Posts Tagged ‘Internet’

* A Criatividade a serviço da evangelização: Skype e “best practice”: exemplos para uso pastoral

terça-feira, maio 14th, 2013
Por Jorge Henrique Mújica

Ele se chama Eric Whitacre e em 2010, alcançou um feito até agora jamais realizado: reunir um coro de 185 cantores de 12 países diferentes. Narrando assim, não tem muita novidade. A façanha foi a de que o coro era virtual e o meio utilizado foi o Skype. Os mais de 3.000 vídeos que estão no Youtube marcam a proeza que, em 2012, conseguiu reunir, desde seus próprios computadores, 3746 cantores originários de mais de 70 países. Um dos mais recentes desafios foi um concerto ao vivo pela web (http://www.ted.com/talks/eric_whitacre_virtual_choir_live.html )

As possibilidades oferecidas pelas diferentes plataformas nas redes sociais estão abertas ao talento de quem deseja aproveitá-las com suas próprias idéias. O caso de Eric é emblemático, mas no âmbito católico também surgem algumas iniciativas que conseguem explorar o Skype a partir de uma perspectiva pastoral.

“Here2Pray International» (http://here2pray.com/ ) nasceu em maio de 2011, no México. É uma comunidade de jovens que rezam o Rosário diariamente usando o Skype (sistema gratuito de conferência). Todos os dias, às 22:00 horas (horário do México), dezenas de jovens de diferentes países se conectam para rezar aproveitando esta ferramenta. A recitação do Rosário é seguida de uma reflexão evangélica com uma breve pregação e termina com duas canções de adoração ao Senhor.

Se o fiel não pode ir ao pregador, por que não trazê-lo por meio do Skype?

Foi também em 2011 que um leigo australiano, ao constatar o vazio de formação em torno da pastoral destinada a jovens adultos, se deu o trabalho de levar até a Austrália sacerdotes que poderiam satisfazer essa necessidade. Mas convidar um orador para viajar de um país ao outro, inclusive para a Austrália, implicaria muito trabalho e investimento financeiro. Foi então que pensou: por que não trazer o público para ouvir o pregador? E assim nasceram as sessões de formação via Skype, uma mistura de talentos on-line, como definido pelo próprio Andrew Devereux.

“O evento começa com uma oração e quando os convidados estão sentados só percebem uma vela reluzindo em uma pequena imagem da Virgem de Guadalupe, e é quando o orador, por sua vez, chama pelo Skype e faz sua aparição na tela”, explica Andrew. Depois disso, os hóspedes podem desfrutar de uma pizza caseira feita por Angela, esposa de Andrew, e uma garrafa de vinho tinto, para facilitar a “discussão do tema”, diz Andrew.

Em março de 2012 começaram algumas sessões regulares de formação oferecidas por sacerdotes que trabalham na Polônia, Irlanda e Estados Unidos. E, embora não seja uma bilocação, os esforços através do Skype proporcionam a formação de jovens casais australianos. Certamente a fé e a espiritualidade são temas importantes nessas reuniões, mas não são únicos. Os convidados são palestrantes de diferentes realidades culturais para que o público se motive a usar seus talentos para a arte e a cultura, bem como para o crescimento espiritual e para fomentar a evangelização.

“Poderíamos dizer que é uma reminiscência das primeiras comunidades cristãs”, diz Andrew. “E, ainda que são Pedro e são Paulo não tenham utilizado a tecnologia que temos hoje, é possível recriar a mesma intimidade para maximizar os efeitos que o Espírito Santo quer fazer através de nós, os seus instrumentos”.

Na Mensagem para o Dia Mundial para as Comunicações Sociais 2013 Bento XVI recordou que “Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line –a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé.  Como se pode notar, com um pouco de criatividade, Skype também oferece possibilidades.


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* Aplicação (App) do Papa para iPhone bate recorde nos Estados Unidos, Canadá, Espanha, Venezuela, Peru, México, Chile, Argentina, Polônia..

sexta-feira, abril 12th, 2013

A aplicação (app) do Papa para Apple iPhone foi o mais baixado em Portugal na última semana, anunciou o Vaticano.

Segundo o Vaticano, a app foi também a número um nos Estados Unidos, Canadá, Espanha, Venezuela, Peru, México, Chile, Argentina e Polônia.

Ao todo, já foram feitos 155 mil  Downloads da app, incluindo a versão para Smartfones que operam com o sistema Android.

A app permite acompanhar ao vivo eventos papais, ler as últimas notícias ou mesmo textos do novo papa Francisco, além de fotos e vídeos de câmaras espalhadas pela Cidade do Vaticano.

Os conteúdos são elaborados pelo portal de notícias do Vaticano (www.news.va), lançado pelo anterior papa Bento XVI, em língua inglesa, espanhola, francesa, italiana e portuguesa.

A app está também nos tops de Downloads na França e Alemanha, e é o número 3 no Brasil, Filipinas, Líbano e África do Sul, entre outros países.

Segundo o Vaticano, está a ser lançada também uma versão em alta definição para o iPad.

O cardeal argentino jesuíta Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi eleito papa a 13 de Março pelos 115 cardeais reunidos em Roma, escolhendo o nome de Francisco. Francisco sucede a Bento XVI e é o 266.º papa da Igreja Católica.

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* O uso DESORDENADO da tecnologia pode estimular seu uso como muleta digital.

terça-feira, janeiro 29th, 2013

Cid Alencastro

Tem sido muito comentada a espantosa decadência do ensino nas escolas, fruto de fatores

Diante dessa situação calamitosa, alguns têm proposto como remédio, ou ao menos como paliativo, que se proceda a uma crescente inserção de recursos da informática entre os alunos.

Computadores, celulares, smartphones, ipods, tablets e não sei mais o quê, facilitariam a concentração nos trabalhos escolares, ademais de permitir uma pesquisa rápida e eficiente nas redes sociais, como facebook, twitter e outras do gênero. Ledo engano!

Bipes, vibrações, luzes… adeus à atenção

Pesquisa do Pew Internet & American Life Project entrevistou 2.462 professores dos ensinos fundamental e médio nos EUA e concluiu que “a vasta maioria concorda que as atuais tecnologias estão criando uma geração que se distrai com facilidade e só consegue se concentrar por breves intervalos de tempo”.

Elas contribuem mais para distrair os alunos do que para o seu desempenho escolar (Larry Rosen, “Geração desconcentrada”, “O Estado de S. Paulo”, “Link” (Suplemento de Informática), 19-11-12.

Comentando a pesquisa, Larry Rosen, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, diz:

“Recentemente, minha equipe de pesquisa observou 263 alunos dos ensinos médio e superior estudando em casa por 15 minutos. A cada minuto, anotávamos o que eles faziam: se estavam estudando, trocando mensagens de celular, se havia um som ou uma TV ligados, se estavam diante de um PC e quais sites visitavam. Verificamos que eles só conseguiam se dedicar às tarefas por períodos de três a cinco minutos, em média, antes de perder a concentração. De maneira geral, a distração era causada pela tecnologia, incluindo: (1) a presença de dispositivos, como iPods, laptops e smartphones, no local de estudo; (2) as trocas de mensagens de texto; (3) os acessos ao Facebook.

“Os alunos que entravam no Facebook uma vez durante os 15 minutos tinham notas mais baixas. Isso significa que as mídias sociais afetam negativamente a concentração e a atenção temporárias, e também o desempenho escolar.

“Pesquisados milhares de estudantes, eles disseram que, alertados por um bipe, uma vibração, uma luz piscando, eles se sentem compelidos a responder a esse estímulo.

“Disseram que são perturbados por pensamentos como: ‘Será que alguém comentou o post que deixei no Facebook?’. Ou: ‘Será que o meu amigo respondeu ao SMS que mandei há cinco minutos?’.

“Três quartos dos adolescentes e jovens checam os dispositivos a cada 15 minutos ou menos, e, quando não podem fazê-lo, ficam extremamente ansiosos. E a ansiedade inibe a aprendizagem”.

Nudez, solidão, perda do controle

Uma outra pesquisa, intitulada “Nós, jovens brasileiros”, feita pelo Portal Educacional, mapeou o comportamento de quatro mil estudantes brasileiros de 13 a 17 anos, de 60 escolas particulares de todo o País (“O Estado de S. Paulo”, 2-12-12).

“Um dos dados mais preocupantes é que 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma”.

Maria Rita Nunes, 15 anos, permanece “cerca de seis horas diárias em frente ao computador de casa, sem contar as espiadas na internet do celular durante o intervalo das aulas no Colégio Santa Maria. Não raro, ela troca o tempo do sono da madrugada para assistir algum vídeo publicado por algum amigo ou para postar no Twitter”.

