Posts Tagged ‘Ateísmo’

* Por que o ateísmo é tão comum nas universidades?

segunda-feira, maio 13th, 2013


Antes de a pergunta: “por que o ateísmo é tão comum nas universidades” ser respondida é preciso definir qual o significado da palavra “ateísmo”. Muitas pessoas detém-se na definição etimológica dela, ou seja, a-teísmo quer dizer não-deus. O ateu, portanto, é aquela pessoa que diz que Deus não existe.

Todavia, segundo o Catecismo da Igreja Católica, o ateísmo é algo bastante complexo, com inúmeras facetas. Vejamos:

“Muitos de nossos contemporâneos não percebem de modo algum esta união íntima e vital com Deus, ou explicitamente a rejeitam, a ponto de o ateísmo figurar entre os mais graves problemas do nosso tempo.

O termo ateísmo abrange fenômenos muitos diversos. Uma forma frequente é o materialismo prático, de quem limita suas necessidades e suas ambições ao espaço e ao tempo.

O humanismo ateu considera falsamente que o homem é ’seu próprio fim e o único artífice e demiurgo de sua própria história‘.

Outra forma de ateísmo contemporâneo espera a libertação do homem pela via econômica e social, sendo que a ‘religião, por sua própria natureza, impediria esta libertação, na medida em que, ao estimular a esperança do homem numa quimérica vida futura, o desviaria da construção da cidade terrestre.” (2123-2124)

Como se vê, a definição etimológica não é suficiente, pois o sentido da palavra é muito mais amplo. Coligindo os vários tipos de ateísmo é possível perceber que todos eles terminam numa atitude fundamental: o homem declara-se autônomo, ou seja, não depende mais de Deus para nada.

Adotar a atitude de autonomia perante Deus significa tão somente colocar-se no lugar Dele. Portanto, o que existe não é ateísmo, mas idolatria. O homem que se autodiviniza. Seja o homem individual, seja a coletividade do ser humano que passa a determinar o que é certo e o que é errado.

Muitas pessoas creem que Deus é uma realidade irrelevante para vida, que existindo ou não nada muda na vida de cada um. Mas isso não verdadeiro, pois, se existe um Deus, o homem não se pertence. Se existe um Deus, o homem é para ele. Se Ele é criador, o homem é criatura. Ele é o oleiro, o homem o barro, que deve se deixar modelar por Ele. É o homem que deve se adequar ao plano de seu criador. E, sendo assim, a perspectiva do homem muda completamente.

O início da vida acadêmica marca também o início do conhecimento do liberalismo moral. Estatisticamente já foi comprovado que o público acadêmico é muito mais liberal moralmente que as pessoas que não fazem parte desse ambiente.

E é justamenteo liberalismo moral que faz com que os jovens deslizem na direção do ateísmo. Isso se dá porque o jovem começa a pecar, seja frequentando as chamadas “baladas” ou mesmo seja cometendo pecados sexuais, transgressões diversas. Ora, para um jovem com alguma noção religiosa trazida da família, isto traz conflitos internos. Neste momento, o que acontece é que tanto os professores da Universidade quanto os próprios colegas desse jovem oferecem uma solução mágica para o seu drama de consciência: a relativização do certo e do errado e decretação da autonomia do homem (ateísmo).

Assim, a pessoa é introduzida no relativismo moral, quando não existe uma verdade, mas variantes, de acordo com o entendimento de cada um. Sendo assim, todas as opiniões são válidas. Ousar discordar ou afirmar que existe uma só verdade torna o indivíduo um ditador, pois estará querendo impor a sua própria moral. O indivíduo se torna um imperalista moral!

Este fenômeno é o que o Papa Emérito Bento XVI chamava de “ditadura do relativismo”:

“Enquanto o relativismo, isto é, deixar-se levar “aqui e além por qualquer vento de doutrina”, aparece como a única atitude à altura dos tempos hodiernos. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” (Missa pro eligendo Pontífice, 18/04/2005) [1]

Nesse sentido, o homem toma o lugar de Deus e o campus universitário pode ser comparado com o lugar onde o homem colhe o fruto da árvore proibida, da árvore do bem e do mal e torna-se um homem ‘para além do bem e do mal’[2], numa independência total, na qual se pode afirmar: “eu sou Deus, eu determino o que é o bem, eu determino o que é o mal”. A ideia de haver um criador é absurda, pois é o próprio homem quem tudo define e determina.

O filósofo ateu Friedrich Nietzsche, morto no ano de 1900, é o porta-voz dessa mentalidade que se instalou nas universidades. Em seu livro “Assim falava Zaratrusta”, no capítulo chamado “Ilhas Bem-Aventuradas”, ele profere o seguinte aforismo: “Meus irmãos, eu irei abrir-vos claramente a minha consciência: se existissem deuses, como suportaria eu não ser um deus? Logo, os deuses não existem.”

Ora, esse raciocínio de Nietzsche não tem nada de científico, é uma falácia total. É algo que não se sustenta, mas, infelizmente, convence interiormente quem vive o drama de sua consciência. Então, se o jovem sente o peso de sua consciência é muito mais difícil ir a um confessionário e fazer o propósito de emendar-se. Mais fácil é, com uma canetada, tirar Deus da lista e atribuir aqueles sentimentos a uma educação retrógrada, conservadora, ultrapassada. Os tempos são outros, modernos, o pecado é coisa de antigamente, agora, cada geração, cada sociedade determina o que é bem, o que é mal. Melhor ainda, cada pessoa pode fazer a sua própria lei, de acordo com as suas próprias convicções e vontades. Tudo é relativo. Sendo assim, o homem se torna deus, se coloca no lugar de Deus.

É por isso que nas universidades o que se tem não é um crescente ateísmo, mas sim, uma crescente idolatria. Elas são especialistas, em seu ambiente, em amordaçar a voz da consciência, inserindo os jovens na chamada “ditadura do relativismo”. O preço que se paga por isso é muito alto, pois as pessoas, ao se declararem autônomas, independentes de Deus imaginam que se tornam livres. Mas, não é isso que acontece, pelo contrário, elas se tornam escravas da tristeza, do vazio, do pecado. No ambiente universitário não é diferente.

A virtude, por sua vez, não vicia. Jamais se ouvirá dizer que alguém está viciado na generosidade, já na avareza sim. Uma pessoa não é viciada na castidade, mas na luxúria, no sexo desregrado, sim. Outra não pode ser viciada na sobriedade, mas na droga, no álcool, sim. Portanto, o homem, ao querer se libertar de Deus, escraviza-se, descendo abaixo de sua própria natureza.

Deus não dificulta a autonomia humana, pelo contrário, Ele liberta. “A verdade vos libertará”, disse Jesus Cristo. Os ambientes universitários deveriam ser lugares em que se busca a Verdade e ela, ao ser encontrada, deveria transformar a todos em pessoas que se põe a serviço do conhecimento e da ciência. Esta deveria ser a vocação de todo universitário.

Padre Paulo Ricardo

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* Dissecando as entranhas mentirosas do filme ateu “Zeitgeist”.

sexta-feira, maio 3rd, 2013
Imagem mentirosa divulgada nas Redes Sociais

Imagem mentirosa divulgada nas Redes Sociais

A imagem é mais um triste produto da indústria da desinformação tupiniquim. Passa longe, bem longe, da face histórica e arqueológica, e demonstra que foi feita por alguém ou mal intencionado ou muito ignorante mesmo, e é propagada por um site pseudo-ateu que não entende nada de ciência, o que dizer de religião?  Todas essas acusações são retiradas do filme Zeitgeist.
O filme começa com lista de deuses pagãos como Horus, Attis, Krishna, Dionísio e Mithra. E depois mostra a lista de detalhes de Cristo e em seguida, cruza com falsas histórias sobre esses deuses pagãos, a fim de criar a impressão de que o cristianismo é uma religião copiada.

Começaremos nossa refutação por algo que está na maioria dos “deuses” citados: A data do nascimento deles, que parece combinar com a data do nascimento do nosso Salvador. Depois partiremos para cada um dos deuses especificamente.

Ele cita que Hórus, Mitra, Dionísio também nasceram no dia 25 de dezembro. Ora de onde ele tirou isso?

O único desses deuses que supostamente nasceu em dezembro foi Mitra, porém não há nenhum registro histórico antigo sobre isso, algum ateu pode nos mostrar algum documento histórico que comprove isto? Hórus e Dionísio também não nasceram no dia 25 de dezembro não há nada que registre a data de nascimento desses deuses, isso demonstra total ignorância ou falta de honestidade mesmo dessa gente. Não há nenhum indício histórico ou arqueológico que qualquer um desses “deuses” tenha “nascido” no dia 25 de Dezembro.

È fato histórico claro que Jesus nasceu no dia 25 de dezembro:

Façamos aqui uma reflexão do por que sabemos que Jesus nasceu em dezembro. Se ele nasceu mesmo nesta data então a sua concepção virginal ocorreu, obviamente 9 meses antes. E, com efeito, os calendários cristãos colocam no dia 25 de Março a Anunciação do Anjo S. Gabriel a Maria. Mas sabemos pelo próprio Evangelho de S. Lucas que, precisamente seis meses antes, tinha sido concebido por Isabel, João, o precursor, que será chamado o Batista. A Igreja Católica não tem uma festa litúrgica para esta concepção, mas a Igreja do Oriente celebra-a solenemente entre os dias 23 e 25 de Setembro; ou seja, seis meses antes da Anunciação a Maria. Uma lógica sucessão de datas, mas baseada em tradições não verificáveis, não em acontecimentos localizáveis no tempo. Assim acreditávamos todos nós, até há pouquíssimo tempo. Mas, na realidade, parece mesmo que não é assim. De fato, é precisamente da concepção do Batista que devemos partir. O Evangelho de S. Lucas abre-se com a história do velho casal, Zacarias e Isabel, já resignado à esterilidade – considerada uma das piores desgraças em Israel. Zacarias pertencia à casta sacerdotal e, um dia, em que estava de serviço no Templo de Jerusalém, teve a visão de Gabriel (o mesmo anjo que aparecerá seis meses mais tarde a Maria, em Nazaré), o qual lhe anunciou que, não obstante a idade avançada, ele e a mulher iriam ter um filho. Deviam dar-lhe o nome de João e ele seria grande «diante do Senhor».Lucas teve o cuidado de precisar que Zacarias pertencia à classe sacerdotal deAbias e que quando teve a aparição «desempenhava as funções sacerdotais no turno da sua classe». Com efeito, no antigo Israel, os que pertenciam à casta sacerdotal estavam divididos em 24 classes, as quais, alternando-se segundo uma ordem fixa e imutável, deviam prestar o serviço litúrgico no Templo, por uma semana, duas vezes por ano. Já se sabia que a classe de Zacarias – a classe de Abias – era a oitava no elenco oficial.

Mas quando é que ocorriam os seus turnos de serviço? Ninguém sabia. Porém, o professor Shemarjahu Talmon, docente na Universidade Hebraica de Jerusalém, judeu portanto fonte imparcial, utilizando investigações desenvolvidas também por outros especialistas e trabalhando, sobretudo, com textos encontrados na Biblioteca essênia de Qumran. O estudioso conseguiu precisar em que ordem cronológica se sucediam as 24 classes sacerdotais. A de Abias prestava serviço litúrgico no Templo duas vezes por ano, tal como as outras, e uma das vezes era na última semana de Setembro. Portanto, era verosímil a tradição dos cristãos orientais que coloca entre os dias 23 e 25 de Setembro o anúncio a Zacarias. Mas esta verosimilhança aproximou-se da certeza porque os estudiosos, estimulados pela descoberta do Professor Talmon, reconstruíram a “fileira” daquela tradição, chegando à conclusão que esta provinha diretamente da Igreja primitiva, judaico-cristã, de Jerusalém. Esta memória das Igrejas do Oriente é tão firme quanto antiga, tal como se confirma em muitos outros casos. Eis, portanto, como aquilo que parecia mítico assume, improvisamente, uma nova verosimilhança – Uma cadeia de acontecimentos que se estende ao longo de 15 meses: em Setembro o anúncio a Zacarias e no dia seguinte a concepção de João; seis meses depois, em Março, o anúncio a Maria; três meses depois, em Junho, o nascimento de João; seis meses depois, o nascimento de Jesus. Com este último acontecimento, chegamos precisamente ao dia 25 de Dezembro; dia que não foi, portanto, fixado ao acaso ou adotado do paganismo.

