Posts Tagged ‘Cultura’

* Papa reafirma sua crença na “necessidade urgente de diálogo permanente e de cooperação entre os mundos da ciência e da fé para construir uma cultura de respeito aos seres humanos”.

sábado, novembro 10th, 2012

A ciência de hoje deve assumir uma abordagem cada vez mais interdisciplinar, ajudando a construir uma cultura de respeito aos seres humanos e à proteção da dignidade humana, afirmou Bento XVI na audiência aos participantes da Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências, que aconteceu de 5 a 7 de novembro, abordando A Complexidade e a Analogia na Ciência: Aspectos Teóricos, Metodológicos e Epistemológicos.

Depois de agradecer ao professor Werner Arber, presidente da Pontifícia Academia das Ciências, e a dom Marcelo Sánchez Sorondo, chanceler da academia, Bento XVI sublinhou a “variedade de perspectivas” que surgiram durante a assembleia e que levam a uma “visão nova da unidade das ciências”.

Algumas “descobertas significativas” feitas nos últimos anos convidam a levar em conta a “grande afinidade de física e biologia que se manifesta claramente cada vez que conseguimos uma compreensão mais profunda da ordem natural”, disse o papa. Na complexa estrutura do cosmos, portanto, o “mistério do homem” encontra seu lugar, acrescentou.

Os debates durante a assembleia plenária da Pontifícia Academia se voltaram, por um lado, “à dialética da pesquisa científica em constante expansão, aos métodos e às especializações”, e, por outro, “à busca de uma visão abrangente do universo, em que os seres humanos dotados de inteligência e de liberdade são chamados a compreender, amar, viver e trabalhar”.

Esta “abordagem interdisciplinar” destaca os vários ambientes científicos como campos “conectados uns com os outros e com o mundo”. Esta visão apresenta “pontos frutíferos de contato com a visão do universo assumida pela filosofia e pela teologia cristã”, em que toda criatura “compartilha de uma natureza específica, dentro de um cosmos ordenado, que tem origem na Palavra criadora de Deus”.

É esta intrínseca organização “lógica” e “analógica” da natureza que “incentiva a pesquisa científica e estimula a mente humana a descobrir a participação horizontal entre os seres e a participação transcendente do Primeiro Ser”, continuou o Santo Padre.

O universo, portanto, não é “caos” nem “resultado do caos”, mas “se mostra cada vez mais claramente como uma complexidade ordenada, que nos permite elevar-nos, através da análise e da analogia comparativa, da especialização até uma visão mais universal, e vice-versa”.

Se, por um lado, os primeiros momentos do universo e da vida “ainda escapam à observação científica, a ciência se encontra, por outro, a pensar em uma vasta gama de processos que revelam uma ordem de evidentes e constantes correspondências e que servem como componente essencial de criação permanente”.

É por causa da noção de criação que o pensamento cristão usou a analogia “não só como ferramenta de análise horizontal das realidades da natureza, mas também como estímulo para o pensamento criativo em âmbito mais transcendente”, ou como meio de “elevação do criado até a contemplação do Criador”.

O papa reafirmou a sua crença na “necessidade urgente” de “diálogo permanente” e de “cooperação entre os mundos da ciência e da fé, para construir uma cultura de respeito aos seres humanos, à dignidade humana e à liberdade, pelo futuro da nossa família humana e pelo desenvolvimento sustentável do nosso planeta no longo prazo”.

Sem esta “interação necessária”, a “grande questão da humanidade” deixa o reino da razão e da verdade, ficando à mercê “do mito, do irracional ou da indiferença, com grande prejuízo para a própria humanidade, para a paz no mundo e para o nosso destino final”, concluiu o papa.

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* Tchutchucas e Tigrões…O que fizeram com a cultura musical brasileira?

terça-feira, janeiro 10th, 2012

Percival Puggina

Alguém teve a feliz ideia de me mandar uma seleção de músicas populares brasileiras que, através dos tempos, exaltam a mulher.

Nos anos 40, cantava-se que “a deusa da minha rua tem olhos onde a lua costuma se embriagar”. Nos anos 50, “o teu balançado é mais que um poema; é a coisa mais linda que já vi passar”.

Nos anos 60, “nem mesmo o céu nem as estrelas, nem mesmo o mar e o infinito não é maior que meu amor, nem mais bonito”.

Hoje, a coisa está assim: “Tchutchuca vem aqui com teu tigrão. Vou te jogar na cama e te dar muita pressão”. Ou, então: “Pocotó, pocotó, pocotó, minha eguinha pocotó”. Ou ainda: “Hoje é festa lá no meu apê. Pode aparecer, vai rolar b… lelê”. E, para arrematar: “Eu sou o lobo mau, au au”. “E o que você vai fazer? Vou te c..

Sei que tem gente adorando. Sei que existem pedagogos deslumbrados com esses exercícios poéticos e libertários através dos quais se está realizando, com prodigalidade, o sonho de uma sociedade de cabeça fraca, destituída de juízo moral, “bom gosto” e senso crítico, pronta para ser levada pelo nariz para onde bem entenderem seus condutores.

Não me perguntem como foi que nos tornamos assim. Minha resposta vai magoar muita gente porque isso não se instalou por geração espontânea. Isso foi espargido estrategicamente, por gente adulta, dedicada a destruir os valores de uma civilização, contando com a colaboração de pais omissos, professores instrumentalizados e religiosos mais interessados em ideologias do que na salvação das almas. O agente laranja que jogaram em cima da sociedade reduziu-a a galhos secos onde não se reconhecem os frutos da boa semente nem a existência de vida inteligente.

Que queiram fazer isso conosco é fácil entender. Os agentes do mal são astutos e insidiosos. Mas que nos deixemos levar para as profundezas da baixaria e do mau gosto, é incompreensível.

Que os rapazes das danceterias se deliciem com as sugestões lascivas das letras e com a coisificação da mulher, reduzida à condição de instrumento de prazer, até se pode explicar, num contexto de libertinagem. Mas que as mulheres não se sintam ultrajadas e entrem na pista com prontidão e requebros de vaca para touro, isso fica alguns anos à frente da minha capacidade de compreensão.

“E daí?”, talvez esteja se perguntando o leitor. Daí, meu caro, que o mau gosto e o deboche arruínam a dignidade da pessoa humana, afetam seu juízo moral, reduzem o discernimento e a capacidade de compreender a realidade.

A superficialidade passa a presidir as ações e as relações sociais e a mente torna-se um disco rígido que vai reduzindo sua capacidade à proporção da minguada utilização que lhe é dada. Eis por que todos correm atrás de um diploma, mas poucos se preocupam em fazer jus a ele através do estudo. Queiramos ou não, a cultura tem um papel determinante nos padrões da vida social e a dedicação ao estudo cumpre função importante no progresso individual e social. O que havia de melhor na nossa cultura e no nosso ensino foi morrendo de velhice e de tristeza. Ou não?

As Tchutchucas e as eguinhas pocotós agasalharão entre seus quadris as futuras gerações de brasileiros. E não é difícil prever o que vem por aí, não é mesmo, Tigrão?

______________
* Percival Puggina (67) é arquiteto, empresário, escritor, titular do site www.puggina.org, articulista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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* Austrália quer que muçulmanas removam véu do rosto.

domingo, julho 24th, 2011

As mulheres muçulmanas terão que remover seus véus e mostrar seus rostos para a polícia se forem requisitadas ou poderão ir para a prisão, de acordo com proposta de nova lei do estado mais populoso da Austrália, Nova Gales do Sul.

