Posts Tagged ‘Homem’

* Sociedade está clamando por pessoas de “envergadura humanística” capaz de fazer diferença.

quarta-feira, agosto 25th, 2010

Momento atual clama por pessoas com essa têmpera, afirma arcebispo

“Só o substrato humanístico alavanca exercícios profissionais e a condução de processos, nas responsabilidades governamentais e institucionais, com fecundidade.”É o que afirma o arcebispo de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em que fala sobre as competências necessárias para se conquistar os avanços de que a sociedade necessita.Segundo o arcebispo, os avanços na sociedade contemporânea “são medidos, quase exclusivamente, considerando os aspectos envolvendo a tecnologia e a economia”.

Nesse sentido, Dom Walmor considera que o contexto atual “está refém de um déficit humanístico, fator que causa uma incompetência generalizada para a adequada condução de processos, a efetivação de projetos e a fecundidade de ações”.

Diante disso, o arcebispo de Belo Horizonte enfatiza a importância da formação integral, “que traz em sua essência os aspectos humanísticos, cujas raízes têm nascedouro também na opção religiosa e no que é próprio de uma prática confessional – o amálgama que rejunta e tempera o que se aprende em qualquer campo do saber e da ciência”.

“É inquestionável a situação deficitária desse substrato humanístico advindo de referências, com força de princípio e de fonte como o cristianismo.”

“É uma lástima e um prejuízo enorme para a sociedade e toda instituição, civil ou religiosa, a distância de um substrato humanístico indispensável e sua substituição pela pretensão ingênua e néscia de ocupar lugares, garantir benesses e dignificar-se pela ocupação de uma cadeira na instituição religiosa, governamental, civil”, afirma.

“Há um déficit humanístico que assola o mundo contemporâneo e está precipitando as pessoas à inversão de um entendimento importante e necessário para a saúde da sociedade. Pensa-se mais na ocupação de cadeiras e de cargos para se tornar importante.”

O substrato humanístico – prossegue Dom Walmor –, “alargado e fecundado, gera pessoas de referência que, assentadas na cadeira e ocupando cargos, os dignificam e fazem destes uma alavanca importante nos avanços desse tempo”.

“Confunde-se liderança com domínio autoritário de súditos, ou com artimanhas de conchavos que escondem a verdade e não prezam a transparência e o respeito aos direitos e à justiça; com barganhas que acobertam as mediocridades.”

O substrato humanístico não é “uma maquiagem externa para impressionar com a mudança de visual”, trata-se “de um tratamento da interioridade, aquela que sustenta a capacidade do diálogo, evita os destemperos, equilibra com sabedoria a insubstituível capacidade de interpretação adequada da realidade e dos fatos”.

“É muito difícil porque a interioridade é uma realidade não palpável. Sua revelação se dá na leveza das condutas e na inteireza dos atos entrelaçados com a clareza nobre das ideias e argumentações expostas na inteligência do que se diz, se compreende e se vive na prática.”

Segundo Dom Walmor, o momento atual “está clamando por pessoas de uma considerável envergadura humanística, entendida como a mais importante competência, emoldurando o que se aprendeu a fazer profissionalmente”.

“A sociedade precisa ser governada por homens e mulheres com essa têmpera. As instituições precisam alargar seus horizontes e construir suas identidades e missões fundamentadas na competência humanística e, assim, escrever outra história”, afirma.

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* Homens que se recusam a amadurecer e a crescer. Você os conhece?

segunda-feira, agosto 9th, 2010

Diário do Nordeste

Medo de enfrentar a responsabilidade da fase adulta cresce entre a população masculina

O desejo de crescer e ser um adulto do dia para a noite já esteve presente na mente da maioria das crianças. Do outro lado, estão os que pensam e agem como o personagem da Disney, Peter Pan, o menino que quer ser criança para sempre. Esse medo de crescer acaba, portanto, não se restringindo apenas aos contos de fadas. Negar-se a amadurecer é, atualmente, uma realidade também para muitos adultos.

Chegar à vida adulta é um dos processos mais difíceis pelos quais temos de passar. Segundo o psicólogo e professor da Faculdade de Ciências Humanas do Centro de Estudos Superiores de Maceió/AL (CESMAC) e autor do artigo “Grupo de homens: repensando o papel masculino na sociedade contemporânea”, Fábio Ribeiro Machado, o medo de assumir responsabilidades, da perda do porto seguro que é a infância e de todo o choque que o crescer representa, são sentimentos comuns na adolescência, período no qual um turbilhão de sentimentos e de novas experiências traz insegurança e uma série de conflitos internos.

Novos Peter Pans

No século 21, ser um Peter Pan é comum a muitos homens que não conseguem atingir um estado de maturidade para encarar sentimentos e responsabilidades próprias de sua idade. São ansiosos e narcisistas, caracterizando, o que os especialistas chamam de Síndrome de Peter Pan, termo definido pelo psicólogo americano Dan Kiley, nos anos 1980.

Fábio Ribeiro Machado revela que, para esconder a dificuldade de encarar com maturidade as situações da vida, esses homens utilizam como defesa uma falsa alegria que, no início, é encarada pela sociedade como uma qualidade. São simpáticos e comunicativos, causando boa impressão principalmente nas mulheres. No entanto, a convivência mostra que nem tudo é como parece.

Super-protetoras

Trintões e quarentões que se negam a sair da zona de conforto da casa dos pais, não querem assumir responsabilidades, vestem-se e se comportam como adolescentes, abominam o casamento e dedicam grande parte do tempo à academia e ao cuidado com a aparência física, são prováveis candidatos a Peter Pans modernos. Quem não tem um na família ou já viu algum deles por aí?

Tripp, um trintão interpretado por Matthew McConaughey em “Armações do amor”, apesar de ter um trabalho, não quer nem pensar em deixar a casa dos pais. Relacionamentos de uma noite só, esportes radicais, motos, barcos e noitadas com os amigos são seus passatempos preferidos. O simpático solteirão não quer ter responsabilidades, muito menos um casamento, ou seja, Tripp, é um típico Peter Pan.

Assim como na maioria dos casos, é grande a influência da família, principalmente da figura materna. A mãe de Tripp é só mimos e faz tudo o que ele quer. Para Fábio Machado, a educação machista que a maioria das mães ainda dá aos filhos é um importante fator para o desenvolvimento da síndrome.

A prevalência masculina não se dá apenas por conta do amadurecimento feminino que ocorre mais cedo, mas também devido ao contexto social. A falta da figura do pai na sociedade moderna faz com que os meninos se transformem em homens sem nenhuma preparação. “Sem conhecer a dinâmica interior de um homem amadurecido e saudável, os meninos são forçados a buscar a sua ideia de individualidade em imagens muitas vezes distorcidas e idealizadas pela mídia”, explica Fábio Machado.

Adulto imaturo

A carreira profissional desses homens, muitas vezes é prejudicada, fazendo com que eles só trabalhem sob pressão. Narcisistas e explosivos, acham que os empregos são indignos a eles e entram constantemente em conflito com seus superiores. Fábio Machado explica que eles tendem a ter relacionamentos amorosos pouco duradouros e com mulheres mais novas ou imaturas. Se casados, as esposas terão de ser verdadeiras “mães”.

A aceitação do problema é uma das fases mais difíceis, porém, com a ajuda dos familiares e de um psicoterapeuta, esses homens podem chegar a um amadurecimento emocional e a uma consequente melhora na convivência social.

Atitudes infantis

É importante não confundir a Síndrome de Peter Pan com o Infantilismo. Este último caracteriza-se por uma espécie de sensação de bem-estar ao ter atitudes infantis como usar fraldas, mamadeiras e chupetas, vestir-se, comer e brincar como um bebê. Na maioria das vezes, esses atos são praticados secretamente, pois o indivíduo infantilizado tem vergonha de si. Ao contrário da Síndrome de Peter Pan, na qual há apenas o comprometimento da conduta e do modo de encarar a realidade, no infantilismo há uma regressão do adulto ao estágio infantil levando em conta a aparência e o comportamento.

Cuidados na infância

A família é o centro da formação psicossocial de um indivíduo. Um lar bem estruturado e algumas atitudes dos pais podem ajudar a evitar dificuldades de amadurecimento na fase adulta;

Os filhos não devem dormir constantemente na cama com os pais;

O pais devem deixar que os pequenos tenham fantasias, mas devem deixar claro os limites existentes entre a realidade e a ficção;

O berço precisa ser trocado pela cama assim que as crianças começarem a andar;

A chupeta e a mamadeira devem ser retiradas após os dois anos de idade;

As fraldas devem permanecer, no máximo até os três anos;

Deve-se tomar cuidado com atitudes e mimos proporcionados pelos avós e cuidadores.

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* Especialista: fim das grandes empresas de cigarro oferece um guia de como obter vitória sobre as empresas pornográficas.

domingo, agosto 8th, 2010

Peter J. Smith- LifeSiteNews

Como é que os EUA, considerados a capital mundial da pornografia, podem se livrar do flagelo da pornografia?

Simples, uma especialista da área diz para LifeSiteNews.com : faça com que a pornografia se torne socialmente tão inaceitável quanto fumar cigarros, e prepare o terreno para leis e processos judiciais que coloquem um fim no império sujo de bilhões de dólares.

LifeSiteNews.com (LSN) conversou com a Dra. Mary Anne Layden, especialista em tratar pessoas viciadas em pornografia, depois de uma apresentação oficial no Congresso, no Centro de Visitantes do edifício do Congresso, na questão de executar leis contra obscenidade em meados de junho.

Layden, que é co-diretora do Programa de Trauma Sexual e Psicopatologia do Centro para Terapia Cognitiva da Universidade da Pensilvânia na Filadélfia, disse que os métodos usados por ativistas para derrubar a indústria do cigarro oferecem aos líderes pró-família e seus aliados um guia de como enfiar a estaca na indústria pornográfica. Cinquenta anos atrás, os Estados Unidos tinham uma cultura em que “acender um cigarro” era universal e glorificado no cinema por estrelas como Humphrey Bogart, Frank Sinatra ou Grace Kelly. Hoje, fumar tem na maior parte um estigma social graças às agressivas campanhas anti-fumo que levaram a rigorosas leis anti-fumo, tais que os fumantes mal conseguem encontrar um restaurante ou bar que os deixará ter um cigarro com um café ou cerveja.“Então, esperamos que o que fizemos com os cigarros, possamos fazer com a pornografia”, explicou Layden.

O primeiro passo na luta contra a pornografia, explicou Layden, é fazer com que os médicos comecem a dizer publicamente e em voz alta que a pornografia é um problema destrutivo, exatamente como eles começaram a dizer anos atrás que “nossos pacientes parecem estar morrendo de fumar cigarros”.

O segundo passo é fazer com que os jornalistas e pesquisadores escrevam artigos explicando o que os médicos estão dizendo acerca dos malefícios provocados pela pornografia.

Em termos de cigarros, disse ela, “conseguimos que os jornalistas escrevessem artigos, então conseguimos que os pesquisadores entrassem na questão e paramos de dar atenção aos pesquisadores do Instituto do Fumo que mentiam ao Congresso e diziam que o cigarro não era viciador nem prejudicial, pois eles estavam jogando fora todos os estudos que afirmavam isso”.Já está havendo progresso nesta área, disse ela, pois “temos pesquisadores que estão fazendo pesquisas agora e mais pesquisas estão sendo feitas sobre as reações do cérebro à [pornografia]”.

O terceiro passo é onde os advogados entram. Exatamente como os advogados foram necessários “para mover processos em favor das pessoas que estavam sendo prejudicadas pelos cigarros”, seria necessário obter a assistência deles para esgotar completamente a vida financeira do império pornográfico de bilhões de dólares. Então conseguimos advogados para moverem ações civis e ações criminais; temos de fazer com que o governo dê dinheiro ao Ministério da Justiça”, disse Layden, “de modo que possamos ter mais casos criminais”.“Se todas essas pessoas se unirem — os médicos, os jornalistas, os advogados, o governo, os pesquisadores — se todos eles se unirem, poderemos fazer a mesma coisa com a [indústria pornográfica] que fizemos com o vício de fumar cigarros”, concluiu Layden.