Vamos então a refutação de “deus” por “deus”:

Hórus

“Nasceu no dia 25 de dezembro de uma mãe virgem, com uma estrela no oriente, foi apresentado por 3 reis, professor aos 12 anos, batizados aos 30, possuía 12 discípulos”.

Primeiro erro de todos, Hórus não nasceu de uma virgem, ele era filho de Osíris com Ísis.  A afirmação de que a mãe de Hórus, Isis, era uma virgem é facilmente refutada com uma pesquisa rápida. – A Enciclopédia Mythica mostra que seu nascimento foi definitivamente sexual. Depois que seu pai Osíris foi assassinado por Seth, seu corpo foi cortado em pedaços, deixando Isis para recuperá-los e remontar o corpo de seu marido. Ela, então, “fecundando-se com corpo de Osíris e deu à luz a Horus nos pântanos de Khemnis no Delta do Nilo.”[1]

Segundo erro, Hórus nunca foi batizado! Não há nenhuma referência disso e Hórus não teve um “ministério”, ele “se tornou rei” após a Assembléia dos “deuses” decidir apoiá-lo contra Seth.

Terceiro erro, Hórus nunca ensinou nada a ninguém, nem muito menos aos seus 12 anos, ele permaneceu escondido durante toda sua infância, somente quando se tornou adulto ele se revelou e lutou contra Seth para vingar seu pai, Osíris.

Quarto erro, em nenhum lugar é relatado que Hórus foi apresentado por 3 reis.

Logo, como vemos, Hórus está bastante longe de Jesus.

Mitra

“Nasceu no dia 25 de dezembro, fazia milagres, possuía 12 discípulos morreu e ressuscitou após 3 dias.”

Primeiro, Mitra é uma divindade que tem origem da Pérsia. Nasceu do cruzamento do deus masculino Aúra-Masda com uma rocha, e não de uma virgem, como também o Filme insinua. Foi sincretizado pelos soldados romanos vindos do oriente com o deus “Solis Invictus”, surgindo a religião chamada “Mistérios de Mitra”.

Os mitras não deixaram textos, só imagens. Mitra jamais ressuscitou ao terceiro dia, mas sim sacrificou uma espécie de “touro sagrado” dentro de uma caverna. Franz Cumont, autor de um estudo clássico sobre a religião de Mitra, nos conta que deste sacrifício nasceriam todos os seres viventes. [2]

Dionísio.

“Nasceu no dia 25 de dezembro, fazia milagres, era rei dos reis, o alpha e o Omega e ressuscitou”.

Esse foi o pior de TODOS. O fabricante dessa mentira NÃO SABE NEM QUEM FOI DIONÍSIO. Acho que ele procurou no Google pelo nome Dionísio e achou aquela imagem e colou. Ali não é Dionísio o “deus” e sim Dionísio O Areopagita, um cristão discípulo de Paulo ou seja um pai da Igreja, que ele colocou como um “deus”, veja até onde chega a ignorância ateia a respeito de assuntos que eles querem “ensinar”.

Dionísio a divindade Greco-romana, que também era conhecido como Baco o “deus” do vinho, era representado por um jovem semi-nú ou totalmente nú, o que difere totalmente da foto postada pelo ateu, que é de um ancião de barba e vestido até na cabeça.  Veja a foto da divindade pagã como era:


Segundo erro, ele nunca fez milagres. Muito pelo contrário, ele era conhecido por punir aqueles que não queriam adorá-lo, quando ele passava pelas cidades.

Terceiro erro, como é que ele poderia ser rei dos reis se na mitologia grega ele era filho de Zeus o maior de todos os deuses? Era perseguiu ele, como é que ele poderia ter sido rei dos reis, tendo várias pessoas acima dele?

Quarto erro, onde é que diz que ele era o alpha e o ômega se ele foi criado por Zeus? Como é que ele poderia ser o primeiro e o último se existiam vários na frente dele inclusive Zeus, que era o maior de todos?[3]

Quinto erro, na mitologia grego-romana os deuses são imortais como ele ressucitou se ele era imortal e nunca poderia morrer? Além do que nunca foi dito que algum deus grego tenha se tornado humano propriamente alguma vez.

Attis.

“Nasceu de uma mãe virgem, crucificado e ressuscitou ao terceiro dia.”

Primeiro erro, Attis não era um homem, era uma mulher.

Segundo erro, não há notícia de que a mãe de Attis era virgem. A fecundação da mãe dela se deu depois que o “deus” Agdistis, que tinha nascido com os 2 órgãos sexuais,  cortou o órgão masculino jogou na terra e caiu em uma amendoeira e depois que os frutos dessa amendoeira ficaram maduros ,  Nana , que era filha do deus-rio Sangarius pegou uma amêndoa e deitou no seu seio. Então ficou grávida de Attis. Logo ela nasceu de uma reprodução sexuada, nada haver com a concepção virginal de Maria.

Terceiro erro, Attis nunca foi crucificada ela era também um deus frígio de vegetação, e em sua auto-mutilação, morte e ressurreição, ela representa os frutos da terra, que morre no Inverno só para subir novamente na primavera. Ou seja ela se mutilava, suicidava e resurgia. [4]

Krishna.

“Nasceu de uma mãe virgem com uma estrela no oriente. Fazia milagres e ressuscitou.”

Primeiro erro, essa divindade não nasceu de mãe virgem, ela era filha de um homem e mulher. Krishna era da família real de Mathura e o oitavo filho da princesa Devaki e do marido Vasudeva, um nobre da corte.

Segundo erro, não a nenhum relato de tal estrela.

Terceiro erro, não há nenhum relato de nenhuma ressurreição dela.

Como podemos constatar, nenhum desses “deuses” Pagãos tem nada haver com O NOSSO SALVADOR. O fato de uma semelhança ou outra como a data do nascimento, nada tem a dizer contra o cristianismo. Além do que NENHUM deus pagão se compara ao nosso Cristo se partimos para comparar as características. NENHUM “deus” pagão entregou sua vida pelos seus, NENHUM “deus” pagão prometeu vida eterna, NENHUM “deus” pagão se desfez de sua suposta “divindade” para habitar na terra como homem e morrer por eles pregado no madeiro. NENHUM “deus” pagão revolucionou o mundo como o NOSSO VERDADEIRO E ÚNICO DEUS. JESUS É ÙNICO, não se pode compará-lo.

Mais uma vez chegou ao fim a validade do produto da indústria da desinformação.

Porque virá o tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Tendo nos ouvidos o desejo de ouvir novidades, escolherão para si, ao capricho de suas paixões, uma multidão de mestres. Afastarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas”. (2Tim 4,3-4).

“Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira.” (Jo 8:44)

In cord Iesu, Semper,
Rafael Rodrigues.
Bibliografia


[1]  ENCICLOPÉDIA Mítica, Dionísio. Disponível em: <http://www.pantheon.org/articles/i/isis.html>. Acesso em: Acesso em: 07/01/2012.

[2] ARENDZEN, J. (1911). Mithraism. In The Catholic Encyclopedia. New York: Robert Appleton Company. New
Advent,
Disponível em: <http://www.newadvent.org/cathen/10402a.htm>. Acesso em: 07/01/2012.

[3]  ALGO, Sobre. Dionísio. Disponível em : <http://www.algosobre.com.br/mitologia/dionisio.html>. Acesso em: 07/01/2012

[4] ENCICLOPÉDIA, Britanica Attis, Disponível em:  <http://www.britannica.com/EBchecked/topic/42255/Attis&usg=ALkJrhjKjMdHIHA-47Z-kk6TSns_aajh8g>. Acesso em: 07/01/2012.

Fonte: http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/espacodoleitor/refutacaos/498-refutando-mentirosa-imagem-de-site-ateu

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* O secularismo na Suécia. Uma visão perturbadora de uma sociedade irreligiosa.

domingo, abril 21st, 2013

Para ver o quão perturbadora uma sociedade secularista e crescentemente irreligiosa pode se tornar, basta olhar para a Suécia.

O aborto tem sido livre em demanda e disponível sem consentimento dos pais no país desde 1975,resultando na nação nórdica tendo a maior taxa de aborto em adolescentes da Europa (22,5 por 1000 meninas entre 15 e 19 anos em 2009).

A lei sueca não reconhece de forma alguma o direito à objeção de consciência para trabalhadores da área da saúde (no último ano, de forma esmagadora, o parlamento sueco passou uma ordem instruindo a delegação sueca para o Conselho da Europa a lutar contra os direitos dos médicos de recusar participação em abortos).

Enquanto isso, a educação sexual é gráfica e compulsória, e às crianças é ensinado que qualquer coisa que gere uma sensação sexual está OK. A idade de consentimento é 15 anos.

“Nós temos muitas violações da dignidade humana em muitos níveis, e muitos problemas quando se trata de engenharia social”, explicou Johan Lundell, secretário-geral do grupo sueco pró-vida Ja till Livet. “As coisas têm sido assim nos últimos 70 anos.”

Lundell foi um convidado nosso no Dignitatis Humanae Institute [Instituto para Dignidade Humana], onde ele expôs um catálogo de ofensas contra a dignidade humana na sociedade sueca. “Nós temos a maior taxa de abortos em adolescentes na Europa. Por quê? Porque nós dizemos que o aborto é um direito humano, que não mata nada, apenas acaba com uma gravidez”, relatou. “E após 20 anos disso, os jovens não ligam mais. Por que deveriam? Por cerca de 10 ou 15 anos ninguém tem dito nem mesmo que o aborto, apesar de legal, deveria se algo raro.”

O programa de educação sexual, visto por alguns social-liberais como pioneiro mas por outros como excessivamente explícito, tem sido colocado por alguns como a principal razão para a baixa taxa de gravidez na adolescência. Mas o alto número de abortos daquela faixa etária é raramente discutido, nem os números são divulgados. “Ninguém fala do aborto de crianças”, disse Lundell. “Eles têm vergonha disso. No entanto nós somos o único país na Europa em que existem abortos em demanda até a 18ª semana de gestação, sem procedimentos formais, sem consentimento dos pais, sem consentimento informado.”

O número de estupros na Suécia é outro ponto largamente desconhecido e pouco divulgado. De acordo com Lundell, ao longo dos últimos 50 anos – durante essa época de costumes sexuais liberais – eles aumentaram em “1.000 por cento.”

Lundell observou ainda que todos os outros países querem reduzir o número de abortos, mas apesar de existirem 550 departamentos governamentais na Suécia, nenhum tem a missão de reduzir o número de extermínios. “As crianças são capazes de ver que isso é errado, os pais são capazes de ver que isso é errado, e como uma sociedade nós não queremos isso. No entanto, ninguém quer falar sobre isso”, acrescentou Lundell. “É absurdo.”

Ele disse que a Suécia deveria “definitivamente” servir como um aviso para outros países que buscam políticas secularistas e socialmente liberais “pois então será visto o que é a agenda para o povo, e como a União Europeia e a ONU estão copiando essas ideias escandinavas.”

Voltando ao assunto da educação sexual, Lundell relata que os suecos geralmente não se importam mais em discutir se a homossexualidade é genética – um argumento comum usado para promover a agenda gayzista – porque o movimento é agora tão integralmente aceito que já não necessita desse argumento como suporte. “Em livros de educação sexual, não se fala sobre alguém ser heterossexual ou homossexual – não existem tais coisas porque para eles todo mundo é bissexual; é apenas uma questão de escolha”, relatou.

