* Juíza alerta para a crise de autoridade na família.” Os pais buscam a Justiça, para suprir a autoridade perdida sobre os filhos.”

setembro 1st, 2010

A educação encontra-se numa encruzilhada: como educar filhos, com os limites e as restrições próprios do processo civilizatório, sem o exercício da autoridade?”

O alerta vem da juíza da 1ª Vara de Família de Petrópolis (RJ), Andréa Pachá, que registra a gravidade da crise de autoridade no interior das famílias brasileiras, em artigo reproduzido na imprensa carioca (O Globo, 22-8-10).

No seu artigo, a magistrada constata: “Um fenômeno recente tem se repetindo com freqüência cada vez maior nas Varas de Família: a busca da Justiça pelos pais, como forma de suprir sua incapacidade de estabelecer limites aos filhos.

Espera-se que um juiz decida em que escola deve a criança estudar, quais ambientes que deve freqüentar, que tipo de música pode ouvir ou a que horas deve voltar para a casa”.

Para a juíza, a confusão de papéis e a falência da família tradicional é evidente. “Verdadeiro paradoxo, pois a mesma sociedade que brada por menos Estado espera que o Estado interfira justamente naquelas relações que deveriam ser exclusivamente privadas. Não é com pesar que se constata a falência da antiga família patriarcal”.

Depois de perguntar “como representar o papel de pai ou mãe sem ônus?” e de afirmar que “não existe geração espontânea de adolescentes bem educados” Andréa Pachá argumenta: ”Valores éticos, morais e comportamentais não são inatos e devem ser transmitidos desde a infância pelos pais, que também devem demonstrar que não se vive em grupo sem ceder à busca desenfreada pelo consumo e pelos prazeres individuais.

A dor e o limite fazem parte. A transferência desta tarefa, primeiro para a escola, depois para os terapeutas e agora para os juízes não parece o melhor caminho. O exercício da autoridade não deve ser visto como ameaça ou retrocesso”.

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* Bispos europeus criticam lei que “protegeria animais mas não os embriões humanos”.

setembro 1st, 2010

A Comissão dos Episcopados da Comunidade Européia (COMECE) criticou duramente um projeto da diretiva da União Européia que busca proteger os animais em investigações científicas, mas que deixaria desprotegidos e totalmente disponíveis para experimentar com eles aos embriões humanos.

Em um comunicado dado a conhecer pelo L’Osservatore Romano, os prelados da Europa assinalam que “as experiências realizadas a partir de células estaminais embrionárias humanas não devem ser considerados uma alternativa às experiências com animais. Existe o perigo de cancelar a diferença entre animal e ser humano”.

Os bispos, que elogiaram o projeto para defender aos animais, expressam entretanto sua total oposição a que os embriões humanos fiquem desprotegidos e sejam usados para experiências científicas: “para defender aos animais, o texto atual estabelece que, quando for possível, será necessário usar um método ou uma estratégia de experimentação cientificamente satisfatória que não implique o uso de animais vivos. Esta fórmula muito geral permitiria, por exemplo, introduzir experimentos que utilizem células estaminais embrionárias humanas”.

“Como conseqüência –advertem os bispos– alguns estados membros europeus, que não têm uma legislação explícita sobre as células estaminais embrionárias humanas, poderiam ver-se constrangidos, em base a esta legislação, a aplicar métodos que utilizem tais células mesmo se este uso for muito controvertido desde o ponto de vista ético”.

Pelas razões expostas, os bispos da COMECE solicitam à UE “excluir explicitamente métodos alternativos de experimentação nos quais se implique o uso de células embrionárias e fetais humanas, respeitando assim a competência dos estados membros no que diz respeito às próprias decisões éticas”.

Finalmente os prelados pedem um debate honesto e aberto sobre as alternativas científicas “assim como sobre o assunto ético fundamental, que é a de saber se nossa sociedade prefere destruir e instrumentalizar embriões humanos para reduzir o número de experiências científicas com animais”.

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* Podemos mudar o Brasil pelo voto?

setembro 1st, 2010

Joaci Góes- Tribuna da Bahia

Acredito que em nenhum momento da nossa história tivemos uma representação parlamentar tão distante dos desafios do seu tempo quanto à de hoje. O pior é que no horizonte que divisamos, este cenário tende a se agravar. E o responsável por este estado de coisas somos nós, os eleitores, por não sabermos valorizar o significado do voto para o aperfeiçoamento de nossa vida pública e privada.

É verdade que parte desse desapreço pela construção de instituições sólidas e impessoais tem origem em nossa herança ibérica, historicamente inclinada a sobrepor o valor da saga individual às conquistas de cunho marcadamente coletivo, como tão bem exposto na obra indispensável de Sérgio Buarque de Holanda, “Raízes do Brasil”, de 1936. Agimos como os passageiros de um navio que só se preocupam com o estado de sua cabine, os bares, restaurantes, salões de baile e demais áreas de recreação, pouco se importando com o que se passa na casa das máquinas e com a rigidez do casco. É como se o desastre que vitimou o Titanic fosse coisa que só acontece com os outros.

A crescente participação de bandidos em nossa vida pública decorre da falta de critério do eleitorado na escolha dos seus representantes. Todos os que lá se encontram, alguns, até, revestidos da aura de varões de Plutarco, foram alçados com o voto popular. É que a maioria do eleitorado seleciona seus candidatos segundo critérios que seriam adequados para a escolha de uma banda de música ou uma escola de samba, quando a seleção deveria ser feita a partir dos méritos do candidato, sua biografia intelectual e moral, do mesmo modo como escolhemos um profissional liberal para a realização de um trabalho de grande responsabilidade, como um médico, para cuidar de um paciente acometido de grave enfermidade, um engenheiro, para vencer os desafios de uma obra complexa, ou um advogado, para fazer face a questão difícil.

O resultado desse desleixo é a estimativa que se faz segundo a qual não é inferior a um terço, com tendência a crescer, a parcela de nossa representação política financiada pelo crime organizado, fato que caracteriza verdadeiro estado de calamidade institucional, em padrões assemelhados a Cuba, Venezuela, Equador e Bolívia. Não estranha, pois, que temas basilares para o bem-estar geral, como a educação e a segurança pública se encontrem no estágio obsceno da mais completa orfandade, de um modo que compromete o avanço equilibrado do País. É claro que não é menor a parcela de responsabilidade operacional do executivo, nas três esferas de poder, por essas questões.

A leniência universalmente reconhecida no modo como nossa legislação penal trata a delinqüência em todos os níveis, da qual deriva uma impunidade que estimula o aumento da criminalidade organizada, torna cada vez mais difícil a realização das reformas pelas quais a sociedade, só como exceção, luta para implementar, como foi o caso da Lei Ficha Limpa, imposta ao Congresso graças a uma bem gerida articulação de massa que arrebanhou quase dois milhões de assinaturas.

