Por Arquivo maio, 2012

* Eritréia, esquecida pelo mundo, asfixiada pelo comunismo ateu.

quinta-feira, maio 31st, 2012

De acordo com um professor africano nos Estados Unidos, o terrível flagelo que a Eritreia sofre recebe pouca atenção internacional porque é um país pequeno, pobre e com população reduzida.

Mas a Eritreia, diz Habtu Ghebre-Ab, é um dos piores lugares do mundo para ser um crente – muçulmano ou cristão.

Ghebre-Ab nasceu e cresceu na Etiópia, de pais eritreus, e viveu na Etiópia até a idade de 18 anos. Agora nos EUA, fundou uma organização sem fins lucrativos, In Chains for Christ. Leciona História na Universidade de Cincinnati.

Nesta entrevista, ele revela detalhes pouco conhecidos da dura política antirreligiosa da Eritreia.

Quando você conheceu Cristo?

Ghebre-Ab: Eu conheci Cristo quando era criança. Nasci e cresci na Igreja Ortodoxa dos meus pais, verdadeiramente piedosos, e por isso a minha exposição ao cristianismo e ao Evangelho remonta aos primeiros anos da minha vida. (…) Oito ou nove anos atrás, retornei à fé de meus pais, à Igreja Ortodoxa, à qual hoje sirvo como diácono.

Embora seja difícil fazer estimativas confiáveis, você poderia nos contar um pouco sobre o panorama religioso atual na Eritreia?

Ghebre-Ab: O povo da Eritreia é muito religioso. A religião é parte integrante da vida das pessoas; o cristianismo e o islamismo coexistiram livremente durante séculos. Hoje, dos 4 milhões de habitantes, cerca 50% deles são cristãos; e a outra metade pertence ao Islã. A Igreja Ortodoxa é, naturalmente, a maior denominação cristã na Eritreia e na Etiópia, e representa cerca de 95% da população cristã.

Um relatório da Freedom House diz: “A Eritreia é uma nação em perpétuo estado de emergência, sob o cerco de seus próprios líderes, com uma população à qual são negadas as liberdades mais básicas de expressão, reunião, imprensa e prática religiosa”. O que isso significa para os cristãos da Etiópia de hoje?

Ghebre-Ab: O que isso significa para os cristãos é que, embora as igrejas ditas minoritárias sejam proscritas, desde maio de 2002, foram literalmente transformadas em criminosas; seus membros e seus líderes são jogados na prisão e o culto não é permitido na Eritreia. No início dos anos 90, houve indícios da política antirreligiosa do governo sobre as Testemunhas de Jeová e a comunidade muçulmana na Eritreia. Quanto à Igreja Ortodoxa eritreia, houve atos de queima de Bíblias desde 1995. Foi em maio de 2002, no entanto, que o governo eritreu pôs em prática sua política antirreligiosa.

Hoje, dentro das forças armadas, as Bíblias ainda são confiscadas e as pessoas que são descobertas em oração são castigadas. Desde 2005, a Igreja Ortodoxa da Eritreia tem sido o principal alvo; seu patriarca, Sua Santidade Abune Antonios, foi colocado sob prisão domiciliar. Embora o patriarca Antonios tenha diabetes e problemas de pressão arterial, não recebe cuidados médicos nem visitas de ninguém. Assim, os líderes religiosos das Igrejas ortodoxas, assim como os das protestantes, foram presos – alguns deles desde 2004.

Eu gostaria de me centrar na perseguição da hierarquia ortodoxa, mas antes, gostaria de saber: o que provoca esta perseguição do governo?

Ghebre-Ab: O pano de fundo desta política antirreligiosa é, naturalmente, um sistema marxista de crenças que o governo da Eritreia adotou durante a luta armada pela independência. Se você consultar certa literatura que remonta à década de 70, encontrará listas com o número e o nome das religiões que seriam eliminadas assim que a Eritreia se tornasse independente.

Então estava tudo planejado?

Ghebre-Ab: Foi planejado desde o início, mas após a independência houve uma tendência entre os eritreus a retornar à sua fé. Seus anos de sofrimento haviam terminado; a Eritreia conseguiu a independência e muitos jovens se tornaram mais religiosos, mais espirituais. Acho que o governo, que tinha esse fundo marxista, sempre se sentiu desconfortável com o fato de que os jovens – independentemente de seu nível de politização – voltaram à sua fé.

Então não se atrevem a atacar os cristãos e tiveram de esperar até recentemente.

Ghebre-Ab: Exatamente. No que diz respeito à Igreja Ortodoxa da Eritreia, chegaram ao ponto de nacionalizá-la, porque é a maior e mais antiga instituição religiosa. Eu acho que eles pensaram que, ao nacionalizá-la, teriam o controle total da Igreja, teriam o controle total de um grande segmento da população do país.

Quase como a Associação Patriótica Católica Chinesa, que está tentando criar uma igreja do Estado?

Ghebre-Ab: Exatamente; ou talvez seja mais correto dizer que é como a Revolução Bolchevique na União Soviética, quando os bolcheviques queriam controlar as igrejas permitidas naquela época. Esse é o estado da igreja cristã na Eritreia hoje – eliminar as religiões menores e controlar aquelas que restam. Alguns têm feito muito para resistir. (…)

Qual é a agenda do governo?

Ghebre-Ab: Eu gostaria de poder dizer que eles têm uma agenda – o mundo parece estar completamente surpreso porque este governo não parece saber quais são seus próprios interesses. Não parece saber para onde ir, porque muitas das ações realizadas são arbitrárias. Aqueles de nós que conhecem o esquema, voltando aos tempos de antes da independência, sabem pelo menos uma coisa: que o governo não é favorável em relação à religião.

Em maio de 2002, começou outra onda de severa perseguição contra os cristãos. O que causou isso e de que tipo de perseguição estamos falando?

Ghebre-Ab: Naquela época, o governo disse aos líderes das igrejas que estas deveriam ser fechadas. O pretexto utilizado pelo governo foi que elas não haviam sido registradas de maneira correta. É preciso registrar-se para se tornar uma religião reconhecida. Este foi o pretexto, foi a cortina de fumaça. Algumas igrejas, na época, procuraram atender até mesmo o menor dos requisitos do governo: deram os nomes dos membros da igreja, onde trabalhavam, o que faziam e qual era sua situação econômica. Ao conhecer o funcionamento interno da Igreja, por assim dizer, é mais fácil eliminá-la. O governo pretende eliminar gradualmente a fé na Eritreia em geral e, considerando a evolução da última década, isso é mais certo do que nunca.

Qual é a resposta dos cristãos? Eles se esconderam na clandestinidade? Emigraram?

Ghebre-Ab: As igrejas evangélicas foram as primeiras que passaram à clandestinidade, ainda que o governo tenha tornado isso impossível por seu aparato de segurança: foram perseguidas. Então, a única coisa que podiam fazer era fugir do país, e milhares de jovens – não apenas os crentes -, bem como milhares de pessoas que não são religiosas, agora estão deixando o país e pedindo asilo político em outros países. Existem campos de refugiados no norte da Etiópia e no Sudão, que hospedam esse número crescente de refugiados que saem em massa da Eritreia.

E isso apesar da ordem de atirar para matar qualquer um que seja descoberto fugindo, na fronteira da Eritreia?

Ghebre-Ab: Exatamente. Isso não parece ter afetado o número de pessoas, especialmente de jovens eritreus, que fogem do país. (…)

O que aconteceu com as instituições e tradições reconhecidas: o Islã, a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa eritreia? Como o governo enfrenta e tenta limitar a atividade religiosa das tradições mais antigas?

Ghebre-Ab: Não tenho a pretensão de falar pelos muçulmanos, mas posso dizer que eles também têm sofrido sob este regime. Neste sentido, o governo da Eritreia é verdadeiramente igualitário na hora de perseguir. No que diz respeito às chamadas “igrejas reconhecidas”, a mídia independente foi abolida em 2001; os principais órgãos das organizações reconhecidas, ou seja, o jornal da Igreja Católica, a florescente jornal da Ortodoxa Eritreia, e também os de outras organizações cristãs que supostamente eram reconhecidas, todos esses jornais foram fechados inclusive antes de fecharem os meios de comunicação leigos independentes.

Outra coisa que o governo ordenou, especialmente à Igreja Ortodoxa e à Igreja Católica, é que os padres de determinada idade deveriam apresentar relatórios sobre seu serviço militar. Eu elogio a eparquia católica por ter adotado uma posição inamovível a este respeito, dizendo que não havia nenhuma maneira de que seus sacerdotes pudessem cumprir o serviço militar, mas dado que a Igreja Ortodoxa estava controlada por uma pessoa política nomeada, não conseguiu resistir e os sacerdotes foram obrigados a ir ao exército.

Os Estados Unidos colocaram a Eritreia na lista do Departamento de Estado dos “Países de Especial Preocupação”. Por que não ouvimos falar disso? Por que não se fala disso na comunidade internacional?

Ghebre-Ab: Esta é uma boa pergunta. A Eritreia é um país muito pequeno, com uma população de menos de 4 milhões de pessoas (outros relatórios afirmam que a população é de 5,7 milhões). Grande parte da população tem fugido nos últimos tempos. Houve ondas de êxodo do país, por uma razão ou outra, mas a Eritreia, ao contrário de muitos de seus vizinhos, não tem petróleo, nem uma grande população.

Devido a isso, enquanto outros países perto da Eritreia e o sofrimento do seu povo recebem muita atenção, o povo eritreu nunca recebeu realmente esse tipo de atenção, mesmo durante o tempo em que lutou pela independência contra a União Soviética. Então, enquanto o país continuar sendo considerado insignificante para o resto do mundo, acredito que continuará também sendo deixado de lado.

