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* Você sabe MESMO a diferença entre o homem e o animal?

quarta-feira, setembro 1st, 2010

Zenit

Entrevista com professor Leopoldo Prieto, LC

Qual é a diferença entre o homem e o animal? Esta pergunta clássica continua apaixonando milhões de pessoas no início do século XXI. Um livro oferece agora uma resposta científica e cristã.

«Acima de sua condição biológica, o homem é chamado a abrir-se pelo conhecimento a novas realidades», disse Bento XVI;  Também os animais conhecem  — afirmava o Papa — «mas só aquelas coisas que dizem respeito a sua vida biológica». Diferente deles, «o homem tem sede de conhecer o infinito».

Estas palavras do Papa encerram uma orientação para a cultura de nossos dias na candente, e nem sempre clara, questão do homem e o animal.

Um exemplo desta situação no âmbito espanhol foi o projeto de lei (11 de abril de 2006) da Câmara dos Deputados pelo qual se instava o Governo espanhol a aderir ao projeto grande símio (idealizado pelos animalistas Peter Singer e Paola Cavalieri) para promover a paridade de tratamento jurídico a todos os integrantes da «comunidade dos iguais», integrada pelos grandes símios e as pessoas humanas.

Para compreender melhor este fenômeno cultural de nosso tempo, Zenit entrevistou Leopoldo Prieto López, LC, professor de filosofia no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), interessando-se por seu livro, recentemente publicado na Espanha, «O homem e o animal: novas fronteiras da antropologia» (BAC, Madri, 2008).

O volume apresenta os resultados de diversas investigações interdisciplinares de biologia e filosofia sobre o tema do homem e de suas relações com o mundo animal.

—Qual o seu objetivo ao escrever este livro?

—Pe. Leopoldo Prieto: Um objetivo simples, mas que considero promissor para a renovação dos estudos sobre o homem. Até o começo do século XX a antropologia era elaborada pensando quase exclusivamente nas faculdades do espírito humano (entendimento e vontade). Chamava-se por isso psicologia racional. Mas como as faculdades racionais são algo peculiar que diferencia o homem do animal, deixava-se de lado o estudo das dimensões físicas da natureza humana, comuns com o mundo animal. Este enfoque supunha um certo cartesianismo de fundo e, sobre tudo, a perda da fecunda doutrina aristotélica da alma como «forma» do corpo. Em várias de suas obras sobre biologia, Aristóteles explica o que supõe concretamente que o homem seja um «animal racional». A intuição genial deste filósofo não está em admitir a peculiaridade que a inteligência confere ao homem sobre outros animais — coisa perfeitamente sabida pelos filósofos precedentes — mas sim em fazer depender da inteligência a típica conformação corporal própria do homem. Por isso, se a alma é na verdade «forma» do corpo, é possível expor o estudo da antropologia de um novo ponto de partida que centra sua atenção inicialmente sobre o corpo humano.

—Mas não é isto uma concessão ao materialismo antropológico em voga?

—Pe. Leopoldo Prieto: Não, pelo contrário. É uma mudança de perspectiva da antropologia que abre possibilidades muito fecundas para o estudo do homem, além de reconhecer as justas exigências de uma revalorização da dimensão física da natureza humana. Se a alma está em todo o corpo como sua «forma», é lógico que ela deixe algum rastro. Pois bem, esses rastros existem e são inequívocos.

—Quais são esses rastros que a alma racional deixa no corpo humano?

—Pe. Leopoldo Prieto: Há dois traços físicos, inexplicáveis segundo a biologia, pelos quais se pode afirmar (num sentido filosófico) que o corpo humano é o correlato físico da alma de um ser racional.

Os traços são: a inespecialização morfológica do corpo humano e a carência de instintos. Em virtude do primeiro, o corpo humano reproduz, a seu modo, a ilimitada abertura da razão humana à realidade, aparecendo assim como um corpo aberto, quer dizer não-especializado (embora por isso mesmo mais vulnerável fisicamente), desvinculado do ambiente físico e livre das cadeias que o meio ambiente impõe à morfologia de qualquer animal. Do mesmo modo, a ilimitada abertura da vontade (que é o fundamento profundo da liberdade), tem uma correspondência análoga na indeterminação física da conduta humana, que se encontra desamparada (ou liberada, dependendo da perspectiva) do instinto animal, com as vantagens e inconvenientes que isso envolve; assim, o homem se torna capaz de conduzir por si mesmo, guiado pela razão, todas as suas ações. Diante disso, a diferença entre o animal e o homem não poderia ser maior: o animal é conduzido pelo instinto, que a sua vez é posto em marcha pelos excitadores orgânicos que reagem diante dos estímulos do meio ambiente; o homem, ao invés, se se conduz pela razão, que propõe motivos à vontade, por meio da qual se governa a si mesmo.

—Por que dá tanta importância ao fato da inespecialização morfológica?

—Pe. Leopoldo Prieto: Efetivamente, a inespecialização morfológica é um fator de grande importância na reinterpretação da antropologia que o livro propõe. A adaptação ao meio ambiente é uma lei fundamental da biologia. Todos os animais, em maior ou menor medida, estão adaptados morfológica e funcionalmente ao próprio hábitat. Ao contrário deles, o homem, seguindo uma estranha exigência extra-biológica, manifesta em seu próprio corpo uma sistemática rejeição a ficar aprisionado por certas formas orgânicas especializadas. Isto já se sabia no tempo dos gregos. Mas naquela época não se podia dar uma explicação deste fato segundo os dados biológicos conhecidos hoje.

—Em seu livro diz você que a inespecialização é um caráter primitivo dos organismos. Pode explicar esta idéia?

—Pe. Leopoldo Prieto: É assim mesmo. Esta é outra das contribuições mais interessantes deste trabalho. Os estados morfologicamente especializados são sempre etapas tardias no caminho evolutivo de uma espécie. Frente a eles, a carência de especialização denota sempre um caráter arcaico. Toda especialização representa a perda de muitas possibilidades latentes no órgão não-especializado (e primitivo) em benefício do desenvolvimento intenso de uma determinada possibilidade adaptativa. Raciocinando a partir disso tiramos uma conclusão muito interessante, por suas implicações na delicada questão da evolução do homem. A questão é esta: se a carência de especialização reveste sempre o caráter de primitivismo, e se os estágios especializados são sempre estágios finais no caminho da evolução, daí se conclui que é impossível que as configurações morfológicas primitivas (como o crânio, a mandíbula, mãos e pé humanos, etc.) procedam de outras posteriores mais evoluídas, como são todos as características morfológicas altamente especializadas dos símios.

—Se não entendi mal,  isso quer dizer que o homem é uma criatura menos evoluída que os macacos?

—Pe. Leopoldo Prieto: Isso mesmo. Ou menos evoluída, ou evoluída de um modo contrário aos símios. Um estudioso sugeriu, não sem certa ironia, mas indicando algo substancialmente verdadeiro, que, para defender o evolucionismo, seria preciso defender, em lugar da velha imagem do século XIX, do evolucionismo de um homem que deriva do macaco — a famosa série de indivíduos que passam de semi-quadrúpedes até o homem atual erguido —, justamente o contrário, ou seja, a idéia de um macaco (como ser altamente especializado e adaptado à forma de vida arborícola) que procede do homem, um ser muito mais primitivo e menos especializado.

—Uma idéia um pouco chocante, não lhe parece?

—Pe. Leopoldo Prieto: Pode ser, de um ponto de vista cultural, mas do ponto de vista científico é bastante bem fundada. Autores de renome científico afirmaram que a filogenia dos macacos antropóides consistiu em uma simiação crescente a partir de formas arcaicas mais parecidas com as humanas, frente à hominização progressiva da série humana. Houve inclusive quem falou que a desumanização progressiva do macaco.

—Qual é o primitivismo humano que você considera de maior importância?

