Por Arquivo junho 11th, 2012

* Aos 80 anos, sacerdote dedica 16 horas do seu dia para tirar jovens das drogas.

segunda-feira, junho 11th, 2012

Padre Osvaldo Gonçalves não é de muita conversa. A cada pergunta, seu pensamento vai longe, como se buscasse nesses 80 anos vividos a resposta certa para tantas incertezas que a vida já lhe mostrou. Ele tem pressa. Não quer deixar de cumprir uma rotina de dedicação sem trégua, um cotidiano sempre repetido, das 6h às 22h, durante anos a fio, carregando pessoas boas, mas cheias de problemas difíceis de suportar. “Podia ter feito de outra maneira e não ter colocado tanto peso nas minhas costas, mas eu não soube fazer diferente”, conta o sacerdote no livro Eu me envolvi com os drogados, publicado em 2009.

Sempre dedicado a repassar valores a favor da família, a história desse homem começou no Bairro Padre Eustáquio, na Região Noroeste de Belo Horizonte, durante a década de 70, quando promovia encontros de jovens e casais para aconselhá-los. O lugar ganhou o nome de Recanto de Caná. Mas, em 1979, as queixas passaram a ser ainda mais preocupantes: estourava na cidade a dependência química. O seu primeiro contato com essa realidade veio quando uma mãe aflita chegou a ele e lhe apresentou seu filho Marcos, na época com 18 anos, que trazia no corpo verdadeiras chagas, como consequência das picadas, injeção de algafan – uma espécie de morfina – nas suas veias.

Ao se deparar com o garoto, padre Osvaldo, que não sabia o que fazer e ciente de que o problema não se limitava a apenas um jovem, resolveu encarar o desafio. “Não tínhamos outra solução a não ser pensar nas comunidades terapêuticas, que começavam a nascer no Brasil”, conta. Já existia em Campinas (SP) a Fazenda Senhor Jesus, fundada em 1978 pelo padre Haroldo Rahm, um jesuíta norte-americano. “Ele trazia da sua terra um modelo de trabalho destinado à recuperação de dependentes químicos. Fui para lá conhecer”, lembra. Na época, as drogas que mutilavam as famílias em BH eram a algafan, a maconha e a cocaína. “O pó custava um grama de ouro”, recorda o padre.

O sacerdote passou a tratar de um grupo pequeno de dependentes. “Fomos aceitando esses jovens, cheios de ilusão pela primeira vitória ainda não consolidada. Eram de bom coração, de boas famílias, mas presos ao vício, alguns inteiramente atolados na lama”, conta. Estava dado o primeiro passo. Mas o que fazer com eles? Veio a primeira frustração. Na tentativa de recuperá-los, o padre chegou a perder peso e noites de sono. “Achei que podia desistir, pois não estávamos preparados para um trabalho como esse.” Ele diz ter aprendido, ali, a não acreditar nem confiar em uma pessoa viciada. “Mesmo em processos de recuperação, elas podem falar o contrário do que estão pensando e prometer o que não tencionam fazer.”

Terapia

E, apesar das decepções, o padre não desistiu. “Passei a pesquisar mais sobre o assunto, ir a congressos, ler livros e preparar palestras. Criei estruturas mais sólidas para evitar os fracassos”, comenta. Em 1987, foi criada, com a ajuda da Congregação dos Sagrados Corações e de alguns fiéis, a comunidade terapêutica Fazenda Recanto de Caná, em Ribeirão das Neves, na Grande BH. O espaço tem hoje 68 hectares (o equivalente a 68 campos de futebol) por onde já passaram 4 mil dependentes. Atualmente, são 70 internos, todos homens. A recuperação é baseada em um tripé: disciplina, trabalho e espiritualidade. A internação é de nove meses e no local não há portões fechados.

“O primeiro recurso é tirar o dependente do seu ambiente. Aqui, ele aprende a trabalhar com lavoura, faz limpezas, capina, trabalha na floricultura e mexe nas hortas. Além disso, passa a descobrir valores de espiritualidade. Todos os dias, oramos e fazemos uma reflexão do evangelho”, destaca. O padre diz que o pedido de socorro é voluntário. “Vem gente do Brasil inteiro nos pedir ajuda. Como são três comunidades na fazenda, sendo uma para cada etapa passada pelo dependente, há uma equipe de psicólogos, médicos e assistente sociais.

