Posts Tagged ‘Fertilização in vitro’

* Biólogo inglês é pai de 600 pessoas concebidas em sua clínica de fertilidade.

segunda-feira, abril 16th, 2012

Investigações recentes permitiram dar a conhecer que um biólogo inglês é o pai de 600 pessoas que ele mesmo ajudou a conceber na sua clínica de fertilidade localizada em Londres (Inglaterra).

O jornal Daily Mail publicou a história de Bertold Wiesner, que fundou junto a sua esposa a Dra. Mary Barton uma clínica de fertilidade na qual conceberam 1500 pessoas entre os anos 40’s e 60′S.

Barton destruiu todos os registros médicos desses anos, o que faz quase impossível que a grande maioria dos que foram concebidos ali com a técnica da fecundação in vitro, tenham agora idéia de seus laços de parentesco. Entretanto, isso não impediu que dois homens descobrissem suas raízes, logo depois de uma investigação que incluiu a prova de DNA.

O advogado David Gollancz, um deles, considera que Wiesner fazia aproximadamente 20 doações de sêmen ao ano, por isso calcula que teria entre 300 e 600 filhos.

Quando tinha 12 anos, em 1965, Gollancz soube que havia sido concebido por fecundação in vitro, mas até agora não tinha idéia sobre quem era o seu pai. Quando soube, pôde entrar em contato com 11 de seus meio irmãos, incluindo o produtor de documentários Barry Stevens, quem liderou a investigação sobre a clínica.

Gollancz afirma que tem sentimentos encontrados sobre a sua incomum historia familiar. “Algo incômodo, já que a inseminação artificial se desenvolveu a escala industrial para o lucro e eu não gosto do sentimento de ter sido ‘produzido’”.

“Entretanto, conhecer meus meio irmãos, aos que procurei, foi uma experiência enriquecedora. Isto também faz com que a situação seja em parte frustrante, porque sei que há muitos outros no mundo aos que não conheço e eu gostaria de conhecer. Eu adoraria poder alugar um lugar enorme para convidá-los a todos a uma festa”.

O Daily Mail assinala que os casais estavam acostumados a usar a seus amigos mais próximos como doadores e que a escassez dos mesmos levou a Wiesner a ser o doador na maioria dos casos.

Os exames de DNA realizados no ano 2007 a 18 pessoas concebidas entre 1943 e 1962 revelaram que 12 delas eram filhos de Wiesner.

Em 1959, a Dra. Barton disse a um foro do governo sobre a inseminação artificial que “não aceitaria a um doador a menos que fosse, pelo menos, superior a maioria. Se for fazer isso (conceber in vitro a um bebê) tem que pôr os padrões mais altos que o normal”.
Wiesner faleceu em 1972 e sua esposa em 2001.

Gollancz faz parte de uma campanha que busca deter a fecundação in vitro com doadores anônimos, o que requer algumas mudanças na lei. “Eu gostaria de ver as certidões de nascimento com os nomes do doador de esperma ou da doadora do óvulo”, indicou.

“Muitos pais não dizem a seus filhos que foram concebidos desta forma e por isso nunca procurarão a seu pai biológico. As pessoas têm o direito de conhecer a sua história”, assegurou.

A doutrina católica se opõe à fecundação in vitro por duas razões primordiais: primeiro, porque se trata de um procedimento contrário à ordem natural da sexualidade que atenta contra a dignidade dos esposos e do matrimônio; segundo, porque a técnica supõe a eliminação de seres humanos em estado embrionário tanto fora como dentro do ventre materno, implicando vários abortos em cada processo.

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* O legitimo desejo de ter um filho justifica QUALQUER procedimento?

sábado, dezembro 24th, 2011

Interferindo na vida? – Quando as crianças se tornam instrumentalizadas

Pe. John Flynn, LC

Reportagens sobre novas técnicas de fertilização artificial são comuns hoje. O forte desejo dos casais por crianças, unido aos avanços técnicos, resulta numa combinação inebriante.

Os principais veículos de comunicação do Reino Unido informavam do nascimento do primeiro bebê concebido com a ajuda de um novo método que comprova os defeitos cromossômicos que podem impedir que uma gravidez in vitro tenha êxito.

A BBC informava que “Oliver” nasceu de uma mulher de 41 anos que tivera repetidas falhas com o procedimento de fecundação in vitro.

A cobertura dos meios de comunicação deste tipo de acontecimento costuma centrar-se na natural alegria do casal com seu novo bebê. Detrás dessas cenas, no entanto, o progresso da indústria da fecundação in vitro é uma história de inumeráveis vidas sacrificadas, bebês nascidos que nunca conhecerão seus pais biológicos e centenas de milhares de vidas condenadas a um limbo gelado, nos refrigeradores das clínicas.

A Igreja Católica tem dado destaque há muitos anos aos problemas éticos implicados na fecundação in vitro. Esta postura repete-se e amplifica-se no documento “Dignitatis Personae”, publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé.

“A Igreja reconhece a legitimidade do desejo de ter um filho e compreende os sofrimentos dos cônjuges angustiados com problemas de infertilidade”, reconhecia (n. 16).

Tal desejo, porém, não pode antepor-se à dignidade de cada vida humana, a ponto de assumir o domínio sobre a mesma. O desejo de um filho não pode justificar a ‘produção’, assim como o desejo de não ter um filho já concebido não pode justificar o seu abandono ou destruição”, explicava o organismo vaticano.

Perigosos efeitos secundários

Existe preocupação inclusive por aqueles que nasceram com êxito através da fecundação in vitro. Estas crianças têm uma probabilidade 30% superior de sofrer defeitos genéticos e outros problemas de saúde, informava o jornal britânico Daily Mail.

A advertência vinha da Autoridade de Fecundação e Embriologia Humana do Reino Unido. Mais de 10 mil crianças nascem a cada ano na Grã-Bretanha mediante fecundação artificial, observava o artigo.

A pesquisa que está detrás deste alerta vem do Centro para o Controle e Prevenção de Enfermidades de Atlanta, Estados Unidos. Estudaram-se mais de 13.500 nascimentos e outros 5.000 casos, utilizando dados do Estudo Nacional de Prevenção de Defeitos de Nascimento.

Descobriu-se que os bebês nascidos por fecundação in vitro sofrem de uma série de problemas, que incluem defeitos nas válvulas do coração, lábio e paladar leporinos, e anormalidades no sistema digestivo, devido a que o intestino e o esôfago não se formaram corretamente.

Quanto a uma pesquisa realizada na Austrália, esta revelava que os gêmeos nascidos como resultado do tratamento de fecundação in vitro têm uma probabilidade mais alta de ser hospitalizados em seus três primeiros anos de vida do que os gêmeos concebidos de modo natural.

Segundo publicado na mídia australiana, os gêmeos procedentes da fecundação in vitro passavam mais tempo no hospital após o parto e tinham 60% mais possibilidades de ter de ser internados em uma unidade de cuidados intensivos neonatal. Também costumam ter uma maior incidência de nascimentos prematuros e baixo peso ao nascer.

Os resultados era apresentados por uma equipe da cidade de Perth que analisou os ingressos hospitalares de cerca de 4.800 crianças gêmeas nascidas na Austrália ocidental entre 1994 e 2000.

Enigmas familiares

Dissociar as crianças de sua relação conjugal leva também a estruturas familiares cada vez mais complicadas, assim como a frequentes enfrentamentos judiciais. Um organismo de apelação do Estado de Nova York sentenciou que os pais de um jovem de 23 anos que morreu de câncer não poderão usar esperma conservado de seu filho morto para ter um neto, informava a Associated Press.

Mark Speranza deixou mostras de sêmen em um laboratório em 1997, mas também firmou um documento em que pedia que fossem destruídas após sua morte. Depositou-as ali para o caso de ter a oportunidade de ser pai se sobrevivesse ao câncer.

No entanto, após sua morte, seus país quiseram um neto e buscaram uma mãe de aluguel para utilizar o sêmen. Seus anos de batalhas judiciais foram em vão.

