho.

terça-feira, maio 14th, 2013

Leo Daniele

Parece incrível, mas depois de contrariar, através do aborto, o direito de nascer, os inimigos da vida humana pretendem agora também negar aos meninos o direito de fazer o barulho razoável para sua idade. Em algumas cidades, chega-se ao absurdo de adotar a lei do toque de recolher para menores de 16 anos!

A expressão “direito de” está se vulgarizando de tal modo que quase perdeu o sentido. Fala-se em direito dos animais, direito dos índios, direito dos quilombolas, direito de dizer bobagens, etc. Só não se fala suficientemente de direito à vida, porque significaria banir o aborto: os nascituros e os recém-nascidos são discriminados, e por vezes mortalmente discriminados.

Agora os inimigos da vida e de suas manifestações inventaram novo tipo de discriminação, pela qual uma criança não pode fazer barulho. Sem dúvida, exigir de um menino que não faça ruído, desde que seja o aceitável para sua idade e condições, não é de bom senso.

Alguém não acredita? Leia esta resenha de matérias extraídas da imprensa diária.

• Na ordenada Suíça, barulho é quase crime, mesmo que venha de crianças. O tema agora ganhou dimensão política ao ser debatido em toda a Europa, obrigando especialistas e associações de vizinhos a reabrir o debate sobre o papel da criança na sociedade¹.

• No ano passado, um tribunal da cidade suíça de Wädenswil ordenou que um campo de futebol fosse fechado nos fins de semana com cadeados para impedir que as crianças jogassem bola. Motivo: os vizinhos alegavam que o barulho acabava com a tranquilidade do bairro. A decisão se transformou em uma polêmica nacional e os cidadãos devem ir às urnas para se posicionarem sobre o transcendental assunto.

• De um lado, há os que se queixam do barulho feito em creches e parques. De outro, associações apelam para o “direito de fazer barulho” das crianças.

• Na Alemanha, o governo decidiu em 2011 modificar de forma dramática as leis nacionais. Até então, sinos de Igrejas, tratores para limpar a neve e sirenes estavam fora das regras contra a poluição sonora, mas o barulho de crianças levava até ao fechamento de creches, diante da quantidade de queixas registradas.

• Berlim, em 2010. Nas residências, crianças teriam de continuar a respeitar horários, além de evitar barulho aos domingos. Parece incrível não? Será que essa gente já teve infância?

• Cidades como Kehrsatz, Interlaken, Zurzach e Biel são algumas das localidades suíças que adotam a lei do toque de recolher para menores de 16 anos.

• “Parques estão sendo fechados, decisões judiciais estão fechando campos de futebol”, alertaram Philipp Kutter e Johannes Zollinger, do Parlamento de Zurique².

Os bebês vão perdendo o direito de se manifestar, realizando o que diz um provérbio: as lágrimas que correm são amargas, mas muito mais amargas são as lágrimas que não correm! Ou os autores dessa regulamentação não tiveram infância?

Uma casa sem crianças é um túmulo, diz o ditado, e é isso o que desejam os autores destes regulamentos? Como pondera uma antiga sentença chinesa: quem tem muito dinheiro sem ter crianças, não é rico; quem tem muitos filhos sem ter dinheiro, não é pobre.

Palavras de sabedoria! Pois diz um Salmo: os meninos são uma herança de Deus³.

———–

¹O Estado de S. Paulo, 21 de abril de 2013.
²Os dados aqui transcritos foram extraídos em parte de artigo de Jamil Chade, Europeus discutem ‘direito ao barulho’, publicado em O Estado de S. Paulo, em 21 de abril de 2013.
³Salmo 127, 3.

* França: Uma “mudança de civilização” que viola o direito da criança a ter um pai e uma mãe?

domingo, abril 28th, 2013

Essa lei será uma fábrica de órfãos. Toda criança de um casal gay ver-se-á privada de uma parte de sua realidade humana, de suas origens, de sua verdadeira filiação.

Quais serão as consequências de semelhante perturbação da civilização humana?


A Assembléia Nacional francesa adotou  o projeto de lei que desnaturaliza o casamento e instaura o polêmico “direito à criança” (não confundir com os direitos da criança).

Houve 331 votos a favor e 225 contra. Entretanto, 138 membros da oposição conservadora e de centro, do Senado e da Assembléia Nacional, anunciaram que entrarão com uma demanda contra esse texto ante o Conselho Constitucional, o qual deverá se pronunciar nos próximos meses. Antes disso a lei não entrará em vigor.

Brutal e sectário, o socialista Claude Bartolone fez expulsar o público que protestava na tribuna do parlamento dizendo que eram “inimigos da democracia” e que não tinham “nada que fazer no hemiciclo”. Tal crispação inadmissível reflete o estado de ânimo do partido do governo o qual viu cair em picada o índice de François Hollande. Segundo uma sondagem de IFOP, o presidente da República perdeu seis pontos desde março e agora só conta com 25% de pessoas satisfeitas com seu desempenho, o que é um nível inferior ao mais baixo registrado por Nicolas Sarkozy durante seu mandato.

Após o escândalo estourado pelo ministro socialista da Fazenda, Cahuzac, que dizia lutar contra a fraude fiscal enquanto ocultava e negava ter uma conta bancária na Suíça com dinheiro escamoteado do fisco, os problemas de Hollande, inimigo “dos ricos”, cresceram.

Desde 1968 o Partido Socialista não faz senão lançar manifestações contra os governos “de direita”. Agora se vê prisioneiro de seu próprio invento: as manifestações cada vez mais massivas contra sua política, e em particular contra o “matrimônio gay”, estão desmantelando o pouco que lhes resta de legitimidade.

Nesse contexto, a luta contra o “matrimônio” homossexual continuará, apesar do que foi votado pelo parlamento.

Duas novas manifestações foram programadas para 5 e 26 de maio de 2013, em Paris e outras cidades, por La Manif Pour Tous, a principal frente de organizações que desde há nove meses luta contra esse projeto de lei.

Em 21 de abril, uma manifestação convocada por eles mobilizou 270 mil pessoas de Paris e sua periferia. À manifestação nacional de 24 de março em Paris acudiram mais de um milhão de pessoas. La Manif Pour Tous, que aglutina 36 associações, se define como “um movimento espontâneo, popular e pacífico que além das sensibilidades religiosas, políticas e sexuais, supera todas as diversidades para preservar a unidade paritária da filiação humana, garantida pelo direito francês no matrimônio civil”.

A decisão do governo de encurtar o debate parlamentar e acelerar a votação dessa lei extravagante criou uma grande tensão. Desde então, os opositores optaram por realizar multitudinários atos de protesto cada dia dentro e fora da Câmara, alguns dos quais foram atacados pela polícia. Ontem, após a votação, Frigide Barjot, a porta-voz de La Manif Pour Tous, foi agredida por homossexuais.

Hollande se recusa a retirar essa lei e rechaça sequer conceder o referendo sobre esse tema que os opositores lhe pedem. Ele se equivoca ao ver o matrimônio gay como uma simples reformazinha, quando sua própria ministra da Justiça, Christiane Taubira, comenta que Hollande “não mediu a violência simbólica que impõe a uma sociedade que não quer continuar sofrendo os caprichos e ditados de todas as minorias desde há 40 anos”. E lhe adverte: “Esta violência simbólica é a causa e mãe de todas as outras violências. Quem semeia ventos colhe tempestades”.

As razões invocadas pelos demandantes contra a lei votada, são:

1. Insuficiência evidente de trabalhos preparatórios;

2. Conflito dessa lei com as regras em vigor de direito público internacional;

3. A definição do matrimônio, princípio fundamental reconhecido pelas leis francesas, não pode ser modificada por uma simples lei;

4. As disposições relativas à filiação adotiva violam o princípio do direito ao respeito à vida privada da família, o princípio da dignidade da pessoa e o da igualdade das pessoas ante a lei, princípios fundamentais reconhecidos pelas leis da República francesa;

5. As regras sobre a devolução do sobrenome da família são modificadas pela nova lei para tratar de encontrar uma solução à imposição de uma filiação artificial.

Para milhões de franceses, a lei Taubira abre a porta à procriação “científica para todos”, um sistema considerado como ilegal hoje na França e que consiste em que as crianças poderão ser fabricadas mediante a procriação assistida, para as mulheres, ou mediante a chamada “gestação para outro”, ou “ventre portador”, para os homens. Abre pois a porta à comercialização do corpo humano, sobretudo da mãe portadora.