Caná é transformação

No livro Eu me envolvi com os drogados, o padre Osvaldo Gonçalves explica que o nome Caná evoca não somente a presença de Jesus em um casamento, mas é o lugar onde ele fez o seu primeiro milagre, transformando água em vinho. “Essa transformação simboliza a mudança que se faz no coração das pessoas e na orientação das suas vidas, desde que Cristo seja convidado a participar do seu projeto.”

Presença da família é fundamental

Durante três vezes na semana, o vigário se encontra com os familiares dos internos em reuniões feitas no Bairro Padre Eustáquio. “A família é fundamental para a qualidade do processo”, defende, reconhecendo que o trabalho não é fácil e nem sempre quem sai dali está libertado do vício. “A droga tem muita força. Ela é maldita. Derruba os ideais, frustra as promessas e as esperanças”, diz. Ele afirma que o retorno ao mundo lá fora, o reencontro com os antigos companheiros e a incontrolada compulsão fazem voltar tudo como era antes. “Por isso a família é importante. E a espiritualidade, fundamental.”

Não há, segundo ele, como dizer qual o tipo de vício mais recorrente entre os dependentes. “É tudo misturado. Mexem com o crack, cocaína e maconha.” Por esse motivo, por saber que um vício leva a outras substâncias, o sacerdote não vê com bons olhos a descriminalização da maconha, assunto que o Brasil começa a discutir. “Isso cria condições para as pessoas experimentarem outras coisas. Se liberar a erva, será uma calamidade. Falam em acabar com o tráfico, mas isso só vai acabar quando não houver comprador. Dizer que a descriminalização vai reduzir a criminalidade é uma incógnita.”

A rotina na fazenda começa às 6h30, quando todos se encontram na capela para oração. “Temos uma padaria, em que o pão é feito pelos internos. Eles fazem trabalhos manuais, a chamada laborterapia. Há também tempo para o esporte. Já tivemos como internos médicos, advogados, engenheiros e universitários”, comenta. Na sede do Recanto de Caná, no Padre Eustáquio, há espaço para as mulheres, mas a capacidade é para 15. P

Padre Osvaldo diz que foram muitos os que conseguiram vencer o vício com o trabalho na fazenda. Ele aconselha aos dependentes aceitarem ajuda. “É preciso querer, começar e perseverar. Salva-se aquele que perseverar até o fim. É palavra de Jesus.”

Fonte: http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2012/06/10/interna_gerais,299209/aos-80-anos-padre-dedica-16-horas-do-seu-dia-para-tirar-jovens-das-drogas.shtml

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* O autêntico cristão JAMAIS será homofóbico!

segunda-feira, junho 11th, 2012

Zenit

Publicamos a seguir um artigo de reflexão do nosso colaborador especialista em Bioética, Pe. Hélio Luciano, membro da comissão de bioética da CNBB.

***

Nas últimas semanas temos acompanhado novas discussões sobre leis contra a homofobia – discussão que volta à tona pelo seminário organizado pela Senadora Marta Suplicy sobre o Projeto de Lei da Câmara 122/2006 (mais conhecido como PLC 122) e pelas propostas para o novo Código Penal Brasileiro. Com base nessas discussões, poderíamos perguntar-nos, qual é a posição dos católicos em relação à homofobia?

É já ideia comum entre os não-católicos – e infelizmente entre muitos católicos também – pensar que nós, católicos, somos homofóbicos. Nada mais equivocado. Atitudes de violência física ou moral, ridicularizações – ou o famoso bullyng, que agora está de moda – são tão contrários à doutrina católica como qualquer outro pecado contra a caridade. Sendo assim – repito para deixar bem claro – não somos e jamais seremos homofóbicos se queremos seguir a Cristo.

Ao mesmo tempo somos também contrários aos atuais projetos de lei propostos e já citados. Por sermos homofóbicos? Não. Mas por diversas outras razões.

A primeira delas é por ser um projeto legislativamente desnecessário. Contra a violência – seja física ou moral – e contra a discriminação, já existem leis às quais as pessoas que se sintam injustiçadas podem recorrer. Não é necessário criar uma nova lei, mas sim fazer que as leis já existentes se apliquem de fato. Porque estamos vivendo em uma tendência de multiplicar leis que já existem?

