Por Arquivo maio, 2009

Susan Boyle.Você ainda não viu??

domingo, maio 31st, 2009

Susan Boyle,hoje famosa no mundo todo, marca a vida de todos aqueles que a assistem pela primeira vez,Sua performance surpreendente em um programa  inglês de calouros.Sua Pessoa simples e “sem atrativos estéticos” foi um “soco no estômago”(perdão pela força da expressão) no preconceito que todos nós carregamos em relação a tantas coisas,de forma especial em espaços culturais onde a beleza ,o corpo, a apresentação,tem peso-infelizmente-Decisivo.

Sua presença encantou a todos! Se ainda não viu,assista à versão legendada em Português,( Busque no google : Susan Boyle legendado) onde o todo: Ela, a melodia da música, o clima de desconfiança da platéia e dos próprios jurados,sua segurança vocal ,sua origem de um lugarejo perdido da Escócia,a roupa que usa e seu cabelo curto,gordinha,sua voz e..a letra da belíssima música da peça ” Os miseráveis”, falando do “sonho sonhado..”é impressionante ! não tem como você não pensar nos pequenos-tão desprezados pelo mundo e tão queridos por Deus! naqueles que ninguém dá nada por eles,fora dos padrões,sejam eles quais forem.

Os comentários finais feitos pelos jurados e sua admiração por tudo que está acontecendo surpreende até a ela que demonstra uma alegria simples e comovente, como uma criança,embora seja uma senhora de 47 anos,que estava ali “por que sonhava em ser cantora “…

Ela mexeu com todos,dos nossos sonhos “desfeitos pela vida” como fala a letra da música,mas também da esperança de alcançá-los e realizá-los!É um momento inesquecível!

Ela é católica,participante da legião de Maria,valoriza a familia,cuidou da mãe doente até seu falecimento recente e,como afirmou no programa; “nunca foi beijada”, frase que espantou o mundo,Afinal,em nosso mundo,” beijar e ser beijada” é algo “essencial e fundamental” na vida !!,não é verdade?

Ela está fora dos padrões exigentes de nossa sociedade e seu encanto reside exatamente, por ela trazer à tona para todos nós e para o mundo inteiro a percepção daqueles valores ausentes e nostálgicos de beleza interior,humildade,transparência,simplicidade…que ,no fundo,sabemos que é a verdade e que tanto almejamos viver,embora longe da fonte de todo bem autêntico que é Deus, jamais conseguiremos!

Ela foi chamada de ” patinho feio”,referência à  famosa fábula do pato que vira cisne e sua apresentação no you tube está caminhando para ser o mais visto da história! Se puder,assista! se é que você ainda não viu!

Ela foi a final do programa -onde tirou o segundo lugar de forma surpreendente pois era a grande favorita- e ,sem querer canonizá-la,torcemos para que continue encantando o mundo todo,falando daquela saudade que temos da nossa “inocência perdida” e dos valores evangélicos que dão verdadeiro sentido à vida.

Como disse certa ocasião Marcel Proust: “Os verdadeiros paraisos são os paraisos perdidos”.

***

Vejam que bela percepção Padre James,Jesuíta americano,teve sobre Susan.

“Você viu o vídeo da mulher chamada Susan Boyle cantando no programa do tipo American Idol chamado Britain’s Got Talent?

Pode ser o melhor exemplo de como Deus nos vê – e de como o mundo frequentemente não nos vê.

A senhora Boyle, uma mulher desempregada de 47 anos, gorducha e cafona, que de forma tocante se descreveu diante das câmeras como “nunca casada, nunca beijada”, vive num pequeno vilarejo escocês no apartamento em que foi criada, com seu gato, Peebles. Católica devota, ela passou a maior parte dos últimos anos cuidando de sua mãe adoentada, que faleceu recentemente aos 91 anos. Quando ela apareceu no palco de Britain’s Got Talent, você podia ver as caretas de desprezo na platéia. E quando a mulher grandalhona anunciou, sorrindo, que cantaria a vocalmente desafiadora canção I Dreamed A Dream, do musical Les Miserables, você podia ver os juízes (incluindo o onipresente Simon Cowell) literalmente revirar os olhos em mal disfarçada desaprovação. Por favor.

Quando a senhora Boyle abriu a boca, entretanto, surgiu uma voz que silenciou seus críticos.

Seu vídeo no Youtube, na última contagem tinha recebido, contando todas as suas versões, dezenas de milhões de acessos. Por quê? Há algumas razões, umas óbvias e outras não. Primeiro, há o fator choque: que surpresa essa mulher desconhecida cantar tão bem! Onde ela esteva esse tempo todo? Segundo, o fator empatia: nós sentimos compaixão por uma mulher um tanto modesta que parece ter sido tão sem sorte na vida. Terceiro: o fator aparência física: estrelato ou mesmo sucesso em programas como American Idol são tipicamente territórios dos belos e jovens. Não são para pessoas como Susan Boyle. Quarto, o fator Grande Descoberta: a excitação de talvez ver o nascimento de uma nova carreira, uma pessoa desconhecida empurrada para a fama. Além disso, a inexplicável ressonância das letras da música escolhida, por alguém que parece estar passando por um momento bem difícil na vida: “Eu sonhei um sonho no tempo que passou / Quando a esperança era grande / E a vida merecia ser vivida / Eu sonhei que o amor nunca morreria / Eu sonhei que Deus perdoaria”.

Mas deve haver algo mais para explicar nosso prazer e aqueles milhões de acessos.

O jeito como vemos Susan está muito próximo do jeito como Deus nos vê: importantes, especiais, talentosos, ímpares, belos. O mundo geralmente olha desconfiado para pessoas como Susan Boyle, isso quando as vê. Sem a beleza clássica, sem emprego, sem marido, vivendo numa cidade pequena, pessoas como Susan Boyle podem não parecer particularmente “importantes”. Mas Deus vê a pessoa real, e compreende o valor dos dons de cada indivíduo: rico ou pobre, jovem ou velho, solteiro ou casado, matrona ou estrela de cinema, afortunada ou sem sorte na vida. Deus nos conhece. E nos ama.

“Todo mundo é alguém”, disse o arcebispo Timothy M. Dolan na missa de sua posse em Nova Iorque ontem. É outra razão pela qual os jurados sorriram e a audiência explodiu em aplausos.

Porque eles reconheceram uma verdade básica que Deus colocou bem fundo dentro deles: Susan Boyle é alguém.

Todo mundo é alguém!

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Padre Alberto Cutié deixa Igreja.

sábado, maio 30th, 2009

Alberto Cutié, conhecido como o Padre Alberto, abandonou a Igreja Católica dia 28 de Maio,Quinta, quando oficializou seu ingresso na igreja episcopaliana em Miami ,Igreja que forma parte da comunhão anglicana, conforme informou em um comunicado publicado em sua Página Web.

No comunicado, Cutié sustenta que não quer machucar a ninguém nem pretende “manchar o compromisso de tantos irmãos sacerdotes que vivem a plenitude seu compromisso celibatário e são fiéis a essa promessa”.

Padre Alberto pediu respeito para com a sua privacidade e que os meios de comunicação já não procurem lucrar com seu caso.

Segundo a imprensa local,  Cutié formalizou seu ingresso à igreja episcopaliana em uma cerimônia privada na denominada Catedral Trinity, sede dos episcopalianos no centro de Miami.

Faz umas semanas, Cutié foi afastado da paróquia que dirigia em Miami quando uma revista publicou fotografias que revelavam que o então sacerdote sustentava uma relação amorosa com uma mulher.

No comunicado, Cutié assegura que sempre amará à Igreja e sustenta que decidiu unir-se aos episcopalianos por suas similitudes com a fé católica. Entretanto, existem profundas diferenças entre católicos e episcopalianos.

Os episcopalianos não acreditam na infalibilidade do Papa nem na transubstanciação do pão e o vinho na Eucaristia; não acreditam nos dogmas da Imaculada Concepção e Assunção da Virgem; o celibato sacerdotal é opcional; consentem a ordenação de mulheres ao sacerdócio e ao episcopado; além disso seus líderes são designados por assembléias de paroquianos.

***

Outra noticia que complementa a anterior.

O Arcebispo de Miami, Dom John Favalora, expressou sua profunda decepção pelo anúncio do sacerdote Alberto Cutié, mais conhecido como “Padre Alberto”, de deixar a Igreja Católica para unir-se aos episcopalianos.

Dom Favalora assegurou que reza “para que o Padre Cutié repense e retorne à casa” porque “a Igreja Católica procura a conversão e a salvação dos pecadores, não sua condenação”.

O Arcebispo informou que se reuniu por última vez com o Padre Cutié no 5 de maio passado, quando lhe solicitou uma licença do ministério sacerdotal, e advertiu que com sua decisão perdeu seus direitos como clérigo e os católicos não podem solicitar-lhe os sacramentos.

“Desde aquela reunião, não voltei a saber do Padre Cutié, e ele tampouco solicitou reunir-se comigo. Ele nunca me disse que estava considerando unir-se à Igreja Episcopal”, indicou.

Dom Favalora explicou que de acordo ao direito canônico, ao unir-se aos episcopalianos, “o Padre Cutié se separa a si mesmo da comunhão da Igreja Católica Romana ao professar fé e morais errôneas, e recusar a submissão ao Santo Padre. Também se separa do exercício das ordens sagradas como sacerdote, deixa de ter as faculdades da Arquidiocese de Miami para celebrar os sacramentos, e tampouco pode pregar ou ensinar sobre a fé e a moral católicas. Suas ações podem lhe levar a ser separado do estado clerical”.

Isto significa, adicionou, “que o Padre Cutié se destitui a si mesmo da completa comunhão com a Igreja Católica e, portanto, perde seus direitos como clérigo. Os católicos romanos não podem lhe solicitar os sacramentos ao Padre Cutié. Qualquer intento de sua parte para administrar os sacramentos seria ilícito. Qualquer missa que celebre seria válida, mas ilícita, pois não reúne os requisitos para que um católico cumpra com sua obrigação. O Padre Cutié não pode oficiar matrimônios válidos de católicos romanos na Arquidiocese de Miami, ou em qualquer outro lugar”.

Do mesmo modo, explicou que “o Padre Cutié ainda se encontra obrigado por sua promessa de viver uma vida de celibatário, a qual ele assumiu com absoluta liberdade na ordenação. Só o Santo Padre pode dispensar-lhe de dita obrigação”.

Dirigindo-se a todos os fiéis católicos de Miami, o Arcebispo insistiu em que “as ações do Padre Cutié não podem ser justificadas apesar de suas boas obras como sacerdote. Isto cobra maior veracidade à luz das declarações de hoje. O Padre Cutié terá abandonado a Igreja Católica, ter-lhes-á abandonado a vocês, mas eu lhes reitero que a Igreja Católica jamais lhes abandonará. A Arquidiocese de Miami está aqui para vocês”.

Dom Favalora admitiu que “as ações do Padre Cutié causaram grande escândalo dentro da Igreja Católica, fizeram dano à Arquidiocese de Miami especialmente aos nossos sacerdotes e criaram uma divisão dentro da comunidade ecumênica e a comunidade em geral. O anúncio  só intensifica estas feridas”.

Tensão com episcopalianos

O Arcebispo também expressou sua decepção “com a maneira em que o bispo Leo Frade”, líder episcopaliano do Sudeste da Florida, “tratou esta situação”.

Frade nunca tratou o tema com o Arcebispo. “Só escutei dele através dos meios de comunicação locais. Isto representa um sério retrocesso nas relações ecumênicas e na cooperação entre nós”, indicou.

Dom Favalora assinalou que “a Arquidiocese de Miami nunca tem feito alarde público quando, por razões doutrinais, os sacerdotes episcopalianos se uniram à Igreja Católica e procuram ser ordenados. De fato, fazê-lo violaria os princípios da Igreja Católica sobre as relações ecumênicas. Lamento que o bispo Frade não me conceda, nem à comunidade católica, a mesma cortesia e respeito”.

Finalmente, elogiou “os sacerdotes da Arquidiocese de Miami, e a todos os sacerdotes que vivem e cumprem com fidelidade sua promessa do celibato. Por sua fidelidade à tal promessa, refletem com maior claridade para o mundo a Cristo cuja entrega absoluta de si mesmo ao Pai foi o amor puro e casto por seus irmãos e irmãs”.

“Nestes tempos de tanta preocupação pelo sexo, o dom do celibato representa ainda mais um sinal do Reino de Deus onde, como dizem as Escrituras, não há ‘matrimônio nem se dão em matrimônio’ (Mateus 22, 30). Exorto a todos os católicos a apoiar e orar por nossos empenhados sacerdotes”, concluiu.

Fonte: ACI

***

Haviamos  no blog postado sobre  o fato, quando a imprensa secular publicou o escândalo.

Resta-nos rezar para que o padre Alberto reveja sua posição, humildemente aceite ser corrigido e volte a servir a Igreja que ele diz tanto amar.

Isso reforça ainda mais a necessidade de nós ,leigos, amarmos e orarmos por nossos sacerdotes em seus desafios e os sutentarmos com nosso apoio,acolhida e intercessão.

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Entrevista Padre Lodi,parte final.

sexta-feira, maio 29th, 2009

Continuação da Entrevista…

A Igreja também combate o aborto de crianças anencéfalas e, por isso, tem sido acusada de desumanidade, uma vez que essas crianças não têm chance de sobrevivência. Como o senhor encara essas críticas?

Esse é um aborto eugênico, o aborto de crianças com malformação fetal, entre as quais a anencefalia é a mais grave de todas. Em novembro de 2003, pela primeira vez, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu uma liminar para a realização do aborto de um anencéfalo, isto é, um aborto eugênico. Impetrei um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça – qualquer um pode impetrar habeas corpus, não precisa ser advogado – e o STJ, por intermédio da ministra Laurita Vaz, concedeu liminar em favor do bebê. A criancinha, de Teresópolis, nasceu e recebeu o nome de Maria Vida. Isso foi muito bom para os pais, que estavam desesperados. A liminar deu tempo a eles para pensarem. O pessoal do Pró-Vida do Rio foi visitá-los, eles fizeram retiro e tiveram a oportunidade de conversar com a criança durante a gestação, puderam tratá-la como filho e não como coisa. A menina nasceu, mas como costuma acontecer, viveu pouco tempo. Mas foi batizada por um padre, foi registrada em cartório e foi sepultada. Recebeu todas as honras que um ser humano recebe, o que é muito melhor do que ser esquartejada como lixo hospitalar humano. Os pais dessa criança, ao contrário do que tentaram espalhar, ficaram muito contentes e se tornaram meus amigos. Inclusive a Gabriela, mãe da Maria Vida, tentou impedir que a mãe de dois gêmeos anencéfalos fizessem aborto. Os defensores do aborto ficaram preocupadíssimos com essa decisão do STJ e recorreram ao Supremo, mas, quando chegaram lá, a criança já tinha nascido e morrido. Então, entraram com uma Argüição de Excludente de Preceito Fundamental, para que o Supremo defina, à revelia dos legisladores, que toda criança que carece de massa encefálica possa ser expulsa do ventre materno sem que isso configure aborto. Quando essa ação foi julgada, a ministra Elen Gracie, que não conheceu a ação, disse que o tribunal não pode ser um atalho fácil. Ela disse isso sem entrar no mérito, que não foi julgado. Foram quatro os que votaram contra: Ellen Gracie, Carlos Veloso, César Peluso e Eros Grau. Os outros votaram por aceitar a ação, deixando para depois o julgamento do mérito.

Nos Estados Unidos, também se usou o Judiciário para matara certo tempo atrás Terry Schiavo. O que o senhor achou daquele caso?

Aquilo foi horrível. Só de pensar naquela morte, fico indignado. Até uma criança que foi levar água para Terry Schiavo foi presa. É eutanásia no sentido próprio da palavra. O que o Papa João Paulo II fez, com louvor, foi renunciar aos meios terapêuticos extraordinários. Perguntaram a ele se ele queria ir para a UTI submetendo-se a todos aqueles tipos de entubamento. Ele disse que não, que bastavam os meios ordinários de tratamento. No caso da Terry Schiavo, negaram a ela água, negaram a ela comida, negaram a ela um tubo de respiração que qualquer um poderia colocar, inclusive fora do hospital. No caso, pela legislação brasileira, seria homicídio qualificado, praticado por omissão. Esse tipo de homicídio é conhecido como eutanásia.

Naquele caso, não houve um grau de perversidade que vai além da eutanásia e se aproxima das práticas nazistas?

Quando um povo começa a ceder à cultura da morte, ele não tem tem mais limites. Conta-se que, no julgamento de Nuremberg, um dos juízes norte-americanos perguntou aos nazistas como eles haviam chegado àquele grau de perversidade. A resposta teria sido: “Foi quando nós matamos o primeiro inocente”. Se o primeiro era inocente, por que não o segundo, o terceiro e assim por diante?

Há um movimento no Brasil, chamado Brasil para Todos que está incitando cada cidadão a recorrer ao Ministério Público contra os símbolos religiosos em locais públicos. O movimento, que conta com o apoio de várias personalidades e entidades, inclusive o Grupo Gay da Bahia e Dom Pedro Casaldáliga, alega que o Estado brasileiro é laico. Como o senhor avalia esse movimento?

Se é Brasil para todos, tem que ser para os religiosos também, senão é discriminação. Até prova em contrário, a grande maioria dos brasileiros é religiosa. E, entre as religiões, predomina o cristianismo. Se o Brasil é para todos, eu tenho o direito de participar como cidadão, expondo minha convicção, ou eu sou obrigado a excluir minha convicção para ser um cidadão ateu, sem religião ou agnóstico? Eu tenho que me dividir ao meio para participar das discussões e decisões públicas? Será que o Estado laico é irreligioso, ateu? A nossa Constituição tem no seu preâmbulo o nome de Deus. E Deus está no singular. Somos um Estado monoteísta, que invoca a proteção divina porque pressupõe que Deus é capaz de nos proteger. E o preâmbulo, dizem os constitucionalistas, não é juridicamente irrelevante – ele serve de chave de interpretação para os artigos que lhe seguem. Então, todos os artigos da Constituição têm que ser interpretados tendo como chave hermenêutica a existência de Deus, a proteção dele e o respeito a ele. Se não fosse assim, seria inútil a promulgação do preâmbulo com a menção a Deus. Não se pode dizer que argumentos religiosos sejam antijurídicos. O que é antijurídico é a pessoa, a priori, por simples preconceito, dizer: “Religião aqui não entra”. Isso, sim, é antijurídico.

O papa tem sido um crítico do relativismo no mundo contemporâneo. Que balanço o senhor faz da visita dele ao Brasil e dessa crítica que ele faz ao relativismo?

Fiquei muito contente com a visita do papa. Embora o papa tenha falado muito pouco sobre o aborto, anticoncepcionais, homossexualismo e pesquisa com embriões humanos, apenas tangenciando esses temas, a visita dele serviu para movimentar a opinião pública, porque as pessoas já conhecem a posição dele sobre esses assuntos. A vinda dele deixou certos setores, como o Ministério da Saúde,’a época, em pânico. Isso é fato. Quanto ao relativismo, que o papa tanto critica, ele é autodestrutivo. O relativismo é uma doutrina que afirma que tudo é relativo. Então, se pode perguntar: “E essa afirmação: também é relativa ou é absoluta”. Se tudo é relativo, mas essa afirmação é absoluta, então, tudo não pode ser relativo, porque a própria afirmação já é absoluta. O relativismo total e completo é semelhante a alguém que quer construir uma casa, mas se recusa a fazer qualquer tipo de alicerce. Essa casa não se sustenta, ela se destrói intrinsecamente. Assim como o cetismo é autodestrutivo. Ele diz: “A verdade não existe”. Pergunta-se: “Isso é verdade?”. Porque se isso é verdade, então, a verdade existe. Se é mentira, também. Já o agnóstico diz: “A verdade existe, mas não pode ser alcançada”. Pode-se perguntar a ele: “Isso que você acabou de dizer é verdade ou não é? Se é, trata-se de uma verdade que você já alcançou”. O relativismo é uma praga, porque ele se dissemina no mundo e não deixa lugar para nada que seja estável, fixo, sólido. Qualquer terreno onde a pessoa pisa, ele é movediço. E tudo fica ao capricho da maioria. Se a maioria diz que abóbora é beterraba, fica sendo. Se, como aconteceu nos Estados Unidos, se diz que o negro não é pessoa humana, fica sendo também, e a escravidão passa a ser algo de legítimo.

O seu livro, “Aborto na Rede Hospitalar Pública: O Estado Financiando o Crime”, parte do pressuposto de que a vida é um valor absoluto e não pode ser relativizado. Fale um pouco sobre ele.

O cerne da monografia é um salto triplo que o nosso administrador público fez. O primeiro salto é dizer que, no Brasil, aquele aborto que não tem pena associada a ele não é crime. O segundo salto foi dizer que o que não é crime é lícito. E o terceiro salto é dizer que aquilo que é lícito deve ser favorecido pelo Estado. O primeiro salto, dizer que aquilo que não tem pena a ele associado não é crime, não é verdadeiro. O furto praticado entre parentes, ou seja, em prejuízo de ascendente, descendente ou cônjuge, é um crime tipificado no Código Penal. Mas por força do artigo 181, se um filho furtar do pai, o Estado, para preservar a intimidade da família, não aplica a pena. A esse perdão legislativo, os juristas dão o nome de escusa absolutória. Coisa semelhante ocorre com outro crime, chamado favorecimento pessoal de criminoso, que é subtrair da autoridade policial um delinqüente, isto é, escondê-lo da polícia. Qualquer um que faz isso comete crime. Mas a lei perdoa e não aplica a pena se o crime já foi cometido nas seguintes circunstâncias: se quem prestou auxílio ao criminoso é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão. Se isso já foi feito, o Estado não aplica a pena por misericórdia com o autor do delito. Mas uma coisa é a não aplicação da pena para o delito consumado. Outra é a permissão prévia para praticá-lo. Não faria sentido, por exemplo, que eu pedisse para qualquer autoridade permissão para furtar do meu pai. Ou que o Estado oferecesse para as mães dos presidiários um curso para elas aprenderem como esconder seus filhos da polícia. No caso do artigo 128 do Código Penal, a redação é a mesma. Ela diz: “não se pune”. E essa redação incomoda muito os penalistas favoráveis ao aborto, como Damásio Evangelista de Jesus, Frederico Marques, Magalhães Noronha e até mesmo Júlio Fabrini Mirabetti, que queriam que a redação fosse outra: não constitui crime. Mas a redação é “não se pune”, típica de escusa absolutória, ou seja, o crime permanece, logo, o Estado não pode favorecer o aborto na rede pública.