Essa lei será, além disso, uma fábrica de órfãos. Toda criança de um casal gay ver-se-á privada de uma parte de sua realidade humana, de suas origens, de sua verdadeira filiação. Ela nunca saberá quem foi sua mãe ou seu pai biológico. Essa lei porá em questão o fundamento de sua identidade humana e instaurará, assim, uma desigualdade entre os seres humanos.

Essa lei viola o direito da criança a ter um pai e uma mãe. Essa criança terá direito unicamente a ter uma “mãe um,” e uma “mãe dois”, ou um “pai um” e um “pai dois”.

As perguntas que alguns pediatras formulam são importantes.

“Como as crianças vão viver esse fato entre uma maioria de crianças que têm um pai e uma mãe, enquanto eles têm dois pais ou duas mães?

Como se comportarão as outras crianças? E seus pais?

Os livros, as novelas, os textos de história, são todos heterossexuais. Como a criança poderia construir sua identidade em meio de uma cultura que não lembra em nada a imagem de sua família?”.

Os questionamentos que muitos nos fazemos são fundamentais. Ninguém tem ainda uma resposta, mas as perspectivas não são lisonjeiras: quais serão as consequências de semelhante perturbação da civilização humana?

Que impacto terá a decisão de impor uma nova ordem antropológica?

Tradução: Graça Salgueiro

* Crise e menos fiéis colocam algumas Igrejas da França à venda.

terça-feira, abril 23rd, 2013

Antigo mosteiro à venda em Gacé, Orne, França

A constante redução do número de católicos na França está acelerando a venda de igrejas e outras propriedades religiosas no país.

Além do menor número de fiéis, a crise econômica também provoca queda nas doações. Em muitos casos, faltam recursos para fazer obras de manutenção. Em outros, falta dinheiro para custear simples despesas regulares de funcionamento.

“As dioceses estão em uma situação financeira crítica, com cada vez menos fiéis”, afirma Maxime Cumunel, do Observatório do Patrimônio Religioso, uma entidade civil que busca preservar o patrimônio histórico religioso.

O corretor imobiliário Patrice Besse, especializado na venda de propriedades religiosas, explica que “antes as dioceses se sentiam incomodadas em vender suas igrejas. Afinal, elas foram construídas com o dinheiro de doações. Agora é uma necessidade econômica. É preciso vender algumas para salvar outras.”

“Há cada vez menos fiéis e menos doações. O fenômeno de venda de igrejas está aumentando”, estima Besse.

MANUTENÇÃO

A corretora de Patrice Besse dispõe atualmente de seis igrejas à venda, com preços entre € 50 mil e € 500 mil euros (aproximadamente entre R$ 130 mil e R$ 1,3 milhão). Ele acaba de vender uma igreja na cidade de Soissons, no norte da França, por € 125 mil, que foi comprada por um pianista anglo-taiwanês de 21 anos, internacionalmente famoso.

Besse também negocia a venda de outra igreja em Soissons, com estilo Art Déco, estimada em € 350 mil e que pertence à paróquia local. “A manutenção custa caro, e muitas paróquias preferem vender seus bens para não ter de arcar com despesas de obras”, afirma o corretor.

É o caso de uma capela na região de Bordeaux, no sudoeste da França. A diocese de Bordeaux explica em seu site que a capela está fechada desde julho de 2011 por razões de segurança. As obras necessárias são estimadas em € 400 mil.

“Nem o episcopado nem a paróquia de Talence têm os recursos financeiros para realizar as obras. O dinheiro obtido com a venda da capela será bem-vindo para atender às necessidades das missas da paróquia”, afirma a diocese.

Uma igreja na pequena cidade de Vandoeuvre-les-Nancy, no leste da França, foi vendida no ano passado em razão da falta de fiéis. Ela se tornará um centro comercial. “Só uma centena frequentava a igreja, que tem capacidade para mais de 700 pessoas”, justificou a diocese de Nancy, que obteve € 1,3 milhão com a venda.

REDUÇÃO

O número de católicos na França vem caindo regularmente nas últimas décadas, segundo diferentes estudos. Paralelamente, o número de agnósticos (sem religião) e ateus vem aumentando no país e já atinge, respectivamente, quase 19% e 4,2%, de acordo com a Enciclopédia Cristã Universal.

Outra pesquisa, do Instituto Nacional de Estudos Demográficos da França, publicada em 2009, revela que 45% dos franceses entre 18 e 50 anos se dizem sem religião.

A população católica na França era de 60,4% em 2010 (último dado disponível), segundo o instituto americano Pew Research Center e outros estudos realizados no país. Nos anos 70, o número de católicos na França era de quase 88%, de acordo com a Enciclopédia Cristã Universal.

Mas entre os que se dizem católicos e os efetivamente praticantes há uma grande diferença. De acordo com uma pesquisa do instituto Ifop, apenas 4,5% dos franceses afirmam ir à igreja todos os domingos e somente 15% dizem frequentá-la “regularmente”, ou seja, pelo menos uma vez por mês.

Uma lei de 1905, que garante a separação entre a Igreja e o Estado, determina que os bens imobiliários religiosos construídos antes de 1905 pertencem às prefeituras, que têm a obrigação de mantê-los em bom estado.

Os prédios religiosos construídos após essa data são propriedade da Igreja. Somente as catedrais pertencem ao governo nacional. Na França, devido à lei, as igrejas não podem receber subvenções.

Nesse período de crise, muitas prefeituras que possuem igrejas (obrigatoriamente construídas antes de 1905) também não hesitam em vendê-las para não ter gastos com obras, como conserto de telhados ou de eletricidade.

Segundo um levantamento realizado por Benoît de Sagazan, que integra o Observatório do Patrimônio Religioso e possui um blog sobre o tema, há 43 igrejas e capelas à venda na França neste mês de fevereiro.

O fim da igreja de Saint-Jacques

* O secularismo na Suécia. Uma visão perturbadora de uma sociedade irreligiosa.

domingo, abril 21st, 2013

Para ver o quão perturbadora uma sociedade secularista e crescentemente irreligiosa pode se tornar, basta olhar para a Suécia.

O aborto tem sido livre em demanda e disponível sem consentimento dos pais no país desde 1975,resultando na nação nórdica tendo a maior taxa de aborto em adolescentes da Europa (22,5 por 1000 meninas entre 15 e 19 anos em 2009).

A lei sueca não reconhece de forma alguma o direito à objeção de consciência para trabalhadores da área da saúde (no último ano, de forma esmagadora, o parlamento sueco passou uma ordem instruindo a delegação sueca para o Conselho da Europa a lutar contra os direitos dos médicos de recusar participação em abortos).

Enquanto isso, a educação sexual é gráfica e compulsória, e às crianças é ensinado que qualquer coisa que gere uma sensação sexual está OK. A idade de consentimento é 15 anos.

“Nós temos muitas violações da dignidade humana em muitos níveis, e muitos problemas quando se trata de engenharia social”, explicou Johan Lundell, secretário-geral do grupo sueco pró-vida Ja till Livet. “As coisas têm sido assim nos últimos 70 anos.”

Lundell foi um convidado nosso no Dignitatis Humanae Institute [Instituto para Dignidade Humana], onde ele expôs um catálogo de ofensas contra a dignidade humana na sociedade sueca. “Nós temos a maior taxa de abortos em adolescentes na Europa. Por quê? Porque nós dizemos que o aborto é um direito humano, que não mata nada, apenas acaba com uma gravidez”, relatou. “E após 20 anos disso, os jovens não ligam mais. Por que deveriam? Por cerca de 10 ou 15 anos ninguém tem dito nem mesmo que o aborto, apesar de legal, deveria se algo raro.”

O programa de educação sexual, visto por alguns social-liberais como pioneiro mas por outros como excessivamente explícito, tem sido colocado por alguns como a principal razão para a baixa taxa de gravidez na adolescência. Mas o alto número de abortos daquela faixa etária é raramente discutido, nem os números são divulgados. “Ninguém fala do aborto de crianças”, disse Lundell. “Eles têm vergonha disso. No entanto nós somos o único país na Europa em que existem abortos em demanda até a 18ª semana de gestação, sem procedimentos formais, sem consentimento dos pais, sem consentimento informado.”

O número de estupros na Suécia é outro ponto largamente desconhecido e pouco divulgado. De acordo com Lundell, ao longo dos últimos 50 anos – durante essa época de costumes sexuais liberais – eles aumentaram em “1.000 por cento.”

Lundell observou ainda que todos os outros países querem reduzir o número de abortos, mas apesar de existirem 550 departamentos governamentais na Suécia, nenhum tem a missão de reduzir o número de extermínios. “As crianças são capazes de ver que isso é errado, os pais são capazes de ver que isso é errado, e como uma sociedade nós não queremos isso. No entanto, ninguém quer falar sobre isso”, acrescentou Lundell. “É absurdo.”