No Texas, no entanto, o juiz do condado de Travis, Guy Herman, sentenciou que uma mãe podia dispor do esperma recolhido do corpo de seu filho morto, informava a Associated Press.

Nikolas Colton Evans morreu aos 21 anos como resultado de uma briga. Sua mãe, Marissa, declarou que seu filho sempre quisera ter filhos.

O artigo citava o professor de direito da Universidade do Texas, John Robertson, que afirmava que, ainda que as leis do Estado dão aos pais o controle sobre o corpo do filho para as doações de órgãos e tecidos, a situação quanto ao esperma “é muito confusa”.

Dois dias depois, outro artigo sobre o tema em Associated Press centrava-se nas questões morais. “Para uma criança esta é uma forma brusca de vir ao mundo. Quando aparecem os detalhes e a criança aprende mais sobre suas origens, pergunto-me que impacto terá em uma criança substituta”, afirmava Tom Mayo, diretor do Centro Maguire para a Ética e a Responsabilidade Públicas da Universidade Metodista do Sudeste.

Citava-se Marque Vopat, professor de filosofia e estudos religiosos da Universidade estatal de Youngstown, Ohio, que afirmava que dizer que um filho possa expressar o desejo de ter filhos algum dia não é dizer que queria ser pai de um filho de modo póstumo.

Da Austrália vieram notícias de que uma mulher do Estado de Queensland ficou grávida de seu irmão homossexual, após ser inseminada com o esperma de um terceiro, informava no dia 2 de junho o periódico Courier Mail. Não se revelaram as identidades das pessoas implicadas.

Espera-se que a criança nasça no começo do próximo ano e, segundo a reportagem, não terá nenhuma relação com o pai biológico.

Comentando a notícia, o bispo anglicano Tom Frame, que foi adotado quando pequeno e não conheceu seu pai, declarava ao Courier Mail que o impacto de tal situação será demolidor para a criança.

Inclusive se tais crianças mais tarde queiram encontrar seus pais, seus esforços costumam ver-se frustados. Tal foi o caso de Lauren Burns, de Melbourn, Austrália.

Nascido por fecundação in vitro, sabe que o nome de seu pai biológico está no expediente, mas as autoridades estatais não lhe permitem o acesso, informava no dia 12 de abril o jornal Age.

Nasceram quatro crianças para quatro famílias utilizando o esperma de alguém conhecido só com o nome de C11.

“É interessante que, em quase qualquer outra situação, a sociedade anima muito os pais a formarem parte das vidas de seus filhos, e a quem os rechaça… etiqueta-se de maus pais”, declarava o jornal. “Nesta exceção se dá exatamente o oposto”, apontava.

Não é um punhado de células

“O corpo de um ser humano, desde as primeiras fases da sua existência, nunca pode ser reduzido ao conjunto das suas células”, diz o documento “Dignitatis Personae” (n. 4).

A Congregação para a Doutrina da Fé também comentava como, em outras áreas da medicina, as autoridades da saúde nunca permitiriam que continuassem procedimentos com índices tão altos de resultados negativos e fatais (n. 15).

“As técnicas de fecundação in vitro são, efetivamente, aceitas, porque se pressupõe que o embrião não mereça pleno respeito, pelo fato de entrar em concorrência com um desejo a satisfazer”, observava o documento. O desejo de ter filhos é muito forte, mas quando se satisfaz à custa do respeito à vida, perde de vista os princípios éticos fundamentais.

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* Para quem pensa que já viu de tudo..falta essa!!

quarta-feira, setembro 21st, 2011

Fonte: Wagner Moura Atenção, freguesa! Espermas de homens atléticos, altos, inteligentes, loiros, olhos azuis, da mão grande e muito mais! Vai peder essa oportunidade?

Ai, chegaram!!! Vem gente! Essa bicicletinha é real e usada na Dinamarca para o transporte de sêmen e promoção das clínicas de inseminação artificial do país. Trata-se do mercado da concepção movimentado graças, especialmente, às mulheres independentes e a casais inférteis, todos, é claro, com a melhor das intenções do mundo. E de boas intenções… Você sabe o ditado!

Eu fico pensando o que um homem tem na cabeça para vender seus espermatozóides e saber que vai desgraçar com a vida de dezenas de pessoas que um dia, obviamente, vão querer saber quem é, afinal o pai delas e quem são os irmãos dela. Essa “curiosidade” em saber sobre a história dos filhos de pais “doadores” fez nascer o site Donor Sibling Registry. É um site que ajuda mães com “produção independente” a descobrirem os meio-irmãos dos seus filhos espalhados pelo mundo graças a “doadores populares” (homens que decidem ser reprodutores como qualquer boi ou cavalo a troco de uma ajuda no orçamento).

O site é americano e causa desconforto entre as clínicas de fertilidade (o mercado da concepção) que se vêem diante de um verdadeiro movimento pedindo a criação de leis que garantam o acesso a informações sobre a localização e o histórico médico do doador de sêmen, uma vez que não existe regulamentação para isso nos EUA. Por causa dessa loucura há um “doador popular” com 150 filhos, nos EUA. Esses irmãos podem, perfeitamente, cometer incesto sem saber “graças” ao lucrativo negócio da concepção. Um negócio que poderia atender tranquilamente pelo nome de “eugenia popular”. Eugenia é exatamente isso: selecionar pessoas que merecem existir das que não merecem existir baseado em características físicas e habilidades. Não é “exatamente” isso que tais clínicas fazem quando oferecem “doadores populares”? Devem nascer somente os inteligentes, bonitos e saudáveis. É claro que mesmo que escolhessem burros, feios e doentes o problema não estava resolvido! O problema maior é transformar a concepção humana em um grande mercado. Isso não pode estar certo, minha gente! Como por meio de um site na internet você escolhe quem vai ser o seu filho? Isso é possível. Eu não vou dizer qual o site, não que isso vá impedir as pessoas de comercializarem a concepção de seus filhos, mas é desconfortável até mesmo citar o site que faz isso!

O site é praticamente um Amazon da concepção! Eles prometem rapidez na entrega do sêmen, além de qualidade do “material” e a ficha completa com detalhes da vida do doador e uma foto dele quando bebê. É ridículo, veja:

Dados de um rapaz de 21 anos que trabalha como telemarketing e está vendendo 68 de seus espermatozóides dinamarqueses. Eles valem de 150 a 350 euros a unidade, pelo que entendi… Na compra a pessoa informa, inclusive, se tem “o número promocional”, provavelmente para obter um desconto: Há todo tipo de doador, não só estudantes desesperados por um troco. Li sobre um brasileiro, filho de diplomata português, que, inclusive deixou uma cartinha para a futura mamãe, escrita de próprio punho, onde ele fala que o nascimento de uma criança é um dom de Deus e deseja que a criança – que por acaso é filho dele!!!! – traga muita alegria para a compradora. É surreal. Mas são os nossos tempos.

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* “Temores” da Igreja cada vez mais se confirmam sobre “comércio” de sêmen.

terça-feira, setembro 20th, 2011

O excesso de doadores tipicamente escandinavos – loiros com olhos claros – está fazendo com que o maior banco de sêmen do mundo, na Dinamarca, precise buscar maior diversidade étnica, para atender às demandas de seus clientes.

É grande a demanda por traços étnicos diferentes, em especial de pessoas que tenham olhos castanhos - PA
PA
É grande a demanda por traços étnicos diferentes, em especial de pessoas que tenham olhos castanhos

“Paramos de receber amostras de loiros de olhos claros, porque já temos uma lista de espera de 600 candidatos (a maioria com essas características)”, disse à BBC Brasil Ole Schou, diretor do banco de esperma Cryos International.

E, no momento, é grande a demanda por traços étnicos diferentes, em especial de pessoas que tenham olhos castanhos. Esses tipos de doadores são os únicos aceitos no momento pela empresa.

Isso porque casais heterossexuais com problemas de fertilidade – que respondem por 60% da clientela do Cryos – em geral buscam amostras de esperma de doadores com traços semelhantes ao homem infértil.

