Posts Tagged ‘Europa’

* Diálogo com outras religiões só é possível a partir da certeza da própria identidade.

terça-feira, agosto 31st, 2010

Zenit

O diálogo inter-religioso não pode nascer da ambiguidade, mas da certeza da própria identidade”. Portanto, os cristãos “não devem ter medo do que são”.

Foi o que afirmou o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, durante sua intervenção nesse sábado na trigésima primeira edição do Meeting de Rimini, durante a jornada dedicada ao diálogo inter-religioso.

O purpurado dedicou parte de seu discurso para “a crise da inteligência e da transmissão de valores” que existe na atualidade. Ele chamou os católicos a se “darem conta de sua fé”.

Partindo desta certeza da própria identidade, o cardeal Tauran destacou “cinco pontos” para uma colaboração “ativa e fecunda” entre as religiões: “a pedagogia de viver juntos, a paixão pelo serviço ao outro, o testemunho religioso, a distinção entre o bem e o mal e a responsabilidade pessoal”.

No caso concreto da Europa, o cardeal apontou a necessidade dos fiéis das distintas religiões “unirem suas capacidades e estruturas para melhorar a atual situação”.

Os desafios mais importantes são, disse ele, “combater juntos o anonimato e os guetos das cidades; ajudarmos mutuamente a compartilhar emoções e iniciativas culturais para cultivar a beleza em momentos de ócio; nos comprometer na educação, porque o respeito às diferenças se aprende na família e na escola; promover a hospitalidade, porque nas sociedades multiculturais, os crentes sabem receber, compreender, ouvir e agir”.

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* Padre italiano faz campanha para encher velórios.

segunda-feira, agosto 30th, 2010
ReproduçãoPadre italiano lança “Campanha dos que partiram” para encher velórios

Parece que os funerais estão em crise na Itália. Um padre está pedindo para os fiéis de sua paróquia irem a velórios em sua cidade, Arezzo, que tem estado vazios. O reverendo Marcello Colcelli mandou uma carta para os membros da comunidade, clamando para que entrem para sua “Companhia dos que Partiram”.

A ideia é que eles ocupem assentos nos velórios dos falecidos, que muitas vezes ficam completamente vazios. “Frequentemente, faço tudo sozinho: as leituras, os ritos, até mesmo a lamentação”, disse Colcelli na carta, segundo a agência ANSA. Ele contou que não é raro ficar sozinho com o morto durante todo o funeral. Ele quer que os fiéis se obriguem a ir às cerimônias para que os serviços básicos de um velório sejam garantidos.

Fonte: Pop.

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* Kadhafi, líder Líbio, defende em Roma que Islão se torne “a religião de toda a Europa”.

segunda-feira, agosto 30th, 2010

O líder líbio, Muammar Kadhafi, defendeu que o Islão se torne “a religião de toda a Europa” perante uma plateia de 500 jovens mulheres em Roma, onde realiza uma visita oficial, noticiaram hoje os ‘media’ italianos.

Após a conferência do líder líbio, pela qual as participantes “ganharam” cerca de 80 euros, as jovens receberam um exemplar do Corão.

Kadhafi afirmou que “o Islão deve tornar-se na religião de toda a Europa” e que “Maomé foi o último profeta”, segundo relatou ao jornal La Stampa uma das participantes.

“Para nós foi muito aborrecido. Kadhafi não sabia que nós fomos pagas, senão não teria aceitado encontrar-se connosco”, disse uma participante de 25 anos ao jornal La Repubblica, pedindo anonimato.

A agência que recrutou as jovens pediu-lhes que se vestissem de maneira sóbria e advertiu-as de que se falassem à imprensa não seriam pagas.

Muammar Kadhafi chegou no domingo a Roma para uma visita destinada a assinalar o 2.º aniversário da assinatura do tratado de amizade ítalo-líbio, a 30 de agosto de 2008, em Benghazi (Líbia), acordo que pôs fim ao contencioso sobre a era colonial e permitiu nomeadamente a devolução à Líbia dos candidatos à imigração na Europa.

A visita a Roma, para a qual o líder líbio enviou 30 cavalos puro-sangue para uma parada a que deverá assistir hoje à tarde ao lado do primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, suscitou polémica em Itália, incluindo entre elementos da maioria no Governo.

O eurodeputado Mário Borghezio, da Liga do Norte (aliada do partido de Berlusconi), manifestou a sua preocupação com “as declarações de Kadhafi que evidenciam um perigoso projeto de islamização da Europa”.

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* ”Papa, ordene mulheres já”: as novas propagandas nos ônibus de Londres.

segunda-feira, julho 26th, 2010

As feministas “Católicas” e seus sonhos inaceitáveis.

Engana-se quem pensa que este tipo de ação seja inócua.

Ela reforça a idéia para o público de uma Igreja” intolerante e fixada no passado, fechada as mulheres”. Vai gerando um recuo do povo à verdade e a Igreja.

No entanto, reconhecemos que protestar é um direito, porém também sabemos com alegria que desprezá-lo é outro.

***

Efe

Os ônibus londrinos passarão a levar uma propaganda instando o Vaticano a ordenar mulheres durante a próxima visita do Papa ao Reino Unido, em meados de setembro.

Trata-se de uma iniciativa de um grupo católico favorável ao sacerdócio feminino, que escolheu esta frase para a propaganda: “Papa Bento, ordene mulheres agora”.

O grupo Catholic Women’s Ordination (CWO) pagou o equivalente a 12 mil libras para que essa propaganda seja colocada em uma dezena de ônibus que passam em frente à catedral católica de Westminster, em Londres.

Pat Brown , membro desse grupo, disse que, durante a visita papal, será realizada uma coletiva de imprensa na qual defenderão a ordenação de mulheres.

“Amamos a Igreja e não queremos perturbar. Estamos tentando obter apoio e gostaríamos que o Papa nos recebesse por cinco minutos. Preocupa-nos muito o que está acontecendo com a Igreja”, explicou Brown ao jornal The Guardian.

Os ônibus se converteram em veículo predileto de crentes e não crentes em Deus para expressar publicamente suas opiniões, desde que em janeiro do ano passado um grupo de ateus pagou por propagandas em que instava as pessoas a não se preocupar e desfrutar a vida porque provavelmente ele não existe.

Esse foi um dos dez anúncios mais controversos do ano passado, mas, graças à polêmica levantada, seus promotores chegaram a arrecadar mais de 180 mil euros, quase 30 vezes mais do que o objetivo que haviam fixado.

Logo apareceu uma resposta paródica do chamado Partido Cristão na forma de outro anúncio que dizia: “Certamente existe um Deus. Por isso, una-se ao Partido Cristão e desfrute a vida”.