Lundell se referiu a um panfleto para crianças publicado por associações gayzistas, e imprimido com a ajuda de financiamentos estatais. “Eles escrevem positivamente sobre todos os tipos de sexualidade, qualquer tipo, até mesmo os mais depravados atos sexuais, e isso vai para as escolas”, explicou. “A informação é colocada em websites, e as crianças na escola são direcionadas para esses sites para que possam ver.”

Os professores, relata, são encorajados a perguntar aos estudantes: “O que te excita?” No entanto Lundell aponta que se um executivo-chefe de uma companhia perguntasse isso em um encontro de negócios, ele seria demitido. “Seria assédio sexual”, relatou. “E ainda assim treinam as pessoas para fazer isso com crianças?”

Alguns pais têm feito reclamações formais, colocando isso como conhecimento carnal, muito explícito para salas de aula e taxando as lições como “vulgares” e “muito avançadas.” Mas a maioria se sujeita ao currículo, enquanto a opção para educar as crianças em casa é quase proibida.

Para muitos estrangeiros, porém, a imagem popular da Suécia é de uma sociedade razoável, ordenada, justa, e harmoniosa – o exemplo modelo de um welfare state funcional. Em muitos casos isso é verdadeiro se alguém observa as taxas de mortalidade infantil, a expectativa de vida, os padrões de assistência médica e o acesso à educação. O nível de pobreza é também relativamente baixo.

“Por muito tempo tem sido dito que se não é possível realizar um mundo socialista na Suécia, então não é possível em nenhum outro lugar”, disse Lundell. “É por isso que alguns têm tentado fazer do país um paraíso socialista. Mas diferente, por exemplo, da Itália ou da Grécia, na Suécia não se trata de socialismo de finanças, mas antes, de socialismo de famílias – engenharia social, que tem sido muito mais visível por aqui do que no sul da Europa.”

Per Bylund, um parceiro sueco do Von Mises Institute, uma vez descreveu o abrangente poder do estado assim: “Uma significante diferença entre minha geração e a precedente é que a maior parte de nós não foi, de maneira alguma, criada pelos pais. Nós fomos criados pelas autoridades em creches do estado desde a época da infância; e então empurrados para ginásios estatais, colégios estatais, e universidades estatais; e depois para cargos estatais e mais educação via poderosas associações trabalhistas e suas associações educacionais. O estado é sempre presente e é para muitos o único meio de sobrevivência – e seus benefícios sociais a única maneira de ganhar independência.”

Essa engenharia social, no entanto, tem gerado terríveis consequências. Poucos países europeus têm testemunhado tão rápido declínio na instituição do casamento ou tão rápido aumento no número de abortos. Durante a década de 50 e a primeira metade da década de 60, a taxa de casamentos na Suécia estava historicamente em seu pico. Repentinamente, a taxa começou a cair de forma tão rápida que em menos de 10 anos houve um decréscimo de aproximadamente 50%. Nenhum outro país experimentou tão imediata mudança.

Entre 2000 e 2010, quando o resto da Europa estava mostrando sinais de uma redução em taxas anuais de aborto, o governo da Suécia relata que a taxa cresceu de 30.980 para 37.693. A proporção de reincidência de abortos aumentou de 38,1% para 40,4% – o maior nível já registrado – enquanto o número de mulheres tendo pelo menos quatro abortos anteriores aumentou de 521 para aproximadamente 750.

Com exceção de poucos ativistas robustos como Lundell, muitos cristãos suecos – e particularmente políticos cristãos – permanecem em silêncio diante das incontáveis violações sociais contra a dignidade humana. É também irrisória a resistência a ataques contra a liberdade religiosa para cristãos, com a prioridade sendo crescentemente concedida à Sharia (Lei Islâmica).

A julgar pelos números, quase poderia ser dito que a fé debandou completamente. Ao fim de 2009, 71,3% dos suecos pertencia à Igreja Luterana da Suécia – um número que tem diminuído um por cento a cada ano nas últimas décadas. Dentre esses, apenas 2% frequenta regularmente as reuniões dominicais. De fato, alguns estudos apontam os suecos como o povo menos religioso do mundo e um país com um dos maiores números de ateus. De acordo com diferentes estudos conduzidos no início da primeira década de 2000, um número entre 46% e 85% de suecos não acredita em Deus.

Lundell disse que embora pequena, a Igreja Católica tem um bom bispo e é ajudada por imigrantes da Polônia e da América Latina. Mas católicos são geralmente vistos como estrangeiros com pouca influência e são travados nas campanhas para não serem vistos como “duros demais”, relata. Até pentecostais são reticentes para levantar objeções. “Eles são provavelmente a única igreja pentecostal no mundo que não faz isso”, acrescentou.

Mas apesar de tudo isso, Lundell, cuja organização tem atraído um crescente número de jovens, mantém-se esperançoso – e também fundamentalmente fiel à sua pátria. “Sou tão orgulhoso de ser sueco que não posso imaginar a mim mesmo me mudando”, disse. “Mas me envergonho com a política quando se trata de família, políticas sexuais e restrições em liberdade religiosa.”

Edward Pentin é jornalista autônomo e diretor de comunicações no Dignitatis Humanae Institute. Pode ser contatado em epentin@zenit.org.

Fonte: Zenit

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* Outrora comunista e ateia, Rússia aprova projeto de lei que proíbe anúncios de abortos no país.

sexta-feira, abril 12th, 2013

ACI


A câmara baixa do Parlamento russo, a Duma Estatal, aprovou em primeira leitura um projeto de lei do Ministério de Sanidade que promove a proibição de anúncios sobre abortos mediante os serviços médicos ou as práticas tradicionais, conforme informou a Agência Russa de Informação Legal (RAPSI).

O aborto era um método habitual para controlar a natalidade durante a época soviética.

Em 2004, segundo dados das Nações Unidas, Rússia continuava sendo o país com o número mais elevado de abortos por mulher em idade fértil. Esta prática é legal até a 12ª semana de gravidez e, em alguns casos médicos, o aborto pode praticar-se até a 22ª semana de gravidez, segundo uma lei aprovada em 2011.

O Governo fez campanha contra o aborto numa tentativa de aumentar a baixa taxa de natalidade do país, que constitui um dos fatores da crise demográfica que vive a Rússia. A Igreja Ortodoxa é também uma firme defensora da causa pró-vida no país.

O projeto de lei também propõe aumentar a idade na qual os menores já não precisam do consentimento paterno para submeter-se a exames médicos dos 14 para os 15 anos, enquanto que a idade para consentir intervenções médicas, tais como tratamentos com remédios ou provas de detecção de drogas ou álcool, aumenta dos 16 para os 18 anos.

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* Como a filosofia pode ajudar ateus e cristãos entenderem uns aos outros.

quinta-feira, abril 11th, 2013

Um dos equívocos mais comuns, até mesmo nas conversas mais agradáveis e empáticas entre cristãos e ateus, ocorre por causa da diferença entre ontologia epistemologia. Mas com um pouco de reflexão filosófica, podemos esclarecer esta confusão e ajudar a ateus e cristãos entender um ao outro.

Realmente.

Essas são palavras bem complexas, então vamos dividi-las em definições simples (muito simples):

Ontologia: uma discussão do que realmente existe. Exemplo: “O mundo é real.”

Epistemologia: uma discussão sobre o que devemos acreditar ser verdade. Exemplo: “Eu sei que o mundo existe porque os meus sentidos são confiáveis.”

Agora, como é que estas distintas categorias filosóficas causam essa confusão, sentimentos feridos, e conversas improdutivas?

Aqui está uma maneira como acontece em conversa:

Cristão: Minha opinião é que, se Deus não existisse, não haveria qualquer moral.

Ateu: Você está dizendo que eu não sou uma pessoa de moral, porque me falta a crença em Deus?

Cristão: Bem, não. Não exatamente. Eu acho que você é uma pessoa muito legal.

Ateu: E algumas pessoas que acreditam em Deus fazem coisas ruins por causa de suas crenças religiosas, certo?

Cristão: Claro, isso acontece. Mas eu não acho que a religião deva ser usada para ferir as pessoas.

Ateu: Estou feliz que concordamos sobre isso. Então,  acreditar em Deus faz alguém ser uma pessoa melhor?

Cristão: Bem, eu sei que quando me tornei cristão, eu me tornei uma pessoa melhor.

Ateu: E quando eu parei de ir à igreja, eu me tornei uma pessoa melhor.

Essa conversa é um pouco comum, como duas pessoas honestamente tentam botar para fora sua diferença de opinião a respeito de Deus.

Mas porque eles não estão claramente cientes da distinção entre ontologiaepistemologia, ficou de fora alguns insights valiosos.

Parte do problema que tive é que, para muitas pessoas, a “moralidade” agora significa apenas ‘a minha opinião pessoal sobre o certo e o errado. “

Para chegar mais perto de entender como isso é importante, vamos olhar para esta conversa sobre outro assunto: o argumento cosmológico, que tem a ver com a existência da realidade física (em vez da realidade moral).

Cristão: … Portanto, para concluir, se Deus não existisse, o mundo não existiria.

Ateu: Você está dizendo que eu não existo porque me falta a crença em Deus?

:: Espere um segundo :: ninguém jamais diria isso! Vamos tentar de novo:

Ateu: Entendo. Onde eu discordo de você é a sua segunda premissa, “o universo começou a existir.” Eu acho que um bom argumento pode ser feito para o universo sempre ter existido.

Cristão: Interessante. Estou curioso para ouvir como isso se relaciona com a Segunda Lei da Termodinâmica …

O argumento é “como Deus existe, o universo também ter que existir“. Assim que você está discutindo a ontologia. Essa conversa é conceitual e categoricamente diferente de discutir epistemologia: como nós sabemos ou acreditamos que “o mundo existe”.

Aqui está outra maneira de pensar sobre isso: “ontologia” é a discussão do mundo fora de sua mente. “Epistemologia” é discutir as crenças dentro de sua mente, como você as obteve e como elas se encaixam.

Em outras palavras, a questão principal, tanto para o argumento moral e do argumento cosmológico, não é o que devemos acreditar ou as implicações de nossas crenças (epistemologia). A questão é o que é real, o que existe (ontologia).

Com esta distinção em mente, vamos revisitar o argumento moral:

Cristão: … Em conclusão, a minha crença é que, se Deus não existisse, não haveria qualquer moral.

Ateu: Você está dizendo que eu não sou uma pessoa de moral, porque me falta a crença em Deus?

Cristão: Oh, definitivamente não. Eu acho que você é uma pessoa muito legal! Eu não estava discutindo epistemologia – as implicações de nossa crença ou falta de crença em Deus. Em vez disso, eu estava discutindo ontologia – a existência ou não existência de Deus. Se Deus – um ser moralmente perfeito – existe, então Deus poderia emitir uma lei perfeita moral, e nós, como suas criaturas, seríamos moralmente obrigados a obedecer seu código moral. Então, se Deus existe, este código moral existe.

Em contrapartida, se nenhum ser moralmente perfeito existe, então não haveria nenhuma lei moral perfeita e não teríamos deveres morais objetivos para obedecermos. Então, se Deus não existe, este código moral objetivo não existe.

Claro que podemos totalmente redefinir a palavra “moralidade” para dizer “as ações sociobiológicas que nosso condicionamento nos leva a preferir”, mas no meu sentido original, não haveria moralidade deste tipo. Sem Deus, não há lei moral objetiva.

Ateu: Mas eu acho que a moralidade só é nosso condicionamento pessoal e cultural.

Teísta: Certo. E é assim que eu definiria a “moralidade” se eu fosse ateu. Então, vamos falar sobre a relação entre a “moralidade de rebanho” e a “moralidade objetiva”.Eu estava discutindo…

Agora que a diferença entre ontologia e epistemologia foi resolvida, a conversa fica correta. O argumento moral já não soa como um ataque pessoal sobre a (suposta) imoralidade do ateu. Pelo contrário, é um desacordo fundamentado sobre o que o ‘código moral’ realmente é: um código objetivo nos concedido como um presente de um Deus perfeitamente bom – ou – uma constante mudança de adaptação sociobiológica que ajuda ou atrapalha a sobrevivência dos seres humanos.

