Posts Tagged ‘homossexualidade’

* CNBB divulga nota sobre “uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo”.

quinta-feira, maio 16th, 2013

Na quinta-feira, 16 de maio, na coletiva de imprensa que apresentou o balanço da reunião do Conselho Episcopal Pastoral (CONESP), foi divulgado uma nota sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo, diante da Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a “habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo”. De acordo com a entidade, “o matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural”.

Nota sobre uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo

Nós, bispos do Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 14, 15 e 16 de maio de 2013, dirigimo-nos a todos os fiéis e pessoas de boa vontade para reafirmar o princípio da instituição familiar. Desejamos também recordar nossa rejeição à grave discriminação contra pessoas devido à sua orientação sexual, manifestando-lhes nosso profundo respeito.

Diante da Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a “habilitação, celebração de casamento civil, ou de conversão de união estável em casamento, entre pessoas de mesmo sexo” (n. 175/2013), recordamos que “a diferença sexual é originária e não mero produto de uma opção cultural. O matrimônio natural entre o homem e a mulher bem como a família monogâmica constituem um princípio fundamental do Direito Natural” (Nota da CNBB, 11 de maio de 2011). A família, assim constituída, é o âmbito adequado para a plena realização humana e o desenvolvimento das diversas gerações, constituindo-se o maior bem das pessoas.

Ao dar reconhecimento legal às uniões estáveis como casamento civil entre pessoas do mesmo sexo em nosso país, a Resolução interpreta a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011 (cf. ADI 4277; ADPF 132). Certos direitos são garantidos às pessoas comprometidas por tais uniões, como já é previsto no caso da união civil. As uniões de pessoas do mesmo sexo, no entanto, não podem ser simplesmente equiparadas ao casamento ou à família, que se fundamentam no consentimento matrimonial, na complementaridade e na reciprocidade entre um homem e uma mulher, abertos à procriação e à educação dos filhos.

Com essa Resolução, o exercício de controle administrativo do CNJ sobre o Poder Judiciário gera uma confusão de competências, pois orienta a alteração do ordenamento jurídico, o que não diz respeito ao Poder Judiciário, mas sim ao conjunto da sociedade brasileira, representada democraticamente pelo Congresso Nacional, a quem compete propor e votar leis.

Unimo-nos a todos que legítima e democraticamente se manifestam contrários a tal Resolução. Encorajamos os fiéis e todas as pessoas de boa vontade, no respeito às diferenças, a aprofundar e transmitir, no seio da família e na escola, os valores perenes vinculados à instituição familiar, para o bem de toda a sociedade.

Que Deus ilumine e oriente a todos em sua vocação humana e cristã!

Brasília-DF, 16 de maio de 2013


Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Presidente da CNBB em exercício

Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB em exercício

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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* Mais uma tentativa de impor o “casamento” homoafetivo por meios antidemocráticos, denuncia procurador da república.

quarta-feira, maio 15th, 2013
Não existe nenhuma determinação judicial de efeitos abstratos no sentido de impor ao país o “casamento homoafetivo”, apesar das notícias jornalísticas a respeito

Por Paulo Vasconcelos Jacobina

Na sessão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) do dia  14 de maio de 2013, em Brasília, foi aprovada proposta, do respectivo Presidente, de resolução determinando aos órgãos do Poder Judiciário que, em face do julgamento pelo STF da ADPF 132/RJ e da ADI 4.277/DF, se abstenham de recusar a habilitação, a celebração de casamento civil e a conversão de união estável em casamento baseada no fato de os interessados serem pessoas do mesmo sexo. Para dar eficácia à decisão, o membro do Ministério Público Federal lotado no CNJ sugeriu que a recusa de registro de casamento civil baseada na homossexualidade dos proponentes seja comunicada à respectiva corregedoria, para as finalidades que couberem, contra os juízes e oficiais de registro que não quiserem registrar este tipo de “casamento”.

Algumas ponderações sobre o assunto são necessárias.

As decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) na ADPF 132/RJ e ADI 4277/DF vão no sentido de considerar como “família” a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Em nenhum momento o STF determinou que elas têm direito a impor a agente estatal qualquer pretensão de casamento civil; o pedido da PGR na ADPF 132 é expressamente o de reconhecer a união estável de pessoas do mesmo sexo como família.

Na ADI 132, a ementa chega a proclamar a ” Imperiosidade da interpretação não-reducionista do conceito de família como instituição que também se forma por vias distintas do casamento civil.” Ou seja, o reconhecimento da união estável de pessoas do mesmo sexo como “família” passou longe da declaração de uma “impositividade de registrar casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo, sob pena de punição correicional”. Não foi isso que o STF decidiu, apesar das distorções feitas pela imprensa que noticiou o assunto à época.

O que foi pedido pela PGR na ADI 4277 foi o seguinte:

“a) Declarar a obrigatoriedade do reconhecimento como entidade familiar, da união entre pessoas do mesmo sexo, desde que atendidos os mesmos requisitos exigidos para a constituição de união estável entre homem e mulher, e

b) Declarar que os mesmos direitos e deveres dos companheiros nas uniões estáveis estendem-se aos companheiros nas uniões entre pessoas do mesmo sexo”.

A decisão do STF conclui dizendo que “Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.”

Foi este pedido que foi procedente, nenhum outro e nada mais. Não existe nenhuma determinação judicial de efeitos abstratos no sentido de impor ao país o “casamento homoafetivo”, apesar das notícias jornalísticas a respeito.

Quanto à ADPF 132, o seu pedido é, expressamente, o de que o STF “declare que o regime jurídico da união estável deve se aplicar, também, às relações homoafetivas”, e foi este pedido que foi julgado integralmente procedente e nenhum outro.

A Constituição Federal de fato é ampla na conceituação de “família”, e foi nessa amplitude que o STF trabalhou. Mas o art. 226, § 3º, da Constituição, quando trata da “conversão da união estável em casamento”, expressamente determina que somente a união estável entre homem e mulher são assim conversíveis: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.” Ou seja, é bastante razoável admitir que a união estável de pessoas de mesmo sexo seja, segundo o STF, considerada como entidade familiar; mas também é bastante razoável admitir que o STF não determinou que tais uniões fossem conversíveis em casamento, porque há disposição constitucional expressa em sentido contrário e não há dispositivo em decisão vinculativa do STF que determine o contrário.

Além disso, o Código Civil expressamente prevê que “O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados.” art. 1514. Este artigo não foi julgado inconstitucional pelo STF em momento nenhum, e não há nenhum artigo de lei que determine qualquer rito matrimonial civil de outra forma. Está em vigor apenas e tão-somente com esta redação. Não se pode ser um legalista estrito, é claro… Mas em direito administrativo cabe ao agente público fazer o que a lei determina; não pode ser punido por não fazer o que a lei, segundo o pensamento de alguns, deveria determinar.

Cabe ao CNJ cumprir a lei e a Constituição, e garantir o cumprimento deles pelo Judiciário. Não reinterpretá-los contra seu texto expresso, e de modo absolutamente ideológico ler numa decisão do STF aquilo que o STF não decidiu, para impor conduta preterlegal a agentes públicos sob pena de punição administrativa.

Por outro lado, a escusa de consciência, quer dizer, o direito de recusar-se a fazer aquilo que viola seus próprios valores religiosos ou morais, está prevista na Constituição, art. 5º, VII, e a ameaça de “responsabilização correicional” punitiva à resistência a ordem manifestamente ilegal do CNJ parece, neste contexto, violar direitos constitucionais fundamentais dos magistrados e cartorários que quiserem resistir à decisão do CNJ.

Os poderes de controle administrativo que o CNJ tem sobre o Poder Judiciário não podem ser amplificados a ponto de transformar-se em meio de alteração do próprio ordenamento jurídico em favor do pensamento “vanguardista” dos componentes momentâneos do CNJ, em tema que não diz respeito a controle do Judiciário, mas a opções do conjunto da sociedade brasileira manifestada em textos legais absolutamente vigentes.

A decisão do CNJ parece, portanto, absurda, diante deste quadro acima; a determinação de levar à corregedoria quem resistir a ela parece bem violenta, e com todo respeito ao Conselho, inconstitucional e ilegal. Uma tentativa antidemocrática de impor uma agenda ideológica à sociedade por meios indiretos. É preciso que estejamos bem atentos.

Paulo Vasconcelos Jacobina é Procurador Regional da República e Mestre em Direito Econômico

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* EUA: Caso do jogador de basquete da NBA homossexual rompe o mito do suposto “gene gay”.

sexta-feira, maio 10th, 2013

Jason Collins na capa da Sports Illustrated


O caso do Jason Collins, jogador famoso do time de basquete americano Boston Celtics, quem admitiu sua homossexualidade na edição da revista Sports Illustrated que sairá à venda em 6 de maio, confirma que não existe o “gene gay”, pois tem um irmão gêmeo que não é homossexual, indicou a psiquiatra peruana Maíta García Trovato.

Depois da revelação, publicada em 29 de abril no site da revista, Collins recebeu a felicitação de diversas personalidades, entre eles o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o ex-presidente Bill Clinton, entre outros.

Para a Dra. García Trovato, em um comentário publicado no seu perfil da rede social Facebook, a notícia da homossexualidade do esportista não teria maior importância “salvo por um detalhe que passou despercebido”, embora seja importante: Jason Collins “tem um irmão gêmeo que não é gay”, fazendo referência ao também jogador de basquete Jarron Collins.

“O assunto dos gêmeos univitelinos sempre foi uma problema para o lobby homossexual ansioso por encontrar o ‘gene gay’ que normalize a homossexualidade, pois esta seria assim inata”, assinalou a médico psiquiatra.

Porém, “os gêmeos idênticos invariavelmente defraudaram o ‘gene gay’”.

A doutora assinalou que “por compartilhar sua dotação genética, caso um fosse homossexual, ambos deveriam”, mas evidentemente “não é assim”, tal como evidência o caso do Jason Collins.

García Trovato indicou também que “estudos realizados há muito tempo sobre esse tipo de gêmeos evidenciam que ocorrem casos de homossexualidade em ambos somente quando viveram juntos durante toda sua vida em um mesmo ambiente”.

“Quando por circunstâncias excepcionais os gêmeos monozigóticos foram criados separados, nunca ocorreu a homossexualidade simultânea em ambos”, indicou.

A conclusão a esta evidência, assinalou a psiquiatra, é que ” a pessoa adquire e também pode sair”

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* França e Nova Zelândia aprovam o “matrimônio” gay.

quinta-feira, abril 25th, 2013

A Assembleia Nacional da França aprovou pela segunda vez e de maneira definitiva o mal chamado “matrimônio” gay e a adoção de menores, uma das promessas do presidente François Hollande e que abriu uma brecha profunda na sociedade francesa; do mesmo modo, os defensores da família já anunciaram que recorrerão ao Conselho Constitucional e que convocarão novas marchas para os dias 5 e 26 de maio em Paris.

Como se recorda, o texto original foi ligeiramente modificado e aprovado previamente pelo Senado, o qual o devolveu à Câmara Baixa para um novo debate e ratificação, que aconteceu nesta terça-feira por 331 votos a favor, 225 contra e dez abstenções.

Agora os defensores da família e do verdadeiro matrimônio entre um homem e uma mulher anunciaram que recorrerão o texto ante o Conselho Constitucional, que deverá pronunciar-se no prazo de um mês.

A aprovação do “matrimônio” gay aconteceu apesar das marchas multitudinárias que nos últimos meses percorreram as ruas de Paris. Uma destas se realizou em 13 de janeiro e congregou mais de um milhão de pessoas e um total de 34 instituições, entre associações de família, católicas, protestantes, muçulmanas, jurídicas, infantis, e inclusive algumas organizações de homossexuais estiveram presentes.

Posteriormente, em 24 de março se realizou La Manif pour Tous (A Marcha para Todos), que com um milhão e meio de pessoas percorreu Paris a favor da verdadeira família. Esse dia, líderes pró-família advertiram que o projeto do governo socialista atenta contra a realidade histórica da humanidade e nega o fundamento antropológico das relações humanas.

Do mesmo modo, diversos líderes homossexuais se pronunciaram contra esta lei. O jovem líder homossexual de 21 anos e estudante de direito, Xavier Bongibault, exortou defender o autêntico matrimônio e assinalou que “as crianças devem ser criadas por um pai e uma mãe. Os estudos demonstram que os que são educados por pais do mesmo sexo acabam tendo problemas psicológicos”.

Por sua parte, a líder lésbica e uma das fundadoras de uma das maiores associação de gays da França, Homovox, Nathalie de Williencourt, afirmou que a maioria de homossexuais, incluindo ela mesma, não querem nem o matrimônio nem a adoção de crianças.

***

O parlamento da Nova Zelândia legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo. É o primeiro país da região da Ásia-Pacífico a aprovar uma lei neste sentido. Os parlamentares aprovaram a lei, uma emenda ao ato conjugal de 1955, apesar da forte oposição de grupos cristãos.

A lei, aprovada por 77 votos contra 44, foi celebrada por centenas de advogados dos direitos dos homossexuais do lado de fora do Parlamento. O público que assistia à sessão e alguns parlamentares imediatamente começaram a cantar uma tradicional música neozelandesa “Pokarekare Ana”.

Algumas pesquisas de opinião sugeriram que cerca de dois terços do país apoiavam a reforma, embora outros levantamentos afirmavam que a população estava dividida. A reforma tinha o apoio do primeiro-ministro John Key e do líder da oposição David Shearer.

