Posts Tagged ‘Cristianismo’

* Cristianismo cresce na Península Arábica, afirma agência.

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Enquanto o Oriente Médio assiste um êxodo relativo de cristãos, a Península Arábica, composta por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Bahrein, Catar e Yemen – nações eminentemente islâmicas -, observa um elevado crescimento do números desses fiéis.

A informação é da agência de notícias AsiaNews. Segundo a agência, ainda que cifras oficias indiquem que no vicariato da Arábia, considerado o maior do mundo ao compreender justamente todos os países da penísula, os cristãos estariam entre 7 e 10% da população, “cálculos empíricos” sugerem que, apenas nos Emirados Árabes, esse número superaria os 30%.

A agência cita ainda uma reportagem feita pela revista Mundo em Missão, publicada pelo Pontifícia Instituto de Missões no Exterior (PIME), publicada às vésperas da realização do Sínodo para o Oriente Médio. A reportagem mostra como os cristãos nos Emirados Árabes, Catar e Kwait vivem, levando uma vida quase clandestina por causa da profissão de sua fé.

A matéria cita como personagens o líder de um grupo carismático juvenil em Abu Dhabi, morador de um famigerado campo de trabalho onde vivem operários que trabalharam na construção dos arranha-céus dos Emirados, uma religiosa em Dubai, um frade capuchinho suíço e um comboniano italiano, classificando-os como expoentes de uma Igreja “cheia de vida” mas “precária” e em “liberdade vigiada”, já que a prática e os símbolos religiosos são limitados aos restritos limites das paróquias.

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* O Casamento Cristão e o homem preso a si. Fala-nos Chesterton.

terça-feira, agosto 31st, 2010

G. K. Chesterton

O homem honesto que diz que deseja que o cristianismo seja meramente prático e não teórico ou teológico, raramente consegue explicar o que ele exatamente quer dizer. Essa é a razão de haver tanta repetição simplesmente verbal no que ele diz.

Geralmente, os pobres teóricos e teólogos têm de explicá-lo o que ele quer dizer. De qualquer forma, ele quer dizer algo mais ou menos assim. Um número muito grande de pessoas saudáveis e bondosas é, hoje, oportunista. Todos acreditamos que devemos cortar nosso casaco de acordo com o tecido que temos, no sentido de que ninguém pode fabricar um casaco sem tecido. Mas se o costureiro me diz que todo o tecido em estoque é amarelo-mostarda brilhante, decorado com caveiras escarlates, terei de adiar o quanto puder o uso desse tecido para meu novo casaco, podendo até constranger-me, e ao costureiro, sugerindo-lhe procurar outro tipo de tecido.

Contudo, há um tipo de homem que usará prontamente o casaco amarelo pela simples existência do casaco amarelo. Ele é um oportunista num sentido diferente do meu. Há uma diferença entre um cliente que consegue o que quer, tanto quanto lhe seja possível e aquele que consegue o que não quer porque isso lhe é possível.

Em outras palavras, há uma diferença entre conseguir o que se quer, sob certas condições e permitir que as condições lhe digam o que você pode conseguir, ou mesmo o que você quer. No entanto, é possível passar pela vida sendo controlado pelas circunstâncias dessa forma. Se minha quadra de tênis for inundada, posso, claro, transformá-la num lago ornamental. Ou posso me dar o trabalho de drenar o campo e protegê-lo contra inundações, permanecendo fiel ao ideal abstrato e dogmático de uma quadra de grama. Se uma árvore cai sobre minha casa e faz um buraco no teto, posso transformar o buraco numa clarabóia e a árvore numa saída de emergência. Mas se eu não quiser uma clarabóia e uma saída de emergência, estou sendo manipulado pela árvore. E isso é uma posição indigna para um homem.

É a posição indigna da maioria dos homens modernos. Eles são oportunistas, não só no sentido de conseguirem o que querem da forma mais prática, mas de tentarem querer a coisa mais prática; isto é, meramente a coisa mais fácil. Essa é a razão de eles não entenderem a base do idealismo cristão em muitas questões e especialmente na questão do sexo.

Eles estão sempre sendo desviados pelas inundações e árvores caídas, especialmente aquela árvore do conhecimento que é o símbolo da queda e que certamente fez um buraco na casa, no sentido do lar. Mas a questão aqui é que essas pessoas constroem um novo plano ou propósito sexual depois de cada eventual novo acontecimento. Quando há mais mulheres do que homens, eles começam a falar sobre poligamia. Quando há mais crianças do que é conveniente para os indivíduos criarem com um salário decente, eles começam a falar de alguns truques que são um tipo de substituto para o infanticídio.

Ninguém pode entender a teoria do sexo cristão sem entender a idéia do homem ter um plano que ele deseja impor sobre as circunstâncias, ao invés de esperar pelas circunstâncias para então ver que plano ele vai ter. O cristão deseja criar as condições para que o casamento cristão seja possível e digno em si; não aceitar qualquer coisa possível nas mais indignas condições. Porque ele o quer e o que ele realmente é, consideraremos num momento; mas é necessário tornar claro de início que o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus, pela nossa consciência comum e pelo sentido de honra da humanidade em geral. E isso é o que nosso pobre amigo quer dizer quando diz que nós não somos práticos; ele quer dizer que nós não estamos sempre consertando nossa casa e alterando nosso jardim para acolher em seu interior uma árvore caída ou uma tromba d’água.

Ele quer dizer que temos um plano para nossa casa e jardim e que estamos sempre tentando restaurá-los e reconstruí-los de acordo com o plano. Não propomos rasgar o plano original e seguir uma seqüência de acidentes; até que a casa seja enterrada sob árvores caídas e os campos sejam inundados e todo o trabalho do homem seja levado pela enxurrada. Isso é o que ele entende por nossa impraticabilidade, e ele está certo.

Descrito em termos humanos, o plano é substancialmente este. Que o amor que faz a juventude bela, e é a fonte natural de tanta canção e romance, tem por objetivo final um ato de criação, a fundação da família. Ao mesmo tempo em que é um ato criativo, como o de um artista, é também um ato coletivo, como o de uma pequena comunidade. É, talvez, o único trabalho artístico em que a colaboração é um sucesso e mesmo uma necessidade. É preciso de dois para começar uma briga, especialmente uma briga de amantes. Precisa-se também de dois para estabelecer um acordo de amantes segundo o qual seu amor deve ser colocado acima da briga. Mas, por definição, o acordo dos dois não é simplesmente concernente aos dois; mas, num sentido terrível, a outros. A fundação de uma família, como todo ato criativo, é uma responsabilidade tremenda. Em outras palavras, a fundação de uma família significa a alimentação de uma família, o treinamento, o ensinamento e a proteção de uma família. É o trabalho de uma vida inteira, e muitos casamentos têm uma vida muito curta. Sua continuidade é garantida, não por “leis matrimoniais” que nossas modernas plutocracias podem criar ao seu bel-prazer, mas por um voto voluntário ou invocação a Deus feita pelas duas partes, que eles vão se ajudar nesse trabalho até a morte. Para aqueles que acreditam em Deus e também acreditam no significado das palavras, isso é final e irrevogável.

Esse ato criativo é em si um ato livre. Esse ato criativo, como todos os atos criativos, não envolve uma perda de liberdade. O homem que constrói uma casa não recupera aquele castelo que ele construiu e reconstruiu no ar quando ele estava planejando a casa. Nesse sentido, podemos dizer, se quisermos, que o homem que constrói uma casa, constrói uma prisão. Há algo de final em todo grande trabalho, mas é possível sentir nesse trabalho um tipo peculiar de finalidade. A paixão de um homem em sua juventude encontrou seu caminho verdadeiro e alcançou seu objetivo e, apesar do amor não precisar acabar, a busca por ele terminou.

Pelo teste desse objetivo e consecução, todas as coisas condenadas pela ética cristã se encaixa em seus vários níveis de erro. Prolongar a busca de uma forma sentimental, muito depois de ela ter qualquer relação com o trabalho real do homem é um erro em vários níveis; quase sempre isso não é mais que ridículo e indigno; turpe senilis amor.

Permitir que a busca perambule de forma a destruir outros lares saudavelmente estabelecidos é, por essa definição, obviamente errado. Cultivar uma perversão mental que realmente remova o desejo por um ato frutífero é horrivelmente errado. Comprar um prazer estéril de uma classe estéril é errado. Manobrar cientificamente de forma a furtar o prazer sem assumir a responsabilidade pelo ato, é lógica e inerentemente errado. É como andar por aí com uma medalha sem ter ido à guerra.

Nós acreditamos, sem uma sombra de dúvida e hesitação, que onde as condições se aproximam desse ideal, a humanidade é mais feliz. Assim, o nascimento da paixão é usado com um menor grau de destruição. Assim, a morte da Paixão é aceita com um menor grau de desilusão. Um trabalho construtivo da idade adulta segue naturalmente o trabalho criativo da juventude; à paixão é dada uma extraordinária oportunidade de se perpetuar como afeição, e a vida do homem é tornada plena. Há nela tragédias, como há igualmente tragédias fora dela. Não podemos livrar a vida de tragédias sem livrá-la da liberdade. Não podemos controlar a atitude emocional dos outros nem numa condição de anarquia sexual, nem nas condições de lealdade doméstica. O amor é realmente excessivamente livre para os propósitos dos amantes livres. Mas onde os homens são treinados pela tradição a considerar esse processo normal, e a não esperar por nada diferente, há muito menos probabilidade de trágicos relacionamentos do que no amor chamado livre. Se observamos a literatura real do amor irresponsável, encontraremos um contínuo e dolorido lamento sobre falsas amantes e torturantes casos amorosos.

