Posts Tagged ‘Deus’

* Ciências, ateísmo e Richard Dawkins.” Ele não entendeu ainda os limites da ciência”.

quinta-feira, setembro 2nd, 2010

Padre Elílio de Faria Matos Júnior

Richard Dawkins, biólogo inglês, é hoje um dos grandes nomes do ateísmo militante. Sua defesa do ateísmo pretende ter por fundamento sobretudo as ciências naturais, notadamente a biologia. Sustenta, em linhas gerais, que o mundo, tal como as ciências naturais o consideram, basta-se a si mesmo, e tudo o que nele há de diversificado e maravilhoso é resultado do dinamismo do próprio mundo posto em movimento. Entretanto, cabe uma pergunta: será possível abraçar a doutrina atéia a partir das ciências naturais?

Para ser direto, devo dizer: as ciências naturais, de si, não nos permitem nem afirmar nem negar a existência de Deus. Sim, essas ciências têm uma metodologia e estatuto próprios que lhes dão competência em uma área determinada da realidade, mas que também lhe tiram a competência para outras dimensões do saber. Elas podem alcançar certa dimensão da realidade, mas não a realidade toda.

As ciências que têm por objeto a realidade como um todo são a filosofia e a teologia; esta baseada na fé na Revelação divina, e aquela na aplicação dos princípios racionais. Ora, a questão da existência de Deus diz respeito ao todo da realidade. O que é o real? É só a matéria? O que é a matéria? Para além da matéria existe algo? Só quem tem uma visão do todo pode dizer se Deus existe ou não. Essa tarefa, portanto, se é possível executá-la, cabe à filosofia ou à teologia, únicas ciências que pretendem encarar a realidade como um todo.

As diversas ciências naturais, inclusive a biologia, ciência na qual Dawkins é versado, estão restritas ao mundo material, que é o seu pressuposto inquestionável, sem perguntar se para além desse mundo existe um outro, de natureza diversa. Essas ciências, uma vez admitido como pressuposto óbvio o mundo material, querem saber como esse mundo se comporta, como os diversos fenômenos naturais podem ser explicados, quais as relações entre causa e efeito, etc. Mas tudo restrito ao âmbito desse mesmo mundo.

Sendo assim, todas as vezes que um cientista natural – físico, biólogo, etc – levanta uma questão sobre Deus, sobre o princípio radical do mundo (se é eterno ou não), ou sobre se este mundo visível é o único existente, ou ainda sobre se há ou não um sentido para as coisas e a vida humana; quando, pois, levanta questões assim, o cientista, na verdade, extrapola o âmbito da sua ciência natural e passa a colocar questões filosóficas ou teológicas. Ele, então, já não fala em nome da sua ciência natural. Passa a falar como filósofo ou teólogo sem, às vezes, ter adquirido competência para tal.

Ao descrever os fenômenos da natureza, suas causas e relações mútuas, as ciências naturais não pretendem tirar o véu do sentido radical do mundo. A descrição que fazem pode ser compatível com diversas cosmovisões. No âmbito dessas ciências, se se quer respeitar seu estatuto epistemológico próprio, não se pode decidir pelo teísmo, deísmo, agnosticismo ou ateísmo. É preciso lançar mão de um outro nível de conhecimento, uma visão filosófica ou teológica, para alcançar a decisão sobre o sentido da realidade como um todo.

As ciências naturais podem até apresentar indícios de que o mundo é fruto de uma Inteligência ordenadora e um Poder criador e conservador superior, mas, por si mesmas, nunca poderão dar o veredicto final sobre a existência ou não dessa Inteligência ou Poder. Ou podem insinuar que o mundo se baste a si mesmo e que, malgrado a ordem e as maravilhas que podem ser percebidas na natureza, a origem das diversas coisas e das diversas espécies vivas tenham sua razão de ser no próprio interior do mundo, cujo dinamismo, através do acaso e da necessidade, é o “relojoeiro cego” (Dawkins) que fabrica “relógios” maravilhosos. Mas, repito, não podem decidir, por si mesmas, se o mundo realmente se basta a si mesmo ou se a origem mundana das coisas requer ou não uma origem anterior, não mundana. Em síntese, as ciências podem explicar o como e os porquês mais imediatos dos fenômenos do mundo, mas não têm competência para responder à questão do porquê radical. Veja-se o que diz o ex-ateu Alister MacGrath, com doutorado em biofísica molecular:

“As teorias científicas não podem ser tomadas para ‘explicar o mundo’, mas apenas para explicar os fenômenos observados no mundo. Além disso, argumentam os autores, as teorias científicas não descrevem e explicam tudo sobre o mundo, e nem pretendem fazê-lo – conforme suas propostas” (McGRATH, Alister; McGRATH, Joanna. O delírio de Dawkins. Uma resposta ao fundamentalismo ateísta de Richard Dawkins. Mundo Cristão: São Paulo, 2007, p. 53).

O que Dawkins não entendeu é exatamente isso. Não compreendeu os limites próprios do discurso científico, e quis fundamentar na biologia sua tese metafísica (filosófica) ateísta. A tese metafísica de Dawkins sobre a não existência de Deus deve ser debatida no âmbito da filosofia (não digo da teologia porque Dawkins não tem fé, e a teologia a exige como pressuposto), não das ciências naturais.Ora, Dawkins, até hoje, não apresentou nenhum discurso propriamente filosófico para demonstrar que Deus não existe ou para demonstrar que a realidade visível é a única realidade. As pseudo-refutações que faz das “vias” tomistas (argumentos que pretendem demonstrar a existência do Absoluto distinto do mundo), em seu livro Deus: um delírio, mostram, a meu ver, que não compreendeu a natureza dos argumentos. Mas isso já é um outro assunto, do qual pretendo tratar aqui.

Aguardamos ainda de Dawkins, se é que isso é possível, um discurso verdadeiramente filosófico que ateste seu ateísmo. Seu discurso simplesmente não convence.

Veja essa notícia:

Cientista famoso descarta existência de Deus para explicar

origem do universo.

Em seu novo livro, o cientista britânico Stephen Hawking exclui a possibilidade de que Deus tenha criado o universo.

Da mesma maneira como o darwinismo eliminou a necessidade de uma Criador no campo da biologia, Hawking afirma que as novas teorias científicas tornam redundante o papel de um criador do universo.

O Big Bang, a grande explosão que deu origem ao universo, foi consequência inevitável das leis da física, argumenta o famoso cientista em seu livro, que teve trechos revelados hoje pelo jornal britânico The Times. Hawking volta atrás em opiniões anteriores, expressas na obra Uma Breve História do Tempo, na qual sugeria não haver incompatibilidade entre a existência de um Deus criados e a compreensão científica do universo.

“Se chegamos a descobrir uma teoria completa, seria o triunfo definitivo da razão humana, porque desvendaríamos a mente de Deus”, escreveu o astrofísico naquele livro, um best-seller do fim da década de 80.

Em seu novo livro, cujo título em inglês é The Grand Design, Hawking argumenta que a ciência moderna não deixa lugar para a existência de um Deus criador do Universo.

Segundo ele, as condições que deram à Terra o ambiente perfeito para a existência da vida humana são muito menos singulares do que se supunha.

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* O Casamento Cristão e o homem preso a si. Fala-nos Chesterton.

terça-feira, agosto 31st, 2010

G. K. Chesterton

O homem honesto que diz que deseja que o cristianismo seja meramente prático e não teórico ou teológico, raramente consegue explicar o que ele exatamente quer dizer. Essa é a razão de haver tanta repetição simplesmente verbal no que ele diz.

Geralmente, os pobres teóricos e teólogos têm de explicá-lo o que ele quer dizer. De qualquer forma, ele quer dizer algo mais ou menos assim. Um número muito grande de pessoas saudáveis e bondosas é, hoje, oportunista. Todos acreditamos que devemos cortar nosso casaco de acordo com o tecido que temos, no sentido de que ninguém pode fabricar um casaco sem tecido. Mas se o costureiro me diz que todo o tecido em estoque é amarelo-mostarda brilhante, decorado com caveiras escarlates, terei de adiar o quanto puder o uso desse tecido para meu novo casaco, podendo até constranger-me, e ao costureiro, sugerindo-lhe procurar outro tipo de tecido.

Contudo, há um tipo de homem que usará prontamente o casaco amarelo pela simples existência do casaco amarelo. Ele é um oportunista num sentido diferente do meu. Há uma diferença entre um cliente que consegue o que quer, tanto quanto lhe seja possível e aquele que consegue o que não quer porque isso lhe é possível.

Em outras palavras, há uma diferença entre conseguir o que se quer, sob certas condições e permitir que as condições lhe digam o que você pode conseguir, ou mesmo o que você quer. No entanto, é possível passar pela vida sendo controlado pelas circunstâncias dessa forma. Se minha quadra de tênis for inundada, posso, claro, transformá-la num lago ornamental. Ou posso me dar o trabalho de drenar o campo e protegê-lo contra inundações, permanecendo fiel ao ideal abstrato e dogmático de uma quadra de grama. Se uma árvore cai sobre minha casa e faz um buraco no teto, posso transformar o buraco numa clarabóia e a árvore numa saída de emergência. Mas se eu não quiser uma clarabóia e uma saída de emergência, estou sendo manipulado pela árvore. E isso é uma posição indigna para um homem.