Em Wellington, capital do país, festas e celebrações foram realizadas em pubs e discotecas. A união civil de casais homossexuais é legal na Nova Zelândia desde 2005.

A Nova Zelândia se tornou o 13º  ( A França o 14) país a legalizar o casamento entre casais homossexuais. Outros países incluem a Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Argentina e Uruguai .

Nenhum outro país na região da Ásia-Pacífico permite o casamento gay. Membros do Parlamento da Austrália votaram esmagadoramente contra a lei que legalizaria o casamento homossexual em setembro. Entretanto, alguns Estados permitem uniões civis entre casais do mesmo sexo.

A China não permite o casamento gay, porém, transexuais que tenham se submetido a cirurgia, podem se casar com alguém do sexo oposto, contanto que seu novo gênero seja verificado por autoridades de segurança pública locais.

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* O Catolicismo e o judaísmo diante do conformismo social da “questão gay”

quinta-feira, abril 4th, 2013


Ernesto Galli Della Loggia, professor do Instituto Italiano de Ciências Humanas de Florença (SUM), em artigo publicado no jornal Corriere della Sera

***

No século XVIII, na sua batalha contra as religiões oficiais, equiparadas sem tanta cerimônia a muitas outras superstições, o Iluminismo francês, destinado a fazer escola em toda a Europa continental, certamente não teve que lidar somente com o catolicismo. Ao invés. O judaísmo, por exemplo, foi um alvo seu, talvez ainda mais usual: basta pensar nas tantas páginas de Voltaire repletas de insultos contra a religião mosaica.

Depois, entre os anos 1700 e 1800, as coisas mudaram rapidamente. Sobretudo porque o judaísmo mudou. De fato, aconteceu que, na Europa (principalmente ocidental), um grande número de judeus começou a avançar em um percurso de radical emancipação-secularização que os levou a se integrar plenamente com as elites secular-liberais no caminho de tomar o poder em toda a parte: da religião dos pais, conservando ao máximo qualquer vestígio ritual. 

Desde então, a crítica antirreligiosa de ascendência iluminística começou a pôr na mira, no âmbito ocidental, quase que exclusivamente o catolicismo
, quase como se ele fosse a única religião que restou na face da terra. Uma tendência que foi se afirmando cada vez mais, especialmente na Itália, e muitas vezes – é preciso dizer – com o consenso tácito de grande parte da intelligentzia de origem judaica, mais ou menos favorável a valorizar implicitamente a ideia – bizarríssima, mas muito “politicamente correta” – de que, no fim das contas, o judaísmo não é nem uma religião. Ou é, mas tão diferente de todas as outras, tão diferente, que, no fim, não é!

Especialmente na Itália, eu escrevi. E, de fato, quando entre nós [italianos] se falar sobre assuntos que, de algum modo, envolvem a fé religiosa, o judaísmo tende a não ter e/ou não fazer parte alguma. E, portanto, ele tende a não ser mencionado nunca. Basta pensar em toda a discussão sobre a liceidade da engenharia genética, da eutanásia ou do matrimônio entre homossexuais. 

Debatendo-se sobre essas coisas, é como se o judaísmo tivesse descido nas catacumbas, tanto a sua voz é tênue ou ausente. Com o resultado de que a voz da Igreja Católica, ao invés, é facilmente apresentada como a única que, em nome de uma visão religiosa, está empenhada em defender posições.

Ao invés, para nos lembrar de que as coisas não estão assim, de fato, e de que justamente sobre os assuntos que eu citava antes são, vice-versa, muito profundos os laços teológicos e doutrinais entre o judaísmo e o catolicismo (e o cristianismo em geral, eu diria), socorre-nos um recente documento importante de uma autoridade do judaísmo europeu como o Grão-Rabino da FrançaGilles Bernheim, intitulado “Matrimônio homossexual, homoparentalidade e adoção”.

Bernheim inicia com o ponto decisivo, isto é, contestando que tais temas tenham como verdadeira questão em jogo um problema de igualdade de direitos. O que está em jogo, ao invés, escreve ele, é “o risco irreversível de uma confusão das genealogias, dos estatutos e das identidades, em detrimento do interesse geral e em benefício do de uma ínfima minoria”.

De um modo que me parece compartilhável até do ponto de vista de um não crente, ele desmonta um a um os argumentos habitualmente usados em favor do casamento homossexual: da exigência de proteção jurídica do potencial conjunto, à importância do querer-se bem (”não se pode reconhecer o direito ao matrimônio a todos aqueles que se amam pelo simples fato de que se amam”: por exemplo, a uma mulher que ama dois homens); às razões afetivas que justificariam a adoção de uma criança por parte de um casal homossexual. 

“Todo o afeto do mundo não basta para produzir as estruturas psíquicas basilares que respondem à necessidade da criança de saber de onde vem. A criança não se constrói a não ser diferenciando-se, e isso pressupõe, acima de tudo, que ela saiba a quem se assemelha. Ela precisa saber que é o fruto do amor e da união de um homem, seu pai, e de uma mulher, sua mãe, em virtude da diferença sexual dos seus genitores”.

E ainda: “O pai e a mãe indicam à criança a sua genealogia. A criança precisa de uma genealogia clara e coerente para se posicionar como indivíduo. Desde sempre e para sempre, o que constitui o humano é uma palavra em um corpo sexuado e em uma genealogia”.

Bernheim não só enfrenta de peito aberto o propósito caro a muitos militantes homossexuais de substituir o conceito sexuado de “pais” por aquele assexuado e vazio de “parentalidade” e de “homoparentalidade”, mas também argumenta que não se pode falar de forma alguma de um direito de ter um filho: “O sofrimento de um casal infértil não é uma razão suficiente para obter o direito à adoção. A criança – ressalta – não é um objeto, mas sim um sujeito de direito. Falar de direito a ter um filho implica uma instrumentalização inaceitável”.

Naturalmente, as páginas mais densas do documento são aquelas em que, opondo-se à ideia cada vez mais difundida de que o sexo, longe de ser um fato natural, representa uma construção cultural, o Grão-Rabino, fortalecido com o relato do Gênesis, afirma, ao invés, “a complementaridade homem-mulher como princípio estruturante do judaísmo”, correspondendo ao plano mais íntimo da criação. 

“A dualidade dos sexos – escreve – pertence à construção antropológica da humanidade” e é desejada por Deus também como “um sinal da nossa finitude”. Nenhum indivíduo pode pretender de ser autossuficiente, representar todo o humano, a partir do momento em que, com toda evidência, “um ser sexuado não é a totalidade das espécies”.

O leitor deve ter notado a forte semelhança de muitas das coisas ditas por Bernheim com as defendidas pelo magistério católico (não por acaso, recentemente, Bento XVI citou calorosamente o documento do Grão-Rabino francês). Na realidade, as vozes conjuntas do judaísmo e do catolicismo, quando evocam o que está efetivamente em jogo nesse caso – isto é, as próprias bases da sociedade em que queremos viver, a existência ontológica de dois sexos distintos, a aliança do homem e da mulher na instituição chamada a regular a sucessão das gerações, além do risco de anular de modo irreversível tal sucessão –, no momento em que fazem isso, parecem confirmar o que foi defendido à época por Jürgen Habermas acerca da importância que tem e deve ter o ponto de vista da religião no discurso público das nossas sociedades. 

Tal ponto de vista, de fato, muitas vezes é precioso para compreender – por todos, crentes e não crentes, de toda pessoa livre – o que essas sociedade hoje têm o poder de fazer. E, portanto, para medir a ruptura que as suas decisões podem representar com relação às raízes mais profundas e vitais da nossa antropologia e da nossa cultura.

Mas do Grão-Rabino Bernheim chega outra lição. Isto é, como é importante que a discussão pública seja conduzida com coragem, desafiando o conformismo que muitas vezes anima a intelectualidade convencional e o mundo da mídia. Como é que é importante que personalidades com autoridade (por exemplo, os psicanalistas) não tenham medo de fazer ouvir a sua opinião: mesmo quando ela não é conforme ao que aparece no mainstream das ideias dominantes. 

É uma lição particularmente essencial. Onde é cada vez mais raro ouvir vozes destoantes e provenientes de bocas insuspeitas, onde é cada vez mais forte a tentação de ter razão colando rótulos a quem discorda, em vez de discutir os seus argumentos, onde estão cada vez mais prontos a libertar impiedosamente os reflexos condicionados dos pertencimentos.

Onde – especialmente quando se trata de certas questões – não deixa de se fazer ouvir pontualmente o preconceito que tende a fazer do catolicismo o bode expiatório mais adequado para ser apontado para a execração pública pelas vestais do iluminismo e para ver chover sobre si todas
as culpas (e todas as supostas culpas) do caso.

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* “Matrimônio” gay abre portas às uniões “poliamorosas”, alertam peritos de Harvard e Princeton.

quarta-feira, abril 3rd, 2013


ACI

Em um artigo publicado pela rede de notícias CNN, que frequentemente promove a ideologia e a agenda gay, três peritos em direito dos Estados Unidos alertaram que reconhecer legalmente as uniões homossexuais e dar a estas a categoria de matrimônio abre as portas a um “fenômeno de uniões grupais (poliamorosas)”.

Os autores do artigo são Robert George, professor visitante na Escola de Leis de Harvard e professor de jurisprudência na Universidade de Princeton; o candidato ao PhD. de Princeton, Sherif Girgis; e William Simon, da Heritage Foundation.

Os peritos asseguraram que o discurso a favor do mal chamado “matrimônio” homossexual “esconde” um profundo erro do que é o matrimônio.

“Se o matrimônio fosse simplesmente reconhecer os laços afetivos ou de romance, então dois homens ou duas mulheres poderiam formar um matrimônio, tal como podem fazê-lo um homem e uma mulher”, assinalaram.

Essa lógica, advertiram, abriria as portas ao “fenômeno cada vez maior das uniões grupais (‘poliamorosas’)”.

Entretanto, sublinharam os peritos em direito, “o matrimônio é muito mais que o laço emocional com ‘sua pessoa número um’”, mas “assim como o ato que faz o amor marital também faz nova vida, assim o matrimônio mesmo é uma união em vários níveis, tanto corporal como emocional, que seria completada pela procriação e pela vida familiar”.

“Isso é o que justifica suas normas distintivas –monogamia, exclusividade, permanência– e o conceito da consumação marital através das relações conjugais”, explicaram.

O governo se envolve no matrimônio não “por romantismo”, disseram, mas porque “tem poderosas razões para assegurar-se de que, sempre que for possível, as crianças tenham o benefício de ser criadas pela mãe e pelo pai, cuja união deu-lhes a vida”.

Os juristas explicaram que embora “todos os seres humanos sejam iguais em dignidade e devem ser iguais ante a lei”, esta igualdade “só proíbe as distinções arbitrárias. E não há nada arbitrário em maximizar as oportunidades de que as crianças conheçam o amor de seus pais biológicos em um laço comprometido e exclusivo”.

“Uma cultura forte de matrimônio serve às crianças, às famílias e à sociedade, estimulando o ideal de dar às crianças um pai e uma mãe”, asseguraram.

Os peritos indicaram que se o matrimônio fosse somente um laço emocional “que te importa muito”, “então além dos gostos personagens ou das preferências subjetivas de um casal, não há razão inicial para que o matrimônio seja comprometido à permanência”.

Tampouco haveria impedimento para que tal “matrimônio” seja “sexualmente exclusivo mais que ‘aberto’. Ou limitado a duas esposas. Ou orientado ao estilo de família formado por quem o pede”.

“Nesse caso, todos os argumentos para reconhecer o laço de dois homens como marital –igualdade, desestigmatização, estender benefícios econômicos- seria também aplicável a reconhecer trios românticos. Rejeitar tal reconhecimento seria injusto –uma violação da igualdade- se o compromisso apoiado na companhia emocional é o que faz um matrimônio”, advertiram.

“Redefinir o matrimônio debilitaria, causando a erosão das suas normas centrais, uma instituição que já foi maltratada pelo divórcio generalizado, procriação fora do matrimônio e similares”, advertiram.

Os peritos remarcaram que as pessoas que acreditam que esta erosão das normas centrais do matrimônio “será boa para as crianças, para as famílias, e para a sociedade em geral, devem apoiar a ‘igualdade matrimonial’. As pessoas que acreditam no contrário, não devem deixar-se enganar pela retórica enganosa”.

***

Defesa do autêntico matrimônio, composto por um homem e uma mulher, não significa nem é atacar os homossexuais.

O Arcebispo de Nova Iorque e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, assinalou que a defesa do autêntico matrimônio, composto por um homem e uma mulher, não significa nem é atacar os homossexuais.

Em uma entrevista concedida na Semana Santa ao programa televisivo This Week da rede americana ABC, o Cardeal explicou que a Igreja não é contrária a ninguém mas ama todos, também os homossexuais, que são criados a imagem e semelhança de Deus.

Ao ser perguntado sobre o que responderia a um casal de gays “católicos” que “querem casar-se, se amam e querem criar uma família”, o Cardeal assinalou: “o primeiro que lhes diria é que eu os amo e Deus também”.

“Estamos feitos a imagem e semelhança de Deus e queremos sua felicidade, mas também sabemos que Deus nos diz que o caminho à felicidade, sobretudo quando se trata do amor sexual, é só para o homem e a mulher no matrimônio onde nascerão os filhos naturalmente”, sublinhou o Arcebispo.