Tramita no Senado a Lei da Homofobia, que integra um amplo programa do governo Lula chamado Brasil Sem Homofobia. Os evangélicos têm lutado contra a aprovação dessa lei, que, segundo eles, coloca em risco a liberdade religiosa, podendo criminalizar os cultos e a própria Bíblia. O senhor concorda com essa avaliação?

Concordo plenamente. Aliás, os evangélicos têm sido bem mais ativos do que nós neste ponto. Se aprovada essa lei, um sacerdote ou pastor que fizer uma pregação contrária ao homossexualismo, comentando um trecho da Bíblia, poderá ser enquadrado num dos tipos penais previstos por ela. Será considerado criminoso o reitor de um seminário que não permitir o ingresso de um seminarista por ele ser homossexual declarado, praticante, e que não queira abandonar essa prática. Assim como será considerada criminosa aquela mãe que dispensar sua babá por ela ser lésbica e temendo que ela vá corromper suas crianças. Também haverá crime se o dono de um estabelecimento comercial resolver impedir a prática de hábitos obscenos por parte de homossexuais. O que essa lei quer fazer é dar direito ao vício. O homossexual tem direitos não porque é homossexual, mas apesar de ser homossexual. O bêbado, a prostituta, o ladrão têm direitos, mas não por causa da embriaguês, da prostituição ou do roubo, mas porque são pessoas. E, enquanto pessoas, os direitos deles estão na Constituição e também nos Dez Mandamentos. Por que a pessoa pratica o homossexualismo ela tem de ter uma lei especial para protegê-la? Claro que não. Pois se não existe lei especial nem para proteger quem é casto.
As pessoas que guardam a castidade são objeto de tanta chacota, na escola, no trabalho, e fica por isso mesmo. Por que quem pratica a luxúria, que é o vício oposto à castidade, merece ter superdireitos?
Sem dúvida, essa lei traz o perigo iminente da perseguição religiosa, como já acontece em outros países. Na Europa, o presidente da Conferência Episcopal Italiana teve de ser escoltado por policiais, devido a ameaças de morte por parte de ativistas gays; um pastor sueco foi condenado a um ano de cadeia por ter feito um sermão contra o homossexualismo; na Inglaterra, a Igreja Anglicana está sofrendo perseguição depois que foi aprovada a Lei de Orientação Sexual no país, semelhante à que querem aprovar no Brasil.

Quando da visita do Papa ao Brasil, o Grupo Gay da Bahia, liderado pelo antropólogo Luiz Mott, promoveu uma queima de fotos de Bento XVI na porta da Catedral da Sé em Salvador. Se um religioso fosse pregar na porta de uma boate gay, seria acusado de discriminação.

Parece que ser homossexual dá status, imunidade, privilégios. O governo que não tem dinheiro para ajudar a saúde pública tem 8 milhões de reais para destinar ao Programa Brasil Sem Homofobia. O governo que não tem dinheiro para asfaltar as nossas estradas pode financiar as paradas gays de exaltação ao homossexualismo. O cidadão que não tem direito à segurança nem dentro de sua própria casa agora tem que tomar muito cuidado com qualquer palavra porque ela pode ser interpretada como uma ofensa à hipersensibilidade dos homossexuais e esse cidadão será preso.

Os homossexuais podem fazer coisas que nenhum de nós pode fazer. O que vejo nisso tudo é um desejo insano de destruir a família. Se o governo promovesse a Marcha do Orgulho da Fornicação, para jovens que se orgulhassem de ter perdido a virgindade, ou a Marcha do Orgulho Adúltero, para homens que se orgulhassem de ter traído suas mulheres e vice-versa, seria um absurdo, obviamente. Mas a Marcha do Orgulho Gay, que ele patrocina, é pior do que isso. Mais grave do que os vícios que atentam contra a castidade, são os vícios que contrariam a própria natureza. O adultério e a fornicação, por abomináveis que sejam, respeitam a complementaridade dos sexos, são realizados entre homem e mulher, de maneira natural. O que está errado na fornicação e no adultério é o tempo ou a circunstância em que o sexo é praticado: antes do casamento ou fora do casamento. Agora, um pecado contra a natureza tem uma gravidade especial. É o caso do homossexualismo. Ele não respeita nem mesmo o ato, que, em si, já é antinatural: não há complementação física, nem fisiológica, nem psicológica entre dois homens e entre duas mulheres.

A união entre eles é estéril, não produz absolutamente nada. E como os princípios da natureza fundam-se sobre os princípios da razão, como ensina São Tomás de Aquino, o homossexualismo promove a corrupção da natureza, que é a pior de todas as corrupções. O governo, ao escolher exatamente isso para glorificar, parece que está querendo esmagar completamente a família. E ainda não estamos no fim. Porque, segundo São Tomás de Aquino, o maior pecado contra a natureza não é o homossexualismo, mas a bestialidade, a conjunção carnal com animais, porque, nesse caso, não se respeita nem a espécie. Não se espante se, num futuro não muito distante, houver pessoas querendo se casar com animais em cartório. Nesse dia teremos a Parada do Orgulho Bestial e o governo criará a Lei da Zoofobia para incriminar aqueles que falarem mal da conjunção carnal entre seres humanos e animais. Esse ódio à vida, à família, à sacralidade do sexo, à fidelidade conjugal é um poço sem fundo.

Por trás de todas essas práticas não subsiste uma espécie de onipotência antropocêntrica, decorrente de um ateísmo visceral, que tenta refazer o mundo à imagem e semelhança do homem?

Sim. E eu diria que, mais do que um ateísmo é um antiteísmo. O ateu acha que Deus não existe. Já o antiteísta reconhece que Deus existe, mas se rebela contra Deus, tentando se pôr no lugar dele. Eu diria que Marx não era ateu, era um antiteísta, que, desde sua tese de doutorado, professava um “ódio a todos os deuses”. Mas essa rebelião do homem contra Deus não é nova, está prevista no Genesis, que trata do fruto da árvore proibida: “Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal”.

Hoje, desde as revistas e programas de divulgação científica para jovens até as teses de doutorado nas universidades, prega-se uma oposição ferrenha entre religião e ciência. E, no Brasil, ao contrário do que ocorre na Europa e nos Estados Unidos, a ciência é vista como a verdade revelada, enquanto o religioso é relegado à condição de fanático. Como o senhor avalia esse maniqueísmo da mídia com a ciência e a religião?

Essa é uma falsa dicotomia, porque não pode haver contradição entre a verdade e a verdade. Há a verdade religiosa e há a verdade natural, que se costuma chamar de científica, e que não são excludentes. A verdade religiosa manda dar a Deus aquilo que é de Deus, ou seja, a ele a soberania sobre o universo criado. Já a verdade das ciências naturais faz com que tenhamos um conhecimento cada vez maior da natureza criada por Deus e, através desse conhecimento, poderemos glorificar o criador. Pode haver uma harmonia perfeita entre ciência e religião. Quem se recusa radicalmente a perceber isso nem pode ser chamado de cientista, é pseudocientista. Conheço cientistas excelentes que acreditam em Deus, respeitam a religião e estão do lado da vida. Os que se valem do conhecimento para matar e mutilar pessoas estão reeditando um período da história em que a ciência era usada para manipular pessoas, oprimindo os fracos e descartando os indesejáveis.

O senhor está dizendo que muitos cientistas, hoje, ao se oporem radicalmente aos valores cristãos, estão incorrendo na ética nazista?

Estamos caminhando para isso. Na Segunda Guerra Mundial, os campos de concentração utilizavam os seres considerados subumanos ou infra-humanos como farragem científica. E ninguém pode negar que os nazistas conseguiram progressos científicos importantes com essas experiências. Um deles foi como fazer para que os pilotos que caíam em água gelada com seus aviões tivessem recuperação. Os nazistas fizeram experimentos hipotérmicos horríveis com prisioneiros dos campos de concentração e verificaram que o aquecimento rápido, logo após uma queda na água gelada, poderia evitar a morte desses pilotos. Também houve uma dupla de médicos nazistas, Julius Hallervorden e Hugo Spatz, que obtiveram sucesso no tratamento de uma doença que ataca o cérebro, usando prisioneiros judeus como cobaias. Na época, se alguém criticasse o fato de terem conseguido resultados científicos à custa de vidas humanas, de vidas inocentes, os nazistas iriam alegar: “Esses que foram sacrificados em nome da ciência não pertenciam à raça ariana, eram sub-homens”.

Hoje, estamos vivendo a mesma coisa. Em nome da ciência, advoga-se o sacrifício de embriões humanos que estão congelados em nitrogêneo líquido. Se eles tem 46 cromossomas e pertencem à espécie humana, por que podem ser sacrificados? Por são jovenzinhos, ainda não têm a medula espinhal formada e estão dando mais prejuízos do que lucro. Então, os defensores da matança de embriões dizem que vão dar um destino mais digno para eles: seus tecidos serão manipulados para obter o tratamento de doenças degenerativas com células-tronco.

Esse é o argumento mais forte em defesa do uso de células-tronco embrionárias.

E é o mais falacioso também. Porque até hoje nenhum paciente foi curado com o uso de células-tronco embrionárias – todos que já foram curados o foram com o uso de células-tronco adultas.

O tratamento com células-tronco embrionárias foi sempre um fracasso generalizado. Mesmo assim, para que fosse aprovada a Lei de Biossegurança, em 2005, os pseudocientistas não hesitaram em manipular deficientes físicos, em cadeiras de roda, dando a eles esperanças falsas de que seriam curados com a aprovação da lei. Não podemos nos esquecer que a Lei de Biossegurança mistura, no mesmo artigo, ser humano com soja transgênica. E qualquer um que estranha essa mistura e a denuncia como um atentado à vida, à dignidade humana, imediatamente é tachado de inimigo da ciência e tratado como fanático religioso, como retrógrado.

Parece que a vida humana já não vale nada em si mesma, mas somente em idade, em tamanho, em grau de desenvolvimento. Ora, se a vida humana não tem um valor intrínseco, não vale por si mesma, isso cria um precedente perigosíssimo – abre-se caminho para a manipulação da pessoa humana como cobaia. Quando se usa a ciência para invadir o terreno inviolável da dignidade humana, estamos fazendo uma reedição piorada do que ocorreu em Esparta, que sacrificava os recém-nascidos inadequados para o exército. Na verdade, o que estamos vivendo hoje é uma reedição piorada do nazismo.


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Proibição de “Casamento” Homossexual

quinta-feira, maio 28th, 2009

A Corte Suprema da Califórnia,Estados Unidos, confirmou nesta terça-feira,dia 26 de Maio,os resultados de um referendum popular que proíbe os casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Em uma sentença de 186 páginas, a maioria do Tribunal pede que se aplique a consulta popular realizada em 4 de novembro passado, que reconhecia o casamento como a união exclusiva entre um homem e uma mulher.

A decisão desta terça-feira foi acolhida como “o encerramento de anos de duro trabalho para preservar o casamento na Califórnia”, segundo um comunicado de Andrew Pugno, conselheiro geral de protectmarriage.com.

Pugno explica que “milhares de voluntários trabalharam com diligência para defender a instituição do casamento”.

“Em duas ocasiões, os eleitores decidiram que o casamento na Califórnia deve ser apenas entre um homem e uma mulher”, explicou.

E acrescentou: “Estamos muito satisfeitos de que a Corte Suprema tenha reconhecido os direitos dos eleitores de definir o casamento na Constituição da Califórnia; os eleitores decidiram isso e suas opiniões devem ser respeitadas”.

Em 2000, os californianos votaram para manter o casamento entre um homem e uma mulher.

Mas em maio do ano passado, o alto tribunal anulou esse voto e aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Cerca de 18 mil casais homossexuais aproveitaram rapidamente as vantagens da nova prerrogativa.

Então, os cidadãos da Califórnia apoiaram votar novamente essa questão no mês de novembro. Com pouco mais de 52% dos votos, o casamento homossexual voltou a ser ilegal na Califórnia.

Essa medida foi conhecida como Proposição 8 e se acrescentou a seguinte cláusula à Constituição da Califórnia: “Só o casamento entre um homem e uma mulher é válido e reconhecido na Califórnia”.

Contudo, um grupo de ativistas conseguiu levar esta questão à Corte Suprema da Califórnia, alegando que a proibição precisava de aprovação legislativa antes de ser acrescentada à Constituição.

A decisão judicial desta terça-feira reafirma a proibição, ainda que não “desfaz” os “casamentos” dos 18 mil casais homossexuais selados entre maio e novembro.

Atualmente, há cinco Estados nos Estados Unidos que reconhecem o casamento homossexual: Iowa, Maine, Vermont, Massachusetts e Connecticut.

Fonte: Zenit

***

Essa decisão é muito importante e simbólica, aconteceu no Estado de maior apoio à cultura gay nos Estado Unidos, Estado exportador de conceitos e referência Homossexual para o mundo inteiro,vide Cidade de Sâo Francisco, por exemplo.

A Vitória “apertada” confirma essa certeza.

A Igreja já se pronunciou a respeito desta realidade em um documento onde clareia suas razões de recusa e onde  fundamenta sua opinão.

No documento a Igreja leva em conta dados e conhecimentos …

Da lei moral natural

Da reta razão

Das culturas dos povos

Da revelação Bíblica

Da realidade Sacramental do Matrimônio na Igreja

Da lei civil

Da ordem biológica e antropológica

Da ordem social

Da ordem jurídica

Por esta lista se vê que a Igreja no documento não faz uma análise apenas “religiosa”, mas a estende para outras áreas do conhecimento humano com suas respectivas (e sérias) implicações.

Em momento algum a Igreja no documento estimula, nem por longe, o preconceito contra pessoas homossexuais, mas defende a Família e o Matrimônio.Sugere respeito às pessoas homossexuais que “devem ser acolhidos com respeito,compaixão e delicadeza” mas deixa claro sua discordância à ideologia Homossexual e reafirma também que os “atos de homossexualidades são intrinsecamente desordenados”,ou seja, fora da ordem natural.

O documento se  chama” Considerações sobre projetos de reconhecimento das uniões entre pessoas Homossexuais” e foi publicado pela Congregação para a Doutrina da fé.

Segue abaixo alguns trechos do documento.

” O ensinamento da Igreja sobre o matrimónio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela recta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimônio não é uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finalidades.  Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.

A verdade natural sobre o matrimônio foi confirmada pela Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimônio, de que fala o Livro do Gênesis.

Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «  homem e mulher  » (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem.

Depois, o matrimônio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. «  Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne  » (Gn 2, 24).

Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: «  Sede fecundos e multiplicai-vos  » (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimônio.

Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimônio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimônio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9).

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Entrevista com Padre Lodi.

quarta-feira, maio 27th, 2009

O jornalista e sociólogo José Maria e Silva realizou excelente entrevista com Padre Luiz Carlos Lodi da Cruz, 43 anos, presidente do Movimento Pró-Vida de Anápolis,(www.providaanapolis.org.br), fundado pelo bispo emérito Dom Manuel Pestana.

Padre Lodi concluiu seu terceiro curso superior. O segundo foi teologia, no Institutum Sapientiae de Anápolis e o primeiro foi engenharia eletrônica, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1985. “Sou apaixonado por matemática, e engenharia eletrônica tem muita matemática”, explica o padre, que, agora, é também advogado, inscrito na OAB de Goiás. Mas não pretende advogar: “Só quando for preciso defender a vida”.

Sua abnegação pela causa antiaborto deve levá-lo à Itália, onde tenciona fazer mestrado em bioética. Está estudando latim e lendo a gigantesca Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, seu filósofo predileto – e também do cientista norte-americano Robert Gallo, um dos descobridores do vírus da Aids, que recentemente citou o santo, no Roda Viva da TV Cultura, para mostrar aos seus entrevistadores botocudos que ciência não é incompatível com religião. É o que o intelectual Luiz Carlos Lodi – padre, advogado e engenheiro eletrônico – prova nesta entrevista.

Leitura indispensável para quem busca ler conteúdo fundamentado e inteligente.Iremos postar a entrevista por etapas já que é um pouco  longa e não queremos perder nada.

Padre Lodi é um “Guerreiro” na defesa da vida e suas palavras de muita sabedoria e perspicácia.

***

O governo Lula, atendendo a um compromisso histórico de suas bases, está determinado a descriminalizar o aborto no país.O movimento pró-aborto nunca esteve tão forte no país. Como o senhor avalia isso?

É uma concorrência desleal, uma luta de Davi contra Golias. O abortista – usei a palavra proibida [risos] – é alguém que pelo simples fato de defender o aborto publicamente, militantemente, tem recursos financeiros muito abundantes, oriundos de fundações internacionais como a Federação Internacional de Planejamento, a IPPF [International Planned Parenthood Federation], presente em 180 países, inclusive no Brasil, através da Bemfam [Bem-Estar Familiar]. As entidades pró-aborto também recebem recursos das fundações Ford, McArthur e de organismos da ONU, como o Unicef. E, agora, temos um governo que tem um compromisso histórico com a legalização do aborto no país. Foi o PT quem instalou o aborto na rede hospitalar pública municipal em São Paulo, em 1989. E todos os outros municípios onde se instalou o aborto foi em decorrência de ações de vereadores e prefeitos do PT ou de partidos análogos, como o PC do B.

No governo Fernando Henrique, o então ministro da Saúde, José Serra, implantou o chamado aborto legal na rede hospitalar do país, inicialmente restrito a alguns municípios, como São Paulo. O que o governo Lula fez de diferente disso até agora?

Já no primeiro mandato, o presidente Lula, por intermédio da secretaria Nilcea Freire, apresentou um projeto para liberar o aborto durante os nove meses de gravidez, embora ele parecesse fazer certas restrições ao projeto. O Código Penal, na parte referente ao aborto, seria totalmente revogado, com exceção do artigo 127, que é o aborto provocado contra a vontade da gestante. Na versão inicial daquele projeto, até os planos de saúde seriam obrigados a custear os procedimentos abortivos, embora pudessem fazer restrições ao parto, dando prioridade à morte sobre a vida. Mas, diante da forte reação da Igreja Católica e de outros setores, o governo recuou. Agora, nesse segundo mandato, ele está sendo mais explícito, como se vê pelas declarações do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que tem sido muito mais ousado na defesa do legalização do aborto do que os seus antecessores, Humberto Costa e Saraiva Felipe.

Os defensores da legalização do aborto sustentam que os abortos clandestinos são um caso de saúde pública. E falam em milhões de abortos provocados, para mostrar que a Igreja é insensível ao sofrimento das mulheres.

Uma das coisas que os abortistas usam de maneira freqüente é a mentira. Essas estatísticas de aborto não são apenas falsas – são desvairadas. Dizer que no Brasil morrem centenas de milhares de mulheres por causa de abortos malfeitos é simplesmente um absurdo. Se pelo menos o ministro José Gomes Temporão se desse ao trabalho de acessar o Datasus na Internet, que é o banco de dados do próprio ministério que ele comanda, veria que esses dados são delirantes e que o número de mulheres mortas em decorrência de aborto, de 1996 para cá, nunca chegou a 200 por ano. Mesmo assim, essas mortes não são todas decorrentes de aborto provocado, elas também incluem gravidez ectópica, mola hidatiforme, aborto espontâneo e aborto não identificado, entre outras causas. Ora, como se pode falar em 300 mil mortes por ano, como alegam muitos abortistas? Uma coisa que sempre me chamou a atenção é que os abortistas dizem que no Brasil ocorrem 1,5 milhão de abortos por ano. Quando eu lia isso, pensava: “Esse jornal deve ser contra o aborto e teve estar horrorizado com essa cifra”. Porque quando se fala que tem seqüestro demais, que os estupros estão aumentando, que os homicídios viraram rotina, o normal é se fazer uma campanha para recrudescer a perseguição penal. Mas, no caso do aborto, a campanha é outra: vamos liberar o aborto. Já que todo mundo faz, vamos acabar com o que eles chamam de hipocrisia e que todo mundo faça de maneira segura, higiênica, legal. Por esse critério, o governo teria de promover o seqüestro seguro, o roubo seguro, o homício seguro. Esses argumentos, apesar de completamente irracionais, são repetidos com tanta insistência que muitas pessoas se rendem a eles.

Pesquisa liderada pelo médico Amaury Teixeira Leite, da Universidade Federal de Juiz de Fora, realizada na maternidade-escola da instituição, mostra que, de 1927 a 2001, só ocorreram na referida maternidade 144 mortes decorrentes de abortos. E nem todos eles foram provocados. Se numa maternidade, ao longo de 75 anos, só ocorreram 144 mortes, como o senhor explica essa crença dos formadores de opinião num número tão inflacionado de abortos?

Essa inflação das estatísticas de aborto começou nos Estados Unidos, com o ginecologista e obstetra norte-americano Bernard Nathanson, um dos fundadores da Liga Nacional para os Direitos do Aborto e, a partir de 1971, diretor da maior clínica de abortos do mundo: o Centro de Saúde Sexual, em Nova Iorque. Ele foi um abortista profissional, que fez pessoalmente 5 mil abortos, e confessa que, de 1968 a 1973, ajudou a inventar falsas estatísticas sobre aborto, dizendo que havia, anualmente, 1 milhão de abortos clandestinos nos Estados Unidos quando, na verdade, ocorriam menos de 100 mil. Ele conta também que, quando abortistas de outros países usavam esses dados, ele ria muito, porque, como autor da mentira, sabia que eram falsos. Mas o dr. Bernard Nathanson se arrependeu do que fez e, hoje, integra a luta pró-vida. Hoje, o Brasil está sendo alvo do mesmo processo de falsificação de dados que levou à aprovação do aborto nos Estados Unidos.

O senhor foi alvo de um processo judicial, movido pela antropóloga Débora Diniz, da UnB, e pelo promotor Diaulas Ribeiro, do Distrito Federal, que se sentiram ofendidos por serem chamados de “abortistas”. O senhor foi proibido de usar a palavra abortista. Como anda esse processo?