O que podemos fazer?

Ghebre-Ab: Eu diria que, acima de tudo, devemos rezar pelo povo da Eritreia, mas também cada crente deveria manter contato com seus representantes eleitos, para garantir que o sofrimento do povo da Eritreia receba a atenção necessária.

Agora existe, como disse, milhares de jovens que abandonam o país. Eles estão sofrendo terrivelmente. Os campos de refugiados estão no norte da Etiópia e no Sudão. Seria preciso dar a esses refugiados os direitos próprios dos refugiados, dar-lhes asilo nesses países.

Temos informações recentes sobre o número de eritreus que se afogam no mar Mediterrâneo, quando tentam atravessá-lo da Líbia à Itália ou a Malta, e muitos desses países repatriam os eritreus. No Egito, existem hoje centenas de refugiados, sem qualquer reconhecimento ou ajuda.

O que acontece com aqueles que são repatriados?

Ghebre-Ab: Os relatos dos que escaparam pela segunda vez depois de ser repatriados são terríveis. O tipo de tortura é quase inimaginável. O governo pretende apresentar a sua melhor cara dizendo: “vamos cuidar deles”. Os relatos, no entanto, revelam uma história diferente. Eles sofreram terríveis torturas e o destino de muitos é desconhecido até hoje.

Quais são as limitações enfrentadas pelas igrejas estabelecidas, em termos de publicações e de licenças de construção?

Ghebre-Ab: As igrejas estabelecidas não puderam agir como vinham fazendo sempre. As licenças para construção ou coisas parecidas são algo em que não se pode sequer pensar. Elas têm dificuldades até para manter os edifícios que já possuem. Por exemplo, a Igreja Católica teve algumas boas escolas e, durante o regime anterior, antes da independência da Eritreia, as escolas foram nacionalizadas. Acho que havia uma esperança e os católicos da Eritreia, as pessoas de boa vontade, estavam esperando que estas escolas voltassem à Igreja Católica e esse foi o pedido da Igreja Católica; mas não se cumpriu nada até agora. (…)

Eu li que mais de 3.200 cristãos estão presos por diversos motivos e atividades. Qual é a situação destes cristãos?

Ghebre-Ab: Ninguém sabe. Na verdade, dizemos 3.200 porque é uma estimativa feita pelo Departamento de Estado norte-americano. Minha estimativa pessoal é maior, porque todo o acampamento militar tem seu próprio centro de detenção. Há muitas prisões não oficiais, nas quais ninguém foi a julgamento e ninguém foi acusado de nada diante de um tribunal legalmente constituído. Assim, o melhor que podemos fazer é fornecer uma estimativa de quantas pessoas estão na prisão. Se você contar todos os prisioneiros de consciência, poderiam ser mais de 3.200 e, se formos falar de cristãos, mais uma vez será um número maior. Deixe-me esclarecer uma coisa: existem muitas pessoas que morreram na prisão por sua fé.

Como são essas prisões?

Ghebre-Ab: Essas prisões foram concebidas para castigar e são sádicas. Há relatos de que pessoas foram presas na parte subterrânea, sem ver a luz durante anos. Não os alimentam bem. Mantiveram pessoas em contêineres de metal, de transporte marítimo. É preciso recordar como essa região do mundo é quente durante o dia e fria durante a noite. E essas pessoas presas em contêineres… Se o governo da Eritreia deixasse as organizações humanitárias internacionais ou a Cruz Vermelha visitar esses locais de detenção ou esses presos, o mundo poderia ver o tipo de condições em que essas pessoas estão. Mas ninguém pôde ver essas pessoas.

Você tem alguma esperança?

Ghebre-Ab: Eu tenho esperança. O povo eritreu é um povo forte. Não vão tolerar esta injustiça por muito tempo. O povo eritreu pagou um grande preço pela liberdade. Eu perdi dois irmãos e doze membros da minha família na guerra pela independência da Eritreia. Pode parecer que minha história é única, mas não é; todos os eritreus contam uma história semelhante. O povo eritreu não pagou todos estes sacrifícios nem sofreu essas indignidades para depois ser proibido de exercer os direitos pelos quais lutou e os direitos que merece.

* * *

Esta entrevista foi realizada por Mark Riedemann para “Deus chora na terra”, um programa rádio-televisivo semanal produzido por Catholic Radio and Television Network, (CRTN), em colaboração com a organização católica Ajuda à Igreja que Sofre.

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* As civilizações antigas e, em particular a Greco-romana, estavam extenuadas…Então surgiu o cristianismo e Agostinho.

quinta-feira, maio 31st, 2012

Sossio Giametta - Corriere della Sera

Todo o cristianismo pode considerar-se uma interiorização do homem. Mas, se torna tal de modo específico somente com santo Agostinho.

Na vida nós experimentamos a essência (felicidade, beleza, iluminação, potência) e as condições da existência (dor, frustração, angústia, morte). Mas, os seres vivem para o exterior e nenhuma destas duas experiências jamais pode faltar-lhes: nem a cidade terrestre, nem a cidade celeste têm a exclusividade.

Ao tempo de Jesus as civilizações antigas e, em particular a Greco-romana haviam dado o que tinham a dar e estavam extenuadas. Serpenteava a exigência de uma integração, de uma renovação. Adensavam-se as nuvens. Com Jesus as nuvens se dissiparam e um relâmpago iluminou o mundo. Foi proclamada a religião da caridade, ou seja, da maximização da humanidade. O amor universal é, de fato, a alma do homem em seu máximo, como a harmonia da estátua de Fídias é o corpo humano em seu máximo.

Chegando, pois, em contraste dialético com a civilização Greco-romana, o cristianismo inverteu os valores. Aquela era a reta dos valores aristocráticos, isto é, dos poucos: a coragem, o orgulho, o valor, a astúcia, o primado, a aventura, a luta, a vingança, o páreo, a guerra, a conquista, a hierarquia, a pátria, a estirpe e a raça.

O cristianismo instaurou valores democráticos: o culto da alma, a igualdade e a dignidade de todos, a bondade, a humildade, o amor, o perdão, o amor da paz, a caridade também com os inimigos, o abraço dos últimos, a superação das barreiras nacionais, de sexo, raça, status social. Estes ainda são os nossos valores, que também se tornaram ideais políticos. Em sua absolutez a religião de Cristo superou tacitamente a civilização pagã com a simples afirmação dos novos valores. Mas, a velha civilização resistia, principalmente nas almas. O contraste das duas culturas e almas só atingiu a maturação com Agostinho.

Nascido na África (Tagaste, 354) e nutrido da melhor cultura pagã, com a problemática e as inquietudes que já a caracterizavam, ele foi a Milão e depois a Roma. Aqui, predisposto pela leitura dos neoplatônicos, principalmente de Plotino, foi convertido ao cristianismo e batizado pelo bispo Ambrósio (387).

Foi depois ordenado padre (391) e mais tarde tornou-se bispo de Hipona (395). A partir de então, sua vida é toda uma guerra para afirmar, contra a dispersão mundana e a carnalidade do paganismo e contra as heresias de seu tempo (maniqueísmo, donatismo, pelagianismo), a interioridade do homem e o magistério da Igreja católica.

Para ele esta interioridade se chamava alma e Deus, e somente a alma e Deus ele, de resto, havia procurado desde o início. Foi, então, um centauro, com um corpo meio pagão e meio cristão, e como tal o traçador da antiga civilização na nova. Das muitíssimas obras suas, as principais são consideradas as ConfissõesA cidade de Deus. Na primeira se acentua sua conduta de base, a busca da verdade como confissão das vicissitudes pessoais que são, no entanto, desenvolvimentos de contrastes super-pessoais e descobertas dos tesouros de verdade, força, liberdade que só se encontram na interioridade e coincidem com Deus.

A segunda, escrita sobretudo contra a acusação dos pagãos que o cristianismo havia enfraquecido o império romano (em 410 houve o saque de Roma pelos godos deAlarico), é uma apaixonada defesa dos princípios do cristianismo.

Antes de Agostinho os principais conceitos teológicos já tinham sido adquiridos pela Igreja e ele não os modificou; mas, com ele de objetivos se tornaram subjetivos, isto é, se tornaram o problema personalíssimo e imprescindível do homem Agostinho.

Mas, somente o que se faz por si tem importância para os outros, e não o que se faz diretamente para os outros, diz Schopenhauer. Para o ardor e a profundidade de sua pesquisa, Agostinho, assim como permanece sendo um pilar da Igreja católica, é um filósofo cuja força e sugestão ainda perduram, porque é a grandeza dos problemas enfrentados e não a solução que lhes foi dada que perfaz o grande filósofo.

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* Papa Bento XVI: “Deus não é um objeto da experimentação humana. Ele é Sujeito e se manifesta somente por meio do relacionamento pessoal.”

quinta-feira, maio 31st, 2012

Ao presidir  a entrega do Prêmio Ratzinger à investigação teológica, o Papa Bento XVI explicou que “Deus não é um objeto de experimentação humana”.

Em seu discurso aos ganhadores do prêmio: o professor Olegario González de Cardedal, o professor Manlio Simonetti e o sacerdote Maximilian Heim, o Santo Padre explicou que existe um limite ao uso da razão: “Deus não é um objeto da experimentação humana. Ele é Sujeito e se manifesta somente por meio do relacionamento pessoal, fazendo parte da essência de cada ser humano”.

Bento XVI fez esta afirmação ao responder à pergunta sobre o quê é verdadeiramente a teologia. “A teologia –disse– é ciência da fé, diz-nos a tradição. Mas aqui surge, imediatamente, a pergunta: Isso é realmente possível? Ou não é esta uma contradição? Ciência por acaso não é o contrário de fé? Não faz com que a fé deixe de ser fé quando vira ciência? E não faz com que a ciência deixe de ser ciência quando regida ou mesmo subordinada a fé?”

