Posts Tagged ‘Laicismo’

* “Sínodo” de igrejas evangélicas diz que Itália deve retirar crucifixos de escolas.

domingo, agosto 29th, 2010

Folha on Line

O Sínodo das igrejas valdenses e metodistas da Itália afirmou que o governo do país deveria acatar a sentença da Corte Europeia de Direitos Humanos e retirar crucifixos das salas de aula.

Para o grupo, reunido em Torre Pellice, na província de Turim, é “deplorável” o uso instrumental do objeto, que não pode ser considerado “símbolo da civilização e da cultura italianas”.

Em 3 de novembro de 2009, o tribunal europeu, com sede em Estrasburgo, sentenciou que a exposição de crucifixos em classes do país lesava os direitos dos pais de educar os filhos segundo suas próprias convicções religiosas e filosóficas.

O Sínodo “lamenta que o governo italiano, em vez de conformar-se com a decisão da Corte, tenha apresentado recurso à Grande Câmara” e espera que “as instituições europeias contribuam para reforçar as normas tuteladas pelos princípios de pluralismo e laicidade próprios de cada democracia”.

Entre as deliberações do encontro, as igrejas valdenses e metodistas anunciaram uma solicitação ao Parlamento local para instituir o dia 17 de fevereiro como “Dia da liberdade de consciência, de religião e pensamento”, em homenagem aos 150 anos da unificação da Itália, comemorada no ano que vem.

A data simboliza a ocasião, em 1848, em que o rei Carlos Alberto reconheceu os direitos civis dos valdenses e que, em 1600, foi queimado na fogueira Giordano Bruno, filósofo e escritor condenado por heresia nos tribunais da Inquisição.

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* Cruz divide poloneses sobre o papel da Igreja e seus símbolos na vida pública.

quarta-feira, agosto 11th, 2010

Mulher segura rosário durante manifestação em frente a uma cruz instalada em memória do presidente Lech Kaczynski

Mulher segura rosário durante manifestação em frente a uma cruz instalada em memória do presidente Lech Kaczynski

Uma enorme cruz instalada em Varsóvia em memória ao presidente Lech Kaczynski, morto em 10 de abril em um acidente de avião, vem sendo motivo de grande polêmica, amplamente divulgada pela mídia sobre a separação da Igreja Católica e o Estado polonês.A cruz de madeira levantada espontaneamente por escoteiros poloneses depois da catástrofe do avião presidencial em Smolensk, no oeste da Rússia, deveria ter sido transferida no dia 3 de agosto para uma igreja na Polônia, mas um grupo de ativistas impediu que isso acontecesse. No acidente, o presidente, sua esposa e outras 94 pessoas morreram.

Pela primeira vez na Polônia, país onde 90% dos habitantes são católicos, milhares de pessoas manifestaram-se na segunda-feira contra a presença da cruz em um espaço público. Muitos jovens se organizaram com a ajuda do site de relacionamentos Facebook.

“É um fenômeno novo. Estes jovens contestam a Igreja como instituição, mais do que a religião”, disse o sociólogo Edmund Wnuk-Lipinski.

Reunidos em frente ao Palácio Presidencial, os manifestantes ironizaram os defensores da cruz, entoando canções de ninar ou gritando palavras de ordem contra a Igreja. Alguns deles vieram fantasiados de personagens da saga “Guerra nas Estrelas”.

“Um dos aspectos importantes do conflito, é que a disputa tem a ver com a Igreja e seus símbolos na vida pública. A determinação dos defensores da cruz em frente ao Palácio Presidencial faz apenas aumentar o número de adversários”, explicou à AFP Janusz Czapinski, especialista em psicologia social.

Esta situação reforça o partido social-democrata SLD, a terceira força política da Polônia, atrás dos liberais no poder e a oposição conservadora.

O SLD denuncia abertamente a concordata entre a Igreja Católica e o Estado, assinado em 1993, que oferece um grande espaço à Igreja dentro da vida pública.

Os militantes sócio-democratas lançaram na terça-feira um abaixo-assinado “pedindo o respeito da Constituição e a defesa do caráter laico do Estado”. Eles afirmam ter coletado 2 mil assinaturas no primeiro dia.

A transferência havia sido decidida pela diocese de Varsóvia, pela presidência da República e pelas organizações de escoteiros. Mas pessoas próximas impediram que a cruz fosse removida.

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* Europa e o crucifixo: Uma aliança contra o secularismo.

sexta-feira, julho 23rd, 2010
Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice (Centro Europeu para Lei e Justiça)

O artigo é simplesmente fenomenal e confronta de forma incontestável o secularismo e o laicismo.
Embora, em principio essa discussão não tenha nada a ver conosco aqui no Brasil, ela é emblemática e possui um simbolismo profundo que poderá mudar a forma de se entender os símbolos religiosos católicos e sua matriz que é a fé no filho de Deus que passou pela cruz, base dos estados europeus.

O governo Brasileiro recuou sobre a retirada dos símbolos religiosos aqui no Brasil, fruto da pressão que um ano eleitoral produz.
Sabemos no entanto que a ideologia socialista e laicista pensa e  que foi apenas um recuo  estratégico.
Fiquemos atentos!
***

L’Osservatore Romano – Edizione Quotidiana em italiano – Quinta-feira, 22 de julho de 2010

Tradução de Leonardo Meira – equipe CN Notícias

*por Grégor Puppinck, diretor do European Centre for Law and Justice* (Centro Europeu para Lei e Justiça) (Estrasburgo)

O caso Lautsi suscitou acalorados debates na Europa, após a condenação da Itália pela Corte europeia para os direitos do homem, devido à presença dos crucifixos nas escolas públicas, presença que violaria os direitos humanos. Para dar uma base legal para a sua decisão, a Corte criou uma nova obrigação, através da qual o Estado deveria “garantir a neutralidade confessional no campo da educação pública”. A Corte adicionou que não conseguia entender “como a exposição, nas salas de aula das escolas públicas, de um símbolo que é razoavelmente associado ao catolicismo (religião majoritária na Itália), poderia servir para o pluralismo educativo, que é essencial para preservar uma ‘sociedade democrática’ assim como a concebe a Convenção
“.
Assim, segundo a Corte, os Estados europeus deveriam ser religiosos (neutralidade confessional) para servir ao pluralismo, que seria o mote constitutivo de uma sociedade democrática.
Em outras palavras, a Corte afirma que uma sociedade, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa. A Itália recorreu contra essa decisão junto ao Grand Chambre da Corte de Estrasburgo. O recurso foi apresentado em 30 de junho passado e o parecer da Corte é esperado para o Outono.Esse caso é extremamente importante. É emblemático, porque põe em jogo a própria legitimidade da presença visível de Cristo nas escolas italianas e, por extensão, em toda a Europa. Tornou-se um símbolo no conflito atual sobre o futuro da identidade cultural e religiosa da Europa. Um conflito que opõe os apoiadores da completa secularização da sociedade e os defensores de uma Europa aberta e fiel à sua identidade profunda. Os primeiros veem o secularismo como a solução que permite gerenciar o pluralismo religioso e o pluralismo como um argumento que permite impor o secularismo. A secularização não é um fenômeno completamente espontâneo ou inevitável. Acontece através de escolhas políticas, como a política anticlerical da França no início do século XX.

A Europa é diversa. O pluralismo religioso, o cosmopolitismo, que serve como paradigma para a reflexão da Corte, é, na verdade, uma ficção estranha à maior parte do território europeu. É, no entanto, real o fato de que estamos em uma época em que as identidades nacionais são postas em causa, mas, ao mesmo tempo, a necessidade de uma identidade é muito forte.

A Europa Ocidental, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, viveu juridicamente em um regime conclamado de liberdade religiosa; mas, de fato, o que temos conhecido é mais do que um regime de simples tolerância religiosa. Isso se explica pelo fato de que as minorias religiosas eram, naquele tempo, pouco visíveis e não pretendiam alterar a identidade religiosa das Nações onde eram imigrantes.Hoje a situação é diferente. A presença do Islã obriga agora a Europa a tomar realmente uma posição sobre a liberdade religiosa. Tal escolha não é somente uma tomada de posição filosófica, mas tem também importantes consequências práticas sobre a realidade da identidade religiosa ocidental. Torna-se cada vez mais evidente que as instituições públicas da Europa Ocidental – e a sentença Lautsi é apenas uma demonstração – têm feito a escolha de limitar a liberdade religiosa e impor uma secularização da sociedade, para promover um modelo cultural específico em que a ausência de valores (neutralidade) e o relativismo (pluralismo) são valores em si mesmos para sustentar um projeto político que se desejaria pós-religioso e pós-identitário. Esse projeto político, enquanto sistema filosófico, pretende ter o monopólio.