O problema é que o crime organizado encontra em nosso sistema penal uma área de conforto que, segundo seus líderes, convém preservar. Além de uma legislação ultrapassada, nosso sistema repressor oscila entre mau funcionamento e completa omissão, inclusive pela falência de nosso sistema judiciário. A maior porção da pequena percentagem dos crimes apurados ou prescreve ou não é punida. Uma vez garantida a impunidade, como se encontra entre nós, urge preservar o status quo, raciocina a bandidagem. Afinal de contas, como ensina o dito popular: “Não se mexe em time que está ganhando”. Por isso, as reformas de que necessitamos encontrarão tenaz resistência da numerosa bancada do crime com assento no Congresso. Bancada a quem recursos não faltarão para assegurar sua reeleição e ampliação numérica.

O argumento segundo o qual todos os candidatos são iguais é falso. Há candidatos de todos os matizes. De bandido a estadista. O futuro do Brasil está nas mãos do eleitor. Para o bem ou para o mal.

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* Você sabe MESMO a diferença entre o homem e o animal?

setembro 1st, 2010

Zenit

Entrevista com professor Leopoldo Prieto, LC

Qual é a diferença entre o homem e o animal? Esta pergunta clássica continua apaixonando milhões de pessoas no início do século XXI. Um livro oferece agora uma resposta científica e cristã.

«Acima de sua condição biológica, o homem é chamado a abrir-se pelo conhecimento a novas realidades», disse Bento XVI;  Também os animais conhecem  — afirmava o Papa — «mas só aquelas coisas que dizem respeito a sua vida biológica». Diferente deles, «o homem tem sede de conhecer o infinito».

Estas palavras do Papa encerram uma orientação para a cultura de nossos dias na candente, e nem sempre clara, questão do homem e o animal.

Um exemplo desta situação no âmbito espanhol foi o projeto de lei (11 de abril de 2006) da Câmara dos Deputados pelo qual se instava o Governo espanhol a aderir ao projeto grande símio (idealizado pelos animalistas Peter Singer e Paola Cavalieri) para promover a paridade de tratamento jurídico a todos os integrantes da «comunidade dos iguais», integrada pelos grandes símios e as pessoas humanas.

Para compreender melhor este fenômeno cultural de nosso tempo, Zenit entrevistou Leopoldo Prieto López, LC, professor de filosofia no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (Roma), interessando-se por seu livro, recentemente publicado na Espanha, «O homem e o animal: novas fronteiras da antropologia» (BAC, Madri, 2008).

O volume apresenta os resultados de diversas investigações interdisciplinares de biologia e filosofia sobre o tema do homem e de suas relações com o mundo animal.

—Qual o seu objetivo ao escrever este livro?

—Pe. Leopoldo Prieto: Um objetivo simples, mas que considero promissor para a renovação dos estudos sobre o homem. Até o começo do século XX a antropologia era elaborada pensando quase exclusivamente nas faculdades do espírito humano (entendimento e vontade). Chamava-se por isso psicologia racional. Mas como as faculdades racionais são algo peculiar que diferencia o homem do animal, deixava-se de lado o estudo das dimensões físicas da natureza humana, comuns com o mundo animal. Este enfoque supunha um certo cartesianismo de fundo e, sobre tudo, a perda da fecunda doutrina aristotélica da alma como «forma» do corpo. Em várias de suas obras sobre biologia, Aristóteles explica o que supõe concretamente que o homem seja um «animal racional». A intuição genial deste filósofo não está em admitir a peculiaridade que a inteligência confere ao homem sobre outros animais — coisa perfeitamente sabida pelos filósofos precedentes — mas sim em fazer depender da inteligência a típica conformação corporal própria do homem. Por isso, se a alma é na verdade «forma» do corpo, é possível expor o estudo da antropologia de um novo ponto de partida que centra sua atenção inicialmente sobre o corpo humano.

—Mas não é isto uma concessão ao materialismo antropológico em voga?

—Pe. Leopoldo Prieto: Não, pelo contrário. É uma mudança de perspectiva da antropologia que abre possibilidades muito fecundas para o estudo do homem, além de reconhecer as justas exigências de uma revalorização da dimensão física da natureza humana. Se a alma está em todo o corpo como sua «forma», é lógico que ela deixe algum rastro. Pois bem, esses rastros existem e são inequívocos.

—Quais são esses rastros que a alma racional deixa no corpo humano?

—Pe. Leopoldo Prieto: Há dois traços físicos, inexplicáveis segundo a biologia, pelos quais se pode afirmar (num sentido filosófico) que o corpo humano é o correlato físico da alma de um ser racional.

Os traços são: a inespecialização morfológica do corpo humano e a carência de instintos. Em virtude do primeiro, o corpo humano reproduz, a seu modo, a ilimitada abertura da razão humana à realidade, aparecendo assim como um corpo aberto, quer dizer não-especializado (embora por isso mesmo mais vulnerável fisicamente), desvinculado do ambiente físico e livre das cadeias que o meio ambiente impõe à morfologia de qualquer animal. Do mesmo modo, a ilimitada abertura da vontade (que é o fundamento profundo da liberdade), tem uma correspondência análoga na indeterminação física da conduta humana, que se encontra desamparada (ou liberada, dependendo da perspectiva) do instinto animal, com as vantagens e inconvenientes que isso envolve; assim, o homem se torna capaz de conduzir por si mesmo, guiado pela razão, todas as suas ações. Diante disso, a diferença entre o animal e o homem não poderia ser maior: o animal é conduzido pelo instinto, que a sua vez é posto em marcha pelos excitadores orgânicos que reagem diante dos estímulos do meio ambiente; o homem, ao invés, se se conduz pela razão, que propõe motivos à vontade, por meio da qual se governa a si mesmo.

—Por que dá tanta importância ao fato da inespecialização morfológica?

—Pe. Leopoldo Prieto: Efetivamente, a inespecialização morfológica é um fator de grande importância na reinterpretação da antropologia que o livro propõe. A adaptação ao meio ambiente é uma lei fundamental da biologia. Todos os animais, em maior ou menor medida, estão adaptados morfológica e funcionalmente ao próprio hábitat. Ao contrário deles, o homem, seguindo uma estranha exigência extra-biológica, manifesta em seu próprio corpo uma sistemática rejeição a ficar aprisionado por certas formas orgânicas especializadas. Isto já se sabia no tempo dos gregos. Mas naquela época não se podia dar uma explicação deste fato segundo os dados biológicos conhecidos hoje.

—Em seu livro diz você que a inespecialização é um caráter primitivo dos organismos. Pode explicar esta idéia?