Ele disse que a Suécia deveria “definitivamente” servir como um aviso para outros países que buscam políticas secularistas e socialmente liberais “pois então será visto o que é a agenda para o povo, e como a União Europeia e a ONU estão copiando essas ideias escandinavas.”

Voltando ao assunto da educação sexual, Lundell relata que os suecos geralmente não se importam mais em discutir se a homossexualidade é genética – um argumento comum usado para promover a agenda gayzista – porque o movimento é agora tão integralmente aceito que já não necessita desse argumento como suporte. “Em livros de educação sexual, não se fala sobre alguém ser heterossexual ou homossexual – não existem tais coisas porque para eles todo mundo é bissexual; é apenas uma questão de escolha”, relatou.

Lundell se referiu a um panfleto para crianças publicado por associações gayzistas, e imprimido com a ajuda de financiamentos estatais. “Eles escrevem positivamente sobre todos os tipos de sexualidade, qualquer tipo, até mesmo os mais depravados atos sexuais, e isso vai para as escolas”, explicou. “A informação é colocada em websites, e as crianças na escola são direcionadas para esses sites para que possam ver.”

Os professores, relata, são encorajados a perguntar aos estudantes: “O que te excita?” No entanto Lundell aponta que se um executivo-chefe de uma companhia perguntasse isso em um encontro de negócios, ele seria demitido. “Seria assédio sexual”, relatou. “E ainda assim treinam as pessoas para fazer isso com crianças?”

Alguns pais têm feito reclamações formais, colocando isso como conhecimento carnal, muito explícito para salas de aula e taxando as lições como “vulgares” e “muito avançadas.” Mas a maioria se sujeita ao currículo, enquanto a opção para educar as crianças em casa é quase proibida.

Para muitos estrangeiros, porém, a imagem popular da Suécia é de uma sociedade razoável, ordenada, justa, e harmoniosa – o exemplo modelo de um welfare state funcional. Em muitos casos isso é verdadeiro se alguém observa as taxas de mortalidade infantil, a expectativa de vida, os padrões de assistência médica e o acesso à educação. O nível de pobreza é também relativamente baixo.

“Por muito tempo tem sido dito que se não é possível realizar um mundo socialista na Suécia, então não é possível em nenhum outro lugar”, disse Lundell. “É por isso que alguns têm tentado fazer do país um paraíso socialista. Mas diferente, por exemplo, da Itália ou da Grécia, na Suécia não se trata de socialismo de finanças, mas antes, de socialismo de famílias – engenharia social, que tem sido muito mais visível por aqui do que no sul da Europa.”

Per Bylund, um parceiro sueco do Von Mises Institute, uma vez descreveu o abrangente poder do estado assim: “Uma significante diferença entre minha geração e a precedente é que a maior parte de nós não foi, de maneira alguma, criada pelos pais. Nós fomos criados pelas autoridades em creches do estado desde a época da infância; e então empurrados para ginásios estatais, colégios estatais, e universidades estatais; e depois para cargos estatais e mais educação via poderosas associações trabalhistas e suas associações educacionais. O estado é sempre presente e é para muitos o único meio de sobrevivência – e seus benefícios sociais a única maneira de ganhar independência.”

Essa engenharia social, no entanto, tem gerado terríveis consequências. Poucos países europeus têm testemunhado tão rápido declínio na instituição do casamento ou tão rápido aumento no número de abortos. Durante a década de 50 e a primeira metade da década de 60, a taxa de casamentos na Suécia estava historicamente em seu pico. Repentinamente, a taxa começou a cair de forma tão rápida que em menos de 10 anos houve um decréscimo de aproximadamente 50%. Nenhum outro país experimentou tão imediata mudança.

Entre 2000 e 2010, quando o resto da Europa estava mostrando sinais de uma redução em taxas anuais de aborto, o governo da Suécia relata que a taxa cresceu de 30.980 para 37.693. A proporção de reincidência de abortos aumentou de 38,1% para 40,4% – o maior nível já registrado – enquanto o número de mulheres tendo pelo menos quatro abortos anteriores aumentou de 521 para aproximadamente 750.

Com exceção de poucos ativistas robustos como Lundell, muitos cristãos suecos – e particularmente políticos cristãos – permanecem em silêncio diante das incontáveis violações sociais contra a dignidade humana. É também irrisória a resistência a ataques contra a liberdade religiosa para cristãos, com a prioridade sendo crescentemente concedida à Sharia (Lei Islâmica).

A julgar pelos números, quase poderia ser dito que a fé debandou completamente. Ao fim de 2009, 71,3% dos suecos pertencia à Igreja Luterana da Suécia – um número que tem diminuído um por cento a cada ano nas últimas décadas. Dentre esses, apenas 2% frequenta regularmente as reuniões dominicais. De fato, alguns estudos apontam os suecos como o povo menos religioso do mundo e um país com um dos maiores números de ateus. De acordo com diferentes estudos conduzidos no início da primeira década de 2000, um número entre 46% e 85% de suecos não acredita em Deus.

Lundell disse que embora pequena, a Igreja Católica tem um bom bispo e é ajudada por imigrantes da Polônia e da América Latina. Mas católicos são geralmente vistos como estrangeiros com pouca influência e são travados nas campanhas para não serem vistos como “duros demais”, relata. Até pentecostais são reticentes para levantar objeções. “Eles são provavelmente a única igreja pentecostal no mundo que não faz isso”, acrescentou.

Mas apesar de tudo isso, Lundell, cuja organização tem atraído um crescente número de jovens, mantém-se esperançoso – e também fundamentalmente fiel à sua pátria. “Sou tão orgulhoso de ser sueco que não posso imaginar a mim mesmo me mudando”, disse. “Mas me envergonho com a política quando se trata de família, políticas sexuais e restrições em liberdade religiosa.”

Edward Pentin é jornalista autônomo e diretor de comunicações no Dignitatis Humanae Institute. Pode ser contatado em epentin@zenit.org.

Fonte: Zenit

* Irmão de Leonardo Boff defende Bento 16 e critica Teologia da Libertação.

segunda-feira, março 11th, 2013

Alexandre Gonçalves | Colaboração para a Folha -

Em maio de 1986, os irmãos Clodovis e Leonardo Boff publicaram uma carta aberta ao cardeal Joseph Ratzinger. O artigo analisava a instrução “Libertatis Conscientia”, em que o futuro papa Bento 16 visava corrigir os supostos desvios da Teologia da Libertação na América Latina. Os religiosos brasileiros desaprovavam, com uma ponta de ironia e uma boa dose de audácia, a “linguagem com 30 anos de atraso” no texto.

Em 2007, o irmão mais novo de Leonardo Boff voltou à carga. Mas, dessa vez, o alvo foi a própria Teologia da Libertação –movimento do qual ele foi um dos principais teóricos e que defende a justiça social como compromisso cristão. Ele censurou a instrumentalização da fé pela política e enfureceu velhos colegas ao sugerir que teria sido melhor levar a sério a crítica de Ratzinger.

Em entrevista à Folha por telefone, frei Clodovis diz que Bento 16 defendeu o “projeto essencial” da Teologia da Libertação, mas o critica por superdimensionar a força do secularismo no mundo.

Folha – Bento 16 foi o grande inimigo da Teologia da Libertação?

Clodovis Boff – Isso é uma caricatura. Nos dois documentos que publicou, Ratzinger defendeu o projeto essencial da Teologia da Libertação: compromisso com os pobres como consequência da fé. Ao mesmo tempo, critica a influência marxista. Aliás, é uma das coisas que eu também critico.

No documento de 1986, ele aponta a primazia da libertação espiritual, perene, sobre a libertação social, que é histórica. As correntes hegemônicas da Teologia da Libertação preferiram não entender essa distinção. Isso fez com que, muitas vezes, a teologia degenerasse em ideologia.

E os processos “inquisitoriais” contra alguns teólogos?

Ele exprimia a essência da igreja, que não pode entrar em negociações quando se trata do núcleo da fé. A igreja não é como a sociedade civil, onde as pessoas podem falar o que bem entendem. Nós estamos vinculados a uma fé. Se alguém professa algo diferente dessa fé, está se autoexcluindo da igreja.

Na prática, a igreja não expulsa ninguém. Só declara que alguém se excluiu do corpo dos fiéis porque começou a professar uma fé diferente.

Não há margem para a caridade cristã?