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* Campanha derruba mito do “aborto terapêutico” na Irlanda.

sábado, julho 24th, 2010

O grupo irlandês Youth Defence lançou uma campanha informativa para explicar à opinião pública que o mal chamado ” aborto terapêutico” não existe, porque o aborto nunca é medicamente indicado e que os procedimentos médicos necessários para tratar as gravidezes ectópicas, a pré-eclâmpsia ou o câncer de útero não são considerados abortos.

Com avisos em jornais, folhetos e páginas Web, o grupo difunde testemunhos de mulheres e opiniões de especialistas sobre o tema.

Os organizadores explicam que “o aborto nunca salva a vida de uma mãe – só mata a criança” e por isso “é absolutamente falso alegar que os cuidados médicos necessários para o câncer e outras condições sejam considerados abortos”.

“Na Irlanda o aborto está proibido e, de acordo com a ONU, somos o país mais seguro no mundo para que uma mulher tenha um bebê. Então, em tais casos como uma gravidez ectópica ou o câncer do útero os médicos sempre podem tratar as mães – ainda se a atenção brindada tem como conseqüência a morte não intencional de seus bebês”, acrescentam.

Do mesmo modo, citam o presidente do Instituto de Obstetras e Ginecologistas quem perante o Comitê Dáil em 2000 expressou que “um obstetra jamais pensaria que intervir em um caso de pré-eclâmpsia, câncer de útero ou gravidez ectópica seja considerado um aborto. Para o profissional, não são abortos; são tratamentos médicos essenciais para salvar a vida da mãe”.

A campanha difunde testemunhos de mães como René. “Agora vejo que os promotores do aborto alegam que o tratamento para uma gravidez ectópica se considera um aborto. Isso é totalmente falso – e é injusto buscar assustar as mulheres dizendo que os cuidados médicos que elas necessitam sejam abortos. Eu não queria que meu bebê morresse. E agora me causa imensa pena ver que sua morte seja manipulada para promover a aceitação do aborto”, sustenta René.

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* Europa e o crucifixo: Uma aliança contra o secularismo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010
Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice (Centro Europeu para Lei e Justiça)

O artigo é simplesmente fenomenal e confronta de forma incontestável o secularismo e o laicismo.
Embora, em principio essa discussão não tenha nada a ver conosco aqui no Brasil, ela é emblemática e possui um simbolismo profundo que poderá mudar a forma de se entender os símbolos religiosos católicos e sua matriz que é a fé no filho de Deus que passou pela cruz, base dos estados europeus.

O governo Brasileiro recuou sobre a retirada dos símbolos religiosos aqui no Brasil, fruto da pressão que um ano eleitoral produz.
Sabemos no entanto que a ideologia socialista e laicista pensa e  que foi apenas um recuo  estratégico.
Fiquemos atentos!
***

L’Osservatore Romano – Edizione Quotidiana em italiano – Quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias

*por Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice* (Centro Europeu para Lei e Justiça) (Estrasburgo)

O caso Lautsi suscitou acalorados debates na Europa, após a condenação da Itália pela Corte europeia para os direitos do homem, devido à presença dos crucifixos nas escolas públicas, presença que violaria os direitos humanos. Para dar uma base legal para a sua decisão, a Corte criou uma nova obrigação, através da qual o Estado deveria “garantir a neutralidade confessional no campo da educação pública”. A Corte adicionou que não conseguia entender “como a exposição, nas salas de aula das escolas públicas, de um símbolo que é razoavelmente associado ao catolicismo (religião majoritária na Itália), poderia servir para o pluralismo educativo, que é essencial para preservar uma ‘sociedade democrática’ assim como a concebe a Convenção
“.
Assim, segundo a Corte, os Estados europeus deveriam ser religiosos (neutralidade confessional) para servir ao pluralismo, que seria o mote constitutivo de uma sociedade democrática.
Em outras palavras, a Corte afirma que uma sociedade, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa. A Itália recorreu contra essa decisão junto ao Grand Chambre da Corte de Estrasburgo. O recurso foi apresentado em 30 de junho passado e o parecer da Corte é esperado para o Outono.Esse caso é extremamente importante. É emblemático, porque põe em jogo a própria legitimidade da presença visível de Cristo nas escolas italianas e, por extensão, em toda a Europa. Tornou-se um símbolo no conflito atual sobre o futuro da identidade cultural e religiosa da Europa. Um conflito que opõe os apoiadores da completa secularização da sociedade e os defensores de uma Europa aberta e fiel à sua identidade profunda. Os primeiros veem o secularismo como a solução que permite gerenciar o pluralismo religioso e o pluralismo como um argumento que permite impor o secularismo. A secularização não é um fenômeno completamente espontâneo ou inevitável. Acontece através de escolhas políticas, como a política anticlerical da França no início do século XX.

A Europa é diversa. O pluralismo religioso, o cosmopolitismo, que serve como paradigma para a reflexão da Corte, é, na verdade, uma ficção estranha à maior parte do território europeu. É, no entanto, real o fato de que estamos em uma época em que as identidades nacionais são postas em causa, mas, ao mesmo tempo, a necessidade de uma identidade é muito forte.

A Europa Ocidental, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, viveu juridicamente em um regime conclamado de liberdade religiosa; mas, de fato, o que temos conhecido é mais do que um regime de simples tolerância religiosa. Isso se explica pelo fato de que as minorias religiosas eram, naquele tempo, pouco visíveis e não pretendiam alterar a identidade religiosa das Nações onde eram imigrantes.Hoje a situação é diferente. A presença do Islã obriga agora a Europa a tomar realmente uma posição sobre a liberdade religiosa. Tal escolha não é somente uma tomada de posição filosófica, mas tem também importantes consequências práticas sobre a realidade da identidade religiosa ocidental. Torna-se cada vez mais evidente que as instituições públicas da Europa Ocidental – e a sentença Lautsi é apenas uma demonstração – têm feito a escolha de limitar a liberdade religiosa e impor uma secularização da sociedade, para promover um modelo cultural específico em que a ausência de valores (neutralidade) e o relativismo (pluralismo) são valores em si mesmos para sustentar um projeto político que se desejaria pós-religioso e pós-identitário. Esse projeto político, enquanto sistema filosófico, pretende ter o monopólio.

Neste contexto de radicalização da secularização está inserido o caso Lautsi. É o último e principal obstáculo contra o qual colidiu o processo de secularização após o debate relativo às “raízes cristãs” no preâmbulo do Tratado Constitucional Europeu. O fato de que uma jurisdição possa, em nome da liberdade religiosa, concluir que uma sociedade democrática, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa, exige uma reflexão sobre a evolução do conceito. O caso Lautsi mostra como esse conceito, concebido para proteger a sociedade do ateísmo do Estado, tornou-se ao fim um instrumento de deslegitimação social e privatização da religião. Este caso, em suma, mostra como esse entendimento da liberdade religiosa pode se revoltar contra a religião e ser o principal instrumento conceitual da secularização da sociedade.

