Posts Tagged ‘Familia’

* Mãe de 7 filhos e defensora dos valores cristãos: a ministra que revoluciona a Europa.

sábado, junho 15th, 2013

Está revolucionando a política alemã. Faz sombra à poderosa Angela Merkel e seu nome foi até cotado para presidente do país ou futura chanceler. Trata-se da singular Úrsula Von der Leyen, uma política atípica que está rompendo moldes na Europa. Precisamente agora é ministra do Trabalho e Assuntos Sociais na Alemanha, e na Espanha é conhecida por chegar a oferecer emprego a 5 mil jovens espanhóis.

Esta alemã de 55 anos é mais que política. Os alemães chamam-na “a mãe da nação”, pois tem sete filhos. Durante seus anos na política tem se empenhado em demonstrar a grandeza dos filhos, as enormes vantagens das crianças na sociedade e tem lutado para abrir caminho às famílias que querem ter filhos em uma Europa assolada por uma crise demográfica histórica.

A importância de rezar com seus filhos

Von der Leyen é, ademais, uma mulher de fortes convicções religiosas. É cristã e praticante. Conta orgulhosa o importante que é tomar café da manhã todos os dias com seus filhos e rezar com eles antes de cuidar de suas obrigações no Ministério. Faz do mesmo modo pela noite, antes de seus filhos irem dormir.

É uma das principais responsáveis por recuperar e valorizar na Europa os valores cristãos que forjaram o continente há séculos. A família exerce neste ponto um papel essencial. Ela bem sabe. E não se importa em liderar esta revolução familiar. Não é de espantar, portanto, que as feministas radicais a tenham em seu “ponto de mira” e que ela esteja no alvo de suas críticas e insultos. “Essa mulher!” – assim se referem a ela, com desdém, as feministas. No entanto, ela  replica que a Alemanha e a Europa iriam melhor com mais mulheres como ela, ou seja, como mães.

Lutadora pela família

Desde 2009 é ministra do Trabalho, mas sua incansável luta pela família vem de antes, pois previamente, de 2005 a 2009, foi ministra de Família, Mulher e Juventude. Desde esse ponto legislou a favor deste coletivo e ajudou as famílias a conciliar melhor o cuidado dos filhos e o trabalho. Algo básico hoje em dia.

Úrsula também tem mostrado ao mundo a falácia de que não se pode ser mãe e progredir profissionalmente, sem que para isto se deva renunciar à família. Estudou Ciências Econômicas e mais tarde fez doutorado em Medicina, chegando a dedicar-se à investigação. Mais tarde se mudou para os Estados Unidos devido a compromissos laborais de seu marido. Ali, dedicou-se a cuidar de seus filhos e à investigação e viu a importância de ajudar a família. A partir daí entrou na CDU alemã (Christlich Demokratische Union, partido democrata-cristão da Alemanha) e começou sua meteórica carreira política.

Sua carreira contra a corrente

Ao chegar ao governo Merkel, ficou sabendo que suas cinco companheiras de Executivo, incluída Merkel, tinham renunciado à maternidade para se dedicar à política. Ela era o “bicho raro” e lamenta que em seu país “ter sete filhos seja algo mal visto, considerado quase uma provocação”.

Como ministra da Família, preparou uma mini-revolução que foi mal vista até por seu próprio partido. Ainda assim, ela seguiu adiante. Propôs creches gratuitas e ajuda aos pais para o cuidado de seus filhos, bem como a licença para que os pais pudessem ficar em casa cuidando de suas crianças. Apesar das críticas, ela falava de suas experiências familiares e como conseguiu conciliar trabalho e família. “Chegaram a me perguntar se quero domesticar os pais a chicotadas e isso demonstra o desprezo a tudo o que tenha a ver com o cuidado das crianças”.

A família, berço de valores

Em uma entrevista a ABC.es, quando ainda era ministra de Família, Von der Leyen assegurava: “não sou uma superwoman, onde estou é o resultado de um longo caminho de altos-e-baixos e decisões com meu marido, e também de alguns erros”.

“A família recobra sua importância, não só como fator de equilíbrio, mas como ferramenta para transmitir diretamente uns valores, uma interioridade e uma transcendência. Ademais, comprovamos que sem crianças uma país não pode seguir existindo, por razões econômicas e também emocionais”, afirmava.

“As crianças não significam pobreza”

Neste sentido, acrescentava que “estamos em uma situação muito crítica, sobretudo psicologicamente. Tem que se voltar a falar do pão que as crianças trazem debaixo do braço: chama-se alegria, força criadora, segurança futura… que as crianças não significam pobreza, mas perspectiva”.

Do mesmo modo, Úrsula Von der Leyen afirma que se devem recuperar os valores de sempre, não existem os novos. “A família, a responsabilidade pelo outro, valores cristãos que devem ser traduzidos para outros tempos. A família não pode sobreviver olhando para o que foi, sua economia e a de todos já é global e a mulher é hoje muito importante. Mas seguem sendo importantes que hajam crianças nas ruas, a solidariedade geracional, a boa educação, a subsidiariedade, e deve-se perguntar como mantê-las no mundo moderno”.

“Ter quatro filhos é dirigir uma pequena empresa”

Em sua opinião, a família “recupera importância frente à globalização. A família é onde se aprende a responsabilidade entre filhos e pais, os valores que queremos para amanhã. A educação hoje ultrapassa fronteiras, mas também necessita de limites, pois quando crescerem as crianças encontrarão regras. As crianças seguem necessitando de tempo, e exemplo: e devem conhecer o valor do esforço para o êxito”.

Apesar disso, vê mudanças no mundo atual. Já há empresas que preferem pessoas com família a solteiros. A ministra responde que é algo normal, pois “são as cabeças mais flexíveis, rápidas e maduras emocionalmente. Pense que ter quatro filhos já é dirigir uma pequena empresa”.

Igualmente, conta sua experiência pessoal nos Estados Unidos quando se fixou aí com seu marido. “Quando me apresentava a trabalhos nos EUA sempre me perguntavam o que fazia além do trabalho, se criava filhos ou colaborava em alguma associação. Davam-me cargos por ter filhos… Na Europa me dariam por não tê-los!”.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Casamento civil e casamento religioso. Entenda essa relação.

segunda-feira, junho 3rd, 2013
Responde padre Edward McNamara, LC, professor de Teologia e diretor espiritual

A minha noiva quer casar-se com rito religioso católico. Ela é cidadã irlandesa e eu americano. Por motivos  burocráticos, estamos planejando nos casar primeiro civilmente  nos EUA e, em seguida, com rito católico na Irlanda. Tememos porém que a cerimônia civil possa comprometer o matrimônio religioso. O sacramento do matrimônio é muito importante para nós. Não queremos estragar tudo. Portanto, nossa questão é se a igreja permite que primeiro se case no civil antes de unir-se no matrimônio com rito religioso? – UE, Arlington, Massachusetts (EUA)

Publicamos abaixo a resposta do Padre McNamara:

Um primeiro princípio a ter em mente é que a Igreja não reconheça a validade do matrimônio civil entre dois católicos. Todos os católicos devem seguir os procedimentos descritos no Direito canônico, também se em casos especiais o bispo tem a autoridade de dispensar de alguns requisitos.

A questão da relação entre o casamento civil e a celebração sacramental depende das leis de cada País. Geralmente, as possibilidades são duas:

A primeira situação é aquela em que o matrimônio religioso, normalmente, tem efeitos civis. Este é o caso dos Estados Unidos, Irlanda, Itália e de muitos Países. Em cada País existe um processo específico que deve ser seguido pelas autoridades civis, mas no final há uma só cerimônia de casamento.

Há alguns casos em que a Igreja celebra um matrimônio com efeitos somente sacramentais. Por exemplo, quando um casal já unido pelo matrimônio civil sucessivamente deseja regularizar a sua situação diante de Deus. Desta forma poderão participar plenamente na vida da Igreja, e especialmente, poderão novamente receber a Comunhão.

Nas situações mencionadas acima, em que a celebração religiosa tem efeitos civis, o matrimônio civil não é uma válida opção para um católico. Ao mesmo tempo, uma união civil anterior não é, como tal, um impedimento para um casal que quer unir-se em matrimônio sacramental.

A situação é diferente nos Países onde a cerimônia religiosa não é civilmente reconhecida. Nestes casos, geralmente há duas “bodas”, uma civil e outra religiosa. Este é o caso em muitos países europeus e da América Latina.

Na maioria dos casos a celebração civil precede a religiosa. O intervalo entre as duas cerimônias pode ser de apenas algumas horas, alguns dias, mas ainda mais. Uma vez que a Igreja não reconhece a cerimônia civil, os católicos não devem começar a vida conjugal a não ser depois da celebração sacramental.

Embora não reconheça o casamento civil, em alguns países as autoridades eclesiásticas não permitem a celebração religiosa, até depois do casamento civil. Trata-se principalmente de uma decisão pastoral para garantir a plena protecção jurídica de ambas as partes, e a manutenção de eventuais filhos em caso de ruptura e separação.

Se esta precaução não fosse tomada, uma pessoa – homem ou mulher – poderia encontrar-se vinculada em consciência pela união matrimonial mas com limitados recursos legais para proteger a custódia dos filhos, bens ou outros responsabilidade compartilhadas decorrentes do seu casamento.

No que diz respeito ao caso particular do nosso leitor, eu acho que se ele cumpre bem com suas obrigações legais e fornece toda a documentação necessária, não haja nenhuma razão para que um casamento religioso civilmente reconhecido na Irlanda não seja reconhecido legalmente nos Estados Unidos.

No entanto, se há dificuldades específicas (por exemplo, se o processo burocrático do matrimônio em outro país envolve dificuldades, tempos e custos desproporcionados às possibilidades do casal), então pode-se consultar o seu bispo local para realizar a parte civil no seu próprio país.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Um testemunho imperdível. Veja!

sexta-feira, maio 10th, 2013

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Em que medida a “falta de fé” pode ser motivo para a declaração de nulidade matrimonial?

segunda-feira, maio 6th, 2013
Entrevista com o professor de direito matrimonial Miguel Ángel Ortiz, da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, juiz no tribunal de apelação do Vicariato de Roma

Por Sergio Mora

Pouco antes de terminar o seu pontificado, Bento XVI falou da falta de fé como motivo de nulidade matrimonial, durante a sua alocução anual à Rota Romana e no âmbito do Ano da Fé. Seria uma nova causa de nulidade, como alguns meios de comunicação noticiaram? Ou algo relacionado diretamente com a “hora do sim”?

O padre Miguel Ángel Ortiz, professor de direito matrimonial e juiz no tribunal de apelação do Vicariato de Roma, aborda os matizes da questão nesta entrevista.

