* “Lourdes” e ” Bella”, Filmes premiados e que exprimem valores Cristãos.
sábado, março 6th, 2010
Por tudo isso, quando “Lourdes”, filme da diretora austríaca Jessica Hausner, foi exibido no Festival de Cinema de Veneza, e venceu um prêmio da União dos Ateus (ainda que, para mim, o prêmio ateu de cinema por excelência seja mesmo a Palma de Ouro), eu esperava pelo pior.
Hausner, entretanto, me pegou completamente de surpresa com seu filme caloroso e muito humano; não piedoso, mas respeitoso; que não evangeliza, mas também não rejeita.
A trama gira em torno de uma menina francesa, Christine, presa a uma cadeira de rodas por uma enfermidade que poderia ser esclerose múltipla. Seus braços paralisados parecem condená-la definitavamente à cadeira. Etérea e com olhos grandes, não é uma imagem que desperta piedade; é a imagem de um outro mundo, a de um contexto desconhecido.
Christine não é particularmente devota, e dirige-se a Lourdes, principalmente, pela companhia, e para trocar de ambiente, mais do que por uma esperança de uma cura milagrosa. É a primeira a dizer que prefere os “lugares culturais, como Roma, aos religiosos” (ganhando assim imediatamente minha simpatia). Movida por simples espírito de camaradagem, junta-se à multidão de pessoas de todas as cores, línguas e doenças – sejam espirituais ou físicas – que se encontram reunidas em Lourdes.
Hausner não esconde a exploração comercial dos santuários. O enorme comércio de souvenirs e a massiva infra-estrutura turística mostram bem como são os negócios em Lordes. Tendo vivido em Roma e estado recentemente na Terra Santa, o filme me tocou por sua justaposição entre o sagrado e o profano. Quando Hausner permite, porém, que a Basílica de Lourdes entre em cena, os enfeites de plástico dão lugar à imponente majestade da igreja.
A impressionante construção se opõe às colinas e ao céu, como um símbolo de algo muito superior às atividades comerciais que se dão ao seu redor.
O filme leva o espectador a Lourdes através do olhar de Christine, que, como os outros, entra na fila para tocar as paredes da Gruta, banhar-se nas águas e receber a unção dos enfermos. Em nenhum momento Hausner ridiculariza a fé dos fiéis ou suas orações para obter saúde; mas leva o espectador a um mundo no qual os doentes constituem um grupo privilegiado, e no qual os que têm saúde são os curiosos.
O som desempenha um papel importante na obra, com o ruído das vozes substituindo a trilha sonora e o som de cadeiras e pés arrastados fornecendo a percussão. Os sons ásperos da vida cotidiana se suavizam apenas nas cenas que retratam as cerimônias sacras, nas quais o público é aliviado pelos cantos, o som de um órgão ou pela “Ave Maria”.
O pacífico sacerdote de feições redondas que acompanha o grupo é apresentado de maneira positiva, distante das caricaturas de sacerdotes tão comuns no cinema contemporâneo. Acentua o verdadeiro propósito de Lourdes: não curar o corpo, mas ajudar as pessoas a aceitar a vontade divina como fez a Mãe de Deus. Apresenta a questão chave: um corpo paralisado pela doença traz mais dor do que uma alma paralisada pela dúvida e pelo medo? Sua fé tem raízes sólidas, mas nem mesmo ele está imune à tentação de degustar a luz de um milagre.
Neste filme, os católicos apreciarão a figura de uma senhora idosa que reza pela cura de Christine e está sempre preocupada com ela. Sua fé simples, sua intercessão constante e, finalmente, a confissão Christine, terão como fruto o fato de que a jovem paraplégica voltará a andar.
A “cura” é apenas um ponto no meio do filme. As verdadeiras indagações serão colocadas a partir de então. É uma regressão da doença? É uma intervenção divina? É definitiva? O que fará Christine a partir dela? Onde termina o trabalho daquele que intercede, e qual será o preço desta cura?
Se Christine estava presa à cadeira de rodas como uma criança, logo se tornará uma adolescente. Agora que sua doença física desapareceu, estará à mercê de sua fraqueza espiritual. Como os voluntários da Ordem de Malta, apresentados flertando, bebendo e fazendo piadas de teor cético, tenta participar dos divertimentos a que não tivera acesso por sua doença.
Ainda que esta cena possa ser entendida como uma referência à hipocrisia ou a uma falta de sentido da religião, estas questões me atingiram profundamente e as considero muito humanas. Deixam um senso de esperança para todos nós.
Embora não se trate de um filme fácil, a ausência de blasfêmias, nudez ou profanações em “Lourdes” é muito reconfortante, e a narrativa é capaz de atingir com sucesso o público moderno, que tende a ver os santuários como um mero negócio lucrativo, abrindo espaço para um debate pacífico e equilibrado sobre a fé.
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* Elizabeth Lev leciona Arte e Arquitetura Cristãs no campus italiano da Duquesne University e no programa de Estudos Católicos da Universidade San Tommaso. Pode ser contatada no e-mail: lizlev@zenit.org
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” Bella “
Carlo Casini, presidente da Comissão para Assuntos Constitucionais do Parlamento Europeu, entregou no Parlamento Italiano, o prêmio Madre Teresa de Calcutá ao ator mexicano Eduardo Verastegui, protagonista e co-produtor do filme “Bella”.
Casini, que também é presidente do Movimento para a Vida na Itália, explicou que o Parlamento Europeu outorga prêmios que no geral não levam em conta as pessoas que lutam pela defesa da vida e da família. Por esse motivo, explicou que os Movimentos para a Vida no velho continente decidiram instituir esse prêmio, remetendo à religiosa albanesa, para homenagear aqueles que apoiam a vida e a família natural.
Este ano, o homenagiado foi o filme “Bella”, uma história de amor cujos protagonistas superam suas dificuldades graças ao nascimento de uma menina. Situada em Nova York, o filme ganhou o prêmio People’s Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto.
Na entrega do prêmio participou Pierferdinando Casini, ex-presidente da Câmara dos Deputados da Itália, que observou: “temos de divulgar este filme, porque nenhuma pessoa inteligente se prejudica com a sua mensagem, que não é ideológica, mas comovedora”.
Casini, líder do partido da União Democrática de Centro, fez referência à lei do aborto, confirmando que “o valor da vida e a maternidade é um denominador comum que une todos”, pois “temos de ajudar as mulheres que estão sozinhas e em dificuldades durante a gravidez.”
O diretor do jornal “Avvenire”, Marco Tarquinio, constatou que o filme “Bella” exalta a harmonia da família. “Na solidão há morte e na relação entre as pessoas está a vida”.
A produtora italiana Lux Vide comprou os direitos do filme “Bella” na Itália e anunciou que, após a distribuição nos cinemas, será transmitido pela rede pública italiana RAI, este ano.
Eduardo Verastegui, ao agradecer a concessão do prêmio, explicou que esse filme mudou sua vida e de muitas pessoas: calcula-se que ao menos 300 crianças que deviam ser abordatas puderam nascer depois que suas mães assistiram a “Bella”.
O ator também fez referência ao debate que aconteceu no México sobre o aborto e constatou que, nessa República, 18 Estados reconheceram em sua Constituição o direito à vida desde sua concepção.
















