Posts Tagged ‘Igreja’

* A Igreja é santa? “Quando algo está ferido é difícil entender que outras partes do corpo estão sãs”

sábado, março 13th, 2010
Entrevista com o teólogo Miguel De Salis

O tema da santidade da Igreja está contido no volume Concidadãos dos santos e familiares de Deus. Estudo histórico-teológico sobre a santidade da Igreja, escrito pelo sacerdote português Miguel de Salis, professor da Faculdade de Teologia da Pontíficia Universidade Santa Cruz.

No Prefácio do cardeal José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, em seu livro, fala da santidade como “dom de Deus” e “resposta do homem a Deus”. Falta esse dom na Igreja do século XXI?

–Miguel De Salis: Creio que não. Não faltam nem o dom nem a resposta. Basta pensar no rastro deixado por pessoas como Madre Teresa, Padre Pio, Maximiliano Kolbe, Piergiorgio Frassati, João Paulo II e tantos outros, por mencionar alguns dos personagens importantes que marcaram a história recente.

É possível ver a santidade através de alguma notícia publicada recentemente?

–Miguel De Salis: É possível, mas às vezes é difícil de encontrá-la. Algumas notícias mostram feridas, e quando algo está ferido é difícil entender que outras partes do corpo estão sãs.

Entretanto, sabemos que todos os cristãos aqui na terra devem se converterem a cada dia, e é necessária uma purificação para poder ver a santidade. O Concílio Vaticano II recordava na Lumen Gentium (8) que “a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação”.

Mas isso justifica o pecado?

–Miguel de Salis: De forma alguma. Todo pecado é uma ação contra Deus e contra sua Igreja. Com certeza, ainda que houvesse somente um caso comprovado de abuso, se trataria de um ato gravíssimo em total contraste com o Evangelho, uma violência tremenda contra um filho de Deus. Não há que ter medo da verdade. Nossa fé é fundamentada por Cristo, não nos homens nem no fato de ter uma vida em que o pecado dos demais não se faz sentir tanto.

Então, como compreender algumas das acusações dirigidas aos pastores da Igreja que não intervieram a tempo sobre alguns abusos?

–Miguel de Salis: O Catecismo da Igreja (827) recorda que “todos os membros da Igreja, incluindo seus ministros, devem se reconhecer pecadores. Em todos, até o final dos tempos, o joio do pecado se encontra misturado com o bom trigo do Evangelho.

A Igreja reúne portanto os pecadores alcançados pela salvação de Cristo, mas sempre em caminho de santificação”. É possível, como tem demonstrado a história, que aqueles que formam a Igreja atuem de forma contrária ao Evangelho, mas há muitos pastores (a Igreja tem mais de 5 mil bispos) que servem aos fiéis com uma dedicação e generosidade únicas. Basta pensar nos bispos presos na China, Vietnã e outros lugares do mundo. Ao invés de fazer a soma de tudo isso, deixe que Deus faça. Creio que isso nos convida a não desanimar.

Diante da experiência contrastante da santidade e do pecado na Igreja, é oportuno revisar experiências parecidas já vividas na história da Igreja e compreendê-las antes de inventar uma nova resposta. Isso supõe olhar ao nosso redor. Você percebe, quase com surpresa, que Deus segue habitando em nosso meio apesar de tudo. E isso tem duas consequências fundamentais.

Em primeiro lugar, nossa esperança não é ingênua nem inconsciente, mas está enraizada na certeza da ajuda de Deus.

A segunda consequência é a responsabilidade de todos os fiéis na Igreja, fundada pelo chamado de Deus, a colaborar na missão. Em outras palavras, diante do pecado do outro é necessário responder com santidade e não com outro pecado. E ninguém disse que a resposta santa deve ser sempre passiva. Há espaço para a criatividade humana: os santos eram criativos.

A Igreja é verdadeiramente santa?

–Miguel de Salis: Tradicionalmente se explica a santidade da Igreja distinguindo dois aspectos. O primeiro é que é objetivamente santo nela: os sacramentos, a Palavra de Deus, a presença de Cristo e do Espírito Santo, a lei moral e todos os demais dons que Deus lhe deu para que realize a missão confiada.

O segundo inclui os frutos da santidade causada pelos dons divinos oferecidos, quer dizer, os santos e a habitual vida na graça de Deus, vivida aqui na terra. Mas essa forma de participar na santidade da Igreja não consegue explicar bem a influência do pecado na Igreja e, portanto, em sua santidade vivida.

Então, como o senhor explica esses dois elementos nos tempos atuais?

–Miguel de Salis: Sempre haverá um pouco de desordem na vida da Igreja e sempre haverá desafios que esperam uma resposta criativa que requer trabalho e tempo.

A vida cristã é assim na terra: existe sempre a Cruz e esta é a porta de entrada ao Céu e à terra novos.

Coloco um exemplo: o venerável Newman dizia, depois de estudar a história da Igreja antiga, que atrás de cada Concílio havia sempre uma grande confusão. Ainda existem confusões hoje, e talvez mais amplas através da mídia.

Parece adequado o comportamento dos sacerdotes em países diversos?

–Miguel de Salis: Olhe o número de sacerdotes que em todo o mundo serve aos fiéis, são cerca de 400 mil. Celebram a missa, fazem catequese, cuidam dos enfermos, ajudam as famílias… O bem não faz ruído nem aparece nos jornais, mas o mal sim.

Basta olhar o número de sacerdotes mortos nesses últimos anos por seu compromisso com as pessoas mais pobres, ou o número de sacerdotes que sofrem perseguição por causa da fé e da defesa dos direitos humanos.

Todavia, é necessário entender que frequentemente as notícias são apresentadas de tal maneira que nos chamam a atenção. E em tempos onde a secularização é tão forte, como agora, a proporção de comportamentos equivocados entre os sacerdotes está nos mesmos níveis, ou menores, que a proporção entre os cidadãos que compõem as sociedades ocidentais.

Isso não exclui que tenham existido casos graves que podem não ter sido tratados adequadamente, e por isso a hierarquia tomou nota e tentou resolver os problemas, pedindo o perdão se necessário.

-Mas não parece que há detrás um comportamento contraditório?

–Miguel de Salis: Claro. Quando experimentamos o contraste em que um cristão faz e o que pretende fazer, encontramos a contradição. Nestes casos é tão contraditório quanto um membro fiel laico como um membro da hierarquia ou um religioso.

O dom da liberdade humana pode se dirigir a fazer o bem ou o mal, também enquanto formarmos parte da Igreja, sejamos ou não sacerdotes. Isso não deve assustar, se se tem fé em Deus e não no comportamento dos homens de Deus. Ao mesmo tempo, não devemos renunciar ou se acostumar contra o incentivo ao pecado, porque Deus pediu para nós transmitirmos com nossa vida o amor que ele tem por nós. Seguindo a atitude de Cristo, estamos chamados a responder com a santidade e a conversão na qual Deus nos ajuda com sua graça.

Zenit

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* Belo Horizonte ganha igreja evangélica com pastores e frequentadores homossexuais.

sexta-feira, março 12th, 2010

A cidade de Belo Horizonte recebeu no último dia 06 o culto de estréia da Igreja Cristã Contemporânea, uma iniciativa do casal de pastores cariocas Marcos Gladstones (34) e Fábio Inácio (29).

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A cerimônia de união dos pastores Marcos Gladstone e Fabio Inácio  no final de 2009Cerimônia de união dos pastores Marcos Gladstone e Fabio Inácio no final de 2009

Com o objetivo de oferecer a oportunidade de homossexuais conhecerem os ensinamentos bíblicos sem sofrerem discriminação, o casal de pastores tomou a decisão de abrir o espaço na cidade e pelo menos 30 pessoas marcaram presença no primeiro dia.

