Posts Tagged ‘Fé’

* Psicólogo cristão ou cristão psicólogo?

sábado, março 13th, 2010

Gerson Abarca, Psicólogo.

Sempre recebo muitos pacientes que dizem ter me procurado por que sou Católico ou Cristão. Isto me deixa estremamente preocupado, pois a questão do profissional de saude na qual devemos buscar, não deve estar associado à sua escolha religiosa. O que vale na busca por um profissional, é a sua competência e exercício ético da profissão.

Nestes dias, recebi uma paciente que estava me procurando porque viu-me na TV Canção Nova, no Programa Trocando Idéias.

Ela acreditava que eu fosse dar-lhe orientações espirituais. Perguntei para ela se ao procurar o seu Ginecologista, ela perguntou se ele era Católico ou Cristão. “Lógico que não perguntei!”, disse ela com firmeza. -Mas por que você necessita que o psicólogo seja Católico? perguntei. “- porque o Psicólogo não sendo ele pode direcionar as minhas condutas conforme o que ele acredita “, respondeu-me.

Esta paciente estava sendo sujeita a um tratamento de controle de hormônio artificial, na forma de anticoncepcional, sem ao menos ter realizado uma curva hormonal para saber de suas reais necessidades. Ela disse-me que também era para evitar filho.

Veja o paradoxo da incoerência. O Psicólogo precisa ser Católico se não vai direcionar comportamentos que julga fora de suas escolhas religiosas, mas o Ginecologista faz tudo o que a Igreja não indica e a paciente se quer percebe.

Conheço poucos Médicos Católicos que procedem na clínica conforme as orientação da Igreja Católica, e é bem verdade que os católicos que seguem as orientação da Igreja nas áreas da sexualidade, sociedade e política, são bem poucos. É o fenômeno que o Papa Bento XVI observou na sua última vinda ao Brasil e que deu o nome de “Catolicismo brando”.

A necessidade de se procurar Psicólogo Católico ou Cristão está mais associado a idéia de que a Psicologia é uma profissão mais de escuta e orientação, e que interfere em valores morais. Tanto é verdade, que no Brasil são muitos os que se intitulam Psicanalistas ou Psicoterapeutas sem terem graduação em Psicologia ou serem registrado no CRP. Já com a Medicina, esta é uma realidade  superada.

Lembram que na época do Presidente Collor havia um Ministro do Trabalho, o Magri, que iria acabar com o diploma de Psicologia e Jornalismo porque ele achava que são profissões em que muitos  já nascem com o dom e poderiam exercer sem estudar ?

Outro fator que influencia nesta demanda da busca por Psicólogos Cristãos, é que no exercício dos Sacerdotes, há a escuta de orientação e aconselhamento, daí na religião muitos acreditarem que com a Psicologia deveria ser o mesmo.

Eu já fiz análise com Psicólogos ateus, que não praticam religião alguma, e posso textemunhar que foi ótimo, pois trabalharam uma técnica e uma teoria. Foram profissionais e eram bons. Respeitaram minhas escolhas porque exercíam a ética profissional.

Com certeza conheço muitos Psicólogos que se intitulam Católicos ou Cristãos, que eu não teria coragem de indicar para ninguém, pois sei que confundirão e manipularão para suas escolhas.

Olha aí o número de clínicas no Brasil exercendo a Psicologia com elementos da religião, desde Católicos até espiritistas. Esta é uma prática condenável pelo sistema Conselho Federal de Psicologia. Pois Psicologia é Ciência e Profissão. Não se deve acreditar em um tratamento Psicológico, pois devemos acreditar em Deus. Na Psicologia devemos constatar que o procedimento é eficaz. Acreditar é diferente de constatar.

A questão é : O profissional precisa saber o que faz, ter domínio sobre as questões éticas de sua profissão que são regidas pelo código de ética no seu Conselho. E ponto.

Há 20 anos atuo como Psicólogop Clínico e sempre tive uma Clínica bem sucedida em quantidade e qualidade de resultados. Confirmo que 90% dos pacientes que me procuram por que sou Católico ou Cristão, estão em busca de um milagre ( da qual não posso fazer), e não ficam em tratamento, pois desejam pressa nos resultados.

***

Pessoalmente creio que um cristão que exerça a psicologia tenha melhores condições de ajudar um paciente cristão, não só pelo respeito ético da escolha religiosa do paciente, respeito esse que independe da condição religiosa, como também pela sua própria vivência de fé.

Infelizmente muitos não respeitam essa escolha e sutilmente tentam esvaziar a fé do paciente ou o “desmontam” sem conseguir ajudar a  pessoa a se” reformatar ” novamente.

Também não creio que o simples fato do profissional ser cristão seja a garantia de um bom serviço.

O fundamental é que exista respeito,ética e a percepção da dimensão religiosa de cada pessoa.

Aliás,essa dimensão por si só é um grande apoio na vida dos cristãos necessitados de apoio psicologico.

Um bom psicólogo saberá colocar essa informação a favor do paciente e ajudá-lo a superar sua dificuldade, afinal, seu papel é esse.

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* Mais de 70% dos alunos espanhóis optam por curso de religião católica nas escolas.

quinta-feira, março 11th, 2010

Segundo pesquisa feita pela Comissão Episcopal de Ensinamento e Catequese da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), mais de 70% dos alunos de colégios e instituições de toda a Espanha optam por cursar aulas de religião e moral católica em suas escolas.

Nas escolas públicas, esse número é de 64% e nas escolas particulares, de 71%.

A análise estatística, que se refere ao período de 2009 e 2010, entrevistou mais de 4,5 milhões de alunos e aponta aumento de 99,5% na escolha do Catolicismo com relação ao biênio anterior.

De acordo com a CEE, os dados apurados são especialmente significativos diante das dificuldades enfrentadas pela Igreja para se ensinar religião católica nas instituições de ensino da Espanha. Isto porque, conforme a Conferência, a Lei Orgânica de Educação (LOE) do governo espanhol vem introduzindo travas para que os estudantes escolham em igualdade de condições pelo ensinamento da religião católica nos distintos setores de educação do país. Entre estes obstáculos, a CEE destaca a configuração da disciplina religiosa como se fosse uma matéria optativa.

Em fevereito de 2007 os bispos já haviam portestado, por meio da Declaração da Comissão Permanente (”A Lei Orgânica de Educação (LOE), os decretos reais que a fomentam e os direitos fundamentais de pais e escolas”), os bispos ressaltaram que a nova legislação “não regula o ensino da religião de modo que fiquem a salvo os direitos de todos”.

***

O Governo Socialista tenta, mas Deus é MAIS!

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* Barulho ! Estamos eticamente doentes porque gritamos e não queremos a quietude, ou gritamos e não queremos a quietude porque estamos eticamente doentes?

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

Que época barulhenta a nossa!

Jovens gritam mais do que antes. Os próprios adultos, comportando-se de modo irracional e “macaquesco”, parecem não ter consciência de sua maturidade biológica, e agem como adolescentes. As diversões quase todas são barulhentas. E se antes ouvíamos som alto em casa ou no carro fechado – confesso, gosto de rock, blues, jazz e música campeira em volumes mais expressivos –, agora somos obrigados a ouvir pelas ruas, nos carros com porta-malas abertos e vidros baixos – e não o bom rock, o bom blues, o bom jazz e a boa música campeira, mas os terríveis axés, pagodes, forrós, tchês e pseudo-funks.

Os escritórios e gabinetes de trabalho são barulhentos. As pessoas ainda têm a mania de andar sempre com aparelhos de mp3 nos ouvidos, sempre desatentas ao mundo. Fora a mal-educada cultura de serviços de telemarketing em sempre interromper o justo sossego com ofertas imperdíveis. Aliás, já que tocamos em oferta, quem não se estressa com as propagandas de certas lojas na TV, em que até a fala é “gritada”, e parece que os anunciantes estão se “esganiçando”, como dizemos no sul?

Tal fato não é produto do acaso. Vivemos em uma sociedade que tem por base ideológica o esquecimento do pensamento e o desprezo da própria consciência. “É proibido proibir”, diziam em 1968, e isso forjou toda uma geração. Desejando tolher aquela que mais proibiria – a consciência –, as pessoas passaram a refugiar-se no barulho. O grito é o modo mais eficaz de inibir a auto-reflexão, de impedir que a voz da consciência nos diga o que fazer o que não fazer. Gritando, submetendo-me ao barulho diuturno, vivendo em um ritmo frenético entre trabalho e lazer agitado e, quando estou em casa, com a novela ou o filme ou o jornal sempre ligados, calo a consciência. Impeço-a de me proibir, de me pautar, de me fornecer os dados necessários de uma moral objetiva para meu comportamento. Se a consciência e a moralidade tentam falar comigo, enclausuro-me no barulho para que não ouça sua voz. A suavidade da voz da consciência é nublada pela ensurdecedora algazarra moderna. Como C.S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia, fazia soar pela boca do diabo-tio ao diabo-sobrinho, em forma de “conselho”: quando alguém está perto de pensar em Deus, distrai-o com qualquer coisa… E o barulho faz isso!

É muito sintomático. Nossa sociedade, ao abandonar seus valores mais profundos de cristianismo e moral, está doente. E o remédio, que é o silêncio, é escondido justamente para que de nossos males não nos curemos. Um triste “dilema Tostines”: estamos eticamente doentes porque gritamos e não queremos a quietude, ou gritamos e não queremos a quietude porque estamos eticamente doentes?

O que me deixa assustado é perceber que mesmo aqueles locais em que se poderia encontrar uma esperança parecem aderir aos costumes do tempo. Quantas e quantas igrejas são abertas, em cada esquina, que, a pretexto de louvar a Deus, despejam toneladas de decibéis em nossos ouvidos, como se Cristo fosse surdo para ouvir os clamores dos que se lhe pretendem fiéis!

(..) Ensina D. Antônio Vitalino, Bispo português, que

“a atitude de escuta e o silêncio (…) fazem parte da oração autêntica” e que “vivemos num tempo de barulho, de palavreado, de demagogia, de processos infindáveis, em que os sofismas das palavras procuram escamotear e ocultar os fatos, criando realidades virtuais contra as vítimas reais”.

Sirva esta Quaresma para buscar o silêncio.

Fonte: Veritatis Splendor

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* Laos: cristãos seguem detidos “até que renunciem à sua fé”.

sábado, fevereiro 13th, 2010

Um grupo de 48 cristãos, nativos da província de Salavan, ao sul do Laos, estão detidos “até que renunciem à sua fé”, informou nesta sexta-feira a agência católica Ucanews.

O governador do distrito de Ta-Oyl ordenou sua detenção após um incidente ocorrido em 10 de janeiro, em que um grupo de cerca de cem oficiais armados irromperam durante uma celebração religiosa dominical, no vilarejo de Katin.O evento foi denunciado pelo Human Rights Watch for Lao Religious Freedom (HRWLRF) e pelo International Christian Concern (ICC).

