* O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso? Responde Psicopatologista.

março 11th, 2010

Entrevista com Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia

Por Carmen Elena Villa

Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

O professor Polaino explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

Zenit

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* Mais de 70% dos alunos espanhóis optam por curso de religião católica nas escolas.

março 11th, 2010

Segundo pesquisa feita pela Comissão Episcopal de Ensinamento e Catequese da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), mais de 70% dos alunos de colégios e instituições de toda a Espanha optam por cursar aulas de religião e moral católica em suas escolas.

Nas escolas públicas, esse número é de 64% e nas escolas particulares, de 71%.

A análise estatística, que se refere ao período de 2009 e 2010, entrevistou mais de 4,5 milhões de alunos e aponta aumento de 99,5% na escolha do Catolicismo com relação ao biênio anterior.

De acordo com a CEE, os dados apurados são especialmente significativos diante das dificuldades enfrentadas pela Igreja para se ensinar religião católica nas instituições de ensino da Espanha. Isto porque, conforme a Conferência, a Lei Orgânica de Educação (LOE) do governo espanhol vem introduzindo travas para que os estudantes escolham em igualdade de condições pelo ensinamento da religião católica nos distintos setores de educação do país. Entre estes obstáculos, a CEE destaca a configuração da disciplina religiosa como se fosse uma matéria optativa.

Em fevereito de 2007 os bispos já haviam portestado, por meio da Declaração da Comissão Permanente (”A Lei Orgânica de Educação (LOE), os decretos reais que a fomentam e os direitos fundamentais de pais e escolas”), os bispos ressaltaram que a nova legislação “não regula o ensino da religião de modo que fiquem a salvo os direitos de todos”.

***

O Governo Socialista tenta, mas Deus é MAIS!

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* Índia: arcebispos presos por defender direitos dos “intocáveis”. Leia e entenda.

março 11th, 2010

Três prelados, muitos padres, freiras e leigos foram presos, juntamente com centenas de pessoas, na sexta-feira 5 de março, próximo a Chennai, por participar de uma manifestação em defesa dos direitos dos “intocáveis” cristãos.Entre os bispos detidos pela polícia está o arcebispo de Madras-Mylapore, Dom Malayappan Chinnappa, S.D.B., o arcebispo de Madurai, Dom Peter Fernando, e o bispo de Chinglepet, Dom Anthonisamy Neethinathan, informou a agência Ucanews.

A polícia indiana os deteve durante quatro horas, após uma manifestação de milhares de pessoas em favor dos “intocáveis”, no contexto de uma caminhada de 500km que dura quase um mês e começou na cidade de Kanyakumari, ao sul do país.

Essa manifestação tinha como objetivo sensibilizar a população e as autoridades da Índia sobre a situação de marginalidade que sofrem os membros das mais baixas castas sociais (chamadas na língua local de “dalit”), segundo o sistema tradicional de divisão da sociedade indiana.

Os líderes cristãos pedem ao governo federal e do Estado que coloquem em prática o Relatório Ranganath Misra para garantir aos “intocáveis” cristãos e muçulmanos uma ajuda para grupos sociais pobres.

O presidente do Conselho de Bispos de Tamil Nadu, arcebispo Chinnappa, declarou aos meios de comunicação que os “dalits” cristãos e muçulmanos estão sofrendo pelo atraso da execução do relatório.

Esse documento estabelece claramente que a não inclusão dos cristãos e muçulmanos na lista de beneficiados dessa ajuda supõe uma discriminação por razões de religião, o que vai contra a Constituição da Índia.

Os “dalits” vivem em subúrbios e somente podem exercer trabalhos braçais e simples, mas, desde 1950, o governo indiano está impulsionando programas de promoção e inclusão social, dando prioridade à educação pública e de emprego para membros dessa categoria social.

Porém, esses programas, incialmente visando aos “dalits” hindus, e sucessivamente abertos a todos de religião sikh e budista, continuam excluindo os membros muçulmanos e cristãos, que representam a maioria dos “intocáveis”.

Quem são os “Intocáveis?”

Poucas pessoas no mundo tem experimentado um nível de abuso e pobreza como os 300 milhões de Dalits ou “intocáveis” da Índia. Por 3.000 anos eles tem vivido num ciclo de discrimação e desespero sem esperança de escape. Para os Dalits, dor e sofrimento são parte da vida. Eles estão presos a um sistema de castas que nega a eles adequada educação, água potável, empregos com decente pagamento e o direito à terra ou à casa própria. A cada duas horas Dalits são assaltados e duas casas de Dalits são queimadas. A cada dia, dois Dalits são assassinados.

Dalits são freqüentemente vítimas de violentos crimes. Em 15 de Outubro passado no Estado de Haryana, cinco jovens Dalits foram linchados por uma multidão por tirarem a pele de uma vaca morta, da qual eles tinham legal direito para fazer. A Polícia, segundo consta, ficou parada sem nada fazer e permitiu que a violência continuasse. Em 1999, vinte e três trabalhadores agrícolas Dalits (incluindo mulheres e crianças) foram assassinados por seguranças particulares de um fazendeiro de alta-casta.

O crime deles? Ouvir a um partido político local com considerações que ameaçavam o domínio do fazendeiro sobre Dalits locais como mão de obra barata.

Embora leis contra a descriminação de castas tenham sido aprovadas, a discriminação continua e pouco é feito para processar os acusados. Em anos recentes, porém, tem havido um crescente desejo por liberdade entre os Dalits e castas baixas hindus.

Líderes como Ram Raj tem vindo a frente exigindo justiça e liberdade da escravidão das castas e da perseguição. Um detalhada “Carta dos Direitos Humanos dos Dalits” foi redigida com apelos para a Comunidade Internacional e para a ONU, na esperança que isto colocaria um pressão possitiva sobre o Governo Indiano. Mas pouco tem mudado – até recentemente.

Fatos sobre os Dalits:

• A cada dia, três mulheres Dalits são estrupadas;
• Crianças Dalits são freqüentemente forçadas a sentarem de costas nas suas salas de aula, ou mesmo fora da sala;
• A cada hora, duas casas de Dalits são queimadas;
• A maioria das pessoas das castas altas evitarão terem Dalits preparando a sua comida, por medo de se tornarem imundos;
• A cada hora, dois Dalits são assaltados;
• Em muitas partes da Índia, Dalits não são permitidos entrar nos templos e outros lugares religiosos;
• 66% são analfabetos;
• A taxa de mortalidade infantil é perto de 10%;
• A 70% são negado o direito de adorarem em templos locais;
• 57% das crianças Dalits abaixo da idade de quarto anos estão muito abaixo do peso;
• 300 milhões de Dalits vivem em Índia;
• 60 milhões de Dalits são explorados através do trabalho forçado;
• A maioria dos Dalits são proibidos de beber da mesma água que os de castas mais altas. 300 milhões de Dalits estão escravizados e sem esperança debaixo do julgo do hinduísmo.

