Por Arquivo abril 19th, 2011

* Madonna deixa cabala e busca catolicismo. Conversão ou curiosidade?

terça-feira, abril 19th, 2011

Depois de 15 anos de dedicação, Madonna pode estar a abandonar a Cabala, filosofia de origem judaica, para ingressar na Opus Dei, instituição da Igreja Católica, tornada conhecida pelo livro e pelo filme “Código Da Vinci” de Dan Brown.

Madonna, que foi criada no seio do catolicismo, esteve na passada sexta-feira reunida com padres da Opus Dei, em Londres.

A possível ruptura da cantora com a Cabala acontece precisamente num momento de crise para a instituição que a divulga, o Kabbalah Centre, cujos líderes estão a ser investigados nos Estados Unidos.

«Ela está interessada em explorar diferentes religiões. Madonna sempre teve curiosidade pela Opus Dei. Por enquanto ela ainda não ingressou efectivamente, está apenas a ter conversas informais», disse uma fonte ouvida pelo jornal Daily Mirror.

Fonte: CotoNET

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* Exposição blasfema de Cristo “em urina” é atacada por católicos em Avignon, França.

terça-feira, abril 19th, 2011

RF1

A “obra” do artista norte-americano Andres Serrano chamada “Immersion (Piss Christ)” já vinha causando polêmica por mostrar um crucifixo mergulhado em um recipiente com urina. Lideranças e associações católicas pediram para a obra ser retirada do Museu de Arte Contemporânea da cidade e, na tarde de domingo, ela foi parcialmente destruída às marteladas.

Je crois aux miracles” (Eu acredito em milagres, em tradução livre) é o nome da mostra no museu contemporâneo de Avignon, que celebra os dez anos da Coleção Lambert, criada pelo colecionador francês Yves Lambert.

Nesta exposição, o fotógrafo Andres Serrano participa com dois trabalhos: o polêmico “Immersion”, datado de 1987, e “The Church” (A Igreja, em tradução livre), de 1990.

Na semana passada, escandalizado, o bispo de Avignon, Jean-Pierre Cattenoz, pediu aos curadores da mostra que retirassem a obra. “Diante do lado odioso desta imagem, todos os católicos serão atingidos no mais profundo de sua fé“, disse o bispo. Outra voz se uniu ao coro, desta vez foi o Instituto Civitas, de católicos radicais, que lançou uma petição contra a obra que arrecadou 500 mil assinaturas.

Na tarde de domingo, dois homens suspeitos, de religião católica, foram revistados no museu. Eles estavam com sprays de tintas e ferramentas. Ao serem detidos, um terceiro católico aproveitou e danificou duas obras do fotógrafo com um martelo. Depois de brigarem com os seguranças, todos conseguiram fugir.

Esta não foi a primeira vez que a criação mais famosa do artista de Nova York é alvo de ataques. Em outubro de 2007, diversos trabalhos seus foram danificados em uma galeria de arte na Suécia por um grupo que se reivindicou de extrema-direita.

A exposição “Je crois aux miracles” está no Museu de Arte Contemporânea de Avigon até o dia 8 de maio deste ano.

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* Indulgência plenária na Semana Santa. Como Recebê-la?

terça-feira, abril 19th, 2011

André Luiz Brandalise

O dom da indulgência manifesta a plenitude da misericórdia de Deus, que é expressa em primeiro lugar no sacramento da Penitência e da Reconciliação.

(Penitenciária Apostólica – O Dom da Indulgênciahttp://www.vatican.va/roman_curia/tribunals/apost_penit/documents/rc_trib_appen_pro_20000129_indulgence_po.html)

Durante a Semana Santa podemos ganhar para nós ou para os defuntos o dom da Indulgência plenária.

Indulgência é definida no Código de Direito Canónico (cf. cân. 992) e no Catecismo da Igreja Católica (n. 1471), assim:

A indulgência é a remissão, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados cuja culpa já foi apagada; remissão que o fiel devidamente disposto obtém em certas e determinadas condições pela acção da Igreja que, enquanto dispensadora da redenção, distribui e aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos.

O caminho da reconciliação com Deus, embora se trate de um dom da Sua misericórdia, segue um processo em que a Igreja envolve-se pela sua missão sacramental, e cabe ao homem o seu empenho pessoal.

Este caminho tem o seu centro no sacramento da Penitência, que é elemento essencial para se buscar a indulgência plenária. No entanto mesmo após o perdão dos pecados obtido mediante esse sacramento, o homem ainda permanece manchado por resquícios que impedem que sejamos totalmente abertos à graça.

Assim, precisamos de purificação e da renovação total em virtude da graça de Cristo, e o dom da Indulgência é de grande auxílio nestes casos.

Não há dúvidas que a Semana Santa é o período em que toda a nossa fé é justificada, pois é quando relembramos (no sentido de renovar) o imenso mistério do amor de Deus, a instituição da Eucaristia, a morte e ressurreição de Cristo. E a mais correta vivência de todas as celebrações, além de nos fazer aprofundar cada vez mais nos mistérios de nossa fé, traz como benefício extra (quase que um bônus) a concessão da Indulgência plenária.

Para ganhar a Indulgência plenária além de ter realizado a obra enriquecida se requer o cumprimento das seguintes condições:

a) Exclusão de todo afeto para qualquer pecado, inclusive venial. Portanto, temos que rejeitar de vez aquilo que muitos chamam de “pecado de estimação”.

b) Confissão sacramental, Comunhão eucarística e Oração pelas intenções do Sumo Pontífice. Estas três condições podem ser cumpridas uns dias antes ou depois da execução da obra enriquecida com a Indulgência plenária, mas convém que a comunhão e a oração pelas intenções do Sumo Pontífice se realizem no mesmo dia em que se cumpre a obra.

Deve-se ressaltar que com uma só confissão sacramental podemos ganhar várias indulgências. Mesmo assim, convém que se receba frequentemente a graça do sacramento da Penitência, para aprofundar na conversão e na pureza de coração. Por outro lado, com uma só comunhão eucarística e uma só oração pelas intenções do Santo Padre só se ganha uma Indulgência plenária.

