Posts Tagged ‘Ciência e fé’

* Criogenia: Dar vida a cadáveres congelados? Será?

sábado, fevereiro 13th, 2010

O saudoso Dom Estevão Bettencourt escreveu dois artigos sobre esse assunto,publicados em sua revista “Pergunte e Responderemos”: PR n. 411, 1996, pg372; e PR n. 150,1972, pg 244.

Veja sua conclusão:

Tratando-se de crioconservação, duas hipóteses podem ser levantadas: ou os pacientes estão realmente mortos ou não estão realmente mortos, mas em coma profundo.

No primeiro caso, deve-se levar em conta que a vida humana não resulta apenas de hábeis combinações químicas, pois é vida que transcende a matéria ou é animada por um princípio vital imaterial ou espiritual.

Ora, nenhum cientista é capaz de produzir um ser espiritual, pois este é incorpóreo,dotado de intelecto e vontade.
Somente um ato criador de Deus pode produzir uma alma humana ou pode fazer a alma de um defunto voltar ao seu corpo. Daí a interrogação: O Criador colaboraria com os cientistas, dando alma humano ao corpo hipolítico reconstruído pela ciência ou conservado?
A esta pergunta ninguém pode responder, mas ela parece versar sobre algo de muito pouco provável sob todos os aspectos.

No caso de não estarem realmente mortos os pacientes , pode-se dizer que, se o organismo dos pacientes voltar a ter condições de exercer suas funções, a alma nele existente voltará a fazer tal organismo funcionar. Não haverá um retorno à vida, mas a passagem da dormência para a atividade. Todavia também esta hipótese parece estar longe do verossímil e provável.

Em suma, o ato de proceder ao congelamento de cadáveres estende o raio de ação da medicina, ciência que tenta salvar a vida e combater a morte.

Assim considerado, o congelamento pode ser lícito do ponto de vista ético. Todavia pode-se perguntar se, assim procedendo, o homem não está esquecendo os seus limites de criatura e pretendendo assumir utopicamente o lugar de Deus…?” (D. Estevão Bettencourt)

***

Alexandre Versignassi

Hoje, isso já dá certo com embriões: óvulos fecundados podem ficarcongelados com chances boas de sobreviver a um descongelamento – estima-se que perto de 60% deles conseguem vingar, dando origem a um bebê.( sabe-se que a Igreja não aceita o congelamento de embriões..)

A idéia é : você morre e os médicos o colocam num tanque de nitrogênio líquido, guardado a -196 ºC, temperatura em que o cadáver não apodrece. Aí, daqui a uns 500 anos, os cientistas descobrem um jeito de combater a doença que causou sua morte e o degelam.

Mas o processo não é tão simples. “Os próprios métodos usados para congelar uma pessoa causam danos às células que só poderiam ser reparados por tecnologias que ainda não existem”, afirma o físico americano Robert Ettinger, considerado o grande divulgador da criogenia.

Por enquanto, o congelamento  não funciona com pessoas porque o líquido que compõe as células vira gelo, aumentando de tamanho e fazendo-as trincar.

Com os embriões congelados, esse efeito é evitado com a aplicação de substâncias químicas que driblam a formação de cristais de gelo, impedindo que as paredes celulares se danifiquem. “Mas com os seres humanos desenvolvidos o problema é que cada tipo de célula exige uma substância protetora diferente, e muitas delas ainda não foram inventadas”, diz o ginecologista Ricardo Baruffi, da Maternidade Sinhá Junqueira, em Ribeirão Preto (SP), um especialista em congelamento de embriões.

A um passo da eternidade?

Congelar um corpo é fácil. O que os cientistas não sabem ainda é como ressuscitá-lo

1. Assim que uma pessoa morre, um funcionário da empresa de criogenia resfria o cadáver com gelo. Nessa fase, a temperatura do corpo fica pouco acima de 0 ºC. Não é muito frio, mas é o suficiente para evitar, por algum tempo, a proliferação das bactérias que iriam apodrecer o cadáver.

2. Nessa fase, o corpo também recebe uma injeção de substâncias anticoagulantes, para manter os vasos sanguíneos desobstruídos. Depois, todo o sangue é bombeado para fora e no lugar entram substâncias químicas que protegerão as células na hora do congelamento evitando a formação de parte dos cristais de gelo, que rompem a estrutura celular

3. No local em que o corpo vai ser congelado, o cadáver passa por um resfriamento gradual, em uma câmara de gelo seco. Para evitar danos às células, a intenção é que todos os tecidos se congelem no mesmo ritmo. Todo o processo ocorre de maneira lenta e pode durar dois dias, quando a temperatura do corpo chega a -79 ºC

4. Depois do resfriamento o corpo é submergido lentamente em um tanque de nitrogênio líquido, até ser totalmente coberto. Quando essa fase termina, após uma semana, o cadáver está a -196 ºC, impedido de apodrecer. Ele fica no tanque por toda a eternidade – ou até que alguém invente uma tecnologia para ressuscitá-lo

Walt Disney congelado?

Os rumores foram fortes nos anos 60, mas não passam de lenda urbana

O corpo do criador do Mickey não está congelado. Tudo indica que os boatos de que o cadáver de Walt Disney não passam de lenda urbana.

A versão oficial é que o desenhista e empresário foi cremado logo após sua morte em 1966. Mas, na época, o funeral reservado e o fato de a criogenia estar na ordem do dia, com o sucesso do livro A Prospect of Immortality (”Uma Perspectiva de Imortalidade”, inédito no Brasil), de Robert Ettinger, alimentaram a especulação.

Outro fato impulsionou a lenda: a primeira experiência criogênica humana ocorreu apenas um mês após a morte de Disney, quando o cadáver do norte-americano James Bedford foi congelado.

***

Como se vê, congelar é fácil.. A questão é trazer a vida de volta!

O melhor é a gente pensar em uma outra vida eterna,essa sim, PARA SEMPRE, e o mais importante ( O inferno também é vida eterna..) na presença de Deus!

Aleluia!!

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* Valores, bioética e vida social, um ponto de encontro.

sábado, dezembro 19th, 2009

Padre Fernando Pascual, L.C., professor de filosofia e de bioética no Ateneo Pontifício Regina Aspololorum (ROMA), acaba de publicar um livro sobre bioética, intitulado “Valores e vida social: Um ponto de encontro” (El Arca, México, 2009).

–O que propõe com este novo livro?

–Pe. Fernando Pascual: Este livro deseja ser um “ponto de encontro” e de diálogo nos debates sobre temas que envolvem a bioética, que frequentemente estão presentes nos parlamentos, nos meios de comunicação social, nas universidades e nas famílias.

–Os debates sobre aborto, eutanásia, legalização da droga, sentido da sexualidade humana não seriam discussões invencíveis?

–Pe. Fernando Pascual: Os temas que mais afetam nossa vida podem ser tratados sem entusiasmo. É necessário deixar claro em cada debate os princípios que estão em jogo. Quando discutimos sobre estes temas, como aborto ou eutanásia, mexemos com os princípios da sociedade. Um Estado que permite incriminar inocentes como algo legal se auto-destrói.

–Uma afirmação dessas não implicaria em uma atitude intolerante? Como consta em seu livro, existem muitos pontos de vista relacionados à bioética…

–Pe. Fernando Pascual: Há certos temas que ninguém deveria contestar. Por exemplo, existe um consenso social muito amplo contra as posições racistas. Porém quase ninguém consideraria a luta contra o racismo um sinônimo de intolerância. Algo semelhante deveria acontecer a respeito do aborto ou da fecundação artificial. Condenar tais práticas como injustas não significa ser intolerante e sim estar em defesa dos princípios fundamentais da vida social.

–Muitos dirão que este é o ponto de vista da Igreja Católica ou de outros grupos religiosos. Contudo, hoje vivemos em um mundo pluralista e as religiões deveriam se limitar à esfera privada, segundo nos dizem. Não seria assim?

–Pe. Fernando Pascual: O pluralismo é legítimo naqueles temas em que as diferentes alternativas não implicam em nenhum dano aos inocentes. Mas ele não deveria ser permitido em respeito aos direitos humanos fundamentais. A verdadeira bioética não pode pôr em discussão os princípios básicos da vida social, como, por exemplo, o que nos leva a defender a vida dos mais fracos e indefesos entre os seres humanos. As religiões não podem emudecer quando há grupos que defendem leis contra a vida ou a saúde dos demais.

–Nesta linha de pensamento, o que pretende ao publicar o livro?

–Pe. Fernando Pascual: O subtítulo diz. Busco oferecer um “ponto de encontro” através de algumas reflexões sobre importantes temas da bioética, de uma forma que estes possam ser enfrentados da forma correta, na vida pública. Uma das tarefas mais difíceis da bioética consiste em promover uma cultura da vida (como explicou João Paulo II e como segue propondo Bento XVI),  onde será possível contrapor uma anti-cultura da morte.

–A partir de quais valores se pode propor a bioética na vida social?

–Pe. Fernando Pascual: A partir daqueles valores que garantam o respeito a toda vida humana, desde sua concepção até a sua morte. É uma ideia constante na doutrina católica, mas é também um dos princípios básicos que vêm depois dos direitos humanos. Dizer que todos somos iguais perante a lei faz sentido se o direito básico da vida estiver garantido de modo efetivo a todos, sem discriminação.

–Portanto, deve-se proibir o aborto, a inseminação artificial e a eutanásia no mundo inteiro?

