Posts Tagged ‘Deus’

* Jovem esportista deixou estrelato em Vancouver 2010 pela vocação religiosa.

segunda-feira, março 1st, 2010

Em 1998 nos Jogos Olímpicos de Nagano, no Japão, uma velocista americana de apenas 17 anos deslumbrou ao mundo do esporte. Mais de um jornalista se atreveu a prognosticar uma carreira de êxito para Kirstin Holum e um futuro prometedor que teria chegado ao seu clímax nos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver 2010.

Deus tinha outros planos para ela que decidiu deixar tudo e converter-se em religiosa.

Em 1998 Holum ficou em sexto lugar na competição de velocidade de três mil metros, em uma disciplina dominada por atletas que em média estão ao redor dos 30 anos. Naquela oportunidade a ganhadora da medalha de ouro foi a alemã, Gunda Niemann-Stirnemann, de 32. Por isso se esperava que os jogos de Vancouver 2010 ia ser o momento cúspide na carreira de Kirstin.

Kristin aprendeu a patinar graças à sua mãe, Dianne Holum, que brilhou nas olimpíadas de 1972 onde ganhou a medalha de ouro em sua especialidade e foi treinadora de Eric Heiden, ganhador de cinco medalhas de ouro nos jogos olímpicos de inverno.

Em declarações à Yahoo Sports, Kirstin Holum, que é conhecida agora como a irmã Catherine, comenta que “a patinação de velocidade era uma imensa parte de minha vida. Eu ainda adorava o esporte, mas tive este chamado incrivelmente forte que me dizia que era tempo de seguir por um caminho distinto na vida”.

Depois de relatar que foi em uma visita ao Santuário de Fátima onde decidiu consagrar sua vida a Deus, a irmã Catherine conta que “é curioso ver como mudou a minha vida. Tive o maravilhoso privilégio de competir em uma olimpíada, e agora sou abençoada servindo a Deus e àqueles menos afortunados”.

Logo depois de completar seus estudos em arte, incluindo uma tese sobre as Olimpíadas no Instituto de Arte de Chicago, Holum se uniu às Irmãs Franciscanas da Renovação, que se dedicam a “trabalhar com os pobres, os indigentes e pela evangelização”.

A irmã Catherine começou seu serviço no Bronx, em Nova Iorque e tempo depois passou a Leeds, Inglaterra, e vive atualmente no convento de Saint Joseph.

“Quando dou meu testemunho é divertido ver a reação dos jovens logo depois de dizer-lhes que estive em uma Olimpíada”, brinca e acrescenta que “seus olhos se abrem muito e põem mais atenção. É muito bom compartilhar com eles”.

“Sei que não exatamente o que alguém esperaria normalmente de uma religiosa, mas acredito que é bom que as pessoas saibam que os membros de uma ordem religiosa podem chegar de qualquer contexto ou forma de vida. Ao final, tudo é questão de compromisso com a mensagem” do Evangelho, acrescenta a irmã Catherine.

Frente aos anos, o mundo da patinação não esquece a grande atleta que foi a agora irmana Catherine. Shani Davis e Tucker Fredricks, que competem pelos Estados Unidos em Vancouver 2010, e que cresceram treinando em sua época de juvenis com Holum, recordam-na com apreço. “Desejo-lhes o melhor e espero que vá muito bem” disse.

“Não me resulta fácil pensar que as coisas puderam ter sido diferentes para mim e que pude ter participado de outras Olimpíadas, mas definitivamente não era o caminho do Senhor para mim e por isso não me arrependo para nada do (caminho) que tomei”, conclui.

ACI

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* Barulho ! Estamos eticamente doentes porque gritamos e não queremos a quietude, ou gritamos e não queremos a quietude porque estamos eticamente doentes?

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

Que época barulhenta a nossa!

Jovens gritam mais do que antes. Os próprios adultos, comportando-se de modo irracional e “macaquesco”, parecem não ter consciência de sua maturidade biológica, e agem como adolescentes. As diversões quase todas são barulhentas. E se antes ouvíamos som alto em casa ou no carro fechado – confesso, gosto de rock, blues, jazz e música campeira em volumes mais expressivos –, agora somos obrigados a ouvir pelas ruas, nos carros com porta-malas abertos e vidros baixos – e não o bom rock, o bom blues, o bom jazz e a boa música campeira, mas os terríveis axés, pagodes, forrós, tchês e pseudo-funks.

Os escritórios e gabinetes de trabalho são barulhentos. As pessoas ainda têm a mania de andar sempre com aparelhos de mp3 nos ouvidos, sempre desatentas ao mundo. Fora a mal-educada cultura de serviços de telemarketing em sempre interromper o justo sossego com ofertas imperdíveis. Aliás, já que tocamos em oferta, quem não se estressa com as propagandas de certas lojas na TV, em que até a fala é “gritada”, e parece que os anunciantes estão se “esganiçando”, como dizemos no sul?

Tal fato não é produto do acaso. Vivemos em uma sociedade que tem por base ideológica o esquecimento do pensamento e o desprezo da própria consciência. “É proibido proibir”, diziam em 1968, e isso forjou toda uma geração. Desejando tolher aquela que mais proibiria – a consciência –, as pessoas passaram a refugiar-se no barulho. O grito é o modo mais eficaz de inibir a auto-reflexão, de impedir que a voz da consciência nos diga o que fazer o que não fazer. Gritando, submetendo-me ao barulho diuturno, vivendo em um ritmo frenético entre trabalho e lazer agitado e, quando estou em casa, com a novela ou o filme ou o jornal sempre ligados, calo a consciência. Impeço-a de me proibir, de me pautar, de me fornecer os dados necessários de uma moral objetiva para meu comportamento. Se a consciência e a moralidade tentam falar comigo, enclausuro-me no barulho para que não ouça sua voz. A suavidade da voz da consciência é nublada pela ensurdecedora algazarra moderna. Como C.S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, fazia soar pela boca do diabo-tio ao diabo-sobrinho, em forma de “conselho”: quando alguém está perto de pensar em Deus, distrai-o com qualquer coisa… E o barulho faz isso!

É muito sintomático. Nossa sociedade, ao abandonar seus valores mais profundos de cristianismo e moral, está doente. E o remédio, que é o silêncio, é escondido justamente para que de nossos males não nos curemos. Um triste “dilema Tostines”: estamos eticamente doentes porque gritamos e não queremos a quietude, ou gritamos e não queremos a quietude porque estamos eticamente doentes?

O que me deixa assustado é perceber que mesmo aqueles locais em que se poderia encontrar uma esperança parecem aderir aos costumes do tempo. Quantas e quantas igrejas são abertas, em cada esquina, que, a pretexto de louvar a Deus, despejam toneladas de decibéis em nossos ouvidos, como se Cristo fosse surdo para ouvir os clamores dos que se lhe pretendem fiéis!

(..) Ensina D. Antônio Vitalino, Bispo português, que

“a atitude de escuta e o silêncio (…) fazem parte da oração autêntica” e que “vivemos num tempo de barulho, de palavreado, de demagogia, de processos infindáveis, em que os sofismas das palavras procuram escamotear e ocultar os fatos, criando realidades virtuais contra as vítimas reais”.

Sirva esta Quaresma para buscar o silêncio.

Fonte: Veritatis Splendor

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* China, outrora materialista, abre-se a Religião.

terça-feira, fevereiro 2nd, 2010


Por Antonio Caeiro, Agência Lusa

Menos de 40 anos depois de ter sido considerado um pensador “reacionário”, um dos maiores sábios da China Antiga, Confúcio (551-478 A.C.), está a ser de novo valorizado na China e reconhecido como “um mestre”.

A “sociedade harmoniosa” preconizada pela atual liderança – muito diferente da “sociedade sem classes” defendida durante a Revolução Cultural (1966.76) – é vista mesmo como uma espécie de reabilitação oficial do confucionismo.

O culto da educação e do serviço público, o amor filial e o respeito pelos mais velhos, a cortesia e a moderação são algumas das “virtudes” associadas a Confúcio.

“O partido comunista precisa, realmente, do confucionismo. As pessoas não podem viver sem crenças nem religião”, disse à agência Lusa Kong Weizhong, representante da 78ª geração de descendentes de Kong Zi (Confúcio em chinês), nascido em 1963.