Em resumo, nós não acreditamos, de forma alguma, na grande felicidade prometida à humanidade pela dissolução de lealdades de uma vida toda; não sentimos o menor respeito pela retórica sentimental e grosseira com que isso nos é recomendado. Mas o resultado prático de nossa convicção e de nossa confiança é este: que quando as pessoas nos dizem – “Seu sistema não é muito inadequado para o mundo moderno,” respondemos – “Se isso é verdade, as coisas parecem bem podres no pobre e antigo mundo moderno.” Quando eles dizem – “Seu ideal de casamento pode ser um ideal, mas não pode ser uma realidade, ” dizemos – “é um ideal numa sociedade doente, é uma realidade numa sociedade saudável. Pois, onde ele é real, ele faz a sociedade saudável.” Não dizemos perfeitamente saudável, pois acreditamos em outras coisas além do casamento; como, por exemplo, na Queda do Homem. Mas a questão é que queremos o que é prático, no sentido de que queremos fazer algo, criar famílias cristãs. Mas eles só querem o que é prático, no sentido do que é mais fácil no momento.

Assim, de acordo com a teoria geral do casamento, a paixão é purificada por sua própria frutificação, quando esta frutificação é o seu dignificante e decente objetivo final. Em poucas palavras, podemos dizer que substituiríamos a meia-verdade do “amor pelo amor”, por uma verdade superior do “amor pela vida”. O amor é sujeito à leis porque é sujeito à vida. É verdade, não só metafisicamente, nem mesmo simplesmente num sentido místico, mas num sentido material, que podemos ter vida e que a podemos ter mais abundantemente. Isso não quer dizer, claro, que o amor não tenha seu próprio valor espiritual, quando honoráveis acidentes o impedem de ser frutífero. Mas isso não significa que, em geral, possamos julgar os amores dos homens por outra metáfora mística que é também um fato material e por seus frutos os conheceremos.

Tal princípio é, ou era até recentemente, compartilhado por todos os que se dizem cristãos. Há um apêndice a este princípio que é professado por todos os que se dizem católicos. É uma idéia mais mística; e talvez somente os católicos se esforçaram em defini-lo racional e filosoficamente. Não é verdade, contudo, que somente católicos já o sentiram. Os antigos pagãos já o sentiram sutilmente em suas visões de Atenas, Ártemis e das Virgens Vestais. Os agnósticos modernos o sentem debilmente em sua adoração pela inocência infantil – em Peter Pan ou no Child’s Garden of Verses. Essa idéia é a de que há, para alguns, uma felicidade ainda mais divina que a do divino sacramento do matrimônio. Este é um assunto muito especial e muito grande para ser tratado aqui; mas dois fatos deveras singulares devem, sobre ele, ser notados.

Primeiramente, que os estados industriais modernos estão invocando o pesadelo da super-população, depois de terem, eles próprios destruído as irmandades monásticas que foram uma limitação voluntária e viril a esse pesadelo. Em outras palavras, eles estão, muito relutantemente, recorrendo ao controle de natalidade, depois de realmente suprimirem a prova de que os homens são capazes de auto-controle.

Em segundo lugar, se tal abstenção fosse realmente exigida, essa tradição religiosa poderia dar a ela um entusiasmo positivo e poético, onde todas as outras fariam dela apenas uma mutilação negativa. Os católicos acreditam na razão e gostam de ver as coisas práticas provadas; e, atualmente, a necessidade não está provada; somente mencionada como se tivesse, como se comentassem a respeito de Darwin e Einstein. Mas, mesmo se ela estivesse provada, os católicos teriam uma resposta muito melhor do que a dos outros: as trombetas de São Francisco e São Domingos. E os bons protestantes irão finalmente concordar que a resposta é melhor do que a alternativa de um tipo de anarquia secreta e silenciosa, na qual os motivos são estreitos e os resultados nulos. E por este caminho, voltamos ao tema original do casamento ideal; e à verdade principal sobre ele. Uma coisa tão humana não irá, finalmente, desaparecer por entre acidentes de uma sociedade anormal.

Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e pode possivelmente condená-la.

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* Se não fosse o Cristianismo…

quinta-feira, agosto 19th, 2010

Nas últimas décadas, tem se tornado comum no mundo ocidental “malhar” o cristianismo. Intelectuais, acadêmicos, escritores e articulistas de renome costumam se referir à fé cristã de forma desairosa e depreciativa. Infelizmente, com freqüência muitos críticos estão dentro das fileiras do próprio cristianismo.
É considerado politicamente incorreto falar mal de outras religiões, como o islamismo, o budismo e o hinduísmo, que estão muito em voga na Europa e nas Américas, mas não se vê nenhum problema em condenar o movimento cristão. Alguns pensadores ateus, autores de livros campeões de vendas, têm defendido explicitamente a extinção pura e simples do cristianismo. Segundo afirmam, seria desejável que todas as religiões deixassem de existir, mas na realidade eles têm em mente antes de tudo a fé cristã, a tradição religiosa predominante no Ocidente.

Além de preconceituosa, essa atitude é profundamente injusta do ponto de vista histórico. Os próprios cristãos reconhecem que sua trajetória ao longo dos séculos não está isenta de dolorosos problemas. As cruzadas, o anti-semitismo, a Inquisição, as guerras religiosas e a escravidão nas Américas são manchas tristes na experiência da igreja, falhas que os cristãos conscienciosos lamentam profundamente. É preciso lembrar esses fatos continuamente para que eles não voltem a se repetir. Todavia, as contribuições e os benefícios que o cristianismo legou ao mundo são muito mais marcantes e numerosos que os seus erros, como o estudo desapaixonado da história demonstra de maneira conclusiva. Alguns desses benefícios não foram generalizados nem contínuos, tendo ocorrido mais em algumas épocas e lugares do que em outras.

A influência histórica

O cristianismo é a principal tradição cultural do mundo ocidental, o mais importante fator na formação histórica da Europa e das Américas. Assim sendo, a influência cristã permeia todos os aspectos da vida desses continentes e suas nações.

Caso prevalecesse a tese dos autores que defendem a extinção do cristianismo, por uma questão de coerência vastas mudanças teriam de ser feitas na vida social desses povos.

Por exemplo, o calendário teria de ser trocado por outro — a semana de sete dias, os termos “sábado” e “domingo” (“dia do Senhor”) e a contagem dos anos (como 2008) não mais fariam sentido, porque todos têm origem cristã ou judaico-cristã. Algumas das celebrações e festividades mais apreciadas pelas pessoas (Natal, Páscoa, Dia de Ação de Graças) teriam de ser eliminadas. Milhões de pessoas teriam de mudar seus nomes de origem cristã, inclusive muitos ateus. O mesmo aconteceria com um imenso número de designações de cidades, logradouros e pontos geográficos. Os idiomas, a música, o folclore, as tradições e outros elementos seriam profundamente afetados.

Mas existem questões mais importantes. Olhando-se para a história antiga e recente, percebe-se o enorme impacto humanizador e civilizador do cristianismo.

Desde o início da era cristã, houve uma grande preocupação com a dignidade da vida humana, que se traduziu no combate a práticas degradantes como o aborto, o infanticídio e as lutas de gladiadores. O cristianismo valorizou a criança, a mulher, o idoso, o casamento e a vida familiar.

Embora no início os cristãos tenham mantido a escravidão que existia no Império Romano, a fé cristã continha valores que levaram à gradual extinção desse mal. Tem sido imenso, ao longo do tempo, o esforço dos cristãos em socorrer os pobres, doentes e desamparados de toda espécie, através de um sem-número de iniciativas e instituições humanitárias. Até hoje, tanto em tribos indígenas e populações carentes como entre povos adiantados, a contribuição cristã nessas áreas se faz notar de modo saliente.

O legado cultural

Sem desprezar as magníficas contribuições das antigas civilizações grega e romana, foi principalmente o cristianismo que moldou a vida dos povos ocidentais como os conhecemos hoje, além de exercer grande influência positiva na África e na Ásia.

À medida que a fé cristã se expandia, ela elevou o padrão de vida dos povos que deram origem às nações européias. A contribuição cristã na área da educação tem sido das mais destacadas. Durante séculos, as únicas escolas que existiam estavam ligadas à igreja. Muitos povos, ao serem evangelizados, receberam simultaneamente a escrita e a alfabetização, como ocorreu entre os eslavos, na Europa oriental, e em muitas nações africanas.

A Bíblia, traduzida para as línguas desses povos, se tornou importante nesse processo. As primeiras universidades (Paris, Bolonha, Oxford) e muitas outras surgidas mais tarde (Harvard, Yale, Princeton etc.) foram criadas por cristãos.

O cristianismo deu uma contribuição inigualável em outras áreas significativas, notadamente em séculos recentes. Alguns exemplos no âmbito político são o governo representativo, a separação dos poderes, a expansão da democracia e a ampliação dos direitos e liberdades civis. As convicções cristãs permitiram a ascensão econômica do homem comum, gerando prosperidade para famílias e povos.

Outra área de atuação foi a ciência, não só pelo fato de que a maior parte dos cientistas ao longo da história têm sido cristãos, mas de que o cristianismo, com sua visão de um mundo ordenado e sujeito a leis fixas, porque criado por Deus, possibilitou o próprio surgimento da ciência.

E que dizer das contribuições nos campos da literatura e da arte? Se não fosse o cristianismo, não teríamos obras como as “Confissões”, de Agostinho, a “Divina Comédia”, de Dante, o “Paraíso Perdido”, de Milton, e tantas outras. Não contemplaríamos as magníficas catedrais góticas, a Capela Sistina, bem como as esculturas e pinturas de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rembrandt e outros mais. Não poderíamos ouvir “O Messias” de Haendel nem as inspiradoras composições de Johann Sebastian Bach.