Se se negam as identidades coletivas

A primeira e principal carência que o caso Lautsi revela é a incapacidade da concepção moderna acerca da liberdade religiosa de pensar e respeitar a dimensão religiosa da vida social e a dimensão social da religião. A teoria, que levou à decisão Lautsi, é baseada sobre o reconhecimento exclusivo dos direitos individuais, que se supõem dotados de uma consciência de natureza infalível e destinados a evoluir em uma sociedade imaginada como axiologicamente (moralmente) neutra. Essa liberdade é considerada universal enquanto fundada sobre a natureza do homem e é imperativa, posto que é a expressão de um dos aspectos da dignidade humana. Em contrapartida, a sociedade pública, enquanto considerada uma entidade artificial ao serviço do indivíduo, deve desaparecer frente à única autoridade legítima: a liberdade que deriva da dignidade individual.

A identidade religiosa da sociedade já não tem, em si, valor e legitimidade. É considerada um simples fato herdado da história. Em muitas áreas, é reconhecido no direito internacional que as Nações podem ser titulares de direitos subjetivos, como o direito de proteger e transmitir às gerações futuras a sua identidade cultural, linguística, ecológica; isso, no entanto, não vale para a sua identidade religiosa, embora se trate de um dos componentes identitários mais profundos. Em matéria religiosa, as Nações não são titulares de quaisquer direitos. De acordo com a concepção moderna de liberdade religiosa, somente os indivíduos isolados possuiriam direitos religiosos, que se exercitam nos limites estabelecidos pelas legislações nacionais. A religião e as várias sociedades intermediárias não gozam de uma proteção particular: somente cada crente, individualmente, é titular de direito, e esse direito exercita-se, em primeiro lugar, e sobretudo, diante de terceiros e da sociedade.

Essa liberdade religiosa implicaria, portanto, a neutralização da identidade religiosa da sociedade, mas tal neutralidade é profundamente ilusória. De fato, se o poder civil pode ser indiferente às convicções íntimas das pessoas, não pode sê-lo inteiramente com relação á religião, uma vez que essa é, por sua natureza, um fenômeno intrinsecamente social. Assim, fingir ser indiferente em relação à religião significa, ao final, negar a dimensão fundamentalmente social da religião e restringi-la à esfera privada das convicções íntimas.

É expressão de uma opção filosófica afirmar, no caso Lautsi, que o Estado deveria agir como se a sociedade e a cultura italiana não tivessem nada de religioso. No entanto, um Estado, um povo, tem necessariamente uma identidade, e essa identidade tem necessariamente uma dimensão religiosa. Um Estado não é um conceito, não é uma estrutura neutra, não tem a frieza de uma instituição supranacional; um Estado é a emanação de um povo, com a sua história e a sua identidade. Nessa óptica, os símbolos servem para representar, encarnar os componentes da identidade social. A identidade coletiva é construída em torno de símbolos. A dimensão religiosa da identidade social de um povo é constituído e expressa por toda uma série de práticas e hábitos sociais, tais como as festas, os nomes, um certo tipo de relações humanas, roupas ou até mesmo alimentos. É manifestada também através de símbolos visíveis, como os crucifixos nas escolas, hospitais ou nas praças e monumentos públicos.

Para ser coerente consigo mesma, a Corte europeia deveria renunciar a celebrar o Natal e a Páscoa, e adotar, como fizeram os revolucionários franceses, um novo calendário, sem referências à vida de Cristo. De fato, a identidade religiosa de uma sociedade não pode ser neutralizada: pode ser negada, combatida e substituída, mas não neutralizada. Por conseguinte, o problema real ao centro do caso Lautsi é aquele da legitimidade de uma autoridade supranacional que pretende modificar as competências da dimensão religiosa da identidade de um País.

A teoria jurídica da liberdade religiosa não está em condições de levar em conta a identidade cristã da Europa; é exatamente isso que o caso Lautsi revelou. A reação política sem precedentes suscitada pela sentença de novembro de 2009 reveste-se, portanto, de grande importância, pois é uma verdadeira reafirmação da legitimidade própria e particular do cristianismo na identidade da Europa, frente à dinâmica da secularização.Indivíduo e Sociedade O caso Lautsi também revela como o modo de afrontar a liberdade religiosa por parte da Corte de Estrasburgo é baseado em um conceito conflituoso das relações entre o indivíduo e a sociedade. A sociedade e a pessoa não são consideradas em uma relação de complementaridade, mas de oposição: a sociedade é o principal obstáculo à liberdade individual; é a sociedade que limita a liberdade; a sociedade deveria, então, se anular, tornar-se o quanto mais possível neutral, a fim de liberar espaço para o livre exercício da consciência individual.

Tal conceito conflituoso carrega uma lógica de reivindicação exclusiva do “meu direito particular” contra o conjunto da sociedade . O direito dos filhos da senhora Lautsi de não serem forçados a ver o símbolo de Cristo deveria prevalecer, sem qualquer comprometimento possível, sobre o desejo majoritário de todo um povo, e até mesmo de todos os povos membros do Conselho da Europa.

A absolutização da dignidade e da autonomia individual leva à absolutização do direito que a garante, e à anulação dos interesses da comunidade.A liberdade contra a religião O caso Lautsi também deve levar a se questionar sobre o perigo representado pela lógica da liberdade religiosa quando ela é extremada, pois leva a negar a religião em nome da liberdade de religião, a defender a liberdade de religião suprimindo socialmente a religião. Trata-se do que fez a Corte: alegou defender a liberdade religiosa suprimindo o símbolo religioso. Trata-se de uma verdadeira e autêntica viragem histórica e conceitual, uma vez que a liberdade religiosa foi concebida, no pós-guerra, como instrumento de defesa da transcendência do homem diante do niilismo de Estado. A liberdade de religião é provavelmente o direito mais violado na Europa durante o século XX; os seus inimigos recusam-se a aceitar que a religião e a liberdade não são necessariamente contraditórias – esses utilizam a liberdade contra a religião – e até acreditam que a liberdade religiosa é violada por simples manifestações das religiões dos outros.

Finalmente, como resultado da jurisprudência da Corte europeia, a liberdade religiosa não é mais direito primário, fundamental, diretamente derivante da natureza transcendente da pessoa humana, mas é um direito secundário, concedido pela autoridade civil e resultante do ideal do pluralismo democrático. Trata-se de uma inversão conceitual. São, assim, sempre mais frequentes na jurisprudência fórmulas como: a liberdade de religião garanta o pluralismo e, por isso, merece uma proteção especial. A manifestação das convicções religiosas encontra-se emoldurada pelas exigências de ordem pública assimiladas à neutralidade.