“Temos que fazer, que se veja melhor que nossa defesa do matrimônio não consiste em um ataque aos homossexuais”. O Cardeal admitiu logo que embora “não fomos bons” para dar com claridade essa mensagem, a Igreja não é contrária a nenhuma pessoa.

“Estamos defendendo o que Deus nos ensinou sobre o matrimônio, que é entre um homem e uma mulher para sempre e que traz uma nova vida”, precisou.

Além disso indicou que “temos que escutar às pessoas, como o exemplo que acaba de descrever: Jesus morreu na cruz por eles como morreu por mim. Queremos ensinar o que Deus nos ensina sobre como devemos viver”.

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* Centenas de milhares protestam em Paris CONTRA “casamento” gay, de novo!

domingo, março 24th, 2013

Centenas de milhares de opositores à lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em França desfilam hoje, domingo, nas ruas de Paris.

A controversa legislação que permitirá o casamento `gay` e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo foi aprovada recentemente pelo parlamento francês e será examinada e submetida a aprovação do senado em abril, pelo que os ativistas consideram esta a última possibilidade de se manifestarem contra a referida lei.

Ao contrário das pretensões dos organizadores, as autoridades francesas não autorizaram que o percurso da manifestação passasse pelos Campos Elísios, famosa avenida parisiense, e foi precisamente a tentativa de um grupo de manifestantes de seguirem para essa avenida que levou à intervenção policial.

As autoridades francesas impediram que o protesto chegasse aos Campos Elísios devido à ameaça da ordem pública, tendo usado gás lacrimogéneo para evitar que um grupo de 200 pessoas furasse as ordens policiais, conforme relatou a agência francesa AFP.

Face à convicção de que o senado francês aprovará esta lei, os manifestantes concentram esforços nos apelos ao governo para retirar esta proposta legislativa, submetendo-a a referendo.

O “casamento para todos” foi uma das bandeiras eleitorais do atual presidente francês, o socialista François Hollande, mas os opositores querem evitar a todo o custo a aprovação desta legislação.

Um dos rostos da organização é Virginie Tellenne, uma figura pública francesa que afirmou hoje que os manifestantes querem que o presidente “trate da economia e deixe as famílias em paz”.

Em janeiro, uma marcha contra o casamento homossexual já tinha juntado na capital francesa cerca de 800 mil pessoas, numa campanha que tem sido orquestrada pela Igreja Católica e apoiada pela oposição do centro-direita francesa.

Os homossexuais e as lésbicas franceses já podem adotar crianças enquanto pessoas individuais, caso tal seja aprovado pelos serviços sociais.

Uma outra lei sobre a conceção medicamente assistida a casais `gays`, que foi estendida a casais heterossexuais que não conseguem ter filhos, será debatida ainda este ano em França.

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* Seria “verdade” a afirmação de que o sexo é uma “construção social” e, portanto, mutável e descartável?

quinta-feira, março 21st, 2013

As cores são percebidas de forma diferente pelos homens e mulheres

As cores são percebidas de forma "diferente" pelos homens e mulheres

E criou Deus o homem à Sua Imagem
à Imagem de Deus o criou; HOMEM E MULHER
Gênesis 1,27


Por Pär Ström

Muitas feministas alegam que as distinções que podem ser observadas entre os homens e as mulheres são ensinadas. Segundo elas, são as expectativas ambientais que pressionam os rapazes a agir como rapazes e as mulheres a agir como mulheres. Estas diferenças, dizem-nos elas, permanecem por toda a vida.

Não se nasce mulher; torna-se numa.( Simone de Beauvoir (1908-1986))

A teoria em torno do género como uma construção social chegou até a ser aceite politicamente [na Suécia]. O governo social democrata da altura colocou isso mesmo na sua declaração governamental de 2002.

” Apesar da longa história em torno do trabalho ativo em prol da igualdade, a nossa sociedade continua caracterizada por uma estrutura de poder de gênero. No futuro, o nosso trabalho deve possuir uma direção mais feminista. Isto significa que temos que estar cientes da estrutura de poder de gênero - que as mulheres são subordinadas e os homens superiores – e temos que estar preparados para mudar esta situação. Isto significa também que o governo tem que considerar o masculino e o feminino como “construção social”, isto é, padrões de gênero criados externamente após o nascimento através da nossa educação, cultura, enquadramentos econômicos, estruturas de poder e a nossa ideologia politica”

Quem estuda as pesquisas e os dados científicos, em vez de documentos políticos, encontrará diferenças significativas entre os sexos já na altura no nascimento. Estas diferenças genéticas controlam muitos dos traços que estão por trás do nosso comportamento diário.

Quais são as diferenças entre os sexos?

Um dos grandes nomes desta área é Simon Baron-Cohen, professor na Universidade de Cambridge na Grã-Bretanha. Cohen desenvolveu a assim chamada ‘E-S Theory’ [daqui para a frente, referida apenas como EST] onde ‘E’ significa empatia e S significa sistematização. Ser empático implica que uma pessoa conecta-se a outros seres humanos, entende-os e comunica com eles. Sistematização significa que uma pessoa analisa, entende e constrói sistemas – sistemas abstratos ou sistemas técnicos.

Segundo a EST, e analisando a forma como o cérebro funciona, as pessoas podem ser divididas em 3 grandes grupos. Os tipos de cérebro são:

  • O cérebro E onde a aptidão empática supera em muito a sua habilidade para sistematizar.
  • O cérebro S onde a aptidão para sistematizar é maior que a sua aptidão para a empatia.
  • O cérebro B onde as duas capacidades se encontram igualmente desenvolvidas.

Segundo o professor Baron-Cohen, o cérebro E é típico das mulheres e o cérebro S é típico dos homens. 1Existem variações individuais e excepções mas o padrão geral é forte.

Outro pesquisadora que também possui um interesse pelo tópico é Annica Dahlström, professora emérita no departamento de química médica e biologia celular na Universidade de Gotemburgo. Ela dedicou 15 anos da sua vida a este assunto. No seu livro ‘Gender is in the Brain’ ["O Gênero Encontra-se no Cérebro"] ela reporta a complexa relação química entre os hormonios, o cérebro, e outros órgãos que, tanto antes como depois do nascimento, transformam os seres humanos em homens e mulheres.

Mesmo que existam discrepâncias individuais, Annica Dahlström afirma que existem coisas como características “femininas típicas”, e características “masculinas típicas”. Segundo Dahlström, em média as mulheres são:

  • Mais empáticas e preocupadas
  • Melhores na comunicação verbal e linguagem
  • Detectam mais nuances e detalhes com os seus olhos e ouvidos.
  • São mais sensíveis ao estado de espírito dos outro bem como aos sinais subtis
  • Podem fazer associações mais rápidas com informação guardada anteriormente
  • São melhores no multitasking [várias tarefas ao mesmo tempo]

Com os homens, no entanto, segundo Dahlström, eles:

  • Estão mais dispostos a correr riscos e a competir
  • São melhores a concentrar a sua atenção a um tópico de cada vez
  • São vastamente superiores no pensamento abstrato.
  • Possuem melhor visão tri-dimensional
  • São mais extremos (em ambas as direções) no que toca a inteligência (embora a inteligência média entre os sexos seja a mesma)

Um terceiro pesquisador a levar em conta é Germund Hesslow, professor de neuro-ciência na Universidade de Lund. Ele afirma que as diferenças entre homens e mulheres encontram-se bem documentadas. Por exemplo, diz Hesslow, os homens, no geral, possuem uma habilidade superior para pensamento espacial e resolução de problemas matemáticos. Para além disso, os homens são mais agressivos e determinados no que toca a correr riscos.

As mulheres, diz Hesslow, são mais compassivas (especialmente com as crianças) e mais cuidadosas na escolha dos parceiros. Quando comparadas com os homens. as mulheres têm mais dificuldade em considerar relações sexuais breves. Tal como Dahlström, Hesslow também afirma que os homens exibem uma maior distribuição de inteligência que as mulheres.2

Eu poderia continuar a citar outros pesquisadores que documentaram as diferenças entre os sexos, mas em vez disso, vamos analisar o que as pesquisas dizem em tornos das causas dessas distinções.

Comportamento aprendido ou diferenças genéticas?

Pode-se dizer, portanto, que há distinções entre os sexos. Mas serão essas distinções aprendidas ou genéticas? Apesar do ambiente social ter influência, existe uma lista enorme de estudos científicos que ressalvam a enorme e significativa importância das diferenças biológicas entre os sexos. A Scientific American sumarizou a questão muito bem num artigo em torno do cérebro masculino e do cérebro feminino. Isto é que eles escreveram:

Durante a década passada, os investigadores documentaram uma surpreendente quantidade de variações [=diferenças] estruturais, químicas e funcionais entre o cérebro masculino e o feminino. 3

Analisemos um certo número projectos de pesquisa que demonstram que a genética encontra-se por trás de muitas das diferenças entre os sexos que podemos observar. Podemos começar na Suécia com Arne Müntzing, geneticista e professor de hereditariedade.

Ainda em 1976 ele estudou bebés com 12 semanas, que dificilmente poderiam ter sido influenciados pelos papéis de gênero [inglês: "gender roles"], e observou diferenças essenciais no comportamento dos rapazes e das moças. Müntzing escreveu:

Os rapazes ganham muito cedo um melhor entendimento da espacialidade, a posição dos corpos em relação aos outros. Esta é provavelmente a razão que leva a que, mais tarde, os rapazes se interessem mais que as moças em construções técnicas e problemas matemáticos.

As muleres por outro lado, buscam os problemas segundo um ângulo humano. Não é só o meio ambiente que leva a que as meninas coloquem os soldados de chumbo numa cama de algodão de modo a que eles estejam confortáveis e bem aquecidos. 4

No ano de 1999 a estudante de doutoramento Anna Servin - Instituto de Psicologia da Universidade de Uppsala - levou a cabo um estudo em 300 crianças. Este projeto foi feito em cooperação com pesquisadores e médicos do Hospital Huddinge Hospital. Servin detectou claras diferenças comportamentais presentes já aos 9 meses, diferenças essas que, posteriormente, aumentaram com o passar do tempo.

Ela escreveu na sua tese que é a quantidade de andrógenos (hormonas masculinos) que determina o comportamento da criança, incluindo coisas como o tipo de brinquedos com os quais a criança quer brincar.5

Esta é a forma como Anna Servin sumarizou as diferenças comportamentais entre os rapazes e as moças e a forma como estas características influenciam a escolha de brinquedos:

De modo geral, os rapazes possuem uma aptidão espacial; eles vêem e entendem como os vários tipos de construção funcionam e ficam mais satisfeitos com brinquedos de construção.

As meninas são melhor equipadas verbalmente e possuem um interesse maior nos relacionamentos. Como tal, escolhem brinquedos que estão de acordo com estas habilidades.

Fala a testosterona.

O professor Richard Udry - Universidade da Carolina do Norte - comparou os níveis de testosterona nos fetos femininos com a atitude e comportamento das mesmas pessoas 30 anos mais tarde. Ele verificou que há uma conexão entre o nível de testosterona durante a altura fetal e o nível de comportamento masculino/feminino nos seus 30 anos. O comportamento monitorizado nos adultos foi a sua atitude perante as crianças, casamento, trabalho, carreira e a sua aparência.

Níveis elevados de testosterona durante a fase fetal correspondiam a comportamentos menos femininos e atitudes menos femininas.6

Os ftalatos são um grupo de compostos químicos que inibem os hormonas sexuais. Oito pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram que os rapazes que são expostos aos ftalatos durante a fase fetal irão brincar de uma forma menos masculina com outros rapazes.7 Análogo a isto. Sete pesquisadores da Universidade de Cambridge concluíram que elevados níveis de hormona sexual masculino – testosterona – durante a fase fetal resultará num comportamento mais masculino durante as brincadeiras. 8

Um grupo de pesquisadores americanos e britânicos concluiu que o nível de testosterona durante a fase fetal determinará o quão interessada em sistematização a criança mais tarde ficará. Quanto maior for o nível de testosterona, maior será o interesse em sistematização. 9

Uma quarta pesquisa determinou que meninas que sofrem de “Congenital Adrenal Hyperplasia Disorder” – isto é, níveis anormais do hormônio masculino testosterona – irão preferir brinquedos de construção e brinquedos de transporte mais do que as outras meninas. Para além disso, elas irão brincar de forma mais dura e agressiva..10

Desde a mais tenra idade que os rapazes se encontram mais interessados em objetos mecânicos enquanto que as moças nutrem um interesse maior por rostos. Um projeto de pesquisa mostrou que as moças com um ano de idade demoravam mais tempo que os rapazes a olhar para a cara da mãe. Quando se mostravam filmes às crianças com 1 ano, as meninas demoravam mais tempo que os rapazes a olhar para os filmes que exibiam uma cara, enquanto que os rapazes demoravam mais tempo a observar filmes que exibiam carros.11

Será possível que estas crianças de 1 ano tenham sido influenciadas pelas expectativas do mundo à sua volta em torno dos papeis de gênero? De modo a investigar esta crença, estes pesquisadores continuaram com o trabalho e levaram a cabo um estudo similar em crianças com 1 dia de vida.

As crianças poderiam escolher entre olhar para a cara duma mulher ou olhar para dispositivo móvel mecânico que, na sua cor, tamanho e forma, lembrava a cara. Os resultados demonstraram que os bebés masculinos dedicavam mais tempo a olhar para o dispositivo móvel enquanto que as bebés femininas devotavam a maior parte do tempo a olhar para a cara.