O problema é que o típico caucasiano de olhos claros não reflete a demanda”, explicou Schou, que tem uma importante parcela de sua clientela em países mediterrâneos, por exemplo. “Nossos doadores são simplesmente loiros demais.”

Esse tipo de doador escandinavo, em contrapartida, tem mais apelo perante outra clientela crescente do Cryos: o de mulheres solteiras que querem engravidar ou de casais de lésbicas que desejam ter filhos.

Doadores

O Cryos informa em seu site registrar dois tipos de doadores: um de perfil “estendido”, em que são contidas informações como histórico (educação e relações familiares) e descrições feitas pela equipe do banco de sêmen. O segundo tipo contém apenas um “perfil básico”, com raça, traços étnicos, cor de olhos e cabelos, altura, peso, tipo sanguíneo e educação e ocupação do doador.

Dependendo dos casos, a identidade do doador pode ou não ser revelada.

Eles recebem, segundo Schou, entre 250 e 500 coroas dinamarquesas (entre R$ 79 e 158), após passar por testes que garantam a qualidade do esperma e a saúde do doador.

“Doadores só podem fornecer amostras se viverem na Dinamarca ou perto de um de nossos escritórios (por exemplo, em Nova York ou Mumbai)”, explicou o diretor. “Podem doar quantas vezes quiserem. Alguns doaram mais que 500 vezes.”

As amostras escolhidas pelos clientes do Cryos costumam ser enviadas para países do mundo todo, prosseguiu ele.

Schou, que criou o banco de sêmen em 1987, disse que busca atualmente parceiros na América do Sul, onde acredita que poderia obter a diversidade étnica que necessita para um mercado em expansão.

“Precisamos de mais bancos de esperma no mundo”, disse. “A infertilidade é um problema global.”

Mas, ao se espalhar por diferentes países, o banco precisa se adequar a variadas legislações sobre reprodução assistida. No caso do Brasil, por exemplo, poderia revelar características físicas e de escolaridade do doador de sêmen, mas não poderia fornecer dinheiro pela doação.

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que data de janeiro deste ano regula as práticas no setor, determinando, entre outros fatores, que “a doação nunca terá caráter lucrativo ou comercial” e que “os doadores não devem conhecer a identidade dos receptores e vice-versa”.

Fonte:BBC

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* Famílias de Israel crescem ‘in vitro’.

segunda-feira, agosto 1st, 2011

O bebê Eitan, de 4 meses de vida, nasceu na oitava fertilização de sua mãe, Vered Letai-Sever

O bebê Eitan, de 4 meses de vida, nasceu na oitava fertilização de sua mãe, Vered Letai-Sever (Rina Castelnuovo/The New York Times)

Dina Kraft, do The New York Times

Judeus e árabes, heterossexuais e gays, seculares e religiosos. Seja quem for, os pacientes atendidos todos os dias pelo Hospital Assuta em Tel Aviv estão unidos numa única esperança: que a medicina lhes ajude a ter um filho.

Israel é a capital mundial da fertilização in vitro e o hospital, que realiza cerca de 7 mil procedimentos todos os anos, é uma das maiores clínicas de fertilização do mundo.

Diferentemente dos países onde as tentativas para conceber um filho com ajuda da tecnologia médica podem levar um casal à falência, o governo de Israel provê a sua população com tratamentos gratuitos de fertilização in vitro para até dois bebês em mulheres de até 45 anos de idade. Essa política fez com que Israel se tornasse o maior número mundial per capita de usuários desses procedimentos.

“É surpreendente quando você pensa sobre isso”, maravilha-se Keren, 35 anos, que pediu para ser identificada apenas pelo primeiro nome. Ela estava sentada numa sala de espera na clínica de fertilização in vitro do Assuta, com uma caixinha bege aos seus pés trazendo o esperma do marido. O esperma foi colhido em outro hospital onde ela fez a sua primeira tentativa de fertilização há três anos, resultando no nascimento da sua filha.

“Eu quero ter pelo menos três filhos e, caso nós tivéssemos de pagar caro por isso, não tenho certeza se poderíamos atingir esse objetivo”, ela explica.

Embora os procedimentos contabilizem uma das maiores despesas em saúde pública, essa política tem atraído poucas críticas e discussões, tornando-se uma das poucas questões sobre a qual a maioria dos setores da tipicamente turbulenta sociedade israelense parece concordar. Existe até mesmo um crescente número de mulheres religiosas solteiras que estão fazendo uso da fertilização in vitro, um esforço aprovado pelos rabinos.

“Algo único sobre Israel é que por um lado trata-se de uma cultura voltada para a alta tecnologia, enquanto que por outro lado permanece bastante tradicional”, diz Sigal Gooldin, sociólogo da medicina pela Universidade Hebraica de Jerusalém, que estudou a regulamentação da fertilização in vitro no país. “Não é apenas pelo alto risco de se perder um filho em atividades militares. É porque a família é uma instituição social extremamente importante em Israel e o que faz uma família são as crianças.”

“Espera-se que todos que vivam aqui tenham filhos”, ela acrescenta. “Numa conversa casual, você será perguntado sobre quantas crianças você tem e se você disser que tem apenas uma, as pessoas perguntarão ‘Por que só uma?’, e caso você diga que tem duas, ‘Só duas?’” Os israelenses já possuem uma alta taxa de fertilidade: média de 2,9 crianças por família. Além do imperativo bíblico da frutificação, alguns judeus israelenses permanecem interessados na reposição dos seus números anteriores ao Holocausto.

Aqui a demografia também cumpre uma função política. Para que a população de origem judaica retivesse a maioria, Israel esteve historicamente focado em estimular o aumento dos números de nascimentos entre judeus e, mais recentemente, para exercer um contrapeso diante da crescente taxa de natalidade entre os palestinos nos territórios ocupados.

Uma pesquisa realizada em 2002 pela revista Human Reproduction Update mostra que 1.657 das fertilizações in vitro realizadas anualmente em grupos de 1 milhão de pessoas são feitas em Israel, contra as 899 que ocorrem na Islândia, país com o segundo maior índice, e 126 nos Estados Unidos, que permaneceram muito atrás dos países europeus.

Os especialistas afirmam que os índices israelenses ultrapassam os do resto do mundo. Quatro por cento das crianças israelenses nascidas atualmente foram concebidas em procedimentos de fertilização in vitro, comparada à estimativa de um por cento nos Estados Unidos.

O Assuta é um grande centro na indústria de fertilização. Em Israel, o hospital é responsável pela realização de um quarto dos quase 28 mil procedimentos de fertilização in vitro anuais.

No centro de fertilização do Assuta existem 25 incubadoras e 60 mil embriões congelados em nitrogênio líquido, situados entre uma sala de operações onde as mulheres têm os óvulos aspirados e a chamada ‘sala de transferências’, onde os embriões são implantados na paciente.

Embora o procedimento feito em hospitais públicos seja totalmente financiado pelo estado, nos hospitais privados como o Assuta os pacientes com cobertura de saúde complementar podem pagar uma taxa modesta de cerca de US$ 150.

Eles também precisam pagar por suas próprias injeções de hormônio, que também são fortemente subsidiadas pelo Estado.

O Ministério da Saúde afirma gastar US$ 3.450 por tratamento, embora os críticos estipulem que o custo real por tratamento seja mais elevado.

Nos Estados Unidos o tratamento habitual ou ciclo, desde a recuperação dos óvulos até o implante do embrião, custa US$ 12.400. As companhias de seguro que oferecem cobertura mesmo parcial para o tratamento normalmente limitam a quantidade de ciclos por cobertura.

Rina Castelnuovo/The New York Times

Shai Elizur, diretor de fertilização do Hospital Assuta: “É muito difícil dizer para um casal que o dinheiro é a única razão pela qual eles não podem ter filhos.”

Shai Elizur, diretor de fertilização do Hospital Assuta

O Dr. Shai Elizur, responsável pelo programa de fertilização in vitro no Hospital Assuta, disse que o índice de sucesso tende a cair após a sexta tentativa, mas ele explica: “É muito difícil dizer para um casal que o dinheiro é a única razão pela qual eles não podem ter filhos.”