–Pe. Fernando Pascual: Efetivamente. Tudo o que é possível deve ser feito para que seja vencida a mentalidade que é a favor do aborto e da eutanásia. É necessário propor uma cultura de solidariedade. Esta última ideia brilha, com uma força especial, na encíclica que Bento XVI publicou neste ano, “Caritas in Veritate”, na qual toca com profundidade vários temas da bioética. Se trabalharmos sério a fim de defender a dignidade de qualquer ser humano, será possível construir um mundo mais inclusivo e aberto à vida de todos, especialmente para aqueles mais sensíveis e indefesos: os filhos antes do nascimento, os pobres, os doentes, os mais velhos.

Zenit

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* Células-tronco: Igreja defende pesquisas apenas com células-tronco adultas

sábado, dezembro 5th, 2009

A pesquisa coordenada pelo neurocientista do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Stevens Rehen, e pelo biomédico Martin Bonamino, do Instituto Nacional do Câncer (Inca), que produziu no Brasil pela primeira vez células pluripotentes, ou seja, capazes de se transformarem em vários tipo de tecido, reforça o argumento da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, assim como parte dos evangélicos, é contrária ao uso de células-tronco de embriões.

Os religiosos acreditam que a a vida tem origem a partir da fecundação e destruir um embrião é praticamente cometer um homicídio, além de abrir um precedente para uma futura legalização do aborto.

Parte da comunidade científica acredita que apenas as células-tronco embrionárias podem se transformar em células pluripotentes. Mas com a pesquisa da UFRJ o Brasil torna-se o quinto país do mundo a produzir células pluripotentes.

– Estudos como este reforçam a nossa tese de que não precisamos usar embriões para evoluir cientificamente – argumenta o padre Luis Antônio Bento, da Comissão para a Vida e a Família da CNBB. – O nosso incentivo é que as pesquisas sejam feitas com células-tronco adultas. Elas são usadas para o tratamento de mais de 70 doenças degenerativas. Quanto as pesquisas com as embrionárias, é preciso lembrar que nem tudo que tenha sucesso técnico deve ser moralmente aceito.

Permitidas desde 2005 pela Lei de Biossegurança, as pesquisas com embriões estavam estagnadas no Brasil até o ano passado pela insegurança jurídica que trazia para os pesquisadores. A lei era alvo de uma ação direta de inconstitucionalidade, impetrada pelo ex-procurador geral da República, Cláudio Fonteles. O Supremo Tribunal Federal, no entanto, decidiu em maio de 2008 pela constitucionalidade da lei. A decisão foi lamentada pela CNBB, que no entanto não pretende entrar com nenhuma ação na Justiça contra as pesquisas. A entidade aposta na mudança das atuais regras pelo Poder Legislativo.

– Nosso desejo é que os bancos de embriões acabem – revela o padre Bento. – Mas já que isso não é possível, a fecundação assistida deveria ao menos ser regulamentada porque hoje no Brasil ela é regida apenas por um resolução do Conselho Federal de Medicina.

A CNBB espera que a lei que regulamenta a fecundação assistida seja aprovada em breve pelo Congresso. Na prática, ela acabaria com os bancos de embriões, pois os médicos só poderiam fecundar a quantidade de óvulos que forem introduzidos no útero materno. Pela Lei de Biossegurança, só podem ser usadas nas pesquisas em embriões que estejam congelados há mais de três anos e com a autorização dos pais.

A igreja argumenta, contudo, que há casos no mundo de crianças que nasceram de embriões congelados há mais de dez anos. No Brasil, também já existe um caso registrado. Depois de 20 tentativas de gravidez do casal Maria Roseli, 42, e Luiz Henrique Dorte, 41, de Mirassol (SP), nasceu Vinícius de um embrião congelado há oito anos.

Fonte: Jornal do Brasil

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* Com técnicas medievais, cientistas criam réplica do sudário.Será?

domingo, novembro 29th, 2009

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

À direita, o sudário original; à esquerda, a réplica

Cientistas “reproduziram” o Sudário de Turim, o chamado “Santo Sudário”, que teria recoberto Jesus de Nazaré na tumba, e afirmam que o experimento reforça as evidências de que a relíquia é uma obra de arte medieval, não produto de um milagre.

O sudário traz a imagem de um homem crucificado, com rastros do que seria sangue escorrendo de feridas nas mãos e nos pés, e crentes afirmam que se trata da imagem de Jesus gravada nas fibras por algum meio sobrenatural, durante a ressurreição.

Os cientistas reproduziram o sudário usando materiais e métodos que estavam disponíveis no século 14, diz o Comitê Italiano para Verificação de Alegações Paranormais.

O grupo afirma, em nota, que se trata de mais uma evidência de que o sudário é uma falsificação produzida na Idade Média. Em 1988, pesquisadores usaram datação por radiocarbono para determinar que a relíquia havia sido produzida no século 13 ou 14.

Mas muitas pessoas continuaram a acreditar que o sudário possui “características inexplicáveis que não podem ser reproduzidas por mãos humanas”, disse o cientista Luigi Garlaschelli, em nota. “O resultado obtido indica claramente que isso poderia ser feito com o uso de materiais baratos e um procedimento simples”.

A pesquisa foi financiada pelo comitê e por uma organização italiana de agnósticos e ateus, afirmou.

Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, disse ao jornal La Repubblica que sua equipe usou linho tecido com as mesmas técnicas que as usadas no sudário, e envelhecido artificialmente por aquecimento em um forno e lavagem.

O pano então foi colocado sobre um estudante que usava uma máscara para reproduzir o rosto, e esfregado com um pigmento vermelho muito usado na Idade Média. O processo consumiu uma semana, disse o jornal.

O sudário aparece pela primeira vez na história nas mãos de um cavaleiro francês, em 1360.

De propriedade do Vaticano, o sudário é mantido numa câmara especial da catedral de Turim, e raramente é exibido em público. A última apresentação foi no ano 2000, quando atraiu mais de 1 milhão de visitantes. A próxima está prevista para 2010.

Oficialmente, a Igreja Católica não afirma ou nega a autenticidade da relíquia, mas diz que se trata de um potente símbolo do sofrimento de Jesus.

Fonte: Estado de São Paulo

***

Como resposta a essa tentativa,mais uma,vejam o que dizem os estudiosos do sudário:

Cientistas desmontam artifício para “provar” que o Santo Sudário não é autêntico.

Membros de um inidôneo Comitê Italiano para Verificação de Alegações ParanormaisUnião de Ateus Agnósticos Racionalistas, da Itália. garantiram ter provado que o Santo Sudário de Turim é um falso medieval. Eles foram financiados pela

Luigi Garlaschelli, professor de Química da Universidade de Pavia, descreveu ao jornal “La Repubblica” como conseguiu fazer um sudário “idêntico” ao de Turim com materiais baratos e métodos disponíveis no século XIV.

Luigi Garlaschelli numa de suas demonstrações

David Rolfe, produtor de longos documentários sobre a relíquia, apontou que a simples descrição do método usado depõe contra Garlaschelli e mostra que ele nem conhece o Sudário.

Diversos cientistas altamente qualificados desmontaram com um peteleco a burlesca obra.

Por exemplo, o presidente do Centro Mexicano de Sindonologia, Adolfo Orozco, especializado no Santo Sudário, qualificou a ação de “truque para atacar o Sudário” e mostrou furos técnicos que desqualificam o experimento, informou a Agencia Católica Internacional.

O Dr. Orozco explicou que no Sudário “o sangue ficou impresso no pano em primeiro lugar, e só depois ficou gravada a imagem e não o contrario como fez o suposto ‘reprodutor’”.

Outra demonstração de Garlaschelli

Além do mais, acrescentou o Dr. Orozco, como foi largamente comprovado pela comunidade científica, “a imagem do Sudário não se formou por contacto. Há partes do tecido que tem imagem e nunca estiveram em contato com o corpo”. Entretanto, a primitiva tentativa trabalhou esfregando um pano sobre um corpo.

Acresce que as análises médicas, segundo o Dr. Orozco, “demonstraram que os coágulos não foram semeados, mas são clinica e patologicamente corretos com detalhes desconhecidos no século XIII”. O especialista sublinhou o lado ridículo dos imitadores pretendendo reproduzir as queimaduras do incêndio de 1532 e as marcas deixadas pela água que nada têm a ver com a imagem original.

Ainda constata-se que as “imagens” agora fabricadas “não têm as propriedades tridimensionais” típicas do Sudário”. Esta ausência desqualifica a tentativa de reprodução.

Por sua vez, o especialista peruano Rafael de la Piedra, sublinhou que as manobras frustras dos italianos reforçam ainda mais a idéia de que a relíquia “continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável”, noticiou ACIPrensa.

Para o Dr. de la Piedra, a recente imitação “visualmente é muito parecida com o original. Digamos que é melhor que a cópia que fez McCrone ou que a horrorosa tentativa de Joe Nickell; ou a de Picknett-Prince e sua suposta fotografia medieval de Leonardo Da Vinci; ou que a fantasiosa foto-experimental do sul-africano Nicholas Allen”.

Para o especialista, “uma amostra parecida com a de Garlaschelli não resiste às conclusões multidisciplinares tiradas ao longo de mais de 100 anos por cientistas de todos os credos e especialidades”.

À luz desta tentativa falha, de la Piedra conclui que “podemos afirmar com alto grau de certeza, que o Santo Sudário de Turim continua sendo um objeto único, irreproduzível e inimitável. Esta é a verdade interna do Santo Sudário”.