O professor Simon Baron-Cohen da Universidade de Cambridge apurou também que as meninas com 12 meses de idade possuem uma resposta mais empática aos problemas alheios que os rapazes com a mesma idade.12

Há algum tempo atrás o hormonio feminino dietilestilbestrol foi usado para tratar as mulheres que haviam tido abortos espontâneos consecutivos. Isto viabilizou alguns interessantes projetos de pesquisa. Entre outras coisas, ficou demonstrado que os rapazes que nasciam de mulheres que haviam recebido o em cima mencionado tratamento - isto é, que haviam recebido hormonas femininos - demonstravam comportamento mais “feminino” e mais empático. Por exemplo, quando comparados com outros rapazes, eles demonstravam um maior interesse em brincar com bonecas.13

Outra pesquisa foi levada a cabo nos rapazes nascidos com a deformação IHH, significando que os seus testículos eram pequenos e, desde logo, produtores de quantidades menores de testosterona. Os estudos mostraram que estes rapazes eram piores que outros rapazes na sistematização de formas espaciais.

Adicionalmente, existem rapazes que nascem com o AI Syndrome, condição que deixa os rapazes não-receptivos aos andrógenos (hormônio sexual masculino) Eles são piores na sistematização espacial. Ao mesmo tempo, as moças nascidas com Congenital Adrenal Hyperplasia Disorder, que, como dito em cima, resulta em níveis anormais de andrógenos (masculinos), são mais inteligentes na sistematização espacial que as outras raparigas.14

Existe também um projeto de pesquisa que demonstra como o nível de testosterona determina o nível de riscos económicos na idade adulta. Entre outras coisas, os pesquisadores estabeleceram que as mulheres que escolhem uma carreira na área das finanças possuem níveis de testosterona superiores, quando comparadas com outras mulheres.15

O periódico sueco Illustrerad Vetenskap (Ciência Ilustrada) escreveu recentemente

Pesquisas recentes mostram que os homens possuem 6,5 vezes mais massa encefálica cinzenta que as mulheres, enquanto que elas possuem 10 vezes mais massa encefálica branca que os homens. Isto pode explicar o porque dos homens serem melhores, por exemplo, em matemática, enquanto que as mulheres são melhores nas línguas.

Homo Sapiens é um animal.

Estudos em torno do mundo animal são interessantes uma vez que os animais dificilmente podem ser influenciados pelas normas sociais e papéis de gênero humanos. Se a natureza criou [sic] os animais de modo a que os sexos sejam distintos por motivos biológicos, porque é que os homo sapiens seria uma exceção? Seguem-se alguns projetos de pesquisa com os animais interessantes.

Um estudo usou um certo número de macacos a quem foram dados um certo número de brinquedos. Eles encontravam-se entre bonecas, camiões e brinquedos genericamente neutros como livros com pinturas.

Os pesquisadores observaram como os machos passavam mais tempo a brincar com os brinquedos “masculinos” enquanto que as fêmeas passavam mais tempo que os machos a brincar com os brinquedos “femininos”.

Ambos os sexos passaram o mesmo tempo em redor dos livros com imagens e em redor de outro brinquedos genericamente neutros.17

Outro projeto expôs os fetos fêmea dos macacos aos andrógenos (hormonas sexuais masculinos). Mais tarde, e nas suas brincadeiras, estas fêmeas exibiram um comportamento mais masculino que as demais fêmeas.18

Uma terceira pesquisa levada a cabo por um terceiro grupo de cientistas ofereceu paus como brinquedos aos macacos e observou como as fêmeas, de forma bem clara, brincavam com os paus como se os mesmos fossem bonecas, algo que os machos fizeram em escala muito menor.19

Num quarto projeto os pesquisadores deram dois tipos de brinquedos aos macacos – veículos com rodas e brinquedos de pelucia. Os machos demonstraram um forte e persistente interesse nos veículos enquanto que as fêmeas não demonstraram qualquer tipo de interesse por nenhum dos brinquedos.20

Um quinto estudo em torno dos macacos demonstrou como, em larga escala, os machos focaram-se nos carros enquanto que as fêmeas preferiram as bonecas.21

Experiências foram também levadas a cabo com ratos. As fêmeas injetadas com testosterona à nascença aprenderam mais rapidamente a navegar pelo labirinto que as fêmeas sem o hormonio. Elas atingiram também uma proficiência final superior que as fêmeas que não receberam o hormona masculino. O labirinto testava a localização espacial.22

Em jeito de conclusão podemos determinar que a alegação “o gênero é uma construção social” é um mito. Peço desculpa se perturbamos a tua paz celestial , cara Simone de Beauvoir, mas tu estavas errada. Tu nasceste para ser uma mulher!

Antes de terminar este capítulo, gostaria de falar nas diferenças genéticas entre os sexos que possuem um peso enorme no debate em torno da igualdade. Como mencionei anteriormente, os homens e as mulheres possuem a mesma inteligência média mas a inteligência é mais dispersa entre os homens. Isto significa que há mais tolos e gênios entre os homens enquanto que as mulheres se encontram a meio da escala.

Esta amplitude pode ser considerada como desinteressante do ponto de vista da igualdade. Afinal, o fato da inteligência média entre ambos os sexos ser basicamente a mesma não é o mais importante?

Mas consideremos o fato de existirem muitas situações onde o foco se encontra completamente nos extremos e particularmente no extremo mais elevado: os gênios. A maior amplitude masculina implica com lógica matemática que há mais gênios entre os homens do que entre as mulheres. O que é que isto significa para a composição genética dos, por exemplo, prêmio Nobel?

Do ponto de vista puramente estatístico é, portanto, normal que haja mais laureados entre os homens em áreas que exijam mais inteligência. Isto foi também ressalvado por Annica Dahlström23 e Germund Hesslow,24 que, por sua vez, provocou respostas violentas. Mas a realidade é o que é independentemente do que cada um pensa dela.

O fato das mulheres serem compensadas por terem entre si menos tolas do que o número de menos inteligentes entre os homens não recebe muita atenção mediática porque os menos inteligentes raramente se encontram no foco dos holofotes. Mas isto provavelmente contribui também para o fato de haver menos mulheres nas camadas mais baixas da sociedade tais como as prisões ou entre os sem abrigo.

Referências:

  1. ‘The Essential Difference: The Truth about the Male and Female Brain’, Simon Baron-Cohen, 2003
  2. Article ‘Omöjlig kamp för att uppnå likhet mellan könen’, DN.se op-ed page (available online, date n/a)
  3. Article ‘His Brain, Her Brain’, Scientific American, May 2005
  4. ‘Varför är vi olika? kvinna and man, svart and vit, kropp and själ’, Arne Müntzing, 1976
  5. Article ‘Hormoner styr hur barn leker’, Aftonbladet. Available online, date n/a
  6. Article ‘Biological limits of gender construction’, American Sociological Review, Vol 65, No 3, pp 443-457
  7. Article ‘Prenatal phthalate exposure and reduced masculine play in boys’, International Journal of andrology
  8. Article ‘Fetal Testosterone Predicts Sexually Differentiated Childhood Behavior in Girls and in Boys’, Psychological Science
  9. Article ‘Foetal testosterone and the child systemizing quotient’, European Journal of Endocrinology, vol 155
  10. Handbook of social psychology, Volume 1, page 639, Susan T Fiske, Daniel T Gilbert, Gardner Lindzey
  11. Article ‘HisBrain, HerBrain’, ScientificAmerican, May 2005, ‘Human sex differences in social and non-social looking preferences at 12 months of age’, Svetlana Lutchmaya, Simon Baron-Cohen
  12. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  13. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  14. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  15. Article ‘Risky Business – Women Have Higher Testosterone In Financial Careers’, Science 2.0, 24 August 2009
  16. Article ‘Lär sig flickor and pojkar olika?’ Illustrerad Vetenskap, 16 March 2011
  17. Article ‘His Brain, Her Brain’, Scientific American, May 2005
  18. Handbook of social psychology, Volume 1, page 639, Susan T Fiske, Daniel T Gilbert, Gardner Lindzey
  19. Article ‘Young female chimpanzees appear to treat sticks as dolls’, 20 December 2010, PhysOrg.com
  20. Williams CL and Pleil KE. 2008. ‘Toy story: Why do monkey and human males prefer trucks? Comment on ‘Sex differences in rhesus monkey toy preferences parallel those of children’, Hassett, Siebert an Wallen
  21. Alexander G and Hines M. 2002. ‘Sex differences in response to children’s toys in nonhuman primates, Evolution and Human Behavior’
  22. Paper ‘The Essential Difference: the male and female brain’, Phi Kappa Phi Forum 2005 (Special issue on the Human Brain)
  23. Article in DN Debatt, ‘Långt färre kvinnliga än manliga genier’. Available online, date n/a
  24. Article ‘Omöjlig kamp för att uppnå likhet mellan könen’, DN Debatt. Removed from the web but copies still available – search for the title, date n/a
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* Mil padres católicos britânicos denunciam retorno às perseguições religiosas pelo “casamento” homossexual.

terça-feira, março 5th, 2013

Nossa Senhora de Walsingham, padroeira da Inglaterra. A imagem original foi queimada durante a perseguição mencionada pelos 1.000 sacerdotes

Nossa Senhora de Walsingham, padroeira da Inglaterra. A imagem original foi queimada durante a perseguição mencionada pelos 1.000 sacerdotes

Em uma das maiores cartas conjuntas do gênero, mil sacerdotes católicos britânicos denunciaram que a liberdade de praticar e falar sobre a sua fé será “severamente” limitada, caso seja aprovado o “casamento” homossexual no país.

O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Comuns (deputados) e deverá ser votado pela Câmara dos Lordes (senadores). Os sacerdotes repudiam como “sem sentido” as garantias oferecidas pelo governo do político conservador David Cameron.

Eles comparam a tentativa de redefinir o casamento com o golpe dado pelo rei Henrique VIII, que tirou a Inglaterra do seio da Igreja para poder divorciar-se da rainha Catarina de Aragão.

Henrique VIII deu assim origem à igreja anglicana atual, hoje em fase de desfazimento moral e de organização.

Como muitos católicos não aceitaram o cisma, o mau rei começou repressões que duraram séculos, trouxeram a guerra civil, arruinaram o país e o separaram de Roma.

Para os mil sacerdotes, os planos favorecedores dos homossexuais da coligação que governa a Grã-Bretanha impedirão os católicos e outros cristãos que trabalham em escolas, instituições de caridade e organismos públicos, de falar livremente sobre suas crenças e o significado do casamento.

Até a liberdade de falar no púlpito pode estar sob ameaça, dizem.

Os fiéis que acreditam no sentido tradicional do casamento seriam efetivamente excluídos de alguns postos de trabalho, do mesmo modo como até o século XIX os católicos foram alijados de muitas profissões pela Reforma protestante.

Até 1829, os católicos na Grã-Bretanha e Irlanda foram impedidos de exercer diversas profissões, ou mesmo de se reunirem para rezar quando da vigência de um corpo de restrições conhecidas coletivamente como as leis penais.

Os professores poderão enfrentar medidas disciplinares caso se recusarem a promover o casamento homossexual, uma vez implementada a alteração.

Capelães de hospitais, de prisões e do Exército também poderiam ser perseguidos se pregarem que o casamento somente entre um homem e uma mulher.

Os sacerdotes escrevem:

“Depois de séculos de perseguição, os católicos foram capazes nos últimos tempos de exercer profissões e participar plenamente na vida deste país.

“Se promulgada, a legislação sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo terá muitas consequências legais, restringindo a capacidade dos católicos de ensinar a verdade sobre o casamento em suas escolas, instituições de caridade ou locais de culto.

“Não tem sentido argumentar que os católicos e outros ainda podem ensinar suas crenças sobre o casamento em escolas e outras esferas, se ao mesmo tempo se espera que também defendam o ponto de vista oposto”.


Argumentando que o casamento tradicional é “o fundamento e o alicerce fundamental da nossa sociedade”, acrescentam: “Exortamos os membros do Parlamento a não terem medo de rejeitar esta legislação, agora que suas consequências são mais claras”.

O bispo de Portsmouth, Dom Philip Egan, um dos signatários, insistiu em que a comparação com as leis penais não foi um exagero. “É muito orwelliano tentar redefinir o casamento”, acrescentou.

O Reverendíssimo Dr. Andrew Pinsent, proeminente teólogo da Universidade de Oxford, que também assinou a carta, disse:

“Nós somos muito sensíveis a isto historicamente, porque naturalmente a reforma começou na Inglaterra como uma questão de casamento. Henrique VIII poderia ter sido perdoado por seu adultério, mas ele não o quis, ele quis controlar o casamento e redefinir o que era e o que não era um casamento.

“Estou muito ansioso de que, quando estivermos pregando na igreja ou ensinando em nossas escolas católicas ou testemunhando a fé cristã sobre qual seja o casamento que não seremos capazes de fazer, possamos ser presos por fanáticos ou homofóbicos.

“Porque a Igreja não iria admitir aquele ponto que lançou três séculos de grande agitação na sociedade inglesa, e da perspectiva católica a vida era muito difícil.