Um intenso debate cultural iniciado pelo projeto de lei reflete o crescente fluxo de migrantes muçulmanos e o desconforto que os sinais visíveis do Islã estão provocando nos habitantes predominantemente católicos da Austrália.

O novo projeto de lei de Nova Gales do Sul, onde está localizada a capital Sydney, prevê que se uma mulher se recusar a remover o véu facial poderá receber uma sentença de um ano na prisão e multa de US$ 5.900. A lei – que deve ser votada pelo parlamento estadual em agosto – foi vista por civis libertários e por muitos muçulmanos como uma reação exacerbada para um caso de trânsito envolvendo uma mulher muçulmana que estava dirigindo o veículo usando o véu que deixa apenas os olhos à mostra.

O governo diz que a lei requer que motoristas e suspeitos criminais removam qualquer cobertura de suas cabeças para que a polícia possa identificá-los. Críticos afirmam que a lei tem uma tendência antimuçulmana à medida que poucas mulheres na Austrália usam burcas, a vestimenta feminina muçulmana que cobre a mulher dos pés à cabeça. Em uma população de 23 milhões de habitantes, apenas cerca de 400 mil australianos são muçulmanos, dos quais estima-se que menos de 2 mil mulheres usam véus faciais e é provável que uma fatia ainda menor dirija.

Associated Press.

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* Avalanche de críticas e insultos no YouTube contra um grupo de jovens que defende em vídeos a postura da Igreja.

sexta-feira, junho 10th, 2011

Um grupo de jovens católicos espanhóis produziu 25 vídeos em que falam sobre temas como matrimônio, homossexualismo, celibato sacerdotal, ordenação de mulheres e as “riquezas” da Igreja. Os vídeos ecoaram em várias redes de televisão nacionais [espanholas] e produziram uma avalanche de ataques e insultos no YouTube.

Os vídeos, que podem ser vistos em www.arguments.es/proyectos/jmj, foram produzidos por um grupo de estudantes da Universidade de Navarra como preparação para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e propõem-se a dar uma resposta pessoal aos temas mais controvertidos da opinião pública sobre a Igreja.

Nos ultimos dias, os vídeos foram notícia nos meios de comunicação nacionais [da Espanha]. O periódico “Público” lhes dedicou uma página inteira e os vídeos foram veiculados em três canais de televisão: “Cuatro”, “TeleCinco” e “La Sexta”.

A consequência direta foi uma avalanche de críticas virulentas e agressivas a todos os vídeos. A maior parte não foi publicada no canal “catequesisarguments” do YouTube, por estarem cheias de insultos e obscenidades, especialmente contra as garotas que aparecem nos vídeos. No Twitter também tem havido muita repercussão.

O vídeos sobre o homossexualismo, que no começo tinha 3 mil visitas, já está com 30 mil, com 134 votos favoráveis e 556 contrários.

Os promotores da iniciativa pediram àqueles que gostaram dos vídeos que votem a favor ou deixem algum comentário positivo no YouTube. Para mais informações, visite o blog http://www.arguments.es/blogjmj/

‘Religión Confidencial’ publicou como ‘Vídeo do dia’ várias d[est]as gravações.
Veja-as aqui

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* Interculturalidade. O encontro com diversas culturas “permite um enriquecimento da própria realidade”

sexta-feira, junho 3rd, 2011

Zenit

No mundo atual, caracterizado pela convivência de muitos povos nos mesmos espaços geográficos, é preciso ter um novo modelo de vida baseado na interculturalidade e, para promovê-la, são necessários os instrumentos fundamentais do diálogo e da instrução.

É o que explicou hoje o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, Dom Antonio Maria Vegliò, ao intervir sobre o tema “Valores comuns no âmbito do impacto religioso e social das migrações”, na Conference on the Christian-Jewish-Muslim interfaith dialogue, promovida no semestre da presidência da Hungria no Conselho da União Europeia e que está sendo realizada no castelo real de Gödöllö, perto de Budapeste, de 1º a 3 de junho.

Dom Vegliò está na Hungria para realizar uma visita pastoral de 1º a 6 de junho, convidado por Dom János Székely, promotor da Pastoral para a Mobilidade Humana, da Conferência Episcopal Húngara.

Em sua intervenção de hoje, o arcebispo destacou que a Europa “não é só um continente multicultural hoje, mas também é uma realidade historicamente multicultural”.

O encontro com diversas culturas, observou, “permite um enriquecimento da própria realidade”, é uma aproximação “serena, recíproca e sem preconceitos” entre culturas, que “pode ajudar a que não se fechem em si mesmas, no que são, e a evitar o empobrecimento que seria consequência disso”.

Para Dom Vegliò, na verdade, mais que multiculturalidade, seria preciso falar de interculturalidade. O primeiro termo, de fato, “constata, de forma meramente descritiva, a presença objetiva de duas ou mais culturas no mesmo espaço geográfico”, enquanto a interculturalidade “indica relações estabelecidas entre as culturas presentes em certo espaço geográfico e insiste nos comportamentos, nos objetivos a alcançar e nos itinerários educativos que conduzem a esse encontro de culturas”.

Torna-se prioridade não só uma aproximação, mas também um “intercâmbio”; “e não um simples intercâmbio do que se tem, mas sobretudo do que se é”.

A integração, de fato, segundo o presidente do dicastéreo vaticano, “não é um processo em sentido único”: “os autóctones, como os migrantes, devem mostrar-se preparados para percorrer as vias do diálogo e do enriquecimento recíproco, que permitem valorizar e acolher os aspectos positivos de cada um”.

Tudo isso, obviamente, levando em consideração “o respeito da identidade cultural dos migrantes” e prestando atenção a eventuais elementos “contrários aos valores éticos e universais ou aos direitos fundamentais”.

Chaves

Para a promoção da interculturalidade, destacou Dom Vegliò, há dois instrumentos indispensáveis: “o diálogo e a instrução”.

O diálogo, segundo ele, “deve ser o instrumentos mais importantes para usar nas relações que se apresentam em todos os âmbitos da vida humana”.

Ultimamente, no entanto, apresentou-se “um grande problema’: para acolher os que chegam ao nosso continente e estabelecer com eles um diálogo construtivo, “a Europa ocultou os princípios e valores que caracterizaram seu nascimento e que a modelaram”.

Assim, o continente europeu silenciou ou negou suas raízes cristãs, denunciou o bispo.

“Isso impede um acolhimento adequado e uma integração real dos imigrantes que provêm de outros contextos culturais, porque para eles é impossível estabelecer um diálogo com uma terra que parece privada de um rosto e de uma história, uma terra sem princípios comuns nem valores fundamentais.”

Outro motivo do “fracasso” no acolhimento dos imigrantes na Europa, acrescentou o prelado, é o fato de que “se realizou de forma passiva e foi justificada com um desejo de tolerância”.

“Confundimos frequentemente o conceito de tolerância com a aceitação não-crítica de todos os estilos de vida, a partir de um respeito sem limites e evitando emitir qualquer juízo sobre eles”, constatou.

Quanto à instrução, Dom Vegliò destacou a necessidade de “comprometer-se firmemente” na “instrução intercultural”, “porque os modelos educativos tradicionais não são capazes de oferecer respostas adequadas aos desafios atuais”.