O especialista estadunidense John Jackson do Turin Shroud Center de Colorado observou: “as propriedades tridimensionais da imagem (…) a presença de sangue humano com índices altíssimos de bilirrubina, o pólen de mais de 77 plantas que marcam o percurso histórico do Sudário até quase o século I de nossa era e, entre outros, o mecanismo de transferência da imagem de um crucificado com todas as feridas descritas nos Evangelhos a um pano”.

O Dr. Jackson criticou a falta de técnica de Garlaschelli e explicou que o sangue do Sudário não é sangue inteiro, mas já separado do soro, proveniente de verdadeiras feridas. Além do mais, o sangue que há neles é próprio “de um fluxo post mortem”.

Jackson observou que do ponto de vista da tridimensionalidade a imagem agora feita “aparece bastante grotesca. As mãos estão incrustadas no corpo e as pernas estão em posição pouco natural”.

Jackson também observou que segundo a prática científica séria os resultados de Garlaschelli deveriam ter sido compulsados por outros cientistas antes da publicação. É o que se chama “peer-review” ou “revisão do trabalho por pares”.

Porém, Garlaschelli parece ter temido a crítica e fugiu dela. O autor recebeu 2.500 euros da União de Ateus Agnósticos Racionalistas para semelhante serviço. A cifra fala contra a hipótese de um trabalho científico de vulto e mais parece uma gorjeta em pago de uma zombaria anticatólica.

Entretanto, alguns jornais eivados de decadente anticlericalismo espalharam a grosseira manobra.

No episódio não houve conflito entre a ciência e a religião. Antes bem, uma resposta digna da ciência.

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* Darwin e a religião.O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade.

sábado, novembro 28th, 2009

Reflexão interessante sobre o tema,antigo e sempre novo,de Darwin,evolução e fé.

***

Ainda no contexto da dupla celebração neste ano de 2009 – 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies -, fica mais uma reflexão sobre o tema em epígrafe.

Aquela história repetida – o bispo de Oxford, S. Wilberforce, perante enorme assistência a uma conferência, perguntou a Thomas Huxley, defensor de Darwin, se descendia do macaco pelo lado do avô ou pelo lado da avó; face à resposta, desconfortável para o bispo, uma senhora desmaiou e a mulher do bispo terá murmurado: “Só faltava esta: descender de macacos! Se for verdade, rezemos para que ninguém saiba” – não será completamente verdadeira, mas revela bem o abalo e a perplexidade causados pela tomada de consciência de que descendemos por evolução de outros animais.

Concretamente quanto à religião, é significativo que a obra de Darwin não tenha figurado no Índex (lista dos livros proibidos aos católicos). Por outro lado, Darwin foi sepultado com pompa na Abadia de Westminster, a alguns passos do túmulo de outro gigante da ciência, Newton.

Em 1996, o Papa João Paulo II declarou, perante a Academia Pontifícia das Ciências, que “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”. E, para marcar os 150 anos de A Origem das Espécies, realizou- -se recentemente na Universidade Gregoriana de Roma um Congresso sobre “Evolução biológica, factos e teorias”, patrocinado pelo Conselho Pontifício para a Cultura. Os organizadores fizeram questão de excluir os partidários do “criacionismo” e mesmo do “desígnio inteligente”.

Há evolucionistas materialistas, ateus, mas também os há crentes. As relações só azedam, quando, de um lado e do outro, se ergue o fundamentalismo: cientista ou religioso. Ora, contra esse duplo fundamentalismo, é preciso saber que Deus não é objecto de ciência: cientificamente, não se demonstra nem que há Deus nem que Deus não existe. Deus é objecto de fé e há razões para acreditar como há razões para não acreditar.

Assim, é tão ridículo invocar o livro do Génesis, lido literalmente, para negar a evolução, como invocar a ciência para provar que não há Deus. O Génesis é um livro religioso e não científico e a ciência nega-se a si mesma, quando pretende pronunciar-se sobre questões da esfera metafísica e religiosa.

A evolução e a fé não são incompatíveis. A ciência responde ao “como” e não ao “porquê” da realidade. Porque há algo e não nada? Qual o sentido último da realidade? A própria afirmação do acaso cego confronta-se com o que se pode chamar o seu paradoxo: como é que por puro acaso surge um ser – o Homem – cuja questão fundamental é a do sentido.

Aliás, há o famoso “princípio antrópico”, que não demonstra Deus, mas que dá que pensar. O físico R. Dicke apresentou-o, em 1961, na sua forma “fraca”: “Uma vez que há nele observadores, o universo deve possuir propriedades que permitam a existência desses observadores”. Depois, Brandon Carter apresentou-o na sua forma “forte”: “O universo deve ser constituído de tal modo nas suas leis e na sua organização que não deixa de um dia produzir um observador”. Mesmo se é menos justificável nesta forma “forte”, há sempre esta pergunta: porque é que o mundo é como é, de tal modo que aparecemos nele, perguntando por ele e pelo seu sentido? De facto, a mínima variação nas suas condições iniciais faria com que não estivéssemos cá a colocar todas estas questões.

O próprio Darwin viveu a questão religiosa em perplexidade. Na sua Autobiografia, escreve que é extremamente difícil, ou melhor, impossível “conceber este imenso e maravilhoso universo, incluindo o homem, como sendo o resultado do acaso cego ou da necessidade. Quando começo a reflectir assim, sinto-me obrigado a recorrer a uma Causa Inicial que possua uma mente inteligente, até certo ponto análoga à mente do homem; e mereço ser chamado Teísta”. Mas, depois, “surge a dúvida” e confessa: “Não posso pretender lançar qualquer luz sobre problemas tão abstrusos. O mistério do início de todas as coisas é insolúvel para nós; e por mim contento-me em permanecer Agnóstico.”

Autor: Anselmo Borges

Veja o que  papa fala sobre essa questão na reportagem abaixo:

O Papa Bento XVI reiterou que a fé e a razão devem conviver harmoniosamente, ao referir-se ao 400º aniversário dos primeiros descobrimentos astronômicos de  Galileu Galilei.

Ao receber aos participantes no diálogo auspiciado pelo Observatório astronômico do Vaticano com motivo do Ano Internacional da Astronomia, o Santo Padre assinalou que “como sabem a história do Observatório está muito ligada à figura de Galileu, às controvérsias que desatou sua investigação e à tentativa da Igreja de alcançar uma compreensão correta e frutuosa da relação entre ciência e religião”.

“Aproveito a ocasião para manifestar minha gratidão, não somente pelos minuciosos estudos que esclareceram o contexto histórico preciso da condenação do Galileu, mas também pelos esforços de todos os que se dedicam ao diálogo e à reflexão da complementaridade entre fé e razão ao serviço de uma compreensão integral do ser humano e de seu lugar no universo”.

“O Ano Internacional da Astronomia se propõe recapturar em todo mundo a atenção das pessoas pelas maravilhas e a espera que caracterizaram a grande época dos descobrimentos no século XVI”, disse o Santo Padre, ao indicar que “nossa época, ante a qual possivelmente se abrem descobrimentos de maior alcance ainda, se beneficiaria desse sentido de maravilha e do desejo de conseguir uma verdadeira síntese humanista do conhecimento, como a que inspirou os pais da ciência moderna”.

O Pontífice explicou logo que “se queremos responder à provocação deste Ano -levantar o olhar ao céu para redescobrir nosso lugar no universo- como não recordar a maravilha expressa pelo Salmista há tanto tempo, que contemplando o firmamento estrelado dizia ao Senhor: ‘Ao ver o céu, obra de teus dedos, a lua e as estrelas que fixaste, o que é o homem para que dele te lembres, o filho do Adão para que dele cuides?’”.

“Tenho a esperança de que a admiração e a exaltação”, frutos deste Ano Internacional da Astronomia, “levem para além da contemplação das maravilhas da Criação alcançando a contemplação do Criador”. Daquele Amor que “move o sol e as outras estrelas” – concluiu o Santo Padre.

Fonte: ACI
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* Vida Extraterrestre.O que a Igreja pensa sobre isso?

domingo, novembro 22nd, 2009
Pe. José Gabriel Funes, Diretor do Observatório Vaticano

Ao apresentar-se esta no Escritório de Imprensa da Santa Sé, as conclusões da “astrobiologia”, a Semana de Estudo organizada pela Pontifícia Academia das Ciências e o Observatório Astronômico Vaticano, o diretor deste organismo, Pe. José Funes, assinalou que a investigação da possibilidade de vida fora da Terra é um tema muito interessante que merece atenção.

O sacerdote jesuíta se perguntou ao iniciar a conferência: “por que o Vaticano se interessa na Astrobiología?”, e respondeu que embora esta ciência abranja “um âmbito novo e ainda em estudo, as questões sobre a origem da vida e de sua existência em outros lugares do universo são muito interessantes e merecem grande atenção, além de apresentar implicâncias filosóficas e teológicas”.

De outro lado, o professor Jonathan Lunine, do Departamento de Física da Universidade romana de Tor Vergata (Itália); assinalou que “a astrobiologia é o estudo das relações da vida com o resto do cosmos: seus temas principais abrangem a origem da vida, seus antecedentes, a evolução da vida na terra, suas perspectivas futuras fora e dentro deste planeta”.

