Posts Tagged ‘Diálogo’

* O lugar do Islã no plano de salvação? Remeter Deus ao centro!

quarta-feira, junho 30th, 2010
Entrevista com o famoso islamólogo Pe. Samir Khalil Samir

Por Mirko Testa

Diante de uma modernidade que tende com frequência a esquecer ou mesmo excluir Deus do horizonte dos homens, o papel confiado ao Islã no plano da Salvação poderia ser o de estimular a remeter a fé ao centro da vida É o que pensa Pe. Samir Khalil Samir, sacerdote jesuíta e relator geral do Sínodo Especial para o Oriente Médio, a ser realizado em outubro deste ano no Vaticano. Nesta entrevista , Pe. Samir aprofunda a questão do papel da cultura islâmica no mundo contemporâneo.

Doutor em teologia oriental e Islamologia, Pe. Samir leciona ciências da religião na Université Saint-Joseph de Beirute e é professor de estudos islâmicos junto ao Pontifício Instituto Oriental de Roma e em outras universidades.

É ainda fundador e diretor do CEDRAC (Centre de documentation et de recherches arabes chrétiennes), com sede em Beirute, único centro no mundo dedicado integralmente ao estudo da cultura árabe mantido por cristãos.

Porque o tema central do encontro da Oasis foi a educação?

Padre Samir: O problema que hoje vivemos, seja na Igreja, seja no Islã, é que nem sempre conseguimos transmitir a fé às novas gerações. A pergunta que nos fazemos é: de que maneira devemos repensar a fé para os jovens – também nas paróquias e mesquitas, nos discursos dirigidos a seus fiéis?

É isso o que pretendemos: fazer uma avaliação de qual é, no Líbano, a experiência cristã, a experiência muçulmana sunita e a experiência muçulmana xiita neste âmbito. Queremos comparar, colher as dificuldades comuns e buscar respostas em conjunto. Creio que este seja o objetivo primordial de nosso encontro, em vista de um diálogo entre as culturas de fé cristã e de fé muçulmana.

Que efeitos poderiam ser produzidos nos mundos cristão e muçulmano com o desaparecimento das Igrejas do Oriente Médio?

Padre Samir: O desaparecimento das Igrejas no Oriente Médio seria, em primeiro lugar, uma perda para toda a cristandade pois, como dizia João Paulo II, a Igreja tal qual vivida por cada ser humano conta com dois pulmões, o oriental e o ocidental. Ora, as Igrejas orientais tiveram sua origem aqui na Terra de Jesus, nos territórios do Oriente Médio por onde Cristo passou. E se essa experiência, estes milênios de tradição forem perdidos, a perda será de toda a Igreja.

Mas não é só: se os cristãos deixarem o Oriente Médio, faltaria aos muçulmanos justamente aquele elemento de diversidade que os cristãos oferecem. Diversidade de fé, porque os muçulmanos nos perguntam todos os dias: “o que querem dizer ao afirmar que Deus é trino? Isto nos parece contraditório”. E nós dizemos “o que querem dizer quando afirmam que Maomé é um profeta? Quais são os critérios que para vocês definem um profeta? E o que significa dizer que o Corão é de Deus? Em que sentido vocês afirmam descender de Maomé? Nós cristãos dizemos que a Bíblia é de inspiração divina porém mediada por autores humanos, mas, para os muçulmanos, não há mediação com Maomé.

Questionamentos como estes oferecem ainda um estímulo para a civilização e para a sociedade civil. Seria uma grande perda porque há o risco de assim erigir uma sociedade, um Estado, baseado na sharia como ocorreu no século VII na região da Península Arábica, ainda que para os muçulmanos a sharia é genérica e permaneça válida para todos os séculos e todas as culturas.

Este é o principal desafio do Islã: como pensar o Islã hoje? A ausência dos cristãos tornaria este problema ainda mais difícil.

Poderá haver um Iluminismo para o Islã?

Padre Samir: Para o ocidente e para a Igreja, o Iluminismo representou uma renovação na concepção da fé, que se permitiu inspirar-se pela cultura e pela crítica a ele associados. O Iluminismo significou trazer plena luz sobre a realidade da fé. O risco para quem crê é o de partir apenas do fenômeno religioso, que é uma dimensão parcial da vida humana e da vida da sociedade.

Se não confrontarmos este fenômeno religioso com a ciência, com os direitos humanos, com o desenvolvimento da psicologia e das ciências humanas e com as diferentes culturas do mundo, não alcançaremos um cristianismo aberto ou, no caso concreto, um Islamismo aberto.