Caio Cardoso Fossati, 15 anos, “conta que um de seus amigos recebeu de uma paquera uma foto dela nua. Achava que era uma forma de atraí-lo, mas o assunto virou piada entre amigos”.

Ivanna Castelli, 13 anos, estudante do 8.º ano do ensino fundamental, diz que várias de suas amigas se expuseram dessa forma. “Algumas queriam aparecer e outras atenderam ao pedido do namorado. O problema é que isso sempre espalha, e elas acabam se arrependendo”.

Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), “a questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência”.

Conta Cesar Marconi, diretor do Colégio Mary: “Tem aluno que chega morrendo de sono, não consegue se concentrar e, ao ser questionado, diz que não dormiu porque ficou na internet a noite toda. Ao serem convocados, diz Marconi, oito em cada dez pais dizem conhecer essa rotina. Mas admitem que não conseguem mais controlar”.

Uma outra pesquisa divulgada pela Fundação Telefônica — o estudo mapeou o comportamento de crianças e jovens frente às telas de computador, celular e televisão — “mostrou que 58,6% das crianças e 76,5% dos jovens acessam a rede sozinhos. O computador, revelou a pesquisa, se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). Quanto à orientação, 31,7% dos jovens declararam que seus pais não costumam fazer nada em relação às atividades que desenvolvem na internet”.

Solução certa e admirável

Não passa de perniciosa ilusão a ideia de que o mundo moderno poderá trazer respostas “mágicas” para os problemas que ele mesmo criou. Elas só agravam a situação.

É claro que um certo número de jovens utiliza bem esses recursos, não só para enriquecer seus conhecimentos, mas também para a luta contra os males do mundo revolucionário, combatendo o aborto, o laicismo e outras chagas contemporâneas. Merecem aplauso e apoio. Mas eles constituem minoria.

A solução para uma juventude estropiada pelos desvarios modernos não está em oferecer-lhe muletas digitais.

Os males de que padecem os jovens lhes vêm de uma sociedade toda ela gangrenada pela falta de princípios sãos, que colocou o prazer da vida como meta da existência.

Em outras palavras, sem uma reforma dos costumes segundo os parâmetros da moral cristã católica não se voltará, na sociedade globalmente considerada, à sanidade mental e psicológica de outrora.

O leitor perguntará: uma reforma moral ainda é possível, ou não passa de quimera bem intencionada? Se detivermos nosso olhar nos acanhados limites traçados pelas forças meramente humanas, de fato não se vê solução no horizonte.

Mas se sondarmos o Coração Imaculado de Maria – que chora pelos nossos desvarios com o desejo imenso de remediá-los – tudo é possível obter.

Desde que tenhamos plena confiança na ação poderosa de suas lágrimas e estejamos dispostos a tudo sofrer, segundo o panorama traçado por Ela mesma em Fátima. Tal é a solução certa e admirável.

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* Papa Fala sobre as Redes Sociais como ” novos espaços de evangelização”.

sexta-feira, janeiro 25th, 2013

Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam atualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana.

A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação.

Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).

O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interação humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos.

No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afetiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do patrimônio artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tato, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso.

A confiança no poder da ação de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um fator de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efetiva com a comunidade universal dos fiéis.

As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem atual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro direto, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé.

Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

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* Curso orienta seminaristas sobre uso da Internet.

terça-feira, janeiro 1st, 2013

José Antonio Valera

A imagem projetada é a de um jovem casal que está se olhando. Ambos estão tristes, enquanto ela reclama que lhe falta atenção. Em seguida, ele coloca a mão sobre a dela e vira-a de um lado para o outro, de modo mecânico, para depois fazer “dois cliques” como único carinho… O público ri. Com este pequeno vídeo de motivação – também de constatação – , foi inaugurado hoje o seminário “internet na vida do presbítero”, organizado pelo Instituto de Terapia Cognitivo Interpessoal de Roma e o Pontifício Colégio Internacional “Mater Ecclesiae”.

Serão dois dias para estudar os benefícios e também os riscos do uso da internet na formação dos seminaristas, bem como na forma como se deve lidar com os “novos” pecados dos usuários, que fizeram da “rede” um espaço desordenado para a sua vida afetiva, laboral e moral.

De acordo com a Dra. Michela Pensavalli, psicóloga e psicoterapeuta, bem como professora universitária e coordenadora do Instituto promotor do evento, é muito importante que a pessoa – neste caso o seminarista -, analise e se responda se é ou não “dependente” da Internet . Ou seja, se consegue dominar as emoções e impulsos que os sites e as redes sociais geram, seja quando se está conectado, como também quando se deve passar longos períodos off line.

Para a especialista, o domínio e o equilíbrio é vital, porque em uma sociedade “Tecnolíquida”, segundo a definição recente do psiquiatra italiano, Tonino Cantelmi, os diversos dispositivos podem manter as pessoas em uma conectividade permanente, onde é difícil distinguir os limites ou o tempo passado, em detrimento de outros fins ou obrigações.

A teoria do “tudo e rápido”

Outro risco que o navegante moderno encontra, é a tendência a encurtar as coisas e evitar os encontros. Ou seja, se por uma mensagem de texto podemos explicar alguma coisa rapidamente, por que estender-se ou aprofundar? Ou pior ainda, se temos tantas plataformas de comunicação instantânea, para que encontrar-nos?

Também o usuário, na sua necessidade de estar conectado, pode perder a atenção do que as pessoas lhe falam, por exemplo, numa aula ou conferência, por estar pendente do modo rapidíssimo de como continuam a interagir os seus contatos e listas de interesses “lá fora”.

O fato de não poder se desconectar (switch off), já é um sinal de que deve ser observado... Porque nem hoje e nem no passado, foi possível estar num lugar e ao mesmo tempo em outro –fora – , não porque a internet não te deixe fazer isso, mas porque as normas básicas de convivência ou da vida comunitária te exigem. Mas para alguns – isso sim é de ontem e de hoje – , sua necessidade pessoal está por acima da dos demais, o que é um mau sinal…

O que mais oferece a Internet? Segundo a doutora Pensavalli, te oferece emoções – até mesmo fortes – relações – não sem perigos – , e te facilita as coisas para sair do “tédio”. Para outros, o tempo passa mais rápido conectando-se à rede, por tanto ajuda a evadir-se; enquanto que para um grupo de usuários é a porta entre o privado e o público, cuja chave se abre ou fecha de acordo com a conveniência ou a vontade.

Sobre isso, foi clara em advertir que, como emissor e dono das suas conexões de internet, o usuário se predispõe a evitar o que ele não gosta, e a eleger só aquilo que não lhe chateia; assim como selecionar o que não lhe coloque tenso e nem lhe faça refletir muito. Ou seja, a ambivalência toma conta da pessoa, e assim quando se vivem as relações humanas, e diante de uma situação real de convivência, em que se exige mais da mesma pessoa, chega-se a acreditar que é hora de “desligar a conexão” e basta…

Amizades perigosas

Tudo na internet parece tão fácil e acessível, que o usuário começa a clicar onde não deveria se aproximar nem um pouquinho, ou a “aceitar” convites de amigos que não tem nem a menor ideia de quem sejam.

Na internet todo mundo é igual, pelo menos, naqueles locais de acesso público e gratuito. Mas nem todos somos o mesmo, foi outra ideia da doutora Michela Pensavalli, pois as redes fazem surgir na pessoa o seu lado mais narcisista, exibicionista e sem dúvida, o voyeurista.

Somos assim nas relações cotidianas, por assim dizer, física? Na verdade não, de modo que o uso compulsivo da rede (líquido, sem padrões ou limites), às vezes nos obriga a mudar de atitude para interagir, de tal forma que aparecem também tendências patológicas …

Só para citar os graus mais baixos de cada tendência – porque os mais altos são para correr deles – , pode-se identificar o narcisismo só no fato de colocar a “melhor foto” no perfil de uma rede social, tanto faz se é antiga ou que não esteja de acordo com a realidade atual (foto sem camisa clerical, sem a família, no exterior).

No caso de exibicionismo, aí estão as conquistas ou os comentários expressos sem medida, só pelo fato de que podemos também incluí-los nas nossas contas, independentemente de se os outros querem tanto bombardeio “made em mim mesmo”.

E uma terceira tendência comentada pela especialista – não menos grave, dependendo da pessoa – é o voyeurismo, ou essa antiga obsessão por olhar sem que nos vejam; ainda que hoje em dia, graças à Internet, pode-se fazer de modo consentido, falsificado ou pago sem controles. Ela  alertou para o alto consumo do chamado “cybersexo”, que de acordo com dados dos EUA, no mundo, consome-se 3.000 dólares de pornografia por segundo.