A condição de orar pelas intenções do Sumo Pontífice se cumpre rezando-se em sua intenção um Pai Nosso e Ave-Maria, mas se concede a cada fiel cristão a faculdade de rezar qualquer outra fórmula, segundo sua piedade e devoção.

Durante a Semana Santa, são as seguintes obras que gozam do dom da Indulgência plenária:

Quinta-feira Santa

- Se durante a solene reserva do Santíssimo, que segue à Missa da Ceia do Senhor, recitamos ou cantamos o hino eucarístico “Tantum Ergo” (”Adoremos Prostrados”).

- Se visitarmos pelo espaço de meia hora o Santíssimo Sacramento reservado no Monumento para adorá-lo.

Sexta-feira Santa

- Se na Sexta-feira Santa assistirmos piedosamente à Veneração da Cruz na solene celebração da Paixão do Senhor.

Sábado Santo

- Se rezarmos juntos a reza do Santo Rosário.

Vigília Pascal

- Se assistirmos à celebração da Vigília Pascal (Sábado Santo de noite) e nela renovamos as promessas de nosso Santo Batismo.

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* Rolos do Mar Morto serão visualizáveis na Internet para acesso de todos.

terça-feira, abril 19th, 2011

A Autoridade de Antiguidades de Israel anunciou que os milenares documentos de Qumran, perto do Mar Morto, serão digitalizados em altíssima resolução e disponibilizados ao público via Internet.

O trabalho já começou envolvendo 900 rolos divididos em mais de 30.000 fragmentos. A arqueóloga israelense Pnina Schorr, que preside os trabalhos, sublinhou em entrevista a “La Nación” de Buenos Aires que a parte mais importante dos misteriosos e polêmicos documentos é integrada por Sagradas Escrituras escritas há 2000 anos.

Portanto, deduz-se facilmente que são de uma época em que o judaísmo não tinha rompido a fidelidade ao chamado divino, ruptura operada com a Crucifixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os documentos são da maior importância para a Igreja Católica depositária da Revelação Divina.

Mas podem ter efeitos explosivos no judaísmo se, como já fazem muitos outros documentos da Antiguidade, confirmam ser Nosso Senhor o verdadeiro Messias aguardado pelos Patriarcas e pelos Profetas.

Além de livros da Bíblia, os 900 manuscritos incluem também apócrifos diversos e relatos da comunidade dos essênios que vivia em Qumran. Esta comunidade suscita muito interesse.

Segundo alguns, foi composta por fiéis descontentes com a deformação da religião judaica por parte do Sinédrio. Alguns especulam até que São João Batista freqüentou os essênios e até que Nosso senhor quando se retirou ao deserto esteve com eles, malgrado a própria comunidade tal vez estivesse decadente naquele tempo.

A visualização no computador, entretanto só será inteligível para os especialistas posto o estado dos documentos, a língua e a caligrafia com que estão escritos.

Até o momento não mais de 300 especialistas do mundo todo os conhecem inteiramente. Nisto pesou o fato de serem sumamente sensíveis ao manuseio e à luz, em virtude de sua antiguidade.

Serão exibidos por Google e muitos outros poderão vê-los e analisá-los, fornecendo novas hipóteses ou conclusões. Schorr julga que aparecerão traduções, comentários inovadores dos investigadores, nova bibliografia.

As reproduções segundo a arqueóloga Pnina Schorr serão de altíssima qualidade, idênticas aos originais, e estarão abertas ao público todo online.

Acresce que não serão fotografias comuns, mas também “espectrais” que vão além do infravermelho permitindo descobrir detalhes que o olho humano não capta. A utilidade destas tecnologias já ficou demonstrada com o Santo Sudário de Turim, revelando surpreendentes dados.

De tal maneira, as descobertas arqueológicas têm confirmado as Escrituras canônicas que o anúncio não suscita a mais mínima apreensão no ambiente católico.

Pelo contrário, é uma noticia auspiciosa que permite entrever novas confirmações da veracidade da Igreja e dos Livros Sagrados. Em ambientes não católicos pode ser que as descobertas causem consternação e confusão.

Fonte: Ciência confirma Igreja.

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* Cartaz com bebê supostamente “gay” gera polêmica na Romênia.

terça-feira, abril 19th, 2011

Um cartaz gerou polemica na cidade de Timisoara, na Romênia, ele mostra um recém-nascido com uma etiqueta no pulso que diz “homossexual”.
O cartaz está identificado pela campanha “Eu sou! E você?”, e a  campanha  “Para apoiar a comunidade LGBT na Romênia”.

A câmara municipal e a polícia da cidade estão investigando o responsável pela publicação. Em declaração algumas pessoas não concordaram. “estão perto de escolas, o cartaz é imoral”, outro comentário foi que “estão zombando de Deus na semana de Páscoa”.

O conceito do cartaz já tinha sido usado em Itália em Outubro de 2007 com o título “A orientação sexual não é uma escolha”. A iniciativa foi apoiada governo regional da Tuscânia e levou a críticas violentas por parte do Vaticano e políticos conservadores no país.

Antes disso a Fondation Émergence, uma associação LGBT do Canadá já tinha usado o conceito do bebe em 2005 sem gerar tumulto social. A associação tem criado diversos cartazes ao longo dos anos. Além do tema do bebe, já fizeram referências ao esporte e a campanha mais recente usa dois peixes para trazer uma mensagem de “naturalidade” da homossexualidade.

Gospel notícias

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* Prevenir ou Proibir? Bispo reflete sobre tragédia em Escola no Rio de Janeiro.

terça-feira, abril 19th, 2011

Dom Antonio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar do Rio de Janeiro.

* * *

Recentes e dolorosos acontecimentos vividos por adolescentes, seus pais e parentes, seus professores, bem como por policiais, religiosos e políticos envolvidos nesses momentos difíceis da Cidade Maravilhosa, conduzem o povo e toda a sociedade brasileira às necessárias e inadiáveis interrogações abaixo escritas.