A sua pergunta é: seria o Islã capaz de um movimento de cunho iluminista? Em tese, sim. Temos exemplos históricos nos séculos IX e X. Este foi um Iluminismo suscitado por cristãos siríacos provenientes da Síria, da Palestina e do Iraque, que haviam assimilado a cultura helenística e transmitiram-na, produzindo assim gerações de pensadores muçulmanos que a aplicaram ao Corão, aos dogmas e às tradições sacras.

Este fenômeno prosseguiu até o século XI, para então perder força e morrer lentamente, devido à reação Islamista, uma reação estritamente religiosa com a exclusão da filosofia, por exemplo, da crítica religiosa histórica. Uma condição, portanto, é a de que haja cada vez mais muçulmanos estudando todas as ciências e dispostos a estudar o texto do Corão com um texto da literatura árabe, aplicando a ele os mesmos critérios.

O objetivo principal é partir de uma visão histórica desmistificada. E acredito que veremos uma tal releitura crítica e também religiosa do Corão: fé e cultura, fé e ciência, fé e razão. Este era o aspecto essencial do discurso de Ratisbona de 12 de setembro de 2006 e assim permanece, ainda que tenha representado um choque para muitos muçulmanos em particular e também para alguns cristãos orientais culturalmente islamizados.

De que maneira podemos inserir o nascimento e a difusão do Islã no contexto do plano salvífico?

Padre Samir: Esta é uma pergunta delicada, porém legítima. Podemos exprimi-la assim: “”No que foi dado a nós homens conhecer, teria o Islã um lugar nos planos de Deus?”

No curso da história, os cristãos com frequência se fizeram esta pergunta. A resposta dos teólogos árabes cristãos era que “Deus havia permitido o nascimento do Islã para castigar a infidelidade dos cristãos”. A meu ver, a verdade sobre o Islã pode ser associada à divisão entre os cristãos orientais, divisão esta frequentemente devida a motivações nacionalistas e culturais ocultas atrás das fórmulas teológicas. Esta situação os impediu de anunciar a Boa Nova aos povos – algo que o Islã fez, parcialmente!

O Islã restabeleceu a fé em um só Deus, o chamado a dedicar-se completamente a Ele, a mudar a própria vida a fim de adorá-lo. Trata-se de uma reação sadia, na continuação da tradição bíblica judaico-cristã. Mas, para alcançar tal êxito, eliminou todos os elementos que pudessem criar dificuldades: a natureza humana e ao mesmo tempo divina de Cristo; o Deus uno e trino, que é diálogo e amor; e o fato de Cristo ter se mantido obediente até sua morte na cruz, que tenha sido esvaziado de si mesmo por amor a nós!

É, portanto, uma religião racionalizada, não no sentido do Espírito e da racionalidade divina, mas no sentido de ser simplificada naqueles aspectos que a razão não pode aceitar. O Islã se apresenta como a terceira e última religião revelada… e, para nós cristãos, obviamente não é. Após o Cristo – que o Corão reconhece como Palavra de Deus, Verbo de Deus, é incompreensível a nós que Deus possa ter enviado um outro Verbo que é o Corão.

Mas então qual é o papel do Islã no plano de Deus?

Padre Samir: Creio que para nós cristãos seja um estímulo para nos reportarmos ao fundamento de todas as coisas: Deus é o único, a Realidade Última! Que é também a afirmação hebraica e cristã fundamental, retomada no Corão na belíssima sura 112: “Dize: Ele é Deus, o Único! Deus! O Absoluto!”. Uma afirmação que as ocupações da vida moderna nos fazem esquecer. O Islã nos lembra que se Cristo é o centro da fé cristã, o é sempre em relação ao Pai; para permanecer na unidade, ainda que o Corão não tenha compreendido o que seria o Espírito Santo.

Nós somos diariamente questionados pelos muçulmanos a respeito de nossa fé, e isto nos obriga repensá-la continuamente. Agradeço aos muçulmanos por suas críticas, pois as fazem tendo em vista a reflexão e não a polêmica. Diria o mesmo dos questionamentos colocados pelos cristãos.

Nossa vocação, como cristãos do Oriente, é a de viver junto aos muçulmanos, gostemos ou não. É uma missão! Pode por vezes ser difícil, mas devemos viver juntos. Por essa razão, diria que cabe aos muçulmanos defender a presença cristã e aos cristãos a presença muçulmana. De fato, não cabe a cada um de nós defender a si mesmo, pois assim se estabelece o desencontro.