Mas nem sempre foi assim: a infância de Kong Weizhong foi “um pesadelo”.

O pai era um parente próximo de Kong Decheng, o decano da 77ª geração de descendentes de Confúcio, radicado em Taiwan depois de o Partido Comunista tomar o poder no continente, em 1949. A mãe era uma chinesa ultramarina, o que para as autoridades da época significava espia.

Com apenas cinco anos, Kong Weizhong e a mãe foram “enviados para o campo, sem sapatos, nem comida”.

Regressaram a Pequim em 1971, mas pouco depois foi lançada uma nova “campanha política de massas” e, desta vez, contra o próprio Confúcio.

“Foi uma tragédia”, diz Kong Weizhong, um empresário do sector farmacêutico que emigrou para Hong Kong em 1980, e que se formou depois no Reino Unido. “Felizmente, a China está muito mais forte e a mentalidade das pessoas mudou muito”,

“Quando um partido está na oposição, é contra Confúcio: Quando está no poder, precisa de Confúcio”, acrescenta. “A harmonia é o contrário da revolução”.

Para Kong Weizhong, “Confúcio não é conservador”: “A essência do pensamento de Confúcio é o amor e a tolerância (…) Confúcio ensina-nos a ser pessoas decentes”.

Aquele descendente de Confúcio contesta também que o confucionismo seja uma religião: “Na religião há Deus e Confúcio nunca falava em Deus. Respeitava o taoismo e o budismo, mas não era religioso”.

Ele próprio não se considera religioso – “não sou a 100 por cento”, diz – mas congratula-se com o reaparecimento da religião na China: “A religião é como uma canja de galinha. Adapta-nos ao mundo que nos rodeia e melhora-nos a disposição”.

O taoismo, doutrina associada a Lao Zi, outro pensador do século VI A.C., “também é mais uma filosofia do que uma religião” e o budismo, que é talvez a religião mais popular na China, “vem da Índia”.

“Se o governo quer mesmo que as pessoas tenham crenças e valores, tem de promover o confucionismo e a cultura tradicional chinesa”, afirma Kong Weizhong.

É esse também o objectivo da sua fundação, a Nishan Education Fund”, sedeada em Qufu – a terra natal de Confúcio – na província de Shandong, costa norte da China.

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* Fotossíntese: Cientistas “Imitam” Deus.

segunda-feira, janeiro 25th, 2010
Em mais uma clara evidência da existência de inteligência embebida nas formas de vida, cientistas criaram folha semi-artificial que imita a fotossíntese e produz hidrogénio limpo.

O Dr. Qixin Guo e seus colegas da Universidade Shanghai Jiao Tong adotaram um enfoque diferente. Eles substituíram alguns componentes da folha de uma anêmona (Anemone vitifolia), mas mantiveram estruturas-chave da planta, alcançando um rendimento na absorção de fótons e na geração de hidrogênio que não havia sido obtido até agoraEm vez de criarem uma folha totalmente artificial, os cientistas optarem por criar uma folha semi-artificial, mantendo estruturas da planta otimizadas pela natureza e de difícil reprodução.

Ou seja, de forma a poderem criar algo remotamente eficiente, eles não só copiaram aquilo que Deus fez, mas durante o processo, eles usaram aquilo que Deus fez.

Imagina que estás presente na altura em que eles anunciam este projecto.- Dr Qixin Guo, foram precisas muitas horas de planeamento e design para criar esta folha?
- Oh, sim, claro. Este projecto custou-nos imensas horas de trabalho, design e planeamento.
- Diga-me uma coisa, Dr: a parte não biológica da planta é o resultado de design, certo?
- Certo.
- Não será lógico inferir-se o mesmo para o original, bem mais complexo e bem mais engenhoso?
- uhhh….talvez..sim..err…acho que não é demais dizer-se isso. *coff* *coff* SEGURANÇA!
Depois da apresentação tu levantas o braço e perguntas:


Nenhuma referência foi feita à teoria da evolução, nem foi explicado como forças não inteligentes podem gerar sistemas como os presentes no aparato da fotossíntese, mas de certo que se perguntássemos ao cientistas envolvidos neste projecto como é que a fotossíntese surgiu, todos eles dariam glória a Darwin e não a Deus.

O ex-ateu Francis Crick, citado pelo professor Phil Johnson, disse uma coisa que deveria fazer os evolucionistas reconsiderarem as suas crenças:

Na sua autobiografia, Crick afirma candidamente que os biólogos tem que se lembrar diariamente que o que eles estudam não foi criado, mas evoluiu; não foi arquitectado, mas evoluiu. Porque é que eles tem que se lembrar disso? Porque, de outro modo, os factos que estão bem à sua frente, e que tentam captar a sua atenção, podem um dia consegui-lo.

Por outras palavras (e parafraseando), o ex-ateu Crick (ele já morreu, e portanto agora já sabe que Deus existe) avisa os seus irmãos na fé para se beliscarem de vez em quando enquanto analisam as formas de vida senão qualquer dia estão no laboratório a dar Glórias a Deus por aquilo que Ele fez.

Pensem um bocado nessa frase.

Quantas vezes por dia é que vocês tem que se lembrar de que vocês não são italianos, ou espanhóis ou Brasileiros? Quantas vezes por dia vocês tem que tomar notas num sítio qualquer de coisas como “não esquecer dar de comer ao crocodilo de estimação”? Nenhuma, certo? E porquê? Porque são coisas que nunca vos vem à mente. Não há situações da vida onde vocês tenham que fazer notas mentais sobre situações e problemas que nunca vos atravessam a mente.

Mas o ex-ateu Crick tem o cuidado de dizer que é preciso manter a cabeça alerta, porque senão ainda vamos pensar que as formas de vida foram criadas. Ele diz isso, porque as formas de vida de facto aparentam terem sido criadas, e como tal, para manter a sanidade mental, eles tem que sufocar o que os seus olhos observam por trás da sua fé evolucionista.

Quão trágico é quando um homem rejeita o que os seus olhos podem ver por causa do ateísmo. Quão trágico é quando homens inteligentes, conhecedores da verdade, programam-se a si mesmos para rejeitar o óbvio e aceitar o ilógico.

Já é tarde demais para Francis Crick, mas se tu és ateu e estás na posição de quem tem que rejeitar as observações de modo a manter o ateísmo intacto, pergunta-te sobre o porquê disso. Se o ateísmo fosse verdade, não haveria razão para suprimir conhecimento, certo?

Conclusão

A criação da planta artificial é sem dúvida um feito notável e louvável, mas mais Notável e bem mais Louvável é o Deus que deu aos seres humanos a capacidade de fazer coisas tão engenhosas.

Para Ele, e só para Ele, seja toda a Glória, Louvor e Adoração,Agora e sempre,Amén.

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* Jesus Cristo : Deus ou apenas um “lunático”?

sábado, janeiro 23rd, 2010


Clique aqui e veja que bela e verdadeira reflexão

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* Papa indica o que deve estar à frente das decisões políticas.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O Papa Bento XVI falou nesta quinta-feira, sobre a necessidade da pessoa humana estar no centro das decisões políticas. O pensamento, já expresso na sua Encíclica social “Caritas in veritate”, esteve no centro do discurso do pontífice ao receber o prefeito de Roma, o vice-presidente da região de Lazio, e o presidente da provincia de Roma, para a tradicional felicitação de ano novo.

Bento XVI começou sua reflexão recordando as consequências negativas da crise da economia mundial sobre os habitantes e as empresas locais, observando que esta crise oferece ao mesmo tempo a possibilidade de repensar o modelo de crescimento, como escreve na sua Encíclica “Caritas in veritate”:
“O desenvolvimento humano, para ser autêntico, deve encarar o homem na sua totalidade e deve realizar-se na caridade e na verdade. A pessoa humana está, de fato, no centro da ação política e o seu crescimento moral e espiritual deve ser a primeira preocupação para aqueles que foram chamados a administrar a comunidade civil”.

Bento XVI insistiu na exigência prioritária, para os administradores locais, de sempre e em tudo procurarem o bem comum. “Desejo exprimir apreço pelos esforços realizados por estas Administrações (locais, de Roma e do Lácio) para corresponder às faixas mais débeis e marginais da sociedade, em vista da promoção de uma convivência mais justa e solidária. A este propósito, quereria convidar-vos a tudo fazer para que a centralidade da pessoa humana e da família constituam o princípio inspirador de cada uma das vossas opções”.

