Posts Tagged ‘Ateísmo’

* Ciências, ateísmo e Richard Dawkins.” Ele não entendeu ainda os limites da ciência”.

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Richard Dawkins, biólogo inglês, é hoje um dos grandes nomes do ateísmo militante. Sua defesa do ateísmo pretende ter por fundamento sobretudo as ciências naturais, notadamente a biologia. Sustenta, em linhas gerais, que o mundo, tal como as ciências naturais o consideram, basta-se a si mesmo, e tudo o que nele há de diversificado e maravilhoso é resultado do dinamismo do próprio mundo posto em movimento. Entretanto, cabe uma pergunta: será possível abraçar a doutrina atéia a partir das ciências naturais?

Para ser direto, devo dizer: as ciências naturais, de si, não nos permitem nem afirmar nem negar a existência de Deus. Sim, essas ciências têm uma metodologia e estatuto próprios que lhes dão competência em uma área determinada da realidade, mas que também lhe tiram a competência para outras dimensões do saber. Elas podem alcançar certa dimensão da realidade, mas não a realidade toda.

As ciências que têm por objeto a realidade como um todo são a filosofia e a teologia; esta baseada na fé na Revelação divina, e aquela na aplicação dos princípios racionais. Ora, a questão da existência de Deus diz respeito ao todo da realidade. O que é o real? É só a matéria? O que é a matéria? Para além da matéria existe algo? Só quem tem uma visão do todo pode dizer se Deus existe ou não. Essa tarefa, portanto, se é possível executá-la, cabe à filosofia ou à teologia, únicas ciências que pretendem encarar a realidade como um todo.

As diversas ciências naturais, inclusive a biologia, ciência na qual Dawkins é versado, estão restritas ao mundo material, que é o seu pressuposto inquestionável, sem perguntar se para além desse mundo existe um outro, de natureza diversa. Essas ciências, uma vez admitido como pressuposto óbvio o mundo material, querem saber como esse mundo se comporta, como os diversos fenômenos naturais podem ser explicados, quais as relações entre causa e efeito, etc. Mas tudo restrito ao âmbito desse mesmo mundo.

Sendo assim, todas as vezes que um cientista natural – físico, biólogo, etc – levanta uma questão sobre Deus, sobre o princípio radical do mundo (se é eterno ou não), ou sobre se este mundo visível é o único existente, ou ainda sobre se há ou não um sentido para as coisas e a vida humana; quando, pois, levanta questões assim, o cientista, na verdade, extrapola o âmbito da sua ciência natural e passa a colocar questões filosóficas ou teológicas. Ele, então, já não fala em nome da sua ciência natural. Passa a falar como filósofo ou teólogo sem, às vezes, ter adquirido competência para tal.

Ao descrever os fenômenos da natureza, suas causas e relações mútuas, as ciências naturais não pretendem tirar o véu do sentido radical do mundo. A descrição que fazem pode ser compatível com diversas cosmovisões. No âmbito dessas ciências, se se quer respeitar seu estatuto epistemológico próprio, não se pode decidir pelo teísmo, deísmo, agnosticismo ou ateísmo. É preciso lançar mão de um outro nível de conhecimento, uma visão filosófica ou teológica, para alcançar a decisão sobre o sentido da realidade como um todo.

As ciências naturais podem até apresentar indícios de que o mundo é fruto de uma Inteligência ordenadora e um Poder criador e conservador superior, mas, por si mesmas, nunca poderão dar o veredicto final sobre a existência ou não dessa Inteligência ou Poder. Ou podem insinuar que o mundo se baste a si mesmo e que, malgrado a ordem e as maravilhas que podem ser percebidas na natureza, a origem das diversas coisas e das diversas espécies vivas tenham sua razão de ser no próprio interior do mundo, cujo dinamismo, através do acaso e da necessidade, é o “relojoeiro cego” (Dawkins) que fabrica “relógios” maravilhosos. Mas, repito, não podem decidir, por si mesmas, se o mundo realmente se basta a si mesmo ou se a origem mundana das coisas requer ou não uma origem anterior, não mundana. Em síntese, as ciências podem explicar o como e os porquês mais imediatos dos fenômenos do mundo, mas não têm competência para responder à questão do porquê radical. Veja-se o que diz o ex-ateu Alister MacGrath, com doutorado em biofísica molecular:

“As teorias científicas não podem ser tomadas para ‘explicar o mundo’, mas apenas para explicar os fenômenos observados no mundo. Além disso, argumentam os autores, as teorias científicas não descrevem e explicam tudo sobre o mundo, e nem pretendem fazê-lo – conforme suas propostas” (McGRATH, Alister; McGRATH, Joanna. O delírio de Dawkins. Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins. Mundo Cristão: São Paulo, 2007, p. 53).

O que Dawkins não entendeu é exatamente isso. Não compreendeu os limites próprios do discurso científico, e quis fundamentar na biologia sua tese metafísica (filosófica) ateísta. A tese metafísica de Dawkins sobre a não existência de Deus deve ser debatida no âmbito da filosofia (não digo da teologia porque Dawkins não tem fé, e a teologia a exige como pressuposto), não das ciências naturais.Ora, Dawkins, até hoje, não apresentou nenhum discurso propriamente filosófico para demonstrar que Deus não existe ou para demonstrar que a realidade visível é a única realidade. As pseudo-refutações que faz das “vias” tomistas (argumentos que pretendem demonstrar a existência do Absoluto distinto do mundo), em seu livro Deus: um delírio, mostram, a meu ver, que não compreendeu a natureza dos argumentos. Mas isso já é um outro assunto, do qual pretendo tratar aqui.

Aguardamos ainda de Dawkins, se é que isso é possível, um discurso verdadeiramente filosófico que ateste seu ateísmo. Seu discurso simplesmente não convence.

Veja essa notícia:

Cientista famoso descarta existência de Deus para explicar

origem do universo.

Em seu novo livro, o cientista britânico Stephen Hawking exclui a possibilidade de que Deus tenha criado o universo.

Da mesma maneira como o darwinismo eliminou a necessidade de uma Criador no campo da biologia, Hawking afirma que as novas teorias científicas tornam redundante o papel de um criador do universo.

O Big Bang, a grande explosão que deu origem ao universo, foi consequência inevitável das leis da física, argumenta o famoso cientista em seu livro, que teve trechos revelados hoje pelo jornal britânico The Times. Hawking volta atrás em opiniões anteriores, expressas na obra Uma Breve História do Tempo, na qual sugeria não haver incompatibilidade entre a existência de um Deus criados e a compreensão científica do universo.

“Se chegamos a descobrir uma teoria completa, seria o triunfo definitivo da razão humana, porque desvendaríamos a mente de Deus”, escreveu o astrofísico naquele livro, um best-seller do fim da década de 80.

Em seu novo livro, cujo título em inglês é The Grand Design, Hawking argumenta que a ciência moderna não deixa lugar para a existência de um Deus criador do Universo.

Segundo ele, as condições que deram à Terra o ambiente perfeito para a existência da vida humana são muito menos singulares do que se supunha.

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* Líder ateista satiriza o Cristianismo e “desbatiza” seguidores usando um secador de cabelo.

terça-feira, julho 20th, 2010
Líder ateista satiriza o Cristianismo e “desbatiza” seguidores  usando um secador de cabelo

Um líder ateísta “desbatizou” dezenas de seguidores não crentes usando no ritual um secador de cabelo.

Com o aparelho, simbolicamente, ele retirou toda a água lançada na cabeça durante o batismo tradicional. A cerimônia “desreligiosa” foi exibida no popular programa “Nightline”, da rede ABC, nos EUA.

Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel

Edwin Kagin, responsável pelo “desbatismo”, disse acreditar que os pais cometem um grande erro ao deixar as crianças serem batizadas sem que elas tenham idade para entender o que está se passando. O líder ateísta, criado em família presbiteriana, chega a afirmar que alguns casos de educação religiosa deveriam ser punidos por “abuso infantil”. Ele classifica a sua “anticruzada” como uma “guerra civil religiosa americana”. Formado em Direito, ele percorre os EUA defendendo suas ideias.

“Fui batizada como católica, mas não me lembro de nada. Minha mãe diz que eu gritava muito. Então você pode perceber que mesmo bem nova eu não queria ser batizada. Não é justo. Eu nasci ateia e me forçaram a ser católica”, afirmou Cambridge Boxterman, de 24 anos, que ganhou de Kagin uma “certidão de desbatismo” em Newark.

Ironicamente, um dos filhos de Kagin se tornou um sacerdote cristão fundamentalista depois de ter tido, segundo ele, uma “revelação de Jesus Cristo.

Fonte: ABC

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* Programa diz que “retira” Deus do computador para “proteger as crianças”.

quarta-feira, julho 14th, 2010

Este site americano oferece o GodBlock (Bloqueie Deus, na tradução) que, conforme sugere o nome, bloqueia nas páginas da internet as propagandas religiosas, como estas que às vezes o Google coloca em blogs.

Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica Gospel

O site afirma que o filtro se destina aos pais e às escolas que desejam proteger as crianças da doutrinação da religião, qualquer que seja ela. “Quando instalado corretamente, o GodBlock analisa cada página acessada pelo seu filho, antes de carregá-la, e verifica se há textos sagrados, nomes ou figuras e símbolos religiosos.”

Explica que o programinha surgiu em reação à tendência cada vez mais forte nos Estados Unidos da pregação de fundamentalistas evangélicos, mórmons, batistas, muçulmanos e judeus que “dificultam o avanço da ciência e corrompe a mente das crianças”.

O programa é de graça, mas o site pede donativo de US$ 5 (R$ 8,5).

O doador terá direito a dez adesivos com o logo do GodBlock, como o no braço da garota da foto. Também vende camisetas com o símbolo.

O site publica comentários de internautas, como de Poulter L. Martin: “Finalmente, alguém pensou em proteger as crianças”.

Fonte: E-Paulo Lopes Gospel +

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* Como evangelizar a “Geração Facebook”?

quarta-feira, julho 14th, 2010

Zenit

Entrevista com a escritora Mary Eberstadt

O Cristianismo tem em si uma credibilidade maior do que querem fazer parecer, afirma a autora do livro “The Loser Letters: A Comic Tale of Life, Death and Atheism”, recentemente publicado pela editora Ignatius Press.
Nesta entrevista Mary Eberstadt, pesquisadora do Hoover Institute de Washington, fala de sua abordagem apologética particular direcionada à “geração Facebook”.

Seu livro tem um título provocativo, “The Loser Letters”. O que tinha em mente ao escolher este título?

Eberstadt: “The Loser Letters” é uma sátira epistolar do novo ateísmo, cuja protagonista, A. F. Christian, é uma jovem mundana americana, entusiasta convertida à inexistência de Deus.

O livro é constituído por suas exuberantes cartas de admiração endereçadas aos novos ateus – Dawkins, Hitchens, Dennett e outros. A protagonista busca evidenciar as deficiências de seu movimento com o intuito de reforçá-lo. Mais tarde, com o desenvolvimento da história e a narrativa de sua conversão, o leitor compreende que está ocorrendo algo diferente.

Conforme a protagonista sublinha no início do livro, se os novos ateus têm razão sobre Deus e se todos os crentes no curso da história estavam errados, então Deus seria o maior “perdedor” (“loser”) de todos os tempos. Por essa razão, ela se refere a Deus como o “Perdedor” (“Loser”), com letra maiúscula.

É um livro que se desenvolve em diferentes níveis e que, portanto, os maiores de 16 anos podem lê-lo com interesse, principalmente porque é satírico do início ao fim. Mas eu tinha em mente em especial os leitores com mais de 20 ou 30 anos, que podem nunca ter recebido uma apologética tradicional e que não estão cientes da existência de uma vigorosa tradição que se opõe às argumentações apresentadas pelos famosos ateus modernos.