Por que sempre existem duas instâncias judiciais para avaliar a nulidade de um casamento?

Prof. Ortiz: Porque o matrimônio possui o favor do direito: presume-se que a pessoa que se casou está casada de verdade. O casamento é muito natural, é a institucionalização da vocação mais radical do homem, a vocação ao dom de si mesmo, e por isso nós precisamos de uma prova forte para concluir que a pessoa que contraiu o matrimônio não quis ou não podia se casar. Por esse motivo, para as pessoas poderem voltar a se casar, é necessário que existam dois tribunais que considerem nulo aquele casamento. Normalmente, os processos se resolvem no mesmo país onde foi celebrado o casamento. Se as duas sentenças não forem conformes, ou se um dos cônjuges pedir expressamente, aí sim é que se recorre ao tribunal da Rota Romana.

Chegou a ser veiculado que o problema das nulidades fáceis era mais dos advogados que dos juízes…

Prof. Ortiz: O advogado apenas assessora. Não seria necessário recorrer a um advogado, mas há uma complexidade técnica que faz a pessoa precisar de assessoramento. É claro que o advogado tem que ser honrado e não pode falsificar nada: ele também se compromete com a causa da verdade. Além disso, o juiz conta com provas, testemunhas, perícias, documentos, que o ajudam a ter a certeza moral sobre o fundamento ou a falta de fundamento do pedido de nulidade.

A questão é se houve impedimento ou vício do consentimento no momento do matrimônio?

Prof. Ortiz: Por isso é que as sentenças de nulidade são declarativas e não constitutivas. O juiz não diz de quem é a culpa pelo fracasso do casamento. O que ele diz é se na origem do casamento, quando os noivos se casaram, houve mesmo o matrimônio. O juiz declara então que, apesar da aparência, que, no caso, foi a celebração, na realidade não houve matrimônio, ou seja, que apesar de alguém ter dito que queria se casar, esse alguém não quis de verdade ou não podia casar, ou então houve algum vício de forma ou algum impedimento.

Muitas coisas são subjetivas e dependem do que a pessoa declara, mas a pessoa pode tentar enganar…

Prof. Ortiz: Ela pode tentar enganar, pode também enganar a si própria… Mesmo pensando que é sincera, ela pode ser traída pela memória, ou condicionada pelo trauma do fracasso matrimonial. Antigamente, considerava-se que o juiz não podia levar em conta o que as partes diziam, porque presumia-se que elas sempre mentem em favor próprio.

E hoje em dia?

Prof. Ortiz: Graças a Deus, não. O juiz não pode desconfiar sistematicamente do que os cônjuges dizem, mas também não pode ignorar que, às vezes, as pessoas podem enganar a si mesmas ou tentar enganar o tribunal. Hoje, você considera que a pessoa quer esclarecer a sua situação. O juiz tem que acreditar nas pessoas, dar crédito ao que elas afirmam, tanto com as palavras quanto, principalmente, com o comportamento, com fatos comprovados. A jurisprudência costuma afirmar que os fatos são mais eloquentes que as palavras. Por exemplo, se eu digo que excluí a indissolubilidade do matrimônio, mas o matrimônio durou muitos anos, e eu fiz numerosas tentativas de salvá-lo, então os fatos podem desmentir aquilo que eu afirmo.

Quais são as porcentagens de nulidades matrimoniais nos diversos países?

Prof. Ortiz: Depende dos países. João Paulo II alertou sobre uma visão que pode parecer pastoral, porque o juiz sabe que a decisão dele afeta o futuro dos esposos e, possivelmente, o acesso deles aos sacramentos. É uma atitude que pode parecer pastoral, mas na verdade não é: ela acontece quando o juiz cede à “tentação” de “favorecer” a pessoa, para que ela possa voltar a se casar, mesmo sem ter chegado à convicção que o direito pede que ele tenha: a “certeza moral”. João Paulo II ressaltou em 1990, e Bento XVI retomou o tema, que a pastoralidade não consiste em agir contra o direito. Se você dita uma sentença de nulidade da qual não tem uma certeza firme, porque não se sustenta nas provas, porque é na verdade um “favor” que não corresponde à verdade, isso não é uma pastoralidade verdadeira, porque ela levaria a pessoa a viver contra a sua verdadeira condição. Como voltar a se casar já estando casado.

E, nesse caso, de quem é a responsabilidade?

Prof. Ortiz: Diante de Deus e diante da consciência, é de cada um, é um problema para o juiz e também para quem mentiu. Nos Estados Unidos, conforme dados aproximados, as decisões afirmativas, ou seja, aquelas que concluem que existe a nulidade, se aproximam de 90% dos casos apresentados. Na Itália a porcentagem é sensivelmente menor, talvez porque haja uma cultura jurídica mais consolidada. Também pode influenciar a atitude pastoralista, a que eu me referi antes. Corremos o risco de a Igreja caia numa mentalidade divorcista, que considera que matrimônio fracassado é matrimônio nulo. Mas não é assim.

Bento XVI levantou o problema de que a falta de fé prejudica o matrimônio e poderia ser causa de nulidade?

Prof. Ortiz: Todos os anos, o papa faz a sua alocução à Rota Romana. Desta vez, no Ano da Fé, ele quis aproveitar para enfatizar a relação entre casamento e fé. Bento XVI parte de uma premissa que está na base dos discursos de João Paulo II em 2001 e em 2003, nos quais ele tratou da relação entre o matrimônio natural e o matrimônio sacramental. Não existem dois matrimônios (civil e religioso), mas só um, a união do homem e da mulher que formam uma só carne e que João Paulo II tinha chamado, numa catequese anterior, de sacramento primordial, de onde podemos concluir que todo casamento tem uma natureza sagrada.

Como é que a fé incide?

Prof. Ortiz: Bento XVI reforça a raiz comum da fé (fides) e a aliança (foedus) matrimonial natural, e também a fidelidade (fidelitas) matrimonial. Isso quer dizer que a fé sustenta e reforça a fidelidade conjugal. João Paulo II, na exortação Familiaris Consortio, de 1981, tinha dito também que toda decisão de casar-se “naturalmente” (em “um amor indissolúvel e numa fidelidade incondicional”) obedece sempre à ação da graça, mesmo que os cônjuges não sejam plenamente conscientes. Se eles têm essa intenção de “fazer o que a Igreja faz”, o consentimento é suficiente.

Por que você diz “o que a Igreja faz” e não “o que a Igreja diz”?

Prof. Ortiz: Porque o sinal sacramental (o que a Igreja faz quando celebra o matrimônio dos batizados) é o próprio casamento da criação, o casamento natural. Como acabei de dizer, o verdadeiro consentimento é sempre sustentado pela graça. Mesmo que os cônjuges não saibam, Deus une esse casal. Para viver isso em plenitude, e na exigência da fidelidade conjugal, a fé ajuda. A graça não transforma o casamento, mas ajuda a vivê-lo com plenitude. Por isso é que o papa Bento XVI elogiou os cônjuges em dificuldades ou abandonados que permanecem fiéis com a ajuda da fé.

Fé e consentimento?

Prof. Ortiz: A propósito da incidência da fé na validade do matrimônio, Bento XVI cita algumas proposições da Comissão Teológica Internacional do ano de 1977, na quais se diz que, embora a fé pessoal não seja necessária para o casamento, seria de se avaliar, quando falta a disposição para crer (ou seja, para deixar a graça agir), se também não falta a mesma disposição para casar-se. Por outro lado, na Familiaris Consortio, João Paulo II destaca como a falta de fé pode influenciar a validade do casamento: se os cônjuges rejeitam de maneira explícita e formal “o que a Igreja realiza quando celebra o matrimônio dos batizados” (a união fiel, indissolúvel e aberta à vida), o consentimento seria só aparentemente matrimonial, e o matrimônio seria inválido.

Portanto, não pela fé, mas pela exclusão das condições inerentes ao matrimônio?

Prof. Ortiz: Aliás, alguns anos antes, João Paulo II tinha dito, em outro discurso à Rota, que a falta de fé podia anular o casamento “só se negasse a sua validade no plano natural, em que se situa o próprio sinal sacramental”. Na jurisprudência, é relativamente frequente encontrar decisões que consideram válido o casamento de quem não desejava o sacramento e só tinha se casado na Igreja para fazer um favor ao outro cônjuge, desde que a falta de fé não tivesse significado uma rejeição (uma exclusão) do matrimônio em si ou de uma propriedade ou elemento essencial dele.

O que entra em jogo, enfim, é o que se quis no momento do sim, e não a fé vinte anos depois?

Prof. Ortiz: Certamente, a validade ou nulidade do matrimônio tem que fazer referência sempre à existência de um verdadeiro consentimento no momento de casar, não no desenrolar-se da vida matrimonial. Por exemplo, os maus tratos são causa de nulidade? Em si mesmos, não, mas é claro que é diferente se os maus tratos acontecem muitos anos depois do casamento ou pouco tempo depois dele, já que essa atitude pode manifestar uma anomalia psíquica ou uma exclusão, ou seja, “eu não quis me casar, eu quis ter uma escrava”. Quero dizer que o maltrato em si não é motivo de nulidade, mas pode ser indício de um vício presente no momento do casamento. O que acontece vinte anos depois é relevante na medida em que lança luz sobre a vontade que existiu no momento de casar. Do mesmo jeito, como eu disse, a falta de fé pode ser relevante se implicou a exclusão das dimensões naturais, como a indissolubilidade, a fidelidade, etc.

Então não é uma nova causa de nulidade o fato de a pessoa perder a fé durante a vida. Mas assim como existe o privilégio paulino, isso poderia criar o privilégio de uma segunda oportunidade?

Prof. Ortiz: João Paulo II dedicou o discurso à Rota, no ano 2000, a expor diversos aspectos da indissolubilidade do matrimônio, entendida como um bem dele (embora com frequência ela seja considerada mais como um limite à felicidade das pessoas). Ele recordou que, mesmo que todo matrimônio seja indissolúvel, em alguns casos cabe, excepcionalmente, que ele se dissolva: quando media o privilégio da fé (com base na doutrina de São Paulo, conhecida como privilégio paulino), ou quando o matrimônio não foi consumado, sempre que exista uma causa justa. Mas o casamento sacramental (entre dois batizados) e consumado nunca pode ser dissolvido, não pode contar com nenhum privilégio. Entende-se que o sinal sacramental é perfeito e completo, porque os cônjuges “disseram” que querem se entregar não só com as palavras, mas com toda a pessoa (com a cópula conjugal).

O que as Sagradas Escrituras dizem é tão claro quanto a fórmula da Igreja, “até que a morte os separe”?

