Posts Tagged ‘Cultura’

* Tatuagens. O que acontece quando você muda e elas permanecem?

sábado, agosto 21st, 2010

Uma sábia reflexão sobre a atual moda das tatuagens.

O autor não analisa a questão sob o ponto de vista religioso, mas estético e sociológico.

Suas percepções são sábias e nos ajudam a perceber esse fenômeno sob uma outra ótica.

Frequentemente me chegam perguntas se é “correto” ou “pecado” se tatuar..

O que você pensa sobre isso?

***

Ivan Martins  Revista ÉPOCA

Conheço uma moça que gastou um bom dinheiro, e um bocado de tempo, tentando, sem sucesso, tirar da orelha uma tatuagem que havia feito na Índia, no tempo em que era devota de um guru famoso. Não sei por que ela queria tirar a marca, mas o que me ficou marcado, para mim, é que ela não estava conseguindo.

Eu não tenho tatuagens. Na minha geração não era moda. Quando se tornou moda, nos anos 90, eu não consegui embarcar. Tenho dificuldade em responder às duas perguntas básicas que antecedem a tatuagem: onde tatuar e o quê tatuar. Imagino que essas dúvidas expressem uma resistência mais profunda. Tatuagens são para sempre e eu tenho dificuldade com o que é irremovível. Vou morrer com a tela do corpo intacta – ou, pelo menos, livre de marcas voluntárias.

Mas, ao meu redor, as tatuagens se multiplicam. São como itens de série num grupo de mulheres urbanas entre 20 e 30 anos. Em geral, vêm em dupla: uma na nuca, outra no ombro; uma no pé, outra na virilha; uma no cóccix, outra na panturrilha. Os temas das tatuagens também são parecidos, o que faz com que as pessoas fiquem mais ou menos iguais. Homens e mulheres.

Houve um tempo em que fui tocado pela novidade e achei que esses adereços expressavam alguma forma de rebeldia. Ou de erotismo. Hoje eles não me dizem muita coisa, num terreno ou no outro. A revolta embutida nas tatuagens-padrão ficou para trás há muito tempo. Para chocar, hoje em dia, é preciso cobrir uma vasta porção do corpo – ou inventar um desenho totalmente inusitado. E bem agressivo.

Para escrever este texto, eu tentei conversar com uma amiga que tem 13 tatuagens. Queria que ela me falasse do barato em desenhar e escrever no corpo com tinta que não apaga, mas a conversa não aconteceu. Minha curiosidade, portanto, permanece.

Mas eu já tenho algumas opiniões. Acho que estão superestimando o ganho estético – e erótico – da decoração corporal. Se as atrizes dos pornôs baratos fazem as mesmas tatuagens das garotas de classe média, alguém está usando a coisa errada. Por isso que eu aposto que dentro de poucos anos nós veremos uma revalorização do corpo intacto. Chique vai ser não ter marcas.

Outra coisa que me parece óbvia é que as pessoas tentam usar as tatuagens como uma forma de diferenciação. É um statement, como se diz em inglês, uma declaração sobre si mesmo. Os desenhos dão uma pista do que a pessoa pensa ou é. Ou pensa que é. Mas, quando todo mundo faz a mesma coisa, onde fica a individualidade? Não fica. Desaparece num mar de clichês visuais. Luas, estrelas, fadas, lírios, beija-flores, tribais… Parece uma feira hippie.

Eu acho a onda das tatuagens mais uma expressão da nossa dificuldade cada vez maior em tratar com o abstrato, com aquilo que vai além das aparências. O corpo deixa de ser o complexo portador dos sentidos, dos sentimentos e das ideias para se transformar num outdoor. Frases curtas, imagens marcantes, cores. A complicada troca de ideias (eu falo, você ouve, depois a gente inverte), dá lugar a uma espécie de comunicação instantânea. Carrego todos os meus símbolos comigo e os revelo de uma só vez, exibindo o braço em que uma imagem me define: Cristo, Che Guevara ou Gaviões da Fiel. Eu sou isso, sacou?

Como virou moda e todo mundo usa, alguém pode dizer que a tatuagem tornou-se simbolicamente inofensiva. Ela passa, como outras rebeldias visuais da adolescência ou modismos de décadas passadas. Os piercings que a garotada usava na sobrancelha e no umbigo sumiram, embora tenham ficado os buraquinhos. Cabelos esverdeados, tranças rastafári, cavanhaques – isso tudo vai embora quando o dono cansa. A tatuagem não. Ela fica. O corpo muda, as ideias se transformam, mas a aquele desenho permanece, na contramão da natureza.

Imagine a sua mãe até hoje com o cabelo que ela usava nos anos 80. A tatuagem pode ser isso, um anacronismo existencial colado na pele, a lembrança de algo que você já foi, deixou de ser, mas continua sinalizando, como uma placa de trânsito que esqueceram de arrancar – e que agora indica a direção errada.

Talvez eu esteja exagerando, mas sempre penso nas pessoas que escrevem na pele o nome daqueles que amam. O que acontece com elas? O sujeito vai embora, viver com outra, mas a ex tem o nome dele escrito na nuca.

A marca do humano é ser transitório. Tentar fixar na pele uma paixão, um momento, uma filiação, é inútil. As coisas passam, elas nos escapam. E aquelas que realmente permanecem estão tão fundas dentro de nós, tão entranhadas, que dispensam adereços e representações. Eu diria que as coisas essenciais não precisam ser tatuadas – e que as coisas que precisam ser tatuadas não são essenciais. Mas dêem um desconto no meu ponto de vista: eu sempre fui apaixonado por cadernos em branco.

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* O Islã contra o BlackBerry.

segunda-feira, agosto 9th, 2010

La Repubblica

De celular de sucesso a perigo público. Aquilo que fez a sorte do BlackBerry, isto é, a facilidade de acesso à Internet, a possibilidade de receber e-mails em tempo real e trocar mensagens em qualquer lugar em que se encontre, está se tornando uma condenação.

Na Arábia Saudita, onde circulam pelo menos 750 mil BlackBerrys, foram bloqueados a partir desta sexta-feira os serviços de gestão de correio eletrônico e tráfego na Internet.

O mesmo destino será dado, a partir de outubro, aos 500 mil celulares em uso nos Emirados Árabes. Um outro país islâmico, a Indonésia, ameaça cancelar os mesmos serviços. Problemas também na Índia, porque o governo pediu explicitamente à empresa produtora, a canadense Research in Motion, que disponibilize, em caso de necessidade, os dados das comunicações.

Para a RiM, essa série de decretos está se tornando um problema, principalmente em nível de imagem, apesar dos 100 milhões de unidades vendidas nos 175 países onde a empresa opera.