Valores religiosos e éticos

Os legados mais valiosos do cristianismo ao mundo são a vida e os ensinos de seu fundador, registrados no Livro dos Livros. Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré que os cristãos consideram o próprio Filho de Deus encarnado, proferiu algumas das palavras mais belas, sublimes e cativantes que se conhecem na história humana. Ele falou das coisas transcendentes e eternas de modo simples e acessível a qualquer indivíduo. Os valores que ensinou, como o amor, a compaixão, o altruísmo, a integridade, a veracidade e a justiça, têm trazido benefícios incalculáveis ao mundo. Todavia, ele não se limitou às palavras e conceitos, mas exemplificou em suas ações as verdades que buscava transmitir. Por fim, deu sua vida na cruz para cumprir cabalmente a missão de que estava incumbido. Desde então, seu ensino e exemplo têm inspirado e transformado milhões de pessoas em todos os recantos do mundo, além de ter induzido mudanças radicais nos mais diferentes aspectos da sociedade.

Sem Cristo e seu grandioso legado, o mundo certamente seria um lugar muito mais sombrio, triste e desesperançado. Essa é a tese de D. James Kennedy em seu livro “E se Jesus não Tivesse Nascido?” (Editora Vida, 2003). Não se pode negar que muitos não-cristãos têm dado contribuições relevantes à sociedade.

Os cristãos não têm dificuldade com isso, porque entendem que Deus atua em toda a criação e que sua imagem, ainda que desfigurada, está presente em todos os seres humanos. Todavia, as alternativas de um mundo sem fé e sem cristianismo podem se tornar aterrorizantes. Basta lembrar que os homens mais cruéis, desumanos e sanguinários do século 20 — indivíduos como Josef Stálin, Adolf Hitler, Mao Tsé Tung e Pol Pot — além de não serem cristãos, eram inimigos do cristianismo. Mesmo sem apelar para casos extremos como esses, está claro que o crescente secularismo que avassala o mundo, com sua relativização do significado e da importância da vida, representa uma grande ameaça para o futuro da humanidade.

Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja , Ele é presbiteriano.
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* 1 em cada 8 Americanos deixa o Cristianismo, revela pesquisa.

quarta-feira, agosto 18th, 2010

Cerca de um em cada oito adultos é um “ex-cristão,” revela uma nova pesquisa.

Estes incluem aqueles que deixaram a tradição protestante ou católica, de quando eles eram criança e que agora relatam serem ateus, agnósticos ou pertencentes à alguma outra fé, de acordo com o Grupo Barna.

Enquanto isso, aqueles que mudaram de uma fé não cristã ou de uma não-crença (a partir de sua infância) ao Cristianismo enquanto adulto, representam três por cento da população norte-americana.

Os resultados são baseados em entrevistas telefônicas provenientes de uma amostra aleatória de 2.004 adultos nos Estados Unidos.  Os participantes foram solicitados a identificarem a sua fé da infância e sua fidelidade à fé atual.

A segunda pesquisa perguntou aos entrevistados se eles já tinham “mudado para uma fé diferente, ou alteraram significativamente suas visões de fé” ou se eles tinham “a mesma fé hoje como quando eram criança.”

De acordo com o grupo de pesquisa cristã, as razões mais comuns para deixar o Cristianismo são as experiências de vida, tais como a obtenção de novos conhecimentos ou educação; sentir-se desiludido com a Igreja e a religião; sentir a Igreja ser hipócrita, ter experiências negativas nas Igrejas; estar em desacordo com o Cristianismo sobre questões específicas, como a homossexualidade, o aborto ou controle de natalidade, sentir que a Igreja é muito autoritária, querer expressar a sua fé fora da Igreja, e ir à procura de uma nova fé ou querer experimentar outras religiões.

As motivações principais para tornar-se um Cristão, entretanto, estavam em passar por eventos de vida difíceis; envelhecer e ver a vida de forma diferente; querer contato com uma Igreja e crescer espiritualmente; descobrir a Cristo, ou querer saber o que está na Bíblia.

A idade média em que os inquiridos mudaram de fé era aos 22 anos. Sessenta e oito por cento dos entrevistados tiveram uma mudança grande fé antes da idade de 30 anos.

Kinnaman David, presidente do Barna Group e diretor da pesquisa, ressaltou a importância de “manter-se em sintonia com as questões das pessoas e dúvidas.”

“O Clero é tipicamente mais velho do que aqueles que atravessam sérias questões sobre sua fé e são menos prováveis de terem tido experimentado, pessoalmente, um período de re-orientação da própria fé,”observou ele. “Além do mais, nem todas as pessoas passam por uma crise de fé, por isso as pessoas que estão passando por transições espirituais muitas vezes passam despercebidas.”

Globalmente, o Grupo Barna, situado em Ventura, Califórnia concluiu que menos de um quarto (23 por cento) dos inquiridos é ligado às tradições de fé – incluindo aquele que alternou entre o Catolicismo e o Protestantismo, mas não incluindo aqueles que mudaram de uma denominação protestante para outra.

Doze por cento dos adultos mudaram de filiação dentro da tradição protestante.

“O estudo destaca que a lealdade espiritual da infância é muito sustentável em nossa sociedade.” disse Kinnaman. “[A] jornada de fé mais comum que as pessoas fazem é formar compromissos espirituais enquanto crianças e adolescentes que geralmente duram o tempo da sua vida.”

christianpost / Portal Padom

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* Jesus Cristo! rosto divino do homem, rosto humano de Deus!

terça-feira, agosto 10th, 2010

Dom Henrique

Desde Feuerbach até Sartre e Harbemas, passando por Marx e Nietzsche, a razão moderna considera-se emancipada e está convicta de que o homem é o seu próprio salvador. Por isso, para o mundo contemporâneo, é necessário matar Deus para que o homem amadureça e viva, tomando nas suas mãos o próprio destino. Procurar outros salvadores além de si mesmo seria alienação, infantilidade e engano: seria colocar nas mãos de um outro aquilo que é responsabilidade sua.

O homem do século XXI, herdeiro do ateísmo dos séculos XIX e XX, está convicto de poder construir sua vida sozinho, sem necessidade alguma de um Salvador. No final do século XIX, Nietzsche exultava com um anti-evangelho: “O maior dentre os últimos acontecimentos – que Deus morreu, que a fé no Deus cristão fez-se incrível – já lançou suas primeiras sombras sobre a Europa…”

Vemos hoje o triunfo da razão atéia; e este processo é irreversível. Para os “bem-pensantes” do mundo atual, a verdade, o certo e o errado são aquilo que a coletividade decidir. O homem, finalmente, tornou-se como um deus, conhecedor do bem e do mal.

São ilustrativas as palavras do influente filósofo ateu australiano, Peter Singer: “Estamos em uma era incrível de transição. No Ocidente, fomos dominados por uma única tradição por dois mil anos. Agora que essa tradição é um doente terminal – toda a base da moral judaico-cristã-, estou tentando formular uma alternativa. Partes do que digo podem parecer obscenas e malignas se você ainda estiver olhando através do prisma da velha moral…”

Diante desta pretensão, o cristianismo proclama com força algo escandaloso e incômodo, insuportável para a mentalidade atual: que Cristo é o único Senhor, único caminho e única possibilidade de realização para a humanidade; “Não há, debaixo do céu, outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos (At 4,12)”. Ele não aliena, não exime o homem de sua responsabilidade, mas, revelando sua altíssima dignidade, aponta-lhe um ideal sublime e o compromete decididamente na sua autoconstrução e na construção do mundo. Como dizia o Santo Padre Bento XVI, no início do seu pontificado: “Quem faz entrar Cristo na sua vida, nada perde, nada absolutamente, nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande. Não! Só nesta amizade se abrem de par em par as portas da vida. Só nesta amizade se abrem realmente as grandes potencialidades da condição humana. Só nesta amizade experimentamos o que é belo e o que liberta. Assim, eu gostaria com grande força e convicção, partindo da experiência de uma longa vida pessoal, de vos dizer hoje: não tenhais medo de Cristo! Ele nada tira, ele dá tudo. Quem se doa por Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira!”

É sempre útil recordar o dilema da primeira metade do século passado, que ainda hoje deixou graves conseqüências: de um lado, a teologia liberal, iludida pelo racionalismo moderno, reduzindo a pessoa de Jesus a um mestre iluminado, humanista bem-pensante; a sua obra, a um ideal moral, projeto meramente humano, de cunho filantrópico e social; a fé cristã, a um exercício iluminado e limitado pela razão.

Por outro lado, a reação seja do magistério católico seja a liderada por protestantes como K. Barth, contra o pensamento liberal e as ideologias da época: “Jesus Cristo – como se testemunha na Sagrada Escritura – é a única Palavra de Deus, a única a que devemos fé e obediência, tanto na vida como na morte”.

Para nós, portanto, o Mestre é Jesus Cristo; não há outros mestres ou salvadores, não há outros caminhos ou mediadores. Só nele está a nossa vida: nele, Deus vem ao homem, dá-se incondicionalmente à humanidade, curando-a, renovando-a e apontando-lhe o caminho. Somente nele o homem se supera realmente e chega à sua verdadeira medida. Rosto divino do homem, rosto humano de Deus! Não há subversão mais eficaz nem mais libertadora contra os totalitarismos, ditaduras, modas ou prisões ideológicas – inclusive as do próprio cristianismo – que afirmar que só ele, Cristo Jesus, é o nosso Mestre e Senhor!

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* Por que acredito no cristianismo? Fala-nos Chesterton.

terça-feira, agosto 3rd, 2010


G. K. Chesterton

Não tenho a intenção de desrespeitar o Sr. Blatchford dizendo que nossa dificuldade, em grande medida, está em que ele, como a maioria das pessoas inteligentes atualmente, não entende o que é Teologia.