“Tememos que o que está acontecendo agora seja a colocação em prática de uma rede de leis, o que violaria a liberdade de consciência”. E acrescentou: “Eu acho que as pessoas na bolha Westminster subestimaram o nível de preocupação no país ¬– há em nível local uma grande preocupação sobre essas coisas”.


Um porta-voz do Departamento de Educação tentou dissipar os temores, mas o fez naqueles termos que soem usar os políticos para ludibriar a oposição e que depois não são cumpridos.

A carta foi uma iniciativa de sacerdotes locais.

Nas últimas semanas, o arcebispo de Westminster, Dom Vincent Nichols, e outros líderes católicos da Grã-Bretanha fizeram críticas dialéticas aos planos de David Cameron. Na opinião de muitos, os termos intermediários e as concessões ao “casamento”  abrem espaços para a avançada da agenda homossexual.

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* Depois de Paris, 100 mil a favor da Família contra “união e adoção gay” em Porto Rico.

quarta-feira, fevereiro 20th, 2013

ACI

Mais de 100 mil pessoas se reuniram frente ao Capitólio do Estado Livre Associado de Porto Rico, em sua capital San Juan, para manifestar que os habitantes da ilha se levantavam “em defesa da família, do matrimônio, da infância e da vida”, frente a propostas legislativas de legalizar o mal chamado “matrimônio” homossexual e a adoção por parte de casais gay.

A marcha de 18 de fevereiro, convocada pela plataforma Porto Rico pela Família, conseguiu reunir a católicos, cristãos de outras denominações e organizações pró família e pró-vida sem filiação religiosa.

O lobby gay organizou uma marcha paralela, tentando boicotar a manifestação pró família, mas não conseguiu reunir mais de 100 pessoas. A cifra de 100 mil pessoas (que alguns meios estimam mais perto dos 200 mil), é todo um recorde em uma ilha que conta com apenas 3,6 milhões de habitantes.

O Bispo do Arecibo, Dom Daniel Fernández Torres, participante na manifestação assegurou que uma sociedade que desmantela a família natural está destinada à ruína e à demolição.

Por sua parte, o doutor César Vásquez Muñiz, presidente da Pastoral Unida a favor da Família, assegurou que esta manifestação surgiu “em resposta às ameaças percebidas contra o matrimônio e a família”.

Esta marcha, indicou, “é um ato para defender nossos direitos e proteger as crianças”.

A marcha pró-família e pela vida procura expressar a oposição dos portoriquenhos a diversos projetos no Senado e a Câmara de Representantes, que procuram a aprovação das uniões homossexuais, incluir os casais do mesmo sexo em delitos de adultério, aprovar a adoção de crianças por parte de casais gay e o ensino da ideologia de gênero nas escolas.

Segundo os organizadores da marcha Porto Rico pela Família, estas ameaças constituem um “atentado legislativo contra nossa liberdade de consciência, liberdade de expressão e liberdade religiosa”.

Ao tentar redefinir a sexualidade e a família afirmarão “modelos de convivência que são daninhos para a sociedade e que debilitam o matrimônio”.

As leis que evitem a discriminação por “orientação sexual” sentarão as bases para que seja legal “discriminar contra a Igreja e os cristãos”.

Além disso, advertiram, as leis que se estão sendo promovidas no Senado e na Câmara de Representantes de Porto Rico, significarão a “marginalização dos cristãos e de seus valores do processo político e da elaboração de leis que nos governem”.

Em Porto Rico, ao redor de 70 por cento de habitantes são católicos, e do 30 por cento restante, uma grande maioria são protestantes pentecostais.

De acordo às estatísticas do país, 52 por cento da população assegura que vai à igreja ao menos uma vez por semana, o que o localiza entre os seis países mais praticantes do mundo, logo depois da Polônia, África do Sul, Filipinas, Irlanda e Nigéria.

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* Genética e homossexualidade: as pessoas nascem homossexuais?

quinta-feira, fevereiro 14th, 2013

Richard L. Deem é biólogo com mestrado em microbiologia pela Califórnia State University de Los Angeles, e tem se dedicado à pesquisa científica desde 1976. Ele é autor e co-autor de vários estudos em diversas áreas da biologia molecular e genética, imunologia, doença inflamatória intestinal, células exterminadoras naturais e doenças infecciosas. Seu trabalho tem sido apresentado a inúmeros congressos internacionais.

***

Introdução:

As pessoas já nascem naturalmente homossexuais ou heterossexuais? Grande parte da mídia atual acredita que esta questão é um problema científico já resolvido, com toda evidência apontando para uma causa biológica (provavelmente genética) para a orientação homossexual.

Ao contrário do que esta percepção alega, o problema tem sido mal estudado (ou estudado mal), apesar de haver alguma evidência para ambos os lados desta questão. Além disso, muitos dos estudos mais antigos, que têm sido enormemente elogiados pela mídia como sendo “prova” de uma causa biológica para a homossexualidade, têm sido contrariados por estudos mais recentes e mais aprofundados.

Essa evidência recai em quatro categorias básicas:

1. Estrutura cerebral

2. Possível influência hormonal

3. Concordância da homossexualidade em gêmeos

4. Concordância de marcadores genéticos em irmãos

Por que isso importa?

Até alguns anos atrás, o termo “orientação sexual” era conhecido como “preferência sexual”. Obviamente, os dois termos denotam uma diferença significativa na maneira como a sexualidade se desenvolve: uma preferência é algo que se escolhe, enquanto que uma orientação é algo que nos define. As diferenças são potencialmente importantes quanto à maneira pela qual as leis se aplicam àqueles que são homossexuais. Se a homossexualidade não é uma escolha, mas na verdade uma característica biologicamente determinada sob a qual nós não temos como escapar, então as leis não deveriam tratar os homossexuais e os heterossexuais diferentemente, uma vez que a homossexualidade seria comparável a uma raça, sobre a qual não temos como escolher.

Orientação sexual – estudos sobre a estrutura cerebral:

Como a atração sexual começa no cérebro, os pesquisadores iniciaram a investigação da questão da orientação sexual primeiramente pela comparação entre a anatomia dos cérebros dos homens e das mulheres. Estes estudos demonstraram que o cérebro humano apresenta dimorfismo sexual na área pré-óptica do hipotálamo, onde os homens demonstraram possuir mais do que o dobro do número de células do que as mulheres, além desta área também apresentar nos homens um volume maior do que duas vezes o volume encontrado nas mulheres.(1) Um segundo estudo demonstrou que dois dos quatro núcleos intersticiais do hipotálamo anterior (INAH) são pelo menos duas vezes maiores em homens do que em mulheres.(2) Como os INAH estão envolvidos no dimorfismo sexual, Simon LeVay levantou a hipótese de que deveria haver diferenças nesta região do cérebro entre os homens homossexuais e os homens heterossexuais. Exames anatomopatológicos realizados nos cérebros de pacientes com AIDS comparados com indivíduos de controle masculinos (presumidamente heterossexuais) demonstrou que os homens presumidamente heterossexuais da população de controle apresentavam INAH3 duas vezes maiores em tamanho do que as mulheres e do que os homens presumidamente homossexuais que morreram de AIDS(3). O estudo tem sido criticado pela incerteza sobre a orientação sexual dos pacientes, e pelas potenciais complicações causadas pelo vírus da AIDS (o qual também infecta o cérebro humano), bem como pelo nível mais baixo de testosterona encontrado em pacientes com AIDS.

Uma reportagem de capa da revista Newsweek (FOTO ACIMA)  que se tornou muito popular, intitulada “Esta criança é gay?” (Is This Child Gay?)(4)caracterizava LeVay como um “campeão do lado da genética”, apesar de que este estudo não envolvia dado genético algum.

Um estudo posterior, realizado por Byne, et. al., investigou a questão do tamanho do INAH3 com base no sexo, orientação sexual e presença ou não do vírus HIV. (5) O estudo encontrou uma grande diferença no volume do INAH3 com base no sexo (com o INAH3 masculino sendo maior do que o INAH3 feminino). No entanto, o volume do INAH3 era menor nos homens heterossexuais que haviam contraído AIDS (0,108 mm³, comparados com 0,123 mm³ na população de controle masculina). Nenhuma diferença estatisticamente significativa foi encontrada entre os volumes do INAH3 dos homens heterossexuais e dos homens homossexuais que haviam contraído a AIDS (0,108 mm³ contra 0,096 mm³, respectivamente). O estudo também descobriu que não havia diferença entre o número de neurônios no INAH3 de homossexuais e no INAH3 de heterossexuais; porém os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre homens e mulheres em outros estudos(5). Ficou óbvio a partir deste estudo que a pesquisa de LeVay utilizava uma metodologia falha e que seu resultado foi comprometido pela complicação ocasionada pelo vírus da AIDS, e que não havia diferenças no INAH3 de homossexuais e de heterossexuais.

O papel do hipotálamo na orientação sexual também foi estudado por Swaab, et. al. Outros pesquisadores levantaram a hipótese de que haveria uma diferenciação no hipotálamo antes do nascimento. No entanto, o estudo de Swaab demonstrou que o núcleo dimórfico sexual (SDN) de mais de 100 indivíduos estudados diminuía em volume e em número de células nas mulheres de somente 2 a 4 anos após o nascimento. Esta descoberta complicou as conclusões dos estudos sobre o cérebro, uma vez que não apenas fatores químicos e hormonais, mas também fatores sociais podem influenciar o processo. (6)

Um estudo realizado por Allen e Gorski examinou a comissura anterior do cérebro, descobrindo que homens homossexuais e mulheres apresentavam uma comissura anterior maior do que os homens heterossexuais(7). No entanto, estudos posteriores realizados em populações amostrais maiores não encontraram tal diferença. (8)

Para complicar ainda mais o problema da diferença cerebral entre homossexuais e heterossexuais, existe o fato de que as próprias experiências sexuais podem afetar a estrutura cerebral(9). Assim, a questão sempre será se as práticas homossexuais modificam o cérebro ou se a estrutura cerebral ocasiona as práticas homossexuais.

Influência Hormonal

Uma vez que a diferenciação sexual acontece dentro do útero, como resultado de influências hormonais, a hipótese de que a homossexualidade pode ser o resultado de um balanço hormonal diferenciado no feto daqueles indivíduos que exibem uma orientação sexual homossexual tem sido cogitada.  Como os dados acerca dos níveis hormonais no ventre materno não estão disponíveis, alguns indicadores tem sido utilizados para se avaliar indiretamente como as influências hormonais podem impactar na orientação sexual. Esses indicadores incluem as diferenças no tamanho e na forma dos esqueletos, incluindo a proporção dos ossos longos dos membros superiores e inferiores em relação à extensão do braço ou as razões entre os comprimentos das falanges.

Estudos têm demonstrado que as proporções dos comprimentos dos dedos são indicadores de diversos hormônios, incluindo a testosterona, o hormônio luteinizante e o estrogênio.(10) Em mulheres, o dedo indicador (2D, segundo dedo) apresenta quase o mesmo comprimento que o quarto dedo (4D).

No entanto, em homens, o dedo indicador é geralmente menor do que o quarto dedo. Tem sido demonstrado que esta maior proporção entre 2D e 4D nas mulheres é estabelecida em crianças com dois anos de idade. A hipótese de que a diferença na proporção entre 2D e 4D em homens e mulheres reflete a influência pré-natal de hormônios androgênios em homens tem sido levantada. Um estudo realizado por Williams, et. al. demonstrou que a proporção 2D:4D em homens homossexuais não era significativamente diferente da proporção encontrada em homens heterossexuais para ambas as mãos.(11) No entanto, mulheres homossexuais apresentavam proporções 2D:4D significativamente menores do que as mulheres heterossexuais (observe a figura ao lado).

Tem sido levantada a hipótese de que mulheres expostas a uma maior taxa de hormônios androgênios no ventre materno apresentam uma tendência a expressar uma orientação homossexual. No entanto, como os níveis hormonais nunca foram medidos, resta apenas o indicativo indireto dos comprimentos dos dedos como um substituto para a avaliação destes níveis.

Estudos descobriram que quanto mais irmãos mais velhos um menino possuir, maiores são as chances deste desenvolver uma orientação homossexual. (12) Este estudo também descobriu que homens homossexuais possuíam uma proporção maior do que o esperado de irmãos homens entre os irmãos mais velhos (229 irmãos para 163 irmãs) comparada com a população geral (106 homens para 100 mulheres). Homens que tiveram dois ou mais irmãos mais velhos apresentaram menores proporções 2D:4D(11), sugerindo que estes foram expostos a uma maior taxa de hormônios androgênios no ventre materno. O motivo pelo qual uma maior taxa de hormônios androgênios iria predispor tanto homens como mulheres a serem homossexuais não foi explicado no estudo.

Outro estudo investigou o comprimento dos ossos longos dos braços, das pernas e das mãos. Tanto homens homossexuais como mulheres heterossexuais tiveram um menor crescimento desses ossos do que homens e mulheres heterossexuais.(13) Assim sendo, os pesquisadores acreditaram que homens homossexuais foram menos expostos aos hormônios androgênios do que os homens heterossexuais durante o seu desenvolvimento, ao passo que mulheres homossexuais foram mais expostas a esteroides em seu desenvolvimento do que a sua contraparte heterossexual. É claro que, com relação à homossexualidade masculina, este estudo contradiz diretamente os resultados presumidos pelo estudo realizado por Williams, o qual havia “demonstrado” que homens com vários irmãos mais velhos (os quais eram propensos a serem homossexuais) apresentavam uma maior exposição aos hormônios androgênios.