Fonte: Logos Apologética cristã

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* O “fé” do ateísmo no “non credo” que os liga ao nada e ao vazio.

quarta-feira, março 13th, 2013

ATEÍSMO MILITANTE

Percival Puggina

Conheço muitos ateus. Gente da melhor qualidade e gente não tão boa assim, como em qualquer conjunto de indivíduos. Só recentemente, porém, passei a encontrar ateus militantes, engajados na tarefa de menosprezar e investir contra as crenças alheias. Ora, toda militância pressupõe o desejo de concretizar algum objetivo.

O que pretende a militância ateia? 1º) Dar sumiço à ideia de Deus. Provocar e proclamar a falência total dos órgãos divinos, como fez o ensandecido Nietzsche. 2º) Eliminar as religiões para produzir uma humanidade nova, sob o senhorio do barro de que somos feitos.

***

Outro dia, nosso talentoso Luiz Fernando Veríssimo escreveu uma crônica cujo eixo expositivo firmava-se na ideia de que Deus é uma hipótese. Fiquei a pensar. Se Deus é hipótese, mera conjetura, um olhar em volta de nós mesmos revelará, então, a indispensável existência de um nada (quase escrevo esse nada com “n” maiúsculo) criador de quanto vejo. E seremos levados a atribuir a esse insignificante nada um verdadeiro frenesi criador.

Surgirá, então, quem afirme que esse nada deu origem a tudo em seis dias e que no sétimo descansou sobre uma almofada de nuvens. Outros, mais em conformidade com o cientificismo do século 21, sustentarão que esse poderosíssimo nada, no exato milissegundo do Big Bang, de um até então inexistente tempo, fez explodir pequena bolinha de coisa nenhuma e… pronto! – estava criado o Universo. Onde? Onde? No imenso e absoluto vazio no qual o nada preexistia. Bum!

É interessante constatar, portanto, que ambos, tanto os crentes em Deus quanto os ateus não prescindem, para suas convicções, de algum ato de fé. Ou em Deus, ou no nada. Os primeiros partem dessa fé para as respectivas opções religiosas. Elas levam à oração, ao encontro do sentido da vida, ao consolo dos aflitos, ao repouso da alma. No caso dos cristãos, ao conhecimento do amor de Deus, à encarnação de Jesus, ao Divino que irrompe docemente no humano e na História, aos sacramentos, à meditação, ao perdão, à misericórdia. Levam, também, aos tesouros guardados onde não os corroem as traças. E, ainda, ao amor ao próximo e ao inimigo, ao luminoso exemplo dos grandes santos, a um precioso conjunto de verdades, princípios e valores que, entre outras coisas, compõe o cerne do moderno constitucionalismo. O leitor acha que é muita coisa? Pois isso tudo é apenas uma “palhinha”. Há mais livros escritos sobre essa pauta do que a respeito de qualquer outro assunto de interesse humano.

A adesão vital ao hipotético nada, por sua vez, leva a coisa alguma. Ou por outra, leva o ser humano a deixar-se conduzir por um vórtice que se esgota em si mesmo. Organizado em militância, como vejo acontecer, compõe uma nova igreja, a igreja do non credo a que já me referi. Tal religião religa seus crentes a um hipotético nada onde não há perdão nem salvação. A fé no nada não mobiliza sequer um fio de cabelo. A esperança no nada é o próprio desespero. E tudo acaba sob sete palmos de terra. Se houver algum resíduo perceptível de espírito, algo assim como um ainda latejante fragmento de consciência, que disponham dele os vira-latas. Como é grande o prejuízo nessa escolha!

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* Já ouviu falar de ‘Zeitgeist’? pois é… MENTIRA!

domingo, fevereiro 24th, 2013

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* Conheça Ronda Chervin: do ateísmo e o desprezo mais profundo ao catolicismo à conversão do coração.

terça-feira, fevereiro 5th, 2013

Escreveu mais de 50 livros sobre pensamento católico

Com o avô maçom e pais ateus militantes; Chesterton, Lewis e Newman a levaram à Igreja.

Ronda Chervin se converteu ao catolicismo apesar de seus antecedentes: origem judia, avô maçom, educação ateia e formação universitária numa faculdade de Filosofia agnóstica.

Muitas vezes parece que Deus segue e persegue uma pessoa, até se encontrar com ela. Parece que a busca em sua história concreta até que é impossível continuar olhando para um lado eliminando a realidade que se tem por diante. «Chamei-te pelo teu nome, és meu», disse o profeta Isaías. E esta é precisamente a história de Ronda Chervin: do ateísmo e o desprezo mais profundo para o catolicismo, até chegar à conversão do coração. Ela mesma conta a «amorosa perseguição de Deus» ao longo dos anos.

Uma peça que não se encaixa

Ronda nasceu em 1937 em Nova York e tem uma irmã gêmea. Seus pais se conheceram no Partido Comunista, e depois passaram a ser informantes do FBI.

«Os comunistas os ameaçaram em bombardear nossa casa», conta. Ambos os pais eram de origem judia mas militantemente ateus. Não foram educados na religião judia e então não tinham nenhum interesse em observar as festas nem iam à sinagoga. Separaram-se quando suas filhas tinham oito anos.

Tão peculiar família fez de Ronda uma pessoa que não se encaixava em nenhum lugar: nem com os católicos, nem com os protestantes, certamente não com os judeus ortodoxos em plena expansão, tampouco com os judeus reformistas, nem com os sionistas ateus, nem muito menos com os judeus de esquerda anti-sionistas.

«Mais tarde, como católica, me dei conta que meu desejo de pertencer a um grupo identificável para sempre tinha uma razão psicológica e também teológica», explica Ronda. «No entanto, todos meus familiares se orgulhavam de ser americanos socialistas livre pensadores», lamenta.

Dos avós conflitantes

A vida de Chervin estava marcada por ser descendente de dois avós absolutamente contrários em vida e pensamentos. Por um lado, seu avô paterno, de ascendência sefardi judia, imigrou aos Estados Unidos graças a um programa financiado por judeus maçons que consistia em introduzir jovens brilhantes nas faculdades, de modo que no dia de amanhã pudessem converter-se nos grandes líderes das lojas maçônicas. De fato, seu avô se estabeleceu como dentista em uma das ruas mais centrais de Nova York, Madison Avenue. Isso sim, Ronda pontualiza: «Meu avô nunca observou as festas judias, porque era ateu».

Por outro lado estava sua avó paterna, que conheceu seu futuro esposo precisamente na consulta. Considerada como «loira e frágil», não deixou de ir nem um só domingo à Igreja e rezou sempre por seu marido, seus filhos e seus netos, todos ateus. Lia a Bíblia dia e noite.

«Tinha sido absolutamente proibida —sob ameaça de não voltar a ver-nos— falar às suas netas de Deus ou da religião». Depois de sua morte, Ronda herdou a Bíblia de sua avó, em que ela havia escrito a mão: «Rezo para que algum dia minhas netas possam ler isto». Os pais de Ronda ridicularizavam constantemente a avó por sua fé: «Usavam-na como prova de como só as pessoas estúpidas e débeis ainda acreditavam em Deus depois de que tanto Nietzsche como a evolução tinham demonstrado que Deus não existia ou que estava morto».

A moral sexual da juventude

Ronda começou seus estudos de Filosofia na Universidade de Rochester e, ao mesmo tempo, sua independência juvenil. « Como muitos ateus, tinha sido educada para considerar ridícula a moral sexual das pessoas religiosas. Por temor a uma gravidez, tinha evitado ter relações sexuais. Mas ao estabelecer-me por minha conta, meu grande desejo era dar minha virgindade tão logo quando encontrasse algum jovem atraente disposto a iniciar-me. Graças à providência de Deus não fiquei grávida, porque estou segura de que teria abortado nesse caso. Eras Tu, Pai da vida, protegendo-me de uma vida inteira de culpabilidade?», reflete.

Um de seus noivos foi um estudante estrangeiro do programa de pós-graduação de Filosofia. Era um alemão que tinha militado nas juventudes hitleristas em sua adolescência, mas que tinha sido salvo por um sacerdote católico em continuar nesse terrível movimento. «Começou a me alimentar com livros apologéticos, desde Chesterton até Karl Adam. Não tendo lido o Novo Testamento, quase não entendia uma palavra destes tratados, mas algo me tocava, porque comecei a querer conhecer os católicos, inclusive depois de romper minha relação com o alemão», conta.

Em busca da verdade

Especializar-se em Filosofia tinha sido para Ronda sua forma de buscar a verdade. «Nas universidades laicas que participei, o ceticismo estava tão em moda que, um ano depois me sentia desesperada: Onde estava a verdade? Onde estava o amor? Por que vivo?». Nesta organização, topou com um programa televisivo chamado «A Hora Católica». Os convidados eram Dietrich Von Hildebrand e Alice Jourdain, e estavam falando sobre a verdade e o amor. «Espontaneamente lhe escrevi uma carta contando-lhes minha infrutuosa busca da verdade».

Resultou que ambas viviam perto de sua casa e lhe convidaram a visitá-las. Sugeriram-lhe assistir as aulas de Dietrich Von Hildebrand e Balduin Schwarz, seu discípulo, na Universidade de Fordham. «Fui a umas poucas aulas. O que mais me impressionou não foram as ideias dos filósofos católicos, mas sua vitalidade pessoal e sua alegria. O ceticismo, o relativismo e o historicismo que caracterizava a maioria das universidades seculares nesse momento havia deixado a muitos dos professores tristes e secos». Assim que Ronda, atraída por esta alegria e pela amorosa amabilidade com que todos a receberam, continuou seus estudos nesta universidade.

Depois de uns meses em Fordham, não podia deixar de perguntar-se como era possível que católicos e jesuítas, brilhantes intelectualmente, pudessem crer em ideias tais como a existência de Deus, a divindade de Cristo, a realidade da verdade objetiva e da moral absoluta, e a necessidade de ir à igreja. «Obviamente, não só pessoas estúpidas e débeis pensavam desta maneira», reconhece.

Uma viajem cheia de milagres

Ronda se uniu com seus novos amigos em uma viajem-peregrinação à Europa para ver museus e obras de arte. Apesar de que odiava qualquer estilo artístico exceto o mais moderno, e não tinha ainda interesse em saber mais sobre Deus, Cristo ou a Igreja, aceitou ir para desfrutar do tempo com eles. «O primeiro milagre ocorreu quando entrei na catedral de Chartres na França. Pus-me a chorar e me perguntei: ‘Como pode ser tão belo se não há verdade nele, só ignorância medieval?´».

Porque seus amigos iam à missa todo dia, Ronda se uniu também com mais curiosidade que interesse real: «Ver meu nobre e sábio professor de Filosofia de joelhos me assombrava e me desgostava. Queria lhe dar um empurrão e gritar que nenhum homem deveria ajoelhar-se nunca», admite.

O segundo milagre chegou com a leitura da Bíblia.

E o terceiro poucos dias depois: «Tive o impulso de ajoelhar-me no corredor do hotel e recitar uma oração: ´Deus, se há um Deus, salva minha alma, se tenho uma alma´».

Outro milagre a mais em Lourdes, tocada pelo coro que cantava. E o seguinte em Florença, em frente ao quadro inacabado de “A Natividade’ de Leonardo Da Vinci: «Olhei a Virgem Maria, tão simples, pura e doce, e chorei. Ela tinha algo que eu nunca teria: pureza! Pela primeira vez me vi a mim mesma como pecadora». Depois uma grandíssima impressão diante de uma tapeçaria de Rafael com o rosto de Cristo. E o último na viajem: ver de perto o Papa Pio XII em São Pedro: «Tinha exatamente a mesma expressão em seus olhos que o rosto vivo de Jesus da tapeçaria de Rafael».

Período de reflexão

Depois de tanta profusão de impressões, acontecimentos e milagres, Ronda necessitava sentar-se e refletir: «Estudei livros como ‘ Cristianismo simples ’ de C.S. Lewis. Também, a leitura de livros de Chesterton e do cardeal Newman fez me converter ao catolicismo agora algo já inevitável».

