Por Arquivo junho, 2011

* Maconha: Enquanto isso a Holanda quer acabar com venda livre nos coffeeshops.

quinta-feira, junho 30th, 2011

http://opiniaoenoticia.com.br/wp-content/uploads/coffee-shop.jpg

O mito da tolerância holandesa pode ter se esvaído nos últimos anos, mas o país ainda celebra seu liberalismo social.

A prostituição é legal, drogas suaves estão disponíveis para nativos e turistas, e a Holanda se orgulha de ter aberto o caminho para o casamento gay.

Mas uma dessas tradições pode estar com os dias contados. Em um processo que ainda está em desenvolvimento, os coffee shops holandeses nos quais a maconha é vendida livremente para o consumo pessoal, podem, em breve, se tornar clubes fechados.

Novas regras governamentais podem forçar os 660 coffee shops a se tornarem clubes restritos a membros, com rígidos procedimentos de inscrição, limitados apenas a residentes do país. O governo diz que a nova política é uma tentativa de conter a “inconveniência” de turistas, de combater o crime organizado. As medidas serão introduzidas inicialmente nas províncias do sul, que recebem a maior concentração de turistas da maconha, e o governo espera estabelecer as diretrizes para a mudança na política oficial que deve ser debatida no Parlamento em setembro.

De acordo com Derrick Bergman, chefe da VOC, um grupo de lobistas que luta pela legalização da maconha, a aprovação das diretrizes pode significar “o fim dos coffee shops como os conhecemos”, o que afetaria mais do que o sucesso do país como um destino de viajantes ou uma reversão de um mercado da maconha avaliado em centenas de milhões de euros.

Bergman teme a chegada de uma nova criminalidade, como o comércio ilegal de registros de membros ou a venda de drogas nas ruas, que poderiam aumentar a exposição a drogas mais pesadas.

As diretrizes podem não sobreviver a um desafio legal. Um precedente em potencial foi iniciado pelo dono de um coffee shop de Maastricht, uma cidade do sul da Holanda, contra uma decisão anterior do prefeito da cidade, que tentou impor um sistema de registros e limitar o comércio aos residentes da cidade.

Depois de batalhas em tribunais holandeses e europeus (que permitiram uma aparente brecha do mercado único no campo da saúde), o caso está sendo analisado pelo Conselho de Estado, a instituição mais alta na justiça holandesa, e a decisão irá afetar a legalidade no regime planejado para os coffee shops.

O governo holandês é comandado por liberais e apoiado por um partido de extrema-direita que afirma que o islã é incompatível com valores democráticos liberais. Recentemente, o governo tentou (e não conseguiu) regular a prostituição por meio de um sistema de passes.

A natureza do liberalismo holandês certamente está mudando.

The Economist – “Closed shops”

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* Pastoral social católica sem A FÉ católica? Contradição que esvazia a verdade que se expressa na caridade aos necessitados.

quinta-feira, junho 30th, 2011

National Catholic Reporter.
Uma parte da vida eclesial que está experimentando tensões de identidade nestes dias são as instituições de caridade católicas, e uma nova prova disso veio em um discurso proferido na terça-feira passada pelo arcebispo de Denver, Charles Chaput, à Associação Nacional dos Trabalhadores Sociais Católicos dos EUA. Em uma forma tipicamente clara, Chaput ofereceu um sinal desde o início: “Se o nosso trabalho social não for profunda, confiante e explicitamente católico em sua identidade, então devemos parar de usar a palavra ´católico´”, disse ele. “É simples assim”.
Chaput advertiu que “um novo tipo de Estados Unidos está emergindo no início do século XXI”, um tipo que ele acredita que será muito menos amigável para a fé religiosa. Nesse ambiente, afirmou, “ninguém na obra social católica pode se dar ao luxo de ser indiferente acerca de sua fé”.
Especificamente, Chaput insistiu no fato de que as instituições de caridade católicas “têm o dever de encarnar fielmente as crenças católicas sobre o casamento, a família, a justiça social, a sexualidade, o aborto e outras questões importantes”. Chaput admitiu que as instituições de caridade católicas não são obrigadas a fazer proselitismo, e que pode haver razões prudenciais sólidas, em dadas circunstâncias, para não se falar abertamente sobre questões de fé.
Além disso, ele disse que não há nenhum método especificamente cristão para as obras de caridade, e que os ministérios católicos deveriam aprender com o melhor que as ciências sociais têm a oferecer.
Dito isto, Chaput oferecidos nove ideais para as instituições de caridade católicas:
“Todo ato da obra social da Igreja deve funcionar fielmente dentro da missão e das estruturas da diocese local, com respeito especial pelo papel do bispo.”
“Todo ministério social católico (…) deve permitir a possibilidade de professar verbalmente o Evangelho, dentro do permitido pela prudência.”
“Nenhum trabalhador das instituições de caridade católicas deve se engajar em proselitismo coercitivo.”
“Todo ministério social católico deve insistir nas melhores habilidades profissionais e deve usar o melhor meio profissional – desde que essas habilidades e meios reflitam a verdade do ensino moral católico.”
“Toda instituição de caridade e organizações católicas similares devem sempre oferecer oportunidades para a oração aos funcionários e voluntários.”
“Todo ministério social católico deve testemunhar a verdade de Jesus Cristo à comunidade em geral, incluindo os direitos dos pobres, dos sem-teto, dos deficientes, dos imigrantes e do nascituro.”
“Toda organização de caridade católica deve procurar aprofundar uma conscientização do ensino social católico.”
“O trabalho social católico deve envolver tanto um alcance eficaz aos indivíduos que lutam com a pobreza, quanto uma crítica franca das causas estruturais da pobreza, por meio das lentes do ensino social católico.”
“Os ministérios sociais católicos devem acolher as oportunidades para trabalhar com outros indivíduos, grupos e entidades sociais, mas também permanecer alertas ao risco de que essa cooperação pode facilmente transformar as organizações católicas em subcontratantes de grandes doadores – doadores com uma antropologia muito diferentes e, portanto, noções do autêntico desenvolvimento humano muito diferentes”.
Resumindo o espírito do seu discurso, Chaput encerrou com uma anedota sobre a romancista católica Flannery O´Connor. Segundo Chaput, ela estava uma vez em um jantar com um colega escritor que exaltava o belo simbolismo da Eucaristia. O´Connor supostamente respondeu: “Bem, se é um símbolo, ao inferno com ele!”.
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* Ghost-writer* do Papa por um dia. Vai encarar?

quinta-feira, junho 30th, 2011

* O que é exatamente um ghost writer? Ghost writer (escritor fantasma, em português) é a expressão inglesa que designa o profissional de alto nível especializado em prestar serviços de redação de textos a outras pessoas que não têm tempo ou não têm jeito para escrever.

Claro que aqui não existe nenhuma associação com “espíritos” desencarnados. O termo “fantasma” é técnico e é assim que dever ser entendido no contexto do artigo.

***

Vatican Insider

A Fundação Konrad Adenauer está lançando um concurso. O prêmio é uma passagem para assistir ao discurso do Papa Ratzinger, o verdadeiro, no Parlamento alemão (foto).

Você já sonhou em escrever um dos discursos do papa? Se você está entre os leitores doVatican Insider, não é improvável que, uma vez ou outra, você tenha pensado: “Eu teria dito isto ou aquilo”.

Agora, a Fundação Konrad Adenauer oferece a todos a possibilidade de vestir o papel de ghost writer papal e escrever o que Bento XVI deveria dizer ao Parlamento alemão, quando visitar a Alemanha em setembro próximo.

No país de nascimento de Joseph Ratzinger, o debate sobre a futura visita já começou, e a diretora do escritório de Roma da Fundação, Katja Plate, pensa que essa será uma boa ocasião para “se preparar com empenho” para a visita.

Por outro lado, explicou à Rádio do Vaticano, “quando uma pessoa querida vem de visita, normalmente nos preparamos. Como preparação de tipo intelectual, lançamos esse concurso”.

O convite a se improvisar como ghost-writer do papa por um dia é dirigido especialmente às faculdades teológicas das universidades alemãs, mas qualquer pessoa pode apresentar ideias e propostas. Mas, advertem os organizadores, serão avaliadas apenas as propostas que correspondem à teologia, à forma e ao conteúdo do pensamento do papa.

