* Papa reafirma sua crença na “necessidade urgente de diálogo permanente e de cooperação entre os mundos da ciência e da fé para construir uma cultura de respeito aos seres humanos”.
sábado, novembro 10th, 2012
A ciência de hoje deve assumir uma abordagem cada vez mais interdisciplinar, ajudando a construir uma cultura de respeito aos seres humanos e à proteção da dignidade humana, afirmou Bento XVI na audiência aos participantes da Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências, que aconteceu de 5 a 7 de novembro, abordando A Complexidade e a Analogia na Ciência: Aspectos Teóricos, Metodológicos e Epistemológicos.
Depois de agradecer ao professor Werner Arber, presidente da Pontifícia Academia das Ciências, e a dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da academia, Bento XVI sublinhou a “variedade de perspectivas” que surgiram durante a assembleia e que levam a uma “visão nova da unidade das ciências”.
Algumas “descobertas significativas” feitas nos últimos anos convidam a levar em conta a “grande afinidade de física e biologia que se manifesta claramente cada vez que conseguimos uma compreensão mais profunda da ordem natural”, disse o papa. Na complexa estrutura do cosmos, portanto, o “mistério do homem” encontra seu lugar, acrescentou.
Os debates durante a assembleia plenária da Pontifícia Academia se voltaram, por um lado, “à dialética da pesquisa científica em constante expansão, aos métodos e às especializações”, e, por outro, “à busca de uma visão abrangente do universo, em que os seres humanos dotados de inteligência e de liberdade são chamados a compreender, amar, viver e trabalhar”.
Esta “abordagem interdisciplinar” destaca os vários ambientes científicos como campos “conectados uns com os outros e com o mundo”. Esta visão apresenta “pontos frutíferos de contato com a visão do universo assumida pela filosofia e pela teologia cristã”, em que toda criatura “compartilha de uma natureza específica, dentro de um cosmos ordenado, que tem origem na Palavra criadora de Deus”.
É esta intrínseca organização “lógica” e “analógica” da natureza que “incentiva a pesquisa científica e estimula a mente humana a descobrir a participação horizontal entre os seres e a participação transcendente do Primeiro Ser”, continuou o Santo Padre.
O universo, portanto, não é “caos” nem “resultado do caos”, mas “se mostra cada vez mais claramente como uma complexidade ordenada, que nos permite elevar-nos, através da análise e da analogia comparativa, da especialização até uma visão mais universal, e vice-versa”.
Se, por um lado, os primeiros momentos do universo e da vida “ainda escapam à observação científica, a ciência se encontra, por outro, a pensar em uma vasta gama de processos que revelam uma ordem de evidentes e constantes correspondências e que servem como componente essencial de criação permanente”.
É por causa da noção de criação que o pensamento cristão usou a analogia “não só como ferramenta de análise horizontal das realidades da natureza, mas também como estímulo para o pensamento criativo em âmbito mais transcendente”, ou como meio de “elevação do criado até a contemplação do Criador”.
O papa reafirmou a sua crença na “necessidade urgente” de “diálogo permanente” e de “cooperação entre os mundos da ciência e da fé, para construir uma cultura de respeito aos seres humanos, à dignidade humana e à liberdade, pelo futuro da nossa família humana e pelo desenvolvimento sustentável do nosso planeta no longo prazo”.
Sem esta “interação necessária”, a “grande questão da humanidade” deixa o reino da razão e da verdade, ficando à mercê “do mito, do irracional ou da indiferença, com grande prejuízo para a própria humanidade, para a paz no mundo e para o nosso destino final”, concluiu o papa.
















Percival Puggina

Zenit
Será que a Igreja deve necessariamente adaptar-se a todas as mudanças culturais do tempo em que se encontra? É esta a maneira correta de dialogar com o mundo?


















