Por Arquivo abril, 2012

* Dom Odilo Scherer entrevistado pelo Jornal “Estado de São Paulo”.

segunda-feira, abril 30th, 2012
Paula Bonelli – O Estado de S.Paulo

O arcebispo de São Paulo d. Odilo Scherer - Denise Andrade/AE
Denise Andrade/AE
O arcebispo de São Paulo d. Odilo Scherer

À frente da arquidiocese de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer cuida de cerca de 4,5 milhões de almas católicas e cumpre, com afinco, determinação do papa Bento 16: levar o rebanho a confirmar e redescobrir sua fé. O trabalho envolve liderar as fileiras de bispos e outros sacerdotes, mas também garantir a presença da Igreja na mídia e ocupar espaços públicos – em um campo religioso cada vez mais competitivo. O cardeal, que participa, no fim de maio, do Encontro Mundial das Famílias com o papa, em Milão, acaba de passar 10 dias com 300 bispos na Assembleia-Geral da CNBB. Em conversa com a coluna, não recusou nenhuma pergunta: de eleições (”ajudamos a comunidade a discernir sobre cada candidato”) à recente aprovação de aborto de anencéfalos pelo Supremo (”uma perda para a sociedade”).

Aos 62 anos, d. Odilo foi escolado nos corredores do Vaticano e carrega um blend de sotaques que reúne o original sulista, dialetos em alemão – falados em sua casa, na infância -, italiano e, agora, uma pitada de paulistanês. Na entrevista a seguir, ele revela que padres fazem psicanálise, diz gostar de Chico e Beethoven e explica por que a Teologia da Libertação, ao que parece, se foi para não mais voltar.

Qual o lado bom e o lado ruim de ser arcebispo de SP?

É uma enorme graça de Deus. E, sem dúvida, é motivo de muita alegria receber uma missão tão importante. O lado difícil são os enormes desafios. A arquidiocese de São Paulo é muito grande, e o volume de trabalho também. Além de participar de todas as atividades do universo religioso, é preciso acompanhar a mídia e estar no espaço público e político, seja pela natureza da Igreja, que represento, seja pela vontade das pessoas de ouvir o arcebispo em certos momentos.

O que o senhor sentiu ao receber a notícia de que seria nomeado bispo auxiliar para SP e mais tarde arcebispo?

Eu já tinha 52 anos e trabalhava na Congregação para os Bispos na Santa Sé, por onde passam as nomeações dos bispos. Portanto, sabia o que significava e as implicações do serviço. Senti, evidentemente, o peso da decisão. No momento em que disse “sim, aceito”, senti uma enorme carga de responsabilidade.

Teve medo?

Medo, não. Mas pensei nas implicações e se daria conta.

O senhor já fez terapia? Padres podem fazer?

Eu nunca fiz, mas padres podem, sim, fazer. Por que não? Em algumas situações, é até aconselhado.

Conhece casos de padres que fizeram?

Conheço, mas não vou citá-los. O padre é um ser humano. Pode ter estresse, crise depressiva, disfunção neurológica hereditária, que provoca problemas psicológicos e comportamentais. 

Quando o senhor não está envolvido com as atividades de cardeal-arcebispo, costuma fazer o quê?

Gosto muito de música popular e erudita. Beethoven, Bach e Brahms. Também Chico Buarque, Maria Bethânia… da MPB, gosto de vários cantores. Escuto música quando trabalho, no escritório, enquanto mexo na papelada. Este é um hábito que aprendi no seminário e que trago desde menino. 

Vai ao cinema?

Pouco, infelizmente. Não dá tempo. Mas gosto de ir.

O senhor viu o filme Habemus Papam (ficção sobre um papa que, ao ser eleito, não consegue assumir por causa do peso da responsabilidade), que está em cartaz nos cinemas?

Ainda não. Vou tentar assistir na Itália, no idioma original.

O papa é esperado no Rio para a Jornada da Juventude, em 2013. Qual a importância do evento?

É muito importante, para que apareça o rosto jovem da Igreja. Para que interajam e vejam que há muitos outros jovens, inclusive de outros países, que creem como eles. Também é um momento de se encontrarem com o papa Bento 16.

Quais são os desafios de realizar este evento?

São muitos, de todo o tipo, de ordem logística. Isso não é fácil em um evento para o qual se esperam milhões de pessoas. Está mais por conta da arquidiocese do Rio, que organiza localmente e está trabalhando duro. Estamos organizando, em âmbito nacional, o envolvimento de toda a juventude.

Existe a expectativa de um grande público no Rio?

Existe. O Rio de Janeiro atrai por si mesmo, mas não se vai para lá fazer turismo. A Jornada é momento de viver uma programação intensa, com várias temáticas, em conjunto, pelos participantes. Isso requer bastante esforço e até disposição para enfrentar alguns desconfortos. É evidente que, no fim, por melhor que seja a organização, em algum momento vai falhar. Não é que todo mundo poderá dormir em hotel de quatro estrelas, e é inevitável o congestionamento no trânsito, por exemplo. Mas o pessoal vai na alegria, porque é uma experiência única.

Como manter os jovens envolvidos com o catolicismo e o seu lado erudito?

A Jornada Mundial da Juventude é um modo de despertar isso. Não há como manter o interesse dos jovens, senão pondo-os em contato. Ninguém ama o que não conhece. O encontro é para deixar que a juventude faça suas perguntas, se expresse e perceba também os valores e toda a história da Igreja. Isso faz com que ela se sinta parte da Igreja e não a enxergue como algo distante.

Como se adaptar aos novos tempos sem perder a qualidade do catolicismo?

Este é um enorme desafio, que a Igreja enfrenta há dois mil anos. Estamos vivendo uma virada epocal, semelhante à ocorrida na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, e da Moderna para a Contemporânea. São momentos em que a Igreja tem de reaprender, propondo-se de forma nova, mas mantendo-se idêntica a si mesma. É o que estamos precisando fazer hoje.

A Renovação Carismática é um caminho?

É, mas não o único. Existem muitos outros, bem diversos da Renovação Carismática.

Como, então, frear a perda de fiéis para igrejas pentecostais?

Não há outro modo, senão ajudando os fiéis a se sentirem fortalecidos na própria fé e enraizados na Igreja. Mas a ideia que se passa é que só a Igreja Católica está perdendo fiéis. Outras perdem, porcentualmente, muito mais. Se vocês olharem o censo de 2000 a 2010, verão o quanto a Igreja Universal do Reino de Deus perdeu. Hoje, há uma oferta religiosa muito ampla, e eu diria agressiva. As pessoas, de alguma forma, estão sob pressão para fazer novas escolhas.

Este é um ano de eleições. Na sua opinião, a religião deve influenciar a política?

Não sei se a religião deve influenciar a política, mas as convicções religiosas dos cidadãos repercutem na política. Religião e política não se fundem, não se sobrepõem, mas é muito difícil separar as duas coisas.

Qual a orientação da Igreja Católica para o processo eleitoral deste ano?

A mensagem dos bispos é para que o povo se interesse pela participação política, procure conhecer bem os candidatos. Fiquem atentos à aplicação da lei 9.840, contra a corrupção eleitoral, o abuso do poder econômico e a compra de votos. Enfim, estejam atentos para escolher candidatos idôneos.

A Igreja apoia candidatos?

Não costumamos indicar candidatos, porque é uma questão de escolha livre e consciente de cada um. Recomendamos, também, que o clero não tome posição partidária, pois isso cria divisões. Não escolhemos partidos nem candidatos. Mas ajudamos a comunidade a discernir sobre cada um. E possa escolher aqueles sintonizados com nossas convicções – de justiça social, atendimento das necessidades da população carente, justiça econômica, promoção do desenvolvimento, respeito à dignidade da pessoa e moralidade pública.

Na Itália, sede do Vaticano, e em vários países desenvolvidos, o aborto é legalizado há muitos anos. A Igreja está na contramão da saúde pública?

A legalização do aborto não é a promoção da saúde pública, mas a legalização da morte de seres humanos. Se está na contramão de outras decisões? É possível, mas a Igreja não pode estar na contramão dos princípios básicos da dignidade humana, proclamados pelas nações, pela Constituição brasileira, pela ONU. Nem que todos os países aprovassem a legalização do aborto, a Igreja não poderia aprová-la.

Como o senhor recebeu a aprovação do aborto de anencéfalos pelo STF?