Um novo modelo educativo deve, portanto, concentrar-se em vários elementos: “ensinar a respeitar e a valorizar as diversas culturas, descobrindo os elementos positivos e frutíferos que podem conter; ajudar a modificar os comportamentos de medo ou indiferença com relação à diversidade; educar no acolhimento, na igualdade, na liberdade, na tolerância, no pluralismo, na cooperação, no respeito, na corresponsabilidade, na não-discriminação”.

Da mesma forma, deve “valorizar positivamente o diálogo e a escuta; ajudar a vencer as generalizações, os preconceitos, os estereótipos; superar o individualismo e o isolamento em grupos fechados; favorecer as personalidades maduras, flexíveis e abertas”.

A educação intercultural, indicou o presidente do dicastéreo vaticano, “será muito importante para vencer todo extremismo cultural contrário aos valores contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos”.

Religião e migração

“Por que as religiões devem inevitavelmente participar no processo de construção europeia” e, mais concretamente, “no acolhimento dos imigrantes e no diálogo intercultural?”, perguntou-se depois Dom Vegliò.

Em primeiro lugar, afirmou, é necessário “reconhecer que as religiões representam uma das formas mais importantes da identidade cultural” e que “existe um vínculo profundo e inegável entre a religião e cultura”.

“Não é possível compreender a religião sem a cultura, nem a cultura sem a religião”, destacou, porque “a visão do universo presente em cada uma das nossas sociedades e que oferece certos valores, comportamentos, ideias sobre a vida implicam em origens claramente religiosas, compartilhadas pela grande maioria dos seus membros, crentes ou não”.

Em segundo lugar, acrescentou, “se considerarmos que as transformações do nosso continente passam necessariamente por uma mudança de mentalidade de cada um dos indivíduos (autóctone ou imigrante) e se formos conscientes do importante dever desenvolvido pelas confissões religiosas enquanto formadoras das consciências, não podemos deixar de reconhecer o papel indispensável das religiões neste processo de construção europeia”.

A promoção da dimensão intercultural exige a aceitação dos valores e dos princípios fundamentais, que devem ser considerados imprescindíveis e básicos para a construção das nossas sociedades europeias“, indicou Dom Vegliò.

“As diversas confissões religiosas e seus lugares de culto – concluiu – têm uma missão particular a cumprir para favorecer a adoção destes valores por parte daqueles que chegam ao nosso continente.”

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* Evangelizar a cultura: A fé não pode ser vivida em paralelo ou à margem da cultura dos povos.

sábado, abril 16th, 2011

Nos cinco continentes se percebem novas situações culturais — como o secularismo e o materialismo — das quais as Igrejas locais devem tomar consciência para saber enfrentá-las adequadamente, «vivendo-as como novos terrenos de evangelização», adverte o cardeal Paul Poupard. E nisso dá seu apoio o Conselho Pontifício para a Cultura, explicou o purpurado, no vigésimo quinto aniversário do dicastério

Este dicastério se deve a João Paulo II, de cuja «profunda atenção ao homem e à sua existência concreta brota a convicção de que a cultura se situa sempre em relação essencial e necessária ao que é o homem», recordou o cardeal Poupard.

O Papa Karol Wojtyla «situa o homem e sua cultura no centro de suas intervenções, no centro da solicitude da Igreja, em toda parte do mundo e nos ambientes mais diversos» — explicou o purpurado –, e realiza um «autêntico e profundo elogio da cultura» quando diz que «a cultura é aquilo pelo que o homem, enquanto homem, se torna mais homem, ‘é’ mais, tem mais acesso ao ser».

João Paulo II criou o Pontifício Conselho para a Cultura com a Carta autógrafa ao cardeal secretário de Estado Agostiniano Casaroli em 20 de maio de 1982, e afirmou no documento: «Desde o início de meu pontificado, considerei que o diálogo da Igreja com as culturas de nosso tempo é um campo vital, no qual está em jogo o destino do mundo neste período do século XX».

«Existe, com efeito, uma dimensão fundamental, capaz de consolidar ou de destruir desde seus fundamentos os sistemas que estruturam o conjunto da humanidade, e de libertar a existência humana, individual e coletiva, das ameaças que pesam sobre ela — acrescentou. Esta dimensão fundamental é o homem, em sua integridade. Pois bem, o homem vive uma vida plenamente humana graças à cultura.» Reconheceu o cardeal Poupard na quarta-feira: «Vinte e cinco anos depois, já entrados no terceiro milênio, percebemos a importância dessas palavras, e da profunda intuição que as animava», «de sua carta profética, de sua força intrínseca».

E isso «fazendo que a fé ‘se converta em cultura’, saiba iluminar e inspirar profundamente o ‘ethos’ dos povos, doando-lhes essa alma e esses valores essenciais sem os quais toda realidade, toda instituição — alerta — corre o risco de tornar-se inumana, além de inútil».

E isso «fazendo que a fé ‘se converta em cultura’, saiba iluminar e inspirar profundamente o ‘ethos’ dos povos, doando-lhes essa alma e esses valores essenciais sem os quais toda realidade, toda instituição — alerta — corre o risco de tornar-se inumana, além de inútil».

Fazendo próprias as propostas conciliares, contidas na Constituição Pastoral «Gaudium et spes», as do Sínodo dos Bispos de 1974 sobre a Evangelização, e depois propostas de novo pelo Servo de Deus Paulo VI em «Evangeli Nuntiandi», João Paulo II «proclama — sintetizou o cardeal Poupard — ‘o vínculo orgânico e constitutivo que existe entre o cristianismo e a cultura, com o homem em sua própria humanidade’».

«Daí brota — seguiu –, como conseqüência necessária, uma ação pastoral atenta e ampla da Igreja com relação à cultura, em particular à que é denominada ‘cultura viva’, isto é, o conjunto de princípios e de valores que constituem o ‘ethos’ de um povo.»

Síntese entre cultura e fé, uma exigência de ambas

Neste contexto, o Papa Karol Wojtyla propôs «essa afirmação já famosa, tão lapidária como densa e profunda, que iluminou nosso caminho em todos estes anos» e que «conserva toda sua atualidade e sua urgência», reconheceu o presidente do dicastério para a Cultura.

«A síntese entre cultura e fé não é só uma exigência da cultura — disse o então pontífice –, mas também da fé… Uma fé que não se torna cultura é uma fé não plenamente acolhida, não inteiramente pensada, não fielmente vivida.»

Apesar dos notáveis passos dados nesse sentido, o purpurado advertiu que ainda «não são poucas as resistências a um processo de profunda mudança, interior e exterior, pessoal e comunitária, na qual a fé seja verdadeira e plenamente acolhida, inteiramente pensada e fielmente vivida».

«A vida da Igreja, e portanto o itinerário de fé dos crentes, não pode ser vivida fora ou à margem, ou talvez em paralelo, com relação à vida cotidiana e da cultura de um povo, de uma nação» — sublinha o cardeal Poupard –, porque «o dinamismo da Encarnação nos pede viver e expressar nossa fé permanecendo plenamente inseridos na cultura e na realidade que nos cerca para anunciar o Evangelho da vida, do amor, da esperança.»

Assim, o Papa Wojtyla criou o Pontifício Conselho para a Cultura, «capaz — explicava ele mesmo — de dar a toda a Igreja um impulso comum no encontro, continuamente renovado, da mensagem salvífica do Evangelho com a pluralidade das culturas, na diversidade dos povos, aos que deve levar seus frutos de graça».