Quem julgará as propostas serão, em primeiro lugar, a própria Plate e os seus colaboradores da Fundação. Os discursos que passarem pela sua seleção serão depois submetidos a professores, jornalistas e autoridades do Vaticano. Por fim, será o ex-secretário pessoal de Joseph Ratzinger, monsenhor Josef Clemens, que irá escolher o vencedor entre os três ou quatro melhores discursos.

O prêmio para o vencedor será a oportunidade de assistir pessoalmente ao discurso doPapa Ratzinger – o real, escrito pelo próprio punho – no Reichstag, no próximo dia 22 de setembro.

Para quem quiser tentar, o prazo para apresentar seu discurso é o próximo dia 26 de agosto: máximo de 4-5 páginas em formato A4, em alemão, naturalmente. Mais informações, aqui.

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* Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e Aliança Evangélica Mundial (WAE) lançam documento histórico.

quinta-feira, junho 30th, 2011

“Testemunho cristão em um mundo multirreligioso. Recomendações de conduta”: é o título do documento elaborado pelas três principais organizações cristãs para definir os princípios e um código de conduta comum na profissão e no testemunho da fé cristã em um mundo onde as tensões religiosas estão crescendo.

O resultado de cinco anos de trabalho e diálogo ecumênico, o documento de cinco páginas foi apresentado em Genebra pelos mais altos representantes do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e pela Aliança Evangélica Mundial (WAE).

Um momento “histórico”, foi dito pelos presentes. As três entidades incluem, de fato, católicos, anglicanos, protestantes, ortodoxos, evangélicos, as Igrejas pentecostais e independentes. Juntas representam cerca de 90% dos cristãos no mundo inteiro.

Mas o que diz o documento? Para o presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso da Igreja Católica Romana, Cardeal Jean-Louis Tauran,a mensagem cristã deve ser proclamada, “jamais imposta”. E é assim que o documento enfatiza que a conversão pertence ao Espírito Santo e que “o testemunho cristão num mundo pluralista inclui o diálogo com pessoas de diferentes religiões e culturas”.

O texto reafirma o princípio da liberdade de religião, que inclui o “direito de professar publicamente, propagar e mudar de religião”. O documento contém doze princípios do testemunho cristão – incluindo a referência ao exemplo de Jesus Cristo, a rejeição da violência e o respeito – e seis recomendações.

Os cristãos são, por exemplo, chamados a rezar por todos, a construir relações de respeito e confiança com as pessoas de outras religiões e reforçar a sua identidade e fé religiosa.

As recomendações de conduta foram desenvolvidos durante uma série de reuniões, a primeira das quais realizada em Lariano na Itália em 2006, seguida por outra em Toulouse, na França, em 2007, e o último encontro Bangcoc, em de janeiro passado.

Rádio Vaticano

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* Conversão: Obra sobrenatural da graça divina na vida de um judeu, Afonso Ratisbonne.

quinta-feira, junho 30th, 2011

Um dos fenômenos mais específicos da vida religiosa é o da conversão interior, espiritual, que para ser autêntica e sincera só pode acontecer pela graça de Deus.

É precisamente por causa disto que a conversão religiosa não é suscetível de uma explicação das ciências físicas. Os tentativos de dar uma explicação por vias psicológicas que deliberadamente abstraem do fator divino jamais produziram algo convincente ou concludente.

Tal vez a conversão do hebreu banqueiro Afonso Ratisbonne(foto) seja uma das mais rumorosas dos últimos séculos. Seu caso é digno de especial análise pois foi acompanhado muito de perto por várias pessoas qualificadas para descrevé-la.

Um jovem judeu, de uma família de banqueiros de Estrasburgo, de notável projeção social pelas riquezas e pelo parentesco com os banqueiros Rothschild, pelo meio-dia do dia 20 de janeiro de 1842, caminhava despreocupado, na aparência, por uma rua do centro histórico de Roma.

Seu nome era Afonso Ratisbonne.

Seu irmão mais velho, Teodoro, em 1827 converteu-se ao catolicismo e se fez sacerdote, rompendo com a família. As esperanças dos Ratisbonne se concentraram então em Afonso, nascido em 1814.

Ele completara o curso de Direito e pensava em casar com uma jovem judia. Contava 27 anos e, antes de casar, fez uma viagem pela Itália e pelo Oriente.

Afonso era judeu de religião, embora não praticante, e nutria pela Igreja Católica entranhado ódio, sobretudo pelo ressentimento da família por causa da conversão do primogênito. Ele dizia que se algum dia mudasse de religião far-se-ia protestante, jamais católico.

Em Roma, visitou por curiosidade cultural algumas igrejas católicas, e saiu mais consolidado em seu anticatolicismo.

Encontrou também um antigo colega seu, de nome Gustavo de Bussières. Gustavo era protestante e tentava convencer Afonso de suas convicções religiosas, porém sem sucesso.

Na casa de Gustavo, Afonso conheceu um irmão deste, o Barão Teodoro de Bussières, havia pouco convertido ao catolicismo e amigo íntimo do Pe. Teodoro Ratisbonne. Tudo isso o tornava sumamente detestável aos olhos de Afonso.

Na véspera de sua partida da Cidade Eterna, Afonso foi deixar um cartão de visitas na casa do Barão, como ardil de despedida e assim evitar um encontro.

Porém, o criado italiano do Barão não entendeu o francês e o fez entrar no salão. Na conversa, o Barão procurou atraí-lo para a Fé católica. Conseguiu apenas, e com muita dificuldade, que Afonso Ratisbonne aceitasse uma Medalha Milagrosa e prometesse copiar o “Lembrai-Vos”, bela oração a Nossa Senhora.

O judeu não cabia em si de raiva, pela ousadia das iniciativas do Barão, mas resolveu tomar tudo com civilidade. Ele pensava escrever um livro com o relato da viagem onde o Barão seria um personagem singular.

A 18 de janeiro, faleceu em Roma um amigo íntimo do Barão de Bussières, o Conde de La Ferronays, ex-embaixador da França junto à Santa Sé e homem de grande virtude e piedade.

Na véspera da morte, La Ferronays conversou com Bussières sobre Ratisbonne e rezou cem vezes o “Lembrai-Vos” por sua conversão, a pedido de Bussières.

Esses eram os antecedentes em volta de Afonso Ratisbonne naquele dia 20 de janeiro.

Mas, eis que na rua encontra o Barão de Bussières que estava indo para a Igreja de Sant’Andrea delle Fratte para combinar as exéquias do falecido conde de La Ferronays.

Ratisbonne decidiu acompanhá-lo, mas de mau humor, criticando violentamente a Igreja e zombando das coisas católicas.

Na igreja, o Barão entrou brevemente na sacristia para tratar do assunto das exéquias.

Afonso ficou percorrendo uma das naves laterais, impedido que estava de passar para o outro lado da igreja, pelos preparativos em curso para as exéquias do Conde na nave central.

E eis o que aconteceu segundo o diário do próprio Barão Teodoro de Bussières:

Quinta-feira, 20 de janeiro de 1842:

Ratisbonne não deu sequer um passo rumo à verdade, sua vontade permanece como sempre, ele não deixa de ridiculizar tudo e parece se importar somente das coisas terrenas. Perto do meio-dia ele entrou em um café na Piazza di Spagna para ler os jornais.

Lá ele encontrou o meu cunhado, Edmund Humann, eles conversaram sobre as notícias do dia, com uma irreverência e uma facilidade que excluía qualquer preocupação séria.

Parece que a Providência queria dispor as coisas de modo a excluir até a possibilidade de dúvida quanto ao estado de espírito de Ratisbonne pouco antes de a graça inesperada de sua conversão.

Cerca de meio-dia e meia, saindo do café, ele encontrou seu amigo de escola, o barão A. de Lotzbeck e começou a conversar com ele sobre os assuntos mais frívolos.

Ele falou da dança, do prazer, da esplêndida festa dada pelo príncipe T. Em verdade, se alguém tivesse dito a ele naquele momento: dentro de duas horas você vai ser católico, ele certamente o teria julgado louco.

Por volta de uma hora. Eu tinha de combinar algumas coisas na igreja de S. Andrea delle Fratte para a cerimônia fúnebre do dia seguinte. Mas encontrei Ratisbonne descendo pela Via Condotti.

Ele aceitou vir comigo, iria me aguardar alguns minutos e, em seguida, iríamos passear juntos. Entramos na igreja. Ratisbonne percebeu os preparativos para um funeral, e perguntou para quem seria feito.

“Para um amigo que acabo de perder, e que eu amava muito, M. de Laferronnays”, respondi.