Em 4 de junho de 1959, com 21 anos, Ronda foi batizada. «Não houve um só momento em minha vida em que tenha me arrependido de ser católica. Anos depois, minha irmã gêmea, minha mãe e meu esposo se converteram ao catolicismo», conta com agradecimento.

A página pessoal de Ronda é: http://www.rondachervin.com

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* Pode ser verdade que não exista nenhuma verdade? Reflexões sobre o ateísmo e o relativismo.

quinta-feira, janeiro 31st, 2013


Por Pe. Anderson Alves

Em um texto anterior[i], nos perguntávamos se fosse possível conciliar o relativismo e o ateísmo. E víamos que, segundo três famosos ateus (Nietzsche, Adorno e Horkheimer) o ateísmo, ao negar a origem do conhecimento e ao tomar como verdade a inexistência de Deus, cai numa contradição insuperável[ii].

De fato, quem nega a existência da verdade, não poderia coerentemente afirmar que Deus não existe. Entretanto, sabemos que há quem se esforce muito por conciliar relativismo e ateísmo, colocando um ateísmo indiscutível e dogmático como fundamento do relativismo e construindo um sistema de pensamento no qual se parte da negação de Deus e, a partir dessa verdade quase “divina”, afirma-se um relativismo moral e cognitivo radical.

Um pensador que colocou em íntima relação o ateísmo com o tema da verdade foi F. Nietzsche, autor que se considerava «ateu por instinto». De fato, seu ateísmo voluntarista tinha como consequência a afirmação de um forte relativismo e a verdade era considerada como «um exército de metáforas, metonímias», «ilusões das quais se esqueceu a sua natureza ilusória», «moedas nas quais as imagens foram consumidas»[iii]. Em outro texto famoso, ele fazia uma interessante observação: «receio que não possamos nunca afastar-nos de Deus porque ainda acreditamos na Gramática»[iv]. Desse modo, o ateísmo radical deveria conduzir a uma sociedade sem ciências, sem explicações últimas, na qual o homem só seria capaz de conhecer seus próprios estados de ânimo. Porém, tudo isso parte de uma afirmação com valor de verdade absoluta: «Deus morreu, Deus continua morto, nós o matamos»[v]. O “teomicídio” seria, pois, o ato supremo de uma vontade que busca uma autonomia absoluta, e não de uma demonstração racional. E aquele gesto traria consigo um relativismo radical, mas não certamente absoluto.

É certo que hoje muitos pensam que o relativismo seja o fundamento do ateísmo, mas isso se deve a um modo superficial de examinar o problema. Se o relativismo é total, se não há nenhuma verdade, jamais pode ser verdade que Deus não exista. De modo que, surpreendentemente, o ateísmo mesmo coloca limites ao relativismo. Em outras palavras, pode existir um ateísmo relativista, ou seja, um ateísmo a partir do qual se deduz o relativismo, mas não um relativismo ateu.

Então, é impossível um relativismo absoluto? Coloquemos de outro modo a questão: pode ser verdade que não existe nenhuma verdade? Só há duas respostas possíveis: “sim, é verdade que não existe nenhuma verdade”. Ora, quem diz isso, assume, talvez inconscientemente, que há alguma verdade; e se alguém disser “não, não pode ser verdade que não exista a verdade”, certamente estaria usando melhor a sua razão e teria encontrado a resposta lógica. De modo que, com uma resposta ou outra, a conclusão é sempre a mesma: não pode existir um “relativismo absoluto”, a verdade sempre faz parte do nosso pensamento e discurso.

A consequência disso é, que por incrível que pareça, o relativismo só pode ser relativo, uma vez que só pode ser parcial. Isso porque é sempre necessário aceitar que há alguma verdade, que algo pode ser conhecido. Certo tipo de relativismo pode ser aceito para as opiniões, que são afirmações de algo pouco fundamentado, de modo quando se opina se há receio de que a afirmação contrária seja a verdadeira. Mas nem tudo na nossa comunicação é simples opinião.

Aristóteles dizia que como a verdade é uma realidade primeira do nosso pensamento, quem nega a verdade, afirma a verdade. Ou seja, quem nega que ela exista, sabe já o que ela seja e supõe que é verdade a sua não existência, o que é uma contradição em termos. Outro modo de fugir ao compromisso com a verdade seria assumir a posição cética, ou seja, aquela postura de certos pensadores que dizem não ser possível nem afirmar, nem negar a verdade. Quem assume essa posição, certamente se livra da linguagem e da “Gramática”, mas isso traz consigo uma consequência nefasta: não negar nem afirmar algo, faz o ser humano se tornar semelhante a uma planta, com quem não é educado discutir.

O relativismo só pode, pois, ser relativo, ou seja, só pode ser aplicado a algumas afirmações e nunca a todas. A verdade não pode jamais ser excluída da vida e da linguagem humana, a menos que alguém se conforme em viver como uma planta. F. Nietzsche só pôde dizer que a verdade é «um exército de metáforas», uma «ilusão», uma moeda sem valor porque sabia perfeitamente o que é uma metáfora, uma ilusão, uma moeda com valor. Negar a verdade implica sempre aceitar a verdade, assim como negar Deus implica pressupor a sua existência.

Então, temos que colocar agora a incômoda questão: afinal de contas, o que é a verdade? Platão dizia que «verdadeiro é o discurso que diz as coisas como são, falso o que diz como as coisas não são»[vi]. E Aristóteles afirmou algo tão simples quanto essencial: «Negar aquilo que é, e afirmar aquilo que não é, é falso, enquanto afirmar o que é e negar o que não é, é a verdade»[vii]. A verdade se dá quando o nosso discurso expressa o que as coisas realmente são.

Em que sentido então pode ser aceito o relativismo? Já iniciamos aqui a resposta, mas a aprofundaremos numa outra ocasião. O que importa agora é deixar clara a conclusão a que chegamos: o relativismo não pode ser absoluto, só pode ser, por incrível que pareça, relativo.

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.
[i] Cfr. http://beta.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional

[ii] M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo».
[iii] Cfr. F. NIETZSCHE, Sobre verdade e mentira no sentido extra-moral, ed. Hedra, São Paulo 2007.
[iv] Cfr. IdemCrepúsculo dos Ídolos, ed. Companhia das Letras, São Paulo 2006.
[v] IdemA Gaia ciência, ed. Hemus, Curitiba 2002, p. 134.
[vi] PLATÃO, Crátilo 385 b; cfr. também Sofista, 262 e
[vii] ARISTÓTELES, Metafísica, IV, 7, 1011 b 26 e segs.

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* Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?

quarta-feira, janeiro 23rd, 2013


Pe. Anderson Alves

A pergunta que colocamos aqui deve ser bem entendida: não perguntamos se os ateus são racionais, coisa que seria absurda; nem mesmo perguntamos se os ateus são inferiores aos teístas, ou se a crença em Deus “não necessariamente torna uma pessoa melhor”, como apareceu numa recente pesquisa no Brasil[1].

O que questionamos agora é se o ateísmo, enquanto sistema de pensamento seja coerente. Mais precisamente, nos perguntamos se é sensato afirmar a não existência de Deus e contemporaneamente o relativismo. Poderia ser verdade que não haja nenhuma verdade e, ao mesmo tempo, ser verdade que Deus não existe?

Talvez haja quem pense que a questão aqui proposta seja absurda. E pode vir à mente do leitor a recordação do jovem Ivan, personagem de Irmãos Karamázov, que defendia que se Deus e as religiões não existissem, tudo passaria a estar permitido. Aquele personagem manifestava assim o desejo de uma liberação: ao livrar-se da crença em Deus, o homem ficaria livre de todo dogmatismo, tanto teórico, quanto moral. A negação de Deus traria o fim da “lei natural” e do dever de amar o mundo e ao próximo.

A mesma liberação quis experimentar F. Nietzsche ao declarar a morte de Deus, ou melhor, ao dizer que os homens o haviam assassinado. De modo que para eles a negação ou “morte” de Deus não estaria fundamentada no relativismo, mas seria a origem mesma do relativismo. A afirmação da não existência de Deus seria uma escolha, algo indiscutível e impossível de ser demonstrado a partir de verdades anteriores. E aceitá-lo seria assumir a crença num novo dogma que faria desmoronar todos os demais dogmas. O ateísmo fundaria assim o relativismo na moral e no conhecimento humano.

Embora isso seja claro, é comum pensar que o relativismo funde o ateísmo; que as pessoas que não aceitam Deus, fazem-no porque não querem aceitar a existência da verdade, à qual deveriam se submeter. Isso é um absurdo. O ateísmo parte de uma afirmação que tem valor de verdade absoluta: Deus não existe. Se essa afirmação não fosse tomada pelos ateus como verdade, eles simplesmente deixariam de ser ateus. O relativismo para eles se dá somente nas “verdades” inferiores e todos deveriam se submeter ao imperativo único da nova moral: é proibido estabelecer regras morais.

O interessante é que F. Nietzsche e outros conhecidos filósofos ateus reconheceram que afirmar o relativismo cognoscitivo e o ateísmo é em si mesmo contraditório. O motivo seria que o relativismo implica a afirmação da não existência de verdades absolutas; mas isso se funda, por sua vez, numa verdade absoluta: a não existência de Deus.

Sendo assim, a afirmação da não existência de Deus implica a afirmação da sua existência. Outros pensadores ateus que perceberam bem as contradições do ateísmo contemporâneo foram M. Horkheimer e Th. Adorno. De fato, eles diziam numa obra conjunta, A Dialética do Iluminismo, citando a Nietzsche: «Percebemos “que também os não conhecedores de hoje, nós, ateus e antimetafísicos, alimentamos ainda o nosso fogo no incêndio de uma fé antiga dois milênios, aquela fé cristã que era já a fé de Platão: ser Deus a verdade e a verdade divina”. Sendo assim, a ciência cai na crítica feita à metafísica. A negação de Deus implica em si uma contradição insuperável, enquanto nega o saber mesmo»[2].

Esses autores, ateus e relativistas, que se reconhecem como “não conhecedores e antimetafísicos” alimentam a verdade de sua fé ateia naquela cristã, já presente em Platão: a fé na existência da verdade divina. De modo que só pode afirmar a não existência de Deus, quem aceita que há uma verdade absoluta, divina. Em outras palavras, só pode negar a Deus quem previamente o afirma. Por isso, o ateísmo, ao negar a Deus e a verdade das coisas (que é sempre relativa ao sujeito que a conhece e é progressiva), reivindica para si mesmo o caráter absoluto, próprio do mesmo Deus[3], estabelecendo assim um novo dogmatismo. Portanto, o ateísmo não existe; nada mais é do que uma espécie de idolatria que consiste no colocar-se a si mesmo e as próprias convicções pessoais, por mais contraditórias que possam ser, no lugar de Deus, o único que garante toda a verdade.

***

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.


[1] Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1206138-tendencia-conservadora-e-forte-no-pais-diz-datafolha.shtml

[2] Cfr. F. NIETZSCHE, La gaia scienza, Mondadori, Milano 1971, p. 197; M. HORKHEIMER e Th.ADORNO, Dialettica dell’illuminismo, Einaudi, Torino 1966, p. 125.

[3] Para a elaboração do presente texto me foram úteis as reflexões presentes em: U. GALEAZZI, Il coraggio della ragione. Tommaso d’Aquino e l’odierno dibatitto filosofico, Armando, Roma 2012, pp. 22-38.

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* A vida humana poderia ter surgido sem Deus, fruto do “senhor” acaso, (cego e impotente, como se fosse um ser inteligente e organizado?)

terça-feira, janeiro 8th, 2013

Prof. Dr. Felipe Aquino*

Alguns cientistas ateus tentam usar a Ciência para provar que ou Deus não existe e/ou que não precisamos Dele para explicar a origem do Universo e da vida humana. Fazer isso é manipular a ciência. Nenhuma de suas teses e proposições são satisfatórias, pois Deus está numa dimensão além da ciência. Até hoje ninguém conseguiu explicar a origem da vida, e o que ela é. Um mistério de Deus.