Terapia, mas nenhum tratamento para viciados em pornografia

A pornografia é um perigo real e presente na sociedade americana, Layden disse para LSN. Os malefícios que ela provoca são de modo particular horríveis, continuou ela, pois não há jeito de se “desintoxicar” ou eliminar as imagens do sistema de um viciado.“Com um tratamento tradicional de vício — se você está tratando um viciado em cocaína, ou viciado em heroína — você os envia a um tratamento”, explicou Layden. “Com o viciado em pornografia, não conseguimos tirar a pornografia do sistema; consigamos tratar você enquanto a substância está em seu sistema e estará ainda em seu sistema para sempre”.Layden frisou que mesmo assim, há enorme esperança: a terapia realmente ajuda as pessoas a se recuperarem de seus vícios pornográficos e levá-las a vidas realizadas e bem-sucedidas.“As pessoas se recuperam. Tenho pacientes que se recuperam”, enfatizou ela. “É difícil, é longo, é um mal com recaídas, mas eles se recuperam. Eles conseguem vidas razoáveis, têm casamentos que são bons, eles criam filhos, eles podem ser homens piedosos, eles podem ter carreiras. Eles se recuperam”.

As técnicas que ela e outros especialistas no campo usam são designadas para ajudar a diminuir o impacto das imagens pornográficas (por exemplo, a técnica de “salto de um segundo” ajuda viciados em recuperação a evitar olhar para imagens pornográficas que eles poderiam por acaso encontrar) e ajudar indivíduos a retreinar a mente para substituir associações feitas com imagens pornográficas com imagens sadias.“Embora as imagens estejam ainda enterradas no cérebro, e possam voltar de forma espontânea”, disse ela, “melhora em termos de eles poderem controlá-la”.“Mas é um processo de dois anos com pessoas motivadas. Podemos fazer isso, mas temos de fazer mais prevenção”, disse Layden.

Ela acrescentou que homens em todos os EUA estão sendo “bombardeados” de pornografia, principalmente o que ela chama de “pornografia do dia a dia” que se encontra nas revistas de lingerie e publicações semelhantes. É um problema contra o qual a sociedade civil tem de adotar ação decisiva, disse ela, pois os médicos estão sobrecarregados.“Não podemos consertar esse problema tirando as pessoas do rio de uma vez e impedindo-as de se afogar. Temos de subir rio acima e verificar quem os está empurrando para dentro do rio”.

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* Estudo afirma que consumidores de pornografia são menos felizes.

domingo, agosto 8th, 2010

O interessante é que este estudo foi feito por um Instituto não religioso.

De fato, a pornografia está destruindo muitos homens e suas familias, sem falar nos jovens.

Para alguns é um vicio que iniciou-se por curiosidade ou de forma ocasional.

É um desafio para nossa evangelização.

***

Fonte: Efe / Uol Ciência e Saúde

As novas tecnologias dispararam a procura por pornografia, sobretudo na internet, segundo um estudo divulgado que adverte para o impacto negativo nas relações, na produtividade e na felicidade entre consumidores desses “produtos”.

Estes são alguns dos custos sociais detectados pelo grupo de pesquisadores multidisciplinar do “The social cost of pornography: A statement of findings and recommendations”, publicado pelo Instituto Witherspoon.

“Desde o começo da era da internet, as pessoas consomem mais pornografia do que nunca e seu conteúdo se tornou cada vez mais gráfico”, afirmou a pesquisadora do centro Hoover Institution, Mary Eberstadt.

“Os que veem pornografia acreditam que sua vida sexual vai ser melhor, mas tem ejaculação precoce, mais disfunções e problemas para se relacionar”, afirma Mary Anne Layden, coautora e diretora do programa de traumas sexuais e psicopatologia da Universidade da Pensilvânia.

Segundo Layden, a exposição em massa a conteúdos pornográficos leva a mudanças de crenças e atitudes sociais; por exemplo, se aumenta a insensibilidade com relação às mulheres e se perde a noção de que estes conteúdos devem ser restringidos para menores.

Vários estudos, como o “Romantic Partners Use of Pornography; Its significance for Women” do médico A.J. Bridges, assinalam que a mulher que sabe que seu marido consome pornografia se sente traída e não confia no parceiro.

Os custos psicológicos a que fazem referência os autores em situações como esta podem desencadear outras consequências no casal, como o divórcio.

Segundo dados da Sociedade Americana de Advogados Matrimoniais, que inclui 1,6 mil profissionais de todo o país, 56% dos 350 casos atendidos em 2003 tinham relação com o interesse obsessivo de um dos parceiros por sites pornográficos.

O consumo contínuo desses produtos frequentemente acaba em alguma patologia, assinalou Layden. Ela lembrou que pela primeira vez o DSM 5, manual utilizado para fazer diagnósticos psiquiátricos, vai incluir como doenças as dependências de sexo e da pornografia.

Para os especialistas, o consumo de pornografia não é visto como um problema grave na sociedade. Por isso, eles reivindicam uma maior atenção sobre o assunto e pedem mais proteção, sobretudo para crianças e adolescentes.

Segundo Layden, “um software para bloquear as páginas com conteúdos pornográficos na internet não é suficiente”, já que as crianças têm a seu alcance outros sites onde podem encontrar o código para desbloquear o filtro.

A pesquisadora exige à indústria do entretenimento que deixe de “fazer dinheiro ferindo crianças”.

“A presença da pornografia na vida de muitos meninos e meninas adolescentes é muito mais significativa do que a maioria dos adultos acha”, apontou. Layden lamenta que a pornografia “deforme o desenvolvimento sexual saudável dos jovens”.

Para Eberstadt, é preciso “mudar o que socialmente não está visto como algo mau” e perceber o tema como algo que afeta a sociedade em seu conjunto. Dessa forma será possível criar um movimento contra a pornografia.

O Witherspoon é um centro de pesquisa independente que promove a aplicação dos princípios fundamentais do Governo republicano e, segundo seu site, trabalha para melhorar os fundamentos morais das sociedades democráticas.

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* “Os pais se comportam cada vez mais como mães”, afirma sacerdote.

domingo, agosto 8th, 2010

Canção Nova

Entrevista com Padre Paulo.

Ao acompanhar muitas famílias no seu ministério sacerdotal, o senhor acredita que a figura paterna esteja mudando em nossa sociedade?

Padre Paulo: Sem dúvida nenhuma, a figura paterna está mudando na nossa sociedade, mas esta mudança não é natural. A mudança da figura do pai faz parte de toda uma engenharia social, ou seja, a ideologia dominante – que é a socialista marxista – pôs na cabeça de muita gente que os males da sociedade atual são causados por uma sociedade patriarcal, portanto, liderada por homens, heterossexuais, brancos e ricos ou seja, o “bicho-papão” da sociedade atual. De acordo com essa concepção o culpado de tudo é o homem branco, rico, heterossexual e eu acrescento mais uma coisa: o homem cristão. Então, se você tem estas cinco qualidades saiba: você é a “peste bubônica”, você é “o culpado de tudo” [para eles]. Esse trabalho de engenharia social tenta estigmatizar os ricos, ou seja, ser rico é vergonhoso. Tenta fazer com que os cristãos sejam tímidos e tenham vergonha de ser cristãos. Eles tentam fazer com que os heterossexuais sejam cada vez mais afeminados, daí o fenômeno dos “metrossexuais”, ou seja, o “cara” tem atração por mulher, mas ele está quase pedindo desculpa por gostar de mulher e cria todo um fenômeno gay ao redor dele. Então, o “cara” gosta de mulher, mas ele tem que ter creminhos, pintar o cabelo, pôr brinquinhos, usar baby-look, calça collant, para parecer gay, no entanto, ele gosta de mulher. E, assim, o pai tem que ser cada vez mais mãe, ou seja, é a decadência da figura paterna, porque o pai é aquela figura que está ligada a uma lei, a um limite, enquanto a mãe é ligada mais à figura acolhedora e misericordiosa. E é exatamente este tempero de limite na dose certa e a misericórdia na dose certa que faz com que a educação da criança seja resolvida e que ela seja no futuro uma pessoa equilibrada.Acontece atualmente que, por causa desta “saraivada” de críticas contra a figura do pai e contra a sociedade patriarcal, os homens estão ficando cada vez mais com vergonha de ser pais. Existe um fenômeno, introjetado no homem de hoje, no qual ele se sente culpado por ser homem, culpado por ser pai; então ele quer ser cada vez mais delicado, cada vez mais feminino, cada vez mais “mãezinha”, e nós vemos o homem com a criancinha no colo parecendo mais uma mãe do que um pai, e daí a criança tem duas “mães”: uma com barba e outra sem barba. Dessa forma, teremos uma criança sem limites e sem lei. O que significa isso? Isso é um pressuposto necessário para a fundação anárquica, que é, no fim das contas, o destino – digamos assim – da sociedade socialista, pois o regime marxista socialista quer implantar uma ditadura do proletariado, ou seja, do povo pobre que deveria fazer a ditadura, mas é evidente que quem a [ditadura] faz é uma classe de intelectuais com a desculpa de que um dia este governo “tirânico” e “opressor” não será mais necessário e, então, reinará a “paz” e a “liberdade”, pois não haverá governo para ninguém.
Nós temos, na sociedade, um grande medo de representar a lei, o juiz se sente culpado por representá-la, o policial se sente culpado por ser policial. Num tiroteio numa favela morrem dois policiais e um bandido, por exemplo, todas as Ongs vão ao enterro do bandido, enquanto os meios de comunicação falam da opressão da polícia militar, que está muito violenta, mas ninguém vai consolar a viúva do soldado, não existem Ongs que mandam flores para o enterro do soldado que morreu. Por quê? Porque nossa sociedade atual recrimina tudo o que representa a lei e a ordem e, dentro da família, a figura do pai representa ordem, representa a lei, representa o limite, então a figura paterna está mudando e está mudando não porque são os novos tempos, não existe espontaneidade nisso. Isso também faz parte da ideologia marxista, pois ninguém mais do que eles fazem reuniões e mais reuniões de uma engenharia social para elaborar como uma sociedade deve ser, então eles são os artífices da nova sociedade. Eles dizem que é a história que está caminhando, que está amadurecendo, mas, na verdade, é a ideologia, é uma cortina de fumaça para esconder “a mão que atirou a pedra”. Os pais estão deixando de ser pais, mas isso é uma obra de engenharia social que começa nas universidades. Os nossos professores são treinados para embutir isso na cabeça de nossas crianças que vão crescendo revoltadas com estas figuras patriarcais e os meninos, cada vez mais tímidos, cada vez mais indecisos e com um nível de testosterona cada vez mais baixo – e isso é constatação de pesquisas (ou seja, está acontecendo alguma coisa na nossa alimentação). E o fato é que estamos numa crise de testosterona e de masculinidade na civilização ocidental.

Padre, quais as consequências desta descaracterização da figura paterna para o desenvolvimento humano e psíquico da criança e do futuro adulto?

Padre Paulo: A consequência nós já estamos vendo aí: insegurança. Porque a figura da mãe está ligada ao passado da criança, a mãe é acolhida, é a raiz de ternura, de amor e de afeto, à qual a criança sempre recorre. Mas a mãe também tem a tendência de segurar a criança em casa, enquanto o pai é a figura desafiadora, é aquela figura que provoca a criança a sair de casa, que a separa da mãe e que a lança  para o mundo. Quando a criança tem uma figura paterna forte ela sente que tem as “costas quentes”, ou seja, ela sente que tem alguém a protegendo e a enviando para o mundo e a faz corajosa e destemida. Mas quando você tem uma figura de pai que quer acolhê-lo como uma mamãe, que não sabe ser lei, não sabe ser provocação, não sabe ser desafio para o futuro, não acontece nada disso. Qual é a pergunta típica do pai para a mãe quando a criança apronta alguma coisa: “O que este menino vai ser quando crescer?” Ou seja, o pai é a preocupação com o futuro da criança. No entanto, a sociedade está preparando jovens que saem de casa cada vez mais tarde. O “cara” já é um adulto de 30 anos e não saiu de casa, já fez 15 vestibulares e trancou todas as matrículas da faculdade. Por quê? Porque ele não sabe o que quer da vida. Tímido, fica o dia inteiro jogando video game porque não tem coragem de enfrentar o mundo que está la fora. E lá fora nós temos uma sociedade cada vez mais violenta e sem lei, sem policiamento, o que contribui mais ainda para que os pais segurem as crianças dentro de casa. No Japão se chegou a um tal ponto que existe a “síndrome do quarto”, na qual milhões de jovens passam o dia inteiro dentro de seus quartos e fazem tudo lá dentro por meio dos serviços da internet. O rapaz vive no quarto e através da internet ele pede uma pizza e tudo o que ele precisa sem pôr o pé fora do quarto.
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* “Quando os meninos se tornam homens e não viris”. A virilidade, o feminismo e a masculinidade.

quinta-feira, agosto 5th, 2010

A abordagem não é religiosa no sentido estreito do termo mas antropológica e sociológica.