Os cultos são realizados provisoriamente no salão do hotel Amazonas e essa é a terceira unidade da Igreja Cristã Contemporânea que já conta com 500 membros nas demais unidades, ambas localizadas no Rio de Janeiro.

Em entrevista para o portal O Tempo, Marcos revela que a igreja é a realização de um sonho.

“Durante anos convivemos com os preconceitos contra os homossexuais. Enfrentamos conflitos pessoais, mas hoje sabemos que Deus nos aceita como somos.”

PASTORES  “CASADOS”

Marcos e Fábio já foram notícia no final de 2009 quando realizaram um cerimônia religiosa simbólica para oficializar a união de três anos. Eles escolheram o dia 20 de Novembro em comemoração ao Dia de Zumbi, por ser uma data representativa na luta contra o preconceito.

Fonte: Portal ” O Tempo”

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* Santa Sé: a Igreja não descansa em sua luta contra o abuso de menores.

sexta-feira, março 12th, 2010
Dom Silvano Tomasi, Observador Permanente da Santa Sé perante a ONU em Genebra

O Observador Permanente da Santa Sé ante a ONU em Genebra, Dom Silvano Tomasi, ressaltou ontem que a Igreja Católica não descansa em sua luta contra os abusos sexuais de menores em todo mundo e que este tema é de vital importância na agenda eclesiástica.

Em sua intervenção titulada “a luta contra a violência sexual contra as crianças”, pronunciada ontem na 13° sessão do Conselho de Direitos humanos que trata o tema dos direitos das crianças, o Núncio recordou que “o abuso sexual de menores sempre é um crime execrável”.

“A esta inequívoca condenação da violência sexual contra crianças e jovens, o Santo Padre  acrescentou a dimensão religiosa, precisando que isto também é ‘um grave pecado’ que ofende a Deus e a dignidade humana. A integridade física e psicológica é violada com conseqüências destrutivas” que com freqüência “estigmatizam os pequeninos pelo resta da vida”.

Depois de afirmar que alguns membros do clero também cometeram estes crimes, o Arcebispo recordou que “não existe desculpa para esta conduta, que é uma grave traição à confiança”. Deste modo explicou que “o amparo das agressões sexuais segue sendo uma prioridade na agenda de todas as instituições da Igreja enquanto lutam com este delicado problema” assegurando às vítimas e às suas famílias a assistência devida.

Seguidamente explicou que a Igreja é inflexível com quem comete este tipo de abusos e ressaltou que “a prevenção é o melhor remédio, e este começa com a educação e a promoção de uma cultura de respeito dos direitos humanos e da dignidade de todo menino, especialmente através da implementação de métodos eficientes para o recrutamento do pessoal das escolas”.

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* De Lutero a Roma: Testemunho de conversão de um Protestante que descobre-se filho da Igreja Católica.

terça-feira, março 9th, 2010

Depois de 3-4 anos a cruzar por Genebra, parece-me adequado que proclame a vitória de Roma sobre a minha alma.

Sei que há quem fique escandalizado com esta conclusão, quem duvide se não é odisseia a trajetória da minha peregrinação de fé. Porém, Chesterton, que contribuiu no ano passado para a minha conversão, defendia-se perante os seus críticos alegando que, na aventura que é a Ortodoxia, se vê como um velejador inglês que, num erro de cálculo, parte do Tamisa, dá toda uma volta ao mundo, e chega ao estuário londrino a pensar que descobriu as índias orientais. Para este, chegar à plenitude e pureza do Cristianismo durou toda a sua vida adulta.

Fico feliz por, aos 25 anos, me ver chegado a Casa. Fico também aliviado que, ao contrário das milhenas de pastores e presidentes de seminário e teólogos da fina flor do Evangelicalismo (em especial, Calvinistas como Scott Hahn, Peter Kreeft, Francis Beckwith, etc), não me vi vestido com a toga de Westminster quando me lancei ao meu nado rio Tibre adentro.

A questão, pois, fica: como foi possível? Sinto que devo explicações Ape. Primeiro que tudo, não mudei de fé.Apenas progredi no Caminho que Cristo palmeou para os Seus; um que não se fica pela epifania de Martinho Lutero no séc XVI. Não; ele inclui os 1500 anos anteriores, e inclui os S. Tomás de Aquinos, os Sto Agostinhos, os Sto Ireneus, os S. Clementes, Sto. Atanásios, os Sto Inácios e S. Policarpos que criam na Eucaristia, na Sucessão Apostólica, na Primazia Petrina, no Magistério romano, no Papado, no Dogma, etc.

Homens que amavam a Escritura e tinham-na como infalível e inspirada: a própria Palavra de Deus. Estudei insistentemente estes velhos santos. Uns, foram discípulos directos dos Apóstolos, outros discípulos dos discípulos; mas todos – herdeiros da sua Tradição (II Tes 3:5-6). Tradição que nunca incluiu a Sola Scriptura: essa coisa tão antibíblica. O devoto papista, Agostinho de Hiponas, presidiu a esse Concílio Ecuménico em Cartago, no séc IV, e o Novo Testamento foi anexado ao Velho. O da Septuaginta; o dos deuteroncanónicos. Agostinho cria na Escritura; e a Escritura cria na autoridade da Igreja sobre a Verdade (I Ti 3:15-16); a Escritura cria, segundo a mesma, em Concílios humanos e a sua infalibilidade, como relata no Livro de Atos, sobre a assembleia reunida em Jerusalém: toma-os como infalíveis e autoritários sobre as consciências de todos os cristãos em todo o lado.

E a Sola Scriptura? Ao fim de muita martelada, II Ti 3:16-17, parece falar da suficiência e adequação da Escritura para todo o ministério de Timóteo: não duma autoridade exclusiva da Escritura ou dum monopólio epistémico da Palavra preservada. Além do mais, o rapaz, segundo S. Paulo, conhecia aquelas Escrituras desde Jovem. Ora, pois, nem quando S. Paulo lhe escrevia isto havia epístolas paulinas, nem petrinas, nem universais; nem o Apocalipse ou o Evangelho e S. João – quanto mais na sua meninice. A Escritura perfeita e suficiente era, afinal, um Velho Testamento. A julgar pelas citações ad verbatim e exemplos históricos do Apóstolo (Gál 5) era pior: um desses com os textos deuterocanónicos que os Protestantes retiraram do Cânone – a Septuaginta.

A dada altura, pois, não fui mais capaz da ginástica intelectual de crer que sacerdotes romanistas perservaram, copiaram, e escolheram perfeitamente o Cânone da minha Escritura Protestante – a mesma da qual, em pleno séc XXI – fazia eu uso para mostrar as suas idolatrias. Se todos criam no que criam e como eu próprio verifiquei que criam, o que me faria crer que tais papistas, marianos, eucarísticos não corromperam o Texto? Ou omitiram mais livros apostólicos? Ou acrescentaram até apócrifos, como a Epístola a S. Tiago (que nega a Sola Fide no seu segundo capítulo), essa que Lutero quis, por palavras suas, ‘atirar para a fornalha’? Além do mais, este silêncio de 15 séculos em que as 5 Solas da Reforma nem em princípio existiram parecia contrariar, se é que a Ortodoxia é mesmo a Protestante, a promessa que Cristo fez a S. Pedro quando fundou nele a Sua Igreja: ou seja, afinal os portões do Hades sempre prevaleceram sobre ela.