Os oficiais, apontando armas para as cabeças de alguns dos fiéis, exigiram a interrupção do evento, expulsaram os participantes e detiveram 48 pessoas, forçando-os a se deslocarem para um campo improvisado nas proximidades, no qual ainda permanecem detidos.

O governo confiscou seus pertences e destruiu seis de suas casas. Estão impedidos de regressar ao vilarejo, dormindo ao relento e com pouca comida, segundo a ICC.

A organização destacou que os fiéis cristãos se negaram a obedecer às ordens de renunciar à sua fé.

Segundo a HRWLRF, a polícia local organizou barreiras para impedir que os cristãos expulsos pudessem regressar a Katin.

O líder local do povoado declarou, no ano passado, que o “culto aos espíritos” seria a única forma tolerada de culto na comunidade, segundo informou a HRWLFR.

Em 11 de julho de 2009, determinou o confisco do gado dos aldeões cristãos e convocou uma reunião como todos os moradores, na qual declarou que estava “proibida a fé cristã no povoado”.

O Laos, com quase 7 milhões de habitantes, tem população majoritariamente budista (65%). Os cristãos representam 1,5% da população, com cerca de 40.000 católicos. As autoridades comunistas acusam os cristãos de aderirem a “credos importados”, que representariam uma ameaça ao sistema político do país.

A Constituição do Laos, em seus artigos 6 e 30, garante claramente o direito de culto aos cristãos e demais minorias religiosas. A ação representa um retrocesso ao período de perseguições anti-cristãs dos anos 90.

***

O comunismo não morreu, como se percebe cada vez mais.

Trata-se de um sistema politico ateu e que tem como inimigo a religião cristã,identificada em seus primórdios históricos como “ópio do povo” e incapaz por sua mensagem de perdão e amor colaborar com os “ideais revolucionários” a não ser que mudasse, como se tentou posteriormente na América latina.

Hoje a face deste sistema em países democráticos tem se “suavizado” para conseguir através de um outro tipo de revolução seus objetivos.

Essa suavização é estratégia e não negação de sua “utopia”.

Muito dos atuais desafios da Igreja em nossa cultura tem sua origem ideológica no marxismo que sempre defendeu a retirada da fé e de seus valores da vida do povo, que o digam os países da cortina de ferro que sairam do jugo dessa “desgraça” ( no sentido lato da palavra.. Sem a graça)

Sem perceberem – ou percebendo- muitos cristãos embarcam nessa barca furada sem permitirem que a história recente fale do fracasso que tentam esquecer.

Inocentes úteis?  Alguns…Outros não!

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* Onde é mais difícil viver a fé no mundo?

domingo, fevereiro 7th, 2010

Athar Hussain/Reuters / Muçulmanos no Paquistão: pena de morte para quem difamar o Islã Muçulmanos no Paquistão: pena de morte para quem difamar o Islã

Pesquisa mostra quais são os países em que as minorias religiosas sofrem mais intervenção do Estado e da sociedade

Aproximadamente 70% da po­­pulação mundial vive em países onde a religião é altamente restringida pela ação do governo e da sociedade.

O Brasil, porém, é considerado um dos mais liberais do mundo para o exercício da fé. Ín­­dia e China mantêm controles rígidos sobre cultos religiosos e a Europa iluminista avança sobre o credo islâmico.

Estas são algumas conclusões retiradas do estudo “Global Res­­trictions on Religion” (Restrições Globais à Religião), realizado pelo think tank americano Pew Forum on Religion & Public Life Divul­­gada no mês passado, a pesquisa realizada em 198 países traça um amplo panorama das limitações impostas à prática religiosa.

Países europeus fecham cerco ao Islamismo

Na média, os países europeus alcançam índices moderados de Restrições Governamentais (RG) e Hostilidades Sociais (HS). Al­­guns microestados, como Mol­­dávia (4,6 em RG e 3,5 em HS) e Bielo-Rússia (6,1 em RG e 1,9 em HS), têm índices um pouco acima da média no continente.

A Europa, porém, entrou re­­centemente no radar da intolerância religiosa, após a França (3,4 em RG e 3,0 em HS) e a Suíça (1,0 em RG e 1,9 em HS) proporem legislação impedindo a exibição de símbolos muçulmanos.

Na França, um projeto de lei prevê a proibição do uso de ni­­qab (vestimenta que cobre todo o corpo) por mulheres muçulmanas no país. Em novembro do ano passado, a Suíça proibiu a construção de novos minaretes – torres de templos muçulmanos usados para convocar às orações.

Para Silas Guerriero, da USP, a escalada contra o islamismo na Europa ultrapassa a guerra ao extremismo, e pode ser entendida como uma reação ao crescimento da religião fundada por Maomé. “O ataque de 11 de se­­tem­­bro é apenas um ponto dentro de um processo pelo qual passam muitos países europeus. O Islamismo cresce mais rapidamente, enquanto que o catolicismo decresce”, diz.

Em 32% dos países pesquisados ocorrem interferências no li­­vre exercício da fé em grau “muito alto”. Dentre estes, estão algumas das nações mais populosas do mundo, como a China, a Índia e a In­­donésia, o que contribui pa­­ra elevar a soma final da população em territórios onde a fé é su­­per­­vi­­sio­­nada. O resultado numérico, no en­­tanto, não significa que 70% do mundo sofra perseguições por cau­­sa da religião. Ge­­ralmente, os ca­­sos estão relacionados às minorias religiosas presentes nesses países.

Pontos comuns

A maior dificuldade em traçar um paralelo religioso entre as na­­ções é equilibrar as características de cada cultura e o rigor metodológico de uma pesquisa ampla. Para Silas Guerriero, coordenador da Pós-Graduação em Ciên­­cias da Religião da Universidade de São Paulo (USP), “os diversos países possuem as mais diferentes relações entre o Estado e a religião. Há desde aqueles em que a liberdade de expressão religiosa é garantida pelo Estado até aqueles países que estão próximos de uma teocracia, em que a religião única se confunde com o próprio Estado. A re­­ligião faz parte da es­­fera social. Seria impossível separar essas esferas de maneira definitiva”.

A análise do Pew Forum, realizada entre 2006 e 2008, desdobrou-se em duas vertentes: Restri­­ções Governamentais (RG), que abrangem as ações do Estado para controlar manifestações religiosas; e Hostilidades Sociais (HS), que comportam os atos de violência ou intimidação praticado por indivíduos ou grupos sociais.

Em cada uma dessas vertentes, os pesquisadores formularam quesitos para a formação dos respectivos índices. Um dos pontos que formam o índice de Restrições Governamentais, por exemplo, é a obrigatoriedade de algum tipo de educação religiosa em escolas públicas. No índice de Hostili­­da­­des Sociais, um dos fatores relevantes é se existem, no país pesquisado, conflitos armados motivados por diferenças religiosas.

Fonte: Gazeta do Povo

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* A fé é inteligente? responde-nos Cardeal Ratzinger

segunda-feira, fevereiro 1st, 2010
.

Do livro: RATZINGER, Joseph. Dios y el mundo. Una conversasación con Peter Seewald. Buenos Aires. Editorial Sudamericana, 2005.

Peter Seewald: A Igreja e seus santos ressaltam que também se pode compreender, comprovar e demonstrar a fé cristã por meio da razão. Está certo?

Joseph Ratzinger: Sim, mas dentro de certos limites. É verdade que a fé não é uma arquitetura de imagens gratuitas que alguém possa inventar a seu talante. A fé se arremete à inteligência porque expõe a verdade – e porque a razão foi criada para a verdade -. Nesse sentido, uma fé irracional não é uma fé cristã. A fé desafia nossa compreensão. E nessa conversação também pretendemos averiguar que tudo isso – começando pela ideia da criação até a esperança cristã – é uma formulação inteligente que nos apresenta algo razoável. Nesse sentido, pode-se demonstrar que a fé também está conforme à razão.
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* Fé e razão são conciliávies, sim!

quinta-feira, janeiro 28th, 2010

Quantcast

Everth Quiroz Oliveira

” Concordo que o mal e o sofrimento propõem um sério desafio intelectual e moral para os cristãos. (É interessante que, no Hinduísmo e no Budismo, não existe esse problema. Os hindus acreditam que seu sofrimento nesta vida é a conseqüência dos seus atos em uma vida passada. O Budismo acredita que o sofrimento é o produto do desejo egocêntrico e pode ser superado por meio de uma dissolução do “eu” que nutre esses desejos.)

Quando coisas terríveis acontecem, parece que elas são mais facilmente explicadas pela ausência de Deus do que por sua presença.

Mas o que poucos perceberam é que o mal e o sofrimento também propõem um terrível desafio para os ateus. A razão é que o sofrimento não é simplesmente um problema intelectual e moral; é também um problema emocional.

O sofrimento não destrói mentes; ele destrói corações. Quando adoeço, não quero uma teoria para explicar o fato, quero algo que me deixará melhor. O ateísmo talvez tenha uma explicação melhor para o mal e o sofrimento, mas não oferece consolo. Entretanto, o teísmo (…) oferece uma forma melhor para se lidar com as conseqüências do mal e do sofrimento.”( Dinesh D`Sousa)

O mistério do sofrimento é, de certo modo, atraente para a exploração dos ateus, quando sobrevêm ao crente alguma dificuldade ou algum mal. Se Deus é verdadeiramente onipotente e bondoso, por que permite que seus filhos sofram? O ideal seria começar a olhar para o sentido do sofrimento.

À luz do pensamento cristão, somos convidados a olhar para o mal como uma fonte da qual podemos, com a graça de Deus, extrair bens valiosos. Mas, essa mesma proposta – de olhar para o sentido do sofrimento – parece impossível de ser respondida pelos ateus militantes a menos que queiram deixar a visão de mundo darwinista de lado.

De acordo com essa, por exemplo, a dor pela morte de alguém ou o sofrimento por causa de uma tragédia seriam vãos, uma vez que a morte de pessoas é simplesmente a tragédia da extinção de alguns animais, e qualquer tentativa de confortar ou consolar o abatido seria descartada. Enfim, o ateísmo critica o Deus cristão, mas se vê obrigado, à medida que constata que o mal, de fato, “destrói corações”, a aceitar que conforto espiritual e consolação são, nesse momento de dificuldade, necessários.

Mas, alegarão os ateus, é bem melhor mostrar ao homem a verdade do que crer em fábulas e contos de fadas. O fato é que essa tentativa de comparar o Deus cristão com contos e fábulas é bem idiota: nunca ouvi nenhuma história em que era necessária uma fada para a criação do Universo ou onde as explicações filosóficas para se crer na existência do unicórnio fossem fortes o bastante para que qualquer pessoa sensata nisso acreditasse. Além disso, quem pode provar que a realidade não é verdadeiramente essa proposta pelo cristianismo? A ciência é laica. Não tem religião. Isso significa que ela também não professa o ateísmo. Fé e razão não são extremos opostos inconciliáveis, como propõem certos darwinistas. Fé e razão são bens vindos do mesmo Deus e, portanto, perfeitamente conciliáveis.