Neste contexto de radicalização da secularização está inserido o caso Lautsi. É o último e principal obstáculo contra o qual colidiu o processo de secularização após o debate relativo às “raízes cristãs” no preâmbulo do Tratado Constitucional Europeu. O fato de que uma jurisdição possa, em nome da liberdade religiosa, concluir que uma sociedade democrática, para ser democrática, deve renunciar à sua identidade religiosa, exige uma reflexão sobre a evolução do conceito. O caso Lautsi mostra como esse conceito, concebido para proteger a sociedade do ateísmo do Estado, tornou-se ao fim um instrumento de deslegitimação social e privatização da religião. Este caso, em suma, mostra como esse entendimento da liberdade religiosa pode se revoltar contra a religião e ser o principal instrumento conceitual da secularização da sociedade.

Se se negam as identidades coletivas

A primeira e principal carência que o caso Lautsi revela é a incapacidade da concepção moderna acerca da liberdade religiosa de pensar e respeitar a dimensão religiosa da vida social e a dimensão social da religião. A teoria, que levou à decisão Lautsi, é baseada sobre o reconhecimento exclusivo dos direitos individuais, que se supõem dotados de uma consciência de natureza infalível e destinados a evoluir em uma sociedade imaginada como axiologicamente (moralmente) neutra. Essa liberdade é considerada universal enquanto fundada sobre a natureza do homem e é imperativa, posto que é a expressão de um dos aspectos da dignidade humana. Em contrapartida, a sociedade pública, enquanto considerada uma entidade artificial ao serviço do indivíduo, deve desaparecer frente à única autoridade legítima: a liberdade que deriva da dignidade individual.

A identidade religiosa da sociedade já não tem, em si, valor e legitimidade. É considerada um simples fato herdado da história. Em muitas áreas, é reconhecido no direito internacional que as Nações podem ser titulares de direitos subjetivos, como o direito de proteger e transmitir às gerações futuras a sua identidade cultural, linguística, ecológica; isso, no entanto, não vale para a sua identidade religiosa, embora se trate de um dos componentes identitários mais profundos. Em matéria religiosa, as Nações não são titulares de quaisquer direitos. De acordo com a concepção moderna de liberdade religiosa, somente os indivíduos isolados possuiriam direitos religiosos, que se exercitam nos limites estabelecidos pelas legislações nacionais. A religião e as várias sociedades intermediárias não gozam de uma proteção particular: somente cada crente, individualmente, é titular de direito, e esse direito exercita-se, em primeiro lugar, e sobretudo, diante de terceiros e da sociedade.

Essa liberdade religiosa implicaria, portanto, a neutralização da identidade religiosa da sociedade, mas tal neutralidade é profundamente ilusória. De fato, se o poder civil pode ser indiferente às convicções íntimas das pessoas, não pode sê-lo inteiramente com relação á religião, uma vez que essa é, por sua natureza, um fenômeno intrinsecamente social. Assim, fingir ser indiferente em relação à religião significa, ao final, negar a dimensão fundamentalmente social da religião e restringi-la à esfera privada das convicções íntimas.

É expressão de uma opção filosófica afirmar, no caso Lautsi, que o Estado deveria agir como se a sociedade e a cultura italiana não tivessem nada de religioso. No entanto, um Estado, um povo, tem necessariamente uma identidade, e essa identidade tem necessariamente uma dimensão religiosa. Um Estado não é um conceito, não é uma estrutura neutra, não tem a frieza de uma instituição supranacional; um Estado é a emanação de um povo, com a sua história e a sua identidade. Nessa óptica, os símbolos servem para representar, encarnar os componentes da identidade social. A identidade coletiva é construída em torno de símbolos. A dimensão religiosa da identidade social de um povo é constituído e expressa por toda uma série de práticas e hábitos sociais, tais como as festas, os nomes, um certo tipo de relações humanas, roupas ou até mesmo alimentos. É manifestada também através de símbolos visíveis, como os crucifixos nas escolas, hospitais ou nas praças e monumentos públicos.

Para ser coerente consigo mesma, a Corte europeia deveria renunciar a celebrar o Natal e a Páscoa, e adotar, como fizeram os revolucionários franceses, um novo calendário, sem referências à vida de Cristo. De fato, a identidade religiosa de uma sociedade não pode ser neutralizada: pode ser negada, combatida e substituída, mas não neutralizada. Por conseguinte, o problema real ao centro do caso Lautsi é aquele da legitimidade de uma autoridade supranacional que pretende modificar as competências da dimensão religiosa da identidade de um País.

A teoria jurídica da liberdade religiosa não está em condições de levar em conta a identidade cristã da Europa; é exatamente isso que o caso Lautsi revelou. A reação política sem precedentes suscitada pela sentença de novembro de 2009 reveste-se, portanto, de grande importância, pois é uma verdadeira reafirmação da legitimidade própria e particular do cristianismo na identidade da Europa, frente à dinâmica da secularização.Indivíduo e Sociedade O caso Lautsi também revela como o modo de afrontar a liberdade religiosa por parte da Corte de Estrasburgo é baseado em um conceito conflituoso das relações entre o indivíduo e a sociedade. A sociedade e a pessoa não são consideradas em uma relação de complementaridade, mas de oposição: a sociedade é o principal obstáculo à liberdade individual; é a sociedade que limita a liberdade; a sociedade deveria, então, se anular, tornar-se o quanto mais possível neutral, a fim de liberar espaço para o livre exercício da consciência individual.

Tal conceito conflituoso carrega uma lógica de reivindicação exclusiva do “meu direito particular” contra o conjunto da sociedade . O direito dos filhos da senhora Lautsi de não serem forçados a ver o símbolo de Cristo deveria prevalecer, sem qualquer comprometimento possível, sobre o desejo majoritário de todo um povo, e até mesmo de todos os povos membros do Conselho da Europa.

A absolutização da dignidade e da autonomia individual leva à absolutização do direito que a garante, e à anulação dos interesses da comunidade.A liberdade contra a religião O caso Lautsi também deve levar a se questionar sobre o perigo representado pela lógica da liberdade religiosa quando ela é extremada, pois leva a negar a religião em nome da liberdade de religião, a defender a liberdade de religião suprimindo socialmente a religião. Trata-se do que fez a Corte: alegou defender a liberdade religiosa suprimindo o símbolo religioso. Trata-se de uma verdadeira e autêntica viragem histórica e conceitual, uma vez que a liberdade religiosa foi concebida, no pós-guerra, como instrumento de defesa da transcendência do homem diante do niilismo de Estado. A liberdade de religião é provavelmente o direito mais violado na Europa durante o século XX; os seus inimigos recusam-se a aceitar que a religião e a liberdade não são necessariamente contraditórias – esses utilizam a liberdade contra a religião – e até acreditam que a liberdade religiosa é violada por simples manifestações das religiões dos outros.

Finalmente, como resultado da jurisprudência da Corte europeia, a liberdade religiosa não é mais direito primário, fundamental, diretamente derivante da natureza transcendente da pessoa humana, mas é um direito secundário, concedido pela autoridade civil e resultante do ideal do pluralismo democrático. Trata-se de uma inversão conceitual. São, assim, sempre mais frequentes na jurisprudência fórmulas como: a liberdade de religião garanta o pluralismo e, por isso, merece uma proteção especial. A manifestação das convicções religiosas encontra-se emoldurada pelas exigências de ordem pública assimiladas à neutralidade.

