Posts Tagged ‘Fé e Cultura’

* Paróquia católica americana apresenta Jesus como o primeiro “hipster”. Entenda.

quinta-feira, abril 25th, 2013

Uma Paróquia católica do bairro do Brooklyn, em Nova York, Estados Unidos, fez uma campanha diferente para atrair fiéis. Em propagandas espalhadas pelo bairro, a diocese colocou cartazes em pontos de ônibus, bares, restaurantes e telefones públicos com os dizeres: “O hipster original”. “Hipster” é um termo usado para designar pessoas modernas e inovadoras.

A imagem mostra os pés de um homem usando uma túnica branca e um par de tênis vermelhos. Segundo o Huffington Post, Jesus poderia ser o tipo de homem que usaria óculos com aros de tartaruga, barba por fazer e que ouve bandas que ninguém conhece, assim como os “hipsters”.

O porta-voz da diocese, monsenhor Kieran Harrington, essa noção de Jesus não deveria ser uma surpresa. “Historicamente, as representações de Cristo refletem a população que adorava”, afirmou o monsenhor ao Huffington Post.

“Não me parece tão absurda que a representação de Cristo seja de um hipster”, disse Harrington. “Mais do que isso, Jesus se contrastava com a cultura da sua época. É isso que os hispters fazem”, continuou.

O monsenhor ainda explicou que a campanha foi criada para que os novos moradores do bairro – região conhecida por ser o lar dos descolados de Nova York – encontrem uma paróquia que os interesse.

“Queríamos facilitar para as pessoas a procura de igrejas para freqüentarem aos domingos”, afirmou o monsenhor. “A diocese é como a cidade, sempre se reinventando”, completou.

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* A “Biblioteca Ratzinger” e sua valiosa contribuição para a Igreja.

quarta-feira, abril 24th, 2013

A intensa atividade intelectual de Joseph Ratzinger, antes e durante o pontificado, se reflete na publicação de inúmeros artigos, discursos e livros – nem todos traduzidos para o português – que transmitem uma visão espiritual da vida cristã, enaltecendo a importância de vivenciá-la em atos, gestos e palavras cotidianas.

Em geral, pode-se fazer uma distinção entre as obras do pensador Joseph Ratzinger e as do papa Bento XVI. Como cardeal, Ratzinger tenta esclarecer questões relacionadas à fé e ao seu impacto na vida das pessoas e da sociedade.

No período, a obra apontada como uma das mais sig­­nificativas é Introdução ao Cristianismo: preleções ao sím­bolo católico, série de conferências ministradas por Ratzinger durante um curso de verão em 1967, em Tubinga (Alemanha). “Segundo o teólogo Ratzinger– e, como papa, ele sempre reiterou esse aspecto –, o Cristianismo não é o encontro com uma ideia ou uma verdade abstrata ou conceitual, mas é o encontro com uma pessoa, que confere sentido à existência”.

A partir de 2005, quando assume o pontificado, as obras de Bento XVI adotam uma postura mais universal, tentando superar eventuais idiossincrasias acadêmicas. As três encíclicas, além das catequeses e alguns documentos, como a exortação Verbum Domini, sobre a palavra de Deus na vida e missão da Igreja, são exemplos representativos do período.

Outra forma de conhecer o pensamento de Bento XVI é se basear nos livros escritos sobre ele. O papa já foi retratado em diversas obras – algumas nem sempre condizentes com a realidade –, mas é o próprio Ratzinger quem oferece o retrato mais fiel de sua vida na autobiografia parcial” Lembranças da minha vida”, lançada no Brasil em 2006 e que cobre sua vida até 1977, quando se tornou arcebispo.

As entrevistas ao jornalista Peter Seewald, apresentadas nos livros O Sal da Terra e Luz do Mundo, também são uma boa fonte para conhecer um pouco mais da riqueza intelectual e da vida de Joseph Ratzinger.

Biblioteca Ratzinger

• Introdução ao Cristianismo: Preleções sobre o Símbolo dos Apóstolos (Loyola).

O livro analisa o problema da fé e do ateísmo, discutindo a fé em Deus, na Santíssima Trindade e na Igreja Católica. É definido pela escritora australiana Tracey Rowland, autora de Ratzinger’s Faith, como “o primeiro best-seller internacional” de Bento XVI.

• Introdução ao Espírito da Liturgia (Paulinas Portugal).

Apresenta a centralidade da ação litúrgica como fonte da vida eclesial, manifesta nos sacramentos em geral, principalmente na eucaristia.

• Sal da Terra (Imago) e Luz do mundo – O papa, a Igreja e os sinais dos tempos (Paulinas).

Dois livros-entrevista – o primeiro, ainda antes da eleição de Bento XVI; o segundo, já durante o pontificado – em que o papa responde a perguntas feitas pelo jornalista alemão Peter Seewald.

• Lembranças da minha vida (Paulinas).

Autobiografia parcial, que cobre os primeiros 50 anos da vida de Ratzinger. Recomendada pelo historiador Alex Catharino como “uma fonte mais confiável do que qualquer texto escrito por terceiros” sobre a vida pessoal de Bento XVI.

• Trilogia Jesus de Nazaré (Planeta).

Nos livros da série, Bento XVI conta a vida de Jesus a partir do Evangelho, desmontando muitas especulações sobre a figura de Cristo.

• Encíclicas Deus caritas est, Spe salvi e Caritas in veritate (várias editoras), também disponíveis no site do vaticano no endereço http://bit.ly/enciclicas

• Outras obras

Via-Sacra no Coliseu – Meditações e orações de Bento XVI (Paulinas) 
Palavras do papa Bento XVI no Brasil (Paulinas)
Os apóstolos e os primeiros discípulos de Cristo (Planeta) 
A segunda primavera (Quadrante) 
Breve introdução ao catecismo da Igreja Católica (Santuário) 
Os amigos de Jesus (Thomas Nelson Brasil) – livro ilustrado para crianças
Natureza e missão da teologia (Vozes)
Perguntas e respostas (Pensamento) 
Deus Existe? (Planeta) – debate entre Ratzinger e o filósofo ateu Paolo Flores d’Arcais
Dogma e anúncio (Loyola) 
E o Verbo se fez carne – reflexões sobre o mistério do Natal (Ecclesiae) 
São Paulo – catequeses paulinas (Ecclesiae) 
Dialética da secularização – sobre razão e religião (Ideia e Letras) – debate entre Ratzinger e o filósofo Jürgen Habermas
Fé, verdade, tolerância (Raimundo Lulio)
Vocação para a comunhão (Vozes) 
A porta da fé (Paulus) 
No princípio Deus criou o céu e a terra (Principia) 
Os Padres da Igreja I: de Clemente Romano a Agostinho (Ecclesiae) 
Os Padres da Igreja II – de São Leão Magno a São Bernardo de Claraval (Ecclesiae) 
Abri as portas a Cristo – Meditações sobre João Paulo II (Lucerna) 
Os movimentos da Igreja (Principia) 
Paulo – Os seus colaboradores e as suas comunidades (Paulus) 
Pensamentos espirituais (Lucerna)
Fé e futuro (Principia) 
A fé em crise? (EPU) – entrevista dada pelo cardeal Ratzinger ao jornalista italiano Vittorio Messori

Livros sobre Bento XVI

• Joseph Ratzinger – Uma biografia (Quadrante), de Pablo Blanco.

• Meu irmão, o papa (Principia), de Georg Ratzinger.

• Chico e Bento: a vida de Bento XVI contada por um gato (Principia), de Jeanne Perego. Livro infantil que conta o cotidiano de Bento XVI a partir de seu gato de estimação

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* Ebook “50 perguntas sobre Jesus” entre os mais baixados da loja da Apple

terça-feira, abril 23rd, 2013

A versão eletrônica da obra ‘50 perguntas sobre Jesus’, escrita pelos professores da Faculdade de Teologia da Universidade da Navarra Francisco Varo, Juan Chapa, Vicente Balaguer, Gonzalo Aranda, Santiago Ausín e Juan Luis Caballero, está entre os livros mais baixados de forma gratuita na Apple Store.

Este ‘ebook’ apoia-se no documento ‘Jesus Cristo e a Igreja’, elaborado em 2006 e disponível em pdf, que teve 3,9 milhões de descargas desde sua publicação na Página Web do Opus Dei, conforme informou a Universidade da Navarra.

Posteriormente, Edições Rialp publicou a edição em papel, que foi editada e prefaciada pelo decano da Faculdade de Teologia, Juan Chapa.

Em ‘50 perguntas sobre Jesus’ expõe-se questões como a atual situação da investigação histórica sobre Jesus; se Jesus estava solteiro, casado ou viúvo; como se escreveram os evangelhos; a existência histórica de Jesus; quais foram os Apóstolos; e a morte e ressurreição de Jesus, entre outras.