Ele então começou a andar pela nave e seu olhar frio e indiferente parecia dizer: “Esta é certamente uma igreja muito feia.” Deixei-o do lado da epístola na igreja, à direita de um pequeno compartimento destinado a receber o caixão, e fui para o mosteiro.


Busto de Ratisbonne lembra a conversão milagrosa

Eu tinha apenas algumas palavras para dizer a um dos frades, porque eu queria uma tribuna preparada para a família do falecido. Eu me demorei não mais do que 10 ou 12 minutos.

Quando voltei para a igreja, de início não achei Ratisbonne. Mas logo o vi ajoelhado em frente ao altar lateral de São Miguel Arcanjo. Fui até ele, toquei-lhe três ou quatro vezes sem que ele percebesse minha presença. Finalmente, ele se virou para mim, o rosto banhado em lágrimas, com as mãos juntas, e me disse com uma expressão que nenhuma palavra vai render: “Oh, como este senhor [M. de Laferronnays] orou por mim!”

Fiquei petrificado de espanto, naquele momento senti aquilo que as pessoas sentem na presença de um milagre. Eu levantei Ratisbonne, acompanhei-o, ou melhor, quase o levei para fora da igreja, e perguntei-lhe qual era o problema, e onde ele queria ir.

“Leva-me onde quiserdes”, respondeu ele, “depois que eu vi, eu obedeço”.

Insisti para que me explicasse o que queria dizer, mas não conseguia por causa de uma emoção forte demais. Ele tirou de seu peito a Medalha Milagrosa, e a cobriu de beijos e lágrimas. Eu tentei trazê-lo de volta para si, e não obstante as minhas insistentes perguntas, não recebia dele senão exclamações interrompidas por soluços:

“Oh, como eu sou feliz! Oh, como é bom o Senhor! Que plenitude de graça e felicidade! Como é lamentável o lote daqueles que não sabem!” Então ele começou a chorar ao pensar em hereges e descrentes.

Finalmente, ele se perguntou se não estava louco. “Mas não”, acrescentou ele, “eu estou em meu perfeito juízo. Meu Deus, meu Deus, eu não estou louco, não. Todo mundo sabe que eu não sou louco!”

Quando a delirante agitação foi se acalmando, com um olhar sereno e eu diria quase transfigurado, Ratisbonne estendeu seus braços em volta de mim e me abraçou, me pediu para levá-lo a um confessor; queria saber quando ele poderia receber o Santo Batismo sem o qual ele não podia viver, suspirava de felicidade pelos mártires, cujos tormentos ele tinha visto retratados nas paredes da igreja de S. Stefano Rotondo.

Ele me disse que não poderia dar explicação alguma sem a permissão de um padre, “porque aquilo que eu tenho a dizer”, acrescentou, “é algo que não posso dizer nem devo dizer senão de joelhos”.

Levei-o imediatamente à igreja do Gesù para ver o Pe. Villefort, que he pediu para se explicar. Então Ratisbonne, estendeu a medalha, beijou-a, mostrou-nos, e exclamou: “Eu a vi, eu a vi!”

E a emoção voltou a embargá-lo. Mas logo ele recuperou a calma e se exprimiu nestes termos:

Eu passei um breve tempo na igreja, quando de repente eu senti uma agitação de espírito indescritível. Ergui os olhos: diante de mim o prédio todo tinha desaparecido, só tinha uma capela, por assim dizer, onde se concentrou toda a luz. E no meio desse esplendor apareceu para mim em pé sobre o altar, grande, cheio de majestade e de doçura, a Virgem Maria, tal como ela é representada na minha Medalha.

Uma força irresistível me atraiu para ela. A Virgem me fez sinal com a mão que deveria ajoelhar e, em seguida, ela parecia dizer: assim esta bem! Ela não falou uma palavra, mas eu entendi tudo.

Ratisbonne fez esta breve narração parando com freqüência como para tomar fôlego e reprimir a emoção que tomava conta dele. Ouvimos com uma reverência sagrada, misturada com alegria e gratidão, maravilhados com a profundidade das vias do Senhor e os tesouros inefáveis de Sua misericórdia.

Uma frase nos impressionou mais do que as outras pela profundidade do mistério: “Ela não falou uma palavra, mas eu entendi tudo”.

Afonso Ratisbonne tornou-se sacerdote e apóstolo da conversão dos judeus

Aliás, agora basta ouvir a Ratisbonne. A fé católica emana de seu coração como um perfume precioso do vaso que a contém, mas não pode confiná-la. Ele falou da Presença Real como um homem que acreditava que com toda a energia de seu ser, mas a expressão é muito fraca, ele falava como aquele que teve uma percepção direta.

Ao deixar o Padre Villefort, fomos dar graças a Deus, em primeiro lugar em Santa Maria Maggiore, nossa cara basílica da Santíssima Virgem, e depois na de São Pedro.

É impossível transmitir uma idéia do transporte de Ratisbonne quando esteve nessas igrejas.

“Ah”, dizia ele, apertando minhas mãos, “agora eu entendo o amor dos católicos por suas igrejas, e a devoção que os leva a embelezá-las e adorná-las! Como é bom estar aqui! Querer-se-ia nunca deixá-las! Aqui não estamos mais na terra, é o vestíbulo do céu …”

Diante do altar do Santíssimo Sacramento, a Presença Real de Jesus o impressionava de tal maneira que ele ficaria quase fora de si se não fosse afastado logo e levado para longe. Ficava aterrorizado pela idéia de comparecer perante o Deus vivo maculado como estava pelo pecado original. Apressou-se a se refugiar na capela da Virgem.

‒ “Aqui”, ele me disse: “não posso ter medo. Sinto-me sob a proteção de uma misericórdia ilimitada”.

Ele rezou com grande fervor diante do túmulo dos santos Apóstolos. A história da conversão de Paulo, que eu lhe narrei, o fez derramar lágrimas abundantes.

Ele ficou admirado pelo poderoso afeto, aliás póstumo, para usar sua própria expressão, que o unia a M. de Laferronnays, e pretendia passar a noite ao lado de seus restos mortais, pois, dizia ele, este era seu dever imposto pela gratidão. Mas o padre Villefort, vendo que ele estava exausto de fadiga, contrariando este desejo piedoso, aconselhou-o prudentemente a não permanecer além das 22 horas.

Em seguida, Ratisbonne nos disse que na noite anterior não havia sido capaz de dormir, que ele tinha sempre diante dos olhos uma grande cruz, de uma forma peculiar, sem a imagem de Cristo que ficava constantemente diante dele.

‒ “Eu fiz”, disse ele, “esforços incríveis para afastar essa visão, mas todos foram infrutíferos”.

Algumas horas depois, observando casualmente o reverso da Medalha Milagrosa, ele reconheceu a mesma Cruz!

Enquanto isso, eu estava muito impaciente querendo voltar a ver a família Laferronnays. Eu levava notícias consoladoras para eles no momento em que se despediam dos restos venerados daquele que eles choravam.

Entrei na câmara mortuária em um estado de agitação, quase se poderia dizer de alegria, que chamou a atenção de todos os presentes porque compreenderam que eu tinha algo gravemente importante para comunicar. Todos eles me acompanharam até uma sala adjacente, e eu às pressas relatei o acontecimento.

Eu tinha trazido boas novas do Céu. As lágrimas de dor em um momento foram transformadas em lágrimas de gratidão. Aqueles pobres corações aflitos podiam agora suportar com perfeita resignação cristã o mais cruel dos sacrifícios que cobra a morte, o último adeus aos restos daquele que eles tinham amado…

Mas eu estava ansioso para voltar a ver o filho que o Céu tinha acabado de me dar. Ele me implorou para não deixá-lo sozinho porque precisava de um amigo em cujo coração derramar as profundas emoções daquele dia.

Perguntei-lhe uma e outra vez as circunstâncias da visão milagrosa. Ele próprio não sabia explicar como ele passou do lado direito da igreja para a capela que está à esquerda, sendo que entre a capela e o local onde estava se encontravam os preparativos para o serviço fúnebre.

Tudo o que ele sabia era que se viu de repente de joelhos, prostrado diante desse altar.

De início, ele pôde ver claramente a Rainha do Céu em todo o esplendor de sua beleza imaculada, mas seu olhar não conseguiu suportar o brilho daquela luz divina.

Três vezes ele tentou olhar mais uma vez a Mãe de Misericórdia, e três vezes só foi capaz de elevar seus olhos até suas mãos abençoadas, a partir das quais brotava uma torrente de graças em forma de feixes luminosos.