O que está acontecendo no meio social para que tanta violência nunca acabe? Será uma falta de maiores proibições, seja por meio de leis mais claras e exigentes, seja por ações policiais mais repressivas? Será que só campanhas de desarmamento da população, motivadas por emoções momentâneas, resolverão toda essa violência?

Essas perguntas certamente suscitarão variadas e discutíveis respostas que não cabem nessas linhas, mas cabe à Igreja Católica, como Mãe e Mestra, ir ao encontro dessas interrogações e dar a cada uma delas um giro de 180º.

A maternidade espiritual e a pedagogia milenar da nossa Igreja conduzem nessas horas de dor e de questionamentos a uma posição sábia e serena, partindo de umas palavras do seu divino fundador, Jesus Cristo.

Diante das mortes violentas acontecidas no seu tempo Jesus não as questionou como se elas fossem castigo de Deus para os falecidos por esses serem pecadores, mas advertiu aos que lhe levavam essa questão dolorosa e misteriosa no sentido que eles – e a humanidade ao longo dos tempos – se convertessem, pessoal e profundamente, para que também não perecessem.

A conversão de uma sociedade onde a violência acontece dar-se-á na medida em que os homens e as mulheres que a constituem se convertam, não só dos seus pecados, mas principalmente se tornem pessoas capazes de perceberem os sinais de desordens afetivas, psíquicas e sociais dentro das famílias, das escolas e dos ambientes de trabalho e de diversão.

Geralmente, os desequilíbrios humanos são “anunciados” no tempo devido e poderiam ser preventivamente vigiados, cuidados e até mesmo curados, se nas famílias, nas escolas, nas comunidades, houvessem pessoas convertidas em cidadãos responsáveis pelo futuro da sociedade, especialmente pelo futuro da infância e da adolescência brasileira.

Dizem – nem sempre é regra geral – que os brasileiros só trocam as fechaduras das portas depois que suas casas são assaltadas, e vão a procura de “soluções-mágicas” para os problemas de sempre. Acontece que uma prevenção de desequilíbrios comportamentais pode ser uma “solução-mágica” desde que as famílias brasileiras tenham consciência de que não são simples moradias, mas lares onde se tornam realidades projetos divinos a favor dos homens, começando pelo principal projeto: ser uma família onde a única lei é a do amor gratuito, generoso, concreto e fiel.

Os desajustes sociais e os desequilíbrios mentais se desenvolvem, geralmente, em pessoas que nasceram e cresceram em lares frios, violentos, desajustados emocionalmente, onde o amor não existia ou só era reclamado e não vivido pessoal e familiarmente.

A Igreja Católica, Mãe e Mestra e perita em humanidade, deseja ser mais ouvida e valorizada quando, a serviço de todas as pessoas, independentemente de suas crenças e condições sociais, anuncia que a família tem sua fundação no casamento entre um homem e uma mulher, tem seus momentos de equilíbrio e ajuste das relações humanas no amor, no perdão, na reconciliação e… na prevenção a partir da percepção de sinais significativos de desequilíbrios.

Não são suficientes as “soluções-mágicas” procedentes de segmentos políticos e de segurança pública extra-familiares, se “as portas da vida”, que é a família bem constituída e sadia, emocional e socialmente, continuarem sem as medidas políticas, econômicas e educacionais favoráveis e eficazes para um correto desenvolvimento psíquico, ético e social do ser humano, dentro da normalidade do amor dos pais, dos irmãos, dos colegas de escola, numa palavra, dentro do valor insubstituível do amor-respeito pelos diferentes ou pelos que vivem carentes de paz interior.

Será que as tragédias só são capazes de despertar emoções que são instantâneas e com pouca inteligência para resolvê-las?

A Igreja Católica deseja que com prevenções mais racionais e vigilantes se possa despertar os corações humanos para que se criem famílias melhor assistidas, para que se desenvolvam políticas educacionais mais amplas e que incluem valores religiosos e cívicos suficientemente fortes para dar equilíbrio humano às crianças e aos jovens, para que hajam projetos de comunicação social, cada vez mais benéficos à humanidade, especialmente para essas partes do mundo tão queridas por Deus como é a infância e a adolescência.

Oxalá esses dramas humanos recentemente vividos no Rio de Janeiro conduzam à prevenção justa e amorosa e não só a leis repressivas projetadas e depois aprovadas pelo Congresso Nacional!

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* “Participei da Primeira Jornada Mundial da Juventude”.Testemunho.

terça-feira, abril 19th, 2011

Elena Arreguy

Estava vendo as notícias no www.h2o.news esta semana, e um dos videos fazia uma retrospectiva sobre a Jornada Mundial da Juventude e o Papa João Paulo II. Muito emocionantes as imagens e a revolução que representou cada JMJ em cada país onde ela aconteceu. De repente me caiu a ficha de que eu participei da primeira Jornada Mundial da Juventude – que ainda não tinha esse nome – em 1985 em Roma! Meu Deus! Eu estava lá! E como um filme de final de feliz com partes de suspense e muitas experiências de fé, eu me lembrei de tudo e resolvi contar aqui no blog (www.elenarreguy.blogspot.com), com muita emoção e gratidão, como testemunho.

1985 foi o Ano Internacional da Juventude criado pelo Papa João Paulo II após seu primeiro grande encontro com os jovens em Roma no ano anterior, 84, no seu grande afã de ir ao encontro dos jovens para anunciar-lhes Jesus e desafia-los à santidade feliz. Uma geração de santos de calça jeans! Que imagem mais fantástica e apropriada. Nesta época eu morava no Rio de Janeiro com a família – mãe e irmãos pois meu pai havia falecido em 82 - e trabalhava como professora de inglês e de religião para crianças. Frequentava o grupo Bom Pastor, hoje Comunidade Bom Pastor, na paróquia de Nossa Senhora de Copacabana. Esta era a minha vida e eu era completamente engajada na vida da igreja e do grupo de oração. Também namorava o Afonso Marra, pessoa muito especial que também participava do grupo de oração e de todas as atividades evangelizadoras comigo. Éramos muito amigos além de namorados.