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* Qual a influência da dimensão religiosa na politica? Estudo americano analisa questão.

março 11th, 2010

Por Pe. John Flynn, L.C.

Nos últimos anos, a religião chegou a ser considerada um problema ou uma ameaça para a segurança nacional ou internacional. Uma estratégia para combater o extremismo religioso foi tentar reduzir a fé ao âmbito meramente privado. Isso é um grande erro, segundo o estudo publicado a 23 de fevereiro pela Chicago Council on Global Affairs.

O estudo, Engaging Religious Communities Abroad: A New Imperative for U.S. Foreign Policy (“Comprometer-se com as Comunidades Religiosas no Exterior: Um Novo Imperativo para a Política Externa dos Estados Unidos”), tem como autores membros de um grupo trabalho de 32 especialistas, que vão desde antigos funcionários do governo até líderes religosos, presidentes de organizações e acadêmicos internacionais.

Os autores do estudo afirmam que o governo dos Estados Unidos não tem capacidade de entender completamente e nem sabe lidar de maneira eficaz com as comunidades religiosas. Houve progressos nos últimos anos no reconhecimento sobre o papel da religião nos assuntos mundiais, mas esse processo está longe de completar-se.

Seja bem ou mal, a religião desempenha um papel cada vez mais influente na política, observou o estudo. A tendência à globalização com novas tecnologias de comunicação facilitou a difusão dos pontos de vista extremistas.

O estudo chama o governo dos Estados Unidos não somente a melhorar seu conhecimento das comunidades e tendências religiosas, mas também a desenvolver melhores políticas para entrar em contato com os crentes.

É importante perceber que a religião não é uma espécie de experiência humana secundária sem relação alguma com os desdobramentos políticos e que, portanto, possamos ignorar. “A religião – através de suas ideias motivadoras e o poder mobilizador de suas instituições – conduz a política por direito próprio”, indicava o estudo.

Também advertia contra uma visão da religião somente através do foco de terrorismo, que seria negligenciar o papel positivo da religião ao tratar os problemas globais e promover a paz.

O estudo ainda observou que é preciso ir além do mundo muçulmano e levar em conta outras comunidades religiosas.

Global

Embora, quando se trata do vínculo entre religião e política, muitas vezes a atenção é concentrada sobre o Oriente Médio, o estudo observa que a religião é um fator levado em conta em muitos países.

Na China, por exemplo, existem novos movimentos religiosos nativos, como Falun Gong, um setor em expansão de igrejas cristãs e comunidades muçulmanas legais e clandestinas.

Os monges budistas justificaram, e promoveram, o conflito contra a comunidade tâmil no Sri Lanka, assim como se manifestaram contra o regime repressivo da Birmânia. Existem tensões entre cristãos e muçulmanos na Nigéria e Indonésia, mas também em cidades europeias como Londres, Amsterdã e Paris.

Na Índia, os debates políticos são frequentemente influenciados por visões diversas do hinduísmo e a correspondente relação dos hindus com outras comunidades étnicas e religiosas.

O aumento do pentecostalismo na América Latina e de igrejas cristãs e dos pregadores na África e Ásia são outros importantes desdobramentos religiosos que exigem atenção, diz o estudo.

Ainda que a religião tenha promovido conflitos sangrentos em países como a Bósnia e o Sudão, também promoveu paz e o perdão na África do Sul e na Irlanda do Norte. Além dos extremistas religiosos, existem outras figuras, como o Papa João Paulo II e o Dalai Lama, observava o estudo.

“Os muitos exemplos de contribuições religiosas para a democratização e de líderes religiosos que ajudam a proporcionar assistência externa, põem em execução programas de desenvolvimento e a construção da paz são emblemáticos. A religião pode desempenhar um papel positivo em qualquer parte do mundo”, afirma o grupo de trabalho.

Padrões

Os membros do grupo de trabalho identificaram seis padrões principais no papel da religião nos assuntos internacionais.

– A influência dos grupos religiosos – alguns antigos e outros novos – está aumentando em muitas partes do mundo e afeta praticamente a todos os setores da sociedade.

– As mudanças nas características de identificação religiosa no mundo têm significativas implicações políticas.

– A religião se beneficiou e se transformou com a globalização, mas também chegou a ser um dos meios primários a organizar oposição à mesma.

– A religião desempenha um papel público importante, nos lugares em que os governos carecem de capacidade e legitimidade em momentos de tensão econômica e política.

– A religião está sendo usada pelos extremistas como um catalisador de conflitos e um meio para aumentar as tensões com outras comunidades religiosas.

– A crescente relevância da religião hoje tem aprofundado o significado político da liberdade religiosa como direito humano universal e fonte de estabilidade social e política.

Mais especificamente, o estudo assinalou que essas tendências podem apresentar desafios na tomada de decisões políticas. Por exemplo, enquanto os Estados Unidos apoiam a difusão da democracia, em alguns países a introdução de eleições populares daria mais poder aos extremistas religiosos que tendem a ter pontos de vista antiamericanos. Assim, segundo o grupo de trabalho, deve haver uma conciliação entre a promoção dos direitos humanos, democracia e a proteção dos interesses nacionais.

O estudo afirma também que é necessário que a promoção da liberdade religiosa, como parte da política externa dos Estados Unidos, seja conduzida de forma que não seja vista como uma espécie de enfrentamento da sociedade ocidental às religiões e costumes locais.

Recomendações

Ao tratar do papel da religião nos assuntos públicos, o estudo diz que a melhor forma de combater o extremismo é através de um maior compromisso com a religião e com as comunidades religiosas.

Isso significa escutar atentamente as preocupações e medos que têm e, em seguida, iniciar um diálogo significativo com elas. É importante não intervir em disputas teológicas ou tentar manipular a religião, adverte o grupo de trabalho.

O estudo reconhece que uma das coisas mais importantes que os Estados Unidos devem fazer é aprender a se comunicar de modo eficaz. Portanto, além de ouvir o que as comunidades religiosas têm a dizer, é necessário tornar o governo mais eficaz em apresentar os pontos de vista norte-americanos. Também é vital ter em mente que as ações falam mais alto que as palavras.