‒ “Ó meu Deus”, exclamou ele, “mas eu, que meia hora antes estava blasfemando ainda! Eu, que sentia um ódio tão violento contra a religião católica!… Mas todos os que me conhecem sabem muito bem que, humanamente falando, eu tinha os mais soberbos motivos para continuar a ser um judeu… Minha família é judaica, minha noiva é judia, meu tio é um judeu… Ao me tornar católico, eu rompo com todos os interesses e todas as esperanças que tenho na terra e, entretanto, eu não sou louco, vê-se claramente que eu não sou louco, que eu nunca fui louco! Portanto, devem acreditar em meu testemunho”.

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* Piedoso Jesus, tende piedade de todos nós e tira o pecado do mundo!

quinta-feira, junho 30th, 2011

Pie Jesu (Tradução)

Piedoso Jesus, piedoso Jesus,
piedoso Jesus, piedoso Jesus
Que tirais o pecado do mundo
Dá-lhes a paz, dá-lhes a paz
Piedoso Jesus, piedoso Jesus,
piedoso Jesus, piedoso Jesus
Que tirais o pecado do mundo
Dá-lhes a paz, dá-lhes a paz
Cordeiro de Deus, Cordeiro de Deus,
Cordeiro de Deus
Que tirais o pecado do mundo
Dá-lhes a paz, dá-lhes a paz
Dá-lhes a paz
Eterna
Dá-lhes a paz
Eterna
Paz
Eterna

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* O Milagre e o ceticismo do homem do século XXI.

quinta-feira, junho 30th, 2011

Milagre do sol em Fátima, visto por milhares de pessoas.

Mario Pappagallo- Corriere della Sera

Uma pílula fingida pode reduzir as dores crônicas, a asma, a pressão alta, as doenças do coração? Sim. É o efeito placebo. Um “milagre” laico, justamente para não confundir muito as ideias em um momento de beatificações. A eficácia está em crer em um fármaco, não sabendo que, na realidade, não há fármaco. E, se os resultados existem, não se pode falar de sugestão, visto que, nos experimentos, nem os médicos sabem o que estão administrando.

À parte do efeito placebo, não é raro que o prognóstico infausto de uma doença incurável se revele, inexplicavelmente, errado nos modos e nos tempos. Nas histórias de importantes oncologistas, sente-se ainda o espanto dos seus pacientes que, depois de anos, ainda convivem com o seu tumor enquanto não deveriam ter vivido mais do que alguns meses. Casos de remissões espontâneas, inexplicáveis diante da ciência, por ainda não serem interpretáveis com base nos conhecimentos atuais.

Un miracolo nella mia vita [Um milagre na minha vida] (Ed. Sperling & Kupfer), de Margherita Enrico, examina exatamente os testemunhos de “condenados pela ciência, salvos pela fé: histórias de curas impossíveis”. Uma homenagem à beatificação deJoão Paulo II.

Margherita Enrico, jornalista e escritora, conheceu o papa polonês juntamente com o Prêmio Nobel de Medicina Luc Montagnier, ateu. Uma coincidência? Talvez não. Montagnier comenta: “O livro de Enrico fala de curas extraordinárias não explicadas pela ciência. Curas de natureza misteriosa como os milagres que ocorrem em Lourdes, e dos quais eu sempre me interessei, até a estudá-los. Nesse sentido, considero que, quando um fenômeno é inexplicável, e é confirmada a sua boa-fé, não adianta negá-lo.

Muitos cientistas cometem o erro de rejeitar aquilo que não compreendem, mas eu não compartilho essa atitude e cito muitas vezes as palavras do astrofísico Carl Sagan: a ausência de prova não é prova de ausência”.

Muitos cientistas que não acreditam nas curas milagrosas costumam repetir muitas vezes uma frase de Felix Michaud: “Creria nos milagres só se me demonstrassem que uma perna amputada cresceu de novo. Mas isso não aconteceu e nunca vai acontecer”. Mas a resposta a Michaud vem de Vittorio Messori, em seu livro Il miracolo.

Messori relata nos mínimos detalhes o excepcional crescimento de um membro amputado de um jovem agricultor. “Recrescimento” ocorrido em um vilarejo de Aragão em 1640.

Em Calanda, relata Messori, na noite do dia 29 de março de 1640, ao jovem Miguel Juan Pellicer, reapareceu de repente a perna direita, amputada mais de dois anos antes no hospital de Saragoça, depois de um acidente. O fato ocorreu por intercessão de Nossa Senhora do Pilar, venerada em Saragoça.

O prodígio da perna teria sido atestado depois de apenas três dias por um protocolo de cartório e depois por um processo eclesiástico, com dezenas de testemunhas oculares. Conhecidos, médicos, sacerdotes, todos confirmam que, sim, trata-se justamente de Miguel, que tinha antes uma perna cortada e agora a tinha novamente no lugar: um pouco contraída nos primeiros dias, mas depois igual à de antes.

Até com as mesmas cicatrizes e um sinal vermelho circular debaixo do joelho, onde havia sido operada a “solda” milagrosa. O evento era conhecido em toda a Europa, e Pellicer se dirigiu até a uma audiência em Madri, pelo rei Filipe IV, que quis beijar a perna restituída.

Depois, caiu o silêncio sobre o evento. Interrompido só por Messori.

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* Quais são as aparições marianas reconhecidas pela Igreja? E Medjugorge?

quinta-feira, junho 30th, 2011


Andrea Tornielli, Vatican Insider

No dia 25 de junho, completam-se os 30 anos das aparições marianas em Medjugorje. Do que se trata?

As aparições de Medjugorje começaram em 1981, quando alguns jovens do pequeno país da Bósnia-Herzegovina disseram ter visto Nossa Senhora. Alguns deles, 30 anos depois, afirmam ainda ter uma aparição diária. A característica totalmente nova dessas aparições está no fato de que a visão não está ligada a um lugar, mas ocorre em todos os lugares em que os videntes se encontram.

As aparições de Medjugorje são aprovadas pela Igreja?

Não, o julgamento desses aparições ainda está pendente. O papa, dado o porte internacional do fenômeno e a discordância de pareceres entre o bispo local e outros bispos do país, nomeou uma comissão internacional, confiando-lhe a liderança ao cardeal Camillo Ruini, para avaliar os testemunhos e manifestar um julgamento. Esse também é um fato totalmente excepcional: o reconhecimento de uma aparição cabe ao julgamento do bispo local.

Quantas são as aparições marianas e quais são as principais entre as que são reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica?

Nos 20 séculos de história cristã, contam-se cerca de duas mil indicações relativas a aparições marianas que tiveram uma certa relevância histórica. As que são reconhecidas pela Igreja nos últimos dois séculos são apenas uma dezena. As mais importantes entre as reconhecidas são:

Guadalupe, no México (1531); Rue du Bac, em Paris (1830);La Salette, na França (1846); Lourdes, na França (1858); Fátima, em Portugal(1917); Banneux, na Bélgica (1933); Amsterdã, na Holanda (1945); Akita, noJapão (1973); Kibeho, em Ruanda (1981).

Qual é a atitude da Igreja diante desses fenômenos?

Muito prudente, ou melhor, muito prudente mesmo. Antes de se pronunciar, a autoridade eclesiástica procede com pés de chumbo. O bispo do lugar, se considera que há pressupostos, geralmente institui uma comissão teológica, que interroga os videntes e avalia os testemunhos, avaliando também eventuais mensagens ligadas à aparição.

Quais são os critérios utilizados pela Igreja para apurar a autenticidade de uma aparição?

A credibilidade dos videntes: jamais devem se contradizer, seus relatos devem ser coerentes, devem ser reconhecidos saudáveis do ponto de vista mental.

Em segundo lugar, a ortodoxia das eventuais mensagens, que devem estar de acordo com a mensagem evangélica e também com o magistério da Igreja.

Finalmente, os frutos, ou seja, as conversões e as eventuais graças ligadas ao lugar da aparição.

Que julgamento o bispo pode dar no fim do processo?

Estão previstas três fórmulas para três diferentes tipos de julgamento. Se a autoridade eclesiástica chega a verificar que se tratou de uma fraude ou até da fantasia de algum visionário, o julgamento é “constat de non supernaturalitate”, isto é, consta a não sobrenaturalidade.