É a posição indigna da maioria dos homens modernos. Eles são oportunistas, não só no sentido de conseguirem o que querem da forma mais prática, mas de tentarem querer a coisa mais prática; isto é, meramente a coisa mais fácil. Essa é a razão de eles não entenderem a base do idealismo cristão em muitas questões e especialmente na questão do sexo.

Eles estão sempre sendo desviados pelas inundações e árvores caídas, especialmente aquela árvore do conhecimento que é o símbolo da queda e que certamente fez um buraco na casa, no sentido do lar. Mas a questão aqui é que essas pessoas constroem um novo plano ou propósito sexual depois de cada eventual novo acontecimento. Quando há mais mulheres do que homens, eles começam a falar sobre poligamia. Quando há mais crianças do que é conveniente para os indivíduos criarem com um salário decente, eles começam a falar de alguns truques que são um tipo de substituto para o infanticídio.

Ninguém pode entender a teoria do sexo cristão sem entender a idéia do homem ter um plano que ele deseja impor sobre as circunstâncias, ao invés de esperar pelas circunstâncias para então ver que plano ele vai ter. O cristão deseja criar as condições para que o casamento cristão seja possível e digno em si; não aceitar qualquer coisa possível nas mais indignas condições. Porque ele o quer e o que ele realmente é, consideraremos num momento; mas é necessário tornar claro de início que o casamento cristão não é algo que nos é sugerido pelas condições sociais do nosso entorno; é algo que nos é sugerido por Deus, pela nossa consciência comum e pelo sentido de honra da humanidade em geral. E isso é o que nosso pobre amigo quer dizer quando diz que nós não somos práticos; ele quer dizer que nós não estamos sempre consertando nossa casa e alterando nosso jardim para acolher em seu interior uma árvore caída ou uma tromba d’água.

Ele quer dizer que temos um plano para nossa casa e jardim e que estamos sempre tentando restaurá-los e reconstruí-los de acordo com o plano. Não propomos rasgar o plano original e seguir uma seqüência de acidentes; até que a casa seja enterrada sob árvores caídas e os campos sejam inundados e todo o trabalho do homem seja levado pela enxurrada. Isso é o que ele entende por nossa impraticabilidade, e ele está certo.

Descrito em termos humanos, o plano é substancialmente este. Que o amor que faz a juventude bela, e é a fonte natural de tanta canção e romance, tem por objetivo final um ato de criação, a fundação da família. Ao mesmo tempo em que é um ato criativo, como o de um artista, é também um ato coletivo, como o de uma pequena comunidade. É, talvez, o único trabalho artístico em que a colaboração é um sucesso e mesmo uma necessidade. É preciso de dois para começar uma briga, especialmente uma briga de amantes. Precisa-se também de dois para estabelecer um acordo de amantes segundo o qual seu amor deve ser colocado acima da briga. Mas, por definição, o acordo dos dois não é simplesmente concernente aos dois; mas, num sentido terrível, a outros. A fundação de uma família, como todo ato criativo, é uma responsabilidade tremenda. Em outras palavras, a fundação de uma família significa a alimentação de uma família, o treinamento, o ensinamento e a proteção de uma família. É o trabalho de uma vida inteira, e muitos casamentos têm uma vida muito curta. Sua continuidade é garantida, não por “leis matrimoniais” que nossas modernas plutocracias podem criar ao seu bel-prazer, mas por um voto voluntário ou invocação a Deus feita pelas duas partes, que eles vão se ajudar nesse trabalho até a morte. Para aqueles que acreditam em Deus e também acreditam no significado das palavras, isso é final e irrevogável.

Esse ato criativo é em si um ato livre. Esse ato criativo, como todos os atos criativos, não envolve uma perda de liberdade. O homem que constrói uma casa não recupera aquele castelo que ele construiu e reconstruiu no ar quando ele estava planejando a casa. Nesse sentido, podemos dizer, se quisermos, que o homem que constrói uma casa, constrói uma prisão. Há algo de final em todo grande trabalho, mas é possível sentir nesse trabalho um tipo peculiar de finalidade. A paixão de um homem em sua juventude encontrou seu caminho verdadeiro e alcançou seu objetivo e, apesar do amor não precisar acabar, a busca por ele terminou.

Pelo teste desse objetivo e consecução, todas as coisas condenadas pela ética cristã se encaixa em seus vários níveis de erro. Prolongar a busca de uma forma sentimental, muito depois de ela ter qualquer relação com o trabalho real do homem é um erro em vários níveis; quase sempre isso não é mais que ridículo e indigno; turpe senilis amor.

Permitir que a busca perambule de forma a destruir outros lares saudavelmente estabelecidos é, por essa definição, obviamente errado. Cultivar uma perversão mental que realmente remova o desejo por um ato frutífero é horrivelmente errado. Comprar um prazer estéril de uma classe estéril é errado. Manobrar cientificamente de forma a furtar o prazer sem assumir a responsabilidade pelo ato, é lógica e inerentemente errado. É como andar por aí com uma medalha sem ter ido à guerra.

Nós acreditamos, sem uma sombra de dúvida e hesitação, que onde as condições se aproximam desse ideal, a humanidade é mais feliz. Assim, o nascimento da paixão é usado com um menor grau de destruição. Assim, a morte da Paixão é aceita com um menor grau de desilusão. Um trabalho construtivo da idade adulta segue naturalmente o trabalho criativo da juventude; à paixão é dada uma extraordinária oportunidade de se perpetuar como afeição, e a vida do homem é tornada plena. Há nela tragédias, como há igualmente tragédias fora dela. Não podemos livrar a vida de tragédias sem livrá-la da liberdade. Não podemos controlar a atitude emocional dos outros nem numa condição de anarquia sexual, nem nas condições de lealdade doméstica. O amor é realmente excessivamente livre para os propósitos dos amantes livres. Mas onde os homens são treinados pela tradição a considerar esse processo normal, e a não esperar por nada diferente, há muito menos probabilidade de trágicos relacionamentos do que no amor chamado livre. Se observamos a literatura real do amor irresponsável, encontraremos um contínuo e dolorido lamento sobre falsas amantes e torturantes casos amorosos.

Em resumo, nós não acreditamos, de forma alguma, na grande felicidade prometida à humanidade pela dissolução de lealdades de uma vida toda; não sentimos o menor respeito pela retórica sentimental e grosseira com que isso nos é recomendado. Mas o resultado prático de nossa convicção e de nossa confiança é este: que quando as pessoas nos dizem – “Seu sistema não é muito inadequado para o mundo moderno,” respondemos – “Se isso é verdade, as coisas parecem bem podres no pobre e antigo mundo moderno.” Quando eles dizem – “Seu ideal de casamento pode ser um ideal, mas não pode ser uma realidade, ” dizemos – “é um ideal numa sociedade doente, é uma realidade numa sociedade saudável. Pois, onde ele é real, ele faz a sociedade saudável.” Não dizemos perfeitamente saudável, pois acreditamos em outras coisas além do casamento; como, por exemplo, na Queda do Homem. Mas a questão é que queremos o que é prático, no sentido de que queremos fazer algo, criar famílias cristãs. Mas eles só querem o que é prático, no sentido do que é mais fácil no momento.

Assim, de acordo com a teoria geral do casamento, a paixão é purificada por sua própria frutificação, quando esta frutificação é o seu dignificante e decente objetivo final. Em poucas palavras, podemos dizer que substituiríamos a meia-verdade do “amor pelo amor”, por uma verdade superior do “amor pela vida”. O amor é sujeito à leis porque é sujeito à vida. É verdade, não só metafisicamente, nem mesmo simplesmente num sentido místico, mas num sentido material, que podemos ter vida e que a podemos ter mais abundantemente. Isso não quer dizer, claro, que o amor não tenha seu próprio valor espiritual, quando honoráveis acidentes o impedem de ser frutífero. Mas isso não significa que, em geral, possamos julgar os amores dos homens por outra metáfora mística que é também um fato material e por seus frutos os conheceremos.

Tal princípio é, ou era até recentemente, compartilhado por todos os que se dizem cristãos. Há um apêndice a este princípio que é professado por todos os que se dizem católicos. É uma idéia mais mística; e talvez somente os católicos se esforçaram em defini-lo racional e filosoficamente. Não é verdade, contudo, que somente católicos já o sentiram. Os antigos pagãos já o sentiram sutilmente em suas visões de Atenas, Ártemis e das Virgens Vestais. Os agnósticos modernos o sentem debilmente em sua adoração pela inocência infantil – em Peter Pan ou no Child’s Garden of Verses. Essa idéia é a de que há, para alguns, uma felicidade ainda mais divina que a do divino sacramento do matrimônio. Este é um assunto muito especial e muito grande para ser tratado aqui; mas dois fatos deveras singulares devem, sobre ele, ser notados.

Primeiramente, que os estados industriais modernos estão invocando o pesadelo da super-população, depois de terem, eles próprios destruído as irmandades monásticas que foram uma limitação voluntária e viril a esse pesadelo. Em outras palavras, eles estão, muito relutantemente, recorrendo ao controle de natalidade, depois de realmente suprimirem a prova de que os homens são capazes de auto-controle.