O amor é lúcido, corrige quando julga necessário. [O jesuíta espanhol] Jon Sobrino diz: “A teologia nasce do pobre”. Roma simplesmente responde: “Não, a fé nasce em Cristo e não pode nascer de outro jeito”. Assino embaixo.

Quando o sr. se tornou crítico à Teologia da Libertação?

Desde o início, sempre fui claro sobre a importância de colocar Cristo como o fundamento de toda a teologia. No discurso hegemônico da Teologia da Libertação, no entanto, eu notava que essa fé em Cristo só aparecia em segundo plano. Mas eu reagia de forma condescendente: “Com o tempo, isso vai se acertar”. Não se acertou.

“Não é a fé que confere um sentido sobrenatural ou divino à luta. É o inverso que ocorre: esse sentido objetivo e intrínseco confere à fé sua força.” Ainda acredita nisso?

Eu abjuro essa frase boba. Foi minha fase rahneriana. [O teólogo alemão] Karl Rahner estava fascinado pelos avanços e valores do mundo moderno e, ao mesmo tempo, via que a modernidade se secularizava cada vez mais.

Rahner não podia aceitar a condenação de um mundo que amava e concebeu a teoria do “cristianismo anônimo”: qualquer pessoa que lute pela justiça já é um cristão, mesmo sem acreditar explicitamente em Cristo. Os teólogos da libertação costumam cultivar a mesma admiração ingênua pela modernidade.

O “cristianismo anônimo” constituía uma ótima desculpa para, deixando de lado Cristo, a oração, os sacramentos e a missão, se dedicar à transformação das estruturas sociais. Com o tempo, vi que ele é insustentável por não ter bases suficientes no Evangelho, na grande tradição e no magistério da igreja.

Quando o sr. rompeu com o pensamento de Rahner?

Nos anos 70, o cardeal d. Eugênio Sales retirou minha licença para lecionar teologia na PUC do Rio. O teólogo que assessorava o cardeal, d. Karl Joseph Romer, veio conversar comigo: “Clodovis, acho que nisso você está equivocado. Não basta fazer o bem para ser cristão. A confissão da fé é essencial”. Ele estava certo.

Assumi postura mais crítica e vi que, com o rahnerismo, a igreja se tornava absolutamente irrelevante. E não só ela: o próprio Cristo. Deus não precisaria se revelar em Jesus se quisesse simplesmente salvar o homem pela ética e pelo compromisso social.

Bento 16 sepultou os avanços do Concílio Vaticano 2º?

Quem afirma isso acredita que o Concílio Vaticano 2º criou uma nova igreja e rompeu com 2.000 anos de cristianismo. É um equívoco. O papa João 23 foi bem claro ao afirmar que o objetivo era, preservando a substância da fé, reapresentá-la sob roupagens mais oportunas para o homem contemporâneo.

Bento 16 garantiu a fidelidade ao concílio. Ao mesmo tempo, combateu tentativas de secularizar a igreja, porque uma igreja secularizada é irrelevante para a história e para os homens. Torna-se mais um partido, uma ONG.

Mas e a reabilitação da missa em latim? E a tentativa de reabilitação dos tradicionalistas que rejeitaram o Vaticano 2º?

Não podemos esquecer que a condição imposta aos tradicionalistas era exatamente que aceitassem o Vaticano 2º. O catolicismo é, por natureza, inclusivo. Há espaço para quem gosta de latim, para quem não gosta, para todas as tendências políticas e sociais, desde que não se contraponham à fé da igreja.

Quem se opõe a essa abertura manifesta um espírito anticatólico. Vários grupos considerados progressistas caíram nesse sectarismo.

Esses grupos não foram exceção. Bento 16 sofreu dura oposição em todo o pontificado.

A maioria das críticas internas a ele partiu de setores da igreja que se deixaram colonizar pelo espírito da modernidade hegemônica e que não admitem mais a centralidade de Deus na vida. Erigem a opinião pessoal como critério último de verdade e gostariam de decidir os artigos da fé na base do plebiscito.

Tais críticas só expressam a penetração do secularismo moderno nos espaços institucionais da igreja.

Como descreveria a relação de Bento 16 com a modernidade?

É possível identificar um certo pessimismo na sua reflexão. Ele não está só. Há um rio de literatura sobre a crise da modernidade, que remete até mesmo a autores como Nietzsche e Freud. O que ele tem de diferente? Propõe uma saída: a abertura ao transcendente.

Ainda assim, há pessimismo.

Há algo que ele precisaria corrigir: Bento 16 leva a sério demais o secularismo moderno. É uma tendência dos cristãos europeus. Eles esquecem que o secularismo é uma cultura de minorias. São poderosas, hegemônicas, mas ainda assim minorias.

A religião é a opção de 85% da humanidade. Os ateus não passam de 2,5%. Com os agnósticos, não chegam a 15%. Minoria culturalmente importante, sem dúvida: domina o microfone e a caneta, a mídia e a academia. Mas está perdendo o gás. Há um reavivamento do interesse pela espiritualidade entre os jovens.

Não está na hora de a igreja ficar mais próxima da realidade dos fiéis?

Bento 16 não resolveu um problema que se arrasta desde o Concílio Vaticano 2º: a necessidade de se criarem canais para a cúpula escutar e dialogar com as bases.

Os padres nas paróquias muitas vezes ficam prensados entre a letra fria que vem da cúpula e o cotidiano sofrido dos fiéis, que pode envolver dramas como aborto ou divórcio. Note que não sugiro mudanças no ensinamento da igreja. Mas acho que seria mais fácil para as pessoas viverem a doutrina católica se houvesse processos que facilitassem esse diálogo.

Como vê o futuro da igreja?

A modernidade não tem mais nada a dizer ao homem pós-moderno. Quais as ideologias que movem o mundo? Marxismo? Socialismo? Liberalismo? Neoliberalismo? Todas perderam credibilidade. Quem tem algo a dizer? As religiões e, sobretudo no Ocidente, a Igreja Católica.

Fonte: Folha de São Paulo

* A Igreja pontifica sobre “pressupostos”, a sociedade sobre “pós-supostos”.

segunda-feira, março 11th, 2013

A Igreja Católica é mal compreendida por “muitos” porque ela, a Igreja, e eles, os “muitos”, vivem em universos paralelos. Para que esses dois cosmos se encontrem, são os “muitos” que devem fazer a curva. A Igreja pontifica sobre pressupostos. Os “muitos”, sobre “pós-supostos”. A Igreja aponta as causas dos problemas. Os “muitos” contornam as consequências.

Exemplo: a Igreja parte do pressuposto de que a disseminação da aids e de doenças sexualmente transmissíveis ocorre por causa do sexo fácil, da propaganda da mulher como objeto, da erotização precoce etc. O que ela faz? Reforça que existe sacralidade no corpo humano e que, como sempre defendeu, a união entre homem e mulher deve ser abrigada no seguro recôndito do matrimônio fiel.

Os “muitos” dizem: hoje em dia todo mundo transa desde muito cedo. Use camisinha!

Outro exemplo: exterminar embriões em pesquisas com células-tronco, com o bom fim de curar graves enfermos. O que a Igreja faz? Reforça a tese de que o embrião é vida humana, que não pode, literalmente, ser medida pelo tamanho. E relembra o que muitos não entendem: um meio mau não justifica um bom fim. Os “muitos” alegam que um embrião tem o tamanho de um pingo de “i”, não anda e não fala, enquanto adultos poderiam, em tese (cada vez mais em tese), obter a cura de diversos males.

Muitos e muitas cientistas incensados pela mídia deram entrevistas anunciando maravilhas à época da aprovação da Lei de Biossegurança. Algum tempo depois, alguns sumiram dos jornais, enquanto outros só aparecem para falar sobre assuntos mais amenos.

A Igreja se debruça sobre 20 séculos de Filosofia. Os “muitos” “formam suas opiniões” com 5 minutos de leitura de revistas semanais, enciclopédias iluministas, sites internéticos e jornais laicos (na verdade laicistas). Para a Igreja, 100 anos são como um dia. Para os “muitos”, tudo tem de ser rápido, instantâneo. Partilham da frase daquela canção: “É melhor viver 10 anos a mil do que mil anos a dez”.

Mas mesmo quem faz parte dos “muitos” pode aprender, por exemplo, com a renúncia de Bento XVI, desde que tenha pelo menos honestidade intelectual. Os “muitos” viram na renúncia algo decidido em um clique, como fuga, como algo conveniente. Mas, na verdade, o que esse intelectual alemão de intensa espiritualidade deve ter feito? Deve ter ponderado a situação do mundo, a situação da Igreja e a própria situação, tudo diante do Senhor a quem escolheu dedicar a vida e, stricto sensu, ao único a quem deve satisfações. Com serenidade, tomou a decisão.