—Pe. Leopoldo Prieto: É assim mesmo. Esta é outra das contribuições mais interessantes deste trabalho. Os estados morfologicamente especializados são sempre etapas tardias no caminho evolutivo de uma espécie. Frente a eles, a carência de especialização denota sempre um caráter arcaico. Toda especialização representa a perda de muitas possibilidades latentes no órgão não-especializado (e primitivo) em benefício do desenvolvimento intenso de uma determinada possibilidade adaptativa. Raciocinando a partir disso tiramos uma conclusão muito interessante, por suas implicações na delicada questão da evolução do homem. A questão é esta: se a carência de especialização reveste sempre o caráter de primitivismo, e se os estágios especializados são sempre estágios finais no caminho da evolução, daí se conclui que é impossível que as configurações morfológicas primitivas (como o crânio, a mandíbula, mãos e pé humanos, etc.) procedam de outras posteriores mais evoluídas, como são todos as características morfológicas altamente especializadas dos símios.

—Se não entendi mal,  isso quer dizer que o homem é uma criatura menos evoluída que os macacos?

—Pe. Leopoldo Prieto: Isso mesmo. Ou menos evoluída, ou evoluída de um modo contrário aos símios. Um estudioso sugeriu, não sem certa ironia, mas indicando algo substancialmente verdadeiro, que, para defender o evolucionismo, seria preciso defender, em lugar da velha imagem do século XIX, do evolucionismo de um homem que deriva do macaco — a famosa série de indivíduos que passam de semi-quadrúpedes até o homem atual erguido —, justamente o contrário, ou seja, a idéia de um macaco (como ser altamente especializado e adaptado à forma de vida arborícola) que procede do homem, um ser muito mais primitivo e menos especializado.

—Uma idéia um pouco chocante, não lhe parece?

—Pe. Leopoldo Prieto: Pode ser, de um ponto de vista cultural, mas do ponto de vista científico é bastante bem fundada. Autores de renome científico afirmaram que a filogenia dos macacos antropóides consistiu em uma simiação crescente a partir de formas arcaicas mais parecidas com as humanas, frente à hominização progressiva da série humana. Houve inclusive quem falou que a desumanização progressiva do macaco.

—Qual é o primitivismo humano que você considera de maior importância?

—Pe. Leopoldo Prieto: Sem dúvida, o primitivismo do crânio humano, um caso muito bem estabelecido e de particular relevância. Retrocedendo no desenvolvimento ontogenético dos vertebrados (principalmente nos mamíferos) até a fase embrionária, vão aparecendo cada vez mais semelhanças entre o crânio destes e o crânio humano. Por exemplo, no crânio dos grandes símios, em seu período embrionário e infantil, é possível reconhecer muitos traços humanos (crânio arredondado, colocado verticalmente sobre a região facial, que aparece quase sem a proeminência do focinho), que, entretanto, desaparecem ao alcançar a maturidade, justamente quando o crânio do símio começa a adquirir os traços tipicamente animais: a zona facial experimenta um poderoso desenvolvimento para a frente, formando um plano contínuo com uma testa retrocedida. Ao contrário destes animais, nos seres humanos se conserva a disposição embrionária do crânio ao longo de toda a vida. Se compararmos o crânio do homem e o de qualquer grande símio em seu estágio infantil, a semelhança é surpreendente. Etienne Geoffroy Saint-Hilaire, por exemplo, observava em 1836: «O crânio de um orangotango jovem tem uma grande semelhança com o da criança. Na cabeça do filhote de orangotango encontramos os graciosos traços infantis do homem; mas se considerarmos o crânio do adulto encontramos formas animalescas de uma nítida bestialidade». Como sugeri antes, o crânio dos filhotes de macaco conserva uma espécie de esboço de humanidade.

—Os biólogos atuais falam da origem neotênica das propriedades especificamente humanas. Você pode explicar brevemente o que é a neotenia?

—Pe. Leopoldo Prieto: Este curioso termo é definido como o «fenômeno pelo qual, em determinados seres vivos, se conservam caracteres larvais ou juvenis depois de terem alcançado o estado adulto». Efetivamente, a neotenia é uma teoria que explica a origem dos primitivismos humanos, pondo-os em relação com traços fetais e embrionários, presentes em todos os mamíferos em seu estágio embrionário e abandonados na forma adulta, mas mantidos permanentemente no homem em sua forma adulta. Como foi demonstrado, os traços embrionários são os portadores de formas primitivas não especializadas, abertos portanto a uma ampla gama de possibilidades evolutivas. Os caracteres embrionários ou neotênicos, ao se consolidarem no homem adulto, evitam neste a necessária vinculação morfológica ao hábitat que é própria de toda especialização morfológica animal. Esta doutrina foi batizada com o nome de «neotenia» por J. Kollmann (1885), mas adquiriu maior respeitabilidade científica no século XX, sobre tudo a partir de uma obra do S. J. Gould de 1977. Mas essa idéia era muito mais antiga.

—Passando a outro tema do livro, o que você pensa da inteligência dos animais?

—Pe. Leopoldo Prieto: Em primeiro lugar, teríamos que determinar com precisão o conceito de inteligência. Normalmente, quando se diz que um determinado animal é inteligente, se quer dizer que ele dispõe de alguma capacidade psicológica que lhe permita realizar condutas complexas ou de grande precisão. Em realidade, se a inteligência consistisse nisto, virtualmente todos os animais seriam mais inteligentes que o homem, cuja dotação de conhecimento sensorial é bastante inferior em precisão e certeza à de muitos animais. O termo próprio para indicar a complexa e especializada conduta do animal é instinto. A conduta de um animal é tão mais certeira e precisa quanto mais depende da determinação unívoca que é própria do conhecimento sensorial e do instinto. Por outro lado, o estudo do instinto é uma fonte inesgotável de conhecimento para os estudiosos da conduta animal, extremamente precisa para o particular, mas cega para o geral. Por sua parte, o próprio da inteligência é comportar-se inicialmente de um modo incerto e vacilante (porque carece da determinação unívoca do sentido), mas com capacidade de aprendizagem, de modificação contínua e de progresso da conduta. Na realidade, o animal não é inteligente. Embora haja um sentido da expressão «inteligência prática» que pode ser aceitável aplicado ao animal, é importante deixar claro que a inteligência, propriamente dita, envolve um novo modo de relacionar-se com as coisas, que é inacessível ao animal.

—Entretanto, alguns etólogos falaram da «conduta curiosa» de alguns animais…

—Pe. Leopoldo Prieto: Efetivamente. Em especial, K. Lorenz fez valiosas observações sobre alguns animais de conduta exploratória ou curiosa, em cujas ações, ao invés da rigidez própria do instinto, observa-se uma certa semelhança à conduta objetiva, tipicamente humana. Mas a conduta curiosa destes animais não é propriamente de natureza intelectual, porque não é capaz de considerar a natureza dos objetos descobertos na exploração. Mesmo assim, um mérito inegável destes estudos foi a interessante confirmação da relação que existe entre tipo de conduta e conformação morfológica do animal. Um animal de conduta curiosa, como por exemplo o corvo, que tem um amplo repertório de condutas, deve dispor de uma motricidade suficientemente ampla para poder satisfazer a vasta gama de objetos e ações que a exploração lhe descobre. Uma especialização morfológica desenvolvida permitiria uma série muito precisa, mas muito limitada, de movimentos. Por isso, a relativa carência de especialização destes animais lhes permite povoar hábitats muito diversos. Já foi dito que os animais “curiosos” se especializaram em não ser especializados, algo — como se vê — que é próprio, principalmente, do homem.

