Posts Tagged ‘educação’

* Como funcionam as escolas católicas na terra da Revolução Francesa?

sábado, fevereiro 2nd, 2013
Fonte:  Le Monde e reproduzida no portal Uol.
Ela tende a ser chamada de “escola particular” em vez de escola católica.
A escola privada sob contrato – 94% delas católicas – é primeiramente uma escola sob contrato de associação com o Estado, antes de ser um local de transmissão da religião.

Nas mãos das congregações no século XIX, a escola católica foi aos poucos se emancipando e depois se laicizando ao longo do século 20, ao receber um público cada vez mais variado. Hoje é difícil falar de um cenário homogêneo. Os 8.300 estabelecimentos não se parecem. Às vezes separados por algumas centenas de metros, eles estão a anos-luz de distância.

Alguns são muito elitistas, outros acompanham os alunos em dificuldades. Alguns têm métodos pedagógicos inovadores, outros apostam no clássico. Todos aplicam os programas nacionais, com professores pagos pelo Estado que passaram pelos mesmos concursos que os professores da rede pública.

Cada uma tem sua pequena parte de liberdade, autorizada pela expressão de seu “caráter próprio” desde a Lei Debréde 1959. Embora todas devam oferecer um acompanhamento da religião, algumas acrescentam uma preparação para os sacramentos e celebrações religiosas. Mas de alguns anos para cá os alunos e seus pais muitas vezes têm preferido o ensino mais científico das diferentes religiões, no lugar do catecismo. Já em 2004, uma pesquisa do Crédoc mostrava que somente 14% dos pais escolhiam esse ensino para que seus filhos ali recebessem uma educação religiosa.

Dois milhões de alunos são escolarizados em um desses estabelecimentos. Às vezes por um ano, às vezes desde o maternal até o fim do ensino médio. Quarenta por cento dos alunos passam por lá em algum momento de seus estudos.

“Para certos bispos, o ato de receber esse público tão heterogêneo e motivado por razões diversas que não as religiosas teria levado a escola católica a se banalizar e a perder sua vocação missionária em prol de objetivos exclusivos de excelência escolar”, lembra Bernard Toulemonde, inspetor-geral honorário encarregado do ensino privado entre 1982 e 1987 junto a diferentes ministros.

Para esse especialista em escola católica, “essa evolução teria começado essencialmente na associação por contrato com o Estado, que por um lado impõe uma abertura a todos os alunos sem distinção de crenças, mas também um alinhamento dos conteúdos e das atividades com o que é feito no ensino público”.

A alguns meses do final de seu mandato e sabendo que o secretário-geral do ensino católico é nomeado pela assembleia dos bispos, teria Eric de Labarre outra escolha senão reafirmar a posição da Igreja?, perguntam alguns. Mesmo sendo conjuntural, sua carta é uma etapa na tentativa de reevangelização da escola. A etapa seguinte será reescrever os estatutos do ensino católico.

O texto deve ser apresentado em junho, depois de ser avalizado pelos bispos em Lourdes, na primavera. É difícil para um leitor não licenciado em teologia decifrar o texto, mas muitos já manifestaram sua preocupação. Um sindicato como o Spelc acredita que ele limita a presença dos professores em certas instâncias de decisões e que em compensação os diretores de escolas – que recebem sua carta de missão do bispo – veem seu poder um pouco mais estável. “A Igreja Católica não tem o direito de nos usar para fazer proselitismo”, avisa Luc Viehé, secretário-geral do sindicato.

No sindicato FEP-CFDT, Bruno Lamour mostra menos preocupação. “São estatutos. Permanecemos atentos e se sentíssemos um possível prejuízo à Lei Debré que nos inscreve como protagonistas da missão de ensino, nós nos manifestaríamos”, ele garante. O que está em jogo nos estatutos é a tutela regional dos estabelecimentos: a secretaria da educação – assim como para as escolas públicas – ou a direção diocesana. A resposta será interessante, e já há muitos conflitos.

Isso porque as opiniões seguem a mesma linha: o episcopado não pretende deixar que se torne ainda mais laicizado esse setor, um dos últimos domínios sobre os quais a Igreja pode agir. “Quem mais pode levar a mensagem católica hoje, quando as igrejas estão se esvaziando?”, pergunta Bruno Poucet. “Se a isso acrescentarmos o fato de que a Igreja Católica ainda tem adotado uma abordagem mais identitária do que no passado, é possível entender por que a pressão está se acentuando sobre a escola.” E Bernard Toulemonde diz que a renovação dos bispos levou a uma geração mais “conservadora” e reforçou a vontade de “recatolicizar” a escola, já pensada como canal de comunicação pela Nova Evangelização de João Paulo II.

Essa retomada se manifestou localmente, a princípio. O bispo de Avignon havia promulgado no dia 26 de junho de 2006 uma Carta do Ensino Católico para sua diocese, a título experimental, por três anos. Ela previa que os estabelecimentos tivessem uma referência explícita a Cristo, sem a qual eles perderiam sua permissão de escola católica…

Em 2009, foi a vez do bispo de Nice de incentivar os pais que quisessem mais ensino religioso a abrir suas próprias escolas sem associação com o Estado. Centenas de famílias fizeram essa escolha.

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* Hungria transfere escolas públicas a instituições religiosas.

sexta-feira, janeiro 25th, 2013

O governo húngaro está transferindo as escolas públicas para instituições religiosas, noticiou a revista francesa L’Express. (Veja reportagem em Francês)

Essa política deixa furiosos os líderes socialistas dentro e fora da Hungria, inclusive nos países europeus onde a educação pública apresenta resultados calamitosos. As iradas queixas vão contra o fato de que com política do governo húngaro está sendo restaurada a moral tradicional.

Nas escolas, voltam os cantos religiosos e a oração em comum no início das aulas. Os pais dos alunos escolhem o catecismo que será ensinado a seus filhos.

As igrejas conservam suas subvenções, independente do número de alunos. Na pequena cidade de Alsoörs, apresentada como um caso típico por “L’Express”, só duas famílias de um total de 96 votaram contra a transferência da escola à igreja, patenteando o apoio popular à medida.

O singular é que um pároco católico, após consultar o bispo, recusou a escola, talvez por espírito ecumênico ou dialogante com o mundo laicizado.

Oitenta escolas já foram cedidas pelas prefeituras que, além do mais, ficaram satisfeitas porque não terão de arcar com despesas que eram insustentáveis na crise.


Sindicatos e partidos de esquerda estão também revoltados com os cursos de catecismo nas escolas, ainda em mãos do Estado.

Rozsa Hoffmann, ministro da Educação, deplora a falta de valores morais: “Nós queremos reabilitá-los, seja a proteção da vida humana, o respeito pelo trabalho e pelas leis, a honestidade e o amor à pátria. A escola não é um local só para adquirir conhecimentos, ela também deve transmitir valores” – justificou.

A lei de educação se insere no contexto da nova Constituição da Hungria.

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* Corrompendo a infância à luz do dia. EDUCAÇÃO É OUTRA COISA!

segunda-feira, outubro 1st, 2012

Assistam ao vídeo da reportagem levada ao ar pela rede Record de Minas Gerais, em 26 de setembro de 2012:

A Sra. Norma Nonata de Aquino, pedagoga da escola, defendeu a professora que passou o dever aos alunos, declarando o que segue:

Nossas crianças, embora tenham 10 anos de idade, são crianças curiosas, já tem acesso a uma série de informações; são crianças que têm influência da mídia, da música, da novela, dos filmes, e trazem consigo as questões ligadas à sexualidade.

Sexualidade foi um tema escolhido pela própria turma, é um tema transversal, é um tema que a escola trabalha com base em orientação do MEC, dos parâmatros curriculares, a escola desenvolveu um trabalho sério, organizado, planejada a partir das questões das próprias crianças.

Portanto, se os pais quiserem exercer o direito que lhes é conferido pelo art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos, eles precisam acordar.

Precisam pedir ao Ministério Público e ao Poder Judiciário que proíbam as escolas de usurpar esse direito. E só há um jeito de impedir tal usurpação: obrigar o MEC e as Secretarias de Educação  a varrer todo o conteúdo moral das disciplinas obrigatórias, e a reconhecer expressamente em seus documentos oficiais o direito dos pais de dar aos filhos a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

Se quiser utilizar o sistema de ensino para promover uma agenda moral, o governo deve criar uma disciplina facultativa, a exemplo do que acontece com o ensino religioso. Conhecendo previamente o conteúdo dessa disciplina, os pais decidirão se querem ou não que seus filhos a frequentem.

Enquanto isso não acontecer, o art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos será letra morta em nosso país.

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* Palavras cruzadas para ensinar a fé católica aos pequenos…e grandes!

terça-feira, agosto 7th, 2012
Por Giuseppe Adernò

Um método original de ensino da religião católica nas escolas primárias: Giuseppe Adernò entrevista o profº Nunzio Rubino, que ensina religião na região de Catânia e testemunha a eficácia do método, apresentado em 2009 aos professores de religião da diocese italiana de Termoli-Larino. A abordagem lúdica é o modo preferido de aprendizado e descoberta do mundo na infância.

A Carta de Direitos da Criança (ONU, 1959) explica a possibilidade de ensinar brincando: “A criança deve ter todas as possibilidades de brincar e se divertir em atividades direcionadas ao propósito da educação”. No brincar, são delineadas as capacidades fundamentais da criança: as sensorias, as motoras, as sócio-afetivas, as construtivas, as expressivas e as intelectuais, uma vez que brincar envolve a participação vital de toda a personalidade. De acordo com as diretrizes italianas para as etapas escolares maternais, “os jogos individuais e de grupo devem ser desenvolvidos para estimular o aprendizado natural das estruturas fonológicas, lexicais e morfossintáticas”.

O brincar, fazendo parte da esfera cultural da infância e adolescência, é experimentado
espontânea e naturalmente como fato inevitável de comunicação e de motivação, estimulando a interação e a descoberta de novas qualidades.