O trabalho inicial respondia à petição de Bento XVI aos católicos de trabalhar para difundir em Internet a verdadeira figura de Jesus Cristo e da Igreja e seu objetivo era dar resposta a questões que se expõem hoje sobre este tema.

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* “Cristãos culturais” somos todos nós! MESMO os que dizem não ter fé em Cristo!

segunda-feira, abril 22nd, 2013

Henrique Raposo

A modernidade  acha que é completamente independente do cristianismo. Essa modernidade está errada. Mesmo que não acredite no mistério pascal (como eu o percebo), mesmo que não seja um cristão de fé, o cidadão ali da rua é um cristão cultural, educado numa cultura de direitos que só cresceu na civilização judaico-cristã. Tal como defende Nicholas Wolterstorff, os tais “direitos inalienáveis” (a base ética e constitucional das nossas vidinhas) têm uma raiz bíblica .

Por outras palavras, o Direito Natural precisa de uma base religiosa, precisa de uma comunicação com a transcendência divina. Porquê? A resposta não é simples, mas aqui vai: sem uma noção de transcendência, sem algo que nos liberte da prisão do aqui-e-agora, o poder político fica com as portas abertas para limitar os direitos inalienáveis dos indivíduos.

Não por acaso, os regimes totalitários do século XX anularam por completo qualquer noção de transcendência, destruíram qualquer noção ética com origem em algo exterior à lei positiva determinada pelo chefão. O fascismo e o comunismo foram tiranias da imanência.

Muitos autores contemporâneos, como Alain Dershowitz, defendem um conceito de Direito Natural secular, sem qualquer apelo a Deus . Um Direito Natural completamente secularizado é uma contradição em termos, porque não tem uma gota de transcendência. Quando dizemos que cada indivíduo tem direitos inalienáveis que nenhum poder terreno pode pôr em causa, quando dizemos que cada pessoa tem direitos inalienáveis que nenhum direito positivo pode rasgar, estamos – na verdade – a dar um salto de fé em direção a uma concepção de amor ao próximo, um concepção de amor que transcende a imanência da lei, da cultura e do nosso próprio corpo (i.e., Deus).

Portanto, convém perceber que a ideia de direitos inalienáveis não foi inventada de raiz pelo pensamento iluminista do século XVIII ou pelo otimismo científico e individualista do século XIX.

Esta ideia já fazia parte do patrimônio bíblico. Neste sentido, a tese de Wolterstorff não é descabida: sem esta raiz cristã, a nossa cultura de direitos não teria sido desenvolvida. Os críticos desta tese poderão invocar Kant para a defesa de um Direito Natural absolutamente secular, mas ficarão sempre expostos a um ataque óbvio: Kant cresceu numa cultura cristã e não noutra qualquer; Kant não apareceu no paganismo indiano ou chinês. Não por acaso, Nietzsche dizia que Kant era um cristão manhoso, um cristão que inventou uma teoria secular de direitos apenas para fugir da questão de Deus e da fé.

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* Pela terceira vez, 800 mil franceses em Paris contra o “casamento” gay. Apoio ao “casamento” caiu cerca de 10 pontos percentuais, afirmam pesquisas.

domingo, abril 21st, 2013

Milhares de pessoas tomaram as ruas de Paris neste domingo para protestar contra o plano do presidente François Hollande de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A polícia calcula que cerca de 340 mil manifestantes marcharam de três pontos diferentes da capital em direção à Torre Eiffel, onde se reuniram ao final da tarde. Os organizadores do evento, apoiados pela Igreja Católica e pela oposição de direita, estimaram em 800 mil os manifestantes.

Cinco trens de alta velocidade e 900 ônibus foram reservados para trazer manifestantes de cidades do interior para a capital, alguns antes do amanhecer.

- Ninguém esperava isso dois ou três meses atrás – disse Frigide Barjot, uma comediante que lidera o grupo “Demo para Todos” que ela descreveu como “multicultural, multirreligioso e multisexual”.

Fortemente apoiado pela hierarquia católica, ativistas mobilizaram políticos conservadores, muçulmanos, evangélicos e até mesmo homossexuais que se opõem ao casamento gay.

- Queremos que este projeto de lei para ser retirado – afirmou Patricia Soullier, uma das organizadoras de protesto.

Legalizar o casamento gay — “casamento para todos” — era promessa de campanha do presidente François Hollande, um socialista, mas ela tem se mostrado complicada e divisiva na França, que é uma república secular, mas permanece essencialmente um país católico, mesmo que poucos frequentem a igreja. Hollande prometeu aprovar a medida no primeiro ano no cargo, e o projeto de lei será levado ao Parlamento até o fim deste mês.

Hollande, entretanto, irritou os opositores do casamento homossexual ao evitar o debate público sobre a reforma, que a ministra da Justiça, Christiane Taubira, descreveu como “uma mudança na civilização”.

O apoio ao casamento gay na França caiu cerca de 10 pontos percentuais desde que opositores começaram a se mobilizar, chegando aos 55%. E, de acordo com pesquisas, menos da metade dos entrevistados aprovavam a adoção de crianças por homossexuais.

Sob esta pressão, os legisladores desistiram do plano de permitir que lésbicas tivessem acesso à inseminação artificial.

Casamentos entre pessoas do mesmo sexo são legais em 11 países, ( O mundo possui 246 países) incluindo a Bélgica, Portugal, Holanda, Espanha, Suécia, Noruega e África do Sul, bem como em nove estados dos EUA e Washington DC.

***

Enquanto Isso..14.900 prefeitos franceses recusarão “celebrar matrimônios entre duas pessoas do mesmo sexo”

O porta-voz da organização Prefeitos pela Infância (”Maires pour l’Enfance”), Franck Meyer, assegurou que pelo menos 14.900 prefeitos franceses recusarão “celebrar matrimônios entre duas pessoas do mesmo sexo”, ante a possível aprovação do mal chamado “matrimônio” gay no país.

O matrimônio civil entre um homem e uma mulher é ameaçado pelo projeto de lei do “matrimônio para todos”, promovido pelo governo socialista de François Hollande, que inclui a “procriação medicamente assistida” (PMA) e a “gestação para outro” (GPA), assim como a adoção por parte de casais homossexuais.

Em declarações à imprensa, Franck Meyer, também prefeito de Sotteville-sous-le-Val, no norte da França, assinalou em 5 de abril que “é ilusório pensar que a mobilização dos (prefeitos) eleitos irá parar se a lei for aprovada”.

“Como cidadãos, as autoridades eleitas não ficarão de braços cruzados. Alguns de nós já anunciaram sua renúncia no caso da adoção da lei. Outros dizem que se negarão a casá-los”, advertiu.

Conforme indica a página Web de Prefeitos pela Infância, são mais de 20 mil as autoridades, entre prefeitos e vice-prefeitos, que assinaram a declaração na que manifestam sua oposição “ao projeto de lei que permite o “matrimônio” e a adoção de crianças por duas pessoas do mesmo sexo”.

Na sexta-feira passada 12 de abril, o Senado da França aprovou o projeto de lei que legaliza os mal chamados “matrimônios” gay e lhes dá o “direito” de adotar menores, entretanto a lei controversa ainda tem que passar por uma nova leitura na Assembleia Nacional, e uma leitura final de novo na câmara alta.

Os senadores aprovaram a medida anti-família embora um milhão e meio de franceses tenham exigido em 24 de março, em La Manif pour Tous (A Marcha para Todos), pelas principais ruas de Paris, que se retire o nocivo projeto de lei.

Nathalie de Williencourt, lésbica francesa e uma das fundadoras de uma das maiores associações de gays da França, Homovox, expressou em janeiro deste ano que a maioria de pessoas homossexuais do país não quer o mal chamado “matrimônio” nem a adoção de crianças.

“Sou francesa, sou homossexual, a maioria dos homossexuais não querem nem o matrimônio, nem a adoção das crianças, sobretudo não queremos ser tratados do mesmo modo que os heterossexuais porque somos diferentes, não queremos igualdade, mas sim justiça”, assegurou.

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* Publicações católicas desafiam a crise editorial e a baixa propensão dos italianos à leitura.

quarta-feira, abril 10th, 2013

Fonte: Rádio Vaticano

As publicações católicas desafiam a crise editorial e a baixa propensão dos italianos à leitura. A renúncia de Bento XVI e a eleição do Papa Bergoglio viram florescer iniciativas no campo das publicações religiosas com o lançamento de novas obras e uma renovação de antigas publicações.