“Estas questões, que já para a teologia medieval representavam um sério problema, com o moderno conceito de ciência se tornaram ainda mais prementes, à primeira vista inclusive sem solução. Compreende-se assim por que, na era moderna, a teologia em vastos âmbitos se retirou primariamente no âmbito da história, a fim de demonstrar aqui sua séria característica científica”.

Bento XVI disse seguidamente que é necessário então “reconhecer, com gratidão, que com isto foram realizadas obras grandiosas, e a mensagem cristã recebeu nova luz, capaz de fazer visível sua íntima riqueza. Entretanto, se a teologia se retirar totalmente ao passado, deixa hoje a fé na escuridão”.

“Depois, em uma segunda fase, concentraram-se na praxis, para mostrar que a teologia, em relação com a psicologia e a sociologia, é uma ciência útil que dá indicações concretas para a vida. Também isto é importante, mas se o fundamento da teologia, a fé, não chega a ser ao mesmo tempo objeto do pensamento, se a praxis é referida apenas a si própria, ou vive unicamente dos empréstimos das ciências humanas, então a praxis se torna vazia e privada de fundamento”.

Conforme assinala a nota da Rádio Vaticano, o Papa indicou que “portanto, estes caminhos não são suficientes. Por mais que sejam úteis e importantes, convertem-se em subterfúgios, e permanece sem resposta a verdadeira pergunta. Que ressoa: é aquilo verdade no que acreditam ou não? Na teologia está em jogo a questão a respeito da verdade; ela é seu fundamento último e essencial”.

Depois de explicar que ao ser Cristo mesmo a Verdade à qual é possível acessar através da razão humana, o Papa indicou que “a razão experimental se apresenta hoje amplamente como a única forma de racionalidade declarada científica. O que não pode ser cientificamente verificado ou falsificado cai fora do âmbito científico”.

“Com esta formulação foram realizadas obras grandiosas; que ela seja justa e necessária no âmbito do conhecimento da natureza e de suas leis ninguém desejará pô-lo seriamente em dúvida. Entretanto, existe um limite ao semelhante uso da razão: Deus não é um objeto da experimentação humana. Ele é Sujeito e se manifesta somente por meio do relacionamento pessoal, fazendo parte da essência de cada ser humano”.

O Santo Padre referiu logo um segundo uso da razão: “o amor quer conhecer melhor àquele que ama. O amor, o amor verdadeiro, não faz cegos, mas videntes. Disto forma parte precisamente a sede de conhecimento, de um verdadeiro conhecimento do outro”.

“Por isso, os Padres da Igreja encontraram os precursores e os pioneiros do cristianismo –fora do mundo da revelação de Israel– não no âmbito da religião consuetudinária, mas nos homens em busca de Deus, nos “filósofos”: em pessoas que estavam sedentas de verdade e estavam, portanto, em caminho para Deus”.

“Quando não existe este uso da razão –precisou o Papa– então as grandes questões da humanidade caem fora do âmbito da razão e som deixadas à irracionalidade. Por isso uma teologia autêntica é tão importante. A fé reta orienta a razão para abrir-se ao divino, a fim de que ela, guiada pelo amor pela verdade, possa conhecer Deus mais de perto”.

“A iniciativa para este caminho está em Deus, que pôs no coração do homem a busca de seu Rosto. Portanto, forma parte da teologia, por um lado, a humildade que se deixa “tocar” por Deus e, por outro, a disciplina que se liga à ordem da razão, preserva o amor da cegueira e ajuda a desenvolver sua força vidente”.

Finalmente o Papa afirma ser “consciente de que com tudo isto não foi dada uma resposta à questão sobre a possibilidade e a tarefa da reta teologia, mas apenas foi posta em luz a grandeza do desafio ínsito na natureza da teologia. Entretanto, precisamente o homem tem necessidade deste desafio, porque ela nos impulsiona a abrir nossa razão nos interrogando sobre a verdade mesma, sobre o rosto de Deus”.

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* Cresce interesse dos israelenses pela religião, sobretudo por Jesus.

quarta-feira, maio 30th, 2012

Para muitos, Israel tem se tornado um país cada vez mais liberal. Especialmente quando Tel Aviv foi escolhida, ano passado, como um dos melhores destinos de viagem para gays. Ao mesmo tempo o país está se tornando cada vez mais religioso.

Uma pesquisa realizada pela Foundação Guttman-Avi Chai, cujos resultados foram publicados semana passada, revela, após mais de dois anos de análise, que mais de 80% dos judeus israelenses acreditam em Deus.

A Fundação faz esse estudo periodicamente há mais de duas décadas e a mais recente revelou o maior nível histórico de pessoas que dizem crer em Deus.

Além disso, mais de 70% dos judeus israelenses aceitam na promessa bíblica que seu povo foi “escolhido” por Deus para um destino profético. Entre os entrevistados, 71% defendem o aumento de estudos bíblicos nas escolas israelenses.

Porém, isso não significa que os judeus em geral estão se tornando mais religiosos, ao menos não segundo a forma judaica ortodoxa. Apenas 37% dos judeus israelenses disseram que viam como “um problema” os judeus não seguirem os mandamentos bíblicos, e quase 70% defendem que mais espaços de entretenimento devem ser abertos durante o sábado – dia santo em que tudo fecha no país.

Os números coincidem com outros estudos e confirmam que os israelenses estão cada vez mais ávidos por uma vida espiritual profunda. Isso é visto com surpresa em uma nação onde parece haver uma disputa crescente entre os religiosos que buscam a Deus e os que defendem firmemente o humanismo liberal.

Segundo outra pesquisa recente, as estatísticas do Google mostram que os israelenses procuram o termo “Yeshua” (Jesus, em hebraico), mais de 25.000 vezes por mês. Enquanto a frase “Brit Hadasha” (Novo Testamento) é procurada mensalmente mais de 5.000 vezes.

O Israeli Messianic ministry One for Israel [Ministério messiânico israelense unidos por Israel] publicou em seu relatório anual que os israelenses são muito mais ativos na Internet do que a média dos ocidentais. Os dados do comScore mostram que os israelenses passam 11,1 horas por mês no Facebook, mais que o dobro da média global de 5,7 horas. Além disso, 94% dos internautas israelenses são ativos nas redes sociais.

O ministério “One for Israel” aproveitou isso para fazer uma campanha publicitária no Facebook, no Google e em outros sites de alto tráfego. Criaram anúncios para uma série evangelística postadas em sites na língua hebraica (como iGod.co.il) que tentam explicar aos não-crentes de Israel quem é Jesus, segundo as profecias.

Percebendo que o israelense médio não conhece bem a Bíblia, e portanto ignora a maioria das profecias, criou-se um novo site, TheOne.co.il (em Inglês), que usa uma abordagem muito simples para correlacionar a mensagem profética com Jesus ( o Messias) e os problemas que Israel sempre enfrentou.

Em um ano, o site em hebraico dedicado a evangelizar os judeus foi visitado mais de 150.000 vezes. Além disso, os israelenses fizeram milhares de downloads de uma versão digital do Novo Testamento em hebraico. Em média, houve um pedido de cópia física do Novo Testamento por dia, distribuídos gratuitamente pelo site. Esses índices significativos revelam que muitos judeus estão curiosos para saber mais sobre o cristianismo.

Traduzido e adaptado de Israel Today e Notícia Cristiana

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* “Um artista católico é substancialmente uma testemunha que representa aquilo que viu com os olhos da fé, mas também com aqueles do corpo”.

quarta-feira, maio 30th, 2012

“Lá onde se encontram o santo e o crene, a beleza é o fulgor da graça”, afirma no prefácio o Cardeal Antonio Cañizares Llovera, prefeito da Congregação para o Culto Divino, “Discursos sobre a arte sacra”, último livro de Rodolfo Papa, pintor, escultou e histórico da arte italiano, também autor de vários livros. “Forma física e conteúdo não são indiferentes: mesmo que nenhuma forma consiga esgotar o conteúdo são dois elementos muito unidos”, observou o purpurado. Ontem na Pontifícia Universidade de Santa Cruz aconteceu a apresentação.

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Rodolfo Papa

“Um artista católico é substancialmente uma testemunha que representa aquilo que viu com os olhos da fé, mas também com aqueles do corpo”, disse o autor do livro. O volume é dividido em sete capítulos-discursos: sobre as artes, sobre o estilo, sobre o sistema da arte, sobre a luz, sobre as imagens e sobre o corpo, sobre a beleza, e sobre a arte sacra. Recolhe os frutos de vinte anos de reflexão e estudos no aspecto teorético, histórico e teológico sobre a arte sacra na busca da verdade e da beleza. O autor raciocina sobre as várias impostações críticas e historiográficas, aborda a questão propriamente estética e filosófica, para entrar depois no âmbito da tradição cristã, da teologia e do Magistério da Igreja.

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Cardeal Antonio Cañizares Llovera

No livro, o artista Rodolfo Papa parte da consciência que a crise da arte é um “sintoma da crise existencial da pessoa”, aborda a questão da fundação da arte e da sua identidade, notando a especificidade da arte sacra. As análises em modo particular são baseadas na Constituição sobre a Divina Liturgia “Sacrosanctum Concilium” do Concílio Vaticano II. no capítulo VII o autor fala sobre a universidade, beleza, narratividade, figuratividade da arte sacra e sobre os “sãos prinicípios sobre os quais devem se fundamentar as obras de arte sacra” desejados pelo Concílio.