As crianças envolvidas nessas atividades exercitam e adquirem a capacidade de se relacionar com os outros, de respeitar as regras, de desenvolver a concentração.

Através do projeto “Religiocando” [“Relijogando”, em tradução livre], o professor sugere um “jogo” de enigmas, propondo palavras cruzadas temáticas que despertam a curiosidade e tornam as crianças protagonistas da pesquisa, estimulando novos aprendizados e conhecimentos que seriam mais difíceis de conseguir através do método tradicional.

Profº Rubino, como surgiu a idéia de explicar a religião com palavras cruzadas?

Profº Rubino: Nós todos sabemos como é difícil, na era da globalização, falar de Jesus com os nossos filhos. Como conversar com eles sobre um personagem que viveu dois mil anos atrás, num contexto histórico e social tão diferente e distante do nosso tempo? É uma tarefa difícil, mas, ao mesmo tempo, fascinante e gratificante para o professor, que tem que renunciar ao tradicional do ensino e vestir as roupas da inovação, da pesquisa, da exploração, tornando-se protagonista do processo educativo. Precisamos de um professor que não se rende, que não renuncia diante dos muitos obstáculos, de um professor que tenta estratégias de ensino, que é capaz também de relaxar e não se estressar. Assim, ele consegue captar as necessidades ocultas das crianças.

Há quanto tempo foi adotado este método? E quais têm sido os resultados na aprendizagem?

Profº Rubino: O “Religiocando” nasceu em 2004 como uma resposta para esta necessidade das crianças: falar de Jesus de uma forma divertida, mas não menos incisiva do que os métodos tradicionais. Aliás, a experiência me permite dizer que os resultados alcançados em termos de habilidades são tudo menos insignificantes. Um professor que “cria”, que “prepara” os jogos para os seus alunos se insere no mesmo patamar de um pai que ensina “brincando” com os filhos, no mesmo contexto da mãe que prepara a comida para os filhos. A mãe compra, escolhe os produtos, cozinha e escolhe o prato. Às vezes, basta mudar a apresentação do prato, e não a comida, para torná-lo mais “atraente” para os filhos.

Como é a explicação dos conceitos da religião através das palavras cruzadas?

Profº Rubino: O sucesso vem de algumas premissas:

1 – a centralidade do aluno;
2 – a escolha fiel e prudente do conteúdo a ser transmitido;
3 – a escolha da “forma” e do “jeito” de transmitir um conteúdo;
4 – a variedade dos jogos propostos;
5 – a criatividade do professor-ator, que permite que o aluno não só entre na cena, mas a viva;
6 – a avaliação contínua dos resultados alcançados.

A organização e realização dos jogos e brincadeiras intelectivas, como quebra-cabeças, palavras cruzadas, enigmas, abre espaço para a criatividade e para a atividade intelectual das crianças, e as ajuda a atingir plenamente os objetivos. O aluno não só não se aborrece, mas aprende brincando, faz a atividade que, como a ciência pedagógica nos garante, estimula o interesse por novos conhecimentos e a compreensão, a transmissão e o armazenamento de conteúdo.

Que habilidades são promovidas com esta técnica? Ela pode ser usada também para outros contextos?

Profº Rubino: A maioria das fichas promove a referência bíblica. Essa escolha permite que você promova a familiaridade com o texto sagrado, tendo que lidar com ele para encontrar a resposta correta. Isso desenvolve uma “manualidade” que serve para aprender a sucessão dos vários livros da bíblia e a sua localização. Esta abordagem foi preferida para facilitar a aprendizagem e estimular a participação.

A sua abordagem é extensível a outros professores de religião?

Profº Rubino: Claro! Depois que nós criamos os sites religiocando.it , que é o maior site religioso-educacional da Itália, e biblekids.eu, nos EUA, eu lancei na web o scuolagiocando.it. O método foi adotado para o ensino de algumas disciplinas do ensino fundamental, como história, geografia, ciências… Também temos 6 textos publicados e um ebook.

O site promove uma troca de experiências de ensino. Gostaria de mencionar alguma?

Profº Rubino: Os professores que visitam o site se limitam, infelizmente, a baixar os subsídios. Espero que eles estejam usando o material em sala de aula. Ainda não tenho dados confiáveis ​​sobre a divulgação.

Trad.ZENIT

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* Você é uma pessoa “Cortês”?

quinta-feira, agosto 2nd, 2012

Cortesia saiu de moda?

Gentilezas que vão além das regras da boa educação parecem cada vez mais raras no dia a dia. Há como trazê-las de volta?

Verônica Mambrini

Ninguém discute que a vida está mais rápida, agitada e cheia de informação. Também é fato consumado que as cidades grandes obrigam muita gente a viver espremida e estressada. Existe espaço nesse cenário caótico para a cortesia ou ela caiu de moda?

“Eu não diria que ela saiu de moda, mas que está um pouco esquecida”, diz Vanessa Barone, consultora de etiqueta e autora do livro “Descomplique – um guia de convivência e elegância”(editora Leya). “É um retrato da nossa época. O excesso de gente, de trabalho, os horários apertados, tudo isso faz você pensar em si mesmo, antes de mais nada”, acredita a consultora.“Mas todo mundo valoriza a cortesia e quem é cortês.”

Parece difícil ser cortês no meio de tanta correria, mas Vanessa acha perfeitamente possível.“Cortesia não faz você perder tempo. Quanto segundos você acha que perderia em 24 horas se tivesse a cortesia de parar antes da faixa para o pedestre atravessar em paz e ainda cumprimentá-lo com um sorriso? Quase nada.” Para ela, cortesia é um treino: quanto mais se pratica, mais internalizada fica e, portanto, mais natural e fácil.

A professora de história, Flor Martha Ferreira, que dá aulas de bons modos e cortesia para crianças e adolescentes há dez anos, explica que, apesar de usarmos a cortesia como sinônimo de bons modos,o termo vem do comportamento dos nobres na corte e estaria ligado diretamente a um jeito ‘civilizado’ de viver em grupo. O jeito elegante dos nobres e dos fidalgos. “Neste sentido, não pode ser confundida com boas maneiras ou regrinhas sociais, cortesia tem a ver com valores humanos”, conclui a professora. De fato, o dicionário Houaiss, define cortês como: adj.: 1 da corte (‘cidade’) 2 refinado, civilizado, urbanizado 3 fig. delicado nas palavras e ações; gentil.

“Perdemos os hábitos porque perdemos a consideração pela pessoa humana; se quisermos recuperar a cortesia, teremos que priorizar as pessoas mais do que as coisas, o bem estar de todos, mais do que os interesses pessoais, o altruísmo, mais do que o egoísmo”, acredita Flor Martha.

Qual a diferença, na prática, então? “Uma pessoa corrupta pode até dizer “obrigado”, ter gestos educados ou agradar com gentilezas, mas não é cortês porque não tem respeito pelo outro”,exemplifica Flor. Em geral, a cortesia anda em paralelo com os valores religiosos e morais. A base da cortesia no mundo ocidental são os preceitos cristãos de caridade e de amor ao próximo, avalia a professora.

Ela acredita que seja possível fazer um resgate por esse caminho. “É só ensinar boas maneiras junto com virtudes humanas”, afirma Flor. E quanto mais cedo, melhor, de acordo com Vanessa: “Depois de adulto, você pode ensinar regras de etiqueta, mas não é tão natural. Cortesia é algo que passa pelo processo da educação e pelos exemplos. Não adianta querer que seu filho seja cortês, se você não for”, diz a escritora.

E quem está ao nosso redor? Se você já está fazendo sua parte, vale a pena dar uma “cutucadinha” delicada, ensina Vanesssa. Quem entra no elevador antes de você sair deixa claro que não está vendo você. Tem gente que não enxerga o outro. É impressionante. Eu não consigo esconder meu descontentamento. Costumo fazer cara feia ou dar um toque verbal, de leve.” Sempre, claro, sem ofender nem atacar ninguém.

As regras valem também nos relacionamentos mais íntimos. A mulher que reclama que seu companheiro não é cortês, por exemplo, pode tomar a iniciativa. “Eu diria que a mulher deve dar uma paradinha antes de entrar no elevador para dar uma chance do parceiro fazer um gesto cortês.”, explica a autora de “Descomplique”. “Se ele não fizer o gesto educado, o problema não é dela. Mas ao menos ela cobrou respeito.”

Esperar o comportamento delicado e gentil é uma forma de se respeitar. “Quando seu parceiro não enxerga você dessa forma delicada, vale a pena discutir esse ponto da relação. Se você apóia a pessoa, é justo esperar que ela ofereça ajuda com a sacola mais pesada, por exemplo”,afirma Vanessa. E não é questão do outro ter ou não capacidade de carregar a sacola, Trata-se de mostrar que você se importa com seu bem-estar.

Ao seguir esses princípios, a cortesia fica mais natural e passa a fazer parte do dia a dia. Sem nem precisar decorar regrinhas como quem deve andar do lado mais externo de uma calçada, quem deve levantar primeiro para cumprimentar um conhecido ou a quem cabe oferecer ajuda para carregar compras pesadas.

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* Escolas católicas da Papua Nova Guiné não obedecerão ordem do governo de distribuir preservativos a alunos.

quarta-feira, maio 23rd, 2012

A Conferencia Episcopal da Papua Nova Guiné anunciou oficialmente que as escolas católicas desobedecerão a ordem do Ministério da Educação de distribuir preservativos a seus estudantes e reagirão em consciência para não oferecer uma educação sexual contrária aos ensinamentos da Igreja.

Para Dom Panfilo, o Ministério de Educação não pode obrigar a Igreja a seguir sua política.

“Mesmo que o documento emitido pelo Ministério da Educação tenha muitos pontos positivos, não pode obrigar-nos a seguir uma política – o uso de contraceptivos – que contraste com nossa filosofia da educação”, declarou Dom Francesco Panfilo, Arcebispo e vice presidente da Comissão Episcopal para a Educação Católica.