O físico Marcelo Gleiser, ateu confesso, que escreve na Folha de São Paulo, mistura suas crenças ateias com a astrofísica e apresenta uma cosmovisão suspeita, empurrando a física para o lado do ateísmo, ideologicamente.

Em recente entrevista à Tv Bandeirantes, ele tentou mostrar que a ciência pode explicar a origem da vida humana, pelo “Princípio da Incerteza”, mas caiu no vazio como os demais.

Ora, o que ensina esse Princípio?

Este Princípio da Física, é a base da mecânica quântica e foi formulado em 1919 pelo físico alemão Werner Heisenberg; afirma que não é possível ter simultaneamente a certeza da posição e da velocidade de uma partícula e que, quanto maior for a precisão com que se conhece uma delas, menor será a precisão com que se pode conhecer a outra. A teoria do quantumde Max Planck ajudou a entender o porquê disso. Dr. Planck, Prêmio Nobel de física,  estudou profundamente o assunto. É bom dizer que tanto Heisenberg como Planck acreditavam em Deus e eram crentes. É pena que Marcelo Gleiser, que aprendeu com eles a física, não tenha aprendido religião. Heisenberg foi Prêmio Nobel de física em 1932 e disse:

Creio que Deus existe e que dEle procede tudo. A ordem e a harmonia das partículas atômicas têm que ter sido impostas por alguém.” (HEISENBERG, Werner K., dito em Madrid, 1969. Físico, Nobel de 1932).

Max Plank (1858-1947), físico, alemão, criador da teoria dos quanta, Prêmio Nobel 1928, disse:

“Para onde quer que se dilate o nosso olhar, em parte alguma vemos contradição entre Ciências Naturais e Religião; antes, encontramos plena convergência nos pontos decisivos. Ciências Naturais e Religião não se excluem mutuamente, como hoje em dia muitos pensam e receiam, mas completam-se e apelam uma para a outra.  Para o crente, Deus está no começo; para o físico, Deus está no ponto de chegada de toda a sua reflexão. (Gott steht für den Gläubigen em Anfang, fur den Phystker am Ende alles Denkens)”.

Posso ainda citar o Dr. Schrödinger (1887- 1961), criador da mecânica ondulatória, Prêmio Nobel 1933:

“A obra mestra mais fina é a feita por Deus, segundo os princípios da mecânica quântica…”.

Fiz meu doutorado em ciências exatas no ITA e na UNESP, e pude estudar física quântica, cálculo tensorial de Einstein, mecânica relativística, Teoria cinética dos gases, etc., e não encontrei a mínima base científica no que Gleiser colocou para explicar a origem da vida e do Universo pelo Princípio da Incerteza de Heisenberg.

Para Gleiser a vida humana teve origem por acaso, e não tem como fator inicial a origem de vida inteligente. Tudo é obra do “senhor Acaso”cego e impotente, como se fosse um ser inteligente e organizador. É lamentável que um cientista moderno, que escreve em um grande Jornal, ainda apele para o senhor Acaso. O Dr. Adolf Butenandt, Prêmio Nobel em Química, em 1938, por seu trabalho sobre os hormônios sexuais, disse que:

“Com o átomos de um bilhão de estrelas, o acaso cego não conseguiria produzir sequer uma proteína útil para a vida”. (“A Criação não é um mito” , Domenico E. Ravalico, Ed.Paulinas, SP, 1979).

Desde já eu contraponho à tese do Dr. Gleiser, a palavra do maior cientista em biotecnologia dos tempos modernos, Dr. Francis Collins, Diretor do Projeto Genoma Humano, o maior empreendimento em biotecnologia do mundo.

Dr. Francis Collins, que é biólogo, físico, químico e médico, foi um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001. Foi o cientista que mais rastreou genes com vistas ao tratamento de doenças em todo o mundo. Ele escreveu o livro “The Language of God” (A Linguagem de Deus), onde conta como deixou de ser ateu para se tornar cristão aos 27 anos.

Dr. Collings enfrenta os famosos cientistas ateus como Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris, dizendo:

Eu acredito que o ateísmo é a mais irracional das escolhas. Os cientistas ateus, que acreditam apenas na teoria da evolução e negam todo o resto, sofrem de excesso de confiança…”.  (VEJA, Edição 1992 de 24 de janeiro de 2007).

Chega a ser ridículo um físico moderno apelar para o Acaso para explicar a origem do universo e da vida.

Sabemos que o Universo teve origem com o Big Bang, melhor entendido hoje como uma “Big expansion” conduzida por Deus milimetricamente para chegar até o homem; como mostra hoje o “Principio Antrópico”. O Big Bang foi uma genial descoberta do Padre belga Dr. George Lamaitre, amigo de Einstein, que disse-lhe ser “a melhor explicação para a origem do Universo”. Einstein também acreditava em Deus, e dizia que “Deus não joga dados”; isto é, nada é obra do Acaso.

Os físicos do CERN, o maior acelerador de partículas nucleares já criado, a maior maquina humana já construída que custou mais de dez bilhões de dólares, comprovaram a realidade do Big Bang com a descoberta do bóson de HIggs. Os físicos modernos dizem que o Big Bang é a expansão de uma partícula de tamanho quase zero, mas que carrega uma massa e uma energia tão grande que é imensurável. Ora, quem poderia gerar isso senão Deus. Tudo o que existe fora do nada é obra de Alguém. O que existe atrás do “muro de Planck” – o que está antes do Big Bang - ninguém sabe, só Deus.

O Dr. Marcelo Gleiser defende a origem do Big Bang como produto mecânico da energia vital, uma energia que seria origem do ponto ou núcleo que deu origem a expansão do Universo. Mas ele não consegue explicar quem e como surgiu esse núcleo extremamente pequeno de massa e energia infinitas. Apela para o Acaso, uma fuga, e se refugia no Princípio de Heisenberg, outra fuga.

Viemos sim do “pó das estrelas”, mas criados por Deus.

*Prof. Felipe Aquino é doutorado pela UNESP, escreveu 73 livros e recebeu do Papa Bento XVI em 6/2/2012 o título de Cavaleiro da Ordem de São Gregório Magno

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* Ateus em crise: Higgs chama Dawkins de fundamentalista. Físico não é a favor da posição anti-religião adotada por seu colega biólogo.

sexta-feira, janeiro 4th, 2013

Petter Higgs declarou recentemente que Richard Dawkins está sendo um ateu fundamentalista quando se posiciona de forma intransigente contra as religiões.

A declaração foi dada ao jornal espanhol El Mundo e republicada no The Guardian que falou sobre essa diferença de pensamentos entre dois ateus quando o assunto é religião e ciência.

Higgs chegou a dizer que sente vergonha quando vê Dawkins atacando religiosos. “O fundamentalismo é um outro problema. Quer dizer, Dawkins é quase um fundamentalista de si mesmo”, disse.

Para o físico que criou a teoria de que uma pequena partícula seria a responsável por formar a massa presente em todo o universo, a ciência e a religião podem coexistir. “O crescimento da nossa compreensão do mundo através da ciência enfraquece um pouco a motivação que tornam as pessoas crentes. Mas isso não é a mesma coisa que dizer que eles são incompatíveis”.

O bósson de Higgs, também chamado de a Partícula de Deus, foi descoberto em 2012 pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, em Genebra, dando créditos ao físico que pode ser indicado ao Prêmio Nobel.

Higgs afirma que em sua equipe há cientistas religiosos e que é possível manter sua crença e se envolver com a ciência.

O The Guardian chegou a procurar Dawkins para comentar as declarações do físico, mas o biólogo não quis se pronunciar.

Fonte: Paulopes.

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* O “Existencialismo” e o “niilismo” de Sartre à Luz da esperança cristã.

domingo, dezembro 30th, 2012

O Existencialismo constitui uma atitude filosófica mais do que uma escola estritamente dita; norteia-se por certos princípios gerais, sob os quais cada pensador existencialista coloca suas teses próprias; daí também falarem os historiadores de «existencialismos» contemporâneos (haja vista o título da obra de E. Mounier: Introduction aux existentialismes, Paris 1947)

O iniciador do novo movimento, Kierkegaard, era homem profundamente religioso, luterano, que se insurgiu contra a mediocridade da conduta de seus contemporâneos, e lhes procurou despertar a consciência para a responsabilidade cotidiana. Todavia, enquanto viveu, Kierkegaard não encontrou eco. A sua mensagem só se desenvolveu quando em fins do século passado renasceu na Alemanha, apregoada por Karl Jaspers e Martin Heidegger, que lhe deram colorido já não religioso, mas praticamente ateu.

A atitude existencialista se estendeu a outras nações, alimentada pelo mal-estar e o abatimento que duas guerras mundiais consecutivas em nosso século (20) lançaram sobre os povos ocidentais; na França contemporânea, por exemplo, ela tem dois representantes de grande vulto: Gabriel Mareei, católico convertido em 1929, e Jean-Paul Sartre, ateu niilista até as últimas consequências, ao qual se associam de perto Camus, Malraux e Simone de Beauvoir; na Itália podem-se mencionar Abbagnano e Grassi, enquanto a Espanha conta com Miguel de Unamuno.

A variedade de correntes do existencialismo (piedade luterana de Kierkegaard, piedade católica de Mareei, impiedade extrema de Sartre) já mostra bem que o existencialismo não é propriamente uma escola filosófica, mas uma atitude ou tomada de posição geral diante dos problemas capitais do espírito humano. Verdade é que, quando hoje em dia se fala de existencialismo, frequentemente se entende a mentalidade ateia de Sartre. Não há dúvida, o relativismo deletério altamente fomentado pelos escritos de Sartre marcou profundamente o ritmo do pensamento e da vida modernos; muitos dos nossos contemporâneos que não professam teoricamente o existencialismo, na prática respiram o ar do clima existencialista que recobre o mundo atual. Principalmente o existencialismo francês, afirmando-se. pela arte, a literatura, o cinema e pela conduta de vida excêntrica de seus representantes, tem penetrado na sociedade; verifica-se que levou não poucos de seus adeptos, após uma existência debochada, ao desespero e ao suicídio.

Consideremos agora…

1. As linhas mestras da mentalidade existencialista

O existencialismo moderno, em virtude das circunstâncias em que se originou (reação contra o abuso da razão especulativa no século passado – 19), é, antes do mais, anti-intelectual; recusa a construção de um sistema de teses concatenadas a partir de princípios evidentes por si mesmos. Kierkegaard se lamentava só por pensar que, após a sua morte, «professores exporiam a sua Filosofia como um sistema completo de idéias, distribuídas em secções, capítulos e parágrafos»!

Esse anti-intelectualismo leva naturalmente às seguintes principais posições:

1.1) Estima do                                   Desdém da

EXISTENTE                                          ESSÊNCIA

CONCRETO                                        ABSTRATA

CONTINGENTE                                 NECESSÁRIA

TEMPORAL                                        ETERNA

SINGULAR e INDIVIDUAL            UNIVERSAL

Que se entende por tal terminologia ?

A essência de um ser é a sua natureza genérica e específica, natureza que se realiza em todo indivíduo da mesma espécie. Assim a essência de Pedro é a de animal racional; nesta noção plana e indiferenciada, Pedro, Paulo, Maria e Joana se nivelam entre si, independentemente das notas pessoais de cada um. Pois bem; tal trabalho da inteligência que se separa da realidade individual para representá-la num plano genérico e quase «estandartizado» é rejeitado pelo filósofo existencialista. Este volta a sua atenção para o indivíduo «existente» tal como ele semostra no plano concreto e real, não tal como ele se demonstra no plano da especulação e da abstração.

Em outros termos, conforme o existencialista, o homem é o que ele faz, não o que ele pode ou deve fazer. O «poder fazer» e o «dever fazer» pressupõem uma estrutura que define e rege o homem antes que este aja. Ao contrário, o «faz» aponta para o homem existente, concreto, projetado na ordem real. Ora é a este, e não àquele, que o existencialista dá valor; ele não leva em conta estruturas nem leis do ser anteriores à atividade concreta de tal ser; o homem, para ele, nada tem de eterno, de atemporal e necessário, mas é tão contingente quanto o seu modo de agir; o modo de agir esgota simplesmente a definição de homem.