Para além da sátira, o livro é uma apologética para a geração do Facebook.

Quais são os argumentos convincentes do Cristianismo que deveriam ser considerados pela retórica ateísta na batalha pelas conversões?

Eberstadt: Um dos aspectos do novo ateísmo que possibilitam uma sátira fácil é que seus expoentes, em geral, têm poucos conhecimentos de história. Conforme evidencia A. F. Christian, não sem ironia, os fatos relativos ao Cristianismo do mundo – sejam históricos, intelectuais ou artísticos – são um tanto diferentes do que estes pintam.

Por exemplo – como explica A. F. em uma de suas cartas – se os novos ateus pretendem insistir no assunto dos mortos pela Inquisição, como efetivamente todos o fazem, isto é sem dúvida legítimo; mas o que dizer dos mortos do Comunismo e do Fascismo alemão – os regimes declaradamente ateus responsáveis pelos mais odiosos crimes do século XX?

Em outra carta, A. F. adverte de modo análogo que os ateus passam ao largo das discussões sobre estética, pois esta nada mais seria que uma fonte de problemas. De fato, sublinha ela, a maior parte da melhor música, arquitetura, literatura, pintura e escultura no curso da história humana foi criada em nome do “Perdedor” – ou, no que se refere à antiguidade clássica, dos “perdedores” no plural, como afirma a protagonista do livro.

Estes são alguns dos exemplos de como A. F. Christian coloca os ateus em confronto com suas próprias concepções equivocadas e sua ignorância no que se refere à contribuição judaico-cristã. A protagonista prossegue lembrando os ateus que seu único objetivo ao criticar o movimento é torná-lo mais persuasivo para as pessoas a serem convertidas. Mas, até o final do livro, o leitor descobrirá que nem tudo ocorre como se pensava.

A senhora menciona no livro uma reação do tipo “Ozzie and Harriet”. Do que se trata e qual seu significado em nossa cultura?

Eberstadt: “Ozzie and Harriet” era um programa televisivo americano muito popular na década de 50, protagonizado por uma família feliz composta por pai, mãe e dois filhos. Nos EUA, tornou-se um paradigma que com frequência é usado como estereótipo. Por exemplo, quando os ditos “progressistas” pretendem denegrir o conceito tradicional de família, evocam “Ozzie and Harriet” como um modelo desagradável.

O que é interessante é que esta forma de ostracismo da família natural, promovida sobretudo pelos críticos de esquerda, é desmentida – de maneira surpreendente – pela própria cultura popular dos jovens, que vibra justamente com o desejo daquela família íntegra, composta por mãe, pai e filhos.

Por exemplo, um dos cantores pop mais criticados das últimas décadas é o rapper desbocado Eminem. E, no entanto, ao escutar suas músicas, vemos que as letras remetem continuamente aos temas recorrentes da cultura juvenil: a raiva do pai que abandonou a família, o desejo de dar à irmãzinha um pai de verdade, a determinação de ser um pai melhor.

Esta reação cultural, que é muito concreta para aqueles que efetivamente a escutam e observam suas formas de expressão, é todavia mal compreendida. E, ainda assim, exprime algo de muito profundo: pode-se criar os jovens fora do ambiente da família, mas não se pode erradicar seu anseio por ter uma família natural verdadeira.

Por extensão, creio que os jovens buscam, da mesma maneira instintiva, também por outras instituições tradicionais rejeitadas pela cultura secularizada. Refiro-me em particular à Igreja. Ao narrar as “Loser Letters” em seu próprio vernáculo, espero mobilizar alguns destes anseios profundos.

Diversos livros já foram escritos tratando das incongruências dos ateus, tais como “Faith of the Fatherless: The Psychology of Atheism” de Paul Vitz. A. F. Christian, como nos revelam as páginas do livro, tem uma vida turbulenta e marcada pelo uso de drogas. Este elemento tem a intenção de expressar algum humor negro?

Eberstadt: Absolutamente sim. A. F. Christian poderia, num certo sentido, encarnar qualquer jovem. É uma personagem com a qual todos podem se identificar: uma jovem nascida numa família religiosa, que frequentou a universidade e acabou por perder a fé, para então, mais tarde, na vida adulta, perceber que o abandono religioso se mostrou danoso.

O que tento destacar é que as coisas ruins que ocorrem com A. F. não se dão por acaso, mas justamente porque nosso mundo secularizado torna os jovens mais vulneráveis a todo tipo de tendências nocivas. E creio que isto seja especialmente verdadeiro para as meninas.

Fazer apologia da liberdade sexual, como todo ateu faz, tem um aspecto negativo que nenhum deles admite: torna mais fácil a exploração das mulheres, em nome da liberdade – como acaba descobrindo a própria A. F.

Seu livro é uma sátira sobre a incapacidade do ateísmo em compreender certas realidades. Há algum conselho – além, é claro, o de ler o livro! – sobre como os católicos podem contribuir para a difusão da verdade sobre o que o Cristianismo tem realmente a oferecer?

Eberstadt: Uma das razões do sucesso das retóricas ateístas no ocidente reside no fato dos ateus serem assertivos, francos e enérgicos em suas considerações. Os jovens respondem positivamente aos adultos assertivos.

Assim, creio que a solução para aqueles dispostos a contrastar este movimento – ou aqueles que simplesmente desejam evitar tornarem-se insensíveis a nossa civilização ocidental – seja aprender com o próprio movimento ateísta sua postura pró-ativa.

Não importa se somos escritores, líderes entre os jovens, educadores ou operários; todos somos chamados a assumir uma posição, mais cedo ou mais tarde. E quando o fizermos, devemos fazê-lo – para falar em linguagem futebolística – no ataque, não na defesa. Também por essa razão decidi escrever este livro.

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* Ateus e fiéis das religiões pós seculares – dois interlocutores a serem atingidos pela evangelização da Igreja.

quinta-feira, julho 8th, 2010

Nossa evangelização não pode ser “pescar peixe em aquário” .

Preocupa-me sobremaneira como dialogar com esse homem, resistente ao Cristianismo e que pensa viver bem sem Deus.Um diálogo respeitoso mas explÍcito daquilo que cremos , porque e para que cremos e, principalemnte EM QUEM CREMOS.

Não é apenas uma questão de preparação intelectual ou humana, mas PRINCIPALMENTE a consciência de que é na UNÇÃO do Espirito Santo que conseguiremos atingir esse homem.

Por mais tentadora que seja, não é a partir da” sabedoria humana” ou do conhecimento que atingiremos o homem. Penso que essa sabedoria humana do evangelizador é apenas o ponto de partida para um diálogo que leve esse homem ao encontro de Cristo e que não se fixe apenas no debate pelo debate.

As idéias não salvam! iluminam e preparam, mas também elas precisam de remissão.

Fomos enviados a todos os homens.

A TODOS! não escolhamos os mais fáceis mas aqueles a quem o Senhor da História nos enviar.

É urgente!

***

A missão ad gentes está diante de dois interlocutores que até hoje não foram suficientemente enfocados: num extremo estão os sem religião e os sem Deus  e no outro lado estão os sem Deus com uma religiosidade funcional e descompromissada.

Em ambos os contextos é preciso, antes de apelar à natureza missionária e sua explicitação semântica (cf. AG 2; DAp 347), cultivar a capacidade dialogal dos missionários que lhes permite um transito respeitoso e respeitado nesses ambientes. A missão ad gentes é antes de tudo uma missão testemunhal que sabe antes de falar, viver a razão de sua esperança (cf. 1 Pdr 3,13-16) nos códigos culturais desses interlocutores”, escreve Paulo Suess assessor teológico do Cimi.


“Estou convencido de que há de se seguir dizendo não,
ainda que se trate de uma voz predicando no deserto”.
José Saramago

“Marx diz que as revoluções são a locomotiva da história,
mas talvez seja tudo muito diferente, e as revoluções representem
tentativas da humanidade (…) de puxar o freio de emergência”.
Walter Benjamin

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre José Tolentino, declarou que com a morte de José Saramago, dia 18 de junho p. p., Prêmio Nobel de Literatura de 1998 e ateu confesso, “a Igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente”.[1]

Nas categorias do censo do CERIS[2], de 2004, com enfoque na migração religiosa, Saramago pertence ao pequeno grupo de 7,8% dos que se declaravam “sem religião”.[3] Na pesquisa do CERIS, os “sem religião” são compostos por cinco categorias diferentes. “Sem religião” pode significar, “possuir uma religiosidade própria sem vínculo com igrejas” (41,4%); pode significar também “não frequentar nenhuma igreja e não possuir crenças religiosas” (29,4%), “não acreditar nas religiões” (15,1%), “não ter tempo para frequentar a igreja” (23,2%), e “não acreditar em Deus” (0,5%).

Portanto, dos 7,8% “sem religião”, só meio porcento se declara ateus.

Saramago pertence ao pequeno grupo de pessoas que não acredita na existência de Deus.

Parece oportuno no Comina, que reúne institucionalmente iniciativas missionárias organizadas na Igreja Católica, refletir sobre esses novos destinatários da missão ad gentes cujas respostas aos enigmas da vida dispensam qualquer crença na existência de Deus. Ao lado destes “sem religião” ou “pós-metafísicos” surgiu o grupo dos “pós-seculares”. Frustrados com certos aspectos da modernidade deixaram o pensamento secular de lado e voltam novamente ao mundo religioso com suas promessas de prosperidade e configurações esotéricas, idolátricas e terapêuticas.

O mundo pós-secular desmente a tese do progressivo desaparecimento da religião pela secularização (Max Weber).

Não se trata de um fenômeno que permite aos cristãos cantarem vitória. A religião dos pós-seculares é composta por muitas religiões. Precisa “muita religião, seu moço! (…) Uma só, para mim é pouca”, diz o Riobaldo do “Grande Sertão” de Guimarães Rosa.[4] Na religião dos pós-seculares encontra-se a religião do cangaceiro com a religiosidade do traficante de droga, que antes do assalto a um Banco invoca a proteção de Nossa Senhora e depois, na cadeia, se torna crente. Mas nem todos os pós-seculares são traficantes.

A religiosidade pós-secular não assume um compromisso com Deus, nem com verdade e racionalidade. Ela serve para criminosos e zeladores pela ordem, para exóticos e góticos, para prósperos e pobres. Trata-se de um mundo religioso caracterizado por certa regressão infantil e sem responsabilidade com o próximo, além daquilo que a lei civil prescreve.

Por conseguinte, a missão ad gentes está diante de dois interlocutores que até hoje não foram suficientemente enfocados: num extremo estão os sem religião e os sem Deus  e no outro lado estão os sem Deus com uma religiosidade funcional e descompromissada.

Em ambos os contextos é preciso, antes de apelar à natureza missionária e sua explicitação semântica (cf. AG 2; DAp 347), cultivar a capacidade dialogal dos missionários que lhes permite um trânsito respeitoso e respeitado nesses ambientes. A missão ad gentes é antes de tudo uma missão testemunhal que sabe antes de falar, viver a razão de sua esperança (cf. 1 Pdr 3,13-16) nos códigos culturais desses interlocutores. O diálogo com o outro exige do missionário não só informação sobre seus próprios artigos de fé, mas também sobre aquilo que se discute nos Areópagos do mundo (cf. DAp 491). Além dessas informações fundamentais precisa saber, que todo seu saber sobre Deus é um saber analógico. O saber das ciências, grosso modo, trabalha com adequações, não com analogias. Mas também o saber do outro, seja científico ou multirreligioso, sempre se esgota no portal do mistério.