Não somente isso, mas, na realidade, a liberdade de religião está cada vez mais restrita somente à liberdade de fé, nomeadamente a liberdade interior de acreditar ou não. Seria um erro pensar que a fé seja independente da religião enquanto uma é interior e a outra exterior. Limitar a liberdade de religião (devido a não legitimidade social da religião) para proteger somente a liberdade de fé (como pura expressão da transcendência humana) corresponderia, em uma família, a proibir as orações e o catecismo em nome da liberdade do ato de fé dos filhos. De fato, se teria, assim, pouquíssimas chances de transmitir a fé aos filhos. O mesmo vale para a sociedade. Tolher a religião da sociedade equivale a tolher a fé dos corações das gerações futuras.

Reações sem precedentes

A sentença Lautsi provocou uma reação social e política sem precedentes na história do Conselho da Europa. Nunca uma decisão da Corte de Estrasburgo foi tão contestada, com tanto vigor, não somente pelos crentes, mas também pela sociedade civil e muitos Governos.
Três semanas após a audiência diante do Grande Chambre, é cada vez mais evidente que foi relatada uma grande vitória contra a dinâmica da secularização. Se juridicamente a Itália não venceu ainda, politicamente, de fato, já alcançou uma vitória magistral. Com efeito, até agora, nada menos que vinte Países europeus manifestaram o seu apoio oficial à Itália, defendendo publicamente a legitimidade da presença de símbolos cristãos na sociedade e em particular nas escolas.

Em um primeiro momento, dez Países comprometeram-se no caso Lautsi como “terceiros interventores” (amicus curiae). Cada um destes – Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, Romênia, Rússia, San Marino – emitiu à Corte uma declaração escrita, convidando-a a reconsiderar sua decisão anterior. Essas declarações não têm valor somente jurídico, mas são também, e antes de tudo, importantes testemunhos de defesa do patrimônio e da identidade destes Países diante da imposição de um modelo cultural único. A Lituânia, por exemplo, não hesitou em colocar em paralelo a sentença Lautsi e a perseguição religiosa que sofreu e que se manifestava, sobretudo, na proibição dos símbolos religiosos.

A esses dez países uniram-se ainda outros dez. Com efeito, os Governos da Albânia, Áustria, Croácia, Hungria, ex-República Iugoslava da Macedônia, Moldávia, Polônia, Sérvia, Eslováquia e Ucrânia colocaram publicamente em questão o parecer da Corte e pediram que a identidade e as tradições religiosas nacionais sejam respeitadas. Muitos governos têm insistido em dizer que tal identidade religiosa é a fonte de valores e de unidade europeia.

Assim, com a Itália já está quase metade dos Estados-Membros do Conselho da Europa (21 dos 47) a fazer publicamente oposição a essa tentativa de secularização forçada e a afirmar a legitimidade social do cristianismo na sociedade europeia. Além dos argumentos reais de defesa da identidade, da cultura e das tradições cristãs nacionais, esses vinte estados têm, de fato, afirmado e defendido publicamente a sua união ao próprio Cristo; recordaram que está em conformidade com o bem comum que Cristo esteja presente e seja honrado na sociedade.

Essa coalizão, que reagrupa quase toda a Europa Central e Oriental, revela o persistir de uma divisão cultural interna na Europa; revela também que tal divisão pode ser superada, como testemunha a importância do apoio à Itália por parte dos Países de tradição ortodoxa.

Igrejas Ortodoxas e secularismo A importância do apoio oferecido por Países de tradição ortodoxa é resultado, em grande parte, da determinação do Patriarcado de Moscou em se defender contra o avanço do secularismo. Colocando em ação o pedido do Patriarca Kirill de “unir as igrejas cristãs contra o avanço do secularismo”, o Metropolita Hilarion propôs a criação de uma aliança estratégica entre católicos e ortodoxos para defender conjuntamente a tradição cristã contra o secularismo, o liberalismo e o relativismo que imperam na Europa moderna: “O secularismo que prospera hoje na Europa – escreveu presidente do Departamento de Relações Externas do Patriarcado – é também uma pseudo-religião com seus dogmas, as suas regras, seu culto e sua simbologia. A partir do exemplo do comunismo russo do século XX, busca o monopólio e não suportar qualquer concorrência. Por essa razão, os líderes do secularismo reagem de modo excessivo diante de qualquer manifestação religiosa e à menção do nome de Deus (…). O secularismo atual, tanto quanto o ateísmo russo, considera-se a substituição do cristianismo. Por isso, não é possível permanecer neutro e indiferente em relação a esse último. É-lhe abertamente hostil”. Essa análise está em sintonia com aquele feita pelo Papa, em 24 de janeiro de 2008, quando disse aos bispos da Conferência Episcopal da Eslovênia que o secularismo é “distinto, mas não menos perigoso que o marxismo”.Esse importante fenômeno denota que a transição democrática nos países do Leste Europeu não foi acompanhada pela transição cultural vivamente defendida pelo Oeste.

Hoje, assiste-se, mais que tudo, a um movimento inverso de reafirmação identitária que passa por uma forma de restauração do modelo ortodoxo de relações entre a Igreja e o poder civil. De fato, o muro da separação entre o poder civil e o religioso é diminuído, em favor de uma parceria para servir o bem comum. O poder civil e aquele religioso consideram essa colaboração legítima boa por si mesma; há muita dificuldade em se compreender a sua regular condenação por parte da Corte de Estrasburgo, que vigia a garantia de uma rígida separação entre esfera religiosa e civil.O maciço apoio que veio do Leste poderia também anunciar uma grande mudança na dinâmica da construção da unidade europeia. Com efeito, sempre se pensou que a unidade europeia, inevitavelmente, seria realizado do Oeste para o Leste, através de uma conquista desse último pelo liberalismo econômico e cultural ocidental. Agora, episódio raro, o caso Lautsi provocou um movimento contrário, do Leste para o Oeste. O Leste da Europa, apoiando-se no catolicismo, se opõe ao Ocidente na defesa da cultura cristã e de uma adequada concepção de liberdade religiosa. Claramente, os defensores da liberdade mais que do materialismo não são mais os mesmos que uma vez foram.

Pode-se perceber, durante o processo perante a Corte de Estrasburgo, um certo desconforto nos confrontos daquelas Nações orientais que ousaram contestar a correção das operações da Corte. Esse desconforto foi percebido, por exemplo, quando os estados “terceiros interventores”, tentaram obter a palavra durante a audiência. Normalmente, um pedido similar não cria dificuldades, e trinta minutos são concedidos a cada estado para que ele possa apresentar os seus argumentos. No caso Lautsi, ao contrário, esses Estados se confrontaram contra uma recusa categórica. Somente após muitas insistências obtiveram, todos juntos, quinze minutos. Isso tem sido experimentado por alguns desses países como uma afronta e um reflexo de autodefesa da Corte. Essa intervenção comum diante da Corte é também um acontecimento histórico. Entre as questões que se colocam para o futuro próximo, encontra-se aquela de saber se a Corte será capaz de colocar em discussão o seu paradigma ideológico em matéria religiosa. Vinte e um países do Conselho da Europa entre os quarenta e sete foram expressamente convidados a fazê-lo; refutar de modo peremptório esse convite minaria diretamente a legitimidade da Corte.

O Conselho da Europa, do qual depende a Corte de Estrasburgo, na sua Carta de fundação, afirma “o apego inabalável” dos povos da Europa aos “valores espirituais e morais que constituem o seu patrimônio comum”. Esses valores espirituais e morais não são de natureza privada; são constitutivos da identidade religiosa da Europa e reconhecidos como fundantes do projeto político europeu. Como o Papa recordou recentemente, o cristianismo é a fonte desses valores espirituais e morais. A aliança desses vinte países indica que é possível construir o futuro da sociedade europeia sobre esse fundamento, preço de uma reflexão lúcida sobre o modelo cultural ocidental contemporâneo e na fidelidade cristã. A Europa não pode enfrentar o futuro renunciando a Cristo.

* organização não governamental internacional fundada em 1998, com sede em Estrasburgo. Tem como objetivo a proteção dos direitos humanos e da liberdade religiosa na Europa. Os integrantes do ECLJ já intervieram em diversos casos levados diante da Corte Europeia dos Direitos Humanos e possui um Estatuto Consultivo Especial nas Nações Unidas (ONU), além de estar acreditado no Parlamento Europeu.
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* Porto Alegre: Arcebispo estuda ação contra hospital, que criará ambiente laico no espaço da capela católica.

quarta-feira, junho 23rd, 2010

A Nova Era prega o relativismo religioso e o culto a natureza.