Por isso, continuou, “a Semana de Estudo brinda aos cientistas de diferentes disciplinas básicas a oportunidade de compreender como o trabalho em suas especialidades particulares pode repercutir em outros âmbitos. Isto é evidente, mais que em nenhum outro setor, no estudo de como se formou a vida na Terra e evoluiu com as diversas mudanças de ambiente”.

Ao seu turno Chris Impey, do Departamento de Astronomia e Observatório de Steward, da Universidade de Tucson (Arizona, EUA) observou que “se a biologia não for uma exclusividade da Terra, ou se a vida em outros lugares é distinta da nossa, ou se inclusive chegamos a entrar em contato com espécies inteligentes na imensidão do espaço, as implicâncias para a imagem que temos de nós mesmos serão profundas”.

“É muito oportuno –continuou– que a Pontifícia Academia das Ciências dê capacidade a um encontro sobre este tema fronteiriço. A metodologia e os argumentos podem diferir, mas a ciência e a religião consideram a vida como um ganho especial em um vasto e em sua maior parte inóspito universo. Há um terreno fértil para o diálogo entre os peritos de astrobiologia e os que querem entender o significado de nossa existência em um universo biológico”.

As intervenções concluíram com a da Dra. Athena Coustenis, do Observatório de Paris-Meudon, LESIA/CNRS (França), quem explicou brevemente o avanço das investigações em outros planetas e satélites.

Fonte: Zenit

***

A percepção da Igreja sobre o assunto não tem absolutamnte nada a ver com a visão esotérica nem espiritualista,mas diz respeito a uma possibilidade cientifica real que em nada esvazia nossa fé nem nossas crenças.


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* Parapsicologia.Ciência ou negação de verdades da fé?

sábado, novembro 21st, 2009

Parapsicologia estuda o comportamento paranormal (ao lado do normal) da alma humana. Procura explicar os fenômenos raros que no passado eram somente atribuídos a espíritos do além.

Têm sido ministrados Cursos de Parapsicologia no Brasil, os quais têm deixado muitos fiéis perplexos, já que alguns parapsicólogos entram em assuntos de fé católica e, com explicações parapsicológicas, acabam, às vezes, negando verdades de fé: anjos, demônios, milagres, ressurreição, etc.

A parapsicologia é uma ciência muito nova ainda e avança muito lentamente através de investigações e experiências, para ir formulando as suas leis, por meio de estatísticas. A formulação dessas leis não é fácil e estão sujeitas a enganos, já que lida com um campo de hipóteses com difícil comprovação.

Sabemos que a alma humana tem o Consciente e o Inconsciente. Acredita-se que usamos apenas um oitavo da potencialidade do Inconsciente. Pode ser que, por um motivo não muito claro, a pessoa possa usar desse poder do inconsciente, de maneira para´normal; por exemplo: comporta-se como se fosse outra pessoa, vê à distância, emite energias, realiza telepatia, percepção extra-sensorial, etc. É o que dizem os parapsicólogos. O que se torna difícil aqui é se saber quais os motivos que desencadeiam esses processos.

É muito difícil conhecer os mecanismos do psiquismo, e a parapsicologia ainda é muito limitada nesse campo, e portanto, não pode excluir a ação de Deus ou do demônio nesses fenômenos. Corre-se o risco de se reduzir os fenômenos espirituais a fenômenos meramente parapsicológicos.

Não se aceitando o influxo do demônio, em certos casos, acaba´se não aceitando também a ação maravilhosa de Deus. Infelizmente, alguns parapsicólogos acabam negando, direta ou indiretamente, algumas verdades da fé, que a Revelação, a Tradição da Igreja e o Magistério, afirmam sem exitação. Nega-se às vezes a existência ou a ação dos demônios, atestada nos Evangelhos (Mt 1,20´24; 2,13´19; 28, 2´5; Lc 1,26; 2,9´15). Nega-se a possessão diabólica, também atestada na Bíblia (Mt 17, 14´20; Mc 1,23´27. 32´34; 3,11s …). Jesus praticou o exorcismo e a Igreja também o realiza, mediante autorização do Bispo. Alguns parapsicólogos negam também as aparições de Nossa Senhora e dos santos.

No entanto, com o devido exame e cautela, a Igreja já se manifestou favorável a muitas aparições (La Sallete, Fátima, Lourdes, Guadalupe, etc). Querer reduzir todas as aparições a processos meramente subjetivos é um grave engano. É arbitrário e preconceituoso. A própria ressurreição de Cristo, e alguns dos seus milagres, são algumas vezes colocados em dúvida. Diante do “Sepulcro vazio”, das aparições aos Apóstolos (Jo 20,24´29), aos discípulos de Emaús (Lc 24,13s), do testemunho de São Paulo (1 Cor 15,13´17), e tantas outras evidências, a Igreja nunca duvidou dessa verdade. Alguns parapsicólogos, negando a existência do demônio e dos anjos, afirmam também que “a Bíblia está cheia de erros científicos e que não foi Deus quem escreveu a Bíblia, mas os homens”. É outro grave engano que a Igreja não aceita.

Toda a Bíblia foi escrita por homens (hagiógrafos), mas sob inspiração divina (Hb 4,12; 1 Ts 2,13; 2 Tm 3,16; 2 Pe 1,20; Rm 15,4). Embora ela não seja um livro de ciência, no entanto traz a verdade religiosa transmitida por Deus para a nossa salvação.

Vê-se portanto, que é preciso muita cautela com esses Cursos de Parapsicologia que têm sido ministrados no país.

Cabe lembrar aqui que o Pe.Oscar Quevedo, muito conhecido, e talvez o mais destacado parapsicólogo do Brasil, escreveu um livro entitulado “Antes que os demônios voltem“, que contém erros de doutrina; foi severamente constestado pela Santa Sé. O seu autor chegou a ser suspenso por um ano de suas atividades por defender pontos de vista em contradição com o ensino da Igreja ( Revista Veja, 22 de outubro de 1986, pg 85) Nota-se que algumas pessoas que frequentam os tais cursos de parapsicologia, às vezes acabam ´esfriando´ na sua fé, achando que todos os fenômenos, mesmo os espirituais, podem ser explicados totalmente pela parapsicologia. Isto não é verdade.

Deus pode agir como quer, e muitas vezes realiza curas e milagres que a ciência não pode explicar. Para proclamar alguém Beato, a Igreja exige um milagre desta pessoa, comprovado pela ciência; e dois, para declará-lo Santo.

Felipe de Aquino

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* Ser humano nunca deve se reduzir a simples corpo.

sexta-feira, novembro 20th, 2009

“O corpo de um ser humano, desde os primeiros estágios de sua existência, nunca pode ser reduzido ao conjunto das suas células”: assim afirmou ontem Dom Zygmunt Zimowski, presidente do Conselho Pontifício da Saúde, no Instituto Internacional de Teologia Pastoral Sanitária Camillianum, na abertura do novo ano acadêmico.

Segundo o presidente do conselho, o “sim” à vida “deve ser colocado no centro da reflexão ética sobre a pesquisa biomédica, que reveste uma importância cada vez maior no mundo de hoje”.

Dom Zimowski explicou que as ciências médicas desenvolveram de modo considerável seus conhecimentos sobre a vida humana nos estágios iniciais da sua existência, até conhecer melhor as estruturas biológicas do homem e o processo da sua geração.

“Este desenvolvimento – afirmou – é certamente positivo e merece ser apoiado, quando serve para superar ou corrigir patologias e contribui para restabelecer o desenvolvimento normal dos processos generativos.”

“Mas – acrescentou –, e é preciso dizer isso com clareza, é negativo e, portanto, não pode ser compartilhado, quando implica a supressão de seres humanos ou usa meios que causam dano à liberdade da pessoa ou que são adotados para fins contrários ao bem integral do homem.”

O prelado explicou que “o grande desafio da vida humana tem a ver antes de mais nada e sobretudo com o seu início” e existe uma tentativa de transladar ao início da vida da concepção à nidação, o que suporia um “pleno nulla osta ético para o aborto, porque passam 15 dias do momento da fecundação do óvulo até o momento da nidação no útero materno”.

Retomando as palavras de João Paulo II na Novo millennio ineunte, Dom Zimowski precisou que a Igreja deve realizar uma tarefa de radicalidade evangélica, sem temor às críticas, porque a defesa da vida “está na agenda eclesial da caridade” e responde ao “dever de comprometer-se no respeito de cada ser humano desde a concepção até seu ocaso natural”.

“Da mesma forma – comentou –, o serviço ao homem nos obriga a gritar, oportuna e inoportunamente, que os que se valem das novas potencialidades da ciência, especialmente no campo da biotecnologia, não podem desatender às exigências fundamentais da ética, apelando talvez a uma discutível solidariedade que acaba por discriminar entre vida e vida, desprezando a realidade própria de cada ser humano.”

Neste contexto, o prelado afirmou que a vida do homem está no coração da mensagem de Cristo, porque “o homem, grande e maravilhosa figura vivente, é mais precioso aos olhos de Deus que toda a criação: é o homem, e para ele existem o céu e a terra, o mar e a totalidade da criação, e é à sua salvação que Deus deu tanta importância, a ponto de não poupar sequer seu próprio Filho”.

“No plano de Deus Criador – acrescentou – tudo foi criado para o homem, mas o homem foi criado para servir Deus e para oferecer-lhe toda a criação” e por isso a defesa da vida entendida como caridade “está necessariamente ao serviço da cultura, da política, da economia, da família, para que em todas as partes se respeitem os princípios fundamentais dos quais depende o destino do ser humano e o futuro da civilização.”

