Posts Tagged ‘Cristianismo’

* Após cristãos e muçulmanos, “sem religião” já são 3º maior grupo no mundo.

terça-feira, dezembro 18th, 2012

BBC Brasil

O grupo dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião em todo o mundo só fica atrás daqueles que se dizem cristãos e muçulmanos. Na média, 8 em cada 10 habitantes do planeta se declaram religiosos. Os dados são do primeiro relatório Global Religious Landcaspe (Panorama Global da Religião), feito com dados de quase todo o planeta e organizado pelo Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, parte da organização independente Centro de Pesquisas Pew, em Washington.

No total, 31,5% da população mundial se considera cristã (incluindo católicos romanos, ortodoxos e protestantes). Em seguida vêm os muçulmanos (sunitas e xiitas), com 23,2% do total. Os que se declaram ateus, agnósticos ou não-filiados a alguma religião formam 16,3% da população mundial, percentual superior ao de hindus, 15%, budistas (7,1%), seguidores de religiões étnicas ou folclóricas (5,9%) e judeus (0,2%).

No Brasil, 7,9% dizem não ter religião ou não acreditar em divindade, sendo que 88,9% se declaram cristãos. As conclusões do estudo não diferenciam as diversas divisões dentro de cada grupo – católicos e protestantes, por exemplo, estão agrupados como cristãos. Cerca de 2,8% dos brasileiros dizem pertencer a religiões étnicas, como o candomblé. Outros grupos, como judeus e muçulmanos, são menos de 1%.

Por se tratar da primeira base de dados do gênero, não é possível, ainda, traçar tendências de crescimento ou declínio.

Distribuição

A maior parte dos que se declaram ateus, agnósticos ou sem religião estão em países comunistas ou ex-comunistas, onde tradicionalmente a religião não foi vista com bons olhos. Na China, 52,2% estão nesse grupo. Em Cuba, 23%. Na América Latina, o país menos religioso é o Uruguai, com 40,7% da população dizendo não pertencer a nenhuma denominação – entre elas está o presidente do país, José Mujica, que se diz agnóstico.

As Américas, assim como a Europa e a África subsaariana, são o lar da maioria dos cristãos do planeta. O cristianismo também é a religião com maior capilaridade no mundo, segundo o estudo.

Os muçulmanos estão em sua maioria concentrados na Ásia, no Oriente Médio e na África. Chama a atenção, no entanto, o grande percentual de muçulmanos na Europa. Os seguidores do Islã já são 43,5 milhões, equivalente quase à população da Espanha (de 47 milhões). No Brasil são 40 mil.

Os hindus estão quase todos concentrados na Índia.

Já os judeus são majoritários apenas em Israel, onde formam 75,6% da população e somam 5.610 milhões de pessoas. O número é menor que o da população judaica americana, de 5,690 milhões. No Brasil são 110 mil judeus.

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* Na Inglaterra e País de Gales pesquisas revelam queda no número de cristãos. Bispos comentam.

quinta-feira, dezembro 13th, 2012

Rádio Vaticano

Entre 2001 e 2011, o número de pessoas que se definem como cristãs na Inglaterra e País de Gales caiu de 71,7% para 59,3%. É o que revela uma pesquisa do Escritório Nacional de Estatística.

A Conferência Episcopal Católica da Inglaterra e País de Gales comentou os dados indicando que “uma diminuição no número daqueles que se definem como cristãos apenas reflete os valores sociais atuais”. Os bispos também enfatizaram que o aumento de pessoas que se definem como “sem qualquer fé” no Deus da Bíblia (eram 14,1 milhões em 2011) é um dado “não desencorajador”, pois demonstra que “o cristianismo não é mais religião de cultura, mas de escolha e de compromisso”, e enfatizam que “as pessoas fazem uma escolha positiva ao definir-se pelo cristianismo”.

As estatísticas também revelaram que um quarto da população declara não ter religião alguma (em 2011 eram 15%) e que o cristianismo ainda é a religião mais importante com 33,2 milhões de adeptos (59,9% da população), seguida pelo islamismo (2,7 milhões de pessoas ou 4,8% do total).

Não obstante a situação levantada pela pesquisa, os prelados sustentam que a população católica permanece constante e representa 9% dos cidadãos, um quinto dos quais frequenta a missa semanalmente. (JE)

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* Uzbequistão, país muçulmano, restringe a divulgação de feriados cristãos como Natal e Ano Novo.

quinta-feira, dezembro 13th, 2012

O Uzbequistão é ex-república soviética, localizada na Ásia Central, e de maioria muçulmana. É liderado desde 1990 pelo presidente Islom Karimov e seu governo já adota, há alguns anos, uma “política de restrição às influências estrangeiras”.

Os principais alvos dessas políticas são o Natal e o Ano Novo, bem como a figura do Papai Noel, considerados “ideias cristãs”.

Desde 2005 existe uma proibição do governo de celebração do Natal e do Ano Novo nas escolas do país. Neste ano também foi proibida a comemoração do “Dia dos Namorados”.

A ideia do governo é “conter a propagação da cultura de massas”. A imagem do Papai Noel, por exemplo, é considerada uma influência negativa para as crianças uzbeques.

As emissoras de TV do país não poderão exibir nenhuma menção às festas de fim de ano características do Ocidente, mas é permitido comprar árvores de Natal para festas privadas.

O Uzbequistão tradicionalmente não comemora o final de ano em 31 de dezembro. A data mais marcante é o Noruz, festa de novo ano do calendário persa, celebrada em 21 de março. Essa celebração é característica do Irã e das ex-repúblicas soviéticas, como o Tadjiquistão, Cazaquistão, Azerbaidjão e Quirguistão, além de comunidades curdas.

Opera Mundi.

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* Pastor denuncia suposta perseguição do PT. Denuncia é grave.

segunda-feira, dezembro 3rd, 2012

Após anunciar que faria denúncias no seu programa Vitória em Cristo, o pastor Silas Malafaia usou parte do espaço da transmissão do dia 01/12 para falar do que classifica como “denúncia grave, gravíssima”. Embora não tenha dado nomes, deixou implícito que existe uma tentativa do PT em tentar desmoralizá-lo perante os evangélicos.

Desde o dia 25 de outubro, ele explicou no seu site Verdade Gospel, que dirigentes do Partido dos Trabalhadores estariam planejando prejudicar sua imagem. Malafaia afirmou que espera para breve ver factoides (notícias falsas) sobre ele e sua conduta serem noticiadas pela mídia.

Afirmou ainda que “tem muito interesse em calar a minha voz” e pediu às pessoas que o acompanham durante anos: “não se assustem se uma cambada de imbecis plantarem notícias para me denegrir, é para tentar tirar a minha influência, porque eles estão com medo da influência dos evangélicos na sociedade.”

Esse “esquema articulado” teria como objetivo enfraquecer sua influência na formação da opinião. O pastor disse que amigos seus, que trabalham em “órgãos de informação, imprensa e política partidária”, que poderia ser vítima de boatos e acusações. Mas afirmou não ter medo de devassa fiscal, quebra de sigilo bancário nem pessoal nem de suas empresas.

Contou que recebeu em seu escritório um pedido de informações detalhadas para um órgão federal. Dizendo saber “qual é o jogo”, esclareceu que se trata de uma questão política, pois ele participou da campanha de muitas pessoas este ano. Frases fora de contexto seriam reunidas para vídeos colocados no Youtube, por exemplo.

Silas Malafaia já procurou conhecidos seus que são políticos do PT, além de vários jornalistas, alertando-os para essa campanha orquestrada contra ele. Malafaia disse ser apenas um entre os 20 líderes mais influentes do país. Politicamente, “marcou posição” e com isso irritou “muita gente”. Pediu aos evangélicos que analisem tudo o que for publicado contra ele antes de acreditar. A motivação seria o medo da influencia dos evangélicos na sociedade atual.

No Verdade Gospel, ele questionou “Como alguns membros do PT podem ser tão medíocres uma vez que eu mesmo já votei no Lula, em 2002, no 2º turno? Em seu programa eleitoral dei depoimento a favor dele. Fui até membro do Conselho de Desenvolvimento da Presidência da República. Agora, por minhas posições firmes contra Haddad, querem me retaliar. Se o PT resolver escolher esse caminho, acredito que ele terá a repulsa dos evangélicos e das pessoas de bem em geral neste país, pois não vamos ficar calados. O que acabo de declarar aqui no Verdade Gospel será enviado para lideranças do PT, Secretaria Geral da Presidência da República, Ministro da Justiça, membros da mais alta corte do país (STF), e jornalistas, porque eu não vou deixar que ninguém jogue a minha reputação na lama por interesses escusos e medíocres na tentativa de calar a minha opinião”.