É necessário considerar, portanto, o risco que significa que uma pessoa possa ser o oposto a si mesma na rede, distanciando-se dos seus princípios, obrigações e faltando com a confiança dos superiores. Pois muitas vezes estes toleram o uso da internet com a esperança de que ajude para aprofundar no estudo, para combater a distância recebendo mensagens dos familiares e amigos de bem, ou para dar os “primeiros passos” de uma futura e urgente pastoral na rede.

Uma conclusão clara foi que o mundo atual do ciberespaço, é um mundo onde se pode viver, mas cuidando a qualidade do uso que se faz e não deixando-se dominar pelos impulsos que este gera. E, assim com ontem, não confundir nunca o instrumento com a mensagem…

(Trad.TS)

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* “The Pope”: Aplicativo sobre o Papa será lançado em breve, afirma autoridade vaticana.

quinta-feira, dezembro 6th, 2012

O Presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o Arcebispo Claudio Maria Celli, anunciou que se está preparando um “app” para smartphones dedicado ao Papa Bento XVI.

O aplicativo “The Pope” para iPhone e iPad será enviado à Apple na semana que vem para sua aprovação, explicou Gustavo Entrala, da sociedade de comunicação espanhola 101, e deveria estar disponível, grátis, na Apple Store antes do fim do ano.

Também está sendo preparada uma versão para o sistema Android.

O App permitirá seguir ao vivo os discursos e as homilias do Papa, além de ver o que está acontecendo no Vaticano e em Castelgandolfo, o lugar de descanso do Papa nos subúrbios de Roma, graças a uma série de webcams interconectadas.

Também será possível receber notificações sobre as atividades do Papa e estará conectado com os diferentes órgãos de comunicação vaticano, como a Rádio Vaticano (que já dispõe de “apps” para iPhone e Android) e o portal www.news.va.

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* Atenção pais!! Cresce exposição de jovens na internet, afirma pesquisa.

quarta-feira, dezembro 5th, 2012

O Estado de S.Paulo

Maria Rita Nunes até ganhou uma cadeira mais confortável do pai para não sofrer de dores nas costas durante as cerca de seis horas diárias que fica em frente ao computador de casa. Isso sem contar as espiadas na internet do celular durante o intervalo das aulas no Colégio Santa Maria. Não raro, ela troca o tempo de sono da madrugada para assistir a algum vídeo publicado por um amigo ou para postar no Twitter. Afinal, foi por essa ferramenta que ela conheceu uma de suas melhores amigas.

Aos 15 anos, a adolescente é o retrato do que mostra a pesquisa Nós, Jovens Brasileiros, realizada pelo Portal Educacional, que mapeou o comportamento de 4 mil estudantes de 13 a 17 anos, alunos de 60 escolas particulares de todo o País. Neste ano, foram os próprios jovens que sugeriram as questões que, depois de selecionadas, compuseram o corpo do questionário.

E, quando o assunto é internet, as descobertas revelam desde questões mais objetivas – como o tempo de uso, que cresce ano após ano – até temas bem mais delicados, como a disposição a se expor na rede.

Um dos dados mais preocupantes é o que mostra que, do total de entrevistados, 6% deles já apareceram nus ou seminus em fotos na rede e o mesmo porcentual já mostrou partes íntimas de seu corpo para desconhecidos por meio de webcam. Além desses, outros 3% já pensaram em se exibir dessa forma, mas não puseram isso em prática.

Destemidos. “Isso reforça a nossa percepção de que o jovem acredita que a tela e a distância relativizam o risco do perigo”, diz o psiquiatra Jairo Bouer, parceiro do Portal Educacional. “Ou ele quer se diferenciar e ganhar fama a qualquer preço, e para isso avalia que vale a pena até mostrar o corpo, ou ele é inocente e acha que não é tão grave.”

O caso narrado por Caio Cardoso Fossati, de 15 anos, aluno do Colégio 12 de Outubro, foi de completa ingenuidade, acredita ele. Caio conta que um de seus amigos recebeu de uma paquera uma foto dela nua. “A garota gostava dele e achava que era uma forma de atraí-lo.” A estratégia deu errado. Além de não se seduzir, o adolescente mostrou a imagem a um grupo de amigos que a conheciam e o assunto virou piada. “Só não ficou pior porque ela não sabe que todos nós a vimos daquele jeito.”

Ivanna Castelli, de 13 anos e estudante do 8.º ano do ensino fundamental, diz que várias de suas amigas se expuseram dessa forma. “Algumas queriam aparecer e outras atenderam ao pedido do namorado. O problema é que isso sempre espalha, e elas acabam se arrependendo.”

Para Carmen Neme, professora do programa de pós-graduação em Psicologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), essa exposição é resultado da falta de controle dos impulsos sexuais, própria da adolescência, com o imaginário, também típico da idade, de que estão acima de qualquer risco. “O adolescente acha que nada vai acontecer, porque ele é muito esperto.”

O único antídoto a isso, explica, é a presença mais atuante dos pais. Uma intervenção que não se limite a um código de conduta com sites proibidos e permitidos, mas que subentenda mais tempo de convivência. “O problema não é a internet. A questão é que os adolescentes estão sozinhos. Nunca se viveu de maneira tão solitária como agora. Os pais estão longe, e a internet parece suprir a ausência“, diz Carmen.

Sem orientação, somem os limites. “Uma “certa” rebeldia é tolerável, porque o adolescente que não se rebela não sai da dependência familiar. Mas a rebelião tem de ser dentro de certos limites. Ele pode questionar valores, confrontar, mas não pode perder o controle de impulsos, destruir os vínculos.”

Descuido. Se a questão não for cuidada em tempo, pode ser tarde para que essa intermediação aconteça. O diretor do Colégio Mary, Cesar Marconi, conta que com frequência chama os pais à escola para discutir os limites dos filhos frente à internet.

O maior problema, por ali, é a queda do rendimento por conta do cansaço. “Tem aluno que chega morrendo de sono, não consegue se concentrar e, ao ser questionado, diz que não dormiu porque ficou na internet a noite toda.” Ao serem convocados, diz Marconi, oito em cada dez pais dizem conhecer essa rotina. “Mas admitem que não conseguem mais controlar.”

Uma outra pesquisa divulgada nesta semana pela Fundação Telefônica – o estudo mapeou o comportamento de crianças e jovens frente às telas de computador, celular e televisão – mostrou que 58,6% das crianças e 76,5% dos jovens acessam a rede sozinhos. O computador, revelou a pesquisa, se localiza preferencialmente no quarto da criança (37,6%) ou do adolescente (39,3%). Quanto à orientação, 31,7% dos jovens declararam que seus pais não costumam fazer nada em relação às atividades que desenvolvem na internet.

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* “Numa cultura desprovida de fundamentos a Internet pode oferecer uma ajuda excelente na formação da fé ”, afirma Bispo da Igreja.

quarta-feira, outubro 17th, 2012


“Sem dúvida, a Internet constitui um novo «foro», entendido no antigo sentido romano do lugar público”, dizia João Paulo II na mensagem para a 36º Dia Mundial das Comunicação no ano 2002.

O seu potencial para a pregação do evangelho é imenso. “Especialmente numa cultura desprovida de fundamentos, a vida cristã exige a instrução e a catequese permanentes e este é, talvez, o campo em que a Internet pode oferecer uma ajuda excelente”, continuava o Papa na mesma mensagem.

ZENIT entrevistou Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Titular de Acufida e Auxiliar de Aracaju que, desde o seu tempo de sacerdote, tem se interessado em evangelizar por meio da Internet. Dom Henrique criou uma página (www.domhenrique.com.br ) e um blog (http://costa_hs.blog.uol.com.br) com diversos conteúdos de evangelização continuando, até mesmo depois de bispo, a dar seguimento a esse apostolado.

****

Pode um bispo evangelizar utilizando os meios de comunicação?

Dom Henrique: Não somente pode, como também deve, pois é parte integrante do seu munus de pregar o Evangelho. O mundo da internet, as redes sociais são daqueles novos areópagos a que se referia o Bem-aventurado João Paulo II. É imperativo utilizar todos os meios para anunciar o Cristo Jesus. A internet é um universo incrível, cheio de possibilidades; como as realidades deste mundo, é um ambiente ambíguo. Aí se pode plantar o trigo ou o joio. Plantemos Jesus, com entusiasmo e competência, oportuna e inoportunamente!

O senhor começou como padre. Por quê?

Dom Henrique: No meu ministério sacerdotal preguei muitos retiros e ministrei vários cursos e palestras sobre teologia. As pessoas me incentivavam, pressionavam mesmo a disponiblizar meus escritos e artigos – já escrevia para alguns jornais – na Internet. Assim nasceu o site, depois o blog, depois o twitter e, finalmente, a página no Facebook. Posso dizer que todo esse trabalho nasceu da vida, da dinâmica do meu ministério. Não foi algo premeditado. Evito ao máximo utilizar esses meios para comunicações pessoais. É Cristo quem interessa, é Ele que deve ser anunciado, feito conhecido e amado; é Ele a luz que ilumina toda pessoa que vem a este mundo!