Fui surpreendido na Justiça, em primeiro e segundo graus, com a proibição de usar a palavra abortista para quem defende o aborto. Agora, esse caso está no Supremo. Sabe-se lá o que vai acontecer, se o Supremo vai expurgar essa palavra do nosso dicionário ou se vai haver uma reviravolta. Estou sentindo que a ascensão do PT ao governo está nos inserindo numa época de ditadura. Percebo uma ameaça séria às liberdades e aos direitos fundamentais do ser humano. Uma das coisas que se aprende no direito e também com o bom senso, é que a boa fé se presume e a má-fé tem de ser provada. No caso dos defensores do aborto, cheguei à conclusão contrária: diante deles, a inocência do adversário é que tem de ser provada. A revista Época, por exemplo, me acusou de jogar feto de borracha nos outros e, mesmo quando escrevi para a revista dizendo que isso era mentira, a revista insistiu que esse era um fato comprovado por testemunhas. Quando num debate duas pessoas buscam a verdade, existe diálogo. Mas, quando os abortistas são militantes, a gente nota que não existe a busca da verdade, mas o desejo de derrotar a outra pessoa. Essa falta de honestidade intelectual tem me levado a recusar propostas de debate na televisão. Hoje, defender a vida nesses debates é dar aos cães o que é santo, é lançar pérolas aos porcos.

No primeiro governo Lula, a ministra Nilcea Freire, da Secretaria das Mulheres, promoveu audiências públicas para discutir a questão do aborto. Um observador da CNBB, José Maria da Costa, disse que só pessoas e entidades favoráveis foram convidadas a participar dos debates. Segundo ele, há uma estratégia do governo de implantar o aborto através do Judiciário, considerado mais avançado, nessas questões do que a sociedade.

É verdade. Quando a ministra Nilcea Freire começou a fazer propaganda da legalização do aborto, montou-se uma comissão tripartite, formada por membros do Legislativo, do Executivo e da sociedade civil. No caso da sociedade civil, só foram admitidas entidades abortistas. Quando a CNBB quis participar, disseram que o Estado é laico. Não sei o que querem dizer com Estado laico. Será Estado ateu, antirreligioso? Quem tem religião não pode se manifestar? Um diálogo sem o contraditório não é diálogo, mas monólogo. O resultado desse circo montado pelos defensores do aborto resultou num substitutivo apresentado por Jandira Feghali, do PT do Rio, para um projeto de lei antigo visando a aprovação do aborto. O objetivo era dar a entender que aquilo era produto da vontade popular e não um simples plano do governo de enfiar o aborto goela abaixo dos brasileiros. Como a via legislativa não tem dado certo, porque a maioria dos brasileiros é contra o aborto, optou-se pela via do Judiciário. Foi o que ocorreu, recentemente, na Colômbia, que aprovou o aborto via Corte Suprema. E os colombianos tiveram que engolir essa decisão judicial, porque juiz não é eleito, e, como todos nós, como todo ser humano, ele tem certa tendência ao orgulho. Como não foi eleito, quando a sociedade pressiona o juiz, ele faz o contrário, para mostrar que é independente. Mas essa estratégia de recorrer ao Judiciário não é nova nem original. Remonta a 1973, quando os Estados Unidos oficializaram o aborto.

O senhor fala do caso que ficou conhecido como Roe versus Wade?

Exato. Costuma-se dizer que os Estados Unidos legalizaram o aborto. Isso nunca aconteceu. Não existe lei nos Estados Unidos legalizando o aborto. O que acontece foi o seguinte. Em 1971, uma jovem do Texas chamada Norman McCorvey, apelidada de Jane Roe, queria fazer um aborto. Mas, de acordo com a legislação do Estado do Texas, sua gestação já ultrapassava o período em que o aborto seria permitido. Ela entrou na Suprema Corte, em Washington, com o que nós, no Brasil, chamaríamos de ação direta de inconstitucionalidade. Então, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por sete votos contra dois, que o nascituro não é pessoa. Essa decisão, como é da tradição dos Estados Unidos e da Inglaterra, teve efeito vinculante, obrigando os 50 Estados membros da Federação a adequar suas leis para liberar o aborto. Ou seja, o aborto foi liberado nos Estados Unidos  por vontade  de sete magistrados não eleitos pelo povo, indicados pelo presidente da República. E numa decisão que nem sequer foi unânime. Mas, 22 anos depois, em 1995, Jane Roe contou para a revista Newsweek que nunca havia sido estuprada – história que ela inventou para facilitar a aprovação do aborto na Suprema Corte. Ela se converteu ao cristianismo e se arrepende muito do que fez. Tive a oportunidade de encontrá-la em 1998, em Houston, e vi que ela se sente como uma criminosa. Irônico é que a emenda que reconheceu os negros como pessoa é a que foi utilizada para retirar a condição de pessoa do feto.

Em 1857, os negros norte-americanos, por decisão da Suprema Corte, tinham sido considerados como não pessoa. Então, para acabar com a distinção entre brancos e negros, fez-se uma emenda á Constituição que dizia que todo aquele que for nascido ou naturalizado nos Estados Unidos é cidadão norte-americano. Essa emenda, criada para acabar com a discriminação contra os negros, foi usada para discriminar os nascituros. Entenderam que o nascituro não é nascido, também não é naturalizado, logo ele não é pessoa. Se não é pessoa, ele carece de direitos. Entre a expectativa de direitos de alguém que ainda vai nascer e o direito natural da mulher à privacidade, à autonomia, à saúde, a liberdade, segurança, entenderam os abortistas que devem prevalecem esses direitos.

Continua..

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“Anjos e Demônios”.Você já assistiu?!

quarta-feira, maio 27th, 2009

Apesar de tudo o que já foi publicado, aqui e em toda a mídia católica,ainda existem católicos que não acham problema nenhum em assistir o filme “Anjos e Demônios.”

O artigo abaixo vem reforçar as razões pelas quais não devemos dar nosso apoio a esta obra.Pessoalmente não acho necessário se “experimentar” algo para poder emitir uma opinião, especialmente quando já se sabe com antecedência o conteúdo.

Existem dezenas de coisas que consideramos erradas no mundo que nos cerca e que nunca precisamos experimentar ou participar, para reforçar nossa percepção do erro e confirmação do que o (bom) senso comum afirma e defende.

Talvez até pela busca de formar uma opinião pessoal me permitisse assistir alguma coisa duvidosa, ambígua, sem a opinião pública da Igreja,nem afirmada pela fé católica de forma clara como errada,etc.. Mas, em absoluto é o caso aqui. A opinião da Igreja através de inúmeros Bispos ,Sacerdotes e leigos comprometidos com a verdade em relação a essa obra -que inclui livros,o autor  e os filmes que estão gerando milhões de dólares-é clara!

Ela não proíbe,mas sugere.Como sou filho dela,a escuto.

Assisti em casa ao filme “Crepúsculo” para formar opinião e bloguei a respeito, já que como adulto pouco conhecia dessa saga adolescente…Mas “Anjos e Demônios..”é demais para minha fé católica, especialmente no contexto cultural massacrante que nossos valores católicos vivem hoje no Brasil e no mundo. Não quero ser mais um a apoiar a divulgação da difamação e do erro.

Respeito os que pensam diferente.

De qualquer forma, eis as “pérolas” da obra ( filme e livro) e suas idéias aqui refutadas.

* Um sacerdote e uma religiosa se unem para inseminar-se artificialmente: pode-se apreciar a representação de um jovem sacerdote que antes de converter-se em Papa se apaixona por uma religiosa. Ambos desejam um filho, mas também querem permanecer castos, por isso recorrem à inseminação artificial.

* Distorção de fatos concernentes à vida real: O engano de Brown está em que intercala personagens da vida real como Copérnico e Galileu, assim como organizações verdadeiras, como os Illuminati; com assuntos reais como a ciência e a religião; para chegar assim às suas próprias e elaboradas conclusões, que não têm nenhuma raiz histórica nem se apóiam em fatos históricos; e terminam sendo simples e flagrantes mentiras.

* Falso retrato da Igreja Católica: Dan Brown sabe o que a história diz e mesmo assim, deliberadamente a representa mal. Sua distorção de propósito da verdade está pensada para caluniar a Igreja Católica. Brown quer mostrar que a Igreja Católica vê a ciência como um inimigo e que não se deterá ante nada para jogá-la em uma esquina.

* Mentiras sobre a CERN e a anti-matéria: Brown começa com uma página de “fatos” em que menciona a CERN. Ele a descreve como uma entidade a Suíça que criou a anti-matéria, “a mais poderosa fonte de energia conhecida pelo homem”. É tão poderosa que “uma só grama de anti-matéria contém a energia de uma bomba nuclear de 20 kilotons, o tamanho da bomba jogada sobre Hiroshima”. Isto simplesmente não é certo.

* A CERN clarifica o assunto com feitos: A CERN recebeu muitas perguntas sobre o que Brown alega, tanto assim dedicam uma seção especial em sua página Web para respondê-las. Por exemplo, a Web Page precisa que “CERN não é um instituto suíço, a não ser uma organização internacional”; está localizada na Suíça e parcialmente na França. A anti-matéria sim existe, e é criada rotineiramente na CERN, mas “não existe a possibilidade de usar a anti-matéria como uma ‘fonte’ de energia”.
Uma pergunta comum que fazem às autoridades desta organização é: “Fazem a anti-matéria como se descreve no livro?” A resposta é clara: “Não”. Todo mundo quer saber que tão perigosa é a anti-matéria em realidade. A CERN precisa que esta é “totalmente segura, dadas às diminutas quantidades nas que a fazemos. Seria muito perigoso se fizéssemos alguns gramas, mas isto tomaria milhões de anos”.

* A Igreja Católica usa qualquer meio para liderar a vingança: Mais importante ainda, Brown diz na seguinte página que “a Irmandade dos Illuminati é um fato”. E o que procuram os Illuminati? No livro se diz que “os Illuminati foram caçados sem piedade pela Igreja Católica”. No trailer do filme, Tom Hanks, que faz o papel de Langdon, diz sobre a sociedade secreta que “a Igreja Católica ordenou um massacre brutal para silenciá-los para sempre. Eles voltaram para a revanche”. Nas páginas 39-40 do livro, diz-se que os Illuminati foram fundados no século XVI, o filme afirma o mesmo. Na página 223 se diz que “a palavra da Irmandade de Galileu começou a difundir-se na década de 1630 e que os cientistas de todo o mundo faziam uma peregrinação secreta a Roma esperando poder unir-se aos Illuminati….”.

O diretor do filme, Ron Howard, concorda: “Os Illuminati se formaram no século XVII. Eram artistas e cientistas como Galileu e Bernini, cujas idéias progressivamente foram ameaçando o Vaticano”. Brown, em seu sítio Web, reafirma esta idéia central: “é um fato histórico que os Illuminati queriam vingar-se do Vaticano no século XVII. Os primeiros Illuminati -os da época do Galileu- foram expulsos de Roma pelo Vaticano e caçados sem misericórdia”.

* Mentiras sobre os Illuminati: A verdade é que nenhum membro dos Illuminati foi caçado e muito menos assassinado por parte da Igreja Católica. Saber exatamente quais foram os Illuminati demonstra quão falsas são as afirmações do Brown. Os Illuminati foram fundados por um professor de leis chamado Adam Weishaupt, na Baviera, Alemanha, em 1 de maio de 1776. Não duraram muito: paralisou totalmente em 1787. Este não é um assunto em disputa, assim arrastar Galileu a esta fábula é bastante desonesto. Ele morreu em 1642, quase 150 anos antes que os Illuminati fossem fundados. Brown tem que saber tudo isto porque em seu próprio sítio Web há uma seção sobre os Illuminati que corretamente precisa sua fundação em 1776!

* Canonização e a Santa Comunhão “emprestadas” do paganismo: Anjos e Demônios afirma que a tradição da Igreja da canonização está tirada de um antigo rito “para fazer-se deus”. Mas os Santos não são pessoas feitas deuses, e em nenhum caso as origens pagãs da canonização poderiam haver-se explicado com precisão porque não são tais. Não existe, além disso, absolutamente nenhuma evidencia para a afirmação do Brown sobre o fato que morrer pelos pecados dos outros seja uma idéia cristã roubada ao legendário rei asteca Quetzalcoatl. A Santa Comunhão, segundo Brown, é um conceito que foi tirado dos astecas. Mas o fato concreto é que a Cristandade precede à civilização asteca por mais de 1000 anos.

* Mais mentiras históricas sobre personagens reais: O livro considera que a CERN inventou a Internet, o que é claramente falso. Ela lhe dá crédito a dois repórteres da BBC (da Inglaterra) que ganharam o Prêmio Pulitzer, em que pese a que este prêmio só se entrega a americanos. Afirma além que Winston Churchill foi um “católico incondicional”, quando a verdade é que nunca foi católico. Apresenta a idéia de que a Igreja Católica é muito rica, quando em realidade seu orçamento anual de operação se poderia comparar ao de um quinto da Universidade de Harvard (EUA). O livro diz que Copérnico foi assassinado, quando a história precisa que morreu de um ataque. O texto assinala além que Galileu foi um pacifista, embora não há evidências de que o fora. Brown toma uma crença: que os cientistas cristãos consideram inadequado o tratamento médico para uma pessoa jovem e o atribui falsamente ao catolicismo. Pinta além disso, falsamente, aos católicos como opostos ao ensino da evolução e identifica a uma organização protestante, a Christian Coalition (Coalizão Cristã) como uma entidade católica, quando não o é.

*O Papa Pio IX retratado como um desviado sexual: Brown quer promover todo tipo de estereótipo negativo sobre a Igreja Católica. Um dos favoritos de todos os tempos é a alegada fobia da Igreja ante a sexualidade. Por isso não deve surpreender que Brown presente o Papa Pio IX como um “maníaco eliminador de pênis” que destruiu grandes obras de arte. “Em 1857 -diz Brown na página 159- o Papa Pio IX decidiu que a representação masculina completa poderia incitar à luxúria dentro do Vaticano. Assim tomou um cinzel e um martelo e destruiu todas as genitálias de todas as estátuas masculinas dentro da Cidade do Vaticano”.
Pio IX, em vez de ir caminhando pelo Vaticano com seu martelo em mão, golpeando as estátuas masculinas entre as pernas, em realidade apoiou prodigamente as artes e premiou aos artistas por suas contribuições. É também conhecido por ter restaurado as pinturas no Vaticano.

*O Papa Urbano VIII rejeita ao escultor Bernini e a escultura de Santa Teresa (de Ávila): Brown guarda suas melhores armas para a suposta má reação do Papa ante a obra mestra de escultura de (Gian Lorenzo) Bernini, “O êxtase da Santa Teresa”. Segundo Brown, “o Papa Urbana VIII tinha rechaçado ‘O êxtase da Santa Teresa’ por ser uma obra sexualmente explícita para o Vaticano. Assim que a desterrou a alguma escura capela no outro lado da cidade”. Na mesma página, a 442, lê-se que “a escultura, como qualquer pessoa que a viu pode testemunhar, era algo menos algo cientista-pornográfico, mas certamente não científico”. Na seguinte página escreve que “a estátua representava a Santa Teresa sobre suas costas na agonia de um intenso orgasmo”.
Novamente, Brown simplesmente cria “fatos” que calcem em sua agenda. Para os principiantes na escultura, Teresa não está sobre suas costas, mas sim sentada. Quanto a Urbano VIII, não foi um adversário de Bernini, mas sim foi seu amigo e patrono. Em uma biografia de Arthur Lubow sobre este grande artista, se precisa que durante os 20 anos de pontificado de Urbano VIII, Bernini foi tratado como se fora da realeza pelo Papa. De fato, Bernini foi o favorito de todos os Papas enquanto viveu, e foi condecorado com a Cruz da Ordem de Cristo.

* Brown eleva à ciência ao lugar de Deus: Na página 31, um dos personagens do Brown se regozija ao dizer que “logo se provará que todos os deuses são falsos. A ciência dará a resposta a quase todas as perguntas que o homem possa fazer”. Assim, que coisa resta? “Só restam algumas perguntas”, escreve Brown, “e essas são as perguntas esotéricas”. Como por exemplo o verdadeiro sentido da existência! Na página 218, Brown se emociona tanto com a promessa da ciência que para expressá-lo usa itálicos e exclama: “A Ciência é Deus!”. Na página 474, fica totalmente claro: “A medicina, as comunicações eletrônicas, as viagens espaciais, a manipulação genética são os milagres sobre os que falamos com nossos filhos. Estes são os milagres que levamos como prova de que a ciência nos dará todas as respostas”. E logo se lança pelo ouro: “As antigas histórias sobre imaculadas concepções, sarças ardentes e mares abertos já não são relevantes. Deus se tornou obsoleto. A ciência ganhou a batalha”.

Nesta perspectiva, há algo que a ciência não possa fazer? Evidentemente não. Aqui Brown apresenta sua postura mais extrema (página 658): “A ciência veio para nos salvar da enfermidade, da fome e da dor! Hei aqui a ciência, o novo Deus dos milagres infinitos, onipotente e benevolente! Ignorem as armas e o caos”. A ciência deu um elixir para os problemas pessoais: “Esqueçam a solidão fraturada e o perigo interminável. A Ciência está aqui!”.

* O fato é que o catolicismo promoveu a ciência e a astronomia: a Ciência não teria progredido se não tivesse sido assim. “Nos últimos 50 anos”, afirma o professor Thomas E. Woods, Jr., “virtualmente todos os historiadores da ciência… chegaram à conclusão de que a Revolução Científica se deveu à Igreja”. Para o sociólogo Rodney Stark a razão pela que a ciência emergiu na Europa e não em nenhum outro lugar, foi o catolicismo. “sabe-se que na China, no Islã, na Índia, na Grécia antiga e em Roma, todos tiveram uma muito desenvolvida alquimia. Mas somente na Europa esta alquimia se transformou em química. Por essa razão, muitas sociedades desenvolveram elaborados sistemas de astrologia, mas solo nisto Europa levou a astronomia”.

O rol pioneiro dos católicos na astronomia está fora de discussão. J.L. Heilborn da Universidade de Califórnia em Berkeley escreve que “A Igreja Católica ajudou mais que ninguém financeira e socialmente ao estudo da astronomia por mais de seis séculos, da recuperação dos estudos antigos durante a última etapa da Idade Média até a Ilustração”. Somente os alcances científicos dos jesuítas alcançaram todos os cantos da terra.

O que fez ao catolicismo tão amigo da ciência e por que a ciência se originou na Europa e não em outra parte? Stark sabe o porquê: “Porque o Cristianismo representava a Deus como um ser racional, sensível, confiável e onipotente, e o universo como sua própria criação pessoal. entendia-se então que o mundo natural tem uma estrutura estável, racional, legal, que espera (em realidade que convida) à compreensão humana”.

* A Igreja e Galileu, muitas falsidades: Os mitos sobre Galileu são tantos que somente uns poucos se dão o trabalho de consultar os fatos históricos para saber o que em realidade aconteceu. Brown explora esta ignorância ao máximo. Quando afirma na página 41 que os “dados do Galileu estavam fora de discussão”, não chega nem perto da verdade. Por exemplo, sabemos que as marés se explicam pelas forças gravitacionais da lua. Mas a fixação de Galileu sobre a terra girando ao redor do sol não lhe permitiu compreender isto, ele pensava que as marés deviam compreender-se a partir do fato de que a terra girava ao redor do sol. E o que é mais importante, o que colocou a Galileu em problemas não foram suas idéias mas a sua arrogância: fez afirmações que não podia sustentar cientificamente.

Se Galileu foi castigado por sustentar que a terra gira ao redor do sol, então por que Copérnico não foi castigado? Afinal de contas, Copérnico teve esta idéia antes mesmo que Galileu chegasse a ela, e assim como Galileu, Copérnico era católico. A diferença está em que Copérnico foi um cientista honesto: estava contente afirmando suas idéias a modo de hipótese. Galileu repudiou fazer o mesmo, inclusive quando não podia as provar.

Se a Igreja Católica quis tirar o Galileu do mapa, então como se explica que fora gabado por seu trabalho em Roma em 1611? Por que o Papa Paulo V o acolheu? Por que se fez amigo do futuro Papa, Urbano VIII? Francamente, Galileu nunca se meteu em problemas antes de começar a insistir em que o sistema copernicano era positivamente certo. Quando esteve de acordo tratando isto como uma hipótese ou como uma proposição matemática, não sofreu nenhuma sanção.

Em 1624, o Papa Urbano VIII deu a Galileu medalhas e outros presentes, e lhe rogou que seguisse realizando seu trabalho. De acordo com Woods, “Urbano VIII lhe disse ao astrônomo que a Igreja nunca tinha declarado que o sistema do Copérnico era herético, e que a Igreja nunca faria isso”. Isto, é obvio, não é o que Brown quer que acreditemos. Oito anos depois, Galileu escreveu em seu “Dialogo sobre os principais sistemas do mundo”, e o fez a pedido do Papa. Mas esta vez Galileu assinalou que a teoria copernicana era empiricamente certa. Além disso, apresentou-se como teólogo, não somente como matemático, e esteve de acordo em fazê-lo. A Igreja não estava contente, e se sentiu marcada por ele. De igual modo, a comunidade científica não estava impressionada. Sua arrogância era terrível para muitos fora da Igreja assim como dentro dela.

É fácil para nós dizer que a Igreja reagiu exageradamente com Galileu. Isto é certo. Mas é também importante notar que ele nunca foi torturado e não passou um só dia na prisão. Foi confinado ao arresto domiciliário em uma modesta casa durante 9 anos. Inclusive passou um tempo na casa do Arcebispo de Siena. Não é exatamente a experiência tipo gulag (campos de trabalhos forçosos russos no tempo do Stalin aonde morreram milhões de pessoas) que nos têm feito acreditar. Seria interessante saber como Brown explicaria o fato que o primeiro líder da Pontifícia Academia para as Ciências não foi outro que seu “mártir” favorito Galileu Galilei!

Se a Igreja Católica era tão anti-ciência, por que o Papa Bento XIV outorgou o imprimatur (permissão eclesiástica oficial para a impressão de uma obra católica) à primeira edição dos trabalhos completos do Galileu? Assim o fez em 1741. E se necessitamos melhores provas para demonstrar que o abrasivo do Galileu teve algo que ver com a resposta da Igreja, deve considerar-se que cientistas como o P. Roger Boscovich seguiram explorando as idéias copernicanas enquanto Galileu foi encontrado “veementemente suspeito de heresia”. Também deve notar-se que aos católicos nunca lhes proibiu ler a Galileu, inclusive os livros científicos de todo tipo circularam livremente durante e depois da censura ao Galileu.