Espero assim que o Sínodo sobre o Oriente Médio, que será celebrado entre os dias 10 a 24 de outubro deste ano, auxilie a nós cristãos tanto do oriente como do ocidente, mas que possa também servir também aos muçulmanos, ao repensarem o significado do plano Divino e redescobrirem, na amizade e talvez no confronto: porque estamos juntos nesta Terra, a Terra de Jesus, de Moisés e de Maomé? Esta Terra deve verdadeiramente se tornar “Terra Santa”!

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* “Aprender hoje como mudar o amanhã”: uma escola “especial’ com alunos árabes e judeus.

quarta-feira, junho 30th, 2010

Os estudantes do “Hand in Hand” são árabes e judeus que falam e estudam nas duas línguas. Freqüentam uma escola realmente especial porque formada por alunos, judeus e árabes.

Realidade diferente em Israel e em Jerusalém em particular, onde as comunidades são acostumadas a viver em mundos distantes.

Na escola para cada função de responsabilidade existem duas pessoas que representam as duas comunidades: dois diretores, dois professores para cada classe. Além disso, o modelo de educação é bilíngüe que permite aprender contemporaneamente nas duas línguas.

Sendo assim, as crianças possuem um verdadeiro instrumento de contato entre as duas culturas, de conhecimento da história e das religiões de ambos os povos, como ressalta a nota de uma professora de cultura religiosa.

Existem outras três escolas como esta em Israel: uma em Alta Galilea a Misgav, em Bersheva, e outra no povoado árabe de Wadi Ara, num total de cerca de 900 estudantes. No próximo ano se concluirá, em Jerusalém, o primeiro ciclo de estudos na história de “Hand in Hand”. As escolas de Hand in Hand, reconhecidas pelo Ministério da Educação israelense, vivem também graças às doações e aos fundos para a instrução local e internacional.

Um esforço que tem como objetivo cultivar uma sensibilidade nova nas jovens gerações, que se resume num slogan “aprender hoje como mudar o amanhã”.

Agência Fides

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* Igreja Busca diálogo com os ateus, afirma cardeal.

sexta-feira, maio 28th, 2010

Do Salão do Livro de Turim, na Itália, lugar “laico” por excelência, que neste ano dedicou muito espaço a temáticas de Igreja e religião, Gianfrancesco ravasi , presidente do Pontifício Conselho da Cultura, anuncia um novo projeto do Vaticano, destinado a uma nova forma de diálogo com os leigos.

“Estamos trabalhando para criar um departamento apropriado para isso no dicastério”, disse Dom Ravasi, às margens de um encontro lotado na Sala Gialla, onde deu uma palestra sobre o valor da memória, tema do salão 2010.

A nota é de Giacomo Galeazzi, publicada em seu blog Oltretevere, 16-05-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Em um primeiro momento, temia não encontrar interlocutores, dada a crise que a Igreja está atravessando hoje”, disse o responsável do setor de Cultura do Vaticano. “Pelo contrário, quando fui a Paris, cidade laica por excelência, para uma série de primeiros colóquios nesse sentido, encontrei as portas abertas em templos da laicidade como a Sorbonne, a Unesco e a Academia Francesa”.

Segundo as próprias palavras do arcebispo, “o mundo laico, além de tudo, da questão – mesmo que real – da pedofilia entre os sacerdotes e dos diversos temas políticos, busca também o diálogo com a Igreja”. “É uma necessidade recíproca”, acrescentou o expoente do Vaticano: “A Igreja hoje está atravessando um momento muito difícil, que o Pontífice está enfrentando também com tomadas de posição importantes, como aquela recente com relação aos sacerdotes pedófilos. Ela é objeto de críticas ferozes, mas, paradoxalmente, está no centro de uma forte necessidade de diálogo. O mundo pede valores muito altos, tem interrogações complexas, às quais as religiões e a Igreja podem contribuir para se encontrar respostas”.

O projeto da Igreja de diálogo com os ateus será apresentado na Itália, e depois nos Estados Unidos, disse também Ravasi. E será articulado em torno dos temas centrais da era moderna, como o sentido do limite, o pós-vida, a transcendência, a salvação, a morte.

Ravasi também falou acerca do projeto neste domingo com as autoridades do Salão e com o prefeito de Turim, Sergio Chiamparino, que foi cumprimentá-lo e que se disse muito interessado. Na sua palestra, também divulgativa, Ravasi, falando sobre o tema da memória, afirmou: “É uma das categorias da experiência religiosa, enquanto representa a recuperação das próprias raízes. Mas não só. É também a busca dos valores permanentes na superação da fluidez das coisas. É uma categoria fundamental, não é uma comemoração, é uma busca dirigida a olhar para a frente”.