O Bispos alertaram que as campanhas a favor da anticoncepção promovem a libertinagem sexual antes e fora do matrimonio, desencadeando ainda condutas de risco que podem resultar no contagio de HIV e outras enfermidades, o que faz com que ditas políticas sejam contraproducentes.

Os educadores também se uniram ao repudio expresso pelos Bispos, como manifestou James Ume, diretor da Escola Secundária de La Salle, que afirmou que a medida é um convite para a irresponsabilidade: “Se uma escola oferece uma esferográfica e um livro a um estudante, a mensagem básica é simples: estude!  Mas se lhe damos um preservativo, a mensagem para os estudantes será uma só: vá e sinta-se livre para fazeres o que queira”.

A Igreja destacou que os programas de prevenção e a informação sobre os riscos de contagio de HIV devem ser responsabilidade de cada instituição educativa em um trabalho conjunto com os pais de família e repudiou a imposição destas diretrizes governamentais.

Fides

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* Qual a corrente filosófica mais presente na educação brasileira? O marxismo,ora..

terça-feira, maio 22nd, 2012

SÓ PODE DAR NISSO AÍ

Percival Puggina

Retorno ao fato porque é de riqueza extraordinária. Quem assistiu “Diários de Motocicleta” há de lembrar da passagem de Che Guevara pelo leprosário de San Pablo, atendido por uma congregação de religiosas no meio da selva, às margens do Amazonas. E há de lembrar que para os sinistros efeitos do filme, Che é apresentado como um santo abrasado de amor aos enfermos, e as irmãs como um perverso corpo de autoridades locais. Pura mistificação! Após duas semanas fazendo travessuras por ali enquanto superava uma crise de asma, Che bateu asas e foi fazer seu turismo revolucionário noutra freguesia. Quanto às irmãs, tão maltratadas pelo filme, continuaram, vida afora, enfiadas no mato, cuidando dos leprosos. Eis um bem torneado exemplo da diferença entre o verdadeiro amor ao próximo e a fantasia que empresta ao marxismo e ao comunismo o brilho vulgar das lantejoulas. Para o cineasta Walter Salles as religiosas eram megeras e Guevara um anjo de bondade.

Tem sido cada vez mais recorrente a publicação de artigos sobre Educação. Junto-me, então, a administradores, economistas, empresários, filósofos que enveredaram por essa pauta. Vou enfocá-la sob um aspecto que – não se surpreenda, leitor – tem muito a ver com o filme abordado acima. Aliás, são tão recorrentes as reflexões sobre o tema da Educação por profissionais das mais variadas especialidades que o fato já despertou reações adversas, contestando a concessão de espaço para quem não é do ramo. Os não educadores seriam meros palpiteiros. Mas convenhamos, é muito difícil ficar calado diante do que se vê.

Imagine um brasileiro que percorra do primeiro ao último degrau o sistema de ensino do país. Qual a corrente filosófica a que mais esteve submetido durante todo esse período, ainda que haja trocado de escola, de cidade e de Estado, em cada trecho do percurso escolar? Pois é. Marxismo. É análise marxista, crítica marxista, economia marxista, visão marxista da história, teologia da libertação, pedagogia do excluído e, como lastro para o materialismo histórico, camadas maciças de maledicência sobre o cristianismo.

Esse marxismo de polígrafo escolar tem a profundidade de um pires. Os que o lambem como tema de casa são incapazes de escrever uma lauda a respeito, mas saem do colégio prontinhos para ler a vida com os olhos que lhes deram. Assistem “Diários de Motocicleta” e concluem: no peito de Che batia um coração de mártir; já o coração daquelas beatas do leprosário não se abria nem com formão e martelo.

Só escapam dessa linha de montagem, que inclui a maioria dos estabelecimentos de ensino confessionais, os poucos estudantes que recebem em casa, ou de algum professor achado por pura sorte no meio do caminho, dose suficiente de antídoto para enfrentar o que lhes é ministrado ao longo dos cursos. Se mesmo nos bons educandários, deixa-se de lado a sã filosofia e se depreciam os grandes valores que inspiraram e inspiram a imensa maioria dos melhores vultos da humanidade, pergunto: como esperar das elites brasileiras que junto a esses estabelecimentos buscam formação, coisa melhor do que isso que vemos por aí? Quando parece muito normal que o governo contrate um grupo para escrever o passado (Walter Salles faria excelente documentário sobre a comissão), a temática educacional há de ser, sim, motivo de grave preocupação para quem reflita sobre o futuro do país.

Zero Hora, 20/05/2012

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* Aulas de religião nas escolas são um direito dos pais, afirma Conferência Episcopal Espanhola

quinta-feira, março 29th, 2012

A Comissão Episcopal de Ensino e Catequese da Conferência Episcopal Espanhola (CEE) apresentou o informe anual contendo o número de alunos que recebem formação religiosa e moral nas escolas.

O resultado foi de 4.696.247 alunos que atualmente recebem aulas de doutrina católica em suas escolas.

Escola.jpg
“Além da catequese, também as aulas de religião
também são necessárias”, afirmam bispos

A pesquisa aponta que 99,5% dos alunos que estudam em colégios católicos, participam das aulas de religião. Já nos colégios estaduais o número cai para 61,5% , subindo para 69,6% nos colégios de iniciativa leiga.

No informe, os bispos convidam aos pais “a fazerem uso do direito que tem para que seus filhos recebam a formação religiosa e moral católica na escola e, em consequência, os inscrevam nas aulas de religião e moral católica ou os motivem para que eles mesmos o façam”.

Os prelados sublinham que “este ensinamento tem um grande valor e é muito importante para a formação integral e cristã de seus filhos, o que eles se compremeteram em seu Batismo”.

Além disso, ressaltam que este “é um direito fundamental de seus pais, reconhecido pela Constituição espanhola” e “o estado deve garantir a formação religiosa e moral de seus filhos, se assim o manifestam os pais”.

Em vista disso, continua a nota, “todos os colégios e institutos, tanto estatais como de iniciativa social, estão obrigados a oferecer o ensino religioso como uma matéria optativa para que os pais possam exercer seu direito livremente e sem desestímulo nenhum. Se não são oferecidas aulas de religião, são os pais que devem pedi-la nos colégios para que se possa optar por ela sem obstáculos administrativos ou organizativos”.

Por fim, os Bispos lembram que “além da catequese, também as aulas de religião são necessárias para a conquista de uma formação cristã completa do aluno”. (EPC)

Com informações da AICA.

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* Atenção pais e educadores! ” A educação não é nem deve ser uma relação entre iguais”.

domingo, fevereiro 19th, 2012


A IMPORTÂNCIA DE CHEGAR A TEMPO

Tenho visto entre os meus alunos vários casos de adolescentes que começam a entortar apesar da sua boa cabeça e do seu bom ambiente familiar. Descrevo e resumo uma má evolução típica:

Problemas de relacionamento com colegas de classe, ou a má influência de alguns, produzem num rapaz ou numa moça de treze anos a perda de concentração no estudo e baixo rendimento. Esse fracasso os distancia dos seus pais. A frustração cresce e se tenta paliá-la com a bebida, com brincar com as drogas e com relações sexuais ocasionais com colegas de perfil parecido.

À idade de vinte anos, a vida desses jovens pode ser já um completo caos, e acodem ao psiquiatra com um quadro mais ou menos agudo de alcoolismo, de dependência de drogas e de depressão. Nesse momento a solução talvez já seja difícil, mas quando tinham treze anos teria sido fácil.

A pergunta que se impõe é: O que poderíamos ter feito naquela altura para não ter de chegar agora a tais extremos? Poderíamos ter chegado a tempo?

Poderíamos ser tachados de alarmistas, se não fosse o fato de as estatísticas da Organização Mundial da Saúde afirmarem que o suicídio é a primeira causa de morte entre os jovens de 18 a 24 anos. Infelizmente, diversos estudos em países ocidentais atestam que uma em cada cinco crianças apresenta problemas psicológicos sérios, e que um em cada seis jovens de 20 anos apresenta sintomas de embriaguez crônica.

Só na França, fogem de casa por ano mais de cem mil adolescentes. Esses e outros dados igualmente dramáticos, longe de serem inevitáveis, são a demonstração de que a família e a escola chegam tarde demais, quando muitas vidas podem já estar arruinadas, ou à beira disso.

Diversas instituições estatais tentam sanear e diminuir essas situações com campanhas preventivas de informação. Mas a experiência mostra que a informação sozinha, mesmo sendo positiva, é muito insuficiente. Entre outras coisas porque a origem do problema não está na droga, no álcool, no sexo irresponsável ou no fracasso escolar, mas nas crises afetivas que tantos jovens atravessam, e que os leva a buscar o falso refúgio dessas condutas. Por isso, a verdadeira eficácia estaria na prevenção, e prevenir significa eliminar a raiz. Uma raiz complexa, onde se entrelaçam fatores tais como a herança genética, a família, o centro educativo e o ambiente social. Se houver uma solução para essa complexidade, terá de ser uma solução educativa, pelo lado do desenvolvimento afetivo.

Platão disse que toda educação poderia ser resumida em ensinar ao jovem quais prazeres deve aceitar e quais rejeitar, e em que medida. Adaslair Macintyre traduz assim o conselho platônico: Uma boa educação é, entre outras coisas, aprender a desfrutar fazendo o bem, e a sentir desgosto fazendo o mal.

FALTA DE AUTORIDADE E SÍNDROME LÚDICA

Já dissemos que a boa vida está necessariamente condicionada pela educação recebida. As mais recentes análises e reportagens sobre o mundo escolar espanhol detectam dois pontos por onde a nossa educação está fazendo água: a falta de autoridade e a síndrome lúdica. Trata-se de dois pontos fracos que impedem ou comprometem seriamente uma educação de qualidade. Em minha exposição, seguirei de perto o magnífico ensaio Os limites da educação, publicado por Mercedes Ruiz Paz em 1999.

