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* O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso? Responde Psicopatologista.

quinta-feira, março 11th, 2010

Entrevista com Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia

Por Carmen Elena Villa

Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

O professor Polaino explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

Zenit

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* Diante da cultura da morte, visão INTEGRAL do ser humano.

quarta-feira, março 3rd, 2010

Entrevista com Laura Tortorella, do instituto “Mulieris Dignitatem”

Por Carmen Elena Villa

Para que o homem e a mulher entendam melhor sua identidade, é necessário que olhem para si mesmos como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Que descubram e valorizem seus próprios dons, que são enriquecidos quando se vive a reciprocidade.

As ideologias que recortam esta visão integral e que trazem consequências, como as conferências mundial do Cairo, em 1992, sobre o crescimento da população e a de Pequim, em 1995, sobre a “saúde sexual e reprodutiva”, reduzem de maneira alarmante a dignidade do homem e da mulher e promovem cada vez mais novas manifestações da “cultura da morte”.

Sobre este tema e sobre como assumir a masculinidade e a feminilidade de maneira integral,  Laura Tortorella, do instituto Mulieris Dignitatem para estudos sobre a identidade do homem e da mulher, da Pontifícia Faculdade Teológica São Boaventura – Seraphicum, responde a essa entrevista.

Laura Tortorella é diretora do programa de pós-graduação em “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, que procura oferecer soluções às crises do ser humano nas diferentes etapas da vida.

-A Assembleia do Conselho de Estrasburgo aprovou, no último dia 27 de janeiro, um documento sobre a saúde sexual e reprodutiva. A seu ver, quais serão as consequências da posta em marcha deste documento sobre a mentalidade antivida e sobre o feminismo?

Laura Tortorella: O documento fala de “saúde sexual e reprodutiva” referindo-se à possibilidade dada também aos menores, sem informar os pais, de ter acesso à contracepção, ao aborto gratuito e seguro, à esterilização, à fecundação artificial e à livre “orientação sexual”. As consequências de tal documento serão certamente alarmantes: uma aliança (feministas de outras ideologias, lobby farmacêutico), a favor da “cultura da morte”.

-Passaram-se 15 anos desde a Conferência de Pequim sobre saúde sexual e reprodutiva. Como você acha que mudou a mentalidade no mundo com relação ao aborto como direito e à concepção da mulher?

Laura Tortorella: Os programas de ação da Conferência Mundial do Cairo e depois de Pequim contribuíram para criar um clima de “cultura da morte” e o próprio documento da Assembleia do Conselho da Europa, de Estrasburgo, que mencionamos antes, encontra pontos aí.

Está claro que tais ideologias marcaram e feriram profundamente os direitos da pessoa e o direito à vida. Nestes documentos, onde se fala de “direito à saúde sexual e reprodutiva”, na verdade se solicita não tanto o direito à saúde, e sim o direito ao aborto.

Penso que só se pode usar uma arma para deter esta cultura da morte: a formação, sobretudo das novas gerações, em uma cultura da vida. Todas as nações, especialmente as latino-americanas, que ainda conservam tantos valores, deveriam fazer respeitar o valor que ainda pode servir como gancho para salvar a sociedade inteira: a família. Isso se torna mais urgente que nunca, para defender a primeira célula da sociedade dos ataques que recebe.

É justamente na família que as novas gerações podem aprender a respeitar a vida humana. Pensemos na necessidade de uma nova vida, na demonstração cotidiana do cuidado, da educação, do amor recíproco, do respeito. Pensemos no fato de que, por exemplo, na família se aprende a acolher a morte e a entender seu sentido.

-Como este documento feriu o significado de homem e mulher, e da reciprocidade entre ambos?

Laura Tortorella: Pretendendo libertar a sexualidade de cada preocupação e temor, cancelam-se termos como “maternidade”, “paternidade”, “família”, “casamento”, “responsabilidade” no âmbito da sexualidade. Deixam de ser dons e se convertem em direitos, depois se transformam em necessidades, decisões, exigências dos adultos.

Neste clima, tanto o homem como a mulher veem ofuscada a verdade sobre eles mesmos (igual dignidade e queridos por Deus um para o outro), a ser chamados a restabelecer um humanismo que volte a amar a verdade, a única que fará brotar as verdadeiras perguntas, as que levam à compreensão do sentido e que tornam o homem verdadeiramente livre.

-A partir do programa que você dirige, “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, como se pode enfrentar esta crise à luz do Evangelho e de uma ética cristã, sem reduzir o papel do homem ou da mulher?

Laura Tortorella: Muitas são as crises que a pessoa deve enfrentar em diferentes etapas da vida. Para gestioná-las, penso na importância de uma correta antropologia: formar as pessoas sobre alguns temas fundamentais e imprescindíveis para a vida.

Esta formação tem o valor pela vida concreta da pessoa porque não tira o foco da verdade: homem e mulher, criaturas de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Somente colocando a originalidade masculina e feminina ao serviço do homem e promovendo o diálogo frutífero, a pessoa (homem e mulher), assim como a sociedade, conseguirão encontrar as respostas às aplicações práticas completas.

Creio que a mensagem central da Mulieris Dignitatem, a reciprocidade homem-mulher, pode ser a solução para restabelecer um equilíbrio na sociedade, que leve ao reconhecimento de valores comuns de referência para construir juntos a história: “humanidade significa chamado à comunhão interpessoal”. Os tempos parecem maduros e carregados de expectativas sobre um diálogo frutífero entre homem e mulher, baseado na reciprocidade, na mesma dignidade e na comunhão que leva à resolução de problemáticas atuais inseridas em um horizonte de sentido.

-Há alguns fenômenos aceitos socialmente, como o “direito à morte”, a fecundação in vitro, o não reconhecimento da dignidade do embrião. Como estes fenômenos afetam a psicologia da mulher?

Laura Tortorella: Afetam de maneira diferente o homem e a mulher, porque não levam em consideração a proteção da vida humana. Estas são tarefas comuns para o homem e a mulher. As consequências, quando falta um desses elementos, ainda são comuns hoje: o risco de ser vistos como objetos do mundo, que sabem manobrá-lo, mas inevitavelmente permanecem sufocados.

A maternidade, por exemplo, deveria voltar a ser um bem reconhecido. É a mentalidade que deve mudar novamente, voltando a apreciar a vida humana como o primeiro valor de uma sociedade que pretende ser considerada sociedade civil. Uma nova revolução do amor e de acolhimento da vida humana!

Anos de batalha e de reivindicação das feministas e de outras ideologias causaram um colapso da vida nas areias movediças da indiferença. As consequências disso são evidentes: direito à morte, fecundação in vitro, não reconhecimento da dignidade do embrião são somente algumas das problemáticas que surgem de uma mentalidade fechada na luta antivida. Eu me pergunto de que maneira estes fenômenos repercutem na psicologia da mulher, quem, mais de uma vez, em primeira pessoa, pode ser golpeada por tais problemáticas porque é a mulher quem tem a tarefa de aceitar, socorrer, velar pela vida e está claro que, quando esta não ocorre, devido a culpas que não são somente da mulher, é ela quem, em primeiro lugar, paga as consequências de certas decisões, também do ponto de vista psicológico.

Zenit

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* Você é Homem? Leia isso!

quarta-feira, fevereiro 24th, 2010

Você se veste com modéstia?

Vladimir Lachance

Muito se tem discutido sobre a modéstia feminina, frisando, sobretudo, que tipo de traje seria adequado ou não para uma mulher católica. A resposta tem se tornado cada vez mais clara, pois surgem traduções importantes de declarações papais, textos relevantes de grandes santos e teólogos, que vão dando precisão aos argumentos em favor da moralização das vestes femininas.

Vê-se, com grande entusiasmo e esperança cristã, reerguer-se a dignidade da mulher católica. É nesse momento de robustecimento da fé católica, com essa bela reação contra as roupas imorais para as mulheres, que nos aparece nova questão: e para os homens, existe a virtude da modéstia no vestir? E quais seriam as regras a se seguir?

Para responder a estas perguntas é preciso ter claro o fato da diferença psicológica de homens e mulheres, e ter isto em mente significa perceber que existem maneiras específicas de olhar o mundo e o que nele existe que são muito próprias para cada sexo.

Disso decorre que a modéstia deve ser observada por ambos de maneira condizente à sua própria natureza. O homem, assim como a mulher, deve seguir as regras do pudor, da castidade e da higiene, e, além disso, deve ter sempre presente qual é o seu papel e missão na Criação.

O homem é uma das “duas expressões diversas da natureza humana”1; e se existem essas duas expressões, elas não podem ser iguais, pois se fosse assim não seriam duas, portanto devem diferenciar-se em pelo menos alguns aspectos, tendo características inerentes que as tornem únicas, mas ao mesmo tempo complementares – já que formam uma mesma natureza humana.

Para a mulher, podemos, olhando para o exemplo da mulher por excelência, a Virgem Santíssima, recolher traços particulares do seu modo de ser, que seria: humildade, meditação, silêncio, submissão, delicadeza; é, acima de tudo, a força espiritual – como retratou a historiadora Gertud Von Le Fort: a mulher representa a força invisível que move o mundo.