Um estudo comparativo entre trigêmeos dos quais dois eram heterossexuais e um era homossexual concluiu que o trigêmeo homossexual obteve uma maior pontuação no lado feminino da escala de masculinidade e feminilidade do Inventário Multifásico de Personalidade de Minnesota(14), sugerindo uma possível influência hormonal (menos hormônios androgênios) envolvida na orientação homossexual masculina.

Todos os estudos que apontavam para uma possível influência hormonal na homossexualidade sofrem da falta de uma evidência real de que os hormônios de fato desempenham algum papel na orientação sexual. O fato de que estudos contraditórios indicam um aumento(11,15) ou uma diminuição(13,14) de hormônios androgênios como base para a homossexualidade não gera confiança de que os indicadores indiretos sejam realmente válidos. Obviamente, um estudo que documente níveis hormonais reais, ao contrário de indicadores indiretos, poderia provavelmente fornecer dados mais definitivos.

Estudos envolvendo um raro desequilíbrio hormonal, a hiperplasia adrenal congênita (CAH), causada por uma enzima 21-hidroxilase defeituosa, sugeriu que anormalidades hormonais podem influenciar a orientação sexual. A CAH provoca um aumento na produção de hormônios masculinos durante o desenvolvimento. Em homens, o aumento no nível de hormônios androgênios tem pouco efeito. No entanto, fetos femininos que se desenvolvem neste ambiente desenvolvem uma genitália ambígua, o que complica seu desenvolvimento subsequente. O tratamento in útero com dexametasona reduz o desequilíbrio de hormônios androgênios, resultando em um indivíduo que é geneticamente e fenotipicamente feminino. No entanto, o tratamento com dexametasona também resulta em uma diminuição na orientação homossexual entre as mulheres tratadas(16), sugerindo que alguma homossexualidade pode resultar de influências hormonais durante o desenvolvimento. Grupos de direitos homossexuais sugeriram que o tratamento com dexametasona não seja administrado, devido à redução na orientação homossexual em mulheres afetadas por CAH.

Estudos em gêmeos

A observação de que fatores familiares influenciam a prevalência da homossexualidade levou ao início de uma série de estudos com irmãos gêmeos, os quais seriam um indicativo indireto para a presença de possíveis fatores genéticos. A maioria dos estudos mais antigos foi comprometido devido a falhas metodológicas. Kallmann escolheu uma amostra de indivíduos de instituições psiquiátricas e de correção comportamental – as quais não representavam exatamente populações “normais”.(17) Bailey et. al. publicou uma série de estudos no início da década de 1990, investigando os fatores familiares tanto em homossexuais masculinos como femininos. Estes estudos foram comprometidos pela maneira pela qual os indivíduos foram recrutados, uma vez que os pesquisadores realizaram o anúncio do recrutamento em publicações destinadas ao público gay, resultando em uma amostra distorcida.(18) Estudos posteriores realizados pelos mesmos pesquisadores não sofreram desta parcialidade na seleção amostral, e concluiu que a herdabilidade da homossexualidade na Austrália era de até 50 a 60% em mulheres mas somente de 30% em homens.(19)

Um estudo realizado por Kendler et. al. em 2000 examinou 1588 gêmeos selecionados aleatoriamente em uma pesquisa feita em 50000 famílias nos Estados Unidos.(20) O estudo descobriu que 3% da população consistia de não-heterossexuais (homossexuais e bissexuais) e havia uma concordância genética de 32%, um pouco menor do que a encontrada nos estudos australianos. O estudo perdeu significância estatística quando os gêmeos tiveram que ser separados em pares de homens e de mulheres, devido à baixa taxa (3%) de não-heterossexuais na população geral dos Estados Unidos.

Um estudo finlandês com gêmeos relatou o “potencial para uma resposta homossexual”, não apenas manifestação de um comportamento homossexual, como tendo um componente genético.(21)

Em uma deturpação aos estudos da homossexualidade em gêmeos, um grupo de pesquisadores australianos investigou se a homofobia seria o resultado da natureza ou da criação da pessoa.(22)Surpreendentemente, tanto fatores familiares e ambientais como fatores genéticos pareciam desempenhar um papel na determinação da homofobia ou não de uma pessoa. Ainda mais surpreendentemente, um outro grupo de pesquisadores nos Estados Unidos confirmou estes mesmos resultados independentemente (também incluindo a conclusão de que atitudes relacionadas ao aborto também eram parcialmente genéticas).(23) Assim, mesmo pessoas homofóbicas podem alegar que simplesmente nasceram desta maneira!

Estudos com gêmeos sofrem do mesmo problema da tentativa de distinguir entre fatores genéticos e fatores do meio onde o indivíduo vive, uma vez que os gêmeos tendem a viver dentro da mesma unidade familiar. Um estudo averiguando o efeito da ordem de nascimento na preferência sexual concluiu, “A falta de relação entre a força e o efeito e o grau de sentimentos homossexuais em homens e mulheres sugere que a influência da ordem de nascimento no sentimento homossexual não se dá devido a processos biológicos, mas a processos sociais nos indivíduos estudados.”(12) Assim, ainda que os estudos realizados em gêmeos possam sugerir um possível componente genético para a orientação homossexual, os resultados certamente não são definitivos.

Estudos genéticos – o “gene gay”

Um exame nas árvores genealógicas familiares revelou que homens gays possuíam mais parentes gays do sexo masculino a partir da linhagem materna do que a partir da linhagem paterna, sugerindo uma ligação entre a homossexualidade e o cromossomo X. Dean Harner(24) encontrou uma associação na região Xq28. Se a orientação sexual masculina fosse influenciada por um gene na região Xq28, então irmãos gays deveriam compartilhar mais do que 50% de seus alelos nesta região, ao passo que seus irmãos heterossexuais deveriam compartilhar menos do que 50% de seus alelos. Na ausência de tal associação, então ambos os tipos de irmãos deveriam demonstrar um compartilhamento de mais de 50% de alelos. Uma análise de 50 pares de irmãos gays demonstrou que estes compartilhavam 82% de seus alelos na região Xq28, o que era muito superior aos 50% que seriam esperados aleatoriamente.(25)No entanto, um estudo posterior realizado pelo mesmo grupo de pesquisadores, utilizando 32 pares de irmãos gêmeos gays encontrou apenas 67% de compartilhamento de alelos, o que era muito mais próximo dos 50% esperados aleatoriamente.(26) Tentativas feitas por Rice et. al. em repetir o estudo realizado por Harner resultaram em um compartilhamento de apenas 46% dos alelos, insignificativamente diferente do esperado aleatoriamente, contradizendo os estudos realizados por Harner.(27) Ao mesmo tempo, um estudo não publicado realizado por Alan Sanders (Universidade de Chicago) corroborou com os resultados de Rice.(28) Decisivamente, nenhum gene ou produto genético da região Xq28 foi sequer identificado que afetasse a orientação sexual. Quando Jonathan Marks (um biólogo evolucionário) perguntou a Harner qual era a porcentagem de homossexualidade que ele achava que os seus resultados explicavam, a sua resposta foi que ele achava que eles explicavam 5% da homossexualidade masculina. A resposta de Marks foi “Não existe nenhuma outra ciência além da genética comportamental na qual você pode deixar 97,5% de um fenômeno sem explicação e conseguir manchetes jornalísticas.”(29)

Experiência de abuso infantil

Um estudo com 13000 adultos na Nova Zelândia (com idade de 16 anos ou mais) investigou a orientação sexual como função do histórico da infância.(30) O estudo descobriu uma prevalência três vezes maior de abuso infantil entre aqueles que subsequentemente se engajaram em uma atividade homossexual. No entanto, o abuso infantil não era um fator importante para a homossexualidade, uma vez que somente 15% dos homossexuais experimentaram algum tipo de abuso na infância (comparado com 5% entre os heterossexuais).(30) Então, aparentemente, desta população apenas uma pequena porcentagem de homossexualidade (~10%) poderia ser explicada por experiências abusivas na infância.

Preferência ou orientação sexual?

Se a orientação sexual fosse completamente genética, deveria ser esperado que esta orientação não mudasse ao longo do curso da vida de uma pessoa. Em mulheres, a preferência sexual parece mudar ao longo do tempo. Um estudo realizado durante um período de 5 anos em lésbicas demonstrou que mais de um quarto destas mulheres abandonou suas identidades lésbicas/bissexuais durante este período: metade recuperou a sua identidade heterossexual e a outra metade não quis mais ser identificada por qualquer rótulo.(31) Em uma pesquisa feita com mulheres jovens (de 16 a 23 anos de idade), metade das participantes mudou suas identidades sexuais mais de uma vez durante um período de 2 anos.(32) Em outro estudo com pessoas que foram recrutadas de organizações que representam jovens gays/lésbicas/bissexuais (de 14 a 21 anos de idade) em Nova York, a porcentagem de pessoas que mudaram a orientação sexual de lésbica/gay/bissexual para uma orientação heterossexual foi de 5% em um período de apenas 12 meses (o período em que durou a pesquisa).(33) Outros estudos têm confirmado que a orientação sexual não é fixa em todas as pessoas, mas pode mudar ao longo do tempo, principalmente em mulheres.(34) Um exemplo recente de mudança na orientação sexual ocorreu com a “Pessoa do Ano” de 2005 da revista “The Advocate”. Kerry Pacer era a mais jovem defensora dos direitos gays, escolhida por sua iniciativa na criação de uma “aliança entre gays e heterossexuais” na escola White County High School em Cleveland, Geórgia.

No entanto, quatro anos depois, ela estava cuidando da sua filha de 1 ano de idade, junto com o pai da criança.(35) Outra ex-lésbica, a comediante britânica Jackie Clune, passou por 12 anos em relacionamentos lésbicos antes de se casar com um homem e de ter 4 filhos.(36) Michael Glatze, aos seus 20 anos de idade, passou a ser um líder no movimento dos direitos homossexuais. Com 30 anos de idade, ele caminhou para a direção oposta, dizendo: “Em minha experiência, sair da influência de uma mentalidade homossexual foi a coisa mais libertadora, bonita e estupenda que já aconteceu em toda a minha vida.”(37) Um estudo realizado em 2011 com gays cristãos que queriam mudar a sua orientação sexual descobriu que 23% dos envolvidos relataram uma “conversão” bem sucedida para uma orientação heterossexual, enquanto que outros 30% relataram uma castidade comportamental estável com uma substancial “desidentificação” com uma orientação homossexual.(38) No entanto, 20% dos envolvidos relataram uma desistência no processo e abraçaram totalmente a identidade gay, enquanto outros 27% se encontravam no meio entre os dois extremos. (38) Obviamente, para pelo menos algumas pessoas, ser gay ou heterossexual é algo que eles podem escolher.

A questão da natureza vs. criação também pode ser vista comparando-se as crianças de pais homossexuais e de pais heterossexuais. Se a homossexualidade fosse puramente biológica, era de se esperar que os pais não teriam influência sobre ela. Paul Cameron publicou um estudo em 2006 que dizia que as crianças de pais homossexuais expressavam uma orientação homossexual muito mais frequentemente do que a população geral.(39) Apesar das alegações de parcialidade feitas contra o estudo, outro estudo realizado por Walter Schuum em 2010 confirmou os resultados de Cameron através de uma análise estatística de 10 outros estudos que examinavam esta questão.(40)

No total, 262 crianças criadas por pais homossexuais foram incluídas na análise. Os resultados demonstraram que 16-57% dessas crianças adotaram um estilo de vida homossexual. Os resultados foram ainda mais expressivos em filhas de mães lésbicas, em que de 33% a 57% destas se tornaram lésbicas. Uma vez que os homossexuais representam apenas ~5% da população, fica claro que os pais influenciam a orientação sexual.

Sempre fico espantado quando as pessoas me dizem que elas nasceram gay. Olhando para as minhas experiências passadas, eu nunca diria que eu “nasci heterossexual”. Eu realmente nunca tive nenhum interesse em garotas até aproximadamente a sétima série. Antes disso, elas não eram realmente interessantes para mim, uma vez que elas não se interessavam por esportes ou por andar de bicicleta ou fazer qualquer outra coisa que eu gostava de fazer.

Homossexualidade e Darwinismo

Eu não sou muito fã da evolução Neodarwinista. No entanto, existem claras evidências de que a seleção natural (e seleção sexual) atuam em populações de animais e tem agido em nossa própria espécie para produzir diferenças raciais.(41) A seleção natural postula que aquelas mutações genéticas que favorecem a sobrevivência e a reprodução serão selecionadas, ao passo que aquelas que comprometem a sobrevivência e a reprodução serão eliminadas. Obviamente, um gene ou uma série de genes que produzem indivíduos que não se reproduzem (i.e. aqueles que expressam um comportamento puramente homossexual) seriam rapidamente eliminados de qualquer população. Então, deveria ser esperado que qualquer “gene gay” fosse eficientemente removido de uma população. No entanto, é possível que um gene favorecendo a homossexualidade masculina pudesse se “esconder” dentro do genoma humano se este se encontrasse no cromossomo X, onde ele pudesse ser carregado por mulheres reprodutoras, e não ser sujeito a uma seleção negativa por homens não-reprodutores. Para que sobrevivesse(m), era de se esperar que o(s) gene(s) estivesse(m) associado(s) a uma maior capacidade de reprodução nas mulheres que o carrega(m) (compensando a geração de homens não-reprodutores). Eu não consigo imaginar um cenário genético em que a homossexualidade feminina sequer fosse persistir em uma população.