Em segundo lugar, a lei apresentada é contrária à liberdade de expressão e à liberdade religiosa. É verdade que a liberdade de expressão não é e não pode ser absoluta – por exemplo, ninguém nunca pode incitar à violência recorrendo à liberdade de expressão. Mas também é verdade que, com a nova lei, os limites do que poderá ser interpretado como agressão ou não-agressão – do ponto de vista moral – serão muito frágeis. Se um pastor protestante ou um sacerdote católico lerem ou pregarem sobre a 1ª Carta de São Paulo aos Corintios – Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os ladrões herdarão o reino de Deus – não poderá alguém recorrer à “nova” lei por sentir-se agredido? Se um sacerdote negar a comunhão a um “casal” homossexual, estes não poderiam acusar ao sacerdote de “homofóbico”?

Queremos apenas a liberdade de poder afirmar aquilo em que acreditamos. De poder dizer claramente, sem nenhuma pretensão de ofender a ninguém, que uma pessoa que vive atos homossexuais está ofendendo a Deus. De poder oferecer ajuda – somente àquelas pessoas que queiram e acreditem que precisam ser ajudadas – a que vivam o amor de Deus em plenitude. Queremos ser livres, sem ofender a ninguém, mas ser de fato livres para pensar.

Em um artigo escrito há aproximadamente dois anos sobre este mesmo tema, fui acusado em um blog – por pessoas que não me conhecem – de ser pedófilo, pederasta, homossexual, etc. Tudo isso pelo simples fato de ser sacerdote. Como sabemos, a discriminação atual contra a Igreja e contra os sacerdotes não são casos isolados – somos os únicos que não temos mais direito à liberdade. Devemos criar então uma lei de “sacerdociofobia” ou “eclesiofobia”por causa disso? Não. Por que então reivindicam que para os grupos homossexuais é necessária uma lei específica?

**Pe. Hélio é graduado em filosofia e teologia pela Universidade de Navarra, na Espanha, Mestrado em bioética pela mesma Faculdade; Mestrando em Teologia Moral pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz (PUSC), na Itália, doutorando em bioética pela Faculdade de Medicina do Campus Biomedico di Roma (UNICAMPUS), na Itália e Membro da Comissão de Bioética da CNBB.

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* O Papa e a Eurocopa: O esporte forma nos valores e amadurece a pessoa!

segunda-feira, junho 11th, 2012

ACI

O Papa Bento XVI afirmou que a Igreja não pode permanecer indiferente diante de eventos como a Eurocopa 2012, que será inaugurada nesta sexta-feira, 8, e convidou os participantes e o público em geral a viver esta competição esportiva em espírito de paz e de alegria.

O Papa pronunciou estas palavras em uma mensagem enviada ao Presidente da Conferência Episcopal Polonesa, Dom Józef Michalik, com motivo da Eurocopa 2012 que será disputada na Polônia e na Ucrânia de 8 de junho a 1 de julho.

Conforme informou a Rádio Vaticano, o Santo Padre assinalou que se trata de um evento que envolve não só a atletas e aficionados, mas também a vida e a sociedade de diferentes países e diante do qual a Igreja não pode permanecer indiferente.

Nesse sentido, o Papa recordou as palavras do Beato João Paulo II –um grande fã do futebol que praticou o esporte na posição de goleiro–, quem afirmava que “o esporte é importante para o desenvolvimento integral da pessoa e um elemento muito útil para a construção de uma sociedade à medida do homem. O sentido de fraternidade, a generosidade, a honestidade e o respeito pelo corpo ajudam a construir uma sociedade civil onde o antagonismo é substituído por uma sã concorrência, e onde o encontro é preferível ao conflito”.

Desta maneira, explicou Bento XVI, o esporte “não são um fim a mas um meio, pode chegar a ser um veículo de civilização, animando as pessoas a pôr no campo o melhor de si mesmas e a rejeitar o que poderia ser perigoso ou até gravemente prejudicial para si mesmas ou para os demais”.

Os esportes de equipe, indicou o Papa, são “uma escola importante para educar o sentido do respeito pelos demais, inclusive ao adversário esportivo; ajudam o espírito de sacrifício pessoal pelo bem de todo o grupo; melhoram as relações dentro da equipe”.

Além disso, concluiu, o esporte ajuda a superar “a lógica do individualismo e do egoísmo, que frequentemente caracteriza as relações humanas, para dar capacidade à lógica da fraternidade e do amor, que é a única que permite promover –em todos os níveis– o verdadeiro bem comum”.

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* A Sexualidade humana pode ser “ferida” e precisa assim de cura e restauração.

segunda-feira, junho 11th, 2012

Entrevista com a irmã Lacambra, especialista em temas de sexualidade humana

É sempre bom saber a origem das coisas. Isto ajuda a identificar as causas dos problemas, que quando crescem com várias ramificações impedem uma solução adequada. Alguns deles são os temas relacionados à sexualidade humana.