Já para o homem podemos tomar como exemplo o chefe da Sagrada Família, o glorioso São José, que na ladainha composta em sua homenagem é saudado como casto guarda da Virgem, sustentador do Filho de Deus, zeloso defensor de Jesus Cristo, fortíssimo, modelo dos operários, sustentáculo das famílias e protetor da Santa Igreja.

Notem que não se trata de dizer que essas virtudes são somente masculinas ou femininas, pois se poderia objetar que determinadas mulheres se sobressaíram na história exatamente pela firmeza, como foi o caso de Santa Joana D’arc, ou que alguns homens se santificaram exatamente pela submissão e certa docilidade. Quanto a isto não haja dúvida: não se trata de dizer que existem vias exclusivas de santificação para homens e mulheres, mas de fazer nota da existência de atitudes peculiares, enquanto homens e mulheres em geral.

Antes que sejamos capazes de refletir mais sobre as roupas mais adequadas para o homem vestir, temos que definir como se encontra a moda masculina como um todo. Quanto à moda feminina não temos dúvida do seu estado atual, Já para a moda masculina prevalece uma atual presença da cultura relativista na forma como os homens, em geral, se vestem.

Talvez não seja tão claro para um homem ter noção disto – se ele não prestar atenção no que foi sendo incorporado ao seu guarda-roupa: camisetas, regatas (comumente de número abaixo ao que ele deveria estar usando), cores femininas, estampas (anjos, dragões, mulheres, “tribais”, números aleatórios, frases sem sentido…), florais, colares, pulseiras, brincos, cintos estilizados (prateados, rebites, etc.), anéis, calças justas ou de estampas duvidosas, e por aí adiante – se o leitor ainda não se sentir capaz de visualizar o que estou tentando dizer, veja as fotos no fim do artigo e compare como os homossexuais se vestiam décadas atrás e como os homens costumam se vestir hoje. Como chegamos a este ponto?

Dentre os vários pontos relevantes, destacamos:

1 – De acordo com certa ideologia corrente nos nossos dias, “ninguém nasce homem ou mulher”, mas sua identidade é construída na vida em sociedade, e essa identidade seria supostamente arbitrária. Estas pessoas pretendem dizer que não existe diferença ontológica alguma entre homens e mulheres, mas que tudo é construção;

2 – Esta mesma ideologia, por ser desconstrucionista – e por isso mesmo destrutiva de toda ordem natural -, postula que estas mesmas identidades não podem ser classificadas apenas como identidades de mulher ou de homem: há uma multiplicidade de identidades de “gênero” – as quais definem como: gay, lésbica, transexual, travesti, etc.; completam a abominação dizendo que nenhuma destas identidades são fixas, mas que as pessoas transitam, durante a vida, por várias delas;

3 – É este tipo de ideologia que está sendo utilizado para eliminar as diferenças sexuais estabelecidas e queridas por Deus-4; todos os aspectos da psicologia humana e todos os âmbitos da sociedade são atingidos quando este tipo de pensamento se alastra. Quando isto acontece, tudo aquilo que é produzido nesta sociedade está contaminado por tal concepção, de modo que desde a propaganda de eletrodomésticos, passando pela moda, e principalmente pela forma que as pessoas se relacionam entre si, apresentam resultados do esforço ideológico destrutivo.

Todo este pensamento, no entanto, pode ser definido em uma palavra: igualitarismo. Tendência de tudo igualar, de abolir as diferenças – principalmente aquelas queridas por Deus: Quer abolir as diferenças entre os sexos, as idades, as culturas e transformar tudo numa massa uniforme, onde ninguém é mais ou menos que ninguém, todos valem o mesmo.

Na moda masculina, a tendência igualitária procurou o mesmo caminho descrito acima para alcançar o seu fim último, que neste caso vem a ser a abolição da diferença entre os sexos. Desde a sua primeira intervenção na moda, o igualitarismo já tinha em si o poder de confundir os sexos, de destruir toda a indumentária que deixasse marcada a diferença existente entre o homem e a mulher.

Quando a calça é introduzida no guarda-roupa feminino, isto também traz graves conseqüências para os homens, pois uma peça que era claramente masculina se tornou unissex – e esta palavra que também virou moda: a moda unissex; inconcebível há pouco tempo atrás.

Moda unissex não se trata somente de uma mesma peça que pode ser usada por homens e mulheres (uma camiseta branca que você compra e pode presentear tanto a João quanto a Maria), mas o fato de que quase toda espécie de vestimenta hoje é produzida para ambos os sexos. Exemplos: a camisa pólo masculina e feminina, a calça, a jaqueta, o colete, a camisa social, o terno, a bermuda, e por aí vai. E o que diferencia estas peças é algo muito tênue, é certa tendência para cores ou estampas (fato que tende a diminuir a cada ano), é uma mudança mínima no corte.

Se por um lado o fato de que as mulheres incorporaram o uniforme de trabalho (a camisa masculinizada e as calças) no seu guarda-roupa contribuiu para o igualitarismo, o caminho oposto – ou seja, o homem incorporar indumentárias femininas -, estava facilmente definido e fadado a acontecer. Este caminho se encontrava na maneira como os homossexuais se vestiam, pois eles já usavam roupas e acessórios afeminados. O caminho mais fácil não era ligar este homem à moda de sua esposa, mas estender a cultura relativista para todos os homens. E esta cultura, de fato, fez duras investidas contra as vestes masculinas

Este igualitarismo (5) é o primeiro mal do qual o homem católico deve fugir ao escolher que roupa irá usar. E para isso, é necessário que ele reconheça sua dignidade como filho de Deus, cuja missão é, antes que qualquer outra, refletir a paternidade divina.

Numa época cuja nobreza da vocação paterna e materna é colocada permanentemente em dúvida e ridicularizada(6), sendo utilizado para isto também a moda, significa que passou da hora de uma reforma moral. Esta reforma começa com o nosso “fiat” a Deus e tem uma repercussão direta no momento em que formos à nossa próxima compra de roupa.


1-Dietrich Von Hildebrand. O Amor Entre o Homem e a Mulher.

2 Cf. CIC 369-371

3- Cf. Carta aos bispos sobre a moda imodesta (1954) e discurso de Pio XII, às garotas da Ação Católica, 22 maio 1941: “Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.

4-Tal como a autora feminista Shulamith Firestone escreveu na “Diáletica do Sexo” (The Dialectic of Sex): “Assim como a meta da revolução socialista era… a eliminação da… distinção da classe econômica como tal, assim a meta da revolução feminista deve ser a eliminação da… distinção do sexo como tal [de forma que] a diferença genital entre seres humanos não teriam mais nenhuma importância culturalmente. Citado em: http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=120

5- “Devemos acentuar a diferença, ao menos como tática de argumentação, porque um dos vícios de nosso tempo consiste precisamente em procurar a simplificação da uniformidade. A desordem de nosso tempo consiste em tender para o amálgama, para o informe, para a massa, para a sociedade sem classe, para um mundo sem limites, para uma vida sem regras, para uma humanidade sem discriminações. Ao contrário disto, a sociedade que desejamos construir é uma sociedade ricamente diferenciada, e nitidamente hierarquizada.(…) E, quanto mais infantil for a criança, e quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na feminilidade da mulher, na masculinidade do homem”. (Gustavo Corção, Vocação da Mulher)

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* O uso da maconha e sua repercussão na fertilidade masculina.

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010

Foto: Shutterstock

Estudo sugere que tanto a droga quanto uma substância produzida por nosso corpo podem atuar na diminuição temporária da fertilidade do homem

Revista  Galileu
Estudo afirma que espermatozóides “perdem a força” quando são ativados precocemente.

Um estudo da Universidade da Califórnia acaba de mostrar os efeitos de um anticoncepcional inusitado: a maconha. Com um olhar mais a fundo sobre o funcionamento dos espermatozóides, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a droga contêm um princípio ativo capaz de “gastar a bateria” dos espermatozóides antes da hora.

Os espermatozóides permanecem imóveis na maior parte do tempo em que estão no corpo dos homens. O movimento só começa quando ele está a caminho do corpo da mulher e sua “bateria” dura apenas o tempo suficiente para atingir o óvulo feminino.

Se os espermatozóides forem ativados em algum momento antes do necessário, eles não têm energia suficiente para chegar ao óvulo e perdem a chance de fecundação. E a maconha, assim como uma substância do canal reprodutor masculino e feminino, o encocabinóide, tem o poder de fazer essa ativação, de acordo com a pesquisa.

Um dos responsáveis pelo estudo, Yuriy Kirichok, compara os espermatozóides a balões cheios de ar. Assim como bexigas, os espermatozóides estão “inflados”, com partículas com carga positiva – os prótons – em vez de ar. Quando liberamos todos estes prótons de uma vez, o espermatozóide se move. É como se estivéssemos abrindo um canal para que o ar escapasse do balão. Isso acontece porque, a carga do lado de fora de onde está o esperma é negativa e atraí os prótons que estão dentro dos espermatozóides, de carga positiva. “Nós identificamos a molécula que permite que isso aconteça”, diz o pesquisador.