Até à Dieta de Worms, pelo menos. E mesmo após esta, concedamos que, para o Evangélico do séc XXI, Lutero ainda sofria de resquícios hereges, ao assumir que Maria merecia toda a reverência e veneração, e ao não negar o Purgatório. O próprio Calvino não via motivos para contrariar a crença na virgindade eterna da Virgem e acreditava na Eucaristia e na Presença Real de Cristo nela. Mais ainda, ao olhar para as 33000 igrejas evangélicas e suas várias denominações, choraria com o triunfo dos Anabaptistas radicais – gente que separou o Estado da Igreja, que nega a regeneração baptismal e recusa-se a aspergir os ‘filhos da Aliança’, os bebés da promessa abraâmica. Mas sobre a anarquia eclesiástica Protestante falarei mais tarde.

Importante é que ainda como bom escrituralista, e sem dar por isso, comecei a crer no que não sabia eu ser Dogma. João 6, de repente, parecia a estar ensinar a Eucaristia (afinal, se Jesus falava apenas simbolicamente do Pão e do Vinho, porque confirmou Ele aos canafurnanitas que o acusavam de promover canibalismo que era o Seu Corpo ‘verdadeiramente’ Pão, e o Seu Sangue ‘verdadeiramente’ Vinho?); Mateus 16, subitamente, parecia conferir uma primazia apostólica sobre S. Pedro; I Coríntios 3, num momento, ensinava claramente o Purgatório; os capítulos iniciais de Lucas pareciam agora exaltar a Virgem para lá do mero ‘respeito’ Protestante, etc.

Porém, como haveria eu evangelizar os meus irmãos Evangélicos sobre estas e outras realidades? No fim, era apenas a ‘minha interpretação’. Que importa a suposta clareza e autoridade da Escritura, se a maioria dos Evangélicos consegue perfeitamente ler sobre ‘arrebatamentos secretos’ e helicópteros no Livro de Revelação, mas não vê a Transubstanciação em João 6, e fica impune se confrontado biblicamente?; se não vê qualquer Purgatório em I Coríntios 3, mas discerne o ambientalismo de Al Gore em Génesis 1?; se não compreende a veneração mariana presente nos capítulos iniciais de Lucas, mas entende a importância da apoiar o Estado de Israel até que o Templo seja restaurado e Jesus possa voltar, lendo [as notas de rodapé] do livro apocalíptico joanino? – Onde está, pois, a Sola Scriptura? Onde está a autoridade bíblica exclusiva? Nasceu e morreu na Dieta de Worms:

‘A menos que eu seja convencido pelas Escrituras e a simples lógica, não aceito a autoridade do Papa e dos Concílios, pois estes se contradisseram, e eu fico, pois, sem escolha. A minha consciência está sob o cativeiro da Palavra de Deus. Não poderei nem irei eu retractar-me, pois ir contra a consciência não é correcto nem seguro. Deus me ajude. Ámen.’

Porém, ao estabelecer a Igreja reformada, tendo já instituído o produto da sua consciência, a Concórdia, Lutero, argui assim:

‘A minha doutrina não pode ser julgada por ninguém, nem pelos anjos. Quem não crer na minha doutrina, não poderá ser salvo.’ [sic]

Quando se relativiza tanto a Palavra de Deus e se dilui a autoridade pastoral ao ponto da opinião; quando se vota a eclesiologia à anarquia, retirando à Igreja a legitimidade para ‘ligar’ e ‘desligar’; quando se auto-ordenam bispos e presbíteros sem que sejam estes enviados por um sucessor apostólico; que Sola Scriptura resta, se nisto e em tanto mais a Escritura não é obedecida, nem fonte autoritativa existe para que se estabeleça e institutua objectivamente o que ela ensina, para todos os cristãos em todo o lado? Mas mais sobre o relativismo doutrinal Protestante mais tarde.

Porém, foi assim, pois, que caí do meu cavalo de Saulo. Não pude mais pontapear os aguilhões. Há anos, li sobre Henri Nouwen, e como este adormecia em oração, pedindo a Deus que Ele lhe desse uma razão para permanecer Protestante. Mas Deus deu-lhe, em vez, milhenas razões para se tornar Católico. Assim foi comigo. Sinto, hoje, intimidade com os cristãos de todos os séculos e de todo o mundo, do dia de hoje até aos Apóstolos e os seus discípulos, que rodeavam a Eucaristia, e em redor dela viviam, cristocentricamente e cruciformemente. Sinto, como Chesterton, que não sou já apenas um filho dos meus pais e um filho da minha era, mas um filho de Deus e da Sua Igreja, fundada no ano 33 em Jerusalém. E isto salva um pós-moderno, acreditem.

Pro Christo et Humanitate,
Nuno Fonseca

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* Profanação de igrejas na França: “se for preciso gritar, gritaremos”

sexta-feira, março 5th, 2010

Após a profanação da igreja de Morangis, em Essones, na França, o bispo de Evry-Corbeil-Essonnes, Dom Michel Dubost denunciou a “passividade” do poder público.

Em um comunicado divulgado em  fevereiro no website da diocese, Dom Dubost denunciou os “atos de vandalismo” que “profanaram o Santíssimo Sacramento”.

Enquanto “as autoridades, a imprensa e a opinião pública condenaram energicamente os recentes ataques a uma mesquita e a uma sinagoga”, “ninguém se manifestou acerca do ataque à igreja”, lamenta o bispo de Evry em comunicado.

Após uma série de furtos e profanações, o prelado propôs a criação de uma comissão para visitar as igrejas e propor medidas concretas visando a melhorar sua segurança contra furtos e atos de vandalismo.

Entretanto, afirmou “ter sido informado de que, juridicamente, não tem esse direito” e que a única resposta aceitável seria “a formação de uma comissão oficial”.

Enquanto isso, “os abusos continuam”, disse o bispo francês, acrescentando que “o poder público passa a ser o único responsável” por sua “passividade”.

“Pessoalmente, não posso aceitar tais profanações. Se for preciso gritar, gritaremos. Afinal, também nós somos cidadãos”.

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* Católicos do Brasil: O que Deus espera de nós diante dos desafios de nossa sociedade?

domingo, fevereiro 21st, 2010

Pe. Demétrio Gomes da Silva

A cada dia intensifica- se um laicismo anti-católico no Ocidente, uma afronta a nossas raízes cristãs. No entanto, não percebemos uma reação forte por parte dos católicos. Podemos notar que também no Brasil o mesmo é crescente.

A Igreja é colocada cada vez mais como a vilã da história e da sociedade, contrária ao progresso, etc. Tudo isso, porque tem a coragem de denunciar seu comportamento pecaminoso no que fere a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem: aprovação ao aborto, a união legal de pessoas de mesmo sexo – com adoção de crianças -, manipulação genética de embriões – como se fossem seres descartáveis -, inseminação artificial, eutanásia, suicídio assistido, controle egoísta da natalidade, distribuição de camisinhas e de pílulas do dia seguinte aos jovens etc.

A Igreja Católica, que é a Lumem gentium (Luz dos povos) faz a Luz de Cristo brilhar nas trevas deste mundo, missão que o Senhor lhe confiou, mas as trevas gritam contra ela. “… a vida era a luz dos homens; e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a compreenderam. .. Ele estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu” (Jo 1, 4-10).

Em nosso Brasil, a maioria do povo diz ser católica, nossas raízes são católicas, nossa cultura e nossa tradição são católicas, mas esse povo infelizmente é quase analfabeto em doutrina, e muitas vezes alienado da realidade política e social; isso o deixa a mercê das seitas e de minorias que desejam implantar ideologias contrárias à fé da maioria. Esse povo bom, mas inculto, que na sua maioria não lê um jornal ou revista, e só se informa pela televisão, facilmente se deixa enganar até mesmo por um governo que propõe medidas ofensivas a moral católica, como acontece agora com o Plano Nacional de Direitos Humanos – 3, que é desumano.