Por Antonio Gaspari
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* Santo Sudário,mistério de amor para mundo incrédulo.

quinta-feira, novembro 19th, 2009

Um dos mais misteriosos tecidos do mundo, que mostra a imagem de um homem torturado e crucificado, conserva-se na Capela Real de São João Batista, na catedral de Turim (Itália).

Chama-se Sudário de Turim. As tradições piedosas sustentam que é o verdadeiro lenço mortuário de Jesus, usado para envolvê-lo na tumba depois de sua crucifixão em 33 d.C., faz cerca de dois mil anos, e que a imagem no tecido é uma “imagem” do próprio Jesus quando jazia na tumba.

Bento XVI irá a Turim no ano que vem, a 2 de maio, para ver Santo Sudário em pessoa.

“Como primeiro ato de sua visita, o Santo Padre se deterá para rezar privadamente ante o Santo Sudário”, afirma a arquidiocese.

O Papa verá o Sudário junto a milhões de fiéis enquanto durarem os 54 dias da exibição, de 10 de abril a 23 de maio (a arquidiocese de Turim tem um site, www.sindone.org, onde se pode fazer uma reserva para ver o Sudário durante o período de exposição).

Visitando o Sudário e rezando perante ele, o Papa mostrará seu respeito e veneração por este lenço misterioso.

Mas o Sudário é realmente autêntico?

Vamos passar um olhar nos fatos. Há mais de um século, em 1898, a imagem do Sudário foi fotografada pela primeira vez. O fotógrafo era um aficcionado, um italiano chamado Secondo Pia, a quem se permitiu fotografar durante uma exibição em Turim.

Na tarde de 28 de maio de 1898, quando olhou a placa fotográfica, viu a imagem muito mais claramente do que podia ser vista na vida real, porque se trata de uma imagem em negativo.

Isso nunca se tinha observado antes da chegada da fotografia. Quer dizer que só nos últimos 110 anos pudemos nos dar conta de quão verdadeiramente misteriosa é esta imagem.

Durante o século XX houve cada vez mais pedidos à Igreja de que “medisse” a idade do Sudário, utilizando o Carbono 14, e estabelecer assim de uma vez por todas se se tratava de um tecido antigo ou de uma data mais recente.

Fala a ciência

Eu mesmo tive um papel nisso –um papel bastante insignificante, mas de qualquer modo um papel– porque era repórter da revista Time em 1987 e 1988, quando se realizou a datação do Sudário com o Carbono 14.

Estive presente na conferência de imprensa de 13 de outubro de 1988, quando o cardeal Anastasio Ballastrero, então arcebispo de Turim, e outros, apresentaram os achados dos laboratórios –que o Sudário devia datar-se entre 1260 e 1390. Isto é, era de origem medieval, e por isso não era possível que fosse autêntico.

E eu me informei desses resultados nesse momento.

E pude testemunhar o choque que causou entre muitos dos presentes, que acreditavam que o Sudário era autêntico, e que confiavam em que os resultados iam ser “entre o 50 antes de Cristo e o ano 50 depois de Cristo”.

Mas a evidência científica parecia clara: a tela tinha só cerca de 650 anos de antiguidade, não 2.000 anos. O “veredito da ciência” tinha-se produzido.

E desde então muitos acreditaram, e creem ainda, que o caso do Sudário está encerrado. Que se trata de uma misteriosa pintura ou gravação medieval, mas não do lenço mortuário de Cristo.

Mas o caso está realmente encerrado?

Bem, não.

Surgiram questionamentos sérios sobre o processo de datação de 1988 –não sobre a própria qualidade da datação do radiocarbono, mas sobre a identidade e possível contaminação da peça de tecido datada.

As técnicas de datação de carbono têm melhorado de maneira constante durante muitas décadas. No início, há 50 anos, requeriam-se grandes quantidades de material. Mas na década de 80, o processo de datação começou a exigir quantidades muito menores de material original.

Shroud of Turin Research Project (S.Tu.RP) foi criado em 1978 para estudar o Santo Sudário. Compunha-se de cerca de 30 cientistas de diversos credos religiosos, incluindo ateus.

O grupo S.Tu.R.P. traçou diferentes estudos sobre a tela, incluindo a datação por radiocarbono. Uma comissão liderada pelos químicos Robert H. Dinegar e Harry E. Gove consultaram numerosos laboratórios capazes já em 1982 de datar com carbono pequenas peças de tecido. Seis laboratórios mostraram interesse em realizar o procedimento: o Brookhaven National Laboratory, de Upton, Nova York (EUA); o Atomic Energy Research Establishment, de Harwell, Oxfordshire (Reino Unido); o laboratório Rochester, de Nova York (EUA); a Universidade de Oxford (Reino Unido), a Universidade do Arizona, de Tucson (Arizona, EUA); e o ETH de Zurique (Suíça).

Mas, conscientes da grande publicidade que iam trazer os experimentos, os laboratórios competiram ferozmente. Logo houve uma separação entre o grupo S.Tu.R.P. e os laboratórios candidatos.

Durante uma conferência sobre a radiodatação por carbono em Trondheim, em 1985, os representantes de todos os laboratórios candidatos anunciaram conjuntamente o fim da colaboração com o grupo S.Tu.R.P. e propuseram que o Museu Britânico dirigisse o projeto.

Carlos Chagas Filho, presidente da Academia Pontifícia das Ciências, aprovou relutante esta proposta. Houve uma reunião com as autoridades da Igreja em 1986 para determinar como proceder.

Novo plano

A 10 de outubro de 1987, o cardeal Ballestrero anunciou aos sete laboratórios que só três deles, os de Oxford, Tucson e Zurique, participariam da datação. A única instituição seria o Museu Britânico, liderado por Michael Tite.

As mostras foram tomadas a 21 de abril de 1988, na catedral. Estava presentes o cardeal Ballestrero, quatro sacerdotes, o porta-voz da arquidiocese Luigi Gonella, fotógrafos, um operador de câmara, Michael Tite, e os representantes dos laboratórios.

As peças originais e as de controle foram colocadas em 12 cilindros de metal idênticos. A datação das peças de controle, estabelecida originalmente para permanecer desconhecida, foi publicada pelo jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, a 23 de abril.

Este “vazamento”, junto com as violações do protocolo, mancharam a credibilidade desta fase do procedimento e alimentaram as suspeitas de manipulação.

Os laboratórios não trabalharam separados e de forma simultânea. Tucson realizou as provas em maio, Zurique em junho e Oxford em agosto, trocando informação nesse tempo. O jornal Avvenire publicou a 14 de outubro uma informação de que os diretores dos três laboratórios tinham-se reunido secretamente na Suíça, uma acusação que foi confirmada posteriormente pelos diretores.

A 28 de setembro, de 1988, o diretor do Museu Britânico e coordenador do estudo, Michael Tite, comunicou os resultados oficiais à arquidiocese de Turim e à Santa Sé.

A 13 de outubro, o cardeal Ballestrero anunciou os resultados oficiais.

O documentário italiano de 2008 Sindone, Prove a Confronto, de David Rolf, sugere que as mostras eleitas para a datação não podiam ter dado um resultado preciso. O documentário sugere que a quantidade de carbono 14 encontrada na mostra poderia ter sido significativamente afetada pelo clima, os métodos de conservação utilizados ao longo dos séculos e pelo carbono gerado pelo incêndio que danificou o Sudário.

E, de fato, o cardeal Ballestero, pouco antes de sua morte em 1998, disse em uma entrevista, publicada a 5 de setembro de 1997 no jornal alemão Die Welt: “na minha opinião, o Santo Sudário de Turim é autêntico. As medições de radiocarbono, que datavam o Sudário na Idade Média, parecem ter sido realizadas sem o devido cuidado”.

A tradição da Igreja, ainda que “não científica”, sustenta que Tomé e Judas Tadeu (o Tadeu dos 70, Tadeu de Edessa) foram a Edessa já no ano 33 d.C. Uma lenda afirma que levavam uma tela com uma imagem de Jesus.

Em 544 d.C., um pano, com uma imagem que se acreditava de Jesus, foi encontrado em cima de uma das portas de Edessa, nas paredes da cidade, um pano que Gregório Referendarius de Constantinopla descreveria mais tarde como uma imagem de corpo inteiro com manchas de sangue.

Véu de Verônica

A questão é simples: se em 1998 se realizaram provas sobre uma mostra que não era do Sudário original, ou que se tinham contaminado ao longo dos séculos, então a datação carece de sentido.

Ao mesmo tempo, uma imagem igualmente misteriosa, muito menos conhecida, existe na pequena cidade de Manoppello. Trata-se de uma pequena tela que muita gente acredita que é o verdadeiro “véu da Verônica”. Estive em Manoppello para vê-lo. Se você o olha diretamente, parece transparente. Mas se permanece a um metro de lado, ou a uma certa distância, pode ver o rosto de um homem jovem, com os olhos abertos.

O que alguns acreditam sobre este lenço é ainda mais dramático que o Sudário de Turim. Creem que se trata do lenço que cobria o rosto de Jesus na tumba, e que o que vemos na imagem é o rosto de Cristo no momento da ressurreição, quando abre os olhos.

Bento XVI visitou Manoppello em setembro de 2006.