Em segundo lugar, se tal abstenção fosse realmente exigida, essa tradição religiosa poderia dar a ela um entusiasmo positivo e poético, onde todas as outras fariam dela apenas uma mutilação negativa. Os católicos acreditam na razão e gostam de ver as coisas práticas provadas; e, atualmente, a necessidade não está provada; somente mencionada como se tivesse, como se comentassem a respeito de Darwin e Einstein. Mas, mesmo se ela estivesse provada, os católicos teriam uma resposta muito melhor do que a dos outros: as trombetas de São Francisco e São Domingos. E os bons protestantes irão finalmente concordar que a resposta é melhor do que a alternativa de um tipo de anarquia secreta e silenciosa, na qual os motivos são estreitos e os resultados nulos. E por este caminho, voltamos ao tema original do casamento ideal; e à verdade principal sobre ele. Uma coisa tão humana não irá, finalmente, desaparecer por entre acidentes de uma sociedade anormal.

Essa sociedade nunca será capaz de julgar o casamento. O casamento julgará essa sociedade; e pode possivelmente condená-la.

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* Religião é componente genético, afirma autor.

domingo, agosto 29th, 2010

Fonte: Revista Galileu

Nicholas Wade, repórter especializado em ciência do New York Times, juntou religião e as ideias evolutivas de Darwin – duas coisas aparentemente opostas. Em seu livro: The Faith Instinct (O Instinto de Fé, sem edição no Brasil), defende que a religiosidade é um comportamento universal humano, presente em todas as sociedades, e provavelmente moldada pela seleção natural em milhares de anos. Para ele, todos nós temos um instinto religioso, que nos faz querer ter fé.

A relação do repórter com a religiosidade começou no Eton College, no condado inglês de Buckingham. Fundada pelo rei da Inglaterra Henrique VI, a escola manteve seu currículo quase intacto ao longo dos mais de 500 anos que separam sua fundação, em 1440, do ingresso de Nicholas Wade, durante o colegial. Devido à grade secular, ele aprendeu latim e grego, estudou diversas religiões e frequentava a igreja duas vezes ao dia, exceto aos domingos. “Eu acho que essa familiaridade com os hinos e com a liturgia da Igreja da Inglaterra me fez apreciar a religião e me ajudou a entender porque ela tem sido uma força tão poderosa ao longo da história”, diz Wade.

Em seu livro, ele reúne citações de antropólogos, sociólogos, economistas, historiadores, psicólogos, teólogos para mostrar ao mundo com quanto de fé se constrói um homem.

Nicholas Wade conversou conosco sobre seu livro – que é de ciência, segundo ele. “Enquanto a base genética para o comportamento religioso existir, as pessoas estarão inclinadas em relação à religião”, ele destaca.

Confira a entrevista

Seu livro é um livro religioso ou um livro de ciência?

Olho para a religião a partir da perspectiva da ciência e, mais especificamente, da teoria da evolução,Portanto, é um livro de ciência – um livro de ciência sobre a religião.

Há quanto tempo o homem é religioso?

Toda sociedade humana conhecida tem alguma forma de religião. Desde que a religião é como um comportamento distintivo, é altamente improvável que cada sociedade tenha desenvolvido sua religião de forma independente. Religião deve ter sido um dos comportamentos que as sociedades humanas herdaram da população ancestral antes que estas se dispersassem por todo o globo. Como a dispersão da população humana moderna ocorreu há cerca de 50 mil anos, a religião deve existir há pelo menos esse tempo.

E quando ela teve início?

Ninguém sabe. Os rituais religiosos, com base em danças e cantos sem palavras, poderiam ter existido antes mesmo da linguagem. Mas a data em que a linguagem evoluiu também é desconhecida.

As religiões podem estar conectadas em um ponto de origem comum?

A população ancestral humana era muito pequena, houve um ponto em que não éramos mais de 5.000 pessoas. Pode ser que, nesta época, existisse uma religião única, a partir da qual todas as religiões de hoje são descendentes.

E por que isso é importante?

Novas religiões são formadas quando uma seita se separa de uma religião-mãe, e isso significa que, em um princípio, todas as religiões do mundo podem estar postas em uma única árvore de descendência. Isto é importante porque mostra a unidade da religião. Também nos ensina a olhar para as ligações históricas entre as religiões, que os autores religiosos podem ter tido o cuidado de ocultar. O Islã, por exemplo, pode ter raízes profundas no cristianismo, mas não é evidente.

A religiosidade trouxe benefícios à evolução dos seres humanos?

A religião resolveu, de forma muito eficiente, um problema difícil: como o nosso cérebro cresceu, cada indivíduo pode calcular melhor o seu próprio interesse e colocá-lo à frente do interesse do grupo. Mas uma sociedade em que todos colocam seu próprio interesse em primeiro plano se fragmentará brevemente.

A religião era uma maneira de dar coesão ao grupo. Com cânticos e rituais, fez com que todos se comprometessem com as regras, que foram criadas para promover comportamentos que ajudariam o grupo. Este compromisso não foi uma promessa ou uma intenção consciente. O compromisso criado pela religião é profundo, emocional, e muito mais difícil de ser ignorado. Grupos ligados à religião tiveram um forte tecido social, e seus membros estavam mais dispostos a defendê-los, mesmo a sacrificar suas próprias vidas na batalha por aquela religião.

E como a seleção natural está ligada a isso?

Os primeiros humanos eram bastante territoriais e agressivos. Nesta circunstância, a seleção natural teria favorecido os grupos mais religiosos, uma vez que tinham um grupo mais coeso, mais unido, e conseguiram prevalecer mais vezes contra os seus inimigos. Por fim, os genes para os comportamentos religiosos se tornaram universais na população humana inicial.

Essa teoria da seleção natural vem sido criticada por muitos cientistas
Os seres humanos são animais altamente sociais, e sua sociabilidade deve ter evoluído de alguma forma. Mas a sociabilidade – o que significa colocar os interesses da sociedade à frente do próprio interesse – constitui um sério desafio para a teoria evolutiva, uma vez que qualquer esforço para ajudar outras pessoas prejudica os esforços para resolver as próprias necessidades.

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* Se Deus é perfeito e criou os humanos imperfeitos, mesmo que fosse de propósito, não seria um propósito falho?

domingo, agosto 29th, 2010

Margarida Hulshof- Jornalista

Quando alguém se coloca esse tipo de perguntas, é porque, por trás delas, existe uma certeza: Deus existe. É, portanto, dessa certeza que devemos partir.

Desse primeiro ponto decorre outro: Deus é perfeito. Se não fosse perfeito, não seria Deus. E, se é perfeito, ele não falha. Essa é uma certeza que nos vem da fé, embora também possamos chegar a ela pela razão.

Nós, porém, somos imperfeitos, e para saber disso não precisamos da fé, pois a simples observação o comprova.

Se somos imperfeitos, isso significa que nossa capacidade de conhecimento é limitada, que muitas coisas estão além de nossa compreensão. Deus, por ser perfeito, é muito maior do que nós, e por isso não pode caber inteiramente dentro de nossa razão. Podemos conhecê-lo e compreendê-lo até certo ponto, mas não plenamente.

Por isso, não temos parâmetros suficientes para julgar corretamente os atos de Deus, assim como uma criança não tem condições de entender as atitudes de seus pais, que muitas vezes lhe parecem inadequadas. Ela só consegue avaliá-las a partir de seu próprio universo, que é muito mais limitado, e por isso precisa confiar suficientemente no amor e na sabedoria de seus pais, para seguir sua orientação mesmo sem entender. Assim somos nós em relação a Deus.

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* Drama dos mineiros soterrados no Chile: O tubo da esperança e a oração.

sexta-feira, agosto 27th, 2010

Quarta-feira, dia 25-08-2010, este conduto, de oito centímetros de largura, permite que se passem as primeiras mensagens e o alimento para os 33 mineiros bloqueados no fundo de uma mina chilena. A sua saída está longe de ser iminente. Estima-se que será somente em torno do Natal.

Foto: IIvan Alvarado/Reuters

***

Após a euforia de serem descobertos, os 33 homens presos a 700 metros de profundidade numa mina do Chile se preparam agora para meses de espera. A rotina dos mineiros deve ser organizada a fim de controlar os ânimos das vítimas, bem como o peso para ajudar no resgate. Três líderes foram escolhidos entre os soterrados, e um deles cuidará — especialmente — do lado espiritual de seus colegas.

A notícia é do jornal O Globo, 27-08-2010.

Mario Gómez, que ficou conhecido no grupo por escrever cartas de amor para a esposa, é quem vai tranquilizar os outros 32. Ele já vem realizando orações sob os escombros e pediu às equipes de resgate, inclusive, figuras religiosas — como o crucifixo e santos — para a criação de um oratório no refúgio.

— Ele tem um espírito de equipe potente — disse Jorge Díaz, diretor da Associação Chilena de Segurança de Copiapó e que coordena os médicos na zona de resgate.

Para uma melhor adaptação no local, especialistas pediram o estabelecimento de uma rotina, contando com hora para dormir, comer, trabalhar, se divertir, e repousar. Ainda não foi definido, no entanto, o horário de cada atividade, mas, para o cumprimento, os 33 serão divididos em dois turnos — mediante uso de lâmpadas para definir dia e noite.

Mineiros deverão evitar solidão no refúgio .

O espaço em que os 33 mineiros aguardam o resgate deverá ser, de acordo com as equipes, definido em três setores: dormitórios, sala de reunião (para comer, conversar, receber alimentos) e banheiro.