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* O Brasil da fé, da devastação cultural e do EU VAZIO.

domingo, julho 15th, 2012

EDSON CAMARGO

O cristianismo que se torna relevante culturalmente é aquele que é vivido de fato. Na vida individual dos milhões de cristãos de um país, na vida das famílias cristãs, nas comunidades, nas igrejas, até chegar ao grande debate político e cultural, à Academia, até, por fim, tornar-se uma força transformadora onde os rumos de uma nação são decididos.

Assim surgiu o mundo ocidental, ainda que com seus muitos conflitos e problemas, e assim surgiu e velha e gloriosa Europa cristã, onde as artes, a música, a grande literatura, e a ciência moderna floresceram. A Europa de Shakespeare e Bach, Dante e Dührer, Leibniz e Kepler. O segredo: a profunda influência da cosmovisão cristã na cultura.

E por que falar disso? Ora, estamos no Brasil, e acabou de sair o Censo 2010 do IBGE, com informações sobre o segundo maior país cristão do mundo. Sim, e um dos mais violentos, constando no ‘Top 20’. O pior nos exames internacionais de educação. Um país alinhado em sua política externa com o Eixo do Mal: Irã, Venezuela, Cuba, etc. Um país com péssima colocação em liberdade econômica, em qualidade de modelo institucional, e despontando nos índices de corrupção.

Com um mínimo de vergonha na cara, cabe aos cristãos brasileiros perguntarem a si mesmos: que cristianismo de araque é esse o nosso?

Penso que vale um autoexame com algumas questões.

Qual é o real conteúdo da nossa fé?

Qual a real força dessa fé?

E, por último, mas não menos importante: quão central é na vida dos brasileiros que se dizem cristãos esta fé?

A centralidade desta fé diz respeito ao quanto as convicções a ela ligadas são decisivas para dar suporte a outras e para modelar a cosmovisão pessoal, sobretudo nas grandes questões existenciais: a natureza da verdade, o caráter de Deus, a estrutura da realidade imanente e transcendente, o reconhecimento de aspectos fundamentais da condição humana, e então, daí, para os grandes temais sociais e contemporâneos. Com isso em mente, podemos perguntar: “sou cristão, mas até que ponto?”

Perguntar a si mesmo sobre o conteúdo real de sua fé pode levar a pessoa a perceber que, ainda que siga uma denominação cristã, ainda que se sinta alinhado com certas correntes teológicas e filosóficas, no fundo, crê de forma meramente parecida e ainda viva de forma totalmente dissonante com o que profere publicamente.

Realmente creio como os grandes sábios, mártires, teólogos e heróis da fé criam? Até que ponto vivo conforme creio? Ou apenas creio conforme vivo? Crer conforme vive talvez seja a descrição mais perfeita do idiota, do filisteu, do homem-massa, do novo bárbaro, e dos portadores do “eu vazio” (ver a obra de Phillip Cushman), essa epidemia dos nossos tempos e, infelizmente, de nossas igrejas.

A força da fé não é menos importante, e parece que é o principal alvo de ataque dos secularistas, sejam eles defensores das modernas ideologias de massa, sejam os pseudo-cristãos adeptos do liberalismo teológico em suas mais diversas vertentes.

Até que ponto você crê que milagres são possíveis?

O quão à vontade e convicto você se sente para declarar publicamente que você acredita que Jesus,nasceu de uma virgem e que, de fato, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus?

Como bem observa J. P. Moreland, de quem faço uso da obra O Triângulo do Reino para tratar destes três aspectos da fé: “Quanto mais você está certo de uma crença, mais ela passa a ser parte de sua alma, e mais você conta com ela como base para sua ação”. Daí se vê também a importância do trabalho e da instrução apologética, que tem sido negligenciado nas igrejas (e daí o imenso número de jovens cristãos que largam a fé assim que adentram as Universidades) e corrompido na internet.

A verdade é que é altamente problemático tratar dessas questões num país que vive uma derrocada cultural sem precedentes, pois este caos adentrou as igrejas, muitas vezes adornado de bela roupagem pseudoteológica, ou mesmo travestido de piedade, devoção e consagração. O fato é que não temos mais a antiga visão cristã do que é o conhecimento. Ou, se a temos, não a ensinamos, nem a vivemos. É preciso recuperá-la para logo compreender que o crescimento espiritual e o crescimento intelectual andam juntos, um fortalecendo o outro. Avivando, e gerando talentos. Trazendo renovo para a cultura e restauração às almas.

Sem esse crescimento integral, o segundo maior país cristão do mundo continuará sendo uma vergonha para o cristianismo a cada índice internacional que for divulgado.

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* As civilizações antigas e, em particular a Greco-romana, estavam extenuadas…Então surgiu o cristianismo e Agostinho.

quinta-feira, maio 31st, 2012

Sossio Giametta - Corriere della Sera

Todo o cristianismo pode considerar-se uma interiorização do homem. Mas, se torna tal de modo específico somente com santo Agostinho.

Na vida nós experimentamos a essência (felicidade, beleza, iluminação, potência) e as condições da existência (dor, frustração, angústia, morte). Mas, os seres vivem para o exterior e nenhuma destas duas experiências jamais pode faltar-lhes: nem a cidade terrestre, nem a cidade celeste têm a exclusividade.

Ao tempo de Jesus as civilizações antigas e, em particular a Greco-romana haviam dado o que tinham a dar e estavam extenuadas. Serpenteava a exigência de uma integração, de uma renovação. Adensavam-se as nuvens. Com Jesus as nuvens se dissiparam e um relâmpago iluminou o mundo. Foi proclamada a religião da caridade, ou seja, da maximização da humanidade. O amor universal é, de fato, a alma do homem em seu máximo, como a harmonia da estátua de Fídias é o corpo humano em seu máximo.

Chegando, pois, em contraste dialético com a civilização Greco-romana, o cristianismo inverteu os valores. Aquela era a reta dos valores aristocráticos, isto é, dos poucos: a coragem, o orgulho, o valor, a astúcia, o primado, a aventura, a luta, a vingança, o páreo, a guerra, a conquista, a hierarquia, a pátria, a estirpe e a raça.

O cristianismo instaurou valores democráticos: o culto da alma, a igualdade e a dignidade de todos, a bondade, a humildade, o amor, o perdão, o amor da paz, a caridade também com os inimigos, o abraço dos últimos, a superação das barreiras nacionais, de sexo, raça, status social. Estes ainda são os nossos valores, que também se tornaram ideais políticos. Em sua absolutez a religião de Cristo superou tacitamente a civilização pagã com a simples afirmação dos novos valores. Mas, a velha civilização resistia, principalmente nas almas. O contraste das duas culturas e almas só atingiu a maturação com Agostinho.

Nascido na África (Tagaste, 354) e nutrido da melhor cultura pagã, com a problemática e as inquietudes que já a caracterizavam, ele foi a Milão e depois a Roma. Aqui, predisposto pela leitura dos neoplatônicos, principalmente de Plotino, foi convertido ao cristianismo e batizado pelo bispo Ambrósio (387).

Foi depois ordenado padre (391) e mais tarde tornou-se bispo de Hipona (395). A partir de então, sua vida é toda uma guerra para afirmar, contra a dispersão mundana e a carnalidade do paganismo e contra as heresias de seu tempo (maniqueísmo, donatismo, pelagianismo), a interioridade do homem e o magistério da Igreja católica.

Para ele esta interioridade se chamava alma e Deus, e somente a alma e Deus ele, de resto, havia procurado desde o início. Foi, então, um centauro, com um corpo meio pagão e meio cristão, e como tal o traçador da antiga civilização na nova. Das muitíssimas obras suas, as principais são consideradas as ConfissõesA cidade de Deus. Na primeira se acentua sua conduta de base, a busca da verdade como confissão das vicissitudes pessoais que são, no entanto, desenvolvimentos de contrastes super-pessoais e descobertas dos tesouros de verdade, força, liberdade que só se encontram na interioridade e coincidem com Deus.

A segunda, escrita sobretudo contra a acusação dos pagãos que o cristianismo havia enfraquecido o império romano (em 410 houve o saque de Roma pelos godos deAlarico), é uma apaixonada defesa dos princípios do cristianismo.

Antes de Agostinho os principais conceitos teológicos já tinham sido adquiridos pela Igreja e ele não os modificou; mas, com ele de objetivos se tornaram subjetivos, isto é, se tornaram o problema personalíssimo e imprescindível do homem Agostinho.