Semanalmente novos títulos chegam às livrarias e às bancas. Pronunciamentos e homilias de Bento XVI desde o anúncio de sua renúncia em 11 de fevereiro até sua despedida, 17 dias após, as homilias e cartas do então Cardeal Bergoglio, traduções em italiano de obras do Cardeal Bergoglio publicadas na Argentina, sem falar nas publicações por ocasião do Ano da Fé, 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e tantos outros temas relacionados à fé.

No dia sete de abril, entrou em circulação a publicação semanal “Crer, a alegria da fé” (’Credere, la gioia della fede’), da Editora San Paolo. A equipe responsável pela revista reúne colaboradores de publicações como Família cristã, jornal Avvenire, dos Bispos italianos, Mundo e Missão. Numa linguagem simples e acessível, são apresentadas histórias que contam a experiência espiritual de personagens que, no final das contas, são pessoas comuns.

“’Credere’ falará sobretudo de fé popular: a devoção, as peregrinações, as festas e as procissões, incluindo os santos mais amados, como Padre Pio. Mas daremos a estes conteúdos a qualidade e a dignidade que merecem”, afirma o Diretor da revista, o sacerdote paulino Antonio Rizzolo.

Também a mais antiga revista italiana, a jesuíta ‘Civiltá Cattolica’, viu na última sexta-feira, o lançamento da sua nova versão, totalmente reorganizada e também em versão online. (JE)

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* AM: Justiça reconhece união estável de um homem com duas mulheres

terça-feira, abril 9th, 2013

Terra

A Justiça do Amazonas reconheceu nesta segunda-feira a união estável de um homem com duas mulheres, que agora poderão receber seus direitos previdenciários e também resolver questões patrimoniais. O processo é de 2008, e foi aberto cerca de dois anos após o falecimento do envolvido na relação com as duas mulheres. A decisão abre possibilidade para que outras famílias em situações semelhantes possam pedir esse direito na Justiça. Ainda cabe recurso da sentença.

O homem, que já tinha sido casado, teve filhos com a esposa e, após separar-se, foi morar com uma das conviventes, com quem teve um casal de filhos. Enquanto estava vivendo com esta última, teve mais dois filhos com a outra mulher

Após a morte do companheiro, as duas mulheres ficaram impedidas de receber os direitos previdenciários e de resolver questões patrimoniais. A partir de agora, uma vez a sentença transitada em julgado, as duas poderão requerer esse direito.

Durante as audiências com o testemunho das duas mulheres e dos interessados - filhos do falecido -, além de depoimentos de vizinhos, colegas de trabalho e conhecidos dos envolvidos no caso, ficou claro ao magistrado que as duas mulheres não tinham conhecimento da existência uma da outra e nem dos filhos gerados nesses relacionamentos.

De acordo com o juiz responsável pela sentença que reconheceu a união, Luís Cláudio Cabral Chaves, da 4ª Vara de Família e Sucessões da Comarca de Manaus, a Constituição Federal de 1988 ampliou o conceito de família, antes entendida como aquela que se constituía pelos pais e filhos unidos por um casamento, regulado pelo Estado.

“A Constituição Federal de 1988 ampliou esse conceito, reconhecendo como entidade familiar a união estável entre homem e mulher. O Direito passou a proteger todas as formas de família, não apenas aquelas constituídas pelo casamento, o que significou uma grande evolução na ordem jurídica brasileira, impulsionada pela própria realidade”, explicou.

Ainda de acordo com o juiz, o reconhecimento de famílias paralelas é uma questão que deve ser enfrentada pelo Judiciário “Deixar de reconhecê-las não fará com que deixem de existir. Não se pode permitir que em nome da moral se ignore a ética, assim como que dogmas culturais e religiosos ocupem o lugar da Justiça até porque o Estado brasileiro é laico, segundo a Constituição Federal”, acrescentou.

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* Google difundirá grátis conteúdo da revista jesuíta “Civiltà Cattolica” na web.

terça-feira, abril 9th, 2013

O gigante da internet Google entrou em contato com a Companhia de Jesus para incluir em seu serviço de livros gratuitos todos os números e fascículos publicados desde 1850 até 2007 pela revista “Civiltà Cattolica”, “Civilização Católica”, a revista dos Jesuítas.

Para o Google, a revista jesuíta “contribui com valores à discussão no mundo virtual e na vida real, porque fala de temas de cultura geral a um nível mundial”, disse em uma entrevista concedida ao grupo ACI em 5 de abril, Giorgia Abeltino, a conselheira de Política Pública do Google na Itália.

Abeltino, que é responsável pelas relações institucionais do Google na Itália, entre as que se incluem diversos projetos culturais sem fins lucrativos, assinalou que “é uma honra colaborar com uma revista tão conhecida como Civiltà Cattolica”.

Conforme explica, a ideia de colaborar com uma revista católica nasceu do projeto “Google Livros”, a ferramenta do Google que permite descarregar de maneira gratuita os principais livros – sem direitos autorais-, das bibliotecas mundiais.

Google se deu conta de que a revista dos jesuítas aparecia em um grande número de bibliotecas e esse foi o fator principal para entrar em contato com eles. “Chamou-nos muito a atenção”, afirma.

Para colaborar com o Google, os jesuítas tiveram que eliminar os direitos autorais de muitos dos seus conteúdos, um gesto, que para o Google “foi realmente importante… –a revista católica- sempre manteve sua política de intercâmbio, diálogo, colaboração e de partilha”.

“Compartilhar, a final das contas, é o que caracteriza o mundo virtual, assim que sua contribuição é fantástica para nós”.

Ao falar da presença do conteúdo católico no mundo da Web, a representante do Google, explicou que ficou impressionada com o crescimento particular da circulação no canal de vídeo do Vaticano no YouTube.

“É realmente incrível o número de visualizações que tiveram no último mês, assim como a participação, o intercâmbio e os comentários, significam que o mundo quer estar presente!”, exclamou.

“Como não podem estar fisicamente presente, estão através da rede, e isto levou a um crescimento das buscas”, concluiu.

A revista Civiltà Cattolica se pode encontrar na Web em língua italiana. No futuro se espera sua tradução a outros idiomas. Nela, os jesuítas escrevem de diversos temas como cultura, teologia, filosofia, história, sociologia, economia, política, ciência, literatura, arte e cinema.

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* O Relativismo relativo ou a justa relatividade da verdade.

terça-feira, abril 9th, 2013
Então a afirmação tudo é relativo implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras?

Por Pe. Anderson Alves

Em outra ocasião dizíamos que o relativismo e o ateísmo absolutos são incompatíveis[i]. Pois quem afirma ser verdade que Deus não exista, não poderia negar a existência da verdade. De modo que o ateísmo absoluto nos mostra que relativismo não pode ser absoluto, só pode ser relativo. E isso é comprovado se partimos da afirmação dos que dizem que o relativismo não nega a existência da verdade, mas somente diz que ela é sempre relativa. De fato, a afirmação de que “tudo é relativo” é muito comum nos nossos dias e pode significar algo equivocado e também algo certo.

Equivocado quando quer significar que duas afirmações contraditórias podem, ao mesmo tempo, ser verdadeiras. Pois quem afirma isso deveria aceitar que duas afirmações contraditórias não podem ser contemporaneamente verdadeiras (uma vez que essa é a contraditória da afirmação anterior). Mas quem diz que duas afirmações contraditórias podem e não podem ao mesmo tempo ser verdadeiras, não sabe realmente o que fala. A inteligência e a linguagem humanas, se querem continuar sendo reconhecidas como tais, não aceitam contradições.

“Tudo é relativo” pode significar também algo bem preciso: que a verdade indica sempre uma relação. De fato, a verdade se dá quando se afirma aquilo que é, ou se nega aquilo que não é. Em outras palavras, a verdade se dá quando a inteligência apreende o que as coisas são e as expressa em juízos. De modo que “tudo é relativo” significa que toda verdade é relativa a uma inteligência: a de quem a conhece.

E a inteligência pode ser tanto a divina quanto a humana. A divina fundamenta toda verdade natural existente, porque Deus pensa todas as coisas e depois as cria (inclusive o processo evolutivo). E a correspondência daquilo que as coisas são com o pensado por Deus sobre as coisas é a verdade natural de todas elas, intrínsecas às mesmas. O intelecto humano, por sua vez, não conhece todas as verdades, mas está em potência para conhecê-las. Sendo assim, a relação do intelecto divino com as coisas é essencial para as coisas, pois sem essa relação as coisas não podem existir; a relação do intelecto humano com as coisas naturais é acidental, pois ainda que o homem não as conhecesse, essas existem e são dotadas de uma racionalidade e de leis próprias e cognocíveis. Santo Tomás de Aquino chega a dizer que se não houvesse nenhuma inteligência, nem a divina nem a humana (o que é impossível), não haveria nenhuma verdade[ii].

