Por Arquivo junho 21st, 2012

* Fanáticas do aborto protestam na Rio+20 e não se conformam com retirada da expressão “direitos reprodutivos” do documento oficial.

quinta-feira, junho 21st, 2012

A presidente Dilma Rousseff discursou nesta quinta-feira no evento “O futuro que as mulheres querem”, no âmbito da conferência “Rio+20″. Enfrentou o protesto de feministas inconformadas com a retirada da expressão “direitos reprodutivos” do documento oficial da conferência. Dilma deu uma boa resposta, já chego lá, que deveria servir de norte, diga-se, para o seu próprio governo, que abriga uma abortista fanática como Eleonora Menicucci (Ministério das Mulheres) e que flerta com a possibilidade de oferecer no SUS atendimento pré-aborto, sob o pretexto de adotar política de redução de danos. Já trato do assunto. Vamos a algumas considerações gerais sobre o assunto, necessárias para que fique claro do se cuida aqui.

Fosse eu psicanalista, dedicar-me-ia, com a paixão do entomologista dissecador, a entender a alma das militantes do aborto. Não conheço grupo mais fanático. O sectário religioso mais ensandecido, que está certo de suas prefigurações místicas como dois e dois são quatro, não tem a mesma paixão pela causa e, em larga medida, o mesmo ódio. A defesa do aborto é uma causa peculiar porque, à diferença da luta por, sei lá, comida, moradia, terra, igualdade de direitos etc, pressupõe a morte. Não por acaso, os grupos abortistas precisam coisificar o feto para que a sua postulação ganhe a estatura de uma reivindicação justa e humanista.

Não podendo negar que o feto seja vida — e, sendo vida, há de ser alguma forma de vida: eu me arriscaria a dizer que é “humana”, não? —, então sacam da algibeira retórica o argumento que consideram definitivo: “É vida, mas, até o terceiro mês, ainda não tem cérebro, logo…” Chega-se mesmo a perguntar qual a diferença entre alguém com morte cerebral diagnosticada — o que permite a extração de órgãos para transplante — e o feto das primeiras semanas, com o cérebro não formado. Ora, a diferença é aquela que separa a vida da morte, nada menos. O feto traz consigo todas as potencialidades do que vive; a morte cerebral é o prenúncio da fatalidade. No feto, irreversível é a vida; na morte cerebral, irreversível é a morte do corpo. Não é preciso ser religioso para reconhecer a diferença entre uma coisa e outra.

Por que o fanatismo das abortistas? Parecem querer dizer algo assim: “Se é o nosso corpo a garantir a vida de outro ser — e um feto é “o outro”, ou estaríamos falando de uma amputação, certo? —, então podemos negar-lhe essa licença”. Trata-se da apropriação de um dom da natureza (a reprodução não coube às mulheres em razão de alguma injustiça primitiva, imposta pela força) para a imposição de uma vontade contra a natureza desse dom.

Essa que é uma luta “de gênero” entende que a mulher é apenas o ser político com o direito de “decidir sobre o seu corpo”. Essa autonomia corresponderia à superação do que, então, deixa de ser um dom para ser uma danação: a reprodução. A mais recente reivindicação das extremistas do aborto é que, também na esfera legal, os homens sejam alijados da decisão e tenham cassado até o direito à opinião. A reprodução da espécie passaria a ser um tema exclusivo das mulheres. Parece-me uma forma de loucura.

Pois bem. As ONGs revindicavam que o texto final da Rio+20 defendesse os tais “direitos reprodutivos”, expressão generalista e eufemística para “direito ao aborto”. De fato, a Igreja Católica e outras denominações cristãs se mobilizaram para que a expressão fosse substituída pela garantia de “serviços de saúde” às mulheres. As feministas acusam o que consideram uma indevida interferência da religião no assunto. Ora, por que ela seria indevida? O direito dos cristãos de se manifestar teria sido suprimido por alguma instância representativa ampla a ponto de  suprimir até mesmo a liberdade de expressão?