Entre as medidas propostas no estudo está a necessidade de dar uma formação compreensiva aos diplomatas, militares e outros funcionários sobre o papel da religião nos assuntos internacionais.

O estudo também recomenda que os Estados Unidos continuem promovendo a liberdade religiosa. “As limitações impostas à liberdade religiosa debilitam a democracia e a sociedade civil, envenenam o discurso político e incentivam o extremismo”, comentava o grupo de trabalho.

Cooperação saudável

O papel da religião na política foi abordado por Bento XVI em seu discurso aos membros do corpo diplomático no dia 11 de janeiro.

“Infelizmente, em alguns países, especialmente os ocidentais, difunde-se em âmbitos políticos e culturais, assim como nos meios de comunicação, um sentimento de baixa estima, e às vezes de hostilidade, para não dizer desprezo em relação à religião, em particular a religião cristã”, comentava o Papa.

O pontífice afirmava que “é evidente que, se o relativismo é considerado um elemento essencial da democracia, corre-se o risco de conceber a laicidade só em termos de exclusão ou, mais precisamente, de rejeição da importância social do fato religiso”.

Tal postura, no entanto, só cria confronto e divisão, apontava o Papa. “É urgente definir uma laicidade positiva, aberta e que, fundada em uma justa autonomia da ordem temporal e da ordem espiritual, promova uma saudável colaboração e espírito de responsabilidade partilhada”. Uma colaboração que beneficiará muito os esforços para promover a paz no mundo.

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* Argentina: Juiz anula união civil entre pessoas do mesmo sexo.

março 11th, 2010

O juiz argentino Félix Igarzábal decretou hoje a anulação e inexistência da união civil entre dois homens realizada na última quarta-feira, 3, na capital argentina, Buenos Aires. O magistrado acatou a representação do advogado Ernesto Ricardo Lamiedra que pediu a nulidade do casamento entre Damián Bernath, de 39 anos, e Jorge Salazar Capón, de 43, por considerá-lo uma violação do Código Civil.

Segundo a Agência Informativa Católica Argentina (Aica), o juiz declarou a inexistência do matrimônio por causa da “ausência de elementos estruturais da instituição”, que seria a heterogeneidade dos sexos. Diante da inexistência desses elementos, o magistrado decretou então a nulidade absoluta do casamento.

O magistrado ordenou também ao casal que devolvesse ao cartório, em um prazo de 72 horas, o livro, a certidão e a documentação da união civil, sob pena de multa de mil pesos por cada dia de atraso. A decisão do juiz Feliz Igarzábal foi tomada em primeira instância, o que significa que ainda há possibilidade de o casal recorrer do pedido de anulação.

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* Preservativos geram polêmica entre Governo e Igreja nas Filipinas.

março 11th, 2010

De Agencia EFE  -Carlos Santamaría

Uma campanha de distribuição de preservativos nas Filipinas, país católico, gerou uma grande polêmica entre o Governo, que pela primeira vez defende seu uso para combater a aids, e a Igreja, que o segue considerando inaceitável.

A controvérsia começou no último dia de São Valentim (equivalente ao Dia dos Namorados), quando o Ministério da Saúde filipino distribuiu preservativos gratuitos para conscientizar a população sobre as doenças sexualmente transmissíveis.

A reação da hierarquia eclesiástica foi rápida. A Igreja qualificou a campanha como “imoral” e exigiu a renúncia da ministra da Saúde, Esperanza Cabral, pois “ela não pode influenciar os jovens filipinos”.

“É imoral que alguém no Executivo esteja promovendo o uso de preservativos, que como bem sabemos, não servem para prevenir o HIV e a aids”, e é preocupante “pois a moral social está ameaçada, sobretudo entre a juventude”, assegurou o bispo Ramón Argüelles.

No entanto, Esperanza não deu o braço a torcer e decidiu travar uma queda-de-braço com a Igreja ao antecipar que também deve distribuir pílulas anticoncepcionais.

As pílulas são legalizadas, vendidas em qualquer farmácia filipina, mas seu preço é muito alto para as pessoas mais pobres.

Em janeiro, houve 4.600 novos casos de pessoas infectadas pelo HIV. Entretanto, o sistema de saúde do país acredita que apenas um em cada dez casos é confirmado, pela falta de informação.

A ministra quer evitar a todo custo mais contágios, e tem apoio da presidente Gloria Macapagal Arroyo, que é contra o aborto e defende a abstinência e a fidelidade em uma sociedade contraditória e machista como a filipina, centrada na família, mas que faz vista grossa com homens adúlteros.

Para defender sua posição, as autoridades eclesiásticas querem proibir os anúncios de preservativos ou, pelo menos, incluir em cada pacote uma advertência que o produto “pode falhar na proteção da aids” pois “os consumidores têm o direito de conhecer a verdade”.

“Dado o enorme índice de falhas, os preservativos não podem ser a solução, e representam uma sensação falsa de segurança que promove a promiscuidade fora do casamento”, afirma a Conferência de Bispos Católicos das Filipinas.

A instituição denuncia que “a multimilionária indústria dos preservativos se dirige aos adolescentes, passando por cima da moralidade e da família” e promover o uso do preservativo equivale a “debilitar a fibra moral da juventude”.

Além disso, a polêmica ocorre em plena campanha eleitoral, e todos os candidatos sabem da força da Igreja , que em 1986 e 2001 mobilizou seus fiéis para tirar do poder primeiro o ditador Ferdinand Marcos e depois o presidente corrupto Joseph Estrada.

Por enquanto, só Estrada, que busca nova eleição e é famoso por sua longa lista de amantes e filhos bastardos, deixou clara sua postura: “Os filipinos devem ter direito a escolher.”

Essa premissa foi defendida por cerca de 100 pessoas que nesta semana jogaram milhares de preservativos inflados em frente à sede do bispado, em Manila, para protestar por sua obstinação.

Segundo as pesquisas, mais da metade da população apoia uma nova lei que financie métodos anticoncepcionais para conter o altíssimo crescimento demográfico das Filipinas, que quase não tem recursos para alimentar seus mais de 93 milhões de habitantes, dos quais quase 90% se declaram católicos.

No entanto, a maioria reconhece que obedecerá o que for determinado pela Igreja, que renega de qualquer tipo de planejamento familiar e segue enviando seus sacerdotes para visitas a cada casa, para alertar sobre os perigos do sexo precoce e a promiscuidade atribuída ao preservativo nas zonas mais pobres do arquipélago.