Segundo o ministro da Saúde, Jaime Manalich, as divisões já foram realizadas por iniciativa das próprias vítimas.

De acordo com Díaz, a solidão não é a melhor saída, sendo assim a orientação é que todos fiquem sempre acompanhados de pelo menos um colega.

— É muito provável que em algum momento se quebrem emocionalmente. Precisamos que eles liberem as emoções — afirmou Díaz.

No entanto, o ministro da Saúde afirmou que os 33 mineiros já sabem do tempo que a operação de resgate pode demorar e estão tranquilos.

— Conseguimos falar com eles de forma sincera, e eles aceitaram. Estão tranquilos e esperam poder cooperar da melhor forma possível com a gente — disse o ministro à imprensa.

O governo chileno acredita que o custo total da operação de resgate pode chegar a US$ 10 milhões. Até agora, o investimento apenas em máquinas foi de US$ 3 milhões, e todos os gastos devem ser repassados à empresa San Esteban, dona da mina.

Bens de mineradora são congelados

Além dos custos do resgate, a empresa deve enfrentar ainda um processo judicial, como as famílias dos mineiros já anunciaram que pretendem fazer. A ação incidiria também sobre o Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin). A Justiça chilena já decretou o congelamento de bens da San Esteban no valor aproximado de US$ 1,8 milhão para o pagamento de eventuais indenizações.

De acordo com a juíza Mirta Lagos Pino, responsável pelo congelamento dos bens, a medida vale, inicialmente, por um prazo de 30 dias.

Ontem, o órgão regulador do setor ordenou o fechamento de 30 mineradoras de cobre após o acidente reabrir a discussão sobre a questão de segurança.

Juntas, as empresas produzem cerca de duas toneladas de cobre por ano — ou 0,04% da produção anual do país. Jorge Pavletic, membro da Sociedade Nacional de Minério (Sonami) confirmou o fechamento.

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* O presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus?

quinta-feira, agosto 26th, 2010

Roldão Arruda- Estado de São Paulo

Os candidatos Marina Silva (PV), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e José Serra (PSDB), protagonizaram uma boa aula de cidadania e espírito republicano na segunda-feira, durante o encontro promovido e transmitido ao vivo pelas emissoras católicas Canção Nova e Rede Aparecida. Em diversos momentos eles mostraram que às vezes é preferível perder votos a abdicar de princípios para agradar a plateia.

O encontro se destinou sobretudo a verificar se o pensamento dos candidatos estatava calibrado ou não com o pensamento dos organizadores do evento. Isso ficou perceptível a partir da forma como eram feitas as perguntas, quase sempre precedidas de considerações destinadas a deixar claro o ponto de vista da Igreja Católica sobre o assunto.

No pontapé inicial, o apresentador, um padre, perguntou aos três se o presidente da República do Brasil precisa acreditar em Deus. Quem se saiu melhor foi Marina Silva, que já foi católica e hoje faz parte do grupo evangélico Assembleia de Deus. Disse, de maneira ousada para o local, que a crença pode representar um ponto a mais para o futuro presidente, mas não é imprescindível, porque ateus também podem ser bons governantes.

A resposta completa dela foi: “Do ponto de vista do Estado laico, obviamente que não é preciso acreditar. Do ponto de vista dos valores que a fé cultiva no coração, no caráter, é, com certeza, uma delta a mais, altamente relevante. Todas as culturas têm em suas mentes e corações três valores comuns a todos os povos: o sentido da justiça, o sentido da liberdade e o desejo de amar e ser armado. Percebo isso como um dom de Deus. O bom é que Deus é tão generoso que mesmo aqueles que não acreditam em Deus podem ser agraciados com esse dom. Pessoas que não creem podem ser justas e éticas e também podem buscar a liberdade.”

O tucano Serra seguiu na mesma direção, embora de maneira muito mais tímida. Batizado na Igreja Católica, disse que seria bom se o presidente acreditasse em Deus. Plínio, católico de quatro costados, muito à vontade no ambiente, pulou a resposta, preferindo usar o tempo para protestar contra a ausência da petista Dilma Rousseff, acusando-a de fugir para não ter que expor seu pensamento sobre os assuntos ali tratados.

Plínio mostrou ousadia, no entanto, ao apoiar a proposta de retirada de símbolos religiosos de espaços públicos, tremendamente criticada pela Igreja Católica, desde Roma. Eis o que ele disse: “Essa é uma república laica, com gente que acredita em Deus e gente que não acredita. Não há necessidade da Igreja insistir em ter símbolos religiosos em prédios públicos, porque os prédios públicos são de todos. Os devotos, nas cidades e no campo, devem colocar os símbolos em qualquer lugar, mas não nas repartições públicas, porque nelas o que deve valer mesmo é o princípio da igualdade de todos. Não considero que a Igreja do Cristo deva fazer muita força para segurar essa proposta. É um resquício de uma ideia de cristandade, de uma ideia de sociedade inteirinha dominada pelo cristianismo.”

Serra também mostrou fidelidade ao seu pensamento quando perguntado sobre ensino religioso nas escolas públicas – outra questão pela qual a Igreja Católica vem se batendo. Ele disse que o ensino religioso deve ser ministrado, como disciplina opcional, em escolas de propriedade das igrejas, mas não na rede pública. Lembrou que se fosse aberta a possibilidade de se contratar professores para ensinar cristianismo, outras vertentes religiosas entrariam na Justiça, exigindo o mesmo direito. “Haveria uma inflação de ensino religioso, o que o tornaria impraticável.”

Plínio e Marina apoiaram o ensino religioso na rede pública como disciplina opcional, ou seja, que não reprova o aluno. Para Marina, o Estado brasileiro “é laico, mas não ateu”.

A candidata do PV, como era de esperar, foi confrontada com a questão do aborto. Como é que uma pessoa que defende com a veemência a vida das plantas, não se mostra tão segura na defesa da vida humana, chegando a propor um plebiscito sobre o assunto? – quis saber o jornalista da Canção Nova que fez a pergunta. A representante dos verdes respondeu o de sempre: embora seja contrária ao aborto, do ponto de vista da sua fé, acha que o Brasil ainda precisa debater mais o assunto. Daí a ideia de plebiscito.

Sobre o projeto de lei, em tramitação no Congresso, que criminaliza a homofobia, o candidato do PSOL deu uma no cravo e outra na ferradura. De um lado disse, en passant, que considera a homossexualidade um pecado. Ficou com o papa. De outro, porém, apoiou o projeto, porque entende que ninguém deve ser discriminado, perseguido ou humilhado por causa de sua “opção sexual”.

Serra também titubeou um pouco ao falar sobre a questão dos programas de prevenção da Aids, sempre criticados pela Igreja, que gostaria que a prevenção fosse feita à base da abstinência sexual e da fidelidade no casamento. O tucano defendeu os programas de prevenção, baseados na distribuição de preservativos, mas também disse que não vê problema em incentivar a abstinência e monogamia, como fez o presidente americano George W. Bush em seu governo, se isso ajudar a reduzir a incidência da doença.

Não foi fácil para ninguém. Mas foi um bom exercício democrático, no qual os candidatos tiveram que se confrontar com um grupo de posições baseadas em dogmas da fé, analisar o caráter do Estado brasileiro, e, no fundo, tentar equilibrar temas de fé com direitos civis – uma questão muito nova no Brasil, do ponto de vista histórico. A candidata Dilma perdeu uma excelente oportunidade de se exercitar.

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* Sociedade está clamando por pessoas de “envergadura humanística” capaz de fazer diferença.

quarta-feira, agosto 25th, 2010

Momento atual clama por pessoas com essa têmpera, afirma arcebispo

“Só o substrato humanístico alavanca exercícios profissionais e a condução de processos, nas responsabilidades governamentais e institucionais, com fecundidade.”É o que afirma o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em que fala sobre as competências necessárias para se conquistar os avanços de que a sociedade necessita.Segundo o arcebispo, os avanços na sociedade contemporânea “são medidos, quase exclusivamente, considerando os aspectos envolvendo a tecnologia e a economia”.

Nesse sentido, Dom Walmor considera que o contexto atual “está refém de um déficit humanístico, fator que causa uma incompetência generalizada para a adequada condução de processos, a efetivação de projetos e a fecundidade de ações”.

Diante disso, o arcebispo de Belo Horizonte enfatiza a importância da formação integral, “que traz em sua essência os aspectos humanísticos, cujas raízes têm nascedouro também na opção religiosa e no que é próprio de uma prática confessional – o amálgama que rejunta e tempera o que se aprende em qualquer campo do saber e da ciência”.

“É inquestionável a situação deficitária desse substrato humanístico advindo de referências, com força de princípio e de fonte como o cristianismo.”

“É uma lástima e um prejuízo enorme para a sociedade e toda instituição, civil ou religiosa, a distância de um substrato humanístico indispensável e sua substituição pela pretensão ingênua e néscia de ocupar lugares, garantir benesses e dignificar-se pela ocupação de uma cadeira na instituição religiosa, governamental, civil”, afirma.

“Há um déficit humanístico que assola o mundo contemporâneo e está precipitando as pessoas à inversão de um entendimento importante e necessário para a saúde da sociedade. Pensa-se mais na ocupação de cadeiras e de cargos para se tornar importante.”