Prof. Ortiz: O que o Novo Testamento diz é que “o que Deus uniu, o homem não separe”. É claro que a possibilidade de dissolver matrimônios em casos especiais, em favor da fé e no caso de não consumação, é entendida no contexto da praxe da Igreja e de como o romano pontífice exerce a sua potestade. Precisamente nesse contexto, a afirmação de João Paulo II, em 2000, não deixa espaço para equívocos, porque não só recorda a doutrina em vigor (o matrimônio consumado não pode ser dissolvido), mas ainda acrescenta que essa doutrina tem que ser entendida como infalível: “Deve ser considerada definitiva, ainda que não tenha sido declarada de forma solene mediante um ato de definição, o que equivale a dizer que nem eu nem os meus sucessores podemos mudá-la”.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Franceses continuam a protestar contra aprovação do “matrimônio” Gay.

quarta-feira, maio 1st, 2013

Gregorio Vivanco Lopes

Prosseguem as multitudinárias manifestações – Manif pour touspor toda a França contra a determinação do governo socialista de François Hollande de aprovar o “casamento” entre homossexuais, inclusive com adoção de crianças. Os protestos não só continuam mas prometem crescer de intensidade após a aprovação dessa lei pela Assembléia de maioria socialista.

Fato novo e muito significativo: em épocas passadas, eram os revolucionários que saiam às ruas para exigir medidas de índole comunista, igualitária e imoral; desta vez são famílias bem constituídas, pais e mães com seus filhos, jovens estudantes e operários, que vão protestar contra as imposições de um governo que, embora dizendo-se democrático, porta-se como uma ditadura comunista.

Sem se incomodar em ouvir o que a população tem a ponderar, a tática de Hollande tem sido reforçar o contingente policial, utilizando meios drásticos e truculentos para limitar o quanto possível o alcance e a intensidade do desacordo dos manifestantes.

Vítimas dessa truculência têm sido inclusive as crianças, atingidas brutalmente por jatos de gás e outras atitudes violentas.

Por essa razão, na cidade de Lyon, por volta de cinqüenta mães reuniram-se diante das grades da Prefeitura, para protestar contra as agressões sofridas por seus filhos e filhas. Dizendo-se encolerizadas, elas entregaram ao Prefeito uma carta, cujos principais tópicos aqui transcrevemos:

“Sr. Prefeito:

Charlotte, 11 meses, Paul, 2 anos e meio, Cécile, 4 anos, Jade, 8 anos, Maxime, 18 meses, Antoine, 6 anos, Louis, 10 anos, Vadim, 5 anos, Camille, 7 anos, Augustine, 7 anos, Roch, 4 anos e meio, Lea, 11 anos, Arthur, 4 anos, Calixte, 8 anos, Thaïs, 5 anos e meio, Marion, 21 meses, Samuel 6 anos e meio, Jules, 3 anos, Louise, 9 anos, Estelle, 10 anos, Ethan, 4 anos, etc.

Isto, Sr. Prefeito, é a lista, muito longa mas não exaustiva, das crianças lyonesas gaseadas em 24 de março, em Paris, por ocasião da “Manifestação para todos”, às vezes à queima-roupa … Quase 10 dias transcorreram e estamos aqui porque, passada a sideração, o estado de choque permanece!

Deixai-nos dizer-lhe quem somos, sr. prefeito. Nós somos os chamados “cidadãos honestos”: nós pagamos os nossos impostos, não temos antecedentes criminais. Aos nossos filhos, nós ensinamos o respeito às pessoas e às regras, a importância da palavra dada, o amor ao trabalho bem feito. Nós nos esforçamos para fazer deles os homens e as mulheres de amanhã, cidadãos conscientes das responsabilidades que eles terão na sociedade, cumpridores de seus deveres antes de reivindicar seus direitos. Entenda, Sr. Prefeito, nós educamos nossos filhos a respeitar a autoridade e a ordem que fundamentam o bem comum. Esta ordem e esta autoridade que Vós representais … ou que se supõe que representais. (…)

No dia 24 de março, Vós desacreditastes aos nossos olhos e aos de nossos filhos a legitimidade de vosso poder, porque abusastes dele.

Nós estamos encolerizadas, Sr. Prefeito! E como poderíamos não estar, pois nossos filhos foram tratados com extrema violência, (…) e Vós pisoteastes num instante todos os valores nos quais nós os educamos?

Sr. Prefeito, teremos que ensinar aos nossos filhos que a lei não protege sempre, que a força pública é às vezes é abusiva e que a resistência pode tornar-se a condição da liberdade? Esperamos de Vós uma palavra, um gesto que restaure a confiança: nossos filhos foram gaseados enquanto participavam da “Manifestação para todos”, evento pacífico e inofensivo pela retirada de uma lei prejudicial para nossa sociedade e o futuro das crianças. Manifestai-lhes o vosso pesar, apresentai-lhes o vosso pedido de desculpas e prometei-lhes fazer subir sua incompreensão ao grau mais alto desse Estado que Vós representais.

Sr. Prefeito, ao atingir nossos pequenos, Vós nos transformastes em leoas, prontas a tudo para defendê-los. Fazei saber a quem de direito, que não se atiça impunemente a cólera de mães! ” (Le Salon Beige,2-4-13)

*                                 *                                 *

Durante as manifestações, numerosos participantes foram levados à delegacia para prestar declarações e registrar um boletim de ocorrência, pelo simples fato de estarem revestidos de um blusão com a inscrição “Manif pour tous” (Manifestação para todos). Tal é a liberdade socialista!

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* As mudanças no conceito de família e suas desastrosas consequências para a educação das crianças.

segunda-feira, abril 22nd, 2013
A crise da educação das crianças
As mudanças no conceito de família e suas desastrosas
consequências para a educação das crianças
O debate em torno das novas propostas de família traz à tona uma questão que, muitas
vezes, passa despercebida: a educação das crianças. O lar, conforme ensina o Papa Paulo
VI, é “a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade”. A mãe e
o pai, por conseguinte, têm não só o dever, mas também o direito de transmitir aos filhos
aqueles tantos valores que convergem para uma correta compreensão da dignidade da
pessoa humana. Portanto, esse direito dos pais é inegociável e não pode de maneira
alguma ser usurpado ou vilipendiado.
Acontece, não raras vezes, de se chegar à conclusão de que a família, apesar de sua
fundamental importância para a justa ordenação da sociedade, encontra-se sob constante
ataque nas suas estruturas, seja por meio de ideologias, seja por ações do próprio
Estado. Esses ataques nada mais são que uma ferramenta utilizada por governos totalitários,
a fim de assumirem o controle da educação das crianças e, desse modo, solaparem a clareza
do direito natural e suplantarem em seu lugar um novo padrão de comportamento. A técnica
é muito bem apresentada na obra de Geoge Orwell, “A revolução dos bichos”, quando
o Estado toma os filhotes de uma das personagens para educá-los e transformá-los em
militantes do partido.
Ademais, o controle da educação das crianças é imprescindível para que o Estado consiga
eliminar a fé da sociedade, pois a geração proveniente de uma escola sem valores
dificilmente estará aberta aos ensinamentos da Igreja. Um caso emblemático de como esse
tipo de política é danosa é a Suécia, onde as constantes ingerências do governo promoveram,
de uma forma assustadora, a maior taxa de aborto em adolescentes de toda a Europa. As
escolas foram transformadas em salas de bate-papo sobre sexo e os casos de estupros
tiveram um aumento de 1000 porcento, como atesta Johan Lundell, secretário-geral do
grupo sueco pró-vida Ja till Livet. Tudo ao arrepio da sociedade que, proibida de educar
seus filhos em casa, vê-se obrigada a ter de escutar das crianças que os professores em
sala de aula lhes perguntaram o que as excitavam. [1][2]
Não obstante a esse exemplo lamentável da Suécia, a elite globalista, leia-se ONU e
outras fundações internacionais, não perde a oportunidade de exigir das nações a implantação
imediata de medidas contrárias à dignidade da família e da criança, como “casamento” gay
e educação sexual. É dessa maneira que, ajudado pelo lobby dos meios de comunicação,
o Governo aprova uma lei que obriga os pais a matricularem seus filhos nas escolas a
partir dos quatro anos de idade. É dessa maneira que jornais de grande audiência no país
colocam um sexólogo para discutir o que é ejaculação com crianças de 10 a 11 anos. Isso
em plena luz do dia.
A mesma petulância vale para ridicularizar a fé, sobretudo a cristã, e intimidar aqueles
que apresentem qualquer tipo de oposição. A título de exemplo, veja-se o caso de um aluno
da Universidade Atlântica da Flórida, nos Estados Unidos, que após recusar-se a escrever o
nome de Jesus em uma folha e depois pisar sobre ela, a pedido de seu professor, acabou se
envolvendo em uma briga que resultou na sua expulsão. Em sua defesa, o professor alegou
que o garoto o havia ameaçado e que, ao contrário das acusações, ele era “uma pessoa
muito religiosa” e identificava a si mesmo “como um cristão”.[3] Como se um verdadeiro
cristão provocasse outro a blasfemar contra Cristo.
De toda essa questão, o que se está em jogo não é somente a educação das crianças.
Isso é só a ponta do iceberg. O que se está em jogo é a própria organização da sociedade
e a fé que a sustenta. Engana-se quem enxergue a situação como um “progresso”. A
instituição familiar e, por conseguinte, todo o arcabouço que dá forma à reunião de todo o
gênero humano, encontra-se ameaçado, na iminência da instauração de uma cultura da
morte. Tudo isso graças a uma mentalidade contraceptiva que viu no divórcio uma falsa
liberdade. Os filhos tornaram-se bens de consumo e o casamento, de Sacramento à mera
união contratual e com prazo de validade, baseada em sentimentos espúrios.
Não! A família não é isso e nem pode ser. Assim, recobrar a genuinidade do matrimônio
e a sua sacralidade é um passo fundamental para que a humanidade esteja verdadeiramente
inserida na dignidade natural querida por Deus. O homem não se faz homem por si
mas por sua fidelidade inegociável ao modelo dado por Cristo.
Autor: Equipe Christo Nihil

Christo Nihil Praeponere

O debate em torno das novas propostas de família traz à tona uma questão que, muitas vezes, passa despercebida: a educação das crianças. O lar, conforme ensina o Papa Paulo VI, é “a primeira escola das virtudes sociais de que as sociedades têm necessidade”. A mãe e o pai, por conseguinte, têm não só o dever, mas também o direito de transmitir aos filhos aqueles tantos valores que convergem para uma correta compreensão da dignidade da pessoa humana. Portanto, esse direito dos pais é inegociável e não pode de maneira alguma ser usurpado ou vilipendiado.