Assim, Ravasi citou Cesare Pavese, no seu “Mestiere di viverè”, quando dizia: “Quando um povo não tem o sentido forte do seu passado, ele se apaga. A juventude dos povos é a riqueza da velhice”. “A memória da qual falo – concluiu – não é uma memória convencional, retórica, como as de certas comemorações vazias, mas sim uma memória capaz de olhar para a frente, para o futuro”.

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* Papa Bento XVI: religião e cultura sempre são incentivo para o diálogo.

sexta-feira, maio 21st, 2010

Localize a  Mongólia na Ásia.

Localize a Mongólia na Ásia.

O novo embaixador da Mongólia junto à Santa Sé, Luvsantseren Orgil, apresentou suas cartas credenciais a Bento XVI na manhã desta quinta-feira, 20.

“Religião e cultura, como expressões inter-relacionadas das aspirações espirituais mais profundas da nossa comum humanidade, naturalmente servem como incentivo para o diálogo e a cooperação entre os povos, a serviço da paz e do verdadeiro desenvolvimento. O autêntico desenvolvimento humano, de fato, precisa levar em consideração todas as dimensões da pessoa e, portanto, aspirar àqueles bens elevados que dizem respeito à natureza espiritual e destino final do homem”, assinalou o Papa.

O país asiático é de maioria budista e há pouco mais de 400 católicos na região, que são atendidos por três igrejas e uma Catedral na capital, Ulán Bator.

O Santo Padre agradeceu o apoio constante do governo em garantir a liberdade religiosa, especialmente através da criação de uma comissão que busca garantir e proteger o direito de exercício religioso.”[A criação da comissão] aparece como um reconhecimento da importância dos grupos religiosos dentro do tecido social e seu potencial para promover um futuro de harmonia e prosperidade”, sublinhou.Democracia e missãoO Pontífice também fez referência à comemoração dos 20 anos de ingresso do país no regime democrático, expressando sua “confiança de que os grandes progressos obtidos nestes anos continuarão a dar frutos na consolidação de uma ordem social que promova o bem comum de seus cidadãos, sem deixar de promover as suas legítimos aspirações para o futuro”.

Com relação à contribuição dos católicos para o desenvolvimento do bem comum na Mongólia, Bento XVI explicou que a missão primária da Igreja é anunciar o Evangelho e, na fidelidade a essa missão, contribuir também com o avanço de toda a comunidade.”É isso que inspira os esforços da comunidade Católica, de cooperar com o Governo e com as pessoas de boa vontade, trabalhando para superar todos os tipos de problemas sociais. A Igreja também está preocupada em desempenhar o seu papel adequado no trabalho de formação intelectual e humana, sobretudo através da educação dos jovens nos valores do respeito, solidariedade e preocupação com os menos afortunados. Desta forma, ela se esforça para servir a seu Senhor, mostrando preocupação caritativa junto aos necessitados e com vistas ao bem de toda a família humana”, encerrou.

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* Diálogo com cultura deve ser respeitoso mas sem renunciar aos princípios.

quinta-feira, abril 1st, 2010

O Arcebispo de Córdoba na Argentina, Dom Carlos Ñáñez, assinalou que os sacerdotes devem viver o momento histórico que lhes corresponde viver, tendo presente que o diálogo com a cultura deve ser respeitoso sem renunciar ou rebaixar os próprios princípios.

Em todo este processo de diálogo com a cultura é decisivo ser respeitosos e caridosos com as buscas que se dão no seio da comunidade eclesiástica e presbiteral, evitando simplificações, caricaturizações, desqualificações, rigidezes e intransigências em nossas afirmações e atitudes”, indicou o Prelado.

Entretanto, esclareceu que “tudo isso não significa renegar nem rebaixar -liquidificar- as próprias convicções mas em realidade aprofundar e elaborar adequadamente os argumentos que nos permitem assumi-las e sustentá-las, expondo-os com respeito e mansidão, como recomenda o apóstolo são Pedro, e dessa maneira contribuir à busca da verdade”.

Dom Ñáñez dirigiu uma mensagem aos sacerdotes exortando-os a assumir o desafio de viver sua identidade “em um mundo cada vez mais pluralista”. “Isso supõe ter um olhar sereno ante a cultura emergente; um olhar, ao mesmo tempo, lúcido e crítico para saber valorar as oportunidades que oferece o evangelho e para estar atentos às dificuldades que expõe”, indicou.

“Como sacerdotes não podemos subtrairmo-nos ao momento histórico que nos corresponde viver”, afirmou.