A maconha e os endocanabinóides, dizem os pesquisadores, abrem o caminho para essa reação ocorrer, e o ”ar” sair do esperma. Com a ativação antes do tempo, quando chega a hora de correr para o corpo da mulher, já não há potência para alcançar o óvulo.

O estudo, por enquanto, trabalha em cima de hipóteses. Nenhum teste prático com consumidores de maconha foi feito para comprovar se o efeito, de fato, é significativo.

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* “Se Deus não existe, tudo é Permitido?”

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Daniel Martins

Mais lenha acaba de ser adicionada à fogueira acesa por Dostoievski: seria verdade que, se Deus não existe, tudo é permitido?

Essa semana uma cientista finlandesa e um americano publicaram um artigo comentando diversos estudos sobre psicologia moral e religião, argumentando que é que a moralidade é independente (e anterior) à religiosidade

(Pyysiäinen, I., & Hauser, M. (2010). The origins of religion:evolved adaptation or by-product? Trends in Cognitive Sciences).

Até os ratos sabem o que é certo – existe um senso de cooperação, que é um dos componentes da ética, em animais muitíssimo anteriores na escala evolutiva, que não têm qualquer esboço de religiosidade (a não ser que O guia do mochileiro das galáxias seja não-ficção). Logo, me parece evidente que elementos cognitivos nos trazem um senso de certo e errado muito antes de haver crenças religiosas.

No entanto, não é possível a um observador (tentanto ser) neutro negar outro fato:  desde a Grécia antiga já vigia como parâmetro ético a Regra de ouro, ”não faça para os outros o que não gostaria que fizessem para você”, regra presente com diferentes formulações nas mais diversas culturas.

O advento do cristianismo, contudo, elevou o patamar moral ao transformar o princípio que era passivo – não fazer algo – em ativo: faça para os outros o bem, independente de seus méritos (“ama o teu inimigo”).

Muitos não entendem que “amar” não significa gostar ou ter apreço (o que tornaria essa máxima puro non sense)  mas quer dizer trabalhar ativamente para o bem de todos, independente dos seus méritos. Tal princípio foi de tal forma enraizado na cultura ocidental que mesmo os que buscam uma ética ateia não podem prescindir deste aspecto pró-ativo da moral.

Ou seja, a mim me parece claro que moralidade, lato sensu, é anterior à religião, fincada evolutivamente em nosso cérebro dadas as vantagens de sobrevivência grupal que nos trouxe. A nossa moral coletiva, no entanto,  nosso senso ético,  já não é separável da influência religiosa, sejamos crentes ou não.

***

Talvez sem saber, a pesquisa citada confirma aquilo que sempre soubemos.

O Homem é constitucionalmente aberto à transcedência e aos valores éticos, à moral, mesmo que nem sempre esse homem histórico se identificasse com os valores da fé cristã, surgidos a pouco mais de 2 mil anos.

Essa  suposta descoberta em nada, se for verdade, muda nossas certezas de que o chamado do Homem para Deus e para a verdade é intrínseco a ele e de que seu senso natural religioso e ético confirma essa vocação para algo além dele mesmo.

Mesmo ferido pelo pecado o homem intui que a vida é muito mais do que aquilo que os olhos veem e que a moralidade, mesmo a pagã, possui sementes do verbo e indica o caminho da redenção definitiva operada por Jesus!”

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* Papa indica o que deve estar à frente das decisões políticas.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O Papa Bento XVI falou nesta quinta-feira, sobre a necessidade da pessoa humana estar no centro das decisões políticas. O pensamento, já expresso na sua Encíclica social “Caritas in veritate”, esteve no centro do discurso do pontífice ao receber o prefeito de Roma, o vice-presidente da região de Lazio, e o presidente da provincia de Roma, para a tradicional felicitação de ano novo.

Bento XVI começou sua reflexão recordando as consequências negativas da crise da economia mundial sobre os habitantes e as empresas locais, observando que esta crise oferece ao mesmo tempo a possibilidade de repensar o modelo de crescimento, como escreve na sua Encíclica “Caritas in veritate”:
“O desenvolvimento humano, para ser autêntico, deve encarar o homem na sua totalidade e deve realizar-se na caridade e na verdade. A pessoa humana está, de fato, no centro da ação política e o seu crescimento moral e espiritual deve ser a primeira preocupação para aqueles que foram chamados a administrar a comunidade civil”.

Bento XVI insistiu na exigência prioritária, para os administradores locais, de sempre e em tudo procurarem o bem comum. “Desejo exprimir apreço pelos esforços realizados por estas Administrações (locais, de Roma e do Lácio) para corresponder às faixas mais débeis e marginais da sociedade, em vista da promoção de uma convivência mais justa e solidária. A este propósito, quereria convidar-vos a tudo fazer para que a centralidade da pessoa humana e da família constituam o princípio inspirador de cada uma das vossas opções”.

Neste contexto, o Papa referiu-se expressamente ao modo como se tenta resolver o problema da habitação, fazendo votos de que os novos centros habitacionais não se tornem meros bairros dormitório. “É oportuno que se prevejam aquelas estruturas que favoreçam os processos de socialização, evitando assim que surja e se incremente que as pessoas se fechem no individualismo, dando exclusivamente atenção aos seus interesses pessoais, atitudes prejudiciais para toda a convivência humana. Respeitando as competências das autoridades civis, a Igreja congratula-se em oferecer o seu contributo para que nestes bairros exista uma vida social digna do homem”.

Especial atenção reservou Bento XVI aos problemas da família e dos respectivos filhos, recordando a propósito a ação que a Igreja desenvolve, nomeadamente nos bairros periféricos, detendo-se depois no que diz respeito à educação das novas gerações. “É bem patente a necessidade e urgência de ajudar os jovens a projetarem a vida nos valores autênticos, que têm como ponto de referência uma visão ‘elevada’ do homem e encontram no património religioso e cultural cristão uma das suas mais sublimes expressões”.

“Nas propostas formativas sobre os grandes temas da afetividade e da sexualidade, tão importantes para a vida, há que evitar que se prospectem aos adolescentes e aos jovens vias que favoreçam a banalização destas dimensões fundamentais da existência humana. Nesse sentido, a Igreja pede a colaboração de todos, em particular dos que atuam na escola, para educar a uma visão elevada do amor e da sexualidade humana”.

Finalmente, uma referência ao mundo da doença e do sofrimento, para o qual o Papa solicitou uma “atenção constante e coerente”, referindo a propósito a presença da Igreja, também neste campo, com a suas estruturas: “Inspirando-se no Evangelho, (as estruturas sanitárias da Igreja) esforçam-se por abordar com amor e esperança as pessoas que sofrem, apoiando também a busca de sentido e procurando fornecer resposta às interrogações que inevitavelmente surgem no coração dos que vivem a difícil dimensão da doença e da dor. De fato, o homem tem necessidade de ser tratado na sua unidade de ser espiritual e corporal”.

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* Cada vez mais, homens frequentam as igrejas.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

As principais igrejas do Brasil, tanto a católica como as neopentecostais (designação de algumas congregações evangélicas), estão registrando cada vez mais a presença de homens em suas celebrações.

O aumento na procura masculina só cresce nos últimos dez anos. A informação consta no mais recente estudo sobre o tema realizado pelo Nures (Núcleo de Religião e Sociedade) da Pós-Graduação da Faculdade de Ciências Sociais da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

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Integrante do núcleo, a antropóloga Eliane Gouveia explica que, no caso das igrejas neopentecostais – que segundo o último senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) são as que mais crescem – o que mais atrai os fiéis é a promessa de que com o encontro religioso se segue o sucesso financeiro e profissional. “As (igrejas) neopentecostais oferecem um modelo de vida associado ao aceno da prosperidade econômica”, diz a antropóloga.

Ela explica que, segundo o levantamento, há mais de dez anos, os homens vistos nas liturgias eram poucos e frequentavam as igrejas apenas aos fins de semana.

O técnico em mecatrônica Álvaro Henrique Lazzarini, 26 anos, chegou ao culto das 19h de ontem na Igreja Internacional da Graça de Deus da Rua Luís Pinto Flaquer, no Centro de Santo André. Ele conta que, há dois anos, desde que curou uma grave úlcera, vai a igreja quatro vezes por semana.

Frequentador da mesma igreja há seis anos, o coletor de lixo José Hilton Anastácio de Souza, 29, diz que o importante é louvar a Jesus, não importa em que casa. Ele conta que, segundo sua possibilidade, vai à igreja pelo menos três vezes por semana, no Centro, ou na Assembleia de Deus do bairro Capuava, onde vive com a família.

Fonte: Diário do Grande ABC

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* “Direito ao aborto” ao final escraviza a mulher, adverte perito.

sábado, janeiro 16th, 2010

Iñigo Urien Azpitarte, advogado especialista em violência contra a mulher em Vizcaya na Espanha advertiu que o “direito ao aborto “proclamado por feministas e abortistas, termina ao final escravizando a mulher porque a converte em elemento de satisfação sexual e leva a que o homem acredite que não tem nenhuma responsabilidade.