Dilma discursou, e as feministas fizeram o seu protesto. A presidente retomou a palavra e lembrou, de maneira apropriada: “É preciso recuar de argumentos para permitir outros (…) Exercer o multilateralismo implica, necessariamente, levar em consideração posições diversas. Diversas como? Diversas das minhas ou da de cada um de nós”. A presidente estava, em suma, lembrando à fanáticas que a defesa do aborto como um direito universal está longe de ser um consenso.

As mulheres — ou os fetos do sexo feminino — são hoje as principais vítimas do aborto em razão de questões culturais e econômicas. Na China, por exemplo, a soma do ultrassom com a política oficial do filho único leva à prática do aborto seletivo em massa. Numa país em que inexistem os direitos sociais da velhice (sabem como são aqueles comunistas…), os filhos homens são as únicas garantias  dos pais na velhice.  Há dias, por pouco, a Câmara dos Deputados nos EUA não aprovou uma lei — teve maioria ampla, mas não o suficiente — para punir mãe e médico em caso de aborto decidido por questão de gênero. Descobriu-se que a interrupçã legal da gravidez está sendo usada para impedir o nascimento de meninas. Os democratas de Barack Obama se mobilizaram contra a proposta porque não aceitam restrições aos tais “direitos reprodutivos”…

Quando vejo “a luta” dos ditos “grupo feministas” em defesa do aborto em nome “dos direitos da mulher”, pergunto-me que luta de emancipação é essa que começa por negar às próprias mulheres o direito à vida.

A interdição ao aborto foi um dos fatores que fizeram com que o cristianismo se expandisse primeiro entre as mulheres. Dois mil anos depois, essa continua a ser uma prática contra as mulheres, só que, agora, defendida por feministas.

Por Reinaldo Azevedo

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* Vaticano: Igreja chamada a enfrentar «desorientação» e «desconfiança» nas sociedades ocidentais.Divulgado documento preparatório do próximo Sínodo dos Bispos.

quinta-feira, junho 21st, 2012

O Vaticano apresentou , em conferência de imprensa, o instrumento de trabalho (instrumentum laboris) da 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo dos Bispos, alertando para sinais de “desconfiança” nas sociedades ocidentais face à religião.

O documento sublinha a existência de “uma desorientação que se traduz em formas de desconfiança relativamente a tudo o que foi transmitido “acerca do sentido da vida” e numa “relutância para aderir total e incondicionalmente” àquilo que foi dado como “revelação da verdade profunda” do ser humano.

Neste contexto, assinalam-se “transformações sociais e culturais” que estão a “modificar profundamente a perceção que o homem tem de si e do mundo”, gerando repercussões também sobre “o seu modo de acreditar em Deus”.

“É necessário procurar novos métodos e novas formas expressivas para transmitir ao homem contemporâneo a perene verdade de Jesus Cristo, sempre novo, fonte de toda a novidade”, indica o texto preparatório para o próximo Sínodo, que vai decorrer entre 7 e 28 de outubro, sobre o tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’.

Este documento é o resultado da síntese das respostas ao texto preparatório (lineamenta) desta reunião magna, divulgado em março de 2011, vindas dos vários episcopados, da Cúria Romana e da União dos Superiores Gerais dos institutos de religiosos e religiosas.

Os responsáveis católicos manifestam preocupações face ao “fenómeno do distanciamento da fé que progressivamente se manifesta nas sociedades e nas culturas que desde há muito apareciam impregnadas pelo Evangelho”.

A assembleia sinodal, acrescentam, deve procurar “repostas concretas às muitas perguntas que surgem hoje na Igreja, no que diz respeito à sua capacidade de evangelizar”.

“A Igreja sente como seu dever ser capaz de imaginar novos instrumentos e novas palavras para tornar audível e compreensível também nos novos desertos do mundo a palavra da fé que nos regenerou para a vida verdadeira em Deus”, pode ler-se.