—O que você pensa da linguagem dos animais?

—Pe. Leopoldo Prieto: Como é lógico, a questão da linguagem depende da da inteligência. A linguagem é expressão do que se conhece. E assim como há diversos modos de conhecer (inteligência e conhecimento sensorial), há diversos modos de comunicar o que se conhece. É claro que os animais se comunicam entre si, e alguns deles o fazem de um modo extremamente complexo e preciso. A realidade da comunicação animal deriva de duas premissas evidentes: primeiro, o animal tem conhecimento sensitivo; e segundo, é um ser social, de onde procede a necessidade de comunicar aspectos de interesse biológico aos seus congêneres. Pois bem, não se pode chamar esse tipo de comunicação, rigorosamente, de linguagem. A linguagem é o modo próprio de comunicação de um conhecimento intelectual (abstrato, ou como também é chamado, simbólico). Como o conhecimento inteligente é exclusivo do homem, a linguagem também o é. Esta conclusão é constatada continuamente pelos estudiosos de psicologia animal. Portanto, a diferença fundamental entre comunicação animal e linguagem humana consiste em que a primeira é expressão afetiva do próprio estado orgânico do animal, enquanto que a segunda é, acima de tudo, manifestação objetiva do próprio modo de ser da coisa conhecida. É o que se chama compreensão. Esta é a verdadeira fronteira entre a comunicação animal e a linguagem humana.

—Mas não se demonstrou que alguns macacos especialmente espertos são capazes de interagir inteligentemente com o homem, inclusive usando o computador?

—Pe. Leopoldo Prieto: Os experimentos realizados com macacos, especialmente com chimpanzés, com o propósito de demonstrar a existência de aptidões lógicas nos mesmos, revelaram-se sempre um grande fracasso. Foram empregados muitos recursos e tempo, mas os resultados foram sempre decepcionantes. O único que conseguiram provar é a existência de memória associativa (que é a base do adestramento animal), mais ou menos desenvolvida, nesses animais. Os próprios investigadores tiveram de reconhecer que os chimpanzés, inclusive depois de um intenso adestramento lingüístico, permanecem no nível de comunicação de que estão dotados naturalmente. Isto significa que o que foi «aprendido» por estes animais por meio do adestramento não foi «compreendido». Por isso, não chega a formar parte do próprio patrimônio comunicativo, nem é transmitido à sua prole. Portanto, tudo o que foi obtido com estes experimentos, tão sofisticados como obstinados, foi a associação de imagens com determinadas ações (em número bastante reduzido), reforçada por meio daqueles prêmios que mais interessam ao animal (comida, passeio, etc.).

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* A Força explosiva do amor em imagens que emocionam e encantam. Imperdível!

agosto 31st, 2010

Imagens do retorno de soldados norte americanos às suas familias.

As faces dos filhos, especialmente os pequenos, são fortes e comoventes.

Não tem como não pensar nos próprios filhos, pais e, principalmente, na fonte de todo amor humano: Deus, que nos ama de forma tão poderosa e que está sempre pronto a nos acolher em seus braços e a nos perdoar, nos dando sempre a possibilidade de retorno e de um NOVO recomeço.

A ele, fonte de todo o amor, a glória e a honra para sempre!

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* Chile: Mineiros recebem bíblias de sete centímetros e lupas.

agosto 31st, 2010

Veja. com

Quando conversou com seu filho Renan no último domingo, por vinte segundos, Alfonso Avalos ouviu um pedido: “Agradeça a quem nos mandou as bíblias. Me deu tanta força, tanta fé de que vou sair daqui”. Renan é um dos 33 mineiros que estão soterrados desde o dia 5 de agosto em uma mina, ao norte do Chile.

Quando os mineiros foram encontrados com vida, um  pastor procurou logo o ministro de Minas, Laurence Golborne, e lhe pediu que dessem um jeito de mandar uma bíblia a cada mineiro soterrado. A condição do ministro é que tivessem 7 centímetros de largura, tamanho máximo para o duto.

Depois de procurar pela cidade de Copiapó, o pastor acionou a Igreja de Santiago, que revirou a cidade e as encontrou. Nelas, foi escrito o nome de cada um e uma dedicatória: “Estamos orando por seu resgate”. Junto com as 33 bíblias de 7 centímentos de largura, foram enviadas dez lupas e o marcador no salmo 40, que diz: “Com paciência, esperei a Deus. Ele se inclinou a mim, ouviu meu clamor e me fez sair do poço do desespero e da lama. Pôs logo na minha boca um canto novo. (…) Muitos irão ver, irão se surpreender, e confiarão em Deus”.

Milagres – A pedido do presidente Sebastián Piñera, um santuário será construído no local onde fica a mina San José quando os mineiros forem resgatados “para marcar os milagres que aconteceram aqui”, conta o padre. Ele lista alguns. “Primeiro, eles sobreviveram. Depois, o recado que mandaram chegou até nós. E agora encontramos essas bíblias no tamanho exato que tinham que ter.”

Sobre o desfecho que ninguém espera, não tem dúvidas: “Se Deus os manteve vivos, não fará isso agora. Antes, a oração nacional era para os encontrarmos com vida. Agora, rezamos para que saiam muito antes do que prevêem. Pedimos outro milagre, só mais um.”

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* Diálogo com outras religiões só é possível a partir da certeza da própria identidade.

agosto 31st, 2010

Zenit

O diálogo inter-religioso não pode nascer da ambiguidade, mas da certeza da própria identidade”. Portanto, os cristãos “não devem ter medo do que são”.

Foi o que afirmou o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, durante sua intervenção nesse sábado na trigésima primeira edição do Meeting de Rimini, durante a jornada dedicada ao diálogo inter-religioso.

O purpurado dedicou parte de seu discurso para “a crise da inteligência e da transmissão de valores” que existe na atualidade. Ele chamou os católicos a se “darem conta de sua fé”.

Partindo desta certeza da própria identidade, o cardeal Tauran destacou “cinco pontos” para uma colaboração “ativa e fecunda” entre as religiões: “a pedagogia de viver juntos, a paixão pelo serviço ao outro, o testemunho religioso, a distinção entre o bem e o mal e a responsabilidade pessoal”.