O pontífice entrou no santuário e rezou ante o altar durante uns cinco minutos, logo foi detrás dele e orou perante a relíquia, que se conhece como o “Santo Rosto” e o “Véu da Verônica”.

Bento XVI não falou sobre as origens do véu.

“Este é o significado de minha visita. Que juntos possamos tentar conhecer melhor o rosto de nosso Senhor, para que dele possamos encontrar a força no amor e a paz que nos move o caminho”, disse Bento XVI.

Qualquer que seja a verdade acerca destas imagens, o fato fundamental é que nos voltam a trazer o rosto de Jesus.

Jesus mesmo nos disse para encontrá-lo no rosto daqueles que estão próximos de nós, no mais pequeno de seus irmãos. Esta é a face que devemos buscar.

* * *

Robert Moynihan é fundador e redator chefe da revista mensal Inside the Vatican. É autor do livro: “Let God’s Light Shine Forth: the Spiritual Vision of Pope Benedict XVI” (2005, Doubleday).

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* Não se pode reduzir a defesa da vida apenas a “NÃO”.

quinta-feira, novembro 19th, 2009

Entrevista com organizador de livro que aborda bioética e Documento de Aparecida

Por Alexandre Ribeiro

A redução da defesa da vida à lógica do “não” –como se a única preocupação fosse proibir o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões humanos– é um armadilha da qual têm sido vítimas as pessoas que atuam nesse campo.

Mas “a grande atuação da comunidade católica, de cada cristão consciente em sua vida cotidiana, é no ‘sim’ à vida, através da acolhida pessoal às pessoas que, por razões psicológicas, afetivas e/ou materiais tenderiam a fazer opções que negam a vida”, explica o Prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto.

Coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), o Prof. Francisco Borba é um dos organizadores do recém-lançado livro “Um diálogo latino-americano: bioética e Documento de Aparecida” (Difusão Editora).

–Qual é o tema ou desafio particular no campo da bioética que mais o preocupa no contexto latino-americano hoje? Que contribuições o Documento de Aparecida traz para iluminá-lo?

–Prof. Francisco Borba: A defesa da vida praticada pelos católicos, não só na América Latina, mas no mundo inteiro, tem sido vítima de uma terrível armadilha da mídia: ela é reduzida à lógica do “não”, como se nossa única preocupação fosse proibir o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões humanos, etc. Mas a grande atuação da comunidade católica, de cada cristão consciente em sua vida cotidiana, é no “sim” à vida, através da acolhida pessoal às pessoas que, por razões psicológicas, afetivas e/ou materiais tenderiam a fazer opções que negam a vida.

Existem alguns dias no ano em que somos chamados a subscrever um plebiscito ou participar de um ato público em defesa da vida, mas em todos os dias do ano estamos acolhendo a gestantes que gostariam de abortar, adotando crianças abandonadas, cuidando de idosos e pacientes terminais. Não somos a favor da vida apenas porque temos uma visão de mundo que reconhece a dignidade inalienável de cada pessoa desde a concepção até a morte natural. Somos a favor da vida também porque temos uma prática de acolhida, de amor ao outro, que nos mostra que a verdadeira felicidade – tanto para aqueles que sofrem quanto para nós que somos chamados a acolhê-los – não pode nascer da negação da vida, mas apenas de sua afirmação.

O que mais me preocupa no campo da bioética no contexto latino-americano, portanto, é justamente o perigo de cairmos – católicos e homens de boa vontade não católicos – nessa armadilha e não compreendermos a riqueza humana que fundamenta a defesa da vida.

O Documento de Aparecida nos ajuda a escapar dessa armadilha ao articular as duas questões básicas da bioética para nós latino-americanos, o sentido da vida e a opção pelos pobres, num único documento. Não dá para compreender essas coisas se a opção pelos pobres é entendida apenas no sentido materialista, sem uma reflexão sobre o sentido da vida de cada um, mas também não dá para pensar o sentido da nossa vida, enquanto cristãos latino-americanos, sem se comprometer com os mais pobres e em situação de sofrimento. Espero que estes dois aspectos fiquem claros para quem ler o livro.

–Poderia explicar a relação entre bioética, opção preferencial pelos pobres e justiça social?

–Prof. Francisco Borba: Apesar de nossa reflexão ter se iniciado com o Documento de Aparecida, não é possível responder hoje a esta questão sem fazer referência à nova encíclica do Papa, Caritas in veritate. Creio que não será possível refletir sobre a opção pelos pobres, no futuro, sem referir-se a esta encíclica.

Em primeiro lugar, a opção pelos pobres é, simultaneamente, um ato de amor e de justiça. Como a encíclica nos lembra, o amor (que é dar ao outro parte do que é nosso) é maior que a justiça (que é dar ao outro aquilo que é dele), mas o amor – por isso mesmo – deve ser precedido pela justiça. Muitas vezes, no passado, a opção pelos pobres foi justificada em termos de realização de uma utopia na terra. Como esta utopia não aconteceu, a opção pelos pobres pode parecer uma cosia sem sentido ou um esforço moralista da parte dos cristãos.

Caritas in veritate nos ajuda a compreender que a razão de ser da opção pelos pobres não é a utopia, mas o amor – criando um compromisso que é moral, mas não é moralista, é uma norma que deve ser seguida não por uma ordem externa, mas para uma realização pessoal de nós mesmos.

A bioética – tratando de situações limites, na fronteira entre a vida e a morte, entre o sofrimento e a realização humana – é o espaço onde o amor ao ser humano concreto, em suas dores e limitações, se torna mais denso e desafiador em nossa sociedade. Assim, desde as relações familiares (que o Papa chama de micro-relações) até as políticas públicas (as macro-relações), a bioética nos leva a repensar o sentido do amor para a vida social. Por isso o Papa mostra que nossa postura em relação à defesa da vida tem implicações até mesmo na vida econômica.

–Qual é a importância do livro “Um diálogo latino-americano: bioética e Documento de Aparecida”?

–Prof. Francisco Borba: A importância desse lançamento vem de duas razões. Em primeiro lugar, os vários autores aplicam os ensinamentos do Documento de Aparecida a uma área específica e bastante polêmica, que é a da bioética.

Os bispos reunidos em Aparecida reafirmaram os pontos essenciais do Magistério da Igreja em relação à defesa da vida, porém é interessante retomar esses pontos a partir das peculiaridades do continente latino-americano e dos desafios deste momento de mudança no qual vivemos.

Além disso, o livro traz, de forma sistemática, os principais aspectos do Magistério em relação à defesa da vida apresentados por especialistas – geralmente professores universitários – que os explicam a partir da ótica de suas disciplinas específicas. Trata-se, portanto, de um diálogo entre o Magistério da Igreja, a realidade latino-americana e as várias ciências que se ocupam das questões bioéticas.

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* Absolutismo da Técnica viola dignidade do homem.

quarta-feira, novembro 4th, 2009


Para conseguir um desenvolvimento autêntico é urgente “uma formação para a responsabilidade ética no uso da técnica”: essa é uma passagem da recente encíclica de Bento XVI, “Caritas in veritate”, cujo último capítulo é dedicado, justamente, “ao desenvolvimento dos povos e à técnica”.

O Santo Padre ressalta que, “fascinada pela pura tecnologia, a razão sem a fé está destinada a perder-se na ilusão da própria onipotência”. E acrescenta: a pesquisa sobre os embriões, a clonagem “promovem-se na atual cultura do desencanto total, que pensa ter desvendado todos os mistérios”.

A propósito dessas reflexões do pontífice em sua Carta encíclica, a Rádio Vaticano ouviu o presidente da associação “Ciência e vida”, Dr. Lucio Romano, ginecologista da Universidade Federico II de Nápoles, sul da Itália. Eis o seu comentário:

Dr. Lucio Romano:- “O papa chama a atenção de todos para o problema – extremamente atual – do fato de a técnica hoje representar um dado a ser levado em consideração, diante também da passagem epocal de uma globalização das ideologias a uma espécie de globalização da técnica. Portanto, vemos que, sendo a técnica uma questão social é inevitável que a questão social enquanto tal evoque também uma questão antropológica. Aí entramos no cerne do problema, ou seja, a técnica não é absolutamente rejeitada pelo papa, mas, quando ela representa uma negação do homem, uma superação do homem vista numa ótica destrutiva – com todas as suas possíveis conseqüências – evidentemente não mais corresponde a uma ars ética. O papa defende uma técnica que se enriqueça de sentido e de valor. O sentido e o valor não podem ser encontrados a não ser na dimensão tipicamente humana de uma verdade antropológica, onde a liberdade se conjuga com a responsabilidade.”

A esse propósito, o papa ressalta em sua nova encíclica que hoje “um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética”…

Dr. Lucio Romano:- “De fato, uma bioética que tem como referência uma antropologia. Uma antropologia certamente personalista, com a dimensão de um personalismo ontologicamente fundamentado, onde se encontra, justamente, a dimensão de uma defesa e de uma tutela da vida, da concepção até a morte natural, e não uma bioética fundada numa absoluta dimensão de autodeterminação de liberdade que não respeita o homem. Consideramos como uma dimensão respeitosa do homem uma bioética que se ocupe da pessoa, que a assista, que tome conta dela, que esteja a seu lado, que proteja a sua vida e que a acompanhe também nas fases terminais naquilo que é o progredir, rumo à morte natural. Portanto, uma bioética que seja respeitosa do homem e que desenvolva uma pesquisa científica que não seja, porém, substitutiva do respeito e da dignidade do ser humano.”