Segundo Bill Donahue da Liga Católica dos Estados Unidos, “dentro de pouco, a equipe formada por Dan Brown e Ron Howard terão gerado na audiência a crença de que Galileu era membro de uma sociedade secreta, os Illuminati, e que esse grupo procura vingar do Vaticano pela história anti-ciência da Igreja Católica. O fato é que Galileu morreu quase 150 anos antes que os Illuminati fossem fundados em 1 de maio de 1776. Por que mentir então? Porque sua meta é mostrar à Igreja Católica como uma inimizade da ciência, e qual outra melhor forma que usar para isto o seu mártir favorito, Galileu? A vítima perfeita, mencionada perseguição do Galileu, é citada assim como prova da guerra da Igreja contra a razão”.

“Galileu nunca foi aprisionado ou torturado. Seu confinamento foi uma detenção domiciliária, embora não garantido, e estava mais em função de sua arrogância que das suas idéias: persistiu em apresentar idéias (tiradas de Copérnico, um cientista católico que nunca foi castigado) como cientificamente precisas, algo do que inclusive cientistas de seu tempo duvidavam”.

* Testemunhos em contra da Igreja de parte do pessoal que produziu o filme: O Padre Bernard O’Connor, um sacerdote canadense e oficial da Congregação para as Igrejas Orientais da Santa Sé, estava em Roma o ano passado enquanto o diretor Ron Howard filmava a obra. O’Connor se encontrou duas vezes com o pessoal da mesma e conversou de maneira informal com 20 deles. Estava vestido casualmente de modo que ninguém se deu conta de que era um sacerdote. Falaram abertamente, pensando que era somente “um turista amistoso”. O Padre escreveu um artigo sobre sua experiência na revista mensal, Inside the Vatican (Dentro do Vaticano). Um dos trabalhadores que disse ser um dos “encarregados” opinou assim: “a Igreja miserável está contra nós outra vez e nos está causando problemas”. Logo, falando de seu amigo Dan Brown, acrescentou “como muitos de nós, ele com freqüência diz que faria algo para demolir esta detestável instituição, a Igreja Católica. E triunfaremos. Já verão”. Quando o Padre O’Connor lhe pediu que precisasse suas afirmações, o oficial de produção disse “ao final desta geração não existirá mais a Igreja Católica, ao menos não na Europa ocidental. E em realidade os meios merecem muito crédito por seu desaparecimento”.

“Finalmente o público está entendendo nossa mensagem”, disse logo. A mensagem está claramente definida: “a Igreja Católica tem que ser debilitada e eventualmente desaparecer da face da terra. É a primeira inimizade da humanidade. Sempre o foi”. Este mesmo senhor lhe dá o crédito disto à “televisão, Hollywood, as indústrias da música e de vídeo, junto com cada um dos jornais que existem, pois todos dizem o mesmo”. Este sujeito também mencionou o papel que algumas universidades jogaram para minar o catolicismo.

Joseph Dias é o Secretário Geral do Foro Secular Católico (CSF). Com comentários de Bill Donahue, Liga Católica (Catholic League – o EUA)

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Universidade Católica.Católica?

terça-feira, maio 26th, 2009

Fundada em 1842 e dirigida pela Congregação dos Padres Oblatos da Santa Cruz, Notre Dame é a mais importante Universidade Católica dos Estados Unidos. Atualmente tem 11.600 alunos, a imensa maioria composta de católicos.

Como pode uma Universidade Católica homenagear alguém que seja um radical abortista, favorável ao “casamento” homossexual e às pesquisas com células-tronco-embrionárias? Como pode, por conseguinte, uma instituição católica homenagear alguém que afronta diretamente os imutáveis ensinamentos morais da Igreja Católica?

É inexplicável, mas lamentavelmente foi o que ocorreu no dia 17-5-2009! A direção da Universidade Notre Dame, por ocasião de sua 164ª cerimônia de graduação, concedeu a Barack Hussein Obama o honroso título de Doutor “Honoris Causa” em Direito – honraria entregue pelo próprio reitor, o padre John Jenkins! - e o privilégio de fazer o discurso de abertura do ano letivo.

Incompreensível, pois os princípios morais defendidos pela Igreja Católica são opostos aos professados pelo atual presidente americano. É uma aberração uma instituição católica homenagear um político que sempre atacou valores da moral católica, sobretudo em matéria de família. Ainda recentemente, Obama liberou vultosas verbas federais para organizações que promovem o aborto nos EUA e em outros países.

Reações..

Até o dia da cerimônia, 83 bispos americanos haviam protestado publicamente contra a decisão do reitor de homenagear Obama, tendo procurado demovê-lo de sua escandalosa decisão;

Um abaixo-assinado com 365.000 assinaturas foi entregue à reitoria pedindo o cancelamento do convite a Obama;

Alunos, ex-alunos e professores também fizeram idêntico pedido;

Dez sacerdotes da Congregação da Santa Cruz (a mesma que fundou e dirige a Universidade de Nossa Senhora) lançaram uma carta aberta contrária à concessão do honroso título a Obama, pois suas medidas “atentam contra princípios morais fundamentais” (cfr. “Life Site”, 8-4-9);

Milhares de norte-americanos contrários ao aborto protestaram, desfilando alternadamente junto à Universidade durante vários dias;

Desde meados de abril, era comum ver homens, mulheres, estudantes, famílias inteiras – até com crianças – ajoelhados nas proximidades de Notre Dame, rezando em desagravo e pedindo que o convite ao mandatário americano fosse retirado.

A polícia recebeu ordem de prender diversos manifestantes. Vários deles foram algemados e presos, até mesmo alguns religiosos.

O fato mais clamoroso foi a prisão, no dia 15 de maio, de um idoso sacerdote católico, o Padre Norman Weslin, quando este se aproximava do prédio de Notre Dame carregando uma cruz e cantando, com alguns fiéis, hinos religiosos. Eu não acreditaria se não tivesse assistido ao próprio vídeo do padre sendo algemado e levado como prisioneiro! Preso, apesar de sua avançada idade de 80 anos! (sim, OITENTA ANOS)… Preso na terra da liberdade de expressão… pelo “crime” de levantar a voz em defesa da vida dos nascituros inocentes!

No dia do ato em homenagem a Obama – o triste 17 de maio -, o número de manifestantes nas imediações da Universidade engrossou bastante. Numerosos movimentos pró-vida, famílias e particulares fizeram protestos, todos pacíficos, antes da chegada de Obama e durante todo o tempo de sua permanência naquele recinto. Slogans eram bradados; faixas e cartazes contra o aborto e o pseudo-casamento entre homossexuais, como também contra o reitor – como “Judas e Jenkins traíram Jesus”, ou “A vergonha cai sobre Notre Dame” – eram vistos por todos os cantos. Alguns caminhões que ostentavam, à maneira de outdoors itinerantes, dizeres contra o aborto circularam pelas redondezas da Universidade. Um teco-teco sobrevoava a região com uma enorme foto de um bebê abortado. Ao longo da via de acesso à Universidade, formou-se uma gigantesca linha de manifestantes exibindo grandes anúncios anti-obama e anti-aborto.

No campus da Universidade, onde há uma bela gruta de Nossa Senhora de Lourdes, reuniram-se aproximadamente três mil pessoas, sob o lema “A verdadeira Notre Dame está comprometida com a santidade da vida”. Elas rezaram um Rosário e outras orações, em reparação a Nossa Senhora pelo ato que no auditório estava sendo realizado ali perto. Centenas de formandos recusaram-se a entrar no recinto onde se encontrava o mandatário americano. Diziam claramente que não poderiam participar de um ato de graduação, pois não queriam trair a identidade de Notre Dame que é católica. Muitos ex-alunos e entidades que contribuíam generosamente para o sustento da Universidade retiram suas contribuições – 14 milhões de dólares! – enquanto ela se mantiver sob a atual direção.

Várias dezenas de universitários ostentaram em seus uniformes, durante a cerimônia, desenhos de cruzes amarelas com pequeninos pés, simbolizando os bebês executados pelo aborto.Em sinal de protesto, eles permaneceram sentados tanto no momento de Obama receber o doutorado, quanto nas ocasiões em que outros se levantaram para aplaudi-lo. Durante o discurso presidencial, quatro manifestantes bradaram “deixem de matar bebês – o aborto é um assassinato”. Foram imediatamente postos para fora pela segurança do homenageado.

Muito louvável foi o protesto da professora de Harvard Mary Ann Glendon , atual presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais e ex-embaixadora dos Estados Unidos junto à Santa Sé. Ela renunciou a honrosa “Medalha Laetare”, que receberia de Notre Dame na própria cerimônia de homenagem a Obama. Glendon declarou que o convite ao presidente americano infringia uma clara determinação da Conferência Episcopal, de 2004, segundo a qual instituições educativas católicas não podem conferir honras a personalidades cujo comportamento atente contra princípios morais da Igreja. Entre estes princípios se encontra a recusa do aborto, contra o qual a ex-embaixadora lutou energicamente. (cfr. “Frankfurt Allgemeine Zeitung”, principal diário alemão, em 28-4-09).

Nos Estados Unidos e Europa a mídia noticiou – embora de modo muito reduzido – essas grandes e contundentes manifestações. Mas… e a mídia no Brasil? Alguém viu tais notícias nos jornais brasileiros?

Fiz uma ampla pesquisa à busca de notícias na imprensa nacional. Causou-me verdadeiro espanto. Praticamente nada! Por exemplo, comecei a busca nos dois maiores diários da capital paulista, a “Folha” e “O Estado de São Paulo”. Não publicaram nada. Em outros estados, alguns poucos jornais que noticiaram o evento de Notre Dame, não trataram dos protestos… Claro que se fossem protestos – ainda que insignificantes – contra a atitude de algum bom presidente que vetasse a lei do aborto, todos os grandes jornais publicariam enormes manchetes e suplementos especiais a respeito.

PS: Aqueles que desejarem assistir a um vídeo com alguns dos mencionados protestos anti-obama e anti-aborto, click em:
http://www.youtube.com/user/tfpstudentaction

Autor: Paulo Roberto Campos

***

Agora leiam abaixo essa reflexão feita por um sacerdote americano sobre a “crise de identidade” das Universidades americanas.

Será que isso só acontece nos Estados Unidos?

Em seu discurso essa semana na Universidade de Georgetown, o Presidente Obama fez um comentário interessante sobre economia. “não podemos reconstruir esta economia sobre a mesma pilha de areia” ele disse. “devemos construir nossa casa sobre a rocha”

Duvido que alguém o acusasse de plágio, mas o que ele citou vem de uma parábola contada por Jesus. O homem que construiu sua casa na areia pagou o preço quando os ventos a derrubaram, enquanto o homem que construiu sua casa na rocha a viu resistir à tempestade.

Bastante apropriado citar uma parábola em uma universidade católica.

O campus inteiro está cheio de simbolismo religioso. Crucifixos, imagens de Maria e outros itens religiosos estão em toda a parte, revelando a rica tradição do lugar.

Estranhamente, no entanto, embora o presidente não tenha se importado de citar Jesus sem dar-lhe os créditos, a sua equipe insistiu em que todos os símbolos religiosos fossem cobertos no lugar em que ele fez o discurso. Incrivelmente, os dirigentes de Georgetown se sujeitaram. A pedido da Casa Branca, os funcionários da universidade cobriram as letras IHS – a abreviação grega para o nome de Jesus.

Esse incidente se seguiu ao tumulto sobre o discurso de Obama na Notre Dame, onde ele recebeu um doutorado honorífico. O departamento da Notre Dame reporta um desenrolar de ira generalizada pela decisão de convidá-lo.

Agora, se eu fosse um pensador adepto de teorias da conspiração, o que não sou, poderia suspeitar que Obama está deliberadamente tentando dividir os católicos. Mas isso não é uma conspiração. Obama está meramente capitalizando em uma tendência cultural que tem estado em curso por um longo tempo. Pelo último meio século, ou mais, católicos têm passado por um tipo de desenvolvimento psicológico, saindo da mentalidade da classe imigrante, batalhadora e empobrecida, insegura de seu próprio status em uma cultura hostil, fundando suas próprias instituições, servindo seu país, e tornando-se tão bem-sucedidos quanto qualquer capitalista …

Essa assimilação foi tão completa que em quase qualquer questão de políticas públicas ou escolhas de estilo de vida, os católicos são impossíveis de se distinguir dos outros americanos. Até que se olhe para aqueles que praticam a fé regularmente, comparando-os com aqueles que têm um compromisso nominal que se resume a comparecer a batismos e funerais para um “alô”, como Jaqueline Kennedy disse uma vez.

Se essa tese está correta, então não é tão absurdo afirmar que os católicos nominais estão no meio de uma crise de identidade. Eles se sentem constrangidos pela diferença marcante de seus irmãos mais fiéis na fé que observam jejuns, não aprovam o aborto, pensam que o casamento é o mesmo de seus avós, e têm pontos de vista conservadores em outras questões polêmicas sobre as quais os católicos de vida pública geralmente têm de responder à imprensa.

Obviamente, os católicos nominais negariam tal crise de identidade. “Nós simplesmente acreditamos em uma sociedade pluralista e tolerante”, eles insistiriam em dizer. Mas se o episódio de Georgetown e Notre Dame não reflete uma crise de identidade – a família religiosa que foi um dia a principal defensora da Igreja apaga seu nome (Jesuíta,no caso de Georgetown) e sua inspiração histórica (Jesus) – então o que refletiria?

Pense nisso: Uma universidade católica se dispôs a cobrir o nome de Jesus, escondê-lo das câmeras, porque o presidente dos Estados Unidos estava chegando e pediu que o fizessem. O fato em si me dá calafrios.

Na raiz do conceito de tolerância está a noção de permissividade, não com suas próprias crenças, mas com as crenças daqueles com quem discordamos. Se você não sabe quem é e o que considera como verdade, não pode ser tolerante.

Chegamos a um ponto em que a contribuição mais significante que Georgetown ou Notre Dame poderiam dar para a diversidade da sociedade seria tornarem-se, novamente, católicas – e não se envergonharem disso. A Igreja em geral e os jesuítas em particular têm em sua própria história exemplos heróicos de mártires que se recusaram a submeter-se à autoridade secular e morreram pela fé (tais como Edmund Campion, SJ, pelas mãos de Elizabeth I). O mínimo que as autoridades desse campus podem fazer é não tomar medidas que minem sua própria identidade.

Por Pe. Robert A. Sirico
Fonte: National Review Online

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Pedofilia e sacerdotes.Desfazendo mitos.

terça-feira, maio 26th, 2009

Os erros e fragilidades de alguns membros da Igreja na área da sexualidade tem dado margem a muitos comentários maldosos e sem fundamento sobre o assunto,principalmente no que diz respeito à Pedofilia.

Como esclarecimento e ampliação do debate desta questão delicada,não só para a Igreja, mas também para toda a sociedade – vítima desta terrível deformação humana ,fruto do pecado e da ausência de Deus-postamos  perguntas e respostas que desfazem alguns mitos sobre o assunto em relação aos sacerdotes supostamente envolvidos e colocam as coisas em seu devido lugar.

***

Mito 1: ” Pelo o que foi divulgado,é mais provável que Sacerdotes católicos sejam pedófilos em maior quantidade,comparando com outros grupos de homens..”.

Isto é falso. Não existe evidência alguma de que os sacerdotes pelo seu chamado particular estejam mais inclinados a abusar de crianças que outros grupos de homens.

O uso e abuso de crianças como objeto de satisfação sexual por parte dos adultos é epidêmico em todas as classes sociais, profissionais, religioso e grupos étnicos ao redor do mundo, segundo demonstram claramente as estatísticas sobre a pornografia, incesto e prostituição infantil.

A pedofilia (abuso de crianças e pré-adolescentes) entre padres é extremamente rara, pois afeta somente 0,3 % de todo o Clero Católico. ( cifra citada no livro Pedophilia and Piresthood (Pedofilia e sacerdócio, escrita por um estudioso não católico chamado Philip Jenkins).

A pedofilia é um tipo particular de desordem sexual compulsiva na qual uma adulto (homem ou mulher) abusa de crianças. A grande maioria dos escândalos sexuais do clero que estão aparecendo não entram propriamente na categoria de pedofilia. A maioria deve ser qualificada como efebofilia ou atração homossexual a adolescentes. Ainda que o número total de Sacerdotes que cometem abuso sexual é muito mais alto que os que são culpados de pedofilia, a cifra total fica ainda por baixo dos 2% que é semelhante à porcentagem que se dá entre os homens casados. (Jenkins, Pedophilia and Priests).

Pela ocasião aos ataques a Igreja, outros grupos religiosos e instituições não religiosas admitiram ter problemas semelhantes tanto de pedofilia como de efebofilia entre as filas de seus cleros pessoais.

Não existem evidências de que a pedofilia seja mais comum entre o Clero Católico, que entre os ministros protestantes, os líderes judeus, os médicos ou os membros de qualquer outra instituição na quais os adultos ocupem posições de autoridade sobre as crianças.

Mito 2: “O estado de celibato dos sacerdotes conduz a prática da pedofilia”.

O Celibato não é causa de nenhuma prática sexual desviada, dentre as quais se inclui a pedofilia. De fato, em comparação com os Sacerdotes, a probabilidade que os homens casados abusem sexualmente de crianças é praticamente igual (Jenkins, Pedophilia and Priests).

Entre a população em geral, a maioria dos transgressores pedófilos são homens reincidentes que abusam sexualmente de meninas.

Também existem mulheres que cometem este tipo de abusos sexuais. Embora seja difícil obter estatísticas exatas sobre o abuso sexual de crianças, os traços característicos dos que repetidamente cometem abuso sexual com crianças tem sido bem descritos.

O perfil dos molestadores sexuais de crianças nunca incluiu adultos normais que se sentem atraídos eroticamente por crianças por resultado de abstinência. (Fred Berlin, Compulsive Sexual Behaviors, in Addiction and Compulsion Behaviors [Boston: NCBC, 1998]; Patrick J. Carnes, Sexual Compulsion: Challenge for Church Leaders, in Addiction and Compulsion; Dale O’Leary, Homosexuality and Abuse).

Mito 3: “Se os Sacerdotes se casassem, desaparecia a pedofilia e outras formas de conduta sexual desviada”.

Algumas pessoas, incluindo alguns dissidentes católicos, andam a expressar seu descontentamento em público, se aproveitando desta situação para promover seus próprios interesses. Como resposta aos escândalos, alguns exigem que o clero seja casado como se o matrimônio fizesse com que “certos” homens deixassem de molestar sexualmente as crianças. Esta afirmação é desmentida com as estatísticas mencionadas anteriormente sobre o fato de que, comparando com os sacerdotes celibatários, é igualmente comum a tendência de que homens casados abusem de crianças. (Jenkins, Pedophilia and Priests).

Dado que, não ser católico e nem ser celibatário, predispõe uma pessoa a cair em pedofilia, um clero casado não resolveria o problema (Doctors call for pedophilia research, The Hartford Currant, March 23).

O fato é que homens saudáveis não andam por aí a cair em atração erótica a crianças por causa de sua abstinência.

Mito 4. “O Celibato sacerdotal é invenção da Igreja”.

Na Igreja Católica do Ocidente, o celibato se pratica universalmente a partir do Século IV, começando com a adoção que Santo Agostinho fez a disciplina monástica para todos os seus sacerdotes. Além das muitas razões praticas para adotar esta disciplina, se supunha que era um bom meio para evitar o nepotismo e o estilo de vida celibatária permitia aos sacerdotes serem mais independentes e disponíveis. Este ideal era também uma oportunidade para que os sacerdotes dessem também testemunho do mesmo estilo de vida que seus irmãos monges. A Igreja não tem mudado as normas do celibato, porque com o passar dos séculos se tem dado conta do valor pratico e espiritual que possui (Paulo VI, Carta Encíclica sobre o Celibato Sacerdotal, 1967).

Cristo revelou o verdadeiro valor e significado do celibato. Os sacerdotes católicos, desde São Paulo até o presente tem se imitado na total doação de si mesmos a Deus e aos demais vivendo em celibato. Embora Cristo tenha elevado o matrimônio ao nível de sacramento que revela o amor e a vida da Santíssima Trindade, Ele foi também testemunha viva da vida futura.

Os sacerdotes celibatários são para nós testemunhas vivas desta vida futura na qual a unidade e o gozo do matrimonio entre um homem e mulher são superpostos pela perfeita e amorosa comunhão com Deus. O Celibato entendido e vivido adequadamente libera a pessoa para amar e servir como Jesus Cristo.

O celibato bem vivido tem sido um testemunho mais poderoso do sacrifício amoroso de homens e mulheres que se oferecem a si mesmos para servir a deus e a seus irmãos em suas comunidades.

Mito 5: “Mulheres sacerdotes” ajudariam a solucionar o problema.

Não existe nenhuma conexão lógica entre o comportamento desviado de uma pequena minoria de sacerdotes varões e a inclusão clerical de mulheres. Embora seja verdade que, segundo mostram as estatísticas sobre abuso de crianças, é mais comum que homens abusem,é fato, porém que existem mulheres que molestam sexualmente crianças.

Em 1994, o “National Opinion Research Cente”r demonstrou que a segunda forma mais comum de abuso sexual de crianças era de mulheres que abusavam de meninos. Para cada três homens molestadores sexuais de crianças, uma é mulher. As estatísticas sobre as mulheres que abusam sexualmente são mais difíceis de obter porque o crime é mais oculto (entrevista com Dr. Richard Cross, “Uma questão de caráter”, National Opinion Research Center, cf. carnes).  Além disso, é muito improvável que suas vitimas mais freqüentes, as crianças, reportem o abuso sexual, especialmente quando o agressor é uma mulher (O’Leary, Child Sexual Abuse).

Existem razões pelas quais a Igreja não pode ordenar sacerdotes mulheres, O debate sobre a ordenação de mulheres não está relacionado ao problema de pedofilia e nem com outras formas de abusos sexuais.

Mito 6: “A homossexualidade não está ligada com a pedofilia”.

Isso é simplesmente falso. É três vezes mais provável que os homossexuais sejam pedófilos que homens heterossexuais. Ainda que a pedofilia seja um fenômeno extremo e raro, um terço dos homens homossexuais sentem atração por adolescentes (Jenkins, Pedophilia and Priests).

A sedução de adolescentes homens por parte de homossexuais é um fenômeno bem documentado. Esta forma de comportamento desviado é o tipo mais comum de abuso ocorrido por sacerdotes e esta diretamente relacionado com o comportamento homossexual.