No caso concreto da Europa, o cardeal apontou a necessidade dos fiéis das distintas religiões “unirem suas capacidades e estruturas para melhorar a atual situação”.

Os desafios mais importantes são, disse ele, “combater juntos o anonimato e os guetos das cidades; ajudarmos mutuamente a compartilhar emoções e iniciativas culturais para cultivar a beleza em momentos de ócio; nos comprometer na educação, porque o respeito às diferenças se aprende na família e na escola; promover a hospitalidade, porque nas sociedades multiculturais, os crentes sabem receber, compreender, ouvir e agir”.

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* Existe esperança para cultura centrada apenas na ciência?

agosto 31st, 2010

Pe. François Bandet, EP

A fim de melhorar o entendimento da ciência quotidiana, é necessário tomar em conta duas características da ciência que influenciam tremendamente: a sua refletividade e a sua tecnicalidade.

Por refletividade, entendemos o meio de integração da dimensão da consciência no campo da ciência e, a partir daí, atingindo uma dimensão filosófica.

Pela sua tecnicalidade, a ciência distancia-se de toda a teoria e torna-se exclusivamente a técnica. Os dados tornam-se o mais importante e no seu caminho tentam “possuir” as leis da natureza.

Como a ciência sempre desejou “transformar” o mundo, está ligada à humanidade no seu ato de ser, no seu corpo e no seu espírito, tocando atualmente em problemas políticos, éticos e colocando em questão a própria humanidade.

Surge então um dilema para a humanidade: seguir a mentalidade lógica e técnica da ciência, olhando por cima de todas as considerações éticas, criando tensões e conflitos e concentrando-se na expansão e no desenvolvimento da “transformação” do mundo; ou encontrar (ou inventar) uma nova moralidade ética para justificar as novas conquistas.

Através da sua capacidade de transformar o mundo, a ciência criou novos problemas para a humanidade. Considerada, formalmente, um elemento de unificação, tornou-se hoje muito controversa devido aos excessos que produziu. Pense-se, por exemplo, nos atuais problemas e desastres ecológicos.

O futuro do homem e a sua existência parecem encontrar-se totalmente e irreparavelmente ligados à ciência e à tecnologia de amanhã. Por isso se deve desenvolver uma nova relação com a Fé, que deve ser respeitada e encorajada.

O conflito que surge pode ser encontrado ao nível do homem, da sua existência e da urgência de submeter a ciência aos valores morais humanos. Por outro lado, a Fé não deve mostrar um desinteresse em relação à ciência; poderá até tornar-se uma forte fonte de inspiração para ajudar a encontrar um senso de moralidade que irá fazer com que se produzam abundantes frutos de diálogo e unidade no mundo.

A ambiguidade da ciência moderna reside no fato de ter contribuído para o progresso da humanidade, mas que também está na origem de várias tensões, aberrações e desastres.

Cada vez se torna mais evidente que não é possível lidar com o problema do significado da vida, com questões éticas, e com um sistema de valores, no contexto de uma cultura centrada apenas na ciência.

BANDET. François. Estará a ciência oposta à Fé?

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* Fast food agrava crise de civilidade entre americanos.

agosto 31st, 2010

Folha de S. Paulo

Há uma “crise de civilidade” nos Estados Unidos que afeta principalmente a política, e uma das razões para isso é o fato de as pessoas dedicarem cada vez menos tempo às refeições em grupo.

A tese está no livro “The Taste for Civilization – Food, Politics and Civil Society” , da cientista política Janet Flammang, 62.

Professora da Universidade Santa Clara, na Califórnia, Flammang diz que a “arte da conversação” é aprendida à mesa, onde “há um incentivo para discordar sem dar aos outros uma indigestão”.

Em entrevista à Folha, Flammang diz ver esse problema refletido no Congresso, onde os “políticos de partidos diferentes não socializam”. Em outubro, ela participa de painel promovido pelo governo para discutir o assunto, parte do “tour da civilidade por 50 Estados”.

A iniciativa é de Jim Leach, ex-congressista que foi nomeado pelo presidente Barack Obama como titular do National Endowment for the Humanities, agência do governo dedicada a apoiar pesquisa, educação e programas públicos em humanidades.

Leach viaja pelo país, desde o fim de 2009, dando palestras sobre “o discurso do ódio e os seus perigos”.

Eis a entrevista.

A sra. diz, em seu livro, que a democracia se beneficiaria de refeições mais longas. Como relaciona as duas coisas?

Desenvolver a arte da conversação é extremamente importante para aprender a discordar de forma civilizada. E aprendemos essa arte à mesa.

Quanto menos tempo dedicamos às refeições, mais colocamos essa habilidade em perigo.

À mesa, há um incentivo para discordar sem dar aos outros uma indigestão.

Muito da política atual nos EUA é uma política de ataque, na qual se quer marcar pontos e derrubar o oponente, e não ouvir.

O foco do livro é a conversação. A conversa não é uma discussão, há regras sobre como ouvir, esperar a vez e guardar o que tem a dizer. A coisa mais próxima de uma conversa é a diplomacia, que todos nós achamos ser extremamente importante.

O que me intriga é: por que não estudamos como fazer as pessoas se comportarem com diplomacia?

Isso está piorando? A conversa está morrendo?

Sim. Há muitos estudos que indicam que gastamos, em média, 20 minutos no jantar, à mesa, e mais e mais pessoas já nem se sentam para dividir uma refeição, pegam algo e saem correndo.

Meu livro é sobre a situação americana, mas há evidências de que outras culturas estão se tornando mais como os EUA, onde o trabalho é a coisa mais importante e você é consumido por atividades.

As pessoas não param para pensar no custo de não se sentar e ter conversas, e cara a cara, porque é claro que muita coisa hoje é eletrônica.

Quais são os sinais de falta de civilidade nos EUA?

Podemos começar pelo Congresso. Tem havido forças-tarefa pela civilidade promovidas por congressistas, que dizem que perdemos a civilidade na Casa, a habilidade de socializar com pessoas de outro partido e de discordar.

Muito disso se relaciona à chamada revolução republicana de 1994, quando Newt Gingrich tomou conta [da Câmara dos Representantes].

Muitos veem isso como um ponto-chave, porque ele disse aos republicanos que voltassem aos seus distritos todos os finais de semana e não mudassem suas famílias para Washington.

Isso significou que havia muito pouca socialização entre congressistas. Hoje, as salas de jantar estão vazias, eles não socializam.

As iniciativas de Michelle Obama [pela alimentação orgânica e contra a obesidade infantil] tiveram resultado?

Qualquer coisa que a Casa Branca faça tem grande importância simbólica. E as pessoas que trabalham na Casa Branca estão muito mais sensíveis a essas questões do que antes.

Não só o Departamento da Agricultura, mas outros departamentos estão mais preocupados com produtos de qualidade e com a crise da obesidade. Michelle não tem poder oficial, mas, nos EUA, o comportamento da “primeira família” tem grande importância simbólica.