Passar a mensagem de Cristo pela Internet não é algo muito complicado?

Dom Henrique: Não é esta a minha experiência. Muito do material que coloco ali é fruto da minha oração, do meu estudo, da minha Lectio Divina. Encontro aí um modo fantástico de partilhar a fé com meus irmãos e com todas as pessoas de boa vontade. Não me coloco na Internet primeiramente como Bispo, mas simplesmente como homem e cristão, cheio de perguntas e de esperança em Cristo Jesus nosso Senhor. Em suma, para mim, a Internet é um modo de partilhar minha fé. Para mim, é muito significativa a percepção do Santo Padre Bento XVI de que a fé é uma alegria a ser partilhada, comunicada de modo quase que despretencioso, por atração, por contágio.

Pensando bem, é aquilo que já experimentava São Paulo quando exclamava: “Ai de mim se não evangelizar!” Não se trata de uma propaganda, mas de um amor, de uma certeza a partilhar com outro, pois o amor é contagiante, é difusivo.

O senhor grava vídeos e posta no seu site. Os fiéis ouvem a sua voz? Qual a temática dos seus vídeos?

Dom Henrique: Gravo poucos vídeos. Na verdade são produzidos para um programa local de TV no qual comento trechos das Escrituras. Comunico-me mais pela escrita. Sobre o que escrevo? Sobre o que me vem no coração: a vida, as perguntas que nos angustiam, a questão de Deus, a relação entre fé e razão, entre ciência e religião, a admiração e contentamento diante de um texto da Escritura, de um escrito dos Santos Padres, exponho temas da nossa fé católica, emito opinião sobre temas discutidos na sociedade… Procuro ser simples, espontâneo, sincero. Como já disse, coloco-me antes como pessoa, como cristão, de coração aberto; certamente, com a consciência de minha responsabilidade como Bispo da santa Igreja, que deve testemunhar a fé para os irmãos e estimulá-los no seguimento de Cristo. Pergunta-me se os fieis escutam. As pessoas escutam – não só os fieis! E, por incrível que pareça, é grande o número de jovens e de sacerdotes e seminaristas!

Quem acessa o seu site nota que a qualidade do conteúdo do mesmo é muito boa. Como é que conseguiu isso?

Dom Henrique: Tenho um coração contemplativo. Gosto de rezar, de pensar diante do Senhor as perguntas da vida. Partilho estas coisas com franqueza e sinceridade, sem a preocupação de agradar. Sinceramente, nunca me preocupo se olham ou não o que escrevo nem me detenho muito no que acham. Simplesmente escrevo e deixo que leiam ou não leiam, como quiserem. Escrevo porque sinto a necessidade de partilhar as riquezas da fé cristã, a alegria imensa e indizível de ter Jesus como Senhor, Mestre e Sentido! Como não falar Dele! Ele é tão belo!

Um bispo, um sacerdote, pode se aventurar no mundo da Internet para transmitir a fé? Quais são as vantagens de evangelizar pela Internet?

Dom Henrique: Claro que sim. Somente é necessário cuidado para não ocupar espaço na Internet com trivialidades. Espera-se de um ministro do Evangelho que Cristo seja sempre o centro e a forja da sua identidade e da sua ação. Entristece-me muito a tendência de alguns de atrairem para si próprios a atenção. É Cristo o centro, é Cristo o astro! É Cristo o grande dom que o  ministro do Evangelho tem para dar ao mundo! Se faz isto, a internet é um excelente instrumento para levar Jesus a ambientes e situações que dificilmente seriam atingidas de outro modo. Uma coisa que constato com admiração é como as pessoas sentem necessidade de ter um contato pessoal com os ministros da Igreja; não um contato burocrático, mas realmente de aconselhamento, de orientação e afeto pastoral. A Internet permite isso! É grande o número de jovens, de sacerdotes, de casados que me pedem ajuda através das redes sociais!

Como está dividido o site? Quais serviços oferece para os fiéis?

Dom Henrique: Meu site necessita ser remodelado. Trabalho sozinho e, depois de Bispo, o tempo e a agenda ficaram muito exíguos! Atualmente, do ponto de vista técnico, o site não tem oferecido muito. Tem, sim, conteúdo: textos de teologia, de estudo bíblico, reflexões, artigos sobre temas variados, mini-cursos. Atualizo mais o blog e a página no Facebook, que são mais dinâmicos e não exigem textos tão elaborados. Mas, meu intento é ir disponibilizando o melhor do blog no site, pois aí o material pode ser consultado de modo mais sistemático e perene.

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* É possível evangelizar nas redes sociais da internet. Mensagem de Bento XVI para a Jornada Mundial das Comunicações 2013.

segunda-feira, outubro 1st, 2012

Os comunicadores digitais católicos, ou dito de outra forma, “os evangelizadores da Rede”, receberam o apoio do santo Padre Bento XVI pelos seus grandes esforços em entender a linguagem dos meios de hoje – com poucas horas de descanso e não poucas incompreensões -, de modo que a mensagem de Cristo permaneça em vigor nas redes sociais da internet.

Esta boa notícia chegou a cada dispositivo móvel ou fixo que estivesse na rede, quando na sexta-feira foi publicado o tema da 47ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, com a qual o Papa orientará a Igreja Universal sobre este importante campo, denominado por ele mesmo “um continente digital”. É que a questão escolhida não podia ser mais oportuna e clara: “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços para a evangelização”.

De acordo com a nota de apresentação do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o tema se enquadra muito bem no contexto do Ano da Fé, dado que o “modo de humanizar e vitalizar um mundo digital impõe hoje uma atitude mais definida: já não se trata de usar a internet como “meio” de evangelização, mas de evangelizar considerando que a vida do homem moderno também se expressa no ambiente digital”.

Em particular, acrescenta o comunicado, “é necessário considerar o desenvolvimento e a grande popularidade das redes sociais, que permitiram o crescimento de um estilo dialógico e interativo na comunicação e nos relacionamentos.”

Cabe destacar que a iminente Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos, dedicada à Nova Evangelização, também abordará o tema. Por isso o anúncio da Jornada chega a tempo. Nos parágrafos 59-62 do Instrumentum Laboris, referindo-se às “Novas fronteiras do cenário comunicativo”, há referências explícitas a esse desafio, com um convite para que os cristãos tenham “a audácia de ir a esses “novos areópagos”, aprendendo a dar uma avaliação evangélica, encontrando os instrumentos e os métodos para fazer ouvir também hoje nestes lugares o patrimônio educativo e a sabedoria custodiada pela tradição cristã (62c)”.

As experiências são contadas por milhões hoje, onde os correios eletrônicos e mensagens de texto do celular com frases ou mensagens evangelizadoras, passaram –  sem parar estes primeiros – a novos espaços, como os blogs do bispo ou pároco, as redes sociais das religiosas e dos leigos, os tweets das assessorias de imprensa dos episcopados e dioceses, ou as web 2.0 dos entendidos na pastoral das comunicações.

É assim que esta Jornada Mundial das Comunicações Sociais 2013, que segue fielmente o mandamento do Vaticano II por quase 50 anos, animará os que ainda têm dúvidas sobre a potencialidade destes meios, a ‘remar mar adentro’ e ocupar seu espaço. E àqueles que já os utilizam, será um consolo para buscar novos meios e caminhos, para que mais e mais pessoas façam-lhes um sincero clic em “curto” ou lhes sigam… A Jornada Mundial das Comunicações do ano 2013 será celebrada no dia 12 de maio, durante a solenidade da Ascensão do Senhor. A mensagem integral do santo padre será divulgada no dia 24 de janeiro, sempre na festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos escritores e jornalistas.

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* Católicos e muçulmanos marcam presença nas redes sociais.

quinta-feira, setembro 27th, 2012

Yuri Gonzaga, jornal Folha de S. Paulo

Enquanto o Facebook se aproxima de seu primeiro bilhão de usuários, duas redes sociais surgem como alternativas religiosas: o site Salamworld, muçulmano, e a rede Aleteia, católica. Salamworld, o ‘Facebook islâmico’, deve ser lançado em novembro.

Salamworld, baseado na Turquia, já funciona em fase de testes, apenas para convidados, e será aberto ao público em novembro. De olho na ampla população jovem dos países islâmicos, os criadores querem atrair 150 milhões de usuários dentro de três anos.

“Estamos quebrando o estereótipo conservador ao desenvolver uma rede global e inovadora, que dá à juventude muçulmana uma plataforma para levar seus projetos adiante”, propagandeia Ahmed Azimov, 35, vice-presidente do site, em entrevista por e-mail à Folha.