A Nova Era prega o relativismo religioso e o culto a natureza.

O arcebispo dom Dadeus Grings entrou ontem na polêmica do fechamento da capela do Hospital das clinicas de Porto Alegre.

A partir de julho, o espaço dará lugar a um ambiente laico, sem imagens sacras ou que façam referências a qualquer religião.

– Vai ter briga – ameaçou.

A reportagem é do jornal Zero Hora, 23-06-2010.

Ele ficou indignado porque, em sua opinião, o hospital deveria ter comunicado a Arquidiocese de Porto Alegre antes de tomar essa decisão de não renovar o convênio com a Associação Literária Boaventura, de Caxias do Sul, que administrava as cerimônias da capela.

– Não nos avisaram, simplesmente despejaram. Tiraram a nossa liberdade lá dentro para colocar a nova era – reclamou.

Dom Dadeus, que esteve reunido ontem pela manhã com uma comitiva que protesta contra a decisão, disse que o ato fere o acordo entre o Vaticano e o Brasil, assinado recentemente, que regulamenta aspectos jurídicos da Igreja Católica no país. O acordo foi assinado durante encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o papa Bento XVI. A arquidiocese estuda ingressar na Justiça contra a medida.

– É como a diferença entre o homem despido e o homem nu. Do homem nu não há o que tirar, ele está nu porque quer. Já o homem despido tiraram a roupa dele – comparou o arcebispo, refletindo sobre o constrangimento sofrido pelos integrantes da capela.

Ontem à tarde, cerca de 30 fiéis se reuniram na capela do HCPA para protestar. A irmã Rita Maria Büttenbender, 74 anos, integrou a manifestação. Ela trabalha há 36 anos na capela com tarefas como batizados emergenciais de crianças.

– Se essa capela fechar, gostaria que tivesse um outro espaço para continuarmos o nosso trabalho – afirmou.

Instituição usou Constituição para justificar a medida

Duas comitivas, uma formada por um grupo de vereadores e outra por devotas, foram recebidas pelo chefe de gabinete da presidência do HCPA, Jair Ferreira. No final das reuniões, ele pediu que as comitivas oficializassem suas reivindicações.

– Apesar de termos tomado uma decisão baseada na Constituição, é sempre ruim descontentar alguns. Se houver uma proposta que se possa contentar as pessoas que estão se sentindo prejudicadas, e que não infrinja a lei, podemos discutir – afirma Ferreira.

O Clínicas decidiu criar o Espaço da Espiritualidade – com imagens de natureza, sem referências a alguma religião – com base na norma constitucional que desestimula os órgãos públicos a privilegiar um credo em detrimento a outros. A instituição argumenta que o incentivo à diversidade é uma tendência mundial.

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* Capela deixa de ser católica e passa a ser ” Espaço de Espiritualidade, com imagens reverenciando a natureza”. Inacreditável!

terça-feira, junho 22nd, 2010

Fonte: Zero Hora- Porto Alegre

A capela do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) vai deixar de ser um espaço católico para dar lugar a um ambiente laico, com a ausência de símbolos e imagens. Com base na Constituição, a instituição tomou a decisão para contemplar todas as crenças, mas criou controvérsia. Uma manifestação de fiéis contra a medida está marcada para hoje.

Segundo a assessora de comunicação do HCPA, Elisa Ferraretto, o convênio com a Associação Literária Boaventura, de Caxias do Sul – que administrava as cerimônias da capela –, foi rompido, e o local deve ser liberado até 30 de junho. A capela dará lugar ao Espaço de Espiritualidade, com imagens reverenciando a natureza.

— Sabemos que hoje existe uma tendência mundial em privilegiar a diversidade. Temos cerca de 5 mil funcionários de diferentes credos, era natural que isso acontecesse — explica Elisa, dando como exemplo os índios que frequentam o HCPA e o grupo de estudos afro-brasileiro ali sediado.

A notícia da mudança deixou desolado um grupo de frequentadores da capela. Formado na maioria por funcionários do hospital, eles devem se manifestar contra a decisão hoje, em frente ao local. O ato – que reivindicará outro espaço para os católicos – ocorrerá após reunião na Cúria Metropolitana.

O capelão Frei Marion Kirschner evitou dar entrevista, mas não conseguia esconder sua tristeza. Ele se emocionou ontem à tarde ao doar uma imagem de Nossa Senhora que estava no local. Frequentadora da capela há décadas, Edith Guedes Fortes, 81 anos, também ficou desolada.

— Acredito que o local deveria ser ecumênico, com a união das religiões e não com a retirada delas. O espaço para católicos deve ser mantido, porque é uma tradição no país ter representação católica nos hospitais. O povo já está acostumado com isso. Não queremos que isso se perca.

A decisão foi tomada depois de 7 de abril, quando a diversidade de crenças foi discutida em uma palestra. Segundo Elisa, a administração do Clínicas se baseou no artigo 19 da Constituição, que estabelece que órgãos públicos não podem incentivar uma única religião em detrimento de outras.

— Começamos a estimular o debate, pedindo que as pessoas mandassem sugestões e decidimos ir além de um espaço ecumênico. Para não deixar ninguém de fora, optamos por um local neutro — afirma.

Elisa explica que a mudança não alterará a assistência religiosa, como a extrema-unção. A diferença é que ela deverá ser feita por religioso que venha especialmente para o sacramento.

A alteração
- Em vez de símbolos católicos, a sala terá imagens neutras, além de músicas tranquilas
- Há mais de três décadas, o espaço tem ocupação católica. No local, havia cinco missas por semana. O hospital ainda dará autorização para assistência religiosa, mas o padre terá de ser chamado de fora
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* Estado laico existe graças à Igreja, diz representante vaticano em Cuba.

sábado, junho 19th, 2010
Dom Dominique Mamberti

Em sua intervenção na 10° Semana Social Católica Cubana, o Secretário para as Relações com os Estados do Vaticano, Arcebispo Dominique Mamberti, assinalou que o Estado laico existe graças à contribuição do cristianismo, concretamente da Igreja católica

Em sua exposição titulada “A laicidade do Estado: algumas considerações”, o Prelado explicou que “deve-se observar que, embora o termo ‘laicidade’ tanto no passado como no presente se refere acima de tudo à realidade do Estado e assume não poucas vezes um matiz ou acepção em contraposição à Igreja  e ao cristianismo, este não existiria se não fosse pelo mesmo cristianismo”.

“Em efeito, sem o Evangelho de Cristo não teria entrado na história da humanidade a distinção fundamental entre o que o homem deve a Deus e aquilo que deve ao César; quer dizer, à sociedade civil. Ainda o mesmo termo ‘laicidade’, derivado da palavra ‘laico’, tem sua primeira origem no âmbito eclesiástico. O laico (leigo) é aquele ‘que não é clérigo é a primeira acepção, que resulta totalmente intra-eclesial, do termo ‘laicidade’”.

Na Idade Média, prosseguiu o Prelado vaticano, “os soberanos, que reivindicavam uma não sujeição ao Papa, não se consideravam por isso fora da Igreja; mais ainda, desejavam exercer um papel de controle e de organização da mesma Igreja, mas não havia nenhuma vontade de separar-se dela ou sua exclusão da sociedade. É a partir do Iluminismo e logo depois de maneira dramática durante a Revolução francesa que o termo ‘laicidade’ chega a designar seu contrário: uma completa alteridade; é mais, uma oposição nítida entre o âmbito da vida civil e aquele religioso e eclesiástico”.

Seguidamente o Arcebispo indicou que “embora a laicidade seja invocada hoje e utilizada não poucas vezes para obstaculizar a vida e a atividade da Igreja em sua realidade profunda e positiva ela não teria nem sequer existido sem o cristianismo.

É o que aconteceu também com outros valores que hoje são considerados típicos da modernidade e freqüentemente invocados para criticar a Igreja ou, em geral, à religião, como o respeito da dignidade da pessoa, o direito à liberdade, a igualdade, etc.: que são em grande parte fruto da profunda influência do Evangelho em diversas culturas, ainda quando mais tarde foram separados e até contrapostos a suas origens cristãs”.