Mas, somente o que se faz por si tem importância para os outros, e não o que se faz diretamente para os outros, diz Schopenhauer. Para o ardor e a profundidade de sua pesquisa, Agostinho, assim como permanece sendo um pilar da Igreja católica, é um filósofo cuja força e sugestão ainda perduram, porque é a grandeza dos problemas enfrentados e não a solução que lhes foi dada que perfaz o grande filósofo.

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* O Cristianismo é a religião majoritária em 158 países do mundo!

sexta-feira, dezembro 23rd, 2011

Em números absolutos, segundo pesquisa, os seguidores do cristianismo quase triplicaram de 600 milhões para mais de 2 bilhões de 1910 até o ano passado. Entretanto, esse crescimento segue a o crescimento da população mundial, de 1,8 bilhões para 6,9 bilhões no mesmo período. Como resultado, o percentual de cristãos no mundo caiu de 35% para 32%.

Leia a íntegra do estudo de 310 páginas nesse link.

Outro dado relevante do estudo “Cristianismo Global: informe sobre o tamanho e distribuição da população cristã no mundo” é a diminuição da influência da religião nos dois continentes onde ela possui tradicionalmente sua maior base de seguidores. Na Europa a proporção caiu em 19 pontos percentuais, de 95% para 76%. Entre os europeus, a fé cristã responde a 76% (contra 95% no passado), contra 86% dos americanos (que eram representados por 96% em 2010). Juntos, os dois continentes representam 63% da população cristã no mundo, contra 93%em 2010.

O estudo não comparou o cristianismo com outras religiões. Entretanto, comparado com estudos anteriores do próprio instituto Pew, os muçulmanos representam 1,6 bilhões de pessoas (ou 23,4% d população mundial).

Por outro lado, a religião apresentou um crescimento altamente significativo na África sub-saariana, área relativamente pouco habitada por cristãos no início do século XX. Nessa porção do continente africano, que não corresponde aos países locais de origem árabe e sob forte influência do islã, a proporção cresceu de 9% em 1910 para 63% em 2010. Houve também registro significativo de crescimento na da Ásia e do Oceano Pacífico (sem contar o Oriente Médio). Lá, os cristãos subiram de 3% para 7%.

Wikimedia Commons

A praça São Pedro, na Cidade do Vaticano, é a sede da Igreja Católica. Atualmente, Brasil abriga o dobro de católicos em relação à Itália

Segundo o Pew Research Center, conclui-se que o cristianismo está mais espalhado pelo mundo, tornado-se uma religião “mais global“ e menos concentrada no Ocidente.

O estudo é baseado em dados oficiais de  todos os países, utilizando-se de mais de 2.400 fontes, incluindo censos e pesquises de abrangência nacional representativas. Em alguns países como a China, por exemplo, o Pew levou em conta estatísticas de grupos relacionados a igrejas.

Segundo o Pew, o catolicismo também permanece como a corrente majoritária, com 1,1 bilhão de seguidores. O Brasil é o país com mais católicos: 133,660 milhões, ou 68,6% de sua população. Esse número equivale a 12% dos católicos no mundo. É seguido em números absolutos pelo México (96 milhões), Filipinas (75 milhões), Estados Unidos (74 milhões) e Itália (50 milhões).

Os protestantes chegam a 801 milhões de fiéis. Apesar de suas origens europeias, eles estão mais representados em outros continentes. Os Estados Unidos são o país onde estão mais representados, com 159 milhões de seguidores (51% de sua população e 20% do total no mundo). São seguidos pela Nigéria (59 milhões), China (58 milhões, embora estes representem somente 4,3% de sua população), Brasil (40 milhões, ou 20,8% de sua população, equivalente a 5,1% no mundo) e África do Sul (36 milhões). Só depois aparece um país europeu: o Reino Unido, berço da Igreja Anglicana, com 33 milhões de pessoas.

Os ortodoxos somam 60 milhões e estão majoritariamente na Rússia (39%) e em outros países do leste europeu e da África. Correspondem a 12% da população cristã.  Outras correntes não chegam a 1% da representatividade cristã, incluindo mórmons e Testemunhas de Jeová.No total, somam 28 milhões de pessoas ao redor do mundo.

No total de cristãos, os EUA são o país com maior população (246 milhões, ou 79,5%), com o Brasil em segundo lugar (175 milhões, com 90%).

Outros dados

Os cristãos são a religião majoritária em 158 países. Já a região com menor concentração de cristãos é Oriente Médio, com 4% – região predominantemente muçulmana. Já na Indonésia, país com a maior população muçulmana do mundo, abriga mais cristãos do que vinte países africanos de maioria cristã combinados. Cerca de 90% dos cristãos, ainda segundo o Pew, moram em países onde representam a religião majoritária.

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* Igreja é instituição mais confiável na América Latina, afirma pesquisa.

segunda-feira, novembro 21st, 2011

Embora em queda, a igreja é a instituição na qual os latino-americanos mais confiam, mostra pesquisa do Latinobarômetro de 2011. Em 1996, ano da primeira medição, 76% dos latinos confiavam na igreja, índice que este ano ficou em 64%.

A informação é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC).

Os chilenos são os mais desconfiados em relação à igreja e é no Chile onde esse índice apresenta a maior queda percentual. Em 1995, 80% dos chilenos apontaram a igreja como a instituição mais confiável. Em 2009, esse percentual caiu 13% e em 2011 apenas 38% ainda têm a igreja como digna de confiança.

Esse queda abrupta, analisa o Latinobarômetro, está relacionada com escândalos envolvendo sacerdotes em denúncias relacionadas à sexualidade. Paraguaios, com 78%, brasileiros, com 76%, bolivianos, com 74%, são os povos que mais confiam na igreja, bem acima da média regional, que é de 64%.

De modo geral, o Latinobarômetro constata uma queda generalizada da confiança de latinos em relação às instituições. A exceção são os governos, que experimentaram crescimento, de 1995 a 2011 vinculado aos processos de democratização. Em 1998, esse índice era de 28%. Em 2011, subiu para 40%.

O Latinobarômetro ouviu 20,2 mil latino-americanos, em 18 países, de 15 de julho a 16 de agosto, com mostras que podem ter uma margem de erro de 3% por país. O estudo é realizado pela Corporação Latinobarômetro, uma ONG sem fins lucrativos, com sede em Santiago do Chile.

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* Homem ou coelho? Pode-se ter uma “boa vida” sem a fé Cristã?

quinta-feira, setembro 29th, 2011

Homem ou coelho?
C.S. Lewis

Pode-se ter uma boa vida sem se acreditar no cristianismo? Esta é a questão sobre a qual me pediram para escrever e, imediatamente antes de tentar respondê-la, tenho um comentário a fazer. A questão parece ter sido formulada por uma pessoa que diz a si própria, Não me importo se o cristianismo é ou não verdadeiro. Não estou interessado em descobrir se o universo real é mais parecido com o dos cristãos ou com o dos materialistas. Tudo em que estou interessado é em ter uma vida boa. Vou escolher minhas crenças não porque as penso verdadeiras mas porque as considero úteis.”

Francamente, acho difícil alguém simpatizar com esse estado mental. Uma das coisas que distingue o homem de outros animais é que ele quer conhecer as coisas, quer descobrir o que é a realidade, simplesmente por conhecer.[1] Quando esse desejo é, em alguém, completamente sufocado, penso que esse alguém tenha se tornado algo menos que um homem. De fato, não acredito que nenhum de vocês tenha perdido esse desejo.

Muito provavelmente, pregadores tolos, ao sempre dizerem o quanto o cristianismo ajudará a vocês e o quanto ele é bom para a sociedade, tenham levado vocês a esquecerem que o cristianismo não é um comprimido que se toma para algum mal. O cristianismo alega ter uma explicação para fatos – alega poder dizê-los o que é o universo real. Sua explicação sobre o universo pode ser verdadeira, ou pode não ser, e uma vez que a questão está à sua frente, então sua natural curiosidade deve fazê-los querer conhecer a resposta. Se o cristianismo não é verdadeiro, então nenhum homem honesto desejará nele acreditar, não importa o quão útil ele seja: se ele é verdadeiro, cada homem honesto desejará nele acreditar, mesmo se isso não o ajudar de forma alguma.

Tão logo percebemos isso, percebemos algo mais. Se o cristianismo for verdadeiro, então é muitíssimo improvável que aqueles que nele acreditam e aqueles que nele não acreditam estejam igualmente equipados para ter uma boa vida. O conhecimento dos fatos deve fazer diferença para as ações realizadas.