Para conhecer mais de perto estas realidades, ZENIT conversou com a irmã Maria Blanca Lacambra, da congregaçaõ das Servas da Verdade, que reside em Bayamón, Puerto Rico. Ela trabalha há muitos anos com diversos grupos da arquidiocese de San Juan, no que diz respeito à disfunções sexuais.

Por que o tema da sexualidade, com suas perversões, tornou-se uma notícia de todos os dias?

IR. LACAMBRA: Em primeiro lugar considero a sexualidade sagrada, criada por Deus e, portanto um presente seu. As perversões são ocasionadas por vários fatores inerentes a traumas, estupros e abusos de todo tipo. Sendo Puerto Rico uma sociedade matriarcal, onde a mãe faz quase tudo com relação aos filhos, e o pai se dedica a trazer o sustento para o lar, – hoje muitas mães trabalham e não têm tempo para os filhos -, são os filhos que ficam afetados por isso e em muitos casos se debilitam. Tudo isso faz com que muitas feridas fiquem impressas no cérebro e os acompanhem por toda a vida. Se estas feridas não são tratadas com cuidado por diversos profissionais qualificados na matéria, juntos com a consciência séria da participação de Deus nas nossas vidas, teremos diante de nós adultos com muitos distúrbios de comportamento e de personalidade; problemas que mais adiante se manifestarão tanto na vida matrimonial como na vida religiosa.

E isso pode ser mudado?

IR. LACAMBRA: Existem sacerdotes, psiquiatras, psicólogos e sexólogos que trabalham com isso, e pelo que a experiência está me ensinando, é necessário trabalhar rapidamente para eliminar, na medida do possível, as feridas que impedem os homens de adquirir a libertação; lembremos de que somos imagem e semelhança de Deus e são as feridas que nos impedem de sentir no nosso ser esse “menino” ou “menina” criada por Deus e que constantemente está gritando dentro de nós porque quer ser o que Deus, Nosso Senhor quis que fosse: seu filho ou filha querida.

E como prevenir isso com aqueles que entram nos seminários e conventos?

IR. LACAMBRA: Vejo que está sendo feito algo ultimamente, mas pouco. Que se faça um teste psicológico não é suficiente, porque se a pessoa é inteligente poderá manipular todos aqueles que a queiram mudar e não se poderá saber como é na realidade o candidato. Os candidatos não dizem muitas coisas que se deveria saber antes de entrar no convento, para serem ajudados. Vêm com muitas feridas da infância e da adolescência. E ainda mais, considero que exista medo pelo tema da sexualidade; não se aprofundiza como se deveria fazer. Lembremos que a sexualidade abarca o corpo, alma e espírito e portanto, nos acompanha ao longo de toda a vida e se não nos é familiar, amiga, diria, como é possível amá-la e deixar que ela cumpra com o fim para o qual Deus, Nosso Senhor a criou?

Vêm-se alguns casos disso, não?

IR. LACAMBRA: Se entramos nas comunidades nos encontramos com tantas coisas que estão acontecendo a nível mundial, seja com sacerdotes, religiosas, pastores e nos escandalizamos mas…, quem acompanhou estes candidatos à vida religiosa e sacerdotal no aspecto da sexualidade? Por acaso os seus pais? É triste constatar que muitos pais não sabem nada do que se refere a este tema tão importante. Eu diria que nem sequer alguns formadores e superiores de comunidades religiosas têm muito conhecimento desse tema. Muitos jovens entram no seminário ou na vida religiosa com a intenção de ficar, seja porque têm vocação ou por outras causas que já conhecemos; algumas delas não muito positivas. O fato de que hão haja formadores devidamente preparados para acompanhar estes candidatos, supõe que ante o voto de castidade tenham problemas. Além do mais, o mero fato de saber que existe fortes tentações, não supõe necessariamente que não existe a vocação.

Justamente os meios utilizados contra o maligno nestes momentos são importantíssimos: a oração, a recepção dos sacramentos, o santo terço, e acima de tudo, o acompanhamento de uma pessoa – geralmente o superior e o diretor espiritual – tanto no terreno espiritual como humano.

Na época da formação para o sacerdócio ou para a vida consagrada, quais são os sinais de alerta que se pode ter sobre isso?