“Compreende-se – observa o cardeal Cañizares no prefácio – a afirmação reiterada pelos últimos Papas – de Paulo VI a Bento XVI – da ncessidade desta amizade, que é a unidade e absoluta mútua reciprocidade, e o apelo a exprimir na obra artística o binômio fé-arte, como realiza tanto esplendidamentes o autor deste livro. A partir desta visão da arte em geral, e da arte sacara em particular, compreende-se o caráter de perenidade da arte, a sua natureza não efêmera, o seu valor universal que vai além da circunstância da época ou do gosto do momento, ou dos afãs consumistas, compreende-se a sua dimensão religiosa e a mesma implicação do artista, e da totalidade da sua pessoa, na obra da sua arte, principalmente quando se trata de arte sacra, ou seja, de arte para a liturgia, seja música, pintura, escultura ou arquitetura, que não podem eximir-se de exprimir a iniciativa assim como na realidade da criação”.

O volume foi publicado em italiano pela “Edições Cantagalli”. (AA)

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* São Paulo e a luta pelo Deus que realmente era desconhecido.

quarta-feira, maio 30th, 2012

São Paulo foi o eco fiel d’Aquela voz, que com uma só palavra era suficiente para fazer o Universo inteiro estremecer. Em Atenas, cidade-estado localizada no sudeste da Grécia, esse eco se fez ouvir. O objeto de sua pregação nesse lugar? O de sempre, “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos” (1 Cor 1, 23), mas, desta vez sob o pretexto do Deus desconhecido.

O ressoar, ou melhor, o ribombar das palavras do Apóstolo vibram ainda hoje, quando nos deparamos com as entusiasmantes linhas do livro dos Atos dos Apóstolos. Nesse livro, vemos que o portador da Verdade de Cristo, veio pregar em Atenas a doutrina ortodoxa que respondia inúmeras dúvidas, e batia de frente contra incontáveis pensamentos filosóficos carregados pelos gregos desde o surgimento da filosofia. De certa maneira ele foi o primeiro a dar início ao “batismo” da filosofia pagã.

O que se passou ali? Ao ver a cidade de Atenas entregue à idolatria, o seu coração encheu-se de amargura, e enquanto esperava Silas e Timóteo, aproveitou para disputar nas sinagogas contra os judeus e prosélitos, e nas praças contra todos os que ali se encontravam. (cf. At. 17,16-17). Até que alguns filósofos epicuristas e estóicos, “tomaram-no consigo e levaram-no ao Areópago[1], e lhe perguntaram: Podemos saber que nova doutrina é essa que pregas? Pois o que nos trazes aos ouvidos nos parece muito estranho.” (At 17, 19-20).

Quem eram esses epicuristas e estóicos? A escola de Epicuro foi a primeira das grandes escolas helenísticas.[2] Assim como os epicúrios, os estóicos nasceram em Atenas no fim do séc. IV a.C. A escola de Estoá (palavra que significa pórtico, que acabou dando o nome à escola), tornou-se posteriormente a mais famosa da época helenística. Seu fundador foi um jovem de raça semítica, Zenão, nascido em Cício, na ilha de Chipre, por volta de 333/332 a.C.[3] Eram duas escolas filosóficas rivais, até então muito em voga, os estóicos, que professavam um panteísmo materialista, penetrados de una elevada idéia do dever e aspirando a viver de acordo com a razão, indiferentes ante a dor, e os epicúrios, também materialistas, entretanto menos especulativos, que colocavam o fim da vida na busca do prazer.[4]

Ao tomarmos nota da pregação de São Paulo no Areópago, ficamos com a impressão de que ele – seja por ação do Espírito Santo ou não – já conhecia quais eram as teorias de ambas as escolas, pois ele argumentou contra as principais idéias e “preencheu” diversos “vãos” – que, aliás, se encontra em todas as filosofias heterodoxas – quase impreenchíveis apenas com a luz da razão, dos filósofos seguidores de Epicuro e Zenão.

Assim começou sua pregação: “Homens de Atenas, em tudo vos vejo muitíssimo religiosos. Percorrendo a cidade e considerando os monumentos do vosso culto, encontrei também um altar com esta inscrição: A um Deus desconhecido. O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!” (At 17, 22-23). E continua: “o Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas” (At 17, 24). Ao anunciar isso, ele evidencia a existência de um só Deus Verdadeiro, Criador e Princípio de todas as coisas. Já quando declara que Ele não habita em templos feitos por homens, de forma tácita indica: esse mesmo Deus é Puríssimo Espírito. Assim fica lançada por terra o materialismo dos epicuristas e estóicos, pois segundo Epicuro: “além dos corpos e do vazio tertium non datur, porque não seria pensável nada que exista por si mesmo e não seja afecção dos corpos”.[5] Já para os Estóicos, o ser “é só aquilo que tem capacidade de agir e sofrer” [6], isto é, apenas o corpo. No que diz respeito ao princípio de todas as coisas, essa última escola garantia: “o fogo é o princípio que tudo transforma e tudo penetra; o calor é o princípio sine qua non (imprescindível) de todo nascimento, crescimento e, em geral, de toda forma de vida.” [7] E por fim, para pôr os “pontos finais” nessa questão, São Paulo pronuncia: “é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas.” (At 17, 25).

paulo-apostolo.jpg
São Paulo Apóstolo
(Basílica de São Paulo Extramuros)

Epicuro afirmava que os deuses não se ocupam com os homens, apesar de dizer que o nosso conhecimento vem por “simulacros” ou “eflúvios”[8] provenientes deles.[9] Qual a resposta do Apóstolo a esse pensamento? “Procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. [...] Nós somos também de sua raça…” (At 17, 27-28).

Seu timbre eloquente prossegue: “Porquanto fixou o dia em que há de julgar o mundo com justiça, pelo ministério de um homem que para isso destinou.” Como Deus estabeleceu o dia em que vai julgar o mundo se ele é, de certa maneira, eterno? Provavelmente essa era a pergunta estava na mente de alguns estóicos. Esses sustentavam a teoria da “apocatástase”, ou seja, diziam que “no dia fatídico final dos tempos haverá a ‘conflagração universal’, uma combustão geral do cosmo”,[10] mas, à destruição do mundo se seguirá que tudo nascerá novamente exatamente como antes.

Depois de admoestá-los a respeito do juízo, se refere à ressurreição. Mas, quando o ouviram falar sobre isso, alguns começaram a zombar… Para os discípulos de Epicuro, que considerava a morte apenas como a dissolução da alma e do corpo,[11]falar sobre uma ressurreição dos corpos seria absurdo. E disseram: “A respeito disso te ouviremos outra vez” (At 17, 32). Assim saiu Paulo do meio deles (At 17, 33).

Ele teve que se retirar, no entanto, saiu vitorioso, pois: “todavia, alguns homens aderiram a ele e creram: entre eles, Dionísio, o areopagita, e uma mulher chamada Dâmaris; e com eles ainda outros” (At 17, 34). O Apóstolo dos gentios colocou, assim, em prática a seguinte máxima de Epicuro: “É vão o discurso do filósofo que não cure algum mal do espírito humano”.[12]

Por Lucas Alves Gramiscelli

[1] Areópago: lugar onde, segundo a lenda, haviam-se reunido os deuses para julgar a Marte, e onde, em tempos antigos, eram realizadas as sessões do tribunal supremo de Atenas. Cf. TURRADO, Lorenzo. Biblia Comentada: Hechos de los Apóstoles y epístola a los Romanos. 2 ed. BAC: Madrid. 1975. p. 179.

[2] Cf. REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Filosofia pagã antiga. Tradução: STORNIOLO, Ivo. 3 ed. São Paulo: Paulus. 2007. p. 259.

[3] No entanto, essa escola formou-se também pela ação ulterior de dois outros filósofos além de Zenão, são eles: Cleanto de Assos e Crisipo de Sôli, ao qual devemos a sistematização da doutrina. Cf. REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. Opus. Cit. p. 279.

[4] Cf. TURRADO, Lorenzo. Opus cit. p. 178.

[5] REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. Opus cit. p. 264.

[6] Idem. p. 284.

[7] Idem. p. 285.

[8] Simulacros e eflúvios são palavras usadas por Epicuro para tentar designar, em sua teoria do conhecimento, os objetos que causam impacto de fluxos de átomos em nossos sentidos, causando assim a sensação.

[9] Ibidem. p. 266.

[10] Ibidem. p. 287.

[11] Ibidem. p. 270.

[12] Idem. p. 247.

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* Famílias com dois ou mais filhos são mais felizes, assegura autoridade vaticana.

quarta-feira, maio 30th, 2012


O Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Cardeal Ennio Antonelli, assinalou que uma pesquisa feita por este dicastério revelou que as famílias que têm dois ou mais filhos são as que se declaram mais felizes e são as que mais contribuem à sociedade.

Durante sua participação no VI Congresso Mundial das Famílias, que se realizou do dia 25 ao 27 de maio em Madri (Espanha), o Cardeal Antonelli se adiantou uma semana à apresentação do documento, que será feita durante o Encontro Apostólico Mundial das Famílias com o Papa Bento XVI, em Milão.

A autoridade vaticana assinalou que, ante as alternativas de cuidar da família ou trabalhar, “a mulher não deve ser forçada a escolher entre uma e outra esfera. A contribuição da mulher à sociedade é indispensável”.

“Conciliar família e trabalho é uma responsabilidade de ambos os cônjuges. É decisão de ambos determinar quanto tempo cada um tem que ter para dedicar-se à casa e quanto tempo para dedicar-se ao trabalho”.