Por que o BlackBerry dá tanto medo? E por que ninguém protesta contra os outros smartphones? O problema está no fato de que o BlackBerry não é um celular como os outros. Não funciona com as operadoras telefônicas normais, com base em protocolos standard e públicos, mas é uma verdadeira infra-estrutura à parte, composta por centenas de servidores espalhados em todo o mundo, principalmente no Canadá e na Europa.

Os dados, na prática, viajam em código e não usam as redes telefônicas normais. Isso permite que a RiM ofereça aos usuários das empresas às quais coloca os servidores à parte à disposição, uma proteção das mensagens elevadíssima. Os governos não gostam de serem tirados fora, e sem o código fonte da empresa de produção não se pode interceptar.

“Não daremos a nenhum governo as chaves de acesso aos nossos BlackBerry”, diz Mike Lazaridis, fundador e co-diretor executivo da RiM. “Permitir que os governos controlem as mensagens coloca em risco a relação de confiança com os nossos clientes, dentre os quais estão as maiores empresas do mundo e muitas empresas que se ocupam com segurança. Com relação a esse ponto, não é possível nenhum compromisso”.

As autoridades sauditas respondem que tudo isso é contrário às exigências de segurança nacional. Mas talvez o motivo dessa inesperada hostilidade com relação ao BlackBerry nasce do temor de que esse código fonte já esteja, na realidade, nas mãos de superpotências como a Rússia e a China, obtido em troca da possibilidade dada à RiM de penetrar nesses mercados.

“São boatos absolutamente ridículos”, rebate Lazaridis. “Os clientes podem continuar tendo confiança na integridade dos nossos sistemas de segurança, sem temer nenhum repensamento”.

Porém, para evitar riscos de espionagem, o governo francês ordenou aos seus agentes secretos que não usem esses celulares. E o BlackBerry usado pelo presidente dos Estados Unidos, Obama, foi secretamente modificado.

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* Filme que fala bem dos sacerdotes já é êxito de bilheteria na Espanha.

sexta-feira, junho 11th, 2010

O filme “O último cume” sobre a vida do sacerdote Pablo Dominguez, no fim de semana de sua estréia e com tão somente quatro cópias converteu-se no filme número 1 em espectadores de cinema na Espanha. A demanda popular permitirá que agora se projete em 50 salas de todo o país.

Conforme informou a produtora Infinito Más Uno, “o único filme em cinemas que fala bem dos padres vendeu (nas salas onde foi exibido) o dobro de entradas vendidas para o filme Sexo em Nova Iorque 2 e o triplo das entradas vendidas para O Príncipe da Pérsia ou Robin Hood” .

“Perto de 6000 mil pessoas já viram este filme de Juan Manuel Cotelo apesar de estar em tão somente em quatro cinemas de toda a Espanha e de competir diretamente com as grandes”, acrescentou a produtora em uma nota de imprensa.

Os produtores agradeceram pela maciça resposta do público. “O último cume passará por petição popular e em apenas uma semana sendo projetada em quatro cinemas a nada menos que mais de 50 salas de toda a geografia espanhola, e é apesar da estréia no meio do feriado longo do Corpus, situou-se como o primeiro filme do país em arrecadamento por cópia em cinema. Um tanto surpreendente se tivermos em conta que é um documentário cujo protagonista é nada mais e nada menos que um sacerdote”, indicaram.

Do mesmo modo, informaram que “são dezenas os cinemas que decidiram tirar de seus anúncios dos exitosos filmes em 3D para fazer um espaço para O último cume”.

“No próximo dia 11 de junho, O último topo será estreado em mais de 50 cidades espanholas graças ao apoio massivo que está recebendo há semanas através da rede. Um êxito que se deve à enorme acolhida obtida por este filme dos começos de sua caminhada, tanto pela figura do (padre) Pablo Domínguez como pelo apoio a todos os sacerdotes”, acrescentaram.

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* Discurso do Papa aos intelectuais portugueses.Excelente!

sexta-feira, junho 4th, 2010

ENCONTRO COM O MUNDO DA CULTURA

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Centro Cultural de Belém – Lisboa


Venerados Irmãos no Episcopado,
Distintas Autoridades,
Ilustres Cultores do Pensamento, da Ciência e da Arte,
Queridos amigos,

Sinto grande alegria em ver aqui reunido o conjunto multiforme da cultura portuguesa, que vós tão dignamente representais: Mulheres e homens empenhados na pesquisa e edificação dos vários saberes. A todos testemunho a mais alta amizade e consideração, reconhecendo a importância do que fazem e do que são. Às prioridades nacionais do mundo da cultura, com benemérito incentivo das mesmas, pensa o Governo, aqui representado pela Senhora Ministra da Cultura, para quem vai a minha deferente e grata saudação. Obrigado a quantos tornaram possível este nosso encontro, nomeadamente à Comissão Episcopal da Cultura com o seu Presidente, Dom Manuel Clemente, a quem agradeço as expressões de cordial acolhimento e a apresentação da realidade polifónica da cultura portuguesa, aqui representada por alguns dos seus melhores protagonistas, de cujos sentimentos e expectativas se fez porta-voz o cineasta Manoel de Oliveira, de veneranda idade e carreira, a quem saúdo com admiração e afecto juntamente com vivo reconhecimento pelas palavras que me dirigiu, deixando transparecer ânsias e disposições da alma portuguesa no meio das turbulências da sociedade actual.

De facto, a cultura reflecte hoje uma «tensão», que por vezes toma formas de «conflito», entre o presente e a tradição. A dinâmica da sociedade absolutiza o presente, isolando-o do património cultural do passado e sem a intenção de delinear um futuro. Mas uma tal valorização do «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida, individual e em sociedade, confronta-se com a forte tradição cultural do Povo Português, muito marcada pela milenária influência do cristianismo, com um sentido de responsabilidade global, afirmada na aventura dos Descobrimentos e no entusiasmo missionário, partilhando o dom da fé com outros povos. O ideal cristão da universalidade e da fraternidade inspiravam esta aventura comum, embora a influência do iluminismo e do laicismo se tivesse feito sentir também. A referida tradição originou aquilo a que podemos chamar uma «sabedoria», isto é, um sentido da vida e da história, de que fazia parte um universo ético e um «ideal» a cumprir por Portugal, que sempre procurou relacionar-se com o resto do mundo.