Então a afirmação “tudo é relativo” implica que duas afirmações contraditórias possam ser verdadeiras? Evidentemente não, pois afirmar que duas contraditórias são verdadeiras implica aceitar que duas afirmações contraditórias não são verdadeiras, o que é um absurdo. Dizer que cada verdade é relativa a um intelecto quer dizer que a verdade só existe porque é conhecida por Deus e pode ser conhecida pela inteligência humana, mas não implica que a inteligência humana conhece infalivelmente a verdade. A inteligência humana não é nem a divina nem a angélica e pode se equivocar. Mas também só essa inteligência pode reconhecer o próprio erro.

Sendo assim, quando uma afirmação é verdadeira a sua contraditória necessariamente será falsa. Isso quer dizer que se uma pessoa diz “isso que está diante de mim é um computador”, não pode dizer no mesmo tempo “isso que está diante de mim não é um computador”. Quem está certo da verdade da primeira afirmação, não pode aceitar a verdade da segunda. Isso é o princípio básico de coerência do pensamento e da linguagem humana. Quem nega esse primeiro princípio se torna incapaz de fazer qualquer afirmação, de raciocinar, de dialogar, de viver em sociedade. Se torna, para continuar com o exemplo de Aristóteles, semelhante a um vegetal, com quem não é educado discutir.

E quando alguém diz: “isso é a tua verdade, mas não é a minha verdade”: há algum sentido? Certamente nesse caso deve-se analisar o conteúdo das duas afirmações e ver se ambas são realmente contraditórias e depois investigar se ambas são falsas, ou se alguma é verdadeira. No caso de que uma seja verdadeira, a sua contraditória será necessariamente falsa. E isso não implica discriminação com ninguém, pois é próprio de pessoas de inteligência considerar mais o que se diz do que quem o diz, num diálogo. Pode ocorrer que as duas afirmações não sejam contraditórias, mas verdades complementares, ou duas falsidades. É necessário saber, então, qual é o critério último para que uma afirmação seja verdadeira ou falsa. Já iniciamos aqui uma resposta, mas a aprofundaremos em outra ocasião.

O que importa agora é deixar claro que toda verdade se refere a uma inteligência. Nesse sentido, toda verdade é relativa, inclusive a verdade divina, relativa à inteligência (Logos) de Deus. E isso é o justo relativismo da verdade. Por outro lado, afirmar um relativismo absoluto, ou seja, dizer que toda afirmação é necessariamente verdadeira (ou necessariamente falsa), inclusive aquelas contraditórias, significa afirmar algo tão ilógico e antinatural que seria melhor não dizer nada: “sobre o que não se pode falar, se deve silenciar”[iii].

Pe. Anderson Alves, sacerdote da diocese de Petrópolis – Brasil. Doutorando em Filosofia na Pontificia Università della Santa Croce em Roma.

[i] Cfr. http://www.zenit.org/pt/articles/e-possivel-um-relativismo-absoluto Cfr. também:http://www.zenit.org/pt/articles/o-ateismo-e-uma-escolha-racional

[ii] S. Tomás de Aquino, De Veritate q. 1, a. 2.

[iii] L. WITTGENSTEIN, Tractatus logico-philosophicus, prop. 7.

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* Jovens, fãs de séries “religiosas” como ‘crepúsculo’ e ‘Senhor dos anéis’ estão à procura de respostas JÁ emitidas pela fé católica.

segunda-feira, abril 8th, 2013

A série de Stephenie Meyer “Crepúsculo” e outras histórias sobrenaturais podem dar aos adolescentes não-religiosos informações importantes sobre como lidar com as grandes questões da vida, afirma um pesquisador dinamarquês.

Na Dinamarca, onde a religião não possui mais uma grande importância para a maior parte da população, os adolescentes dizem que usam a mídia para formar seus conceitos sobre questões como o bem e o mal, vida após a morte e o destino.

Line Nybro Petersen, da Universidade de Cinema de Copenhagem e do Departamento de Estudos Sobre Mídia tem comprovado que, para os fãs mais fervorosos, sua dedicação à série os livros e filmes lembra as das comunidades religiosas.

“Ser fã de ‘Crepúsculo’ permite que os adolescentes se envolvam em muitas experiências emocionais intensas”, disse Petersen ao site LiveScience. “Você quase tem a sensação de que estas são emoções transcendentais, um sentimento que é parte de algo maior que você mesmo, de uma forma semi-religiosa”.

Os vampiros podem parecer um ícone estranho para se ter experiências espirituais, mas “Crepúsculo” e a saga “True Blood” são parte de um processo preparado pelo cinema e a TV que reciclaram velhas idéias, transformando-as em novas histórias. Os estudiosos de mídia chamam esse processo de “midiatização”.

Por exemplo, os símbolos religiosos como a cruz e a água benta aparecem frequentemente na série de TV “Buffy, a caça vampiros”, sucesso na década de 1990, mas em grande parte eles não possuíam qualquer ligação o cristianismo. Tratavam-se simplesmente de armas contra vampiros com uma “pitada de teologia”.

Os vampiros passaram por uma transformação semelhante em “Crepúsculo”. Em vez de virarem pó em contato com o sol, por exemplo, eles brilham.

Como parte de sua tese de doutorado, Petersen pesquisou e entrevistou adolescentes dinamarqueses que gostam de programas de TV ou de filmes sobrenaturais, como “Sobrenatural”, “Vampire Diaries” ou “Ghost Whisperer”, onde o fantástico se torna cotidiano. Ela descobriu que, embora muitos desses adolescentes rejeitem a religião organizada, ainda se debatem com as grandes questões da vida.

“Você não tem uma resposta clara sobre o que acontece quando você morre, então talvez quando lê ou assiste filmes sobre isso, aprende alguma coisa”, explica Katja, uma “fãpira”, como são chamados os adolescentes fãs de vampiros.

Os fãs mais dedicados, além de ler e reler os livros ou assistir várias vezes os mesmo episódios, passam grande parte de seu tempo falando sobre isso na Internet, em fóruns especializados ou nas redes sociais.

Como resultado, explica Petersen, os livros e filmes ajudam a formar grande parte da identidade dos adolescentes. A pesquisadora disse perceber uma atmosfera positiva e de cumplicidade entre os jovens que descobrem que possuem esse aspecto em comum.

O aspecto semi-religioso pode ser ligeiramente diferente em países mais religiosos, ressalta Petersen. O mais comum, segundo ele, é que esses elementos sobrenaturais se encaixam perfeitamente com sua “visão cristã do mundo”, que receberam dos pais.

A estudiosa dinamarquesa afirma que a questão deve ser levada a sério. “É algo que eles podem gostar muito por um breve período de tempo, mas que acabam substituindo para seguir em frente”.

Petersen diz que muitos jovens que assistiam/liam a saga de Harry Potter, passaram a acompanhar “Crepúsculo” ou “O Senhor dos Anéis”, e agora mudaram para trilogia “Jogos Vorazes” ou outras histórias sobrenaturais. Em outras palavras, os adolescentes continuam procurando histórias que lhes ajude a entender o mundo.

Traduzido e adaptado de Live Science

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* O Catolicismo e o judaísmo diante do conformismo social da “questão gay”

quinta-feira, abril 4th, 2013


Ernesto Galli Della Loggia, professor do Instituto Italiano de Ciências Humanas de Florença (SUM), em artigo publicado no jornal Corriere della Sera

***

No século XVIII, na sua batalha contra as religiões oficiais, equiparadas sem tanta cerimônia a muitas outras superstições, o Iluminismo francês, destinado a fazer escola em toda a Europa continental, certamente não teve que lidar somente com o catolicismo. Ao invés. O judaísmo, por exemplo, foi um alvo seu, talvez ainda mais usual: basta pensar nas tantas páginas de Voltaire repletas de insultos contra a religião mosaica.

Depois, entre os anos 1700 e 1800, as coisas mudaram rapidamente. Sobretudo porque o judaísmo mudou. De fato, aconteceu que, na Europa (principalmente ocidental), um grande número de judeus começou a avançar em um percurso de radical emancipação-secularização que os levou a se integrar plenamente com as elites secular-liberais no caminho de tomar o poder em toda a parte: da religião dos pais, conservando ao máximo qualquer vestígio ritual. 

Desde então, a crítica antirreligiosa de ascendência iluminística começou a pôr na mira, no âmbito ocidental, quase que exclusivamente o catolicismo
, quase como se ele fosse a única religião que restou na face da terra. Uma tendência que foi se afirmando cada vez mais, especialmente na Itália, e muitas vezes – é preciso dizer – com o consenso tácito de grande parte da intelligentzia de origem judaica, mais ou menos favorável a valorizar implicitamente a ideia – bizarríssima, mas muito “politicamente correta” – de que, no fim das contas, o judaísmo não é nem uma religião. Ou é, mas tão diferente de todas as outras, tão diferente, que, no fim, não é!