“Em muitas legislações estatais se afirma que a laicidade é um de seus princípios fundamentais; obviamente, sobre tudo no que se refere à relação do Estado com a dimensão religiosa do homem. Com respeito a isto, não se pode esquecer que de fato, em nome desta concepção, algumas vezes são tomadas decisões ou emanadas normas que objetivamente afetam o exercício pessoal e comunitário do direito fundamental à liberdade religiosa”.

Dom Mamberti disse logo que “podemos notar que a falta de uma subordinação lógica e ontológica da laicidade respeito ao pleno respeito da liberdade religiosa constitui para esta última uma possível e também real ameaça. Em tal caso, paradoxalmente o Estado passa a ser um Estado confessional e não mais autenticamente laico, porque faria da laicidade seu valor supremo, a ideologia determinante; justamente uma espécie de religião, até com seus ritos e liturgias civis”.

“Tem que reafirmar a concepção plena do direito à liberdade religiosa. Já que, respeitá-lo não significa simplesmente não exercer coação ou permitir a adesão pessoal e interior à fé. Embora o respeito do ato pessoal de fé é fundamental, não esgota a atitude do Estado em relação com a dimensão religiosa, porque esta –como a pessoa humana– tem necessidade de exteriorizar-se no mundo e de ser vivida não só pessoalmente, mas também comunitariamente”.

Referindo-se finalmente à missão dos leigos, o Arcebispo Mamberti ressaltou que “ao Magistério compete um papel distinto” do que corresponde ao laicado. “Enquanto aos Pastores da Igreja lhes corresponde iluminar as consciências com o ensino, ‘o dever imediato de atuar em favor de uma ordem justa na sociedade’ –como afirma Bento XVI em sua encíclica sobre a caridade– ‘é… próprio dos fiéis leigos, que o realizam cooperando com outros cidadãos”.

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* Espanha vai banir crucifixos das escolas públicas.

domingo, junho 13th, 2010

O Governo socialista espanhol anunciou já em 2008 que prepararia uma lei para um maior respeito da laicidade e do pluralismo religioso, num país onde a Igreja Católica permanece muito presente e influente.

O diário espanhol de centro-esquerda explica hoje que após o texto da lei “em preparação”, os funerais de Estado se realizarão “sem qualquer cerimonial de caráter religioso”, quando hoje são geralmente realizados segundo o rito católico.

As políticas públicas deverão respeitar uma estrita “neutralidade face à religião e às crenças, evitando qualquer confusão entre função pública e atividades religiosas”, segundo texto do projeto de lei.

Assim, os crucifixos deverão desaparecer das escolas públicas, dos hospitais e de todo o espaço público, enquanto os membros do Governo não deverão mais prestar juramento perante uma cruz durante as cerimónias de investidura.

Apesar da Constituição de 1978, que assenta no princípio do caráter confessional do Estado e das suas instituições, os símbolos católicos permanecem muito presentes em Espanha, mais de 30 anos após o fim da ditadura franquista que elevou o catolicismo ao nível de religião do Estado.

Lusa/SOL

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* Dez países – inclusive a Russia- apoiam a Itália e o crucifixo perante o Tribunal Europeu.

quarta-feira, junho 9th, 2010

Pela primeira vez na história do Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH), dez Estados membros, entre eles a Rússia, foram declarados como amicus curiae (quer dizer, terceira parte) perante a sentença proferida contra o Estado italiano que proíbe o crucifixo nas salas de aula das escolas e que será analisada pelo corte superior daquele Tribunal em 30 de junho.O Tribunal comunicou, na semana passada, o European Centre For Law And Justice, ECLJ, com a lista dos membros que saíram em defesa da Itália: Armênia, Bulgária, Chipre, Grécia, Lituânia, Malta, Mônaco, San Marino, Romênia e a Federação Russa.

Estes dez Estados, que fazem parte das 47 nações do Conselho da Europa, pediram formalmente ao Tribunal que os apresente oficialmente como “terceira parte” quando o caso for levado perante a Câmara. A condição de “terceira parte” permite aos Estados se converterem oficialmente em parte em um caso e apresentar ao Tribunal suas observações escritas e orais.

Além desses dez Estados membros, outros Estados pronunciaram-se contra a sentença de 3 de novembro de 2009, como é o caso da Áustria e da Polônia, que emitiram os pronunciamentos políticos, respectivamente, em 19 de novembro e 3 de dezembro de 2009.

“Trata-se de um precedente importante para a vida do Tribunal, pois, em geral, os Estados membros privam-se de intervir ou intervêm somente quando o caso afeta um cidadão de seu Estado”, explica Gregor Puppinck, diretor do Centro Europeu para o Direito e a Justiça.

“O ‘caso do Crucifixo’ é único e não tem precedentes. Dez Estados decidiram explicar à Corte qual é o limite de sua jurisdição, qual o limite de sua capacidade para criar novos ‘direitos’ contra a vontade dos Estados membros. Pode-se ver em tudo isso um contra-balanço do poder”, acrescenta Puppinck.

O caso Lautsi, ou “o caso do crucifixo”, foi remetido à Grande Câmara do Tribunal depois que o governo italiano apelou, no último 28 de janeiro, contra a sentença emitida pela Segunda Seção do Tribunal em 3 de novembro de 2009.

Nesta primeira decisão, o Tribunal determinou que a presença do crucifixo nas salas de aula é “contrária ao direito dos pais de educar suas crianças na linha de suas próprias convicções e ao direito das crianças à liberdade religiosa”, porque os estudantes italianos sentir-se-iam “educados em um ambiente escolar marcado por uma certa religião”.

O Tribunal continuou afirmando que a presença do crucifixo poderia ser “emocionalmente perturbadora” para os filhos da senhora Lautsi (a demandante) e, o mais importante, que sua exibição não poderia “incentivar o pensamento crítico nos estudantes” nem “servir ao pluralismo educacional” para preservar uma “sociedade democrática”.

O Tribunal concluiu que isto havia sido uma violação do artigo 2 do Protocolo número 1 (Direito à educação), assim como do artigo 9 (liberdade religiosa) da Convenção.

Esta decisão foi duramente criticada por peritos políticos e juristas de vários Estados europeus como uma imposição do “laicismo”. Concretamente, foi reafirmado que a Convenção Europeia de Direitos Humanos nunca requereu que o Estado deve “observar a neutralidade confessional no contexto da educação pública” ou de qualquer outro setor público.

Na realidade, vários Estados membros do Conselho da Europa são “Estados confessionais” com uma religião oficial ou um reconhecimento de Deus em suas leis e constituições.

Ao conceder, no último dia 2 de março, a remissão perante a Grande Câmara da decisão de novembro, o Tribunal reconheceu que a decisão de novembro traz graves problemas legais e deve ser reconsiderada pela formação do Tribunal.

No último dia 29 de abril, o Governo italiano apresentou seu memorando ao Tribunal explicando que os juízes de Estrasburgo não têm competência para impor o laicismo a um país, em particular para a Itália, nação caracterizada por sua majoritária prática religiosa e identidade católica.

A decisão do Tribunal, após a audiência pública da Grande Sala que acontecerá dia 30 de junho, será publicada ao término de ano.

Zenit

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* Na Inglaterra, se intensifica confronto entre Cristãos e o Estado.

quinta-feira, maio 27th, 2010

O confronto entre cristãos e o Estado se intensificou, com um tribunal da Inglaterra agora tendo sustentado a demissão de um psicólogo cristão que se recusou a dar conselho sobre intimidade sexual para casais homossexuais — uma decisão que o ex-arcebispo de Canterbury, Lorde Carey, denunciou como prelúdio para o “descontentamento social” entre cristãos e o governo laico.

Gary McFarlane, de 48 anos, um advogado de Bristol, pai de dois filhos, e evangélico, tinha trabalhado num emprego de tempo parcial como conselheiro psicológico na organização Relate por cinco anos.

Durante esse tempo, ele deu conselho para casais homossexuais que estavam resolvendo problemas básicos de relacionamento. Contudo, ele foi demitido de seu emprego em 2008 quando foi habilitado como conselheiro psicológico, pois ele disse que não poderia dar conselho sobre intimidade homossexual, já que isso violava sua consciência e convicções.

McFarlane tentou sem êxito desafiar a decisão de Relate de despedi-lo num tribunal de causas trabalhistas, argumentando que eles deveriam ter incorporado suas convicções religiosas.

