Posts Tagged ‘Ataques à Igreja’

* Justiça derruba lei que proíbe imagens sacras no carnaval carioca.

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Foto: DivulgaçãoO Tribunal de Justiça do Rio declarou inconstitucional uma lei que proibiu as escolas de samba de usarem imagens sacras durante os desfiles. Os desembargadores julgaram procedente um pedido da Prefeitura do Rio e concluíram que a norma aprovada pela Câmara de Vereadores viola a liberdade de consciência e se caracteriza como censura prévia.

Com apenas quatro artigos, a lei 4.483/2007 identifica como imagens sacras o crucifixo, o ostensório, os santos e outros mártires. A escola de samba que descumprisse a medida, além das sanções judiciais cabíveis, não teria direito à subvenção de Carnaval paga pela Prefeitura.

O Ministério Público e a Procuradoria Geral do Estado opinaram pela procedência da representação de inconstitucionalidade. Segundo o parecer do MP, a vedação na utilização de imagens e de símbolos de certa denominação religiosa, ao contrário de proteger a fé e as convicções de parcela da população, viola a liberdade de consciência, da qual resulta a liberdade de expressão cultural, bem jurídico essencial a ser preservado nos desfiles de escolas de samba.

Um dos casos mais lembrados de censura praticada pela Igreja Católica aconteceu em 1989 no desfile da Beija-Flor (foto). Com o enredo “Ratos e Urubus larguem minha fantasia”, o carnavalesco Joãosinho Trinta levaria para Avenida a imagem de Jesus Cristo como um mendigo. Vetado, a escola resolveu cobrir a escultura de preto com os dizeres “mesmo proibido, olhai por nós”.

* As informações são do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

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* Com técnicas medievais, cientistas criam réplica do sudário.Será?

domingo, novembro 29th, 2009

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

Cientistas “reproduziram” o Sudário de Turim, o chamado “Santo Sudário”, que teria recoberto Jesus de Nazaré na tumba, e afirmam que o experimento reforça as evidências de que a relíquia é uma obra de arte medieval, não produto de um milagre.

O sudário traz a imagem de um homem crucificado, com rastros do que seria sangue escorrendo de feridas nas mãos e nos pés, e crentes afirmam que se trata da imagem de Jesus gravada nas fibras por algum meio sobrenatural, durante a ressurreição.

Os cientistas reproduziram o sudário usando materiais e métodos que estavam disponíveis no século 14, diz o Comitê Italiano para Verificação de Alegações Paranormais.

O grupo afirma, em nota, que se trata de mais uma evidência de que o sudário é uma falsificação produzida na Idade Média. Em 1988, pesquisadores usaram datação por radiocarbono para determinar que a relíquia havia sido produzida no século 13 ou 14.

Mas muitas pessoas continuaram a acreditar que o sudário possui “características inexplicáveis que não podem ser reproduzidas por mãos humanas”, disse o cientista Luigi Garlaschelli, em nota. “O resultado obtido indica claramente que isso poderia ser feito com o uso de materiais baratos e um procedimento simples”.

A pesquisa foi financiada pelo comitê e por uma organização italiana de agnósticos e ateus, afirmou.

Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, disse ao jornal La Repubblica que sua equipe usou linho tecido com as mesmas técnicas que as usadas no sudário, e envelhecido artificialmente por aquecimento em um forno e lavagem.

O pano então foi colocado sobre um estudante que usava uma máscara para reproduzir o rosto, e esfregado com um pigmento vermelho muito usado na Idade Média. O processo consumiu uma semana, disse o jornal.

O sudário aparece pela primeira vez na história nas mãos de um cavaleiro francês, em 1360.

De propriedade do Vaticano, o sudário é mantido numa câmara especial da catedral de Turim, e raramente é exibido em público. A última apresentação foi no ano 2000, quando atraiu mais de 1 milhão de visitantes. A próxima está prevista para 2010.

Oficialmente, a Igreja Católica não afirma ou nega a autenticidade da relíquia, mas diz que se trata de um potente símbolo do sofrimento de Jesus.

Fonte: Estado de São Paulo

***

Como resposta a essa tentativa,mais uma,vejam o que dizem os estudiosos do sudário:

Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico.

Membros de um inidôneo Comitê Italiano para Verificação de Alegações ParanormaisUnião de Ateus Agnósticos Racionalistas, da Itália. garantiram ter provado que o Santo Sudário de Turim é um falso medieval. Eles foram financiados pela

Luigi Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, descreveu ao jornal “La Repubblica” como conseguiu fazer um sudário “idêntico” ao de Turim com materiais baratos e métodos disponíveis no século XIV.

Luigi Garlaschelli numa de suas demonstrações

David Rolfe, produtor de longos documentários sobre a relíquia, apontou que a simples descrição do método usado depõe contra Garlaschelli e mostra que ele nem conhece o Sudário.

Diversos cientistas altamente qualificados desmontaram com um peteleco a burlesca obra.

Por exemplo, o presidente do Centro Mexicano de Sindonologia, Adolfo Orozco, especializado no Santo Sudário, qualificou a ação de “truque para atacar o Sudário” e mostrou furos técnicos que desqualificam o experimento, informou a Agencia Católica Internacional.

O Dr. Orozco explicou que no Sudário “o sangue ficou impresso no pano em primeiro lugar, e só depois ficou gravada a imagem e não o contrario como fez o suposto ‘reprodutor’”.

Outra demonstração de Garlaschelli

Além do mais, acrescentou o Dr. Orozco, como foi largamente comprovado pela comunidade científica, “a imagem do Sudário não se formou por contacto. Há partes do tecido que tem imagem e nunca estiveram em contato com o corpo”. Entretanto, a primitiva tentativa trabalhou esfregando um pano sobre um corpo.

Acresce que as análises médicas, segundo o Dr. Orozco, “demonstraram que os coágulos não foram semeados, mas são clinica e patologicamente corretos com detalhes desconhecidos no século XIII”. O especialista sublinhou o lado ridículo dos imitadores pretendendo reproduzir as queimaduras do incêndio de 1532 e as marcas deixadas pela água que nada têm a ver com a imagem original.

Ainda constata-se que as “imagens” agora fabricadas “não têm as propriedades tridimensionais” típicas do Sudário”. Esta ausência desqualifica a tentativa de reprodução.

Por sua vez, o especialista peruano Rafael de la Piedra, sublinhou que as manobras frustras dos italianos reforçam ainda mais a idéia de que a relíquia “continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável”, noticiou ACIPrensa.

Para o Dr. de la Piedra, a recente imitação “visualmente é muito parecida com o original. Digamos que é melhor que a cópia que fez McCrone ou que a horrorosa tentativa de Joe Nickell; ou a de Picknett-Prince e sua suposta fotografia medieval de Leonardo Da Vinci; ou que a fantasiosa foto-experimental do sul-africano Nicholas Allen”.

Para o especialista, “uma amostra parecida com a de Garlaschelli não resiste às conclusões multidisciplinares tiradas ao longo de mais de 100 anos por cientistas de todos os credos e especialidades”.

À luz desta tentativa falha, de la Piedra conclui que “podemos afirmar com alto grau de certeza, que o Santo Sudário de Turim continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável. Esta é a verdade interna do Santo Sudário”.

O especialista estadunidense John Jackson do Turin Shroud Center de Colorado observou: “as propriedades tridimensionais da imagem (…) a presença de sangue humano com índices altíssimos de bilirrubina, o pólen de mais de 77 plantas que marcam o percurso histórico do Sudário até quase o século I de nossa era e, entre outros, o mecanismo de transferência da imagem de um crucificado com todas as feridas descritas nos Evangelhos a um pano”.

O Dr. Jackson criticou a falta de técnica de Garlaschelli e explicou que o sangue do Sudário não é sangue inteiro, mas já separado do soro, proveniente de verdadeiras feridas. Além do mais, o sangue que há neles é próprio “de um fluxo post mortem”.

Jackson observou que do ponto de vista da tridimensionalidade a imagem agora feita “aparece bastante grotesca. As mãos estão incrustadas no corpo e as pernas estão em posição pouco natural”.

Jackson também observou que segundo a prática científica séria os resultados de Garlaschelli deveriam ter sido compulsados por outros cientistas antes da publicação. É o que se chama “peer-review” ou “revisão do trabalho por pares”.

Porém, Garlaschelli parece ter temido a crítica e fugiu dela. O autor recebeu 2.500 euros da União de Ateus Agnósticos Racionalistas para semelhante serviço. A cifra fala contra a hipótese de um trabalho científico de vulto e mais parece uma gorjeta em pago de uma zombaria anticatólica.

Entretanto, alguns jornais eivados de decadente anticlericalismo espalharam a grosseira manobra.

No episódio não houve conflito entre a ciência e a religião. Antes bem, uma resposta digna da ciência.

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* Enérgico chamado de coalizão cristã nos EUA para defender vida, matrimônio e liberdade religiosa.

sábado, novembro 28th, 2009

Uma proeminente coalizão de mais de 150 líderes cristãos: bispos católicos, ministros evangélicos e diversos acadêmicos assinaram a “Declaração de Manhattan”, um manifesto no qual insistem a defender a sacralidade da vida humana, o Matrimônio e a liberdade religiosa.

Esta declaração dada a conhecer recentemente é um “forte chamado” aos cristãos dos Estados Unidos para aderir-se à mesma e informa às autoridades civis que os assinantes “sob nenhuma circunstância” abandonarão sua consciência cristã.

“Somos cristãos os que nos reunimos indo além das linhas das diferenças eclesiásticas para afirmar nosso direito –e o que é mais importante, sublinhar nossa obrigação– de falar e atuar em defesa destas verdades. Assinalamos aos nossos irmãos crentes que nenhum poder da terra, cultural ou político, intimidar-nos-á com o silêncio ou a aquiescência”, diz a declaração.

Os assinantes explicam que reconhecem “o dever de cumprir com as leis (…) a menos que estas normas sejam gravemente injustas ou requeiram que quem as cumpra façam algo injusto ou imoral”.

Deste modo precisam que “não cumpriremos nenhuma norma que obrigue as nossas instituições a participar de abortos, investigações que destruam embriões, suicídio assistido e eutanásia , ou qualquer ato anti-vida; tampouco abençoaremos uniões imorais que queiram equiparar-se ao matrimônio, nem nos calaremos para proclamar a verdade, que conhecemos, sobre a moralidade e a imoralidade, do matrimônio e a familia”.

“Sempre e totalmente daremos a César o que é de César, mas sob nenhuma circunstância daremos ao César o que é de Deus”, precisam.

Depois de denunciar a política abortista do governo, recordam a necessidade de custodiar o matrimônio que é a união para sempre entre um homem e uma mulher sobre a qual se funda a autêntica família.

Sobre esta declaração o vaticanista italiano Sandro Magister assinala que “não cai no ar mas em um momento crítico para a sociedade e a política dos Estados Unidos: precisamente enquanto a administração de Barack Obama está empenhada em excesso em fazer acontecer um plano de reforma da atenção de saúde nos Estados Unidos”.

“Defendendo a vida humana desde a concepção e o direito à objeção de consciência, o chamado responde dois pontos postos em perigo pelo projeto de reforma atualmente em discussão no Senado”, acrescenta.

Sobre a reforma debatida no Congresso, Magister assinala que “o perigo foi destampado graças a uma premente ação de lobby conduzida em plena luz do dia pelo episcopado católico. Depois que o voto final tinha garantido tanto o direito à objeção de consciência assim como o bloqueio de qualquer financiamento público ao aborto, a conferência episcopal tinha reivindicado este resultado como um ‘triunfo’”.

“Mas agora –prossegue– no Senado a batalha tornou a começar do início, sobre um texto base que de novo a  Igreja julga inaceitável. A Conferência Episcopal já dirigiu aos senadores uma carta indicando as modificações que queria que fossem contribuídas a todos os pontos controvertidos”.

Entre os assinantes desta declaração estão o Arcebispo de Filadélfia, Cardeal Justin Rigali, o Arcebispo Emérito de Detroit, Cardeal Adam Maida; o Arcebispo de Denver, Dom Charles Chaput, o Arcebispo de Nova Iorque, Dom Timothy Doam; o Arcebispo de Washington, Dom Donald Wuerl, e outros 9 bispos católicos mais.

Também assinaram a declaração: o metropolita Jonah Paffhausen, primado da igreja ortodoxa dos Estados Unidos, Peter Akinola, primado da igreja anglicana da Nigéria; o Dr. James Dobson, fundador da Focus on the Family (Enfoque à Família); o Dr. William Donohue, Presidente da Catholic League; Robert Duncan, primado da igreja anglicana da América do Norte; o Pe. Joseph D. Fessio, fundador e editor da Ignatius Press; William Owens, diretor da Coalizão de Pastores Afro-americanos; entre outros.

Para ler um resumo do manifesto e a análise completa do vaticanista Sandro Magister, o leitor pode ingressar em:
http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1341135?sp=e

A declaração completa, em inglês, com a possibilidade de assiná-la: http://manhattandeclaration.org/

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* Parapsicologia.Ciência ou negação de verdades da fé?

sábado, novembro 21st, 2009

Parapsicologia estuda o comportamento paranormal (ao lado do normal) da alma humana. Procura explicar os fenômenos raros que no passado eram somente atribuídos a espíritos do além.

Têm sido ministrados Cursos de Parapsicologia no Brasil, os quais têm deixado muitos fiéis perplexos, já que alguns parapsicólogos entram em assuntos de fé católica e, com explicações parapsicológicas, acabam, às vezes, negando verdades de fé: anjos, demônios, milagres, ressurreição, etc.

A parapsicologia é uma ciência muito nova ainda e avança muito lentamente através de investigações e experiências, para ir formulando as suas leis, por meio de estatísticas. A formulação dessas leis não é fácil e estão sujeitas a enganos, já que lida com um campo de hipóteses com difícil comprovação.

Sabemos que a alma humana tem o Consciente e o Inconsciente. Acredita-se que usamos apenas um oitavo da potencialidade do Inconsciente. Pode ser que, por um motivo não muito claro, a pessoa possa usar desse poder do inconsciente, de maneira para´normal; por exemplo: comporta-se como se fosse outra pessoa, vê à distância, emite energias, realiza telepatia, percepção extra-sensorial, etc. É o que dizem os parapsicólogos. O que se torna difícil aqui é se saber quais os motivos que desencadeiam esses processos.

É muito difícil conhecer os mecanismos do psiquismo, e a parapsicologia ainda é muito limitada nesse campo, e portanto, não pode excluir a ação de Deus ou do demônio nesses fenômenos. Corre-se o risco de se reduzir os fenômenos espirituais a fenômenos meramente parapsicológicos.