A atitude da Igreja por quem tem o problema de atração homossexual se tem caracterizado pela Compaixão e também pela firmeza constante em sustentar o ponto de vista de que a homossexualidade é objetivamente desordenada e que o matrimônio entre um homem e uma mulher é o único contexto próprio para o exercício da atividade sexual.

Mito 7: “A hierarquia Católica não tem feito nada para solucionar a pedofilia”

Esta afirmação é sem dúvida,falsa.

Quando o Código de Direito Canônico foi revisado em 1983, se acrescentou uma passagem importante:

Cânon 1395, 2 “O clérigo que comete de outro modo um delito contra o sexto mandamento do Decálogo, quando este delito tiver sido cometido com violência, ameaças, publicamente ou com um menor que não tiver completo dezesseis anos de idade, deve ser castigado com penas justas, sem excluir a expulsão do estado clerical, quando o caso o requeira.”.

Mas certamente, não é o único que a Igreja tem feito. Os bispos, começando com o Papa Paulo VI em 1967, publicaram uma advertência aos fiéis sobre as conseqüências negativas da revolução sexual. A Enciclica Papal Sacerdotalis Coelibatus (sobre o celibato sacerdotal), tratou o tema do celibato sacerdotal no meio de um ambiente cultural que exigia maior “liberdade” sexual. O Papa voltou a reafirmar o celibato ao mesmo tempo em que apelava aos bispos para que assumissem responsabilidade pelos “Irmãos sacerdotes afligidos por dificuldades que põem em perigo o dom divino que foi recebido”.Aconselhava os bispos que buscassem ajuda para estes sacerdotes, ou, em casos graves, que pedissem a dispensa para os sacerdotes que não podiam ser ajudados. Além disso, lhes pediu que fossem mais prudentes ao julgar sobre a aptidão dos candidatos ao sacerdócio.

Em 1975, a Igreja Publicou outro documento chamado Declaração sobre certas questões sobre ética sexual (escrito pelo cardeal Joseph Raztinger) que tratava explicitamente, entre outros assuntos, o problema da homossexualidade entre os sacerdotes.

Tanto o documento de 1967 como o de 1975 tratam o tema dos desvios sexuais, incluindo a pedofilia e a efebofilia, que são especialmente freqüentes entre os homossexuais.

Como respostas aos escândalos, algumas dioceses estão criando comissões especiais para afrontar os casos de abuso de menores e também estão criando grupos de defesas das vitimas e também reconhecendo oficialmente que se deve atender imediatamente qualquer acusação legitima.

Na mesma linha, recentemente a Congregação para a educação católica lançou a instrução sobre os “critérios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tendências homossexuais e da sua admissão ao seminário e às ordens sacras”, onde aborda de forma direta essa questão delicada e séria.

Mito 8: O ” Ensino da Igreja sobre a moralidade sexual é o verdadeiro problema no caso de pedofilia.”

O Ensino da Igreja sobre a Moralidade sexual se baseia na dignidade da pessoa humana e na bondade da sexualidade humana. Este Ensinamento condena o abuso de crianças em todas suas formas, o mesmo que condena outros crimes sexuais repreensíveis como a violação, incesto, pornografia infantil e a prostituição infantil. Em outras palavras, se estes ensinamentos fossem vividos não existiria o problema da pedofilia.

A crença de que este ensinamento conduz a pedofilia se baseia numa falsa concepção ou em uma deliberada falsa interpretação da moral sexual católica.

A Igreja reconhece que a atividade sexual sem o amor e o compromisso que se dá somente pelo matrimônio, diminui a dignidade da pessoa humana e ao fim das contas é destrutiva.

No que se refere o celibato, séculos de experiência tem provado que homens e mulheres podem absterem-se da atividade sexual ao mesmo tempo em que se realizam plenamente vivendo uma vida santa e cheia de sentido.

Mito 9: “O requisito do celibato limita o número de candidatos ao sacerdócio, resultando em um número alto de sacerdotes sexualmente desequilibrados”.

Em primeiro lugar, não existe um “alto número de sacerdotes sexualmente desequilibrados”. De novo afirmamos que a grande maioria dos sacerdotes são normais, saudáveis e fieis. Cada dia demonstram que são dignos da confiança daqueles cuidados que lhes foram confiados.

Em segundo lugar, quem não se sentir chamado a uma vida de celibato está de fato excluído de poder ser sacerdote católico. De fato, a maioria dos homens não é chamado a ser celibatário. Sem dúvida,alguns são chamados e dentre eles, alguns estão chamados por Deus ao sacerdócio.

A vocação sacerdotal, como o matrimonio, requer o livre consentimento de ambas as partes.

Portanto, a Igreja deve discernir se um candidato é verdadeiramente digno e apto mental, física e espiritualmente para comprometer-se a uma vida de serviço sacerdotal. O desejo que um candidato tem de ser sacerdote não constitui por si mesma uma vocação.

Os diretores espirituais e vocacionais conhecem agora melhor que nunca as deficiências de caráter que faz de um candidato, em outros campos qualificando, não ser apto para o sacerdócio.

***

Fonte: Apologética (Espanha) Autor: Deal Hudson, Crisis magazine

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Psicanálise e religião.É possível conciliar?

segunda-feira, maio 25th, 2009

De que forma a abordagem psicanalítica pode contribuir para aprimorar o relacionamento do homem com Deus?

A esta questão responde o psicólogo e também professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Dr. William César Castilho Pereira, que há mais de 25 anos trabalha como docente e palestrante em institutos religiosos em todo o Brasil.

Psicanálise e Religião. É possível este casamento?

Sim. E como todo bom casamento, é preciso preservar a singularidade de cada uma das partes. Porque todo casamento não significa fusão, e um casamento que se constitui como fusão, uma unicidade total, é terrível. É muito interessante demarcar os lugares e as posições destas partes. A religião é um campo em que o sujeito livremente tem uma relação com Deus, então o estudo da religião é exatamente entorno desta figura de Deus, desta figura do crente e desta relação que é muito ligada à questão da fé.

A psicanálise não tem nenhuma obrigação de entrar no campo da fé, não é seu objeto de estudo. Ela pode e até deve contribuir para analisar qual é a qualidade da relação deste sujeito com Deus. Esta relação pode ser saudável de forma a contribuir para que esta pessoa se estruture melhor psiquicamente, socialmente. Essa relação pode ser uma relação marcada muito mais pela história do sujeito, que poderá transferir elementos para esta relação com Deus. Por exemplo, se você tem aspectos na sua estrutura que não estão bem resolvidos com relação a seu pai, você pode transferir esta imagem de pai para Deus, então este pai pode ser um pai muito despótico, autoritário, perseguidor e altamente controlador, desta forma você poderá viver essa relação com esse Deus achando que tem uma relação profunda, religiosa. Mas na verdade o que está dominando aí é uma relação neurótica de competir, de estar duvidando, estar rivalizando com esse pai e sentindo muita culpa por causa disso, recalcando a sua agressividade.

É neste momento que a psicanálise ajudará a limpar, digamos assim, estas estruturas neuróticas que nós temos e que dificultam muito esse contato com Deus.

É possível percebermos este exemplo na vida dos místicos, eles fizeram uma caminhada muito parecida com a de quem procura a psicanálise ou algumas psicoterapias. As metáforas usadas por Santa Teresa, «As Sete Moradas», os passos que São João da Cruz dava naquele grande período de sofrimento quando passou nove meses em uma cela, a experiência de Santo Inácio nos exercícios espirituais. Se pensarmos bem, são dispositivos que acharam para se encontrar humanamente primeiro, para depois, subsequentemente, com Deus. Conheceram-se muito fortemente.

Deus é silêncio. É inefável, os místicos falam isso muito bem depois de uma certa etapa. O que você tem a dizer sobre Deus? Nada. É o nada. Essa experiência é muito interessante, pois mostra que esse processo deve ser feito por todas as pessoas. E geralmente é o contrário. Nos relacionamentos com Deus pedindo casa própria, pedindo outro corpo, pedindo curas, milagres, é uma coisa muito paternal e muito filial e que tem pouco silêncio, pouca interioridade, pouco vazio. É tudo muito cheio, pleno demais, nossas orações são muito carregadas de um preenchimento irrisório que não leva a nada.

Poderíamos dizer que a psicanálise neste sentido poderia ser funcionar como um instrumento a mais para a purificação de nossa fé?

Sem dúvida. A psicanálise pode ajudar muito uma pessoa a se encontrar mais fortemente com Deus. Recordo-me do livro do jesuíta Carlos Morano, «Crer depois de Freud». Quer dizer, logo Freud que foi considerado um grande ateu, um grande perseguidor da religião, uma pessoa que desprezou todo este componente, é a partir de Freud que você pode chegar inclusive mais próximo de Deus. Por ironia do destino.

Você carrega em seu currículo uma longa experiência de trabalho como psicólogo em institutos religiosos, seja como docente, palestrante ou como clínico. Fale-nos sobre esta experiência?

Devo marcar que sou um docente. Enquanto professor em institutos de filosofia e teologia, dediquei mais de 25 anos ministrando matérias relacionadas à psicanálise e à religião, estive próximo de formandos e formadores discutindo textos da psicanálise que poderiam contribuir com a formação religiosa. Isso envolveu pesquisas, escritas, elaboração de textos e reflexões de autores ligados à psicanálise e à religião.

Outra área é a área clínica, uma parte boa da minha clientela são religiosos, religiosas e presbíteros. Desta forma, a clínica em meu consultório tem contribuído muito para que eu estude mais, compreenda mais, a subjetividade de quem está lidando mais diretamente com Deus, o profissional do sagrado, padres e freiras. E ao mesmo tempo, entendendo as dificuldades pessoais que estas pessoas têm no exercício do próprio magistério.

A terceira área que eu trabalho é com a análise institucional. Esta é um procedimento metodológico conceitual e prático que leva grupos de religiosos ou mesmo padres presbíteros a fazerem uma análise do local onde vivem: a província, a casa de formação.

É possível fazer um diagnóstico geral sobre as maiores dificuldades enfrentadas por estas instituições?

Eu diria que o drama do religioso é o drama humano, você encontra isso perfeitamente igual na sociedade civil, laica, nas famílias, em outras instituições, coincidentemente tem algumas coisas metafóricas muito interessantes. Quando a Igreja instituiu os votos de pobreza, obediência e castidade, estes três votos representam um tripé fundamental na vida de um sujeito, as relações de poder e de saber, a questão do dinheiro e a questão da sexualidade, afetividade.

Em síntese, esse tripé quase que resume toda nossa problemática enquanto humanos. É possível ver esses três elementos como grande perfil dessa problemática em qualquer lugar. O importante é como lidar com isso e está cada vez mais claro que é preciso reprimir e recalcar o menos possível, dar lugar à fala, viver de forma transparente, aberta. Isso facilita muito. Não resolve, mas facilita. Basicamente a análise institucional é abrir a possibilidade para que estes analisadores: poder, dinheiro, sexualidade, espiritualidade, carisma, o corpo, possam ter espaço para ser falado, analisado, e reestruturado melhor no momento histórico que se está vivendo.

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Lei defende a banalização do casamento.

domingo, maio 24th, 2009

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) criticou nesta quinta-feira (21 de Maio) a aprovação em primeiro turno pela Câmara dos Deputados de proposta que elimina a exigência de um prazo mínimo de separação para os casais requererem o divórcio.

Na opinião do vice-presidente da entidade, dom Luiz Soares Vieira, ao se facilitar o fim do casamento, acaba-se “banalizando” a questão. “Se facilitar muito, eu acho que se banaliza mais ainda o matrimônio, que já está banalizado. O único problema é esse. Daqui a pouco, a pessoa vai na frente de qualquer juiz e diz que não é mais casada e depois vai na frente de qualquer ministro de igreja e casa de novo. É banalizar demais uma coisa que é muito séria.”

A Câmara dos Deputados aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) que altera as regras do divórcio. Pelo texto, o casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio consensual ou litigioso. A PEC foi aprovada por 375 votos a favor e 15 contrários

Ainda será necessária votação em segundo turno. Depois de aprovada, a PEC será encaminhada ao Senado.

Defensores da proposta defendem que ela não estimula o divórcio, mas, sim, novos casamentos. Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da CNBB, considera que isso é mero “jogo de palavras”.

“Isso é secundário em relação à questão fundamental. Mesmo que a legislação do país permita o divórcio, para a igreja, o divórcio não é permitido de forma alguma. A igreja reafirma a insolubilidade e a estabilidade do matrimônio”, afirmou.

O texto constitucional atualmente em vigor determina, no parágrafo 6º do artigo 226, que o casamento civil só pode ser dissolvido pelo divórcio “após prévia separação judicial por mais de um ano ou comprovada separação de fato por mais de dois anos”. A PEC suprime do texto essas exigências.

***

A lei “oficializa” o Individualismo dando margem para que o casamento seja desfeito a qualquer hora, depois de “qualquer briguinha” ou crise.

A família tem função social e é a célula mãe da sociedade, atacá-la é dar prosseguimento ao processo de autodestruição da sociedade, processo que já vivemos.

Sabemos que o “contrato civil” não segura o amor, mas o legítima diante da sociedade e diante da lei, oferecendo segurança e estabilidade em uma relação que por sua própria natureza tem naturais ajustes e crises, dentro do processo de complementação,conhecimento e enriquecimento mútuo.

Não falo aqui das “agonias matrimoniais”,da agressão e do abuso,que felizmente não é a grande maioria,situações limites que devem ser vistas com prudência,caso por caso.Na perspectiva aqui analisada, a lei civil existe para isso,para dar forma “legal”,para proteger direitos usurpados e proteger o cidadão.Embora não sejamos a favor da separação,mesmo a civil,existem casos em que lei vem em auxilio da família para que não se destrua inda mais.

Desta forma, com tanta banalização, oferecemos tanta facilidade que não permitimos que a “crise” possa ser superada nem damos tempo para que a decisão seja amadurecida, algo que a lei anterior permitia, pois dava um tempo mais longo.

O tempo neste caso está sempre a nosso favor para nos proteger de decisões sérias que não podem ser tomadas de foram precipitada.

No fundo a lei estimula a irresponsabilidade e passa por cima do peso social que a separação civil tem na sociedade, com todo o quadro conhecido de problemas sociais decorrentes disso, de possíveis filhos desajustados, marginalizados, com exceções, que acabam se voltando para a própria sociedade que o gerou – de forma indireta.

É um tiro no pé!

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A Igreja anula casamento?

sábado, maio 23rd, 2009

Publicamos  entrevista com Pe. Antônio Robson Gonçalves, MSJ, Mestre em Direito Canônico pelo Instituto de Direito Canônico «Pe. Dr. Giuseppe Benito Pegoraro», afiliado à Pontifícia Universidade Lateranense de Roma, e Juiz do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de São Paulo.

Tendo em vista que esse é um tema que gera grande curiosidade, gostaria que o senhor explicasse, primeiramente, a diferença entre «anular» e «declarar a nulidade».

Veja só, é importante levar em conta que a Igreja Católica Apostólica Romana nunca anula um casamento. Anular significaria tornar sem efeito a partir daquele momento o casamento. Seria o mesmo que dizer que até determinada data o casamento foi válido e a partir daquela outra, não valeria mais.

O Casamento é e sempre foi considerado pela Igreja Católica apostólica Romana como uno e indissolúvel. Quer dizer, em hipótese alguma a Igreja Católica aceita o Divórcio como alternativa válida para seus fiéis.

Não obstante a isso, sabemos que alguns casamentos não dão certo e são muitas as razões pelas quais fracassam (não vem ao caso aqui analisar cada uma destas razões). Dentre estes casamentos fracassados alguns certamente fracassaram porque foram nulos, quer dizer, apesar de toda a aparência sacramental (cerimônia, ritos e etc.) não são sacramentos de fato. Quer dizer, nunca valeram de fato, porque faltou algo de essencial para que aquele casamento, independentemente do número de anos que durou fosse realmente válido ou seja, fosse sacramento. Quando ocorre esta situação é que a Igreja, através do Tribunal Eclesiástico declara a nulidade daquele determinado casamento.

O Matrimônio goza do favor do Direito, isto é, a presunção é sempre pela validade, mas, para que seja válido o matrimônio é necessária a ausência de três capítulos ou causas que podem tornar nulo um matrimonio.

São estes:

1) a presença de impedimentos canônicos que são 12 no total:  Afinidade (can. 1092); Consangüinidade (can. 1091); Parentesco Legal (can). 1094); Pública Honestidade (can. 1093); Crime de Conjugicidio (can. 1090); Disparidade de Culto (um católico e outro não batizado não cristão ou batizado invalidamente) é importante não confundir disparidade de culto com mista religião (um cristão católico e um cristão não católico) não é impedimento, nesse caso não se pede dispensa, mas, licença ao ordinário do lugar (can 1124); Idade (can. 1083) ; Impotência (Can. 1098); Ordem Sacra ( can. 1087); Votos Religiosos (can. 1088); Rapto (can. 1089); Vínculo Anterior (can. 1085);

Estes são os impedimentos que tornam a pessoa inábil para contrair núpcias na Igreja Católica Apostólica Romana. Quem está impedido só pode se casar mediante a Licença do Bispo Diocesano ou conforme o caso somente com a Licença da Santa Sé Apostólica (Vaticano);

2) defeito (ou vício) de consentimento, ou seja, o consentimento foi viciado, não foi livre, consciente.

Na maioria das vezes podem ocorrer as seguintes situações:

a) Incapacidade Can 1095:

1º. Falta do uso da razão;

2º. Grave falta da Discrição de juízo acerca dos ônus essenciais do matrimonio (por exemplo, a imaturidade humana e psicológica);

3º. Causas de natureza psíquica.

b) exclusão total ou parcial do bem da comunhão de vida e de amor (cânones 1057 § 2 e 1101§ 2);

c) Condição ( Can. 1102);

d) Dolo (Can. 1098)

e)Erro de pessoa (Can. 1097);

f) Erro nas propriedades essenciais do matrimonio (can. 1099);

g) Medo e/ou temor reverencial  ou violência  (Can. 1103);

3) a falta da forma canônica, ou seja, a ausência de um ou mais dos seguintes elementos:  A manifestação por parte dos contraentes do seu Consentimento (Eu……..te recebo…….por meu marido ou por minha esposa e te prometo ser fiel….amar-te, respeitar-te …..na alegria e na tristeza…..) diante da Testemunha Qualificada (Bispo Diocesano, Pároco ou outro sacerdote ou diácono por estes delegados para aquele casamento) e diante de pelo menos duas testemunhas fidedignas. Isso se faz necessário porque o matrimonio enquanto negócio jurídico exige a existência destes  três elementos que são essenciais para sua validade contratual: a capacidade jurídica, o válido consentimento livre e espontaneamente manifesto e a forma canônica estabelecida pela Igreja.

Qualquer situação que se enquadre nestes elementos pode servir de base para o processo de verificação da nulidade matrimonial. É bom lembrar que os cônjuges têm o direito de impugnar (questionar) a validade de seu matrimônio junto ao tribunal Eclesiástico. Além deles também o Promotor de Justiça Eclesiástica pode fazê-lo nas causas de maior gravidade, principalmente quando há riscos de escândalo público.

O objeto do juízo, nas causas de nulidade será sempre o consentimento, pois, segundo a máxima jurídica ” consensus facit nuptia” é o consentimento que gera o vínculo matrimonial. Os juízes analisarão se no momento exato (por isso mesmo, antecedente e concomitantemente) de externar o consentimento um ou ambos os cônjuges o fizeram validamente ou de forma defeituosa.

Quais os procedimentos para instaurar uma Causa de Nulidade junto ao Tribunal Eclesiástico?

Geralmente a parte interessada deve comparecer ao Tribunal Eclesiástico e passar por uma Consulta com o Vigário Judicial (que é o sacerdote encarregado de presidir o tribunal)  que, após ouvi-la vai informar todos os detalhes para o encaminhamento do processo. Na consulta a pessoa interessada receberá uma lista com todos os documentos necessários e um esquema para elaborar o seu histórico onde vai contar com detalhes os fatos ocorridos desde o momento em que as partes se conheceram, quando iniciaram o namoro, como este se desenvolveu, se havia brigas, desentendimentos, quais as dificuldades foram surgindo, como resolveram estes problemas iniciais, se houve gravidez indesejada, como se deu o noivado, quanto tempo durou, como foi o relacionamento de ambos neste período, como foi a preparação das partes para o casamento, se tinham noção do significado do matrimônio enquanto sacramento uno e indissolúvel, como foi o casamento em si, a lua-de-mel, os primeiros dias de casados, as dificuldades que surgiram, quando surgiram, quais foram estas;  como era o relacionamento das partes no tocante às obrigações de esposo e esposa, afazeres domésticos, emprego, trabalho, situação financeira do casal, educação e sustento da prole, quando se separaram, por quais motivos se separaram, e se tentaram ou não a reconciliação.

De posse destas informações e com os documentos em mãos a pessoa retorna ao Tribunal e será, caso queira, encaminhada a um dos Advogados (que no âmbito canônico se chamam Patronos). O Patrono, se for o caso, ou a própria parte,  elabora então o Súplice Libelo (Petição Inicial) e apresenta ao Tribunal que julgando procedente vai instaurar a causa estabelecendo a Dúvida inicial (ou seja, os títulos ou os cânones pelos quais a causa será julgada).  A outra parte é informada do processo e pode  oferecer ou não a Contestação da Lide. Veja bem, é importante que a outra parte (chamada Demandada) participe do processo e apresente a sua versão para os fatos pois ao Tribunal interessa a verdade dos fatos e é o contraditório quem ajudará a esclarecer a verdade sobre estes mesmos fatos. É importante lembrar que o objeto do juízo não é uma ou a outra parte mas, o sacramento em si.

O processo, num primeiro momento, não visa saber de quem foi a culpa mas, se o matrimônio foi válido ou não. Estabelecida a Dúvida e após a contestação ou não da parte demandada o Defensor do Vínculo, que tem por obrigação aludir a tudo quanto possa garantir a validade do vínculo matrimonial apresentará os quesitos para a oitiva das partes  e das Testemunhas de uma ou de ambas as partes. Terminada esta etapa o tribunal poderá solicitar, caso seja necessário, um laudo pericial. Depois se dá o que chamamos publicação dos autos. As partes tomam conhecimento dos fatos do processo. Após a perícia o Patrono, se houver, apresenta suas alegações finais, o Defensor do Vínculo ponderando as circunstâncias apresenta suas observações finais e remete os autos aos Juízes do Colégio.