“Se a mulher pode abortar sem restrição alguma, o homem se libera de qualquer responsabilidade como pai, tendo à mulher como elemento de satisfação sexual e situando-a em um plano de ‘não-igualdade’”, expressou o advogado do Turno especial de advogados para Violência sobre a Mulher do Colégio de Advogados de Vizcaya.

Em diálogo com Profissionais pela Ética, o perito disse que se em caso de uma gravidez não desejada a mulher decide ter o filho, “também aparece como perdedora” porque o pai –se estava a favor do aborto-, dirá que foi ela quem optou por não exercer seu “direito ao aborto” e portanto toda a responsabilidade sobre o futuro do filho recairá sobre a mãe.

Nesse sentido, explicou que o acesso ao “aborto livre” afetou as relações entre homens e mulheres. “Não é incomum ouvir jovens, e não tão jovens, afirmarem que estão a favor do aborto porque não gostam de usar o preservativo o que leva o homem a pensar que o aborto é uma opção de fácil acesso para a mulher; assim poderá se sentir facilmente desvinculado desta, deixando-a sozinha ante uma gravidez não prevista já que ela pode recorrer facilmente ao aborto”.

Acrescentou que “embora seja certo que algumas mulheres podem resistir pressões e negar-se a abortar, a legalização do aborto gera um círculo vicioso do qual outras muitas mulheres não podem sair”.

“O ‘direito individual ao aborto’ é um destes emaranhados jurídicos, pretensiosamente proclamados como liberadores, que prejudicam a mulher, pondo-a em uma situação de profunda desigualdade e desamparada ante situações de tirania e opressão”, expressou.

O perito criticou o Governo socialista por não apoiar as mulheres grávidas e assinalou que “em definitiva, transmitir à malha social (mediante a lei do aborto) a idéia de que o aborto é um direito exclusivo da mulher cria um direito correlativo do homem, do capitalista, a desvincular-se, e não responsabilizar-se de seus próprios atos embora estes condicionem a mulher”.

ACI

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* A visão da Igreja sobre a questão ambiental é diferente da visão dos movimentos ambientalistas ?

domingo, janeiro 10th, 2010

Uma educação voltada para uma “ampla e aprofundada responsabilidade ecológica” baseia-se no “respeito ao homem e a seus direitos e deveres fundamentais”. Assim o Papa retomou a questão do respeito à criação, segundo ele essencial para a paz, em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, em primeiro de janeiro.

Trata-se de uma homilia muito importante, porque o Papa explicita de maneira muito clara as bases que devem fundamentar a ecologia humana.

“Não é possível” – diz o Papa – “nutrir um respeito verdadeiro pelo meio ambiente sem que saibamos reconhecer no cosmos os reflexos da face invisível do Criador”.

O mistério da face de Deus e do homem é o horizonte no qual o Papa aborda a questão ambiental. “O homem é capaz de respeitar as criaturas – afirma bento XVI – na medida em que porta em seu próprio espírito um sentimento pleno de vida, caso contrário será levado a desprezar a si mesmo e tudo aquilo que o rodeia, a não ter respeito pelo ambiente em que vive ou pela criação”.

Há, assim, uma relação estreita entre o respeito ao homem e a proteção ao meio ambiente: “se o homem se degrada, degrada-se o ambiente em que vive; se a cultura se volta em direção ao niilismo, ainda que não teórico mas prático, a natureza pagará as conseqüências”.

Paradoxalmente, portanto, para atingir o âmago dos problemas ambientais, é preciso ter em mente que sua solução não passa por uma leitura aprofundada destes problemas, mas sim pelo aprofundamento da questão humana, do valor que cada um de nós dá à vida. E mais: pelo reconhecimento de que Deus habita nossos corações, para usar uma expressão do Papa. “Quanto mais somos habitados por Deus, e quanto mais formos sensíveis também à Sua presença naquilo que nos rodeia: em todas as criaturas, em especial nos demais homens”.

O homem é único, dentre todas as criaturas, por ser capaz de tal perspectiva e de tal reflexão.

Por isso, a maneira pela qual a Igreja aborda os problemas ambientais é radicalmente diferente, até mesmo oposta, a dos movimentos ambientalistas: “Se o Magistério da Igreja – escreve o Papa em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz – exprime perplexidade diante de uma concepção de ambiente inspirada pelo ecocentrismo e pelo biocentrismo, é porque tal concepção elimina a diferença ontológica e axiológica entre a pessoa humana e os demais seres vivos. Desse modo, elimina-se de fato a identidade e o papel especiais do homem, favorecendo uma visão igualitarista da “dignidade” de todos os seres vivos. Dá-se espaço, assim, a um novo panteísmo, com características neopagãs, que pretende derivar, da natureza por si mesma, entendida no sentido puramente naturalístico, a salvação do homem”.

Zenit

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* Absolutismo da Técnica viola dignidade do homem.

quarta-feira, novembro 4th, 2009


Para conseguir um desenvolvimento autêntico é urgente “uma formação para a responsabilidade ética no uso da técnica”: essa é uma passagem da recente encíclica de Bento XVI, “Caritas in veritate”, cujo último capítulo é dedicado, justamente, “ao desenvolvimento dos povos e à técnica”.

O Santo Padre ressalta que, “fascinada pela pura tecnologia, a razão sem a fé está destinada a perder-se na ilusão da própria onipotência”. E acrescenta: a pesquisa sobre os embriões, a clonagem “promovem-se na atual cultura do desencanto total, que pensa ter desvendado todos os mistérios”.

A propósito dessas reflexões do pontífice em sua Carta encíclica, a Rádio Vaticano ouviu o presidente da associação “Ciência e vida”, Dr. Lucio Romano, ginecologista da Universidade Federico II de Nápoles, sul da Itália. Eis o seu comentário:

Dr. Lucio Romano:- “O papa chama a atenção de todos para o problema – extremamente atual – do fato de a técnica hoje representar um dado a ser levado em consideração, diante também da passagem epocal de uma globalização das ideologias a uma espécie de globalização da técnica. Portanto, vemos que, sendo a técnica uma questão social é inevitável que a questão social enquanto tal evoque também uma questão antropológica. Aí entramos no cerne do problema, ou seja, a técnica não é absolutamente rejeitada pelo papa, mas, quando ela representa uma negação do homem, uma superação do homem vista numa ótica destrutiva – com todas as suas possíveis conseqüências – evidentemente não mais corresponde a uma ars ética. O papa defende uma técnica que se enriqueça de sentido e de valor. O sentido e o valor não podem ser encontrados a não ser na dimensão tipicamente humana de uma verdade antropológica, onde a liberdade se conjuga com a responsabilidade.”

A esse propósito, o papa ressalta em sua nova encíclica que hoje “um campo primário e crucial da luta cultural entre o absolutismo da técnica e a responsabilidade moral do homem é o da bioética”…

Dr. Lucio Romano:- “De fato, uma bioética que tem como referência uma antropologia. Uma antropologia certamente personalista, com a dimensão de um personalismo ontologicamente fundamentado, onde se encontra, justamente, a dimensão de uma defesa e de uma tutela da vida, da concepção até a morte natural, e não uma bioética fundada numa absoluta dimensão de autodeterminação de liberdade que não respeita o homem. Consideramos como uma dimensão respeitosa do homem uma bioética que se ocupe da pessoa, que a assista, que tome conta dela, que esteja a seu lado, que proteja a sua vida e que a acompanhe também nas fases terminais naquilo que é o progredir, rumo à morte natural. Portanto, uma bioética que seja respeitosa do homem e que desenvolva uma pesquisa científica que não seja, porém, substitutiva do respeito e da dignidade do ser humano.”

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- O segredo do sucesso no matrimônio

sábado, setembro 19th, 2009

Para ser feliz no matrimônio e aumentar o amor com o passar do tempo, não bastam apenas boas intenções.

CASTIDADE CONJUGAL: “AMOR TRIUNFANTE DE DUAS PESSOAS SEXUADAS”.

Falar de castidade em pleno século XXI pode parecer chocante e anacrônico. Talvez porque se costuma associar – erroneamente – esse termo a um conjunto de negações completamente alheias ao amor, chegando mesmo a equipará-lo à simples abstenção do trato corporal.

Para São Josemaria Escrivá, pelo contrário, a castidade conjugal é uma virtude tremendamente afirmativa: “é uma triunfante afirmação do amor” (Sulco, n. 831). Ele explicava-o assim: “A castidade – que não é simples continência, mas afirmação decidida de uma vontade enamorada – é uma virtude que mantém a juventude do amor, em qualquer estado de vida” (É Cristo que passa, n. 25).

Referida aos casados, a castidade é a virtude que torna possível que aos quinze, vinte, vinte e cinco ou muitos mais anos de matrimônio, cada cônjuge esteja tão enamorado do outro como naquele dia já distante em que os dois uniram suas vidas. E até mais: porque cada um é para o outro agora muito mais amável e arrebatador do que antes, já que o carinho prolongado leva a descobrir e aprofundar nas riquezas pessoais e na beleza do outro.