Equivocar-se em ciência é uma coisa, mas equivocar-se sobre a natureza da ciência é outra. Na medida em que leio “God and My Neighbour (Deus e o meu vizinho)”, cresce minha convicção de que ele pensa que Teologia é o estudo sobre se as diversas lendas que a Bíblia conta sobre Deus é historicamente demonstrável. É como se ele estivesse tentando provar a um sujeito que o Socialismo seria, na verdade, a sólida ciência da Economia Política e começasse a perceber, no meio do caminho, que o sujeito considerava a Economia Política o estudo sobre se os políticos eram econômicos.

É muito difícil de explicar brevemente a natureza de todo um ativo campo de estudo, tanto quanto o é explicar o que é política ou ética. Pois, quanto maior e mais óbvia é uma coisa, e quanto mais ela te encara face a face, mais difícil é defini-la. Todo mundo pode definir concologia.. Ninguém pode definir a moral.

No entanto, toca-nos tentar explicar essa filosofia religiosa que era, e de novo será, o estudo dos maiores intelectuais e a fundamentação das mais fortes nações, mas que nossa diminuta civilização, há algum tempo, esqueceu, da mesma forma que esqueceu como dançar e como se vestir decentemente. Tentarei explicar porque eu considero necessária uma filosofia religiosa e porque eu considero o cristianismo a melhor filosofia religiosa. Mas, antes que eu faça isso, quero que você se lembre de dois fatos históricos. Não peço para que você tire deles as minhas conclusões ou mesmo qualquer conclusão. Peço que você se lembre deles como simples fatos, ao longo da discussão.

1. O cristianismo surgiu e se expandiu num mundo muito refinado e cínico – num mundo muito moderno. Lucrécio era tão materialista quanto Haeckel e um escritor muito mais persuasivo. O mundo romano tinha lido “God and My Neighbour”, e de uma maneira um tanto sonolenta o considerou verdadeiro. Vale a pena notar que as religiões quase sempre surgem nessas civilizações céticas. Um livro recente sobre a literatura pre-maometana da Arábia descreve uma vida inteiramente luxuosa e refinada. Foi assim com Buda, nascido em berço de ouro, numa antiga civilização. Foi assim com o Puritanismo na Inglaterra e com a Restauração Católica na França e Itália, ambas advindas do racionalismo da Renascença. É assim hoje, e será sempre assim. Vá a dois dos mais modernos centros do pensamento moderno, Paris e EUA, e você encontra-los-á cheios de anjos e demônios, de velhos mistérios e novos profetas. O racionalismo está lutando pela própria vida contra as novas e vigorosas superstições.

2. O cristianismo, que é uma religião muito mística, tem sido, contudo, a religião das porções mais práticas da humanidade. Ele tem mais paradoxos que as filosofias orientais, mas ele também constrói as melhores rodovias. O muçulmano tem uma concepção lógica e pura de Deus, o Alah monístico. Mas ele permanece bárbaro na Europa e a grama não renascerá por onde ele passar. O cristão tem um Deus Trino, “uma trindade oblíqua,” que parece uma caprichosa contradição em termos. Mas, em ação, ele abarca a terra e, mesmo, o mais inteligente oriental só pode com ele lutar, imitando-o a princípio. O Oriente tem sua lógica e vive do arroz. A cristandade tem seus mistérios – e seus automóveis. Não importa a inferência. Como eu disse, registremos os fatos.

Agora com essas duas coisas em mente, deixe-me tentar explicar o que é a Teologia Cristã.

O agnosticismo completo é a atitude óbvia para o homem. Todos somos agnósticos até descobrirmos que o agnosticismo não funciona. Então, adotamos alguma filosofia, a do Sr. Blachford ou a minha, ou alguma outra, pois, o Sr. Blatchford não é mais agnóstico que eu, é claro. O agnóstico diria não estar certo se o homem é responsável pelos seus pecados. O Sr. Blatchford diz que ele tem certeza de que o homem não é.

Aqui temos a semente de toda uma imensa árvore de dogmas. Por que o Sr. Blatchford vai além do agnosticismo e afirma que não há, certamente, livre arbítrio? Porque ele não pode desenvolver seu sistema moral sem afirmar a inexistência do livre arbítrio. Ele deseja que nenhum homem seja culpado de pecado. Portanto, ele tem de convencer seus discípulos de que Deus não os fizeram livres e, por conseguinte, culpáveis. Nenhuma mínima dúvida cristã pode passar pela mente do determinista. Nenhum demônio pode sussurrá-lo, numa hora de angústia, que, talvez, o promotor de vendas fraudulento foi o responsável por ele estar no asilo. Nenhum ataque de ceticismo deve sugeri-lo que, talvez, o professor primário foi o culpado pela surra de matar dada no pequeno garoto. A fé do determinista deve permanecer firme, senão a fraqueza da natureza humana, certamente, fará com que os homens se enfureçam quando são difamados ou devolvam o soco, quando são socados. Em resumo, o livre arbítrio parecerá, em princípio, pertencer ao Desconhecido. Mesmo assim, o Sr. Blatchford não conseguirá pregar o que a ele pareça mera caridade sem afirmar, sobre isso, um dogma. E eu não conseguirei pregar o que me parece ser mera honestidade, sem afirmar outro.

Aqui está a falha do agnosticismo. Que a nossa visão cotidiana das coisas que sabemos (do senso comum), realmente depende de nossa visão de coisas que não sabemos (do senso comum). Tudo bem dizer a um homem, como faz o agnóstico, “cultive seu jardim.” Mas, suponha que ele ignore tudo fora do seu jardim, inclusive o sol e a chuva?

Isso é fato real. Você não pode viver sem dogmas sobre as coisas. Você não pode agir vinte e quatro horas por dia sem decidir se as pessoas são responsáveis ou não. A Teologia é um produto muito mais prático que a Química.

Alguns deterministas imaginam que o cristianismo inventou um dogma como o livre arbítrio por diletantismo – uma simples contradição. Isso é absurdo. Você se confronta com contradições onde quer que você esteja. Os deterministas me dizem, com um grau de verdade, que o determinismo não faz diferença na vida diária. Isso significa que, apesar do determinismo saber que os homens não têm livre arbítrio, mesmo assim, ele continua tratando-os com se tivessem.

A diferença, então, é muito simples. O cristão coloca a contradição em sua filosofia. O determinista a coloca em seus hábitos diários. O cristão afirma, como um mistério declarado, o que o determinista chama nonsense. O determinista tem o mesmo nonsense em seu café da manhã, em seu almoço, em seu chá e em seu jantar, todos os dias de sua vida.

O cristão, repito, coloca o mistério em sua filosofia. Este mistério, pela sua escuridão, ilumina todas as coisas. Depois disso, vida é vida, pão é pão e queijo é queijo: ele pode sorrir e lutar. O determinista torna a questão lógica e lúcida: e à luz dessa lucidez, todas as coisas são obscurecidas, as palavras perdem o sentido, e as ações, o objetivo. Ele fez de sua filosofia um silogismo e dele próprio um lunático delirante. Essa não é uma questão entre misticismo e racionalidade. É uma questão entre misticismo e loucura. Pois, o misticismo, e somente o misticismo, tem mantido o homem são, desde o início dos tempos. Todos os caminhos retilíneos da lógica levam ao caos, à anarquia ou à obediência passiva, por tratar o universo como uma pura engrenagem material ou então como uma ilusão da mente. É somente o místico, o homem que aceita as contradições, que pode sorrir e caminhar livremente pelo mundo.

Você está surpreso pelo fato de que a mesma civilização que acreditou na Trindade descobriu a máquina a vapor? Todos as grandes doutrinas cristãs são deste tipo. Examine-as você mesmo, cuidadosa e justamente. Tenho espaço para apenas dois exemplos. O primeiro é a idéia cristã de Deus. Tal como temos todos sido agnósticos, também temos sido panteístas. Com uma ingenuidade infantil é fácil dizer, “Por que o homem não pode enxergar Deus num vôo de um pássaro e ser feliz?” Mas, vem o tempo em que, indo além, dizemos, “Se DeuS está nos pássaros, sejamos não só bonitos como eles, mas sejamos cruéis como os pássaros, vivamos a vida louca e colorida da natureza.” E algo que mantém sua própria inteireza dentro de nós resiste e nos alerta, “Meu amigo, você está enlouquecendo.”

Então vem o outro lado e dizemos: “Os pássaros são odiosos, as flores são vergonhosas. Um universo com tais coisas não merece meu tributo.” E a coisa inteira em nosso íntimo diz: “Meu amigo, você está enlouquecendo.”

Então vem uma coisa fantástica e nos diz: “Você está certo de gostar dos pássaros, mas errado em copiá-los. Há uma coisa boa em todas essas coisas, mas todas essas coisas são menores que você. O Universo está certo, mas o Mundo está errado. A coisa por trás de tudo não é cruel como um pássaro, mas bondosa como um homem.” E a coisa inteira dentro de nós diz: “Encontrei o caminho da montanha.”

Assim, quando o cristianismo surgiu, o mundo antigo tinha acabado de chegar a esse dilema. Ele ouviu a Voz do Culto à Natureza que rezava, “Todas as coisas naturais são boas. A guerra é saudável como as flores. A luxúria é tão cândida como as estrelas.” E ele ouviu também o lamento dos desesperados Estóicos e Idealistas. “As flores estão em guerra: as estrelas estão maculadas: nada é certo além da consciência do homem e esta foi completamente vencida.”