Não se aceitando o influxo do demônio, em certos casos, acaba´se não aceitando também a ação maravilhosa de Deus. Infelizmente, alguns parapsicólogos acabam negando, direta ou indiretamente, algumas verdades da fé, que a Revelação, a Tradição da Igreja e o Magistério, afirmam sem exitação. Nega-se às vezes a existência ou a ação dos demônios, atestada nos Evangelhos (Mt 1,20´24; 2,13´19; 28, 2´5; Lc 1,26; 2,9´15). Nega-se a possessão diabólica, também atestada na Bíblia (Mt 17, 14´20; Mc 1,23´27. 32´34; 3,11s …). Jesus praticou o exorcismo e a Igreja também o realiza, mediante autorização do Bispo. Alguns parapsicólogos negam também as aparições de Nossa Senhora e dos santos.

No entanto, com o devido exame e cautela, a Igreja já se manifestou favorável a muitas aparições (La Sallete, Fátima, Lourdes, Guadalupe, etc). Querer reduzir todas as aparições a processos meramente subjetivos é um grave engano. É arbitrário e preconceituoso. A própria ressurreição de Cristo, e alguns dos seus milagres, são algumas vezes colocados em dúvida. Diante do “Sepulcro vazio”, das aparições aos Apóstolos (Jo 20,24´29), aos discípulos de Emaús (Lc 24,13s), do testemunho de São Paulo (1 Cor 15,13´17), e tantas outras evidências, a Igreja nunca duvidou dessa verdade. Alguns parapsicólogos, negando a existência do demônio e dos anjos, afirmam também que “a Bíblia está cheia de erros científicos e que não foi Deus quem escreveu a Bíblia, mas os homens”. É outro grave engano que a Igreja não aceita.

Toda a Bíblia foi escrita por homens (hagiógrafos), mas sob inspiração divina (Hb 4,12; 1 Ts 2,13; 2 Tm 3,16; 2 Pe 1,20; Rm 15,4). Embora ela não seja um livro de ciência, no entanto traz a verdade religiosa transmitida por Deus para a nossa salvação.

Vê-se portanto, que é preciso muita cautela com esses Cursos de Parapsicologia que têm sido ministrados no país.

Cabe lembrar aqui que o Pe.Oscar Quevedo, muito conhecido, e talvez o mais destacado parapsicólogo do Brasil, escreveu um livro entitulado “Antes que os demônios voltem“, que contém erros de doutrina; foi severamente constestado pela Santa Sé. O seu autor chegou a ser suspenso por um ano de suas atividades por defender pontos de vista em contradição com o ensino da Igreja ( Revista Veja, 22 de outubro de 1986, pg 85) Nota-se que algumas pessoas que frequentam os tais cursos de parapsicologia, às vezes acabam ´esfriando´ na sua fé, achando que todos os fenômenos, mesmo os espirituais, podem ser explicados totalmente pela parapsicologia. Isto não é verdade.

Deus pode agir como quer, e muitas vezes realiza curas e milagres que a ciência não pode explicar. Para proclamar alguém Beato, a Igreja exige um milagre desta pessoa, comprovado pela ciência; e dois, para declará-lo Santo.

Felipe de Aquino

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* Os ateus vivem mal com seu “nada” e por isso agridem a fé?

quinta-feira, outubro 29th, 2009

Na apresentação do seu último livro, José Saramago declarou que a Bíblia era um “manual de maus costumes” e um “catálogo de crueldades”, e que Deus não era “de fiar”, por ser “vingativo, rancoroso e má pessoa”.

Nos dias seguintes, católicos e não só acusaram-no de provocação gratuita e de ignorância, por estar a fazer uma leitura literal do texto bíblico.

De facto, a Sagrada Escritura não pode ser lida como uma narrativa textual e objectiva, e muito menos o pode ser, sob pena de anacronismo, com os nossos olhos de hoje. A Bíblia está repleta de alegorias, metáforas, simbolismos, mitos, lendas e profecias, requerendo uma exegese que saiba extrair, de cada história ali contida, o seu significado moral. No episódio de Caim e Abel, o excerto do «Génesis» que inspirou o livro de Saramago, o texto expõe o leitor a uma morte, idêntica a outras, sacrificiais, presentes no Antigo Testamento; mas a interpretação supra-literal deve remeter-nos para a escolha humana entre o Bem e o Mal e, portanto, para a condenação da violência.

A meu ver, contudo, o cerne da polémica não é este. Saramago sabe perfeitamente, porque é escritor e criador de imagens, que não faz sentido, do ponto de vista discursivo, depreciar a Bíblia como ele o fez – ou então estaríamos condenados a censurar grande parte da literatura profana ocidental. Sabe também (e tem dificuldade em admiti-lo) que, além das histórias de violência e opressão, a Bíblia fala sobretudo das vítimas, dos pobres e marginalizados, para lhes oferecer consolo e esperança – muito antes de Karl Marx ter reparado neles. Sabe, finalmente, que o que disse, em si mesmo, é de um simplismo confrangedor: achar que porque Caim matou Abel toda a Bíblia está cheia de crueldades é tão superficial e redutor como afirmar que porque Stalin matou milhões todos os comunistas são potenciais assassinos!

O problema de Saramago não é com a Bíblia – é com a simples existência da religião. Desde que Robespierre decidiu descristianizar o mundo, os “iluminados” da modernidade e os órfãos dos “deuses” menores, terrenos e bem violentos, não convivem bem com a crença alheia. O racionalismo cientista e materialista não concebe que haja seres humanos que acreditam no que a ciência não comprova existir.

José Saramago revelou, no fundo, incomodo, sectarismo e intolerância em relação ao fenómeno religioso.

Ninguém lhe contesta o direito de escrever e muito menos o de ser ateu; nem se lhe pede que aceite ou compreenda a Fé dos outros. Pede-se, apenas, com a autoridade e a responsabilidade públicas de ser Prémio Nobel como ele é, que a respeite, porque é essa a medida da tolerância e da civilização.

A atitude de Saramago é um sinal dos tempos: os cristãos vivem bem com a sua crença; são os ateus é que parecem (con) viver mal com a religião. Deve ser por isso que, não acreditando em Deus, Saramago não cessa de falar d’ Ele. Ora, havendo espaço para a crença e para o ateísmo, cada um deve escolher o seu caminho, sem revelar a alma intranquila de quem, invocando o direito à diferença, afinal insulta o diferente como bárbaro e vicioso.

José Miguel Sardica
Professor da Universidade Católica Portuguesa

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* Imagens Sacras ” transexuais”.Como é ??

segunda-feira, outubro 19th, 2009

Associações espanholas de defesa dos direitos dos homossexuais lançaram um calendário com imagens baseadas em conhecidas obras de arte sacra, especialmente aparições da Virgem Maria, mas interpretadas por transexuais.

No chamado Calendário Laico, cada mês está representado por uma livre interpretação de cenas famosas do imaginário católico, como a de Nossa Senhora de Fátima diante dos três pastores. Mas redecorada com a estética gay.

As imagens mostram santas em versões drag queen, usando mantos, coroas, colares, braceletes, tendo preservativos coloridos como aplique e até vibradores no alto das coroas.

Depois do sucesso de uma experiência-piloto – com 500 cópias esgotadas na parada do orgulho gay, em junho -, o calendário laico começa a circular em Madri nesta semana com tiragem de 10 mil exemplares.

Para o Coletivo de Gays, Lésbicas, Transexuais e Bissexuais de Madri (Cogam), autores do polêmico calendário, a publicação tem como objetivo reivindicar que, em um país laico, os feriados santos sejam substituídos por eventos sociais.

O grupo sugere, por exemplo, que 25 de dezembro seja declarado oficialmente o dia da democracia em lugar do Natal.

“E porque não?”, questionou o presidente do Cogam, Miguel Ángel González, em entrevista à BBC Brasil.

“Talvez muita gente prefira comemorar coisas com as que se sente mais identificada, como o dia do meio ambiente ou dia da diversidade.”

‘Provocação’

O calendário deve ser interpretado como provocação ao clero, em um país onde a Igreja, influente, difunde doutrinas contrárias ao homossexualismo e ao uso de preservativos.

“Pode ser que alguém se chateie. Esperamos que nenhum fiel se sinta ofendido, porque não era a intenção, nem vemos nada de vulgar nas fotos”, afirma o ativista.

“Mas também não é uma provocação a onipresença da igreja e a negação da homossexualidade por parte do clero, fazendo uso dos seus ícones? A arte está para isso: para romper os esquemas.”

Alguns fiéis já se sentem ofendidos. O grupo católico Religião e Liberdade, fervente, disse à BBC Brasil que o calendário é uma “ofensa clara e inconstitucional”.

Citando o Código Penal, o vice-presidente da associação, Raúl Mayoral, alega que a publicação vulnera o artigo que prevê penas de oito a doze meses de prisão para quem ofenda os sentimentos dos membros de uma confissão religiosa.

Para os representantes da Plataforma Hazte oír (Faz-te ouvir), uma das organizadoras dos protestos nas ruas de Madri contra o aborto e contra o casamento entre gays, o calendário laico ataca os ícones e valores católicos, mas não surpreende.

“Estamos fartos de ver estes tipos de agressões. Essa inquisição rosa é constante porque os homossexuais espanhóis aproveitam qualquer oportunidade para soltar qualquer barbaridade em nome da liberdade de expressão”, disse à BBC Brasil Nicolás Susena, coordenador da plataforma.

“Depois de ver cartazes na parada do orgulho gay com fotos do Papa Bento 16 e a frase ‘cuidado com o pastor alemão’ o que vamos esperar desta gente? É revoltante e me dá vergonha de ser espanhol numa sociedade deste nível.”

Fonte : BBC Brasil

***

A exigência de respeito e tolerância só funciona em uma mão?

Tanto a compreensão do “estado laico” como a compreensão da liberdade estão equivocadas para esses ativistas e refletem uma visão de mundo pequena e interpretada sempre a partir da ideologia Gay.

Não é só a questão da homossexualidade mas da ideologia, que tem por princípio um sistema politico fechado de idéias onde quem pensa diferente deve ser agredido e desrespeitado.

É o caso aqui.

“A única visão de mundo válida é a minha ,por isso desrespeito e agrido quem pensa diferente”.

Uma visão que apenas reflete a pobreza de quem, não tendo forças para argumentar inteligentemente nem destruir a verdade,parte para a saida dos fracos: a g r e d i r !!

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- A Ciência Pode Explicar Tudo?

quinta-feira, setembro 24th, 2009

Artigo espetacular que analisa a questão da razão e da ciência como resposta definitiva para o homem em detrimento da religião,vista como “supertição”, e da falsa suposição de que homens verdadeiramente inteligentes não podem ter fé nem serem católicos “de Igreja”

Ao prepará-lo,lembrei-me de muitos dos meus irmãos  universitários e estudantes de maneira geral que são confrontados pela ” ciência e conhecimento” de muitos professores e cursos onde a a dimensão religiosa é ridicularizada e parece ,COM O TEMPO, esvaziar o sentido do sagrado daqueles que fazem destes ” Mestres ” de algumas salas de aula, quase deuses,conhecedores do bem e do mal.

O artigo é um pouco longo mas de conteúdo denso,materia prima para quem quer caminhar dentro de uma fé inteligente,capaz de responder aos anseios de verdade que o homem de hoje tem,inclusive o cientista, o ateu e ” aquele Professor “,(todos nós temos um professor “especial” ) a quem dedicamos esse artigo,rsrs..

Para os que acreditam, Deus está no princípio.Para os cientistas, Deus está no final de todas as suas reflexões.” (Max Planck).

Não importa se no início ou no fim. O  DEUS  ETERNO  ALÍ  ESTARÁ!

***

O físico alemão Otto Hahn, inventor da fissão do átomo de urânio, estava internado num campo de concentração inglês, junto com outros eminentes cientistas. Quando, em agosto de 1945, recebeu a notícia de que Hirosshima tinha sido arrasada por uma bomba atômica, sentiu um profundíssimo sentimento de culpa. As suas pesquisas sobre a fissão do urânio tinham acabado por se utilizar para produzir um massacre terrível. Foi tal a sua angústia que tentou abrir as veias nos arames farpados que cercavam o campo. Depois que os seus companheiros conseguiram dissuadi-lo, o velho professor fez-lhes, desolado, a seguinte confissão:”Acabo de perceber que a minha vida não tem mais sentido. Pesquisei pelo puro desejo de revelar a verdade das coisas e todo o meu saber científico acaba de se converter num enorme poder aniquilador”.

A experiência pessoal de Otto Hanh foi, na realidade, a experiência amarga de toda uma época. Uma aflitiva impressão de fracasso invadiu os espíritos de todos os que tinham lutado com tanta tenacidade por levar o conhecimento científico a máxima altura possível, convencidos de fazer com isso um grande bem a humanidade. Tinham trabalhado penosamente com a profunda convicção de que o aumento do saber teórico e o incremento da felicidade humana estavam inequivocamente vinculados. Acreditavam que fomentar o conhecimento científico teria sempre um valor positivo, que significaria automaticamente cotas mais elevadas de felicidade e igualdade. Pensaram que se tratava de um bem inquestionável e que, portanto, se traduziria indubitavelmente em bem-estar para o homem.

Mas esse entusiasmo plurissecular, que já tinha aberto fendas nas tricheiras de Verdun (uma das batalhas mais sangrentas da 1ª guerra), ruiu estrepitosamente com os horrores da 2ª guerra mundial. O terrível poder destruidor das armas nucleares, os intensivos bombardeios da população civil, o extermínio sistemático e profundamente cruel de toda uma raça e um saldo de cinquenta milhões de mortos puseram tragicamente de manifesto que o saber teórico pode traduzir-se num saber técnico, e este, por sua vez, num amplo poder sobre a realidade, mas, por desgraça, todo esse domínio não leva automaticamente a uma maior felicidade dos homens se aqueles que detem esse poder não possuem uma consciência ética proporcional a sua responsabilidade.

Após séculos de febril incremento do saber científico, a idéia de que o progresso humano é sempre contínuo e não pode haver retrocesso revelou-se uma farsa irritante. O ideal do domínio científico e a consequente forma de humanismo desfizeram-se em pedaços ao entrarem em colisão com a obstinada realidade da história. Era patente que o futuro não devia caracterizar-se por essa ingênua crença no progresso como princípio motor de uma civilização, mas que era preciso alicerçá-lo em valores mais altos e seguros.

História de uma Desilusão.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, depois da sua experiência pessoal em diversos campos de concentração, chegou à conclusão de que não foram os ministérios nazistas de Berlim os verdadeiros responsáveis por aquelas atrocidades, mas a filosofia niilista do século XIX.

Se o homem é um simples produto de uma natureza mutável, um simples macaco evoluído, então, da mesma forma que o macaco pode ser enjaulado num zoológico, o homem pode ser encarcerado num campo de extermínio. Se o homem é um simples animal, ainda que extraordinariamente adestrado, e fazemos sabonetes com gordura animal, por que não fazê-lo com gordura humana?