A castidade é portanto algo muito grande, excelso, positivo, que não se reduz a um conjunto de proibições: vai muito além dos domínios do mero uso dos órgãos genitais. Seu objeto próprio – como o de qualquer virtude – é o amor: neste caso o amor de duas pessoas sexuadas – homem e mulher – precisamente enquanto tais. E a sua finalidade é a de fazer com que esse carinho desenvolva-se e frutifique em todas e em cada uma das suas dimensões: não somente nas diretamente relacionadas com o trato corporal ou genital.

AUMENTAR O CARINHO

Entende-se então que o principal e mais definitivo ato dessa virtude consista em fomentar positivamente – com as mil e uma espertezas que o engenho amoroso descobre – o amor ao outro cônjuge.

Por isso – para vivê-la em toda a sua grandeza – é oportuno que cada um dos dois dedique todos os dias uns minutos para escolher qual detalhe ou detalhes de carinho e de delicadeza empregará para dar ao outro uma alegria e para fazer subir a qualidade e a temperatura do amor mútuo. Com igual empenho deverá empregar todos os meios ao seu alcance para que as manifestações de afeto escolhidas sejam levadas à prática, para que o trabalho profissional e as outras ocupações não façam delas simples “boas intenções”.

Do mesmo modo, um marido apaixonado tem de estar disposto a repetir muitas vezes por dia à sua esposa, junto com outras manifestações de afeto, que a ama. É claro que ela já o sabe! Mas ela tem uma necessidade quase absoluta de escutar muitas vezes essa confirmação tão boa: é uma delicadeza aparentemente mínima, mas que a reconforta e lhe dá vigor para continuar na luta – às vezes ingrata – por levar adiante o lar e a família. O marido, por sua vez, além de agradecer também em muitos casos que a esposa lhe faça uma declaração paralela, precisa pronunciar essas palavras para reforçar – mediante uma afirmação expressa e tangível – a têmpera do seu amor e da sua fidelidade.

Além disso, e para pôr outro exemplo, marido e mulher devem esforçar-se também para surpreender o seu par com alguma coisa que ele não esperava e que revele o interesse e apreço por ele. Não só nas datas festivas, nas quais essas manifestações “já são esperadas”, mas justamente nos dias em que não existe nenhum motivo aparente para ter uma atenção especial… a não ser o carinho apaixonado dos cônjuges, sempre vivo e sempre crescente! Tendo em conta, por outro lado, que o importante é esse olhar para o outro, dedicar-lhe tempo e atenção, e não necessariamente o valor material daquilo que se oferece.
Na mesma linha, para viver a plenitude do amor que estamos considerando, torna-se imprescindível que os cônjuges saibam encontrar – vencendo a preguiça inicial que às vezes pode vir – momentos para estarem a sós: para conversar e descansar nas melhores condições possíveis. Sem fazer disso um absoluto, e a título de simples sugestão, uma tarde ou uma noite por semana dedicada exclusivamente ao casal, além de facilitar enormemente a comunicação, constitui um dos melhores meios para que a vida de família – e, portanto, o carinho para com os filhos – progrida e consolide-se até dar frutos maduros de qualidade pessoal. Por isso o cuidado e os mimos ao outro cônjuge devem antepor-se às obrigações de trabalho, aos compromissos sociais e até mesmo – valha o paradoxo – ao cuidado “direto” das crianças… esse cuidado irá tornar-se mais potente com o maior amor mútuo dos pais.

FOMENTAR A ATRAÇÃO

Tendo tudo isso em vista, compreende-se facilmente que é um ato de virtude – da virtude da castidade, concretamente – fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para aumentar a atração, também a estritamente sexual, nossa e do nosso cônjuge.

Em particular, parece ser mostra de bom senso aproveitar o gozo profundo que Deus uniu ao abraço amoroso pessoal e íntimo para resolver pequenas discrepâncias ou desavenças surgidas durante o dia, para pôr fim a uma situação de desgaste, ou para relaxar naqueles momentos em que a vida profissional ou familiar dele ou dela estejam gerando tensões de um modo especial. Por isso, entre outras coisas, ambos terão que prestar atenção ao seu aspecto físico.

Além disso, é imprescindível – e agora tocamos uma questão mais de fundo e de conjunto – que ambos os esposos saibam apresentar-se e contemplar um ao outro, ao longo de toda a sua vida, pelo menos com o mesmo primor e enfeite com que o faziam em seus melhores momentos de namoro. Agir de outra maneira, deixar que o amor esfrie ou petrifique-se, equivale a pôr o cônjuge na beira de um abismo, dando-lhe ocasião para que procure fora do lar o carinho e as atenções que todo ser humano necessita.

Situada nesse horizonte vital, a mulher deve estar persuadida de que a fecundidade torna-a mais bela, e de que seu marido possui a suficiente qualidade humana para saber apreciar a nova e gloriosa formosura que provém da sua condição de mãe.

A maternidade reiterada certamente supõe romper certos “moldes e proporções” que determinados cânones de beleza feminina lutam por impor a todos nós. Mas até o menos perspicaz dos maridos, se está deveras apaixonado, percebe o esplendor que essa “desproporção” traz consigo: reconhece que sua mulher é mais bonita – e inclusive sexualmente mais atrativa – do que aquelas que se pavoneiam com um arremedo de beleza reduzido a “centímetros” e “curvinhas”.

Por pouca sensibilidade que tenha, um homem descobre encantado no corpo da sua mulher: (1) o reflexo do seu próprio amor de marido e de pai; (2) a marca dos filhos que esse carinho gerou; e (3) o cartão de visitas do Amor infinito de todo um Deus Criador, que demonstrou sua confiança ao dar a vida e fazer com que se desenvolvesse no seio da esposa cada uma dessas criaturas… Como poderá não se sentir cativado por tantos e tais enriquecimentos?

Depois de tantos anos de casado, e de relacionamento com outros casais, às vezes sinto a necessidade de pedir às esposas que sejam do “jeito que o seu marido gosta”… e alegrem-se plenamente por isso. E que nunca pretendam – sobretudo com o passar dos anos – ser “do jeito que elas próprias gostem” (elas costumam ser as críticas mais ferozes de si mesmas), nem jamais admitam comparações com amigas nem com nenhuma outra mulher… e muito menos com as mais jovens. Que acreditem piamente nos seus maridos quando eles dizem que elas estão lindas, sem fazer a mínima reserva, nem mesmo interior… Toda mulher que se entregou de verdade – esposa e mãe – deve ter a convicção inamovível de que a sua beleza radicalmente humana aumenta na exata medida em que a sua doação ao marido e aos filhos vai sendo cada vez mais atual e operativa.

SÓ VOCÊ E NINGUÉM MAIS

A outra face da virtude da castidade – negativa em aparência, mas também derivada dessa mesma necessidade de fazer crescer o carinho mútuo – pode ser concretizada na gozosa obrigação de evitar tudo o que possa esfriar o amor ou pô-lo entre parênteses, nem que seja por poucos minutos. Essa renúncia tem, portanto, um sentido eminentemente positivo: trata-se – também nisso – de fazer com que o amor conjugal amadureça e alcance a sua plenitude. Esse ponto não deveria ser esquecido se queremos entender a fundo o verdadeiro significado da virtude da castidade, o seu valor tremendamente afirmativo.

Se pensarmos nos que estão unidos pelo matrimônio – como até aqui estamos fazendo –, essa afirmação, levada a sério, converte-se num critério claro e delicadíssimo de amor ao cônjuge. Para o homem casado não pode existir outra mulher (enquanto mulher) além da sua. Esse homem (o mesmo poderia afirmar-se, simetricamente, quanto à esposa) obviamente irá relacionar-se com pessoas do sexo oposto: companheiras de trabalho, secretárias, alunas, gente com quem coincidirá em viagens… E a educação e o respeito o levarão a comportar-se com elas com polidez e deferência. Mas não tratará nenhuma delas enquanto mulher – pondo em jogo a sua condição de homem, que já não lhe pertence – mas simplesmente enquanto pessoa.
Isso, que pode parecer à primeira vista excessivamente teórico e até artificial, tem uma tradução muito clara e prática: tudo aquilo que faço com a minha mulher justamente por ser mulher devo evitar fazer com qualquer outra, custe o que custar. Não posso compartilhar com mais ninguém as coisas que compartilho com a minha esposa.

Embora estejamos falando para pessoas aparentemente maduras, nesse ponto é muito fácil ser ingênuos. Isso porque, em princípio, depois de tantos anos convivendo diariamente com o nosso par – nos momentos de alta e de baixa –, qualquer outra mulher (ou qualquer outro homem) está em melhores condições que a nossa (ou o nosso) de mostrar-nos – intermitentemente – a sua face mais amável, nesses isolados espaços de trato mútuo. Não vemos o seu aspecto desarrumado quando acaba de acordar – quando nem parece que é ela (ou ele) –; não a (ou o) vemos quando está cansada (ou cansado); não temos que resolver com ela (ou com ele) os problemas dos filhos nem os quebra cabeças de uma economia não muito folgada…

Elas ou eles, arrumados, dispostos – como por instinto e com a mais limpa das intenções – a agradar e a cair bem, podem dar de si o melhor que possuem, sem o contrapeso dos momentos duros e de fraqueza que forçosamente são vividos dentro do matrimônio. Além disso, costumam ser mais jovens, mais compreensivos (entre outras coisas porque não nos conhecem bem), e estão enfeitados passageiramente com muitas prendas – um tanto artificiais – que fazem a sua personalidade brilhar aos nossos olhos (que nesses momentos não são lá muito perspicazes)… e que a convivência diária e duradoura sem dúvida devolveria às suas reais dimensões.