Esta posição filosófica tem ampla repercussão no plano da Moral. O existencialista coerente com suas premissas não reconhece preceitos éticos perenes, válidos para todos os tempos e todos os indivíduos, mas afirma que as categorias do bem e do mal moral são variáveis como as circunstâncias em que cada indivíduo se encontra; é a situação do momento, transitória, que faz a ética de tal pessoa, ditando o que é bem e o que é mal para essa pessoa (bem e mal que poderiam não ser tais para outro individuo humano). Não existe «a Moral» em si, mas existe apenas «minha Moral», como não existe «a Verdade», mas apenas «minha Verdade» (Jaspers). — É essa a «Ética da situação», também dita «Existencialismo ético».

1.2) Estima do temperamento individual, afetivo, em oposição à razão.

Pessimismo e angústia, em oposição a otimismo e paz.

Esta segunda categoria de notas do existencialismo é bem coerente com a anterior. Com efeito, quem menospreza a ação do intelecto, passa a se nortear pelo sentimento ou pelo seu temperamento pessoal subjetivo; a «minha experiência» torna-se então critério estrito para que «eu» afirme ou negue alguma coisa.

E a experiência à qual os existencialistas dão atenção preponderante, é a dos limites e imperfeições que cercam o homem neste mundo. Daí o pessimismo desses filósofos ou a Preocupação («Sorge») de que muito falam Kierkegaard e Heidegger.

Este último, em particular, ensina que, para os homens entregues a uma existência banal, dispersa, perdida no mundo e destituída de sentimentos nobres («uneigentliche Existenz»), a Preocupação acarreta o Medo («Furcht»). Para aqueles que, ao contrário, fogem à dispersão e nutrem em si sentimentos corajosos e nobres, a Preocupação gera a Angústia («Angst»); essa angústia é crescente à medida que o fim da vida se aproxima; a Morte ocasiona a Angústia suprema. O existencialista ateu acrescentaria aqui: tentar esquivar-se à angústia é entrar para o rol dos «tipos imundos» que procuram refúgio na religião, mas até nestes a angústia persiste, à espreita… É preciso que o homem lute desapiedadamente contra a tentação da felicidade; o sofrimento constitui, sim, a condição normal, verdadeiro mal incurável, do homem. Com a morte tudo se acaba, ficando as tendências inatas do homem frustradas no fim deste currículo terrestre. O moribundo é uma bolha que se extingue no ar, é um laço que se desata no palco das tragédias humanas.

Sartre deu a tais idéias um acento particularmente carregado; para ele, o aparecimento do homem no mundo, como o próprio mundo em si, é algo de gratuito, absurdo. O homem vê-se aqui jogado «sem razão, sem causa e sem necessidade»; consequentemente experimenta o asco da vida. Porque existe alguma coisa? «Tudo era demaisEu também era demais», responde Sartre; não obstante, continuaria ele, minha existência é um fato, é uma aventura; queira ou não queira eu, tenho que me afirmar, pois o homem é essencialmente um impulso, um «élan».

A náusea que Sartre experimenta neste mundo se traduz no seu conceito de relações sociais. Não procure o homem consolo algum no convívio com os seus semelhantes, advertia ele; a fraternidade humana é ilusória. O «outro» é inimigo e rival; rouba-me o mundo. “A verde erva dos campos volta para o outro uma face que eu não conheço». E, multiplicando análises implacáveis, Sartre pretende mostrar o ódio irredutível que opõe os seres humanos entre si, mesmo depois da morte. «O inferno são os outros», assevera ele simplesmente.

Esta afirmação é bem ilustrada por famosa peça sartriana: Huis-clos (A portas fechadas). Nesta aparece um quarto de hotel, que por convenção representa o inferno; contém três assassinos, mortos também eles de morte violenta: Estela, Inês e Garcia. Um criado irrepreensível se mostra obsequioso ao extremo para com os três hóspedes. A vida aí parece tão amena, até confortável, que os três clientes perguntam uns aos outros onde estão os tormentos que pensavam encontrar em punição de suas faltas: «Será isto afinal o inferno?» pergunta um dos criminosos. «Nunca o pensei. Recordai-vos? O enxofre, a fogueira, a grelha…»

Eis, porém, que esse quarto misterioso apresenta duas notas características: carece de espelhos e tem as portas inexoravelmente fechadas. Ora basta isso para que a situação se torne verdadeiramente infernal. Sim, diz Sartre, o homem, ao agir neste mundo, nunca encontra a si mesmo, nunca pode refletir sobre si ou, como acontece aos condenados de Huis-clos, nunca se pode mirar no espelho. Doutro lado, os semelhantes com quem convivemos neste mundo, estão sempre a espreitar-nos e a formar um juízo a nosso respeito. Em consequência, acontece que, de um lado, não podemos possuir-nos a nós mesmos e, de outro lado, estamos condenados a ser possuídos pelos outros e a ser arrebatados a nós pela opinião que os outros formulam a nosso propósito.

Vê-se destarte qual a pena a que estão condenados os hóspedes de Huis-clos ou, sem simbolismo, os homens neste mundo: é a pena de terem que viver em sociedade, sem se poderem isolar, tornando-se por conseguinte objeto da opinião dos outros, que os conquista. Feita esta experiência, os clientes de Huis-clos chegam a uma conclusão que Sartre quer incutir aos seus leitores: todo indivíduo humano é demônio e carrasco para os outros; os homens que nos cercam são «demais» e nos causam náusea: «O enxofre, a fogueira, a grelha… ride! Não há necessidade de grelhas: o inferno são os outros!»

1.3) Estima da Ação, em oposição ao Pensamento.

Quem aprecia o concreto existente mais do que a idéia abstrata, não pode deixar de valorizar especialmente a atividade, pois é esta que tem por objeto o ser individual.

Para o existencialista (falamos aqui principalmente da modalidade ateia), o homem está lançado na onda da vida presente, sem poder resistir à impetuosidade da mesma ; em consequência, o individuo tem que se desdobrar ou realizar. Para alcançar tal fim, ele possui uma liberdade. Esta, porém, está longe de implicar dignidade para o homem; é, ao contrário, uma espécie de maldição. Com efeito, a nossa liberdade não quer dizer «faculdade de escolher entre diversos bens», pois não há valor algum fora do homem; qualquer motivo de ação para o indivíduo carece de sentido.

“Cada um dos meus personagens, depois de ter feito o que quer que seja, pode ainda fazer, -o que quer que seja”, observa Sartre, visando inculcar que o homem sempre é livre, porque não há propriamente nem bem nem mal.

Liberdade, por conseguinte, vem a ser apenas a possibilidade de agirmos sem ser coagidos por algum fator extrínseco; é, porém, espontaneidade mecânica, não subordinada ao controle da vontade nem à deliberação do indivíduo.

Todavia o uso da liberdade acarreta uma consequência fatal: a existência é incapaz de conter o seu dinamismo ou as suas tendências; por falta de cerimônias ou de modos, então, ela rompe a sua crisálida ou os seus limites, e extravasa cometendo erros maiores ou menores… Estas falhas — que, segundo a conceituação cristã, constituem desvios morais ou pecados — são inevitáveis, pois decorrem do fato de que o ambiente quer opor à existência empecilhos e fronteiras.

Daí se segue que toda existência humana é um fracasso; cheio de amargura e desespero, o homem posto neste mundo lança-se numa ação inútil.

«Não fazemos o que queremos e, não obstante, somos responsáveis por aquilo que somos. Eis a verdade», diz Sartre. E, se alguém perguntasse ao escritor francês se isto não é absurdo, responderia que sim, evidentemente, como tudo mais é absurdo!

Aliás, à guisa de consolo, prosseguiria Sartre, “o que escolhemos, é sempre o bem», pelo simples fato de que o escolhemos. Donde se depreende que «tanto faz embriagar-se como governar um povo»; o que importa é comprometer-se («s’engager»), e isto, «numa noite sem estrelas, num caminho ladeado de precipícios».

1.4) Estima da Arte, em oposição à Ciência.

Compreende-se esta antítese, dado que a arte tem por objeto o concreto singular, enquanto a ciência visa as essências, ou seja, as definições universais e as leis gerais.

Importante consequência deste fato é que o existencialismo se exprime não propriamente por meio de tratados didáticos, os quais costumam dissecar a realidade, introduzindo-a dentro de categorias racionais; transmite-se de preferência por meio de peças, sejam literárias, sejam teatrais, procurando colher ao vivo o real concreto; tenham-se em vista principalmente os escritos de Kierkegaard, Gabriel Mareei e Sartre (diários, poesias, romances, dramas de palco…).

2. Que direi do Existencialismo ?

Numa tomada de posição frente ao Existencialismo, pode-se começar por reconhecer alguns títulos de apreço que esta ideologia apresenta.

2.1. Valores positivos

a) Reconhecido mérito dos existencialistas é o de haverem reagido contra o intelectualismo exagerado — dir-se-ia mesmo: decadente — que dominava a Filosofia do século passado: lembraram ao mundo que a verdade é desfigurada e se torna letra morta, caso não seja endossada pessoalmente pelo estudioso, excitando nele o senso da responsabilidade e impelindo-o a viver mais intensa e conscientemente determinada missão neste mundo. O conhecimento da verdade é simultaneamente mensagem, ensina a Filosofia perene; exige um compromisso («engagement») da parte de quem se vê atingido pela verdade. Não é digno do homem viver «por procuração», isto é, alheio à realidade concreta, encastelado numa abstração que muitas vezes equivale a comodismo e emburguesamento.

b) O existencialismo fez ver ao mundo, com ênfase única, a angustiosa situação em que a sociedade se coloca, desde que renegue a Deus. Os homens do século passado, enveredando por correntes filosóficas novas, tentaram eliminar a Deus, diria Sartre, com o mínimo de incômodos possíveis, isto é propugnando a validade de leis e sanções, o valor objetivo da ordem pública, sem contudo admitir a existência de Deus; na prática, procediam como se Deus ou um Valor super-humano de fato existisse.

É o famoso escritor Emmanuel Mounier quem observa:

«Sartre censura os sistemas de moral leigos e radical-socialistas por quererem suprimir Deus com o mínimo de incômodos possível. Deus não existe, proclamaram eles, mas não obstante nada será mudado. — Muito ao contrário, responde Sartre com razão, se Deus não existe, tudo está mudado. Não há mais valores espirituais, não há mais nenhum bem necessário, não há mais luz interior» (extraído da revista «Esprit» julho de 1946, 97).

Em particular, Sartre reagiu contra a incoerência afirmando que, se não há Deus, o homem tem o direito de se tornar carrasco e açougueiro, isto é, tem o direito de matar e roubar segundo seus critérios pessoais (muitas vezes apaixonados); é com razão que Sartre assim fala, porque nenhum homem estará jamais habilitado a coibir seu semelhante senão (ao menos implicitamente) em nome de Deus; cf. «P. R.» 21/1959 qu. 1. Claro está que um mundo dominado pelo ateísmo coerente que Sartre apregoa, não pode deixar de parecer tremendamente absurdo, tornando-se assim ocasião de náusea e desespero. — Foi, sim, para esta realidade que o existencialismo apontou mui vivamente.

c) Os existencialistas modernos, afirmando a angústia do homem sobre a terra, não fizeram senão abordar um problema tão antigo como a história do gênero humano; o problema da insuficiência de tudo que é criado, para saciar a sede que o homem tem do Bem. Já o judeu autor do livro bíblico do Eclesiastes (séc. III a. C.), mais tarde S. Agostinho (+430) e, posteriormente ainda, o filósofo Blaise Pascal (+1662) deram expressão à inquietude ou à sede da alma peregrina neste mundo. A filosofia budista, do seu modo, faz eco a essa experiência. Kierkegaard, Heidegger, Jaspers, Mareei e Sartre são outros tantos arautos da mesma necessidade humana. — É sadio, é mesmo necessário, que o homem se dê por insatisfeito com os bens que este mundo lhe oferece; tal é o pressuposto de qualquer autêntica procura de valores. Contudo o existencialismo moderno, longe de ser construtivo como o dos autores anteriores e encaminhar o problema para uma solução, só faz exacerbá-lo… E porque? — é o que passamos a examinar, considerando…

2.2. Os desvios da mentalidade existencialista.

a) A reação contra o intelectualismo exagerado levou os existencialistas ao extremo oposto, isto é, a um anti-intelectualismo que depaupera a personalidade humana. Em «P.R.» 20/1959 qu. 1, procuramos demonstrar a capacidade da inteligência para apreender a verdade; o realismo natural, ou seja, a aceitação de certas proposições que se nos incutem naturalmente, constitui a única atitude filosófica não absurda; a natureza humana é tal que ela só se realiza plenamente, usando da sua razão; caso renegue a esta, o indivíduo, entre outros inconvenientes, corre o risco de cair num misticismo subjetivista, sentimental e cego, que leva ao desespero e ao suicídio, como se tem verificado no existencialismo contemporâneo.