—Pe. Leopoldo Prieto: Sem dúvida, o primitivismo do crânio humano, um caso muito bem estabelecido e de particular relevância. Retrocedendo no desenvolvimento ontogenético dos vertebrados (principalmente nos mamíferos) até a fase embrionária, vão aparecendo cada vez mais semelhanças entre o crânio destes e o crânio humano. Por exemplo, no crânio dos grandes símios, em seu período embrionário e infantil, é possível reconhecer muitos traços humanos (crânio arredondado, colocado verticalmente sobre a região facial, que aparece quase sem a proeminência do focinho), que, entretanto, desaparecem ao alcançar a maturidade, justamente quando o crânio do símio começa a adquirir os traços tipicamente animais: a zona facial experimenta um poderoso desenvolvimento para a frente, formando um plano contínuo com uma testa retrocedida. Ao contrário destes animais, nos seres humanos se conserva a disposição embrionária do crânio ao longo de toda a vida. Se compararmos o crânio do homem e o de qualquer grande símio em seu estágio infantil, a semelhança é surpreendente. Etienne Geoffroy Saint-Hilaire, por exemplo, observava em 1836: «O crânio de um orangotango jovem tem uma grande semelhança com o da criança. Na cabeça do filhote de orangotango encontramos os graciosos traços infantis do homem; mas se considerarmos o crânio do adulto encontramos formas animalescas de uma nítida bestialidade». Como sugeri antes, o crânio dos filhotes de macaco conserva uma espécie de esboço de humanidade.

—Os biólogos atuais falam da origem neotênica das propriedades especificamente humanas. Você pode explicar brevemente o que é a neotenia?

—Pe. Leopoldo Prieto: Este curioso termo é definido como o «fenômeno pelo qual, em determinados seres vivos, se conservam caracteres larvais ou juvenis depois de terem alcançado o estado adulto». Efetivamente, a neotenia é uma teoria que explica a origem dos primitivismos humanos, pondo-os em relação com traços fetais e embrionários, presentes em todos os mamíferos em seu estágio embrionário e abandonados na forma adulta, mas mantidos permanentemente no homem em sua forma adulta. Como foi demonstrado, os traços embrionários são os portadores de formas primitivas não especializadas, abertos portanto a uma ampla gama de possibilidades evolutivas. Os caracteres embrionários ou neotênicos, ao se consolidarem no homem adulto, evitam neste a necessária vinculação morfológica ao hábitat que é própria de toda especialização morfológica animal. Esta doutrina foi batizada com o nome de «neotenia» por J. Kollmann (1885), mas adquiriu maior respeitabilidade científica no século XX, sobre tudo a partir de uma obra do S. J. Gould de 1977. Mas essa idéia era muito mais antiga.

—Passando a outro tema do livro, o que você pensa da inteligência dos animais?

—Pe. Leopoldo Prieto: Em primeiro lugar, teríamos que determinar com precisão o conceito de inteligência. Normalmente, quando se diz que um determinado animal é inteligente, se quer dizer que ele dispõe de alguma capacidade psicológica que lhe permita realizar condutas complexas ou de grande precisão. Em realidade, se a inteligência consistisse nisto, virtualmente todos os animais seriam mais inteligentes que o homem, cuja dotação de conhecimento sensorial é bastante inferior em precisão e certeza à de muitos animais. O termo próprio para indicar a complexa e especializada conduta do animal é instinto. A conduta de um animal é tão mais certeira e precisa quanto mais depende da determinação unívoca que é própria do conhecimento sensorial e do instinto. Por outro lado, o estudo do instinto é uma fonte inesgotável de conhecimento para os estudiosos da conduta animal, extremamente precisa para o particular, mas cega para o geral. Por sua parte, o próprio da inteligência é comportar-se inicialmente de um modo incerto e vacilante (porque carece da determinação unívoca do sentido), mas com capacidade de aprendizagem, de modificação contínua e de progresso da conduta. Na realidade, o animal não é inteligente. Embora haja um sentido da expressão «inteligência prática» que pode ser aceitável aplicado ao animal, é importante deixar claro que a inteligência, propriamente dita, envolve um novo modo de relacionar-se com as coisas, que é inacessível ao animal.

—Entretanto, alguns etólogos falaram da «conduta curiosa» de alguns animais…

—Pe. Leopoldo Prieto: Efetivamente. Em especial, K. Lorenz fez valiosas observações sobre alguns animais de conduta exploratória ou curiosa, em cujas ações, ao invés da rigidez própria do instinto, observa-se uma certa semelhança à conduta objetiva, tipicamente humana. Mas a conduta curiosa destes animais não é propriamente de natureza intelectual, porque não é capaz de considerar a natureza dos objetos descobertos na exploração. Mesmo assim, um mérito inegável destes estudos foi a interessante confirmação da relação que existe entre tipo de conduta e conformação morfológica do animal. Um animal de conduta curiosa, como por exemplo o corvo, que tem um amplo repertório de condutas, deve dispor de uma motricidade suficientemente ampla para poder satisfazer a vasta gama de objetos e ações que a exploração lhe descobre. Uma especialização morfológica desenvolvida permitiria uma série muito precisa, mas muito limitada, de movimentos. Por isso, a relativa carência de especialização destes animais lhes permite povoar hábitats muito diversos. Já foi dito que os animais “curiosos” se especializaram em não ser especializados, algo — como se vê — que é próprio, principalmente, do homem.

—O que você pensa da linguagem dos animais?

—Pe. Leopoldo Prieto: Como é lógico, a questão da linguagem depende da da inteligência. A linguagem é expressão do que se conhece. E assim como há diversos modos de conhecer (inteligência e conhecimento sensorial), há diversos modos de comunicar o que se conhece. É claro que os animais se comunicam entre si, e alguns deles o fazem de um modo extremamente complexo e preciso. A realidade da comunicação animal deriva de duas premissas evidentes: primeiro, o animal tem conhecimento sensitivo; e segundo, é um ser social, de onde procede a necessidade de comunicar aspectos de interesse biológico aos seus congêneres. Pois bem, não se pode chamar esse tipo de comunicação, rigorosamente, de linguagem. A linguagem é o modo próprio de comunicação de um conhecimento intelectual (abstrato, ou como também é chamado, simbólico). Como o conhecimento inteligente é exclusivo do homem, a linguagem também o é. Esta conclusão é constatada continuamente pelos estudiosos de psicologia animal. Portanto, a diferença fundamental entre comunicação animal e linguagem humana consiste em que a primeira é expressão afetiva do próprio estado orgânico do animal, enquanto que a segunda é, acima de tudo, manifestação objetiva do próprio modo de ser da coisa conhecida. É o que se chama compreensão. Esta é a verdadeira fronteira entre a comunicação animal e a linguagem humana.

—Mas não se demonstrou que alguns macacos especialmente espertos são capazes de interagir inteligentemente com o homem, inclusive usando o computador?

—Pe. Leopoldo Prieto: Os experimentos realizados com macacos, especialmente com chimpanzés, com o propósito de demonstrar a existência de aptidões lógicas nos mesmos, revelaram-se sempre um grande fracasso. Foram empregados muitos recursos e tempo, mas os resultados foram sempre decepcionantes. O único que conseguiram provar é a existência de memória associativa (que é a base do adestramento animal), mais ou menos desenvolvida, nesses animais. Os próprios investigadores tiveram de reconhecer que os chimpanzés, inclusive depois de um intenso adestramento lingüístico, permanecem no nível de comunicação de que estão dotados naturalmente. Isto significa que o que foi «aprendido» por estes animais por meio do adestramento não foi «compreendido». Por isso, não chega a formar parte do próprio patrimônio comunicativo, nem é transmitido à sua prole. Portanto, tudo o que foi obtido com estes experimentos, tão sofisticados como obstinados, foi a associação de imagens com determinadas ações (em número bastante reduzido), reforçada por meio daqueles prêmios que mais interessam ao animal (comida, passeio, etc.).

* Congresso Mundial da Imprensa Católica, no Vaticano.

segunda-feira, agosto 30th, 2010

Após o Congresso Mundial sobre Televisões Católicas de 2006, em Madri, e o de rádios católicas em 2008, realizado no Vaticano, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais está preparando para fechar o círculo de reflexão com um Congresso Mundial sobre a imprensa católica. O encontro foi fixado para outubro próximo, no Vaticano, entre os dias 4 e 7.

Faltando pouco mais de um mês para a Conferência, 60 países já confirmaram o envio de seus delegados. O debate de especialistas se concentrará sobre o presente e o futuro da imprensa católica no mundo, com especial atenção para sua presença no mundo da web e das novas mídias.