O substrato humanístico – prossegue Dom Walmor –, “alargado e fecundado, gera pessoas de referência que, assentadas na cadeira e ocupando cargos, os dignificam e fazem destes uma alavanca importante nos avanços desse tempo”.

“Confunde-se liderança com domínio autoritário de súditos, ou com artimanhas de conchavos que escondem a verdade e não prezam a transparência e o respeito aos direitos e à justiça; com barganhas que acobertam as mediocridades.”

O substrato humanístico não é “uma maquiagem externa para impressionar com a mudança de visual”, trata-se “de um tratamento da interioridade, aquela que sustenta a capacidade do diálogo, evita os destemperos, equilibra com sabedoria a insubstituível capacidade de interpretação adequada da realidade e dos fatos”.

“É muito difícil porque a interioridade é uma realidade não palpável. Sua revelação se dá na leveza das condutas e na inteireza dos atos entrelaçados com a clareza nobre das ideias e argumentações expostas na inteligência do que se diz, se compreende e se vive na prática.”

Segundo Dom Walmor, o momento atual “está clamando por pessoas de uma considerável envergadura humanística, entendida como a mais importante competência, emoldurando o que se aprendeu a fazer profissionalmente”.

“A sociedade precisa ser governada por homens e mulheres com essa têmpera. As instituições precisam alargar seus horizontes e construir suas identidades e missões fundamentadas na competência humanística e, assim, escrever outra história”, afirma.

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* Milagres!

segunda-feira, agosto 23rd, 2010

Diogo Linhares

Devemos distinguir três graus de fenômenos, o que é necessário para entendermos o que é um milagre.

Existem os fenômenos naturais, que acontecem meramente devido às leis estabelecidas por Deus para a natureza;

Existem os fenômenos preternaturais, que são feitos através da ampliação de algumas leis da natureza;

E existem os fenômenos sobrenaturais, que estão acima da capacidade de qualquer ser criado.

A título de comparação, podemos dizer que, por exemplo, um animal que ataca quando ameaçado é um fenômeno natural.

Já quando um animal faz algo contra seus instintos (como a manada de porcos possuídos pela legião de demônios em Mc V: 1-13 e em Lc VIII: 27-33;trata-se de um fenômeno preternatural.

Porém se um animal fala (como a mula de Balaão em Num XXII: 21-35), isto é um fenômeno sobrenatural.

Do mesmo modo, a cura de uma doença (como resfriado, catapora, etc.) é algo natural. A cura acelerada de uma doença que seria curada naturalmente, ou o alívio dos sintomas sem a cura são fenômenos preternaturais. Já a cura instantânea de uma doença ou a cura de uma doença incurável são fenômenos sobrenaturais. E ainda: quando um homem faz pão, com farinha fermento e um forno, isto é algo natural, pois a natureza intelectual do homem permitiu a criação desta técnica. Agora, transmutar pedras em pães é algo preternatural. Já criar pães do nada, como na multiplicação dos pães dos Evangelhos, é algo sobrenatural.

Os anjos são capazes de realizar coisas preternaturais, pois têm controle sobre as coisas naturais. Da mesma forma, os demônios também podemsó Deus é capaz de atos sobrenaturais. com a permissão de Deus, pois conservaram esta capacidade mesmo com a queda. Mas nem os anjos, nem os demônios são capazes de coisas sobrenaturais:

Com esta distinção bem clara, vamos aos milagres. Os milagres são fenômenos sobrenaturais, que Deus realiza para confirmar alguma intervenção Sua na história. Eu acredito neles primeiro porque a Igreja ensina que eles existem. E segundo porque existem muitas evidências de grandes milagres pelo mundo.

De cara podemos lembrar do Milagre Eucarístico de Laciano, cuja explicação se pode achar aqui e em vários outros lugares na internet. De acordo com esta notícia, um pedaço da carne resultante deste milagre foi analisado em laboratório pelo especialista Dr. Linoli, tendo os resultados sido publicados na revista Quaderni Sclavo di diagnostica clinica e di laboratório. Anos depois estes resultados foram confirmados por uma comissão da OMS.

Outro milagre bem documentado foi o da Dança do Sol em uma das aparições de Nossa Senhora de Fátima, diante de 70 000 pessoas (setenta mil!) e que foi inclusive documentado em jornal da época. O texto da notícia, assim como o scan das páginas do jornal, podem ser vistos aqui.

Outro Milagre notório e que acontece todo ano, desde o século VIII, é a liquefação do Sangue de São Genaro, bispo de Benevento que foi martirizado durante a perseguição de Diocleciano. A pedra de sangue está na Catedral de Nápoles e se torna líquida todos os anos no dia 19 de Setembro, festa do santo mártir. Aqui pode ser lida uma notícia sobre isso.

Outro milagre relativamente fácil de ser comprovado é o de alguns corpos de santos que, apesar de terem morrido há muito tempo, não entraram em decomposição. O exemplo mais notável é o do Papa São Pio V, cujo corpo está incorrupto há 438 anos (quatro séculos!) e está exposto em um altar na Basílica Santa Maria Maggiori, em Roma.

Outros santos cujos corpos não se decompuseram: Papa São Pio X (exposto num altar na Basílica de São Pedro, no Vaticano), São João Maria Vianney (o Santo Cura D’Ars, exposto em Ars na França) e Santa Bernadeth (exposto no Convento de Gildard, em Nevers na França). Fotos dos corpos destes santos podem ser vistas aqui. E estes são só alguns.

Embora haja todas essas evidências, temos que ter em mente que a discussão sobre a existência dos milagres pode ser muito influenciada pelo modo de pensar das pessoas. Se uma pessoa presume que milagres são impossíveis, se armará de teorias para explicá-los à luz de acontecimentos naturais. O modo como isto acontece é muito bem explicado no livro que eu estou lendo de C. S. Lewis – que a maioria das pessoas conhece como o autor da série infanto-juvenil As Crônicas de Nárnia; poucos sabem que C. S. Lewis foi um grande pensador de inspiração cristã – chamado Milagres: Um estudo preliminar. Além disso, a Igreja ensina que devemos ter cuidado com todos os acontecimentos extraordinários e que milagres só podem acompanhar pessoas verdadeiramente unidas a Deus, conforme está exposto no Compêndio de Teologia Espiritual do Padre Tanquerey.

O Papa São Gregório Magno, um dos Pais da Igreja, nos alerta numa Homilia sobre o Evangelho de São Marcos que mais valem os prodígios feitos espiritualmente do que aqueles que são feitos fisicamente, pois os primeiros só podem ser feitos pelas pessoas virtuosas, enquanto os segundos podem ser realizados até prlos maus com a ajuda do demônio.

O que posso dizer da minha experiência pessoal é que eu já estive no Convento da Penha, em Vitória-ES e na Basílica de Aparecida, em São Paulo; e uma coisa em comum entre estes dois lugares que me chamou a atenção é a sala reservada às evidências de pessoas que receberam graças extraordinárias, entre as quais certamente encontram-se alguns milagres.

Conheço também um homem que levou um tiro no rosto e sobreviveu de modo admirável. Antes de ser atendido pelos bombeiros ele foi consolado por uma mulher, que ele não conseguiu ver devido ao seu ferimento e que ninguém soube depois quem era. Acreditamos que foi Nossa Senhora que cuidou dele e algo que reforça esta crença é o fato de ele ter se convertido e se tornado um bom católico, juntamente com sua esposa e filhos. Ele foi meu padrinho de casamento, inclusive. Houve também uma vez em que tive que preparar as meditações e os cantos de uma hora santa diante do santíssimo na Igreja. Durante a cerimônia eu não comunguei, porém quando eu cheguei em casa, ao sentar na cama reparei que eu estava com um pedaço da Comunhão na boca.

Quero deixar claro que não tenho interesse em fazer ninguém acreditar que estes dois últimos relatos foram milagres, principalmente porque só quem pode afirmar o que é milagre ou não é a Igreja, e porque eu não merecia presenciar um milagre com a Santíssima Eucaristia naquela época como não mereço hoje. Quero apenas chamar a atenção para o fato de que coisas extraordinárias – entre elas os milagres – realmente acontecem. Mas seu real valor está em nos levar para Deus: o atentado sofrido por meu padrinho foi uma ponte para sua conversão, e o acontecimento com a Eucaristia fez com que eu prestasse especial atenção ao estudar o Catecismo de São Pio X, na parte em que ele fala das disposições para receber a Comunhão, e constatar tristemente que hoje muitas pessoas não atendem estas disposições.

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* “Pensar em Deus” diminui a ansiedade quando se comete erros, afirma estudo.

sábado, agosto 7th, 2010

Estudo publicado na revista ”Psychological Science” mostra que pensar em Deus reduz o estresse que as pessoas vivenciam ao cometer erros. As informações são do ”EurekAlert!”.

Os pesquisadores mediram as ondas cerebrais em uma situação específica – a reação das pessoas ao saber que cometeram erros em um teste. Aqueles que foram preparados com pensamentos religiosos tiveram uma resposta menos proeminente do que aqueles que os que não receberam.

“Cerca de 85% da humanidade têm algum tipo de crença religiosa”, afirma Michael Inzlicht, que conduziu o estudo ao lado de Alexa Tullett. Ambos são da Universidade de Toronto Scarborough.