Neste contexto, o Papa referiu-se expressamente ao modo como se tenta resolver o problema da habitação, fazendo votos de que os novos centros habitacionais não se tornem meros bairros dormitório. “É oportuno que se prevejam aquelas estruturas que favoreçam os processos de socialização, evitando assim que surja e se incremente que as pessoas se fechem no individualismo, dando exclusivamente atenção aos seus interesses pessoais, atitudes prejudiciais para toda a convivência humana. Respeitando as competências das autoridades civis, a Igreja congratula-se em oferecer o seu contributo para que nestes bairros exista uma vida social digna do homem”.

Especial atenção reservou Bento XVI aos problemas da família e dos respectivos filhos, recordando a propósito a ação que a Igreja desenvolve, nomeadamente nos bairros periféricos, detendo-se depois no que diz respeito à educação das novas gerações. “É bem patente a necessidade e urgência de ajudar os jovens a projetarem a vida nos valores autênticos, que têm como ponto de referência uma visão ‘elevada’ do homem e encontram no património religioso e cultural cristão uma das suas mais sublimes expressões”.

“Nas propostas formativas sobre os grandes temas da afetividade e da sexualidade, tão importantes para a vida, há que evitar que se prospectem aos adolescentes e aos jovens vias que favoreçam a banalização destas dimensões fundamentais da existência humana. Nesse sentido, a Igreja pede a colaboração de todos, em particular dos que atuam na escola, para educar a uma visão elevada do amor e da sexualidade humana”.

Finalmente, uma referência ao mundo da doença e do sofrimento, para o qual o Papa solicitou uma “atenção constante e coerente”, referindo a propósito a presença da Igreja, também neste campo, com a suas estruturas: “Inspirando-se no Evangelho, (as estruturas sanitárias da Igreja) esforçam-se por abordar com amor e esperança as pessoas que sofrem, apoiando também a busca de sentido e procurando fornecer resposta às interrogações que inevitavelmente surgem no coração dos que vivem a difícil dimensão da doença e da dor. De fato, o homem tem necessidade de ser tratado na sua unidade de ser espiritual e corporal”.

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* Terremoto no Haiti, castigo de Deus?

terça-feira, janeiro 19th, 2010

Jorge Ferraz

Discute-se se o terremoto do Haiti foi um castigo de Deus. Dividem-se os opinantes: não, Deus não castiga; sim, é por causa do vodoo praticado pelo povo. Obviamente, há outras opiniões mais sensatas; estas duas, no entanto, são simplórias demais e, na minha opinião, devem ser desconsideradas.

Quanto à primeira, é óbvio que Deus castiga. As Escrituras estão repletas de exemplos: do Dilúvio passando pela destruição de Sodoma e Gomorra, até os egípcios morrendo afogados no Mar Vermelho e outros episódios menos conhecidos. Não é possível ao católico simplesmente dizer “Deus não castiga”, porque isso é contrário ao que se sabe ter ocorrido ao longo da história da Salvação.

Obviamente, o castigo de Deus não é um mal absoluto, porque Deus não pode querer o mal em si. Santo Tomás de Aquino explica isso na Summa, II-IIae, q. 19, a.1 (tradução livre):

Em verdade, de Deus pode-nos sobrevir o mal da pena [castigo], que não é mal absoluto, mas sim mal relativo e bem absoluto. Efetivamente, dado que o bem estabelece ordem para um fim e o mal consiste na privação desta ordem, é mal absoluto aquilo que exclui totalmente a ordem ao fim último, que é  o mal da culpa. O mal da pena, ao contrário, é certamente um mal, enquanto nos priva de um bem particular; mas em absoluto é bem, porque está ordenado ao fim último.

Deus, portanto, castiga sim, e o castigo de Deus é sempre um bem absoluto, porque está ordenado ao fim último do homem, que é Ele próprio. Como, por exemplo, um pai que castiga o filho para o educar.

Pode-se objetar que não pertence ao pátrio poder espancar um filho até a morte, e que bem pouco aprendizado alguém pode obter de uma experiência se não sobreviver a ela. Esta visão, no entanto, é puramente materialista e não serve para impugnar a visão católica segundo a qual os castigos divinos – quaisquer que sejam eles – estão ordenados ao fim último do ser humano. Ela – a visão materialista – parte de dois pressupostos que não são aceitos pelos católicos: o primeiro, que a vida é um bem absoluto e, o segundo, que o castigo deve servir sempre e somente para os indivíduos castigados. Nós, católicos, sabemos que o fim último ao qual deve almejar o ser humano não é a preservação da própria vida física, e sim a salvação da sua alma. Ninguém pode dizer o que se passa no íntimo de uma pessoa vitimada por uma tragédia nos seus instantes derradeiros e, portanto, não se pode afirmar que o mal relativo não tenha redundado em um bem absoluto – ao contrário, é exatamente por isso que rezamos. Igualmente, o mal sofrido pela parte pode, ainda que não redunde em bem para ela, servir ao todo: como a amputação de um membro gangrenado que, embora não cause bem ao membro amputado, provoca bem ao corpo, ou como aquela história do rei que perdeu um dedo numa caçada. Portanto, uma catástrofe qualquer não pode, a priori, ser excluída como castigo divino por conta de objeções naturalistas como as que são ordinariamente apresentadas.

Quanto à segunda opinião – a de que o terremoto foi, sim, castigo de Deus por conta do vodoo praticado pelo povo -, ela também não pode ser pressuposta assim, sem mais nem menos. Vale salientar que 80% da população do Haiti é católica, e o catolicismo é inclusive a religião oficial do Estado. Obviamente, Deus pode ter castigado a infidelidade de um povo que, honrando-o com os lábios – com a Constituição… -, não Lhe presta louvor verdadeiro com a própria vida. Sim, Deus pode ter feito isso, mas Deus pode igualmente não ter feito isso – ou não pode? Há incontáveis exemplos de ímpios que parecem ser imunes a tragédias, bem como de pessoas inocentes que são vitimadas por desgraças sem que mereçam. Não dá, também, para dizer a priori que Deus resolveu castigar o Haiti por conta da feitiçaria praticada pelo povo católico. Deus não “funciona” com o determinismo de causa-efeito de uma lei física.

Então, afinal, o que dá para dizer? Na verdade, não dá para dizer rigorosamente nada, porque ninguém conhece os desígnios do Altíssimo. Que os terremotos são causados pelos movimentos das placas tectônicas é simplesmente um detalhe técnico – aliás, evidente e incontestável – que não vem ao caso nesta discussão. Os fenômenos naturais, afinal de contas, estão sujeitos ao Autor das leis da natureza.

O que dá para saber com certeza é que Deus não permitiria o mal se, dele, não pudesse tirar um bem ainda maior – como diz Santo Agostinho. E, se um terremoto que deixou milhares e milhares de mortos, feridos e desabrigados é obviamente um mal, importa dar sentido ao sofrimento. Não faz diferença (e, aliás, nem é humanamente possível) saber com certeza se foi castigo divino ou fatalidade permitida pelo Onipotente. O que importa é unir as próprias dores àquelas sofridas pelo Homem das Dores. Como falou o Papa João Paulo II na Salvifici Doloris:

Todo o homem tem uma sua participação na Redenção. E cada um dos homens é também chamado a participar naquele sofrimento, por meio do qual se realizou a Redenção; é chamado a participar naquele sofrimento, por meio do qual foi redimido também todo o sofrimento humano. Realizando a Redenção mediante o sofrimento, Cristo elevou ao mesmo tempo o sofrimento humano ao nível de Redenção. Por isso, todos os homens, com o seu sofrimento, se podem tornar também participantes do sofrimento redentor de Cristo.

[SD, 19]

Que os sofrimentos humanos – em particular estes de memória tão recente – não sejam inúteis, é o que pedimos à Virgem Santíssima, Mater Dolorosa, Nossa Senhora das Dores, Aquela que tão perfeitamente soube unir os próprios sofrimentos aos de Seu Divino Filho.

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* Cardeal Joseph Ratzinger e o filósofo Paolo Flores d’Arcais em um debate histórico: Deus Existe?