A aprovação não muda a posição da Igreja em relação à questão, que é de respeito pleno à vida daquele ser humano – ainda que seja muito breve. Se isso foi tornado legal, não significa que se tornou moral. Fique claro que não foi a Igreja que perdeu, nem os cristãos, mas a sociedade brasileira. A humanidade perdeu em sensibilidade, em respeito à pessoa e ficou mais endurecida em relação às fragilidades e aos defeitos humanos.

Se não houvesse celibato, haveria mais padres?

Não sei, talvez. É bastante difícil responder a esta pergunta de forma hipotética. Porém, há um fato: em outras igrejas que não têm celibato, também faltam ministros. O problema não é o celibato, mas uma coisa mais profunda, a experiência da fé e o valor da proposta religiosa.

Quais foram e ainda serão as consequências para a Igreja dos casos de pedofilia? Como o senhor os enxerga?

Não é só um problema da Igreja. Mais de 90% dos casos ocorrem embaixo do teto familiar. Lamentavelmente, também ocorreram e ocorrem em ambientes religiosos. Creio que trouxe um grande dano à credibilidade da Igreja, mas também está trazendo grande purificação. E uma atenção também da sociedade para a questão.

Como coibir, de forma prática, a pedofilia na Igreja? Palestra? Terapia?

Não é só na Igreja, é na sociedade como um todo. Como é possível tentar combater isso se, nas escolas, coloca-se camisinha ao alcance de crianças? São um convite a fazer sexo, a promiscuidade, desde cedo. A preocupação é combater a aids, mas não se percebe que ali está se promovendo um monte de outras consequências danosas. Dentro da Igreja, evidentemente estamos muito atentos em fazer uma nova retomada da consciência, respeito aos valores morais e da observância dos mandamentos da Lei de Deus.

A Teologia da Libertação está enfraquecida, mas ainda é lembrada como uma corrente da Igreja preocupada em abolir as injustiças sociais.

Foi um momento da história da teologia. Ela perdeu suas motivações próprias, por causa da ideologia marxista de fundo – materialismo ateu, luta de classes, uso da violência para conquistar objetivos -, que não casa com a teologia cristã. Isso foi percebido pouco a pouco. Talvez tenha tido méritos, por ajudar a recobrar a consciência de questões como justiça social, justiça internacional e a libertação dos povos oprimidos. Mas estes sempre foram temas constantes do ensino da Igreja. E vão continuar a ser.

Ainda há muitos padres da Teologia da Libertação?

Não sei se muitos. Ainda existem simpatizantes, mas já não são tantos assim. 

Nos seminários brasileiros, ainda há bastantes padres da Teologia da Libertação lecionando?

Não, não creio.

O senhor poderia ser eleito papa um dia? Pensa nisso?

Não estou imaginando isso, não. Só um será eleito papa e existem tantos que podem ser escolhidos! É o conclave que decide, não alguém que se propõe ou que diz “quero ser papa” ou “vote em mim, eu vou ser papa”. Isso não existe. Portanto, não passa pela minha cabeça outra coisa além de ser arcebispo de São Paulo.

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* Decisões do STF podem ser suspensas por deputados.

segunda-feira, abril 30th, 2012

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de emenda constitucional que permite ao Congresso sustar decisões do Judiciário.

Aprovada por unanimidade, após uma articulação entre deputados católicos e evangélicos, a polêmica proposição seguirá para uma comissão especial.

O texto considera de competência do Congresso suspender “atos normativos dos outros poderes que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”. Alguns deputados acham ser possível interromper as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) com súmulas vinculantes e repercussão geral, além de resoluções de tribunais e atos de conselhos.

Segundo os parlamentares, a medida é uma resposta à decisão do STF, que, no último dia 12 de abril, determinou que a mulher tem o direito de escolher interromper a gestação de feto com anencefalia, descriminalizando a prática do aborto de anencéfalos no Brasil. Cabe ressaltar que se a regra já estivesse em vigor, os parlamentares poderiam tentar reverter a permissão de interromper a gravidez nesses casos.

De acordo com a Constituição, somente os que são eleitos pelo povo têm o poder de legislar; logo, o Poder Judiciário – que não é eleito, mas nomeado pelo Presidente (a) da República – não tem legitimidade para tal ação. A possibilidade em discussão não abrange julgamentos específicos dos tribunais, mas casos em que o Judiciário ultrapasse sua função ao determinar novas regras.

O objetivo dos parlamentares das bancadas católica e evangélica, conforme declarações feitas à imprensa, é enfrentar a “primazia do judiciário” com a finalidade de que os ministros não decidam sobre questões como a união estável de homossexuais, fidelidade partidária, definição dos números de vereadores e aborto — como no caso do de anencéfalos.

Apesar da aprovação por unanimidade na CCJ, depois de passar pela comissão especial o texto precisa ser aprovado no plenário da Câmara em dois turnos, por 308 deputados. Além disso, a proposta ainda segue para o Senado, mostrando que o caminho para transformar a proposição em um marco legal é longo.

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* Vaticano critica detenções de católicos na China.

segunda-feira, abril 30th, 2012

O Vaticano criticou nessa semana a detenção de padres e bispos na China, considerando que o regime de Pequim impõe “limitações injustas” à ação da Igreja Católica no país.

A denúncia é feita no comunicado final da quinta reunião da comissão criada por Bento XVI, em 2007, para debater as “questões de maior importância” para a Igreja Católica chinesa.

O documento manifesta “admiração pela firmeza” dos fiéis que se mantém ligados ao Papa, apesar das pressões do Governo chinês, que defende o controlo de todas as atividades religiosas, em particular a nomeação de bispos para as comunidades católicas.

A Santa Sé refere que a missão episcopal tem de ser exercida “em união” com o Papa, rejeitando as pretensões de organismos estatais – “uma associação e uma conferência” – de se “colocarem acima dos bispos”.

Na China existem entre oito a 12 milhões de católicos, segundo o Vaticano, divididos entre os que pertencem à Igreja “oficial” (Associação Patriótica Católica – APC, controlado por Pequim) e à “clandestina”, fiel a Roma.

A APC foi criada em 1957 para evitar “interferências estrangeiras”, em especial da Santa Sé, e para assegurar que os católicos viviam em conformidade com as políticas do Estado, deixando assim na clandestinidade os fiéis que reconhecem a autoridade do Papa.

O Vaticano considera “ilegítimos” os bispos que receberam jurisdição da APC, “usurpando um poder que a Igreja não lhes conferiu”.

Nesse sentido, critica-se a recente participação de alguns desses bispos numa cerimónia de ordenação episcopal autorizada por Bento XVI, “perturbando os fiéis e forçando a consciência dos sacerdotes e fiéis envolvidos”.

A nota oficial da Santa Sé admite que bispos reconhecidos pelo Vaticano participaram em “ordenações episcopais ilegítimas”, tendo alguns deles pedido desculpas ao Papa e “esclarecido a sua posição”.

Em cima da mesa esteve ainda o tema da formação dos leigos, tendo como pano de fundo a realização de um Ano da Fé (11 de outubro de 2012-24 de novembro de 2013), em toda a Igreja, por iniciativa de Bento XVI.

O comunicado apela à “formação integral dos leigos, sobretudo onde existe uma rápida evolução social e um desenvolvimento económico significativo”, com especial atenção para “os fenómenos das migrações internas e da urbanização”.

Aos católicos é pedida a consciência da sua “pertença eclesial” e coerência com “as exigências da vida em Cristo”, propondo-se, a este respeito, um “conhecimento aprofundado do Catecismo da Igreja”.

Os participantes no encontro sublinharam, por outro lado, que o testemunho oferecido por comunidades “muitas vezes humildes e sem recursos materiais”, encoraja “todos os anos muitos adultos a pedir o batismo” na Igreja Católica.

O Serviço de Informação do Vaticano (VIS) revelou na terça-feira que mais de 22 mil pessoas foram batizadas na China, este domingo de Páscoa, 8 de abril; 75% dos novos católicos eram adultos.


“Obediência a Cristo e ao Sucessor de Pedro”, pede o Vaticano

De 23 a 25 de abril, os membros da Comissão para a Igreja na China, criada pelo Papa Bento XVI, em 2007, reuniram-se no Vaticano para traçarem uma série de diretrizes para a melhor vivência da fé no território chinês.

No comunicado lançado durante o encontro, os participantes aprofundaram o tema da formação dos fiéis leigos, tendo em vista o “Ano da Fé”, proclamado por Bento XVI no ano passado, o qual iniciar-se-á em 11 de outubro de 2012 com as comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II.