Na introdução ao documento, o secretário-geral do Sínodo, D. Nikola Eterović, observa que muitas respostas enviadas ao Vaticano sublinharam a “urgência” de “discernir como a Igreja vive hoje a sua originária vocação evangelizadora”, para evitar “o risco da dispersão e da fragmentação”.

A este respeito, observa-se que os vários episcopados têm publicado e promovido diversas atividades, no campo da nova evangelização, frisando que “nem todas as iniciativas produziram o êxito esperado”.

“Várias Igrejas particulares conhecem não só o afastamento dos fiéis, por causa da pouca fé, da vida sacramental e da prática cristã”, indica o instrumento de trabalho do Sínodo, acrescentando que “algumas até poderiam ser inseridas na categoria dos não-crentes”.

O documento traça uma análise a sete cenários: cultural, migratório, económico, político, pesquisa científica e tecnológica, comunicativo e religioso.

D. Nikola Eterović, e o seu subsecretário, D. Fortunato Frezza, marcaram presença esta manhã no encontro com os jornalistas, dando a conhecer o documento, com versões em oito línguas, incluindo o português.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja.

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* Aids: O que Uganda ensina ao Brasil e ao mundo!

quinta-feira, junho 21st, 2012

Falei quase nada sobre Aids até agora, o que é uma falha, visto que a doença virou uma marca registrada desse continente.

Então é bastante apropriado que eu toque no assunto aqui, em Uganda. Aids é uma obsessão nesse país, quase uma mania nacional. Por onde você anda, vê centros clínicos, ONGs, igrejas, escolas, com aconselhamento de prevenção ou tratamento para HIV/Aids etc. etc. E placas, cartazes, faixas, tudo que se refere à doença.

De vez em quando é bom ver uma história de sucesso nesse continente, só para variar, e o combate à Aids em Uganda é um sucesso inquestionável. Há 15 anos, cerca de 30% da população tinham o vírus; hoje, são 6,5%.

Enquanto outros países perdiam tempo fingindo que nada acontecia, e até negando que HIV cause Aids (como na África do Sul, onde a taxa é de mais de 20%), os ugandenses agiam para conter a doença. Falar sobre o assunto, assumir o problema e discutir candidamente foi o primeiro passo. Mas teve mais.

Uganda trata a Aids de uma maneira como nós nunca faríamos no Brasil. Uma maneira inusitada, para dizer o mínimo. E assumidamente moralista.

Um exemplo do que acontece por aqui: imagine que você é um oficial do governo e precise traçar uma estratégia para reduzir a incidência de Aids junto a caminhoneiros. Em vários países, esse é um grupo delicado: estão sempre longe de casa, cruzam fronteiras, são cercados por prostitutas o tempo todo. São potencialmente um fator de disseminação da doença. E muitos chegam em casa e podem contaminar suas esposas.

A meu ver, a lógica mandaria que se propagandeasse o uso de camisinhas entre caminhoneiros. Mas veja como é o cartaz do governo de Uganda que vi na sede de uma ONG: (em cima)

Diz o pôster: “um motorista responsável se importa com sua família; ele é fiel a sua mulher”. O foco não é tentar fazê-lo se proteger quando dormir com prostitutas. Mas tentar convencê-lo, antes de tudo, a não ter a relação sexual. Parece ingênuo, mas o governo acha que funciona. E talvez funcione mesmo.

No Brasil, a ênfase das campanhas contra Aids é no sexo seguro: use camisinha, em outras palavras. Em Uganda, a promoção dos preservativos é apenas a perna mais fraca de um tripé que conta também com a promoção de abstinência e a fidelidade.

O slogan do governo é ABC: A é a inicial de abstinência, B é de “be faithful”, ou seja fiel, e C é para condom, ou camisinha.

Uganda é um país com forte influência das igrejas católica e evangélicas. O presidente, Yoweri Museveni, é, a exemplo de George Bush, um “born again christian”, ou seja, um cristão renascido, que descobriu sua fé no meio da vida. A primeira-dama, Janeth, é ainda mais religiosa.