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Por P. Rodrigo Polanco
Secretário Acadêmico da Faculdade de Teologia da PUC – Chile

O livro  acima e que apresentamos  aqui é fundamentalmente a transcrição literal de um debate sobre a pergunta que dá título a esta obra: Deus existe?, cujos protagonistas foram o então Cardeal Joseph Ratzinger e o filósofo Paolo Flores d’Arcais.

O diálogo ocorreu no teatro Quirino, em Roma, em 21 de fevereiro de 2000, dentro do contexto do Jubileu convocado por João Paulo II pela ocasião do segundo milênio da encarnação do Verbo de Deus.

O debate, como era de se esperar, suscitou muito interesse antes mesmo de sua realização: o teatro estava repleto de público e ficaram mais de duas mil pessoas do lado de fora que conseguiram acompanhar o diálogo com a ajuda de um amplificador improvisado.

O motivo do interesse? Em primeiro lugar os debatedores: o Cardeal Joseph Ratzinger, então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. Conhecido por sua competência em temas filosóficos e teológicos e, particularmente, porque um de seus maiores interesses foi precisamente poder penetrar e compreender melhor a cultura atual e suas dificuldades em aceitar a mensagem cristã; e, mais especificamente, são conhecidos seus numerosos trabalhos acerca da possibilidade e necessidade da fé em um Deus pessoal que possa fundamentar a cultura e a ética no mundo contemporâneo. Hoje é nosso Santo Padre Bento XVI, cujo magistério se viu claramente influenciado por estas preocupações. Esperavam-se, então, de suas reflexões bons aportes ao debate atual.

O outro debatedor era Paolo Flores d’Arcais, filósofo e jornalista, nascido em Udine, Itália, em 1944. Ele se reconhece como ateu e é, na atualidade, uma referência intelectual no âmbito da cultura européia contemporânea. É, além disso, fundador e diretor da revista “Micromega”, que publicou este diálogo (foi publicado também na França pela editora Payot et Rivage e, na Alemanha, pela Wagenbach Verlag). Flores d’Arcais é um decisivo impulsionador dos valores cívicos da democracia e da igualdade. Seu ateísmo significa, para ele, “simplesmente considerar que tudo se passa aqui, em nossa existência, finita e incerta. E, portanto, são importantes os valores que se elegem e a própria conduta” (pg 30). Pode-se perceber, de imediato, que entre esses dois expoentes há pontos em comum apesar de uma diferença fundamental, o que augurava um debate que não decepcionaria.

O diálogo – e esta é a segunda razão do interesse do livro – que foi muito bem moderado por Gard Lerner (um jornalista italiano judeu), se desenvolveu de maneira intensa, muito honesta, às vezes de forma incisiva, mas sempre com respeito à opinião do outro e em sincera busca pela verdade. Ao longo do debate foram saindo os clássicos argumentos contra a existência de Deus e que foram permitindo ao Cardeal Ratzinger colocar com muita claridade, não somente a realidade da existência de Deus, mas, também, o porquê é hoje necessário e, sobretudo, racional (isto é, adequado a uma razão moderna) crer em Deus.

O diálogo – transcrito integralmente no livro – é aberto, fundamentalmente, com uma colocação de Flores d’Arcais que se tornará o fio condutor do debate, pois é justamente o núcleo da discussão sobre a existência de Deus.

Afirma Flores d’Arcais que a fé deve aceitar – seguindo a São Paulo em seu “escândalo para a razão” e àquilo que se atribui a Tertuliano, “credo ut absurdum” (creio porque é absurdo (o que creio)) – que é digna de respeito, tem direito a uma cidadania, mas não é exigível nem pode ter a pretensão de ser aceita pela razão, já que “suas verdades” não podem ser demonstradas pela razão e que, inclusive, isso não foi pretensão do cristianismo primitivo que se considerava uma religião à margem da razão.

Esta é uma afirmação que talvez muitos cristãos, à primeira vista, subscreveriam.

Pois bem, a partir dessa mesma observação, o Cardeal Ratzinger começa sua exposição demonstrando, com dados históricos, exatamente o contrário. O cristianismo desde suas origens considerou-se como uma religião e uma fé que certamente não era absurda e que, além disso, devia dar “razão de sua esperança”. A primeira carta de São Pedro diz precisamente “estais sempre dispostos a todos os que vos pedem dar razão de vossa esperança” (1Pe 3,15). Os cristãos devem, então, estar em condições de demonstrar o sentido profundamente racional de suas convicções. De fato, o cristianismo primitivo triunfou sobre as religiões pagãs de seu entorno justamente por sua reivindicação de racionalidade. Apresentou-se, inclusive, como filosofia, isto é, como resposta à busca da verdade, do ‘logos’ do mundo.

Já no ano 150, Justino, filósofo e mártir cristão, fundava em Roma uma escola de formação cristã, aonde se podia aprender a refletir a fé entendida como filosofia verdadeira. Sua conversão, longe de afastá-lo da filosofia, o fez verdadeiramente filósofo. Certamente, ao entender o cristianismo como a filosofia perfeita, a filosofia que leva à verdade, “não se entendia, então, como uma disciplina acadêmica puramente teórica, mas também, e antes de tudo, desde uma perspectiva prática, como a arte de viver e morrer retamente à qual só se pode chegar à luz da verdade”. Além disso, a pergunta pela verdade, pelo ‘logos’ das coisas, era a pergunta da filosofia e não das religiões pagãs da época.

A convicção básica da Antiguidade – e creio que também nossa – era que no mundo existe uma racionalidade sobre a irracionalidade – o mundo, a vida, cada um de nós mesmos não somos um absurdo – e, por isso, uma religião, qualquer que seja, mostrar-se-á adequada e verdadeira na medida em que se apresente como “vera religio”, isto é, como verdade universal e fundante. E dessa verdade se deduz também a natureza do homem e, portanto, seu dever moral. De fato, “o que a lei supõe realmente, as exigências que o Deus único coloca para a vida do homem e que a fé cristã traz à luz, coincide com o que o homem, todo homem, leva escrito no coração, de maneira que o considera bom quando aparece diante dele. Coincide com o que é ‘bom por natureza’ (Rom 2,14)” (pág. 16-17).

Na base dos direitos humanos universais – nascidos em contexto cristão e desde o cristianismo – está precisamente a convicção de uma verdade comum – o homem – e um fundamento último: Deus. Essa foi sempre a pretensão do cristianismo, que nasce não tão somente da Revelação, mas também da racionalidade das coisas que existem.

E o debate continua se desenvolvendo, sempre em forma de diálogo e com oportunas reflexões de Paolo Flores d’Arcais em que apresenta suas considerações, sejam factuais ou filosóficos, para não aceitar as verdades e a pretensão do cristianismo.

Por exemplo: sendo Deus o “Totalmente Outro”, pode alguém pretender realmente conhece-Lo?  Não são todas as religiões aproximações igualmente válidas, já que não se pode nem sequer se aproximar por analogia àquilo que Deus é? Porque é necessário que haja “um” sentido para a vida? Não bastaria que cada um encontrasse um sentido particular para sua vida, ainda que seja absurdo para outro? Por que deve haver um único sentido?

Neste ponto do diálogo aparece um elemento crucial na exposição de Flores d’Arcais: se o cristianismo – diz ele – se visse a si mesmo como uma religião que é escândalo para a razão (ou seja, não racional), não haveria problemas, porque uma fé assim somente pediria à sociedade que a respeitasse e não tentaria se impor na sociedade, isto é, não seria missionária. O problema para Flores é se – ao contrário – a “fé católica pretende ser o sumário e o cume da razão, ser o sumário e o cume de tudo aquilo que é mais característico do homem”, ou em palavras do Concílio Vaticano II se “o mistério do homem somente se esclarece no mistério do Verbo Encarnado” (GS 22), então é essencial (ao cristianismo) seu interesse em propagar esta “Boa Nova” (já que o bem é difusivo por si próprio), mas, ao mesmo tempo, é inevitável o risco de que mais tarde caia na tentação de se impor.

O Cardeal Ratzinger está, evidentemente, totalmente de acordo em que é preciso evitar o perigo de tentar se impor. A fé apela sempre à consciência e à razão, o ato de fé é necessariamente um ato que nasce da liberdade e de haver reconhecido a Deus que se revela e oferece a salvação, mas sempre é oferecimento livre.