Especialmente na Itália, eu escrevi. E, de fato, quando entre nós [italianos] se falar sobre assuntos que, de algum modo, envolvem a fé religiosa, o judaísmo tende a não ter e/ou não fazer parte alguma. E, portanto, ele tende a não ser mencionado nunca. Basta pensar em toda a discussão sobre a liceidade da engenharia genética, da eutanásia ou do matrimônio entre homossexuais. 

Debatendo-se sobre essas coisas, é como se o judaísmo tivesse descido nas catacumbas, tanto a sua voz é tênue ou ausente. Com o resultado de que a voz da Igreja Católica, ao invés, é facilmente apresentada como a única que, em nome de uma visão religiosa, está empenhada em defender posições.

Ao invés, para nos lembrar de que as coisas não estão assim, de fato, e de que justamente sobre os assuntos que eu citava antes são, vice-versa, muito profundos os laços teológicos e doutrinais entre o judaísmo e o catolicismo (e o cristianismo em geral, eu diria), socorre-nos um recente documento importante de uma autoridade do judaísmo europeu como o Grão-Rabino da FrançaGilles Bernheim, intitulado “Matrimônio homossexual, homoparentalidade e adoção”.

Bernheim inicia com o ponto decisivo, isto é, contestando que tais temas tenham como verdadeira questão em jogo um problema de igualdade de direitos. O que está em jogo, ao invés, escreve ele, é “o risco irreversível de uma confusão das genealogias, dos estatutos e das identidades, em detrimento do interesse geral e em benefício do de uma ínfima minoria”.

De um modo que me parece compartilhável até do ponto de vista de um não crente, ele desmonta um a um os argumentos habitualmente usados em favor do casamento homossexual: da exigência de proteção jurídica do potencial conjunto, à importância do querer-se bem (”não se pode reconhecer o direito ao matrimônio a todos aqueles que se amam pelo simples fato de que se amam”: por exemplo, a uma mulher que ama dois homens); às razões afetivas que justificariam a adoção de uma criança por parte de um casal homossexual. 

“Todo o afeto do mundo não basta para produzir as estruturas psíquicas basilares que respondem à necessidade da criança de saber de onde vem. A criança não se constrói a não ser diferenciando-se, e isso pressupõe, acima de tudo, que ela saiba a quem se assemelha. Ela precisa saber que é o fruto do amor e da união de um homem, seu pai, e de uma mulher, sua mãe, em virtude da diferença sexual dos seus genitores”.

E ainda: “O pai e a mãe indicam à criança a sua genealogia. A criança precisa de uma genealogia clara e coerente para se posicionar como indivíduo. Desde sempre e para sempre, o que constitui o humano é uma palavra em um corpo sexuado e em uma genealogia”.

Bernheim não só enfrenta de peito aberto o propósito caro a muitos militantes homossexuais de substituir o conceito sexuado de “pais” por aquele assexuado e vazio de “parentalidade” e de “homoparentalidade”, mas também argumenta que não se pode falar de forma alguma de um direito de ter um filho: “O sofrimento de um casal infértil não é uma razão suficiente para obter o direito à adoção. A criança – ressalta – não é um objeto, mas sim um sujeito de direito. Falar de direito a ter um filho implica uma instrumentalização inaceitável”.

Naturalmente, as páginas mais densas do documento são aquelas em que, opondo-se à ideia cada vez mais difundida de que o sexo, longe de ser um fato natural, representa uma construção cultural, o Grão-Rabino, fortalecido com o relato do Gênesis, afirma, ao invés, “a complementaridade homem-mulher como princípio estruturante do judaísmo”, correspondendo ao plano mais íntimo da criação. 

“A dualidade dos sexos – escreve – pertence à construção antropológica da humanidade” e é desejada por Deus também como “um sinal da nossa finitude”. Nenhum indivíduo pode pretender de ser autossuficiente, representar todo o humano, a partir do momento em que, com toda evidência, “um ser sexuado não é a totalidade das espécies”.

O leitor deve ter notado a forte semelhança de muitas das coisas ditas por Bernheim com as defendidas pelo magistério católico (não por acaso, recentemente, Bento XVI citou calorosamente o documento do Grão-Rabino francês). Na realidade, as vozes conjuntas do judaísmo e do catolicismo, quando evocam o que está efetivamente em jogo nesse caso – isto é, as próprias bases da sociedade em que queremos viver, a existência ontológica de dois sexos distintos, a aliança do homem e da mulher na instituição chamada a regular a sucessão das gerações, além do risco de anular de modo irreversível tal sucessão –, no momento em que fazem isso, parecem confirmar o que foi defendido à época por Jürgen Habermas acerca da importância que tem e deve ter o ponto de vista da religião no discurso público das nossas sociedades. 

Tal ponto de vista, de fato, muitas vezes é precioso para compreender – por todos, crentes e não crentes, de toda pessoa livre – o que essas sociedade hoje têm o poder de fazer. E, portanto, para medir a ruptura que as suas decisões podem representar com relação às raízes mais profundas e vitais da nossa antropologia e da nossa cultura.

Mas do Grão-Rabino Bernheim chega outra lição. Isto é, como é importante que a discussão pública seja conduzida com coragem, desafiando o conformismo que muitas vezes anima a intelectualidade convencional e o mundo da mídia. Como é que é importante que personalidades com autoridade (por exemplo, os psicanalistas) não tenham medo de fazer ouvir a sua opinião: mesmo quando ela não é conforme ao que aparece no mainstream das ideias dominantes. 

É uma lição particularmente essencial. Onde é cada vez mais raro ouvir vozes destoantes e provenientes de bocas insuspeitas, onde é cada vez mais forte a tentação de ter razão colando rótulos a quem discorda, em vez de discutir os seus argumentos, onde estão cada vez mais prontos a libertar impiedosamente os reflexos condicionados dos pertencimentos.

Onde – especialmente quando se trata de certas questões – não deixa de se fazer ouvir pontualmente o preconceito que tende a fazer do catolicismo o bode expiatório mais adequado para ser apontado para a execração pública pelas vestais do iluminismo e para ver chover sobre si todas
as culpas (e todas as supostas culpas) do caso.

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* Conheça a “Clericus Cup”, Campeonato de futebol dos Institutos Pontifícios Romanos.

quarta-feira, março 27th, 2013

Zenit

Uma verdadeira manifestação multicultural: 335 jogadores formando 16 times. É a “Clericus Cup” que chega a sua sétima edição. Um verdadeiro campeonato de futebol disputado por sacerdotes e seminaristas dos Institutos Pontifícios de Roma. Os participantes agrupados em 4 dias, muito determinados, superaram a primeira fase. Agora, os jogadores aguardam as quartas de final do torneio que acontecerão dia 13 de abril.

O “campeonato mundial pontifício”, como definido por vários, é organizado pela ‘Centro Sportivo Italiano’ (CSI) e patrocinado pelo Departamento de Esportes da CEI ( Conferencia Episcopal Italiana), pelo Pontifício Conselho para os Leigos e pelo Pontifício Conselho para Cultura. 56 nações estão presentes no torneio, o maior número é representado pelos mexicanos, somam 46; seguido pela Itália e Estados Unidos com 29 jogadores; os brasileiros são 23 e os espanhóis 21.

As regras têm algumas diferenças em relação às tradicionais do futebol: a duração total foi reduzida para 60 minutos, e além do cartão amarelo e vermelho, há também o azul o que impõe a expulsão temporária por 5 minutos. O torneio é semelhante ao da Liga dos Campeões: quatro grupos constituídos por quatro equipes se enfrentam em partidas eliminatórias. Os dois primeiros vão para a próxima etapa, enquanto o restante é eliminado. Logo depois da Páscoa, no dia 13 de abril, acontecerão as quartas de final, dia 11 de maio as semi finais e sete dias depois, será a final que vai decidir o vencedor do torneio.

O evento vem sendo liderado pelo Redemptoris Mater, com três vitórias (2007, 2009 e 2010), seguido da Mater Ecclesiae, Gregoriana e North American Martyrs. Todos três com uma vitória (respectivamente em 2008, 2011 e 2012).

A edição de 2013 tem várias novidades, incluindo a faixa no braço de cada capitão, com a frase: “Succede a chi crede” (Acontece para aqueles que acreditam), trazendo à mente as maravilhas que a fé pode realizar: capaz de surpresas, de reunir, e ir além das diversidades humanas. E este ano, os Cardeais que chegaram a Roma para o Conclave, tiveram a oportunidade de ver de perto esta festa jovem. Muitos deles já moraram nestas faculdades romanas. Ao longo dos anos, muitos cardeais expressaram sua simpatia com relação ao evento, a partir do Secretário de Estado, Tarcisio Bertone, de quem nasceu a idéia do torneio de futebol, ou o Português José Saraiva Martins, grande fã de futebol.