Este Plano, por exemplo, propõe a aprovação do aborto, do casamento de pessoas do mesmo sexo com adoção de filhos, a retirada dos símbolos religiosos católicos das repartições públicas, restringe a livre expressão das idéias, incentiva as invasões de propriedades alheias, limita a ação da justiça nas reintegrações de posse a seus legítimos donos, sugere a revisão da Lei da Anistia, ameaçando agitar a sociedade etc.

No entanto, em que pese toda manifestação dos bispos, a maioria da população católica parece ainda inerte, imóvel, omissa, como se nada estivesse acontecendo. Ou não toma conhecimento dos fatos ou o ignora de maneira alienante. Também grande parte do povo católico se satisfaz com o pão e o circo oferecidos pelo governo que age de maneira imoral.

Esse povo não reage nem mesmo quando a fé católica é ofendida, a Igreja atacada, os sacramentos profanados, os santos ridicularizados e muitas vezes caricaturados, etc.

Estamos sofrendo uma guerra declarada. Já vivemos um martírio incruento, e não será surpresa se em breve se tornar cruento, também em nosso país, como acontece hoje na Índia, no Iraque, na Arábia Saudita etc., onde milhares de cristãos são mortos pelo simples crime de seguirem a Jesus Cristo.

Como unir e acordar esse povo católico, para que de maneira organizada e ordeira enfrente essa onda anti-católica que atravessa o mundo e também o Brasil?

Em nossa Igreja no Brasil, (…) acabamos abandonando os postos chaves na sociedade que outrora ocupávamos: as universidades, os laboratórios científicos, o mundo da cultura etc. Deixamos, assim, espaço aberto para que os marxistas pudessem fazer a cabeça daqueles que são hoje a cabeça da sociedade.

É preciso levar o povo católico a conhecer a verdade, ser informado, e deixar de ser manipulado; este é o grande desafio atual. Pensamos que a Igreja é capaz de furar essa crosta que impede esse povo bom e desinformado de tomar conhecimento e participar da luta contra, por exemplo, esse PNDH, porque a mídia jamais vai fazer isso. Como diz Pe. Paulo Ricardo “há uma espiral de silêncio” que precisa ser quebrada.

Temos que unir forças. Voltar a conquistar estes meios. Construir uma rede com as pessoas boas – não só na intenção, mas com qualidade espiritual, humana, profissional – e organizar com inteligência nosso apostolado. Temos a firme esperança aí que não contamos somente com meios humanos, e, por isso, devemos ser audazes. Nesse sentido, não podemos esquecer que, antes de qualquer técnica de ação, devemos estar inteiramente unidos a Deus através de nossas armas sobrenaturais. Daí deve derivar, diante de tudo, um profundo otimismo, não ingênuo, mas espiritual, fruto da convicção de que com Ele nos tornamos onipotentes.

Os filhos das trevas são os que deveriam tremer diante de nós, pois nossas armas são muitíssimo mais eficazes. Além de todo auxílio sobrenatural – que nos torna infinitamente superiores nesta guerra -, temos nossos púlpitos – quantos brasileiros vão a Santa Missa dominical! -, temos vários meios de comunicação – TV, jornais, internet -, e contamos – apesar de tudo – com grande credibilidade por parte de nosso povo brasileiro: eles confiam na Igreja!

O que fazer de concreto? Além da luta pela santidade – que é o que mais conta - já que é o Senhor o protagonista dessa luta -, devemos estreitar nossa rede de contato. Tentar entrar mais nesses meios que possuímos. Mais encontros de formação, retiros para os intelectuais, universitários, cientistas, jornalistas para atingir o povo.

É urgente levar esse povo católico, em massa, a participar, escrever às autoridades, aos políticos, fazer manifestações organizadas e ordeiras; sim, esse povo que vai à Missa, a grupos de oração, que participa dos novos Movimentos e das novas Comunidades, que prega o Evangelho da salvação pelo Rádio, pela TV, pela internet, etc. Aqui entra, sem dúvida, o papel importante das televisões católicas. Enfim, é preciso uma ação unida, coordenada, de todos os católicos frente a tudo que estamos vendo de errado sobre bioética, corrupção, PNDH, etc.

É preciso envolver  as realidades que querem ser fiéis à Igreja (Opus Dei, Regnum Christi, Comunhão e Libertação, Caminho Neocatecumenal, Cursilhos de Cristandade, Renovação Carismática, Equipes de Nossa Senhora, Serra Clube etc.) e Comunidades de Vida (Canção Nova, Shalom, Obra de Maria etc.), incluindo também as paróquias e dioceses; além dos políticos católicos. Revelar ao mundo a unidade transcendental da Igreja, que nos une por cima de toda diferença. “Nisto conhecerão que sois meus discípulos…” (Jo 13,35).

É claro que isso é algo difícil, muito difícil, mas se todos nos mobilizarmos no sentido de buscar essa união podemos fazer algo. Será preciso “grandeza de alma” para se colocar as exigências do Reino de Deus acima das nossas. Não adianta permanecermos entre nós com choros e lágrimas, como se fossemos uma “equipe de consolo mútuo”. Muita gente silenciosa está descontente com tudo isso; é preciso envolvê-los. Há muitos sites na internet que mostram isso. E esse é um instrumento poderoso de articulação hoje.

Os inimigos da Igreja estão articulados e as forças da Igreja estão esparsas; esse é o problema. Receamos que se não fizermos algo hoje, amanhã talvez seja tarde, e quem sabe as leis não nos permitam amanhã pregar contra a homossexualidade, o aborto, o sexo livre, … e tudo o que é contrário à lei de Deus.

Sabemos que a audácia dos maus se alimenta da omissão dos bons. Não podemos fugir deste mundo, e muito menos simplesmente condena-lo. Jesus disse que não veio para condenar o mundo, mas para salva-lo; a nós cabe fazer o mesmo.

Ao vislumbrar o terceiro milênio da cristandade, o Papa João Paulo II convocou os cristãos para “pescar em águas mais profundas”, onde se encontram peixes mais numerosos e maiores.  João Paulo II e Bento XVI nos enviam para alto mar (“duc in altum”). E para isso é preciso estarmos preparados; o mar é bravio, podem surgir as tempestades a qualquer momento, ondas altas, vento forte, ameaçando virar a barca.

Não podemos mais ficar pescando na praia, com varinha de bambu, linha fina e anzol pequeno. A evangelização, a conversão de almas para Deus, não é um passa-tempo; mas uma missão árdua, que precisa ser cumprida com esmero: preparo e oração. Não é fácil arrancar as presas dos dentes do lobo cruel e assassino. “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Mas, é preciso também o preparo. Paulo VI disse que a mediocridade ofende o Espírito Santo. Deus está pronto para mover os céus para realizar o que está além da nossa natureza, mas não moverá uma palha para fazer o que depende de nós. Ele faz o grão germinar, mas jamais virá preparar o solo e nele lançar a semente: “O Deus que te criou sem ti, não te salvará sem ti” (Santo Agostinho, Sermo 15,1).

O Papa João Paulo II na memorável vigília da Solenidade de Pentecostes no ano de 1998, mostrou a grande responsabilidade que têm, neste sentido, os novos Movimentos e as novas Comunidades:

“No atual mundo, frequentemente dominado por uma cultura secularizada que fomenta e propaga modelos de vida sem Deus, a fé de tantos é colocada à dura prova e frequentemente sufocada e apagada. Adverte-se, portanto, com urgência a necessidade de um anúncio forte e de uma sólida e profunda formação cristã. Como existe hoje a necessidade de personalidades cristãs maduras, conscientes da própria identidade batismal, da própria vocação e missão na Igreja e no mundo! E eis, portanto, os movimentos e as novas comunidades eclesiais: eles são a resposta, suscitada pelo Espírito Santo, a este dramático desafio no final do milênio. Vós sois esta providencial resposta”.