Não somente isso, mas, na realidade, a liberdade de religião está cada vez mais restrita somente à liberdade de fé, nomeadamente a liberdade interior de acreditar ou não. Seria um erro pensar que a fé seja independente da religião enquanto uma é interior e a outra exterior. Limitar a liberdade de religião (devido a não legitimidade social da religião) para proteger somente a liberdade de fé (como pura expressão da transcendência humana) corresponderia, em uma família, a proibir as orações e o catecismo em nome da liberdade do ato de fé dos filhos. De fato, se teria, assim, pouquíssimas chances de transmitir a fé aos filhos. O mesmo vale para a sociedade. Tolher a religião da sociedade equivale a tolher a fé dos corações das gerações futuras.

Reações sem precedentes

A sentença Lautsi provocou uma reação social e política sem precedentes na história do Conselho da Europa. Nunca uma decisão da Corte de Estrasburgo foi tão contestada, com tanto vigor, não somente pelos crentes, mas também pela sociedade civil e muitos Governos.
Três semanas após a audiência diante do Grande Chambre, é cada vez mais evidente que foi relatada uma grande vitória contra a dinâmica da secularização. Se juridicamente a Itália não venceu ainda, politicamente, de fato, já alcançou uma vitória magistral. Com efeito, até agora, nada menos que vinte Países europeus manifestaram o seu apoio oficial à Itália, defendendo publicamente a legitimidade da presença de símbolos cristãos na sociedade e em particular nas escolas.

Em um primeiro momento, dez Países comprometeram-se no caso Lautsi como “terceiros interventores” (amicus curiae). Cada um destes – Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, Romênia, Rússia, San Marino – emitiu à Corte uma declaração escrita, convidando-a a reconsiderar sua decisão anterior. Essas declarações não têm valor somente jurídico, mas são também, e antes de tudo, importantes testemunhos de defesa do patrimônio e da identidade destes Países diante da imposição de um modelo cultural único. A Lituânia, por exemplo, não hesitou em colocar em paralelo a sentença Lautsi e a perseguição religiosa que sofreu e que se manifestava, sobretudo, na proibição dos símbolos religiosos.

A esses dez países uniram-se ainda outros dez. Com efeito, os Governos da Albânia, Áustria, Croácia, Hungria, ex-República Iugoslava da Macedônia, Moldávia, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Ucrânia colocaram publicamente em questão o parecer da Corte e pediram que a identidade e as tradições religiosas nacionais sejam respeitadas. Muitos governos têm insistido em dizer que tal identidade religiosa é a fonte de valores e de unidade europeia.

Assim, com a Itália já está quase metade dos Estados-Membros do Conselho da Europa (21 dos 47) a fazer publicamente oposição a essa tentativa de secularização forçada e a afirmar a legitimidade social do cristianismo na sociedade europeia. Além dos argumentos reais de defesa da identidade, da cultura e das tradições cristãs nacionais, esses vinte estados têm, de fato, afirmado e defendido publicamente a sua união ao próprio Cristo; recordaram que está em conformidade com o bem comum que Cristo esteja presente e seja honrado na sociedade.

Essa coalizão, que reagrupa quase toda a Europa Central e Oriental, revela o persistir de uma divisão cultural interna na Europa; revela também que tal divisão pode ser superada, como testemunha a importância do apoio à Itália por parte dos Países de tradição ortodoxa.

Igrejas Ortodoxas e secularismo A importância do apoio oferecido por Países de tradição ortodoxa é resultado, em grande parte, da determinação do Patriarcado de Moscou em se defender contra o avanço do secularismo. Colocando em ação o pedido do Patriarca Kirill de “unir as igrejas cristãs contra o avanço do secularismo”, o Metropolita Hilarion propôs a criação de uma aliança estratégica entre católicos e ortodoxos para defender conjuntamente a tradição cristã contra o secularismo, o liberalismo e o relativismo que imperam na Europa moderna: “O secularismo que prospera hoje na Europa – escreveu presidente do Departamento de Relações Externas do Patriarcado – é também uma pseudo-religião com seus dogmas, as suas regras, seu culto e sua simbologia. A partir do exemplo do comunismo russo do século XX, busca o monopólio e não suportar qualquer concorrência. Por essa razão, os líderes do secularismo reagem de modo excessivo diante de qualquer manifestação religiosa e à menção do nome de Deus (…). O secularismo atual, tanto quanto o ateísmo russo, considera-se a substituição do cristianismo. Por isso, não é possível permanecer neutro e indiferente em relação a esse último. É-lhe abertamente hostil”. Essa análise está em sintonia com aquele feita pelo Papa, em 24 de janeiro de 2008, quando disse aos bispos da Conferência Episcopal da Eslovênia que o secularismo é “distinto, mas não menos perigoso que o marxismo”.Esse importante fenômeno denota que a transição democrática nos países do Leste Europeu não foi acompanhada pela transição cultural vivamente defendida pelo Oeste.

Hoje, assiste-se, mais que tudo, a um movimento inverso de reafirmação identitária que passa por uma forma de restauração do modelo ortodoxo de relações entre a Igreja e o poder civil. De fato, o muro da separação entre o poder civil e o religioso é diminuído, em favor de uma parceria para servir o bem comum. O poder civil e aquele religioso consideram essa colaboração legítima boa por si mesma; há muita dificuldade em se compreender a sua regular condenação por parte da Corte de Estrasburgo, que vigia a garantia de uma rígida separação entre esfera religiosa e civil.O maciço apoio que veio do Leste poderia também anunciar uma grande mudança na dinâmica da construção da unidade europeia. Com efeito, sempre se pensou que a unidade europeia, inevitavelmente, seria realizado do Oeste para o Leste, através de uma conquista desse último pelo liberalismo econômico e cultural ocidental. Agora, episódio raro, o caso Lautsi provocou um movimento contrário, do Leste para o Oeste. O Leste da Europa, apoiando-se no catolicismo, se opõe ao Ocidente na defesa da cultura cristã e de uma adequada concepção de liberdade religiosa. Claramente, os defensores da liberdade mais que do materialismo não são mais os mesmos que uma vez foram.

Pode-se perceber, durante o processo perante a Corte de Estrasburgo, um certo desconforto nos confrontos daquelas Nações orientais que ousaram contestar a correção das operações da Corte. Esse desconforto foi percebido, por exemplo, quando os estados “terceiros interventores”, tentaram obter a palavra durante a audiência. Normalmente, um pedido similar não cria dificuldades, e trinta minutos são concedidos a cada estado para que ele possa apresentar os seus argumentos. No caso Lautsi, ao contrário, esses Estados se confrontaram contra uma recusa categórica. Somente após muitas insistências obtiveram, todos juntos, quinze minutos. Isso tem sido experimentado por alguns desses países como uma afronta e um reflexo de autodefesa da Corte. Essa intervenção comum diante da Corte é também um acontecimento histórico. Entre as questões que se colocam para o futuro próximo, encontra-se aquela de saber se a Corte será capaz de colocar em discussão o seu paradigma ideológico em matéria religiosa. Vinte e um países do Conselho da Europa entre os quarenta e sete foram expressamente convidados a fazê-lo; refutar de modo peremptório esse convite minaria diretamente a legitimidade da Corte.