A última disputa dos grupos realizada alguns dias após a eleição de Bergoglio foi uma oportunidade para a faculdade argentina “Verbo Encarnado” de saudar o colega mais conhecido: Papa Francisco.

O sucesso da Clericus Cup aumenta a cada ano e atrai cada vez mais pessoas, adeptos e fãs de futebol que chegam nos campos do Oratório Pontifício de São Pedro seja para torcer para os sacerdotes amigos ou para contemplar o espetáculo da Cúpula que se avista do campo de futebol . Uma combinação ideal de esporte e sacro, anos-luz de distância dos episódios que estamos acostumados a ver no domingo, nos estádios italianos, porque muitas vezes nos esquecemos de que o futebol é, sobretudo, divertimento.

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* O que pensa o Papa Francisco sobre…

segunda-feira, março 25th, 2013


O MUNDO E A FÉ SEGUNDO O PAPA FRANCISCO

REVISTA VEJA  - 20 de março de 2013 – edição 2313 – ano 46 – n°12, pgs. 70/71

Como arcebispo de Buenos Aires, o novo pontífice refletiu com clareza sobre questões fundamentais do cotidiano

CRENÇA

A Igreja defende a autonomia das questões humanas. Uma autonomia saudável é uma laicidade saudável, em que se respeitam as diferentes competências. A Igreja não vai diz, aos médicos como devem realizar uma operação. O que não é bom é o laicismo militante, aquele que toma uma posição antitranscendental ou que o religioso não saia da sacristia. A Igreja dá os valores, e os outros que façam o resto.

DEUS

“Ao homem de hoje lhe diria que faça a experiência de entrar na intimidade para conhecer a experiência, o rosto de Deus. Por isso me agrada tanto o que disse Jó depois de sua dura experiência e de diálogos que não lhe esclareceram nada: ‘Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com meus próprios olhos’. Ao homem, digo que não conheça a Deus de ouvidos. O Deus vivo é aquele que se vê com seus olhos, dentro de seu coração.”

DIVÓRCIO

“A discussão em torno do divórcio é diferente daquela do matrimônio de pessoas do mesmo sexo. A Igreja sempre repudiou a lei do divórcio, mas há antecedentes antropológicos distintos neste caso. (…) É um valor muito forte no catolicismo o casamento até que a morte os separe. Hoje, contudo na doutrina católica, lembra-se a seus fiéis divorciados e recasados que eles não estão excomungados – ainda que vivam em uma situação à margem do que exigem a indissolubilidade matrimonial e o sacramento do matrimônio – e é pedido a eles que participem da vida paroquial.”

ABORTO

“O problema moral do aborto é de natureza pré-religiosa. No momento da concepção está o código genético da pessoa. Ali já existe um ser humano. Separo o tema do aborto de qualquer – concepção religiosa. É um problema científico. Não permitir o desenvolvimento de um ser que já dispõe do código genético de um ser humano não é ético. Abortar é matar alguém que não pode se defender.”

ATEÍSMO

“Quando eu me encontro com pessoas ateias, compartilho com elas as questões humanas, mas não coloco logo de cara em discussão a questão de Deus, exceto se elas me incitam a isso. Quando isso ocorre, eu explico a elas por que creio. (…) Não pretendo fazer proselitismo – eu as respeito e me mostro como sou. (…) Não tenho nenhum tipo de reticências. Não diria que um ateu está condenado porque estou convencido de que não tenho o direito de julgar sua honestidade – sobretudo se ele tiver virtudes, aquelas que engrandecem as pessoas. De toda forma, conheço mais gente agnóstica do que ateia. O agnóstico duvida; o ateu está convencido. Temos de ser coerentes com a mensagem que recebemos da Bíblia: todo homem é a imagem de Deus, seja ele crente ou não. Por essa única razão, tem uma série de virtudes, qualidades, grandezas. Caso tenha baixezas, como eu também as tenho, podemos compartilhá-Ias para nos ajudarmos mutuamente a superá-Ias.”

CIÊNCIA

“A ciência tem sua autonomia, que deve ser respeitada e encorajada. Não se deve interferir na autonomia dos cientistas. Exceto se extrapolarem seu campo de atuação e se envolverem com o transcendente. A ciência é fundamentalmente instrumento do mandato de Deus, que disse: ‘Tenham muitos e muitos filhos, espalhem-se por toda a terra e a dominem’. Dentro de sua autonomia, a ciência transforma a incultura em cultura. Mas cuidado: quando a autonomia da ciência não põe limites a si mesma e vai além, ela pode sair das mãos de sua própria criação. É o mito de Frankenstein.”

IGREJA

“Uma coisa boa que aconteceu com a Igreja foi a perda dos Estados Pontifícios, porque deixa claro que a única posse do papa é meio quilômetro quadrado. Mas, quando o papa era rei temporal e rei espiritual, aí se misturavam as intrigas de corte e tudo isso. Agora não se misturam? Sim, ainda existe isso, porque existe ambição em homens da Igreja, existe – lamentavelmente – pecado de carreirismo. Somos humanos e nos tentamos, temos de estar muito atentos para cuidar da unção que recebemos, porque ela é um presente de Deus. As disputas pelo poder, que existiram e existem na Igreja, se devem a nossa condição humana. Mas, nesse momento, a pessoa deixa de ser eleita para o serviço e se converte em uma pessoa que escolhe viver como quer e se mistura com o lixo interior.”

“Um líder religioso pode ser muito forte, muito firme, mas isso sem exercer a agressão. Jesus disse que aquele que manda deve ser como aquele que serve. Para mim, essa ideia é válida para a pessoa religiosa de qualquer credo. O verdadeiro poder de uma liderança religiosa vem de seu serviço. Quando deixa de servir, o religioso se transforma em um mero gestor, em um agente de ONG. O líder religioso compartilha, sofre, serve a seus irmãos.”

PEDOFILIA

“Que o celibato traga como consequência a pedofilia está descartado. Mais de 70% dos casos de pedofilia se dão no entorno familiar e na vizinhança: avôs, tios, padrastos e vizinhos. O problema não está vinculado ao celibato. Se um padre é pedófilo, ele o é antes de ser padre. Agora quando isso ocorre, jamais se deve fazer vista grossa. Não se pode estar em uma posição de poder e destruir a vida de outra pessoa. (…) Não creio em posições que pleiteiam sustentar certo espírito corporativo para evitar danos à imagem da instituição. Esta solução creio que foi proposta certa vez nos Estados Unidos: mudar os padres de paróquia. Isso é uma estupidez porque, dessa forma, o padre leva o problema na bagagem. A reação corporativa leva a tal consequência, por isso não concordo com essas medidas. Recentemente, na Irlanda, foram revelados casos após vinte anos, e o papa disse claramente: ‘Tolerância zero com este crime’. Admiro a valentia e a retidão de Bento XVI sobre esse assunto.”

TENTAÇÃO

“A vida cristã também é uma espécie de atletismo, de disputa, de corrida, em que é preciso se desvencilhar das coisas que nos separam de Deus. Além disso, quero salientar que uma questão é o demônio e outra é demonizar as coisas ou as pessoas. O homem está sob tentação constante, mas não é por isso que remos de demonizá-lo.”

UNIÃO HOMOSSEXUAL

“Não sejamos ingênuos: não se trata de uma simples luta política. Pretende-se a destruição do plano de Deus. É uma jogada do pai da mentira para confundir e enganar os filhos de Deus.”

********************************************

O padre biblista Matteo Crimella fala sobre o livro Sobre el cielo y la tierra, escrito a quatro mãos pelo então arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, e pelo rabino Skorka.

O artigo foi publicado no sítio Missionline, 16-03-2013. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.


Entre os muitos dons que o Senhor me deu, um deles se destaca sobre todos: eu vivi por nada menos do que seis anos em Jerusalém, debruçado sobre os textos do Antigo e do Novo Testamento, observando e medindo com os meus olhos cada pedra da cidade santa. Para uma pessoa curiosa e apaixonada por livros, Jerusalém é um paraíso: há lugares (muitas vezes simples porões muito desordenados) onde se encontra todo tipo de livros, em todas as línguas do mundo.

Nos anos em que eu vivia na cidade santa, eu me permitia a satisfação de uma visita às livrarias, sem nunca me decepcionar. No verão passado, o livreiro (um sorridente judeu de origem polonesa) me informou que haviam recém-esvaziado o apartamento de um professor de língua espanhola.