O Arcebispo de Córdoba disse que a diminuição do número de sacerdotes e a toma de consciência da co-responsabilidade de todos os batizados na evangelização, “expõem novos desafios e impulsionam diversas transformações nas estruturas e no modo de viver o ministério nas comunidades”.

Com respeito ao celibato, o Prelado reafirmou que “é um dom do Espírito para amar mais e é um sinal e um estímulo da caridade pastoral que deve impregnar e animar constantemente nosso ministério”.

“Neste ano sacerdotal estamos também convidados a renovar uma vez mais a sincera e cordial aceitação desse dom e a nos comprometermos generosa e abnegadamente com sua plena realização em nossas vidas”, afirmou.

ACI

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* Diálogo entre católicos e protestantes.É possível?

sexta-feira, outubro 16th, 2009

Diálogo entre católicos e protestantes entra em nova faseAfirma o cardeal Kasper, ao apresentar um livro sobre os 40 anos de diálogo

O diálogo oficial entre a Igreja Católica e as comunidades protestantes históricas – anglicana, luterana, reformada e metodista – está entrando em uma nova fase, após fechar a primeira etapa, que percorre os últimos 40 anos, do final do Concílio Vaticano II até hoje.

Assim indicou o presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, cardeal Walter Kasper, ao apresentar hoje, na Sala de Imprensa da Santa Sé, um livro que reúne os resultados desse diálogo.

“Com este livro, nós nos encontramos no fim de uma primeira etapa, repleta de frutos e, ao mesmo tempo, estamos entrando em uma nova fase, que desejamos que seja tão frutífera como a anterior, e que nela possam ser resolvidos os difíceis problemas que estão pendentes”, declarou.

O livro, preparado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos em colaboração com as comunidades protestantes, intitula-se Harvesting the Fruits. Basic Aspects of Christian Faith in Ecumenical Dialogue (Recolhendo os frutos. Aspectos básicos da fé cristã no diálogo ecumênico).

O Conselho analisou, durante 2 anos, o diálogo com as principais comunidades protestantes, porque estas foram as primeiras em estabelecer um diálogo oficial com a Igreja Católica após o concílio.

Conquistas

Segundo o cardeal Kasper, agora é o momento de fazer um balanço da situação do diálogo. E acrescentou: “Nós mesmos estamos gratamente surpresos por tudo o que foi alcançado nestes anos”.

Com relação aos frutos do diálogo, aos quais se refere o título do livro, o cardeal Kasper indicou que “se trata de uma colheita verdadeiramente muito rica, que supera as numerosas polêmicas e grandes problemas históricos da Reforma”.

“Isso – prosseguiu – pode representar uma clara resposta a opiniões que estão sendo difundidas, às vezes também na Cúria Romana, ou à injustificada acusação de que o ecumenismo com as autoridades protestantes não havia colhido frutos até agora e tinha nos deixado com as mãos vazias.”

“Não queremos que a riqueza dos resultados alcançados seja esquecida e que seja preciso começar novamente”, afirmou.

“Comportamento ecumênico”

“Desejamos iniciar um processo de recepção destes ricos frutos no corpo da própria Igreja, para chegar a um novo tipo de comportamento ecumênico”, revelou.

O cardeal Kasper indicou que, atualmente, no âmbito ecumênico, como em todos os demais, produzem-se rápidas mudanças no Ocidente.

Neste sentido, assinalou que, após o entusiasmo dos primeiros anos depois do concílio, hoje se experimenta certo cansaço no diálogo ecumênico.

“No entanto, a nova sobriedade instaurada pode ser também um sinal de maior maturidade – indicou. Provavelmente, o caminho ecumênico será mais longo do que parecia depois do Concílio.”

O livro constata o que as comunidades eclesiais, em diálogo desde o concílio Vaticano II, mudaram ao longo desses 40 anos.

“Talvez nossos interlocutores já não sejam os mesmos, são mais diversificados do que os que encontramos durante e depois do concílio – explicou. Há fragmentações internas, novos problemas no campo da ética, problemas desconhecidos no passado.”

E prosseguiu: “Também na Igreja Católica houve mudanças; às vezes, nossos documentos são difíceis de serem digeridos pelos nossos interlocutores”.

“Com este livro, queremos fomentar um novo impulso – afirmou. Ilustrando os numerosos resultados positivos desses 40 anos, queremos mostrar que somos capazes de conseguir qualquer coisa se continuarmos comprometidos com o ecumenismo.”

O volume destaca, pela primeira vez, os resultados dos 4 diálogos bilaterais com as 4 confissões protestantes, agrupados por temas, para permitir a comparação e uma visão mais clara do alcance das conquistas em 40 anos de diálogo.