Nas causas matrimonias são pelo menos três os Juízes. Cada um destes depois de ler e analisar criteriosamente os autos, emite seu voto e na Reunião de Sentença, após as ponderações de cada Juiz é estabelecida a Sentença. Terminada a causa em primeira Instância, esta é automaticamente remetida à Segunda Instância. É necessário que hajam duas sentenças conformes para se declarar nulo um casamento.

O tempo de demora varia de Tribunal para Tribunal. O Código de Direito canônico estabelece como tempo máximo um ano para a Primeira instância e 6 meses para a Segunda Instância.

Atualmente se tem uma estatística sobre o número de pedidos de declaração de nulidade matrimonial?

Não saberia precisar o número exato de causas. Creio que a Signatura Apostólica tenha uma estatística mundial, mas desconheço que tenha publicado estes dados. Mas, em São Paulo,  aproximadamente de 300 a 380 causas são protocoladas por ano, em Primeira Instância. Destas pelo menos 90% são concluídas e a maioria tem recebido sentenças afirmativas ou seja, estes casamentos foram declarados nulos.

Mas, veja bem, tudo depende de cada processo. Não significa dizer que todos os processos protocolados receberão automaticamente uma sentença afirmativa. Existem casos em que fica comprovada a validade do sacramento e assim sendo, nem mesmo o Papa pode dissolvê-los.

Freqüentemente ouve-se dizer que algum sacerdote tenha abençoado as alianças de casais em segunda união, inclusive entre pessoas famosas, o que causa comoção na mídia…

É preciso, antes de tudo, ver o seguinte: Tratam-se de padres realmente? São padres da Igreja Católica Apostólica Romana ou pertencem a alguma outra denominação religiosa?

Se forem padres da Igreja Católica Apostólica Romana, há uma proibição para tais bênçãos, inclusive os Bispos do Regional Sul l da CNBB (Dioceses do Estado de São Paulo) publicaram orientações a este respeito, recomendando que tal prática fosse abolida, pois, na maioria dos casos, corre-se o risco de simular um matrimônio. A simulação de um sacramento é um delito canônico passível de penalidades.

***

Ainda sobre o assunto, Bento XVI amplia o entendimento com a sabedoria que lhe é peculiar…

Em janeiro deste ano, o Papa advertiu sobre o perigoso aumento das declarações de nulidade matrimonial com o pretexto da imaturidade psíquica.

É necessário, explicou, preservar a comunidade eclesial «do escândalo de ver destruído na prática o valor do matrimônio cristão pela multiplicação exagerada e quase automática das declarações de nulidade, em caso de fracasso do matrimônio, com o pretexto de certa imaturidade ou fraqueza psíquica do contraente».

A propósito disso, o Papa exortou os agentes do direito a recordar a diferença «entre uma maturidade psíquica, que seria o ponto de chegada do desenvolvimento humano, e a maturidade canônica, que é, ao contrário, o ponto mínimo de partida para a validez do matrimônio».

O pontífice pôs o acento na diferença entre «incapacidade» e «dificuldade» – enquanto que apenas a primeira torna nulo o matrimônio; «entre a dimensão canônica da normalidade, que inspirando-se na visão integral da pessoa humana, compreende também formas moderadas de dificuldade psicológica, e a dimensão clínica, que exclui do conceito de normalidade toda limitação da maturidade e toda forma de psicopatologia».

O Santo Padre convidou, portanto, a discernir «entre a capacidade mínima, suficiente para um válido consenso, e a capacidade idealizada de uma maturidade plena que visa a uma vida conjugal feliz».

O conceito de «incapacidade»

Entre as diversas causas de nulidade por imaturidade psíquica estão todas aquelas que podem ter comprometido em um dos dois cônjuges a capacidade consensual para assumir e cumprir as obrigações fundamentais do matrimônio.

Nestes casos entram: a falta de suficiente uso de razão, no qual o sujeito que apresenta uma grave alteração das faculdades psíquicas não é consciente de seu próprio estado e não pode autodeterminar-se livremente; ou também o chamado «defeito de discrição de juízo» no qual o sujeito é consciente de seu estado e não perde a racionalidade necessária, como as formas graves de neurose e de psicopatia.

A incapacidade de assumir e cumprir as obrigações essenciais do matrimônio pode ser também provocada por dependência química ou também ser produto de perversões ou afecções de caráter sexual.

As definições que os canonistas oferecem dos distúrbios da personalidade se aproximam às formuladas nas edições do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais, elaborado pela Sociedade Americana de Psiquiatria (DSM).

O DSM as subdivide fundamentalmente em três grupos: estranho-ecêntrico (distúrbios paranóides, esquizóides e esquizotípicos da personalidade); amplificativo-emotivo (distúrbios anti-sociais, borderline, histriônico e narcisita); ansiedade-medo (distúrbios de personalidade evasiva, dependente e obsessivo-compulsivo). A estes três grupos se acrescenta uma categoria residual, denominada distúrbios da personalidade não especificados ou «mista».

Contudo, a questão da natureza psicopatológica dos distúrbios da personalidade é relevante do ponto de vista canônico somente se a presença de uma séria forma de anomalia clínica incidir sobre as faculdades naturais da pessoa, ou seja, sobre a inteligência e a vontade.

O homem é capaz de casar-se

Na audiência aos membros da Rota Romana,em Janeiro, o Papa sublinhou em primeiro lugar a necessidade de «redescobrir em positivo a capacidade que em princípio toda pessoa humana tem de casar-se em virtude de sua própria natureza de homem ou de mulher».

Logo depois, alertou sobre o risco, na sociedade atual, de «cair em um pessimismo antropológico que, à luz da situação atual cultural, considera quase impossível casar-se».

«Além do fato de que esta situação não é uniforme nas diversas regiões do mundo – observou -, não se pode confundir a incapacidade consensual com as dificuldades que muitos atravessam, especialmente os jovens, chegando a considerar a união matrimonial como normalmente impensável e impraticável.»

«Ao contrário – precisou -, a reafirmação da inata capacidade humana ao matrimônio é precisamente o ponto de partida para ajudar os casais a descobrirem a realidade natural de matrimônio e a relevância que ele tem no plano da salvação.»

«A capacidade deve colocar-se em relação com o que é o matrimônio essencialmente, ou seja, a íntima comunhão de vida e amor conjugais, fundada pelo Criador e estruturada com leis próprias e, de modo particular, com as obrigações essenciais inerentes a ela.»

Dentro das obrigações essenciais do estado conjugal se inclui o consortium vitae ou também o ius ad vitae communionem, que se identifica com a ajuda mútua, não só prática ou do ponto de vista da intimidade sexual, mas também no sentido mais amplo e profundo, orientado ao bem dos cônjuges, exaltando sua dimensão oblativa.

A capacidade para o matrimônio, continuou o Papa, «não se mede em relação a um determinado grau de realização existencial ou efetiva da união conjugal mediante o cumprimento das obrigações essenciais, mas em relação com a vontade eficaz de cada contraente, que torna esta realização possível e operante já no momento do pacto nupcial».

Da mesma forma, recordou como algumas correntes antropológicas «humanistas», orientadas «à autorrealização e à autotranscendência egocêntrica», idealizam até tal ponto a pessoa humana e o matrimônio, que acabam por «negar a capacidade psíquica de muitas pessoas, fundado-a em elementos que não correspondem às exigências essenciais do vínculo conjugal».

Frente a estas concepções, os especialistas de direito eclesial devem levar em conta o «realismo saudável» ao qual se referia João Paulo II, «porque a capacidade faz referência ao mínimo necessário para que os noivos possam entregar seu ser de pessoa masculina e feminina para fundar esse vínculo ao qual está chamada a grande maioria dos seres humanos», concluiu o Papa.

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Religião “Self-Service”

sexta-feira, maio 22nd, 2009

Seguir uma religião – qualquer uma – é uma decisão que requer compromisso, requer uma adesão de fé e uma adesão intelectual. Requer também sacrifício. Talvez seja por isso que cresce sempre o número de pessoas que preferem dizer que não seguem nenhuma religião, ou, para ficar em nosso terreno, talvez seja por isso que haja tantos “católicos” não-praticantes.

É muito estranho pensar que haja católicos que não vão à missa, a mais importante celebração de nossa religião. E católicos que consideram compatível defender o aborto! E católicos que acreditam em horóscopo e simpatias. Ou ainda: católicos que não vêm nada de mais em acreditar simultaneamente na ressurreição e em reencarnação.

As pessoas que fazem isso vivem a religiosidade como se estivessem num restaurante self-service: coletam de cada religião um ou outro aspecto que lhe parece simpático e montam com isso um estranho cardápio, não raro composto de coisas incompatíveis. É como se comessem pudim de leite com caldo de feijão.

Uma parte disso é a nossa fé mal-formada: catequeses incompletas; persistência de superstições tidas como “sabedoria popular”; vivência religiosa apenas devocional desprovida de reflexão racional.

A fé vivida de forma verdadeira requer algumas renúncias. E esse é justamente o problema: vivemos o tempo da “liberdade” sem regras, da busca incessante pelo prazer e pelo conforto. A idéia de renunciar a alguma coisa, qualquer que seja ela, é das mais chocantes. Renunciar ao jogo de futebol em troca de uma missa? Renunciar ao sexo livre em troca da castidade? Renunciar a uma brilhante carreira em troca dos filhos? Renunciar a uma TV de plasma em troca da caridade? Renunciar aos caprichos de cada momento em troca da dedicação a Deus por meio do sacerdócio? Tudo isso é loucura, é estupidez, é insuportável…

Essa estranha religiosidade que se difunde em nossa época – essa religiosidade que transforma Deus numa “força”, numa “energia cósmica”, que confere aos objetos um misterioso poder sobre nossa vida, que vê essa mera criatura que é o ser humano como uma espécie de deus de si mesmo – essa religiosade é sintoma dessa incapacidade atual de fazer renúncias e de assumir compromissos. Uma força cósmica não exige compromissos. Se “deus” está dentro de mim e não tem personalidade, eu posso fazer o que quiser. Se o que sou e o que faço é decidido pelos astros, não posso ser responsabilizado pelos meus atos.

Geralmente as pessoas que praticam essa religião self-service acreditam estar exercendo sua liberdade em não aderir a uma religião e em construir sua própria doutrina particular. Na verdade, estão apenas sendo superficiais e egoístas. Superficiais porque não percebem a incompatibilidade entre muitas das crenças adotadas. Por exemplo: a doutrina da ressurreição e a doutrina da reencarnação são mutuamente excludentes, pois ninguém pode ressuscitar e reencarnar ao mesmo tempo. Mas muitas pessoas preferem ignorar isso… E são egoístas porque querem entrar no Paraíso, mas não querem renunciar a nada para entrar nele; querem tudo: tanto o bem quanto o mal. Querem o Céu, mas não querem renunciar ao inferno. Há uma curiosa música da banda irlandesa U2 (The Wanderer) que diz: “Eu parei diante de uma igreja/onde os cidadãos gostam de se sentar/ eles dizem que querem o Reino / mas eles não querem Deus nele”.

Já a adesão verdadeira a uma fé não é compatível com esse mosaico de crenças e práticas. Quando decido ser um católico genuíno, devo renunciar, por exemplo, à crença em reencarnação e desistir de ter sido um poderoso rei “em outra vida”; devo renunciar a práticas que não são compatíveis com a vivência da fé. Devo comprometer-me com essa fé, enfim, comprometer-me com Deus. Aceitar que há coisas que podem e coisas que não podem ser feitas, e que isso em nada agride minha liberdade, pois aderir de verdade à fé é uma decisão absolutamente livre, mas que requer responsabilidade.

É interessante perceber que essa incapacidade de renúncia e de sacrifício não é uma característica geral da humanidade em todas as épocas e lugares. Em outros tempos, povos como os romanos e mesmo os bárbaros germânicos valorizavam muito a simplicidade, a disciplina, a resistência à dor, o desapego ao conforto. E mesmo nos tempos atuais, há muitos homens e mulheres que conseguem se libertar das correntes desse pensamento dominante e renunciam ao que não importa em troca do mais valioso dos tesouros: Deus. Para ficar em exemplos mais recentes, lembremo-nos de São Pio de Pietrelcina, do Papa João Paulo II, do Beato Pier Giorgio Frassati, de São Maximiliano Kolbe, de Madre Teresa de Calcutá, de Santa Giana Beretta e de tantos outros santos e santas de nosso tempo.

São esses os exemplos que devemos seguir: o de doação, o de compromisso, o de fidelidade. Cristo não é um conjunto de pratos fumegantes dos quais nos servimos ao nosso bel prazer. Cristo é sim nosso alimento – a bem da verdade, o único – mas precisamos ser fiéis a Ele e a seus ensinamentos. Não existe católico não-praticamente: ou sé é praticante ou não se é católico. Ou aderimos verdadeiramente a nossa religião ou estamos enganando a nós mesmos.

Mas, enfim, nada a que tenhamos que renunciar tem qualquer valor em comparação com Deus. Sejamos comprometidos com Deus e não com nossas mesquinharias e com nossos caprichos.

Autor: Moises de Oliveira

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O Aborto, o PT e a menina de Alagoinhas.

quinta-feira, maio 21st, 2009

A verdade dos fatos fica cada vez mais clara…

Segundo os dados da Wikipédia (de 2000), a cidade da menina vitima do estupro – Alagoinhas – tem pouco mais de 13 000 pessoas. As condições de vida lá são “tão boas”, que a maioria dos habitantes parte para o além antes de completar 50 anos. Enquanto o Brasil ostentava envergonhado um índice de analfabetismo de 13,63%, aquela cidade, incrustada em um Pernambuco com 24% de analfabetos, carregava o ônus de ter 35% de seus habitantes….analfabetos. Dentre eles, os pais da menina e, quiçá, ela mesma.

Olhando pelo lado materialista de uma nação com quase 190 milhões de habitantes, que nos últimos 7 anos ganhou uma Bahia inteira em habitantes (dados do IBGE), o que a vida de uma menina de 9 anos, de Alagoinhas, significa? N-A-D-A. Ela nem vota ainda! Portanto só serve para lembrar às autoridades locais coisas básicas como a obrigação de ter que lhe oferecer escola, hospital, comida, saneamento, segurança… essas coisas todas que qualquer um que visite o nordeste está cansado de ver que não chegam, ou chegam muito precariamente, até uma cidade tão pequena. Lá, todo dia, deve morrer um bando de outras menininhas, de fome, de doenças que a gente já sabe curar e tratar muito bem, sem que nenhuma autoridade de lá, ou de fora, quanto mais de Brasília, dê a mínima bola.

Bem, então que motivação fez com que tantos “anjos da guarda” partissem em revoada da capital do Estado e até da Capital do País para defender e (dizem eles) arrancar das garras da morte certa tão pobre e desvalida vítima de nossa história com tão aguerrido empenho, embrenhando-se naqueles confins do mundo? Terá sido um bom coração? Terá sido caridade? Terá sido humanidade? Terá sido cidadania? Terá sido o juramento de Hipócrates?

Quem dera! Mas na verdade havia outra motivação. Uma lucrativa indústria de morte deseja instalar-se no nosso país e essa indústria, multinacional, riquíssima, pinçou o caso da garotinha para lançá-lo à mídia e assim causar grande comoção popular que lhe seja favorável a entrar com tudo em nossas terras, subvencionada pelo governo. A indústria do aborto.

Se você ainda não sabe, fique sabendo que o PT tem o compromisso formal, colocado por escrito no atual programa de governo, de aprovar o aborto em nossas terras.

A estratégia da ação empreendida é clara: para calar quem é contra o aborto, vamos criar um clamor mais alto que abafe as vozes dos nossos adversários. Foi o que foi feito. A garota, o Bispo, são apenas peças usadas em uma grande jogada de marketing que está prosperando, porque a grande maioria das pessoas está presa no terreno das emoções, da pena dagarotinha, e está desatenta às coisas que estão acontecendo em paralelo.

É preciso que você saiba que entre os que são contra o aborto – em todo o mundo ─ existem excelentes advogados, excelentes médicos e cientistas de primeira linha, que provam, pela ciência e pela lei, que todo ser humano tem direito à vida desde o momento em que é gerado na barriga de sua mãe até o momento de sua morte natural.

Os advogados mostram que as leis que o nosso país tem que obedecer ─ tratados internacionais e a nossa Constituição ─ asseguram direitos à criança já na barriga de sua mãe.

Os cientistas também mostram que os fetos sentem dor, guardam lembranças, riem e sonham na barriga de suas mães. A lógica mais elementar nos diz, claramente, que nunca fomos ou seremos um ser não humano. Somos, desde que os gametas de papai e mamãe se juntaram, um ser humano. De início, bem pequeno, mas já com todo o nosso código genético prontinho a desabrochar para o mundo. Primeiro, um ser humano em gestação, depois, um ser humano em desenvolvimento e, afinal, um ser humano em decadência, conforme o nosso ciclo vital, mas sempre um SER HUMANO. Isso é ciência, não é religião.

Logicamente, os seres humanos não nascidos não podem ser cortados, triturados, esmagados, cruelmente assassinados como se fossem um tumor. Pois não são uma parte má do corpo de suas mães, são uma outra pessoa que ali se instalou apenas por 9 meses. Uma pessoa que tem vários direitos, dentre os quais, o mais elementar é o direito à vida. Portanto, como pessoas, devem ser tratados com dignidade. E TODAS AS TÉCNICAS ABORTIVAS SÃO MONSTRUOSAS E INDIGNAS, bem mais monstruosas até do que um estupro. Porque de um estupro saímos vivos, mas de um aborto, não. Depois de um estupro coisas boas ainda podem suceder na vida da vítima. Depois de um aborto, a vítima talvez vá para o lixo, talvez seja queimada, ou talvez seja vendida, aos pedaços, a preços altíssimos para a indústria que vive do aborto.

Você duvida que vendam partes de fetos abortados para alguém? Então dê uma olhada na página
http://www.cleofas.com.br/virtual/texto.php?doc=ESTEVAO&id=deb0035
ou leia o livro “Cobaias Humanas – a história secreta do sofrimento provocado em nome da ciência” (Andrew Goliszek). Do original “in the name of Science” - Editora Ediouro Publicações S/A. Segundo uma lista publicada nesse livro, em 1999 os preços de várias partes variavam de 35 dólares (a medula espinhal) a quase 1000 dólares (um cérebro de menos de 8 semanas).

Porém, a voz mais forte contra o aborto, no mundo todo, não é a de excelentes advogados nem a de médicos e cientistas maravilhosos. A voz mais forte contra o aborto é a da Igreja Católica. Portanto, os que estão a favor do aborto fazem de tudo e até inventam mentir ias para colocar o povo contra a Igreja Católica. Pois colocando a massa contra os católicos fica mais fácil aprovar o aborto no Brasil.

É aí que entra a pobre menina de Alagoinhas: a vítima perfeita para um grande golpe midiático construído a partir de uma grande mentira: a afirmação de que a menina de 9 anos, estuprada e grávida de gêmeos, NÃO TINHA OUTRA ESCOLHA senão fazer o aborto. Pretendem, com isso, fazer com que as pessoas acreditem que o aborto que ela fez foi muito certo e a que Igreja Católica é atrasada e está contra a menina. ISSO É MENTIRA!

Se você costuma usar a Internet, faça a seguinte experiência: Coloque no buscador Google a seguinte frase: “MENINA DEU À LUZ”. Você verá, com surpresa, que existem 4.950.000 resultados para essa pesquisa. Isso apenas em português. São notícias de casos parecidos de outras crianças que também engravidaram e, assistidas por médicos de verdade (e não aborteiros), tiveram seus filhos apesar de muito novas e despreparadas para isso.

Se você mudar a pesquisa para “MENIDA DE NOVE ANOS DEU À LUZ” verá que aparecem 565.000 resultados. Isso mostra que é mentira a tese de que a menina certamente iria morrer se levasse adiante a sua gravidez.

O que é certo, mesmo, é que ela ia precisar de ajuda, apoio médico, um acompanhamento especial. Assistência. O resto, é pura especulação.

A Igreja católica não é a favor do estupro, nem a favor do sofrimento de ninguém, mas tem a obrigação de defender a verdade. E a verdade é que uma pessoa que faz um aborto, LEGALMENTE viola a CONSTITUIÇÃO do Brasil e o tratado internacional chamado PACTO DE SÃO JOSÉ, que garantem a todo cidadão brasileiro o direito de viver e de ser BEM tratado PELO ESTADO quando ficar doente. E, CIENTÍFICAMENTE, assassina um ser humano em gestação.

Além disso, a fé cristã vê neste ato a violação ao quinto mandamento da lei de Deus: Não Matar. Os cristãos acreditam que quem mata alguém, dentro ou fora da barriga de sua mãe, comete, além de um crime, um pecado mortal.  Essa é a fé cristã.  A Igreja, com base na lei de Deus, deixou claro que esse pecado também acontece quando a pessoa ainda mora na barriga de sua mãe e por isso o CÓDIGO CANÔNICO estabelece que uma pessoa que CONSCIENTEMENTE faz o aborto, ou ajuda, incentiva, paga, etc… está automaticamente EXCOMUNGADA.

Há casos e casos, há exceções, há atenuantes que não comporta discutir aqui, mas o fato é que quando o Bispo pernambucano falou que as pessoas que levaram a menina ao aborto estavam excomungadas, ele não estava excomungando ninguém. Ele estava lembrando uma verdade de fé que JÁ HAVIA ACONTECIDO no momento em que as pessoas mataram as duas criancinhas não nascidas dentro daquela outra criancinha estuprada.

Ele podia ter ficado calado e estava todo mundo que concorreu, pressionou, financiou e fez o aborto excomungado do mesmo modo. Como estão todos os aborteiros que estão por aí, todos os maridos e amantes que já obrigaram as suas caras-metades a se desfazerem das suas barrigas indesejadas, e todas as mulheres que já jogaram seus filhos nas lixeiras hospitalares ou não pelos mais variados motivos fúteis.

Isso é fé cristã. Por que a celeuma por causa da excomunhão? Qual o problema de nós, católicos, professarmos publicamente nossas crenças? Qual o problema de o Bispo declarar que A, B e C não mais pertencem à comunhão cristã? Acredita quem quiser e quem não quiser segue seu rumo.

É preciso ver que a religião, aqui, é apenas a cortina de fumaça bem usada para distorcer a verdade e nos enganar a todos. Católicos e não católicos.