Lição para os “muitos”: antes de tomar decisões de cabeça quente, pondere, analise, anteveja as consequências. Se, além disso, você acredita num ente superior, consulte-o. Ouça o que ele tem a dizer. E decida.

Outra grande lição: mesmo com a decisão que pesava sobre seus ombros, o papa guardou segredo. Afinal, o segredo também foi fruto da análise feita de antemão. Há coisas que só devem ser ditas no momento certo. Antes disso, só você e Deus devem saber.

Roberto Zanin é jornalista e blogueiro.

* Igreja católica cresce nos países nórdicos – conhecidos pelo seu secularismo e protestantismo liberal.

sábado, janeiro 26th, 2013

Revista católica inglesa The Tablet

Os países que compõem a Escandinávia estão entre os mais seculares do mundo. No entanto, a partir de pequenos começos, a Igreja Católica está se expandindo e experimentando um aumento constante de vocações, estimulado pela relativa liberdade para expressar seus pontos de vista.

Quando a Conferência dos Bispos Nórdicos se encontrou na Islândia em setembro passado, observou-se uma tendência nova e estimulante. A Igreja Católica está crescendo na Escandinávia e está mostrando sinais de vitalidade de várias maneiras, sendo uma delas o crescente número de vocações, tanto ao sacerdócio secular, quanto às ordens religiosas.

Um mês depois, no Sínodo dos Bispos, em Roma, o Papa Bento XVI mencionou a Noruega entre os países onde a Igreja está experimentando uma renovação. Ele concluiu: “Vemos hoje, onde ninguém esperaria, como o Senhor está presente e é poderoso, e como ele continua sendo eficaz através do nosso trabalho e da nossa reflexão”.

Atualmente, dos cerca de 282 mil católicos registrados nos países escandinavos, há 31 candidatos se preparando para o sacerdócio. Olhando para trás ao longo dos últimos 15 anos, isso indica um crescimento pequeno e constante – embora não impressionante – de vocações e da população católica. Em proporção ao número total de católicos, os países escandinavos têm mais seminaristas e pessoas nos primeiros estágios da vida consagrada do que muitas outras regiões da Europa. A Arquidiocese de Viena, na Áustria, por exemplo, tem 30 seminaristas de um total de 1,3 milhão de católicos.

A Conferência dos Bispos Nórdicos fornece as seguintes estatísticas:

- A Suécia tem nove seminaristas em formação para o sacerdócio secular e oito se preparando para a ordenação em ordens religiosas de um total de 103.500 católicos (de uma população de quase 9,5 milhões).

- A Noruega tem nove seminaristas de um total de 115.600 católicos (população: 4,9 milhões).

- A Dinamarca tem dois seminaristas de um total de 40.400 católicos (população: quase 5,6 milhões).

- A Finlândia tem dois seminaristas de um total de 11.900 católicos (população: 5.4 milhões).

- A Islândia tem um seminarista de um total de 10.500 católicos (população: 319 mil).

Além disso, o Neocatecumenato tem 18 candidatos em formação na Dinamarca e 15 na Finlândia. Em termos de vocações para as congregações femininas, parece que as irmãs contemplativas estão se saindo melhor do que as irmãs de ordens apostólicas, embora não haja estatísticas disponíveis.

Como esses números encorajadores podem ser explicados?

A análise impressionista a seguir se baseia em entrevistas informais, assim como em minhas próprias reflexões. Ela não é de modo algum um abrangente estudo sociológico.

O amor por Jesus Cristo e o sentimento de um chamado constituem uma motivação absolutamente central para os candidatos, vários dos quais foram recebidos na Igreja Católica já adultos.

Matteus Collvin, um dos seminaristas suecos, aponta que a intensa busca de Deus durante um processo de conversão eclesial pode se assemelhar ou conduzir a uma exploração igualmente completa do caminho pessoal de serviço.

O fato de a religião hoje fazer parte da esfera pública, enquanto ela era quase um tabu há apenas duas décadas, facilita a busca, de acordo com Collvin. Mesmo que o catolicismo e o sacerdócio católico ainda sejam percebidos como algo muito estranho pela sociedade em geral, os candidatos sentem que o crescente interesse pela religião (incluindo por suas formas não tradicionais) faz com que o seu modo de vida seja suficientemente aceito.

O bispo da diocese católica de Estocolmo, Anders Arborelius, diz que os candidatos se instalaram bem e se sentem em casa tanto na cultura católica, quanto na cultura sueca tradicional, que está se tornando mais pluralista. Alguns candidatos têm um progenitor sueco nativo e outro que é imigrante católico. Essa mistura forma alguém que discerne e se torna criticamente leal à Igreja, assim como aos valores e aos costumes da sociedade civil.

Em algumas questões e valores éticos, no entanto, o catolicismo e o pensamento geral são inconciliáveis. Mas sentir-se familiarizados com ambos torna os candidatos capazes de navegar as águas morais, mesmo que nem sempre sejam capazes de desfazer a tensão.

Dom Arborelius também sugere que a Igreja Católica na Escandinávia tem a vantagem de estar menos entrelaçada com os sentimentos e as estruturas nacionais, em comparação, por exemplo, com a Igreja em Flandres ou no País Basco. Os católicos praticantes são estimulados pelo desafio missionário de ser uma comunidade minoritária, que não esteve em uma posição dominante no passado.

Ao contrário da Igreja Luterana na Escandinávia, a Igreja Católica não faz parte do sistema dominante na sociedade. Apesar de uma separação oficial entre Igreja e Estado, o controle e a influência política sobre as Igrejas luteranas ainda é ativo sob muitas formas. A Igreja Católica, ao contrário, é menos dependente e parece mais livre para manifestar os seus pontos de vista, independentemente da opinião pública.

Uma série de iniciativas promissoras foram tomadas na Escandinávia nos últimos anos, que desenvolveram a comunidade católica em geral e promoveram vocações em particular. Três delas se destacam. A irmã Marie Ronnegård, do Convento de São Domingos, em Rögle, no sul da Suécia, está impressionada com a rede de católicos jovens e comprometidos na Noruega. O trabalho com jovens noruegueses foi construído sobre bases lançadas pelas gerações passadas. Autores como Sigrid Undset e várias personalidades carismáticas franciscanas e dominicanas deram ao catolicismo um rosto atraente. Grandes grupos de acólitos são cuidadosamente formados, e o clero é altamente profissional no encorajamento que oferece aos possíveis candidatos ao sacerdócio.

Em segundo lugar, na região de Gotemburgo, na Suécia, os franciscanos e várias pessoas da paróquia principal da cidade também trabalham extensivamente com a geração jovem.

Em terceiro lugar, em 2010, houve a inauguração do Newman Institute, em Uppsala, a primeira universidade católica na Suécia desde a Reforma. Administrada pela Companhia de Jesus, ela oferece cursos de filosofia, teologia e estudos culturais. Sua graduação em teologia é credenciada pelo Estado, e um pedido de reconhecimento da graduação em filosofia acaba de ser enviado à Autoridade Sueca de Ensino Superior.

O seminário da diocese católica de Estocolmo ocupa uma nova ala do Newman Institute. Embora a formação sacerdotal costumava ocorrer predominantemente em Roma, a Igreja Católica da Suécia se beneficia agora de um seminário local. Os seminaristas frequentam os cursos do Newman Institute, juntamente com leigos de toda aEscandinávia, cerca de 60% deles através do ensino à distância.

Como a comunidade católica é pequena, surgiu um tipo de rede familiar. A Igreja Católica como organização é – talvez surpreendentemente – horizontal, ao invés, o que reflete a cultura de gestão escandinava geral, como descrita nos livros Moments of Truth (ou, traduzido literalmente, Chore pelas Pirâmides!), de Jan Carlzon, o inspirador ex-presidente das Linhas Aéreas Escandinavas. Os bispos geralmente conhecem os fiéis pelo nome, e, embora os títulos sejam usados, a conversa rapidamente se desloca para o mais familiar pronome da segunda pessoa.

Outro elemento que promove as vocações é o fato de que os católicos praticantes dos países nórdicos em geral falam favoravelmente sobre o sacerdócio e a Igreja Católica. Eles se identificam fácil e naturalmente com o catolicismo. Há uma atmosfera de otimismo sem negar, contudo, os problemas existentes e a necessidade de melhorias. Aqueles que pensam em uma possível vocação podem se motivar por representar uma comunidade católica com a qual outros católicos podem desejar se associar. Padres, irmãs e irmãos provavelmente são respeitados, embora não sejam nem excessivamente venerados, nem irremediavelmente desrespeitados.