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* Novas descobertas astrofísicas deixam pouco lugar para o ateísmo, afirma cientista.

sexta-feira, outubro 30th, 2009

Um prestigioso científico jesuíta dedicado atualmente a explicar as conseqüências metafísicas dos últimos descobrimentos astrofísicos, assegurou que estes achados deixam pouco lugar ao ateísmo.

Conforme informa o jornal La Razón, para o jesuíta, filósofo e físico Robert Spitzer, ex-reitor da Universidade Gonzaga, a astrofísica contemporânea é “a chave científica para provar a existência de Deus, mas infelizmente muito poucos conhecem estes fatos científicos”.

Durante uma conferência oferecida em Denver, Estados Unidos, Spitzer explicou que “a existência de um Criador se pode explicar através da ciência contemporânea e a filosofia moderna, hoje melhor que nunca, mas é particularmente interessante o que está acontecendo no campo da astrofísica, até o ponto de que não posso compreender por que o agnosticismo e o ateísmo ainda seguem sendo populares”.

Spitzer assinalou que as provas científicas mais recentes evidenciam que “o Universo não é infinito, a mas finito, que começou em um certo ponto (estimado aproximadamente em treze bilhões de anos), e está em constante expansão.

A complexidade do Universo se apóia em um equilíbrio incrivelmente delicado de 17 constantes cosmológicas. Se qualquer uma delas se modificasse uma décima a tetragésima potência, estaríamos mortos e o Universo não seria o que é”, adicionou.

Do mesmo modo, assinalou que “cada modelo do Big Bang mostra o que os cientistas chamam uma singularidade, e a existência de cada singularidade exige que exista um elemento externo ao Universo”.

Neste sentido, recordou que Roger Penrose, o famoso matemático e físico inglês, corrigiu alguma das teorias de seu amigo e colega Stephen Hawking, concluindo que todas as teorias do Big Bang, inclusive a chamada “teoria quântica”, confirmam a existência destas singularidades.

Todas as explicações nos levam “a uma força que é prévia e independente ao Universo. Pode soar a argumento teológico, mas é realmente uma conclusão científica”, assegurou conforme informa La Razón.

O perito indicou que “não se pode não aceitar a existência desta singularidade. Esta teoria é tão sólida que 50 por cento dos astrofísicos estão ‘saindo do armário’ para aceitar uma conclusão metafísica: a necessidade de um Criador, fora do espaço e do tempo”.

***

E ainda,outro artigo bem interessante sobre o tema.

Dom Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura

O Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Gianfranco Ravasi, reafirmou que através da ciência se pode chegar à fé, pois como assinalou Santo Agustinho, uma fé que não é pensada é inútil, quer dizer que “a razão e a fé devem entrelaçar-se ininterruptamente”.

Em diálogo com a Rádio Vaticano, o Prelado advertiu que a sociedade atual se encontra perante uma tentação muito forte de marginar o pensamento religioso, considerando-o como se fosse próprio do “paleolítico cultural”.

Indicou que essa tentação às vezes se expressa em um mundo secularizado em formas agressivas como a chamada “ateología”, que é um ateísmo fundamentalista.

Entretanto, Dom Ravasi destacou o interesse que existe na sociedade contemporânea pelas perguntas fundamentais e cujas respostas a ciência não pode dar, mas se encontram no mundo da filosofia e da teologia.

Fonte: ACI

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* Você sabe quantos “nobéis” a Igreja tem?

quinta-feira, outubro 29th, 2009

O Vaticano tem 24 premios nobel trabalhando em prol da ciência,Eles fazem parte da Pontificia Academia de Ciências do Vaticano.

Desta mesma academia também fizeram parte

Galileu

e   Stephen Hawking


Eis os 24 cientistas da Pontifícia Academia:

1. ARBER Werner (Nobel in Physiology or Medicine, 1978)

2. BALTIMORE David (Nobel in Physiology or Medicine, 1975)

3. BECKER Gary S. (Nobel Prize in Economics, 1992)

4. BLOBEL Günter (Nobel Prize in Physiology or Medicine, 1999)

5. CIECHANOVER Aaron J.(Nobel in Chemistry, 2004)

6. COHEN TANNOUDJI Claude (Nobel in Physics, 1997)

7. CRUTZEN Paul J. (Nobel in Chemistry, 1995)

8. De DUVE Christian (Nobel in Physiology or Medicine, 1974)

9. EIGEN Manfred (Nobel in Chemistry, 1967)

10. HÄNSCH Theodor (Nobel in Physics, 2005)

11. KHORANA Har Gobind (Nobel in Physiology or Medicine, 1968)

12. Von KLITZING Klaus (Nobel in Physics, 1985)

13. LEVI MONTALCINI Rita (Nobel in Physiology or Medicine, 1986)

14. MOLINA Mario J. (Nobel in Chemistry, 1995)

15. MÖSSBAUER Rudolf L. (Nobel in Physics, 1961)

16. MURRAY Joseph E. (Nobel in Physiology or Medicine, 1990)

17. NIRENBERG Marshall W. (Nobel in Physiology or Medicine, 1968)

18. NOYORI Ryoji (Nobel in Chemistry, 2001)

19. PHILLIPS William D.(Nobel in Physics, 1997)

20. POLANYI John C. (Nobel in Chemistry, 1986)

21. RUBBIA Carlo (Nobel in Physics, 1984)

22. TOWNES Charles H.(Nobel in Physics, 1964)

23. YANG Chen Ning (Nobel in Physics, 1957)

24. ZEWAIL Ahmed H. (Nobel in Chemistry, 1999)

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* Você é da área da Saúde? Leia isto…

terça-feira, outubro 27th, 2009

Objeção de consciência dos farmacêuticos: problema aberto

Debate no congresso de farmacêuticos católicos italianos

***

Os farmacêuticos deverão ter garantida a objeção de consciência com respeito a um produto como a chamada “Pílula do dia seguinte” (PDS).

O tema foi debatido na casa “Bonus Pastor” de Roma, durante o congresso “A objeção de consciência dos farmacêuticos. Entre o direito e o dever”, organizado pela União Católica de Farmacêuticos Italianos (UCFI).

Após o discurso inaugural do secretário geral da Conferência Episcopal Italiana, Dom Mariano Crociata, intervieram estudiosos, juristas e representantes do setor farmacêutico, todos apoiaram a objeção de consciência.

A objeção é um direito garantido na Constituição Italiana, cujo artigo 2 tutela “os direitos fundamentais do homem”, e portanto também o direito à vida, destacou o presidente emérito do Tribunal Constitucional, Antonio Baldassare.

É necessário, contudo, “uma intervenção do legislador ordinário que seja adequada à Constituição”, disse.

Baldassare enunciou os argumentos lançados contra o direito à objeção: “Em primeiro lugar, afirma-se que oferecer a pílula do dia seguinte constitui um dever que os farmacêuticos não podem eludir; essa afirmação é inconsistente porque a objeção se aplica propriamente contra um dever”.

“Afirma-se, também – prosseguiu – que o farmacêutico não pode conhecer o destino do uso do produto que vende. Também esta argumentação é falaz, desde o momento em que a pílula do dia seguinte foi lançada ao mercado com uma só finalidade”: que uma possível gravidez não siga adiante.

“A OMS afirmou que o início da gestação se produz no momento da implantação do embrião no útero. Trata-se, contudo, de um formalismo exagerado que, por outro lado, não tem em conta que a vida (como afirma a lei 40) começa no momento da concepção”, concluiu Baldassare.

Giacomo Rocchi, juiz de instrução do Tribunal de Florença, destacou em primeiro lugar a situação paradoxal de uma objeção de consciência negada aos farmacêuticos mas garantida “aos estudantes vegetarianos das escolas de hotelaria, que podem se negar a seguir as aulas que explicam como preparar um assado”.

Segundo o juiz Rocchi, o direito à objeção de consciência estaria já tutelado pela mesma lei 194, que cita “pessoal da saúde”, que compreende, portanto, também os farmacêuticos.

“O TAR [Tribunal Administrativo Regional Italiano], em uma sentença de 2001, afirmou que não é possível estabelecer com certeza o início da vida humana; contudo, essa dúvida poderá ser aplicada também aos enfermos de Alzheimer ou terminais”, concluiu o magistrado.

O professor de Bioética e Filosofia do Direito no Ateneu Pontifício Regina Apostolorum e na Universidade Europeia de Roma, Mario Palmaro, ofereceu uma reflexão ético-filosófica.

“A objeção de consciência tem raízes muito distantes no tempo; poderíamos dizer que o primeiro objetor de consciência foi Sócrates, que afirmou: o pior mal é matar um homem inocente”, disse Palmaro.

Por outro lado, o direito à objeção não tem nada a ver com uma ética relativista na qual triunfa a lógica do “segundo eu”.

“O objetor não é um ‘subersivo’, nem as ações que realiza vão contra a ordem constituída – afirmou. No caso do aborto, o médico ou o farmacêutico se movem entre o sentido profundo de sua profissão e seus próprios princípios.

“Não são eles, portanto, os que constituem a exceção, mas o legislador que realizou uma anomalia, ou uma norma injusta”, acrescentou.

“O aspecto mais importante da rejeição a vender a pílula abortiva se encontra na explicação das razões dessa negativa”, observou Palmaro, auspiciando que os farmacêuticos objetores elaborem um decálogo comum para explicar os motivos de sua decisão.