Os pesquisadores mostraram que, quando as pessoas pensam em religião e em Deus, o cérebro delas responde de uma forma diferente – elas reagem com menos sofrimento e ansiedade após cometerem erros.

Antes de passar por um teste de computador com alto índice de erros, parte dos participantes tinha escrito sobre religião, ou completado um jogo de palavras-cruzadas com termos relacionados a Deus. Os exames mostraram que a atividade cerebral desses voluntários era reduzida no córtex cingulado anterior, área associada à excitação e que gera um alerta quando as coisas dão errado.

Ateus

O curioso é que ateus reagiram de forma diferente: quando eram estimulados a pensar em assuntos relacionados a Deus, a atividade do córtex cingulado anterior deles aumentava. Os pesquisadores sugerem que, para pessoas religiosas, pensar em Deus pode fornecer uma maneira de ordenar o mundo e explicar eventos aparentemente aleatórios, o que reduz a angústia. Em contrapartida, para os ateus, os pensamentos sobre Deus podem contradizer o sistema de significados abraçado por eles e, assim, causar-lhes ainda mais sofrimento.

“Pensar em religião traz calma quando se está em um incêndio e torna as pessoas menos angustiadas ao cometerem um erro”, diz Inzlicht. Segundo ele, há evidência de que pessoas religiosas vivem mais tempo e tendem a ser mais felize e saudáveis, mas ainda faltam conclusões mais precisas.

Os ateus, no entanto, não devem se desesperar. Os pesquisadores acreditam que a redução do sofrimento pode ocorrer não apenas quando se pensa na religão, mas quando se fornece qualquer tipo de estrutura para compreender o mundo. Portanto, os ateus poderiam ter se saído melhor no estudo se tivessem sido estimulados a pensar em suas próprias crenças antes de fazer o teste

Fonte: UOL

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* Doutrina da Igreja sobre o homem, “luz para o mundo moderno”.

quarta-feira, agosto 4th, 2010

Entrevista com o professor de antropologia Juan Luis Lorda

Por Patricia Navas

Mostrar o que realmente é a pessoa humana é “luz para o mundo moderno”, um dos principais desafios da Igreja hoje, o fundamento de seu diálogo como mundo e um aspecto básico da nova evangelização.

É o que explica o professor de antropologia teológica e antropologia cristã na Universidade de Navarra, Juan Luis Lorda, nesta entrevista.

Que é a antropologia teológica e quais são seus grandes temas?

Juan Luis Lorda: A antropologia teológica é o estudo teológico do homem. Quer dizer, o que sabemos do homem partindo da revelação de Deus, tal como o que contemplou a rica tradição de pensamento cristão, que também possui uma enorme experiência humana.

Esses grandes temas são: que o homem é um ser feito para Deus, que está destinado a se identificar com Cristo, que tem uma dignidade particular que é o fundamento da moral, que há uma realidade do pecado na história humana e em cada pessoa, que há uma salvação e renovação em Cristo: isso é a graça.

Que lugar ocupa a antropologia no diálogo da Igreja com a modernidade?

Juan Luis Lorda: A antropologia é a base do diálogo da Igreja com a modernidade. João Paulo II disse, já em seu primeiro discurso ao iniciar seu pontificado, que a apresentação atual do cristianismo tem a ver com a ideia do homem.

A antiga apologética cristã, a defesa, converte-se em uma apresentação do cristianismo, que responde aos desejos mais profundos da pessoa. Deve mostrar que Cristo revela o homem ao homem.

Os cristãos têm uma ideia muito elevada do que é o homem, de sua dignidade, de sua realização, de seu chamado a ser filho de Deus e viver fraternalmente na dignidade do mistério da vida e da família.

Tudo isso é luz no mundo. A modernidade tem uma ideia do homem como indivíduo livre depositário de direitos. Isto é verdade e também uma conquista histórica.

Ao mesmo tempo, se pararmos aí, é pobre. Porque a liberdade tem a ver com a verdade e está destinada à realização do homem. Uma liberdade egoísta como um fim em si mesma é uma espécie de curto-circuito vital.

Além disso, a ênfase moderna nos próprios direitos dá lugar a uma mentalidade egoísta e põe em segundo plano as obrigações e deveres em que a pessoa realiza sua vocação social e, em particular, sua vocação ao amor.

O verdadeiro amor, paradoxalmente, é entrega, doação, uma perda voluntária de liberdade. Mas nele a pessoa a pessoa e tira o melhor de si.

A entrega no matrimônio em família, na amizade sem interesse na vida social, na vida da Igreja são grandes horizontes da realização da pessoa.

Todas estas são grandes contribuições cristãs, luzes para o mundo moderno. E não devemos nos esquecer da doutrina cristã sobre o mal e o pecado.

A modernidade nasceu com uma espécie de otimismo ingênuo: acredita que pode vencer o mal dentro de nós mesmos, e fora só com a razão e a educação. Mas os cristãos sabem que é necessária a graça de Deus e o amor.

O senhor publicou durante o curso o manual Antropologia Teológica, que já esgotou na primeira edição. Por que escreveu este livro?

Juan Luis Lorda: É um manual que forma parte de uma coleção da Faculdade Teológica da Universidade de Navarra. Esta coleção pretende abordar todas as matérias que são estudadas na teologia.

Há 20 anos, ensinei esta matéria na faculdade; por isso me encarregaram. Custou-me muito tempo fazê-lo porque, de certa forma, esta matéria é nova na teologia. Desde meados do século XX se quis reunir o que a teologia diz sobre o homem em uma única matéria.

Já existem alguns anuais de antropologia teológica, mas a maioria ensaística. Levei 13 anos elaborando, durante esse tempo escrevi vários livros preparatórios: uma antropologia bíblica, um ensaio que se chama Para uma ideia cristã do homem e um tratado sobre a Graça.

Qual é a contribuição mais original?

Juan Luis Lorda: Parece-me que é novidade a síntese geral e a ordenação da matéria. O tema central do livro é o mistério pascal, que é a máxima revelação de Deus em Cristo e serve para centrar muito bem todo o discurso cristão sobre a graça.

Temos de levar em conta que, no século XX, houve duas grandes contribuições para a antropologia teológica: a Constituição Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, e o pontificado de João Paulo II, que foi muito fecundo.

João Paulo II aprofundou o fundamento da moral na antropologia; tanto nos aspectos de moral fundamental, como na dignidade do homem e o sentido da vida, como nos de moral sexual e os da moral social.

Além disso, pensava que a ideia cristã sobre o homem era um caminho de evangelização.

O livro possui duas partes: a apresentação da ideia cristã do homem e a transformação em Cristo pela graça.

Ele presta muita atenção à teologia patrística e aos exponentes principais do pensamento cristão antigo, o que é importante para o ecumenismo. Faz um esforço de compreender bem as posições para superar mal-entendidos.

Também inclui aspectos pontuais da doutrina da graça que formam parte da experiência cristã, a sabedoria cristã adquirida por meio da história.

Um dos temas que o manual explora é a dignidade da sexualidade humana. O senhor destaca no livro que “com sua fecundidade, o homem transmite a imagem de Deus” e que “esta é a razão pela qual a sexualidade humana está regida por leis morais tão graves”. Como se pode transmitir esta mensagem na sociedade ocidental atual?

Juan Luis Lorda: É um bonito desafio e um dever. Os cristãos tem uma ideia muito elevada do que é o homem, do que é a vida e, por isso mesmo, da sexualidade, da fecundidade humana, do matrimônio e da família. Também do celibato.

Sabemos que tudo isto responde ao desejo de Deus e isso nos dá muita segurança. A moral sexual cristã se apoia também na própria evidência natural da sexualidade, na realidade do amor conjugal e da família como comunidade natural humana. É o livro da natureza, que Deus também escreveu. É a verdadeira ecologia humana.

Em contrapartida, a revolução sexual que o Ocidente viveu baseia-se em uma grande quimera antiecológica: que o homem pode mudar a si próprio como quiser; e especialmente, a sexualidade.

Não deixa de ser curioso que a cultura ocidental seja tão ecológica e tão naturalista quando se trata da alimentação, e, pelo contrário, quer ensinar as crianças que o sexo é algo que depende totalmente da liberdade pessoal.

Nós sabemos que não é assim: que é uma fundação biológica com uma ordem natural, que tem uma relação profunda com o amor conjugal, que tem a dignidade de transmitir a vida humana, que funda a família.

Por isso, é uma realidade que merece o máximo respeito. Dizia um sensato autor, Sheed, que a vida é sagrada, por isso o matrimônio é sagrado e o exercício da sexualidade humana também tem algo de sagrado.

Em tudo se exerce a dignidade da pessoa. Isso explica a moral sexual cristã que não é repressiva do sexo, mas que, realmente, o considera algo maravilhoso.

Nesse ponto de seu livro, afirma que estamos experimentando um “retrocesso cultural”. Ao que isso se refere?

Juan Luis Lorda: À perda do valor da família nas sociedades ocidentais. É um espaço de suicídio e talvez não seja a primeira vez que é produzido na história.

Na cultura política está se impondo um liberalismo libertário. Inclusive a esquerda acolhe este discurso, depois de que, com a queda dos regimes comunistas, desapareceu a teoria econômica e social socialista.

