Por Arquivo abril 8th, 2012

* O que é ser filho de uma feminista. Testemunho pessoal de um homem que foi “educado” por uma mãe feminista.

domingo, abril 8th, 2012

O meu nome é Edgar van de Giessen. Tenho 45 anos e sou o filho duma antiga líder do movimento feminista holandês dos anos 70. A minha mãe foi a primeira mulher a receber o prémio “Harriet Freezer” (na foto), dado pela vossa organização Opzij como congratulação pelo activismo feminista.

Não escrevo isto em busca de qualquer tipo de simpatia pessoal. Escrevo isto apenas para abrir o meu coração de modo a que um dia destes os homens e as mulheres possam viver em amor e em respeito – e isto não apenas ao nível de igualdade legal mútua.

Antes de descrever as consequências pessoais de ter recebido uma educação feminista entre os meus 7 e 17 anos, quero expressar o meu respeito por todas as mulheres e por todos os homens que justificadamente protestam contra a repressão e descriminação baseada no género, côr da pele ou descendência étnica.

Consequentemente, quero que vocês imaginem como foi, para um rapaz de 10 anos, crescer a ouvir a própria mãe dizer todos os dias que os homens são os culpados por todos os problemas do mundo. que os homens são culpados por todos os crimes e guerras do mundo, que todos os homens deveriam ser castrados depois do seu sémen ter sido congelado (de modo a garantir a existência da próxima geração), que os homens deveriam viver em cidades distintas das mulheres de modo a que eles se matassem uns aos outros e resolvessem o problema da sua existência.

Este tipo de ensino feminista – que eu recebia todos os dias - criou uma desconfiança profunda em mim próprio, desconfiança em relação à autoridade do homem e um sentimento de nunca ser capaz de ser bom ou um ser humano amável devido ao facto de ser macho. Isto causou em mim a reação de tentar provar à minha mãe que pelo menos eu, como seu filho, era diferente dos outros homens. Isto rapidamente transformou-se em arrogância em relação a outros homens, o que fez com que eu fosse solitário e parco em amigos durante grande parte da minha vida.

Isto gerou também um ódio em relação às mulheres - ódio esse que eu apenas podia reprimir dentro de mim uma vez que, se eu o expressasse, provaria que a minha mãe estava certa. Esta repressão fez de mim um homem “gentil” como compensação pela repressão. Inevitavelmente isto levou a um ódio oculto e sentimentos agressivos contras as mulheres, chegando ao ponto de ter fantasias de violação e outro tipo de violência.

Como efeito do feminismo radical causado no seu filho, precisei de 25 anos de terapia, busca espiritual e cura emocional profunda antes de começar a descobrir o meu valor e começar a experimentar relacionamentos satisfatórios comigo mesmo, com os homens e com as mulheres.

A guerra entre os sexos continua por resolver. As taxas de divórcio relevam esta triste verdade. A violência entre os homens e as mulheres enche os jornais e o feminismo não foi capaz de resolver este problema. No meu caso pessoal, o próprio feminismo, expresso da forma que a vossa organização promove, criou (em larga maioria) os problemas e não os impediu.

Se o feminismo causa a que os homens odeiem as mulheres ao amaldiçoarem as trevas em vez de acenderem uma luz, o feminismo tem que se questionar se está suficientemente ciente dos desejos e da complexidade do coração humano de modo a ser capaz de resolver os problemas que descreve.

Durante todos os anos em que a minha mãe me dava as suas palestras feministas, ele não sentiu uma única vez a forma como as suas palavras e a sua energia impactavam o seu próprio filho. O amor pessoal é transaccionado através da habilidade de sentir o que o outro sente quando o outro o está a sentir.

A ferida emocional que a minha mãe me deu não veio apenas das suas palavras, mas também do fato dela não ser capaz de sentir o efeito que as suas palavras tinham em mim. Visto desta forma, a minha mãe tinha as suas próprias feridas emocionais que não só a transformaram numa mulher com ódio aos homens (orgulhosamente), como também numa feminista insensível cuja antipatia contra os homens (suportada pela vossa organização) transformou-se dentro de mim em ódio contra mim mesmo e contra as mulheres.

O que eu quero dizer é que, embora alguns aspectos do feminismo tenham tido papel importante em criar direitos iguais para as mulheres, o feminismo não fornece qualquer tipo de contribuição positiva para a forma como o homem e a mulher podem viver em respeito e amor um pelo outro. A minha insensível educação feminista gerou exactamente o oposto.