“As palavras do Evangelho: ‘E Jesus crescia em sabedoria, idade e graça diante de Deus e dos homens’ (Luc 2,52), ilustram a missão para a qual são chamados os fiéis leigos católicos na China. Em primeiro lugar, os mesmos devem entrar mais profundamente na vida da Igreja nutridos pela doutrina, conscientes da pertença eclesial e coerentes com as exigências da vida em Cristo”, diz o Comunicado.

Entre outras orientações, o Vaticano também pede que os leigos sejam protagonistas no respeito à vida desde a concepção ao seu fim natural e, solicita ainda, que os mesmos sejam ativos nas comunidades paroquiais.

Aos bispos chineses

Na reunião, um apelo também foi feito aos Bispos, que, de acordo com o comunicado “sofrem injustas limitações no cumprimento da missão”.

“Foi expressa a admiração pela firmeza na fé e pela união dos senhores bispos com o Santo Padre. O bispos, de modo especial, necessitam da oração da Igreja, para enfrentarem as suas dificuldades com serenidade e na fidelidade a Cristo”, diz o Comunicado.

1 – A perseguição à Igreja

Diante da situação específica da Igreja na China, a reunião abordou assuntos referentes às ordenações episcopais ilícitas impostas pelo governo chinês e trouxe diretrizes claras sobre como os católicos que possuem plena ligação com o papa devem se comportar diante de tal situação.

“A obediência a Cristo e ao Sucessor de Pedro é o pressuposto de toda e qualquer renovação, e isto vale para todos os componentes do povo de deus. Os proprios leigos são sensiveis à clara fidelidade eclesial dos proprios pastores”, orientou.

Obediência à Santa Sé

Ainda no Comunicado, o Vaticano diz seguir com atenção os “penosos acontecimentos” e está consciente das enormes dificuldades vividas pela Igreja na China, no entanto, exortou que, diante do desafio da evangelização, os católicos não relativizem os conteúdos eclesiais.

“A evangelização não pode acontecer sacrificando elementos essenciais da fé e da discipplia católica”, destaca o documento.

Convocação: rezar pela Igreja na China

No último parágrafo do documento, um pedido a todos os católicos do mundo para que se unam à Igreja na China no dia 24 de Maio, dia da memória litúrgica de Nossa Senhora auxílio dos cristãos.

“Será uma ocasião particularmente propícia para toda a Igreja para invocar e energia e consolação, misericórdia e coragem, para a comunidade católica na China”, salienta.

Como funciona o catolicismo na China?

No país existe a chamada Associação Patriótica Católica Chinesa que possui cerca de quatro milhões de adeptos, entretanto, a mesma não reconhece a autoridade do Papa, segundo determinação do Governo, que é de regime comunista. Os “verdadeiros católicos”, que são minoria, realizam toda e qualquer atividade litúrgica às escondidas, já que o governo os considera “subversivos” por causa da plena comunhão com a Santa Sé e com o Santo Padre. Os fiéis da “igreja clandestina”, se descobertos, são submetidos ao cumprimento de penas severas e a condenações penais.

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* Congresso tem poderes para anular decisão do STF sobre aborto de crianças com anencefalia, diz jurista

segunda-feira, abril 30th, 2012
Ministro  Ives Gandra Martins Filho

Entrevista que o presidente da União dos Juristas Católicos de São Paulo e ministro do Tribunal Superior do Trabalho, o jurista Ives Gandra Martins concedeu à Agência Portalum sobre o tema da anencefalia.


***

– Como o STF não tem poder legislador, o julgamento da ADPF nº 54 pode ser considerado nulo por ser inconstitucional?

Ives Gandra – Na minha interpretação da lei maior, o Congresso Nacional pode anular a decisão do STF com base no artigo 49, inciso XI, assim redigido: “É da competência exclusiva do Congresso Nacional: XI – zelar pela preservação de sua competência legislativa em face da atribuição normativa dos outros Poderes”. O Supremo Tribunal Federal não tem poder de legislar, nem mesmo nas omissões inconstitucionais do Legislativo, isto é, quando a Constituição exige a produção de uma lei imediata e o Parlamento não a produz. E, à evidência, se há proibição do STF legislar em determinadas matérias, em que a desídia do Congresso é inequívoca, com muito mais razão não pode a Suprema Corte avocar-se no direito de legislar no lugar do Congresso naquelas matérias de legislação ordinária. Tal aspecto foi bem salientado pelo ministro Ricardo Lewandowsky em seu voto.

O dispositivo que impede o Pretório Excelso de legislar é o parágrafo 2º do artigo 103 da Lei Suprema, assim redigido: “Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias”. Para o Executivo há prazo para produzir a norma. Para o Legislativo, nem prazo, nem sanção, se não a produzir.

– Qual a sua opinião sobre esse caso não ter sido julgado no Congresso? E pela maneira antidemocrática como foi feito, sem levar em conta as manifestações da sociedade e também sem permitir que vozes contrárias fossem ouvidas durante a sessão?

Ives – Só me resta lamentar, até porque as entidades favoráveis à vida foram proibidas de sustentar oralmente a defesa da vida, pelo ministro Marco Aurélio que não as admitiu como amicus curiae (amigos da Corte). Desta forma, em plenário só houve a defesa dos advogados favoráveis ao aborto (procurador-geral e o da instituição promotora da ADPF).

Matéria desta complexidade, em que a maioria da sociedade, segundo o ministro Lewandowsky, é contra, à evidência, só poderia ser decidida pelo Congresso e, a meu ver, promovendo um plebiscito para conhecer o que quer a nação.

Para mim, todavia, em face da inviolabilidade do direito à vida desde a concepção (art. 5º, “caput”), entendo que, por ser cláusula pétrea, a questão não poderia ser sequer tratada, não tendo sido recepcionado o Código Penal de 1940 nas hipóteses do aborto sentimental ou terapêutico.

– Qual é o critério para a escolha dos ministros do STF? Quem responde por alguma decisão indevida? De que forma a sociedade pode agir para exigir algum tipo de mudança nos critérios antidemocráticos adotados no julgamento?

Plenário do STF aprova aborto de anencéfalo. Foto: José Cru/ABR
Congresso Nacional tem poderes para anular decisão, diz jurista

Ives – O sistema atual é ruim, pois depende exclusivamente da vontade política ou amizade do presidente com o candidato escolhido. Uma vez escolhido, entretanto, só por prevaricação poderá o ministro ser afastado pelo Senado. Jamais por decidir de acordo com suas convicções, mesmo quando frontalmente contrariar a lei. O que a sociedade pode fazer é pressionar os congressistas na forma de escolha dos ministros do STF.

Essa decisão pode abrir um precedente para a liberação do aborto em outras situações não previstas em lei?

Ives – Claramente abre um precedente para o aborto de fetos mal formados. A reação, todavia, foi de tal espécie que creio que dificilmente o STF entrará em outra aventura semelhante. Deixará os demais casos para o Congresso decidir.

– Qual a sua opinião sobre o aborto de crianças anencéfalas?

Ives – O artigo 2º do Código Civil declara que todos os direitos são assegurados ao nascituro, desde a concepção. O parágrafo 5º da Constituição diz que ele é inviolável. E o parágrafo 4º do Pacto de São José, do qual o Brasil é signatário, que os direitos do nascituro devem ser assegurados desde a concepção. Não há qualquer exceção nos três textos. Por esta razão, nada obstante a decisão de oito ínclitos ministros do STF, continuo considerando aborto de anencéfalos um homicídio uterino, agora legalizado.

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* Papa aos novos sacerdotes por ele ordenados: “quando a cruz se tornar mais pesada, será a hora mais preciosa”

domingo, abril 29th, 2012

Bento XVI presidiu na manhã deste domingo à santa missa na Basílica de São Pedro, na qual ordenou nove sacerdotes para a Diocese de Roma.

“A tradição romana de celebrar ordenações sacerdotais neste IV Domingo de Páscoa, domingo “do Bom Pastor”, contém uma grande riqueza de significado, ligada à convergência entre a Palavra de Deus, o Rito litúrgico e o Tempo pascal em que se coloca” – explicou o Papa no início da homilia.

“Em particular – continuou –, a figura do pastor, tão relevante na Sagrada Escritura e naturalmente muito importante para a definição do sacerdote, adquire a sua plena verdade e clareza no rosto de Cristo, na luz do Mistério de sua morte e ressurreição” – com essas palavras, Bento XVI situou as ordenações sacerdotais por ele feitas durante a celebração explicando o seu significado no contexto da liturgia celebrada neste domingo.