O filósofo Edmund Husserl, esclarecido pela falência do mito do eterno progresso por ocasião da Segunda Guerra mundial – na qual viu, entre outras ocasiões, aquela racionalização perfeita da matança em massa de milhões de inocentes – percebeu claramente que a ciência, por força do seu método, não pode ser um princípio motor da vida humana. “O mundo da objetividade científica – escreveu – é um mundo fechado e inóspito. A forma pela qual o homem moderno, na segunda metade do séc. XIX, se deixou determinar totalmente pelas ciências positivas e cegar pela prosperidade a elas devida, significou pôr de lado as questões decisivas para uma humanidade autêntica. As ciências que só comtemplam meros fatos fazem com que os homens só enxergassem meros fatos”.

Procurar o conhecimento científico objetivo das coisas é lícito e fecundo. Mas considerar esse modo de conhecer como modelo, como a única forma rigorosa de conhecimento, é uma parcialidade inaceitável, já que empobrece enormemente o homem.

A Ilustração – o Iluminismo – pretendia alcançar o ideal renascentista que sonhava entregar o homem a si mesmo, torná-lo livre, permitindo-lhe viver sob o império exclusivo da razão. A esperança de que o homem atingiria a felicidade para sempre num mundo já dominado e sem segredos, por meio de uma ciência que tudo conheceria e tudo poderia, veio a ser um sonho que nunca se alcançaria e que o horror gigantesco das duas Guerras Mundiais converteu em algo pior que um pesadelo.

O domínio da realidade escapava ao molde estreito do pensamento racionalista. E o perigo não derivava da ciência em si, mas dessa mentalidade que levava a considerar que só se pode conhecer aquilo que é mensurável, controlável, verificável, e a desprezar os aspectos da realidade que resistem a esse tipo de controle e cálculo.

Essa pretensão de domínio sem limites deixava o homem numa situação de desamparo. Logo se viu que a ciência, que tinha dominado com o seu prestígio o Século das Luzes, não podia, por si só, plenificar a vida do homem. Não era sua missão. A ciência não fala de valores, de sentido, de metas nem de fins, e o ser humano precisa de tudo isso para preservar a sua dignidade e ser feliz.

O otimismo ilustrado previra horizontes paradisíacos, mas a utopia científica mostrou como nunca a sua impotência. Não há dúvida de que o progresso científico foi grande e que esse desenvolvimento é uma coisa boa, ou pelo menos, não tem porque ser má. Mas, hoje em dia, muito poucos acreditam que tudo isso seja a panacéia, que possa fazer algo mais do que transferir a inquietação de uns temas para outros. O domínio das coisas é muito elevado, mas necessita de um humanismo válido que lhe dê sentido. Porque, do contrário, pode embriagar-se com os seus próprios êxitos e crescer em direções aberrantes para a dignidade do homem.

A técnica permite desenvolver meios de comunicação extremamente poderosos, rápidos, atraentes, sugestivos, mas esses meios podem ser uma arma de primeira grandeza para manipular as consciências, moldar as vontades e os sentimentos dos homens.

A ciência precisa de alguns limites para a sua pretensão de soberania.

Toda a grande conquista traz consigo uma inevitável ambivalência: um avanço num aspecto e um retrocesso em outro, talvez não menos valioso. O aumento de poder não corre sempre paralelamente ao aumento do domínio do homem sobre esse poder. A ciência não pode abandonar-se a sua própria dinâmica, mas deve ser regulada por uma instância externa que a oriente e lhe dê sentido.

O Processo Científico Implica um Declive Religioso?

A Idade Moderna começou por cultivar insistentemente as questões de método. Bacon, Descartes e Spinoza, por exemplo, concentraram a sua filosofia em torno da busca de um método rigoroso que lhes permitisse chegar à certeza e assentar a vida sobre convicções sólidas, inquebrantáveis, inexpugnáveis. Como as ciências avançam sobre dados seguros e conferidos, verificados pela experiência, foram surgindo pensadores convencidos de que, sempre que a ciência descobria um segredo, a religião dava um passo atrás. Parecia-lhes que o progresso da ciência reduzia inexoravelmente o domínio do religioso, cada dia mais confinado. Em contraposição ao que consideravam o crédulo espírito medieval, o homem moderno haveria de encontrar, apenas com a força da sua razão, um método sem fendas. E o grande modelo do pensamento autêntico era, para eles, o saber matemático.

Se se trabalha com a devida lógica, articulando bem os diversos passos do raciocínio – afirmavam -, chega-se em matemática a conclusões apodícticas, inquestionáveis. A ordem no raciocínio torna-se a chave do pensamento e do conhecimento retos. E essa ordem é estabelecida pela razão, pois a razão é o grande privilégio do homem. Por esse caminho – acabavam por concluir -, o homem basta-se a si mesmo, já que a razão lhe oferece recursos de sobra para descobrir as leis da realidade e conseguir um rápido domínio sobre ela. Mas de novo a passagem do tempo veio mostrar como esse domínio só é possível em termos quantitativos, naquilo que pode submeter-se a cálculo e medida. Mas o espírito escapa ao método matemático e à lógica cartesiana. Ao possibilitar a opção livre, o espírito torna possíveis muitas coisas que denunciam a insuficiência do modelo racionalista. Poderiam citar-se muitos exemplos.

Um dos mais característicos é a tentativa racionalista de explicar a inteligência humana. É difícil saber exatamente o que é o pensamento, mas, se eu reduzo o problema a uma questão de neurônios, posso conseguir uma tranqüilizadora impressão de exatidão: 1.350 gramas de cérebro humano, constituído por 100.000 milhões de neurônios, cada um dos quais forma entre 1.000 e 10.000 sinapses e recebe a informação que lhe chega dos olhos através de 1.000.000 de axônios acumulados no nervo ótico. Por sua vez, cada célula viva pode ser explicada pela química orgânica….Deste modo, posso pretender explicar a inteligência num plano biológico, a biologia em termos de processos químicos e a química em forma de matemática. Pois bem, qualquer leitor medianamente crítico perguntar-se-á o que têm a ver as porcentagens de carbono e hidrogênio, os neurônios e toda a matemática associada a esses processos, com algo tão humano e tão pouco matemático como conversar, entender uma piada, captar um olhar de carinho ou compreender o sentido da justiça.

A ciência moderna, com as suas descobertas maravilhosas, com as suas leis de uma exatidão assombrosa, oferece a tentação – um empenho que se deu em Descartes com uma força irresistível – de querer conhecer toda a realidade com uma exatidão matemática. Mas costuma-se esquecer algo essencial: que a matemática é exata à custa de considerar unicamente os aspectos quantificáveis da realidade. E reduzir toda a realidade ao quantificável é uma notável simplificação, é um reducionismo. Poderíamos replicar como aquele velho professor universitário, quando um aluno fazia alguma afirmação reducionista: “Isso é como se eu lhe perguntasse o que é esta mesa, e você me respondesse: cento e cinqüenta quilos”.

As grandezas matemáticas prestaram e prestarão um grande serviço à ciência, e à humanidade no seu conjunto, mas sempre prestaram um péssimo serviço quando se quis empregá-las de um modo exclusivista. A totalidade do real nunca poderá ser expressa só em cifras, porque as cifras expressam unicamente grandezas e a grandeza é apenas uma parte da realidade. E não é questão de dar mais números ou com mais decimais. Por muitos ou muito exatos que sejam, oferecem sempre um conhecimento notoriamente insuficiente. Você pesa 70 quilos, mas não é 70 quilos. E mede 1,83 metros, mas não é 1,83 metros. As duas medidas são exatas, mas você é muito mais que uma soma exata de centímetros e quilos. As suas dimensões mais genuínas não são quantificáveis: não podem ser determinadas numericamente as suas responsabilidades, a sua liberdade real, a sua capacidade de amar, a sua simpatia por tal pessoa ou a sua vontade de ser feliz.

Não querer reconhecer uma realidade alegando que não pode ser medida experimentalmente, seria proceder mais ou menos como um químico que se negasse a admitir as propriedades especiais dos corpos radioativos, sob o pretexto de que não obedecem às mesmas leis que explicam o que acontece com os outros corpos já conhecidos. Acima da ciência há outra face da realidade: a mais importante, e também a mais interessante do ser humano, aquela em que aparecem aspectos tão pouco quantificáveis como, por exemplo, os sentimentos – não é possível pesá-los, mas nada pesa mais do que eles na vida. Um pensamento ou um sentimento não podem honestamente ser qualificados como materiais. Não têm cor, sabor ou extensão, e escapam a qualquer instrumento que sirva para medir propriedades físicas. “Os fenômenos mentais – afirma John Eccles, Prêmio Nobel de Neurocirurgia – transcendem claramente os fenômenos da fisiologia e da bioquímica”.

“A ciência, apesar dos seus progressos incríveis – escreve o médico e pensador Gregório Maranón -, não pode nem poderá nunca explicar tudo. Cada vez ganhará mais terreno no campo daquilo que hoje parece inexplicável. Mas os limites fronteiriços do saber, por muito longe que cheguem, terão sempre pela frente um infinito mundo de mistério”.

A Fé Desaparecerá Quando a Sociedade Amadurecer?

Em um dos seus livros, López Quintás conta que um dia, ao entardecer, depois de visitar a catedral de Notre-Dame, enquanto vagueava pela velha Paris, deparou, sem querer, com um pequeno edifício abandonado, com as suas sórdidas janelas cruzadas por sarrafos de madeira. Aquela construção quase em ruínas era o famoso “Templo da Nova Religião da Ciência” que o filósofo francês Augusto Comte tinha erigido fazia século e meio. O contraste foi tão brusco como expressivo. O templo com o qual se pretendera dar culto ao progresso científico estava em ruínas. A velha catedral, pelo contrário, irradiava as suas melhores galas, como na sua brilhante época medieval. A música combinava nela com a harmonia das linhas arquitetônicas, com as belas palavras dos oradores, com o magnífico esplendor litúrgico que num dia de Natal, anos atrás, emocionara o grande poeta Claudel, até levá-lo à conversão.

A história daquele templo esquecido está aparentada com a da Ilustração, que no seu tempo se ergueu com o sonho de “despojar o homem dos grilhões irracionais das crenças e conhecimentos supersticiosos baseados na autoridade e nos costumes”. O pensamento ilustrado da Enciclopédia considerava os conhecimentos religiosos como “simples e ingênuas explicações sobre a vida dadas pelo homem não científico”. Na sua aversão à fé, uma multidão de pensadores deleitava-se em atribuir a origem mais baixa possível ao sentimento religioso. Concebiam os nossos antepassados como “seres perpetuamente atemorizados, empenhados em conjurar as forças hostis do céu e da terra mediante práticas irracionais”. Viam a Deus como um simples “produto do medo das civilizações primitivas, num tempo em que esses espíritos atrasados ainda acreditavam em fábulas”. A teoria de Comte sobre a evolução humana através dos três estados – religiosidade, pensamento filosófico e conhecimento científico – gozou na sua época de grande aceitação e em sua honra foi erigido aquele templo dedicado à “Nova Religião da Ciência”.

Não é curioso que a ciência adquirisse essa faceta religiosa? Foi efetivamente um curioso fenômeno de substituição. Fascinado pela ciência, o homem elevou-a até ocupar o lugar do sagrado. Mas não era um simples conflito entre a ciência e a fé. Com efeito, entronizar uma bonita mocinha parisiense na catedral de Notre–Dame – como fizeram durante a Revolução Francesa – , dando–lhe o título de “Deusa Razão”, não parece que fizesse parte das ciências experimentais. Por trás de tudo aquilo latejava o empenho ateu de proclamar a salvação da humanidade por si mesma, e o advento de uma sociedade iluminada unicamente pela razão humana.

Passaram-se menos de dois séculos, e o estado de abandono em que se encontra hoje aquele templo laico é talvez um fiel reflexo do abandono da concepção do homem que tanta força teve na sua época. Aquela ilusão segundo a qual o advento da era científica permitiria eliminar o mal do mundo acabou por ser um doloroso engano. As suas hipóteses acabaram por estar mais impregnadas de ingenuidade do que a que eles atribuíam às épocas históricas anteriores.

A Ciência Pode Explicar Tudo?

Um olhar sobre o progresso científico com um pouco de perspectiva histórica deixa-nos espantados com a rapidez com que as máquinas são ultrapassadas e vão parar nos museus. Muitas afirmações das revistas científicas atuais provavelmente serão motivos de riso ou de assombro para as gerações futuras, talvez em menos tempo ainda. A história da ciência adverte-nos, com teimosa insistência, sobre um fato irrefutável: poucas teorias científicas conseguem manter-se em pé, mesmo que por poucos séculos; muitas vezes, só por alguns anos; e em alguns casos, menos ainda. A maioria das afirmações da ciência vai sendo substituída, uma atrás da outra, pouco a pouco, por outras explicações mais complexas e mais fundamentadas dessa mesma realidade. Eram hipóteses tidas como certas durante uma série de anos, ou de séculos, e que um dia se descobre que estão superadas. Umas vezes, são englobadas dentro de teorias mais completas, das quais a antiga hipótese é um corolário ou um simples caso particular. Outras ficaram obsoletas e desapareceram por completo do âmbito científico. A postura própria da ciência experimental deve ser, portanto, extremamente cautelosa nas suas afirmações.

“Uma cilada perniciosa” – escrevia John Eccles pouco depois de ter recebido o Prêmio Nobel pelas suas pesquisas em neurocirurgia – surge da pretensão de alguns cientistas, mesmo eminentes, de que a ciência não demorará a proporcionar uma explicação completa de todas as nossas experiências subjetivas. É uma pretensão extravagante e falsa, que foi qualificada ironicamente por Popper como “materialismo promissório”. É importante reconhecer que, mesmo que um cientista possa manifestar essa pretensão, não se comportaria como cientista, mas como um profeta mascarado de cientista. Isso seria cientificismo, não ciência, embora impressione fortemente os profanos que pensam que a ciência produz de forma incontroversa a verdade. O cientista não deve pensar que possui um conhecimento certo de toda a verdade. O máximo que nós, os cientistas, podemos fazer é chegar mais perto de um entendimento verdadeiro dos fenômenos naturais mediante a eliminação de erros em nossas hipóteses. É da maior importância para os cientistas que apareçam perante o público como o que realmente são: humildes buscadores da verdade”.

Em contrapartida, a imodéstia costuma caminhar a par da ignorância. A auto-suficiência com que alguns falam reflete uma atitude muito pouco científica, pois os cientistas sensatos nunca conferem a categoria de dogma às suas hipóteses. O cientificismo orgulhoso prestou sempre um péssimo serviço ao rigor da verdadeira ciência.

A Razão Precisa da Fé?

O combate que o homem trava contra o mal excede infinitamente os meios da razão e da ciência. É o que demonstram fatos tão atuais como o racismo, a droga ou o alcool. Ou como todos esses terríveis crimes cometidos por totalitarismos ateus sistemáticos e pretensamente científicos ao longo do século XX: desde o genocídio nazista de Hitler até o de Pol Pot no Camboja, passando pelos do lenismo, do stalinismo ou do maoísmo.