Um homem emocionalmente saudável nunca vai ter desejos de oprimir uma mulher. Uma mulher emocionalmente saudável nunca irá agredir os homens com as armas dele.

Em vez de lidar com as verdadeiras questões, o feminismo dos anos 70 e 80, cujo legado vocês herdaram, é um movimento reaccionário que usou a mesma energia opressiva contra a qual lutava. Devido a isto, o feminismo nunca pode ser bem sucedido em gerar uma atmosfera onde uma feminidade amorosa e poderosa poder brotar num ambiente de confiança e respeito em relação à força masculina.

Eu sinto e entendo que a mulher só pode respeitar a força dos homens se a mesma estiver plantada na vulnerabilidade franca, mas o feminismo e o movimento de emancipação não só falharam em produzir uma geração de tais homens como também não possuem os meios para fazê-lo.

Desta forma, o movimento feminista não reconhece a repercussão seminal do fato de todos os homens serem em larga maioria criados por mulheres, e que a sua relação adulta com as mulheres inconscientemente (ou não) ser determinada em grande parte pelo seu relacionamento com a sua mãe.

Porque é que o feminismo não levou a cabo um plano para criar rapazes que se tornassem em homens fortes que as mulheres pudessem confiar e amar? Como é possível que os rapazes [criados pelo feminismo] tornem-se em homens de oprimem, odeiam, desprezam ou não respeitam as mulheres? Estou convencido que se um rapaz receber amor emocional saudável da sua mãe, isto nunca pode acontecer.

O feminismo nunca soube o que a saúde emocional é, e como o amor saudável pode ser transmitido dum ser humano para o outro – de uma mãe para o filho, do pai para a filha, de um homem para uma mulher e de uma mulher para um homem.

Sem esta visão, cuja falta nunca pode ser discutida dentro da miopia que o feminismo tem do coração humano (independentemente do género), o feminismo mantém-se como um movimento reactivo que incorpora em si mesmo as características que estão erradas nos homens, e como tal, nunca atingirá os seus próprios propósitos.

Sinceramente,

Edgar van de Giessen


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* Leia entrevista de Moysés, fundador do Shalom, ao Jornal ” O POVO”, de Fortaleza.

domingo, abril 8th, 2012

Fonte: Jornal “O POVO ” Fortaleza, Ceará

O únio filho homem entre cinco mulheres, a mãe de Moysés Azevedo prometeu fazer-lhe padre, mas foi só o menino crescer para ela ver que a batina não seria seu caminho vocacional. Ele, entretanto, encontrou seu próprio caminho para seguir no caminho de fé que a mãe desejara. Envolveu-se com grupos de oração e, ali, viu a necessidade de se doar ao trabalho de evangelização de jovens como ele.

Aos 22 anos, deu início a movimento que nomeou de Comunidade Shalom. Iniciou evangelizando jovens ao mesmo tempo em que vendia sanduíches. Uma lanchonete e, 30 anos depois, a Comunidade Shalom está presente em todo o Brasil, em outros 21 países do mundo e soma mais de 17 mil pessoas envolvidas em seus grupos de oração e outros projetos. Tamanho sucesso, ele atribuiria a Deus. Quem está de fora, porém, vê a força das novas formas de apresentar a fé como a chave para atrair milhares de fieis.

Nesta entrevista, Moysés Azevedo explica por que decidiu criar um movimento voltado para jovens, debate sobre as mudanças implementadas pela Igreja Católica para atrair os mais novos e dá a sua opinião sobre os posicionamentos da Igreja Católica em relação a temas polêmicos como homossexualismo e sexualidade. O fundador do Shalom fala ainda da importância alcançada pela Jornada Mundial Juventude e o que mudou desde a sua criação.

O POVO - Por que criar um movimento voltado para os jovens?

