Posts Tagged ‘Brasil’

* Pulseiras do sexo provocam polêmica em escolas de Itajaí, Santa Catarina.

sexta-feira, março 5th, 2010

Pais e professores estão apreensivos com proliferação dos adereços entre jovens

Um jovem de 14 anos rompe a pulseira roxa de silicone da colega de classe, da mesma idade, e tenta beijá-la. A professora o repreende, mas eles estão apenas brincando. O fato, ocorrido no Centro Educacional Professor Cacildo Romagnani, maior colégio de Itajaí, deixou pais, professores e administração pública em alerta.

Nesta semana, a prefeitura emitiu nota com o significado das chamadas “pulseiras do sexo”. A brincadeira consiste em romper o adereço do outro e, conforme a cor, ganhar de um abraço a uma relação sexual.

— Tomamos um susto. No primeiro dia de aula, os alunos foram aparecendo com essas pulseiras. Imaginávamos que fosse uma moda inofensiva — disse o diretor do colégio, Vilmar Valdir Philipps.

A mania surgiu na Inglaterra e chegou ao Brasil no final de 2009. Agora, com o início do ano letivo, pedagogos e orientadores estão apreensivos com a sua proliferação entre jovens nas escolas. A oferta e o preço acessível, R$ 2 por 10 pulseiras sortidas, atraem os adolescentes.

Em Itajaí, é fácil encontrá-las. Elas estão em praticamente todas as lojas de R$ 1,99 ou nas barraquinhas do camelô, também no Centro. Lá, quase todas ofereciam os adereços.

— Assim que a professora nos comunicou, procuramos ajuda na internet e descobrimos os significados das cores. Depois, demos início a um trabalho de conscientização — explicou a diretora adjunta Izabela Terres Leães.

A reportagem conversou com meninos e meninas que usam as pulseiras. Todos sabem o significado das cores. Mesmo assim, acham o adereço bonito. Alguns confessaram que sofrem assédio fora do colégio.

— Eu não faço aquilo que não quero. Sei de todos os significados. Mas uso porque é moda — disse um aluno de 13 anos.

Conversa franca sobre sexo

Um dos braços de uma aluna de 14 anos está abarrotado de pulseiras coloridas. Amarela, roxa, azul, vermelha e rosa claro. Ela afirma que não dá bola para o que cada pulseira indica. Usa porque gosta do colorido e quer seguir a moda dos jovens da mesma idade que ela. Disse também que nunca praticou qualquer das modalidades sexuais implícitas nas pulseiras.

O importante, na visão do especialista em sexualidade José Claudio Diniz, é orientar os jovens que as pulseiras são apenas uma manifestação das relações de amizade.

— E a questão da sexualidade não deve ser tratada por meio de pulseiras coloridas. Pais e professores não devem associar o sexo a algo ruim. E, sim, explicar que o sexo é algo bom, mas não nessa idade — argumentou Diniz.

Marialva Spengler, professora de Psicologia da Educação da Univali, orienta que os pais boicotem a pulseira caso a brincadeira entre em um contexto malicioso.

— Eu também sou mãe. Hoje  eu comprei algumas dessas pulseiras e mostrei para o meu filho de 14 anos. Expliquei os significados a ele e nos entendemos. O importante é conversar e proibir em caso de excessos — apontou Marialva.

Os professores do Centro Educacional Professor Cacildo Romagnani levaram a polêmica para sala de aula e discutiram com os alunos os perigos escondidos no colorido das pulseiras.

JORNAL DE SANTA CATARINA

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* PT manteve apoio ao Programa Nacional de Direitos Humanos.

segunda-feira, fevereiro 22nd, 2010

Delegados reunidos no congresso nacional da legenda decidiram:

Os petistas  mantiveram na resolução apoio do partido ao Programa Nacional de Direitos Humanos editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no final de 2009. Depois da polêmica em torno do programa, os delegados do PT entenderam que o partido deve manifestar “apoio incondicional ao programa” por considerar que ele é “fruto de intenso processo de participação social”.

O impasse sobre o programa teve início depois que a área militar reagiu ao artigo que criava a Comissão da Verdade para investigar crimes cometidos pela repressão política durante o período da ditadura militar (1964-1985). O ministro Nelson Jobim (Defesa) pressionou o presidente Lula por mudanças, o que levou o petista a editar um novo decreto.

Na nova versão, Lula estabeleceu que a Comissão da Verdade vai investigar crimes contra os direitos humanos praticados no período –sejam eles por militares ou militantes de esquerda.

Além dos militares, a Igreja Católica e setores do agronegócio também reagiram à criação do programa. A igreja critica pontos como a descriminalização do aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) também classificou de intolerante a sugestão do programa de “impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”.

***

Quero ver como será possível Católicos votarem em candidatos do PT com essa resolução oficial do partido nas próximas eleições deste ano..

Quero ver como será possível conciliar aborto, retirada dos símbolos religiosos,”casamento ” gay, censura à imprensa,dentre outras bizarrices, com a fé em Jesus Cristo e com a fé em nossa Igreja e sua doutrina – que já se posicionou CLARAMENTE através de seus Bispos contra esse Plano em muitas de suas propostas.

Quero ver como alguém pode votar no PT e ao mesmo tempo dizer-se Católico ou até mesmo cristão..Sabendo de forma clara e oficial – que estará apoiando a morte de inocentes.

Quero saber agora o que os “católicos” ideologizados pelo marxismo vão escolher.

A questão não é mais de “práxis” mas de coerência com a fé em sua essência e de comunhão com a verdade.

Chegou a hora da verdade!

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* Católicos do Brasil: O que Deus espera de nós diante dos desafios de nossa sociedade?

domingo, fevereiro 21st, 2010

Pe. Demétrio Gomes da Silva

A cada dia intensifica- se um laicismo anti-católico no Ocidente, uma afronta a nossas raízes cristãs. No entanto, não percebemos uma reação forte por parte dos católicos. Podemos notar que também no Brasil o mesmo é crescente.

A Igreja é colocada cada vez mais como a vilã da história e da sociedade, contrária ao progresso, etc. Tudo isso, porque tem a coragem de denunciar seu comportamento pecaminoso no que fere a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem: aprovação ao aborto, a união legal de pessoas de mesmo sexo – com adoção de crianças -, manipulação genética de embriões – como se fossem seres descartáveis -, inseminação artificial, eutanásia, suicídio assistido, controle egoísta da natalidade, distribuição de camisinhas e de pílulas do dia seguinte aos jovens etc.

A Igreja Católica, que é a Lumem gentium (Luz dos povos) faz a Luz de Cristo brilhar nas trevas deste mundo, missão que o Senhor lhe confiou, mas as trevas gritam contra ela. “… a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam. .. Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” (Jo 1, 4-10).

Em nosso Brasil, a maioria do povo diz ser católica, nossas raízes são católicas, nossa cultura e nossa tradição são católicas, mas esse povo infelizmente é quase analfabeto em doutrina, e muitas vezes alienado da realidade política e social; isso o deixa a mercê das seitas e de minorias que desejam implantar ideologias contrárias à fé da maioria. Esse povo bom, mas inculto, que na sua maioria não lê um jornal ou revista, e só se informa pela televisão, facilmente se deixa enganar até mesmo por um governo que propõe medidas ofensivas a moral católica, como acontece agora com o Plano Nacional de Direitos Humanos – 3, que é desumano.

Este Plano, por exemplo, propõe a aprovação do aborto, do casamento de pessoas do mesmo sexo com adoção de filhos, a retirada dos símbolos religiosos católicos das repartições públicas, restringe a livre expressão das idéias, incentiva as invasões de propriedades alheias, limita a ação da justiça nas reintegrações de posse a seus legítimos donos, sugere a revisão da Lei da Anistia, ameaçando agitar a sociedade etc.

No entanto, em que pese toda manifestação dos bispos, a maioria da população católica parece ainda inerte, imóvel, omissa, como se nada estivesse acontecendo. Ou não toma conhecimento dos fatos ou o ignora de maneira alienante. Também grande parte do povo católico se satisfaz com o pão e o circo oferecidos pelo governo que age de maneira imoral.

Esse povo não reage nem mesmo quando a fé católica é ofendida, a Igreja atacada, os sacramentos profanados, os santos ridicularizados e muitas vezes caricaturados, etc.

Estamos sofrendo uma guerra declarada. Já vivemos um martírio incruento, e não será surpresa se em breve se tornar cruento, também em nosso país, como acontece hoje na Índia, no Iraque, na Arábia Saudita etc., onde milhares de cristãos são mortos pelo simples crime de seguirem a Jesus Cristo.

Como unir e acordar esse povo católico, para que de maneira organizada e ordeira enfrente essa onda anti-católica que atravessa o mundo e também o Brasil?

Em nossa Igreja no Brasil, (…) acabamos abandonando os postos chaves na sociedade que outrora ocupávamos: as universidades, os laboratórios científicos, o mundo da cultura etc. Deixamos, assim, espaço aberto para que os marxistas pudessem fazer a cabeça daqueles que são hoje a cabeça da sociedade.

É preciso levar o povo católico a conhecer a verdade, ser informado, e deixar de ser manipulado; este é o grande desafio atual. Pensamos que a Igreja é capaz de furar essa crosta que impede esse povo bom e desinformado de tomar conhecimento e participar da luta contra, por exemplo, esse PNDH, porque a mídia jamais vai fazer isso. Como diz Pe. Paulo Ricardo “há uma espiral de silêncio” que precisa ser quebrada.

Temos que unir forças. Voltar a conquistar estes meios. Construir uma rede com as pessoas boas – não só na intenção, mas com qualidade espiritual, humana, profissional – e organizar com inteligência nosso apostolado. Temos a firme esperança aí que não contamos somente com meios humanos, e, por isso, devemos ser audazes. Nesse sentido, não podemos esquecer que, antes de qualquer técnica de ação, devemos estar inteiramente unidos a Deus através de nossas armas sobrenaturais. Daí deve derivar, diante de tudo, um profundo otimismo, não ingênuo, mas espiritual, fruto da convicção de que com Ele nos tornamos onipotentes.

Os filhos das trevas são os que deveriam tremer diante de nós, pois nossas armas são muitíssimo mais eficazes. Além de todo auxílio sobrenatural – que nos torna infinitamente superiores nesta guerra -, temos nossos púlpitos – quantos brasileiros vão a Santa Missa dominical! -, temos vários meios de comunicação – TV, jornais, internet -, e contamos – apesar de tudo – com grande credibilidade por parte de nosso povo brasileiro: eles confiam na Igreja!