Segundo o Presidente do organismo vaticano, o Arcebispo Dom Claudio Maria Celli, “a grande questão de base é sempre a mesma: no contexto social de hoje, na Igreja de hoje, qual papel deve desempenhar uma rádio católica, uma televisão católica? A mesma pergunta pode ser feita à imprensa escrita”. “E o tema do Congresso – continuou Dom Celli – não se refere só à Igreja Católica, mas à imprensa católica na era digital, porque agora todo mundo sabe que existem muito mais leitores que lêem um jornal – católicos ou não – através da Internet, que compram um exemplar do jornal”.

E então, disse ainda o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais é inegável que as novas tecnologias estão abrindo perspectivas muito mais amplas, ricas, estimulantes … “Então, nós pensamos que era apropriado convidar as pessoas que trabalham na imprensa em todo o mundo católico para discutir sobre a questão”.

“Nós não escolhemos os delegados. Pedimos às Conferências Episcopais que nomeassem três delegados, representando os vários países. Serão dois delegados peritos em imprensa e um delegado especialista em Internet e em novas tecnologias. (SP)

Rádio Vaticano

* Segundo livro do Papa sobre Jesus chegará às livrarias em março de 2011.

quarta-feira, agosto 25th, 2010
Young Catholics Attend Youth Rally With Pope Benedict XVI

O próximo livro de Bento XVI sobre a vida de Jesus chegará às livrarias, em vários idiomas, no primeiro domingo da Quaresma, 13 de março. Foi o que afirmou ontem à Rádio Vaticano Giuseppe Costa, diretor da Libreria Editrice Vaticana.

Este esperado segundo volume, que se centra na paixão e morte de Jesus, encontra-se atualmente em processo de tradução para os diferentes idiomas. Será entregue aos editores no dia 15 de janeiro, para preparar as respectivas edições nacionais.

Segundo Costa, no momento, chegou-se a um acordo com 18 editoras, ainda que não se descartam mais pedidos nos próximos meses.

O Papa – segundo confirmou o porta-voz vaticano, Federico Lombardi – trabalha atualmente no terceiro volume sobre a vida de Jesus, dedicado à infância de Cristo.

Giuseppe Costa, responsável editorial dos textos vaticanos, encontrava-se estes dias em Rimini (Itália), para a apresentação do primeiro volume da Opera Omnia (obra completa) de Joseph Ratzinger.

A apresentação aconteceu durante o festival conhecido como Meeting de Rimini, organizado pelo movimento católico Comunhão e Libertação, que todos os anos reúne milhares de pessoas.

Esta Opera Omnia consta de 16 volumes que recolhem todos os escritos e intervenções de Joseph Ratzinger, antes de ser eleito Papa, sobre a importância da liturgia na vida cristã.

A obra traz, explicou Costa, “não seus ensinamentos como pontífice, mas seus escritos, entrevistas e ensinamentos como cardeal. Esta Opera Omnia encerra quando ele foi eleito Papa”.

Sobre o conteúdo das obras, o bispo de Ratisbona, Dom Gerhard Müller, encarregado da edição alemã, explicou à emissora vaticana a importância que a liturgia tem no pensamento de Joseph Ratzinger.

“A liturgia é a participação sacramental na vida de Deus. Por isso, não é só um ‘teatro’, uma autoexpressão do coração ou da ideia da subjetividade, mas é a expressão objetiva, real, concreta, do contato com o próprio Deus, que quer conviver conosco, suas criaturas”, afirmou o prelado.

* Dilma divulga manifesto para acalmar ‘povo de Deus’.

segunda-feira, agosto 23rd, 2010

O Estado de S. Paulo

Vedete da campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, a Carta ao Povo Brasileiro, feita sob medida para acalmar o mercado, ficou para trás. De olho no voto de católicos e evangélicos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, escreveu agora um manifesto intitulado Carta ao Povo de Deus, no qual defende a família e promete não espichar a polêmica sobre aborto e união civil entre homossexuais.

“Cabe ao Congresso Nacional a função básica de encontrar o ponto de equilíbrio nas posições que envolvam valores éticos e fundamentais, muitas vezes contraditórios, como aborto, formação familiar, uniões estáveis e outros temas relevantes, tanto para as minorias como para toda sociedade brasileira”, diz a carta assinada por Dilma.

No último parágrafo do manifesto, que será distribuído em seu comitê, a petista pede “oração” e “voto” para ter a “oportunidade” de continuar o projeto de Lula. Em tom pontuado por expressões de fé e esperança, Dilma diz que programas como o Bolsa-Família e o Minha Casa Minha Vida resgatam valores da cidadania e a “semente do Evangelho”.

Disposta a cativar todas as denominações cristãs, ela observa que a miséria e as distorções sociais têm “o dedo imperfeito do homem, e não o desígnio de um Deus perfeito”.

Na quinta, Dilma conversou com o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, d.Geraldo Lyrio Rocha em Brasília. Estava acompanhada por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula e ex-seminarista.

A visita de Dilma à sede da CNBB ocorreu no rastro da polêmica envolvendo o bispo de Guarulhos (SP), d. Luiz Gonzaga Bergonzini. Em artigo intitulado Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus – postado no mês passado no site da CNBB -, o religioso defendeu o boicote à candidatura de Dilma por considerar que a petista defende o aborto, embora ela não tenha pregado sua legalização.

Coordenado pelo pastor e deputado Manoel Ferreira (PR-RJ), o comitê evangélico pró-Dilma também produziu uma cartilha contendo “13 motivos” para o cristão votar nela. Na lista consta que a candidata “faz parte de uma geração que lutou pelo ideal da liberdade democrática, tanto quanto pela liberdade cultural e religiosa”. Na tentativa de combater a fama de durona que maltrata os subordinados, o texto diz ainda que “Dilma é humilde e conhece o sofrimento, a dor e a necessidade do ser humano”.

* Vampirismo. Isso é real ou “inocente” ficção?

sábado, agosto 21st, 2010

Aqui no Blog já abordamos esse assunto do tal “vampirismo real.”

Tem muita gente que acha essa idéia resquício de uma certa visão fundamentalista ou “medieval” e que  o vampirismo não passa de uma moda passageira, sem maldade…

Não afirmamos que o fato noticiado abaixo seja normal nem muito menos de que quem é fã das séries ou filmes que abordam essa temática sejam isso, em absoluto, sabemos que fatos como esse são exceções e que talvez as pessoas envolvidas sejam desequilibradas, sabemos também que a grande maioria das pessoas consegue separar muito bem a vida da ficção…

PORÉM reafirmamos que existem outras questões envolvidas nesse tema e que nem todos recebem as informações da mesma forma;  devemos de forma muito crítica analisar as modas passageiras de nossa efervescente cultura, especialmente sendo cristãos e possuidores de outros critérios de análise que vão além daquilo que o homem natural vê, ou melhor, muitas vezes não vê.

Não se esta falando aqui de proibição nem de quebra de DVDS nas ruas, mas de DISCERNIMENTO À LUZ DA FÉ DAQUILO QUE NOSSA CULTURA DIA A DIA NOS PROPÕE.

Não é ser neurótico nem fundamentalista, mas , por favor, não sejamos ingênuos nem inocentes.

A verdade dos fatos não é a que nós queremos que seja, nem está condicionada à nossa perplexa incredulidade ou razão diante de fatos como esses; ela é o que é!

Mesmo que a neguemos ela nos confronta dia a dia na vida ou na tv, no horário do almoço.

* Os nobres de Beréia: exemplo de “Sola Scriptura”?

segunda-feira, agosto 16th, 2010

Todos gostam dos bereanos, e todos nós também gostamos de parecer nobres. Este é um dos textos favoritos para se provar a Sola Scriptura pelos seus adeptos.

Em Atos 17,11 lemos, “Estes eram de sentimentos mais nobres do que estavam em Tessalônica, e receberam a Palavra de Deus com toda a avidez, examinando todos os dias as Escrituras para ver se estas coisas eram assim“.

Muitos protestantes vêem neste um tipo de trunfo no qual a Escritura anula a Tradição Oral.