“O bom pastor dá a vida pelas ovelhas”, destacou o Papa, evidenciando a primeira característica fundamental do bom pastor. Bento XVI acrescentou que nessa passagem de Jo 10,11 somos imediatamente levados ao centro, ao cume da revelação de Deus como pastor de seu povo.

“Este centro e cume é Jesus, precisamente Jesus que morre na cruz e ressurge do sepulcro no terceiro dia, ressurge com toda a sua humanidade, e desse modo nos envolve, cada homem, em sua passagem da morte para a vida” – acrescentou.

“Esse evento – a Páscoa de Cristo – em que se realiza plenamente e definitivamente a obra pastoral de Deus, é um evento sacrifical: por isso o Bom Pastor e o Sumo Sacerdote coincidem na pessoa de Jesus que deu a vida por nós.

Dirigindo-se aos diáconos que logo em seguida seriam ordenados sacerdotes, o Pontífice ressaltou que “é lá que o Bom Pastor quer conduzir-nos! É lá que o sacerdote é chamado a levar os fiéis a ele confiado: à verdadeira vida, à vida “em abundância”.

“O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” Jesus insiste sobre essa característica essencial do verdadeiro pastor que é ele mesmo: “dar a própria vida”.

“Esse é claramente o traço qualificador do pastor assim como Jesus o interpreta em primeira pessoa, segundo a vontade do Pai que o enviou.”

E o sacerdote – explicou o Santo Padre – é “aquele que é inserido num modo singular no mistério de Cristo, com uma união pessoal a Ele, para prolongar a sua missão salvífica”. Essa união, que se dá graças ao Sacramento da Ordem, requer que se torne “sempre mais estreita” pela generosa correspondência do próprio sacerdote.

“Ressalta com força que, para o sacerdote, celebrar todos os dias a santa missa não significa realizar uma função ritual, mas cumprir uma missão que envolve inteiramente e profundamente a existência, em comunhão com Cristo que, na sua Igreja, continua realizando o Sacrifício redentor.”

Uma “dimensão eucarística-sacrifical” que “é inseparável da dimensão pastoral” da qual “constitui o núcleo de verdade e de força salvífica, da qual depende a eficácia de toda atividade”. Não somente – ressaltou o Pontífice – “em nível psicológico e social, mas na fecundidade vital da presença de Deus em nível humano profundo”.

“A própria pregação, as obras, os gestos de diferente natureza que a Igreja faz com as suas multíplices iniciativas, perderiam a sua fecundidade salvífica se deixasse de lado a celebração do Sacrifício de Cristo. E essa celebração é confiada aos sacerdotes ordenados.”

Todo “presbítero é chamado a viver em si mesmo aquilo que experimentou em Jesus em primeira pessoa, ou seja, dar-se plenamente à pregação e à cura do homem de todo mal do corpo e do espírito”, até dar a vida pelos homens, gesto que encontra “expressão sacramental na Eucaristia”, memória perpétua da Páscoa de Jesus.

“Caros Ordenandos, esta Palavra de Deus ilumine toda a vida de vocês. E quando o peso da cruz se fizer maior, saibam que essa é a hora mais preciosa, para vocês e para as pessoas a vocês confiadas.”

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* O maior desafio para a Igreja não é aprender a usar a web para evangelizar, mas sim viver e pensar bem – até mesmo a fé – no tempo da rede”.

domingo, abril 29th, 2012

Vatican Insider

Hoje, o maior desafio para a Igreja não é aprender a usar a web para evangelizar, mas sim viver e pensar bem – até mesmo a fé – no tempo da rede”, afirma aos microfones da Rádio do Vaticano o padre Antonio Spadaro, diretor da revista Civiltà Cattolica e autor de  cyberteologia, um livro publicado pela editora Vita e Pensiero.

“Hoje, graças aos telefones inteligentes e aos tabletes, a nossa vida é sempre ‘online’, e a rede muda o nosso modo de pensar e de compreender a realidade. Por isso – afirma o jesuíta – eu me pergunto: como muda a busca de Deus no tempo dos sistemas de busca? Quem é o meu próximo na época da web? São possíveis a liturgia e os sacramentos na rede?”.

Segundo o padre Spadaro, “precisamente na rede, Cristo chama a humanidade a ser mais unida e conectada”. E essa concepção dos meios de comunicação pertence à tradição da Igreja. “Em 1931, quando o Papa Pio XI abençoou, em latim, os maquinários da Rádio Vaticano – lembra o padre Spadaro – ele salientou que comunicar as palavras apostólicas aos povos distantes, através do éter, era uma forma de estar unidos a Deus em uma única família. Uma intuição profunda para a época, que via na tecnologia do rádio não uma forma para transmitir conteúdos e fazer propaganda, mas sim um meio para criar relações, uma única grande família de crentes. Poderíamos quase dizer – observa Spadaro – que o Papa Ratti já havia compreendido plenamente a lógica das redes sociais”.

O autor deixa de lado as críticas às redes sociais, muito frequentes, não só no mundo católico. “Trata-se de ambientes em que se pode viver bem ou mal – explica o diretor da Civiltà Cattolica , depende da qualidade das pessoas que as frequentam”.

“Além de qualquer consideração – conclui – deve-se avaliar que, no Facebook, há mais de 500 milhões de pessoas, e assim a Igreja, sobretudo, não pode não estar lá. É um fato que apela à nossa moralidade”.

Diante do preconceito, duro de morrer, de uma Igreja inimiga do progresso, Spadaro lança, enfim, uma nova provocação: “Justamente nós, fiéis crentes, somos chamados a dar ao mundo uma contribuição de leitura teológica do fenômeno da rede, para entender as verdadeiras potencialidades desse ambiente”.

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* A MORTE do direito à vida dos bebês anencéfalos pela decisão de homens VIVOS do STF.

domingo, abril 29th, 2012

À direita a Dra. Lenise Garcia em visita a Joana Schmitz Croxato, que tem ao colo a pequena filha Vitória, nascida com má formação cerebral.

À direita a Dra. Lenise Garcia em visita a Joana Schmitz Croxato, que tem ao colo a pequena filha Vitória, nascida com má formação cerebral.

Poucos perceberam a gravidade da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ao autorizar o aborto de crianças com anencefalia, com o argumento de que “o feto sem potencialidade de vida não pode ser tutelado pelo tipo penal que protege a vida”.

O ministro Marco Aurélio Mello, relator do processo, fez também a colocação de que o anencéfalo seria “natimorto”, contradizendo-se logo a seguir ao afirmar que tem “possibilidade quase nula de sobreviver por mais de 24 horas”. A ninguém ele explicou como pode um natimorto sobreviver.

Entre os que se deram conta da gravidade da situação está o ministro Peluso, que disse em seu voto que “este é o mais importante julgamento da história desta Corte. O que nela na verdade se tenta definir é o alcance constitucional do conceito de vida e sua tutela normativa”. “A vida não é um conceito artificial criado (…) pela ciência jurídica. A vida, assim como a morte, são fenômenos pré-jurídicos, dos quais o Direito se apropria para determinados fins, mas que jamais, em nenhuma circunstância, podem regular, de maneira contraditória, a própria realidade fenomênica”, acrescentou.

Ao descaracterizar a vida do anencéfalo como direito a ser protegido, o STF deu à luz uma estranha criatura, o “morto jurídico”. Foram desvinculadas a “vida biológica” e a “vida jurídica”, e assim a criança com anencefalia foi morta por decreto ainda no útero da mãe. Curiosa solução para que possa ser abortada sem aparente transgressão da lei, pois juridicamente já está morta, desde que o médico e a mãe assim decidam.

Entretanto, preservou-se o direito das mães que queiram levar a gravidez até o fim. Que direitos terá essa criança, ao nascer? Será registrada como morta? E se perseverar em viver, mesmo que por alguns dias, terá direito à assistência? Segundo o ministro Marco Aurélio, “jamais se tornará uma pessoa”, é um “não cidadão”, juridicamente morto.

Uma vez aprovada a sentença de morte, ficou para o Conselho Federal de Medicina a impossível tarefa de decidir a quem deverá ser aplicada, ou seja, como diagnosticar, sem possibilidade de erro, a criança anencéfala. O diagnóstico intraútero é de acrania, acompanhado pelo prognóstico de anencefalia, pois o cérebro ainda está em formação e a sua lesão está em processo. Prever, aos três meses de gravidez, como será a deficiência ao nascer é similar a examinar uma criança de três anos e prever o seu peso e altura quando tiver nove. Seja qual for o tamanho da lesão, não pode ser argumento para se negar a vida de quem a possui.