Suponha que você encontre um homem a ponto de morrer de fome e queira fazer algo de bom para ele. Se você não tivesse nenhum conhecimento da ciência médica, você iria, provavelmente, dar a ele uma grande quantidade de comida sólida; e, como resultado, seu homem morreria. Isso é o que significa agir no escuro. Da mesma forma, um cristão e um não-cristão devem, ambos, desejar fazer o bem a outros homens. Um deles acredita que os homens são eternos, que eles foram criados por Deus e, de tal forma, que eles só podem encontrar sua verdadeira e permanente felicidade na união com Deus, que eles se perderam terrivelmente no caminho, e que a fé obediente em Cristo é o único caminho de volta. O outro acredita que os homens são um resultado acidental do trabalho cego da matéria, que eles começaram como meros animais e, mais ou menos, evoluíram permanentemente, que eles irão viver por volta de setenta anos, que sua felicidade é totalmente atingida por meio de bons serviços sociais e por organizações políticas, e que tudo o mais (p. ex., vivisseção, controle de natalidade, o sistema judicial, educação) deve ser avaliado como “bom” ou “mau” simplesmente na medida em que ajuda ou atrapalha aquele tipo de “felicidade”.

Ora, há muitas coisas que esses dois homens concordam em fazer para seus semelhantes. Ambos aprovariam sistemas de esgoto e hospitais eficientes e uma dieta saudável. Mas, cedo ou tarde, a diferença de suas crenças produziria diferenças em seus propósitos práticos. Ambos, por exemplo, poderiam ser muito preocupados com a educação: mas os tipos de educação que eles desejariam para o povo seria obviamente muito diferentes. Onde o materialista perguntaria, a respeito de uma proposta de ação, apenas se “Ela aumentaria a felicidade da maioria?”, o cristão teria a dizer, “Mesmo que ela aumente a felicidade da maioria, não podemos realizá-la. Ela é injusta.” E todo o tempo, uma grande diferença atravessaria todas as suas políticas. Para o materialista, as coisas como nações, classes, civilizações devem ser mais importantes que os indivíduos, porque os indivíduos vivem, cada um, míseros setenta anos e o grupo pode durar séculos. Mas para o cristão, indivíduos são mais importantes, pois eles vivem eternamente; e raças, civilizações etc. são, em comparação, criaturas de um dia.

O cristão e o materialista têm crenças diferentes sobre o universo. Eles não podem estar ambos certos. Quem estiver errado agirá de uma forma que não se adequa ao universo real. Conseqüentemente, com a melhor das boas intenções do mundo, ele estará ajudando seus semelhantes a se destruírem.

Com a melhor das boas intenções do mundo … então não será culpa sua. Certamente Deus (se houver um Deus) não punirá um homem pelos seus erros “honestos”? [2] Mas isso era tudo o que você pensava? Você está preparado para correr o risco de trabalhar no escuro em toda a sua vida e fazer um infinito mal, desde que alguém nos assegure que nossa própria pele estará a salvo, que ninguém nos punirá ou nos culpará? Não acreditarei que o leitor está neste nível. Mas mesmo se estiver, há algo a ser dito.

A questão diante de nós não é “Alguém pode ter uma boa vida sem o cristianismo?”. A questão é, “Você pode?” Todos sabemos que tem havido bons homens que não foram cristãos; homens como Sócrates e Confúcio que nunca ouviram falar de cristianismo, ou homens como J.S. Mill que muito honestamente não poderia nele acreditar. Suponha que o cristianismo seja verdadeiro. Esses homens estavam numa ignorância ou erro honesto. Se suas intenções fossem tão boas quanto suponho (pois, claro, não posso ler os segredos de seus corações) espero e acredito que a misericórdia de Deus remediará os males que suas ignorâncias, deixadas a si mesmo, naturalmente produziriam em si próprios e naqueles que eles influenciaram. Mas o homem que me pergunta, “Não posso viver uma boa vida sem acreditar no cristianismo?” não está na mesma posição. Se ele não tivesse tido notícia do cristianismo ele não estaria formulando essa questão. Se, tendo tido dele notícia, e o tendo considerado seriamente, ele tivesse decidido que ele não era verdadeiro, então, novamente, ele não estaria formulando a questão. O homem que formula a questão ouviu falar do cristianismo e não está certo, de forma alguma, de que ele não seja verdadeiro. Ele está realmente perguntando, “Será que eu preciso me preocupar com ele? Será que eu não posso apenas esquecer a coisa, sem cutucar a onça com a vara curta, e simplesmente me preocupar com a parte ‘boa’? Não são as boas intenções suficientes para me manter seguro e sem culpa, sem a necessidade de bater naquela temerária porta e ter de verificar quem estará, ou não, lá dentro?”

Para tal homem, pode ser suficiente responder que ele está realmente pedindo para ficar com a parte ‘boa’ antes de ele ter feito o melhor de si para descobrir o que ‘boa’ significa. Mas essa não é toda a estória. Não precisamos perguntar se Deus o punirá por covardia ou preguiça; ele próprio se punirá. O homem está se esquivando. Ele está tentando deliberadamente não saber se o cristianismo é verdadeiro ou falso, porque ele prevê problemas sem fim se ele se provar verdadeiro. Ele se parece com o homem que deliberadamente se ‘esquece’ de consultar a lista de tarefas do dia porque, se o fizesse, poderia encontrar seu nome relacionado a alguma tarefa desagradável. Ele se parece com o homem que não verifica sua conta bancária porque teme o que possa descobrir lá. Ele se parece com o homem que não vai ao médico quando uma misteriosa dor aparece, porque teme o que o doutor pode lhe contar.

O homem que permanece um incréu por tais razões não está na situação de um erro honesto. Ele está numa situação de erro desonesto, e essa desonestidade se difundirá por todos os seus pensamentos e ações: uma certa volubilidade, uma vaga preocupação no fundo de sua mente, um embotamento de toda a sua sutileza mental, resultará. Ele terá perdido sua virgindade intelectual. Rejeição honesta de Cristo, embora seja um erro, será perdoado ou curado – “Todo aquele que falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á dado perdão.” [3] Mas evitar o Filho do Homem, olhar para o outro lado, fazer de conta que você não O notou, ficar repentinamente absorvido com algo do outro lado da rua, deixar o telefone fora do gancho porque pode ser Ele do outro lado da linha – isso é uma coisa muito diferente. Você pode não estar certo ainda se deve ser um cristão; mas você sabe muito bem que deve ser um Homem, não uma avestruz, escondendo sua cabeça na areia.

Mas mesmo assim – pois a honra intelectual desceu a um nível muito baixo em nossos dias – escuto alguém lamuriando com a questão, “Ele me ajudará? Ele me fará feliz? Você pensa mesmo que minha situação melhorará se me tornar cristão?” Bem, se você precisa mesmo de minha resposta, ela é “Sim.” Mas eu não gostaria de dar uma resposta neste ponto. Eis aqui a porta atrás da qual, segundo alguns, o segredo do universo está esperando por você. Ou isso é verdade ou não é. E se não for, então o que a porta realmente esconde é simplesmente a maior fraude, a maior empulhação jamais registrada. Não é, obviamente, tarefa de todo homem (um homem, não um coelho) tentar descobrir o que está atrás da porta e, então, se devotar com todas as suas energias a obedecer e honrar esse tremendo segredo ou a expor e destruir essa gigantesca impostura? Desafiado por tal situação, poderá você permanecer totalmente absorvido com seu próprio abençoado ‘desenvolvimento moral’?

Certo, o cristianismo lhe fará bem – muito mais do que você alguma vez desejou ou esperou. E o primeiro pedacinho de bem que ele lhe fará é martelar em sua cabeça (e você não gostará disso!) o fato de que o que você até agora chamou de “bom” – tudo aquilo sobre “ter uma vida decente” e “ser bom” – não é bem o acontecimento magnificente e da maior importância que você supunha. Ele lhe ensinará que, de fato, você não poderá ser ‘bom’ (não por vinte e quatro horas) contando apenas com seus próprios esforços morais. E então ele lhe ensinará que mesmo que você pudesse, você ainda não teria atingido o propósito pelo qual foi criado. A mera moralidade não é o fim da vida. Você foi feito para algo muito diferente. J.S. Mill e Confúcio (Sócrates estava muito mais próximo da realidade) simplesmente não sabiam o que significa a vida. As pessoas que continuam a perguntar se não se pode ter uma vida decente sem Cristo, não sabe o que é a vida; se eles soubessem, eles saberiam que ‘uma vida decente’ é um mero mecanismo comparado com a coisa de que nós homens somos feitos. A moralidade é indispensável: mas a Vida Divina, que se dá a nós e que nos convida a ser deuses, planeja algo para nós em que a moralidade será nele absorvida. Temos de ser re-feitos. Todo o coelho que existe em nós desaparecerá – o coelho preocupado, escrupuloso e ético e também o covarde e sensual. Sangraremos e guincharemos na medida que punhados de pêlos forem arrancados; e então, surpreendentemente, descobriremos por sob o pêlo uma coisa que nunca antes imaginamos: um Homem real, um deus imemorial, um filho de Deus, forte, radiante, sábio, bonito e imerso em alegria.