Com escritórios também no Egito e na Rússia, a rede nascerá internacional: seu corpo diretor é composto por pessoas de 17 países diferentes, e o site tem versões em árabe, francês, inglês, malaio, persa, russo e turco.

Sobre os recentes conflitos no Oriente Médio, o executivo defende que o possível advento da rede não estimulará animosidades entre o mundo árabe e o Ocidente. Pelo contrário: “Seremos uma ponte entre os muçulmanos e a comunidade global que existe na web”. Para evitar que conteúdo com haram (infrações à lei islâmica) seja difundido na rede, o site conta com um time de moderadores, por quem todo o conteúdo suspeito deve passar antes de ser aprovado ou rejeitado.

Há um mecanismo que reconhece pornografia e outras formas de conteúdo profano. O que não é pego por esse filtro automático fica disponível imediatamente na rede. O resto tem de passar pela análise humana.

“Somos um ambiente seguro para a família muçulmana, livre de abuso infantil, álcool, extremismo e terrorismo”, dizAzimov. “Nas outras redes, ninguém garante que, em vez da figura do Mickey, seu filho verá algo sujo.”

Portal Católico

Lançada na última quinta-feira após um ano de testes, a rede Aleteia (”a verdade” em grego) tem como proposta agregar conteúdo que sane as principais dúvidas em relação à religião católica.

“A ideia é que todo o conteúdo parta de uma pergunta de um usuário”, diz o brasileiro Alexandre Ribeiro, 35, editor da versão lusófona do site, fundado na Itália e também disponível em árabe, espanhol, francês, inglês, italiano e português.

“Hoje, se você busca temas sobre a Igreja Católica no Google, encontra pouquíssimas referências. Queremos jogar lá para cima [da página de resultados] informações tratadas, confiáveis.”

No Brasil, os parceiros são a PUC (Pontifícia Universidade Católica), a rede Canção Nova e a Arquidiocese do Rio de Janeiro, entre outros -no mundo todo, são mais de mil.

Ribeiro, que não tem ligação formal com a Igreja, é um dos 37 funcionários da Aleteia. Segundo ele, o site deve ganhar, em breve, uma seção para debates entre usuários.

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* Uma radiografia do uso do Twitter pelo mundo. Qual o país mais atuante?

quinta-feira, setembro 27th, 2012

Jornal Valor

Se o Twitter fosse um país, seria um dos mais populosos do planeta. Em meados de 2012, a rede de relacionamento superou a marca de 500 milhões de usuários. Supera com folga a população de quase todos os países, Estados Unidos incluído, ficando apenas atrás da China e Índia.

O que mais chama atenção em tudo isso? É que a metade dos 20 países com mais usuários do Twitter é formada por países emergentes. logo atrás dos Estados Unidos, nos deparamos com um país latino-americano, o Brasil. Também aparecem na lista o México (7º lugar), Colômbia (12º), Venezuela (13º) e Argentina(19º), além da Espanha (9º). Todos eles superam países como a França e a Alemanha, integrantes da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em outras palavras, a difusão tecnológica – ou, em todo caso, a das redes de relacionamento social – está se disseminando de forma cada vez mais rápida, alcançando os países emergentes e os mais industrializados com a mesma velocidade.

Outro dado ainda mais surpreendente: a cidade com mais “tweets” não é Tóquio (segunda), Londres (terceira) ou Nova York (quinta), mas Jacarta, na IndonésiaSão Paulo, no Brasil, é a quarta, superando Nova YorkBandung, na Indonésia, supera Paris Istambul, na Turquia, supera Madri. As cidades dos países emergentes, portanto, estão no mesmo nível que as dos países da OCDE. Entre as 20 cidades mais ativas nessa rede também vemos o Rio de JaneiroSeul à frente de Miami Atlanta.

Quais são os que possuem líderes mais atuantes no Twitter? Dos 193 países da Organização das Nações Unidas (ONU), nem todos possuem dirigentes, chefes de Estado ou de Governo ativos na rede. Apenas 30 das 264 contas de líderes analisadas por Burson-Masteller são atualizadas pelo próprio líder e de forma regular. A metade dos dirigentes não “segue” outros dirigentes. Apenas 25% dos líderes mundiais seguem o presidente americano Barack Obama, que por sua vez segue só três outros dirigentes mundiais (o da Noruega, Inglaterra e Rússia). O mais conectado de todos com outros líderes é o presidente da União Europeia (UE), que segue 11.

Um dos dirigentes com mais seguidores no mundo está na América Latina: é o presidente Hugo Chávez, da Venezuela. Com mais de 3 milhões de seguidores, supera qualquer outro líder no continente, seja os do Brasil,Argentina ou Colômbia, todos com mais de 1 milhão de seguidores. Ele tem a maioria dos outros líderes da América Latina como seguidores e é um dos mais atuantes, com duas mensagens por dia em média. A presidente do Brasil também está entre os dez líderes com mais seguidores: o número passou de 200 mil no dia de sua eleição para quase 1,6 milhão em agosto de 2012. Ela não envia mensagens desde 2010, no entanto. Ela não segue nenhum outro dirigente, mas tem 17 deles entre seus seguidores, a maioria na América Latina.

Uma das contas mais ativas, com média de 14 tweets por dia, é a de outro dirigente latino, o da Espanha: Mariano Rajoy. Com pouco mais de 300 mil seguidores, ele não é seguido por seus pares latino-americanos mencionados anteriormente nem pelos chefes de Estado do Chile e Equador, que possuem mais seguidores do que ele. Rajoy, no entanto, supera com folga vários líderes europeus, como Angela Merkel (com apenas 65 mil seguidores e bem pouco atuante na rede), e chega perto do francês François Hollande (com mais de 400 mil seguidores). Na Europa, apenas David Cameron, com mais de 2 milhões de seguidores, se aproxima do patamar da (primeira) divisão “latina”.

As redes sociais estão se transformando em canais de comunicação política. Nem todos os governos e chefes de Estado, contudo, entendem dessa forma. Surpreendentemente, ninguém do governo e nem o chefe de Estado sueco, um dos países mais presentes no mundo digital, estão no Twitter; outros começaram apenas recentemente, como a Suíça, em julho de 2012.

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* Conheça a ‘Aleteia’, a mais nova rede social católica em 5 línguas!

sexta-feira, setembro 21st, 2012

A Fundação para a Evangelização através da Mídia (FEM) em Roma a rede social católica ‘Aleteia’ (’a verdade’, em grego), com o objetivo de ampliar o diálogo entre cristãos, seguidores de todas as religiões e não crentes, disse seu presidente, Jesús Colina.

O espanhol explicou que atualmente 2 bilhões de pessoas estão conectadas à internet e que, a cada mês, cerca de 55 milhões de buscas no Google se referem a Deus, 25 milhões a Jesus, 37 milhões à Igreja e 17 milhões à palavra ‘amor’.

‘Para oferecer respostas profundas a esses temas, nasce a ‘Aleteia’, a rede social para que os buscadores da verdade possam compartilhar e dialogar sobre temas relativos a fé, vida e sociedade’, definiu.

Colina descreveu que a ‘Aleteia’ oferecerá as melhores publicações de instituições e veículos de comunicação católicos de todo o mundo, e que a rede foi criada ‘como resposta’ à demanda de Bento XVI para uma nova evangelização no mundo digital.

O diretor da ‘Aleteia’ disse que não é um ‘Facebook católico’ e também não pertence ao Vaticano, embora tenha reconhecido que contam com o patrocínio dos Conselhos Pontifícios para as Comunicações Sociais e para a Promoção da Nova Evangelização.

Até o momento, a rede já conta com mais de 1.040 membros, como sites de internet, rádios e televisões católicas de todo o mundo.

Jesús Colina acrescentou que a rede ainda oferece a todos esses sites uma série de serviços que vão desde a criação de conteúdos até a possibilidade de obter benefícios econômicos.

‘Trata-se – ressaltou – de uma ocasião formidável para a Igreja ampliar o diálogo com católicos, cristãos, seguidores de todas as religiões e também não crentes, já que a ‘Aleteia’ oferece recursos a todos os buscadores da verdade’.

O serviço está sendo lançado em cinco idiomas: português, espanhol, italiano, árabe, inglês .

A rede está sendo coordenada por uma equipe de 45 pessoas espalhadas por todo o mundo, entre redatores, tradutores e especialistas, e as sedes operativas ficam em Roma, Washington e Paris.

Colina destacou que a linha editorial será a da ‘objetividade’ e que a imprensa ‘marrom’ não terá vez na rede.

Paralelamente à ‘Aleteia’ foi criada a ‘AdEthic’, que reunirá publicidade específica destinada a sites católicos.