O pior é que a maior parte desses crimes em massa foram cometidos em nome de teorias que, na sua época, receberam o aplauso de milhões de pessoas. Foram autênticos infernos fabricados por homens que procuravam um mundo perfeito que se bastasse a si mesmo e já não tivesse necessidade de Deus.

E assim como, lendo Lênin, se podia notar que os direitos do indivíduo não iam ser respeitos num sistema comunista, do mesmo modo, estudando as premissas da Ilustração, viu-se claramente que a Modernidade não atenderia às necessidades globais do ser humano. Não basta a razão para que uma sociedade seja justa, solidária e equilibrada. Para que haja equilíbrio na pessoa e na sociedade, é preciso atender, juntamente com a razão, à vontade e à sensibilidade. A pessoa e a sociedade, devem ter por objetivo procurar o bem, a verdade e a beleza; e isso significa falar de vontade, inteligência e sentimentos; e, por sua vez, de ética, de ciência e de arte. Quando se idolatra um método da inteligência, como é a razão, sem elevar à sua altura a ética e a estética, desenquilibram-se o indivíduo e a sociedade. Esse foi o fracasso da Ilustração.

Fracassou por ter pensado que da razão deriva automaticamente a ética, coisa que se demonstrou falsa ao ser confrontada com a realidade. A razão não pode ser salva pela razão. Isso seria ilusório. Esses crimes demonstram o que o homem pode chegar a fazer. E vimos como a razão não os impediu.

Os ilustrados pensavam que, mostrando ao homem o que é racional, este o adotaria, e a razão seria suficiente para organizar a sociedade. Mas não foi assim. Não basta proclamar o que é racional para que os homens o pratiquem.

O comportamento humano está cheio de sombras e de matizes alheias à razão, que desembestam cada qual por sua conta movendo as molas da vontade e do coração. Reconhecer os perigos que a razão encerra – afirma Jean–Marie Lustiger – é salvar a sua honra. Conceber a razão como a grande soberana, independente do bem que o homem deve procurar, é mais ou menos como pôr-se nas mãos de um computador: é um instrumento muito capaz, processa grande quantidade de dados que toma do exterior, todo o seu desenvolvimento é perfeitamente lógico, mas alguém tem de garantir que está bem programado. A verdadeira fé é um guia insubstituível, pois a razão pode extraviar-se.

Não quero, com isto, menosprezar a razão, antes pelo contrário. A razão é uma das mais nobres capacidades que distinguem a espécie humana, e alegra-nos ver os seus triunfos, bem como conquistas da ciência e a sua luta por construir um mundo melhor. Mas convém nunca esquecer a limitação humana, e igualmente a ordem natural imposta por Deus, que permite ao homem preservar a sua dignidade e evitar erros.

A história está cheia de cadáveres ideológicos, e ninguém acha estranho encontrá-los perfeitamente alinhados quando olha pra trás com a disposiçào de aprender. E, entre eles, espalhados ao longo dos séculos, pode-se ver toda uma legião de profetas que foram anunciando – sobretudo nos últimos duzentos anos – o próximo e definitivo desaparecimento da religião e da Igreja.

No entanto, a história mostra que são precisamente aqueles que, com tanta paixão, lançam essas condenações e essas profecias os que desaparecem uns após outros, enquando a Igreja continua adiante depois de dois mil anos, e a religiosidade continua a ser uma constante em todas as civilizações de todos os tempos.

A Igreja, que presenciou catástrofes que varreram impérios inteiros, testemunha pela sua mera subsistência e força que palpita nela. “Os povos passam – observa Napoleão -, os tronos e as dinastias desmoronam-se, mas a Igreja permanece”. É uma realidade que leva a pensar que o fato religioso faz parte da natureza do homem, e que a Igreja está animada de um espírito que não é de origem humana.

Fonte: É Razoável Crer? Questões Atuais sobre a Fé – AGUILÓ Alfonso – Tradução: Roberto da Silva Martins – Editora Quadrante – São Paulo 2006 – Coleção Vértice; 60.

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- Homossexualidade: Igreja,em documento sobre candidatos ao Sacerdócio,distingue diferenças.

quarta-feira, setembro 23rd, 2009

O número de jovens que entram anualmente para os seminários no Brasil aumentou.

No ano passado,2008, o país ganhou 220 novos sacerdotes – número quatro vezes superior à média de ordenações anuais até o final da década de 90.

O seminário São José, de Niterói (RJ),por exemplo,registra atualmente 92 seminaristas, o maior número de sua história centenária.

A direção do seminário foi forçada a ampliar as instalações para poder abrigar a contínua demanda.

Em todo o Brasil, seminários abarrotados já têm fila de espera de novos candidatos ao sacerdócio por conta da falta de espaço físico para acolher todos os aspirantes à vida religiosa.

“Desde 2000 tem havido uma retomada das vocações. O novo milênio trouxe uma nova religiosidade. As pessoas têm-se voltado mais para Deus”, explicou o padre Reginaldo Lima, da Comissão Episcopal para Ministérios Ordenados e Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Dentro deste crescimento e clareando ainda mais suas orientações o Vaticano publicou ano passado um documento com orientações muito concretas sobre a admissão de novos seminaristas,onde,dentre outros interessantes assuntos,toca nessa questão tão abordada nos últimos tempos pela mídia

Vale a pena você ler o documento TODO, cujo link está abaixo , para entender melhor o contexto da colocação do documento e a esclarecedora entrevista com Padre Richard.

Leia, mesmo!

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/ccatheduc/documents/rc_con_ccatheduc_doc_20080628_orientamenti_po.html

***

O  documento vaticano sobre os candidatos ao sacerdócio e as tendências homossexuais  diferencia entre tendências profundamente arraigadas e as que são expressão de um problema transitório.

Para aprofundar os diversos aspectos relativos a estas tendências e a forma de enfrentá-las, Zenit entrevistou o doutor Richard Fitzgibbons, psiquiatra que contribuiu na redação do documento «Homossexualidade e esperança» (disponível em inglês em cathmed.org/publications/homosexuality.html) da Associação Médica Católica (dos Estados Unidos e Canadá).

Como distinguiria entre pessoas atraídas por outras do mesmo sexo e aquelas que têm tendências homossexuais profundamente arraigadas?

–Dr. Fitzgibbons: As pessoas com tendências homossexuais profundamente arraigadas identificam-se a si mesmas como pessoas homossexuais e são freqüentemente relutantes a examinar os conflitos emocionais que provocaram esta tendência. Apresentam uma forte atração física pelos demais homens e pela masculinidade de outros devido a uma profunda debilidade na segurança masculina.

Estas pessoas, no âmbito sacerdotal, têm uma significativa imaturidade afetiva com excessos de ira e ciúmes com respeito aos homens não homossexuais, uma insegurança que as leva a evitar amizades próximas com tais homens e a uma desordenada necessidade de atenção.

A maior parte destes homens teve na adolescência dolorosas experiências de solidão e de tristeza, sentiram insegurança em sua masculinidade e uma pobre imagem corporal. Alguns estudos de investigação bem realizados demonstraram uma incidência de enfermidades psiquiátricas muito superior naqueles que se identificam como homossexuais.

Submetidos a uma grande tensão, podem também manifestar uma forte atração física e sexual para com os adolescentes, como ocorreu em relação com o período de crise na Igreja. Ao trabalhar com homens heterossexuais, encontram-se com freqüência em dificuldade em situações de colegialidade ou em ambientes de menor formalidade.

Um conflito não resolvido com a figura paterna normalmente é mal manejado como uma rebelião contra o magistério e a doutrina da Igreja sobre a moral sexual. Lamentavelmente, a atitude de rejeição, de defesa e de raiva não os permite abrir-se a buscar a ajuda do Senhor em suas fraquezas emocionais e de comportamento.

As pessoas com tendências homossexuais moderadas não se identificam como homossexuais. Trata-se de homens motivados a identificar e superar seus conflitos emocionais. Normalmente buscam ajuda na psicoterapia e na direção espiritual.

O objetivo da ajuda é tirar à luz conflitos precoces, perdoar a quem os feriu e aumentar sua segurança masculina –um processo que com o tempo pode levar a resolver a atração para com pessoas do mesmo sexo.

Estes homens aceitam e querem viver e ensinar a doutrina da Igreja sobre moral sexual em plenitude. Não apóiam a cultura homossexual, mas a consideram antiética com respeito ao chamado universal à santidade.

Existem testes psicológicos que podem ser úteis para identificar os candidatos com atração homossexual ou com tendências homossexuais profundamente arraigadas?

–Dr. Fitzgibbons: Sim. Existe o «Boy Gender Conformity Scale» –elaborado pela Universidade de Indiana– e o «Clarke Sexual History Questionnaire»: podem identificar com uma precisão de 90% homens com atrações para o mesmo sexo. Também, uma análise profunda das experiências da infância e da adolescência com o pai, com os companheiros homens e com o próprio corpo pode identificar uma homossexualidade profundamente arraigada.

Limitar-se a perguntar ao candidato simplesmente se é heterossexual ou homossexual, como se faz em muitos seminários e comunidades religiosas, não basta.

Que recomendaria no caso de um candidato que apresente atrações para com o mesmo sexo ou demonstre tendências homossexuais?

–Dr. Fitzgibbons: Quando a avaliação revela prováveis atrações para com o mesmo sexo, dá-se a recomendação de empreender o duro trabalho de resolver sua dor emocional com um profissional da saúde mental competente e o diretor espiritual. Depois que a segurança masculina do candidato tenha aumentado significativamente e já não tenha atração homossexual, poderia voltar a solicitar o ingresso no seminário.

Em nossa experiência clínica, aqueles com tendências homossexuais profundamente arraigadas carecem de uma compreensão das origens de seus conflitos e da possibilidade de curar. Muitos destes homens também se comprometem a trabalhar em seus conflitos emocionais.

O que recomendaria no caso de seminaristas que têm atrações para com o mesmo sexo ou demonstram tendências homossexuais ou uma imaturidade afetiva significativa?

–Dr. Fitzgibbons: Dada a presente crise na Igreja, com 80% dos casos de abuso que são de natureza homossexual relativos a homens adolescentes, os seminaristas e aqueles que se encontram em formação nas comunidades religiosas que tenham atrações para o mesmo sexo têm uma grave responsabilidade de proteger a Igreja de mais escândalos e sofrimentos.

Deveriam tentar compreender e resolver seus conflitos emocionais com um profissional da saúde mental qualificado e um diretor espiritual.

Os seminaristas com atitudes afeminadas –um sinal claro de grave imaturidade afetiva– freqüentemente, em sua infância, não foram capazes de identificar-se com a figura paterna e com seus contemporâneos. Podem-se beneficiar da terapia para eliminar os comportamentos afeminados e fortalecer seu apreço pela masculinidade que receberam de Deus, a fim de que possam se converter em verdadeiros pais espirituais.

Os seminaristas com tendências homossexuais profundamente arraigadas deverão falar de seus conflitos honradamente com seu diretor espiritual e tomar como guia o recente documento da Igreja. Nos últimos 30 anos, vimos muitos jovens superar estas tendências no momento em que se introduziu um elemento espiritual em seu plano de tratamento, assim como sucede no tratamento da toxicomania.

A pesquisa realizada pelo Dr. Bob Spitzer, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Columbia University, deu esperança a muitos jovens sobre a cura de seus conflitos emocionais.

Quais são os principais temas emocionais e de caráter que considera que se devem enfrentar nos programas de formação humana dos seminários?

–Dr. Fitzgibbons: Segundo um estudo nacional de 2005, 28,8% dos americanos padecerão transtornos de ansiedade no curso de sua vida, 24,8% transtornos de impulsividade e 20,8% transtornos de humor.

A origem mais freqüente destes transtornos emocionais nos homens surge de uma falta de proximidade e de afirmação na relação com a figura paterna e com os contemporâneos. Estes conflitos emocionais geram fraqueza na segurança masculina, tristeza, solidão, raiva e com freqüência um desprezo do próprio corpo. Também, os filhos de famílias divorciadas apresentam maior problema de confiança.

A principal fraqueza de caráter em nossa cultura é a do egoísmo, que é um obstáculo maior para a doação de uma pessoa em toda vocação.

Um bom exame psicológico e uma anamnese profunda poderiam identificar vários tipos de dor emocional que o candidato poderá enfrentar em sua vida espiritual com seu diretor espiritual, e, se for necessário, com um profissional da saúde mental qualificado. As conferências para seminaristas sobre o tema do crescimento na maturidade afetiva e na doação de si mesmo podem ser úteis para a identificação e a resolução dos conflitos que interferem na maturidade afetiva.

Que critérios indicariam que um seminarista alcançou maturidade afetiva?

–Dr. Fitzgibbons: Por minha experiência profissional, o maior indicador de maturidade afetiva de toda vocação é a sã e equilibrada doação de si mesmo, que compreende a capacidade de acolher a Deus e os demais.

A maturidade afetiva demonstra-se também pela capacidade de dirigir as tensões emocionais mais comuns, como a ansiedade, a fraca confiança, a ira, a solidão e a tristeza. A ansiedade pode ser superada com o crescimento na confiança; a ira com o crescimento na virtude do perdão, e a solidão ou a tristeza com o crescimento na capacidade de receber o amor de Deus e de outros de uma forma normal, e de doar-se.

Pode ser oportuno, também, fazer emergir e enfrentar os conflitos da infância e da adolescência. Desta forma, um compromisso para crescer em numerosas formas é necessário para o desenvolvimento de uma personalidade sã.

Como os diretores espirituais podem ajudar os seminaristas ou os sacerdotes que experimentam atração para com o mesmo sexo?

–Dr. Fitzgibbons: Os diretores espirituais podem ajudar os seminaristas e os sacerdotes compreendendo que as atrações para com o mesmo sexo se podem tratar e que não estão geneticamente predeterminadas. Podem alentar os seminaristas e os sacerdotes a enfrentar seu sofrimento emocional com a ajuda do Senhor, em particular sua solidão.

Os diretores espirituais que se comprometem ativa e honestamente na oração de cura interior, e que podem ajudar a fazer eficazes as graças de cura, através da regra para o discernimento espiritual de Santo Inácio de Loyola, podem facilitar o processo de cura.

A nova Instrução do Vaticano afirma que as tendências homossexuais que forem só a expressão de um problema transitório, como por exemplo o de uma adolescência ainda não terminada, devem ser claramente superadas ao menos três anos antes da Ordenação diaconal. O que opina a respeito?

–Dr. Fitzgibbons: Na minha opinião, esta declaração significa que não é suficiente para um seminarista ser casto durante três anos. Também deve primeiro conhecer-se a si mesmo, isto é, compreender seus conflitos emocionais que ocasionam atrações para com o mesmo sexo e ter trabalhado para resolver esses conflitos.