O que fazer de concreto? Além da luta pela santidade – que é o que mais conta - já que é o Senhor o protagonista dessa luta -, devemos estreitar nossa rede de contato. Tentar entrar mais nesses meios que possuímos. Mais encontros de formação, retiros para os intelectuais, universitários, cientistas, jornalistas para atingir o povo.

É urgente levar esse povo católico, em massa, a participar, escrever às autoridades, aos políticos, fazer manifestações organizadas e ordeiras; sim, esse povo que vai à Missa, a grupos de oração, que participa dos novos Movimentos e das novas Comunidades, que prega o Evangelho da salvação pelo Rádio, pela TV, pela internet, etc. Aqui entra, sem dúvida, o papel importante das televisões católicas. Enfim, é preciso uma ação unida, coordenada, de todos os católicos frente a tudo que estamos vendo de errado sobre bioética, corrupção, PNDH, etc.

É preciso envolver  as realidades que querem ser fiéis à Igreja (Opus Dei, Regnum Christi, Comunhão e Libertação, Caminho Neocatecumenal, Cursilhos de Cristandade, Renovação Carismática, Equipes de Nossa Senhora, Serra Clube etc.) e Comunidades de Vida (Canção Nova, Shalom, Obra de Maria etc.), incluindo também as paróquias e dioceses; além dos políticos católicos. Revelar ao mundo a unidade transcendental da Igreja, que nos une por cima de toda diferença. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos…” (Jo 13,35).

É claro que isso é algo difícil, muito difícil, mas se todos nos mobilizarmos no sentido de buscar essa união podemos fazer algo. Será preciso “grandeza de alma” para se colocar as exigências do Reino de Deus acima das nossas. Não adianta permanecermos entre nós com choros e lágrimas, como se fossemos uma “equipe de consolo mútuo”. Muita gente silenciosa está descontente com tudo isso; é preciso envolvê-los. Há muitos sites na internet que mostram isso. E esse é um instrumento poderoso de articulação hoje.

Os inimigos da Igreja estão articulados e as forças da Igreja estão esparsas; esse é o problema. Receamos que se não fizermos algo hoje, amanhã talvez seja tarde, e quem sabe as leis não nos permitam amanhã pregar contra a homossexualidade, o aborto, o sexo livre, … e tudo o que é contrário à lei de Deus.

Sabemos que a audácia dos maus se alimenta da omissão dos bons. Não podemos fugir deste mundo, e muito menos simplesmente condena-lo. Jesus disse que não veio para condenar o mundo, mas para salva-lo; a nós cabe fazer o mesmo.

Ao vislumbrar o terceiro milênio da cristandade, o Papa João Paulo II convocou os cristãos para “pescar em águas mais profundas”, onde se encontram peixes mais numerosos e maiores.  João Paulo II e Bento XVI nos enviam para alto mar (“duc in altum”). E para isso é preciso estarmos preparados; o mar é bravio, podem surgir as tempestades a qualquer momento, ondas altas, vento forte, ameaçando virar a barca.

Não podemos mais ficar pescando na praia, com varinha de bambu, linha fina e anzol pequeno. A evangelização, a conversão de almas para Deus, não é um passa-tempo; mas uma missão árdua, que precisa ser cumprida com esmero: preparo e oração. Não é fácil arrancar as presas dos dentes do lobo cruel e assassino. “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Mas, é preciso também o preparo. Paulo VI disse que a mediocridade ofende o Espírito Santo. Deus está pronto para mover os céus para realizar o que está além da nossa natureza, mas não moverá uma palha para fazer o que depende de nós. Ele faz o grão germinar, mas jamais virá preparar o solo e nele lançar a semente: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho, Sermo 15,1).

O Papa João Paulo II na memorável vigília da Solenidade de Pentecostes no ano de 1998, mostrou a grande responsabilidade que têm, neste sentido, os novos Movimentos e as novas Comunidades:

“No atual mundo, frequentemente dominado por uma cultura secularizada que fomenta e propaga modelos de vida sem Deus, a fé de tantos é colocada à dura prova e frequentemente sufocada e apagada. Adverte-se, portanto, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e profunda formação cristã. Como existe hoje a necessidade de personalidades cristãs maduras, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, portanto, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio no final do milênio. Vós sois esta providencial resposta”.

O mundo expulsa Deus cada vez mais; o secularismo toma conta da cultura, da mídia, da moda etc., a chama da fé é cada vez mais apagada nos lares, nas escolas e nas oficinas. O Papa pede “uma sólida e profunda formação cristã”. Sem isso não será possível pescar em águas profundas. Sem um bom conhecimento da doutrina, do Catecismo da Igreja especialmente, não poderemos dar ao mundo “a razão da nossa fé” (cf. 1Pe 3,15).

O Papa pede também “personalidades cristãs maduras”, certamente não só sacerdotes e bispos, mas leigos preparados, capazes de adentrar aos muros às vezes adversos das universidades, cinema, teatro, música, artes, meios de comunicação, política etc.

Ao lançar a Igreja em direção ao novo milênio, o Papa João Paulo II fez mais um forte apelo: “Uma nova evangelização!” . Se ele pediu uma “nova” é porque a anterior envelheceu; não certamente no seu conteúdo, mas na sua forma. Ele pediu: “com novo ardor, novos métodos e nova expressão”. O que significa isso?

Novo ardor, certamente no fogo do Espírito Santo que tem suscitado os movimentos e as Comunidades que brotam a cada dia. Sem esse “fogo” do céu, não haverá nova evangelização. Façamos sim planos e reuniões, projetos e programas, mas sob o fogo do Espírito, sem o qual tudo não passará de letra morta. Quanto tempo e energia já se perdeu por falta desse ardor do Espírito!

Novos métodos é certamente o que temos visto nas Comunidades e Movimentos: uma evangelização com um jeito novo: nas casas, nos rincões, pelas rádios, TVs, jornais, revistas, encontros, seminários, adorações, acampamentos de oração e estudo… É a “Primavera da Igreja” como dizia João Paulo II.

Nova expressão, uma nova maneira de viver o Evangelho, não mais individualista, mas em grupo, em comunidade, comprometidos conjuntamente com o trabalho do Reino do céu, na fraternidade, na correção fraterna, no amor mútuo, no compromisso com Deus e com a Igreja, “cum Petro e sub Petro”.

Vemos assim que a Igreja acredita profundamente nas Comunidades e Movimentos novos, que precisam se preparar, como verdadeiras “Companhias de Pesca”, e se lançarem sem medo, em nome do Senhor, em águas mais profundas, e buscar os grandes peixes.

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* Brasil: cidade proíbe Carnaval por causa da religião.

sexta-feira, fevereiro 12th, 2010


Uma pequena cidade no Nordeste brasileiro proibiu a celebração do Carnaval, no momento em que milhões de foliões se preparam para a festa mais popular do Brasil.


Brasil: cidade proíbe Carnaval por causa da religião
Igreja Matriz da cidade de Martins, em dia de nevoeiro

Uma lei aprovada pela Câmara Municipal de Martins, cidade com 8 300 habitantes a 380 quilómetros de Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, vetou “manifestações e eventos com a utilização de trios eléctricos, bandas de música, orquestras, carros de som”.

O objectivo da legislação é manter a vocação da cidade de promover retiros religiosos durante o Carnaval, actividade que deve “ser incentivada e protegida pelo poder público”, noticiou o jornal Folha de São Paulo.

A legislação local, proposta pela presidente da Câmara, Mazé Costa, incluiu multa de 20 000 reais (7 850 euros) e até “uso de força policial” para quem violar a lei.

Segundo a responsável, a cidade nunca teve eventos carnavalescos significativos e a nova legislação vai coibir o desejo dos moradores mais jovens de promover folias.

A legislação gerou protestos de empresários ligados ao sector turístico que temem a quebra da actividade económica local.

“É incoerente proibir alguma coisa que faz parte da cultura nacional”, disse o presidente do Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes da região, João de Moura, citado pelo diário.

Jornal de Noticias

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* Pesquisa revela que 73,5% da população brasileira é contrária à legalização do aborto.

segunda-feira, fevereiro 8th, 2010

Apesar do lobby abortista no Brasil, o país com a maior quantidade de católicos no mundo, e da recente tentativa do governo Lula através do 3º PNDH, a 100ª Pesquisa CNT/Sensus confirma que a maioria do povo brasileiro segue sendo contrária à legalização do aborot no país.

A pesquisa de opinião pública, foi realizada pela SENSUS a pedido da Confederação Nacional do Transporte no período de 25 a 29 de Janeiro de 2010, foi publicada na segunda-feira, 1 de fevereiro, e afirma que 73,5% dos pesquisados são contra a legalização do aborto e 22,7%, a favor.

Em nota enviada pelo grupo pró- vida brasileiro MDV (Movimento em defesa da vida), informou-se que em 2003 o Ibope divulgou pesquisa específica sobre a questão aborto. Do total de 2.000 entrevistados, 34% afirmou ser favorável a total proibição do aborto no Brasil, em qualquer circunstância. Apenas 10% do total afirmou ser desejável ampliações permissivas na prática do aborto, entre essas permissões estaria a não-punição da mulher e do médico no caso de aborto por má formação fetal.

A mesma pesquisa informa também que o porcentual de brasileiros favoráveis tanto à legalização do aborto quanto à pena de morte cresceu na última década. Segundo a pesquisa da CNT/Sensus, divulgada esta semana, entre janeiro de 2001 e janeiro de 2010, subiu de 39,4% para 41,2% a taxa dos brasileiros à favor da pena de morte. Em relação à legalização do aborto os números da investigação apontam que 17,7% eram favoráveis em janeiro de 2001, enquanto no 2010 o porcentual subiu para 22,7%.

Essa pesquisa, mais detalhada, foi encomendada pela Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), uma ONG pró-aborto e também está disponível na internet no link: http://www.ipas.org.br/arquivos/CCR_Resumo_Ibope.doc

O relatório síntese da pesquisa – que compara os dados de 2010 com 2001 – pode ser lido em formato PDF no site da CNT/Sensus: http://www.cnt.org.br/portal/img/arquivos/Relatorio Sntese.pdf
Mesmo considerando a margem de erro da pesquisa (3%), observa-se que os índices se mantém estáveis pela rejeição à legalização do aborto no Brasil.

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* Justiça derruba lei que proíbe imagens sacras no carnaval carioca.