A Igreja aparece como a grande defensora de uma sã e alta tradição, cujo rico contributo coloca ao serviço da sociedade; esta continua a respeitar e a apreciar o seu serviço ao bem comum, mas afasta-se da referida «sabedoria» que faz parte do seu património. Este «conflito» entre a tradição e o presente exprime-se na crise da verdade, pois só esta pode orientar e traçar o rumo de uma existência realizada, como indivíduo e como povo. De facto, um povo, que deixa de saber qual é a sua verdade, fica perdido nos labirintos do tempo e da história, sem valores claramente definidos, sem objectivos grandiosos claramente enunciados.

Prezados amigos, há toda uma aprendizagem a fazer quanto à forma de a Igreja estar no mundo, levando a sociedade a perceber que, proclamando a verdade, é um serviço que a Igreja presta à sociedade, abrindo horizontes novos de futuro, de grandeza e dignidade. Com efeito, a Igreja «tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do ser humano, da sua dignidade, da sua vocação. […] A fidelidade à pessoa humana exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 9). Para uma sociedade composta na sua maioria por católicos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, é dramático tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo. Para nós, cristãos, a Verdade é divina; é o «Logos» eterno, que ganhou expressão humana em Jesus Cristo, que pôde afirmar com objectividade: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). A convivência da Igreja, na sua adesão firme ao carácter perene da verdade, com o respeito por outras «verdades» ou com a verdade dos outros é uma aprendizagem que a própria Igreja está a fazer. Nesse respeito dialogante, podem abrir-se novas portas para a comunicação da verdade.

«A Igreja – escrevia o Papa Paulo VI – deve entrar em diálogo com o mundo em que vive. A Igreja faz-se palavra, a Igreja torna-se mensagem, a Igreja faz-se diálogo» (Enc. Ecclesiam suam, 67). De facto, o diálogo sem ambiguidades e respeitoso das partes nele envolvidas é hoje uma prioridade no mundo, à qual a Igreja não se subtrai. Disso mesmo dá testemunho a presença da Santa Sé em diversos organismos internacionais, nomeadamente no Centro Norte-Sul do Conselho da Europa instituído há 20 anos aqui em Lisboa, tendo como pedra angular o diálogo intercultural a fim de promover a cooperação entre a Europa, o Sul do Mediterrâneo e a África e construir uma cidadania mundial fundada sobre os direitos humanos e as responsabilidades dos cidadãos, independentemente da própria origem étnica e adesão política, e respeitadora das crenças religiosas. Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza.

Esta é uma hora que reclama o melhor das nossas forças, audácia profética, capacidade renovada de «novos mundos ao mundo ir mostrando», como diria o vosso Poeta nacional (Luís de Camões, Os Lusíadas, II, 45). Vós, obreiros da cultura em todas as suas formas, fazedores do pensamento e da opinião, «tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano. […] E não tenhais medo de vos confrontar com a fonte primeira e última da beleza, de dialogar com os crentes, com quem, como vós, se  sente peregrino no mundo e na história rumo à Beleza infinita» (Discurso no encontro com os Artistas, 21/XI/2009).

Foi para «pôr o mundo moderno em contacto com as energias vivificadoras e perenes do Evangelho» (João XXIII, Const. ap. Humanae salutis, 3) que se fez o Concílio Vaticano II, no qual a Igreja, a partir de uma renovada consciência da tradição católica, assume e discerne, transfigura e transcende as críticas que estão na base das forças que caracterizaram a modernidade, ou seja, a Reforma e o Iluminismo. Assim a Igreja acolhia e recriava por si mesma, o melhor das instâncias da modernidade, por um lado, superando-as e, por outro, evitando os seus erros e becos sem saída. O evento conciliar colocou as premissas de uma autêntica renovação católica e de uma nova civilização – a «civilização do amor» – como serviço evangélico ao homem e à sociedade.

Caros amigos, a Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza. Interceda por vós Santa Maria de Belém, venerada há séculos pelos navegadores do oceano e hoje pelos navegantes do Bem, da Verdade e da Beleza.

© Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana

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* Papa Bento XVI: religião e cultura sempre são incentivo para o diálogo.

sexta-feira, maio 21st, 2010

Localize a  Mongólia na Ásia.

Localize a Mongólia na Ásia.

O novo embaixador da Mongólia junto à Santa Sé, Luvsantseren Orgil, apresentou suas cartas credenciais a Bento XVI na manhã desta quinta-feira, 20.

“Religião e cultura, como expressões inter-relacionadas das aspirações espirituais mais profundas da nossa comum humanidade, naturalmente servem como incentivo para o diálogo e a cooperação entre os povos, a serviço da paz e do verdadeiro desenvolvimento. O autêntico desenvolvimento humano, de fato, precisa levar em consideração todas as dimensões da pessoa e, portanto, aspirar àqueles bens elevados que dizem respeito à natureza espiritual e destino final do homem”, assinalou o Papa.

O país asiático é de maioria budista e há pouco mais de 400 católicos na região, que são atendidos por três igrejas e uma Catedral na capital, Ulán Bator.

O Santo Padre agradeceu o apoio constante do governo em garantir a liberdade religiosa, especialmente através da criação de uma comissão que busca garantir e proteger o direito de exercício religioso.”[A criação da comissão] aparece como um reconhecimento da importância dos grupos religiosos dentro do tecido social e seu potencial para promover um futuro de harmonia e prosperidade”, sublinhou.Democracia e missãoO Pontífice também fez referência à comemoração dos 20 anos de ingresso do país no regime democrático, expressando sua “confiança de que os grandes progressos obtidos nestes anos continuarão a dar frutos na consolidação de uma ordem social que promova o bem comum de seus cidadãos, sem deixar de promover as suas legítimos aspirações para o futuro”.

Com relação à contribuição dos católicos para o desenvolvimento do bem comum na Mongólia, Bento XVI explicou que a missão primária da Igreja é anunciar o Evangelho e, na fidelidade a essa missão, contribuir também com o avanço de toda a comunidade.”É isso que inspira os esforços da comunidade Católica, de cooperar com o Governo e com as pessoas de boa vontade, trabalhando para superar todos os tipos de problemas sociais. A Igreja também está preocupada em desempenhar o seu papel adequado no trabalho de formação intelectual e humana, sobretudo através da educação dos jovens nos valores do respeito, solidariedade e preocupação com os menos afortunados. Desta forma, ela se esforça para servir a seu Senhor, mostrando preocupação caritativa junto aos necessitados e com vistas ao bem de toda a família humana”, encerrou.

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* Padre ajuda Mark Wahlberg a escolher papeis em filmes.

quinta-feira, abril 29th, 2010

O ator Mark Wahlberg não decide nada sobre sua carreira sem antes consultar um padre. Além de o ajudar a escolher seus papéis para um filme, o reverendo James Flavin é seu confidente.