O Cardeal Antonelli indicou que a família natural é um bem para as pessoas e para a sociedade, por isso “permanecerá sempre. Não é uma instituição do passado, mas sim e sobre tudo, do futuro”.

Para o Presidente do Pontifício Conselho para a Família, a estrutura essencial da família é válida sempre, e remarcou a importância de que o matrimônio sempre esteja aberto ao dom da vida.

Ao referir-se aos ataques contra a família, o Cardeal assinalou que ante o predomínio do discurso relativista, prevalece a consideração da lei natural.

“O positivismo jurídico assegura que o único que vale é a lei da maioria. Não é certo. A razão descobre que ser homem ou ser mulher não é somente um fato fisiológico. A pessoa humana é uma unidade corpórea e espiritual”, afirmou.

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* Em Milão, Itália, são registrados mais sobrenomes chineses que italianos.

quarta-feira, maio 30th, 2012


Chinatown em Milão
Chinatown em Milão










Na Itália, onde os nascimentos já não repõem os falecimentos, a crescente imigração chinesa legal e ilegal vai ocupando os vazios abertos pela limitação da natalidade.

Nos registros da prefeitura da rica e populosa cidade de Milão, o sobrenome Rossi ainda ocupa o primeiro lugar, mas é logo seguido por Hu.

Eis a lista dos quinze sobrenomes mais registrados naquela prefeitura, segundo o grande diário milanês “Il Giornale”: Rossi, Hu, Chen, Brambilla, Zhou, Wang, Wu, Lin, Zhang, Fumagalli, Liu, Zhao, Li, Zhu e Zheng.

Para o jornal, trata-se de uma revolução demográfica impensável há 25 anos. Mas não são os únicos nomes estrangeiros. Mohamed, Ahmed e Ibrahim estão entre os que crescem, refletindo a imigração de países islâmicos.

Na vida real, os chineses dominam os camelôs ilegais, as lojas sem registro, e as fábricas clandestinas, tendo se tornado também um fator de degradação de bairros antigos.

Chinatown é uma realidade chocante em Milão, uma das capitais da moda e do luxo ocidental – comentou o jornal milanês.

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* Pais muçulmanos assassinam filha adolescente por ser “muito ocidental”.

terça-feira, maio 29th, 2012

ACI

Shafilea Ahmed, uma jovem de 16 anos de origem paquistanesa que radicava em Warrington, Grã-Bretanha, foi assassinada por seus pais muçulmanos porque consideraram que sua filha  era “muito ocidental”.

Conforme informou o jornal italiano Avvenire, Alesha Ahmed, a irmã mais nova de Shafilea, revelou esta semana às autoridades que seus pais assassinaram Shafilea asfixiando-a com uma bolsa de plástico.

Os fatos ocorreram em 2003. Os pais declararam o desaparecimento da jovem e seus restos apareceram um ano depois.

Alesha assegurou que seus pais mataram sua irmã por “temor à vergonha que cairia sobre a honra da família, por causa de um comportamento “ocidentalizado” da jovem.

Shafilea sonhava com poder ir à universidade e conhecer outros jovens. Os pais decidiram enviá-la ao Paquistão para obrigá-la a casar-se com um desconhecido através de um matrimônio arranjado. Neste lugar, a adolescente tentou suicidar-se e foi enviada de volta à Inglaterra, onde seus pais a mataram.

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* Vaticano publica normas sobre aparições e revelações privadas.

terça-feira, maio 29th, 2012

A Congregação para a Doutrina da Fé no Vaticano publicou as normas que regem a Igreja Católica no mundo para o discernimento dos casos nos quais se fala de aparições e revelações privadas.

No prefácio da nova publicação, o Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada, expressa sua “firme esperança” de que estas normas ajudem os líderes eclesiásticos “em sua difícil tarefa” de discernir as aparições, revelações e outros fenômenos extraordinários de possível origem sobrenatural.

Estas normas foram criadas para uso interno em 1978 sob o pontificado de Paulo VI e, até agora, não haviam sido publicadas oficialmente nem traduzidas do latim.

Embora haja numerosas versões não oficiais em circulação, o Cardeal assinala que “parece agora oportuno publicar estas normas, proporcionando traduções nos principais idiomas”.

A decisão de publicar estas orientações foi resultado dos trabalhos da comissão instituída há três anos pela Congregação para a Doutrina da Fé para investigar as supostas aparições da Virgem Maria na localidade de Medjugorje na Bósnia-Herzegovina.

Desde 1981, esse lugar se converteu em um popular destino dos peregrinos que ouvem falar de supostas aparições da Virgem (que ainda acontecem) a seis católicos da região.

A comissão de bispos, teólogos e outros peritos que reúne 20 pessoas começou seus trabalhos em março de 2010 depois do pedido do Bispo em cuja diocese está em Medjugorje para investigar estes fatos. Esta é presidida pelo ex-presidente da Conferência Episcopal Italiana e Vigário Emérito para a diocese de Roma, Cardeal Camillo Runi.

As normas estabelecem um processo de três fases que uma autoridade legítima da Igreja deve seguir para chegar a uma decisão sobre as alegações por escrito sobre aparições ou revelações privadas.

Em primeiro lugar, a provável existência de uma aparição ou revelação deve julgar-se “de acordo a critérios positivos e negativos”. Esta investigação pode incluir uma avaliação das “qualidades pessoais” dos possíveis videntes, assim como do seu “equilíbrio psicológico, honestidade e retidão na vida moral, sinceridade e docilidade habitual para a autoridade eclesiástica, a capacidade de voltar para um regime normal de uma vida de fé, etc.”.

Qualquer possível revelação autêntica também tem que ser “de uma verdade teológica, conforme à doutrina espiritual e imune ao engano” e deve gerar “uma devoção saudável com constante e abundante fruto” como “o espírito de oração, conversão, testemunhos de caridade, etc.”.

Em segundo lugar, se as autoridades eclesiásticas locais chegarem a uma primeira conclusão favorável, podem permitir certa devoção pública enquanto prosseguem “observando isto com grande prudência”.

Em terceiro lugar, deve chegar-se a um juízo definitivo “à luz do tempo transcorrido e a experiência” considerando particularmente “a fecundidade do fruto spiritual gerado por esta nova devoção”.

O Cardeal Levada precisa ademais no prefácio destas normas que, à diferença das revelações públicas, os católicos não estão obrigados a aceitar a veracidade ou conteúdo das revelações privadas, nem sequer aquelas que foram aprovadas pela autoridade eclesiástica competente.

A aprovação eclesiástica “essencialmente significa que sua mensagem não contém nada contrário à fé e a moral”.Entretanto, acrescenta o documento, essas revelações privadas podem ter “certo caráter profético” e podem além disso, “introduzir novas ênfases, alentar novas formas de piedade ou aprofundar algumas já existentes”.

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* Quando é que uma pessoa deve pedir ajuda psicológica no campo afetivo? dependência afetiva é uma doença?

terça-feira, maio 29th, 2012

Um conversa com Dra. Michela Pensavalli, Psicóloga-Psicoterapeuta

Por Thácio Siqueira

Um congresso sobre o tema do amor, em uma época líquida em que as relações são rápidas, frenéticas e virtuais dificilmente fazemos uma pausa para compreender as nossas emoções e os nossos sentimentos.

Entrevista com Dra. Michela Pensavalli, Psicóloga-Psicoterapeuta, Professora e Coordenadora Acadêmica SCint (Escola de Especialização em Psicoterapia Cognitivo – Interpessoal), membro da CeDic (Centro para a pesquisa e a terapia do Dep. Comportamental), Investigadora junto à ITCI (Instituto de Terapia Cognitivo – Interpessoal) e Membro do Comitê editorial da revista Modelli per la Mente e Idee in Psicoterapia.

Publicamos a seguir a entrevista:

Por que um congresso sobre o tema do amor e da afetividade?

Dra. Michela Pensavalli: Em uma época em que as relações são rápidas, frenéticas e virtuais dificilmente fazemos uma pausa para compreender as nossas emoções e os nossos sentimentos. O congresso aborda a temática do amor em tempos de liquidez mediática, explicando como funcionam os mecanismos desta nova realidade, oferecendo pontos de reflexão para entender como o Amor mudou desde a introdução da Internet, do ponto de vista comunicativo, comportamental e social.

Hoje, as pessoas buscam muito estes temas, também porque sofrem muito por isso. Onde encontrar ajuda, já que no campo psicológico há muitas escolas diferentes, e talvez algumas que realmente não ajudam a encontrar uma solução adequada?

Dra. Michela Pensavalli: Até à data as psicoterapias com mais crédito parecem ser aquelas cognitivistas. A Psicoterapia Cognitiva Interpessoal, em particular, representa uma abordagem integrada em quanto que aborda a exigência clínica de tratar os pacientes com problemas relacionais. A condução do processo de psicoterapia, envolve a construção de uma atmosfera de cooperação com o paciente, onde ele é visto como o maior especialista de si mesmo e dos seus males, enquanto que o terapeuta é o principal especialista das estratégias e das técnicas para resolvê-las. Terapeuta e paciente constroem o cenário de exploração e conhecimento das dinâmicas profundas que vão sendo expressas no contexto da relação terapêutica.

Na sua opinião, quando é que uma pessoa deve pedir ajuda psicológica no campo afetivo?

Dra. Michela Pensavalli: Quando se busca contínua e incessantemente a felicidade, uma realização de si mesmo, uma paz interior através de uma relação com um objeto ou com um evento ou com uma pessoa e esta busca entra na cotidianidade no âmbito sentimental, profissional e relacional, então pode ser útil confiar num tratamento psicoterapêutico. Por meio desta ajuda, a pessoa experimenta novas atitudes e retoma, passo a passo, o domínio da própria vida e a direção escolhida para ser perseguida nos vários âmbitos da vida cotidiana.