Acontece, não raras vezes, de se chegar à conclusão de que a família, apesar de sua fundamental importância para a justa ordenação da sociedade, encontra-se sob constante ataque nas suas estruturas, seja por meio de ideologias, seja por ações do próprio Estado. Esses ataques nada mais são que uma ferramenta utilizada por governos totalitários, a fim de assumirem o controle da educação das crianças e, desse modo, solaparem a clareza do direito natural e suplantarem em seu lugar um novo padrão de comportamento. A técnica é muito bem apresentada na obra de Geoge Orwell, “A revolução dos bichos”, quando o Estado toma os filhotes de uma das personagens para educá-los e transformá-los em militantes do partido.

Ademais, o controle da educação das crianças é imprescindível para que o Estado consiga eliminar a fé da sociedade, pois a geração proveniente de uma escola sem valores dificilmente estará aberta aos ensinamentos da Igreja. Um caso emblemático de como esse tipo de política é danosa é a Suécia, onde as constantes ingerências do governo promoveram, de uma forma assustadora, a maior taxa de aborto em adolescentes de toda a Europa. As escolas foram transformadas em salas de bate-papo sobre sexo e os casos de estupros tiveram um aumento de 1000 porcento, como atesta Johan Lundell, secretário-geral do grupo sueco pró-vida Ja till Livet. Tudo ao arrepio da sociedade que, proibida de educar seus filhos em casa, vê-se obrigada a ter de escutar das crianças que os professores em sala de aula lhes perguntaram o que as excitavam.

Não obstante a esse exemplo lamentável da Suécia, a elite globalista, leia-se ONU e outras fundações internacionais, não perde a oportunidade de exigir das nações a implantação imediata de medidas contrárias à dignidade da família e da criança, como “casamento” gay e educação sexual. É dessa maneira que, ajudado pelo lobby dos meios de comunicação, o Governo aprova uma lei que obriga os pais a matricularem seus filhos nas escolas a partir dos quatro anos de idade. É dessa maneira que jornais de grande audiência no país colocam um sexólogo para discutir o que é ejaculação com crianças de 10 a 11 anos. Isso em plena luz do dia.

A mesma petulância vale para ridicularizar a fé, sobretudo a cristã, e intimidar aqueles que apresentem qualquer tipo de oposição. A título de exemplo, veja-se o caso de um aluno da Universidade Atlântica da Flórida, nos Estados Unidos, que após recusar-se a escrever o nome de Jesus em uma folha e depois pisar sobre ela, a pedido de seu professor, acabou se envolvendo em uma briga que resultou na sua expulsão. Em sua defesa, o professor alegou que o garoto o havia ameaçado e que, ao contrário das acusações, ele era “uma pessoa muito religiosa” e identificava a si mesmo “como um cristão”. Como se um verdadeiro cristão provocasse outro a blasfemar contra Cristo.

De toda essa questão, o que se está em jogo não é somente a educação das crianças. Isso é só a ponta do iceberg. O que se está em jogo é a própria organização da sociedade e a fé que a sustenta. Engana-se quem enxergue a situação como um “progresso”. A instituição familiar e, por conseguinte, todo o arcabouço que dá forma à reunião de todo o gênero humano, encontra-se ameaçado, na iminência da instauração de uma cultura da morte. Tudo isso graças a uma mentalidade contraceptiva que viu no divórcio uma falsa liberdade. Os filhos tornaram-se bens de consumo e o casamento, de Sacramento à mera união contratual e com prazo de validade, baseada em sentimentos espúrios.

Não! A família não é isso e nem pode ser. Assim, recobrar a genuinidade do matrimônio e a sua sacralidade é um passo fundamental para que a humanidade esteja verdadeiramente inserida na dignidade natural querida por Deus. O homem não se faz homem por si mesmo, mas por sua fidelidade inegociável ao modelo dado por Cristo.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Falece aos 92 anos a criadora do método Billings: Dra. Evelyn Billings.

sexta-feira, fevereiro 22nd, 2013

Depois de uma curta enfermidade, no dia 16 de fevereiro faleceu a Dra. Evelyn Billings, quem, junto a seu marido John, desenvolveu o método natural de regulação da fertilidade que leva seu sobrenome.

A Dra. Billings junto a seu marido percorreram o mundo por cerca de meio século, ensinando e promovendo este método natural, fiéis ao chamado do Papa Paulo VI para que os homens e mulheres de ciência sejam “obedientes ao chamado do Senhor e atuem como fiéis intérpretes de Seu plano”.

Também junto a seu marido, Evelyn fundou a Organização Mundial do Internacional Método Billings de Ovulação, conhecida pelas siglas em inglês como WOOMB.

Evelyn Billings foi amiga de três Papas, e foi nomeada Dama Comandante de São Gregório o Grande pelo Papa João Paulo II.

A Dra. Billings foi também era uma ativa membro da Pontifica Academia para a Vida, e foi reconhecida com os Doutorados honoríficos de diversas unidades de todo o mundo, entre eles um Doutorado Honoris Causa da Universidade Tor Vergata, de Roma, em 2005.

Em 2002, Evelyn junto a seu marido foram declarados conjuntamente Médicos do Ano, pela Federação Internacional Católica de Associações Médicas.

Conforme expressou a associação WOOMB em um comunicado de imprensa, “casais em mais de 100 países dão testemunho do maravilhoso trabalho desta desapegada mulher e seu marido. Só na China, onde treinaram milhares a ensinar seu método, uma diminuição substancial na taxa de abortos foi atribuída ao trabalho deles”.

Depois da morte de seu marido, em 2007, WOOMB assinala que Evelyn Billings deixa uma família de “8 dos seus 9 filhos, 39 netos e 31 bisnetos”.

“Agradecemos a Deus por sua vida e trabalho, e pelo privilégio e alegria de tê-la conhecido, e nos regozijamos de que esteja agora reunida com John, para desfrutar juntos de sua recompensa eterna”, assinala o comunicado.

Evelyn Billings escreveu o best seller O Método Billings, publicado pela primeira vez em 1980, e reimpresso 16 vezes, com 7 edições (novas ou revisadas) em 22 idiomas. A mais recente destas revisões foi publicada em 2011.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* ‘Childfree’: homens que acreditam na “libertação” dos filhos pela não procriação e que sentem orgulho disso.

sábado, fevereiro 9th, 2013

Anais Ginori,  La republica.

Um brinde para festejar o feliz evento. “À não paternidade”, levanta a caneca de cerveja Théophile de Giraud, escritor belga de 40 anos que obstinadamente evitou se reproduzir e a partir dessa recusa construiu um pouco de notoriedade. Autor de um “manifesto antinatalista”, é um dos mais famosos intelectuais childless ou, melhor, childfree, segundo a acepção politicamente correta.

Não se trata de um alimento sem alguma coisa (sem transgênicos, sem glúten), mas sim da escolha consciente de não ter filhos, proclamada como um grito de liberdade.

O encontro ocorre todos os anos no bistrô Dolle Mol, reunião anárquica de Bruxelas. Com a festa dos “não pais”, inventada em 2009 e celebrada na primavera entre a Bélgica e a França, Théophile é um dos líderes de uma vanguarda (ou retroguarda, dependendo do ponto de vista) cada vez menos silenciosa. O “No Daddy Day” coaliza personagens dos mais diversos: ecologistas, demógrafos, anticapitalistas, libertários.

Para além das motivações, estão todos unidos por um objetivo: não procriar. Livros, manifestações e até canções para reivindicar o que o Nouvel Observateur apelidou de “Nokidland”. Um território sem crianças, justamente enquanto os pequenos são cada vez mais protagonistas da sociedade e cresce a pressão sobre os homens para se conformarem à imagem dos “novos pais”, narrados por filmes hollywoodianos, capas de revistas e propagandas.

Porém, justamente a exaltação do papel paterno também está provocando uma reação de rejeição. Homens que já estão no pós-patriarcado, arrepiam-se diante da palavra “chefe de família”, escapam aos saltos se ouvem os gritos de um bebê para cuidar. Uma minoria, certamente. Mas que está aumentando. Os italianos que ainda não têm 35 anos passaram de 20% para 45% em pouco menos de 20 anos.


Alessandro Rosina, professor de demografia da Universidade Católica de Milão, explica: “Em poucas décadas, passou-se de uma situação em que somente uma pequena minoria chegava sem filhos aos 35 anos a uma em que pouco menos da metade da população masculina posterga para depois desse limite de idade a primeira experiência de paternidade”.

A cota de homens que permanecem sem filhos depois dos 50 anos é de cerca de 20%, contra os 15% para as mulheres. “Mas, na Itália – indica Rosina –, continua havendo uma lacuna entre a fecundidade desejada e a efetivamente realizada”. Alguns italianos sem filhos, na realidade, sonham em tê-los. Na Itália, a não paternidade é principalmente a consequência de condições sociais, profissionais, às vezes físicas, em vez de ser uma escolha propriamente dita, como afirma o filósofo Duccio Demetrio, juntamente com Francesca Rigotti, no livro Senza Figli, recém-publicado pela editora Raffaello Cortina.

Nem todo mundo pode se orgulhar como Alberto Moravia, que confessava: “Nunca tive filhos e não me arrependo. Em compensação, tenho os meus livros, a literatura: escrever é quase como criar um filho”. Para muitos outros, ao invés, é um acidente da vida, uma situação mais problemática e sofrida. “Isso não quer dizer que, mesmo na Itália, os movimentos childfree sejam cada vez mais perceptíveis”, conclui Rosina, autor do livro Goodbye Malthus, com Maria Letizia Tanturri.

Nos últimos tempos, o antinatalismo tem um argumento a mais: a crise, que assusta com um futuro de pobreza e de conflitos. “Para fazer filhos é preciso amar o mundo”, resume o filósofo francês Christian Godin, autor do livro La fin de l’humanité, em que prevê a autoextinção da espécie, em uma combinação disposta de narcisismo de massa e de pessimismo cultural.

O orgulho dos “não pais” é um fenômeno recente e ainda pouco investigado, observa Godin, enquanto há uma longa tradição feminina, amplamente documentada. Em 2009, intelectuais como Rossana Rossana e Natalia Aspesi haviam relatado a sua experiência no livro Perché non abbiamo avuto figli, publicado pela Franco Angeli.

Os primeiros sinais culturais de uma situação masculina correspondente surgem somente agora, ao invés. “É a consequência de uma pressão social aumentada”, continua Godin. Já existe um clichê sobre o desejo de paternidade, como foi por muito tempo para as mulheres. Aquele olhar de condenação ou de espanto que, a partir de uma certa idade, acompanhava principalmente as “não mães” (”Por quê?”, “O que aconteceu?”), já é compartilhado por todos.