“Mark é um católico praticante. E ele nunca toma uma decisão final sobre uma filmagem até Flavin dar o ok”, disse um amigo do ator ao tablóide americano National Enquirer.

De acordo com a fonte, Wahlberg “deve sua carreira ao padre”, já que foi Flavin quem o aconselhou a fazer Os Infiltrados, filme que lhe valeu uma indicação ao Oscar. Da mesma maneira, ele recusou o convite para atuar em O Segredo de Brokeback Mountain, por tratar de relacionamentos homossexuais, que vai contra a doutrina católica e seus valores pessoais.

“Padre Flavin foi uma influência enorme na minha vida”, confirmou Mark. “Ele estava sempre tentando me levar para a direção certa. Sem ele, as coisas poderiam ter sido muito ruins para mim.”

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* Atriz francesa que considerava Igreja “poeirenta” diz tê-la descoberto “viva” após documentário.

quarta-feira, abril 28th, 2010

Gaudium Press

Imagem-document.jpg
Cena do documentário “Em nome do Pai”

“Para mim, a Igreja evocava algo poeirento e sinistro. Descobri que ela era viva, encarnada por pessoas inteligentes e boas”. Essa foi a conclusão a que chegou a atriz Virginie Ledoyen, após acompanhar três seminaristas da diocese de Paris para o documentário “Em nome do Pai”, que estreou semana passada na tv francesa e do qual é co-diretora.

A entrevista de Ledoyen à luz do premiére do documentário foi repercutida por vários jornais franceses, como Le Parisien, Le Figaro, La Croix.

Durante um mês e meio a atriz e “neo-diretora” acompanhou três jovens candidatos ao sacerdócio, em suas mais variadas atividades, para entender “os mistérios da vocação”.

O documentário foi realizado como uma verdadeira investigação. Na entrevista, a jovem diretora confessou não ter nenhuma formação religiosa e sequer ter começado a questionar seu ateísmo. Ainda assim, no entanto, não sendo nem mesmo batizada, disse sempre ter tido fascinação pelo fervor religioso demonstrado por algumas pessoas.

Ela revelou que antes de realizar o documentário tinha a ideia de que a “Igreja evocava algo poeirento e sinistro”. “Descobri que ela era viva, encarnada por pessoas inteligentes e boas”. Interessante conclusão que demonstra, assim como o testemunho pessoal, sem temor, o argumento de primeira qualidade para a catequese.

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* ‘South Park’- conhecida série televisiva – recebe ameaça muçulmana e censura episódio.

sexta-feira, abril 23rd, 2010
'South Park' recebe aviso islamita e censura episódio

Criadores da série de animação satírica representaram o profeta Maomé com um fato de urso, irritando muçulmanos

Os criadores da série animada satírica South Park gostam de pensar que para eles nada é sagrado. Talvez por isso o programa já tenha representado Cristo como um super-herói disposto a fazer um desvio aos ensinamentos de Deus para apanhar os maus da fita. O próprio Deus já surgiu em episódios como uma mistura entre um macaco e um rinoceronte. E nem os judeus, nem os ateus, nem mesmo os mórmons escapam à pena afiada de Matt Stone e Trey Parker.

Mas se até agora as suas piadas religiosas haviam irritado algumas sensibilidades, a sua representação do profeta Maomé escondido numa pele de urso valeu-lhes uma ameaça de uma grupo islamita radical. “Temos de avisar Matt e Trey de que o que estão a fazer é estúpido e que podem acabar como Theo van Gogh”, escreveu um grupo islamita sediado em Nova Iorque no site Revolutionmuslim.com.

O aviso referia-se à morte do realizador holandês, assassinado em 2004 por um homem de origem marroquina descontente com o seu filme Submissão, em que Van Gogh criticava a forma como as mulheres são tratadas no islão. A mensagem, assinada por Abu Talhah al- -Amrikee, referia a morada de uma casa de que Stone e Parker são co-proprietários, bem como de escritórios na Califórnia e em Nova Iorque da produtora Comedy Central.

No episódio 200 de South Park, transmitido tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, o profeta Maomé surge várias vezes representado sob a pele de um urso. No mesmo programa não faltavam também representações dos profetas das outras religiões, incluindo um buda consumidor de droga. Mas a diferença é que para os muçulmanos qualquer representação física de Maomé é considerada blasfémia e vista como um insulto.

Para evitar mais polémicas, os criadores da série satírica decidiram passar na mesma o episódio 201, continuação do anterior, mas desta vez com um bip em cima nome do profeta do islão e nas cenas em que este surgia na sua pele de urso o ecrã era coberto por uma aviso de “censurado”. Antes de o programa ir para o ar, os dois criadores deram uma entrevista ao site Boing Boing na qual garantiram: “Seríamos hipócritas em relação à nossa mensagem e aos nossos pensamentos se disséssemos ‘OK, não vamos brincar com eles para que não nos façam mal’.”

Em 2006, a Comedy Central já havia proibido Stone e Parker de exibirem a imagem de Maomé num episódio que pretendia ser um comentário à polémica provocada pela publicação num jornal dinamarquês de cartoons do profeta do islão, um deles com um turbante-bomba. Agora, os criadores de South Park recordam que, antes das polémicas que se reflectiram em violentas manifestações de ira um pouco por todo o mundo muçulmano por causa dos cartoons, em 2001 a série já havia passado um episódio em que Maomé surgia representado.

Dar existência ao profeta do islão na ficção sempre foi um desafio para produtores e realizadores. O mais famoso filme de Holly-wood sobre Maomé é A Mensagem, de Mustafa al-Akkad. Ele próprio muçulmano, o realizador optou por insinuar a presença do profeta no vento e na luz.

Fonte: Diário de Notícias de Portugal

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* Papa: Evangelho voltou a ser contracultura na Europa.

terça-feira, abril 20th, 2010

Bento XVI conversa com jovens em um barco no porto de Valletta  Foto: AP
Bento XVI conversa com jovens em um barco no porto de Valletta
Foto: AP

O papa Bento XVI denunciou em Malta que a cultura atual promove ideias que contrastam com as de Jesus Cristo e afirmou que, no contexto da sociedade europeia, os valores evangélicos estão se tornando “de novo uma contracultura“. Assim disse Bento XVI perante milhares de jovens malteses na capital, Valletta, o último ato de sua visita de dois dias a Malta.

Após cânticos e a narração de experiências próprias por parte dos jovens, o papa, que acaba de completar 83 anos, pediu que “não tenham medo” na hora de mostrar o Evangelho. “Aos que desejam seguir Cristo como maridos, pais, sacerdotes, religiosos ou fiéis laicos que levam o Evangelho pelo mundo lhes digo: não tenham medo, já que encontraremos certa oposição à mensagem do Evangelho”, afirmou o Bispo de Roma.