Então a questão é, “os bereanos são um exemplo da Sola Scriptura em ação? E os protestantes de hoje se comportam como os bereanos dos Atos?”

É importante ter cuidado ao observar como os bereanos se comportavam e comparar com passagem Bíblicas similares. Quando fizermos isso veremos se desenvolver um caminho.

Atos 17 considera como Paulo chegou em Tessalônica: “Passando por Anfípolis e Apolônia, chegaram à Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus. Paulo dirigiu-se a eles, segundo o seu costume, e por três sábados disputou com eles sobre as Escrituras, declarando e mostrando que Cristo deveria sofrer e ressuscitar dos mortos; E este, dizia, é Jesus Cristo, que eu vos anuncio” (1-3).

Na missão de Paulo aos Tessalonicenses, ele se comportou como um rabino viajante. Quando chegava à cidade entrava na sinagoga oficial. Quando Atos diz “segundo seu costume”, está se referindo ao costume judaico, não somente aos hábitos de Paulo. Como visitante, Paulo teria licença para orar e discutir o Torah. A parte importante aqui é que Paulo não ensina aos pagãos, mas aos judeus da sinagoga; em outras palavras… pessoas que CONHECIAM as Escrituras.

De suas Escrituras Paulo “desenvolveu os argumentos…”, o que em grego significa literalmente “abriu, desdobrou, destravou” as Escrituras, explicando e provando pontos sobre o Messias esperado. Mas logo depois veio a mudança das Escrituras para o seu próprio testemunho: “E o Cristo é este Jesus que vos proclamo!”.

Claramente vemos dois elementos em ação: as Escrituras E o ensinamento oral. Paulo usa ambos os elementos, juntos, para trazer a Boa Notícia aos Tessalonicenses.

O resultado é parcial: “alguns deles se convenceram e se juntaram a Paulo e Silas, também muitos gregos tementes a Deus, e não poucas mulheres nobres” (At 17,4). Mas nem todos se convenceram: “Os judeus, cheios de inveja, tomaram consigo alguns maus homens da ralé (e) amotinaram a multidão” contra Paulo, e ele foi forçado a deixar Beréia.

Desta forma temos dois grupos: os judeus e judaizantes gregos (gregos tementes a Deus) que “foram convencidos” por Paulo, e os outros judeus, os que não se convenceram. De fato, no grego eles foram descritos como opositores. O primeiro grupo é descrito como “peitheo” (que se traduz aqui como “convencidos”) e o segundo, os judeus que se “encheram de inveja”, são descritos como “apeitheo“.

A palavra “peitheo“, em grego, significa mais que “convencido por”. Significa “acreditar, confiar em, submeter-se a, e ser obediente a”.

Os dois grupos acreditavam nas Escrituras. A diferença é que o grupo que fora convencido confiou no testemunho de Paulo e foram obedientes em sua autoridade de ensinar a verdade!

Agora vamos seguir Paulo até Beréia… “Quando estava escuro os irmãos imediatamente enviaram Paulo e Silas para Beréia, onde visitaram a sinagoga assim que chegaram” (At 17,10). Temos uma situação paralela à visita em Tessalônica. Novamente Paulo vai à sinagoga para encontrar os líderes, como de costume.

Mas desta forma as coisas dão mais certo: “Estes eram de sentimentos mais nobres do que estavam em Tessalônica, e receberam a Palavra de Deus com toda a avidez, examinando todos os dias as Escrituras para ver se estas coisas eram assim. E muitos judeus creram, também muitas mulheres gregas vindas das altas classes e não poucos homens” (At 17,11-12).

Qual é a diferença que conta para um melhor resultado em Beréia? Muitos protestantes diriam que esta é se baseia na confiança dos bereanos somente nas Escrituras como regra de fé. Isto é verdade?

Nas duas cidades Paulo ensinou em sinagogas a judeus e judaizantes gregos. Podemos admitir que em Beréia ele “desenvolveu os argumentos pelas Escrituras para eles, explicando e provando como o Cristo deveria sofrer e voltar dos mortos” assim como ele fez em Tessalônica. Então não há como chegar à conclusão de que as duas cidades possuíam um profundo conhecimento das Escrituras. Falar e debater sobre o significado das Escrituras era um costume comum nas sinagogas.

A verdadeira diferença é que os judeus de Beréia “receberam a palavra de bom grado”. Que palavra? O testemunho oral. Seus corações estavam abertos à proclamação de Paulo. Os Tessalonicenses, por outro lado, rejeitaram a interpretação de Paulo e seu testemunho de que Jesus é o Messias.

Se os bereanos tivessem empregado as Escrituras da mesma forma que os defensores da Sola Scriptura propõem que faziam, teriam agido da mesma forma que a maioria dos judeus em Tessalônica. Enquanto muitas das afirmações que Paulo fez sobre as profecias em relação ao Messias seriam facilmente checadas pelo exame dos textos, havia um fato que eles não poderiam comprovar nos próprios textos: que “o Cristo é este Jesus que eu vos proclamo!” Este fato central acabaria com a boa vontade deles em aceitar as palavras de Paulo. As Escrituras suportam o testemunho de Paulo, mas a leitura franca dos textos não poderiam verificar tal doutrina.

“Buscar nas Escrituras” não é em si suficiente para os bereanos. Eles foram diferente porque “receberam a palavra de bom grado”. Uma pessoa de coração endurecido poderia buscar em toda a Escritura e nunca teria a boa vontade de receber a palavra que Paulo trazia. Como Paulo falou aos Gálatas: “Deixem-me fazer-vos uma pergunta: recebestes o Espítiro pelas obras da lei (torah) ou porque vós acreditastes no que fora ensinado a vocês?” (Gal 3,2) Uma boa pergunta também aos bereanos…e para nós!

Jesus encontrou problemas parecidos. Em Jerusalém Jesus curou um homem num sábado (Sabbath). Quando foi defrontado por alguns homens no templo, Ele os falou, “Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna; elas são as que dão testemunho de mim” (Jo 5,39).

Mesmo os discípulos estudavam as Escrituras, mas não as entendiam bem! Após Sua ressurreição, Jesus encontrou dois discípulos na estrada para Emmaús. “Então, começando por Moisés e os profetas, Ele explicou a eles as passagens através das quais as Escrituras falavam dele” (Lc 24,27).

O que os judeus a quem Jesus falou perderam não foi o conhecimento das Escrituras. Eles a possuíam. Mas eles não tinham entendido o que Jesus queria dar. Este entendimento era o que Paulo, agindo com a autoridade de Jesus, ofereceu aos judeus de Beréia e Tessalônica. Mas somente os bereanos foram nobre o suficiente para “receber a Palavra de bom grado”.

Esta combinação de Escritura e testemunho, sobre a transmissão oral e escrita da Boa Nova, é encontrada em todo lugar ao longo da Bíblia.

Em Atos 2 podemos ver o primeiro produto do trabalho da Igreja recém-nascida. Cheio do Espírito Santo, Pedro se dirigiu à assembléia dos judeus e falou que não estavam bêbados, mas “pelo contrário, isto é o que o profeta falou sobre ?nos dias por vir, é o Senhor quem diz, derramarei meu Espírito sobre todos os homens?” (At 2,17). Vemos Pedro citar as Escrituras. Ele continua: “Homens de Israel, escutem o que vou dizer; Jesus de Nazaré foi o homem enviado a vocês por Deus…” (At 2,22). Agora Pedro busca o testemunho. Ele tomou as Escrituras que os judeus conheciam e a interpretou, de posse do poder que recebeu de Jesus e do Espírito Santo. Ambas caminham juntas, nunca separadas. No discurso de Pedro este modelo é seguido por três vezes!

Mais tarde Felipe é enviado a levar a Boa Nova a um Eunuco na estrada de Gaza. “Quando Felipe correu escutou o homem lendo Isaías e perguntou, você está entendendo o que está lendo? Como posso eu entender, se não há ninguém para me ensinar?” (At 8,30-31). Não foi por falta de busca nas Escrituras que o eunuco perderia a salvação, mas pela falta de uma autoridade que o guiasse! Novamente, Escritura e Ensino Oral caminham juntos.