Atenhamo-nos, entretanto, ao problema do mal. É, sem nenhuma dúvida, complexo. A novidade do cristianismo é que, ao dar uma finalidade ao sofrimento humano, mostra um Deus que se compadece da situação do homem: Ele vem sofrer conosco. O símbolo dessa realidade é a Cruz. Lá está Cristo, no alto do Calvário. O homem se vê impossibilitado de alcançar a própria salvação. Ele, por si mesmo, não tem méritos. É, como diz a Escritura, . E, diante da situação espiritual em que se vê, não há nenhuma esperança de vida.

Se o homem não pode caminhar até Deus, então Deus caminha até o homem. O Filho do Homem se faz carne. Diante do problema do mal, a Escritura não o mostra debatendo com os doutores da Lei ou tentando mostrar ao homem que, de fato, o sofrimento é uma porta que abrimos para a plena realização da vontade de Deus em nossa vida. Ele aceita ser crucificado. É humilhado, ao máximo. Sofre, ao extremo. Sofre para nos remir e também para nos motivar na cruz das nossas dificuldades. Que sentido há em tudo isso? Um Deus que se faz homem? Um Deus que sofre por causa dos pecados do homem? Eis a misteriosa e magnânima Misericórdia de Deus, que o povo de Israel canta solenemente: “Louvai o Senhor, porque ele é bom. Porque eterna é a sua misericórdia.” (Sl 106, 1).

Cantamos a Misericórdia eterna de Deus ao mesmo tempo em que vivenciamos as finitas realidades da dor, do sofrimento e da morte. “Onde está, ó morte, a tua vitória?” (1 Cor 15, 55). A vitória de Cristo se dá na ressurreição. Assim, se com Ele sofremos, também com Ele triunfaremos. Se com Ele morremos, também com Ele teremos ressurreição. Demos graças, por fim, ao Senhor, “vós, que na hora da angústia me reconfortastes” (Sl 4, 2). Peçamos à Virgem Santíssima que nos dê a graça de contemplar a Misericórdia e a bondade do Altíssimo. Não sejamos indiferentes à Redenção.

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* Símbolos: linguagem cifrada das aspirações e dos ideais humanos.

terça-feira, janeiro 26th, 2010

Dr. Frei Antônio Moser

São inúmeros os estudos, antigos e recentes, sobre a importância dos símbolos na vida e na cultura dos povos. De alguma forma eles são uma linguagem cifrada das aspirações e dos ideais humanos. Por isso mesmo existem desde tempos imemoráveis e continuarão existindo. São tão importantes para a vida e a cultura dos povos que hoje a semiótica ( semeion=sinal) – ciência que estuda os significados da linguagem e dos símbolos é muitíssimo conceituada.

Existem símbolos com significados profundos dentro de um determinado contexto histórico e cultural. Quando abraçados com ardor, manifestam e alimentam o respeito e o despertar de energias inesperadas.

É o caso da bandeira ou do hino nacional de um país. Por isso mesmo até as crianças, quando participam de uma cerimônia cívica, ao hastear da bandeira e ao canto do hino nacional levam inconscientemente a mão ao peito. Ter sobre seu caixão a bandeira é uma das maiores honras que podem ser concedidas a quem deu a vida pela pátria.

Outros símbolos apontam para um nível ainda mais profundo, tentando traduzir convicções e valores que se apresentam como indissociáveis para a sobrevivência de uma instituição ou cultura; expressam a identidade profunda.Assim, para todos os povos, túmulos e cemitérios foram e são lugares onde se “respira um clima” de sacralidade e se mergulha nos mistérios da vida após a morte. Violar um túmulo é algo inadmissível em qualquer civilização.


Particularmente profundos são os símbolos religiosos, por mais simples que possam parecer. E esses símbolos apresentam variáveis, mas sempre ultrapassam o nível do que se visualiza e apontam para uma dimensão transcendente.


No caso daquelas inúmeras nações e das incontáveis regiões que foram evangelizadas pelo cristianismo, um dos símbolos mais expressivos é o do Cristo crucificado. Por isso, mesmo onde a modernidade e o materialismo se impuseram com furor, ninguém ousa tocá-lo. É o que se percebe, por exemplo, em muitos dos países da Europa Central. Passam os regimes, passam as ideologias e as cruzes lá continuam, atravessando o tempo.


Porém, o exemplo mais surpreendente de respeito aos símbolos religiosos verificou-se na antiga União Soviética. A começar pelo coração do materialismo ateu, o Kremlin. Todo rodeado por imponentes muralhas, sobre as quais tremulavam bandeiras, naturalmente vermelhas, e revestidas da foice e do martelo, mesmo no auge do fervor marxista, ninguém ousou tocar nas três lindas igrejas situadas no coração do Kremlin: a do Arcanjo Miguel, a da Dormição e a da Anunciação.


Também no mesmo local ainda se conservam torres e salões batizados com nomes de santos: Torre São Salvador, Torre de São Nicolau, de São Constantino e Torre Santa Helena. E para não esquecer, preservou-se ainda um salão dedicado a São Vladimir. Aliás, não dá para esquecer a imponente Catedral de São Basílio, no Centro da Praça Vermelha.


Existem ainda muitas outras igrejas, que com seu estilo bizantino dão um toque todo especial a Moscou e a toda a Rússia. E aqui aparece a maior surpresa: mesmo se empenhando durante 70 anos para arrancar do coração do povo as convicções religiosas, consideradas como alienantes; mesmo prometendo um “paraíso terrestre” no lugar do “paraíso celeste”, os fervorosos marxistas acabaram se esquecendo de um detalhe: derrubar as igrejas e monumentos religiosos, deixando-os intactos, inclusive com as cruzes que continuam imponentes no alto de todas as inúmeras torres.


Ao lerem essas considerações, com certeza alguns irão se perguntar pela sua razão de ser. Existem ao menos duas.


Primeira: aqui e ali há quem comece a exigir a retirada de símbolos religiosos de locais públicos. O símbolo mais visado é naturalmente o do Cristo crucificado. É que Jesus, cometeu um erro imperdoável: em vez de prometer um paraíso terrestre, prometeu apenas um paraíso celeste.


Segunda resposta: se formos levar a sério certas propostas, devidamente avalizadas por altas autoridades, teremos que proceder como os americanos em Bagdá, derrubando tudo o que se contrapõe aos seus interesses. E sempre existem figuras que incomodam alguém.


Nesse contexto brasileiro de debates oriundos de decretos nos quais se entrevê uma espécie de pretensão de corrigir Moisés e Jesus Cristo, talvez seja conveniente lembrar um relato do que teria ocorrido com o Imperador Constantino. Quando, preparava-se para enfrentar o cruel e tirânico Maxêncio, na Ponte Mílvia, em Roma, em 312, em sonho ele teria sido encorajado por uma voz que parecia sair de uma grande cruz dizendo-lhe: “Com esse sinal vencerás”. Constantino não só venceu, como concedeu liberdade religiosa, e, com isso, pôs fim à perseguição dos cristãos.

Convém não esquecer que os símbolos se constituem numa manifestação das aspirações mais profundas de um povo.

Tentar remover símbolos religiosos, sobretudo no contexto do Brasil, é tentar arrancar sua alma e sua brasilidade.


Pois por mais que isto possa desagradar a uns poucos setores da sociedade, convém recordar que o Brasil nasceu aos pés da cruz, quando da primeira Missa celebrada por Frei Henrique de Coimbra.


A remoção de símbolos religiosos se constituiria afronta não só religiosa, mas também cultural ao nosso povo. O Brasil, que no início foi batizado com o expressivo nome de “Terra da Santa Cruz”, não se entenderia a si mesmo sem seus símbolos religiosos e as manifestações de fé de sua gente. Por isso mesmo, qualquer tentativa de atacar as convicções mais profundas do povo são sempre temerárias. Não faltam exemplos de pessoas arrogantes que se atribuíram direitos que não lhes cabiam e, por vezes mais cedo do que esperavam, acabaram encontrando uma “Ponte Milvia” em seu caminho. É só questão de tempo.

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* Estudo britânico confirma que o matrimônio e os filhos aumentam a felicidade.

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Um estudo realizado por peritos da Universidade de Glasgow comprovou que contrair matrimônio e ter filhos aumenta a felicidade e a satisfação de viver.

Estudo britânico confirma que o matrimônio e os filhos aumentam a felicidade

Os resultados do Dr. Luis Ángeles foram publicados no Journal of Happiness Studies.

Segundo o perito, quando os entrevistados foram questionados sobre as coisas mais importantes em suas vidas, a maioria pôs a seus filhos ao início da lista.

Para as pessoas casadas de todas as idades e as mulheres casadas em particular, as crianças são sua maior satisfação e esta sensação aumenta segundo o número de crianças no lar.

Em troca, as pessoas solteiras ou separadas de seus casais que devem criar sozinhos os seus filhos reportam experiências negativas. Os meninos são vistos nestes casos como uma limitação para a vida social, a quantidade e o uso do tempo livre.

“Existe a tentação de acreditar que as crianças podem fazer-nos melhores pessoas só nas ‘condições adequadas’, um tempo na vida em que as pessoas sintam que estão preparados para a paternidade, ou ao menos deseja está-lo. Este momento pode chegar em etapas muito distintas para as pessoas, mas um sinal adequado deste enfoque pode ser o ato do matrimônio”.

ACI

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* Tragédia no Haiti. Ateus excitados e justificados.Será?

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Deus não existe?

Deus não existe?

Hélio Schwartsman ,articulista da Folha de São Paulo,não perdeu a oportunidade de pregar seu ateísmo utilizando como pano de fundo a tragédia no Haiti. Ele sugere que, pelo fato de o terremoto ter ceifado vidas inocentes, incluindo a de crentes, Deus está ausente.

No texto “Deus e a terra”, ele afirma que “é justamente para combater a ideia de que o acaso (e com ele a ausência de propósito) está no comando que, suspeito, criamos a noção de Deus”.

O fato é que tragédias existem desde que o pecado entrou no mundo. Na verdade, o pecado é a verdadeira tragédia – o resto é consequência.

É verdade que inocentes morreram no Haiti, assim como morrem inocentes todos os dias, desde que nossos primeiros pais saíram pelos portões do Éden. É verdade que a boa doutora Zilda Arns morreu numa igreja, mas significa isso que Deus abandonou Sua filha em pleno serviço em prol dos desvalidos?

O apóstolo Paulo foi um dos gigantes da fé. Operou milagres e levou a mensagem de esperança a lugares distantes, sofrendo perseguição, espancamento e prisão em nome de Jesus. Depois de anos de trabalho e dedicação, Deus o enviou para Roma, a fim de que pregasse o evangelho na capital do Império. E foi lá que Paulo morreu decapitado. Deus não poderia tê-lo poupado da morte? Por que o enviou justamente para a cidade em que sua vida seria ceifada? O fato é que Deus não vê a morte como o ser humano a vê – ou melhor, como o ser humano sem Deus a vê.