Mas o motivo da missão e da evangelização, isto é, este elemento essencial da fé católica, “nasce do fato que nós, os crentes, cremos que temos algo que dizer ao mundo, a todos, que a questão de Deus não é uma questão privada…, pelo contrário, estamos convencidos de que o homem necessita conhecer a Deus, estamos convencidos de que em Jesus apareceu a verdade e a verdade não é propriedade privada de alguém, mas que tem de ser compartilhada, tem de ser conhecida”. Novamente o tema da verdade e da razão.

À continuação o tema se desenvolve em diversos matizes e se chega assim a um novo passo na reflexão de nosso atual Santo Padre. Havia dito que a fé católica é racional e que, como verdade, é necessário que todos a conheçam; passa, agora, a discutir com Flores a “novidade cristã de Deus”.

A Bíblia nos apresenta um Deus que está além do Deus da filosofia, isto é, um Deus pessoal que é amor. O mundo vem da razão – logos – mas esta razão é pessoa, é amor – isto é o que o característico e próprio do cristianismo. Isso também não é absurdo, mas supera o alcance da razão por si mesma. Com esta afirmação – segundo o Cardeal Ratzinger quando ainda era um professor universitário – aparece o conceito de criação, tão próprio do cristianismo. O mundo é positivo, é bom e é fruto do amor. É, então, bom viver nele. Portanto, o mundo tem uma direção e medida porque é fruto do Criador que se expressa nele. E, se é fruto do amor, está transpassado pelo amor e a liberdade de acolher esse mesmo amor (cf. J. Ratzinger, Introdução ao Cristianismo). E de onde concluímos isso? Simplesmente de que Deus é como se manifesta. Deus não pode se manifestar como não é. Em termos filosóficos, estamos falando de ‘analogia entis’ e, mais em particular, da ‘analogia amoris’.

O que é a fé, então?  Não é simplesmente um saber, mas uma forma de se situar frente ao mundo, frente a toda a realidade, é a orientação de toda a vida humana, o que é somente possível em virtude de um sentido que a sustente. E esse sentido “não se pode construir, somente se pode receber” (ibid). Isso é a fé: aceitar o dom da revelação que fundamenta gratuitamente nossa vida, é o compreender a existência como resposta ao Logos que tudo sustenta. É aceitá-Lo e n’Ele confiar. E isso é totalmente contrário ao “irracional”. Efetivamente, é aproximar-se ao fundamento, ao sentido da vida e esse fundamento não pode ser – para o homem – outra coisa que não a verdade. Um sentido que não fosse verdade seria um sem-sentido. A fé, no fundo, nos faz compreender autenticamente o mundo, isto é, entendê-lo e fazê-lo próprio.

Mas esse compreender – e isso é essencial para o conceito de fé – é fundamentalmente um encontro com Deus-amor, é uma relação pessoal, é uma aceitação livre de Deus como Deus, é deixar a Deus ser Deus. A fé sustenta não somente que Deus é Logos, mas que, além disso, esse Logos, essa Razão, é liberdade, é amor criador e pessoa. E, portanto, “o supremo não é o mais geral, mas o particular; por isso a fé cristã é, antes de tudo, opção pelo homem como ser irredutível que aponta à infinitude” (ibid). Deus não só conhece, mas que também ama, é criador porque é amor. É um Deus para o qual nada é demasiadamente pequeno e, portanto, um Deus que entra em relação com todo ser humano de modo pessoal.

Neste ponto as posições se aproximam. Para Flores d’Arcais, o ser humano, ainda na opção “desde o desencanto” – que é a opção do pensamento ateu (em contraposição à opção ‘desde a fé’) (*) – deve igualmente escolher entre uma vida com a primazia do EU – solitário – ou do TU – do encontro que soma – para orientar toda sua vida, ainda que seja sua efêmera vida. E aí, no amor ao próximo, há a possibilidade do encontro entre crentes e ateus. E isso é o que permite, desde a Antiguidade, a convivência pacífica na mesma ‘polis’ entre os que pensam diferente.

O diálogo não pode seguir além de duas horas e meia que já dura, mesmo ainda tendo deixado muitos temas e perguntas sem tratamento e, mais ainda, havendo deixado muitas questões colocadas no meio do debate que suscitaram novas perguntas e dão incentivos para pensar e aprofundar nas próprias convicções. Com que gosto haveríamos seguido escutando – ou lendo – este diálogo elevado! De qualquer maneira, o livro ainda nos agrega dois textos complementares ao debate e em torno dos mesmos temas. Um, do Cardeal Ratzinger, intitulado “A pretensão da verdade colocada em dúvida”. E outro, de Paolo Flores d’Arcais, chamado “Ateísmo e verdade”. Como se pode apreciar a partir destes títulos, o tema Deus é, no fundo, um tema sobre a verdade e, finalmente, um tema religioso, mas, ao mesmo tempo, metafísico. E religioso porque metafísico.

Em síntese, um interessante livro sobre um tema extremamente atual que mostra, uma vez mais, o amor à verdade de nosso Santo Padre Bento XVI, sua confiança no diálogo com o outro que pensa diferente e, também, seu respeito pelas opiniões contrárias; assim como sua amplíssima cultura e profundidade para tratar temas atuais. Por outro lado, Paolo Flores d’Arcais deixa uma grata impressão de homem inteligente, aberto e que advoga, de maneira muito aguda, as características e perguntas do ateísmo contemporâneo. Um livro que ajuda a pensar e a pensar também a própria fé, porque “todo o que crê, pensa; pensa crendo e crê pensando (…). Porque se o que se crê não se pensa, a fé é nula” (Sto Agostinho, “De praedestinatione sanctorum” 2, 5 em ‘Fides et Ratio’ 79).

(*) Para Flores d’Arcais a postura atéia considera que “tudo se joga aqui, em nossa existência, finita e incerta”, isto é, ser ateu consiste em ser o homem do desencanto e do finito. (N. T.)

Texto original: Humanitas

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* Tragédia no Haiti. Ateus excitados e justificados.Será?

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Deus não existe?

Deus não existe?

Hélio Schwartsman ,articulista da Folha de São Paulo,não perdeu a oportunidade de pregar seu ateísmo utilizando como pano de fundo a tragédia no Haiti. Ele sugere que, pelo fato de o terremoto ter ceifado vidas inocentes, incluindo a de crentes, Deus está ausente.

No texto “Deus e a terra”, ele afirma que “é justamente para combater a ideia de que o acaso (e com ele a ausência de propósito) está no comando que, suspeito, criamos a noção de Deus”.

O fato é que tragédias existem desde que o pecado entrou no mundo. Na verdade, o pecado é a verdadeira tragédia – o resto é consequência.

É verdade que inocentes morreram no Haiti, assim como morrem inocentes todos os dias, desde que nossos primeiros pais saíram pelos portões do Éden. É verdade que a boa doutora Zilda Arns morreu numa igreja, mas significa isso que Deus abandonou Sua filha em pleno serviço em prol dos desvalidos?

O apóstolo Paulo foi um dos gigantes da fé. Operou milagres e levou a mensagem de esperança a lugares distantes, sofrendo perseguição, espancamento e prisão em nome de Jesus. Depois de anos de trabalho e dedicação, Deus o enviou para Roma, a fim de que pregasse o evangelho na capital do Império. E foi lá que Paulo morreu decapitado. Deus não poderia tê-lo poupado da morte? Por que o enviou justamente para a cidade em que sua vida seria ceifada? O fato é que Deus não vê a morte como o ser humano a vê – ou melhor, como o ser humano sem Deus a vê.

Por isso Jó pôde declarar: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle” (Jó 13:15, NVI). É esse o tipo de confiança que têm aqueles que convivem com o Criador e sabem que Ele existe, não porque os livra de todos os males terrestres, mas porque Se revela claramente para eles, fala com eles; é tão real quanto o amor que se sente, mas não pode ser visto nem tocado.

Segundo meu amigo de Portugal Felipe Reis, “se, segundo esse tipo de raciocínio [do Schwartsman], as tragédias demonstram que não existe Deus, o fato de milhares de pessoas desinteressadas se disponibilizarem para ajudar ao seu próximo com amor não deveria demonstrar que Ele existe?” E outro amigo, o Marco Antonio Dourado, de Curitiba, enviou um e-mail para o Schwartsman. Você pode lê-lo aqui:

“Bom dia, caro Hélio. Como de hábito, li sua coluna na Pensata de ontem, ‘Deus e a terra’, e me ocorreram algumas considerações que gostaria de compartilhar contigo.