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Foto: DivulgaçãoO Tribunal de Justiça do Rio declarou inconstitucional uma lei que proibiu as escolas de samba de usarem imagens sacras durante os desfiles. Os desembargadores julgaram procedente um pedido da Prefeitura do Rio e concluíram que a norma aprovada pela Câmara de Vereadores viola a liberdade de consciência e se caracteriza como censura prévia.

Com apenas quatro artigos, a lei 4.483/2007 identifica como imagens sacras o crucifixo, o ostensório, os santos e outros mártires. A escola de samba que descumprisse a medida, além das sanções judiciais cabíveis, não teria direito à subvenção de Carnaval paga pela Prefeitura.

O Ministério Público e a Procuradoria Geral do Estado opinaram pela procedência da representação de inconstitucionalidade. Segundo o parecer do MP, a vedação na utilização de imagens e de símbolos de certa denominação religiosa, ao contrário de proteger a fé e as convicções de parcela da população, viola a liberdade de consciência, da qual resulta a liberdade de expressão cultural, bem jurídico essencial a ser preservado nos desfiles de escolas de samba.

Um dos casos mais lembrados de censura praticada pela Igreja Católica aconteceu em 1989 no desfile da Beija-Flor (foto). Com o enredo “Ratos e Urubus larguem minha fantasia”, o carnavalesco Joãosinho Trinta levaria para Avenida a imagem de Jesus Cristo como um mendigo. Vetado, a escola resolveu cobrir a escultura de preto com os dizeres “mesmo proibido, olhai por nós”.

* As informações são do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro

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* 67 Bispos Brasileiros se pronunciam acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos.

domingo, janeiro 31st, 2010

Pronunciamento acerca do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos

Nós abaixo-assinados, impelidos por nosso dever pastoral como Bispos católicos, provenientes de várias regiões do País, reunidos em um encontro de atualização pastoral – prosseguindo a tradição profética da Igreja Católica no Brasil que, nos momentos mais significativos da história de nosso País, sempre se manifestou em favor da democracia, dos legítimos direitos humanos e do bem comum da sociedade, em continuidade com a Declaração da CNBB do dia 15 de Janeiro de 2010 e com a Nota da Comissão Episcopal de Pastoral para a Vida e a Família e em consonância com os pareceres emitidos por diversos segmentos da sociedade brasileira feridos pelo III Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), assinado pelo Presidente da República no dia 21 de dezembro de 2009 – nos vemos no dever de manifestar publicamente nossa rejeição a determinados pontos deste Programa.

Diz a referida Declaração: “A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à discriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos. Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.

Não podemos aceitar que o legítimo direito humano, já reconhecido na Declaração de 1948, de liberdade religiosa em todos os níveis, inclusive o público, possa ser cerceado pela imposição ideológica que pretende reduzir a manifestação religiosa a um âmbito exclusivamente privado. Os símbolos religiosos expressam a alma do povo brasileiro e são manifestação das raízes históricas cristãs que ninguém tem o direito de cancelar.

Há propostas que banalizam a vida, descaracterizam a instituição familiar do matrimônio, cerceiam a liberdade de expressão na imprensa, reduzem as garantias jurídicas da propriedade privada, limitam o exercício do poder judiciário, como ainda correm o perigo de reacender conflitos sociais já pacificados com a lei da anistia. Estas propostas constituem, portanto, ameaça à própria paz social.

Fazemos nossas as palavras do Cardeal Dom Geraldo Majela Agnelo, Primaz do Brasil, referidas à proposta de discriminalização do aborto, mas extensivas aos demais aspectos negativos do programa. O PNHD 3 “pretende fazer passar como direito universal a vontade de uma minoria, já que a maioria da população brasileira manifestou explicitamente sua vontade contrária. Fazer aprovar por decreto o que já foi rechaçado repetidas vezes por órgãos legítimos traz à tona métodos autoritários, dos quais com muito sacrifício nos libertamos ao restabelecer a democracia no Brasil na década de 80”.

“Firmes na esperança, pacientes na tribulação, constantes na oração” (Rm 12, 12), confiamos a Deus, Senhor supremo da Vida e da História, os rumos de nossa Pátria brasileira.

Rio de Janeiro, 28 de Janeiro de 2010.

+ Alano Maria Pena, Arcebispo de Niteroi, RJ

+ Francisco de Assis Dantas de Lucena, Bispo de Guarabira

+ Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica S. João Maria Vianney, Campos, RJ

+ Benedito Gonçalves Santos, Bispo de Presidente Prudente, SP

+ Joaquim Carreira, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ Juarez Silva, Bispo de Oeiras, PI

+ Manoel Pestana Filho, Bispo emérito de Anápolis, GO

+ José Moreira da Silva, Bispo de Januária, MG

+ Tarcísio Nascentes dos Santos, Bispo de Divinópolis, MG

+ Guiliano Frigenni, Bispo de Parintins, AM

+ Paulo Francisco Machado, Bispo de Uberlândia

+ Gilberto Pastana de Oliveira, Bispo de Imperatriz, MA

+ Philipe Dickmans, Bispo de Miracema, TO

+ Edney Gouvêa Mattoso, Bispo eleito de Nova Friburgo, RJ

+ Carlos Alberto dos Santos, Bispo de Teixeira de Freitas – Caravelas, BA

+ Walter Michael Ebejer, Bispo emérito de União da Vitória, PR

+ José Antônio Peruzzo, Bispo de Palmas – Francisco Beltrão, PR

+ Franco Cuter, Bispo de Grajaú, MA

+ Karl Josef Romer, Secretário emérito do Pontifício Conselho para a Família

+ Roberto Lopes, Abade do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro, RJ

+ Orani João Tempesta OCist., Arcebispo do Rio de Janeiro, RJ

+ Eugenio de Araujo Card. Sales, Arcebispo emérito do Rio de Janeiro, RJ

+ João Carlos Petrini, Bispo Auxiliar de São Salvador da Bahia

+ Luciano Bergamin, Bispo de Nova Iguaçu, RJ

+ Antônio Augusto Dias Duarte, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+ Wilson Tadeu Jönck, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

+ Pedro Brito Guimarães, Bispo de São Raimundo Nonato, PI

+ Fernando Guimarães, Bispo de Garanhuns, PE

+ Salvador Paruzzo, Bispo de Ourinhos, SP

+ José Moureira de Mello, Bispo de Itapeva, SP

+ José Francisco Rezende Dias, Bispo de Duque de Caxias, RJ

+ Laurindo Guizzardi, Bispo de Foz do Iguaçu, PR

+ Gornônio Alves da Encarnação Neto, Bispo de Itapetininga, SP

+ Carmo João Rhoden, Bispo de Taubaté, SP

+ Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, BA

+ João Bosco de Sousa, Bispo de União da Vitória, PR]

+ Osvino José Both, Arcebispo Militar do Brasil, BSB

+ Capistrano Francisco Heim, Bispo Prelado de Itaituba, PA

+ Aldo di Cillo Pagotto, Arcebispo da Paraíba, PB

+ Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora, MG

+ Moacir Silva, Bispo de São José dos Campos, SP

+ Diamantino Prata de Carvalho, Bispo de Campanha, MG

+ Caetano Ferrari, Bispo de Bauru, SP

+ Aléssio Saccardo, Bispo de Ponta de Pedras, PA

+ Heitor de Araújo Sales, Arcebispo emérito de Natal, RN

+ Matias Patrício de Macêdo, Arcebispo de Natal, RN

+ Geraldo Dantas de Andrade, Bispo auxiliar de São Luis do Maranhão, MA

+ Bonifácio Piccinini, Arcebispo emérito de Cuiabá, MT

+ Tarcísio Scamarussa, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ Celso José Pinto da Silva, Arcebispo emérito de Teresina, PI

+ José Palmeira Lessa, Arcebispo de Aracaju, SE

+ Antônio Carlos Altieri, Bispo de Caraguatatuba, SP

+ Aloisio Hilário de Pinho, Bispo emérito de Jataí, GO

+ Guilherme Porto, Bispo de Sete Lagoas, MG

+ Adalberto Paulo da Silva, Bispo Auxiliar emérito de Fortaleza, CE

+ Bruno Pedron, Bispo de Ji-Paraná, RO

+ Fernando Mason, Bispo de Piracicaba, SP

+ João Mamede Filho, Bispo Auxiliar de São Paulo, SP

+ José Maria Pires, Arcebispo emérito de Paraíba, PB

+ Alfredo Schaffler, Bispo de Parnaíba, PI

+ João Messi, Bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda, RJ

+  Friederich Heimler, Bispo de Cruz Alta, RS

+ Osvaldo Giuntini, Bispo de Marília, SP

+ Assis Lopes, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+ Edson de Castro Homem, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ

+Alessandro Ruffinoni, Bispo auxiliar de Porto Alegre, RS

+ Leonardo Menezes da Silva, Bispo auxiliar de Salvador, BA

***

Longa vida a nossos Bispos e nosso apoio cidadão e cristão a essa corajosa  e coerente posição.

Esse pronunciamento é muito importante e deve ser divulgado de todas as formas possíveis para nosso povo católico e não católico, como reflexão e formação de opinião.


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* Você conhece as redes sociais CATÓLICAS do Brasil?

sexta-feira, janeiro 29th, 2010


Redes Sociais

Ultimamente, a evangelização pelos meios de comunicação digitais tem sido uma das principais preocupações do Vaticano. São frequentes os pronunciamentos do Papa e de outros membros da cúria romana sobre a necessidade urgente de a igreja (clero e leigos) usar esses meios de forma consistente e criativa, sem obviamente se descuidar da evangelização e do testemunho cristão. Para o secretário do pontifício conselho para as comunicações sociais, D. Paul Tighe, os católicos “não anunciam uma mensagem qualquer” mas estão ali também para “anunciar, explicar, aprofundar a Palavra de Cristo, que pode tocar os corações de todos e que nos convida continuamente a um caminho comum de fé e serviço”[1].

Para atender a estes apelos, a maneira encontrada, aqui no Brasil, por movimentos e redes de comunicação ligados à Igreja foi dar uma versão católica à febre do momento entre os internautas: as redes sociais. Se sites como Orkut, MSN, Twitter e Facebook agregam milhões de jovens, por que não dirigir a mensagem de cristo também nessa linguagem?

Gente de Fé O primeiro empreendimento da Canção Nova, a maior rede de comunicação católica do mundo (com TV, rádio e vários serviços na internet), foi a Comunidade.cn, site criado em agosto de 2007 que em julho do ano passado transformou-se no Gentedefe.com, contando atualmente com mais de 18 mil membros, que podem inserir fotos, vídeos, gerenciar e participar de grupos e ainda escrever um blog.