No encerramento do congresso, o presidente da UCFI, Piero Uroda, recordou que a batalha pela objeção de consciência é antes de tudo uma questão ética, civil e cultural.

“Nós, farmacêuticos, temos adiante um desafio e teremos que ser testemunhas autênticas para superá-lo”.

***

Impressiona-me a consciência dos profissionais da área na Itália.

E aqui, em terras tupiniquins? reações ou conformações?

E aí ???


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* Milagres em Lourdes.Irrefutáveis e em Maria!

terça-feira, outubro 20th, 2009
Um dos pontos mais delicados nas relações entre as ciências naturais e o mundo sobrenatural diz respeito ao milagre.
Tal vez em nenhuma parte do mundo este problema é tão central quanto no santuário de Lourdes.
O santuário recebeu mais de 300 milhões de peregrinos desde 1848. Destes, 20 milhões peregrinaram oficialmente enquanto doentes.
Um número infindo garante ter sido curado. Porém a maioria não abre o processo médico que poderá constatar a cura.
Dos que abriram processo, em 7.200 casos catalogados a medicina reconheceu que a cura era inexplicável à luz dos conhecimentos da época.
Desses 7.200 casos, apenas 67 foram proclamados oficialmente como milagres pela Igreja.
Esses 7.200 casos conformam um dos mais impressionantes conjuntos documentais em que a ciência confirma a Igreja.
Vejamos apenas um dos casos oficialmente proclamados pela Igreja: o de Jeanne Fretel.

A matéria foi reproduzida do blog “Lourdes e suas aparições” que traz informação seleta a abundante sobre esse santuário e os milagres ali operados.
* * *

Jeanne Fretel, nascida a 27 de maio de 1914 na Bretanha, teve uma infância sofrida: rubéola, escarlatina, difteria etc.

Em janeiro de 1938, quando conta vinte e quatro anos, é operada de apendicite no Hôtel-Dieu em Rennes. Depois disto, passará dez anos no hospital, praticamente sem interrupções. Primeiro tem que operar um quisto tuberculoso nos ovários, depois, uma peritonite tuberculosa que a acometeu, logo seguida por uma fístula estercoral.

É somente no fim da guerra que sai, finalmente, do hospital, porém aparece uma erisipela, em seguida um hallux valgus bilateral, finalmente uma osteíte do maxilar superior, que não lhe deixou mais do que três dentes na arcada superior e seis na inferior.

A 3 de dezembro de 1946, dá entrada no hospital de Pontchaillou, em Rennes, onde já estivera internada durante algum tempo após a guerra. Desta feita, diz ela, é “para morrer lá”.

Está sempre acamada e todas as noites a febre atinge os 39° 5. Tem o abdômen inchado, distendido, terrivelmente dolorido: faz-se necessário uma aplicação diária de seis centigramas de morfina. Apesar de se ter submetido a um prolongado tratamento de estreptomicina, cuja descoberta era recente, o estado de Jeanne Fretel não apresenta melhoras, segundo o demonstra este atestado médico redigido pelo Dr. Pellé:

“De agosto de 1948 a outubro de 1948, a enferma mostra-se cada vez mais cansada: só consegue ingerir pequenas quantidades de líquido. Surgem sinais meningíticos. Um deles é o ventre, volumoso e dolorido. Há um escoamento abundante de pus com as fezes, bem como nos vômitos, acompanhado de sangue negro. Os desfalecimentos cardíacos são freqüentes e colocam em perigo a vida da paciente. Toda esperança parece estar perdida.”

Pela terceira vez em cinco anos, a 20 de setembro de 1948, a doente recebe a extrema-unção. A temperatura oscila todos os dias entre 40° à noite e 36° pela manhã. As aplicações de morfina são feitas de três a quatro injeções diárias de dois centigramas cada uma: “O simples esforço para sentar-se na cama já lhe é quase impossível”. Deixa-a extenuada.

E, no entanto, é neste estado que empreende a peregrinação a Lourdes, no dia 4 de outubro de 1948, levando consigo o seguinte atestado do Dr. Pellé:

“Peritonite tuberculosa. A enferma foi submetida a sete intervenções cirúrgicas abdominais a partir de 1938. Há três anos encontra-se em completo repouso, alimenta-se muito pouco e as dores no ventre obrigam-na a permanecer quase que totalmente imóvel”


Ao ser levada a Lourdes, está semi-consciente, sempre acometida por vômitos que a impedem de alimentar-se e dormir. Na sexta-feira, 8 de outubro, levam-na muito cedo, às 7h30, para assistir a missa dos doentes no altar de Santa Bernadette.

O padre que oficia a cerimônia, assustado e constrangido com a presença dessa doente dominada pelas náuseas, hesita em lhe administrar a comunhão. O maqueiro que carrega Jeanne FreteI insiste. E assim a enferma recebe a hóstia…

“Foi então ‒ contará ela mesma mais tarde ‒ que comecei a perceber que estava melhor e que me achava em Lourdes. Perguntaram pela minha saúde. Respondi que me sentia outra! Meu ventre continuava duro e inchado, mas já não padecia nenhuma dor. Deram-me uma xícara de café com leite que tomei com apetite e prazer.

“Após a missa, levaram-me até a gruta, sempre carregada na maca. Chegando ali, ao cabo de alguns minutos, tive a impressão que uma pessoa me amparava sob as axilas para me ajudar a sentar. E vi-me sentada. Virei-me a fim de ver quem me havia auxiliado, porém não vi ninguém. Tão logo me sentei, tive a sensação de que as mesmas mãos que me tinham ajudado a sentar seguravam as minhas para colocá-las sobre minha barriga.

“Perguntei a mim mesma o que estava me acontecendo: se estava curada ou saindo de um sonho. Notei que meu ventre tinha voltado ao normal. E então senti uma fome fora do comum.”

Volta para o hospital ainda na maca. Pede algo para comer. O Dr. Guégan examina-a e dá-lhe autorização para alimentar-se. Faz uma refeição frugal: um pedaço de vitela e purê de batatas com três pedaços de pão. Mas para ela é um banquete extraordinário: já faz dez anos que não tem uma refeição igual.

“Ao terminar ainda continuava com fome. Pedi mais uma porção. Fui atendida e pedi mais. Então me trouxeram como sobremesa um prato de sêmola de arroz, com receio que me sentisse mal.”

Décadas depois Jeanne Fretel narra pela TV como ficou instantânea e permanentemente curada

“Já fazia três anos que eu não andava e naquele instante caminhei com a mesma desenvoltura de hoje ‒ esclarece Jeanne Fretel –. Assim que cheguei às piscinas, tomei um banho de pé, sem me cansar.”

À noite, torna a ingerir uma refeição (sopa, pão e patê, sobremesa) e adormece, mas desperta por volta da meia-noite, ainda atormentada pela fome; serve-se de pão, manteiga, doces, bolo e readormece.

No dia seguinte, levam-na até a Junta das Constatações onde cinco médicos assinam em conjunto um boletim em que declaram:

“Enorme melhora, talvez cura completa.”

Jeanne Fretel sente-se tão aliviada no trem de volta que pede e suporta muito bem a parada brusca das injeções de morfina, sem experimentar as perturbações graves e costumeiras de uma desintoxicação tão violenta.

E podemos imaginar o assombro do médico assistente da doente, o Dr. Pellé, que escreve a 13 de outubro de 1949:

“Voltamos a ver a senhorita Fretel no mesmo dia de seu retorno de Lourdes para Rennes, onde a examinamos e observamos o desaparecimento completo de todos os sinais patológicos. Temos acompanhado a paciente com regularidade e constatamos que a melhora do seu estado geral prossegue. Seu peso que era de 44 quilos no dia 5 de outubro de 1948 passou para 58,200 quilos. Durante os oito primeiros dias, esta jovem ganha 1,350 por dia. A temperatura é normal: 36°8 pela manhã, 37°2 à noite. O apetite e o sono são muito bons.”

Jeanne Fretel, após o seu regresso, teve condições de reencetar uma vida ativa que prossegue sempre sem qualquer acidente patológico. Nunca mais sentiu qualquer tipo de dor. A vida normal retomou seu curso na plenitude de uma saúde perfeita. Todos os dias levanta-se às 5h30 e recolhe-se às 11 da noite. E, no entanto, tem que fazer as tarefas mais cansativas da casa.

Um ano depois, a jovem comparecerá diante dos vinte e oito médicos da Junta médica de Lourdes. Em 1950, após terem concluído tratar-se de uma “cura inexplicável”, o processo de Jeanne Fretel é enviado à Comissão canônica criada expressamente para examinar este caso pelo cardeal Roques, arcebispo de Rennes. E a 8 de novembro de 1950, a Comissão canônica declara:

“O caso da senhorita Fretel situa-se na série das curas extraordinárias, cientificamente inexplicáveis, na presença das quais só podemos repetir: ‘O dedo de Deus se faz sentir’.”

Em seguida, o cardeal Roques, na data de 20 de novembro, apresenta um “reconhecimento de milagre” assim redigido:

“Reconhecemos que a senhorita Jeanne Fretel, acometida de peritonite tuberculosa com sinais meningíticos e em estado muito grave de caquexia, foi curada súbita e radicalmente a 8 de outubro de 1948, no momento em que comungava no altar de Santa Bernadette em Lourdes, e nós julgamos e declaramos que a cura é milagrosa e deve ser atribuída à Nossa Senhora de Lourdes.”

***

Maria !

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