“Mas quando vier o que é perfeito, será abolido o que é imperfeito” [4] A idéia de atingir ‘uma vida boa’ sem Cristo é baseada num duplo erro. Primeiramente, não podemos tê-la; e em segundo lugar, ao estabelecer ‘uma vida boa’ como nosso objetivo, perdemos a verdadeira razão de nossa existência. A moralidade é uma montanha que não podemos subir por nossos próprios esforços; e se pudéssemos, apenas pereceríamos no gelo e no ar irrespirável do cume, na falta daquelas asas com as quais o resto da jornada terá de ser empreendida. Pois é de lá que a ascensão real começa. As cordas e os machados ‘já eram’ e o resto é uma questão de voar.

Extraído do livro God in the dock [Deus no banco dos réus.]

[1] A primeira frase da Metafísica de Aristóteles é “Πάντες ἄνθρωποι τοῦ εἰδέναι ὀρέγονται φύσει.” [Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer.] (N. do T.)

[2] A expressão aqui é ‘honest error’ que tem a acepção de erro involuntário, mas também do produto de um esforço honesto de entendimento que, no entanto, está marcado pelo erro. (N. do T.)

[3] Lucas, XII, 10.

[4] I Cor. XIII, 10.

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* Agenda Européia, após protestos, incluirá datas cristãs.

terça-feira, janeiro 25th, 2011

A agenda da Europa, publicada pela Comissão Europeia para ser distribuída nas escolas, será corrigida e incluirá os feriados cristãos na nova versão.Além disso, um suplemento será adicionado aos exemplares já impressos, que omitiam qualquer menção a tais feriados, enquanto mencionavam os de outras religiões

O presidente da Conferência Episcopal Francesa (CEF), cardeal André Vingt-Trois, arcebispo de Paris, escreveu ao ministro francês de Assuntos Europeus, Laurent Wauquiez, pedindo sua intervenção na Comissão Europeia sobre esta questão das agendas de 2011.

“Eu me pergunto quais são as medidas tomadas pelo governo francês na Comissão Europeia para expressar a sua desaprovação diante do ataque às crenças dos cristãos no nosso país (em oposição total aos tratados que regem a União Europeia) e para obter uma reparação moral do que se percebe legitimamente como um escândalo”, escreveu o presidente da CEF.

Uma petição online lançada em 12 de fevereiro recebeu, em uma semana, 32 mil adesões, em 7 idiomas.

Wauquiez afirmou ter reclamado com o comissário europeu encarregado da impressão: “Eu exprimi minha surpresa, por escrito, a John Dalli, comissário europeu para a saúde e proteção dos consumidores, que publica a agenda Europa“, disse ele.

“Pedi-lhe para me dizer quanto tempo será preciso para corrigir esse erro – continuou. Não deixarei de informar-lhe a resposta.”

Para o ministro, “este episódio é a oportunidade para relembrar que não se tolera nenhuma discriminação religiosa na União Europeia”.

John Dalli se comprometeu a enviar uma errata às escolas que já receberam a agenda e a corrigir o erro em versões futuras.

Em uma carta a Christine Bouti, disse: “Vamos enviar rapidamente um corrigendum a todas as escolas da União Europeia que encomendaram a edição 2010-2011 da agenda”.

“Esta retificação será acompanhada por um anexo com os feriados oficiais, inclusive os religiosos, dos Estados-Membros – acrescentou. Também serão incluídos em edições futuras da agenda.”

Em uma carta ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, a ex-ministra Boutin declarou: “Estas disposições me agradam e manifestam a consciência da Comissão Europeia da impossibilidade de construir a Europa negando sua história, sua cultura e seus valores fundamentais”.

A presidente do Partido Democrata Cristão solicitou uma audiência com Barroso. “Por respeito aos muitos signatários da nossa petição para concluir este assunto, eu gostaria de solicitar uma audiência formal para entregar-lhe oficialmente esta petição e a lista de signatários”, explicou.

E acrescentou: “Isso seria o sinal do nosso desejo de trabalhar juntos para crescer e fazer brilhar uma civilização comum para abrir a página de uma Europa que se orgulha de sua herança, respeitosa dos povos, das nações e voltada para o futuro”.

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* Os “99 mais belos nomes de Deus” do islã não contém o nome “Deus pai” da fé cristã.

sábado, janeiro 8th, 2011

Jean-Christophe Ploquin, jornal La Croix- França

“O islã desempenha o papel de revelador. É a janela aberta que faz com que se desencadeie a ‘gripe’ que estava se escondendo. Não é a causa do mal-estar moral das nossas sociedades.”

Essa é a opinião de Remi Brague, ex-professor de filosofia da Universidade Panthéon-Sorbonne por mais de 20 anos. Conhecedor do grego antigo, do latim, do árabe medieval e do hebraico (e também do alemão, do inglês e do espanhol), trabalhou sobre as fontes da herança europeia (judaicas, gregas, cristãs, árabes).

As suas pesquisas atuais abordam a história das ideias e do confronto entre cristianismo, judaísmo e islã. Recebeu o Grande Prêmio de Filosofia da Académie Française de 2009. Está completando uma trilogia cujos dois primeiros livros já foram publicados: La Sagesse du monde(Fayard, 1999) e La Loi de Dieu (Gallimard Folio-essais, 2008). Entre suas obras, também está Du Dieu des chrétiens et d’un ou deux autres (Flammarion, Champs, 2008).

Casado, pais de quatro filhos, dois netos, Rémi Brague foi um dos fundadores da revista católica internacional Communio, em que ainda é membro do conselho de redação. É membro do Institut (Académie des Sciences Sociales et Politiques) e da Académie Catholique de France.

O islã às vezes é percebido como uma religião incompatível com uma sociedade pluralista, individualista e aconfessional como a sociedade francesa. Até que ponto ele deve se “depurar” para se integrar?

Ah, o verbo “depurar” volta ao uso! Ele era usado no século XVIII para exigir um “cristianismo depurado”, lavado de toda “superstição” – e por superstição entendia-se o dogma! O problema, no que se refere ao islã, é que os elementos incompatíveis com uma sociedade como a nossa não são de fato periféricos, mas sim radicados no seu centro mais profundo.

Não conheço uma “essência” do islã. Resta o fato de que todos os muçulmanos convictos acreditam que o Alcorão foi ditado, tal qual, por Deus. Portanto, que é a Sua palavra, em sentido próprio. Ora, o Alcorão contém, em um versículo tardio – que, segundo a tradição, anula aqueles que o precedem – a ordem de combater os infiéis, incluindo os cristãos, até que se submetam e paguem o imposto em situação de humilhação (Alcorão IX, 29). Todos os versículos “dialogantes” foram igualmente anulados por versículos posteriores.

Por outro lado, os muçulmanos consideram que o seu profesta, Mohammed, é o “bom exemplo” (Alcorão, XXXIII, 21). Portanto, são autorizados a imitar os seus fatos e gestos, como a sua biografia oficial os relata, na qual lemos que ele não hesitou em fazer com que fossem assassinadas em seus leitos as pessoas que haviam zombado dele, ou a torturar os tesoureiros de uma tribo derrotada para fazer com que dissessem onde estavam os despojos. Os islamistas sabem muito bem tudo isso. E sempre encontraremos alguém que nos lembrará esses textos e essas práticas para explicar que não se trata justamente de condená-las e ainda menos de proibi-las. É inútil acusá-los de serem maus muçulmanos. A sua interpretação não é a única possível, mas é bem fundamentada.

Mas são minoritários. Como é possível que os muçulmanos, na sua grande maioria, sejam pacíficos?

A experiência concreta das sociedades muçulmanas é que as fontes do islã desempenham muitas vezes só o papel de uma referência que é incensada, mas não seguida. Individualmente, os muçulmanos tomam do islã aquilo que podem e deixam muitas coisas de lado. Politicamente, a guerra está na própria origem da irrupção do islã na história mundial. Mas muito cedo, para que uma sociedade política pudesse viver de maneira correta, ele teve necessidade de uma certa paz. O império dos califas tinha como objetivo sobretudo o poder, portanto os impostos, uma administração sadia. Estava fora de discussão lançar a sociedade muçulmana em uma guerra constante.