João Paulo II também previu que a ação desse dicastério se desenvolvesse em espírito ecumênico e fraterno, promovendo desta forma o diálogo com as religiões não cristãs e com indivíduos e grupos que não praticam credo algum, recorda o cardeal Poupard.

Horizontes nos cinco continentes

Entre as numerosas atividades do dicastério para a Cultura, no marco de sua missão organizou grande quantidade de encontros e conferências, tocando todas as áreas geográficas, lingüísticas e culturais, precisamente para que a Pastoral da cultura entre na ação da Igreja em toda latitude e âmbito cultural.

E «de ano em ano cresce, quase de maneira exponencial, a quantidade e, creio, a qualidade dos compromissos e das atividades», expressou o cardeal Poupard; «isso significa que se desenvolve continuamente a consciência de que a missão da Igreja não pode descuidar da dimensão cultural».

Mas «resta muito a fazer para que as Igrejas locais e suas pastorais sejam plenamente conscientes dos desafios que as novas situações culturais lhes propõem e para saibam enfrentá-los de maneira adequada, vivendo-os como uma ocasião renovada, como novos campos de evangelização».

Estes são constituídos por «culturas amplamente secularizadas na Europa, América do Norte, Austrália; culturas profundamente marcadas por religiões ou saberes não cristãos na África e Ásia; culturas modeladas em profundidade pela mensagem evangélica e agora presas de uma penetrante e invasora cultura materialista nas grandes megalópoles da América Latina», enumerou.

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* A Igreja deve necessariamente adaptar-se a TODAS as mudanças culturais do mundo?

segunda-feira, março 28th, 2011

Será que a Igreja deve necessariamente adaptar-se a todas as mudanças culturais do tempo em que se encontra? É esta a maneira correta de dialogar com o mundo?

Entrevista com o  sacerdote francês Laurent Touze, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz publicada no jornal “Süddeutsche Zeitung”, com o título “Igreja 2011: uma pertença necessária”.

O Pe. Touze publicou, no Ano Sacerdotal, o livro “L’avenir du célibat sacerdotal” (”O futuro do celibato sacerdotal”), Parole et Silence/ Lethielleux.

A abolição do celibato é realmente a solução para a vida dupla ou para a dupla moral que alguns sacerdotes vivem?

Pe. Laurent Touze: A verdadeira solução para a vida dupla, para o farisaísmo do “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, é simplesmente a conversão. Muitos homens e mulheres de hoje intuem que a fé pode ser a resposta para o que eles procuram, muitas vezes sem perceber; mas se dão conta de que dizer “sim” a Deus lhes implicaria em mudar a vida moral, abandonar seus apegos próprios e isso seria muito custoso.

Hoje vemos padres hipócritas, não coerentes - e a observação se aplica a todos os cristãos, não só aos sacerdotes; encontramos uma desculpa para não nos convertermos. Nós, crentes, temos grande parte da culpa, se esses homens e mulheres não acham a alegria e a paz do encontro com seu Pai. Nossa coerência ambiciosa e humilde, com a fé, permitirá que Deus converta seus corações.

Geralmente as pessoas associam o celibato com a Idade Média. O senhor acha que o celibato é realmente uma medida conservadora, ou faz parte da Igreja e da vocação ao sacerdócio?

Pe. Laurent Touze: Trabalhos científicos como os do Pe Christian Cochini ou de Stefan Heid recordam que os sacerdotes dos primeiros séculos viviam, todos, a continência sexual: ou porque eram celibatários, porque eram casados ​​ou porque renunciaram ao matrimônio depois da ordenação.

O celibato para todos os sacerdotes latinos é como uma evolução desta antiga tradição. Renunciando ao matrimônio, que é um dom maravilhoso de Deus, o sacerdote não despreza a carne. Na verdade, ele oferece o próprio corpo, como o Senhor Jesus se doou à Igreja. Com seu celibato, o sacerdote se torna adequado à Eucaristia que celebra. Porque diz em público, em nome do Senhor, “este é o meu corpo, este é o meu sangue, que será derramado”, também é chamado a oferecer publicamente sua vida a servir seus irmãos.

Um grupo de teólogos busca o sacerdócio feminino. É uma questão de igualdade?

Pe. Laurent Touze: Não, é uma questão de fé. A igualdade dos batizados é um princípio básico da Igreja. O que está em jogo aqui é que a Igreja não é uma criação nossa; ela vem de Deus, quem nos dá as características que não podemos mudar como se muda uma Constituição. Que o sacerdócio seja reservado aos homens faz parte dessas características. A Igreja sabe disso há muito tempo, e assim será para sempre.

Também se pediu a eleição popular dos bispos. É “antidemocrático” deixar essa decisão somente para o Papa?

Pe. Laurent Touze: O Papa não decide sozinho! Ele acompanha um longo processo de consulta, no país do bispo que quer nomear e, depois, em Roma. Nos últimos séculos, a Igreja tem conseguido, em muitos países, garantir a sua liberdade na decisão dos bispos, sem ter de se submeter aos chefes de Estado, a critérios políticos, ao invés de pastorais.

Eu não acho que seja um progresso o fato de transformar a escolha de bispos em uma eleição política ou sujeita a sondagens e manipulações. O que me parece fundamental é que o processo de nomeação permita que o povo de Deus tenha pastores fiéis e corajosos.

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* Relativismo: Todas as culturas devem ser avaliadas apenas pelos seus valores internos?

quinta-feira, março 10th, 2011


João Pereira Coutinho

Li com interesse a “gaffe” do premiê da Nova Zelândia. Relembro os pormenores: o governo do país mantém negociações com as tribos indígenas para devolver territórios que esses povos consideram sagrados.

Foi nesse contexto que o premiê John Key resolveu fazer uma piada, confessando-se aliviado por não ter que jantar com os povos Maori. “Se eu fosse jantar com eles”, afirmou Key, “o mais provável era ser eu a refeição.”

Ri com o comentário: hoje em dia, é muito difícil encontrar boas piadas sobre canibais. Mas depois reparei que o mundo não ria: os Maori, disseram especialistas diversos, deixaram de comer gente há duzentos anos. E a opinião de Key foi, no mínimo, “insensata”.

Fiquei em silêncio, acabrunhado com a minha insensatez perante a insensatez do premiê. E então percebi como são estreitos os limites do relativismo.

Todas as culturas devem ser avaliadas apenas pelos seus valores internos? Eis o credo do relativismo cultural, que rapidamente desagua numa forma extrema de relativismo moral: se todas as culturas apresentam valores distintos, não existe um padrão externo e universal a essas culturas capaz de as avaliar, condenar ou hierarquizar.

O próprio Montaigne, aliás, em ensaio clássico sobre o canibalismo, alertava: quem disse que os indígenas do Brasil são “selvagens” e “incivilizados”? Essas opiniões são apenas preconceitos que reduzem a diversidade do mundo a um único padrão explicativo. E nem mesmo o canibalismo horrorizava Montaigne, desde que o material das refeições (normalmente, meus antepassados portugueses) já estivesse morto no momento do espeto.