Não sei exatamente em que mês surgiu o convite para que as paróquias e as comunidades brasileiras mandassem os jovens para participar deste encontro mundial em Roma, que contaria com palestras, um encontro com o Santo Padre e uma oportunidade ímpar de ver gente do mundo todo. Seriam cinco dias em setembro, ou uma semana, não tenho mais certeza. Porém, como ir? Mesmo timidamente eu e mais duas pessoas do grupo – Laura Beatriz e Margarida – ou simplesmente Laurinha e Guida,  começamos a nos movimentar e a desejar ir, fazendo contas e planos… parecia impossível. Não havia dinheiro que desse conta nem quem nos ajudasse. Me lembro que rezamos e que a Palavra de Deus nos apontava com clareza que o Senhor abriria as portas. Mas como Deus parece ser especialista em roteiro de thriller – com todo respeito -  quando tudo parece enrolado e sem saída e a gente só tem mesmo a fé na Sua Palavra, Ele manifesta a Sua Vontade e inebria os corações com Sua fidelidade. Me lembro bem, faltavam somente duas semanas para a viagem quando todas as portas se abriram. O Fernando (que da eternidade deve se lembrar disso com alegria) mais o Hugo, dois grandes irmãos e amigos da Comunidade Bom Pastor, resolveram adotar a nossa causa quando souberam que não havia mais saída e moveram as pessoas do grupo de oração a nos ajudarem já que nós éramos servas e representaríamos todo o grupo Bom Pastor e a juventude católica do Rio de Janeiro. Nosso desejo de participar não era um capricho e nossa ida representava um testemunho da vitalidade da Igreja do Brasil. Estas palavras simples mas cheias de sabedoria atingiram o coração das centenas de pessoas que a cada segunda-feira há 35 anos lotam a paróquia e, de doação em doação, a soma foi alcançada. E mais: ainda nos deram um dinheirinho extra para uns presentinhos. Muito lindo é que a Guida conseguiu a doação da passagem pela Alitália e o funcionário que lhe entregou a passagem em nome da empresa aérea era latino americano – argentino? mexicano? - e se chamava Jesus! Nós quase morremos de tanto rir. Assim é Deus, tem alegria e bom humor.

A viagem em si foi inesquecível e não me lembro bem do número mas éramos aproximadamente 200 jovens. Uma das impressões mais fortes foi a experiência de catolicidade, de universalidade, da Igreja, do povo de Deus, ao ver tantos belos rostos humanos diferentes do meu em cores e jeitos. Na missa de encerramento, na hora do Pai-Nosso me emocionei tremendamente pois a minha frente, me lembro como numa fotografia registrada na memória, estava um africano, atrás de mim um asiático, japonês, à minha direita uma irlandesa ruivíssima e à minha esquerda uma peruana de cabelos negros e jeito indígena. E era o amor de Jesus, o batismo em Sua morte e ressurreição que nos fazia um só corpo e uma só coração. Era Ele a fonte do nosso amor e de nossa unidade na mais bela e desconcertante diversidade.

Uma outra pessoa que foi nos visitar foi o Cardeal Josef Suenens amigo pessoal do Papa João Paulo II e pessoa chave no Concílio Vaticano e nos primórdios da Renovação Carismática. Um velhinho adorável de olhar sorridente, magro e alto que passeou no meio dos jovens com a maior simplicidade e nos falou espontaneamente sobre a Igreja e a vida da fé. Não me lembro mais da ordem das palestras, me lembro bem do efeito que este retiro, congresso, encontro, aventura, desafio, um pouco de cada coisa, deixou em mim. Os fatos se entrelaçam mais pelo efeito causado do que pela cronologia com que aconteceram. Também estava lá o José Prado Flores um dos primeiros leigos líderes da Renovação Carismática a estudar teologia, mexicano, que nos deu o testemunho sobre vocação e estado de vida, de como o Senhor o guiou até o matrimônio certo impedindo que ele se casasse com a pessoa errada. Causou-nos forte impressão ele contar sobre a simplicidade de seu casamento e por ter preferido à festa com muito glamour, ir à Caná em Israel e casar-se na presença dos pais dele e da noiva mais o sacerdote, como testemunhas.

Lembro-me do rosto de alguns outros brasileiros que compunham a comitiva mas não me lembro dos nomes. Era gente de Foz do Iguaçu. Tinha gente de S.Paulo também. Havia um padre de Campinas. Não posso deixar de contar que no avião, sentado exatamente atrás de mim estava o primeiro shalomita que conheci: um jovem bem magro e tímido representando os jovens católicos cearenses e a Comunidade Shalom ainda embrionária. Não era o Moysés. Era o Carmadélio, que saía do Brasil pela primeira vez e se encantava com tudo que via. Me lembro demais desse nosso primeiro contato. Este grupo de brasileiros resolveu juntar os trocados, alugar um ônibus e ir à Medjugorje quando acabasse o Congresso. Para tal façanha o primeiro passo era guardar todos os pães italianos e frutas – peras e maçãs – que nos serviam no café da manhã para servir de jantar e termos que pagar somente uma refeição por dia. E assim fizemos. Alugamos um ônibus e fomos de Roma até Pescara onde pegamos um navio destes enormes que transporta automóveis e ônibus, atravessamos o mar Adriático em plena tempestade a noite inteira – pense numa aventura! – e chegamos à antiga Iugoslávia. Passamos dois dias inteiros em Medjugorje e fomos a primeira peregrinação de brasileiros a esta vila visitada por Nossa Senhora. A vila era simplesmente uma vila sem qualquer infraestrutura e nos hospedamos na casa de uma família comum que por telefone contatamos pedindo acolhida. Graças a Deus as pessoas em Medjugorje falam italiano e por isso a comunicação foi possível. Conhecemos os videntes ainda bem jovens e só fizemos rezar e rezar e rezar. A atmosfera de santidade do local e das pessoas era contagiante e os testemunhos que nos contaram das famílias onde ficamos hospedados também era notável. Muita piedade, muita oração, jejum e vidas reconciliadas. Havia uns 60 padres do mundo todo celebrando a eucaristia, uma atrás da outra, alternando somente a língua. Testemunhamos a libertação de uma jovem mulher italiana atormentada pelo demônio que foi impressionante. Os padres que estavam na nossa excursão, um brasileiro e um panamenho, é que tiveram que intervir por conta da experiência de oração de libertação que tinham pela realidade de seus países. Eu, a Guida e outros brasileiros ficamos na porta da sala da sacristia onde acontecia a oração de libertação rezando o terço e afastando as crianças curiosas e espantadas com a cena. Vimos depois da oração esta mulher confessar-se e comungar e rezar com fisionomia transfigurada de amor e gratidão pelo que Jesus tinha feito. Estávamos presentes na missa das 18h - que era a hora das aparições - e me lembro que que a experiência era como se o tempo tivesse parado. A igreja lotadíssima em adoração profunda diante do mistério de Deus manifestado na presença da Santíssima Virgem. Como éramos jovens deixaram que sentássemos nos degraus ao lado do altar e a gente só fazia chorar inebriados de mir. A palavra Mir que é Paz lavava os corações de todos os presentes. Vale notar que coincidentemente quem estava em Medjogorje peregrinando nesta mesma data e que cantaram lindissimamente à capela uma música de ação de graças nesta missa especial, para Jesus e para Nossa Senhora foi o Gen Rosso, dos Focolare. Que missa inesquecível!