O Conselho da Europa, do qual depende a Corte de Estrasburgo, na sua Carta de fundação, afirma “o apego inabalável” dos povos da Europa aos “valores espirituais e morais que constituem o seu patrimônio comum”. Esses valores espirituais e morais não são de natureza privada; são constitutivos da identidade religiosa da Europa e reconhecidos como fundantes do projeto político europeu. Como o Papa recordou recentemente, o cristianismo é a fonte desses valores espirituais e morais. A aliança desses vinte países indica que é possível construir o futuro da sociedade europeia sobre esse fundamento, preço de uma reflexão lúcida sobre o modelo cultural ocidental contemporâneo e na fidelidade cristã. A Europa não pode enfrentar o futuro renunciando a Cristo.

* organização não governamental internacional fundada em 1998, com sede em Estrasburgo. Tem como objetivo a proteção dos direitos humanos e da liberdade religiosa na Europa. Os integrantes do ECLJ já intervieram em diversos casos levados diante da Corte Europeia dos Direitos Humanos e possui um Estatuto Consultivo Especial nas Nações Unidas (ONU), além de estar acreditado no Parlamento Europeu.
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* Portugal e Europa caminham para a “arabização” de sua cultura?

domingo, julho 11th, 2010

Fonte:  Público

Se o escritor de ficção científica Philip K. Dick vivesse, já não precisaria da sua imaginação distópica para distorcer o futuro. Poderia ser um escritor naturalista. Esse futuro que nas histórias de Dick parecia delirante está agora bem plantado à nossa frente, no tempo útil das nossas vidas. Consultando as estatísticas ficamos inteirados da boa nova: a longo prazo, não estaremos mortos. Estaremos extintos.

Muita gente tem alertado para o declínio demográfico que ameaça o mundo ocidental como o conhecemos. Esse declínio converteu-se no primeiro problema para o nosso modo de vida dos últimos 60 anos. Até temos algumas ideias de como devemos enfrentá-lo, mas hesitamos, em parte porque estamos sobretudo focados noutras pragas (as alterações climáticas, a especulação bolsista), noutra parte porque ainda vivemos na doce ilusão de arranjar maneira de salvar a nossa pensão de reforma. No entanto, comparado com o meteorito que será os países europeus ficando aceleradamente sem população, tais preocupações parecem menores ou acessórios. Se não houver gente, faremos o quê?

Em 2003 a idade média na Europa era de 37,7 anos. Em 2050, segundo um estudo da Brookings Institution, um think-tank norte-americano, essa média rondará os 52,3 anos, bem acima dos 35,4 previstos para os Estados Unidos. Praticamente todos os países europeus sofrerão baixas acentuadas nas suas taxas de população. Por exemplo, a Itália cairá 22 por cento e a Estónia 52 por cento. E Portugal também. Para começar, o INE revelou há dias que em 2009 tivemos mais óbitos do que nascimentos.

Daqui a 40 anos viveremos na sociedade mais envelhecida que provavelmente existiu na história do mundo. Os novos serão minoritários, os velhos maioritários. Politicamente será um facto dramático. E sabem o que acontece às sociedades dominadas por anciãos? Mais tarde ou mais cedo definham.

Ao mesmo tempo, eis o que também tem acontecido: as taxas de fertilidade no mundo muçulmano têm continuado o seu ritmo imparável. Desde 1970 que têm sido responsáveis por grandes subidas da população mundial. Há hoje muito mais muçulmanos na Europa vivendo como muçulmanos, isto é, conservando os seus hábitos religiosos e rejeitando o secularismo ocidental.

Essas tendências da natalidade não-ocidental suscitam também conspirações de poder em torno de uma suposta arabização da Europa. O certo é que os países europeus também não escaparão ao choque cultural dentro de portas. Na verdade, já o conhecem.

Imaginam uma Europa sem Portugal, sem a Suécia, a Europa de 2200 ou 2300? Falarão aqueles que viverem nessa altura daquilo que nós fomos, tal como nós falamos da civilização maia ou dos romanos?

Um dos grandes paradoxos da Europa é que nenhum outro recanto do mundo ofereceu tanta afluência e bem-estar às suas populações para que cuidassem da sua própria subsistência e renovação. A Europa é que deveria ser, e em certo sentido até se imaginou dessa forma, o verdadeiro “fim da história”.

Mas a anomia europeia explica bem por que é que a afluência económica e o bem-estar social não chegam para manter uma cultura. As coisas e as estatísticas demográficas são o que são.

O historiador inglês Arnold Toynbee escreveu há muito tempo: “As civilizações morrem por suicídio, não por assassinato”. E é mesmo certo na história das grandes civilizações que a seguir à decadência vem a extinção. A crise demografia é a mãe das nossas crises. Jurista

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* “Estamos diante de um déficit de evangelização em nossos dias”, afirma arcebispo de São Paulo.

quinta-feira, julho 8th, 2010
Cardeal Scherer comenta decisão do Papa de criar departamento da nova evangelização
O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, considera que hoje se vive um déficit de evangelização; trata-se de um novo tempo, que requer um novo anúncio do Evangelho.
Em artigo divulgado na edição desta semana do jornal O São Paulo, Dom Odilo comenta a decisão de Bento XVI de criar um Pontifício Conselho para promover, especificamente, a nova evangelização em toda a Igreja. É uma decisão “certamente muito significativa”, diz o arcebispo.

Com a criação desse novo organismo vaticano, o Papa “dá a entender a todos que este é um propósito seu, e deverá ser uma atitude da Igreja em todo o mundo, para responder aos desafios postos pela atual ‘mudança de época na história da humanidade”.

“Não podemos perder esta ocasião, se não queremos que a Boa Nova do Evangelho fique excluída da vida do povo – dos povos – e da nova cultura que está sendo gerada por muitos fatores”, afirma o arcebispo.

Dom Odilo considera que o novo Pontifício Conselho é especialmente importante para a Europa, “onde o Catolicismo foi historicamente muito importante e marcou a vida e a cultura daqueles povos, mas hoje enfrenta grandes dificuldades”.

Segundo o cardeal, o conceito de “nova evangelização” não deve ser mal entendido. “Não se trata de desconsiderar o trabalho evangelizador já feito pelas gerações que nos precederam, ao longo dos séculos”.

“Trata-se, ao invés disso, de valorizar ‘de novo’, aquilo que elas já fizeram e que, talvez, deixou de ser feito em muitos lugares. Estamos, claramente, diante de um déficit de evangelização em nossos dias”, afirma.

Por outro lado – prossegue o arcebispo de São Paulo –, “tempos novos requerem anúncio novo do Evangelho, novas sínteses culturais e o recurso a novas metodologias para evangelizar”.