O livro também dedica um espaço às áreas de convergência ecumênica, que poderiam ajudar no processo de recepção dos resultados nas diversas confissões.

Sobre os problemas por resolver, o cardeal explica: “Identificamos problemas na hermenêutica, na antropologia, na eclesiologia e também na compreensão da Eucaristia”.

Simpósio em 2010

A Igreja Católica e as comunidades protestantes têm a intenção de organizar um simpósio, em fevereiro de 2010, no qual debaterão o futuro do ecumenismo ocidental, anunciou o cardeal.

O livro apresentado hoje no Vaticano servirá de base para as conversas do encontro.

Além do cardeal Kasper, na coletiva de imprensa interveio também Dom Mark Langham, oficial do Conselho e um dos principais colaboradores do purpurado na elaboração do livro.

Dom Langham destacou que o cardeal Kasper “quis dar a conhecer desta maneira o fruto de 40 anos de diálogo ecumênico a uma nova geração, que cresceu no pós-concílio e provavelmente não conhece a fundo o que se conseguiu”.

Temas de diálogo

O oficial explicou que o livro se estrutura em 4 capítulos: “Fundamentos da nossa fé comum”, “Salvação, justificação e santificação”, “A Igreja” e “Batismo e Eucaristia”.

Aplicando a metodologia do próprio diálogo ecumênico, o primeiro capítulo aborda as bases comuns a todas as partes em diálogo.

O segundo se ocupa de uma questão central para a Reforma – a salvação, a justificação e a santificação – na qual “se chegou a um acordo significativo, que constitui um marco nas relações ecumênicas”, explicou Dom Langham.

No entanto, acrescentou, “restam ainda questões que requerem ulteriores esclarecimentos, como a que se refere à função da doutrina da justificação no seio da eclesiologia inteira”.

O terceiro capítulo, o mais longo, examina a missão, autoridade e ministério da Igreja, partindo da maneira como estes aspectos estão apresentados nas declarações comuns cristãs nestes anos.

“Neste sentido, as polêmicas e mal-entendidos do século XVI foram reexaminados e, em parte, superados”, disse o especialista, ainda que permaneçam os problemas em questões centrais, como “o que é” e “onde está” a Igreja.

Na opinião de Dom Langham, “isso demonstra que a relação entre os elementos espirituais e concretos que definem a Igreja deverá ser entendida de maneira mais profunda”.

No quarto capítulo, fala-se, por exemplo, da controvérsia sobre a Eucaristia, presente durante a Reforma, sobre a qual, “graças a um intenso diálogo e sobretudo a uma renovada ênfase sobre a função do Espírito Santo, foi possível chegar a uma importante convergência”, afirmou o oficial.

De qualquer forma, acrescentou, “deverão ser estudadas futuramente algumas questões sobre este sacramento, assim como o caráter de sacrifício da Missa, a presença real do Senhor na Eucaristia e o significado de ‘transubstanciação’”.

No capítulo final, o cardeal Kasper aborda a síntese dos 4 diálogos e a importância de tudo que se conseguiu.

***

A maior dificuldade no ecumenismo é a falta de um interluctor único que possa manter o diálogo com nossa Igreja, já que o protestantismo tem em suas milhares de divisões uma de suas maiores fraquezas.

As Denominações históricas são mais estruturadas e mais abertas a esse diálogo. já as neopentecostais e pentecostais são as mais difíceis no diálogo.

É um caminho dificil.

Para um diálogo frutuoso, precisa-se de segurança em nossa propria identidade. Essa é uma fraqueza nossa, católica,de nossos fiéis,que conhecem pouco da fé e por isso se tornam “presa” fácil para qualquer “crente” da esquina.

Por falta de uma identidade segura,não são capazes de dialogar.

Não existe diálogo onde não existe posição segura.Corre-se o risco de discussões intermináveis e desgastantes que acabam ferindo a caridade e a fé que tão zelosamente defendemos.

De qualquer forma, façamos a nossa parte.Oremos e dialoguemos quando for possível,sem discussão nem briga.

Quando for possível.Quando não for, não vale a pena nem iniciar.

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Verdades Científicas e Teológicas derivam de Deus.

sábado, junho 20th, 2009

Verdades científicas e teológicas nunca se podem contradizer porque ambas “derivam da mesma fonte, que é Deus”, afirmou o cardeal Giovanni Lajolo, presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.

Foi durante uma mesa-redonda sobre diálogo entre fé e ciência, celebrada na sede da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, durante a visita de uma delegação do Vaticano ao centro que acolhe o maior túnel acelerador de partículas do mundo.