Dizer que toda educação requer autoridade é quase um simplismo. Refiro-me a uma autoridade que não é o autoritarismo da violência física ou da humilhação, mas o prestígio capaz de garantir uma ordem básica. Uma ordem que requer uma informação moral precisa sobre o que está bem e o que está mal, para que a norma de conduta não seja a ausência de qualquer norma: o vale-tudo.

No mencionado ensaio, a autora explica que a autoridade supõe transmitir a obrigatoriedade de certas pautas e valores fundamentais, de certos critérios que ajudarão a construir personalidades equilibradas, capazes de agir com liberdade responsável. Coisa que no fundo não é tão difícil.

Todos entendemos que a autoridade deve ser primeiramente exercida e aprendida na família. E também sabemos que isso nem sempre acontece. Assim como existe um pensamento débil, existe um modelo de paternidade débil, que é mais capaz de vender os filhos ao diabo do que arriscar-se a ser tachado demagogicamente de tirano ou repressor.

Mas educar também é reprimir o que haja de indesejável numa conduta. Nestes últimos anos, muitos pais e professores se evadem dessa responsabilidade tratando seus filhos e alunos de igual para igual, como se fossem colegas ou amigos da escola, sem compreenderem que a educação não é nem deve ser uma relação entre iguais. Com os filhos, por exemplo, não se discute se é ou não necessário dar-lhes assistência médica: os pais são responsáveis de lhes dar essa assistência sem discussão.

É um erro atribuir à autoridade a possível infelicidade de um filho ou aluno. O que na verdade ocorre é o contrário. Uma correta autoridade faz a criança e o jovem sentirem-se queridos e seguros, pois notam que são importantes para alguém.

Mafalda – a célebre personagem das histórias em quadrinhos de Quino – sente a autoridade dos seus pais em questões tão cotidianas como a obrigação de tomar sopa, que ela detesta. Um dia, estando sozinha no seu quarto, fala: Mamãe?. E esta lhe diz: Que foi?. A menina responde: Nada. Só estava querendo confirmar que existe pelo menos uma boa palavra que ainda está em vigor.

Os especialistas em Psicologia infantil costumam explicar que os pais decepcionam a criança se a deixam fazer tudo o que quer, entre outras cosas porque essa sua equivocada tolerância irá transformar a criança num pequeno tirano antipático. Contudo, existem adultos que parecem obstinados em proporcionar às crianças e aos jovens uma felicidade absoluta e constante; e sobre esse erro se monta um outro ainda mais crasso: o de uma permissividade e impunidade quase completas. Qualquer preço lhes parece pequeno contanto que possam desfrutar da harmonia na família ou na escola. Mas uma harmonia conseguida à custa de todo tipo de concessões está montada sobre um barril de pólvora, pois a criança e o adolescente são por natureza insaciáveis.

Até aqui, o enfoque errado a respeito da autoridade. Outro enfoque errado típico da educação atual é a chamada síndrome lúdica. Como exemplo poderia ser citado o daquela escola pública que começava a exposição do seu projeto educativo para o ano 1995-96 com estas palavras: Nosso principal objetivo é que os nossos meninos e meninas sejam felizes.. Além de ser uma enorme ingenuidade, uma declaração de intenções como essa nem sequer é discutível, pois a atividade principal de um centro escolar não é nem deve ser a lúdica, e menos ainda quando observamos que o nível acadêmico de muitos colégios está ao rés do chão, enquanto vão sendo transformados em ludotecas ou ateliês de artesanato.

Se há alguns anos os inspetores ou diretores da escola podiam questionar o professor cujos alunos aos seis anos ainda não sabiam ler, hoje suspeitam do professor cujos alunos já sabem ler com essa idade. (O que será que ele andou fazendo? Pobrezinhos, como foram forçados!)

A síndrome lúdica, paralela ao desprestígio do esforço pessoal, tem raízes profundas na nossa sociedade. Se os políticos costumam ver nas pessoas eleitores, a economia capitalista as reduz à condição de compradores, e concentra a sua publicidade em conseguir que os seus clientes gastem o máximo para poderem levar uma vida cômoda e prazerosa. Isso costuma produzir uma sociedade integrada por tipos humanos adolescentes, compulsivos, pouco dados à reflexão e alérgicos a qualquer tipo de responsabilidade.

Essa situação, aplicada ao nosso país, fez com que Umbral dissesse que as pessoas não são nem de esquerda nem de direita, mas de shopping center. Se isso é assim, além dos lucros astronômicos dos shopping centers, no terreno educacional – diz Mercedes Ruiz – nos deparamos com adultos que são adolescentes educando outros adolescentes, todos mais ou menos dominados por uma síndrome lúdica que impede o amadurecimento dos alunos.

Os responsáveis por essa ludopatia são os pais, na medida em que explicam o colégio para os seus filhos mais jovens como sendo um lugar para brincar com os amigos e divertir-se. Corrigir essa forma errada de ver as coisas pode custar ao professor não digamos sangue, mas sim suor e lágrimas, e no pior dos casos pode ser que ele não o consiga. O garoto deve saber que vai para a escola para aprender, que só se aprende com esforço, que esse esforço vale a pena e é gratificante, e que não deve confundir o âmbito familiar com o escolar.

O colégio não é uma extensão do lar, e por isso o aluno não pode se levantar, conversar ou mascar chiclete quando lhe dê vontade. Atualmente, se o aluno não chegasse à escola com critérios e referências tão equivocados, o professor não teria que perder tanto tempo para colocá-lo naquela situação de civilidade e sossego mínimos a partir da qual o ensino começa a ser possível.

A crise de autoridade e a confusão entre aprendizado e brincadeira são aliadas perfeitos para que na classe se gere um clima de indisciplina que não beneficia ninguém e prejudica todos. Qualquer professor admite que hoje vinte alunos por classe são mais difíceis do que quarenta há dez anos. E esse mesmo professor não se sente respaldado pelos pais dos seus alunos: sabe que com freqüência não é apresentado aos olhos das crianças e dos jovens como uma pessoa que merece respeito, deferência e atenção.

Agora o problema é que uns garotos que ainda estão por civilizar, que ainda não têm suficientes conhecimentos, que mal se desenvolveram emocionalmente, e que estão forçosamente carentes de critérios, têm como única informação recebida a de poderem criticar e denunciar tudo o que contrarie o seu parecer.

Essa situação também tem a sua explicação nos tempos que correm. O mundo mudou muito e rápido. Modos tradicionais de ver a vida e de vivê-la talvez não tenham perdido a validade como os iogurtes, mas perderam a sua vigência. Daí se costuma chegar à falsa conclusão de que tudo é relativo, e então deixa de ter sentido aconselhar os filhos e alunos sobre condutas e valores. Desse modo muitos pais ficam bloqueados e não exercem ações positivamente educativas.

Por outro lado, a sensação de que seus pais se enganaram a seu respeito recorda-lhes que eles também podem se equivocar com seus próprios filhos, e essa possibilidade faz com que encarem a educação pelo lado negativo – o que é que não querem para os seus filhos -, deixando assim de elaborar um modelo de referência positivo para ser transmitido com o próprio exemplo. Enquanto isso, os filhos flutuam na indiferença e se movem entre o desconcerto e a desorientação.

ENFOQUES CORRETOS

Dissemos que não é possível a boa vida sem uma boa educação. Mas quem estabelece as linhas mestras da educação? Quem define quais são as coordenadas de uma educação de qualidade? Só há uma resposta: a família e as instituições educativas, respeitando sempre a própria tradição cultural. A família em primeiro lugar, porque os filhos são filhos de seus pais e não do colégio nem do Ministério da Educação.

Embora nem sempre concordem de fato, os pais, os colégios e o Ministério da Educação deveriam concordar em escolher, entre os diferentes modelos educativos, aqueles que sejam os melhores. Ao longo de 25 séculos de Civilização Ocidental, apareceram modelos educativos que ganham por esmagadora diferença dos outros, e configuram essencialmente a nossa cultura. Modelos integrados por certos traços fundamentais que passarei a comentar.

Trata-se de traços ou qualidades que derivam diretamente da condição humana: vestem-na com um traje sob medida e permitem o seu pleno desenvolvimento. Desde Aristóteles define-se o homem como sendo animal racional e animal social. Pois bem: a melhor educação da razão consiste em capacitá-la para descobrir o bem e pô-lo em prática. A inteligência que descobre o bem se chama consciência moral (primeiro traço) e a passagem da teoria à prática do bem realiza-se por meio da prudência (segundo traço).

Como a realização do bem costuma ser árdua, o terceiro dos traços educativos fundamentais é a fortaleza, esforço por conquistar e defender aquilo que vale a pena. Além disso, a animalidade que faz parte da nossa constituição fornece à conduta humana um recurso fundamental: o prazer. A educação do prazer – a sua administração racional – constitui o quarto traço indispensável a toda boa educação: chama-se autocontrole, domínio de si, temperança.

Um quinto traço é a justiça, que prescreve o respeito aos direitos dos outros e torna possível a própria existência da Sociedade. A justiça se concretiza nas leis: nas regras do jogo que nos permitem sair da selva e viver nos domínios da dignidade. Educar os jovens no sentido da justiça e no controle do prazer não é algo que tenha mais ou menos importância: Aristóteles afirma que tem uma importância absoluta.

A consciência moral, a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança são qualidades descobertas pelos gregos. Estão esboçadas em Homero e as encontramos em Sócrates, em Platão e em Aristóteles de forma explícita. Basta citar o mito platônico do carro alado ou a Ética a Nicômaco. Essas cinco qualidades são herdadas pelos romanos e pela Europa cristã. Além disso o cristianismo acrescenta outras três qualidades ou virtudes que se referem diretamente às relações do homem com Deus: me refiro à Fé, à Esperança e à Caridade.

Dizia Pascal – filósofo e matemático – que a última fase da razão é notar que existem muitas coisas que a ultrapassam, e que precisamente por isso é muito razoável crer. Nesse mesmo sentido afirma Josef Pieper, um dos melhores filósofos alemães do século XX, que poderia muito bem ocorrer que a raiz de todas as coisas e o significado último da existência só possam ser contemplados e pensados por aqueles que crêem. A Esperança em Deus é a qualidade necessária para o equilíbrio psicológico do único animal que sabe que vai morrer. E a Caridade é a forma de amar mais adequada à dignidade humana: com palavras de Borges, é ver os outros como o próprio Deus os vê.