“Não podemos considerar a evangelização, onde ela já foi feita, um fato consumado de uma vez por todas; a bem da verdade, cada geração necessita ser evangelizada novamente e até mais de uma vez ao longo da vida.”

“Tanto mais, se considerarmos que, atualmente, a passagem da fé, da ‘herança apostólica’ e da vida eclesial não acontece mais de forma automática. Há uma ruptura na corrente de transmissão da fé”, assinala o cardeal.

“Quanta dificuldade representa, para os pais, a evangelização dos filhos! E quantos pais católicos, lamentavelmente, já não consideram mais ser sua missão evangelizar os filhos! Eis, pois, como é necessária uma ‘nova evangelização’!”

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* Triste e emblemático: na Inglaterra, igreja é transformada em casa.

segunda-feira, julho 5th, 2010

Parece terrível imaginar que chegamos a esse ponto. Na Europa esse tipo de uso de igrejas é comum. Muitas inclusive são usadas para boates ou casas de show, pelo espaço.


A outrora cristã Europa verga ao peso da indiferença religiosa e da falta de fiéis, de um cristianismo cultural e presente nas artes, mas ausente nos corações.


Triste e realmente emblemático.

***

Um casal comprou uma igreja histórica em Kyloe, Northumberland, no Reino Unido e resolveu transformá-la em uma bonita casa.

Eles investiram três vezes mais o valor da compra, para fazer restaurações necessárias em seu interior e exterior, durante vários anos.

O exterior permaneceu quase intacto, mas na parte interna foi necessária uma remodelação. Dentro da igreja, o casal readaptou todos os cômodos, para dar aparência de um ambiente “familiar e aconchegante”.

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* Corte Européia estabelece que negar “matrimônio” homossexual não viola direitos humanos.

quarta-feira, junho 30th, 2010

A Corte Européia dos Direitos humanos com sede em Estrasburgo sentenciou que os países da UE que não permitam o “matrimônio” de pessoas do mesmo sexo não estão violando os direitos destes cidadãos.

Em uma sentença a favor da Áustria, adotada com quatro votos a favor e três em contra, a Corte se pronunciou sobre o recurso apresentado por dois austríacos, Horst Michael Schalk e Johann Franz Kopf, aos quais as autoridades negaram a permissão para contrair matrimônio no ano 2002. A Áustria aprovou as bodas homossexuais no 1º de janeiro de 2010, oito anos depois do processo apresentado pelo casal.

Os cidadãos alegaram que tinha sido violado seu direito a contrair matrimônio, segundo a Convenção Européia dos Direitos humanos. Entretanto, este tratado de 1950 só garante como direito fundamental o matrimônio entre um homem e uma mulher.

A Corte aceitou as razões apresentadas pela Áustria e especificou que os Estados não estão obrigados, em base à Convenção Européia dos Direitos humanos, a conceder o acesso ao matrimônio aos casais do mesmo sexo.

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* Espanha em baixa: menos casamentos, menos crianças.

domingo, junho 27th, 2010
Associações familiares insistem na necessidade de medidas urgentes
No ano de 2009 houve uma queda de 10% no número de casamentos e 5% no número de nascimentos de crianças na Espanha, segundo dados publicados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE). As associações pela família pedem ao atual Governo uma virada nesse quadro, antes que seja tarde.Após dez anos de ligeiro aumento nas taxas de natalidade (ainda sem superar de forma alguma a taxa de reposição de gerações), no ano de 2009 os nascimentos voltaram a cair, segundo os dados publicados pelo INE na terça-feira.

Segundo o INE, esse declínio “foi resultado do efeito combinado de uma redução progressiva do número de mulheres em idade fértil e de uma menor fecundidade”, mesmo entre os imigrantes (6% menos de nascimentos).

A taxa de nascimentos de 2009 se situa em 1,4 crianças nascidas por mulher fértil, com um total de 10,72 nascimentos por cada mil habitantes, dos quais um de cada cinco são filhos de imigrantes.

Contudo, o Instituto de Política Familiar, entidade privada de pesquisa presidida por Eduardo Hertfelder, adverte que estes dados são mais preocupantes que os publicados pelo Governo: o número de abortos cirúrgicos realizados no ano passado (sem contar os químicos, ou seja, os provocados pela pílula) não diminuiu.

Ainda que o Ministério da Saúde mostre os números oficiais de abortos com meses de atraso, o IPF afirma que, segundo suas próprias estatísticas, o número de abortos na Espanha, no melhor dos casos, se manteve em 2009.

Segundo os dados do IPF, “2009 fechou com um número de abortos muito similar aos que foram realizados em 2008”, ou seja, “em torno de 116 mil, que, somados aos 492.931 nascimentos, significa que o ano passado houve na Espanha 508.743 mulheres grávidas”.

“Isto implica que 19% das gestações, aproximadamente uma de cada cinco, acabaram em um aborto cirúrgico. Um sangramento inaceitável em uma sociedade com claro déficit de natalidade que seria completamente insustentável sem os nascimentos de mães estrangeiras”.

Irresponsabilidade

O mais grave desses dados, destaca o IPF, “é que tudo isso acontece sem a ‘reforma Aído’ (a nova lei do aborto, que passa de considerá-lo um delito descriminalizado a um direito reprodutivo) que entrará em vigor no próximo 5 de julho”.

Quando a nova lei entrar em vigor, o “número de abortos disparará”. Previsões do IPF calculam que em 2015 será alcançado os 150 mil abortos anuais, acima da França ou do Reino Unido”.

Para o IPF, é “surpreendente” o “empenho do Governo em incentivar o aborto até convertê-lo com a nova lei em um direito da mulher que se situa acima e contra a doutrina do Tribunal Constitucional e acima do direito à vida da criança não nascida”.

De fato, mais de 60 associações espanholas pró-vida convocaram uma manifestação diante do Tribunal Constitucional, para exigir que se resolva o quanto antes o recurso de inconstitucionalidade apresentado pela oposição (Partido Popular) contra a lei.

Este protesto está convocado pelo Fórum Espanhol da Família, cujo presidente, Benigno Blanco, pede ao Governo que “reaja a tempo e reverta a nova lei do aborto”. Para o Fórum, “o razoável na Espanha seria implantar políticas ativas de apoio à família e à natalidade, e não mais de aborto”.

Menos casamentos

Outro dos dados preocupantes apresentados pelo INE na última terça-feira foi o forte declínio do número de casamentos, um dado que seria muito pior se não fosse a presença dos imigrantes.

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, dos quase 37 mil casamentos celebrados em 2009, em 21,3% do total, um dos cônjuges era estrangeiro, enquanto que em 21,1% dos casos ambos cônjuges eram estrangeiros.

A única taxa de “casamento” que aumentou foram das pessoas do mesmo sexo, quase 3.500.

Para as associações, a única solução é: implementar “políticas ativas de apoio à família e à natalidade”.