Moysés Azevedo - Vou contar um pouco da minha vida porque se confunde um pouco com a criação do Shalom. Nasci em família tradicionalmente católica, na pré-adolescência, comecei a querer me afastar da igreja, apesar dos meus pais me levarem religiosamente a força à missa ao domingo. Eu ia à igreja, mas não me interessava, não me falava nada, não dizia respeito a mim, nem à minha juventude naquele tempo. Foi quando aos 16 anos, tive minha experiência forte com a pessoa de Jesus Cristo, num encontro de jovens da Arquidiocese de Fortaleza. Meu coração mudou e pude ver que só em Jesus Cristo tinha aquilo que meu coração jovem buscava em tantos lugares. Só Nele eu me encontrava em plenitude. Com 18 anos, conheci a Renovação Carismática, tive uma experiência forte com o batismo do Espírito Santo. Aos 20, vamos dizer que foi a ponte para a fundação da comunidade quando o papa João Paulo II veio a Fortaleza e dom Aluísio me pediu para que, em nome dos jovens, pudesse dar um presente ao papa. Perguntei qual devia ser o presente e ele disse, não sei, você que deve escolher. Me pus em oração e o que vinha no meu coração? Os jovens da minha idade, muitos que, como eu, buscavam a felicidade, a beleza, a plenitude da vida, o sentido da vida em tantas coisas passageiras e também se sentiam frustrados e eu, sem nenhum mérito, tinha feito a experiência com Jesus Cristo e encontrado o sentido da vida. Vinha no meu coração uma necessidade de dar de graça o que de graça tinha recebido. Aí foi decidido naquela data de ofertar minha vida e juventude para evangelizar os jovens, especialmente aqueles que estavam mais distantes de Cristo e da igreja.

OP - Mas por que o público jovem?

Moysés - Porque era minha experiência. Eu era um jovem, como um jovem, eu desejava felicidade no coração de um jovem. No coração do jovem, esse pulsar e esse desejo da felicidade é intenso, por isso, tantas vezes, ele mergulha em abismos muito profundos. É o momento da vida em que mais buscamos a plenitude da vida, fazemos perguntas fundamentais: quem sou eu? Pra onde vou? Qual o sentido da existência?

OP - O Shalom foi fundado há 30 anos e até hoje se fala muito que os jovens estão perdendo referencial, se distanciando da religião. Em que momento começa perda de referencial?

Moysés – Acho que esse fenômeno que se chama de relativismo não é novo, está mais forte, mais evidente, mas a minha geração já era uma que sofria. Dentro do processo histórico, podemos dizer que a partir dos anos 60, esse processo de secularização se estabeleceu, foi uma ruptura cultural e que nós, como Igreja, como cristãos, temos que dar uma resposta. Aqui, o princípio não é de condenação para essa sociedade de hoje. Às vezes, a gente ouve esse discurso moralista, saudosista, não é o nosso. O nosso é contrário, acreditamos que o evangelho de Jesus Cristo é a melhor resposta para coração de um jovem.

OP - E na prática, o que vocês fazem para preencher o coração dos jovens com Deus?

Moysés – Nós nascemos de uma inspiração que hoje se fala muito na Igreja, da nova evangelização. No que consiste? Em apresentar para os jovens um evangelho mais light? Absolutamente, negativo. O conteúdo da evangelização é o mesmo, a verdade de Cristo, a verdade sobre o homem, mas a roupagem, a forma, o entrar em diálogo é diferente. Nós temos que evangelizar o homem de hoje, com a s características de hoje.

OP - Você pode dar exemplos?

Moysés – A arte é uma maneira formidável, sempre foi e mais do que nunca é. As grandes obras de arte; Michelângelo é uma grande obra de arte e é religião.

OP - Mas um tipo de arte da qual os jovens também não se interessam…

Moysés - Para esse tipo de arte, mas há uma que fala aos jovens de hoje. Nós fazemos, por exemplo, o Halleluya, um evento que fazemos no mês de julho e que reúne em cinco dias cerca de 1 milhão de jovens. Uma arte com a linguagem de hoje, mostrando que a beleza vai além da estética, utilizando a música, a dança, o teatro, mas como instrumentos para mostrar a mensagem que é sempre a mesma: Jesus Cristo. Outra forma: os meios de comunicação, a rádio, a internet. Muitas vezes, temos receio de entrar nas redes sociais, mas nossos jovens estão na rede social, na internet e precisamos entrar na linguagem própria deles e anunciar-lhes o conteúdo de ontem, hoje e sempre: Jesus Cristo.

OP - Você acha que as atuais posições da Igreja Católica em relação aos mais diversificados assuntos condizem com os anos 2000?

Moysés – Com certeza, esses posicionamentos não são populares, mas a igreja não está para ser popular. A igreja é perita e mestra na verdade da humanidade. Há momentos, há doutrinas que são extremamente populares, mas são extremamente danosas. Pode ser que a posição adote nem sempre seja a mais popular, mas nada como o remédio do tempo. Quando a gente vai perceber, determinados princípios que eram antipáticos, tornam-se referenciais, que sem eles, a sociedade desmorona.