Fonte: Arvo.net

Tradução: Quadrante

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* O método preventivo de Dom Bosco aplicado na educação dos filhos e alunos.

terça-feira, janeiro 31st, 2012

Manter a disciplina numa sala de aulas constituída de adolescentes é uma dificuldade que, com algumas variantes, mostra-se quase tão antiga como a civilização. Os mestres de Santo Agostinho poderiam dar um testemunho valioso a esse respeito. Em outros tempos, os métodos usados eram muito mais diretos que os atuais e davam resultados imediatos, proporcionais à energia e à força de personalidade do professor. Mas o problema de fundo não deixa de ser o mesmo, hoje como ontem.

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A educação não se restringe a conseguir manter, dentro do recinto de uma sala de aulas, todos os alunos em ordem e silêncio, para que o professor possa transmitir com eficácia seus ensinamentos. O bom educador deve saber moldar a personalidade de seus discípulos, corrigindo os defeitos, estimulando as qualidades, fazendo-os amar os princípios que orientarão a vida. Numa boa educação, a formação religiosa ocupa lugar principal, pois sem amor de Deus e auxílio da graça ninguém consegue vencer as más inclinações e praticar estavelmente a virtude.

Da teoria à prática…

Na teoria, tudo isso é muito fácil…

Mas, como pô-la em prática no mundo de hoje, no qual são tão numerosas e atraentes as solicitações para o mal e os educadores sentem crescente dificuldade de exercer influência sobre os jovens? O problema já era candente na época de São João Bosco. A sociedade de então passava por grandes transformações, sobretudo de mentalidade. E a juventude, sempre ávida de novidades, afastava-se da religião e perdia o rumo.

Dom Bosco fazia o “milagre” – muito maior do que todos os outros por ele realizados – de atrair e formar jovens que já não se deixavam moldar pelos antigos métodos educacionais e se subtraíam à ação da Igreja.

Tentativas de penetrar o segredo do método preventivo

Eram tão surpreendentes os resultados obtidos pelo fundador dos salesianos que muitos de seus coetâneos procuravam insistentemente arrancar dele o “segredo” de seu êxito.

Essa mesma intenção teve o reitor do seminário maior de Montpellier, quando enviou uma carta a Dom Bosco, perguntando qual o segredo da pedagogia utilizada por ele. Imagine-se sua surpresa ao receber a seguinte resposta: “Consigo de meus meninos tudo o que desejo, graças ao temor de Deus infundido em seus corações”.

Não satisfeito, o reitor enviou uma segunda carta, mas a esta o Santo não soube responder, pois nunca havia feito um estudo sobre a matéria. O livro do qual ele tirava seus ensinamentos era sua própria vida.

Confiança: o instrumento do bom educador

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Discorrendo sobre o mesmo assunto com o cardeal Tosti, em Roma, numa manhã de 1858, disse-lhe São João Bosco: “Veja, Eminência, é impossível educar bem a juventude se não se lhe conquista a confiança”. Em seguida, para dar-lhe um exemplo concreto, ele o convidou a acompanhá-lo à Praça del Popolo, onde facilmente encontrariam grupos de jovens brincando, e poderia demonstrar a eficácia de seu método. Mas quando desceu da carruagem, a turma de meninos que brincava na praça fugiu correndo. Certamente julgaram que esse padre lhes ia fazer um pequeno sermão ou repreendê- los por alguma falta. O cardeal ficara dentro do veículo, assistindo à cena, e se divertia, julgando que aquele primeiro fracasso levaria Dom Bosco a desistir da experiência.

Mas este não se deixou abater e, em poucos minutos, com sua vivacidade e irresistível bondade, tinha uma pequena multidão de jovenzinhos à sua volta se divertindo com seus jogos e entusiasmados com sua bondade.

Chegado o momento de se retirar, eles formaram duas fileiras diante do coche, para aclamar o sorridente sacerdote enquanto este passava. O cardeal tinha dificuldade em acreditar no que estava vendo…

Evitar o pecado: a essência do método preventivo

Afinal, como fazia São João Bosco para cativar a juventude? Como primeiro objetivo, pretendia ele evitar todo e qualquer tipo de pecado, usando de grande vigilância, acompanhada de amorosa solicitude.

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Não de um modo esmagador e glacial, mas paternal e afetuoso. A essa tática de conduzir os jovens o santo educador deu o nome de “método preventivo”, em confronto com o outro então em voga, denominado “repressivo”, o qual tinha por base os castigos.

Esse modelar formador da juventude não perdia ocasião de coarctar o avanço do mal. Mesmo nos recreios, seu olhar atento logo conseguia descobrir onde estava a rixa ou de onde provinham palavras reprováveis e, sem demora, desfazia aconfusão com hábil jovialidade, pois ele era a alma dos divertimentos, como seus alunos testemunhavam. Não raras vezes, ele desafiava todos os meninos, de uma só vez, para uma corrida.

Então erguia a batina, contava até três e deixava aquela turba de jovens para trás: Dom Bosco sempre chegava em primeiro lugar. Quando já tinha 53 anos, ele ainda deixava os espectadores estupefatos com sua agilidade, pois nunca perdia uma corrida com os alunos do Oratório.

Suavidade na repreensão

São João Bosco jamais dava castigos corporais, na convicção de que isso só incitaria os corações à revolta e fecharia a alma do jovem para os conselhos salutares. A maneira pela qual ele repreendia era através de uma palavra fria, um olhar triste, uma mão retraída, ou qualquer outro sinal discreto de desagrado com alguma falta. Mas os resultados demonstravam ser extremamente eficaz essa forma de correção.

Certa noite, logo após as orações, Dom Bosco queria dirigir aos meninos algumas palavras benfazejas, antes de irem dormir, mas tal era a algazarra que ele não conseguiu obter silêncio.

Após alguns minutos de espera, comunicou- lhes: “Não estou contente com vocês! Vão dormir. Esta noite não lhes digo nada”.

A partir desse dia nunca mais foi necessário usar uma sineta para que os rapazes fizessem silêncio. Poderia, porém, surgir uma dúvida a respeito de tal método. Essa vigilância para evitar o pecado não acabaria por tirar a liberdade ao jovem? A natureza humana é feita para o equilíbrio: não sufocar a liberdade nem, muito menos, permitir uma indisciplina desenfreada. Essa conjunção, São João Bosco soube fazê-la admiravelmente.

Apesar de toda a vivacidade e afeto no trato com os jovens, estes sempre mantinham uma atitude de respeito e admiração para com seu mestre.

Alegria, tempero indispensável

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O ambiente no refeitório do Oratório era uma comprovação desse relacionamento harmonioso, quando Dom Bosco demorava algum tempo mais para terminar sua refeição, à qual tinha chegado atrasado. Assim que os outros superiores saíam, uma multidão de jovens entrava correndo e ocupava todo o recinto, não deixando espaço vazio. Alguns se aproximavam tanto que quase encostavam suas cabeças nos ombros dele, outros se apoiavam no espaldar de sua cadeira e os mais pequeninos se enfiavam debaixo da mesa. Qual não era a surpresa comovida do Santo ao ver aquelas pequenas cabecinhas dali saírem, com o único fim de estarem mais perto de seu pai. A liberdade com que aqueles jovenzinhos dele se aproximavam e a veneração que lhe devotavam constituíam realmente um quadro comovedor.

Uma ocasião como essa era uma excelente oportunidade de fazer o bem. O zeloso sacerdote aproveitava então para contar uma história, dar um bom conselho, fazer perguntas, até que o sino indicasse a hora da oração da noite, ou seja, o fim desse convívio enternecido.

Como se vê, a alegria ocupava um grande papel no método educativo de Dom Bosco. Com ela, pretendia o Santo tornar a vida leve e criar disposições para os meninos abrirem a alma à influência dele e ao sobrenatural.

Um dos meios que utilizava eram os jogos e diversões, dos quais o próprio educador participava. Num desses divertimentos, ele alinhava todos os meninos em uma única fila e lhes recomendava: “Atenção! Façam tudo como eu fizer. Quem não fizer como eu faço, sai da brincadeira”.

Isso dito, começava seu percurso, ora correndo com os braços para o ar, ora fazendo gestos espetaculares, batia palmas, pulava com uma só perna, ameaçava parar numa árvore, mas logo depois saía correndo de novo. Desse modo, entretinha e criava um ambiente de alegria para aqueles jovens.

Com tais recursos e, sobretudo, com a graça divina, São João Bosco conseguia levá-los a amar a Deus com alegria. Para esse efeito, a música era um instrumento valioso, a ponto de ele dizer que uma casa sem música é como um corpo sem alma.

Freqüência aos sacramentos e devoção a Nossa Senhora

A perseverança só é possível pela freqüência aos sacramentos e uma ardente devoção a Nossa Senhora.

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Na confissão, Dom Bosco pacificava as consciências, infundia confiança nas almas, conduzia seus juvenis penitentes a Deus. Bela descrição dessas confissões nos faz Huysmans, escritor católico do séc. XIX: “Nosso Santo, trazendo no semblante a bonomia de um velho vigário do interior, puxava para perto de si o menino que tinha terminado o exame de consciência e, tomando-o pelo pescoço, envolvia-o com o braço esquerdo e fazia o pequeno penitente apoiar a cabeça no seu coração. Não era mais o juiz. Era o pai que ajudava os filhos, na confissão tantas vezes penosa das faltas mais pequeninas.” Por meio da comunhão freqüente queria São João Bosco fortificar a alma dos jovens contra as investidas infernais.

Para ele, a Primeira Comunhão deveria ser feita o mais cedo possível: “Quando um menino sabe distinguir entre o pão comum e o Pão Eucarístico, quando se acha suficientemente instruído, não é preciso olhar para a idade. Venha logo o Rei do Céu reinar nessa alma”.