Os bereanos não eram nobres somente porque buscavam as Escrituras. Eles possuíam algo extra; “receberam a Palavra de bom grado“. Eles aceitaram o testemunho de Paulo! Eles não tinham vontade de serem mal orientados (por isso testaram as palavras de Paulo nas Escrituras), mas eles estavam dispostos a serem guiados (aceitaram sua autoridade para revelar o que estava na Escritura)

Os bereanos não eram adeptos da Sola Scriptura. Se assim fossem, rejeitariam o testemunho de Paulo quando disse “Este Cristo é este Jesus que vos proclamo!“. A doutrina que Paulo trouxe para ensinar não se encontrava nas Escrituras, ainda que se harmonizava com elas. Certamente, assim como os discípulos na estrada para Emaús, como o eunuco que encontrou Felipe, como o próprio Timótio, discípulo de Paulo, eles aceitaram a Boa Nova com base na Escritura e na autoridade oral, que provém de Jesus pela Sua Igreja.

Fonte: Veritatis Splendor

* Defender matrimônio e família ante as tentativas de equiparação com outras realidades, pedem Bispos.

segunda-feira, agosto 16th, 2010

Ao concluir sua 100ª assembléia plenária e no marco do Ano Jubilar pelo 375º aniversário do achado da imagem de Nossa Senhora dos Anjos, a Conferência Episcopal da Costa Rica alentou a defender e promover o matrimõnio e a familia alicerces da sociedade, e insistiu a não equipará-las com outras realidades que não têm sua mesma identidade.

Depois de fazer um chamado à conversão sincera, os prelados assinalam que “a família está no coração da missão da Igreja.Por isso, este mês de agosto, sob o lema: ‘Família, presente de Deus para a sociedade’, a Igreja quer ajudar a reafirmar a identidade da família e fazê-la consciente de seu protagonismo na configuração da sociedade costa-riquenha”.

“Como nos recordava o Papa João Paulo II ‘A família é uma comunidade de pessoas, a menor célula social, e como tal é uma instituição fundamental para a vida de toda sociedade. A família como instituição, que espera da sociedade? Acima de tudo que seja reconhecida em sua identidade e aceita em sua natureza de sujeito social’”.

Por isso, explicam, “se o matrimônio e a família demandam ser o que são, não se deve equipará-los com outras realidades que não têm a mesma identidade”.

Os bispos apelam também “à criação de uma autêntica ‘política familiar’ que proteja a família, em sua unidade e integridade cuja instituição configuradora é o matrimônio entre um homem e uma mulher” e exortam a “que se promova, realmente, o papel da família como o sujeito social, possuidor de direitos inalienáveis”.

Na mensagem os bispos também se referem ao desafio da violência em meio dos jovens e pedem ao Estado tomar responsabilidade no assunto para poder enfrentá-lo.

ACI

* Libano. Protestos levam a suspensão série televisiva sobre Cristo.

domingo, agosto 15th, 2010

Uma série da TV iraniana sobre a vida de Cristo foi retirada do ar no Líbano, em virtude dos protestos que desencadeou, pelo fato de mostrar uma versão da história diferente da aceita pela Igreja.

A comunidade cristã libanesa acusa a série de basear a trama nos textos apócrifos (não reconhecidos pela Igreja) atribuídos a Barnabé, e de mostrar um Jesus que não é crucificado nem ressuscita.

Essa versão da vida de Cristo é muito próxima à narrada no Alcorão – o livro sagrado do Islamismo – no qual Jesus é reverenciado apenas como profeta. O livro sagrado dos muçulmanos afirma que Deus salvou Jesus da crucificação e o elevou aos céus.

A série estava sendo transmitida por dois canais libaneses: o Al Manar, ligado ao Hezbollah, e o NBN. Geralmente, as emissoras de TV do mundo islâmico usam o mês santo do Ramadã para lançar suas maiores produções e muitas delas acabam gerando polêmicas.

O Líbano tem a maior comunidade cristã no Oriente Médio. O Cristianismo já foi a religião dominante no país, mas a comunidade cristã libanesa vem perdendo espaço para grupos muçulmanos sunitas e xiitas.

Rádio Vaticano

* Arquidiocese de Olinda e Recife e OAB criam comitê contra a corrupção eleitoral .

domingo, agosto 15th, 2010

OlindaerecifeeOAB

Em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Secção Pernambuco (PE), a arquidiocese de Olinda e Recife realizou a primeira reunião que definiu a criação do Comitê Contra a Corrupção Eleitoral – Lei 9840. A iniciativa também tem o apoio da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e da Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire).

O objetivo desse projeto é dar ao cidadão orientações sobre as leis eleitorais principalmente, a Lei complementar 135, mais conhecida como “Ficha Limpa”, além de possibilitar que ele faça denúncias sobre irregularidades dos políticos. Para isso, estudantes de Direito acompanhados de advogados receberam as acusações e depois encaminharam ao Ministério Público e ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Para o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, a iniciativa da Igreja é muito importante, pois a sociedade necessita de ações dessa natureza que busque a conscientização política de todos. “É uma oportunidade de unir as instituições para promover uma cultura que modifique o exercício da política no estado de Pernambuco”, afirmou.

Lei9840Dom Fernando trouxe a ideia de sua antiga diocese. “Essa experiência eu já vivia lá em Sobral (CE), nas eleições montávamos o comitê. O que foi muito positivo, isso mostra que a Igreja está atenta as discussões atuais e é solidária com o povo, ajudando a fomentar o debate sobre política e promovendo a conscientização, além de combater os crimes eleitorais como a compra de voto”, declarou o arcebispo.

Neste final de semana as paróquias começarão a divulgar o projeto.

* Jovem desperta do coma após 15 meses e surpreende médicos.

sábado, agosto 14th, 2010
Sara Yelting tem agora 23 anos

Em comunicação telefônica com a Rádio FM da Colômbia, Guillermo Yelting, o pai da jovem Sara Yelting, relatou a história de sua filha que após 15 meses em coma despertou e pôde reconhecer os seus seres queridos. Guillermo disse ademais que enquanto haja vida deve haver esperança e que enquanto sua filha luta ele não tem nenhum direito de baixar os braços, ao ser perguntado sobre se alguma vez pensou em deixá-la morrer.

Em comunicação com a emissora colombiana desde a Argentina, Guillermo explicou que tudo começou quando a jovem que agora tem 23 anos começou a sofrer distintos problemas neuronais que a sumiram em um coma de 4º grau: “ela foi internada no Sanatório Colegiales em 8 de fevereiro do 2009. Foi de mal a pior, aí ela já tinha perdido conhecimento e contato com a realidade. Tentaram todos os tratamentos e terapias que conheciam, mas ela foi piorando até que no dia 16 daquele mês entrou em terapia intensiva por um problema pulmonar”.

Quando parecia que não restava nada a ser feito Sara despertou e começou a mover os olhos, as mãos, a escrever e até pôde comunicar-se, enchendo de alegria a toda a familia e seu namorado que a acompanhavam.

“No dia 13 de abril cumpriam um ano de namoro, e ela simplesmente abriu os olhos. A surpresa foi para todos, ali estavam Martín seu namorada e sua mãe, seu corpo estava muito deteriorado pelos efeitos das enfermidades que sofreu durante todo esse tempo” e que fizeram inclusive que em algum momento a jovem Sara chegasse a pesar 35 quilogramas.

“Ela tinha contato visual, começou a abraçar, a beijar, a escrever, a ler. Sui corpo está deteriorado porque esteve um ano e meio em cama e à raiz da parada respiratória teve problemas cerebrais que estamos buscando reverter”, disse o Sr. Yelting.

Guillermo afirmou logo aos pais ou familiares de pessoas em estado de coma ou situações semelhantes que é importante falar a eles de coisas positivas e não descer a guarda ante o sofrimento. “Sempre tenham uma palavra de doçura porque eles no inconsciente escutam”, assinalou.

“Você é minha preferida, minha campeã, você vai sair desta “, dizia ele a Sara em meio de um ambiente no qual “a ciência bombardeia você e diz que não há nada mais a ser feito”.

Ao falar sobre sua atitude ante o coma de sua filha, ele manifestou que “enquanto haja vida deve haver esperança, eu não me darei por vencido, eu não vou entregá-la” e sentenciou logo: “se minha filha está lutando eu não tenho nenhum direito a baixar os braços”.