Na França, os homens sem filhos aumentaram de 10% para 15%. Justamente no país do babyboom, com a taxa de natalidade mais alta da Europa, o movimento desnatalista ganha adeptos. Foi a psicanalista Corinne Maier que teorizou em 2007 sobre as “40 razões para não ter filhos” no seu panfleto No Kid, publicado na Itália pela Bompiani. Hoje essa mãe arrependida organiza a versão francesa da festa inventada por Théophile de Giraud. Na última edição, Maier se apresentou diante da igreja do Sacré Coeur com seus dois filhos adolescentes.

Futuros “não pais”? “Agora – explica Maier –, os homens também estão acordando e lutam contra a ditadura do familismo”. A ausência de desejo de paternidade provavelmente sempre existiu em algumas pessoas. “Mas tempos atrás o papel do chefe de família era institucional. Hoje se tornou relacional com a obrigação por parte dos pais de construírem sozinhos esse complexo vínculo”, observa Christine Castelain-Meunier, que analisou o fenômeno no seuMétamorphoses du masculin. A maior responsabilidade desses “super pais” ou dos “Mister Moms”, como dizem os norte-americanos com ironia, pode ser assustador.

Os tons dos antinatalistas são muitas vezes polêmicos. “A pior espécie se perpetua”, canta o rapper Fuzati no seu recente álbum La fin de l’éspèce. O demógrafo Michel Terrier publicou um panfleto intitulado “Criar filhos mortos: Elogio da desnatalidade”. E àqueles que acusam os “no kids” de serem imaturos, egoístas, misantropos, ele responde: “Não somos provocadores, apenas responsáveis. Qualquer pessoa um pouco lúcida deveria tremer pensando na Terra povoada por 9 ou 10 bilhões de pessoas, sem falar dos 17 bilhões previstos para 2100″.

Sobre as bandeiras da festa dos “não pais” um dos slogans preferidos é “Save the planet, make no baby”. Da celebração, participam pessoas muito diferentes. O anarquista belga Noel Godin, 67 anos, vem todos os anos, porque “os filhos são uma contribuição para a exploração capitalista”. O escritor De Giraud, uniforme preto e cabelo punk, se justifica com um pessimismo cósmico, citando Cioran: “A única, verdadeira desgraça é vir ao mundo”.

Depois, há aqueles que, como Michel Onfray, faz disso uma questão existencial. À fatídica pergunta sobre por que ele não quer filhos, o filósofo hedonista respondeu secamente: “Tenho coisas melhores a fazer”.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Chineses mantiveram filho vivo por anos se revezando para bombear ar com saco ressuscitador.

quinta-feira, janeiro 31st, 2013

Fonte: Extra

Depois de anos trabalhando 24 horas por dia para manter o filho vivo, um casal da província de Zhejiang, na China, finalmente vai receber ajuda de um hospital.


Fu Xuepeng tinha apenas 23 anos quando um acidente de moto o deixou paralisado do pescoço para baixo, em 2006. Durante os sete primeiros meses depois do acidente, os pais do chinês, Fu Minzu e Wang Lanqin, se revezaram em turnos para bombear ar para os pulmões do filho. Eles passavam 24 horas por dia pressionando um saco ressuscitador, de 18 a 20 vezes por minuto.


- Nunca pensamos em desistir, nem por um segundo. Nenhum pai desistiria de seu filho, por menor que fosse a chance de ele sobreviver – disse o pai, Fu Minzu, em entrevista ao site China Daily.


Um parente chegou a fazer um respirador a diesel para o rapaz. A máquina era barulhenta, mas funcionava. Só que o casal não tinha condições de mantê-la funcionando sempre, por causa do preço do combustível.


Sem dinheiro para comprar um aparelho profissional e muito menos para bancar o tratamento em um hospital, o casal conseguiu, em 2009, improvisar uma máquina com um pequeno motor. Mas não podiam manter o aparelho funcionando o dia inteiro porque não tinham dinheiro para pagar a alta conta de energia. Então só recorriam à máquina à noite.


A história do casal foi notícia em um jornal local e iniciou um debate sobre o sistema de saúde chinês. Depois disso, internautas começaram uma campanha para arrecadar dinheiro para os dois. Algumas doações já foram depositadas na cota do casal.


Uma empresa de equipamentos hospitalares doou uma máquina de respiração artificial para Fu Xuepeng e um médico do hospital local foi até a casa da família, examiná-lo. De acordo com a imprensa local, o rapaz vai passar a receber cuidados no hospital.


- Eu não sei se terei a oportunidade de compensar meus pais por isso – disse Fu Xuepeng



Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Filhos de divorciados são menos propensos à prática religiosa revela dossiê.

sexta-feira, janeiro 25th, 2013
EUA: novo dossiê revela impacto sobre a fé nas famílias divididas

Por John Flynn, LC

As consequências sociais negativas do divórcio são bem conhecidas, mas uma nova pesquisa mostra que ele também leva à diminuição da prática religiosa.

Na semana passada, o Instituto de Valores Americanos publicou o dossiê “O modelo da família modela a fé? Os impactos das mudanças da família desafiam as Igrejas”, apresentando os resultados de uma pesquisa feita com estudantes.

A cada ano, cerca de um milhão de crianças vivem a experiência do divórcio dos pais, diz o relatório. Um quarto dos jovens adultos vem de famílias divorciadas.

Os autores do estudo dizem que os filhos de divorciados se tornam menos religiosos quando chegam à idade adulta do que aqueles que crescem em famílias unidas. Enquanto dois terços das pessoas que cresceram em famílias intactas afirmam ser muito religiosas, apenas metade dos que têm pais divorciados diz a mesma coisa.

Em termos de prática religiosa, mais de um terço dos adultos jovens de famílias unidas é praticante, contra um quarto das pessoas que vêm de lares desfeitos.

De acordo com o relatório do Instituto de Valores Americanos, a influência mais significativa para os jovens em termos de fé e prática religiosa vem dos pais. “Os pais desempenham um papel vital na influência religiosa sobre os filhos após o divórcio, especialmente em uma cultura em que os compromissos associativos e outras formas de participação cívica não são mais uma referência normativa, como ocorria no passado”, diz o dossiê.

Falta de apoio

Uma das razões para os filhos de pais divorciados serem menos praticantes, de acordo com o estudo, é o fato de que, na hora da separação dos pais, dois terços dos entrevistados afirmarem que ninguém da comunidade religiosa lhes ofereceu qualquer apoio.

Outra razão é o fato de o divórcio provocar um declínio na frequência das crianças à igreja. O número de adultos crescidos em famílias divididas que são frequentadores regulares da igreja é a metade do número dos filhos de famílias unidas que praticam a religião.

Quem passou pelo divórcio dos pais também afirma ter encontrado menos referências espirituais e religiosas na família. Apenas um terço dos pais divorciados encorajou os filhos a praticarem a fé, contra dois terços das famílias unidas.

O divórcio tem impacto direto sobre a fé como tal, dizem os entrevistados, alguns dos quais interpretam o divórcio dos pais como um dano aos seus valores espirituais essenciais. Estes são mais propensos a se definir como “espirituais” em vez de “religiosos”.

Outro estudo conclui que os filhos de famílias desestruturadas são menos interessados em buscar um sentido, a verdade ou uma relação com Deus, além de menos inclinados a pensar que as instituições religiosas podem ajudá-los.

Os pesquisadores avaliaram o impacto do chamado “bom divórcio”, aquele que acontece de modo amigável ou sem conflitos. O resultado indica que os jovens criados em famílias felizes e unidas têm o dobro de propensão à prática religiosa dos que os que experimentaram um “bom divórcio” dos pais. O dossiê enfatiza: “Embora o chamado ‘bom divórcio’ seja melhor que um divórcio conflitivo, ele continua não sendo um bem”.

Os filhos de pais que se divorciaram amigavelmente, aliás, podem até sofrer mais do que aqueles cujas famílias enfrentaram altos níveis de conflito, já que podem interpretar que, se pessoas amáveis ​​não conseguiram realizar um casamento feliz, talvez a própria instituição do casamento seja a culpada, e não o comportamento dos pais.

As igrejas devem envolver-se mais com os pais divorciados e com seus filhos, pede o relatório. Um pastor protestante oferece sugestões a este respeito. Pastores e líderes juvenis deveriam trabalhar mais para determinar modelos de fé, diz o pastor, já que o divórcio complica o papel que os pais normalmente desempenham. Também é importante ouvir quem sofreu um divórcio e promover um ambiente em que eles possam questionar e tentar descobrir como lidar com o que aconteceu.

A igreja pode representar um importante santuário e um espaço acolhedor para os jovens divididos entre “a casa da mãe” e “a casa do pai”. “Para um filho de divorciados, a igreja pode ser um lugar estável para a recepção e um santuário para a adoração, para os sacramentos, a música, o estudo, a socialização e a diversão”, acrescenta o pastor.

“Não é apenas o divórcio que deve ser discutido”, prossegue um dos autores do dossiê. “Nós sabemos pouco também sobre as consequências para a fé dos filhos de casais que coabitam, dos nascidos por inseminação artificial, dos que são criados por casais do mesmo sexo”.

O dossiê destaca o quanto é importante para a sociedade a instituição da família fundamentada na união estável entre um homem e uma mulher.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Em uma sociedade centrada no indivíduo, qual o futuro da Família “tradicional”?

quinta-feira, janeiro 3rd, 2013

Folha de São Paulo

O “Admirável Mundo Novo” imaginado por Aldous Huxley está perto de virar realidade para o demógrafo americano Joel Kotkin, autor do relatório internacional “A Ascensão do Pós-Familismo”

Publicado em 1932, o livro de Huxley pintava uma era na qual laços de parentesco eram desencorajados e as palavras “pai” e “mãe”, ditas com constrangimento.

Para Kotkin, as mudanças demográficas das últimas décadas não deixam dúvidas: “Já vejo semelhanças com a ficção: a paternidade está desaparecendo e as pessoas se identificam mais com a classe a que pertencem do que com a família”, disse o demógrafo à Folha. Ele define pós-familismo como uma sociedade centrada no indivíduo.

Países ricos estão na dianteira desse fenômeno mundial de múltiplas causas: econômicas (o custo de ter filhos subiu), culturais (a mulher quer ter uma carreira antes de ser mãe) e políticas (falta de incentivos à maternidade). “O pós-familismo é crítico por resultar de muitas tendências. No Japão, o custo de vida é alto. No Irã, os filhos são um luxo”, ilustra Kotkin.