Eu desci na grande loja e olhei intrigado, mas só encontrei um livro que me interessava, Sobre el cielo y la tierra, escrito a quatro mãos pelo arcebispo de Buenos Aires, Bergoglio, e pelo rabino-chefe da cidade, Skorka (Jorge Bergoglio e Abraham Skorka, Sobre el cielo y la tierra, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, 2010, 220 páginas).

Olhei o índice, li a contracapa, descobrindo que ambos haviam estudado química, passei pelo primeiro capítulo intitulado “Sobre Dios” e decidi comprá-lo. No dia 13 de março à noite, depois do habemus papam, fui pescá-lo novamente na minha biblioteca e li-o de uma vez só.

O livro reúne os diálogos que ocorreram entre o cardeal e o rabino a propósito de vários temas: Deus, os ateus, as religiões e o seu futuro, os discípulos, a oração, o pecado, a morte, a mulher, o aborto, a educação, a política, o dinheiro, o Holocausto, o diálogo inter-religioso, em um total de 29 breves capítulos nos quais os dois discutem.

Na introdução, o rabino afirma que o diálogo é um exercício em que “a alma de um se reflete na do outro”. Além disso, evocando um baixo-relevo no frontispício da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, que representa o abraço de José, vice-rei do Egito, com os seus irmãos, o líder da comunidade hebraica reafirma o valor da “cultura do encontro”. De fato, no diálogo, cada um é ele mesmo, o cardeal com a sua identidade católica, e o rabino com judaica, mas juntos se confrontam e se enriquecem mutuamente.

O que emerge daí? Bergoglio fala de si, do seu encontro com Deus, Ele não esconde ter feito um itinerário marcado por luzes e sombras, passando por consolações e desolações (segundo uma linguagem tipicamente inaciana e, portanto, jesuítica). Afirma: “Minha experiência de Deus se dá no caminho, na busca, no deixar-me buscar”. A partir desta experiência tão intensamente pessoal, Bergoglio olha para o mundo.

A propósito dos ateus, ele diz: “Quando me encontro com pessoas ateias, compartilho as questões humanas, mas não lhes proponho de entrada o problema Deus, exceto no caso em que elas me o proponham. Se isso ocorre, eu lhes conto por que eu acredito. Mas o humano é tão rico para compartilhar, para trabalhar, que tranquilamente podemos complementar mutuamente as nossas riquezas. Como sou crente, sei que essas riquezas são um dom de Deus”.

Skorka, referindo-se ao pensamento de Maimônides, ecoa a sua afirmação dizendo: “Podemos conhecer suas fórmulas [da perfeição da natureza], mas não a sua essência”. Bergoglio continua: “Creio que quem adora a Deus tem, nessa experiência, um mandato de justiça para com seus irmãos. É uma justiça sumamente criativa, porque inventa coisas: educação, promoção social, cuidado, alívio etc. Por isso, o homem religioso íntegro é chamado de homem justo, leva a justiça para os demais. Nesse aspecto, a justiça do religioso ou da religiosa cria cultura. Não é a mesma coisa a cultura de um idólatra que a cultura que uma mulher ou um homem que adoram o Deus vivo criam.(…) Hoje, por exemplo, temos culturas idólatras em nossa sociedade: o consumismo, o relativismo e o hedonismo”.

A centralidade do mistério de Deus e da relação com ele surge quando o cardeal reflete sobre os líderes religiosos: “Os grandes líderes do povo de Deus foram homens que deixaram lugar à dúvida. (…) Moisés é o personagem mais humilde que houve sobre terra. Diante de Deus, não resta nada mais do que a humildade, e aquele que quer ser líder do povo de Deus tem que dar espaço a Deus; portanto, apequenar-se, esvaziar a si mesmo com a dúvida, com as experiências interiores de escuridão, de não saber o que fazer. (…) Uma das características do mau líder é ser excessivamente prescritivo pela autossegurança que tem”.

O rabino ecoa a sua afirmação sem qualquer problema: “A própria fé [judaica] deve se manifestar por meio de um certo sentimento de dúvida. (…) Posso ter 99,99% de certeza sobre Ele [Deus], mas nunca 100%, porque vivemos buscando-O”.

Bergoglio demonstra ser um homem muito aberto, mas ao mesmo tempo têm ideias claras sobre a Igreja. Ele se distancia fortemente daqueles que gostariam de reduzi-la a uma agência social: “Eu acredito que [a liderança] de uma congregação [religiosa] não pode se assimilar à de uma ONG. Em uma ONG, a palavra santidade não entra. Deve haver, sim, um comportamento social adequado, honestidade, uma ideia de como ela vai levar adiante a sua missão, uma lógica para dentro. Pode funcionar dentro da sua laicidade. Mas, na religião, a santidade é inevitável em seu líder”.

São muitas as referências à experiência pastoral do arcebispo de Buenos Aires. A propósito da formação dos candidatos ao sacerdócio, o cardeal recorda as escolhas feitas na sua diocese, mas o pensamento vai mais longe: “Nós aceitamos no seminário, aproximadamente, somente cerca de 40% dos que se postulam. (…) Por exemplo, existe um fenômeno psicológico: patologias ou neuroses que buscam seguranças externas. Há alguns que sentem que, por si mesmos, não vão ter êxito na vida e buscam corporações que os protejam. Uma dessas corporações é o clero.

Com relação a isso, estamos com os olhos abertos, tentamos conhecem bem as pessoas que demonstram interesse, fazemos testes psicológicos com elas em profundidade antes que ingressem no seminário. Depois, na consciência de um ano prévia ao ingresso, durante todos os fins de semana, vai-se vendo e se discerne entre as pessoas que têm vocação e aquelas que, na realidade, não são chamadas, mas buscam um refúgio ou se equivocam na percepção da vocação”.

Um dos pontos mais tocantes do diálogo é quando o rabino e o bispo tocam no tema da oração. “A oração deve servir para unificar o povo, é um momento em que todos dizemos exatamente as mesmas palavras”: é assim que o rabino Skorka inicia o seu discurso sobre uma realidade tão pessoal que é difícil discutir a respeito publicamente, talvez até mesmo articular algumas palavras.

Bergoglio
está em sintonia: “Rezar é um ato de liberdade”. E continua: “A oração é falar e ouvir. Há momentos que são de profundo silêncio, ´de adoração, esperando que o tempo passe”. Depois, ele cita o exemplo de Abraão, que intercede por Sodoma e Gomorra, e de Moisés que reza pelo povo.

Sobre os tradicionalistas (os lefebvrianos têm um seminário e algumas igrejas na Argentina) o juízo de Bergoglio é claro: ele define os “pequenos grupúsculos restauracionistas” como “fundamentalistas”, e acrescenta: “Esse tipo de religiosidade, muito rígida, se disfarça com doutrinas que pretendem dar justificações, mas, na realidade, privam da liberdade e não deixam que as pessoas cresçam. Em grande parte, terminam na vida dupla”.

Quando o discurso aborda as grandes ideologias do século XX, o cardeal é explícito: “O cristianismo condena com a mesma força tanto o comunismo quanto o capitalismo selvagem. (…) Um exemplo claro é o que acontece com o dinheiro que foge para o exterior. O dinheiro também tem pátria, e aquele que explora uma indústria no país e leva o dinheiro embora para guardá-lo fora está pecando. Porque não honra com esse dinheiro o país que lhe dá a riqueza, o povo que trabalha para gerar essa riqueza”. E acrescenta, a propósito da lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas: “Não se pode aceitar o dinheiro manchado com sangue”.

Significativa é a passagem sobre a riqueza da Igreja: “Sempre se fala do ouro do Vaticano, mas isso é um museu. Também é preciso distinguir o museu da religião. Uma religião precisa de dinheiro para manejar as suas obras, e isso se faz através de instituições bancárias, não é ilícito. (…) O que entra em doações ou por visitas a museus vai para leprosários, para escolas, para comunidades africanas, asiáticas, americanas”. Mas, depois, lembrando o martírio de São Lourenço e a sua defesa dos pobres de Roma, ele afirma: “Os pobres são o tesouro da Igreja e é preciso cuidá-los; e se não temos essa visão, construiremos uma Igreja medíocre, morna, sem força”.

O diálogo entre um rabino e um cardeal não podia não tocar nas relações entre judeus e cristãos, e a tragédia do Holocausto. A esse propósito, Bergoglio reitera a doutrina do Vaticano II: “Efetivamente, não se pode falar de um povo deicida”. Mas, depois, com a franqueza extrema, admite que na Argentina há alguns eclesiásticos antissemitas, mas declara resolutamente: “Hoje a política da Igreja argentina é clara: diálogo inter-religioso”.