Ele então recorreu ao Tribunal de Apelação da Inglaterra pedindo permissão para desafiar a decisão do tribunal.No entanto, Lorde Juiz John Laws rejeitou o pedido de McFarlane numa decisão estridente que argumentava que a lei não tinha responsabilidade nenhuma de proteger a expressão de consciência ou a convicção religiosa do indivíduo.

Laws deixou claro que o tribunal não via a legislação protegendo a consciência individual como justificável, chamando-a uma posição irracional que “é também polêmica, volúvel e arbitrária”.“A concessão de qualquer proteção legal de preferência a uma posição moral firme particular na base só de que é sustentada pelos adeptos de uma religião particular, por mais longa que seja sua tradição, por maior que seja sua cultura, é profundamente imoral”, disse Laws em sua decisão.“Numa constituição livre tal como a nossa deve-se fazer uma importante distinção entre a proteção legal do direito de ter e expressar uma convicção e a proteção legal da essência ou conteúdo dessa convicção”, decidiu o juiz. Laws disse que se a lei criasse isenções especiais para adeptos de uma convicção, então levaria a uma negação de direitos para o resto dos membros da sociedade, e levaria à “teocracia, que é inevitavelmente autocrática”.

“A lei de uma teocracia é ditada sem opção para o povo, não feita por seus juízes e governos”, escreveu Laws. “A consciência individual é livre para aceitar tal lei ditada, mas o Estado, se seu povo tiver de ser livre, tem o dever fatigante de pensar por si”.

Gary McFarlane lamentou a decisão dizendo: “Tenho a capacidade de dar serviços de aconselhamento para casais de mesmo sexo. Deveria haver concessões levadas em consideração pelas quais indivíduos como eu possam realmente evitar contradizer seus princípios cristãos defendidos com firmeza”.

Lorde Carey atacou a lei, dizendo que o fato de que líderes da Igreja da Inglaterra e outras religiões têm se sentido compelidos a intervir em casos de tribunais envolvendo discriminação contra cristãos e seus pontos de vista “mostra que um futuro de descontentamento social” está vindo para o Reino Unido.“Evidentemente, a demissão de um cristão sincero de um emprego é apenas um passo curto para barrar a contratação de qualquer cristão”, disse Carey.

Carey denunciou o veredicto, dizendo que “continua uma tendência por parte dos tribunais de minimizar o direito de crentes religiosos de manifestarem sua fé no que se tornou uma colisão profundamente desagradável de direitos humanos”.“A descrição de fé religiosa em relação à ética sexual como ‘discriminatória’ é bruta e revela uma falta de sensibilidade para com a convicção religiosa”, ele continuou.“A comparação de um cristão, de fato, com um ‘fanático’ (por exemplo, uma pessoa com uma aversão irracional a homossexuais) exige mais questionamentos. É evidência adicional de uma atitude zombeteira para com o Cristianismo e seus valores”.

Contudo, o arcebispo também disse que a decisão de Laws suprimia o pluralismo britânico, em vez de incentivá-lo, pois o Estado está impondo valores seculares, em vez de adotar uma posição neutra que permitiria que todos os indivíduos de todas as religiões vivessem suas convicções livremente.“Essa decisão está proclamando um Estado ‘secular’, em vez de um Estado ‘neutro’. E embora por um lado a decisão busque proteger o direito de crentes religiosos de ter e expressar sua fé, por outro tira esses mesmos direitos. Diz que a demissão de crentes religiosos em recentes casos não era uma negação de seus direitos, muito embora convicções religiosas não possam ser separadas de sua expressão em todas as áreas da vida do crente. Estranhamente, o juiz não lida com o argumento de que direitos têm de ser sustentados na balança e ele evidentemente está indiferente ao fato de que os crentes religiosos são negativamente afetados por essa decisão e outras”.A negação dos direitos dos cristãos no Reino Unido continua rapidamente sob as leis anti-discriminação introduzidas pelo governo trabalhista. Nos vários anos passados numerosos relatos de cristãos perdendo seus empregos ou até mesmo sendo presos simplesmente por expressarem suas convicções morais cristãs têm se tornado públicos — casos que parecem chocantes à luz do aniversário de 70 anos este ano do famoso discurso “Finest Hour” de Winston Churchill da 2ª Guerra Mundial.O famoso primeiro ministro britânico havia unificado o povo britânico às vésperas da Batalha da Bretanha em junho de 1940 dizendo: “A sobrevivência da civilização cristã depende desta batalha”. Ele avisou que se eles fracassem, “tudo o que temos conhecido e amado afundará no abismo de uma nova Era das Trevas, mais sinistra e talvez mais prolongada, pelas luzes da ciência pervertida”.

Notícias pro familia

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* Católicos reclamam de preconceito em concurso.

quinta-feira, maio 27th, 2010

O preconceito supõe um conceito fechado e anterior.É Injusto.

O preconceito supõe um conceito fechado e anterior.É Injusto.

Gazeta do Povo

Profissionais de saúde no Rio precisaram responder a questão que ligava catolicismo à possibilidade de contrair doenças venéreas

Um concurso público está no centro de uma polêmica envolvendo acusações de preconceito religioso no Rio de Janeiro.

No dia 16, cerca de 6,8 mil profissionais da saúde – médicos, dentistas, enfermeiros e farmacêuticos – disputaram 330 vagas no Programa Saúde da Família pela Organização Social Viva Comunidade, em uma seleção organizada pela Fundação Ceperj.

Segundo grupos católicos, a prova associa o catolicismo à vulnerabilidade a doenças sexualmente transmissíveis. O protesto contra o concurso inclui abaixo-assinados realizados em várias paróquias do Rio.

A estudante de Enfermagem Marcela Chagas chegou a se inscrever no concurso, mas não conseguiu fazer a prova. No dia seguinte, buscou o teste na internet. “A letra c) foi a primeira que descartei, achei que a resposta certa era a letra e). Fiquei revoltada, isso é uma falta de respeito com as mulheres católicas”, diz.

“Estado laico não significa ditadura da minoria, e nem tomada de posição contra denominações religiosas”, acrescenta Mário Dias de Oliveira, coordenador do Instituto Juventude pela Vida e um dos responsáveis pela mobilização contra o concurso.

Preservativo

A Ceperj, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que, como o gabarito ainda é provisório, não pode esclarecer os motivos pelos quais a alternativa c) foi considerada correta. “Essa questão não passa de uma crítica à posição da Igreja Católica a respeito do preservativo”, afirma Oliveira. Como a Igreja condena o uso do preservativo, a transmissão de DSTs seria, então, facilitada. Mas, segundo o padre De­­métrio Gomes, diretor do Instituto Filosófico e Teológico do Seminá­rio São José, de Niterói, pensar assim é simplificar a moral sexual católica. “Nenhu­ma mu­­lher é obrigada a ter relações sexuais com o marido se ele estiver fora de si ou recorrer à vio­­lência. Nem quando há a possibilidade real de transmissão de doenças como aids e sífilis”, explica.

A reportagem da Gazeta do Povo mostrou a questão ao presidente da Associação de Gine­­cologia e Obstetrícia do Paraná (Sogipa), Hamil­ton Jú­­lio, que na ocasião es­­tava com outros cinco colegas. “Ne­­nhum de nós teria optado pela alternativa c), teríamos marcado uma das duas úl­­timas opções”, diz. Júlio explica que o exame colpocitológico, mais conhecido como papanicolau, serve para detectar o câncer de colo do útero. “No en­­tanto, por meio do recolhimento de material também é possível encontrar fungos ou bactérias característicos das DSTs”, acrescenta.

A Ceperj informou ainda que os recursos solicitando revisões do gabarito do concurso fo­­ram enviados ontem a uma banca, mas não é possível dizer se houve recursos contra a questão 14. Outra possibilidade é a anulação da questão, com todos os candidatos recebendo a pontuação. O gabarito definitivo será divulgado nesta semana.

Veja essa entrevista com Olavo de Oliveira sobre esse assunto:

O senhor já dis­se que “o único preconceito aceito pelos ‘inteligentes’ é o preconceito contra o catolicis­mo”. Como isso se dá na prática?