A maior parte do levantamento, que envolveu cinco pesquisadores, três centros de estudo e dados de todos os continentes, foi feita no leste asiático, região de culturas centradas na família. É bem lá que o pós-familismo cresce rápido. Segundo o relatório, um quarto das mulheres do leste asiático ficarão solteiras até os 50 anos e um terço delas não terão filhos.

A queda na fecundidade é uma tendência sem volta inclusive no Brasil. Hoje, as brasileiras têm, em média, 1,9 filho; em 1980, a média era 4,4.

Mas, para especialistas brasileiros, o termo “pós-familismo” é apocalíptico demais. Se a família margarina (aquela com apenas pai, mãe e filhos) já não é mais dominante, novos arranjos proliferam.

“Aumentaram as famílias monoparentais, com apenas pai ou mãe, e os casais sem filhos”, diz José Eustáquio Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

A demógrafa Simone Wajnman, da UFMG, analisou dados do Censo 2010 recém-publicados e descobriu que a família estendida, a que inclui parentes além do núcleo principal, já corresponde a 26% dos domicílios.

A família está longe de morrer, diz a socióloga Maria Coleta de Oliveira, da Unicamp. O que há é mais chance de escolha. “Não há um nome para esse momento”

VÍNCULO DE SANGUE

A futuróloga Rosa Alegria, pesquisadora de tendências da PUC-SP, acredita que se está no meio do caminho. “Ainda não há retrato revelado. Mas é certo que a família tradicional é passado”, diz, arriscando sua definição: “Família foi vínculo sanguíneo; hoje é um grupo com interesses comuns. No futuro, pode ser um grupo de amigos”.

Para o IBGE, família ainda designa pessoas sob o mesmo teto. A classificação não contabiliza casos de guarda compartilhada ou de casais que moram separados. “Já há uma recomendação da ONU para que os critérios de contagem mudem. Pensamos nisso, mas talvez para os próximos cinco anos”, diz Gilson Matos, estatístico do IBGE.

Se o pós-familismo não é consenso, o crescimento do individualismo é. “As pessoas preenchem suas vidas com bens de luxo e alta escolarização. Há uma pressão social pelo investimento pessoal”, diz Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Ipea.

Esse individualismo é resultado do próprio modelo de família tradicional, segundo o antropólogo Luiz Fernando Dias Duarte. “A família moderna tem a função de criar ‘indivíduos’ autônomos”, diz. “Todos esses fenômenos atestam não a superação da família, mas a individualização. A família, no sentido amplo de rede de parentesco, está forte e ativa como sempre.”

Segundo a psicóloga Belinda Mandelbaum, professora da USP, as novas famílias são pressionadas a reproduzir práticas individualistas e ainda sofrem por não se encaixarem no modelo tradicional.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Filhos não são um “direito” nem sonho de “consumo” dos pais, mas DOM de Deus!

terça-feira, janeiro 1st, 2013

Pe. Anderson Alves

Percebe-se atualmente uma crise educativa cada vez mais intensa. De modo geral, constata-se que o nível médio de educação diminui drasticamente e que o processo formativo dos jovens enfrenta grandes dificuldades. As crianças e os adolescentes aprendem cada vez menos; a autoridade dos professores tende a desaparecer e os jovens, em meio a uma aparente energia, sentem-se sós e desorientados. E isso numa época de incrível desenvolvimento da Pedagogia.

Nunca houve tantas pessoas que estudam essa ciência e nunca tivemos tantas teorias pedagógicas como agora. No Brasil a crise educativa é cada vez mais preocupante, embora tenha eminentes pedagogos. Um recente estudo comparou a educação em 40 países e mostrou que o Brasil (6ª Economia do mundo) ficou em 39º lugar na educação, atrás de países como Singapura (5º), Romênia (32º), Turquia (34º) e Argentina (35º)[1]. Certamente uma das causas da atual crise educativa no Brasil não é a falta de recursos, mas algo mais profundo: não sabemos mais como ver e tratar os nossos filhos.

Até a metade do século passado, tínhamos uma ideia bem clara sobre o que eram os nossos filhos: acima de tudo, eram considerados um dom de Deus, um presente que nos tinha sido dado para ser tratado com atenção, carinho e muita responsabilidade. Os filhos eram visto como um dom divino e a paternidade era considerada uma participação especial no poder criador de Deus. De modo que os filhos eram tratados com respeito e a vida era acolhida com alegria e generosidade.

Isso se deve ao fato de que nosso modo de viver até então era marcado pelos ensinamentos da cultura judaico-cristã. Seguia-se o exemplo de figuras como a de Ana (Cfr. 1 Sam. 1), uma mulher estéril que todos os anos ia a um Templo de Israel prestar culto a Deus, e que, certa vez teve a ousadia de pedir-lhe um filho. Depois que Deus escutara suas ferventes orações, ela retornou ao Templo para agradecer o dom recebido e para consagrar a vida daquele novo ser a Deus. Ana era plenamente consciente de que a vida humana procede e retorna a Deus, para quem nada é impossível.

A partir da “revolução” de 1968 uma nova cultura surgiu, na qual a visão bíblica foi abandonada. S. Freud, na sua época, sonhava o dia em que fosse separada a geração dos filhos da estrutura familiar, algo que a partir de 68 vem se tornando frequente. Desde então, procura-se incutir nos jovens a ideia de que os filhos são um obstáculo, algo que tolhe a liberdade, a autonomia e que impede a realização pessoal. Os filhos passam a ser considerados como uma ameaça e a gravidez como uma espécie de doença, que deve ser evitada a todo custo. E às pessoas que não são tão jovens, transmite-se a ideia de que os filhos são um “direito”. Desse modo, os filhos passam a ser considerados ou como uma “ameaça” ou como um “direito”, não mais como um dom. Daí surgem problemas sérios.

Na Inglaterra, por exemplo, esse ano um dos pedidos mais feitos ao “Papai Noel” pelas crianças foi um pai; outro pedido comum foi, simplesmente, ter um irmão. O risco atual é que os adultos passem a considerar os próprios filhos como uma espécie de “mercadoria”, um sonho de consumo, que deve ser realizado num momento perfeitamente determinado. Os filhos são cada vez mais frutos de cálculos e não tanto do amor. E isso deixa feridas graves nas crianças.

Deixar de considerar os filhos como um dom divino e tê-los simplesmente como o resultado de uma técnica é um passo importante para a desconfiguração das famílias e para arruinar a educação. De fato, ocorre com frequência que os pais, paradoxalmente, procuram “superproteger” os filhos, buscando livrá-los de qualquer perigo e, ao mesmo tempo, não querem encontrar o tempo para dedicar-se à difícil tarefa educativa dos mesmos. As crianças são enviadas cada vez mais cedo às escolas e os professores devem se empenhar em transmitir valores que as crianças deveriam ter recebido em casa.

E há ainda outro grave perigo: os adultos procuram ter filhos mais para serem aprovados por eles, do que para transmitir um amor total, gratuito e comprometido. Sejamos sinceros: muitas vezes, em nossas famílias ocorre algo perverso: os pais se comportam como crianças, lamentando-se da infância que tiveram, e os filhos se sentem obrigados a comportarem-se como adultos[2]. Com essa mudança de papéis ninguém assume o a própria responsabilidade familiar, e isso se reflete no rendimento dos jovens nas nossas escolas e Universidades.

Nesse ponto, podemos talvez voltar nosso olhar ao livro que formou a civilização ocidental. O Evangelho conta-nos somente uma cena da adolescência de Jesus e do seu “processo educativo”. Quando ele tinha 12 anos, foi levado ao templo por Maria e José para participar na festa da Páscoa (Cfr. Lc 2). O jovem judeu quando cumpria essa idade iniciava a ser considerado adulto na fé. Quando aquela familia deve retornar a casa, Maria e José se destraem e Jesus, como verdadeiro adulto, permanece no templo discutindo com os doutores da Lei. Quando ele é reencontrado, Maria o repreende, mesmo sabendo que quem estava diante dela não só era um “adulto” na fé, mas o mesmo Filho de Deus: “Meu filho, que nos fizeste? Teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição”. E Jesus, depois de manifestar a plena consciência da sua identidade divina (“não sabíeis que devo ocupar-me das coisas do meu Pai?”), volta à casa com Maria e José e “era-lhes submisso em tudo”. Que impressionante! Maria e José não fugiram de sua responsabilidade educativa em relação àquele adolescente que sabiam ser o Filho de Deus; e Jesus, sendo verdadeiro Deus, volta à casa com sua família, obedecendo-lhes em tudo até os 30 anos. Vemos assim que na família de Nazaré ninguém fugia da própria responsabilidade, uma vez que eram unidos por um verdadeiro amor, o qual se demonstra na autoridade, na humildade e no serviço e não no autoritarismo ou na indiferença.

Parece, portanto, que para se recuperar o sentido da verdadeira educação, para se enfrentar à grave crise educativa atual, devemos ajudar as famílias a considerarem a vida como um dom de Deus, a tratarem os seus filhos com verdadeira diligência, não delegando toda a responsabilidade educativa a outras pessoas ou instituições. A tarefa é árdua, mas pode ser realizada, especialmente à luz da fé que por séculos iluminou a nossa sociedade. Devemos voltar a seguir ao modelo da Sagrada Família mais do que aos parâmetros contraditórios de uma “revolução” que só trouxe ao mundo a exaltação do egoísmo, da irresponsabilidade e o consequente aumento do sofrimento dos mais débeis.

Pe. Anderson Alves é da diocese de Petrópolis – Brasil – e doutorando em Filosofia na Pontifícia Università della Santa Croce, em Roma.

[1] Notícia no seguinte link: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2012/11/ranking-de-qualidade-da-educacao-coloca-brasil-em-penultimo-lugar.html

[2] Sobre isso cfr.: G. Cucci, La scomparsa degli adulti, «La Civiltà Cattolica», II 220-232, caderno 3885 (5 de maio de 2012).

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Filhos, uma janela para a vida!

quinta-feira, dezembro 27th, 2012

Sempre temos dito que a derrocada da fecundidade feminina (número de filhos por mulher) tem levado a Europa ao estado que hoje se encontra. Há número crescente de idosos cada vez maior e falta de jovens para substituí-los. E pior, (ou melhor) idosos que a ciência permitiu esticar mais ainda suas vidas.

O Brasil, infelizmente por um lado, não quis ficar para trás, seguiu as mesmas regras nos últimos vinte anos, reduziu seu tamanho para menos de dois filhos onde poderemos pagar um preço alto pela imitação. Nossas estatísticas demográficas levantadas em 2010 deram-nos um frio na barriga. Caímos para abaixo de 1,90 filhos por mulher, onde significa que no longo prazo, não recuperaremos mais a população, salvo se houver uma mudança radical de atitude em mudar estes números.