Acreditar, por exemplo, no surgimento dos seres humanos pelo acaso exige tanta fé como acreditar que de um saco de letras jogadas no chão poderia sair um poema de Drummond de Andrade. Acreditar no acaso do processo evolutivo não exige menos fé do que acreditar no dedo de Deus. O mistério da fé é profundo. Antes das perguntas sobre o processo da evolução caberia a pergunta: E os dinossauros, de onde surgiram? Por que existe algo, que se pode desenvolver, e não nada? É a pergunta que Heidegger faz na sua Introdução à Metafísica (1953): “Por que existe ser (ente, algo) e não antes nada”? É também a pergunta fundamental da cosmologia que procura explicar a origem do universo. A síntese produzida entre fé e ciências por Agostinho e que prevaleceu até Tomás de Aquino, hoje está rachada. O saber secular não se mistura com o saber revelado do judeu-cristianismo salvífico.

As ciências “exatas” pesquisam aspectos parciais e particulares dos seus objetos. As questões de filosofia e religião estão relacionados com os sujeitos e sua capacidade cognitiva, narrativa e praxistica. Na explicação da totalidade, a religião ficou desamparada.

Faz meio século que vivemos uma despedida estrutural de todas as perguntas sobre totalidades imagináveis, hoje denunciadas como “grandes narrativas” autoritárias e ideológicas. Vivemos num mundo do “pós”, do “postismo” e da fragmentação das totalidades. Vivemos num mundo pós-moderno, pós-estrutural, pós-marxista, pós-secular.

Antes do por do sol, o hoje já se tornou ontem e o que era ou se poderia tornar tradição, já se tornou doutrina contestada, fragmento, contexto, contingência, transitório. Neste mundo, Deus, verdade e razão – em sua compreensão teórica e existência real – são sociocultural e historicamente situados e relativizados. Pressionados pela aceleração do tempo cultural e produtivo, têm prazos de vencimento e estão submetidos a imperativos de releituras e reinterpretações.

A fragmentação daquilo que compreendemos como realidade rompeu com tradições ou explicações de longa duração, quebrou a imagem de um Deus a-histórico, vetou o acesso a uma compreensão da verdade como eterna e preestabelecida, e nos confronta com uma razão dialeticamente rachada em razão vivencial e instrumental. Nos diferentes cristianismos convive o Deus da gratuidade com o Deus da prosperidade, o Deus Todo poderoso (el shadai) com o Cordeiro de Deus imolado e crucificado.

Como Igreja missionária estamos entre o mundo ateu, entre os crentes no acaso da existência humana e o mundo pós-secular. O mundo pós-secular é o mundo daqueles que estão de volta da montanha da secularização. Querem novamente, numa fase regressiva, mamar no seio da religião, sem compromisso com Deus e sem responsabilidade por uma comunidade.

Os pós-seculares compõem, no mercado religioso, uma cesta básica, um jogo de unidades curativas e lucrativas. Religião, nesta constelação, é um programa terapêutico de mitigação, de consumo e acumulação. O mundo pós-secular é o mundo aborrecido com o mundo adulto, com a autonomia, a igualdade e a liberdade. Não enfrenta os abusos da modernidade secular, mas se contenta com elementos compensatórios e alienantes das religiões, em aliança com elementos da pré e pós-modernidade.

O mundo dos ateus representa um aspecto da modernidade que não exerce grande atração ou tentação para a Igreja. Já o mundo pós-secular, que muitas vezes não se diferencia do mundo pré-secular da cristandade, o mundo de escolha religiosa múltipla, unindo elementos da pré-modernidade com elementos da pós-modernidade

Para os missionários é mais fácil ceder à regressão pré-moderna e pós-secular que para tudo oferece explicações religiosas, do que ir ao encontro dos ateus, que para muitas situações vivenciais estão sem consolo, inclusive estão sem consolo para os mortos injustiçados. Realmente, numa situação terapêutica e pastoral, é mais difícil ser missionário da libertação anunciando, como imperativo evangélico, um novo modelo civilizatório na contramão do pensamento hegemônico, sem prometer prosperidade e consolo imediato. A situação missionária entre ateus é mais clara do que entre os pós-seculares que fingem serem os representantes da verdadeira religião de Jesus Cristo.

Qual é o querigma missionário a ser anunciado nos dois mundos que representam, por um lado, uma incompatibilidade entre fé e ciência e, por outro lado, a distância entre uma religião de revelação e a de self-service?

Entre a ciência secular e o saber revelado por Deus é difícil encontrar mediações. Trata-se de dois níveis diferentes. Isso não quer dizer, que o cientista seja necessariamente um ateu. Ele pode ser crente sem ser incoerente com a ciência. O bom cientista conhece os limites de sua disciplina. A fé é uma opção que não contradiz a ciência. A interlocução missionária se situa no lugar do facilitador e catalisador dessa fé possível. Ao mesmo tempo em que o missionário reconhece positivamente a independência da ciência e a neutralidade religiosa do Estado secular, é ele, montado nos ombros da ciência, que vê mais longe.

Um pós-secular da múltipla escolha não é propriamente um seguidor de Jesus Cristo, mas um interlocutor da missão. Neste caso, missão significa transformar a perspectiva da prosperidade em perspectiva de gratuidade, o narcisismo em altruísmo e solidariedade, significa afunilar os múltiplos caminhos e escolhas no Caminho único que é Jesus Cristo.

Um agnóstico como Haberma nos lembra de três dons, que são ao mesmo tempo tarefas próprias do cristianismo para o mundo secular. O mundo civil e o estado secular (neutro em sua aceitação das religiões) não podem oferecer:Solidariedade, ritualidade e comunidade.[6] Observa-se hoje uma tendência, estimulada pelo mercado e pela concorrência laboral, que produz em muitos setores da sociedade uma desolidarização.

O cristianismo tem a tarefa de criar uma consciência dessa solidariedade ferida, uma consciência para aquilo que falta, para a injustiça que grita para o céu. A dignidade humana exige ritos, ritos de acolhida, de passagem, de despedida que a sociedade secular não oferece. O missionário relaciona seus mistérios de fé não só com outras religiões, mas também com a ciência e sua produção do saber secular.

Notas:

[1] Cf. ESTADO DE S. PAULO, 19.6.2010, H2, Especial.
[2] Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais.
[3] Segundo essa mesma pesquisa do CERIS, a população brasileira é constituída de: 67,2% católicos, 4,1% evangélicos históricos, 13,9%  evangélico de corte pentecostal, 3,4% pertencem a outras religiões e 7,8% se declaram “sem religião”. Cf. ALVES FERNANDES, Sílvia Regina (org.). Mudança de religião no Brasil: desvendando sentidos e motivações. Rio de Janeiro; São Paulo: CNBB; CERIS; Palavra & Prece, s.d., p. 62.
[4] ROSA GUIMARÃES, João. Grande sertão: veredas. 13a ed., Rio de Janeiro: José Olimpio, 1979, p. 15.
[5] PLATÃO. Fedro. São Paulo: Martin Claret, 2007, p. 118 [274 d, 275 a, b].
[6] Cf. REDER, Michael; SCHMIDT, Josef (org). Ein Bewußtsein von dem, was fehlt. Eine Diskussion mit Jürgen Haberma

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* O cientista que crê em Deus.

domingo, junho 27th, 2010

iG

    Quando foi convocado para substituir o biólogo James Watson – um dos descobridores da estrutura de dupla hélice do DNA – na liderança do recém criado Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, em 1993, o geneticista Francis Collins já era um pesquisador conhecido e já havia descoberto a localização de genes responsáveis por três doenças importantes: fibrose cística, distrofia muscular de Duchenne e doença de Huntington.

    Dono de um currículo impecável dentro do mundo científico e de um entusiasmo contagiante em relação a tudo o que se refere à genética, Collins foi encarregado de encabeçar um consórcio público integrado por centros de pesquisa norte-americanos, britânicos, franceses, alemães e japoneses – o chineses vieram mais tarde – com a tarefa hercúlea de seqüenciar todos os três bilhões de pares de bases que constituem o DNA humano.

    Foto: Divulgação

    O médico Francis Collins em seu laboratório de pesquisas: reconciliação com Deus

    Entre 1995 e 1999, Collins e sua equipe protagonizaram, com a Celera Genomics, do cientista Craig Venter, uma competição acirrada pela primazia no anúncio do seqüenciamento completo do “mapa da vida”. A corrida entre os consórcios público e privado culminou com um anúncio em conjunto, na Casa Branca, de que o Genoma Humano estava finalmente completo e pertencia, a partir dali, a toda a humanidade.

    A data histórica ainda não havia completado seu sexto aniversário quando, em 2006, Collins lançou, nos Estados Unidos, o livro A Linguagem de Deus (Ed. Gente), no qual discorria sobre como havia resolvido dentro de si o dilema entre fé e ciência. Em 300 páginas escritas com elegância e sinceridade, um dos mais notórios homens da ciência admitiu ao mundo que acreditava piamente em Deus. A obra reacendeu o velho debate entre crentes e ateus, movimentou evolucionistas e criacionistas e suscitou embates históricos – o mais famoso deles deu-se entre Collins e o zoólogo e evolucionista britânico Richard Dawkins.

    A polêmica, no entanto, não foi suficiente para abalar o prestígio de Collins na comunidade científica ou afastá-lo das salas de aula e dos centros de pesquisa. Pelo contrário. No ano passado, ele foi nomeado por Barack Obama para dirigir os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, aos quais está diretamente ligado o Instituto Nacional de Pesquisa do Genoma Humano, que ele liderou ente 1993 e 2008.

    Como o prestígio do cargo no âmbito da ciência o coloca mais ou menos na mesma posição ocupada por Obama entre os chefes de estado do planeta, há quem diga que a crença religiosa do cientista o coloca em uma situação delicada, levando-se em conta que Collins tem sob sua responsabilidade controlar um orçamento de mais de 30 bilhões de dólares destinados exclusivamente a pesquisas biomédicas e de saúde.

    “Será que devemos confiar o futuro da pesquisa biomédica nos Estados Unidos ao homem que sinceramente acredita que a compreensão científica da natureza humana é algo impossível?” chegou a questionar o neurocientista e escritor Sam Harris em um editorial publicado no jornal The New York Times, logo após a nomeação de Collins.

    Alheio à polêmica gerada em torno de suas crenças, o cientista cristão segue firme no cargo e acaba de lançar mais um livro. Entitulada A Linguagem da Vida (Ed. Gente), a obra é um apanhado sobe as mais recentes descobertas pós-genoma. Nela, Collins conta – entre outras coisas – os bastidores do Projeto Genoma sob sua ótica e mostra ao leitor como genética está conduzindo a medicina para um caminho de total transformação. Um caminho onde, segundo ele, a personalização dos tratamentos já é uma realidade e a prevenção e a detecção precoce de doenças serão uma ciência cada dia menos imprecisa.

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    * A Evolução histórica do ateísmo e seu inimigo “número 1″: A fé Cristã.

    quarta-feira, junho 23rd, 2010

    O artigo é um pouco longo , mas apresenta um resumo muito interessante da evolução -dentro da História- do ateísmo.

    Resista a tentação de deixar de ler pelo tamanho. Uma das criticas que fazem a internet é sua capacidade de reforçar a análise superficial das questões por sua linguagem intantânea e pela impaciência dos leitores sempre ávidos por novidades e que passam “correndo” por temas que exigem um pouco mais de raciocinio e reflexão.

    Sem perceber, acabamos sendo repetidores de conceitos e reprodutores de ideologias erradas e sem fundamento.

    ***

    Pois certos homens ímpios se introduziram furtivamente entre nós, os quais desde muito tempo estão destinados para este julgamento; eles transformam em dissolução a graça de nosso Deus e negam Jesus Cristo, nosso único Mestre e Senhor” (Jd 1,4).