Estudos genéticos reais?

Durante a última década, a análise genética de características hereditárias avançou muito com o advento da tecnologia de microarranjo do DNA. Utilizando-se esta tecnologia, é possível varrer grandes sequências do genoma humano (ou até mesmo uma varredura completa de um genoma – GWAS) em vários indivíduos a um custo relativamente baixo. A tecnologia de microarranjo levou à descoberta dos genes que estão associados a doenças complexas, como a Doença de Crohn, a qual é assunto de minha própria pesquisa. Se a homossexualidade realmente tiver um componente genético, os estudos com o microarranjo do DNA podem não somente provar isso definitivamente, como também identificar o(s) gene(s) específico(s) ou loci que poderiam estar associados com a orientação homossexual.

A primeira tentativa de se varrer um genoma em homens homossexuais foi realizada por Mustanski et. al. em 2005. (42) Os resultados sugeriram uma possível ligação próxima ao microssatélite D7S798 do cromossomo 7q36. No entanto, uma tentativa de repetir este achado (junto com ~6000 SNPs espalhados comparativamente uniformemente em todo o genoma humano) não conseguiu encontrar SNPs significantes. No entanto, um terceiro estudo utilizando uma população amostral de chineses encontrou uma associação fraca no polimorfismo SHH rs9333613 do gene 7q36.(44) Um estudo mais geral, investigando a escolha de parceiros entre diferentes populações, não encontrou nenhuma ligação genética, levando os pesquisadores a especular que estas escolhas fossem “culturais”(45). Desse modo, os estudos preliminares de possíveis causas genéticas para a orientação homossexual tende a excluir qualquer componente genético dramático para a orientação sexual.

Conclusão

Por que algumas pessoas são homossexuais?

A questão sobre como a orientação sexual surge tem sido o motivo de muita pressão, com a impressão geral sendo promovida de que a homossexualidade é determinada mais por uma questão de genes do que por fatores ambientais. No entanto, ao se examinar a literatura científica, descobre-se que esta questão não é tão clara quanto as notícias veiculadas pela mídia sugerem. Os estudos mais antigos que relataram diferenças nos cérebros de homossexuais foram complicados por infecções causadas pelo vírus HIV e não foram substanciados por estudos maiores e mais controlados. Numerosos estudos relataram que possíveis diferenças hormonais afetam a orientação sexual. No entanto, tais estudos eram muitas vezes diretamente contraditórios, e na verdade nunca mediram nenhum nível hormonal, mas utilizaram indicadores indiretos para avaliar influências hormonais, sem nenhuma evidência direta de que esses indicadores realmente representavam os verdadeiros níveis e desequilíbrios hormonais.

Estudos realizados em irmãos gêmeos mostraram que provavelmente existem influências genéticas para a homossexualidade, apesar de que estudos similares também demonstraram influências genéticas para a homofobia ou até mesmo oposição ao aborto.

Abuso infantil também tem sido associado à homossexualidade, mas, no máximo, explicaria apenas 10% das pessoas que expressam alguma orientação homossexual. O fato de que a orientação sexual não é constante para muitos indivíduos, mas que esta pode mudar ao longo do tempo sugere que pelo menos parte da orientação sexual seja uma questão de preferência.

Tentativas de se encontrar um “gene gay” nunca identificaram algum gene ou produto genético que esteja de fato associado com a orientação sexual, com estudos não confirmando as sugestões propostas de que existe alguma ligação entre a homossexualidade e a região Xq28 do cromossomo X. A questão de influências genéticas sobre a orientação sexual tem sido investigada recentemente com o auxílio da tecnologia de microarranjo do DNA, porém os resultados não conseguiram apontar para genes específicos como um fator determinante da orientação sexual.

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24.    Dean Hamer ganhou ainda mais notoriedade ao publicar um livro intitulado O Gene de Deus: como a fé é Hardwired em nossos genes, que uma revisãocientífica americana de O Gene de Deus disse que deveria ter sido intitulado, “um gene que representa menos de um por cento do variância Encontrado em pontuações em questionários psicológicos concebido para medir um fator chamado auto-transcendência, que pode significar tudo de pertencer ao Partido Verde para Crer no ESP, de acordo com um estudo, inédito replicado. “

25.    Hamer, DH, S. Hu, VL Magnuson, N. Hu, e AM Pattatucci. 1993. A ligação entre marcadores de DNA do cromossomo X e de orientação sexual masculina.Science 261: 321 .

26.    Hu S., AM Pattatucci, C. Patterson, L. Li, DW Fulker, SS Cherny, L. Kruglyak, e Hamer DH. 1995. Relação entre orientação sexual e Xq28 cromossomo em homens, mas não em mulheres.Nat. Genet. 11:248-56 .

27.    Rice, G. Ebers, C. Anderson, N. Risch, e G.. 1999. Homossexualidade Masculina:. Falta de ligação para marcadores microssatélites em Xq28 Ciência 284: 665-667 .

28.    Wickelgren, I. 1999. Descoberta de ‘Gay Gene questionada. Ciência 284: 571 .

29.    Marcas, J. 2002. que significa ser 98% Chimpanzé: Apes, pessoas, e seus genes .

30.    Múltiplos aspectos da Orientação Sexual: Prevalência e correlação dos fatores sociodemográficos em uma Nova Zelândia Pesquisa Nacional por J. Elisabeth Wells, A. Magnus McGee e L. Annette Beautrais DOI: 10.1007/s10508-010-9636-x

31.    Diamond, LM 2003. Foi uma fase? Abandono de jovens mulheres de lésbicas / bissexuais identidades ao longo de um período de 5 anos. J. Pers. Soc. . Psychol 84: 352-64 .

32.    Diamond, LM 2000. Identidade sexual, atrações, e comportamento sexual entre os jovens de minorias mulheres durante um período de 2 anos. Dev. . Psychol 36: 241-50 .

33.    Rosario M., EW Schrimshaw, J. Hunter, e L. Braun. 2006. Desenvolvimento da identidade sexual entre os jovens gays, lésbicas e bissexuais:. Consistência e mudança ao longo do tempo . Res sexo J 43: 46-58 .

34.    Kinnish, KK, Strasberg, DS, Turner, CW, 2005. Diferenças de sexo na flexibilidade de orientação sexual: uma avaliação multidimensional retrospectiva.Archives of Sexual Behavior 34, 173-183 .

35.    Opa! “Pessoa do Ano” lésbica na Imprensa Gay vai direto com bebê por Tim Graham.

36.    Ex-lésbica: eu ansiava o equilíbrio emocional do relacionamento hetero por Kathleen Gilbert.

37.    Michael Glatze. 2011. Como líder de direitos dos gays ficou retaWorldNetDaily.

38.    Stanton L. Jones e Mark A. Yarhouse. 2011. Um estudo longitudinal de tentativa de mudança de orientação religiosa mediada sexual. Journal of Sex and Marital Therapy 37: 404-427 .

39.    Cameron P. 2006. Filhos de homossexuais e transexuais mais aptos a ser homossexual. J. Biosoc. Sci. 38:413-418 .

40.    Schumm, WR 2010. Filhos de homossexuais mais aptos a ser homossexuais? Uma resposta a Morrison e Cameron com base em um exame de múltiplas fontes de dados. J. Biosoc. Sci.42:721-742 .

41.    Veja início slideshow online com A Origem das Raças: Fatos Corrida .

42.    Mustanski, BS, Dupree, MG, Nievergelt, CM, Bocklandt, S., Schork, NJ & Hamer, DH 2005. Uma varredura do genoma de orientação sexual masculina.Hum.. Genet. 116, 272-278 (2005).

43.    Ramagopalan, SV, DA Dyment, L. Handunnetthi, GP Rice e Ebers GC. 2010. Uma varredura do genoma de orientação sexual masculina. J. Hum.. . Genet55: 131-132 .

44.    Wang, B., Zhou S., Hong F., J. Wang, Liu X., Y. Cai, Wang F., Feng T., e Ma, X. 2011. Associação análise entre o SNP Tag para Sonic Hedgehog Polimorfismo rs9333613 e Orientação Sexual Masculino J. Androl. 2011 22 de setembro .

45.    Laurent, R., B. Toupance, e R. Chaix. 2012. Não aleatória escolha de parceiro em humanos:. Insights de uma varredura do genoma Ecologia Molecular21:587-596 .

Fonte: http://www.godandscience.org/evolution/genetics_of_homosexuality.html

***

Richard L. Deem é biólogo com mestrado em microbiologia pela Califórnia State University de Los Angeles, e tem se dedicado à pesquisa científica desde 1976. Ele é autor e co-autor de vários estudos em diversas áreas da biologia molecular e genética, imunologia, doença inflamatória intestinal, células exterminadoras naturais e doenças infecciosas. Seu trabalho tem sido apresentado a inúmeros congressos internacionais.

Tradução de Fábio Pinho

Fonte original http://www.godandscience.org/evolution/genetics_of_homosexuality.html

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* A beleza e a riqueza dos sexos Masculino e Feminino.

sábado, janeiro 26th, 2013

A Riqueza dos dois Sexos

Negando a diversidade fértil, negamos a identidade do ser humano como conjunto de alma e corpo e contestamos a própria raiz da natureza humana.

Reuters/Christian Hartmann

‘Papai e mamãe’: multidão protesta em Paris contra o matrimônio homoafetivo

Nas grandes manifestações organizadas em Paris em protesto contra o projeto de legalização do casamento entre homossexuais e a possibilidade de esses adotarem filhos, e portanto também gerá-los por meio da procriação assistida, representantes das três religiões monoteístas – católicos, judeus e muçulmanos – marcharam lado a lado.

A defesa da família “natural” aproximou suas posições, embora permaneçam – pelo menos para o Islã – as grandes diferenças na questão do papel da mulher. Mas, principalmente, criou-se uma forte aliança entre Gilles Bernheim, grão-rabino da França, e o papa Bento XVI: Bernheim redigiu um documento muito convincente contra o casamento gay, que o papa mencionou no discurso de Natal à cúria, revelando considerá-lo “cuidadosamente documentado e profundamente tocante”, e citando amplos trechos.

O ponto no qual ambos convergem é o reconhecimento da riqueza da criação de uma humanidade dividida em dois sexos, uma diversidade que se torna imediatamente fertilidade e garante a continuidade do grupo humano e o vínculo entre as gerações.

De fato, é a fecundidade que fundamenta a distinção masculino/feminino, o que significa que ela se baseia no esquema da geração.

Negando esse caráter de diversidade fértil, negamos a identidade do ser humano como conjunto indivisível alma e corpo, e contestamos a própria raiz da natureza humana, propondo outra natureza composta apenas de espírito e vontade. Aceitando essa última possibilidade, o homem nega que deva algo à natureza, a sua própria natureza, e propõe uma identidade construída apenas sobre sua vontade e seu desejo.

Compreende-se de imediato que essa posição constitui o atentado mais radical à própria existência de um criador, que doou ao ser humano uma identidade pré-constituída, dotando-o de um corpo que pode pertencer a dois gêneros diferentes, macho e fêmea. Se a dualidade homem-mulher for substituída por uma identidade neutra, a do gênero, que depende apenas do desejo individual, a família como lugar da procriação deixará de existir. De fato, a família à qual os gays querem ter acesso não é mais uma família, porque não é o lugar da procriação dos filhos. Como escreveu o rabino Bernheim, a prole perde o lugar e a dignidade que lhe cabe, torna-se um objeto ao qual a pessoa tem direito, um objeto que ela pode adquirir por meio da engenharia procriativa.

As conclusões sobre as consequências dessa mudança são convergentes: se o sexo deixa de constituir um dado originado pela natureza, pela realidade corporal, mas constitui apenas um papel social, ao qual o homem pode ter acesso por uma decisão autônoma, o que está realmente em jogo, como escreveram Bento XVI e o rabino Bernheim, é “a visão do próprio ser, daquilo que realmente significa ser homens”.

A gravidade da situação foi portanto percebida pelos líderes religiosos com a mesma dramaticidade, e isso explica sua aliança natural na defesa da família, batalha na qual, como afirmou Bento XVI, o que está em jogo “é o próprio homem”, motivo pelo qual “quem defende Deus, defende o homem”.

A posição do Vaticano a respeito dessa matéria é, portanto, clara e coerente com as posições defendidas nos anos passados diante das graves questões bioéticas que o desenvolvimento tecnológico e científico impuseram à cultura contemporânea. O respeito pelo ser humano e por sua natureza original, criada por Deus, e a concepção do homem como conjunto indivisível de alma e corpo, ao qual a encarnação conferiu um estatuto espiritual: são esses os fundamentos de todo pronunciamento bioético da Igreja.

Consequentemente, o comportamento sexual e as questões levantadas no início e no fim da vida nunca são vistas exclusivamente como médicas, ou exclusivamente como materiais – referimo-nos a quem considera o embrião um conjunto de células, ou um doente terminal inconsciente um resíduo de que as pessoas devem se desfazer -, mas como problemas que dizem respeito à identidade em seu conjunto, psíquica e espiritual, do ser humano, criado à imagem de Deus.