* Mapa-mundi das redes socias.Interessante.

quinta-feira, agosto 12th, 2010

O blog Flowtown fez um gráfico com o tamanho das mídias sociais no mundo: transformou-o em mapa-múndi. Quanto maior a rede em usuários, maior o “país”.

Imagem: Reprodução

Para ver o mapa em widescreen, clique aqui

* Você é avaro? A cura está na doação gratuita de si, no amor!

sexta-feira, agosto 6th, 2010

Doação gratuita de si, única cura para a avareza

Aprender a doar o que se recebeu gratuitamente é a única maneira de superar a solidão causada pela ânsia por posses que caracteriza a avareza.Esta é a síntese do ensinamento que está no coração do artigo assinado pelo Pe. Giovanni Cucci SJ, docente de filosofia e psicologia junto à Pontifícia Universidade Gregoriana. O artigo, intitulado “A avareza, a tentativa ilusória de possuir a vida”, foi publicado na revista La Civiltà Cattolica .No ensaio, o sacerdote jesuíta explicita os aspectos essencialmente espirituais deste vício, que conduz a atribuir ao dinheiro e coisas semelhantes “um valor simbólico exagerado”, transformando-os em “sinônimos de estima, paz, segurança e poder”.

A avareza, portanto, se identifica com “a cobiça e a ânsia por posses, que endurecem o coração e conduzem à presunção de autossuficiência, de se bastar a si mesmo e de nada mais precisar”.

Daí se compreende o aspecto religioso da avareza, sublinha Pe. Cucci, “pois o dinheiro oferece a ilusão de onipotência: o dinheiro, por sua natureza, confere uma autossuficiência que nenhum outro objeto pode fornecer.

Para Péguy, constitui a única alternativa verdadeiramente ateia a Deus, porque dá a ilusão de que se pode obter tudo, de forma que qualquer realidade pode ser convertida em dinheiro, que por sua vez possibilita possuir qualquer coisa”.

Também Marx, ao analisar a mentalidade capitalista, salientou “o caráter de consagração de todo o próprio ser a uma realidade considerada absoluta, superior a qualquer outra”.

“A avareza, uma vez que não se refere a nenhuma necessidade do corpo nem a nenhum prazer corporal, busca uma satisfação de tipo afetivo, mas ao mesmo tempo intangível, ligada à imaginação”, explica o sacerdote.

Dessa forma se configura “como uma forma mundana de consagração a um ídolo, algo para o qual se está disposto a oferecer a própria vida, sacrificando para isso a própria liberdade e dignidade”.

De fato, o dinheiro, longe de pacificar, ao se tornar um fim em si mesmo gera sempre novos temores, ansiedades e inseguranças: “o medo de perder o que foi conquistado, medo de que um rival consiga um bem cobiçado, ou de ainda de ser superado na escala social, tornando vãos todos os esforços de uma vida”.

Outro sentimento típico do avarento é a tristeza, ligada à frustração de não poder nunca encontrar algo que o satisfaça, fazendo-o sentir-se cada vez mais indigente. De modo que o “estranho masoquismo” que caracteriza este vício está em pensar que “a única fonte de felicidade é na verdade aquilo que está por arruinar a própria vida”.

Além disso, há uma estreita ligação entre a avareza e a solidão: “o avarento se encontra somente em companhia de coisas, a única realidade na qual pode confiar”.

Assim, o melhor tratamento para o vício da avareza é a prática de “abrir mão do que se recebeu para o bem-estar dos outros”.

“Esta disposição – explica Pe. Cucci – promove o desejo de viver bem a própria vida, tornando a pessoa capaz de sacrifícios notáveis, uma vez que seu coração se torna sensível ao sofrimento e às necessidades dos demais”.

Paradoxalmente, escreve Pe. Cucci, talvez “no fundo da avareza se encontre este esforço sobre-humano de querer dar valor à própria existência, a merecer viver; uma forma doentia de auto-estima”.

Ao contrário, porém, “é no encontro com o outro, na relação, que o homem encontra a verdade de si mesmo”.

“A verdadeira riqueza, que de fato nos pertence, é aquele que se recebe ao se oferecer o melhor de si, tornando-nos assim participantes da generosidade abundante de Deus” – conclui.

“Somente doando é possível superar a solidão infernal na qual se aprisiona o avarento”.

* Sinal da Cruz, o Dístico do Cristão.

sexta-feira, julho 30th, 2010
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Dístico: Rótulo; letreiro,divisa de um escudo.

***

Neste artigo especial para a Gaudium Press, um de nossos colaboradores, Inácio Almeida, viaja entre os séculos, e aborda a importância do sinal da cruz, mostrando como diversas e importantes figuras históricas se valiam do sinal, o dístico do cristão, em momentos de perigo, de decisão e na iminência da morte, como forma de alcançar a serenidade necessária em momentos cruciais.

Outrora, em Besra na Idumea, ocupava o trono Episcopal São Julião. Este santo tinha uma alma cheia de zelo e piedade, não media esforços para trazer ao redil de Nosso Senhor Jesus Cristo as ovelhas tresmalhadas daquele rebanho.

Entretanto, alguns influentes habitantes desta cidade, descontentes com o progresso da fé, tomaram a resolução de envenenar este santo homem de Deus. Para isto, subornaram o próprio criado do Bispo. O infeliz aceitou e recebeu deles a bebida envenenada. Divinamente de tudo avisado, o Santo diz ao criado:

“-Vai, e da minha parte, convida para o meu jantar de hoje os principais habitantes da cidade”.

São Julião bem sabia que entre eles estariam os culpados. Todos acedem ao convite. Num dado momento, o Santo Bispo sem acusar ninguém, lhes diz com doçura evangélica:

“-Visto quererem envenenar o humilde Julião, eis que diante de vós passo a beber o veneno”.

Fez então três vezes o Sinal da Cruz sobre a taça, dizendo: “Eu te bebo em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

Em seguida, bebeu o veneno até a última gota e, ó milagre Divino, São Julião não sentiu o menor mal. Seus inimigos, diante de tal prodígio, caíram de joelhos a seus pés e lhe pediram perdão.

De onde vem a força deste simples gesto? Qual a sua origem? Em que momentos devemos fazê-lo?

Este Sinal Divino, sempre foi considerado como um mestre sábio e conciso, pois resume em si, de modo simples e didático, os dois principais mistérios de nossa fé que são a Unidade e Trindade de Deus e a Encarnação, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entretanto, nos dias de hoje, poucos são os que conhecem tudo o que contém, tudo o que ensina, tudo o que opera de sublime, de santo e de divino, e em conseqüência, de soberanamente proveitoso às almas, esta fórmula tão antiga como a Igreja. Os primeiros cristãos faziam o Sinal da Cruz a cada instante. Assim afirma São Basílio: “Para os que põem sua esperança em Jesus Cristo, fazer o Sinal da Cruz é a primeira e mais conhecida coisa que entre nós se pratica”.

Vejamos o exemplo de Santa Tecla, ilustre por nascimento, mais ainda ilustre pela fé:

“Agarrada pelos algozes, é conduzida à fogueira, faz o Sinal da Cruz, entra nela a passo firme e fica tranqüila no meio das chamas”.

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Imediatamente cai do céu uma torrente de água, e o fogo é apagado. E a jovem heroína sai da fogueira sem ter queimado um só fio de cabelo. À maneira desta mártir que ao caminhar para o último suplício não deixava de se fortalecer pelo Sinal da Cruz, os verdadeiros Cristãos dos séculos passados recorriam sempre a este sinal consolador para suavizar suas dores e santificar sua morte.

Façamos um rápido passeio pelos séculos e paremos um instante em Aix la Chapelle para assistir à morte do grande imperador:

“… No dia seguinte, logo ao amanhecer, Carlos Magno estando bem consciente do que devia fazer, estendeu a mão direita e enquanto pôde, fez o Sinal da Cruz na fronte, no peito e no restante do corpo.”

Voemos à bela França do século XIII para darmos a palavra ao Príncipe de Joinville, biógrafo e amigo de São Luís IX:

“-À mesa, no conselho, no combate, em todas as suas ações, o rei começava sempre pelo Sinal da Cruz”.