Me lembro que na primeira manhã que eu e a Guida saímos da casa onde estávamos hospedadas, pegamos uma ruela na direção errada e nos perdemos. Quem serviu de anjo da guarda e nos encontrou na estrada e nos fez voltar para a direção certa foi um jesuíta, Pe. Robert Faricy que fazia parte da delegação do Vaticano que estudava, ou estuda ainda, só Deus sabe, a veracidade das aparições de Medjugorje. Até hoje não sei se ele também se perdera como nós ou simplesmente estava caminhando e rezando contemplando os campos verdes enfeitados de árvores enormes com folhas alaranjados de outono, verdadeiramente lindos, da região onde estávamos. Sei que nessa aventura quase chegamos à Dubrovinik. Por causa da presença do Pe.Robert pudemos assistir em inglês a uma palestra com direito a perguntas como numa entrevista sobre as aparições marianas, sobre a postura prudente da Igreja e o porquê de cada coisa. Foi mais um presente de Deus. Sem contar que este mesmo jesuíta também estivera no Congresso de jovens conosco em Roma tendo sumido no último sem ninguém saber o que tinha acontecido. Nós descobrimos.

Em Roma as noites eram livres com temas culturais e os jovens de cada continente faziam uma apresentação artística. Não precisa nem dizer que os brasileiros deram show e fizemos todo mundo dançar, cantar, louvar, sair do lugar… Foi neste Congresso que pela primeira vez ouvi os mexicanos cantarem a música ‘Los Animalitos’ que fala da Arca de Noé que anos depois o Pe.Marcelo Rossi ia traduzir e fazer o Brasil inteiro cantar.

Uma das primeiras atividades culturais que tivemos, todos os jovens do Congresso, foi visitar Assis que era ainda bem simples sem tantos aparatos turísticos que passou a ter depois da década de 90. A turma de brasileiros conseguimos sem saber direito como, celebrar uma missa em português na tumba de S.Francisco. O fato de ver seus amigos e primeiros discípulos enterrados todos juntos, ao seu redor, bem próximos me deu forte experiência de amor fraterno, do chamado ao amor fraterno sincero. Para mim além da Porciúncula, da beleza da cidade, da vista, e do sobressalto tememdo dar de cara com Francisco quando virasse a esquina daquelas ruas de pedra medievais, o convento de Clara e rezar diante do Crucifixo que falou com Francisco me marcaram a alma. Na época eu havia aprendido uma versão em inglês de uma célebre oração do Poverello e quando me ajoelhei diante do Crucifixo, estava baixei os olhos e achei a oração escrita em todas as línguas para que os peregrinos rezassem. Nem precisa dizer que eu chorei para me acabar e cantei baixinho a música que até hoje sei de cor que diz assim:

Most High and glorious God, bring light to the darkness of my heart,

give me right faith, certain hope and perfect charity,

oh Lord give insight and wisdom

so I might always discern your holy and true will

E o encontro com o Papa João Paulo II? Aconteceu ou não? Logo no segundo dia recebemos a triste notícia de que ele não poderia mais nos encontrar por causa de um sério problema no sul da Itália – creio que na Sicília, por conta da Máfia, que estava no auge daquela operação conhecida como Mãos Limpas – que o obrigaria a viajar. Todo mundo murchou. No dia seguinte, porém, mais um recado: no último dia do congresso o Santo Padre nos receberia em sua capela privada, dentro do Vaticano, para a missa das 6 horas da manhã. Quase ninguém dormiu de tanta ansiedade. Quem tinha roupa típica foi à caráter, quem não tinha, vestiu-se o melhor que pôde. Passamos por segurança e revista rigorosa, um a um, e nos sentamos numa capela linda, em silêncio, com muita reverência pelo inusitado e pelo privilégio do convite. Quase que se ouvia os corações baterem de emoção e de ansiedade para ver o santo Padre de pertinho. Ele entrou pelo lado e celebrou a eucaristia com a maior serenidade e concentração. Profunda interiorização. Não sei dizer se havia outros padres co-celebrando pois nossa atenção era toda em João Paulo II. Sei, porém, que dois jovens seminaristas de SP, que trabalhavam com o ‘Fradão’ na recuperação de adictos de drogas, foram escolhidos para servir o altar. Eles quase enfartaram de tanta alegria. Fico me perguntando onde eles estarão hoje em dia… Um se chamava irmão Wagner.