Sobre o futuro das religiões, o olhar prospectivo afunda suas raízes na história: “Se olharmos para a história, as formas religiosas do catolicismo variariam notoriamente. Pensemos, por exemplo, nos Estados Pontifícios, onde o poder temporal estava unido ao poder espiritual. Era uma deformação do cristianismo. Não correspondia ao que Jesus quis e ao que Deus quer. Se, ao longo da história, a religião teve tanta evolução, por que não pensar que, em um futuro, ela também se adequará com a cultura do seu tempo? O diálogo entre a religião e a cultura é chave, já afirmava o Concílio Vaticano II. Desde o princípio pede-se da Igreja uma contínua conversãoEcclesia semper reformanda – e essa transformação adquire diversas formas ao longo do tempo, sem afetar o dogma”.

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* Documentário francês mostra manifestações da fé em vários locais do mundo.

segunda-feira, março 25th, 2013

O documentário “Era uma vez uma fé”, que será apresentado na Mostra de Cinema do Festival da Juventude durante a JMJ, teve a pré-estreia na noite de 21 de março.

Pela primeira vez, foi escolhido o prédio da sede do Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Rio2013 para transmitir um filme do Festival. Além disso, também foi a primeira pré-estreia aberta ao público. Os filmes já apresentados foram “Os Miseráveis”, no dia 31 de janeiro e “Indomável Sonhadora”, em 21 de fevereiro.

A ideia do documentário surgiu a partir de alguns questionamentos de dois rapazes franceses, Gabriel de Lépinau e Charles Guilhamon, que na época tinham 24 e 22 anos, respectivamente. Perguntas sobre como a fé cristã se manifesta nos habitantes de regiões onde cristãos são minoria, ou onde são perseguidos, impulsionaram os dois rapazes a viajarem por um ano visitando lugares como Romenia, Turquia, Síria, Iraque, Índia, Nepal, Mauritânia, Argélia, e até mesmo o nosso país, no Amazonas.

Segundo Aline Macedo, responsável pelas pré-estreias do setor de Cinema da JMJ, “os filmes escolhidos valorizam os sentimentos e as atitudes que são importantes para os cristãos, como o amor, a piedade, a esperança e os dons da humanidade”.

“A fé – a mesma nas savanas, nos montes tibetanos e na selva amazônica?”. Essa pergunta que os motivou é de alguma maneira, bastante semelhante ao que viveremos em breve na Jornada Mundial da Juventude. Ainda de acordo com a Aline, a história do filme está muito alinhada ao tema da Campanha da Fraternidade, “Eis-me aqui, envia-me!” (IS 6,8). Comentou ainda que o documentário é uma aula de catequese, de missão. Os dois jovens cristãos “saíram com suas bicicletas, pedalando o mundo inteiro, partindo da França com uma pergunta na cabeça: será que nós somos iguais?”, questionou.

Para o voluntário William Johnson, poderemos de certa forma ter a mesma sensação dos dois aventureiros, porque afinal, a diferença entre a Jornada Mundial da Juventude e a jornada do Gabriel e do Charles se dá pelo fato de que milhões de jovens se reunirão aqui no Rio e, portanto, não se tratará de um caso isolado, como no filme. “O que a gente pode vir a sentir é um espírito de fraternidade e de comunhão”, afirmou.

Já para a jovem de 19 anos, Carolina del Pilar, a JMJ será importante por confirmar sua fé e, além disso, também entende a vida como uma viagem, pelas experiências novas que ela traz e pelas suas crenças que a ajudam seguir seu caminho.




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* O legado de Bento XVI : seu ‘insuportável’ humanismo que questiona o mundo moderno.

domingo, março 17th, 2013

O legado de Bento XVI
O insuportável humanismo de Bento XVI

Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo de Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e membro do conselho editorial da versão brasileira da revista Communio

Em 1944, Henri de Lubac, um dos intelectuais que, juntamente com o jovem Ratzinger, fundou a revista internacional Communio, escreveu O drama do humanismo ateu. Sua tese era de que o humanismo moderno, perdendo a referência em Deus e no seu amor, é incapaz de realizar a pessoa, levando à dramática desumanização da sociedade contemporânea. Além disso, o livro procurava valorizar as críticas que Feuerbach, Marx e Nietzsche, entre outros, faziam ao Cristianismo – mostrando que muitas delas eram válidas, porém se referiam a um Cristianismo descaracterizado, que perdera seu élan vital.


A trajetória do teólogo Ratzinger, papa Bento XVI, pode ser lida como um diálogo entre os fundamentos do Cristianismo e esse humanismo em crise, que ao longo da modernidade parece ir vencendo todas as batalhas que luta (direitos humanos, democracia, igualdade, liberdades individuais etc.), mas estar perdendo a guerra da construção de uma humanidade mais feliz. Mas peço atenção: as bases da postura de Ratzinger não são os “valores da tradição”, como muitos dizem, mas sim os “fundamentos da tradição”. Ele tem claro que os valores morais e sociais, privados de seu fundamento original, se tornam normas vazias que mais oprimem que valorizam a pessoa; por isso sua batalha não é pela defesa de valores esclerosados, mas por uma renovação a partir da crença de que na raiz de qualquer valor realmente humanizador está o reconhecimento do amor de Deus.

Então Bento XVI não foi um tradicionalista? Sem dúvida não; seu pretenso “moralismo” e “reacionarismo” é uma construção midiática, que não se sustenta em uma análise de seus escritos ou do conjunto de suas atitudes no papado.

Um conservador? Se olharmos para o valor que dá à tradição da Igreja, sim. Mas quem ler Caritas in veritate, sua grande encíclica social, encontrará uma obra sintonizada com as demandas sociais da chamada “ala progressista” da Igreja. Dentro desse universo de caracterizações esquemáticas, talvez a melhor para ele seja a de “pós-moderno”.

As imagens mais frequentes que se tem das mudanças pelas quais a Igreja devia passar a partir do Concílio Vaticano II nasceram dos ideais da modernidade da metade do século 20, que já enfrentava a crise que gerou esse processo ambíguo e complexo que chamamos pós-modernidade. Bento XVI é o papa pós-moderno por excelência, que não procura criar uma Igreja que se molda aos valores da modernidade, mas que responde à destruição destes valores – realizada pelo próprio pensamento crítico moderno.

Em oposição aos pensadores ateus estudados por De Lubac, que construíram a grandeza e o drama do pensamento moderno, Bento XVI pode ser compreendido como um humanista religioso, que acredita que a ligação do ser humano com Deus é o vínculo de amor que é a condição necessária para encontrarmos nossa felicidade e realização. Porém, esse humanismo, nascido de um gesto de amor gratuito e de uma esperança sem limites, é quase insuportável para a cultura contemporânea. Corresponde de tal forma ao desejo mais profundo de cada um que chegamos a ter medo… Medo de nos entregarmos a essa promessa e descobrirmos depois que se trata de mais uma ilusão.

Quem não quer receber um amor que não pede nada em troca? Quem não quer ver a si próprio e a todos os que ama livres da sombra da morte? Quem não gostaria de saber que todas as vítimas de Auschwitz encontraram a paz e a justiça, que o mal que se abateu sobre elas não foi a última palavra? De saber que o futuro dos jovens mortos no incêndio da boate de Santa Maria não terminou abruptamente no horror, mas, pelo contrário, apenas se abriu, naquela noite fatídica, para a eternidade? O que uma jovem pobre, carregando dentro de si uma gravidez indesejada, prefere: poder tirar o filho que carrega em seu ventre, admitindo a desgraça e/ou o erro do que lhe aconteceu, ou ter a certeza de um amor que lhe permitirá ter esse filho e se realizar na vida, juntamente com essa criança, transformando a tragédia em esperança? O que corresponde mais ao desejo do sábio: descobrir com sua razão que a realidade é uma rede de causas e efeitos em última análise aleatórios, ou descobrir em cada fenômeno a beleza de um amor oculto, mas infinito?

Insuportável esperança, que parece negar a evidência de que nascemos marcados pela desgraça. Se acreditarmos nela, será muito mais doloroso voltarmos à desilusão da descrença, voltar a viver “sentados à sombra da morte”, inseguros em relação a cada afeto, sabendo que nenhum amor é para sempre! São essa esperança e a experiência de um amor impensável, mas realizado, que constroem o humanismo cristão proposto por Bento XVI.

Ainda é cedo para uma avaliação adequada de seu papado, mas é inegável que ele, como poucos, recolocou o humanismo cristão na agenda cultural da sociedade contemporânea; que em seu papado o mistério de Deus se tornou provocação e escândalo para um mundo fechado em si mesmo.

Fonte http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/sucessao-do-papa/conteudo.phtml?id=1349044&tit=O-insuportavel-humanismo-de-Bento-XVI

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