É esta, aliás, a nota que diferencia o existencialismo dos modernos do de pensadores mais antigos: os modernos recusam-se a usar da Lógica e a construir uma Metafísica, dando com isto provas de cansaço ou decrepitude de mente; representam uma mentalidade que perdeu a consciência do seu próprio vigor. Ora isto significa decadência, e decadência semelhante à que se deu no fim da história da Filosofia grega (séc. II a. C. — séc. I d. C.), quando, distanciando-se dos grandes sistemas metafísicos de Platão e Aristóteles, os pensadores se tornaram epicureus, cínicos e céticos…

Caso, ao contrário, se deixe guiar pela razão, o homem ultrapassa os bens contingentes que o mundo sensível lhe proporciona, e apreende as essências que, no dizer de Aristóteles, são algo de necessário, eterno e imutável. Em outros termos: pela razão o homem chega ao conhecimento do Bem Essencial, da Beleza Essencial, da Justiça Essencial, em uma palavra:… do Ser Absoluto, não contingente, o único capaz de responder ao brado espontâneo da alma humana. Eis quanto vale o sadio uso da razão…

b) A mesma observação se poderia formular do seguinte modo:

Todo homem que se renda à evidência, deve reconhecer que deseja um valor: deseja, sim, o bem, a bem-aventurança, mediante qualquer de seus atos (à pergunta: «Quanto queres ser feliz ?», todos responderiam que desejam ser irrestritamente felizes,… felizes tanto quanto isto lhes esteja ao alcance).

Pois bem ; a procura de um valor supõe naturalmente que eu mesmo já seja um valor ; existe, sim, um bem inicial dentro de mim.

É preciso então (e neste ponto o não existencialista se separa do existencialista) que eu tenha consciência de que sou um valor e de que, quando clamo por um bem maior, não faço senão bradar por complemento ou consumação de minha natureza. Não queira eu sufocar esse clamor, tachando-o de absurdo ou desesperado! Pois há, sim, quem lhe responda; existe esse Deus, objeto das aspirações humanas, como existe, sem dúvida alguma, o Norte que invisivelmente atrai a agulha magnética, agulha agitada até que nele se repouse!

c) Quanto à posição de Sartre em particular, niilista ao extremo como é, alguns comentadores julgam-na demasiado antinatural para que o próprio Sartre a possa sustentar durante muito tempo; ela se opõe frontalmente ao fundo de bom senso e de equilíbrio moral de todo homem. O pensamento desse filósofo ainda deve estar em evolução… Os mesmos comentadores consideram a atitude momentânea de Sartre como a possível expressão da veemente decepção ou do escândalo que este escritor terá experimentado ao tomar contato com o mundo contemporâneo: um mundo de homens que vivem preponderantemente em função do dinheiro, do gozo e da opinião pública, totalmente esquecidos dos valores da consciência… Não terá sido sem motivo que Sartre disseminou através das suas peças as figuras, esboçadas com traços ferozes, de indivíduos de má fé e de falsa consciência; estes personagens constituem uma cópia da realidade contemporânea, que Sartre, dolorosamente decepcionado, talvez queira denunciar como absurda e asquerosa. O tempo possivelmente revelará a Jean-Paul o aspecto positivo da natureza humana, pois Sartre não é quiçá um debochado cínico, como parece à primeira vista, mas uma alma de idealista profundamente atormentada pela incoerência do mundo atual! Cf. F. Jeanson, Le problème moral et la pensée de Sartre. Paris 1947; E. Brisbois, Le sartrisme et le problème moral, em «Nouvelle Revue Théologique» 74 (1952) 30-48. 124-145.

Contudo, consideradas em si mesmas, as obras do príncipe do existencialismo contemporâneo são tremendamente deletérias; pelo que o S. Ofício as colocou no Índice dos livros proibidos aos 6 de novembro de 1948

d) Os outros grandes temas a respeito dos quais o existencialismo contemporâneo manifesta concepções errôneas, já foram explanados em fascículos anteriores de PeR. Assim a questão do valor perene dos preceitos morais ou das categorias do bem e do mal moral, em «P. R.»7/1958, qu. 5; o tema do inferno, em “P. R.» 3/1957, qu. 5; o problema da liberdade de arbítrio com seus matizes, em «P. R.» 5/1958, qu. 3, 6 e 7; 7/1958, qu. 5.

A guisa de conclusão, seja aqui recordada uma frase de Nietzsche (+1900), um dos grandes angustiados dos últimos tempos:

«Quero abrir-vos meu coração, ó amigos; se existissem deuses, como poderia eu suportar não ser Deus?»

Por estas palavras era o fundo autêntico da natureza humana como tal que se exprimia. Nietzsche, porém, julgava que seu brado era utópico… O verdadeiro filósofo (não somente o cristão, mas também o grego anterior a Cristo) lhe replicaria que, na verdade, existe Deus e que é possível ao homem ser semelhante a Deus. Para conseguir este objetivo, use da sua razão; esta o levará a Cristo Homem; de Cristo Homem ela finalmente o fará passar a Cristo Deus!… (cf. «P. R.» 8/1957, qu. 1).

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

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* Entre os ateus ingleses, 10% são evangélicos e 1% é “católico”.

sábado, dezembro 29th, 2012

O Centro de Estudos Cristãos Theos, da Inglaterra, publicou os resultados de um estudo realizado pela empresa ComRes.Foram entrevistadas 3.000 pessoas.

Embora a maioria das pessoas do Reino Unido mostre ter alguma forma de crença religiosa, surpreende o fato de que mesmo os ateus e pessoas que nunca frequentam cultos religiosos também se identificam como cristãos.

Pouco mais de 9% das pessoas que afirmam ser ateus continuam ligados à Igreja oficial da Inglaterra, a Episcopal Anglicana, principal denominação evangélica do país. Cerca de 1% entre as que disseram não acreditar em Deus se consideram católicas. Curiosamente, 6% dos ateus dizem fazer uma oração pelo menos uma vez por ano e 17% dizem ler a bíblia. A maioria dos ateus (46%) afirma acreditar que “Os seres humanos são como outros animais, mas são particularmente complexos e essa complexidade dá valor e sentido à vida humana”.

A Igreja da Inglaterra tem vivido uma crise nos últimos anos por conta do crescimento do movimento neoateista no país, liderado por Richard Dawkins, e, ao mesmo tempo, vê o crescimento sem precedentes do islamismo no país.

The Tablet e Theos Think Tank.

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* Contradição: Ateus criam feriado para substituir o Natal: Dia da “Luz Humana”.

terça-feira, dezembro 25th, 2012

Em dezembro, os cristãos comoram o Natal, os judeus o Chanucá e os humanistas agora têm uma nova celebração, o “Luz Humana”. A data escolhida é o 23 de dezembro e pode se consolidar como uma oportunidade para os secularistas terem sua própria cerimônia não religiosa de final de ano.

Em 2012, pelo menos 18 grupos ateístas em diferentes Estados norte-americanos, onde tudo começou. O Estado de Indiana inclusive reconheceu oficialmente, pela primeira vez, a existência do Luz Humana.

“A chave para a compreensão do Luz Humana é entender que trata-se de uma celebração focada apenas na humanidade”, disse Patrick Colucci, um dos criadores do evento. “Queremos celebrar e oferecer uma visão positiva do futuro que acreditamos que os seres humanos podem construir juntos, trabalhando por um mundo mais justo, mais pacífico e com uma melhor qualidade de vida para todos.”

A ideia do Luz Humana surgiu no final dos anos 1990, quando membros da rede Humanista de Nova Jersey, a qual Colucci pertence, começaram a se perguntar o que eles poderiam comemorar no mês de dezembro.

“O período de feriados em dezembro é sempre um motivo de discussão para aqueles de nós que não creem em Deus”, explica Colucci. “O que vamos fazer quando nossas famílias pedem para irmos à igreja e celebrarmos o Natal, mesmo quando não queremos fazer isso?, era a dúvida mais comum. Decidimos que precisávamos de um feriado não religioso”.

Isso também envolveu os filhos dos humanistas, que não entendiam porque suas famílias não celebravam o Natal como a maioria das outras. “É por isso que Luz Humana tem seu foco na família e na comunidade criada por humanistas e pessoas não religiosas”, disse Colucci.

Em 2001, o grupo realizou a sua primeira celebração formal, que incluía uma refeição em família e acender velas que representam compaixão, razão e esperança. Uma quarta vela representa o feriado em si.

“Para ajudar a expressar o significado deste feriado, nós acendemos velas… para simbolizar a iluminação do caminho adiante de nós, em direção a um futuro melhor para a humanidade e para todos nós”.

O movimento tomou corpo entre associações humanistas e, embora não existam práticas pré-estabelecidas, muitos grupos que comemoram o Luz Humana passaram a presentear seus amigos e parentes com livros de ciência, fazer leilões beneficentes, incluindo apresentações musicais e de mágicos ou palhaços para as crianças. Já existem cartões alusivos ao dia, bem como ornamentos típicos e até cânticos”.

No Estado do Colorado, um grupo chamado Humanistas Pelo Bem, vai marcar o feriado deste anos distribuindo alimentos e roupas para os moradores de rua.

Embora tenha um início tímido, as comemorações de Luz Humana estão crescendo. O movimento este ano foi apoiado por líderes de várias organizações humanistas, incluindo Roy Speckhardt, diretor-executivo da Associação Humanista Americana. Para ele, o Luz Humana “oferece uma oportunidade única para mostrar aos nossos vizinhos religiosos que os seres humanos não precisam crenças religiosas para que possam viver uma vida boa, ética e significativa.”

Com informações do The Huffington Post.

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Comentários
  • •Graças ao Senhor. Amém, o Senhor seja louvado!...
    em * Como deixei de ser protestante e
  • •"A quem iremos recorrer?" !!!...
    em * Senador da República REAGE a
  • •Blasfemia, aborto. Ô serpente perseguidora,derrotada, desesperada. Somente Tu Senhor, tens palavra de vida eterna....
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Como posso falar do meu direito enquanto mulher se não respeito o primeiro direito do outro que é o direito a vida, todos temos direito de nascer mesmo se não fomos concebido em...
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •Que essa "ministra" diga isso para a sua descendência porque o coração duro ainda continua nas pessoas, como disse na carta de divórcio admitida por Moisés.Que ela leia o...
    em * Ministra da igualdade da Espanha
  • •esse livro so fala de heresias, e quem e catolico de verdade nao leria este livro horrivel...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •eu ja tinha percebido que o livro nao prestava, pois antes de participar do shalom, eu participava de outra comunidade que apoiva totalmente o livro, mas depois do shalom mudei...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •Triste como essa 'ditadura do relativismo' tem acorrentado e cegado tantos. Se declarando livres e tolerantes não percebem que estão sendo enganados. Um dia, também já me achei...
    em * Por que o ateísmo é tão comum
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