No fim da missa para a nossa surpresa e delírio, João Paulo II se levantou e antes de sair resolveu nos dirigir umas palavrinhas espontaneamente em italiano. Foi bem curtinho, mas jamais vou me esquecer de duas coisas: primeiro que ele nos disse que rezava diariamente pelos jovens do mundo todo pois sabia que nos jovens estava a esperança e o futuro da Igreja, que nós então tivéssemos certeza de que estávamos presentes em sua oração e em seu coração. Se era assim quando ele estava no mundo, deve continuar do mesmo jeito no Céu! E, em segundo lugar, o Santo Padre nos fazia um convite pessoal: se queríamos nos comprometer com ele na evangelização do mundo. Foi uníssona e audível a resposta – a essa altura já não havia mais tanto silêncio – e todos nós levantamos a mão. Foi então que alguns assessores nos distribuíram um presente pessoal do Papa: uma cruz de metal, prateada, cópia do seu báculo, que mostra Jesus como uma seta apontando para ser lançado ao mundo, que nós erguemos segurando-a firmemente na mão, selando nosso compromisso com a evangelização do mundo!

Enquanto escrevo isso sinto forte emoção e gratidão pois esta cruz me acompanha todos estes anos. Enquanto escrevo tenho-a diante dos olhos. Como me arrependo pelo tempo da minha vida que eu esqueci do meu compromisso ou deixei-o em segundo plano e como amo a Deus por Ele jamais ter me ‘demitido’ da missão! Este Ano Internacional da Juventude aconteceu há 25 anos atrás, bodas de prata portanto, e se eu pouquíssimo ou nada fiz até agora, diferentemente de outros jovens, agora adultos que têm dado sua vida na Igreja e para a Igreja, peço ao Senhor que as bodas de ouro sejam comemoradas com as mãos menos vazias…

Também preciso testemunhar que ao ouvir a longa e muito boa entrevista dada pelo Moysés, Fundador da Comunidade Shalom ao Professor Felipe Aquino na TV Canção Nova no princípio de abril deste ano, me ocorreu uma pergunta importante: se eu saberia dizer quando o carisma shalom me havia sido comunidade por graça do Espírito Santo. Fiquei seriamente em dúvida já que minha história de salvação e de missão é marcada por várias etapas, mas vejo que Deus veio em meu auxílio e ao me levar a fazer memória das Jornadas Mundiais da Juventude e ao me lembrar deste encontro e desta missa com o santo Padre, Beato João Paulo II, eu constatei e entendi que foi em Roma, em setembro de 85 que a semente do carisma foi plantada em meu espírito e de lá nunca foi arrancada porque os chamados do Senhor são irrevogáveis, porque Ele é fiel e jamais volta atrás em suas eleições.

Se eu vou a JMJ em Madri em 2011 comemorar as Bodas de Prata e testemunhar o ardor e o amor pela evangelização? Seria bom demais, mais ainda se o Carmadélio também fosse, ambos agora de cabeça branca e o coração mais jovem do que nunca, sempre de jeans… Mas fora a brincadeira, seria um sonho mas estou na mesma situação de anos atrás, quando tudo começou, precisando de um milagre. O que importa é a vontade de Deus e Ele querendo tudo pode acontecer. Que o Beato e amado Papa João Paulo II interceda nesta intenção e por estes quarentões e cinquentões que o conheceram e se comprometeram com a evangelização do mundo na JMJ. Qie ele nos ajude a cumprir até o fim aquilo que prometemos. Que ele também interceda por todos os jovens que estão se preparando para ir à Espanha sem medir esforços. Que a presença de todos os que forem seja um grito forte de amor que acorde o mundo para a realidade e presença de Jesus Cristo! Amém! Shalom! Beato João Paulo II, rogai por nós!


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* A Tecnologia ajuda ou é um “risco” para nossa percepção do sagrado?

terça-feira, abril 19th, 2011

O texto abaixo é um artigo para o importante jornal Wall Street Journal e retrata como a tecnologia está presente em muitas igrejas americanas e outras religiões.

Na Igreja Batista Metropolitana da cidade de Newark, NJ, as orações são feitas de mãos e de vozes unidas, uma Bíblia com anotações é sinal de fé e dedicação e o pastor espera uma congregação atenta. Nesse ambiente, fazer a leitura da Bíblia Sagrada no celular e tuitar partes da mensagem do pastor pode ser um pouco chamativo.

“Minha esposa algumas vezes tira o telefone de mim e coloca-o na bolsa”, diz sorrindo Wade Harris, um dos membros da igreja. “Às vezes deixo o telefone no meio da Bíblia”, completa.

“Minha esposa algumas vezes tira o telefone de mim e coloca-o na bolsa”, diz sorrindo Wade Harris, um dos membros da igreja. “Às vezes deixo o telefone no meio da Bíblia”, completa.

Já existem aplicativos que permitem tuitar versículos da Bíblia, o ajudam a encontrar Meca, ou lembrá-lo das bênçãos em hebraico sobre os alimentos. O fato é que alguns dos devotos estão abraçando de vez a tecnologia móvel. Porém, acabam desafiando as normas da prática religiosa convencional.

Eric Granata, designer gráfico que frequenta a Comunidade Frontline em Oklahoma City, carrega uma Bíblia eletrônica de bolso que vem com várias traduções, comentários, planos de leitura e opções para redes sociais. Mesmo assim, diz sentir-se sempre constrangido ao usá-la na igreja.

“Sinto que as pessoas podem pensar ‘Ei, olha esse cara mandando mensagens do celular durante o culto, que idiota. Mas eu estou lendo minha Bíblia, estou acompanhando vocês”, diz ele, rindo.

Para o Mr. Harris, que apresenta o programa de hip-hop cristão O Wade-O Radio Show, o leve desconforto vale a pena. Durante recente culto de domingo, Harris estava em um banco bem na frente de sua igreja, com a cabeça baixa. Ele não estava orando, estava escrevendo. E se você for um de seus 2.500 seguidores no Twitter, teria lido sobre o que ele estava aprendendo: “Muitas pessoas querem as bênçãos de Deus. Mas não querem a Deus. Busque-o em primeiro lugar e deixe que o resto se resolve – meu pastor”

Harris diz que suas contas no Facebook e Twitter são um testemunho de sua fé e parte de seu ministério. “Tenho um monte de amigos no Facebook e no Twitter, que talvez não vão à igreja”, diz ele. “Envio esse material para as pessoas talvez apenas como um incentivo.”