A castidade por três anos não é suficiente porque, nos momentos de maior tensão no ministério sacerdotal, os problemas não resolvidos de solidão, isolamento ou insegurança derivados do período da adolescência poderão conduzir a atrações para com o mesmo sexo –inclusive atração para jovens adolescentes–, em um intento inconsciente de fugir do próprio sofrimento.

As descobertas da recente pesquisa do Dr. Robert L. Spitzer e muitos outros estudos clínicos sustentam esta perspectiva de que as tendências homossexuais podem ser transitórias e ser solucionadas.

O que recomenda no caso de sacerdotes que experimentam atrações para com o mesmo sexo ou tendências homossexuais?

–Dr. Fitzgibbons: Recomendaria que se façam mais conscientes das origens emocionais da atração para com o mesmo sexo e da possibilidade de curá-la, além da incidência de graves enfermidades físicas e psiquiátricas associadas à homossexualidade.

Também, visto que segundo o informe do Jay College of Criminal Justice de Nova York 80% dos casos de abuso por parte de sacerdotes referem-se a jovens adolescentes, os sacerdotes com atrações para com o mesmo sexo têm uma grave responsabilidade em proteger a Igreja e os jovens de mais escândalos, coisa que lhes impõe o dever de trabalhar para compreender e resolver suas atrações para com o mesmo sexo. Os jovens adolescentes precisam ser protegidos da agressão homossexual.

Vimos muitos sacerdotes crescer em santidade e em felicidade em seu ministério como resultado da cura da insegurança masculina, da solidão e da ira de sua infância e adolescência e, sucessivamente, de sua atração para com o mesmo sexo. Este processo de cura foi descrito na declaração da Associação Médica Católica, «Homossexualidade e esperança».

Nossa experiência de mais de 25 anos converteu-nos da relação direta entre rebelião e ira contra o ensinamento da Igreja e comportamentos sexualmente promíscuos.

Parece que se trata de um caminho de dupla direção: os que são sexualmente ativos dissentem do ensinamento da Igreja sobre a sexualidade para justificar suas próprias ações, enquanto que aqueles que adotam idéias rebeldes sobre a moral sexual são mais vulneráveis a se fazerem sexualmente ativos porque carecem de defesas contra as tentações sexuais.

Crescer no perdão e na humildade é essencial no tratamento de tais sacerdotes.

De que maneira os bispos e os superiores religiosos podem ajudar seus sacerdotes que apresentam tendências para com o mesmo sexo?

–Dr. Fitzgibbons: Se os bispos alentaram os sacerdotes com tendências homossexuais a seguir terapia apropriada e direção espiritual conforme a doutrina da Igreja, também seriam testemunhas da cura de seus sacerdotes.

Os sacerdotes seriam ajudados se os programas para fazer frente aos momentos de crise não mascararem o papel da homossexualidade nos fenômenos de abuso sobre jovens adolescentes. Em lugar disso, estes programas devem descrever por que os homens adultos podem estar sexualmente atraídos para com adolescentes e como este conflito pode ser resolvido.

Em vista do informe do John Jay College, os bispos deverão considerar proteger os jovens impedindo os sacerdotes com uma homossexualidade profundamente arraigada de ensinar ou desenvolver outros ministérios em escolas, centros superiores e seminários.

Finalmente, os bispos deverão estar alerta de que existem muitos «especialistas» que ignoram a ciência médica ou que estão influenciados pelo «politicamente correto».

O Dr. Paul McHugh, membro do National Review Board da Conferência Episcopal americana (USCCB, por suas siglas em inglês. Ndr), ex-chefe de psiquiatria do Hospital John Hopkins, declarou recentemente: «Surpreende-me o fato de que esta bomba» –o abuso sobre jovens adolescentes– «não tenha sido objeto de maior interesse e debate».

McHugh referiu ao «National Catholic Register» que estava «assombrado pelo fato de que as pessoas por todos os Estados Unidos não estivessem falando disso, nem estivessem refletindo, perguntando-se pelos mecanismos que o geraram».

Existe toda razão para esperar que, com este novo documento, a Igreja progredirá na necessária via da purificação descrita por João Paulo II em seu encontro de abril de 2002 com os cardeais e bispos a propósito da crise.

Fonte : Zenit

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Lei Geral das Religiões.Acordo outrora criticado,agora assumido

quarta-feira, setembro 16th, 2009

Logo após votar o texto do acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé, de interesse dos católicos, os deputados aprovaram  o projeto batizado de Lei Geral das Religiões, de agrado dos evangélicos.

É uma cópia do acordo entre Brasil e Vaticano, apenas com substituição da expressão Igreja Católica por instituições religiosas. Ambos têm os mesmos 19 artigos.

A lei geral proposta vale para todas as religiões, inclusive a católica.

O acordo com o Vaticano cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil e foi motivo de polêmica com os evangélicos desde o envio ao Congresso, no fim de 2008. Seus opositores acusaram o governo de privilegiar os católicos e ferir a condição do Brasil de país laico.

Os dois textos asseguram benefícios tanto para a Igreja Católica como para qualquer outra religião, como a proteção ao patrimônio e aos locais de culto, aos símbolos, imagens e objetos culturais; assegura assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, assistência social e educação; imunidade tributária; e garante o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental.

Único partido a votar contra os dois textos, o PSOL anunciou que irá à Justiça para anular a aprovação da Lei Geral.”

Fonte: O Globo

***

O cerne do problema do Estado Laico não tem nada a ver com este acordo, e sim com as palavras que Bento XVI dirigiu aos juristas católicos italianos em 2006, que – mesmo sendo extensas – peço licença para reproduzir:

Na realidade, hoje a laicidade é geralmente entendida como exclusão da religião dos vários contextos da sociedade e como sua relegação para o âmbito individual.

A laicidade expressar-se-ia na total separação entre o Estado e a Igreja, não tendo esta última qualquer título para intervir a propósito de temáticas relativas à vida e ao comportamento dos cidadãos; a laicidade comportaria até mesmo a exclusão dos símbolos religiosos dos lugares públicos, destinados ao desenvolvimento das funções próprias da comunidade política:  dos escritórios, escolas, tribunais, hospitais, prisões, etc.

Com base nestes múltiplos modos de conceber a laicidade, hoje fala-se de pensamento laico, de moral laica, de ciência laica e de política laica. Com efeito, no fundamento de tal concepção há uma visão arreligiosa da vida, do pensamento e da moral:  ou seja, uma visão em que não há lugar para Deus, para um Mistério que transcenda a razão pura, para uma lei moral de valor absoluto, em vigor em todos os tempos e em cada situação.

Somente se nos dermos conta disto, poderemos medir o peso dos problemas subjacentes a um termo como laicidade, que parece ter-se tornado como que o emblema qualificador da pós-modernidade, de modo particular da democracia moderna.

Então, compete a todos os fiéis, de forma especial aos crentes em Cristo, contribuir para elaborar um conceito de laicidade que, por um lado, reconheça a Deus e à sua lei moral, a Cristo e à sua Igreja o lugar que lhes cabe na vida humana individual e social e, por outro, afirme e respeite a “legítima autonomia das realidades terrestres”, significando com esta expressão como confirma o Concílio Vaticano II que “as coisas criadas e as próprias sociedades têm as suas próprias leis e valores, que o homem gradualmente deve descobrir, utilizar e organizar” (Gaudium et spes, 36).

Esta autonomia é uma “exigência… legítima:  não só é reivindicada pelos homens do nosso tempo, mas corresponde à vontade do Criador.

Com efeito, é pela virtude da própria criação que todas as coisas estão dotadas de consistência, verdade e bondade, de leis próprias e de uma ordem que o homem deve respeitar e reconhecer os métodos próprios de cada uma das ciências e técnicas” (Ibidem). Se, ao contrário, com a expressão “autonomia das realidades temporais” se quisesse dizer que “as coisas criadas não dependem de Deus, e que o homem pode usá-las de tal maneira que não as refira ao Criador”, então a falsidade desta opinião não poderia passar despercebida a quem quer que acredite em Deus, nem à sua presença transcendente no mundo criado (cf. ibid.).”

Estas são as questões fundamentais que não podem ser negligenciadas, esta é a diferença entre as autonomias legítimas e a Fé Irreligiosa institucionalizada que, hoje em dia, querem a todo custo impôr.”

Comentário: Jorge Ferraz


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Epidemiologista francês respalda Papa sobre preservativo

quarta-feira, setembro 16th, 2009

Para René Ecochard, professor de medicina, epidemiologista, chefe do serviço de bioestatística do Centro Hospitalar Universitário de Lyon, “as palavras de Bento XVI sobre o preservativo são simplesmente realistas”.

Este é, de fato, o título de um documento que assinou em abril passado, após a viagem pontifícia à África (de 17 a 23 de março) e a polêmica lançada por meios de comunicação ocidentais sobre as declarações do Papa sobre o preservativo.

Entrevistado pelo jornal francês La Manche Libre, o professor Ecochard lamentou “a falta de realismo” que se dá “nesta questão que é prisioneira da ideologia”. Parece algo como “se a opinião perdesse seus pontos de referência quando enfrenta as questões da sexualidade e da família”.

René Ecochard considera que “se deu um erro de compreensão na opinião pública”. “As pessoas acreditaram que o Papa falava da eficácia do plástico, do preservativo, quando na realidade falava das campanhas de difusão do preservativo. Isto é muito diferente”.

“Da mesma forma que todo objeto tecnológico de prevenção, o preservativo tem uma eficácia quantificada”, afirma. Mas, “o problema não está aí: todos os epidemiologistas concordam hoje em afirmar que as campanhas de difusão, nos países em que a proporção das pessoas afetadas é muito elevada, não funcionam”.

“Se o preservativo funciona quatro de cada cinco vezes”, isto pode ser suficiente “quando a Aids não está estendida”. “Mas em um país em que 25% dos jovens de 25 anos estão afetados (Quênia, Malaui, Uganda, Zâmbia), isto não é suficiente”. “O fracasso desta forma de prevenção é uma realidade epidemiológica”.

“Rodeado de especialistas, bem informado pela Academia de Ciências de Roma, o Papa dominava perfeitamente esta questão antes de ir para a África”, acrescenta.

Na entrevista, René Ecochard se detém em particular sobre o caso de Uganda, o único país “em que o número dos enfermos foi dividido por três na idade de 25 anos”. “Além da campanha sobre o preservativo, este país realizou uma ampla campanha baseada no tríptico ABC (abstinência, fidelidade, castidade ou preservativo)”.

“O casal presidencial, os grupos religiosos, as escolas, as empresas… todo mundo apoiou esta campanha, freando a Aids, que será combatida se cada um buscar ter atitudes sexuais conformes às tradições familiares”, explicou.

“Pode ser que não seja fácil reproduzir isto de um país ao outro, mas hoje, é a única esperança”, acrescenta o epidemiologista francês.

Hoje, “mais de 60% dos cientistas estão a favor das campanhas ABC”, declarou, recordando que é a política adotada por ONUSIDA.

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As Atuais Perseguições Anticatólicas

terça-feira, setembro 1st, 2009

As Atuais Perseguições Anticatólicas

Assassinatos, seqüestros, torturas, escravidão, tráfico de mulheres e meninos, perseguições de toda sorte, “conversões” forçadas etc.: uma autêntica guerra religiosa movida contra Nosso Senhor Jesus Cristo e Sua Igreja está em curso!

Entretanto, a mídia internacional dirige seus potentes holofotes seletivamente sobre certos acontecimento e não focaliza essa imensa tragédia ocorrida nos presentes dias.

No limiar do terceiro milênio vai se tornando cada vez mais dramático o fenômeno da perseguição religiosa contra os cristãos, que faz lembrar a fúria persecutória e a crueldade do Império Romano pagão. O que pode causar surpresa para quem, na relativa tranqüilidade reinante no Ocidente, já viu desaparecer os terríveis flagelos do nazismo e até certo ponto, do comunismo soviético, considerando-se  por isso,  quiçá, ao abrigo de outros horrores. Entretanto, acaba sendo posto diante de uma realidade carregada de dor na “aldeia global”.  Nesta, tudo quanto ocorre de significativo provoca profundas repercussões, a médio ou a longo prazo, um pouco por toda parte.

A Agência Fides, que depende do Dicastério vaticano da Propaganda Fidei, afirma: “No mundo de hoje há mais de 200 milhões de cristãos perseguidos e mais de 400 milhões discriminados por causa de sua fé. Os responsáveis por isso são 70 Estados nos quais impera um regime ateu (China, Vietnã, Cuba, Laos, Coréia do Norte), ou um crescente fundamentalismo (Sudão, Paquistão, Egito, Índia, Indonésia, Arábia Saudita…)”

Entenda-se aqui como fundamentalismo não somente o islâmico mas também o hinduísta.

Inércia em face da  perseguição anticristã

Caroline Cox, uma cidadã inglesa empenhada na libertação dos escravos cristãos subjugados pelos fundamentalistas muçulmanos, especialmente no Sudão, apresenta a seguinte questão: “Quando uma parte do Corpo de Cristo sofre, todo o corpo sofre. Por isso, gostaria de perguntar a todos os irmãos que estão vivendo na paz e na tranqüilidade…: quanto fazem pelos irmãos perseguidos?” .

O semanário parisiense “Marianne”, em interessante matéria intitulada “O Novo Martírio dos Cristãos”, assim descreve a passividade do Ocidente diante desses fatos: “Em meio ao rumor natalino, silêncio a respeito dos cristãos do Paquistão, da Índia, da Arábia Saudita, do Vietnã, da China, do Sudão, que são agredidos, aprisionados, liquidados. Entre as guirlandas do Ocidente, silêncio sobre essas catacumbas. Devido a um certo militantismo superficial, o martírio deles não vale uma missa. Eis o motivo: são cristãos”.

Católicos sudaneses, vítimas de islamização forçada

Todo o mundo tomou conhecimento do drama dos kosovares em dispersão. Entretanto, quantos estão a par do que vem acontecendo com os católicos no Sudão?

“Milhares de refugiados, que tinham construído uma aldeia às portas da capital sudanesa, foram obrigados a se deslocar para uma zona desértica, privada de qualquer estrutura. Isto aconteceu na periferia de Hajj Yussef, poucos quilômetros a nordeste de Cartum, uma área na qual se encontravam 150 a 200 mil pessoas, quase todas fugitivas da guerra no Sul do Sudão… A Igreja local havia criado um centro polivalente, no qual os jovens eram alimentados, ensinava-se o Catecismo, celebrava-se a Eucaristia. Com efeito, a maior parte dos refugiados de Hajj Yussef era cristã. As crianças que freqüentavam as escolas da Arquidiocese eram pelo menos 10 mil… Os habitantes de Hajj Yussef foram coagidos a evacuar o local, cada vez mais empurrados rumo ao deserto. O caso de Hajj Yussseff não é o primeiro  e, segundo a Agência Fides, ‘essas medidas atingem sempre um ou mais centros  cristãos’” .