O mundo expulsa Deus cada vez mais; o secularismo toma conta da cultura, da mídia, da moda etc., a chama da fé é cada vez mais apagada nos lares, nas escolas e nas oficinas. O Papa pede “uma sólida e profunda formação cristã”. Sem isso não será possível pescar em águas profundas. Sem um bom conhecimento da doutrina, do Catecismo da Igreja especialmente, não poderemos dar ao mundo “a razão da nossa fé” (cf. 1Pe 3,15).

O Papa pede também “personalidades cristãs maduras”, certamente não só sacerdotes e bispos, mas leigos preparados, capazes de adentrar aos muros às vezes adversos das universidades, cinema, teatro, música, artes, meios de comunicação, política etc.

Ao lançar a Igreja em direção ao novo milênio, o Papa João Paulo II fez mais um forte apelo: “Uma nova evangelização!” . Se ele pediu uma “nova” é porque a anterior envelheceu; não certamente no seu conteúdo, mas na sua forma. Ele pediu: “com novo ardor, novos métodos e nova expressão”. O que significa isso?

Novo ardor, certamente no fogo do Espírito Santo que tem suscitado os movimentos e as Comunidades que brotam a cada dia. Sem esse “fogo” do céu, não haverá nova evangelização. Façamos sim planos e reuniões, projetos e programas, mas sob o fogo do Espírito, sem o qual tudo não passará de letra morta. Quanto tempo e energia já se perdeu por falta desse ardor do Espírito!

Novos métodos é certamente o que temos visto nas Comunidades e Movimentos: uma evangelização com um jeito novo: nas casas, nos rincões, pelas rádios, TVs, jornais, revistas, encontros, seminários, adorações, acampamentos de oração e estudo… É a “Primavera da Igreja” como dizia João Paulo II.

Nova expressão, uma nova maneira de viver o Evangelho, não mais individualista, mas em grupo, em comunidade, comprometidos conjuntamente com o trabalho do Reino do céu, na fraternidade, na correção fraterna, no amor mútuo, no compromisso com Deus e com a Igreja, “cum Petro e sub Petro”.

Vemos assim que a Igreja acredita profundamente nas Comunidades e Movimentos novos, que precisam se preparar, como verdadeiras “Companhias de Pesca”, e se lançarem sem medo, em nome do Senhor, em águas mais profundas, e buscar os grandes peixes.

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* Quarta feira de cinzas: Jejum, Abstinência. Quais as orientações da Igreja?

quarta-feira, fevereiro 17th, 2010

Jejum da Igreja:

Fazer apenas uma refeição completa durante o dia e, caso haja necessidade, tomar duas outras pequenas refeições que não sejam iguais em quantidade à habitual ou completa.

Não fazer as refeições habituais, nem outros petiscos durante o dia (nem mesmo cafezinho, chimarrão etc).

Estão obrigados ao jejum os que tiverem completado dezoito anos até os cinqüenta e nove completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação.

Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum.

Abstinência:

Deixar de comer carnes de animais de sangue quente (bovina, ovina, aviária, bubalina etc), bem como seus caldo de carne.

Permite-se o uso de ovos, laticínios e gordura. Estão obrigados à abstinência os que tiverem completado quatorze anos, e tal obrigação se prolonga por toda a vida.

Grávidas que necessitem de maior nutrição e doentes que, por conselho médico, precisam comer carne, estão dispensados da abstinência, bem como os pobres que recebem carne por esmola.

Quarta-feira de Cinzas: jejum e abstinência obrigatórios.

Sexta-feira Santa da Paixão do Senhor: jejum e abstinência obrigatórios.

Demais dias da Quaresma, exceto os Domingos: jejum e abstinência parcial (carne permitida só na refeição principal/completa) recomendados.

Demais sextas-feiras do ano, exceto se forem Solenidades:

abstinência obrigatória, mas não o jejum.

Essa abstinência pode ser trocada, a juízo do próprio fiel, por outra penitência, conforme estabelecer a conferência episcopal (no Brasil, a CNBB estabeleceu qualquer outro tipo de penitência, como orações piedosas, prática de caridade, exercícios de devoção etc).

Fonte : Veritatis Splendor

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* Discurso do Papa Bento XVI aos participantes da assembléia plenária da congregação para a Doutrina da fé.

domingo, fevereiro 14th, 2010

Supere a “tentação” de rejeitar discursos .

Sendo o Papa quem fala é certeza absoluta de se ouvir palavras cheias de graça e sabedoria, segundo aquilo que o Espirito fala à Igreja.

Leia e veja que palavras segundo o coração de Deus.

***

Senhores Cardeais
Venerados Irmãos
no Episcopado e no Sacerdócio
Caríssimos fiéis colaboradores

É para mim motivo de grande alegria encontrar-me convosco por ocasião da Assembleia Plenária e manifestar-vos os sentimentos de profundo reconhecimento e de cordial apreço pelo trabalho que levais a cabo ao serviço do Sucessor de Pedro no seu ministério de confirmar os irmãos na fé (cf. Lc 22, 32).

(…) Senhor Cardeal, agora gostaria de reflectir brevemente a propósito de alguns aspectos expostos por Vossa Eminência.

Em primeiro lugar, desejo sublinhar o modo como a vossa Congregação participa no ministério de unidade, que foi confiado, de modo especial, ao Pontífice Romano, mediante o seu compromisso pela fidelidade doutrinal. Com efeito, a unidade é primariamente unidade de fé, sustentada pelo depósito sagrado cujo primeiro guardião e defensor é o Sucessor de Pedro. Confirmar os irmãos na fé, conservando-os unidos na confissão de Cristo crucificado e ressuscitado constitui para aquele que se senta na Cátedra de Pedro a primeira e fundamental missão que lhe é conferida por Jesus. Trata-se de um serviço inadiável, do qual depende a eficácia da obra evangelizadora da Igreja até ao fim dos séculos.

O Bispo de Roma, de cuja potestas docendi participa a vossa Congregação, deve proclamar constantemente: “Dominus Iesus” “Jesus é o Senhor”. Com efeito, a potestas docendi comporta a obediência à fé, a fim de que a Verdade que é Cristo continue a resplandecer na sua grandeza e a ressoar para todos os homens na sua integridade e pureza, de tal forma que haja um só rebanho reunido ao redor do único Pastor.

Portanto, o alcance do testemunho comum de fé por parte de todos os cristãos constitui a prioridade da Igreja de todos os tempos, com a finalidade de conduzir todos os homens ao encontro com Deus. Neste espírito, confio de modo particular no compromisso do Dicastério a fim de que sejam superados os problemas doutrinais que ainda subsistem para a consecução da plena comunhão com a Igreja da parte da Fraternitas S. Pio X.

Além disso, desejo alegrar-me pelo empenho a favor da plena integração de grupos de fiéis e de indivíduos singularmente, já pertencentes ao Anglicanismo, na vida da Igreja Católica, em conformidade com quanto está estabelecido na Constitutição Apostólica Anglicanorum coetibus. A adesão fiel destes grupos à verdade recebida de Cristo e proposta pelo Magistério da Igreja não é de modo algum contrária ao movimento ecuménico mas, pelo contrário, mostra a sua finalidade derradeira, que consiste em alcançar a comunhão plena e visível dos discípulos do Senhor.

No precioso serviço que prestais ao Vigário de Cristo, apraz-me recordar também que a Congregação para a Doutrina da Fé, em Setembro de 2008, publicou a Instrução Dignitas personae, a respeito de algumas questões de bioética.