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* Malásia: Igreja acolhe desculpas do jornal muçulmano.

março 11th, 2010

Malásia na Ásia

Malásia na Ásia

O Jornal mensal muçulmano Al Islam apresentou desculpas oficiais à Igreja Católica malaia pela reportagem ofensiva e o comportamento sacrílego de dois de seus jornalistas.

O Arcebispo de Kuala Lumpur, Dom Murphy Pakiam, recebeu o gesto positivamente, proclamando encerrado o desagradável episódio: é o que informam fontes da Igreja malaia à Agência Fides, registrando “com satisfação” a conclusão pacífica de um episódio grave, que poderia gerar tensões inter-religiosas e desarmonia na sociedade malaia”.

Em maio de 2009, Al Islam publicou um artigo ofensivo à Igreja Católica, e dois de seus jornalistas, para realizá-lo, haviam profanado a Eucaristia. A Igreja pediu que a publicação ‘desse um passo atrás’ .

Em seu site na Internet, a revista expressou desapontamento e pediu desculpas “por ter ferido de modo não intencional os sentimentos dos cristãos, especialmente dos católicos”. O mensal explicou que o artigo queria indagar sobre “casos de apostasia” e que os dois profissionais não queriam “ofender ou profanar a fé cristã”, assegurando que “incidentes deste gênero não ocorrerão novamente”. As desculpas serão publicadas também na edição impressa do mensal, no número de abril.

“Estou muito feliz que os dois jornalistas e o diretor de Al Islam nos tenham pedido desculpas oficiais. Nós as aceitamos e confirmamos que não faremos alguma ação legal em relação a este fato’ – disse o Arcebispo num comunicado enviado à Agência Fides. A Igreja Católica encerra com prazer este triste episódio, com uma “saudação de paz à revista” e “uma bênção para a nação”.

Al Islam é um jornal criado por fundação politicamente próxima ao UMNO (United Malays National Organization), o partido atualmente no governo, de maioria muçulmana e malaia. Segundo fontes locais de Fides “o gesto de desculpas foi apoiado pelo governo”; e muitos esperam que “isto possa servir para favorecer o diálogo entre Igreja e Governo, ainda aberto em relação a questão do uso do termo Alá por parte dos cristãos”.

Agência Fides

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* Ser católico hoje. Fala-nos escritor e jornalista Vittorio Messori.

março 11th, 2010

Crente e ao mesmo tempo inconformista, o escritor e jornalista católico Vittorio Messori casou-se com o Evangelho porque, simplesmente, era inevitável. Ele mesmo explicou isso no dia 26 de fevereiro, em um encontro em Roma promovido pela Libreria Editrice Vaticana.

Apresentando a nova edição da obra Cose della vita, último dos quatro volumes da casa editorial – junto a Pensare la storiaLa sfida della fedeEmporio Cattolico –, Messori relatou as razões de sua fé, apesar de todo peso que a razão teve em sua formação.

Nascido em Sassuolo, e licenciado em Turim com Alessandro Galante Garrone (“que não me perdoou ter-me tornado católico”), pupilo de Norberto Bobbio (“grande nome do laicismo puro”), após a descoberta da fé nos anos universitários, Messori dedicou sua atividade literária à busca da verdade do Evangelho.

Com mais de um milhão de exemplares vendidos na Itália, o primeiro de seus livros, Hipóteses sobre Jesus, foi traduzido a dezenas de idiomas e ainda hoje é reeditado. Muitos outros best seller internacionais vieram com o tempo.

Um dos fatores do êxito editorial de Messori é devido a sua capacidade de captar as dúvidas e as perguntas de muitos católicos e também de muitos ateus. “O ateu é um crente – explica –, faz todo o possível para demonstrar que Deus não existe”. O ateu “sempre corre o risco da conversão”, enquanto que ele, nos tempos de agnosticismo, não tinha nada “contra” a religião. “Era uma subcultura da qual não me ocupava”.

De formação anticlerical, “à maneira emiliana” (da Emilia Romagna, região italiana), a primeira pessoa a quem Messori, em 1976, teve de explicar sua “iluminação” foi sua mãe. Muitos se surpreendiam do Messori religioso. “Não me convinha ser católico. Tratava-se de começar do zero. Foi algo a que tentei resistir, mas, já se sabe, o homem propõe e Deus dispõe. Assim, rendi-me à evidência”.

Messori estava tão longe das coisas sagradas que “para buscar a paróquia à qual pertencia minha casa tive de recorrer às páginas amarelas”. Desde então, abriu-se o caminho até se converter em incômodo, em politicamente incorreto. Um episódio para todos: “na metade dos anos 70, lançar um livro como o meu significava no máximo terminar na estante secundária das Paulinas. Nos mostradores principais estavam o manual do bom sindicalista e o Jesus revolucionário”.

Ninguém se perguntava sobre as origens da fé. Ao contrário, o debate voltava-se sobre suas consequências e, portanto, perguntava-se como enfrentar os problemas econômicos à luz do Evangelho. Como apologeta, Messori pretendeu em contrapartida explicar os motivos de crer. “A apologética é um dom de Deus, como a razão, da qual não há que renegar. No fundo, o último passo da razão está precisamente em compreender que muitas coisas a superam”.

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* Presos de consciência não são criminosos comuns, afirma Jornalista.

março 10th, 2010

Mirian Leitão

O presidente Lula comparou os presos políticos de Cuba a criminosos comuns. Essa declaração é péssima e já é a segunda vez que ele fala isso. Não pode, portanto, dizer que está sendo mal interpretado. Em entrevista à agência de notícias AP, ele afirmou: “Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano, de deter as pessoas em função da legislação de Cuba, como quero que respeitem o Brasil”.

Isso parece bom, mas vamos pensar no seguinte: o Brasil vive em uma democracia e aqui se prende dentro da lei; enquanto lá, a legislação cubana é ditatorial. Inclusive tem uma que diz que, se a pessoa não cometeu crime nenhum, mas talvez tenha a intenção de cometê-lo, vai presa. E o que é crime? Fazer, por exemplo, um sindicato independente. Se você tem a intenção de fazer um, como o presidente Lula fez, será levado preso e pode ficar anos na prisão. É uma ditadura.

E o presidente de um governo democrático tem sim que condenar o que está acontecendo em Cuba, porque isso não é interferir em assuntos internos do país, mas defender princípios e valores do povo brasileiro. Imagine se nós estivéssemos agora, em 1938, 1940, e o governo brasileiro dissesse que tudo o que Hitler estava fazendo estava dentro da lei. Mas e a legislação que mandava prender judeus, por acaso era justa?