Seguindo os sábios conselhos maternos, Dom Bosco fez da devoção a Maria Santíssima, sob a bela invocação de Maria Auxiliadora, uma coluna da espiritualidade dos salesianos. “Se chegares a ser padre – repetia-lhe afetuosamente ‘mamma Margherita’ – propaga sem cessar a devoção a Nossa Senhora”.

Método preventivo e graça divina

Na realidade, o método preventivo de Dom Bosco é uma forma adaptada às novas gerações – e plenamente atual – de predispor os jovens para serem flexíveis à ação da graça divina.

É ela a verdadeira causa do êxito surpreendente desse grande educador que marcou sua época, até nossos dias, com seu inovador método transmitido a seus seguidores, os sacerdotes salesianos e as filhas de Maria Auxiliadora.

Por Thiago de Oliveira Geraldo

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* As lágrimas da família de Amy Winehouse não secarão.

sexta-feira, janeiro 6th, 2012
Sueli Caramello Uliano

Quando Amy Winehouse esteve no Brasil, em janeiro do ano passado, eu pouco a conhecia, embora conhecesse a voz e algumas belas interpretações. Por isso chamou-me a atenção que se falasse tanto na possibilidade de surpresas e que houvesse um certo policiamento por parte dos organizadores para prevenir abusos e garantir as apresentações.Havia certa expectativa quanto ao que poderia acontecer. E, talvez para a decepção de alguns, ela apenas esqueceu algum trecho de letra e, ao dar um rodopio, em Recife, caiu no palco e rapidamente levantou-se.

Em São Paulo, o show foi emocionante, marcado por uma certa timidez inicial, pela pirueta bem sucedida, e parecia ter marcado a sua volta aos palcos. Pensei: “Escândalos não criam celebridades… Antes disso, os escândalos são tanto mais escandalosos quanto é célebre quem os desencadeia. O que haveria de tão especial em Amy? Sem dúvida o seu talento musical que revolucionou o soul.”

E não pensei mais nisso, até que a sua morte atingiu-me como um soco no estômago. Overdose? Especulava-se. Não sei. Só sei que, se eu vivia como se Amy não existisse, agora não podia viver como se ela não tivesse morrido assim, solitária e prematuramente. Um sentimento de responsabilidade incomoda-me e me deprime. Ver a mãe, o pai e o irmão destruídos pela dor me comove e intriga. Havia, afinal, uma família amorosa.

Teria a separação dos pais, nos seus nove anos, influenciado a sua conduta depressiva, aquela carência que fez Amy, mais do que dependente química, dependente de Blake, seu controvertido namorado e ex-marido? A mãe, farmacêutica, declarou chorosa que temia que a morte da jovem fosse uma questão de tempo. Sabia bem o que é lidar com drogas.

Os críticos de música, logo após a sua morte, deixaram claro: era um gênio e a comparavam a Sarah Vaughn e falavam da inspiração em Ray Charles e de como ela havia recriado o jazz, o blue, estilo que a partir das composições de Amy nunca mais seriam os mesmos. Ora, foram apenas dois álbuns, sendo que o último, que a consagrou, é de 2006 e lhe garantiu não apenas cinco Grammys, em 2008, mas que continuasse com prestígio cinco anos depois. Na premiação, ali estava a mãe abraçada à filha que acabara de sair de uma clínica de reabilitação.

E muitos amigos diziam que ela era meiga e doce e gentil… E eu me perguntava: “Será que alguém se lembrou de dizer isso a ela enquanto estava viva?” Porque a fatalidade de sua morte precoce levou-me a procurar na Internet mais informações e o que vi deixou-me estarrecida. Aquela figurinha frágil, vitimada pelos tabloides e caçadores de vídeos, aparecia nos sites sensacionalistas, destruída pelas drogas, como um troféu. Quem conseguiria uma imagem mais depreciativa? Por outro lado, mesmo as páginas que se dedicam a combater o uso de drogas usaram-na como bandeira de seus ideais, sem a menor compaixão. Permitam-me glosar Santo Agostinho: “é preciso matar as drogas, mas amar o toxicômano (ou dependente, ou adicto – deem o nome que quiserem.)”. E é preciso amar essas famílias devastadas porque um de seus entes queridos segue nessa linha de destruição. Imaginei o que terão sofrido a mãe, o pai e o irmão de Amy com essa exploração. E a própria jovem, que, afinal, ninguém é de ferro! No vídeo do show em Belgrado, a que não tive coragem de assistir, vê-se – vi apenas a primeira imagem congelada – que ela sequer providenciou o seu cabelo retrô e seu rímel ousado. Foi vaiada, pois não teve condições de se apresentar e acabou a noite caída sobre um conteiner nos bastidores. Naquele momento, 34 dias antes de sua morte, era como se Amy já tivesse desistido de Amy. Impossível imaginar solidão maior.

E para completar, nos comentários às notícias, embora muitos se condoessem, outros a ridicularizavam ainda mais, culpando-a pela escolha que fizera, até culminar no site que abriu um concurso de apostas para premiar quem acertasse o dia de sua morte. Tudo muito cruel, não é mesmo?

Existe um grande preconceito social em relação aos dependentes químicos. Mencionei acima que a mãe de Amy temia que a morte da filha fosse uma questão de tempo. Segundo os jornais aqui no Brasil ela teria acrescentado que vira a filha no dia anterior ao da sua morte e que a jovem estava fora de si. Isso me chateou, pois considerei que Janis, a mãe, mesmo sendo portadora de esclerose múltipla, não poderia ter deixado a filha sozinha, ao menos naquele dia, fora de si, numa crise de abstinência.

Porém, lendo a entrevista no próprio The Sun, fiquei completamente confusa, pois, em seguida a essa declaração, a mãe acrescentava que ficara feliz em ter visto a filha naquele momento. Meu inglês é muito tosco, mas ofereço aqui o trecho completo: Heartbroken mum Janis said she feared it was “only a matter of time” when she visited Amy in Camden the day before she died. Janis said: “She seemed out of it. I’m glad I saw her when I did.” She added Amy’s last words to her were “I love you mum”. “They are the words I will always treasure and remember Amy by,” she added. O fato é que “she seemed out of it” pode significar que ela parecia estar fora das drogas, e não fora de si, e por isso a mãe ficou contente por vê-la naquele momento, já que temia que as drogas a matassem, mas a imprensa traduziu considerando o contexto da vida de Amy, não o contexto do comentário da mãe.

Agora encaixa com os comentários do pai, Mitch, que estava esperançoso porque há três semanas ela não bebia e há muito tempo não via a filha tão feliz. A dona de um pub em Camden tinha recebido ordens de Amy: “Não importa o que eu lhe diga, não me sirva nada alcoólico; eu não bebo mais.” Fazia-o pela família, pois dizia não poder mais vê-los tão arrasados. A família acreditou; a mídia não. Pouco importa o que a autópsia possa revelar, pois álcool e drogas, quando se impõem, inauguram um dilema: não se pode viver sem eles e não se aguenta viver com eles.

Preconceito e exclusão social acompanham os que em algum momento foram dependentes. Ninguém quer um filho ou filha namorando alguém que passou por isso, pois há sempre o temor de uma recaída. Tenho, infelizmente, um exemplo muito próximo, porque perdi meu pai para o álcool. (Quando estava alcoolizado, todos tinham medo dele; e quando estava sóbrio, todos tinham medo de que se embebedasse). E tenho o relato de uma amiga que perdeu um filho aos 32 anos. Depois de mais de dez anos lutando contra o crack, ele acabou executado com um tiro na nuca. Tratamentos? Inúmeros! Durante as tentativas de recuperação, quando a mãe o via correr para o banheiro, com diarréia, sabia que ia voltar para o crack. Não porque tivesse algum prazer nisso, mas porque perdera a liberdade para uma das mais dramáticas escravidões.

As estatísticas são duras: de dez que provam maconha, numa rodinha inocente, três nunca mais sairão do vício e tenderão a procurar drogas mais fortes, pois têm uma predisposição genética para isso. Querem a fonte dessa informação? A minha amiga, que frequentou todos os grupos de apoio que lhe apareceram à frente, inclusive na UNIFESP. Outra realidade que pouco se comenta e que ouvi do Dr. Ronaldo Laranjeira, na televisão: “Uma pessoa que conseguiu deixar o crack, se tomar um copo de cerveja, volta para o crack.”

Extremamente afetuosa, Amy foi arrastada pela paixão por um homem controvertido, que a apresentou – isso dito por ele mesmo – às drogas mais pesadas. A jovem, que conheceu a maconha aos 14 anos, havia de declarar em entrevista à Rolling Stone: “Se você tem tendência ao vício, passa de um veneno para o outro. Ele não fuma maconha, então passei a beber mais e fumar menos. Por causa disso, passei a gostar mais da coisa. Saía para tomar um drinque”. Foi uma paixão sem crítica e sem pudores, pois o álcool e as drogas forneceram o entorpecimento necessário para a sua natural timidez.

Nestes dias fiquei tentando preencher alguns vãos nas informações que obtive. Não é apenas a música de Amy que é duramente confessional, mas também as suas tatuagens e cicatrizes. Na mesma entrevista, ao ser inquirida sobre as marcas de auto-mutilação que trazia no braço, desvia os olhos e responde lacônica: “Isso é bem antigo. Bem antigo. Acho que de uma época ruim.” E depois, gaguejando, continua: “De uma época de-de-desesperadora”.

Traz também no braço a figura tatuada da avó, com o nome: Cynthia. Mas a querida avó, que cantava jazz e era a musa de Amy, faleceu de câncer nos pulmões em 2006. Teria aí perdido uma âncora? Talvez, pois 2007 e 2008 foram tempos de grande turbulência, desde o seu casamento impetuoso em Miami até a divulgação de um vídeo, às vésperas da premiação do Grammy 2008, que revela a sua dependência do crack. Ao lado de quem? De Blake, é claro.