Ambas as visões eram consistentes, filosóficas e exaltadas: suas únicas desvantagens eram que a primeira levava logicamente ao assassinato, e a segunda, ao suicídio. Depois de uma agonia do pensamento, o mundo descobriu um caminho saudável entre os dois. Era o Deus cristão. Ele fez a Natureza mas, Ele era Homem.

Finalmente, há uma palavra a dizer sobre a Queda. Só poderá ser uma palavra, e ela é esta. Sem a doutrina da Queda, toda a idéia do progresso é sem sentido. O Sr. Blatchford diz que não houve uma Queda, mas uma ascensão gradual. Mas, a própria palavra “ascensão” implica que você saiba em que direção está ascendendo. A menos que haja um padrão, você não pode se dizer em ascensão ou em queda. Mas o ponto principal é que a Queda, tal como todos os outros largos caminhos do cristianismo, está embebida, invisivelmente, na linguagem comum. Qualquer um pode dizer, “Muito poucos homens são realmente humanos.” Ninguém diria, “Muito poucas baleias são realmente, ‘baleiais’.”

Se você quisesse dissuadir um homem de beber sua décima dose de whisky, você bateria em suas costas e diria, “Seja homem.” Ninguém que desejasse dissuadir um crocodilo de comer seu décimo explorador, bateria nas costas da fera e diria, “Seja crocodilo.” Pois, não temos nenhuma noção de um crocodilo perfeito, nenhuma alegoria de uma baleia expulsa do Éden ‘baleial’. Se uma baleia viesse ao nosso encontro e dissesse: “Eu sou um novo tipo de baleia, eu abandonei a ‘baleiez’,” não deveríamos nos preocupar. Mas, se um homem viesse até nós (como muitos logo virão) e dissesse, “Eu sou um novo tipo homem. Eu sou o super-homem. Eu abandonei a misericórdia e a justiça;” deveríamos responder, “Sem dúvida você é novo, mas nem um pouco parecido com o homem perfeito, pois este sempre esteve na mente de Deus. Caímos com Adão e ascenderemos com Cristo; mas preferimos cair com Satã, que ascender com você.”

Publicado em The American Chesterton Society

[1]Reproduzido de The Religious Doubts of Democracy (1904) e de “The Blatchford Controversies” (in The Collected Works of G.K. Chesterton, Vol. 1) (N. do T.)

[2] Nome que a Economia tinha na época. (N. do T.)

[3] A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. Onde está o sábio? Onde o erudito? Onde o argumentador deste mundo? Acaso não declarou Deus por loucura a sabedoria deste mundo? Já que o mundo, com a sua sabedoria, não reconheceu a Deus na sabedoria divina, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura de sua mensagem (…) mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos. Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. (1 Cor. 1, 18; 20-21; 23;25) (N. do T.)

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* Para que Deus seja amor é necessário que ele seja uma trindade.

domingo, agosto 1st, 2010

William Lane Craig é  Filósofo,Teólogo, Historiador e apologista Norte Americano. Autor de livros  e conferencista.

Ele responde perguntas sobre a fé Cristã em seu site.

***

Tradução: Wagner Kaba

Caro Dr. Craig,

No debate que teve com Shabir Ally sobre “O Conceito de Deus no Islã e no Cristianismo”, você disse que o amor é parte da natureza perfeita de Deus. Você passou a explicar como o conceito trinitário de Deus é mais plausível do que o conceito unitário de Deus no Islã, tendo isso em conta. Visto que o amor envolve a doação de si ao outro, um conceito unitário de Deus é inadequado.

A Trindade, no entanto, faz com que o amor tenha sentido como uma propriedade essencial da natureza perfeita de Deus. Isto leva-me a pergunta que eu quero fazer: por que não entender o amor da mesma forma que entendemos as outras perfeições de Deus? Por exemplo, eu entendo que a justiça perfeita de Deus não é expressa até algum momento após sua criação rebelar-se contra ele. Agora, a menos que a justiça de Deus se expresse de alguma forma dentro de três pessoas divinas, porque alegar que Deus é perfeitamente justo antes da criação de qualquer outro ser que pode se rebelar? Se podemos afirmar que Deus é justo, sem ter que expressar esse atributo até a criação, então por que não afirmar que um Deus amoroso pode ser unitário, sem uma criação (expressando esse atributo para sua criação mais tarde)?

Espero que a minha questão principal faça sentido. Eu gostaria de agradecê-lo pelo seu ministério. Ele certamente tem sido uma bênção e uma inspiração. Deus abençoe você e sua família!

em Cristo,

Juan

Dr. William Lane Craig responde:

Muito boa pergunta, Juan! Poderíamos responder que a justiça, como o amor, é expressa entre as pessoas da Santíssima Trindade. Nós não precisamos pensar na justiça apenas como castigo do pecado, embora isso seja exigido pela justiça. Justiça é um conceito mais amplo do que isso. Justiça exige que nós tratemos as outras pessoas de forma justa, que não mostremos favoritismo, que nós tratemos as outras pessoas como fins em si mesmas e não como meios para algum fim.

As pessoas da Trindade mostram todas essas virtudes. Seria absurdo imaginar as pessoas da Trindade envolvidas em favoritismo ou parcialidade nas suas relações umas com as outras! (Note que a subordinação de um membro para outro na chamada “Trindade econômica” com o objetivo da nossa salvação não é o caso de algum tipo de favoritismo.)

Mais importante, porém, meu argumento é que não é suficiente pensar no amor como uma mera propriedade de disposição, a disposição para o amor se alguma outra pessoa existir. Ser amoroso não é apenas a disposição de doar-se para alguém, caso esse alguém exista. Ser amoroso envolve realmente dar-se ao outro. Portanto, esta disposição não pode permanecer apenas latente em Deus e nunca ser concretizada. Segue-se, então, que um Deus unitário teria necessariamente que criar outras pessoas, que é o que implica a sua sugestão. Mas isso contradiz o que tanto os cristãos como os muçulmanos acreditam sobre a liberdade de Deus para criar. Portanto, Deus deve ser uma pluralidade de pessoas que não foram criadas, que é o que a doutrina da Trindade afirma.

Portanto, meu argumento se resume a isto: o amor não pode ser reduzido a uma mera disposição. Embora tenha essa característica, é muito mais do que isso. Portanto, o conceito unitário de Deus é inadequado.

O artigo original em inglês está disponível em ReasonableFaith.

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* Muçulmanos Indonésios tentam deter o ‘Cristianismo’ evangélico.

quarta-feira, julho 28th, 2010

Em uma assembléia na grande mesquita Al Azhar, os líderes das nove organizações muçulmanas anunciaram os resultados do Congresso Islâmico de Bekasi que aconteceu em 20 de Junho de 2010, onde eles concordaram em estabelecer um centro de missões para a paralisação do “Cristianismo”; formar um exército jovem Laskar Pemuda e pressionar a aplicação da Sharia (lei muçulmana) na região, reportou o jornal Jakarta Post.

Observando um aumento no número de Igrejas em casas, organizações muçulmanas acusaram cristãos de Bekasi de proselitismo agressivo.

O Reverendo Simon Timorason do Fórum de Comunicação Cristão de Java Ocidental (FKKB), no entanto, relatou a CDN que os cristãos naquela área não evangelizam e se encontram em pequenas reuniões caseiras devido à falta de um local oficialmente reconhecido para devoção.

Muitos seminaristas cristãos formados preferem ficar em Java a mudar-se para ilhas distantes, Timorason adicionou, fazendo Java Ocidental o lugar ideal para lançar novas reuniões caseiras de denominações diferentes. Mas a vizinhança somente vê a multiplicação de Igrejas, ele diz, e por isso suspeitam que os muçulmanos estejam se convertendo ao cristianismo.

Cerca de 200 pessoas participaram do Congresso que aconteceu no dia 20 de Julho, representando organizações locais assim como o Fórum de Discussão Inter-religioso de Bekasi (Bekasi Interfaith Dialogue Forum), Movimento contra Apostasia (muçulmana) de Bekasi ( Bekasi Movement Against Apostasy), Assembléia Muçulmana Local e o Conselho Indonésio de Ulema (Muhammadiyah and the Indonesian Ulema Council - MUI) – duas das maiores organizações Muçulmanas da Indonésia – e a Frente Defensora Islâmica (Islamic Defenders Front - FPI), conhecida por sua oposição agressiva contra Cristãos e outros grupos não-muçulmanos

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* França: Fé resiste! Livros sobre espiritualidade entre os mais vendidos no País.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Continua atualíssima a palavra de sabedoria de Santo Agostinho de que fomos criados para Deus e inquietos estaremos enquanto não repousarmos n’ELE.

O secularismo não consegue sufocar a sede de Deus que o ser humano tem. Nem mesmo na terra da Revolução Francesa!

Nossa missão como evangelizadores é crer nisso e continuar a anunciar a verdade de Cristo.

Não ter dúvida de que a obra é de Deus e ser ousado e pregar, de todas as formas possíveis o santo evangelho e anunciar esse amor divino que todos precisam e não sabem , por isso o procuram em tantos lugares errados.

***

A busca pela espiritualidade inspira autores e leitores na França. De acordo com uma pesquisa realizada por uma importante revista semanal dedicada aos profissionais do ramo literário, a “Livres Hebdo”, os livros que falam sobre Deus estão entre os mais vendidos no país.


Dos dez mais vendidos, três abordam o tema, apesar de não estarem todos classificados como teologia. Os títulos desses três livros são “Comment Jésus est devenu Dieu”, “L’Ouvrage D’Alix de Saint André” e “Le Visage de Dieu”.

Os contextos e os assuntos secundários das histórias são variados, mas todos tratam da existência de Deus. A pesquisa ainda mostra que as maiores vendas não são as das livrarias especializadas em religião, mas das livrarias que oferecem um panorama mais amplo de obras literárias.