    Voltaire
    Voltaire, que com o propósito de questionar a Igreja, na verdade, apontava sua carga para a doutrina cristã, por ela preservada. Fica claro quando afirma“(...)ela (a Igreja) é a origem de todas as tolices e de todas as perturbações imagináveis. Tem sido a mãe do fanatismo e da discórdia civil. Se há
    uma inimiga declarada do gênero humano é ela. Atentai para isso”

    Ao estipularmos uma linha de tempo imaginária sobre os períodos do pensamento humano, veremos que a partir da Reforma e do advento dos filósofos iluministas acentuou-se um declarado e acirrado combate dialético contra o Cristo.

    Obviamente, isso teve início de forma dissimulada, ainda um pouco antes. A princípio, questionando-se o absolutismo monárquico e, de tabela, o papel da Igreja Católica.

    Voltaire, ícone do Iluminismo, por exemplo, com o propósito de questionar a Igreja, na verdade, apontava sua carga para a doutrina cristã, por ela preservada. Fica claro quando afirma“(…) ela (a Igreja) é a origem de todas as tolices e de todas as perturbações imagináveis. Tem sido a mãe do fanatismo e da discórdia civil. Se há uma inimiga declarada do gênero humano é ela. Atentai para isso”.

    Mas a quais tolices, fanatismo ou perturbações inimagináveis Voltaire se refere? A preservação da integridade do Evangelho de Cristo?

    Uma história que não é contada: após a queda do império romano e em meio às sucessivas invasões bárbaras, a Igreja Católica construiu o ocidente

    Queda  do império romano
    Em meio a um tempo caótico, os cristãos medievais salvaram o que havia de bom na cultura greco-romana, após a invasão dos bárbaros, e a desenvolveram de modo cristão, lançando as bases da nossa civilização moderna

    Na verdade, conforme reflete o professor Felipe Aquino em seu livro Uma História que não é contada, (1) os mil anos de Idade Média (476-1453) foram uma fase valiosa e rica da história da humanidade, onde a nossa civilização ocidental, hoje preponderante, foi “preparada e moldada pela luz de Cristo”.

    Em meio a um tempo caótico, os cristãos medievais salvaram o que havia de bom na cultura greco-romana, após a invasão dos bárbaros, e a desenvolveram de modo cristão, lançando as bases da nossa civilização moderna.

    A cultura predominantes em nossos dias é a ocidental, e esta tem sua origem na Europa medieval moldada pela Igreja. A época moderna não surgiu a partir do nada; seus valores foram cultivados na Idade Média; como, então, esta poderia ser negativa? A Idade Média é a raiz boa da nossa Civilização Ocidental; e não, como querem alguns, a decadência do mundo romano antigo. A Idade Média berçou o mundo moderno.

    Foi durante toda a Idade Média que se estendeu o trabalho paciente e árduo da Igreja na construção do Ocidente. Hoje, historiadores sérios admitem que é anti-histórico afirmar que a Idade Média foi um período de trevas, em função do Cristianismo.

    Todo o centro do conhecimento e das artes do Ocidente floresceu a partir do advento do Cristianismo, uma vez que as primeiras universidades foram fundadas pela Igreja

    Mosteiro de S. Bento
    Como negar a contribuição da Igreja na arquitetura, na literatura, na pintura, na música, na educação, no ensino e, sobretudo, na cristianização do rude homem mediaval, persuadindo-o a olhar em direção a Cristo?

    Historicamente falando, como negar a contribuição da Igreja na arquitetura, na literatura, na pintura, na música, na educação, no ensino e, sobretudo, na cristianização do rude homem mediaval, persuadindo-o a olhar em direção a Cristo?

    Como negar a ação evangélica da Igreja? A importância do monaquismo na preservação da cultura greco-romana e da própria tradição cristã? Quantas aldeias tornaram-se metrópolis ao se formarem sob os muros acolhedores dos mosteiros, onde os sinos proclamavam que almas consagradas estavam reunidas diariamente em torno do ideal do Cristo?

    Como negar os grandes santos, filósofos e cientistas que vicejaram do seio da Igreja numa época tão desfavorável? Por que não se fala, hoje em dia, que todo o centro do conhecimento e das artes floresceu a partir do advento do Cristianismo e, por isso mesmo, as primeiras universidades foram fundadas pela Igreja?

    A Igreja Católica construiu a cultura ocidental

    Universidade de Bolonha
    Iluminura do séc. XV que mostra uma cena de aula na Universidade de Bolonha, primeira universidade nascida do seio da Igreja Católica. O professor, de sua cátedra, lê sua lição, e os alunos acompanham com seus livros

    E por falar em universidades, a primeira delas foi a de Bolonha, em 1158, na Itália, que teve a sua origem na fusão da escola episcopal com a escola monacal camalduense de São Félix.

    A segunda universidade que teve maior fama foi a Sorbone de Paris, que surgiu da escola episcopal de Notre-Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon. Ali estudaram grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino.

    O documento mais antigo que contém a palavra “Universitas” utilizada para um centro de estudo é uma carta do papa Inocêncio III ao “Estúdio Geral de Paris”. A universidade de Oxford, na Inglaterra surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbone de Paris. Foi apoiada pelo papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254.

    Osford
    A universidade de Oxford, na Inglaterra surgiu de uma escola monacal organizada como universidade por estudantes da Sorbone de Paris. Foi apoiada pelo papa Inocêncio IV (1243-1254) em 1254

    Até 1440 foram erigidas na Europa 55 Universidades e 12 Institutos de ensino superior, onde se ministravam cursos de Direito, Medicina, Línguas, Artes, Ciências, Filosofia e Teologia. Todos fundados pela Igreja. Das 75 Universidades criadas de 1100 a 1500, 47 receberam a Bula papal de fundação, enquanto muitas outras, seculares, receberam a mesma bula posteriormente.

    Talvez seja interessante aqui refrescarmos a memória, uma vez que o ensino contemporâneo não dá o foco que estamos avaliando no presente estudo. Só na França havia uma dezena de universidades: Montepellier (1125), Orleans (1200), Anger (1220), Bolonha (1111), Pádua, Nápoles e Palerno. Na Inglaterra: Oxford (1214), nascida das Abadias de Santa Frideswide e de Oxevey, Cambridge. Além de Praga na Boêmia, Cracóvia (1362), Viena (1366), Heidelberg (1386). Na Espanha: Salamanca e Portugal, Coimbra. Todas fundadas pela Igreja Católica —a mesma erigida pelo próprio Cristo.

    Afinal, que “luz” espiritual trouxeram os iluministas que tenha sido superior a do Cristo e Seu Evangelho?

    Sorbonne
    A segunda universidade fundada pela Igreja Católica foi a Sorbone de Paris, que surgiu da escola episcopal de Notre-Dame. Foi fundada pelo confessor de S. Luiz IX, rei de França, Sorbon. Ali estudaram grandes santos como Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e São Tomás de Aquino

    Por que, então, engolimos o engodo Iluminista (Illuminati)governo oculto que astutamente incutiu nas mentes a idéia de que a Idade Média cristã foi uma longa “noite escura” no tempo?

    E afinal, que “luz” espiritual trouxeram os iluministas que tenha sido superior a do Cristo e Seu Evangelho?

    Certamente é muito oportuno avaliarmos aqui o tipo de claridade dessa “luz”. Que começa, aliás, nas artes e literatura, quando passou-se a desenvolver todo tipo de agressão à dogmática religiosa.

    Essa verdade pode ser constatada nas obras literárias de Sheakespeare (1564-1616), Camões (1524-1580), Maquiavel (1469-1527), Lope de Vega (1562-1635), Jerônimo Bosch (1450-1516).

    Nas artes, a tendência espiritual começou a sofrer golpes de Giotto (1266-1337), Botticelli (1455-1510), Leonardo da Vinci (1452-1519), Masaccio (1401-1428), Hans Holbein (1497-1543) e Albert Dürer (1471-1528).

    Mosteiro de S. Bento
    Mosteiro de S. Bento, cuja história se confunde com a história de São Paulo

    Como sempre, todos esses artistas, de uma maneira ou de outra, financiados pela elite do mecenato, instituição de vários burgueses mecenas que financiavam a literatura, as artes e as esculturas segundo  interesses próprios e de mercado.

    Em seguida, com o desenvolvimento do Iluminismo, a partir dos séculos XVII e XVIII, começou a declarada destruição da análise teocentrista da humanidade.

    O ponto de partida, como sempre, foi a exarcebada apologia ao humanismo dissimulado em questionamentos ao “absolutismo” e em pról dos “direitos do cidadão”, filosoficamente orquestrado e patrocinado pelos dissimulados adeptos das sociedades secretas, já como medidas do grande plano do governo oculto do mundo, para destronar o Cristo, conforme alerta francamente Maria Santíssima em Suas inúmeras mensagens.

    Na França, Voltaire (1694-1770) foi o maior dos filósofos iluministas e um dos maiores críticos do Antigo Regime e da Igreja. Defendeu a liberdade de pensamento e de expressão. Mas a liberdade de pensamento e de expressão, no caso, significa liberdade de pensamento e de expressão desvinculada da doutrina cristã. Ao combater a Igreja de Cristo enreda-se também Sua doutrina, preservada por essa instituição por Ele mesmo edificada. E, por isso mesmo afirmava em suas cartas: Ecrasez l´infâme, esmague a infame, isto é, a Igreja de Cristo.

    A idéia de uma fraternidade em bases puramente humanas, sem a necessidade de Deus

    Iluminismo
    Um vasto movimento proclamava a soberania da razão sobre a fé e acalentava a certeza de que a humanidade seria capaz de um progresso indefinido, no qual encontraria a felicidade e criaria uma fraternidade em bases puramente humanas, sem necessidade de recorrer a Deus

    O triunfo da apostasia e do ateísmo preconizados em La Salette se evidenciaria de forma brutal com a revolução russa de 1917, que implantou o comunismo, ou seja, o ateísmo militante e despótico.

    Era o desfecho de parte de um longo trabalho ideológico, iniciado em fins do século XVII, no mundo religioso e cultural da cristandade e que recebeu o nome de “ilustração racionalista”.

    Esse vasto movimento proclamava a soberania da razão sobre a fé e acalentava a certeza de que a humanidade seria capaz de um progresso indefinido, no qual encontraria a felicidade e criaria uma fraternidade em bases puramente humanas, sem necessidade de recorrer a Deus.

    “A natureza — escrevia Emanuel Kant (1724-1804) — quer que o homem tire tudo de si… e que não participe de outra felicidade e perfeição além daquela que é capaz de proporcionar a si próprio mediante a razão”.

    E Carlis Lamont: “Os seres humanos possuem poder para resolver seus próprios problemas, através de uma confiança aplicada primariamente à razão e a métodos científicos, levados avante com coragem e visão”. (2)

    O pensamento filosófico dos últimos séculos mostra claramente que o furor anticlerical rapidamente enviesou-se contra a figura do próprio Cristo e de toda a teologia cristã

    Filósofos
    Arthur Schopenhauer (Danzig, 22 de Fevereiro 1788 — Frankfurt, 21 de Setembro 1860) que influenciou fortemente Friedrich Wilhelm Nietzsche (Röcken, 15 de Outubro de 1844 — Weimar, 25 de Agosto de 1900)

    E desses ideais doutrinários humanistas em que Deus é posto de lado nasceriam estados totalitários e absurdamente despóticos como jamais vistos.

    Um breve olhar sobre o pensamento filosófico dos últimos séculos mostra claramente que o furor anticlerical rapidamente enviesou-se contra a figura do próprio Cristo e de toda a teologia cristã. E, pateticamente, passa a tecer a mentalidade filosófica contemporânea.