Mira Hueber-Harel, conselheira jurídica do Ministério da Saúde, disse que Israel era o único país que oferecia cobertura total para tratamentos de fertilização in vitro até os 45 anos, como também tornava o tratamento disponível para todas as mulheres, independentemente de orientação sexual ou de estado civil. Ela ainda afirmou que um comitê de Estado está trabalhando a possibilidade de oferecer cobertura para tratamentos de fertilização em gays via uso de barrigas de aluguel.

“Nós somos bastante sensíveis ao desejo das pessoas em ter uma família”, ela diz. “Acho que nosso país pode se orgulhar de poder ajudar uma mulher que deseja ser mãe.”

Ainda assim, essa política não deixa de gerar críticas.

Hedva Eyal trabalha para a organização feminista israelense chamada Isha L’Isha e afirma que deveria existir mais debates sobre os potenciais danos emocionais e físicos do tratamento que inclui uma bateria de injeções de hormônio. Ela explica que o debate é silenciado pela confluência entre a opinião pública e o interesse financeiro do setor médico na lucratividade dos programas de fertilização.

A indústria crescente também promove outras vantagens para os médicos israelenses. A maioria dos pacientes com problemas de fertilidade os tem ajudado na adequação de programas que resultam em gravidezes de sucesso. E visto que o custo não é um problema, existe uma pressão menor para implantação de múltiplos embriões, o que pode levar a um número de nascimentos maior do que o desejado: trigêmeos, quíntuplos e até mesmo óctuplos.

Vered Letai-Sever, 32, foi paciente em oito tratamentos de fertilização in vitro. O último deles resultou no nascimento do seu filho Eitan, há quatro meses e meio.

“Se eu vivesse num outro lugar, provavelmente eu não teria chegado até aqui”, ela diz enquanto embala o bebê gentilmente em seus braços e a cabeça dele aninha-se no seu peito. Vered tem 11 amigas que foram submetidas ao tratamento.
“Existe algo profundamente humano nessa política, essa ideia de que as pessoas têm direito de ser pais”, ela explica. “Isso é algo que caracteriza a nossa vida aqui: o valor que damos a vida humana.”

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* Costa Rica rechaça lei da “fecundação in vitro”.

quarta-feira, junho 15th, 2011

ACI

Depois de uma apertada votação de 26 votos a favor e 25 contra na câmara de deputados, os legisladores da Costa Rica decidiram arquivar o projeto de lei que teria permitido a fertilização in vitro no país, devido a uma série de inconsistências na pretendida norma.

Conforme informa o jornal costa-riquenho La Nación, com esta decisão o governo da Costa Rica não cederá ante as pressões da Corte Interamericana de Direitos humanos que quase coagiu nesta nação centro-americana para que permita a fertilização in vitro, dando-lhe um prazo para aprovar uma norma sobre o tema até o dia 31 de julho.

Embora o resultado da votação tenha sido apertado, assinala La Nación, “os deputados a favor e contra criticaram o projeto oficial e o qualificaram de ‘confuso’”. Os legisladores evangélicos Carlos Avendaño e Justo Orozco, sempre se opuseram ao plano. Igual posição defenderam outros quatro deputados do Partido Acessibilidade Sem Exclusão (PASE).

Ontem à noite, a bancada partidária de Liberação Nacional (PLN) definiu o futuro do projeto, e assim o reconheceu o chefe deste grupo, Luis Gerardo Villanueva.Embora esta decisão não seja definitiva, se algum legislador quiser reatar o debate teria que apresentar um projeto novo e começar todos os trâmites de zero. O trâmite que acaba de ser encerrado com esta decisão foi iniciado em agosto do ano passado.

Os bispos da Costa Rica expressaram em diversas oportunidades seu rechaço a esta norma. Em outubro de 2010, o Presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo da capital San José, Dom Hugo Barrantes Ureña, solicitou ao governo que não aprovasse a lei da fertilização in vitro porque é uma técnica que para obter seu fim elimina várias vidas humanas no caminho.

O Prelado disse então que compreende “o sofrimento dos esposos que não alcançam a desejada descendência”, mas recordou que “um filho ‘é sempre um dom’ e, conseqüentemente, não pode constituir um meio para satisfazer uma necessidade ou um desejo, mas, sua dignidade como pessoa exige que seja sempre tratado como fim”.

O prelado também fez um chamado a respeitar a vida humana desde a concepção, assim como “vigiar, zelosamente, o acatamento do artigo 4.1 da Convenção Americana e o artigo 21 da nossa própria Constituição Política que afirma: ‘A vida humana é inviolável’”.

A doutrina católica se opõe à fecundação in vitro por duas razões primordiais:

Primeiro, porque se trata de um procedimento contrário à ordem natural da sexualidade que atenta contra a dignidade dos esposos e do matrimônio;

Segundo, porque a técnica supõe a eliminação de seres humanos em estado embrionário tanto fora como dentro do ventre materno, implicando vários abortos em cada processo.

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* Caso dos trigêmeos: Seres humanos não são”coisas”.

sábado, abril 2nd, 2011

Não se pode generalizar, mas esse fato demonstra mais uma vez o porque das reservas éticas que tratamentos de fertilização impõe e que a Igreja incessantemente lembra, sendo sempre criticada por isso.

O fato em sí é profundamente lamentável.

***

G1

Especialistas em comportamento ouvidos pelo G1 classificaram o abandono de um dos trigêmeos por um casal que esperava dois filhos como “tratar seres humanos como coisas” e “questão maquiavélica”.

Nascido no último dia 24 de janeiro, depois de um tratamento de fertilização, um dos três gêmeos teria sido rejeitado pelo pai – o homem queria deixar o bebê na maternidade, mas foi impedido. As informações são do médico responsável pelo tratamento, o geneticista Karan Abou Saad. Ele disse nunca ter visto algo assim em 36 anos de profissão.

A maternidade não quis se pronunciar sobre o assunto, mas foi a responsável em informar o Ministério Público. As três crianças, por determinação da Justiça, foram levadas pelo Conselho Tutelar. A ação está protegida pelo segredo de justiça.

A psicóloga Clodete Azzolin considera que essa rejeição “é fruto de uma sociedade movida pelo excesso de racionalidade, onde tudo está sendo coisificado, inclusive o ser humano”. Ela diz ainda que “agindo assim, o ser humano se afasta cada vez mais de sua natureza, comprometendo inclusive a manutenção dos instintos naturais”.

Ao explicar o que é “coisificar”, Clodete faz alusão à compra de vasos de flor para a sacada: “Se o entregador chega com três, tenho de mandar um de volta para a loja. Não tem espaço para três, só para dois”.

Nos 30 anos de profissão, o psicólogo Guilherme Falcão repete a história de Saad: “Nunca vi nada assim, nem parecido. Vi, na verdade, bem o contrário. O casal fez tratamento para engravidar, mas o bebê morreu ao nascer. Então eles adotaram duas crianças”.

Para ele, “a questão é muito mais de caráter do que de doença. (…) Mas de qualquer forma o Ministério Público tinha ainda que obrigar esses pais a um tratamento psicológico e psiquiátrico. (…) Alguém tinha que tentar descobrir que coisa é essa de ter obsessão em ter filhos, ao ponto de fazer um tratamento tão caro, e depois abandonar”.

Falcão ressalta que “ninguém sabe os detalhes da história, mas foi uma maneira de descartar um ser humano que não pediu para nascer. Se alguém pode sustentar dois [filhos], pode sustentar três”.

A advogada dos pais dos trigêmeos informou, por telefone, que o casal teria se arrependido e tentaria reaver a guarda das crianças na Justiça.

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* Fertilização in vitro: Terceira irmã ”gêmea” nasce 11 anos depois das outras duas.

sábado, janeiro 8th, 2011

Folha de S. Paulo.

As gêmeas Bethany e Megan, 11, e a bebê Ryleigh foram concebidas no mesmo dia. A mais nova nasceu 11 anos depois.