Nação Católica A Tv século XXI e a Associação do Senhor Jesus, por sua vez, possui o Nação Católica (é algo como um Orkut católico), a maior comunidade de relacionamentos do país para o este público. Conta com mais de 22 mil membros e 2 mil e 500 comunidades. Para quem usa o Orkut, é fácil a adaptação: interface parecida, basicamente os mesmos serviços (álbum de Fotos, participar de comunidades) e mais: o membro pode editar um blog.

Click RA A Tv do Santuário Nacional de Aparecida também não ficou de fora. Lançou o Click RA, que, segundo o próprio site “é o clube online da Rede Aparecida, uma rede social, (…) para que pessoas possam conviver e ficar cada vez mais próximos da missão e visão da Rede Aparecida, estendendo assim a experiência com o ‘Clube dos Sócios e Devotos’”. É semelhante ao da Canção Nova, utilizando inclusive a mesma plataforma (WordPress MU). Conta ainda com poucos membros.

Blog Católico Há outras, não vinculadas às redes de tv. É o caso do Blog Católico, que compartilha com o Gente de fé e o Click RA a mesma plataforma do WordPress e tem as mesmas funcionalidades. No Segue-site e Apologética Católica (que como o nome diz é desenvolvida para os interessados no debate e defesa da fé católica) há a possibilidade de compartilhamento de músicas e até bate-papo entre os membros logados. O site Namoro Católico (o terceiro maior) é  especializado em relacionamento on-line,  para jovens solteiros que buscam uma companhia “com intenção de casamento”. E até a RCC já possui sua comunidade virtual: o Espaço Jovem, criado em março do ano passado, que está hospedado na página  do ministério jovem do movimento e ainda é bem limitado. Por fim, existe também o “Myspace  católico”: o Fé&Som, que “trata-se de um portal cristão católico que visa à divulgação da música católica de forma inovadora e interativa com os usuários.”Fé e Som

Juntas, estas redes sociais chegam a quase quarenta e cinco mil membros, compartilhando suas experiências de fé, ensinando e aprendendo, procurando seguir as palavras dos últimos papas, de nova evangelização.

Fonte: Locuta- Junior Andrade

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* A obsessão totalitária.

quinta-feira, janeiro 28th, 2010

Censurar a imprensa e impedir o fluxo de ideias no Brasil
é a única bandeira genuinamente comunista que sobrou aos petistas


Fábio Portela- Revista Veja


Um observador ingênuo pode não entender a obsessão de petistas, manifestada desde o momento zero do governo Lula, de abolir a liberdade de expressão no Brasil. Afinal, em sete anos de administração do país, alguns fizeram enormes avanços pessoais e coletivos. Aumentaram o patrimônio, passaram a beber bons vinhos e a vestir-se com apuro. A política econômica é modelo até para os países avançados e as conquistas sociais fazem inveja a reformadores de todos os matizes ideológicos. Destoam desse rol de avanços a diplomacia megalonanica e a inconformidade com o livre trânsito de ideias no país. O próximo ataque organizado à liberdade de expressão se dará em março, com a Segunda Conferência Nacional de Cultura (CNC). Apesar do nome pomposo, ninguém irá lá para discutir cultura. Os petistas vão, mais uma vez, tentar encontrar uma forma de ameaçar a liberdade de imprensa e obrigar revistas, jornais, sites e emissoras de rádio e TV a apenas veicular notícias, filmes e documentários domesticados, chancelados pelos soviets (conselhos) petistas e reverentes à ideologia de esquerda.

O evento é a continuação por outros meios da batalha pela implantação da censura à imprensa no Brasil. Isso começou em agosto de 2004, com a iniciativa, abortada, de criar um Conselho Federal de Jornalismo (CFJ). Nos últimos meses foram feitas mais duas tentativas. Uma delas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). A outra com o PNDH-3, o Programa Nacional de Direitos Humanos. O que o CFJ, a CNC e o PNDH-3 têm em comum? Todos embutem a criação de um tribunal para censurar, julgar e punir jornalistas e órgãos de comunicação que desobedeçam às normas governamentais. É um figurino de atraso.

Por que essa obsessão não se dissipa? Primeiro, porque ela é a única bandeira que sobrou às esquerdas cujas raízes podem ser traçadas ao seu berço comunista no século XIX. A censura à imprensa é uma relíquia esquerdista, um bicho da era stalinista guardado em cápsula de âmbar e cujo DNA os militantes sonham ainda retirar e com ele repovoar seu parque jurássico. Todas as outras bandeiras foram perdidas. A do humanismo foi dinamitada pela revelação, em 1956, dos crimes contra a humanidade perpetrados por Stalin. A da eficiência econômica e a da justiça social ruíram com a queda do Muro de Berlim, em 1989. Sobrou a bandeira da supressão da voz dos que discordam deles. Mesmo isso não pode ser feito com a dureza promulgada por Lenin (”Nosso governo não aceitaria uma oposição de armas letais. Mas ideias são mais letais que armas.”).

O maior ideólogo da censura à imprensa, cujo nome sai com a facilidade dos perdigotos da boca dos esquerdistas brasileiros, é o italiano Antonio Gramsci (1891-1937). Como a revolução pelas armas se tornou inviável, Gramsci sugeriu a via do lento envenenamento ideológico da cultura, do idioma e do pensamento de um país. É o que tentam fazer os conselhos, conferências e planos patrocinados pelo PT. É neles que se dá a alquimia gramsciana. Ela começa pela linguagem. A implantação da ditadura com o fechamento do Congresso é vendida como “democracia direta”; a censura aparece aveludada como “controle da qualidade jornalística”; a abolição da propriedade privada dilui-se na expressão “novos anteparos jurídicos para mediar os conflitos de terra”. Tudo lindo, pacífico, civilizado e modernizador. Na aparência. No fundo, é o atalho para a servidão. Thomas Jefferson neles, portanto: “…entre um governo sem imprensa e uma imprensa sem governo, fico com a segunda opção”.

Fotos Bettmann/Corbis/Latinstock

Um tema, duas visões

No século XVIII, o futuro presidente americano Thomas Jefferson já enxergava a liberdade de imprensa como um dos pilares da democracia. No século XX, o bolchevique Lenin inaugurou a doutrina esquerdista que vê no jornalismo independente uma ameaça a ser combatida

“Se eu tivesse de decidir entre ter um governo sem jornais e ter jornais sem um governo, eu não hesitaria nem por um momento antes de escolher a segunda opção.”
Thomas Jefferson, em 1787

“Dar à burguesia a arma da liberdade de imprensa é facilitar e ajudar a causa do inimigo. Nós não desejamos um fim suicida, então não a daremos.”
Vladimir Lenin, em 1912

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* Os jovens “sem religião”. Dados de uma pesquisa reveladora e desafiante para a Igreja.

segunda-feira, janeiro 25th, 2010

Os Dados estatisticos do artigo abaixo são de 2004.

Em termos sociológicos continuam bastante atualizados pois revelam tendências que 6 anos não são capazes de mudar significamente.

São dados e números bem reveladores e nos oferecem informações  que nos apoiam na evangelização de nossos queridos jovens.

Supere o receio de ler até o fim esse tipo de artigo,mais longo e consistente; ele é tão bom, ou até melhor, do que aquele curto e, às vezes, superficial.

Ao final, fica aquela sensação do “relativismo religioso” e sua influência fortissima nos nossos jovens.

Esse é o nosso desafio, Igreja!

***

Regina Novaes

O NÚMERO de brasileiros “sem religião”, sobretudo jovens de 15 a 24 anos, tem chamado a atenção dos estudiosos.

O artigo aponta para a conjugação e a convivência entre: ideário secularizante (presente entre ateus e agnósticos); o “espírito do tempo” (presente entre aqueles que acreditam em Deus mas rejeitam instituições religiosas ou transitam entre pertencimentos institucionais) e, finalmente, as novas modalidades sincréticas (favorecidas pela perda de hegemonia do catolicismo e pela globalização do campo religioso).

OS TRÊS PRINCIPAIS mudanças que caracterizam o campo religioso brasileiro hoje são, a saber:

a diminuição percentual de católicos (de 83,76% em 1991 para 73,77% em 2000),

o crescimento dos evangélicos (de 9,05% em 1991 para 15, 45% em 2000)

e o aumento dos “sem religião” (de 4,8% em 1991 para 7,4 % em 2000). Sobre os dois primeiros aspectos muito se tem escrito, sobre o terceiro bem menos.

De fato, ainda pouco se sabe sobre quem são os brasileiros “sem religião” que adentram o século XXI. Porém, algumas informações disponíveis permitem começar uma reflexão sobre o assunto. Este é o objetivo das presentes notas, nas quais focalizaremos, particularmente, os jovens brasileiros de quinze a 24 anos.

Por onde sopram os ventos secularizantes?

Relacionando religião e transferência intergeracional no Rio de Janeiro, o demógrafo René Decol (2001) afirmou que o fluxo atitudinal de católicos para outros grupos ganhou proporções de “mudança social” na medida em que está alterando significativamente e de forma definitiva o perfil religioso da população.

Segundo o autor, o processo tem um componente demográfico: à medida que os grupos populacionais (coortes) se sucedem no tempo, menos adultos em idade de reprodução se declaram católicos, resultando em número cada vez menor de crianças recebendo influência desta natureza.

A tendência é, portanto, um menor número de católicos no interior de cada coorte, fazendo com que a percentagem de católicos no conjunto da população decline de forma cada vez mais acentuada. Segundo o demógrafo, a estrutura social tradicional, onde valores e normas são transmitidos verticalmente, de geração em geração, passa a ser afetada cada vez mais por processos culturais, que atuam em planos horizontais, agindo sobre as coortes de forma diferenciada. Em sua análise, Decol (2001) enfatiza os ventos secularizantes que têm soprado pela sociedade.

O Censo de 2000 confirma tais observações. Para uma pergunta única e aberta – “qual é sua religião?” – em 2000, o IBGE recebeu 35 mil respostas diferentes, o que dá uma idéia da variedade com que o brasileiro define sua fé.

E a tendência de diminuição dos que se declaram católicos se acentua entre os jovens, de quinze a 24 anos (que somam 73,6%). Em relação a outras faixas etárias, segundo o Censo, o crescimento evangélico é um pouco menos acelerado entre os jovens (os jovens evangélicos somam 14,2%, sendo 3,9% de denominações tradicionais e 10,2% de denominações pentecostais). E, finalmente, é entre os que se declaram “sem religião” que os jovens (9,3%) se destacam em relação ao conjunto da população (7,4%).