A ‘Aleteia’ conta com um comitê editorial formado, entre outros, por Rafael Navarro Valls, catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Complutense de Madri, e Jaime Septien, diretor do jornal católico mexicano ‘El Observador en línea’.

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* E quando o jogo na internet e o videogame se tornam um vicio?

segunda-feira, julho 23rd, 2012

O bom senso materno e paterno no controle dos jogos de internet utilizados pelos filhos

A revista Catolicismo publica uma entrevista muito proveitosa para os pais de família. A entrevistada é a Sra. Elizabeth Woolley — norte-americana fundadora do Online Gamers Anonymous (Jogadores Anônimos Online). Ela alerta os pais sobre o perigoso mundo da internet e dos videogames, que poderá viciar seus filhos.

Tendo como objetivo auxiliar as famílias a controlar e salvaguardar os pequenos dos malefícios dos jogos de computador, aqui transcrevo a entrevista com a Sra. Woolley.

Aos pais, um apelo ao dever

A senhora poderia explicar por que fundou Online Gamers Anonymous?

Sra. Wooley — Em 2002, meu filho Shawn viciou-se em um jogo chamado Everquest. Em três meses ele largou o emprego, foi despejado de sua casa e ficava a noite inteira acordado jogando no computador. Apesar de nossos ingentes esforços para auxiliá-lo a restabelecer a normalidade em sua vida, ele cometeu suicídio um ano e meio mais tarde.

Pouco tempo depois de seu suicídio, concedi uma entrevista ao “Milwaukee Journal Sentinel”, e foi então que me dei conta de quantas famílias estão sendo destruídas e sofrem como a minha.

Em 2002 eu decidi fundar o site Online Gamers Anonymous para ajudar essas pessoas a terem um lugar para se encontrar e saberem que não estão sozinhas. Faço questão de informar que esses jogos podem assumir o controle de suas vidas da mesma forma como o álcool e as drogas. Alguns jogadores me disseram que a pessoa pode tornar-se viciada em menos de 24 horas. Assim, ao passar dos jogos sociais para os jogos que provocam o vício, ela não consegue voltar atrás. Esses jogos podem tornar-se a droga preferida, devendo ser considerados como tal.

O nosso website www.olganon.org divulga pesquisas sobre o modo como esses jogos afetam as crianças, prejudicando o seu normal crescimento e seu desempenho social, e procura alertar os pais a esse respeito. Organizamos diversas reuniões semanais nas quais os viciados contam a sua história e apoiam-se mutuamente no esforço de abandonar o vício, além de debaterem muitos assuntos relacionados com o problema deles.

A senhora daria algum conselho aos pais que têm videogames em casa?

Sra. Wooley — O elemento crucial é garantir uma vida equilibrada aos filhos. Eles não podem ser criados com base em uma só atividade, pois do contrário vão ter problemas. Mesmo quando a criança protesta, a missão dos pais é dizer “não”, e guiá-los para outras atividades.

Ser pai ou mãe não é fácil, mas posso garantir que a vida podia ser perfeitamente normal antes da existência de videogames. Como pais, precisamos encontrar ou criar outras atividades para os nossos filhos que não sejam somente a de fazê-los sentar-se diante de uma tela de computador. Isso significa engajá-los em esporte, em encontros sociais e atividades educacionais. Mas é necessário oferecer-lhes opções. Se a criança disser que não quer abandonar o jogo, é preciso estabelecer limites ou então ela acabará tendo problemas.

Que tipo de pessoa tem inclinação para tornar-se viciada e quais são as consequências?

Sra. Wooley — Qualquer pessoa pode se viciar. Certas universidades confessam que o videogame é responsável por uma grande porcentagem de desistências. Muitas delas mantêm agora psicólogos para tratar do problema do vício no jogo entre os alunos. Estão também investigando se os estudantes estão envolvidos em videogames antes de lhes conceder bolsas de estudo. Elas sabem que podem estar perdendo uma bolsa se o candidato for um viciado. Eu conheço diversos pais que perderam as economias aplicadas no estudo dos filhos por causa disso. Muitos jovens que estão sendo arrastados para esse vício são de fato gênios. Eles são bastante inteligentes e cheios de motivação. A prova é que muitos desses jogos exigem horas de esforço tedioso, concentração e paciência. É triste ver todo esse potencial intelectual sendo jogado no lixo. Além das considerações que se podem fazer sobre o modo pelo qual o videogame prejudica as vidas e a educação, temos que levar em conta o quanto se poderia ganhar caso esses jovens capazes estivessem resolvendo os reais problemas da sociedade. Os videogames se tornaram em vez disso um poderoso fator de estupidificação da sociedade.

Às vezes, pessoas já crescidas e com emprego sério podem ficar viciadas. Eu conheço várias delas que possuíam trabalho e casa, mas perderam tudo por causa dos videogames.

Houve um caso extremo de um senhor na Flórida que perdeu seu emprego e teve que ir viver na rua. Ele acabou arranjando trabalho num restaurante a fim de conseguir dinheiro suficiente para ir ao gaming café, onde fica jogando o resto do dia. Quando o gaming café fecha, ele vai dormir na rua e no dia seguinte repete a mesma coisa. Muitos pais deixam a família para terem mais tempo de jogar. Eles perdem completamente a preocupação pelos filhos, porque tudo quanto eles julgam poder fazer é jogar. Mulheres adultas são mais inclinadas a engajar-se em jogos sociais como Farmville, SIMS e Second Life, porque gostam de fazer coisas conjuntas. Isso frequentemente causa problemas, pois as mulheres casadas acabam deixando os maridos e a família, abandonando os próprios filhos, para estarem com uma pessoa do jogo. Há muitos exemplos disso. Um caso extremo foi o do casal coreano que deixou o filho real morrer de má nutrição porque passavam todo o tempo disponível cuidando do “filho virtual”.

A maioria dos videogames dá às crianças uma sensação de que elas são algo ou que estão realizando alguma coisa. Isso é errado?

Sra. Wooley — Um dos perigos maiores é precisamente o de ser muito fácil obter uma sensação de valor e realização através do jogo. Se a pessoa não consegue um resultado ou não gosta do que fez, pode recomeçar até conseguir o resultado certo. Bem, a vida real não é assim. A vida real não é tão fácil e com frequência não se tem uma segunda oportunidade. Com isso, por contraste, a criança fica desanimada com a vida real e termina abandonando-a inteiramente. Ela diz a si mesma: “Isto é muito difícil”, e foge de volta para os jogos.

Tal atitude representa um perigo enorme para a vida social da criança. Em vez de satisfazer seus desejos de coisas como valor e realização através de intercâmbio social, ela os obtém por meio dos jogos. Desta forma ela não tem a experiência necessária da vida real, especialmente do sofrimento normal da vida, e não aprende a lidar com bons e maus momentos. Vida real não é fácil para ninguém, e permitir que uma criança use jogos como droga para fugir da vida real não vai ensiná-la a lidar com ela.

Eu pude comprovar isso em meu filho (foto acima). No jogo ele podia facilmente fazer o que queria e sentir-se realizando algo. Ao mesmo tempo, ele não estava usando seu tempo para cuidar de sua vida real, de modo que não havia nada para sustentá-lo. A um certo ponto ele passou a não se importar mais com o futuro e de como progredir na vida real. Se a maior parte de seu tempo é usada nos jogos, não haverá tempo suficiente para aprimorar a educação, habilidades e amizades na vida real. Todos aqueles que de fato queiram realizar algo na vida precisam abandonar os jogos e se dedicar à vida real.

Qual é a sua mensagem aos pais que usam videogames para ajudar a entreter seus filhos?

Sra. Wooley — Eu tenho visto muitas atitudes irresponsáveis de pais que desejam usar os videogames como babás. Isso infelizmente acontece porque muitos pais são com frequência eles próprios jogadores.

Primeiramente, não é bom pai aquele que dá à criança um jogo de computador para que ela não o amole. Ocupe-se de seu filho na vida real! Conheci um pai que ensinou seu filho de três anos a jogar com ele World of Warcraft, achando que se conseguisse tornar a criança viciada naquele jogo, poderia vir a ter um melhor relacionamento com ela. Faço questão de dizer aos pais que jogar tais jogos com os filhos não pode ser chamado de relacionamento, uma vez que durante os mesmos não há quase nenhuma troca de palavras; o modo de a criança se relacionar com qualquer coisa durante o jogo é unicamente através dos controles.

Em segundo lugar, recomendo aos pais que não permitam a nenhuma criança de menos de 16 anos jogar esses jogos ligados à Internet, e ponto final. Além de nunca se saber contra quem eles estão jogando, os pedófilos estão sempre imaginando meios de se conectarem com crianças através desses jogos. Os pais imaginam que é seguro por ser dentro de casa, mas não é. Dar aos filhos o jogo de  Internet é como colocá-los num bar público sozinhos.