“No tristemente célebre debate entre Rousseau e Voltaire acerca da existência de Deus, decorrente do problema religioso resultado do grande terremoto de Lisboa em 1755, devo adiantar que não lhe reconheço a validade. Rousseau, o castelão suiço cujo amor à humanidade e temor a Deus era demonstrado na contumácia com que abandonava em orfanatos os bastardos que trazia ao mundo, representa tão bem o teísmo quanto Hugo Chavez representa a democracia. Já Voltaire, coitado, conseguiu traduzir à perfeição o Iluminismo, do qual foi prócer: morreu suplicando por luz; eis aí o retrato mais bem acabado do chamado ‘Século das Luzes’.

“Essa dupla de fósseis insepultos costuma ser trazida à baila, geralmente por ateus, em épocas de grande comoção mundial em face de catástrofes naturais. É do jogo. Conforta-me que nessa hora os cristãos, pelo menos os cristãos de verdade, abandonam tais diatribes e partem em auxílio aos desgraçados (o que, aliás, muitos ateus, com a graça de Deus, também fazem). É por essas que neste momento nem me vem à mente o bestialógico otimista ‘Carta a respeito da Providência’,* de Jean-Jacques. Penso apenas em pessoas como Zilda Arns. O Amor, matéria-prima de Deus, não é uma emoção ou mesmo um sentimento; é um modo de ser. Dona Zilda, em sua vida e em sua morte, é prova inconteste dessa proposição. Sua estatura espiritual e moral recolhe os arrazoados oportunistas e estéreis à sua verdadeira dimensão: a irrelevância.

“Mas será que a discussão em si pertine? Certo que sim, mas não agora. Melhor em outra ocasião. Hoje, diante do horror em Haiti, devemos mais é externar por meio de atos aquilo de que, de fato, somos feitos. Alhures, de volta à normalidade possível, poderemos reencetar a questão filosófica. Nesse caso, devo adiantar que se nos for dado voz, que ao menos possamos escalar o nosso time – coisa que os ateus, tão prestimosos, tão desapegados, adoram fazer por nós. Como Rousseau não merece sequer ser gandula da partida, eu poderia evocar Heinrich Heine e seu comovente ato de fé renegando o virulento ateísmo que até então promovera. Melhor, no entanto, é apelar a Antony Flew, um dos mais cultuados e atuantes filósofos ateus do século 20. Compreendo que seu livro Um Ateu Garante: Deus Existe tenha feito com que os ateus militantes deixassem de lhe reconhecer a existência física, intelectual e moral. Isso não nos surpreende a nós, cristãos: ‘Mas a sabedoria é justificada por TODOS os seus filhos’ (Lucas 7:35).

“Não sei quem os ateus elegeriam para contestá-lo. Richard Dawkins, aquele gigolô da dissonância cognitiva alheia? Não, meus irmãos ateus! Por tudo o que é sagrado, não! Não me façam sentir por vocês a vergonha que são incapazes de sentir por si mesmos.

“Por falar em dissonância cognitiva, uma excelente recomendação de leitura: A Prova Evidente, de Gershon Robinson e Mordechai Steinman. Leitura rápida, simples e deliciosa, que analisa esse fenômeno. Resumindo:

“Dissonância cognitiva é um artifício psíquico subliminar destinado a proteger o indivíduo de informações que lhe tragam desconforto mental. Ela costuma ocorrer com qualquer um de nós, e pode nos levar a ignorar teses e teorias complicadas, que nos façam sentir ‘burrinhos’. Procura também evitar a ruína daqueles nossos imensos e arraigados investimentos intelectuais, ruína que depauperaria nosso vasto patrimônio de certezas acalentadas. Os mecanismos da dissonância cognitiva podem guindar a informação indesejada à áreas da memória pouco acessadas, uma espécie de aterro sanitário da nossa mente. Podem também provocar uma reação física visivelmente manifesta: impaciência, irritação, cinismo, fleuma afetada, antipatia pela fonte da informação e até, em casos extremos, levar à distimia crônica.

“Penso que antes de qualquer debate, especialmente os de natureza ‘Deus existe?’, cada pessoa, ateia ou teísta, deveria dar uma boa lida na obra desses dois autores judeus e submeter-se a um exame de consciência. Seria como um purgante mental para nos livrar de preconceitos até então inegociáveis. Só assim o diálogo prosperaria em direção à luz que faltou a François-Marie Arouet em sua última hora.”

(*) Sobre o tal otimismo aventado por Rousseau, nunca, jamais deixarei de citar o escritor católico George Bernanos, que formulou um aforismo feito sob medida para, entre muitos, o autor de O Contrato Social: “O otimismo é uma falsa esperança para uso dos frouxos e imbecis. A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.”

Michelson Borges

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* Crer em Deus em tempos de tragédia.

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Eu estava no saguão do aeroporto quando um rapaz se aproximou. Suas palavras foram poucas. “Só os limitados intelectualmente acreditam em Deus!” Disse e saiu.

Eu fiquei engasgado com sua afronta. Num primeiro momento o meu desejo era dizer-lhe uns desaforos, mas não tive tempo.
Sua frase me perseguiu ao longo de todo o dia, mas aos poucos ela foi perdendo o seu poder de agressão.

A frase do rapaz me fez lembrar a regra de ouro da Hermenêutica, a ciência da interpretação. “Todo texto pede um contexto.” Eu não tive tempo para compreender o contexto da frase. Não sei qual foi a experiência religiosa que fomentou aquela compreensão. É bem provável que o rapaz tenha sido vítima de um discurso religioso opressor, pouco sensato. Esse discurso sempre fez parte das culturas humanas. Ensina uma crença que passa longe do bom senso. Interpreta o livro santo ao pé da letra, fundamenta em textos descontextualizados, e justifica com parcas teologias as absurdas caricaturas divinas que foram elevadas aos altares.

O insulto do rapaz me fez pensar na forma como creio em Deus.

Fez-me recordar meu tempo de magistério, quando em sala de aula eu vivia o desafio de propor que a religião só é possível quando os joelhos no chão sustentam uma cabeça que não tem medo de pensar. A fé em Deus não é afronta à inteligência. Não é preciso abrir mão da capacidade intelectiva para admitir a transcendência. E sobre isso gostaria de ter falado ao jovem moço.

Crer em Deus é mais trabalhoso do que não crer. Como tão bem sugeria o escritor mineiro, Guimarães Rosa, a fé é o discurso da terceira margem. Requer abstrações muito elaboradas. É através delas que interpretamos o mundo. Deus não nos aliena, mas nos contextualiza. É simples. Eu acredito na proteção divina, mas olho para os dois lados da rua antes de atravessá-la. É uma questão de bom senso. Não posso crer que Deus venha fazer por mim aquilo que só a mim compete. Não sei quem foi que disse, mas há uma frase bastante sugestiva que gosto muito “Nós só temos o direito de esperar pelo impossível depois de termos feito tudo o que nos foi possível.”

É verdade. Crer em Deus dessa forma é razoável. Não é nenhuma afronta à inteligência humana admitir essa crença. A maturidade espiritual nos sugere que a ação humana legitima no tempo a ação de Deus. Só assim podemos compreender o cuidado divino. O bem que Deus quer para o mundo passa o tempo todo pelas escolhas que fazemos. Se eu me descuido das questões do meu tempo é bem provável que Deus perca a oportunidade de agir no espaço onde estou situado. O ser humano é local teológico privilegiado da ação divina.

É por isso que a fé encarnada, vivida e experimentada sem alienações só pode fazer bem à sociedade. O mundo seria bem melhor se os religiosos do nosso tempo pregassem um pouco mais essa parceria: humano-divina. Deus nos concedendo os dons necessários, e nós realizando a tarefa nossa de cada dia. Talvez assim a gente conseguisse diminuir as tragédias no mundo.

Padre Fábio de Melo

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* Depressão pós-Avatar. E isso existe?

sábado, janeiro 16th, 2010
Assistir Avatar tem deixado muita gente “feliz”. O problema é lidar com a realidade depois.