Se, ao contrário, o julgamento é interlocutório e não foi possível apurar a veracidade, mas nem desmenti-la, se adota a fórmula “non constat de supernaturalitate”, isto é, não consta a sobrenaturalidade, mas isso não exclui que possa ser verificada em um segundo momento. Esse último julgamento foi utilizado paraMedjugorje.

Qual foi a aparição mariana que durou mais tempo?

A poucas dezenas de quilômetros da fronteira com o Piemonte, nos Alpes Marítimosde Dauphiné, em Laus, entre 1664 e 1718, Nossa Senhora apareceu por 54 anos a uma pobre pastora analfabeta, Benoite Rencurel. As aparições de Laus foram reconhecidas oficialmente no dia 13 de junho de 2008 pelo bispo de Gap et d’Embrun,Dom Jean-Michel di Falco-Leandri.

Um fiel católico deve acreditar nas aparições marianas reconhecidas oficialmente pela Igreja?

Não, o fiel católico não é obrigado a acreditar nas aparições marianas, embora reconhecidas oficialmente. A Igreja considera concluída a revelação pública com a morte dos apóstolos e, portanto, todas as aparições, todas as mensagens posteriores, mesmo que tenham um valor universal, são consideradas revelações “privadas”, as quais o fiel não é obrigado a acreditar, porque não acrescentam nada à mensagem evangélica e ao magistério da Igreja.

Por que, de acordo com os teólogos católicos, Nossa Senhora se revelaria em tantas aparições?

O significado é o da ajuda, do apoio, às vezes da advertência, sempre acompanhado pelo convite à oração e à conversão: em Fátima, Nossa Senhora apareceu às vésperas da Revolução de Outubro e falou sobre a Rússia.

Em Kibeho, em Ruanda, com dez anos de antecedência, ela apresentou aos videntes a visão de lagos e rios de cor vermelho como sangue, cenários que se verificariam por ocasião dos tremendos confrontos entre as etnias hutu e tutsi.

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* Novos achados arqueológicos reafirmam ainda mais a origem histórica do cristianismo.

quinta-feira, junho 30th, 2011

Folha de São Paulo

Arqueólogos israelenses confirmaram a autenticidade de um ossuário (caixa usada para guardar ossos depois da fase inicial de sepultamento) pertencente à família do sacerdote que teria conduzido o julgamento de Jesus.

A peça, feita em pedra e decorada com motivos florais estilizados, data provavelmente do primeiro século da Era Cristã -tem, portanto, uns 2.000 anos.

Sebastian Scheiner/Associated Press
Funcionário da Autoridade Israelense de Antiguidades mostra inscrição em ossuário
Funcionário da Autoridade Israelense de Antiguidades mostra inscrição em ossuário

A inscrição no ossuário, em aramaico (”primo” do hebraico, língua do cotidiano na região durante a época de Cristo), diz: “Miriam [Maria], filha de Yeshua [Jesus], filho de Caifás, sacerdote de Maazias de Beth Imri”.

O nome “Caifás” é a pista crucial, afirmam os arqueólogos Boaz Zissu, da Universidade Bar-Ilan, e Yuval Goren, da Universidade de Tel-Aviv, que estudaram a peça.

Afinal, José Caifás é o nome do sumo sacerdote do Templo de Jerusalém que, segundo os Evangelhos, participou do interrogatório que levaria à morte de Jesus junto com seu sogro, Anás.

Não se sabe se Miriam seria neta do próprio Caifás bíblico ou de algum outro membro da família sacerdotal. O ossuário, no entanto, liga a parentela à casta de Maazias, um dos 24 grupos sacerdotais que serviam no Templo.

O governo israelense diz que o ossuário estava nas mãos de traficantes de antiguidades, impedindo o estudo de seu contexto original

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* “Quem apela para a Constituição para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros”

quarta-feira, junho 29th, 2011

É assim que os homossexuais militantes respeitam a “diversidade”: ridicularizando o Papa Bento XVI e a eucaristia.

O portal de notícias da Globo, G1, reportou:

Fantasiado de “Bento 24″, José Roberto Fernandes, de 56 anos, conta que fez da parada [gay] oportunidade para um alerta. Entretanto, o figurino adotado certamente chocaria a comunidade católica. Nas mãos, levou um cálice que, além de fichas brancas que simbolizam hóstias, também possui preservativos. Por onde passava, provocava a atenção do público que o cercava para fotografá-lo.

“Faço um alerta à hipocrisia da Igreja Católica que proíbe a camisinha. Não é um protesto, mas uma homenagem e um alerta à igreja”, afirmou ele, que se disse católico praticante. Apesar da orientação da Igreja que proíbe homossexuais de comungar, José Roberto afirmou que participa da Eucaristia.

Vilipêndio religioso ainda é crime?

De acordo com o art. 208, do Código Penal, é crime vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso.

Por muito menos, em abril deste ano, a Federação Brasileira de Umbanda entrou com um processo no Conar (Conselho Nacional de auto-Regulamentação Publicitária) contra a Renault.

Os umbandistas se ofenderam por causa do comercial de TV que mostrava mães de santo girando num salão de concessionária. A Federação também deu entrada no Ministério Público Federal com um pedido de inquérito por “uso indevido de símbolos religiosos”.

Dom Odílio Scherer, Arcebispo de São Paulo, se manifestou sobre esse e outros fatos. Leia abaixo.

Parada Gay: respeitar e ser respeitado

Eu não queria escrever sobre esse assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a Parada Gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas, seus símbolos e convicções de fé ultrajados.

Ficamos entristecidos quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida. São Sebastião foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus?!

“Nem santo salva do vírus da AIDS”. Pois é verdade. O que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e convida todos a fazer. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também os sentimentos religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé e seus sentimentos e convicções religiosas. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus.

A Igreja católica refuta a acusação de “homofóbica”. Investiguem-se os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos. A Igreja Católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apoia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, a Igreja foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. Mas ela ensina e defende que a melhor forma de prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna.

Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição garante o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados, é a contrapartida que se requer.

A Igreja Católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito de liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com respeito, compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; essa não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher. Afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão, em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre a identidade do ser humano. Mais do que nunca, hoje todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica dos seres introduz neles a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

As ofensas dirigidas não só à Igreja Católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja Católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; e são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.06.2011

Card. Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo

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* Íntegra da Homilia do Papa Bento XVI em seus 60 anos de sacerdócio.

quarta-feira, junho 29th, 2011

In Vatican.va

Amados irmãos e irmãs!

«Non iam servos, sed amicos» – «Já não vos chamo servos, mas amigos» (cf. Jo 15, 15). Passados sessenta anos da minha Ordenação Sacerdotal, sinto ainda ressoar no meu íntimo estas palavras de Jesus, que o nosso grande Arcebispo, o Cardeal Faulhaber, com voz um pouco débil já mas firme, nos dirigiu, a nós novos sacerdotes, no final da cerimónia da Ordenação.

Segundo o ordenamento litúrgico daquele tempo, esta proclamação significava então a explícita concessão aos novos sacerdotes do mandato de perdoar os pecados. «Já não sois servos, mas amigos»: eu sabia e sentia que esta não era, naquele momento, apenas uma frase «de cerimónia»; e que era mais do que uma mera citação da Sagrada Escritura. Estava certo disto: neste momento, Ele mesmo, o Senhor, di-la a mim de modo muito pessoal. No Baptismo e na Confirmação, Ele já nos atraíra a Si, acolhera-nos na família de Deus. Mas o que estava a acontecer naquele momento, ainda era algo mais. Ele chama-me amigo. Acolhe-me no círculo daqueles que receberam a sua palavra no Cenáculo; no círculo daqueles que Ele conhece de um modo muito particular e que chegam assim a conhecê-Lo de modo particular. Concede-me a faculdade, que quase amedronta, de fazer aquilo que só Ele, o Filho de Deus, pode legitimamente dizer e fazer: Eu te perdoo os teus pecados. Ele quer que eu – por seu mandato – possa pronunciar com o seu «Eu» uma palavra que não é meramente palavra mas acção que produz uma mudança no mais íntimo do ser. Sei que, por detrás de tais palavras, está a sua Paixão por nossa causa e em nosso favor. Sei que o perdão tem o seu preço: na sua Paixão, Ele desceu até ao fundo tenebroso e sórdido do nosso pecado. Desceu até à noite da nossa culpa, e só assim esta pode ser transformada. E, através do mandato de perdoar, Ele permite-me lançar um olhar ao abismo do homem e à grandeza do seu padecer por nós, homens, que me deixa intuir a grandeza do seu amor. Diz-me Ele em confidência: «Já não és servo, mas amigo». Ele confia-me as palavras da Consagração na Eucaristia. Ele considera-me capaz de anunciar a sua Palavra, de explicá-la rectamente e de a levar aos homens de hoje. Ele entrega-Se a mim. «Já não sois servos, mas amigos»: trata-se de uma afirmação que gera uma grande alegria interior mas ao mesmo tempo, na sua grandeza, pode fazer-nos sentir ao longo dos decénios calafrios com todas as experiências da própria fraqueza e da sua bondade inexaurível.