Mandar prender pessoas que se opõem ao governo cubano é uma lei absolutamente ilegítima, injusta e ditatorial. Então, ele não pode comparar. A única comparação possível seria dizer que, no Brasil, os presos criminosos comuns precisam de melhores condições carcerárias. Então, pode condenar a situação daqui e também a de lá.

Porque os presos de Cuba são acusados pelo governo, mas não cometeram crime nenhum. São presos de consciência, como diz a Organização das Nações Unidos (ONU) e isso é completamente diferente dos que roubam, matam e cometem outros crimes no Brasil. O presidente Lula não deveria usar o seu prestígio internacional para validar os crimes do governo cubano.

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* Bispos da Espanha lançam nova campanha contra o aborto.

março 10th, 2010
Cartaz-da-Conf.-Episcop.-Es.jpg

A Conferência Episcopal Espanhola lançou uma campanha de defesa da vida como preparação para a celebração da Jornada pela Vida, que acontece no próximo dia 25 de março: “Es mi Vida”… Está em tus manos” (”É a minha vida!… Está em suas mãos”)

Segundo o episcopado do país, a campanha ganhará as ruas em painéis, outdoors, cartazes, pôsteres e folhetos e tem como objetivo principal “seguir dando voz aos que vão nascer, para defender seu direito à vida e oferecer apoio a mulhetres grávidas que se encontram em dificuldades”.

Serão confeccionados 1300 painéis, que ficarão expostos em 37 cidades espanholas do dia 15 até o final do mês. Além disso, o episcopado informa que já começou a distribuição nas dioceses de um total de seis milhões de folhetos informativos, e 30 mil cartazes já foram enviados a paróquias e centros católicos em todo o país.

A nova lei do aborto sancionada na Espanha, como ressaltaram os bispos, além de se configurar um sério retrocesso na proteção da vida dos que vão nascer, supõe “maior abandono das gestantes”; Por isso, a campanha fornece um site na internet (www.conferenciaepiscopal.es/apoyoalavida) onde é possível encontrar extensa informação sobre instituições de ajuda para acolher as novas vidas humanas.

Marcha

No último domingo, quase um milhão de pessoas foi às ruas da Espanha protestar contra a lei do aborto aprovada pelo governo e em defesa da vida. A “Marcha Internacional pela Vida 2010″ celebrada simultaneamente na maior parte das capitais de províncias da Espanha foi convocada por centenas de associações pró-vida.

Somente na capital Madri, mais de 600 mil pessoas marcharam entre a Plaza Cibeles e a Porta do Sol portando camisetas vermelhas, globos e cartazes. O ato em Madrid concluiu com a leitura, pela jornalista Sonsoles Calavera, do manifesto que exige a derrogação da nova Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva e Interrupção Voluntária da Gravidez. Houve manifestações também em Barcelona, Sevilha, Castilla e León, La Coruña, Vigo, Pontevedra e Ferrol.

Gaudium Press

***

Impressiona-me positivamente a postura corajosa da Igreja Espanhola diante de leis imorais e que desrespeitam a vida de inocentes.

De certa forma, A Espanha é um “laboratório” do que pode acontecer com qualquer pais quando sua classe dirigente é movida por visões desumanas e laicistas, pasando por cima de tudo em nome de uma “nova ordem” , onde os defensores da vida e dos autênticos direitos da vida são chamados de “Forças conservadoras” em oposição às forças “Progressistas” que negam Deus e sua vontade.

Aqui no Brasil, ainda podemos reagir. AINDA!

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* Imagens da marcha a favor da vida – contra o aborto, na Espanha.

março 9th, 2010

Bravos irmãos !


600 mil cidadãos, na maioria mulheres, festejaram a vida humana pelas ruas de Madri, na Espanha, no domingo, 07 de março, em uma grande marcha com o lema España Vida Sí.

Um dia antes do Dia Internacional da Mulher as espanholas exigiram a revogação da Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva e da Interrupção Voluntária da Gravidez, aprovada em fevereiro deste ano e que, em julho, entra em vigor naquele país legalizando o aborto até a 22ª semana de gestação, permitindo que adolescentes de 16 anos também o façam sem o consentimento dos pais e tornando obrigatória a doutrinação pró-aborto nas escolas e nas faculdades de medicina do país.

A multidão foi convocada por 270 entidades pró-vida e também teve como objetivo apresentar um manifesto aos políticos espanhóis para que promovam leis que protejam o direito de nascer, leis que respeitem os direitos dos pais de formar seus filhos em matéria de educação sexual e que também protejam o direito de objeção de consciência dos profissionais de saúde.

Na mensagem às mulheres que participaram da marcha-cidadã, a médica pediatra e mãe de três filhos, Gádor Joya (foto acima), porta-voz do movimento Derecho a Vivir afirmou que a lei do aborto espanhola “ultraja as mulheres, deixa-as jogadas às portas dos abortadouros e é o maior atentado contra a mulher que já se cometeu na história da Espanha“.

Fazendo menção ao Dia Internacional da Mulher, ela continuou: “As mulheres espanholas, que estamos aqui hoje e em toda a Espanha, somos as que, amanhã, no Dia Internacional da Mulher, nos sentiremos orgulhosas de ser mulheres e celebrarmos a maternidade como algo que nos engrandece e nos dignifica de verdade”.

Marchas-irmãs foram realizadas em mais de cem locais tanto internacionalmente como em outras cidades espanholas como Saragoça, Salamanca, Sevilha, Valência e Barcelona, entre outras. Os manifestantes enfrentaram a chuva e o frio nas principais praças dessas cidades para exigir apoio às mulheres grávidas em vez de promoção do aborto. Elas também denunciaram que o primeiro-ministro espanhol, Zapatero, ignora voluntariamente mais de um milhão de assinaturas de cidadãos que rechaçam a nova lei do aborto na Espanha.

A mídia deu ampla cobertura ao evento que teve a presença de 250 jornalistas espanhóis e estrangeiros somente na marcha de Madri – os fotógrafos ganharam um ônibus de dois andares, sem teto, para facilitar o trabalho (foto acima). Todos os quatro maiores jornais da Espanha noticiaram a marcha:

El País: Miles de personas piden en Madrid la derogación de la ley del aborto
ABC: Madrid se tiñe de rojo en favor de la vida
El Mundo: Miles de personas piden en la calle la derogación de la Ley del Aborto
La Rázon: Miles de personas piden la derogación de la ley del aborto

Os participantes e organizadores do evento também fizeram registros fotográficos (mais de 4 mil imagens), já disponíveis numa grande galeria digital.