O pontífice acrescentou que “a cultura de hoje, como qualquer outra cultura, promove ideias e valores que contrastam em algumas ocasiões com os que Jesus Cristo vivia e predicava”. O papa disse que Deus ama cada um dos homens com uma profundidade e uma intensidade que não se pode imaginar. “Deus não rejeita ninguém, só nos pede para mudar e ser mais perfeitos. A Igreja também não rejeita ninguém”, assegurou.

Em um país onde 94,4% dos habitantes são católicos e nem o divórcio nem o aborto estão legalizados, o papa disse que os malteses têm que estar “orgulhosos” pela defesa que fazem da estabilidade da vida familiar para uma sociedade saudável.

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* Diálogo com cultura deve ser respeitoso mas sem renunciar aos princípios.

quinta-feira, abril 1st, 2010

O Arcebispo de Córdoba na Argentina, Dom Carlos Ñáñez, assinalou que os sacerdotes devem viver o momento histórico que lhes corresponde viver, tendo presente que o diálogo com a cultura deve ser respeitoso sem renunciar ou rebaixar os próprios princípios.

Em todo este processo de diálogo com a cultura é decisivo ser respeitosos e caridosos com as buscas que se dão no seio da comunidade eclesiástica e presbiteral, evitando simplificações, caricaturizações, desqualificações, rigidezes e intransigências em nossas afirmações e atitudes”, indicou o Prelado.

Entretanto, esclareceu que “tudo isso não significa renegar nem rebaixar -liquidificar- as próprias convicções mas em realidade aprofundar e elaborar adequadamente os argumentos que nos permitem assumi-las e sustentá-las, expondo-os com respeito e mansidão, como recomenda o apóstolo são Pedro, e dessa maneira contribuir à busca da verdade”.

Dom Ñáñez dirigiu uma mensagem aos sacerdotes exortando-os a assumir o desafio de viver sua identidade “em um mundo cada vez mais pluralista”. “Isso supõe ter um olhar sereno ante a cultura emergente; um olhar, ao mesmo tempo, lúcido e crítico para saber valorar as oportunidades que oferece o evangelho e para estar atentos às dificuldades que expõe”, indicou.

“Como sacerdotes não podemos subtrairmo-nos ao momento histórico que nos corresponde viver”, afirmou.

O Arcebispo de Córdoba disse que a diminuição do número de sacerdotes e a toma de consciência da co-responsabilidade de todos os batizados na evangelização, “expõem novos desafios e impulsionam diversas transformações nas estruturas e no modo de viver o ministério nas comunidades”.

Com respeito ao celibato, o Prelado reafirmou que “é um dom do Espírito para amar mais e é um sinal e um estímulo da caridade pastoral que deve impregnar e animar constantemente nosso ministério”.

“Neste ano sacerdotal estamos também convidados a renovar uma vez mais a sincera e cordial aceitação desse dom e a nos comprometermos generosa e abnegadamente com sua plena realização em nossas vidas”, afirmou.

ACI

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* Pornografia dispara com web e consumidores são menos felizes, diz estudo

quinta-feira, março 18th, 2010

da Efe, em Washington

As novas tecnologias dispararam a procura por pornografia, sobretudo na internet, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (17) que adverte para o impacto negativo nas relações, na produtividade e na felicidade entre consumidores desses produtos.

Estes são alguns dos custos sociais detectados pelo grupo de pesquisadores multidisciplinar do “The social cost of pornography: A statement of findings and recommendations” (”O custo social da pornografia: uma declaração com descobertas e recomendações”, em tradução livre), publicado pelo Instituto Witherspoon.

“Desde o começo da era da internet, as pessoas consomem mais pornografia do que nunca e seu conteúdo se tornou cada vez mais gráfico”, afirmou a pesquisadora do centro Hoover Institution, Mary Eberstadt.

“Os que veem pornografia acreditam que sua vida sexual vai ser melhor, mas têm ejaculação precoce, mais disfunções e problemas para se relacionar”, afirma Mary Anne Layden, coautora e diretora do programa de traumas sexuais e psicopatologia da Universidade da Pensilvânia.

Segundo Layden, a exposição em massa a conteúdos pornográficos leva a mudanças de crenças e atitudes sociais; por exemplo, aumenta-se a insensibilidade com relação às mulheres, reduz-se o apoio ao movimento de libertação feminina e perde-se a noção de que estes conteúdos devem ser restringidos para menores.

Divórcio

Vários estudos, como o “Romantic Partners Use of Pornography; Its significance for Women” (”Uso de pornografia por casais; seu significado para as mulheres”, em tradução livre) do médico A.J. Bridges, assinalam que a mulher que sabe que seu marido consome pornografia se sente traída e não confia no parceiro.

Os custos psicológicos a que fazem referência os autores em situações como esta podem desencadear outras consequências no casal, como o divórcio.

Segundo dados da Sociedade Americana de Advogados Matrimoniais, que inclui 1,6 mil profissionais dos EUA, 56% dos 350 casos atendidos em 2003 tinham relação com o interesse obsessivo de um dos parceiros por sites pornográficos.

O consumo contínuo desses produtos frequentemente acaba em alguma patologia, assinalou Layden. Ela lembrou que pela primeira vez o DSM 5, manual utilizado para fazer diagnósticos psiquiátricos, vai incluir como doenças as dependências de sexo e da pornografia.

Para os especialistas, o consumo de pornografia não é visto como um problema grave na sociedade. Por isso, eles reivindicam uma maior atenção sobre o assunto e pedem mais proteção, sobretudo para crianças e adolescentes.

Bloqueio

Segundo Layden, “um software para bloquear as páginas com conteúdos pornográficos na internet não é suficiente”, já que as crianças têm a seu alcance outros sites onde podem encontrar o código para desbloquear o filtro.

A pesquisadora exige à indústria do entretenimento que deixe de “fazer dinheiro ferindo crianças”.

“A presença da pornografia na vida de muitos meninos e meninas adolescentes é muito mais significativa do que a maioria dos adultos acha”, apontou. Layden lamenta que a pornografia “deforme o desenvolvimento sexual saudável dos jovens”.

Para Eberstadt, é preciso “mudar o que socialmente não está visto como algo mau” e perceber o tema como algo que afeta a sociedade em seu conjunto. Dessa forma será possível criar um movimento contra a pornografia.

O Witherspoon é um centro de pesquisa independente que promove a aplicação dos princípios fundamentais do governo republicano e, segundo seu site, trabalha para “melhorar os fundamentos morais das sociedades democráticas”.

Fonte: UOL

http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u708072.shtml

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* Avatar. Qual a “teologia” do filme que bateu o mega sucesso Titanic?