O cardeal citou Roberto Belarmino, doutor da Igreja que pesquisou Galileu, segundo o qual se uma declaração científica é evidentemente verdadeira e não se encontra em absoluta conformidade com a Bíblia, é necessário investigar como se pode interpretar corretamente a Escritura para não contradizer a verdade científica.

Para o purpurado, esta afirmação “continua sendo um princípio válido em relação aos fatos científicos”.

Segundo o cardeal Lajolo, a Igreja católica é uma defensora da razão e da verdade e por isso “reconheceu mais tarde a posição científica defendida por Galileu e o erro cometido em sua condenação”.

Dom Lajolo liderava a delegação, entre cujos membros se encontravam o observador permanente do Vaticano na ONU, Dom Silvano Maria Tomasi, C.S.; o diretor do Observatório Astronômico Vaticano, padre Jose Funes, S.I., e o astrônomo do Vaticano Guy Consolmagno, S.I.

Para Dom Tomasi, a visita da delegação do Vaticano ao CERN abriu um importante canal de diálogo entre ciência e fé, assim como entre o Vaticano e o importante organismo de pesquisa.

“A questão que emergiu na visita foi como manter o contato”, disse, porque os cientistas que estudam o universo se perguntam muitas das questões teológicas, como algumas sobre o significado da vida.

No entanto, acrescentou, os métodos utilizados por cientistas e teólogos para responder a esses questionamentos são radicalmente diferentes e os situam em “dois mundos completamente diferentes”.
“Não há hostilidade entre ambos, mas é necessário falar cruzando essas fronteiras e determinar a maneira com que o conhecimento humano pode avançar”, explicou.

O cardeal Lajolo aceitou “com satisfação o convite de visitar o CERN por meu próprio interesse, diante dos limites mais longínquos que a ciência astrofísica está conseguindo alcançar com a aceleração de prótons”.

O purpurado afirmou que as descobertas das novas partículas subatômicas podem ajudar a confirmar a teoria Superstring do professor da Universidade de Princeton Edward Witten, que busca unificar a teoria geral da relatividade de Albert Einstein e a física quântica.

Fonte: Zenit

***

A velha discussão entre ciência e a fé só existe para quem não conhece as competências respectivas da Ciência e da Religião.

Deus é a fonte de toda a verdade e foi ELE quem deu ao homem a inteligência e o anseio interior pela verdade.

Na busca sincera pela verdade o homem encontrará Deus!

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Entenda a “lei natural”,segundo o catecismo..

quinta-feira, junho 11th, 2009

CAPÍTULO TERCEIRO

A   SALVAÇÃO DE  DEUS :  A  LEI  E  A  GRAÇA

1949. Chamado à bem-aventurança, mas ferido pelo pecado, o homem tem necessidade da salvação de Deus. O auxílio divino é-lhe dado em Cristo, pela lei que o dirige e na graça que o ampara:

«Trabalhai com temor e tremor na vossa salvação: porque é Deus que opera em vós o querer e o agir, segundo os seus desígnios» (Fl 2, 12-13).

ARTIGO 1

A LEI MORAL

1950. A lei moral é obra da Sabedoria divina. Podemos defini-la, em sentido bíblico, como uma instrução paterna, uma pedagogia de Deus. Ela prescreve ao homem os caminhos, as regras de procedimento que o levam à bem-aventurança prometida e lhe proíbe os caminhos do mal, que desviam de Deus e do seu amor. E, ao mesmo tempo, firme nos seus preceitos e amável nas suas promessas.

1951. A lei é uma regra de procedimento emanada da autoridade competente em ordem ao bem comum. A lei moral pressupõe a ordem racional estabelecida entre as criaturas, para seu bem e em vista do seu fim, pelo poder, sabedoria e bondade do Criador. Toda a lei encontra na Lei eterna a sua verdade primeira e última. A lei é declarada e estabelecida pela razão como uma participação na providência do Deus vivo, Criador e Redentor de todos. «Esta ordenação da razão, eis o que se chama a lei» (1).

«Entre todos os seres animados, o homem é o único que pode gloriar-se de ter recebido de Deus uma lei: animal dotado de razão, capaz de compreender e de discernir, ele regulará o seu procedimento dispondo da sua liberdade e da sua razão, na submissão Àquele que tudo lhe submeteu» (2).

1952. As expressões da lei moral são diversas, mas todas coordenadas entre si: a lei eterna, fonte em Deus de todas as leis; a lei natural; a lei  revelada, compreendendo a Lei antiga e a Lei nova ou evangélica: por fim, as leis civis e eclesiásticas.