O conflito entre essa posição da Igreja – caracterizada por uma grande coerência – e as exigências de um progresso tecnológico-científico que pretende ser autônomo e livre de todo vínculo ético eclodiu pela primeira vez em 1968, com a encíclica Humanae Vitae. Nela, Paulo VI negava a legitimidade moral das práticas anticoncepcionais que intervêm para deformar o sentido e o fim da relação sexual. E propunha realizar, se necessário, uma regulamentação dos nascimentos por meio de métodos naturais. Mas nem a descoberta, pelo casal Billings, de um método natural dotado de probabilidades de eficácia extremamente elevadas, com a vantagem de ser gratuito e não prejudicar a saúde da mulher, impediu que a Igreja fosse acusada de obscurantismo e insensibilidade em relação aos problemas dos casais.

A Humanae Vitae, assim como a encíclica que a antecedera sobre o tema, Casti Connubili (1931), recorre à ideia de natureza, direitos naturais e condição natural como requisitos criados por Deus a serem compreendidos e salvaguardados. A própria ideia de um início natural da vida, e de um fim igualmente natural, a ser defendida, está na base das posições da Igreja referentes aos problemas bioéticos relacionados ao estatuto do embrião e à eutanásia.

A quem argumenta com o fato de que já não existe mais nada de natural, porque tudo que diz respeito ao ser humano foi manipulado, a Igreja sempre responde procurando distinguir, em todas as circunstâncias, a escolha que mais se aproxima da condição natural, sobretudo a que mais garanta a dignidade do ser humano.

Pois, como já foi dito a propósito do casamento homossexual, o conflito de fundo versa sobre a identidade da natureza humana, problema levantado no final do século 19, com a difusão do evolucionismo: o ser humano será simplesmente o animal mais evoluído, ao qual portanto é possível aplicar o mesmo tratamento aplicado aos animais, ou ele é qualitativamente outro ser, e exige um respeito diferente e uma defesa mais severa? É essa a questão de fundo, a respeito da qual – como é compreensível – as religiões têm muito a dizer e que determina as escolhas bioéticas.

Não por acaso a eugenética se afirmou e se difundiu em seguida, e em consequência de certo tipo de evolucionismo, fortemente antirreligioso, e as questões éticas relativas ao ser humano – do aborto à seleção dos embriões sãos, e à morte assistida – são a consequência direta da posição que o indivíduo defende a esse respeito.

De todo modo, percebemos hoje, cada vez mais claramente, que as posições que podem ser definidas como ditadas por uma visão religiosa do mundo são compartilhadas, embora às vezes apenas em parte, por intelectuais laicos, como os filósofos Jürgen Habermas e Sylviane Agacinski, ou na Itália pela psicanalista Sivia Vegetti Finzi, motivo pelo qual não podem ser menosprezadas como remanescentes de uma mentalidade conservadora, imobilista e clerical.

Bento XVI destacou recentemente que, além da ecologia da natureza, é necessária uma ecologia do ser humano, a fim de defendê-lo das manipulações e degradações, frequentemente irreversíveis, às quais tende a ser submetido. Isso significaria, novamente, colocar o ponto de vista da Igreja ao lado do dos ecologistas, e não considerá-lo um sintoma de subdesenvolvimento cultural.

Foi exatamente esse ponto de vista diferente, o fato de vermos na Igreja uma visão original e crítica do que é politicamente correto dominante, que me levou – enquanto historiadora, ativista do movimento estudantil de 1968 e feminista – a defender as posições católicas, descoberta que vejo repetir-se nos meus alunos menos alinhados com a mentalidade corrente.

Ao mesmo tempo, tenho a consciência de que sempre existiu – conforme o comprova a história da Igreja – um feminismo cristão, que tende a valorizar a diferença feminina em lugar de palmilhar o caminho da assimilação ao modelo dominante, o masculino. Evidentemente, na Igreja há a necessidade de uma maior abertura para o feminino, de um reconhecimento do imenso papel desempenhado pelas mulheres nas formas mais diversas, mas essa é uma batalha que deverá ser travada em uma instituição que compartilha da minha ideia de mulher, que não acredita que a liberdade das mulheres possa fundamentar-se na legalização do aborto e na liberalização de todo tipo de contraceptivo, isto é, na negação da maternidade.

É por isso que, embora consciente da falta de reconhecimento do papel da mulher em seu interior, acredito que hoje a Igreja seja a única instituição que defende a identidade feminina de um achatamento que tende a apagar sua especificidade. A única que se contrapõe a novas formas de escravização do corpo feminino, como a venda de óvulos – produzidos com graves danos para a mulher – e a prática do aluguel do útero, evidentemente implícita no reconhecimento da procriação aos casais homossexuais.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

(*) LUCETTA SCARAFFIA, HISTORIADORA E EDITORIALISTA DO L’OSSERVATORE ROMANO, LECIONA NA UNIVERSIDADE LA SAPIENZA DI ROMA. É MEMBRO DO COMITÊ NACIONAL ITALIANO DE BIOÉTICA. AUTORA, COM MARGHERITA PELAJA, DE CHIESA E SESSUALITÀ NELLA STORIA (LATERZA)

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-riqueza-dos-dois-sexos,986352,0.htm

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* Multidão em Paris contra “casamento” gay e feministas tiram a roupa no Vaticano.

domingo, janeiro 13th, 2013

Várias centenas de milhares de pessoas se concentraram neste domingo diante da Torre Eiffel, em Paris, para protestar contra o plano do presidente François Hollande de legalizar até junho o casamento entre homossexuais e a adoção de crianças por casais do mesmo sexo.

Três colunas de manifestantes, com bandeiras rosa e azul, mostrando figuras de pai, mãe e dois filhos, convergiram para o cartão postal de Paris vindos de diferentes pontos da cidade. Muitos chegaram ao local após longas viagens de trem e ônibus das províncias.

Hollande se comprometeu a levar a lei à aprovação do Parlamento, onde os socialistas têm maioria, mas a campanha dos opositores do casamento gay vem conquistando apoio público e obrigou os deputados a adiar a votação de uma proposta que permitiria a casais de lésbicas o acesso à inseminação artificial.

O Campo de Marte, parque ao redor da Torre Eiffel, ficou lotado, mas as estimativas de comparecimento variam muito. Os organizadores afirmam ter reunido 800 mil manifestantes enquanto a polícia estimava o número em 340 mil — um nível elevado de participação mesmo para a França, país onde os protestos de massa são frequentes.

“Ninguém esperava por isto há dois ou três meses”, disse Frigide Barjot, uma talentosa comediante que lidera o movimento nacional contra o casamento gay. No comício, ela leu uma carta a Hollande na qual pedia que retire o projeto de lei da pauta e amplie o debate público sobre a questão.

Fortemente apoiada pela hierarquia da Igreja Católica, Barjot e grupos que trabalham com ela mobilizaram para o protesto famílias de frequentadoras da igreja e pessoas do campo conservador, bem como muçulmanos, evangélicos e até mesmo homossexuais que se opõem ao casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O gabinete de Hollande informou que o comparecimento na manifestação foi “substancial”, mas não iria mudar a sua determinação de efetuar a reforma.


**************************************************************************************

Quatro militantes do grupo Femen protagonizaram hoje na Praça São Pedro, no Vaticano, mais uma manifestação em “topless”. 

As integrantes do movimento em favor do direito das mulheres e dos homossexuais exibiram mensagens de protesto no momento em que o papa Bento 16 veio à público.

As quatro mulheres estavam posicionadas ao lado da Árvore de Natal na praça, diante da Basílica de São Pedro. Quando o papa apareceu em sua janela para o Angelus, elas começaram a se despir, e em segundos mostraram os seios no meio dos fiéis.

As militantes exibiam no peito a expressão “Cale a boca” e nas costas “In gay we trust”, alusão a “In god we trust” [Em Deus confiamos, lema oficial dos Estados Unidos]. Algumas exibiam cartazes nos quais estava escrito em letras garrafais “Cale a boca”. 

O protesto durou apenas alguns minutos, até que elas fossem detidas por policiais. 

O Femen é conhecido desde 2010 por suas ações de “topless”, principalmente na Rússia, na Ucrânia e na Inglaterra. Em setembro, elas criaram em Paris “o primeiro centro de treinamento” do “novo feminismo”. 

O grupo defende também a democracia e o combate à corrupção. 

No na passado, simpatizantes do movimento criaram um braço do Femen no Brasil. Desde então, o número de integrantes no país passou a crescer, assim como os protestos feitos pelas mulheres, que tem perto de 20 anos, na maioria. 

A fundadora da unidade brasileira passou por testes e treinamento na Europa, onde as mulheres são treinadas até a reagir quando abordadas pelos policiais.

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* Em mensagem para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1 de janeiro, Papa Bento XVI condena aborto e uniões homoafetivas.

sexta-feira, dezembro 14th, 2012

O papa Bento XVI voltou a condenar o aborto, a eutanásia e as uniões homoafetivas em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1 de janeiro.

“Quem deseja a paz não pode tolerar atentados ou delitos contra a vida”, disse o Pontífice na mensagem, divulgada nesta sexta-feira pela Santa Sé e cujo título é “”Bem-aventurados os obreiros da paz”.

O texto é dividido em sete subtemas, entre eles “Educação para uma cultura de paz: o papel da família e das instituições”, “Construir o bem da paz através de um novo modelo de desenvolvimento e de economia” e “Uma pedagogia do obreiro da paz”.

Em um trecho da mensagem, Bento XVI diz que “aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão propondo a prossecução de uma paz ilusória”.

“A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana e, mais ainda, o assassinato de um ser humano indefeso e inocente, nunca poderão gerar felicidade nem a paz”, destacou o texto.

Em relação às uniões homossexuais, Bento XVI disse que “a estrutura natural do matrimônio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, prejudicam-na e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu caráter peculiar e a sua insubstituível função social.”

De acordo com o Papa, “estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa, mas sim, estão inscritos na própria natureza humana, sendo rec
onhecíveis pela razão e, consequentemente, comuns a toda a humanidade”.

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* Na Espanha: Lançam ao mercado “Presépio gay”.

terça-feira, dezembro 4th, 2012

ACI

O lobby gay na Espanha começou a divulgar a venda de presépios homossexuais, nos quais em vez de São José e a Virgem Maria, junto ao menino Jesus aparecem casais de homens gays ou de lésbicas, assim como três “rainhas magas”.

Os produtos são promovidos como “Beleneggays”, pois se tratam de ovos (eggs, em inglês) vestidos, que, conforme revelou sua criadora, Lola Soria, procuram “refletir os diferentes modelos de sociedade, aplicá-los ao Natal atual”.

A loja que distribui estes presépios se encontra em Madrid.

Os promotores do negócio, no site Web Ambiente G, ironizaram dizendo que “este ano (o presépio) pode ser um tanto diferente. Primeiro porque Bento XVI disse que no Presépio não deve ter havido boi nem jumento. E segundo, porque este ano vocês podem ter um Presépio do mais gay”.

Por sua parte, o presidente da Associação Colibri de Gays Cristãos, Alain Brouze, disse ao informativo espanhol La Sexta que “me parece muito bem (a iniciativa de presépios gay), porque a família de Jesus já é um pouco estranha. Poder-se-ia comparar a uma inseminação artificial ou uma adoção”.

Conforme denunciou a plataforma espanhola pró-família HazteOír, um leitor de seu website advertiu que este presépio gay constitui “um produto insólito e ofensivo para os cristãos”.

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Comentários
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
    em * França e Nova Zelândia aprovam o
  • •Fui "little monster" por 4 anos, sempre amei ela, só que eu não posso ser morno, ela já fez a primeira comunhão, era católica, não sei o pq dela virar isto, como eu conheço...
    em * Você é cristão e curte Lady
  • •O que tem que ser feito é o seguinte: O casamento civil é um contrato que pode ser desfeito no outro dia enquanto o sacramento do matrimônio é eterno, pois o que Deus uniu o...
    em * Mais uma tentativa de impor o
  • •Neste artigo dá para entender bem a diferença: http://www.deuslovult.org/2013/05/02/pedofilos-nao-sao-excomungados-mas-eu-fui/...
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Qual é a diferença entre EXCOMUNHÃO, e expulsão do estado clerical???? Gostaria que alguem me explicasse isso....
    em * Sacerdote culpado de abusos no
  • •Como posso falar do meu direito enquanto mulher se não respeito o primeiro direito do outro que é o direito a vida, todos temos direito de nascer mesmo se não fomos concebido em...
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •Que essa "ministra" diga isso para a sua descendência porque o coração duro ainda continua nas pessoas, como disse na carta de divórcio admitida por Moisés.Que ela leia o...
    em * Ministra da igualdade da Espanha
  • •esse livro so fala de heresias, e quem e catolico de verdade nao leria este livro horrivel...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •eu ja tinha percebido que o livro nao prestava, pois antes de participar do shalom, eu participava de outra comunidade que apoiva totalmente o livro, mas depois do shalom mudei...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •Triste como essa 'ditadura do relativismo' tem acorrentado e cegado tantos. Se declarando livres e tolerantes não percebem que estão sendo enganados. Um dia, também já me achei...
    em * Por que o ateísmo é tão comum
  • •CARÍSSIMA ELOÁ http://www.washingtontimes.com/news/2012/jun/10/study-suggests-risks-from-same-sex-parenting/ Pesquisa revela os perigos de famílias com...
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  • •Bom dia! Amo a Santa Bernadette! Até dia 19.04.13, não sabia nada a seu respeito. Dia 20.04.13, sonhei com ela e ela falou comigo. No sonho vi um padre vestido de preto, perto...
    em * Corpo incorrupto de Santa
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