Claro que as famílias, a esta altura, se perguntam o que fazer, como prevenir uma tragédia dessas. A revista SER FAMÍLIA, na edição passada, trouxe um artigo do Dr. Valdir Reginato que, com uma exposição realista das circunstâncias que envolvem o problema, responde a essa pergunta com duas palavras-chave: Família e Educação. Transcrevo aqui as palavras finais da análise do Dr. Reginato, embora recomende a leitura da íntegra da matéria: “É necessário investir nos valores que fortalecem os vínculos familiares, numa educação solidária, que desenvolva pessoas com espírito de cidadania, comprometidas com o amor ao próximo e o respeito à própria vida.”

Mas isso também não é fácil. Porque a vida tem inúmeras surpresas, nem sempre os jovens conseguem, num primeiro momento, administrar as suas frustrações e, o mais importante: o álcool, e até mesmo a maconha e o crack – admitamos – estão acessíveis em cada esquina. E quando as coisas dão errado, os pais logo se perguntam: onde foi que erramos?

Cada filho precisa de uma atenção diferente, e estão sempre expostos a inúmeras influências externas, que cada um processa de modo único. Essa mesma mídia que explorou os escândalos promovidos por Amy, e que, portanto, lucrou notícias em cima deles, não hesita em depreciar aqueles que agem no caminho oposto ao dela. Os pais eram contra o seu namoro com Blake, iniciado em 2005, mas os pais não mandam no coração dos filhos, já o sabemos. E as mudanças provocadas por esse relacionamento são por demais evidentes para não serem responsabilizadas pelo avassalador processo de auto-destruição física e moral que arrastou Amy a partir dos seus 21 anos. Back to Black compila os seus conflitos e a insegurança do relacionamento. Desse álbum é Rehab, em que ela diz, com uma ironia bem humorada, no, no, no a ir para uma clínica de reabilitação, incapaz de imaginar a luta que haveria de enfrentar nos anos seguintes e perder em 2011.

O Dr. Reginato também chama a atenção para a conduta tão em moda, abraçada até mesmo pelos pais de adolescentes, que recomenda experimentar tudo para depois escolher. Como se a liberdade dependesse de um conhecimento empírico do bem e do mal e das suas consequências para enfim decidir-se e, dado que nestes tempos tanto se valoriza o prazer como o maior bem, já se vê a que deturpações essa conduta pode levar. Imagino, inclusive, que o pai que decide fumar maconha com o filho para lhe possibilitar tal experiência talvez não tenha tido o mesmo empenho para fazê-lo provar jiló, quiabo, chicória e outros legumes ou verduras, tão ricos em fibras. Isso porque o comércio de legumes não tem a força da propaganda das drogas. E, para piorar, talvez o jovem cuspa longe o jiló, o que não acontecerá com a maconha, por óbvias razões. Convenhamos que a distinção entre o bem e o mal ficou bastante comprometida pela experiência, e a liberdade foi enganada direitinho.

Vivemos em uma sociedade coalhada de contradições. Enquanto se promovem leis para proibir propaganda de produtos infantis na televisão das 7 às 22 horas, permite-se que um grupo marche pelas ruas cantando cinicamente: “Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor.” Orgulho de quê? Amor a quê? Depois disso, vão querer proibir propaganda de bolacha, brinquedo e iogurte? (Só vamos ter propagandas da Caixa Econômica, Banco do Brasil, Petrobrás etc. Isso não é preocupação com a família; é apenas controle da mídia através do faturamento financeiro. Se a emissora criticar o governo, perderá as propagandas institucionais).

Copio as palavras de Amy que encerraram a sua entrevista à Rolling Stones, em 2007, quando acabara de casar-se com Blake Fielder no Civil: “Não quero parecer ingrata. Sei que sou talentosa, mas não vim para cá para cantar. Vim para ser uma esposa e mãe, e para cuidar da minha família. Amo o que faço, mas isso não é o começo nem o fim.” Sonhos de uma menina que tentou inúmeras vezes dizer no, no, no às drogas, mas não conseguiu. Na última tentativa, o corpinho frágil e debilitado acabou num saco vermelho a caminho do necrotério.

Pergunto: por que a humanidade se curva diante dessas forças de auto-destruição? Por que se pretende tirar de crianças e jovens a sua capacidade de agir livre e conscientemente? Para os viciados haverá perdão, já para os traficantes e para os governos omissos, que tal um júri internacional por crimes contra a humanidade?

* citações extraídas da matéria Amy Winehouse: a diva e seus demônios - Jenny Eliscu, para a Rolling Stone (2007)

Publicado na revista Ser Família, edição set/out/2011

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* Para educadores e usuários: Guia de como agir em situações estranhas na internet.

quarta-feira, dezembro 14th, 2011

O Guia foi feito para crianças, pais e professores tirarem o melhor proveito da internet.O portal reúne uma série de dicas, histórias em quadrinhos, vídeos, links úteis e até indicações sobre o que fazer com o lixo eletrônico. Já os professores podem atualizar as futuras aulas.

Ambos (crianças e professores) contam com um glossário de significado dos termos usados com frequência como cyberbullying, app, android, geek, hacker e poderão se atualizar sobre a linguagem da rede.

No Brasil, 57% das crianças entre 5 e 9 anos já usaram um computador. O iPhone4 (14%), iPod Touch (13%) e iPad (12%) são os três presentes de Natal mais pedidos por elas.

Como agir diante de situações estranhas?

Este é um dos tópicos do Guia que fala didaticamente sobre questões que os pais podem ter dificuldade: “Se seu namorado ou namorada pediu uma foto sua mostrando o corpo, numa pose sensual ou em situação íntima, converse com alguém – um adulto em quem você confia (pode ser sua mãe, seu pai, uma professora, um tio ou tia). Lembre-se que se você mandar a imagem por celular ou pela internet, ela vai ficar para sempre em poder da outra pessoa. E se cair na rede, vai se tornar pública podendo ser vista e manipulada por muitas pessoas. Já o namoro pode não durar tanto…”

Veja o portal e baixe o guia.

Pais também têm participação fundamental para educar sobre o uso adequado da web. A iniciativa é da empresa GVT, em parceria com o CDI (Comitê pela Democratização da Internet), a Safernet e o site Mingau Digital.

Via: Blog Da Saúde

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* Você tem filhos que estudam? leia ISSO!

domingo, dezembro 11th, 2011

Veja

O segundo artigo mais compartilhado em 2011 por usuários americanos do Facebook foi escrito por um professor, Ron Clark (o primeiro trazia fotos da usina de Fukushima). Mais de 600.000 pessoas curtiram o texto na rede, escrito a pedido da rede de TV CNN e entitulado “O que os professores realmente querem dizer aos pais”.O artigo descreve um cenário de guerra, travada entre pais e professores.

Na visão de Clark, os pais vêm transferindo suas responsabilidades para a escola, sem, contudo, aceitar que seus filhos se submetam de fato às regras da instituição. Por isso, assim que surge a primeira nota vermelha ou uma advertência, invadem a sala de aula culpando os professores – a pretexto de preservar a reputação e o orgulho de seus filhos.

Clark conhece sua profissão. Aos 39 anos, vinte deles dedicados à carreira, o americano já lecionou na zona rural da Carolina do Norte, nos subúrbios de Nova York e atualmente comanda uma escola modelo no estado da Geórgia que oferece treinamento a educadores. Graças à função, manteve, desde 2007, contato com cerca de 10.000 educadores de diversas partes do mundo, incluindo brasileiros.

Em seu artigo, o senhor fala de um ambiente escolar em que pais e professores não se entendem mais. O que tornou a situação insustentável, como o senhor descreve?

A sociedade se transformou. Hoje, vemos pais muito jovens, temos adolescentes que se veem obrigados a criar uma criança sem ao menos estarem preparados para isso. São pessoas imaturas. Por outro lado, temos famílias abastadas, em que pais trabalham fora e são bem-sucedidos profissionalmente. Pela falta de tempo para lidar com os filhos, empurram toda a responsabilidade da educação para a escola, mas querem ditar as regras da instituição. Ou seja, eles querem que a escola eduque, mas não dão autonomia a ela.

Que tipo de comportamento dos pais irrita os professores?

Acho que o ponto principal são as desculpas que os pais criam para livrar os filhos das punições que a escola prevê. Se um aluno tira nota baixa, por exemplo, ou deixa de entregar um trabalho, os pais vão à escola e descarregam todo tipo de desculpa: dizem que o filho precisava se divertir, que a escola é muito rigorosa ou que a criança está passando por um momento difícil. Ou, ainda, culpam os professores, dizendo que eles não são capazes de ensinar a matéria. Mas nunca culpam seus próprios filhos. É muito frustrante para os professores ver que os pais não querem assumir suas responsabilidades.

Problemas com notas são bastante frequentes?

Sim. Certa vez tive uma aluna que estava indo mal em matemática. A mãe dela justificou-se dizendo que, na escola em que a filha estudara antes, ela só tirava boas notas, sugerindo, assim, que o problema éramos nós, os novos professores. Infelizmente, essa ideia se instalou na nossa sociedade. Se a nota é boa, o mérito é do aluno; se é baixa, o problema está com o professor. E quando as notas ruins surgem, os pais ficam furiosos com os professores. O resultado disso é que muitos profissionais estão evitando dar nota baixa para não entrar em rota de colisão com os pais, que nos Estados Unidos chegam a levar advogados para intimidar a escola.

Os pais poupam os filhos de lidar com fracassos?

Hoje, existe uma preocupação grande com a autoestima da criança. Por isso, muitas pessoas se veem obrigadas a dizer aos pequenos que eles fizeram um ótimo trabalho e que são brilhantes, mesmo quando isso não é verdade. Essas crianças deixam de aprender que é preciso se esforçar muito para conseguir bons resultados. No futuro, elas não terão sucesso porque, em nenhum momento, exigiu-se excelência delas. Precisamos estar mais atentos à excelência acadêmica e menos preocupados com a autoestima das crianças.

Que conselho o senhor dá aos professores?