Esse dado não prejudica em hipótese nenhuma a reflexão, que tem como pano de fundo a visão católica do homem e o questionamento da influência  nefasta do feminismo no esvaziamento da virilidade masculina ( Não confundir virilidade com machismo que é uma deformação dessa virilidade)

O Assunto é pertinente nestes dias de questionamento por parte de certas ideologias da natureza masculina e feminina e da inaceitável defesa da “ideologia do gênero”e sua pretensão de resposta a atual crise da masculinidade e feminilidade .

Essa ideologia nega as diferenças naturais entre o homem e a mulher que seriam frutos, segundo essa visão redutiva, APENAS da construção das culturas, daí  ser possível “reformatá-las”.

É artigo pra ler devagar e refletir.

***

Por Roger Scruton
Traduzido por Andrea Patrícia

As feministas têm batido na mesma tecla em relação à posição das mulheres nas sociedades modernas. Mas e sobre os homens?

As mudanças radicais nos hábitos sexuais, padrões de trabalho e vida doméstica, viraram sua vida de cabeça para baixo. Os homens agora não encontram as mulheres como “sexo frágil”, mas como concorrentes de igualdade na esfera pública, a esfera onde os homens costumavam comandar. E na esfera privada, onde uma antiga divisão do trabalho dava orientação para aqueles que cruzassem seu limite, não há conhecimento sobre qual estratégia será a mais eficaz.

Gestos viris – abrir uma porta para uma mulher, ajudá-la num automóvel, carregar suas malas – podem desencadear rejeição ultrajante; mostra de riqueza, poder ou influência pode parecer ridícula para uma mulher que tem até mais do que ele; e o desaparecimento da modéstia feminina e da contenção sexual tornou difícil para um homem acreditar, quando uma mulher recua aos seus avanços, que ela faz isso como uma homenagem especial ao seu poder masculino, ao invés de uma transação do dia-a-dia, em que ele, como a última, é dispensável.

A revolução sexual não é a única causa da confusão dos homens. Mudanças sociais, políticas e legais têm diminuído a esfera masculina até o ponto do desaparecimento, redefinindo toda a atividade em que os homens um dia provaram que eram indispensáveis, de modo que agora as mulheres podem fazer o trabalho também, ou pelo menos parecem fazê-lo.

As feministas têm farejado o orgulho masculino onde quer que ele tenha crescido e o arrancado impiedosamente. Sob pressão, a cultura moderna tem diminuído ou rejeitado tais virtudes masculinas como a coragem, tenacidade e bravura militar em favor dos hábitos mais suaves, mais “socialmente inclusivos”.

O advento da fertilização in vitro e a promessa de clonagem criam a impressão de que os homens não são nem mesmo necessários para a reprodução humana, enquanto o crescimento das famílias monoparentais – nas quais a mãe é o único adulto, e o Estado é muitas vezes o único provedor – fez com que a infância órfã de pai se tornasse uma opção cada vez mais comum.

Essas mudanças ameaçam fazer da masculinidade algo desnecessário, e agora muitas crianças já crescem sem reconhecer nenhuma fonte de amor, autoridade ou de orientação além da mãe, cujos homens vêm e vão como trabalhadores sazonais, vagando pelo reino matriarcal, sem perspectiva de uma posição permanente.

A infelicidade dos homens decorre diretamente do colapso de seu antigo papel social como protetores e provedores. Para as feministas, este antigo papel social era uma maneira de confinar as mulheres à família, onde elas não concorreriam pelos benefícios disponíveis lá fora. Sua destruição, elas afirmam, é, portanto, uma libertação não só das mulheres, mas dos homens, também, que agora podem escolher se querem afirmar-se na esfera pública, ou se, pelo contrário, querem ficar em casa com o bebê (que pode muito bem ser bebê de outro alguém). Esta é a idéia central do feminismo, que “os papéis de gênero” não são naturais, mas culturais, e que mudando tais papéis podemos derrubar velhas estruturas de poder e conseguir formas novas e mais criativas de ser.

O ponto de vista feminista é a ortodoxia em toda a academia norte-americana, e ele é a premissa de todo o pensamento jurídico e político entre a elite esquerdista, cujos dissidentes que se opõem colocam em perigo sua reputação ou carreiras. No entanto, uma onda de resistência a ela está ganhando força entre os antropólogos e sociobiólogos.

Típico é Lionel Tiger, que há três décadas inventou o termo “vínculo masculino” para designar algo que todos os homens precisam, e que poucos agora têm. Não foi uma convenção social que ditou o papel tradicional do homem e da mulher, Tiger sugere; em vez disso, os milhões de anos de evolução que formaram a nossa espécie fizeram-nos o que somos. Você pode fazer os homens fingirem ser menos dominantes e menos agressivos, você pode fazer com que eles finjam aceitar um papel submisso na vida doméstica e uma posição de dependência na sociedade. Mas, no fundo, no fluxo da vida instintiva que é a masculinidade em si, eles irão revoltar-se. A infelicidade dos homens, Tiger argumenta, vem deste profundo e inconfessado conflito entre faz-de-conta social e necessidade sexual. E quando a masculinidade finalmente explodir – como inevitavelmente acontecerá – será em formas distorcidas e perigosas, como as gangues de criminosos da cidade moderna ou a misoginia arrogante do malandro urbano.

Tiger vê o sexo como um fenômeno biológico, cuja profunda explicação reside na teoria da seleção sexual. Cada um de nós, ele acredita, age em obediência a uma estratégia integrada em nossos genes, que procuram a sua própria perpetuidade através do nosso comportamento sexual. Os genes de uma mulher, que é vulnerável no trabalho de parto e necessita de apoio durante os anos da educação infantil, chamam um companheiro que irá protegê-la e sua prole. Os genes de um homem exigem uma garantia de que as crianças que provê são suas, senão todo o seu trabalho é (do ponto de vista dos genes) desperdiçado. Assim, a própria natureza, trabalhando através de nossos genes, decreta uma divisão de papéis entre os sexos. Predispõe os homens para lutar por território, para proteger suas mulheres, para afastar rivais, e lutar por status e reconhecimento no mundo público – o mundo onde os homens combatem. Isso predispõe as mulheres a serem fiéis, privadas e dedicadas ao lar. Ambas as disposições envolvem o trabalho em longo prazo de estratégias genéticas – estratégias que não cabe a nós a mudar, já que somos o efeito e não a causa delas.

As feministas, obviamente, não terão nada disso. A Biologia pode certamente atribuir-nos um sexo, na forma deste ou daquele órgão. Mas muito mais importante do nosso sexo, elas dizem, é o nosso “gênero” – e gênero é uma construção cultural, não um fato biológico.

O termo “gênero” vem da gramática, onde é usado para distinguir os substantivos masculinos dos femininos. Ao importá-lo para a discussão do sexo, as feministas indicam que nossos papéis sexuais são fabricados e, portanto, maleáveis como a sintaxe. O gênero inclui os rituais, hábitos e imagens através dos quais nós representamos a nós mesmos aos outros como seres sexuais. Não se trata de sexo, mas da consciência do sexo. Até aqui, dizem as feministas, a “identidade de gênero” das mulheres é algo que os homens impuseram sobre elas. Chegou a hora das mulheres forjarem sua própria identidade de gênero, para refazer a sua sexualidade como uma esfera de liberdade, em vez de uma esfera de escravidão.

Levado ao extremo – e o feminismo leva tudo ao extremo – a teoria reduz o sexo a uma mera aparência, com o gênero como realidade. Se, depois de ter forjado sua verdadeira identidade de gênero, você encontra-se alojado no tipo errado do corpo, então é o corpo que tem de mudar. Se você acredita ser uma mulher, então você é uma mulher, não obstante o fato de você ter o corpo de um homem. Daí que os médicos, em vez de observar as operações de mudança de sexo como uma violação grosseira do corpo e, na verdade uma espécie de agressão, agora as homologa e, na Inglaterra, o Serviço Nacional de Saúde paga por elas. Gênero, na concepção radical que as feministas tem disso, começa a soar como uma perigosa fantasia, um pouco como as teorias de genética de Lysenko, o biólogo preferido de Stalin, que argumentou que características adquiridas poderiam ser herdadas, por isso o homem poderia moldar sua própria natureza, com plasticidade quase infinita. Talvez devamos substituir a velha pergunta que James Thurber colocou diante de nós no início da revolução sexual com um equivalente novo: não “O Sexo é Necessário?”, mas “O Gênero é possível?”

Em certa medida, no entanto, as feministas têm razão em distinguir sexo de gênero e dar a entender que somos livres para rever as nossas imagens do masculino e do feminino. Afinal, o argumento dos sociobiólogos descreve com precisão as semelhanças entre as pessoas e os macacos, mas ignora as diferenças. Animais na selva são escravos de seus genes. Os seres humanos na sociedade não são. Toda a questão da cultura é que ela nos faz algo mais do que criaturas de simples biologia e nos coloca no caminho para a auto-realização. Onde na sociobiologia está o ser, suas escolhas e sua realização? Certamente os sociobiólogos estão errados ao pensar que os nossos genes por si só determinam os papéis sexuais tradicionais.

Mas, assim como certamente as feministas estão erradas ao acreditar que estamos completamente livres da nossa natureza biológica e que os papéis sexuais tradicionais surgiram apenas a partir de uma luta social pelo poder em que os homens saíram vitoriosos e as mulheres foram escravizadas. Os papéis tradicionais existem, a fim de humanizar nossos genes e também para controlá-los. O masculino e o feminino eram ideais, através dos quais o animal foi transfigurado no pessoal. A moralidade sexual foi uma tentativa de transformar uma necessidade genética em uma relação pessoal. Ela já existia justamente para impedir os homens de dispersar suas sementes pela tribo, e para evitar que as mulheres aceitassem a riqueza e o poder, ao invés do amor, como o sinal para a reprodução. Foi a resposta cooperativa a um desejo profundo, tanto do homem quanto da mulher, para a “parceria”, que vai tornar a vida significativa.

Em outras palavras, homens e mulheres não são apenas organismos biológicos. Eles também são seres morais. A Biologia estabelece limites para o nosso comportamento, mas não determina isso. A arena formada por nossos instintos apenas define as possibilidades entre as quais temos de escolher se queremos ganhar o respeito, aceitação e amor um do outro.

Homens e mulheres moldaram-se não apenas com a finalidade de reprodução, mas a fim de trazer dignidade e bondade para as relações entre eles. Com esta finalidade, eles têm criado e recriado o masculino e o feminino, desde que eles perceberam que as relações entre os sexos devem ser concretizadas por meio de negociação e consenso, e não pela força. A diferença entre a moral tradicional e feminismo moderno é que a primeira pretende reforçar e humanizar a diferença entre os sexos, enquanto o segundo quer reduzir ou até mesmo aniquilá-la. Nesse sentido, o feminismo é realmente contra a natureza.

No entanto, ao mesmo tempo, o feminismo parece ser uma resposta inevitável para o colapso da moralidade sexual tradicional. As pessoas aceitam prontamente os papéis tradicionais quando a honra e a decência os sustentam. Mas por que as mulheres devem confiar nos homens, já que os homens são tão rápidos em descartar as suas obrigações? O casamento foi um dia permanente e seguro; ele oferecia a mulher status social e de proteção, muito tempo depois que ela deixasse de ser sexualmente atraente. E forneceu uma esfera na qual ela era dominante. O sacrifício que o casamento permanente exigiu dos homens tornou tolerável para mulheres o monopólio masculino sobre a esfera pública, na qual os homens competiam por dinheiro e recompensas sociais. Os dois sexos respeitavam o território do outro e reconheciam que cada um deve renunciar a algo para benefício mútuo. Agora que os homens, na esteira da revolução sexual se sentem livre para ser polígamo em série, as mulheres não têm mais um território seguro próprio. Elas não têm escolha, portanto, senão captar o que elas podem do território que um dia foi monopolizado pelos homens.