A FEF adverte que os efeitos da falência da família já são evidentes na Espanha: “o desemprego feminino, com 18,4%, é o mais alto da Europa, que situa sua média em 9,6% segundo Eurostat”.

Mais ajudas

O Fórum da Família propõe ajudas reais e eficazes para as famílias e mulheres grávidas para alivar a queda de nascimentos, precisamente quando o Governo, em seu plano de cortes de orçamento, acaba de eliminar as poucas ajudas diretas que eram concedidas até agora às famílias: o chamado “cheque bebê” e a ajuda por filho às famílias com baixa renda.

Esta é também a reivindicação de outra importante associação, a Federação Espanhola de Famílias Numerosas (FEFN), que representa um milhão de famílias com três ou mais filhos.

Para a FEFN, a queda da natalidade é “a mostra evidente de que na Espanha a família não é atendida como merece, não está sendo dada a devida importância à natalidade e vamos começar a pagar, apesar de anos advertindo das consequências de ter uma população envelhecida”.

“Um declínio de natalidade é uma circunstância negativa em qualquer momento, mas muito mais em meio de uma crise econômica como a que está se vivendo, já que a economia, o emprego, vão demorar a se recuperar” afirmou a presidenta da FEFN, Eva Holgado, ao publicar os dados do INE.

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* Polônia: Em defesa da família, marcha contra o aborto.

domingo, junho 27th, 2010

  • Leonardo Przybysz

Com a participação de mais de 6.000 pessoas, realizou-se no dia 30 de maio nas ruas centrais da Varsóvia, por iniciativa da Associação pela Cultura Cristã Padre Piotr Skarga, a V Marcha pela Vida e pela Família. Acorreram também muitas organizações anti-aborto provenientes de cidades do interior da Polônia, com jovens portando cartazes contra o “casamento” homossexual. [fotos no final]

Participaram da marcha delegações  dos Estados Unidos e de outras organizações como Acção Família (Portugal), Droit de Naître (França), Ação SOS Leben (Alemanha), Associação dos Fundadores (Brasil). Entre os presentes, dois candidatos à presidência da Polônia, deputados e vários religiosos.

Slawomir Olejniczak, presidente da Associação Pe. Piotr Skarga, ressaltou em discurso aos presentes: “Não tenhamos a ilusão de que a Polônia perdurará como nação, se o Estado continuar com sua ação de solapamento desse verdadeiro fundamento da sociedade, que é a família, atualmente ameaçada pela cultura da morte, que é o aborto”.

“Sex-educação é depravação!” — foi um dos slogans mais repetidos pela multidão, opondo-se à famigerada educação sexual nas escolas, inclusive para crianças a partir de seis anos.

Em nome dos participantes da marcha, foi encaminhada uma carta aos candidatos à presidência do país, pedindo que se definam em relação a um projeto de lei anti-família, que acabaria por privar a família da sua autonomia e independência, que no entanto são necessárias à missão que lhe é própria na sociedade.









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* A guerra de propaganda entre ateus e cristãos, na Inglaterra.

terça-feira, junho 15th, 2010

The Guardian

Uma propaganda com a frase “There definitely is a God” [Definitivamente existe um Deus] exposta em ônibus da Inglaterra desencadeou mais reclamações do que qualquer outra propaganda de 2009, e alcançou o terceiro lugar nessa categoria em toda a história, segundo números publicados nesta terça-feira pela Advertising Standards Authority.

A batalha sobre a existência de Deus ajudou a provocar um aumento de 10% nas queixas ao órgão regulador, ou seja, a um número de quase 30.000.

A propaganda do Partido Cristão inglês foi uma reação ao anúncio da British Humanist Association que dizia:”  There is probably no God.Now stop worrying and anjoy yuor life [Provavelmente Deus não existe. Então, pare de se preocupar e aproveite a sua vida].

A ASA não investigou o caso, em razão de os anúncios e partidos políticos estarem fora de seu mandato, apesar de ter recebido 1.204 reclamações afirmando que a existência de um ser divino era ofensiva aos ateus e, em todo caso, não pode ser comprovada. A ASA também não investigou o anúncio dos ateus, mesmo que tenha sido o sexto da lista dos mais reclamados.

No total, houve um aumento de 36% nas queixas de agressividade, cerca de 12.000. No outro extremo do espectro, anúncios que perguntam “Você quer um sexo mais duradouro?” para vender um spray nasal provocaram 500 queixas.

Graças, em parte, a essas campanhas em ônibus, as propagandas em meios de transporte tiveram, em um ano, um crescimento de 267% no número de queixas à ASA. Reclamações sobre outdoors, que também abrangem os anúncios em ônibus, tiveram um crescimento de 100% em um ano.

Em geral, a ASA, que regula a publicidade na televisão, Internet, rádio e imprensa, disse que apenas algumas poucas campanhas distorceram alguns dos números de reclamações em seu relatório anual de 2009.

Enquanto o número total de reclamações passou de 9,6%, chegando a um recorde de 28.978, o número de anúncios que receberam queixas caiu, na verdade, em mais de 10% em um ano, passando para 13.956. E o número de decisões formais, em que a ASA mandou um anúncio ser alterado ou retirado, também caiu ligeiramente em relação ao ano anterior, passando para 2.397.

A ASA proibiu nesta terça-feira um anúncio da Eurotunnel de uma promoção via e-mail, que afirma que o seu serviço de transporte de carros via trem através do túnel leva apenas 35 minutos e funciona “independentemente do tempo”. Um reclamante ficou preso durante várias horas em um check-in do Eurotunnel durante o caos provocado pela neve de dezembro.

A resposta da Eurotunnel à ASA dizia que um consumidor “razoável” não teria uma “visão absoluta” da frase “independentemente do tempo”, e a neve, acusada de parar os trens e bloquear o túnel, deveria ser vista em comparação a um “furacão ou tsunami, já que foi tão incomum”, e que o atraso não se repetiria. A ASA disse que a comparação era inválida, e uma repetição dessa situação não poderia ser descartada.

As queixas com relação à publicidade de bebidas alcoólicas, que teve um aumento de 44% em 2008, despencou em quase 50% no ano passado. Um foco da mídia sobre alterações digitais em anúncios de saúde e beleza, uma causa defendida pelo deputado liberal democrata Jo Swinson, que levou à proibição de um anúncio da Olay que apresentava a atriz britânica Twiggy, teve um aumento de 52% em queixas sobre as campanhas do setor.

O número de reclamações sobre anúncios na televisão, o meio que mais tem reclamações, aumentou 17% no ano passado. Contudo, o número de anúncios que tiveram queixas, na realidade, caiu 3%. A Internet continua sendo o segundo meio com mais reclamações, tendo atraído 3.546 queixas de 2.823 anúncios. No entanto, a ASA disse que 57% dos anúncios que receberam queixas estão fora do seu mandato, que não abrange anúncios de marketing de empresas que são feitos em seus próprios sites, ou seja, o órgão de controle não pode supervisioná-los.