Três anos depois do Censo, os resultados de uma pesquisa nacional realizada pelo Projeto Juventude/Instituto Cidadania1 confirmaram as mesmas tendências. Diferenciando-se do Censo, a pesquisa não indagou sobre religião através de uma pergunta aberta, a pergunta oferecia opções separadas como “agnósticos”, “ateus” e quem “acredita em Deus mas não tem religião”.

Enquanto 65% dos jovens entrevistados nesta pesquisa em todo o país se declaram católicos, 20% se declaram evangélicos (sendo 15% pentecostais e 5% não pentecostais)2. E foram 10% os jovens “sem religião”, sendo que 9% declararam “acreditar em Deus mas não ter religião” enquanto apenas 1% identificaram-se como ateus e agnósticos.

Através dos resultados da pesquisa Perfil da juventude brasileira podemos apresentar algumas características dos jovens que se definem como agnósticos e ateus. Eles somaram apenas 1% (entre os quais 69% são homens e 31% são mulheres), no âmbito dos 3.500 entrevistados, entre os quais 41% se declararam brancos, 44% estão entre os que se declararam pretos ou pardos e 7% dos que se declararam indígenas.

Considerando o conjunto dos jovens entrevistados, em termos de renda familiar declarada, os ateus e agnósticos não estão entre os mais pobres, estão lado a lado com os espíritas kardecistas, seguidos por uma parcela de católicos, de evangélicos não pentecostais e de jovens das “outras religiões”. E estão, como era de se esperar, em termos de renda, mais distantes dos pentecostais que – junto com os adeptos das religiões afro-brasileiras – estão entre os mais pobres.

Os ateus e agnósticos, nesta mesma pesquisa, não estão predominantemente nem entre os jovens mais jovens (catorze a dezessete anos), nem entre os jovens mais velhos (21 a 24 anos); 50% deles estão na faixa etária intermediária (dezoito a vinte anos). O que pode indicar que este declarar-se “ateu” ou “agnóstico” pode fazer parte do momento da vida que é importante a afirmação de identidade independente em relação à família, como aconteceu com outras gerações.

No entanto, chama atenção o fato dos entrevistados que se declararam ateus ou agnósticos viverem mais no interior do que nas regiões metropolitanas, contrariando um dos velhos cânones que relaciona ateísmo com os ventos secularizantes da urbanização modernizadora.

Vejamos agora os outros jovens entrevistados que declararam “acreditar em Deus mas não ter religião”.Na pesquisa Perfil da juventude brasileira, eles somam 9% no conjunto dos entrevistados, sendo 64% de homens e 36% de mulheres, distribuem-se por todos os grupos de idade e estão um pouco mais entre os jovens mais velhos (21 a 24 anos). Em termos de educação formal, há uma aproximação entre os que “acreditam em Deus mas não têm religião” e os pentecostais, que se destacam pela pouca escolaridade. Em outras palavras, entre os jovens que ainda estão cursando o ensino fundamental ou que pararam de estudar nestas séries, somente os jovens evangélicos pentecostais entrevistados são em número um pouco maior do que os jovens que “acreditam em Deus, mas não têm religião”. Já no ensino médio e na universidade, os que “acreditam em Deus, mas não têm religião” só são em maior número se comparados com os jovens adeptos da umbanda e do candomblé.

Quanto à experiência de trabalho, os jovens que “acreditam em Deus mas não têm religião” são os que mais trabalham na cidade sem registro (45%); ficam em quarto lugar entre os que trabalham na cidade com carteira assinada (19%); são 17% entre os que fazem bicos na cidade; são 2% entre os que trabalham na agricultura familiar e outros 2% entre os que trabalham como assalariados no campo. Em resumo: seu perfil revela menos inclusão educacional e mais vulnerabilidades sociais.

Em termos de distribuição regional, na mesma pesquisa acima citada, temos os seguintes resultados: enquanto entre os jovens entrevistados o catolicismo predomina nas regiões Nordeste e Sul, os jovens evangélicos estão mais presentes no Norte/Centro-Oeste e no Sudeste. No Sudeste, também estão a maioria dos jovens espíritas kardecistas e os jovens adeptos das religiões afro-brasileiras que responderam o questionário da pesquisa. Quanto aos ateus e àqueles que “acreditam em Deus mas não têm religião” é interessante notar que mesmo havendo algum destaque para a região Sudeste, eles se distribuem por todas as regiões do país.

A disseminação desta opção “acredita em Deus, mas não tem religião” pode ser um elemento para explicar porque, em termos censitários, os “sem religião”, que eram 0,2% em 1940, cresceram 52% na década de 1990. Porém, certamente, em 1940, os símbolos e significados presentes na resposta “sem religião” eram bastante diferentes dos dias de hoje.

Hoje e ontem há jovens que se definem como “ateus” e “agnósticos”, mas certamente em nenhuma outra época houve tantos jovens se definindo como “sem religião” que poderiam também ser classificados como “religiosos sem religião”, isto é, adeptos de formas não institucionais de espiritualidade que são normalmente classificadas como esotéricas, nova era, holísticas, de ecologia profunda etc. Mas, ao mesmo tempo, também é significativo o número de jovens que se predispõe a mudar de religião e que reafirma seu pertencimento às igrejas evangélicas, às novas religiões japonesas, ao Budismo e, também, a grupos católicos ligados à Teologia da Libertação ou à Renovação Carismática.

E quanto pesa o “espírito de época”?

Mas, como diria Bourdieu, a estatística é apenas uma das formas de representar a vida social. O desafio da interpretação sociológica – mesmo quando a força da “evidência” dos números, das tabelas e gráficos parece marcante – é atribuir-lhes sentido que nunca perdem seu caráter hipotético. Ou seja, a explicação sociológica deve funcionar como “costura” produtora de inteligibilidade (Bourdieu, 1963, p. 10). Frente a esta nova configuração, a “costura” exige – pelo menos – três cuidados.

O primeiro cuidado diz respeito aos sentidos das palavras “ateu”, “agnóstico” e da expressão “não ter religião”. Nada nos assegura que seus usos sejam os mesmos nem em termos de passado e presente, nem mesmo entre os jovens hoje entrevistados. Isto é, as autoclassificações dos jovens de hoje têm de ser pensadas em suas inter-relações no interior do campo religioso em transformação. Vejamos algumas respostas também retiradas da pesquisa Perfil da juventude brasileira que podem indicar diferentes apropriações destes termos.

Indagados sobre os valores que seriam mais importantes em uma sociedade ideal, a maioria (56%) dos jovens que afirmaram “ter fé, mas não ter religião” se dispersou entre muitos valores propostos destacando “igualdade de oportunidades” (17%). O “temor a Deus” (13%) e a “religiosidade” (4%) também foram incluídos em suas respostas. Vejamos agora as escolhas dos ateus e agnósticos. Estes concentraram-se sobretudo no “respeito ao meio ambiente” (48%), mas quase 25% deles incorporaram a dimensão espiritual: 14% elegeram “temor a Deus”, outros 14% deles escolheram “religiosidade”. Em resumo, os valores “temor a Deus” e “religiosidade” somaram 17% das respostas daqueles que “acreditam em Deus, mas não têm religião” e 28% nas respostas dos ateus/agnósticos entrevistados.

Já não se fazem ateus como antigamente? E, por outro lado, relacionar as respostas daqueles que “acreditam em Deus, mas não têm religião” com a idéia corrente de que a ausência de fé favorece a possibilidade de crítica social? Afinal, são os jovens que “acreditam em Deus, mas não têm religião” que mais valorizaram a “igualdade de oportunidades”, enquanto este aspecto foi muito pouco valorizado pelos ateus. Nesta mesma linha de questionamento, também chama a atenção a ênfase no “respeito ao meio ambiente” (48%)3 entre os jovens que se declararam ateus. Lembrando o fato de que esta é uma geração que já recebeu como legado a “descoberta da ecologia”, seria interessante saber o que significa este “respeito”. Por um lado, é verdade que o “respeito ao meio ambiente” pode ser uma nova formulação para velhas e várias formas de valorização da natureza. Por exemplo, são conhecidas as relações rituais das religiões afro-brasileiras com a flora, o “respeito ao meio ambiente” pode ser a forma de reinterpretar e potencializar hoje práticas tradicionais. Mas, por outro lado, a ênfase ao respeito à natureza pode indicar também que “ser ateu” nos dias atuais pode não ser incongruente com a chamada “espiritualidade ecológica” e com novas possibilidades de (com)sagração da natureza.

Enfim, no que diz respeito particularmente à fé e às crenças, é preciso desnaturalizar pares de oposição consagrados que polarizam religião e participação política e/ou ciência e religião. Isto é, já hoje nos faltam evidências empíricas para aproximar automaticamente ausência de religião – ateísmo ou agnosticismo – ao progresso da política e da ciência.

O segundo cuidado diz respeito aos trânsitos já feitos e aos momentos de passagens entre religiões. De fato, as pesquisas são fotografias instantâneas da experiência dos jovens entrevistados, mas elas só permitem apreender percursos e processos nas trajetórias dos entrevistados quando se faz mais de uma pergunta sobre o tema religião. Tanto no Censo Demográfico quanto na pesquisa Perfil da juventude brasileira só havia uma pergunta sobre religião. Em outra pesquisa que desenvolvi no Rio de Janeiro, em 2001, intitulada Jovens do Rio4, fizemos outras perguntas sobre religião que permitiram identificar um contraditório tripé que se faz presente na experiência desta geração, a saber: a) forte disposição para mudança de religião; b) ênfase na escolha individual gerando maior disponibilidade para a reafirmação pessoal do pertencimento institucional; c) desenvolvimento de religiosidade sem vínculos institucionais.

Os “sem religião” poderiam, portanto, expressar a terceira possibilidade (item c). Porém, também a primeira possibilidade (item a) favorece a resposta “acredito em Deus, mas não tenho religião”. Isto porque a disposição para mudar de religião cria vários momentos de interregno entre pertencimentos institucionais, isto é, momentos de busca entre os vários desenraizamentos que caracterizam o “espírito de época”.

Na pesquisa Jovens do Rio, chamou a atenção o fato de mais da metade dos entrevistados – caracterizados como classe C – ter declarado já ter mudado de religião. Outro exemplo: na mesma pesquisa, no extrato mais pobre, ali caracterizado como classe D, dois fenômenos se destacaram simultaneamente: quase um terço dos jovens se declararam “sem religião” e mais jovens se declararam evangélicos pentecostais do que católicos praticantes.