O presidente de uma das entidades responsáveis pela marcha, Ignacio Arsuaga (foto acima), presidente da Haz te Oirafirmou que a luta dos espanhóis não é apenas contra uma lei, mas pela abolição do aborto provocado: (HO),

Queridos amigos, queridos cidadãos militantes:

Não estamos sozinhos!

Na Europa, nas Américas, na África, na Asia e na Oceania, grupos de cidadãos, como os nossos, estão se organizando para abolir o aborto e reestabelecer o direito de viver e o direito de ser mãe. Cada dia são mais audaciosos. Cada ano saem à rua.

E nós nos unimos a este movimento internacional. Juntos conseguiremos mudar os corações de nossos vizinhos, conseguiremos abrir-lhes os olhos, até que uma imensa maioria das sociedades de todo o mundo exijam a abolição do aborto.

Então, quando esse dia chegar, nós celebraremos.

Portanto, que escute Zapatero [o presidente do governo Espanhol], que escutem todos os políticos, não vamos parar até alcançarmos isso.

***

Louvado seja Deus, senhor da vida, pela coragem e ousadia de nossos irmãos Espanhóis.

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* Jejum. Você o compreende bem?

março 9th, 2010

Nuno Serras Pereira

Na atual disciplina canónica da Igreja o preceito de jejum só obriga na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa e somente às pessoas, se a memória não me atraiçoa, entre os 14 e os 59 anos. Normalmente considera-se que cumpre este exercício quem ao pequeno-almoço come um simples papo-seco, toma um almoço completo, ingere duas bolachas ao lanche, para enganar o estômago, e janta uma sopa com uma fruta ou meia carcaça.

Porém, é de notar algumas coisas:

a) O fato de o jejum só ser obrigatório naqueles dois dias não significa que só se pode fazer naqueles dias. Por isso, há um número significativo de cristãos, de todas as vocações, que jejuam o ano inteiro – por exemplo, todas as sextas-feiras, ou todas as quartas e sextas, ou ainda às segundas, quartas e sextas; ou então ao sábados em honra de nossa Senhora, e nas suas festas.

b) Há pessoas que não se contentam com aquelas condições mínimas que referimos acima e, por isso, jejuam a pão e água, admitindo muitas delas o café, chá ou algum refresco açucarado. Há ainda o caso mais radical de algumas pessoas que não ingerem alimento algum, mas somente água, chá ou café, durante 24h ou mesmo 48h ou 72h.

c) Não se pode ainda esquecer o caso das pessoas que por questões de saúde poderão estar impedidas de jejuar de qualquer maneira ou pelo menos nas formas mais exigentes. Conheço, por exemplo, uma pessoa que na sua juventude fez grandes jejuns e que agora em virtude de uns medicamentos que tem de tomar, que lhe abrem de tal modo o apetite vê-se em grandes dificuldades de o fazer.

d) É ainda de grande importância atender ao estado e condição concreta de cada um. Por exemplo, não se pode pedir a um pai de família que jejue com o mesmo rigor de uma Carmelita Descalça. Por outro lado, seria também absurdo pedir o mesmo jejum a um estivador ou a uma digitadora.

e) Acresce que como o jejum é um meio e não um fim (o fim é sempre o maior amor a Deus e ao próximo) importa muito discernir se no modo como está a ser feito ajuda ou se pelo contrário estorva o caminho de santidade. Se, por exemplo, o jejum está tornando a pessoa soberba em vez de humilde, brutal em vez de mansa é sinal de que não é agradável a Deus. Por todas estas razões acima enumeradas cada um deverá estudar-se bem para saber como comportar-se. E uma vez que, como diz a sentença, ninguém é bom juiz de si próprio é de toda a conveniência que se consulte com o seu confessor habitual, com o seu assistente espiritual e, se for caso disso, com o seu médico.

f) De qualquer modo, uma pessoa que não possa prescindir do alimento em quantidade normal poderá sempre renunciar a comer coisas de que mais gosta: bolos, doces, chocolates, vinho, bebidas brancas, etc., o que também é uma forma de jejum.

g) Para além do jejum de comida pode a pessoa treinar-se com outro tipo de jejuns, renunciando a coisas legítimas para se fortalecer na capacidade de repudiar as ilícitas ou pecaminosas. Deste modo pode fazer jejum da boca, guardando silêncio – pode assim aprender a não contar os defeitos e pecados do seu semelhante; pode jejuar dos ouvidos, abstendo-se de participar em conversas ociosas ou de ouvir música – e assim aprender a não dar ouvidos a boatos e intrigas, e a dar maior atenção aos sentidos espirituais interiores em detrimento das melodias exteriores; pode jejuar dos olhos, renunciando ao cinema ou a programas televisivos para se dedicar à leitura e meditação da Palavra de Deus.

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* Não existe aborto seguro em nenhuma parte, diz congressista pró-vida nos EUA

março 9th, 2010

Christopher Smith

Em audiência para determinar o orçamento do próximo ano, o congressista republicano Christopher Smith, criticou a decisão de incluir o aborto no plano de “saúde” e explicou que esta prática anti-vida nunca é segura porque sempre acaba com a vida de uma criança e deixa uma profunda ferida na mãe.

Smith explicou que para a Iniciativa Global da Saúde (GHI), as gravidezes não desejadas são consideradas como uma enfermidade. “A gravidez não é uma enfermidade. A criança no ventre não é um tumor ou um parasita que deve ser eliminado”, diz o congressista.

Em sua intervenção, Chris Smith criticou o termos “aborto seguro” como uma absoluta contradição, já que em nenhum caso o aborto pode ser seguro. Além do fato de que se elimina uma vida, se não é que não chega a haver dano físico para a mãe, sempre restam conseqüências psicológicas.

Mais de 100 estudos demonstram que como conseqüência do aborto, existe um significativo dano psicológico, além disso, em comparação com aquelas mulheres que não abortaram, as que o fizeram mostram um aumento de depressão e também de tentativas de suicídio. O aborto também aumenta a possibilidade de câncer de mama em um 30 a 40 por cento. Os mal chamados abortos seguros, causam outros danos como a perfuração uterina, hemorragias, infecções, esterilidade e inclusive a morte.