    Nietzche (1844-1900), por exemplo, despertou para a filosofia através de Schopenhauer (1788-1860), fascinado pelo seu ateísmo. Tanto que assim se exprimiu sobre este pensador: “Schopenhauer foi, como filósofo, o primeiro ateísta confesso e inflexível que nós alemães tivemos”. (3)

    Luciferiano, Nietzche dispara: “… o declínio da crença no Deus cristão, a vitória do ateísmo científico, é um acontecimento da Europa inteira, em que todas as raças deve ter sua parte de mérito e honra”. (4) E isto “como uma vitória final, e duramente conquistada, da consciência européia, como o ato mais rico de conseqüências de uma disciplina de dois milênios para a verdade, que por fim se proíbe a mentira de acreditar em Deus.” (5)

    Ainda em “A Gaia Ciência”, Nietzche faz a célebre declaração de que “Deus está morto”. Ou seja, a crença de que o Deus cristão caiu em descrédito já começa a lançar suas primeiras sombras sobre a Europa…

    “De fato, nós filósofos e “espíritos livres” sentimo-nos, à notícia de que “o velho Deus está morto”, como que iluminados pelos raios de uma nova aurora…”(6)

    E pelos lábios de Zaratustra proclama o seu deicídio nesta frase:
    “O vosso Deus jorrou sangue sob o meu punhal… Deus está morto, agora  nós queremos que o super-homem viva”. (7)

    Escrevia ainda Ludwig Feuerbach: “A virada na história se dará no momento em que o homem tomar consciência de que o único deus do homem é o próprio homem”. Para ele a religião não passa de um caso de alteração da personalidade humana. E foi no Cristianismo que este processo de aviltamento atingiu o grau máximo. (8)

    Lenin: “O marxismo é o materialismo”

    Comunismo
    Lenin: “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”, alardearia Lenin demolindo igrejas e assassinando religiosos"

    Posteriormente, o antiteísmo de Karl Marx (Hegel, Strauss, Bauer e, sobretudo, de Feuerbach) que fez e continua a fazer sucumbir milhões de almas, postula um materialismo prático e direto:

    “Eu tenho ódio a todos os deuses!” (9)

    Lênin posteriormente decretaria:

    O marxismo é o materialismo. Por este título ele é tão implacavelmente hostil à religião, quanto o materialismo dos enciclopedistas do século XVIII ou o materialismo de Feuerbach”.(10)

    Portanto, foi mesmo o materialismo a cartilha do marxismo e, seguramente, também uma das razões das grandes últimas intervensões de Maria Santíssima.

    “Devemos combater a religião. Isto é o a-b-c de todo o materialismo e, portanto, do marxismo”. (11) “Nossa propaganda compreende necessariamente a do ateísmo”, (12) alardearia Lenin demolindo igrejas e assassinando religiosos.

    Sartre: “Ainda que Deus existisse, em nada se alteraria a questão; esse é o nosso ponto de vista”

    Sartre
    Jean Paul Sartre, Paris, 21 de Junho de 1905 — Paris, 15 de Abril de 1980

    Pouco depois, o endeusado e muitíssimo influente pensador francês Jean Paul Sartre, que se tornou uma celebridade moralmente decadente com habilidades intelectuais afiadas para decorar as idéias antiteístas marxistas, definiria seu existencialismo ateu nos seguintes termos:

    “O existencialismo não é de modo algum um ateísmo no sentido de que se esforça por demonstrar que Deus não existe. Ele declara antes: ainda que Deus existisse, em nada se alteraria a questão; esse é o nosso ponto de vista”. (13)

    Mas permaneçamos por aqui. Uma vez que todos esses conceitos estão profundamente incutidos na intelectualidade da civilização globalizada, transmutando-a numa aberração humanóide, despojada de sua própria identidade, de seus reais valores e razão de ser.

    Acirrada militância antiteísta

    Balsasar
    Belsasar, Rembrandt Van Rijn, 1635. Diz o néscio em seu coração: não há Deus (Sl 14:1; 53:1). O ateu não é tanto aquele que não crê na existência de Deus, mas a pessoa que quer Deus fora de sua vida para logo entronizar um ídolo

    Com relação à ciência, especificamente, há uma tendência ateísta dominante em refutar qualquer coisa que possa sugerir Deus, alma/espírito, ou qualquer outro conceito que não possa ser efetivamente mensurável.

    Ateus de carteirinha como Charles Darwin, Thomas Edison, Mikhail Bakunin, Isaac Asimovi, Carl Sagan, Michel Onfray, Michel Foucault, Mark Twain, Bertrand Russell, H. G. Wells, Bill Gates, José Saramago, James Randi, (14)Richard Dawkins, ganham cada vez mais adeptos da nova geração, já desencantada com a conduta de alguns representantes das grandes religiões e, sobretudo, por se oporem às falácias das pseudo-ciências da “nova era”.

    Para segmentos científicos “afastar-se da religião é avanço civilizatório”

    emc
    Richard Dawkins, cientista britânico autor de “Deus, um Delírio”, defende a ciência e incita os ateus a 'saírem do armário', como fizeram os gays nas últimas décadas

    O cientista britânico Richard Dawkins, por exemplo, vendeu mais de 1 milhão de exemplares de seu best-seller Deus – Um Delírio. (15) Ele agora aponta sua artilharia contra o que considera superstições e pseudo-ciência: de astrologia a mediunidade, de homeopatia a cartas tarot.

    Segundo a BBC Brasil, o novo ataque do conceituado biólogo da Universidade de Oxford foi veiculado em agosto (2007), na televisão britânica, com o seriado The Enemies of Reason (Os Inimigos da Razão), que Dawkins apresentou durante várias semanas no Canal 4. Seu esforço é desmontar as crenças e superstições que ele considera totalmente desprovidas de fundamento e provas, mas que convencem o público em vários países. (16)

    Ultimamente esse tipo de publicação suscita incentivos que ganham rapidamente cada vez mais notoriedade. O Jornal da Ciência, edição 13/8/2007, sob o título “Afastar-se da religião é avanço civilizatório”, inicia o artigo com a seguinte chamada:

    “Richard Dawkins, cientista britânico autor de “Deus, um Delírio”, defende a ciência e incita os ateus a ’saírem do armário’, como fizeram os gays nas últimas décadas”. Ao final do artigo, o articulista questiona: “— A ciência tem resposta para tudo?” E ele mesmo conclui: “Ainda não, e talvez nunca tenha. Mas, se há algo que a ciência não pode responder, não há nenhuma razão para supor que a religião possa”.(17)

    Assuntos como Deus, espiritualidade ou religião em certos círculos, principalmente acadêmicos, não são de bom tom.

    É cada vez mais comum ouvirmos jovens definindo-se como ateus, céticos, racionalistas, niilistas…

    Anarquia
    Militância anarquista/ateísta reivindicando mais "liberdade" para a humanidade

    Um enxame de publicações com pesada artilharia científica/racional tem ganhado espaço nas mídias mais intelectualizadas

    Se, por um lado, há o fator positivo nessas organizações em investigar e denunciar falsos mitos e enganações, por outro, há o fator negativo devido a generalizada propagação quase absoluta de um total ceticismo espiritual. Aliás, ceticismo que tem sido assimilado passivamente pelas novas gerações.

    É cada vez mais comum ouvirmos jovens definindo-se como ateus, céticos, racionalistas, niilistas…(18)

    Lamentável constatar que as grandes verdades de Deus são tropeço para os homens que nutrem sua fé sobre suas débeis deduções

    Ceticismo
    O Dicionários dos Céticos, uma espécie de bíblia do ceticismo que ganha cada vez mais adeptos

    O ateísmo moderno tornou-se um universo ideológico muito diferenciado: ateísmo marxista, ateísmo racionalista, ateísmo existencialista, ateísmo axiológico, ateísmo científico, invertendo assim os papéis Criador / criatura. Conforme profetizou Lichtengerg: “Nós seremos como Deus”(19) Concretizando-se, assim, a antiga sedução serpentina.

    É lamentável constatar que as grandes verdades de Deus são tropeço para os homens que nutrem sua fé em suas próprias débeis deduções. Desgraçadamente, assim como os doutores da lei de outrora, movidos unicamente pelas tortuosas vias da racionalidade humana, também os doutos de nossos tempos ainda bradam desafiadoramente:

    “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e crê-lo-emos.”  (Mt 27:42)

    A suprema negação de Deus…

    Escolha

    A suprema negação de Deus... Portanto, uma escolha, uma decisão filosófica... Aliás, a raiz etmológica da palavra heresia significa escolha. Mas que resulta numa conduta continuamente sustentada e motivada a partir dessa escolha e dessa decisão...

    Retomemos, nesse momento, a citação do comandante da Maçonaria americana, quando definiu esotericamente o espírito do anticristo, o eterno inimigo de Deus, o “portador da falsa luz”:

    “… Satanás não é um deus negro, mas a negação de Deus… ele não é uma pessoa, mas uma Força, criada para o bem, mas que pode representar o mal. É o instrumento da Liberdade ou do Livre Arbítrio. Eles representam essa Força… sob a forma mitológica e cornífera do deus Pã; daí veio o bode do Sabá, irmão da Antiga Serpente e o portador da Luz…”(20)

    A suprema negação de Deus…

    Portanto, uma escolha, uma decisão filosófica… Aliás, a raiz etmológica da palavra heresia significa escolha.

    Uma escolha consciente que resulta numa conduta continuamente sustentada e motivada a partir dessa mesma escolha e dessa decisão…

    ________

    Fontes consultadas:

    1 – AQUINO, Felipe. op. cit.

    2 – CESCA. op. cit. 22-23.

    3 – F. Nietzsche, A Gaia Ciência in Nietzsche, Coleção Os Pensadores, Editor Victor Civita, 1978.p.219.

    4 – F. Nietzsche, A Gaia Ciência, op. cit.p.219.

    5 – F. Nietzsche, A Gaia Ciência, op. cit.p.219.

    6 – Idem, ibidem.p.211.

    7 – F. Nietzsche, Ainse parla Zarathoustra, trad. Alber, Paris, Mercure de France, 1901.p.416.

    8 – CESCA. op. cit. p. 24.

    9 – Marx, Engels, marxisme, Paris. E. S. I, 1935.p.250.

    10 – Marx, Engels, marxisme, op. cit.,p.250.

    11 – Lénine, De la religion.p.8.

    12 – Sur le rapport du parti ouvrier à la religion, Pss.vol.17.p.418.

    13 – J. P. Sartre, o existencialismo é um humanismo in Os Pensadores, S. Paulo, Abril Cultural, 1978.p.22.

    14 – James Randi Educational Foundation. http://www.randi.org/ – acesso em 15/08/07.

    15 – DAWKINS, Richard. Deus, Um Delírio. Companhia das Letras. 2007.

    16 – BBCBrasil.com. http://www.bbc.co.uk:80/portuguese/reporterbbc/story/2007/08/
    070814_dawkins_sb_ac.shtml – acesso em 15/08/07.

    17 – Jornal da Ciência. “Afastar-se da religião é avanço civilizatório”.   http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=49516

    18 – ANUS.COM: American Nihilist Underground Society (A.N.U.S.) Niilismo http://www.anus.com/zine/nihilism/brazilian-portuguese-language.html – acesso em 27/09/07.

    19 – Claude Bruaire, Athéisme et philosophie in L’athéisme dans la philosophie contemporaine, Paris, Desclée et Cie., 1970.p.27.

    20 – PIKE, Albert, op. cit, pg 102

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    * Porque que é incoerente ser católico e ser comunista?

    segunda-feira, junho 21st, 2010

    A recente morte de Saramago trouxe  à baila o tema do velho e superado comunismo, já que o prêmio nobel de literatura era comunista de carteirinha e crítico da Igreja e da transcendência, dizendo-se filho do NADA pois era ateu.

    A queda do comunismo e duas décadas de globalização não extinguiram as esperanças socialistas. As táticas mudaram, mas as metas permaneceram.