Foi uma das grandes descobertas da civilização a de que os homens não ganham a aceitação das mulheres pela exibição impetuosa de sua masculinidade em gestos agressivos e violentos. Mas eles ganham aceitação sendo cavalheiros. O cavalheiro não era uma pessoa com o gênero feminino e o sexo masculino. Ele era inteiramente um homem. Mas ele também era gentil em todos os sentidos desta palavra brilhante. Ele não era agressivo, mas corajoso, não possessivo, mas protetor, não agressivo com outros homens, mas ousado, calmo, e pronto para concordar com os termos. Ele era animado por um senso de honra, que significava assumir a responsabilidade por suas ações e proteger aqueles que dependiam dele. E o seu atributo mais importante era a lealdade, o que implicava que ele não iria negar as suas obrigações apenas porque ele estava em posição de lucrar com isso. Grande parte da raiva das mulheres com relação aos homens surgiu porque o ideal do cavalheiro está agora tão perto da extinção. O entretenimento popular tem apenas uma imagem da masculinidade para apresentar aos jovens: e é uma imagem de agressividade desenfreada, na qual armas automáticas desempenham um papel importante e em que a gentileza, sob qualquer forma aparece como uma fraqueza e não como uma força. Até que ponto isso é distante daqueles épicos do amor cortês, que colocaram em marcha uma tentativa européia de resgatar a masculinidade da biologia e remodelá-la como uma idéia moral, não precisa de elaboração.

Não foram apenas a classes superiores, que idealizaram a relação entre os sexos ou moralizaram seus papéis sociais. Na comunidade da classe trabalhadora a partir da qual a família de meu pai veio, a velha reciprocidade era parte da rotina da vida doméstica, encapsulada em mostras de reconhecida força masculina e feminina. Um desses era o ritual do envelope de salário da sexta-feira. Meu avô chegava em casa e colocava na mesa da cozinha o envelope fechado contendo o seu salário. Minha avó pegava o envelope e o esvaziava passando o conteúdo para sua carteira, devolvendo para meu avô duas moedas para ele beber. Meu avô, então, ir ao bar e bebia em um estado de auto-afirmação orgulhosa entre seus pares. Se as mulheres chegassem ao bar elas permaneciam na porta, comunicando-se através de um mensageiro com as salas cheias de fumo no interior, mas respeitando o limiar dessa arena masculina, como se fosse guardada por anjos.

O gesto do meu avô, quando ele colocava o envelope com o salário na mesa da cozinha, estava imbuído de uma graça peculiar: era um reconhecimento da importância da minha avó como uma mulher, do seu direito à sua consideração e do seu valor como mãe de suas crianças. Da mesma forma, a sua espera fora do bar até o momento final, quando ele estaria demasiado inconsciente para sofrer esta humilhação, antes de transportá-lo para casa num carrinho de mão, era um gesto repleto de consideração feminina. Era sua maneira de reconhecer a sua soberania inviolável como um assalariado e um homem.

Cortesia, boas maneiras, e fazer a corte eram muitas portas até a corte do amor, onde os seres humanos se moviam como em um desfile. Meus avós foram excluídos pelo seu modo de vida do proletariado de todas as outras formas de cortesia, razão pela qual esta era tão importante. Era a sua abertura para um encantamento que eles não poderiam obter de outra maneira. Meu avô tinha pouco de si para recomendar a minha avó, além de sua força, boa aparência e comportamento viril. Mas ele respeitava a mulher nela e desempenhou o papel de cavalheiro da melhor maneira possível, cada vez que ele a acompanhava para fora de casa. Daí a minha avó, que não gostavam dele intensamente, – pois ele era ignorante, complacente, e bêbado, e manteve-se entre o limiar de sua vida como um obstáculo inamovível para o avanço social – no entanto, o amava apaixonadamente como homem. Este amor não poderia ter durado se não fosse o mistério do gênero. A masculinidade do meu avô o separou de uma esfera de soberania própria, assim como a feminilidade da minha avó a protegia de sua agressividade. Tudo aquilo que eles conheciam como virtude havia sido aplicado a tarefa de permanecer de algum modo misterioso ao outro. E nisso eles foram bem sucedidos, como foram bem sucedidos em algumas coisas mais.

Uma divisão similar de esferas ocorreu em toda a sociedade, e em cada canto do globo. Mas o casamento era a sua instituição central, e o casamento dependia da fidelidade e da contenção sexual. Os casamentos não duraram apenas porque o divórcio era reprovado, mas também porque o casamento era precedido por um longo período de namoro, em que o amor e a confiança criavam raízes antes da experiência sexual. Este período de namoro era também o de exibição, no qual os homens mostravam sua masculinidade e as mulheres sua feminilidade. E é isso que queremos significa, ou deveria significar, a “construção social” do gênero. Por encenação, os dois parceiros preparavam-se para os seus papéis futuros, aprendendo a admirar e valorizar a separação de suas naturezas. O homem cortês deu glamour ao personagem masculino, assim como a mulher cortês deu mistério para o feminino. E algo desse glamour e mistério permaneceu depois, um tênue halo de encantamento que fez com que um encorajasse o outro ao distanciamento que ambos tanto admiravam.

O casamento não se limita a servir as estratégias reprodutivas dos nossos genes, que atendem a necessidade de reprodução da sociedade. Serve também o indivíduo em sua busca de uma vida e satisfação própria. Sua capacidade de ordenar e santificar o amor erótico vai além de qualquer coisa exigida pelos nossos genes. Como a nossa moralidade iluminista corretamente insiste, nós também somos seres livres, cuja experiência é completamente qualificada por nosso senso de valor moral. Nós não respondemos uns aos outros como animais, mas como pessoas, o que significa que, mesmo no desejo sexual, a liberdade de escolha é essencial ao objetivo. O objeto de desejo deve ser tratado, nas famosas palavras de Kant, não apenas como um meio, mas como um fim. Daí o verdadeiro desejo sexual é o desejo por uma pessoa, e não pelo sexo, concebido como um produto generalizado. Nós cercamos o ato sexual com restrições e proibições que não são de maneira alguma ditados pela espécie, precisamente de modo a concentrar os nossos pensamentos e desejos sobre o ser livre, ao invés de concentrar no mecanismo corporal. Nisto somos imensamente superiores aos nossos genes, cuja atitude em relação ao que está acontecendo é, por comparação, mera pornografia.

Mesmo quando a visão sacramental do casamento começou a minguar a humanidade ainda mantinha os sentimentos eróticos aparte, como as coisas demasiado íntimas para discussão pública, que só podem ser maculadas por sua exibição. A castidade, a modéstia, a vergonha e a paixão eram parte de um drama artificial, mas necessário. O erotismo foi idealizado a fim de que o casamento devesse perdurar. E o casamento, entendido como nossos pais e avós entendiam, era uma fonte de realização pessoal e a principal forma pela qual uma geração passou seu capital social e moral para a próxima.

Foi essa visão do casamento como um compromisso para a vida existencial, que estava por trás do processo de “construção de gênero” nos dias em que homens eram domados e as mulheres eram idealizadas. Se o casamento não é mais seguro, porém, as meninas são obrigadas a procurar outro lugar para a sua realização. E outro lugar significa a esfera pública – pois é uma área dominada por estranhos, com regras e procedimentos claros, na qual você pode se defender contra a exploração. A vantagem de habitar este espaço não precisa ser explicada a uma menina cuja mãe abandonada está sofrendo em seu quarto. Nem as suas experiências na escola ou faculdade irão ensiná-la sobre a confiança ou o respeito pelo personagem masculino. Suas aulas de educação sexual a ensinaram que os homens devem ser utilizados e descartados como os preservativos que os embrulham. E a ideologia feminista incentivou-a a pensar que só uma coisa importa – que é descobrir e realizar a sua verdadeira identidade de gênero, deixando de lado a falsa identidade de gênero que a “cultura patriarcal” tem impingido a ela. Assim como os meninos se tornam homens sem tornarem-se viris, as meninas se tornam mulheres sem tornarem-se femininas. A modéstia e castidade são descartadas como politicamente incorretas; e em cada esfera onde elas se deparam com os homens, as mulheres encontram-nos como concorrentes. A voz que acalmou a violência da masculinidade – ou seja, o chamado feminino para proteção – tem sido remetida ao silêncio.

Assim como as virtudes femininas existiam, a fim de tornar o homem gentil, a virilidade existia a fim de quebrar a reserva que fazia com que as mulheres retivessem seus favores até que a segurança estivesse à vista. No mundo do “sexo seguro”, os velhos hábitos parecem tediosos e redundantes. Em conseqüência, surgiu outro fenômeno marcante na América: a litigiosidade das mulheres para com os homens com quem elas dormiram. Parece que o consentimento, oferecido de modo livre e sem levar em conta as preliminares, uma vez assumido como indispensável, não é realmente consentimento e pode ser retirado com efeitos retroativos. As acusações de assédio ou até mesmo de “estupro no encontro” ficam sempre na reserva. O tapa na cara que é utilizado para limitar os avanços importunos é agora oferecido após o evento, e de forma muito mais letal – uma forma que não é mais privada, íntima e remediável, mas pública, regulamentada, e com a objetividade absoluta da lei. Você pode tomar isto como uma mostra de que o “sexo seguro” é realmente o sexo em sua forma mais perigosa. Talvez o casamento seja o único sexo seguro que nós conhecemos.

Quando Stalin impôs as teorias de Lysenko sobre a União Soviética como a base “científica” do seu esforço para remodelar a natureza humana e transformá-la no “Novo Homem Soviético”, a economia humana continuou escondida sob os imperativos loucos do Estado stalinista. E uma economia sexual paralela persiste na América moderna, que nenhum policiamento feminista ainda conseguiu eliminar. Os homens continuam tomando conta das coisas, e as mulheres continuam a postergar para os homens. As meninas ainda querem ser mães e obter um pai para seus filhos, os meninos ainda querem impressionar o sexo oposto com sua valentia e seu poder. As etapas para a consumação da atração podem ser curtas, mas são passos em que os papéis antigos e os antigos desejos pairam no limite das coisas.

Assim, não há nada mais interessante o antropólogo visitante que as palhaçadas dos estudantes universitários americanos: a menina que, no meio de alguma diatribe feminista de baixo calão, de repente, começa a enrubescer; ou o menino que, andando com sua namorada, estende um braço protegê-la. Os sociobiólogos nos dizem que esses gestos são ditados pela espécie. Devemos vê-los, sim, como revelações do senso moral. Eles são o sinal de que há realmente uma diferença entre o masculino e o feminino, para além da diferença entre o macho e a fêmea. Sem o masculino e o feminino, na verdade, o sexo perde seu significado.

E aqui, certamente, reside a nossa esperança para o futuro. Quando as mulheres forjam sua própria “identidade de gênero”, na forma como os feministas recomendam, elas deixam de ser atraentes para os homens – ou são atraentes apenas como objetos sexuais, e não como pessoas individuais. E quando os homens deixam de ser cavalheiros, eles deixam de ser atraentes para as mulheres. O companheirismo sexual então continua pelo mundo. Tudo o que se precisa para salvar os jovens dessa situação é que moralistas antiquados passem despercebidos pelas guardiãs feministas e sussurrem a verdade em ouvidos ansiosos e surpresos  Na minha experiência, os jovens ouvem com suspiros de alívio que a revolução sexual pode ter sido um erro, que as mulheres estão autorizadas a ser modestas, e que os homens podem acertar o alvo ao serem cavalheiros.

E é isso que devemos esperar. Se somos seres livres, então é porque, ao contrário dos nossos genes, podemos ouvir a verdade e decidir o que fazer sobre isso.

___________________________
Notas da tradução:

(1) No original “harped and harpied”, um trocadilho impossível de traduzir. Harped é o mesmo que “bater na mesma tecla” e harpied é uma brincadeira com “ave de rapina”.

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* Doutrina da Igreja sobre o homem, “luz para o mundo moderno”.

quarta-feira, agosto 4th, 2010

Entrevista com o professor de antropologia Juan Luis Lorda

Por Patricia Navas

Mostrar o que realmente é a pessoa humana é “luz para o mundo moderno”, um dos principais desafios da Igreja hoje, o fundamento de seu diálogo como mundo e um aspecto básico da nova evangelização.

É o que explica o professor de antropologia teológica e antropologia cristã na Universidade de Navarra, Juan Luis Lorda, nesta entrevista.

Que é a antropologia teológica e quais são seus grandes temas?

Juan Luis Lorda: A antropologia teológica é o estudo teológico do homem. Quer dizer, o que sabemos do homem partindo da revelação de Deus, tal como o que contemplou a rica tradição de pensamento cristão, que também possui uma enorme experiência humana.

Esses grandes temas são: que o homem é um ser feito para Deus, que está destinado a se identificar com Cristo, que tem uma dignidade particular que é o fundamento da moral, que há uma realidade do pecado na história humana e em cada pessoa, que há uma salvação e renovação em Cristo: isso é a graça.

Que lugar ocupa a antropologia no diálogo da Igreja com a modernidade?