Respeito Montaigne. Mas gostaria que os discípulos do francês respeitassem até o fim o credo que eles próprios professam, o que raramente acontece. Quando um relativista discute o Ocidente e a sua história, ele não hesita em fazer juízos de valor que estão interditos, por exemplo, em relação aos zulus; ou aos aborígenes australianos; ou aos índios brasileiros. Os zulus, os aborígenes e os índios devem ser compreendidos na sua singularidade, mas nunca condenados. O Ocidente não deve ser compreendido; apenas condenado.

Existe aqui um erro conceptual da maior importância. Porque se nenhuma cultura pode ser avaliada externa e objetivamente por um padrão universal, então não existe qualquer legitimidade para avaliar ou condenar aquela região do globo que se convencionou chamar de “Ocidente”. Condenar o imperialismo do Ocidente, por exemplo, e mesmo as suas práticas mais desumanas (como a escravatura) será tão abusivo como condenar o canibalismo dos índios. Ou dos Maori.

Se as patrulhas exigem silêncio ao premiê da Nova Zelândia sobre a história canibal de terceiros, seria bom que pensassem duas vezes antes de fazerem ruído sobre a história e as práticas das “tribos” do Ocidente. Quando tudo é relativo, tudo é perdoado.

Fonte: Folha Online

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* A cada quatro bebês nascidos no Brasil, um ganha nome ligado a religião.

quarta-feira, janeiro 12th, 2011

Em 2010, os cinco nomes mais comuns de meninas foram Júlia, Sophia, Isabella, Maria Eduarda e Giovanna. Entre os meninos, o pódio foi de Gabriel, Davi, Miguel, Arthur e Matheus.

Segundo o Babycenter, site que realizou a pesquisa baseado no cadastro de mais de 43 mil nomes de bebês, é possível ver os reflexos de alguns eventos marcantes do ano no ranking.

As eleições, por exemplo: Gabriel é o nome do neto da presidente eleita Dilma Rousseff, nascido na reta final da campanha. Marina, nome da candidata do Partido Verde, teve um crescimento de sete posições em relação ao ano passado, e ficou em 33º lugar.

Filhos de celebridades, a Copa e a novela “Viver a Vida” também tiveram efeito sobre o ranking de nomes. Benício (nome do filho de Angélica e Luciano Huck), Benjamin (nome do filho de Gisele Bündchen e Tom Brady) e Kyara (nome da filha de Joana Prado) subiram na lista. Rafaela, Miguel, Felipe e Bruno – todos nomes de personagens da novela – subiram e ficaram entre os 10 mais.

Júlio César, nome do goleiro da seleção brasileira, disparou e subiu 14 posições. O site registrou o cadastro de dois bebês Sneijder (atacante holandês que marcou os gols que eliminaram o Brasil da Copa) e um Lionel Messi.

A religião também é um fator de influência na escolha do nome dos filhos. Segundo a pesquisa do site, um a cada quatro bebês nascidos no Brasil ganha um nome ligado religioso – seja do Antigo Testamento, de anjos, santos ou líderes. Entres os evangélicos, a taxa de nomes religiosos sobe para 40%. Emanuel, Isaac, Esther e Rebeca são alguns deles.

Outra tendência notada pelos organizadores da pesquisa foi a grafia internacional, não recomendada por especialistas. Sophia bateu Sofia, Sarah foi mais popular do que Sara, Stella superou Estela e Arthur teve mais ocorrências que Artur. E, apesar da presença do galã Cauã Reymond na atual novela das nove, “Passione”, a grafia Kauã superou a do nome do ator.

Fonte: IG

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* Arquive em seus favoritos: “Biblioteca Digital Mundial”

sábado, janeiro 8th, 2011

Endereço da Biblioteca Digital Mundial. Foi aberta terça feira em Paris, É da UNESCO . Aprendendo a navegar a gente amplia fotos, assiste documentários, envia manuscritos raros… Passem adiante..

Colaboração Jacqueline Barreto

http://www.wdl.org/pt/

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* Vaticano e alguns dos mais importantes tesouros culturais da humanidade.Indescritível!

quinta-feira, dezembro 23rd, 2010
Fonte:  ”O que se faz”

Ir à Roma e não conhecer o Vaticano é um pecado. Não no sentido religioso da palavra, mas uma falta grave no âmbito turístico. Conhecer a menor nação do mundo, o Estado da Cidade do Vaticano, com aproximadamente meio quilômetro quadrado, é mais que uma experiência religiosa: é uma oportunidade de ver grandes tesouros culturais da Humanidade.

Iniciamos nosso tour no Vaticano logo cedo pelos Museus do Vaticano. A maioria dos visitantes chega sem ingresso e encara uma longa fila, que durante a alta temporada, pode significar horas de espera debaixo de um sol escaldante. Para evitar esta enorme fila, compramos os ingressos antecipadamente na bilheteria online do Vaticano. Basta escolher a data e horário da visita, pagar com o cartão de crédito, e imprimir o ticket eletrônico.

Como escolhemos o primeiro horário de visitação, às 8 horas, chegamos às 7h40 no portão de acesso do museu. Já havia uma enorme fila de pessoas sem ingresso e vários grupos com seus guias turísticos. Encontramos a fila das pessoas com ingresso reservado e ficamos aguardando. Pontualmente às 8 horas o portão foi aberto e entramos no museu.

Fomos ao guichê, trocamos os nosso tickets eletrônicos pelos ingressos e iniciamos a nossa visita. O percurso tradicional e indicado pela sinalização é seguir para a direita, passar por todas as coleções do museu e finalizar o tour na Capela Sistina. Mas conhecer a capela com dezenas de pessoas em volta não era a nossa idéia! Seguindo uma dica que li no Viaje na Viagem, tomamos o caminho inverso e fomos para a esquerda. Em menos de 10 minutos chegamos na Capela Sistina e não havia mais que 15 pessoas lá dentro! Foi um experiência inesquecível contemplar os afrescos criados por alguns dos maiores artistas renascentistas, o maravilhoso teto pintado pelo gênio Michelângelo, tudo isso sem ser pertubado por ninguém e em absoluto silêncio! Todas as obras da Capela foram encomendadas para narrar um história e constroem um complexo argumento teológico que liga o poder de Deus até o Papa.

Capela Sistina

Foto retirada do site do Vaticano

Ficamos assim por uns 40 minutos, em êxtase, até que a Capela começou a ficar lotada. E aí começou a parte chata: as pessoas chegavam e esqueciam que, antes de tudo, aquele é um local de orações. Apesar das recomendações expressas na entrada, começaram a falar alto, tirar fotos e filmar, e os seguranças respondiam com insistentes e constantes “ssssshhhhh” e “noooo photo”. Era a deixa para seguir o nosso tour.

Além da Capela Sistina, fazem parte dos Museus do Vaticano alguns aposentos papais e diversas coleções que incluem antiguidades greco-romanas, etruscas, egípcias e até arte religiosa moderna.

Museus Vaticanos

O problema de visitar os Museus do Vaticano na alta temporada foi dividir o espaço, embora de não ser pequeno, com uma horda de turistas, um verdadeiro mar de gente! Em alguns locais era quase impossível parar um instante para apreciar uma obra de arte com mais atenção. A multidão se encarregava de nos empurrar em direção ao final do corredor. Foi um dos momentos “vida de gado” das férias!

Momento "vida de gado" nos Museus Vaticanos

Resolvemos fazer uma pausa para comermos umas fatias de pizza na praça de alimentação localizada no primeiro andar do edifício. A parada foi providencial para recarregar as baterias e continuar o nosso tour por algumas alas mais tranquilas do museu.