O terceiro cuidado diz respeito à necessidade de bem caracterizar as mudanças ocorridas na sociedade brasileira que tornam recorrente o pluralismo religioso intrafamiliar. Os resultados da pesquisa Jovens do Rio evidenciaram que o menor índice de transferência da religião dos pais para os filhos não desemboca necessariamente em secularização da sociedade, pois parte dos jovens que não seguem as religiões de seus pais católicos, buscam outras religiões. Os índices crescentes de evangélicos entre os jovens apontam para esta direção. Em outras palavras, se é evidente que o histórico catolicismo brasileiro perde com a diminuição da transferência intergeracional da religião, também não há garantia da total “transferência intergeracional” do ateísmo ou do agnosticismo. Na pesquisa Jovens do Rio, 50% dos entrevistados que declararam ter pais ateus ou agnósticos declararam ter eles próprios uma religião. A mesma pesquisa revelou ainda que frente à diminuição da influência da família na escolha religião, outras influências se revelam: para os entrevistados na pesquisa Jovens do Rio, a influência da família na escolha da religião pesou apenas para cerca de 50% dos entrevistados, para o restante, a escolha da religião passava por outras justificativas, tais como, “motivos pessoais”, “influência de amigos” e “influência de agentes religiosos”.

Em resumo, partilhando um certo espírito de época, os jovens desta geração estão sendo chamados a fazer suas escolhas em um campo religioso mais plural e competitivo. Os “sem religião” podem ser pensados como expressões locais de um global “espírito da época” no qual se expande o fenômeno de adesão simultânea a sistemas diversos de crenças, combinam-se práticas ocidentais e orientais, não apenas no nível religioso, mas também terapêutico e medicinal. Não podemos esquecer que, no mesmo Censo de 2000, o número de praticantes de religiões orientais cresceu, revelando mais budistas (245 mil) do que adeptos da religião judaica (101 mil). Os seguidores da doutrina do profeta Maomé (Islamismo) correspondem a 18,5 mil brasileiros. O Censo detalha também grupos que não apareciam nas estatísticas, como os praticantes de religiões esotéricas (69,2 mil) e de tradições indígenas (10,7 mil).

Ou seja, estamos vivendo uma inédita conjugação entre “ventos secularizantes” e “espírito de época. Nos anos de 1980, o fim da guerra fria e a descrença na possibilidade de mudanças radicais já haviam produzido mudanças de formas e de conteúdo no caráter dos movimentos sociais contemporâneos. Os anos de 1990 evidenciaram crises de paradigmas que atingiram instituições religiosas e políticas. No que diz respeito ao campo religioso, velhos e novos fundamentalismos passaram a conviver com a emergência de um mundo religioso plural em que cresce a presença de grupos e indivíduos cuja adesão religiosa permite rearranjos provisórios entre crenças e ritos sem fidelidades institucionais.

Em um contexto de para “além das identidades institucionais”, para os jovens de hoje se oferecem igrejas e grupos de várias tradições religiosas. Para eles também existem possibilidades de combinar elementos de diferentes espiritualidades em uma síntese “pessoal e intransferível” e assim se abrem novas possibilidades sincréticas.

Velhos sincretismos e novas combinações?

No momento atual, surge também a possibilidade de, entre os “sem religião”, estarem jovens que se aproximam da umbanda, do candomblé ou do espiritismo.

Ao falar sobre as religiões mediúnicas, sempre se pergunta sobre seu futuro frente à escalada pentecostal. De fato, a olho nu, parecia ser maior o número de umbandistas e candomblecistas que, na última década, vinham assumindo publicamente suas identidades religiosas. Mas, apenas 1,4% de espíritas kardecistas e 0,3% de umbandistas e candomblecistas aparecem no Censo de 2000. Embora a pesquisa Perfil da juventude brasileira tenha chegado a número maiores (2% e 1% respectivamente), a questão do futuro dessas tradições religiosas procede. Como explicar esses pequenos números quando se fala em maior diversidade religiosa no Brasil?

Em primeiro lugar, não há como negar que o crescimento pentecostal disputa “nas bases” com as religiões afro-brasileiras. Não é por acaso, diga-se de passagem, que a neopentecostal Igreja Universal do Reino de Deus elege entidades e orixás como seus adversários mais poderosos. O exorcismo – ali denominado de libertação – pressupõe a crença no poder do inimigo.

Em segundo lugar, é preciso não esquecer que, certamente, muitos jovens entrevistados – como em gerações anteriores – continuam se definindo como católicos, sem deixar de ir a centros espíritas e a terreiros. Este fenômeno, bem conhecido entre nós, revela estratégias de apresentação social frente aos preconceitos e perseguições sofridas pelos adeptos das religiões afro-brasileiras ao longo da história, mas revela também sentimentos de “duplo pertencimento” que fazem com que um pai ou uma mãe de santo possam dizer, sem constrangimento: “sou católica e da umbanda” ou “sou católica e do santo”.

E, em terceiro lugar – para além da onda evangélica – neste momento em que “ser católico” deixou de ser um requisito socialmente obrigatório, pode-se estar em vigor um novo expediente: freqüentadores dos centros espíritas, da umbanda e do candomblé podem estar engrossando as fileiras dos “sem religião”. Esta hipótese está baseada em pesquisas que registram novas combinações entre crenças e práticas mediúnicas com outras vindas do chamado universo “nova era”. Esta mistura pode ser observada tanto em lojas esotéricas que vendem produtos afro-brasileiros, como vice-e-versa.

Quanto aos espíritas kardecistas, deixando de ser socialmente induzidos a se incluir na maioria católica, eles não teriam o menor problema em definir-se como “sem religião”. Afinal, como filhos do racionalismo francês, os espíritas sempre valorizaram o “caráter científico” da doutrina de Alan Kardec.

Enfim, de maneira geral, podemos dizer que as técnicas de comunicação e os avanços da tecnologia de ponta foram incorporados e contribuíram para a chamada globalização do campo religioso. Na televisão, nas lojas de produtos esotéricos, nas feiras, no rádio, já encontraram ofertas de “orientalização” das crenças ocidentais convivendo com uma difusa negação do dualismo cristão.

No mundo globalizado, as crenças circulam, são apropriadas e reapropriadas. Na pesquisa Jovens do Rio buscamos apreender as crenças dos entrevistados de diferentes religiões, dos que “acreditam em Deus mas não têm religião” e também dos agnósticos e ateus. Entre os jovens entrevistados se fizeram presentes afro-brasileiros que crêem tanto em Orixás como no Espírito Santo, assim como jovens evangélicos pentecostais que afirmam acreditar em Orixás. Foram entrevistados católicos que afirmaram acreditar na reencarnação, mas também católicos e espíritas afirmaram suas crenças em orixás e energias esotéricas. E, o que mais interessa neste artigo, os jovens que se autoclassificaram como “sem religião” afirmaram acreditar praticamente em todos os itens do elenco oferecido: “energia”, astrologia, orixás, duendes e gnomos…

Nota final

Os jovens brasileiros, nascidos do final da década de 1970 para cá, já encontraram o mundo mudado. Eles fazem parte de uma geração pós-industrial, pós-guerra fria e pós-descoberta da ecologia. Vivem as tensões do avanço tecnológico, os mistérios do emprego, da violência urbana.

O que isto teria a ver com religião? Não me atrevo a afirmar que “o medo de sobrar”, a insegurança para planejar o futuro profissional e a experiência de vivenciar precocemente a morte de amigos, primos e irmãos resultem, direta e necessariamente, em reforço de valores religiosos, busca de fé ou na valorização da religião como locus de agregação social. Apenas lembro que, para minorias militantes, as instituições religiosas continuam produzindo grupos e espaços para jovens onde são construídos lugares de agregação social, identidades e formam grupos que podem ser contabilizados na composição do cenário da sociedade civil. Fazendo parte destes grupos, motivados por valores e pertencimentos religiosos, jovens têm atuado no espaço público e têm fornecido quadros militantes para sindicatos, associações, movimentos e partidos políticos.

Mas, com o crescimento dos “sem religião”, por que podemos dizer que para esta geração a fé está em alta? Os jovens de hoje já encontram questionada a histórica equação: “brasileiro”=”católico”. O declínio histórico do catolicismo no Brasil – relacionado com o crescimento evangélico e com o aumento daqueles que se declaram “sem religião” – produz mudanças fundamentais nas estratégias de apresentação social. É nesta geração que se generaliza a possibilidade de se declarar “sem religião”, sem abrir mão da fé. “Ser religioso sem religião” significa, sobretudo, um certo consumo de bens religiosos sem as clássicas mediações institucionais como um estado provisório (entre adesões) ou como uma alternativa de vida e de expressão cultural.

Não por acaso, a Bíblia é o maior best seller do nosso tempo. Para ter acesso à Bíblia, os jovens brasileiros de hoje não precisam desconsiderar a autoridade dos padres ou pastores, nem precisam a eles se submeter. A Bíblia pode ser comprada em qualquer esquina e seus versículos são cantados nas letras de rap e aparecem escritos em outdoors no centro das cidades, nos muros das favelas e periferias. Expressando vínculos institucionais ou apenas crenças mais difusas, nos últimos anos, a linguagem religiosa se faz presente em muitas expressões juvenis na área de arte e cultura. Também não é por acaso que o Prêmio Hutus, considerado o mais importante do Hip Hop da América Latina, instituiu a categoria Hip Hop Gospel e também premia composições de “sem religião” que’ – sem peias institucionais – falam de Cristo, de Oxalá e citam salmos bíblicos.

Neste contexto, a religião torna-se um fator de escolha em uma sociedade que enfatiza inúmeras possibilidades de escolhas, mas reduz acessos e oportunidades. Essas informações indicam a necessidade de novas abordagens e técnicas de pesquisa para compreender melhor no que consiste a singular (e internamente diferenciada) experiência religiosa desta geração.

Notas

1 A metodologia, os critérios da amostra e os principais resultados desta pesquisa podem ser encontrados em www.projetojuventude.org.br

2 Na mesma pesquisa – Perfil da juventude brasileira – outros 1% dos jovens entrevistados indicaram igrejas classificadas como neocristãs, tais como Testemunhas de Jeová, Mórmons, Legião da Boa Vontade. Os espíritas e os jovens que se declaram adeptos das religiões afro-brasileiras somaram 3%. Somam 1% os jovens que fizeram referência a outras minorias religiosas como judeus, islâmicos, budistas etc.

3 “Respeito ao meio ambiente” teve destaque também entre evangélicos históricos não pentecostais e adeptos da umbanda e do candomblé (35%), e jovens de outras religiões (21%).