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Quantcast


O sucesso de “Avatar” foi bilionário. Os efeitos visuais do filme de J. Cameron são mesmo incríveis — assisti em 3D. A mensagem central é alinhada ao que tem sido considerado politicamente correto pelo paradigma socialoide, tanto antropológica como ecologicamente. Milhares de povos têm sido de fato destruídos ao longo da história por causa da ganância império-colonialista, que passa como um rolo compressor por cima de terras, casas, referências culturais, corpos e o que mais for preciso em nome do lucro.

Tangencialmente somos informados que a Terra já teria seu habitat destruído — e agora vemos os homens (machos brancos) exportando para os limites da galáxia a cultura de exploração destrutiva, garantida por tropas militares (mercenários sem bandeira, mas que se comunicam no idioma do mercado…), enquanto os frágeis (mulher e deficiente físico) salvam o mundo imaginado no espaço. Uma projeção na telona das angústias e anseios da humanidade.

Então, a mensagem de preservação de povos, culturas e o meio ambiente é bacana e necessária.

Porém chamo a atenção para a teologia (o discurso sobre o deus, o divino, a deidade) que é sedimentada na mente dos expectadores “almiabertos” (boquiabertos). Não é questão de demonizar a produção e não assistir ao filme, mas de saber os corantes e conservantes que o compõem e aos quais somos expostos (e que não são informados na embalagem) e que, em alguns casos, colateralmente, poderão redundar nalgum câncer espiritual.

Cito a Wikipédia, por ser uma referência popular: “Avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal, segundo a religião hindu, por vezes até do Ser Supremo. Deriva do sânscrito ‘Avatāra’, que significa ‘descida’, normalmente denotando uma (religião), encarnações de Vishnu (tais como Krishna), que muitos hinduístas reverenciam como divindade… Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra…”

Quando essa forma impersonalizada de Deus transcende daquela dimensão elevada para o plano material do mundo, ele — ou ela — é conhecido então como a encarnação ou Avatara… Em uma concepção mais abrangente, a encarnação poderia ser descrita como o corpo de carne. Mas essa concepção seria talvez errada, conquanto tais formas divinas não se tornam reais seres de carne e osso, ou assumem corpos materiais. Uma alma comum assume corpos materiais de carne e osso, mas no caso dessa manifestação divina, seu corpo e sua alma transcendem a matéria e, embora apareçam como impersonalizações, aquele corpo também pertence a sua essência espiritual…

Essa palavra “Avatar” se tornou popular entre os meios de comunicação e informática devido às figuras que são criadas à imagem e semelhança do usuário, permitindo sua “impersonalização” no interior das máquinas e telas de computador… Tal criação assemelha-se a um avatar por ser uma transcendência da imagem da pessoa, que ganha um corpo virtual, desde os anos 80, quando o nome foi usado pela primeira vez em um jogo de computador… Mas a primeira concepção de avatar vem primariamente dos textos hindus, que citam Krishna como o oitavo avatar — ou encarnação — de Vishnu, a quem muitos hindus adoravam como um Deus”.

Não há como ignorar o componente teológico envolvido no filme.

Primeiro, pelo nome do filme em si (a orientalização do Ocidente é uma tendência que vem crescendo desde meados do século 20), assim como por um linguajar que faz referência e remete ao hinduísmo.

Segundo, pela ideia de espírito / mente de um ser “transmigrar” para outro corpo (em “Avatar”, paralelamente, num mesmo tempo e espaço; no hinduísmo, sucessivamente, noutro tempo e forma de vida).

Terceiro, e principalmente, pela noção panteísta de divindade, ou seja, um poder divino embutido na natureza, visualizado e adorado em forma de árvore especial, com a qual é possível estabelecer contato e comunicação (é pessoal), que elege seres para tarefas salvíficas, que mantém aquele mundo em equilíbrio, que move os elementos (animais, por exemplo) que compõem aquele cosmos, que toma a vida (decide quem continua a viver), que realiza o milagre de transferir efetivamente uma alma de um corpo para outro.

Quarto, pela semelhança sonora entre o nome da divindade (Eiwa) com Jeová. Seria a tentativa de alguma redefinição do Deus revelado por Jesus, segundo a Escritura? (A tendência atual não é ateísmo, mas uma forma religiosa natural, mais palatável que o Deus bíblico.) Ainda há outros aspectos, mas esses bastam para mostrar o ponto: “Avatar” está cheio de elementos teológicos, no caso, panteístas.

O contraste com o Deus da Bíblia é enorme, pois ele é o Deus Eterno, Criador, o Deus Soberano no universo (não limitado a uma lua do cosmos), o Deus que é espírito puro, o Deus Pai de Jesus Cristo (chamado por alguns hindus modernos de um avatar…), o Deus que ama e salva a sua criação entrando na história e assumindo a cruz para resgatá-la.

Sem paranoia, mas vigiando (levando em conta que J. Cameron patrocinou um documentário que questiona a ressurreição de Jesus), o que a cultura contemporânea vem sedimentando em nossa alma? Quais serão os efeitos espirituais reais que tal cosmovisão terá sobre a mente de milhões de consumidores desse tipo de cultura?

Pessoalmente, não gostaria de viver em sociedades como as que a teologia hindu pariu (idealizada pela novela “Caminho das Índias”). É claro, portanto, que há uma relação direta entre a teologia e o modo de vida, entre uma teologia idólatra e um modo de vida igualmente reduzido, entre uma concepção panteísta da divindade e uma espiritualidade esvaziada da cruz.

Não vivemos sem cultura. Alimentamo-nos constantemente dela.

Esse artigo tem por objetivo despertar a atenção para as expressões culturais que ingerimos. A ideia é provocar reflexão e reação ,ainda mais que o diretor já anunciou a continuação de “Avatar” em mais um ou dois filmes.

Autor : Christian Gillis

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* Veja lista de alguns jornais católicos, com link de acesso.

quarta-feira, janeiro 13th, 2010
Clique no link.

A Mensagem Católica (Olinda e Recife-PE)

A Ordem (Natal-RN)

Arquidiocese em Notícias (Manaus-AM)

Brasil Central (Goiânia-GO)

Diocese Informa (Joinville-SC)

Jornal da Arquidiocese (Florianópolis-SC)

Jornal de Opinião (Belo Horizonte-MG)

Jornal São Salvador (Salvador-BA)

L’osservatore Romano (Vaticano)

Missão Jovem (Florianópolis-SC)

Mundo Jovem (Porto Alegre-RS)

O Diocesano (Volta Redonda e Barra do Piraí-RJ)

O São Paulo (São Paulo-SP)

Santuário de Aparecida (Aparecida-SP)

Voz de Nazaré (Belém-PA)

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* Você conhece nossa cultura Católica?

quarta-feira, janeiro 13th, 2010

Hilton Valeriano

É difícil recomendar obras quando se trata do Cristianismo Católico.Digo difícil, porque para mim o Cristianismo é sinônimo de cultura, e quando digo Cristianismo, quero dizer Catolicismo.