Outro grave erro que perpassa os votos favoráveis à autorização do aborto é a substituição do julgamento moral feito com base em uma contraposição entre bem e mal – base de todo o ordenamento ético e jurídico – para outra, feita entre felicidade e sofrimento. Evidentemente, ninguém deseja o sofrimento per se. Entretanto, há inúmeras situações na vida humana em que ele é inevitável. Se o estar sofrendo autorizasse qualquer ação, estaríamos diante da derrocada da moral. Além do mais, é falso o alívio trazido pelo aborto, pois as mulheres que a ele recorrem terão de conviver com a lembrança do ato praticado, muito mais dura que a memória de um filho, mesmo deficiente, recebido com amor e doação de si.

Com o discurso da liberdade, a decisão do STF tem ares totalitários e abre perigosíssimos precedentes de violação do mais básico dos direitos humanos, o direito à vida.

Lenise Garcia é bióloga, professora da Universidade de Brasília (UnB) e presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto.

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* Aquecimento global: pai da “hipótese Gaia” se retrata de seu alarmismo.

domingo, abril 29th, 2012

Luis Dufaur

James Lovelock, criador da hipótese ambientalista segundo a qual a Terra formaria um só organismo “vivo” apelidado “Gaia”, admitiu em entrevista à MSNBC que foi “alarmista” a respeito de “mudança climática”.

À guisa de desencargo de consciência, comentou que também outros ambientalistas famosos, como Al Gore, caíram no mesmo erro.

Um dos pais fundadores do ambientalismo hodierno, Lovelock tem esperança de que a suspirada “mudança climática” ainda aconteça, mas lamentou que não virá tão rápido quanto ele anunciava.

Em 2006, em artigo no jornal inglês “The Independent”, Lovelock escreveu que “antes do fim deste século bilhões de homens terão morrido e os poucos casais que sobrevivam ficarão no Ártico, onde o clima ainda será tolerável”.

Agora, em entrevista telefônica com a MSNBC, reconheceu que estava “extrapolando demais”.

Parafraseando os argumentos dos cientistas objetivos, explicou:

– “O problema é que não sabemos o que é que o clima vai fazer. Há 20 anos nós achávamos que sabíamos. Isso nos levou a escrever alguns livros alarmistas – o meu inclusive – porque parecia evidente, porém não aconteceu”.

– “O clima está fazendo suas trapaças habituais. Em verdade, não há muita coisa acontecendo ainda, quando nós deveríamos estar num mundo a meio caminho da fritura”.

– “O mundo não se aqueceu muito desde o milênio. Doze anos é um tempo razoável … ela [a temperatura] manteve-se praticamente constante, quando deveria ter ido aumentando”.

Em 2007, a revista “Time” incluiu Lovelock na lista dos 13 líderes e visionários “Heróis do Meio Ambiente”, onde também figuravam Al Gore, Mikhail Gorbachev e Robert Redford.

Interrogado se agora tinha virado um “cético” do aquecimento global, Lovelock respondeu à MSNBC: “Depende do que o Sr. entende por “cético”. Eu não sou um negacionista”.

Ele explicou que ainda acredita que a mudança climática esteja acontecendo, mas que seus efeitos serão sentidos num futuro mais longínquo do que se acreditava. “Teremos o aquecimento global, mas ficou adiado um pouco”, explicou.

“Eu cometi um erro”

Lovelock esclareceu que não se importava em dizer: “Tudo bem, eu cometi um erro”.

Na entrevista, ele insistiu que não tirava uma só palavra de seu livro base “Gaia: um novo olhar dobre a vida na Terra”, publicado em 1979. Mas reconheceu que no livro “A vingança de Gaia”, de 2006, ele tinha ido longe demais falando da Terra superaquecida no fim do século.

– “Eu deveria ter sido um pouco mais cauteloso, porém, teria estragado o livro”, brincou cinicamente.

Militantes ambientalistas só puderam concordar, embora desanimados, com o mea culpa de Lovelock.

Peter Stott, chefe do monitoramento do clima no Met Office Hadley Centre, da Inglaterra, disse que o guru foi alarmista demais prevendo que os homens seriam obrigados a viver no Ártico por causa do “aquecimento global”. Também concordou que o aquecimento dos últimos anos foi menor do que o previsto pelos modelos climáticos.

Keya Chatterjee, diretor internacional de política climática do grupo ambientalistaWWF-EUA, disse em comunicado que estava “difícil não se sentir esmagado e ficar derrotista”, e sublinhou que a conversa alarmista não ajuda a convencer as pessoas.

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* Jovens brasileiros – com média de 15 anos – conciliam bem ciência e religião, afirma pesquisa

domingo, abril 29th, 2012

Estado de São Paulo

A conclusão flui de um questionário sobre religião e ciência respondido por estudantes de escolas públicas e privadas de todas as regiões do País, com média de 15 anos de idade. A base de dados e a metodologia usadas na pesquisa foram as mesmas do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), segundo Bizzo, para garantir que os resultados fossem estatisticamente representativos da população estudantil brasileira. “É o primeiro dado com representatividade nacional sobre esse assunto para esta faixa etária”, diz o educador, que apresentou os dados pela primeira vez neste mês, em uma conferência na Itália.

“Ainda vamos fracionar e analisar mais profundamente as estatísticas, mas já dá para perceber que os alunos religiosos brasileiros são bem menos fundamentalistas do que se esperava”, avalia Bizzo, que também é formado em Biologia e tem livros e trabalhos publicados sobre a história da teoria evolutiva. “É surpreendente. Algo que sugere que no futuro teremos uma população com uma interpretação mais elástica das doutrinas religiosas e mais sensível à ciência.”

Aos 15 anos, diz Bizzo, os jovens estão passando por uma fase de definição moral, em que consolidam suas opiniões sobre temas fundamentais relacionados à ética e à moralidade. “É um período crucial. Dificilmente os conceitos de certo e errado mudam depois disso.”

O questionário apresentava aos alunos 23 perguntas ou afirmações com as quais eles podiam concordar ou discordar em diferentes níveis. Mais de 70% disseram que se consideram pessoas religiosas e acreditam nas doutrinas de sua religião (52% católicos e 29% evangélicos, principalmente, além de 7,5% sem religião). Ao mesmo tempo, mais de 70% disseram que a religião não os impede de aceitar a evolução biológica; e 58%, que sua fé não contradiz as teorias científicas atuais. Cerca de 64% concordaram que “as espécies atuais de animais e plantas se originaram de outras espécies do passado”.

Só quando a evolução se aplica ao homem e à origem da vida, as respostas ficam divididas. Há um empate técnico, em 43%, entre aqueles que concordam e discordam que a vida surgiu naturalmente na Terra por meio de “reações químicas que transformaram compostos inorgânicos em orgânicos”. E também entre os que concordam (44%) e discordam (45%) que “o ser humano se originou da mesma forma como as demais espécies biológicas”.

Sensibilidade

Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que nenhuma das respostas que seriam consideradas fundamentalistas, do ponto de vista religioso, ultrapassam a casa dos 29%, porcentagem de entrevistados que se declararam evangélicos (denominação em que a rejeição à teoria evolutiva costuma ser mais forte). Apenas em dois casos elas ultrapassam 20%: entre os alunos que “discordam totalmente” que o ser humano se originou da mesma forma que as outras espécies (24%) e que os primeiros seres humanos viveram no ambiente africano (26%).

“A porcentagem dos que rejeitam completamente a origem biológica do homem é menor que a de evangélicos da amostra, o que é uma surpresa, já que os evangélicos no Brasil costumam ser os mais fundamentalistas na interpretação do relato bíblico”, avalia Bizzo. “A teoria evolutiva é talvez a coisa mais difícil de ser aceita do ponto de vista moral pelos religiosos. Mesmo assim, os dados mostram que a juventude brasileira é sensível aos produtos da ciência.”

Divulgada em 1859, com a publicação de A Origem das Espécies, a teoria evolutiva de Charles Darwin propõe que todos os seres vivos têm uma ancestralidade comum, e que as espécies evoluem e se diversificam por meio de processos de seleção natural puramente biológicos, sem a necessidade de intervenção divina ou de forças sobrenaturais – um conceito amplamente confirmado pela ciência desde então.