    Veja essa visão clássica do Comunismo nesse artigo do nosso inesquecível D.Estevão Bettencourt.

    O comunismo não morreu, ele se reformatou.

    Ah, Não deixe de ler o artigo do Reinaldo, abaixo.

    ***

    “Porque dizem que o católico não pode ser comu­nista?”

    1. O comunismo hoje muito apregoado, ou seja, o mar­xismo (doutrina de Karl Marx, 1818-1883), vem a ser o sis­tema que propugna tornar comuns de maneira radical e mais ou menos violenta, não somente os fundos produtivos (o capital e as terras), mas também os bens produzidos; pre­coniza assim a abolição da propriedade particular e a rigo­rosa igualdade social entre os homens.

    O marxismo econômico e sociológico se enquadra dentro de uma concepção geral da vida ou dentro de uma filosofia, da qual é inseparável. Esta filosofia, porém, é muitas vezes ignorada por aqueles a quem certos aspectos laterais do co­munismo conseguem atrair. Percorramos, portanto, rapida­mente os traços dessa ideologia.

    Primeiramente, o marxismo professa o materialismo, e materialismo dialético; o que quer dizer: a única realidade existente é a matéria, e a matéria posta em contínua evolu­ção, devida ao choque de forças antagônicas. Em conseqüên­cia, toda a história se tece de conflitos entre os elementos contrários da matéria. Tão longo processo, porém, tende ao equilíbrio e à harmonia finais. Vê-se desde já que o marxis­mo incute uma visão dinâmica (que os seus mentores cha­mam de “dialética”), em oposição a qualquer concepção es­tática (ou “metafísica”, diriam os marxistas) do mundo.

    A matéria é eterna; está em movimento desde todo o sempre, nem pode ser concebida sem movimento. Na ideo­logia marxista, portanto, não há necessidade de um Motor Imóvel, Causa última de todas as causas (segundo a filosofia de Aristóteles), nem de um Criador ou Deus. A fé em um Ser todo-poderoso proviria da incapacidade de explicar os fenô­menos naturais ressentida pelo homem primitivo.

    Aplicados mais próximamente à sociologia, estes princí­pios significam que o gênero humano até a época contem­porânea viveu em constante luta de classes: o capitalista é o explorador e opressor; o operário, o oprimido: “A história da humanidade registrada até hoje é história da luta de clas­ses”, reza o manifesto de Karl Marx publicado em 1848. O fa­tor que condiciona a luta e explica todas as atividades hu­manas, vem a ser a economia: “A economia e a produtivida­de da vida material condicionam os fenômenos sociais, polí­ticos e espirituais da vida em geral. Não é a consciência do homem que determina o modo de ser da sociedade, mas, ao contrário, é a vida dos homens na sociedade que determina a consciência dos mesmos” (Marx, Zur Kritik der politischen Oekonomie, Vorrede 1859).

    Em outros termos: Direito, Filosofia, Moral, Arte, Reli­gião são considerados “ideologias” ou “super-estruturas” da produção material; a classe dominante na sociedade costu­ma impor às demais as suas concepções filosóficas e religio­sas. O feudalismo medieval e o capitalismo falavam de prin­cípios éticos absolutos; o marxismo, ao contrário, nega a existência de normas morais imutáveis: “A nossa moral é, em tudo e por tudo, subordinada aos interesses da luta de classe do proletariado” (Lenin, Obras, 3a. edição XXV. Mos­cou 1933, 391). A primeira lei da ética marxista é a luta pela instauração universal da ordem de coisas comunista; não há pois, direitos absolutos, mas a força e a violência em vista do objetivo proposto vêm a ser os ditames supremos da vida so­cial.

    As artes e as ciências no marxismo devem igualmente exprimir o pensamento da classe operária, isto é, hão de ser cultivadas em função do Partido Comunista; aliás, toda a cultura comunista vem a ser “cultura do Partido”, portadora de caráter popular socialista, patriotismo soviético, oti­mismo, etc.

    Proposto ao mundo nos séc. XIX e XX, o marxismo apre­goa a revolução social, da qual devem resultar a total extin­ção de classes e até mesmo a supressão do Estado; é a pro­priedade particular que divide a sociedade em classes. Para conseguir a sua meta final, o marxismo visa, em primeiro lugar, instaurar a chamada “ditadura do proletariado”, me­diante a abolição do Estado burguês; os trabalhadores oprimidos procurarão aniquilar os seus opressores atuais, sendo-lhes lícito, para isto, o recurso a qualquer meio coibitivo ( em verdade, no Estado marxista, é um só homem, o ditador, quem aplica esses meios “em nome do proletariado” ou tam­bém contra o proletariado). Na fase definitiva do processo comunista, já não haverá autoridade de Estado, mas todos os homens, livres da escravidão capitalista e dos numerosos preconceitos que esta acarreta, viverão sem leis, movidos uni­camente pelo entusiasmo do trabalho desinteressado, traba­lho espontaneamente executado para o bem da coletividade; desaparecerão as injustiças e a miséria! — E’, pois, uma ver­dadeira Redenção, é um autêntico messianismo encaminhado para um paraíso terrestre, que o marxismo propõe ao mundo.

    Neste quadro é claro que nenhuma das tradicionais for­mas de religião tem cabimento: “O marxismo é um materialismo. Como tal, é inimigo implacável da religião… Deve­mos combater a religião. Este é o abc de todo materialismo, por conseguinte também do marxismo” (Lenin, Obras XIV 70). “O Partido não pode ser neutro frente à religião… por­que êle é favorável à ciência, ao passo que os preconceitos religiosos são contrários a esta” (Stalin, Obras X 132). Não é menos verdade, porém, que a ideologia marxista com a sua mística, ou seja, com a sua fé entusiástica na consecução da felicidade integral, se torna uma religião exigindo para as instituições e os representantes do comunismo a adesão que sempre foi tributada a Deus. Já Oostoevskij (†l881) dizia mui­to bem, como que caracterizando antecipadamente os co­munistas contemporâneos: “Os nossos homens não se tornam ateus apenas, mas crêem no ateísmo como em uma religião”. Tem-se observado repetidas vezes que o marxismo se apre­senta como um catolicismo às avessas; muitos são os pontos de contato de ambos, trazendo apenas sinais inversos de va­lorização (positivo, negativo; à direita, à esquerda).

    2. Qual o juízo a proferir sobre tais teorias?

    Não se pode negar que a ideologia marxista encerra um núcleo de verdade: o mal-estar da sociedade provém não raro do predomínio injusto de uma classe sobre as outras ou da defeituosa distribuição dos bens produtivos. Desta verifica­ção, porém, não se segue que a solução consista em supri­mir a propriedade privada e as classes sociais. Com efeito:

    a) não se podem reduzir todos os problemas humanos à questão econômica, como se o homem por sua natureza fosse destinado a ser mero produtor e consumidor de bens materiais, ficando as suas demais aspirações dependentes da satisfação desta primeira. Haja vista a família: não são as necessidades econômicas que dão origem à família, mas, ao contrário, é a família que funda a economia (o termo grego oikonomia o diz muito bem: oikos, casa; nomia, dispensação, legislação). E’ o desejo de se perpetuar e de certo modo imor­talizar que leva o homem a constituir um lar e a procurar conseqüentemente, mediante a sua indústria (caça, pesca, agricultura), os meios de subsistência para os seus familiares.

    Também é vão dizer que a Filosofia, a Moral, a Religião são funções da produção material, embora possam sofrer a influência desta: existem, sem dúvida, verdades especulati­vas e normas éticas objetivas, imutáveis: que a soma dos ân­gulos de um triângulo seja igual a dois retos, é proposição que nenhum sistema econômico jamais poderá alterar. Em particular no tocante à religião, é absurdo apresentá-la co­mo expressão do homem covarde ou atrasado: o testemunho dos povos, os documentos da civilização aí estão a dizer o contrário. A religião sempre foi o fator que estimulou a civi­lização e a indústria dos diversos povos: a construção da ha­bitação humana, a fundação de cidades, a abertura de estra­das, a ereção de pontes, a domesticação de animais, o cul­tivo de plantas, a contabilidade bancária são realizações ins­piradas inicialmente por motivos religiosos; a religião, longe de coibir, sempre fomentou o exercício das faculdades supe­riores do homem (inteligência e vontade); a história da ciên­cia e a da civilização são, em grande parte, tributárias das aspirações religiosas que constantemente moveram os ho­mens a novos empreendimentos. Veja-se a propósito a abun­dante documentação citada por P. Deffontaines, Géographie et Religions. Paris 1948.

    b) A tese da eternidade da matéria está em contradi­ção com a da evolução ascensional da mesma matéria; ca­rência de início e evolução são termos inconciliáveis entre si, pois toda evolução supõe necessariamente um ponto ini­cial e outro final. A hipótese da eternidade do mundo está também em desacordo com a ciência moderna, que não so­mente requer um ponto de partida para o processo evolutivo do universo, mas também fala de relativa “juventude” do cosmos (cerca de dez bilhões de anos).

    c) Entre os homens existe, sim, igualdade básica de na­tureza (todos são animais racionais), diferenciada, porém, por características acidentais, pessoais; dotados de diversa capacidade intelectual e variada energia de vontade, os in­divíduos tendem pelas suas atividades a se dispor em hierar­quia, devida ao uso e ao abuso que cada um faz de suas qua­lidades. As desigualdades econômicas, portanto, provêm em grande parte das desigualdades naturais que intercedem en­tre os indivíduos; por isto é que não são condenáveis, desde que se mantenham dentro de certos limites e não impeçam a colaboração de todos para o bem comum. O nivelamento dos indivíduos mediante a extinção da propriedade particu­lar é contraditório à própria natureza humana, como o com­prova a experiência da Rússia mesma: a sociedade soviética conhece hoje de novo as suas classes, os seus indivíduos e grupos privilegiados, embora os nomes e títulos sejam dife­rentes dos que estavam em voga no regime imperial. Donde se vê que a igualdade entre os homens não poderá ser arit­mética, mas há de ser proporcional: todo indivíduo na socie­dade há de gozar de direitos particulares, correlativos às suas aptidões naturais e à contribuição que êle possa pres­tar ou haja prestado ao bem comum.

    De resto, fraternidade entre os homens sem crença em Deus é impossível; se não se reconhece um Pai comum nos céus, com que direito se exigirá que os homens se reconhe­çam uns aos outros como irmãos sobre a terra? Cedo ou tar­de, mostra-nos a história que as tendências egoístas se atuam, corroendo a filantropia dos ateus. Muito menos se pode espe­rar que, sem Deus, os homens instaurem o paraíso sobre a terra, vivendo sem leis, em espontânea concórdia. Tal ex­pectativa ignora totalmente a realidade histórica: a nature­za humana e, com ela, o mundo visível estão sujeitos à de­sordem que o pecado inicial introduziu (pecado de que fa­lam as reminiscências mesmas dos povos primitivos); e so­mente pela reconciliação do homem com Deus é que se po­derão obter harmonia e bem-estar neste mundo. — A luz destas considerações, o marxismo aparece claramente co­mo uma religião desviada do seu verdadeiro objetivo. Aliás, já dizia muito a propósito Donoso Cortês, o famoso estadista (†l853): “Toda civilização é sempre o reflexo de uma Teolo­gia” (Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialis­mo 1851).