Com toda essa onda, o que o governo Lula pretende é colocar a opinião pública a favor da aprovação de um projeto de lei que dá direto a qualquer mãe de fazer aborto sem justificativa, em qualquer estágio da gravidez, pelo SUS.

Em 07 de maio de 2008, o Projeto de Lei que tem o número 1135/91, foi derrotado por 33 votos contra zero, na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados. Como se isso não bastasse, em 09 de julho de 2008 o mesmo projeto foi derrotado por 57 votos contra 4 na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), apesar de todo o esforço do deputado José Genoíno (PT-SP) de impedir a votação. O Projeto de Lei, porém, não foi ainda arquivado, pois em 13/08/2008 Genoíno apresentou ao presidente da Câmara o Recurso 0201/08, solicitando que o projeto abortista fosse apreciado pelo plenário da Câmara,62 deputados assinaram o recurso do Deputado Genoíno. A grande maioria, desses deputados (49,20 %), é do PT.

É AÍ QUE MORA O PERIGO, nesse julgamento, que está prestes a ocorrer. Se o Brasil não se levanta e clama CONTRA uma monstruosidade dessas, ela vai passar. Porque há muito dinheiro envolvido no assunto.

INTERESSA À INDÚSTRIA ABORTISTA QUE A IGREJA ESTEJA DIVIDIA E A OPINIÃO PÚBLICA TRANSTORNADA, PARA QUE SE PENSE QUE A DESCRIMINAÇÃO DO ABORTO NO BRASIL É UM BEM PARA TODOS OS BRASILEIROS.

MAS A VERDADE, PELA QUAL A IGREJA, ADVOGADOS, MÉDICOS E TODOS OS QUE TÊM AMOR À VIDA BRADAM É QUE TODO CIDADÃO BRASILEIRO TEM DIREITO À VIDA.

É DEVER DO ESTADO cuidar para que não haja violência nas ruas ou violência doméstica e para que as pessoas tenham UMA BOA assistência médica, financeira e psicológica sempre que sejam vítimas de atos violentos.

Defender o aborto é querer fugir dessa obrigação, pelo extermínio, puro e simples, de mais um brasileiro que possa exigir isso.

O aborto não é solução de nada. O aborto é crime. O aborto é violência. O aborto é morte. Todo ser humano tem direto à vida. É o mais básico de todos os direitos. Temos que exigir isso, assim como temos que exigir uma assistência médica de boa qualidade, escola, emprego, etc…. É o que a nossa lei nos garante. Essa é a verdade.

O governo brasileiro TEM QUE ENTENDER QUE NÓS TEMOS DIREITO DE VIVER BEM. Todos nós. Nascidos e não nascidos, válidos, inválidos, jovens e velhos. Quanto mais não seja, porque nós pagamos os impostos mais altos do mundo. O mínimo que o governo tem que nos dar, em retribuição, é o direito à vida.

__________
Celia Paravato (54),autora do artigo, é Engenheira Eletrônica formada pela UFRJ, pós-graduada em finanças pelo IBMEC, servidora aposentada do Banco Central do Brasil, mãe de 3 filhos, e pertence à “Associação de Maria Imaculada”.

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Ideologia do Gênero,parte final.

quarta-feira, maio 20th, 2009

…Continuação do Post I

Este ataque declarado contra a família, contudo, contrasta notavelmente com a Declaração Universal dos Direitos Humanos promulgada, como se sabe, pela ONU em 1948. No artigo 16 da mesma, as Nações Unidas defendem enfaticamente a família e o matrimônio:

1. Os homens e as mulheres, a partir da idade núbil, têm direito, sem restrição alguma em razão de raça, nacionalidade ou religião, a casar e constituir uma família; e desfrutarão de iguais direitos quanto ao matrimônio, durante o matrimônio e em caso de dissolução do matrimônio.
2. Apenas mediante livre e pleno consentimento dos futuros esposos poder-se-á contrair o matrimônio.
3. A família é o elemento natural e fundamental da sociedade; e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Entretanto, os artífices da nova “perspectiva do gênero” presentes na Conferência da Mulher colocaram à margem todas estas premissas e, pelo contrário, apontaram, a partir de então, a necessidade de “desconstruir” a família, o matrimônio, a maternidade e a própria feminilidade para que o mundo possa ser livre.

Por outro lado, os representantes das principais nações comprometidas com a defesa da vida e dos valores familiares que participaram de Pequim, levantaram suas vozes contra esta espécie de proposta, sobretudo ao descobrir que o documento da Conferência eliminava arbitrariamente do vocabulário do programa as palavras “esposa”, “marido”, “mãe”, “pai”. Liderando tal fato, Barbara Ledeen, diretora do Independent Women Forum, uma organização de defesa da mulher amplamente reconhecida nos Estados Unidos.

O Papa João Paulo II, de sua parte, algum tempo antes da Conferência de Pequim, já havia insistido em assinalar a estreita relação entre a mulher e a família. Durante o encontro que manteve com Gertrude Mongella, secretária-geral da Conferência da Mulher, anterior à reunião mundial, disse:

“Não há resposta para os temas sobre a mulher que possa desconsiderar a função da mulher na família… Para respeitar esta ordem natural, é necessário fazer frente à concepção equivocada de que a função da maternidade é opressiva para a mulher”[24].

Lamentavelmente, a proposta do Conselho Europeu para a Plataforma de Ação de Pequim foi completamente alheia às orientações do Santo Padre. Diante desta postura, O’Leary escreve em seu relatório que ainda que seja certo que as mulheres não devam se apresentar unicamente como esposas e mães, muitas são esposas e mães, e por isso uma imagem positiva da mulher que se dedica apenas ao trabalho do lar não possui nada de mau. Porém, a meta da perspectiva do “gênero” não representa autenticamente a vida da mulher, mas é uma estereotipificação inversa segundo a qual as mulheres que “apenas” são esposas e mães nunca aparecerão sob um prisma favorável.

SAÚDE E DIREITOS SEXUAIS REPRODUTIVOS

Na mesma linha, as “feministas do gênero” incluem como parte essencial de sua agenda a promoção da “livre decisão” em assuntos de reprodução e estilo de vida. Segundo O’Leary, “livre decisão de reprodução” é a expressão chave para se referir ao pedido de aborto, enquanto que “estilo de vida” aponta para a promoção da homossexualidade, do lesbianismo e qualquer outra forma de sexualidade fora do matrimônio. Assim, por exemplo, os representantes do Conselho Europeu em Pequim lançaram a seguinte proposta:

“As vozes das mulheres jovens devem ser ouvidas já que a vida sexual não gira apenas ao redor do matrimônio. Isto conduz ao aspecto do direito de ser diferente, seja em termos de estilo de vida (a decisão de viver em família ou sozinha, com ou sem filhos), seja em termos de preferências sexuais. Devem ser reconhecidos os direitos reprodutivos da mulher lésbica”[25].

Estes “direitos” das lésbicas incluiriam também o “direito” dos casais de lésbicas a conceber filhos mediante a inseminação artificial e de adotar legalmente os filhos de suas companheiras.

Porém, os defensores do “gênero” não apenas propõem estes tipos de aberrações como também defendem o “direito à saúde” que, para o bem da verdade, se afasta por completo da verdadeira saúde do ser humano. Com efeito, ignorando o direito de todo ser humano à vida, estes propõem o direito à saúde que inclui o direito à saúde sexual e reprodutiva. Paradoxalmente, esta “saúde reprodutiva” inclui o aborto e, portanto, a “morte” dos seres humanos não-nascidos.

Não é em vão que as “feministas do gênero” são fortes aliadas dos ambientalistas e populacionistas. Segundo O’Leary, mesmo que as três ideologias não concordem em todos os seus aspectos, possuem em comum o projeto do aborto. Por um lado, os ambientalistas e populacionistas consideram essencial para o êxito de suas agendas o estrito controle da fertilidade e, para isso, estão dispostos a usar a “perspectiva do gênero”. A seguinte citação da Division for the Advance of Women (Divisão para o Avanço das Mulheres), proposta em uma reunião organizada em cosulta com o Fundo de População da ONU, revela a maneira de pensar sobre o “gênero” daqueles que estão interessados primariamente na redução do número de pessoas:

“Para serem efetivos a longo prazo, os programas de planejamento familiar devem buscar não apenas reduzir a fertilidade dentro dos papéis de gênero existentes, como também mudar os papéis de gênero a fim de reduzir a fertilidade”[26].

Assim, os “novos direitos” propostos pelas “feministas do gênero” não se reduzem simplesmente aos direitos da “saúde reprodutiva” que – como já mencionamos – promove o aborto de um ser humano não-nascido, mas ainda exigem o “direito” a determinar a própria identidade sexual. Em um panfleto que circulou durante a Conferência de Pequim, a ONG Internacional Gay and Lesbian Human Rights Commission (Comissão Internacional dos Direitos Humanos dos Homossexuais e Lésbicas) exigiu este direito nos seguintes termos:

“Nós, abaixo assinado, fazemos um chamado aos Estados Membros para que reconheçam o direito a determinar a propria identidade sexual; o direito a controlar o próprio corpo, particularmente ao estabelecer relações íntimas; e o direito a decidir, conforme o caso, quando e com quem gerar e criar filhos, como elementos fundamentais de todos os direitos humanos de toda mulher, sem distinção de orientação sexual”.

Isto é mais preocupante ainda quando se leva em conta que para as “feministas do gênero” existem cinco sexos. Rebecca J. Cook, professora de Direito na Universidade de Toronto e redatora do documento oficial da ONU em Pequim, assinala na mesma linha de seus companheiros de batalha, que os gêneros masculino e feminino seriam uma “construção da realidade social” que deveriam ser abolidos.

Incrivelmente, o documento elaborado pela feminista canadense afirma que “os sexos já não são dois, mas cinco” e, portanto, não se deveria falar de homem e mulher, mas de “mulheres heterossexuais, mulheres homossexuais, homens heterossexuais, homens homossexuais e bissexuais”.

A “liberdade” dos promotores do “gênero” para afirmar a existência de cinco sexos contrasta com todas as provas científicas existentes, segundo as quais somente existem duas opções a partir do ponto de vista genético: ou se é homem ou se é mulher; não há absolutamente nada, cientificamente falando, que esteja no meio.

ATAQUE À RELIGIÃO

Ainda que as “feministas do gênero” promovam a “desconstrução” da família, da educação e da cultura como panacéia para todos os problemas, dão uma ênfase especial para a “desconstrução” da religião que – segundo dizem – é a causa principal da opressão da mulher.

Numerosas ONG’s creditadas perante a ONU têm se empenhado a criticar aqueles a quem denominam “fundamentalistas” (cristãos católicos, evangélicos e ortodoxos; judeus, muçulmanos ou qualquer outra pessoa que recuse ajustar as doutrinas de sua religião à agenda do “feminismo do gênero”). Um vídeo que promovia o Fórum das ONG’s na Conferência de Pequim, produzido por Judith Lasch, assinala:

“Nada mais constrangeu a mulher do que os credos e os ensinamentos religiosos”.

Do mesmo modo, o relatório da Reunião de Estratégias Globais para a Mulher contém numerosas referências ao fundamentalismo e à necessidade de responder seus supostos ataques aos direitos da mulher:

“Toda forma de fundamentalismo, seja político, religioso ou cultural, exclui a mulher das normas de direitos humanos de aceitação internacional e a convertem em alvo de extrema violência. A eliminação destas práticas é preocupação da comunidade internacional”.

De outro lado, o relatório da reunião preparatória para a Conferência de Pequim, organizada pelo Conselho Europeu em fevereiro de 1995, inclui numerosos ataques à religião:

- “O surgimento de toda forma de fundamentalismo religioso é considerado como uma ameaça especial ao gozo, por parte da mulher, de seus direitos humanos e à sua plena participação na tomada de decisões em todo nível na sociedade”[27].

- “…as próprias mulheres devem ser capacitadas e dar-lhes a oportunidade de determinar o que suas culturas, religiões e costumes significam para elas”[28].

Vale assinalar que para o “feminismo do gênero”, a religião é uma invenção humana e as religiões principais foram inventadas por homens para oprimir as mulheres. Por isso, as feministas radicais postulam a reimagem de Deus como “Sophia”: a Sabedoria Feminina. Nesse sentido, as “teólogas do feminismo do gênero” propõem descobrir e adorar não a Deus, mas a Deusa. Por exemplo, Carol Christ, autodenominada “teóloga feminista do gênero”, afirma o seguinte:

“Uma mulher que faça eco da afirmação dramática de Ntosake Shange: ‘Encontrei Deus em mim mesma e a amei ferozmente’, está dizendo: ‘O poder feminino é forte e criativo’. Está dizendo que o princípio divino, o poder salvador e sustentador está nela mesma e que já não verá o homem ou a figura masculina como salvador”[29].

Igualmente estranhas são as palavras de Elisabeth Schussler Fiorenza, outra “teóloga feminista do gênero”, que nega radicalmente a possibilidade da Revelação, como se lê na seguinte citação:

“Os textos bíblicos não são revelação de inspiração verbal, nem princípios doutrinais, mas sim formulações históricas… Semelhantemente, a teoria feminista insiste que todos os textos são produto de uma cultura e história patriarcal androcêntrica”[30].

Ainda Joanne Carlson Brown e Carole R. Bohn, também autodenominadas teólogas da “escola feminista do gênero”, atacam diretamente o Cristianismo como propulsor de um abuso de nível infantil:

“O Cristianismo é uma teologia abusiva que glorifica o sofrimento. É de se assombrar que haja muito abuso na sociedade moderna quando a imagem teológica dominante da cultura é o ‘abuso divino do filho’ (Deus Pai que exige e realiza o sofrimento e a morte de seu próprio Filho)? Se o Cristianismo for o libertador do oprimido, deve primeiro libertar-se desta teologia”[31].

Por tudo isto, os donos da “nova perspectiva” promovem o ataque frontal ao Cristianismo e a toda figura que o representa. Em 1994, Rhonde Copelon e Berta Esperanza Hernández elaboraram um folheto para uma série de sessões de trabalho da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento, realizada no Cairo [Egito]. O folheto atacava diretamente o Vaticano por opor-se à sua agenda que, entre outras coisas, inclui os “direitos à saúde reprodutiva” e, conseqüentemente, o aborto.

“…esta exigência de direitos humanos elementares confronta com a oposição de todo tipo de fundamentalistas religiosos, com o Vaticano como líder na organização da oposição religiosa à saúde e aos direitos reprodutivos, inclusive até contra os serviços de planejamento familiar”[32].

Contrastantes com todas estas posturas de ataque e agressão à religião e à Igreja (concretamente o Vaticano) são as posturas da maioria das mulheres do mundo que, segundo o relatório de O’Leary, defendem suas tradições religiosas como a melhor das proteções dos direitos e à dignidade da mulher. Mulheres católicas, evangélicas, ortodoxas e judias agradecem em particular os ensinamentos de seus [respectivos] credos sobre o matrimônio, a família, a sexualidade e o respeito à vida humana.

A Santa Sé, de sua parte, apontou nos meses anteriores à [Conferência de] Pequim, o perigo da tendência, no texto apresentado pela ONU, de deixar de lado o direito das mulheres à liberdade de consciência e de religião nas instituições educacionais.

CONCLUSÃO

Nas palavras de Dale O’Leary, o “feminismo do gênero” é um sistema fechado contra o qual não há nenhuma forma de se argumentar. Não se pode apelar para a natureza, nem para a razão, para a experiência ou para as opiniões e desejos de mulheres verdadeiras porque – segundo as “feministas do gênero” – tudo isto é “socialmente construído”. Não importa quanta evidência seja acumulada contra suas idéias; [isto seria] outra prova da conspiração patriarcal em massa contra a mulher.

Contudo, existem muitas pessoas que talvez por falta de informação ainda não compreenderam a nova proposta e os perigosos alcances da mesma. Vale a pena, pois, conhecer esta “perspectiva do gênero” que – segundo informações fidedignas – atualmente não apenas está ganhando força nos países desenvolvidos como também, ao que parece, começa a se infiltrar no nosso meio. Basta rever alguns materiais educativos difundidos não só nos colégios do país como ainda em prestigiosas universidades.

Pois bem. Nos Estados Unidos, o “feminismo do gênero” conseguiu se inserir no centro da corrente cultural norte-americana. Reconhecidas universidades e colégios dos Estados Unidos difundem abertamente esta perspectiva. Ademais, numerosas séries televisivas norte-americanas fazem sua parte difundindo a seguinte mensagem: a identidade sexual pode ser “desconstruída” e a masculinidade e a feminilidade não são nada mais que “papéis de gêneros construídos socialmente”.

Se considerarmos que o avanço das tecnologias tem conseguido com que tais programas, com toda uma nova “perspectiva de gênero”, alcancem diariamente os países em desenvolvimento, principalmente através da TV a cabo, sem excluir muitos outros meios que existem em nosso tempo, isto nos coloca diante de um novo desafio que deve ser enfrentado o quanto antes para evitar as graves conseqüências que já está trazendo ao Primeiro Mundo. Principalmente porque – segundo palavras de O’Leary – a “desconstrução” da família e o ataque à religião, à tradição e aos valores culturais que as “feministas do gênero” promovem nos países em desenvolvimento afeta o mundo inteiro.

- Este relatório foi realizado com base no relatório “A Desconstrução da Mulher”, de Dale O’Leary, retirado do Site da Conferência Episcopal do Peru (http://ekeko.rcp.net.pe/IAL/cep/docum/gene_alz.htm).
—–
Referências bibliográficas:
[1] Judith Butler, “Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity”, Routledge, Nova Iorque, 1990, p. 6.
[2] Veja-se o trabalho de Cristina Delgado, Reporte sobre la Conferencia Regional de Mar de Plata, Argentina, em que recolhe diversas citações das “feministas do gênero”.
[3] Idem.
[4] Adrienne Rich, “Compulsory Heterosexuality and Lesbian Existence: Blood, Bread and Poetry”, p. 27.
[5] Idem, p. 70.
[6] Lucy Gilber e Paula Wesbster, “The Dangers of Feminity: Gender Differences: Sociology of Biology?”, p. 41.
[7] Gender Outlaw, p. 115.
[8] Entrevista com Christina Hoff Sommers em “Faith and Freedom”, 1994, p. 2.
[9] Frederick Engels, “The Origin of the Family, Property and the State”, International Publishers, Nova Iorque, 1972, pp. 65-66.
[10] Shulamith Firestone, “The Dialectic of Sex”, Bantam Books, Nova Iorque, 1970, p. 12.
[11] Idem, p. 10.
[12] Ann Ferguson & Nancy Folbre, “The Unhappy Marriage of Patriarch and Capitalism: Women and Revolution”, p. 80.
[13] Idem.
[14] Heidi Harmann, “The Unhappy Marriage of Marxism and Feminism: Women and Revolution”, South End Press, Boston, 1981, p. 5.
[15] Idem, p. 16.
[16] Gender Outlaw, p. 115.
[17] Susan Moller Okin, “Change the Family, Change the World”, Utne Reader, Marzo/Abril, 1990, p. 75.
[18] Conselho da Europa, “Equality and Democracy: Utopia or Challenge?”, Palais del’Europe, Strausbourg, Fevereiro 9-11, 1995, p. 38.
[19] Alison Jagger, “Political Philosophies of Women’s Liberation: Feminism and Philosophy”, Littlefield, Adams & Co., Totowa, Nova Jérsei, 1977, p. 13.
[20] Idem, p. 14.
[21] Christine Riddiough, “Socialism, Feminism and Gay/Lesbian Liberation: Women and Revolution”, p. 80.
[22]. Christina Hoff Sommers, “Who Stole Feminism?”, Simon & Shuster, Nova Iorque, 1994, p. 257.
[23] Nancy Chodorow, “The Reproduction of Mothering”, U. of CA Press, Berkeley, 1978, p. 215.
[24] Conselho da Europa, “Equality and Democracy: Utopia of Challenge?”, Palais del’Europe, Strausbourg, Fevereiro 9-11, 1995.
[25] Idem, p. 25.
[26] “Gender Perspective in Family Planning Programs”, Divisão para o Avanço da Mulher.
[27] Conselho da Europa, “Equality and Democracy: Utopia of Challenge?”, Palais del’Europe, Strausbourg, Fevereiro 9-11, 1995, p. 13.
[28] Idem, p. 16.
[29] Carol Christ, “Womanspirit Rising”, p. 277.


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Ideologia do Gênero.Você sabe o que é? parte I

quarta-feira, maio 20th, 2009

Talvez você tenha ouvido falar muito pouco sobre a ideologia do Gênero ou não saiba exatamente do que se trata.

Este estudo preparado pela Comissão Episcopal do Apostolado Leigo da Conferência Episcopal Peruana é fantástico e muito esclarecedor.

Você não pode deixar de ler. Se não der pelo tamanho, imprima para ler depois,mas leia!

Essa Ideologia é absolutamente antagônica ao plano original de Deus e precisamos conhecê-la para evangelicamente combatê-la.

O Assunto é muito sério e requer conhecimento fundamentado.após a leitura se entende uma série de acontecimentos da sociedade Brasileira,que aparentemente parecem desconexos mas que tem um fundo ideológico comum .

Pelo tamanho,postaremos de duas vezes.

***

A IDEOLOGIA DO GÊNERO: SEUS PERIGOS E ALCANCES
Comissão Ad-Hoc da Mulher
Comissão Episcopal do Apostolado Leigo
Conferência Episcopal Peruana

APRESENTAÇÃO

Tem-se ouvido durante estes últimos anos a expressão “gênero” e muitos imaginam que é apenas uma outra maneira de se referir à divisão da humanidade em dois sexos. Porém, por detrás desta palavra se esconde toda uma ideologia que pretende, precisamente, modificar o pensamento dos seres humanos acerca desta estrutura bipolar.

Os proponentes desta ideologia querem afirmar que as diferenças entre o homem e a mulher, fora as óbvias diferenças anatômicas, não correspondem a uma natureza fixa que torne alguns seres humanos homens e, a outros, mulheres. Pensam, além disso, que as diferenças de pensar, agir e valorizar a si mesmos são produto da cultura de um país e de uma época determinadas, que atribui a cada grupo de pessoas uma série de características que se explicam pelas conveniências das estruturas sociais de certa sociedade.

Querem se rebelar contra isto e deixar à liberdade de cada um o tipo de “gênero” a que quer pertencer, todos igualmente válidos. Isto faz com que homens e mulheres heterossexuais, os homossexuais, as lésbicas e os bissexuais sejam apenas modos de comportamento sexual produto da escolha de cada pessoa, liberdade que todos os demais devem respeitar.