No site Avatar Forum, um dos maiores sobre o filme, é cada vez maior o número de fãs se queixando de Depressão pós-Avatar. Segundo o administrador do fórum, Philippe Baghdassarian, um tópico chamado “Maneiras de lidar com a depressão pelo sonho de Pandora ser intangível” recebeu mais de mil posts, o que o obrigou a abrir um segundo espaço para o mesmo assunto.
Usuários obcecados relatam que gastam horas pesquisando sobre o filme e que já o assistiram várias vezes. E lamentam não poder visitar ou morar no planeta Pandora, já que ele parece tão melhor do que a Terra. Além disso, muitos criticam a raça humana.
E alguns posts chegam a ser bastante preocupantes. Baghdassarian cita como exemplo o de um rapaz chamado Mike.

“Desde que fui ver Avatar eu ando deprimido. Ver o maravilhoso mundo de Pandora e todos os Na’vi fez com que eu quisesse ser um deles. Não consigo parar de pensar em tudo que aconteceu no filme e todas as lágrimas que já derramei por isso. Eu até já cogitei suicídio, pensando que se eu fizer isso vou renascer em um mundo similar à Pandora e tudo vai ser igual ao que é emAvatar”, escreveu Mike.

Preocupados com mensagens desse tipo, outros usuários do fórum tem tentado animar os colegas. Como formas de combater a depressão pós-Avatar eles sugerem que eles comprem a trilha sonora e jogos de vídeo game sobre o filme, além de conversar com amigos sobre seus sentimentos.

***

Não se pode afirmar com essa informação que o filme gere isso em todos os que o assistem.Tive a oportunidade de assistí-lo e fiquei impressionado pela exuberância visual que a pelicula oferece e pelos efeitos extremamente perfeitos. Neste aspecto, é de tirar o chapeu.

Aliás, até saí “deprimido”, mas por outras razões..

O roteiro!

De fato o filme é um mergulho no panteísmo ecológico, tão em moda nos dias de hoje. Poderia se dizer que no aspecto religioso, o filme é de um paganismo só,uma apologia ao culto à mãe terra,aos seres criados,a harmonia mistica com os animais…Uma tristeza.

Sei que os filmes não tem a obrigação de estarem sempre defendendo os nossos valores cristãos – o que seria ótimo, mas a partir do momento que um filme, e esse é o caso, adentra no misticismo e na esfera religiosa,na relação do criado com o criador, “deus,”mãe terra” e outros conceitos religiosos da nova era, nos toca de forma muito particular porque,como cristãos,sabemos da redenção operada por Jesus Cristo e que estas coisas já foram superadas desde que o evangelho atingiu os pagãos.

Para os que vivem dentro de um vazio religioso,como parece ser o caso dos deprimidos da noticia acima- com todo o respeito por suas dores emocionais e existencias,o filme pouco acrescenta, pelo contrário,evidencia o vazio e os leva a sonhar com um mundo inexistente que os afunda ainda mais em sí e no niilismo.

Sabemos que o panteísmo não é resposta para o homem, obra prima da criação e que não pode ser confundido como “mais uma criatura”,idêntica às outras,em um nivelamento que relativiza a vida humana a de um animal,que tem seu valor,mas que não é igual ao homem,dotado de uma alma espiritual e criado a imagem e semelhnça de Deus.

Não se despreza com isso os animais,criaturas de Deus,mas se respeita a hierarquia da criação.

Claro que o filme apresenta alguns valores bons como a defesa da natureza,dos povos “indigenas” ou das minorias,da harmonia dos grupos sociais…Mas fico me perguntando se isso não seria possivel em um mundo menos idilico,menos envolvido em uma espiritualidade New Age ,perceptivel dentro dos diálogos, das imagens e cores,no culto a árvore sagrada,uma das principais “atrizes” do filme.

Penso que,enquanto espetáculo visual, o filme é bom de se ver.Mas se formos adentrar na mentalidade de fundo e superarmos o deslumbramento inicial das cores, pouca coisa o filme acrescenta para pessoas cristãs como nós, que teem na riqueza dos valores do evangelho e na salvação concreta e histórica trazida por Jesus Cristo,a resposta para um mundo verdadeiramente novo, onde os deprimidos saem refeitos e dispostos a lutar pelas suas vidas e as árvores servem para oferecer deliciosos frutos, sombra e lembrar que, vendo as belezas da terra sonharmos com o nosso amado pai e criador,que nos conhece pelo nome e nos ama eternamante, acima de todo o criado!

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* Processo contra Deus será arquivado. Como?

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

A Justiça de Nebraska, nos Estados Unidos, decidiu arquivar nesta quarta-feira o processo que um senador movia contra Deus.

O juiz Marlon Polk, da corte distrital do condado de Douglas, disse que como o senador Ernie Chambers não informou no processo o endereço do réu, a Justiça não teria como notificar Deus.

No processo, Chambers acusa Deus de gerar medo e de ser responsável por milhões de mortes e destruições pelo mundo. Segundo ele, Deus gerou “inundações, furacões horríveis e terríveis tornados”.

Chambers comentou que Deus fez ameaças terroristas contra ele e seus eleitores. Conforme o senador, ele abriu o processo em Douglas porque Deus está em todos as partes.

“Como a corte não tem condições de notificar Deus, é preciso arquivar o processo”, afirmou o juiz Marlon Polk em sua decisão.

Apesar de significar inicialmente uma “derrota”, o senador encarou positivamente a decisão. “A corte reconheceu, desta forma, a existência de Deus”, afirmou. “Desta forma, uma das conseqüências de reconhecer Deus é admitir sua onisciência. E, se Deus sabe tudo, Deus foi automaticamente notificado deste processo”, completou.

***

Parece brincadeira, mas essa notícia é verdadeira.

Rísivel… Acho que até Deus riu.

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* Jornal vaticano critica panteísmo e espiritualismo ecológico do filme Avatar.

terça-feira, janeiro 12th, 2010

L’Osservatore Romano (LOR) dedicou três dos seus artigos da edição do fim de semana ao filme de sucesso de bilheteria dirigido por James Cameron, Avatar, nos quais criticou o sentimentalismo, panteísmo e espiritualismo ecológico do filme.

Em um primeiro artigo se destaca que Cameron faz um paralelo entre o “genocídio” dos brancos contra as populações nativas dos Estados Unidos, apresentando aos humanos do filme, como aos primeiros e aos segundos como aos “na’vi” do filme que habitam no mundo de Pandora, lugar onde transcorre a ficção.

A história do diretor, diz o texto, “tem uma aproximação branda, conta-se sem aprofundar e termina por cair no sentimentalismo”.

“Tudo se reduz –prossegue– a uma parábola anti-imperialista e anti-militarista fácil, logo que esboçada, que não tem a mesma mordente de outros filmes que procuram mostrar estes aspectos”.

O ecologismo de Avatar, diz o LOR, “inunda-se de um espiritualismo ligado ao culto da natureza que pisca o olho a uma das tantas modas do tempo. A mesma identificação dos destruidores com os invasores e dos ambientalistas com os indígenas aparece logo como uma simplificação que menospreza o âmbito do problema”.

O segundo artigo expõe o nascimento de um filme de culto com o Avatar. “Inaugurará, talvez –diz o texto– um novo gênero, criando um imaginário coletivo no qual se refletirá uma vez mais a força atrativa dos mundos alternativos, uma certa forma de espiritualismo ecológico hoje de moda e o temor, muito difundido, a viver uma verdadeira transcendência”.

O terceiro texto, tomado pelo LOR da revista Mondo e Missione (Mundo e Missão) leva por título “A religião de Pandora” e refere a opinião de alguns colunistas sobre este tema. O texto cita o comentarista de assuntos religiosos do New York Times, Ross Duhat, quem considera que Avatar apresenta “uma apologia do panteísmo, uma fé que faz Deus igual à natureza, e chama a humanidade a uma comunhão religiosa com o mundo natural”.

Este comentarista, prossegue o artigo, “recorda que esta visão religiosa é uma espécie de cavalinho de batalha de Hollywood mais recente. Para o Douthat a opção panteísta do Cameron e da indústria cinematográfica dos Estados Unidos em geral, segue através deste caminho porque ‘milhões de americanos responderam a ela de maneira muito positiva’”.