Apesar de ser frequentemente (e erroneamente) resumida como “a lei do mais forte”, a teoria evolutiva é muito mais complexa que isso. A Origem das Espécies tinha 500 páginas, e Darwin ainda considerava isso muito pouco para explicá-la. Desde então, com o surgimento da genética e o desenvolvimento de várias outras linhas de pesquisa evolutiva, a complexidade da teoria só aumentou, dificultando ainda mais sua compreensão – e, possivelmente, sua aceitação – pelo público leigo.

“O problema é que a maioria dos estudantes – ainda mais com 15 anos – não tem muita clareza sobre o que está envolvido na teoria darwiniana. Com isso há o potencial de surgirem respostas contraditórias”, avalia o físico e teólogo Eduardo Cruz, professor do Departamento de Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Isso não tem a ver com a qualidade da pesquisa, mas com a pouca compreensão de temas tanto científicos quanto teológicos. Além do que, quando se trata de perguntas que envolvem a intimidade das pessoas, as respostas nem sempre são confiáveis. É como perguntar a rapazes de 15 anos se ainda são virgens.”

Aceitação

Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2010, com 4.158 pessoas acima de 16 anos, indicou que 59% dos brasileiros acreditam que o homem é fruto de um processo evolutivo que levou milhões de anos, porém guiado por uma divindade inteligente. Só 8% acreditam que o homem evoluiu sem interferência divina. Os dados também mostram que a aceitação da teoria evolutiva cresce de acordo com a renda e a escolaridade das pessoas – o que pode ou não estar relacionado a uma melhor compreensão da teoria.

“Há uma discussão se a aceitação depende do entendimento, e uma análise mais precisa será realizada, mas uma análise superficial dos dados não encontrou essa correlação”, afirma Bizzo sobre sua pesquisa, financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Faculdade de Educação da USP. “Há indícios de que a compreensão básica seja acessível a todos e que a decisão de concordar que a espécie humana surgiu como todas as demais não depende de estudos aprofundados na escola.”

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* Polônia: Abaixo assinado com dois milhões de assinaturas e cem mil manifestantes nas ruas em defesa da liberdade de expressão.

sábado, abril 28th, 2012

cristãofobia é um dos fenômenos mais perturbadores dos nossos tempos. Bento XVI denunciou muitas vezes a perseguição e o assédio contra cristãos em todo o mundo. A denúncia das hostilidade contra os cristãos ganha peso especial quando o papa se dirige ao corpo diplomático creditado junto à Santa Sé.

Em 9 de janeiro, falando a diplomatas, o Santo Padre reclamou que os cristãos vêem negados seus direitos fundamentais em muitos países, além de serem postos à margem da vida pública. Outros sofrem ataques violentos contra suas igrejas e casas.

Infelizmente, a queixa de Bento XVI também afeta a Europa, onde a cristãofobia não tem formas de perseguição física, mas existe de modo mais sutil. Por este motivo, na mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2011, o papa falou dos países de tradição cristã: “Desejo expressar a minha esperança de que, no Ocidente, especialmente na Europa, cessem as hostilidades e os preconceitos contra os cristãos por pretenderem guiar as suas vidas de maneira consistente, conforme os valores e os princípios expressos no Evangelho”.

Um exemplo concreto de preconceitos contra os cristãos e de sutil de perseguição na Europa é o caso da TV Trwam, a única emissora de televisão católica da Polônia. No ano passado, o Conselho Nacional de Rádio e Televisão polonês, expressão das forças políticas que governam hoje a Polônia, excluiu a Trwam da plataforma nacional de TV digital, que, a partir de 2013, garantirá aos poloneses o acesso gratuito a uma série de emissoras.

Foi uma decisão grave, que tem como objetivo minimizar a presença da Igreja católica nos espaços públicos, motivada principalmente pelos preconceitos anti-católicos e por fortes interesses ideológicos, disfarçados com a frágil desculpa da instabilidade financeira da televisão católica. Esta decisão preocupa tanto o clero quanto os fiéis leigos, até porque esta política se parece bastante com a dos velhos métodos comunistas.

Dom Jozef Michalik, presidente da Conferência Episcopal da Polônia, tem falado abertamente sobre o “apagamento do pluralismo da mídia”, e dom Wiesław Mering, chefe do Conselho de Cultura e Proteção do Patrimônio Cultural no Episcopado, advertiu: “Não se pode ignorar a parte católica da sociedade, que é a parte majoritária!”.

O padre Tadeusz Rydzyk, CSsR, diretor da Rádio Maria no país, comentou a decisão do Conselho: “O ministro do culto, no velho governo comunista polonês, dizia: ‘não permitiremos que a Igreja saia das sacristias’. Aquele ministro cuidava do culto não para ajudar os crentes, mas para criar obstáculos. Nos tempos comunistas, qualquer método era bom para limitar a influência da Igreja na sociedade, particularmente nos jovens. Hoje os riscos são os mesmos”.

A sociedade civil também se mobilizou, em abaixo-assinado defendendo a presença da televisão católica na plataforma digital. O número de assinaturas já ultrapassou dois milhões. O caso atraiu a atenção até mesmo da Fundação dos Direitos Humanos de Helsinque.

Para apoiar a TV Trwam e os direitos ao pluralismo e à real democracia, uma grande manifestação aconteceu no último sábado, 21 de abril, no centro de Varsóvia. O encontro começou com a missa celebrada na praça central das Três Cruzes, por dom Antoni Dydycz, da diocese de Drohiczyn. O bispo lembrou que, de acordo com os ensinamentos do Concílio Vaticano II, os meios de comunicação “devem transmitir a verdade, porque a Igreja nos chama à verdade”.

“Infelizmente, não podemos dizer isto da maioria dos meios de comunicação na Polônia”, completou Dydycz, recordando também que os documentos conciliares falam claramente dos “deveres que cabem às autoridades civis nesta área, tendo em vista o bem comum: os deveres de defender e proteger a verdadeira e justa liberdade de informação”.

Infelizmente, as decisões do comitê contradizem esses deveres das autoridades. O bispo agradeceu a todos os fiéis que se reuniram em Varsóvia para defender e rezar pela liberdade de expressão. “Este é um sinal de maturidade do povo, que, escrevendo as petições, se mostra consciente de qual deve ser o papel dos meios de comunicação modernos. Não podemos permitir que a mídia promova apenas atitudes egoístas, consumistas, hedonistas e anti-sociais”, acrescentou Dydycz.

Depois da missa, os manifestantes chegaram à sede do parlamento, onde discursou Jarosław Kaczyński, irmão do presidente polonês que morreu tragicamente no acidente aéreo de Smolensk e líder do partido de oposição Lei e Justiça, que denunciou as tentativas “de reduzir os católicos ao silêncio, colocando-os à margem da sociedade, tornando-os cidadãos de segunda classe.”

“As pessoas tiveram que voltar a tomar as ruas para defender a Polônia independente, democrática, justa e orgulhosa de si mesma. É por isso que hoje nós marcharemos de cabeça erguida. Quem deve ter vergonha são todos aqueles que querem atingir a Igreja polonesa, o Solidarnosc e a dignidade da nação”, destacou o político.

Na manifestação em Varsóvia participaram cerca de 100.000 pessoas. Surge então a questão: por que os meios de comunicação mundiais têm ignorado uma manifestação desse porte em uma das capitais da Europa? A defesa do pluralismo da mídia e do papel da mídia católica não interessa ao mundo civil?

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* Jovem reage e “volta à vida” após morte cerebral diagnosticada por 4 médicos.

sábado, abril 28th, 2012

Um adolescente se recuperou totalmente após ter morte cerebral diagnosticada por quatro médicos em Coventry, no Reino Unido. Os especialistas consideraram o caso de Steven Thorpe “realmente único”.

As informações são do site do jornal britânico Daily Mail.

O caso ocorreu em 2008 e foi divulgado pelo jornal. Thorpe, então com 17 anos, estava com dois amigos em um carro que se envolveu em um acidente. Um dos amigos morreu e o adolescente acabou em coma induzido em um hospital da cidade.

Os médicos afirmaram que o jovem teve morte cerebral e chegaram a perguntar aos pais se queriam doar os órgãos. Foi o pai de Thorpe que insistiu para os médicos refazerem os exames porque acreditava que seu filho sobreviveria.

Ele chegou a contratar uma neurologista para ter uma nova opinião. Foi somente quando a doutora Julia Piper – aquela contratada pelo pai – examinou o adolescente, que foram descobertos sinais muito fracos do cérebro. Os médicos decidiram retirar o paciente do coma induzido para ver se ele se recuperaria.