OP – O Brasil ainda é um país extremamente católico, mas o número de pessoas que se anunciam praticantes de outra religião também é crescente. Isso é uma consequência dessa não compatibilidade de ideias entre igreja e o mundo moderno?

Moysés – Não acho, acho que é uma questão de transmissão da fé. Nós vivemos uma cultura cristã, recebíamos uma base de fé, mas isso foi quebrado, isso é uma realidade. Os pais já não transmitem a fé para os seus filhos porque eles já não as têm. Esse e muitos outros valores. A revolução cultural dos anos 1960 quebrou muito das transmissões de valores da nossa sociedade, um deles foi a fé e aí as pessoas ficam buscando, por conta própria, por meio de um verdadeiro supermercado religioso a sua fé. E aí é que cabe o nosso papel.

OP – Dentro do Shalom, assuntos como sexualidade e homossexualidade têm espaço?

Moysés – Tudo o que diz respeito a humano, diz respeito a Cristo e diz respeito à igreja. A sexualidade humana é uma coisa bela, ela não é feia, ela pode se tornar feia e, por isso, esses assuntos não são tabus. São para serem abordados e dentro do Shalom, à luz da verdade do evangelho, nós procuramos iluminar e ajudar as pessoas seja a situação em que ela se encontra.

OP – Sobre a Jornada Mundial da Juventude. Ela foi criada em 1984 e naquela época já era uma ideia do papa de aproximar os jovens que estavam perdendo os referenciais. O que mudou daquela época para hoje?

Moysés – Como te falei, a gente tava vendo como houve uma ruptura no doar da fé da família para os jovens e o papa João Paulo II teve uma inspiração muito forte. Ele não queria debater a problemática dos jovens, ele queria se encontrar com os jovens do mundo inteiro e dialogar. E foi um grande sucesso. O maior índice de concentração humana de toda a história do mundo aconteceu em uma Jornada, em Manilha, 5 milhões de jovens se reuniram. Interessante a gente perceber como, diante de tantos questionamentos, os jovens procuram a igreja.

OP – E o que mudou? Os objetivos iniciais continuam?

Moysés - Continuam. Eu acredito que ela realiza uma revolução silenciosa no coração da humanidade. Milhares de jovens sacerdotes são frutos da jornada. E o que esses jovens buscam? Não é um Rock’n Rio…

OP – Por quê?

Moysés – Deus é a verdade, o que o mundo de hoje não fala. As facilidades que hoje se apresentam não preenchem o coração de todo mundo.

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* ATENÇÃO!! CNBB convoca Igreja do Brasil em carta a todos os bispos para Vigília de Oração pela Vida, diante do julgamento do STF.

domingo, abril 8th, 2012
Na próxima quarta-feira, dia 11/04, o Supremo Tribunal Federal (STF) realiza o julgamento sobre a descriminalização do aborto de anencéfalos – casos em que o feto tem má formação no cérebro. A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou nesta Sexta-feira Santa, 06/04, uma carta a todos os bispos do país, convocando para uma Vigília de Oração pela Vida às vésperas do julgamento.

Em agosto de 2008, por ocasião do primeiro julgamento do caso, a CNBB publicou uma nota que explicita a sua posição. “A vida deve ser acolhida como dom e compromisso, mesmo que seu percurso natural seja, presumivelmente, breve. (…)Todos têm direito à vida. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, diante da ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não se pode aceitar exceções. Os fetos anencefálicos não são descartáveis.  O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso. A Igreja, seguindo a lei natural e fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo, que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), insistentemente, pede,  que a vida seja respeitada e que se promovam políticas públicas voltadas para a eficaz prevenção dos males relativos à anencefalia e se dê o devido apoio às famílias que convivem com esta realidade”.

A seguir, a íntegra da carta da presidência da CNBB, bem como o texto completo da nota sobre o assunto.

Brasília, 06 de abril de 2012
P – Nº 0328/12

Exmos. e Revmos. Srs.

Cardeais, Arcebispos e Bispos
Em própria sede
ASSUNTO: Vigília de Oração pela Vida, às vésperas do dia 11/04/12, quarta feira.
DGAE/2011-2015: Igreja a serviço da vida plena para todos (nn. 65-72)
“Para que TODOS tenham vida” (Jo 10,10).
CF 2008: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).
CF 2012: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8).