1953. A lei moral encontra em Cristo a sua plenitude e unidade. Jesus Cristo é, em pessoa, o caminho da perfeição. Ele é o fim da lei, porque só Ele ensina e confere a justiça de Deus: «O fim da Lei é Cristo, para a justificação de todo o crente» (Rm 10, 4).

I. A lei moral natural

1954. O homem participa na sabedoria e na bondade do Criador, que lhe confere o domínio dos seus atos e a capacidade de se governar em ordem à verdade e ao bem. A lei natural exprime o sentido moral original que permite ao homem discernir, pela razão, o bem e o mal, a verdade e a mentira:

«A lei natural [...] está escrita e gravada na alma de todos e de cada um dos homens, porque não é senão a razão humana ordenando fazer o bem e proibindo pecar… Mas este ditame da razão humana não poderia ter força de lei, se não fosse a voz e a intérprete duma razão superior, à qual o nosso espírito e a nossa liberdade devem estar sujeitos» (3).

1955. A lei «divina e natural» (4) mostra ao homem o caminho a seguir para praticar o bem e atingir o seu fim. A lei natural enuncia os preceitos primários e essenciais que regem a vida moral. Tem como fulcro a aspiração e a submissão a Deus, fonte e juiz de todo o bem, assim como o sentido do outro como igual a si mesmo. Quanto aos seus preceitos principais, está expressa no Decálogo. Esta lei é chamada natural, não em relação à natureza dos seres irracionais, mas porque a razão que a promulga é própria da natureza humana:

«Onde estão, pois, inscritas [estas regras] senão no livro daquela luz que se chama a verdade? É lá que está escrita toda a lei justa, e é de lá que ela passa para o coração do homem que pratica a justiça; não que imigre para ele, mas porque nele imprime a sua marca, à maneira de um selo que do sinete passa para a cera, sem contudo deixar o sinete» (5).

A lei natural «não é senão a luz da inteligência posta em nós por Deus; por ela, nós conhecemos o que se deve fazer e o que se deve evitar. Esta luz ou esta lei, deu-a Deus ao homem na criação» (6).

1956. Presente no coração de cada homem e estabelecida pela razão, a lei natural é universal nos seus preceitos, e a sua autoridade estende-se a todos os homens. Ela exprime a dignidade da pessoa e determina a base dos seus deveres e direitos fundamentais:

«Existe, sem dúvida, uma verdadeira lei, que é a recta razão; ela é conforme à natureza, comum a todos os homens; é imutável e eterna; as suas ordens apelam para o dever; as suas proibições desviam da falta. [...] É um sacrilégio substituí-la por uma lei contrária: e é interdito deixar de cumprir uma só que seja das suas disposições; quanto a ab-rogá-la inteiramente, ninguém o pode fazer» (7).

1957. A aplicação da lei natural varia muito; pode requerer uma reflexão adaptada à multiplicidade das condições de vida, segundo os lugares, as épocas e as circunstâncias. Todavia, na diversidade das culturas, a lei natural permanece como regra a unir os homens entre si, impondo-lhes, para além das diferenças inevitáveis, princípios comuns.

1958. A lei natural é imutável (8) e permanente através das variações da história. Subsiste sob o fluxo das ideias e dos costumes e está na base do respectivo progresso. As regras que a traduzem permanecem substancialmente válidas. Mesmo que se lhe neguem até os princípios, não é possível destruí-la nem tirá-la do coração do homem; ela ressurge sempre na vida dos indivíduos e das sociedades:

«Não há dúvida de que o roubo é punido pela vossa Lei, Senhor, e pela lei que está escrita no coração do homem e que nem a própria iniquidade consegue apagar» (9).

1959. Obra excelente do Criador, a lei natural fornece os fundamentos sólidos sobre os quais o homem pode construir o edifício das regras morais que hão-de orientar as suas opções. Também nela assenta a base moral indispensável para a construção da comunidade dos homens. Enfim, proporciona a base necessária à lei civil, que a ela se liga, quer por uma reflexão que dos seus princípios tira as conclusões, quer por adições de natureza positiva e jurídica.

1960. Os preceitos da lei natural não são por todos recebidos de maneira clara e imediata. Na situação atual, a graça e a Revelação são necessárias ao homem pecador para que as verdades religiosas e morais possam ser conhecidas, «por todos e sem dificuldade, com firme certeza e sem mistura de erro» (10). A lei natural proporciona à lei revelada e à graça uma base preparada por Deus e concedida por obra do Espírito.

***

Quanta  sabedoria na Igreja!

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