Por isso Jó pôde declarar: “Embora Ele me mate, ainda assim esperarei nEle” (Jó 13:15, NVI). É esse o tipo de confiança que têm aqueles que convivem com o Criador e sabem que Ele existe, não porque os livra de todos os males terrestres, mas porque Se revela claramente para eles, fala com eles; é tão real quanto o amor que se sente, mas não pode ser visto nem tocado.

Segundo meu amigo de Portugal Felipe Reis, “se, segundo esse tipo de raciocínio [do Schwartsman], as tragédias demonstram que não existe Deus, o fato de milhares de pessoas desinteressadas se disponibilizarem para ajudar ao seu próximo com amor não deveria demonstrar que Ele existe?” E outro amigo, o Marco Antonio Dourado, de Curitiba, enviou um e-mail para o Schwartsman. Você pode lê-lo aqui:

“Bom dia, caro Hélio. Como de hábito, li sua coluna na Pensata de ontem, ‘Deus e a terra’, e me ocorreram algumas considerações que gostaria de compartilhar contigo.

“No tristemente célebre debate entre Rousseau e Voltaire acerca da existência de Deus, decorrente do problema religioso resultado do grande terremoto de Lisboa em 1755, devo adiantar que não lhe reconheço a validade. Rousseau, o castelão suiço cujo amor à humanidade e temor a Deus era demonstrado na contumácia com que abandonava em orfanatos os bastardos que trazia ao mundo, representa tão bem o teísmo quanto Hugo Chavez representa a democracia. Já Voltaire, coitado, conseguiu traduzir à perfeição o Iluminismo, do qual foi prócer: morreu suplicando por luz; eis aí o retrato mais bem acabado do chamado ‘Século das Luzes’.

“Essa dupla de fósseis insepultos costuma ser trazida à baila, geralmente por ateus, em épocas de grande comoção mundial em face de catástrofes naturais. É do jogo. Conforta-me que nessa hora os cristãos, pelo menos os cristãos de verdade, abandonam tais diatribes e partem em auxílio aos desgraçados (o que, aliás, muitos ateus, com a graça de Deus, também fazem). É por essas que neste momento nem me vem à mente o bestialógico otimista ‘Carta a respeito da Providência’,* de Jean-Jacques. Penso apenas em pessoas como Zilda Arns. O Amor, matéria-prima de Deus, não é uma emoção ou mesmo um sentimento; é um modo de ser. Dona Zilda, em sua vida e em sua morte, é prova inconteste dessa proposição. Sua estatura espiritual e moral recolhe os arrazoados oportunistas e estéreis à sua verdadeira dimensão: a irrelevância.

“Mas será que a discussão em si pertine? Certo que sim, mas não agora. Melhor em outra ocasião. Hoje, diante do horror em Haiti, devemos mais é externar por meio de atos aquilo de que, de fato, somos feitos. Alhures, de volta à normalidade possível, poderemos reencetar a questão filosófica. Nesse caso, devo adiantar que se nos for dado voz, que ao menos possamos escalar o nosso time – coisa que os ateus, tão prestimosos, tão desapegados, adoram fazer por nós. Como Rousseau não merece sequer ser gandula da partida, eu poderia evocar Heinrich Heine e seu comovente ato de fé renegando o virulento ateísmo que até então promovera. Melhor, no entanto, é apelar a Antony Flew, um dos mais cultuados e atuantes filósofos ateus do século 20. Compreendo que seu livro Um Ateu Garante: Deus Existe tenha feito com que os ateus militantes deixassem de lhe reconhecer a existência física, intelectual e moral. Isso não nos surpreende a nós, cristãos: ‘Mas a sabedoria é justificada por TODOS os seus filhos’ (Lucas 7:35).

“Não sei quem os ateus elegeriam para contestá-lo. Richard Dawkins, aquele gigolô da dissonância cognitiva alheia? Não, meus irmãos ateus! Por tudo o que é sagrado, não! Não me façam sentir por vocês a vergonha que são incapazes de sentir por si mesmos.

“Por falar em dissonância cognitiva, uma excelente recomendação de leitura: A Prova Evidente, de Gershon Robinson e Mordechai Steinman. Leitura rápida, simples e deliciosa, que analisa esse fenômeno. Resumindo:

“Dissonância cognitiva é um artifício psíquico subliminar destinado a proteger o indivíduo de informações que lhe tragam desconforto mental. Ela costuma ocorrer com qualquer um de nós, e pode nos levar a ignorar teses e teorias complicadas, que nos façam sentir ‘burrinhos’. Procura também evitar a ruína daqueles nossos imensos e arraigados investimentos intelectuais, ruína que depauperaria nosso vasto patrimônio de certezas acalentadas. Os mecanismos da dissonância cognitiva podem guindar a informação indesejada à áreas da memória pouco acessadas, uma espécie de aterro sanitário da nossa mente. Podem também provocar uma reação física visivelmente manifesta: impaciência, irritação, cinismo, fleuma afetada, antipatia pela fonte da informação e até, em casos extremos, levar à distimia crônica.

“Penso que antes de qualquer debate, especialmente os de natureza ‘Deus existe?’, cada pessoa, ateia ou teísta, deveria dar uma boa lida na obra desses dois autores judeus e submeter-se a um exame de consciência. Seria como um purgante mental para nos livrar de preconceitos até então inegociáveis. Só assim o diálogo prosperaria em direção à luz que faltou a François-Marie Arouet em sua última hora.”

(*) Sobre o tal otimismo aventado por Rousseau, nunca, jamais deixarei de citar o escritor católico George Bernanos, que formulou um aforismo feito sob medida para, entre muitos, o autor de O Contrato Social: “O otimismo é uma falsa esperança para uso dos frouxos e imbecis. A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.”

Michelson Borges

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* Crer em Deus em tempos de tragédia.

segunda-feira, janeiro 18th, 2010

Eu estava no saguão do aeroporto quando um rapaz se aproximou. Suas palavras foram poucas. “Só os limitados intelectualmente acreditam em Deus!” Disse e saiu.

Eu fiquei engasgado com sua afronta. Num primeiro momento o meu desejo era dizer-lhe uns desaforos, mas não tive tempo.
Sua frase me perseguiu ao longo de todo o dia, mas aos poucos ela foi perdendo o seu poder de agressão.

A frase do rapaz me fez lembrar a regra de ouro da Hermenêutica, a ciência da interpretação. “Todo texto pede um contexto.” Eu não tive tempo para compreender o contexto da frase. Não sei qual foi a experiência religiosa que fomentou aquela compreensão. É bem provável que o rapaz tenha sido vítima de um discurso religioso opressor, pouco sensato. Esse discurso sempre fez parte das culturas humanas. Ensina uma crença que passa longe do bom senso. Interpreta o livro santo ao pé da letra, fundamenta em textos descontextualizados, e justifica com parcas teologias as absurdas caricaturas divinas que foram elevadas aos altares.

O insulto do rapaz me fez pensar na forma como creio em Deus.

Fez-me recordar meu tempo de magistério, quando em sala de aula eu vivia o desafio de propor que a religião só é possível quando os joelhos no chão sustentam uma cabeça que não tem medo de pensar. A fé em Deus não é afronta à inteligência. Não é preciso abrir mão da capacidade intelectiva para admitir a transcendência. E sobre isso gostaria de ter falado ao jovem moço.

Crer em Deus é mais trabalhoso do que não crer. Como tão bem sugeria o escritor mineiro, Guimarães Rosa, a fé é o discurso da terceira margem. Requer abstrações muito elaboradas. É através delas que interpretamos o mundo. Deus não nos aliena, mas nos contextualiza. É simples. Eu acredito na proteção divina, mas olho para os dois lados da rua antes de atravessá-la. É uma questão de bom senso. Não posso crer que Deus venha fazer por mim aquilo que só a mim compete. Não sei quem foi que disse, mas há uma frase bastante sugestiva que gosto muito “Nós só temos o direito de esperar pelo impossível depois de termos feito tudo o que nos foi possível.”

É verdade. Crer em Deus dessa forma é razoável. Não é nenhuma afronta à inteligência humana admitir essa crença. A maturidade espiritual nos sugere que a ação humana legitima no tempo a ação de Deus. Só assim podemos compreender o cuidado divino. O bem que Deus quer para o mundo passa o tempo todo pelas escolhas que fazemos. Se eu me descuido das questões do meu tempo é bem provável que Deus perca a oportunidade de agir no espaço onde estou situado. O ser humano é local teológico privilegiado da ação divina.

É por isso que a fé encarnada, vivida e experimentada sem alienações só pode fazer bem à sociedade. O mundo seria bem melhor se os religiosos do nosso tempo pregassem um pouco mais essa parceria: humano-divina. Deus nos concedendo os dons necessários, e nós realizando a tarefa nossa de cada dia. Talvez assim a gente conseguisse diminuir as tragédias no mundo.

Padre Fábio de Melo

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* Vivemos como se as verdades e os valores universais não existissem, afirma psicanalista Francês em livro.

domingo, janeiro 17th, 2010

“Vivemos em uma sociedade depressiva”,é  a tese que defende o psicanalista Tony Anatrella no seu livro “Non à la societé dépresive” (“Não à sociedade depressiva”), publicado pelas edições Flammarion.

Para ele, uma sociedade em que o aborto, o divórcio, a homossexualidade, a promiscuidade sexual, a toxicomania, o suicídio dos jovens, são aceitáveis como fenômenos inquestionáveis é uma sociedade doente, à beira da implosão.

E se a ausência de Deus fosse a principal causa desse desastre? Tony Anatrella discute este tema com a revista Francesa Paris Match.

A Revista não é um revista religiosa e as perguntas,bem formuladas,nos trazem respostas preciosas que expressam a realidade Francesa e também Brasileira.

Não se assuste com o tamanho. Leia devagar e veja que  percepção lúcida da sociedade!

Imperdível!

***

Tony Anatrella
Psicanalista, sacerdote de uma diocese de Paris, especialista em psiquiatria social, professor de psicologia clínica, consultor do Conselho Pontifício para a Família .

No seu livro “Não à sociedade depressiva”, o senhor faz uma exposição muito pessimista da sociedade francesa de hoje. Você diz que os homens e as mulheres estão fazendo a greve dos ideais; um desastre, em resumo.

Sim, um desastre. Assistimos nos últimos anos a uma grave degradação do sentido de ideal comum a todos. Só buscamos a nós próprios e acabamos metendo-nos numa rua sem saída. Recusando-nos a buscar qualquer outro ideal que não seja nós mesmos, fechamo-nos num impasse. O uso da fórmula própria dos adolescentes: “Mudar a vida”, prefigura muito bem a recusa da realidade, que leva à impotência.

Querendo libertar-se de Deus, nossas sociedades têm produzido ideologias alienantes e desesperadoras para o homem; ideologias que depois acabam sendo implodidas umas após outras.