O rabino Zalman Goldstein, que desenvolveu o iBlessing, aplicativo para ajudar os judeus a se lembrar das orações que acompanham cada tipo de alimento, diz que a tecnologia móvel pode ajudar e ensinar judeus não-praticantes sobre as tradições religiosas sem estresse e com fácil acesso.

Para muçulmanos como Adil Pasha, da cidade de Mineola, NY, essa é uma conveniência moderna. Apesar desse consultor de TI ter aprendido a encontrar Meca baseando-se no nascer e no pôr do sol, às vezes sente-se perdido quando está viajando ou em ambiente estranho. Por isso, comprou e usa o aplicativo Islamic Compass [Bússola Islâmica].

“Foi um grande alívio. Você não precisa ficar tentando descobrir sozinho”, confessa, demonstrando alívio.

Especialista em religião e cultura, Rachel Wagner acredita que podemos esperar uma luta das religiões que desejam permanecer relevantes, mas sem abandonar suas crenças e tradições.

Embora algumas autoridades religiosas sejam rápidas em abraçar a tecnologia, outras têm suas reservas. Muitos temem que isso possa incentivar os fiéis a se desligar da sua comunidade religiosa ou olhar mais para os seus aparelhos que para seus líderes espirituais ou para Deus.

O Vaticano rapidamente negou que o iPhone poderia tomar o lugar de um sacerdote com o lançamento de um aplicativo para confissões, mesmo que tenha recebido licença da Igreja para imprimir textos religiosos. Um porta-voz esclareceu que os católicos podem usar o aplicativo a fim de se preparar para o sacramento. Porém, a absolvição requer um diálogo pessoal entre o padre e o penitente.

Ms. Wagner, autor do livro ainda inédito “Godwired: Religião, Ritual e Realidade Virtual”, diz que os aplicativos desafiam o papel dos líderes espirituais.

A tecnologia pode transformar a religião como a conhecemos? Serene Jones, presidente da Union Theological Seminary, em Nova York, diz que ela nunca eliminará as comunidade de fé ou o clero. Citando a invenção da imprensa como exemplo, ela diz: “Todo mundo achava que ela levaria as pessoas a uma experiência religiosa isolada, porque elas iriam para casa, sentariam em seus quartos e leriam suas Bíblias sozinhas”.

Pelo contrário, isso provocou uma “revolução” religiosa que resultou no protestantismo. “A experiência religiosa privada proporcionada pela tecnologia já vem acontecendo há muito tempo. Estamos no meio de uma transformação religiosa que pode ser positiva.

Agência Pavanews

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* Mística: “conhecimento de Deus afetivo e experimental”. Teólogo reflete sobre mística de São Paulo.

terça-feira, abril 19th, 2011

O teólogo suíço  Daniel Marguerat nos convida a entrar pela “pequena porta”, pela “porta dos fundos” do pensamento paulino: a sua mística.

Para o professor emérito de Novo Testamento da Universidade deLausanne, Suíça, e ex-pastor deIgrejas Evangélicas Reformadas da Suíça, a questão é refletir sobre de que vivia o homem Paulo em sua fé. Como ele alimentava, vivia e manifestava a sua fé pessoal?

Em primeiro lugar, afirmou, é preciso perceber como Paulo permaneceu fiel como judeu-cristão. Nas epístolas, vê-se que ele vivia uma espiritualidade mística assim como Jesus a viveu.

O ex-coordenador da Faculdade de Teologia da Universidade de Lausanne e ex-presidente da Studiorum Novi Testamenti Societas e da Federação das Faculdades de Teologia de Genebra-Lausanne-Neuchâtel abordou essas temáticas a partir dos estudos do teólogo judeu norte-americano Daniel Boyarin (A Radical Jew: Paul and the Politics of Identity, University of California Press, 1994). A partir dessa obra, Marguerat desenvolveu quatro pontos centrais ao longo do último dia do curso: os traços da mística de Paulo em suas cartas; a definição do que é mística; como a espiritualidade de Paulo se insere na mística; e como Paulo subverte a mística a partir do conceito de mística de Cristo, em contraponto à mística de Deus.

Partindo de uma definição generalista de mística como “consciência imediata da presença do divino”, Marguerat, então, ofereceu alguns pontos mais aprofundados do que podemos entender como a experiência do sagrado em Paulo. Em primeiro lugar, a partir de São Tomás de Aquino, mística é “cognitio Dei affectiva seu experimentalis”, ou seja, um conhecimento de Deus afetivo e experimental.

Paulo, o místico

Os traços presentes nas epístolas sobre a mística de Paulo referem-se principalmente a também quatro elementos.

O primeiro é, segundo Marguerat, que Paulo fala línguas, um fenômeno conhecido como glossolalia. É uma manifestação e “invasão” do divino em sua pessoa, o que provoca uma linguagem desarticulada, também descrita como “língua dos anjos” (I Co 13, 1).

Porém, em Paulo, a glossolalia requer uma interpretação em linguagem compreensível, e, por isso, o apóstolo a subordina à profecia, a submete a uma finalidade: a compreensão e o proveito de todos. “Aquele que fala línguas edifica-se a si mesmo, ao passo que aquele que profetiza edifica a assembleia. Eu desejo que todos vós faleis línguas, mas prefiro que profetizeis” (I Co 14, 4-5). A finalidade é comunitária, para a edificação de todos, afirmou Marguerat. “Em uma assembleia, porém, prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência para instruir também os outros, que dizer dez mil palavras em línguas” (I Co 14, 19).

Mas, segundo o teólogo, Paulo vai além, subvertendo a concepção da glossolalia como uma elevação da linguagem humana à linguagem angélica. O que ocorre, segundo Paulo, é, ao contrário, o Espírito que desce às profundezas das fragilidades humanas, auxiliando o fiel a pedir sua salvação, junto com toda a criação, por meio de “gemidos inexprimíveis” (Rm 8, 26). Assim, afirmou Marguerat, a glossolalia não é mais um movimento místico ascendente, mas sim descendente: eis a subversão paulina.