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* Descobertas arqueológicas confirmam tradição: Túmulo de São Paulo está em Roma.

sexta-feira, julho 9th, 2010

Por Carmen Elena Villa

O peregrino pode descobrir em sua plenitude, a partir de agora, o patrimônio histórico e espiritual da Basílica de São Paulo Fora dos Muros de Roma, testemunha fiel de dois milênios da história do cristianismo, graças aos novos achados arqueológicos.

O Papa Bento XVI inaugurou, no último dia 28 de julho, um importante complexo arqueológico, com peças da antiga basílica, construída por ordem de Constantino no século IV.

Dentro das novidades que pudemos descobrir, destaca-se uma galeria que vai da abadia beneditina (onde vivem os monges que, há 1.300 anos, se encarregam da atenção pastoral da basílica), até a entrada às recentes escavações e um edifício dedicado aos turistas e peregrinos que contém uma livraria e uma cafeteria.

Nessa galeria, podem ser vistas peças encontradas recentemente nas escavações feitas pelo Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã e pelos Museus Vaticanos. As vitrines que exibem estas peças estão separadas por desenhos que mostram a evolução da basílica: desde sua consagração, no século IV, até nossos dias.

Umas escadas conduzem ao sótão, que ainda não está aberto ao público, mas no qual se espera que em breve possam contemplar algumas peças arqueológicas dos primeiros mosteiros beneditinos de São Paulo Fora dos Muros.

Sua história em três etapas

Esta basílica foi consagrada em 324 pelo Papa Silvestre I. Constantino mandou construí-la logo depois de que se permitiu no Império Romano o culto público por parte dos cristãos.

Entre os anos 384 e 385, os imperadores Teodósio, Valentino II e Arcádio construíram a “segunda basílica”, que tinha as dimensões da basílica atual, porque a constantiniana era pequena demais. Nos séculos seguintes, enriqueceu-se com novos elementos, como o Baldaquino de Arnolfo di Cambio e a base do círio pascal de Nicola D’Angelo e Pietro Vassalletto, os quais ainda se conservam.

Um incêndio, em 1823, destruiu quase sua totalidade. “As colunas se consumaram quase totalmente pelas chamas. O teto já não podia se sustentar”, explica Dom Monterisi. Depois, o Papa Leão XII fez um convite ao mundo inteiro, para reconstruí-la de maneira idêntica.

Não somente os católicos responderam com doações, mas também cristãos de outras denominações.

“A basílica foi consagrada pelo Papa Pio IX, em 10 de dezembro de 1854, dois dias depois da proclamação do dogma da Imaculada Conceição”, recordou o arcipreste. Esta é a construção que pode ser vista atualmente.

O túmulo de São Paulo

Uma das novidades do Ano Paulino foi a abertura do lugar onde, segundo a tradição e as últimas investigações, jazem os restos de São Paulo. Cada dia, dezenas de peregrinos descem umas escadas que se encontram justamente na frente do baldaquino.

No território onde hoje está a basílica, encontrava-se antes o cemitério Ostiense, o mais próximo da atual Abadia das Três Fontes, a qual foi construída no lugar em que São Paulo foi decapitado, segundo a tradição. Lá foi achada uma lápide que está formada por várias peças e tem a inscrição “Paulo, apóstolo, mártir”, sobre o túmulo de Saulo de Tarso.

“Em 2002, o túmulo sofreu uma primeira intervenção – disse o arcipreste. O sarcófago de São Paulo estava escondido por um muro muito profundo para protegê-lo das inundações do rio Tibre. A primeira intervenção consistiu em tirar uma parte do muro para tornar visível a pedra do sarcófago que agora aparece no fundo, em uma janela aberta na frente do túmulo.”

A segunda intervenção aconteceu em 2008.

“Em um buraco no sarcófago – explica -, introduziu-se uma câmera minúscula e uma pinça para operações cirúrgicas, com as quais foi extraído um pedaço de tecido verde e vermelho com fios de ouro, sinal de que cobriam o corpo de uma pessoa importante; do outro lado, foi extraído um osso minúsculo.”

A investigação demonstrou que isso pertencia a “um homem que morreu entre os séculos I e II d.C. É a confirmação da tradição, disse o Papa na homilia de encerramento do Ano Paulino, segundo a qual os restos do apóstolo Paulo são conservados nesse túmulo”.

A basílica sofreu outras intervenções artísticas em 1931, com a porta de bronze de Antonio Mariani, e a Porta Santa, que foi colocada durante o Jubileu do ano 2000 por Enrico Manfrini.

Apesar da sua distância do centro histórico de Roma, o que faz que alguns percorridos turísticos a ignorem, São Paulo Fora dos Muros adquire cada vez mais importância por ser um ponto de referência para o ecumenismo, pelos grandes tesouros da arte e da arquitetura que se encontram lá, pelos medalhões de todos os papas, de São Pedro a Bento XVI – que dão fé da continuidade da sucessão de Pedro – e agora pelas novas peças arqueológicas, que testemunham a história do cristianismo na Cidade Eterna.

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* O que revelam as pesquisas sobre o voto dos cristãos para a presidência do Brasil?

terça-feira, julho 6th, 2010

Donos de um quarto dos votos no país, os evangélicos se dizem mais dispostos a optar por José Serra (PSDB) do que por Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial.

A disputa está tecnicamente empatada entre os católicos, que representam 62% do eleitorado. Eles dão 40% das intenções de voto ao tucano e 41% à petista.

Visite: Gospel, Noticias Gospel, Videos Gospel, Musica GospelDe acordo com o Datafolha, Serra aparece 9 pontos percentuais à frente de Dilma entre os fiéis de igrejas pentecostais, que somam 16% dos entrevistados. No segmento, Serra tem 42%, e Dilma, 33%. Desde o ano passado, os candidatos travam batalha pelo apoio dos líderes das principais denominações.

Serra articula aliança com o presidente do maior ramo da Assembleia de Deus, pastor José Wellington Bezerra da Costa. Dilma conta com os votos da igreja universal, do bispo Edir Macedo

Entre os fiéis de igrejas não pentecostais (7% dos eleitores), o tucano aparece com vantagem de 5 pontos sobre a petista: 38% a 33%.

Serra também está à frente de Dilma entre os espíritas, (que não são cristãos e que somam 3% dos entrevistados). O grupo lhe dá dianteira de 11 pontos: 44% a 33%. O duelo volta a se equilibrar entre o eleitorado que diz não seguir religião alguma. No segmento, o tucano tem 35%, contra 33% da petista, o que configura um empate técnico entre os dois.

Serra se declara católico. Dilma, que já disse não ter certeza da existência de Deus, tem procurado se apresentar como católica. Única evangélica entre os candidatos ao Planalto, Marina Silva (PV) tem mais apoio dos companheiros de crença do que dos católicos.

A verde aparece com 13% das intenções de voto nos dois grupos evangélicos. Entre os católicos, cai para 8%. Curiosamente, o melhor resultado da candidata é entre os eleitores que dizem não ter religião: 18%.

Fonte: Folha

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* A maior de todas as virtudes é a caridade.

segunda-feira, junho 21st, 2010

Zenit

Entrevista com o padre Giorgio Maria Carbone, docente de teologia moral

Para muitos, a ideia de caridade não vai muito além da ação de distribuir esmolas.

Não há dúvida de que toda boa ação de doação para o próximo é meritória, mas, para o cristianismo, a caridade tem um significado muito mais profundo, e deve ser praticada para além da filantropia.

De fato, para a religião cristã, a caridade está intimamente ligada ao amor, à tomada de responsabilidade nas relações com os demais, que implica num comportamento fraterno. Talvez por essa razão São Paulo tenha indicado a caridade como “a maior e todas” as virtudes.

Tratando deste tema, o padre Giorgio Maria Carbone, frei dominicano e sacerdote, doutor em jurisprudência e teologia, docente de teologia moral junto à Faculdade de Teologia dell’Emilia Romagna, publicou recentemente um livro intitulado Ma la più grande di tutte è la carità (“Mas a maior das virtudes é a caridade” – Edizioni Studio Domenicano).

O que é a caridade?

Padre Carbone: A caridade é, em primeiro lugar, a própria identidade de Deus. É o que nos ensina João: “Deus é amor” (1 Jo 4,16). Nesta passagem, o apóstolo usa a palavra grega ágape, que significa amor gratuito de benevolência. A caridade, assim, significa o amor com qual Deus ama a si próprio, isto é, o amor com qual o Pai ama o Filho, e este amor é o próprio Espírito Santo. A caridade significa também o amor com que Deus ama cada um de nós: e Deus nos ama com o mesmo Amor com o qual se ama, isto é, nos ama no Espírito Santo. É este o significado da oração que Jesus dirige ao Pai antes de ser preso (Jo 17,26): “Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste [que é o próprio Espírito Santo] esteja neles, e eu neles”. Enfim, a caridade significa também o amor com o qual nós amamos a Deus, a nós mesmos, e ao nosso próximo. Este último é, assim, um amor de resultados, que depende do fato de que Deus é amor e de que Deus nos ama.

O que distingue a caridade cristã do conceito de solidariedade e de outras formas de altruísmo secularizado?

Padre Carbone: O elemento característico que faz a diferença está em sua origem, na fonte e na consciência desta origem. A caridade é a própria natureza de Deus, é o fato de que Deus me ama com o mesmo amor com o qual ama a si mesmo. É justamente o fato de Deus me amar e me envolver em sua dinâmica do amor, que me torno capaz de amar com o mesmo amor: esta é a caridade cristã.