A Ir. Marie Ronnegård, do Convento de São Domingos, lembra que, quando ela frequentava a escola secundária nos anos 1980, os alunos eram premiados com notas altas por desconstruir e criticar um assunto. Em sua opinião, esse ato de rasgar as coisas levou a uma atitude cínica, ao invés. Ao contrário, o ensino católico oferece uma visão de mundo coerente e mais significativa, embora permita ainda tanto a reflexão crítica quanto o debate. Para quem vem da tradição dominicana, isso só pode ser visto como encorajador.

Mais em geral, a prioresa do Convento de São Domingos, Ir. Sofie Hamring, afirma que todas as explicações sociológicas são secundárias ao amor essencial por Jesus Cristo. O Espírito Santo está agindo. Não obstante seu foco em aspectos teológicos, a Ir. Sofie defende que a Suécia tem estado na vanguarda em termos do questionamento de valores morais, mas não necessariamente sempre para melhor.

Nas últimas décadas, a Suécia assumiu a liderança no liberalismo, e as pessoas têm podido experimentar quase tudo, sem limites ou fronteiras. O que estamos experimentando agora é uma contrarreação a esse liberalismo, uma reação que pode vir à tona em outros países também.

* Laicismo Europeu: uma vitória e várias derrotas à ” Liberdade de consciência e de Religião”.

sexta-feira, janeiro 18th, 2013

AFP

A Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH) de Estrasburgo condenou nesta terça-feira (15) o Reino Unido por ter proibido uma funcionária de uma companhia aérea de usar de modo visível um crucifixo durante sua hora de trabalho.

Naida Eweida trabalhava na recepção de passageiros da British Airways. A companhia a proibiu de usar de modo visível seu crucifixo, e a Justiça britânica confirmou esta decisão.

Para a CEDH, a Justiça concedeu “peso demais” ao pedido da companhia de viola a liberdade de religião.

A British Airways alegou que esta é sua política de uso de uniforme e que não pretendia ir contra a fé dos cristãos.

Eweida só pôde voltar a trabalhar em 2007, quando a British Airways mudou sua política e permitiu, entre outras coisas, o uso visível de crucifixos.

Por outro lado..

A 4ª Sessão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos de Estrasburgo deliberou ontem sobre quatro casos que afetam a liberdade religiosa e de consciência. Os quatro litígios foram iniciados contra o Reino Unido.

Dos 4 casos, o Tribunal de Estrasburgo só deu razão a uma demandante, Nadia Eweida, (notícia acima) cristã copta, despedida de British Aiways em 2006 por negar-se a tirar uma cruz do pescoço.

Mas nega o direito à liberdade religiosa e à liberdade de consciência a outros três cristãos:

Lillian Ladelle, uma funcionária municipal de Islington, despedida porque recusou participar em cerimônias de união civilentre pessoas do mesmo sexo.

Gary McFarlane, um psicólogo e conselheiro matrimonial, despedido da associação Relate em 2008, por dizer em um curso de formação que ele se recusaria a tratar problemas de “casais” com homossexuais.

A enfermeira anglicana Shirley Chaplin, transferida do trabalho com enfermos para um trabalho de escritório, porque se negou a tirar sua cruz de confirmação, que leva no pescoço há 30 anos.

O mais inaceitável da sentença, na opinião de Gregor Pupinck, diretor do Centro Europeu para a Lei e a Justiça (ECLJ), é que a demissão dos empregados é proporcional à obrigação do empregador de aplicar “as políticas de igualdade e diversidade”.

Como se poderia considerar justo despedir um trabalhador quando teria sido fácil para o empregador dar-lhe função em outros postos ou tarefas?, se pregunta Pupinck. A resposta negativa dos empregadores para atender as petições dos trabalhadores afetados é uma sanção de caráter ideológico, e dá a entender que não há lugar em suas empresas para “cristãos intolerantes”, diz o comentário de Profesionales por la Ética.

O comentário continua dizendo que é impressionante também que o Tribunal Europeu, com exceção de dois juízes, tenha ignorado a diferença fundamental entre consciência e religião. Assim, nos casos Eweida e Chaplin a questão é de liberdade de religião (liberdade para portar símbolos religiosos em público) enquanto nos casos Ladele y McFarlane o que está em jogo é a liberdade de consciência (objeção de consciência frente à homossexualidade), Considerando que a liberdade religiosa pode estar sujeita a limitações necessárias em uma sociedade democrática (de acordo com o art. 9. 2 do Convênio Europeu de Direitos Humanos), a liberdade de consciência não está sujeita a esta limitação.

O Estado tem a obrigação não só de abster-se de obrigar a alguém a agir contra sua consciência (moral), senão também de adotar medidas positivas para garantir isso à pessoa. No caso Ladele, o Estado não só a obrigou a registrar uniões do mesmo sexo, violando sua obrigação de respeitar a consciência individual, e tampouco nenhum esforço foi feito por encontrar um serviço razoável a fim de respeitar a objeção de consciência da empregada.

Grégor Puppinck espera que os casos sejam revisados quanto antes na Câmara Maior do Tribunal.

É de notar que, de sua parte, o governo de David Cameron anunciou que seus advogados defenderiam em Estrasburgo as sentenças anticristãs dos tribunais do Reino Unido.

Recordemos que em abril de 2012, quando já se haviam apresentado estes casos em Estrasburgo, o primaz da Igreja Católica no Reino Unido, Cardenal Keith O’Brien, em sua homilia do Domingo de Páscoa, pediu aos cristãos que “levem com orgulho um símbolo da cruz de Cristo” durante suas atividades cotidianas, como modo de contrapor aos esforços dos grupos laicistas por “marginalizar a religião”.

Fonte: A Caminho

* A Escola “católica” e sua “diluída” identidade na terra da Revolução Francesa.

sexta-feira, janeiro 11th, 2013

Fonte: Le Monde via UOL

Ela tende a ser chamada de “escola particular” em vez de escola católica.

A escola privada sob contrato – 94% delas católicas – é primeiramente uma escola sob contrato de associação com o Estado, antes de ser um local de transmissão da religião. Já faz alguns anos que as autoridades religiosas querem voltar a investir nessas terras perdidas. Nesse contexto, “a carta enviada pelo secretário-geral do ensino católico a seus diretores de escolas, no dia 12 de dezembro de 2012, lhes lembrando da posição da Igreja sobre o casamento para todos, não foi uma gafe, mas sim a marca de uma vontade de recatolicizar a escola”, explica Bruno Poucet, professor na Universidade de Picardia e autor de diversos livros sobre o ensino católico.

Nas mãos das congregações no século XIX, a escola católica foi aos poucos se emancipando e depois se laicizando ao longo do século 20, ao receber um público cada vez mais variado. Hoje é difícil falar de um cenário homogêneo. Os 8.300 estabelecimentos não se parecem. Às vezes separados por algumas centenas de metros, eles estão a anos-luz de distância. Alguns são muito elitistas, outros acompanham os alunos em dificuldades. Alguns têm métodos pedagógicos inovadores, outros apostam no clássico. Todos aplicam os programas nacionais, com professores pagos pelo Estado que passaram pelos mesmos concursos que os professores da rede pública.

Cada uma tem sua pequena parte de liberdade, autorizada pela expressão de seu “caráter próprio” desde a Lei Debréde 1959. Embora todas devam oferecer um acompanhamento da religião, algumas acrescentam uma preparação para os sacramentos e celebrações religiosas. Mas de alguns anos para cá os alunos e seus pais muitas vezes têm preferido o ensino mais científico das diferentes religiões, no lugar do catecismo. Já em 2004, uma pesquisa do Crédoc mostrava que somente 14% dos pais escolhiam esse ensino para que seus filhos ali recebessem uma educação religiosa.

Dois milhões de alunos são escolarizados em um desses estabelecimentos. Às vezes por um ano, às vezes desde o maternal até o fim do ensino médio. Quarenta por cento dos alunos passam por lá em algum momento de seus estudos. “Para certos bispos, o ato de receber esse público tão heterogêneo e motivado por razões diversas que não as religiosas teria levado a escola católica a se banalizar e a perder sua vocação missionária em prol de objetivos exclusivos de excelência escolar”, lembra Bernard Toulemonde, inspetor-geral honorário encarregado do ensino privado entre 1982 e 1987 junto a diferentes ministros.