Quem fez essa pergunta do concur­so é um tipo desses “inteligentes”: pessoas de repertório médio, que confundem estereótipos da esquer­da com história (por culpa dos inte­lectuais que submetem o ensino à militância), que atuam em suas áreas (psicologia social, ciên­cias sociais, pedagogia) como pro­fetas de um mundo melhor, e mui­tas vezes alçam postos na determi­nação de políticas públicas. Neste quadro, é fácil haver preconceito contra a Igreja Católica porque ela é identificada, por ignorantes que são, como a “grande malvada” da histó­ria. A própria ideia de que exista uma “malvada” já revela a infan­ti­lidade da visão de mundo. É a influência marxista totali­tá­ria em ação.

Como foi que minorias conse­guiram se impor a ponto de qualquer um pensar duas vezes antes de falar ou pu­bli­car algo contra esses grupos?

Filosoficamente, foi graças a Rous­seau e sua tese de que os pobres são mais próximos do estado de natu­reza, menos corruptos, daí a ideia de excluídos como representantes da pureza. Esse traço marca a raiz jaco­bina da democracia moderna as­sociada ao próprio fracasso do mar­xismo clássico em questionar o ca­pi­tal – por exemplo, tudo que os gays querem é passear de mãos dadas no shopping, comprar juntos e desfilar roupas “chique cabeça” em reunião de pais e mestres; logo, “uma revolução conservadora”. Quanto ao medo de enfrentá-los, trata-se da raiz totalitária que habi­ta a demo­cracia porque é humana: quando tenho o poder, quero na verdade calar todo mundo. É uma farsa.

Por que os católicos, sendo maioria, não têm tanto poder de mobilização ou não conseguem ser tão ouvidos?

Toda maioria, católica ou não, tende a ser desorgani­zada e ignorante, ten­de à inércia de quem confunde nú­mero com qualidade. No caso cató­lico, além disso, a Igreja é, no imagi­nário da multidão (e, como toda mul­­tidão, infantil), a “malvada da história”.

Grande parte dos cató­li­cos tem ver­gonha de sê-lo; os padres são, em sua maioria, mal formados e alvo de dúvidas e escândalos; os católicos viraram um gigante bobo e sem coragem de enfrentar uma socieda­de fincada no ódio ao que a Igreja supostamente representa: um mundo a ser superado. (MAC)

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* ‘Saiu’ a pedofilia, entraram a perseguição ao Papa, ao celibato e a Igreja. O nome do perseguidor? Laicismo.

sexta-feira, março 26th, 2010
Por Massimo Introvigne

Se existe um jornal que me vem à mente quando se fala de lobbies laicistas e anticatólicos, este é o New York Times. No dia 25 de março de 2010, o jornal de Nova York confirmou esta vocação sua com um incrível boato relativo a Bento XVI e ao cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone.

Segundo o jornal, em 1996, os cardeais Ratzinger e Bertone teriam ocultado o caso – indicado à Congregação para a Doutrina da Fé pela arquidiocese de Milwaukee – relativo a um padre pedófilo, Lawrence Murphy. Incrivelmente – após anos de esclarecimentos e depois que o documento foi publicado e comentado amplamente em meio mundo, desvelando as falsificações e erros de tradução dos lobbies laicistas –, o New York Times ainda acusa a instrução Crimen sollicitationis, de 1962 (na verdade, 2ª edição de um texto de 1922) de ter agido para impedir que o caso Murphy fosse levado à atenção das autoridades civis.

Os fatos são um pouco diferentes. Por volta de 1975, Murphy foi acusado de abusos particularmente graves e desagradáveis em um colégio para menores surdos. O caso foi imediatamente denunciado às autoridades civis, que não encontraram provas suficientes para proceder contra Murphy. A Igreja, nesta questão mais severa que o Estado, continuou com persistência indagando sobre Murphy e, dado que suspeitava que ele fosse culpado, limitou de diversas formas seu exercício do ministério, apesar de que a denúncia contra ele tinha sido arquivada pela magistratura correspondente.

Vinte anos depois dos fatos, em 1995 – em um clima de fortes polêmicas sobre os casos dos “padres pedófilos” –, a arquidiocese de Milwaukee considerou oportuno indicar o caso à Congregação para a Doutrina da Fé. A indicação era relativa a violações da disciplina da confissão, matéria de competência da Congregação, e não tinha nada a ver com a investigação civil, que havia sido levada a cabo e que havia sido concluída 20 anos antes. Também é preciso observar que, nos 20 anos precedentes a 1995, não houve nenhum fato novo nem novas acusações feitas a Murphy. Os fatos sobre os quais se discutia eram ainda aqueles de 1975.

A arquidiocese indicou também a Roma que Murphy estava moribundo. A Congregação para a Doutrina da Fé certamente não publicou documentos e declarações 20 anos depois dos fatos, mas recomendou que se continuasse limitando as atividades pastorais de Murphy e que lhe fosse pedido que admitisse publicamente sua responsabilidade. Quatro meses depois da intervenção romana, Murphy faleceu.

Este novo exemplo de jornalismo lixo confirma como funcionam os “pânicos morais”. Para desonrar a pessoa do Santo Padre, desenterra-se um episódio de 35 anos atrás, conhecido e discutido pela imprensa local já na década de 70, cuja gestão – enquanto era da sua competência e 25 anos depois dos fatos – por parte da Congregação para a Doutrina da Fé foi canônica e impecável, e muito mais severa que a das autoridades estatais americanas.

De quantas destas ‘descobertas’ ainda temos necessidade para perceber que o ataque contra o Papa não tem nada a ver com a defesa das vítimas dos casos de pedofilia – certamente graves, inaceitáveis e criminais, como Bento XVI recordou com tanta severidade –, mas que tenta desacreditar um pontífice e uma Igreja que incomodam os lobbies pela sua eficaz ação de defesa da vida e da família?

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* “A política laicista do governo espanhol é evidente, agressiva e beligerante”.

sábado, março 20th, 2010

Fala José Andrés Rozas, do “Juristes Cristians de Catalunya Duran i Bas”

Por Nerea Rodríguez del Cuerpo

Ainda que tenham sido registrados progressos substanciais no que diz respeito ao financiamento, persistem questões espinhosas que opõem a Igreja ao Estado espanhol.

É o que afirma José Andrés Rozas, membro do Conselho da Associação dos Juristas Católicos da Catalunha Duran iBas (http://www.juristescristians.org/cream/).

Rozas é também decano da Universidade de Abat Oliba CEU (www.uao.es) de Barcelona, onde leciona Direito Tributário.

- Qual a situação atual do diálogo entre a Igreja e o governo espanhol?

- J.A. Rozas: Difícil, ainda que tenha havido momentos de relaxamento. Por exemplo, em relação à questão do financiamento, foram feitos progressos substanciais. A modificação, no ano passado, do acordo entre o governo e a Conferência Episcopal, definiu o sistema de financiamento, melhorando-o consideravelmente.

Foi eliminada a subvenção direta e foi incrementada a participação junto ao IRPF, que é o sistema de financiamento através dos fiéis. Isto é muito positivo e interessante, para ambas as partes.

As relações, entretanto, não poderiam ser fáceis, visto que a posição do governo é marcadamente ideológica e sua política laicista é evidente, agressiva e beligerante. Isto coloca a Igreja em uma situação muito difícil, por exemplo, ao abordar um assunto como a Lei sobre a Saúde Sexual e Reprodutiva e sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez.

- Concordaria com a afirmação de que, na Espanha, a religião foi expulsa da vida pública?

- J.A. Rozas: O empenho em expelir a religião da vida pública inflamou de um modo interessante a sociedade civil. Os católicos se sentiram desafiados e ocorreram reações, e se há reações é por que há vida. Assim, pode-se fazer uma leitura positiva destes fatos.

O problema está na forma como se costuma apresentar esta voz, mas, graças aos esforços da Conferência Epsicopal, de associações leigas e da própria sociedade, já se observam importantes melhorias. A intelectualidade católica está reagindo com agilidade.

- A seu ver, qual postura deveria ser adotada pelo Executivo ao tratar do fenômeno religioso e ao lidar com as diversas confissões?

- J.A. Rozas: De respeito, sem dúvida. É surpreendente, por que o único preconceito aparentemente admissível nos debates públicos é o anti-católico, o que me parece um contra-senso.