Para rematar essa idéia, e para ir terminando o que de outra forma seria interminável, acrescentarei que quando uma mulher diferente da nossa conhece os problemas que sofremos no nosso lar e no nosso matrimônio, é quase impossível que deixe de compreender-nos e de sentir por nós uma sincera compaixão. Como também é improvável – embora por motivos muito diferentes – que um homem deixe de entender os problemas de uma mulher casada, se ele dispuser-se a ouvi-los. Nos dois casos, faz falta ter a suficiente categoria – hoje infelizmente rara – para ficar mal e rejeitar, de maneira educada porém decidida, qualquer tipo de confidências como essas.

Tudo isso é, no entanto, necessário para não brincar com a felicidade própria e alheia e para não pôr nossos filhos em apuros, vendendo a grandeza profunda de uma vida de família plenamente vivida em troca do deslumbramento superficial de uns momentos satisfação egocêntrica. O amor que impregna o nosso lar levar-nos-á a prescindir de tais satisfações aparentes, visando robustecer os fundamentos da nossa felicidade no matrimônio.

Tomás Melendo
Catedrático de Metafísica da Universidade de Málaga. Publicou recentemente – em co autoria com sua esposa Lourdes Millán-Puelles – o livro Assegurar o amor, cuja finalidade (que aliás já está no próprio título) é ajudar a contornar os inevitáveis porém fecundos escolhos que a vida em comum traz consigo.

Fonte: Quadrante

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Homens e mulheres na Igreja,sem álcool.

terça-feira, agosto 18th, 2009

Mulheres que abandonam suas atividades religiosas têm três vezes mais chances de sofrer de ansiedade, depressão e alcoolismo, segundo um estudo conduzido por pesquisadores americanos.

Os especialistas, da Universidade de Temple, na Filadélfia, analisaram 718 adultos e concluíram que entre as mulheres que haviam deixado de freqüentar a igreja, 21% apresentaram sintomas de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao excesso de bebidas alcoólicas.

O mesmo, no entanto, não foi observado entre os homens. O trabalho, publicado na revista especializada Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology, apontou que os homens que deixaram de praticar sua fé tinham menos chances de sofrer de depressão do que os que compareciam à igreja regularmente.

Para a coordenadora do estudo, Joanna Maselko, as mulheres sofrem mais ao se afastarem da religião porque também têm mais chances de perder amigos e se afastar da “rede social da igreja”.

“As mulheres são normalmente mais integradas às redes sociais de suas comunidades religiosas. Quando deixam de ir à igreja, perdem o acesso a esta rede e todos seus benefícios potenciais”, observa Maselko.

Já os homens, afirma Maselko, “não parecem ser tão integrados à comunidade religiosa, portanto não sofrem com as possíveis conseqüências se abandonam a igreja”.

Para a coordenadora do trabalho, é possível “ter um melhor entendimento da relação entre saúde e espiritualidade quando conhece a história religiosa de uma pessoa”.

***

A fé e  sua vivência é um elemento integrador e importante na vida de qualquer pessoa,homem e mulher.

Infelizmente a cultura reforça a dificuldade natural que o homem ( gênero masculino) tem em viver dimensões mais interiores , dentre elas a fé,tachando como “coisa de mulher”, o que é um GRANDE preconceito.

A história da Igreja e da humanidade apresenta inúmeros exemplos de homens que viveram intensamente sua fé e fizeram dela expressão de sua masculinidade de forma saudável,integradora e profundamente marcante.

A noticia tem sentido e parece  refletir o que de fato acontece com os homens e algumas irmãs mulheres em sua relaçao com a fé.

Ultimamente surgiu aqui no Ceará, e penso que em muitos lugares do Brasil, o “terço dos homens”, movimento mariano que chegou em boa hora para atrair homens à fé.

Sendo um terço” só para homens “  gera abertura para que homens resistentes à  fé e a Igreja possam participar superando preconceitos arraigados em sua própria história.

A Igreja se ressente, e muito,de uma maior participação de homens em suas pastorais, grupos  e comunidades.

Muitas Mulheres assumem papeis de liderança na Igreja, e isso é bom,infelizmente também no vácuo deixado pelos irmãos que  se omitem ou se ausentam no abraçar plenamente seu batismo.

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Como é que é??

sábado, agosto 15th, 2009

Embora os índices de gravidez e aborto entre adolescentes estejam subindo na Inglaterra, o Ministério da Saúde inglês está dizendo aos adolescentes que “um orgasmo por dia mantém você longe do hospital”. Intitulado “Prazer”, um novo livreto planejado para distribuição em escolas públicas foi aprovado pelos maiores grupos governamentais promotores de sexo, a Brook e a Associação de Planejamento Familiar.

O livreto, que foi distribuído para professores, pais e assistentes sociais de jovens na cidade industrial de Yorkshire, em Sheffield, diz que os adolescentes podem reduzir seu risco de ataque do coração fazendo mais sexo.

O livreto pergunta: “Que tal fazer sexo duas vezes por semana? Os especialistas de saúde recomendam cinco porções de frutas e vegetais por dia e 30 minutos de atividade física três vezes por semana”.

O livreto foi feito para adolescentes acima de 14 anos, que são os principais alvos das tentativas do governo para reduzir o índice de gravidez. Diz que alguns especialistas focalizam demais em propaganda de “sexo seguro” e não enfatizam o prazer sexual.

O livreto aconselha que os professores e educadores “promovam masturbação para moças e rapazes. A masturbação pode ajudar a dar sensações boas e prazerosas e ajuda a explorar e descobrir o próprio corpo”.

O livreto continua: “Inicie debates com os jovens. Esses debates devem tratar da experimentação em relacionamentos sexuais para tentar dissipar o mito de que há só um jeito de ter sexo ‘adequado”.

Steve Slack, diretor do Centro de HIV & Saúde Sexual da Secretaria de Saúde de Sheffield, disse aos meios de comunicação que enquanto os adolescentes estão plenamente informados sobre sexo e estão fazendo decisões livremente como parte de seus “relacionamentos amorosos”, eles têm tanto direito ao sexo quanto os adultos.

Em 2006, quando Sheffield ficou conhecida por ter um dos índices mais elevados de gravidez entre adolescentes na Inglaterra, Slack disse aos meios de comunicação que “muitas iniciativas” haviam sido planejadas para reduzir concepções entre moças menores de idade.

Ele disse que estava confiante em que a cidade cumpriria as metas estabelecidas em 1999 pelo governo de Blair para cortar seus índices de gravidez entre adolescentes em 2010.

Contudo, em 2006 os programas patrocinados pelo governo que envolviam mais educação sexual para idades mais novas, haviam provocado um aumento recorde de índices de gravidez entre adolescentes. Esse aumento foi registrado numa época em que outros municípios de Yorkshire estavam registrando índices mais baixos de gravidez de moças solteiras de menos de 18 anos.

O Dr. Trevor Stammers, diretor da Associação Médica Cristã, disse para o jornal Daily Mail: “É inacreditável que esse livreto esteja sendo enviado às escolas”.

Falando em nome do grupo cristão de lobby Preocupação pela Família e pelos Jovens, o Dr. Stammers disse: “Gostaria de saber qual prova científica há para apoiar isso. Há um número enorme de assistentes sociais que promovem saúde. Esses assistentes, cujos salários são elevados e que mal têm o que fazer, estão obcecados com sexo”.

Incentivar sexo para menores de idade, disse ele, é “nada menos do que incentivar abuso contra as crianças”. “Se o Ministério da Saúde quer promover um coração saudável, como diz que quer no livreto, deveria investir o dinheiro na redução do consumo de álcool e fumo”, disse ele.

Mas Sue Greig, assessora de saúde pública da Secretária de Saúde de Sheffield, repudiou as preocupações de que o livreto incentivará os jovens a ter sexo.

Ela disse que em países em que há mais “abertura sobre sexo”, como a Holanda, os jovens aguardam mais do que os adolescentes ingleses antes de “ter sua primeira experiência”.

Apesar de tais garantias, a insistência do governo em incentivar sexo entre os adolescentes está começando a ser rejeitada pela esquerda e pela direita. Na semana passada, Yasmin Alibhai-Brown, colunista que se descreve como de “centro-esquerda”, escreveu no Daily Mail repreendendo o governo trabalhista por continuar sua rota “catastrófica de educação sexual mais e mais explícita para crianças novas que, disse ela, é um fracasso monumental”.

A decisão recente de introduzir educação sexual nas escolas primárias é “um sinal de desespero”, escreveu ela. Essa decisão institucionalizou a “sexualização das crianças novas, indiscutivelmente uma das razões principais para as alarmantes estatísticas de gravidez entre adolescentes”.