O congressista adicionou que “as mães que abortaram, logo tendem a ter filhos prematuros”. Os nascimentos prematuros são a segunda causa de mortalidade infantil depois das má formações genéticas.

Chris Smith mencionou que a melhor maneira para acautelar a mortalidade materna é outorgar à mãe o serviço necessário de saúde. “O aborto por outro lado não resolve nada; mata a meninos, machuca a mulheres, e por nenhum motivo [o aborto] deveria ser incluído por qualquer país como estratégia específica para reduzir a mortalidade maternal”, acrescenta.

O republicano logo mencionou o caso da China, onde desde 1979 está proibido ter mais de um filho. Uma mulher sem autorização para dar à luz, está obrigada a abortar pelo governo, o mesmo acontece em qualquer caso com mulheres fora do matrimônio As conseqüências vão desde grandes multas, cárcere, tortura, perda de propriedades, emprego e inclusive a oportunidade de receber educação. “Não é surpresa que 500 mulheres se suicidem diariamente na China”, alertou o congressista.

Diante disto se pergunta: “por que a Fundação da População das Nações Unidas defende as medidas abortistas da China? Estas leis trazem ademais como conseqüência o aborto seletivo, prejudicando assim as meninas não-nascidas”.

Como exemplo pôs o caso de uma jovem chinesa estudante dos Estados Unidos, quem compartilhou seu testemunho: “o quarto estava cheio de mães que acabavam de submeter-se a um aborto forçado. Algumas mães choravam, outras estavam de luto, algumas inclusive chiavam, e uma estava no chão gritando de dor”. Logo, foi o turno da jovem. Ela descreveu esse momento como “o caminho ao inferno”.

ACI

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* De Lutero a Roma: Testemunho de conversão de um Protestante que descobre-se filho da Igreja Católica.

março 9th, 2010

Depois de 3-4 anos a cruzar por Genebra, parece-me adequado que proclame a vitória de Roma sobre a minha alma.

Sei que há quem fique escandalizado com esta conclusão, quem duvide se não é odisseia a trajetória da minha peregrinação de fé. Porém, Chesterton, que contribuiu no ano passado para a minha conversão, defendia-se perante os seus críticos alegando que, na aventura que é a Ortodoxia, se vê como um velejador inglês que, num erro de cálculo, parte do Tamisa, dá toda uma volta ao mundo, e chega ao estuário londrino a pensar que descobriu as índias orientais. Para este, chegar à plenitude e pureza do Cristianismo durou toda a sua vida adulta.

Fico feliz por, aos 25 anos, me ver chegado a Casa. Fico também aliviado que, ao contrário das milhenas de pastores e presidentes de seminário e teólogos da fina flor do Evangelicalismo (em especial, Calvinistas como Scott Hahn, Peter Kreeft, Francis Beckwith, etc), não me vi vestido com a toga de Westminster quando me lancei ao meu nado rio Tibre adentro.

A questão, pois, fica: como foi possível? Sinto que devo explicações Ape. Primeiro que tudo, não mudei de fé.Apenas progredi no Caminho que Cristo palmeou para os Seus; um que não se fica pela epifania de Martinho Lutero no séc XVI. Não; ele inclui os 1500 anos anteriores, e inclui os S. Tomás de Aquinos, os Sto Agostinhos, os Sto Ireneus, os S. Clementes, Sto. Atanásios, os Sto Inácios e S. Policarpos que criam na Eucaristia, na Sucessão Apostólica, na Primazia Petrina, no Magistério romano, no Papado, no Dogma, etc.

Homens que amavam a Escritura e tinham-na como infalível e inspirada: a própria Palavra de Deus. Estudei insistentemente estes velhos santos. Uns, foram discípulos directos dos Apóstolos, outros discípulos dos discípulos; mas todos – herdeiros da sua Tradição (II Tes 3:5-6). Tradição que nunca incluiu a Sola Scriptura: essa coisa tão antibíblica. O devoto papista, Agostinho de Hiponas, presidiu a esse Concílio Ecuménico em Cartago, no séc IV, e o Novo Testamento foi anexado ao Velho. O da Septuaginta; o dos deuteroncanónicos. Agostinho cria na Escritura; e a Escritura cria na autoridade da Igreja sobre a Verdade (I Ti 3:15-16); a Escritura cria, segundo a mesma, em Concílios humanos e a sua infalibilidade, como relata no Livro de Atos, sobre a assembleia reunida em Jerusalém: toma-os como infalíveis e autoritários sobre as consciências de todos os cristãos em todo o lado.

E a Sola Scriptura? Ao fim de muita martelada, II Ti 3:16-17, parece falar da suficiência e adequação da Escritura para todo o ministério de Timóteo: não duma autoridade exclusiva da Escritura ou dum monopólio epistémico da Palavra preservada. Além do mais, o rapaz, segundo S. Paulo, conhecia aquelas Escrituras desde Jovem. Ora, pois, nem quando S. Paulo lhe escrevia isto havia epístolas paulinas, nem petrinas, nem universais; nem o Apocalipse ou o Evangelho e S. João – quanto mais na sua meninice. A Escritura perfeita e suficiente era, afinal, um Velho Testamento. A julgar pelas citações ad verbatim e exemplos históricos do Apóstolo (Gál 5) era pior: um desses com os textos deuterocanónicos que os Protestantes retiraram do Cânone – a Septuaginta.

A dada altura, pois, não fui mais capaz da ginástica intelectual de crer que sacerdotes romanistas perservaram, copiaram, e escolheram perfeitamente o Cânone da minha Escritura Protestante – a mesma da qual, em pleno séc XXI – fazia eu uso para mostrar as suas idolatrias. Se todos criam no que criam e como eu próprio verifiquei que criam, o que me faria crer que tais papistas, marianos, eucarísticos não corromperam o Texto? Ou omitiram mais livros apostólicos? Ou acrescentaram até apócrifos, como a Epístola a S. Tiago (que nega a Sola Fide no seu segundo capítulo), essa que Lutero quis, por palavras suas, ‘atirar para a fornalha’? Além do mais, este silêncio de 15 séculos em que as 5 Solas da Reforma nem em princípio existiram parecia contrariar, se é que a Ortodoxia é mesmo a Protestante, a promessa que Cristo fez a S. Pedro quando fundou nele a Sua Igreja: ou seja, afinal os portões do Hades sempre prevaleceram sobre ela.