É preciso dizer que a guerra no Sudão meridional, que obriga esses infelizes a se refugiarem alhures, não é um mero conflito tribal, mas corresponde a uma política radicalmente islamizante seguida pelo governo. O cérebro do regime de Cartum , o xeque Hassan El Tourabi, enunciou com eloquência o credo que anima essa perseguição: “A era do Cristianismo acabou-se. O século 2000 é a era do Islã”.

Há no Sul do Sudão três milhões e meio de cristãos, dois terços dois quais  são católicos. Os Baggara – uma tribo islamizada, explica a Fides, e não originária do Sudão, que combate a Sudoeste do país “como quinta coluna do exército islâmico” – estão equipados com armas modernas que lhes permitem “liquidar o gado, destruir as aldeias, matar pessoas”, sendo “também responsáveis pelo tráfico de escravos, rapazes e moças, que são vendidos nos mercados do Norte e do Oriente Médio como servos e prostitutas”. Segundo as fontes da Fides, “trata-se de um inconfundível genocídio étnico”.

Apesar das promessas governamentais de buscar o estabelecimento da paz nessa área, “há 17 anos que se exalta de maneira extremista uma guerra santa para transformar o Sudão numa nação árabo-islâmica. …. A  máquina da islamização vai para a frente de modo imperturbável: aqueles que resistem são exterminados; as moças são raptadas e vendidas como concubinas para os muçulmanos; os meninos da rua, órfãos, são recolhidos em campos especiais de reeducação e são islamizados. Ao mesmo tempo, a economia está no extremo limite” .

A mencionada cidadã inglesa, Caroline Cox, fundou uma verdadeira organização internacional destinada a comprar, dos muçulmanos do Norte, os escravos cristãos e restituí-los às suas famílias do Sul. Ela denuncia com veemência por todo o Ocidente a ferocidade do plano islamizante que é levado a cabo pelas autoridades sudanesas, afirmando que a “perseguição aos cristãos atingiu níveis intoleráveis”; e revela que são escravizadas especialmente as crianças, porque “dóceis e fáceis de islamizar”, sendo os jovens encaminhados para os trabalhos mais duros e as moças destinadas ao concubinato.

Católicos indonésios submetidos a ferro e fogo

Depois de anos de massacres na ex-colônia portuguesa de Timor Leste, a perseguição anticatólica dos islamitas estende-se para outras zonas da Indonésia. Recentemente, na ilha de Ambon, nas Molucas, as desordens provocadas pelos muçulmanos tiveram como resultado, segundo as autoridades locais, “um balanço de mais de 105 mortos e 20 mil refugiados que se encontram em alojamentos improvisados. Ao invés disso,  fontes não governamentais falam  de mais de 250 mortos. …. ‘Não obstante a escassez de forças, estamos obrigados a fazer algo pelos que sofrem por causas religiosas ou étnicas’, declarou para Fides Mons. Petrus Mandagi, bispo de Amboina…. Nas desordens de Ambon foi destruída também uma das mais antigas igrejas da Ásia oriental, uma preciosa testemunha cristã, erigida no lugar em que, no ano de 1511, desembarcou São Francisco Xavier” .

Com o eloqüente título “E na Ásia muçulmana, um ano de lutos e destruições”, o “Corriere della Sera” publica em 25-2-99 um artigo sobre essa tragédia, assinado por Marco del Corona: “Os momentos mais selvagens foram os dos choques que, no ano passado, acompanharam a queda de Suharto, senhor da Indonésia: a multidão irada irrompe nas igrejas, saqueia os bairros que as circundam, lincha cristãos ante a  indiferença da polícia… Ontem recebemos a notícia de mais 14 mortes na ilha de Ambon (Molucas), e elas atingem o número de pelo menos 135 em 99, nessa província.

Em 1998, as igrejas destruídas em toda a Indonésia foram 200, tendo sido  ‘apenas’ 50  de 1945 a 1990. E no Timor Leste, a província que desde 1975 reivindica a separação de Jakarta, a fé católica une-se aos sentimentos de independência: temos então uma longa tradição de repressões e massacres”.

E o articulista do “Corriere”, Marco del Corona, conclui: “No prazo de um ano as manifestações de intolerância violenta contra os cristãos marcaram a Ásia muçulmana. São contextos e modalidades diversos, mas um fenômeno em escalada que se soma às matanças de cristãos por obra de fanáticos hindus, na Índia, e a uma mais severa repressão dos católicos fiéis ao Vaticano, na China comunista”.

Índia: em alguns meses, recrudescimento da violência anticatólica

Não existe somente a perseguição em nome do Islã, mas também a que é movida pelo hinduísmo fundamentalista. Tendo-se iniciado há pouco tempo um vagalhão de intolerância hinduísta no estado de Gujarat, estende-se ele agora para outras zonas do país. “No dia 2 de fevereiro, no Bihar, uma escola católica foi apedrejada e dois sacerdotes foram espancados por um grupo de jovens. No dia seguinte, em Baripada, na Orissa, poucos dias depois da matança do missionário australiano Graham Staines, uma freira católica indiana de 35 anos foi agredida e estuprada… No dia 7 de fevereiro, sempre na Orissa, uma jovem cristã de 18 anos …. foi violentada e depois morta com o seu pequeno irmão de 10 anos. O citado serviço de “Marianne” informa-nos que, “em nome de ‘ghar  vaspi’, o retorno às origens, multiplicam-se o assassinato e a  violação coletiva de religiosas”.

Alguns dirigentes cristãos enviaram uma carta ao Parlamento indiano, solicitando-lhe uma intervenção decisiva. Isto ocorreu após um dia de oração estabelecido por muitas Dioceses católicas da Índia, em 21 de fevereiro último. Mons. Alan de Lastic, Arcebispo de Delhi, declarou que o dia de oração foi organizado “para sensibilizar a opinião pública sobre as violências sofridas pela comunidade cristã em Gujart, Orissa, Uttar Pradesh, Bihar e em outros lugares do país” . O mesmo Prelado denunciou que está em curso “uma depuração étnica e religiosa”

O governo federal, que estava  no poder até algumas semanas, era dirigido pelo Bharatiya Janta Party (BJP), o qual por sua vez se inspirava no movimento Rashtriya Swayamsewak Sangh (RSS), criado em 1925 como um “exército religioso”. O RSS é o principal responsável pelo clima de perseguição religiosa, com a eclosão de uma campanha maciça contra a presença cristã na Índia, e pela “visita” em poucos meses a um milhão e meio de casas.

O Fórum Cristão unido pelos Direitos Humanos registrou mais de 150 casos de violência anticristã  desde 1998, quando a coalizão chefiada pelo BJP assumira o poder . Com a queda do governo BJP, os cristãos sentem um alívio … mas não se sabe quanto tempo ele durará.

Juan Miguel Montes

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Ex presidentes mundias criticam a não ordenação de mulheres

segunda-feira, agosto 31st, 2009

Jimmy Carter, Kofi Annan e outros ex-presidentes criticam pesadamente as igrejas cristãs por não ordenarem mulheres

Um grupo de doze ex-líderes mundiais convocados pelo bilionário Richard Branson e Nelson Mandela que se referem a si mesmos como “os Anciões” atacou a Igreja Católica, a Convenção Batista do Sul dos EUA e todas as outras igrejas que se recusam a permitir que mulheres se tornem pastoras, padres ou bispas.

Na campanha dos meios de comunicação em favor dessa iniciativa, o ex-presidente americano Jimmy Carter comenta que ele abandonou os batistas do Sul porque as mulheres são “proibidas de trabalhar como diaconisas, pastoras ou capelãs no serviço militar”.

“Cremos que a justificação de discriminação contra as mulheres e meninas na base da religião ou tradição, como se tivessem sido prescritas por uma Autoridade Mais Elevada, é inaceitável”, diz uma declaração escrita pelos Anciões.

O grupo se descreve como “um grupo independente de eminentes líderes globais” que trabalham juntos para promover a paz e os “interesses comuns da humanidade”, e para lutar contra o sofrimento humano. Além de Mandela e Carter, “os Anciões” incluem o ex-secretário geral da ONU Kofi Annan; a ex-primeira ministra irlandesa e alta comissária de direitos humanos da ONU, Mary Robinson; o arcebispo anglicano Desmond Tutu, que é o presidente do grupo; a ex-primeira ministra da Noruega, Gro Brundtland; e o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso, e outros.

“De forma especial, exortamos os líderes religiosos e tradicionais a darem um exemplo e mudarem todas as práticas discriminatórias dentro de suas próprias religiões e tradições”, diz a nota divulgada.

Carter é o que mais tem tratado desse assunto. Escrevendo numa coluna no jornal inglês Observer, a qual já foi reproduzida em outras publicações, Carter afirma: “Durante os anos da igreja primitiva as mulheres atuavam como diaconisas, padres, bispas, apóstolas, mestras e profetisas. Só foi a partir do quarto século que líderes cristãos dominantes, todos homens, torceram e distorceram as Sagradas Escrituras para perpetuarem suas posições de autoridade dentro da hierarquia religiosa”.

Carter classifica a recusa de ordenar mulheres ao sacerdócio como abuso contra as mulheres, dizendo que a decisão de restringir o ministério aos homens “fornece a base ou justificação para boa parte da geral perseguição e abuso contra as mulheres no mundo inteiro”.

Mas as afirmações de Carter são “ridículas”, diz John Paul Meenan, professor de teologia na Academia Our Lady Seat of Wisdom em Barry’s Bay, Ontário, Canadá. Perguntado acerca da afirmação de Carter de que mulheres eram ordenadas na igreja primitiva, Meenan disse para NPF: “Não há absolutamente nenhuma evidência disso”, acrescentando que não há também evidência de que em algum ponto a Igreja decidiu “não permitir” mulheres no clero, como afirma Carter. “Portanto, Jimmy Carter precisa apresentar evidência de que havia mulheres bispas, padres e diaconisas na igreja primitiva, e posso lhe dizer que isso nunca vai acontecer, pois não há evidência”.

O que vemos nas Escrituras é que Cristo ordenou apenas homens ao sacerdócio, os Apóstolos. E mesmo nos livros escritos depois do Evangelho… principalmente os de São Paulo, mas os outros livros, a evidência esmagadora das Escrituras é que só homens eram sacerdotes. Nunca houve nenhuma evidência de que mulheres eram sacerdotes ou diaconisas, muito menos bispas. Isso é simplesmente ridículo”.

Muitos dos “Anciões” falam contra o que eles consideram discriminação religiosa contra as mulheres em vídeos produzidos para a campanha. O ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso diz em seu vídeo, “a idéia de que Deus está por trás da discriminação é inaceitável”.

Além disso, Mary Robinson descreve o que ela percebe pode ser o efeito da religião e tradição na vida das mulheres. “Elas são submissas”, diz ela. “Para serem aprovadas por Deus elas têm de aceitar o papel delas”.

No entanto, Meenan contesta a noção de que um sacerdócio masculino “discrimina” contra as mulheres. “Não há nada de discriminatório acerca de [Deus escolhendo homens para atuarem como sacerdotes]”, disse ele. De acordo com a Igreja, “O sacerdócio é tipo de uma analogia sobrenatural da distinção homem/mulher. Isso não é discriminatório. É apenas uma distinção natural e sobrenatural, mostrando o que significa ser homem e mulher”.

Meenan explicou que a Igreja vê o sacerdócio como “uma continuação da obra da encarnação de Cristo em Sua humanidade” e “já que Cristo veio como homem continuamos o sacerdócio na linhagem masculina”.

A Igreja Católica tem sido um dos mais firmes e declarados defensores do sacerdócio masculino, mas a Igreja também sustenta que seu ensino de fato promove a dignidade das mulheres, em que a Igreja está passando adiante a tradição religiosa que Cristo entregou.

De acordo com o professor Meenan, o Cristianismo tem de receber o crédito por promover a dignidade das mulheres. “É a Igreja que invariavelmente melhorou a sorte das mulheres nas terras que se convertiam e se tornavam cristãs”, disse ele. “As desordens que se infiltraram (a subjugação das mulheres, etc.) eram apenas isso: desordens, e nunca eram parte do ensino da Igreja”.

O falecido Papa João Paulo II confirmou o ensino da Igreja acerca da ordenação masculina, mas ao fazer isso ele também se tornou defensor do que ele chamava a verdadeira plenitude da dignidade das mulheres. Em sua carta apostólica de 1994 Ordinatio Sacerdotalis acerca do sacerdócio masculino, o Santo Padre João Paulo II declarou que “a Igreja não tem absolutamente nenhuma autoridade para conferir ordenação sacerdotal às mulheres”, porque essa tradição foi dada pelo próprio Cristo.

Ao limitar o sacerdócio aos homens, ele escreveu, Cristo “exerceu a mesma liberdade com a qual, em toda a sua conduta, ele frisou a dignidade e a vocação das mulheres, sem se sujeitar aos costumes da moda e às tradições sancionadas pelas leis da época”.

A presença e o papel das mulheres na vida e missão da Igreja”, escreve ele, “embora não ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem absolutamente necessários e insubstituíveis”.

Fonte: Notícias Pró-Família

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O celibato Sacerdotal.Você o entende?

domingo, agosto 30th, 2009


Tem muito católico que não entende bem o celibato sacerdotal e, às vezes, faz coro com os não católicos que criticam esse maravilhosso dom da Igreja para o mundo.

O artigo abaixo,bem fundamentado,dará uma maior consistência para nossa compreensão deste dom Divino e poderá ajudar aqueles que criticam sem saber de fato do que se trata.

Se conhecessem bem,defenderiam.

***

Gercione Lima

Vamos explicar a doutrina sobre o celibato, doutrina essa que não depende do que “acham”, ou do que “dizem”, ou do que “querem”, mas que promana da Escritura e da Tradição multissecular da Igreja.

ANTIGO TESTAMENTO

Orígenes, comentando as diversas ordens de ornamentos sacerdotais judaicos (Êxodo. 39 e Lev. 8), nota que os sacerdotes da Antiga Lei só eram obrigados a guardar continência durante o tempo em que estavam de serviço no Templo.

São Sirício, Papa (ano 385) referindo-se a alguns padres que se casaram, baseando-se no proceder do sacerdote judeu que se casava, diz: “Diga-me agora, seja quem for que siga a libertinagem, porque avisava o Senhor aos que entregou a Arca da Aliança, dizendo: “Sede santos porque eu, o vosso Senhor e Deus, sou santo”. Por que queria vê-los afastados de suas casas no ano de seu turno de sacrifícios, senão para que não exercessem comércio carnal com suas mulheres?… Nós somos obrigados à castidade desde o dia de nossa ordenação, para sermos agradáveis a Deus nos sacrifícios cotidianos…”

Ora, se Deus mandava, no sacerdócio figurativo, que era o do Antigo Testamento, que o sacerdote guardasse continência enquanto estivesse de serviço no Templo, o Sacerdote do real Sacerdócio de Cristo deve guardá-lo sempre, porque este está sempre, todos os dias, de serviço, exercendo o seu divino ministério no Templo do Senhor, e em verdadeira, real, direta e imediata comunicação com Ele.