No século IX, em Bagdá, houve uma luta entre os califas e os homens das leis muçulmanas, quase uma guerra civil. E foram os homens da religião, sustentados pela multidão, que venceram, contra os defensores de uma escola racionalista, os mu’tazilitas, cuja derrota foi ratificada com o advento do califa Al Mutawakkil, em 861. Desde então, há uma espécie de acordo não escrito entre o poder político-militar e o poder religioso. O primeiro honra e consulta o segundo; o segundo tolera que o primeiro proceda amplamente de forma não islâmica e se comporte, na maior parte dos casos, como quiser.

Então, o quadro institucional francês é aceitável por cidadãos de religião muçulmana?

Acredito que sim. Os muçulmanos convictos também podem entender que certas regras do jogo devem ser respeitadas em vista do bem comum. Mas me parece mais difícil que aceitem o princípio desse quadro institucional, porque muitos pensam que as nossas sociedades vão rumo à perdição. Os islamistas até desprezam essas sociedades que estão se decompondo, que não se reproduzem. Consideram ter uma missão civilizatória, uma obra de regeneração. Mas isso não é problema do islã, é o do Ocidente. O islã desempenha o papel de revelador. É a janela aberta que faz com que se desencadeie a gripe que estava se escondendo. Não é a causa do mal-estar moral das nossas sociedades.

Na França, os cristãos aprenderam a interiorizar a sua fé e às vezes ficam admirados com o vigor e a amplitude coletiva da manifestação da fé muçulmana. Como reagir?

A interiorização para os cristãos não é um fenômeno recente. A interiorização da oração, por exemplo, já é recomendada pelo Novo Testamento, quando se convida a rezar com a porta fechada. O islã, ao contrário, distingue dois tipos de oração. Uma, privada, é uma obra piedosa suplementar. A outra, a oração pública, coletiva, ritmada por gestos precisos, é um dos cinco “pilares” do islã. Além disso, a palavra “fé” é equívoca. Quando invejamos os muçulmanos por “terem mantido a fé”, enquanto ela se esfacela entre os cristãos, não estamos falando da mesma coisa.

Para um cristão, a fé é uma das três virtudes teologais, junto com a esperança e a caridade. Ela consiste em considerar verdadeiro, por confiança na revelação, aquilo que é razoável e plausível, mas não evidente. Para os muçulmanos, a existência de Deus é uma evidência na qual não é necessário “crer”. A sua “fé” é mais a piedade. A sua dimensão coletiva e cultural a reforça com uma pressão social e com um sentimento de identidade. Oferece referências, uma forma muito simples de estar em paz com a própria consciência.

O que o cristianismo traz a mais?

Um fantástico aprofundamento da consciência, um Deus que transgride os limites da própria transcendência para se comprometer em uma aventura comum, em uma história de amor com o homem, um Deus Pai – essa palavra não figura nos “99 mais belos nomes de Deus” do islã –, um sentido da História como âmbito em que se decidem as coisas mais importantes e não como uma espécie de moldura, de cena vazia que não participa da ação. Acredito que o cristianismo, se vivido verdadeiramente, não tem absolutamente nada a temer do islã.

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* Butão, país hindu asiático abre suas portas para a fé cristã.

segunda-feira, novembro 8th, 2010

Pela primeira vez na história do Butão, o governo da nação budista parece pronta para conceder o tão esperado reconhecimento oficial e acompanha os direitos para uma pequena população cristã que tem permanecido em grande parte oculta.

Segundo o secretário da agência Dorji Tshering via telefone, a autoridade que regulamenta organizações religiosas discutirá na próxima reunião – mantida para o final de dezembro – como uma organização cristã pode ser registrada para representar esta comunidade.

Até aqui somente organizações budistas e hindus são registradas pela autoridade, localmente conhecida como Chhoedey Lhentshog. Como resultado, somente estas duas comunidades tem o direito de praticar publicamente sua religião e construir templos.

Questionado se os cristãos iriam provavelmente conseguir os mesmo direitos em breve, Tshering respondeu, “Absolutamente” – um aparente paradigma muda na política, dado que a Assembleia Nacional do Butão proíbe prática pública de religiões não budista e não hindu pelas resoluções em 1969 e em 197

O movimento do governo para legalizar o cristianismo parece ter o consentimento do presente e respeitado rei, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck. Antes dos trinta anos, ele estudou em universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido.

O primeiro ministro Lyonchen Jigmey Thinley também acredita a princípio em haver reconhecimento de outras religiões. De acordo com uma fonte que solicitou anonimato, o governo é plausível para registrar somente uma organização cristã e aguarda que isso represente todos os cristãos no Butão – que apela para a unidade cristã no país.

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* Cristianismo cresce na Península Arábica, afirma agência.

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Enquanto o Oriente Médio assiste um êxodo relativo de cristãos, a Península Arábica, composta por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Bahrein, Catar e Yemen – nações eminentemente islâmicas -, observa um elevado crescimento do números desses fiéis.

A informação é da agência de notícias AsiaNews. Segundo a agência, ainda que cifras oficias indiquem que no vicariato da Arábia, considerado o maior do mundo ao compreender justamente todos os países da penísula, os cristãos estariam entre 7 e 10% da população, “cálculos empíricos” sugerem que, apenas nos Emirados Árabes, esse número superaria os 30%.

A agência cita ainda uma reportagem feita pela revista Mundo em Missão, publicada pelo Pontifícia Instituto de Missões no Exterior (PIME), publicada às vésperas da realização do Sínodo para o Oriente Médio. A reportagem mostra como os cristãos nos Emirados Árabes, Catar e Kwait vivem, levando uma vida quase clandestina por causa da profissão de sua fé.

A matéria cita como personagens o líder de um grupo carismático juvenil em Abu Dhabi, morador de um famigerado campo de trabalho onde vivem operários que trabalharam na construção dos arranha-céus dos Emirados, uma religiosa em Dubai, um frade capuchinho suíço e um comboniano italiano, classificando-os como expoentes de uma Igreja “cheia de vida” mas “precária” e em “liberdade vigiada”, já que a prática e os símbolos religiosos são limitados aos restritos limites das paróquias.

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* O Casamento Cristão e o homem preso a si. Fala-nos Chesterton.

terça-feira, agosto 31st, 2010

G. K. Chesterton

O homem honesto que diz que deseja que o cristianismo seja meramente prático e não teórico ou teológico, raramente consegue explicar o que ele exatamente quer dizer. Essa é a razão de haver tanta repetição simplesmente verbal no que ele diz.

Geralmente, os pobres teóricos e teólogos têm de explicá-lo o que ele quer dizer. De qualquer forma, ele quer dizer algo mais ou menos assim. Um número muito grande de pessoas saudáveis e bondosas é, hoje, oportunista. Todos acreditamos que devemos cortar nosso casaco de acordo com o tecido que temos, no sentido de que ninguém pode fabricar um casaco sem tecido. Mas se o costureiro me diz que todo o tecido em estoque é amarelo-mostarda brilhante, decorado com caveiras escarlates, terei de adiar o quanto puder o uso desse tecido para meu novo casaco, podendo até constranger-me, e ao costureiro, sugerindo-lhe procurar outro tipo de tecido.

Contudo, há um tipo de homem que usará prontamente o casaco amarelo pela simples existência do casaco amarelo. Ele é um oportunista num sentido diferente do meu. Há uma diferença entre um cliente que consegue o que quer, tanto quanto lhe seja possível e aquele que consegue o que não quer porque isso lhe é possível.

Em outras palavras, há uma diferença entre conseguir o que se quer, sob certas condições e permitir que as condições lhe digam o que você pode conseguir, ou mesmo o que você quer. No entanto, é possível passar pela vida sendo controlado pelas circunstâncias dessa forma. Se minha quadra de tênis for inundada, posso, claro, transformá-la num lago ornamental. Ou posso me dar o trabalho de drenar o campo e protegê-lo contra inundações, permanecendo fiel ao ideal abstrato e dogmático de uma quadra de grama. Se uma árvore cai sobre minha casa e faz um buraco no teto, posso transformar o buraco numa clarabóia e a árvore numa saída de emergência. Mas se eu não quiser uma clarabóia e uma saída de emergência, estou sendo manipulado pela árvore. E isso é uma posição indigna para um homem.

É a posição indigna da maioria dos homens modernos. Eles são oportunistas, não só no sentido de conseguirem o que querem da forma mais prática, mas de tentarem querer a coisa mais prática; isto é, meramente a coisa mais fácil. Essa é a razão de eles não entenderem a base do idealismo cristão em muitas questões e especialmente na questão do sexo.