    Vê-se, por fim, que não há compatibilidade entre cato­licismo e marxismo plenamente entendidos. Isto, não exclui que certas teses marxistas referentes à economia ou à administração pública possam ser incorporadas à ideologia cris­tã. Segundo as declarações dos próprios comunistas, o mar­xismo não pode nem quer ser concebido independentemente do quadro filosófico ou do materialísmo dialético que inspi­rou a Marx; qualquer tentativa, como a da II Internacional, de edificar o comunismo sobre outro fundamento filosófico é rejeitada pelo bloco marxista preponderante qual deviação ou heresia (sabe-se que a II Internacional, de 1880 ao fim da primeira guerra mundial, foi tida por Lenin, Trotzkij como Internacional dos social-patriotas e dos traidores). A prática do marxismo é indissolúvel da respectiva teoria; por isto também tudo que o marxista realiza na vida públi­ca, ele o realiza no espírito do partido. Diz Lenin: “O materialismo implica, por assim dizer, o espírito de partido, en­quanto nos obriga, em todo juízo que formulemos sobre um acontecimento, a colocar-nos direta e abertamente do ponto de vista de certo grupo social” (Obras I 380s).

    À propósito:

    Reinaldo Azevedo

    As ofensas, como era previsível, chegaram. E não trazem também nenhuma novidade. Não tenho nada a acrescentar ao que escrevi há um ano e meio, quando critiquei Saramago e fui parar na boca do sapo. A síntese é a seguinte: Saramago não acreditava em Deus, e eu não acreditava em Saramago. Reproduzo:
    *
    “Saramago é Prêmio Nobel, e você é só um blogueiro”.
    “Saramago não vai dormir à noite depois de sua crítica”.
    “Você não tem vergonha de criticar Saramago?”
    “Reinaldo, primeiro vá ser Prêmio Nobel’.
    “Quem sabe escreve como Saramago; quem não sabe o critica”.
    “Que vergonha! O blogueiro quer aparecer”.
    “Basta que alguém seja unanimidade, e lá vai o Reinaldinho criticá-lo”.
    “Saramago não tem o direito de ter a sua ideologia?”

    Entendi tudo: Saramago – e outros idiotas não-laureados – podem atacar nada menos do que Deus. É isto mesmo: esses humildes analistas não vêem mal nenhum nisso e reivindicam o que consideram ser um direito e matéria de liberdade de expressão. Estão certos nesse particular. É evidente que, numa democracia, pode-se criticar qualquer um – e qualquer um inclui mesmo “o UM”.

    Mas alto lá! Criticar Saramago já é demais! Aí já passa da conta. Quando se é Saramago, pode-se criticar Deus mesmo tendo, como tem o escritor português, uma reputação mais curta. Não que ele não opere alguns milagres: o maior deles é ter uma legião de fãs que estão convictos de que compreendem TUDO o que ele escreve. Duvido que seja mais difícil provar a lógica da Trindade do que entender certos períodos de Saramago. Religiões… Mas volto.

    Quando se é Saramago, pode-se criticar Deus mesmo sem ser Deus. Já um crítico de Saramago, segundo entendi, precisa antes ganhar um Nobel de Literatura para ter o direito de censurar suas tolices – sim, ele piscou uma das orelhas para o extermínio dos humanos. A espécie não passou no crivo de seu “marxismo hormonal”. Ademais, a estarem certos estes que me escrevem, é preciso começar a conferir Nobel de crítica para que os “nobelados” possam ser criticados…

    Ofende afirmar que ele é um cretino? Pois é um cretino. O mundo deixado ao seu escrutínio resultaria em quê? Na ditadura do que ele chama “razão” (a sua particularíssima noção de razão), a mesma aplicada por todos os facínoras comunistas, que são os seus heróis. Os nazistas acreditavam na eugenia propriamente dita, e Saramago e os comunistas sempre defenderam uma variante dela, que é a limpeza ideológica.

    O autor mais lido também em Portugal é Paulo Coelho? Certamente se trata de uma literatura inferior à de Saramago – ou melhor, deve ser: nunca li nada de Coelho. Mas conheço um pouco das tentações totalitárias do outro.

    Não duvidem: fôssemos obrigados a escolher entre alguém que quisesse realizar a utopia coelheana e alguém que pretendesse usar o norte moral do escritor português, quem vocês acham que colecionaria o maior número de cadáveres ao fim da jornada? Mas, claro, claro, o mago é um bobo que, suponho, nos convide a meditações transcendentais e algum incenso. Já o comuna tem a utopia do “novo homem” – que custa apenas a morte de alguns milhões de velhos homens.

    Não contem comigo para este lixo ético. Nem com o meu silêncio. “Ah, e quem é você diante do grande escritor?” Eu? Não sou nada! Mas garanto que, fôssemos da mesma espécie moral, eu estaria mais próximo da estatura de Saramago do que Saramago da estatura de Deus!

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    * Educação sexual deve responder a valores familiares e não a ideologias.

    domingo, junho 20th, 2010

    O presidente de Profissionais pela Ética (PPE) da Região da Catalunha na Espanha, Ramón Novella, assinalou que a educação sexual dos menores deve ser dada pela família, e que a escola pode ser uma colaboradora se responde aos valores dos pais e não aos interesses ideológicos do Governo.

    Em referência à nova lei do aborto, que entrará em vigência neste país europeu no dia 5 de julho, Novella indicou que “a educação sexual (que promove esta norma) está ligada a uma proposta ideológica que muitos pais não compartilham”.

    “Estão impondo um modelo em um âmbito no qual deveria haver liberdade. À parte de que esta proposta de educação sexual não favorece o desenvolvimento positivo das pessoas e as converte em seres infelizes, isso sim completamente manipuláveis”, acrescentou.

    Por isso, criticou as propostas marcadas pela ideologia de gênero e o relativismo, que querem que os menores acreditem que existe uma “diversidade sexual” como a homossexualidade ou a bissexualidade.

    “Parece-me intolerável que na etapa final da infância e na adolescência se fomente este tipo de educação onde o menino ou garota devem expor sua tendência sexual, é aberrante provocar estas situações no âmbito escolar e só é possível entendê-lo se atrás disto existem uns interesses em promover a homossexualidade”, expressou.

    Novella animou os pais a que se informem bem “e saibam o quê supõe esta educação sexual obrigatória”, porque não podem aceitar que do Estado imponha a eles uma concepção que vai contra seus próprios valores.

    “Aos pais diria que assumam com maior responsabilidade seu trabalho educativo (…). Encontramo-nos ante uma realidade de urgência educativa onde ninguém pode dizer que isto não me afeta, justamente o contrário, isto nos afeta a todos e devemos nos pronunciar para não deixar-nos impor aquilo que não contribui à felicidade”, indicou.

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    * Ex atéia, feminista e lésbica partilha sua conversão.

    sábado, junho 19th, 2010

    Com seu cabelo castanho cortado e desarranjado e seus óculos de estilo de aro grosso, ela é hoje mãe de seis filhos e cuida somente da casa.

    Ela estava se dirigindo a uma multidão na conferência pró-vida da Coalizão da Vida de Quebec em 15 de maio, na cidade de Quebec.

    A sra. Bedard cresceu numa época em que a sociedade de Quebec estava passando pelo que os historiadores chamam de “Revolução Silenciosa”, um período do começo da década de 1960 até meados 1970 quando a sociedade de Quebec largou sua herança cristã e adotou valores seculares. “Nasci em 1968 — puro azar”, brincou ela.

    Bedard teve uma típica infância num lar não religioso, e foi para a Universidade de Quebec em Montreal, onde estudou literatura, eventualmente se formando com um mestrado. “Enchi a mente de toda a literatura feminista radical — sorvi tudo”, disse ela.

    Ela iniciou uma série de relacionamentos heterossexuais, todos terminando de forma infeliz. “Incitada o tempo inteiro pelo que eu estava lendo, comecei a pensar que já que todos os meus relacionamentos heterossexuais eram fracassos, que eu poderia ser uma lésbica”.

    E de fato ela mergulhou no estilo de vida lésbico, e confessou que se divertiu muito por algum tempo. “Foi realmente um tempo muito bom, de um jeito, estando com um grande grupo de garotas, andando pela cidade inteira, fumando um cigarro atrás do outro como se não fosse haver amanhã. Eu era também sexualmente muito atraente”.

    Apesar da diversão e excitação do estilo de vida, ela se sentia arrebentada, recorda.

    Mentalmente, eu estava em frangalhos. Eu sentia simplesmente que eu estava perdendo o controle, que eu estava mantendo as aparências, mas dentro eu estava em estado de miséria”.

    As coisas chegaram a um ponto crucial quando, inexplicavelmente, ela começou a chorar uma noite às 3 da madrugada e começou a gritar em seu apartamento vazio num bairro badalado de Montreal, implorando a Deus que “a levasse”.

    “Aqui estava eu, uma feminista militante atéia lésbica deitada no chão do meu apartamento clamando e implorando a Deus. Eu não estava com a mente legal, mas eu estava desesperada em busca de ajuda”.

    Ela começou a buscar ajuda, vagueando e entrando e saindo de inúmeros programas tipos de 12 passos, na esperança de encontrar algum tipo de solução para sua ansiedade e “vida emporcalhada”.

    Para piorar o problema, ela havia acabado de parar de fumar: “De repente, fui forçada a enfrentar a vida nua e crua, sem nenhuma proteção ou pára-choque”.

    Sem saber mais o que fazer, ela contou como alguém que ela conhecia falou sobre visitar “os monges” do Monastério Saint-Benoît em Saint-Benoît-du-Lac, Quebec.

    A ideia, tão bizarra quanto lhe parecia, a intrigou, e ela foi, mas não sem reservas. “Fui para o monastério armada de todo o desprezo e ódio pela Igreja patriarcal que eu havia acumulado durante os anos dos estudos feministas radicais.

    Para as feministas radicais, a Igreja é basicamente o inimigo número 1”.

    Ela entrou no convento e lhe designaram uma sala e um monge com quem ela poderia conversar duas vezes por dia.

    “Por três dias seguidos, duas horas por dia, fiquei brava, gritei, praticamente espumei de raiva na face deste monge, escavando basicamente todo insulto, estereótipo e coisa suja que eu pudesse pensar, ou inventar sobre o Cristianismo.

    Eu estava tão louca da vida, tão magoada e irada, e eu estava descontando tudo neste monge, que jamais disse uma só palavra o tempo todo, mas em vez disso olhava para mim, balançando a cabeça”.

    Então, no fim daqueles três dias, algo aconteceu que mudou a vida dela para sempre.

    “Foi o terceiro dia, a sexta hora de gritos. Estávamos para concluir mais uma vez. Basicamente, eu já tinha parado de gritar. Houve uma pausa. E então o monge levantou os olhos e me disse “você não faz ideia, absolutamente nenhuma ideia de quanto Deus ama você; Ele fez você do nada, ele conhece você, você não tem ideia de quanto ele ama você, Sua filha. Por isso, não sinta vergonha. Deixe tudo isso. Entregue tudo, entregue sua vida a Ele… Ele ama você muito”.

    Essas simples palavras naquele momento crucial “a deixaram completamente no chão”, recordou ela. Daquele momento em diante, a vida dela mudou completamente. “Sou filha dEle, não há dois caminhos nessa questão. Não posso explicar isso”. Ela admite que se esforça para explicar exatamente o que foi que causou sua conversão: “Eu simplesmente digo que Deus me jogou ao chão, me abalou; eu não me converti, ele me trouxe a Si”.

    Ela agora trabalha como jornalista independente e está casada e feliz como dona de casa e mãe de seis filhos.

    Mas a vida para ela agora não é um total mar de rosas. “Quando necessito quietude, não há nada que eu possa fazer, a não ser uma coisa: levantar-me às 4 da manhã. Eu faço isso muitas vezes, só para obter alguma paz”.

    Comentando as diferenças entre sua vida agora e sua vida na época em que ela era lésbica, ela disse brincando: “Viver com um homem é sem dúvida um sofrimento, mas viver com uma mulher o tempo inteiro era viver um inferno em vida”.