Há também o seguinte: muitas vezes os pais me dizem que não têm outra saída senão dar à criança o que ela quer, acabando não se dando conta do conteúdo do jogo. Esses jogos podem ter material sexual explícito, palavras imorais, uso de drogas, violência imoderada e destruição. Se isso estivesse num filme, apenas a violência já colocaria o filme na categoria “R” (proibido para menores de 17 anos). Apesar de a maior parte das famílias cristãs com as quais falo serem incapazes de dar a seus filhos um filme classificado como “R”, elas os deixam jogar jogos violentos. Isso lhes é muito prejudicial.

E se os filmes não forem violentos e online?

Sra. Wooley — O simples fato de não serem violentos nem on-line não significa que não sejam perigosos. Seria o mesmo que dizer que está bem dar às crianças drogas não violentas. Nunca é demais lembrar que videogames devem ser considerados como possíveis drogas, não se podendo permitir a ninguém de se tornar viciado nelas. É certo que, quando um jogador cruza a linha entre o poder decidir quando jogar e o ser forçado a jogar, sua mente foi já reprogramada pelo vício. Ele não está jogando porque quer, mas porque precisa. Nesse ponto, ele começa a odiar o jogo, mas não pode mais parar. Sua vida se despedaça e ele entra no círculo vicioso de sentir-se culpado e ter “euforias” nos jogos. Depois cai novamente na sensação de culpa e volta ao jogo, onde tudo recomeça. Ao “datilografar” constantemente o teclado nos jogos, ele se torna desumanizado, dando menor importância aos próprios sentidos, não saindo de casa para fazer exercício ou tomar sol e comer algo decente: ele se torna uma concha humana.

Eu ainda julgo que se deveria pesquisar mais a respeito disso, mas já há suficiente informação de como os jogos afetam especialmente os jovens, atrofiando o seu crescimento mental e sua capacidade de se relacionar socialmente.Isso foi um dos aspectos que me chocaram a respeito de meu filho. Ele parou de falar com as pessoas, inclusive comigo, sua mãe. Antes de começar a jogar os videogames, ele era como todos nós: tinha um futuro, planos, amigos e um emprego. Após tornar-se viciado, foi como se uma luz na sua cabeça tivesse sido desligada: desinteressou-se totalmente de como deveria passar a vida real, não se importando mais sobre o que poderia acontecer-lhe no futuro, perdeu completamente suas metas e princípios. Parou de pensar na realidade e tornou-se deprimido. Sua personalidade mudou radicalmente e ele se tornou anti-social. Essa é a razão pela qual eu sempre digo que tais jogos podem reprogramar o cérebro da pessoa, transformando-a em outro indivíduo. Os amigos de meu filho ficaram abismados de quanto ele efetivamente mudou.

A senhora poderia dar um exemplo de pais que acabaram intervindo tarde demais?

Sra. Wooley — Um dos garotos que conheci era um jovem canadense de 15 anos chamado Brandon. Ele começou a jogar um jogo chamado Call of Duty e seus pais, apesar de saberem que aquilo lhe estava causando problemas, não encontravam um meio de fazê-lo parar. Brandon considerava-se uma pessoa muito poderosa no jogo, e não queria largá-lo devido a essa sensação de importância que estava adquirindo e por ser alvo de atenção. Em 2008, seus pais finalmente decidiram pôr um freio na história e lhe tiraram o jogo. Brandon acabou fugindo de casa. Algumas semanas mais tarde, alguns caçadores descobriram seu cadáver a 10 quilômetros de onde residia.

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* Afinal, as novas tecnologias separam ou unem as pessoas?

segunda-feira, maio 7th, 2012

A grande facilidade com que os usuários do Facebook podem agregar “amigos” a seu perfil, a simplicidade com que as pessoas podem conversar através dos diversos chats com outros “amigos” ou “seguidores”, muitas vezes espalhados pelo mundo inteiro, e outras realidades, pareceriam inclinar pelo “sim” à pergunta de se as novas tecnologias facilitam as relações humanas.

Entretanto, um olhar crítico sobre essas amizades cibernéticas, realizada por uma psicóloga, professora do Instituto Técnológico de Massachussets – MIT, nos indica o espaço examinador de todos estes intercâmbios.

No inteligente editorial publicado na edição digital do New York Times de 21 de abril, Sherry Turkle invoca sua experiência na matéria para opinar: “Nos últimos 15 anos, tenho estudado tecnologias de conexão móvel e conversei com centenas de pessoas de todas as idades e circunstâncias sobre as suas vidas “conectadas”. Eu aprendi que os pequenos dispositivos que carregamos são tão poderosos que podem mudar não só o que fazemos, mas também quem somos”, disse.

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O que que foi dito parece uma banalidade, pois, tudo o que o homem faz, de alguma maneira, o transforma. Entretanto, não é banal de maneira nenhuma a profundidade dessas mudanças, particularmente no que se refere ao relacionamento com nossos semelhantes.

“Nós nos acostumamos a uma nova forma de estar “a sós”.
Tecnologicamente habilitados, somos capazes de estar um com o outro, e também em outros lugares, conectados onde queremos estar. Queremos personalizar nossas vidas. Queremos entrar e sair de onde estamos porque a coisa que mais valorizamos é o controle sobre onde focamos nossa atenção.

Nós nos acostumamos com a ideia de estar em uma tribo de um, fiel ao nosso próprio partido”: Uma dissertação muito interessante.

A tecnologia nos permite então, com maior ou menor facilidade, pensar e dedicar preferentemente nossos sentidos à aquilo que nos interessa ou nos agrada.

De fato, não cremos ser os únicos que experimentaram a tentação (e talvez caído nela) de perguntarmo-nos e olhar o que nos chegou no e-mail enquanto estamos em uma reunião de trabalho, social ou familiar, ou até inclusive enquanto escutamos algum sermão dominical não muito ameno.

Mas isto que os antigos poderiam qualificar como falta de educação -não dedicar os 5 sentidos ao interlocutor, ou ao expositor- é qualificado por muito de nossos jovens nativos digitais como uma “skill” a ser conquistada. Assim constatou nossa psicóloga:

“Meus estudantes me falam sobre uma nova e importante habilidade: trata-se de manter contato visual com alguém enquanto escreve uma mensagem, é difícil, mas pode ser feito”, lhe dizem os alunos a Sherry.

Pessoalmente o autor destas linhas teve essa experiência em mais de um jantar ou encontro, e posso dizer com toda a certeza que meu interlocutor ainda não havia adquirido a destreza suficiente para que eu não me sentisse desprezado. Mas enfim, devem ser minhas características de não nativo digital, mas de migrante digital, que ainda me encarceram nesses sentimentos.

Uma das mais finas, e interessantes observações que faz a professora do MIT é a da qualidade da “doação pessoal” e de outras características específicas que se patenteiam nas conversas digitais. Vejamos:

“No silêncio da conexão, as pessoas são consoladas por estar em contato com um monte de gente – cuidadosamente mantidos à distância. Nós não podemos ter o suficiente do outro se temos a capacidade de usar a tecnologia para manter o outro a distâncias que podemos controlar: não muito perto, não muito longe, apenas na distância correta (…) Em mensagens de texto, e-mails e postagens apresentamos o que queremos ser. Isto significa que podemos editar. E se quisermos, podemos excluir. Ou retocar: a voz, a carne, o rosto, o corpo. Não muito, não pouco”.

Esse contato não pleno que ocorre no ciberespaço, é introduzido de maneira sugestica por Turkle com a expressão o ‘silêncio da conexão’. Quer dizer, poderemos ‘falar’ muito por chat ou comunicar-nos até a saciedade por e-mail, mas sempre haverão elementos que não se transmitem e sobre os quais se faz silêncio. Não se transmitem porque os retocamos ou silenciamos, ou simplesmente porque as próprias limitações do canal o impedem. Mas além disso, um uso abusivo ou exclusivo deste tipo de comunicação pode atrofiar as capacidades que temos de dar-nos por completo aos demais na conversa ou no contato pessoal, e esse risco o correm particularmente os jovens.

“Um menino de 16 anos, que se baseia em mensagens de texto para quase tudo, disse, quase melancólico, ‘Algum dia, algum dia, mas certamente não agora, eu gostaria de aprender a ter uma conversa’”, relata Turkle.

“No trabalho de hoje, os jovens que cresceram temendo conversar aparecem usando fones de ouvido. Caminhando através de uma biblioteca da faculdade ou de um campus de alta tecnologia se vê a mesma coisa: estamos juntos, mas cada um de nós está em sua própria bolha, furiosamente conectado a teclados e telas sensíveis a toque minúsculos”, continua.