É bem conhecida a frase: “Todas as opiniões são respeitáveis”, é de fato é assim – exceto a opinião dos católicos. Merecemos ao menos o mesmo respeito que as demais confissões.

Do ponto de vista antropológico, o Estado deve compreender que o fenômeno religioso é inerente ao homem, em qualquer de suas manifestações. Aquele que crê não é um extra-terrestre, é um cidadão de pleno direito.

O Estado tende fortemente a promover o agnosticismo como doutrina pública, conferindo à religiosidade um caráter patológico – ou a uma questão exclusiva do âmbito privado. Esta é uma idéia que nega a realidade. E é também sectária, porque pressupõe impor o agnosticismo como doutrina pública.

- O governo não tem respeitado suficientemente a liberdade de expressão dos católicos?

- J.A. Rozas: Criou-se um clima junto à opinião pública no qual se processa algo muito danoso e que é ainda pior que a censura: a autocensura. Todos estão cientes do que devem dizer se não quiserem ser expulsos do debate público e condenados à morte intelectual.

O problema é que a opinião do católico é relegada, no melhor dos casos, a uma extravagância intelectual. Há um preconceito singular: o de partir da premissa de que tudo o que um católico diz é dito por ordem dos bispos, que assim seria imposta aos demais cidadãos. Isso pressupõe uma postura que considera os católicos como incapazes de pensarem por si mesmos; e pressupõe também que a atitude impositiva parte apenas dos católicos.

A questão deveria ser abordada em um esquema diferente: há diversos modos de resolver os problemas da sociedade; um deles é aquele proposto pela Doutrina Social da Igreja; outro é o da proposta laica e agnóstica. No debate público pode triunfar um ou outro; mas deve estar claro que não se pode identificar uma postura impositiva com uma das propostas, enquanto a outra seria neutra e imparcial.

Zenit

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* Estado laico não deve ignorar a religião e sim acolher sua contribuição moral e espiritual.

quarta-feira, fevereiro 24th, 2010

O Secretário do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Dom Mario Toso, assinalou em uma recente conferencia no México que o Estado laico não deve impor o ateísmo prático nem a indiferença religiosa, mas acolher o aporte moral e espiritual da religião permitindo que possa expressar-se na esfera pública.

Assim o indicou em sua conferência no Primeiro Encontro de Centros de Formação de Doutrina Social da Igreja, organizado pelo Instituto Mexicano de Doutrina Social da Igreja.

Em sua intervenção, em que se apoiou na encíclica Caritas in veritate do Papa Bento XVI o Prelado denunciou que muitos atores políticos só se preocupam pelas pessoas na época de eleições e quando estas concluem que “têm pouco em conta as necessidades reais das pessoas, a necessária participação da sociedade civil, o bem comum”.

Depois de advertir das legislações que procuram impor normas ou reformas que atentam contra “o direito à vida, à liberdade religiosa, ao respeito do meio ambiente ou contra a paz”, Dom Toso denúncia que quando isto acontece o Estado “aparece fraco com os fortes, prepotente com os que não o podem enfrentar com o dinheiro ou com a violência. Assim, as razões da política não sempre são as razões dos mais pobres e indefesos”.

Para o Secretário de Justiça e Paz, “uma democracia em que seus cidadãos não reconheçam uma lei moral universal, aplicável a todos, é uma convivência política incapaz de justificar, como válidos para toda pessoa, os valores que emergem de sua história. Ao mesmo tempo, não está em capacidade de defendê-los quando são agredidos.

Uma democracia se converte em fiador de um Estado de direito só se for reconhecida uma medida compartilhada de verdade e bem, que amadurecida entre experiências sociais prévias e que não seja manipulável”.

Em sua encíclica, assinala o Bispo, o Santo Padre explica que esta medida se encontra em estados que promovam a liberdade religiosa, “quando se abre à religião um espaço público onde pode oferecer sua proposta de ‘boa vida’ em uma confrontação plural livre e disciplinada”.

Depois de recordar que “a dimensão religiosa não está à margem da existência do homem” senão que esta é essencial para ele, Dom Toso assegurou que “a ação política está chamada a estruturar-se com abertura ao ato religioso, fonte da moralidade dos povos da qual, à sua vez, depende a vitalidade do futuro ético da democracia e do Estado”.

Depois de criticar as perspectivas que, invocando a religião, justificam o suicídio coletivo ou a perseguição racial, o Prelado assegurou que “não pode acontecer que o Estado considere a todos os credos como equivalentes e homogêneos. Por ser responsável pela organização da vida social tem a obrigação de expressar um julgamento sobre as religiões”.

Em substância o Estado, continuou, está chamado a discernir entre estas últimas e “tem a potestade de proibir tudo o que vai contra a dignidade do homem e a mulher, como o proselitismo violento e manipulador, a poligamia, as mutilações físicas, os caminhos pseudo-religiosos de despersonalização e o desprezo da razão humana”.

Finalmente o Secretário do Pontifício Conselho explicou que o Estado “tem a tarefa de favorecer, sem criar injustos privilégios, tudo o que as religiões obram de positivo na convivência civil, reconhecendo e cultivando seu valor público”. Assim, então, isto é possível sobre a base de um juízo ético que se estrutura graças a uma razão não aprisionada pelo empírico mas “aberta à integralidade da verdade e ao Transcendente”.

ACI

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* Corte de Estraburgo não pode exigir remoção de crucifixos das escolas Italianas.

terça-feira, fevereiro 23rd, 2010

O Conselho da União Europeia (representante dos governos dos Estados-membros) afirmou que a Corte Europeia de Direitos Humanos, sediada em Estrasburgo, não tem competência sobre assuntos relacionados às tradições e culturas nacionais, de modo que não podem proibir que se coloquem crucifixos nas escolas da Itália.

Uma pequena, mas significativa, reação ao laicismo que corrói o Ocidente, sobretudo a Europa.

Iniciativas semelhantes já avançavam na outrora católica Espanha, onde se exigia – tendo por base a decisão da corte de Estrasburgo – a retirada dos símbolos religiosos de monumentos públicos.

Leia mais em Religión en libertad.

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*Evo Morales, irmão ideológico de Chaves, viola sua própria Constituição com rito de “bênção ancestral”.

terça-feira, fevereiro 2nd, 2010
Evo Morales em “bênção ancestral”

Analistas constitucionais, políticos e sociais advertiram que o Presidente da Bolívia, Evo Morales, violou a Constituição que ele mesmo impulsionou ao celebrar uma cerimônia religiosa de “bênção ancestral” com ritos pré-colombinos, quando a Carta Magna afirma no quarto artigo que o Estado boliviano é laico e portanto “é independente da religião”.

A imprensa local recolheu as impressões de diversos peritos logo que Morales participasse de uma cerimônia marcada por ritos da cosmovisão andina em Tiwanaku, como o recebimento de duas fortificações de mando que representavam o poder e o equilíbrio. Segundo o historiador aymara Fernando Huanacuni, o equilíbrio é um dom espiritual que deve acompanhar um líder eleito pela vida e a natureza.

Nesse sentido, o politólogo Carlos Cordeiro explicou que se a Bolívia se definir como um país laico, “o correto seria que o Presidente não preste maior respaldo a uma religião em específico”, em vez de querer “apagar da memória boliviana aqueles símbolos e personagens importantes que acompanharam nossa história”.

Segundo outros peritos consultados, a realização desta “bênção ancestral” obedeceu à necessidade do Governo de suplantar as cerimônias religiosas que se levavam a cabo em anteriores mandatos.

O politólogo Jorge Lazarte disse que embora este ato tenha reflexos de inconstitucionalidade, a própria Constituição promulgada em fevereiro de 2009 tem contradições “ao dizer primeiro que o país não tem religião e, logo, em uma série de artigos, apoiar o resgate das práticas da cosmovisão indígena”.

Embora membros do oficialismo dizem que a cerimônia no Tiwanaku é uma amostra de liberdade religiosa, outros peritos insistem em que esta contradiz o discurso do Estado laico plurinacional.

Inclusive, referiram-se à contradição de que por um lado as Forças Armadas já não participem de cerimônias católicas, mas comparecem aos ritos como o celebrado no Tiwanaku.

ACI

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