É por isso que a depressão é uma doença do sentido de ideal, em que não se sabe mais como encontrar as realidades da vida.

O problema existencial vai evoluindo. As pessoas estão atualmente num estado de tristeza pela perda do ideal a partir do qual a vida é possível.

Os depressivos têm a impressão de estarem despojados da sua vida e incapazes de antecipar o seu futuro.

O senhor afirmaria que nós estamos em vias de suicidar-nos coletivamente e que se trata de um problema de saúde pública?

Nós corremos o risco de destruir-nos progressivamente se vivermos dessa herança. É o “destroy” de Duras. O instinto de morte toma lugar vez por outra nas nossas sociedades. O individuo encontra-se só em face de si mesmo e sem o suporte de uma sociedade que se vê sem futuro.

Vivemos no império do efêmero, numa sociedade que só vê o presente, incapaz de arriscar-se na construção do futuro. O presente acaba sendo apenas como um intervalo até a morte. Mas, como viver o presente se o futuro não tem mais sentido?

Não se diz, num impulso depressivo, que “é preciso matar o tempo”?

Sim. Além disso, certos cantores e comediantes são um reflexo da sociedade. É isso que explica em primeiro lugar o seu sucesso: Gainsbourg (1), brincando de forma suicida com a morte, Coluche (2), destemido diante dela, e Jim Morrison (3), que praticamente suicidou-se. As suas existências estavam voltadas para a procura fascinante da morte e não para a procura do amor pela vida.


(1) Serge GAINSBOURG, (1928-1991), muito popular na França, de pais judeus emigrados da Rússia foi pintor, pianista de bar, diretor de filmes, compositor, cantor. Viciado em às drogas, teve uma vida cheia de escândalos.

(2) Michel Gerard Joseph COLUCCI (COLUCHE, 1944-1985), Ator, humorista debochado e grosseiro, que ridicularizava os valores morais, familiares e religiosos. Realizador de espetáculos para TVs, Rádios e music-halls, morre pouco depois aos 41 anos ao entrar na traseira de um caminhão com a moto que usava em suas exibições. A desorientação da sua vida se pode resumir nesta declaração dele “Rendre l´âme, d´accord, mais à qui? (“Entregar a alma, de acordo, mas a quem?”).

(3) Jim MORRISON (1943-1971), compositor americano, vocalista do conjunto The Doors. Viciado em drogas, suas letras refletem as tensões do seu tempo – a cultura da droga, o movimento contra a guerra, a arte de vanguarda. Com a sua morte prematura Morrison foi uma vitima voluntária das forças destrutivas da cultura pop. Sua angústia perante a vida se vislumbra numa das suas declarações : We´re more interested in the dark side of life, the evil thing, the night time (“Estamos mais interessados no lado negro da vida, no mal, na noite”). Morreu afogado numa banheira de um hotel em Paris após ter desmaiado sob efeito do álcool e da heroína.


E muitos jovens querem identificar-se com esses “modelos”, adotando o seu tipo de pensamento. Eles têm-se deixado entusiasmar pela tentativa de morrer, própria da psicologia depressiva observada em numerosas canções e “sketches” que exprimem o sofrimento pela perda dos sonhos aos que o indivíduo não quer renunciar e luta para conseguir.

A necessidade de viver o instante presente e não pensar no futuro é uma atitude corrente da adolescência, mas que se encontra ainda em muitos adultos que vivem sem ter consciência da História. O drama da sociedade de hoje é querer privar-se de referências e não admitir que elas existem.

Olhemos para os apresentadores do tempo da TV francesa. Eles anunciam diariamente o nome de quem será a festa religiosa do dia seguinte sem fazer referência ao seu titulo de santo, abolindo desse modo a referência inicial e o sentido da festa. Ou ainda o caso de um jovem animador de rádio que conta uma história mirabolante envolvendo homens das cavernas para explicar a origem da terça-feira de Carnaval, que é simplesmente um dia de grande festividade que precede a abertura da Quaresma. Estamos em vias de fabricar todo tipo de colagens culturais.

Também se diz que nós vivemos atualmente como se não tivéssemos raízes e, sem referências, a sociedade está condenada a morrer.

Sem ideal, uma sociedade não tem futuro. Na nossa sociedade depressiva, vivemos sob uma mentira social, como se não tivéssemos raízes. Assim, acreditemos ou não, chegamos a ter vergonha de reconhecer que os nossos valores procedem do cristianismo, vergonha dos nossos pais, em resumo das nossas origens.

Uma sociedade incapaz de assumir o seu passado dentro do seu presente é uma sociedade condenada a morrer. Não há futuro para quem não tem em conta o seu passado. Mesmo os pensadores iluministas do século XVIII não sonharam jamais em negar as suas raízes, ou seja, o cristianismo.

Se muitas crianças não freqüentam mais a catequese hoje, não é somente por razões religiosas, mas porque os adultos não sabem mais que esperança devem transmitir, eles próprios não acreditam mais no seu papel educativo e abdicaram da formação da inteligência e da vida interior dos filhos.

O senhor disse em algum lugar que antigamente se batizava em vistas ao futuro...

Hoje, plantamos, cultivamos e construímos para o instante presente. Não fazemos nada para as gerações que virão. Construímos edifícios com materiais que envelhecem rapidamente e que não preservam a intimidade, como é o caso do o vidro.

Como é que chegamos a esta situação?

A sociedade depressiva não é uma fatalidade. Foi gerada por nós mesmos que nos tornamos cada dia mais e mais individualistas, desvalorizando as ligações simbólicas em que se refletem o sentido da existência, como a moral e a religião, acreditando que cada um pode ser auto-suficiente, fabricando a sua própria lei e seus valores. Numa palavra, regredimos.

Vivemos como se as verdades e os valores universais não existissem. Desse modo, não há mais comunicação possível na sociedade. Estamos pulverizando-nos e perdendo progressivamente o domínio da realidade.

O senhor emprega a palavra “moral”; eis um termo muito desprezado hoje em dia.

Tem-se acreditado ingenuamente que se poderia viver sem apelar para uma dimensão moral. Se falamos mais desse tema ultimamente, é porque buscamos restabelecer uma ligação quebrada que traz o risco de desumanizar-nos. A moral é a arte de escolher atitudes ou comportamentos aceitando sermos esclarecidos por referências que nos ultrapassam e que não dependem de nós.

Confrontar a nossa experiência com as realidades morais favorece o aprofundamento na nossa vida interior e desenvolve em nós a arte de escolher o comportamento que melhor nos convém.

A moral é o que faz a vida possível. Somente aqueles que não resolveram os seus complexos enxergam-na como um impedimento, um limite.

Eis porque alguns consideram ruim aceitar as instituições quando essas representam uma dimensão moral da existência. Durante muito tempo, as idéias do século XVIII e XIX regulam a vida dos indivíduos, às vezes com efeitos negativos. O século XX, libertou-nos de muitas imposições, mas também nos levou a rejeitar as instituições e todas as demais referências, como adolescentes invadidos por um sentimento de poder fazer de tudo.

Como explicar a debilidade interior, a astenia e a fadiga de que todos têm se queixado, tanto as crianças como os adultos?

Se as nossas sociedades são depressivas, é porque perderam a confiança em si mesmas: já não sabem mais nada para além do cotidiano do individuo, o porquê se deve viver, amar, trabalhar, procriar e morrer.

Estamos no impasse de não ter mais o sentido de um destino comum a não ser o de cada um cuidar do seu bem-estar pessoal.

As pessoas instalam-se na tristeza de não mais encontrar objetivos de interesse nem sentido em saírem de si mesmas. O problema do deprimido resume-se no sentimento de não poder existir nem pelos outros nem através de um ideal.

Falta-nos espiritualidade para enfrentar a vida e o resultado é que sempre estaremos diante de situações de tensão permanente.

Atualmente, as crianças não são mais convidadas a refletir sobre o sentido da existência. É o reino de uma falsa espontaneidade, onde os instintos se exprimem num estado primitivo.

É também o reino da mediocridade. Vejamos os rabiscos nas paredes, os grafites, que exprimem um defeito de comunicação, de interioridade. Estamos vivendo bem no meio de uma crise de ideais.

O senhor fala de dificuldades, de melancolia; o senhor disse também que jamais foi dada tanta importância à sexualidade como hoje, que o único lugar onde as pessoas têm a impressão de atuar e existir é precisamente no campo da sexualidade, na afetividade.

Passamos de um excesso a outro. No século XIX, sob a influencia de Rousseau, a sexualidade era vista com desconfiança, e era então supercontrolada. A proibição tomava o lugar do desejo, favorecendo este último. No teatro de bulevar, as pecas de Feydeau (4) são o exemplo disso. O século XX liberou-se desses hábitos hipócritas, mas acabamos caindo no extremo oposto.


(4) Georges Feydeau (1862-1921), procedente duma velha família nobre francesa, autor e ator de teatro popular, atinge pleno êxito em 1892, aos 30 anos. De caráter taciturno, dedica-se a uma intensa vida noturna, vicia-se no jogo, perde fortunas e o seu casamento começa a ruir. Divorcia-se em 1916, pela pressão da esposa, que quer evitar a perda de seu patrimônio e a educação adequada dos filhos. Suas peças são indiferentes a qualquer moralidade e profundidade psicológica do se humano. Morre de sífilis com 58 anos.


O que o senhor diz do espantoso desenvolvimento de condutas perversas, notadamente das incestuosas, ou dos abusos com crianças, que não cessam de aumentar?

Atualmente, também tem sido estimulada a sexualidade das crianças e dos adolescentes, erotizando-os. A revolução sexual, se é que aconteceu, contribuiu principalmente para liberar a sexualidade infantil e, conseqüentemente, para infantilizar a vida sexual em busca de uma comunicação melhor entre os homens e as mulheres. Dentro de tal confusão, que desvia a criança para o mundo adulto, encaminhamo-nos para uma sociedade infantil que nega a maturidade e fica deprimida por acreditar que o impulso sexual é um fim em si mesmo. Ficar prisioneiro da sexualidade pueril, em vez de entusiasmar-se para construir algo mais elaborado, conduz à miséria sexual e ao proletariado afetivo.

O senhor é muito crítico com relação a educação sexual, quando a acusa de erotizar.

A educação sexual é necessária. Mas ela deve informar, educar os filhos, dando-lhes as respostas para as suas perguntas sem as ultrapassar; deve começar em casa, pelo exemplo de amor conjugal oferecido pelos pais. Entretanto, quando assistimos à série de TV “Le bonheur de la vie” (“A felicidade da vida”), exibida pela rede France 3, ficamos preocupados por ver reunidas todas as banalidades e aberrações psicológicas que têm sido cometidas nesta matéria. A educação sexual que tem sido imposta nas escolas está manipulando a sexualidade juvenil, pois através da desinformação, os adultos acabam exibindo a sua própria sexualidade e buscando desfrutá-la com as crianças, numa conduta totalmente pederástica. Expor tudo indiscriminadamente é tão nefasto como silenciar. Como ficar insensível, por exemplo, diante da profusão de obras com caráter pornográfico oferecida às crianças? Trata-se mais de uma provocação que de uma educação real. Tal atitude não ajuda nem a tarefa de pensar a sexualidade com responsabilidade nem o desenvolvimento de um imaginário erótico.