Quando consegui superar minha fase agnóstica e cética, converti-me ao Catolicismo por perceber que o mesmo era sinônimo de fé, mas também razão e cultura.

A evidência de um fato: quando São Paulo prega na Ágora para os gregos, inicia-se a grande síntese entre as duas maiores revoluções culturais da humanidade: a cultura grega e a cristã. Essa síntese denomina-se catolicismo. A Igreja Católica (para o horror de seus detratores) nunca destruiu culturas, mas as assimilou elevando-as à perfeição.

Uma instituição inimiga da cultura e da razão não seria responsável por salvar o saber clássico da catástrofe das invasões bárbaras na queda do Império Romano.

Sim, se podemos ler Platão, Homero, Hesíodo, os grandes trágicos Ésquilo, Eurípides, Sófocles, Epicteto, Marco Aurélio, Sêneca, Virgílio, Horácio, Ovídio… devemos ser gratos aos mosteiros, aos bizantinos, ou seja, a Igreja Católica!

Se não fosse essa instituição “inimiga” da razão não teríamos as Universidades: Oxford, Cambridge, Salamanca, Lisboa, Coimbra, Pádua, Bolonha, Sorbonne…

Pensemos na grandiosidade da arquitetura gótica: somente a razão iluminada pela fé poderia ter criado esse esplendor. Vide Reims, Notre Dame e Chartres. Sim, a verdadeira França não é a aberração nascida do iluminismo e da revolução francesa, mas sim a França cristã Católica. O espírito da França não está em Descartes, e sim em Pascal!

Pensemos na beleza dos mosaicos bizantinos, nos afrescos de Giotto, Fra. Angélico. Em Caravaggio, El greco. Na capela Sistina. No barroco. Em tantos monumentos da arte criados pelo espírito Católico. O canto gregoriano… A estética Católica é o reflexo da eternidade! Ser Católico é amar a cultura. A lista de citações seria interminável.

O que seria da Europa sem a regra de São Bento? Da mística de São João da Cruz, de Santa Teresa d’Ávila? Se dedicar ao estudo do Catolicismo é se dedicar ao estudo dos mestres da patrística, da escolástica, da teologia monástica. Mas cito alguns livros que tenho de cabeceira: A prática do amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso de Ligório. Um belo livro de moral Católica. As epístolas de Santa Catarina de Sena. História de uma alma, de Santa Teresa do menino Jesus. Essa obra maravilhosa mostra a importância de uma família repleta do espírito do evangelho, da doutrina da Santa Igreja Católica: seu fruto só pode ser a santidade.

Tudo em Santo Agostinho é essencial. Mas Santo Agostinho é um universo. Recomendo Confissões e A verdadeira religião. Um clássico: A imitação de Cristo, de Tomás Kempis. Ortodoxia de Chesterton. Revolução e contra-revolução de Plínio Corrêa de Oliveira.

O espírito do Catolicismo sempre inspirou grandes manifestações em termos de cultura. Pensemos em sua Santidade o Papa Bento XVI: como a mídia mostra-se hipócrita e odiosa em relação à sua pessoa. Sua cegueira é evidente: não enxergar o grande homem de cultura que está à frente da Igreja Católica. Eu desafio: leiam suas audiências. Leiam o discurso que seria proferido na Universidade La “Sapienza”! A mesma que fechou suas portas em nome da “razão”. Leiam Memória e identidade, do Papa João Paulo II: mostra de verdadeira consciência histórica de acontecimentos que marcaram o século XX.

No Brasil, enquanto o flagelo do marxismo e progressismo não tornaram a inteligência católica bestial, houve grandes romancistas e poetas como Cornélio Penna, Lúcio Cardoso, Octávio de Faria, Gustavo Corção, Murilo Mendes, Jorge de Lima… Muitos esquecidos, mas graças a Deus sendo redescobertos.

Pensemos em nomes como George Bernanos, François Mauriac, Paul Claudel, Julien Green.. Como a França anda mal… (…)

Por isso recomendo o estudo da verdadeira cultura, a cultura presente na Tradição Católica!

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* “A internet nos suga como uma esponja”.

sexta-feira, janeiro 8th, 2010
O tema não é de natureza religiosa, mas toca em um aspecto importantíssimo :a perca da capacidade de pensar e refletir, fundamental para nossa vivência de fé em um mundo em permanente transformação, mundo esse que somos chamados a evangelizar com redobrado fervor, unção e parresia.

Como ele bem disse: “estamos perdendo a capacidade de nos concentrarmos, lermos atentamente e pensarmos com profundidade”.
A fonte é a Revista ” Época”.

***
Um dos maiores palestrantes do mundo empresarial diz que viver conectado é prejudicial a nosso cérebro

Para Nicholas Carr, um dos palestrantes mais valorizados do mundo dos negócios, a dependência da troca de informações pela internet está empobrecendo nossa cultura.

Mais ainda: nosso intelecto, ao se acostumar aos múltiplos estímulos das redes sociais, aos e-mails e aos comunicadores instantâneos, perde a capacidade de raciocínios elaborados.

Autor de um famoso artigo cujo título resume o conteúdo – “O Google está nos tornando mais estúpidos?” – , Carr está preparando um livro de nome igualmente provocativo – numa tradução literal, O raso: o que a internet está fazendo com nosso cérebro.

Ele falou a ÉPOCA durante uma visita ao Brasil para uma palestra a 4.500 líderes empresariais, num dos maiores eventos para executivos do país.

Sascha Pflaeging

ÉPOCA – A internet afeta a inteligência?

Nicholas Carr – Você fica pulando de um site para o outro. Recebe várias mensagens ao mesmo tempo. É chamado pelo Twitter, pelo Facebook ou pelo Messenger. Isso desenvolve um novo tipo de intelecto, mais adaptado a lidar com as múltiplas funções simultâneas, mas que está perdendo a capacidade de se concentrar, ler atentamente ou pensar com profundidade. Isso é um resultado da dependência crescente em relação à internet. Essa forma de pensar vai reduzir nossa habilidade para pensar contemplativamente. Ela prejudica nossa cabeça.

ÉPOCA
– Quais seriam as consequências?