Cinco semanas depois, Thorpe surpreendeu os médicos e recebeu alta. “Meu pai acreditou que eu ainda estava lá”, diz o jovem, que hoje, com 21 anos, é trainee em uma empresa. Thorpe passou por quatro operações para reconstruir sua face. Além disso, fez fisioterapia para melhorar os movimentos do braço esquerdo.

O hospital afirma ao jornal que “os ferimentos no cérebro de Steven foram extremamente críticos e diversos exames de tomografia computadorizada indicaram que o dano era praticamente irreversível. Contudo, os times de especialistas continuaram a dar suporte apesar do momento crítico e estamos satisfeitos em ver Steven recuperado e fazendo progresso contra todas as probabilidades. Ele é realmente um caso único.”

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* Fé, Razão e VERDADE caminham juntas!

sábado, abril 28th, 2012

Atualmente, muitos são os que acreditam em um divórcio irreconciliável entre as ciências filosóficas e a doutrina da Revelação, e consequentemente, uma dupla verdade: aquela apreendida pelos sentidos ou experimental e a da fé.

Em que consiste a verdadeira filosofia? No estudo dos fenômenos? No estudo do homem como simples objeto? A razão humana estaria, desta forma, reduzida a funções meramente práticas e instrumentais? Há um caminho certo para a filosofia?

Se, etimologicamente, o termo filosofia vem do grego e significa amigo da sabedoria ou amigo do conhecimento, poderíamos dizer que filósofo é todo aquele que deseja conhecer; em outras palavras: todo o gênero humano, pois todos nós buscamos o conhecimento desde a infância. Uma criança ainda em seus primeiros meses de vida: se lhe mostram um brinquedo ela não se contenta apenas em vê-lo, mas deseja também pegá-lo, agitá-lo, mordê-lo, etc., pois a avidez pelo saber já se manifesta em seu intelecto. Ao crescer um pouco mais, é chegada a “idade dos porquês”, em que ela se indaga o porquê de tudo o que existe ao seu redor, como por exemplo: por que ao apertar o interruptor a luz se acende? Depois, ela iniciará seus estudos em um colégio, posteriormente em uma universidade, e irá crescendo e adquirindo experiência na “escola da vida”.

Esse desejo de conhecer cada vez mais, numa especulação racional contínua, foi a causa – sobretudo na antiga Grécia – de alguns começarem a dedicar-se de maneira especial à busca da verdade: são os que receberam o nome de filósofos. Primeiramente, seus estudos procuravam solucionar questões cosmológicas, chegando a conclusões muitas vezes infudadas, como a origem do mundo através do azar, da água, do fogo, ou até dos números. Posteriormente, interessaram-se por problemas antropológicos: o que é felicidade? Ou o que é a alma humana? Mas, tampouco, tiveram grande êxito.

Com a encarnação do Verbo, Jesus Cristo, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, trouxe ao mundo uma nova doutrina: a Boa Nova do Evangelho. Ele, que é o lumen veritatis, apresentou o caminho desta verdade, que é Ele mesmo: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Alguns séculos depois, a Escolástica levou a história da filosofia ao seu ápice, unindo a especulação da razão com a luz da fé.

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Santo Agostinho

Os que seguiram este Caminho chegaram com sucesso a muitas respostas para as investigações até então feitas. Pode-se comprovar isso nos Concílios, nas obras dos Padres e dos Doutores da Igreja, bem como nos documentos do Magistério Eclesiástico.

Como entende a filosofia cristã, à Luz da Revelação, o aparecimento do homem? Na sua bondade e com a sua onipotente virtude, não para aumentar a sua beatitude nem para adquirir perfeição, mas para manifestá-las através dos bens que concede às suas criaturas, somente este verdadeiro Deus tem, com a mais livre das decisões, desde o inicio dos tempos, criado do nada uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, os anjos e o mundo, e depois a criatura humana, como partícipe de ambas, constituída de alma e corpo (PIO IX. Dei Filius, no.9).

Ou qual a fonte da alegria do homem: “Há uma alegria que não é concedida aos ímpios, mas àqueles que Te servem por puro amor: essa alegria és Tu mesmo. E esta é a felicidade: alegrar-nos em Ti, de Ti e por Ti” (SANTO AGOSTINHO. Confissões, L. X, c.22)

Porém, muitos rejeitaram os ensinamentos do Homem-Deus e, por isso, não puderam encontrar-se com a verdade: “não [...] alcancei o sentido [da vida], parecendo-me tudo uma piada” (SARTRE, 1986, p.32 apud LLANO CIFUENTES, 2009, p.114). Ou baniram o Criador do Universo, por teorias errôneas, desligadas das verdades de fé: “Assim como o universo teve um começo, nós podemos supor que teve um criador. Mas se o universo está realmente autocontido, não tendo limite ou borda, sem qualquer princípio ou fim, existindo simplesmente, que lugar teria então um criador?” (HAWKING, 1988, p.140-141 apud BANDET, 2009, p.72). Excluindo os ensinamentos do Divino Mestre de suas especulações, eles negam o que para os que possuem a graça batismal é tão evidente, como afirma o Pe. François Bandet (2009, p.77):

O nosso universo está organizado com a precisão de um relojoeiro, e para afirmar que tudo isto não é senão fruto do acaso e do destino, como fazem os darwinistas, seria como dizer que a Torre Eiffel, com os seus milhares de porcas e parafusos, teria sido montada ao acaso. Ridículo…

Seria insensatez crer que a filosofia deva rejeitar o que Deus em sua infinita clemência se dignou manifestar aos homens. Nossa razão e capacidade intelectual não são senão uma participação em Deus. Para esta questão, nos chama a atenção Mons. João Sconamiglio Clá Dias (2009, p.17-18):

Não se pode conceber, portanto, uma vida intelectual em divórcio com a conduta em meio aos afazeres de nossa existência terrena. Quem é batizado e conhecedor da Revelação terá por ideal viver conforme o real divino e religioso, tal qual adverte o apóstolo: “Isto, pois, digo e vos rogo no Senhor: que não andeis mais como os Gentios, que andam na vaidade dos seus pensamentos, os quais têm o entendimento obscurecido, e estão afastados da vida de Deus pela ignorância que há neles, por causa da cegueira de seu coração” (Ef 4, 17-19).

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São Tomás de Aquino

É importante esclarecer que se pode e deve fazer uso das ciências, sem desprezar o que se conhece pela fé, pois “a razão, ao separar-se das questões últimas, se fez [...] incompetente para decifrar os enigmas da vida, os enigmas do bem e do mal, da morte e da imortalidade” (RATZINGER, 2005, p.182, tradução nossa). Tanto a luz da fé, quanto a luz da razão, procede da mesma fonte, autora da Revelação e criadora do intelecto humano, de maneira que, os princípios religiosos devem iluminar e guiar o raciocínio, e este proteger e defender a fé cristã; entretanto, sem jamais tentar sobrepor-se a ela, dado que nunca poderá demonstrá-la e compreender todos os seus mistérios. A este respeito, vejamos o que nos aconselha Santo Hilário (De la Trinidad. L.II, c.10 apud SÃO TOMÁS DE AQUINO. S.C.G., L.I, c.VIII, tradução nossa):

Comece por acreditar nestas coisas, medite-as e persevere; sem dúvida, jamais chegarás a elas, eu o sei, mas felicito-te por te teres aproximado. Pois, quem busca com fervor o infinito, mesmo se por acaso não chegar ao fim, avança sempre. Todavia, não te intrometas no mistério, nem mergulhes no arcano da verdade sem limites, presumindo compreender a suma da inteligência. Procure entender que há coisas incompreensíveis.

Assim, concluímos que após a vinda de Nosso senhor Jesus Cristo a esta Terra, a humanidade foi lavada por Seu sangue, e o que antes era impossível para a natureza humana, tornou-se possível pela graça. Magnífico exemplo disto se verifica na história da filosofia, pois o que ao homem antigo exigia uma vida inteira de esforço – muitas vezes em vão – aos que se voltam para Ele com veneração é concedido por um dom de Deus. Portanto, é necessário que a filosofia tome a fé como seu guia para alcançar a verdade.

Por Mariana Iecker Xavier Quimas de Oliveira

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* Por que a Igreja “não deixa” a sociedade decidir sozinha as questões de ordem moral?

sábado, abril 28th, 2012

Côn. Henrique Soares da Costa

“Sofisma”, segundo o Aurélio, é um “argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má-fé por parte de quem o apresenta”; “argumento falso formulado de propósito para induzir outrem a erro”; “engano, logro, burla, tapeação”. Permita-me, paciente leitor(a), apresentar-lhe três sofismas.