Não há registro médico de casos assim: irmãos gerados no mesmo ciclo de fertilização “in vitro” nascidos em intervalo de tempo tão grande.

Quando os embriões das gêmeas foram implantados na gerente de vendas inglesa Lisa Shepherd, 37, o de Ryleigh foi congelado, diz o jornal inglês “Daily Mail”.

O ciclo de fertilização foi realizado na clínica britânica Midland Fertility em 1998. Lisa, que se casara quatro anos antes, tinha endometriose e ovário policístico. Ela e marido, o engenheiro Ryan Shepherd, 45, foram avisados de que a chance de terem filhos naturalmente era pequena.

Quando decidiu procurar a clínica de fertilização, teve 24 óvulos coletados e 14 foram fertilizados com o esperma do marido. Dois embriões foram implantados em Lisa e os outros 12, congelados.

Congelar os embriões é uma prática comum. Se a primeira tentativa de implantação não der certo, outras podem ser feitas com os que ficaram guardados.

No caso de Lisa, isso não foi necessário. Já na primeira tentativa, a implantação foi um sucesso.

Quando as filhas Bethany e Megan estavam com nove anos, os pais quiseram ter outro filho. Em dezembro de 2009, procuraram a clínica onde estavam seus embriões.

De novo, deu certo. Ryleigh nasceu saudável em novembro de 2010. Como esperado, ela é o retrato perfeito das irmãs quando bebês.

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* Por que não é aceitável, do ponto de vista moral, a “fecundação in vitro”?

segunda-feira, dezembro 20th, 2010

Recebeu o prêmio Nobel de medicina este ano o fisiólogo inglês Robert Edwards, pioneiro no procedimento de fertilização in vitro.

Os trabalhos deste biólogo fizeram possível o nascimento da primeira “bebê de proveta”, Louise Joy Brown, no dia 25 de julho de 1978.

Sobre o custo em vidas humanas que este procedimento traz e sobre suas implicações éticas, entrevistou-se  Pablo Requena, licenciado em Medicina e Cirurgia, doutor em teologia moral e professor dessa matéria na Universidade Pontifícia da Santa Cruz, em Roma.

Quantos embriões se perdem por cada criança que nasce no procedimento da fecundação in vitro?

Pablo Requena: É impossível saber exatamente. Entre outras coisas, porque depende muito da técnica empregada e dos protocolos que cada país utiliza. Mas certamente são muitos.

Alguns dados nos podem ajudar a entender a magnitude desta perda de seres humanos. Em 2009 se publicou um estudo europeu (referido a 30 países) em que se mencionam 418.111 ciclos de reprodução assistida, com uma taxa de gravidez entre 30,3 e 30,9%.

Se se leva em conta que a prática comum implica a hiperestimulação ovárica em cada ciclo, da qual se obtêm entre 10 e 20 óvulos, muitos dos quais serão fecundados, pode-se facilmente concluir que os embriões que não viram a luz na Europa durante 2005, ano a que se refere o estudo, são vários milhões.

No entanto, hoje, 1 ou 2% das crianças que nascem na Europa ou América do Norte são de proveta. C. Hoog, do comitê do Nobel de medicina, disse que “é um tratamento seguro e efetivo, segue regras estritas; os estudos feitos ao longo desses anos determinam que as crianças de proveta são tão saudáveis como qualquer outra”. Isso é certo? Ou sabemos se há maior risco de contrair enfermidades congênitas as pessoas fecundadas in vitro?

Pablo Requena: Não é de estranhar que as clínicas que se dedicam à reprodução assistida sustentem que a saúde das crianças nascidas da proveta seja igual à das concebidas naturalmente: é muito o dinheiro envolvido (em um artigo científico de 2010 diz-se que os custos na Austrália e Nova Zelândia estão em torno de 27 mil dólares em mulheres entre 30-33 anos e 187 mil em mulheres entre 42 e 45).

Infelizmente, a fecundação assistida converteu-se em um negócio como pode ser o da fabricação de móveis sob medida, com todos as características da produção industrial e os controles de qualidade pertinentes.

Este negócio está-se separando cada vez mais da ideia original, nascida no âmbito clínico, que tentava solucionar um problema de infertilidade. Segue-se acudindo às clínicas, e a aparelhagem e instrumental continua sendo a própria da medicina; no entanto, a relação não é a tradicional entre médico e paciente, mas a de técnico-vendedor e cliente.

Voltando à pergunta, é claro que os vendedores hão de falar bem de seus “produtos”. Surpreende mais que as pessoas de ciência, que são muito rigorosas em suas análises e apreciações técnicas, façam depois comentários tão pouco “científicos” com a intenção de proteger essas técnicas.

É verdade que a maioria das crianças que nascem da fecundação in vitro são sadias e normais. Mas também é verdade que as crianças nascidas com estas técnicas têm uma possibilidade maior de desenvolver má-formações de todo tipo. Isso não é uma opinião ou uma hipótese teórica, mas uma afirmação que procede dos dados publicados pela literatura científica.

Três exemplos. Em 2004, publicou-se no Journal of Assisted Reproduction and Genetics uma meta-análise, que recolhia os dados de 19 estudos precedentes, em que se concluía que 29% das crianças procedentes da fecundação in vitro têm algum tipo de má-formação, de maior ou menor gravidade: desde o lábio leporino a má-formações cardíacas importantes.

Outro informe, promovido pelo Ministério da Saúde da Nova Zelândia, em 2005, que recolhe a bibliografia internacional até a data, procedente dos países onde se realiza a fecundação in vitro, assinala que as crianças produzidas através da técnica ICSI (intracytoplasmic sperm injection), uma das mais empregadas atualmente, têm um risco três ou quatro vezes maior que as crianças concebidas naturalmente de apresentar anomalias cromossômicas, em boa parte devido aos problemas genéticos paternos que se transmitem através desta técnica.

O último exemplo procede de um artigo recentemente publicado na revista Human Reproduction. Trata-se de um estudo realizado em uma população de mais de 90 mil crianças. Uma de suas conclusões é que a paralisia cerebral, que normalmente se encontra em 1 a cada 400 nascidos, nas crianças produzidas in vitro se dá em 1 a cada 176.

Por que não é aceitável do ponto de vista moral a fecundação in vitro?

Pablo Requena: O problema da infertilidade é muito sério, tem graves repercussões na vida de muitos casais e traz grande sofrimento. Nesse sentido, é lógico que os casais que não conseguem ter filhos procurem ajuda técnica.

O problema moral da fecundação in vitro não está na artificialidade das técnicas, e muito menos na suspeita perante a ciência. É mais, em um importante documento da Santa Sé sobre essas questões, afirma-se que a Igreja “olha com esperança para a investigação científica, esperando que muitos cristãos se dediquem ao progresso da biomedicina e testemunhem a própria fé nesse âmbito” (Dignitas personae, n. 3).

A medicina utiliza continuamente instrumentação artificial, e não dizemos que seja mau. Pense-se, por exemplo, na substituição de uma válvula cardíaca danificada por outra mecânica, que pode salvar a vida de um paciente: não só não dizemos que não apresenta problemas éticos mas que desde o ponto de vista amoral é algo muito bom, e portanto se deve fazer quando for possível.

Qual é a diferença com as técnicas de fecundação artificial? Aqui o problema fundamental é que se considera um ser humano, um filho, como um “produto”, como algo que de alguma forma me pertence e posso programar, selecionar, manipular… e destruir. Mas isso não é adequado para os seres humanos: pode ser para as máquinas, pode ser – em alguns casos – para os animais, mas nunca para o homem. Este é muito importante para ser “fabricado”.

Por isso, dizemos que o único lugar adequado para dar origem a um ser humano é o ato de amor de seus pais. Isso certamente não significa que a dignidade das crianças concebidas in vitro, como as que pudessem proceder de uma violência, seja menor que as dos filhos de um casamento. E é justamente pela grande dignidade que têm que esses modos de “chamá-los à existência” resultam inadequados.