Repito uma pergunta que a sra. faz: como é possível encontrar tempo para rituais alimentares em uma cultura acelerada e workaholic?

Depende de cada lar, não há uma resposta única.

Sei que em lares em que os salários são baixos é muito difícil, mas a primeira medida a tomar é encontrar uma maneira para que haja pelo menos um jantar comum [por semana].

Questiono também o número de horas que os americanos dedicam ao trabalho. Devemos ter cargas horárias mais humanas, para que os pais possam voltar para casa antes de os filhos dormirem.

A Europa tem dias mais curtos e igual produtividade. Falo no livro sobre o modelo europeu de menos horas, mais tempo para a vida.

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* Comunidades contemplativas da terra santa recebem pedidos de oração pela internet.

agosto 31st, 2010

Comunidades contemplativas da Terra Santa ofereceram sua disponibilidade para rezar pelas pessoas que queiram comunicar-lhes suas intenções por meio do correio eletrônico.

Trata-se de uma iniciativa que acaba de ser proposta pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, neste momento de preparação do primeiro sínodo da história do Oriente Médio, que será realizado em Roma no próximo mês de outubro.

O patriarcado ofereceu uma lista de 9 destinatários de correio eletrônico, cada um pertencente a uma comunidade religiosa presente na terra do Senhor.

“Podeis confiar-lhes vossas intenções, indicando os detalhes que desejais comunicar-lhes. Tudo isso ficará entre vós e a comunidade!”, garante o Patriarcado.

As comunidades e seus e-mails são:

Clarissas de Nazaré: clairemarie1884@bezeqint.net

Carmelitas do Monte Carmelo, Haifa: zanotiel@netvision.net.il

Mosteiro de Emanuel, Belém: community@emmanuelmonastery.org

Irmãs Brigidinas de Belém (em inglês e italiano): brigida@p-ol.com

Silenciosas Operárias da CruzMater Misericordiae, Jerusalém: betaniasilenziosi@yahoo.com

Beneditinas, Monte das Oliveiras, Jerusalém (francês, inglês, italiano): benetur@netvision.net.il

Clarissas de Jerusalém: mi.yesh@gmail.com

Carmelo de Pater, Jerusalém: edcarmelpn@live.com

Irmãzinhas de Belém, Bet Gemal, Bet Shemesh: midbar@gmail.com

Pequena Família da Ressurreição, Jerusalém: pfrjer@alqudsnet.com

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* O Casamento Cristão e o homem preso a si. Fala-nos Chesterton.

agosto 31st, 2010

G. K. Chesterton

O homem honesto que diz que deseja que o cristianismo seja meramente prático e não teórico ou teológico, raramente consegue explicar o que ele exatamente quer dizer. Essa é a razão de haver tanta repetição simplesmente verbal no que ele diz.

Geralmente, os pobres teóricos e teólogos têm de explicá-lo o que ele quer dizer. De qualquer forma, ele quer dizer algo mais ou menos assim. Um número muito grande de pessoas saudáveis e bondosas é, hoje, oportunista. Todos acreditamos que devemos cortar nosso casaco de acordo com o tecido que temos, no sentido de que ninguém pode fabricar um casaco sem tecido. Mas se o costureiro me diz que todo o tecido em estoque é amarelo-mostarda brilhante, decorado com caveiras escarlates, terei de adiar o quanto puder o uso desse tecido para meu novo casaco, podendo até constranger-me, e ao costureiro, sugerindo-lhe procurar outro tipo de tecido.

Contudo, há um tipo de homem que usará prontamente o casaco amarelo pela simples existência do casaco amarelo. Ele é um oportunista num sentido diferente do meu. Há uma diferença entre um cliente que consegue o que quer, tanto quanto lhe seja possível e aquele que consegue o que não quer porque isso lhe é possível.

Em outras palavras, há uma diferença entre conseguir o que se quer, sob certas condições e permitir que as condições lhe digam o que você pode conseguir, ou mesmo o que você quer. No entanto, é possível passar pela vida sendo controlado pelas circunstâncias dessa forma. Se minha quadra de tênis for inundada, posso, claro, transformá-la num lago ornamental. Ou posso me dar o trabalho de drenar o campo e protegê-lo contra inundações, permanecendo fiel ao ideal abstrato e dogmático de uma quadra de grama. Se uma árvore cai sobre minha casa e faz um buraco no teto, posso transformar o buraco numa clarabóia e a árvore numa saída de emergência. Mas se eu não quiser uma clarabóia e uma saída de emergência, estou sendo manipulado pela árvore. E isso é uma posição indigna para um homem.

É a posição indigna da maioria dos homens modernos. Eles são oportunistas, não só no sentido de conseguirem o que querem da forma mais prática, mas de tentarem querer a coisa mais prática; isto é, meramente a coisa mais fácil. Essa é a razão de eles não entenderem a base do idealismo cristão em muitas questões e especialmente na questão do sexo.

Eles estão sempre sendo desviados pelas inundações e árvores caídas, especialmente aquela árvore do conhecimento que é o símbolo da queda e que certamente fez um buraco na casa, no sentido do lar. Mas a questão aqui é que essas pessoas constroem um novo plano ou propósito sexual depois de cada eventual novo acontecimento. Quando há mais mulheres do que homens, eles começam a falar sobre poligamia. Quando há mais crianças do que é conveniente para os indivíduos criarem com um salário decente, eles começam a falar de alguns truques que são um tipo de substituto para o infanticídio.

Ninguém pode entender a teoria do sexo cristão sem entender a idéia do homem ter um plano que ele deseja impor sobre as circunstâncias, ao invés de esperar pelas circunstâncias para então ver que plano ele vai ter. O cristão deseja criar as condições para que o casamento cristão seja possível e digno em si; não aceitar qualquer coisa possível nas mais indignas condições. Porque ele o quer e o que ele realmente é, consideraremos num momento; mas é necessário tornar claro de início que o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus, pela nossa consciência comum e pelo sentido de honra da humanidade em geral. E isso é o que nosso pobre amigo quer dizer quando diz que nós não somos práticos; ele quer dizer que nós não estamos sempre consertando nossa casa e alterando nosso jardim para acolher em seu interior uma árvore caída ou uma tromba d’água.

Ele quer dizer que temos um plano para nossa casa e jardim e que estamos sempre tentando restaurá-los e reconstruí-los de acordo com o plano. Não propomos rasgar o plano original e seguir uma seqüência de acidentes; até que a casa seja enterrada sob árvores caídas e os campos sejam inundados e todo o trabalho do homem seja levado pela enxurrada. Isso é o que ele entende por nossa impraticabilidade, e ele está certo.