Sofisma 1

Na polêmica em torno das experiências com células-tronco a custo do assassinato de embriões humanos, muito se disse contra a Igreja. Mete-se a ripa na Igreja também quando esta se coloca de modo crítico quanto ao reconhecimento civil da união entre homossexuais como sendo um “casamento”. Acusou-se essa bruxa velha de medieval, obscurantista e de querer impor seus pontos de vista reacionários aos não-católicos e não-crentes. Pura lorota. A Igreja não está querendo impor nada a ninguém nem é contra ninguém. A questão é de outra ordem.

Todas essas questões polêmicas são de ordem moral e dizem respeito ao modo como uma sociedade humana se compreende, se articula e delineia o seu futuro. Aqui estão envolvidas questões seríssimas: Que é a vida humana? Quando se inicia? Qual a sua dignidade? Quanto vale? Quem, quando e como deve protegê-la? Qual o sentido do sofrimento e da dor? Que é a família? Qual a sua função? Sobre quais valores se assenta? Qual a relação entre a família e o conjunto da sociedade? Qual o papel da família na geração e educação dos seres humanos, membros de uma sociedade e portadores de uma dignidade e de direitos inalienáveis?

Note-se não se trata simplesmente de moral cristã, mas de uma ética que envolve qualquer ser humano decente e qualquer sociedade humana que deseje manter o mínimo de dignidade e responsabilidade quanto ao seu futuro. Ninguém pode ficar isento de tentar dar respostas a essas questões. E são questões que marcarão o destino e a qualidade de toda a nossa sociedade.

Ora, a Igreja é portadora de uma mensagem, aquela de Jesus Cristo. Essa mensagem contém fortíssimas implicações morais às quais ela não pode renunciar sem ser infiel ao seu Senhor. É verdade que os cristãos não podem e não devem impor sua moral ao conjunto da sociedade, mas podem e devem manifestar-se e procurar fazer-se ouvir na busca da construção de uma ética civil, ou seja, um mínimo ético comum à grande maioria da sociedade.

Em que se basearia tal ética? Na busca de auscultar a consciência, no respeito pelo mais fraco, na afirmação do valor inalienável da vida humana, na renúncia ao utilitarismo como critério último de ação e avaliação, na busca honesta da superação de um subjetivismo descomprometido com o bem comum e com o interesse da coletividade. São alguns critérios.

Os nossos deputados, brincando de deus, aprovaram os experimentos que matarão embriões humanos. A Igreja continuará afirmando que não concorda. Não impõe seu parecer, mas dialoga e explica seus motivos. É seu direito e seu dever. Quem não gostar dela, paciência. Mas ninguém tem o direito de calá-la. É questão de ser fiel ao Cristo, não de ser popular ou agradar à maioria…

Sofisma 2

O Fantástico, da Rede Globo, mostrou a um certo tempo atrás uma pesquisa ampla para convencer que a Igreja não tem o apoio da Igreja. Explico-me: a Igreja oficial estaria sozinha na defesa de seus retrógrados princípios morais. A grande maioria dos católicos é a favor do aborto, dos preservativos, das relações pré-matrimoniais, da pesquisa com células-tronco embrionárias, do “casamento gay”. É a hierarquia que é quadrada e obscurantista. Eis o que a Globo quis passar.

Convém recordar que a verdade não é questão de maioria. Para os cristãos, a Verdade é Cristo e vive-se na Verdade quando se vive o seu Evangelho. Ora, não é o Cristo que deve se converter ao mundo, mas o mundo que se deve abrir ao Evangelho. Quando Jesus disse ser o Pão da vida, a grande maioria dos discípulos o abandonou. Mas, o Senhor não fez pesquisa de opinião para mudar sua doutrina. Muito pelo contrário: “Vós também quereis ir embora?”

Além do mais, católico não é quem diz que é católico. Católico é aquele que, com humildade e esforço, procura deixar seu pensamento mundano para abraçar o pensamento de  Cristo. O católico é aquele que vai à Missa aos domingos, que se esforça para viver o Evangelho, que se engaja na vida da comunidade dos irmãos em Cristo e que crê que a Igreja é conduzida pelo Espírito do Cristo ressuscitado. Esses católicos não são da turma que o Fantástico entrevistou, católicos de certidão de batismo, de missa de sétimo dia e de formatura. Porque a Igreja não é dona, mas serva da Verdade, porque não possui a Verdade, mas é por ela possuída, não voltará atrás por temor de pesquisas de opinião. Ela, nossa Mãe católica, somente deve ter medo de uma coisa: de ser infiel ao seu Senhor! Se a Globo – como a Veja, a IstoÉ, a Época e cia – pretendeu pressionar ou intimidar a Igreja, perdeu tempo, verbo e dinheiro…

Sofisma 3

Após a aprovação da pesquisa que matará embriões humanos, uma “cientista” afirmou, triunfante, no Jornal Nacional: “Saímos da Idade Média para a era tecnológica!” Com tristeza, podemos constatar o seguinte: essa senhora não sabe um dedo de história! A Idade Média não é o que ela insinuou. Não é Idade das trevas, não é Idade contrária à razão, não é Idade contrária ao progresso. Somente os estúpidos, com vocação para papagaio – eterno repetidores do que não sabem – podem afirmar isso. Ainda com tristeza constatamos a ilusão de pensar que entramos, de salto, na era tecnológica porque vamos pesquisar assassinando vidas humanas. Os meios de comunicação têm criado um mito em torno das promessas das células-tronco embrionárias. Vamos ver o que a dura realidade mostrará… Pena que à custa de vidas inocentes… Mas, o mais triste mesmo, é essa “cientista” considerar um progresso louvável sacrificar vidas humanas. Pobre civilização, a nossa, construída sobre tais “valores”.

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* 22 mil novos católicos receberam o batismo na China domingo de páscoa.

sexta-feira, abril 27th, 2012

Dados recolhidos pelo “Study Center of Faith” (Centro de estudos da fé), da província chinesa de Hebei e publicados pela Agência Fides comprovou que no domingo de Páscoa deste ano, mais de 22 mil novos católicos receberam o batismo na China.

Os fiéis são provenientes de 101 dioceses e 75% deles são adultos.

O Serviço de Informação do Vaticano (VIS) declarou que algumas dioceses não celebram todos os batismos no domingo de Páscoa, e portanto o número total pode aumentar até o final do ano.

De acordo com o Vaticano, atualmente na China existem entre oito a 12 milhões de católicos, divididos entre os que pertencem à Igreja dita “oficial” (Associação Patriótica Católica – APC) controlado pelo governo de Pequim e os que pertencem à chamada “clandestina”, fiel a Roma.

Em 1951 o governo chinês comunista expulsou todos os missionários estrangeiros, apesar de muitos terem se refugiado em Hong Kong, Macau e Taiwan. As relações diplomáticas com a Santa Sé foram, então, rompidas. (EPC)

Com informações do Serviço de Informação do Vaticano e Fides.

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* Cresce roubo de hóstias consagradas nas Igrejas Italianas.

sexta-feira, abril 27th, 2012

Há vários meses a Igreja Católica na Itália vem sendo atacada por pessoas que agindo de má fé, roubam a Santíssima Eucaristia das mais diversas formas, seja quebrando tabernáculos, furtando cibórios com hóstias consagradas ou ainda aproveitando da facilidade da comunhão na mão.

Os objetivos são ainda discutidos pelas autoridades locais: serão sacrilégios deliberados por alguma religião ou seita, ou os ladrões pretendem utilizar as hóstias em missas negras?

Algumas comunidades católicas se sentiram forçadas a tomar contra-medidas. Em algumas igrejas o tabernáculo é esvaziado e deixado aberto, a fim de serem protegidos contra o roubo.

O Arcebispo de Monreale, Dom Salvatore DiCristina, declarou que o “Santíssimo será mantido em um local mais seguro, por isso será armazenado em um cofre”.

Dom Velasio De Paolis, Cardeal e canonista, explicou que os sacrilégios contra a Eucaristia estão entre os mais graves dos delitos e os que os praticam recebem a condenação de excomunhão “latae sententiae”, que só pode ser levantada pela Santa Sé.

Dom Paolis sublinha que até mesmo a comunhão na mão oferece um risco maior de que hóstias consagradas possam ser roubadas, profanadas ou mantidas para fins sacrílegos. (EPC)

Com informações de Una Voce Brasil.

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