Juan Luis Lorda: A antropologia é a base do diálogo da Igreja com a modernidade. João Paulo II disse, já em seu primeiro discurso ao iniciar seu pontificado, que a apresentação atual do cristianismo tem a ver com a ideia do homem.

A antiga apologética cristã, a defesa, converte-se em uma apresentação do cristianismo, que responde aos desejos mais profundos da pessoa. Deve mostrar que Cristo revela o homem ao homem.

Os cristãos têm uma ideia muito elevada do que é o homem, de sua dignidade, de sua realização, de seu chamado a ser filho de Deus e viver fraternalmente na dignidade do mistério da vida e da família.

Tudo isso é luz no mundo. A modernidade tem uma ideia do homem como indivíduo livre depositário de direitos. Isto é verdade e também uma conquista histórica.

Ao mesmo tempo, se pararmos aí, é pobre. Porque a liberdade tem a ver com a verdade e está destinada à realização do homem. Uma liberdade egoísta como um fim em si mesma é uma espécie de curto-circuito vital.

Além disso, a ênfase moderna nos próprios direitos dá lugar a uma mentalidade egoísta e põe em segundo plano as obrigações e deveres em que a pessoa realiza sua vocação social e, em particular, sua vocação ao amor.

O verdadeiro amor, paradoxalmente, é entrega, doação, uma perda voluntária de liberdade. Mas nele a pessoa a pessoa e tira o melhor de si.

A entrega no matrimônio em família, na amizade sem interesse na vida social, na vida da Igreja são grandes horizontes da realização da pessoa.

Todas estas são grandes contribuições cristãs, luzes para o mundo moderno. E não devemos nos esquecer da doutrina cristã sobre o mal e o pecado.

A modernidade nasceu com uma espécie de otimismo ingênuo: acredita que pode vencer o mal dentro de nós mesmos, e fora só com a razão e a educação. Mas os cristãos sabem que é necessária a graça de Deus e o amor.

O senhor publicou durante o curso o manual Antropologia Teológica, que já esgotou na primeira edição. Por que escreveu este livro?

Juan Luis Lorda: É um manual que forma parte de uma coleção da Faculdade Teológica da Universidade de Navarra. Esta coleção pretende abordar todas as matérias que são estudadas na teologia.

Há 20 anos, ensinei esta matéria na faculdade; por isso me encarregaram. Custou-me muito tempo fazê-lo porque, de certa forma, esta matéria é nova na teologia. Desde meados do século XX se quis reunir o que a teologia diz sobre o homem em uma única matéria.

Já existem alguns anuais de antropologia teológica, mas a maioria ensaística. Levei 13 anos elaborando, durante esse tempo escrevi vários livros preparatórios: uma antropologia bíblica, um ensaio que se chama Para uma ideia cristã do homem e um tratado sobre a Graça.

Qual é a contribuição mais original?

Juan Luis Lorda: Parece-me que é novidade a síntese geral e a ordenação da matéria. O tema central do livro é o mistério pascal, que é a máxima revelação de Deus em Cristo e serve para centrar muito bem todo o discurso cristão sobre a graça.

Temos de levar em conta que, no século XX, houve duas grandes contribuições para a antropologia teológica: a Constituição Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, e o pontificado de João Paulo II, que foi muito fecundo.

João Paulo II aprofundou o fundamento da moral na antropologia; tanto nos aspectos de moral fundamental, como na dignidade do homem e o sentido da vida, como nos de moral sexual e os da moral social.

Além disso, pensava que a ideia cristã sobre o homem era um caminho de evangelização.

O livro possui duas partes: a apresentação da ideia cristã do homem e a transformação em Cristo pela graça.

Ele presta muita atenção à teologia patrística e aos exponentes principais do pensamento cristão antigo, o que é importante para o ecumenismo. Faz um esforço de compreender bem as posições para superar mal-entendidos.

Também inclui aspectos pontuais da doutrina da graça que formam parte da experiência cristã, a sabedoria cristã adquirida por meio da história.

Um dos temas que o manual explora é a dignidade da sexualidade humana. O senhor destaca no livro que “com sua fecundidade, o homem transmite a imagem de Deus” e que “esta é a razão pela qual a sexualidade humana está regida por leis morais tão graves”. Como se pode transmitir esta mensagem na sociedade ocidental atual?

Juan Luis Lorda: É um bonito desafio e um dever. Os cristãos tem uma ideia muito elevada do que é o homem, do que é a vida e, por isso mesmo, da sexualidade, da fecundidade humana, do matrimônio e da família. Também do celibato.

Sabemos que tudo isto responde ao desejo de Deus e isso nos dá muita segurança. A moral sexual cristã se apoia também na própria evidência natural da sexualidade, na realidade do amor conjugal e da família como comunidade natural humana. É o livro da natureza, que Deus também escreveu. É a verdadeira ecologia humana.

Em contrapartida, a revolução sexual que o Ocidente viveu baseia-se em uma grande quimera antiecológica: que o homem pode mudar a si próprio como quiser; e especialmente, a sexualidade.

Não deixa de ser curioso que a cultura ocidental seja tão ecológica e tão naturalista quando se trata da alimentação, e, pelo contrário, quer ensinar as crianças que o sexo é algo que depende totalmente da liberdade pessoal.

Nós sabemos que não é assim: que é uma fundação biológica com uma ordem natural, que tem uma relação profunda com o amor conjugal, que tem a dignidade de transmitir a vida humana, que funda a família.

Por isso, é uma realidade que merece o máximo respeito. Dizia um sensato autor, Sheed, que a vida é sagrada, por isso o matrimônio é sagrado e o exercício da sexualidade humana também tem algo de sagrado.

Em tudo se exerce a dignidade da pessoa. Isso explica a moral sexual cristã que não é repressiva do sexo, mas que, realmente, o considera algo maravilhoso.

Nesse ponto de seu livro, afirma que estamos experimentando um “retrocesso cultural”. Ao que isso se refere?

Juan Luis Lorda: À perda do valor da família nas sociedades ocidentais. É um espaço de suicídio e talvez não seja a primeira vez que é produzido na história.

Na cultura política está se impondo um liberalismo libertário. Inclusive a esquerda acolhe este discurso, depois de que, com a queda dos regimes comunistas, desapareceu a teoria econômica e social socialista.

O liberalismo clássico tinha duas vertentes: um liberalismo econômico, que pretendia eliminar as barreiras e fronteiras com a produção industrial e o comércio; e um liberalismo político, que protege e aumenta as liberdades políticas das pessoas.

A partir de 1968 chegou um novo liberalismo sexual. Esse é o liberalismo libertário. A defesa do sexo usado de qualquer forma. Isso afetou profundamente a família, que é a base da civilização.

Em que medida a antropologia cristã está envolvida atualmente na nossa cultura?

Juan Luis Lorda: O cristianismo forma parte, e muito importante, de nossa cultura. Não gosto quando se fala do atrito entre Igreja e mundo moderno, porque a Igreja ou os cristãos formam parte do mundo moderno.

Não só porque vivemos nele, mas também porque muitas das grandes ideias do mundo moderno estão enraizadas no cristianismo.

O famoso lema da Revolução francesa, “liberdade, igualdade, fraternidade”, expressa ideiais cristãos.

Nós, cristãos, cremos na existência real da liberdade, na qual todos os homens são iguais e em que somos irmãos porque somos filhos de Deus. Mas uma grande parte da cultura moderna atual não acredita nisso. O materialismo científico não acredita, por exemplo, na liberdade. E a biologia não acredita na igualdade ou na fraternidade. A evolução das espécies funciona porque não há igualdade e porque o mais forte se impõe.

Uma grande parte da cultura moderna já não é capaz de sustentar seus fundamentos, porque não acredita neles. Menos ainda acredita no valor ou dignidade da vida humana.

A extensão do aborto é uma prova que se impõe na utilidade sobre o valor: faço o que quero ou o que me convém, acima do que é valioso, do que devo, do que é bom.

No fundo, muitos defendem que o homem, cada homem, é somente um pouco de matéria casualmente organizada. Nós acreditamos que é um grande valor.

Os cristãos são os grandes humanistas da cultura moderna, ainda que não sejamos os únicos, porque muita gente com sentido comum e com sentido da beleza ou da justiça compartilha estas convicções.

Como aborda as questões da bioética como a clonagem ou o transhumanismo na compreensão tradicional do que é o homem?

Juan Luis Lorda: Parece-me que não tratam de entender melhor o homem, mas que querem usá-lo. Não focam no tema da dignidade humana, mas da utilidade. Por isso, não lhes importa gerar milhares de embriões humanos e deixá-los em refrigeradores com alguma finalidade posterior ou até mesmo para testes cosméticos.

É missão de todos, mas especialmente das pessoas mais comprometidas, defender diante disto a dignidade humana. Não é só coisa de cristãos. Como dissemos, compartilhamos estes valores com muitos que acreditam na existência da justiça, beleza, do amor humano e da dignidade humana.

Como a Igreja enfrenta o desafio de manter e aprofundar o conceito de “pessoa humana” no futuro?

Juan Luis Lorda: Pode-se dizer que a Igreja é a grande defensora da dignidade humana. Graças a Deus, compartilhamos esta preocupação com muitos homens de boa vontade.

Nós acreditamos que a dignidade humana se baseia em que o homem é imagem de Deus. Nem todos sabem, mas percebem de alguma forma ao ver as manifestações da bondade humana: inteligência, moral, sentido estético… com isso alcançam compreender algo da dignidade humana.

Diante disso, nós encontramos pessoas que têm uma mentalidade materialista, que acreditam que o homem é uma acumulação de matéria e, portanto, é a mesma coisa destruir um monte de areia ou uma pessoa, praticamente.

Também há pessoas que sacrificam tudo para sua utilidade, a sua conveniência. Isso é a essência da imoralidade. Por isso, não respeitam a dignidade, nem de sua pessoa nem de nada

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* As mulheres e a amizade com homens. Deixando o homem ser homem?

domingo, junho 27th, 2010

Steve Pokorny

As mulheres possuem uma habilidade maior para fazer amizade e para ser amiga. Pode-se dizer, falando melhor, que elas, por natureza, são inclinadas ao cuidar. As mulheres cuidam, especificamente, de pessoas. Elas são capazes, intuitivamente, de entrar na realidade interior dos seres humanos. E isso as torna mais capazes de ser e ter amigos.

Não é surpresa para ninguém que a mulher faz amizade com outras mulheres com muita facilidade. Elas mostram interesse uma nas outras. Elas gostam de trocar informações pessoais. Perseguem com sinceridade o conhecimento da outra pessoa para além da apresentação externa.

Os homens, por outro lado, são primariamente interessados no mundo exterior. Por natureza, os homens focam mais no “que” ao invés do “quem” na vida. É claro, eu não estou dizendo que os homens não possuem habilidade de “cuidar”. Estou apenas ressaltando que as mulheres têm mais facilidade do que os homens na amizade. Os homens se conhecem uns aos outros mais pelas ações do que pela conversa. Eles não se sentam e ficam trocando idéias sobre o que sentem por dentro, ou seus gostos e desgostos. Eles apenas agem, e falam dentro de situações, e o conhecimento sobre o homem se revela durante o processo. É por isso que os homens são muito mais transparentes que as mulheres.

Por que é tão importante considerar isso? Porque em namoros e no casamento pode haver uma preocupação excessiva por parte das mulheres, por elas desejarem que o homem seja o “melhor amigo” em um nível tal que é provavelmente fora da realidade. Sou totalmente a favor da amizade no namoro e no casamento, mas a amizade necessária para o casamento precisa ser definida e compreendida. Não pode ser entendida como se a mulher fosse conseguir uma pessoa com quem pudesse conversar todo tempo que quisesse, e sobre qualquer coisa.

Para conhecer qualquer pessoa de verdade, inevitavelmente terá que haver conversação falada. A razão é que nunca se pode conhecer “realmente” o que uma pessoa está falando ou experimentando no nível pessoal, ou porque fez algo, se a pessoa não falar. As ações podem sim revelar verdades sobre a pessoa, mas as ações sozinha não bastam para trazer todas as informações sobre a pessoa inteira. Então, os homens têm que falar e ser capazes de manter conversas com as mulheres. Ele não pode simplesmente ser muito tímido e não falar nada.