«Já não sois servos, mas amigos»: nesta frase está encerrado o programa inteiro duma vida sacerdotal. O que é verdadeiramente a amizade? Idem velle, idem nolle – querer as mesmas coisas e não querer as mesmas coisas: diziam os antigos. A amizade é uma comunhão do pensar e do querer. O Senhor não se cansa de nos dizer a mesma coisa: «Conheço os meus e os meus conhecem-Me» (cf. Jo 10, 14). O Pastor chama os seus pelo nome (cf. Jo 10, 3). Ele conhece-me por nome. Não sou um ser anónimo qualquer, na infinidade do universo. Conhece-me de modo muito pessoal. E eu? Conheço-O a Ele? A amizade que Ele me dedica pode apenas traduzir-se em que também eu O procure conhecer cada vez melhor; que eu, na Escritura, nos Sacramentos, no encontro da oração, na comunhão dos Santos, nas pessoas que se aproximam de mim mandadas por Ele, procure conhecer sempre mais a Ele próprio. A amizade não é apenas conhecimento; é sobretudo comunhão do querer. Significa que a minha vontade cresce rumo ao «sim» da adesão à d’Ele. De facto, a sua vontade não é uma vontade externa e alheia a mim mesmo, à qual mais ou menos voluntariamente me submeto ou então nem sequer me submeto. Não! Na amizade, a minha vontade, crescendo, une-se à d’Ele: a sua vontade torna-se a minha, e é precisamente assim que me torno de verdade eu mesmo. Além da comunhão de pensamento e de vontade, o Senhor menciona um terceiro e novo elemento: Ele dá a sua vida por nós (cf. Jo 15, 13; 10, 15). Senhor, ajudai-me a conhecer-Vos cada vez melhor! Ajudai-me a identificar-me cada vez mais com a vossa vontade! Ajudai-me a viver a minha existência, não para mim mesmo, mas a vivê-la juntamente convoco para os outros! Ajudai-me a tornar-me sempre mais vosso amigo!

Esta palavra de Jesus sobre a amizade situa-se no contexto do discurso sobre a videira. O Senhor relaciona a imagem da videira com uma tarefa dada aos discípulos: «Eu vos destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça» (Jo 15, 16). A primeira tarefa dada aos discípulos, aos amigos, é pôr-se a caminho – destinei, para que vades –, sair de si mesmos e ir ao encontro dos outros. A par desta, podemos ouvir também a frase que o Ressuscitado dirige aos seus e que aparece na conclusão do Evangelho de Mateus: «Ide fazer discípulos de todas as nações…» (cf. Mt 28, 19). O Senhor exorta-nos a superar as fronteiras do ambiente onde vivemos e levar ao mundo dos outros o Evangelho, para que permeie tudo e, assim, o mundo se abra ao Reino de Deus. Isto pode trazer-nos à memória que o próprio Deus saiu de Si, abandonou a sua glória, para vir à nossa procura e trazer-nos a sua luz e o seu amor. Queremos seguir Deus que Se põe a caminho, vencendo a preguiça de permanecer cómodos em nós mesmos, para que Ele mesmo possa entrar no mundo.

Depois da palavra sobre o pôr-se a caminho, Jesus continua: dai fruto, um fruto que permaneça! Que fruto espera Ele de nós? Qual é o fruto que permanece? Sabemos que o fruto da videira são as uvas, com as quais depois se prepara o vinho. Por agora detenhamo-nos sobre esta imagem. Para que as uvas possam amadurecer e tornar-se boas, é preciso o sol mas também a chuva, o dia e a noite. Para que dêem um vinho de qualidade, precisam de ser pisadas, há que aguardar com paciência a fermentação, tem-se de seguir com cuidadosa atenção os processos de maturação. Características do vinho de qualidade são não só a suavidade, mas também a riqueza das tonalidades, o variegado aroma que se desenvolveu nos processos da maturação e da fermentação. E por acaso não constitui já tudo isto uma imagem da vida humana e, de modo muito particular, da nossa vida de sacerdotes? Precisamos do sol e da chuva, da serenidade e da dificuldade, das fases de purificação e de prova mas também dos tempos de caminho radioso com o Evangelho. Num olhar de retrospectiva, podemos agradecer a Deus por ambas as coisas: pelas dificuldades e pelas alegrias, pela horas escuras e pelas horas felizes. Em ambas reconhecemos a presença contínua do seu amor, que incessantemente nos conduz e sustenta.

Agora, porém, devemos interrogar-nos: de que género é o fruto que o Senhor espera de nós? O vinho é imagem do amor: este é o verdadeiro fruto que permanece, aquele que Deus quer de nós. Mas não esqueçamos que, no Antigo Testamento, o vinho que se espera das uvas boas é sobretudo imagem da justiça, que se desenvolve numa vida segundo a lei de Deus. E não digamos que esta é uma visão veterotestamentária, já superada. Não! Isto permanece sempre verdadeiro. O autêntico conteúdo da Lei, a suasumma, é o amor a Deus e ao próximo. Este duplo amor, porém, não é qualquer coisa simplesmente doce; traz consigo o peso da paciência, da humildade, da maturação na educação e assimilação da nossa vontade à vontade de Deus, à vontade de Jesus Cristo, o Amigo. Só deste modo, tornando verdadeiro e recto todo o nosso ser, é que o amor se torna também verdadeiro, só assim é um fruto maduro. A sua exigência intrínseca, ou seja, a fidelidade a Cristo e à sua Igreja, requer sempre que se realize também no sofrimento. É precisamente assim que cresce a verdadeira alegria. No fundo, a essência do amor, do verdadeiro fruto, corresponde à palavra relativa ao pôr-se a caminho, ao ir: amor significa abandonar-se, dar-se; leva consigo o sinal da cruz. Neste contexto, disse uma vez Gregório Magno: Se tendeis para Deus, tende cuidado que não O alcanceis sozinhos (cf. H Ev 1, 6, 6: PL76, 1097s). Trata-se de uma advertência que nós, sacerdotes, devemos ter intimamente presente cada dia.

Queridos amigos, talvez me tenha demorado demasiado com a recordação interior dos sessenta anos do meu ministério sacerdotal. Agora é tempo de pensar àquilo que é próprio deste momento.

Na solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, antes de mais nada dirijo a minha mais cordial saudação ao Patriarca Ecuménico Bartolomeu I e à Delegação por ele enviada, cuja aprazível visita na ocasião feliz da festa dos Santos Apóstolos Padroeiros de Roma, vivamente agradeço. Saúdo também os Senhores Cardeais, os Irmãos no Episcopado, os Senhores Embaixadores e as autoridades civis, como também os sacerdotes, os colegas da minha Missa Nova, os religiosos e os fiéis leigos. A todos agradeço a presença e a oração.

Aos Arcebispos Metropolitanos nomeados depois da última festa dos grandes Apóstolos, será agora imposto o pálio. Este, que significa? Pode recordar-nos em primeiro lugar o jugo suave de Cristo que nos é colocado aos ombros (cf. Mt 11, 29-30). O jugo de Cristo coincide com a sua amizade. É um jugo de amizade e, consequentemente, um «jugo suave», mas por isso mesmo também um jugo que exige e plasma. É o jugo da sua vontade, que é uma vontade de verdade e de amor. Assim, para nós, é sobretudo o jugo de introduzir outros na amizade com Cristo e de estar à disposição dos outros, de cuidarmos deles como Pastores. E assim chegamos a um novo significado do pálio: este é tecido com a lã de cordeiros, que são benzidos na festa de Santa Inês. Deste modo recorda-nos o Pastor que Se tornou, Ele mesmo, Cordeiro por nosso amor. Recorda-nos Cristo que Se pôs a caminho pelos montes e descampados, aonde o seu cordeiro – a humanidade – se extraviara. Recorda-nos como Ele pôs o cordeiro, ou seja, a humanidade – a mim – aos seus ombros, para me trazer de regresso a casa. E assim nos recorda que, como Pastores ao seu serviço, devemos também nós carregar os outros, pô-los por assim dizer aos nossos ombros e levá-los a Cristo. Recorda-nos que podemos ser Pastores do seu rebanho, que continua sempre a ser d’Ele e não se torna nosso. Por fim, o pálio significa também, de modo muito concreto, a comunhão dos Pastores da Igreja com Pedro e com os seus sucessores: significa que devemos ser Pastores para a unidade e na unidade, e que só na unidade, de que Pedro é símbolo, guiamos verdadeiramente para Cristo.