Depois da Encíclica Evangelium vitae, do Servo de Deus João Paulo II, em Março de 1995, este documento doutrinal, centrado no tema da dignidade da pessoa, criada em Cristo e por Cristo, representa um novo ponto de referência no anúncio do Evangelho, em plena continuidade com a Instrução Donum vitae, publicada por este mesmo Dicastério em Fevereiro de 1987.

Em temas tão delicados e actuais, como aqueles que dizem respeito à procriação e às novas propostas terapêuticas que comportam a manipulação do embrião e do património genético humano, a Instrução recordou que “o valor ético da ciência biomédica mede-se com a referência, quer ao respeito incondicionado devido a cada ser humano, em todos os momentos da sua existência, quer à tutela da especificidade dos actos pessoais que transmitem a vida” (Instrução Dignitas personae, n. 10). Deste modo, o Magistério da Igreja tenciona oferecer a própria contribuição para a formação da consciência não apenas dos fiéis, mas de quantos procuram a verdade e querem prestar atenção a argumentações que vêm da fé, mas inclusive da própria razão. Com efeito, ao propor avaliações morais para a pesquisa biomédica sobre a vida humana, a Igreja inspira-se na luz tanto da razão como da fé (cf. ibid., n. 3), pois está persuadida de que “o que é humano não só é acolhido e respeitado pela fé, mas por ela é também purificado, elevado e aperfeiçoado” (Ibid., n. 7).

Neste contexto oferece-se inclusive uma resposta à mentalidade difundida, segundo a qual a fé é apresentada como obstáculo para a liberdade e a pesquisa científica, porque seria constituída por um conjunto de preconceitos que viciariam a compreensão objectiva da realidade. Diante de tal atitude, que tende a substituir a verdade com o consenso, frágil e facilmente manipulável, a fé cristã oferece ao contrário uma autêntica contribuição também no âmbito ético-filosófico, não fornecendo soluções prefabricadas para problemas concretos, como a pesquisa e a experimentação biomédica, mas propondo perspectivas morais confiáveis no interior das quais a razão humana pode procurar e encontrar soluções válidas.

Efectivamente, existem determinados conteúdos da revelação cristã que esclarecem as problemáticas bioéticas: o valor da vida humana, a dimensão relacional e social da pessoa, a conexão entre os aspectos unitivo e procriativo da sexualidade e a centralidade da família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher.

Estes conteúdos, inscritos no coração do homem, são compreensíveis também racionalmente como elementos da lei moral natural e podem despertar o acolhimento por parte daqueles que não se reconhecem na fé cristã.

A lei moral natural não é exclusiva nem predominantemente confessional, embora a Revelação cristã e a realização do homem no mistério de Cristo ilumine e desenvolva plenamente a sua doutrina.

Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, ela “enuncia os preceitos primários e essenciais que regem a vida moral” (n. 1.955). Alicerçada na própria natureza humana e acessível a cada criatura racional, a lei moral natural constitui deste modo a base para entrar em diálogo com todos os homens que procuram a verdade e, mais em geral, com a sociedade civil e secular. Esta lei, inscrita no coração de cada homem, diz respeito a uma das questões essenciais da própria reflexão sobre o direito e interpela igualmente a consciência e a responsabilidade dos legisladores.

Enquanto vos encorajo a dar continuidade ao vosso serviço exigente e importante, desejo manifestar-vos também nesta circunstância a minha proximidade espiritual, concedendo de coração a Bênção Apostólica a todos vós, como penhor de carinho e de gratidão.
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* Laos: cristãos seguem detidos “até que renunciem à sua fé”.

sábado, fevereiro 13th, 2010

Um grupo de 48 cristãos, nativos da província de Salavan, ao sul do Laos, estão detidos “até que renunciem à sua fé”, informou nesta sexta-feira a agência católica Ucanews.

O governador do distrito de Ta-Oyl ordenou sua detenção após um incidente ocorrido em 10 de janeiro, em que um grupo de cerca de cem oficiais armados irromperam durante uma celebração religiosa dominical, no vilarejo de Katin.O evento foi denunciado pelo Human Rights Watch for Lao Religious Freedom (HRWLRF) e pelo International Christian Concern (ICC).

Os oficiais, apontando armas para as cabeças de alguns dos fiéis, exigiram a interrupção do evento, expulsaram os participantes e detiveram 48 pessoas, forçando-os a se deslocarem para um campo improvisado nas proximidades, no qual ainda permanecem detidos.

O governo confiscou seus pertences e destruiu seis de suas casas. Estão impedidos de regressar ao vilarejo, dormindo ao relento e com pouca comida, segundo a ICC.

A organização destacou que os fiéis cristãos se negaram a obedecer às ordens de renunciar à sua fé.

Segundo a HRWLRF, a polícia local organizou barreiras para impedir que os cristãos expulsos pudessem regressar a Katin.

O líder local do povoado declarou, no ano passado, que o “culto aos espíritos” seria a única forma tolerada de culto na comunidade, segundo informou a HRWLFR.

Em 11 de julho de 2009, determinou o confisco do gado dos aldeões cristãos e convocou uma reunião como todos os moradores, na qual declarou que estava “proibida a fé cristã no povoado”.

O Laos, com quase 7 milhões de habitantes, tem população majoritariamente budista (65%). Os cristãos representam 1,5% da população, com cerca de 40.000 católicos. As autoridades comunistas acusam os cristãos de aderirem a “credos importados”, que representariam uma ameaça ao sistema político do país.

A Constituição do Laos, em seus artigos 6 e 30, garante claramente o direito de culto aos cristãos e demais minorias religiosas. A ação representa um retrocesso ao período de perseguições anti-cristãs dos anos 90.

***

O comunismo não morreu, como se percebe cada vez mais.

Trata-se de um sistema politico ateu e que tem como inimigo a religião cristã,identificada em seus primórdios históricos como “ópio do povo” e incapaz por sua mensagem de perdão e amor colaborar com os “ideais revolucionários” a não ser que mudasse, como se tentou posteriormente na América latina.

Hoje a face deste sistema em países democráticos tem se “suavizado” para conseguir através de um outro tipo de revolução seus objetivos.

Essa suavização é estratégia e não negação de sua “utopia”.

Muito dos atuais desafios da Igreja em nossa cultura tem sua origem ideológica no marxismo que sempre defendeu a retirada da fé e de seus valores da vida do povo, que o digam os países da cortina de ferro que sairam do jugo dessa “desgraça” ( no sentido lato da palavra.. Sem a graça)

Sem perceberem – ou percebendo- muitos cristãos embarcam nessa barca furada sem permitirem que a história recente fale do fracasso que tentam esquecer.

Inocentes úteis?  Alguns…Outros não!

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* Sul da África: O papel da Igreja na Assistência aos doentes de AIDS.

quarta-feira, fevereiro 10th, 2010

África e os números de infectados pela Aids

África e os números de infectados pela Aids

Na África do Sul, o programa ‘Alívio à AIDS’ (AidsRelief), foi oficialmente assumido pela Conferência Episcopal do Sul da África, que engloba os bispos da África do Sul, Botsuana e Suazilândia.

O evento premia o esforço e os resultados da Igreja Católica na assistência à maior população do mundo contagiada pelo vírus HIV” – comentou Ruth Stark, representante do CRS (Catholic Relief Services, a Caritas dos EUA), em uma cerimônia em Johanesburgo.

‘AidsRelief’ fornece cuidados e assistência a mais de 60 mil doentes nos três países que detêm os mais elevados índices de infecção pelo hiv.

O programa é financiado pelo Plano Presidencial de Emergência para a AIDS, cujas verbas são enviadas à África do Sul pelo CRS.