Museus do Vaticano

E foi andando por um dos corredores destas alas que encontramos Laocoonte, uma das esculturas mais famosas da antiguidade. Representa a um profeta de Tróia e seus filhos sendo estrangulados por serpentes enquanto tentavam alertar sobre o perigo que havia no cavalo presenteado pelos gregos.

Laocoonte

Chegamos na Pinacoteca Vaticana, que possui obras de Da Vinci, Caravaggio, Giotto, Botticelli, entre outros artistas. Mas a obra que mais me interessava era A Transfiguração, de Rafael Sanzio. Esta pintura, que representa Cristo aparecendo para os apóstolos, é considerada uma das mais importantes do pintor italiano. Rafael estava trabalhando nesta obra quando morreu, aos 37 anos, deixando a conclusão da pintura para seus aprendizes.

A Transfiguração, de Rafael Sanzio

E não podia faltar a foto clichê, porém necessária, da escadaria em espiral na saída dos Museus do Vaticano.

Escadaria em espiral na saída dos Museus do Vaticano

Ainda sob um sol de lascar, fomos em direção à Basílica de São Pedro, a maior igreja cristã do mundo. A Basílica tem uma área de 23.000 m² e comporta até 60.000 pessoas. A entrada na Basílica foi gratuita, mas enfrentamos uma enorme fila na Praça de São Pedro.

Fila na entrada da Basílica de São Pedro

O controle na entrada é rígido: homens e mulheres com roupas muito curtas – bermuda ou saia acima do joelho ou com os ombros expostos -  não entram. Durante o tempo que ficamos na fila vimos várias pessoas que tiveram a entrada negada.

Barrados na Basílica

Todo o esforço da espera na fila foi recompensado assim que entramos na Basílica de São Pedro. A sensação é indescritível diante da beleza do lugar. A cúpula, projetada por Michelângelo, tem 42 metros de diâmetro e seu ponto mais alto está a 132 metros do chão.

Interior da Basílica de São Pedro

Logo após a entrada, à direita do visitante, está a Pietà. Esta obra-prima foi esculpida por Michelângelo quando ele tinha apenas 25 anos. Vê-la de perto foi um dos grandes momentos do dia para nós. Infelizmente a escultura está cercada por uma proteção de vidro deste 1972, quando um homem gritando“Eu sou Jesus!” a atacou com um martelo e danificou o nariz e alguns dedos da mão da Virgem.

Pietà, de Michelângelo

Eu queria muito ir até o domo, onde se tem uma belíssima vista de toda a Cidade do Vaticano e parte de Roma. Uma parte do trajeto é feito de elevador, mas depois são 330 degraus por um corredor muito estreito. Devido ao cansaço, calor e a super lotação na entrada deste acesso, deixei para realizar este desejo em uma próxima viagem a Roma. Ficamos por mais algum tempo admirando as belas obras da Basílica e, exaustos, nos despedimos da Cidade do Vaticano.

Basílica de São Pedro

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* A fé faz bem ou mal ao mundo? A provocação da revista The Economist.

terça-feira, outubro 19th, 2010

Foto ilustrativa da revista The Economist

Foto ilustrativa da revista "The Economist"

A revista inglesa The Economist dividiu os seus leitores com a pergunta do nosso tempo: a religião é uma “força para o bem”? Só 25% manifestou confiança na fé. Para 75%, a religião não contribui para o bem da humanidade.

A reportagem é de Marco Ventura, publicada no jornal Corriere della Sera, 18-10-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na Economist, estão bem conscientes de que, na religião, bem e mal estão indissoluvelmente entrelaçados. Mas querem levar os leitores a uma posição extrema. “Você acha que a fé é perigosa, inspirando um dogmatismo feroz do qual derivam conflitos, intolerância e barbárie? Ou a fé é positiva, estimulando as pessoas a viverem uma existência moral, virtuosa e rica?”.

Ambas as coisas são verdadeiras, mas o que você pensa, no fim das contas? De que lado você está? Acredita mais no bem de fiéis crentes como Madre Teresae Desmond Tutu, ou no mal de fiéis crentes como Bin Laden, Milosevic e Pinochet?

Mark Oppenheimer, editorialista do New York Times, se assumiu como padrinho dos pró-religião em nomes de três ideias. Primeiro: a religião educa para a ritualidade; segundo, a religião organiza a busca de um sentido, de uma ética, de um bem comum; terceiro, “religion is fun”, a religião é divertida.

O escritor Sam Harris representou os antirreligião em nome do absurdo da fé. Quem crê no que é falso não pode fazer o bem daquilo que é verdadeiro: “A religião dá às pessoas más razões para fazer o bem, enquanto razões melhores estariam ao alcance da mão”. Ele venceu, 75 a 25.

A sociedade secularizada cultiva bens híbridos, identidades confusas. Somos um pouco tudo junto. Incrédulos e crentes. Amigos e inimigos da fé. Por isso, somos tentados a encontrar clareza em uma escolha de campos, crentes aqui e não crentes lá, que apague a confusão e divida o mundo em branco e preto. É essa a provocação da Economist.

Acreditamos de verdade que basta pertencer ao campo dos crentes ou dos não crentes para sermos melhores? Acreditamos de verdade que a fé ou a não fé nos destinam a priori ao bem ou ao mal? Na realidade, não sabemos e não podemos saber disso.

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* A ditadura do Relativismo.

domingo, setembro 19th, 2010

John L. Allen Jr.- National Catholic Reporter.

Bento XVI escolheu o Reino Unido como um fronte importante dessa guerra,(contra a ditadura do relativismo) não apenas porque ela mesma é uma sociedade profundamente secular, mas também porque a cultura inglesa tem um alcance global. Os meios de comunicação britânicos são acompanhados em todo o mundo, e a Comunidade Britânica das Nações[Commonwealth of Nations], composta por ex-membros do Império Britânico, abrange cerca de dois bilhões de pessoas.

Em seu discurso à rainha Isabel II na manhã desta quinta-feira no Palácio de Holyrood, em Edimburgo, na Escócia, o Papa advertiu contra as “formas agressivas de secularismo”, que já não valorizam, ou nem mesmo toleram, as vozes religiosas na vida pública.

O Papa pediu que o Reino Unido não se esqueça do “fundamento cristão” da sua cultura, o qual, disse, “sustenta as suas liberdades”. O Papa indicou que a clareza com relação aos fundamentos é especialmente importante, já que o Reino Unido se torna cada vez mais uma “sociedade moderna e multicultural”.

Durante uma missa ao ar livre na tarde desta quinta-feira em Glasgow, na Escócia, Bento XVI fez-se ainda mais explícito.

A evangelização da cultura é ainda mais importante nos nossos tempos, quando uma ‘ditadura do relativismo’ ameaça obscurecer a verdade imutável sobre a natureza do homem, seu destino e seu bem último”, disse o Papa, revivendo, sem dúvida, o conceito mais famoso que expressa a visão crítica do Papa acerca da cultura secular pós-moderna.

Bento XVI cunhou pela primeira vez a expressão “ditadura do relativismo” pouco antes do conclave, em abril de 2005, que o elegeu para o papado, em uma homilia para a Missa Pro Eligendo Romano Pontifice, ou seja, “para a eleição do Romano Pontífice”. Essa homilia foi amplamente vista como um manifesto do então cardeal Joseph Ratzinger para descrever o que ele via como o desafio central para a fé.