O que é a dependência afetiva? é uma doença? É algo normal hoje?

Dra. Michela Pensavalli: Define-se “doença das emoções”. O objeto da dependência é um relacionamento. Designa uma necessidade geral e excessiva de ser acudidos, necessidade que leva a um comportamento submisso e a uma angústia de separação. É a antítese do amor a si mesmos. O dependente afetivo não consegue desenvolver o amor próprio nem a auto-estima.

Na sociedade atual, onde é dada uma grande importância à estética e à beleza externa, o dependente afetivo vive constantemente no medo de não ser aceito e aceita fazer qualquer coisa para mostrar-se complacente como o outro ainda que este seja contrário aos seus valores e ao seu código moral.

As pessoas sentem medo de ficar na solidão, mas ao mesmo tempo não têm a coragem de tomar a sério uma relação porque é muito difícil. É realmente assim? Por quê?

Dra. Michela Pensavalli: Solidão significa entrar em contato consigo mesmos e com a própria alma, significa, às vezes, terror de viver na dor do abandono. As pessoas têm medo da solidão, porque naquele momento encontram-se diante de si mesmas. Ao mesmo tempo, no entanto, têm medo de estreitar laços fortes porque não se sentem capazes de mantê-los e gerenciá-los no tempo. A psicoterapia pós-moderna encaminha-se na direção de sustentar a pessoa enquanto busca o equilíbrio entre os excessos de extrema solidão e busca complacente e contínua do outro.

Michela, junto com Tonino Cantelmi, você escreveu um livro sobre o assunto: “Scusa se non ti chiamo piu amore”. Qual é a mensagem que você daria para os jovens de hoje que se deparam com a escolha de se casar ou não casar, que se encontram diante das dificuldades psicológicas de seus parceiros?

Dra. Michela Pensavalli: Uma justa premissa que deve ser sublinhada é saber que o amor pode transformar-se numa dependência afetiva mas a dependência não se transforma jamais em amor. Isso explica porque em muitos casos uma relação amorosa transformada em uma história de dependência recíproca pode ser curada por meio do compromisso ativo dos parceiros, enquanto que uma relação que se destacou  como dependência desde o início está destinada a acabar de um modo ou de outro, quando não termina destruindo as pessoas envolvidas.

No entanto, investir no amor é sempre a direção certa e a solução. Isto quando o amor é saudável e não vinculativo, quando se vive de forma independente e recíproca sem excluir o amor para si mesmos. A união no matrimônio não significa dependência afetiva, mas o oposto. Uma sadia relação baseia-se na liberdade e na autonomia, na pura necessidade de ser amados. Num matrimônio cada um manifesta o seu amor ao seu modo, e cada um ama o outro como acha melhor: isso é o amor humano. Amar significa aceitar o desafio de suportar e acolher sobretudo os defeitos do outro.


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* Historiador derruba lenda negra sobre a Inquisição.

terça-feira, maio 29th, 2012

Um investigador chileno desmentiu as lendas negras criadas sobre a época da Inquisição, tanto a medieval como a espanhola, em relação à tortura e o exagero da quantidade de condenados à fogueira.

Em entrevista concedida ao grupo ACI o historiador René Millar Carvacho, professor na Pontifícia Universidade Católica do Chile, especializado no tema da Inquisição no Vice-Reino do Perú, explicou que “grande parte de toda a lenda negra desta época gira em torno da tortura, mas que a tortura, como meio de prova, formou parte do método de castigo da época”.

“Tergiversou-se como se isso fosse próprio da Inquisição, mas não é certo, isto foi algo próprio dos métodos judiciais desses anos. A justiça real também a usava e possuia o mesmo sistema”, relatou.

Do mesmo modo, indicou que os dados históricos dos castigos da Inquisição foram exagerados e se deram imagens excessivas em cifras de mortos e ações repressivas que não representaram a realidade.

“Sabemos que entre os anos 1570 e 1820, na América, período em que dura a Inquisição, 2500 pessoas passaram por ela, e desta quantidade só 50 foram condenadas à pena de relaxação (ou seja foram condenadas a morrer na fogueira), e destas 25 ou 30 mortas na fogueira, outros fugiram e o que foi queimado foi uma estátua em representação deles, e pelo geral estas estátuas eram contabilizadas (entre a quantidade de mortos)”, detalhou o historiador.

Em outro momento mencionou que as heresias mais comuns durante a Inquisição na Espanha se deram por parte dos falsos judeus conversos, protestantes; além da bruxaria e algumas outras faltas vinculadas a temas doutrinários. Enquanto que em Lima o maior número de processados foram por bigamia, feitiçaria e blasfêmias.

O perito assinalou que embora durante este período métodos violentos foram usados, os mesmos inquisidores se preocuparam por difundir o temor que a Inquisição gerava entre o povo para que as pessoas não deixassem os limites que marcava a fé.

Finalmente, referiu que um dos trabalhos que realizaram os historiadores das últimas décadas do século 20 foi justamente “tentar separar o que havia de mitologia em diversos aspectos relacionados à Inquisição, sobre tudo nos números do trabalho repressivo, números de processados e pessoas que foram condenadas à fogueira. Em tudo isso foi possível determinar cifras que estavam muito distantes das que foram elaboradas no século 19”.

René Millar esteve em Lima convidado pela Biblioteca Nacional do Peru em ocasião do simpósio “A santidade na Lima do vice-reinado”, dedicada aos Santos que viveram nesta cidade peruana no entre os séculos XVI ao XIX, como Santa Rosa de Lima e São Juan Massías. Este evento ocorreu no contexto das celebrações pelo 50º aniversário de canonização de São Martinho de Lima.

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* Homens vêem mulheres semi-vestidas como ‘objetos’, afirmam cientistas.

segunda-feira, maio 28th, 2012

Cientistas analisaram o cérebro de homens enquanto eles olhavam para a foto de uma moça de biquíni, e descobriram que as seções do cérebro que reagem a objetos ficaram mais ativas. A parte do cérebro responsável pela interação social foi desativada quando os voluntários foram expostos à foto.

Ou seja, eles não estavam interessados em se relacionar com a mulher da foto.Apenas pensavam nela como uma “coisa”.

A professora da Universidade de Princeton, Susan Friske, que conduziu os estudos, afirmou que os homens não veem mulheres sensualizadas como humanas. “É claro que eles sabem que a modelo da foto é humana, mas é a reação deles a ela que é comparada com a reação diante de um objeto”, explica.

Para Friske as constantes aparições de mulheres seminuas, na sociedade e na mídia é que são as grandes responsáveis por esse tipo de reação. “É como a violência na televisão. Estamos tão acostumados que acabamos ficando insensíveis, amortecidos. Não nos chocamos mais”, compara a professora. “Vemos muitas mulheres seminuas. Ficamos acostumados com isso”, completa.

Fonte:

http://www.telegraph.co.uk/science/science-news/4636689/Men-really-do-see-half-naked-women-as-objects-scientists-claim.html

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* Rabinos americanos se manifestam em declaração pública “Abordagem da Torá a respeito da Homossexualidade”.

segunda-feira, maio 28th, 2012

Bob Unruh Em uma impressionante declaração formal que confronta diretamente os esforços de Obama, que durante todo o seu mandato buscou promover e normalizar o homossexualismo, uma coalizão de rabinos ortodoxos e respeitados profissionais de saúde mental afirma que o homossexualismo é um comportamento que pode ser mudado e curado com terapia, se a pessoa assim o desejar.“O conceito de que Deus criou um ser humano incapaz de encontrar felicidade em uma relação amorosa a não ser que viole uma proibição bíblica não é nem plausível nem aceitável”, afirma o documento, intitulado Declaration on the Torah Approach to Homossexuality. Ele afirma que a atração pelo mesmo sexo pode ser modificada e “curada”, e condena o “bombardeio propagandístico” que foi lançado “para persuadir o público sobre a legitimidade do homossexualismo”.“Predominam na mídia as rotulações negativas que sugerem que quem não aceita o estilo de vida homossexual como legítimo o faz por ‘ódio’ ou porque é ‘homofóbico’. Essa coerção política silenciou muitos à condescendência. Infelizmente, essa atitude permeou a comunidade judaica, e muitos ficaram confusos ou aceitaram a postura da mídia sobre esse assunto”, afirma o documento. De fato, assim que Obama assumiu o mandato em 2009, ele promulgou um projeto de lei que tratava de “crimes de ódio”, que aumentava as penas por crimes atribuídos ao “ódio” ao homossexualismo, fornecendo aos gays proteções especiais às quais outras vítimas não têm direito. “A Torá declara explicitamente que o homossexualismo não é um estilo de vida aceitável ou uma identidade genuína, e proíbe severamente a conduta. Além disso, a Torá, sempre visionária sobre as influências seculares negativas, nos alerta em Vaicrá (Levítico) 20:23: ‘E não andeis nos costumes das nações que eu expulso de diante de vós…’ Principalmente se a Torá menciona o homossexualismo e outras práticas sexuais proibidas”, afirma a declaração. O documento foi assinado por uma coalizão de mais de 100 rabinos, organizadores comunitários, líderes e profissionais de saúde mental. Dentre os signatários que decidiram vir a público está a psicóloga e autora Dra. Miriam Adaham de Jerusalém; o Rabino Simcha Feuerman, presidente da International Network of Orthodox Mental Health Professions (Rede Internacional de Profissões de Saúde Mental Ortodoxas); a psiquiatra de Los Angeles e autora Dra. Miriam Grossman; o Dr. Joseph Gelbfish de Brooklyn, Nova Iorque; o Rabino Yaakov Salomon, psicoterapeuta e autor; o Rabino Steven Pruzansky, vice presidente do Conselho Rabínico dos EUA, e dezenas de outros . A declaração contradiz um documento de 2010 assinado por rabinos ortodoxos que acreditavam que “Judeus com orientação homossexual ou atração pelo mesmo sexo devem ser acolhidos como membros plenos da sinagoga e da comunidade escolar. Assim como com relação a gênero e etnia, eles devem participar e contar nos rituais, serem elegíveis para homenagens nas sinagogas, e serem tratados igualmente e sob o mesmo padrão haláquico e hagádico, assim como qualquer outro membro da sinagoga à qual se juntarem”.