Além disso, não se deve esquecer a grande quantidade de vidas que se perdem pelo caminho, e os inumeráveis embriões congelados que atualmente enchem os depósitos das clínicas de fecundação assistida. Esta razão não é válida somente para a pessoa de fé, mas para todos que quiserem proteger na sociedade a vida humana em todas as suas formas.

Que tanto influi nisso a ideologia da maternidade e paternidade como direito e não como dom?

Pablo Requena: Na sociedade atual, mudou muito a percepção do filho. Durante muito tempo, foi considerado como um dom, como um presente. Essa visão está muito unida a uma concepção religiosa da existência, que vê os pais como colaboradores de Deus, e em certo modo como seus ministros na tarefa de cuidar e educar os filhos. Em todo caso, o filho não era visto certamente como um direito, como alguns o consideram agora, porque não pode ser isso. Nenhuma pessoa tem o “direito” de possuir a outra: pode-se possuir uma casa, um carro… mas não uma pessoa. Por esse motivo, a escravidão é um mal, porque nenhum homem pode ser “dono” do outro.

Se se afirmasse que existe um direito ao filho, se estaria dizendo que alguém (a comunidade” tem o dever, a obrigação, de me dar aquilo; e se estaria dizendo ao filho que ele é o “produto” de um direito de seus pais. Mas isso supõe tirar do filho a dignidade próprio da pessoa e o direito de ser concebido através de um ato de amor.

Como médico, sacerdote e professor, que diria a um casal de esposos que quer ter filhos e não pode de maneira natural?

Pablo Requena: Em primeiro lugar, diria que fossem a um centro de ajuda à procriação, como o que há no hospital Gemelli aqui em Roma, onde possam realizar um estudo a fundo das causas do problema, para ver se existem possibilidade terapêuticas moralmente adequadas para sua situação. Em não poucos casos existem, sem necessidade de fazer a fecundação in vitro.

No entanto, em outras ocasiões, os esposos descobrirão que não é possível realizar seu desejo, tão legítimo e bom, de ter filhos. Nesse caso, com a ajuda de toda a comunidade eclesial, podem descobrir que esta impossibilidade não é alheia a seu caminho vocacional cristão. A Igreja sempre ensinou que “os esposos que se encontram nesta dolorosa situação são chamados a descobrir nela a oportunidade para uma particular participação na cruz do Senhor, fonte de fecundidade espiritual” (Donum vitae, n. 8). Não se trata certamente de um caminho fácil, mas sabemos bem que  “é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida” (Mt 7, 14).

Talvez será necessário um tempo, um tempo longo, para entender o modo de viver o chamado de Deus à paternidade e maternidade de uma maneira diferente, mas não menos eficaz e feliz. Há muitos exemplos de pais que nunca puderam ter filhos e que se sentem muito unidos e muito realizados em seu casamento.

(Carmen Elena Villa)

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* Só 7,5% das fertilizações in vitro têm sucesso.

sábado, novembro 6th, 2010

Folha de São Paulo

Menos de 8% das tentativas de produzir um embrião com fertilização in vitro têm sucesso, segundo pesquisa de uma clínica em Maryland, EUA.

A equipe da Shady Grove revisou resultados das fertilizações entre 2004 e 2008. De 110 mil óvulos fertilizados com espermatozoides, só 31.437 resultaram em embriões viáveis. Geralmente, um ou dois embriões são implantados de cada vez e os demais são congelados.

Pressupondo que todos os embriões congelados fossem usados, 8.366 bebês poderiam ter nascido –só 7,5% dos óvulos fertilizados.

A pesquisa será apresentada em um encontro da American Society for Reproductive Medicine.

Outro estudo a ser divulgado nessa reunião mostra um outro aspecto da fertilidade. Jorge Chavarro e colegas da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital descobriram que, quanto mais gordura os homens ingerem, menor é a concentração de seu esperma.

A pesquisa analisou 91 homens procurando tratamento de fertilidade.

Os homens que mais consumiam gordura saturada tinham 41% menos esperma do que os que menos consumiam. Os que ingeriam mais gorduras monoinsaturadas tinham 46% menos esperma.

“Homens que planejam ser pais devem ser encorajados a manter um peso saudável e a prestar atenção à dieta. O que você come pode afetar o corpo todo, incluindo o esperma”, disse Nancy Brackett, presidente da Society for Male Reprodoction and Urology.

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* Fertilização in vitro pode elevar risco de paralisia cerebral, sugere pesquisa

sábado, novembro 6th, 2010

Folha de São Paulo

Problemas de fertilidade dos pais não explicam por que os bebês nascidos após tratamento de fertilização in vitro enfrentam maior risco de paralisia cerebral, informaram cientistas dinamarqueses. A informação foi publicada no site da “BBC News”.

A Universidade de Aarhus descobriu que bebês de casais que se esforçaram para conceber naturalmente tiveram riscos semelhantes em comparação àqueles que engravidaram rapidamente.

Mas eles descobriram que o risco dobrou em bebês nascidos após fertilização in vitro.

Outras causas potenciais, como o próprio tratamento, devem ser investigadas, afirmaram os cientistas.

Especialistas britânicos disseram que, apesar do baixo risco, a questão precisa ser levado a sério.

A segurança da fertilização in vitro e de outros tratamentos de fertilidade similares foi examinada de perto desde o primeiro bebê de proveta na década de 1970.

Conforme aumenta o número de bebês por fertilização in vitro, as atenções iniciais sobre problemas de desenvolvimento desaparecem, mas ainda há preocupações sobre a maior taxa de paralisia cerebral.

Existem explicações possíveis, incluindo o risco elevado de complicações em gestações múltiplas, que recentemente são muito mais frequentes.

Médicos ainda suspeitam que as razões que causam a infertilidade podem estar relacionadas, mas as últimas pesquisas lançam dúvidas sobre isso.

PROBLEMA

A equipe analisou um banco de dados nacional de informação médica de milhares de gravidezes e partos, segundo a revista científica “Human Reproduction”.

Eles compararam as taxas da condição em bebês pelo tempo que as mães levaram para engravidar a partir da primeira tentativa.

Esse tempo é usado como uma forma de avaliar a fertilidade –mais de um ano para conceber pode indicar algum tipo de problema, ainda que não grave o suficiente para evitar a gravidez completamente.

Quando as mães que conceberam rapidamente foram comparadas àquelas que levaram mais de um ano, não houve diferença significativa na taxa de paralisia cerebral.

No entanto, um grupo de bebês nascidos após a fertilização in vitro ou outro procedimento –no qual o esperma é injetado diretamente no óvulo– tinha aproximadamente o dobro do risco de desenvolver paralisia cerebral em comparação aos concebidos rapidamente.

O risco global não era elevado –aproximadamente uma em cada 176 bebês nascidos– embora isso represente um número significativo se comparado aos 12.000 bebês nascidos após técnicas de fertilização in vitro a cada ano no Reino Unido.

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* Igreja Polonesa: Não a filho de três Mães!

domingo, outubro 24th, 2010

ACI

Em uma carta enviada ao presidente Bronislaw Komoroswki, a Conferência Episcopal da Polônia explicou os diversos perigos da fecundação in vitro, como a eliminação de embriões humanos com métodos eugênicos e a confusão sobre a maternidade e paternidade das pessoas concebidas através desta técnica artificial.

No texto com data de 18 de outubro, os prelados expressam suas sérias preocupações quando no país se debate uma lei que autorizaria este procedimento. Os bispos assinalam que a fecundação in vitro “tem enormes custos humanos associados” já que para o nascimento de uma criança em cada caso se produz a morte de muitas vidas, e ademais outros embriões são congelados”.

A ciência e a fé sublinham que desde o momento da concepção temos a uma pessoa humana, neste caso a pessoa humana em sua fase embrionária”, prosseguem.

A carta adverte além que embora o procedimento da fecundação in vitro não tenha sido plenamente explorado em suas implicações sobre as crianças concebidas com este método, existem evidências de diversos efeitos negativos sobre os mesmos como “a menor resistência física, a tendência a ser prematuros, o baixo peso, as complicações e a freqüente incidência de doenças genéticas”.