Deveremos sofrer em breve as conseqüências dessa prática, que sequer está fundamentada teoricamente.

Segundo a sua opinião, a liberação do aborto contribui a deprimir a sociedade por trazer como conseqüência graves problemas psicológicos.

Jamais vi uma mulher abortar com prazer. O aborto é na maior parte das vezes visto como um gesto extremo. Ele insere a morte no ato de dar a vida, e não é porque tecnicamente seja algo perfeitamente realizável que não apresenta problemas psicológicos e morais. As pessoas recusam-se a refletir sobre as conseqüências do aborto, e suas repercussões sobre a moral na sociedade.

Daqui a alguns séculos, certamente as gerações futuras nos verão como uns bárbaros, à semelhança dos antigos, que abandonavam os recém-nascidos nas praças públicas ou nos bosques, sem que isso fosse considerado um comportamento inumano. Foi sob a influência da Igreja que começamos a pensar o recém nascido como uma pessoa, basta lembrar-se da atuação de São Vicente de Paulo.

Quanto mais uma sociedade respeita a vida da criança, mais respeita a vida humana.

Nossa sociedade vive com um sentimento de culpa frente à procriação, do qual procede a subvalorização afetiva da criança, como se, agindo assim, se pudesse fazer perdoar.

Temos, efetivamente, uma relação deprimente com respeito à fecundidade. Ter filhos não é meramente um direito, como se quer fazer crer, mas um dever a assumir, e em face do qual muitos os pais e a sociedade devem estar engajados.

A maior parte das religiões, especialmente a judaica, a cristã e a muçulmana, recusa o aborto em nome do respeito à vida. Mesmo ainda que nem todas reconheçam o embrião como um ser humano, todas reconhecem que ele é um ser humano em potência.

Somente a Federação Protestante da França tem uma posição ambivalente quando se pergunta: “Não se pode ser ao mesmo tempo contra o aborto e militar a favor de uma lei do mal menor?”.

A lei Viel de 1975 esclarece no seu preâmbulo sobre o caráter excepcional do aborto, que não pode ser nem banalizado nem utilizado como meio contraceptivo. Percebemos que restam somente uns fiapos da lei quando olhamos para o que se pratica por aí: cerca de 200.000 abortos anuais.

Quais são os problemas psicológicos causados pelo aborto?

O filho é verdadeiramente o sinal do sentido do outro, mas ao mesmo tempo está hoje carregado de um sentimento de desconfiança nas nossas representações coletivas. A insegurança que existe na nossa sociedade origina-se em parte da incerteza que preside o nascimento dos filhos, mas também de um sentimento de culpabilidade do qual as pessoas não conseguem libertar-se.

De maneira geral, três problemas podem surgir: O eugenismo, que consiste, dentro de um movimento narcisista, em selecionar as características e os atributos do filho à imagem do próprio ideal, ou seja, de si mesmo; a seguir o infanticídio, ou o fato de impedir que as gerações se sucedam umas às outras; e finalmente o poder de Demiurgo (5) do pai, o poder decidir a vida ou a morte da sua progenitura.


(5) Segundo Platão, o Deus que cria o Universo, organizando a matéria preexistente


Cada um à sua maneira exprime uma incapacidade de acolher um filho que seja diferente de si mesmo. Pode ser útil lembrarmos do filme “E. T.” (1982), o grande sucesso de Steven Spielberg. Não seria o ”E. T.” o símbolo da criança do futuro, esse estrangeiro que provem da nossa sexualidade, que as nossas sociedades não podem mais acolher sem que seja programado ou selecionado?

Uma sociedade que inscreve a morte no imaginário dos nascimentos futuros é uma sociedade com incertezas e sem esperança.

E a AIDS, esse drama da nossa sociedade moderna? Há hoje um debate em torno dos preservativos e muitos criticaram a Igreja e o Papa  por suas posições com relação a eles.

A AIDS é efetivamente um drama e devemos arregaçar as mangas e meter mãos à obra para sermos solidários com os doentes.

Resta o problema da prevenção. A Igreja não estigmatiza os preservativos na África, mas fala do sentido do amor humano; ela está exercendo a sua função e abordando o tema a partir do plano moral. É ridículo condenar o Papa e Igreja por nos convidarem ao amor verdadeiro.

Esta atitude revela a recusa por parte da sociedade em refletir verdadeiramente sobre a sexualidade, mantendo-se somente nas propostas técnicas ou sanitárias, tomando o meio pelo fim.

A sexualidade responde a diversas motivações da personalidade: silenciar uma angústia, compensar uma atitude depressiva, exprimir uma tendência parcial ou a sua ligação com a pessoa amada.

Não se fala nunca da profilaxia. Certamente a AIDS não é uma fatalidade; pode ser evitada se são tomadas todas as medidas realmente eficazes para evitar a contaminação.

Mas distribuição de preservativos nas escolas é um sinal de que os adultos desistiram, de que não tem nada a dizer aos adolescentes sobre o amor humano.

Sem excluir outros aspectos, é importante refletir com os jovens sobre o que cada um procura através da sexualidade.

Contudo, os jovens terão relações sexuais cada vez mais precoces…

A adolescência tem sido sempre o período do despertar dos sentimentos e das inquietações sexuais. O fato de o ambiente incitar os adolescentes a viver suas experiências sentimentais não quer dizer que os jovens de 15 a 19 anos sejam sexualmente ativos na sua grande maioria. É importante saber o que se passa na psicologia juvenil, que nem sempre reúne todas as condições psicológicas do amor humano.

O adolescente tem a tendência a buscar a si próprio, a ressentir-se e a valorizar-se através do outro, mas sem poder reconhecê-lo por ele mesmo. O apegamento a qualquer um é uma etapa, mas ainda não é o amor; é por isso que essas relações não se sustentam, e os adultos em vez de guardar distâncias, valorizam essas uniões efêmeras. O ambiente atual não favorece de nenhuma maneira a maturidade afetiva.

O divórcio tem aumentado de forma impressionante. Ele participa também da sociedade depressiva?

Em primeiro lugar, é preciso dizer que não há divórcio bem sucedido. O divórcio é um fracasso afetivo a partir do qual cada um experimenta a dor por uma confiança atraiçoada, por um projeto inacabado ou por um erro de escolha. Não é um negócio privado, mas um problema da sociedade com custos humanos, sociais, econômicos, morais e espirituais, sem falar do sofrimento psíquico que provoca.

Motivos confusos, problemas de identidade, desenvolvimentos pessoais divergentes, dificuldade de franquear certas etapas, carência de uma concepção moral e filosófica que permitam orientar os projetos de vida e de resolver os conflitos: são estas algumas das razões do divórcio. Depois de vários anos, o divórcio está em aumento sem que por outro lado à instituição do matrimônio tenha sido questionada.

Para o filho, o divórcio é uma rachadura que corre o risco de colocar em perigo a unidade e a construção da sua personalidade, mesmo se alguns cheguem a recuperar-se. É então que começam a nascer todas as angústias e as incertezas futuras da vida.

A homossexualidade não seria um reflexo de uma sociedade permissiva?

É uma das traduções da nossa sociedade depressiva. Quando o imperativo da reprodução da espécie curva-se ao ideal social, a homossexualidade fortifica-se. Mas é uma minoria.

Cada vez que a sociedade entra em crise, homossexualidade é valorizada. Tenta-se fazer dela um direito e inscrevê-la dentro da lei, ou então a homossexualidade não teria o mesmo valor que a heterossexualidade.

Seria um contra-senso que um contrato unindo dois homossexuais tenha o mesmo direito que o matrimônio. A sociedade depressiva põe tudo no mesmo saco.

A homossexualidade é uma anomalia ? Está ganhando terreno…

As causas da homossexualidade devem ser procuradas sobretudo no desenvolvimento psíquico do indivíduo. São numerosas e podem ser resumidas ao relativo fracasso de colocar a bissexualidade psíquica em seu devido lugar. A bissexualidade psíquica não significa que tenhamos dois sexos ao mesmo tempo (o andrógino), mas que adquirimos a possibilidade de comunicar-nos com o outro sexo na nossa vida psicológica.

Nos anos 70, a homossexualidade era utilizada para liberar-se de um compromisso social, desenvolver uma sensibilidade, exprimir a própria liberdade. A homossexualidade desempenhava um papel sintomático, a homossexualidade, tal como a religião, era um espaço disponível para exprimir a própria liberdade no plano privado (sexo) e social (convivência).

Parece-me que hoje as relações homossexuais são mais temidas do que procuradas, porque elas evocam a castração, ou seja, a incapacidade de aceder ao outro sexo. O declínio que notamos nas novas gerações é o declínio que se manifesta numa homossexualidade que certamente não aparecerá como uma forma original de afirmação.

E a toxicomania? O senhor a coloca também na conta da sociedade depressiva?

Sim, é uma doença que nasce do estado depressivo ou da curiosidade, e traz consigo a inibição e a neutralização progressiva das funções essenciais à vida psíquica.

O toxicômano duvida de si mesmo e dos outros, e , nessa ausência de confiança, desconfia até daqueles que o aconselham a tratar-se.

É preciso tratar a toxicomania tendo em conta a profunda angústia que revela. É o toxicômano que cria a toxicomania, e não a sociedade, senão todos seriamos drogados.

Isso não quer dizer que a sociedade não tenha a responsabilidade de combater esse flagelo. O toxicômano é também conseqüência da deficiência em que vivem os adolescentes que estão nessa situação por se recusarem a enfrentar os esforços psíquicos próprios da sua idade.

O silêncio, a permissividade e a passividade dos pais favorecem a prática da toxicomania, assim como o absenteísmo escolar, o roubo do dinheiro familiar e a exclusão social progressiva.

Uma desmoralização patogênica é o terreno predileto para o desenvolvimento da toxicomania. Os jovens comportam-se desde muito cedo como se não pudessem contar mais com os seus pais.

Vive-se cada vez menos na família a prática de estar juntos. Cada um exerce as atividades que quer, sendo raros os momentos de compartilhar o convívio.

Em resumo, a toxicomania é uma modalidade de fuga do interior de si mesmo, como era , há alguns anos atrás o engajamento na política.

É essa a doença do adolescente intimista que não acha bom esclarecer o que se passa verdadeiramente dentro dele.

O uso da droga não perdeu já um pouco da sua motivação “mística” dos anos 60, quando se erigia como a religião do “além” e como uma viagem de iniciação em direção aos “longínquos interiores”?