4 Ver Novaes e Mello 2002.

Bibliografia

BOURDIEU, P. et alli. Travail et travailleurs em Algérie. Paris, La Haye, Mouton, 1963.

DECOL, René. “Imigração internacional e mudança religiosa no Brasil”. Comunicação apresentada na Conferência Geral sobre População, Salvador, 2001.

NOVAES, Regina. “Religião e política: sincretismos entre alunos de Ciências Sociais”. Em A dança dos sincretismos. Rio de Janeiro, Comunicações do Iser, n. 45, ano 13, 1994.

_______ . e MELLO, Cecília. Jovens do Rio. Rio de Janeiro, Comunicações do Iser, n. 57, ano 21, 2002.

PACE, Enzo. “Religião e globalização”. Em ORO, A. P. e STEIL, C. A. (orgs.). Religião e Globalização. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1997.

TAVARES, M. F. e CAMURÇA, Marcelo. “Balanço dos estudos sobre juventude e religião”. Universidade Federal de Juiz de Fora. Artigo inédito, 2004.

***

Regina Novaes é antropóloga. Fez mestrado no Museu Nacional, UFRJ e doutorado na USP. É professora da Programa de pós-graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, da UFRJ.

É editora da Revista Religião e Sociedade. É autora de Os escolhidos de Deus (Marco Zero) e De corpo e Alma (Graphia). Tem vários artigos publicados sobre as relações entre religião e política, e, nos últimos anos, tem se dedicado ao estudo de expressões culturais juvenis.

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* Em nota, CNBB se manifesta contrária a pontos do PNDH-3

sexta-feira, janeiro 15th, 2010

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na tarde desta sexta-feira, 15, para manifestar sua posição em relação ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3).

Pontos como a descriminalização do aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos foram rechaçados pela entidade. “Em sua defesa dos Direitos Humanos, a Igreja se baseia na concepção de Pessoa Humana que lhe advém da fé e da razão natural”, diz o texto.

Outro tema que tem causado polêmica é a proibição de símbolos religiosos em locais públicos. “Daqui a pouco vamos ter de demolir a estátua do Cristo Redentor”, declarou o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), d. Dimas Lara Resende no último dia 8. Para ele, há intolerância religiosa em programa que deveria promover a livre manifestação.

***

“Declaração da CNBB sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH – 3)

A promoção e a defesa dos Direitos Humanos tem sido um dos eixos fundamentais da atuação e missão evangelizadora da CNBB em nosso País. Comprovam-no as iniciativas em prol da democracia; as Campanhas da Fraternidade; a busca pela concretização da Lei 9840 – contra a corrupção eleitoral; a recente Campanha “Ficha Limpa”; a defesa dos povos indígenas e afrodescendentes; o empenho pela Reforma Agrária, a justa distribuição da terra, a ecologia e a preservação do meio ambiente; o apoio na elaboração dos Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso e da Igualdade Racial, entre outros.

Neste contexto, a CNBB se apresenta, mais uma vez, desejosa de participar do diálogo nacional que agora se instaura, sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3), tornado público aos 21 de dezembro de 2009.

A Igreja Católica considera o movimento rumo à identificação e à proclamação dos direitos humanos como um dos mais relevantes esforços para responder de modo eficaz às exigências imprescindíveis da dignidade humana (cf. Concílio Vaticano II, Declaração Dignitatis Humanae, 1). O Papa João Paulo II, em seu Discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 21 de outubro de 1979, definiu a Declaração Universal dos Diretos Humanos como “uma pedra miliária no caminho do progresso moral da humanidade”.

O Brasil foi uma das 171 nações signatárias da Declaração de Viena, fruto da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, em 1993, sob o signo da indissociabilidade entre Democracia, Desenvolvimento Econômico e Direitos Humanos.

No entanto, em sua defesa dos Direitos Humanos, a Igreja se baseia na concepção de Pessoa Humana que lhe advém da fé e da razão natural. Diante de tantos reducionismos que consideram apenas alguns aspectos ou dimensões do ser humano, é missão da Igreja anunciar uma antropologia integral, uma visão de pessoa humana criada à imagem e semelhança de Deus e chamada, em Cristo, a uma comunhão de vida eterna com o seu Criador. A pessoa humana é, assim, sagrada, desde o momento de sua concepção até o seu fim natural. A raiz dos direitos humanos há de ser buscada na dignidade que pertence a cada ser humano (cf. Concílio Vaticano II, Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 27).

“A fonte última dos direitos humanos não se situa na mera vontade dos seres humanos, na realidade do Estado, nos poderes públicos, mas no próprio ser humano e em Deus seu Criador” (Compêndio de Doutrina Social da Igreja, 153). Tais direitos são “universais, invioláveis e inalienáveis” (JOÃO XXIII, Encíclica Pacem in Terris, 9).

Diante destas convicções, a CNBB tem, ao longo de sua história, se manifestado sobre vários temas contidos no atual Programa Nacional de Direitos Humanos. Nele há elementos de consenso que podem e devem ser implementados imediatamente. Entretanto, ele contém elementos de dissenso que requerem tempo para o exercício do diálogo, sem o qual não se construirá a sonhada democracia participativa, onde os direitos sejam respeitados e os deveres observados.

A CNBB reafirma sua posição, muitas vezes manifestada, em defesa da vida e da família, e contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de “mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas.

Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, imploramos as luzes de Deus, para que, juntos, possamos construir uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Brasília, 15 de janeiro de 2010

***

Sobre esse tema, vejam a nota que nos chega:

NOTA PÚBLICA

A ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES FEDERAIS DO RIO DE JANEIRO E DO ESPÍRITO SANTO – AJUFERJES manifesta, publicamente, extrema preocupação com o conteúdo do Decreto nº. 7.037, de 21 de dezembro de 2009, que cria o Programa Nacional de Direitos Humanos.

A pretexto de tutelar e enaltecer os direitos humanos, que estão acima de qualquer indagação, o mencionado Decreto, na parte que trata do acesso à Justiça no campo e na cidade, ao propor a institucionalização da mediação como medida preliminar à concessão de liminares, agride não só o disposto no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição da República (”a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”), como também subtrai do Juiz o seu necessário poder geral de cautela.  Esta proposta, nos termos em que formulada, representa um verdadeiro retrocesso nas garantias dos cidadãos na defesa de seus direitos, ao tempo em que interfere indevidamente na independência do Poder Judiciário e no Estado Democrático e de Direito.

Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 2010.
FABRÍCIO FERNANDES DE CASTRO
JUIZ FEDERAL – PRESIDENTE DA AJUFERJES

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* Dor na Igreja Católica pela morte de Zilda Arns.

quarta-feira, janeiro 13th, 2010

A médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, morreu no forte terremoto que abalou o Haiti nesta terça-feira. Ela tinha 75 anos e também era coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa.

Zilda Arns nasceu em Forquilhinha (SC) em 25 de agosto de 1934 e morava em Curitiba. Irmã de Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo, ela foi proposta pelo governo para o Prêmio Nobel da Paz por três anos seguidos.

Formada em Medicina, aprofundou-se em Saúde Pública visando salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Zilda Arns desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João.

Em 2003, Zilda Arns recebeu o prêmio ‘Faz Diferença’, do jornal O GLOBO, de ‘Personalidade do Ano’, por seu trabalho à frente da Pastoral da Criança. Presente em todos os estados do Brasil e em mais 20 países, a Pastoral da Criança tem mais de 240 mil voluntários capacitados atuando em 40.853 mil comunidades em 4.016 municípios. Acompanha quase 95 mil gestantes e mais de 1, 6 milhão de crianças pobres menores de seis anos.

A entidade teve início em uma reunião da ONU sobre a paz mundial, em 1982. Na reunião, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, foi convencido pelo então diretor-executivo do Unicef, James Grant, de que milhares de crianças poderiam ser salvas se as mães pobres aprendessem a fazer o soro caseiro.

D. Paulo Evaristo Arns e Zilda Arns/Arquivo

De volta ao Brasil, dom Paulo perguntou a irmã se ela aceitaria fazer um projeto neste sentido. Viúva e mãe de cinco filhos, Zilda respondeu que também pensaria em outras ações para prevenir a diarréia.

- Hoje entendo que, desde a infância, Deus me preparou para essa missão: tive a medicina e a vocação para a pedagogia, além da formação voltada para a comunidade – disse ela à época.

Zilda conseguiu traduzir suas idéias em cartilhas e apresentou o projeto. Foi escolhida para piloto a cidade do Paraná em que a mortalidade infantil era mais alta, com uma taxa de 127 mortes por mil crianças nascidas vivas: Florestópolis.

” Deus dá a felicidade, mas o homem tem que percebê-la “


Em 2004, Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.

Em sua mesa de trabalho sempre havia muitas fotos de família e um texto, em alemão, do escritor católico Adolph Kolping: “Deus dá a felicidade, mas o homem tem que percebê-la”.

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda Arns, merecem destaque: o Prêmio “Heroína da Saúde Pública das Américas”, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002; o Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha; a Medalha “Simón Bolívar”, da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000; o Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club Internacional; e, o Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.

O Globo

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* Boa notícia! Maioria dos parlamentares é contra o aborto.

segunda-feira, janeiro 11th, 2010

Pesquisa mostra que 57% dos congressistas entrevistados são contra qualquer mudança na legislação do aborto. Um terço dos parlamentares diz pautar sua atuação legislativa por convicções religiosas

Fábio Pozzebom/ABr
Estudo mostra que 34% dos 321 parlamentares entrevistados admitem legislar, parcial ou totalmente, conforme suas convicções religiosas

Pesquisa encomendada pelo Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) mostra que mais da metade dos parlamentares entrevistados são contrários qualquer mudança na legislação do aborto. De acordo com o levantamento, 57% dos congressistas ouvidos manifestaram-se contra a qualquer tentativa de mudança na lei para permitir a interrupção da gravidez.

Segundo a pesquisa, 15% dos parlamentares rejeitam a prática do aborto em qualquer situação, inclusive estupro ou risco de morte para a mãe ou o feto. Apenas 1% acha que a legislação deve ser ampliada, de maneira que a interrupção voluntária de gravidez seja permitida em determinados casos. Já aqueles que apoiam a ampliação irrestrita da lei são 18%, enquanto 8% não souberam opinar.

A pesquisa traz ainda outro dado revelador. Segundo o Cfemea, ele explica a posição predominante entre deputados e senadores em relação ao aborto: um terço dos parlamentares diz pautar sua atuação legislativa conforme sua crença religiosa.