Sessenta anos de ministério sacerdotal! Queridos amigos, talvez me tenha demorado demais nos pormenores. Mas, nesta hora, senti-me impelido a olhar para aquilo que caracterizou estes decénios. Senti-me impelido a dizer-vos – a todos os presbíteros e Bispos, mas também aos fiéis da Igreja – uma palavra de esperança e encorajamento; uma palavra, amadurecida na experiência, sobre o facto que o Senhor é bom. Mas esta é sobretudo uma hora de gratidão: gratidão ao Senhor pela amizade que me concedeu e que deseja conceder a todos nós. Gratidão às pessoas que me formaram e acompanharam. E, subjacente a tudo isto, a oração para que um dia o Senhor na sua bondade nos acolha e faça contemplar a sua glória. Amén.

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* Ideologia do Gênero: pré-escola na Suécia proíbe que crianças sejam tratadas como meninos e meninas.

quarta-feira, junho 29th, 2011

Em conformidade com um currículo escolar nacional que busca combater a “estereotipação” dos papéis sexuais, uma pré-escola do distrito de Sodermalm da cidade de Estocolmo incorporou uma pedagogia sexualmente neutra que elimina completamente todas as referências ao sexo masculino e feminino.

Os professores e funcionários da pré-escola “Egalia” evitam usar palavras como “ele” ou “ela” e em vez disso se dirigem aos mais de 30 meninos e meninas, de idades variando entre 1 e 6 anos, como “amigos”.

“A sociedade espera que as meninas sejam garotinhas gentis e elegantes, e que os meninos sejam viris, duros e expansivos”, Jenny Johnsson, uma professora de 31 anos na escola que é sustentada por impostos dos trabalhadores suecos, disse para o jornal Daily Mail. “Egalia lhes dá uma oportunidade fantástica de ser quem quer que eles queiram ser”.

A diretora Lotta Rajalin disse para a Associated Press que a escola contratou um “pedagogo de diversidade sexual” para ajudar os professores e funcionários a remover as referências masculinas e femininas na linguagem e conduta, indo ao ponto de garantir que os jogos infantis de blocos Lego e outros brinquedos de montagem sejam mantidos próximos aos brinquedos de utensílios de cozinha a fim de evitar que algum papel sexual tenha preferência.

Os pronomes suecos “han” e “hon” (ele e ela), por exemplo, foram substituídos na escola pela palavra sexualmente neutra “hen”, um termo inventado que não existe em sueco, mas é amplamente usado pelas feministas e homossexuais.

“Nós usamos a palavra ‘Hen’ por exemplo, quando um médico, policial, eletricista ou encanador, etc., está vindo à pré-escola”, disse Rajalin. “Nós não sabemos se é ele ou ela. Por isso, dizemos: ‘Hen está vindo aqui lá pelas 14h’. Então as crianças poderão imaginar tanto um homem quanto uma mulher. Isso amplia a perspectiva delas”.

Além disso, não há livros infantis tradicionais como Branca de Neve, Cinderela ou os contos de fadas clássicos, disse Rajalin. Em vez disso, as prateleiras têm livros que lidam com duplas homossexuais, mães solteiras, filhos adotados e obras sobre “maneiras modernas de brincar”.

“Um exemplo concreto poderia ser quando as meninas estão brincando de casinha e o papel de mãe já foi pego por uma e elas começam a disputar”, disse Rajalin. “Então sugerimos duas ou três mães e assim por diante”.

Contudo, nem todos os pais suecos estão apoiando a agenda de seu país que está eliminando os papéis sexuais.

“Diferentes papéis sexuais não são problemáticos enquanto têm valor igual”, Tanja Bergkvist disse para a Associated Press, denunciando o que ela chamou de “loucura da diversidade sexual” na Suécia.

Bergkvist comentou que aqueles que estão promovendo a igualdade entre os sexos com iniciativas que demolem os papéis sexuais “dizem que há uma hierarquia onde tudo o que os meninos fazem recebe importância mais elevada, mas fico pensando: quem é que decide o que é que tem valor mais elevado? Por que há um valor mais elevado em brincar com carros?”

Bergkvist, que é uma crítica eloquente da promoção que o Estado faz de uma estrutura sexualmente neutra nas escolas e de ambientes acadêmicos focados em estudos de diversidade sexual, comentou em seu blog como exemplo da “loucura da diversidade sexual” no país que o Conselho de Ciências da Suécia, que é sustentado pelo governo, deu uma verba de 80 mil dólares para bolsas de estudos de pós-doutorado para pesquisas no “trompete como símbolo de diversidade sexual”.

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* Veja Imagens da missa em ação de graças pelos 60 anos de sacerdócio do Papa.

quarta-feira, junho 29th, 2011

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* Morte digna: CONCEITOS gerais na ótica da dignidade humana e da fé cristã.

quarta-feira, junho 29th, 2011

Pe. Luís de Moya

Morte dignaA morte natural, com todos os alívios médicos adequados, através de uma intervenção global no sofrimento humano. Também é denominada ortotanásia. Alguns pretendem identificá-la com a morte “a pedido”, provocada pelo médico, quando a vida já não pode oferecer um mínimo de conforto considerado imprescindível pelo doente; para estes seria a morte provocada pela eutanásia.

Ortotanásia A morte em boas condições, com o alívio dos sintomas físicos e psicológicos que provocam sofrimento.

Eutanásia – Acção ou omissão por parte do médico com intenção de, por compaixão, provocar a morte do paciente em sofrimento e a pedido deste. No nosso país não é legal e é uma prática eticamente reprovável.

Eutanásia ativa – A eutanásia que, através de uma acção concreta provoca a morte do paciente.

Eutanásia passiva
A eutanásia que, por omissão de cuidados ou tratamentos que são necessários, proporcionados e razoáveis, deixa morrer intencionalmente o paciente. Esta expressão — eutanásia passiva— é indevidamente utilizada por vezes para referir, naquilo que é uma boa prática médica, a omissão de tratamentos desproporcionados e que são indesejáveis, muito custosos (o que se designa por futilidade terapêutica) e agravam o sofrimento. Neste caso não se deve falar de eutanásia de nenhum tipo, já que se fomenta a ambiguidade e se contribui para esbater os limites entre o correcto exercício da medicina e a eutanásia. Isto é o que tentam fazer os partidários desta prática. Por vários motivos, é conveniente não fazer utilização abusiva da expressão eutanásia passiva.
No entanto, sobretudo por razões académicas, é conveniente manter a expressão e o conceito específicos de eutanásia passiva pois, por vezes, acaba-se assim com a vida do paciente por indicação médica: negando-lhe cuidados que são necessários e razoáveis.

Eutanásia voluntária A eutanásia que se leva a cabo com o consentimento do paciente, o que é um pressuposto para se falar de eutanásia, pelo que esta expressão é uma redundância e não se deve utilizar.

Eutanásia involuntária - A eutanásia praticada sem o consentimento do paciente, o que, na prática, corresponde a homicídio. É, por isso mesmo, uma expressão equívoca e incorrecta.

Encarniçamento terapêutico (também chamada obstinação terapêutica) – A aplicação de tratamentos que, sobretudo num contexto de doença avançada e irreversível, se podem considerar inúteis ou de tratamentos que, embora úteis, são desproporcionadamente incómodos para o resultado que deles se espera ou até caros. Esta situação prefigura má prática médica e é eticamente reprovável.

Distanásia A morte em más condições, com dor, incómodos, sofrimento… Seria a morte com um mau tratamento da dor e de outros sintomas ou a associada ao encarniçamento terapêutico.

Sedação paliativaA correta prática médica de induzir o paciente no sono para que não sinta sintomas desagradáveis, nos raros casos de sintomas refractários aos tratamentos preconizados pelos avanços técnicos actuais. Existem diferentes tipos de sedação. Uma sedação suave que acompanhe e potencie os analgésicos, mantendo a consciência do paciente, é muito recomendável.