O liberalismo clássico tinha duas vertentes: um liberalismo econômico, que pretendia eliminar as barreiras e fronteiras com a produção industrial e o comércio; e um liberalismo político, que protege e aumenta as liberdades políticas das pessoas.

A partir de 1968 chegou um novo liberalismo sexual. Esse é o liberalismo libertário. A defesa do sexo usado de qualquer forma. Isso afetou profundamente a família, que é a base da civilização.

Em que medida a antropologia cristã está envolvida atualmente na nossa cultura?

Juan Luis Lorda: O cristianismo forma parte, e muito importante, de nossa cultura. Não gosto quando se fala do atrito entre Igreja e mundo moderno, porque a Igreja ou os cristãos formam parte do mundo moderno.

Não só porque vivemos nele, mas também porque muitas das grandes ideias do mundo moderno estão enraizadas no cristianismo.

O famoso lema da Revolução francesa, “liberdade, igualdade, fraternidade”, expressa ideiais cristãos.

Nós, cristãos, cremos na existência real da liberdade, na qual todos os homens são iguais e em que somos irmãos porque somos filhos de Deus. Mas uma grande parte da cultura moderna atual não acredita nisso. O materialismo científico não acredita, por exemplo, na liberdade. E a biologia não acredita na igualdade ou na fraternidade. A evolução das espécies funciona porque não há igualdade e porque o mais forte se impõe.

Uma grande parte da cultura moderna já não é capaz de sustentar seus fundamentos, porque não acredita neles. Menos ainda acredita no valor ou dignidade da vida humana.

A extensão do aborto é uma prova que se impõe na utilidade sobre o valor: faço o que quero ou o que me convém, acima do que é valioso, do que devo, do que é bom.

No fundo, muitos defendem que o homem, cada homem, é somente um pouco de matéria casualmente organizada. Nós acreditamos que é um grande valor.

Os cristãos são os grandes humanistas da cultura moderna, ainda que não sejamos os únicos, porque muita gente com sentido comum e com sentido da beleza ou da justiça compartilha estas convicções.

Como aborda as questões da bioética como a clonagem ou o transhumanismo na compreensão tradicional do que é o homem?

Juan Luis Lorda: Parece-me que não tratam de entender melhor o homem, mas que querem usá-lo. Não focam no tema da dignidade humana, mas da utilidade. Por isso, não lhes importa gerar milhares de embriões humanos e deixá-los em refrigeradores com alguma finalidade posterior ou até mesmo para testes cosméticos.

É missão de todos, mas especialmente das pessoas mais comprometidas, defender diante disto a dignidade humana. Não é só coisa de cristãos. Como dissemos, compartilhamos estes valores com muitos que acreditam na existência da justiça, beleza, do amor humano e da dignidade humana.

Como a Igreja enfrenta o desafio de manter e aprofundar o conceito de “pessoa humana” no futuro?

Juan Luis Lorda: Pode-se dizer que a Igreja é a grande defensora da dignidade humana. Graças a Deus, compartilhamos esta preocupação com muitos homens de boa vontade.

Nós acreditamos que a dignidade humana se baseia em que o homem é imagem de Deus. Nem todos sabem, mas percebem de alguma forma ao ver as manifestações da bondade humana: inteligência, moral, sentido estético… com isso alcançam compreender algo da dignidade humana.

Diante disso, nós encontramos pessoas que têm uma mentalidade materialista, que acreditam que o homem é uma acumulação de matéria e, portanto, é a mesma coisa destruir um monte de areia ou uma pessoa, praticamente.

Também há pessoas que sacrificam tudo para sua utilidade, a sua conveniência. Isso é a essência da imoralidade. Por isso, não respeitam a dignidade, nem de sua pessoa nem de nada

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* Ví a belezas da terra e minha alma sonhou com o céu!

sábado, julho 24th, 2010

“Oh, beleza sempre antiga e sempre nova, quão tardiamente te amei!” (Santo Agostinho)

E ainda tem quem consiga ver a beleza e não associá-la com o Belo!

Ah se todos soubessem que felicidade e plenitude de vida Deus é capaz de gerar!

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* Ansiedade pode estar na raiz do extremismo religioso, afirma estudo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Verdade e caridade evitam extremismos religiosos

Rádio Vaticano

A ansiedade e a incerteza podem tornar as pessoas idealistas demais ou levá-las a serem mais radicais em suas crenças religiosas: a conclusão é de pesquisadores da Universidade de York, no Canadá, que publicaram os resultados de seu trabalho na edição deste mês do Journal of Personality and Social Psychology.

Numa série de estudos, mais de 600 participantes foram colocados em situações neutras ou que provocavam ansiedade. A seguir, eles descreviam seus objetivos pessoais e avaliavam o grau de convicção que tinham em relação a seus ideais religiosos. Isso incluiu perguntar aos participantes se eles dariam suas vidas por sua fé ou se apoiariam uma guerra em defesa da sua religião.

Em todos os estudos, as situações de ansiedade fizeram com que os participantes se tornassem mais avidamente envolvidos em seus ideais e adotassem posições mais extremistas em suas convicções religiosas.

Num teste, ponderar sobre um dilema pessoal provocou um aumento geral em direção a objetivos pessoais mais idealistas. Em outro, esforçar-se para resolver uma questão matemática confusa causou um pico de posições religiosas extremistas. Num terceiro experimento, refletir sobre as incertezas de um relacionamento causou a mesma reação de “zelo religioso”.

Os pesquisadores descobriram que as reações religiosas mais extremistas são mais pronunciadas entre os participantes com personalidade forte (definida como uma pessoa como autoestima elevada, orientada para a ação, mais ansiosa e mais tenaz) – normalmente mais vulneráveis à ansiedade – e entre aqueles menos seguros sobre seus objetivos na vida diária.

A explicação, segundo os pesquisadores, está em um processo motivacional básico, chamado Motivação Reativa (RAM: Reactive Approach Motivation). “A motivação reativa é um estado persistente no qual as pessoas tornam-se “prontas para atirar” em qualquer objetivo ou ideal em que estejam engajadas. Elas se sentem poderosas e os pensamentos e sentimentos relacionados a outras questões perdem espaço” – diz Ian McGregor, coautor do estudo.

“A motivação reativa normalmente é um processo de regulação adaptada dos objetivos, que pode reorientar as pessoas rumo a formas alternativas de busca de seus objetivos, quando se deparam com um problema.”

“Contudo, nossa pesquisa mostra que os seres humanos podem, algumas vezes, “cooptar” a motivação reativa para aliviar a ansiedade a curto prazo. Simplesmente promovendo os ideais e as convicções em suas próprias mentes, as pessoas podem ativar a motivação reativa, estreitando seu foco motivacional para longe dos problemas que as deixam ansiosas, sentindo-se assim mais serenas” – explicou McGregor.

Os pesquisadores também mediram as crenças supersticiosas dos participantes e sua concordância com o conceito de um Deus controlador, a fim de distinguir as formas de fundamentalismo religioso das formas mais abertas de devoção.

“Avaliados em conjunto, nossos resultados sugerem que pessoas ousadas, mas vulneráveis, são atraídas para os extremismos “idealista” e “religioso”, a fim de aliviar a própria ansiedade” – concluiu McGregor. (AF)

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* França: Fé resiste! Livros sobre espiritualidade entre os mais vendidos no País.

segunda-feira, julho 12th, 2010

Continua atualíssima a palavra de sabedoria de Santo Agostinho de que fomos criados para Deus e inquietos estaremos enquanto não repousarmos n’ELE.

O secularismo não consegue sufocar a sede de Deus que o ser humano tem. Nem mesmo na terra da Revolução Francesa!

Nossa missão como evangelizadores é crer nisso e continuar a anunciar a verdade de Cristo.

Não ter dúvida de que a obra é de Deus e ser ousado e pregar, de todas as formas possíveis o santo evangelho e anunciar esse amor divino que todos precisam e não sabem , por isso o procuram em tantos lugares errados.

***

A busca pela espiritualidade inspira autores e leitores na França. De acordo com uma pesquisa realizada por uma importante revista semanal dedicada aos profissionais do ramo literário, a “Livres Hebdo”, os livros que falam sobre Deus estão entre os mais vendidos no país.


Dos dez mais vendidos, três abordam o tema, apesar de não estarem todos classificados como teologia. Os títulos desses três livros são “Comment Jésus est devenu Dieu”, “L’Ouvrage D’Alix de Saint André” e “Le Visage de Dieu”.

Os contextos e os assuntos secundários das histórias são variados, mas todos tratam da existência de Deus. A pesquisa ainda mostra que as maiores vendas não são as das livrarias especializadas em religião, mas das livrarias que oferecem um panorama mais amplo de obras literárias.

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* A maior de todas as virtudes é a caridade.

segunda-feira, junho 21st, 2010

Zenit

Entrevista com o padre Giorgio Maria Carbone, docente de teologia moral

Para muitos, a ideia de caridade não vai muito além da ação de distribuir esmolas.

Não há dúvida de que toda boa ação de doação para o próximo é meritória, mas, para o cristianismo, a caridade tem um significado muito mais profundo, e deve ser praticada para além da filantropia.

De fato, para a religião cristã, a caridade está intimamente ligada ao amor, à tomada de responsabilidade nas relações com os demais, que implica num comportamento fraterno. Talvez por essa razão São Paulo tenha indicado a caridade como “a maior e todas” as virtudes.