É uma espécie de habilitação que Deus opera em nós: Jesus Cristo, amando-nos, nos faz capazes de também amar com seu coração e seu impulso, com suas motivações e seus fins. Este é o desígnio de salvação pelo qual todo homem e toda mulher é chamado a participar ativamente: um desígnio de amor salvífico que se realiza mediante o amor voluntário, isto é, do amor que se faz doação. É o que diz São Paulo em sua carta aos Efésios. Assim, a caridade encontra sua origem no próprio Deus e nos coloca em conformidade com a vida de Cristo.

A solidariedade, o altruísmo, a benevolência genérica constituem boas disposições do ânimo humano, isto é, constituem autênticas virtudes e podem compelir aos mesmos gestos que nos conduz a caridade. Mas as origens e as metas da solidariedade e do altruísmo são diferentes daqueles da caridade: de fato, a solidariedade nasce da consciência de se pertencer a uma mesma comunidade, partilhando interesses e fins comuns.

Em seu livro, o senhor sustenta que a caridade é a forma de todas as virtudes. Porquê?

Padre Carbone: Dizer que a caridade seja a forma de todas significa que conduz todas as virtudes à mais alta perfeição. Mas é preciso entender bem. Cada virtude humana, como as virtudes cardeais da prudência ou da justiça, aperfeiçoa o homem relativamente a algum aspecto de sua vida. Por exemplo, a virtude da justiça aperfeiçoa minha vontade porque me torna capaz reconhecer e realizar o bem comum e o direito do próximo. Assim, me aperfeiçoa no que se refere às minhas relações sociais interpessoais. A caridade, por sua vez, me relaciona me primeiro lugar com Deus, porque é uma resposta de um amor recebido de Deus; depois, me relaciona comigo mesmo e com meu próximo, pois me torna capaz de amar a mim mesmo e a ele com o mesmo coração e a mesma vontade de Jesus Cristo; e, enfim, me orienta não tanto a buscar algum fim próximo, e sim o fim último e definitivo, que é o próprio Deus.

A fé católica indica a caridade como uma das virtudes teologais. São Paulo sustenta que a caridade é a maior de todas as virtudes. Qual razão desta posição privilegiada?

Padre Carbone: Em parte devido aos motivos que já discutimos, e em parte devido a outras razões que podem ser inferidas a partir da comparação entre as virtudes da caridade e aquelas da fé. Ambas são virtudes teologais, no sentido de que ambas têm Deus como origem: apenas Deus é causa eficiente da fé e da caridade, ninguém pode causá-las em si mesmo; podemos nos dispor a receber estas virtudes, mediante a oração, pela prática da humildade, recebendo os sacramentos, mas não somos nós que damos origem a tais virtudes: é Deus que as doa. São teologais também porque Deus é seu objeto: com a fé nós conhecemos a Deus e aquilo que Deus diz de si mesmo e da criação; e com a caridade nós amamos a Deus e por Ele somos amados. Mas a diferença é a seguinte: a fé aperfeiçoa a inteligência humana e nos leva a conhecer o próprio Deus. Este processo de conhecer faz uso da linguagem e dos conceitos humanos, e, portanto, de conceitos limitados, finitos, que são, por sua própria natureza, redutores da realidade ilimitada que é Deus. Assim, a fé, enquanto aperfeiçoa a inteligência, tem um limite objetivo: reduz Deus aos limites finitos de nossos conceitos, ainda que possam ser ideias e conceitos contidos na revelação histórico-bíblica. A caridade, ao contrário, aperfeiçoa a vontade, e esta vontade é dirigida à pessoa amada como nela própria. O amor e a vontade comportam um movimento da pessoa que ama à pessoa amada para alcançar esta pessoa em sua própria identidade real, e não por ideias ou conceitos que dela fazemos. Por essa razão, a caridade é também mais excelente que a fé: leva a alegrar-se e amar a Deus por aquilo que é em si mesmo.

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* A guerra de propaganda entre ateus e cristãos, na Inglaterra.

terça-feira, junho 15th, 2010

The Guardian

Uma propaganda com a frase “There definitely is a God” [Definitivamente existe um Deus] exposta em ônibus da Inglaterra desencadeou mais reclamações do que qualquer outra propaganda de 2009, e alcançou o terceiro lugar nessa categoria em toda a história, segundo números publicados nesta terça-feira pela Advertising Standards Authority.

A batalha sobre a existência de Deus ajudou a provocar um aumento de 10% nas queixas ao órgão regulador, ou seja, a um número de quase 30.000.

A propaganda do Partido Cristão inglês foi uma reação ao anúncio da British Humanist Association que dizia:”  There is probably no God.Now stop worrying and anjoy yuor life [Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a sua vida].

A ASA não investigou o caso, em razão de os anúncios e partidos políticos estarem fora de seu mandato, apesar de ter recebido 1.204 reclamações afirmando que a existência de um ser divino era ofensiva aos ateus e, em todo caso, não pode ser comprovada. A ASA também não investigou o anúncio dos ateus, mesmo que tenha sido o sexto da lista dos mais reclamados.

No total, houve um aumento de 36% nas queixas de agressividade, cerca de 12.000. No outro extremo do espectro, anúncios que perguntam “Você quer um sexo mais duradouro?” para vender um spray nasal provocaram 500 queixas.

Graças, em parte, a essas campanhas em ônibus, as propagandas em meios de transporte tiveram, em um ano, um crescimento de 267% no número de queixas à ASA. Reclamações sobre outdoors, que também abrangem os anúncios em ônibus, tiveram um crescimento de 100% em um ano.

Em geral, a ASA, que regula a publicidade na televisão, Internet, rádio e imprensa, disse que apenas algumas poucas campanhas distorceram alguns dos números de reclamações em seu relatório anual de 2009.

Enquanto o número total de reclamações passou de 9,6%, chegando a um recorde de 28.978, o número de anúncios que receberam queixas caiu, na verdade, em mais de 10% em um ano, passando para 13.956. E o número de decisões formais, em que a ASA mandou um anúncio ser alterado ou retirado, também caiu ligeiramente em relação ao ano anterior, passando para 2.397.

A ASA proibiu nesta terça-feira um anúncio da Eurotunnel de uma promoção via e-mail, que afirma que o seu serviço de transporte de carros via trem através do túnel leva apenas 35 minutos e funciona “independentemente do tempo”. Um reclamante ficou preso durante várias horas em um check-in do Eurotunnel durante o caos provocado pela neve de dezembro.

A resposta da Eurotunnel à ASA dizia que um consumidor “razoável” não teria uma “visão absoluta” da frase “independentemente do tempo”, e a neve, acusada de parar os trens e bloquear o túnel, deveria ser vista em comparação a um “furacão ou tsunami, já que foi tão incomum”, e que o atraso não se repetiria. A ASA disse que a comparação era inválida, e uma repetição dessa situação não poderia ser descartada.

As queixas com relação à publicidade de bebidas alcoólicas, que teve um aumento de 44% em 2008, despencou em quase 50% no ano passado. Um foco da mídia sobre alterações digitais em anúncios de saúde e beleza, uma causa defendida pelo deputado liberal democrata Jo Swinson, que levou à proibição de um anúncio da Olay que apresentava a atriz britânica Twiggy, teve um aumento de 52% em queixas sobre as campanhas do setor.

O número de reclamações sobre anúncios na televisão, o meio que mais tem reclamações, aumentou 17% no ano passado. Contudo, o número de anúncios que tiveram queixas, na realidade, caiu 3%. A Internet continua sendo o segundo meio com mais reclamações, tendo atraído 3.546 queixas de 2.823 anúncios. No entanto, a ASA disse que 57% dos anúncios que receberam queixas estão fora do seu mandato, que não abrange anúncios de marketing de empresas que são feitos em seus próprios sites, ou seja, o órgão de controle não pode supervisioná-los.

Em 2008, a ASA foi confrontada com uma onda de denúncias com relação à violência na publicidade, principalmente devido ao conteúdo de anúncios que promoviam filmes e videogames, situação na qual o órgão de controle diz ter trabalhado com sucesso junto aos anunciantes para uma redução ao longo do ano passado.

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* Tendências religiosas na África Subsaariana.Cristianismo cresce.

sexta-feira, junho 4th, 2010
Pe. John Flynn, L. C.

A Fundação Pew Forum on Religion and Public Life publicou há pouco um relatório sobre a mudança drástica de afiliação religiosa na população da região subsaariana da África.

No começo do século XX, os muçulmanos e os cristãos eram só uma minoria pequena, que juntos somavam menos de 25% da população. A grande maioria praticava religiões tradicionais africanas.

Durante o século passado, os papéis mudaram e o número de muçulmanos multiplicou por 20, até cerca de 234 milhões no ano 2010. Os cristãos experimentaram uma transformação até mesmo maior, multiplicando-se por 70, passando de cerca de 7 milhões a 470 milhões.

O relatório especificava que é compensada a preponderância de cristãos na parte subsaariana de África pela parte norte do continente, onde a fé islâmica é predominante. Por conseguinte, o continente africano, num todo, tem o mesmo número de cristãos e muçulmanos, de 400 a 500 milhões de seguidores de cada religião.

Em geral, a África subsaariana conta com não menos que 21% de toda a população cristã mundial. Os muçulmanos têm 15% da sua população mundial nesta região.

As estatísticas do Pew Forum sobre o crescimento religioso na África recebiam um certo respaldo até há poucos dias, quando o Vaticano publicou um resumo de alguns dos dados recolhidos  na nova edição do Anuário Estatístico da Igreja. De acordo com uma nota do Vatican Information Service, de 27 de Abril, para o período 2000-2008 o número de católicos no mundo cresceu de 1.045 milhões no ano 2000 a 1.166 milhões em 2008, um aumento de 11,54%.

Analisados os dados mundiais, constatou-se uma enorme diversidade geográfica. Nos extremos estavam a África, com um crescimento de 33%, e a Europa, onde o aumento foi de 1,17%.