Para uma agradável surpresa, para o coro daqueles que estão preocupados com os números demográficos, houve uma pequena fresta de esperança na mudança desse quadro, anunciado através de uma reportagem da revista Veja

Embora seja muito cedo para lançar foguetes, nos dá certa esperança quando vemos declarações de mulheres que criaram a coragem de aumentar sua prole, para três ou mais filhos. Aleluia. Pela reportagem, são pessoas influentes na mídia, que poderão ajudar a mudar o estereótipo criado para se ter o mínimo de filhos possível, proclamados por alguns de até zero. Chegando a outras aberrações familiares, onde uma delas é a “produção independente”. Parece-nos que houve uma mudança de comportamento, onde justamente as classes de melhor renda era as que se davam maior restrição e as classes de menor renda enxameavam o Brasil engrossando o caldo de miséria. O que se observa, sem qualquer compromisso de afirmação científica: está havendo uma redução nas camadas mais baixas e, na média e alta, está aumentando a prole ficando dentro de uma lógica econômica.

Há um preconceito sobre as dificuldades de famílias numerosas na sua manutenção e criação. Não se nega que seja um sacrifício enorme para aqueles pais que assumem esta corajosa decisão. Não se está aqui conclamando ao saudosismo agrícola quando era possível criar proles de dez filhos ou mais. Mas, para aquelas famílias que tiveram a valentia de terem três ou mais filhos é sempre dito: um é pouco, dois é suficiente, mas três em diante a casa se enche de uma imensa alegria.

Mesmo nos dias bicudos de hoje, com a possibilidade e a oferta de trabalho da nossa economia, com uma taxa de desemprego baixo, próximo do ideal social, é possível manter uma prole maior do que a estatística vinha oferecendo. Quando dizemos bicudo o é no sentido da dificuldade de se usufruir as ofertas de produtos muito além de nossas necessidades de sobrevivência, pois a renda atualmente é suficiente para se manter. É necessário dizer que parte é decorrente do aumento da renda média do brasileiro na última década, ou melhor, da era do Real.

Filho único é um risco para os próprios pais, numa hipótese dramática de doença, ou por qualquer acidente de percurso vier a morrer. Neste momento os pais ficam sozinhos no mundo. Pela outra parte o filho único sente uma enorme frustração pela falta de irmãos com quem partilhar suas angústias, suas experiências, suas alegrias. Sentem-se muitos sós. Ficam em geral grandes prematuramente, queimam etapas da vida por conviverem exclusivamente com adultos no ambiente familiar. A experiência tem demonstrado que estas pessoas geralmente têm problemas de adaptação social, caracterizado pela apatia aos desafios da vida, solidão e quando não frustração existencial.

Muitos jovens quando começam entrar no seu momento de geração, tem lá seus receios, suas incertezas pela prole que vão enfrentar. Pela experiência, é de se dar um alento. As famílias de onde vieram serão as primeiras a se solidarizar e a própria sociedade será generosa com eles em segunda instância. Na visão cristã não há razão para o medo, Deus os ajudará. Nas horas difíceis, haverá recursos, apoio e até emprego que em outras situações jamais haveria. É nesta hora que a força da vida se manifestará e toda a sociedade estenderá sua mão. Quem ao ver um pai ou uma mãe, atrapalhados nos cuidados de sua prole, com dificuldades financeiras, doenças, empregos, não será solidário?  Neste particular, o brasileiro é de um coração imensamente generoso.

Alguns estudiosos, com base numa ética utilitarista, chegam a calcular o custo de um filho para sua criação. Mas jamais terão a coragem de calcular o beneficio da satisfação dos pais. Porque o valor moral e espiritual deste benefício é infinito. Não há como se medir.

Sergio Sebold – Economista e Professor Independente

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Pesquisa mostra que pessoas dos países mais felizes do mundo tem na família e na religião seu diferencial.

domingo, dezembro 23rd, 2012

Uma pesquisa feita cerca de 150.000 pessoas de todo o mundo descobriu que sete dos 10 países do mundo com as atitudes mais otimistas estão na América Latina. O Brasil está em 16º lugar, segundo o ranking medido pela Gallup World Pool.

O Instituto Gallup perguntou a 1.000 pessoas em cada um dos 148 países pesquisados sobre como via a vida e se tinha sentimentos alegres no dia anterior. Em comparação com a mesma pesquisa realizada em 2010, o índice brasileiro pulou de 6,8 para 7,1.

A conclusão dos estudiosos é que apenas riqueza e saúde não garantem a felicidade de um povo, afinal o país com maior renda per capita do mundo, o Catar, não está sequer entre os 10 mais felizes.

Com sete entre os 10 países mais otimistas, um dos principais fatores de contentamento do povo da América Latina é a religião. Outros aspectos são a relação com família e amigos, apesar de uma realidade econômica na maioria das vezes difícil.

Em primeiro lugar ficou o Panamá, com mais de 85% respondendo positivamente. Depois vieram Paraguai, El Salvador, Venezuela, Trinidad e Tobago, Tailândia, Guatemala, Filipinas, Equador e Costa Rica.

As pessoas com menor índice de emoções positivas vivem na rica ilha-Estado de Cingapura. Outros países ricos também ficaram, surpreendentemente, bem embaixo na lista. Alemanha e França empataram com a Somália em 47º lugar.

A colocação nada tem a ver como Índice de Desenvolvimento Humano elaborado pelas Nações Unidas anualmente, que analisa expectativa de vida, nível de educação e renda per capita. Este é um paradoxo com sérias implicações neste campo relativamente novo e controverso chamado de “economia da felicidade”, que busca analisar o desempenho dos governos neste processo.

Em pelo menos nove países houve surpresas, como Iraque, Iêmen, Afeganistão e Haiti, que vêm convivendo com problemas políticos sérios nos últimos anos. A pesquisa mostra que as nações prósperas também podem ser profundamente infelizes, como a maioria dos Estados europeus, onde a população não parece se contentar apenas com aspectos materiais da vida. Com informações Gallup e Daily Mail.

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo

* Papa defende a família, a Verdade e critica “Ideologia do gênero” onde “o sexo não seria um dado originário da natureza, mas uma função social que cada qual decide autonomamente”.

sexta-feira, dezembro 21st, 2012

O Santo Padre, nesta manhã, recebeu a Cúria Romana para felicitações de Natal e, nessa ocasião, proferiu a seguinte saudação:

Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
Queridos irmãos e irmãs!

(…)

O Cardeal Decano recordou-nos uma frase que se repete muitas vezes na liturgia latina destes dias: «Prope este iam Dominus, venite, adoremus! – O Senhor está perto; vinde, adoremos!». Também nós, como uma única família, nos preparamos para adorar, na gruta de Belém, aquele Menino que é Deus em pessoa e tão próximo que Se fez homem como nós. De bom grado retribuo os votos formulados e agradeço de coração a todos, incluindo os Representantes Pontifícios espalhados pelo mundo, pela generosa e qualificada colaboração que cada um presta ao meu ministério.

(…)

A grande alegria, com que se encontraram em Milão famílias vindas de todo o mundo, mostrou que a família, não obstante as múltiplas impressões em contrário, está forte e viva também hoje; mas é incontestável – especialmente no mundo ocidental – a crise que a ameaça até nas suas próprias bases.

Impressionou-me que se tenha repetidamente sublinhado, no Sínodo, a importância da família para a transmissão da fé como lugar autêntico onde se transmitem as formas fundamentais de ser pessoa humana. É vivendo-as e sofrendo-as, juntos, que as mesmas se aprendem. Assim se tornou evidente que, na questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. Os desafios, neste contexto, são complexos.

Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano se torna-se ele próprio, permanecendo autônomo e entrando em contato com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana.

Num tratado cuidadosamente documentado e profundamente comovente, o rabino-chefe de França, Gilles Bernheim, mostrou que o ataque à forma autêntica da família (constituída por pai, mãe e filho), ao qual nos encontramos hoje expostos – um verdadeiro atentado –, atinge uma dimensão ainda mais profunda. Se antes tínhamos visto como causa da crise da família um mal-entendido acerca da essência da liberdade humana, agora torna-se claro que aqui está em jogo a visão do próprio ser, do que significa realmente ser homem. Ele cita o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: «Não se nasce mulher; fazem-na mulher – On ne naTt pas femme, on le devient». Nestas palavras, manifesta-se o fundamento daquilo que hoje, sob o vocábulo «gender - género», é apresentado como nova filosofia da sexualidade. De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia.

Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o fato de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um fato pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria.

De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo. Agora existe apenas o homem em abstrato, que em seguida escolhe para si, autonomamente, qualquer coisa como sua natureza. Homem e mulher são contestados como exigência, ditada pela criação, de haver formas da pessoa humana que se completam mutuamente. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. Mas, em tal caso, também a prole perdeu o lugar que até agora lhe competia, e a dignidade particular que lhe é própria; Bernheim mostra como o filho, de sujeito jurídico que era com direito próprio, passe agora necessariamente a objeto, ao qual se tem direito e que, como objeto de um direito, se pode adquirir.

Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser. Na luta pela família, está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem.

Dito isto, gostava de chegar ao segundo grande tema que, desde Assis até ao Sínodo sobre a Nova Evangelização, permeou todo o ano que chega ao fim: a questão do diálogo e do anúncio. Comecemos pelo diálogo. No nosso tempo, para a Igreja, vejo principalmente três campos de diálogo, onde ela deve estar presente lutando pelo homem e pelo que significa ser pessoa humana: o diálogo com os Estados, o diálogo com a sociedade – aqui está incluído o diálogo com as culturas e com a ciência – e, finalmente, o diálogo com as religiões. Em todos estes diálogos, a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá. Ao mesmo tempo, porém, ela encarna a memória da humanidade que, desde os primórdios e através dos tempos, é memória das experiências e dos sofrimentos da humanidade, onde a Igreja aprendeu o que significa ser homem, experimentando o seu limite e grandeza, as suas possibilidades e limitações.

A cultura do humano, de que ela se faz garante, nasceu e desenvolveu-se a partir do encontro entre a revelação de Deus e a existência humana. A Igreja representa a memória do que é ser homem defronte a uma civilização do esquecimento que já só se conhece a si mesma e só reconhece o próprio critério de medição. Mas, assim como uma pessoa sem memória perdeu a sua identidade, assim também uma humanidade sem memória perderia a própria identidade. Aquilo que foi dado ver à Igreja, no encontro entre revelação e experiência humana, ultrapassa sem dúvida o mero âmbito da razão, mas não constitui um mundo particular que seria desprovido de interesse para o não-crente. Se o homem, com o próprio pensamento entra na reflexão e na compreensão daqueles conhecimentos, estes alargam o horizonte da razão e isto diz respeito também àqueles que não conseguem partilhar a fé da Igreja.