NOVO TESTAMENTO

Mas, na verdade, quem instituiu o celibato foi mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Se a lei do celibato eclesiástico, que encontramos em todo o mundo cristão durante o Império Romano no século IV, não se explica de nenhum modo senão pelo exemplo dos Apóstolos, a continência perfeita dos Apóstolos não se explica, por sua vez, sem os exemplos, em primeiro lugar do Precursor, São João Batista, do qual alguns Apóstolos haviam sido discípulos, e principalmente sem o exemplo e as palavras do próprio Jesus, exortando os seus discípulos ao celibato e a tudo deixar, mesmo suas esposas, pelo amor do Reino dos Céus.

Com efeito, Jesus Cristo deu o grande conselho evangélico da castidade perfeita, proclamando a virgindade por amor do Reino do Céu como estado de perfeição. Mas Ele avisou: “Nem todos são capazes desta resolução, mas somente aqueles a quem isto foi dado”. Que resolução? Ficar virgens “por amor do Reino dos Céus” (S. Mateus 19, 11-13)

São Paulo levou vida celibatária e recomendou-a, como Nosso Senhor: “Eu quero que sejais como eu mesmo… Digo também aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom permanecerem assim, como também eu…”(I Cor. 7, 7-8). A virgindade acrescenta ele, é preferível ao matrimônio por ser o estado mais alto. O cristão está assim mais disposto para servir a Deus, para ser santo “no corpo e no espírito”. “O que está sem mulher está cuidadoso das coisas que são do Senhor, de como há de agradar a Deus. Mas o que está com mulher está cuidadoso das coisas que são do mundo, de como há de dar gosto à sua mulher, e anda dividido”(I Cor. 7, 32-33).

É evidente que isso não é para todos, mas, como disse Nosso Senhor, para aqueles a quem foi dado compreender.

NA TRADIÇÃO

Assim alicerçado e exaltado nas Sagradas Escrituras, o celibato voluntário começou a ser fielmente praticado por toda a parte na medida em que o Cristianismo ia se difundindo, conforme o testemunho dos Santos Padres e Escritores Eclesiásticos dos primeiros séculos.

Embora ainda não houvesse leis canônicas escritas, segundo tudo o que já foi visto, é dedução lógica concluir que os Apóstolos estabeleceram que não se recrutassem membros do clero superior (sacerdócio) senão dentre “os que puderem compreender” (qui potuerunt capere).

Dado que se trata de uma obrigação de tal modo contrária às paixões humanas, não era mister que essa disciplina, essa lei não escrita, proviesse dos próprios Apóstolos? Quem teria autoridade suficiente para impô-la? Mesmo a simples vontade de impô-la teria fracassado.

Na verdade, quem seria levado a acreditar que, se os próprios Apóstolos tivessem dado o exemplo do casamento e o tivessem aconselhado aos primeiros bispos, presbíteros e diáconos da Igreja, se haveria ao menos cogitado no celibato ou na perfeita continência como uma exigência, como uma obrigação, como uma lei reconhecida por todos, no século IV?

Assim, o Concílio de Cartago, no ano 390, a propósito do celibato ou continência perfeita dos bispos, sacerdotes e diáconos e de “todos os que servem os Santos Mistérios” diz, pela boca de Genésio, Bispo de Cartago, presidente do Concílio: “Ut quod apostoli docuerunt et ipsa observavit antiquitas, nos quoque custodiamus – a fim de que nós também guardemos o que os Apóstolos ensinaram e o que a própria antiguidade observou” (Mansi T. 3, col. 692).

E, antes ainda, o primeiro Concílio cujos cânones nos foram conservados, o Concílio de Elvira, entre 300 e 305, nos revela a lei do celibato existente para os bispos, sacerdotes e os diáconos. Diz assim o cânon 33 do Concílio de Elvira: “Determinou-se unanimemente estabelecer a proibição de que os bispos, os sacerdotes e os diáconos, isto é, todos os clérigos constituídos no ministério, se abstenham de esposas, e não gerem filhos: e, aquele, quem for que seja, que o tenha feito seja declarado decaído da honra da clericatura” (Mansi, T. 3, col 11).

Os cânones deste concílio são de extrema severidade. Diz, por exemplo o cânon 19: “Os bispos, sacerdotes e diáconos constituídos no ministério, se for descoberto serem adúlteros, tanto por causa do escândalo como do crime de profanação, não devem ser recebidos na comunhão (perdoados da excomunhão), mesmo no fim de sua vida“.

O primeiro Papa do qual algumas cartas decretais nos foram conservadas, São Sirício (384-399), nos revela igualmente essa lei existente, não escrita, do celibato. Falando a respeito do celibato assim se exprime: “Não que sejam novos os preceitos impostos, mas desejamos que sejam observados os que foram desleixados em razão da covardia e do abandono de alguns preceitos que, entretanto, foram estabelecidos pela ordenação dos Apóstolos e dos Padres“. (P. L.- T. 13, col.1155).

O Concílio Ecumênico de Nicéia (325), no seu cânon 3, reza: “O Santo Sínodo declara que não permite de maneira alguma nem ao bispo, nem aos sacerdote, nem ao diácono, nem absolutamente a qualquer membro do clero ter em sua casa uma mulher que lhe seja estranha, mas somente a mãe, ou uma irmã, ou uma tia. Porque em relação a essas pessoas e outras semelhantes não há nenhuma suspeita. Aquele que age diferentemente arrisca perder sua clericatura.” São Jerônimo resume tudo o que foi dito, escrevendo “ad Pammachium”, no ano 392: “Cristo é virgem, virgem é Maria; mostraram a cada um dos sexos a preeminência da virgindade. Os Apóstolos são ou virgens, ou após o casamento, continentes. Escolhem-se para bispos, sacerdotes e diáconos, quer virgens, quer viúvos, ou pessoas que em todo caso, depois do sacerdócio, observam para sempre a continência“.

E Santo Agostinho comentando o Concílio de Elvira, arremata: “O que a Igreja Universal mantém e não foi instituído por Concílios, mas o que sempre se observou, crê-se ter sido transmitido, sem nenhum perigo de erro, pela autoridade apostólica.”

Fica, portanto, destruída a falsa tese, constantemente repetida, de que a Igreja teria inventado o celibato eclesiástico no século IV, no Concílio de Elvira. De modo algum! Ele teve origem nos Apóstolos que o receberam de Nosso Senhor Jesus Cristo.

TRADIÇÃO PERENE, APESAR DAS FRAQUEZAS…

No século VIII e principalmente nos séculos X e XI, houve uma grande decadência do clero com relação ao celibato. Escândalos e concubinato por toda a parte, e boa parte disso favorecido pelo caso das investiduras, já que o poder secular tinha em suas mãos quase todas as nomeações de bispos e curas. Os benefícios eram oferecidos a quem mais oferecesse. A reação veio com São Gregório VII, que foi Papa entre 1073 e 1085. Ele fez tudo para restabelecer a disciplina do celibato eclesiástico. Tratou como nulos os casamentos dos clérigos maiores e os tratou com rigor. O Papa Calixto II, no Concílio de Latrão, 1123, declarou como oficialmente nulos tais casamentos.

O Concílio de Trento reforçou a nulidade destes casamentos e criou os seminários, escolas de meninos para serem uma perpétua “sementeira”(seminário) de ministros para o serviço de Deus. O Código de Direito Canônico de 1917 estabelece: “Os clérigos constituídos nas ordens maiores não podem se casar validamente (c. 1972)”. “Os clérigos constituídos nas ordens maiores não podem casar-se e são obrigados a guardar a castidade a tal ponto que aqueles que pequem em relação a isso são também culpados de sacrilégio”. “Os clérigos menores podem casar-se, mas decaem de pleno direito do estado clerical”.

OBJEÇÕES E RESPOSTAS

  1. Não diz São Paulo que os Bispos e Diáconos devem ser casados: homens de uma só esposa (I Tim. 3,2 e 12; Tit. 1,6)?

R. As aludidas palavras de São Paulo não querem dizer que os bispos e diáconos “devam” ser casados, pois ele é o primeiro que não o era; querem sim, dizer que não devem ser sagrados bispos nem ordenados diáconos que tiverem casado duas vezes. “Homens de uma só esposa”: São Paulo repete três vezes esta mesma expressão estereotipada. Ele a usa “mutatis mutandis”, quando fala das viúvas escolhidas para o serviço das Igrejas: “mulher de um só marido”(I Tim.5,9)! Trata-se evidentemente de viúvos que não foram casados senão uma só vez, “que tenham sido homens de uma só mulher”, e agora continentes. O que reforça essa explicação é que São Paulo fala cada vez mais dos filhos deles e nunca de suas mulheres, como não fala das mulheres de Tito e de Timóteo, seus discípulos, que eram bispos.

Além do mais, na Epístola a Tito, 1, 8, São Paulo exige que o bispo seja “continens” (em grego, “encratés”), usando o mesmo vocábulo que emprega quando fala dos celibatários e das viúvas em I Coríntios 7,9.

Trata-se portanto de um viúvo de uma só mulher, vivendo, após a ordenação, em continência perfeita. Se na I Coríntios, cap. 7, São Paulo queria que todos os cristãos fossem continentes como ele próprio, a exigência da continência perfeita para os chefes da Cristandade, bispos, sacerdotes e diáconos, vem a ser algo perfeitamente normal.

  1. Mas São Pedro não era casado? (Mat. 8,14)

R. O Evangelho não o diz. Diz só que ele tinha sogra, portanto que poderia estar casado.

São Jerônimo, em seu Tratado contra Joviniano (c. 8,26), julga, pelo contexto de São Mateus (8,15) que a mulher de São Pedro já era falecida quando Jesus lhe curou a sogra; do contrário o Evangelho teria feito menção a ela. No entanto, ele diz apenas que foi a sogra que serviu Jesus e os Apóstolos à mesa.

Além disso, foi São Pedro quem disse a Jesus: “Eis que abandonamos tudo e vos seguimos…”Ao que Jesus respondeu: “Todo aquele que deixar a casa… ou a mulher… ou os campos por causa de meu nome, receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna”(Mateus 19, 27-29).

Quanto aos outros Apóstolos, além de a eles se aplicarem estas palavras acima, Nosso Senhor lhes deu a todos o conselho evangélico da continência perfeita (Mat. 19,12) e o Evangelho jamais menciona “suas mulheres”.

  1. Considerando a fraqueza humana, o celibato não seria impossível?

R. O Concílio de Trento responde que Deus não recusa este dom da castidade àqueles que o pedirem, como também não permite que sejamos tentados acima de nossas forças.

Além do mais, a celebração cotidiana do Sacrifício da Santa Missa e a recitação diária do Ofício Divino, a freqüente meditação das verdades eternas, as consolações do apostolado, o contínuo contacto com os enfermos e moribundos… tudo isso auxilia amplamente o sacerdote na fidelidade aos seus votos. Cabe ainda ressaltar que ele não foi escolhido de súbito para o Sagrado Ministério. Só depois de longos anos de seminário, observado pelos superiores, só depois de superada a idade das paixões, ele sentiu-se maduro, com forças e vontade para as dominar no futuro como já as dominara até o presente. Quem não sabe o que quer e o que suporta aos 24 anos, não o saberá nunca e aquele que põe a mão no arado e olha pra trás não é apto para o Reino de Deus. (Lucas 9,62)

RAZÃO DO CELIBATO

Vejamos o que nos diz o Papa Pio XII em sua Encíclica “Menti Nostrae”: “É precisamente porque ele deve ser livre de todas as preocupações profanas e consagrar-se totalmente ao serviço de Deus, que a Igreja estabeleceu a lei do celibato, a fim de que seja sempre mais manifesto a todos que o Sacerdote é ministro de Deus e pai das almas“.

Por esta obrigação do celibato, muito longe de perder inteiramente o privilégio da paternidade, o sacerdote o aumenta ao infinito, porque, embora não suscite posteridade nesta vida terrestre e passageira, engendra uma outra para a vida celeste e eterna“.

Outrossim, neste fim de século XX, neste mundo degradado e imoral, no qual a sensualidade e a devassidão dominam tudo, é mais do que oportuno mostrar o heroísmo do celibato eclesiástico em toda a sua pureza, para servir de barreira e como exemplo, ao invés de tentar atenuá-lo e ofuscar-lhe o brilho.

SENTIDO REAL DO CELIBATO SACERDOTAL

(Segundo Pe. Gregoire Celier, publicado na FIDELITER, março 1985)

“Sacerdos alter Christus”(O sacerdote é um outro Cristo). Tal é o princípio fundamental que esclarece e explica o Sacerdócio Católico. O Sacerdócio de Cristo é único e definitivo, e o sacerdócio dos homens, o sacerdócio ministerial (etimologicamente, sacerdócio dos servidores) é uma participação real no sacerdócio soberano. Portanto, o próprio Cristo é o modelo, ao qual todo padre deve se conformar intimamente, para que seu sacerdócio participado detenha toda a sua verdade.

Ora, é digno de nota que Jesus Cristo, num mundo em que o celibato era quase desconhecido, senão maldito, durante toda a sua vida permaneceu no estado de virgindade.

Esta virgindade significa nEle a consagração total e sem reservas a seu Pai: todas as suas energias, todos os seus pensamentos, todas as suas ações pertenciam a Deus. É por esta consagração total, (que em Jesus chegou até à união hipostática, em que a natureza humana não se pertence mais a si mesma, mas pertence diretamente à pessoa do Verbo,) que Cristo foi constituído Mediador entre o Céu e a Terra, entre Deus e os homens, ou seja: sacerdote. Assim a virgindade significa e realiza a consagração, essência deste sacerdócio de Cristo: em outras palavras, a virgindade de Jesus decorre do seu Sacerdócio e lhe está intimamente ligada. O padre (homem), participante do sacerdócio de Cristo, participa portanto igualmente da sua consagração total a Deus e, em conseqüência, da sua virgindade. O celibato consagrado do padre é, portanto, uma união íntima e cheia de amor com a virgindade de Jesus, sinal de sua total consagração ao Pai. Tal é a primeira e mais fundamental razão do celibato dos padres.

Se Jesus permaneceu virgem como expressão de sua consagração ao Pai, Ele o fez igualmente enquanto se ofereceu sobre a cruz por sua Igreja, a fim de torná-la uma Esposa gloriosa, santa e imaculada (Ef.5,25-27). A virgindade consagrada do sacerdote humano manifesta, pois, e prolonga da mesma maneira o amor virginal de Cristo pela Igreja e a fecundidade sobrenatural deste amor.