Não surpreende, então, que o governo coloque tanta ênfase nas letras A e B. Abstinência é direcionada aos jovens, principalmente de menos de 25 anos, idade média em que eles se casam, incentivando-os a se manter virgens até o altar.

O B é dedicado aos casais, pedindo que sejam fiéis. Só em último caso, se a pessoa não conseguir se abster ou for um pulador de cerca contumaz, vem o C: pelo menos use camisinha.

Percebeu a diferença? O enfoque tradicional em vários países, inclusive no Brasil, é centrar fogo na camisinha. Em Uganda, camisinha é um último caso, quase o recurso dos pecadores.

Hoje conversei com representantes de duas ONGs, esperando ouvir algumas críticas à política do ABC. Nada. Aprovam 100%. Há um consenso nacional em torno do tema. Sobra para organizações estrangeiras descerem o pau, dizendo que é irreal esperar que um jovem de 20 anos se mantenha virgem.

Mas os números estão aí, desafiando o que diz a lógica e a convicção de muitos (como eu). São um tapa na cara dos céticos.

Fonte:

http://penaafrica.folha.blog.uol.com.br/arch2008-05-01_2008-05-31.html

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* Canadá aprova “suicídio assistido”. Igreja reafirma: A vida não nos pertence para isso!

quinta-feira, junho 21st, 2012

A Conferência Episcopal do Canadá (CECC) recebeu com desolação a decisão recém-tomada por uma juíza da Corte Suprema da Colúmbia Britânica sobre o suicídio assistido”, afirma em nota divulgada nesta segunda-feira (18) o presidente dos bispos canadenses, dom Richard W. Smith, arcebispo de Edmonton.

A magistrada declarou inconstitucional a lei nacional que proíbe o suicídio assistido, porque ela discriminaria os doentes fisicamente incapacitados. A resolução, porém, só poderá entrar em vigor após um ano, tempo que a juíza Lynn Smith determinou para que o Parlamento canadense modifique a legislação.

A nota do arcebispo Smith afirma que “a posição da Igreja católica é clara sobre esta questão: a vida humana é um dom de Deus. Por esta razão, como ensina o Catecismo da Igreja Católica em seu número 2.280, nós somos os administradores e não os proprietários da vida que Deus nos confiou. Não podemos dispor dela”.

“Ser os administradores da vida exige de cada um de nós e da sociedade inteira uma resposta aos sofrimentos físicos, emocionais e morais das pessoas de todas as idades, especialmente as mais enfermas ou incapacitadas”.

Smith reforça a declaração feita pelos bispos do Canadá em 2005: “Temos que enfrentar uma opção fundamental. A nossa resposta a ela revelará a verdadeira natureza do coração da nossa sociedade. Nossa solicitude para com a pessoa doente, anciã, deficiente e vulnerável é demonstrada através do incentivo ao suicídio e à eutanásia? Ou através do favorecimento a uma cultura da vida e do amor, em que cada pessoa, em todos os momentos e em toda circunstância ao longo da sua vida natural, é percebida como um dom?”.

A nota informa que a CECC divulgará um comentário mais detalhado assim que terminar de examinar a sentença de 395 páginas.

A lei da Corte Suprema da Colúmbia Britânica concede um ano ao parlamento para estudar a questão. “Isto também nos dará o tempo necessário para veicular as nossas observações no momento oportuno”, encerra a nota episcopal.

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* Afinal, a Igreja ainda acredita no limbo?

quinta-feira, junho 21st, 2012

Gostaria de saber sobre o que a Igreja diz a respeito do limbo. Quanto às crianças mortas sem o batismo, vão para esse lugar de felicidade natural? O limbo existe ou existiu antes da ressurreição de Cristo?

Dom Henrique

O limbo nunca fez parte da fé da Igreja; trata-se somente de um teologoúmenon, isto é, de uma opinião teológica, defendida no passado por vários teólogos católicos, mas atualmente abandonada por quase todos.