Contradição

A declaração de 2010 também rejeitava a ideia de terapia para curar o homossexualismo, mas a nova declaração toma uma posição oposta.“Rejeitamos enfaticamente a noção de que a pessoa com tendências homossexuais não possa superar sua tendência ou desejo. Os comportamentos podem ser mudados. A Torá não proíbe algo que seja impossível de mudar. Abandonar as pessoas à eterna solidão e ao desprezo, negando-lhes toda esperança de superar e curar sua atração pelo mesmo sexo é friamente cruel. Tal atitude também viola a proibição bíblica do Vaicrá (Levítico) 19:14 ‘nem porás tropeço diante do cego’”, afirma o documento. A coalizão de rabinos e outras lideranças afirma que “apesar do politicamente correto, o único meio de ação aprovado pela Torá com relação ao homossexualismo é a terapia psicológica combinada à teshuvá, ou penitência”.Os signatários concordam que a atração pelo mesmo sexo pode ser modificada e curada. A declaração foi escrita por uma comissão de 25 membros composta de rabinos, pais, pessoas sob terapia e “histórias de sucesso” daqueles que fizeram terapia e hoje vivem vidas heterossexuais, casados e com filhos, afirma o grupo.Ele rejeita os esforços de “secularistas e pessoas da comunidade religiosa” para minimizar ou negar a possibilidade de mudança.O tratamento recomendado na declaração é a terapia reparativa, ou a terapia afirmativa de gênero, que a declaração define como algo que “reforça a identidade de gênero natural do indivíduo, ajudando-o a entender e reparar as feridas emocionais que ocasionaram essa desorientação e enfraquecimento, permitindo, dessa forma, o reinício e a conclusão do seu desenvolvimento emocional”. O propósito da declaração é ajudar os judeus que “estão confusos com essa questão e se tornaram coniventes com algumas noções falsas”, tais como a ideia “de que uma pessoa não pode controlar sua ‘natureza’, e portanto, deve aceitar sua tendência proibida como algo natural e normal que não precisa ser trabalhado ou curado”. Os membros da comissão que compôs o documento estão sendo mantidos no anonimato, embora os signatários da declaração tenham ido a público. Mas os membros da comissão afirmaram em uma declaração paralela que eles superaram as atrações pelo mesmo sexo: “Emitimos essa declaração com base na Torá porque as mensagens da mídia e dos ativistas homossexuais são, na melhor das hipóteses, equivocadas, e na pior delas, simplesmente mentirosas”.

‘Uso impróprio da compaixão’

“Os ativistas homossexuais estão fazendo uso impróprio da compaixão para convencer o público. Sua principal mensagem é que, se nós nos importamos com as pessoas, deveríamos aceitá-los como homossexuais e não pedir para que mudem. Eles têm reforçado essa mensagem pedindo para que as pessoas identificadas como homossexuais repitam constantemente a inverdade de que ‘não é possível mudar’, e que as pessoas ‘nascem assim’; que os homossexuais tentaram, mas ‘não conseguiram mudar’, e que se pudessem escolher, ‘jamais teriam escolhido isso’. Tudo o que eles querem é ‘aceitação, felicidade e amor, assim como todas as pessoas’”, explica o grupo.No entanto, membros da comunidade judaica escrevem que a Torá “faz uma declaração inequívoca de que o homossexualismo não é um estilo de vida aceitável”, e que não há prova científica genuína de que o homossexualismo seja genético ou biológico. Eles afirmam que o avanço da normalização do homossexualismo é uma verdadeira ameaça à liberdade religiosa .Em Nova Iorque, por exemplo, onde o “casamento entre pessoas do mesmo sexo” foi recentemente legalizado, as sinagogas estão protegidas caso se recusem a celebrar um casamento homossexual.No entanto, “Se a profissão de uma pessoa religiosa estiver relacionada a salão de casamento, fotografia, música, buffet etc., não há proteção legal caso eles se recusem a prestar serviços para o casamento homossexual. Além do mais, se o negócio envolver qualquer contrato ou licença estatal, este será revogado no caso de recusa de prestar serviços para um casamento entre pessoas do mesmo sexo”, alerta o grupo.“Estamos começando a ver as repercussões para as pessoas de fé nessa questão. À medida que essas coisas se tornam lei, veremos cada vez mais manchetes desse tipo”, afirma a organização.

Repercussões

O grupo cita vários exemplos nos últimos meses, incluindo Peter Vidmar, que foi forçado a abandonar a equipe olímpica dos EUA depois que várias reportagens mostraram que ele apoiava iniciativas contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo; um apresentador de TV de Toronto que foi demitido por apoiar o casamento tradicional; e uma empresa de fotografia de casamentos do estado de New Mexico, que foi multada por se recusar a fotografar uma cerimônia de “casamento” homossexual. Até mesmo a Associação Americana de Psicologia voltou atrás na afirmação de que havia um “gene gay” ou alguma razão inevitável para o comportamento homossexual.Como afirmou a AAP , “não existem descobertas científicas que provam que uma pessoa nasce homossexual”. A porta-voz Susan Rosenbluth, que representa os signatários da declaração, disse ao WND que é repreensível dizer a um garoto de 16 anos que está confuso com a atração pelo mesmo sexo: “Lamento por você”.Ela acrescenta que há uma série de “tendências naturais” no âmbito do comportamento humano que devem ser controladas (e mudadas, se possível). Ela cita o alcoolismo ou o excesso de peso como um problema comportamental similar, que requer ajuda de outros para ser mudado.Outros comportamentos são similares, afirma Rosenbluth.

‘É preciso muito trabalho’

“Não é natural tocar um violino. Não é algo que vem naturalmente. O mesmo pode-se dizer sobre a superação da atração pelo mesmo sexo. É preciso muito trabalho se você quiser fazê-lo”.Rosenbluth afirma que a lei judaica não diz em lugar nenhum que não é kasher [permitido] comer lama, porque ninguém irá fazer isso. Mas, segundo ela, a declaração judaica aborda o problema do homossexualismo, tratando-o da mesma forma que o roubo, algo que as pessoas tendem a querer fazer, mas não são permitidas.Ela acrescenta que as pessoas de fé não devem ignorar a questão do homossexualismo.Abandonar as pessoas à eterna solidão e ao desprezo, negando-lhes toda esperança de superar e curar sua atração pelo mesmo sexo é friamente cruel”, afirma o documento.Ele recomenda “terapia reparativa ou terapia afirmativa de gênero”. Isso é definido como “algo que reforça a identidade de gênero natural do indivíduo, ajudando-o a entender e reparar as feridas emocionais que ocasionaram essa desorientação e enfraquecimento, permitindo, dessa forma, o reinício e a conclusão do seu desenvolvimento emocional”.E a “teshuvá” é a obrigação da Torá para que as pessoas se afastem “de qualquer transgressão ou pecado e retornem a D’us e à sua essência espiritual”.

Culpa de Obama

Há poucos dias uma ex-lésbica que agora lidera um ministério especializado afirma que Obama está usando a sua influência mundial “e o poder financeiro do governo” para promover o homossexualismo .Ela é Janet Boynes, do Janet Boynes Ministries , que afirma logo de cara que o seu objetivo é “ministrar a pessoas que questionam a própria sexualidade ou que queiram deixar o homossexualismo”. “O JBM busca informar e desafiar as igrejas e a sociedade sobre as questões acerca do homossexualismo e ensinar como ministrar à comunidade homossexual”.Boynes disse ao WND que muitos “secularistas jovens e ingênuos” estão ocupados seguindo a liderança de Obama em sua agenda sexualmente permissiva, cujo resultado será “o fim dos valores e das famílias tradicionais”. A agenda de Obama também “propaga o ataque às crenças judaico-cristãs em escala global”.Mas enquanto vários outros ministros criticam a determinação pró-homossexualismo de Obama, este colocou mais homossexuais em posições de poder do que qualquer outro presidente, abriu as forças armadas para o homossexualismo declarado, e promulgou um plano de “crimes de ódio” que garante proteção especial aos homossexuais. Boynes vai além.“A Bíblia diz que o ladrão vem senão para roubar, matar e destruir (João 10:10)”, afirma. “O seu principal objetivo é trazer confusão e causar divisões dentro da igreja, e ele o faz alterando a verdade de Deus de uma maneira que muitos cristãos acabam sendo enganados se não estiverem firmados e fundamentados na palavra de Deus”. WND recentemente noticiou que a política da administração Obama é a nova polícia sexual, e que recentemente foi emitido um decreto presidencial que alguns dizem ter como objetivo certo criar “cotas” para LGBTs nas contratações do governo federal. WND também noticiou a pressão de várias autoridades administrativas para normalizar o comportamento LGBT, incluindo a designação de “identidade de gênero” como um status protegido pelos cargos federais.O articulista Matt Barber do WND escreveu que os esquerdistas estão “desesperados” nos seus esforços para “desencavar alguma racionalização natural e biológica, para a qual a ciência não encontrou nenhuma, para validar um comportamento comprovadamente não natural”.“É por isso que estamos vendo um ódio tão visceral da esquerda à comunidade ex-gay”. Do ponto de vista político e legal, é estrategicamente crucial que esses esquerdistas solapem e marginalizem a experiência real de incontáveis milhares de ex-homossexuais”, afirma Barber. “Essa malevolência representa uma profunda falta de respeito pelo ‘direito de escolha’ das pessoas”. A mentira favorita é a seguinte: ‘O gay dentro de você não vai sair com reza’. Uma vez que você se identifica, ou é rotulado, como ‘gay’, não há mais saída.“Ironicamente, esses mesmos liberais sugerem cinicamente que algo realmente inato como o sexo biológico pode ser mudado. Se você é um homem hoje, mas se sente como uma mulher, basta alguns cortezinhos e voilá! Você se torna mulher”, afirma Barber.