Para esse especialista em escola católica, “essa evolução teria começado essencialmente na associação por contrato com o Estado, que por um lado impõe uma abertura a todos os alunos sem distinção de crenças, mas também um alinhamento dos conteúdos e das atividades com o que é feito no ensino público”. Resumindo, antes considerada tão preciosa, a Lei Debré de 1959, que reconhece nesse ensino um caráter próprio além de sua participação na missão de escolarização dos jovens do país, teria se tornado “permissiva demais”.

A alguns meses do final de seu mandato e sabendo que o secretário-geral do ensino católico é nomeado pela assembleia dos bispos, teria Eric de Labarre outra escolha senão reafirmar a posição da Igreja?, perguntam alguns. Mesmo sendo conjuntural, sua carta é uma etapa na tentativa de reevangelização da escola. A etapa seguinte será reescrever os estatutos do ensino católico.

O texto deve ser apresentado em junho, depois de ser avalizado pelos bispos em Lourdes, na primavera. É difícil para um leitor não licenciado em teologia decifrar o texto, mas muitos já manifestaram sua preocupação. Um sindicato como o Spelc acredita que ele limita a presença dos professores em certas instâncias de decisões e que em compensação os diretores de escolas – que recebem sua carta de missão do bispo – veem seu poder um pouco mais estável. “A Igreja Católica não tem o direito de nos usar para fazer proselitismo”, avisa Luc Viehé, secretário-geral do sindicato.


No sindicato FEP-CFDT, Bruno Lamour mostra menos preocupação. “São estatutos. Permanecemos atentos e se sentíssemos um possível prejuízo à Lei Debré que nos inscreve como protagonistas da missão de ensino, nós nos manifestaríamos”, ele garante. O que está em jogo nos estatutos é a tutela regional dos estabelecimentos: a secretaria da educação – assim como para as escolas públicas – ou a direção diocesana. A resposta será interessante, e já há muitos conflitos.

Isso porque as opiniões seguem a mesma linha: o episcopado não pretende deixar que se torne ainda mais laicizado esse setor,. “Quem mais pode levar a mensagem católica hoje, quando as igrejas estão se esvaziando?”, pergunta Bruno Poucet. “Se a isso acrescentarmos o fato de que a Igreja Católica ainda tem adotado uma abordagem mais identitária do que no passado, é possível entender por que a pressão está se acentuando sobre a escola.” E Bernard Toulemonde diz que a renovação dos bispos levou a uma geração mais “conservadora” e reforçou a vontade de “recatolicizar” a escola, já pensada como canal de comunicação pela Nova Evangelização de João Paulo II.

Essa retomada se manifestou localmente, a princípio. O bispo de Avignon havia promulgado no dia 26 de junho de 2006 uma Carta do Ensino Católico para sua diocese, a título experimental, por três anos. Ela previa que os estabelecimentos tivessem uma referência explícita a Cristo, sem a qual eles perderiam sua permissão de escola católica…

Em 2009, foi a vez do bispo de Nice de incentivar os pais que quisessem mais ensino religioso a abrir suas próprias escolas sem associação com o Estado. Centenas de famílias fizeram essa escolha.

* Arcebispo diz que Igreja Anglicana está ferida, mas não morta.

domingo, dezembro 30th, 2012

Fonte: Yahoo.

Durante seu sermão de Natal o arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, comentou não só a decisão da Igreja Anglicana em não aceitar mulheres como bispos, como também as recentes pesquisas que apontam a queda do cristianismo no Reino Unido.

Este foi o último discurso de Williams que se aposentará nos próximos meses e será substituído por Justin Welby, bispo de Durham, que assume o posto em 21 março de 2013.

Ao comentar a decisão do conselho sobre a unção de mulheres bispos, o arcebispo que era favorável lamentou e disse que a rejeição da reforma foi “muito dolorosa”.

A recente pesquisa realizada no Reino Unido mostrou uma queda sensível entre as pessoas que se declaram cristãs, mas Williams tentou olhar com otimismo dizendo que “três quartos da população continuavam desejando pertencer a alguma religião”.

O sermão de Natal foi transmitido ao vivo através do Twwiter, a conta é administrada por seus colaboradores e é uma proposta para aproximar os fiéis das lideranças da Igreja Anglicana que tem 85 milhões de membros ao redor do mundo.

O substituto de Rowan Williams também está conectado e faz questão de postar as mensagens pessoalmente em seu microblog, atividade que ele pretende continuar realizando mesmo após assumir como líder geral da denominação.

* A Igreja não deve ficar na defensiva em relação à vida pública, afirma prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

sexta-feira, dezembro 21st, 2012

O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Ludwig Müller, expressou aos católicos alemães que a Igreja deve assumir uma posição distinta diante do avanço do ateísmo e do laicismo na política europeia. “Aos poucos deixamos espaço a outros grupos ideológicos e logo nos surpreendemos de repente com a Igreja marginalizada em todas as partes”, afirmou.

dom_gerhard_muller.jpg

Seguir este caminho de exclusão da fé representa um grave perigo para as nações, advertiu: “O ateísmo e o secularismo são as principais ameaças para a Europa”. Sobre este ponto, o Prefeito recordou que todo o continente europeu construiu sua cultura e sua sociedade sobre raízes cristãs. “Se perdemos estas raízes, no final nos encontraremos não em um ambiente neutro, mas no abismo”, advertiu.

Por este motivo, exortou aos fiéis a tomarem parte na atividade política de seus países. “Não devemos ficar na defensiva”, com um testemunho de fé “limitado a assistência à Eucaristia dominical”. Diante de uma cultura e uma política cada vez mais contrárias à fé, “necessitamos mais católicos participando na sociedade”, afirmou o Prefeito, em diálogo com o informativo Mittelbayerischen Zeitung.

“Existem católicos convencidos, trabalhando em todos os níveis da vida política”, expôs o Arcebispo, como exemplo de que é possível e necessário harmonizar a Fé com o serviço ao bem comum do Estado. O prelado convidou aos fiéis devotos a se candidatarem para os cargos públicos e a participarem ativamente das eleições. (EPC/GPE)

Com informações da Agência KAI.

* Onde estava Deus na tragédia da escola americana? IMPERDÍVEL!

quarta-feira, dezembro 19th, 2012

* Na Inglaterra e País de Gales pesquisas revelam queda no número de cristãos. Bispos comentam.

quinta-feira, dezembro 13th, 2012

Rádio Vaticano

Entre 2001 e 2011, o número de pessoas que se definem como cristãs na Inglaterra e País de Gales caiu de 71,7% para 59,3%. É o que revela uma pesquisa do Escritório Nacional de Estatística.

A Conferência Episcopal Católica da Inglaterra e País de Gales comentou os dados indicando que “uma diminuição no número daqueles que se definem como cristãos apenas reflete os valores sociais atuais”. Os bispos também enfatizaram que o aumento de pessoas que se definem como “sem qualquer fé” no Deus da Bíblia (eram 14,1 milhões em 2011) é um dado “não desencorajador”, pois demonstra que “o cristianismo não é mais religião de cultura, mas de escolha e de compromisso”, e enfatizam que “as pessoas fazem uma escolha positiva ao definir-se pelo cristianismo”.

As estatísticas também revelaram que um quarto da população declara não ter religião alguma (em 2011 eram 15%) e que o cristianismo ainda é a religião mais importante com 33,2 milhões de adeptos (59,9% da população), seguida pelo islamismo (2,7 milhões de pessoas ou 4,8% do total).

Não obstante a situação levantada pela pesquisa, os prelados sustentam que a população católica permanece constante e representa 9% dos cidadãos, um quinto dos quais frequenta a missa semanalmente. (JE)

* A “cinzenta mediocridade do cristianismo” na América.

quarta-feira, dezembro 12th, 2012

Em um discurso pronunciado no primeiro dia do Congresso que se realiza na Sala do Sínodo no Vaticano com ocasião do 15º aniversário da Exortação Apostólica Ecclesia in America,(foto acima) o Secretário da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), professor Guzmán Carriquiry, advertiu sobre “o cinzento pragmatismo e a mediocridade” que marca uma forma de cristianismo morno e sem entusiasmo que se vive no continente.

Em sua conferência titulada “A Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in America: profecia, ensinamentos e compromissos”, Carriquiry recordou que ante a tendência crescente de viver a fé com mediocridade, tibieza e ignorância, o documento “Ecclesia in America” recordou longamente “o exemplo dos numerosos santos, heróis, campeões da caridade e mártires para nos recordar o caminho que temos que percorrer hoje os cristãos da América no Terceiro Milênio”.

“Quantos são os cristãos que hoje sepultaram seu batismo sob uma capa de consumismo e indiferença”, disse o Secretário da CAL. “Quantas devoções se vivem sem um autêntico encontro com Cristo nos sacramentos, quantos mix de elementos religiosos sincréticos, o abandono da confissão, a superficialidade na participação eucarística”, adicionou.