Descrito em termos humanos, o plano é substancialmente este. Que o amor que faz a juventude bela, e é a fonte natural de tanta canção e romance, tem por objetivo final um ato de criação, a fundação da família. Ao mesmo tempo em que é um ato criativo, como o de um artista, é também um ato coletivo, como o de uma pequena comunidade. É, talvez, o único trabalho artístico em que a colaboração é um sucesso e mesmo uma necessidade. É preciso de dois para começar uma briga, especialmente uma briga de amantes. Precisa-se também de dois para estabelecer um acordo de amantes segundo o qual seu amor deve ser colocado acima da briga. Mas, por definição, o acordo dos dois não é simplesmente concernente aos dois; mas, num sentido terrível, a outros. A fundação de uma família, como todo ato criativo, é uma responsabilidade tremenda. Em outras palavras, a fundação de uma família significa a alimentação de uma família, o treinamento, o ensinamento e a proteção de uma família. É o trabalho de uma vida inteira, e muitos casamentos têm uma vida muito curta. Sua continuidade é garantida, não por “leis matrimoniais” que nossas modernas plutocracias podem criar ao seu bel-prazer, mas por um voto voluntário ou invocação a Deus feita pelas duas partes, que eles vão se ajudar nesse trabalho até a morte. Para aqueles que acreditam em Deus e também acreditam no significado das palavras, isso é final e irrevogável.

Esse ato criativo é em si um ato livre. Esse ato criativo, como todos os atos criativos, não envolve uma perda de liberdade. O homem que constrói uma casa não recupera aquele castelo que ele construiu e reconstruiu no ar quando ele estava planejando a casa. Nesse sentido, podemos dizer, se quisermos, que o homem que constrói uma casa, constrói uma prisão. Há algo de final em todo grande trabalho, mas é possível sentir nesse trabalho um tipo peculiar de finalidade. A paixão de um homem em sua juventude encontrou seu caminho verdadeiro e alcançou seu objetivo e, apesar do amor não precisar acabar, a busca por ele terminou.

Pelo teste desse objetivo e consecução, todas as coisas condenadas pela ética cristã se encaixa em seus vários níveis de erro. Prolongar a busca de uma forma sentimental, muito depois de ela ter qualquer relação com o trabalho real do homem é um erro em vários níveis; quase sempre isso não é mais que ridículo e indigno; turpe senilis amor.

Permitir que a busca perambule de forma a destruir outros lares saudavelmente estabelecidos é, por essa definição, obviamente errado. Cultivar uma perversão mental que realmente remova o desejo por um ato frutífero é horrivelmente errado. Comprar um prazer estéril de uma classe estéril é errado. Manobrar cientificamente de forma a furtar o prazer sem assumir a responsabilidade pelo ato, é lógica e inerentemente errado. É como andar por aí com uma medalha sem ter ido à guerra.

Nós acreditamos, sem uma sombra de dúvida e hesitação, que onde as condições se aproximam desse ideal, a humanidade é mais feliz. Assim, o nascimento da paixão é usado com um menor grau de destruição. Assim, a morte da Paixão é aceita com um menor grau de desilusão. Um trabalho construtivo da idade adulta segue naturalmente o trabalho criativo da juventude; à paixão é dada uma extraordinária oportunidade de se perpetuar como afeição, e a vida do homem é tornada plena. Há nela tragédias, como há igualmente tragédias fora dela. Não podemos livrar a vida de tragédias sem livrá-la da liberdade. Não podemos controlar a atitude emocional dos outros nem numa condição de anarquia sexual, nem nas condições de lealdade doméstica. O amor é realmente excessivamente livre para os propósitos dos amantes livres. Mas onde os homens são treinados pela tradição a considerar esse processo normal, e a não esperar por nada diferente, há muito menos probabilidade de trágicos relacionamentos do que no amor chamado livre. Se observamos a literatura real do amor irresponsável, encontraremos um contínuo e dolorido lamento sobre falsas amantes e torturantes casos amorosos.

Em resumo, nós não acreditamos, de forma alguma, na grande felicidade prometida à humanidade pela dissolução de lealdades de uma vida toda; não sentimos o menor respeito pela retórica sentimental e grosseira com que isso nos é recomendado. Mas o resultado prático de nossa convicção e de nossa confiança é este: que quando as pessoas nos dizem – “Seu sistema não é muito inadequado para o mundo moderno,” respondemos – “Se isso é verdade, as coisas parecem bem podres no pobre e antigo mundo moderno.” Quando eles dizem – “Seu ideal de casamento pode ser um ideal, mas não pode ser uma realidade, ” dizemos – “é um ideal numa sociedade doente, é uma realidade numa sociedade saudável. Pois, onde ele é real, ele faz a sociedade saudável.” Não dizemos perfeitamente saudável, pois acreditamos em outras coisas além do casamento; como, por exemplo, na Queda do Homem. Mas a questão é que queremos o que é prático, no sentido de que queremos fazer algo, criar famílias cristãs. Mas eles só querem o que é prático, no sentido do que é mais fácil no momento.

Assim, de acordo com a teoria geral do casamento, a paixão é purificada por sua própria frutificação, quando esta frutificação é o seu dignificante e decente objetivo final. Em poucas palavras, podemos dizer que substituiríamos a meia-verdade do “amor pelo amor”, por uma verdade superior do “amor pela vida”. O amor é sujeito à leis porque é sujeito à vida. É verdade, não só metafisicamente, nem mesmo simplesmente num sentido místico, mas num sentido material, que podemos ter vida e que a podemos ter mais abundantemente. Isso não quer dizer, claro, que o amor não tenha seu próprio valor espiritual, quando honoráveis acidentes o impedem de ser frutífero. Mas isso não significa que, em geral, possamos julgar os amores dos homens por outra metáfora mística que é também um fato material e por seus frutos os conheceremos.

Tal princípio é, ou era até recentemente, compartilhado por todos os que se dizem cristãos. Há um apêndice a este princípio que é professado por todos os que se dizem católicos. É uma idéia mais mística; e talvez somente os católicos se esforçaram em defini-lo racional e filosoficamente. Não é verdade, contudo, que somente católicos já o sentiram. Os antigos pagãos já o sentiram sutilmente em suas visões de Atenas, Ártemis e das Virgens Vestais. Os agnósticos modernos o sentem debilmente em sua adoração pela inocência infantil – em Peter Pan ou no Child’s Garden of Verses. Essa idéia é a de que há, para alguns, uma felicidade ainda mais divina que a do divino sacramento do matrimônio. Este é um assunto muito especial e muito grande para ser tratado aqui; mas dois fatos deveras singulares devem, sobre ele, ser notados.

Primeiramente, que os estados industriais modernos estão invocando o pesadelo da super-população, depois de terem, eles próprios destruído as irmandades monásticas que foram uma limitação voluntária e viril a esse pesadelo. Em outras palavras, eles estão, muito relutantemente, recorrendo ao controle de natalidade, depois de realmente suprimirem a prova de que os homens são capazes de auto-controle.