No diálogo com o Estado e a sociedade, naturalmente a Igreja não tem soluções prontas para as diversas questões. Mas, unida às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano. Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em ação política.

Na situação atual da humanidade, o diálogo das religiões é uma condição necessária para a paz no mundo, constituindo por isso mesmo um dever para os cristãos bem como para as outras crenças religiosas. Este diálogo das religiões possui diversas dimensões. Há-de ser, antes de tudo, simplesmente um diálogo da vida, um diálogo da ação compartilhada. Nele, não se falará dos grandes temas da fé – se Deus é trinitário, ou como se deve entender a inspiração das Escrituras Sagradas, etc. –, mas trata-se dos problemas concretos da convivência e da responsabilidade comum pela sociedade, pelo Estado, pela humanidade.

Aqui é preciso aprender a aceitar o outro na sua forma de ser e pensar de modo diverso. Para isso, é necessário fazer da responsabilidade comum pela justiça e a paz o critério basilar do diálogo. Um diálogo, onde se trate de paz e de justiça indo mais além do que é simplesmente pragmático, torna-se por si mesmo uma luta ética sobre a verdade e sobre o ser humano; um diálogo sobre os valores que são pressupostos em tudo. Assim o diálogo, ao princípio meramente prático, torna-se também uma luta pelo justo modo de ser pessoa humana. Embora as escolhas básicas não estejam enquanto tais em discussão, os esforços à volta duma questão concreta tornam-se um percurso no qual ambas as partes podem encontrar purificação e enriquecimento através da escuta do outro. Assim estes esforços podem ter o significado também de passos comuns rumo à única verdade, sem que as escolhas básicas sejam alteradas. Se ambas as partes se movem a partir duma hermenêutica de justiça e de paz, a diferença básica não desaparecerá, mas crescerá uma proximidade mais profunda entre eles.

Hoje em geral, para a essência do diálogo inter-religioso, consideram fundamentais duas regras:
1ª) O diálogo não tem como alvo a conversão, mas a compreensão. Nisto se distingue da evangelização, da missão.
2ª) De acordo com isso, neste diálogo, ambas as partes permanecem deliberadamente na sua identidade própria, que, no diálogo, não põem em questão nem para si mesmo nem para os outros.
Estas regras são justas; mas penso que assim estejam formuladas demasiado superficialmente. Sim, o diálogo não visa a conversão, mas uma melhor compreensão recíproca: isto é correto. Contudo a busca de conhecimento e compreensão sempre pretende ser também uma aproximação da verdade. Assim, ambas as partes, aproximando-se passo a passo da verdade, avançam e caminham para uma maior partilha, que se funda sobre a unidade da verdade. Quanto a permanecer fiéis à própria identidade, seria demasiado pouco se o cristão, com a sua decisão a favor da própria identidade, interrompesse por assim dizer por vontade própria o caminho para a verdade. Então o seu ser cristão tornar-se-ia algo de arbitrário, uma escolha simplesmente factual. Nesse caso, evidentemente, ele não teria em conta que a religião tem a ver com a verdade. A propósito disto, eu diria que o cristão possui a grande confiança, mais ainda, a certeza basilar de poder tranquilamente fazer-se ao largo no vasto mar da verdade, sem dever temer pela sua identidade de cristão. Sem dúvida, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela que nos possui a nós: Cristo, que é a Verdade, tomou-nos pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento, sabemos que a sua mão nos sustenta firmemente. O fato de sermos interiormente sustentados pela mão de Cristo torna-nos simultaneamente livres e seguros. Livres: se somos sustentados por Ele, podemos, abertamente e sem medo, entrar em qualquer diálogo. Seguros, porque Ele não nos deixa, a não ser que sejamos nós mesmos a desligar-nos d’Ele. Unidos a Ele, estamos na luz da verdade.

Por último, impõe-se ainda uma breve consideração sobre o anúncio, sobre a evangelização, de que, na sequência das propostas dos Padres Sinodais, falará efectiva e amplamente o documento pós-sinodal. Acho que os elementos essenciais do processo de evangelização são visíveis, de forma muito eloquente, na narração de São João sobre a vocação de dois discípulos do Baptista, que se tornam discípulos de Cristo (cf. Jo 1, 35-39). Antes de tudo, há o simples acto do anúncio. João Baptista indica Jesus e diz: «Eis o Cordeiro de Deus!» Pouco depois o evangelista vai narrar um facto parecido; agora é André que diz a Simão, seu irmão: «Encontrámos o Messias!» (1, 41). O primeiro elemento fundamental é o anúncio puro e simples, o kerigma, cuja força deriva da convicção interior do arauto. Na narração dos dois discípulos, temos depois a escuta, o seguir os passos de Jesus; um seguir que não é ainda verdadeiro seguimento, mas antes uma santa curiosidade, um movimento de busca. Na realidade, ambos os discípulos são pessoas à procura; pessoas que, para além do quotidiano, vivem na expectativa de Deus: na expectativa, porque Ele está presente e, portanto, manifestar-Se-á. E a busca, tocada pelo anúncio, torna-se concreta: querem conhecer melhor Aquele que o Baptista designou como o Cordeiro de Deus. Depois vem o terceiro acto que tem início com o facto de Jesus Se voltar para trás, Se voltar para eles e lhes perguntar: «Que pretendeis?» A resposta dos dois é uma nova pergunta que indica a abertura da sua expectativa, a disponibilidade para cumprir novos passos. Perguntam: «Rabi, onde moras?» A resposta de Jesus – «vinde e vereis» – é um convite para O acompanharem e, caminhando com Ele, tornarem-se videntes.

A palavra do anúncio torna-se eficaz quando existe no homem uma dócil disponibilidade para se aproximar de Deus, quando o homem anda interiormente à procura e, deste modo, está a caminho rumo ao Senhor. Então, vendo a solicitude de Jesus sente-se atingido no coração; depois o impacto com o anúncio suscita uma santa curiosidade de conhecer Jesus mais de perto. Este ir com Ele leva ao lugar onde Jesus habita: à comunidade da Igreja, que é o seu Corpo. Significa entrar na comunhão itinerante dos catecúmenos, que é uma comunhão feita de aprofundamento e, ao mesmo tempo, de vida, onde o caminhar com Jesus nos faz tornar videntes.
«Vinde e vereis». Esta palavra dirigida aos dois discípulos à procura, Jesus dirige-a também às pessoas de hoje que estão em busca. No final do ano, queremos pedir ao Senhor para que a Igreja, não obstante as próprias pobrezas, se torne cada vez mais reconhecível como sua morada.

Pedimos-Lhe para que, no caminho rumo à sua casa, nos torne, também a nós, sempre mais videntes a fim de podermos afirmar sempre melhor e de modo cada mais convincente: encontrámos Aquele que todo o mundo espera, ou seja, Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro homem. Neste espírito, desejo de coração a todos vós um santo Natal e um feliz Ano Novo. Obrigado!

Imprimir | Favoritos |Compartilhar
  • Print this article!
  • Google
  • Live
  • YahooMyWeb
  • Favorites
  • del.icio.us
  • Digg
  • Facebook
  • MySpace
  • Rec6
  • LinkedIn
  • Netvibes
  • Technorati
  • Yahoo! Buzz
  • TwitThis
  • Enviar artigo para amigo
Sem a alegria da beleza, a verdade se torna fria e até impiedosa e soberba, como vemos que acontece no discurso de muitos fundamentalistas amargurados. Parece que mastigam cinzas ao invés de saborear a doçura gloriosa da verdade de Cristo, que ilumina, com luz mansa, toda realidade, assumindo-a assim como ela é a cada dia.(Papa Francisco)
  Assine o RSS
_______________________
Comentários
  • •Seria legal a referência dessas estatísticas da Planned Parenthood e British Medical Journal...
    em * Atriz de Bollywood se suicida ao
  • •vamos juntos...
    em * Cardeal de São Paulo, Dom Odilio
  • •Até que enfim alguém mexeu os pauzinhos para processar este pessoal que difamou a Igreja Católica e a todos nós católicos. Se há leis que punem profanações religiosas, que...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Huuummm! Entendi o que o Anderson quis dizer, Claudio! Valeu! rs...
    em * Seria só “a bíblia e sua
  • •realizações do comunismo pelo mundo 1)estupro de 5.000.000 de mulheres pelos comunas(comunistas) 2)assassinato de 100.000.000 de pessoas pelos comunistas só isso é o...
    em * O que distingue um caso de
  • •O livro do Padre Laburu é muito bom e foi relançado pela editora Cleofas do Prof. Felipe Aquino. Vale a pena ler!...
    em * “A questão, senhores, não é
  • •INCRÍVEL: A RUSSIA EXTERMINA DE FORMA CONTUNDE O GAYZISMO DO PAÍS! Vários jornais aproveitam dessa noticia e espalham-na, confundindo o Ocidente, parte já dopado pelo gayzismo...
    em * Apesar da mídia, 49,7% dos
  • •CARÍSSIMA ANA, A comunidade Shalom não usa em seu caminho formativo o ENEAGRAMA. Publiquei aqui no Blog um artigo abordando esse tema, veja se pode...
    em * “Eneagrama”.
  • •Boa noite Carmadélio! a comunidade católica shalom já emitiu algum posicionamento sobre o eneagrama ?...
    em * “Eneagrama”.
  • •É lamentável observar que muitos dos que se dizem católicos nada fizeram à respeito da profana apresentação na PUC-SP. Existe um cheiro de irenismo no ar... Falsa tolerância...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Elton, concordo plenamente com tudo que você escreveu! A Rússia de outrora aprendeu a duras penas sobre a probreza espiritual que o marxismo levou o país. Pena que o veneno se...
    em * Apesar da mídia, 49,7% dos
  • •Nós católicos esperamos que a justiça se faça presente neste puro ato de violência. Que as PUC´s não se tornem palco de anti cristãos católicos. Paz e Bem...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Após o socialista Obama entrar nos EUA a violência e desagregação social só aumentam, pois onde adentra o comunismo temos destruição, alienação e morte via lutas de...
    em * Astro do futebol americano,
  • •Os comunistas odeiam grande Papa Bento XVI por ter desmascarado suas farsas de diversas modalidades, sendo no tempo de pontificado o gigante que impediu em muito o avanço da...
    em * Instaurado inquérito policial
  • •Maria Madalena, cantar salmo acompanhado de instrumentos é uma coisa, se promover as custas de igreja e da inocência dos seus seguidores é outra coisa muito diferente! Basta...
    em * Seria só “a bíblia e sua
Categorias
Artigos – Dia a dia
junho 2013
D S T Q Q S S
« mai    
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30