Por definição, uma pessoa é um ser que age. Então, o que uma pessoa faz transmite muito do que ela é. Entretanto, como seres humanos, temos uma natureza humana decaída, que nos inclina ao pecado. E, de fato, pecamos todos os dias. Agora, os nossos atos pecaminosos devem definir quem somos como pessoas? Seria injusto se fosse assim, porque todos têm a liberdade, caso abandone a graça, de ser perdoado e ter uma nova chance. A maneira com que se recupera dessas quedas diz muito mais sobre a pessoa. Obviamente, alguém que continue fazendo as mesmas coisas repetidamente provavelmente não vai parar de fazê-las. Portanto, as ações devem ser julgadas periodicamente, ao invés de apenas em momentos.

Essa é a cortesia que os homens precisam desesperadamente receber das mulheres hoje em dia porque os homens são mais orientados para a ação do que as mulheres. Portanto, os homens estão mais propensos a fazer coisas estúpidas do que as mulheres. Os homens precisam de uma paciência extra das mulheres, se ele for tentar atingir o nível de amizade que as mulheres desejam.

As mulheres têm que entender, entretanto, que os homens, tipicamente, não “precisam” do tipo de amizade profunda que as mulheres desejam. É por isso que é importante para as mulheres ter amigas mulheres próximas. Há necessidades que as mulheres têm, a nível de amizade, que não se pode esperar ser preenchida por um homem. Eu compreendo que há um ideal no casamento moderno que o homem e a mulher sejam algo como “melhores amigos”, mas isso não deve nos distrair dos aspectos práticos da vocação matrimonial aos olhos de Deus. Os dois se tornam uma só carne, mas não uma só pessoa. Sempre haverá dois indivíduos únicos no casamento, o que significa que a pessoalidade de ambos sempre vai estar se desenvolvendo e se formando. A ligação de amizade no matrimônio traz amor, segurança, sacrifício, e interesse no bem do outro. Nessa amizade só se cresce juntos.

Mas é impossível a um homem preencher completamente uma mulher, assim como é impossível a um mulher preencher completamente um homem. Acima de tudo, só Deus pode preencher completamente uma pessoa. Isso é dado. Mas também, as pessoas precisam de outras pessoas para fazê-las sempre continuar sendo pessoas inteiras. Alguns casais têm grandes problemas em lidar com o que o outro faz fora da relação dos dois. Há uma possessividade que faz as pessoas acharem horrível quando o(a) namorado(a) ou cônjuge faz algo sem elas ou não falam para elas tudo que esperam ouvir. Essas pessoas que são assim se sentem traídas, pois acreditam que o verdadeiro amor significa fazer toda e qualquer coisa sempre junto, e só compartilhar as coisas com aquela única pessoa. E não gostam também se uma coisa que falaram entre si é compartilhada com qualquer outra pessoa.

A amizade no casamento não é isso. A amizade não significa possuir cada pequeno pedaço de informação sobre o outro, nem fazer todas as coisas juntos, senão o amor não seria verdadeiro ou real. Há casais que realmente parecem ser assim. Porém, muitos bons casais terminaram seus relacionamentos por não serem assim. E isso é errado. As mulheres vão ter dificuldades em encontrar um homem que deseje contar tudo e queira fazer tudo com ela. Alguns homens podem gostar de ser assim, mas não a maioria. Os homens definitivamente têm que se abrir mais para as mulheres, mas as mulheres definitivamente precisam de uma amiga para ter com quem abrir o coração, e falar sobre tudo. Tipicamente as mulheres encontram isso em uma outra mulher. É por isso que, quando cada cônjuge tem seus amigos (a mulher amigas mulheres; o homem amigos homens) nesse caso há muitos casamentos felizes. Essas amizades fora do casal dão força para a pessoa e os fazem ser melhor cônjuge um para o outro.

As mulheres não deveriam cobrar demais dos homens para serem os amigos que precisam para conversar. Mas os homens precisam, sim falar mais com as mulheres. As mulheres precisam de conversa. Elas precisam saber o que está se passando por dentro. Muitas vezes o homem sequer sabe muito bem o que se passa em seu interior para compartilhar com alguém. As mulheres precisam ter paciência com isso.

Não desista de um homem que define sua pessoa pelas próprias ações. Só porque ele não fala tanto quanto você deseja não quer dizer que ele não vai ser um bom esposo e bom pai. Assegure-se de ter amigos(as) que fazem de você uma pessoa melhor, e então pegue essa melhoria e traga para o namoro ou a amizade conjugal.

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* Triste imagem do que o Homem é capaz de fazer.

domingo, junho 13th, 2010

Prisioneiro da capa de petróleo, este pelicano está para se tornar o novo – e bem triste – símbolo da Louisiania, EUA.

Quase dois meses depois da catástrofe ecológica, os animais vítimas da maré negra, não são mais contabilizados. O pássaro cativo das águas da Grande Ilha tem pouca chance de sobreviver.

Reintroduzido na região em 1968, o pelicano escuro (”Pelecanus occidentalis”) era a esperança da perenidade da espécie. Agora, em menos de dois meses, a catástrofe da plataforma Deepwater Horizon ameaça o seu desaparecimento.

A mancha de petróleo que se espraia no golfo do México apos a explosão do poço offshore explorado pela BP ameaça mais de 600 espécies animais.

Veja!

Folha de S. Paulo

Com novas estimativas apontando que a quantidade de petróleo que continua vazando no golfo do México pode ser duas vezes maior do que o estimado originalmente, o risco a que estão expostos aves, peixes e outros animais da região pode até quadruplicar, dizem cientistas.

O cálculo é de Paul Montagna, biólogo da Universidade A&M no Texas. O efeito do óleo na biodiversidade não é linear, diz ele.

As estimativas anteriores indicavam que 378 milhões de litros já tinham vazado no golfo. Acredita-se agora que esse número seja 150 milhões de litros maior.

Pelos novos dados, divulgados pelo Serviço Geológico dos EUA, órgão vinculado ao governo americano, o acidente do golfo do México cria o equivalente de um desastre como o do Exxon Valdez, de 1989, a cada dez dias, aproximadamente. Esse era, até agora, o pior desastre ambiental da história dos EUA.

Especialmente em risco estão “peixes bicudos” como o marlim, o peixe-vela e o peixe-espada, além do atum. Entra também na lista uma ave, o pelicano-marrom.

O governo americano anunciou já ter gasto US$ 140 milhões para conter o vazamento, ainda que a BP seja “financeiramente responsável por todos os prejuízos causados pelo derramamento”, nas palavras de Thad Allen, da Guarda Costeira.

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* O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso? Responde Psicopatologista.

quinta-feira, março 11th, 2010

Entrevista com Aquilino Polaino-Lorente, professor de Psicopatologia

Por Carmen Elena Villa

Na última sexta-feira terminou, na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, de Roma, o congresso “O celibato sacerdotal: teologia e vida”, organizado pela faculdade de teologia da instituição e patrocinado pela Congregação para o Clero, a propósito do Ano Sacerdotal.

Uma das conferências mais aplaudidas pelos participantes, compostos em sua maioria por diáconos e sacerdotes, foi a denominada “A realização da pessoa no celibato sacerdotal”, do professor espanhol Aquilino Polaino-Lorente.

Polaino é médico pela Universidade de Granada. Posteriormente, estudou Psicologia clínica na Complutense de Madri. É doutor em Medicina pela Universidade de Sevilha. Também se formou em Filosofia na Universidade de Navara. Ampliou seus estudos em diversas instituições de educação superior europeias e americanas. De 1978 a 2004, foi catedrático de Psicopatologia na Universidade Complutense e atualmente é docente da mesma disciplina na Universidade San Pablo, na capital espanhola.

Escreveu numerosos artigos e livros, especialmente sobre os problemas psicológicos infantis e juvenis, assim como familiares. É membro de academias de Medicina de várias cidades espanholas, colaborador de diversos organismos e, pelo seu trabalho e sua bagagem intelectual, já recebeu várias distinções.

O professor Polaino explicou como uma correta visão da sexualidade, na qual devem integrar-se o amor, a abertura à vida e o prazer, pode levar a entender também o sentido do celibato sacerdotal, ao qual são chamadas algumas pessoas para estarem mais disponíveis para o apostolado e para viver o amor universal.

“Deus não pede coisas impossíveis a quem chama para o seu serviço”, disse em sua intervenção, referindo-se ao tema central do congresso.

-O celibato sacerdotal é psicologicamente perigoso?

Aquilino Polaino: Não é nada perigoso, porque talvez entenda muito bem como é a estrutura antropológica realista da condição humana. Tem suas dificuldades, como é lógico, já que a natureza humana está um pouco deteriorada e é preciso integrar todas as dimensões. Eu acho mais perigoso o comportamento sexual aberto, não normativo, no qual vale tudo; acho que isso tem consequências mais desestruturadores da personalidade do que o celibato bem vivido em sua plenitude, sem rupturas ou fragmentações.

-Que meios o sacerdote deve por para ser fiel ao voto do celibato durante todos os dias da sua vida?

Aquilino Polaino: A tradição da Igreja oferece muitíssimos conselhos que podem ser aplicados e que são eficazes: por exemplo, a guarda do coração e da vista. O que os olhos não veem o coração não se sente. Tampouco se trata de andar olhando para o chão, mas é possível ver sem enxergar. Isso garante a limpeza do coração e, além disso, a vivência do primeiro mandamento, que é amar a Deus sobre todas as coisas. Em uma panela de pressão não entram mosquitos. Um coração satisfeito não anda com mesquinhez nem com fragmentações.

-Você acha que a cultura hedonista deste novo século, tão difundida na mídia, influencia no fato de que alguns sacerdotes não sejam fiéis ao voto do celibato?

Aquilino Polaino: É possível, porque a fragilidade da condição humana também é vivida pelos sacerdotes. Penso que é preciso prestar mais atenção ao imenso número de sacerdotes fiéis à sua vocação. A exceção também se dá na vida sacerdotal, mas é exceção. Ainda que no jornalismo seja muito correto focar a exceção, não podemos ser cegos aos muitíssimos sacerdotes que são leais, que vivem sua vocação plenamente, que são felizes e aos quais o mundo deve sua felicidade. Isso é que precisa ser enfatizado.

-Uma reta visão da sexualidade pode proporcionar uma reta visão da vida celibatária?

Aquilino Polaino: Sim. Penso que a sexualidade hoje é uma função muito confusa, é uma faculdade sobre a qual há mais erros que pontos de acordo sobre o que é a natureza humana e talvez seja um programa para ensinar em todas as idades, porque, como é um dos eixos fundamentais da vida humana, se não for bem atendido, se as pessoas não estiverem bem formadas, o que viverão é a confusão reinante. Isso afeta tanto seminaristas como pessoas jovens, noivos. Esta educação hoje é uma educação para a vida. É uma matéria que às vezes se ensina mal, porque são ensinados os erros e isso é confundir ainda mais, ao invés de explicar esta matéria com rigor científico que tenha fundamento na natureza humana.

-O que significa o sacerdote ser chamado a ser pai espiritual?

Aquilino Polaino: Penso que este é um dos temas pouco aprofundados. A paternidade espiritual também deve ser vivida pelos pais biológicos e muitos deles jamais ouviram falar disso. A paternidade espiritual é, de certa forma, viver todas as obras de misericórdia: consolar o triste, redimir o cativo, ser hospitaleiro, afirmar o outro no que vale, evitar-lhe problemas, estimulá-lo e motivá-lo para que cresça pessoalmente, incentivar o aparecimento de valores que ele já tem, porque vieram com sua natureza, mas talvez não tenha sabido encontrá-los nem fazê-los crescer. Penso que este mundo está órfão dessa paternidade e dessa maternidade espiritual; e acho que é uma dimensão que o sacerdote, quase sem perceber o que faz, já vive.

-A vida celibatária pode tornar esta paternidade espiritual mais fecunda?

Aquilino Polaino: Necessariamente sim, porque há mais tempo e disponibilidade. Se o objetivo final é a união com Deus, a paternidade espiritual adquire mais sentido, porque é a melhor imagem da paternidade divina no mundo contemporâneo; portanto, está como mediador e, na medida em que viver a filiação divina, também viverá muito bem a paternidade espiritual.

Zenit

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* Diante da cultura da morte, visão INTEGRAL do ser humano.

quarta-feira, março 3rd, 2010

Entrevista com Laura Tortorella, do instituto “Mulieris Dignitatem”

Por Carmen Elena Villa

Para que o homem e a mulher entendam melhor sua identidade, é necessário que olhem para si mesmos como seres criados à imagem e semelhança de Deus. Que descubram e valorizem seus próprios dons, que são enriquecidos quando se vive a reciprocidade.