Tratando deste tema, o padre Giorgio Maria Carbone, frei dominicano e sacerdote, doutor em jurisprudência e teologia, docente de teologia moral junto à Faculdade de Teologia dell’Emilia Romagna, publicou recentemente um livro intitulado Ma la più grande di tutte è la carità (“Mas a maior das virtudes é a caridade” – Edizioni Studio Domenicano).

O que é a caridade?

Padre Carbone: A caridade é, em primeiro lugar, a própria identidade de Deus. É o que nos ensina João: “Deus é amor” (1 Jo 4,16). Nesta passagem, o apóstolo usa a palavra grega ágape, que significa amor gratuito de benevolência. A caridade, assim, significa o amor com qual Deus ama a si próprio, isto é, o amor com qual o Pai ama o Filho, e este amor é o próprio Espírito Santo. A caridade significa também o amor com que Deus ama cada um de nós: e Deus nos ama com o mesmo Amor com o qual se ama, isto é, nos ama no Espírito Santo. É este o significado da oração que Jesus dirige ao Pai antes de ser preso (Jo 17,26): “Manifestei-lhes o teu nome, e ainda hei de lho manifestar, para que o amor com que me amaste [que é o próprio Espírito Santo] esteja neles, e eu neles”. Enfim, a caridade significa também o amor com o qual nós amamos a Deus, a nós mesmos, e ao nosso próximo. Este último é, assim, um amor de resultados, que depende do fato de que Deus é amor e de que Deus nos ama.

O que distingue a caridade cristã do conceito de solidariedade e de outras formas de altruísmo secularizado?

Padre Carbone: O elemento característico que faz a diferença está em sua origem, na fonte e na consciência desta origem. A caridade é a própria natureza de Deus, é o fato de que Deus me ama com o mesmo amor com o qual ama a si mesmo. É justamente o fato de Deus me amar e me envolver em sua dinâmica do amor, que me torno capaz de amar com o mesmo amor: esta é a caridade cristã.

É uma espécie de habilitação que Deus opera em nós: Jesus Cristo, amando-nos, nos faz capazes de também amar com seu coração e seu impulso, com suas motivações e seus fins. Este é o desígnio de salvação pelo qual todo homem e toda mulher é chamado a participar ativamente: um desígnio de amor salvífico que se realiza mediante o amor voluntário, isto é, do amor que se faz doação. É o que diz São Paulo em sua carta aos Efésios. Assim, a caridade encontra sua origem no próprio Deus e nos coloca em conformidade com a vida de Cristo.

A solidariedade, o altruísmo, a benevolência genérica constituem boas disposições do ânimo humano, isto é, constituem autênticas virtudes e podem compelir aos mesmos gestos que nos conduz a caridade. Mas as origens e as metas da solidariedade e do altruísmo são diferentes daqueles da caridade: de fato, a solidariedade nasce da consciência de se pertencer a uma mesma comunidade, partilhando interesses e fins comuns.

Em seu livro, o senhor sustenta que a caridade é a forma de todas as virtudes. Porquê?

Padre Carbone: Dizer que a caridade seja a forma de todas significa que conduz todas as virtudes à mais alta perfeição. Mas é preciso entender bem. Cada virtude humana, como as virtudes cardeais da prudência ou da justiça, aperfeiçoa o homem relativamente a algum aspecto de sua vida. Por exemplo, a virtude da justiça aperfeiçoa minha vontade porque me torna capaz reconhecer e realizar o bem comum e o direito do próximo. Assim, me aperfeiçoa no que se refere às minhas relações sociais interpessoais. A caridade, por sua vez, me relaciona me primeiro lugar com Deus, porque é uma resposta de um amor recebido de Deus; depois, me relaciona comigo mesmo e com meu próximo, pois me torna capaz de amar a mim mesmo e a ele com o mesmo coração e a mesma vontade de Jesus Cristo; e, enfim, me orienta não tanto a buscar algum fim próximo, e sim o fim último e definitivo, que é o próprio Deus.

A fé católica indica a caridade como uma das virtudes teologais. São Paulo sustenta que a caridade é a maior de todas as virtudes. Qual razão desta posição privilegiada?

Padre Carbone: Em parte devido aos motivos que já discutimos, e em parte devido a outras razões que podem ser inferidas a partir da comparação entre as virtudes da caridade e aquelas da fé. Ambas são virtudes teologais, no sentido de que ambas têm Deus como origem: apenas Deus é causa eficiente da fé e da caridade, ninguém pode causá-las em si mesmo; podemos nos dispor a receber estas virtudes, mediante a oração, pela prática da humildade, recebendo os sacramentos, mas não somos nós que damos origem a tais virtudes: é Deus que as doa. São teologais também porque Deus é seu objeto: com a fé nós conhecemos a Deus e aquilo que Deus diz de si mesmo e da criação; e com a caridade nós amamos a Deus e por Ele somos amados. Mas a diferença é a seguinte: a fé aperfeiçoa a inteligência humana e nos leva a conhecer o próprio Deus. Este processo de conhecer faz uso da linguagem e dos conceitos humanos, e, portanto, de conceitos limitados, finitos, que são, por sua própria natureza, redutores da realidade ilimitada que é Deus. Assim, a fé, enquanto aperfeiçoa a inteligência, tem um limite objetivo: reduz Deus aos limites finitos de nossos conceitos, ainda que possam ser ideias e conceitos contidos na revelação histórico-bíblica. A caridade, ao contrário, aperfeiçoa a vontade, e esta vontade é dirigida à pessoa amada como nela própria. O amor e a vontade comportam um movimento da pessoa que ama à pessoa amada para alcançar esta pessoa em sua própria identidade real, e não por ideias ou conceitos que dela fazemos. Por essa razão, a caridade é também mais excelente que a fé: leva a alegrar-se e amar a Deus por aquilo que é em si mesmo.

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* Newton, Einstein e Deus. Alguma relação?

domingo, junho 20th, 2010

“Os dois gigantes da física tinham uma relação íntima com certa versão do que se costuma chamar de Deus”, escreve Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro ” Criação imperfeita” em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo,

Eis o artigo.

Talvez isso surpreenda muita gente, mas tanto Newton quanto Einstein, sem dúvida dois dos grandes gigantes da física, tinham uma relação bastante íntima com Deus.

É bem verdade que o que ambos chamavam de “Deus” não era compatível com a versão mais popular do Deus judaico-cristão.

Numa época em que existe tanta disputa sobre a compatibilidade da ciência com a religião, talvez seja uma boa ideia revisitar o pensamento desses dois grandes sábios.

No epílogo da edição de 1713 de sua obra prima “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” (1686), Newton escreve que o seu Deus (cristão, claro) era o senhor do Cosmo e que deveria ser adorado por estar em toda a parte, por ser o “Governante Universal”. Essa visão de Deus pode ser considerada panteísta, se entendermos por panteísmo a doutrina que identifica Deus com o Universo ou que identifica o Universo como sendo uma manifestação de Deus.

A visão que Einstein tinha de Deus, devidamente destituída da conotação cristã, ecoava de certa forma a de Newton.

Para ele, um Deus que se preocupava com o destino individual dos homens não fazia sentido. Sua visão era bem mais abstrata, baseada nos ensinamentos do filósofo Baruch Spinoza, que viveu no século XVII.

Numa carta dirigida a Eduard Büsching, de 25 de outubro de 1929, Einstein diz: “Nós, que seguimos Spinoza, vemos a manifestação de Deus na maravilhosa ordem de tudo o que existe e na sua alma, que se revela nos homens e animais”.

Em 1947, numa outra carta, Einstein escreveu: “Minha visão se aproxima da deSpinoza: admiração pela beleza do mundo e pela simplicidade lógica de sua ordem e harmonia, que podemos compreender”.

Como essas posições podem ser usadas no debate sobre a compatibilidade da ciência com a religião?

De um lado, ateus radicais como Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harris argumentam que não pode haver uma compatibilidade, que a religião é uma ilusão que precisa ser erradicada, que o sobrenatural é uma falácia.

De outro, existem vários cientistas que são pessoas religiosas e até mesmo ortodoxas, e que não veem qualquer problema em compatibilizar seu trabalho com a sua fé. O fato de existirem posições tão antagônicas reflete, antes de mais nada, a riqueza do pensamento humano. Nisso, vejo um ponto de partida para uma possível conciliação.

É verdade que o ateísmo radical está respondendo a grupos fundamentalistas que tentam evangelizar instituições públicas. “Guerra é guerra e devemos usar as mesmas armas”, ouvi de amigos. Mas o pior que um fundamentalista pode fazer é transformar você nele.

Einstein e Newton encontraram Deus na Natureza e viam a ciência como uma ponte entre a mente humana e a mente divina.

Para eles, adorar a Natureza, estudá-la cientificamente, era uma atitude religiosa.

***

Embora a visão panteísta não seja aceita pela doutrina católica, é interessante se perceber que- ao contrário dos que dizem os ateus- a busca pela verdade, mesma a cientifica, lava-nos à grande verdade que é DEUS.

Para nós, essa verdade se encarnou em Jesus Cristo, o filho amado do pai.


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Formando personalidades cristãs maduras, conscientes de sua identidade batismal e de sua missão evangelizadora na Igreja e no mundo.
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