É possível evitar que os pais surtem diante de notas ruins e do mau comportamento dos filhos se for construída uma relação de confiança. Em vez  de só procurar os pais quando as crianças vão mal na escola, oriento que os professores conversem com os responsáveis também quando a criança vai bem. Na minha escola, procuro conhecer os pais de todos os meus alunos. Procuro encontrá-los com frequência e envio cartas a eles com boas notícias. Assim, quando tenho que dizer que a criança não está rendendo o esperado, eles me darão credibilidade e confiarão na minha avaliação.

É possível determinar quando termina a responsabilidade dos pais e começa a da escola?

As duas partes precisam trabalhar em conjunto. Os pais precisam da escola e a escola precisa do apoio da família para realizar um bom trabalho. Um conselho que sempre dou aos pais é que nunca falem mal da instituição de ensino ou do professor na frente dos filhos. Se a criança ouve os próprios pais desmerecerem seus mestres, perde o respeito por eles. O contrário também é verdadeiro. Os professores precisam respeitar os pais, porque eles são parte fundamental na educação de uma criança.

Em algumas situações a discussão sobre responsabilidades da família e da escola surge com muita força. Em casos de bullying, por exemplo, pais e professores trocam acusações. Sobre quem recai a maior parte da responsabilidade nesses casos?

A minha resposta novamente é que precisamos trabalhar em conjunto. Quando o bullying acontece na escola, é obrigação dos professores intervir imediatamente. Mas muitos não agem assim porque querem evitar conflitos com os pais. E isso é muito grave. O bullying está devastando nossas crianças. Precisamos combatê-lo.

Para que os professores tenham liberdade para agir, precisam do apoio dos pais. Mas você sabe o que acontece? Muitas vezes, quando os pais são chamados na escola para serem alertados de que seu filho está praticando bullying contra um colega de classe, o que ouvimos é: “Mas qual o problema disso? Tenho certeza de que outros colegas também zombam do meu filho e ele não se sente mal por isso.” Mais uma vez, vemos os pais se esquivando da responsabilidade.

A que o senhor atribui o sucesso do artigo que estourou no Facebook?

Eu escrevi o que todos os professores tinham vontade de dizer aos pais, mas não podiam dizer, porque isso os enfureceria. O que eu fiz foi dar voz a milhões de profissionais. Fiquei sabendo que muitas escolas imprimiram o texto e enviaram uma cópia a cada família. Na internet, pessoas de outros países também compartilharam a minha mensagem.

O senhor criou uma escola modelo, a Ron Clark Academy. Como é a relação de seus professores com os pais?

Procuramos estabelecer uma relação próxima. Como eu disse, estamos constantemente em contato com os pais, nos bons e nos maus momentos. Também promovemos encontros semanalmente, nos quais ofereço aos pais a oportunidade de assistir a uma aula na escola, destinada exclusivamente a eles, para que acompanhem o que está sendo ensinado a seus filhos. Ou seja, trabalhamos muito para conquistar uma relação harmônica. Não estou dizendo que é fácil lidar com os pais. Alguns deles podem ser bem malucos.

O senhor, na sua escola, recebe professores de diversas partes dos Estados Unidos e tambem de outros países, como o Brasil. Além dos problemas de relacionamento com os pais, do que mais professores de todo o mundo reclamam?

As avaliações tiram o sono dos professores. Não sei exatamente como funciona no Brasil, mas nos Estados Unidos os professores são constantemente cobrados a melhorar o desempenho de suas escolas em testes padronizados. E todo o processo educacional passa a girar em torno de algumas provas. Isso é massacrante, para os alunos e para os professores. Os professores precisam de mais diversão na sala de aula.

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* Unesco vai lançar documento com orientações a governos de todo o mundo para o enfrentamento da homofobia em ambiente escolar.

domingo, dezembro 11th, 2011

Fonte: O tempoonline

Em 2012, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) vai lançar um documento com orientações a governos de todo o mundo para o enfrentamento da homofobia em ambiente escolar. bullying contra estudantes LGBTs (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e transexuais) foi tema de uma reunião promovida pela entidade esta semana no Rio de Janeiro, com a presença de especialistas de 25 países.

Os participantes conheceram experiências de combate ao problema desenvolvidas por diferentes países e houve o consenso de que a homofobia prejudica o desempenho de alunos homossexuais e muitas vezes leva a uma trajetória escolar interrompida, já que o jovem acaba desistindo de estudar por causa das agressões sofridas. Entre as principais recomendações que vão constar no documento estão a formulação de políticas específicas para atender esse público, o treinamento de professores para lidar com a questão e a produção de materiais de combate ao preconceito contra homossexuais nas escolas.

Nesta semana, durante evento em Nova York, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que o bullying contra crianças e jovens homossexuais é um problema que ocorre em escolas de todas as partes do mundo. “Ele afeta os jovens durante todo o caminho para a vida adulta, causando enorme e desnecessário sofrimento. Crianças intimidadas podem entrar em depressão e abandonar a escola. Algumas são até mesmo levadas ao suicídio. Isso é um ultraje moral, uma grave violação dos direitos humanos, além de ser uma crise de saúde pública”, defendeu.

Segundo dados divulgados pela Unesco, nos Estados Unidos, mais de 90% dos estudantes LGBTs dizem ter sido vítimas de assédio homofóbico. Na Nova Zelândia, 98% dos homossexuais contam que já foram abusadas verbal ou fisicamente na escola. Pesquisa realizada em 2009 pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) apontou que no Brasil 87% da comunidade escolar – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais.

O Ministério da Educação (MEC) estava preparando um kit contra a homofobia que seria distribuído em escolas de ensino médio. O material continha vídeos e cartilhas elaboradas por entidades que defendem os direitos da população LGBT. A produção do material, entretanto, foi suspensapelo governo após reclamações de parlamentares.

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* Você é uma pessoa “educada” no Facebook ou acha que isso não é necessário no mundo virtual?

sábado, novembro 12th, 2011

Iinformação

O Dia Mundial da Gentileza foi criado em 1998 pelo World Kindness Movement, nos EUA, e comemora-se amanhã, dia 13. A ideia é que sejamos todos bons e gentis uns para os outros neste dia. Bonito era sermos assim todos os momentos do ano mas dentro da imperfeição humana esta foi a solução que se arranjou.

Como não há tempo para dar 45 mil flores a estranhos, como se fez em Singapura em 2009, decidimos criar um guia de boas práticas e boa educação nesse mundo virtual que é o Facebook.

Se acha divertido publicar vídeos de gatinhos a falar ou macacos a tocar pandeireta nos murais dos outros, pense outra vez. Se não vê mal nenhum em identificar amigos em fotografias sem lhes pedir autorização, o melhor é ler este texto todo até ao fim antes que perca todas as amizades que conseguiu adicionar até hoje. Seja gentil, tanto na vida, como na Internet. Mas atenção, antes de começar a insultar toda a gente que o enerva no Facebook, investigue bem as definições de privacidade. Sabe que basta um clique para bloquear quem não gostar ou impedir que estranhos vejam as suas fotografias em biquíni ou de sunga. Pode ser uma boa ajuda nesta luta pela gentileza.

Identificar pessoas em fotografias sem pedir autorização aos visados não só é rude, como pode ser perigoso:

Adicionar fotografias embaraçosas de outras pessoas também não é boa ideia e pode provocar tensões e discussões numa bela amizade. Se aquelas fotografias datadas de 1989, quando as poupas e os chumaços estavam na moda, estão guardadas no fundo de uma caixa, é porque é lá que pertencem, para sempre. Não seja desagradável nem meta o nariz onde não é chamado.

Estado Civil Evite mudar de “numa relação com” para “solteiro” sem discutir primeiro o assunto com a outra pessoa. A falta de consideração pelo outro é uma coisa muito feia. Muuuuuuito feia.

Amizades Lá por ter visto a pessoa uma vez durante cinco minutos numa saída à noite e por ela fazer parte da lista de amigos de um dos seus amigos, não significa que a possa adicionar. Não tem de ser amigo de todos os seres humanos do universo. Não se imponha, nem ponha as pessoas numa situação desconfortável.

Privado
Se souber o significado da palavra “privado” compreenderá que fazer perguntas como “esse furúnculo que tinhas no queixo já passou?” ou “já acabaste com o Luís?” no mural de alguém, à vista de todos, não cabe na definição de “privado”. E, à semelhança das fotografias identificadas, também pode criar problemas.

Vamos a votos Pedir a toda a lista de contatos do seu Facebook que faça “gosto” 30 vezes por dia numa fotografia sua para que consiga ganhar aquele frigorífico tão bom, não é razoável. Pedir que votem em coisas suas, mais do que uma vez por semana, também não. É, até, extremamente chato e corre o risco de ser bloqueado. E com razão.

Não aborde pessoas no chat com quem tem apenas uma relação profissional, muito menos para falar de trabalho. A última coisa que se quer no Facebook, esse intervalo do labor, é discutir orçamentos, entrevistas ou festas de Natal da empresa.

Inimizades Ah que boa pareceu a ideia de criar um grupo intitulado “O Zé cheira mal dos pés, vamos odiar o Zé” até ao dia em que o Zé foi esbofeteado na rua por um bando de entusiastas dos grupos de ódio. O ódio é feio. O ódio não é bonito.

Bombardear Por favor, evite o blitz virtual. Bombardear os murais alheios com vídeos e curiosidades que mais ninguém além de si acha incríveis é irritante e pode dar direito a dura retaliação. Respeite o espaço dos outros.

As férias Não é preciso fazer o upload de 300 fotografias de si à beira de um mar azul turquesa, de si encostado a uma palmeira,numa espreguiçadeira,  com uma bebida exótica na mão, com bicho perigoso ao pescoço, bronzeado, para se perceber que esteve de férias num país tropical. E se a inveja (dos outros) é uma coisa muito feia, a ostentação também. Não tem de mostrar aos outros que não podem viajar as suas aventuras além fronteiras, está bem?

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Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
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Comentários
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