Carr – A riqueza de nossa cultura não é apenas quanta informação você consegue juntar. Ela tem a ver com os indivíduos pensando profundamente sobre a informação, refletindo sobre ela, avaliando pessoalmente os dados que recebe e não se deixando passivamente bombardear por vários estímulos. Estamos perdendo isso agora. Toda a cultura fica mais rasa. Temos acesso democrático à informação, mas o resultado é mais pobre. Temos menos condições de compreender as grandes obras da arte, da ciência ou da literatura, que exigem uma concentração mais profunda.

ÉPOCA – As pessoas deveriam ficar desconectadas de vez em quando?

Carr – Sim. Deveríamos desconfiar da internet. É claro que conseguir bastante informação útil é parte de nossa vida moderna. Mas precisamos encorajar continuamente o outro lado, que é a aquisição calma e contemplativa do conhecimento. Isso exige ficar fora do fluxo contínuo de informação. Só não sei se isso será possível porque nossa vida social está cada vez mais dependente de quão conectados estamos. Seu grupo de amigos está embrulhado em redes sociais na internet. Você precisa da internet para executar seu trabalho. Não para de olhar para seu BlackBerry. Não é mole se desligar disso tudo.

ÉPOCA – A filosofia grega foi construída em cima de debates. O pensamento de Platão são conversas com seus discípulos. Por que não daria para erigir conhecimento a partir da interação com os outros?

Carr – Nos Diálogos de Platão, temos duas pessoas dedicadas a uma conversa atenta sobre determinado tema. Se você entra on-line, encontra dezenas de pessoas trocando mensagens de texto, vendo e-mails, escrevendo no Twitter e pulando de uma página para outra. A troca de informação ocorre com interrupções o tempo todo. Sócrates sentava-se embaixo de uma árvore e pensava longamente enquanto conversava com seus discípulos. É muito diferente do que fazemos agora.

ÉPOCA – Uma das maiores lojas on-line, a Amazon, vende livros. As pessoas baixam livros no Kindle. Até o senhor vende livros. Isso não significa que as pessoas ainda leem textos extensos?

Carr –
É verdade que as pessoas ainda lerão livros por muito
tempo. Mas o porcentual de tempo dedicado à mídia impressa vem caindo. A média americana é de um livro por dia, o que ainda é muito bom. Só que o ato de ler uma página após a outra fica cada vez mais difícil à medida que você se adapta à comunicação da internet. Eu mesmo sinto isso. Antes eu me sentava e lia por horas. Agora, fico pensando se devia conferir meu e-mail ou acho ruim não encontrar hiperlinks no texto.

ÉPOCA – Essa habilidade para múltiplas tarefas e para administrar várias informações simultâneas não nos dá, em compensação, maior capacidade para criar novas ideias?

Carr – Certamente temos maior capacidade para encontrar informação ou relacionar uma com a outra. Mas dependemos cada vez mais de conexões externas. Você estabelece uma relação porque clicou em um hiperlink que alguém deixou lá. Já construir as próprias relações entre um fato e outro exige um tempo de reflexão própria, que não estamos tendo.

ÉPOCA – Essa visão negativa da internet não é apenas o medo da mudança?

Carr
– Não há dúvida que, toda vez que uma tecnologia nova aparece, algumas pessoas imaginam que tudo vai desmoronar. Sim. É preciso ter essa visão cética. Por outro lado, também devemos desconfiar quando ouvimos alguém glorificando as novas tecnologias e prometendo uma nova utopia. Recomendo que as pessoas não sigam o que eu digo cegamente. Mas que examinem o próprio comportamento. Testem em si mesmos o que estou dizendo.

ÉPOCA Os cursos on-line vão revolucionar a educação?

Carr
– Existe empolgação em torno dos cursos on-line porque parecem cortar os custos. Um professor poderia dar aula para milhares de alunos, em vez de apenas uma turma de algumas dezenas. Mas não acho que a educação on-line vá substituir a tradicional. Ela pode funcionar como complemento para o professor ter um material de apoio na sala de aula ou para o aluno reforçar em casa o que aprendeu na escola. Outra utilidade dos cursos on- -line é a formação técnica profissional em casos específicos. Existe um aspecto importante na educação, que é juntar os alunos fisicamente para conviver e trocar experiências. Isso vai além de apenas assistir a uma aula. Tem a ver com o lado comunitário da educação, que se perderia se passarmos tudo para o computador.

ÉPOCA – Como a tecnologia pode beneficiar a educação?

Carr
– Por um lado, o que estamos vendo é que muitas escolas, especialmente universidades, começam a oferecer material on-line de seus cursos, inclusive algumas aulas. Isso é bom. Permite que gente de fora da universidade tenha acesso à informação de ponta e aulas de grandes pensadores. O perigo para as grandes universidades é que os alunos possam ter a ilusão de que terão acesso ao conhecimento apenas sentados diante de um computador. Aí o que acontece é que a eficiência de fornecer material on-line começa a capturar os investimentos financeiros, que deveriam ir para as universidades e escolas. Se um professor dá aula para milhões de alunos, quem vai pagar o salário dos outros?

ÉPOCA – Como atrair a atenção dos jovens que estão ligados nas redes de relacionamento e nos jogos da internet para a educação “formal”?
Carr – Naturalmente, não há como fazer isso. Nossa dependência dos serviços de internet não está mudando apenas nossos relacionamentos e nosso acesso ao conhecimento, mas também a forma como nossa mente funciona. Não é só entre os jovens, mas gente de todas as idades usa cada vez mais a internet. Nas escolas e em casa, os pais e os educadores têm sido excessivamente entusiastas do poder dos computadores. Temo que, como o cérebro constrói a maior parte das ligações entre os neurônios na juventude, o modo de pensar promovido pelo convívio com a internet predomine sobre a capacidade de análise. Os pais devem manter seus filhos o máximo longe das telas. Na verdade, acredito que as crianças não devem mexer em computadores de jeito nenhum. Mais tarde, quando entrarem na adolescência, terão de aprender a lidar com a internet para sua vida adulta, social e profissional. Mas antes disso não.

ÉPOCA Como o senhor fez com seus filhos?

Carr
– Minha filha tem 24 anos, meu filho 19. Então, quando eram crianças não havia tanto acesso à internet e a computadores. Nem as redes sociais existiam. Mas mesmo naquela época eu já sabia que as mídias usadas pelas crianças teriam influência em sua capacidade cognitiva futura. Não quero dizer que a internet seja ruim. Ela é essencial para encontrarmos pessoas e informações úteis. Mas ela é como uma esponja. Vai sugando todos os aspectos da vida. E nos obriga a se adaptar a ela. É o futuro da humanidade. Só que perderemos alguma coisa no meio do caminho.
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