Em segundo lugar, se tal abstenção fosse realmente exigida, essa tradição religiosa poderia dar a ela um entusiasmo positivo e poético, onde todas as outras fariam dela apenas uma mutilação negativa. Os católicos acreditam na razão e gostam de ver as coisas práticas provadas; e, atualmente, a necessidade não está provada; somente mencionada como se tivesse, como se comentassem a respeito de Darwin e Einstein. Mas, mesmo se ela estivesse provada, os católicos teriam uma resposta muito melhor do que a dos outros: as trombetas de São Francisco e São Domingos. E os bons protestantes irão finalmente concordar que a resposta é melhor do que a alternativa de um tipo de anarquia secreta e silenciosa, na qual os motivos são estreitos e os resultados nulos. E por este caminho, voltamos ao tema original do casamento ideal; e à verdade principal sobre ele. Uma coisa tão humana não irá, finalmente, desaparecer por entre acidentes de uma sociedade anormal.

Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e pode possivelmente condená-la.

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* Suíça: boxes para prostitutas “trabalharem” com mais privacidade. involução e decadência.

agosto 30th, 2010

A polícia propôs a instalação de “sex boxes” no distrito da luz vermelha de Zurique(Suíça) a fim de fazer com que as prostitutas locais trabalhem com mais privacidade. O autor da ideia é Daniel Leupi, chefe da polícia da cidade, que resolveu apelar depois de uma enxurrada de reclamações de moradores. 

As “sex boxes” já estão em uso em algumas cidades alemãs, como Essen e Colônia. Elas são
cercas de metal que possibilitam que um interessado nos serviços de uma prostituta estacione tranquilamente sem ser notado pela vizinhança negociando com a profissional do sexo. Para a vizinhança, a cena, muitas vezes em plena luz do dia, não é agradável.

“Não podemos nos livrar da prostituição, então temos que aprender a controlá-la”, disse Reto Casanova, porta-voz da polícia de Zurique.


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* Congresso Mundial da Imprensa Católica, no Vaticano.

agosto 30th, 2010

Após o Congresso Mundial sobre Televisões Católicas de 2006, em Madri, e o de rádios católicas em 2008, realizado no Vaticano, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais está preparando para fechar o círculo de reflexão com um Congresso Mundial sobre a imprensa católica. O encontro foi fixado para outubro próximo, no Vaticano, entre os dias 4 e 7.

Faltando pouco mais de um mês para a Conferência, 60 países já confirmaram o envio de seus delegados. O debate de especialistas se concentrará sobre o presente e o futuro da imprensa católica no mundo, com especial atenção para sua presença no mundo da web e das novas mídias.

Segundo o Presidente do organismo vaticano, o Arcebispo Dom Claudio Maria Celli, “a grande questão de base é sempre a mesma: no contexto social de hoje, na Igreja de hoje, qual papel deve desempenhar uma rádio católica, uma televisão católica? A mesma pergunta pode ser feita à imprensa escrita”. “E o tema do Congresso – continuou Dom Celli – não se refere só à Igreja Católica, mas à imprensa católica na era digital, porque agora todo mundo sabe que existem muito mais leitores que lêem um jornal – católicos ou não – através da Internet, que compram um exemplar do jornal”.

E então, disse ainda o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais é inegável que as novas tecnologias estão abrindo perspectivas muito mais amplas, ricas, estimulantes … “Então, nós pensamos que era apropriado convidar as pessoas que trabalham na imprensa em todo o mundo católico para discutir sobre a questão”.

“Nós não escolhemos os delegados. Pedimos às Conferências Episcopais que nomeassem três delegados, representando os vários países. Serão dois delegados peritos em imprensa e um delegado especialista em Internet e em novas tecnologias. (SP)

Rádio Vaticano

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* Igreja Protestante no Maranhão oferece 3 mil votos. “Deputado, o que o senhor pode fazer por nós?”

agosto 30th, 2010

Diário do Nordeste

Uma igreja do Maranhão encaminhou ofício a deputados estaduais oferecendo apoio político para as eleições. Na correspondência, a igreja diz que consegue “arrumar mais de 3.000 votos”, entre fieis e seus familiares.

O documento, assinado pelo missionário Antônio Ferreira Francelino, superintendente estadual da igreja Casa da Bênção, no Maranhão, informa que a igreja dispõe de uma hora na programação de uma rádio local e ministra cultos semanais na casa de fieis. “Sem mais, espero a sua atenção para um possível apoio nesta eleição”, diz o missionário, no ofício.

O próprio missionário disse que o ofício foi enviado para diversos políticos e que pelo menos um já deu resposta. Outros políticos que não receberam a correspondência também procuraram a igreja em busca de apoio, segundo ele.

Francelino disse que os candidatos costumam procurar a igreja em busca de apoio na época das eleições. Neste ano, afirmou ele, decidiu convidar alguns políticos para conversar antes de decidir qual nome os pastores irão recomendar aos fieis.

A Casa da Bênção tem cerca de mil membros e 18 unidades em todo o Estado. “Temos que apoiar alguém, não é? É claro que nem todo mundo vai votar nesse deputado, porque a igreja não obriga a votar”, disse. “A igreja é livre.

Posso apresentar um deputado, mas um irmão dizer que a família já tem outro nome”. Na eleição passada, segundo o missionário, a Casa da Bênção apoiou o deputado estadual Pavão Filho (PDT). “Ele foi à igreja e o apresentamos dizendo ´este é o nosso candidato. Todas as igrejas fazem isso”, disse. Para Francelino, a igreja não pede nada em troca. Mas espera que o deputado, caso eleito, beneficie projetos e programas criados pela instituição. “Se tivermos algum projeto, vamos chegar e dizer: deputado, o que o senhor pode fazer?”, disse.

Até agora, disse o missionário, a Casa da Bênção não tem nenhum projetos social.

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* Padre italiano faz campanha para encher velórios.

agosto 30th, 2010
ReproduçãoPadre italiano lança “Campanha dos que partiram” para encher velórios

Parece que os funerais estão em crise na Itália. Um padre está pedindo para os fiéis de sua paróquia irem a velórios em sua cidade, Arezzo, que tem estado vazios. O reverendo Marcello Colcelli mandou uma carta para os membros da comunidade, clamando para que entrem para sua “Companhia dos que Partiram”.

A ideia é que eles ocupem assentos nos velórios dos falecidos, que muitas vezes ficam completamente vazios. “Frequentemente, faço tudo sozinho: as leituras, os ritos, até mesmo a lamentação”, disse Colcelli na carta, segundo a agência ANSA. Ele contou que não é raro ficar sozinho com o morto durante todo o funeral. Ele quer que os fiéis se obriguem a ir às cerimônias para que os serviços básicos de um velório sejam garantidos.

Fonte: Pop.

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Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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