Eles estão sempre sendo desviados pelas inundações e árvores caídas, especialmente aquela árvore do conhecimento que é o símbolo da queda e que certamente fez um buraco na casa, no sentido do lar. Mas a questão aqui é que essas pessoas constroem um novo plano ou propósito sexual depois de cada eventual novo acontecimento. Quando há mais mulheres do que homens, eles começam a falar sobre poligamia. Quando há mais crianças do que é conveniente para os indivíduos criarem com um salário decente, eles começam a falar de alguns truques que são um tipo de substituto para o infanticídio.

Ninguém pode entender a teoria do sexo cristão sem entender a idéia do homem ter um plano que ele deseja impor sobre as circunstâncias, ao invés de esperar pelas circunstâncias para então ver que plano ele vai ter. O cristão deseja criar as condições para que o casamento cristão seja possível e digno em si; não aceitar qualquer coisa possível nas mais indignas condições. Porque ele o quer e o que ele realmente é, consideraremos num momento; mas é necessário tornar claro de início que o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus, pela nossa consciência comum e pelo sentido de honra da humanidade em geral. E isso é o que nosso pobre amigo quer dizer quando diz que nós não somos práticos; ele quer dizer que nós não estamos sempre consertando nossa casa e alterando nosso jardim para acolher em seu interior uma árvore caída ou uma tromba d’água.

Ele quer dizer que temos um plano para nossa casa e jardim e que estamos sempre tentando restaurá-los e reconstruí-los de acordo com o plano. Não propomos rasgar o plano original e seguir uma seqüência de acidentes; até que a casa seja enterrada sob árvores caídas e os campos sejam inundados e todo o trabalho do homem seja levado pela enxurrada. Isso é o que ele entende por nossa impraticabilidade, e ele está certo.

Descrito em termos humanos, o plano é substancialmente este. Que o amor que faz a juventude bela, e é a fonte natural de tanta canção e romance, tem por objetivo final um ato de criação, a fundação da família. Ao mesmo tempo em que é um ato criativo, como o de um artista, é também um ato coletivo, como o de uma pequena comunidade. É, talvez, o único trabalho artístico em que a colaboração é um sucesso e mesmo uma necessidade. É preciso de dois para começar uma briga, especialmente uma briga de amantes. Precisa-se também de dois para estabelecer um acordo de amantes segundo o qual seu amor deve ser colocado acima da briga. Mas, por definição, o acordo dos dois não é simplesmente concernente aos dois; mas, num sentido terrível, a outros. A fundação de uma família, como todo ato criativo, é uma responsabilidade tremenda. Em outras palavras, a fundação de uma família significa a alimentação de uma família, o treinamento, o ensinamento e a proteção de uma família. É o trabalho de uma vida inteira, e muitos casamentos têm uma vida muito curta. Sua continuidade é garantida, não por “leis matrimoniais” que nossas modernas plutocracias podem criar ao seu bel-prazer, mas por um voto voluntário ou invocação a Deus feita pelas duas partes, que eles vão se ajudar nesse trabalho até a morte. Para aqueles que acreditam em Deus e também acreditam no significado das palavras, isso é final e irrevogável.

Esse ato criativo é em si um ato livre. Esse ato criativo, como todos os atos criativos, não envolve uma perda de liberdade. O homem que constrói uma casa não recupera aquele castelo que ele construiu e reconstruiu no ar quando ele estava planejando a casa. Nesse sentido, podemos dizer, se quisermos, que o homem que constrói uma casa, constrói uma prisão. Há algo de final em todo grande trabalho, mas é possível sentir nesse trabalho um tipo peculiar de finalidade. A paixão de um homem em sua juventude encontrou seu caminho verdadeiro e alcançou seu objetivo e, apesar do amor não precisar acabar, a busca por ele terminou.

Pelo teste desse objetivo e consecução, todas as coisas condenadas pela ética cristã se encaixa em seus vários níveis de erro. Prolongar a busca de uma forma sentimental, muito depois de ela ter qualquer relação com o trabalho real do homem é um erro em vários níveis; quase sempre isso não é mais que ridículo e indigno; turpe senilis amor.

Permitir que a busca perambule de forma a destruir outros lares saudavelmente estabelecidos é, por essa definição, obviamente errado. Cultivar uma perversão mental que realmente remova o desejo por um ato frutífero é horrivelmente errado. Comprar um prazer estéril de uma classe estéril é errado. Manobrar cientificamente de forma a furtar o prazer sem assumir a responsabilidade pelo ato, é lógica e inerentemente errado. É como andar por aí com uma medalha sem ter ido à guerra.

Nós acreditamos, sem uma sombra de dúvida e hesitação, que onde as condições se aproximam desse ideal, a humanidade é mais feliz. Assim, o nascimento da paixão é usado com um menor grau de destruição. Assim, a morte da Paixão é aceita com um menor grau de desilusão. Um trabalho construtivo da idade adulta segue naturalmente o trabalho criativo da juventude; à paixão é dada uma extraordinária oportunidade de se perpetuar como afeição, e a vida do homem é tornada plena. Há nela tragédias, como há igualmente tragédias fora dela. Não podemos livrar a vida de tragédias sem livrá-la da liberdade. Não podemos controlar a atitude emocional dos outros nem numa condição de anarquia sexual, nem nas condições de lealdade doméstica. O amor é realmente excessivamente livre para os propósitos dos amantes livres. Mas onde os homens são treinados pela tradição a considerar esse processo normal, e a não esperar por nada diferente, há muito menos probabilidade de trágicos relacionamentos do que no amor chamado livre. Se observamos a literatura real do amor irresponsável, encontraremos um contínuo e dolorido lamento sobre falsas amantes e torturantes casos amorosos.

Em resumo, nós não acreditamos, de forma alguma, na grande felicidade prometida à humanidade pela dissolução de lealdades de uma vida toda; não sentimos o menor respeito pela retórica sentimental e grosseira com que isso nos é recomendado. Mas o resultado prático de nossa convicção e de nossa confiança é este: que quando as pessoas nos dizem – “Seu sistema não é muito inadequado para o mundo moderno,” respondemos – “Se isso é verdade, as coisas parecem bem podres no pobre e antigo mundo moderno.” Quando eles dizem – “Seu ideal de casamento pode ser um ideal, mas não pode ser uma realidade, ” dizemos – “é um ideal numa sociedade doente, é uma realidade numa sociedade saudável. Pois, onde ele é real, ele faz a sociedade saudável.” Não dizemos perfeitamente saudável, pois acreditamos em outras coisas além do casamento; como, por exemplo, na Queda do Homem. Mas a questão é que queremos o que é prático, no sentido de que queremos fazer algo, criar famílias cristãs. Mas eles só querem o que é prático, no sentido do que é mais fácil no momento.

Assim, de acordo com a teoria geral do casamento, a paixão é purificada por sua própria frutificação, quando esta frutificação é o seu dignificante e decente objetivo final. Em poucas palavras, podemos dizer que substituiríamos a meia-verdade do “amor pelo amor”, por uma verdade superior do “amor pela vida”. O amor é sujeito à leis porque é sujeito à vida. É verdade, não só metafisicamente, nem mesmo simplesmente num sentido místico, mas num sentido material, que podemos ter vida e que a podemos ter mais abundantemente. Isso não quer dizer, claro, que o amor não tenha seu próprio valor espiritual, quando honoráveis acidentes o impedem de ser frutífero. Mas isso não significa que, em geral, possamos julgar os amores dos homens por outra metáfora mística que é também um fato material e por seus frutos os conheceremos.

Tal princípio é, ou era até recentemente, compartilhado por todos os que se dizem cristãos. Há um apêndice a este princípio que é professado por todos os que se dizem católicos. É uma idéia mais mística; e talvez somente os católicos se esforçaram em defini-lo racional e filosoficamente. Não é verdade, contudo, que somente católicos já o sentiram. Os antigos pagãos já o sentiram sutilmente em suas visões de Atenas, Ártemis e das Virgens Vestais. Os agnósticos modernos o sentem debilmente em sua adoração pela inocência infantil – em Peter Pan ou no Child’s Garden of Verses. Essa idéia é a de que há, para alguns, uma felicidade ainda mais divina que a do divino sacramento do matrimônio. Este é um assunto muito especial e muito grande para ser tratado aqui; mas dois fatos deveras singulares devem, sobre ele, ser notados.

Primeiramente, que os estados industriais modernos estão invocando o pesadelo da super-população, depois de terem, eles próprios destruído as irmandades monásticas que foram uma limitação voluntária e viril a esse pesadelo. Em outras palavras, eles estão, muito relutantemente, recorrendo ao controle de natalidade, depois de realmente suprimirem a prova de que os homens são capazes de auto-controle.