Carriquiry destacou que o encontro com Cristo requer de uma radical renovação da catequese –que é o ensinamento da fé– “que tem que ser apresentada em toda sua grandeza, porque existe uma grave ignorância da nossa fé, especialmente nas novas gerações”.

Segundo o professor uruguaio “vivemos esta crise de uma autêntica formação católica que se nota em todos os cristãos, mas especialmente naqueles que têm mais influencia na nossa sociedade”.

“Por isso –adicionou– necessitamos repensar a fundo a formação cristã dos fiéis, seja de iniciação ou reiniciação, para obter uma crescente e sólida formação de pessoas maduras na fé”. Segundo Carriquiry, a referência fundamental para este processo “tem que ser o Catecismo da Igreja Católica, que o Papa Bento XVI colocou no centro deste Ano da Fé”.

Guzmán, um leigo casado com quatro filhos e oito netos que serve no Vaticano há 40 anos, assinalou que “as famílias cristãs necessitam mais ajuda neste serviço fundamental de educar na fé; sobretudo se se considera a extensa rede de escolas e universidades católicas cujos frutos evangelizadores são insuficientes, sobretudo se se tem em conta o investimento humano que implicam”.

“Acredito –acrescentou– que é o momento de reavaliar profundamente o papel da educação católica na América Latina e América do Norte”.

“Espero que este congresso seja ocasião providencial para uma firme e inquebrável comunhão afetiva e efetiva das Igrejas no continente americano, em torno do sucessor de Pedro; para que a Igreja em todo o continente tenha uma presença mais eficaz na vida pública”.

Carriquiry assinalou que esta unidade pode ser ocasião para pôr fim aos preconceitos que existem em alguns norte-americanos que veem nos imigrantes hispanos uma “invasão” que põe em risco o experimento norte-americano; porém assinalou que os hispanos devem a sua vez compreender-se como “uma contribuição providencial à vida nacional com sua produtividade, assim como com seu sentido do sobrenatural”.

“A Igreja Católica respeita a legítima legislação de cada país, mas não pode deixar de considerar os imigrantes de um ponto de vista humano e caridoso”, adicionou.

“Em toda a América, a Igreja só pede e exige o direito à liberdade que corresponde. Não pede nenhum privilégio”, disse Carriquiry, e assinalou que o crescente desprezo à liberdade religiosa “é uma inquietação que compartilha com outros irmãos na fé cristã, como se nota em importantes e históricos pronunciamentos como a Declaração de Manhattan”.

Carriquiry concluiu recordando que na Igreja das Américas vive mais da metade de todos os católicos e, portanto “é impossível ignorar o papel histórico atual e futuro que a esta porção do povo de Deus lhe corresponde. Esse foi o sonho do Beato João Paulo II e é a visão do Papa Bento XVI”.

* “O Estado ‘neutro’ acaba impondo a cultura secularista”, afirma cardeal Scola.

sábado, dezembro 8th, 2012


Vatican Insider

O Estado que tem a marca do “laicismo” francês, em vez de ser verdadeiramente “neutro”, acaba por “exercer um poder negativo em relação às demais identidades, sobretudo as religiosas, que se encontram nas sociedades civis e tende a marginalizá-las, quando não as expulsa, do âmbito público”. A afirmação foi feita pelo cardeal Angelo Scola, de Milão, no tradicional discurso à cidade que pronunciou na vigília da festa de Santo Ambrósio, que este ano abre as celebrações pelos 1700 anos do Edito de Constantino.

Scola recordou que o edito tem um significado histórico porque representa a ata de nascimento da liberdade religiosa e do estado laico. O cardeal também recordou a passagem fundamental do Concílio Vaticano II que, com a declaração Dignitatis Humanae, acrescentou a liberdade religiosa aos direitos inalienáveis da pessoa. Notou que, atualmente, o tema segue tendo muita atualidade: um recente estudo demonstra que entre 2000 e 2007 “foram 123 os países em que se verificou alguma forma de perseguição religiosa e, infelizmente, o número está em constante aumento”.

Ao falar sobre a relação entre a liberdade religiosa e a paz social, Scola indicou que, ao contrário do que se poderia pensar, os conflitos não diminuem, mas aumentam, quando o Estado reduz “as margens da diversidade religiosa”. De fato, quanto mais vínculos o Estado impõe, mais aumentam os contrastes religiosos, porque “impor ou proibir por lei práticas religiosas” provoca o aumento dos “ressentimentos e frustrações que depois se manifestam no cenário público como conflitos”.

A questão da relação entre a liberdade religiosa e a orientação do Estado foi o tema sobre o qual o cardeal refletiu mais profundamente. Scola recordou que a evolução dos Estados democrático-liberais mudou “o equilíbrio sobre o qual tradicionalmente se sustentava o poder político”. Com esta mudança, desapareceram algumas “estruturas antropológicas”, reconhecidas como “dimensões constitutivas da experiência religiosa”, como o nascimento, o matrimônio, a procriação, a educação, a morte. Foram se “absolutizando as políticas dos procedimentos de decisão que tendem a se autojustificar incondicionalmente”.

O cardeal explicou que “o pressuposto teórico” desta evolução nasceu com o modelo francês de “laicité” e se “baseia na ideia da indiferença, definida como “neutralidade”, das instituições estatais em relação ao fenômeno religioso”. Uma forma para favorecer, à primeira vista, a liberdade religiosa de todos, mas esta concepção “muito difundida na cultura jurídica e política europeia” acabou por se converter em “um modelo hostil em relação ao fenômeno religioso”. E hoje, acrescentou o arcebispo de Milão, “nas sociedades ocidentais, e sobretudo europeias, as divisões mais profundas são aquelas que há entre a cultura secularista e o fenômeno religioso, e não – como se pensa muitas vezes de maneira errada – entre os crentes de diferentes religiões”.

Ao não reconhecer este dado, “a justa e necessária aconfessionalidade do Estado acabou por dissimular, sob a ideia da ‘neutralidade’, o apoio do Estado a uma visão de mundo que se baseia na ideia secular e sem Deus”. O Estado fez sua uma cultura específica, a secular, que “através da legislação se converte na cultura dominante” e acaba por “exercer um poder negativo em relação às demais identidades, sobretudo as religiosas”.

“Sob a aparência da neutralidade e da objetividade das leis – explicou Scola – se sela e se difunde, pelo menos nos fatos, uma cultura fortemente conotada por uma visão secularizada de homem e de mundo, que não tem abertura para o transcendente”. Se é o Estado que faz sua esta visão, limita-se “inevitavelmente a liberdade religiosa”. Segundo o cardeal, é preciso questionar a aconfessionalidade do Estado, que não deve ser interpretada como “afastamento”. Ao contrário, deve “abrir espaços em que cada sujeito pessoal e social possa contribuir para a construção do bem comum”.

A Igreja não é autora da verdade humana, sujeita às revisões de cada tempo, mas depositária da VERDADE revelada por Deus, em Cristo Jesus.
  Assine o RSS
_______________________
Comentários
  • •Blasfemia, aborto. Ô serpente perseguidora,derrotada, desesperada. Somente Tu Senhor, tens palavra de vida eterna....
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Como posso falar do meu direito enquanto mulher se não respeito o primeiro direito do outro que é o direito a vida, todos temos direito de nascer mesmo se não fomos concebido em...
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •Que essa "ministra" diga isso para a sua descendência porque o coração duro ainda continua nas pessoas, como disse na carta de divórcio admitida por Moisés.Que ela leia o...
    em * Ministra da igualdade da Espanha
  • •esse livro so fala de heresias, e quem e catolico de verdade nao leria este livro horrivel...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •eu ja tinha percebido que o livro nao prestava, pois antes de participar do shalom, eu participava de outra comunidade que apoiva totalmente o livro, mas depois do shalom mudei...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •Triste como essa 'ditadura do relativismo' tem acorrentado e cegado tantos. Se declarando livres e tolerantes não percebem que estão sendo enganados. Um dia, também já me achei...
    em * Por que o ateísmo é tão comum
  • •CARÍSSIMA ELOÁ http://www.washingtontimes.com/news/2012/jun/10/study-suggests-risks-from-same-sex-parenting/ Pesquisa revela os perigos de famílias com...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Olá, Vocês citam o comentário de um líder homossexual que diz:-"Os estudos demonstram que os que são educados por pais do mesmo sexo acabam tendo problemas...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
Categorias
Artigos – Dia a dia
maio 2013
D S T Q Q S S
« abr    
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031