Irmãos no Episcopado,

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil jamais deixou de se manifestar como voz autorizada do episcopado brasileiro sobre temas em discussão na sociedade, especialmente para iluminá-la com a luz da fé em Jesus Cristo Ressuscitado, “Caminho, Verdade e Vida”.

Reafirmando a NOTA DA CNBB (P – 0706/08, de 21 de agosto de 2008) SOBRE ABORTO DE FETO “ANENCEFÁLICO” REFERENTE À ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL Nº 54 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, a presidência solicita aos irmãos no episcopado:
  • Promoverem, em suas arqui/dioceses, uma VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELA VIDA, às vésperas do julgamento pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade legal do “aborto de fetos com meroanencefalia (meros = parte), comumente denominadosanencefálicos” (CNBB, nota P-0706/08).

Informa-se que a data do julgamento da ADPF Nº 54/2004 será DIA 11 DE ABRIL DE 2012, quarta feira da 1ª Semana da Páscoa, em sessão extraordinária, a partir das 09 horas.

Com renovada estima em Jesus Cristo, nosso Mestre Vencedor da morte, agradecemos aos irmãos de ministério em favor dos mais frágeis e indefesos,

Cardeal Raymundo Damasceno Assis          Dom José Belisário da Silva          Dom Leonardo Steiner
Arcebispo de Aparecida                               Arcebispo de São Luiz               Bispo Auxiliar de Brasília
Presidente da CNBB                                  Vice Presidente da CNBB                 Secretário Geral da CNBB

***


Nota da CNBB sobre Aborto de Feto “Anencefálico”

Referente à Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 do Supremo Tribunal Federal

O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em reunião ordinária, vem manifestar-se sobre a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF n° 54/2004), em andamento no Supremo Tribunal Federal, que tem por objetivo legalizar o aborto de fetos com meroanencefalia (meros = parte), comumente denominados “anencefálicos”, que não têm em maior ou menor grau, as partes superiores do encéfalo e que erroneamente, têm sido interpretados como não possuindo todo o encéfalo, situação que seria totalmente incompatível com a vida, até mesmo pela incapacidade de respirar. Tais circunstâncias, todavia, não diminuem a dignidade da vida humana em gestação.

Recordamos que no dia 1° de agosto de 2008, no interior do Estado de São Paulo, faleceu, com um ano e oito meses, a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, diagnosticada com anencefalia. Quando Marcela ainda estava viva, sua pediatra afirmou: “a menina é muito ativa, distingue a sua mãe e chora quando não está em seus braços.” Marcela é um exemplo claro de que uma criança, mesmo com tão malformação, é um ser humano, e como tal, merecedor de atenção e respeito. Embora a Anencefalia esteja no rol das doenças congênitas letais, cursando com baixo tempo de vida, os fetos portadores destas afecções devem ter seus direitos respeitados.

Entendemos que os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação, (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, da Constituição Federal) referem-se também aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada todos os outros direitos são menosprezados. Uma “sociedade livre, justa e solidária” (art. 3°, I, da Constituição Federal) não se constrói com violências contra doentes e indefesos. As pretensões de desqualificação da pessoa humana ferem sua dignidade intrínseca e inviolável.

A vida deve ser acolhida como dom e compromisso, mesmo que seu percurso natural seja, presumivelmente, breve. Há uma enorme diferença ética, moral e espiritual entre a morte natural e a morte provocada. Aplica-se aqui, o mandamento: “Não matarás” (Ex 20,13).

Todos têm direito à vida. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, diante da ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não se pode aceitar exceções. Os fetos anencefálicos não são descartáveis.  O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso.

A Igreja, seguindo a lei natural e fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo, que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), insistentemente, pede,  que a vida seja respeitada e que se promovam políticas públicas voltadas para a eficaz prevenção dos males relativos à anencefalia e se dê o devido apoio às famílias que convivem com esta realidade.

Com toda convicção reafirmamos que a vida humana é sagrada e possui dignidade inviolável. Fazendo, ainda, ecoar a Palavra de Deus que serviu de lema para a Campanha da Fraternidade, deste ano, repetimos: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Dom Geraldo Lyrio Rocha – Arcebispo de Mariana – Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus – Vice Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa – Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro – Secretário Geral da CNBB

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Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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