Embora ele não tenha pretendido isto conscientemente, a homilia também foi vista como uma prévia do tipo de Papa que Ratzinger seria.

“Quantos ventos de doutrina conhecemos nestes últimos decênios, quantas correntes ideológicas, quantas modas do pensamento”, disse Ratzinger nessa ocasião.

“A pequena barca do pensamento de muitos cristãos foi muitas vezes agitada por estas ondas, lançada de um extremo ao outro: do marxismo ao liberalismo, até à libertinagem, ao coletivismo radical; do ateísmo a um vago misticismo religioso; do agnosticismo ao sincretismo e assim por diante”, disse. “A cada dia, surgem novas seitas e realiza-se o que São Paulo diz acerca do engano dos homens, da astúcia que tende a levar ao erro”.

“Estamos construindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida apenas próprio ego e seus desejos”,
Ratzinger advertiu.

Agora como Papa, Bento XVI voltou ao tema nesta quinta-feira na homilia noBellahouston Park.

“Há alguns que agora procuram excluir a crença religiosa do discurso público, para privatizá-la ou até mesmo para retratá-la como uma ameaça à igualdade e à liberdade”, disse o Papa. “No entanto, a religião é, de fato, uma garantia da liberdade e do respeito autênticos, levando-nos a olhar para cada pessoa como um irmão ou irmã”.

Resta saber que efeito terá o apelo de Bento XVI, mas ele indiscutivelmente escolheu um local adequado para proferi-lo.

De acordo com a pesquisa de David Voas, da Universidade de Manchester, uma criança nascida hoje em uma família na Grã-Bretanha em que ambos os pais são ativamente religiosos tem uma chance de apenas 47% de se tornar religiosa por si mesma. Se apenas um dos pais é religioso, a taxa cai para 24%. Se nenhum dos pais é religioso, as chances de criar um filho religioso caem para 3%, um número estatisticamente insignificante.

Voas chega à óbvia conclusão: “Na Grã-Bretanha, a religião institucional tem agora uma vida média de uma geração”.

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* Discurso do Papa para o mundo cultural, em Londres. Imperdível!

sábado, setembro 18th, 2010

Irmão, leia com atenção e veja que sabedoria nas palavras do Papa. Ele estava a falar para uma platéia das mais secularizadas em um lugar emblemático onde foi julgado e condenado São Thomas More por se opor ao rei Henrique VIII em nome de sua consciência.

Reparem nas referências a história, à sociedade inglesa, aos valores, a relação da fé com a razão, a tolerância, a economia e a politica. Um leque  cultural amplo!

Palavras de um chefe de Estado mas também de um pastor e um homem filho de seu tempo, capaz de falar ao homem de hoje.

***

Apresentamos, a seguir, o discurso que o Papa Bento XVI dirigiu hoje aos representantes do mundo político, social, acadêmico, cultural e empresarial britânico, assim como aos membros do Corpo Diplomático e aos líderes religiosos.

* * *

Senhor Orador:

Obrigado por suas palavras de boas-vindas em nome desta distinta assembleia. Ao dirigir-me a vós, sou consciente do grande privilégio que me foi concedido de poder falar ao povo britânico e aos seus representantes no Westminster Hall, um edifício de significado único na história civil e política do povo destas ilhas. Permiti-me expressar igualmente minha estima pelo Parlamento, presente neste lugar há séculos e que teve uma profunda influência no desenvolvimento dos governos democráticos entre as nações, especialmente na Commonwealth e no mundo de língua inglesa em geral. Vossa tradição jurídica – common law – serve de base para os sistemas legais de muitos lugares do mundo, e vossa visão particular dos respectivos direitos e deveres do Estado e das pessoas, assim como da separação de poderes, continua inspirando muitos no mundo inteiro.

Ao falar-vos neste histórico lugar, penso nos inúmeros homens e mulheres que, durante séculos, participaram dos memoráveis acontecimentos vividos entre estes muros e que determinaram as vidas de muitas gerações de britânicos e de outras muitas pessoas. Em particular, eu gostaria de recordar a figura de São Tomás Moro, o grande erudito inglês e homem de Estado, que é admirado por crentes e não-crentes pela integridade com que foi fiel à sua consciência, inclusive à custa de contrariar o soberano de quem era um “bom servidor”, pois escolheu servir primeiro a Deus. O dilema que Moro enfrentou naqueles tempos difíceis, a perene questão da relação entre o que se deve ao césar e o que se deve a Deus, me oferece a oportunidade de refletir brevemente convosco sobre o lugar apropriado das crenças religiosas no processo político.

A tradição parlamentar deste país deve muito ao instinto nacional de moderação, ao desejo de alcançar um genuíno equilíbrio entre as legítimas reivindicações do governo e os direitos daqueles que estão sujeitos a ele. Enquanto foram dados passos decisivos em muitos momentos da vossa história para delimitar o exercício do poder, as instituições políticas da nação puderam desenvolver um notável grau de estabilidade. Neste processo, a Grã-Bretanha se configurou como uma democracia pluralista que valoriza enormemente a liberdade de expressão, a liberdade de afiliação política e o respeito pelo papel da lei, com um profundo sentido dos direitos e deveres individuais e da igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Ainda que com outra linguagem, a doutrina social da Igreja tem muito em comum com esta perspectiva, em sua preocupação primordial pela proteção da dignidade única de toda pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, e em sua ênfase nos deveres da autoridade civil para a promoção do bem comum.

Contudo, as questões fundamentais em jogo na causa de Tomás Moro continuam apresentando-se hoje em termos que variam segundo as novas condições sociais. Cada geração, ao tentar progredir no bem comum, deve perguntar-se novamente: que exigências os governos podem impor aos cidadãos de maneira razoável? E que alcance podem ter? Em nome de que autoridade os dilemas morais podem ser resolvidos? Estas questões nos conduzem diretamente à fundamentação ética da vida civil. Se os princípios éticos que sustentam o processo democrático não se regem por nada mais sólido que o mero consenso social, então este processo se apresenta evidentemente frágil. Aqui reside o verdadeiro desafio para a democracia.

A recente crise financeira global mostrou claramente a inadequação de soluções pragmáticas e a curto prazo relativas a complexos problemas sociais e éticos. É opinião amplamente compartilhada que a falta de uma base ética sólida na atividade econômica contribuiu para agravar as dificuldades que agora milhões de pessoas estão padecendo no mundo inteiro. Assim como “toda decisão econômica tem consequências de caráter moral” (Caritas in veritate, 37), igualmente, no âmbito político, a dimensão ética da política tem consequências de tal alcance, que nenhum governo pode se permitir ignorar. Encontramos um bom exemplo disso em uma das conquistas particularmente notáveis do Parlamento Britânico: a abolição do tráfico de escravos. A campanha que conduziu a promulgar este marco legislativo estava construída sobre firmes princípios éticos, enraizados na lei natural, e ofereceu uma contribuição para a civilização da qual esta nação pode estar orgulhosa.

Então, o ponto central desta questão é o seguinte: onde se encontra a fundamentação ética das deliberações políticas? A tradição católica afirma que as normas objetivas para uma ação justa de governo são acessíveis à razão, prescindindo do conteúdo da revelação. Neste sentido, o papel da religião no debate político não é tanto proporcionar tais normas, como se os não-crentes não pudessem conhecê-las. Menos ainda propor soluções políticas concretas, algo que está totalmente fora da competência da religião. Seu papel consiste, ao contrário, em ajudar a purificar e iluminar a aplicação da razão à descoberta de princípios morais objetivos.