Irmã Alison Munro é a responsável por este setor, na Conferência. Em Johanesburgo, ela se disse muito orgulhosa e grata às pessoas que trabalham no território dedicando seu tempo e assistência às crianças, nas aldeias. “A seriedade e o compromisso de nosso pessoal estão à altura de desafios incríveis, em meio a situações muito difíceis. É o seu trabalho que nos mantém” – disse, agradecendo-as.

A religiosa recordou que a Igreja sul-africana é coadjuvada, nesta obra, por entidades católicas da Irlanda, Holanda, Inglaterra e Gales. O programa é destinado principalmente às crianças, e mesmo consciente de ser ‘uma gota no oceano’, Irmã Alison ressalva que “seu efeito-dominó é impossível de se definir”.

Graças à distribuição gratuita de medicamentos antiretrovirais, a maior parte das pessoas inseridas no programa consegue sobreviver à doença e viver sua existência com dignidade.

Na África do Sul, a poligamia é permitida e faz parte da cultura zulu: uma prática que tem sido criticada por ativistas que lutam pela prevenção do HIV/Aids. Ao menos 5,7 milhões de sul-africanos estão infectados com o vírus.

Fonte: Rádio Vaticana.

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* Apresentado no Brasil diretório de meios de comunicação católicos.

terça-feira, fevereiro 9th, 2010
O arcebispo Claudio María Celli, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, apresentou no Brasil o primeiro diretório global em linha dos meios de comunicação católicos, Intermirifica.net.

Sua apresentação aconteceu durante o MUTICOM (Mutirão Latino-americano e caribenho de comunicação), realizado de 3 a 7 de fevereiro na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.

O novo diretório de meios católicos www.intermirifica.net – de estrutura Wiki –, é de construção colaborativa entre os editores que se vão registrando no sistema e recolhe os endereços e dados de iniciativas católicas de rádio, televisão, produção audiovisual, imprensa e internet.

Além do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, o diretório está animado pelo CELAM (Conselho Episcopal Latino-americano), a associação mundial católica para a comunicação (SIGNIS), o Conselho Católico para os Meios de Comunicação (CAMECO) e outros organismos eclesiais internacionais.

Na apresentação, o arcebispo italiano constatou que só no Brasil há mais de 180 rádios católicas, enquanto que em todo o continente africano existem algo menos de 200 rádios católicas, e que as possibilidades de sinergia, intercâmbio e mútua colaboração são agora promovidas por Intermirifica.net.

Ao explicar o espírito que deu vida ao diretório, Dom Celli afirmou que “a primeira tarefa que temos como discípulos do Senhor é conseguir que o corpo esteja bem comunicado; que não haja pontos sem conexão, pois cada um tem muito a contribuir e a receber”.

“Por isso, é para nós uma prioridade reduzir a brecha digital inclusive dentro da Igreja, para poder fazê-lo também fora”, disse.

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* Papa critica eutanásia e nega que Igreja seja retrógrada.

sábado, fevereiro 6th, 2010

Papa diz que 'apoio à eutanásia golpeia o princípio cristão da dignidade da vida humana'

Reuters – Estado de São Paulo

Papa diz que ‘apoio à eutanásia golpeia o princípio cristão da dignidade da vida humana’

O papa Bento XVI condenou nesta sexta-feira, 5, durante uma audiência com bispos escoceses, a prática da eutanásia e negou que a Igreja Católica seja uma instituição retrógrada e cheia de proibições.

“O apoio à eutanásia golpeia profundamente no coração o princípio cristão da dignidade da vida humana”, afirmou o Pontífice. No final do mês passado, uma deputada escocesa que sofre do mal de Parkinson apresentou ao Parlamento local um projeto de lei sobre o suicídio assistido.

Bento XVI falou dos “desafios” trazidos pela grande presença “do secularismo” na Escócia, assinalando que “os recentes desenvolvimentos na ética médica e algumas práticas sustentadas no setor da embriologia são causa de grande preocupação”.

O Papa comentou que frequentemente a Igreja “é percebida como uma série de proibições e de posições retrógradas”, enquanto que “a realidade é que é criativa e geradora de vida, e direcionada para a plena realização possível do grande potencial para o bem e para a felicidade que Deus implantou em cada um de nós”.

O Pontífice exortou os religiosos escoceses a “continuar a chamar os fiéis a uma completa fidelidade”, “sustentando e defendendo ao mesmo tempo o direito da Igreja de viver livremente na sociedade segundo sua fé”.

Um pedido similar foi feito por Bento XVI a religiosos ingleses e galeses na segunda-feira. Na ocasião, o Papa fez referência implícita à Equality Bill, lei que está sob análise do parlamento britânico e que dá direitos de igualdade a homossexuais.

As críticas se dirigiam à obrigação a que instituições católicas de adoção estariam submetidas quanto a conceder a guarda de crianças a casais formados por pessoas do mesmo sexo. Segundo o Pontífice, as normas de igualdade contrariam a lei natural.

Ainda durante a audiência, o chefe de Estado do Vaticano fez um convite para que os religiosos prossigam nos esforços por uma “plena, visível unidade” entre os cristãos, mas sem ceder a pressões no sentido de “diluir a mensagem evangélica”.

Bento XVI referiu-se aos bispos dizendo que a religião católica na Escócia “sofreu a tragédia da divisão” e disse ser “doloroso lembrar a grande ruptura (…) ocorrida há 450 anos” — em referência à Reforma Protestante e à ascensão do calvinismo. O Papa afirmou que muitos progressos foram feitos na “cura das feridas herdadas daquela época, especialmente o sectarismo”.

Na Escócia, a maioria da população é presbiteriana. O número de católicos é estimado em 690 mil pessoas, sendo que a população do país é de cerca de 6 milhões de habitantes.

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* Papa critica ambições de “carreira e poder” dentro da Igreja.

quinta-feira, fevereiro 4th, 2010

Da Folha de São Paulo

O papa Bento 16 criticou que também entre os homens de Igreja exista a ambição de fazer carreira e de ganhar poder, e assegurou que a instituição “sofre” com o fato de que essas pessoas “se esforcem por elas mesmas, e não pela comunidade”.

O pontífice fez essas declarações perante milhares de fiéis que assistiram na Sala Paulo 16 do Vaticano a audiência pública das quartas-feiras, na qual ressaltou a figura do santo espanhol Domingo de Guzmán (1170-1221).

Ao falar do fundador da Ordem dos Dominicanos, o papa disse que quando Domingo de Guzmán foi eleito padre da catedral de Osma, essa nomeação podia representar para ele motivo de prestígio tanto na Igreja como na sociedade. No entanto, ele não a considerou assim, mas como um serviço a cumprir com dedicação e humildade.

“Não é uma tentação o afã de fazer carreira ou a ambição de poder?”, perguntou-se o papa, que respondeu que a essa tentação “não são imunes nem sequer os que têm um papel de governo na Igreja”.

Bento 16 lembrou a frase pronunciada durante a última consagração de bispos. “Não busquemos o poder, prestígio ou estima para nós mesmos. A Igreja sofre com o fato de que a pessoa se esforce por si, e não pela comunidade”, disse.

O papa ressaltou o interesse de Domingo de Guzmán para que os irmãos de congregação do dominicano tivessem uma sólida formação teológica e espírito missionário. Além disso, o papa afirmou que no coração da Igreja “é sempre preciso arder o fogo missionário, que estimula constantemente o anúncio do Evangelho”.

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* Comissão retomará debate sobre o Programa de Direitos Humanos.

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias realiza na quinta-feira (4) nova audiência pública para debater o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3).

O plano prevê medidas consideradas polêmicas, como a abertura dos arquivos do regime militar (1964-1985), o fortalecimento da reforma agrária e a prioridade para a aplicação de penas alternativas no sistema penitenciário.

Para efetivar as medidas do plano, o governo prevê o envio de 27 projetos de lei ao Congresso, ao longo dos próximos 11 meses.