As ideologias que recortam esta visão integral e que trazem consequências, como as conferências mundial do Cairo, em 1992, sobre o crescimento da população e a de Pequim, em 1995, sobre a “saúde sexual e reprodutiva”, reduzem de maneira alarmante a dignidade do homem e da mulher e promovem cada vez mais novas manifestações da “cultura da morte”.

Sobre este tema e sobre como assumir a masculinidade e a feminilidade de maneira integral,  Laura Tortorella, do instituto Mulieris Dignitatem para estudos sobre a identidade do homem e da mulher, da Pontifícia Faculdade Teológica São Boaventura – Seraphicum, responde a essa entrevista.

Laura Tortorella é diretora do programa de pós-graduação em “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, que procura oferecer soluções às crises do ser humano nas diferentes etapas da vida.

-A Assembleia do Conselho de Estrasburgo aprovou, no último dia 27 de janeiro, um documento sobre a saúde sexual e reprodutiva. A seu ver, quais serão as consequências da posta em marcha deste documento sobre a mentalidade antivida e sobre o feminismo?

Laura Tortorella: O documento fala de “saúde sexual e reprodutiva” referindo-se à possibilidade dada também aos menores, sem informar os pais, de ter acesso à contracepção, ao aborto gratuito e seguro, à esterilização, à fecundação artificial e à livre “orientação sexual”. As consequências de tal documento serão certamente alarmantes: uma aliança (feministas de outras ideologias, lobby farmacêutico), a favor da “cultura da morte”.

-Passaram-se 15 anos desde a Conferência de Pequim sobre saúde sexual e reprodutiva. Como você acha que mudou a mentalidade no mundo com relação ao aborto como direito e à concepção da mulher?

Laura Tortorella: Os programas de ação da Conferência Mundial do Cairo e depois de Pequim contribuíram para criar um clima de “cultura da morte” e o próprio documento da Assembleia do Conselho da Europa, de Estrasburgo, que mencionamos antes, encontra pontos aí.

Está claro que tais ideologias marcaram e feriram profundamente os direitos da pessoa e o direito à vida. Nestes documentos, onde se fala de “direito à saúde sexual e reprodutiva”, na verdade se solicita não tanto o direito à saúde, e sim o direito ao aborto.

Penso que só se pode usar uma arma para deter esta cultura da morte: a formação, sobretudo das novas gerações, em uma cultura da vida. Todas as nações, especialmente as latino-americanas, que ainda conservam tantos valores, deveriam fazer respeitar o valor que ainda pode servir como gancho para salvar a sociedade inteira: a família. Isso se torna mais urgente que nunca, para defender a primeira célula da sociedade dos ataques que recebe.

É justamente na família que as novas gerações podem aprender a respeitar a vida humana. Pensemos na necessidade de uma nova vida, na demonstração cotidiana do cuidado, da educação, do amor recíproco, do respeito. Pensemos no fato de que, por exemplo, na família se aprende a acolher a morte e a entender seu sentido.

-Como este documento feriu o significado de homem e mulher, e da reciprocidade entre ambos?

Laura Tortorella: Pretendendo libertar a sexualidade de cada preocupação e temor, cancelam-se termos como “maternidade”, “paternidade”, “família”, “casamento”, “responsabilidade” no âmbito da sexualidade. Deixam de ser dons e se convertem em direitos, depois se transformam em necessidades, decisões, exigências dos adultos.

Neste clima, tanto o homem como a mulher veem ofuscada a verdade sobre eles mesmos (igual dignidade e queridos por Deus um para o outro), a ser chamados a restabelecer um humanismo que volte a amar a verdade, a única que fará brotar as verdadeiras perguntas, as que levam à compreensão do sentido e que tornam o homem verdadeiramente livre.

-A partir do programa que você dirige, “Gestão das crises pessoais e interpessoais”, como se pode enfrentar esta crise à luz do Evangelho e de uma ética cristã, sem reduzir o papel do homem ou da mulher?

Laura Tortorella: Muitas são as crises que a pessoa deve enfrentar em diferentes etapas da vida. Para gestioná-las, penso na importância de uma correta antropologia: formar as pessoas sobre alguns temas fundamentais e imprescindíveis para a vida.

Esta formação tem o valor pela vida concreta da pessoa porque não tira o foco da verdade: homem e mulher, criaturas de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Somente colocando a originalidade masculina e feminina ao serviço do homem e promovendo o diálogo frutífero, a pessoa (homem e mulher), assim como a sociedade, conseguirão encontrar as respostas às aplicações práticas completas.

Creio que a mensagem central da Mulieris Dignitatem, a reciprocidade homem-mulher, pode ser a solução para restabelecer um equilíbrio na sociedade, que leve ao reconhecimento de valores comuns de referência para construir juntos a história: “humanidade significa chamado à comunhão interpessoal”. Os tempos parecem maduros e carregados de expectativas sobre um diálogo frutífero entre homem e mulher, baseado na reciprocidade, na mesma dignidade e na comunhão que leva à resolução de problemáticas atuais inseridas em um horizonte de sentido.

-Há alguns fenômenos aceitos socialmente, como o “direito à morte”, a fecundação in vitro, o não reconhecimento da dignidade do embrião. Como estes fenômenos afetam a psicologia da mulher?

Laura Tortorella: Afetam de maneira diferente o homem e a mulher, porque não levam em consideração a proteção da vida humana. Estas são tarefas comuns para o homem e a mulher. As consequências, quando falta um desses elementos, ainda são comuns hoje: o risco de ser vistos como objetos do mundo, que sabem manobrá-lo, mas inevitavelmente permanecem sufocados.

A maternidade, por exemplo, deveria voltar a ser um bem reconhecido. É a mentalidade que deve mudar novamente, voltando a apreciar a vida humana como o primeiro valor de uma sociedade que pretende ser considerada sociedade civil. Uma nova revolução do amor e de acolhimento da vida humana!

Anos de batalha e de reivindicação das feministas e de outras ideologias causaram um colapso da vida nas areias movediças da indiferença. As consequências disso são evidentes: direito à morte, fecundação in vitro, não reconhecimento da dignidade do embrião são somente algumas das problemáticas que surgem de uma mentalidade fechada na luta antivida. Eu me pergunto de que maneira estes fenômenos repercutem na psicologia da mulher, quem, mais de uma vez, em primeira pessoa, pode ser golpeada por tais problemáticas porque é a mulher quem tem a tarefa de aceitar, socorrer, velar pela vida e está claro que, quando esta não ocorre, devido a culpas que não são somente da mulher, é ela quem, em primeiro lugar, paga as consequências de certas decisões, também do ponto de vista psicológico.

Zenit

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* Você é Homem? Leia isso!

quarta-feira, fevereiro 24th, 2010

Você se veste com modéstia?

Vladimir Lachance

Muito se tem discutido sobre a modéstia feminina, frisando, sobretudo, que tipo de traje seria adequado ou não para uma mulher católica. A resposta tem se tornado cada vez mais clara, pois surgem traduções importantes de declarações papais, textos relevantes de grandes santos e teólogos, que vão dando precisão aos argumentos em favor da moralização das vestes femininas.

Vê-se, com grande entusiasmo e esperança cristã, reerguer-se a dignidade da mulher católica. É nesse momento de robustecimento da fé católica, com essa bela reação contra as roupas imorais para as mulheres, que nos aparece nova questão: e para os homens, existe a virtude da modéstia no vestir? E quais seriam as regras a se seguir?

Para responder a estas perguntas é preciso ter claro o fato da diferença psicológica de homens e mulheres, e ter isto em mente significa perceber que existem maneiras específicas de olhar o mundo e o que nele existe que são muito próprias para cada sexo.

Disso decorre que a modéstia deve ser observada por ambos de maneira condizente à sua própria natureza. O homem, assim como a mulher, deve seguir as regras do pudor, da castidade e da higiene, e, além disso, deve ter sempre presente qual é o seu papel e missão na Criação.

O homem é uma das “duas expressões diversas da natureza humana”1; e se existem essas duas expressões, elas não podem ser iguais, pois se fosse assim não seriam duas, portanto devem diferenciar-se em pelo menos alguns aspectos, tendo características inerentes que as tornem únicas, mas ao mesmo tempo complementares – já que formam uma mesma natureza humana.

Para a mulher, podemos, olhando para o exemplo da mulher por excelência, a Virgem Santíssima, recolher traços particulares do seu modo de ser, que seria: humildade, meditação, silêncio, submissão, delicadeza; é, acima de tudo, a força espiritual – como retratou a historiadora Gertud Von Le Fort: a mulher representa a força invisível que move o mundo.

Já para o homem podemos tomar como exemplo o chefe da Sagrada Família, o glorioso São José, que na ladainha composta em sua homenagem é saudado como casto guarda da Virgem, sustentador do Filho de Deus, zeloso defensor de Jesus Cristo, fortíssimo, modelo dos operários, sustentáculo das famílias e protetor da Santa Igreja.

Notem que não se trata de dizer que essas virtudes são somente masculinas ou femininas, pois se poderia objetar que determinadas mulheres se sobressaíram na história exatamente pela firmeza, como foi o caso de Santa Joana D’arc, ou que alguns homens se santificaram exatamente pela submissão e certa docilidade. Quanto a isto não haja dúvida: não se trata de dizer que existem vias exclusivas de santificação para homens e mulheres, mas de fazer nota da existência de atitudes peculiares, enquanto homens e mulheres em geral.

Antes que sejamos capazes de refletir mais sobre as roupas mais adequadas para o homem vestir, temos que definir como se encontra a moda masculina como um todo. Quanto à moda feminina não temos dúvida do seu estado atual, Já para a moda masculina prevalece uma atual presença da cultura relativista na forma como os homens, em geral, se vestem.

Talvez não seja tão claro para um homem ter noção disto – se ele não prestar atenção no que foi sendo incorporado ao seu guarda-roupa: camisetas, regatas (comumente de número abaixo ao que ele deveria estar usando), cores femininas, estampas (anjos, dragões, mulheres, “tribais”, números aleatórios, frases sem sentido…), florais, colares, pulseiras, brincos, cintos estilizados (prateados, rebites, etc.), anéis, calças justas ou de estampas duvidosas, e por aí adiante – se o leitor ainda não se sentir capaz de visualizar o que estou tentando dizer, veja as fotos no fim do artigo e compare como os homossexuais se vestiam décadas atrás e como os homens costumam se vestir hoje. Como chegamos a este ponto?

Dentre os vários pontos relevantes, destacamos:

1 – De acordo com certa ideologia corrente nos nossos dias, “ninguém nasce homem ou mulher”, mas sua identidade é construída na vida em sociedade, e essa identidade seria supostamente arbitrária. Estas pessoas pretendem dizer que não existe diferença ontológica alguma entre homens e mulheres, mas que tudo é construção;

2 – Esta mesma ideologia, por ser desconstrucionista – e por isso mesmo destrutiva de toda ordem natural -, postula que estas mesmas identidades não podem ser classificadas apenas como identidades de mulher ou de homem: há uma multiplicidade de identidades de “gênero” – as quais definem como: gay, lésbica, transexual, travesti, etc.; completam a abominação dizendo que nenhuma destas identidades são fixas, mas que as pessoas transitam, durante a vida, por várias delas;

3 – É este tipo de ideologia que está sendo utilizado para eliminar as diferenças sexuais estabelecidas e queridas por Deus-4; todos os aspectos da psicologia humana e todos os âmbitos da sociedade são atingidos quando este tipo de pensamento se alastra. Quando isto acontece, tudo aquilo que é produzido nesta sociedade está contaminado por tal concepção, de modo que desde a propaganda de eletrodomésticos, passando pela moda, e principalmente pela forma que as pessoas se relacionam entre si, apresentam resultados do esforço ideológico destrutivo.

Todo este pensamento, no entanto, pode ser definido em uma palavra: igualitarismo. Tendência de tudo igualar, de abolir as diferenças – principalmente aquelas queridas por Deus: Quer abolir as diferenças entre os sexos, as idades, as culturas e transformar tudo numa massa uniforme, onde ninguém é mais ou menos que ninguém, todos valem o mesmo.

Na moda masculina, a tendência igualitária procurou o mesmo caminho descrito acima para alcançar o seu fim último, que neste caso vem a ser a abolição da diferença entre os sexos. Desde a sua primeira intervenção na moda, o igualitarismo já tinha em si o poder de confundir os sexos, de destruir toda a indumentária que deixasse marcada a diferença existente entre o homem e a mulher.

Quando a calça é introduzida no guarda-roupa feminino, isto também traz graves conseqüências para os homens, pois uma peça que era claramente masculina se tornou unissex – e esta palavra que também virou moda: a moda unissex; inconcebível há pouco tempo atrás.