Esta disponibilidade de amar a Igreja e as almas se manifesta pela vida de oração do padre, pela celebração dos sacramentos e particularmente do Santo Sacrifício da Missa, pela caridade para com todos, pela pregação contínua do Evangelho, uma imagem da vida de Jesus. Cada dia, o padre, unido a Cristo Redentor, gera as almas para a fé e para a graça, e torna presente no meio dos homens o amor de Cristo por sua Igreja, significado pela virgindade. Se examinarmos não só a missão de Cristo na terra, mas a plena realização desta missão no Céu, descobriremos uma terceira causa de Sua virgindade e, conseqüentemente da do padre. De fato, a Igreja da terra é o germe da Igreja do Céu e ao mesmo tempo o sinal desta vida bem-aventurada. O que será a beatitude celeste é já visível, mas velado e como que em enigma, na vida terrestre da Igreja. Ora, como disse Nosso Senhor, “na ressurreição, não se tomará nem mulher e nem marido, mas todos serão como anjos de Deus”(Mat. 22,30). A virgindade será, portanto, o estado definitivo da humanidade bem-aventurada. Convém que, desde esta terra, o sinal dessa virgindade brilhe no meio das tribulações e das solicitações da carne. O celibato consagrado do sacerdote é, assim, a imagem daquele de Cristo, uma antecipação da glória celeste, uma prefiguração da vida dos eleitos e um convite aos fiéis para caminharem para a vida eterna sem se deixarem sobrecarregar pelo peso do dia.

CONCLUSÃO

A Igreja é casta, ela produz a castidade, e não há bons costumes sem a castidade. É a castidade que faz as famílias, as raças reais, o gênio dos povos fortes e duradouros. Onde não existe essa virtude, não há senão lama num túmulo. Se há aqui homens que não sejam meus irmãos na fé, eu queria apenas apelar para suas consciências e lhes perguntaria: Vós sois castos? Como teríeis a Fé se não sois castos? A castidade é a irmã mais velha da verdade; sede castos um ano e eu respondo por vós diante de Deus. É porque possuímos esta virtude que somos fortes. E bem sabem o que fazem aqueles que atacam o celibato eclesiástico, esta auréola do sacerdócio cristão. As seitas heréticas aboliram-no entre elas; esse é o termômetro da heresia: a cada degrau do erro corresponde um degrau, senão de desprezo, ao menos de diminuição desta virtude celeste“.

(P. Lacordaire. conf. de Notre Dame, T. 1, conf. 2)

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Atentado contra a Eucaristia na Colômbia

quarta-feira, agosto 26th, 2009

Comunicado de repulsa do Bispo Frei Fabio Duque,de Armênia.

Por ocasião do atentado contra a Eucaristia que aconteceu em 17 de agosto passado, na paróquia de Nossa Senhora da Anunciação de Armenia, Quindío, Colômbia, o bispo da diocese fez público um comunicado no qual indica que os autores incorreram em excomunhão.

O bispo de Armênia, Dom Fabio Duque Jaramillo O.F.M., relata os fatos em um comunicado de 20 de agosto, enviado a ZENIT.

“Em 17 de agosto passado – assinala o comunicado – aconteceu uma brutal agressão contra a Paróquia de Nossa Senhora da Anunciação em Armênia. Um desconhecido se introduziu no templo durante a noite, forçou a porta do Sacrário e o jogou no chão, com o cálice e as hóstias consagradas”.

“Não se tratou de um roubo motivado pelo valor econômico dos vasos sagrados – aponta o bispo de Armenia –, pois o assaltante não levou nenhum objeto de valor da paróquia. O assalto teve como fim unicamente ferir os sentimentos dos fiéis atacando o mistério central da fé cristã, a Eucaristia, presença de Deus entre nós e prolongação do mistério da redenção do homem”.

O fato foi posto em conhecimento das autoridades e da Polícia e “esperamos que o autor do crime possa ser capturado logo”, afirma o bispo.

Convida também as autoridades, os representantes e cargos eleitos, aos meios de comunicação, as associações cívicas e toda a sociedade do Quindío “a expressar, sem rodeios, sua repulsa por estes fatos que constituem uma violação gravíssima dos direitos dos cidadãos, uma ofensa às crenças e princípios dos fiéis católicos, crenças arraigadas profundamente na cultura de nosso povo”.

Desta forma convida as autoridades e os representantes da sociedade civil “a não desvalorizar estas agressões contra os sentimentos e a fé dos católicos, pois quando um povo pisoteia os direitos mais sagrados das pessoas, o direito a expressar livremente sua fé e suas convicções mais íntimas, toda a sociedade se encontra em perigo. Quando os direitos de Deus são pisoteados impunemente, os direitos do homem correm perigo”.

Por isso, convida também todos os cidadãos de Armenia e Quindío “a expressar sua solidariedade com a comunidade da Paróquia da Anunciação associando-se às manifestações cívicas e religiosas de repulsa que se convocarão, a denunciar estes fatos ante as autoridades e a unir-se aos atos de reparação e desagravo que serão convocados na Paróquia em 30 de agosto, às 18 horas.

O prelado recorda que, segundo a legislação eclesiástica (Código de Direito Canônico, cânon 1367), “o autor desta profanação, pelo mero fato de ter realizado esta ação está excomungado, buscando com isto não tanto castigá-lo mas seu arrependimento. É uma ocasião para que o delinquente considere a gravidade de sua falta. Esta excomunhão só poderá ser suspensa pelo Santo Padre”.

Fonte : Zenit

***

Parece ser um caso isolado, mas que causa perplexidade porque tem características de perseguição satânica ou de fundamentalismo religioso.

É um caso isolado mas não inédito,posto que aqui mesmo no Brasil já aconteceu algumas vezes profanações como essa.

Lamentável..

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Pio XII e o Nazismo.A Igreja teme a Verdade?

quarta-feira, agosto 26th, 2009

Várias informações demonstrando a inconsistência das acusações de Cornwell contra Pio XII, em seu livro “O Papa de Hitler”, em que o acusa de cumplicidade para com o nazismo.

Fonte: Jornal do Brasil

Pio XII e os Fatos

Homem discreto e silencioso, notoriamente avesso a fotógrafos por exemplo, Pio XII certamente não contava estar debaixo dos holofotes mais de 40 anos depois de sua morte. Não há de surpreendê-lo, porém, lá de onde esteja, o fato de que, mais do que sob os holofotes, está sob o fogo cruzado de denúncias, pois ao cristão – desde o primeiro deles – nunca são estranhas as injustiças do mundo.

Comecemos por situar esse papa no século que ora vai definhando para que as coisas tenham uma ordem desejável. Pio XII foi papa no momento histórico mais difícil do século XX. Seu pontificado, longo de 19 anos (1939-1958), inclui todo o cruel período da Segunda Guerra. Ao ser eleito sucessor de Pedro, o cardeal’ Eugênio Pacelli, diplomata experiente, sabia das terríveis dificuldades que teria pela frente – e dispôs-se a enfrentá-las.

Enfrentou-as dentro de seu estilo mais marcante, a discrição e o silêncio já citados. Não há mais sábio modo de agir quando se está no meio da tormenta: silêncio não significa omissão. Os homens, entretanto, sobretudo quando lhes convém, às vezes confundem silêncio com omissão. E acusam. Mas, de que acusam Pio XII? Mais do que de omisso, ele vem sendo acusado de conivente com o nazismo e com sua face mais hedionda, a perseguição racial, de que foram vítimas maiores os judeus. Livro (1999) do escritor inglês John Cornwell o chama mesmo, a começar pelo título, de O Papa de Hitler. Desde que foi publicado, as acusações parecem uma orquestração.

É curioso como as acusações nunca foram feitas quando as tropas de Hitler rondavam cada quintal da Europa – e, a partir de 1943, era especialmente pela Itália que elas andavam com mais desembaraço. As acusações surgiram muito depois. Começaram em 1963, cinco anos depois da morte de Pio XII e dezoito depois do fim da guerra, quando foi editada a peça do alemão Rolf Hochhuth, O Vigário.

Mas ficção é ficção, cada um escreve o que quer. Ainda quando se pretenda ter base histórica, a história entra apenas como pano de fundo. O autor move os cordéis de acordo com suas tendências, carrega nas tintas segundo sua visão pessoal. De qualquer maneira, a peça de Hochhuth, lançada com sensacionalismo, encenada e editada de imediato em vários países, dado o apelo do assunto, dorme hoje em prateleiras empoeiradas talvez por falta de valor dramatúrgico ou literário.

O livro de Cornwell, anunciado como uma pesquisa séria, fez ressurgir a campanha. A realidade, porém, não parece confirmar-lhe a seriedade e muito menos o amor à verdade do autor. O Osservatore Romano, por exemplo, de 13 de outubro do ano passado, afirma que é “absolutamente falsa” a afirmação do escritor de que “foi o primeiro e único pesquisador a ter acesso ao Arquivo do Vaticano”, na parte que trata das relações exteriores – sempre livremente aberta a inúmeros historiadores e pesquisadores de todo tipo. Consultou ele só os documentos referentes à Baviera de 1918 a 1921 (de 1914 a 1920 o futuro Pio XII foi núncio na Baviera) e os referentes à Áustria de 1913 a 1915. Ambas as séries documentais já foram consultadas vezes e vezes. Os arquivos a partir de 1922 ainda não foram abertos. Portanto, Cornwell faltou com a verdade, pois não foi “primeiro e único” em nada. Manuseou o que muitos outros manusearam.

Registre-se que a série de documentos do tempo da guerra é de conhecimento público, pois, para deixar tudo às claras, Paulo VI (papa entre 1963-78) determinou que a Editora Vaticana lançasse os Atos e Documentos da Santa Sé Relativos à Segunda Guerra Mundial (12 volumes), antecipando em decênios a abertura normal dessa série de documentos.

Mas voltemos às pesquisas de Cornwell no Vaticano e àquele número do Osservatore Romano. Cornwell diz que freqüentou “durante meses a fio” o Arquivo da Santa Sé. Outra inverdade, segundo o jornal. Alguém há de dizer: mas por que a verdade estará com aquele órgão do Vaticano (embora oficioso)? Acontece que os registros de entrada e saída diária nos arquivos vaticanos são feitos com todo rigor. Sabe-se com precisão quem vai lá e por quanto tempo trabalha. Os registros mostram que Cornwell não esteve lá por meses a fio. Só freqüentou os arquivos de 12 de maio a 2 de junho de 1997. Mesmo nessa curta temporada de 20 dias “não compareceu diariamente” e nos dias em que lá foi só ficava no Arquivo “por breve período de tempo”.

Será confiável, então, o resultado de uma pesquisa de quem começa por se mostrar pouco amigo da verdade na simples apresentação de como a fez e quanto tempo consumiu com ela? Será confiável a pesquisa, de quem começa por se gabar de um ineditismo em relação às fontes utilizadas que não é mais do que um engodo?

Parece mais confiável, por exemplo, a voz de Golda Meir, uma das pioneiras do Estado de Israel, do qual era ministra do Exterior quando da morte de Pio XII, ocasião em que fez as seguintes declarações: “Durante o decênio do terror nazista, quando nosso povo sofreu terrível martírio, a voz do papa se levantou para condenar os perseguidores e para pedir compaixão em favor de suas vítimas.” (na entrevista do jesuíta Pierre Blat a Le Figaro Magazine, Paris, 18-9-99). Já se vê que o silêncio de Pio XII não foi absoluto. A quem tinha ouvidos de ouvir, como Golda Meir, seus pronunciamentos chegaram.

Se mais o papa não falou foi por um cuidado piedoso.

Dolorosa experiência ele tinha da encíclica de Pio XI em alemão de 1937 condenando o racismo nazista (pela qual Paceffi foi o grande responsável, como secretário de Estado, mas disso ninguém fala). Infiltrada clandestinamente, a encíclica foi lida nas igrejas alemãs a 31 de março daquele ano. No dia seguinte intensificou-se a perseguição a católicos e judeus. Na Holanda, um documento católico protestando contra o nazismo foi lido nas igrejas a 26 de julho de 1942: na manhã seguinte começou a deportação de judeus. Pio XII ficou tão impressionado que queimou quatro páginas de protesto que tinha escrito para divulgar pelo Osservatore Romano.

A ação discreta de Pio XII também foi reconhecida por gente como o scholar judeu Pinchas E. Lapide, pesquisador sobre papas e catolicismo, que em seu livro Three Popes and the Jews (Londres, 1967) estima que Pio XII e inúmeros padres, freiras e leigos católicos tenham salvo de 700 mil a 850 mil judeus da fúria nazista até à custa da própria vida em não poucos casos. Como foi reconhecida pelos rabinos italianos que, em comissão, agradeceram a ele pessoalmente, depois da guerra, o que fizera pelos judeus perseguidos, escondendo-os em casas religiosas, defendendo-lhes a vida de vários modos. Um deles, Israel Zolli, acabou convertido ao catolicismo. Ao ser batizado, escolheu o nome de Eugênio. E explicou que estava homenageando o papa que tinha salvado tantos judeus.

***

Impressiona como certos “estudiosos” tem uma predileção especial em alimentar uma visão de que a Igreja tem algo a esconder e de que” eles” são os grandes descobridores e aqueles que irão- enfim!-”CONTAR TODA A VERDADE..”

OS ARQUIVOS DO VATICANO são abertos a qualquer pesquisador.Ele mesmo teve livre acesso para fazer suas pesquisas o tempo que quis.

Agora fica uma pergunta básica: Se a Igreja tivesse algo a esconder estaria esses arquivos “secretos” tão acessíveis assim ao público?

Todos os estados tem normas no que diz respeito a divulgar seus documentos “seretos” ao público.o Brasil,por exemplo,tem.

Usualmente, os documentos dos arquivos do Vaticano são disponibilizados ao público após um período de 75 anos de sua emissão.

Em 1883, o Papa Leão XIII abriu os arquivos de 1815 ou anteriores para estudiosos não-clericais. (O primeiro historiador leigo a fazer uso dos Arquivos Secretos, foi o historiador do Papado, Ludwig von Pastor.) Documentos foram posteriormente liberados em 1924, até o final do pontificado de Gregotio XVI Desde então, foram abertos os seguintes documentos:

  • 1966: Documentos do pontificado de PIO IX, Note-se que a abertura do pontificado de Pio IX foi originalmente planejado durante o pontificado de Pio XII.
  • 1978: Documentos do pontificado de Leão XIII.
  • 1985: sobre o pontificado de PIo X  e Bento XV.

Em 20 de Fevereiro de 2002, o Papa João paulo II tomou o extraordinário passo de tornar disponível, a partir de 2003, alguns dos documentos do Arquivo Histórico da Secretaria de Estado (Segunda Seção), que dizem respeito às relações do Vaticano com a Alemanha Nazista durante o pontificado de Pio XII.

O Vaticano justificou-se sua ação “para pôr fim à injusta e irrefletida especulação”.

Em Junho de 2006, o Papa Bento XVI autorizou a abertura de todos os arquivos do Vaticano durante o pontificado do Papa Pio XII.


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