IR. LACAMBRA: Eu diria que um apego excessivo ao superior, pois estão à procura de um pai; no caso das jovens, na superiora uma mãe. E isso se manifesta ao longo de toda a vida. Acredito que um candidato a religioso ou religiosa, que não tenha recebido o amor dos pais, terá muito mais dificuldade de seguir adiante sem ajuda. A necessidade de masturbar-se, de ver pornografia; a necessidade de estar horas diante da tela; o viver uma vida totalmente secularizada e superficial, são indícios da falta de compromisso diante de um assunto tão importante.

Não há como superar isso durante a formação?

IR.LACAMBRA: Na formação é necessário orientar os candidatos para terem uma vida de intensa oração, porque esse amor esmaga e apaga todo o resto. Mas não é o único. A nossa natureza é humana e, portanto, deve ser tida em conta. Se o amor radica na sexualidade, é impossível amar sem ser afetivo. Deus é amor! E quão bem o Papa Bento XVI nos dá a entender isso na sua Encíclica Deus Caritas Est. Os formadores deveriam ter conhecimentos da pessoa humana; devem ter conhecimentos da pessoa humana; devem preparar-se em sexologia e ser maduros afetivamente. Estudaram filosofia, teologia mas sabem pouco de afetividade se não provêm de uma família onde mamaram e foram testemunhas do amor que o pai tinha pela mãe e vice-versa; devem ter tido experiências de um amor filial que é o eixo da maturidade afetiva e do espírito. O sentido da castidade bem compreendida e vivida, leva a um amor tão grande que não se precisa de ninguém no caso do cônjuge; e de ninguém mais que o Esposo, no caso do célibe.

Outro tema do nosso tempo é a infidelidade entre os casais … Onde se origina isso?

IR. LACAMBRA: Nas oficinas que temos, percebemos que o grande problema que nos apresentam quando chegam não é o esposo ou a esposa, mas a falta de amor na infância; falta de amor pelas feridas que têm, sobretudo dos 0 aos 6 anos. Ali não houve um papai ou uma mamãe que lhes dera amor que necessitavam, para depois usar esse mesmo amor ao longo de toda a vida. Ao longo da terapia eles mesmos se dão conta de que existem coisas no fundo que lhes impossibilita o amor gratuito e maduro que devem ter um pelo outro; a felicidade é um presente que Deus lhes deu; presente que tem que ir desenvolvendo ao longo da vida. O cônjuge não é o culpável pela falta de felicidade no outro, na maioria dos casos.

A infidelidade é uma doença?

IR. LACAMBRA: não me atreveria a dizer que é uma patologia. Mas sim diria que é uma atitude, um estado produzido por uma insatisfação, uma busca do prazer; do sentido sem ter aprofundado bem na afetividade, que é o que se aprende no lar. Como, então, falar de espiritualidade se o relacionado com a natureza humana está “manco”?

E sobre a questão da homossexualidade? Alguns dizem que é adquirida, outros que se nasce assim, o que se sabe hoje sobre isso?

IR. LACAMBRA: Há um monte de idéias e teorias sobre isso. O que estudei – embora não seja sexóloga – é que existem dois tipos de sexualidade, a primária e a secundária. A primária refere-se a aquelas pessoas que desde pequenas já têm essa inclinação. Existem muitos fatores que devem ser tidos em conta, mas eu diria que entre 100 homossexuais, somente alguns seriam primários (os verdadeiros homossexuais). O resto, o maior número seriam os secundários; para nós, pseudo-homossexuais.

Então, tudo isso pode ser canalizado?

IR. LACAMBRA: A sexualidade é uma ciência moderna do século XX, portanto ainda está na sua infância. Encontram-se muitas coisas, e trabalhando com as pessoas nos damos conta de que o homossexual secundário não o é realmente, é um falso ou pseudo-homossexual. O que faz que com a ajuda de pessoas idôneas possam voltar a ser heterossexuais, que é o que Deus quis para eles. No entanto, também encontramos casos de homossexuais primários que nos foi possível orientar por meio da vida espiritual e lhes ajudamos a amar a Deus, que constitui o fundamento do seu amor. Conseguiram: colocando a Deus, Nosso Senhor no topo, o resto fica em segundo plano.

Na nossa arquidiocese existe um grupo chamado “Courage” que ajuda os homossexuais e ali consegue-se muitos frutos. É claro que ao aproximar-se de Deus, e aprender a amá-Lo faz com que a pessoa se apaixone por Ele e leva a ir apagando as paixões que nos separam Dele a nível terreno: o prazer, a comodidade, etc. Além do mais, o saber canalizar bem a energia sexual faz que a sexualidade não transborde e cause inundações que vemos em todos os lugares.

[Tradução Thácio Siqueira]

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