Hoje o uso da droga apóia-se mais sobre a curiosidade e a transgressão. Quando se proíbe proibir e quando se nega o espírito das leis, o adolescente fica entregue à sua solidão sem os meios de encontrar a realidade.

Fumar um “baseado” entre amigos não é jamais a escolha da liberdade, mas a da satisfação das paixões. Não esqueçamos que adolescência é um período de maturação das novas competências do indivíduo, da procura das suas possibilidades e dos seus limites.


O senhor disse certa vez que a prevenção é um falso problema…

As verdadeiras causas da toxicomania são a desordem do adolescente em face às suas mutações psíquicas, os fracassos escolares, etc…

O objeto do debate não deveria ser a droga, mas o aprendizado da vida, da qualidade da existência conjugal dos pais, a real preocupação por adquirir uma formação, a transmissão de uma moral e de uma fé.

Perdemos o nosso tempo para dar prazer – e que prazer!… – a um toxicômano, tolerando que use heroína e conduza-se progressivamente à morte. A droga estigmatiza uma sociedade depressiva que aceita deixar os indivíduos se entrincheirarem em si e esconderem-se para morrer no prazer do sofrimento.

Como o senhor explica o crescimento do suicídio?

A taxa de suicídios revela a saúde mental de uma sociedade. É a primeira causa de mortalidade na Europa.

O suicídio tornou-se nestes últimos anos um problema de saúde publica. O ambiente atual favorece o desenvolvimento de personalidades de caráter psicótico, sádico, irracional, depressivo e narcisista que chocam com a realidade, não podendo fazer outra coisa senão implodir em movimentos depressivos ou suicidas.

Tem-se insistido muito sobre a forte elevação dos suicídios entre jovens, esquecendo que 55% dos que se suicidam tem mais de 55 anos. A Hungria e a França são os paises que registram o maior número de suicídios em pessoas idosas.

Entre 1950 e 1976, na França, o suicídio tinha uma taxa de 15 pessoas por cada 100.000 habitantes ano.

A taxa de suicídio entre os 15 e 24 anos triplicou depois de 1960. Outras condutas suicidas preenchem o relatório: é o caso da anorexia, das depressões, das vítimas de certos acidentes. Em matéria de tentativas de suicídio, estima-se em 40.000 por ano entre os 15 e 24 anos, sendo o total de 135.000 de todas as idades.

Como explicar esse fenômeno?

Não é raro que um suicida tenha se preparado por um longo tempo e o tente por ocasião de um acontecimento “favorável”.

Um complexo de decepção, de frustração, de angústia podem ser o gatilho do suicídio. Suicidando-se o individuo não tem forçosamente o desejo de matar-se, mas sim de quebrar um ambiente insuportável, de dormir e poder acordar sendo diferente.

O suicídio pode ser resumido a partir de várias tendências:

– A fuga para escapar de uma situação de mágoa que é intolerável, uma maneira de romper com o mundo que o rodeia;

– A tristeza profunda: a melancolia do sujeito que se culpa de tudo e mostra pela sua atitude que o sentimento de auto-estima está gravemente atingido.

– A nostalgia: a pessoa sente o mundo como vazio, identifica-se com a sua infância, e tendo a perdido, parece que perdeu a vida.

– O castigo: para expiar uma culpa real ou imaginária.

– A auto-desvalorização: o indivíduo acha que não vale mais nada e sente-se desprezível aos seus próprios olhos e aos dos outros.

– O crime: atentar contra a própria vida arrastando o outro para a morte.

– A vingança: o sujeito quer simplesmente infligir uma ferida, o mais profundamente possível, naqueles que se encontram implicados em acontecimentos do passado, com a finalidade de criar neles remorsos.

– A chantagem: uma forma de fazer pressão no próximo para obter um bem, ameaçando-o, por exemplo, de privá-lo de amor.

– O suicídio-sacrifício: fuga disfarçada para evitar uma situação intolerável “glorificando esta fuga, fazendo-a passar por um sacrifício com a finalidade de valorizar a própria imagem que se anela deixar”.

– Finalmente existe também a condenação divina e o jogo. Por exemplo, a roleta russa, ou entrar numa auto-estrada na contramão, à noite, com as luzes do carro apagadas, ou queimar uma placa de “Pare”. É a morte-desafio, como uma prova dada a si mesmo e aos outros de que se tem o poder de triunfar sobre ela.

É por esta razão que esse tipo de herói está condenado à morte prematura, tal como o já mencionado Coluche, e Balavoine e Sabine (6) no rali Paris-Dakar. O seu ideal não se acomoda de jeito nenhum com o fato de envelhecer, de amadurecer, de suportar a fadiga; querem ser imortais, o seu combate não tem outro sentido a não ser o de sentirem-se vencedores, e eles serão vencedores graças à morte que lhes dará a imortalidade, enquanto que, se continuam vivendo, correrão o risco de serem esquecidos; pensam que serão mais presentes mortos do que vivos.


(6) Daniel BALAVOINE (1952-1986), cantor, ativista das manifestações estudantis de 1968 na França e mais tarde em causas sociais e políticas. Amante do perigo e da velocidade, participa do rali Paris-Dakar em 1983, 1985 e em 1986. Thierry SABINE (1969-1986), esportista de motocross, aventureiro, idealizador, organizador e diretor durante 10 anos do rali Paris-Dakar. Balavoine e Sabine morreram juntos quando o helicóptero que pilotavam foi atingido por uma tempestade de areia no deserto.



Como o senhor vê o futuro? Estamos condenados? Não há nenhuma solução para sair desta sociedade depressiva?

Não estamos vivendo algo inédito na História. O drama da sociedade depressiva aparece ao longo dos séculos, e consiste em querer desligar-se do passado, imaginando “mudar a vida” nos pontos que temos dificuldade de assumir.

A concepção moderna do sentido da vida está marcada pela sedução do desespero, mas a atitude depressiva remonta ao século XVIII. Será de espantar que estas idéias tenham tido eco nas nossas mentalidades modernas?

A crise atual é moral. Liberar-se do masoquismo moral é a aposta da sociedade depressiva. Para sair dessa situação temos somente uma solução: redescobrir o sentido de um ideal. Alguns querem fazer crer que hoje estamos desligados de uma moral do dever, enquanto celebramos o triunfo dos direitos individuais, estamos entrando numa sociedade pós-moralista.

Alguns prevêem o fim da religião, mais precisamente o fim do cristianismo, como se os valores que nasceram graças a ele e estão na fonte da nossa civilização pudessem ser arrancados.

A nossa laicidade repousa sobre uma contradição: a religião cristã desenvolveu sua reflexão sobre o homem a partir da imagem de Deus.

É olhando para essa transcendência que o homem pôde tomar consciência de si mesmo. Hoje, tudo dá a entender que queremos esquecer essa dimensão.

Mas sem esse Deus que é o fundamento do sentido do outro, é ainda possível pensar o ser e a moral? A resposta está longe de ser evidente.

Precisamente essa dimensão de Deus da qual o senhor está falando, está cada vez mais e mais ausente. Faz anos que se anuncia à morte de Deus. Além do mais, suprimiu-se do ensino toda referência religiosa e os jovens não conhecem mais nada sobre o tema, nem sequer num plano cultural. Isso não é grave?

Constata-se de um ponto de vista antropológico que a dimensão religiosa faz parte da estrutura do homem. Contudo, uma corrente de pensamento anunciou, durante os anos 60, a morte de Deus.

Os homens e as sociedades, sobretudo na Europa Ocidental, habituaram-se a viver sem Deus, mas celebrando todas as festas religiosas e apoiando-se sobre um sistema de valores originados no cristianismo. Diante dessa negação, assistimos ao ressurgimento do esoterismo, dos médiuns e clarividentes, da bruxaria, da feitiçaria e a aparição de curandeiros e chefes de seitas que criam o seu poder sobre os outros a partir de uma empresa financeira, sexual e mágica, como uma noticia recente dos Estados Unidos nos mostra com respeito a um dissidente de uma igreja adventista que se acha o próprio Cristo!

As ciências parapsicológicas (transmissão de pensamento, predições, horóscopos) e as crenças mais irracionais tomaram o lugar de uma vida religiosa abandonada e sem cultivo. Os pais igualmente abriram mão deste tipo de educação para seus filhos e não os inscrevem mais nas aulas de catecismo.

Atualmente, assistimos a um movimento inverso, em que os filhos reprocham seus pais por não os terem batizado nem os ter iniciado no conhecimento de Deus. Esses jovens sem formação religiosa e sem firmeza na sua crença estão prontos para acreditar em não importa o quê.

Quanto mais a realidade for bizarra, estranha e insólita, mais será digna de crédito. É o retorno do paganismo.

Por não terem uma concepção coerente do mundo, os jovens, e também os adultos, serão permeáveis à primeira crendice que apareça, sobretudo quando favorece o imaginário. É por isso que a formação religiosa é indispensável para os filhos, para lhes permitir exercer a sua razão sobre os objetos da crença, e em particular sobre a forma como os homens descobriram o Deus do qual nos fala a Bíblia e de que maneira, a partir desta experiência, concretizaram-se as verdades para construir um patrimônio espiritual.

O senhor não teme que alguns o acusem de clericalismo?

A religião, o cristianismo em particular, tem uma dimensão social, e não unicamente privada, que não pode ser substituída pela cultura ou pela política.

O judeu-cristianismo não faz mais parte do patrimônio cultural da nossa sociedade: não se pode ir visitá-lo como se faz com as ruínas de certos lugares dos nossos antepassados gauleses, para compreender melhor a nossa história, a arte e os simbolismos que nos rodeiam. Mas o judeu-cristianismo é o fundamento da nossa sociedade. Todos os nossos valores são herança do passado, mesmo que alguns deles tenham conquistado autonomia.

Esquecer essas raízes é correr o risco de desvitalizá-los e de os tornar uma loucura. Como continuar a justificá-los e valorizá-los sem saber donde procedem?

Na maior parte das sociedades, e em particular na nossa, a religião foi sempre um fator de integração social. É totalmente absurdo fazer disso uma questão privada.

Se a Igreja reivindica, e com razão, o caráter intrinsecamente social da sua missão, ela não tem a pretensão de contrariar as liberdades. É preciso pelo menos admitir essa evidência sem fazer um amálgama com as seitas e as tendências integristas, que têm uma tradição mais de alienação mórbida que de humanismo e de progresso. Esse não é o caso das tradições judaica e cristã.

É uma redução falar da “revanche de Deus” ou dos “políticos do Céu”, que se abaterão sobre o mundo. É preciso reconhecer o lugar da religião na nossa sociedade e salvaguardar o “espírito”, e não regredir fiando-nos de uma elucubração sociológica que não tem em conta a dimensão religiosa.

No fundo o laicismo, pela sua rejeição do religioso, tem a sua parte de responsabilidade na depressão atual.

O laicismo desenvolve-se em grande parte pela negação do cristianismo: age como se a Igreja não devesse existir, como se não se devesse ser ouvida nunca. Há uma agressividade doentia em relação à Igreja, que é – será necessário dizer? – constituída por vários milhões pessoas na França.