Agora estamos diante de Bayard, o cavaleiro sem medo e sem mácula. Vemo-lo ferido de morte, deitado à sombra de um grande carvalho fazendo o seu último gesto que foi um grande Sinal da Cruz feito com sua própria espada.

Em 1571, D. João D’Áustria, antes de dar o sinal de ataque na Batalha de Lepanto em que se decidia o futuro da cristandade, fez um grande e lento Sinal da Cruz repetido por todos os seus capitães e a vitória logo se fez esperar. Por estes e outros exemplos, vemos quão poderosa oração é o Sinal da Cruz. De quantas graças nos enriquece ele, e de quantos perigos preserva nossa frágil existência.

Quando devemos fazer o Sinal da Cruz

Mas… Quando devemos fazer o Sinal da Cruz? Tertuliano nos responde:

“A cada movimento e a cada passo, ao entrar e ao sair de casa, ao acender as luzes, estando para comer, ao deitar e ao levantar, qualquer que seja o ato que pratiquemos ou o lugar para onde vamos, sempre marcamos nossa fronte com o Sinal da Cruz.”

E de todas as práticas litúrgicas, o Sinal da Cruz é a principal, a mais comum, a mais familiar. É a alma das orações e das bênçãos. A Santa Igreja em suas cerimônias, em nenhuma delas deixa de empregá-lo. Começa, continua, e tudo termina por este sinal. Ao destinar para o seu próprio uso a água, o cálice, o altar e também aquilo que pertence aos seus filhos como as habitações, os campos, os rebanhos. De tudo toma posse pelo Sinal da Cruz.

A primeira coisa que faz sobre o corpo da criança ao sair do seio materno, e a última, quando já na ancianidade, o entrega às entranhas da Terra, é ainda este Divino Sinal. O que dizer da Santa Missa que é a ação por excelência? A Esposa de Cristo mais do que nunca o multiplica… O sacerdote, no decurso da celebração, ao abrir os braços imitando o Divino crucificado, não é o seu corpo o próprio Sinal da Cruz vivo? Também diante das tentações, nós devemos fazer uso deste sinal libertador. Ouçamos o que nos diz Orígenes:

“É tal a força do Sinal da Cruz, que se o colocardes diante dos olhos e o guardares no coração, não haverá concupiscência, voluptuosidade ou furor que possa resistir-lhe. À vista dele desaparece todo o pecado.”

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E ao findar o dia, se a fadiga e os fracassos da jornada levarem a vossa alma para o desânimo ou até o desespero. Ouçamos o que nos aconselha o sábio Prudêncio: “Quando ao convite do sono, deitares em teu casto leito, fazeis o Sinal da Cruz sobre a fronte e sobre o coração, a cruz te preservará de todo o pecado. Santificada por este Sinal, a tua alma não vacilará”.

Mas para alcançarmos tão preciosos benefícios, é mister que façamos o Sinal da Cruz bem feito e com firmeza. A devoção, a confiança, o respeito e a regularidade devem acompanhar o movimento de nossa mão.

Meditando nas palavras pronunciadas, devemos pensar em Deus Padre, Deus Filho e no Espírito Santo. Além disto, tocando com a mão direita no centro da testa, devemos ter a intenção de consagrar ao Senhor a nossa inteligência, os nossos pensamentos; tocando o peito, consagrar-lhe o nosso coração, os nossos afetos e tocando os ombros, todas as nossas obras.

Porém não permitamos que o respeito humano nos impeça de manifestar pública e abertamente o Sinal da Cruz, pois se hoje uma grande parcela de nossa sociedade está afundada na impiedade e no materialismo, a necessidade que temos de fazer uso deste augusto Sinal é cada vez maior. Este estandarte divino que salvou o mundo é dotado de força para salvá-lo ainda. E, fazendo eco as palavras dos padres e doutores da igreja, concluímos:

Salve ó Sinal da Cruz! Estandarte do grande Rei, troféu imortal do Senhor, Sinal de vida, salvação e benção. És nossa poderosa guarda que em vista dos pobres é de graça e por causa dos fracos não exige esforço. És a tácita evocação de Jesus crucificado, monumento da vitória do Divino Redentor. Teus efeitos são largos como o universo, duradouros como os séculos. Tua eloquência dissipa as trevas, aclara os caminhos. És a honra da fronte, a glória dos mártires, a esperança dos cristãos. És enfim, o fundamento da Igreja.

Principais fontes: O Sinal da Cruz de Monsenhor Gaume; Catecismo da Igreja Católica; e o Dicionário de Liturgia.

* Jovens das raves: Drogas, Música, liberdade…Liberdade?

quarta-feira, julho 28th, 2010

jornal La Repubblica, 27-07-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Dizem que se o “raver” fosse um animal seria um cruzamento imperfeito entre um escorpião e uma enguia. “E também uma borboleta. Sempre voando de um lado para o outro, seguindo a batida eletrônica, que, para mim, para nós, é vida”.

Escorpião não por causa do veneno, mas “porque se torna luminescente se é exposto a algumas frequências de raios ultravioletas. É muito bonito. Na verdade, pode-se encontrá-lo frequentemente nos ‘flyers’ (os panfletos de convite para as festas tecno”).

Enguia porque é fugidio, não é possível pegá-la. “Somos difíceis de explicar. Eu mesmo, se você me perguntar, não saberia lhe dizer o que eu sou. Eu lhe diria bobagens. Talvez, você também pode chegar perto, mas, para entender, é preciso vir dançar, e deu. De manhã até a manhã seguinte”. E se o “raver” fosse uma máquina? “Seria um daqueles carros vermelhos e poderosos. Mas não só no motor: justamente como carroceria. ‘Trabalhada’, tipo rally, ‘tunada’. Um pouco ilegal, mas que não se esconde”.

Davide tem 18 anos, cabelos curtos pintados de amarelo, um pouco descoloridos, é alto, desengonçado, natural de Parma. É sobrevivente da love Parede. É um “raver”, “mas não um troglodita”. Ele conta: “Nos encontros, se bebem rios de cerveja, a droga rola solta. Mas o agito é a música, uma metralhadora que te esvazia, toda a adrenalina do mundo”.

A impressão, provavelmente inexata, é que o fato de deixar o corpo solto enquanto fala, as mãos, os braços, os joelhos, um movimento involuntário do pescoço, lhe cause um prazer sutil ou até o o erga do compromisso mental de ter que controlar as artes. Ele tem no bolso um recente diploma de geômetra, os óculos com armação vermelha que ele tinha há 24 horas na Love Parade de Duisburg e mais de 40 tickets: tantos quanto as cervejas que ele consumiu com um amigo durante a festa do amor e da morte.

O encontro pela primeira vez fora da estação ferroviária da cidade alemã: camiseta com o logotipo de um gigante da informática, bermuda, tênis Nike marrons de basquete, boné, mochila, pochete. Um piercing tribal fura a sua bochecha esquerda, dois pelos de barba. No dia seguinte, ele se apresenta vestido do mesmo modo no setor de partidas do aeroporto de Dusseldorf. Tínhamos combinado o encontro, mas eu não esperava muito dele. Ele, “raver” em viagem, volta para os campos de Parma. Muito provado no físico, mas, jura, “com muitas coisas boas na cabeça”.

“Sinto pelos mortos, mas foi tudo estupendo”. O pacto com Davide é este: “Falemos, mas só se não surgir a mesma coisa de sempre, ‘raver’ igual a drogado, igual a troglodita. Porque agora é fácil… 19 mortos, não? Quantos são?”. Dezenove. “… pois então, e a moça italiana, e toda a complicação, e a Love Parade. Menos mal que não morreram por causa de uma ‘cala’ ou por causa de um ‘kate’, senão, tchau”.

Espero um segundo. “A ‘cala’ é o comprimido, o ecstasy. O ‘kate’ é a ketamina (anestésico utilizado principalmente com fins veterinários, age deprimindo o sistema nervoso central). Assim deixamos de lado logo o assunto droga. É inútil ficar girando ao redor: nas raves, nas ruas, na Love, praticamente jogam em cima de você essa coisa. Não precisa nem pedir. Uma ‘cala’, 10 euros. Um envelope de ‘kate’, 20. Depois, existem os cartões (LSD). Nos ‘after’, que seriam a continuação das raves e de todas as festas, legais ou não, você os encontra por duas liras”.