Em 2008, a ASA foi confrontada com uma onda de denúncias com relação à violência na publicidade, principalmente devido ao conteúdo de anúncios que promoviam filmes e videogames, situação na qual o órgão de controle diz ter trabalhado com sucesso junto aos anunciantes para uma redução ao longo do ano passado.

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* Dez países – inclusive a Russia- apoiam a Itália e o crucifixo perante o Tribunal Europeu.

quarta-feira, junho 9th, 2010

Pela primeira vez na história do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), dez Estados membros, entre eles a Rússia, foram declarados como amicus curiae (quer dizer, terceira parte) perante a sentença proferida contra o Estado italiano que proíbe o crucifixo nas salas de aula das escolas e que será analisada pelo corte superior daquele Tribunal em 30 de junho.O Tribunal comunicou, na semana passada, o European Centre For Law And Justice, ECLJ, com a lista dos membros que saíram em defesa da Itália: Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, San Marino, Romênia e a Federação Russa.

Estes dez Estados, que fazem parte das 47 nações do Conselho da Europa, pediram formalmente ao Tribunal que os apresente oficialmente como “terceira parte” quando o caso for levado perante a Câmara. A condição de “terceira parte” permite aos Estados se converterem oficialmente em parte em um caso e apresentar ao Tribunal suas observações escritas e orais.

Além desses dez Estados membros, outros Estados pronunciaram-se contra a sentença de 3 de novembro de 2009, como é o caso da Áustria e da Polônia, que emitiram os pronunciamentos políticos, respectivamente, em 19 de novembro e 3 de dezembro de 2009.

“Trata-se de um precedente importante para a vida do Tribunal, pois, em geral, os Estados membros privam-se de intervir ou intervêm somente quando o caso afeta um cidadão de seu Estado”, explica Gregor Puppinck, diretor do Centro Europeu para o Direito e a Justiça.

“O ‘caso do Crucifixo’ é único e não tem precedentes. Dez Estados decidiram explicar à Corte qual é o limite de sua jurisdição, qual o limite de sua capacidade para criar novos ‘direitos’ contra a vontade dos Estados membros. Pode-se ver em tudo isso um contra-balanço do poder”, acrescenta Puppinck.

O caso Lautsi, ou “o caso do crucifixo”, foi remetido à Grande Câmara do Tribunal depois que o governo italiano apelou, no último 28 de janeiro, contra a sentença emitida pela Segunda Seção do Tribunal em 3 de novembro de 2009.

Nesta primeira decisão, o Tribunal determinou que a presença do crucifixo nas salas de aula é “contrária ao direito dos pais de educar suas crianças na linha de suas próprias convicções e ao direito das crianças à liberdade religiosa”, porque os estudantes italianos sentir-se-iam “educados em um ambiente escolar marcado por uma certa religião”.

O Tribunal continuou afirmando que a presença do crucifixo poderia ser “emocionalmente perturbadora” para os filhos da senhora Lautsi (a demandante) e, o mais importante, que sua exibição não poderia “incentivar o pensamento crítico nos estudantes” nem “servir ao pluralismo educacional” para preservar uma “sociedade democrática”.

O Tribunal concluiu que isto havia sido uma violação do artigo 2 do Protocolo número 1 (Direito à educação), assim como do artigo 9 (liberdade religiosa) da Convenção.

Esta decisão foi duramente criticada por peritos políticos e juristas de vários Estados europeus como uma imposição do “laicismo”. Concretamente, foi reafirmado que a Convenção Europeia de Direitos Humanos nunca requereu que o Estado deve “observar a neutralidade confessional no contexto da educação pública” ou de qualquer outro setor público.

Na realidade, vários Estados membros do Conselho da Europa são “Estados confessionais” com uma religião oficial ou um reconhecimento de Deus em suas leis e constituições.

Ao conceder, no último dia 2 de março, a remissão perante a Grande Câmara da decisão de novembro, o Tribunal reconheceu que a decisão de novembro traz graves problemas legais e deve ser reconsiderada pela formação do Tribunal.

No último dia 29 de abril, o Governo italiano apresentou seu memorando ao Tribunal explicando que os juízes de Estrasburgo não têm competência para impor o laicismo a um país, em particular para a Itália, nação caracterizada por sua majoritária prática religiosa e identidade católica.

A decisão do Tribunal, após a audiência pública da Grande Sala que acontecerá dia 30 de junho, será publicada ao término de ano.

Zenit

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* Grécia: “Nos últimos dez anos, os católicos na Grécia tiveram um aumento de 700%, passando de 50 mil para 350 mil.

segunda-feira, maio 24th, 2010

O motivo deve ser buscado na imigração sucessiva à queda do Comunismo de poloneses, romenos e albaneses, na entrada da Grécia na União Européia, na instabilidade política do Oriente Médio e na elasticidade do governo de conceder vistos de entrada no país para filipinos, africanos e indianos.” Foi o que revelou à agência Sir, durante uma entrevista, o Presidente dos bispos gregos, o Bispo de Syros, Dom Frackiskos Papamanolis.

“Uma situação – disse o prelado – muito boa mas que cria também diversos problemas que nós enfrentamos em um recente encontro nacional dos sacerdotes gregos realizado em Santorini”.

O fenômeno da imigração, explicou Dom Papamanolis, “mudou a imagem da Igreja Católica na Grécia. Cerca 80% dos católicos na Grécia são imigrantes de várias nações”. E isso apresenta, antes de tudo, o problema da língua: “apesar da maior parte dos nossos fiéis, também imigrantes, falar o grego, existe porém uma porcentagem considerável, especialmente de anglófonos, que não fala o grego. Nasce então a dificuldade na escolha do pároco a ser enviado às comunidades, na comunicação e nas celebrações litúrgicas”. Da parte nossa, explica Dom Papamanolis, “essa situação impõe uma mudança de mentalidade”.

“Não é fácil – sublinha o bispo – fazer entender aos nossos fiéis mais idosos que os imigrantes católicos são também membros das nossas comunidades e que o cuidado pastoral deve também se estender a eles. Nos fiéis gregos, se verifica um tipo de xenofobia inconsciente que em algumas paróquias levou à diminuição da sua presença na Santa Missa.

Além do mais, no campo ecumênico, persiste nos fiéis imigrantes, especialmente naqueles de países de maioria católica, uma certa adversidade pelos não-católicos. Isso não faz bem às boas relações com os ortodoxos”. Para enfrentar esses problemas, “estamos procurando valorizar as forças que temos, seja de pessoal, seja de lugares de culto. Nestes anos, vieram para nos ajudar mais de 30 sacerdotes provenientes de outros países. Porém, a falta de padres é ainda muito grande”, destacou o prelado.

Rádio Vaticano

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