“As crianças inglesas já sabem o suficiente sobre sexo. O sexo grita para elas dos outdoors, sussurra-lhes nas revistas e jornais, as seduz na internet e na TV e as destrói em modernos livros para crianças, etc. O problema é que essa consciência sexual é recebida e digerida, mas sem nenhuma orientação sobre conseqüências, nem quaisquer costumes sociais preventivos”.

Aproximadamente 40.000 adolescentes ficam grávidas anualmente na Inglaterra, o índice mais elevado da Europa Ocidental. Recentemente, estatísticas divulgadas mostram que mais da metade das gravidezes de adolescentes inglesas terminam em aborto propositado.

Veja abaixo a noticia original, em Inglês.

http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/jul/09071506.html

***

Quando a gente pensa que já leu de tudo sempre é surpreendido por noticias horrendas como essa.

É uma visão tão reduzida da pessoa humana e de seus mecanismos naturais,tão distorcida de sua finalidade original que até para aqueles
“desprovidos” de uma mínima visão cristã é ocasião de escândalo.

Não é uma questão “moralista”.

Contemplamos um período da história humana tão carente de referências sérias e fundamentadas no bem estar do homem,independente de  visão “religiosa”..É inacreditável !

Que nosso bom Deus e Salvador Jesus tenha compaixão de nós e nos ajude!

Se no tempo da guerra fria o medo era de uma guerra nuclear que destruisse a terra,hoje o grande perigo é a auto destruição pelo relativismo e pelo hedonismo,pela indiferença e pela vã tentativa de erguer o homem negando-o no entanto em sua humanidade.

Essa semana foi aprovada uma lei na Venezuela que acaba,é isso mesmo, acaba, com o ensino religioso nas escolas do pais,nas escolas públicas e PRIVADAS.( veja onde o socialismo do Hugo Chaves está chegando..)

Agora nossos jovens Venezuelanos serão doutrinados no materialismo,serão formados a se verem como “filhos “do nada !

Que podemos esperar do futuro de um país onde Deus foi banido??

de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”. ( Rui Barbosa )
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O Humanismo Cristão e os outros “humanismos”

quarta-feira, julho 1st, 2009

Que é o homem?

Toda a corrente filosófica de certo relevo assenta-se numa peculiar antropologia. Dentre as perguntas que os filósofos fazem, “quem é o homem?” reveste-se de uma importância crucial. Não seria desatinado afirmar que, de acordo com a resposta dada, pode-se chegar ao âmago do pensamento de um filósofo e à forma como encara o mundo.

É natural que daí surja o conflito entre as diferentes visões de humanismos. No entanto, o que chama a atenção e faz por merecer uma análise mais detida é a constatação de que esse conflito não se confina ao âmbito acadêmico, mas repercute sensivelmente na vida de cada um.

Se enfocarmos três dos principais humanismos - o cristão, o naturalista e o existencialista – e centrarmos o estudo num único aspecto, o do sentido da vida, os contornos daquilo de que falamos se tornam mais nítidos. Por que essas três filosofias? Porque, nos dias que correm, conscientemente ou não, via de regra as pessoas seguem alguma delas. Por que esse aspecto? Porque, entre tantos possíveis, apresenta a invulgar vantagem de ser ao mesmo tempo transcendental, elucidativo, tormentoso, comprometedor e nem sempre corretamente tratado.

Tufos de feixes fisiológicos

O humanismo naturalista pode ser entendido como uma miscelânea de escolas afins: cientificismo, materialismo dialético, psicanálise, behaviorismo, evolucionismo… Todas possuem em comum vários postulados famosos:” todo o psiquismo são apenas matéria altamente evoluída, o Homo sapiens nada mais é do que uas ciências naturais são as únicas que merecem crédito, somente o conhecimento empírico pode explicar o ser humano, deve-se depositar uma esperança fiducial em que o avanço tecnológico aperfeiçoará e imortalizará o homem, o cérebro em animal dito “superior”.

Julian Huxley, no seu livro Evolution, escrevia em 1942: “A evolução é um produto de forças cegas, exatamente como a queda de uma pedra na terra ou o fluxo e o defluxo das marés”. Aceitar valores absolutos e a sua personificação em Deus seria um erro dos homens. O centro da nova religião? O humanismo evolucionista. O homem ainda haverá de multiplicar as suas forças inexploradas.

Moral? Ora, o que é a moral? Os novos tempos assistem, ao casamento de quatro pares de homossexuais na Holanda como se fosse a coisa mais natural do mundo, enquanto protestam veementemente contra o noivado do herdeiro daquele país com uma bela Argentina, que cometeu a “aberração” de ser filha de um ex-ministro da ditadura de Jorge Videla(1)…

Não pode haver moral nem travas para o humanóide terráqueo, um genuíno elo da cadeia cósmica. Quem assistiu ao filme Missão: Marte dificilmente esquecerá a passagem em que o alienígena mostra aos humanos as cenas da sua origem: parte uma nave de Marte para a Terra, cai no mar, os seus tripulantes vão evoluindo em diversas espécies, uma delas torna-se humana, volta a Marte, e todos vivem felizes para sempre na fraternidade sideral. Nisto acredita piamente esta geração que – na feliz expressão de Alejandro Llano – padece de “anorexia cultural”.

Essa concepção antropológica, como é óbvio, repercute no sentido que cada pessoa dá à sua vida. Se o homem não passa de um mero tufo de feixes fisiológicos facilmente manejáveis, viver é estar biologicamente “otimizado”, com muitos prazeres, sem dores, um belo corpo, bem alimentado, bem vestido, descansado. Nada de esforços inúteis. O que importa é como os outros o vêem, apreciam e invejam. Basta a fachada. A glória está em que se aparece na coluna social.

Sufocado pelo tédio

Mas passemos da alegria oca do naturalismo ao ambiente cinzento e rarefeito do humanismo existencialista de Jean-Paul Sartre. Aqui nada se sabe sobre a essência do homem: só poderíamos conhecer a existência. Chegaríamos apenas ao como, não ao quê do ser humano. O existir próprio da pessoa seria condicionado pela realização de si mesma no mundo histórico, pela situação concreta em cada momento.

Essa realização estaria ligada à liberdade, tal como é entendida pelos existencialistas: um valor absurdamente onipotente. Sartre estava encantado com o Calígula de Albert Camus: era o seu protótipo de homem livre. Louco lúcido, estranho à verdade e à justiça, monstro sanguinário que condena todos os seus súditos à tortura e à morte, comprovando assim o seu poder. Era a seguinte a sua cantilena enquanto estrangulava a amante Caesonia: “Vivo, mato, exerço o poder delirante do destruidor, comparado com o qual o do criador parece um arremedo. Ser feliz é isto. É isto a felicidade, esta insuportável libertação, este universal desdém, o sangue, o ódio à minha volta. A alegria desmedida do assassino impune, esta lógica implacável que tritura vidas humanas, que te tritura, Caesonia, para tornar enfim perfeita a solidão eterna que desejo” (2).

O existencialismo exige que cada qual tenha um projeto para si mesmo. Não pode haver escala alguma de valor universal. Só o existir pessoal revelaria a lei das próprias decisões. Não se admite a norma moral universal porque não se conhece a essência humana.

O que resta para orientar a vida? Qual o balanço dessa filosofia opressiva? No dizer do seu arauto-mor(3), a náusea, a abundância pasmada, a sonolência, a má digestão, beber sem sede, toneladas de sujidade viscosa, o mundo sufocado pelo tédio, “nascer sem razão, prolongar-se por fraqueza, morrer ao acaso”.

A vida não tem outro sentido que o nada.

Para citar um exemplo dessa experiência nadificante, há o hipotético encontro marcado pelo protagonista com Pedro num café. Pedro não está. O protagonista olha para o interior do café, e tudo – as pessoas que lá se encontram, as mesas, as bebidas, a fumaça dos cigarros, o barulho de vozes e risadas -, tudo ali é nada. Pedro não veio. Pedro é nada. O sujeito que marcou o encontro também é nada(4).

Resta o desejo alucinante de ser deus, porém um deus oni-impotente, oni-ignorante e oniausente. E a decepção ao constatar que a liberdade certamente é limitada, a começar pelo “somos livres para tudo, exceto para não o ser”.

O homem revelado ao homem

Do fundo do poço para a serena reflexão que parte da realidade: o humanismo cristão parte da teoria multissecular do Direito Natural. Agostinho de Hipona já sustentava, no alvorecer da nossa era, que o homem constitui-se de alma e corpo, a alma é imortal (o corpo decai e acaba), existe uma sede insaciável de verdade (de uma verdade imutável) e de eternidade. O realismo aristotélico é lavrado por Tomás de Aquino. Há razão imaterial – abstraímos, refletimos, enxergamos a relação causa-efeito -, vontade livre, sentimentos, paixões, Homo faber, Homo ludens.