Perguntar a Davide se e o que ele toma quando vai dançar por dez horas seguidas é como jogar uma bola de tênis contra um muro: ela volta, e é provável que você não consiga mais pegá-la. “A minha energia é natural”. “Muita cerveja. Em Duisburg, bebemos dez litros entre dois. Entramos às quatro e saímos à meia noite. Das confusões, não vimos nada”.

Os “ravers”, quando falam de si mesmos, ou levantam logo um muro ou adoram fazer surgir a ideia da seita, da comunidade fechada. Que depois, na realidade, se abriu muito, removendo os limites para além do estereótipo. Davide destrói a ideia da iniciação, do ritual. “A primeira vez, há três anos, em Bolonha: na ’street parade’. Quem me levou foi um amigo que ia a vários ‘teknival’ europeus. A ’street’ é tranquila. Cheguei e fiquei de boca aberta: os carros, muitos, muito bonitos, cheios de pessoas e colotidos, como um carnaval, as caixas de som enormes que disparam a música. Depois de uma hora eu já estava sob o efeito do primeiro ‘cassone’ [de caixa]. O ‘cassone’ é a experiência mais forte que você pode fazer em uma rave: você fica o mais perto possível das caixas de som, uma metralhadora nas orelhas. Uma grande sensação. Você dança, se deixa transportar pela energia, não pensa mais em nada, se esvazia, sente ao seu redor a adrenalina do mundo. Mas você é leve.

Há um amigo meu que faz paraquedismo. Fomos juntos ao Traffic de Turim (festival tecno). Ele experimentou o ‘cassone’ e me disse: ‘ah, é melhor do que se jogar de paraquedas’. Entendeu? Para fazer o ‘cassone’, as pessoas ficam em fila esperando. Porque são muitos. São torres, altares. Para um raver, fazer o ‘cassone’ é como fazer a comunhão na igreja durante a missa. Mas esse é justamente um prazer físico”.

Depois de Bolonha, foi Milão, depois de novo Bolonha, depois Davide também começou a ultrapassar as fronteiras: Suíça, Alemanha, Holanda, Polônia, Sérvia. Milhares de quilômetros para dançar sob a furadeira da trance, do electro, do hardcore, do hardstyle. “Todos os meses eu faço uma. Para Duisburg, partimos de Parma às quatro horas da manhã do sábado. Às quatro horas da tarde, estávamos lá no meio. Chamamo-la de fábrica do agito, é uma grande festa. E você também pega algumas meninas. Muitas vezes – sorri –, as moças que você encontra nas raves e nos festivais estão muito eufóricas. Quando você está ali, vai direto ao ponto: não se fala e a música te envolve, é uma linguagem dos corpos. Você se conecta logo, acredite”.

O alto-falante anuncia o embarque do voo para Milão. Em uma hora, Davide já foi ao banheiro três vezes. Pergunto se ele está bem, se está tudo certo. Ele diz que sim, que não tem nenhum problema. No celular, chovem mensagens. “É a ‘community’, eles te avisam sobre os próximos encontros. Mas se você for lá, pode ver o que acontece”. “No dia 7 de agosto, vou ao Valley Festival, na Holanda. No dia 14, o ‘Energy 10′, em Zurique, que é o fim do mundo”.

Verifico clicando no site de uma agência especializada. Esses são eventos legais, patrocinados: onde está o mistério? “Não existe”. Ou talvez sim. “No festival, acontecem as mesmas coisas que acontecem na rave ilegal organizada por mim e por ti em um pavilhão ou em uma fábrica abandonada. Agora, posso lhe perguntar uma coisa?”. Sim. “Antes, eu lhe disse que o meu filme preferido é o ‘Trainspotting’. Escreva que eu também assisto ‘Ben 10′, um desenho animado com um menino que se transforma para se defender dos aliens que querem destruir o planeta”.

* Sacerdote argentino promotor do “casamento” homossexual desafia Igreja na Argentina.

sexta-feira, julho 16th, 2010

Para seu conhecimento:

Há mais de 17 projetos tramitando no Congresso Brasileiro sobre essa temática.

O mais “acanhado” deles é o da Marta Suplicy, de 1995, que não estabelece nem casamento nem união estável, é uma parceria, um tipo de contrato. E ali diz, expressamente, que é proibido adotar crianças.

***

O sacerdote argentino conhecido por promover as uniões homossexuais anunciou que não obedecerá à ordem cautelar do seu bispo, que o proibiu de exercer o ministério sacerdotal.

“Neste final de semana vou celebrar a Missa, a menos que me prendam”, anunciou o Pe. José Nicolás Alessio,que é contra os ensinamentos da Igreja, apoia a reforma ao Código Civil Argentino que deu  permissão para o erroneamente chamado “casamento” homossexual.

Ontem, a arquidiocese de Córdoba anunciou que seu arcebispo, Dom Carlos José Ñañes, iniciou perante o tribunal eclesiástico o processo canônico correspondente ao Pe. Alessio, de 52 anos, pároco de San Cayetano, no bairro Altamira, de Córdoba.

Enquanto se desenvolve o juízo, como medida cautelar, o arcebispo lhe proibiu o exercício público do ministério sacerdotal, Portanto, o mencionado sacerdote não poderá celebrar publicamente a Santa Missa nem administrar os sacramentos da Igreja, razão pela qual, na prática, não poderá trabalhar como pároco.

Na última segunda-feira, Dom Ñañez ordenou enviar um comunicado a todos os sacerdotes que têm alguma responsabilidade pastoral ou eclesial na arquidiocese de Córdoba, no qual “manifesta claramente que, depois de ter esgotado todos os meios de solicitude pastoral para que o presbítero José Nicolás Alessio se emendasse e retratasse publicamente das declarações realizadas por ele mesmo a favor do suposto ‘casamento’ entre pessoas do mesmo sexo, contrariando o ensinamento e o Magistério da Igreja Católica, e tendo o mencionado presbítero negado toda possibilidade de modificação do seu agir, decidiu iniciar o processo eclesiástico correspondente no tribunal interdiocesano de Córdoba, para que toda ação se realize conforme o direito eclesial vigente, estabelecendo uma medida cautelar na que formalmente ‘lhe proíbe o exercício público do ministério sacerdotal”.

***

Veja essa outra notícia.

Críticas do episcopado a duas sentenças judiciais polêmicas Dom Joseph Kurtz, arcebispo de Louisville, presidente do Comitê da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos para a Defesa do Casamento, expressou profunda preocupação diante das recentes sentenças de uma corte de Massachusetts que rejeita a definição do casamento como a união entre um homem e uma mulher.

O arcebispo apresentou o ponto de vista da Igreja depois de que o juiz Joseph Tauro, da Corte Federal do Distrito de Massachusetts, estabelecera, em 8 de julho, que a lei federal atualmente em vigor que regulamenta o casamento (o “Defense of Marriage Act”) viola o direito constitucional à igualdade jurídica dos parceiros homossexuais e constitui um impedimento para as competências de cada um dos Estados nesta matéria.

“O casamento – união entre um homem e uma mulher – é uma instituição única e insubstituível. O autêntico tecido da nossa sociedade depende dele. Não há nada que possa se comparar à união exclusiva e permanente do marido e da mulher”, esclarece o prelado, em nome do episcopado.

“O Estado tem o dever de utilizar a lei civil para apoiar – e mais ainda, para privilegiar de maneira única – esta instituição vital da sociedade civil. As razões para apoiar o casamento com a lei são inumeráveis, começando pela proteção do papel único dos maridos e das mulheres, o indispensável papel dos pais e das mães, dos direitos dos filhos, que com frequência são os mais vulneráveis entre nós”, acrescenta o bispo.

Por este motivo, em nome dos bispos dos Estados Unidos, Dom Kurtz expressa “profunda preocupação por estas sentenças perigosas e decepcionantes, que ignoram os mais claros objetivos do casamento e que, portanto, ofendem a autêntica justiça”.

Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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