Alerta dos pediatras

O WND noticiou anteriormente quando uma coalizão de pediatras alertou educadores para que não promovessem o comportamento “gay”.A American College of Pediatricians (Conselho Federal de Pediatria), uma organização sem fins lucrativos financiada por membros e doadores, escreveu para as secretarias de educação afirmando que “Não é papel das escolas diagnosticar ou tratar a condição médica de qualquer estudante, e muito menos ‘afirmar’ uma orientação sexual percebida”.Além disso, as escolas podem criar uma “vida de dor e sofrimento desnecessários” para uma criança quando reforçam um comportamento escolhido a partir da “confusão” de uma criança.“Mesmo quando motivado por intenções nobres, as escolas podem ironicamente desempenhar um papel desastroso se estimularem essa desordem”, afirma a carta, assinada pelo Dr. Tom Benton, presidente da organização. O grupo também criou um website chamado Facts About Youth , como um recurso para que as autoridades escolares tenham acesso a fatos oriundos de um “canal apolítico e não religioso”.“O único curso de ação viável que está em conformidade com a Torá é a terapia e a teshuvá”, afirma o novo documento. “Não existe outra solução prática permitida pela Torá com relação a esse assunto”. Traduzido por: Luis Gustavo Gentil

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* O Ato conjugal tem um fim em si mesmo independente do sentido que a fé religiosa lhe dá.

segunda-feira, maio 28th, 2012

Robson Oliveira

Grande parte das críticas que se levantam contra a moral sexual resume-se a afirmação de que ela possui caráter meramente religioso. Portanto, continuam as repreensões, não é justo nem necessário que os descrentes sigam essas orientações. Para estes críticos, o ato sexual, mesmo fora do matrimônio, não obedece a qualquer norma ou fim, a não ser a satisfação imediata do apetite sexual. A prole, na medida em que não se encontra neste nível imediato e até pode impedir sua execução, é muito especialmente negada como fim deste ato.

Para eles, os filhos não são fruto natural de uma relação sexual. No entanto, em outro post foi afirmado que um dos fins do matrimônio é a prole e, portanto, não é lícito (nem saudável para a relação matrimonial) um matrimônio sem filhos.(assim decidido, sem nenhum impedimento natural) O objetivo dessa reflexão é mostrar que não se pode agir como se o ato conjugal não tivesse um fim em si mesmo, independente da vontade dos cônjuges. Para isso, a reflexão apresentará dois momentos: uma abordagem teológica e outra filosófica.

Abordagem Teológica

É muito comum se dizer que o ato conjugal não precisa visar de modo algum a prole, mas que o fim do ato conjugal é tão simplesmente o bem dos esposos. Com isso se quer dizer que o único e razoável fim para o ato sexual entre esposos é o gozo deste mesmo ato, que sacia temporariamente o apetite sexual. É com este espírito que se diz ordinariamente aos recém-casados: “vocês têm que aproveitar o casamento um pouco, viajar, curtir um ao outro…”, como se os filhos fossem empecilho natural a união dos esposos.

Os cristãos, porém, não deviam ter esse problema de compreensão, pois para os que tem fé, especialmente de origem judaica, a prole é já um modo parcial de  realização das promessas feitas ao Pai dos crentes, Abraão: descendência mais numerosa que as estrelas do céu (cf. Gn 22,17). Além disso, as santas mulheres do Antigo Testamento sofriam por não terem filhos: “Faze-me ter filhos também, ou eu morro“, disse Raquel a seu marido Jacó (Gn 30,1), demonstrando indiretamente o gozo e a realização que é para a casal de Deus ser co-criador do gênero humano.

E finalmente, a fecundidade matrimonial precisa ser vista como um dom para o homem desde o princípio: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,26). Por detrás da insegurança dos casais de fé com relação a sua prole está, certamente, a falta de confiança na Palavra de Deus. Os que dizem ser cristãos, mas não reconhecem o Senhorio de Deus nesta parte de sua vida, precisam admitir que não há mais fé verdadeira no domínio de Deus sobre toda a natureza. São cristãos incompletos, portanto.

Reprodução

Aos católicos, que não têm apenas a Palavra de Deus Escrita, mas também a Palavra de Deus Pregada como fundamento da sua fé – além do Magistério – é ainda mais clara a questão. Diversas vezes o Magistério Ordinário definiu que o ato conjugal deve estar sempre aberto à transmissão da vida (cf. CIC §2366), além de prever o bem dos esposos. Só por razões graves o ato sexual deve separar a união do casal da abertura à vida. Com efeito, o fim dos apetites humanos é a satisfação de uma potência. Ora, um dos fins naturais do ato conjugal é a prole. Logo, os cristãos católicos, seja por causa da Fé na Palavra de Deus, seja pela obediência refletida no Magistério Ordinário, não podem tentar separar esses fins, a não ser por motivo grave.

Mas e os que não têm fé? Eles podem usar do ato conjugal introduzindo artifícios para, sem razões graves, espaçar ou impossibilitar gravidezes? É o que veremos.

Abordagem Filosófica

Os que não têm o dado religioso para guiar suas ações levantam objeções a todo tipo de normatização no campo da sexualidade. Dizem que não veem sentido na imposição de regras em um aspecto tão íntimo da vida humana. Afirmam que se a prática sexual possui algum tipo de prazer anexo, não há evidentemente nada de mal em usufruir deste prazer. Se o ato sexual traz alguma satisfação, não há razão de se pôr limites a ela. No entanto, apesar destas premissas bem convincentes, esses mesmos defensores do prazer sexual sem finalidade acham muito constrangedor – e muitas vezes ofensivo – se alguém busca incessantemente a satisfação gustativa, mesmo que para isso tenha que expelir o alimento recém ingerido. O guloso gera no espectador um certo horror. Gula não tem nada a ver com o cafezinho depois do almoço ou o pudim depois da macarronada, mas é aquela ânsia de ingerir alimentos por causa do prazer derivado da ingestão ou do paladar. Em grau profundo, a gula torna-se patologia, fazendo com que o guloso, ato contínuo ao alimentar-se, vomite a refeição para que o alimento não cause o efeito necessário, a nutrição. Neste sentido, poucas coisas são mais deprimentes e reveladoras da condição humana que o vomitório romano, pois demonstram como o homem pode desviar-se da natureza nas suas ações mais cotidianas. Com efeito, nosso tempo reconhece a bulimia como grave doença que abate jovens e adultos em algo tão simples como a alimentação.

E o que é a bulimia senão a ação de desfrutar do prazer gustativo sem “sofrer” as consequências da alimentação, a saber: a nutrição? Os bulímicos, para manterem sua autoimagem, pretendem usufruir do prazer anexo ao apetite nutritivo sem assumir a nutrição como fim do ato de nutrir-se. Obviamente, neste ato há uma deturpação da natureza, que há poucos escapa. É a gula no seu estado químico, que certamente já tornou-se patologia física e psiquiátrica.

Ora, se aos que não tem fé repugnam atitudes de esbanjamento, desperdício e bulimia, a eles também deveria repugnar o ato sexual que, deliberadamente e sem razões, impede o apetite reprodutivo de alcançar o fim remoto de sua ação: a prole. A gula e a bulimia, isto é, a prática de alimentar-se e depois, por meio de um intermédio (a pena de ganso ou um comprimido), impedir a consequente absorção dos alimentos ingeridos, causa tanta repugnância por razão da rejeição da natureza deste ato. Quem diria que é justificável desejar o bônus do prazer gustativo dos alimentos sem arcar com o ônus da absorção desses alimentos? O apetite sexual tem como fim intrínseco de sua ação a prole, assim como o fim da alimentação é a nutrição. Os prazeres anexos a estas ações são moralmente lícitas, contanto que não se interponha nada ao desenvolvimento da natureza. Afirmar que nada há demais em que o ato sexual evite sempre a prole é o mesmo que achar natural que toda refeição seja impedida de produzir nutrição, por meio de remédios ou de vômitos.


Outra crítica que se faz é que, na prática, os métodos naturais para espaçamento da prole equivalem aos artificiais, pois impedem a gestação, deixando a ato conjugal com apenas um dos horizontes de sua moralidade: a união dos esposos. No entanto, não é ilícito se um alimento, tomado para nutrir e cujo paladar é agradável, não é absorvido pelo corpo, sem o intermédio da ação humana. Nesse sentido, o uso de métodos contraceptivos naturais e artificiais não se equivalem, pois os primeiros não interferem no desenvolvimento natural do corpo, enquanto os segundos marcam a intervenção do homem a fim de tornar infecundo um ato naturalmente destinado a prole.Os atos conjugais praticados nos períodos inférteis, pelo contrário, não tornam esses atos infecundos. Eles o são naturalmente.

O uso dos métodos naturais são moralmente aceitáveis, portanto, caso se respeitem seus fins. A prole é um desses fins, para o casal cristão ou não

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Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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Comentários
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