Mas, o que seria esse “limbo”? Seria um estado de “felicidade natural” no qual os mortos se encontrariam. Isto é, as crianças mortas sem o batismo ou os homens justos que, sem culpa, não conheceram a Cristo, não poderiam estar nos céus, pois não teriam recebido o batismo que nos purifica da culpa original e também não estariam no inferno, já que não tiveram culpa de não serem cristãos. Observe-seque os teólogos que defendiam a idéia do limbo tinham uma intenção reta: deixar claro que, sem Cristo, é impossível ao ser humano chegar à plenitude da comunhão com Deus. Isto é verdade; mas não é preciso recorrer à idéia do limbo, que não tem sentido. Por quê? Vejamos:

(1) A Escritura nem de longe acena para a possibilidade da existência do limbo. Também a grande Tradição da Igreja não contempla esta idéia.

(2) É verdade que todos nascemos solidários no pecado original, isto é, toda a humanidade encontra-se ferida e quebrada, numa solidariedade no fechamento para Deus: “Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram…” (Rm 5,12). Isto faz São Paulo exclamar com pesar e realismo: “Todos pecaram e estão privados da glória de Deus…” (Rm 3,23): nascemos todos marcados pelo fechamento para Deus, pela incapacidade de agradá-lo realmente! O Apóstolo também aponta o único meio para sair dessa situação, o único meio de voltar à comunhão com Deus, à justiça de Deus: “… e são justificados gratuitamente, por sua graça, em virtude da redenção realizada em Cristo Jesus”(Rm 3,24). Então, para a humanidade, sem exceção, não há salvação fora de Cristo! Nisto, os que defendiam o limbo estavam corretíssimos!

Mas, atenção: se todos já nascemos marcados pelo pecado de nossos primeiros pais, simbolizados em Adão (= pecado original), todos já nascemos também – e muito mais! – marcados pela graça da salvação em Cristo Jesus: “Não acontece com o dom o mesmo que com a falta. Se pela falta de um só, todos morreram,com quanto maior profusão a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos(Rm 5,15). Que coisa impressionante: nascemos marcados pelo pecado e nascemos marcados pela graça! Nascemos herdeiros de uma carga negativa enorme, de uma dívida impagável e, ao mesmo tempo, nascemos já com um crédito infinito: Cristo nos amou e se entregou por nós (cf. Gl 2,20). Antes que nós o amássemos, ele nos amou primeiro! Então, aqueles que, sem culpa própria, morreram sem o batismo, é verdade que tinham o pecado herdado da humanidade, mas também eram marcados pela graça daquele que morreu por todos (cf. 2Cor 5,14s): “Não acontece com o dom o mesmo que com a falta. Se pela falta de um só todos morreram, com quanto maior profusão a graça de Deus e o dom gratuito de um só homem, Jesus Cristo, se derramaram sobre todos” (Rm 5,15). Então, todos nós, marcados pela morte, somos, mais ainda, marcado pela vida, pois “onde avultou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5,20). Assim, aqueles que, sem culpa, não receberam o batismo e viveram retamente, podem, em Cristo, receber a plenitude da salvação.

(3) Você usou uma expressão interessante: “felicidade natural”. As criancinhas mortas sem batismo e os justos não batizados sem culpa própria teriam não o céu (= felicidade sobrenatural, a vida com Deus, a vida plena do próprio Deus), mas uma felicidade somente natural. Ora, não existe para a humanidade outro destino, outra felicidade a não ser em Cristo Jesus! Não existe uma felicidade natural e outra sobrenatural: para todo ser humano, não chegar à glória de Cristo é frustrar-se, é o inferno! E por que isso? Porque fomos todos criados através de Cristo e para Cristo“Ele é a Imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda criatura, porquenele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra” (Cl 1,15s); “Nele (em Jesus Cristo), ele (o Pai) nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele no amor. Ele (o Pai) nos predestinou para sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo, conforme o beneplácito de sua vontade, para o louvor e glória de sua graça, com a qual ele nos agraciou no Amado” (Ef 1,4-6).