Até à Dieta de Worms, pelo menos. E mesmo após esta, concedamos que, para o Evangélico do séc XXI, Lutero ainda sofria de resquícios hereges, ao assumir que Maria merecia toda a reverência e veneração, e ao não negar o Purgatório. O próprio Calvino não via motivos para contrariar a crença na virgindade eterna da Virgem e acreditava na Eucaristia e na Presença Real de Cristo nela. Mais ainda, ao olhar para as 33000 igrejas evangélicas e suas várias denominações, choraria com o triunfo dos Anabaptistas radicais – gente que separou o Estado da Igreja, que nega a regeneração baptismal e recusa-se a aspergir os ‘filhos da Aliança’, os bebés da promessa abraâmica. Mas sobre a anarquia eclesiástica Protestante falarei mais tarde.

Importante é que ainda como bom escrituralista, e sem dar por isso, comecei a crer no que não sabia eu ser Dogma. João 6, de repente, parecia a estar ensinar a Eucaristia (afinal, se Jesus falava apenas simbolicamente do Pão e do Vinho, porque confirmou Ele aos canafurnanitas que o acusavam de promover canibalismo que era o Seu Corpo ‘verdadeiramente’ Pão, e o Seu Sangue ‘verdadeiramente’ Vinho?); Mateus 16, subitamente, parecia conferir uma primazia apostólica sobre S. Pedro; I Coríntios 3, num momento, ensinava claramente o Purgatório; os capítulos iniciais de Lucas pareciam agora exaltar a Virgem para lá do mero ‘respeito’ Protestante, etc.

Porém, como haveria eu evangelizar os meus irmãos Evangélicos sobre estas e outras realidades? No fim, era apenas a ‘minha interpretação’. Que importa a suposta clareza e autoridade da Escritura, se a maioria dos Evangélicos consegue perfeitamente ler sobre ‘arrebatamentos secretos’ e helicópteros no Livro de Revelação, mas não vê a Transubstanciação em João 6, e fica impune se confrontado biblicamente?; se não vê qualquer Purgatório em I Coríntios 3, mas discerne o ambientalismo de Al Gore em Génesis 1?; se não compreende a veneração mariana presente nos capítulos iniciais de Lucas, mas entende a importância da apoiar o Estado de Israel até que o Templo seja restaurado e Jesus possa voltar, lendo [as notas de rodapé] do livro apocalíptico joanino? – Onde está, pois, a Sola Scriptura? Onde está a autoridade bíblica exclusiva? Nasceu e morreu na Dieta de Worms:

‘A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e a simples lógica, não aceito a autoridade do Papa e dos Concílios, pois estes se contradisseram, e eu fico, pois, sem escolha. A minha consciência está sob o cativeiro da Palavra de Deus. Não poderei nem irei eu retractar-me, pois ir contra a consciência não é correcto nem seguro. Deus me ajude. Ámen.’

Porém, ao estabelecer a Igreja reformada, tendo já instituído o produto da sua consciência, a Concórdia, Lutero, argui assim:

‘A minha doutrina não pode ser julgada por ninguém, nem pelos anjos. Quem não crer na minha doutrina, não poderá ser salvo.’ [sic]

Quando se relativiza tanto a Palavra de Deus e se dilui a autoridade pastoral ao ponto da opinião; quando se vota a eclesiologia à anarquia, retirando à Igreja a legitimidade para ‘ligar’ e ‘desligar’; quando se auto-ordenam bispos e presbíteros sem que sejam estes enviados por um sucessor apostólico; que Sola Scriptura resta, se nisto e em tanto mais a Escritura não é obedecida, nem fonte autoritativa existe para que se estabeleça e institutua objectivamente o que ela ensina, para todos os cristãos em todo o lado? Mas mais sobre o relativismo doutrinal Protestante mais tarde.

Porém, foi assim, pois, que caí do meu cavalo de Saulo. Não pude mais pontapear os aguilhões. Há anos, li sobre Henri Nouwen, e como este adormecia em oração, pedindo a Deus que Ele lhe desse uma razão para permanecer Protestante. Mas Deus deu-lhe, em vez, milhenas razões para se tornar Católico. Assim foi comigo. Sinto, hoje, intimidade com os cristãos de todos os séculos e de todo o mundo, do dia de hoje até aos Apóstolos e os seus discípulos, que rodeavam a Eucaristia, e em redor dela viviam, cristocentricamente e cruciformemente. Sinto, como Chesterton, que não sou já apenas um filho dos meus pais e um filho da minha era, mas um filho de Deus e da Sua Igreja, fundada no ano 33 em Jerusalém. E isto salva um pós-moderno, acreditem.

Pro Christo et Humanitate,
Nuno Fonseca

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* Mais um Bispo se manifesta CONTRA o PNDH-3.

março 8th, 2010

Foi divulgado pelo Exmo. Presidente da República o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos.

Queremos em princípio atribuir a tentativa os melhores propósitos de garantir no país os Direitos Humanos bem como ajudar a firmar seu reconhecimento. No entanto nos preocupa em primeiro lugar a forma de elaboração do programa, foi a síntese de várias conferências sobre DH com a participação quase que exclusiva dos movimentos sociais e ONGs.

Percebe-se na redação e na formulação a confusão de interesses com direitos, e o viés assembleísta corporativo como dispositivo de pressão, aprovação que termina como veremos numa prática totalitária, pois só o congresso ou uma constituinte tem a legitimidade de representar toda a nação. Por outra parte percebemos a influência hegemônica do positivismo jurídico estatalista que afirma que os DH são concessões do Estado; cabendo ao Estado outorgá-los. Ora os DH são inerentes a pessoa humana, se depreendem de sua natureza, precedendo ao Estado, cabendo a este simplesmente reconhecê-los e respeitá-los.

Quanto ao conteúdo, de pretensos direitos deste programa, se relativiza seriamente o direito de propriedade gerando insegurança; se desconhece o direito à vida, que é o primeiro direito de cidadão, facilitando o crime do aborto; se envereda pela cultura de retaliação e do revanchismo ignorando as lições da história recente dos países dilacerados pelo ódio como África do Sul, Chile e Argentina que aprenderam dolorosamente que só com uma política centrada na verdade, no perdão e na reconciliação poderá haver paz e um futuro de concórdia nacional. Finalmente se enfraquece o Estado de Direito; suas instituições que devem estar em serviço de liberdade, do bem comum e da justiça social.

Fazemos votos que a sociedade civil brasileira que acompanha vigilante o processo de construção de uma democracia inspirada em valores humanitários e na participação de todos, rejeite este programa pela sua marcante tendência ideológica tão distante do preâmbulo de nossa Constituição.

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Auxiliar de Niterói

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