A carta assinala logo que “a fecundação in vitro é a irmã pequena da eugenia, a pior combinação de uma história não muito longínqua. Este processo supõe a ‘seleção’ dos embriões, o que significa matá-los. Trata-se de eliminar embriões humanos mais fracos, diagnosticados como ‘insuficientes’, quer dizer eugenia seletiva, condenada pelo Papa João Paulo II e outras importantes personalidades”.

Quanto às conseqüências sociais, os bispos da Polônia se referem ao feito, por exemplo, de que “uma criança concebida com este procedimento poderia chegar a ter três mães: a que educa, a genética (a doadora) e a biológica (a que o deu à luz).

Algo similar ocorreria com a paternidade já que muitos doadores do chamado ‘material genético’ são anônimos e entretanto existem precedentes de homens aos quais se exige pagar os mantimentos para a criança concebida que ajudaram a conceber com seu ‘material’”, gerando além disso uma “inevitável” redefinição da paternidade, a maternidade e a fidelidade conjugal.

Depois de ressaltar que a fecundação in vitro não cura nem acautela a infertilidade, os prelados se solidarizam com os matrimônios que a sofrem e solicitam que o debate sobre este tema seja objetivo e respeitoso da pessoa humana “na fase atual da história polonesa”.

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* Recordam impacto da fertilização in vitro na mortalidade de embriões

quinta-feira, outubro 14th, 2010

Um perito geneticista assinalou aos costa-riquenhos as conseqüências de permitir a prática da fertilização in vitro (FIV) e recordou que estas técnicas implicam a morte de milhares de embriões em todo mundo.

ACI

Alejandro Leal, especialista em Genética Humana Molecular, escreveu o artigo “Fertilização in vitro e pressões”, difundido pelo jornal local La Nación.

Leal explicou que a FIV “vulnera o direito à vida dos embriões” e “é uma técnica arriscada para a saúde da mulher e do feto”, ante as tentativas da Comissão Interamericana de Direitos humanos de abrir de novo as portas para esta prática na Costa Rica.

O geneticista assinalou que “cientificamente está demonstrada a imensa mortalidade de embriões nesse procedimento, o qual vulnera o direito à vida resguardado nos artigos 21 da Constituição Política e 4 da Convenção Americana”.

Leal recordou que só entre os anos 2004 e 2005 o Centro de Fertilidade de Yale produziu 2.252 embriões e só nasceram 326.

Nesse ano, na Europa se transferiram ao menos 486.981 embriões e nasceram 49.634 crianças.
“Assim, o 90% dos embriões morreram; isto, sem contemplar os embriões congelados e descartados”, acrescentou.

Do mesmo modo, o perito recordou que a prevalência de má formações congênitas aumenta com a FIV. Na Finlândia, um estudo revelou que as crianças concebidas no FIV têm um risco 5,6 vezes maior de parto prematuro, 6,2 vezes maior de baixíssimo peso ao nascer, 9,8 vezes maior de baixo peso ao nascer, 2,4 vezes maior de enfermidade neonatal, 3,2 vezes maior de hospitalização e 4 vezes maior de má formações cardíacas.

O perito admitiu que “a incapacidade de ter um filho próprio desafia os instintos mais básicos do ser humano. Muitos dos afetados estão dispostos a provar qualquer tecnologia, sem importar quão especulativa ou arriscada que seja. Alguns médicos, por simpatia, tendem a dar falsas esperanças; também se dão pressões comerciais para propor certos tratamentos”.

Para Leal, “a Comissão Interamericana de Direitos humanos deu mais valor ao desejo do adulto com problemas de infertilidade, que à vida e dignidade dos embriões, e os altos riscos na saúde das pessoas nascidas através da FIV. A Comissão esqueceu o Princípio do Interesse Superior do Menor e do Princípio In Dubio Pro Vita, amplamente desenvolvidos pela Corte Interamericana de Direitos humanos”.

“Em função do amparo à vida humana, o Estado costa-riquenho, antes que ceder a uma mera recomendação, deve re-emprender com novos brios a luta contra a FIV –quer dizer, a favor da vida humana em seus inícios– ante a Corte Interamericana de Direitos humanos”, acrescentou.

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* 80 bebês de proveta são abortados por ano, na Inglaterra.

sexta-feira, julho 9th, 2010

Estatísticas divulgadas sob a Lei de Liberdade de Informações da Inglaterra mostram que em média 80 bebês concebidos em fertilização in vitro (fiv) e outros meios artificiais de procriação artificial estão sendo abortados anualmente na Inglaterra e Gales.

A Agência de Fertilização Humana e Embriologia (AFHE), o órgão governamental que regulamenta as atividades de reprodução artificial, revelou que alguns dos bebês abortados foram concebidos por tratamentos de FIV financiados pelo sistema médico sustentado por impostos, o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A ex-parlamentar conservadora Ann Widdecombe disse que as estatísticas mostravam as crianças sendo tratadas como “produtos do fabricante”.“Se a lei fosse aplicada de forma adequada, as pessoas não poderiam obter um aborto só porque mudaram de ideia”, disse Widdecombe.

As estatísticas mostram que aproximadamente metade dos abortos são realizados em mães com as idades entre 18 e 34, a faixa etária em que é mais fácil as mulheres conceberem e gestarem um bebê até o parto. As estatísticas incluíram aquelas crianças abortadas para “redução seletiva”, em que uma ou mais crianças são mortas quando embriões demais sobreviveram o processo de implantação no útero.

O Prof. Bill Ledger, membro da AFHE, disse: “Eu não tinha ideia de que havia tantos abortos pós FIV e cada um é uma tragédia”.A FIV e outros meios artificiais de procriação têm sido usados na Inglaterra desde que a técnica foi iniciada pioneiramente com o nascimento de Louise Brown, elogiada nos meios de comunicação como o “primeiro bebê de proveta” do mundo, em 1978.

Desde então, a Inglaterra vem liderando o mundo em novas tecnologias reprodutivas, inclusive clonagem e manipulação genética de embriões. As tecnologias se desenvolveram diretamente da pesquisa da FIV.A Lei de Fertilização Humana e Embriologia foi aprovada em 1990.

Em 1997, 1 de cada 80 crianças (1.2%) nascida na Inglaterra era resultado de tratamento da FIV.

Original em inglês: http://www.lifesite.net/ldn/viewonsite.html?articleid=10060704

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* O lado obscuro da fecundação “in vitro”. O fim não justifica os meios.

terça-feira, junho 15th, 2010

Os fins justificam os meios?

Os fins justificam os meios?

Observadores não católicos denunciam um novo mercado com violações éticas

Por Pe. John Flynn, L.C.

É muito conhecida a oposição da Igreja Católica à fecundação in vitro (IVF), mas, recentemente, algumas destas práticas estão sendo questionadas até mesmo por observadores que não são identificados no ensino católico.

Um artigo publicado dia 10 de maio no New York Times considerava o tema de pagar mulheres para produzir óvulos para outros casais. Mencionava uma recente publicação de uma revista de bioética, The Hastings Center Report, que descobriu que o pagamento para mulheres jovens normalmente é feito de acordo com critérios industriais.

O estudo, de Aaron Levine, professor adjunto de políticas públicas no Georgia Institute of Technology, descobriu que um quarto dos 100 anúncios de óvulos publicados em jornais ofereciam mais de 10.000 dólares, limite estabelecido como quantidade máxima pela American Society for Reproductive Medicine.

Oferece-se mais dinheiro às mulheres de universidades prestigiadas e às que estão acima da média nos exames acadêmicos.

De acordo com o New York Times, quase 10.000 crianças nasceram em 2006 graças à doação de óvulos, cerca do dobro do ano 2000.

O artigo também fazia referência à preocupação com os riscos para a saúde das doadoras, principalmente porque as mulheres jovens podem não ser conscientes da seriedade de alguns destes efeitos secundários.

Os riscos à saúde foram explicados em um artigo publicado dia 3 de março na LifeNews.com. No mesmo, Jennifer Lahl, presidente do Center for Bioethics and Culture Network, encorajou as mulheres a repensar quaisquer planos que tivessem de doar seus óvulos.