Note-se bem a importância destas afirmações: toda a humanidade foi criada para participar da filiação de Cristo, o Filho Amado. Cristo é o destino único e irrenunciável do ser humano, de modo que, não chegar a ele, é frustrar-se. Não há outra felicidade para a humanidade, não há outra bênção fora de Cristo! Mesmo os nossos primeiros pais, foram criados através de Cristo e para Cristo – basta reler essas citações que coloquei acima! Concluindo, toda a felicidade natural do homem tende para a felicidade sobrenatural, que é a comunhão com o Pai através do Filho no Espírito. Não há, não pode haver, outro destino para nós!

Para concluir, você pergunta se o limbo existiu antes da ressurreição de Cristo. Não! A expressão correta é “sheol” ou “mansão dos mortos”, isto é, aquele estado de espera, de não total realização da humanidade, até que Cristo, o Primogênito dentre os mortos, arrancasse a todos dessa situação.

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* A Mulher tem o “poder de resistência do espírito” e a tenacidade das guerreiras.

quinta-feira, junho 21st, 2012

A família, a grande família humana e cada uma das famílias que compõem a humanidade, é o grande projeto de Deus para que o homem e a mulher tenham um sentido nobre e prático para suas vidas.

Ambos, segundo o modo de ser que lhes é próprio, o gênio feminino e o gênio masculino, colaboram na sustentabilidade e no desenvolvimento da sociedade humana, que dentro desse projeto divino é condição necessária e fundamental para que os povos vivam em paz, na justiça e na igualdade de direitos e deveres.

Considerando a mulher vê-se que ela está cada vez mais presente na vida social, levando para além dos limites do ambiente familiar a sua valiosa contribuição como pessoa que é, e sempre com suas peculiares e profundas riquezas femininas.

Tanto a família como o mundo necessitam de uma mulher real e autenticamente emancipada, respeitada, madura e competente na profissão, reconhecida no seu papel público e domiciliar, para que ela possa injetar no ambiente político, cultural, educacional, etc., uma qualidade específica do seu gênio feminino.

Com palavras de um conhecido psiquiatra austríaco, discípulo de Freud, o vienense Viktor Frankl, há na mulher – no homem também de outra forma – aquilo que ele denominou de “poder de resistência do espírito”, isto é, a tenaz capacidade de reagir diante dos grandes valores humanos, a força para voltar a erguer-se e de reempreender o esforço necessário para comportar-se a altura da sua dignidade humana.

Se é verdade que o ser feminino e o ser masculino são portadores de igual dignidade e de igual responsabilidade social e familiar, é preciso considerar que toda a sustentabilidade e desenvolvimento da grande família humana exigem que o valor total e real da mulher seja respeitado e colocado numa posição mais visível, para ser devidamente conhecido e admirado com respeito.

A mulher com sua dimensão feminina tem na sua sexualidade uma propriedade da sua pessoa, que a informa substancialmente no modo de ser e de atuar ao lado do homem, mas jamais pode ser considerada apenas como um corpo orientado somente para o sexo.

O verdadeiro papel social da mulher ao lado do homem, não é ser uma reprodutora. A mulher com sua tenacidade de espírito e com sua delicada ternura, com sua generosidade incansável e com sua agudeza de inteligência, com sua capacidade de intuição e com seu amor concreto pela outra pessoa, é a pessoa que no seu gênio feminino alicerça profundamente o projeto de Deus para a grande família.

Consideremos a Beata Irmã Dulce dos Pobres, a Beata Madre Teresa de Calcutá, tantas mães de família, outras mulheres que exercem a medicina, a política, a enfermagem, a pedagogia, etc., as meninas e as jovens que se dispõem a um trabalho de voluntariado em ambientes pobres e violentos, todas essas mulheres, conhecidas e anônimas, no celibato e no casamento, na família e no ambiente profissional e social, estão construindo um mundo melhor e mais justo, só por causa da solidez e da firmeza do seu gênio feminino.

*Dom Antonio é bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro

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