“E como reconhecia –continua– no século XVIII o filósofo francês Alexis de Tocqueville, ‘o credo americano na essencial unidade do gênero humano nos leva a anular toda distinção na criação. O panteísmo abre a porta a uma experiência do divino para as pessoas que não se sentem à vontade na perspectiva escriturística das religiões monoteístas’”.

Depois de fazer algumas comparações do filme com a concepção do hinduísmo, como que a cor azul dos na’vi seja similar ao da deusa Shiva
–uma de suas principais deidades– o artigo sugere, citando a um blogger americano, que Cameron também poderia ter “unido a antiga teologia cristã da graça e da redenção à sua parábola anti-imperialista’. (quando afirma que chegar a ser um na’vi é voltar a nascer)”.

“O debate, como se vê, está mais aberto que nunca”, conclui.

Fonte : ACI

***

Veja… A Igreja não está “proibindo” o filme. Como já falamos anteriormente a igreja com seus comentários ilumina nossa reflexão e nos mostra um lado da questão que, às vezes, passa batido para nós.

Aliás, essa visão de que a Igreja está a proibir não coaduna com sua proposta de formar as consciências e formar o homem maduro,capaz de viver sua fé em diálogo com o mundo, porém, sem ingenuidades e sem perder a capacidade de reter apenas aquilo que corresponde a nossos valores cristãos.

Aqui mesmo no blog já haviamos aberto o debate sobre o filme, com aprovações e reprovações,claro!

Fica mais esse artigo para nos iluminar a inteligência e firmar nossa fé.

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* A visão da Igreja sobre a questão ambiental é diferente da visão dos movimentos ambientalistas ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”. Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro.

Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita de maneira muito clara as bases que devem fundamentar a ecologia humana.

“Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.

O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma bento XVI – na medida em que porta em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida, caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.

Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.

Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.

O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.

Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”.

Zenit

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* Malásia: tribunal dá razão à Igreja sobre uso da palavra “Alá”

quinta-feira, janeiro 7th, 2010

Para entender a entrevista, leia esta noticia publicada pela folha on line

O Alto Tribunal da Malásia suspendeu nesta quarta-feira a autorização concedida a um jornal católico local para escrever o nome “Alá”, depois que o governo evocou a ameaça de tensões interreligiosas em um país de população majoritariamente muçulmana.

A mesma instância havia considerado na semana passada que o “Herald Weekly” tinha o direito de escrever o nome.

No entanto, o governo alegou, em seguida, uma decisão do Alto Conselho Nacional, de maio de 2008, que estipulava que o nome só pode ser utilizado na Malásia pelos muçulmanos.

O diretor do “Herald Weekly”, o padre Lawrence Andrew, denunciou uma campanha de intimidação contra sua publicação.

“Somos malaios e desejamos viver em paz”, afirmou.

O jornal é publicado em quatro idiomas e tem uma tiragem de 14 mil exemplares, em um país que conta com 850 mil católicos, mas cuja população é de 60% de muçulmanos.

***

Entrevista com Dom Paul Tan Chee Ing, bispo de Melaka-Johor, Malásia

Por Mariaelena Finessi

Em 31 de dezembro passado, o Supremo Tribunal de Justiça de Kuala Lumpur, na Malásia, anulou o despacho do Ministério do Interior do país que impedia a Igreja Católica de fazer uso da palavra “Alá” para se referir ao Deus cristão no semanário católico Herald.

Sobre a controvérsia, ainda em curso, falou Dom Paul Tan Chee Ing, bispo de Melaka-Johor,em entrevista concedida à Zenit.

O jesuíta de 69 anos acredita que a Igreja Malaia deve continuar a lutar pelos direitos dos não-muçulmanos, promovendo o diálogo inter-religioso no país.

- Por muitos séculos, muçulmanos e cristãos conviveram pacificamente na Malásia e o uso da palavra “Alá” nunca havia sido fonte de conflito. O que pensa da proibição de os cristãos se referirem a seu Deus pela palavra “Alá”? Trata-se apenas de uma batalha linguística?

- Dom Paul Tan Chee Ing: Você está certo, e só recentemente é que não apenas a palavra “Alá”, mas também outras expressões de origem árabe – como por exemplo, “Rasul”, “Baitullah” – foram proibidas para féis não muçulmanos. Não se trata de uma batalha linguística, mas de uma batalha por votos, e portanto política. O UMNO - United Malays National Organisation, teme perder terreno para o partido de oposição PAS, o partido islâmico, o qual aliás se expressou a favor dos fiéis não-muçulmanos e sobre seu direito de usar a palavra “Alá”. O UMNO, partido islâmico malaio, teme perder os votos dos malaios, que representam cerca de 60% da população do país. E na Malásia – o único país do mundo em que a religião está associada à etnia pela Constituição – infelizmente se associa a religião islâmica aos malaios.

No Sagrado Alcorão, nas Suras 5,69 e 22,17, e ainda mais explicitamente na Sura 2,62, se diz que os hebreus, os cristãos, os sabeus e os muçulmanos rendem culto a Alá. Como poderia assim um muçulmano se opor ao Sagrado Alcorão? Não é possível. Se o faz, é apenas por ignorância ou por oportunismo político. De fato, aliás, qualquer estudioso sério poderia confirmar que a palavra “Alá” é de origem pré-islâmica e tem suas raízes na língua semita.

Mas é importante ressaltar que nem todos os malaios muçulmanos são contrários ao uso da palavra por não-muçulmanos. Por exemplo, o conselheiro espiritual do PAS, Datuk Abdul Aziz Nik Mat, afirmou que “desde que o uso da palavra não seja abusivo, os não-muçulmanos também podem usá-la”.

Assim, os malaios muçulmanos estão divididos sobre a questão e, de acordo com um comentarista político, este é exatamente o objetivo do UMNO; esta é sua estratégia para vencer as próximas eleições gerais. O UMNO está “entre a bigorna e o martelo”, como se diz. Se endossarem o uso da palavra “Alá” por não-muçulmanos, poderão perder votos malaios; sustentando a proibição, perderão votos dos não-malaios, que pode ser importantes em algumas zonas eleitorais.

- Apesar da decisão judicial, o National Fatwa Council emitiu um fatwa (um pronunciamento legal Islâmico, emitido por especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico) no qual se diz que a palavra “Alá” é de uso exclusivo do Islã. Isso não parece uma contradição?

- Dom Paul Tan Chee Ing: A declaração pública por parte do PAS (Partido Islâmico) de que os não-muçulmanos também podem fazer uso da palavra “Alá” também contradiz o fatwa do National Fatwa Council. A contradição é mais uma das jogadas com as quais se faz política.

- O Ministério do Interior apelou contra a decisão do juiz Lau Bee Lan. Qual foi a resposta da Igreja?

- Dom Paul Tan Chee Ing: O Ministério não apenas apelou ao Tribunal Superior, mas também solicitou a suspensão do efeitos da decisão judicial em favor dos não-muçulmanos. Quanto à Igreja, esta permanece tranquila, firme na defesa dos direitos dos não-muçulmanos, conforme expresso em nossa Constituição Federal, buscando sempre manter a harmonia, sem jamais assumir posições provocativas com atos ou palavras. Mas, é preciso dizer, é um caminho difícil.

- Qual é o “estado de saúde” da Igreja local na Malásia e qual o seu papel no futuro da Igreja como um todo?

- Dom Paul Tan Chee Ing: Uma vez que sou malaio, poderia ser tendencioso. Mas tenho uma grande experiência, amadurecida em diferentes países do mundo todo. Pessoalmente, vejo a Igreja malaia como sendo muito estável, unida e forte. De modo geral, nossos movimentos ecumênicos e nossa cooperação inter-religiosa têm sido bem-sucedidos.

E embora as estatísticas mostrem alguma estagnação da população católica no país, devida a diversas razões, as igrejas estão sempre cheias de homens, mulheres e crianças. Somos uma Igreja vibrante.

A Igreja local tem se esforçado para prestar auxílio ao outras dioceses de países mais pobres, como as Igrejas do Quênia e de Mianmar. E temos também colaborado com protestantes, budistas, sikhs e hindus. A contribuição que nós malaios podemos oferecer à Igreja no mundo está na defesa da verdade e dos direitos das pessoas, porque sabemos que Deus, que é o Senhor da história, tudo vê e tudo sabe. O entendimento do que está errado virá em breve, segundo Seu próprio tempo e Seus caminhos. Devemos ter paciência!

Zenit

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