    Brigitte Bedard, que escreve para o jornal Nouvel Informateur Catholique, foi uma das quatro participantes (além do palestrante principal, o Cardeal Marc Ouellet) na conferência anual da Coalizão da Vida de Quebec na cidade de Quebec em 15 de maio.

    Os vídeos das palestras (em francês no original, ou dublado em inglês) estão disponíveis por meio da Coalizão da Vida de Quebec.

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    * Palavras proféticas do Papa Pio XII.

    sábado, junho 19th, 2010

    “O plano de Satanás é convencer as pessoas primeiramente que não precisamos da Igreja Católica, depois que não precisamos de Cristo e por final que não precisamos de Deus…”

    Papa Pio XII

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    * A guerra de propaganda entre ateus e cristãos, na Inglaterra.

    terça-feira, junho 15th, 2010

    The Guardian

    Uma propaganda com a frase “There definitely is a God” [Definitivamente existe um Deus] exposta em ônibus da Inglaterra desencadeou mais reclamações do que qualquer outra propaganda de 2009, e alcançou o terceiro lugar nessa categoria em toda a história, segundo números publicados nesta terça-feira pela Advertising Standards Authority.

    A batalha sobre a existência de Deus ajudou a provocar um aumento de 10% nas queixas ao órgão regulador, ou seja, a um número de quase 30.000.

    A propaganda do Partido Cristão inglês foi uma reação ao anúncio da British Humanist Association que dizia:”  There is probably no God.Now stop worrying and anjoy yuor life [Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a sua vida].

    A ASA não investigou o caso, em razão de os anúncios e partidos políticos estarem fora de seu mandato, apesar de ter recebido 1.204 reclamações afirmando que a existência de um ser divino era ofensiva aos ateus e, em todo caso, não pode ser comprovada. A ASA também não investigou o anúncio dos ateus, mesmo que tenha sido o sexto da lista dos mais reclamados.

    No total, houve um aumento de 36% nas queixas de agressividade, cerca de 12.000. No outro extremo do espectro, anúncios que perguntam “Você quer um sexo mais duradouro?” para vender um spray nasal provocaram 500 queixas.

    Graças, em parte, a essas campanhas em ônibus, as propagandas em meios de transporte tiveram, em um ano, um crescimento de 267% no número de queixas à ASA. Reclamações sobre outdoors, que também abrangem os anúncios em ônibus, tiveram um crescimento de 100% em um ano.

    Em geral, a ASA, que regula a publicidade na televisão, Internet, rádio e imprensa, disse que apenas algumas poucas campanhas distorceram alguns dos números de reclamações em seu relatório anual de 2009.

    Enquanto o número total de reclamações passou de 9,6%, chegando a um recorde de 28.978, o número de anúncios que receberam queixas caiu, na verdade, em mais de 10% em um ano, passando para 13.956. E o número de decisões formais, em que a ASA mandou um anúncio ser alterado ou retirado, também caiu ligeiramente em relação ao ano anterior, passando para 2.397.

    A ASA proibiu nesta terça-feira um anúncio da Eurotunnel de uma promoção via e-mail, que afirma que o seu serviço de transporte de carros via trem através do túnel leva apenas 35 minutos e funciona “independentemente do tempo”. Um reclamante ficou preso durante várias horas em um check-in do Eurotunnel durante o caos provocado pela neve de dezembro.

    A resposta da Eurotunnel à ASA dizia que um consumidor “razoável” não teria uma “visão absoluta” da frase “independentemente do tempo”, e a neve, acusada de parar os trens e bloquear o túnel, deveria ser vista em comparação a um “furacão ou tsunami, já que foi tão incomum”, e que o atraso não se repetiria. A ASA disse que a comparação era inválida, e uma repetição dessa situação não poderia ser descartada.

    As queixas com relação à publicidade de bebidas alcoólicas, que teve um aumento de 44% em 2008, despencou em quase 50% no ano passado. Um foco da mídia sobre alterações digitais em anúncios de saúde e beleza, uma causa defendida pelo deputado liberal democrata Jo Swinson, que levou à proibição de um anúncio da Olay que apresentava a atriz britânica Twiggy, teve um aumento de 52% em queixas sobre as campanhas do setor.

    O número de reclamações sobre anúncios na televisão, o meio que mais tem reclamações, aumentou 17% no ano passado. Contudo, o número de anúncios que tiveram queixas, na realidade, caiu 3%. A Internet continua sendo o segundo meio com mais reclamações, tendo atraído 3.546 queixas de 2.823 anúncios. No entanto, a ASA disse que 57% dos anúncios que receberam queixas estão fora do seu mandato, que não abrange anúncios de marketing de empresas que são feitos em seus próprios sites, ou seja, o órgão de controle não pode supervisioná-los.

    Em 2008, a ASA foi confrontada com uma onda de denúncias com relação à violência na publicidade, principalmente devido ao conteúdo de anúncios que promoviam filmes e videogames, situação na qual o órgão de controle diz ter trabalhado com sucesso junto aos anunciantes para uma redução ao longo do ano passado.

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    * Espanha vai banir crucifixos das escolas públicas.

    domingo, junho 13th, 2010

    O Governo socialista espanhol anunciou já em 2008 que prepararia uma lei para um maior respeito da laicidade e do pluralismo religioso, num país onde a Igreja Católica permanece muito presente e influente.

    O diário espanhol de centro-esquerda explica hoje que após o texto da lei “em preparação”, os funerais de Estado se realizarão “sem qualquer cerimonial de caráter religioso”, quando hoje são geralmente realizados segundo o rito católico.

    As políticas públicas deverão respeitar uma estrita “neutralidade face à religião e às crenças, evitando qualquer confusão entre função pública e atividades religiosas”, segundo texto do projeto de lei.

    Assim, os crucifixos deverão desaparecer das escolas públicas, dos hospitais e de todo o espaço público, enquanto os membros do Governo não deverão mais prestar juramento perante uma cruz durante as cerimónias de investidura.

    Apesar da Constituição de 1978, que assenta no princípio do caráter confessional do Estado e das suas instituições, os símbolos católicos permanecem muito presentes em Espanha, mais de 30 anos após o fim da ditadura franquista que elevou o catolicismo ao nível de religião do Estado.

    Lusa/SOL

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    * Igreja Busca diálogo com os ateus, afirma cardeal.

    sexta-feira, maio 28th, 2010

    Do Salão do Livro de Turim, na Itália, lugar “laico” por excelência, que neste ano dedicou muito espaço a temáticas de Igreja e religião, Gianfrancesco ravasi , presidente do Pontifício Conselho da Cultura, anuncia um novo projeto do Vaticano, destinado a uma nova forma de diálogo com os leigos.

    “Estamos trabalhando para criar um departamento apropriado para isso no dicastério”, disse Dom Ravasi, às margens de um encontro lotado na Sala Gialla, onde deu uma palestra sobre o valor da memória, tema do salão 2010.

    A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog Oltretevere, 16-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

    “Em um primeiro momento, temia não encontrar interlocutores, dada a crise que a Igreja está atravessando hoje”, disse o responsável do setor de Cultura do Vaticano. “Pelo contrário, quando fui a Paris, cidade laica por excelência, para uma série de primeiros colóquios nesse sentido, encontrei as portas abertas em templos da laicidade como a Sorbonne, a Unesco e a Academia Francesa”.

    Segundo as próprias palavras do arcebispo, “o mundo laico, além de tudo, da questão – mesmo que real – da pedofilia entre os sacerdotes e dos diversos temas políticos, busca também o diálogo com a Igreja”. “É uma necessidade recíproca”, acrescentou o expoente do Vaticano: “A Igreja hoje está atravessando um momento muito difícil, que o Pontífice está enfrentando também com tomadas de posição importantes, como aquela recente com relação aos sacerdotes pedófilos. Ela é objeto de críticas ferozes, mas, paradoxalmente, está no centro de uma forte necessidade de diálogo. O mundo pede valores muito altos, tem interrogações complexas, às quais as religiões e a Igreja podem contribuir para se encontrar respostas”.

    O projeto da Igreja de diálogo com os ateus será apresentado na Itália, e depois nos Estados Unidos, disse também Ravasi. E será articulado em torno dos temas centrais da era moderna, como o sentido do limite, o pós-vida, a transcendência, a salvação, a morte.

    Ravasi também falou acerca do projeto neste domingo com as autoridades do Salão e com o prefeito de Turim, Sergio Chiamparino, que foi cumprimentá-lo e que se disse muito interessado. Na sua palestra, também divulgativa, Ravasi, falando sobre o tema da memória, afirmou: “É uma das categorias da experiência religiosa, enquanto representa a recuperação das próprias raízes. Mas não só. É também a busca dos valores permanentes na superação da fluidez das coisas. É uma categoria fundamental, não é uma comemoração, é uma busca dirigida a olhar para a frente”.

    Assim, Ravasi citou Cesare Pavese, no seu “Mestiere di viverè”, quando dizia: “Quando um povo não tem o sentido forte do seu passado, ele se apaga. A juventude dos povos é a riqueza da velhice”. “A memória da qual falo – concluiu – não é uma memória convencional, retórica, como as de certas comemorações vazias, mas sim uma memória capaz de olhar para a frente, para o futuro”.

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    * Rússia: Descobertos no Kremlin dois ícones ocultados pelos bolcheviques.

    quarta-feira, maio 26th, 2010

    Zenit

    Dois ícones que tinham sido ocultados pelos bolcheviques adornam duas torres da muralha do Kremlin de Moscou, informou o Serviço Ortodoxo de Imprensa e Europaica (n°. 180, de 18 de maio de 2010).

    Os meios de comunicação russos anunciaram a notícia no último dia 12 de maio, citando os serviços da administração presidencial e museus que administram o lugar histórico de Kremlin, antiga residência dos czares e dos patriarcas da Rússia.

    Os responsáveis pela administração do Kremlin decidiram restaurar e devolver aos cidadãos dois ícones de uma antiguidade de seis séculos que foram descobertos no final de abril em duas torres da fortaleza debaixo de uma camada de gesso aplicada pelos bolcheviques.

    “Os trabalhos começaram com a eliminação da camada grossa de gesso que cobriu os ícones no ano de 1937“, declarou aos jornalistas a porta-voz do Departamento de Museus do Kremlin, Jeanne Bélochapkine.

    “Parece que os dois ícones foram pintados a óleo sobre afrescos, e os trabalhos de restauração estão dedicados a verificar esta hipótese”, declarou o diretor geral adjunto dos Museus do Kremlin, André Batalov.

    O primeiro ícone representa Cristo Salvador em um fundo dourado, com dois santos monges russos aos seus pés: São Sérgio de Rádonezh e São Barlaam de Katyn (Novgorod).

    Ergue-se sobre a entrada da porta Spasskaïa (do Salvador), a porta de entrada solene debaixo da torre principal do Kremlin, bem na frente da igreja de São Basílio, o Bem-Aventurado, na Praça Vermelha.

    O segundo ícone que adorna a torre Nikolskaïa (de Nicolau), mais para o norte e também na Praça Vermelha, representa a São Nicolau de Mira (século IV), especialmente venerado pelos crentes ortodoxos russos.

    De acordo com o testemunho dos historiadores, os ícones eram ainda visíveis nos primeiros meses do ano de 1918.

    Então eles foram escondidos debaixo de uma malha grossa metálica e, em 1937, no apogeu de uma onda nova de campanhas de antirreligiosas, foram completamente cobertos com gesso. Ao término do mês passado de abril, voltaram novamente à luz.

    As primeiras análises permitem aos especialistas afirmar que o ícone de São Nicolau remonta por volta do século de XV ou início do século XVI, o que confirmam as declarações dos restauradores que nele trabalharam.

    O ícone de São Nicolau estava gravemente danificado pelas explosões de tiros de armas no assalto dos bolcheviques ao Kremlin, em novembro de 1917.

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