Não é necessária muita reflexão para se dar conta de quão revolucionária é esta posição e das conseqüências que implicam a negação de que há uma natureza dada a cada um dos seres humanos por seu capital genético. Dilui-se a diferença entre os sexos como algo convencionalmente atribuído pela sociedade e cada um pode “inventar” a si mesmo.

Toda a moral fica à livre decisão do indivíduo e desaparece a diferença entre o permitido e o proibido nesta matéria. As conseqüências religiosas são também óbvias. É conveniente que o público em geral perceba claramente o que tudo isto significa, pois os proponentes desta ideologia usam sistematicamente uma linguagem equívoca para poder se infiltrar mais facilmente no ambiente, enquanto habituam as pessoas a pensar como eles. Este estudo pode auxiliar muito na precisão dos conceitos e chamar a uma tomada de posição em relação à mencionada ideologia.

Mons. Oscar Alzamora Revoredo, S.M.
Bispo Auxiliar de Lima – Membro da CEAL

A IDEOLOGIA DO GÊNERO: SEUS PERIGOS.

“O gênero é uma construção cultural; consequentemente, não é nem resultado causal do sexo nem tão aparentemente fixo como o sexo… Ao teorizar que o gênero é uma construção radicamente independente do sexo, o próprio gênero vem a ser um artifício livre de ataduras; em conseqüência, ‘homem’ e ‘masculino’ poderiam significar tanto um corpo feminino quanto um masculino; ‘mulher’ e ‘feminino’, tanto um corpo masculino quanto feminino”[1].

Estas palavras – que podem parecer extraídas de um conto de ficção científica vaticinando uma séria perda do senso comum no ser humano – não são outra coisa senão um extrato do livro “Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity” (=”O Problema do Gênero: o Feminismo e a Subversão da Identidade”), da feminista radical Judith Butler, que vem sendo usado há vários anos como texto-base em diversos programas de estudos feministas de prestigiadas universidades norte-americanas, onde a perspectiva do gênero vem sendo amplamente promovida.

Enquanto muitos poderiam continuar considerando o termo “gênero” apenas como uma forma cortês de se dizer “sexo”, para evitar o sentido secundário que “sexo” possui em inglês, e que, portanto, “gênero” se refere a seres humanos masculinos e femininos, existem outros que, já há alguns anos, decidiram difundir toda uma “nova perspectiva” do termo. Esta perspectiva – para a surpresa de muitos – refere-se ao termo “gênero” como “papéis socialmente contruídos”.

A IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, realizada em setembro de 1995 em Pequim [China], foi o cenário escolhido pelos promotores da nova perspectiva para lançar uma forte campanha de convencimento e difusão. É por isso que desde a mencionada Conferência, a “perspectiva do gênero” tem se infiltrado em diferentes âmbitos, não apenas dos países industrializados como também dos países em desenvolvimento.

DEFINIÇÃO DO TERMO “GÊNERO”

Precisamente na Conferência de Pequim, muitos dos delegados participantes que ignoravam esta “nova perspectiva” do termo em questão, solicitaram aos seus principais promotores uma definição clara que pudesse trazer luz ao debate. Assim, a direção da Conferência da ONU publicou a seguinte definição:

“O gênero refere-se às relações entre mulheres e homens baseadas em papéis definidos socialmente que são atribuídos a um ou outro sexo”.

Esta definição causou confusão entre os delegados da Conferência, principalmente entre aqueles provenientes de países católicos e da Santa Sé, que pediram uma maior explicitação do termo, já que se pressentia que este [vocábulo] poderia encobrir uma agenda inaceitável que incluiria a tolerância das orientações e identidades homossexuais, entre outras coisas. Foi então que Bella Abzug, ex-deputada do Congresso dos Estados Unidos, interveio para complementar a nova interpretação do termo “gênero”:

“O sentido do termo ‘gênero’ evoluiu, diferenciando-se da palavra ’sexo’ para expressar a realidade de que a situação e os papéis da mulher e do homem são construções sociais sujeitas a mudança”.

Restava claro, assim, que os partidários da “perspectiva do gênero” propunham algo muito mais temerário como, por exemplo, que “não existe um homem natural ou uma mulher natural; que não há conjunção de características ou de uma conduta exclusiva de um só sexo apenas, nem sequer na vida psíquica”[2]. Logo, “a inexistência de uma essência feminina ou masculina nos permite rejeitar a suposta ’superioridade’ de um ou outro sexo e questionar no possível se existe uma forma ‘natural’ de sexualidade humana”[3].

Diante de tal situação, muitos delegados questionaram o termo assim como a sua inclusão no documento. No entanto, a ex-deputada Abzug advogou duramente a seu favor:

“O conceito de ‘gênero’ está encravado no discurso social, político e legal contemporâneo. Tem integrado a planificação conceitual, a linguagem, os documentos e programas dos sistemas das Nações Unidas… As tentativas atuais de diversos Estados Membros de apagar o termo ‘gênero’ na Plataforma de Ação e substituí-lo por ’sexo’ é uma tentativa insultante e degradante de revogar as conquistas das mulheres, de nos intimidar e de bloquear o progresso futuro”.

A paixão de Bella Abzug no sentido de incluir o termo em Pequim chamou a atenção de muitos delegados. No entanto, o assombro e desconcerto foi ainda maior quando um dos participantes difundiu alguns textos empregados pelas feministas do gênero, professoras de reconhecidos colégios e universidades dos Estados Unidos. De acordo com a lista de leituras obtida pelo delegado, as “feministas do gênero” defendem e propagam as seguintes definições:

- Hegemonia ou hegemônico: idéias ou conceitos aceitos universalmente como naturais, porém que, na realidade, são construções sociais.

- Desconstrução: a tarefa de denunciar as idéias e a linguagem hegemônica (isto é, aceitas universalmente como naturais), com o objetivo de convencer as pessoas a crerem que suas percepções da realidade são construções sociais.

- Patriarcado, patriarcal: institucionalização do controle masculino sobre a mulher, os filhos e a sociedade, que perpetua a posição subordinada da mulher.

- Perversidade polimorfa, sexualmente polimorfo: os homens e as mulheres não sentem atração por pessoas do sexo oposto por natureza, mas sim por um condicionamento da sociedade. Com efeito, o desejo sexual pode ser dirigido a qualquer um.

- Heterossexualidade obrigatória: força-se as pessoas a pensar que o mundo está dividido em dois sexos que se atraem sexualmente um ao outro.

- Preferência ou orientação sexual: existem diversas formas de sexualidade – inclusive homossexuais, lesbianas, bissexuais, transexuais e travestis – que são equivalentes à heterossexualidade.

- Homofobia: medo de relações com pessoas do mesmo sexo; pessoas que são contrárias aos homossexuais (o termo se baseia na noção de que a idéia contra os homossexuais tem suas raízes na exaltação das tendências homossexuais).

Essas definições foram extraídas do material obrigatório do curso “Reimagem do Gênero”, produzido por um prestigioso colégio norte-americano. Além disto, as seguintes afirmações constam da bibliografia obrigatória do mesmo:

- “A teoria feminista já não se pode dar ao luxo de apenas pregar uma tolerância ao ‘lesbianismo’ como ‘estilo alternativo de vida’ ou fazer alusão à amostragem das lésbicas. Retardou-se demasiadamente uma crítica feminista da orientação heterossexual obrigatória da mulher”[4].

- “Uma estratégia apropriada e viável do direito ao aborto é a de informar a toda mulher que a penetração heterossexual é uma violação, seja qual for sua experiência subjetiva contrária”[5].

As afirmações citadas poderiam parecer suficientemente reveladoras sobre a perigosa agenda dos promotores desta “perspectiva”. Contudo, existem ainda outros postulados que as “feministas do gênero” propagam cada vez com maior força:

“Cada criança é enquadrada em uma ou outra categoria com base na forma e tamanho dos seus órgãos genitais. Uma vez feito este enquadramento, nos convertemos no que a cultura pensa que cada um é: feminino ou masculino. Ainda que muitos creiam que o homem e a mulher são expressão natural de um plano genético, o gênero é produto da cultura; e o pensamento humano, uma construção social que cria a ‘verdadeira natureza’ de todo indivíduo”[6].

É assim que para as “feministas do gênero” isto “implica classe e a classe pressupõe desigualdade. Lutar mais para desconstruir o gênero conduzirá muito mais rapidamente à meta”[7].

O FEMINISMO DO GÊNERO

Porém, em que consiste o “feminismo do gênero” e qual é a diferença com o comumente chamado “feminismo”? Para compreender mais profundamente o debate em torno do “termo gênero” vale a pena responder a esta questão.

O termo “feministas do gênero” foi cunhado primeiramente por Christina Hoff Sommers, em seu livro “Who Stole Feminism?” (”Quem Roubou o Feminismo?”), a fim de distinguir o feminismo de ideologia radical, surgido em finais da década de 1960, do movimento feminista anterior, que visava a igualdade. Eis as palavras de Hoff Sommers:

“O feminismo de igualdade é simplesmente a crença na igualdade legal e moral dos sexos. Uma feminista de igualdade quer para a mulher o que quer para todos: tratamento justo, ausência de discriminação. Pelo contrário, o feminismo do ‘genero’ é uma ideologia que pretende abranger tudo, segundo a qual a mulher norte-americana está presa em um sistema patriarcal opressivo. A feminista de igualdade opina que as coisas melhoraram muito para a mulher; a feminista do ‘gênero’ pensa que pioraram; enxergam sinais de patriarcado onde quer que estejam e pensam que a situação ficará ainda pior. Entretanto, isto carece de fundamento na realidade norte-americana. As coisas nunca estiveram melhores para a mulher; hoje 55% dos estudantes universitários são mulheres, enquando que a diferença salarial continua caindo”[8].

Ao que parece, este “feminismo do gênero” teve uma forte presença na Conferência de Pequim. É o que afirma Dale O’Leary, autora de numerosos ensaios sobre a mulher e participante da Conferência de Pequim; ela assegura que durante todas as reuniões de trabalho aquelas mulheres que se identificaram como feministas advogaram persistentemente pela inclusão da “perspectiva do gênero” no texto, definindo “gênero” como “papéis socialmente construídos” e usando a palavra “gênero” para substituir a palavra “mulher” ou a expressão “masculino e feminino”.

De fato, todas as pessoas familiarizadas com os objetivos do “feminismo do gênero” reconheceram imediatamente a conexão entre a mencionada ideologia e o rascunho do “Programa de Ação” de 27 de fevereiro, que incluía propostas aparentemente inocentes e termos particularmente ambíguos.

NEO-MARXISMO

Nas palavras de Dale O’Leary, a teoria do “feminismo do gênero” se baseia em uma interpretação neo-marxista da História. Começa com a afirmação de Marx de que toda a história é uma luta de classes, do opressor contra o oprimido, em uma batalha que se resolverá somente quando os oprimidos perceberem sua situação, levantarem-se em revolução e imporem uma ditadura dos oprimidos. A sociedade será totalmente reconstruída e surgirá a sociedade sem classes, livre de conflitos, que assegurará a paz e a prosperidade utópicas para todos.

O’Leary acrescenta que Frederick Engels foi quem assentou as bases da união entre o Marxismo e o Feminismo. Para isto, cita o livro “A Origem da Família, da Propriedade e do Estado”, escrito pelo pensador alemão em 1884, que assinala:

“O primeiro antagonismo de classes da História coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher unidos em matrimônio monogâmico; e a primeira opressão de uma classe por outra, com a do sexo feminino pelo masculino”[9].

Segundo O’Leary, os marxistas clássicos acreditavam que o sistema de classes desapareceria uma vez que se eliminasse a propriedade privada, se facilitasse o divórcio, se aceitasse a ilegitimidade, se forçasse a entrada da mulher no mercado de trabalho, se colocasse as crianças em creches e se eliminasse a religião. Porém, para as “feministas do gênero”, os marxistas fracassaram por se concentrar em soluções econômicas, sem atacar diretamente a família, que era a verdadeira causa das classes.

Nesse sentido, a feminista Shulamith Firestone afirma a necessidade de se destruir a diferença de classes, mais ainda a diferença dos sexos:

“…para assegurar a eliminação das classes sexuais requer que a classe subjugada (as mulheres) se levante em revolução e apodere do controle da reprodução; se restaure à mulher a propriedade sobre seus próprios corpos, como também o controle feminino da fertilidade humana, incluindo tanto as novas tecnologias quanto todas as instituições sociais de nascimento e cuidado das crianças. E assim como a meta final da revolução socialista era não apenas acabar com o privilégio da classe econômica como também a própria distinção das classes econômicas, a meta definitiva da revolução feminista deve ser igualmente – e diversamente do primeiro movimento feminista – não só acabar com o privilégio masculino como também com a própria distinção dos sexos: as diferenças genitais entre os seres humanos já não importam culturalmente”[10].

QUANDO A NATUREZA INCOMODA

É claro, portanto, que para esta nova “perspectiva do gênero”, a realidade da natureza incomoda, atrapalha e, assim, deve desaparecer. A esse respeito, a própria Shulamit Firestone dizia:

“O ‘natural’ não é necessariamente um valor ‘humano’. A humanidade começou a ultrapassar a natureza; já não podemos justificar a continuidade de um sistema discriminatório de classes por sexos tendo por base suas origens na Natureza. De fato, apenas por razão de pragmatismo começa a parecer que devemos desfazer-nos dela”[11].

Para os apaixonados defensores da “nova perspectiva”, não se devem fazer distinções porque qualquer diferença é suspeita, má, ofensiva. Dizem ainda que toda diferença entre o homem e a mulher é construção social e, por conseguinte, precisa ser alterada. Buscam estabelecer uma igualdade total entre homem e mulher sem considerar as naturais diferenças entre ambos, especialmente as diferenças sexuais; mais ainda, relativizam a noção de sexo de tal maneira que, segundo eles, não existiriam dois sexos, mas sim muitas “orientações sexuais”.

Com efeito, os mencionados promotores do “gênero” não encontraram melhor opção do que declarar guerra à natureza e às opções da mulher. Segundo O’Leary, as “feministas do gênero” denigrem o respeito pela mulher com a mesma veemência com que atacam a falta de respeito, já que para elas o “inimigo” é a diferença.

No entanto, é evidente que nem toda diferença é má, nem muito menos irreal. Tanto o homem quanto a mulher – criados à imagem e semelhança de Deus – têm suas próprias particularidades naturais que devem ser colocadas à serviço do outro, para alcançar um enriquecimento mútuo. Isto – claro está – não significa que os recursos pessoais da feminilidade sejam menores que os recursos da masculinidade; apenas significa que são diferentes.

Nesse sentido, se aceitamos o fato de que o homem e a mulher são diferentes, uma diferença estatística entre homens e mulheres que participam de uma certa atividade poderia ser mais do que uma amostra de discriminação: o simples reflexo destas diferenças naturais entre homem e mulher.

Não obstante, diante da evidência de que estas diferenças são naturais, os promotores da “nova perspectiva” não questionam suas teorias, preferindo mais atacar o conceito de natureza.

Além disso, consideram que as diferenças de “gênero” – que, segundo eles, existem em razão de uma construção social – forçam a mulher a ser dependente do homem e, por isso, a liberdade para a mulher não consistirá em agir sem restrições indevidas, mas em libertar-se dos “papéis de gênero socialmente construídos”. Nesse sentido, Ann Ferguson e Nancy Folbre afirmam:

“As feministas devem encontrar modos de apoio para que a mulher identifique seus interesses com a mulher, antes do que com seus deveres pessoais para com o homem no contexto da família. Isto requer estabelecer uma cultura feminista revolucionária autodefinida da mulher, que possa sustentar a mulher ideológica e materialmente ‘fora do patriarcado’. As redes de apoio contra-hegemônico material e cultural podem prover substitutos mulher – identificados da produção sexo-afetiva patriarcal, que proporcionem às mulheres maior controle sobre seus corpos, seu tempo de trabalho e seu sentido de si mesmas”[12].

Com esse fim, Ferguson e Folbre propõem quatro áreas principais de “ataque”:

1. Pleitear apoio econômico oficial para o cuidado das crianças e os direitos reprodutivos.

2. Pleitear liberdade sexual, que inclui o direito à preferência sexual (direitos homessexuais-lésbicos).

3. O controle feminista da produção ideológica e cultural (é importante porque a produção cultural afeta os fins, o sentido de si mesmo, as redes sociais e a produção de redes de criação e afeto, amizade e parentesco social).

4. Estabelecer ajuda mútua: sistemas de apoio econômico à mulher, desde redes de identidade exclusiva com a mulher até grupos de mulheres nos sindicatos que lutem pelos interesses femininos no trabalho assalariado.[13]

UMA BOA DESCULPA: A MULHER

Após revisar a peculiar “agenda feminista”, Dale O’Leary evidencia que o propósito de cada ponto da mesma não é melhorar a situação da mulher, mas separar a mulher do homem e destruir a identificação de seus interesses com os de suas famílias. Mesmo assim – acrescenta a especialista – o interesse primordial do feminismo radical nunca foi o de melhorar diretamente a situação da mulher, nem aumentar sua liberdade; ao contrário, para as feministas radicais ativas, as melhorias menores podem obstar a revolução da classe sexo/gênero.

Esta afirmação é confirmada pela feminista Heidi Hartmann, que radicalmente afirma:

“A questão da mulher nunca foi a ‘questão feminista’. Esta se dirige às causas da desigualdade sexual entre homens e mulheres, do domínio masculino sobre a mulher”[14].

Não foi em vão que durante a Conferência de Pequim a delegada canadense Valerie Raymond manifestou seu interesse no sentido de que a Conferência abordasse, paradoxalmente, “não como uma ‘Conferência da Mulher’”, mas com “os temas que deveriam ser enfocados através de uma ‘ótica do gênero’”

Assim, diz O’Leary, a “nova perspectiva” tem como objetivo impulsionar a agenda homossexual-lésbica-bissexual-transexual e não os interesses das mulheres comuns e correntes.

PAPÉIS SOCIALMENTE CONSTRUÍDOS

Para tratar deste ponto, tomemos a definição de “gênero” fornecida por um panfleto que circulou na Reunião do Comitê Preparatório de Pequim (ComPrep) preparado pelas partidárias da perspectiva em questão:

“Gênero se refere aos papéis e responsabilidades da mulher e do homem que são determinadas socialmente. O gênero se relaciona com a forma com que nos faz perceber e se espera que pensemos e atuemos como mulheres e homens, pela forma como a sociedade encontra-se organizada e não por nossas diferenças biológicas”.

Vale assinalar que o termo “papéis” distorce a discussão. Seguindo o estudo de O’Leary, “papel” se define primariamente como parte de uma produção teatral na qual uma pessoa, especialmente vestida e maquiada, representa um personagem conforme um roteiro escrito.

O emprego do termo “papel” ou da expressão “papéis desempenhados” transmite necessariamente a sensação de algo artificial que é imposto a uma pessoa.

Quando se substitui “papel” por outro vocábulo – tal como “vocação” – põe-se de manifesto como o termo “papel” afeta nossa percepção de identidade. Vocação envolve algo autêntico, não artificial, um chamado para ser o que somos. Respondemos à nossa vocação para realizar nossa natureza ou desenvolver nossos talentos e capacidades inatos. Nesse sentido, por exemplo, O’Leary destaca a vocação feminina para a maternidade, pois a maternidade não é um “papel”.

Quando a mãe concebe um filho, empreende uma relação duradoura com outro ser humano. Esta relação define a mulher, lhe coloca certas responsabilidades e afeta quase todos os aspectos da sua vida. Não está representando o papel de mãe; é uma mãe. A cultura e a tradição certamente influem sobre o modo de como a mulher cumpre as responsabilidades advindas da maternidade, mas não criam mães – esclarece O’Leary.

Entretanto, os promotores da “perspectiva do gênero” insistem em dizer que toda relação ou atividade dos seres humanos é resultante de uma “construção social”, que outorga ao homem uma posição superior na sociedade e, à mulher, uma [posição] inferior. Segundo esta perspectiva, o progresso da mulher requer que se liberte toda a sociedade desta “construção social”, de modo que o homem e a mulher sejam iguais.

Para isso, as “feministas do gênero” assinalam a urgência de “desconstruir estes papéis socialmente construídos”; segundo elas, podem ser divididos em três categorias principais:

1. Masculinade e Feminilidade: consideram que o homem e a mulher adultos são construções sociais; que, na realidade, o ser humano nasce sexualmente neutro e que logo é socializado em homem ou mulher. Esta socialização – afirmam – afeta a mulher negativa e injustamente. Por isso, as feministas propõem depurar a educação e os meios de comunicação de todo estereótipo e de toda imagem específica de gênero, para que as crianças possam crescer sem que sejam expostas a trabalhos “sexo-específicos”.

2. Relações Familiares: pai, mãe, marido e mulher… As feministas não apenas pretendem que se substituam estes termos “gênero-específicos” por palavras “gênero-neutras”, como também aspiram a que não haja diferenças de conduta nem responsabilidade entre o homem e a mulher na família. Segundo Dale O’Leary, esta é a categoria dos “papéis socialmente construídos” a que as feministas atribuem maior importância porque consideram que a experiência das relações “sexo-específicas” na família são a principal causa do sistema de classes “sexo/gêneros”.

3. Ocupações ou Profissões: o terceiro tipo de “papéis socialmente construídos” abrange as profissões que uma sociedade atribui a um ou outro sexo.

Embora as três categorias de “construção social” já pudessem ser suficientes, o repertório das “feministas do gênero” inclui ainda outra: a reprodução humana que – segundo afirmam – também é socialmente determinada. A esse respeito, Heidi Hartmann afirma:

“A forma com que se propaga a espécie [humana] é determinada socialmente. Se biologicamente a pessoa é sexualmente polimorfa e a sociedade estivesse organizada de modo que se permitisse por igual toda forma de expressão sexual, a reprodução seria resultado apenas de alguns encontros sexuais: os heterossexuais. A divisão estrita do trabalho por sexos, uma invenção social comum a toda sociedade conhecida, cria dois gêneros bem separados e a necessidade de que o homem e a mulher se juntem por razões econômicas. Contribui assim para orientar suas exigências sexuais para a realização heterossexual e para assegurar a reprodução biológica. Nas sociedades mais criativas, a reprodução biológica poderia ser assegurada mediante outras técnicas”[15].

Continua no próximo post..


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