Foram consultados 321 congressistas, entre deputados e senadores: 27 mulheres (8% dos mandatários no Congresso) e 294 homens (92%), a mesma proporção entre os 594 parlamentares. O questionário foi elaborado pelo centro de estudos em 2007 e aplicado em 2008 pelo Instituto Soma. Somente agora, no entanto, os resultados estão sendo divulgados.

Livro

Os dados levantados pela pesquisa deram origem a um livro, Como os parlamentares pensam o direito das mulheres?, organizado pelas pesquisadoras Eneida Vinhaes Dutra e Soraya Fleischer, que faz parte da coleção 20 Anos de Cidadania e Feminismo, numa referência às duas décadas de criação do Cfemea. Na avaliação da entidade, o levantamento mostra o “grande distanciamento dos parlamentares em relação ao direito de livre escolha frente uma gravidez indesejada”.

“Esse distanciamento vem se mantendo ao longo das duas últimas décadas. Quanto à ampliação para os permissivos legais para a realização da interrupção da gravidez, os parlamentares conseguem acolher a ideia apenas em situações de grave risco à saúde da mulher, e de má formação congênita incompatível com a vida ou doença fetal grave e incurável”, diz trecho do livro, cedido ao Congresso em Foco pelo centro (confira a íntegra).

Religião e política

O estudo aponta que 34% dos 321 parlamentares entrevistados admitem legislar, parcial ou totalmente, conforme suas convicções religiosas particulares. Outros 60% declararam ser contra deliberar de acordo com suas crenças religiosas. A maioria dos legisladores que trabalhavam a partir de suas convicções religiosos era católica (70%) e evangélica (22%).

O estudo mostra que 10% dos parlamentares entrevistados declararam não professar nenhuma crença religiosa. Dos 321 ouvidos, 237 disseram ser católicos; 39, evangélicos, e seis, espíritas. A maioria é católica tanto entre os homens (75%) quanto entre as mulheres (63%) pesquisadas.

Segundo a entidade, os parlamentares que agem segundo suas convicções religiosas comprometem a instituição pública para a qual se elegeram ao confundirem religião e Estado, afrontando o princípio da laicidade, previsto na Constituição.

“Como destacado pelas autoras, a grande maioria dos parlamentares não reconhece o direito das mulheres realizarem o aborto por motivação sócio-econômica ou por livre solicitação. A luta contra o direito ao aborto e a parceria civil entre pessoas do mesmo sexo constituem bandeiras paradigmáticas das forças conservadoras e religiosas de cunho fundamentalista, que vem se organizando e fortalecendo a cada dia em todo o planeta”, destaca outro trecho da publicação.

Fonte : Congresso em Foco.

***

Quando vão escrever um livro falando do direito dos inocentes?

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* O que você sabe sobre diálogo ecumênico e inter-religioso no Brasil?

quinta-feira, dezembro 17th, 2009

Eis um assunto pouco conhecido pelos leigos de foma geral: As instâncias de diálogo de nossa Igreja com outras expressões religiosas,cristãs ou não, no Brasil.

Leia e veja que interessante e com quem, hoje, nossa Igreja se reúne e busca abrir e manter um canal de diálogo.

Confesso que fiquei surpreso com a amplitude.

***

As “comissões bilaterais” são instâncias oficiais de diálogo e cooperação entre Confissões cristãs (sobretudo no plano teológico) bem como da Igreja Católica com outros credos.

O Brasil conta com três “comissões bilaterais”:

COMISSÃO NACIONAL ANGLICANO-CATÓLICA (Conac)

Documentos-guia:
A comunhão eclesial (1990)
Moral, comunhão e Igreja (1993)
O dom da autoridade (1998)
Unidos no diálogo – compêndio de documentação (1992)
Maria: graça e esperança em Cristo (2004)

COMISSÃO BILATERAL CATÓLICO-LUTERANA
Documentos-guia:
Declaração conjunta sobre a doutrina da Justificação por graça e fé (1999)

COMISSÃO NACIONAL DE DIÁLOGO CATÓLICO-JUDAICO
Documentos-guia:
Notas para a correta apresentação dos Judeus e do Judaísmo na pregação e na catequese da Igreja Católica (1985)
“Nós recordamos” – uma reflexão sobre a Shoah (1998)
“Dabru emet” – dizei a verdade entre vós (2000)
O povo Judeu e suas Escrituras na Bíblia cristã (2002).

Cada “comissão bilateral” é composta por representantes dos respectivos credos (judeus, anglicanos, luteranos e católicos) designados pelas autoridades competentes de suas instituições.

Reúnem-se ao longo do ano, com agendas diferenciadas. Na metodologia, partem do “diálogo na verdade e na caridade” – o que favorece um sincero “diálogo de convergências” com a evolução dos trabalhos.

Além de tratarem de assuntos da pauta nacional, por vezes essas comissões estudam os resultados do correspondente diálogo em nível internacional (cf. documentos-guia citados).

As “comissões bilaterais” têm autonomia metodológica, determinando seu próprio ritmo de trabalho. À medida que exercem suas atividades, comunicam seus relatórios à Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB, que acompanha os trabalhos e mantém o vínculo entre os diálogos bilaterais e a CNBB.

NÚCLEOS DE DIÁLOGO ECUMÊNICO E INTER-RELIGIOSO

Além das “comissões bilaterais” (que possuem caráter oficial), a Igreja Católica anima e participa, com seus representantes, de outros espaços de diálogo com Igrejas Cristãs e outros credos. Esses espaços funcionam como  “oficinas” de conhecimento mútuo, amizade, reflexão e espiritualidade – superando a indiferença e o desconhecimento entre seus participantes.

Com ritmo próprio e competência metodológica, esses “núcleos de diálogo” se organizam como Movimentos ou Grupos organizados. Alguns servem de plataforma para futuras “comissões bilaterais”. Estas experiências constituem escolas de diálogo, que educam para a paz, promovem o bem comum, a cordialidade e a vivência cidadã da religião – valores que todos os credos acolhem. No Brasil, entre tais núcleos, estão:

Movimento Ecumênico Local e Regional
Associação Fraterna de Igrejas Cristãs (AFIC), Recife.
Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC), Belém.
Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER), Florianópolis.
Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), Salvador.
Grupo Ecumênico de Brasília (GEB), Brasília.
Grupo Ecumênico do Vale do Paraíba e Litoral Norte, Caçapava.
Movimento Ecumênico de Curitiba (MEC), Curitiba.
Movimento Ecumênico de Maringá (MECUM), Maringá.
Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (MOFIC), São Paulo.

Grupos de Diálogo Católico-Pentecostal

Emergente em várias localidades, com uma geração de presbíteros, pastores e leigos abertos ao encontro e à fraternidade batismal, o diálogo católico-pentecostal ganha visibilidade e começa a se articular. Alguns grupos:
Diálogo Católico-Pentecostal no Rio de Janeiro – animado pela Comunidade Bom Pastor, Comunità di Gesù e Comunidade Coração Novo (católicas), com participação de leigos e pastores das Igrejas Assembléia de Deus, Evangelho Quadrangular, Congregacional, Nazareno, e outras de matriz evangélica-reformada, como Presbiteriana Unida e Batista.

Diálogo Católico-Pentecostal no Vale do Paraíba – animado pelo grupo ecumênico regional, com representantes das Dioceses católicas e das Igrejas Assembléia de Deus, Evangelho Quadrangular, Pentecostal Livre do Brasil, Evangelho Pleno, Metodista Wesleyana e, eventualmente, outras denominações.

Diálogo Católico-Pentecostal em Florianópolis – animado pelo Departamento de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso do ITESC (Instituto Teológico de Santa Catarina). Reúne representantes católicos e das Igrejas do Evangelho Quadrangular e Assembléia de Deus, entre outras.

Estes grupos não têm caráter oficial, mas fraterno. Baseiam-se no encontro, conhecimento mútuo, escuta da Palavra de Deus, estudo e oração. Querem ser espaços de estima e testemunho comum entre batizados de diferentes Confissões cristãs, valorizando a experiência pentecostal que compõe suas identidades. Sua agenda e temática é definida conforme os contextos, podendo também estudar os resultados do Diálogo católico-pentecostal Internacional.

Também tem-se articulado um movimento mais amplo, nacional, de encontro de católicos e pentecostais, chamado CRECES – Comunhão Renovada de Evangélicos e Católicos no Espírito Santo. A CNBB acompanha estas experiências e solicita que, havendo outras, seja informada mediante e-mail para a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso: ecumenismo@cnbb.org.br

Grupos de diálogo católico-islâmico

A Casa da Reconciliação (São Paulo, SP) anima o encontro entre líderes católicos e muçulmanos, mas não constitui uma “comissão bilateral”. Experiência semelhante ocorre no Rio de Janeiro (RJ), em Maringá (PR) e outras cidades brasileiras. Em Florianópolis, o diálogo católico-islâmico está se consolidando com o funcionamento do CALMU – Grupo de Diálogo Católico-Muçulmano, apoiado pelo Departamento de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso do ITESC. Confira http://www.itesc.ecumenismo.com/

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* Entra em vigor acordo diplomático entre Brasil e a Santa Sé

quinta-feira, dezembro 10th, 2009
A Santa Sé e o Brasil ratificaram acordo que regula suas relações, firmado no dia 13 de novembro de 2008, e que entra em vigor de imediato, informou a assessoria de imprensa do Vaticano – durante ato que contou com a participação do arcebispo Dominique Mamberti e o embaixador do Brasil na Santa Sé, Luiz Felipe de Seixas Correa.

O acordo, que regulamenta o “Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil”, consolida “os tradicionais vínculos de amizade e colaboração entre os dois países”, diz o comunicado.

O documento contém 20 artigos que abordam “vários setores, entre eles o estatuto jurídico da Igreja Católica no Brasil, o reconhecimento dos títulos de estudo, o ensino religioso nas escolas públicas, o matrimônio canônico, o regime fiscal”, precisa a nota.

Segundo o embaixador Seixas Correa, o “Brasil é o país com o maior número de católicos no mundo. Um país, um povo e um governo que reconhecem e valorizam a importante contribuição da Igreja Católica à nossa história”, declarou o embaixador.

O acordo regulamenta as relações com o país mais católico do mundo, com 125 milhões de fiéis num total de 186 milhões de habitantes.

E garante o ensino da religião nas escolas públicas, assim como dos demais credos, e havia sido assinado ano passado no Vaticano durante visita do presidente brasileiro Luiz Inacio Lula da Silva ao Papa Bento VI.

Fonte: Último Segundo
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