“Jovens que crescem temendo conversar”. Outra espressão muito bem encontrada, Encerrados em seus tanques cibernéticos, não são poucos os que terminam não conhecendo bem seus vizinhos mais próximos, seja no escritório ou na escola, pois uma mistura de temor e “falta de tempo” os inibe a abrir sua alma ou a peregrinar em almas alheias. Isso em moral cristã tem um nome talvez um pouco forte para aplicar a esta realidade mas que consideramos que não deixa de ser adequado e se chama egoísmo: sou eu, com meus desejos, com minha música e meus vídeos, com os amigos que eu quero frequentar, e na medida e intensidade que eu queira, mostrando só o que eu quero e quando quero.

Entretanto, e foi bem destacado na metafísica cristã recente, o ser humano é um ser ‘donal’, não só um ser ‘em relação’, mas uma criatura que está chamada por natureza a “dar-se”. O risco do egoísmo cibernético é que tem conexos com os deleitáveis e venenosos prazeres do egoísmo. Mas o egoísmo, qualquer que seja, inclusive se se disfarça de iphones, ipads, ou smartphones, cedo ou tarde, termina enfastiando, termina tornando amarga a existência.
E a solução segue sendo hoje como sempre, o dar-se, o entregar-se, o abrir-se, a imitação dAquele que há 2.000 anos na Palestina disse que não há quem demonstre mais amor que o que dá a vida por seus amigos.

Por Saúl Castiblanco

Traduzido por:
Emílio Portugal Coutinho

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* A Internet e a Pornografia. “Uma nova abordagem é necessária”, afirma relatório.

quinta-feira, maio 3rd, 2012


Por Pe. John Flynn, LC

Foi publicado na Inglaterra, no dia 16 de abril, o relatório final de uma investigação Parlamentar sobre a Proteção Online da Criança. A conclusão é que o Internet Service Provider (ISP) e o governo devem fazer mais para manter as crianças seguras enquanto navegam na rede.

O parlamentar conservador por trás do estudo, Claire Perry, pediu que provedores de Internet ofereçam para os pais uma maneira simples de filtrar conteúdos de adultos.

“Nossa investigação revelou que muitas crianças têm acesso fácil à pornografia através da Internet, bem como a sites que mostram violência extrema ou promovem auto-mutilação e anorexia”, disse à BBC no dia 18 de abril.

O relatório começa elogiando os inúmeros benefícios da Internet, mas ao mesmo tempo, detecta a presença de aspectos negativos, entre os quais o fato, sempre mais evidente, de que a Internet tornou-se uma presença, always-on, ativa, fixa, em nossas vidas .

Muitos na indústria da Internet – observa o relatório – dizem que seria melhor instalar em cada um dos computadores controles ou filtros, em vez de fazê-lo a nível de ISP, mas estes dispositivos a nível de filtros têm limitações e muitos pais não os usam. O uso destes filtros diminuiu 10% nos últimos três anos e quase seis em cada dez crianças têm acesso ilimitado.

Como resultado mais e mais crianças têm encontrado, ou pelo menos buscado, material pornográfico. A idade média em que a criança começa a usar a Internet no Reino Unido é de 8 anos e muitas começam sozinhas.

Uma pesquisa do 2008 constatou que o 27% dos meninos usa material pornográfico a cada semana. Outro estudo descobriu que um quarto dos jovens tinha recebido e-mail pornô indesejado ou mensagens instantâneas.

Antes da investigação parlamentar, seja sondagens que testemunhos tinham expressado sérias preocupações com a facilidade de acesso à pornografia e  às imagens muitas vezes violentas e degradantes disponíveis. Além disso, nos últimos tempos a quantidade de conteúdo explícito tem aumentado significativamente.

Dessensibilização

Na pesquisa algumas testemunhas disseram que o uso regular de pornografia insensibiliza as crianças e os jovens para atos violentos ou sexualmente agressivos, reduzindo as inibições, tornando-as mais vulneráveis aos abusos e à exploração. Além disso, a exposição à pornografia leva os jovens desde muito cedo ao envolvimento sexual.

Em outros setores da mídia, governo e indústria privada trabalham juntos para proteger as crianças, através da criação de avaliações de filmes e normas de publicidade.

O relatório, também lamentou o fato de que, com a Internet, qualquer proposta de regular os conteúdos antes do ponto de entrega seja atacada como censura.

Em qualquer caso, algumas medidas positivas foram tomadas, disse o relatório. De outubro deste ano, as quatro principais ISPs britânicas decidiram implementar novos controles em que o consumidor deve escolher ativamente se instala ou não o dispositivo de filtros como parte do account no processo de inscrição.

Embora este seja um passo na direção certa, o relatório apontou que nove em cada dez crianças vivem em casas que já têm acesso à Internet e as empresas não têm planos detalhados para oferecer esse filtro para clientes existentes.

Além disso, não protege todos os dispositivos através dos quais pode-se acessar à rede. Os telefones celulares, de fato, assim como os jogos, os tocadores portáteis de mídia e e-reader, podem facilmente acessar a Internet e cada um destes dispositivos, em uma casa, precisariam portanto de um próprio filtro.

Deve-se acrescentar também o fato de que, sempre de acordo com o relatório, muitos pais têm dificuldade para instalar os filtros e de mantê-los, e podem ser “superados em astúcia” pelas crianças mais expertas na tecnologia.

A pesquisa também descobriu que os aparelhos não são vendidos com configurações de segurança de acesso ativadas como configurações padrão; os revendedores, além do mais, não perguntam nunca se os computadores ou os aparelhos com acesso à internet que estão vendendo, deverão ser utilizados por crianças e não fornecem informações sobre as configurações de segurança.

Um novo sistema

“Uma nova abordagem é necessária” afirma portanto o relatório. A proposta é de um sistema de opt-in, através do qual os clientes poderão optar por receber conteúdo pornográfico, preservando assim a escolha do consumidor, mas que fornece, ao mesmo tempo, conteúdos “limpos” da Internet, de forma a proteger as crianças.

Este sistema já está em vigor para telefones celulares na Grã-Bretanha: a maioria das empresas, de fato, já bloqueou os conteúdos para adultos até a idade da verificação de controle estabelecida pelo cliente, ou seja, mais de 18 anos.

Filtros de rede, que são oferecidos por somente um provedor britânico, TalkTalk, protegem todos os dispositivos que compartilham uma conexão com a Internet e melhoram a proteção para as crianças.

Um único filtro de rede aplica os filtros num nível de conta única, de modo que cada dispositivo conectado a uma única conexão Internet está coberto pelas mesmas configurações. Tais sistemas já estão em vigor em muitas empresas e nas escolas.

Nâo há evidências, afirma em seguida o relatório, que um modelo de opt-in poderia diminuir a velocidade da Internet e as principais objeções ao seu uso parecem ser apenas “ideológicas”.

Outra forma de proteção são os chamados whole-network filters, filtros de toda-rede, que excluem conteúdo de todas as contas atendidas pelos provedores de internet. O relatório disse no entanto que é preciso aprofundar e estudar ainda mais esta opção.

Outros tipos de medidas têm sido recomendadas pelo relatório. Estas incluem a melhoria da educação em segurança na Internet; a filtragem de redes públicas de Wi-Fi e uma nova estrutura de regulamentação para os conteúdos online. É necessário ver se o governo vai implementar as recomendações da investigação.

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    em * Como deixei de ser protestante e
  • •"A quem iremos recorrer?" !!!...
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  • •Blasfemia, aborto. Ô serpente perseguidora,derrotada, desesperada. Somente Tu Senhor, tens palavra de vida eterna....
    em * Espanha: Socialistas usam imagem
  • •CARÍSSIMA MONALISA, As crianças dos abrigos seriam "penalizadas" pela segunda vez ao não terem direito a um pai e a uma mãe. Caso pudessem escolher, sem dúvida...
    em * Comunicado da “Federação
  • •mas sera que muitas crianças nao preferem ser adotadas por casais gays do que continuarem em abrigos?...
    em * Comunicado da “Federação
  • •Obrigada pela presteza,Carmadélio.Para quem entende de ciências é sempre bom analisar as pesquisas em si e o modo como os dados foram obtidos e estatisticamente tratados.Talvez...
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    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •eu ja tinha percebido que o livro nao prestava, pois antes de participar do shalom, eu participava de outra comunidade que apoiva totalmente o livro, mas depois do shalom mudei...
    em * A Cabana, o livro. Heresias
  • •Triste como essa 'ditadura do relativismo' tem acorrentado e cegado tantos. Se declarando livres e tolerantes não percebem que estão sendo enganados. Um dia, também já me achei...
    em * Por que o ateísmo é tão comum
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