Moda unissex não se trata somente de uma mesma peça que pode ser usada por homens e mulheres (uma camiseta branca que você compra e pode presentear tanto a João quanto a Maria), mas o fato de que quase toda espécie de vestimenta hoje é produzida para ambos os sexos. Exemplos: a camisa pólo masculina e feminina, a calça, a jaqueta, o colete, a camisa social, o terno, a bermuda, e por aí vai. E o que diferencia estas peças é algo muito tênue, é certa tendência para cores ou estampas (fato que tende a diminuir a cada ano), é uma mudança mínima no corte.

Se por um lado o fato de que as mulheres incorporaram o uniforme de trabalho (a camisa masculinizada e as calças) no seu guarda-roupa contribuiu para o igualitarismo, o caminho oposto – ou seja, o homem incorporar indumentárias femininas -, estava facilmente definido e fadado a acontecer. Este caminho se encontrava na maneira como os homossexuais se vestiam, pois eles já usavam roupas e acessórios afeminados. O caminho mais fácil não era ligar este homem à moda de sua esposa, mas estender a cultura relativista para todos os homens. E esta cultura, de fato, fez duras investidas contra as vestes masculinas

Este igualitarismo (5) é o primeiro mal do qual o homem católico deve fugir ao escolher que roupa irá usar. E para isso, é necessário que ele reconheça sua dignidade como filho de Deus, cuja missão é, antes que qualquer outra, refletir a paternidade divina.

Numa época cuja nobreza da vocação paterna e materna é colocada permanentemente em dúvida e ridicularizada(6), sendo utilizado para isto também a moda, significa que passou da hora de uma reforma moral. Esta reforma começa com o nosso “fiat” a Deus e tem uma repercussão direta no momento em que formos à nossa próxima compra de roupa.


1-Dietrich Von Hildebrand. O Amor Entre o Homem e a Mulher.

2 Cf. CIC 369-371

3- Cf. Carta aos bispos sobre a moda imodesta (1954) e discurso de Pio XII, às garotas da Ação Católica, 22 maio 1941: “Enquanto certos modos provocantes de vestir permanecem como triste privilégio de mulheres de reputação duvidosa e são quase um sinal que as faz reconhecer, não se ousará, pois, usá-los para si; mas no dia em que aparecerem como ornamentos de pessoas acima de quaisquer suspeita, não se duvidará mais de seguir tal corrente, corrente que arrastará talvez para dolorosas quedas”.

4-Tal como a autora feminista Shulamith Firestone escreveu na “Diáletica do Sexo” (The Dialectic of Sex): “Assim como a meta da revolução socialista era… a eliminação da… distinção da classe econômica como tal, assim a meta da revolução feminista deve ser a eliminação da… distinção do sexo como tal [de forma que] a diferença genital entre seres humanos não teriam mais nenhuma importância culturalmente. Citado em: http://christopherwest.com/page.asp?ContentID=120

5- “Devemos acentuar a diferença, ao menos como tática de argumentação, porque um dos vícios de nosso tempo consiste precisamente em procurar a simplificação da uniformidade. A desordem de nosso tempo consiste em tender para o amálgama, para o informe, para a massa, para a sociedade sem classe, para um mundo sem limites, para uma vida sem regras, para uma humanidade sem discriminações. Ao contrário disto, a sociedade que desejamos construir é uma sociedade ricamente diferenciada, e nitidamente hierarquizada.(…) E, quanto mais infantil for a criança, e quanto mais mulheril a mulher, e quanto mais varonil o homem, tanto melhor realizaremos em cada situação concreta a ordem, cambiante mas verdadeira, que é o fundamento da felicidade dos povos. O bem, a perfeição da sociedade, está na infantilidade da infância, na feminilidade da mulher, na masculinidade do homem”. (Gustavo Corção, Vocação da Mulher)

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* O uso da maconha e sua repercussão na fertilidade masculina.

segunda-feira, fevereiro 15th, 2010

Foto: Shutterstock

Estudo sugere que tanto a droga quanto uma substância produzida por nosso corpo podem atuar na diminuição temporária da fertilidade do homem

Revista  Galileu
Estudo afirma que espermatozóides “perdem a força” quando são ativados precocemente.

Um estudo da Universidade da Califórnia acaba de mostrar os efeitos de um anticoncepcional inusitado: a maconha. Com um olhar mais a fundo sobre o funcionamento dos espermatozóides, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a droga contêm um princípio ativo capaz de “gastar a bateria” dos espermatozóides antes da hora.

Os espermatozóides permanecem imóveis na maior parte do tempo em que estão no corpo dos homens. O movimento só começa quando ele está a caminho do corpo da mulher e sua “bateria” dura apenas o tempo suficiente para atingir o óvulo feminino.

Se os espermatozóides forem ativados em algum momento antes do necessário, eles não têm energia suficiente para chegar ao óvulo e perdem a chance de fecundação. E a maconha, assim como uma substância do canal reprodutor masculino e feminino, o encocabinóide, tem o poder de fazer essa ativação, de acordo com a pesquisa.

Um dos responsáveis pelo estudo, Yuriy Kirichok, compara os espermatozóides a balões cheios de ar. Assim como bexigas, os espermatozóides estão “inflados”, com partículas com carga positiva – os prótons – em vez de ar. Quando liberamos todos estes prótons de uma vez, o espermatozóide se move. É como se estivéssemos abrindo um canal para que o ar escapasse do balão. Isso acontece porque, a carga do lado de fora de onde está o esperma é negativa e atraí os prótons que estão dentro dos espermatozóides, de carga positiva. “Nós identificamos a molécula que permite que isso aconteça”, diz o pesquisador.

A maconha e os endocanabinóides, dizem os pesquisadores, abrem o caminho para essa reação ocorrer, e o ”ar” sair do esperma. Com a ativação antes do tempo, quando chega a hora de correr para o corpo da mulher, já não há potência para alcançar o óvulo.

O estudo, por enquanto, trabalha em cima de hipóteses. Nenhum teste prático com consumidores de maconha foi feito para comprovar se o efeito, de fato, é significativo.

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* “Se Deus não existe, tudo é Permitido?”

quinta-feira, fevereiro 11th, 2010

Daniel Martins

Mais lenha acaba de ser adicionada à fogueira acesa por Dostoievski: seria verdade que, se Deus não existe, tudo é permitido?

Essa semana uma cientista finlandesa e um americano publicaram um artigo comentando diversos estudos sobre psicologia moral e religião, argumentando que é que a moralidade é independente (e anterior) à religiosidade

(Pyysiäinen, I., & Hauser, M. (2010). The origins of religion:evolved adaptation or by-product? Trends in Cognitive Sciences).

Até os ratos sabem o que é certo – existe um senso de cooperação, que é um dos componentes da ética, em animais muitíssimo anteriores na escala evolutiva, que não têm qualquer esboço de religiosidade (a não ser que O guia do mochileiro das galáxias seja não-ficção). Logo, me parece evidente que elementos cognitivos nos trazem um senso de certo e errado muito antes de haver crenças religiosas.

No entanto, não é possível a um observador (tentanto ser) neutro negar outro fato:  desde a Grécia antiga já vigia como parâmetro ético a Regra de ouro, ”não faça para os outros o que não gostaria que fizessem para você”, regra presente com diferentes formulações nas mais diversas culturas.

O advento do cristianismo, contudo, elevou o patamar moral ao transformar o princípio que era passivo – não fazer algo – em ativo: faça para os outros o bem, independente de seus méritos (“ama o teu inimigo”).

Muitos não entendem que “amar” não significa gostar ou ter apreço (o que tornaria essa máxima puro non sense)  mas quer dizer trabalhar ativamente para o bem de todos, independente dos seus méritos. Tal princípio foi de tal forma enraizado na cultura ocidental que mesmo os que buscam uma ética ateia não podem prescindir deste aspecto pró-ativo da moral.

Ou seja, a mim me parece claro que moralidade, lato sensu, é anterior à religião, fincada evolutivamente em nosso cérebro dadas as vantagens de sobrevivência grupal que nos trouxe. A nossa moral coletiva, no entanto,  nosso senso ético,  já não é separável da influência religiosa, sejamos crentes ou não.

***

Talvez sem saber, a pesquisa citada confirma aquilo que sempre soubemos.

O Homem é constitucionalmente aberto à transcedência e aos valores éticos, à moral, mesmo que nem sempre esse homem histórico se identificasse com os valores da fé cristã, surgidos a pouco mais de 2 mil anos.

Essa  suposta descoberta em nada, se for verdade, muda nossas certezas de que o chamado do Homem para Deus e para a verdade é intrínseco a ele e de que seu senso natural religioso e ético confirma essa vocação para algo além dele mesmo.

Mesmo ferido pelo pecado o homem intui que a vida é muito mais do que aquilo que os olhos veem e que a moralidade, mesmo a pagã, possui sementes do verbo e indica o caminho da redenção definitiva operada por Jesus!”

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* Papa indica o que deve estar à frente das decisões políticas.

sexta-feira, janeiro 22nd, 2010

O Papa Bento XVI falou nesta quinta-feira, sobre a necessidade da pessoa humana estar no centro das decisões políticas. O pensamento, já expresso na sua Encíclica social “Caritas in veritate”, esteve no centro do discurso do pontífice ao receber o prefeito de Roma, o vice-presidente da região de Lazio, e o presidente da provincia de Roma, para a tradicional felicitação de ano novo.

Bento XVI começou sua reflexão recordando as consequências negativas da crise da economia mundial sobre os habitantes e as empresas locais, observando que esta crise oferece ao mesmo tempo a possibilidade de repensar o modelo de crescimento, como escreve na sua Encíclica “Caritas in veritate”:
“O desenvolvimento humano, para ser autêntico, deve encarar o homem na sua totalidade e deve realizar-se na caridade e na verdade. A pessoa humana está, de fato, no centro da ação política e o seu crescimento moral e espiritual deve ser a primeira preocupação para aqueles que foram chamados a administrar a comunidade civil”.

Bento XVI insistiu na exigência prioritária, para os administradores locais, de sempre e em tudo procurarem o bem comum. “Desejo exprimir apreço pelos esforços realizados por estas Administrações (locais, de Roma e do Lácio) para corresponder às faixas mais débeis e marginais da sociedade, em vista da promoção de uma convivência mais justa e solidária. A este propósito, quereria convidar-vos a tudo fazer para que a centralidade da pessoa humana e da família constituam o princípio inspirador de cada uma das vossas opções”.

Neste contexto, o Papa referiu-se expressamente ao modo como se tenta resolver o problema da habitação, fazendo votos de que os novos centros habitacionais não se tornem meros bairros dormitório. “É oportuno que se prevejam aquelas estruturas que favoreçam os processos de socialização, evitando assim que surja e se incremente que as pessoas se fechem no individualismo, dando exclusivamente atenção aos seus interesses pessoais, atitudes prejudiciais para toda a convivência humana. Respeitando as competências das autoridades civis, a Igreja congratula-se em oferecer o seu contributo para que nestes bairros exista uma vida social digna do homem”.

Especial atenção reservou Bento XVI aos problemas da família e dos respectivos filhos, recordando a propósito a ação que a Igreja desenvolve, nomeadamente nos bairros periféricos, detendo-se depois no que diz respeito à educação das novas gerações. “É bem patente a necessidade e urgência de ajudar os jovens a projetarem a vida nos valores autênticos, que têm como ponto de referência uma visão ‘elevada’ do homem e encontram no património religioso e cultural cristão uma das suas mais sublimes expressões”.

“Nas propostas formativas sobre os grandes temas da afetividade e da sexualidade, tão importantes para a vida, há que evitar que se prospectem aos adolescentes e aos jovens vias que favoreçam a banalização destas dimensões fundamentais da existência humana. Nesse sentido, a Igreja pede a colaboração de todos, em particular dos que atuam na escola, para educar a uma visão elevada do amor e da sexualidade humana”.

Finalmente, uma referência ao mundo da doença e do sofrimento, para o qual o Papa solicitou uma “atenção constante e coerente”, referindo a propósito a presença da Igreja, também neste campo, com a suas estruturas: “Inspirando-se no Evangelho, (as estruturas sanitárias da Igreja) esforçam-se por abordar com amor e esperança as pessoas que sofrem, apoiando também a busca de sentido e procurando fornecer resposta às interrogações que inevitavelmente surgem no coração dos que vivem a difícil dimensão da doença e da dor. De fato, o homem tem necessidade de ser tratado na sua unidade de ser espiritual e corporal”.

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