O humanismo cristão não é pré-fabricado, mas aberto: avança rumo à essência do ser humano, ouvindo o que têm a dizer todos os que escreveram a cultura, mesmo os naturalistas e os existencialistas. Heródoto conta o heroísmo de Leônidas em Termópilas; Plutarco fala do Alexandre vencedor das mulheres persas – mais difíceis de combater, na sua inebriante beleza, do que os homens…; o Rei Artur, na narração de John Steinbeck, entedia-se num dia plúmbeo; Pedro Abelardo arrepende-se dos seus amores ilícitos com Heloísa; Tolstói escreve a clássica passagem sobre a autoconfiança entre os povos; e o inesquecível Holden Caulfield, o apanhador no campo de centeio, monologa como qualquer adolescente que pulula por aí. Em cada um desses trechos, surgem os mesmos personagens com quem se convive nas ruas das grandes cidades ou a respeito dos quais se ouvem notícias, neste início de milênio. Idênticos sonhos, defeitos, ambições de grandeza, medos. A mesma essência.

O ser humano é social. A liberdade não é ilimitada, uma vez que ninguém está só sobre a terra, além de que a própria liberdade tem um sentido: fazer o bem; liberdade que se aperfeiçoa praticando o bem. Aspira-se à felicidade, felicidade que é plenitude – perfeição, ideal de vida boa (vita bona no sentido moral, não a “boa vida” indolente), vida bem conseguida -, que pressupõe uma certa medida de bens, também materiais (família estruturada, moderada quantidade de riquezas, bons amigos, justa fama, honra, boa saúde, contemplação da verdade, prática da virtude, amar e ser amado, servir…). A felicidade diz respeito primariamente ao futuro (J. Marías). A vida é tarefa, realização: tem sentido quando pressupõe que há uma tarefa a cumprir, algo que valha a pena, de que desfrutaremos com o maior número possível de semelhantes.

Vigora a inabalável convicção de que, ao lado dessa visão filosófica do mundo, existem experiências longamente vividas – dois milênios de cristianismo – e, o que é mais valioso, verdades reveladas que completam e dão fundamento ao genuíno humanismo. Dentre estas últimas, destaca-se a certeza de que o homem foi criado de acordo com umas regras que devem ser observadas, e de que tudo se decompõe quando, cegado pelo sereis como deuses, infringe essas normas. Imediatamente surge uma ruptura, a humanidade faz-se centro de si mesma, vai-se desarraigando da própria natureza, e se embrutece, avilta-se. Em determinado momento histórico, felizmente, surge e ressurge a esperança: o Verbo – por quem todas as coisas, inclusive as citadas normas, foram criadas – assume a natureza humana e a revela ao próprio homem.

Rasto de bem

Todas as idéias expostas visam a algo mais do que puras considerações filosóficas, às quais talvez não sejamos dados, nós os comuns mortais. Não é trivial que uma pessoa imersa nos afazeres alucinadamente prementes do cotidiano possa dedicar-se a escolher qual humanismo seguirá. Porém, o que se pretende é desembocar numa consideração muito simples: se alguém procura sinceramente a felicidade, a verdade, o bem e a beleza, há de ter em mente que só os conseguirá se for coerente com o seu modo de ser. Não o modo de ser da massa, nem muito menos o apregoado por certos meios de comunicação. Mas sim aquele conferido pela sua natureza humana, o seu “código genético moral”, que desemboca no reconhecimento da dignidade da pessoa e no respeito por ela, em seguir a consciência bem formada e em deixar um rasto de bem ao longo da passagem pela terra.

(1) Aceprensa, n. 55/01, págs. 3-4.
(2) Albert Camus, Caligula, Gallimard, Paris, 1945, pág. 212.
(3) Jean-Paul Sartre, La nausée, 33ª ed., Gallimard, Paris, 1938, págs. diversas.
(4) Jean-Paul Sartre, L’être et le néant, 2ª ed., Gallimard, Paris, 1943.

Paulo Oriente-Franciulli , Mestre em Direito Civil pela UFRJ.Estudioso de História e Filosofia, é co-autor de O anticristo: mito ou profecia? e autor de O milagre de Calanda.

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“Nasce-se” mulher ou “torna-se” mulher?

sexta-feira, junho 12th, 2009

Entrevista com a socióloga chilena Ana María Yévenes Ramírez

O tema da ideologia de gênero – em sua vertente mais difundida de “equidade de gênero” – ganhou muitas posições no cenário social e na agenda política; contudo, continua sendo um tópico difícil de se tratar visto que em muitos aspectos e em suas origens aponta em sentido contrário à essência da família.

A doutora Ana María Yévenez Ramírez, socióloga chilena e especialista em temas da família, faz uma análise da ideologia de gênero desde as ciências sociais e particularmente a partir da análise cultural. Esclarece que não pretende “demonizar absolutamente nada”, o que não significa a ausência de uma visão crítica.

O gênero é uma “construção” social?

A ideologia de gênero tem suas raízes nos movimentos feministas radicais dos anos sessenta, já que alguns autores que iniciaram esta ideologia dizem que o gênero é uma construção cultural, por conseguinte não é resultado do sexo, nem tão aparentemente fixo como o próprio sexo. Ao teorizar sobre isto, o gênero vem a ser como um artifício livre de ataduras; em consequência, homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino, tanto um corpo masculino como um feminino.

Estas ideias estiveram presentes dentro do debate que se fez tanto na opinião pública como nas discussões da IV Conferência da Mulher, patrocinada pela ONU em Pequim em 1995: As feministas de gênero manifestaram a urgência de desconstruir os papéis sociais de homem e mulher porque esta socialização afetava a mulher negativa e injustamente. O homem-marido, desde esta perspectiva, então aparece como um opressor, e passamos aqui do que é o conceito de luta de classes ao que podemos chamar luta de sexos.

Assim, o matrimônio e a família podem ser vistos quase como uma seita, e a maternidade como um estorvo. Toda diferença entre o homem e a mulher, sob esta visão, é construção social e portanto pode ser mudada. Já não existem, desta forma, dois sexo, mas muitas orientações sexuais.

Como uma ideologia tão distante do normal teve tanta acolhida?

Porque abordou um problema real, a situação desvalorizada da mulher. Desta forma, a ideologia de gênero faz surgir o conceito de tomada de poder político, econômico, trabalhista e na relação com o casal. Deve-se ter em conta que as linhas originais sofreram grandes mudanças. Não chega às pessoas o que é a ideologia de gênero, digamos, de maneira quimicamente pura, como acontecem com todas as coisas. Particularmente na América Latina, vivemos processos de individuação e mestiçagem. Por exemplo, fala-se do combate do machismo, como bandeira de luta tão presente no México. No Chile, há muitas mulheres que participaram de programas dos diferentes governos no tema da igualdade de gênero, mas quando se lhes propõem estes outros temas, a visão da família, a visão da maternidade, não concordam com isso.

O que hoje se aplica como equidade de gênero não é o que originalmente se aplicava a este pensamento; este processo de mestiçagem é parte da mudança cultural mais profunda que se produz em nossa sociedade. Basta lembrar que a mudança se inicia em como usamos nossas palavras, na linguagem que utilizamos. Junto com a crítica que se dirige a esta ideologia, devemos fazer-nos uma autocrítica como Igreja Católica: que resposta nós demos a esta problemática de fundo? Sinto que muito do que aconteceu é nossa responsabilidade por nosso silêncio, por não termos respondido a essa necessidade que havia dentro da cultura.

A ideologia de gênero oferece alguma contribuição positiva?

Primeiramente, colocar a mulher no foco porque objetivamente a mulher estava sendo de alguma forma ignorada: parte disso é porque o tema do trabalho remunerado considerava o trabalho doméstico muito distante. Também a ideologia de gênero trouxe melhoras substanciais em matéria de saúde da mulher; maior cuidado físico, por exemplo na detenção de alguns tipos de câncer; uma maior preocupação pelo corpo; trouxe também uma maior proteção à mulher quanto ao tema da violência familiar; ou em matéria trabalhista. Permitiu melhorar o acesso a uma maior educação formal da mulher.

E negativa?

A ideologia de gênero fomentou uma tomada de poder antagônica da mulher contra o homem. Na prática, transformou a mulher em um objeto que era exatamente o que se pretendia combater. Digo um objeto, porque segundo muitos textos dos estudos que estão sendo desenvolvidos sobre esta matéria, se privilegia a dimensão econômica, do desenvolvimento, do trabalho acima do desenvolvimento humano e próprio da mulher, consequência precisamente do anterior é que o desenvolvimento integral da mulher está se tornando um obstáculo, e com isso a mulher está sendo privada da felicidade.

Finalmente, quais são as repercussões na família?

Não é um mistério para ninguém como aumentou o número de mulheres assassinadas por seus companheiros porque não se trabalhou com os homens na mesma velocidade com que se trabalhou com as mulheres. Também causou impacto no tema do testemunho, porque ao final nossos jovens se entusiasmam pelo matrimônio pelo testemunho que recebem, testemunho de amor, de companheirismo. E mais, está-se colocando em cheque o desenvolvimento dos povos.

Fonte: Zenit

***

Já publicamos aqui no Blog um excelente documento sobre esse assunto,a entrevista reafirma o que o documento expõe.

Nenhum cristão que queira viver sua fé de forma engajada e madura pode deixar de conhecer essa ideologia para refutá-la.

Caso você ainda não tenha lido o documento,leia! É excelente!

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