Outra característica da mística paulina são os “sinais, prodígios e atos de poder”, ou seja, os “sinais do verdadeiro apóstolo” (II Co 12, 12) enquanto “curador carismático”, seus atos de cura e de exorcismo, explicou Marguerat, que estão ligados ao seu arrebatamento ao “terceiro céu” (II Co 12, 2-9), o lugar do paraíso para a tradição mística judaica. Caberia ler todo o trecho citado, como fez Marguerat no curso, pois aí se percebe o núcleo da experiência extática de Paulo, a dissociação do corpo, o distanciamento do “eu”, o arrebatamento aos céus e a consequente alteração do sujeito.

Mas essa experiência de arrebatamento não é concebida como uma performance bem executada, ou que ocorre pelo bom desempenho místico de Paulo: Deus se revela na fragilidade (”é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder”, v.9). Aí encontra-se, segundo Marguerat, a relação daquilo que chamou de “mística do sofrimento” com a teologia da cruz: se Deus revela a sua força no corpo perdido de seu Filho na cruz, ele também revela a sua força no corpo frágil da testemunha. E essa contra-experiência de arrebatamento celeste em Paulo é demarcada pelo “espinho na carne” (v.7), ou seja, a experiência mística se manifesta não mais no céu, mas na terra, na existência carnal do apóstolo.

Por último, explicou Marguerat, Paulo tem “visões e revelações” (II Co 12, 1) sobre o Senhor, como no caminho de Damasco, que são fundamentais para a sua vocação apostólica. O teólogo analisou o trecho de Ga 2,19-20, em que Paulo interpreta a experiência de Damasco. Nesse trecho, o apóstolo afirma: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim”. Marguerat, então, citou Keiji Nishitani, pensador japonês, que questionou: se não é Paulo que fala aqui (já que “não sou eu que vivo”), quem fala então? Aí manifesta-se, afirmou Marguerat, a profundidade da experiência mística de Paulo: a mudança, a dissolução do sujeito, do “eu” paulino. Agora, Cristo é o novo sujeito de Paulo.

Mas, além disso, ocorre uma nova subversão: aquilo que Marguerat chamou de “democratização da mística”: na mesma carta aos cristãos da Galácia, nos versículos imediatamente anteriores, Paulo usa o pronome “nós”. Portanto, a experiência mística vivenciada por Paulo não é um acontecimento exclusivo do apóstolo, mas reveste-se mais amplamente da assinatura de toda a comunidade cristã. Gera-se uma comunhão mística.

Mística da Paixão

Para Marguerat, o que se percebe mais profundamente na experiência espiritual paulina é o que ele chamou de “mística da Paixão”, ou seja, a comunhão com Cristo no sofrimento (”fui morto na cruz com Cristo”, diz o apóstolo em Ga 2, 19). Por meio do sofrimento da cruz – “que não tem nenhuma virtude em si mesmo”, esclareceu Marguerat, distanciando-se de qualquer concepção dolorista ou masoquista da morte de Cristo –, revela-se a face incontornável do poder de Deus. A cruz subverte o imaginário de um Deus onipotente e revela um Deus que se manifesta no silêncio de uma morte solitária. Como diz o apóstolo aos cristãos de Corinto, “para aqueles que se salvam, para nós, [a cruz] é poder de Deus”. Assim como em Cristo, sua miséria humana, sua fragilidade, seu corpo fraco, portanto, tornam-se o lugar da manifestação de Deus.

Assim, em suma, encerrou Marguerat, Paulo foi, sim, um místico, assim como também foram místicos o próprio Jesus, Estevão, o protomártir, Filipe, o evangelista, João, o vidente do Apocalipse. Mas sua originalidade, afirmou, está em interpretar sua experiência mística a partir de uma teologia da cruz, como uma radical encarnação do divino.

(Por Moisés Sbardelotto)

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* Irmãs protegem irmãos de depressão, demonstra estudo.

terça-feira, abril 19th, 2011

Science News

Trata-se de um entre vários fatores intrigantes em um novo estudo sobre o impacto que irmãos tem um sobre o outro. A professora Laura Padilla-Walker da Brigham Young University é a autora principal da pesquisa, que também trabalha com a influência de irmãos e a influência de pais sobre as famílias.

“Mesmo depois que você constata a influência dos pais, irmãos tem importância única”, disse Padilla-Walker, “Os irmãos oferecem às crianças algo que os pais não podem oferecer.”

A pesquisa de Padilla-Walker é resultado do projeto “Famílias Que Desabrocham” e que irá aparecer na edição de agosto do Journal of Family Psychology. O estudou abrangeu 395 famílias com mais de um filho, e com pelo menos um adolescente entre 10 e 14 anos de idade. Os pesquisadores reuniram grande quantidade de informações sobre a dinâmica de cada família e fizeram, um ano mais tarde, um acompanhamento.

As análises estatísticas mostraram que o fato de ter uma irmã protegia / impedia os adolescentes de sentirem-se sós, sem amor, culpados, preocupados consigo mesmos e temerosos. Não importava se a irmã era mais velha ou mais nova e a distância entre as idades.

Irmãos também eram importantes. O estudo constatou que ter um irmão próximo de qualquer dos dois sexos, promove boas atitudes. Na verdade irmãos que se amam criavam procedimentos de caridade mais até do que pais. O relacionamento entre a afeição e os bons atos de irmãos era duas vezes mais forte que entre pais e boas ações.

“Para os pais de crianças mais novas a mensagem é que devem estimular afeto entre irmãos” disse Padilla-Walker. “Assim que eles chegarem na adolescência isto será um enorme fator de proteção.”

Muitos pais, justificadamente preocupam-se com o que parecem ser eternas brigas entre irmãos. O estudo realmente descobriu a relação entre muita hostilidade e futura delinquencia juvenil. Mas ainda assim Padilla-Walker também vê o positivo do caso: as brigas dão às crianças a chance de aprender como parar e recuperar controle de suas emoções, habilidades que ajudam na vida. “A ausência de afeto parece ser um problema muito maior que altos níveis de conflito,” Padilla-Walker disse.

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