Riscos

Os possíveis riscos incluem infarto, infecções, câncer e perda da fertilidade futura, Lahl advertiu.

Também sustentava que a doação de um óvulo não é semelhante à doação de um órgão. Neste segundo caso o doador assume riscos para salvar um enfermo ou um moribundo. Em contraste, a receptora de um óvulo não está doente, mas está comprando um produto.

“A sociedade condena legitimamente a venda ou pagamento por órgãos, para prevenir abusos e salvar vidas, enquanto isso grandes somas são dadas em pagamento às mulheres doadoras de óvulos, explorando suas necessidades por dinheiro”, afirmou Lahl.

Não só se incentiva às mulheres universitárias a venderem seus óvulos.

Ano passado, em uma conferência sobre fertilidade, a professora Naomí Pfeffer advertia que as mulheres de países pobres estão sendo exploradas em uma espécie de prostituição pelos ocidentais que estão desesperados para ter filhos, informava o jornal Times em 19 de setembro.

“A relação negocial é análoga à de um cliente e uma prostituta”, afirmava. “É uma situação sem igual porque é o único exemplo no qual uma mulher explora o corpo de outra mulher”, comentava Pfeffer.

Mães de aluguel

Outra prática que está sendo criticada é a das mães de aluguel. A Índia é um destino popular para os casais que buscam mulheres que carreguem seus filhos. Uma razão que favorece isto é a falta de leis que regulem o procedimento, algo sublinhado em um artigo publicado no jornal Times of India dia 11 de maio.

O artigo contava como, pela terceira vez no último ano e meio, crianças nascidas de mães de aluguel indianas sofreram dificuldades na hora de serem legalmente reconhecidos nos países dos seus pais genéticos.

Primeiro foi o de um bebê de um casal japonês, que levou seis meses pra ser resolvido, e, então, o de um casal alemão que teve que esperar meses pela cidadania do bebê nascido de uma mulher indiana. O último caso foi de um casal homossexual israelita que pediu a cidadania para seu filho de dois meses.

O artigo mencionava peritos que afirmavam que tais problemas não ocorreriam se a lei que tem sido debatida durante os últimos cinco anos fosse aprovada.

Um artigo publicado em 9 de maio no Sunday Times analisava a situação das mães de aluguel na Índia. Falava de Akanksha Infertility Clinic na cidade de Anand, dirigida pelo doutor Navana Patel e sua esposa, Hitesh. Desde 2003, 167 mulheres deram à luz 216 bebês nesta clínica, com outras 50 mães de aluguel atualmente grávidas.

Os casais pagam mais que 14.000 libras (20.682 dólares), dos quais um terço vai para a mãe de aluguel. As mulheres normalmente pertencem à casta inferior e vêm de aldeias pobres. De acordo com Sunday Times, a quantia que recém equivale a 10 anos de salário.

O artigo também explicava que na clínica de Anand, uma vez que as mães de aluguel ficam grávidas, passam a viver em “confinamento” e só podem sair para as consultas médicas. A seus maridos e filhos é permitida a visita aos domingos. Sunday Times relatava a angústia que sente as mulheres ao serem separadas de suas próprias crianças e o impacto emocional quando têm que entregar seu filho gerado.

Um artigo de 26 de abril publicado pelo jornal Toronto Star esboçava algumas perguntas sobre a situação na Índia. Em um caso, um casal canadense pagou a uma mulher da Índia como mãe de aluguel, mas quando os funcionários canadenses ordenaram testes de DNA nos gêmeos recém-nascidos, resultou que, ao invés dos óvulos fertilizados do casal, as crianças haviam nascido de outro casal desconhecido. É provável que agora os gêmeos sejam enviados a um orfanato.

Problemas legais

A parte da preocupação com a exploração das mulheres, o fenômeno das mães de aluguel está causando problemas legais complicados. Wall Street Journal considerava alguns dos extremos relacionados em uma reportagem 15 de janeiro.

No EUA oito estados aprovaram leis que proíbem em parte ou totalmente os contratos de mães de aluguel. Os tribunais de alguns estados rejeitaram dar validade a estes contratos, enquanto dez estados aprovaram leis que autorizam a maternidade de aluguél.

Alguns dos conflitos têm haver com discordâncias nos direitos das mães de aluguel, explicava o Wall Street Journal. Em dezembro, o juiz do estado de Nova Jersey, Francis Schulz, dizia em uma sentença que, apesar de ter sido firmado um contrato transferindo seus direitos maternais, Angelica Robinson teria tais direitos relativos ao bebê entregue a um casal homosexual, Donald Robinson-Hollingsworth e Sean Hollingsworth. Robinson é a irmã de Donald Hollingsworth.

Em seguida, veio uma outra torção para complicar o assunto, em um artigo de 26 de janeiro do New York Times que esboçava a questão: se um bebê pode ter três progenitores biológicos.

As recentes experiências de cientistas produziram macacos com um pai e duas mães, porque foi combinado material genético de óvulos das duas fêmeas. Se isto fosse feito com humanos, complicaria ainda mais as disputas pela maternidade de aluguel, afirmava o artigo.

Vida e amor

O uso de mães de aluguel e de terceiras partes na fecundação in vitro foi um dos temas tratados em um documento publicado em novembro passado pela Conferência Episcopal do Estados Unidos.

Em “Amor que dá Vida em uma Idade de Tecnologia”, os bispos mostravam sua proximidade aos casais que sofriam devido a problemas de fertilidade, mas indicavam que nem todas as soluções respeitam a dignidade da relação matrimonial do casal. O fim não justifica os meios e algumas tecnologias reprodutivas não são moralmente legítimas, eles afirmavam.

O documento encorajava a resistir à tentação de ter filhos produzidos ou feitos, como produtos da tecnologia. “As próprias crianças podem chegar se verem como produtos de nossa tecnologia, tal como bens de consumo, pelos quais os pagaram e têm ‘direito’ de esperar – e não como pessoas íntimas, iguais em dignidade aos seus pais e destinadas à felicidade eterna com Deus”, apontava.

Além do mais, introduzir terceiros, usando óvulos ou o esperma de doadores, ou pela maternidade de aluguel, viola a integridade da relação matrimonial, da mesma forma que seria violada com as relações sexuais com uma pessoa fora do matrimônio.

“As clínicas de fertilidade demonstram falta de respeito aos homens e mulheres jovens quando os tratam como bens, ao lhes oferecer somas grandes de dinheiro para doarem esperma ou óvulos com traços intelectuais, físicos ou pessoais específicos” acrescentava o documento.

Os bispos também observavam que estes incentivos monetários podem levar as mulheres a pôr em perigo a saúde durante o processo da extração de óvulos. Na realidade, há muitas boas razões para esboçar objeções sérias à fecundação in vitro.

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Comentários
  • •Digno de aplausos....
    em * Polêmico “Kit Gay”
  • •MEU DEUS QUE TANTA MALDADE QUE OCORRE NA CONSCIÊNCIA QUE FAZEM TIPO DE ATO, NÃO DEUS NO CORAÇÃO POR FATO DE NÃO ACREDITAR E AINDA O PIOR SER CONDUZIDO POR ESSAS ONDAS DA...
    em * Satanistas Profanam e roubam
  • •Graças ao Senhor. Amém, o Senhor seja louvado!...
    em * Como deixei de ser protestante e
  • •"A quem iremos recorrer?" !!!...
    em * Senador da República REAGE a
  • •Blasfemia, aborto. Ô serpente perseguidora,derrotada, desesperada. Somente Tu Senhor, tens palavra de vida eterna....
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Como posso falar do meu direito enquanto mulher se não respeito o primeiro direito do outro que é o direito a vida, todos temos direito de nascer mesmo se não fomos concebido em...
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •Que essa "ministra" diga isso para a sua descendência porque o coração duro ainda continua nas pessoas, como disse na carta de divórcio admitida por Moisés.Que ela leia o...
    em * Ministra da igualdade da Espanha
  • •esse livro so fala de heresias, e quem e catolico de verdade nao leria este livro horrivel...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
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