Eutanásia direta O que se entende comumente como eutanásia; isto é, a morte intencional do doente, pelo médico, por compaixão. Pode ser activa ou passiva.

Eutanásia indireta Na realidade não existe, já que não há eutanásia se não houver intenção de provocar a morte, pelo que a expressa não se deve usar. Seria para alguns, que confundem outros com esta expressão, a morte não procurada do paciente no decurso de um correcto tratamento paliativo, por exemplo, contra a dor ou falta de ar (conceito do duplo efeito). É importante ressaltar que, à luz dos conhecimentos actuais, quando se respeitam as regras da correcta utilização dos opióides, não se corre o risco de encurtar a vida dos pacientes. Existe sim evidência de que os bons cuidados paliativos podem aumentar o tempo de vida do paciente.

Doente paliativo – Aquele que padece de uma doença para a qual não existe um tratamento curativo ou de uma doença muito grave, às quais está associado habitualmente grande sofrimento físico e existencial. Pode ser um doente não oncológico ou oncológico e ter anos, meses ou semanas de vida.

Doente terminalAquele que padece de uma doença incurável e avançada, previsivelmente mortal a curto prazo: três a seis meses, de acordo com a OMS.

Doente moribundo – Aquele que tendo uma doença avançada e irreversível, apresenta previsivelmente dias ou horas de vida.

Cuidados Paliativos – os cuidados de saúde interdisciplinares, rigorosos e humanizados, destinados a intervir activamente no sofrimento dos doentes avançados e incuráveis e/ou muito graves, e seus familiares, com o objectivo de lhes proporcionar dignidade e a máxima qualidade de vida possível. Aceitam a inevitabilidade da morte, não prolongando o sofrimento, mas não a provocam.

Adaptação realizada por Ana Cabral (Movimento de Cidadãos Pró Cuidados Paliativos) do texto “Conceptos generales en torno a la Muerte Digna y a la Eutanasia” do Pe. Luís de Moya, www.muertedigna.org; revisão por Isabel Galriça, Neto médica Presidente da APCP

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* AIDS: 30 anos após sua descoberta, doença continua avançando e se avalia “abstinência” como uma das possibilidades de saída.

quarta-feira, junho 29th, 2011

Por ocasião dos 30 anos da descoberta da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), o médico Martín Patrito, da Associação Argentinos Alerta, revisou três documentos que contêm estatísticas valiosas sobre o avanço da doença no âmbito mundial.

Os documentos são: “Trinta anos de AIDS: as nações em um ponto chave do caminho”, do programa conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/AIDS (UNAIDS); “Estratégia nacional do HIV/AIDS para os Estados Unidos”, 13 de julho de 2010; e a Recomendação 1959 da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa sobre políticas preventivas de saúde dos estados membros do Conselho da Europa.

A associação, em seu site, apresenta as estatísticas mais importantes destes documentos sobre o avanço da doença no âmbito mundial, especialmente no continente americano.

Da mesma forma, realiza uma análise crítica sobre as recomendações para a prevenção da doença nestes documentos e compara tais recomendações com as do programa nacional de luta contra a AIDS, do Ministério de Saúde da Argentina.

O primeiro caso de AIDS foi detectado em 5 de junho de 1981. Os primeiros sinais da doença se deram principalmente em países de altos ingressos, onde os novos casos aumentaram de maneira significativa no início dos anos 80. Na verdade, o HIV estava se difundindo de maneira inadvertida durante décadas, especialmente na África Subsaariana.

Entre 1981 e 2000, o número de pessoas que vivem com o HIV aumentou de menos de 1 milhão a cerca de 27,5 milhões. Em 2010, havia 34 milhões de pessoas infectadas com o HIV. Em 2005, a cifra pareceu estabilizar-se, mas, nos últimos anos, o número continuou crescendo. Em 2009, foram infectadas 2,6 milhões de pessoas no mundo. UNAIDS informa que, entre 1970 e 2009, a AIDS provocou 29 milhões de mortes.

Enquanto pelo menos 1% dos adultos no sul da África viviam com o HIV em 1990, 16,1% passaram a viver com o vírus uma década depois. Durante o mesmo período, a prevalência (porcentagem do total da população afetada) do HIV aumentou de menos de 1% a 24,5% em Lesotho e de 3,5% a 26% em Botswana.

O presidente da Uganda,Yoweri Musevini, deu início a uma mobilização nacional de grande escala contra o HIV, promovendo políticas e programas baseados em mudanças de comportamento que permitiriam que a Uganda reduzisse o tamanho da epidemia durante os anos 90, ainda quando se expandia rapidamente em outros países subsaarianos.

A novidade da campanha foi que, longe de apostar no preservativo de forma exclusiva, a política sanitária e educativa se baseou na promoção da abstinência sexual, na fidelidade dentro do casamento e na castidade, especialmente entre os mais jovens.

No continente americano, há pouco mais de um milhão de infectados, mas o número continua crescendo. Desde o início da epidemia até 2008, foram notificados 75.009 casos de HIV na Argentina. Estima-se que hoje haja 130 mil pessoas infectadas, das quais somente a metade conhece sua condição, o que supõe um risco adicional.

Nos últimos anos, a curva epidemiológica de novas infecções tem sido constante: cada ano, o Ministério da Saúde argentino recebe notificações de cerca de 5 mil novos diagnósticos de infecção pelo HIV. Em 2008, a taxa anual de infecção pelo vírus se situou em um valor de 13 pessoas por cada 100 mil habitantes.

A epidemia continua afetando principalmente os grandes conglomerados urbanos, em todas as capitais do país. Em Buenos Aires, registram-se 23,2 infecções por cada 100 mil habitantes; em Mar del Plata, 27,5 infecções por cada 100 mil habitantes. Entre 2007 e 2009, 40% dos novos diagnósticos continuavam afetando os residentes de Buenos Aires e o conurbano bonaerense. Tomando como unidade de análise as jurisdições provinciais, 70% da epidemia se concentra na província e cidade de Buenos Aires, em Santa Fe e em Córdoba.

A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa aprovou, no último dia 28 de janeiro, a Recomendação 1959, intitulada “Políticas de cuidados preventivos de saúde nos estados-membros do Conselho da Europa”, na qual recolhe até 25 diretivas para proteger a saúde dos europeus e convida a que todos os governos do continente a adotem. O ponto 9.5 afirma: “Promover uma educação sexual integral da saúde, incluída a abstinência, para prevenir a propagação de doenças sexualmente transmissíveis”.

Certamente, em todos os casos se recomenda também o uso do preservativo. Mas o documento da estratégia nacional de luta contra a AIDS, aprovado pela Administração Obama, afirma, na página 16, que “o uso correto e consistente do preservativo masculino reduz o risco de transmissão do HIV em 80%”.

“Ninguém pegaria um avião se lhe dissessem que apenas 80% dos aviões chegam ao seu destino. O risco é altíssimo. Por isso, sustentamos que as campanhas de ’sexo seguro’ baseadas no preservativo só geram um clima de falsa confiança”, afirma o Dr. Patrito.

“O fato de que, pelo menos no papel, já se comece a falar sobre a necessidade de mudanças de conduta, de fidelidade, de abstinência, certamente é um avanço. No entanto, os líderes da saúde pública ainda continuam evitando enfatizar as mudanças de conduta acima das ’soluções técnicas’, como a distribuição massiva de preservativos”, acrescenta.

Com uma eficácia de apenas 80%, o preservativo gera uma sensação de falsa segurança, que leva ao aumento dos encontros sexuais e à promiscuidade. Neste contexto, as infecções pelo HIV continuarão aumentando.

“Os programas de prevenção não devem se centrar em tentar convencer o mundo de que um comportamento de risco faz parte de um estilo de vida aceitável, mas sim em evitar o risco. O único método seguro e fiável de prevenir a transmissão sexual do HIV é a abstinência antes do casamento e o respeito e a fidelidade mútua dentro dele”, afirma o médico argentino.

Em definitivo, como declarou a delegação do Vaticano frente à declaração política da ONU sobre o HIV/AIDS, “o que se faz necessário é um enfoque baseado nos valores para enfrentar a doença do HIV/AIDS, um enfoque que proporciona os cuidados necessários e o apoio moral aos afetados, bem como a promoção de uma vida conforme as normas da ordem moral natural, um enfoque que respeite totalmente a dignidade inerente da pessoa humana”.

Para saber mais: http://www.argentinosalerta.org

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