Fazem a Igreja falar de todos os temas possíveis para, ao mesmo tempo, ridicularizar o seu discurso.

Ela foi a primeira a denunciar os riscos do eugenismo com a utilização das técnicas relacionadas com a fecundidade, mas os meios de comunicação deformam ou ignoram as suas propostas.

Essa injustiça flagrante não anima os bispos e padres a falarem através desses meios, porque sabem que seu discurso será pinçado pelos conformistas intelectuais da moda.

A maior parte das festas religiosas são também silenciadas. Considera-se positivo informar o publico quando inicia do Ramadã e explicar o seu significado para os muçulmanos. Mas por que o silencio quase total na Quarta-feira de Cinzas, que abre o período da Quaresma para os cristãos?

Resumindo, ainda que estas festas existam, os meios de comunicação acreditam na idéia de que a sua existência não deve ser salientada.

Estará havendo por tanto não somente a rejeição do religioso, mas também escárnio das convicções religiosas?

Escárnio, que expressa decepção, medo e agressividade.

Os cristãos vêem não somente as suas convicções serem transformadas com escárnio, mas também negadas, sobretudo no momento das festas religiosas, que são a maioria dos dias de descanso.

O dia de Todos os Santos não é nem de longe a festa dos crisântemos; o Natal não é a festa dos brinquedos; a Terça-feira de Carnaval não é a festa dos crepes e das lantejoulas; também o feriado de Páscoa, não é o das auto-estradas, dos ovos e coelhos de chocolate. Esse desvio de sentido é uma mentira cultural. Como você quer que os mestres não se queixem dos seus alunos porque não saberem se localizar cultural e religiosamente?

Ao desprezar Deus, a Igreja, seus valores e seus ritos, é de si mesmo que o homem contemporâneo fala, sem respeito, sem nenhuma valoração positiva, e dessa maneira ele mesmo se desvaloriza.

Negar as referências cristãs e a dimensão social do religioso que presidiu a fundação da nossa cultura é o suicídio.

A sociedade acelera a sua destruição quando esquece os três lugares em que se reflete sobre a vida: a política, a moral e a religião.

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* Um número recorde de fiéis deixam catolicismo na Áustria, em 2009.

quinta-feira, janeiro 14th, 2010

Um número recorde de fiéis, 53.216 pessoas oficialmente deixado a Igreja Católica na Áustria em 2009, 30,9 por cento mais que no ano passado por causa de escândalos que mancharam a instituição e crise econômica.

Dados do Serviço de Estatística da Conferência Episcopal, compilado pela mídia austríaca de hoje, sublinha que o número de pessoas que já não são oficialmente definidas como católicos são 0,96% do total.

Esta perda de fiéis, tem consequências importantes para a Igreja Católica da Áustria, e que é financiado com contribuições do público através dos impostos daqueles que se definem como católicos, cujo número está caindo a uma velocidade vertiginosa.

O baixo número anual de 30.000 a 50.000 fiéis nos últimos 30 anos tem reduzido o número de católicos em um milhão de pessoas no país da Europa Central.

Esse sangramento “dos crentes que ainda estão dando baixa no país tradicionalmente católico deixou 66 por cento da população-cerca de 5,3 milhões de pessoas oficialmente definida como um católico, quando em 1961 eram 87 por por cento.

A Igreja na Áustria foi abalada por vários escândalos sexuais e pedofilia nos últimos 15 anos, o que prejudicou a credibilidade entre os crentes.

Em 2009 também houve uma controvérsia sobre a nomeação em Fevereiro passado, depois revogada, como o novo bispo auxiliar de Linz um padre ultraconservador, Maria Gerhard Wagner, que considera a figura de Harry Potter como “satânicos”.

Por seu lado, a Igreja acredita que a crise económica tem tido um impacto decisivo sobre o número de pessoas que foram lançadas por aqueles que se definem como os crentes devem pagar uma parcela dos seus impostos a esta instituição.

EFE

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* Jornal vaticano critica panteísmo e espiritualismo ecológico do filme Avatar.

terça-feira, janeiro 12th, 2010

L’Osservatore Romano (LOR) dedicou três dos seus artigos da edição do fim de semana ao filme de sucesso de bilheteria dirigido por James Cameron, Avatar, nos quais criticou o sentimentalismo, panteísmo e espiritualismo ecológico do filme.

Em um primeiro artigo se destaca que Cameron faz um paralelo entre o “genocídio” dos brancos contra as populações nativas dos Estados Unidos, apresentando aos humanos do filme, como aos primeiros e aos segundos como aos “na’vi” do filme que habitam no mundo de Pandora, lugar onde transcorre a ficção.

A história do diretor, diz o texto, “tem uma aproximação branda, conta-se sem aprofundar e termina por cair no sentimentalismo”.

“Tudo se reduz –prossegue– a uma parábola anti-imperialista e anti-militarista fácil, logo que esboçada, que não tem a mesma mordente de outros filmes que procuram mostrar estes aspectos”.

O ecologismo de Avatar, diz o LOR, “inunda-se de um espiritualismo ligado ao culto da natureza que pisca o olho a uma das tantas modas do tempo. A mesma identificação dos destruidores com os invasores e dos ambientalistas com os indígenas aparece logo como uma simplificação que menospreza o âmbito do problema”.

O segundo artigo expõe o nascimento de um filme de culto com o Avatar. “Inaugurará, talvez –diz o texto– um novo gênero, criando um imaginário coletivo no qual se refletirá uma vez mais a força atrativa dos mundos alternativos, uma certa forma de espiritualismo ecológico hoje de moda e o temor, muito difundido, a viver uma verdadeira transcendência”.

O terceiro texto, tomado pelo LOR da revista Mondo e Missione (Mundo e Missão) leva por título “A religião de Pandora” e refere a opinião de alguns colunistas sobre este tema. O texto cita o comentarista de assuntos religiosos do New York Times, Ross Duhat, quem considera que Avatar apresenta “uma apologia do panteísmo, uma fé que faz Deus igual à natureza, e chama a humanidade a uma comunhão religiosa com o mundo natural”.

Este comentarista, prossegue o artigo, “recorda que esta visão religiosa é uma espécie de cavalinho de batalha de Hollywood mais recente. Para o Douthat a opção panteísta do Cameron e da indústria cinematográfica dos Estados Unidos em geral, segue através deste caminho porque ‘milhões de americanos responderam a ela de maneira muito positiva’”.

“E como reconhecia –continua– no século XVIII o filósofo francês Alexis de Tocqueville, ‘o credo americano na essencial unidade do gênero humano nos leva a anular toda distinção na criação. O panteísmo abre a porta a uma experiência do divino para as pessoas que não se sentem à vontade na perspectiva escriturística das religiões monoteístas’”.

Depois de fazer algumas comparações do filme com a concepção do hinduísmo, como que a cor azul dos na’vi seja similar ao da deusa Shiva
–uma de suas principais deidades– o artigo sugere, citando a um blogger americano, que Cameron também poderia ter “unido a antiga teologia cristã da graça e da redenção à sua parábola anti-imperialista’. (quando afirma que chegar a ser um na’vi é voltar a nascer)”.

“O debate, como se vê, está mais aberto que nunca”, conclui.

Fonte : ACI

***

Veja… A Igreja não está “proibindo” o filme. Como já falamos anteriormente a igreja com seus comentários ilumina nossa reflexão e nos mostra um lado da questão que, às vezes, passa batido para nós.

Aliás, essa visão de que a Igreja está a proibir não coaduna com sua proposta de formar as consciências e formar o homem maduro,capaz de viver sua fé em diálogo com o mundo, porém, sem ingenuidades e sem perder a capacidade de reter apenas aquilo que corresponde a nossos valores cristãos.

Aqui mesmo no blog já haviamos aberto o debate sobre o filme, com aprovações e reprovações,claro!

Fica mais esse artigo para nos iluminar a inteligência e firmar nossa fé.

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* Milagre inexplicável pela medicina.

terça-feira, janeiro 12th, 2010

Tracy Hermanstorfer beijava seu filho recém-nascido, Coltyn, na conferência de imprensa, em 28 de dezembro de 2009 no Memorial Hospital, em Colorado Springs.

O fato é que na noite de Natal os dois foram declarados mortos pelos médicos do hospital.

Mike, o marido, segurava a mão dela quando começaram os trabalhos de parto no hospital. Mas, inesperadamente, ela deixou de respirar. De acordo com os médicos, o coração de Tracy parou e os sinais vitais cessaram.

A reação imediata dos médicos foi salvar o bebê. Fizeram então uma cesariana. Mas, foi inútil: a criança também não dava sinais de vida.

Os médicos passaram o cadáver do recém-nascido para Mike que embalou o corpo flácido e sem vida, enquanto os médicos tentaram durante vários minutos, sem sucesso, ressuscitar a mãe.

O drama teve um desenvolvimento inesperado, mas digno de um conto de Natal. Após de segurar demoradamente em seus braços o corpinho inerte do bebê, este começou a dar sinais de vida sob o olhar dos médicos.

Logo a seguir, sua esposa inexplicavelmente voltou a respirar novamente.

“Me tremiam as pernas”, disse Hermanstorfer na conferência de imprensa. “Eu tinha perdido tudo no mundo, e numa hora e meia eu tinha recuperado tudo”.

Segundo a Dra. Stephanie Martin, ginecologa do Memorial Hospital, de Colorado Springs, a mãe “não dava mais sinais de vida. Não havia batimento cardíaco, nem pressão arterial, ela não respirava mais”, noticiou “The Huffington Post”. “Ela tinha uma cor cinza como sua blusa”, acrescentou à uma TV.(ver vídeos embaixo)

Depois da recuperação surpreendente, a mãe e o bebê, chamado Coltyn, passam bem, e não têm sinais de problemas, disse a Dra. Martin. A médica acrescentou não poder explicar a recuperação da mãe após a parada cardíaca.

“Fizemos uma avaliação exaustiva e não conseguimos encontrar nada que explique por que isso aconteceu”, disse a doutora.

O pai, Mike Hermanstorfer, atribui o fato “à mão de Deus”. “Nós temos fé… mas se houver alguém sem fé, precisará me explicar como isso aconteceu. Não há outra explicação”, enfatizou.

O casal concedeu já mais de duas dúzias de entrevistas à imprensa, informou o site local Colorado Connection. Tracy só notou ter perdido a consciência, mas não lembra de nada, mostra-se com muita saúde e muito comunicativa. Mike que acompanhou o caso está profundamente impressionado.

O fato ‒ além de um eventual conteúdo sobrenatural ‒ pôs mais uma vez em destaque os profundos e misteriosos relacionamentos entre as vidas da mãe e do filho.

E, por contraste, ressaltou o caráter monstruoso ‒ quase se diria satânico ‒ do aborto procurado em que a mãe participa do assassinato do próprio filho.

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