Este papel “corretivo” da religião com relação à razão nem sempre foi bem-vindo, em parte devido a expressões deformadas da religião, tais como o sectarismo e o fundamentalismo, que podem ser percebidas como geradoras de sérios problemas sociais. E, por sua vez, tais distorções da religião surgem quando se presta uma atenção insuficiente ao papel purificador e estruturador da razão com relação à religião. Trata-se de um processo em duplo sentido. Sem a ajuda corretiva da religião, a razão pode ser também presa de distorções, como quando é manipulada pelas ideologias ou se aplica de forma parcial em detrimento da consideração plena da dignidade da pessoa humana. Depois de tudo, tal abuso da razão foi o que provocou o tráfico de escravos, em primeiro lugar, e muitos outros males sociais, particularmente a difusão das ideologias totalitárias do século XX.

Por isso, desejo indicar que o mundo da razão e o mundo da fé – o mundo da racionalidade secular e o mundo das crenças religiosas – precisam um do outro e não deveriam ter medo de estabelecer um diálogo profundo e contínuo, pelo bem da nossa civilização.

Em outras palavras, a religião não é um problema que os legisladores devam solucionar, mas uma contribuição vital para o debate nacional. Partindo desse ponto de vista, não posso menos que manifestar minha preocupação pela crescente marginalização da religião, especialmente do cristianismo, em alguns lugares, inclusive em nações que outorgam uma grande ênfase à tolerância. Há alguns que desejam que a voz da religião se silencie ou pelo menos que se relegue à esfera meramente privada. Há também os que defendem que a celebração pública de festas como o Natal deveriam ser abolidas, segundo a discutível convicção de que este ofende os membros de outras religiões ou de nenhuma. E há outros que sustentam – paradoxalmente com a intenção de suprimir a discriminação – que se deveria pedir às vezes aos cristãos que desempenham um papel público que ajam contra a sua consciência. Estes são sinais preocupantes de um fracasso na estima não só dos direitos dos crentes à liberdade de consciência e à liberdade religiosa, mas também do legítimo papel da religião na vida pública. Eu gostaria de convidar todos vós, portanto, em seus respectivos campos de influência, a buscar meios de promoção e incentivo do diálogo entre fé e razão em todos os âmbitos da vida nacional.

Vossa disposição a agir assim já está implícita no convite sem precedentes que me fizestes hoje. E se vê refletida na preocupação em diversos âmbitos nos quais vosso governo trabalha com a Santa Sé. No âmbito da paz, houve conversas para a elaboração de um tratado internacional sobre o comércio de armas; com relação aos direitos humanos, a Santa Sé e o Reino Unido se congratularam pela difusão da democracia, especialmente nos últimos 65 anos; no campo do desenvolvimento, colaborou-se na redução da dívida, no comércio justo e na ajuda ao desenvolvimento, especialmente por meio do International Finance Facility, do International Immunization Bond e do Advanced Market Commitment. Igualmente, a Santa Sé tem interesse em colaborar com o Reino Unido na busca de novos caminhos de promoção da responsabilidade com o meio ambiente, em benefício de todos.

Observo que o governo atual compromete o Reino Unido a designar 0,7% da renda nacional à ajuda ao desenvolvimento até 2013. Nos últimos anos, foi alentador perceber sinais positivos de um crescimento mundial da solidariedade para com os pobres. No entanto, para concretizar esta solidariedade em ações eficazes, é preciso ter novas ideias, que melhorem as condições de vida em muitas áreas importantes, tais como a produção de alimentos, a água potável, a criação de empregos, a educação, o apoio às famílias, sobretudo migrantes, e a atenção básica de saúde. Onde há vidas humanas envolvidas, o tempo é sempre limitado: o mundo também foi testemunha dos ingentes recursos que os governos podem empregar no resgate de instituições financeiras consideradas “grandes demais para que fracassem”. Certamente, o desenvolvimento humano integral dos povos do mundo não é menos importante. Eis aqui uma empresa digna da atenção mundial, que é, na verdade, “grande demais para que fracasse”.

Esta visão geral da cooperação recente entre o Reino Unido e a Santa Sé mostra quanto progresso se realizou nos anos transcorridos desde o estabelecimento de relações diplomáticas bilaterais, promovendo no mundo inteiro os muitos valores fundamentais que compartilhamos. Confio e rezo para que esta relação continue dando frutos e que se reflita em uma crescente aceitação da necessidade de diálogo e de respeito em todos os níveis da sociedade, entre o mundo da razão e o mundo da fé. Tenho certeza de que, também dentro deste país, há muitas áreas nas quais a Igreja e as autoridades públicas podem trabalhar conjuntamente pelo bem dos cidadãos, em consonância com o histórico costume deste Parlamento de invocar a assistência do Espírito sobre os que buscam melhorar as condições de toda a humanidade. Para que tal cooperação seja possível, as entidades religiosas – incluídas as instituições vinculadas à Igreja Católica – precisam ter liberdade de ação conforme seus próprios princípios e convicções específicas, baseadas na fé e no magistério oficial da Igreja. Assim, serão garantidos direitos fundamentais como a liberdade religiosa, a liberdade de consciência e a liberdade de associação. Os anjos que nos contemplam do esplêndido céu desta antiga sala nos recordam a longa tradição na qual a democracia parlamentar britânica se desenvolveu. Recordam-nos que Deus vela constantemente para guiar-nos e proteger-nos; e, finalmente, convidam-nos a reconhecer a contribuição vital que a religião ofereceu e pode continuar oferecendo à vida da nação.

Senhor Orador, agradeço mais uma vez pela oportunidade que me ofereceu de poder dirigir-me brevemente a esta distinta assembleia. Asseguro-vos meus melhores desejos e minhas orações, por vós e pelos frutuosos trabalhos das duas Câmaras deste antigo Parlamento. Obrigado e que Deus abençoe todos vós.

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* …Da homilia do Papa pronunciada durante a celebração da Missa no Bellahouston Park de Glasgow, Escócia.

sexta-feira, setembro 17th, 2010

” A evangelização da cultura é de especial importância em nossa época, quando a “ditadura do relativismo” ameaça escurecer a verdade imutável sobre a natureza do homem, sobre seu destino e seu bem último.

Hoje em dia, alguns buscam excluir da esfera pública as crenças religiosas, relegá-las ao âmbito privado, objetando que são uma ameaça para a igualdade e para a liberdade. No entanto, a religião é, na verdade, garantia de autêntica liberdade e respeito, que nos leva a ver cada pessoa como um irmão ou irmã.

Por este motivo, convido particularmente a vós, fiéis leigos, em virtude da vossa vocação e missão batismais, a ser não somente exemplo de fé em público, mas também a expor no foro público os argumentos promovidos pela sabedoria e pela visão da fé.

A sociedade atual precisa de vozes claras que proponham nosso direito de viver, não em uma selva de liberdades autodestrutivas e arbitrárias, mas em uma sociedade que trabalhe pelo verdadeiro bem-estar dos seus cidadãos e lhes ofereça guia e proteção em sua fraqueza e fragilidade. Não tenhais medo de oferecer este serviço aos vossos irmãos e irmãs, ao futuro da vossa amada nação.”

Papa Bento XVI

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    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
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