Em segundo lugar, se tal abstenção fosse realmente exigida, essa tradição religiosa poderia dar a ela um entusiasmo positivo e poético, onde todas as outras fariam dela apenas uma mutilação negativa. Os católicos acreditam na razão e gostam de ver as coisas práticas provadas; e, atualmente, a necessidade não está provada; somente mencionada como se tivesse, como se comentassem a respeito de Darwin e Einstein. Mas, mesmo se ela estivesse provada, os católicos teriam uma resposta muito melhor do que a dos outros: as trombetas de São Francisco e São Domingos. E os bons protestantes irão finalmente concordar que a resposta é melhor do que a alternativa de um tipo de anarquia secreta e silenciosa, na qual os motivos são estreitos e os resultados nulos. E por este caminho, voltamos ao tema original do casamento ideal; e à verdade principal sobre ele. Uma coisa tão humana não irá, finalmente, desaparecer por entre acidentes de uma sociedade anormal.

Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e pode possivelmente condená-la.

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* Se não fosse o Cristianismo…

quinta-feira, agosto 19th, 2010

Nas últimas décadas, tem se tornado comum no mundo ocidental “malhar” o cristianismo. Intelectuais, acadêmicos, escritores e articulistas de renome costumam se referir à fé cristã de forma desairosa e depreciativa. Infelizmente, com freqüência muitos críticos estão dentro das fileiras do próprio cristianismo.
É considerado politicamente incorreto falar mal de outras religiões, como o islamismo, o budismo e o hinduísmo, que estão muito em voga na Europa e nas Américas, mas não se vê nenhum problema em condenar o movimento cristão. Alguns pensadores ateus, autores de livros campeões de vendas, têm defendido explicitamente a extinção pura e simples do cristianismo. Segundo afirmam, seria desejável que todas as religiões deixassem de existir, mas na realidade eles têm em mente antes de tudo a fé cristã, a tradição religiosa predominante no Ocidente.

Além de preconceituosa, essa atitude é profundamente injusta do ponto de vista histórico. Os próprios cristãos reconhecem que sua trajetória ao longo dos séculos não está isenta de dolorosos problemas. As cruzadas, o anti-semitismo, a Inquisição, as guerras religiosas e a escravidão nas Américas são manchas tristes na experiência da igreja, falhas que os cristãos conscienciosos lamentam profundamente. É preciso lembrar esses fatos continuamente para que eles não voltem a se repetir. Todavia, as contribuições e os benefícios que o cristianismo legou ao mundo são muito mais marcantes e numerosos que os seus erros, como o estudo desapaixonado da história demonstra de maneira conclusiva. Alguns desses benefícios não foram generalizados nem contínuos, tendo ocorrido mais em algumas épocas e lugares do que em outras.

A influência histórica

O cristianismo é a principal tradição cultural do mundo ocidental, o mais importante fator na formação histórica da Europa e das Américas. Assim sendo, a influência cristã permeia todos os aspectos da vida desses continentes e suas nações.

Caso prevalecesse a tese dos autores que defendem a extinção do cristianismo, por uma questão de coerência vastas mudanças teriam de ser feitas na vida social desses povos.

Por exemplo, o calendário teria de ser trocado por outro — a semana de sete dias, os termos “sábado” e “domingo” (“dia do Senhor”) e a contagem dos anos (como 2008) não mais fariam sentido, porque todos têm origem cristã ou judaico-cristã. Algumas das celebrações e festividades mais apreciadas pelas pessoas (Natal, Páscoa, Dia de Ação de Graças) teriam de ser eliminadas. Milhões de pessoas teriam de mudar seus nomes de origem cristã, inclusive muitos ateus. O mesmo aconteceria com um imenso número de designações de cidades, logradouros e pontos geográficos. Os idiomas, a música, o folclore, as tradições e outros elementos seriam profundamente afetados.

Mas existem questões mais importantes. Olhando-se para a história antiga e recente, percebe-se o enorme impacto humanizador e civilizador do cristianismo.

Desde o início da era cristã, houve uma grande preocupação com a dignidade da vida humana, que se traduziu no combate a práticas degradantes como o aborto, o infanticídio e as lutas de gladiadores. O cristianismo valorizou a criança, a mulher, o idoso, o casamento e a vida familiar.

Embora no início os cristãos tenham mantido a escravidão que existia no Império Romano, a fé cristã continha valores que levaram à gradual extinção desse mal. Tem sido imenso, ao longo do tempo, o esforço dos cristãos em socorrer os pobres, doentes e desamparados de toda espécie, através de um sem-número de iniciativas e instituições humanitárias. Até hoje, tanto em tribos indígenas e populações carentes como entre povos adiantados, a contribuição cristã nessas áreas se faz notar de modo saliente.

O legado cultural

Sem desprezar as magníficas contribuições das antigas civilizações grega e romana, foi principalmente o cristianismo que moldou a vida dos povos ocidentais como os conhecemos hoje, além de exercer grande influência positiva na África e na Ásia.

À medida que a fé cristã se expandia, ela elevou o padrão de vida dos povos que deram origem às nações européias. A contribuição cristã na área da educação tem sido das mais destacadas. Durante séculos, as únicas escolas que existiam estavam ligadas à igreja. Muitos povos, ao serem evangelizados, receberam simultaneamente a escrita e a alfabetização, como ocorreu entre os eslavos, na Europa oriental, e em muitas nações africanas.

A Bíblia, traduzida para as línguas desses povos, se tornou importante nesse processo. As primeiras universidades (Paris, Bolonha, Oxford) e muitas outras surgidas mais tarde (Harvard, Yale, Princeton etc.) foram criadas por cristãos.

O cristianismo deu uma contribuição inigualável em outras áreas significativas, notadamente em séculos recentes. Alguns exemplos no âmbito político são o governo representativo, a separação dos poderes, a expansão da democracia e a ampliação dos direitos e liberdades civis. As convicções cristãs permitiram a ascensão econômica do homem comum, gerando prosperidade para famílias e povos.

Outra área de atuação foi a ciência, não só pelo fato de que a maior parte dos cientistas ao longo da história têm sido cristãos, mas de que o cristianismo, com sua visão de um mundo ordenado e sujeito a leis fixas, porque criado por Deus, possibilitou o próprio surgimento da ciência.

E que dizer das contribuições nos campos da literatura e da arte? Se não fosse o cristianismo, não teríamos obras como as “Confissões”, de Agostinho, a “Divina Comédia”, de Dante, o “Paraíso Perdido”, de Milton, e tantas outras. Não contemplaríamos as magníficas catedrais góticas, a Capela Sistina, bem como as esculturas e pinturas de Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rembrandt e outros mais. Não poderíamos ouvir “O Messias” de Haendel nem as inspiradoras composições de Johann Sebastian Bach.

Valores religiosos e éticos

Os legados mais valiosos do cristianismo ao mundo são a vida e os ensinos de seu fundador, registrados no Livro dos Livros. Jesus Cristo, o carpinteiro de Nazaré que os cristãos consideram o próprio Filho de Deus encarnado, proferiu algumas das palavras mais belas, sublimes e cativantes que se conhecem na história humana. Ele falou das coisas transcendentes e eternas de modo simples e acessível a qualquer indivíduo. Os valores que ensinou, como o amor, a compaixão, o altruísmo, a integridade, a veracidade e a justiça, têm trazido benefícios incalculáveis ao mundo. Todavia, ele não se limitou às palavras e conceitos, mas exemplificou em suas ações as verdades que buscava transmitir. Por fim, deu sua vida na cruz para cumprir cabalmente a missão de que estava incumbido. Desde então, seu ensino e exemplo têm inspirado e transformado milhões de pessoas em todos os recantos do mundo, além de ter induzido mudanças radicais nos mais diferentes aspectos da sociedade.

Sem Cristo e seu grandioso legado, o mundo certamente seria um lugar muito mais sombrio, triste e desesperançado. Essa é a tese de D. James Kennedy em seu livro “E se Jesus não Tivesse Nascido?” (Editora Vida, 2003). Não se pode negar que muitos não-cristãos têm dado contribuições relevantes à sociedade.

Os cristãos não têm dificuldade com isso, porque entendem que Deus atua em toda a criação e que sua imagem, ainda que desfigurada, está presente em todos os seres humanos. Todavia, as alternativas de um mundo sem fé e sem cristianismo podem se tornar aterrorizantes. Basta lembrar que os homens mais cruéis, desumanos e sanguinários do século 20 — indivíduos como Josef Stálin, Adolf Hitler, Mao Tsé Tung e Pol Pot — além de não serem cristãos, eram inimigos do cristianismo. Mesmo sem apelar para casos extremos como esses, está claro que o crescente secularismo que avassala o mundo, com sua relativização do significado e da importância da vida, representa uma grande ameaça para o futuro da humanidade.

Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja , Ele é presbiteriano.
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