No último dia 18, a comissão promoveu audiência com organizações defensoras dos direitos humanos para rebater as críticas que o plano vem recebendo desde que foi lançado por meio de decreto pelo presidente da República, em dezembro.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Couto (PT-PB), disse que as críticas partem de setores conservadores. “O programa tem sido alvo dos mais duros ataques desses setores, com o aval de parte dos meios de comunicação. As críticas ao plano têm ignorado o seu caráter propositivo. O texto esteve sob consulta pública e disponível à apreciação crítica da sociedade e da imprensa durante quase um ano”, afirmou o deputado, durante a audiência.

Convidados

Foram convidados para o debate de quinta-feira:

– o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Brito;
– o coordenador do Movimento Nacional de Direitos Humanos, Gilson Cardoso;
– Alexandre Ciconello, representante do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos;
– o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch;
– o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Daniel Pimentel Slaviero;
– o reitor da Universidade de Brasília (UnB), José Geraldo de Souza Júnior;
– o professor Fernando Paulino, da UnB;
– o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lírio Rocha.

A audiência está marcada para as 9 horas, no plenário 9.

***

“Forças conservadoras”? Sim! da vida, da dignidade humana, do perdão,do respeito a propriedade privada, do respeito a liberdade de expressão,do respeito a lei natural,do respeito às crianças que tem o direito de terem um pai (homem) e uma mãe ( Mulher) etc..

Se conservador for defender esses valores, somos sim,com orgulho!

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* A Igreja aceita a doação de órgãos?

quarta-feira, fevereiro 3rd, 2010

Fala-nos o Papa:

***

Venerados Irmãos no Episcopado
Ilustres Senhores e Senhoras!

A doação de órgãos é uma forma peculiar de testemunho da caridade. Numa época como a nossa, com frequência marcada por diversas formas de egoísmo, torna-se cada vez mais urgente compreender quanto é determinante para uma correcta concepção da vida entrar na lógica da gratuidade. De facto, existe uma responsabilidade do amor e da caridade que compromete a fazer da própria vida uma doação aos outros, se quisermos verdadeiramente realizar-nos a nós próprios. Como nos ensinou o Senhor Jesus, só aquele que doa a própria vida a poderá salvar (cf. Lc 9, 24)

Os transplantes de tecidos e de órgãos representam uma grande conquista da ciência médica e certamente são um sinal de esperança para tantas pessoas que se encontram em graves, e por vezes extremas, situações clínicas. Se alargarmos o nosso olhar ao mundo inteiro é fácil encontrar os numerosos e complexos casos nos quais, graças à técnica do transplante de órgãos, muitas pessoas superaram fases altamente críticas e foi-lhes restituída a alegria de viver. Isto nunca se poderia ter realizado se o compromisso dos médicos e a competência dos pesquisadores não tivessem podido contar com a generosidade e com o altruísmo de quantos doaram os seus órgãos. O problema da disponibilidade de órgãos vitais para transplante, infelizmente, não é teórico, mas dramaticamente prático; ele é verificável na longa lista de espera de tantos doentes cujas únicas possibilidades de sobrevivência estão ligadas às escassas ofertas que não correspondem às necessidades objectivas.

É útil, sobretudo neste contexto hodierno, voltar a reflectir sobre esta conquista da ciência, para que não se verifique que o multiplicar-se dos pedidos de transplante subverta os princípios éticos que estão na sua base. Como disse na minha primeira Encíclica, o corpo nunca poderá ser considerado um mero objecto (cf. Deus caritas est, 5); desta forma prevaleceria a lógica do mercado. O corpo de cada pessoa, juntamente com o espírito que é dado a cada indivíduo, constitui uma unidade inseparável na qual está impressa a imagem do próprio Deus. Prescindir desta dimensão leva a perspectivas incapazes de captar a totalidade do mistério presente em cada um. É portanto necessário que em primeiro lugar sejam postos o respeito pela dignidade da pessoa e a tutela da sua identidade pessoal. No que se refere à técnica do transplante de órgãos, isto significa que se pode doar unicamente se não se dá origem um sério perigo para a própria saúde e identidade e sempre por um motivo moralmente válido e proporcionado. Eventuais lógicas de compra-venda dos órgãos, assim como a adopção de critérios discriminatórios ou utilitaristas, estariam totalmente em contraste com o significado subentendido da doação que sozinhos se poriam fora de questão, qualificando-se como actos moralmente ilícitos. Os abusos nos transplantes e o seu tráfico, que com frequência atingem pessoas inocentes como as crianças, devem encontrar a comunidade científica e médica imediatamente unidas na sua rejeição como práticas inaceitáveis. Elas devem ser portanto condenadas como abomináveis. O mesmo princípio ético deve ser recordado quando se quer chegar à criação ou destruição de embriões humanos destinados a finalidades terapêuticas. A simples ideia de considerar o embrião como “material terapêutico” contrasta com as bases culturais, civis e éticas sobre as quais se baseia a dignidade da pessoa. Acontece com frequência que a técnica do transplante de órgãos é feita por um gesto de total gratuidade da parte de familiares de doentes dos quais foi certificada a morte. Nestes casos, o consenso informado é condição prévia de liberdade, para que o transplante tenha a característica de uma doação e não seja interpretado como um acto coercitivo ou de exploração. Contudo, é útil recordar que cada órgão vital não pode ser extirpado a não ser ex cadavere, o qual aliás também possui uma sua dignidade que deve ser respeitada. A ciência, nestes anos, fez ulteriores progressos na certificação da morte do doente. É bom, portanto, que os resultados alcançados recebam o consenso de toda a comunidade científica de modo a favorecer a pesquisa de soluções que dêem a certeza a todos. Com efeito, num âmbito como este, não pode haver a mínima suspeita de arbítrio e onde a certeza ainda não for clara deve prevalecer o princípio de precaução. É útil, portanto, incrementar a pesquisa e a reflexão interdisciplinar, de tal modo que a própria opinião pública seja posta diante da verdade mais transparente sobre as implicações antropológicas, sociais, éticas e jurídicas da prática do transplante. Nestes casos, contudo, deve prevalecer sempre como critério principal o respeito pela vida do doador, de modo que a extracção de órgãos só seja consentida no caso da sua morte real (cf. Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, 476). O acto de amor que é expresso com a doação dos próprios órgãos vitais permanece como um testemunho genuíno de caridade que sabe olhar além da morte para que vença sempre a vida. Do valor deste gesto deveria estar bem consciente quem o recebe; ele é destinatário de um dom que vai além do benefício terapêutico. O que recebe, de facto, ainda antes de ser um órgão é um testemunho de amor que deve suscitar uma resposta de igual modo generosa, a fim de incrementar a cultura da doação e da gratuidade.

A via-mestra que deve ser seguida, enquanto a ciência não descobrir eventuais novas formas e mais progredidas de terapia, deverá ser a formação e a difusão de uma cultura da solidariedade que se abra a todos e não exclua ninguém. Uma medicina dos transplantes que corresponda a uma ética da doação exige da parte de todos o compromisso para investir qualquer esforço possível na formação e na informação, de modo a sensibilizar cada vez mais as consciências para uma problemática que diz respeito directamente à vida de tantas pessoas. Será portanto necessário evitar preconceitos e incompreensões, afastar desconfianças e receios para os substituir com certezas e garantias a fim de permitir o incremento em todos de uma consciência cada vez mais difundida do grande dom da vida.

Com estes sentimentos, ao desejar que cada um prossiga o próprio compromisso com a devida competência e profissionalidade, invoco a ajuda de Deus sobre os trabalhos do Congresso e concedo a todos de coração a minha Bênção.

Papa Bento XVI

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