Limites

Não obstante, no relatório de Pew Forum também foi afirmado que o crescimento rápido do século passado pode não continuar nos próximos anos e, em seu lugar, qualquer aumento será limitado principalmente ao que acontece como resultado do crescimento demográfico natural.

Isto se deve ao fato de que a maioria das pessoas na região já está comprometida com o Cristianismo ou com o Islamismo, deixando poucas possibilidades de conversões. Na maioria dos países, 90% ou mais se consideram cristãos ou muçulmanos.

Além disso, há poucas evidências que demonstrem que na África subsaariana tanto Cristianismo como o Islamismo possam crescer à custa do outro. Com a exceção da Uganda, só uma pequena porcentagem de muçulmanos tornou-se cristã e uma porcentagem menor de cristãos converteu-se ao islã.

Além das estatísticas sobre convicções religiosas, uma grande parte do relatório do Pew Forum consistia em resultados de pesquisas recolhidas em mais de 25 mil entrevistas cara-a-cara em mais de 60 idiomas ou dialetos diferentes de 19 países. Foi levado a cabo para se determinar como veem as pessoas da África subsaariana o papel da religião nas suas sociedades.

A pesquisa revelou até que ponto a região é profundamente religiosa. Ela desejou saber quanto pessoas acham importante a religião nas suas vidas: muito importante, algo importante, não muito importante, de modo algum importante.

Os resultados para a África subsaariana revelaram que, em muitos países, não menos que 90% das pessoas disse que a religião é muito importante nas vidas delas.

O relatório comparou esta com outras pesquisas feitas em outros continentes nos últimos anos. Inclusive as nações menos religiosas do subsaara eram muito mais religiosas que os Estados Unidos, onde 57% declararam que a religião é muito importante para eles.

Outros países ocidentais têm porcentagens igualmente inferiores de pessoas que declararam que a religião é muito importante nas suas vidas: Polônia, 33%; Alemanha, 25%; Itália, 24%; Grã Bretanha, 19%.

Isto contrasta com a Ásia e Oriente Médio onde, como na África, alguns países alcançam números de 90% para esses que declaram que a religião é muito importante. Índia, Bangladesh, Indonésia e Kuwait estão entre eles.

Coexistência

Apesar do rápido crescimento do Cristianismo, como do Islamismo, as religiões africanas tradicionais continuam tendo grande força. Na realidade, elas normalmente coexistem com o Islamismo e o Cristianismo em um tipo de um sincretismo religioso. Sem importar as incoerências teológicas que isto gera, observou a pesquisa que esta mistura de crenças é uma realidade diária nas vidas das pessoas.

Muitos africanos continuam acreditando na feitiçaria, nos espíritos malignos, nos sacrifícios para os antepassados e nos curandeiros tradicionais religiosos. Por exemplo, em quatro países (Tanzânia, Mali, Senegal e África do Sul) mais da metade das pessoas entrevistadas acreditam que os sacrifícios para os antepassados ou espíritos podem lhes proteger de danos. E uma porcentagem significante de cristãos e muçulmanos – 25% ou mais em muitos países – dizem que acreditam no poder protetor dos encantamentos ou dos amuletos.

Além de mostrar um nível alto de fé no poder protetor das oferendas de sacrifícios e de objetos sagrados, mais que um de cada cinco, em todos os países, disseram acreditar em “olho gordo”, ou na qualidade de algumas pessoas lançarem maldições ou encantamentos malignos.

Segundo o relatório, não existe um padrão claro entre cristãos ou muçulmanos quanto ao grau de convicção nas religiões africanas tradicionais. Estas práticas tradicionais são comuns nos países de maioria muçulmana, em países com maior mistura de cristãos e muçulmanos, e nos países de maioria cristã.

Tolerância

Quando se trata de relações entre o Cristianismo e o Islamismo, a pesquisa atestou que para muitos cristãos e muçulmanos na África subsaariana não há problemas significativos e, em geral, há tolerância mútua. Na realidade, as pessoas, em geral, declaram que o desemprego, o crime e a corrupção são problemas maiores que o conflito religioso.

Os cristãos africanos têm mais dúvidas sobre o Islamismo, com 40% ou mais em uma dúzia de países que afirma considerar que os muçulmanos são violentos. É necessário notar que cerca de 6 de cada 10 nigerianos e ruandeses afirmaram que os conflitos religiosos são um problema muito grande em seu país.

Os muçulmanos tendiam a ser mais positivos nas declarações sobre os cristãos e muitos muçulmanos dizem que estão mais preocupados com o extremismo muçulmano que para o extremismo cristão.

Porém, com relação ao matrimônio, tanto entre muçulmanos como cristãos, muitos expressam intranqüilidade quanto aos matrimônios inter-religiosos. A metade ou mais dos cristãos de oito países e mais que metade dos muçulmanos de doze, afirmaram que não se sentiriam cômodos se um de seus filhos fosse se casar com alguém da outra fé.

Em geral, a grande maioria dos crentes disse que a violência contra os civis em defesa da própria religião raramente, ou nunca, tem justificativa. Não obstante, há uma minoria significativa – 20% ou mais – em muitos países disse que a violência contra os civis em defesa da própria religião às vezes, ou freqüentemente, é justificada.

E com relação à interação entre religião e sociedade, o relatório descobriu que em quase todos os países entrevistados, a grande maioria acredita que é necessário crer em Deus para ser ético e ter valores bons. Pelo menos três de cada quatro pessoas em quase todos os países acreditam que há padrões claros e absolutos de bem e de mal.

Assim mesmo, a grande maioria em quase todos os países também afirmou que a música, os filmes e as emissoras de TV ocidentais têm danificado seus valores morais.

Em tópicos como o aborto, a prostituição, o suicídio ou o comportamento homossexual, tanto cristãos como muçulmanos expressam uma posição muito forte, com 9 de cada 10 pessoas em muitos países que consideram estas práticas como moralmente ruins.

Um grande número de pessoas de toda esta área expressa um grande apoio para a democracia. Ao mesmo tempo há um apoio considerável entre os muçulmanos e cristãos em fundar os direitos civis com base na Bíblia ou na lei islâmica do shariah.

De acordo com o relatório do Pew Forum, em praticamente todos os países examinados, uma minoria significativa de cristãos está a favor de fazer da Bíblia a lei oficial do país. De igual forma, um grande número de muçulmanos diz que gostariam de impor o shariah.

Os resultados do relatório deixam claro que a África será um lugar para se observar com interesse nos próximos anos.


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* Você sabia? Os Moinhos de vento foram “batizados” pelo Cristianismo.

quarta-feira, junho 2nd, 2010

Por Antonio Borda

O lendário dos Moinhos de Vento em Castella ou na Holanda, não está precisamente em seu funcionamento eólico e sim na sua beleza modesta e simplicidade cordial que evocam trabalho humilde e duro, mas rentoso e próspero.

Cervantes os imortalizou nas aventuras de seu engenhoso Fidalgo e Alphonse Doudet nas becas “Lettres de mon Moulin” (Cartas do meu moinho). Não obstante, o lendário moinho de Mancha ou aquele que está situado nas margens de um canal da antiga Flandres espanhola e até mesmo o de Provença, que, todavia, cheira a lavanda, tem velhas história para contar, e uma delas é que sua origem e carta de legitimidade, ou melhor, sua certidão de batismo, repousa por aí em algum rincão da cristandade.

Moinho-céu-azul.jpg
Moinho de vento é um descobrimento universal que surgiu de pronto entre vários povos e culturas/ Foto: Slimmer Jimmer

Como muitos inventos que os “esclarecidos” do século XIX quiseram atribuir à razão, simplesmente porque melhoraram a sua rusticidade ou eficiência, o moinho de vento, propriamente dito, é um descobrimento universal que, repousando no subconsciente coletivo da humanidade, sobreveio de pronto quase simultaneamente entre vários povos e culturas, desde o Oriente Médio até o ocidente, por um misterioso fenômeno que, todavia, desconhecemos.

Ao certo, sabe-se que da Índia até a China a ideia dos moinhos não prosperou e, na Pérsia, foram encontrados rastros que podiam fazer suspeitar de sua existência sete séculos antes de Cristo.

O que está provado é que os primeiros participantes das Cruzadas encontraram algo muito parecido na Síria, ainda que de um assombroso primitivismo. Como nem os romanos, nem muito menos os bárbaros haviam desenvolvido técnica parecida, rapidamente a levaram à Europa, onde adquiriu direitos de cidadania, legitimidade e o que é mais importante, tornou-se mais funcional, bonita e lendária, com sua torre e suas pás largas como asas agarrando o vento.

Moinho-crepúsculo-laranja.jpg
Quem não suspira vendo ao longe um moinho debruçado sobre os canais da Holanda?/ Foto: Daveness 98

Quem não suspira vendo ao longe um moinho pelo planalto Castellano, pelos campos floridos de Provença ou junto aos canais da sombria Holanda? Bastou que alguns cavaleiros das Cruzadas, imbuídos na recuperação dos direitos cristãos da terra santa, – arbitrariamente atropelados pelos muçulmanos – carregassem a ideia para Europa e a aperfeiçoassem até fazer dela literatura, música e pintura praticamente imortais, que tem superado séculos de guerras e revoluções, para que algo muito importante surgisse como as suaves farinhas de trigos finamente moídos, que deram a imensa variedade de pães oferecidos apenas pela Europa, os finos azeites de oliva e um e outro vinho de uva macerada em um lagar coberto pela pedra avermelhada.

Se os moinhos não foram inventados na Europa, fizeram-se belos, mais práticos e até metafísicos, quando a cristandade os trouxe para sua horta, buscando Deus no trabalho do vento.


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